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Conheci Eduardo Galeano na faculdade de História e li bastante sobre algumas de suas obras (ele tem muitas rsrsrs).

 

Vou comprar o livro e vai ser meu companheiro de viagem, obrigado pela dica!

 

Te add no face, me aceita lá pra vc ir vendo as fotos quando começar o meu mochilão.

 

abs!!

 

Te adicionei lá e que faça uma bela viagem. Muita paz pra ti.

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(...) Zezão é conhecimento puro e tácito, conhece o parque como ninguém, fauna e flora, história, além d'uma simpatia gigante. Diplomas não definem conhecimento, muito menos caráter. Ao refutar o Zezão a família me deu um dos melhores dias da minha vida. Azar deles e sorte a minha.

 

Que beleza!

 

Sigo viajando com vc.

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Que beleza!

 

Sigo viajando com vc.

 

@mcm obrigado pela companhia nessa difícil viagem que é escrever esse relato. Muito obrigado de verdade. Muita luz para você.

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Parte 17: Sertão Nordestino

“O sertão é do tamanho do mundo.” Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

"Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar." Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

Todos as noites que em sonhos volto aos dias da viagem, sempre é o mesmo sonho. Alguém sem rosto vem me oferecer ajuda pelo sertão. Esses sonhos, na verdade, são o resumo dos meus dias no sertão nordestino. Todos os dias, eram dias de infinitas pessoas me ajudando por onde eu passava ou parava ou ficava. Nunca senti gratidão igual. Se eu tivesse que enterrar meu coração, seria ao lado de uma casa de pau-a-pique com a caatinga como cenário, pois ali, corações são grandes e cegos, do jeitinho que um coração deve ser. Amar sem ver quem ou precisar de um porque. Muita falta sinto daquele cenário de rara beleza e, principalmente, daquelas pessoas que na falta de tudo transbordam solidariedade.

"Olhou a catinga amarela, que o poente avermelhava. Se a seca chegasse, não ficaria planta verde. Arrepiou-se. Chegaria, naturalmente. Sempre tinha sido assim, desde que ele se entendera. E antes de se entender, antes de nascer, sucedera o mesmo - anos bons misturados com anos ruins. " Vidas Secas, Graciliano Ramos

Sai de São Raimundo Nonato em direção a Picos (tudo no Piauí) e no caminho a paisagem me dominava. Não olhava para nada ao não ser para a janela, com aquele cenário de filme. Chegando a Picos resolvi não perder nenhum detalhe do caminho. Viajaria, de agora em diante, somente de dia, enquanto estivesse no sertão. Dormi na rodoviária nesse dia. Na manhã seguinte eu fui para a estrada.

Me lembro que passei por diversas cidades, algumas grandes outras pequenas e que nunca saberei os nomes. De carona ou ônibus eu avançava em direção a Juazeiro do Norte. A vida nesse meio caminho era boa demais. Viajava, bem pouco, quando a luz queimava o dia. Não perdia nenhum detalhe, depois encostava em uma cidade ou vilarejo e ficava. Ficava junto com a cidade. Eu era sempre a novidade. Não era novidade ser recebido de braços abertos. Fugaz era meu tempo e convivência. De manhã sempre estava pronto para a próxima parada. Toda tarde era a mesma história, chegava e logo alguém oferecia um pedaço de chão pra eu dormir. Toda noite jantava com uma família diferente. Seguia de coração partido. A vida nesses dias era como um conto de cordel. Rápida e intensa.

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"Na janela do ônibus eu via bodes. Na janela do ônibus eu via pessoas. De longe eu avistava juazeiros e mandacarus. A vida passava e passeava na velocidade do ônibus. Talvez o ritmo do tempo era cinquenta quilômetros por hora. Diferente da tela de cinema, a tela do ônibus, mostrava cenas sem roteiro. A vida continuava para todos os outros, menos para mim, eu era um telespectador. Apenas voltava para a realidade ao parar do ônibus. A cada nova cidade uma imagem de Padim Ciço lhe dava as boas-vindas. E com a benção de Cícero eu descia. E com a benção de Cícero eu conhecia. E com a benção de Cícero eu partia." Notas de Diário

Cheguei em Juazeiro do Norte, Ceará. Fiquei poucos dias. A cidade é bem maior que eu imaginava, tão grande que quase dá pra esquecer de se estar no meio do sertão. Fiquei hospedado num pensionato que mais parecia um labirinto de varais cheios de roupas. De resto fiz um turismo para conhecer um pouco mais a história e as histórias de Padre Cícero ou para os íntimos, Padim Ciço.

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Depois continuei de ônibus em ônibus. De carona em carona. De janela em janela. De vilarejo em vilarejo. De abraços de encontros e abraços de despedidas. Fui vagueando. Pouco eu falava, mas muito observava. Olhava tudo. Não perdia nada. Às vezes, confundo o tempo, a intensidade dos dias fazem parecer que foram mais dias do que realmente foram. Quando eu começava a sentir saudades um novo encontro aparecia e que seria a saudades de amanhã. Assim, seguiam os dias, eu era acolhido como um filho todos os dias. Pouco falei de mim e pouco falavam sobre eles.

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Cheguei em Cabaceiras (Paraíba) por muito ouvir sobre essa cidade. Estar em Cabaceiras é como viver dentro de um filme. O Auto da Compadecida e Cinema, Aspirinas e Urubus, entre outros foram gravados nessa cidade que é considerada a "Roliúde Nordestina". Tudo é belo aqui. As casas coloridas e a igrejinha onde João Grilo foi julgado por Deus são de uma lindeza sem tamanho. O lajedo de Pai Mateus é das coisas mais espetaculares que se pode achar no mundo. Desconhecido por quase todos. O lajedo tem aquelas pedras de tamanho gigante sortidas por todos os cantos e são de uma beleza sem tamanho, poderia listar quantas cenas de filmes ou novelas que foram feitas aqui, mas ocuparia muito espaço. Não é atoa que é considerada a capital do cinema nacional. A beleza da cidade e seu entorno são únicos. A noite da cidade é um charme. Vale demais a visita nesse pedaço de terra. Beleza rústica sem igual.

"Estava no mercado municipal (Cabaceiras), pedi um prato de comida. Sentei-me numa mesa cheia de pessoas. Antes a mesa era som de risadas e conversas. Ao me sentar eu trouxe o silêncio. Todos me olhavam. Eu olhava todos. O jogo de truco parou. Eu incomodava. Eu estava incomodado. Sentia-me o estrangeiro. O tempo só voltou a correr quando a comida chegou. Ao comer a mesma comida, alguma empatia foi formada. As primeiras conversas aconteceram. Perguntei se eu poderia jogar. Perdi todos os jogos, mas quando pensei em ir embora já era hora de jantar. Quando a janta chegou nenhum silêncio se fez. Já era mais um como qualquer outro." Notas de Diário

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"João Grilo (suspirando) - Tudo o que é vivo morre! Está aí uma coisa que eu não sabia! Bonito, Chicó, onde foi que você ouviu isso? De sua cabeça é que não saiu, que eu sei!

Chicó - Saiu mesmo não, João. Isso eu ouvi um padre dizer uma vez. Foi no dia que meu pirarucu morreu.

João Grilo - Seu pirarucu?

Chicó - Meu, é um modo de dizer, porque, pra falar a verdade, acho que eu é que era dele. Nunca lhe contei isso não?

João Grilo - Não, já ouvi falar de homem que tem peixe, mas de peixe que tem homem é a primeira vez.

Chicó - Foi quando eu estive no Amazonas. Eu tinha amarrado a corda do arpão em redor do corpo, de modo que estava com os braços sem movimento. Quando ferrei o bicho, ele deu um puxavante maior e eu caí no rio.

João Grilo - O bicho pescou você!...

Chicó - Exatamente, João, o bicho me pescou. Para encurtar a história, o pirarucu me arrastou rio acima três dias e três noites.

João Grilo - Três dias e três noites? E você não sentia fome não, Chicó?

Chicó - Fome não, mas era uma vontade de fumar danada. E o engraçado foi que ele deixou pra morrer bem na entrada de uma vila, de modo que eu pudesse escapar. O enterro foi no outro dia e nunca mais esqueci o que o padre disse, na beira da cova.

João Grilo - E como avistaram você, da vila?

Chicó - Ah, eu levantei um braço e acenei, acenei, até que uma lavadeira me avistou e vieram me soltar.

João Grilo - E você não estava com os braços amarrados, Chicó?

Chicó - João, na hora do aperto, dá-se um jeito a tudo!

João Grilo - Mas que jeito você deu?

Chicó - Não sei, só sei que foi assim! " O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna

Depois segui para Ingá. A cidade é igual a todas outras. Pessoas circulam. Algumas praças. Algumas vendas. O que faz Ingá diferente de todas as outras é a Pedra de Ingá ou para os nativos a Pedra Encantada. Uma pedra escrita em baixo relevo que segue indecifrável até hoje. Algo diferente. Eu, ao menos, nunca tinha visto nada parecido. Coisa linda. Mais lindas são as histórias sobre a pedra. As teorias são muitas, desde de alienígenas até que a pedra esconde o segredo do universo. Prefiro as palavras da música de Zé Ramalho "Há uma pedra estranha que me diz | Que o vento se esconde num sopé | Que o fogo é escravo de um pajé | E que a água há de ser cristalizada | Nas paredes da pedra encantada | Os segredos talhados por sumé". Ingá é um tesouro de lugar. De Ingá voltei para ficar um pouco em Campina Grande e pouco tempo depois também me despedia de Campina Grande. Agora seguia rumo ao litoral e o sertão ficava pelo caminho.

