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Parte 6: Brasília e Chapada dos Veadeiros

Depois de voltar para casa e ficar mais tempo que o previsto. Voltei para a estrada. Primeiro passei em São Carlos para rever alguns amigos. Na seqüência fui para Ribeirão Preto conhecer o filho do Gabriel, um grande amigo que conheci na graduação. Estava agora na rodoviária e depois de quatro horas de atraso, pela madrugada, chegava o ônibus que me levaria para a capital do país.

“O Brasil estréia nova capital. Nasce Brasília, súbita, no centro de uma grande cruz traçada sobre o pó vermelho do deserto, distante do litoral; longe de tudo, lá no fim do mundo ou em seu principio. Foi construída num ritmo alucinante. Durante três anos este foi um formigueiro onde os operários e os técnicos trabalharam ombro a ombro noite e dia, dividindo a tarefa, o prato e o teto. Mas quando Brasília fica pronta, termina a fugaz ilusão de fraternidade. Fecham-se de repente as portas: a cidade não serve aos serventes. Brasília deixa de fora quem ergueu com suas mãos.” O Século do Vento, Eduardo Galeano

Brasília lugar tão presente em nossas vidas, mesmo que seja tão distante para a maioria de nós. Aqui é onde fica o controle do videogame e os falastrões engravatados jogam o jogo Brasil sem medo de morrer, afinal, conseguiram vidas infinitas. Nossa capital, tão mal freqüentada por figurões, consegue mostrar muita beleza e simpatia.

Victoria me aguardava em sua agradável casa. Entrei em contato pelo couchsurfing. Sempre atenciosa, deu todas as dicas para me locomover na confusa Brasília. Cheguei a sua casa e logo já me levou para um tour por toda cidade. Ela tentou me explicar às nomenclaturas utilizadas nos nomes das ruas e eu, como péssimo aluno, nada aprendi. Passamos por muitos lugares. Terminamos o dia a beira do lago Paranoá admirando o pôr do sol.

Informação 6.1: A parte inicial de Brasília projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer chama-se plano piloto e tem o formato de um avião. Lógico que a cidade cresceu e não se limita mais ao avião, as cidades criadas em volta de Brasília (que pertencem ao Distrito Federal) se chamam cidades satélites.

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Vic é uma guria especial, seu filho Romeo também. Cheia das habilidades artísticas: cantora, professora de dança, toca vários instrumentos musicais e futura pedagoga. Dona de uma voz belíssima. Eu não me cansava em pedir que ela cantasse mais e mais.

No outro dia sai caminhar pela Esplanada e conhecer todos os detalhes do plano piloto. Surpreendi-me muito com a cidade e gostei de cada canto. A igreja, que não se parece igreja, é bem legal. A vista que se tem da esplanada subindo ao topo da torre de TV é a melhor. Fiz uma visita ao Congresso Nacional e pude ver alguns hipócritas frente a frente. Voltei para a casa da Vic, pela noite, e estava tendo um forró dos mais animados. Como bom mal dançarino fiquei só olhando e já começava a pensar no meu próximo destino.

Informação 6.2: É possível visitar o Congresso Nacional numa visita guiada a cada trinta minutos em horário comercial, de segunda a segunda. A visita da mais ênfase nas obras de arte que existem no Congresso no que na verdadeira importância do mesmo, mas vale a visita.

Informação 6.3: A cidade foi projetada para a utilização de carro. Então, para nós que utilizamos transportes públicos à vida é difícil. Existem algumas vans (creio que sejam clandestinas) que ajudam e muito.

Dica 6.1: A cidade é toda bonita, por ser pré-fabricada sua arquitetura se destaca, mas o que há de mais bonito na cidade é obra da natureza: O lago Paranoá.

Inspiração 6.1: Como diria a música do Natiruts: "Eu vou surfar no céu azul de nuvens doidas. Da capital do meu país". Aquele pedaço de céu é doido mesmo.

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Numa manhã segui para a Chapada dos Veadeiros. O ônibus seguia para a "capital" da chapada, Alto Paraíso. Logo observei que tinha vários mochileiros no busão. Fui sorteado a sentar ao lado duma nativa, foi massa, ela me contou algumas coisas sobre a vida no cerrado. Vivia numa cidade no sul do Tocantins. Eu tinha a intenção de ficar na vila de São Jorge, onde se encontra o parque da Chapada dos Veadeiros. Estando lá conseguiria fazer mais coisas caminhando.

Curiosidade 6.1: A Chapada dos Veadeiros fica no mesmo paralelo de Machu Picchu.

De todos os mochileiros que estavam no ônibus todos ficariam em Alto Paraíso, com exceção de mim, Gita e Marie que seguiríamos para a vila de São Jorge. Conheci-as quando tentava negociar algum transporte para São Jorge e assim nos juntamos. Dois taxistas quase saíram no tapa para nos levar a São Jorge, bom pra nós que pagamos oito reais por cabeça. Chegando a São Jorge, Gita disse que tinha um hostel (Casa do Sucupira) para ficar, Marie e eu fomos com ela e assim nasceu a família da chapada.

Curiosidade 6.2: O trecho de pista que liga Alto Paraíso e a vila de São Jorge é o trecho rodoviário mais bonito que vi no Brasil.

Gita é uma inglesa de vinte e poucos anos, que teve sua educação toda em casa. Só quando foi fazer faculdade de fotografia que se iniciou num ambiente escolar. Ela é diferente de todos nós, ela consegue se surpreender com toda forma de vida, apesar dos anos a criança nela não se partiu, que inveja. Mochileira de primeira viagem e queria conhecer sozinha a América do Sul que tanto a encantava por histórias.

Marie é belga e é recém balzaquiana, agrônoma de profissão, mas forrozeira de coração. Ela tem a profissão mais incrível que já ouvi falar, trabalha com agronomia em regiões de conflito de guerra. Conhece o mundo inteiro e viveu anos na África, no Brasil já tinha estado antes. Ela estava de férias e seu tempo era limitado no país, queria conhecer a chapada e fazer infinitas aulas de forró, sua verdadeira paixão. A pessoa de sorriso mais fácil que já conheci.

Fomos para a casa do Sucupira e logo depois estávamos metidos numa trilha rumo ao rio da lua. Conhecemos uma tribo indígena no caminho e logo depois mergulhávamos, pela primeira vez, nas águas geladas da chapada. Nesse primeiro dia andamos demais e cada passo servia para nos aproximar mais.

“Acho que os dias na Chapada dos Veadeiros serão os melhores. Hoje enquanto recolhíamos frutas na aldeia, pelas nossas conversas acho que criamos uma grande empatia.” Notas de Diário

O segundo dia em São Jorge foi o dia de “todas as ajudas”. Decidimos que conheceríamos o Vale da Lua e a Raizama. Acordamos cedo e fomos para a trilha do Vale da Lua, como tinha chovido muito dias antes, chegamos num trecho intransponível, assim tivemos que voltar para a rodovia. Depois de duas caronas, enfim, chegávamos ao diferente Vale da Lua. O vale é propriedade privada, o valor de entrada é de vinte reais (como quase tudo na chapada). Aqui é lindo demais e não poderia ter outro nome que não fosse Vale da Lua. Não tem como ir para a chapada e não ir para o vale. Ficamos um bom tempo nadando e escalando o infinito de pedras até que o mundo caiu em forma de chuva, os poucos visitantes do dia foram se abrigar no mesmo lugar. Sai à procura de carona para voltar a São Jorge, antes conheci a Talita e o Reginaldo (casal de Sampa) e combinamos de no outro dia fazer as trilhas do parque da chapada juntos. A carona consegui com outro casal que também partia para São Jorge.

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No meio do trajeto o casal (que não consigo lembrar o nome) nos convidou para seguirmos com eles até as águas termais e ainda disseram que depois nos deixariam na Raizama (nosso destino pensado). Claro que nós aceitamos, a parte boa de não ter planos fixos é aceitar qualquer boa proposta no caminho. Eles tinham uma marmita turbinada e deu para nós cinco almoçarmos tranquilamente, com direito até cerveja. Depois do role gourmet nas termais fomos deixados na Raizama. A entrada é toda estilosa, um palco com as imagens de Hendrix, Raúl Seixas e John Lennon. A natureza do lugar não deve em nada, com uma trilha de uma hora, prainha e muita manga para comer. Agora tínhamos que voltar para São Jorge e uma longa distância nos separavam. Depois de caminhar uma boa parte o mundo caiu em forma de chuva, novamente. Eu já tinha desistido de pegar caronas, pois estávamos todos molhados e cheios de barro (o caminho virou um lamaçal), até que um anjo em forma de fusca parou e salvou nossas vidas. O tiozinho nos deixou na frente do hostel, molhamos e sujamos todo o carro dele e ele ainda nos deu o golpe baixo de simplicidade ao se despedir com a seguinte frase: "Obrigado por estarem aqui". Não sou de chorar, mas quis chorar ali e só pude agradecer de um jeito cretino falando: "Mano, eu que agradeço. Você salvou nossas vidas", deveria ter-lo convidado para jantar junto conosco, mas não fiz. Fomos jantar num bom restaurante em São Jorge. Tomamos pinga de um bode que despeja pinga pelo rabo e seguimos para um botequinho que estava tendo boa música.

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Aqui acontece a maior coincidência da minha vida, neste boteco tinha umas dez pessoas no máximo, contando com nós três. Fui pegar umas cervejas e olhei um maluco que me era muito conhecido, sabia que o conhecia só não sabia de onde. Até que ele percebeu minha presença e juntos falamos "Salkantay". Salkantay é o nome de uma montanha no Peru que também dá nome a uma trilha alternativa a Machu Picchu. Há dois anos exatos (sem brincadeira, exatamente dois anos), Jonathan (o cara que encontrei no bar), eu e mais sete pessoas iniciava essa trilha juntos. Nunca mais tinha falado com ele, ele não tinha facebook na época. Sabia que ele morava no Tocantins. Encontrar ele numa vila que tem 500 habitantes, num boteco com dez pessoas foi estranho demais. Ele se juntou a nós e ficamos o resto da noite conversando. Voltamos ao Sucupira e tínhamos poucas horas para dormir, o próximo dia seria intenso, pois faríamos todas as trilhas do parque da Chapada com a Talita e o Reginaldo.

Acordamos cedo, preparamos nosso lanche do dia, e partimos a pé para o parque. Esperamos o casal. Até então eles não sabiam da nossa intenção de percorrer todo o parque em um dia, afinal, seriam quase 25 km. Falei da nossa intenção para eles que aceitaram sem pestanejar. Decidimos começar pela trilha dos Saltos e fomos sem guia. Depois de uma longa caminhada, podemos banhar no salto dois, aqui o rio é forte, mas vale o sacrifício para chegar ao pé da cachoeira que tem 80 metros. Caminhamos e caminhamos, paramos muitas vezes para nos banhar, tomamos chuva, nos conhecemos melhor e nesse dia ouvi pela primeira vez a frase que depois a Gita falava a cada cinco minutos: "Sem medo, tem liberdade" (depois na Argentina ela tatuou "Sem medo"). Na metade do caminho não tínhamos mais água o que fez a volta da trilha dos Cânions um sacrifício. No final do dia, Talita e Reginaldo nos deu carona até o hostel e combinamos de nos encontrar no outro dia em Alto Paraíso. Nesse dia meu único tênis (uma botina Caterpillar) não aguentou e se desfez. Passei a noite fazendo gambiarras para a botina agüentar até meu regresso a Brasília.

Informação 6.4: Não é necessário guia para entrada no parque que é gratuito. Apesar disso, existem guias que ficam no parque e cobram uma diária de cento e cinquenta reais por grupo. Em minha opinião não é necessário guias para o parque, todas as trilhas são bem sinalizadas.

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No outro dia conseguimos uma carona e fomos para Alto Paraíso. Reencontramos o Reginaldo e a Talita que estavam indo para as cachoeiras de Anjos e Arcanjos e nos convidaram para seguirmos juntos. Deixamos nossas coisas no Anna Hostel (a parte boa de estar em três é o poder de barganha, conseguimos quartos por vinte e cinco reais) e seguimos viagem com o casal que mais se parecia nossos anjos. Anjos e Arcanjos fica cerca de uma hora e meia de carro e foi o melhor lugar da chapada para nós cinco. Como quase todos os lugares, este também é uma propriedade privada, deixa-se dez reais de caixinha aqui. O dono do lugar é um francês todo gente boa. Aqui a água é totalmente negra e muito gelada. Tinha apenas o nosso e outro grupinho nessas cachoeiras. O que deixou o lugar mais especial ainda. Ali tem bons lugares para saltar no rio, picos com mais de dez metros de altura. Ficamos todo o dia ali, em plena paz. Nadando e caminhando. Caminhando e nadando. Não queria nunca que esse dia acabasse. De volta a Alto Paraíso, convidamos o casal a jantar conosco. Fomos à praça principal comer, onde estava tendo apresentações culturais. Comemos, bebemos bastante e fomos dormir. No próximo dia pegaríamos carona com eles, novamente, agora para Cavalcante.

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Acordamos cedo e seguimos para Cavalcante. Iríamos de encontro à cachoeira mais bonita do Brasil (talvez do mundo), Santa Bárbara. Depois de duas horas de carro chegamos numa comunidade quilombola que toma conta da área onde se localiza Santa Bárbara (acho que pagamos quarenta reais) e seguimos parte dentro da caçamba de um carro (dos quilombolas, utilizado para o transporte até o inicio da trilha) e fizemos a outra parte a pé. Santa Bárbara brilha no meio do verde da vegetação. A vontade ao ver o brilho é seguir correndo e não perder um segundo daquele lugar. Santa Bárbara é a beleza no seu sentido mais puro. Covardia aquele lugar. O lugar é todo fechado pela vegetação e não bate quase sol, tornando a água quase congelante, mas nada que impeça você ficar a todo o momento dentro da água. A beleza vence. Estávamos no paraíso e sabíamos disso. Tentamos aproveitar o máximo, foram bons momentos num cenário incrível. Tivemos sorte de ter poucas pessoas visitando a cachoeira, assim, podemos ter Santa Bárbara só para nós em alguns momentos. Depois fomos para a Cachoeira da Capivara. Marie tinha que partir no outro dia e não fazia sentido ficar mais na chapada com a família desfalcada. Gita e eu decidimos partir também, então essa seria a nossa última cachoeira juntos. A despedida já dava seu tom. Num ritmo mais lento e com um ar de tristeza se aproximando, curtimos a bela cachoeira da Capivara. No fim da tarde, retornamos para a cidade. À noite fomos (os cinco) jantar juntos. No fim nos despedimos de Talita e Reginaldo que continuariam por mais alguns dias na Chapada. A família começava a se desfazer.

Dica 6.2: Numa época sem chuva é possível/tranqüilo chegar até a comunidade onde fica Santa Bárbara com um carro comum. Agora em época de chuva eu não aconselho.

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“No Portal da Chapada

tristeza não há

que resista à poesia

contidas nas matas

da beira do rio

-

Vão-se as mágoas

nas águas correntes

a se despencarem

em cachoeiras

-

E eu que não creio,

me rendo aos encantos

desse lugar

e sinto que a fé

preenche meu ar” Altas Histórias do Paraíso, Geraldina Lombardi

Consegui uma carona até a rodoviária de Brasília. O motorista era um cara gente boa que morava em Alto Paraíso. As duas capotaram atrás do carro e fui conversando com ele na viagem. O cara deixou a vida de radialista no nordeste para encontrar a paz espiritual na chapada, trabalhando como guia. Foi uma boa viagem. Chegando a rodoviária a Marie logo seguiria para Goiânia. Foi difícil demais deixa - lá para trás. Despedimos-nos com um abraço triplo. Que falta a alegria dela faz.

Gita tinha voo marcado para Foz do Iguaçu no final da tarde. Aproveitei para mostrar o pouco que conhecia de Brasília para ela. Caminhamos bastante por toda esplanada. Gita experimentou pela primeira vez caldo de cana e depois fomos para o aeroporto. Chegando lá descobrimos que ela tinha comprado errado a passagem e o vôo era só para o próximo dia. Não havia mais vôos para Foz nesse dia, enfim ela teria que esperar. Não iria deixá-la sozinha na cidade. Conversei com a Vic (meu couchsurfing em Brasília) e seguimos para a casa dela.

Dica 6.3: O grupo no facebook "Conexão Chapada-BSB" é um grupo de carona entre a chapada e Brasília. Funciona muito bem.

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Agora é o retorno do anjo Vic. Mesmo hospedando uma australiana, quando expliquei a ela o ocorrido ela abriu os braços e não pensou duas vezes e nos ajudou. Que gratidão. Nunca terei palavras para agradecer a Vic por esse dia. Por fim, passamos uma ótima noite. Vic com seu violão e o vinho deram o ritmo da noite. No fim das contas, foi mais que bom a Gita ter perdido o voo. No outro dia cedo nos despedimos e fomos para um shopping, comprei um novo tênis, almoçamos e seguimos para o aeroporto. Despedir-me da Gita foi à tarefa mais difícil da viagem, já tinha me acostumado com sua presença, nos entendíamos sem precisar de palavras. Agora tomávamos direções opostas. Ela iria para o sul e eu para o norte. O último abraço foi dado e fui para a rodoviária.

Chapada dos Veadeiros é toda espiritual, não tem como negar que existe uma energia boa naquele lugar. Todos que a conhecem, nunca se esquecem. As pessoas que lá vivem fazem da chapada um lugar mais especial ainda. Existem infinitas cachoeiras e trilhas, você não conseguirá conhecer tudo, então fique tranqüilo. Conheça o que der, porque cada palmo da chapada vale muito à pena. Ali, passei os melhores dias dos meus seis meses de viagem e me despedir de todos foi muito difícil. A sintonia daqueles dias é o que procuro para o restante da minha vida. Se existe um lugar para conhecer antes de morrer, esse lugar é Chapada dos Veadeiros. Claro que isso é uma opinião minha, mas nunca disse que seria imparcial. Então, pegue a mochila e vá para Veadeiros.

“Tudo mudara subitamente - o tom, o clima moral; não sabias o que penar; a quem ouvir. Como se em toda a tua vida tivesses sido conduzido pela mão como uma criança pequena e de repente tivesses de ficar por tua própria conta, tinhas de aprender a andar sozinho. Não havia ninguém por perto, nem família nem pessoas cujo julgamento respeitasses. Em tal momento, sentias a necessidade de dedicar-te a algo absoluto - vida, verdade, beleza -, de ser regido por isso, em lugar das regras feitas pelos homens que tinham sido descartadas. Precisavas render-te a um tal objetivo último de modo mais pleno, mais sem reservas do que jamais fizeras nos velhos dias familiares e tranquilos, na velha vida que estava agora abolida e abandonada para sempre.” Doutor Jivago, Boris Pasternak

Cheguei à rodoviária, tinha ônibus direto para Cuiabá (meu próximo destino seria a Chapada dos Guimarães que é próximo a Cuiabá), mas quis passar antes em Rondonópolis, não sei por que, nunca tinha pesquisado a cidade. Achei curioso o nome e apenas fui.

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Parte 7: Chapada dos Guimarães

Sempre para mim, ao se falar de Chapada, logo pensava na Chapada dos Guimarães, se existia uma chapada que sonhava em conhecer essa era a dos Guimarães.

Sai de Brasília com destino a Rondonópolis no Mato Grosso, viajei pela madrugada, nada de muito especial aconteceu no trajeto. O que me chamou a atenção na cidade de Rondonópolis foi que em alguns lugares na rodoviária e na cidade existem tradução para o esperanto. Achei interessante. Ninguém soube me explicar o porquê disso. Sempre achei que o esperanto era caviar, só ouvia dizer que existia.

Informação 7.1: Esperanto é uma língua criada para ser o idioma universal (pegando propriedades de todas as línguas para facilitar o aprendizado de todos) e claro, não vingou.

Depois de pegar outro ônibus segui para Cuiabá. No meio do caminho a policia invadiu o ônibus e foi direto em direção a um cara que estava sentado na minha frente. Devia ter uns oito policiais, todos apontaram suas metralhadoras em direção do rapaz que mais parecia um viajante normal. Revistaram a sua bolsa e acharam uns dez quilos de cocaína. Logo, levaram-no preso. Assim, todos e tudo no ônibus foram revistados. Não encontraram mais nada. Fiquei pensando muito depois disso. Se ele coloca um pouco de droga na minha mochila seria o fim da viagem. Como explicaria para policia que aquilo não era meu? Um fato curioso é o trajeto da apreensão, geralmente, a rota do tráfico é Cuiabá-Brasília, pelo simples fato de Cuiabá estar muito próximo com a divisa da Bolívia, o contrário é no mínimo esquisito. No resto da viagem o assunto no ônibus foi à má sorte do sujeito. Nunca tinha presenciado nada parecido e por alguns dias tive cuidado em excesso com minhas coisas. Isso até a memória começar deixar de lado essa história.

Cheguei a Cuiabá e logo parti para a cidade Chapada dos Guimarães (sim, esse é o nome da cidade). Chapada dos Guimarães fica distante 40km de Cuiabá, ao contrário de Cuiabá e apesar da proximidade, a cidade tem um clima muito agradável, isso pelo fato de estar mais de 600 metros acima de sua vizinha. A cidade é toda charmosa. No seu centro tem uma bela igreja e muita tranqüilidade. Nos primeiros dias fiquei na casa do gentil Gentil, tio da Tânia de Chapecó. Gentil e sua esposa são a gentileza (como seu nome já diz) em pessoas, ele era conhecedor de toda a Amazônia, seu trabalho com hidrelétricas lhe deu a oportunidade de conhecer e assim, tinha infinitas histórias que aproveitei para escutar atentamente. Afinal, iria depois seguir para a maior floresta do mundo. Além de poder conhecer um pouco mais da Tânia, através de histórias contadas pelos dois. Estava longe da Tânia, mas parecia que a presença dela estava ali. Depois de alguns belos dias na casa deles segui para um hostel no centro da cidade.

Curiosidade 7.1: Na cidade encontra-se a empresa Águas Lebrinha que extrai água da fonte bica das moças (muito boa por sinal), o legal é que é possível encher uma quantidade per capita de graça no lugar.

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Um fato interessante da Chapada é que o centro geodésico da América do Sul situa-se na cidade. Apesar de Cuiabá também dizer que o centro geodésico se encontra lá. Não sei qual está certo. Prefiro acreditar que seja o da Chapada dos Guimarães. O local está interditado (como quase todos os pontos turísticos da Chapada) pelo ICMBio por causa das erosões, mas não existe fiscalização e todos visitam o lugar mesmo assim. O centro geodésico é um lugar sem muito charme, você saberá que está no centro por causa de um suporte de uma placa. A placa é feita de bronze e foi roubada, então só sobrou o apoio dela. O interessante de estar ali é o entorno. Muito próximo encontra-se um desfiladeiro. De onde é possível avistar Cuiabá e o inicio do Pantanal norte. O ponto alto é caminhar no dedo de deus e nos seus similares. Foi a primeira vez que estava diante de um desfiladeiro em cima de uma pontinha de terra. Estar ali, vendo o Pantanal que se mostrava tão verde e tão belo, me trazia muitas saudades de estar de novo na maior planície alagada do mundo. O tempo era outro, era tempo de Chapada dos Guimarães. De ver o novo. De conhecer a novidade. De andar por terras novas.

Informação 7.2: O Pantanal é uma extensão territorial ou bioma dividido entre Brasil, Paraguai e Bolívia. No Paraguai e Bolívia a região é conhecida com Chaco ou Gran Chaco.

Curiosidade 7.2: Nos últimos anos ocorreram algumas mortes de pessoas tirando selfies/fotos no dedo de deus. O que fez a cidade não aconselhar mais a visita no local.

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O legal da Chapada dos Guimarães é que existem muitas trilhas próximas a cidade. Recheadas de cachoeiras. Para eu que curto demais caminhar é mais do que bom. Cria-se uma boa autonomia. Tem lugares que alugam bikes para fazer essas trilhas. Achei legal, apesar de preferir ir caminhando com calma e lentamente, apreciando cada novidade que ia se anunciando no caminho. As trilhas são bem marcadas e é muito fácil se achar nos arredores da cidade. Diferentemente, da Chapada dos Veadeiros, onde a vegetação é mais rasteira, na Chapada dos Guimarães a vegetação é mais densa e alta, dificultando a caminhada e também a deixando mais emocionante. Na época em que estive lá, não eram muitos os visitantes e isso fazia do lugar mais especial, conseguia aproveitar cada lugar de todas as formas sem a preocupação de ser incomodado pelo turismo de massa. Não era incomum eu ter uma cachoeira somente para mim. Quando havia pessoas, em sua maioria, eram como eu, estavam sozinhos ou em grupos pequenos, assim, facilitava a aproximação. Foram inúmeras pessoas que conheci nessas trilhas, apesar de não criar vínculos foram bons momentos nos arredores da cidade.

