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Vgn Vagner

Travessia Vale da Morte (quase deu morte).

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Diferente do que aparenta ser, e do que muitos pensam, o Vale da Morte não tem esse nome por ter acabado com a vida de muitos que se aventuraram por suas fendas estreitas e perigosas. O nome, como um estigma, vem sido mencionado com veemência desde a década de 80, quando o Pioneirismo do Polo Industrial chegou no Brasil e se instalou na parte baixa da Serra do Mar, mais precisamente em Cubatão, produzindo fumaças tóxicas, colorindo e aromatizando o ar com uma névoa permanente, densa e venenosa, pairando naquele lugar. Com isso, a fauna e flora local ia sendo trucidada pelo desmatamento desenfreado, que abriu uma gigantesca clareira na floresta, para posteriormente, fincarem raiz na Baixada.

Com tanta poluição, não demoraria muito a aparição das doenças que, quando começaram a aparecer, causaram espanto com a gravidade do problema: "em seis meses, no período de Outubro de 1981 à Abril de 82, nasceram 1868 crianças: 37 estavam mortas; outras cinco apresentavam um terrível quadro de desenvolvimento defeituoso do sistema nervoso; três nasceram com anencefalia (ausência de cérebro) e duas tinham um bloqueio na estrutura das células nervosas que ligam o cérebro ao resto do corpo através da espinhal dorsal (fechamento do tubo neural)." Dentre tudo isso, e outros agravantes, a ONU deu à Cubatão o título de cidade mais poluída do mundo. E com essa repercussão mundial passou a ser chamada de Vale da Morte. Pois havia ali uma mortandade horrenda do meio ambiente.

 

 

Travessia pelo Vale da Morte (Rio da Onça)

Confesso que sempre tive muita vontade de fazer esse roteiro. Coragem, respeito e admiração não faltavam da minha parte, mas por diversos motivos tive que adiar essa travessia por dois anos. Quando eu queria, não encontrava companhia disponível, ou corajosa o bastante para tal feito, quando aparecia alguém indo, e me convidava, era eu quem estava enrolado com as datas e acabava não podendo ir. Isso me dava nos nervos. Teve vezes de chegar a arrumar meus aparatos na mochila e querer encarar o desafio sozinho, mas quando chegava a hora, eu via que o mais sensato era eu admitir que não tinha peito para ir sozinho, e que o certo era esparar minha vez chegar e ir acompanhado, pois estar num lugar como aqueles e não ter alguém que te socorra de imediato, caso precise, pode ser fatal. O Vale da Morte não admite erros.

 

Vinte e dois de Janeiro de 2016 foi a data de início que, por algum motivo, fui escolhido para atravessar a "Rainha da Serra."

 

Para meu espanto, eu estava calmo, sem anseios, sem medos e sem aquela vontade louca de estar lá (diferente das vezes que não pude ir). Creio que estar indo com pessoas experientes, que já haviam percorrido o Vale mais de duas vezes, me passava confiança. Mas quando deu 21h do mesmo dia, e eu chegava na estação Brás da CPTM, junto ao Paulo, percebi que teríamos uma tarefa árdua pela frente. Eu pensava que seríamos um grupo de 8 pessoas, no máximo, mas quando chegaram todos, fechamos ali um grupo de 11 aventureiros e seguimos até a Estação de Rio Grande da Serra, onde encontramos o Prince, e completamos nosso clã com 12 membros. Dentre todos, eu conhecia apenas o Loures e o Paulo, mas como não sou antissocial, logo estaria entrosado com todos.

Já na estação de RGS, esperamos o ônibus que leva à Paranapiacaba por muito tempo. Tempo suficiente para irmos atrás de táxis para para nos levar até o ponto de partida da caminhada. Conseguimos 3 carros, e rapidinho já dávamos os primeiros passos na Estrada do Gasoduto, e pouco depois entrávamos na picada à esquerda. Trilha que leva ao Lago Cristal. Seguimos entre prosa e risos, escorregando, tropeçando e atolando os pés no lamaçal que é aquela via. Mas não era coisa de outro mundo. Pra mim, só tive problemas com 30 minutos de caminhada, que foi quando minha lanterna de cabeça falhou, foi à óbito e nunca mais voltou, rs. Conclusão: tive que seguir na rabeira de quem tinha luz o suficiente, já que a lanterna reserva que eu tinha na mochila também falhava :(

Deu 01:30 a.m. Foi quando pisamos nossos pés no entorno do Lago Cristal à procura de um lugar para o primeiro pernoite. Coisa que não foi difícil, pois todas as áreas de acampamento dali estavam vazias. O que é um caso raríssimo (mais raro do que a lua de sangue). Nos dividimos em duas áreas diferentes, pois a que comportava todas as redes e barracas estava dominada por muita lama. Assim encerramos a primeira etapa.

 

Sábado, 23 de Janeiro, de 2016

 

Aos gritos de Booom diaaa, do Vinicius, levantamos e preparamos o café da manhã, ajeitamos as tralhas e demos início a caminhada do dia às 9h. Descemos sem novidades, sem dificuldades a parte do Rio Solvay até a Cachoeira Escondida, mas quase não houve pausa para fotos, só a olhamos de longe, demos bom dia e seguimos rs. A parte do trepa pedra sempre é ruim de se avançar, tem que ter cautela pra que ninguém se machuque, e com um grupo numeroso, esse tempo se estende. Chegamos local que o Portal do Vale se apresenta de forma única, linda e sem igual, da mesma forma de sempre: entre a neblina e o céu cinzento de todas as manhãs da Serra. O peso que vinha nas mochilas, junto ao esforço físico, ia fazendo as energias minarem, e a fome não tardou a aparecer. Quando chegamos na junção tríplice dos Rios Solvay, Vermelho e Areias, passamos com calma pela Cachoeira do Portal, e em sua base, onde começa o Rio da Onça, paramos para um lanchinho, um descanso, fotos e tibuns para alguns.

Quando decidimos continuar, levamos pouco mais de uma hora até o ponto mais conhecido do Vale da Morte: A Garganta do Diabo, onde o rio se estreita dentre dois paredões de aproximadamente 10 metros de altura, o que transforma o lugar num cenário sem igual, e até recreativo. Pois é da parte mais alta desses paredões que os mais corajosos saltam, fazendo um mergulho recheado de adrenalina a flor da pele. Essa era a vontade de alguns do grupo, mas como estávamos com um pouquinho de atraso, foi melhor não arriscar, rs. Antes de chegar ali, outro grupo nos alcançou, e nas honrarias e cumprimentos, perguntaram o que faríamos, explicamos que desceríamos até Cubatão, completando a Travessia. Se espantaram, e até perguntaram: As meninas também vão? Sim, elas também vão - foi a resposta. O Espanto e admiração se estampou e imediato no rosto deles. "Corajosas, hein. Eu estudo esse trajeto a muito tempo, e estou vendo a melhor hora para fazer isso. Parabéns aí, e bom rolê pra vocês" - disse um deles. Depois disso nos separamos, e eles seguiram num ritmo mais rápido. Foi nessa hora que algumas das meninas começavam a entender a dimensão do que estavam prestes a realizar ali. Com isso veio a preocupação, mas aquelas meninas não estavam nem um pouco dispostas a desistir. Cada rosto trazia o desejo pela aventura.Isso era claro.

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Quando chegamos na "Goela do Tinhoso," foi avisado que a partir dali, começaríamos a ter maior dificuldade para transpor cada obstáculo. E isso foi confirmado no ponto de escalaminhada que o lado direito do rio oferece como meio de passagem àqueles que pretendem seguir em frente. Os "caras" que estavam na frente, subiram assim que chegamos. E isso foi bom, pois sem a jogada tática de ter alguns homens na parte de cima, puxando as meninas através das mãos e cordas, e o restante dos homens na parte de baixo, dando sustentação aos pés e pernas para que as meninas pudessem subir, não haveria progresso. Mesmo assim, houve situações em que duas das meninas, por se estabilizarem com as pernas entre abertas nas rochas se colocavam, sem querer, como pêndulos a balançar de um lado para o outro, prestes a cair, mas saíram intactas daquela "prova de fogo". Aliás, teve um dos momentos em que, ao agarrar a mão do Loures na tentativa de subir, a Kelly jogou todo o peso de seu corpo para trás e quase despenca piramba abaixo. O que causaria um estrago e tanto, pois eu estava logo abaixo fazendo apoio à ela. Fizemos um novo tempo de parada para descanso, contemplação e fotos, e continuamos.

 

Até então, tudo estava indo de vento em popa, a felicidade era dominante entre todos, e os mais experientes sabiam que a partir dali começaria a brincadeira de gente grande. Começava, ali, a maior prova dinâmica que poderíamos passar, e saber se estávamos aptos a superar a nós mesmos e contribuir com solidariedade e companheirismo uns aos outros, agindo no coletivo e deixando o individualismo de lado. Até me lembro de ter dito: "quem quiser desistir, esse é o momento! Por que agora o bicho pega." E foi isso que aconteceu! O bicho pegou a partir desse ponto. O Loures, em comentário discreto, me pediu para que eu tivesse paciência, e que seria uma das travessias mais difíceis que teríamos. Não pela grandiosidade, quantidade e dificuldade dos obstáculos, mas, sim, pelo caminhar da alcateia, que teria que ser a mais tática possível, caso quiséssemos sair vivos dali.

Saímos com o "peito aberto à balas," seguindo o último vestígio de trilha que há naquele trecho do vale. Passamos pela via que trás de volta quem pula na Garganta do Diabo e sai da correnteza antes dela formar a próxima queda dágua: a Cachoeira do Anúbis. Descemos um pouco mais, varando mato pela direita. Vendo o quanto nos adiantamos, questionei se não passaríamos na Cachoeira do Anúbis, que fica logo na sequência da Garganta, o Prince afirmou, respondendo que não. Então seguimos os passos do Loures, que liderava a aventura abrindo o caminho com fortes golpes de facão, que só pelo tamanho e peso não fazia muito esforço para tal finalidade. rs.