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"Hoje conheci a Pedra de Ingá. Lugar curioso demais. Depois da visita fiquei deitado numa sombra até criar coragem de caminhar novamente. Logo recebi companhias. Uma delas era o Vavá Azul, figura conhecida da cidade. A minha mochila atraiu a curiosidade. Logo, éramos em umas seis pessoas. Ficamos ali, contando e ouvindo histórias. As histórias de Vavá eram as melhores. Como bons amigos debaixo da sombra ficamos ali, conversando, até o sol baixar. Depois, como fossemos nos ver no dia seguinte, nos despedimos. " Notas de Diário

No sertão, com toda certeza, há muito sofrimento, fome e pobreza. Entretanto, o sertão não é apenas isso. O sertão é belo em sua natureza e cheio de gente disposta dividir o quase nada. Não tem como passar por aqui e não marejar os olhos diante de tanta solidariedade. A vida é dura nesse canto do planeta. Quase tudo endurece aqui: terreno, vegetação, músculos, pensamento, sonhos, pele, mas uma coisa segue palpitando numa velocidade maior dentro de todos, o coração. Se você não precisar de ajuda talvez nunca sentirá o que eu senti aqui. Num lugar onde a vida parece impossível somente há prosperidade se houver solidariedade. Assim, os dias passam. Sobrevivendo dia-a-dia. Estendendo uma mão hoje. Recebendo uma mão amanhã. Queria um dia poder voltar e de uma maneira mais justa poder lembrar de cada rosto e dar nomes às pessoas que antes, para mim, não tinham nomes. Talvez seria mais nomes que minha memória seja capaz de guardar, mas ao menos poderia agradecer cada pessoa individualmente e dar oportunidade aos meus sonhos ter novos sonhos. Substituir o "sem rosto" por centenas de pessoas com rostos conhecidos. Dos dias no sertão o que fica é a gratidão. O obrigado pelos inúmeros acolhimentos. O obrigado por mostrar-me coisas que só com os olhos eu nunca enxergaria. Obrigado! Espero reencontrá-lo em breve, Ser-tão. Até logo.

"Cantar, só, não fazia mal, não era pecado. As estradas cantavam. E ele achava muitas coisas bonitas, e tudo era mesmo bonito, como são todas as coisas, nos caminhos do sertão. " A hora e vez de Augusto Matraga, Sagarana, Guimarães Rosa

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Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres

"Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar

O mar não parou para ser olhado

Foi mar pra tudo que é lado." Melhores Poemas, Paulo Leminski

Cheguei em João Pessoa. A Mari me aguardava. Conheci a Mari no projeto Rondon, ela é alagoana, mas estava na cidade para prestar a prova do mestrado. Ela estava hospedada na casa de uns amigos e foi para lá que eu fui.

Nos dias em João Pessoa, em todo momento, tive a companhia da Mari, ficávamos o dia todo na praia. Caminhávamos, bebíamos e mergulhavamos. Pela primeira vez vi um mar com tantas cores. O que mais me lembro daqueles dias em Jampa foi de uma noite que ficamos na praia, quase deserta, sentados, conversando e bebendo. Depois ficamos no mar por muito tempo. Foi um dia bom. De resto, João Pessoa é uma cidade bem agradável e o que eu mais gostei é que é proibido prédios altos próximo da orla, o que deixa as noites nas praias mais bonitas. Depois de poucos dias a Mari teve que voltar para sua cidade e eu resolvi seguir viagem também.

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Ainda em João Pessoa deu tempo de conseguir couchsurfing na noite em que eu planejava dormir na rodoviária. Assim, passei uma noite na casa da Cris. Ela é toda musical e tem um belo gosto para a música. Passamos a noite conversando e ouvindo música. No outro dia, me despedi da Cris e segui meu caminho.

Cheguei em Recife e parti para a Olinda. Peguei um metrô até alguma estação para poder pegar o ônibus para Olinda. O metrô de Recife é um tanto quanto curioso, acho que devia ter mais ambulantes vendendo suas mercadorias que propriamente passageiros e isso se repetiu toda vez que peguei o mesmo. Já em Olinda caminhei para procurar algum hostel. Fiquei no Albergue de Olinda, lugar muito bom e tranquilo.

Nos dias em Olinda, caminhei bastante pelo centro histórico e pela orla. O centro histórico é muito bonito, colorido e musical. Peguei o mapa turístico e caminhando fui conhecendo igreja por igreja, beco por beco e alguns artesanatos locais. De manhã acordava cedo e ia para a orla e pelas noites me juntava em algum lugar com música. Apesar de ser ressaca do carnaval, ainda havia maracatu pelas ruas e às vezes, ouvia-se o Galo da Madrugada e com isso a vontade de ter estado aqui algumas semanas antes.

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Em, apenas, um dia resolvi conhecer Recife. Meu destino era o Recife Antigo, que é o centro histórico da cidade. Caminhei bastante, conheci o Marco Zero e fiz a travessia de barco até o Parque das Esculturas Francisco Brennand (valor de ida e volta é de cinco reais). Depois experimentei o famoso Leite Maltado em As Galerias, o maltado é uma bebida feita de sorvete de creme e malte de cacau. A bebida é incrivelmente boa, só não bebi mais de dois copos por não ter mais dinheiro. Depois fui conhecer o Paço do Frevo, um lugar único que mostra a história do frevo, além de ter diversas outras atividades. Nesse dia estava tendo uma apresentação artística do grupo local de maracatu com uma banda latinoamericana chamada (se minha memória estiver certa) Las Damas, foi das coisas mais incríveis que pude assistir, música de melhor qualidade, ninguém conseguia ficar parado, até eu que sou horrivelmente ruim dançando tentei alguns passos, mas na maior parte eu preferi bater palmas. De noite, junto com algumas pessoas que conheci no Paço do Frevo, fomos num bar. Sai correndo, atrasado, no fim da noite para conseguir pegar o último circular para Olinda.

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"O Sol da aurora raiou, na terra do Capibaribe,

Do frevo e do Maracatu, de baque virado, de touro encarnado, de todo o azul,

Nasceu da pedra salina, Luanda estrela divina,

Recife batendo tambor

Desaguando pela aurora, Recife senhora de toda magia que o mar derramou,

Dona santa feiticeira, rainha guerreira, cantiga negreira Recife Nagô." Recife Nagô, J. Michilles

A viagem seguiu. Agora eu chegava no Alagoas, mais precisamente em São Miguel dos Milagres. Primeiro fui procurar algum lugar para me hospedar, depois de consultar quase todos os lugares, estava assustado com os preços, o mais barato até então era 150 reais a diária. Achei um senhorzinho que alugava uns quartos no fundo de sua casa por quarenta reais, fiquei lá.

A primeira vez que eu vi o mar em São Miguel dos Milagres achei que estava sonhando. O mar azul e verde degradê queima os olhos com tanta beleza. Caminhei muito por aquele litoral. Fui para Porto de Pedras e Praia do Patacho caminhando e para muitas outras praias que não me recordo os nomes. Qualquer roda de futebol eu me enturmava e ficava. Conheci Laura quando fui buscar uma bola perdida. Logo me juntei em sua caminhada. O tempo passou muito rápido, tínhamos muitas coisas em comum, a conversa era fácil. A noite chegou e ainda caminhávamos. Voltar sozinho na escuridão, caminhando durante horas em companhia do céu estrelado foi bacana demais.

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Quando eu cheguei no nordeste, resolvi escolher uma praia, apenas uma, em que eu iria conhecer e viver sem pensar muito em dinheiro. A escolha foi São Miguel dos Milagres. Diferente da suas vizinhas Porto de Galinhas e Maragogi, aqui não existe turismo de massa e as praias são bem preservadas e quase desertas, mas tudo é bem caro. Apesar de eu ter achado uma estadia barata, quase todas as pousadas são muito caras (pois são bem poucas). Tirando os preços, São Miguel dos Milagres é um paraíso na Terra, vale muito a visita. Os coqueiros, os corais, o mar e a tranquilidade daquele lugar fazem qualquer pessoa aproveitar o momento e esquecer todo o resto.

Arrumei minha mochila numa madrugada e de madrugada peguei o ônibus que iria me levar para Maceió. Me despedia dos dias tranquilos em Jampa, Recife, Olinda e São Miguel dos Milagres.

"Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." Tabacaria, Fernando Pessoa

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Camarada, estou aqui ainda e curtindo muito o seu relato.

 

Peguei o livro "Espelhos" do Galeano, será o meu companheiro de viagem nessa trip que começa dia 24/12.

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Camarada, estou aqui ainda e curtindo muito o seu relato.

 

Peguei o livro "Espelhos" do Galeano, será o meu companheiro de viagem nessa trip que começa dia 24/12.

 

Terá boa companhia na sua viagem então =]

 

Aproveita demais os dias em que estará de viagem. Abraços

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Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro

"O escafandro já não oprime tanto, e o espírito pode vaguear como borboleta. Há tanta coisa para fazer. Pode-se voar pelo espaço ou pelo tempo, partir para a Terra do Fogo ou para a corte do rei Midas.

Pode-se visitar a mulher amada, resvalar para junto dela e acariciar-lhe o rosto ainda adormecido. Construir castelos de vento, conquistar o Velocino de Ouro, descobrir a Atlântida, realizar os sonhos da infância e as fantasias da idade adulta.

Chega de dispersão. Preciso compor o início destes cadernos de viagem imóvel e estar pronto para quando o enviado de meu editor vier tomar o ditado, letra por letra. Na minha mente, remôo dez vezes cada frase, elimino uma palavra, junto um adjetivo e decoro meu texto, parágrafo após parágrafo.

