Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

Posts Recomendados

Lindo!!! Dá pra escrever um livro!!! Estou amando o relato.... Continuuuuaaaa....

 

Hahahahaha, longe disso. Valeu Licka, logo coloco a próxima parte. Beijão

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 14: Belém e Marajó

“ “A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer.” Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar: foram criados para viver e não para pensar. Isto mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas sem dúvida, estará confundindo a terra com a água e um dia morrerá afogado.” O Lobo da Estepe, Hermann Hesse

Estranho chegar a Belém pelo grande Amazonas. Esperava chegar em um porto imenso e acabei chegando num porto que mais se parecia com os fundos de uma empresa. Pelo o que eu entendi cada empresa que faz este trajeto (Manaus/Santarém – Belém) tem seu “porto” particular. Cheguei e logo me acomodei na frente de uma TV que passava a final da Copa São Paulo de futebol. Fiquei assistindo o jogo até a Regina chegar. Entrei em contato com ela pelo couchsurfing e desde o inicio foi super atenciosa comigo. Agora era hora de conhecer Belém do Pará.

Regina é arquiteta e faz mestrado na UFPA, gosta muito de literatura, açaí e camarão, mas sua verdadeira paixão é a língua francesa. Ela é a doçura em pessoa e em todo momento está sorrindo. Toda imagem que eu tenho dela na memória, ela está sorrindo. Logo ela partiria para um mochilão pela Europa.

Foram dias especiais em Belém, sempre na companhia da Regina. Fomos andar pelo centro da cidade. Caminhamos pelo Ver-E-Peso. Conhecemos diversos museus. Visitamos o imponente Theatro da Paz e o Mangal das Garças. Comemos açaí. Comemos camarão com açaí. Comemos peixe com açaí. Comemos açaí puro. Com açúcar. Com farinha. Com tapioca. Açai de diversas maneiras. Açai em Belém é a melhor coisa e a única coisa que se pode pensar. É bom demais. Diferente do resto do Brasil, afinal é o original. O açaí do Ver-E-Peso é o melhor e fica ainda melhor acompanhado de Dourada (um peixe).

Culinária 14.1: Existe uma rede de sorvetes em Belém chamada Cairu, que se intitula o melhor sorvete do mundo e talvez seja. Na verdade é bom demais, mas entre tomar sorvete ou açaí, acabava sempre com o açaí.

Curiosidade 14.1: Como podemos sentir vontade de comer açaí a todo o momento e açaí não pode faltar. Caminhando pela cidade é possível saber onde se vende açaí por uma bandeira vermelha içada na frente da casa/estabelecimento e se tiver uma velinha, o negócio é 24 horas.

598dd9dee849a_Foto14.1-PraadoRelgio-Belm.jpg.bb3ec3c350e2e4d949b49e9fece1c34c.jpg

598dd9deee7d1_Foto14.2-PraadoRelgio-Belm.jpg.d898a903e4ce82a8f3d3cf290f21ebda.jpg

598dd9df005b8_Foto14.3-PraadoRelgio-Belm.jpg.9a644745f147c52636fc6f06c253ef40.jpg

598dd9df05a29_Foto14.4-FortedoCastelodeBelm.jpg.0e9d005efafb03db081289d1577c2678.jpg

598dd9df0a529_Foto14.5-FortedoCastelodeBelm.jpg.80e8e5ee1ea07c3474f2fe98665f88d9.jpg

598dd9df0f411_Foto14.6-MuseudoestadodoPar.jpg.ba08e7f08dd12db315e17402e13f3d52.jpg

598dd9df14228_Foto14.7-EscadariadocasaroParisNAmerica.jpg.314fda5f963d6aee97d133e8789e7366.jpg

598dd9df18e1c_Foto14.8-MangaldasGaras-Belm.jpg.70dce6346270cfff2efb17edd56a79f5.jpg

598dd9df1e2de_Foto14.9-TheatrodaPaz-Belm.jpg.ef3ba8c8d8e22b1b8a770298cf6efd2d.jpg

Uma coisa que me chamou atenção foi o museu do Círio de Nazaré. Muito bonito e cheio de cores, assim como a procissão do Círio. Não sou religioso, mas ver a devoção que aquele povo tem pela Nossa Senhora de Nazaré é emocionante demais, mesmo por vídeos ou por histórias. Um dia pretendo voltar a Belém para ver com meus olhos e participar do Círio de Nazaré.

A mãe da Regina a Lúcia também foi uma boa surpresa de Belém. Ela é toda engajada no ambientalismo e aprendi muitas coisas com ela. Com a Regina tudo era é fácil, nos entendíamos muito bem. Nossa afinidade é grande. Foi bom demais aqueles dias. Saudades da companhia e dos risos da Regina.

Vídeo 14.1: A Regina me mostrou essa paródia da música do Bruno Mars e Mark Ronson – Uptown Funk que fala de Belém. Eu, ao menos, achei muito engraçado.

“Sinto-me em casa ao lado de Regina e sua família.” Notas de Diário

Depois de alguns dias em Belém quis ir conhecer Marajó. Deixei minhas coisas na casa da Regina e peguei um barco para Marajó. No porto, aqui um porto de verdade, existem duas opções para se chegar à cidade de Salvaterra na ilha de Marajó. Fiquei com a opção mais barata o barco usado pelos locais, a outra opção é um catamarã que é duas vezes mais rápido, porém, mais caro. Antes da viagem, fui presenteado pela Regina com um livro chamado Marajó escrito pelo Dalcídio Jurandir, o filho mais pródigo da maior ilha fluvio-marítima do mundo. Agora conheceria Marajó por histórias e pelos meus olhos.

Curiosidade 14.2: A ilha de Marajó é composta de dezesseis municípios. A cidade mais populosa é Breves, mas a mais importante cidade da ilha é Soure (a segunda mais populosa) e considerada sua capital, lembrando que Marajó pertence ao estado de Belém, então a nomeação de Soure é meramente simbólica.

Curiosidade 14.3: A população da ilha de Marajó é pouco mais que 500 mil habitantes e a população de búfalos ultrapassam 600 mil búfalos. O maior rebanho de búfalo do mundo.

A viagem é bem tranqüila. O barco tem assentos e a paisagem durante todo o trajeto é muito bonita. Cheguei ao porto segui para a “pseudo-capital” capital de Marajó, Soure. No porto existem diversos transportes (van, micro-ônibus) para as cidades acessíveis via terrestre a partir dali. Não sei ao certo porque escolhi ir para Soure, dessa vez não foi por causa do nome, pois Salvaterra é um nome mais chamativo. Não sei. Depois de quase uma hora dentro da van, enfim, Soure. Sai caminhando e logo conheci o Valdomiro e em seguida estava hospedado na sua casa/pensão.

"O rio, uma cobra de prata, se desenrolava na sombra e ia urrar na baía. A curicaca deslizava no vigor da cobra de prata, a maré enchendo trazia o bafo áspero de mato podre e de bichos. O estirão foi se distanciando, com ele o medo daquelas trovoadas que arremessavam árvores contra os homens..." Marajó, Dalcídio Jurandir

Valdomiro é um jovem de 90 anos, trabalhou a vida toda na marinha mercante, parte na marinha do Brasil e parte na marinha do Reino Unido. Conhecedor dos rios e mares e ótimo contador de histórias e estórias. Dono de uma saúde invejável e de uma disposição de criança. Quase sempre está sorrindo.

Logo de inicio viramos amigos. Ele saiu caminhar comigo para mostrar a cidade. Não deixava fugir nenhum detalhe e me apresentava para todos os seus conhecidos, praticamente, todas as pessoas que estavam nas ruas. Com seus noventa anos dizia que eu andava muito devagar e que assim não fugiria de nenhum búfalo. Na volta deixou sua bicicleta a minha disposição para explorar Marajó.

No outro dia sai de bicicleta rumo à Praia do Pesqueiro. O trajeto é lindo demais. Eu desviava a todo o momento para conhecer o entorno do caminho. Até então não tinha visto nenhum búfalo até no percurso cruzar com uma manada de uns cinqüenta búfalos. Tentei manter a calma. Fiquei parado. Eles foram passando um a um do meu lado. Cheios de cortesia liberaram a estrada novamente para mim. Senti-me um bobo por, algum instante, sentir medo daqueles seres tão tranqüilos. Cheguei a Praia do Pesqueiro e logo fiquei feliz de estar naquele lugar. Guardei a bicicleta numa casa a dois passos da praia e sai caminhando. A Praia do Pesqueiro, talvez, seja o lugar mais visitado da ilha de Marajó. Com certeza é a praia mais famosa. A fama é justa, mas acho que o charme da praia são os diversos rios que tem como foz aquela parte de mar.

598dd9df23e1f_Foto14.10-Soure.jpg.0c132622794dd6f1ff79036e7412878a.jpg

598dd9df29911_Foto14.11-EntornodeSoure.jpg.faac1dacc72b4409c5459226a59639df.jpg

598dd9df2f4d9_Foto14.12-EntornodeSoure.jpg.30f2abc07f4cf3dcb9db2d5bfc9dbcd2.jpg

598dd9df6c435_Foto14.13-ArredoresSoure.jpg.cde045f5518e68a90114af170dd3f332.jpg

598dd9df724de_Foto14.14-ArredoresSoure.jpg.82cbdf716125a54d27a6e97da3cd80a4.jpg

598dd9df76e89_Foto14.15-BfaloKid.jpg.749064a4c11e13d92dc2e440a79a10e3.jpg

598dd9df7b376_Foto14.16-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.09a8731801bd2ea5683c7c4257c863f3.jpg

Passei o dia inteiro ali. Experimentei o famoso queijo de búfala que é muito bom. Andei muito. Não havia quase ninguém nesse dia. Fiz amizade com alguns nativos e quando a chuva chegou para valer fiquei jogando sinuca com os mesmos. No fim da tarde peguei a bicicleta e fui tranquilamente embora. Chegando a casa do Valdomiro comecei a passar mal do estômago. Vomitei. Tive diarréia. Vomitei mais um pouco. Valdomiro com seus chás milagrosos me salvou e cuidou de mim. Que gratidão. Logo na outra manhã já estava novo novamente. Valdomiro disse que foi o queijo de búfala que me fez mal, eu acho que foi o excesso de açaí que estava ingerindo naqueles dias. Só sei que fiquei mal de verdade.

