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Carretera Austral, Paso Mayer, Chaltén, Calafate, TDP e Ushuaia - 17445km de Bandeirante


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Cara, que viagem sensacional, pretendo fazer algo parecido no ano que vem e gostei que você conseguiu unir ushuaia e carretera austral em 30 dias.

 

Que época do ano que vc foi? Eu vou de moto e não pretendo pegar neve assim não rs.

 

Cara, dá pra fazer sim, mas é corrido se não souber exatamente onde parar e tal. Tem que ir com o planejamento todo na cabeça já, tudo esmiuçado.

 

Fui em março/abril. Não era pra ter neve nessa quantidade lá, foi algo fora do comum, até o pessoal de Ushuaia foi pego de surpresa!

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Muuuuito legal, pretendo fazer uma viagem praticamente identica em julho de 2017 saindo de Vitória-ES também.

Tentei baixar o track log mas nao consegui abrir, será que você poderia me mandar a rota que fizeram pra eu poder me espelhar?

Parabens pela determinação! ::otemo::

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  • 4 semanas depois...
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Muuuuito legal, pretendo fazer uma viagem praticamente identica em julho de 2017 saindo de Vitória-ES também.

Tentei baixar o track log mas nao consegui abrir, será que você poderia me mandar a rota que fizeram pra eu poder me espelhar?

Parabens pela determinação! ::otemo::

 

Amigo, instale o google earth no pc e abra o arquivo nele. É bem melhor do que o google maps.. no maps eu não consigo fazer a rota toda por conta da quantidade de pontos e desvios, teria que fazer vários links e fica ruim pra visualizar.

 

Qualquer coisa me pergunta aí! Abraço

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Eu fico até com vergonha de demorar tanto pra continuar!! kkkkk

 

Mas tem várias coisas acontecendo, peço perdão, acho que consigo manter o ritmo e terminar nas próximas semanas..

 

O hostel tinha um aquecedor incrível no quarto, foi fácil dormir, mesmo nevando horrores lá fora.

 

Acordamos pra tomar café, que era incluso no preço da noite, e incrivelmente era um super café da manhã. Pães, salame, queijo, manteiga, café, leite, biscoitos.. tudo de primeira qualidade.. o hostel foi uma baita surpresa, um excelente custo-benefício.

 

Lá fora estava cheio de neve ainda e mesmo assim estava acontecendo uma corrida na cidade kkk a galera toda encapuzada correndo de manhã cedo! Eita disposição!!

 

Juntamos as coisas, vestimos toda aquele montoeiro de roupa e uns minutos antes de irmos, já fui ligar a bandeirante pra ir esquentando o motor. E vejam a condição da band de dia:

 

536368d1474420416-17445km-de-band-carretera-austral-paso-mayer-chalten-calafate-tdp-e-ushuaia-dsc_1044.jpg

 

Agora olhem a band ligando:

 

 

Deixei a band mais de 20 min funcionando e o ponteiro da temperatura nem mexeu..

 

Acabamos saindo umas 10:30 de Punta Arenas. Fomos saindo da cidade e como os preços dos combustíveis estavam muito bons, acabamos completando o tanque da band num posto Shell. Foram 43,269 litros, 18000 pesos, 416 pesos por litro e o odômetro marcava 13040 km.

 

Esse posto ficava em frente a Zona Franca. Perguntei pro bombeiro como eram os preços e tal e me disse que só pneus de marcas menos conhecidas que tinham bons descontos.. os BF eram mais de 1000 reais, ou seja, não valia a pena. Outros itens bons eram eletrônicos e roupas. Mas como o foco não era esse e nem tínhamos tempo, seguimos.

 

Haviam algumas ruas interditadas por conta da corrida e o gps nos guiou bem pra fora da cidade, que por sinal é bem grande.

 

O dia continuava bem frio, as paisagens ainda eram brancas mas já não caía mais neve.

