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Fui de carro a partir de Maceió, me lembro que tive que atravessar um rio de mini balsa e depois pegamos uma estrada de terra.

 

A praia é linda, água morna e piscinas naturais...sensacional!

 

Que massa, diferente do nosso trajeto. Sim, Carro Quebrado é demais. Abraços

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Parte 20: Pelourinho

“É como se corresse sobre o mar para as estrelas, na mais maravilhosa viagem do mundo. Uma viagem como o Professor nunca leu nem inventou. Seu coração bate tanto, tanto, que ele o aperta com a mão.” Capitães de Areia, Jorge Amado

O Pelourinho para mim é como mexer em um rádio, onde o botão de sintonizar estação representa os meus passos. Cada poucos passos dados é como visitar uma nova rádio. Começo a caminhar e paro para ver e ouvir o ensaio do Olodum, as batidas de tambores dominam o ambiente, ninguém fica parado. Passa um tempo, volto a caminhar, viro uma esquina e tem um senhor de terno com as pernas cruzadas cantando e tocando lindamente: "Isto aqui ô ô | É um pouquinho de Brasil iá iá | Deste Brasil que canta e é feliz | Feliz, feliz". Depois caminho novamente e já me encontro numa roda de samba, sento no chão, abro uma cerveja, tomo um gole, deixo a cerveja no chão e acompanho com palmas a versão a capela de "O show tem que continuar". As horas passam, talvez os dias e nada muda. Agora ouço músicas de capoeira e gringos, em volta, admirados pelos movimentos que às vezes parecem de luta e outras vezes de dança. O caminhar continua e a democracia musical está espalhado pelo Pelô. Axé, Rock, Bossa Nova, Samba, Mpb e Forró. Música para todos os gostos e estilos. Me perco nas inúmeras vielas. Um som em particular me guia para um bar bem escondido, pelas ruas estreitas. A cada passo o som aumenta. Vejo uma moça no meio de uma roda cantando com o sorriso aberto. Ouço e reconheço: "Não se assuste pessoa | Se eu lhe disse que a vida é boa". Apresso o passo. O refrão é tocado: "Eu sou, eu sou, eu sou o amor", mas a guria dá um toque especial, logo em seguida, e canta assim: "O Pelô é o amor, o Pelô é o amor". Agora tinha sintonizado na minha rádio. Sentei e fiquei.

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A única vez que sai do Pelourinho, nos meus dias em Salvador, foi para conhecer a Igreja do Bonfim. Do Pelô eu desci o elevador Lacerda e logo na avenida movimentada a frente peguei um ônibus em direção a igreja. A Baía de Todos-os-Santos me fez companhia pela janela do ônibus que estava vazio naquela manhã. Ao descer do ônibus e avistar do alto as grades coloridas da igreja, alguns comerciantes já vieram em minha direção com as famosas fitinhas do Bonfim. Antes de chegar na porta da igreja eu já estava com umas cinco fitinhas presas a meu contragosto no braço. Estava tendo missa. Eu, silenciosamente, me sentei no fundo. Não me lembro das palavras ditas. Só queria me fazer presente. Antes de acabar a missa me retirei. Aproveitei para amarrar algumas fitinhas em frente a igreja. E que beleza de lugar. Estava ali, junto ao mar de cores e todas as cores levam o nome do Senhor do Bonfim, padroeiro da Bahia.

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Ao caminhar em volta a igreja reconheci uma alemã que estava hospedada no mesmo hostel que eu. Ajudei ela a amarrar a sua fitinha. Ela passou muito tempo escolhendo seus desejos. Fiquei curioso com a demora. Ela parecia não querer errar na escolha. Tentei, sem sucesso, saber quais eram. Tirei as fitas do meu braço e escolhi uma, na qual eu faria os meus desejos. Para mim foi fácil escolher. Os desejos sempre são os mesmos, só mudam de lugares. No último nó desejei algo diferente. Depois pegamos o ônibus de volta juntos. Antes de voltar para o Pelô, passamos no mercado Modelo. Depois caminhamos pelas vielas do Pelourinho. Ela voltaria no mesmo dia para a Alemanha.

De noite, fiquei numa roda de samba na praça. Era sábado. Muitas pessoas chegavam. Os bares pareciam esvaziar-se, todos queriam estar ali, no meio da rua, no meio da praça. Quanto mais as horas passavam, mais os bares esvaziavam-se e mais a rua era de todos.

No outro dia, tive a sorte de presenciar um show do Olodum, gratuito. Não me recordo o nome do lugar, mas não parecia uma casa de show. Ao passar pelo portão, igual a todos outros, tinha um espaço grande com um palco armado e bares em volta. A quantidade de pessoas era limitada, tanto que fui sair uma vez e disseram que se eu saísse, talvez, não conseguiria voltar depois. Foi bom demais. Foi o final perfeito para os meus dias no Pelourinho.

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Peguei minhas coisas e corri para a rodoviária. Comprei minha passagem para seguir para Lençois. O ônibus, apenas, partiria no final do dia. Deixei minha mochila no guarda volumes e fui caminhar no shopping que fica ao lado da rodoviária. Passei horas caminhando no shopping. Aproveitei para comer e comprar um livro. Enfim, a literatura começava a fazer falta. Quase no horário da partida, segui de volta para a rodoviária. Atravessando a passarela, fui abordado por dois sujeitos, logo um me enforcou e o outro tentou tirar minha carteira do bolso. Consegui me livrar dos dois. Nada me aconteceu e nada levaram. O que mais me chamou a atenção foi que tinha muita gente circulando ali e todos passavam por nós como se nada tivesse acontecendo.

A vida é feita de escolhas e viajar não é diferente. Estar em Salvador resumiu-se para mim estar no Pelourinho. Abri mão de conhecer o Farol da Barra e seu famoso pôr-do-sol. Também deixei de conhecer Itapuã, a praia da Armação e todo o resto de Salvador. Na verdade não me fez falta nenhuma, pois eu estava bem, estava me perdendo nas vielas do Pelourinho junto a seu caos cotidiano. Ficar junto ao Pelô era aproximar-me das histórias de Jorge Amado que tanto li. Sei que muitos acham o lugar perigoso e sujo e realmente é, mas fora isso existe um pulsar por todo aquele lugar colorido. Pulsar igual ao tambor do Olodum. Pulsar que carrega todos os sons. Pulsar de alegria. Pulsar de vida. Afinal, seria o Pelô o coração da Bahia?

“A cidade está alegre, cheia de sol. “Os dias da Bahia parecem dias de festa”, pensa Pedro Bala, que se sente invadido também pela alegria. Assovia com força, bate risonhamente no ombro de Professor. E os dois riem, e logo a risada se transforma em gargalhada. No entanto, não têm mais que uns poucos níqueis no bolso, vão vestidos de farrapos, não sabem o que comerão. Mas estão cheios da beleza do dia e da liberdade de andar pelas ruas da cidade.” Capitães de Areia, Jorge Amado

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Parte 21: Chapada Diamantina

"E nas noites de lua imaginária

sonha com a mulher imaginária

que lhe ofereceu seu amor imaginário

volta a sentir essa mesma dor

esse mesmo prazer imaginário

e volta a palpitar

o coração do homem imaginário." O homem imaginário, Nicanor Parra

Lembro de um tempo longínquo em que Bahia era sinônimo de praia. Se deixasse apenas para a imaginação nunca iria imaginar que existiria uma preciosidade como a Chapada Diamantina em suas terras. Por fotografias conheci a Chapada. Depois naturalmente fui conhecendo mais sobre aquele lugar perdido no meio da Bahia. A fotografia é o gatilho inicial que logo depois torna-se vontade de estar e quando você menos imagina está arrumando as malas para defrontar-se com a fotografia. Às vezes nos decepcionamos, o que é natural, pois fotografias são abstrações da realidade. Posso parecer leviano, mas uma coisa eu vos digo, essa decepção nunca acontecerá na Chapada Diamantina. A beleza está em suas cachoeiras, cavernas, poços, grutas, paisagens, cidades, clima, pessoas, enfim, em tudo. Há beleza para todos os gostos. E além do mais, aquelas plaquinhas, perdidas nas estradas, nunca mentem ao dizer: Sorria você está na Bahia.

Cheguei em Lençois e o sol não havia se levantado ainda. Dormi na rodoviária até o sol incomodar. Peguei minhas coisas e comecei a caminhar pela cidade. Muitas pessoas vieram ao meu encontro oferecendo pacotes de turismo ou eram guias oferecendo os serviços para o trekking do Vale do Pati. Ouvi alguns guias, mas os preços eram foram da minha realidade. Tomei um café para acordar de vez, me ofereceram um quarto por um preço justo e fui. Guardei minhas coisas e fui me informar sobre as trilhas que poderia fazer sem custo. Resolvi fazer a trilha que dá acesso ao morro do Pai Inácio desde Lençois. Comecei a caminhar. Estava sozinho. Tinha conhecido algumas pessoas no ônibus, mas ninguém quis começar a caminhar no mesmo dia. A trilha é relativamente tranquila, apesar de longa. Num determinado ponto, já tinha caminhado por umas duas horas eu acho, alguma coisa me disse para voltar e acabei voltando. Com toda certeza a tentativa de assalto no dia anterior me abalou. Não sentia mais segurança de caminhar sozinho, como tantas vezes tinha feito. O medo me fez companhia naquele dia. Voltei para Lençois e tentei dormir. Não consegui. Caminhei pela cidade e por vezes me peguei pensando se o medo iria me dominar a partir daquele momento.

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No outro dia resolvi ficar por perto, passei o dia no Ribeirão do Meio. O acesso é tranquilo através de uma trilha de uma hora que tem início na própria cidade de Lençois, assim chega-se ao curioso tobogã natural de Ribeirão do Meio. Nadei, escorreguei e fiquei ali por muito tempo, tranquilo. No resto do dia resolvi conhecer um pouco mais da cidade. A noite a cidade tem um charme especial. Os bares espalham cadeiras e mesas por todas as passarelas, deixando tudo mais vivo e alegre. Muita música e boa comida. No fim da noite caminhei por algum lugar longe das luzes e fui conhecer o céu da Chapada. As estrelas estavam todas ali no céu, eram tantas. Fiquei ali até o sono dominar, depois aos trancos e barrancos voltei.

Acordei cedo. No dia anterior tinha fechado um pacote turístico. Não gosto muito de pacotes, mas a tormenta do medo me acompanhava. Não me sentia seguro de ir para a pista pegar carona. Enfim, segui com um grupo de 4 pessoas. Além do guia, tinha um casal de franceses e um alemão. Dei sorte, era um grupo pequeno. O curioso que os três gringos conheciam muito o Brasil e em quase todas as férias, pelo menos por uma semana visitavam o nosso país. Os franceses, quando jovens conheceram-se no próprio Brasil, através de uma viagem da universidade pelo Rio de Janeiro.