Mais dificuldades apareciam pelo caminho, sorrisos se extinguiam como chama de vela acesa sob o vento forte soprando ao ar livre, o suor escorria pela testa, se fazia nascente nas costas, encharcando camisetas e eliminando as energias que teimavam em sustentar o peso daquela árdua atividade. Um poção aqui, outro poção acu lá, nos afastávamos do rio, e voltávamos a acompanhá-lo. Um detalhe que, vez ou outra, martelava minha cabeça era o fato de estarmos em desacordo com os ponteiros. As vezes eu perguntava, á quem já fez aquela travessia, se tinha como terminar em tempo com o combinado, e a resposta era sempre a mesma: sim.

Chegamos no topo da Cachoeira do Poção, a mais bonita da travessia (minha opinião), nem tão cansados, mas paramos por um tempo suficiente para que todos tirassem fotos na quantidade que quisessem, se alimentassem, e se renovassem para a nova etapa, que sem sabermos, que iria judiar de quem estivesse menos preparados. A única coisa que ouvi dizer, foi: a subida que contorna a cachoeira, e te coloca de volta no rio, é íngreme. Mas não imaginava tanto.

Devido ao grande número de "trilheiros" que ali passam, agora já há um caminho certo a seguir. Noutrora, quando o Loures esteve por lá com outros amigos, tiveram que meter os peitos morro acima. Aliás, voltando à subida íngreme, que morro é aquele? Meu Deus. Deviria se chamar: Morro do quase morro. rsrs. Enquanto subíamos, vagarosamente em direção à crista, atentos com as armadilhas naturais, e quase colocando a língua no queixo por conta do esforço feito, a enorme cachoeira que desce a escarpa direita do Poção ia ficando lá embaixo, cada vez mais longe, parecendo uma pequena queda, diferente do que realmente é. Grande e grandiosa, charmosa. O ritmo foi o mais lento possível, pois as cargueiras começavam a cobrar um preço alto por terem sido preenchidas com tantos trambolhos. As meninas sofriam cada vez mais, o pedido de ajuda era evidente no olhar de cada uma, que mesmo sem forças, não fugiriam à luta. Nem todos tem a mesma paciência de Jó, e aos poucos notava-se que o excesso de gentileza, que passaria mais segurança à elas e manteria o psicológico mais resistente, ia sendo deixado de lado por alguns homens do grupo. Quando chegamos na parte mais alta da crista, quase 1h depois, os cinco minutinhos de descanso se estenderam por 15 min, mais ou menos. Era hora de se preparar, já que depois de uma grande subida existe uma descida infernal, onde santos não ajudam, e diabos te empurram, seria tenso e demorado o avanço por lá.

 

Começamos a descer num ritmo mais lento do que se possa imaginar. Nos separando em três grupos em alguns momentos, pois as meninas tem aquela dificuldade de "tacar o foda-se," e se jogar sem medo nos obstáculos mais fáceis (pelo menos pra nós "H") que aparecem. Em determinado momento, vendo que o atraso era enorme, e que não sairia disso, paramos, Loures, Luciana e Eu, para esperar o povo de não aparecia, e solicitamos que seguissem em frente, Potenza, Natan e o Adriano (o Primo), na tentativa de sondar terreno e ver se haveria local com espaço suficiente para que pudéssemos passar a noite, razoavelmente bem. Já que o próximo ponto de acampamento seria na base da Cachoeira do Pé de Limão. Eles continuaram a descer pelo caminho de água (agora seco) que estávamos, se desvencilhando de cipós, driblando os espinhos e formigueiros, e atentos com pedras soltas até encontrar o Rio novamente. Mas no meio de tanta destreza, num grupo numérico, dificilmente alguém sairia ileso de alguma armadilha. E nesse caso, foi eu.

Não sei se parado a esperar, ou esbarrando na vegetação, formigas tocandira subiram em mim, sem que eu nem percebesse. E como se fosse um comando sincronizado, começaram a picar meu pescoço e minhas costas. De imediato já fui jogando a mochila no chão, tirei a camiseta e comecei a bater com ela por toda parte do corpo. Acabei sendo "picado" 5 vezes (4 nas costas e 1 no pescoço). Fiquei com calombos beeem salientes no alvo das mordidas, e uma ardência, uma dor insuportável no local. O Potenza sabe que não sou de chorumelas, frescuras e afins. Só olhou meu rosto transtornado de dor e já fazia ideia do quanto eu estava sofrendo.

Passados uns 40 minutos, e a gente ainda esperando o povo, volta o Primo, respondendo aos meus silvos de apito e vindo de encontro até a gente. Afirmou que não havia local para acamparmos, e subiu direto até onde estavam as menias para ver no quê poderia ajudar. Acabou trazendo mochilas.

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A procura de abrigo

 

Com todos na margem esquerda do Rio, ao pé de uma linda cachoeira com a queda separada por uma rocha, os mais experientes já sabiam que teríamos uma noite de cão. Não havia mais tempo hábil para avançar e encontrar algum lugar que comportasse o grupo, muito menos faríamos essa busca durante a noite. Como um bom líder de grupo faz, Loures saiu com o facão na mão, e eu o acompanhando, a procura por algo que fosse menos horrível para nós. Rodamos todo o entorno, dos dois lados do rio, e o que encontrávamos erma apenas pirambas atrás de pirambas, impossível de estabelecer uma estada noturna. Quando voltamos, a rapaziada já estava a "abrir/limpar" uma espécie de clareira pra que pudéssemos armar acampamento por ali, mesmo sendo difícil. Na insistência de achar algo melhor, seguimos uns 80 metros rio acima, Prince e Eu, até esbarrar com a Cach do Pé de Limão, onde consegui ver uma área plana e mais aberta na margem oposta, apontei ao Prince, e enquanto ele foi averiguar, eu continuei escalaminhado as rochas inclinadas e escorregadias um pouco mais acima, mas nada encontrei. Na verdade, encontrei um sarna pra me coçar. Quando fui tentar descer, não achei fendas para apoiar os pés e as mãos. Desci escorregando sem parar, com um medo da "preula" de me arrebentar no patamar abaixo. Por isso, enquanto eu descia igual um caminhão sem freio, assobiava igual um louco, na intenção de que o Prince visse onde eu iria cair, e se algo acontecesse, ele saberia saberia onde me encontrar. Menos mal que só foi um susto (o menor da travessia). Quando voltamos de junto ao grupo, mencionamos o achado, e julgamos que não compensaria retroceder com toda galera para lá, já que isso nos tomaria mais de uma hora. Com toda aquela situação de perrengue, ao lembrar dos perrengues que passou sozinho nessa mesma travessia, um dos nossos não conteve o choro compulsivo. Assim diz o Potenza - que me contou com surpresa.

Com boa parte do espaço já aberto, começamos a armar as redes e dividir os "cantos" para quem iria bivacar. A ideia foi a seguinte: como as meninas estavam bem debilitadas, com esgotamento batendo às portas, preferimos deixá-las descansar/dormir, nas redes, com o máximo de conforto que poderíamos arranjar naquela noite, enquanto os homens se ajeitariam no chão mesmo, onde desse. :P Foram armadas 5 redes, 3 espaços no chão foram o suficiente para acomodar o restante do pessoal. Não foi fácil.

A Kelly jurava de pés juntos que não dormiria numa rede daquelas, que seria inseguro, que iria cair, coisa e tal. Ficou de pé um tempão, passando frio, se distraindo com o "conversê" entre as meninas, e na hora que decidiu deitar, a profecia se cumpriu. Vira daqui, mexe dali... ploft! Kelly ao chão. Levou um tombo de cima da rede e quase sai rolando ladeira abaixo rsrs. Sorte a dela, que Prince pernoitou numa rede que estava "vaga," fez chazinhos e afins para esquentá-la enquanto tremia de frio. O que se sucedeu depois disso eu não sei dizer, pois o corpo precisava descansar, já tínhamos terminado o jantar, então me acomodei num cantinho, "plano", duma rocha, de onde o Loures rolou duas vezes durante a madrugada, e Eu tive que segurá-lo para não sair rolando na piramba. Na outra extremidade das redes se acomodaram o Primo e o Natan. Já o Potenza, que ficou batendo cabeça de um lado pro outro, acabou sendo largado a passar a noite numa parte que a primeira vista era um tanto que escrota, mas na hora H se mostrou com um solo bem fofo, e por sorte, ele fez seu bivak ali mesmo. Onde jura ter escutado uma cobra passando do lado do seu rosto, fazendo aquele característico barulho com a língua, e a viu um pouco distante quando acendeu a luz da lanterna.

 

Na manhã seguinte todos acordaram sãos e salvos. Demoramos demaaais para tomar café, recolher acampamento e darmos partida na caminhada do dia. Era mais de nove horas quando atravessamos o rio até a outra margem, pois continuaríamos pela mata, onde já se notava que o aquele domingo não seria fácil! Obstáculos de monte, encostas a subir na base da unha, pouco espaço para que um ajudasse o outro a prosseguir. Tava F***. Em um determinado momento tivemos que ganhar altitude para contornar duas rochas, altas, que afunilavam o rio e não nos dava passagem. A solução foi tocar pra cima. E isso trouxe problemas.

O grupo seguia alinhado, com o Potenza na frente, num terreno extremamente íngreme e sem firmamento algum. "Degraus" não existiam, achar qualquer espaço plano que coubesse o pé era como ganhar na loteria, a vegetação era escassa, raízes expostas também, à nossa esquerda o morro descia escarpado até encontrar a marginal rochosa que acompanha o barulhento rio. Qualquer queda dali poderia dar merda. E quase deu.

Cada curto espaço do terreno inclinado que passava um membro do grupo ia sendo rapidamente desgastado pelo pisoteio, deixando pequenos apoios quase inexistentes, insustentáveis. Numa parte elevada a isso tudo, eu estava oferecendo ajuda, entrelaçando as mãos e punhos, puxando quem precisava. E foi nessa hora, antes de se firmar na minha mão, ao tentar puxar uma fina raiz fincada na terra, e impulsionar o pé direito em um pequeno apoio gasto, a Thays despencou rápido, ralando toda parte frontal do corpo no barranco, tentando se prender, se agarrar em algo firme, mas não tinha, e o peso do corpo somado com o peso da mochila fazia ela descer mais rápido ainda. Por sorte, ela se lembrou de manter as pernas abertas, e foi aí que ela conseguiu parar, presa numa árvore. Eu, não sei como (por instinto), de imediato, desci a ribanceira correndo quase no mesmo tempo que ela, e quando ela parou, eu travei seu pé com o meu, dando apoio para que ela não descesse mais. Foi um susto e tanto.