Para me locomover para os outros lugares mais distantes, peguei muitas caronas e numa delas eu conheci o Roberto e a Wanderléia, casal com a mesma simpatia dos xarás famosos. Num dos dias, meu intuito era seguir para uma trilha que estava bloqueada pelo ICMBio. Os nativos me disseram que era a melhor vista da Chapada. Ouvi nessas palavras “Lá é o Hors Concours da Chapada”. Depois dessa propaganda teria que conhecer a tal vista. Contei minha intenção para o casal. Estes seguiriam para o Parque da Chapada dos Guimarães, me convidaram para ir com eles no passeio e que depois me deixavam no inicio da trilha. Conhecemos a famosa cachoeira Véu de Noiva e as igualmente belas cachoeiras dos Namorados e Cachoeirinha. Foi um role muito massa. O Roberto, técnico de telecomunicações do exército, cheio de histórias não deixava o silêncio reinar em momento algum. O que achei mais legal foi que apesar de anos juntos eles pareciam um recém casal, curtindo a nova paixão. Banquei o fotografo pelo caminho, o amor estava no ar. Eu sorria a todo o momento ao vê-los e ao repetir dezenas de vezes à mesma foto, afinal, o Roberto é do exército e o chapéu tinha que sair alinhado.

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“O véu de noiva de água virgem

Me elevou, envolveu

A sua ducha me deu vertigem

Arrepio, rodopio, em mim

Seu jorro não tem mais fim

E nesse êxtase me deixo

Não sei quem sou

Estou no meio do arco-íris

E saboreio elixires de amaralis

Na cachoeira enxurrada

O véu da chuva desceu

No vento nuvem

No céu desaba

Chapinhante

Espumante

Champagne

Chapada dos Guimarães” Na Chapada, música de Tetê Espindola

Apesar de me sentir o “estraga o romance” a harmonia de nós três foi legal demais. Terminamos o Parque da Chapada dos Guimarães e como prometido eles me levaram a entrada da trilha que eu queria fazer. Ao chegar ao meu destino, para minha surpresa, os dois resolveram seguir comigo numa caminhada de quatro horas. O local da trilha é propriedade privada, então cobra-se a entrada, vinte reais por pessoa. O Roberto depois de muita conversa conseguiu um belo desconto e entramos na trilha. A trilha em algumas partes é bem fechada e em outras um pouco confusa. A beleza do caminho é indescritível, cheio de platôs gigantes de pedra. O parque dos dinossauros no meio do caminho é belíssimo, além da companhia das infinitas borboletas. Estava meio receoso do casal ter mudado o roteiro para andar e andar, queria que eles curtissem o momento, andando por duas horas e vendo a cara de exaustão dos dois, me sentia culpado. Logo ao chegar no desfiladeiro e ver aquele cenário, olhei para o rosto dos dois e ver a felicidade em seus rostos, fiquei aliviado. Foi dos momentos mais felizes da viagem, nós três e mais ninguém em companhia do fim da tarde e daquele visual lindíssimo. Enfim, tinha a imagem em minha retina do que para mim era a chapada. A cena mais legal foi quando a Wanderléia ligou (sim, tinha sinal) para sua mãe emocionada de estar ali, naquele lugar, naquele momento. Ficamos um bom tempo, lá em cima. O esforço tinha valido a pena e a beleza do lugar tinha vencido novamente. Ninguém queria ir embora. Depois de muito tempo resolvemos voltar. A volta da trilha foi tranquila, a leveza do dever cumprido fez o cansaço desaparecer e seguimos realmente felizes. Parecíamos três crianças com seus presentes de Natal em mãos.

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“Ao ver o sorriso deles lá em cima. Tive a certeza que a divida pela carona estava paga. Muito feliz em levar um pouco de felicidade para eles. Realmente muito feliz.” Notas de Diário

A Chapada dos Guimarães se difere das outras chapadas brasileiras por ter paredões contínuos, infinitos no olhar. Lugar único. O mais interessante é observar a transição de vegetação, ponto de encontro do Cerrado, Pantanal e Amazônia. Aqui o turismo é mais familiar, não atrai tantos mochileiros como as chapadas dos Veadeiros e Diamantina, mas isso não impede do local ser encantador igualmente, mas claro, de uma forma diferente. Aqui se encontra o centro geodésico da América do Sul. De forma surrealistica é possível sentir toda a magia do nosso continente. Escutar os ecos de todos os nossos povos, como: da terra do fogo, incas, aimarás, guaranis, mapuches, cablocos, mestiços, homens da floresta e todos mais. Aqui já seria um lugar especial só pela localização geográfica, mas ai a natureza inventou a Chapada dos Guimarães, a cereja do bolo.

“Mais um sonho realizado. Chapada dos Guimarães e seus paredões, enfim, conheci-os. Muitas coisas boas acontecendo por esses dias. Não poderia imaginar tanta coisa boa em tão pouco tempo. Obrigado quem quer que seja o senhor do tempo. Jesus, Alá, Buda, Krishna, Jah, Oxum, Pachamama, pra quem seja, meu muito obrigado.” Notas de Diário

Voltei para Cuiabá numa manhã e tinha todo o dia para conhecer um pouco da cidade (o ônibus para Porto Velho sairia por volta das 10 horas da noite). Caminhei dois quarteirões e voltei para a rodoviária, foi a única vez que o sol me venceu na viagem. Nunca tinha provado um dia de sol tão quente, era impossível caminhar naquele dia, sentei e esperei. Agora é hora de estar de frente com a Amazônia. Depois de anos de espera, enfim, adentraria o maior dos meus sonhos. Enfim, era hora de buscá-lo, quem? Meu sonho.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Mar sem fim, Amyr Klink

Agora estou dentro de um ônibus, o Natal está cada vez mais próximo. Atravesso a fronteira, estou em Rondônia. Ansioso para chegar a Porto Velho.

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Parte 8: Rondônia

Quando trabalhava em São Paulo, morei numa república e lá conheci o Pedro, rondoniense e aspirante a cineasta. Mesmo sem planejar essa viagem, sempre dizia a ele que um dia bateria em sua porta em Rondônia. Ele estranhava um paulista querer conhecer Rondônia e eu achava estranho ele se mudar do paraíso amazônico para morar no caos paulista, a selva de pedra. Mas ele tinha um bom motivo, o cinema.

O trajeto Cuiabá até Porto Velho foi o mais longo que fiz dentro de um ônibus nessa viagem. Foram quase trinta horas de belas paisagens. Passamos por dezenas de cidades, das que paramos Vilhena foi a que mais gostei, por seu clima agradável e muito verde ao redor. Lembro de ver uma casa suspensa, ela se erguia no meio da mata sobreposta em algo que me parecia um poste, fiquei perplexo. Pena não dar tempo de tirar foto. Dentro do ônibus, quase todo mundo virou amigo. Muitas pessoas que tentam a vida em outros estados ou regiões estavam voltando para passar o final de ano com a família. Muitos presentes de natal viajaram conosco. Eram tantas pessoas voltando para Porto Velho que só existiam passagens saindo de Cuiabá para depois de quatro dias da minha saída. O clima e as conversas eram em tom nostálgico. Muita ansiedade por parte de todos. Muitas histórias de saudades. O ônibus parou na rodoviária de Porto Velho. Creio que naquele momento o tempo parou. A distância e o tempo não importava mais. No meio de tantas pessoas se abraçando eu tentava pegar minha mochila. Depois de receber alguns abraços de despedidas eu caminhei a procura do Hugo.

“Quando abandonava a cidade ainda silenciosa, à luz da incipiente madrugada, caminhando devagar, com as pernas enrijecidas, avistou nas proximidades da última cabana um vulto que ali estava acocorado. Era Govinda. Ergueu-se e foi com Sidarta, o peregrino.

– Vieste mesmo – disse Sidarta, sorrindo.

– Vim – confirmou Govinda.” Sidarta, Hermann Hesse

Nesse dia o Pedro não estava na cidade. Estava terminando o intercâmbio nos Estados Unidos. Sobrou para seu irmão Hugo ir ao meu encontro na rodoviária. Hugo é um cara gente boa demais. Futuro médico e pai do Miguel. Ele desde o inicio me fez sentir em casa. Logo depois já fomos para um churrasco da família. Lá pude conhecer os pais do Pedro e do Hugo, a Zilma e o Renato. O interessante nesse dia foi conhecer o Cartaxo, dos melhores amigos deles, que estuda na USP São Carlos mesmo lugar em que fiz minha graduação. Foi bom conversar sobre a universidade e matar um pouco das saudades dos dias de estudante.

“Existem poucas coisas que me arrependo na vida, uma delas é ter deixado a ONG Napra. Com ela teria vindo antes conhecer as populações ribeirinhas do rio Madeira e de alguma forma iria aprender e ensinar. Depois de anos com isso na cabeça, por fim, pago essa divida que tinha comigo mesmo.” Notas de Diário

No outro dia, fomos buscar o Pedro no aeroporto. Mal conseguia vê-lo, estava no meio de tantas malas. Foi bom reencontrar o Pedrão. Nesse mesmo dia conheci o Bruno, outro cara bem gente boa. Ele sonha em fazer um mochilão pela América do Sul. Um dia depois fomos jogar bola. Foi muito legal, marcaram um jogo dos amigos do Pedro contra outro time. O Brunão assegurou nossa vitória agarrando tudo no gol. Já começava a me sentir em casa em Porto Velho.

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O pôr-do-sol em Porto Velho é lindo e fica muito mais bonito a beira do rio Madeira. Acompanhar toda a descida do sol até ele se esconder para depois do rio, é algo que realmente vale à pena. Todos os fins de tarde existem uma boa platéia (a beira rio) para acompanhar os últimos momentos do sol no dia. De resto, Porto Velho parece-se com um aglomerado de bairros. Não tem cara de capital do estado. A cidade de Ji-Paraná tem mais cara de capital. No entanto, as pessoas do lugar é o que faz de Porto Velho um lugar especial.

Culinária 8.1: O açaí de Porto Velho é muito bom.

Culinária 8.2: O melhor suco de cupuaçu fica no bar flutuante no rio madeira.

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Aqui tive uma vida bem familiar. Peguei emprestado a Zilma como mãe. Ela é advogada, psicóloga e principalmente batalhadora. Conhece muito sobre a vida. Tive muitas boas conversas com ela. Contava sobre a confusão que é a minha cabeça, minhas intenções sobre a viagem e sobre as banalidades da vida. Ela tinha bons conselhos e sempre me fazia pensar com seus questionamentos. Na verdade eu ainda penso sobre esses dias. Enfim, a Zilma é uma pessoa que todos deveriam conhecer. O Renato é médico e trabalhou bastante tempo com as populações ribeirinhas da Amazônia. Conhece muito de doenças tropicais e aproveitei para pegar o máximo de informação para minha proteção na floresta. Na maioria do tempo estava na companhia do Pedro e do Hugo. Tive o prazer de passar o Natal na companhia do Pedro, Hugo, Zilma e Renato e o restante de suas famílias. Foi muito bom.

Informação 8.1: A malária é transmitida pelo mosquito Anopheles. Os horários de maior risco são no amanhecer e ao entardecer. Então, se tiver pela Amazônia é bom ter uma atenção especial nesses dois períodos.

Fomos acampar em um dia de sol. A idéia era fazer algumas trilhas na floresta que margeia a cidade. Fomos eu, Pedro, Hugão, Bruno e o Cartaxo. Ao chegar arrumamos o acampamento e começamos preparar a comida do almoço. Depois dos afazeres saímos para caminhar no meio da mata. O Hugão conhece bem o lugar. Ele tinha dito que a trilha seria feita andando pelo rio. Achei que era brincadeira, ao menos torcia para ser. Começamos a trilha e logo ela era interrompida por um rio, que mais se parecia como o rio do filme da Anaconda. Eu era o último da fila. Chegando ao rio o Hugo não pestanejou e pulou e assim, foi um a um se jogando dentro d’água. Na minha vez, eu quis voltar, mas segui em frente. No inicio daquele rio acinzentado, imaginava um monte de coisas, mas logo a preocupação foi embora e comecei a curtir a trilha aquática que estávamos fazendo. Alternávamos trechos por terra e por água. Depois de um bom tempo de trilha o Cartaxo não se sentia muito confortável em caminhar pelo rio. Em comum acordo, decidimos voltar. Só que tínhamos que voltar por terra. Isso era um problema. O Hugo analisou o terreno e indicou uma direção e fomos. Com dois facões abríamos caminho pela mata que em momentos era bem fechada. Por mais que caminhávamos não havia sinal que estávamos na direção certa. Eu estava tranqüilo até que o Bruno erra uma facãozada e acerta sua canela. Nesse momento certo desespero bateu em todos. Sangrava demais. Depois do susto e com o sangue estancado voltamos a caminhar. Caminhamos um pouco mais e saímos da mata fechada, avistando uma pista no horizonte. Caminhamos por um longo tempo e voltamos para o acampamento. No resto do dia, nadamos e conversamos bastante. Foram boas as conversas e as risadas. Melhores foram às companhias. Prazer imenso de ter conhecido-os. Pedro, Hugo, Bruno e Cartaxo valeu demais. No outro dia partimos em direção a cidade.

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“Hoje pela primeira vez entrei na floresta amazônica. Apesar de estar próxima a cidade, era a Amazônia e isso me deixa feliz. Depois de anos imaginando como seria, enfim tinha acontecido.“ Notas de Diário

Os dias aqui foram realmente bons, principalmente, por causa da família Pereira/Watanabe que me acolheu como um filho e irmão. Meu eternos agradecimentos por esses dias. Muito Obrigado.

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Agora daria uma pausa em Rondônia e seguiria para o Acre, era hora de conhecer as terras de Chico Mendes. Peguei algumas poucas coisas e segui viagem.

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Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre

De Porto Velho segui para Rio Branco, enfim saberia se o Acre existe ou não. Neste dia o Pedro, Bruno e Daniel me acompanharam até a rodoviária. Antes tomamos o melhor açaí da viagem, até então. A estrada para Rio Branco é muito ruim (parte rondoniense) até chegar à divisa natural com o Acre, o rio Madeira. Depois de cruzar o rio na balsa, a viagem seguiu teoricamente tranquila, apesar de o ar condicionado estar congelante.

Informação 9.1: No norte do país tem-se o melhor serviço rodoviário, em minha opinião, do Brasil. Todo motorista explica o percurso, todas as cidades, todas as paradas, a importância do cinto de segurança e algumas companhias distribuem lanches durante a viagem.

Cheguei a Rio Branco na madrugada, depois de dormir algumas horas na rodoviária segui para Xapuri, terra do grande Chico Mendes. Seriam de cinco a seis horas de viagem num trecho que não chega a duzentos quilômetros.

"Peguei um ônibus "pinga-pinga" para Xapuri. Certo momento, contei cento e vinte pessoas dentro do ônibus que iria percorrer quase duzentos quilômetros. Crianças se aglomeravam nos vãos das poltronas. Idosos se amontoavam no corredor e parecia que todas as gestantes do Acre queriam ir para Xapuri neste dia. No inicio achei interessante não deixar ninguém para trás, mas logo essa idéia desapareceu, já tinha perdido a conta de pessoas no ônibus. Seriam quase cinco horas de viagem (com sorte), tempo demais para o caos instaurado dentro do ferro ambulante. O cobrador do ônibus era um tanto quanto curioso, parecia um ditador rodoviário e todos pareciam ter medo do sujeito. Ele sempre via mais espaço e não parava de deixar entrar pessoas. Pessoas entravam, nenhuma saía. A cada 500 metros o bus parava e encaixotava as pessoas, ninguém descia. Diante de sua poltrona confortável, único lugar cômodo do bus, pois até o motorista estava rodeado de pessoas, o cobrador indicava para mais pessoas entrarem. Até que um momento uma grávida indicava do lado de fora para entrar, neste momento, o cobrador teve que sair para pegar uma encomenda na porta de um sítio. Todos com cara de prazer indicaram, enquanto a mulher grávida subia os degraus, para se sentar na poltrona do cobrador. O cobrador de fora ainda tentou evitar, de nada adiantou, teve que subir junto com no mínimo duzentas pessoas de pé no ônibus. Não recuperou seu lugar, mas depois desse momento ele não deixou mais ninguém subir no ônibus." Notas de Diário

Depois de uma viagem em que ônibus parava a todo momento, finalmente, chegava a Xapuri. Meu destino exato seria o seringal Cachoeira, principal empate de Chico Mendes.

Para quem não conhece Chico Mendes, farei uma breve apresentação. Chico Mendes é um homem nascido no Acre, cria da floresta amazônica que teve a sorte de encontrar um refugiado da coluna Prestes e ter uma educação diferenciada por conta deste mesmo refugiado. Seringueiro desde sempre, viu na década de 70 com o apoio da ditadura militar, latifundiários vindos do sul, desmatar o nosso Acre (roubado/comprado da Bolívia) para a criação de gado. Apesar do êxodo da borracha no final do século dezenove e sua decadência no século posterior, o extrativismo ainda representava setenta por cento da economia do Acre, enquanto o latifúndio representava cinco por cento. O latifúndio começou a mudar a vida do homem da floresta, pois desmatando a floresta não tinha mais a seringa e a castanha, principais produtos do extrativismo local. Chico virou líder do movimento seringueiro e com sua metodologia de empates, baseado nas teorias de Gandhi, combateu o desmatamento de sua região. O empate era um boicote no desmatamento, junto com os seringueiros e suas famílias iam até a zona que seria devastada e ficavam ali parados na frente dos tratores, como barreiras humanas. Também saqueavam as motosserras. Chico chamou a atenção mundial e recebeu diversos prêmios pela luta pela Amazônia. Ele é considerado o primeiro militante ambiental em âmbito mundial. No Brasil, ao contrário, fez muitos inimigos por conta dos boicotes ao latifúndio e assim foi jurado de morte, mas antes de ser assassinado ele fez um dossiê (entregue nos quatros cantos do Brasil) de quem o mataria: latifundiários, políticos e empresários, mas de nada serviu, esses mesmos foram os responsáveis pela sua morte em 22 de dezembro de 1988. Apesar de ter criado uma metodologia de educação nos moldes de Paulo Freire e alfabetizar toda a comunidade, não surgiu outro Chico e o movimento com o tempo está sendo calado. No entanto, sua luta não foi em vão, conseguiu transformar muitas áreas que seriam devastadas em áreas de proteção. Para uma delas que eu seguia agora, Seringal Cachoeira.

Vídeo 9.1: Música em homenagem ao Chico Mendes da banda mexicana Maná.

"Canto do mundo esquecido, condenado a dias iguais. Onde vozes não são ouvidas e direitos são violados. Um dia, como outro qualquer, perdido no passado e remetido pelos sem vozes. Naquele dia em que a voz enterrada venceu o silêncio. O mundo se curvou ao ninguém, filho do nada. Seu grito sacudiu o planeta e uma bala foi disparada. O homem caiu e sua voz ecoa pela eternidade. Chico Mendes Vive!" Notas de Diário

O seringal fica uns 30 km da cidade. O caminho, por uma estrada de terra batida, parece não ter fim. Aqui a natureza é selvagem. A estrada corta a floresta e a comunidade do seringal mora em harmonia com a natureza. Pelo caminho é possível ver árvores gigantescas, algumas lagoas e muito verde. Cheguei ao seringal Cachoeira e logo conheci Nilson, o homem da floresta. Nilson é um senhor que viveu a vida toda em Xapuri, conhece a floresta com a palma da mão. A história passou por seus olhos e também participou dos empates. Dono de um coração enorme me acolheu junto a sua família como a um filho.

Curiosidade 9.1: Agora em casa, descobri que o Nilson é citado em dois livros sobre a vida de Chico Mendes, além de ter sido guia para a Globo, Discovery Channel, BBC, entre outros.

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A experiência dentro da floresta amazônica foi um misto de medo e de encantamento. Agora, por fim, estava no coração da floresta. Nilson era uma companhia perfeita, conhecia todas as plantas, animais e cantos do lugar. Tinha a paciência de me explicar tudo. Ele conhece centenas de remédios naturais, utilizando apenas as plantas da região. Queria lembrar todos os nomes das plantas, de todos os remédios naturais, mas não consigo. Neste dia, caminhamos por muitas horas. Tive a oportunidade de ver dezenas de seringueiras (árvores utilizadas na extração do látex). No meio do caminho o Nilson extraiu o palmito de uma palmeira que nos serviu de refeição durante a caminhada. Depois de um bom tempo e cheio de evidências de onça por perto, perguntei o nome de um pássaro com um som bem característico. Esse som nos acompanhava desde sempre. Nilson na maior tranqüilidade, disse que era o pássaro (que não me recordo o nome) que indica a proximidade de onça. Não fiquei muito feliz com a noticia. Passei a ter medo. Ele dizia que onças só são agressivas por dois motivos: comida e filhos. Disse que não fazíamos parte do cardápio. O problema seria encontrar os filhotes, assim, teríamos problemas de verdade. No fim não cruzamos com nenhuma. Às quatro horas da tarde no meio da selva quase não se enxerga mais e assim voltamos.

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"Caminhava tateando o ar, embora se movesse por entre as coisas com uma fluidez inexplicável, como se estivesse dotado de um instinto de orientação baseado em pressentimentos imediatos" Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez

Dentro da floresta densa pouco se vê. Sabe-se que existem centenas de animais a volta, mas o raio de visão é muito pequeno, além da camuflagem. Achava que estando ali. Onde as árvores são gigantes. Onde a floresta está intacta. Onde não existem trilhas. Teria a oportunidade de ver a vida selvagem das mais diversas formas. Pouco vi dos animais. Por azar ou sorte. A beleza que fica dessa experiência são as sensações. Os sons são muitos, não existe silêncio nunca. A harmonia dos sons de insetos, pássaros e macacos são assustadores, mas muito bonito de ouvir-se. A beleza de cada canto. Observar a vida no seu estado mais puro. Sentir que tudo o que é preciso para a vida está ali em extrema abundância. Sem frivolidades.

Curiosidade 9.2: Aqui foi a região da Amazônia em que vi as maiores árvores.

Nilson costuma dizer que ensinar sobre a importância da Amazônia era seu dever. Lembro de um fim de tarde, sentados no seu quintal floresta, ele me perguntou se eu já tinha visto um cateto. Cateto é um tipo de porco selvagem. Disse que não conhecia. Ele começou a gritar e fazer uns barulhos esquisitos. Depois de alguns minutos chegou um bando de catetos. Nilson disse que eram seus amigos. Eu acreditei. Os catetos são brigões entre eles. Depois da aparição e de algumas brigas eles logo correram para a proteção da floresta.

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Depois conheci Xapuri com mais calma. Visitei o museu Chico Mendes, a casa do Chico, o rio Acre e tudo mais. Do meu objetivo social da viagem, Xapuri foi sem dúvida o mais importante. Foram poucos dias, mas intensos. Conhecer outro estilo de vida. Acompanhar a vida de alguns seringueiros, ficar no seringal, adentrar algumas vezes na floresta e conhecer uma grande pessoa como o Nilson, faz desses dias talvez os mais especiais de todos.

Culinária 9.1: Um prato feito em Xapuri, custa por volta de dez reais. Geralmente, vem uma travessa de arroz que serviria facilmente umas cinco pessoas, um balde de feijão, uma travessa de salada e um peixe gigantesco, além de um litro de suco de cupuaçu.

Curiosidade 9.3: O nível educacional de Xapuri é alto, principalmente nos seringais, foi muitas pessoas que conheci com ensino superior, algumas com mais de uma graduação. Não que um diploma importa, mas são pessoas realmente articuladas.

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Segui para Rio Branco, onde fiquei um dia inteiro, caminhando sem rumo e observando cada palmo daquele lugar que logo me despediria. Gostei muito da cidade, o mercado velho é um lugar agradável para se estar.

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Depois retornei para Porto Velho, pois pegaria o barco com destino para Manaus.

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Parte 10: Viajando pelo rio Madeira

Nunca antes tinha passado mais que cinco horas em um barco. Agora ficaria cinco dias viajando pelo rio Madeira, saindo de Porto Velho com destino a Manaus. Iria passar meu ano novo navegando pelo Madeirão, me sentia um Amyr Klink.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Mar sem fim, Amyr Klink

Antes passei a manhã na casa do Pedro. Depois de muitos dias na companhia de sua família era hora de partir. Triste caminhar sozinho agora e deixar a família que mais foi minha família nessa viagem. Chegando ao barco, junto com o Pedrão e o Hugão, mal sabia armar a minha rede (presente da Zilma). Um cara da marinha mercante me ensinou a colocar a rede de uma forma segura. Ensinamento usado diversas vezes depois. Agora estava sentado na rede do barco e aguardava a autorização da marinha para o barco seguir viagem.