Sete e meia. A enfermeira de plantão interrompe o curso de meus pensamentos. Segundo um ritual bem preciso, ela abre a cortina, verifica traqueotomia e gotejamento, e liga o televisor para que eu veja o noticiário. Por enquanto, um desenho animado conta a história do sapo mais veloz do Oeste. E se eu formulasse o desejo de ser transformado em sapo?" O escafandro e a borboleta, Jean-Dominique Bauby

Todo dia na estrada é um dia cheio de possibilidades. Por estarmos, frequentemente, diante do novo, o novo já não assusta. Ficamos mais propícios a dizer sim ou ao mesmo, seguir por caminhos que não eram nossos e num piscar de olhos, caminhos opostos formam pontes para um mesmo lugar. Todo dia na estrada é um dia cheio de encontros. Por estarmos longe dos nossos conhecidos, conversamos com qualquer pessoa que cruze o nosso destino e assim perdemos um pouco da arrogância do julgamento precipitado e damos a chance de conhecer o desconhecido. Todo dia na estrada é como qualquer outro dia, o que muda apenas é a nossa disposição de conhecer. Todo dia deveria ser como um dia na estrada.

Cheguei em Maceió. Caminhei, pouco, pela cidade, mas não queria estar na muvuca de uma capital. Queria dar continuidade aos dias tranquilos. Queria voltar para o interior. Queria voltar para a simplicidade. O cânion do Xingó surgiu em minha cabeça e para lá continuei o meu caminho.

No Alagoas o transporte dentro do estado é feito por vans. Os ônibus na rodoviária são, praticamente, interestaduais. Sem informação de horários, fiquei na rodoviária esperando a van para a cidade de Piranhas. Embarquei com mais umas dez pessoas. A viagem perdurou por algumas boas horas. O sono me dominou por quase toda a viagem.

Chegar em Piranhas (a cidade velha) é como chegar no paraíso. Me arrisco dizer que é a cidade mais bonita que eu já conheci. Suas casas coloridas à margem do rio São Francisco são de uma beleza sem tamanho. A harmonia que a cidade tem com a natureza, uma complementando a outra, fez eu não imaginar a natureza sem a cidade e a cidade sem a natureza. A calmaria se faz presente sempre naquele recanto de mundo.

Depois parti para o hostel Maestro Egildo Vieira. Egildo Vieira foi um maestro famoso, seu irmão Nei toma conta do hostel. Com orgulho o Nei sempre conta as histórias de seu falecido irmão famoso, principalmente as histórias que envolvem também o grande Ariano Suassuna. Nei é gentileza em pessoa. Nunca fui tão bem tratado num hostel como fui naqueles dias em Piranhas.

Deixei minhas coisas e fui caminhar pela lindeza da cidade. A cada cem metros parava para mergulhar no velho Chico. Joguei bola num campinho. Conversei com alguns pescadores e fui alertado de alguns lugares que era arriscado nadar. Retornei era quase noite. Fiquei na praça. Depois subi as escadarias para chegar no ponto mais alto da cidade para vê-la de cima e ser surpreendido com o belo céu daquele dia. Passei boa parte da noite ali, na companhia do céu estrelado.

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"Estava sozinho naquele hostel imenso. A arquitetura antiga de beleza rústica seria sucesso em qualquer grande cidade. Ali, o vazio tornava o eco mais sufocante. As pousadas familiares dominam a preferência de quem vem conhecer a cidade e a região. A arquitetura mais bonita é a do hostel, os melhores sucos e as melhores histórias e o melhor tratamento é feito pelo Nei. Se um dia tivesse que dar um conselho sobre Piranhas, o conselho seria: fique no hostel e conheça o grande Nei." Notas de Diário

No outro dia, acordei cedo e andei a beira rio novamente. Depois peguei um moto táxi até próximo a usina de Xingó, donde saem os barcos para o Cânion do Xingó.

Embarquei. O rio São Francisco naquele pedaço de mundo consegue ser mais bonito que o normal. A embarcação tinha muita gente e era todo animado, com música alta, comida cara e bebidas, algum desavisado poderia confundir com uma festa. Isso me incomodava um pouco, mas eu seguia na proa do barco admirando cada novo pedaço do rio que se anunciava. Ao chegar no cânion um misto de decepção e encantamento tomou conta de mim. A decepção por ver duas "piscinas" no rio ao lado do cânion do Xingó e o encantamento pelo próprio cânion. Para acessar o cânion é preciso pagar dez reais e tomar assento num barco a remo. O cânion é bem estreito. Poucos barcos vão ao mesmo tempo. Na espera todos ficam na "piscina" montada no meio do rio ou vendo o pouco artesanato que vendem na plataforma de desembarque. O trecho de barco a remo, vale muito a pena, é a cereja do bolo, é o porquê de ter encarado o barco maior. E saber que o cânion só é o cânion por causa de intervenção humana, pois ele só alagou depois da água ser represada para a construção da hidrelétrica de Xingó. De todo modo, os poucos minutos dentro do barquinho, onde o bater do remo é calmo, onde os paredòes quase se tocam, onde as cores da água alterna entre azul e verde de acordo com o esconder do sol, onde o silêncio toma conta e a beleza é a mais pura, daquelas de fazer esquecer qualquer outra coisa.

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Na volta, o barco fez o mesmo caminho, como teria de ser. A animação era maior. Eu continuava da mesma forma, admirando a paisagem de pé na proa. Agora a proa estava cheia de pessoas. O motivo era a ducha ao lado, mas não para tomar banho. Quase todos queriam tirar uma foto fingindo tomar banho de ducha. Eu realmente não entendi, mas o que importa é que pareciam felizes com isso. Num desses instantes, comecei conversar com a Licka que estava viajando junto com a Anna de carro. Elas se conheceram pelo site do mochileiros e se encontraram em Salvador, alugaram um carro e seguiram para o Xingó e depois iriam aproveitar o litoral alagoano. Elas estavam do lado sergipano na cidade de Canindé do São Francisco. Convidei-as para conhecer a bela cidade de Piranhas, logo depois do passeio.

Licka é psicóloga e mochileira, já viajou por muitos lugares e estava prestes a fazer sua esperada volta ao mundo. Muita admiração por ela, por conseguir conciliar sua profissão com suas mochiladas.

Anna é radialista e mochileira de primeira viagem. Sua voz é igual da Fernanda Lima e seu sorriso é encantador. Sua ideia é o mais breve possível ir morar em Ilhabela.

Elas seguiram até Piranhas comigo. Conheceram o Nei e resolveram ficar. Depois saímos para comer e andar pela cidade. Mergulhamos no velho Chico. No fim da tarde, resolvemos subir as escadarias para ver o pôr-do-sol que se anunciava. Chegamos a parte alta e lá estava a Marina e o Rui, logo eles se juntaram a nós e no resto do dia éramos em cinco.

Rui é agrônomo, músico, dançarino e motoqueiro. Dono de uma felicidade contagiante e de uma humildade gigante. Não tem como não gostar dele.

Marina é búlgara e mochileira, tinha oito meses para viajar pela América do Sul. Sua ideia era percorrer o continente todo, mas de tanto gostar do Brasil gastou todo o seu tempo no litoral nordestino e na Chapada Diamantina.

Já era noite voltamos ao velho Chico para mergulhar. Depois passamos o resto da noite na pracinha em um dos bares. O tempo passava, algumas cervejas eram consumidas. Rui apresentava suas diversas teorias sobre os mais diversos temas, era fácil rir com suas histórias. Marina sempre sorrindo se esforçava no português. Anna apresentava sua ciência ao pedir a batida de morango. Licka me ofereceu carona para o outro dia cedo, a princípio iria ficar mais uns dias ali, mas no fim resolvi embarcar junto com elas. No resto da noite tentamos vencer o sono para ir ver o luar em cima das escadarias, mas o sono venceu. Despedimos do Rui e da Marina e seguimos para o hostel.

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" - Jack, nós temos que ir e nunca parar de seguir enquanto a gente não chega lá.

Para onde estamos indo, cara?

Eu não sei, mas temos que ir." On the road, Jack Kerouac

Saímos cedo de Piranhas. O Nei deixou preparado um super café da manhã para nós. Eu fiquei com todo o banco de trás. A Licka no volante deu início a viagem. Seguiríamos para a praia do Gunga. Entre cochiladas eu tentava acompanhar o caminho. Nos perdemos algumas vezes. Chegamos. Antes de entrar na praia, fomos num mirante onde avistávamos toda a praia pelo o alto. O mar de coqueiros e o mar de água divididos por uma faixa de areia é lindo demais. Estacionamos o carro e começamos a caminhar pela praia. Caminhamos até estarmos longe da multidão. Por vezes, mergulhei no mar colorido e agitado do Gunga, sozinho ou na companhia da Anna ou na companhia da Licka ou na companhia das duas. Passamos parte da manhã e toda a tarde ali.

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Estávamos sentados num bar. Aproveitamos para carregar os celulares e tomar algumas cervejas. Tínhamos que definir nosso próximo destino. Depois de algumas propostas e conversas, chegamos a conclusão que iríamos para a praia do Carro Quebrado, ao norte de Maceió. A ideia era acampar na praia. Passamos num mercado e compramos alguma comida para cozinhar no acampamento. O fim da tarde chegava e assim, partimos. Por inexperiência pegamos a "Br", ao invés, da pista litorânea para chegar a Barra de Santo Antônio. Nesta noite, nos perdemos muitas vezes. Uma viagem de poucas horas se tornou uma grande viagem. Estávamos cansados. E por muitas vezes achei que desistiriamos em achar a tal praia. Ainda bem que não. Depois de muito escuro, pistas vazias e de muita música, chegamos a cidade destino. A praia era bem isolada e todos desencorajaram nós a seguir no fim de noite para lá. Um guia local arranjou um restaurante a beira mar para acamparmos.

