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Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro d

Eita! Vou ter que editar tudo novamente, a atualização do site desconfigurou toda a formatação e retirou as legendas da fotos. Enfim, com calma irei reajustar tudo. 

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Perfeifo seu relato.

E sabes mais menos qnt foi gasto no seu periodo no Uruguai? Couchsurfing e facil arrumar la? Quero ir agora em julho /agosto. E gastar o minimo possível. Vai ser meu primeiro mochilao e estou meio perdido ainda. Mais sua check list do q levar ja foi de Grande ajuda.

 

Obrigado, Cláudio,

 

Então, fiquei cerca de doze dias no Uruguai e gastei por volta de mil reais. Este trecho da minha viagem foi o único que permite-me alguns luxos (foi o que eu mais gastei), como por exemplo: Comer em um bom restaurante, frequentar o Café Brasileiro, assistir um jogo de futebol e ainda comprei muitos doces de leite e alfajores para presentear minha família. Em contra partida, cozinhei, caronei, acampei e deixei de fazer muitas coisas

Sobre o couchsurfing, nas cidades maiores é bem tranquilo conseguir. Economizar numa viagem ás vezes é difícil por causa das expectativas que carrega contigo. Eu ficava feliz em caminhar o dia todo e conversar com os nativos. Fazendo isso meu dia estava ganho. Tem pessoas que gostam de fazer compras, outras de baladas e por assim vai. A única que posso te falar com certeza é que você vai gostar e muito do Uruguai.

 

Cláudio muita paz pra ti.

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Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela

Esse canto do mundo rico em diferenças, onde se vive os extremos. Em um dia podemos estar no mar azul caribenho de Los Roques. No outro, podemos explorar a Amazônia. Podemos caminhar pela Gran Sabana e ver os imponentes Tepuys. A maior cachoeira do mundo está aqui. No lago de Maracaibo encontra-se a mais longínqua reserva de petróleo deste planeta. A cordilheira dos Andes começa ou termina neste país da América do Sul que está totalmente localizado no hemisfério norte. Esta terra que é o berço do El libertador Simon Bolívar, esse que sonhava em ver uma América unida pela preciosidade que é a diferença. Assim, como no Brasil, negros, brancos, ameríndios, mestiços e imigrantes fazem deste lugar uma festa do plural. Aqui onde os ricos são muito ricos, os pobres são muito pobres e o abismo social é a marca registrada por cinco séculos. Por muito tempo, viajantes de todo o mundo se aventuraram em seu folclórico rio Orinoco, cegos e fascinados pelas mil e umas histórias sobre El Dorado. Aqui o sangue latino é presente, o riso é alto, os abraços calorosos e os corações são quentes. Você pode torcer o nariz ao ouvir seu nome, mas nunca poderá ignorar sua beleza. Essa é a Venezuela e com muito prazer iniciava minha jornada em suas terras.

Curiosidade 12.1: Venezuela tem esse nome por causa do navegador Américo Vespúcio. Ele chamou à terra de pequena Veneza em homenagem a famosa cidade italiana. Isso porque os nativos ao redor do lago de Maracaibo construíam suas casas com palafitas.

Curiosidade 12.2: A maior cachoeira do mundo chama Salto Angel e tem quase 1000 metros de queda d’água.

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"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!" Assim falou Zaratrustra, Friedrich Nietzsche

Chegamos a Santa Elena de Uairen. O casal logo se despediu. O tempo deles era curto e queriam logo chegar ao Caribe. Iriam ver, conhecer e sentir o mar pela primeira vez. Isso sim é uma viagem marcante.

Eu sai caminhando pela cidade. Entrei num bar e logo me senti um estrangeiro ao ver um amontoado de gente vibrando com um jogo de beisebol. Conversei com algumas pessoas e peguei a direção das agências que fazem o trekking pelo Monte Roraima (para os venezuelanos somente Roraima), meu principal motivo de estar na Venezuela.

Depois de entrar em algumas agências e ficar assustado com os valores, segui procurando e cheguei até a Mystic Tours. Iria sair um grupo de quatro pessoas já na manhã seguinte. Fiquei animado. Conversei com a senhora responsável do lugar e ela disse que o valor era de R$1200. Era o preço mais barato até então, mas fora do meu orçamento. Estava com apenas R$850 (não estava com MoneyTravel e muito menos tinha liberado meu cartão de débito para saque ou operação no estrangeiro). Fiquei toda a tarde conversando com ela, contei minha história, meus motivos e logo parecíamos amigos. Peguei R$700 e dei para ela e disse que era tudo o que eu tinha (realmente era, com os outros R$150 teria que sobreviver em Santa Elena e voltar para Boa Vista). Ela de alguma forma me acolheu e abriu também seu coração para mim. Assim, ela aceitou minha oferta e ainda me arrumou um quarto para passar a noite. Eu teria que levar meu equipamento de camping, os outros integrantes não precisariam. Também seria responsável por montar/desmontar acampamento e não poderia dizer sobre o valor pago (acho que agora pode) com os outros. Meu coração se encheu de alegria, mais uma vez tudo havia dado certo. Pela noite tentei esvaziar minha mochila para o trekking, só iria levar o necessário, afinal seriam 7 dias de caminhada.

Informação 12.1: O preço do trekking é fixado em dólares. Geralmente o preço flutua entre 300 a 500 (dependendo da quantidade de dias e da comodidade escolhida) dólares nas agências venezuelanas. O dólar estava 4 reais na época, por isso o preço de R$1200 na agência.

Informação 12.2: Existe apenas uma agência brasileira autorizada a fazer o trekking esta é a Roraima Adventures. O preço é muito mais salgado. Compensa muito mais ir até a Venezuela e contratar uma agência de lá.

“Achava que com oitocentos reais conseguiria conhecer o Monte Roraima, Salto Angel e talvez as islas Margaritas. Fui muito inocente. Não sei ao certo. Se tivesse que escolher o Roraima seria minha escolha e foi o que fiz hoje. Escolhi. Por um momento achei que não conseguiria conhecer nenhum, mas aquela senhora, por algum motivo confiou em mim. Dizia que nunca antes havia alguém que chegastes como cheguei. Ainda bem. Agora vou conhecer o Roraima e espero aprender com a montanha. Já é noite e estou muito ansioso. Quero logo estar de frente com a montanha e sentir o que ela tem a me oferecer.” Notas de Diário

O sul da Venezuela tem problemas com abastecimento de água e como janeiro é época de seca na região, toda a cidade de Santa Elena de Uairen não tinha água nas torneiras. Não existe reserva de água, o volume dos rios dita o ritmo do uso da água. Água por sinal era tratada como ouro. Tomar banho em um hotel barato é impossível nos primeiros meses do ano. Claro, que os endinheirados sempre vencem e as pousadas mais pomposas conseguem o milagre de jorrar água pelas torneiras.

Santa Elena de Uairen é uma cidade peculiar. Sabemos dos problemas de abastecimento de itens básicos na Venezuela, uns vão dizer que é por boicote internacional e outros por descaso do governo. Não importa seu ponto de vista. O que importa que Santa Elena faz fronteira com o Brasil e a moeda brasileira, mesmo com a crise, é muito mais forte que os bolivares venezuelanos. Os brasileiros que vivem na fronteira sabendo disso vão até a cidade e compram tudo o que pode. Fazendo sobrar quase nada para os venezuelanos.

Informação 12.3: A moeda na Venezuela é o Bolívar. O governo fixa o valor oficial do dólar no país e isso cria um mercado paralelo inflacionado. Consegue-se trocar um dólar/real no mercado paralelo por mais de 20 vezes o valor da cotação oficial.

Informação 12.4: Como o governo congela o valor do dólar e não faz isso com os preços, e também não lança notas de grandes valores, faz o papel moeda não ter quase valor. Caso queira cambiar mil dólares irá precisar de uma mochila de 90 litros só para guardar o dinheiro.

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Dormi nesse dia ansioso por começar a caminhada que me levaria ao Monte Roraima.

 

Trekking Monte Roraima – Dia 1

Acordei. Eram quatro horas da manhã. Meu olho doía demais. Fui até o espelho e vi que meu olho esquerdo estava fechado por causa de um calazo/terçol. Não era a primeira vez que isso acontecia, mas por que agora? Não tinha água no quarto e eu precisava tomar banho e fazer compressa de água quente no meu olho. Sai da cama e fui para a Mystic Tours. Lá consegui um banho e água para começar tratar o calazo. Não desanimei, encarei isso como uma provação para merecer estar na montanha.

Depois de algumas horas conheci a Carola que acabava de chegar à agência. Ela era integrante do grupo que iria subir o Monte Roraima comigo.

Carola é uma mineira de dezoito anos. A pouca idade contradiz o tamanho da sua coragem. Decidiu fazer seu primeiro mochilão e tudo começava no Roraima. Mulher, viajando sozinha, caroneira, sua falta de experiência era compensada pelo seu humor que contagia todo mundo.

Logo chegou o trio do Rio Grande do Sul que eu já havia conhecido no dia anterior. Assim, o grupo estava completo.

Camila e o Anderson são um casal dos mais simpáticos e agradáveis. Ele engenheiro e ela futura arquiteta. São de uma paz incrível. O respeito que os dois transbordam um pelo outro é coisa a se admirar. O complemento que um é para o outro faz parecer que relacionamentos são coisas das mais fáceis.

Luana é amiga do casal. Morou alguns anos na Austrália e cursa biotecnologia. Tudo perto dela parece fácil, dona de uma simpatia natural e de um coração grande. Tem um sorriso fácil. Ela e a Cami são das melhores amigas.

Juntamos nossas coisas no teto da Toyota que nos levariam até Paraitepuy, comunidade que é a porta de entrada para o trekking. Dentro do carro conhecemos o Hélio que seria o nosso guia. Também conhecemos o Miguel que seria o responsável por cozinhar e carregar a comida do grupo, e por fim, e não menos importante, o Cecílio que carregaria os itens do acampamento.

O terreno onde se localiza o Monte Roraima é uma reserva indígena. Como regra é necessário ter ao menos um guia local para poder adentrar as terras pertencentes a eles. No nosso caso, o Hélio, Miguel e o Cecílio eram nativos daquelas terras que tem as formações expostas mais antigas do nosso planeta. A região onde se localiza o Monte Roraima é chamado de Gran Sabana e situa-se na macro-região dos planalto das Guianas (região que corresponde as Guianas, Suriname, os estados de Roraima e Amapá e uma parte da Venezuela).

O Monte Roraima é um tepuy. Os tepuys são mesetas, ou seja, montanhas com paredes verticais e com o topo plano que lembram uma mesa. O Monte Roraima é o maior tepuy, mas não é o único.

No caminho para Paraitepuy fomos conversando entre o terreno acidentado e belo que liga a comunidade a Santa Elena. Nos primeiros momentos tive a certeza que seria feliz nos próximos dias. Tive sorte de estar num grupo tão pequeno e cheio de boas pessoas.