 

Só agora voltando pela ruta 9 que pude perceber como que a estrada que vem de Puerto Natales te induz a ir pra Punta Arenas. Na verdade, a ruta 9 morre em Punta Arenas, e ruta que vai pra balsa de Punta Delgada, a 255, deriva desta num trevinho bem pequeno.

 

Quando se chega no trevo onde começa a ruta 255, não há uma placa grande dizendo 'ah, vá por aqui e chegue em Ushuaia', claro.. entendo que as pessoas ali não ficam zanzando pra ushuaia toda hora, mas percebi uma certa indiferença do Chile quanto a indicar o caminho pra Ushuaia, pro território argentino como um todo. Confirmei a tese várias vezes depois dentro da ilha da terra do fogo.

 

A estrada é excelente, mas não espere infraestrutura nesse trecho até o Estreito de Magalhães. Basicamente algumas estâncias, vi uma ou outra placa de hosteria.. mas não tenho certeza de que seria possível achar. Também não lembro de postos de combustíveis nesse trecho!

 

Depois de cerca de 150km, encontra-se a ubicação para a 257. Essa ruta leva até o embarcadouro do Estreito de Magalhães, são cerca de 15km de asfalto.

 

Chegar ali, no Estreito de Magalhães parecia abrir uma página dos livros de História hehe

 

Alguns locais trazem uma sensação estranha, de ter um poder maior. O Estreito, tão famoso, tão falado, local onde dois oceanos se encontram.. e agora, eu ali de band.. kkkk legal demais...

 

Havia uma grande fila de caminhões, hesitei em parar atrás deles, para pedir informação ou por entender que era a fila, mas arrisquei passar e ir mais na frente. Que sorte! Andei uns 200 metros e vi a rampa com a balsa lá! Cheguei mais perto e o cara fez sinal de ir! Claro, peguei e fui hehehe

 

Acabou que eu fui o último carro a embarcar! Muita sorte!!

 

O valor da balsa foi de 410 pesos argentinos, mas também havia a opção de pagar em pesos chilenos. O valor é flutuante, varia com o câmbio. O ticket paga numa cabine dentro da balsa. Na balsa também havia uma um local pra vender café e lanche, além de banheiros.

 

O Estreito realmente tem um mar bem agitado, ventos fortes e até deu uns chuviscos de neve. A travessia não durou mais que meia hora. Ou seja, a frequência de viagens de cada lado deve ficar em torno de 1h20.

 

Vídeo:

 

 

Logo chegamos do outro lado, e fomos também os últimos a sair, uma vez que a balsa tem portas dos dois lados.

 

A próxima cidade é Cerro Sombrero, onde existe uma bifurcação entre a 255 e a Y-79, ambas nos permitiriam chegar em San Sebastian, cidade e fronteira AR/CH. Como não tínhamos nenhuma info das estradas, segui pela 257, que era mais curta e imaginava como sendo a principal em manutenção de via.. péssima escolha, uma baita estrada de rípio, dos ruins, aquele que chegava a deixar nervoso.. mas fui, firme e forte, pulando na toyota.

 

Eram só 100km, feitos em quase 2:30h.. tenso.. chegamos na aduana chilena, onde vi que a ruta Y-79 estava em obras, com paralisações do trânsito, mas que já possuía trechos asfaltados.. já anotado pra volta.

 

Sair do Chile sempre é tranquilo, foi rápido o trâmite. Seguimos mais um trechinho em rípio e encontramos a aduana argentina. Aqui o controle é mais rigoroso por conta das pessoas que vão até as zonas francas do Chile e compram produtos. Presenciei um grupo de amigos que tiveram que provar que as jaquetas que estavam vestindo não eram 'novas', além dos celulares, tênis.. até boné! Quanto a nós, tranquilo, não revistaram nada, mas foi um pouco demorado por conta da fiscalização nos próprios argentinos.

 

Ali logo depois da aduana existe um posto com o excelente preço praticado na terra do fogo.