Nossa primeira parada foi no Mucugezinho. Fazia muito calor. Ficamos por um bom tempo ali. Nadamos bastante. Depois seguimos para a gruta da Torrinha. A gruta é enorme e somente havias nós nela. Eu particularmente não sou muito fã de grutas e cavernas, mas a experiência que tive na Torrinha, guardarei para todo o sempre. Depois de caminharmos bastante pela gruta, o alemão perguntou ao guia se havia algum ponto que não havia incidência de luz, para ser mais preciso, se havia escuridão total. Caminhamos até o tal lugar. Difícil era o acesso. Só conseguiamos ficar sentados. Não sei exatamente o porquê, só sei que o alemão marcou cinco minutos no cronômetro e pediu que nesses cinco minutos fizéssemos silêncio absoluto. Apagamos todas as lanternas e luzes. Eu não via nada. Eu não escutava nada. Os sentidos tinham sido reduzidos. Os segundos passavam lentamente. Um turbilhão de sentimentos me assolava nos primeiros segundos. Depois eu nada mais pensava ou sentia. Posso dizer que eu fugi dessa vida por uns quatro minutos. Não sei explicar o que passou naquele momento, pois nem eu mesmo sei. Ao tocar o despertador. A vida voltou a sua normalidade, mas parecia que a alma havia sido lavada. Caminhamos sem trocar mais nenhuma palavra. Ao sair da gruta, fomos comer no restaurante que é ali próximo. A comida foi boa e as conversas também.

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“Experimentar a escuridão total e o silêncio absoluto foi das coisas mais incríveis que já me aconteceu. Estranho ter os sentidos reduzidos, mas foi muito bom também. Queria ter entendido o porquê do alemão propor aquela experiência. Esses cinco minutos pareceu uma eternidade e talvez pela primeira vez consegui não pensar em, absolutamente, nada.” Notas de Diário

Depois de algum tempo seguimos viagem. O destino era a Pradinha. Fui direto ao rio. Ficamos no rio nadando. Se ficasse parado os peixes mordiam. Os franceses chegaram de tirolesa no rio. Pradinha é beleza pura. O rio. A gruta. E todo o entorno. A gruta azul é toda lindona também. Os mais legal dessa tarde que ficamos em sintonia. As conversas eram boas. Teve muita cerveja. E no fim ficamos falando sobre o Brasil. Cada um tinha uma visão sobre o assunto, mas no fim o respeito a diversidade sempre vale mais. Para fechar o dia seguimos para o morro do Pai Inácio. Aqui subimos tranquilamente o morro. E depois deitamos em algum lugar do topo e esperamos o chegar do por-do-sol. Foi lindo. Que lindeza. Fomos os últimos a descer o morro, já era noite. Voltamos para Lençóis. Comemoramos o bom dia com mais cervejas. No final nos despedimos com um até logo, mas o até logo era um adeus.

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No outro dia peguei carona com um pessoal que conheci no dia do Ribeirão do Meio. Fomos conhecer o Poço Azul, a Cachoeira do Mosquito e uma caverna. Foi um dia tranquilo. O Poço Azul não estava tão azul como o habitual, mas nadar naquela água é mais que demais. A cachoeira do Mosquito foi uma boa surpresa. Cachoeira de beleza surpreendente. Ficamos quase todo o dia ali, deboas, sem pressa ou correria. Esse foi um bom dia. Depois voltamos para Lençois. Cozinhei um macarrão que levava na minha mala por vários dias. Deitei numa rede e passei a noite dormindo em companhia do céu estrelado.

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“Aliás, essa Chapada tem uma proporção muito maior. Tudo é maior. As cachoeiras são gigantescas. Os morros são infinitos e os visitantes também. Aqui o turismo é enraizado, mas a beleza é muito bela.” Notas de Diário

Nessa altura da viagem, já sabia qual o dia que teria que retornar para casa. Então, meus dias de viagem estavam acabando. No dia da minha partida da Chapada fiquei o dia conversando com a Jesy (argentina que eu havia conhecido) e um cozinheiro francês. Eles me acompanharam até a rodoviária e falei para Jesy que talvez encontraria ela no Rio de Janeiro. Depois de boas risadas dei um abraço em cada um e subi para o ônibus rumo a Seabra. Não fazia ideia de como iria chegar em Belo Horizonte, mas fui para Seabra. Fiquei um dia e meio na cidade, a espera de algum ônibus que rumasse para o caminho do sul da Bahia e norte de Minas. Conheci um pouco da cidade e uma cachoeira que não sei o nome. No fim consegui uma carona para iniciar minha empreitada rumo ao sudeste. O fim se anunciava.

Quando cheguei na Chapada não tinha plano algum. Tinha ouvido muito sobre o Vale do Pati e criei grande vontade de fazê-lo. Pensei em fazer sozinho ou talvez o destino colocasse alguém disposto a seguir junto comigo nessa empreitada. Não tive coragem de ir sozinho e ninguém que conheci animou de ir comigo. Os valores guiados não estavam nos planos. Eu estava num momento da viagem que eu só tinha a agradecer as oportunidades vividas, pouco pensava nas coisas que deixei de fazer. Por isso, fui embora da Chapada com o sorriso no rosto e fiquei muito feliz com tudo que os meus olhos puderam ver por si mesmo. Talvez teria sido mais incrível ainda ter conhecido o Vale do Capão, o Buracão e o Vale do Pati, com certeza sim, mas prefiro pensar nas coisas que pude ver e conhecer e estava muito satisfeito.

Dos dias na Chapada Diamantina o que eu mais me lembro é aquele pôr-do-sol, dos mais lindos, que eu presenciei no morro do Pai Inácio. Deitado no topo, minha mochila fazia o papel de travesseiro. Ajeitei minhas costas e com as pernas dobradas ao alto eu acompanhei o sol descer. No início o sol queimava minha pele já muito queimada pelo Cerrado, Amazônia, Sertão e o litoral nordestino. O céu estava limpo e limpa estava minha alma. Dormi por alguns instantes. O horizonte mudava de cor, conforme o sol aproximava-se do horizonte. Olhei os franceses que também estavam deitados vendo o fim do dia. O alemão era único de costas para o pôr-do-sol, olhava o outro horizonte. O sol se baixava cada vez mais e com isso trazia o silêncio. Cada vez mais as pessoas que estavam no topo se ajeitavam para acompanhar aquela beleza. Por um momento o silêncio era quase absoluto, o vento trazia alguns poucos acordes. Agora o céu estava vermelho e a escuridão já se anunciava na parte alta. Os últimos raios de sol se foram junto com quase todas as pessoas. Quando levantei não havia mais sol, acompanhado do som do vento olhei para os meus companheiros e com um sinal de olhar começamos a caminhar. Os momentos de silêncio e escuridão na caverna pareciam uma anunciação para o agora. Sem palavras, nem luzes, caminhamos. Cada passo o escuro ficava mais escuro e a cada passo ia surgindo uma nova estrela no céu. O silêncio foi quebrado. A francesa não parava de rir. Nós todos começamos a rir juntos. Ligamos as lanternas. E vimos que estávamos em quatro apenas, faltava o alemão. Subimos ao topo e lá estava ele dormindo como uma criança. A risada ficou mais alta e a descida foi leve como flutuar.

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Se eu tivesse que falar algo da Chapada Diamantina, seria isso. Sobre a leveza que é estar ali. Sobre a beleza que é estar leve. Sobre ir embora e querer voltar. Chapada Diamantina espero te ver em breve. Enquanto isso te levo em memórias.

"Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara." O livro dos Abraços, Eduardo Galeano

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Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras

"Assim a moeda foi lançada e girou no ar; às vezes apareciam caras, às vezes, coroas. O homem, que é a medida de todas as coisas, fala através de mim e reconta por minhas palavras o que meus olhos viram. De dez caras possíveis, eu talvez só tenha visto uma única coroa, ou vice-versa.: não há desculpa; minha boca fala o que meus olhos lhe disseram para falar. Teria nossa visão sido estreita demais, preconceituosa demais ou apressada demais? Teriam nossas conclusões sido muito rígidas?" De moto pela América do Sul, Ernesto Guevara

Ir embora da Chapada Diamantina e chegar em Belo Horizonte foi das maiores aventuras da viagem. Inúmeras caronas. Cortar a Chapada por quase toda sua extensão, mesmo de caminhão, foi das coisas mais marcantes. Sem fotos, guardo as paisagens na memória. Quanta beleza. De carona e ônibus eu ia descendo o mapa. Passei por dezenas de cidades. Ora a paisagem parecia de sertão, ora a vegetação era rica. No ritmo lento dos caminhões a viagem era mais proveitosa. Ao todo deve ter passado de três a quatro dias até eu conseguir colocar os pés em Belo Horizonte. Não sabia o quão complicado era a conexão da Chapada com BH. O medo foi dissipando novamente e a viagem de um solitário passava por muitas ajudas, novamente.

Logo que cheguei em Belo Horizonte não perdi tempo e já segui para Ouro Preto. No ônibus vazio eu e mais umas cinco pessoas dividimos o trajeto. Cheguei em Ouro Preto e segui caminhando com a mochila nas costas, não tinha pesquisado nada sobre acomodação e também havia esquecido de tentar couchsurfing. Passei pelo centro e recebi muitas propostas de estadia, caminhei mais e achei um hostel por trinta reais a diária. Deixei minhas coisas e logo sai explorar a cidade. Andei e como andei. O sobe e desce de Ouro Preto é intenso, não há nada plano. Visitei todos os cantos da peculiar cidade. Entrei em alguns museus e igrejas, só não entrei em todos porque são pagos. Terminei o dia no cinema gratuito que tem no centrinho.

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No outro dia caminhei mais calmamente. Visitei quase tudo novamente, mas sem a pressa que me engoliu no dia anterior. Experimentei um pouco da culinária. Fui ao cinema de novo e avancei mais pelo interior da cidade. Nesse dia eu estava sozinho no hostel. Um casarão somente para mim, aproveitei para ouvir música alta no anoitecer.

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Quando amanheceu no dia seguinte, segui para Mariana. Caminhei pela cidade. Queria ver com meus olhos os estragos da Samarco. Peguei um ônibus circular até próximo ao distrito de Bento Rodrigues, não consegui chegar próximo ao desastre, pois a ponte de acesso havia cedido. Voltei para Mariana e caminhei mais um pouco. Na hora de voltar decidi pegar o trem da Vale. Acho que paguei quarenta reais no percurso, muito caro, mas vale a pena o trajeto é bem bonito, mas consegue-se ver boa parte do trajeto indo de van.

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Já pela noite ao retornar no hostel percebi que tinha companhia. Marcelo estava na cidade para iniciar sua pedalada pela Estrada Real. Dias antes, pedalou por vinte dias na Carretera Austral na Patagônia Chilena, dizia que teve que abortar a missão por não aguentar mais o frio extremo. Como ainda tinhas uns dias de férias decidiu continuar pedalando, mas agora pela Estrada Real. Sua bike estava desmontada ainda. Iria montar a bike no outro dia antes de iniciar sua segunda jornada. Passamos a noite em claro conversando. Contei sobre minha viagem e ele as dele. Ele já deu a volta ao mundo duas vezes de um modo rápido, quarenta dias em ambas. Ele começou a viajar tarde, se não me engano com mais de trinta anos, e agora todas as suas férias encara uma aventura pelo mundo. A menina dos olhos do Marcelo é a Patagônia e pela quarta vez havia voltado. Marcelo é um cara bacana e consegue unir as férias com suas viagens solas. Mineiro e bancário, hoje vive em Fortaleza.