Enquanto a gente aguardava ajuda para nos tirarem de lá, alguns tentavam subir ainda mais, e com tanta agitação, foi inevitável começar a rolar pedras em nossa direção, ora passando perto, as vezes mais afastadas, mas teve uma que foi certeira no meu joelho. A pancada trouxe uma dor dor cara***, e fez com que me debruçasse sobre a Thays, mas num flash de consciência, me lembrei que eu estava ali para dar apoio a uma mulher que rolou precipício abaixo. Então eu tive que me mante forte. Recobrei minhas forças até o Loures e o Prince chegarem lá embaixo para ajudar removê-la. Mas, antes disso o rebuliço continuava lá encima, e outra pedra rolou, porém, bem maior e mais veloz. Nossa sorte foi que ela quicou e passou sobre nós, por que se acertasse na cabeça de um dos dois, se não matasse, com certeza deixaria desacordado. Aí sim a merda estaria feita.

Passado o susto, O Loures retomou a liderança da jornada e decidiu que teríamos que nos afastar mais do rio para fugir do perigo eminente, e subir a crista até o topo pra depois voltar a descer numa parte onde pudéssemos estar mais seguros. Subimos, subimos e subimos, passando por mais um caminho enfestado de espinhos, até dar no topo do morro. Era evidente que o peso da travessia estava sendo cobrado a cada passo dado, pois algumas meninas estavam esgotadas. Paramos naquele topo, onde havia uma área plana que serviu para alguém, ou algum grupo num passado não tão distante. Roupas abandonadas foram o rastro deixados para trás.

Começamos outra descida fervorosa em direção a um afluente que, visivelmente, era detentor de algumas grandes quedas. Tivemos que buscar os meios mais favoráveis para seguir, mas parecia que algo conspirava contra o nosso grupo.

Em determinado momento, ao vencer um simples barranco, um patamar baixo, tivemos que fazer corrente humana (Adriano, Loures e Eu) para que os últimos pudessem passar em um lugar que oferecia uma queda de uns 3 mts de altura. Nada fatalmente tão perigoso, apenas o suficiente para causar uma situação nada fácil de ser superada. Passado por isso, atingimos outra descida forte, com caminho mais vantajoso de ser traçado, e fomos seguindo por ali. Hora caindo, hora nos divertindo com as palhaçadas, mas sem andando em um ritmo vagaroso. Grandes pausas eram feitas para reagrupar o povo.

Quando atingimos o rio novamente, aproveitamos para fazer um merecido almoço, em uma parte ampla e plana do rio da onça. Ali o tempo foi gasto à vontade, muitos de nós achando que o pior já havia ficado para trás. Particularmente, eu só me preocupava cem findar a travessia no mesmo dia, e de preferência, no início da noite (no máximo). Tanto é que eu sempre perguntava para quem já havia feito o percurso, e a confirmação era satisfatória.

 

 

 

TENSÃO

 

 

Continuamos a pular pedra sobre pedra, sem serpenteando pelas poucas curvas que surgiam. A alegria vinha a tona, pois os "poções" da reta final da travessia se aproximavam, e "neles" teríamos umas das partes mais esperadas de todo o trajeto: cada um ser levado pela leve correnteza que transita por aqueles poções. Alguns estreavam suas bolsas, e sacos, estanque, doidinhos para boiar, poucos se arriscariam a ir nadando, e os demais usavam colete salva vidas.

 

Me lembro dos que foram na frente: Natan, Adriano, Potenza, Vinícius e Prince. O restante, inclusive eu, se preparando e criando coragem, ficaram para trás. A Thays Marques foi uma das primeiras (se não a primeira)mulheres a pular. Ela disse que sabia nadar muito bem, e na confiança soltou a mochila estanque. Só que o poção fazia uma divisão de águas. Uma parte corria em direção favorável, dando continuidade ao rio, já a outra parte, mais forte, fazia um refluxo (tipo um redemoinho) levando água com muita força ao canto do piscinão. E foi nesse canto que o refluxo encurralou a Thays.

Ela lutava tentando sair de lá, dava muitas braçadas, mas não saia do mesmo lugar. Até que, de repente, ela perdeu as forças, sentiu cãibras, e afundou. Quando emergiu novamente, já cuspindo água, conseguiu gritar o nome do Natan (que nada muito bem). De imediato ele pulou para prestar socorro, e enquanto ele tentava segurá-la de uma maneira firme para tirá-la de lá, o desespero ia ganhando a cena, ela afundava e puxava ele junto. E o risco da tragédia só aumentava. Foi aí, nesse momento que pulou o Loures para dar um suporte e afastar o risco dos dois se afogarem. Mas, como tinha tudo para dar errado, o Loures também começou a ter cãibras, teve que se afastar dos dois para não agravar a situação. A Kelly entrou em estado de choque (paralisou), não conseguia se mover para nada, e Eu só enxergava o colete que estava no corpo dela. Eu puxava, tentava arrancar, aos gritos: dá o colete, dá o colete. E ela, travada, com o olhar fixo no nada só conseguia perguntar: vai precisar? E Eu gritava de novo:dá o colete.

No final do Poção o pessoal do outro grupo não conseguia ver o que estava acontecendo, pois havia uma rocha lhes tapando a visão. E sem entender muito bem, quando eu gritava, assobiava, e sinalizava chamando eles com urgência, vinham devagar. Sem presa nenhuma. Enquanto isso a Thays já tinha afundado três vezes, engoliu bastante água, estava pálida, lábios roxo, e quase sem forças. Quando o Prince chegou por cima da rocha e viu o que acontecia, pulo de cabeça na água, e por baixo, já foi por trás da Thays, a segurou e ergueu com um braço, fazendo ela respirar melhor. Eu, sem saber nadar, não tinha condições de mergulhar em auxilio à nossa colega, só pude chegar até a beira do piscinão e dar a mão ao Loures, e depois ao Prince, junto com a Thays, para saírem daquele pesadelo.

Uffaa, essa foi por pouco, e foi um susto e tanto.

 

 

Demorou para o grupo se restabelecer psicologicamente. Era nítido que o risco de morte foi grande, e que isso havia desestruturado alguns dos nossos. Mas, como era pra ser, seguimos. E muita coisa ainda estava por vir, sem que ninguém esperasse.

Prosseguimos, analisando a prova de fogo que tínhamos passado, e dando graças a Deus por nada de pior ter acontecido. Pois a dona Morte deferiu seus golpes de foice, mas todos foram em vão. Ainda bem.

 

 

A SEPARAÇÃO

 

"A batalha pela vida" nos tomou um tempo enorme. Alguns ainda tinham esperança de finalizar a travessia no mesmo dia. Eu já estava entregando os pontos em relação a isso. Era óbvio que não conseguiríamos.

 

Ao chegar numa última cachoeira (a pedra em nossos sapatos), já eram quase 20h, do horário de verão, e faltava muito chão pela frente. O Prince desceu essa cachoeira para analisar a situação e ver se seri uma boa ideia passar com o grupo pelo mesmo caminho (e não era). Mas não tinha como o Prince voltar, muito menos submeter o grupo a tal proeza em meio ao crepúsculo. O Potenza tentou seguir por esse mesmo caminho, mas, não conseguia avançar, nem retroceder. Teve de ser resgatado pelo Vinícius, por que estava correndo perigo.

Por conta da dificuldade do obstáculo, ficou decido que o Prince continuaria pelo rio, e todo o restante do grupo iria varar mato até nos encontrarmos mais adiante. Foi um erro.

 

Enfrentamos uma dificuldade descomunal para ganhar altitude sobre uma rocha, toda molhada, que nos servia como o único caminho existente daquele lado do rio. Sobe um, puxa o outro, sobe outro, puxa o próximo, e assim por diante. Estávamos crentes de que a perda de tempo era grande ali, mas não sabíamos que perderíamos muito mais tempo nas próximas dezenas de metros. O caminho estava muito fechado, e quem estava indo na frente (Loures), teve que trabalhar feito gente grande. E ele se mostrava incansável, devastando o que tinha pelo caminho, com a gana de querer nos tirar dali o quanto antes. Mas o trecho era perigoso, beira de penhasco, com valas terminavam no fundo do vale. Metade do grupo não tinha lanterna, umas pifaram, outros não trouxeram. E isso só atrapalhava no progresso. Pois precisávamos Jogar luz nas árvores para que o Prince acompanhasse a altitude e a direção em que estávamos.

 

Entre toda dificuldade que tínhamos, gastamos exatas 3 horas para cruzar um trecho que, talvez, não tivesse 300 metros. E ao chegar no rio novamente... Cadê o Prince???

 

Começava ali uma preocupação que castigava.

 

No ponto mais aberto do rio, amplo e apropriado para estarmos todos juntos novamente, nosso amigo não estava lá. Um trio dos nossos subiu, às escuras, por um tempo o contra fluxo do rio, mas retornaram sem boas notícias. Ele havia fica mais atrás de nós.

Por se tratar de um cara que é bastante experiente, conhecedor da região, e de técnicas que lhe manteriam vivo até a luz do dia seguinte chegar, optamos por dar continuidade ao plano de irmos até a Estação Raiz da Serra, e passarmos a noite por lá. Já que não havia a menor possibilidade de terminar o que faltava, quase 5km, naquela mesma noite. Já eram 22h20.

 

Já em terreno mais aberto, e próximo da baixada, conseguimos sinal de celular para avisar os familiares que estávamos todos bem, e que por motivo de atraso teríamos que passar mais uma noite na mata.

 

Nos vimos rumo ao glorioso final dessa travessia quando, no início da madrugada, arrastávamos nos carcaças pelo tortuoso do Rio Mogi em seu trecho final. Aquela parte, cheia de pedras arredondadas, e soltas, que quando são pisadas fazem o favor de te desequilibrar. Isso se não for ao chão.