Informação 10.1: Paguei o preço de R$160 na passagem com alimentação inclusa. O valor da passagem é totalmente negociável. O preço inicial era de R$220, mas depois de conversar um pouco consegui baixar o preço. Conheci pessoas que pagaram na mesma viagem os R$220 iniciais e pessoas que pagaram R$150.

Informação 10.2: Diferente das viagens pelo rio Amazonas, nas viagens pelo rio Madeira a alimentação é inclusa na passagem.

Informação 10.3: Existem dois tipos de embarcações que fazem o trajeto. O modo mais rápido é o barco de passageiros que leva “apenas” três dias, no entanto, essa opção é abarrotada de pessoas, quase não há lugar para se colocar a rede. A outra opção é o barco cargueiro, que demora cinco dias, a diferença é que tem poucos passageiros, podendo caminhar pelo barco tranquilamente e tendo espaço de sobra para a rede. Eu acabei indo com o barco cargueiro, mas não sabia das opções, fiquei sabendo quando já estava viajando. As duas opções têm alimentação inclusa e o preço é o mesmo.

Informação 10.4: Lembrando que o sentido que fiz essa viagem, acompanha o sentido do rio. Assim a viagem é mais rápida. Caso faça o sentido contrário o tempo de viagem é dobrado.

Informação 10.5: O rio madeira é um dos vinte maiores rios do mundo. Tem mais de três mil quilômetros de extensão e é um dos principais afluentes do rio Amazonas.

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Quando caiu a noite ainda estávamos esperando a autorização da marinha. Logo cai no sono. No primeiro brilho do dia acordei animado para ver o barco em movimento. Ao acordar percebi que estávamos no mesmo lugar. O capitão do barco teve um mal súbito durante a noite. Ele foi levado para o hospital e nunca mais soube dele. Ficamos toda a manhã aguardando um novo capitão. Nesse tempo fiquei vendo o pessoal da cozinha atirar restos de comida no rio e um cardume infinito pulando fora da água por causa da comida. Isso é das coisas mais incríveis que já pude presenciar. Apesar de parado estava feliz. Depois de muita apreensão, por conta do capitão, seguíamos nosso rumo. O engraçado que enquanto a situação não se resolvia os passageiros quase não se conversavam, foi passar os primeiros metros da viagem e a conversa tomou o barco. Minha primeira experiência na navegação de cabotagem começava.

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O barco devia ter uns quarenta passageiros e oito tripulantes. Os barcos de passageiros saíram com mais de duzentas pessoas e eram bem menores. Apesar dos dias a mais de viagem, me senti com sorte de estar no barco que eu estava. O barco tinha três andares. Na parte mais baixa ficava toda a carga. Levava-se todo o tipo de carga, desde carro a cachos de bananas. No andar da proa fica a cozinha, a área comum e a área dos passageiros, além dos banheiros. No piso superior fica o bar, a cabine do capitão e a área dos tripulantes.

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A alimentação é pouco variada. Tendo carne bovina no almoço e frango no jantar. Sempre assim. Os acompanhamentos não mudam, sendo feijão, arroz, farinha e um pouco de salada. Existe um bar no piso superior que vende salgadinhos, refrigerantes, cervejas, salgados, água e tudo mais, mas os preços são abusivos. Também está incluso café da manhã. Os horários das refeições são fixos e inflexíveis. Perdeu a hora de comer, ficou sem comer. No entanto, a comida servida é mais que suficiente, pois os passageiros da embarcação quase não gastam energia durante a viagem. Quase o tempo todo estará deitado na rede.

Como a embarcação era grande, ela não parava nos portos dos vilarejos pelo caminho. Fazendo da viagem um pouco monótona. A vida no barco é como em uma cidade pequena. Todos acabam se conhecendo por força da situação. No terceiro dia todos já estão íntimos e todos conhecem a história de vida de todos. O que quebra a rotina dos dias são os botos. Em alguns momentos eles acompanham o barco. Fazendo a felicidade de todos. Outra coisa que quebra a rotina são os olhos incandescentes dos jacarés pela noite, principalmente nos trechos estreitos do rio. A paisagem pouco muda durante os dias da viagem. Ás vezes surge algumas comunidades ribeirinhas. Ás vezes aparece algumas ilhotas que embelezam o caminho. A mata ciliar pouco muda, as árvores são mais baixas do que eu imaginava. No entanto, o rio muda muitas vezes de cores e tem horas que parece estar navegando em um pântano, pela quantidade de barro na água.

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Antes de me despedir de Porto Velho a Zilma entregou-me chocolates e balas para entregar no ano novo para as crianças da embarcação. No dia da entrega, quando tirei o saco de chocolate da mala, quase fui pisoteado, talvez seja a maior expressão de alegria que vi nessa viagem. Muito das pessoas que lá estavam são pessoas sem posses que vivem em vilarejos e comem o que a floresta oferece. Fiquei espantando no poder de alguns doces, mas feliz por levar alguns segundos de felicidades para eles. Isso graças a Zilma.

“Hoje vieram me perguntar se eu era rico ou coisa do tipo. Dei risada. Deve ser por causa dos chocolates e balas. Disse que era presente de uma mulher com um coração enorme.” Notas de Diário

A maior surpresa navegando pelas as águas do rio Madeira foi conhecer o Paulo. Ele era um publicitário chileno e largou a vida de empresário bem sucedido no Chile para encontrar algum sentido na vida. Por coincidência do destino a viagem dele se iniciou no mesmo dia que a minha (primeiro de outubro). Toda viagem “sola” tem um sentido maior. No meu caso era algo mais social, já a dele era totalmente espiritual. Ele buscava a todo o momento o autoconhecimento. O mais interessante que ele é casado, sua mulher seguiu viagem para o sul da América do Sul e ele pelo norte da América do Sul. Os dois buscam a mesma coisa em lugares diferentes e se nada mudar dentro deles, no retorno ainda esperam ficar juntos.

"Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quadro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o “por quê” e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. “Começa”, isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência." O mito de sísifo, Albert Camus

As minhas melhores conversas foram a bordo deste barco com o Paulo. Sem muita coisa a se fazer no barco, passávamos quase o dia todo contando histórias de viagem, da vida, família e tudo mais. Lembro-me quando ele me contou a história do dono da lua. Um chileno na década de 60, no auge das patentes, patenteou a lua como se fosse dele. O engraçado de tudo isso foi que o presidente americano Nixon antes da Apollo 11 pousar na lua, teve que pedir ao chileno “permissão” para o pouso. E claro, que o cara autorizou Neil Armstrong a pisar pela primeira vez na lua. Acho esse ato muito simbólico, o sistema sendo quebrado pelo sistema. Depois da morte do bravo chileno foi definido que ninguém poderia ser dono da lua. O humor do Paulo contando essa história é demais.

O Paulo é daqueles casos onde a repetição trás o talento. Ele dizia que não sabia nada sobre artesanato e artes. Seu sonho era viver das habilidades de suas mãos. A todo o momento ele estava aprendendo/tentando costurar ou a pintar ou a escrever. Depois de três meses de viagem já conseguia produzir muita coisa, apesar de ainda não conseguir subsistir viajando. Acredito que com sua insistência logo ele consiga.

Existem viagens de barco pela Amazônia que duram mais que trinta dias. Ouvi histórias de pessoas que entraram solteiras nessas viagens e saíram casadas. Foi mais de uma história. Isso da para se ter noção de como se vive uma vida dentro do barco. Na nossa viagem, pelo que eu sei não se formou nenhum casal.

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A parte negativa dessa viagem foi à falta de sintonia da tripulação com a natureza e principalmente com o rio. Todo tipo de lixo era lançado fora do barco. Tentei algumas vezes falar com a tripulação, de nada adiantava. A maioria dos passageiros, pelo contrário, guardavam seus lixos para estes não serem lançados pelos tripulantes na água.

O legal que as mulheres da embarcação fizeram do barco, no último dia, um salão de beleza. Todas cortaram o cabelo. Maquiaram-se. Trocaram roupas entre si. Todas queriam estar bonitas no primeiro dia do ano em terra.

Passar o ano novo sem percebê-lo, rodeado de novos amigos e como plano de fundo a imensidão do rio Madeira e da floresta, foi mais especial que eu poderia imaginar. Fez-me ter mais certeza na simplicidade da vida. Viver conforme a luz do dia é outra coisa que me surpreendeu. Acordar ao primeiro sinal de luz e dormir assim que a noite cair. Foram seis dias (um parado e os outros viajando) dentro de um barco, mas mais se pareceu com uma vida. Ter oportunidade de conhecer pessoas tão intima da natureza. Ouvir histórias de vidas que tanto se diferem da minha. Foi um aprendizado constante. Viver sem a pressa dos dias e apenas esperar. Confesso que no inicio tive medo da viagem, mas ao ver as luzes de Manaus se aproximando, a tristeza tomou conta de mim, não queria nunca que aquele barco atracasse.

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Chegamos num domingo cerca de 8 horas da noite em Manaus, como o barco iria ficar atracado no porto, eu, Paulo e uma família resolvemos dormir no barco para economizar uma estadia. Enquanto o Paulo foi procurar frutas para o jantar eu fiz uma bola de rede (que alguém esqueceu). Paulo chegou com duas melancias que comemos em segundos e depois jogamos futebol no barco. Todos os que restavam no barco jogaram. Foi um Fla-Fu dos mais disputados. Desde a senhorinha até o gurizinho. A partida mais democrática do futebol acabou sem um vencedor com o placar de 2 x 2.

Dica 10.1: Os portos são bons lugares para quem quiser economizar com estadia. Os barcos ficam atracados e geralmente é tranqüilo colocar a rede e passar a noite neles.

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No dia seguinte nos despedimos da família. Paulo e eu saímos do porto caminhando. Agora estávamos em terra firme e precisávamos arrumar algum lugar para ficar.

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Parte 11: de Manaus a Roraima

Nos primeiros passos em Manaus já começava a perceber algo que iria me incomodar na cidade. A cidade tem uma belíssima arquitetura da belle èpoque da borracha. Porém, a maioria da arquitetura desta época está tampada por prédios comerciais ou estão em desarmonia com a cidade que cresceu à volta.

"Perder tempo a explicar por que gosta seria pouco menos que inútil, há coisas na vida que se definem por si mesmas, um certo homem, uma certa mulher, uma certa palavra, um certo momento, bastaria que assim o tivéssemos enunciado para que toda a gente percebesse de que se tratava, mas outras coisas há, e que até poderão ser o mesmo homem e a mesma mulher, a mesma palavra e o mesmo momento, que, olhadas de um ângulo diferente, a uma luz diferente, passam a determinar dúvidas e perplexidades, sinais inquietos, uma insólita palpitação..." A caverna, José Saramago

Depois de caminhar por algumas horas, eu e o Paulo, paramos em um hostel próximo ao Teatro Amazonas. Deixamos nossas coisas. O Paulo seguiu para um sitio nos arredores da cidade. Ele tinha ouvido falar do dono do lugar (uma pessoa no barco havia indicado) e iria ver se era possível trocar hospedagem por trabalho. Nesse dia eu não perdi tempo e fui tentar conhecer um pouco da cidade.

Uma tática que eu tenho para me familiarizar com as grandes cidades de forma barata é andar de ônibus circular intensamente. Vou até um terminal de ônibus, entro em um ônibus e faço todo o trajeto dele até voltar no terminal. Geralmente, nesses terminais o transfer é gratuito. E assim, pego diversos ônibus e vou para diversas regiões, vendo a cidade pela janela do ônibus e assim me familiarizo com a cidade e fico mais seguro em caminhar. Isso tudo pelo preço de uma passagem apenas. Pode parecer programa de bobo, mas para um cara observador como eu, ajuda muito.

De noite já com a companhia do Paulo, compramos cervejas e ficamos bebendo na frente do Teatro Amazonas. O teatro, realmente, é muito bonito, mas estava com uns enfeites de Natal deixando o teatro menos bonito. Todo o entorno do teatro é chamativo, com uma bela praça, muitos restaurantes e bares fazem daquele pedaço de terra um lugar que aglomera os mais variados tipos de pessoas, ou seja, um bom lugar de se estar, principalmente pela noite.

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No outro dia fomos ao Ceasa para pegar uma voadeira e navegar pelo rio Amazonas. Negociamos com um barqueiro. Combinamos com o mesmo de conhecer o encontro dos rios Negro e Solimões e passar por uma comunidade ribeirinha no rio Negro. Fechamos o passeio por um valor total de oitenta reais. Assim, seguimos para o encontro das águas, não antes de abastecer em um posto flutuante.

Informação 11.1: As agências cobram em média R$150 por pessoa pelo passeio do encontro das águas (em um barco cheio). O jeito mais barato é pegar um ônibus até o Ceasa e lá negociar diretamente com o barqueiro. Se você for apenas visitar o encontro das águas, consegue-se um barco com até dez lugares por cinquenta reais (preço do barco).

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O encontro do rio Solimões com o rio Negro resulta na maior bacia hidrográfica do mundo vulgo rio Amazonas. Dependendo de como se considera a nascente do Amazonas ele também pode ser considerado o rio mais extenso do mundo, mas isso gera algumas controvérsias e nos livros o Nilo fica com o título de rio mais extenso do mundo, deixando o Amazonas em segundo lugar. Isso pouco importa na verdade, o que importa é preservar e reconhecer aquela beleza sem limites.

O rio Negro parece feito de petróleo de tão escuro e a temperatura de sua água é mais agradável. O rio Solimões é barrento, sua água é muito mais fria e o seu curso de água é duas vezes mais rápido que o rio Negro. Na linha natural que os dois rios se encontram e assim, não podem se misturar por serem tão diferentes. Eles caminham lado a lado por cerca de quarenta quilômetros sem se misturar. Depois disso o rio Negro parece desaparecer ao encontro do Solimões. Bom, mas nada é melhor que estar no encontro destes rios. Com toda certeza é uma sensação única. Ficar com o barco parado na linha exata que separa o Solimões do Negro e colocar uma perna em cada rio e poder sentir a diferença dos dois em sua pele é algo que não tem como expressar em palavras. A natureza sempre é bela, mas em alguns lugares ela é caprichosa demais. Estar ali, naquele momento, sentindo e vendo da minha forma o que eu sonhava em fazer desde criança me deixou muito feliz. Feliz de verdade.

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“Lembro das tantas vezes que havia planejado estar em Manaus, somente para ir ao encontro das águas. Não me recordo como esse desejo nasceu só sabia que ele existia. Pois agora não existe mais, estou aqui.” Notas de Diário

Depois seguimos conhecer uma comunidade ribeirinha no rio Negro. Tivemos a oportunidade de conversar com algumas pessoas. Sempre que estou numa comunidade ribeirinha fico surpreendido com o tamanho respeito que todos têm pela natureza. Cada vez tenho mais admiro essas pessoas e toda vez fico mais revoltado ao ver como são tratados com descaso pela grande maioria da população. Seguimos e pela primeira vez vi uma igreja flutuante. Paramos num igarapé. Tivemos sorte, pois estávamos somente eu, Paulo e o barqueiro que era gente boa demais. Demoramos o tempo necessário em cada lugar.

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O Paulo iria seguir para o sitio no próximo dia e resolvi partir para Boa Vista, eu teria que voltar para Manaus no futuro, pois iria descer de barco o rio Amazonas.

No outro dia nos despedimos. Paulo foi o meu irmão de alma nessa viagem, aprendi muita coisa com ele, principalmente na forma de encarar a vida. Foi outra despedida difícil, mas os viajantes se encontram e logo se desencontram, para num futuro se encontrarem novamente. E assim seguia a viagem.

Segui para a escondida rodoviária de Manaus. Rodoviária em Manaus é um pouco vazia e sem muitos destinos, pelo fato da região ser rodeada de rios faz o barco e o avião os meios de locomoção mais utilizados para grandes distâncias. Comprei minha passagem, esperei por algumas horas e parti.

Cheguei a Boa Vista no inicio do dia. Nathy e sua família me esperavam, contatei-a pelo couhsurfing e ela desde o inicio foi muito pronta comigo. Que sorte de encontrá-la.

Nathy está quase se formando em Relações Internacionais, já morou na Espanha, Indonésia e é apaixonada pela Tailândia. Sempre alegre, ela é a simpatia em pessoa. Eu e ela temos o gosto literário muito parecido e isso nos fez aproximar rapidamente. Ela já é calejada de couchsurfing, já foi hospedada e já hospedou muitas vezes. Ela me contou boas histórias sobre os pedidos de hospedagem que chegam a ela no couchsurfing . Tem uma galera sem o mínimo de noção por ai, acham que a comunidade é uma rede hotel e que é apenas informar a data e chegar. O jeito dela contando sobre esses pedidos é muito engraçado.

No primeiro dia na cidade, Nathy me mostrou toda a parte turística e depois na companhia do seu primo Patrício seguimos para um igarapé no entorno de Boa Vista. Foi um role massa demais. O lugar é de um verde muito intenso. Levamos algumas cervejas e ficamos de bobeira pelo resto do dia, conversando, nadando e explorando um pouco daquela beleza.

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No outro dia fomos numa prainha de rio, toda bonita. A cidade não chega a ser quente como Cuiabá ou Manaus, mas é muito quente também. Os igarapés e as prainhas são as melhores opções de lazer e para se livrar do calor.

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Depois fomos ver o por do sol no parque. Com toda certeza, os fins de tarde no estado de Roraima são os mais bonitos. Deve ser pela proximidade da linha do Equador, tem-se a impressão que o sol é muito maior naquela região e todo fim da tarde é um espetáculo a parte. Terminamos o dia no melhor bar de todos, o litrão da Brahma custava R$3,50, em companhia de muitos amigos da Nathy.

Informação 11.2: Roraima é o estado menos populoso do país. E grande parte do seu território é reserva indígena.

Informação 11.3: Existem apenas 15 cidades no estado de Roraima.

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Boa Vista é toda organizada, achei o clima agradável, apesar de quente. Venta bastante. O entorno da cidade é rico em igarapés e o centro é todo conservado e limpo. O melhor de tudo é o sensacional por do sol. Com certeza, Boa Vista é a capital mais charmosa dos estados do norte.

Informação 11.4: Estando em Boa Vista você estará no máximo duas horas (de carro) de dois países, Guiana e Venezuela.

Curiosidade 11.1: Ao contrário do que se pensa, a cidade de Oiapoque no Amapá não é a cidade mais ao norte do Brasil. Essa cidade se chama Uiramutã e fica no estado de Roraima.

Depois de dois bons dias em Boa Vista eu seguiria para a Venezuela. O trajeto Boa Vista-Pacaraima (cidade brasileira que faz divisa com a Venezuela) deve ser o único (no Brasil) que ir de táxi é o mesmo preço que ir de ônibus. Isso porque os taxistas abastecem os carros em Santa Elena do Uairen, na Venezuela, a preço de quarenta centavos o litro da gasolina.

Nathy me deixou no ponto de táxi. Foram poucos dias na companhia dela, mas foi outra despedida difícil, mas já estava ficando calejado com despedidas. Ficou um sentimento de um até breve, e certamente iria sentir muitas saudades.

Peguei o táxi e segui rumo a Pacaraima, o valor do táxi é de R$35. Dentro do táxi tinha um casal que viajaria para as islas Margaritas e outro casal que iria para Colômbia. Todo o trajeto é muito bonito, vai saindo o verde e entra uma paisagem de savana, afinal estávamos ficando cada vez mais próximo da Gran Sabana. O casal que seguiria para Colômbia ficou na cidade de Pacaraima, enquanto eu e outro casal fomos para a aduana venezuelana.

Curiosidade 11.2: No trajeto Boa Vista-Pacaraima tem um trecho (próximo de Pacaraima) que é descida e ao parar o carro, ao invés de o carro descer (que seria o natural) ele sobe. Estranho demais.

“O verde tão intenso agora dá lugar há um misto de savana e deserto. Tudo muda muito rápido.” Notas de Diário

Chegando na fila (imensa por sinal), conversando com os dois percebi que eles só estavam com a carteira de motorista. Como se sabe, a carteira de motorista não é aceita como um documento para transitar nos países da América do sul. Os documentos aceitos são o RG ou passaporte. Fiquei com dó deles, suas férias iriam por água abaixo, por uma pequena falta de informação. Na fila ficamos sabendo que na aduana venezuelana tudo se resolve por vinte e cinco reais e eles resolveram tentar. Eu fiquei meio cético deles conseguirem ingressar na Venezuela com as carteiras de motorista. Aguardei eles saírem do trailer (aduana) e no final cinquenta reais foi o valor pago de propina para eles conseguirem tirar o permiso e assim, estavam livres para seguir viagem.

Dica 11.1: Ao cruzar a fronteira Brasil-Venezuela por Pacaraima - Santa Elena do Uiaren, opte em utilizar o RG nos tramites. Com o RG somente é necessário dar entrada na aduana venezuelana. Com o passaporte é necessário dar saída na aduana brasileira para depois dar entrada na aduana venezuelana. Levando em conta que você pode ficar quase um dia em cada aduana, passar com o RG irá facilitar sua vida na ida e na volta (pois o processo é o mesmo).

Informação 11.5: A aduana venezuelana é um caos, lá se vende lugar na fila (umas tiazinhas) e geralmente isso gera brigas. Eu mesmo presenciei várias brigas e dependendo do humor do pessoal tendo brigas eles fecham a aduana no dia, complicando ainda mais a entrada.

Informação 11.6: Tudo é negociável na aduana venezuelana, presenciei vários trambiques. Eu realmente acho deplorável o suborno, mas estou aqui para dar informações.

Informação 11.7: Os táxis na Venezuela são realmente baratos, da aduana até Santa Elena do Uarien tem 10 km distância. Os taxistas venezuelanos cobram dois reais pelo trajeto.

Informação 11.8: Tem muitos taxistas na aduana que vendem viagens para todos os lugares, vá para Santa Elena primeiro, e de lá você vai conseguir melhores preços, além de ter a opção do ônibus.

Pegamos um táxi e seguimos juntos para Santa Elena de Uairen, na Venezuela.

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Caramba Diego!!!! Relato incrível!!!!

 

Parabéns.... Estou curiosa para continuar lendo! Riquíssimo....

 

Bjs.

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Diego,

Nem sei exatamente o que dizer... A ideia, a viagem, os lugares, a forma escrita, as memórias... tudo excelente.

De alguma forma me cativou bastante, é das melhores coisas que já li por aqui. Espalhei para os amigos.

Por favor, não pare de postar, siga até o fim! Parabéns mesmo!

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Bjs.

 

Valeu Licka! :D

 

Logo nesse relato nossas viagens se encontram. Um beijo na alma.

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Diego,

Nem sei exatamente o que dizer... A ideia, a viagem, os lugares, a forma escrita, as memórias... tudo excelente.

De alguma forma me cativou bastante, é das melhores coisas que já li por aqui. Espalhei para os amigos.

Por favor, não pare de postar, siga até o fim! Parabéns mesmo!

 

Muito obrigado pelas palavras. Fico muito feliz de saber que você está lendo e gostando. Sobre a continuidade fica tranquila, não começaria se não fosse terminar.

 

@mcm muita paz pra ti!

