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Paulo Augusto Farina

A conquista da Serra Chata nos Agudos!

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A Serra Chata (1.080 metros de altitude) é uma belíssima formação integrante da Serra dos Agudos e uma das últimas Montanhas que, inexplicavelmente, permaneciam virgens no Norte do Paraná, apesar dos últimos anos de intenso fluxo de Montanhistas na região.

 

Após muitos anos adiando, enfim era chegado o momento de ascender a seu interessante cume. Desde o meu primeiro contacto com seus belíssimos paredões, sua densa floresta estacional semi-decidual e campos virgens que ansiava por embrenhar-me em seus domínios.

 

Nas várias caminhadas em direção ao Pico Agudo, era comum deter-me por alguns instantes analisando qual seria o melhor traçado para uma futura trilha. Estudei os mapas e vislumbrei três possibilidades de ascensão sem a necessidade do uso de equipamentos.

 

Programada com três dias de antecedência, o objetivo inicial era abrir uma travessia Serra Chata - Pico Agudo 0 que acabamos descartando face ao imenso esforço que seria transpor as Florestas e Campos virgens da Montanha com as cargueiras. Optamos pelo ataque...

 

Amolamos os fações na sexta, providenciamos o Livro de Cume, areia e cimento e partimos de Rolândia às 4:15 da matina do dia 05 de Setembro de 2015. Estacionamos bem no cotovelo da Serra, localizado na bifurcação com a estrada velha às 7:30 e iniciamos imediatamente a abertura da trilha.

 

O primeiro trecho de caminhada ocorre em um belo fragmento de mata repleto exemplares de lianas, gabirobas, pitangueiras, jabuticabeiras, caviúnas, sapopemas, jerivás... Parêntesis a uma interessante espécie de orquídea terrestre que não havia avistado em lugar algum...

 

Após 50 minutos de agradável ascensão pela Floresta há uma grande rocha que desprendeu-se do paredão e que indica o início da transição para os campos. Apelidamos a rocha "chora na rampa" dado ao suor que vertia dos comparsas Lucas, Klaus, Catarina & esposa...

 

Seguimos adiante. Analisando de mais perto o paredão, vislumbramos um campo fértil para os Montanhistas praticantes de escalada, dado ao fácil acesso e as inúmeras possibilidades de vias, todas emolduradas pela paisagem natural mais bela do Norte do Paraná.

 

O trecho seguinte é um denso colchão emaranhado de capim 'cheiroso' nativo que chegava a 1,5 metro de altura. Recordo que este ecossistema é sensível a queimadas, ainda mais nesta época do ano, recomendando-se, portanto, muita cautela no manejo de fogo ou cigarros.

 

Alguns trechos são domínios de pteridófitas (samambaias das taperas) que ofereceram resistência ao avanço, embora servissem como apoio para a escalaminhada do paredão... Já nas rochas e penhascos, há belíssimos exemplares de rainhas do abismo e dyckias.

 

Nos campos, passamos a nos locomover como lagartos rastejando por cima do emaranhado de capim nas encostas ingrimes, muitas vezes sem pisar no chão. Tal fato, somado a grande verticalização, fez com que apenas o Lucas continuasse me acompanhando rumo ao Cume.

 

Rapidamente analisamos as possibilidades e decidimos seguir por uma fenda que oferece segurança na escalaminhada. Logo após, avançamos alguns metros auxiliados pela vegetação e nos deparamos com mais um trecho de parede, sem muita pega na vegetação mas com bons apoios na rocha exposta. O local demanda muita atenção e concentração.

 

Vencemos o segundo trecho de paredão e seguimos com mais tranqüilidade. Alcançamos o cume às 9:30 hrs. A trilha atinge o ápice da Motanha próximo a um belíssimo exemplar de canafístula onde descortina-se uma fantástica visão do Paredão e do Vale do Rio Esperança.

 

Seguimos na direção norte do Cume de onde se têm uma visão fantástica do Agudo, Serra Grande, Taff, vale do Rio Esperança e sua foz no Rio Tibagi. No local, há duas áreas para acampamento (aproximadamente 4 barracas). Entre elas, instalamos o Livro de Cume...

 

Em breve retornaremos para pernoitar neste local... Já consigo pressentir quão mágico será o inédito Crepúsculo emoldurado pelo Pico Agudo, bem como o tradicional Mar de Nuvens preenchendo todo o Vale durante o Alvorecer - que assim o Eterno nos permita!

 

Preocupados com a sorte de nossos companheiros, fizemos um rápido lanche, chumbamos o cano com cimento, areia e pedras do cume esboçando um 'pato' que pretendemos completar em nossa próxima ascensão a Montanha munidos com mais areia e cimento...

 

Rapidamente fizemos uma caminhada pela Floresta de transição que há no cume. Parentesis aos belos exemplares de cactus nativos. Decidimos descer o paredão pela borda da floresta. Percorremos uns 30 metros com farto apoio em arbustos, até chegarmos a um precipício de onde só se pode descer com apoio dos cipós que abundavam no desfiladeiro...

 

Perguntei ao Lucas se ele encarava descer pelos cipós ou se retornaríamos ao conforto de nossa trilha já aberta... Optamos pelo retorno e alcançamos a trilha logo acima da primeira fenda. Este trajeto alternativo (mais seguro, para quem não gosta de rocha exposta) não chegou a ser demarcado, pois nossa fita isolante vermelha havia chegado ao fim...

 

A partir daí a caminhada fluiu rapidamente pela trilha já aberta e sinalizada. Em cerca de 30 minutos já havíamos retornado ao estacionamento na estrada. Decidimos partir direto em direção ao paradisíaco Salto Lambari... As 14:00 hrs, já ensaiávamos o tradicional salto em suas águas verdes gélidas... Uma merecida recompensa para uma memorável empreita!

 

Relato original publicado em 07 de Setembro de 2015 em: http://blogdopaulofarina.blogspot.com.br/2015/09/a-conquista-da-serra-chata.html

 

Imagens no Panoramio: http://www.panoramio.com/user/1146346/tags/Serra%20Chata

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