598dd9df7f60f_Foto14.17-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.db3a778219fabbca90abe8f617ae28f0.jpg

598dd9df83626_Foto14.18-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.3c30bf84dfd14216fb55c068920f36a8.jpg

598dd9df875df_Foto14.19-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.7ba39df761331a3df991212bcdd72d96.jpg

598dd9df8c544_Foto14.20-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.d9198ef2ecc5de8c073438cf53e66d6f.jpg

598dd9df91fb7_Foto14.21-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.2db05dddc596fc84b0ae5dacc63a9b87.jpg

598dd9df97c2e_Foto14.22-PraiadoPesqueiro-Soure.jpg.50201224035e9663bb5234f200549ec5.jpg

“Sem palavras para o Valdomiro. Cuidou de mim como se fosse da família. Nem sei o que faria se estivesse sozinho hoje. Agradeço ao destino por ter-lo colocado no meu caminho. Obrigado.” Notas de Diário

Fui conhecer a Praia da Barra Velha. Essa praia virou a minha favorita de Marajó. Só olhar para ela para entender o porquê disso. Com a vegetação típica de mangue no meio do mar faz dela uma preciosidade aos olhos. O contraste e o diferente são as marcas registradas dessa praia. Caminhei muito pelo lugar e a cada passo era uma surpresa de paisagem.

598dd9df9d413_Foto14.23-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.0c32df86b93064e1993e14b8e6418146.jpg

598dd9dfa2a44_Foto14.24-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.6657699ea3a244020f76bae9a4e68f2e.jpg

598dd9dfa797c_Foto14.25-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.a9ba35c5486df1b5378c340ac9ef79df.jpg

598dd9dfabad4_Foto14.26-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.cb43cac2a75487ba7503edf33c630f62.jpg

598dd9dfb003f_Foto14.27-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.9a8b6cda731a361ff4ea932398eac8f0.jpg

598dd9dfb4908_Foto14.28-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.a5e8c873477c08f11bff27ffc7560e29.jpg

598dd9dfb916d_Foto14.29-PraiadaBarraVelha-Soure.jpg.862e965b170678449f13b19347f8781b.jpg

“Hoje vi uma infinidade de Guarás vermelhos. Que coisa linda. Eles pareciam pintados a mão de tão vermelhos. Pena não estar com o celular para registrar o momento.” Notas de Diário

A única coisa ruim de Soure é a overdose de picadas de muriçocas. Não tem como dormir sem mosquiteiro. Mesmo no mar os mosquitos enchem o saco. De todos os lugares que já fui nessa vida, com toda certeza, Soure é o lugar com mais muriçocas.

598dd9dfbd95b_Foto14.30-PraiadoAraruna-Soure.jpg.f1e984a89ca3d0e99b0fa664b372a795.jpg

Pela noite eu e o Valdomiro ficamos a conversar. Deitados nas redes na varanda na companhia de mais alguns nativos. Conversamos sobre as guerras mundiais. Conversamos sobre quem eram as maiores personalidades da história. Conversamos sobre futebol. Conversamos sobre viagens. Conversamos sobre encontros e despedidas. Conversamos sobre seus cem anos que se aproximava. Foi uma noite das mais agradáveis. Saudades e gratidão é o que fica do Valdomiro.

A ilha de Marajó é um lugar sem estrutura nenhuma para o turismo. Isso faz seu charme. Pois você terá que, necessariamente, interagir com os nativos. Fique feliz por isso. Os marajoaras são gente da melhor qualidade. Coração grande. Sorriso no rosto. Muitas histórias para contar. A simplicidade das pessoas e do lugar vão te encher de alegria e fazer dos seus dias naquele lugar único os melhores possíveis.

Retornei a Belém, peguei minhas coisas e me despedi da Regina e família. Difícil deixar a Regina, mas feliz por ter conhecido alguém como ela. As saudades começaram no último abraço. Agora voltaria para o Maranhão, estado tão importante na minha formação como pessoa e que fui tão feliz anos antes com o projeto Rondon. Era hora de voltar para São Luis e o frio na barriga já fazia companhia.

598dd9e09f6d6_Foto14.31-LciaEueaRegina.jpg.820ce3d9655408dcd4656fac2d3e1d96.jpg

Muito obrigado Regina e Lúcia. Obrigado pelos dias em Belém. Obrigado pela companhia e pelo companheirismo. Um beijo na alma de vocês.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 15: São Luís, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba

"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo" Dias e Noites de Amor e Guerra, Eduardo Galeano

Talvez eu nunca consiga entender o que eu sinto por este lugar. Sei que me apaixonei pelo Maranhão anos atrás. E para mim é algo, realmente, difícil voltar aqui. Sempre tive algumas paranoias, uma delas é não voltar em lugares que fui muito feliz no passado. Pelo simples medo de sobrescrever as lembranças boas por novas experiências que possam ser ruins. Agora era hora de voltar para o Maranhão, mais precisamente São Luís e o frio na barriga tomava conta de mim.

Cheguei numa manhãzinha de segunda-feira. Estava muito calor. Eu não estava muito certo se deveria ficar ali. Lembro que fiquei umas duas horas na rodoviária, pensando se pegava o próximo ônibus para o Piauí. Resolvi ficar. A Denise estava a minha espera. Peguei um circular e fui até a casa dela.

Denise é uma guria mais que tranquila. Quase formada em arquitetura, viveu o último ano na Itália e lá tinha encontrado seu companheiro de vida.

Num dia fui até ao centro histórico de São Luís. Me perder naquelas vielas, cheio de escadarias, mais parecia um "déjà vu" do que uma nova experiência. Não estava feliz. O passado feliz criava uma enorme expectativa sobre o presente. Não queria ter novas experiências e sim reviver o passado. Só quando percebi isso que comecei aproveitar o lugar. Passei ir em lugares que não conhecia e assim, parei de ser saudosista e comecei a viver o presente e de presente o destino me entregou dias felizes.

598ddac793276_Foto15.1-CentroHistorico-SoLuis.jpg.76b017e2565311e49e949993d5ee6067.jpg

598ddac79a55f_Foto15.2-CentroHistorico-SoLuis.jpg.f3366dd5fa14ebfc7896487feaac30ad.jpg

598ddac7a0df5_Foto15.3-CentroHistorico-SoLuis.jpg.05face87097d67fa5a0bbf5e40beef5a.jpg

598ddac7a71da_Foto15.4-CentroHistorico-SoLuis.jpg.24e20eab8cdb6c7ac9795c78eb065f71.jpg

598ddac7ad219_Foto15.5-CentroHistorico-SoLuis.jpg.b75e23f55be9084591d8846e707fffe0.jpg

"Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado. Mas quando voltou a ver do convés do navio o promontório branco do bairro colonial, os urubus imóveis nos telhados, a roupa dos pobres estendida a secar nas sacadas, compreendeu até que ponto tinha sido uma vítima fácil das burlas caritativas da saudade." O amor nos tempos de cólera, Gabriel Garcia Marquez

Fui para cantos que não conhecia. A praia de Carimã, em Raposa (não entendi bem, mas acho que Raposa é uma cidade ou talvez um distrito de São Luís) foi a melhor surpresa. A praia não é acessível por terra, precisando do serviço dos barqueiros para chegar até ela. Eu estando na praia, só havia eu, com aquela infinidade de mar, areia e pouco de vegetação fez eu me sentir o dono do mundo. Caminhei por horas nas areias desertas, nunca havia me sentido tão só e solo aproveitei aquele mar na companhia de um vento forte. Quando o sol teimava em ir embora, decidi que tinha que partir. No ônibus, voltando para São Luís, percebi que o passado era uma corrente e quando aceita-se o presente, o mesmo se abre como algo bom. Depois de sair do ônibus era um novo cara ou, ao menos, um cara que não remoía o passado mais.

598ddac7b3275_Foto15.6-Raposa.jpg.9320b335d2d4f4fe3db53bd406e9461e.jpg

598ddac7b848a_Foto15.7-Raposa.jpg.0ac2f25dc4a3a6c21f7a052a83893602.jpg

598ddac7bcf15_Foto15.8-Raposa.jpg.16a9e73017b81bccf2fe41ff3d7b6b08.jpg

598ddac7c1899_Foto15.9-Raposa.jpg.da64233a42537825e7e41387b23b35a9.jpg

Em outro dia qualquer, me despedi da Denise e segui rumo a Barreirinhas. Era hora de conhecer os lençóis Maranhenses. Logo no ônibus conheci um uruguaio que mochilava pelo Brasil, ele andava decepcionado pelo nível das praias do nordeste, que na opinião dele, somente a Bahia trazia boas praias. Logo desconfiei dele por tal sentimento. Mas ele se mostrou ser uma boa pessoa. Ele fissurado por futebol e pelo Peñarol, ficou feliz em saber que estávamos num mesmo jogo meses atrás no Uruguai. Fomos conhecer as infinidades dos grandes lençóis juntos. Pena que as lagoas estavam secas (geralmente, a melhor época é junho e julho para visitar), na maioria delas. Os lençóis parecem ser infinitos, tanto de altura, tanto de extensão. Lembro, como uma criança, que saia correndo por aquelas montanhas de areia até a gravidade não deixar mais e rolava de volta. Ou sair correndo para subir as mesmas montanhas de areia. Aquilo é fantasia pura e beleza no estado da arte. Não tem como não se apaixonar por aquele lugar.

598ddac7c65df_Foto15.10-Barreirinhas.jpg.aef4e251e2fcd68d01a21b6e37f6e505.jpg

598ddac7cade6_Foto15.11-LenoisMaranhenses.jpg.0a27783416edd5889239332b5a976d84.jpg

598ddac7d05f0_Foto15.12-LenoisMaranhenses.jpg.jpg.3ddf4d997ef019313d45f4d94251eb6f.jpg

598ddac7d60e2_Foto15.13-LenoisMaranhenses.jpg.jpg.96c465d90e9dc2ef0bdfcaa47b929b37.jpg

598ddac7db7e6_Foto15.14-LenoisMaranhenses.jpg.jpg.8edc0ff61460ff85988fe86e339df642.jpg

598ddac7e0bca_Foto15.15-LenoisMaranhenses.jpg.jpg.6ef928aff6019f2630b90df011403b32.jpg

Lembro agora de um casal de franceses que conheci na Chapada Diamantina meses depois. Eles já tinham estado em centenas de lugares pelo mundo. Conheciam todos os continentes, mas que na visão deles nenhuma beleza superava a dos grandes lençóis maranhenses.