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Montamos a barraca. Nos ajeitamos. Fui ver o mar e o céu. Era a primeira vez da Anna acampando. Fizemos nossa janta. A fome era grande. O macarrão acabou rápido. Um vento agradável pairava pela noite. Um a um íamos dormindo.

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Era madrugada ainda. Vi as gurias indo ver o nascer do sol a beira mar. Não consegui levantar. A ideia era ver o nascer do sol na praia do Carro Quebrado. Nos primeiros raios de sol, criei coragem e desfiz acampamento. Esperamos o guia que nos ajudaria com o labirinto até chegar a tal praia.

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Chegamos em Carro Quebrado com o sol se levantando ainda. Que sorte a nossa não ter desistido. Ao ver pela primeira vez aquela praia, sabia que estava no lugar certo. Acho que já devo ter dito inúmeras vezes que essa ou aquela era a praia mais bonita que já tinha visto. Cronologicamente isso sempre é verdade. E agora estava de novo, de frente com a praia mais bonita e charmosa que já tinha visto. Ter ela só para nós foi um 'plus' que fez ela se tornar mais bonita ainda. O sol queimava demais. O mar tinha muitas cores. Pouco falamos. O esforço e a persistência em chegar naquele lugar, fazia cada um aproveitar do seu modo, aquele paraíso. Que calmaria gostosa. Que delícia de lugar. Que recompensa. No primeiro sinal de "intrusos", pegamos nossas coisas e seguimos viagem.

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Agora íamos recortando o lindo litoral do Alagoas em direção ao sul. Passamos pelas coloridas praias de Maceió. Cruzamos a praia do Gunga novamente. Toda praia que se anunciava era mais bonita que a anterior. Lembro de termos parado em uma praia de um azul intenso que era linda demais, dei apenas um mergulho e seguimos pela estrada. E assim, foi, praia e mais praia. Até chegarmos na divisa natural do estado do Alagoas com Sergipe, o rio São Francisco.

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A cidade era Piaçabuçu. Eu tinha muita vontade de conhecer a foz do velho Chico e a meninas embarcaram na mesma vontade. Conseguimos negociar um barco bem barato e com direito a um almojanta. Partimos pela lindeza do São Francisco. Quanta beleza tem aquele trajeto. Passamos por vilarejos, coqueiros, dunas, avistamos muitas aves e talvez um boto. No final o rio se rende a imensidão do mar e adoça um pouco as águas salgadas do Atlântico. Mergulhamos por muito tempo nas águas do rio que foi o responsável pelo nosso encontro. Quando o sol se punha, o barco retornava. E que pôr-do-sol maravilhoso foi aquele. Em silêncio admirávamos o sol caindo no horizonte. No momento que o último raio de sol era visto, atracamos no porto.

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Seguimos viagem, nesse dia intenso. Fomos até Penedo. Chegamos era noite. O centro histórico é lindo demais. Fiquei com muita vontade de voltar com mais calma. Mesmo assim, podemos ver o quão preservado é o centro histórico da cidade. Depois fomos para o porto, pegamos a balsa e atravessamos o São Francisco. Agora em terras sergipanas nosso destino era Aracaju.

As luzes projetadas pelo farol do Uno avançavam pela escuridão das rodovias do Sergipe. O som alto fazia companhia. Música após música era tocada. Cantávamos para afastar o sono. A Licka no volante acertava todos os caminhos nas confusas pistas do menor estado brasileiro. As luzes só mudavam de direção quando o Uno passava por algum buraco escondido com a ajuda da noite. O caminho era só escuridão, interrompido por vezes por algum caminhão na direção contrária que iluminava o interior do nosso carro. Nesses momentos de luz eu mirava meus olhos para as duas, uma de cada vez. Às vezes, a Anna estava dormindo. A Licka, incansável, sempre com os olhos firmes no caminho. A Anna, de vez em quando, encostava o rosto no vidro do carro e parecia olhar para o teto, não sabia se era o sono ou se algum pensamento arrematava-a. A cantoria dentro do carro aumentava de tom quando o rádio começava a tocar: Um sonho, do Nação Zumbi. Nesses momentos, parecia ter uma energia diferente conosco. Ou melhor, parecia dar-nos mais energia para seguir pelas estradas naquela noite, que era mais escura que as outras noites. O Uno seguia enxergando por seus faróis e a viagem continuava.

Chegamos em Aracaju. Chegamos em frente a casa do Rui. Junto com a Marina o Rui abriu a porta de sua casa. Fomos recebidos de braços abertos. Tomamos algumas cervejas e logo o sono foi dominando.

Esse dia, foi intenso demais. Talvez dos melhores que já vivi. Acordamos ao relento numa praia qualquer. Depois seguimos para uma das praias mais bonitas do nosso Brasil. Atravessamos todo o Alagoas até conhecer o lindo fim do rio São Francisco. Passamos pela tão linda Penedo. Atravessamos o Chico para estar do lado sergipano. E fomos até Aracaju para rever o Rui e a Marina. Não quis ver quantos quilômetros percorremos, pois números sempre estragam toda a beleza do momento.

Acordamos tarde. O Rui e a Marina nos levaram para conhecer o centro histórico de Aracaju. Depois fomos numa praia. Almoçamos. E logo, a estrada iria nos fazer companhia novamente. A Anna pegaria o vôo no dia seguinte em Salvador. Ficamos mais um tempo na companhia do Rui e da Marina. No fim da tarde, nos despedimos e seguimos nosso último trecho juntos. De Aracaju a Salvador.

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Chegamos ao Pelourinho. Agora eu seguiria sozinho. Peguei minha mochila e estava as duas na minha frente. Não lembro ao certo o que eu disse na despedida. De certo, foram palavras, vazias, do tipo: "Boa viagem", "Juízo", "Até a próxima". Depois do abraço final caminhei para dentro do Pelô. Passei por bares cheios e lugares que nunca tinha visitado antes, mas o ao redor não importava, apenas caminhava até algum hostel. Conforme eu caminhava uma nova música surgia de fundo. Encontrei o hostel que eu procurava. Hesitei ao entrar. Agora um turbilhão de sentimentos tomava conta de mim. Queria ter agradecido as meninas de forma mais honesta os dias que estivemos juntos. Hoje, depois de mais de oito meses desses dias, toda vez que eu escuto aquele sotaque pernambucano da Nação Zumbi iniciando a música dizendo: "Estão comendo o mundo pelas beiradas| Roendo tudo, quase não sobra nada | Respirei fundo, achando que ainda começava | Um grito no escuro, um encontro sem hora marcada | Ontem eu tive esse sonho … " eu, automaticamente, me teletransporto para aqueles dias dentro do Uno branco na companhia da Licka e da Anna. Onde a escuridão das pistas do Alagoas, Sergipe e Bahia nos fizeram companhia. Onde três pessoas, de três lugares diferentes se uniram por suas diferenças e principalmente, pela vontade de viajar. Me teletransporto e lembro da cara de curiosidade da Anna ao experimentar o macarrão no acampamento. Me teletransporto e lembro da Licka, ainda desconhecida, ao meu lado na proa. Me teletransporto e vejo a alegria do Rui e da Marina. Me teletransporto e lembro do sorriso de cada um e também lembro do rio São Francisco que por algum motivo nos uniu, naquela curta, mas intensa viagem. Quando a música acaba volto ao dia de hoje, mas cheio de lembranças e com muitas saudades. Saudades daqueles dias. Saudades de todos. E agora, de uma forma mais honesta, eu digo: Obrigado. Obrigado pela companhia. Obrigado pelo companheirismo. Obrigado pelos momentos. Anna, Licka, Marina, Nei e Rui um beijo na alma de cada um de vocês. Muita paz sempre. Mais uma vez, obrigado!

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro." O Encontro Marcado, Fernando Sabino

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Sensacional, continuo acompanhando aqui.

 

Passei em alguns desses lugares que vc foi inclusive os Quenions do velho Chico...Piranhas, Praia do Gunga, Carro quebrado, Aracaju....demais meu amigo, linda viagem essa sua!

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Ahhhhhhh... Que sorte a minha ter cruzado seu caminho nessa sua linda jornada!

 

Que sorte a nossa ter compartilhado desses dias intensos e vibrantes!

 

Realmente foram momentos memoráveis.

 

Viajar é isso... É contar com os improvisos da vida, com a magia dos encontros, com as surpresas dos caminhos.

 

Cada um, com nossas peculiaridades, nos tornamos um só destino pela vibração da aventura.

 

Obrigada pelas palavras. Estou acompanhando o relato e sei que ainda falta um bom pedaço.

 

Siga em frente amigo, estamos no aguardo!!!

 

Bjs.