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    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Salvador a Recife
      Distância Aproximada Entre Origem e Destino (Google Maps): 784 km
      Distância Aproximada Percorrida Incluindo Passeios: 1.100 km
      Período: 24/07/2019 a 01/09/2019 (39 dias)
      Gasto Total: R$ 2.293,33
      Gasto sem Transporte de Ida e Volta: R$ 1.779,43 - Média Diária: R$ 45,63
      Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Salvador pela Latam por R$ 212,95, sendo R$ 180,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque.
      Volta: Voo de Recife a São Paulo (Guarulhos) pela Latam por R$ 300,95, sendo R$ 268,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque.
      Paradas:
      1- Salvador (Santo Antônio, próximo do Pelourinho): 1 dia
      2- Salvador (Itapuã): 2 dias
      3- Arembepe: 1 dia
      4- Praia do Forte: 2 dias
      5- Imbassaí: 1 dia
      6- Subaúma: 1 dia
      7- Baixio: 1 dia
      8: Sítio do Conde: 1 dia
      9: Costa Azul: 1 dia
      10: Coqueiro - BA: 1 dia
      11: Estância - SE: 1 dia
      12: Aracaju: 3 dias
      13: Pirambu: 1 dia
      14: Ponta dos Mangues: 1 dia
      15: Saramém - SE: 1 dia
      16: Pontal do Peba - AL: 1 dia
      17: Coruripe: 1 dia
      18: Jequiá da Praia: 1 dia
      19: Barra de São Miguel: 1 dia
      20: Maceió: 3 dias
      21: Paripueira: 1 dia
      22: Barra do Camaragibe: 1 dia
      23: Porto de Pedra: 1 dia
      24: Maragogi - AL: 2 dias
      25: Tamandaré - PE: 1 dia
      26 Porto de Galinhas: 3 dias
      27: Cabo de Santo Agostinho: 2 dias
      28: Recife: 1 dia
      Considerações Gerais
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, rios a atravessar, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em boa parte da viagem houve bastante sol e pancadas de chuva breves, geralmente fraca ou só garoa. Dias com chuva prolongada foram poucos (acho que só uns 3). Não houve raios. A chuva, quando me pegava nas praias, apesar de não ser tão forte, tornava-se mais sensível devido ao vento forte. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), variando de 20 C a 30 C. A sensação térmica às vezes era mais baixa por causa da chuva ou mais alta por causa do asfalto ou da areia.
      As praias, o mar, as lagoas, a vegetação, as paisagens rurais, os mirantes, as construções históricas e típicas e as igrejas agradaram-me muito .
      Em alguns trechos de mar aberto, o mar estava muito bravo, com ondas fortes e enormes, com muita correnteza, algumas vezes com direções conflitantes. Derrubou-me várias vezes. Em Sergipe o mar tinha cor escura, barrenta. Dava aparência de poluição ou sujeira para um leigo como eu, mas provavelmente eram sedimentos vindos de rios (talvez o São Francisco e o Real principalmente) e da chuva. Nos outros locais, principalmente em Alagoas, o mar tinha uma cor verde linda .
      Peguei 4 cocos na praia e 1 banana no chão em um caminho.
      Encontrei muito lixo nas praias, principalmente plástico. Encontrei também algumas tartarugas e peixes mortos.
      A população de uma maneira geral foi cordial e gentil. Em Baixio a Pousada Espaço Litoral aparentemente não quis me hospedar devido à minha aparência (de mochileiro andarilho), mas foi um episódio isolado.
      Foi impressionante a generosidade dos donos de acomodações e comerciantes, sendo que vários ofereciam cafés da manhã que eu não havia contratado ou produtos adicionais nas minhas compras . Procurei ser o mais educado possível e recusei quase todos para não abusar da hospitalidade.
      Em áreas remotas de Sergipe houve alguns trechos em que foi difícil conseguir acomodação para pernoitar. Em muitas localidades pequenas o comércio e a recepção das pousadas fechava cedo, o primeiro entre 17h e 19h e a segunda perto de 20h.
      A caminhada no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram os rios a atravessar. Mas acabei conseguindo as travessias em quase todos.
      Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias nem nas estradas nem nas cidades. Precisei desviar de um trecho em Barreiras (Alagoas), em que havia um rio a atravessar para chegar no Pontal de Coruripe, devido ao domínio da área por traficantes (Boca de Fumo). Vários disseram-me para não passar ali e eu resolvi atendê-los e ir este trecho pela estrada.
      Muitos aceitaram cartão de crédito, mas vários com acréscimo. Um número maior aceitava cartão de débito, poucos com acréscimo.
      Meus gastos foram R$ 299,73 com alimentação, R$ 1.378,00 com hospedagem, R$ 101,70 com transporte durante a viagem, R$ 65,90 com taxas de embarque de ida e volta e R$ 448,00 com as passagens aéreas de ida e volta. Mas considere que eu sou bem econômico.
      A Viagem:
      Minha viagem foi de SP (Aeroporto de Congonhas) a Salvador na 4.a feira 24/07/2019 pela Latam (https://www.latam.com). O voo saía às 10h30 e estava previsto para chegar às 12h55. Paguei em 4 parcelas com cartão de crédito. Não pude escolher o lugar gratuitamente e não fiquei na janela. Durante o voo conversei com uma analista ambiental sobre a situação do meio ambiente em SP e no Brasil. Ganhei um cappuccino 3 Corações de chocolate de cortesia da Latam e da 3 Corações. Ao chegar, saquei dinheiro e peguei o ônibus do aeroporto até o metrô e depois o trem até a estação Campo de Pólvora, perto do Pelourinho, por R$ 3,70 pagos em dinheiro. Fiquei na Casa 37 Guesthouse (https://www.facebook.com/Casa37Guesthouse), que havia reservado pelo Booking (https://www.booking.com). No caminho da estação até lá, passei por parte do centro e fui apreciando a cidade. Paguei R$ 18,00 a diária, em dinheiro, sem direito a café da manhã. A proprietária Gisélia estava com o pé machucado, tinha desabilitado novas reservas e só esperava a mim naquele dia. Fiquei só numa cama num quarto compartilhado, com banheiro dentro. Depois de me acomodar aproveitei a tarde para ir visitar as obras da Irmã Dulce (https://www.irmadulce.org.br). Fui bem atendido e o recepcionista abriu uma exceção para eu conhecer o santuário, que estava em reforma, acompanhando-me. Gostei bastante dos vários itens, incluindo memorial, capela e santuário, tudo mostrando a vida simples e dedicada dela. Na volta passei pelo mirante em Santo Antônio com vista para a Baía de Todos os Santos. Visitei também algumas igrejas no centro, perto do hostel e no caminho para as obras de Irmã Dulce. No fim da tarde e começo da noite fui visitar o Terreiro de Jesus, que havia sido revitalizado, com sua bela fonte e passei pela escadaria em que foi filmada a primeira versão de “O Pagador de Promessas”. Não encontrei espetáculos no Pelourinho. Jantei sanduíches e banana que tinha trazido de casa. Conversei com moças de Fortaleza que estavam no hostel e haviam vindo de ônibus e estavam trabalhando em casas de confecção. Elas falavam do frio e chuva de Salvador, diferente de Fortaleza naquela época do ano.
      Para as atrações de Salvador veja http://salvador-turismo.com, http://www.salvadorbahiabrasil.com/atracoes-salvador.htm e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/salvador-7. Gosto bastante da cidade, mas já tinha estado nela antes. Meu objetivo nesta viagem não era conhecer muitos de seus atrativos, somente alguns que eu não conhecia e estavam perto dos meus pontos de parada.
      Na 5.a feira 25/07 tomei café da manhã com sanduíches que havia levado de casa, conversei com portuguesa hospedada no hostel e fui pegar o ferry boat para Bom Despacho por R$ 10,00 no cartão de crédito (ida e volta). Eu tinha levado parte das cinzas do meu pai para jogar na Baía de Todos os Santos e achei que a melhor opção era aquela. Peguei o barco das 8 horas. Falei com o Imediato Caetano e ele disse que eu poderia jogar sem problemas. Após o barco afastar-se razoavelmente do porto, joguei-as, de punhado em punhado. Pouco depois ele me encontrou na parte superior e perguntou se já tinha jogado. Disse-me que havia comunicado ao capitão e este perguntou se eu queria que ele parasse o barco um pouco para que eu jogasse (o barco tinha provavelmente mais de 100 passageiros). Dei um rápido passeio em Bom Despacho e voltei no barco das 10 horas. Cheguei de volta ao hostel pouco antes de meio dia e perguntei a Gisélia, que já estava melhor do pé, se poderia ficar um pouco a mais, para poder visitar o Centro de Convivência Irmã Dulce, que era ao lado. Ela disse que isso poderia abrir um precedente. Para guardar a mochila ela cobrava R$ 10,00, com direito a uso do banheiro e demais instalações até a noite. Preferi sair na hora então e fui visitar o Centro de Convivência carregando a mochila. Muito interessante o trabalho que eles faziam com atividades gratuitas para toda a comunidade. Depois de lá rumei a pé para Itapuã. Foram cerca de 18 km. Não tive nenhum problema de segurança e acertei o caminho, com nomes de ruas e indicações no papel e pedindo muitas informações. Muitos deram-me sugestões, às vezes querendo mudar o caminho base que eu tinha traçado, o que eu não fiz. No trecho final fui pela orla, admirando a praia e o mar a partir do calçadão. No caminho comprei pães normais por R$ 1,00 e um pão de queijo por R$ 1,00 pagos em dinheiro. Fiquei no Hostel Sal Bahia (https://www.facebook.com/hostelsalbahia), da proprietária Dil, que era paulista, por R$ 28,50 em dinheiro a diária, com direito a café da manhã. Lá estava uma família de Niterói, 1 rapaz de Sergipe sendo treinado em telefonia por outro de Recife (um deles se chamava Carlos) e uma dupla de profissionais de escolta armada, sendo que um era de Recife e torcia para o Náutico. À noite comprei pães por R$ 3,00 e vegetais (pepino, chuchu, batata, mandioca, tomate e laranja) por R$ 4,40 e fiz sanduíches para o jantar. Antes fui dar uma volta na orla e comi abará e tapioca com açúcar e canela por R$ 8,00. Todos os alimentos foram pagos em dinheiro.
      Na 6.a feira 26/07 tomei o café oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite e abacaxi). Depois fui à Lagoa do Abaeté. Havia muitos seguranças. Haviam dito que poderia ser perigoso o local, em termos de assaltos, mas achei tranquilo. Porém não entrei nas trilhas no meio do mato. Achei as vistas da lagoa e da vegetação no entorno muito bonitas. Fiz 3 travessias pequenas e achei a água deliciosa. Voltei, almocei sanduíches e fui caminhar na praia. Comecei indo conhecer os monumentos às Sereias de Itapuã e a Vinicius de Moraes. Pela manhã, quando havia passado rapidamente para ver as Sereias, um morador local veio cumprimentar-me e falar comigo, imagino que para conhecer um viajante de fora dali. Depois fui até o Farol de Itapuã e depois parti rumo ao Sul, indo até o Jardim dos Namorados, já perto de Pituba. Depois, quando retornando ao hostel ainda tive tempo de visitar o Parque de Pituaçu, com seus lindos lagos, área verde e vistas. Um homem que estava sentado num banco com roupa social, a quem eu havia pedido informações sobre o parque, pediu para falar comigo sobre Jesus. Ficamos conversando alguns minutos. Voltei pela praia, admirando as lindas vistas do mar e da orla, de dia e após escurecer. Jantei um mini acarajé por R$ 1,00, um acarajé por R$ 5,00 (ambos em dinheiro) e salada (batata, mandioca, chuchu, pepino, tomate e cenoura – esta última tinha trazido de SP), com laranja de sobremesa comprados no dia anterior. Durante o jantar conversei com Bruno, sobrinho da Dil, e pessoal da escolta armada. Levei um acarajé da Dry (dona do ponto) para a Dil numa vasilha plástica, conforme ela havia pedido.
      No sábado 27/07 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite, 2 pedaços de melão), despedi-me de todos (Dil levou-me ao portão) e parti rumo a Arembepe. Antes de entrar na areia da praia comprei 5 pães por R$ 1,00 em dinheiro. Entrei na praia na altura do Monumento às Sereias de Itapuã. O tempo estava bom pela manhã e a praia estava cheia. As paisagens pareceram-me lindas, embora as praias fossem bem urbanizadas, com muitos condomínios. Atravessei o Rio Joanes andando, orientado por salva-vidas e por praticantes e instrutores de kitesurf, que estavam dentro dele. Segui bancos de areia, mas no trecho final havia um canal que por um instante não deu pé, o que molhou levemente o fundo da mochila, mas a água não entrou. Havia várias pessoas praticando kitesurf na barra, conforme foto abaixo.

      Ocorreu uma rápida pancada de chuva no meio da tarde e eu me abriguei atrás de um coqueiro, posto que a chuva era lateral, devido ao vento. O mar estava bravo e o vento forte. Havia algumas bonitas paisagens com áreas de remanso criadas por barreiras de pedra um pouco distantes da praia nas quais o mar batia forte. Quando veio outra pancada de chuva, entrei embaixo de um quiosque e um segurança falou-me que eu não poderia abrigar-me naquela área privada, mas passou via rádio informação aos da frente para que me dessem abrigo. Pouco à frente fiquei debaixo de um coberto de madeira, atrás de uma tora. Quando a chuva amainou outro segurança veio conferir as informações, perguntar-me se eu ainda precisava de abrigo e me dar informações sobre como achar hostels ou hospedagem barata em Arembepe. Logo em seguida cheguei a Arembepe e fiquei no Hostel da Fá (https://www.facebook.com/hosteldafa), em cama de quarto compartilhado por R$ 25,00 em dinheiro, sem café da manhã, onde fui atendido originalmente por Benedita, mãe da Fá. O quarto estava vazio, então fiquei só. Uma pessoa havia dado uma referência negativa do hostel, mas eu fui muito bem atendido e fiquei satisfeito. Era simples, mas supriu tudo de que eu precisava. Comprei pães por R$ 3,00, chuchu e pepino por R$ 1,00 e abobrinha e laranja por R$ 1,22, tudo pago com cartão de crédito. Jantei sanduíches, com laranja e pão com goiabada de sobremesa. Houve várias pancadas de chuva depois que cheguei ao hostel, principalmente depois de escurecer. Fá ofereceu-me café e suco de jenipapo de cortesia, que eu educadamente recusei. Seu filho interessou-se pelo meu celular velho. Havia entrado um pequeno espinho ou objeto estranho no meu pé direito e eu o cavoquei para tirá-lo, deixando uma pequena parte do pé em carne viva , o que se mostrou desastroso alguns dias à frente. No meio da noite chegou um casal e ficou na área anexa ao quarto. Eu acordei com o barulho da chegada deles e fui tirar a mesa que havia colocado para escorar a porta do corredor que abria com o vento.
      No domingo 28/07 inicialmente dei um passeio pelo povoado, saquei dinheiro, comprei pães por R$ 3,00 com cartão de crédito e tomei café da manhã com sanduíches. Começou a chover com moderada intensidade e eu esperei passar para sair. Saí perto de 8h10, passei por uma área à beira-mar destruída pelas tempestades recentes e fui conhecer a Aldeia Hippie. Gostei bastante, principalmente do Centro de Artesanato, da lagoa e do rio. O morador Oz pediu-me uma força de R$ 5,00 em troca de um artesanato em clave de sol. Ao invés disso, ofereci a eles pães de milho, que não quiseram. Achei bela a vista do alto das dunas em que ficava parte da aldeia, estando de um lago a lagoa, o rio e a vegetação e de outro o mar. Havia uma pequena base do Projeto Tamar, cuja visita era paga. Não a visitei, pois pretendia ir para a Praia do Forte. Uma foto de uma praia em Arembepe está a seguir.

      Ao longo do caminho achei as praias belas. Tomei um banho de mar, que estava tão bravo e com correntes erráticas, que me levou para um buraco. Chegando à Barra do Jacuípe, um barqueiro atravessou-me por R$ 2,00 em dinheiro. Uma foto de lá segue abaixo.

      Caminhei de lá até a Barra do Pojuca, passando por praias que achei bonitas. Não consegui atravessar andando a Barra do Pojuca. Tentei sem a mochila, mas a forte correnteza me fez crer que com a mochila não conseguiria. Não havia mais barqueiros, pois era perto de 17h. Peguei a estrada então e fui até a cidade, mas não encontrei pousadas baratas. Resolvi pegar o ônibus para a Praia do Forte, onde sabia que tinha um hostel. Paguei R$ 3,00 em dinheiro pelo ônibus. No ônibus começou uma conversa exacerbada entre amigos sobre política, com um dizendo que o Brasil era socialista e por isso estava nesta situação e outro falando contra o presidente, o que confirmou a polarização existente atualmente. Fiquei no Praia do Forte Hostel (https://www.albergue.com.br), pagando R$ 70,00 em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a bufê de café da manhã. Comprei espaguete por R$ 2,40, legumes (chuchu, pepino) e laranja por R$ 1,91, tudo com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e os jantei. De sobremesa comi biscoitos de maisena cortesia do hostel. Fiquei sabendo que meu primo havia sofrido um ataque cardíaco e partido inesperadamente deste mundo por volta de 11h da manhã.
      Na 2.a feira 29/07 comecei o dia tomando o excelente café da manhã  oferecido em forma de bufê, com pães, ovo, banana assada, frutas, bolos, sucos (umbu, laranja), etc. Choveu bem cedo e depois a chuva retornou após as 13h30, parou perto de 15h e voltou no fim da tarde. Fui visitar o Projeto Tamar (https://www.tamar.org.br). Achei espetacular . Havia tartarugas de 4 espécies, tartarugas albinas, tubarões, arraias, vários tipos de peixes, tartarugas pequeninas recém-nascidas, esqueleto pré-histórico, carapaças, cinema referente ao projeto, exposições etc. Havia também momentos em que os tratadores iam alimentar os animais com a presença do público. Havia muita gente visitando, incluindo muitos estrangeiros e muitas crianças. O ingresso custava R$ 26,00, mas hóspedes do hostel tinham entrada gratuita a qualquer hora e dia em que estivesse aberto. Era permitido passar a mão nas arraias. Após conhecer boa parte e fazer a visita guiada pela manhã, fui à foz do Rio Pojuca, que não tinha conseguido atravessar. Pela praia era bem mais perto. Tomei um banho no mar bravo. Voltei para completar a visita ao Tamar e ver as alimentações da tarde, incluindo a dos tubarões. A vista do mar a partir dos fundos do Projeto Tamar também me pareceu muito boa. Havia também um farol para navegação e uma igreja antiga nas imediações. No hostel conheci franceses e brasilienses. Jantei espaguete com um pouquinho de arroz (peguei das comidas compartilhadas), pepino, chuchu, laranja e biscoitos de maisena.
      Na 3.a feira 30/07 depois do bufê no café da manhã, fui explorar outros pontos da região. Peguei a trilha do Parque Klaus Peters, com vegetação da restinga, com várias informações, de que muito gostei. Voltei pela avenida e fui visitar o Projeto Baleia Jubarte (http://baleiajubarte.org.br). A entrada custava R$ 10,00, mas também era gratuita para hóspedes do hostel. Gostei do projeto, embora não o tenha achado tão espetacular quanto o Tamar, pela falta de animais vivos. Mas havia muitas informações, exposições, cinema e um esqueleto de baleia. Depois de lá peguei a trilha para o castelo. Achei bonita a vista da lagoa urbana. Não entrei no castelo, que era pago (R$ 15,00, com 50% de desconto para hóspedes do hostel). Na volta, depois de fazer a saída do hostel, ainda passei no Projeto Tamar para rever alguns itens de que tinha gostado e tirei fotos das tartarugas albinas

      e de um dos tubarões lixa

      Após isso rumei para Imbassaí, que não era muito longe e onde havia outro hostel mais barato, até onde eu sabia. Comecei a caminhar perto de 15h e cheguei lá perto de 17h. Achei muito bonitas as praias do caminho. Tomei 2 banhos de mar. Elas pareciam ter pedras ou corais no fundo. O mar novamente era bravo e uma onda me pegou no raso e me fez dar um giro involuntário de 360 graus. Fiquei hospedado no Eco Hostel Lujimba (https://www.imbassaihostel.com.br/?lang=pt), por R$ 35,00 em dinheiro a cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. O dono era o argentino Roberto, mas já bastante aclimatado ao Brasil. Lá fiquei no quarto com um casal que morava na Escócia, em Edimburgo, um deles brasileiro e o outro escocês, que estava ali fazendo trabalho voluntário no hostel. Havia também um húngaro que falava fluentemente português. O hostel era numa estrada de terra e tinha um bosque dentro de suas dependências. Tinha um espaço num andar superior com símbolos de várias religiões, principalmente orientais, e ambiente para ioga, meditação e descanso. Comprei espaguete por R$ 1,85 e vegetais (abobrinha, mandioca, limão e laranja) por R$ 2,73, ambos com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e comi no jantar com os vegetais.
      Na 4.a feira 31/07 comi a laranja no café da manhã. Roberto contou 2 histórias. Disse que um rapaz estava caminhando por uma estrada, um carro passou por ele e percebeu que nos próximos 100 km não havia vestígios de civilização. O caminhante tinha barba e cabelo parecidos com os de Jesus. O homem do carro voltou os 100 km e deu carona para o caminhante até passar por aquele trecho deserto. Com isso ele andou 200 km a mais do que precisaria. A outra história foi de uma mulher negra de cerca de 60 anos que ele viu andando nua na estrada, equilibrando uma bandeja na cabeça. Ele falou que ela tinha a postura de uma rainha. Parecia um orixá. Depois do café fui conhecer o bosque interno e a área de meditação e ioga. Despedi-me deles e parti. Depois que saí comprei pães, comi 4 para complementar o café e guardei 5 para o decorrer do dia. Paguei R$ 3,00 com cartão de crédito por eles. O dia inteiro foi de sol e achei as praias muito bonitas. Passei pela Costa do Sauípe, com suas acomodações luxuosas. Sua praia estava cheia de pessoas. Quando cheguei ao canal para atravessar para Porto Sauípe, percebi que não dava para atravessar andando. Vi um homem do outro lado e gritei para ele, mas ele ou eu não conseguimos nos ouvir. Resolvi então atravessar a nado para poder conversar com ele. Ele era Jorge, dono de barraca da praia e de um barco. Perguntei se ele poderia me atravessar com o barco, mas ele me disse que o barco estava fundeado e que devido às chuvas, seria problemático liberá-lo e depois ancorá-lo novamente. Perguntei se tinha uma tábua ou algo parecido e ele me disse que cuidava das pranchas dos salva-vidas e que eu poderia usar uma. Achei a solução perfeita. Mas fazia muito tempo que eu não usava uma prancha e estava completamente sem experiência. De qualquer modo, peguei a prancha e atravessei em cima dela, com facilidade. Ele me alertou que ela estava de ponta cabeça, pois o leme estava aparente. Coloquei a mochila nas costas, virei a prancha e fui bem para a ponta perto do mar, onde ele recomendou, para aproveitar a corrente. Mas eu não parei para analisar direito a situação e segui o que ele falou sem pensar mais profundamente. A travessia ia indo bem, até que quase no fim eu vi o barco ancorado e vi que tinha que desviar dele e de suas cordas. Rapidamente tentei fazer isso antes de bater, mas as cordas pegaram no leme da prancha e ela quase virou. Eu, com minha falta de experiência com pranchas, estava muito à frente, o que dificultou ainda mais o equilíbrio. Depois de bater nas cordas e a prancha quase virar, consegui me reequilibrar e remei com as mãos para desviar das outras cordas e consegui chegar à margem. Jorge havia pulado na água, achando que eu não iria conseguir. Gritei para ele não fazer aquilo, mas acho que ele ficou preocupado. Depois de sair da água, agradeci, pedi desculpas pelo incômodo dele ter-se molhado e guardei a prancha onde a tinha pego. Quando a prancha quase virou, a mochila forçou minhas costelas e elas ficaram doloridas. Essa dor arrastou-se por vários dias. Segui pelas praias, que continuei achando muito bonitas. Peguei 3 cocos que estavam no chão, 2 com muita água e massa e o 3.o eu levei na mochila, após desbastar a parte externa. Passei por uma praia de nudismo, mas como estava deserta, pude ficar vestido. No entardecer tirei esta foto, já perto da chegada à cidade de Subaúma.

      Ao chegar, encontrei J Jr na praia e ele me recomendou ir à Pousada da Didi (http://pousadadadidi.com), que achava ser a mais barata da cidade. Fui até lá e apesar do preço regular ser R$ 60,00, ela me cobrou R$ 30,00 em dinheiro por quarto privativo, com banheiro interno e com café da manhã. Ainda me ofereceu o jantar, mas eu achei que era demais e somente comi um pouco do cozido que ela havia feito para não a deixar chateada. Douglas e Valdo foram os funcionários (afilhados) que me atenderam. Valdo abriu o coco para mim. Fui comprar banana e chuchu por R$ 0,85 em dinheiro para juntar com o resto do espaguete que eu tinha. Cozinhei o espaguete no fogão dela, misturei com o chuchu, banana e coco, e peguei um pouquinho do cozido de legumes que ela tinha feito. Ao ir fazer compras conheci um artista de Salvador que morava lá e pretendia pintar a partir de uma foto aérea da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim de Salvador. Douglas assistiu comigo o jogo do Flamengo com o Emelec pela Libertadores à noite. Ele era flamenguista e ficou feliz com a vitória nos pênaltis, apesar de ter sofrido um pouco, embora parecesse bastante confiante.
      Na 5.a feira 01/08 senti a dor nas costelas bem maior ao acordar. Tomei o café da manhã ofertado por Didi (5 pães com margarina e queijo tostados, cuscuz, café e leite em pó). Ela me contou que o médico disse que ela tinha 2 anos de vida, estava com cirrose hepática e anemia e não podia fazer transplante por ter 80 anos. Ela era diabética e tomava insulina. A situação me comoveu, mas faz parte da vida. Talvez a visita de um “nem tão jovem” estranho tenha alegrado um pouco aqueles momentos e a feito lembrar de seus filhos. Até por isso talvez ela tenha querido ser tão gentil e generosa. Saí perto de 8h30. Antes de começar a caminhada visitei a Igreja do Bonfim, simples, antiga e bonita. Encontrei o rio próximo na maré vazante, mas ainda bem cheio. Fiz um teste de travessia sem a mochila e consegui passar com água quase no pescoço. Fui então com a mochila na cabeça, tateando o chão com os pés e consegui passar sem molhar a mochila. Achei as praias do percurso muito extensas e bonitas. A foto de uma delas está a seguir.