Curiosidade 12.3: Para encher o tanque de gasolina na Venezuela é necessário apenas R$0,04. A gasolina é subsidiada pelo governo. Brasileiros na fronteira conseguem abastecer num posto de gasolina onde a gasolina é 40 centavos o litro, mas a fila é gigantesca, assim como na Venezuela.

Chegamos à comunidade e logo começamos a caminhada que seria de 15 km no primeiro dia. O percurso nesse dia é relativamente tranqüilo, sem muita subida e com algumas descidas. O problema é o sol. Como é uma região de savana a vegetação é baixa e tem poucos lugares para fugir do sol. Nesse mesmo dia dois grupos mais iniciaram o caminho. Um grupo de umas 15 pessoas de venezuelanos e outro grupo de 10 japoneses. Esses dois grupos não carregavam suas mochilas, contrataram carregadores pra isso. Então, nosso grupo, onde todos levavam suas mochilas, era o mais lento, mas também era o mais unido.

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No meio do trajeto tem-se a melhor vista de todas. Você avista no horizonte toda trilha que será percorrida e no seu fim está o imponente Roraima e seu vizinho Kukenán. Que beleza. Nesse momento, você tem a certeza que as escolhas que te levaram até ali foram às certas. Não tem como não sorrir diante de tamanha beleza. Aproveitamos para tirar as primeiras fotos em grupo.

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Depois de quase cinco horas de caminhada chegamos ao primeiro acampamento. Aproveitamos para nos banhar no rio Tek. No resto do dia, nos conhecemos melhor e nos aproximávamos cada vez mais. Fiz as compressas quentes no meu olho. O melhor foi pela noite onde o céu se abriu para nós. Sem nenhuma poluição luminosa era possível ver o céu preenchido com suas infinitas estrelas. Lindeza demais. Depois do deserto de Atacama, o céu na Gran Sabana são os mais bonitos que já vi.

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Trekking Monte Roraima – Dia 2

Acordamos cedo. Já na segunda refeição o Miguel se mostrava o melhor cozinheiro de todos. As noites naquele canto do mundo são úmidas demais. Toda manhã tinha que deixar minha barraca para secar e depois desmontar o acampamento às pressas para não atrasar o grupo.

O segundo dia, em minha opinião, foi o mais difícil. Não pelo trajeto, mas pelo sol. Neste dia, caminha-se o tempo todo em um campo aberto e tivemos a “sorte” de ter a companhia do sol em todo o momento. Não existe sombra pelo caminho. O trajeto tem muitas subidas, mas o sol acaba contigo. Para piorar o tênis do Ander abriu-se todo. Esse trajeto parece mais uma penitência. Consegue-se água só pelo fim, onde alguns trechos de rio margeiam o caminho. O paredão do Monte Roraima vai se aproximando cada vez mais, quase não dá tempo de apreciar a paisagem. A vontade é tanta de chegar ao segundo acampamento que o entorno perde sentido. Chegar ao acampamento neste dia, foi como, acho eu, chegar ao céu. Alivio. Desmaiamos por alguns momentos no gramado.

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Comemos muito bem. O Miguelito até então se escondia de nós, mas sua presença sempre estava nas refeições. Ele conseguia fazer um prato simples uma verdadeira obra de arte. O Cecílio, pelo contrário, cada vez mais nos tornávamos amigos, ele falava um espanhol ruim e eu também. Nesse dia, ele separou o melhor lugar do acampamento para mim. Com o coração gigante sempre se lembrava do meu olho doente e trazia água quente para a compressa. O Hélio ganhou todo o grupo, hoje. Antes ele mostrou seus dotes de costureiro e consertou o tênis do Ander. Depois resolveu comer conosco e com sua simplicidade contou inúmeras histórias, primeiro em sua língua e depois em espanhol. Nessa noite eu respeitei o meu grupo, não por ser companhia de trajeto e sim por suas almas. Ver que o respeito e admiração que o Ander, Cami, Carola e a Lu tinham pelo Hélio, Miguel e o Cecílio eram o mesmo que eu tinha, me fez ter a certeza que aquele grupo era o melhor que estava subindo a montanha naqueles dias.

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Estávamos na beira do paredão. Acampados e unidos. O frio era grande, mas o céu nesse dia foi o mais lindo. A imensidão de estrelas cheias de brilho é uma cena que me recordo todos os dias. Tentamos fotografar o céu, sem sucesso. O Ander, Cami e Lu conseguiram uma foto escrevendo Roraima com a lanterna. Se eu pudesse escolher, estaria vivendo até hoje aquela noite. Ao som das histórias do Hélio, com o companheirismo de todos os outros, o céu estrelado e o Roraima tão perto, faz você entender que não é preciso muito para ter um dia inesquecível, apenas sintonia.

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Trekking Monte Roraima – Dia 3

O terceiro dia é o dia da subida. A elevação vertical do dia chega perto dos mil metros. Também é o dia que separa algo que parece tão distante para palpável. O dia que o sonhar torna-se realidade. O trajeto no inicio é muito íngreme, acredito que em partes chega a sessenta graus. No encosto do Monte Roraima a savana dá lugar a uma vegetação densa. Caminhar nesse momento é mais agradável, o sol não judia tanto. O verde toma conta de tudo. O coração bate mais forte ao encostar-se pela primeira vez no Roraima.

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Todo o trajeto continua relativamente tranqüilo até chegar à subida final. Ai é uma hora de desgaste total, ainda demos sorte que a cachoeira que corta o percurso estava seca, facilitando o caminho. Eu só conseguia pensar no topo. O legal que o grupo permaneceu unido em todo momento. Esperando a fraqueza de cada um. O Hélio fez uma oração antes de darmos o passo final. Ele pedia a permissão da montanha para estarmos lá. Chegamos ao topo de mãos dadas. Todo cansaço não importava diante daquele diferente cenário. Logo corremos para os desfiladeiros e avistamos todo os 40 km que distanciava-nos do inicio.

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Lá em cima, existem várias cavernas que o pessoal chama de hotéis e servem de acampamentos para se proteger do peculiar clima do topo do Roraima. Só havia uma caverna disponível que cabia apenas duas barracas. Assim, eu tive que acampar no relento e não foi nada ruim. O frio era intenso. Antes de cair à noite, todos já estavam abrigados.

Informação 12.5: Ao estar em cima do Roraima, toda as fezes criada lá tem que ser levada pra baixo. Então, cagou levou. Quando está nos acampamentos abaixo, tem-se a opção de enterrar. Pegou a enxada no acampamento todos sabem o que irá acontecer rs.

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Trekking Monte Roraima – Dia 4

Neste dia acordei doente. À noite na barraca exposta ao relento me fez mal. Tinha febre e tosse, ao menos meu olho parecia melhor. Conseguimos uma caverna numa elevação. Mudei o acampamento e tomamos um bom café, depois começamos a caminhada para a tríplice fronteira.

Nesse dia me dei o direito de pensar um pouco mais. Comecei a pensar na vida dos nativos deste lugar. O quão custoso era nascer ali. Você nasce e seu futuro é ser carregador de carga. A reserva não é auto-sustentável, fazendo do turismo o principal meio de vida de todos. Então, você aceita o seu destino ou aceita, não tem opção. Ver aquele monte de nativos que sobem e descem o Roraima numa velocidade incrível faz você achar que são super homens e super mulheres. No entanto, com o tempo sabe-se que eles muitas vezes se drogam para poder agüentar as repetidas subidas com o peso além do normal. O sistema é cruel, se não existe o turismo eles não tem o dinheiro e com o turismo eles são destinados há uma vida de migalhas. Pensei no choque cultural. Pensei na injustiça. Pensei em milhares de coisas. Só conseguia pensar nisso nesse dia. Tudo começou depois do Miguel aceitar uma proposta de ajudar um pessoal descer uns equipamentos (até o acampamento do primeiro dia) e retornar no mesmo dia, por míseros quarenta reais.

"Em 1492, os nativos descobriram que eram índios,

descobriram que viviam na América,

descobriram que estavam nus,

descobriram que existia o pecado,

descobriram que deviam obediência a um rei e a uma rainha

de outro mundo e a um deus de outro céu,

e que esse deus havia inventado a culpa e o vestido

e havia mandado que fosse queimado vivo quem adorasse

o sol e a lua e a terra e a chuva que a molha." Os filhos dos dias, Eduardo Galeano

O caminho para chegar até a tríplice fronteira (Brasil, Venezuela e Guiana) é longo. Quatro horas de intensa caminhada. O caminho até o lugar é todo belo. Cheio de formações rochosas (não sei ao certo qual formação geológica é, mas usarei o termo rochoso/a) diferentes e de todas as formas. Nesse dia, para quem assistiu Up – Altas Aventuras é muito característico. A mudança de clima é constante. Sol. Daqui alguns minutos neblina intensa e depois sol. Alternando assim, o tempo todo. Clima louco. A fauna e a flora são únicas. Tudo que ver tem que guardar na memória, pois não verá em nenhum outro lugar do mundo.

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Chegamos à tríplice fronteira, depois de muito custo. Um monumento sem sal e nem açúcar indica o lugar. Aqui aquela máxima: “O que vale é o caminho e não o destino” se faz justa.

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Todos estavam mortos. Caminhar de volta ao acampamento foi difícil. Paramos numa lagoa em uma caverna, só de olhar dava frio. Eu por causa da febre não encarei e a Carola me acompanhou. O restante do grupo foi mais corajoso e resolveram nadar. Retornamos depois de quase oito horas de caminhada. Chegamos, comemos e num piscar de olhos dormimos.

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Trekking Monte Roraima – Dia 5

Nesse dia acordei muito bem. A febre desapareceu e meu olho parecia estar bom. Tomamos café e a Carola não queria sair da barraca. Penso hoje, se ela tivesse insistido em ficar na barraca descansando perderia o clímax de todo o trekking. Conseguimos convencer ela ir. Ainda bem.

Primeiro passamos pelos cristais, a maioria deles estão todos quebrados. O turismo danifica a preciosidade do cenário. Sempre tem os espertões que querem levar um pedaço do lugar e roubam os cristais. Depois vimos à figura do Fidel Castro numa formação rochosa. Caminhamos mais um pouco e mal sabia que estava indo de encontro com a imagem que não sai mais da minha cabeça.

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Chegamos às Las Ventanas. Lugar onde o vazio entre o Roraima e o Kukenán (Tepuy vizinho ao Roraima) é preenchido por nuvens. Não consigo explicar o que é estar ali. Olhar aquele infinito de nuvens que mais se parecia com um caminho de algodão doce era algo sobrenatural. Pensei em muitos momentos caminhar nas nuvens. Ainda acho que não cairia. Sabia que aquilo que estava vendo iria/vai me acompanhar em pensamento até meu último momento. Não consigo descrever o que meus olhos viram. Vou deixar as imagens explicarem melhor.