 

Depois era tudo asfalto bom, fomos seguindo e antes de chegarmos na cidade de Rio Grande havia uma grande aglomeração de pessoas e carros numa espécie de igreja, só que maior, era uma 'Mision Salesiana' . Era alguma festa local, havia muita gente e a cidade estava muito movimentada.

 

Rio Grande deve viver, como muitas outras cidades da Patagônia, da exploração de petróleo. Haviam muitas empresas do setor na cidade, e incrivelmente, haviam concessionárias de BMW, Mercedes, Audi e até Alfa Romeo!

 

Já estava ficando de noite e paramos pra comer em um YPF da cidade. Alguns sanduíches, wifi e acabamos decidindo por seguir, provavelmente até Tolhuin, cidade antes de Ushuaia.

 

Como havia tido informações sobre falta de combustível em Ushuaia, preferi garantir e abastecer ali mesmo. O preço era cada vez melhor com os subsídios do governo. Abasteci 82,377 litros, 950,63 pesos, 11,53 pesos por litro e o odômetro marcava 13474,9km.

 

Engraçado como todos os frentistas ficavam sem entender os dois tanques na band.. além do nervosismo de quem estava esperando na fila, não entendiam como demorava tanto abastecer um jipe velho desses kkkk

 

Saímos do posto e seguimos, muitos carros vindo na direção contrária, muitos mesmo, achava estranho. Seguimos.

 

Cerca de 1h depois de Rio Grande, encontramos de novo a neve e a paisagem estava com sinais de que nevava já há bastante tempo. A pista estava coberta de neve e víamos muitas marcas de pneus fazendo retorno na pista, talvez esse era o motivo de encontramos tantos carros na direção oposta..

 

A neve não caía com tanta intensidade como no trecho Puerto Natales-Punta Arenas, mas as condições da pista eram bem piores, reduzi muito a velocidade e ainda assim a band escapava, até mesmo nas retas. A maior atenção é nas partes em que há neve acumulada, o objetivo era seguir sempre o rastro principal, que já estava começando a sumir também, complicando mais ainda.

 

Eram pouco mais que 8:30 da noite e já não haviam carros transitando na pista, apenas nós.

 

Era terceira marcha no máximo, sem acelerações, freadas.. tudo na manha.

 

Em determinado momento, passamos por um trecho e vimos uma Hilux capotada, numa vala do lado da pista. Sem hesitar, decidimos parar para averiguar, afinal, podiam ter vítimas ali dentro.

 

Até pra parar o carro na neve tem que ser devagar! Reduzindo bem devagar, saindo lentamente da pista, pois podem haver buracos tapados com neve. Paramos cerca de 200m do acidente. Liguei o alerta, vesti o colete refletivo(de suma importância) e fomos com as lanternas piscando para alertar possíveis outros motoristas.

 

Felizmente não havia ninguém mais dentro do carro, mas o acidente tinha sido recente, sem dúvidas. Nisso um motorista veio do sentido Ushuaia e nos alertou que para baixo estava ainda pior.

 

Bem, já estava de noite, frio.. estávamos no meio do nada.. tínhamos a opção de voltar pra Rio Grande, como a maioria, ou seguir até Tolhuin, mais uns 25km. Acabamos descendo com a intenção de ficar em Tolhuin.

 

Chegamos em Tolhuin e a cidade parecia aquela do Papai Noel, só as chaminés soltando fumaça e tudo branco, nem cachorro na rua tinha kkk havia quase meio metro de neve nas ruas, ninguém tinha saído de casa ainda desde que tinha começado a nevar. Seria complicado achar hospedagem ali, já que era uma cidade bem pequena.

 

Acabou que tínhamos que seguir até Ushuaia, onde as opções seriam muito maiores.

 

Nevava menos, porém a estrada começava a congelar, ficando mais escorregadia ainda. Nesse pequeno trecho de 100km, haviam muitas curvas, subidas e descidas. Encontramos várias carretas paradas na pista por não conseguirem subir a serra que contorna o Lago Fagnano, outras tantas paradas depois, por não terem condições de descer a serra, sentido Ushuaia.