      Começou a aparecer uma bolha no local do pé que eu havia cavocado e que tinha ficado com a carne exposta. Cheguei perto de 13h, pois a próxima parada era distante e achei que não valia a pena continuar. A Pousada Litoral, da proprietária Nete, aparentemente não quis me hospedar, provavelmente pela minha aparência de andarilho. Sua conhecida da Associação de Artesãos havia ligado para ela e ela disse que havia vaga a R$ 50,00 a diária. Mas quando cheguei lá, notei a cara de espanto da funcionária ao me ver, que disse que ela não estava, depois disse que não estava conseguindo falar com ela e por fim, o homem que estava na área da entrada subiu até onde ela estava e voltou dizendo que não estavam hospedando ninguém porque estavam em reforma. Propus-me a mostrar meus documentos, mas eles repetiram que estavam em reforma e eu me fui. Fiquei na Pousada Destaque (https://www.facebook.com/pousadadestaquebaixio) de Paulo, pagando R$ 60,00 com cartão de débito em quarto privado, sem direito a café da manhã. Depois de me acomodar saí para dar um passeio nas imediações, conheci a Associação dos Artesãos e fui andar na praia. Entrei levemente no mar, que estava muito bravo e depois nadei numa lagoa próxima. Vi o pôr do sol a partir da barra do rio que ficava após a cidade. Comprei chuchu e pepino por R$ 1,41 com cartão de crédito. Paulo deixou-me usar a cozinha e eu cozinhei espaguete e jantei com os legumes comprados. Conversei com ele sobre seu antigo trabalho de motorista de carreta, suas atividades atuais como mecânico e outras. Ele tinha 70 anos e estava aposentado há 22, mas achei que aparentava bem menos, com sua enorme vitalidade.
      Na 6.a feira 02/08 Paulo ofereceu-me café da manhã sem estar na diária. Perguntei-lhe se não iria dar prejuízo, mas ele fez questão. Comi ovo frito e cuscuz. Ele me ofereceu também pães e leite, mas eu procurei não abusar e fiquei só nos dois primeiros. Conversamos sobre minha viagem e ele falou das dificuldades com os rios e as travessias que eu iria encontrar à frente. Comprei pães por R$ 2,80 em dinheiro para complementar o café e usar ao longo do dia. Comecei a caminhada e logo de saída era necessário atravessar a barra do rio. Um morador local e pescadores orientaram-me sobre por onde ir. Fiz o teste sem a mochila, mas achei que não conseguiria, pois a água parecia que iria me encobrir, além da correnteza que poderia me desequilibrar. Voltei para margem no momento em que por coincidência chegavam pescadores que iriam atravessar o rio. Eles me deram carona em seu barco e me deixaram do outro lado, onde ficariam. Conversei com o filho de um deles de 13 anos, que parecia meio desmotivado com a escola, mas gostava de pescar. O pai desejava que ele estudasse. As praias do caminho eram longas e desertas e me pareceram belas. Quando cheguei na Barra do Itariri gritei para pessoas do outro lado para perguntar como atravessaria. Elas foram chamar o dono de um estabelecimento que me orientou onde eram os melhores pontos. Fiz teste sem a mochila por onde ele indicou, peguei bancos de areia e consegui, mas machuquei levemente minha perna numa pedra. Depois, com a mochila, consegui pegar um caminho um pouco melhor, sem pedras, e a travessia foi mais fácil. Parecia haver areia movediça no fundo em alguns trechos. Ao longo do dia tomei 2 banhos de mar, que continuava bravo. No segundo banho, com a maré subindo, o mar derrubou-me novamente, com a força das ondas e as correntezas sem direção definida. Peguei um coco na praia, que tinha água e um pouco de massa. Cheguei a Sítio do Conde perto de 16h. Fiquei na Pousada Santa Maria (https://www.cylex.com.br/conde/pousada-santa-maria-11111375.html) por R$ 30,00 em dinheiro, da proprietária Dulce e sua filha Márcia. O filho de Dulce tinha algum problema de deficiência mental e me perguntou repetidamente se eu era da Polícia Federal ou da Receita Federal ou da CIA. Tentei ainda sacar dinheiro num correspondente bancário do Bradesco indicado por Márcia, mas já havia fechado. Dei um passeio pela pracinha para conhecê-la. Jantei acarajé na mão por R$ 4,00 com cartão de crédito e 3 pães doces por R$ 1,00 em dinheiro. Quando fui entrar a porta estava trancada com um trinco por dentro e minha chave de nada adiantava. A atendente do restaurante foi chamar Dulce batendo em sua janela. Ela veio abrir a porta para mim e disse que pensou que eu já estava no quarto e por isso fechou o trinco.
      No sábado 03/08 logo cedo comprei pães para servir de café da manhã e peguei um táxi lotação para Conde para sacar dinheiro. Encontrei Márcia e possivelmente a atendente do restaurante anexo à pousada onde eu havia comido os pães na noite anterior, que estavam no ponto de ida também. Aproveitei que lá estava e fui à feira, comprei cerca de 2 kg de tomates por R$ 2,00 em dinheiro. Passeei pela praça e vi a igreja por fora. Peguei táxi lotação de volta, pagando R$ 8,00 em dinheiro por ida e volta. Comprei mais pães para levar para a viagem, somando R$ 5,00 em dinheiro com os comprados logo pela manhã. Deixei chave e papel higiênico com atendente do restaurante, pois Dulce não estava. Saí perto de 9h, mas parei logo a seguir para esperar uma pancada de chuva parar, abrigado numa barraca de praia que estava sem atendimento. Achei as praias bonitas e longas. Tomei vários banhos de mar e 1 banho de rio. Quando cheguei à Barra do Siribinha, um turista carioca, que havia contratado um barqueiro, estava saindo para uma sessão de fotos e depois ir pegar seu carro. Ele concordou em me atravessar e não quis que eu pagasse. O banho de rio foi depois da travessia e a água estava deliciosa e calma para nadar, mas o fundo parecia movediço. Cheguei na Costa Azul perto de 15h30. Era um local isolado, com casas de veranistas, em que as pessoas locais pareciam não estar acostumadas nem confortáveis com pessoas de fora. Geraldo, dono da única pousada aberta, tinha saído para o Conde e eu precisava falar com ele para negociar o preço, que era de R$ 120,00 a diária com café da manhã. Um cachorro seguiu-me até lá. Falei com Reginaldo da barraca, que se dispôs a me ajudar, mas achou problemático eu dormir no banheiro da barraca, pois os clientes poderiam se assustar. Conheci Gílson na praia, que me deu informações sobre a área e outras possíveis pousadas. Ele cuidou da minha mochila enquanto eu nadava e depois me falou que ficou surpreso em como fui longe naquele mar bravo, que novamente me derrubou na saída . Procurei pelas pousadas de que ele falou, mas nenhuma estava funcionando além da que eu já conhecia. Quando saí da Pousada Costa Azul e Geraldo ainda não havia chegado, Gílson convidou-me para ficar em um quarto de hóspedes na sua casa, sem pagar. Não queria abusar da hospitalidade e lhe disse que iria esperar Geraldo mais um pouco. Como ele não chegou e já estava começando a escurecer, resolvi aceitar o convite de Gílson. Informei Reginaldo e o hóspede soteropolitano da Pousada Costa Azul que tinha tentado me ajudar. Fiquei bem hospedado, num quarto nos fundos no 1.o andar com cama, colchão e banheiro anexo no térreo 🙏. Ele ainda me deu água potável. Ofereceu-me suco de goiaba, que experimentei e me emprestou um prato e uma faca para eu jantar sanduíches. Eu comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e juntei com os tomates. Assistimos televisão juntos e conversamos sobre a vida. Ele estava cuidando de alguns problemas de saúde. Sua mulher e parte da sua família moravam em Rio Real. Mostrou-me várias camisas de eventos de que tinha participado. Falou-me de uma baleia jubarte que havia encalhado e de como procederam. O céu noturno estrelado, com a pouca luminosidade do local, pareceu-me lindo.
      No domingo 04/08 apreciei a paisagem pouco após o nascer do sol, que me pareceu muito bonita vista do 1.o andar. Tomei café da manhã junto com Gílson com sanduíches de pães e tomates. Continuamos conversando sobre vários assuntos. Ao despedir-me ofereci pagar o que estava pagando nas pousadas mais baratas anteriores, mas Gílson não aceitou. Agradeci e parti. Não havia pães para vender, então não pude levá-los para comer ao longo do dia. As praias eram bem longas e retas, e as achei bonitas. Tomei 2 banhos de mar e achei o mar mais calmo em alguns trechos com maré baixa. Uma caminhonete passou correndo do meu lado e me assustou, pois eu só percebi quando ela estava quase a meu lado. Parei no Povoado do Coqueiro, pois sabia que Mangue Seco, logo à frente, provavelmente não teria opções baratas de hospedagem. Pareceu-me que as pessoas dali estavam bem mais acostumadas a viajantes e estranhos. O andarilho Fernando, meu xará, perguntou-me se eu era homem ou mulher. Respondi que era homem, mas tinha virado monge, porém não tinha qualquer tipo de discriminação contra homossexuais. Ele disse que também fazia caminhadas como andarilho e me ofereceu uma blusa de frio, que agradeci mas recusei, pois já tinha uma. Aurora, dona de restaurante e pousada, disse que estava com acomodações ocupadas, mas me ofereceu rede, galpão e banheiro para passar a noite. Ela recordou que seu filho havia ido ao Rio de Janeiro e tinha sido ajudado quando precisou. Eu agradeci, mas fui tentar achar uma pousada. E encontrei. Fiquei na Pousada do Mássimo, o gringo, um italiano de Milão que estava no Brasil há mais de 30 anos. Após ouvir a história da minha caminhada, ele me perguntou quanto eu estava disposto a pagar e eu não respondi, só mencionei quanto tinha pago nas paradas anteriores. Então ele me propôs R$ 30,00 em dinheiro a diária sem café da manhã e eu aceitei. Paguei em dinheiro. Ele me atendeu muito bem. Fui passear na praia e tomei mais um banho de mar. Achei belo o ambiente rural com gado, galinhas, árvores, vegetação, cabras, o caminho etc existente no povoado. Depois fui ao Rio Real, que era divisa entre Bahia e Sergipe. Achei muito bonito o mangue exposto (seco) com maré baixa visto a partir do trapiche sobre o mangue que ia até o rio. A vista a partir do calçadão e do local de embarque também agradou-me, principalmente do rio. Vi o pôr do sol a partir do rio. Começou a chover e eu me abriguei embaixo de uma árvore. Comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei sanduíches de tomate e pães doces, sendo que achei o pão de coco delicioso . Apareceram mais bolhas no pé direito. Ainda assisti o fim do jogo do campeonato brasileiro. Mássimo foi dormir cedo porque no dia seguinte iria pegar o barco às 4h ou 5h para ir à cidade buscar seu tablet. Dormi mal por causa dos pernilongos, sendo que esqueci de pedir um ventilador para espantá-los.
      Na segunda-feira 05/08 tomei café da manhã com 8 pães que comprei por R$ 2,00 em dinheiro. Como Mássimo havia saído cedo, deixei tudo como ele tinha pedido e fui embora. Houve chuva rápida na trilha para a praia e eu me escondi embaixo de um coqueiro. O percurso até Mangue Seco era curto. Achei a praia bonita, principalmente as dunas. Passei por pequenas áreas com água rasa e no final atravessei um canal com água pela cintura. Peguei um pouco de chuva quando dava volta no mangue e me abriguei nos arbustos. Achei bonitas as vistas de Sergipe e da foz do Rio Real a partir da curva de Mangue Seco e de cima das dunas. Também gostei da vista dos canais internos do rio e das praias a partir do alto das dunas. Uma foto destas áreas pode ser vista a seguir.

      Depois de chegar no povoado, apreciar a vista das dunas e a partir delas, tentei conseguir transporte para a Praia do Saco, do outro lado do rio em Sergipe, com frete de retorno de algum barco. Um grupo concordou, mas acabei indo com outro que voltaria antes, com o barqueiro Merreco e 2 paulistanas. Paguei R$ 20,00 em dinheiro pela travessia. Quando falava com o barqueiro do primeiro grupo, vimos botos 🐬 nadando perto da praia. O cruzamento foi com a maré subindo e o mar um pouco agitado, com a lancha batendo nas ondas. Foi desconfortável para mim, que estava no primeiro banco, bati várias vezes a costela e a dor, que estava quase desaparecendo, voltou . Depois de chegar na Praia do Saco, tentei achar uma hospedagem barata, mas não consegui. Peguei então a estrada pelo meio da vegetação de restinga, pois havia um trecho sem praia. Achei muito bela a vegetação e espetaculares as dunas. Num dado momento, saí da estrada e subi em algumas dunas altas para ter uma vista global. Gostei bastante da vista da costa e do rio. Mais para frente consegui voltar para a praia e segui em frente. Tomei um banho de mar, que parecia muito calmo, porém com uma coloração escura, que pensei que poderia ser poluição, mas que provavelmente era devido aos sedimentos, aumentados por causa das chuvas. Ocorreu nova chuva e fiquei abrigado atrás de um coqueiro. Cheguei até a Praia do Abaís, mas não consegui hospedagem barata lá. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e comi como lanche. Resolvi então pegar o último ônibus (18h) até Estância por R$ 7,00 em dinheiro e me hospedar lá. O motorista tinha morado em SP e trabalhado como carreteiro em vários estados e países além de ter sido motorista da Viação Cometa em SP, Rio e Curitiba. Deu-me orientações de em que pousada ficar e como chegar lá. Fiquei na Pousada XPTO (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g2344226-d8171017-Reviews-Restaurante_E_Hotel_Xpto-Estancia_State_of_Sergipe.html) por R$ 40,00 com cartão de crédito. Eles também trabalhavam com mecânica de bugues e pude ver algumas carcaças. Comprei pães e vegetais (limão, pepino, banana) por R$ 3,68 com cartão de crédito, juntei com tomates que ainda tinha e jantei sanduíches. As bolhas no pé direito tinham aumentado.
      Na 3.a feira 06/08 após pagar a diária fui comprar o café da manhã na Padaria Esquina do Pão com pães e queijadas por R$ 4,50 em dinheiro. Adorei a queijada, que era de coco e me lembrou as queijadinhas que comia na infância na Praia Grande em SP. Acrescido de pepino e banana comi os pães como sanduíches na mini rodoviária. Peguei o ônibus para a Praia do Abaís por R$ 7,00 em dinheiro, para continuar do ponto de onde havia parado. Comecei a caminhar cerca de 10h20. Achei as praias extensas e bonitas, em grande parte desertas. A água era escura, cor de terra, e me deixou confuso, pois quando a água é escura em SP eu sempre desconfio de poluição. Mas me explicaram que não era o caso e que eram sedimentos, acentuados pelas chuvas. O mar parecia mais calmo do que no norte na Bahia, mas eu não tomei banho de mar. Alguns bodes começaram a me seguir, mas eu procurei me esquivar, pois se eles se perdessem ou fossem para áreas urbanas achei que poderiam ser mortos ou sofrer algum problema. Cheguei à Praia de Caueira perto de 13h30. Aí era necessário pegar a estrada e passar pela ponte, pois havia o Rio Vaza-Barris, que era enorme e não havia como atravessar pela praia. Achei bonitas as paisagens rurais e a vegetação. Segue uma foto do caminho.

      Houve chuva em algumas ocasiões e eu me abriguei sob arbustos em duas delas. Encontrei homem com uma bicicleta e vários itens de uma casa, parado no acostamento e abrigado da chuva sob uma lona. Logo à frente, após a chuva parar, ele me passou. Vi araras e 2 arco-íris 🌈 no caminho. A bolha do pé em que havia entrado o estrepe, que eu havia desbastado, incomodou-me bastante , tanto que reduzi minha velocidade, principalmente após pegar a estrada. Achei espetacular a vista a partir da ponte, que cruzei já perto de 17 horas. Decidi então tomar um ônibus para a Praia do Atalaia. Um homem e um policial indicaram-me onde deveria pegá-lo. Para minha sorte vinha vindo um ônibus e mais alguns aparentes trabalhadores rurais ou de construção iriam pegar. Eles deram sinal mesmo fora do ponto e o motorista parou. Paguei R$ 4,00 em dinheiro pela passagem. A cobradora ajudou-me a saber onde descer. Após pesquisar alguns hostels, que me deram informações sobre localização de concorrentes, fiquei no Aracaju Hostel (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g303638-d15584411-Reviews-Aracaju_Hostel-Aracaju_State_of_Sergipe.html), por R$ 35,00 a diária paga com cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei legumes e frutas por R$ 4,62 e pães por R$ 4,22 com cartão de crédito e jantei sanduíches. Houve bastante chuva à noite quando eu já estava abrigado. Decidi estourar as bolhas do pé à noite, o que acho que deveria ter feito antes.
      Para as atrações de Aracaju veja http://visitearacaju.com.br/leitura/20, http://www.conhecasergipe.com.br/aracaju_pontos_turisticos.asp e https://www.feriasbrasil.com.br/se/aracaju/oqueverefazer.cfm. Os pontos de que mais gostei foram as construções e monumentos históricos e folclóricos, o estádio, os faróis, os parques, as praias, os rios e as histórias do Zé do Peixe e de Marcelo Deda.
      Na 4.a feira 07/08 tomei café da manhã com sanduíches. Choveu bastante de manhã. Fui conhecer a cidade. Peguei mapa gratuito em agência de turismo. Comecei caminhando pela orla e conhecendo suas atrações. Encontrei uma capivara numa pequena vegetação perto da praia. Visitei monumentos, áreas naturais, igrejas, museus, casas de cultura e arte, centros de artesanato, mercados regionais, Estádio Batistão, memoriais, mirante, faróis, Passarela do Caranguejo, Museu da Gente Sergipana (estava fechado e só vi os painéis de fora), Largo da Gente Sergipana e Espaço Zé do Peixe (já estava fechado, mas a atendente deixou-me visitar ao ver meu interesse). Gostei muito de conhecer a história de Zé do Peixe (https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Peixe) 💙, que me pareceu um exemplo típico de brasileiro simples e generoso, que tinha habilidades destacadas e especiais. Participei de visita monitorada no Palácio Museu Olímpio Campos, antigo palácio do governo. Seguem fotos do Largo da Gente Sergipana.



      Almocei acarajé por R$ 5,00 em dinheiro. Passei pelo Projeto TAMAR mas não fiz a visita, pois era semelhante ao da Praia do Forte e eu já estava satisfeito com ele. Choveu levemente no fim da tarde. Voltei a pé pela avenida lateral ao mangue. Comprei leite e laranja por R$ 3,83 num supermercado no caminho de volta e pão, queijo coalho e tomate no mercado próximo do hostel por R$ 10,00, ambos com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo coalho, tomate e mamão, com laranja de sobremesa. Chegou ao hostel um grupo de pessoas de uma empresa terceirizada da Petrobras para monitoramento ambiental de encalhe de animais nas praias do norte da Bahia ao sul de Alagoas. Eles me deram bastante informações sobre as próximas etapas, a maior parte delas bastante precisas e úteis, que me ajudaram bastante. Carlinhos, que havia sido da equipe de operações especiais das Forças Armadas e era responsável pela área do sul de Alagoas, disse-me que em Alagoas minha caminhada iria ficar mais difícil e perigosa.
      Na 5.a feira 08/08 tomei café da manhã com sanduíches de pão, queijo coalho, tomate, mamão e laranja. Conversei com mulher de 70 anos que saiu do Rio por causa da violência, mudou para Cabo Frio e agora, pela mesma razão, estava mudando para Aracaju. Ela caçoou de mim que estava preocupada, pois todas as vezes que me via eu estava comendo (o café da manhã ou jantar). Fui inicialmente visitar o Farol Cotinguiba e os Parques do Cajueiro e Sementeira. O farol era grande, mas estava pichado. Porém mesmo assim achei-o interessante. O Parque do Cajueiro era pequeno, mas gostei de sua área verde e da vista do rio que o margeava. Um guarda da polícia ambiental veio falar comigo sobre eu estar com calção de banho no parque, que algum pai com criança poderia reclamar e que não era adequado naquele ambiente. Disse-me também para tomar cuidado à noite naquele local. Eu estava de calção de banho porque pretendia ir à praia depois. Gostei do Parque da Sementeira, com sua ampla área, trilhas, lago e seus vários ambientes. Achei interessante o plantio das várias sementes para o futuro por várias pessoas de vários perfis diferentes. Gostei também das homenagens a Marcelo Deda ☝️, cuja história não conhecia bem. Quando saí de lá, dei sinal para 3 ônibus e nenhum parou para mim (tentei mudar a aparência com a camisa dentro e fora do calção, encobrindo-o). Até perguntei para a recepcionista de uma empresa próxima se era por causa da minha aparência com calção de banho, mas ela respondeu que não, que deveria ser alguma coincidência. Decidi ir andando então até o terminal para pegar um ônibus até a praia mais distante, perto do rio, onde 2 dias antes eu havia pego o ônibus para chegar na Praia do Atalaia. No caminho, num ponto mais movimentado havia uma moça esperando o mesmo ônibus que eu pretendia pegar para chegar ao terminal. Aí decidi esperar com ela e o ônibus parou para o sinal dela. Ela ofereceu-se para pagar a minha passagem e antes que eu agradecesse e recusasse, passou o cartão para mim. Fiz baldeação no terminal e pedi para o motorista me deixar no ponto mais distante da praia pelo qual ele iria passar. Deixou-me na Praia do Mosqueiro. De lá fui até a Foz do Rio Vaza-Barris e vi a ponte que eu havia atravessado, numa bela imagem. Havia um farol perto da foz e foi possível ver caranguejos e peixes. Tomei um banho na junção do rio com o mar, num local bem manso, e comecei a caminhar de volta pela praia. Demorei cerca de 3h30 da foz até a Praia do Atalaia. A praia era bem comprida e a água continuava escura, mas mesmo assim tomei banho de mar. Cheguei perto do pôr do sol e um manauara que lá morava, indicou-me o ponto de saída para chegar na rua que levava ao hostel. Comi acarajé num ponto que o vendia lá perto por R$ 5,00 em dinheiro e depois comprei pão, queijo coalho e banana por R$ 8,44 com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo, tomate, banana e mamão. Havia chegado um pernambucano chamado João, que iria embora de madrugada. Boa parte do pessoal do monitoramento ambiental já havia ido embora, só tendo ficado Carlinhos e outro rapaz da Bahia, que eram dos pontos mais distantes. Com isso alguns detalhes dos trechos futuros eu acabei perdendo. Não houve chuva neste dia.
      Na 6.a feira 09/08 tomei café com sanduíches, leite, mamão e bananas. Levei 3 sanduíches e 1 banana para almoçar no caminho. Saí pouco antes das 8h. Fui beirando a costa. Passei em trechos com barro, que sujou os pés, grudou no chinelo e dificultou a caminhada. Mas logo consegui limpá-lo em poças de água de chuva. Vi trechos da cidade que não havia visto antes, como parte da orla após a área turística. Vi chuva forte à minha frente e moderada atrás, mas não houve chuva em cima de mim ao longo do dia. Levei um susto  quando repentinamente um homem saiu de dentro do mangue no momento em que eu iria tirar uma foto da ponte sobre o Rio Sergipe, mas aparentemente foi indevido, pois não houve nenhuma abordagem. Passei pela mini orla do Bairro Industrial e peguei a ponte. Uma foto da ponte segue.

      Achei muito boa a vista a partir da ponte. Uma parte dela, referente à parte da cidade de Aracaju está a seguir.