Esse foi um das partes mais cansativas. Já tínhamos um acumulo de desgastes e situações vindas dos dois dias que se passaram. A cada 10 minutos caminhados, um dos nossos deitava nalguma ilhota do rio, com mochila nas costas mesmo, e desabava para poder descansar. A Kelly, alem de estar com a maior parte dos ombros queimados, estava fazendo tudo isso usando tênis sem meias. Resultado? A constante umidade nos pés, e o atrito entre dedos e as pontas do interior dos calçados, lhe causou um problemão: a perca de duas unhas dos dedos dos pés. Isso lhe incomodava tanto, trazia uma dor incessante, que a garota não aguentava mais. Andava com o braço dado ao meu, se apoiando para não cair, e a cada 10 minutos ela perguntava se estávamos chegando. A resposta, claro, era uma tentativa animadora de afagar seu sofrimento. Mas tudo que lhe dissessem seria em vão. Em determinado momento, em um surto de fraqueza psicológica, ela começou a gritar, chorando e dizendo que estávamos enganando ela, e que ela já não aguentava mais, coisa e tal. Foi difícil. Se não fossemos, o Loures e Eu, conversar com calma, acalentar com toda paciência do mundo, seria mais penoso continuar.

Demos graças à Deus quando vimos que a água do rio já não cobria apenas nossos tornozelos, e sim as nossas cinturas. Um sinal de que já era hora de abandonar o leito penetrando a mata da margem esquerda e chegar na antiga, e abandonada, Estação Raiz da Serra. Um lugar sujo, depredado e fedorento que nos veio como um palácio para passarmos a noite. Pronto, estávamos satisfeitos! Ops, nem tanto...

 

Cadê o Prince???

O certo, seria encontrá-lo por lá. Já que estava sozinho, e em terreno aparentemente mais transitável que o nosso, teria uma vantagem sobre nós. A não ser que algum empecilho pudesse ter atrasado ele pelo caminho.

Lógico que a preocupação reinou sobre todos. Onde será que estava aquele cara??? Mesmo estando preparado para enfrentar e aguentar uma noite a mais, coisas acontecem. Né?

O tempo foi passando, e nada do Prince aparecer. O cansaço dominou geral, e todos foram sendo derrotados pelo sono, largados no chão, ou, pendurados em suas redes. A esperança derradeira era que ele tivesse avançado, alem dali, seguido até a rodoviária de Cubatão para passar a noite por lá.

 

Às 03h30 da madruga, ouço passos quebrarem os azulejos soltos pelo chão. Era a Thays perambulando pra lá e pra cá. Ao levantar para ver o que causava aquele barulhão, ela me perguntou:

 

- Vgn, você vai embora que horas ?

- o quanto antes. - respondi.

- nós, Kelly e Eu, estamos indo embora agora. Não quer vir com a gente ?

- vou sim! só me deem um tempinho para recolher minhas coisas, e nós já vamos.

 

Foi uma das melhores coisas que eu poderia fazer naquele momento. Além de ter compromissos inadiáveis na segunda feira, as duas estavam dispostas a saírem dali, ainda na madrugada, sem saber o caminho. E ainda faltavam uns 3 km’s até o ponto de ônibus. Poderia dar merda.

Já com minhas coisas arrumadas na mochila, acordei o Loures, que roncava feito um Javali, e avisei que estaria acompanhando as meninas. Ele fez sinal afirmativo e achou bom que as duas não fossem sozinhas.

Pisamos nossos pés para fora daquele casebre bem na hora que descia um trem pelo sistema CREMALHEIRA. Nos escondemos por trás de outra casinha trancada com correntes e cadeados, esperamos por uns 15 minutos até acabar o vai e vem de alguns funcionários da empresa, e saímos assim que a “barra estava limpa.” Claro que foi um caminho que parecia não ter fim. Andar entre os trilhos, tropeçando nos dormentes e pedras, não é nada animador.

Chegamos no ponto de ônibus já com a luz do dia, embarcamos sem demora, e em poucos minutos já estávamos desembarcando no Terminal Rodoviário de Cubatão. E enquanto esperávamos nosso coletivo chegar, chegam umas mensagens do Prince, afirmando que estava bem, e já havia chegado em casa.

 

O Prince passou um dos piores perrengues quando nos separamos...

 

...enquanto seguíamos varando mato morro acima, Ele tentava seguir pela água, mas tinha muita dificuldade. Estava sem facão, sem corda e sem lanterna, tinha em mãos apenas o celular com a bateria em 4% (que esgotou rápido), e uma faca de punho. Por pouco tempo ele conseguiu nos acompanhar, olhando os fachos de luz que jogávamos no fundo do vale. Mas quando se deparou com poções e gargantas intransponíveis, ainda mais em período noturno, teve que varar mato, escalar a ribanceira e tentar seguir nosso rastro. Como não conseguiu, traçou seu próprio caminho, e acabou indo além de onde estávamos. Passou por áreas pantanosas, com capins que cobriam sua altura, terrenos encharcados, o risco de dar de frente com algum animal peçonhento ou de grande porte. Mas, entre toda essa situação, ele acabou por sair da mata e entrar na empresa de Container’s que fica ao lado direito do Rio Mogi, e foi o mais sorrateiro possível para que os guardas não o vissem circulando lá dentro. Saiu o mais rápido que pode, e seguiu direto para Cubatão. Pernoitou nos bancos da Rodoviária e conseguiu pegar o primeiro ônibus que deu partida com direção á São Paulo.

 

Só depois de toda essa explicação (que foi compartilhada entre os demais, via SMS), todos puderam respirar mais aliviados e seguir com a consciência em paz, agradecendo a Deus por terem saído “sãos e salvos.”

 

 

 

 

Participantes: Thays Marques, Thais Santana, Kelly Almeida, Vanessa Traceur, Luciana Lopes, Eduardo Loures, Vinicius MZK, Marcos Piccoli Prince, Silvester Natan, Adriano, Paulo Potenza, e Eu (Vgn Vagner)

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Esse foi o seu relato que menos dei risada.. e pra quem te conhece sabe o quanto isso é sério. ::tchann::

Meu brother, que perrengue foi esse? :roll:

 

Graças a Deus que deu tudo certo.. e as meninas, putaquepariu que coragem.

E como sempre dizemos, nos melhores perrengues estão as melhores histórias.

Parabéns pelo relato mano.. como sempre mandou muito na escrita, me senti no rolê, principalmente quando o pessoal quase se afogou. ::hein:

 

Abraços.

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Pois é, Edu...

 

você é um dos que me conhecem bem, sabe que não estou fantasiando, e pode me desmentir caso eu esteja escrevendo alguma mentira em meus relatos.

Realmente, esse foi um dos que menos inspiram risos :( a situação foi tensa demais. E as meninas, coitadas, algumas nem faziam ideia da encrenca que estavam se metendo :P Mas foram corajosas sim.

Mas a coragem de todos foi embora no momento do afogamento.

 

Valeu, mais uma vez, pela atenção. Mano.

Abração!!

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É, Douglas, foi um perrengue dos "bons." Perigoso.

É interessante quando lemos algo e entramos juntos na história. Obrigado pelo prestígio ao relato.

 

*as vezes dá muito trabalho ficar colocando fotos (dá erro, dá tilt, demora rsrs). Por isso, só essas ;)

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Cara, enquanto lia o relato ia passando um filme na cabeça! Muito show!

Parece que tu atrai essas paradas, né? Ha ha ha

 

Parabéns pelo teu relato e a coragem dos participantes. E bota aventura nisso!

 

Abraço

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Obrigado, pela atenção ao "Curta metragem," Armorines. rsrs

 

Verdade! As vezes o meu magnetismo, voltado pros perrengues, está elevado. Sempre tem alguma coisa perigosa acontecendo.

Só rezo pra que tudo acabar bem. Comigo e com os amigos. Pios essas travessias e explorações "fora do convencional" ofertam risco de morte a todo instante.

Abraço, man.

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Parabéns irmão, belo relato. Estava sentindo falta dos seus relatos.

Você melhor que ninguém sabe que eu corro dos perrengues. Já passamos alguns, mas este aí nem se compara.

Graças a Deus que deu tudo certo, mas volto a dizer, se cuida muleke doido! ::putz::

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Obrigado, irmão. ;)

Vdd, vc não gosta muito dessas "paradinhas" aí!! rs

Mas se olharmos para trás, veremos um histórico saudosista tbm.

Abraço \o/

::otemo::

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    • Por rafacarvalho33
      Antes de começar o relato, gostaria de salientar que ocorre uma discussão a respeito dessa trilha,  se ela deve ser feita ou não e vou tentar explicar o porque desse debate. 

      A trilha de fato é ilegal, ela fica dentro de uma propriedade privada (a empresa MRS Logística) e a Sub prefeitura de Paranapiacaba não reconhece a trilha como oficial, além desses dois importantes fatores, não é anormal que ocorram a fiscalização para pegar os infratores na entrada da trilha, podendo gerar uma multa (que varia dos R$300 a R$500) e ate detenção por invasão a propriedade privada.

      Por outro lado, a trilha se dá ate Cubatão, passando pela Serra do Mar, com paisagens exuberantes, com fauna e flora muito rica e diversificada, além das cachoeiras pelo caminho, há também toda a importância histórica e cultural do trajeto, juntando esses fatores com o fato de Paranapiacaba estar próximo a cidade de São Paulo, é comum que dezenas de pessoas durante os finais de semana se arrisquem e realizem a travessia, ou pelo menos, parte dela. 
       
       Paranapiacaba recebe centenas de turistas nos finais de semana. 


      Por muitos anos, me recusei a fazer essa trilha, porque além de ela ser ilegal, ela também é perigosa, mas esse ano conheci duas pessoas que já fizeram esse trajeto mais de 05 vezes cada um, sendo conhecedores do local de olhos fechados, assim me senti mais seguro.

      Antes de mais nada, na minha opinião, acredito que a melhor solução para esse assunto seria a empresa cobrar uma taxa de entrada, e com esse dinheiro, aplicar na manutenção da trilha, deixando ela mais segura para os amantes de aventura, assim, todos ganhariam, a empresa, nós e Paranapiacaba, que assim, poderia receber mais turistas. 