 

Enfim, depois de mais de 2h, chegamos em Ushuaia, meia-noite, pouquíssimos carros rodando, muita neve nas ruas, difícil até de encontrar as entradas pras ruas, as calçadas e meio-fio kkk

 

Procuramos por alguns hosteis mas sem sucesso, fomos até um próximo do aeroporto, Hostel La Posta. Era bem arrumado e tinha estacionamento. Se não me engano, custava em torno de 50 reais a noite, com café da manhã, ótimo valor. Fechamos 3 noites e me dirigi pra rua de trás, onde havia a entrada do estacionamento. Porém havia tanta neve, que nem o portão ia conseguir abrir, nem os carros iam conseguir se arrumar. Tive que manobrar na rua, patinando como se fosse lama e voltar lá na frente, onde deixei a band na calçada.

 

Conversando com o brother do hostel, ele me explicou que a tempestade foi uma surpresa até pros moradores. Ninguém esperada por tanta neve, mesmo Ushuaia tendo um clima bem instável, afinal, era abril ainda.

 

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Descarregamos tudo, fizemos uma comida rápida na cozinha e nem lembro se tomei banho antes de dormir kkkk

 

O dia foi cheio!

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  • 2 semanas depois...
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    • Por Marcelo Manente
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por Marcelo Manente
      Pessoal vou fazer uma relato das minhas impressões sobre as estradas que eu trafeguei no caminho de ida e volta até Ushuaia e Carretera Austral em dezembro 2019 a Janeiro 2020.

    • Por Marcelo Manente
      Em breve iniciarei o relato da aventura que está acontecendo neste momento.
      Estou hoje em Chile Chico, Chile. Seguindo para a Carretera Austral.
      Muitos perrengues, problemas da viatura, mas lugares maravilhosos para compensar tudo isso.
      Vou tentar fazer um relato com os custos de quase tudo que eu lembrar.

    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por anabaccarinxp
      Buscando o sonho da Carretera Austral estilo Thelma & Louise num Ford Ka 1.0
      Em 24 dias de andança, 03 países, 13 cidades distintas com pernoite, 9603 km percorridos, 576 litros de gasolina, 01 objeto perdido, 100 dólares "roubados", 01 pneu furado, 02 consertos no carro, inúmeras cidades, comidas/pessoas das mais distintas possíveis e paisagens com clima, vegetação e relevo diversificados e fascinantes.
      Hoje escrevo esse relato para guardar, além das lembranças, as histórias para contar.
       
      O início
      A proposta de fazer uma viagem de tal magnitude nem me lembro como surgiu, só sei que aconteceu e o destino sempre foi percorrer a Carretera Austral. Planejei a viagem por dois anos para a Carretera, uma das estradas mais belas do mundo, o caminho para chegar até lá foi só uma consequência. Com o destino traçado, só restava juntar dinheiro e arrumar uma companhia, no caso, minha mãe.
      A princípio o planejamento foi feito com intuito de se chegar ao ponto inicial de avião, mas conforme as idéias surgem, os loucos abraçam e o tempo passa oficializou-se que o trajeto seria feito de carro e o pior, com o meu carro, hahahaha. Só para atualizar um Ford Ka, 1.0, ano/modelo 2010.
      A ideia de se fazer um relato da história sempre existiu, aliás, diariamente escrevia sobre os acontecidos, mas virou uma certeza no dia (25/12/16) quando atravessamos a fronteira entre Argentina e Chile onde recebemos a noticia de um forte terremoto no nosso destino, a ilha de Chiloé, que registrou um tremor de 7,6˚ na escala Richter. Com a preocupação de familiares comecei a dar cara para esse relato e compartilho aqui as informações que podem ser úteis para mais alguém.
       