      Após cruzar a ponte e caminhar pela estrada, cheguei na Praia da Costa em Barra dos Coqueiros cerca de 12h30. Havia uma estátua de um caranguejo próximo à entrada da praia, parecida com a da Passarela do Caranguejo em Aracaju. Achei a praia longa e bonita. A água do mar continuava escura, parecendo barrenta. Tomei um banho de mar. Havia várias plataformas de petróleo ao longo do caminho. Vi também uma revoada de garças. Passei pelo Porto de Sergipe e por geradores de energia eólica. Pretendia ir até Pirambu, mas como atrasei muito em Aracaju, no barro e observando pontos que não havia visto, decidi parar em Jatobá, pois já estava indo para o fim da tarde. Enquanto procurava local para ficar, o zíper principal da mochila quebrou. Fiquei na Pousada das Mangabeiras (http://www.findglocal.com/BR/Barra-dos-Coqueiros/768962416519459/Recanto-das-Mangabeiras) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro sem café da manhã. Choveu um pouco à noite. Comprei pães por R$ 3,00 com cartão de débito e bananas por R$ 2,50 em dinheiro e fiz sanduíches com eles para o jantar.
      No sábado 10/08 houve chuva pela manhã. A dona da pousada ofereceu-me uma xícara de café com leite e um pão com margarina como cortesia, que aceitei. Saí então para comprar pães e vegetais para reforço do café da manhã e para o almoço. Paguei R$ 2,00 pelos pães com cartão de débito e R$ 1,70 por tomates e limões em dinheiro. Ao invés de fazer todo o caminho de volta pela rodovia para a praia, peguei uma estrada de terra que passava por dentro de um sítio. O dono, que estava trabalhando na beira da rodovia com uma foice, permitiu-me, dizendo que era local de passagem usado pelos moradores locais. Achei a estrada bonita, com lagos, vegetação e pássaros. No caminho encontrei um pai com seus 2 filhos a cavalo 🐎. Após chegar na praia rumei para Pirambu. Foi interessante ver vacas 🐄 pastando com o porto à frente e os geradores eólicos ao fundo. Pareceu-me um retrato da enorme diversidade do Brasil, nos mais variados sentidos. Achei a praia bonita, longa e reta. O mar pareceu-me bravo, mas não tanto quanto no norte da Bahia. Também já não era tão escuro. Comecei a caminhar perto de 9h30, cheguei na ponte do porto, por onde havia passado no dia anterior perto de 10h30 e em Pirambu perto de 13h30. Achei bonita a foz do rio que margeava a cidade e bonita a vista da cidade a partir da ponte. Antes de pegar a ponte passei na Comunidade Quilombola Porto da Barra. Depois de chegar na cidade de Pirambu visitei a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que também achei bela, incluindo uma estátua na praça. A cidade era típica do interior, com bode na rua. Agora, do outro lado do rio, a vista da foz pareceu-me muito bonita, com lagos, conforme fotos a seguir.


      Fiquei na Pousada Praia Bela (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Praia-Bela/183709241981804) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro. Comprei pães por R$ 4,00 com cartão de débito, e tomate e pepino por R$ 4,00 em dinheiro. Na padaria a máquina de cartões disse que a senha do meu cartão de crédito estava bloqueada, o que me deu um susto, mas se revelou falso na compra seguinte. Comprei também limões por R$ 1,02 pagos com cartão de crédito. Depois fui dar um passeio na praia e na foz do rio. Como o tempo estava com ameaça de chuva, que mais tarde veio, apareceram 2 arco-íris 🌈 muito bonitos sobre o mar. Achei o pôr do sol muito bonito com todo este cenário ao redor. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. Dois jogos de futebol de praia pararam para eu passar andando. Quando percebi, fiquei um pouco constrangido, fui em direção ao mar e disse que podiam continuar. A sede do projeto TAMAR para visitantes estava fechada, pois havia sido transferida para Aracaju. Consertei a mochila com corda de pesca pega na praia e linha que o dono da pousada me deu. Jantei sanduíches com o que havia comprado.
      No domingo 11/08 tomei café da manhã com sanduíches e preparei sanduíches para o almoço. Houve muita chuva de manhã. Saí por volta de 8h30 da manhã. Passei pela sede do Projeto TAMAR e confirmei que estava fechada. Vi uma possível plataforma de petróleo no mar. Pouco depois de iniciar a caminhada começou uma chuva de moderada intensidade 🌧️. Usei a capa de chuva pela 1.a vez na viagem para proteger a mochila e a mim. Depois de algum tempo a chuva passou e eu e a mochila estávamos razoavelmente secos. A maior parte do caminho foi pela praia da Reserva Biológica Santa Isabel. Achei muito bonita a paisagem da praia e da vegetação. Passei pela Lagoa Redonda, que achei muito bela. Seguem fotos dela.



      Encontrei uma família logo depois olhando uma possível água-viva ou similar, diferente das a que eu estava acostumado. O filho estava perguntando se dava choque. O pai logo a seguir pegou um siri 🦀 do chão para lhe mostrar e depois jogou no mar. Depois da Lagoa Redonda não encontrei quase mais ninguém. Ao longo do caminho foi possível ver aves, peixes, siris, várias lagoas e uma ampla área preservada com dunas e vegetação. Tomei 3 banhos de mar. O mar era bravo, verde em vários tons. Quando cheguei ao fim da praia, havia uma área elevada que permitia a vista da praia e da barra do rio, de que gostei muito. Uma foto do local segue.

      Havia árvores com garças lá. Não achei local para pernoitar na Boca da Barra. Fui perguntando e ninguém alugava quarto nem conhecia pousadas próximas abertas. Fui andando até Ponta dos Mangues e me indicaram o Tinha, que alugava quartos. Ele não estava e fui tentar outras opções enquanto esperava que ele voltasse. Não consegui nenhuma, voltei até a casa dele onde ele já havia chegado e lá fiquei por R$ 30,00 em dinheiro, num quarto privativo da casa dele com banheiro dentro. Ele me permitiu usar a cozinha e eu comprei espaguete por R$ 2,50 em dinheiro e cozinhei para o jantar com o resto dos legumes que possuía. Conversei com o Tinha sobre o povoado, a vida lá no presente e passado, e informações sobre a próxima etapa da viagem. Ele contou que o asfalto havia chegado em 1996 e logo depois chegou a água encanada e a energia elétrica, o que mudou muito a vida deles. Contou que os partos antes eram feitos por parteiras que iam às casas e quando era à noite usavam lampiões durante o procedimento. Houve muita chuva à noite.
      Na 2.a feira 12/08 comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Houve muita chuva ao amanhecer. Tinha falou-me que não dava para ir pela praia porque havia estourado uma barra no mangue (costinha), segundo seu irmão. Pouco depois seu irmão estava passando pela rua a cavalo e ele o indicou para mim. Fui até ele e ele confirmou. Despedi-me do Tinha e fui ao porto para confirmar uma última vez a informação e decidir se iria pela estrada ou arriscaria ir pela praia. No porto os barqueiros confirmaram e então decidi ir pela estrada rural, que passava pelo pantanal de Sergipe, que achei muito belo, onde havia pássaros (acho que até alguns tuiuiús), área de mata, pequenos povoados e propriedades rurais simples. Uma foto pode ser vista a seguir.

      Na estrada senti cheiro de flores, havia muitas poças de água por causa da chuva e gado em áreas alagadas das propriedades rurais. Saí perto de 8h e cheguei perto de 13h em Saramém. Edileusa, professora ou diretora da escola, permitiu-me ficar numa casa que ela alugava, mas que estava sem móveis dentro, nem cama tinha, e não quis cobrar nada 🙏. Ela me emprestou uma esteira para eu poder dormir em cima. Comprei legumes (chuchu, pepino, tomate, cebola, cenoura e limão) por R$ 4,25 e encomendei pães para a noite por R$ 5,00 na Mercearia da Jane, ambos pagos em dinheiro. Fui conhecer o porto e parte da orla do Rio São Francisco. Achei linda a vista da foz. Os habitantes locais orientaram-me sobre o caminho a seguir. Encontrei homem que criava camarões perto do fim da estrada pública e conversamos sobre a vida ali e o trabalho deles. Tomei banho no rio e achei a correnteza forte. À noite dormi na esteira no chão, em que tive dificuldade de achar uma posição confortável. Houve muitos mosquitos, posto que não havia ventilador. Provavelmente um cachorro arranhou fortemente a porta da casa durante a noite. O barulho e as músicas cessaram às 22h.
      Na 3.a feira 13/08 comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e tomei café da manhã com sanduíches. Arrumei a casa e devolvi a esteira e tudo mais para Edileusa que não quis aceitar pagamento nenhum. Ela me ofereceu lanche com batatas-doces cozidas, mas eu educadamente recusei. Fui então procurar uma forma de atravessar o Rio São Francisco. No dia anterior tinham-me dito que as vendedoras de cocada atravessavam o rio todas as manhãs e que eu poderia ir com elas. Mas antes apareceram algumas mulheres que iriam vender artesanato do outro lado e eu fui com uma delas e seu marido. Achei linda a foz do Rio São Francisco, vista do meio do rio. Dava também para ver o farol e o Povoado Cabeço, que o mar e o rio engoliram. O farol já estava bem rio adentro. O povoado tinha sido abandonado. Ainda bem que eu não fiz a caminhada pela praia no dia anterior, porque além da barra de mangue que havia estourado, eu não teria conseguido passar por ali. Paguei R$ 8,00 em dinheiro pela travessia, que era pouco mais da metade do que as vendedoras pagavam por ida e volta (R$ 15,00). Do outro lado da margem, já em Alagoas, achei a área linda, com coqueiros e lagoas. Seguem fotos de lá.



      Algumas pessoas esperavam turistas que viriam de barco para uma feira de artesanato. Houve uma chuva rápida e eu me abriguei num coqueiro. Depois caminhei em direção a Pontal do Peba. Achei lindo o trajeto pela praia, com dunas enormes em sequência, algumas somente de areia e outras com um pouco de vegetação. Encontrei uma tartaruga morta 🐢. Tomei banhos de mar. A água estava com aspecto verde-claro. Fiquei na Pousada O Samburá, de Dona Francisca, pagando R$ 60,00 em dinheiro por um quarto com banheiro interno e sem café da manhã. Assim que cheguei avisei Carlinhos, do monitoramento de animais, sobre a tartaruga morta, enviando-lhe a foto. Ele me falou para ir até a 1.a barraca da praia (Barraca Pôr do Sol) e encontrar Wellington quando estivesse chegando, mas eu respondi que já havia passado por lá e já estava instalado. De qualquer modo, perto do fim do dia passei por lá, não encontrei Wellington, mas deixei o recado com a barraca vizinha. Aproveitando que ainda era cedo, fui dar um passeio pelas dunas. Achei-o magnífico. Atravessei uma área na praia onde havia animais de criação e subi em uma delas. Depois andei por várias outras apreciando a paisagem do mar, da praia, de lagoas, das outras dunas, dos rebanhos bovino e caprino e do outro lado, em que havia uma plantação de coqueiros 🌴, além da vista que ia longe, mostrando bastante daquela região de Alagoas. A areia das dunas pareceu-me dura em vários pontos. Encontrei mais uma tartaruga morta e uma cobra do mar (ou peixe com formato de cobra) morta. Carlinhos disse-me que ali era uma área recordista em mortes de tartarugas marinhas. Comprei pães, queijada e legumes (tomate, cebola e banana) por R$ 9,66 com cartão de crédito para o jantar. Aproveitei e visitei a igreja. Interessante como a faixa de areia na maré baixa transformava-se em uma pista para motos, carros e até ônibus. Ao voltar para a pousada, conversei com o marido da Francisca, que estava insatisfeito com o Ibama e responsabilizava o povo pelas mudanças naturais que vinham ocorrendo. Jantei sanduíches.
      Na 4.a feira 14/08 tomei um banho de mar loga após acordar, pois a entrada da pousada era pela areia da praia. Tomei café da manhã com sanduíches. Comprei pães por R$ 2,00 com cartão de crédito. Parti rumo a Coruripe. Achei as praias muito bonitas, com muitos coqueiros. Tomei banho de mar. Havia várias pessoas pegando massunins (mariscos, moluscos) na beira do mar para comer. Houve chuva breve em alguns períodos pela manhã. A partir das 13h30 houve chuva contínua 🌧️, que engrossou em alguns momentos, o que se acentuou pelo vento. Num primeiro momento abriguei-me numa cabana de palha por algum tempo. Depois fui pela estrada a partir de Miai de Cima, porque várias pessoas locais, pescadores e moradores, disseram-me para não passar no mangue em Barreiras, pois havia um núcleo de tráfico de drogas e iriam incomodar-se com um estranho ou me assaltar. Ali havia um rio e eu precisaria cruzar o mangue para chegar à estrada. Achei bela a paisagem rural, tanto no pequeno caminho de terra como na rodovia principal. Havia canaviais e coqueirais intercalados. O mar tinha uma cor verde que achei linda. Achei bonitas as áreas verdes na periferia de Coruripe. A chuva persistiu no começo da noite. Fiquei na Pousada e Motel São João por R$ 30,00 com cartão de crédito, num quarto com banheiro privativo e TV. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro, laranja, tomate e batata-doce por R$ 1,21 com cartão de crédito e chuchu por R$ 1,00 em dinheiro para o jantar e café da manhã. Não pude cozinhar espaguete nem batata-doce porque a cozinha estava com roupas estendidas para secar e a responsável me disse que iria passar o cheiro para elas se eu cozinhasse. O atendente da tarde havia mostrado a cozinha para mim, que estava sem as roupas, e dito que eu poderia usá-la sem problemas. Nesta situação acabei jantando sanduíches.
      Na 5.a feira 15/08 comprei pães regulares e 2 pães de queijo por R$ 3,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã acrescidos dos pães de queijo, que achei deliciosos . Saí para ir até o outro lado da barra do rio por onde não havia passado devido ao problema da criminalidade. No caminho visitei Mirante da Imaculada Conceição e sua igreja. Fui até a praia do pontal e caminhei até a barra do rio. Achei a vista muito bela. Pena que não pude andar o trecho completo do outro lado por causa da criminalidade. Havia várias pessoas coletando massunins (mariscos, moluscos) na praia e, quando perguntei, disseram que poderia ir sem problemas até a margem do rio, mas que não era para atravessar devido à criminalidade. Comecei minha caminhada rumo às Dunas de Marapé perto de 10h. Achei as praias muito bonitas, curvas, com mar verde e coqueiros. Segue a foto da Praia de Minha Deusa em Coruripe.

      Disseram-me que havia possibilidade de cachorros 🐺 bravos soltos em uma casa na praia, mas aparentemente o dono os havia prendido naquele dia. Havia muitas rochas em vários trechos do mar, algumas cobertas com algas. Tomei banho de mar na barra de um rio (acho que era o Rio Poxinzinho). Verifiquei a possibilidade de travessia com a mochila e achei que não dava. Aí vi um casal pegando siris e gritei para eles. Achei que eles não me haviam ouvido e atravessei o rio a nado para conversar com eles. Mas eles me haviam ouvido e o homem já estava vindo em direção à canoa para me atravessar. Atravessei de volta a nado e o homem veio com a canoa atrás. Então atravessei com ele de canoa. Ofereci-lhe pagamento, mas ele não quis. Prossegui a caminhada e cheguei na margem do Rio Jequiá. Continuei achando as paisagens lindas, especialmente a do encontro do rio com o mar. Nadei novamente na foz do rio, que estava muito calmo e delicioso. Um barraqueiro e uma operadora de travessia do rio deram-me informações sobre a área. Pretendia hospedar-me ali, mas os valores eram altos, então resolvi ir até a cidade de Jequiá da Praia, a cerca de 4 km. Fui pela estrada, em que achei belas as paisagens rurais também. Lá fiquei na Pousada Thieta (https://www.facebook.com/pousada.thietadoagreste/timeline?lst=100005659626174%3A100004063516724%3A1570293269), da Rosângela, por R$ 40,00 em dinheiro, num quarto com banheiro e TV. Comprei pães por R$ 3,00, vegetais (tomate, laranja e pepino) por R$ 2,50, mais pães e uma brasileirinha por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Jantei sanduíches.
      Na 6.a feira 16/08 comprei pão por R$ 2,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã. Saí perto de 8h e comecei minha caminhada. Fui por uma estrada de terra enlameada, devido às chuvas recentes, até a praia. Achei bonitas as paisagens rurais, com pequenas propriedades nas laterais. Lembrou-me o livro e o filme São Bernardo, de Graciliano Ramos. Chegando na praia resolvi voltar até a barra do Rio Jequiá e as Dunas de Marapé, pois não havia passado por este trecho. O responsável pelo receptivo turístico existente no local deixou-me subir no mirante para apreciar a vista. Segue uma foto de lá.

      Saí rumo à Barra de São Miguel perto de 9h30. Ao longo do dia houve chuva intermitente, com períodos de média intensidade, que parecia mais forte devido ao vento vindo do mar. Achei as paisagens bonitas até a Lagoa Azeda, com vegetação e mar verde. Daí em diante começaram falésias que achei espetaculares. Talvez tenham sido as paisagens de que mais gostei na viagem. Seguem algumas fotos de falésias deste trecho.

       



       

       

      Fiquei encantando com a diversidade de formas, muitas que a mente podia livremente associar ao que desejasse, com as cores múltiplas nas várias camadas, o tamanho e a extensão das falésias, que se estendiam por quilômetros. Com a chuva, a paisagem ficava ainda mais bela, pois em alguns pontos escorriam sedimentos, tornando a coloração dinâmica e misturada. É como se em alguns trechos fosse um bolo seco e em outros um bolo com calda multicolorida escorrendo. Em alguns pontos havia corredores de entrada e se podia ir ver mais de perto as estruturas das falésias, como se fossem clareiras. Em alguns pontos havia lagoas combinadas com as falésias, o que tornava a paisagem mais bela. Num determinado ponto, a chuva apertou 🌧️ e eu me abriguei num barracão de uma fazenda, na beira da praia, uma aparente construção sendo feita, que ficava num trecho entre duas cadeias de falésias. Abriguei-me por mais de meia hora, admirando a lagoa que ficava a seu lado. Após a chuva amainar, continuei e passei por um trecho em que havia um local elevado nas falésias, em que era possível subir para admirar a vista. Segue a foto de lá.

      Pouco mais para a frente, já perto da Praia do Gunga, cruzei com muitos quadriciclos com turistas fazendo passeios. Eles vinham pela estrada lateral e eu pela areia da praia, perto do mar. Cheguei à Praia do Gunga perto de 16h30. Achei-a bonita e também bela a vista do outro lado do enorme rio. Tomei um banho de mar em sua foz, pois ao longo do caminho havia muitas pedras no mar e eu não quis entrar. Não fui ao Mirante do Gunga, pois teria que pagar R$ 3,00 e eu já estava muito mais do que satisfeito com as paisagens espetaculares vistas ao longo do dia. Peguei a estrada para ir à Barra de São Miguel, pois o rio era enorme e era necessário pegar a ponte. Achei bonita a paisagem rural e pude ver o pôr do sol a partir da ponte, que me pareceu lindo. Caminhei um pouco no escuro, talvez perto de duas horas. Havia muito movimento na estrada, provavelmente para Maceió. A chuva voltou e apertou. Já bem adiantado, cruzei com algumas moças e lhes perguntei quanto faltava. Uma delas riu e disse que no meu “andandinho” demoraria 1 hora, mas que se acelerasse chegaria em meia hora. Fiquei no Natu’s Hostel (https://www.natushostel.com) por R$ 49,00 com cartão de débito, sem direito a café da manhã. Comprei legumes (tomate, beterraba, chuchu) para o jantar e o café da manhã e bolacha para o café da manhã por R$ 5,59 com cartão de crédito. Quando estava indo para o supermercado, numa rua escura, bati o pé numa estaca  e caí. Só machuquei o dedo, pois me protegi da queda. Um carro que passava nem se importou com o ocorrido 😒. Jantei espaguete, batata-doce e legumes, sendo que os 2 primeiros já estavam a um bom tempo comigo, esperando a disponibilidade de um fogão. Conversei com Brasil, o dono do hostel, sobre minha viagem e locais de Alagoas e do Nordeste. Ele era vegano e fazia passeios personalizados exclusivos, por locais fora dos roteiros comuns. O hostel era voltado para preservação da natureza. Havia um cachorro 🐕 salsicha muito amoroso. Eu notei que perdi o pente, provavelmente o tinha esquecido na Pousada em Coruripe.
      No sábado 17/08 nadei na piscina do hostel logo após acordar. Depois tomei café da manhã com legumes e bolachas. Dei uma volta pelo hostel para conhecê-lo e saí perto de 9h. Comecei indo até a praia de onde se avistava a Praia do Gunga do outro lado do rio. Depois voltei e fui rumo a Maceió. Em vários pontos da caminhada havia trechos em que na maré baixa recifes ou rochas represavam o mar e quebravam a força das ondas, formando piscinas naturais. Achei as praias bonitas, com muita gente em alguns pontos, como na Praia do Francês. Comprei R$ 2,00 em pães para o almoço com dinheiro. Não consegui atravessar a 1.a lagoa andando. Tentei ir pelo mangue, mas na borda vi que não dava. Fui pela pista e pela ponte, da qual achei a vista muito bela. Tentei circundar a orla entre a 1.a e a 2.a lagoas, mas a maré alta impediu a partir de um certo ponto. Então fui pela avenida da orla e peguei a estrada para Maceió. No início o acostamento era na parte central da estrada. Achei interessante a paisagem com vegetação e áreas rurais, apesar do enorme movimento da estrada. Gostei muito da vista a partir da 2.a ponte, já na chegada a Maceió. Na avenida da orla de Maceió estava havendo uma corrida do exército, com muitos participantes e trânsito parcialmente interditado. Havia uma enorme instalação da Braskem na orla. Achei a orla bastante extensa. Fui em direção à Praia de Pajuçara. Lá perto um rapaz localizou pelo celular o hostel em que eu pretendia ficar. Fiquei no Paju Hostel (https://www.facebook.com/pajuhostel-107380930640086) pagando R$ 25,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. No quarto estava um capixaba que fazia curso de cozinheiro embarcado, um paulistano que escrevia sobre pontos turísticos pouco conhecidos da cidade de São Paulo e mais um outro. Havia também uma família em outro quarto. Comprei vegetais (pepino, abobrinha, beterraba, chuchu, mandioca e banana) e macarrão por R$ 8,22, e pães por R$ 2,00, ambos com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes. banana e pães doces de sobremesa. Achei o efeito do ar-condicionado do quarto bem forte  e a ventilação dele vinha diretamente em cima de mim, que estava na cama alta do beliche. Usei agasalho para dormir.
      Para as atrações de Maceió veja https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303216-Activities-Maceio_State_of_Alagoas.html e https://guia.melhoresdestinos.com.br/o-que-fazer-em-maceio-143-1505-p.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias, os itens culturais, folclóricos e históricos, os mirantes e a orla.
      No domingo 18/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel, que achei excelente  pelo preço (macaxeira, cuscuz, tapioca de coco, ovos, pão com margarina e queijo, mamão, melancia, sucos de manga e abacaxi, e iogurte). Saí para passear, peguei mapa turístico gratuitamente no quiosque, visitei Memorial Teotônio Vilela, vi as estátuas (Paulo Gracindo etc) e passei pelas jangadas com suas velas estilizadas com vários temas. Seguem fotos de algumas delas.