O uruguaio seguiu viagem e eu continuei em Barreirinhas e me hospedei em uma rede na casa do professor. O Rodolfo, o professor, é gente boa demais, largou sua vida de professor de inglês para abrir o hostel (Casa do Professor) em Barreirinhas.

Barreirinhas é a cidade porta de entrada dos lençóis. Aqui encontra-se todo o tipo de hospedagem e restaurantes, mas tirando a orla do rio Preguiça a cidade é uma cidade comum que nem parece estar cercada dos grandes e pequenos lençóis. Se optar por conforto, Barreirinhas é o lugar, caso queira ter contato direto com a natureza do lugar opte por hospedar-se em Atins ou Santo Amaro (Infelizmente, não tive o prazer de conhecer Santo Amaro).

Dias depois, segui para Atins. Peguei carona em uma voadeira e seguimos pelo rio Preguiça. Estava atravessando um trajeto turístico e passei pelos vilarejos de Vassouras, Mandacaru e Caburé. Todo trajeto é lindo demais, mas o ponto alto é parar em Vassouras e conhecer o pequenos lençóis Maranhenses. Os pequenos lençóis é uma formação (nesse caso areia) mais recente (geologicamente) e se difere dos grandes lençóis por serem menores (obviamente) e principalmente por ter uma cor mais escura, Mas a beleza é surpreendente como nos grandes lençóis. Caburé é uma faixa de praia entre o rio preguiça e o mar, famoso pelo seu prato de camarão, que é muito caro. Mandacaru é menos turístico, mas tem o azar de não ter acesso ao mar e assim, não tem o "glamour" de Caburé.

598ddac7e61a1_Foto15.16-Vassouras.jpg.77764eb6c1f1be5d92bc239b1825f3cf.jpg

598ddac7eac2d_Foto15.17-PequenosLenois.jpg.ea8c72bb501baab2da0277f9ddb05595.jpg

598ddac7ee83f_Foto15.18-PequenosLenois.jpg.1becae76f4fdd557c366b96c31491977.jpg

598ddac7f23be_Foto15.19-PequenosLenois.jpg.9af876756afcc8e7aabf26e268150667.jpg

598ddac801da9_Foto15.20-RioPreguia.jpg.d8a1f3f99c34b5a5df6a1d6527a3cd87.jpg

598ddac805bd6_Foto15.21-Mandacaru.jpg.df1251f0455d82b0382fc0f16c8014e8.jpg

598ddac809d6e_Foto15.22-Cabur.jpg.7826e5f41f82d670b31cba7fec38133e.jpg

598ddac80ef2e_Foto15.23-Cabur.jpg.197860d1e51e0bc31050b20226cf0a97.jpg

598ddac814105_Foto15.24-Cabur.jpg.552e19d344b3323aa749130f475f1021.jpg

Atins é o "lugar" nos lençóis, mistura praia de mar, praia de rio e os lençóis, além de uma comunidade receptiva. Nos meus dias lá fiquei hospedado em um redário. A beleza está por todo lugar. Queria fazer a travessia a pé por todo o deserto maranhense, mas não criei coragem de fazer sozinho e não tinha dinheiro para pagar os altos valores de guias, que saiam de Atins e chegava em Santo Amaro, parte mais preservada dos lençóis maranhenses. Mas me contentei em estar no paraíso de Atins.

Pela primeira vez na viagem, sentia a necessidade em voltar pra onde eu estava. Um dia tenho que voltar para Atins e fazer o trekking por todo os lençóis.

Atins é o paraíso. Sua praia sem ondas e o céu, parece, pintado a mão. Calmaria e noites mais que estreladas fez eu entender um senhor libanês que morava há décadas ali. Ele me dizia "Se existe uma coisa que eu entendo é praia e nenhuma supera essa de Atins". Talvez Atins não seja a praia mais bonita ou vistosa que eu já vi, mas com certeza foi a que mais a paz reinou sobre mim. A magia do lugar e do luar faz ela ser especial.

598ddac819324_Foto15.25-Atins.jpg.a73cf3f2ce648f24876821bfa2a089d7.jpg

598ddac81e56a_Foto15.26-Atins.jpg.713d597354fda79998fcf10af06bd48c.jpg

Quando chegou o dia de partir de Atins peguei uma Toyota como transporte até Barreirinhas. Saímos de madrugada. Do lado de dois bodes, me acomodei no fim da Toyota. Os bodes que estavam amarrados em suas patas pareciam, com razão, chorar a viagem toda. Chegando em Barreirinhas seguiria para Parnaíba no Piauí.

Primeiro peguei uma Toyota até a cidade de Paulino Neves. Esse trajeto é beleza pura. Talvez, o que vi de mais bonito nos lençóis. O caminho é uma mescla de grandes dunas, com povoados e sertão. Lindo demais. Pensei em muitas vezes descer e ficar ali. Chegando em Paulino Neves peguei uma Van até Tutóia, o trajeto ainda é bonito, mas o asfalto começa a dar a cara. Tutóia é uma cidade, como qualquer outra, cheguei e fui embora. Agora chegava no surpreendente Piaui. Na rodoviária de Parnaíba a Clayce me esperava.

Clayce é uma guria especial. Administradora e já trabalhou em diversos empreendimentos, agora, como eu, estava confusa sobre a vida, mas tinha uma força grande e eu sabia que ela daria certo em qualquer coisa que tentasse. Dona de um coração grande, abriu sua casa, junto sua mãe Maria. Só sei que sinto muitas saudades das duas, muitas saudades.

Em Parnaíba, fui conhecer o delta do Parnaíba. Um dos três deltas do mundo que desaguam em alto mar (os outros são o rio Nilo e o outro no Vietnã que não me recordo o nome), mas o rio Parnaíba é o único que deságua num Oceano, Atlântico nesse caso. Confesso que não sabia da existência do rio Parnaíba, nem da cidade de Parnaíba e muito menos do delta do Parnaíba antes do mochilão. Santa ignorância que só serviu para me trazer boas surpresas. Parnaíba é um local de forte vegetação com a transição das dunas que remetem os lençóis. Lindo, lindo. Por cinquenta reais, você entra numa embarcação com café da manhã cheio de frutas, almoço e uma caranguejada no fim, que percorre o rio Parnaíba até sua foz. Que viagem. Lindo demais. Chegar na foz e ver o mar com aspecto barrento do rio é das coisas que mais me surpreendeu. Tudo é lindo. Os manguezais no meio do caminho. Os infinitos caminhos do delta. A parte que mais me recordo foi a parte das altas dunas, que do alto se vê um infinito de areia, cortado pelo rio Parnaíba e no restante a vegetação densa das ilhotas do delta. Quanta beleza. Tirei minha melhor foto ali. A foto trás uma faixa de areia, outra de rio e outra de verde, sempre sorrio ao ver essa foto.

598ddac823783_Foto15.27-RioParnaiba.jpg.8babbe9fac7aebe71d60dce9602926ef.jpg

598ddac827718_Foto15.28-RioParnaiba.jpg.867693a9ae4ad118058c9bf442877fa7.jpg

598ddac82b483_Foto15.29-FozdoParnaiba.jpg.8132741e33524ef2509da966eab28236.jpg

598ddac82f083_Foto15.30-MinhaFotoFavoritadaViagem.jpg.d082f9e2cc2da71185f30ba65fee4068.jpg

598ddac832cce_Foto15.31-DeltadoParnaiba.jpg.2f0db29a5f04f8b48a1a84ee4563078d.jpg

598ddac8368a3_Foto15.32-DeltadoParnaiba.jpg.16ac57f2e25a6059ed941b9f75d81193.jpg

598ddac83b246_Foto15.33-DeltadoParnaiba.jpg.92d8ee296d116859aacf9251a5a7cc71.jpg

"Hoje foi dos melhores dias. Conhecer o delta meu surpreendeu demais. Tudo é lindo. O encontro do mar com o rio. Os imensos igarapés. As infinitas ilhotas. As dunas. O labirinto que se resume essa coisa chamado Delta do Parnaíba. Outra coisa que me marcou foi o senhorzinho, parceiro de cerveja e conversas, com seus mais de setenta anos continua viajando sozinho e levando simpatia por onde passa. Ele me disse que a enfermidade viajar nunca sara e é preciso ir se adaptando conforme o tempo" Notas de Diário

Era carnaval. Safadão estava em Parnaíba. Não tinha dinheiro para ir nas badalações. Em um dos dias, fui num carnaval com música latina no único hostel da cidade junto com a Clayce. Nos outros dias vivi mais próximo da família dela. Foram bons dias. A Maria e a Clayce faziam-me sentir em casa. Quanta gratidão e que saudades. Experimentei a famosa cajuína e não gostei, já a tapioca de lá é a melhor do mundo. Parnaíba é uma cidade muito bonita e organizada, moraria tranquilamente. No dia de ir embora eu queria ficar pra sempre, mas a viagem tinha que continuar. Com o coração apertado me despedi da Clayce e da Maria.

598ddac84051f_Foto15.34-ClayceEueaMaria.jpg.da39d900118892cd7ab3c61d6971acb1.jpg

"… mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos." O amor nos tempos de cólera, Gabriel Garcia Marquez

Entrei no ônibus. A saudade era algo que eu já estava acostumado. Um filme de todas pessoas que fizeram parte da viagem, até aqui, dominava meus pensamentos. Queria que o ônibus estivesse cheio de todas essas pessoas, mas olhava para os lados e não conhecia ninguém. O motorista acelerou, as luzes se apagaram. Ganhei uma tapioca da senhorinha do lado que em seguida me apontou para a janela. Olhei pela janela e via muitas estrelas, comecei a ficar ansioso por ter refugado Jericoacora para ir conhecer o maior museu a céu aberto do mundo, a Serra da Capivara.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Diego, não para não! Toda vez volto aqui pra ver se tem atualização, e acabo relendo as histórias anteriores.

Repito, é das coisas mais bacanas que já li. Resultado de uma das viagens mais bacanas que já vi.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Diego, não para não! Toda vez volto aqui pra ver se tem atualização, e acabo relendo as histórias anteriores.

