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Guilherme Adolf

Carretera Austral, Paso Mayer, Chaltén, Calafate, TDP e Ushuaia - 17445km de Bandeirante

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Após ficarmos sem o nosso queijo e presunto, Jean esperava um café da manhã bom.. porém, já tinha avisado que café da manhã de hostel.. hehe, é café. Havia apenas café, leite e manteiga.. o pão tinha acabado e a padaria não tava aberta ainda kkkkkkk

 

Foda!

 

Eu nem lembro bem o que comi.. acho que tomei só café e com barrinhas de cereal.. Jean tinha comprado umas maçãs e bananas no dia anterior, aproveitou e comeu. O pão que compramos, que era pra fazer misto, sobrou, e como tínhamos que levar algum lanche pro passeio, acabei levando ele com umas bisnagas de patê que eu havia trazido do Brasil.

 

Saímos do hostel 8:45 em direção ao Parque Nacional Los Glaciares, o mesmo de El Chaltén. O tempo estava feio, muitas nuvens, chuviscos, vento.. não estava animador.

 

Eram cerca de 80km de asfalto até as passarelas que ficam em frente ao glaciar.

 

Cerca de 50km após sair de El Calafate, existe a portaria do Parque. Aqui devemos pagar o ingresso de 250 pesos. Eu acho caro.. uma vez que em outros parques estrangeiros, o comum é pagar 20, 30 reais equivalente. Ainda mais depois de conhecer El Chaltén, que tem as trilhas muito bem demarcadas e conservadas, sem custo algum de ingresso!

 

Mas ok, pagamos..

 

Após essa portaria, deve-se ter um pouco de atenção na pista. Muitas curvas fechadas que seguem margeando o lago, e por conta da sombra da encosta, a pista fica escorregadia por gelo.

 

O tempo continuava esquisito.. seguimos e encontramos a entrada do Pier onde pegaríamos nosso barco. -50.473033, -72.992480

 

Decidimos tentar ir até as passarelas, enquanto não dava a hora do embarque previsto. Nesse trecho já é possível avistar o glaciar.

 

Chegamos em um primeiro estacionamento, -50.463728, -73.024361, e por falta de informação, acabamos deixando o carro ali, sendo que podíamos subir mais e parar lá nas passarelas praticamente.. Ali existe um serviço gratuito de vans que levam os turistas até no outro ponto, porém tinha acabado de sair uma e a próxima ia demorar.. então voltamos pro pier. Nesse estacionamento existe restaurante, café, banheiros..

 

Voltamos pro pier, chegamos meia hora antes do embarque, deixamos a band, pegamos as coisas e logo em seguida chegou um ônibus com os demais turistas que iam no barco conosco.

 

Logo que embarcamos, tivemos que ficar dentro até o barco sair do atracadouro. Alguns instantes depois, foi liberado ir no andar de cima, onde é aberto. Pensem num vento gelado! De doer! Pqp.. difícil até de fotografar.

 

Porém ver o Perito Moreno é assustador! Incrível! É muito grandioso, é uma das maiores demonstrações de força da natureza! Mesmo já tendo visto outros glaciares pela viagem, o Perito Moreno é único: tem uma facilidade de acesso incrível, se mantém estável em dimensões há centenas de anos e de tempos em tempos, ocorre o colapso de uma ponte de gelo que é formada quando o glaciar encontra a terra.

 

Esse colapso ocorre porque quando o glaciar encontra a península, represa o Lago Rico, impedindo seu escoamento. Este por sua vez vai subindo de nível, infiltrando e fazendo pressão nesse bloqueio, até o momento em que a pressão é tão grande, que a parede de gelo se quebra! O último acontecimento foi em março! E ainda havia boa parte da ponte na parte da península! Deve ser incrível presenciar:

 

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3486637/Perito-Moreno-glacier-s-ice-bridge-collapses-Argentina.html

 

Nossa navegação durou uns 30 minutos e ali do lago já era incrível ver suas imponentes paredes de gelo!

 

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Chegamos no outro lado do Lago, onde o glaciar 'corre' por cima da terra. Ali existiam 4 guias, e nos dividiram em 2 grupos de acordo com a língua que falávamos, inglês ou espanhol. A princípio ficamos nos hermanos.

 

Como já dito, todos esses funcionários são da Hielo y Aventura, a única que pode operar esse passeio. São muito educados e prestativos. Logo ali já havia um grande ponto de apoio, onde podíamos deixar coisas que não queríamos levar pra caminhada.

 

O grupo era bem heterogêneo em idades, mas a maioria era argentina e chilena.

 

Seguimos por uma trilha até uma baixada bem próximo do glaciar e ali começamos a ouvir os primeiros estrondos do glaciar.

 

O Perito Moreno 'cresce' até 2,5m por dia! Então o gelo vai sendo empurrado pelo peso da neve lá de cima das montanhas, e a cada acomodação, é um barulho muito, muito alto! Como aquele raio que cai do lado da sua casa!

 

Ali o guia nos deus uma geral de informações sobre o glaciar e como o grupo espanhol tava muito grande, pediu que 4 voluntários fossem pro inglês, então nós fomos, já que também compreendíamos.

 

O grupo inglês era menor, então a atenção dos guias era melhor.

 

Seguimos mais um pouco e chegamos no local onde colocamos os 'grampones', a sola com garras de ferro, pra poder caminhar no gelo. Ela é amarrada na sua bota por eles, por meio de uma fita.