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    • Por ROTA da AVENTURA
      salve galera !!!!!
      são thome é muito bommm !!!! maas em feriados a cidade lota e fica meio congestionada heheehe tem muitass cachu quanto mais longe da city menos gente !!
      eu adoro ficar em sobradinho é meio lonje da cidade mas vale a tranquilidade que tem o lugar !!!
      mas se vc s ja gostarem mais de agito e galera em dias de feriado fica assim !!!!


      esse dia tava rolando um show reggae la em cima !!!!!
      fora a muvuca tavo um astral bem legal com a bandinha tocando e o sol se pondo animal!!!!!
      falow
      bruno
    • Por Marcos Nakayama
      RELATO TEXTÃO 😜 da minha travessia pelos lençóis maranhenses, com o grande "tchan" de ser a ideal para sedentários (que tenham disposição, claro)!
      (Mais fotos e outras viagens no Insta: @marcos.nak 😉)
       
      Você é do tipo que fica esbaforido ao subir uma duna? Eu sou, quase todo mundo é. Mas, se ao chegar ao topo e ver as lagoas, seu cansaço se transforma em encantamento e vontade de fazer de novo, então você consegue fazer este trekking! Todos os relatos que eu havia encontrado mostravam uma travessia longa de 3 dias de duração, saindo de Atins, mas eu tinha receio de ficar muito cansativo e acabar perdendo o objetivo, que era curtir, e não "sofrer"😎! Então, dado que eu só tinha 2 dias e estava em Santo Amaro, e depois de conversar com o guia, decidi fazer como ele indicou. Não me arrependo de jeito nenhum! Ficou assim: 
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      1) Fomos de Santo Amaro até a lagoa de Emendadas de quadriciclo, e lá vimos o sol nascer (14 km).
      A cena foi linda, e a escolha da lagoa se deu pela duna imensa, de onde se tem a vista mais panorâmica. É sério, debaixo da duna você já fica maravilhado, pela imponência. Lá de cima, não fosse o vento muito forte, poderia passar horas. Depois do belo nascer do sol, começamos a caminhada.

       
      2) Andamos até Betânia, passando pela incrível lagoa do Junco (18 km).
      Eu sei, falar em andar 18 km na areia, subindo e descendo, sem sombra, parece loucura, mas eu fiz numa boa e não sei explicar por quê. É um misto de encantamento e empolgação que faz a caminhada ser fácil. Além disso, cara, cansou? É só deitar na areia e rolar, que logo vc cai numa lagoa 😂😂😂! A lagoa do Junco só é acessível a pé, e por isso a maior beleza do parque está exclusiva aos poucos corajosos que encaram a caminhada. No caso, eu tive ela e infinitas outras só pra mim! No caminho, encontramos ninhos de gaivotas e rastros de vários animais. Um fato interessante é que a lagoa do Junco é nova. Eu havia lido vários relatos de que a lagoa das cabras era a mais linda de todas, e o guia prometeu me levar até ela. Aí, num momento em que cruzávamos uma areia molhada com plantas, ele disse: "Você está em cima de onde já houve a lagoa das cabras!" 😮
       

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      3) No horário do almoço, chegamos a Betânia, onde passei a tarde e a noite.
      Na verdade eu nem conheci o vilarejo de Betânia, pois fiquei hospedado num restaurante isolado entre uma mata e um rio. É o mesmo restaurante onde os turistas do passeio a Betânia almoçam. Chegamos e já almoçamos. O guia disse que eu teria a tarde livre para descansar na rede e curtir o rio, mas eu não quis saber, pedi pra ir pra alguma lagoa (como se eu já não tivesse tomado muito banho de lagoa hehe). Aí (ele tinha um acordo de pegar caiaque gratuitamente no restaurante), atravessamos o rio de caiaque e ele me deixou numa lagoa incrível, onde uns turistas inconvenientes faziam algazarra 🙄. Aproveitei pra fazer uma caminhada pelas dunas ao redor, e assim que eles partiram eu tive a lagoa inteira só pra mim, onde fiquei horas curtindo, até o sol começar a descer. Foi delicioso! O guia chegou para me acompanhar no pôr do sol, subimos uma duna e ficamos até escurecer, e passamos um tempão apreciando o céu mais estrelado que já vi na vida! 🤩Ele tem um celular foda e é um excelente fotógrafo, e tirou fotos incríveis e me mostrou os planetas e as constelações num aplicativo que vc aponta pro céu e reconhece as estrelas. Depois, voltamos de caiaque pelo rio, num breu quase absoluto, pois a lua também havia se posto. Paramos um pouco de remar pra curtir o silêncio e o céu, e foi sensacional. Ao chegarmos ao restaurante, acredite!, havia uma belga e uma alemã (muçulmana, todo coberta), que também estavam em travessia e passariam a noite lá. Nosso "quarto" era uma palhoça com redes onde os clientes descansam após o almoço. Não tem paredes, o que fez as gringas passarem trezentos tipos de repelentes, mas a dona garantiu que, sabe-se lá por quê, não há pernilongos ali, e de fato nenhum inseto nos incomodou. Foi muito engraçado quando a belga subiu na rede e descobriu que a rede balança. Logo ela e a alemã estavam tomando impulso e se chocando uma na outra! É claro que eu filmei e coloquei no vídeo! 😂😂😂 
       

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      4) De manhã, passeamos pela região (8 km)
      Depois de uma noite mal dormida na rede (não tenho costume e sou fresco pra dormir), acordei às 4h para ver o sol nascer. Mais uma vez atravessamos o rio a caiaque e subimos uma duna para apreciar o espetáculo, que infelizmente mais uma vez foi prejudicado pelas nuvens. Percebi que o dia amanhece meio nublado e as nuvens se dissipam durante a manhã. Outra coisa impressionante é a variação térmica da água, que amanhece gelada e anoitece morninha. Depois de clareado o dia, andamos 8 km pela região curtindo novas lagoas. Voltamos à hora do almoço (caiaque) e dei uma relaxada na rede e curti um pouco o rio. 😎
      5) Voltamos a Santo Amaro (9 km)
      Partimos às 15h30. A volta foi bem tranquila, mas como meu pé começava a reclamar, eu preferi fazer mais paradas e ficar menos tempo em cada lagoa (não se assuste, é só um pequeno cansaço). O guia me levou a uma duna alta já no fim da tarde, para curtirmos o pôr do sol. Depois que escureceu e curtimos um pouco o céu estrelado, caminhamos alguns minutos no breu total e chegou um amigo dele pra nos dar carona até a cidade.
       