      O fato de proibir por proibir sabendo que existem pessoas que ate acampam no local, da a sensação que as autoridades junto com a empresa tem preguiça de lidar com a situação, pois ao mesmo tempo o acessos a trilha e a saída dele são fáceis de identificar, se de fato quisessem proibir, não seria difícil fazer isso, ao meu ver parece que eles apenas buscam fugir da responsabilidade caso alguma coisa aconteça.


       
       Vagão de trem abandonado logo no começo da trilha
       
       
      Bom, dito tudo isso, vamos falar um pouco mais sobre a Trilha Funicular, a travessia até Cubatão tem 15 km, passando por 16 pontes e 13 túneis, as pontes estão a 50/60 metros de altura do chão, a trilha muitas vezes passa por mata fechada, tendo muitos espinhos, aranhas e até cobras, por isso é recomendável usar camisa manga longa e calça larga, e caso veja uma cobra pelo caminho, só precisa ter calma e deixar ela seguir seu trajeto em paz, recomendo o uso de lanterna para ajudar a atravessar os túneis. 
       
      A trilha é plana e tranquila de se fazer, não requer muito esforço físico, agora as partes que atravessam a ponte, essas não são tão simples, primeiro porque sempre dá aquele medo, então é comum muitas pessoas travarem na hora e não conseguirem, segundo, as pontes estão bem danificadas, já que elas foram construídas e postas em operação no ano de 1867 e foi desativada entre 1970 a 1980, então a conservação da ponte esta comprometida, a parte de madeira esta podre e em alguns locais, o ferro que da a sustentação, esta bem gasto. 
       
       A situação das pontes não são das melhores. 


      No caminho, atravessamos por 05 pontes na ida, a primeira foi a mais cansativa, por ter todos esses problemas que citei acima, mas conforme você vai fazendo, você vai pegando confiança e segurança, na quarta e quinta ponte já fazia em pé, sem precisar me apoiar em nenhum lugar. 

      A nossa volta, passamos por duas pontes e cortamos caminho para chegar ao novo sistema funicular, dando a oportunidade de ter a visão das pontes de longe.


       
       

      Além das pontes e trilhas, no caminho tem estruturas diversas, como as Casas das Máquinas, esses lugares geralmente são para as pessoas que querem acampar a noite, fazer alguma comida ou dar aquela descansada. 

      Começamos a trilha as 09:00h da manhã e voltamos a cidade as 15:30h da tarde, já que estava ameaçando chover, nosso trajeto foi até a segunda casa das máquinas, que fica depois da quinta ponte, lá tem um ótimo lugar para tirar fotos e apreciar a Serra do Mar, chegando a ver Cubatão ao fundo, muitos vão até a terceira ponte, onde tem a primeira casa das máquinas e um ótimo lugar para tirar fotos também, os mais corajosos vão ate Cubatão. 

       
       Dando aquela pausa na segunda casa das máquinas.


       
      A imponente Serra do Mar ao fundo 
       

      Recomendo que caso você tenha interesse em realizar a travessia ou parte dela, que busque algum guia local ou pessoas que já fizeram e que possam ter ajudar durante a trilha, é de extrema importância ter um apoio, se eu fizesse ela sozinho, sem ter ao meu lado duas pessoas experientes, a situação seria muito mais complicada do que foi. 


      Espero que tenham gostado do relato, para qualquer dúvida só mandar mensagem pelas minhas rede sociais, estou presente no Instagram no rafacarvalho33 e no Facebook no Follow The Portuga.


      **** Aos amigos do blog que vão viajar e reservar sua hospedagem, peço para usarem minha caixa de pesquisa na página inicial do site, assim o Booking repassa uma parte da comissão para mim, ajudando eu a seguir com o trabalho aqui no blog, isso não gera nenhum custo adicional para você. Valeu =] ****


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    • Por Vgn Vagner
      Sobre o antigo sistema Funicular
       
      Funicular significa "sistema de transporte em que a tração do veículo é proporcionada por cabos acionados por motor estacionário, e frequentemente se utiliza para vencer uma grande diferença de nível".
       
      A SPR (São Paulo Railway), foi a empresa que construiu e operou todo o primeiro sistema, composto por 5 casas de máquinas, 11 túneis e 16 pontes. Inaugurado em 16 de Fevereiro de 1867, teve funcionamento centenário. Tendo que ser desativada em 1982, após um incêndio datado de 14 de Janeiro de 1981, sendo sucedida por outras empresas até 1994. Inicialmente o sistema era para transporte de café entre as cidades de Jundiaí e o porto de Santos. Hoje o primeiro sistema já não opera mais, fazendo parte do Museu Tecnológico Ferroviário do Funicular, mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.
      Há uma linha paralela atualmente ativa, que opera com um sistema mais avançado, chamado Cremalheira-aderência, inaugurada em 1.974 sob o comando da concessionária MRS Logística S.A.
       
       
      Relato
       
      No início de quando me interessei por trilhas, mergulhei de cabeça nessa história de me envolver com os grupos, ler relatos, me aventurar, coisa e tal. Procurava companhia já fazia meses, e nada de encontrar. Mais continuava entretido no fórum, lendo, e foi em um desses relatos que me empolguei com toda aquela narrativa que excita qualquer novato. Eu lía e re-lía várias vezes a ponto de ficar afiado pra encarar esse desafio quando surgisse a oportunidade, ela demorou a chegar, coisa de um ano depois.
      Time escalado, e lá vamos nós ao "ataque inverso". Por que inverso? Porque os relatos que se tem por aqui, ditam que há uma necessidade de (acampar num dos túneis) pernoitar uma noite para essa travessia, e que é preferêncialmente entrar pela Vila de Paranapiacaba durante a noite para não ser vistos pelos guardas e ter que dar meia volta. Nós fizemos o oposto: entramos por Cubatão, na Rod. Conego Domênico Rangoni às 09:00h, sem nos preocupar com guardas e realizamos a travessia em 1 dia (8h entre pernadas e pausas).
       
      obs.: só fizemos em 1 dia porque era isso que tinhamos como tempo disponível e um dos integrantes do grupo já havia feito o mesmo trajeto. Lembrando que, se não calcular o tempo certo, pode-se correr o risco de ficar pelo caminho no escuro da mata e atravessar os trilhos nas alturas sem visibilidade, aumentando o risco de vida. Atenção hein! Pois a neblina baixa cedo em Paranapiacaba.
       
      Pegamos a Van na estação do Metro Jabaquara por volta de 07:45h sentido Cubatão, no valor de R$25,00 por pessoa, e a danada demorou para sair. Bom para o Thiago, que foi conhecer o Habbib's da região...kkk. O trânsito na Rodovia dos Imigrantes estava livre, e logo chegamos ao viaduto da Rod. Conego Domênico, também conhecida como Piaçaguera-Guaruja. Uma referência da trilha que leva aos trilhos da Funicular. Alí já está o término da travessia para quem desce da Vila e chega ao pátio de manobras dos trens da MRS Logística S.A.
      Sendo aquele local, área privada e tombada como patrimônio, não demoramos muito por ali, há um certo aglomerado de casas nos arredores, e a fama de Cubatão não é das melhores quando o assunto é segurança. Pegamos logo a trilha, que de início achei meia confusa de se "navegar" , por haver várias picadas para todas as direções. Mais bastou achar os cabos de aço estirados no chão e segui-los. Pois esse é o caminho.
       
       
      O cenário aguça a imaginação logo no começo da caminhada, onde a serra foi rasgada para se ter o "planalto" onde subiram e desceram vários trens construindo parte da história do Brasil, e que hoje, resta apenas uma linha férrea abandonada por décadas. E a tanto tempo inativo, todo o sistema ganhou ornamentação natural, deixando tudo o que vemos com uma imagem histórica e/ou envelhecida. A ponte que foi ao chão, ainda tem sua metade suspensa e é tomada pela vegetação, tem lá sua beleza individual e acesso restrito.
      Nos primeiros km's passamos por lugares sensacionais, contornanos a primeira ponte e alguns túneis que oferecem a escuridão como desafio mesmo sob a luz do dia. O incerto te rodeia a todo instante, pois se não tens uma lanterna em mãos, não se sabe onde vai pisar, pode ser em um buraco, como pode ser em uma cobra. O negócio fica tenso.
      Eu já estava ficando intediado de tanto desviar de pontes e varar túneis sem adição de alguma emoção por menor que fosse. O que mais me instigava a estar alí, seria o desafio das pontes, que até então não me surpreendiam vistas ao longe. Mais não tardou muito, e na 4° ponte eu tive minha coragem posta à prova.
      A ponte mais extensa de todo o percurso, conhecida como Ponte Mãe, tem sua estrutura bem, mais beeeem comprometida mesmo, e é parcialmente tomada pela vegetação, só dificultar o caminho. A cena que se vê não é das mais animadoras, pois faz você temer cada passo que será dado em cima daqueles trilhos comidos pela ferrugem, e as madeiras (dormentes) podres esfarelando abaixo de você. A cena assusta hehehe.
       
      E quem disse que deu coragem de encarar tranquilamente? ainda mais indo de pé. Deu um medo da porraaa kkk, e olha que eu não tenho medo de altura hein.
       
      Em ordem e com espaço de um para o outro, seguiram: Diego e Rene (atravessando em pê), Eu, Thiago, Diogo e Terry (com medo, engatinhando nos trilhos como quem não sabe ficar de pé kkk). Tudo muito tenso e cansativo, pois estávamos expostos ao sol forte, mais na verdade, era a adrenalina que fazia o suor escorrer pelo rosto a cada metro avançando. Não é tarefa fácil, você seguir nas alturas, sem segurança, e ainda ficar vendo alguns trilhos balançando e os dormentes (madeiras), que te suportam caírem enquanto você. E pra dar mais emoção, Diego logo anuncia: tem uma cobra aqui (na metada da travessia), mais na verdade eram três cobras enroladas nos ferros. Eu me aprecei pra ver e consegui visualizar apenas duas delas descendo lentamente as barras de ferro sem obstruir nosso caminho. Ainda bem rsrs. Pois seria complicado se estivessem no mesmo nível que a gente, tão alto... aff.
       