 

Depois de colocar, tem que andar igual quando tá cagado kkkkkk com as pernas meio abertas, pra não correr o risco de pisar no outro pé e furar.

 

Logo seguimos e caminhamos beirando o glaciar, até o ponto em que entramos no gelo. Nosso guia nos ensinou algumas técnicas de caminhada no gelo, nada muito complexo, é mais pra evitar escorregões. O caminho que percorreríamos estava já muito marcado, pois são dezenas de grupos todos os dias.

 

Estar caminhando ali é incrível, é como estar em cima de um monstro. Eu admiro muito a natureza e o glaciar realmente me deixou boquiaberto. Lugar pra se sentir bem pequenino diante daquilo tudo.

 

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Vejam essa foto, vejam as pessoas como formigas:

 

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Nas bordas o gelo é mais sujo, por conta da proximidade com a terra. Quanto mais andávamos pra dentro, mais branco ficava.

 

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Fizemos subidas, descidas, sempre em fila indiana, com um guia na frente e um atrás. Alguns tombos.

 

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Nós até bebemos água do glaciar e por incrível que pareça, não estava tão fria. Porém não é recomendado tomar muita, pois não há sais e poderia dar dor de barriga, segundo os guias.

 

Vídeo:

 

Era tudo muito legal, porém achei que íamos encontrar mais formações, como cavernas, fendas, lagoas.. porém ainda assim foi muito bacana.

 

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Ao final de quase 1:30 de caminhada, chegamos no ponto alto, o whisky com gelo do glaciar kkkkk

 

O gelo é pegado ali mesmo, tem cerca de 400 anos e o whisky.. bem, o whisky... deve ser pelo menos.. enfim, tinha uma bebida lá chamada whisky! kkkkkkkk

 

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Pra quem não bebe, pode pegar água também.

 

Dali voltamos pra tirar os grampones e depois começamos a voltar. Na volta presenciamos um grande desprendimento de gelo, formou uma onda muito grande, um barulho muuuito alto.

 

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Foi muito rápido, quase não consegui fotografar..

 

Voltamos pro ponto inicial, onde tivemos um tempo pra fazer lanche até o barco retornar pra nos buscar.

 

Embarcamos e chegamos no pier às 16h. 5h de passeio, como prometido pela empresa.

 

Após chegarmos, decidi voltar nas passarelas pra poder olhar o glaciar de frente, por cima. Voltei naquele estacionamento e já não havia mais vans. Então fui a pé.. 1km de uma subidinha cansativa.. e enquanto subia, via carros descendo.. fiquei encucado.. achei que não era permitido ir até lá de carro particular!

 

Cheguei lá e vi outro estacionamento, menor, mas que carros eram permitidos.. aquele primeiro deve ser pros ônibus, vans.. f

fiquei puto.. mas beleza.

 

Existe uma placa com a descrição das passarelas. Existem várias e cada uma te dá uma visão diferente do glaciar. Fui andando e cheguei até na última, que fica bem de frente com os paredões de gelo.

 

Acho que essa visão é mais magnífica que a da caminhada. Ainda mais quando o tempo abriu:

 

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É impressionante, o menor pedaço de gelo que se desprendia, fazia um barulho tremendo! Me disseram que era assim e eu não tava levando fé.. é tudo isso que dizem sim!

 

Ficam todos lá, escorados, esperando o gelo cair. Acho que é um dos poucos lugares onde queremos que a natureza sofra um dano heheh

 

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Flagrei um grande bloco se desprendendo:

 

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Enfim, fiquei ali 2h, só admirando aquilo tudo. Imagem pra ficar marcada na memória.

 

Voltei pra band já umas 18h, Jean não quis ir e ficou dormindo no carro.

 

Bem, terminado o horário de funcionamento do Parque, nos restava voltar pra cidade.

 

Chegamos lá e logo parei no posto BR, ali acabei comprando 2 litros de óleo de motor, 30 reais cada.. Acabei completando e misturando os óleos do motor, Ipiranga com Lubrax. Como os dois eram minerais e há quem diga que o óleo da ipiranga é fabricado pela BR.. acabei colocando. Mas não recomendo fazer o mesmo. Eu deveria ter levado um balde de 20l de óleo..

 

Dali, fomos procurar um lugar pra comer. É meio caro por lá.. mas acabamos pegando um restaurante até bom, tava merecendo.

 

Depois ainda fui no banco, fiz mais um saque no Santander pra garantir logo dinheiro e acabamos indo para outro hostel. Fomos pro Penguim Hostel, -50.339518, -72.262367. Era mais barato que o outro, mas não tinha 'café' kkkk

 

Os quartos estavam meio cheios, eram 4 beliches e só havia 2 banheiros compartilhados. Mas tinha uma cozinha bem arrumada e wifi. Foi bom. A moça também me emprestou o notebook pra passar fotos pro HD externo.

 

Aproveitei pra ir no mercado comprar novamente queijo, presunto e pão pro café do outro dia.

 

Fim do dia, fomos dormir.

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Levantamos mais tarde do que eu planejava, porém o frio era cada vez mais doloroso. Mesmo dormindo no hostel, saber que íamos encarar um dia de tempo ruim com chance de neve, já dava aquela desestimulada.. kkkkk

 

O vento cortava frio, e uma leve garoa caía. Arrumamos a band e embarcamos.