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      Foi uma experiência inesquecível. Cada parte teve uma importância imensa pra mim: o dia, a noite, o cansaço, o descanso, a companhia das meninas e do guia, os momentos a sós (confesso que temi sentir solidão, levei vários ebooks e filmes no celular, e nem encostei nele. Simplesmente eu consegui amar ficar horas sem pensar em nada nem ninguém, só curtindo o momento). 
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      Os lençóis maranhenses são uma beleza única no MUNDO e mesmo assim poucos conhecem. E o que mais impressiona é a abundância de belezas, por isso quando me peguei pensando: "Ah, a lagoa X eu não gostei muito!" eu lembrei: "Isso porque são infinitas lagoas pra eu poder escolher minha favorita. Se fosse só areia e houvesse só essa lagoa X, eu diria que é incrível! Aliás, se fosse só o rio que eu pouco aproveitei já valia o passeio!" 😂
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      O melhor de fazer a travessia em vez dos passeios coletivos é poder ter o contato exclusivo com a natureza, seja a areia, as lagoas, o céu, o rio, o sol... tudo está lá pra você, e sem pressa de ir embora como nos coletivos porque "temos um monte de lugar pra ir e tirar foto e aquele turista inconveniente do grupo tem que voltar mais cedo pra não perder a van"... Sabe? 
    • Por Jean Pedro de Quadros
      De dia 9 ao dia 14 de Julho, 2018.
      Passagem Azul de Poa a Salvador: 600 reais com uns 3 meses de antecedencia, meu amigo que foi comigo pagou 800 porque comprou depois
      Aluguel de carro: 687 reais do dia 9 ao dia 15 (fiquei 1 dia a mais com o carro em Salvador)
      Gasolina: 320 reais
      Guia Ibicoara, Joao 320 reais os dois dias com a entrada do Buracao incluido - recomendo
      Hostel Ibicoara - 160 reais os 2 dias com cafe da manha
      Guia Itaete, Orlando 300 reais os dois dias - recomendo
      Pousada Aconchego, 300 reais com almojanta e cafe da manha
      Dia 9 - DESLOCAMENTO SALVADOR IBICOARA - chegamos em Salvador de manha alugamos um carro e fomos direto para Ibicoara, chegamos por volta das 10h da noite, sao quase 500k e pegamos um acidente passando Mucuge. Ficamos no Hostel Ibicoara, com o Fabio, carioca gente boa, nos serviu cafe da manha as 6h30 nos dois dias que ficamos la, trocamos ideia sobre nosso roteiro e ele curtiu muito, vao pegar so as mais loucas da Chapada disse ele, roteiro brocador! Falamos com o guia Joao, lenda na cidade e otimo guia, e deixamos acertado passar na sua casa e pousada para sair as 7h, ele iria nos acompanhar nos proximos dois dias.
      Dia 10 - CACHOEIRA DA FUMACINHA - Saimos cedo e fomos de carro ate a entrada da trilha, estrada muuuuito ruim, em torno de 40 minutos ate o povoado do Baixao - ha opcoes de dormir la e evitar esse trajeto de carro cedo ate la -, depois uma trilha dificil de 18 km ida e volta, mas fizemos em menos de 3h ate a entrada da fenda da cachoeira, absurda, linda demais! Vale toda a caminhada ate la, sao mais de 100 metros a Fumacinha!! Ficamos umas 2h la, ate que chegou um novo grupo e ai voltamos, nos banhamos em mais uma cachoeiras menores e no rio na volta, e em torno de 2h30 fizemos o trajeto (o Joao nos levou por um caminho alternativo na volta, que tem uns pocos e atalha bastante, falou que nao leva todo mundo ali, so quem esta ´´bom de pulo`` hahaha). Chegamos no hostel antes das 6h da tarde (Fabio falou que fizemos muito rapido que normalmente o pessoal chega perto das 8h da noite), bem cansados, comemos algo e fomos dormir.
      Dia 11 - CACHOEIRA DO RIO NEGRO + CACHOEIRA DO BURACAO - Saimos tambem as 7h e fomos para a trilha da Cachoeira do Rio Negro, que e uma cachoeira nao muito explorada em Ibicoara, mas ela e muito top, tem 50 metros, um poco enorme e a trilha e tranquila, fizemos os 6km ida e volta em 1h20 a ida e a volta 1h. De principio nao iamos nela, mas valeu muito a pena, ficamos sozinhos la de boas. Saimos as 10h30 de onde deixamos o carro para a Buracao, que e a mais famosa da regiao, o Joao nos levou por cima dela, dois dois lados, animal! (Nao e todo mundo que o Joao leva ali tambem) Descemos a trilha que leva em torno de 3h ida e volta, trilha facil/tranquila de 8km ida e volta! Que lugar e que cachoeira!! Como voce tem que usar o colete nessa cachoeira que e bastante explorada na regiao, pode-se entrar pelo canyon nadando, ir atras da cacheoira, subir em algumas pedras, e uma experiencia incrivel!! Aproveitamos e por volta das 4h da tarde voltamos que teriamos em torno de 90 km de chao numa estrada pessima e mal sinalizada, nos informamos muito e usamos o gps, mas cuidado que essa estrada e bastante ruim, mas deu tudo certo. Chegamos Itaete por volta das 8h na Pousada do Aconchego, que fica na Colonia, um povoado no interior do interior Itaete, a dona Landinha, dona da pousada foi muito querida nos serviu um almojanta muito bom isso nos 2 dias apos voltarmos das cachoeiras, e tambem um cafe da manha otimo, com direito a cuzcuz e tapioca. Conversamos por telefone com o guia Orlando e deixamos tudo certo nossa saida para Cachoeira Encantada as 7h30 da manha do dia seguinte.
      Dia 12 - CACHOEIRA ENCANTADA - Saimos da pousada as 7h30 e deixamos o carro na entrada da cachoeira, o caminho e de dificuldade media, muito bonito e em torno de 5h ida e volta, pinturas rupestres, canyon impressionante e a cachoeira de 230 metros imponente, estavamos nos dando conta o privilegio de ser as unicas pessoas na Terra de estar ali na cachoeira naquele dia, unico! Umas da cachoeiras mais impressionantes que ja vi!! Curtimos e voltamos mais devagar, tomamos banho numa cachoeira menor na volta e voltamos para a pousada, almocojantamos por volta das 6h e descansamos apos os 14 km de ida e volta ate a Cachoeira Encantada. O Orlando foi muito parceiro durante o dia todo, otimo guia tomou uma ceva merecida com nos apos o dia irado!!
      Dia 13 - CACHOEIRA DO HERCULANO + CACHOEIRA DO BOM JESUS - Saimos novamente as 7h30 e fomos para o Herculano, trilha nivel media de menos de 4h ida e volta e 10km, tambem muito bonita a trilha, pedras enormes. Chegamos la e nao deixa a desejar a nenhuma das outras cachoeiras que fomos, impressionante, sao 3 quedas de mais de 100metros e um poco enorme acho que o maior de todas as que fomos, nadamos la, tomamos banho!! Na volta, Orlando nos apresentou um lugarzinho abencoado, banheira do Herculano, uma piscina natural num paredao, demais!! Ficamos ali relaxando um tempo! Tem foto abaixo. Saimos, pegamos o carro e fomos para a entrada da Cachoeira do Bom Jesus, em torno de 7km e 2h30 a ida e volta da trilha de nivel facil, estavamos cansados ja de todos os km dos dias anteriores, sem esperar tanto dela, mas nos surpreendeu, que cachoeira! O sol batendo forte nos seus 60 metros inclinado..tem pedra que da pe logo abaixo das quedas, muito top ficar ali, valeu demais ir em mais essa!! Na volta o Orlando, que conhecia o Fabio do Hostel Ibicoara, ficava zuando ele e falando como se fosse ele do nosso roteiro, "os caras brocaram!! hahahaha vieram la do sul pegaram so as monstruosas", uma figura! Almocojantamos na dona Landinha, tava de novo muito bom e descansamos, foram 63 km de trilhas em 4 dias!
      Dia 14 - POCO ENCANTADO + POCO AZUL  - Saimos da pousada as 9h30 pois era nosso dia mais tranquilo, tinhamos a viagem da volta e sabiamos bem os horarios,  chegamos as 10h30, melhor visibilidade do poco fica entre as 10h e 13h30, fomos la e ao entrar bateu o sol que estava querendo se esconder antes, muita sorte, nao se pode entrar mas e muito bonito apesar de ser uma contemplacao apenas de 15 minutos, vale a pena, sao 30 reais para ajudar na preservacao! Saimos de la e fomos para o Poco Azul, entrando as 13h, melhor horario era das 12h30 as 14h, entrao tava demais a agua, e possivel nadar e fazer snorkel por 20 minutos, que sensacao unica, muito top tambem. Tambem 30 reais justos para o lugar e para ajudar! Almocamos ali do lado do Poco Azul comida caseira bem boa e suco natural otimo de qualquer fruta que tu imagine! Saimos de la por volta das 3h e dirigimos os mais de 400km de volta ate Salvador com a sensacao de dever cumprido e dias incriveis!! O roteiro e pesado e exige disposicao, cuidado e preparo, mas e possivel e demaisss!!
      Segue fotos abaixo, em ordem: Cachoeira da Fumacinha, Cachoeira do Rio Negro, Cachoeira do Buracao, Cachoeira do Herculano, banheira do Herculano, Cachoeira do Bom Jesus, e  Poco Azul.


       




    • Por Bruno Luiz Salles T
      Sempre me perguntam o por quê fui ao Amazonas, a resposta é simples: eu percebi que nós, brasileiros, conhecemos muito pouco - ou nada - sobre a nossa própria cultura. Depois que me dei conta disso, busquei me informar mais sobre os povos indígenas que aqui vivem e também sobre a nossa floresta Amazônica, tão importante para as condições climáticas! E assim me aventurei durante 11 dias (fui em fev/2018), 7 horas de barco adentro do Rio Negro (partindo de Manaus) para conhecer duas comunidades indígenas/ribeirinhas do povo Baré. 
       
      Dia 1 → cheguei no aeroporto de Manaus e já senti a receptividade de alguns manauaras quando fui perguntar como ir ao centro de ônibus (é só pegar o ônibus 306 e confirmar com o motorista para saber se está indo no sentido certo)! Segui  o Local Hostel (recomendo muito mesmo) e depois saímos para almoçar. Fui para o Tambaqui de Banda, que é uma franquia de uma rede e que fica na praça principal, bem próximo do Teatro de Manaus. E lá foi sucesso total quando provei meu primeiro prato: Jaraqui Frito ❤ mais tarde, outra surpresa boa quando comi meu primeiro Tacacá de Camarão. Eita culinária sensacional!!

      Jaraqui Frito

      Tacacá de Camarão
       Dia 2 → acordei cedinho  e saí em busca do Amazon Bus. Não rolou esse passeio porque o busao tava em manutenção, acabei conhecendo o Edson em um ponto de informações para turistas (esquina do teatro com a Eduardo Ribeiro - super recomendado para quem quer saber os horários de funcionamentos dos espaços culturais da cidade), um turismologo bem gente boa que me instruiu sobre o que fazer no centro de Manaus. De lá partimos para o Marco Zero, rua em fica o Centro de Pesquisas Medicinais Indígenas (super recomendo para quem tem interesse na cultura indígena). Depois parti para um tour no Teatro Amazonas com uma ótima guia e de lá fui para o Parque do Mindu.

      A medicina indígena merece respeito !

      Teatro Amazonas
      Dia 3 → peguei uma carona para o Porto da Ceasa (não é o mais conhecido) e já com um grupo (não sei se valeria a pena ir sozinho) pegamos uma lancha para fazer o passeio do encontro das águas. Recomendo esse porto (que fica distante do centro se comparado com o porto de Manaus moderna) com esse passeio se você já está com um grupo de turistas, já que costumam cobrar por lancha e não por pessoa - se tiver um grupo razoável já sai bem mais barato que fazer o mesmo passeio pelo Porto de Manaus Moderna. Passamos pelo encontro das águas, passeio obrigatório pra quem vai para Manaus, depois visitamos um criadouro de pirarucus e até brincamos de pesca (sem anzol). Depois avistamos preguiças, macacos, jacarés e vitórias régias. O próximo passeio foi para o MUSA (fica um pouco distante, se tiver com pouco tempo não recomendo ir de transporte público), que oferece trilhas e uma vista panorâmica maravilhosa da reserva.