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A Cami e a Lú levaram bexigas para tirar foto em Las Ventanas e tentar recordar/reproduzir o belíssimo filme Up – Altas Aventuras. A idéia foi mais que genial e todos que chegavam queriam uma recordação com as bexigas. Um grupo de coreanos que estavam no topo quase enlouqueceu de tantas fotos que tiraram. Realmente, as meninas mandaram bem demais. Até eu que não sou muito de fotografia quis arriscar uma foto sendo levado pelas bexigas.

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Depois de se despedir deste lugar e ver os rostos do Ander, Cami, Carola e Lú parecia que a leveza tinha tomado conta do grupo. Todos pareciam felizes. O cansaço dos dias não existia mais. A beleza do lugar tinha vencido mais uma vez. Passamos por um lago de cor esquisita e nos banhamos sem se importar com o frio. Voltamos para o acampamento e decidimos descer o Roraima neste dia. Acredito que tomamos essa decisão, pois nada mais superaria aqueles momentos vividos minutos atrás.

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Desfizemos o acampamento e iniciamos a descida. Não conseguia pensar em muita coisa. Estava concentrado em descer. O terreno é meio traiçoeiro na descida e é preciso tomar muito cuidado. Muitas pessoas torcem o joelho ou tornozelo. Pelo que me lembro vi duas pessoas nesta situação. Chegamos ao acampamento. Neste dia o grupo se tornou uma família. Hélio, Miguel e Cecílio estavam acostumados com nossa presença e já conversávamos sem pensar na burocracia que nos uniam. Pela noite era um misto de dever cumprido e de gratidão de estar ali, com aquelas pessoas, naquele lugar. Agora ao escrever consigo lembrar perfeitamente dos sorrisos do Ander, Cami, Carola, Lú, Hélio, Miguel e do Cecílio naquela noite. Esse foi o melhor dia dos dias no Monte Roraima.

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Uma coisa que me marcou foi uma história do Hélio. Ele nos contou que não conhecia o mar. Pensar no Hélio é como pensar na liberdade. E saber que ele conhecia cada passo do Roraima e não sabia o que era água salgada me deixou um pouco triste. O legal que ele justificava que preferia não conhecer, por que ele não conseguia imaginar uma água sem poder beber. Outra coisa que ele me disse e tive que concordar é que ele não sai de lá, pois não saberia viver nas noites sem ver todas aquelas estrelas. Eu só conseguiria sorrir depois disso. Aquelas noites, com todas aquelas estrelas amostra eram noites mais que especiais. Hoje em casa, vendo um céu sem graça dou toda razão a ele.

 

Trekking Monte Roraima – Dia 6

Hoje nos demos o direito de acordar mais tarde. De tomar o café com mais calma. De caminhar mais lentamente. De aproveitar o percurso. Estranho andar na direção contrária do Roraima. Estar de costas para aquele que foi nossa obsessão por dias. Agora a cada passo nos distanciaríamos mais e mais.

Em questão de esforço físico e mental hoje foi disparado o mais tranqüilo. Andávamos. Parávamos. Andávamos. Parávamos. O retorno era lento. O sol era forte.

Chegamos. Havia muitas pessoas no acampamento base. Metade iniciava o caminho até o Roraima e a outra metade estava em tom de despedida. Conhecemos algumas pessoas dos outros grupos. O dia foi agradável. A leveza do dever cumprido fazia tudo ficar mais fácil. O rio Tek era disputado por todos. A noite caiu e o fim estava próximo.

Resolvemos juntar o pouco dinheiro que tínhamos e presentear o Hélio, Miguel e o Cecílio. Foi à forma que encontramos de dizer o quão gratos e prazerosos estávamos com eles. O escuro dominava e a Carola puxou o discurso de agradecimento. Ninguém conseguia ver com exatidão o que fazia do som mais intenso. As palavras da Carola ecoavam entre nós. Todas as palavras ficaram pequenas diante da última palavra dita por todos: - Obrigado!

Obrigado pela companhia. Obrigado pelas histórias. Obrigado pelo companheirismo. Obrigado pela proteção. Obrigado por serem vocês. Obrigado pela humildade. Obrigado. Muito Obrigado Hélio, Miguel e Cecílio.

Assim fomos dormir. Gratos por aqueles que fizeram do nosso sonho algo possível.

 

Trekking Monte Roraima – Dia 7

O último dia começou bem cedo. Desfizemos acampamento pela última vez. Tomamos café juntos pela última vez. Pela última vez iniciávamos a caminhada por aquelas terras. O nascer do sol era lindo. O Roraima parecia mais vermelho, suas cores hoje eram mais intensas. Esse foi último presente dele para nós.

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Na caminhada decidi ir sozinho num ritmo mais intenso. Meu joelho não estava legal e não quis esfriar o corpo com paradas. Fiz o trajeto sem nenhuma parada. Meu corpo estava muito bem. Pude testar minha resistência. Fiquei feliz em descobrir que depois de seis dias de exaustão eu estava melhor do que no primeiro dia. Cheguei até a comunidade de Paraitepuy. A primeira coisa que fiz foi me jogar debaixo de um chuveiro que tem lá. A caminhada tinha acabado. Fiquei esperando o restante do grupo. Um a um eles iam chegando. Por fim, estávamos todos nós juntos novamente.

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Felicidade reinava na comunidade para os que iniciavam e para os que encerravam a caminhada. Fomos num botequinho. Tomamos a tão esperada cerveja. Que saudade. Cecílio e o Miguel são bons companheiros de bar. Estávamos todos ali. Bebemos. Rimos. Sorrimos. Conversamos. Bebemos. Sorrimos. O clima entre nós era leve e a jornada ao Roraima acabava de acabar.

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Permito-me encerrar essa parte da viagem com a minha visão de todos nós dentro da Toyota retornando para Santa Elena. Estávamos nós oito espremidos. Olhava para o Hélio e sentia tristeza em seu olhar, nunca irei saber o porquê, quero acreditar que a tristeza seja fruto da felicidade dos nossos dias juntos que agora estava terminando. Olhava o Miguel, dias antes mal conseguia falar de tanta vergonha com a nossa presença e nesse momento conversava com todos. Olhava o Cecílio, ele era só risos e sorrisos. Olhava o Ander e via um grande homem. Olhava a Cami e seu sorriso era do tamanho do seu carisma, gigante. Olhava a Lú que parecia estar triste e feliz ao mesmo tempo. Olhava a Carola, ela era o cansaço em pessoa, mas seu sorriso não fugia nunca. Olhava para dentro de mim e sabia que aquele momento era o fim de um capítulo importante da minha vida. Sentia um misto de tristeza e felicidade. Felicidade por ter compartilhado meus dias no Roraima com aquelas pessoas. Tristeza por ter que me separar dessas mesmas pessoas. A única certeza que eu tinha é que eles iriam fazer para sempre parte da minha história e iria lembrar-me daqueles dias como alguns dos melhores que já vivi. Dias mais que especiais. Ander, Cami, Carola, Cecilio, Hélio, Lu e o Miguel muito obrigado por estarem comigo. Um beijo na alma de vocês.

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Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas

Fui embora da Venezuela com a sensação de até breve. Estava na companhia do Ander, Cami, Carola e Lú, todos nós seguiríamos para Manaus. Seguimos viagem logo depois de chegarmos a Santa Elena de Uairen. A primeira parada foi Boa Vista. O interessante que ao descermos na rodoviária, já era noite, acabou a energia na cidade. Com isso tivemos alguns problemas para comprarmos nossas passagens e tomarmos banho. Já era quase fim do dia quando embarcamos. Chegamos a Manaus pela manhã. Agora era hora de despedidas. Depois de muitos dias juntos era hora de dizer o triste adeus para o trio do sul.

Eu ficaria mais alguns dias em Manaus e agora na companhia da Carola que logo seguiria para a Bolívia. Resolvi mostrar o pouco que conhecia da cidade para ela. Fizemos boa parte dos lugares da minha primeira passagem. Caminhamos muito pela cidade. Fomos ao Ceasa. A Carola conheceu os encontros das águas que por sinal estava mais bonito neste dia, não havia nuvens e as cores dos rios se destacavam muito mais. No centro participamos de um pré-carnaval muito animado, com cerveja barata e samba da melhor qualidade.

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A Carola ficou fissurada pela culinária manauara. Teve a oportunidade de provar tambaqui, pão com tucumã, açai puro, sorvete de Buriti e os sucos de cupuaçu, bacuri, taperebá, cajá e graviola. O engraçado que ela sempre tinha certo receio de experimentar e sempre perguntava qual era o sabor. Qual é o gosto de buriti? Qual é o gosto de cupuaçu? Qual o gosto do tucumã? E as respostas sempre eram as mesmas. Tem gosto de buriti. Tem gosto de cupuaçu. Tem gosto de tucumã. Era engraçado demais isso.

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No dia da nossa despedida acordamos cedo. Eu iria pegar o barco pela manhã. Nesta noite ela voaria para Campo Grande e continuaria seu mochilão pela Bolívia e Peru. Ela me acompanhou até o porto. Antes fomos ao mercadão. Tomamos nosso último açaí juntos. Agora era hora da despedida. Viajar com ela era fácil, mas despedir-se não seria. Falei tchau sabendo que sentiria muitas saudades.

“Agora vou realizar outro sonho. Irei navegar por todo o rio Amazonas. Estou muito ansioso. Espero ser feliz como fui em quase toda a viagem até aqui. ” Notas de Diário

Comprei minha passagem até Parintins por cinqüenta reais. O barco tinha muitas escalas e o destino final seria em Santarém no Pará. Diferente do barco no rio Madeira, este tinha uma infinidade de pessoas. Creio que tinha mil pessoas a bordo. Não havia lugar para colocar a rede. Estava cheio. O pessoal fazia andares de redes para acomodar todos, colocando uma rede mais esticada (deixando ela alta) e outra mais frouxa, assim cabia duas redes numa mesma área. Resolvi não colocar a rede. Seria apenas vinte horas de viagem. Quando o sono batesse deitaria em algum canto. Segui para o piso superior do barco e fiquei no bar.

Informação 13.1: O valor da passagem não inclui alimentação.

Informação 13.2: Existe um restaurante que serve almoço e janta no preço de 12 reais a refeição.

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"As amazonas, temíveis mulheres, tinham lutado contra Hércules quando ele ainda era Heracles, e contra Aquiles na Guerra de Tróia. Odiavam os homens e cortavam o seio direito para que suas flechadas fossem mais certeiras.

O grande rio que atravessa o corpo das Américas de lado a lado se chama Amazonas por obra e graça do conquistador espanhol Francisco de Orellana.