 

Saímos cerca de 09:50 de El Calafate e tínhamos como destino o Parque Torres del Paine, no Chile. Porém, íamos tomar um desvio da ruta 40, passando por Esperanza. Esse desvio ia nos tirar de um trecho de rípio muito ruim da ruta 40 e nos levar ainda a um ponto de abastecimento.

 

A estrada mais uma vez era pra se aplaudir de pé, o asfalto da melhor qualidade.

 

Após tomar novamente a 40 e andar uns 20km, vi ao longe que a paisagem estava com um aspecto estranho, como se tivesse uma neblina, uma chuva fina.

 

Mais alguns km e a ruta 40 começa a subir uma pequena serra e logo a chuva fina começou a cair mais devagar, foi virando um gelo derretido e logo em seguida os flocos de neve começaram a cair no para brisa.

 

A band sem ar quente estava como uma geladeira, e com a neve caindo, o frio estava de doer.. dirigir era complicado, as luvas não me agradavam pra segurar o volante, e sem ela, os dedos congelavam.. difícil escolha kkkkk

 

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Mesmo com a neve caindo, alguns motoristas insistiam em andar como se nada acontecesse. Eu reduzi a velocidade da band e fui cauteloso, afinal, a neve estava engrossando, e antes a pista já estava molhada, podendo formar gelo.

 

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Subimos até bastante, deu quase 850 metros de altitude. Ficamos em torno de uns 25km pegando neve e um vento lateral forte, vindo de oeste/sudoeste. O limpador sofria pra tirar a neve.

 

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Após descer a serra, continuamos até o encontro das RN 40 e RP 5. Tomando o sentido da RP 5, segue-se pra Esperanza, pela RN 40 para Tapi Aike.

 

Alguns km a frente, fomos parados por uma dupla de policiais. Pediram documentos e anotaram os passaportes numa prancheta que não devia ter mais que 5 carros até o momento.. e já eram quase meio dia kkkk

 

Esperanza nada mais é que um local que nasceu do entroncamento das rutas. Tem um hotel, um posto de gasolina e meia dúzia de casas. Serve de apoio para a operação de extração de petróleo que é bem presente na região patagônica sul.

 

Ali havia um YPF. Paramos para abastecer e comer algo.

 

Foram 30,454 litros, 13,13 pesos por litro, 400 pesos e o odômetro marcava 12406,7km.

 

Encontramos ali um grupo de motociclistas brasileiros que tinham como destino El Calafate. Alertei-os sobre a condição de neve na estrada e do forte vento lateral. Ficaram preocupados. e até sairmos do posto, não tinham decidido se continuavam a viagem naquele dia.

 

Comi alguns sanduíches e comprei adesivos pro carro na loja de conveniência.

 

Seguimos em ótima estrada de asfalto, tomando novo desvio da ruta 40(-51.132640, -71.9373190), seguindo sempre pelo asfalto, com destino a Estancia Cancha Carrera.

 

Quando encontramos novamente a 40, retornamos por ela alguns kms em rípio, e depois pegamos a bifurcação -51.256370, -72.226046 para chegar na aduana argentina.

 

Na aduana nos questionaram apenas se o carimbo de entrada era realmente do Paso Mayer, uma vez que não tinham vistos veículos de lá ainda hehehe

 

Seguimos pelo rípio e mais alguns km encontramos a aduana chilena, Paso Rio Don Guillermo. Como de praxe no Chile, formulários de alimentos. Sempre marque que você TEM algum item, se possível, até mostre, pois se disser que não possui e eles acharem, dá problema..

 

Trâmites feitos, seguimos. A ideia do dia era ir até o Mirador Cuernos, que fica do outro lado do Lago Nordenskjold. Porém o tempo estava péssimo, muito feio, um vento frio quase insuportável e ao longe víamos a neve chegando novamente, deixando o rastro branco pelas montanhas da região.

 

A estrada era um asfalto bem esburacado. Acho que é até pior, pois dá aquela vontade de andar mais, porém toda hora tem que frear pra um buraco.. se for terra, melhor que vai devagar direto.. kkk

 

Paramos em um mirador onde era possível observar os Cuernos, ou o que estava aparecendo entre as escuras nuvens..

 

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Na foto dá pra perceber o salpicado de neve nas partes mais baixas...

 

E é isso galera, essa foi a única foto que consegui de TODO o Parque.. o que veio pela frente só foi piorando e piorando..

 

Seguindo.

 

Tomamos a ruta Y-150, onde encontraríamos uma das portaria do Parque, podendo fazer o pagamento da taxa e pegar maiores informações. Esse trecho é rípio, porém havia um grande movimento de máquinas de terraplanagem e pavimentação, pis estão asfaltando as principais vias do Parque. Portanto, corram pra lá, aproveitem o rípio onde ele nos faz bem!

 

Nesse trecho, demos de cara, literalmente, com a tempestade. Ventava forte contra o carro, rajadas de areia, com chuva e neve. Dava pra assustar. O tempo estava preto.

 

Chegamos na portaria, entramos e conversamos com o guardaparque, ele nos dissse que não era seguro continuar por ali, que o melhor era seguirmos para a portaria Laguna Amarga, onde havia camping e refúgio. Nos disse que os próximos dias tinham péssima previsão.

 

Então voltamos pro carro, o qual era difícil até abrir a porta por conta do vento. Voltamos e seguimos para a outra portaria.

 

Chegamos lá debaixo de neve e já escurecendo. Eram 18:00.