Na manhã seguinte Marcelo iria visitar sua família em Belo Horizonte, aproveitei a carona e segui também. Ele me deixou na rodoviária. Passei a tarde e a noite na rodo. Pela noite me juntei a um bando de atleticanos e fomos assistir o jogo do Galo no bar. O Robinho marcou três gol nesse dia. No fim da noite segui viagem para Três Corações.

Cheguei na cidade natal do Pelé de madrugada. Dormi na rodoviária até o dia clarear e depois rumei para São Thomé das Letras, meu último destino desconhecido da viagem.

Já em “Santumé” fui para um pensionato perto da gruta do centrinho. Logo deixei minha mochila e fui conhecer a cidade. Entrei no caminho do peregrino e segui por ele até chegar na cachoeira Véu de Noiva. Fui bem devagar pelo caminho. Não sabia o tamanho da trilha, apenas fui indo. Devo ter demorado algumas horas para fazer 7 km. Cheguei mergulhei um pouco e logo senti fome. Não tinha levado nenhum mantimento comigo. Nadei mais um pouco e a fome me fez partir. Voltei já era fim de tarde. Comi. Depois peguei umas cervejas e fui ver o fim da tarde em cima da grutinha.

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No outro dia acordei cedo e fui ver o nascer-do-sol na pirâmide. Cheguei sozinho. Havia mais umas três pessoas. Muito bonito o famoso iniciar do dia de “Santumé”. Caminhei mais pela cidade. Fiz alguns caminhos pelo interior da cidade, conheci a igrejinha de pedra. Gostei muito do açaí daqui. E fiquei o resto do dia zanzando por toda a cidade de pedra.

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Pela primeira vez, sentado em cima da gruta, durante toda a viagem eu começava a pensar na volta para casa. A viagem estava no fim e com isso uma nova realidade aproximava-se. Entre cervejas eu fazia várias vezes a mesma pergunta: E agora? Sabia que não teria as respostas imediatamente, mas eu tinha que começar a fazer as perguntas. Apesar de a viagem ainda não ter terminado, eu já carregava o peso do fim. Tive muitas ideias de futuro, mas a mais simples seria ganhar na sena e viver como boêmio o resto da vida. Como as chances eram mínimas, comecei a pensar em fazer mestrado ou talvez conseguir um financiamento e iniciar um projeto social voltado à educação. A única coisa que eu tinha certeza que eu queria tentar algo novo.

Cheguei em São Paulo. Fiquei hospedado na casa do Pedrão, o mesmo que me hospedou em Porto Velho. Fiz coisas rotineiras. Coisas que fazia nos dias em que eu morei na cidade. Fui no cinema. Fui comer fruta no mercadão. Fiquei umas duas tardes dentro da livraria Cultura, lendo. Fui assistir um jogo do Tricolor. Revi alguns amigos de longa data. Revi amigos que fizeram parte da viagem. A vida começava a voltar ao normal.

Num domingo eu estava indo encontrar a Fernanda. Estava tendo manifestações. Eu fazia o percurso contrário de todas as pessoas. Somente por caminhar no contra fluxo eu fui insultado algumas vezes. Palavras de ódio pairavam no ar. Depois de meses recebendo o melhor do ser humano, agora estava de frente com o ódio cotidiano. Chegamos no bar pela tarde, não havia ninguém. A conversa era muito boa. As horas passaram e com isso a manifestação acabou. Pouco a pouco o bar foi enchendo e minha paciência também. Uma pessoa nos abordou e perguntou se havíamos ido na manifestação. Ao receber a negativa, começou a insinuar muitas coisas. Não entendi nada. Só sei que depois de muitos anos eu sentia vontade de perder a razão, mas consegui manter a calma. Realmente, não entendo essa onda de pessoas querendo confirmar suas expectativas sobre o mundo, procurar estar sempre certa. Na computação e na psicologia chamamos isso de viés da confirmação. Enfim, a dúvida sempre é o melhor caminho. Para mim a viagem tinha acabado de acabar, a magia dos dias anteriores tinha ido pro espaço. Passei ainda por Campinas rever o Juninho, amigo de longa data. Agora só queria voltar pra casa e não deixar o final ruim estragar todos os dias incríveis que tive nessa viagem.

Cheguei na casa da minha mãe sem avisar. Era madrugada. Minha mãe abriu a porta dormindo. Deitei na minha cama e tudo parecia diferente. Estava muito cansado. Tinha muita informação para digerir. Fechei os olhos e lembrei daquela noite quando tudo começou. Eu estava muito confuso, tinha muito medo de começar a viagem. Posterguei por vários dias o início. Estava agora na frente do ônibus que me levaria para Curitiba. - Ir ou não ir? - Ainda dá tempo de desistir. - Será que vai dar certo? Esses eram os pensamentos que me acompanharam antes de dar o passo dentro do ônibus. A dúvida foi dissipando. Embarquei. Agora, de volta em casa, prestes a dormir, a única certeza que eu tinha era que eu tinha feito a escolha certa em iniciar essa jornada. A jornada que colocou um homem comum, cheio de sonhos, diante de inúmeras vontades e sonhos. De estar em contato com o diferente. De encher os olhos de coisas novas. De sentir climas não costumeiros. De ouvir idiomas e sotaques diferentes. De provar novas comidas. De se sentir pequeno diante da imensidão do mundo. De ser simples.

No outro dia fui de encontro ao lugar que sempre me traz paz, o lago do horto daqui de Rio Claro. Depois revi todos os meus familiares. Era muito bom estar de volta.

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"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.

As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.

Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?

Que tal se delirarmos por um momentinho?

Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.

O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.

As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.

A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.

As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.

Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.

Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.

Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.

Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.

Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.

O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.

E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.

A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.

Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.

As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.

As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.

A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.

A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.

Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.

A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro." O direito ao delírio, Eduardo Galeano

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Parte 23: O retorno e os aprendizados

Quando resolvi escrever esse relato, queria falar mais do que valores ou roteiros, queria falar sobre aprendizados, sobre caminhar, sobre a arte de viajar. No início não sabia a trabalheira que isso iria me dar, mas tinha que deixar minha contribuição aqui na comunidade, pois em minhas outras viagens tanto me ajudou a prepará-las e principalmente, alimentar a vontade de viajar. Nessa viagem eu confesso que não procurei muito o site, pois a ideia era deixar acontecer e ir indo como um barco a deriva, apontando para onde o vento soprasse. Queria escrever como forma de agradecimento. Queria que a escrita refletisse o meu sentimento no momento do acontecimento. Às vezes, passo parágrafos escrevendo sobre algo que durou minutos e às vezes não escrevo sobre passagens que duraram dias. A relevância não é proporcional ao tempo. E o tempo é constante, irrefutável. Não tem como fugir do tempo, mas há como fazer a passagem dele algo diferente. E esse algo diferente chama-se saudade. Como diria o saudoso Mário Quintana no seu poema O Luar “O tempo não pára! A saudade é que faz as coisas pararem no tempo.”. E foi isso, escrevi sobre algumas coisas que pararam no tempo pra mim.

Peço licença para parafrasear Fernando Pessoa:

Navegar é preciso, viajar não.

Preciso não de precisar. Preciso de precisão. Viajar é imperfeição. Viajar é fugir dos planos. Viajar é se deixar estar. Independente de como ou onde, viajar é experimentar. Às vezes, viajar é não sair do lugar. Viajar é estado de espírito. Viajar é olhar o novo como um convite. Viajar é não torcer o nariz para o diferente. Viajar é ser.

Nunca serei leviano a ponto de dizer para você largar a sua vida atual, arrumar a mochila e ir caminhar pelo mundo. Também não serei hipócrita e dizer para não ir. Cada pessoa tem seus anseios, medos, expectativas e partir nunca será fácil, mesmo para os mais destemidos. Eu posso contar sobre como foi o meu processo da ideia à partida, mas caso queira seguir um caminho parecido terá que vencer os seus medos e encontrar a sua forma de vivenciar esse mundo belo que existe além do trabalho, computadores e televisão. Não acredite em fórmulas prontas, não existe. Caso falássemos sobre música eu iria te dizer que não existe nada melhor que Belchior, provavelmente você iria rir da minha cara, mas para mim é a música que acalma o meu ser e ao mesmo tempo acelera minha pulsação. Sobre viagem seria a mesma coisa, pois viajar também é abstrair. Cada pessoa tem sua abstração sobre cada lugar. A única verdade é que para saber se você irá gostar daquele ou desse lugar você terá que ir e ver com seus próprios olhos, talvez o lugar se torne especial por alguém que conheceu ou pela melhor comida que comeu ou por simplesmente se encaixar naquele lugar.

Conheci diversos tipos de viajantes nessa jornada e não existe um perfil único de viajante. Algumas pessoas viajam para ter momentos de tranquilidade. Outras por lazer. Alguns mochileiros viajam em busca do autoconhecimento espiritual. Outros mochileiros tem objetivos mais concretos como: conhecer todos os países ou todos os continentes ou todos estados e/ou capitais brasileiras. Alguns procuram somente diversão. Outros querem aprender uma nova língua. Outros querem ver o novo. Uns viajam pelo recomeço por causa de decepção amorosa ou profissional, outros para encontrar um caminho na vida. Alguns querem fazer imersão na cultura local e outros não querem nem saber das pessoas locais. O que eu sei é que sua viagem será o espelho do seu estado de espírito.

O que eu poderia falar mais? Nesses dias fui filho de várias mães. Tive muitos irmãos e irmãs. Provei do frio e do calor. Me apaixonei. Chorei. Sorri. Caminhei. E como caminhei. Vi céus estrelados. Dormi na rua. Peguei muitas caronas. Vi muitas paisagens pelas janelas dos ônibus. Conheci pessoas. Conheci lugares. Vi animais que nem sabia que existiam. Visitei lugares que não havia aprendido nas aulas de geografia. Conheci florestas. Caminhei mais um pouco. Provei sabores. Fiquei doente. Tive muitas dúvidas. Subi montanhas. Acampei. Mergulhei em rios. Mergulhei em mares. Recebi abraços de estranhos. Tive medo. Enfrentei medos. Viajei por dias dentro de um barco. Reconheci irmãos. Fui recebido de braços abertos por estranhos. Vivi e ouvi histórias. Conheci três novos países. Conheci muitos países dentro de um país. Recebi muitos sorrisos. Provei da extrema solidariedade. Enfim, vivi uma vida dentro de uma vida.

Hoje, faz quase 10 meses do meu retorno. Muita coisa mudou. Acabei iniciando o mestrado. Difícil para mim voltar a rotina dos estudos, provas e tudo mais que envolve esse tipo de desafio, mas preciso percorrer esse caminho. Num futuro, acho que próximo, quero me voltar a educação e tentar ajudar nessa tarefa que eu acho a mais importante, mas planos são apenas planos. A vida pode tomar outros rumos. Nesses meses em casa eu pouco viajei, na verdade viajei por duas vezes. Numa fui acampar com a Carola em Águas da Prata e no final do ano viajei sozinho para Ibitipoca - MG. Foram boas viagens também. Posso dizer que tento evitar pensar nessa viagem do relato, quando começo escrever sinto vontade de arrumar a mochila e começar tudo de novo. Não sei quando e nem onde será a minha próxima viagem, mas com toda certeza continuarei viajando constantemente, talvez não mais por um tempo grande, talvez.