Ele foi o primeiro europeu que o navegou, lá de dentro da terra até mar afora. Voltou para a Espanha com um olho a menos, e contou que seus bergantins tinham sido crivados a flechadas por mulheres guerreiras, que lutavam nuas, rugiam como feras e quando sentiam fome de amores seqüestravam homens, os beijavam na noite e os estrangulavam ao amanhecer.

E para dar prestígio grego ao seu relato, Orellana disse que elas eram aquelas amazonas adoradoras da deusa Diana, e com seu nome batizou o rio onde tinham seu reino.

Os séculos se passaram. Das amazonas, nunca mais ninguém soube. Mas o rio continua com o seu nome, e embora a cada dia o envenenem os pesticidas, os adubos químicos, o mercúrio das minas e o petróleo dos barcos, suas águas continuam sendo as mais ricas do mundo em peixes, aves e histórias." Espelhos, Eduardo Galeano

No bar o fluxo de pessoas era grande. Toda hora eu estava conversando, muito por causa da minha mochila que despertava a atenção das pessoas. Joguei truco e dominó. Ouvi um milhão de vezes as músicas do Safadão. Depois fiz boa amizade com o Henrique que trabalha no IBGE. Ganhei algumas cervejas. Depois nossa turma era bem grande e o tempo passava rapidamente. O barco era tão grande que tinha um telão, estilo cinema, no piso superior e no inicio da noite passava algum filme que preferi não ver.

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O melhor dessa parte da viagem é ter a oportunidade de ver os rios Negro e Solimões caminhando por muitos quilômetros sem se misturarem. A mistura vai acontecendo de forma lenta. O rio Negro vai desaparecendo aos poucos até o rio Amazonas se tornar homogêneo. É muito lindo. O rio cada vez fica mais largo e em alguns momentos não é possível ver as margens.

No fim da noite fui ao compartimento de carga e amarrei minha rede para dormir. Poucas horas depois atracávamos em Parintins.

Parintins consegue ser mais quente e úmido que Manaus. Aqui as cores azul e vermelho dividem a cidade. Os bois Caprichoso e Garantido fazem Parintins ser conhecida Brasil afora. Nos primeiros passos é possível entender a real dimensão da rivalidade entre os bois. Um banco Bradesco na saída do porto com o seu logotipo tradicional vermelho e outro azul. Isso é comum. Uma marca que é azul faz sua versão vermelha e vice-versa para não perder a clientela.

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Apesar de o boi-bumbá ter nascido e se popularizado no Maranhão, a maior festa ou pelo menos a mais conhecida acontece sempre no último final de semana de junho em Parintins. O que faz a cidade receber milhares de turistas nestes dias. A mercantilização do festival e sua divulgação mundo afora estão tornando o festival apenas para turista ver. Das pessoas que conheci em Parintins, apenas uma já tinha estado no Bumbódromo (local onde se realiza o festival) nos dias do festival.

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O azul e o vermelho divide a cidade em duas. O lado azul representa o boi que leva o azul na bandeira, o Caprichoso. Muitas casas pintadas de azul e a paixão pelo boi demonstrada em todos os cantos. A única coisa que não pode ter aqui é o vermelho, cor do rival Garantido. No curral do Caprichoso é o único lugar do mundo que se vende Coca-Cola com embalagem azul, afinal o vermelho é proibido aqui.

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O lado vermelho da cidade representa o boi Garantido. Aqui a paixão pelo boi parece ser muito maior. Cheguei andar muitas quadras onde todas as casas eram vermelhas. O curral do Garantido é um lugar mais afastado do centro. Se eu tivesse que tomar partido e escolher um boi para torcer seria o Garantido.

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Estava numa época pré-carnaval e quase nada se falava dos bois. Os currais estavam vazios e não tinha previsão de ensaios para antes do carnaval. Isso me frustrou um pouco. Queria ter visto ao menos um ensaio para sentir a energia real do Festival Folclórico. De resto, Parintins é um lugar bem organizado na parte central e pouco confuso em todo resto. Sua orla com diversos bares e com um pôr-do-sol incrível é, com toda certeza, o melhor da cidade.

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Resolvi partir. Existiam duas maneiras para prosseguir até Santarém. Uma delas seria embarcar nos barcos que saem de Manaus e fazem escala em Parintins, iguais ao que eu peguei para chegar até aqui. A outra opção era um barco bem menor que tinha como origem a cidade de Parintins. As duas opções custavam setenta reais. Preferi ir no barco menor e assim segui viagem.

O barco era tão pequeno que eu não conseguia ficar de pé nele. Batia a cabeça. Em contra partida, apenas umas quinze pessoas embarcaram. Tinha espaço suficiente para as redes. Quando a viagem começou tive a certeza que seria uma viagem tensa. O barco balançava muito. Era impossível ficar deitado tranquilão na rede. Tive que amarrar minha mochila para ela não voar para fora. Foi complicado. Pela noite a rede balançava tanto que eu batia nas duas redes ao meu lado (parecia um bate-beque) o que tornava o sono impossível. Apesar dos pesares, gostei muito de ter viajado nesse barco e ter experimentado outro tipo de embarcação. O trajeto é todo bonito, passamos e paramos por diversos vilarejos. A paisagem da Amazônia nunca decepciona.

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Depois de 24 horas cheguei a Santarém e caminhei pela orla em busca de um lugar para ficar. Consegui um hotel por 25 reais a diária. O único motivo de eu estar em Santarém era por causa de Alter do Chão. Arrumei minhas coisas no quarto e apesar da noite mal dormida quis ir conhecer Alter.

A praia Alter do Chão localiza-se no rio Tapajós e é considerada, segundo algumas revistas especializadas, a praia de água doce mais bonita do mundo. Outros o chamam de Caribe brasileiro.

Peguei um ônibus circular e depois de uma hora estava em Alter. O vilarejo é todo charmoso e cheio de turistas. A primeira visão ao avistar a praia é a melhor e é a imagem que eu tenho na minha cabeça quando a memória me leva para os dias passados lá. O lugar é indescritível, bonito de verdade. A praia vira uma ilha dependendo do nível da água. Fica uns barqueiros para atravessar (acho que é dois reais, não usei o serviço) até a parte principal, mas é tranqüilo ir nadando, são uns 100 metros apenas. Nesse dia aluguei um caiaque (R$10) e fui para todos os cantos da praia. Parei em algumas ilhotas. Atravessei um caminho de pássaros. Dormi deitado na areia protegido pela sombra das árvores. Nadei demais. O mais gostoso são as correntes de água gelada que passam pelas pernas, enquanto que na parte de cima a água é bem morna. Não tem como não se apaixonar por este lugar. E claro, me apaixonei.

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Voltei diariamente para Alter do Chão, apesar de saber da existência de praias igualmente belíssimas como Ponta de Pedras. Não queria ir pra outro lugar estando em Santarém. Isso acontece às vezes comigo, gosto tanto de um lugar que abro mão de explorar o resto. Não me arrependo. Passei momentos de verdadeira paz naquelas águas. Não pensava em nada. A vida não poderia estar melhor. A única coisa que me arrependo é não ter acampado em alguma ilhota daquele lugar. Ao menos tenho um motivo para voltar.

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Santarém pouco conheci. A cidade tem uma orla bonita e movimentada. Pelas noites caminhava na orla e ia encontrar algumas pessoas que conheci. Ficávamos sentados em algum parapeito conversando e bebendo. De resto pouco vi e o que vi foi pela janela do ônibus rumo a Alter do Chão.

Informação 13.3: Santarém é muito mais barato que a vila de Alter do Chão. A distância entre os dois lugares é de quase uma hora de ônibus circular que custa R$2,50.

O próximo destino era Belém. Novamente seguiria pelo rio Amazonas. O barco dessa vez seria grande, porém com poucas pessoas. Foi muito bom esse trecho da viagem. Logo de inicio vê-se o encontro do Amazonas com o Tapajós. O Tapajós, com sua água de cor esverdeada, vai se perdendo no marrom das águas do Amazonas.

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Conheci algumas boas pessoas. Em especial, conheci uma senhorinha toda educada e cheia de histórias que fazia as horas, dentro do barco, passarem rapidamente. Quando o barco passa pelo estreito de Breves o rio deixa de ser imenso e único para dar lugar a dezenas de ramificações estreitas de rio. Em minha opinião é a parte mais bonita do rio Amazonas. Muito verde. Nesse momento o barco anda lentamente e garotos indígenas e ribeirinhas com suas canoas acompanham o barco até conseguirem atracar. Estando no barco, eles esperam ganhar algum tipo de presente dos viajantes, principalmente alimentos. Eles são talentosos com os barquinhos. Infelizmente não tive contato com nenhum deles. O barco parou algumas vezes e numa dessas vezes foi em Breves. Por um momento pude sentir a sensação de estar na ilha de Marajó.

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Depois de dois dias eu conseguia ver Belém ao fundo, cada vez mais próxima.

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“Fui para os bosques viver de livre vontade.

Para sugar todo o tutano da vida.

Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não descobrir que não vivi.” Walden, Henry D. Thoreau

Obrigado Amazônia. Obrigado por me oferecer lindos cenários. Obrigado pelas pessoas que colocou no meu caminho. Obrigado por me fazer provar o calor extremo e a umidade extrema. Obrigado por me mostrar diversos tipos e estilos de vida. Obrigado por me atrair até você. Obrigado por seu verde intenso. Obrigado pelas viagens em suas águas. Obrigado por me respeitar. Obrigado Amazônia. Sentirei saudades. Até breve.

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    • Por nani.etc
      Na semana anterior à Páscoa, fui com meu namorado conhecer Capitólio e São Thomé das Letras de carro. 
      Neste post vou contar APENAS SOBRE CAPITÓLIO. O link para São Thomé está no fim dele.
      Saímos do Rio de Janeiro na quinta-feira de madrugada e levamos mais ou menos 8h e meia de carro (+ paradas para abastecer e fazer xixi). Vou detalhar tudo para vocês.
      Saída do Rio: +- 5h da manhã
      Chegada em Capitólio: +- 14:30h
       
      Capitólio
      Em Capitólio ficamos hospedados do dia 11 a 14 de abril no Balneário do Lago Hotel, e particularmente o resort é para quem curte conforto, bem-estar e boa localização. É uma experiência de hospedagem completa e ótima opção para famílias e casais. Ele é situado em frente ao Lago de Furnas e oferece piscinas ao ar livre e cobertas (aquecidas), sauna, academia, quadras de tênis e de futebol, espaço kids, além de um Parque Aquático (Lake Parque) que é uma atração a parte!