Repito, é das coisas mais bacanas que já li. Resultado de uma das viagens mais bacanas que já vi.

 

@mcm não irei parar não, estou juntando as fotos e os escritos da próxima parte e nos próximos dias devo publicar. Fico muito feliz, de verdade, que tenha lido até aqui. Espero que goste também das próximas partes.

 

Muita paz pra ti!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Diego, parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu modo de ver a vida e valorizar as coisas simples.

 

Tenho muito em comum com vc meu amigo (já posso te chamar assim!).

 

Cada vez que vc cita Galeano, fala das pessoas humildes de um modo valorizador, eu sinto muito orgulho e tenho cada vez mais a certeza de que nem tudo está perdido no Brasil.

 

Viajo 24/12 e depois irei colocar o meu relato!

 

abraço e paz, camarada!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Diego, parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu modo de ver a vida e valorizar as coisas simples.

 

Tenho muito em comum com vc meu amigo (já posso te chamar assim!).

 

Cada vez que vc cita Galeano, fala das pessoas humildes de um modo valorizador, eu sinto muito orgulho e tenho cada vez mais a certeza de que nem tudo está perdido no Brasil.

 

Viajo 24/12 e depois irei colocar o meu relato!

 

abraço e paz, camarada!

 

@JUNINHO BLAZE claro que sim. Eduardo Galeano é um sopro de consciência nesse mundo, ele é um cara a ser lido. Se ainda não leu, leia Espelhos dele. Espero ansioso pela sua viagem e por seu relato, espero que tenha uma bela viagem e o aprendizado seja enorme. Um grande abraço, brother. Muita paz pra ti.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 16: Serra da Capivara

"A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida." O conto da ilha desconhecida, José Saramago

Muitas estruturas sociais ruíram com a passagem do tempo. A pluralidade de ontem deu lugar ao singular de hoje. Diversas formas de pensamento, vida e conhecimento foram perdidas com a evolução do tempo. Contudo, nem tudo se perdeu, alguns tesouros se mantiveram vivos. O Peru guarda Machu Picchu. O Egito as Pirâmides de Gizé. Guatemala tem Tikal. Camboja e sua Angkor Wat. E o nosso Brasil? Temos Altamira no Pará e principalmente a Serra da Capivara, a nossa Machu Picchu. A Serra da Capivara é o maior museu a céu aberto do mundo. Existem mais de 700 sítios arqueológicos ali e mais de 30000 pinturas rupestres. Além de estar situado numa região onde a natureza é caprichosa demais. A única pergunta que você deve fazer a si mesmo é: Quando eu vou conhecer a Serra da Capivara?, pois não conhecer está fora de questão.

Cheguei a São Raimundo Nonato (PI) numa tarde muito quente, novamente tinha conseguido couchsurfing, e quem me esperava era a Tati.

Tati é veterinária e sua paixão é a profissão. Dona de uma simpatia peculiar e de um coração enorme, abriu a porta de sua casa, mesmo cheia de trabalho.

Nesse dia estava num quarto em companhia de inúmeros livros, folheei alguns e logo avistei o livro fotográfico Gênesis de Sebastião Salgado. Lembro que meses antes tinha ido para São Paulo só para assistir no cinema o documentário "O Sal da Terra" dirigido por Wim Wenders, que conta a vida e trajetória do Sebastião. A beleza do filme é sem limites, mesmo dando socos no estômago a cada instante ao mostrar a crueldade que nós, humanos, somos capazes. Gênesis é o último trabalho de Salgado, onde ele distancia-se do homem e aproxima-se da natureza. Ao folhear aquelas páginas e com o filme na cabeça, refletia sobre minha viagem, desde o início não queria apenas viajar por viajar, queria poder aprender, olhar a vida pelo olhar do diferente, queria ver muita beleza, mas também poder evoluir como pessoa e livrar-me de preconceitos. Fui dormir nesse dia com a certeza que tinha perdido um pouco do propósito da viagem.

Vídeo 16.1: Trailer do Sal da Terra, Wim Wenders

Acordei no outro dia, caminhei bastante por São Raimundo Nonato e fiquei a procura de um guia para me acompanhar na Serra da Capivara. O parque tem como regra que para adentrá-lo é necessário estar na companhia de um dos poucos guias credenciados. Fui até um hotel onde o representante dos guias trabalha. Lá estava uma família, o casal e um filho, dispensando um guia de uma maneira bem grosseira, o motivo era o fato do guia não ter diploma em arqueologia ou afins e não "aparentar" ter conhecimentos suficientes. Nesse momento tinha achado o meu guia, esperei o desenrolar do desentendimento e fui conversar com ele. Falei apenas se ele queria ser o meu guia no dia seguinte, ele perguntou se era apenas eu, e eu disse que sim, ele perguntou se eu importava-me de ir de moto, eu disse que não. Apertamos as mãos e combinamos que no outro dia seis da manhã partiríamos daquele mesmo lugar.

Pontualmente partimos. Fiquei admirado pela quantidade de borboletas amarelas no caminho. O trajeto durou cerca de uma hora. Chegamos na entrada do parque, paguei o valor da entrada (acho que foi 12 reais) e nessa hora percebemos que não sabíamos o nome um do outro. Prazer Diego, prazer Zezão. Depois das formalidades começamos a caminhar. Chegamos na Pedra Furada e a partir daí não me recordo dos infinitos nomes de grutas e nomes de trilhas que fizemos no decorrer do dia. Por isso não me apegarei a nomes.

598ddc381060c_Foto16.1-ChegandonaSerradaCapivara.jpg.1de05cd240ddf3550eadd7f388f17fe7.jpg

598ddc38164a7_Foto16.2-ChegandonaSerradaCapivara.jpg.094a5763e613ef9f437d1a79a7bda297.jpg

598ddc381b95f_Foto16.3-APedraFurada.jpg.7c005a82122b5b4ebcbe2a94f75b7845.jpg

Primeiro fomos conhecer as grutas com as artes rupestres mais famosas. O interessante em observar é a estrutura do parque, onde as construções para dar mais acessibilidade às grutas são harmônicas com a natureza. Já observando aquelas pinturas, o sorriso toma conta de você, ver aquelas pinturas feitas em planos de sequência, mostrando cenas de caça, rituais e sexo é bacana demais. O ponto alto é a cena da Capivara que é a pintura que simboliza o parque e também a cena do beijo, que é de uma beleza sem tamanho.

Curiosidade 16.1: Descobertas arqueológicas na Serra da Capivara colocam em xeque a tese mais aceita sobre o povoamento das Américas. A teoria diz que as Américas foram povoadas cerca de 12 mil anos atrás quando houve a migração dos homo sapiens da Ásia para América através do estreito de Bering (local que separa a Sibéria do Alasca), e assim foram espalhando-se por todo continente americano até chegar ao extremo sul, a Terra do Fogo. Foram achados vestígios de presença humana na Serra da Capivara entre 30 a 60 mil anos atrás.

598ddc38202c6_Foto16.4-Paredes.jpg.026cd729b760b4557b0750610797fb69.jpg

598ddc3824873_Foto16.5-Ocaminho.jpg.1e3f16499ff4f0b3f280b024e2d46405.jpg

598ddc3828fb2_Foto16.6-Opredocomasprincipaispinturas.jpg.cb572cc79f225f41b9206275f1f9880a.jpg

598ddc382d6a9_Foto16.7-Pinturas.jpg.eb73c3a9c2f40d3ebc2b2cf6b43c8cf9.jpg

598ddc3831d54_Foto16.8-Pinturas.jpg.8af5b142a3771a1736b47b1e70fe4297.jpg

598ddc3837095_Foto16.9-Pinturas.jpg.0b6d32839a589d5f322635d5f447b53e.jpg

598ddc383cbaf_Foto16.10-Pinturasmbolodoparque.jpg.bc1caf693e6e607edb4eb16fcc71b709.jpg

598ddc3842c6a_Foto16.11-Obeijo.jpg.29ea579d933c1f32ae2d597b6f6eaba7.jpg

598ddc38488d8_Foto16.12-Belezanatural.jpg.89d6f599e7474ed4d91f86b13fae7512.jpg

598ddc384e2ca_Foto16.13-BelezaNatural.jpg.63e9e8cde67fb2e441e548708392fc92.jpg

598ddc38535db_Foto16.14-BelezaNatural.jpg.13060697149dacb4ea521a94b16fb5de.jpg

598ddc3857dd5_Foto16.15-BelezaNatural.jpg.03bf548dd82c813c2b78402fab391375.jpg

598ddc385c56d_Foto16.16-BelezaNatural.jpg.b66ea4af56861743026ad4b67ce69271.jpg

598ddc3860de0_Foto16.17-AltodaPedraFurada.jpg.640eccc180933014ddce7a492ae93d33.jpg

598ddc38651f6_Foto16.18-BelezaNatural.jpg.1ad9757dca05f3ffca027e3c6ccf2183.jpg

598ddc3869ec1_Foto16.19-Comunidade.jpg.071715c9027569a008a5dad5c2dee9ad.jpg

598ddc386f950_Foto16.20-BelezaNatural.jpg.a71caa66f79dd894d639bac073154fae.jpg

Depois no resto da manhã adentramos em inúmeras trilhas, o foco era conhecer as belas paisagens naturais da região. Andamos muito, subimos e descemos inúmeros paredões e continuávamos a andar. Na hora do almoço sentamos debaixo de um umbuzeiro e comemos umbu até enjoar. Zezão começou a contar a história da saga de Niéde Guidon, a mulher que "descobriu" (década de 60) as artes rupestres e arquitetou todo o Parque Nacional Serra da Capivara, numa batalha praticamente sola, conseguiu trazer recursos para a preservação e criação do parque, além do museu do Homem Americano, entre outras coisas. Se não fosse Niéde Guidon, haveria grandes chances de não haver mais essa jóia arqueológica, ainda mais com o grau de preservação e zelo de hoje. O mais interessante é a paixão que todos do parque falam dela, não tive o prazer de conhecê-la (ela estava em Brasília tentando captar mais recursos, apesar da saúde debilitada dos seus passados oitenta anos), mas fiquei com muita de vontade de dizer a ela: "Obrigado por lutar por esse lugar.". Zezão repetia com orgulho que o parque era considerado o mais organizado do mundo e também lamentava que São Raimundo Nonato não comporta o turismo que o parque pode oferecer e também dizia que era por isso que eles não divulgavam o parque para o mundo todo (essas palavras de Niéde Guidon).