       

      Seguindo, li e apreciei a história e os desenhos no muro sobre a personagem folclórica Jaraguá, que era um fantasma com caveira de cavalo, protetor da natureza. Em seguida fui andar pelas praias até o extremo sul, onde era o encontro da lagoa com o mar, de onde eu tinha vindo, mas por onde não tinha passado, pois havia pego a estrada. Achei as praias muito boas. Fui tentar visitar a Estação Ecológica da Braskem que havia visto no dia anterior, mas estava fechada. Depois da ponte as praias estavam quase desertas, com uns poucos banhistas e pescadores. Havia uma enorme área da Marinha abandonada. Achei a lagoa muito bonita, agora vista do outro lado. Pude ver o trecho pelo qual havia passado no dia anterior, o ponto antes da 1.a lagoa em que tinha tentado atravessar pelo mangue e as partes em que não tinha podido andar por causa da maré alta. A distância até o outro lado pelo mar era pequena, bem menor do que a que eu tinha andado pela estrada. Tomei um banho delicioso na lagoa, porém afastando-se da margem a correnteza tornava-se forte. Tomei também um banho de mar. Voltei pela praia e já perto da área mais central saí para visitar o Memorial à República, o Museu Antropológico e Folclórico Théo Brandão, capela e praças. O museu tinha muitas imagens e itens e achei bastante interessante ☝️. Ao longo do dia vi as estátuas (leão, sereia e boi) nos diversos pontos da orla. Visitei também a feira e o pavilhão de artesanato. O mar ficava com uma cor verde linda ao entardecer . À noite voltei para dar um passeio na orla e vê-la com iluminação noturna. Jantei espaguete com legumes e banana.
      Na 2.a feira 19/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel (cuscuz, pão, margarina, queijo, leite, Nescau, mamão, melancia, sucos de goiaba e outro). A cozinheira estava de folga, então não havia tapioca nem ovo. Fui conhecer o bairro histórico do Jaraguá e o centro. Visitei Museu da Imagem e do Som, Museu do Antigo Palácio de Governo, igrejas, mirantes, praças e monumentos. No bairro do Jaraguá havia várias casas e construções antigas. Na Igreja do Rosário dos Pretos pediram para que eu saísse por causa do calção (que não era de banho), após o atendente da loja ter autorizado a entrada depois de eu pedir várias vezes. Nas outras igrejas deixaram-me entrar sem problemas. Achei interessante a Igreja do Bonfim, com parte de seu formato circular. Achei a vista a partir dos mirantes muito boa, da orla, da costa, da lagoa, da cidade, do estádio e da vegetação mais distante. Passei por murais com história de pessoas famosas nascidas em Alagoas, algumas das quais eu não sabia que eram alagoanas. À tarde caminhei na orla runo ao norte, até o fim da quilometragem marcada para ciclistas e pedestres em Jacarecica (8,2 km). No caminho passei por um farol que com maré alta ficava parcialmente dentro do mar, passei pela Praça Coqueiro Gogó da Ema, que tinha a foto do antigo coqueiro, passei por uma linda lagoa, onde crianças nadavam e mais adiante desviei um pouco para conhecer o Corredor de Artes, que tinha estátuas e esculturas relacionadas a alagoanos, com respectivas explicações. Achei o mar verde e lindo. No fim do caminho tomei um banho de mar. Na orla havia muitos prédios modernos, sofisticados e altos. Na volta esperei o pôr do sol para ver a orla à noite. Gostei da vista das várias partes da orla durante o dia, no pôr do sol e depois de escurecer. Jantei espaguete com legumes, banana e bolacha oferecida pelo hostel como sobremesa. Conversei com André, o capixaba que estava fazendo o curso para ser cozinheiro embarcado, sobre as condições e dificuldades de trabalho embarcado e a diferença de ganho em relação aos cozinheiros regulares de restaurantes. Como 2 hóspedes do hostel haviam ido embora, mudei de cama e o vento do ar-condicionado não vinha mais diretamente em mim, o que tornou a noite mais agradável.
      Na 3.a feira 20/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel igual ao do 1.o dia (domingo), substituindo alguns itens por outros. Saí perto de 8h30 depois de me despedir de todos. Fui caminhando pela areia. Quando fui tirar fotos das jangadas ouvi comentários de alguns que lá estavam, talvez jangadeiros ou trabalhadores relacionados à praia, provavelmente invejando a minha vida, achando que era só fumar maconha. Quando tirei o celular da mochila também comentaram e pareceram achar que os andarilhos haviam entrado na era digital 😀. Achei a vista da praia e da orla muito boas. A cor verde do mar parecia linda. Passei por vários rios, todos com a água abaixo da coxa, a maioria na canela, pois a maré estava baixa. Vi várias estátuas no caminho, como a da sereia com golfinho, a de Netuno e a da sereia no recife. Segue uma foto da Praia do Mirante da Sereia.

      Uma cobra do mar que estava no caminho me deu um bote quando passei perto dela, mas não me atingiu. Perguntei mais tarde a um habitante local e ele me disse que não era venenosa. Havia várias armadilhas para peixes no mar. Quando cheguei a Paripueira, uma catarinense de Bombinhas, que estava acompanhando familiares em um grupo de mais idade, tomou conta da minha mochila enquanto eu tomava um banho de mar. Agnaldo, que estava recolhendo as cadeiras de praia, indicou-me a Pousada Pantanal como a mais barata do local. Aí pesquisei uma outra, mas realmente fiquei lá (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Pantanal/712112815506454), por R$ 30,00 em dinheiro num quarto com banheiro e TV, sem café da manhã. Comprei pães, brasileirinha e bolo de milho por R$ 6,50, legumes (tomate, chuchu, berinjela e cenoura) por R$ 2,80, ambos com cartão de crédito, e mamão por R$ 1,00 em dinheiro. Fui até a praia após o entardecer para ver as estrelas e o mar noturno, que achei lindos. Visitei a igreja, que estava em restauração. Perguntei a um homem sobre ida a Barra de Camaragibe e ele me deu instruções. Pouco depois, quando andava numa rua escura lateral à praia, ele parou de moto a meu lado e me deu um susto . Perguntou se lembrava dele e aí eu o reconheci. Ofereceu-me R$ 20,00 para comprar comida durante o trajeto, eu agradeci e recusei. Andei um pouco pela orla e pela areia, mas o lugar estava deserto, sem movimento. Voltei para a pousada e jantei sanduíches, mamão, pães doces e a brasileirinha.
      Na 4.a feira 21/08 tomei café da manhã com sanduíches e pães doces. Saquei dinheiro do Bradesco e comecei a caminhada perto de 9h15. O dia inteiro foi de sol. Achei as praias belas. A cor da água do mar foi mudando de verde para azul e depois para escura. Encontrei um capoeirista e seu amigo caminhando pela praia. Um cachorro preto latiu para mim e ameaçou atacar-me, mas uma mulher que estava no mar pescando ou coletando seres marinhos, chamou-o aos gritos e ele obedeceu e foi até ela dentro do mar. Cruzei rio raso e depois peguei ponte em Barra de Santo Antônio. Achei a vista a partir da ponte muito bonita. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, o primeiro num local quase sem ondas de mar verde. Havia vários trechos com pedras. Havia também vários pontos com armadilhas para peixes no mar. Várias pessoas estavam na areia separando os peixes pegos. Vi várias vezes barcos sendo movidos com toras cilíndricas de madeira embaixo, o que já tinha visto em dias anteriores também. Na Praia do Carro Quebrado vi 2 fuscas e uma Kombi em decomposição. Cruzei a Barra do Camaragibe de barco com 2 paulistas, 1 catarinense e 2 alagoanos, pagando R$ 2,00 em dinheiro. Achei a vista durante a travessia muito bonita. Achei também a Barra do Camaragibe muito bonita. Mara ofereceu casa do seu filho para eu ficar por R$ 30,00, mas a casa não tinha luz nem descarga. Preferi então ficar na Tiriri Guest House (http://www.tiririguesthouse.com), pertencente ao João pagando R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo e TV a cabo e com direito a café da manhã. Comprei pães na padaria por R$ 4,00 em dinheiro e depois a dona ofereceu-me rocambole e torta de doce de leite, que não consegui recusar, pois quando levantei a cabeça após pegar o dinheiro da carteira ela já os tinha colocado num saco e me estava oferecendo. Até falei “não” agradecendo, mas ela fez uma cara de decepção e perguntou porque eu não aceitava, que resolvi aceitar. Comprei também tomate, chuchu e limão por R$ 2,75 com cartão de crédito. Jantei sanduíches. Apreciei a vista noturna a partir da sacada da pousada. Esqueci de apagar a luz do restaurante que João havia pedido antes de dormir.
      Na 5.a feira 22/08 tomei o café da manhã oferecido pela pousada com frutas (manga, abacaxi, banana, melão e mamão), pães, manteiga, geleia, requeijão e suco. Saí por volta de 8h45. Achei as praias bonitas. A cor do mar voltou a ser verde. Atravessei o Rio Tatuamunha andando. Fiz um teste sem a mochila que foi bem-sucedido e voltei nadando. Achei a água deliciosa. Atravessei pela 2.a vez com a mochila e desta vez estava bem mais raso, o que mostra como pouco tempo de maré baixando pode fazer grande diferença. No encontro do rio com o mar, a cor da água de um lado era verde e de outro era azul. Uma foto desta área pode ser vista a seguir.

      O tempo virou e ocorreu uma pancada de chuva quando eu passava por Porto de Pedras. Devido a isso, como eu queria aproveitar bem o trecho até Maragogi, resolvi ficar ali aquele dia. Fiquei na Pousada Águas Belas, do Eliel. Paguei R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo sem direito a café da manhã. Aproveitei a tarde então para conhecer o Mirante do Farol, a igreja matriz, a fonte masculina, a orla e a capela histórica. No farol, Dinho deu-me informações históricas e culturais sobre a área. Tomei um banho de mar no caminho e outro no povoado, achei o mar calmo e boiei. No entardecer a chuva voltou, com picos de maior intensidade, mas na média ficou leve e prosseguiu assim à noite. Vi 2 arco-íris no céu. Comprei pães nas padarias por R$ 4,00 em dinheiro. Jantei sanduíches e pães doces. À noite vi um jogo de futebol no campo local ⚽.
      Na 6.a feira 23/08 comprei pães por R$ 3,00, tomate e banana por R$ 1,75, todos pagos em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Depois peguei a balsa gratuita para Japaratinga. Comecei a caminhada perto de 9h e cheguei em Maragogi perto de 13h. Antes de começar o caminho voltei até a margem do rio pela praia e andei um pouco nela, quase dando a volta e chegando onde havia desembarcado da balsa. Achei as praias muito bonitas, com mar verde. Atravessei 2 rios com maré baixa e água abaixo do joelho. Uma moça falou-me que um homem havia sido encontrado morto no mangue e eu decidi atravessar um dos rios para não cruzar o mangue em direção à ponte nem voltar um trecho para sair na rua que continuava para a ponte. Em Maragogi fiquei no Mandala Hostel (https://www.facebook.com/Mandalahostelmaragogi) pagando R$ 22,00 a diária em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci a argentina Jamilia, que estava indo para Porto de Galinhas, o baiano Rômulo, que viajava de moto, tinha sido da Marinha e morava em Campina Grande, a mineira Késsia, que viajava 2 semanas de férias pelo nordeste, a mineira aposentada Sílvia e um casal de chilenos, de férias no Brasil. Aproveitei que era cedo e fui visitar o Mirante do Cruzeiro. A melhor vista era a partir de uma pousada e era necessário pagar uma pequena taxa. Eu não tinha levado dinheiro e o atendente me disse que havia uma área atrás do muro de onde se podia ter uma boa vista. Fui lá e concordei com ele, achando a vista muito bela, das várias partes da costa ☝️. No caminho de subida, que fiz dando enorme volta pela estrada, pude ver paisagens de coqueiros, de que muito gostei também. Na volta descobri que havia um caminho alternativo descendo por uma rua de terra que era muito mais curto. Quando descia conversei com um homem que trabalhava na construção de sua casa e que havia mudado para lá. Ele tinha gostado de lá e me falou da região. Depois de descer ainda tomei um banho de mar, deixando as roupas com um casal de argentinos, e depois fui conhecer uma área de artesanato e andar pela orla. Apreciei o entardecer à beira-mar. Comprei espaguete, tomate, chuchu, pepino, abóbora, cenoura e mamão por R$ 7,98 com cartão de crédito e 1 brasileirinha por R$ 1,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e a brasileirinha. À noite eu, Rômulo e Késsia fomos passear na orla. Neste dia comecei a sentir dor em uma das pernas , na região da canela.
      Para as atrações de Maragogi veja http://www.maragogi.tur.br/ e https://maragogionline.com.br. Os pontos de que mais gostei foram as praias, o mar verde e a vista a partir do mirante.
      No sábado 24/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, pão, queijo, manteiga, banana assada, melão, mamão, abacaxi e 2 tipos de bolos)  e fui caminhando até as praias do Antunes e do Xaréu. Atravessei o rio logo na saída do centro de Maragogi com água no peito, pois a maré estava alta. Em determinado trecho tive que ir pela rua, pois com maré alta não era possível passar. Mas após andar cerca de 15 minutos a meia hora voltei à praia. Acabei ficando sentado o maior tempo na Praia do Xaréu admirando o panorama. Segue uma foto dela.

      Alguns destes barcos na foto ficavam tocando músicas com som alto e provavelmente forneciam algum tipo de serviço, pois várias pessoas iam caminhando até eles. Ficavam um pouco distantes da praia, mas isso não intimidava os interessados. Tomei 2 banhos de mar e achei a água deliciosa. O mar continuava com a cor verde que eu achava linda. Voltei no entardecer e com a maré baixa foi possível fazer quase todo o caminho pela areia à beira-mar. O rio perto do centro atravessei com água perto da canela. Apreciei o entardecer a partir da praia. Jantei espaguete com legumes acrescido de arroz, que Jamilia havia deixado antes de ir embora, cravo e queijo ralado, que me deram no hostel. Para sobremesa comi mamão. Durante o jantar o chileno sofreu muito para abrir um coco com uma faca comum e concluiu que era melhor pagar R$ 5,00 do que fazer aquele esforço. Conversamos sobre a viagem deles, o Chile, o Brasil e várias coisas. À noite dei novamente um passeio na orla. Chegou Evelin de SP e um baiano. Rômulo e Késsia foram embora. Despedi-me da gerente Gerline, que não trabalharia no domingo, quando ela foi embora à noite.
      No domingo 25/08 tomei o café oferecido pelo hostel igual ao do dia anterior, sem a banana e sem um dos bolos, conversei com casal de Jundiaí (Mairon e mulher) sobre dicas de viagem e com Marcelo sobre Caminho de Santiago. Eles também haviam chegado para ficarem no hostel. Saí perto de 9h15. Atravessei o rio perto do centro com água na cintura. Reencontrei Mairon, mulher e Evelin na Praia do Antunes, onde ele disse que talvez fossem. Achei lindo o mar verde até o fim de Alagoas . Atravessei rio com água abaixo da cintura na divisa entre Alagoas e Pernambuco. Atravessei outro rio com água na cintura depois de São José da Coroa Grande. O mar continuava verde e eu continuava achando o mar e as praias lindos. Na barra do Rio Una fui até o Povoado do Abreu. No caminho havia uma ponte de tábuas de madeira com um buraco no meio, o que fazia que algumas meninas que provavelmente queriam ir para a praia estivessem com medo. Passei, disse-lhes que dava para passar com cuidado e elas foram. No povoado encontrei barqueiros que me poderiam levar para o outro lado do rio. Alecsandro levou-me até a 2.a barra do rio, pois disse que havia estourado uma barra, com a ajuda da própria população, devido às enchentes, e que se apenas atravessasse a 1.a barra eu ficaria preso entre as duas. A viagem de barco foi bela, com bonitas paisagens do mangue, da vegetação, do rio e das praias. Seguem fotos do trajeto.



      O barco encalhou 2 vezes em bancos de areia. Choveu um pouco durante o trajeto. Ele trabalhava com construção durante a semana e fazia passeios nos fins de semana. Quando chegamos vimos que a 2.a barra não estava tão grande e teria dado para eu atravessar. Mesmo assim foi prudente a decisão dele de me levar até lá. Paguei R$ 10,00 em dinheiro pela travessia. Prosseguindo caminhei pelas praias até Tamandaré, sendo que algumas tinham trechos com pedras, mas só uma vez tive que sair da areia para dar a volta por trás delas. Segue uma foto da Praia do Porto no caminho.

      Na ponta desta praia havia pedras enormes, onde alguns pescavam. Achei o mar bravo neste trecho. Já chegando em Tamandaré atravessei o Rio Mamucabinhas com água abaixo dos joelhos. Cheguei no entardecer (no litoral de Pernambuco escurece cedo) e fiquei na Pousada São João, do proprietário João, pagando R$ 40,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo. Comprei pães, tomate, pepino e laranja por R$ 5,02 com cartão de crédito e os jantei. Encontrei um condicionador de cabelos provavelmente deixado por algum hóspede no banheiro e o utilizei, pois meu cabelo estava totalmente desalinhado devido à falta de pente. Entrou água da chuva no quarto à noite e molhou o travesseiro.
      Na 2.a feira 26/08 comprei pão por R$ 3,00 e tomate e banana por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Tomei o café da manhã com isso. Saí perto de 8h. Houve algumas pancadas de chuva ao longo de todo o dia. Achei as praias muito bonitas ao longo de todo o caminho. Na Praia de Carneiros havia peixes coloridos e escuros 🐟. Uma foto desta praia segue.

      Visitei a igreja histórica e depois Édson atravessou-me de lancha, cobrando R$ 15,00 em dinheiro. Contou-me que antigos donos da fazenda onde atualmente é Carneiros estão enterrados na igreja histórica, que é do século 18. Achei muito bela a vista durante a travessia. Após a travessia encontrei trechos com pedras em que não consegui passar com maré alta. Subi pela encosta e peguei a estrada. Achei bonita a paisagem rural. Mais à frente voltei à praia e fui pela areia até a Barra do Sirinhaém. Continuei achando as praias lindas. Quando cheguei na barra peguei um barco de linha por R$ 2,00 em dinheiro para fazer a travessia. Na saída houve uma revoada de garças 🕊️ e gostei bastante da paisagem vista durante a travessia. Do outro lado o segurança disse-me para ir pela praia até onde conseguisse e depois pegar a rua dentro do condomínio à beira-mar. Quando saí da praia o segurança André acompanhou-me gentilmente pela rua do condomínio até a portaria e me disse que eu conseguiria voltar para a praia mais à frente, pedindo autorização para algum proprietário de sítio. A estrada pareceu-me ter uma bela paisagem rural. Pedi autorização a um caseiro, ele concedeu e passei por dentro de seu sítio para voltar à praia. Continuei achando as praias lindas. Passei por extensa área com água rasa. Cheguei à Barra do Maracaípe pouco antes do entardecer e ainda havia barcos fazendo a travessia. Mas perguntando a pescadores antes, disseram que poderia atravessar andando. Vi uma mulher num banco de areia no meio do mar e resolvi ir até onde ela estava. Ela não sabia se era possível atravessar para o outro lado, pois não era dali. Havia 2 pescadores por ali e perguntei para eles, que também não sabiam, pois também não eram dali. Mas eles disseram que iriam verificar, entraram no trecho e me disseram que dava para ir. Eu fui por onde eles indicaram e a água não passou do peito. Segue uma foto desta área.

      Quando já estava na estava Praia de Maracaípe, um cachorro invocou com um homem, mas acabou ficando só na ameaça e ele não atacou. Fiquei no Palawan Hostel (https://www.facebook.com/palawanhostel), de Hugo e Ayanna, com sua filhinha recém nascida e seu cachorro Chico. Paguei R$ 30,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci o belga Joseph, que viajava pelo Brasil e iria para SP. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e espaguete, batata-doce, chuchu, pepino e banana por R$ 5,36 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Esta praia era extensão de Porto de Galinhas.
      Na 3.a feira 27/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, melão, mamão, pão, margarina, leite com Nescau e bolachas). Saí às 8h30 para tentar ainda pegar maré baixa e ver peixes nas piscinas perto do centro de Porto de Galinhas. Havia muitos peixes (coloridos e escuros, pequenos e maiores) perto da praia, nas rochas ou recifes. Fui nadando até as piscinas 🏊‍♂️, pois a maré já havia subido um pouco, mas voltei porque estava sem chinelo, depois de perguntar a um barqueiro se era permitido e ele me responder que sim, mas me alertar quanto a usar chinelo naquela área devido aos ouriços. Resolvi então caminhar pelas praias no sentido norte. Andei por todas até o fim, incluindo um bom trecho da margem do rio que fazia a divisa com o Porto de Suape. Achei-as muito bonitas, cada qual a seu modo. A Praia de Muro Alto, a última antes do rio, represava a água do mar. Já a Praia de Cupe tinha mar bravo. Atravessei um trecho com água um pouco abaixo da cintura e me surpreendi com um sorveteiro que atravessava o mesmo trecho com seu carrinho. E ele teve sucesso. Achei bem interessante a vista do Porto de Suape e do rio que o separava das praias de Porto de Galinhas. Tomei banho de mar. Na volta havia uma água-viva na areia e algumas argentinas tentaram jogá-la no mar, para ver se sobrevivia. Elas não conheciam águas-vivas. Aproveitei para dar um passeio pelo centro de Porto de Galinhas e conhecer as praças, artesanato, obras de arte a céu aberto, capela e Projeto Eco das Tartarugas Marinhas por fora. Ocorreram pancadas de chuva no fim da tarde. Abriguei-me numa barraca numa das praças à beira-mar. Com isso acabei voltando no escuro pela praia para o hostel, um trajeto que durava cerca de meia hora. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Josepth foi embora de manhã. Casal de donos do hostel tinha passado a noite anterior em claro (até as 3h da manhã) porque filha de 2 meses precisou ir à Emergência por estar com cólicas. Pedi-lhes para que o café da manhã do dia seguinte fosse perto de 11h, pois pretendia acordar cedo para ir ver os peixes nas piscinas naturais do centro e queria estar de estômago quase vazio para nadar se fosse necessário. Eles agradeceram, pois poderiam dormir mais 😀.
      Na 4.a feira 28/08 comi 2 pães comprados no dia anterior e saí perto de 6h50 para ver as piscinas naturais na maré baixa. Chegando lá no centro, peguei uma pulseira com a equipe municipal de meio ambiente. Com a maré baixa era possível ir andando, com a água chegando ao peito. Na borda das piscinas subia-se numa elevação rochosa ou de recifes e aí havia uma área com rochas ao lado de piscinas de água do mar. Vi muitos peixes 🐠, dos mais diversos tipos e tamanhos, coloridos, azuis, listrados, vermelhos, escuros, minúsculos, pequenos e maiores, vi também ouriços e uma espécie de centopeia laranja. Havia uma piscina que tinha formato semelhante ao mapa do Brasil e uma outra em que era possível nadar junto com os peixes. A água estava um pouco fria, pois o dia estava nublado. Houve uma pancada de chuva após voltar das piscinas para a praia. Depois de ficar lá e nas imediações por mais de 2 horas voltei para o hostel para tomar café da manhã. O casal já estava acordado e parecia bem disposto. Sua filhinha estava melhor. O café oferecido foi ovo frito com tomate, mandioca, pães, margarina, manteiga, bolacha e leite com Nescau. Passei pelo Projeto Hipocampus, mas não entrei, só apreciei de fora. Fui visitar o Atelier do Carcará 👨‍🎨 e conversei com Gilberto Carcará sobre sua filosofia de trabalho, história e obras. Achei bonitas suas esculturas e interessante sua ideia de arte com sustentabilidade. Ele me falou que havia uma exposição de suas obras “galinhas” na Alameda das Sombrinhas, no centro, e mais tarde fui ver. Falou-me também de um farol sendo construído por um dono de restaurante que seria um ponto turístico servindo como mirante e também fui ver a construção. Achei bonito o caminho ao lado do lago para chegar no seu atelier. Após voltar ao centro, visitei e gostei também da capela, em que esperei para poder entrar devido ao horário. Pareceu-me linda, recente e simples ⛪. Havia uma pequena plataforma na areia da praia, talvez de uso de salva-vidas, e aproveitei para subir e apreciar a vista a partir dela, que me pareceu muito boa. Então fui até o Pontal do Maracaípe para ver o pôr do sol. Antes caminhei um pouco na margem do rio até onde o mangue me permitiu para apreciar sua paisagem. Achei bela a vista do rio, principalmente no entardecer, e bonito o pôr do sol, apesar da nebulosidade. Comprei batata-doce e pepino por R$ 1,40 e pães por R$ 1,00, tudo em dinheiro. Jantei batata-doce, pepino, chuchu e pães doces.
      Na 5.a feira 29/08 tomei o café oferecido pelo hostel com pão, queijo branco, batata-doce, melão, mamão, bolacha e leite com Nescau. Saí perto de 8h30, saquei dinheiro e fui rumo a Cabo de Santo Agostinho. Fui pela praia até o Atelier do Carcará. Antes de sair da praia tomei um banho de mar. Depois peguei a estrada, com o lago e o mangue de um lado e propriedades rurais e vegetação do outro, cuja vista continuei achando bela. Passei por um acidente em que havia uma mulher deitada no chão e uma moto caída e a mulher falava que estava doendo muito. Esta cena me fez chorar 😢. A polícia já estava lá isolando a área. Só fui cruzar com a viatura do SAMU, que imagino iria socorrê-la, mais de meia hora depois 😒. Passei por Ipojuca e aproveitei para visitar a Praça do Baobá, onde havia uma enorme árvore deste tipo, e também a Igreja Nossa Senhora do Ó. Depois de cruzar a cidade peguei a estrada normal e depois a pedagiada. Achei uma banana verde no chão da estrada e comi. Errei o caminho. O mapa que eu havia visto me indicava para virar à direita num trevo, mas provavelmente eu não poderia caminhar muito naquela direção se tivesse virado, pois vários me disseram que era a entrada do porto e não poderia prosseguir. Segui em frente então e mais à frente perguntei a um rapaz que vendia lanches. Ele viu no GPS o novo trajeto, deu-me 2 opções e eu segui a que achei em que não iria me perder. Virei à direita onde haviam indicado e numa bifurcação logo após perguntei a um homem que vinha caminhando. Ele me indicou o caminho contrário ao que eu acreditava ser correto e vendo minha dúvida perguntamos a Fia e seu amigo que vinham voltando do trabalho. Eles me disseram que iriam para muito perto de onde eu estava indo e se dispuseram a ir comigo. Eu os atrasei, pois estavam de bicicleta e eu não conseguia ir muito rápido devido à dor na perna, que ainda continuava. Em alguns trechos Fia levou minha mochila e seu amigo me levou sentado na bicicleta 🚲. Ele sofreu em algumas subidas. A paisagem me pareceu bonita. Pegamos uma trilha muito bela no meio da mata e Fia me deixou no povoado de Suape. Dali para Nazaré, onde eu pretendia ficar, era bem próximo. Fui até lá e fiquei no Hostel Mujeres com Alas (https://www.facebook.com/mujeresconalasnazare) da Mary (ou Mere), pagando R$ 45,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. Mas só havia eu no hostel como hóspede. Ela disse que aceitava homens após eu perguntar. Depois de me instalar ainda fui até o mirante atrás do farol apreciar a vista noturna. Apesar de um pouco escuro, ainda me pareceu bela, com destaque para as luzes dos povoados e navios 🚢. Então fui comprar mantimentos. Achei muito boa também a vista da descida de Nazaré para Suape, que acho que era do porto e de empresas vinculadas. Comprei espaguete, pães e leite por R$ 7,70 com cartão de crédito, tomate, cenoura, chuchu, pepino e mamão por R$ 9,50 em dinheiro e pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. Conversei com Mary sobre sua origem boliviana, sua família, sua vida no Chile, Niterói e agora ali e suas experiências com hóspedes passados.
      Na 6.a feira 30/08 tomei café da manhã com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Antes de eu sair pela manhã houve uma pancada de chuva e depois abriu o tempo. Aproveitei para passear por dentro do hostel e apreciar sua decoração interior, com fotos e itens de arte. Mary explicou-me sobre as trilhas e esboçou um mapa. Ela me levou pessoalmente para ver a entrada de 3 trilhas. Comecei conhecendo a igreja histórica, o convento e cemitério, vendo-os da porta. Fui ao farol atual e respectivo mirante. Achei a vista muito boa também durante o dia. Depois desci até o farol antigo e a Casa do Faroleiro. Gostei da vista também. Lá raspei a perna de leve. Depois vi ruínas da capela, Forte, Bica da Ferrugem e ruínas do quartel. Dois rapazes que estavam caminhando pelo forte explicaram-me o caminho para a Bica da Ferrugem e as ruínas do quartel. Dali fui à Praia do Paraíso, em que havia muitas pedras, quase sem faixa de areia. Subi a escada, passei pela ponte e fui à Praia do Suape, que achei boa, com mar bravo. Segui por ela até o rio ou canal que a separava do porto. Achei bonito o encontro do mar com o rio ou canal. Andei um pouco pela margem do rio ou canal e depois voltei, passei de novo pela praia e peguei a trilha para Nazaré de que a Mary tinha falado. No caminho havia outro mirante, com vista de que gostei, abrangendo a praia, o mar, o povoado e o porto. Chegando lá em cima peguei a trilha para a Praia de Calhetas que a Mary tinha mostrado. Achei bonita a trilha, com começo no meio da mata. No caminho encontrei Magda, que alugava kitnets no Vale da Lua. Ela deu-me explicações sobre a trilha e disse que era amiga da Mary. Achei linda a vista a partir da trilha, da orla, das praias, do mar e do povoado de Gaibu. Achei delicioso o mar em Calhetas . O mar era de tombo, mas sem correnteza, o que permitia um nado tranquilo em águas mais profundas, conforme o salva-vidas do local explicou-me. Depois de andar pela pequena orla e do banho de mar, fui para a Praia de Gaibu. A vista das paisagens durante o caminho continuaram belas. Lá, com a maré subindo, achei o mar bravo. Andei cerca de meia hora na areia da praia e depois acabei voltando pela pista. Passei pelo hostel, conheci a parte inicial do sítio que ficava nos fundos do hostel e suas árvores altas e largas, como a fruta-pão. Ainda deu tempo de ir ver o pôr do sol a partir do mirante que ia para a Praia do Paraíso. Seguem as fotos deste momento.