       
      Ficamos numa Suíte Master, que era equipada com frigobar, televisão LCD (sem TV a cabo), ar condicionado, banheiro espaçoso e uma banheira de ofurô. O café da manhã oferece opções como queijos da localidade, frutas, pães, bolos, além de gostosuras como pamonha e churros. Um outro diferencial do hotel é que eles oferecem o serviço de meia pensão, com o café da manhã e jantar. Sendo ideal para quem não quer sair das instalações à noite. Aproveitamos TODOS os dias para nos deliciar com comidas tipicamente mineiras (feijão tropeiro, frango caipira, tilápia, etc). Para quem não curte o sistema, também pode desfrutar de petiscos ou refeições à la carte à noite. O bar à beira da piscina também é ideal para relaxar com petiscos, cerveja e drinks.

       
      O Parque Aquático foi o grande diferencial e conquistou meu coração! Depois de dias inteiros de trilhas e aventura, eu e o Felipe curtíamos todos os brinquedos e toboágua, além de comer churrasquinhos com cerveja para forrar a barriga e esperar o jantar. Funciona de 11h às 18h.

       
      PRIMEIRO DIA (11/04 - quinta-feira): 
      Ir a Capitólio e não tirar uma foto no famoso Mirante dos Canyons é praticamente um pecado! Chegamos pela tarde e fomos direto para lá. O local agora é pago (R$20 por pessoa), tendo um controle de visitação e mais segurança. Como chegamos numa quinta de tarde, o local estava completamente vazio, mas aos fins de semana costuma ter fila (sim, fila) para fazer fotos e até para entrar. A trilha para chegar ao mirante é pequena e fácil, cerca de 100 metros. O visual é incrível e compensa esperar (não foi meu caso). Demoramos mais ou menos 30 minutos no local. Eles te dão uma pulseira e você pode entrar e sair durante o horário de funcionamento. Ah! A pulseira te dá acesso à dois locais (mirantes) e mais uma cachoeira (os três locais são por entradas diferentes).

       
      Saímos de lá e do outro lado da rua (literalmente) fomos visitar a Cachoeira Diquadinha (R$10 por pessoa). Pelo dia da semana e horário também estava super vazia. Há três trilhas para aproveitar essa cachoeira, dispensamos a primeira por ser o final e fomos direto para a queda, onde é mais fundo e deu pra nada e mergulhar. A primeira foto é na segunda queda, onde dá a sensação de borda infinita. Depois fomos para o hotel aproveitar o Parque Aquático! No bar do parque, comemos 4 churrasquinhos com molho e farofa e bebemos 4 cervejas de 600ml (R$54 tudo).

       
      SEGUNDO DIA (12/04 - sexta-feira): 
      No segundo dia fechamos o famoso passeio de lancha pelos Canyons de Furnas (R$90 reais por pessoa em média, fechamos por R$80 no dinheiro). O ponto de encontro para o passeio de lancha em Capitólio se dá antes da ponte sobre o Rio Turvo. Também há opção de embarcar para o passeio de lancha no Balneário do Lago (empresa terceirizada), passeio mais longo, mas que visita os mesmos lugares (fechamos fora porque não sabíamos os valores, mas compensaria por não sairmos de carro do hotel).
      A primeira parada da lancha é na Cachoeira Lagoa Azul. A lancha deixa os passageiros em um bar flutuante que fica junto desse enorme e delicioso lago. A parte de cima da Lagoa Azul está dentro de uma propriedade particular, o que justifica a cobrança de uma taxa no valor de R$10 por pessoa para conhecer o local (não fomos lá). O espetáculo do passeio são as cachoeiras dos Canyons! Paramos mais ou menos uma meia hora para aproveitar as águas límpidas e o bar flutuante. Nessa parte dos Canyons param muitas lanchas particulares, o que pode acabar lotando e prejudicando um pouco a paisagem. Por outro lado, as embarcações maiores não conseguem chegar até aqui. Por ser uma sexta-feira, não peguei tumulto e deu pra fazer fotos lindas, vejam! Depois visitamos a Cachoeira Cascatinha, mas apenas para apreciação. O Vale dos Tucanos não tem cachoeira, mas sua beleza se encontra nas paredes com diversas plataformas de pedras. Paramos também num outro bar flutuante para provar o famoso Chopp Scarpas! Depois fomos para o hotel aproveitar o Parque Aquático e comemos a mesma coisa do dia anterior.

       
      TERCEIRO DIA (13/04 - sábado)
      TRILHA DO SOL
      No sábado o dia rendeu! Fizemos dois passeios em um só dia. Saímos bem cedinho, às 8:30h e fomos conhecer a Trilha do Sol. Primeiros a entrar, o local conta com um quiosque com restaurante onde está a recepção e a Pousada Trilha do Sol. O local é uma propriedade particular da pousada e o valor para percorrer a trilha é de R$40 por pessoa. Para percorrer a trilha não há necessidade do acompanhamento de um guia, mas é bom prestar atenção na explicação do monitor no receptivo, olhar bem as placas de indicação, já que a trilha não é um caminho contínuo e possui ramificações. A partir da recepção são 4 km de trilhas para visitar as 3 cachoeiras e os belos cenários entre paredes de pedra e poços de águas transparentes. Três horas são suficientes para percorrer a trilha e curtir cada cachoeira. O roteiro indicado pelo guia é visitar a Cachoeira no Limite primeiro, depois a do Grito e por último o Poço Dourado, mas preferimos fazer o contrário (risos), e pegamos tudo sempre vazio!
      Para ir à Cachoeira do Grito, seguimos à direita da bifurcação (há placa indicativa), seguimos por uma parte mais elevada e descemos por uma longa escadaria de pedras que leva até o topo da cachoeira. Já na parte de baixo há um belo poço de águas cristalinas com um paredão do lado onde tomamos aquele banho gostoso de água gelada. Da Cachoeira do Grito ao Poço Dourado são mais 500 metros sendo necessário subir o morro e descer novamente por outro caminho. Para chegar ao Poço Dourado o caminho é por dentro de um riacho cercado por paredes nos dois lados, e quando o sol bate, as pedras no fundo deixam a água dourada (por isso o nome). Os turistas que visitam o lugar costumam fazer pequenas pilhas de pedras nas laterais do riacho e cada uma significa um pedido. É mágico! Depois fomos ao Mirante No Limite, o local rende belas fotos. Todos os locais estavam completamente vazios, demos muita sorte, pois quando saímos da primeira cachoeira (que seria a segunda parada indicada), chegou uma excursão com umas 50 pessoas. Ainda bem que não seguimos o indicado!
       

       
      PARAÍSO PERDIDO
      Depois saímos de lá direto para o Paraíso Perdido, um dos complexos de cachoeiras e trilhas mais conhecidos de Capitólio. Possui 18 piscinas naturais e 8 quedas de águas límpidas e cristalinas. Além disso conta com restaurante, banheiros e área de camping. Tudo em meio a natureza. O Paraíso Perdido foi uma das trilhas que mais gostamos de Capitólio. A verdade era que eu não sabia o que esperar daquele lugar, achava que seria um pouco “mais do mesmo” mas estava completamente errada. Custa R$50 por pessoa.
      Diferentemente dos outros lugares que visitamos, a trilha é feita completamente por pedras e água. Durante o caminho você encontra pequenas pegadas em vermelho que te indicam o melhor trajeto a ser seguido. Dica do instrutor: O ideal é que você procure pisar nas pedras brancas, e não nas escuras, que estão úmidas e podem escorregar. Quanto mais avançávamos, mais e mais belezas íamos encontrando. Cenários perfeitos para contato pleno com a natureza e pra tirar aquela foto maravilhosa. Não esqueça de visitar o outro lado da trilha!
       

       
      Dicas para cachoeiras: Leve somente o básico em uma mochila de costas. Água, algum lanche, roupa de banho por baixo, protetor solar. Nós fizemos todas as trilhas de chinelo ou descalço e com roupas bem leves. 
      Cansados, porém não mortos, aproveitamos o último dia de Parque Aquático no hotel.
       
      QUARTO DIA (14/04 - domingo)
      No outro dia, pela manhã mesmo, partimos para São Thomé das Letras!
      Se quiser ler o post, clique aqui.
       
       
       
    • Por Tacio Corbacho
      Olá mochileiros, agora em Junho tiro minha tão esperada férias, estou em duvida sobre alguns locais para conhecer, tendo em vista a pandemia e sendo nesse momento a única opção, conhecer esse brasilzão.
      sou da Bahia, e tenho por enquanto 3 opções de locais:
      - Minas Gerais
      - Santa Catarina
      - Espírito Santo
      Quais locais dentre os 3 vocês me indicam e há algum outro que pode ser visto com bons olhos ?
      Desde já agradeço galera !!! 
    • Por Matheus Verdan
      Fala Galera,
      Venho compartilha com vcs minha viagem de moto pelo sul no brasil realizada em outubro de 2020 pelas serras mais famosas entre os motociclistas no Brasil.
      Saímos do Rio de Janeiro em direção as duas serras mais famosas entre os motociclistas no Brasil, a serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco passando pela cidade de Gramado. Essa viagem foi feita com 3 integrantes, eu Matheus Verdan, meu pai Sergio Verdan e minha mãe Elinete Verdan.
      Conhecemos diversos pontos turísticos como:
      - Rua Torta;
      - Catedral de Gramado;
      - Cascata/Cachoeira do Caracol;
      - Cascata/Cachoeira do Moinho;
      - Rua Coberta; - Festival de Cinema Nacional de Gramado;
      - Catedral de Canela; - Vinícola Jolimont;
      - Cascata/Cachoeira do Avencal;
      - Serra do Corvo Branco;
      - Serra do Rio do Rastro.
       