Bom, muito obrigado há você que teve a paciência de ler esse longo relato. Espero ter contribuido de alguma forma. Talvez num futuro eu escreva sobre alguns lugares que preferi não escrever, por enquanto. Contar histórias que ainda continuam guardadas dentro de mim. Se surgir a vontade de externar novamente sobre essa viagem, eu farei.

Agora refaço o trajeto. Estou chegando em Curitiba revejo um grande amigo, parceiro de viagens e de ideias. Continuo a viagem, agora estou em Timbó, meu primeiro lar, ficaria dois dias, acabei ficando uma semana e foi pouco. Passo por Pomerode, Blumenau, Criciúma, Praia Grande, Cambará do Sul. Paro e meus olhos não se cansam de ver as belezas dos cânions. Passo por Torres, Porto Alegre, Gramado, Canela, Três Coroas. Chego em Chuí, o extremo sul do Brasil, um frio no corpo me domina. Atravesso o Uruguai e a leveza toma conta de mim. Eduardo Galeano, obrigado. Estou em Santo Ângelo, sou recebido de braços abertos por uma família encantadora. Que lindeza que é São Miguel das Missões. Vou para Chapecó e revejo a minha segunda família, que saudades. Passo por Curitiba, Rio Claro, São Carlos, Ribeirão Preto. A capital me reserva dias de paz na companhia de uma bela voz. Vou para Chapada dos Veadeiros e faço parte da fundação de uma nova família, os dias mais incríveis. Atravesso Goiás e o Mato Grosso. Cuiabá fujo logo, muito calor. Chapada dos Guimarães e inúmeros bons momentos. Sigo para Rondônia, vou atravessando cidade por cidade, avisto Ji-Paraná, logo me vou e chego em Porto Velho. Muitos dias fiquei aqui, do lado de outra família minha e de alguns bons amigos. O Acre e a floresta amazônica se anunciam, quanta solidariedade este lugar, que vontade estar aqui agora. Pego um barco, agora navego pelo rio madeira, reconheço meu irmão, os dias são lentos e muitas histórias vou descobrindo. Manaus que delícia de lugar. Boa Vista e outra família que passa a ser minha família. De longe vejo o Monte Roraima, estou junto de novos amigos e que dias mais que especiais. Desço o grande amazonas. Parintins. Santarém. Como pode ser tão bonito esse lugar chamado Alter do Chão? Breves. Belém, açaí e uma família cheia de risos e sorrisos. Estou em Marajó. Salvaterra. Em Soure reconheci um novo avô, dias de explorar de bicicleta. Corto o Maranhão. De novo estou em São Luís, o passado não doeu tanto. Sigo viagem. Barreirinhas e Atins, como é belo os lençóis maranhenses. O Piauí se anuncia, ganho outra família e mais dias especiais em Parnaíba. Sigo pro sertão piauiense. Serra da Capivara que delícia de lugar. Vou para o sertão cearense e paraibano, meus sonhos sempre me levam para esses dias. Estive em muitos filmes caminhando por Cabaceiras. Agora eu vejo mar. João Pessoa. Recife. Olinda. São Miguel dos Milagres. Maceió. Entro num carro escuro acompanhado de pessoas especiais, o som é alto e seguimos por Piranhas, Praia do Gunga, Carro Quebrado, Piaçabuçu, Penedo. Em Aracaju revimos a alegria. Sorria você está na Bahia. Pelourinho e seus sons. Chapada Diamantina e sua beleza. O tempo está acabando e atravesso Minas Gerais. Belo Horizonte. Ouro Preto. Mariana. São Thomé das Letras. Estou voltando. São Paulo. Campinas. Ufa, cheguei em Rio Claro, mas não chego sozinho. Trago comigo um pedaço de cada pessoa e lugar no meu coração e memória. Muito Obrigado a todos que fizeram parte da minha viagem, do fundo do meu coração, obrigado. Espero ser um dia tão bom quanto vocês foram comigo. Também espero que o caminho de nossas vidas possam se encontrar novamente. Fiquem em paz e que tenham muito amor por essa vida.

Até logo!

Com carinho,

Diego Minatel

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Parabéns Diego, sensacional o seu relato!

 

Li inteirinho e me emocionei com o seu modo de agir e pensar, creio que temos a mesma ideologia em diversos pensamentos.

 

Que a nossa liberdade seja eterna e que possamos quem sabe um dia nos encontrar-mos pelos caminhos da vida.

 

Grande abraço meu irmão!

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Parabéns Diego, sensacional o seu relato!

 

Li inteirinho e me emocionei com o seu modo de agir e pensar, creio que temos a mesma ideologia em diversos pensamentos.

 

Que a nossa liberdade seja eterna e que possamos quem sabe um dia nos encontrar-mos pelos caminhos da vida.

 

Grande abraço meu irmão!

 

Aoo Juninho, muito obrigado irmão. Com certeza, fiquei muito feliz em saber que conseguiu ler tudo, de alguma forma você me inspirou a terminar esse relato. Vi algumas fotos de sua viagem pela sudamerica, aguardo ansioso para quando for começar a escrever. Qualquer dia desses combinamos umas trilhas por ai.

 

Grande abraço e um feliz 2017

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Diego, aplausos pra vc. E de pé, meu caro.

Isso poderia -- isso pode! -- tornar-se facilmente um e-book. Um saboroso e-book. Pela viagem, pelo roteiro, pela sua narrativa, pelo seu astral (lembro-me de ler sobre a desventura em Salvador e fiquei pensando em como aquilo poderia afetar uma viagem tão bacana, e agora vejo que houve impactos sim, mas que se dissiparam com o tempo), pelas fotos,pelo conjunto.

Que haja outras!

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Diego, aplausos pra vc. E de pé, meu caro.

Isso poderia -- isso pode! -- tornar-se facilmente um e-book. Um saboroso e-book. Pela viagem, pelo roteiro, pela sua narrativa, pelo seu astral (lembro-me de ler sobre a desventura em Salvador e fiquei pensando em como aquilo poderia afetar uma viagem tão bacana, e agora vejo que houve impactos sim, mas que se dissiparam com o tempo), pelas fotos,pelo conjunto.

Que haja outras!

 

Eita, @mcm muito obrigado! Você, com certeza, me inspirou a terminar esse relato. Não tenho muitas pretensões quanto a escrita, pois não acho que fiz nada especial. No entanto, num futuro espero escrever sobre a viagem de uma maneira desapegada a lugares e mais focada nas pessoas que conheci no caminho.

 

Bom, nesse mundo pequeno espero que um dia nossas viagens se cruzem e possamos conversar um pouco, livremente. Espero que tenho um ótimo ano e que fique sempre com a paz. Um beijo na alma.

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Obrigada pelo relato, Diego! Estou até lacrimejando aqui. Você conseguiu transmitir emoção e provocar reflexões. ::otemo::

 

Fiquei triste ao chegar na parte do assalto em Salvador - até então eu estava aliviada porque você não tinha mencionado histórias de violência, infelizmente algo tão banalizado -, mas felizmente você conseguiu escapar.

 

Triste também pelas respostas de intolerância fechando uma viagem que teve um espírito tão zen... um balde de água fria. Mas, pelo visto, você conseguiu aprender com isso também.

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      Então, acabamos de retornar de nosso "mochilinho" pelo Rio Grande do sul e foi surpreendente.
      Quando minha esposa me disse que queria fazer um mochilão por Gramado e região confesso que torci o nariz, pois se tratar de uma região reconhecida pelo seu grau de 'careza', ainda mais por se tratar do natal luz. E como eu viajo a mais tempo que ela, sabia que seria um desafio e tanto fazer esta viajem sem estourar completamente o nosso orçamento.  Mas no fim deu tudo mais que certo e deu para mochilar legal pela serra.
      Pois bem, vamos a alguns detalhes que nos ajudaram muito durante a viajem e, deixo como dica para os próximos que irão:
      -A principal delas é sobre os sites de compra coletiva muito usados na serra gaucha (laçador de ofertas, tchê ofertas...); para que vc realmente tenha um desconto real em sua compra vc precisa 'deixar' que o site lhe mande ofertas... Pois estas sim valerão muito a pena.
      -Compre suas passagens e hospedagem com antecedência.
      -Fujam do bustour e dos tranfer.
      durante este relato explicarei os motivos destas recomendações.
      1° Dia- Porto Alegre (24/11/2018)
      Nós somos de uma cidadezinha no interior de São Paulo Chamada Tambaú, então no dia anterior tinhamos pegado um ônibus até a capital para ficarmos na casa de nossos padrinhos para no dia 24 seguirmos  viajem.
      Pegamos nosso voo para Poa em congonhas, fomos de Latam, pagamos $641,70 + $98 de bagagem (2 pessoas), saímos de CGH por volta das 07:30hs, e chegamos a POA as 09:00hs...
      Estava chovendo em Porto Alegre e, com o aeroporto em obras, tivemos dificuldades para encontrar a entrada do aeromóvel que nos levaria até o metro... Por fim encontramos e pegamos sentido a rodoviária ($3,30 p/p)...  Chegando na rodoviária já procuramos o guichê da empresa Unesul para comprar as passagens do dia seguinte para Bento Gonçalves.
      Estava chovendo muito, e foi um sacrifício para chegarmos a pé até o hostelRock, ($76 quaro duplo com banheiro compartilhado), ainda mais pq o GPS resolveu nos trollar nos mandando para o lado errado😵. O hostel é bem ok não tem nada de demais mas é bom para quem pretende passar poucos dias em Porto Alegre... E como nós só iriamos ficar 1 foi mais que suficiente.
      Como estava chovendo muito não pudemos sair de imediato então ficamos no hostel por um tempo e depois fomos para o shopping total ver um filme($12 p/p), pois ficar trancados dentro de um quarto não é muito nossa praia.
      Quando acabou o filme vimos que a chuva tinha dado uma trégua, resolvemos seguir a pé para explorar a cidade... Como já estava tarde as atrações já estavam fechadas mas mesmo assim fomos dar uma conferida😁... Depois disso fomos experimentar o famoso lanche de coração de frango de lá, (não é ruim, mas também não é a maravilha que falam, é bem normalzinho), e em seguida pegamos um uber($8,31), pois a região central de Poa a noite não inspira grande segurança, e fomos descansar pois acordaremos cedo no dia seguinte para viajar  para Bento.