 

Havia uma SUV com pneu furado parado e o dono trocando. Como estavam em dois, não oferecemos ajuda.

 

Fomos pra portaria e pagamos nossa entrada, custou algo próximo de 33 mil pesos chilenos. Pedimos a previsão do tempo e era +/- assim:

 

Amanhã, Neve e Ventos de 80 km/h

Depois, Chuva e Ventos de 120 km/h

Depois de Amanhã, Neve e Ventos de 100km/h

 

 

 

Desanimador heim? Parece previsão do fim do mundo!!!! kkkkkkkkkkk

 

Dali pro camping, eram 20 min. Mesmo com a previsão, tínhamos que dormir em algum lugar.

 

Voltando pro carro, vimos que ainda não haviam trocado o pneu.. perguntamos e percebemos que um dos homens era guardaparque e o outro, o dono do veículo. Este, estava com família e filho recém nascido.. Que lugar pra passear com a família heim?

 

Estavam tendo muita dificuldade, pois o estepe estava preso por um cabo de aço. Tiveram que cortar com serrinha. Começamos a ajudar então.

 

Após tirar o estepe, veio o desafio: tirar o pneu furado. Acredito que o cara andou tanto tempo com o pneu furado, que deve ter, ou esquentado a roda, fazendo uma quase solda no tambor de freio, ou empenado os parafusos, pois a bendita não saía por nada! OU OS DOIS!

 

Tentamos de tudo, martelada, corda, alavanca, spray... isso já estava de noite, neve caindo, as mãos congelando. Nada funcionava! E dava realmente dó vê-los naquela situação! Estava muito frio pra uma criança de colo..

 

Ficamos mais de 1:40 tentando.

 

Por fim o chileno me pediu pra tentar puxar a roda uma cinta presa na band.. disse que não ia fazer, pois podia danificar o veículo dele. Insistiu, pediu e disse que precisava tentar. Ok..

 

Amarrei a cinta na roda, puxei na band e o carro apenas caiu do macaco.. aquela roda não ia sair ali. Sem chance.

 

O frio doía as juntas dos dedos, o nariz, as orelhas. Até o corrimento do nariz tava congelando no bigode.. tava feia a situação!

 

Pedimos desculpas pra ele e tivemos que seguir. Eles ficaram a noite dentro do refúgio dos guardas.. situação muito difícil..

 

Seguimos pro camping. Muito escuro, muita neve, muito vento, muito frio. Demoramos até encontrar o local, mesmo com GPS. Lá também existe um hostel, grande, e de longe, me parecia estar muito quente lá dentro! Dava pra ver o pessoal com blusas!!! EITA INVEJA!

 

Pedi Jean pra descer e verificar a disponibilidade. Porém não era permitido sem reservas!!!!!!!!!!! O POVO RUIM!!!!!

 

Não tinha jeito, era barraca mesmo!

 

Encontramos o camping, fizemos o pagamento de 5000 pesos por pessoa. Havia ducha quente! Mas era tomar um banho quente e pegar uma pneumonia! Não dava!

 

Paramos o carro entre alguns pequenos arbustos. Cobri o capô da band com a lona da barraca pra evitar o frio extremo. Abrimos a barraca e montamos as coisas e preparamos uma janta super rápida, um miojo com sardinha pra esquentar a barriga.

 

Essa noite foi FODA. Usei meia-calça, segunda pele, dois moletons e calça de neve nas pernas, em cima eram duas segunda pele, moletom e jaqueta de neve.. luvas, gorros e um protetor pro rosto. Isso tudo somado aos dois cobertores mais o saco de dormir.. dormi confortável em questão de temperatura, mas o volume de roupas incomodava.

 

O ar dentro da barraca estava IDÊNTICO àquele que sai de dentro do freezer da sua casa quando você o abre pra pegar uma cerveja.. o mesmo cheiro, o mesmo gelar do rosto!

 

O dia foi complicado! E os próximos não davam sinal nenhum de melhora!

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Muito massa seu relato cara, estou acompanhando aqui desde o inicio e ansioso por mais detalhes. Parabéns pela Trip, com certeza ficará na memória de vcs pra sempre.

 

 

Grande abraço

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A neve cortou a noite.. e o frio foi intenso. MESMO.

 

O pior foi ter que acordar de noite pra ir mijar.. pensa numa situação incômoda! Sair debaixo dos cobertores, procurar a bota pra calçar, descer escada.. juro que a vontade era de mijar do segundo andar, mas convenhamos, o prejudicado com isso sou eu, você, todos nós. Portanto, fui no banheiro.

 

Volta e meia dava uma soprada de vento que fazia cair uns pingos de água gelada dentro da barraca. Na verdade, a barraca estava semi congelada por dentro. O pior ponto era o de onde vinha o vento, estava totalmente branco.

 

Acordei com o barulho de pessoas conversando. Dei uma espiada pra fora e estava nevando ainda. O chão, as árvores, a band, tudo estava coberto de neve. A visibilidade era baixíssima, e como a atividade do dia seria subir até o mirador das torres, por enquanto não estava valendo a pena começar a trilha.

 

Voltei a deitar.

 

Mais pessoas conversando, agora meninas. Pensei, só pode ser brincadeira. Saí da barraca de novo e vi umas 20, 30, 40 andando em meio a neve que estava virando chuva. Pareciam todas chinesas, falavam alguma língua asiática.