      Superamos o 1° desafio creio que uns 20 minutos, porém com segurança e do jeito que cada um se sentiu melhor. Sem pressa, na calma.
      Novos km's percorridos sob o sol forte, calor de rachar. Nossa água (1L cada), acabou rápido. O bom é que temos pontos dágua pelo caminho, que dizem não ser confiáveis devido a contaminação de alguns rios locais, só que não dava para continuar sem se refrescar. Então tomamos da água corrente de alguns desses pontos assim mesmo.
      Eu já estava satisfeito com a superação inicial, até me arrisquei a seguir em pé sobre os trilhos da próxima ponte em diante. E assim foi também com Diogo, menos para Terry e Thiago que realizaram todas as travessias engatinhando nos trilhos. Dou meus parabéns a eles por encararem isso, mesmo tendo medo de altura.
      Conforme subiamos o declive da Serra do Mar, conversavamos sobre toda a engenharia ali empregada, as dificuldades para a construção dos túneis em uma época que não havia tantas "máquinas que fazem tudo" como hoje em dia, e como seria assistir tudo isso em funcionamento.
       
      "em 1.861 foi instalado um acampamento no alto da Serra do mar, que chegou a abrigar 5.000 homens para realizar a construção de toda a linha com seus 11 túneis e 16 pontes".
       
      Próximo ao meio de todo o trajeto já avistamos as primeiras caixas dágua que abasteciam as casas das máquinas, a primeira e segunda de cinco delas, estão inacessíveis devido ao mato ter tomado conta, engolindo quase que por completo esses patamares. O 3° Patamar já é maior, mais visível, porém tem "armadilhas" no solo dificultando o acesso. São valas profundas onde se fazia algum tipo de manutenção nos trens, então é complicado se arriscar e cair num buraco desses.
      Andando um bom tempo depois dali, alcançamos a "cereja do bolo" desse rolê: o 4° Patamar. eita lugar fantástico. E eu pensando que já teria visto tudo o que queria ver nessa aventura (coitado). O 4° Patamar é a principal e maior casa de máquinas, com grandes engrenagens, turbinas, painéis e alavancas que geravam toda força para catracar as composições cargueiras entra o planalto de Paranapiacaba e a Baixada Santista. Localizada abaixo da ponte mais alta e bem conservada de todas (Grota funda), e que termina invadindo o morro por um túnel, o patamar merece admiração em todos os detalhes, pois o lugar te leva a outro plano, outra realidade, como se você estive estrelando em filme que retrata a antiguidade férrea de algum faroeste americano.
       
      O enorme morro a nossa direita é muito íngrime e antecede o Vale do Rio Quilombo, e tem sua vegetação seca e rasteira com rochas em destaque, que fazem lembrar de paisagens internacionais (tipo: Texas, Yugoslávia, Islováquia né Diego? kkkkkkk). E abaixo de nós, um afluente de pequenas quedas que deságuam no vale do lindo Rio Mogi.
      Foi naquela paisagem rica em história que registramos as melhores e mais ousadas fotos. Ainda bem que deu tempo, por que assim que decidimos prosseguir, caiu um forte neblina permitindo enxergar apenas uns 15 mts a nossa frente, no máximo.
       
      Faltava pouco mais de 1h entre as poucas pontes e túneis que restam pra alcançarmos o quinto e último patamar e finalizar nosso passeio.
      O frio já abraçava a Vila quando saimos da trilha. Então fomos tomar aquele cafézinho e chocolate quente para aquecer antes de pegar o Bus para Rio Gde da Serra e seguir rumo a house...rs.
       
      Na Van, indo embora, ouvindo that's my way - Edi Rock part. Seu Jorge, a emoção me abraçou forte, mais tão forte, me trazendo um misto de alegria, satisfação, superação e gratidão pelas companhias e a presença divina, que não resisti, e chorei, chorei bastante enquanto eu recordava de tudo que vive naquele (01/09/2013), domingo abençoado. Só tenho a agradecer.
       
      that's my way and I go
      esse é meu caminho e nele eu vou!
      eu gosto de pensar que a luz do sol vai iluminar o meu amanhecer,
      mais se no manhã, o sol não surgir, por trás da nuvem cinza tudo vai mudar,
      chuva passará e o tempo vai abrir. A luz de um novo dia sempre vai estar
      Pra clarear você, pra iluminar você
      Pra proteger, pra inspirar e alimentar você.
       
      fim.
       
       
      obs.: com muita calma, realizamos em quase 8h de pernada. Se interessou em ir pra lá? estude bem seus medos e as dificuldades que é estar lá, pois é proibido (lei Federal) transitar em linha férrea. Colha o que puder de infos antes de ir e dê preferência de ir com quem já visitou antes.
       
      itens indispensáveis:
       
      1 _ confiança em Deus;
      2 _ não ter medo de altura;
      3 _ luvas (evita ferimentos e Tétano);
      4 _ lanternas (túneis escuros);
      5 _ lanche rápido;
      6 _ 2L de água;
      7 _ boas companhias, rsrs.
       
      boa sorte!
      Agradeço a Deus pela minha proteção e de meus companheiros.
      valeu a pena!!
      abraço.
       
       






       





       





       
       
       
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato com algumas dicas para fazer uma bela trilha onde irão encontrar algumas maravilhosas cachoeiras, belas paisagens e uma natureza fantástica bem perto da cidade de São Paulo e de baixíssimo custo. 
       
       Ida - 10/09/18 - 05h00min - São Paulo x Rio Grande da Serra x Paranapiacaba - Metrô e Trem R$4,00 - Ônibus R$6,90 
         Partindo de São Paulo do bairro Perdizes Zona Oeste, peguei o Metrô na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Verde x Azul) para baldear para a linha vermelha seguindo até a estação Sé (linha Azul x Vermelha) onde peguei para a estação Brás (linha Vermelha), para finalmente pegar o Trem da CPTM sentido Rio Grande da Serra que foi nossa primeira parada. O trajeto todo até a primeira parada teve uma duração de aproximadamente 1h30min . Chegando na estação de Rio Grande da Serra, após sair pelas catracas atravessamos a linha do trem e viramos para a direita na rua e depois viramos na primeira rua a esquerda onde tem um ponto de ônibus que leva tanto para a vila de Paranapiacaba quanto para a entrada da trilha que fica a poucos quilômetros de Rio Grande da Serra. O ônibus é do transporte público então é só esperar alguns minutos que logo encosta um. Mas antes de pegar o busão nós aproveitamos e fizemos umas comprinhas nos mercados e padarias que encontramos por ali ao lado do ponto de ônibus, nada de mais, somente alguns pães, água, presunto, queijo e chocolates, pois nossas mochilas não poderiam ficar pesadas para fazer a trilha. Comprados nossos alimentos seguimos para o ponto e em alguns minutos o ônibus chegou. Conversei com motorista antes e pedi para o que nos deixasse na entrada da trilha da Cachoeira da Fumaça e minutos depois la estávamos na entrada da trilha. 
       
        
         
       
       
        Na entrada existe uma porteira de madeira, é só dar a volta e atravessar e seguir reto por esta estrada passando por baixo dos fios das torres de energia elétrica onde existe um barulho da energia correndo pelos fios bem sinistro mas sem perigo nenhum. Passando esses fios ai sim inicia a trilha com muita lama em alguns trechos então o cuidado tem que ser maior para não acontecer possíveis quedas. O inicio da trilha é de nível fácil, a única dificuldade mesmo é a lama intensa, mas aconselho a retirarem os sapatos e irem descalços, assim você não os suja para a volta e ainda sente a incrível energia que a natureza irá colocar nos seu corpo entrando pelos seus pés. É fantástico!
        A primeira parada na trilha foi em uma prainha de água cristalina com uma pequena queda de água, um ótimo lugar para se refrescar e tomar um pouco de sol, ficamos por alguns minutos ali vendo vários girinos e peixinhos nadando naquela água cristalina. Depois de contemplar aquele primeiro paraíso seguimos a diante. A trilha começa a ficar bem fechada mata a dentro, em alguns trechos ela irá cruzar o rio tendo que continuar a trilha do outro lado.

                
       
        Após andar pouco mais de 20 minutos chegamos em um ponto muito legal, a segunda parada da trilha foi em um ponto onde se consegue ver cidades litorâneas como Cubatão, Santos, São Vicente. Um lugar de uma imensidão grandiosa da natureza contrastando a mata e a cidade, ótimo lugar para tirar belas fotos.
       
                
       
        Seguindo a trilha mais a frente por alguns minutos já começamos a ouvir o barulho de água caindo, chegando perto do rio nos deparamos com uma grande queda de água, uma cachoeira linda, com um grande volume de água caindo. Ficamos algumas horas nesse local perplexos com a grandeza de detalhes que a natureza estava nos proporcionando. O banho de cachoeira é quase obrigatório e é de lavar a alma! Fizemos nossa terceira parada e nosso café da manha ali naquele paraíso. 
       
                

       
        Seguindo o curso do rio encontramos a trilha novamente, andamos mais alguns minutos pela mata, mas sempre do lado do rio, foi quando um clareira se abriu na nossa frente nos mostrando aquela imensidão grandiosa da natureza novamente e o rio que estávamos seguindo se transformando em uma queda fantástica, a Cachoeira da Fumaça. Estava ali o nosso destino, uma cachoeira majestosa com uma delicada e ao mesmo tempo brusca queda de água que deixava o lugar com uma sonoridade única. Ficamos horas nesse lugar e ainda demos a sorte de não encontrar muitas pessoas, pois fomos logo depois do feriado de 7 de Setembro numa segundona braba hehehehe. Vantagens de quem tem folga na segunda rs.  
       