      21/12/2016
      Saída de Jaboticabal com destino a Foz do Iguaçu.
      Saímos da monocultura canavieira, perpassando brevemente sobre a pecuária extensiva e atingimos uma monótona produção de soja no Paraná. Tais culturas são praticadas nos planaltos Ocidental Paulista e de Guarapuava (bacia do Paraná), que são quebrados com os braços dos grandes rios, como o Tietê, Paranapanema, Ivaí e Iguaçu e marcados pelo solo de origem vulcânica (basáltica), a famosa “Terra Roxa”.
      O inicio do caminho estava chuvoso e escuro mas ao longo do dia o tempo se abriu e nos contemplou no final do dia com um belo pôr-do-sol no solstício de verão.

      A paisagem do interior de SP é sempre a mesma, cana, laranja, boi, e só muda chegando em Assis onde já chamava a atenção as plantações de soja que foram proeminentes até Foz do Iguaçu.
      Chegamos em Foz por volta das 17:00, erramos um acesso e seguimos via ponte da Amizade (fila enorme de caminhões), acabamos entrando na avenida JK, onde se encontrava o hostel (Che Lagarto Hostel - hostel com cara de hotel).
      Chegamos, abastecemos, estacionamos o carro e trocamos dinheiro (0,21 reais - 1 peso argentino). No momento que estava escrevendo já era 20:47 e ainda não havia escurecido, mas vale ressaltar que era solstício de verão.
      Piores trechos: próximo a Marília, divisas dos estados SP e PR e anel viário Maringá.
      Gasto diário: R$ 452,94
      Distância: 921 Km
       
      22/12/2016
      Saída de Foz do Iguaçu com destino a Concordia (Entre Ríos)
      Hoje era dia de embrenharmos na Argentina e foi super tranquilo a passagem na Aduana, mas já percebemos que o espanhol seria uma dificuldadizinha que iríamos enfrentar adelante.
      Pra começar minha mãe perdeu a carteira de motorista ainda dentro do parque Iguazu, hahahaha. Depois de um pequeno momento de desespero descobrimos que estava embaixo do porta treco, por sorte tínhamos uma chave de fenda no carro.
      Passamos pelas províncias de Missiones, área com indígenas, pinheiros, a grande empresa arauco e plantações de mate; a de Corrientes marcada por planície, boi, muita erva mate e com altitude em torno de 80 metros.
      O solo de terra roxa também existe na Argentina, onde é conhecida como tierra colorada(terra vermelha). Está bastante presente nas províncias de Misiones e Corrientes.
      Na província de Entre Rios até a de Buenos Aires, a paisagem se torna única com vastas planícies, ora com gramíneas e ora com arbustos, ora inundada e ora seca.
      A polícia nos parou depois de 700 Km em solo hermano e foi super tranquila conosco, álias em toda a viagem não tivemos nenhum problema com propina.
      Chegamos no fim da tarde ao posto YPF Km 248 de qualidade excelente.

      Gasto diário: R$ 424,14
      Distância: 890 Km
       
      23/12/2016
      Saída de Concordia (Entre Ríos) com destino a Trenque Lauquen (Buenos Aires)
      Acordamos cedo e no próprio posto comemos medialunas e café oferecidos pelo hotel. Calibramos o pneu e acredite, essa não é uma informação desnecessária. Durante o caminho que percorremos pela Argentina e Chile era difícil encontrarmos calibradores nos postos, a maioria dos que encontrávamos não funcionavam ou tínhamos que pagar pelo uso.
      Quanto a produção agrícola começam a surgir cilos, arroz, milho, grãos, presença de gás nas propriedades rurais, granjas e muito gado.

      Próximo a foz do rio Paraná a área é conhecida como Mesopotâmia, com altitude em torno dos 20 metros.
      No fim do dia chegamos ao nosso destino Trenque Lauquen, cidade linda. Indescritível. Todas as ruas são avenidas arborizadas. E a gastronomia? Simplesmente maravilhosa, o melhor chorizo da viagem. Outro fato que nos chamou a atenção é que a cidade, com metade da população da nossa, possuía muitas livrarias de qualidade.
      Hospedagem no hotel Pailla Hue, modesto mas bom.


      Gasto diário: R$ 564,95
      Distância: 786 Km

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