 

Pensei: 'minha nossa, as torres devem ser mais lindas do que eu estou imaginando.. pra essa mulecada estar indo debaixo de chuva e neve!'

 

Dei mais um tempinho e desci da barraca. Já eram quase 9h. Agitamos um café da manhã com biscoitos, pão, barrinhas de ceral(no ponto de quebrar o dente), capuccino.. deu pra iniciar o dia.

 

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Mas infelizmente a previsão do tempo estava certeira. A chuva era incessante, ventos fortes e a visibilidade das montanhas era zero.

 

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Enquanto o tempo não melhorasse, não íamos arriscar a saída.

 

Aproveitei pra arrumar a band, pois com a tentativa de ajuda do rapaz com o pneu furado, tirei várias coisas de dentro da caixa de ferramentas. Tentei também amarrar a seta da band. A base quebrou com a vibração. Consegui um pedaço de árvore em formato de forquilha, dei uma passada de silver tape, com durepoxi.. e travou.

 

A forquilha veio até aqui em Vitória. Minha mãe pegou e guardou na cristaleira junto com outros itens da família e disse: 'isso daqui vou mostrar pro seu filho pra ele entender o quão doido foi o pai dele!!'

 

kkkkkkkkkkkk

 

E as horas foram passando, nada melhorando.

 

Fui até a cabana do guarda parque para verificar como estava a previsão pros outros dias. A mesma coisa, neve/chuva, ventos fortes e chances remotas de tempo aberto. Ali na cabana vende alguns itens, como biscoitos, leite, água, itens de higiene.. até cerveja.. e falando em cerveja, já tava meio puto pela situação, acabei comprando uma. O rapaz só pegou ela da prateleira e me entregou, já estava trincando de gelada kkkk

 

Voltando pro carro, encontrei toda a garotada retornando da trilha.. todos molhados, resmungando.. era previsível né? Irresponsável foi o guia que mesmo com a situação quis tentar ir..

 

Enfiei minha cerveja num montinho de neve, enquanto fui procurar um amendoim pra petiscar.. afinal, já tava na merda, melhor ficar na merda tomando uma cerveja kkk

 

Gastamos mais um tempo ali.. já eram quase 2h da tarde. A decisão foi difícil, mas infelizmente, não havia chance de conseguirmos fazer o previsto ali.. decidimos ir embora de Torres del Paine. Tínhamos planejado 3 dias ali e fomos embora sem ver absolutamente nada.

 

Liguei a band, com aquele jeito manhoso dela, o gps, e voltamos pela mesma estrada até encontrarmos a ruta 9 novamente.

 

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Era perceptível que a região de Torres del Paine tinha um clima diferenciado, tanto que em alguns trechos mais ao leste, não havia um tempo tão fechado quanto lá.

 

Mas por conta do uso contínuo do limpador do para brisa, o danado do fusível queimou. Coisa simples né? Não quando tu tem que trocá-lo com um vento forte o suficiente pra fechar a porta em você.. vento gelado, carregado de chuva.. mas troquei. Seguimos viagem.

 

Encontramos a ruta 9, asfalto, congelado o suficiente pra soltar na banguela e ir no embalo com a band kkk

 

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Realmente, a neve é linda demais. Qualquer paisagem fica estonteante com o branco.

 

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O objetivo do dia era seguir até onde desse, se possível, até Punta Arenas, onde passaríamos a noite e no outro dia esticaríamos até Ushuaia.

 

A estrada estava linda, toda nevada, porém demandava muita atenção.

 

Fomos seguindo e chegamos em Puerto Natales, doidos pra almoçar alguma coisa. Porém estava tudo fechado, tudo! O máximo que conseguimos foi um COPEC com loja de conveniência.. compramos sanduíches, café e aproveitamos o wifi pra atualizar os parentes.

 

Puerto Natales é bem grande, tem muitas lojas e infraestrutura. Porém preferimos ir pra Punta Arenas.

 

Na saída da cidade, tive que parar a band para ajustar os limpadores, que estavam caindo e não voltando mais. Nisso começava mais uma das tempestades de neve. Quando fui sair, a band caiu num puta buraco, na verdade, na vala de escoamento de água. Não tinha visto ela! Bateu até o diferencial!

 

Só consegui sair com a tração ligada..

 

Passado o susto, seguimos.

 

Saímos no fim da tarde, eram umas 5h e o GPS indicava cerca de 3h de viagem. Seria fácil cumprir, visto que é só asfalto de qualidade. Porém fomos de encontro com uma grande nevasca. Essa era uma violenta! O vento soprava do sul com muita neve! O limpador quase não dava conta! Sabe aquela chuva torrencial na qual o limpador simplesmente parece que não faz diferença?? Era assim com a neve nessa ocasião!

 

Sério.. pensei em diversas vezes em parar o carro, mas seria até pior.. afinal, não havia nada na beira da pista. Iríamos parar e ficar congelando dentro do carro.

 

A situação estava terrível, visibilidade de menos de 20 metros, velocidade reduzida, uma escuridão tremenda e a pista escorregadia. A temperatura do motor não passava nem da metade do que deveria ficar..

 

A viagem que demoraria cerca de 3h se desenrolou em 4:30! Depois de muita, muita, muita neve, chegamos em Punta Arenas.

 

Estava tudo coberto de neve, as ruas, praças, casas.