                
       
        Foi um momento muito lindo ver aquela enorme cachoeira, aquelas montanhas rodeadas de matas verdes por todo canto e ainda contrastando com o mar ao fundo, sinceramente não estava nos nossos humildes planos toda aquela beleza de uma vez só! Mas a natureza ainda nos proporcionou uma ótima visão desta mesma cachoeira só que de frente. Encontramos alguns caras que estavam acampando por ali perto que nos indicou o caminho. Descemos pelo lado esquerdo da cachoeira por uma trilha bem escorregadia e medonha que levava de frente da cachoeira. Levamos alguns bons minutos descendo essa trilha pois foi de nível médio para difícil. A trilha estava muito escorregadia e de altura considerável então foi meio tenso a descida com as mochilas, mas conseguimos descer depois de alguns minutos e todo o esforço valeu muito a pena. A vista da Cachoeira da Fumaça de frente é de uma beleza ímpar. 
       
       




        
        Algumas horas se passaram com a gente ali paralisados com tanta beleza, contemplamos aquela maravilha até o último momento, foi quando uma névoa cobriu todo lugar deixando a visibilidade muito ruim. Decidimos ir em embora pois estava ficando sem visibilidade por causa da neblina e não gostaríamos de pegar a trilha escura. Por volta das 16:30 arrumamos nossas mochilas e partimos para o retorno. Fizemos exatamente a trilha que viemos e foi bem rápido e tranquila. 
       
      Volta - 10/09/18 - 16h30min - Paranapiacaba x Rio Grande da Serra x São Paulo - Ônibus R$6,90  - Metrô e Trem R$4,00 
        Chegando na rodovia do lado direito tem um ponto de ônibus, então é só caminhar até ele e aguardar pelo ônibus que em alguns minutos irá passar, e foi o que aconteceu, em menos de 20 minutos pegamos o ônibus de volta pra Rio Grande da Serra e finalizamos mais uma fantástica trilha bate e volta com cachoeiras e paisagens maravilhosas bem pertinho de São Paulo. Gratidão! 
        Espero ter ajudado em algumas dicas e fico a disposição para qualquer dúvida. Vlw
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    • Por Kássio Massa
      Olá, galera do Mochileiros!
      Estou postando esta trip que fizemos no último dia 10/07, muito cansativa, porém, igualmente compensadora!! Ao todo, foram cerca de 22km de caminhada.
      Confiram o relato, a seguir!
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      http://rotamassa.blogspot.com/2011/07/pedra-grande-de-quatinga-paranapiacaba.html
       
      Após algum tempo sem retornar à pacata região de Paranapiacaba, programamos, desta vez, um roteiro um pouco mais pesado - na verdade, muito mais pesado...
       
      Saindo de Paranapiacaba e seguindo por 10km, pela antiga Estrada de Taquarussú, passando pelo vilarejo de mesmo nome, avista-se, no horizonte, um enorme granito, de aproximadamente 100m de altura, preso no topo de uma alta montanha, 1120m acima do nível do mar. Esta é a Pedra Grande de Quatinga, já no distrito homônimo de Mogi das Cruzes, mostrando-se imponente em meio à Serra do Mar paulista, de onde se pode avistar a baixada Santista, e mesmo, o centro de Mogi, a 35km dalí.
       
      O caminho é longo - pouco mais que 10km -, em estrada de terra batida que abrange quase todo o percurso, sendo os últimos 2,5km caminhos difíceis e íngremes, inacessíveis a qualquer tipo de veículo.
       

      Nosso guia prático de bolso
       
      Chegamos à vila inglesa por volta das 9h30, o lugar parecia vazio, ao contrário da última vez, porém, havia seguranças controlando as entradas das trilhas próximas dalí, o que me fez presumir que, em instantes, o chamado Expresso Turístico, da CPTM, daria as caras por lá, trazendo assim, os turistas do dia.
       
      Passamos no centrinho da vila para comer algo e nos preparar para o árduo caminho que nos esperava. Tiramos nossas últimas dúvidas com moradores locais, a respeito de nosso destino - Pedra Grande - e assim, seguimos até a estrada de Taquarussú, aproveitando ainda para passar no pátio ferroviário aberto e tirar algumas fotos em frente aos dois 'Locobreques' - antigas locomotivas á vapor, de fabricação inglesa, que operavam no sistema funicular, atualmente, desativado - que estavam alí, jogados aos líquens.
       

      Galera... da esquerda para a direita: Ariel, eu, Finazzi e Thiago
       




       
      Enfim, às 10h30, deixamos Paranapiacaba e adentramos a antiga Estrada de Taquarussú. Este caminho, apesar de pouco divulgado, é ponto de partida para várias trilhas, que dão acesso a cachoeiras, ruinas e outros atrativos ainda pouco explorados e que, por não fazerem parte do município de Santo André, têm acesso livre, sem exigência de acompanhamento de monitores.
       

      No 'portal' da Estrada de Taquarussú... Ariel, Finazzi, Thiago e Gabriel
       


       
      Em 3,3km de caminhada pela estrada, chegamos ao vilarejo de Taquarussí, fundado por imigrantes italianos, no final do século IX. Um lugar de extrema simplicidade, porém, de rara beleza arquitetônica, presente em suas casas e na capela de Santa Luzia. Havia também, um lago cuja água apresentava uma coloração verde-azul descomunal - só foi uma pena não ser permitido nadar, apesar de o nosso mapa ter dado um bom mergulho alí, nos rendendo um bom susto! hawuhawu
       








      Ariel indignado com o incidente hawuwhwu
       

      Nosso mapa de bolso tomando Sol, após ter dado um mergulho no lago
       
      Adiante, andando por mais 3,5km, passariamos no Pesqueiro Truta das Pedrinhas para pedir maiores informações sobre a região. Mas fomos surpreendidos, no meio do caminho, por um riacho de águas cristalinas e calmas, que, não fosse a friaca do Inverno, teria nos convencido a permanecer alí mesmo, dando mergulhos e nos refrescando!
       


       
      Ao chegarmos ao pesqueiro, fomos atendidos pelo dono, que, junto a um grupo de amigos que estavam a passar o dia alí, nos deu algumas dicas sobre o trecho final. Analisamos tudo o que eles haviam dito e vimos que batia perfeitamente com o nosso mapa. Os agradecemos e seguimos em frente.
       
      A partir do ponto de onde já podiamos avistar a imponente pedra, começava o trecho mais difícil e cansativo do roteiro, onde a estrada dava lugar a uma longa subida por um caminho onde dutos de água estouraram, formando um verdadeiro tobogã, onde todo cuidado para não escorregar era em vão! Este caminho nos deixava na entrada da trilha, à direita, ao lado de uma propriedade privada.
       

      Pedra Grande de Quatinga, finalmente à vista!
       


       
      Tudo ia bem, só estava faltando uma coisinha até agora: a gente se perder! E essa hora chegou, quando passamos direto pela entradinha da trilha, sem notá-la, andando adiante, por cerca de 10min, até avistarmos, novamente, a grande pedra, no alto da montanha, porém, ... lá atrás...!
       

      Dez minutos após passar a entrada da trilha para o cume da Pedra Grande
       
      Voltamos e entramos na picada, que nos conduziu ao topo da Pedra Grande. Apesar de faltar apenas 1km agora, este era o trecho mais complicado, uma vez que, finalmente, começariamos a subir, de fato, a montanha. A trilha era inconfundível e sem bifurcações, porém, havia trechos em que a inclinação passava de 65º, o que nos obrigou a escalaminhar ladeiras e a carimbar nossas bundas, diversas vezes!
       
      Foi nessa parte, também, que nossa resistência seria colocada à prova, já que cometemos a grande gafe de não levarmos suprimentos o suficiente - aqui, nossa água e comida acabaram, de vez, nos deixando sedentos e famintos para o resto do dia, o que nos fez correr contra o tempo e a desidratação.
       

      Entrada da trilha da Pedra Grande
       



       
      Aleluiamente, após longas 3h30 de caminhada pela estrada e 40 estonteantes minutos de escalaminhada e escalada pela picada, vencemos a majestosa Pedra Grande de Quatinga! Estávamos, agora, a 1120m de altitude, e, pudemos descansar e vislumbrar a fascinante panorâmica de quase 360º. Da pedra, era possível observar o centro de Mogi das Cruzes, Paranapiacaba, e o grande desnível da Serra do Mar - só não era possível ver o mar devido a uma cerração!
       

      Olhando para Sudeste
       

      Vista para Nordeste
       





      Pico Itaguacira, a Leste, 30m mais alto que a Pedra Grande
       

      Vista para Sudoeste, atrás destas elevações, está a Baixada Santista. Em dias de melhor visibilidade, é possível avistá-la
       









       
      Permanecemos no cume por cerca de 1h, e já era tempo de voltarmos, pois o relógio indicava 16h30, e teriamos que alcançar a estrada até antes de escurecer totalmente. Estávamos cansados, sem água e sem alimento, e ainda teriaamos mais de 10km pela frente, até chegarmos de volta a Paranapiacaba... #fuuu!!!
       


      Descida da montanha, na volta
       
      Descemos às pressas, carimbando nossas bundas novamente, mas conseguimos atingir a estrada de Taquarussú em cerca de 1h. Enfim, veio a noite, mas seguimos sem problemas, pois estávamos em Lua-cheia, o que nos garantiu iluminação natural durante todo o percurso.
       