      Encontro das águas
       
       

      Pausa para a foto com a preguiça
      Ps: diferente do que parece, segurar a preguiça no colo NÃO é um ato inofensivo. Tempos depois da viagem descobri que as preguiças dormem 20h por dia, que esse tipo de atitude deixa a preguiça (e outros animais) muito estressados e que essa exploração do turismo com os animais tem consequências negativas bem graves. Fica o alerta e um texto para reflexão: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2017/10/reportagem-especial-animais-selvagens-sofrem-com-o-turismo-fast-food-na
       

       Vista Panorâmica da Reserva no MUSA
      Dia 4 → acordei bem cedinho, um pouco ansioso para o que viria pela frente. Comi meu primeiro x caboquinho (lanche de tucumã, que é uma fruta local), passei no trabalho do meu amigo pra pegar a rede emprestada (fundamental se vai fazer viagens longas com os recreios) e assim segui para o porto. Lá já dei logo de cara na entrada que saia o barco, comprei aquela farinha maravilhosa e um prato feito, segui viagem no recreio. Não demorou muito para eu conversar com o Nei, um pintor que passa uns tempos trabalhando na floresta e que me ajudou a recolocar a rede (acreditem, não é tão fácil quanto parece hehehe) para descansar nas ótimas 6/7 horas de viagem. Conversamos bastante enquanto caia uma chuva meio assustadora e, logo que ele saiu, comecei a interagir com outras pessoas até que, por coincidência, conheci a mãe do comunitário que iria me hospedar em uma das comunidades indígenas dos Baré. Chegando em Nova Esperança, Walmir me recebeu na entrada da aldeia e me deixou bem a vontade. Tomei um dos 4 banhos diários - #sqn - e fui jantar. Tive o grande prazer de conhecer o Peba Fopec, um estudioso e aventureiro que se mudou para a Amazônia porque se sentiu no dever de contribuir com o melhoramento da gestão ambiental na região. Conversamos um pouco sobre tudo e ele me contou das reuniões que estavam acontecendo horas antes entre os líderes comunitários sobre, por exemplo, a criação de um fórum para fortalecer a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista; me entusiasmei com a ideia e tomei a decisão de escrever esses depoimentos a partir desse dia para fortalecer um possível projeto de turismo de base comunitária.
       

      Comunidade Nova Esperança
       

      Cultivo de temperos
      Dia 5 → dormi bem mal essa noite mas levantei com muita disposição para meu segundo dia na comunidade, o mais importante até então. Tomei uma ducha gelada e sofrida pela manha, tomei o café da manhã e pude saber mais da atuação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amazonas para a manutenção das unidades de conservação, além das divisões territoriais na RDS. E assim fui para escola, meio cansado mas muito animado para conversar com as crianças. Chegando na sala, uma surpresa: eram umas 20 crianças de 4 a 10 anos e outras de 12 ou 14. E assim improvisei nas explicações para conseguir dialogar com aquelas fofuras heheh e parece que eles gostaram, 2 (Renatinho e Andreia) pediram ajuda nas lições de matemática e juntos com mais 1 criança assistiram minha apresentação com outros adolescentes (14-22 anos). A professora se empolgou com uns alunos mais interessados e assim eu mostrei documentários, clipes e os materiais que eu havia trazido no pen drive. Escutei várias experiências pessoais e pude compreender melhor a pluralidade dos povos indígenas e comunidades ribeirinhas da região. Encerrada a aula as 17h, tomei outra ducha bem gelada e conversei mais um pouco com Walmir, Cesar e com o Peba. Ao fim do dia presenciei o encerramento do evento com umas brincadeiras como o amigo secreto que foram bem divertidas e mostraram muito das relações que tem se construído nesse grupo de líderes comunitários.

      Professoras da escola com o Renatinho e a Andreia

      Reunião de representantes do governo com os comunitários
       
      No pouco que participei das reuniões, pude perceber que há um desejo genuíno de estar em dia com a legislação ambiental, mas, para que isso aconteça, precisam ser instruídos e necessitam de investimentos para tal (público ou privado - ex: zona franca de Manaus como compensação). Outra pauta muito importante era quanto à centralização de serviços públicos para viabilizar um aporte não tão grande do governo, tendo em vista que é inviável manter estruturas de saúde e educação, por exemplo, em todas as comunidades (que são inúmeras com um número baixo de habitantes – por volta de 30 a 60).
       
       
      Dia 6 → comecei o dia com uma trilha na mata com Carlison, filho do Walmir. Encontrei várias cenas inusitadas como árvores gigantes tombadas e teias de aranha. Peguei o final da reunião da Reserva de Desenvolvimento Sustentável e depois do almoço fiz um trajeto lindo até chegar em São Thomé.

      Teia de aranha na floresta

      Trajeto de lancha privada entre Nova Esperança e São Thomé (rios Cuieiras e Negro)
       
      Chegando lá conheci os comunitários que me mostraram um pouco do seu trabalho e ainda ouvi Abilho e Miriam sendo muito sinceros quanto às dificuldades de revitalizar o Nheengatu (língua dos Baré). Ao fim do dia Miriam matou uma aranha cabeluda que estava perto do banheiro e assim fui dormir na rede, na expectativa de um dia de altas emoções na selva nos próximos dias.
       

      Caranguejeira picada ao meio
       
      Dia 7 → depois de uma bela tapioquinha pegamos a canoa e seguimos para a trilha. Pude aguçar meus sentidos no meio da floresta, conhecendo novas espécies e tendo mais noção do perigo. Chegando em casa batemos uma bela de uma pratada e fiquei bem pesado heheh. Conversamos mais e praticamos um pouco de arco e flecha. Ao fim da noite contei do drama vivido pelos guarani (aldeia do Pico do Jaraguá) em SP.

      Trecho de canoa no Igarapé
       

      Tomando água do cipó
       

      Raízes da árvore descolando do chão
       

      Brincando com esse mito da zarabatana!
       
      Dia 8 → tivemos uma manhã tranquila, conversei com Abilio e Manoel sobre as dificuldades de combater o desmatamento na região. Pela tarde, brincamos de zarabatana e arco e flecha com as crianças. E logo em seguida partimos para a canoagem para mover uma das árvores que estava caída no igarapé. Pela noite conheci a nova professora e depois montamos uma fogueira e conservamos sobre assuntos polêmicos heheh

      Dando um rolezin de canoa
      Dia 9 → depois de uns problemas com a lancha que nos levaria até a Anavilhanas, enfim começamos a pesca junto com o Alzemir. E depois de duas horas tudo que tínhamos era uma piranha pequena heheheh voltamos para o almoço, brinquei de futebol com as crianças e vi o Regi subindo a árvore, aliás, me diverti muito. Pela noite nós fomos em 4 homens para a Anavilhas para focar os jacarés. Foi uma experiência incrível, o céu estava maravilhoso e a adrenalina tomou conta nos momentos de tensão.

      Deu ruim na pesca

      Dando baile no fut
      Dia 10 → acordei cedinho e fiquei apreciando os sons da floresta. Comi 3 tapioquinhas na casa da Dona Nila, mulher guerreira e de coração muito bom. Tomamos o recreio lotado e seguimos a longa viagem de volta para Manaus. E, depois de algumas reflexões, o que ficou de Sao Thome?
      1. A humildade e simplicidade da família e dos comunitários, muito diferente do que estamos acostumados nas grandes cidades.
      2. Os perigos da floresta que apresentam mais um desafio para quem já vive com muito pouco.
      3. As dificuldades para acessar serviços básicos de qualidade nas áreas de saúde (longas distâncias para acessar serviços), educação (falta de professores), segurança (roubos e impotência diante da exploração da floresta), saneamento básico (fossas), energia (limitada com os motores de luz), tratamento da água (potável) e resíduos sólidos (dependência da Fundação Amazonas Sustentável). Há o desconhecimento dos seus direitos e deveres enquanto cidadãos.
      4. O modo de vida nas comunidades ribeirinhas. As pessoas se casam e tem filhos muito cedo, o que dificulta ainda mais o acesso às oportunidades.
      5. O desafio que fica de tudo isso é como superar essas privações e explorar a floresta de forma sustentável.
      6. As incríveis paisagens, na terra, nos igarapes, no Rio Negro e nos céus; simplesmente apaixonante.
      Ficou curioso para conhecer São as comunidades? Acesse os sites abaixo:
      https://www.facebook.com/braziliando/
      https://www.facebook.com/braziliando/
       
      Dia 11 → acordei cedinho e parti para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, depois do convite que recebi quando estava na comunidade. Chegando lá tive uma ótima recepção, conversei com os responsáveis por: monitorar a hidrosfera (Cris); gerir uma Unidade de Conservação (Yone); despachar os processos do Conselho (Taisa); proporcionar um treinamento para agentes ambientais voluntários (Abraham). Foi uma experiência muito interessante para compreender o funcionamento do Estado em um estado tão gigante como o Amazonas, ainda mais se tratando de uma pauta tão importante como o meio ambiente! Almocei por lá mesmo, tomei um açaí raiz e depois fui para o Centro Cultural de Povos da Amazônia, um espaço muito pouco visitado onde conheci mais das tradições dos povos indígenas e que tiveram menos influências da cultura branca. No fim do dia, sorvete de tucumã e peixe ! Manauss, até breve ❤️
       
      Observações:
      -Tive uma experiência incrível, mas, não recomendo essa viagem para quem se apega muito ao conforto
      -Se atente aos dias que os recreios (barcos) chegam e partem dessas duas comunidades, já que não tem barco para ir e voltar todos os dias da semana
      -Sou um grande admirador da cultura indígena, se você também tem interesse deixo esses dois links pra você (o primeiro com aulas gravadas de uma disciplina optativa ministrada na EACH-USP e o segundo com uma séria de curtas-metragens e reportagens sobre cultura indígena):
      https://drive.google.com/drive/folders/0B7bmgiT1xyctNFNJNjY5cEN1YUU
      https://apublica.org/tag/questao-indigena/
      -Caso você entre em alguma reserva, é necessário pedir autorização para o governo para publicar as fotos. As autorizações devem ser solicitadas por esse email: [email protected]
      -Folder com as atrações e horários (recebida em fev/2018):


       
    • Por filipe ladeiro
      Quinta-Feira - 30/03/2017 - 20:00 - A previsão era de chuva, e se estendia por toda Bahia, durante a semana da trilha salvador ficou submersa, raios e trovoadas se alastraram pela cidade e justamente no dia de pegar viagem, piorou.
      As trovoadas e as inundações tomavam conta da cidade de salvador, alcançando quase uma totalidade do interior da Bahia, que enfrentava uma frente fria violenta, essa que, demorou de chegar pra fechar o verão. E assim também foi na Chapada Diamantina, nosso destino. Mas já era tarde, ou era a hora, o que era certo é que não tínhamos como adiar a viagem pois, a programação já estava feita e assim iriamos fazer, com a força e objetivo de chegarmos até o nosso limite, e assim realmente foi que aconteceu. Na vontade de Deus, fizemos a viagem mais marcante de nossas vidas, não pelo fato de deslumbrar sobre paisagens e banhos de cachoeiras, mas por ter conhecido a natureza selvagem, por ter aprendido novas experiências de vida e a vivência no mato, e assim aprender a respeitar e saber até aonde podemos ir.
      Mochilas prontas, partimos...