 

Busquei pelo GPS alguma opção de hostel e nas primeiras tentativas, não achamos os locais. Depois encontramos um na beira-mar, Hostel Entre-Vientos, -53.147923, -70.885046. Guardem essas coordenadas se forem pra lá! É o MELHOR HOSTEL que já fiquei!!

 

Jean conferiu que tinham vagas, o preço foi surreal, se me lembro bem, 20 dólares com café da manhã!!

 

Estacionei a band na rua, em frente ao hostel e levamos as coisas pra dentro.

 

Vejam o estado da band! CONGELADA!

 

534482d1471320254-17445km-de-band-carretera-austral-paso-mayer-chalten-calafate-tdp-e-ushuaia-dsc_1043.jpg

 

Lá dentro estava quente e agradável.. tudo de bom.

 

Antes de ir tomar banho, o rapaz do hostel nos ajudou pedir uma pizza. Muito atencioso. O hostel era sensacional, muito novo, com vestiários limpos, quartos limpos, cozinha completa e muito organizada e uma sala de estar de frente pro mar com uma parede de vidro gigante! Parecia casa de cinema!! Me senti um rei depois de tantos perrengues na viagem!!

 

Tomei aquele banho.. depois de uns 2 ou 3 dias sem hehehe o cabelo estava até duro já kkkkkk

 

Rapidamente a pizza chegou. Levamos pra cozinha e comemos quase toda em dois.

 

Aproveitei o wifi e tomadas pra fazer uma geral nas fotos e atualizações.

 

Em Punta Arenas pegamos a temperatura mais baixa de toda a viagem: - 10ºC, não sei quanto de sensação, mas acredito pelo menos -15ºC..

 

No final do dia, ainda estava muito chateado por ter ido embora de Torres del Paine.. mas sempre ficava verificando a condição do tempo lá e nenhuma melhora. Ou seja, se ficássemos lá, só íamos passar frio..

 

 

Tracklog do último trecho em anexo!

12 - Torres del Paine - Puerto Natales - Punta Arenas.rar

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por anabaccarinxp
      Buscando o sonho da Carretera Austral estilo Thelma & Louise num Ford Ka 1.0
      Em 24 dias de andança, 03 países, 13 cidades distintas com pernoite, 9603 km percorridos, 576 litros de gasolina, 01 objeto perdido, 100 dólares "roubados", 01 pneu furado, 02 consertos no carro, inúmeras cidades, comidas/pessoas das mais distintas possíveis e paisagens com clima, vegetação e relevo diversificados e fascinantes.
      Hoje escrevo esse relato para guardar, além das lembranças, as histórias para contar.
       
      O início
      A proposta de fazer uma viagem de tal magnitude nem me lembro como surgiu, só sei que aconteceu e o destino sempre foi percorrer a Carretera Austral. Planejei a viagem por dois anos para a Carretera, uma das estradas mais belas do mundo, o caminho para chegar até lá foi só uma consequência. Com o destino traçado, só restava juntar dinheiro e arrumar uma companhia, no caso, minha mãe.
      A princípio o planejamento foi feito com intuito de se chegar ao ponto inicial de avião, mas conforme as idéias surgem, os loucos abraçam e o tempo passa oficializou-se que o trajeto seria feito de carro e o pior, com o meu carro, hahahaha. Só para atualizar um Ford Ka, 1.0, ano/modelo 2010.
      A ideia de se fazer um relato da história sempre existiu, aliás, diariamente escrevia sobre os acontecidos, mas virou uma certeza no dia (25/12/16) quando atravessamos a fronteira entre Argentina e Chile onde recebemos a noticia de um forte terremoto no nosso destino, a ilha de Chiloé, que registrou um tremor de 7,6˚ na escala Richter. Com a preocupação de familiares comecei a dar cara para esse relato e compartilho aqui as informações que podem ser úteis para mais alguém.
       
      21/12/2016
      Saída de Jaboticabal com destino a Foz do Iguaçu.
      Saímos da monocultura canavieira, perpassando brevemente sobre a pecuária extensiva e atingimos uma monótona produção de soja no Paraná. Tais culturas são praticadas nos planaltos Ocidental Paulista e de Guarapuava (bacia do Paraná), que são quebrados com os braços dos grandes rios, como o Tietê, Paranapanema, Ivaí e Iguaçu e marcados pelo solo de origem vulcânica (basáltica), a famosa “Terra Roxa”.
      O inicio do caminho estava chuvoso e escuro mas ao longo do dia o tempo se abriu e nos contemplou no final do dia com um belo pôr-do-sol no solstício de verão.

      A paisagem do interior de SP é sempre a mesma, cana, laranja, boi, e só muda chegando em Assis onde já chamava a atenção as plantações de soja que foram proeminentes até Foz do Iguaçu.
      Chegamos em Foz por volta das 17:00, erramos um acesso e seguimos via ponte da Amizade (fila enorme de caminhões), acabamos entrando na avenida JK, onde se encontrava o hostel (Che Lagarto Hostel - hostel com cara de hotel).
      Chegamos, abastecemos, estacionamos o carro e trocamos dinheiro (0,21 reais - 1 peso argentino). No momento que estava escrevendo já era 20:47 e ainda não havia escurecido, mas vale ressaltar que era solstício de verão.
      Piores trechos: próximo a Marília, divisas dos estados SP e PR e anel viário Maringá.
      Gasto diário: R$ 452,94
      Distância: 921 Km
       