Curiosidade 16.2: A Serra da Capivara recebe uma média de 20 mil visitas anuais. Machu Picchu recebe 2500 visitas por dia, isso porque é o limite máximo, senão seria mais. A Serra da Capivara em conjunto com a Serra Branca e a Serra das Confusões, oferece igual ou mais opções de turismo que Machu Picchu/Cusco e de igual qualidade. São duas preciosidades que todos deviam conhecer.

598ddc387551f_Foto16.21-Pinturas.jpg.ace0b02352a2c2d0cce7379ca7046238.jpg

598ddc387b3de_Foto16.22-Zezo.jpg.fa8729e9e8cd18fd2610098bfff95b91.jpg

598ddc3881222_Foto16.23-BelezaNtural.jpg.3bc31a7e5a7d670e329f6a665c7a8bd2.jpg

598ddc3886cc7_Foto16.24-Lindeza.jpg.227a38d32c99256a80ef3586fbed1360.jpg

Depois do almoço, seguimos de moto para outra região do parque. Estacionamos e logo começamos a caminhar intensamente, novamente. Passamos por dezenas de grutas, cavernas, avistei outra dezenas de mocós, algumas cobras, macacos e uma onça de longe. A natureza do parque é igualmente bela as pinturas rupestres. O que mais me lembro desse dia é o presente que a natureza ofereceu. Estava numa trilha onde dois paredões muito próximos limitavam o andar e, de repente, estava na companhia de milhares de borboletas. Acho que nunca fui tão feliz na minha vida, como ao correr naquela trilha com a chuva de borboletas. Elas ficavam no chão, todas reunidas, e quando eu aproximava elas voavam, coisa linda. Isso repetiu-se por centenas de metros. Elas eram de três cores diferentes: amarela, branca e preta, e o mais interessante que ao pousarem elas sempre pousavam na companhia de suas semelhantes. Não queria ir embora jamais dali, ficava olhando admirado. O Zezão que até então comentava que eu não cansava, pedia para continuarmos, pois logo anoiteceria. Acredito que fiquei mais de uma hora ali, parado e admirando, feito uma criança. Dar o passo para fora daquele desfiladeiro foi difícil demais. A caminhada continuou. Em um determinada gruta vendo as pinturas rupestres, Zezão contou-me que aquele era seu lugar preferido do parque. Tirei algumas fotos dele ali. E depois comentei que aquela família que tinha-o recusado não sabiam de nada. Realmente não sabiam mesmo, Zezão é conhecimento puro e tácito, conhece o parque como ninguém, fauna e flora, história, além d'uma simpatia gigante. Diplomas não definem conhecimento, muito menos caráter. Ao refutar o Zezão a família me deu um dos melhores dias da minha vida. Azar deles e sorte a minha.

598ddc388b824_Foto16.25-Pinturas.jpg.8c4d163789f51056f269011c4227e6cb.jpg

598ddc38903c7_Foto16.26-LugarpreferidoZezo.jpg.bfaa98faa25dd98292c51b4fb672921f.jpg

598ddc3894b4c_Foto16.27-Tentandoentenderaspinturas.jpg.c2f97bd4ca71e9ab4a66e6d7ba2abe5c.jpg

598ddc38997de_Foto16.28-Asborboletas.jpg.73c19bac5e9de8972ce567a794e50f38.jpg

598ddc38a43f4_Foto16.30-Ocaminho.jpg.8d7e8cd5a54e92ad84321b464edfacfb.jpg

598ddc38a43f4_Foto16.30-Ocaminho.jpg.8d7e8cd5a54e92ad84321b464edfacfb.jpg

598ddc38aa22b_Foto16.31-Ocaminho.jpg.a12b74805daf943f4767be3766cd383d.jpg

598ddc38b019b_Foto16.32-PornochanchadaPr-Histrica.jpg.a068583e93da7b4cfa10f39b2aca67a1.jpg

598ddc38b5f03_Foto16.33-Pinturas.jpg.4db9d1f68a8f6722bf242e2cde9abbda.jpg

598ddc38bbc7c_Foto16.34-Ocaminho.jpg.ade317c57ad9517db3bb6b00dc97ea4d.jpg

598ddc38c11c7_Foto16.35-Pinturas.jpg.4f6bddf8281b66889a36f967825be02e.jpg

598ddc38c5ece_Foto16.36-BelezaNatural.jpg.8b182f8ee801216f9ac84c4ac8741d3a.jpg

598ddc38cb250_Foto16.37-Zezo.jpg.01bc587a88d2f169b3fa0c0cfa7b1698.jpg

"Estava caminhando em uma mata fechada. O som dos macacos faziam-me companhia. Estava distraído, até que um mocó veio chorando em minha direção. Pensei que o Zezão havia pisado nele. Zezão logo gritou comigo e disse para eu ficar parado. Fiquei. Em seguida, apontou em direção de uma cascavel. Acabei entendendo o choro do mocó. "A cascavel confia no seu veneno", disse-me o Zezão. Distanciamos e ficamos a espera. O mocó já não mexia mais, estava deitado ao lado de uma árvore, minutos depois a cascavel retornou e finalizou o serviço. Olhar aquela cascavel com o mocó dentro de si é das coisas mais impressionantes que já presenciei. A natureza é magnífica, mas é cruel ao mesmo tempo. Em seguida, fomos para uma caverna onde a escuridão dominava. Zezão teve o cuidado de aconselhar-me "Cuidado onde pisa e põe a mão", mas não era preciso, nunca estive tão atento como naqueles minutos depois do ocorrido." Notas de diário

"Não | Eu não quero saber | Como anda você | Como vai sua vida | Eu sei |Tudo o que vão me dizer | É que você está bem | Muito feliz com outro alguém" O dia todo o Zezão repetia esse trecho da música o Mito de Amado Batista, ele sempre esquecia o resto e começa denovo. Começava trilha e terminava trilha e ele tentava. Quando tentavamos interpretar algumas das pinturas rupestres ele alternava a interpretação com a música. A obsessão dele era tão grande que enquanto voltávamos para São Raimundo Nonato ele lembrou de mais um trecho e parou a moto para cantar: "Quando alguém me fala seu nome | Eu mudo logo de assunto" e logo esquecia o resto. Chegamos na cidade e consegui a senha do Wi-fi do hotel, procurei a música e coloquei para tocar. A felicidade genuína é simples, o melhor sorriso que me recordo, dos meus dias por esse belo Brasil, é o dele quando ouviu os primeiros acordes da música. Cantou a música toda e terminou dizendo: "Viu só, viu só, eu sei, eu sei". Com um aperto de mão forte despedimos-nos, antes ele pediu para eu enviar suas fotos no email de sua filha. Na manhã seguinte ele iria levar seu carisma, bom humor, cumplicidade, conhecimento e companheirismo para outras pessoas de sorte.

598ddc39a8e53_Foto16.38-BelezaNatural.jpg.1e39e4a407775ca25fa69205d1a64bff.jpg

598ddc39adaea_Foto16.39-Pinturas.jpg.c0d05db0f25399cd6541cd6a443416b5.jpg

598ddc39b34ed_Foto16.40-Prximoamortedomoc.jpg.d28f6e318209a48a11a09b7d2d126e45.jpg

Nos outros dias, caminhei mais pela cidade, fui conhecer o Museu do Homem Americano que é magnífico. Assisti alguns jogos de futebol amador. Bebi algumas cervejas. Tinha vontade de conhecer a Serra Branca e a Serra das Confusões, mas o dinheiro era pouco e não conheci outras pessoas interessadas para dividir os custos, bancar o guia obrigatório e mais a condução (são lugares bem distantes) era algo que não daria mais pra fazer, deixei a emoção de lado e percebi que tinha metade do país a percorrer até voltar para casa. Estava feliz com a Serra da Capivara, com os aprendizados do Zezão e com a rotina na cidade. Numa manhã arrumei minha mala, pela segunda vez vi a Tati, a primeira quando a conheci e agora para me despedir. Ganhei um abraço e um boa viagem. Caminhei para a rodoviária, tinha a informação que não daria pra seguir a Petrolina (a pista estava interditada fazia dias por causa das chuvas). Cheguei e fiquei olhando o mapa do Brasil, mirava os olhos no Ceará a razão levava meus olhos para o litoral (Jericoacara, Fortaleza, Canoa Quebrada, Pipa (RN)), mas o coração indicava o sertão. E claro, segui meu coração. Enfim, meu caminho iria encontrar o sertão.

"Quando alguém procura muito – explicou Sidarta – pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó venerável, sejas realmente um buscador, já que, no afã de te aproximares da tua meta, não enxergas certas coisas que se encontram bem perto dos teus olhos." Sidarta, Hermann Hesse

Conheça a Serra da Capivara.

598ddc389e816_Foto16.29-Asborboletas.jpg.0ad091fcf257627b7567e140c2fcbc79.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Diego, parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu modo de ver a vida e valorizar as coisas simples.

 

Tenho muito em comum com vc meu amigo (já posso te chamar assim!).

 

Cada vez que vc cita Galeano, fala das pessoas humildes de um modo valorizador, eu sinto muito orgulho e tenho cada vez mais a certeza de que nem tudo está perdido no Brasil.

 

Viajo 24/12 e depois irei colocar o meu relato!

 

abraço e paz, camarada!

 

@JUNINHO BLAZE claro que sim. Eduardo Galeano é um sopro de consciência nesse mundo, ele é um cara a ser lido. Se ainda não leu, leia Espelhos dele. Espero ansioso pela sua viagem e por seu relato, espero que tenha uma bela viagem e o aprendizado seja enorme. Um grande abraço, brother. Muita paz pra ti.

 

 

Conheci Eduardo Galeano na faculdade de História e li bastante sobre algumas de suas obras (ele tem muitas rsrsrs).

 

Vou comprar o livro e vai ser meu companheiro de viagem, obrigado pela dica!

 

Te add no face, me aceita lá pra vc ir vendo as fotos quando começar o meu mochilão.

 

abs!!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por Anderson Paz
      Período: 15 a 19/11/2017 (período chuvoso)
      Cidade-Base: Caiapônia/GO, a 550 km de Brasília e 335 km de Goiânia.
       