      Na noite de quinta, saímos de Salvador, a equipe estava formada, cassio, Filipe, Jonatas e Jadson com destino a Feira de Santana, aonde encontramos nosso amigo Chico, trocamos os carros e seguimos viagem rumo ao Capão. Às 03:30 chegamos.
       
      31/03/2017 - Sexta Feira
      05:00 - Depois de um descanso rápido no carro, arrumamos as mochilas, preparamos o corpo e a mente para engrenar uma forte subida e pesada rumo a cachoeira da fumaça, e assim foi, as 05:30 partimos pra vencer a subida subida longa, pesada, sobre uma neblina densa, forte, que pairava sobre o capão inteiro, uma subida que requer um preparo, e um descanso para subir com calma ainda mais com o fato de estar com bastante peso.


       
      Subimos, paramos, descansamos, e continuamos a subir....

      Parada pra curtir a neblina


       
      Subida estava gostosa, estava propícia pra uma trilha perfeita, clima frio, de ar-condicionado, sem sol, vento gelado, paramos para registrar algumas fotos naquele clima, sombrio de neblina, ja tínhamos subido mais de 1:30hr quando Chico começou a passar mal, indigesto e tendo calafrios, suando frio, se arrepiando, com tontura, sensação de desmaio, mesmo depois de algumas paradas para que se recuperasse, em uma ultima parada, respeitamos o momento dele, ficamos 40 min parados, sentados, para que ele se recuperasse, mas nao teve jeito, o ponto final da viagem para chico tinha chegado.

       
      Decidimos de logo em comum acordo, descer novamente o que já tínhamos subido, e retornar ao capão para tomarmos solução do que faríamos. Voltamos pro Capão, chegando às 11:00 hrs, pegamos informação que, um ônibus partia de Palmeiras às 12:20, seguimos rumo a palmeiras e para enviar Chico, de volta para Feira, ele que estava disposto a voltar pra sua terra para que fosse medicado pois estava preocupado com o que estava sentindo.
      E assim foi, partiu um dos nossos, e os ficante retornaram para o Capão.
      Mas a viagem estava apenas começando, muita coisa ainda vinha pela frente, partimos pro capão e fomos direto para Purificação
      Passamos nas Angélicas e subimos para purificação, aproveitar nossa sexta- feira, porque sábado iriamos retornar a subir a fumaça e partir em direção ao Vale do XXI novamente.



       
      Descemos da purificação, retornamos pro capão e fomos pra Seu Dai, fizemos nosso hango, fomos na vila, um chuvisco leve havia pairado no capão desde o cair da noite, no final da tarde, era possível ouvir as trovoadas e relâmpagos, a noite começou com chuva e assim continuou....
       
      01/04/2017 - Sábado
      05:00 - Levantamos e arrumamos novamente nossas coisas, pois hoje era dia de vencer o XXI, sobre uma leve garoa contínua, essa que foi constante durante toda a noite, saímos de seu Dai, paramos o carro no inicio pra fumaça e partimos mais uma vez em direção ao que viemos, tentar alcançar o XXI
       
      Partindo Rumo ao destino planejado







       
      E assim, subimos a fumaça, pegamos o lajedo do gerais da fumaça, bifurcando a esquerda sentido palmital, e descendo a direita em direção ao Córrego Verde.
      A partir da descido do córrego verde que começamos a entender que não iriamos ultrapassar nossos limites.
      O córrego verde estava completamente encharcado e a trilha destruída.
      A trilha pelo leito do rio sobre as pedras estava demasiadamente escorregadia, pedras verdes de limo, com água correndo por cima, estávamos andando sobre pedras navalhas deslizando, agora não tinha mais jeito, era descer o córrego verde em direção ao córrego branco, descer a cachoeira do XXI e chegar ao local de acampamento.
      Porém..
      Um incêndio forte e devastador no ano passado, acabou destruindo completamente a trilha do córrego verde, e assim foi aberta uma trilha alternativa, beirando barranco, e muitas vezes leito do rio, a recomendação e o que ouvimos diversas vezes foi em não trilhar se estivesse minimamente úmido, pois o nome já diz por si próprio. A trilha do XXI é feita sempre quando está tudo seco, pedras secas, trilha seca, sem limo, sem escorregões.
       
      A descida com cuidado TRIPLICADO, era com muita cautela, pois estávamos com peso, a mochila jogava, e todo momento a atenção era sempre pouca, a dificuldade da trilha era latente, a trilha devastada, com arvores caídas por todos os lado, raízes pra fora, nos fez perder muito tempo até chegarmos ao córrego branco, que por pior que seja, o branco era pior que o verde, as pedras do córrego branco estavam quiabo. Forçando os joelhos, descendo devagar, muita agua passando por nós, sinal de que a chuva encheu as nascentes e fez minar agua para todos os lados.

      Enfim, chegamos ao final do Branco, maaas o dilema começou a partir desse momento, ja era 15 hrs, no final do córrego branco, estávamos em cima da cachoeira do XXI, de frente pro vale, a neblina não nos deixava enxergar o que tinha nas nossas frentes, as montanhas estavam escondidas na fumaça, e a chuva pairava sobre nós, com isso tínhamos que descer o XXI e chegar ao local do acampamento, rodamos para achar a descida por 2 horas, pegamos trilhas erradas, beirando o precipício, pedras escorregando, o GPS batia certo, porém era inacreditável achar que a descida seria tão tensa, Cássio rodopiou por cima do vale, exploramos por cima do paredão, escalamos e beiramos as ribanceiras do vale, retornamos para o final do córrego branco, completamente desolados em não achar a descida para o acampamento.
      Naquele momento estávamos sem rumo, sem prumo, naufragados no meio de uma imensidão verde, de pedras, água e montanhas, a natureza tomava força e dominava a gente, chegamos a conclusão que não teríamos tempo hábil para descer e ali naquele momento as 17:15, não tínhamos lugara para passar a noite, o frio, a chuva e a neblina estavam ganhando força, e era imediato achar um lugar para nos abrigarmos, porém estávamos dentro de um Cânion, dentro de um rio, nao tinhalugar plano para ao mínimo que fosse armar uma barraca.
      Voltamos subindo o corrego branco, batendo em retirada, para que tivesse um unico lugar aonde pudessemos passar a noite, e nao ao relento, de baixo de chuva de frio, molhado, esperando o dia amanhacer para retornar.
      O PERRENGUE ESTAVA SENDO FORMADO.
      Mas eu que surge, um presente de Deus uma pedra no MEIO do rio, em que conseguimos armar somente uma barraca a maior para quer entrasse os 04, armamos a barraca com a noite chegando.. a chuva ganhando força, abrigamos com a lona e logo ao lado da barraca na beira do paredão do vale, uma proteção nas pedras em que não molhava, assim pudemos armar a barraca levar a mochila para beira do paredão nos abrigarmos, como se fosse uma mini-caverna. Um presente de Deus, naquele momento você agradece, aquilo era somente o que se precisava, um lugar seco, para se aquecer, depois de armar a barraca, e a certeza de que o mínimo que precisávamos era aquilo e assim nos foi dado.
      02/04/2017 - Domingo
      Na noite anterior A noite caiu rapido, a chuva ganhou força, e ficamos analisando o que nos aconteceu e aonde conseguimos nos abrigar, foi tenso chegar, não foi possível descer o XXI, mas foi aquele local que nos foi dado para a viagem ter um proposito .
      Na hora bate o desespero, bate a aflição, mas a equipe foi safa, em armar a barraca, sem passar desespero uns para os outros, trabalhamos em agilidade, em pensar, em agir, em resolver o problema, a barraca nao molhou, todos conseguiram dormir, a chuva deu trégua, o rio não subiu, acordamos em meio novamente a neblina as 05:00 porém sem chuva, isso foi a chave de ouro, levantamos, desarmamos acampamento, e tomamos rumo pro capão novamente, subindo o córrego branco, bifurcando para o córrego verde, mas nada ainda havia terminado, estava tudo muito molhado, as pedras como sempre sabão, a trilha estava demorada devido aos cuidados redobrados, muitas quedas, muitos momentos de tensão, Cassio tomou uma queda feia, entrou dentro de duas pedras enormes, o que salvou ele foi a mochila.. que prendeu nas pedras, se nao fosse isso seria pior, continuamos a luta do córrego verde, paramos algumas vezes para descansar, da í apertamos o passo para o capão, demos uma pausa no mirante do capão, agora já sem neblina, descansamos e descemos a fumaça, chegando no capão as 16 hrs.
      Daí em diante foi pegar estrada pra Salvador e guardar a experiência.
      Foi tenso, foi quase um perrengue, mas foi aprendizado, muito bom passar por isso, nos prova que somos mais do que pensamos, e outra nunca faça o XXI se estiver minimamente úmido, e se for, tenha uma equipe com você de confiança.
      Valeuu !!!!
       












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