      22/12/2016
      Saída de Foz do Iguaçu com destino a Concordia (Entre Ríos)
      Hoje era dia de embrenharmos na Argentina e foi super tranquilo a passagem na Aduana, mas já percebemos que o espanhol seria uma dificuldadizinha que iríamos enfrentar adelante.
      Pra começar minha mãe perdeu a carteira de motorista ainda dentro do parque Iguazu, hahahaha. Depois de um pequeno momento de desespero descobrimos que estava embaixo do porta treco, por sorte tínhamos uma chave de fenda no carro.
      Passamos pelas províncias de Missiones, área com indígenas, pinheiros, a grande empresa arauco e plantações de mate; a de Corrientes marcada por planície, boi, muita erva mate e com altitude em torno de 80 metros.
      O solo de terra roxa também existe na Argentina, onde é conhecida como tierra colorada(terra vermelha). Está bastante presente nas províncias de Misiones e Corrientes.
      Na província de Entre Rios até a de Buenos Aires, a paisagem se torna única com vastas planícies, ora com gramíneas e ora com arbustos, ora inundada e ora seca.
      A polícia nos parou depois de 700 Km em solo hermano e foi super tranquila conosco, álias em toda a viagem não tivemos nenhum problema com propina.
      Chegamos no fim da tarde ao posto YPF Km 248 de qualidade excelente.

      Gasto diário: R$ 424,14
      Distância: 890 Km
       
      23/12/2016
      Saída de Concordia (Entre Ríos) com destino a Trenque Lauquen (Buenos Aires)
      Acordamos cedo e no próprio posto comemos medialunas e café oferecidos pelo hotel. Calibramos o pneu e acredite, essa não é uma informação desnecessária. Durante o caminho que percorremos pela Argentina e Chile era difícil encontrarmos calibradores nos postos, a maioria dos que encontrávamos não funcionavam ou tínhamos que pagar pelo uso.
      Quanto a produção agrícola começam a surgir cilos, arroz, milho, grãos, presença de gás nas propriedades rurais, granjas e muito gado.

      Próximo a foz do rio Paraná a área é conhecida como Mesopotâmia, com altitude em torno dos 20 metros.
      No fim do dia chegamos ao nosso destino Trenque Lauquen, cidade linda. Indescritível. Todas as ruas são avenidas arborizadas. E a gastronomia? Simplesmente maravilhosa, o melhor chorizo da viagem. Outro fato que nos chamou a atenção é que a cidade, com metade da população da nossa, possuía muitas livrarias de qualidade.
      Hospedagem no hotel Pailla Hue, modesto mas bom.


      Gasto diário: R$ 564,95
      Distância: 786 Km
    • Por Netuno
      Esta foi nossa 2ª viagem para a patagônia. Não repetimos nada. Visitamos apenas lugares diferentes. O relato da 1ª viagem pode ser acessado no link na assinatura.
      Desta vez viajamos de carro. Saímos de Floripa em direção a Mendoza. De lá atravessamos a cordilheira para o Chile, descendo até os lagos chilenos. Cruzamos novamente a fronteira para conhecer o lado argentino da região dos lagos e continuamos para o sul pela Carretera Austral. Retornamos para a Argentina e descemos até El Chalten. De lá iniciamos o retorno pela patagônia atlântica.
      Partimos no final de dezembro de 2013 e retornamos a Floripa 30 dias depois. Eu, minha esposa e meus 2 filhos adolescentes (na época com 15 anos) fizemos a viagem completa. Minha filha viajou conosco até Bariloche de onde seguiu para seu mochilão com amigas pelo Uruguay. A viagem foi feita em uma Grand Vitara 2011. Foi uma grande vantagem fazer a viagem em um carro bem preparado para estrada de chão, mas em nenhum momento precisamos usar o 4x4.
      Fizemos reservas prévias apenas para o Reveillon em Uspallata (aconcagua) e El Chalten. Este último, pois ficaríamos mais dias e li sobre a dificuldade de hospedagem por lá na alta temporada. Ao chegar em cada cidade / vila procurávamos hospedagem. Isto nos rendeu ótimas escolhas. Tivemos dificuldade de hospedagem apenas na região dos lagos argentinos (Bariloche e San Martin). Em Bajo Caracoles, na ruta 40, existe apenas uma hospedagem funcionando e pegamos o último quarto. Ufa! E não existe sinal de civilização por dezenas de kms.
      Levamos um galão de 20 litros para gasolina extra, mas não precisamos enchê-lo em nenhum momento. Não faltou gasolina em nenhum local. Nos lagos argentinos as filas eram muito grandes. No dia em que estávamos saindo de El Chalten tinha combustível, mas as bombas estavam com problema, mas abastecemos em 3 Lagos sem dificuldade.
      A viagem foi fantástica! A patagônia realmente merece várias visitas. Não dá para conhecer tudo em uma única viagem. Nem mesmo em duas.
      Para facilitar a leitura de quem fará apenas parte do roteiro parecida, estou dividindo o relato por regiões, da seguinte forma:
      - viagem de ida
      - Aconcagua (Uspallata / Mendoza)
      - Lagos Chilenos (região de Puerto Varas)
      - Lagos Argentinos (San Martin de los Andes e Bariloche)
      - Carretera Austral
      - Ruta 40 e El Chalten
      - Patagônia Atlântica e viagem de volta
       
      Espero que seja útil.
    • Por xexelo
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por wandredeselva
      Estas são algumas páginas do Guia da Provincia de Aysén sobre a Carretera Austral. Excelente para se planejar e especialmente para encontrar hospedagem. Ao contrário do que li aqui no site, há pouquíssimos pontos de Informação nas cidades da Carretera, em especial nas menores (pode ser pq fui fora de alta temporada também, sei lá). O site oficial da Carretera Austral (site da Província de Aysén) é http://www.recorreaysen.cl/carretera-austral/. Se alguém desejar, tenho o guia escaneado e reduzido e posso enviar por email ([email protected]).
       