      Passamos pelas cidades de:
      - São Paulo;
      - Curitiba;
      - Balneário Camboriu;
      - Joinville;
      - Urubici;
      - Gramado;
      - Canela;
      - Lauro Muller;
      - Dentre outras...
      Espero que gostem do vídeo!!!!! 
      https://youtu.be/cNJmS5ZIGic
       
       
    • Por Anderson Paz
      Olá, mochileiro/a! O principal objetivo deste pequeno relato é compartilhar como é possível se deslocar entre as praias do norte de Alagoas usando transporte coletivo. Os objetivos secundários são passar dicas de hospedagens, praias, caminhadas e campings.
      Fique a vontade para fazer qualquer comentários, tirar dúvidas ou propor sugestões de alteração de texto. Podem me encontrar também no Instagram @viajadon_ 
       
      DESLOCAMENTOS
      - Quando se pesquisa em fóruns e blogs sobre transporte entre Maceió e Maragogi ou entre Maceió e São Miguel dos Milagres dificilmente se encontra informações sobre como fazer os deslocamentos em transporte público. Eu pelo menos tive bastante dificuldade para encontrar informações e acabei buscando ajuda ligando na Arsal -Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (já fica essa dica de opção de contato para obter informações).
      - Vamos às rotas e horários de transportes:
      ·         Aeroporto - Rodoviária: a parada fica logo na pista externa de embarque e desembarque no aeroporto. Uma pessoa que estava aguardando ônibus me informou que há 3 linhas que fazem o trajeto, mas consegui confirmar apenas duas: a 1002 (Ponta Verde) e a 1003 (Via Expressa). A passagem custa R$4,40, as saídas são frequentes e o tempo de viagem é de 1h15 mais ou menos. De Uber daria quase 50 reais.
      ·       Rodoviária - Maragogi: há uma linha regular com microônibus simples que opera nesta rota. Para pegar esse transporte, primeiro passe no guichê na parte interna da rodoviária e pague a taxa de embarque (R$3,40 se não me engano), em seguida se desloque até a baia de saída. A passagem custa R$23,50 e os horários estavam bem alinhadinhos com os da tabela de horários disponibilizada no site da Arsal (5h30, 8h40, 11h20, 13h25, 16h30 e 18h20).
      p.s.: Neste trajeto também é comum haver Bla Bla Car, mas no período em que estava, eu vi apenas como opção uns Bla Bla Car entre Maceió e Recife, que saiam por volta de R$54. Há também opção de transfers. Até cheguei ligar em um, mas não animei com o valor cobrado, R$100. Se quiser esta opção, o contato que tenho é (82) 3296-2529.
      ·      Rodoviária – São Miguel dos Milagres: não é a rota que eu fiz, mas fica aqui como bônus. O transporte (van) que se deve pegar é o que tem como destino Porto de Pedras. Os horários dos transportes estavam diferentes dos que constavam no site da Arsal. Segue abaixo os horários e os custos das passagens de acordo com o percurso.
       
      - Se você não for ficar na cidade de Maragogi, há diversas vans que saem frequentemente do “terminal rodoviário” (entre aspas porque apesar de aparecer como terminal rodoviário no Maps, é só uma praça de onde saem os transportes) rumo às praias de Barra Grande, Ponta de Mangue e Peroba. De Maragogi até Ponta de Mangue e Peroba sai por R$4. Até Barra Grande sai um pouco mais em conta.
      - O deslocamento entre Maragogi e São Miguel dos Milagres foi um pouco complexo e será explicado no DIA 4.
       
      DIA 1) Maceió a Maragogi e Ponta de Mangue
      Peguei o transporte de 13h25 e depois de 2h45 de viagem, cheguei a Maragogi. Em seguida peguei uma van ali mesmo no local onde desci do micro-ônibus e segui até Ponta de Mangue (20 min de trajeto, R$4), onde ficaria hospedado.
      A minha hospedagem foi em barraca no Camping Maragogi. Que camping maravilhoso! Praticamente na beira da praia, tem uma boa área de convivência, muitas conexões de energia, sombra em diversos pontos e ainda tem wi-fi. A cozinha tem geladeira e fogão e tudo o mais que vc precisa. Super bem cuidado. O banheiro está sempre limpo. E o melhor: o acolhimento e carinho da Josane (em especial!) e do Marcos. Recomendo demais comprar um óleo de coco e sabonetes de coco deles. Telefone de contato por Whatsapp: (81) 9470-6654.


      Depois de armar a barraca e arrumar as minhas coisas, saí para jantar. Na rodovia, próximo ao ponto onde desci da van, há dois restaurantes, um ao lado do outro, com opção de self-service. Um deles é o Ki-Sabor e o outro não tinha indicação de nome, mas no cartão de visita consta como Nossa Senhora das Dores. Acabei jantando neste último.
      Comi um prato com ovo, salada, muitaaa mandioca e feijão por apenas R$10. O preço normal lá é de R$15, mas como não pedi carne e como já era tarde deram um descontinho. Vale dizer que os donos e atendentes de lá foram super simpáticos! Lá também tem uma uma pousada simples nos fundos. Caso queira consultar, o telefone de contato é (81) 98201-8341)
       ⚠️ Antes de ir pro próximo dia, uma chamada de ATENÇÃO: no Google Maps atualmente a localidade de Ponta do Mangue e de Peroba estão invertidas.
       
      DIA 2) Ponta do Mangue e Peroba
      Meu segundo dia foi bem tranquilo no quesito de fazer turismo. Pela manhã, curti a praia de Ponta do Mangue. Próximo do horário do almoço, fui até a Praia de Peroba de carona com um casal que estava no camping.
      A Praia de Ponta do Mangue, a primeira que conheci, acabou sendo a minha favorita entre as praias próximas de Maragogi. É uma praia tranquila, pouco movimentada e sem muitas cadeiras e mesas na areia da praia. Tem bastante coqueiros e, em alguns pontos, tem restaurantes e quiosques de apoio para quem quer se sentar e consumir alguma coisa. Acho que é uma praia para todos os públicos: desde aqueles que gostam de sossego aos que gostam de ter alguma estrutura de apoio.


      Já a Praia de Peroba também é linda e um pouco mais movimentada do que a parte de Ponta do Mangue. Para mim, as duas na verdade formam visualmente uma única praia, sendo que Ponta de Mangue é a parte mais central e Peroba é o cantinho da praia, onde o litoral faz uma curva (na foto de cima é a curva da praia). 
      As duas praias, assim como todas as outras praias do litoral norte de Alagoas (ao menos as diversas que visitei), têm uma coloração de água que varia de azul turquesa a verde e são muito tranquilas para banho, especialmente durante os períodos de maré-baixa, já que a barreira de corais ao longo da costa alagoana quebra as ondas e forma verdadeiras piscinas naturais.
      Depois de curtir a praia de Peroba, fui almoçar com o casal no restaurante Ki-Sabor. A Josane recomendou o restaurante para a gente por lá ter uma boa peixada e por ser barato. Gostamos da recomendação e reservamos por telefone uma peixada. Realmente a comida estava muito saborosa, com um temperinho especial, e o preço saiu bem em conta: R$20 para cada um. Só achamos que poderia ter um pouco a mais de comida. Talvez estávamos famintos mesmo! hahaha
      Depois do almoço, voltei ao camping e fiquei por ali a tarde toda, usufruindo do wi-fi para resolver algumas coisas à distância.
      Á noite, fiquei de bobeira no camping, lendo, conversando com novos amigos e depois fiz uma tapioca para janta. Como em todas as noites seguintes, o meu roteiro basicamente foi ler e jantar tapioca, omitirei informações sobre as minhas noites nos próximos dias.
       
      DIA 3) De Ponta do Mangue até Maragogi
      Primeiro dia de caminhadas mais longas. Saí de Ponta do Mangue e caminhei até Maragogi passando por Praia de Antunes, Barra Grande e o seu Caminho de Moisés e Praia Burgalhau.

      Dessas praias, a Praia de Antunes é a que tem a maior densidade de turistas atualmente (a foto abaixo acaba não mostando isso porque já tinha passado da parte mais lotada). Eu sinceramente não entendi bem o porquê. Primeiro, a praia em si não difere tanto de Peroba ou Ponta do Mangue. Sim, tem uns restaurantes e umas barracas de apoio que devem ser bons, mas sinceramente não sei se têm muita diferença dos demais. Em segundo lugar, quem está de carro tem que parar longe em algum estacionamento pago na rodovia e seguir caminhando por estrada de terra até a praia. Por fim, nessa parte específica da praia há um banco de areia que acaba deixando o local de banho ainda mais raso durante a maré baixa. Mas enfim, talvez eu esteja sendo um pouco ranzinza no meu julgamento! 😂 Vá, compare com as demais praias e tire a sua conclusão.
       
      Em seguida na caminhada, cheguei à Praia de Barra Grande. A praia também é bem frequentada, tem alguns restaurantes e uma boa quantidade de mesas e cadeiras de praia. Não é muito diferente das anteriores.

      Em Barra Grande, fica o Caminho de Moisés, que é um estreito banco de areia que se estende mar adentro e que pode formar um belo cenário dependendo da altura da maré. Para a faixa de areia ficar mais exposta e ficar bonita na foto, é necessário que a maré esteja bastante baixa, abaixo de 0,3, o que não era o caso no período da minha visita. Ainda assim, havia uma multidão no Caminho, em uma aglomeração danada mesmo durante a pandemia. Vai entender...

      Prosseguindo a caminhada, já próximo da cidade de Maragogi, cheguei a um trecho que achei bem agradável: a Praia Burgalhau. A praia é tranquila e tem um encontro do rio com o mar que forma um belo cenário.

      Por fim, cheguei à praia da cidade de Maragogi. Essa praia foi a que menos me agradou. Sendo sincero, não é tão bonita quando comparada a outras do Brasil e se comparada às anteriores, acaba ficando feia.

      Depois dessa caminhada, foi a hora de matar a fome. Fugi dos restaurantes ali da beira da praia e fui almoçar em um restaurante na rua paralela à praia. Aqui vem uma dica de economia: nessa rua há três opções de restaurantes self-service com comida à vontade pelo preço de R$16,90 a R$18,90. Escolha o que mais te agradar. Acabei gostando mais do que já fica mais pro lado do centro da cidade (dei mancada e não anotei o nome).
      Depois da saga, fui ao “terminal de ônibus” e peguei transporte de volta à Ponta do Mangue. Passei o restante de tarde ali na praia de Ponta do Mangue.
       
      DIA 4) De Ponta do Mangue até São Miguel dos Milagres e Praia do Riacho
      Dia de sair do querido Camping Maragogi e ir até o meu próximo destino: São Miguel dos Milagres.
      A logística do deslocamento foi um pouquinho complexa e envolveu vários meios de transporte:
      Van até Maragogi; Van até Japaratinga (R$5,50 e cerca de 35 min de deslocamento); Moto-táxi da entrada de Japaratinga, onde desci da van, até a balsa para travessia até Porto de Pedras. Custo de R$10 e cerca de 20 min de deslocamento, mas com um mochila pesado nas costas, pareceu que demorou o dobro de tempo 🤣. A cada quebra-mola ou freiada seguida de nova acelerada, tinha que me esforçar para manter o equilíbrio e não cair para trás hahaha. Apesar do sufoco, procurei apreciar a paisagem ao longo do trajeto. A gente passou por uma praia mais linda do que a outra. Tive vontade de pedir para o motociclista parar em todas. Espero voltar futuramente para conhecer as praias de Japaratinga, Bessas e do Boqueirão; Balsa, que é de graça para pedestre; Carona de Porto de Pedra até São Miguel dos Milagres. Tentei pegar carona com as pessoas que estavam saindo da balsa e não consegui. Depois fui pedir informações sobre transporte até São Miguel para uma moça que estava vendendo camarão em um carro junto com o marido. Acabou que depois, quando já estava em um local esperando o transporte, eles acabaram parando e me dando carona  ❤️; Por fim, a pé de São Miguel dos Milagres até Praia do Riacho.
       