      Relato escrito pela companheira de viagem Maria Fernanda. Fiz só algumas pequenas adaptações. Dessa forma muitas vezes vai estar se referindo a mim na 3ª pessoa...hehehe

      Além dela o Raphael também integrou o grupo, na verdade foi ele o mentor da viagem em seu Uninho Mille.

      Dia 15/11, quarta:
       - Saída DF: 05h30
      - Chegada Caiapônia: 13h30
      - Estrada via Iporá em ótimo estado de conservação ao longo de todo o trajeto
       
      - Fomos direto às Cachoeiras Jalapa e Tobogã.
      No caminho de terra à direita avista-se ao longe o "Morro do Gigante Adormecido". Lindão!
      Nível dificuldade das cachús: Zero!
      Segundo nossa avaliação, são as mais "simples", de menor beleza cênica e sujeitas a estarem lotadas nos feriados e finais de semana. Entretanto, quando lá chegamos só havia mais 3 pessoas.

      Depois de ficarmos ali um tempinho, seguimos rumo a Cachoeira Três Tombos
       
      Como chegar: 5 km antes de Caiapônia na GO-221 no sentido Iporá-Caiapônia

      Cachoeira Três Tombos
      Chega-se por cima, onde o Rio São Domingos encontrava-se raso, (na altura de minhas canelas, se tanto!). Do alto, aprecia-se um lindo desfiladeiro e a bela Três Tombos (nome autodescritivo). Próximo ao local do estacionamento à direita há uma trilha para a descida com mais segurança, com cordas para apoio. Não é preciso fazer como nosso audaz e intrépido Anderson Paz que - não encontrando a "descida oficial" - bancou o "Indiana Jones" numa descida arriscada pirambeira abaixo, ok?! O poço dessa cachú é DE-LI-CI-O-SO!! Todos concordamos que suas águas são as mais deliciosas em que tivemos a experiência de nadar / mergulhar. NÃO DEIXEM DE VIVENCIAR ISSO, certo?!
       
      Como chegar: BR 158, 46km em direção a Piranhas a partir do trevo que sai de Caiapônia + 16km de estrada de chão. Tem algumas placas. Confie nelas. (Digitar “Cachoeira 3 Tombos” no Google Maps)
       
      À noite: Restaurante do Ernesto, frente do Hospital Municipal. Fernanda e Rapha foram de "jantinha" (PF reforçado!) e Anderson foi de sanduba sem carne (com ovo, tomate, milho, alface e maionese).
       
      Dia 16/11, quinta feira.

      Cachoeiras Samambaia e Abóbora
      Chega-se por cima da Samambaia, literalmente! Inclusive, cruzamos o riacho q a origina sem que déssemos fé disso. Um pouco mais a frente percebemos que havíamos passado do ponto - ela estava logo à direita do riacho. Ao fazermos o retorno, tivemos a sorte de avistarmos 2-3 catetos ariscos.

      A de scida da Samambaia é tranquila e sinalizada. Queda d'água bonita. Há um poço pequeno .

      Para chegarmos a Abóbora, voltamos ao ponto de início da descida à Samambaia e pegamos uma trilha em frente, curta (talvez 250 m) e discretíssima! É provável q exista outra trilha por baixo, mas não vimos! A queda e o poço da Abóbora são maiores do que a Samambaia. No entanto, ao chegarmos, deparamo-nos com um fedor forte e nauseante de algum bicho morto nas proximidades.  Não permanecemos mais do que alguns poucos minutos por ali. Peninha...
       


      Nota Importante: das que visitamos, estas duas cachoeiras ficam muuuito próximas de pastagens e plantações imensas.
       
      Como chegar: BR 158, 10km em direção a Piranhas a partir do trevo que sai de Caiapônia + 30km de estrada de chão. Na BR entrar na placa escrita "Vivas Samambaia". O carro para em um estacionamento ao lado do córrego que desemboca na Samambaia. A primeira cachoeira é a Samambaia. Uns 300m de trilha a direita fica a Abóbora (digitar “Cachoeira Abobora” no Google Maps)
       
      Após, retornamos ao carro e seguimos nossa aventura em busca à Cachoeira São Domingos...

      Nessa tarde, fomos agraciados com um original e generoso "Safari no Cerrado".

      Além dos catetos que avistamos mais cedo conseguimos ver: 10 ou 12 emas, vários tucanos, dezenas de periquitos, muuuuitas corujas, alguns carcarás, seriemas aos montes, curicacas às dezenas, muuuuuitas Araras. Em especial, passamos por um grande pequizeiro e, logo atrás dele, uma fascinante "Árvore de Araras" com 12 exemplares delas, algumas com pequis nos respectivos bicos!

      Muitos bichos depois, chegamos ao mirante natural da cachú São Domingos...
       
      Cachoeira São Domingos
      Respirações suspensas, expressões estupefatas... Até agora, não encontramos a palavra exata para descrevê-la... BELÍSSIMA! EXUBERANTE! ENCANTADORA!*
      Para quem conheceu o *"Buraco das Araras" em Formosa... 3 ou 4x o diâmetro dela x 96 m de altura. Para quem conheceu o "Véu de Noiva da Chapada dos Gimarães...mais bela na nossa opião!

       

      Após muitas fotos e contemplações, ficamos por uns 40 min procurando a trilha para descer até seu poço.
      Já estávamos desistindo da descida, quando um som de esperança inundou o ar... uma moto estacionou: era uma das moradoras da casa logo na entrada do terreno de acesso à cachoeira. Apontou-nos o início da trilha ao lado da cerca da propriedade. Após uns 15 min de percurso no sentido contrário à cachoeira, em um caminho plano, a trilha inicia uma descida relativamente inclinada rumo ao vale; por baixo, retorna-se por cerca de 1 km em direção à cachoeira e VOILÁ: a queda belíssima e o poço magnífico!! Dá pra chegar bem embaixo da cachoeira, como é possível ver na foto abaixo.


      Após uns 40 min, vimo-nos obrigados a abandonar o paraíso recém-encontrado e retornar: já eram 17h40h. Não queríamos correr o risco de retomar a trilha, em geral bem marcada, mas com alguns trechos que requeriam um pouco mais de atenção, e realizar a subida no escuro.

      Ao chegarmos no topo, não pudemos apreciar o pôr do sol... dia nublado. Mas, fomos premiados com um belo passarinho azul da cara preta e mais 2 casais de curicacas.
       
      Como chegar: a partir da Abóbora, há uma estrada de chão de aproximadamente 40 km (digitar Cachoeira de São no Google Maps)
       
      Início da noite. Já na estradinha deserta em direção à Caiapônia avistamos 3 belíssimos veados (um deles galhado), pastando serenos até que o Anderson tentou tirar uma foto deles e... saíram em disparada!
       
      Chegamos famintos na cidade e fomos jantar no Varandas: restaurante e lanchonete do Daniel, próximo à Universidade Rio Verde. Recomendamos o delicioso macarrão ao molho branco.
       
       Dia 17/11, sexta feira

      Cachoeira e Corredeiras Santa Helena
      Local de acesso facílimo, extenso, prazeroso, com variados poços e cascatas. À direita da estrada, sobe-se para um dos seus melhores e maiores poços. Contaram-nos depois que em algum ponto mais acima há um encontro de águas quentes e frias, com uns ótimos poços de banho seguindo pela esquerda.
       



      De volta ao carro e a caminho das Três Barras, em dois momentos distintos, avistamos tatus próximos à estrada.
       
      Como chegar: seguir 45 km pela GO-221 em direção a Doverlândia, seguir 13 km na GO-188 e entrar a esquerda onde há placa indicativa da Cachoeira Paraíso (acesso 2 km depois da Cachoeira Lageado), seguir por mais 11 km

      Cachoeira Três Barras
      Outro local que nos deixou estupefatos, boquiabertos e sem palavras...talvez DESLUMBRANTE! seja uma boa palavra para descrevê-lo. Ainda pouquíssimo conhecida pelos próprios nativos. Seguindo uma trilha bastante discreta após a segunda ponte, conseguimos chegar na cabeceira da que fica mais no alto (nível da estrada) e tomamos um banho nela. Pela lateral à sua esquerda, "achamos"(?!) uma trilha (discretíssima, cheia de folhas e plantas) que desembocou numa pirambeira perigosa. Retornamos, não sem antes perder o rumo de onde estava o nosso valente Fiat Uno Mille, embrenhados que estávamos literalmente num mato sem cachorro, porém pleno de carrapatos e micuins.
       


      No que pese a deslumbrante paisagem, não recomendamos esta aventura para turistas incautos ou iniciantes no trekking. Por enquanto e pelo que pudemos avaliar in loco, temos a firme convicção de que apenas pessoas com ampla experiência em trilhas, com os equipamentos necessário, possam fazer esse desfiladeiro magnífico!
       
      Como chegar: seguir 12 km pela GO-118 após o acesso para a Cachoeira Santa Helena e depois entrar a esquerda onde há placa indicativa da cachoeira e andar mais 13 km
       
      À noite, voltamos ao restaurante Varandas. O Rapha comeu e recomenda o Burritos de Frango. Fernanda não gostou do contra-filé com mandioca: estavam duros! E Anderson manteve-se na aposta segura e apetitosa do macarrão com molho branco!
       
      Dia 18/11, sábado chuvoso

      Mais um dia de aventuras, descobertas e encantos na Serra do Caiapó/GO.

      Excepcionalmente, fomos acompanhados do Guia Valdivino "Jacaré".

      Cachoeiras Salomão e Índio
      O estacionamento fica logo acima e à direita da cabeceira da Salomão. A descida foi tranquila, ainda que escorregadia (há cabo de aço para apoio). Queda de 26 m e um poço pequeno.


      Ao subirmos e nos dirigirmos à cachú do Índio, tivemos a enorme felicidade e emoção de ver bem próximo um belíssimo exemplar do Tamanduá Bandeira. Chegando em sua cabeceira, o Guia e o Raphael avistaram um Cangambá.

      A descida era muito inclinada, fechada e, por conta das chuvas, estava um pouco escorregadia. Mas mesmo assim o Anderson quis descer até o poço da cachoeira. Não teve jeito: lá foi o pobre do Jacaré acompanha-lo!  

      Fernanda e o Rapha aguardaram na cabeceira. Minutos depois, eles retornaram da empreitada sãos, salvos e felizes (desconfio que o guia mais ainda que o Anderson! ) Retornamos todos ao Valente Fiat Mille.