       
       
      Postos de Combustível na Carretera (tranquilamente não faltará):

       
      O preço varia conforme a cidade, raciocine que quanto mais ao Sul, mais caro vai ser. Paguei entre Ch$ 799 e Ch$ 917 (gasolina 93, a mais barata, a qual é infinitamente superior à nossa).
       
      Se alguém se interessar por uma planilha de gastos, para ter uma idéia de gastos com hospedagem, alimentação, etc... tbm tenho e posso enviar.
       
      Pontos relevantes:
      1) Dirija com MUITO cuidado, pois em muitos trechos é a largura de um carro mais 1,5m para cada lado, passando dois carros apertado.
      2) Tenha MUITA paciência, pois há MUITA obra no caminho, muitos desvios, etc... Há trechos que se desenvolve tranquilamente 70 Km/h e outros que não dá p passar de 40Km/h. Planeje-se com a velocidade de 40 Km/h como média (já descontadas aí as paradas p foto, etc...). Acho inviável andar mais de 250 Km em um dia, pois é cansativo dirigir naquele rípio, pois requer atenção a todo tempo.
      3) Se vier um caminhão encoste o máximo no canto que puder e PARE! Se vier outros carros, diminua bem e chegue para o canto. Quase sofri um acidente pq ao ver um caminhão eu apenas reduzi, como se faz para os carros. Um senhor me falou que é uma "regra" informal que o caminhão tem TOTAL PREFERÊNCIA ao ponto deles considerarem o maior abuso do mundo vc não parar qdo eles vêm, até mesmo te jogando para fora da estrada ou batendo na sua lateral sem a menor cerimônia. Vai reclamar pra quem?
      4) Cuidado nas curvas muito fechadas... vá beeeem devagar e coladinho na sua mão de direção. Alguns habitantes locais creem fielmente que não vem ninguém e dirigem à toda.
      5) As cidades da Carretera não têm PN para fazer e não são bonitas. A estrada é show! O passeio das Capillas de Mármol e o Ventisquero Colgante são imperdíveis realmente. Os rios são inacreditavelmente azuis!
      6)Tudo na Carretera é em cash, nada de cartões de crédito.
      7) Nas cidades o preço da hospedagem varia absurdamente, pergunte em umas 3 ou 4 antes de fechar.
      Não há muitas opções para comer ao longo da Carretera. Sugestão: leve um sanduíche e um suco e se encontrar algo para comer, coma e deixe o sanduíche para o jantar.
      9) Dá para fazer com carro de passeio sim, o meu é um Corolla. Mas.... judia do carro um pouco. Com todo o respeito, mas um carrinho do tipo Celtinha, Uno Mile, Golzinho, Corsa 1.0, Pegeout 207, etc... vai voltar batendo tudo. Além disto o pneu 13 absorve muito pouco a trepidação (antes que digam: putz, nada a ver, o pneu é responsável pela maioria da absorção de impactos do veículo, depois vem as molas e o amortecedor é apenas um "estabilizador", qdo o carro trepida, trazendo-o de volta à estabilidade; a grosso modo). (OBS: Já tive Celta e Gol rsrsrs).
      10) Acho que o mais relevante é isto. Caso tenham alguma dúvida, sintam-se à vontade para perguntar. Eu não sou muito de ficar fazendo poesia, em meus relatos eu procuro escrever o que alguém pode ter dúvida ou o que eu fui sem saber e que gostaria de ter tido a informação antes.
       
      Um abraço à todos e se decidirem ir, meus parabéns por não serem convencionais!
      OBS: Passei pela Carretera Austral na 1a quinzena de novembro e não cuzei com 1 carro brasileiro sequer, acredite ou não. Seguem algumas fotos:
       

      Paso Internacional Futaleufu
       

       

      Casas destruídas em Chaitén, após a erupção do vulcão Puyehue há 5 anos.
       

       

      La Junta
       

      A emblemática placa da Carretera Austral em La Junta
       

      Obras e mais obras...
       

      Ventisquero Colgante
       

       

       

       

       

      Chegada em Puerto Tranquilo (de onde saem os tours para as Capillas de Marmol). OBS: A foto não tem qualquer edição....
       

       

      Capillas de Marmol
       

       

       

      Paisagens, por vezes, intrigantes
       

      Caleta Tortel. Sendo beeeeeem sincero, interessante são as passarelas e tal, mas a infraestrutura da cidade é abaixo de zero... todos os lugares (4) que faziam alguma refeição fechados, ou atenderam de má vontade dizendo que ia demorar, etc... O esgoto das casas vai direto para o lago e coisas assim...
       

       

       

      Indo em direção ao paso Chile Chico, ao fundo o lago General Carrera
       

      Laguna Azul, poucos quilômetros antes de Chile Chico
       
      Outra coisa... li que na Carretera Austral chove 364 dias por ano... só se for em oura época, pois peguei 8 dias de puro tempo bom e céu azul...É isso aí !!!




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