      Shopping Total

      Poetas da praça

      casa de cultura Mario Quintana

      O tal lanche com coração de frango (preços na comanda👍)
      2° dia: Bento Gonçalves (25/11/2018).
      Antes de continuar vale deixar um comentario/ sugestão para se chegar a Bento, se vc é como eu que não pretende alugar carro, nem pagar um transfer caríssimo, o melhor jeito é ir de ônibus. E para que vc não perca muito tempo e dinheiro o melhor é deixar para fazer Bento antes, ou depois de Gramado. Por exemplo nós escolhemos ir antes então o nosso roteiro ficou: Poa- Bento-Gramado... Mas pode ser feito ao contrário. Pois ambas as rotas passarão por Caxias do Sul.
      Continuando...
      Acordamos por volta das 3:30hs para pegar nosso ônibus para Bento as 5hs. Foi recomendado para não ir a pé para rodoviária de madrugada então, pedimos um uber ($16,78) e pegamos nosso ônibus da UNESUL para Bento ($71,20 p/2)... Dois detalhes: O 1° é que sai apenas um bilhete para as duas passagens; e o 2° É que o ônibus é o que vai para Carazinho, então é bom se informar na plataforma.
      A viagem foi tranquila deu para dormir legal🤤😴, chegamos a Bento por volta das 8hs. Como estávamos de Mochila pedimos para guardar na rodoviária ($7 p/mochila)... Dica importante LEVEM DINHEIRO EM ESPÉCIE.
      Em seguida fomos a pé para a nossa 1° vinícola: Aurora. Como ela fica na área urbana da cidade pudemos ir aproveitando um pouco do que a cidade tinha para oferecer... Inclusive a famosa fonte de vinho.
       
       
       

      Fonte de vinho

      A cidade é extremamente limpa! Até nas lixeiras tem plantinhas.

      A cidade em si é uma graça.
      Chegamos a Vinícola Aurora, por volta das 9:45hs,  esperamos alguns minutos para o tour (grátis). É um passeio mais técnico, contando sobre a elaboração dos vinhos e no final é feita a degustação, que se divide em: secos, suaves, licoroso e azeite, e suco.


      Saindo da Aurora, fomos caminhando até o Pórtico Pipa, e da lá pegamos um Uber (R$10,71) até a Via Trento, onde visitamos outras Vinícolas: Casa Valduga e Dom Cândido.

      O tour na Casa Valduga é R$40 por pessoa e ganha uma taça, a degustação é feita de uma maneira diferente e bem descontraída durante o passeio🤩.

      Na Dom Cândido, resolvemos não fazer o tour completo, só a degustação (R$35 por pessoa), a essa altura já estávamos meio alterados😅🤪😵.

      Depois fomos almoçar em no Vinhas do Vale, também na Via Trento, onde comemos um Sanduíche Talian (R$18) e um Sanduíche Gourmet (R$28), super indicamos é fenomenal😋👍.

      Após o almoço fizemos uma caminhada até o a capela de N.S. das Neves... Onde pedimos um uber para voltar a rodoviária, porém ninguém aceitou o chamado🤬, então tivemos que chamar um táxi ($35)😱😡 pois já era tarde, estávamos cansados, e tínhamos que pegar o ônibus para Caxias do Sul. 
      Chegando na rodoviária fomos comprar as passagens e para nossa surpresa não aceitavam cartões. Então acabamos perdendo o ônibus que queríamos pegar e só pudemos ir no próximo das 17:16hs. A empresa que faz o trajeto Bento x Caxias é a OZELAME ($13).
      Chegamos em Caxias e pegamos um ônibus da CITRAL ($17,75) para Gramado as 19hs... e adivinha também não aceitavam cartões lá.
      Por fim chegamos a Gramado. Mas admitimos que devíamos ter deixado mais tempo para Bento pois a cidade tem MUITA coisa a oferecer.
      3°Dia: Gramado (26/11/2018)
      Chegamos em Gramado no dia anterior à noite como estávamos cansados resolvemos ir direto para a casa que alugamos pelo Airbnb (119,46 p/dia)... Foi fantástico só tenho elogios para a nossa host Yra e sua acomodação.🤩😍👍🏿
      Acordamos um pouco mais tarde e seguimos direto para o centro pois estávamos com fome e queríamos muito experimentar as famosas cucas e os pãezinhos da casa do colono... E vou te dizer falar que é uma delícia é POUCO!😋😋
      Depois fomos dar uma volta a pé pela Borges de Medeiros  para nos situar, aproveitamos para comer pela 1° vez o royal trudel 😋 ... Logo após demos uma passadinha rápida em casa e já voltamos para ver o show de acendimento, afinal era o NATAL LUZ!

      Loja crie seu amigo: é uma graça, mas se vc estiver com crianças e pouco dinheiro não entre.

      Rua coberta 

      Não voltem sem experimentar. É MUUUUITO gostoso! ($36 p/2)

      Voltamos para ver o show de acendimento... Simplesmente lindo!🤩🤩
      Em seguida fomos provar nossa primeira sequencia de fondue no Alpine la Table, que no geral acabou sendo o que mais gostamos.

      Palácio dos festivais a noite para o show de acendimento 

      Estava delicioso compramos pelo laçador de ofertas (89,90 p/2) e ainda ganhamos uma garrafa de vinho🍷😋😋
      4°dia: Gramado (27/11/2018)
      Levantamos dispostos neste dia com a intenção de ir a pé até o lago negro... Porém fomos novamente trolados pelo GPS😖 e acabamos indo parar na "periferia" de Gramado... e tenho que dizer também é um charme🤗. E acabamos sendo ' socorridos' pelo dono de um hostel (hostel doce amor), que foi super simpatico e nos deixou esperar por um uber lá, e ainda nos deu algumas dicas sobre a cidade.👍
      Por fim chegamos ao lago negro... Pensa em um lugar bonito, aconchegante, com uma vibe muito boa... ADORAMOS! Fizemos até um piquenique lá.🥪😋
      Saindo do parque do Lago Negro tem uma feirinha de artesanato demos uma boa olhada, e voltamos para o centro para conhecer o mini mundo.
      Chegando no mini mundo, demos muita sorte pois não pegamos as enormes filas que normalmente tem lá. Logo que entramos ficamos abismados com o tamanho do lugar, é bem maior do que pensamos, esperamos um pouco e fizemos o tour guiado pelo lugar... A riqueza nos detalhes nos encantou cheio de curiosidades e fatos históricos; (inclusive na parede tem replicas em alto relevo para que os deficientes visuais possam sentir,e eles ainda disseram que existem algumas obras em escala menor para que eles possam pegar na mão, super top👍), o lugar vale a pena a visita.
      Gramado é uma cidade encantadora, por isso, por querer ver cada detalhe nós ficamos muito tempo em cada lugar onde passamos.... E valeu muito a pena, pois queriamos curtir a cidade sem pressa.😎😊
      Fomos jantar mais cedo neste dia pq decidimos ver o show de acendimento novamente😅, (dica importante aqui: se vc tem a intenção de ver o acendimento e depois ir jantar É MELHOR CORRER, por que os restaurantes ficam lotados depois disso, o melhor jeito que encontramos foi: ou ir antes, ou pelo menos uma hora e meia depois... Se vc não for ver o acendimento pode ir no horário do show que o restaurante vai estar vazio).
      Jantamos uma sequencia de pastel no Chalé do Pastel ($ 51,80 p/2) MUITO BOM! A principio pelo tamanho achei que nunca iria encher🤣😂, mas por fim acabou sendo perfeito pq assim pudemos aproveitar todos os sabores. E o chopp que eles servem lá é divino.👍
      Logo após o acendimento fomos para a lugano experimentar o chocolate quente de lá e, o chopp também. Ambos são perfeitos e valem muito a pena conferir!🍺☕
      Depois disso fomos para casa descansar.

      Parque do lago negro

      Um pedaço do mini mundo

      Palácio dos festivais aceso e com neve no show de acendimento.

      Rua Coberta à noite após o show de acendimento

      Chocolate Lugano e suas cadeiras gigantes.
      5⁰ dia: Gramado e Canela (28/11/2018)
      Acordamos cedo e já fomos até o centro para pegar o famoso Bustur ()de Gramado, e tenho que confessar FOI UMA TREMENDA DECEÇÃO! 😞😖
      O ônibus não é ruim, mas se perde MUITO tempo no deslocamento entre um ponto e outro. E se vc for como nós, que gosta de maximizar seu tempo, eu realmente não aconselho este ônibus. VÁ DE TRANSPORTE PÚBLICO! É mais rápido, barato e vantajoso.
      Continuando... 
      Pegamos o Bustur no centro de Gramado e fomos em sentido Canela pois queríamos conhecer a cidade... Quando chegamos em Canela,  (depois de uma eternidade, pq esse ônibus para em tudo quanto é hotel, e quando chega em uma atração fica uns 10 minutos parado😠 ... vai calculando o tempo que perdemos), fomos direto para a catedral de Pedra, ela é linda! Vale muito a visita, adoramos.👍🏿

      Mas já estávamos em cima da hora para o almoço, pois queríamos almoçar "Na Mina" e depois de uma eternidade em cima do Bustur descobrimos que ele não parava onde queríamos almoçar😡... Por fim acabamos indo neste ônibus até o " Cristais Gramado" onde literalmente abandonamos ele. Detalhe importante já era por volta das 14 horas quando chegamos aos Cristais. Perdemos uma manhã inteira nesse busão 😥.
      Sobre o Cristais, vale a pena a visita. Eles mostram como são feitas as peças e tudo mais é bem legalzinho... 
      De lá da para ir andando até o pórtico normando de Gramado... Como começou a chover não deu para tirar fotos😥... E  o Le jardim também é bem perto da para ir de busão (coletivo).👍🏿
      Voltamos para o centro com a van da própria Cristais, (Já ia esquecendo de falar, eles fazem o tranfer do centro até lá DE GRAÇA, e a volta também é free👍🏿🤩), e fomos finalmente fomos almoçar.
      Depois fomos provar o famoso  chocolate na "velha bruxa" que é  MARAVILHOSO ($36,85 tudo)

      A noite fomos até a rodoviária para pegar o busão (coletivo) para Canela, pq queríamos jantar na pizzaria "toca da bruxa" ($50 p/p)... O lugar é incrível adoramos cada detalhe a pizza é muito boa e de quebra ainda da para ver o show de luzes na Catedral de Pedra... ADORAMOS!🤩🤩

      Por fim voltamos para Gramado para descansar.
      6° dia: Canela (29/11/2018)
      Acordamos cedo e dispostos a fazer o caminho até Canela a pé. Pq queriamos aproveitar tudo o que tinha pelo caminho.
      Então pegamos a avenida das Hortencias e fomos passeando de vagar para não perder nada do que queriamos... Foi super legal pois tem muitas coisas pelo caminho, não vou descrever uma a uma para não me estender demais mas para se ter uma noção nós passamos pelo mirante Belvedere (não é nada demais), pela fabrica da Prawer, Caracol, Florybal, mundo a vapor, e por ai vai. (Nota importante: nós não fizemos os três museus mais vendidos; o museu de cera, hollywood dream cars, e o super carros... Simplesmente pq não nos atraiu. mas para quem gosta tbm fica na Av. das Hortências... Passamos em frente mas não paramos.)

      Chegando em Canela paramos para almoçar e depois demos uma volta com calma pela cidade... Com direito a pausa para o sorvete.