      Cachoeiras Rio Verdão e do Coqueiro
      Para chegar nelas, paramos o carro próximo à sede de uma fazenda e atravessamos a pé 1 km d'uma estrada barrenta, escorregadia e mais uns 600m d'um pasto verdejante, sob uma chuva fina.
      A descida foi tranquila. "Rio Verdão" consiste num paredão em formato de meia-lua com uma queda d'água abundante e um grande poço, mas o fundo estava com muitos troncos e (não sei se porque chovia?) a água estava escura. Quando saíamos dela, a chuva engrossou!
       

       
      A "Cachoeira do Coqueiro" é uma "irmã-menor" da Rio Verdão. Foi a nossa quarta e a mais difícil do dia, pois a fizemos varando o mato, SEM TRILHA, meio que às cegas e com chuva forte!
       


      Quando retornávamos absolutamente encharcados e com frio ao carro, o guia Jacaré informou que poucas vezes viera até ali, uma vez q os turistas preferiam ir nas atrações mais conhecidas e badaladas.
       
      Após um reconfortante banho quente no Hotel e deliciosas roupas secas, fomos no "Jantinha Ki Delícia", bem ao lado da Igreja Matriz. Um local simples, mas surpreendeu-nos com UM SHOW de DELÍCIAS e SABORES!!
      Tudo o que comemos estava DE-LI-CI-O-SO: a jantinha, os bolinhos de arroz, o caldo de galinha, o pudim de leite... PUTZ!! Afirmamos: quem ainda não provou as gostosuras feitas pela Dona Elma e sua filha, não sabe o que está perdendo.

      19/11/2017, domingo nublado

      Anderson e Raphael saíram cedo para uma aventura "exploratória" à Cachoeira Pantano. Fernanda que já estava cansadinha, com dores nos joelhos das aventuras dos últimos e intensos 4 dias, descansou até às 10h e depois foi bater pernas pela simpática e limpa Caiapônia. Tentei visitar a Igreja Matriz, mas estava fechada. A imensa Assembléia de Deus (logo em frente) estava em pleno funcionamento. Fui até a feirinha local, onde comprei alguns hortifrutigranjeiros a bom preço. E descobri que há mais hotéis e pousadas no Centro do que supõe nossa vã internet.
       
      *** [Agora é a parte que eu entro na escrita do relato... hehehe]

      Cachoeira Pantano
      A cachoeira é uma das mais próximas da cidade, a apenas 10 km dela. O dono da fazenda não permite o acesso de grupos ou pessoas que não estão acompanhadas por guia. Como não queríamos pagar um apenas para ir nessa cachoeira. Paramos o carro na estrada, pouco depois da ponte que passa sobre o rio da cachoeira, e seguimos andando pela beira da mata de galera/ciliar, acompanhando um tracklog. Há trilhas abertas na mata, tanto de um lado quanto do outro do rio. Atravessamos o rio e seguimos pela sua margem direita, acompanhando o tracklog. Chegamos ao ponto final e não achamos a cachoeira. Voltamos, acreditando que poderíamos ter passado ela, mas não a encontramos. Depois de algumas idas e voltas e de muita perda de tempo, consideramos que o tracklog estava errado e resolvemos seguir a nossa intuição.
      Seguimos então acompanhando a mata da margem direita do rio e depois de uma caminhada de aprox. 30 min a partir da ponte, avistamos a cachoeira deslumbrante do alto. Vista maravilhosa e uma grande satisfação de termos encontrado a cachoeira seguindo a nossa intuição.

      Infelizmente, como estávamos com o tempo um pouco apertado e também como não conseguimos ver facilmente uma trilha para descer até a parte de baixo da cachoeira, tivemos que deixar a vontade de conhecer a cachoeira por baixo para uma próxima viagem.
      Como chegar: GO - 221, 10km em direção a Doverlândia. Deixamos o carro na estrada logo após a ponte.
       
      Depois da cachoeira, voltamos ao hotel, tomamos banho, terminamos de arrumar nossas coisas e pegamos a estrada. Na saída da cidade, paramos para abastecer e percebemos que o restaurante do posto estava aberto. Era o único aberto no domingo. Comemos ali uma boa comida goiana no self-service com precinho camarada.
       
      Depois do almoço,  nos despedimos de Caiapônia, já pensando em um retorno para conhecermos a Pantano por baixo, a maravilhosa Cachoeira Alvorada (que segundo relatos estava com pouca água) e outras cachoeiras como a bela Campo Belo.
       
      Hospedagem: Hotel Palace Avenida. Limpo, organizado e observei que todos os dias a camareira promovia o arejamento e limpeza dos quartos - ainda que desocupados. Ótimo café da manhã. Apreciei, em especial, o capricho da cozinheira Márcia que procurava enfeitar as bandejas, fazendo esculturas com os alimentos. Apreciei também sua higiene e cuidado com os utensílios e ambiente de trabalho. Funcionários simpáticos.
    • Por David PE
      Bom galera esse relato é na verdade um resumo de uma experiência unica vivida por mim em julho de 2018, é um relato bem pessoal, não vou dar muitos detalhes de custo mas vou tentar ajudar com o que lembrar, então prepara ai que vem textão, e desculpem os erros de português é muita coisa pra revizar e pouco tempo pra isso, já estou adiando esse relato a 1 ano então vai assim mesmo...
      O Inicio
      A chapada sempre me encantou, lembro de assistir Globo Reporter com meus pais na sala de casa e por varias vezes dizer que um dia iria conhecer esse lugar tão lindo e exuberante, a anos vinha tentando me organizar e viajar pra Bahia mas sempre algo dava errada e acabava adiando os planos, sempre tinha um empecilho seja um amigo que adoeçeu e não pode ir ou até mesmo a grana curta, só que esse ano foi diferente, justamente esse ano cheguei aos meus 30 de idade e pra mim foi um fechamento de ciclo notavel, um ano de mudanças e por que não por em pratica planos que ja estavam guardados a algum tempo e por-los em pratica mesmo com toda e qualquer adversidade que viesse a ocorrer. E assim fiz, comecei me programando em fevereiro, consegui marcar minhas ferias do trabalho para o mes de julho assim tive 6 meses para me preparar e organizar toda a viajem, comecei a pesquisar tudo, preço de passagens, hospedagens, preço de guias, agencias de turismo, roteiros e atraçoes isoladas que gostaria de visitar, foram 6 meses assistindo e pesquisando tudo que fosse conteudo sobre a Chapada Diamantina e seus arredores, a principio e ideia era fazer sozinho o percurso sem guia mas com ajuda de amigos fiz contato com alguns profissionais de lá e decidi que pagaria um guia (Praticamente o maior gasto de toda a viajem) mesmo com a grana curta fui me acertando e começando a tornar real o que viria ser a melhor viajem da minha vida até o momento desse texto...
       
      O Roteiro
      A principio a intenção era conhecer as atrações mais turisticas e visitadas por todos, mas quando comecei a pesquisar sobre roteiros e custos fiquei meio desmotivado e preocupado com a grana que tinha disponivel , foi um dos momentos em que pensei em desistir e deixar mais uma vez de lado essa vontade irracional que me arrastava para esse lugar, foi então que em umas das pesquisas no youtube encontrei um video de um Rasta sozinho no meio da chapada, proximo a uma cachoeira linda, no video ele falava sobre O vale do Pati e Vale do Capão, foi meu primeiro contato com esses lugares, então comecei a pesquisar sobre e fiquei maravilhado com tudo que vi, paissagens exuberantes e um povo super simples e acolhedor, dai em diante meus planos mudaram, meu foco se concentrou no vale do pati com suas belas vistas em um trekking cercado de paissagens exuberantes, abri mão dos passeios mais turisticos pra viver uma experiencia mais rustica e transformadora que era o que realmente queria nessa viajem, acho que querer não é a palavra certa no meu caso e sim PRECISAR, eu estava precisando disso, desse contato mais proximo com a natureza e comigo mesmo, precisava de um tempo só pra mim longe de tudo e de todos, então estava decidido eu iria fazer o trekking vale do capão – Vale do pati, um dos trajetos mais longos até o pati, tinha outras opções mais a logistica pra chegar a esses outros pontos de entrada no vale sairiam mais caras e não se encaixavam em meu curto orçamento, mesmo decidido pra onde ir o Pati ainda sim é um lugar gigante e teria que escolher os locais que gostaria de visitar pois não tinha grana pra fazer tudo de uma só vez e com a ajuda de um brother(Guia Douglas – Conexão Chapada) tracei o melhor roteiro pra minha situação e ficou acordado que seriam 5 dias de vale, roteiro decidido o proximo passo foi começar a preparação para viajem... Então meu roteiro geral da viajem ficou assim Recife – salvador – Palmeiras – Vale do Capão – Vale do Pati tudo de onibus totalizando cerca de 22hrs de transporte até o ponto inicial da trilha, e após a chegada os dias de travessia ficaram divididos em 1º dia saida Capão – Mirante do Pati – Igrejinha, 2º dia Seria a conquista ao morro do Castelo e algumas outras cachoeiras até a cachoeira do funil pelo leito do rio Pati, 3º dia Cachoeirão por cima e Mirante do Cruzeiro, 4º Dia a Volta Pati - Capão a Principio seria esse o Roteiro inicial da viajem... voltando do pati passaria mais uns dias no capão até voltar pra salvador e enfim retornar a Recife.
       