      Com essa logística toda, sai muito mais rápido, bonito e eficiente do que ir de transporte até São Luis do Quitunde e depois pegar outro transporte até São Miguel dos Milagres
      Quando cheguei em São Miguel dos Milagres, sabia que ia ter que tentar a sorte em dois possíveis campings da cidade que apareciam no Google Maps, mas que não tinham praticamente nenhuma informação disponível. Primeiro fui no restaurante/camping Peixe Frito e fui informado que não estavam funcionando como camping porque estavam sem água. Não sei se já funcionaram ou se funcionarão em algum momento, se a resposta for positiva, fujam porque a estrutura para possível camping é bastante precária.
      Depois segui caminhando, por cerca de 700 m, até o Sítio do Seu Coconha e da Dona Iuda, onde o casal de idosos me informou que não havia área de camping e que funcionavam apenas como uma atração para os turistas em passeios de buggy.
      O jeito então era seguir caminhando pela praia até a Praia do Riacho, situada a pouco mais de 2km, onde eu tinha certeza que havia um camping funcionando regularmente: o Camping dos Milagres.
      Apesar da mochila pesada nas costas, essa caminhada foi incrível devido às praias maravilhosas.  😍

      Chegando ao trecho da Praia do Riacho, fiquei deslumbrado com a beleza do local. É uma praia super sossegada com bastantes coqueiros e alguns poucos restaurantes com infraestrutura de apoio. Tem ainda uma linda foz de rio e uma igrejinha charmosa praticamente na beira da praia, que acabou me trazendo lembranças da Praia de Carneiros em Pernambuco. O pôr do sol visto dessa praia é simplesmente maravilhoso! No final das contas, foi a minha praia favorita da viagem! 🥇
       
        

      Depois de chegar ao camping, armar a barraca e organizar as minhas coisas, saí para almoçar em um quiosque que fica colado no camping e serve PFs por 15 reais. Infelizmente já era mais de 15h30 e já tinham encerrado o serviço. Fui então no restaurante ao lado do camping e os pratos para uma pessoa não me agradaram e ainda custavam o olho da cara. O jeito foi ir em um mercadinho e comprar pães, ovos e tomates, juntar com um queijo curado e folhas de moringa desidratada que estava carregando na mochila e fazer um delicioso sanduíche.
      Depois do almoço, fui curtir a praia e ver o pôr do sol na igrejinha, onde estava rolando uma cerimônia de casamento.


      Antes de passar para o próximo tópico, vale comentar sobre o Camping dos Milagres. Fica na beira da praia e relativamente perto de mercadinhos. É um excelente local para quem está de carro e com tudo o que é necessário para cozinhar, já que o lugar é bastante espaçoso e é possível parar o carro do lado de onde se vai montar a barraca. Outros pontos positivos: possui alguns cantinhos com boa sombra, número satisfatório de banheiros, limpos normalmente, e número razoável de pontos de energia. Pontos negativos: a cozinha é horrorosa (foto abaixo)! Uma palhoça suja, muito mal improvisada, onde entram galinhas. A geladeira é pequena e estava abarrotada, mesmo com o camping vazio. Tem só um fogão para cozinhar e uma leiteira à disposição (nada de panelas, pratos ou outros utensílios). O preço de 50 reais, altíssimo para o que o camping oferece. Infelizmente se paga pq não há outra opção de camping na região.
       

       
      DIA 5) Da Praia do Riacho até a Ilha de Croa/Barra de Santo Antônio, passando pela famosa Praia de Carro Quebrado
      Dia de rolezão monstro a pé! A ideia inicial era de ir caminhando até a praia de Barra de Camaragibe, o que daria uma caminhada suave de cerca de 5 km. Chegando em Barra de Camaragibe tentaria atravessar um rio a pé para chegar na Praia dos Morros/Praia Ponta da Gamela (como ainda não entendi onde uma termina e a outra começa ou se ambos os nomes se referem à mesma praia, citarei assim...caso alguém saiba, me fala aí, por favor 😉).

      Para executar esse roteiro, saí de tênis, camiseta regata, castanhas, amendoim e rapadura na mochilinha e uma água de 1,5L na mão. Até cheguei a pegar uma camisa de manga longa com proteção UV, mas logo pensei “hoje vai ser de boa. Não vou caminhar tanto. Uma regatinha tá tranquilo” e acabei deixando de lado.
      Assim saí para andar até Barra do Camaragibe. O caminho até a Barra é bastante bonito e inclui uma passagem pela Praia do Marceneiro, onde mais pessoas se concentram. Esse trecho da praia é bonito, mas não tanto quanto o trecho da Praia do Riacho.
      Já a parte específica da praia de Barra de Camaragibe não considerei bonita. Tem muitos barcos e as casinhas ali são bem simples e avançam muito sobre a areia.

      Seguindo adiante na caminhada, passando a parte urbana da praia, cheguei até o rio Camaragibe. Acabei me deparando com um rio largo, com boa correnteza e um trecho que parecia ser bastante fundo. Tristeza inicial ao perceber que não teria como atravessar o rio caminhando, mesmo na maré baixa, e que poderia ser um pouco arriscado atravessar a nado, ainda mais tendo que segurar uma mochila em uma das mãos. Mas logo, essa tristeza foi revertida para felicidade ao perceber que, à montante no rio, havia travessia de balsas. Pronto! Poderia conhecer a Praia dos Morros/Praia Ponta da Gamela.
      A travessia na balsa custa R$5 cada trecho. Na hora de pagar, o barqueiro informou que poderia pagar na volta e assim acabei deixando para pagar os dois trechos de uma vez só.

      Logo ao desembarcar, segui por uma estradinha de terra até a praia. Chegando na praia, que visão! Que lugar lindo!

      A praia de cerca de 3 km de extensão tem areia branca, mar azul turquesa e uma larga faixa de areia. O seu trecho inicial é deserto e cheio de coqueiros. Percorrendo a sua extensão com o olhar, logo se vê que há algumas construções mais para o lado de sua extremidade oposta onde se avista uma linda falésia. É uma composição bem bonita mesmo!
       

      VID_20210117_122913.mp4 Fui caminhando pela praia com a ideia de ir até a falésia e retornar. No caminho passei apenas por um casal que provavelmente estava hospedado na luxuosa Villa Entre Chaves (entra no site desse lugar para ter uma ideia do quanto é playba), aquelas construções que avistei de longe.
      Já chegando mais próximo da falésia havia mais umas pessoas jogando tênis na areia. Tênis mesmo com rede própria e marcação na areia. Eu, matutão que nunca tinha visto essa versão do tênis, fiquei um tempinho ali assistindo. Depois fui concretizar a minha meta de ir até a extremidade da praia. Aí é aquela coisa, né?! Quando atingimos a meta, o que fazemos?! Siiiim, dobramos a meta! 😂 Vi que estava relativamente perto da Praia de Carro Quebrado e resolvi ir caminhando até lá.
      A partir da extremidade da praia, percorri um trecho de cerca de 1 km, com muitas pedras e ladeado por falésias. Em alguns dos seus pontos, formam-se piscinas boas para banho. Pelo Google Maps, esse trecho é chamado de Praia de Recifes, mas não achei nenhuma informação mais específicas a respeito. Acredito que a maior parte desse trecho, só pode ser percorrido durante a maré baixa. 


      Depois cheguei até a pontinha onde se inicia (ou no caso, termina para os turistas usuais que vão à praia a passeio de buggy) a Praia de Carro Quebrado. Outra visão linda! Que felicidades de estar ali!
      Já tinha ido a essa praia em passeio há 15 anos atrás. Na época eu achei maravilhosa! A praia mais linda que então conheci em Alagoas. Ainda continuo achando uma praia linda, mas depois de conhecer diversas praias lindas com falésias no Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, e comparando-a com outras praias desta viagem, não a considero mais como uma das mais bonitas da vida (mais à frente você poderá ver uma listinha com as minhas praias favoritas nesta viagem).

      Segui caminhando até a parte onde ficam as barracas de praia. Chegando ali pedi informações para um vendedor sobre opções de transporte até São Miguel dos Milagres. Perguntei se passava transporte na rodovia ali perto da praia. Ele me respondeu que se eu fosse pegar ônibus na rodovia, eu teria que andar cerca de 14 km e que era melhor eu voltar pelo caminho que tinha feito.
      Fiquei meio hesitante com a volta pelo mesmo caminho e perguntei sobre opção de transporte a partir da cidade seguinte no litoral. Ele falou que também era uma opção e que eu teria que andar 7 km até a a Ilha de Croa e atravessar uma ponte para chegar no ponto de ônibus de Barra de Santo Antônio.
      Entre fazer o caminho de volta até a balsa de cerca de 6,5 km e andar 7 km vendo novas paisagens, preferi esta segunda opção. Comprei mais uma água com vendedor e segui caminhando.
      No caminho, já uns bons metros distante das barracas de comida e bebida onde há uma carcaça de um Fusquinha, descobri uma outra carcaça de Fusquinha e fiquei sem entender se o original que teria dado origem ao nome da praia era aquele anterior ou este. A resposta, depois de uma pesquisa aqui na internet, é que não é nenhum dos dois. 😅 Esses Fusquinhas são só firulas decorativas mesmo (se bateu a curiosidade para saber sobre a origem do nome, leia as informações neste site)


      A partir desse ponto, toda a extensão de praia até próximo de Ilha de Croa/Barra de Santo Antônio fica meio monótona, mas ainda assim bonita, com coqueiros margeando a praia. Depois dos quase 7 km de caminhada sugeridos pelo vendedor de praia, cheguei até a Ilha de Croa.
      A praia é bastante frequentada. Na minha opinião, a sua parte mais bonita fica mais para o lado da Praia de Carro Quebrado, onde há menos barracas de praia e mais sossego.

      Já cansado da caminhada, entrei na cidade e fui buscar informações sobre como chegar na parada de ônibus onde passavam os ônibus até Porto de Pedras (essa é a linha que passa pela Praia do Riacho).
      Informaram-me o local certinho, a 2,5 km de distância, e disseram que se eu fosse rápido, eu conseguiria pegar o ônibus de 16h. Ê canseira! Mas vamos lá! Depois de andar mais de 20 km, 2,5 km era só um trechinho curto." O problema é que não era uma caminhada plana, como a caminhada na praia. Tive que atravessar uma ponte longa (muito maior do que tinha projetado na mente), o sol estava torrando os miolos e ainda Barra de Santo Antônio tem um bom declive. Tudo isso juntamente com o cansaço dificultou a caminhada rápida e acabei chegando já umas 16h10 na parada.