      Depois disso voltamos para Gramado para tomar um banho e voltar a noite para canela para ver a chegada do papai noel na catedral de Pedra. 
      Voltamos a noite para ver o espetaculo e posso afirmar com toda a certeza.... É MARAVILHOSO!!!! 
      Nem vou tentar descrever pq não tem jeito... só indo! Muito bonito mesmo!
      Todo feito pelo próprio pessoal da cidade, desde as interpretações até a confecção das roupas, com as crianças das escolas no coral... Olha é EMOCIONANTE! 

       
      Depois voltamos a Gramado e fomos jantar no Armazém da Lolo, lemos muitos cometários positivos de lá mas infelizmente quando fomos não gostamos do que nos foi servido.
      Depois disso fomos descansar.

      7⁰ dia: Gramado (30/11/2018)
      Após ponderar um pouco na noite anterior, resolvemos não perder os voucher para almoçar na "a mina"($22 pelo laçador de ofertas), e conhecer o parque tomasini.
      Já acordamos tarde por conta da MARAVILHOSA noite anterior...
      Como amanheceu chovendo ficamos novamente receosos mas, resolvemos ir mesmo assim... Então chamamos um uber e partimos...(detalhe importante: Não pega celular lá então tem que pedir o  Wifi caso vc queira voltar de uber). Vou confessar FOI MAIS UMA GRATA SURPRESA!😋🍷
      O restaurante na verdade se chama carazal, e é uma gracinha,  bem no estilo 'hotel fazenda', a comida é muito boa e farta, a vontade, tem música ao vivo (eles pedem uma contribuição, mas não é obrigado a pagar... nós pagamos 😉), refri ou suco a vontade, só é cobrado "por fora" bebidas alcoólicas. ($8 de bebida + $5 de couvert artístico p/p)
      Depois de um almoço extremamente  agradável fomos conhecer a tal MINA..
      O passeio é bem legalzinho... É  uma réplica de uma mina muito bem feita onde vc pode apreciar, e conhecer sobre muitos tipos diferentes de pedras e cristais e no final tem uma lojinha (quem diria 😅), mas é bem interessante o passeio.
      Vale lembrar que dentro deste parque tem tirolesa, kart, e muitas outras atividades..
      Depois pedimos um uber para voltar ao centro de Gramado, o melhor uber da viagem😁👍, até se ofereceu para tirar foto para gente no pórtico da cidade e nos deu detalhes de como é de fato viver em Gramado.
      Tomamos um banho e voltamos para provar nossa segunda sequência de fondue... Fomos no famoso maxillia ($98 p/2).
      Devo confessar que fiquei um pouquinho decepcionado pois esperava algo extremamente agradável, mas não foi😶, é gostoso, mas é que preferimos o do Alpine. Por isso digo que talvez seja apenas uma questão de paladar... mas como tínhamos criado muita expectativa acabamos nos decepcionando um pouco.... Mas repito é gostoso!
      Depois curtimos a noite em Gramado.
      8° dia: Gramado (01/12/2018)
      Chegou o último dia de nosso mochilão pela serra gaúcha.😥
      Acordamos cedo para darmos um último rolê pela cidade... Passeamos pela Borges de Medeiros, e resolvemos comer mais um Royal Trudel 😋 ($41 p/2)
      Em seguida fomos a casa do colono comprar um lanchinho para a  viagem de volta até Porto Alegre.
      Compramos passagem direto para o aeroporto (Citral $46,90 p/p)... foi tranquilo fez uma breve parada na rodoviária de Porto Alegre e já seguiu para o aeroporto, onde pegamos o vôo de volta para São Paulo.
       
       
      Enfim, é isso galera se de alguma maneira eu puder ajudar com algo ou se ficou alguma dúvida... Podem me perguntar que ficarei muito feliz em responder.
      Obs: Muitos me perguntam se fomos para o snowland... A resposta é não 😁! Pq já estávamos planejando "conhecer a neve"... E queremos conhecer a neve natural antes da artificial😅... E deu certo👍🏿, mas é tema para um outro relato.
      Próximo destino Argentina.
       
       
    • Por Bruno Prieto
      Fala galera, então! Me Chamo Bruno e estou junto com um irmão, a sair pelo Brasil a fora no final de novembro, sendo mais exato, na semana do dia 25/11. 
      Sendo assim,  peço algumas.dicas sobre mochila roots, tanto quanto cuidados a ter com esse tipo de viagem, como o que fazer para auto sustento. Queria algumas dicas também sobre o Wordpackers, baixei mas queria entender melhor como funciona. 
      Para conclui o post, deixo aqui também meu convite para essa jornada, será minha primeira vez na estrada desta forma, e qualquer ajuda será valida! 
      (61) 98317-1261 (Meu contato, para troca de experiências) 
    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Salvador a Recife
      Distância Aproximada Entre Origem e Destino (Google Maps): 784 km
      Distância Aproximada Percorrida Incluindo Passeios: 1.100 km
      Período: 24/07/2019 a 01/09/2019 (39 dias)
      Gasto Total: R$ 2.293,33
      Gasto sem Transporte de Ida e Volta: R$ 1.779,43 - Média Diária: R$ 45,63
      Ida: Voo de São Paulo (Congonhas) a Salvador pela Latam por R$ 212,95, sendo R$ 180,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque.
      Volta: Voo de Recife a São Paulo (Guarulhos) pela Latam por R$ 300,95, sendo R$ 268,00 de passagem e R$ 32,95 de taxa de embarque.
      Paradas:
      1- Salvador (Santo Antônio, próximo do Pelourinho): 1 dia
      2- Salvador (Itapuã): 2 dias
      3- Arembepe: 1 dia
      4- Praia do Forte: 2 dias
      5- Imbassaí: 1 dia
      6- Subaúma: 1 dia
      7- Baixio: 1 dia
      8: Sítio do Conde: 1 dia
      9: Costa Azul: 1 dia
      10: Coqueiro - BA: 1 dia
      11: Estância - SE: 1 dia
      12: Aracaju: 3 dias
      13: Pirambu: 1 dia
      14: Ponta dos Mangues: 1 dia
      15: Saramém - SE: 1 dia
      16: Pontal do Peba - AL: 1 dia
      17: Coruripe: 1 dia
      18: Jequiá da Praia: 1 dia
      19: Barra de São Miguel: 1 dia
      20: Maceió: 3 dias
      21: Paripueira: 1 dia
      22: Barra do Camaragibe: 1 dia
      23: Porto de Pedra: 1 dia
      24: Maragogi - AL: 2 dias
      25: Tamandaré - PE: 1 dia
      26 Porto de Galinhas: 3 dias
      27: Cabo de Santo Agostinho: 2 dias
      28: Recife: 1 dia
      Considerações Gerais
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, rios a atravessar, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em boa parte da viagem houve bastante sol e pancadas de chuva breves, geralmente fraca ou só garoa. Dias com chuva prolongada foram poucos (acho que só uns 3). Não houve raios. A chuva, quando me pegava nas praias, apesar de não ser tão forte, tornava-se mais sensível devido ao vento forte. As temperaturas estiveram bem razoáveis (para um paulistano), variando de 20 C a 30 C. A sensação térmica às vezes era mais baixa por causa da chuva ou mais alta por causa do asfalto ou da areia.
      As praias, o mar, as lagoas, a vegetação, as paisagens rurais, os mirantes, as construções históricas e típicas e as igrejas agradaram-me muito .
      Em alguns trechos de mar aberto, o mar estava muito bravo, com ondas fortes e enormes, com muita correnteza, algumas vezes com direções conflitantes. Derrubou-me várias vezes. Em Sergipe o mar tinha cor escura, barrenta. Dava aparência de poluição ou sujeira para um leigo como eu, mas provavelmente eram sedimentos vindos de rios (talvez o São Francisco e o Real principalmente) e da chuva. Nos outros locais, principalmente em Alagoas, o mar tinha uma cor verde linda .
      Peguei 4 cocos na praia e 1 banana no chão em um caminho.
      Encontrei muito lixo nas praias, principalmente plástico. Encontrei também algumas tartarugas e peixes mortos.
      A população de uma maneira geral foi cordial e gentil. Em Baixio a Pousada Espaço Litoral aparentemente não quis me hospedar devido à minha aparência (de mochileiro andarilho), mas foi um episódio isolado.
      Foi impressionante a generosidade dos donos de acomodações e comerciantes, sendo que vários ofereciam cafés da manhã que eu não havia contratado ou produtos adicionais nas minhas compras . Procurei ser o mais educado possível e recusei quase todos para não abusar da hospitalidade.
      Em áreas remotas de Sergipe houve alguns trechos em que foi difícil conseguir acomodação para pernoitar. Em muitas localidades pequenas o comércio e a recepção das pousadas fechava cedo, o primeiro entre 17h e 19h e a segunda perto de 20h.
      A caminhada no geral foi tranquila. Os maiores problemas foram os rios a atravessar. Mas acabei conseguindo as travessias em quase todos.
      Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias nem nas estradas nem nas cidades. Precisei desviar de um trecho em Barreiras (Alagoas), em que havia um rio a atravessar para chegar no Pontal de Coruripe, devido ao domínio da área por traficantes (Boca de Fumo). Vários disseram-me para não passar ali e eu resolvi atendê-los e ir este trecho pela estrada.
      Muitos aceitaram cartão de crédito, mas vários com acréscimo. Um número maior aceitava cartão de débito, poucos com acréscimo.
      Meus gastos foram R$ 299,73 com alimentação, R$ 1.378,00 com hospedagem, R$ 101,70 com transporte durante a viagem, R$ 65,90 com taxas de embarque de ida e volta e R$ 448,00 com as passagens aéreas de ida e volta. Mas considere que eu sou bem econômico.
      A Viagem:
      Minha viagem foi de SP (Aeroporto de Congonhas) a Salvador na 4.a feira 24/07/2019 pela Latam (https://www.latam.com). O voo saía às 10h30 e estava previsto para chegar às 12h55. Paguei em 4 parcelas com cartão de crédito. Não pude escolher o lugar gratuitamente e não fiquei na janela. Durante o voo conversei com uma analista ambiental sobre a situação do meio ambiente em SP e no Brasil. Ganhei um cappuccino 3 Corações de chocolate de cortesia da Latam e da 3 Corações. Ao chegar, saquei dinheiro e peguei o ônibus do aeroporto até o metrô e depois o trem até a estação Campo de Pólvora, perto do Pelourinho, por R$ 3,70 pagos em dinheiro. Fiquei na Casa 37 Guesthouse (https://www.facebook.com/Casa37Guesthouse), que havia reservado pelo Booking (https://www.booking.com). No caminho da estação até lá, passei por parte do centro e fui apreciando a cidade. Paguei R$ 18,00 a diária, em dinheiro, sem direito a café da manhã. A proprietária Gisélia estava com o pé machucado, tinha desabilitado novas reservas e só esperava a mim naquele dia. Fiquei só numa cama num quarto compartilhado, com banheiro dentro. Depois de me acomodar aproveitei a tarde para ir visitar as obras da Irmã Dulce (https://www.irmadulce.org.br). Fui bem atendido e o recepcionista abriu uma exceção para eu conhecer o santuário, que estava em reforma, acompanhando-me. Gostei bastante dos vários itens, incluindo memorial, capela e santuário, tudo mostrando a vida simples e dedicada dela. Na volta passei pelo mirante em Santo Antônio com vista para a Baía de Todos os Santos. Visitei também algumas igrejas no centro, perto do hostel e no caminho para as obras de Irmã Dulce. No fim da tarde e começo da noite fui visitar o Terreiro de Jesus, que havia sido revitalizado, com sua bela fonte e passei pela escadaria em que foi filmada a primeira versão de “O Pagador de Promessas”. Não encontrei espetáculos no Pelourinho. Jantei sanduíches e banana que tinha trazido de casa. Conversei com moças de Fortaleza que estavam no hostel e haviam vindo de ônibus e estavam trabalhando em casas de confecção. Elas falavam do frio e chuva de Salvador, diferente de Fortaleza naquela época do ano.
      Para as atrações de Salvador veja http://salvador-turismo.com, http://www.salvadorbahiabrasil.com/atracoes-salvador.htm e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/salvador-7. Gosto bastante da cidade, mas já tinha estado nela antes. Meu objetivo nesta viagem não era conhecer muitos de seus atrativos, somente alguns que eu não conhecia e estavam perto dos meus pontos de parada.
      Na 5.a feira 25/07 tomei café da manhã com sanduíches que havia levado de casa, conversei com portuguesa hospedada no hostel e fui pegar o ferry boat para Bom Despacho por R$ 10,00 no cartão de crédito (ida e volta). Eu tinha levado parte das cinzas do meu pai para jogar na Baía de Todos os Santos e achei que a melhor opção era aquela. Peguei o barco das 8 horas. Falei com o Imediato Caetano e ele disse que eu poderia jogar sem problemas. Após o barco afastar-se razoavelmente do porto, joguei-as, de punhado em punhado. Pouco depois ele me encontrou na parte superior e perguntou se já tinha jogado. Disse-me que havia comunicado ao capitão e este perguntou se eu queria que ele parasse o barco um pouco para que eu jogasse (o barco tinha provavelmente mais de 100 passageiros). Dei um rápido passeio em Bom Despacho e voltei no barco das 10 horas. Cheguei de volta ao hostel pouco antes de meio dia e perguntei a Gisélia, que já estava melhor do pé, se poderia ficar um pouco a mais, para poder visitar o Centro de Convivência Irmã Dulce, que era ao lado. Ela disse que isso poderia abrir um precedente. Para guardar a mochila ela cobrava R$ 10,00, com direito a uso do banheiro e demais instalações até a noite. Preferi sair na hora então e fui visitar o Centro de Convivência carregando a mochila. Muito interessante o trabalho que eles faziam com atividades gratuitas para toda a comunidade. Depois de lá rumei a pé para Itapuã. Foram cerca de 18 km. Não tive nenhum problema de segurança e acertei o caminho, com nomes de ruas e indicações no papel e pedindo muitas informações. Muitos deram-me sugestões, às vezes querendo mudar o caminho base que eu tinha traçado, o que eu não fiz. No trecho final fui pela orla, admirando a praia e o mar a partir do calçadão. No caminho comprei pães normais por R$ 1,00 e um pão de queijo por R$ 1,00 pagos em dinheiro. Fiquei no Hostel Sal Bahia (https://www.facebook.com/hostelsalbahia), da proprietária Dil, que era paulista, por R$ 28,50 em dinheiro a diária, com direito a café da manhã. Lá estava uma família de Niterói, 1 rapaz de Sergipe sendo treinado em telefonia por outro de Recife (um deles se chamava Carlos) e uma dupla de profissionais de escolta armada, sendo que um era de Recife e torcia para o Náutico. À noite comprei pães por R$ 3,00 e vegetais (pepino, chuchu, batata, mandioca, tomate e laranja) por R$ 4,40 e fiz sanduíches para o jantar. Antes fui dar uma volta na orla e comi abará e tapioca com açúcar e canela por R$ 8,00. Todos os alimentos foram pagos em dinheiro.
      Na 6.a feira 26/07 tomei o café oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite e abacaxi). Depois fui à Lagoa do Abaeté. Havia muitos seguranças. Haviam dito que poderia ser perigoso o local, em termos de assaltos, mas achei tranquilo. Porém não entrei nas trilhas no meio do mato. Achei as vistas da lagoa e da vegetação no entorno muito bonitas. Fiz 3 travessias pequenas e achei a água deliciosa. Voltei, almocei sanduíches e fui caminhar na praia. Comecei indo conhecer os monumentos às Sereias de Itapuã e a Vinicius de Moraes. Pela manhã, quando havia passado rapidamente para ver as Sereias, um morador local veio cumprimentar-me e falar comigo, imagino que para conhecer um viajante de fora dali. Depois fui até o Farol de Itapuã e depois parti rumo ao Sul, indo até o Jardim dos Namorados, já perto de Pituba. Depois, quando retornando ao hostel ainda tive tempo de visitar o Parque de Pituaçu, com seus lindos lagos, área verde e vistas. Um homem que estava sentado num banco com roupa social, a quem eu havia pedido informações sobre o parque, pediu para falar comigo sobre Jesus. Ficamos conversando alguns minutos. Voltei pela praia, admirando as lindas vistas do mar e da orla, de dia e após escurecer. Jantei um mini acarajé por R$ 1,00, um acarajé por R$ 5,00 (ambos em dinheiro) e salada (batata, mandioca, chuchu, pepino, tomate e cenoura – esta última tinha trazido de SP), com laranja de sobremesa comprados no dia anterior. Durante o jantar conversei com Bruno, sobrinho da Dil, e pessoal da escolta armada. Levei um acarajé da Dry (dona do ponto) para a Dil numa vasilha plástica, conforme ela havia pedido.
      No sábado 27/07 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (2 pães, margarina, café, leite, 2 pedaços de melão), despedi-me de todos (Dil levou-me ao portão) e parti rumo a Arembepe. Antes de entrar na areia da praia comprei 5 pães por R$ 1,00 em dinheiro. Entrei na praia na altura do Monumento às Sereias de Itapuã. O tempo estava bom pela manhã e a praia estava cheia. As paisagens pareceram-me lindas, embora as praias fossem bem urbanizadas, com muitos condomínios. Atravessei o Rio Joanes andando, orientado por salva-vidas e por praticantes e instrutores de kitesurf, que estavam dentro dele. Segui bancos de areia, mas no trecho final havia um canal que por um instante não deu pé, o que molhou levemente o fundo da mochila, mas a água não entrou. Havia várias pessoas praticando kitesurf na barra, conforme foto abaixo.