      Preparando para viajem
      Depois de decidido sobre viajar começou o segundo ponto, a preparação, pesquisei tudo que viesse a precisar e comecei a me organizar. Aos poucos fui conseguindo tudo que viria a precisar, não foi facil, como era meu primeiro contato com o trekking (esporte pelo qual me apaixonei) não tinha nada de equipamentos ou noções de camping, o preparo fisico não me preocupei muito, não sou nenhum atleta profissional mas sempre estive envolvido com alguns esportes então o fisico não seria um grande problema. Mas equipamento e grana eram meus dois grandes problemas... então comecei a comprar algumas coisas exenciais que viria a precisar e outras coisas fui conseguindo emprestado com amigos a os quais sou bastante grato pela ajuda, mochila, bota, saco de dormir, tensores de joelhos foi tudo emprestado de amigos, a barraca eu ja tinha uma bem simples trans 3 camping que não era a prova dagua nem tinha capa de chuva (passei um perreguezinho no ultimo dia de chapada), pra piorar a situação não comprei isolante termico, comprei algumas bermudas de trilha, umas camisetas de trilha simples, camiseta UV manga longa e um cortavento pra segurar um pouco o frio, sem esquecer da toca rosa presente do meu pai antes de viajar.  O proximo ponto importante foi o contato com guias e agencias de turismo pra saber se teria condições de pagar um guia ou se tentaria a sorte e me aventuraria sozinho nessa empreitada, a verdade é que minha vontade era justamente essa, ir só sem guia, sem correria e sem pressa, curtindo ao maximo tudo que aquele lugar tivesse a me oferecer, ja tinha tentado contato com alguns guias que depois de contar minha situação e vontade de ir simplesmente esnobavam por saber que tava com pouca grana e que iria só,(quanto mais gente em um grupo menor fica o valor pago ao guia por pessoa, assim como quanto menos pessoas maior o valor) ja estava certo de que iria só mesmo de qualquer jeito mais ia, até que uma amiga que ja tinha ido a chapada me indicou um guia local de Mucugê – Douglas Fagundes(Conexão Chapada) o cara foi super atencioso tirou diversas duvidas e mesmo apos eu contar minha situação o tratamento e o interesse não mudou, pelo contrario o brother me insentivou o tempo inteiro a ir e em momento algum pôs obstaculo algum, chegamos a um valor bem abaixo do que todos os outros guias e agencias pediram, a diaria de um guia tava em torno de 300 a 250R$ com ele consegui fechar 5 dias no vale do pati a 600R$, ainda tava pesado no meu orçamento de 1,000R$ pra viajem toda, isso fora a passagem que ja tinha comprado no cartão e dividido em 10x, me sobraram 400R$ para alimentação, camping e custos de transportes adicionais que viesse a precisar e essa grana ainda ia diminuir mais na frente junto com os impevistos que surgiriam no caminho.
       
      A noite anterior a viajem...
      Mesmo com toda dificuldade e contratempos eu fui me preparando e me convencendo do que queria fazer, sim meus amigos o maior processo de preparação foi justamante condicionar minha mente a não pensar nas advercidades e não desistir, e assim foi... juntei tudo que tinha conseguido com os amigos, o que restou da grana das minhas ferias apos pagar algumas contas e me preparei pra viajem, mas confeço que não foi facil, uma noite antes da viajem estava eu sentado na cama com a passagem em mãos tentando arrumar algum motivo pra desistir de ir, pensei milhões de possibilidades de situações que poderiam acontecer, coisas que poderiam dar errado e mas uma serie de desconfortos, uma crise de anciedade gigante, mas dessa vez não! Dessa vez eu iria fazer diferente, como poucas vezes fiz na vida, calei a mente e ouvi o coração ele sim sabia o que queria e onde iriamos chegar, no meu coração não havia duvida alguma do que fazer e que decisão tomar, consegui acalmar um pouco a crise de anciedade e fui descansar já eram quase 6 da manha e iria pegar o onibus na rodoviaria de Recife as 19hrs seria uma viajem cansativa até Salvador e de lá mais um onibus até Palmeiras e em Palmeiras um outro transporte até o vale do capão(Local que escolhi pra começar minha jornada), totalizando quese 20hrs de transporte até o meu primeiro objetivo que era o camping Sempre-Viva nas proximidades do capão, esse seria meu trajeto até o inicil da aventura....
       
       
       
       
    • Por Rodrigo P.C.
      Bom dia, amigos viajantes.
      Estou planejando uma viagem de carro pelos três estados do Sul do Brasil com minha namorada. Vamos passar todo o mês de maio viajando em busca de trilhas.
      O roteiro ainda não está fechado, mas alguns locais já estão na lista, como Ilha do Mel, Urubici e São José dos Ausentes.
      Vamos fazer algumas trilhas guiadas e travessias nos cânions.
      Acontece que a viagem será longa, e ficará financeiramente inviável se contratarmos guias todos os dias.
      Poderiam, por favor, sugerir trilhas auto-guiadas no Sul do Brasil? De preferência trilhas de um dia.
      Muito obrigado!
    • Por Pauliin
      E aí? Procuro companhia para mochilar sem ou com pouco dinheiro no início de 2020. Sou do sudeste. Bora?
    • Por nnaomi
      Finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, mais um relato!
      Não é um dos locais mais turísticos, mas vamos lá!
      Vale Europeu DDD (47 - Nova Trento 48) 
      Período: 17 a 24/02/2018
      Cidades: Blumenau, Pomerode, Indaial, Ascurra, Rodeio, Timbó, Brusque, Nova Trento, Botuverá
      O Vale Europeu é caracterizado pela colonização europeia, principalmente alemã e italiana que se revela na arquitetura, gastronomia e manifestações histórico-culturais que são relatadas em museus e celebradas em festas típicas como a Oktoberfest. Além disso, a indústria têxtil movimenta o turismo de compras. O turismo religioso também é expressivo, destacando-se o Santuário Santa Paulina, dedicado à primeira santa brasileira, que é o segundo destino religioso mais visitado do país (o primeiro é Aparecida do Norte). Outro forte segmento é o ecoturismo pelos morros, vales, rios e cachoeiras que proporcionam a prática de trilhas, rapel, cascading, canyoning e voo livre. Sobressai-se também o ciclismo com o Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu que tem 300 km de percurso e passa por nove municípios com início e fim em Timbó. O Circuito de Caminhante do Vale Europeu passa pelas mesmas 9 cidades com um roteiro de 220 km e início e fim em Indaial. Outro projeto é o Acolhida na Colônia com enfoque no agroturismo ecológico que oferece hospedagem, alimentação e atividades como pescaria e cavalgada, além da oferta de produtos artesanais.
      Confira abaixo as dicas e o relato de viagem. Ficamos hospedados no centro de Blumenau.
      Obs.: ATENÇÃO: Não possuo nenhum vínculo com hotel, restaurante, agência, loja e qualquer outro tipo de estabelecimento divulgado nos meus relatos de viagem. Alguns dos pontos turísticos, bem como alguns estabelecimentos, não foram visitados por mim e as informações foram obtidas de guias ou funcionários de CITs ou são provenientes de pesquisa. Portanto, recomendo que antes de utilizar qualquer serviço, verifique com a secretaria de turismo da cidade e/ou outras fontes idôneas e confiáveis, como sites oficiais do governo ou órgãos de ensino/pesquisa, se os dados são atualizados e/ou verossímeis. Verifique também as datas dos relatos; algumas informações permanecem válidas com o passar dos anos, porém outras são efêmeras. Esse site não se propõe a ser um guia turístico, trata-se apenas de um relato de viagem e um apanhado de observações, experiências vivenciadas e opiniões de cunho pessoal que não têm a pretensão de ser uma verdade absoluta, pois retratam apenas uma faceta ínfima do diversificado e amplo universo histórico e cultural que um destino de viagem proporciona. Vá, experimente, vivencie e encontre a sua verdade.
      Índice
      A cidade
      Como chegar
      Quando ir
      Onde ir em Blumenau
      Onde ir em Pomerode
      Onde ir em Indaial
      Onde ir em Ascurra
      Onde ir em Rodeio
      Onde ir em Timbó
      Onde ir em Brusque
      Onde ir em Nova Trento
      Onde ir em Botuverá
      Onde ficar
      Onde comer
      Dicas (Contatos úteis, Postos de Informações Turísticas, Fontes, Receptivos Turísticos e Dicas)
      Mapas
      Sugestão de roteiros
      Relato de viagem
      ****************************************
      Nanci Naomi
      http://nancinaomi.000webhostapp.com/
      Trilhas:
      Grupo CamEcol - Caminhadas Ecológicas Taubaté
      Relatos:
      15 dias em SC: - fev/2018 - Parte 1: Vale Europeu | Parte 2: Penha
      Paraty e Ilha Grande - jul/2015 - Parte 1: Paraty | Parte 2: Araçatiba e Bananal | Parte 3: Resumão das trilhas
      3 dias em Monte Verde - dez/2014
      21 dias na BA - fev/2014 - Parte 1: Arraial d'Ajuda | Parte 2: Caraíva | Parte 3: Trancoso | Parte 4: Porto Seguro
      11 dias na BA - dez/2013 - Parte 1 e 3: Salvador | Parte 2: Costa do Dendê - Ilha de Boipeba e Morro de São Paulo
      21 dias em SE e AL - fev-mar/2013 - Parte 1: Aracaju | Parte 2: Maceió | Parte 3: Maragogi
      21 dias em SC - jul/2012 - Parte 1: Floripa | Parte 2: Garopaba | Parte 3: Urubici | Parte 4: Balneário Camboriú
      8 dias em Foz do Iguaçu e vizinhanças - fev/2012 - Parte 1: Foz do Iguaçu | Parte 2: Puerto Iguazu | Parte 3: Ciudad del Est
      25 dias desbravando Maranhão e Piauí - jul/2011 - Parte 1: São Luis | Parte 2: Lençóis Maranhenses | Parte 3: Delta do Parnaíba | Parte 4: Sete Cidades | Parte 5: Serra da Capivara | Parte 6: Teresina
      Um final de semana prolongado em Caldas e Poços de Caldas - jul/2010
      Itatiaia - Um fds em Penedo e parte baixa do PNI - nov/2009
      Um fds prolongado em Trindade e Praia do Sono - out/2009
      19 dias no Ceará e Rio Grande do Norte - jan/2009 - Parte 1: Introdução | Parte 2: Fortaleza | Parte 3: Jericoacoara | Parte 4: Canoa Quebrada | Parte 5: Natal
      10 dias nas trilhas de Ilha Grande e passeios em Angra dos Reis - jul/2008
      De molho em Caldas Novas - jan-2008 | Curtindo a tranquilidade mineira de Araxá – jan/2008
      Mochilão solo: Curitiba e cidades vizinhas - jul/2007
      Algumas Cidades Históricas de MG - jan/2007 - Parte 1: Ouro Preto | Parte 2: Tiradentes
      9 dias nas Serras Gaúchas - set/2005 - Parte 1: Gramado | Parte 2: Canela | Parte 3: Nova Petrópolis | Parte 4: Cambará do Sul


×
×
  • Criar Novo...