      A sede e o cansaço nos deixava cada vez mais debilitados ... foram inúmeras vezes as que tivemos que parar em meio à estrada e recompor nossas energias, quase que não surtindo efeito algum... Foi assim até chegarmos á vila inglesa, que, apesar de pequena, pelo nosso desespero em chegar ao centrinho e comprarmos algo para tomar e comer, mais parecia uma metrópole sem fim, onde cada metro se convertia em quilômetro... Eis que se materializou, frente a nós, o famoso Bar da Zilda, que, como um templo, veio a nos salvar! *---*
       
      Recuperados, subimos à parte alta da vila e nos dirigimos ao ponto para pegar o ônibus para Rio Grande da Serra, de onde sairia o trem de volta a Sampa! >> Back home! o/
       
       
      Detalhes da Trip
      Como chegar: a Pedra Grande de Quatinga está localizado em um local de fácil acesso, distante 10km de Paranapiacaba. Basta Seguir pela Estrada de Taquarussú por cerca de 6,5km até o Pesqueiro Truta das Pedrinhas e virar à direita, seguindo o caminho, ignorando as entradas, até a bifurcação, onde se deve seguir à direita, pelo caminho dos dutos. Seguindo por cerca de 200m, á direita, está a entrada da trilha, que é um caminho único, que chega ao cume da Pedra Grande.
      Quanto custa: CPTM(Luz/Brás - R. G. da Serra) - R$2,90; EMTU(R. G. da Serra - Paranapiacaba) - R$2,80
      Importante: é importante que se leve muita água consigo, pois no caminho, há pouquíssima civilização e o percurso todo, de 22km - ida e volta - leva, no mínimo, 6h, em rítmo de caminhada moderado.
    • Por Dyanne
      ola galera...
       
      voltando aqui pra postar o meu segundo relato
       
      tendo total sucesso na nossa primeira trilha ao poço formoso fiquei tentada a voltar para a pequena vila e fazer outra o mais rapido possivel ^^ (circulo viciante)
       
      pesquisei a respeito do lago de cristal, porém optei por subir a pedra Grande mais uma vez influenciada pelos relatos do "Massa" rs
       
      então no feriado da consciência negra me encontrei com o meu parceiro de aventuras as 7:00 no ponto aqui perto de casa e la fomos nós a Paranapiacaba...
       
      chegando na vila, compramos mantimentos e antes de encarar a longa estrada de taquarussu subimos ao mirante do lado do cemitério...
       

       
      o tempo estava ótimo bem diferente do que a gente viu na primeira trilha o que nos deu mais coragem ainda pra pernada que nos aguardava, descemos então a ponte em direção a estrada não sem antes também tirar fotos da vila e da locobreque...
       

      locobreque

       
      mais alguns cliques, depois de passar no bar da Zilda pra tomar algo gelado e criar coragem, finalmente chegamos na estrada... as 10:00

       
      seguimos então a estrada sem grandes mudanças de paisagem....cruzavamos vez ou outra com motos de trilha e ciclistas

       
      depois de muito andar, chegamos na vila de taquarussu onde comprovei o q o guarda metropolitano de paranapiacaba a quem pedimos algumas informações nos informou que na verdade era at muito pequena pra parecer uma vila com casinhas contadas a dedo, igreja e uma pequena represa...De dia naquele sol me parecia uma cidade fantasma de faroeste porém a noite imaginei como um cenário de jogo apocalipitico!


       
      até aqui tudo tranquilo foi depois de passar pelo pesqueiro que o perregue começou...
       

       
      depois de passado o pesqueiro truta nas pedrinhas entramos a direita como li no relato do "massa", passamos por uma propriedade com dois cachorros de caça , um deles bem exaltado tentando pegar os patos quase nos fez retroceder até eu perceber que ele estava preso por uma corda
       
      então continuamos depois dessa primeira propriedade tínhamos duas opções seguir reto ou uma bifurcação a direita onde entramos pensando ser a tal trilha até a pedra, errado!
       
      começamos no que parecia ser uma trilha que foi se fechando cada vez mais...embora inocentemente eu ainda achasse que era a certa...
       
      que nada... estávamos em mato fechado mais jurava que estava certa e teimosa como sou (preciso trabalhar nisso) não quis admitir o erro e como estava dando pra andar desviando dos obstáculos sempre em zigue e zague, achei que estavamos paralelos a trilha certa e que podíamos encontra-la em algum ponto...estava enganada.
       
      quanto mais andávamos mais agonia dava, o clima estava tenso e andávamos em silêncio, o único som era do "ai!" pq tinha muitos espinhos, tensa como eu estava e cheia de adrenalina nem estava me importando no momento, só queria chegar!
       
      fizemos um verdadeiro vara mato (só que sem a faca q seria muito útil por sinal), chegamos até uma parte onde tinha muito bambu e o Alex até se inspirou a querer bater fotos e quebrar um pouco o clima tenso porém estava mais preocupada em como chegaríamos, voltaríamos e a vegetação me deixou confusa oras aberta...oras fechada... aquilo com certeza não era uma trilha!
       
      depois de andar mais um bom bocado sem saber onde estávamos, passamos por mais uma propriedade que era um sitio que tinha uma placa bem grande dizendo proibida a passagem sem autorização, ouvimos barulho de cachorro e por via das duvidas a contornamos pela cerca por um caminho que se escorregasse era direto pro hospital pela queda ou por se cortar no arame farpado!
       
      continuamos pelo caminho árduo de espinhos, deslizamentos, troncos e etc...a essa altura já tinha total certeza que tomei o caminho errado em algum ponto distinto e já tínhamos andado muito, pelo menos eu achava, já que as arvores fechavam o céu acima de nós o q me deixava claustrofóbica e meio desorientada sobre onde estavamos em relação a pedra...a teimosia era maior e não me deixava retroceder, já tinha chegado até ali e iria até o final até pq tinha certeza de que já no topo acharia a trilha certa de volta.
       
      Alex até tentou me fazer voltar para trás sutilmente me dizendo que se eu não queria voltar pq estava machucada e estava preocupado, mais tentei transparecer a maior confiança do mundo de q iriamos chegar no objetivo...(era só subir então se já estava ferrada mesmo pelo menos ia até o final!).
       
      ele me olhou como se estivesse prestes a me carregar pra casa se fosse necessário mais que também iria dar o voto de confiança que eu precisava de q ainda podíamos chegar la...
       
      passado esse drama continuamos a subir... já estava anestesiada a dor que os espinhos e outros obstáculos me causavam então tentei me concentrar em detalhes como pequenas clareiras de luz, as arvores abaixando, pedras enormes e o barulho do vento mostrando que pelo menos estávamos subindo...
       
      Avistei uma clareira logo depois da subida íngreme em que estávamos como se o terreno la estivesse plano não deu outra me apressei em chegar até ela escalando como se estivesse ficando sem ar...
       
      quando alcançamos a clareira estávamos bem ao lado esquerdo da pedra tínhamos duas opções ou subíamos por ali mesmo que não era tão 'íngreme" e estava coberto com capim dourado seco até o topo(porém uma tropeçada ou perda de equilibrio era morte na certa, pq não tinha nada pra se segurar na caída) ou encarava a mata fechada de novo!
       
      não pensamos duas vezes e decidimos ir conquistando pelo lado da pedra até o topo, a vista era linda mais nem olhei pra trás com medo de ter uma vertigem, perder o equilíbrio e descer a montanha rolando...fomos bem dizer escalando, forçando o peso do corpo pra baixo e com cuidado porém estava andando com uma certa pressa, aquela situação também estava me deixando agoniada, Alex foi na frente com as mochilas e eu logo atras, em todo o perrengue que passamos aquele foi o mais fácil de vencer porém foi o de maior risco... arranhões não era uma das opções ali!
       
      chegamos em fim ao centro do topo, fiquei super empolgada "we are the champions my friends" mais logo sentei como se estivesse andando a dias, puxei todo o ar que pude e fiquei algum tempo parada até me estabilizar, devido a fatores como adrenalina, cansaço e latitude fiquei super ofegante...enquanto isso Alex ligou o radio e constatou que chegamos ao topo exatamente as 14:00 contabilizando 4 horas de ida e ainda precisávamos descobrir como voltaríamos.
       
      demos alguma olhada ao redor e já fomos até a ponta da pedra montar o piquenique, agora que estava parada e o sangue esfriava começava a ver realmente os estragos: como muita fome e minhas pernas putz as duas cheias de vergões,arranhões e ralados que começavam a doer pra burro, mais ainda quando eu tive a brilhante ideia de jogar água pra limpar os machucados...
       
      depois de comer os dois sanduíches que o Alex preparou pra mim e passada a adrenalina conclui q até foi duro chegar ali, mais perrengue faz parte, erros ensinam e a vista era linda!
      então comecei a curtir o momento e tirar fotos...
       


      Convidado do piquenique

       
      curtimos mais um pouco ouvindo legião urbana e apreciando a vista até q chegou 3 rapazes mais um senhor que era o tio e trazia os meninos para uma excurssão a pedra, fizemos amizade e explicamos o perrengue q passamos, pedimos encarecidamente se podíamos voltar com eles e evitar mais arranhões e stress na volta...eles ficaram felizes em nos ajudar!
       
      os nossos recentes amigos tiraram a nossa ultima foto na pedra...

       
      começamos a descida que foi bem íngreme porém divertida, aberta e muito mais segura que a subida, estávamos na trilha certa!

       
      os nossos amigos nos guiaram no caminho sem muita dificuldade até chegarmos em outra propriedade aparentemente abandonada com piscina que vimos do alto da pedra, pulamos a porteira branca da entrada e depois nos despedimos do pessoal que ainda iria pegar as bikes que esconderam no mato, depois desse ponto tinha uma entrada a esquerda e outra a direita fomos orientados a seguir pela esquerda pra chegar onde tudo começou na propriedade do cachorro caçador de patos....passamos pelo caminho dos dutos e chegamos de onde saímos e percebi o meu erro, deveria ter seguido reto logo após a primeira propriedade ao invés de ir pela entrada a direita!
       
      sem mais delongas nos apressamos no caminho de volta pq ainda queríamos assistir o final do jogo do Corinthians, mais claro que parando para alguns rápidos cliques,tomar uma breja no pesqueiro e para lavar o rosto no riacho que vimos na ida...
       

       

      A mãozinha...
       
      chegando na vila, fomos ao bar da Zilda e vimos o Corinthians tomar o gol e logo em seguida virar o jogo
       
      depois de bebemorar o dia e a vitória do Corinthians rumamos ao ponto mais não antes de passar no mirante de novo e ver a vista de Cubatão linda com as luzes acessas...pena que foi ai que minha câmera me deixou na mão.
       
      fomos para o ponto e ja eram 20:30...aguardamos o que parecia uma eternidade e finalmente EMTU/Trem/Metrô/ônibus.....lanchonete...CASA!
       
      aprendi muito nessa segunda trilha e ja anseio voltar a pedra(do jeito certo claro!)rs, estou adorando viver essas aventuras e descreve-las aqui!
       
      agradecendo mais uma vez ao Alex que me apoiou quando foi necessário, mesmo me chamando de doida , aguentou firme e confiou em mim até o final!
       

      A vida é uma escalada...mas a vista é ótima.


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