      Ocorreu uma rápida pancada de chuva no meio da tarde e eu me abriguei atrás de um coqueiro, posto que a chuva era lateral, devido ao vento. O mar estava bravo e o vento forte. Havia algumas bonitas paisagens com áreas de remanso criadas por barreiras de pedra um pouco distantes da praia nas quais o mar batia forte. Quando veio outra pancada de chuva, entrei embaixo de um quiosque e um segurança falou-me que eu não poderia abrigar-me naquela área privada, mas passou via rádio informação aos da frente para que me dessem abrigo. Pouco à frente fiquei debaixo de um coberto de madeira, atrás de uma tora. Quando a chuva amainou outro segurança veio conferir as informações, perguntar-me se eu ainda precisava de abrigo e me dar informações sobre como achar hostels ou hospedagem barata em Arembepe. Logo em seguida cheguei a Arembepe e fiquei no Hostel da Fá (https://www.facebook.com/hosteldafa), em cama de quarto compartilhado por R$ 25,00 em dinheiro, sem café da manhã, onde fui atendido originalmente por Benedita, mãe da Fá. O quarto estava vazio, então fiquei só. Uma pessoa havia dado uma referência negativa do hostel, mas eu fui muito bem atendido e fiquei satisfeito. Era simples, mas supriu tudo de que eu precisava. Comprei pães por R$ 3,00, chuchu e pepino por R$ 1,00 e abobrinha e laranja por R$ 1,22, tudo pago com cartão de crédito. Jantei sanduíches, com laranja e pão com goiabada de sobremesa. Houve várias pancadas de chuva depois que cheguei ao hostel, principalmente depois de escurecer. Fá ofereceu-me café e suco de jenipapo de cortesia, que eu educadamente recusei. Seu filho interessou-se pelo meu celular velho. Havia entrado um pequeno espinho ou objeto estranho no meu pé direito e eu o cavoquei para tirá-lo, deixando uma pequena parte do pé em carne viva , o que se mostrou desastroso alguns dias à frente. No meio da noite chegou um casal e ficou na área anexa ao quarto. Eu acordei com o barulho da chegada deles e fui tirar a mesa que havia colocado para escorar a porta do corredor que abria com o vento.
      No domingo 28/07 inicialmente dei um passeio pelo povoado, saquei dinheiro, comprei pães por R$ 3,00 com cartão de crédito e tomei café da manhã com sanduíches. Começou a chover com moderada intensidade e eu esperei passar para sair. Saí perto de 8h10, passei por uma área à beira-mar destruída pelas tempestades recentes e fui conhecer a Aldeia Hippie. Gostei bastante, principalmente do Centro de Artesanato, da lagoa e do rio. O morador Oz pediu-me uma força de R$ 5,00 em troca de um artesanato em clave de sol. Ao invés disso, ofereci a eles pães de milho, que não quiseram. Achei bela a vista do alto das dunas em que ficava parte da aldeia, estando de um lago a lagoa, o rio e a vegetação e de outro o mar. Havia uma pequena base do Projeto Tamar, cuja visita era paga. Não a visitei, pois pretendia ir para a Praia do Forte. Uma foto de uma praia em Arembepe está a seguir.

      Ao longo do caminho achei as praias belas. Tomei um banho de mar, que estava tão bravo e com correntes erráticas, que me levou para um buraco. Chegando à Barra do Jacuípe, um barqueiro atravessou-me por R$ 2,00 em dinheiro. Uma foto de lá segue abaixo.