      De volta ao hostel, conheci a seu lado o Centro Cultural Esperantino, explicado pelo filho do homem que deu nome ao centro. Gostei e achei bonitas as várias trilhas feitas na mata ao longo do dia, a vegetação e relevo existentes ☝️. Comprei pães para café da manhã e sobremesa por R$ 3,00 em dinheiro e R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces.
      No sábado 31/08 tomei café com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Conversei com Mary sobre suas próximas hóspedes, que chegariam naquele dia, suas experiências de viagem, sua vida passada e minha viagem. Antes de sair ela pediu para tirar uma foto minha, que coloco a seguir.

      Saí perto de 9h30. Fui pela estrada até Gaibu e depois peguei a areia da praia. Achei as praias muito bonitas, porém a maioria bem mais urbanizada do que a média da viagem, posto que estava chegando a Recife. Havia muitas pedras em vários trechos. Após perguntar para várias pessoas sobre risco de ataque de tubarões 🦈 e todos dizerem que não havia, tomei um banho de mar. Depois de cerca de 500 m do local do banho vi a primeira placa de risco de ataque de tubarões. Se tivesse visto a placa antes não teria nadado. Desviei um pouco no caminho para conhecer a Ilha do Amor, fui até a curva e depois voltei para pegar a ponte, de onde a vista me pareceu muito bonita. Após a ponte houve um grande trecho com mato nas laterais da rua, que até me preocupou um pouco, apesar do movimento de carros, mas nada aconteceu. Voltei para a praia. Havia bastante gente, pois era sábado. No fim do dia começou a ameaçar chuva e já bem perto da chegada houve pancadas de chuva. Em Boa Viagem o mar estava bravo, chegando a espirrar água na calçada, após bater nos muros de contenção da praia. Fiquei no Hostel Estação do Mangue (https://www.estacaodomangue.com.br) por R$ 30,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado sem direito a café da manhã. Lá conheci mãe e filho que estavam a passeio e 2 transsexuais que tinham vindo trabalhar. Comprei pães por R$ 9,80 e bananas, abóbora, limão e chuchu por R$ 6,60, tudo com cartão de crédito. Jantei sanduíches, bananas e pães doces.
      No domingo 01/09 fui à praia antes de tomar café da manhã. Estava uma pequena garoa, mas nada que incomodasse. No caminho passei pela igreja ao lado do hostel e uma mulher disse que provavelmente não era permitido entrar naqueles trajes (camiseta regata e calção). Parecia tensa quando eu fui até a porta olhar. Já perto da praia, passei pela Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, na Pracinha de Boa Viagem, e um homem disse que eu poderia entrar para visitar (“Claro que pode, é a casa de Deus”). A igreja já estava cheia para a missa e eu preferi ir só até a porta. Segui e fui dar um passeio pela orla. Um homem entrou no mar bravo, onde havia placas de risco de ataque de tubarão e eu até pensei que estivesse se suicidando. Mas depois perguntei e me disseram que era seu costume e ele já fazia parte do mar. Em seguida eu o vi nadando alguns metros depois da arrebentação. Entrei no mar uns 10 metros 🌊, somente para me despedir. Tomei café com sanduíches e fui andando até o aeroporto. Demorei 16 minutos do hostel até lá. Troquei de lugar no avião com um homem que preferia corredor para poder ficar na janela. Quando cheguei em Congonhas com o ônibus vindo de Guarulhos estava chovendo 🌧️ e tomei bastante chuva no caminho a pé para casa. Ainda bem que estava com a capa.
    • Por JonathanLuKas
      Gente penso em viajar por esse Brasilsão de meu deus todo!!
      Queria saber se mochileiros experientes poderiam me dizer alguns riscos e precauções á tomar
      Agradeço á todos que me responderem 
    • Por Mari D'Angelo
      Muita gente me pergunta “nossa, por que Brasília?”, e confesso que até conhecê-la também não tinha muitas expectativas. Mas, o namor(i)do sempre quis conhecer a cidade, então resolvi dar um presente diferente no natal, comprei nossas passagens!
       
      Fomos em um fim de semana e achei suficiente para conhecer o básico da nossa árida capital. Prepare-se, você vai depender muito de um GPS pois é extremamente difícil se localizar em ruas com nomes como W3, QL-10, L2, e ainda dividir tudo isso em asa norte e asa sul… é verdade que 90% da parte turística fica em uma única avenida, mas fora isso, o resto é bem confuso.
       
      Chegamos na sexta já de noite e pegamos a referência de uma rua com bares e restaurantes, mas nos perdemos tanto que no fim nem sei se caímos na rua certa rs, o fato é que encontramos um lugar incrível chamado Respeitável Burger, o ambiente é todo inspirado em elementos circenses e a comida é uma delícia, recomendo muito!
       
      Depois fomos dar uma olhada na cidade a noite, além de linda, com todos os prédios e monumentos iluminados, é uma ótima hora para fotos pois tudo fica quase vazio.
       

       
      No dia seguinte, procurando uma padaria qualquer, caímos sem querer na Daniel Briand Pâtissier. Meu lado econômico quis procurar outro lugar mas não resisti ao aconchego das mesinhas no jardim e principalmente, ao croissant! Acho que vale a pena para um café da manhã especial, uma vez na vida…
       
      Começamos nosso roteiro no Santuário Don Bosco. por fora é apenas um caixote de concreto sem grandes atrativos, mas ao entrar, é fascinante! Forrado do chão ao teto por vitrais em tons de azul e roxo dando uma impressão de estar dentro de um céu estrelado, e pra completar, um enorme lustre de vidro (que você pode pagar para ver aceso ou voltar após as 18h). Não consigo entender como este lugar não está entre as principais atrações de Brasília!
       

       
      Saindo de lá, seguimos para a Catedral Metropolitana. A catedral, desenhada por Niemeyer, é incrível por fora, rodeada por um espelho d’água, pelos sinos espanhóis e pelo conjunto de esculturas “Os quatro evangelistas”, e por dentro, com os vitrais azuis e verdes de Marianne Peretti dando a sensação de ondas d’água refletindo no interior todo branco. Anjos pendurados no centro, quadros e esculturas (inclusive uma réplica de Pietá micromilimetricamente igual a original, abençoada pelo papa João Paulo II) completam o conjunto.
       

       

       
      Demos uma rápida olhada por fora no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional e seguimos pela Esplanada dos Ministérios até chegar a Praça dos Três Poderes é lá que se concentram, entre outras coisas, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto e claro, o Congresso Nacional. Além disso várias esculturas como a simpática “Os Candangos” e por fim, o Panteão da Pátria, visitamos este último que é bastante rico ao contar a história política do nosso país.
       

       
      Seguimos para uma visita guiada no Congresso Nacional, achei que seria um pouco cansativo mas foi bem interessante, até pra entender melhor como as coisas funcionam por lá. O prédio é todo decorado com obras de Athos Bulcão e Marianne Peretti (aliás, esses dois + Niermeyer e Lúcio Costa são responsáveis por quase tudo que há em Brasília) e passa por alguns lugares bem interessantes como os plenário da câmara e do senado, onde adorei saber da curiosidade que os desenhos sob o carpete são feitos pelo faxineiro com o aspirador de pó!
       

       
      Fomos até a Torre de TV, de onde se tem a vista panorâmica da cidade, mas estava em reforma, de qualquer forma tem uma simpática feirinha ao seu redor, bom lugar pra comer alguma coisa rápida e barata.
       
      Pra terminar o dia, fomos curtir o visual do lago Paranoá no Bar do Alemão, uma delícia!
       
      No dia seguinte, depois de muito rodar atrás de uma padaria (todas fechadas aos domingos!), seguimos pelo Eixo Monumental em direção ao Memorial Juscelino Kubitschek, o plano era entrar mas achamos que por R$10,00 não compensaria (Já que a maioria das coisas é de graça).
       

       
      Em seguida fomos para um ponto quase nada turístico, o Parque Burle Marx com sua Praça dos Cristais, é interessante, mas dispensável se o tempo estiver curto. O próximo ponto foi o Parque da Cidade, e esse vou ser bem direta, nem perca seu tempo!
       

       
      Terminamos a viagem no lugar mais agradável de Brasília, o Pontão do Lago Sul é como um clube, com alguns restaurantes, bares e um agradável caminho verde pra ficar admirando a Ponte JK e uma incrível lua cheia ao anoitecer (com um chopp IPA da cervejaria Devassa fica ainda melhor!).
       

       
      Algumas informações úteis:
       
      Santuário Don Bosco: SEPS 702 Bl. B s/n° – Asa Sul | Grátis
       
      Catedral Metropolitana de Brasília: Esplanada dos Ministérios – Lote 12 | Grátis
       
      Visita ao Congresso Nacional: Diariamente, das 9:30 às 17:00 com saídas guiadas a cada 30 minutos | Grátis
       
      Panteão da Pátria: Praça dos Três Poderes | De terça à domingo, das 09:00 às 18:00 | Grátis
       
      Memorial Juscelino Kubitschek: Eixo Monumental – Lado Oeste, Praça do Cruzeiro | De terça à domingo, das 09:00 às 18:00 | R$10,00
       
      Texto original e mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/brasilia-nossa-capital-e-muito-mais-interessante-do-que-parece/
    • Por Mari D'Angelo
      Relato original e mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/o-que-fazer-em-curitiba-especialmente-na-epoca-de-natal/
       
      1. Jardim Botânico
       
      Um dos principais cartões postais da cidade, o Jardim Botânico de Curitiba (chamado oficialmente de “Francisca Maria Garfunkel Rischbieter”, em homenagem à urbanista de mesmo nome) tem como elemento central a enorme estufa de 3 abóbadas de arquitetura art-nouveau, inspirada do Palácio de Cristal de Londres, que abriga diversas espécies de plantas tropicais. Em frente, um lindo jardim geométrico que me remete a um mini-versailles. Além disso há outros cantos muito agradáveis, como o jardim das sensações, um espaço delimitado onde foi criada uma atmosfera propícia para o contato direto com a natureza. O visitante segue uma rota com diversos exemplares de plantas e pode inclusive tocá-las, percebendo assim suas texturas, aromas etc.
       
      Informações:
      Rua Engenheiro Ostoja Roguski – Jardim Botânico – CEP 80210-390
      Segunda a domingo | Verão: das 6h às 20h / Inverno: das 6h às 19h30 | Grátis
       

       
      2. Museu Oscar Niemeyer (MON)
       
      Esse é o tipo de lugar que só pela arquitetura já vale a visita. O prédio concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer é popularmente chamado de “olho” e abriga exposição de artes visuais, arquitetura, urbanismo e design. Quando o visitamos em 2012, a exposição principal era sobre o poeta Paulo Leminski, achei incrível o modo criativo como ela foi planejada dentro do espaço todo preto. Outras exposições simultâneas acontecem espalhadas pelas 12 salas expositivas.
       
      Uma dica, o bar e restaurante “Barolho”, que fica na esquina em frente ao museu tem um ótimo custo benefício, a comida é boa e o preço escelente!
       
      Informações:
      Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cí́vico – CEP 80530-230
      Terça a domingo, das 10h às 18h | R$ 6,00 inteira / R$3,00 para professores e estudantes / Grátis para menores de 12 anos e maiores de 60
      http://www.museuoscarniemeyer.org.br
       

       
      4. Ópera de arame
       
      Outro ponto obrigatório na capital paranaense, a Ópera de arame é uma incrível construção em aço, metal, vidro e policarbonato, que dão ao prédio circular um aspecto de interação com a natureza, já que ao seu redor fica um grande lago com cascata e muito verde. O espaço foi construído em 75 dias, no local de uma antiga pedreira. É possível visitar parcialmente seu interior, e costuma estar bem cheio de turistas. O café no andar inferior também é bem agradável.
       
      Informações:
      Rua João Gava s/n – Abranches
      Terça a domingo, das 08h às 22h | Grátis
       

       
      5. Coral de Natal do Palácio Avenida
       
      Curitiba é conhecida como a Capital do Natal, a partir do fim de novembro eles começam uma série de eventos ligados a essa data (que eu particularmente amo!). O principal deles é o coral das crianças de instituições apoiadas pelo programa HSBC Educação. Voluntários chamados de Anjos de Natal as acompanham por um ano em aulas de canto e instrumentos musicais, o resultado é incrível! As apresentações acontecem no Palácio Avenida, e o público lota as ruas para assistir, chegue cedo para conseguir um bom lugar!
       
      Ok, confesso que pra muita gente essa descrição pode lembrar aquele coralzinho desafinado da escola, mas garanto que a apresentação é maravilhosa e muito emocionante. A produção conta com efeitos de luz, projeções, fogos e atuações teatrais. Assista o vídeo abaixo para conhecer um pouco desse lado mágico de Curitiba.
      A decoração de toda a cidade também é caprichada.
       
      Informações:
      http://www.natalcuritiba.com.br
       
       

       
       
      6. Torre Panorâmica
       
      Vou ser muitissímo sincera, coloquei esse ponto na lista pois acho que é importante dar a opção, mas honestamente não acho que valha perder tempo aqui, especialmente se este for curto. Encontramos o mirante com alguma dificuldade e ao subir não vi nada de muito atrativo, não sei se pelo fato de me incomodar com mirantes totalmente fechados por vidros, ou de o tempo estar fechado e chuvoso… talvez em um dia de sol seja mais interessante.
       
      Informações:
      Rua Prof. Lycio Grein de Castro Vellozo, 191 – Mercês – CEP 80710-650
      Terça a domingo e feriados, das 10h às 19h | R$ 3,50 inteira / R$1,75 para crianças de 5 a 9 anos e maiores de 60 anos / Grátis para menores de 5 anos
       
       
       
      7. Bosque Alemão
       
      Aqui sim é um ponto onde acho muito válido “perder” umas horinhas! O lugar, como sugere o nome, homenageia os imigrantes alemães na cidade. Localizado na antiga chácara da família Schaffer, dona de uma famosa leiteria, o espaço conta com diversas atrações, como o oratório de Bach que funciona com uma sala de concertos e fica na réplica de uma igreja presbiteriana, a trilha de João e Maria, um relativamente longo caminho em meio à mata verde com painéis ilustrados contando a história criada pelos irmãos Grimm (uma graça!) e o pórtico que reconstrói a fachada de uma das principais obras arquitetônicas da comunidade alemã chamada Casa Milla. Além disso o bosque conta com uma biblioteca chamada “Casa encantada” onde diariamente bruxas e fadas encenam contos para as crianças.
       
      Informações:
      Rua Nicolo Paganini com Rua Schubert (ou Rua Francisco Schäffer) – Vista Alegre
      Diariamente, das 08h às 18h
       

       
      Claro que há muito mais o que fazer em Curitiba, essas dicas foram baseadas no que fizemos em um fim de semana na cidade. Para se hospedar, recomendo muito o Motter Home Curitiba Hostel, o lugar é uma graça (fotos abaixo), o preço é bom e os funcionários são super gentis.
    • Por Mari D'Angelo
      Relato original e mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/de-passagem-por-salvador/
       
      Uma viagem para Morro de São Paulo tem que começar de algum outro ponto da Bahia, normalmente a escolha é por Ilhéus ou Salvador. Nossa opção para esta segunda vez na ilha foi a capital baiana, chegamos ao Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães por volta das 15h de uma quinta-feira para passar a noite na cidade e na manhã seguinte partir para o nosso esperado destino. Um ônibus de quase 2h faz o trajeto Aeroporto-Praça da Sé (na verdade esse é o nome da linha mas ele não para exatamente lá, cuidado!) por R$3,50, mas se quiser algo mais rápido ou confortável existem ônibus que vão direto ao centro, se não me engano por R$30,00.
       
      Como a ideia era só passar a noite, busquei uma localização estratégica para aproveitar as poucas horas que teríamos na cidade e ao mesmo tempo ficar próximo ao local onde pegaríamos o catamarã no dia seguinte. Esse lugar é a Praça da Sé, entre o Pelourinho e o elevador Lacerda, que desce para o porto de onde saem os barcos para Morro. Se seu objetivo for esse, é uma boa opção, porém, nunca, jamais fique no hotel que ficamos! Ele se chama Arthemis, ocupa o último andar de um prédio bastante suspeito, tem um café da manhã extremamente razoável e o pior, o inaceitável, um banheiro deplorável! Eu não sou fresca, estou bastante acostumada a ficar em pousadas e hostels super simples, mas esse não dava! Até sabonete usado tinha no lugar, e o preço nem era tão bom assim. Mas enfim, tudo tem seu lado bom e nesse caso o ponto positivo era essa vista espetacular!
       
      Seguimos até a Praça Thomé de Souza onde fica o lindo prédio da Prefeitura Municipal e o cartão postal da cidade, o elevador Lacerda. Eu imaginava que ele tivesse uma vista panorâmica ou algum atrativo, mas é mesmo “só″ um meio de transporte para ir da parte alta à baixa da cidade (e vice-versa), o valor é R$ 0,15.
       
      Já lá em baixo, passamos pelo Mercado Modelo (não entramos mas dizem ser um bom local para comprar souvenirs) e paramos no prédio logo atrás para comprar a passagem do dia seguinte, mas como já estava fechado, voltamos com antecedência no dia seguinte. A viagem não foi nem de longe o show de horrores que dizem por ai, mas conto em detalhes no próximo post.
       
      Vou ser muito sincera, minha primeira impressão da cidade não foi das melhores, aliás, foi das piores! Os poucos lugares pelos quais passamos eram bastante sujos e a sensação de insegurança era constante, além dos soteropolitanos, que foram muito menos acolhedores do que esperávamos (do começo ao fim da viagem). Mas nem tudo foi tão ruim assim, além de ganhar esse lindo pôr do sol, eu amei me perder pelas ruazinhas fofas do Pelourinho!
       

       
      Falando do “Pelô”, lá a coisa é bem diferente, policiais estão presentes em cada esquina garantindo a sensação de tranquilidade, mas, como disse o funcionário do hotel que ficamos, há um perímetro onde é seguro andar, algumas ruas para o lado a coisa já se torna meio perigosa (nem fui conferir se é verdade, claro!). O fato é que o lugar é uma graça, ruas de paralelepípedo com fitinhas, igrejas barrocas que ficam maravilhosas iluminadas, casinhas coloridas, lojas de souvenir, bares e restaurantes com aroma de dendê!
       
      O ponto mais famoso é com certeza o largo em frente à Fundação Casa de Jorge Amado, onde em 1996 Michael Jackson gravou com a participação super especial do Olodum, o clipe da música “They Don’t Care About Us” e com isso internacionalizou o local. Claro que por ser o lugar de maior visitação é também onde tem a maior quantidade de gente tentando te vender colares, pulseiras, fitinhas do bonfim… aquela coisa.
       
      Depois de muito subir e descer ladeiras, a fome bateu e fomos procurar uma comidinha baiana pra fechar a noite. Nesse momento acontece uma coisa muito irritante para brasileiros (bom, talvez não com todos, mas os com tom de pele “branco-gelo” como eu, com certeza), as pessoas falam com você em portunhol! Acham que você é gringo e soltam palavras aleatórias do tipo “Brasil… lindo… baratinho”, devagar e bem alto, pra ver se entendemos. No começo é até engraçado, mas depois fica meio chato, enfim, acho que da próxima vez vou tomar um sol antes de aparecer por lá!
       
      O restaurante que escolhemos foi o Dona Chika-ka. Mesinhas na calçada, clima agradável, cerveja gelada e uma deliciosa moqueca de peixe com camarão (até o pirão estava uma delícia, e eu não sou a maior fã do quitute!), recomendo! O engraçado foi ver como a coisa funcionava, uma baiana lá em baixo colocava o pedido em uma cestinha que era puxada por outra lá em cima, assim que os pratos estivessem prontos, desciam pelo mesmo sistema, super prático! Rs.
       
      O endereço é: Rua do Açouguinho, 10
       
      Sinceramente, acho que não voltaria para Salvador, claro que a cidade deve ter inúmeros lugares interessantes para conhecer, mas acho que nesse caso, a primeira impressão ficou.
       
      Relato original e mais fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/de-passagem-por-salvador/


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