      Como ainda estava esperançoso de o ônibus das 16h estar atrasado, fui perguntar para uns motoristas de táxi que ficam no trevo na entrada da cidade, próximo da parada, se o ônibus já tinha passado, e eles me responderam que não. Ufaaa! Que sorte a minha!
      Sentei no banco da parada aliviado e fiquei esperando. Passam-se 10 min...20 min, começo a conversar com um rapaz que chegou de uma festa para esperar uma carona ali...30 min, o rapaz já pegou a carona...40 min, mais conversa com uma moça que chegou e ia para outra cidade...1h, a moça já pegou o ônibus dela, e nada do meu. Putz! Pensei: não é hoje que volto para a Praia do Riacho!
      Depois de mais de 1h esperando, chegou um senhor motorista de táxi e começamos a conversar. Logo ele engata o assunto de que estava havendo operação da polícia ao longo daquela rodovia porque estava tendo muito assalto principalmente de comerciantes e de pessoas em paradas de ônibus. Eu respondo “Rapaz! Vim da cidade grande! Tô prevenido!". E mostro um celular velho que estava no bolso enquanto o meu de uso regular estava guardado em doleira. Alguns anos de experiência em ser furtado e várias viagens nas costas me mostraram que doleira é um dos itens mais essenciais de um viajante que gosta de fazer rolês a pé ou em transporte coletivo.
      Conversa vai, conversa vem, o senhor sugere de a gente ir para o trevo, onde estavam os motoristas de táxi mais cedo, e aguardar o ônibus ali sentados em umas cadeiras. Segundo ele, o local era mais seguro, sombreado e ainda era ponto também de parada do ônibus.
      Fomos para lá e à medida que a gente ia conversando e o tempo ia passando, outras pessoas foram chegando na roda. Algumas que aparentemente estavam de bobeira, sem muito o que fazer, acabavam ficando para conversar e outras apenas passavam, cumprimentavam, falavam rápido e seguiam para pegar o seu transporte. Fiquei pensando o tanto que o que o tempo passa de uma outra diferente nessas cidades pequenas. Nesse contexto, uma conversa com um desconhecido com cara de turistão na parada de ônibus torna-se uma quebra prazerosa no cotidiano.
      Enfim, entre as conversas, a ansiedade da espera acabou se esvaziando e o tempo acabou passando mais rápido. Quando o micro-ônibus chegou, já próximo de 18h, estava tranquilo e feliz com toda a dinâmica de interações sociais durante aquelas quase 2h de espera.
      Depois de mais cerca de 1h30 no transporte, enfim cheguei até Praia do Riacho. Mas claro que depois da minha saga durante o dia, eu não podia chegar certinho, de uma vez no destino. Acabei, distraído com umas leituras, passando uns 300 m do meu ponto e tive que voltar andando em uma rodovia escura. 🤣
       
      DIA 6) Praia do Patacho e Porto de Pedras
      Dia mais tranquilo em relação à caminhada.

      Fui até a rodovia para tentar pegar o micro-ônibus até o ponto de acesso à Praia do Patacho. Como os horários são pouco frequentes, resolvi tentar uma carona. Depois de cerca de 5 min, consegui uma. E não poderia ter sido melhor! Acabei pegando carona com o gerente de um restaurante na beira da Praia do Patacho. Ô sorte! 🥳
      A Praia do Patacho é linda demais! Não sei se foi efeito da luz e do horário, mas a água ali me pareceu ter uma coloração mais azul turquesa do que nas demais. Além disso, não tem quiosques ou mesas e cadeiras em excesso na areia e ainda tem aquela franja de coqueiros ao longo da praia. Acho que já ficou até clichê falar de coqueiros nas praias, né?! Hehehe



      Vale ainda destacar que seguindo na praia no sentido de Porto de Pedras, formam-se umas piscinas naturais com recifes de corais na parte rasa. Enfim, pude usar o óculos e snorkel.
      Depois de um tempo vendo peixinhos, resolvi ir caminhando até Porto de Pedras. Esse caminho todo é bem bonito. Perde só um pouco da beleza quando chega bem próximo à cidade.


      Porto de Pedras é uma cidadezinha tranquila, bem cuidada e charmosa, com algumas casas históricas. Como já era próximo do horário do almoço, resolvi procurar um restaurante. Na cidade não há tantas opções. Acabei almoçando no restaurante do Neto. Comi um super prato feito por um precinho camarada (R$15). Depois de almoçar, fiquei um tempinho morgando, lendo um livro ali na sombra da grande árvore na frente do restaurante.



      Depois segui até o ponto de ônibus em uma pracinha com igreja. Mais uma vez o transporte – van da linha de Portos de Pedras a Maceió - demorou a passar, mas como estava lendo e curtindo uma música, foi tranquila a espera.
       
      DIA 7) De Praia do Riacho à Praia de Sauaçuhy e caminhada até a Praia de Ipioca
      Dia de deixar o camping e partir para o meu novo destino: Praia de Sauaçuhy. Para variar, cheguei atrasado na parada e acabei tendo que esperar um bom tempo pelo transporte.
      Às 10h20, peguei o transporte e cerca de 1h20 depois cheguei em Sauaçuhy. Pedi para descer no Restaurante Sauaçuhy, onde acabei almoçando. No restaurante há opções de self-service, com prato servido à vontade, por um bom preço (a partir de R$17,90).
      Depois do meu almoço segui até o meu hostel Proxima Estación Hostel, que era praticamente de frente para o restaurante, atravessando a rodovia.
      O hostel é bem localizado, a cerca de 1,2 km da praia e próximo de mercado e comércio. Tem uma boa área de convivência, cozinha com todos utensílios, cama confortável e além disso, é super econômico. Como o quarto exclusivo para mim – não quis ficar em quarto compartilhado por conta da pandemia – saiu abaixo do usual, não acho legal divulgar. Recomendo verificar a disponibilidade no Airbnb (se ainda não usou a plataforma, acesse usando este LINK).

      Depois de deixar minhas coisas no hostel, saí para a minha caminhada do dia até a Praia de Ipioca.

      A primeira praia de passagem é a própria Praia de Sahuaçuy. Vale dizer que a praia faz parte do bairro de Ipioca, o qual já é parte do município de Maceió, Porém nem parece que você está no município. Do hostel até o bairro Jatiuca em Maceió são 25 km de distância, sendo a maior parte desse trajeto através de áreas sem grandes adensamentos populacionais. 
      Sobre a praia em si, ela tem uma faixa de areia bastante larga e é praticamente deserta. Acabou não me agradando muito. Na verdade, tanto essa praia quanto as demais que vou citar adiante não se comparam em beleza a maioria das praias do norte que citei anteriormente. 

      Seguindo em direção à Praia de Ipioca, passei pelo Hibiscus Beach Club – lugar topzeira, para quem curte chiqueza - e cheguei até a foz de um rio. Esse trechinho da praia é basante bonito e gostoso. Se fosse ficar em algum lugar na Praia de Sauaçuhy, teria escolhido ficar nesse cantinho.

      Seguindo na caminhada, entre o rio e a pontinha onde se inicia a Praia de Ipioca, passei por um trecho bastante agradável onde há algumas casas e a referência da Barraca da Cantora no Google Maps.

      Continuando, cheguei à Praia de Ipioca, uma praia gostosa com casas, restaurantes e quiosques de apoio à beira mar e ainda bons trechos de praia mais calmos, tendo apenas coqueiros. É uma boa pedida para quem quer fugir das praias mais agitadas de Maceió.



      Curti um pouco a tarde ali e depois fui à rodovia para pegar um ônibus de volta ao meu hostel. Neste trecho, os ônibus são bastante frequentes. A passagem custa R$3,40.
       
      DIA 8 ) De Praia de Sauaçuhy a Praia de Sonho Verde passando pela Praia de Paripueira
      Mais um dia de caminhada suave, dessa em direção a praias ao norte da Praia de Sahuaçuy, no caso as praias de Paripueira e Sonho Verde.

      O primeiro destino, a Praia de Paripueira, acabou me gerando sentimentos ambíguos. Não curti nenhum pouco a sua parte onde a maioria dos banhistas se concentram. Não achei bonita a grande largura de areia ali e a coisa de haver meio que uma lagoa de água empoçada, seguida por uma baixa de areia, e depois o mar. Fica difícil de visualizar pelo texto, mas dá para ter uma ideia pela foto abaixo.

      Já a parte da praia mais ao norte, indo no sentido da Praia de Sonho Verde, eu achei super agradável.

      Passando esse trecho, cheguei à extremidade da praia, um ponto onde há bastante pedras. A partir dessa pontinha da praia, há tantas pedras, que se forma uma “praia” de cerca de 500 m de extensão, conhecida como Praia da Pedra.

      Passado esse trecho nem um pouco bonito e ainda assim abrigando algumas mansões incríveis, chega-se à bela Praia de Sonho Verde. Acho que de todas as praias dessa região dentro do município de Maceió ou em suas proximidades (Paripueira já é ouro município), essa foi a que eu mais curti. Tem barracas de apoio e uma franja de coqueiros linda! Mais um excelente refúgio para quem quer fugir da muvuca de Maceió.

      Tomei banho de mar e curti ali durante um tempinho e depois voltei caminhando até a Praia de Paripueira, onde parei para almoçar na Barraca da tia Maria, uma casinha metade amarela e metade branca, no trecho da praia mais para o lado da Praia de Sonho Verde. Para quem está caminhando pela praia um outra referência é uma placa de Área de Proteção Ambiental do ICMBio e a casinha Acarajé da Maria.
      Comi um excelente prato feito com posta de peixe frito, super barato. Sério! O prato era muitooo bem servido e custou apenas R$12. Depois de me empanturrar fui andando até a rodovia para pegar uma van de volta ao meu hostel (passagem a R$3).

       
      DIA 9) O dia da volta
      Depois de 8 dias incríveis, era a hora de voltar para casa. =(
      Na rodovia passam com frequência vans com destino à rodoviária de Maceió. Acabei pegando um carro particular. Se não me engano paguei 10 reais para o motorista desviar a rota dele e me deixar na rodoviária. Lá peguei o meu último ônibus até o aeroporto.


      RESUMO GERAL DO RELATO COM DICAS
      - Dá para fazer tudo de transporte coletivo. Atente-se apenas aos horários para não ficar esperando muito tempo nos pontos.
      - As praias do norte de Alagoas são incríveis! Particularmente curti mais as próximas de São Miguel dos Milagres do que as próximas de Maragogi.
      - Se tiver tempo, conheça as praias de Japaratinga, Bessas e do Boqueirão. Elas me pareceram muito lindas, observando-as de longe durante o meu trajeto de moto até a balsa para Porto de Pedras.
      - Acompanhe a tábua de marés para saber as melhores horas dos seus passeios. Isso vale especialmente para o passeio pelo Caminho de Moisés possível apenas marés super baixas.
      - É possível fazer uma excelente viagem. Gastando muito pouco, especialmente em comida, que é super barata.
       
      PRAIAS FAVORITAS
      1) Praia do Riacho
      2) Praia dos Morros/Praia Ponta da Gamela
      3) Praia do Patacho
      4) Praia de Carro Quebrado
      5) Praia de Ponta do Mangue
       

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