      Caminhei de lá até a Barra do Pojuca, passando por praias que achei bonitas. Não consegui atravessar andando a Barra do Pojuca. Tentei sem a mochila, mas a forte correnteza me fez crer que com a mochila não conseguiria. Não havia mais barqueiros, pois era perto de 17h. Peguei a estrada então e fui até a cidade, mas não encontrei pousadas baratas. Resolvi pegar o ônibus para a Praia do Forte, onde sabia que tinha um hostel. Paguei R$ 3,00 em dinheiro pelo ônibus. No ônibus começou uma conversa exacerbada entre amigos sobre política, com um dizendo que o Brasil era socialista e por isso estava nesta situação e outro falando contra o presidente, o que confirmou a polarização existente atualmente. Fiquei no Praia do Forte Hostel (https://www.albergue.com.br), pagando R$ 70,00 em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a bufê de café da manhã. Comprei espaguete por R$ 2,40, legumes (chuchu, pepino) e laranja por R$ 1,91, tudo com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e os jantei. De sobremesa comi biscoitos de maisena cortesia do hostel. Fiquei sabendo que meu primo havia sofrido um ataque cardíaco e partido inesperadamente deste mundo por volta de 11h da manhã.
      Na 2.a feira 29/07 comecei o dia tomando o excelente café da manhã  oferecido em forma de bufê, com pães, ovo, banana assada, frutas, bolos, sucos (umbu, laranja), etc. Choveu bem cedo e depois a chuva retornou após as 13h30, parou perto de 15h e voltou no fim da tarde. Fui visitar o Projeto Tamar (https://www.tamar.org.br). Achei espetacular . Havia tartarugas de 4 espécies, tartarugas albinas, tubarões, arraias, vários tipos de peixes, tartarugas pequeninas recém-nascidas, esqueleto pré-histórico, carapaças, cinema referente ao projeto, exposições etc. Havia também momentos em que os tratadores iam alimentar os animais com a presença do público. Havia muita gente visitando, incluindo muitos estrangeiros e muitas crianças. O ingresso custava R$ 26,00, mas hóspedes do hostel tinham entrada gratuita a qualquer hora e dia em que estivesse aberto. Era permitido passar a mão nas arraias. Após conhecer boa parte e fazer a visita guiada pela manhã, fui à foz do Rio Pojuca, que não tinha conseguido atravessar. Pela praia era bem mais perto. Tomei um banho no mar bravo. Voltei para completar a visita ao Tamar e ver as alimentações da tarde, incluindo a dos tubarões. A vista do mar a partir dos fundos do Projeto Tamar também me pareceu muito boa. Havia também um farol para navegação e uma igreja antiga nas imediações. No hostel conheci franceses e brasilienses. Jantei espaguete com um pouquinho de arroz (peguei das comidas compartilhadas), pepino, chuchu, laranja e biscoitos de maisena.
      Na 3.a feira 30/07 depois do bufê no café da manhã, fui explorar outros pontos da região. Peguei a trilha do Parque Klaus Peters, com vegetação da restinga, com várias informações, de que muito gostei. Voltei pela avenida e fui visitar o Projeto Baleia Jubarte (http://baleiajubarte.org.br). A entrada custava R$ 10,00, mas também era gratuita para hóspedes do hostel. Gostei do projeto, embora não o tenha achado tão espetacular quanto o Tamar, pela falta de animais vivos. Mas havia muitas informações, exposições, cinema e um esqueleto de baleia. Depois de lá peguei a trilha para o castelo. Achei bonita a vista da lagoa urbana. Não entrei no castelo, que era pago (R$ 15,00, com 50% de desconto para hóspedes do hostel). Na volta, depois de fazer a saída do hostel, ainda passei no Projeto Tamar para rever alguns itens de que tinha gostado e tirei fotos das tartarugas albinas

      e de um dos tubarões lixa

      Após isso rumei para Imbassaí, que não era muito longe e onde havia outro hostel mais barato, até onde eu sabia. Comecei a caminhar perto de 15h e cheguei lá perto de 17h. Achei muito bonitas as praias do caminho. Tomei 2 banhos de mar. Elas pareciam ter pedras ou corais no fundo. O mar novamente era bravo e uma onda me pegou no raso e me fez dar um giro involuntário de 360 graus. Fiquei hospedado no Eco Hostel Lujimba (https://www.imbassaihostel.com.br/?lang=pt), por R$ 35,00 em dinheiro a cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. O dono era o argentino Roberto, mas já bastante aclimatado ao Brasil. Lá fiquei no quarto com um casal que morava na Escócia, em Edimburgo, um deles brasileiro e o outro escocês, que estava ali fazendo trabalho voluntário no hostel. Havia também um húngaro que falava fluentemente português. O hostel era numa estrada de terra e tinha um bosque dentro de suas dependências. Tinha um espaço num andar superior com símbolos de várias religiões, principalmente orientais, e ambiente para ioga, meditação e descanso. Comprei espaguete por R$ 1,85 e vegetais (abobrinha, mandioca, limão e laranja) por R$ 2,73, ambos com cartão de crédito, cozinhei o espaguete e comi no jantar com os vegetais.
      Na 4.a feira 31/07 comi a laranja no café da manhã. Roberto contou 2 histórias. Disse que um rapaz estava caminhando por uma estrada, um carro passou por ele e percebeu que nos próximos 100 km não havia vestígios de civilização. O caminhante tinha barba e cabelo parecidos com os de Jesus. O homem do carro voltou os 100 km e deu carona para o caminhante até passar por aquele trecho deserto. Com isso ele andou 200 km a mais do que precisaria. A outra história foi de uma mulher negra de cerca de 60 anos que ele viu andando nua na estrada, equilibrando uma bandeja na cabeça. Ele falou que ela tinha a postura de uma rainha. Parecia um orixá. Depois do café fui conhecer o bosque interno e a área de meditação e ioga. Despedi-me deles e parti. Depois que saí comprei pães, comi 4 para complementar o café e guardei 5 para o decorrer do dia. Paguei R$ 3,00 com cartão de crédito por eles. O dia inteiro foi de sol e achei as praias muito bonitas. Passei pela Costa do Sauípe, com suas acomodações luxuosas. Sua praia estava cheia de pessoas. Quando cheguei ao canal para atravessar para Porto Sauípe, percebi que não dava para atravessar andando. Vi um homem do outro lado e gritei para ele, mas ele ou eu não conseguimos nos ouvir. Resolvi então atravessar a nado para poder conversar com ele. Ele era Jorge, dono de barraca da praia e de um barco. Perguntei se ele poderia me atravessar com o barco, mas ele me disse que o barco estava fundeado e que devido às chuvas, seria problemático liberá-lo e depois ancorá-lo novamente. Perguntei se tinha uma tábua ou algo parecido e ele me disse que cuidava das pranchas dos salva-vidas e que eu poderia usar uma. Achei a solução perfeita. Mas fazia muito tempo que eu não usava uma prancha e estava completamente sem experiência. De qualquer modo, peguei a prancha e atravessei em cima dela, com facilidade. Ele me alertou que ela estava de ponta cabeça, pois o leme estava aparente. Coloquei a mochila nas costas, virei a prancha e fui bem para a ponta perto do mar, onde ele recomendou, para aproveitar a corrente. Mas eu não parei para analisar direito a situação e segui o que ele falou sem pensar mais profundamente. A travessia ia indo bem, até que quase no fim eu vi o barco ancorado e vi que tinha que desviar dele e de suas cordas. Rapidamente tentei fazer isso antes de bater, mas as cordas pegaram no leme da prancha e ela quase virou. Eu, com minha falta de experiência com pranchas, estava muito à frente, o que dificultou ainda mais o equilíbrio. Depois de bater nas cordas e a prancha quase virar, consegui me reequilibrar e remei com as mãos para desviar das outras cordas e consegui chegar à margem. Jorge havia pulado na água, achando que eu não iria conseguir. Gritei para ele não fazer aquilo, mas acho que ele ficou preocupado. Depois de sair da água, agradeci, pedi desculpas pelo incômodo dele ter-se molhado e guardei a prancha onde a tinha pego. Quando a prancha quase virou, a mochila forçou minhas costelas e elas ficaram doloridas. Essa dor arrastou-se por vários dias. Segui pelas praias, que continuei achando muito bonitas. Peguei 3 cocos que estavam no chão, 2 com muita água e massa e o 3.o eu levei na mochila, após desbastar a parte externa. Passei por uma praia de nudismo, mas como estava deserta, pude ficar vestido. No entardecer tirei esta foto, já perto da chegada à cidade de Subaúma.

      Ao chegar, encontrei J Jr na praia e ele me recomendou ir à Pousada da Didi (http://pousadadadidi.com), que achava ser a mais barata da cidade. Fui até lá e apesar do preço regular ser R$ 60,00, ela me cobrou R$ 30,00 em dinheiro por quarto privativo, com banheiro interno e com café da manhã. Ainda me ofereceu o jantar, mas eu achei que era demais e somente comi um pouco do cozido que ela havia feito para não a deixar chateada. Douglas e Valdo foram os funcionários (afilhados) que me atenderam. Valdo abriu o coco para mim. Fui comprar banana e chuchu por R$ 0,85 em dinheiro para juntar com o resto do espaguete que eu tinha. Cozinhei o espaguete no fogão dela, misturei com o chuchu, banana e coco, e peguei um pouquinho do cozido de legumes que ela tinha feito. Ao ir fazer compras conheci um artista de Salvador que morava lá e pretendia pintar a partir de uma foto aérea da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim de Salvador. Douglas assistiu comigo o jogo do Flamengo com o Emelec pela Libertadores à noite. Ele era flamenguista e ficou feliz com a vitória nos pênaltis, apesar de ter sofrido um pouco, embora parecesse bastante confiante.
      Na 5.a feira 01/08 senti a dor nas costelas bem maior ao acordar. Tomei o café da manhã ofertado por Didi (5 pães com margarina e queijo tostados, cuscuz, café e leite em pó). Ela me contou que o médico disse que ela tinha 2 anos de vida, estava com cirrose hepática e anemia e não podia fazer transplante por ter 80 anos. Ela era diabética e tomava insulina. A situação me comoveu, mas faz parte da vida. Talvez a visita de um “nem tão jovem” estranho tenha alegrado um pouco aqueles momentos e a feito lembrar de seus filhos. Até por isso talvez ela tenha querido ser tão gentil e generosa. Saí perto de 8h30. Antes de começar a caminhada visitei a Igreja do Bonfim, simples, antiga e bonita. Encontrei o rio próximo na maré vazante, mas ainda bem cheio. Fiz um teste de travessia sem a mochila e consegui passar com água quase no pescoço. Fui então com a mochila na cabeça, tateando o chão com os pés e consegui passar sem molhar a mochila. Achei as praias do percurso muito extensas e bonitas. A foto de uma delas está a seguir.

      Começou a aparecer uma bolha no local do pé que eu havia cavocado e que tinha ficado com a carne exposta. Cheguei perto de 13h, pois a próxima parada era distante e achei que não valia a pena continuar. A Pousada Litoral, da proprietária Nete, aparentemente não quis me hospedar, provavelmente pela minha aparência de andarilho. Sua conhecida da Associação de Artesãos havia ligado para ela e ela disse que havia vaga a R$ 50,00 a diária. Mas quando cheguei lá, notei a cara de espanto da funcionária ao me ver, que disse que ela não estava, depois disse que não estava conseguindo falar com ela e por fim, o homem que estava na área da entrada subiu até onde ela estava e voltou dizendo que não estavam hospedando ninguém porque estavam em reforma. Propus-me a mostrar meus documentos, mas eles repetiram que estavam em reforma e eu me fui. Fiquei na Pousada Destaque (https://www.facebook.com/pousadadestaquebaixio) de Paulo, pagando R$ 60,00 com cartão de débito em quarto privado, sem direito a café da manhã. Depois de me acomodar saí para dar um passeio nas imediações, conheci a Associação dos Artesãos e fui andar na praia. Entrei levemente no mar, que estava muito bravo e depois nadei numa lagoa próxima. Vi o pôr do sol a partir da barra do rio que ficava após a cidade. Comprei chuchu e pepino por R$ 1,41 com cartão de crédito. Paulo deixou-me usar a cozinha e eu cozinhei espaguete e jantei com os legumes comprados. Conversei com ele sobre seu antigo trabalho de motorista de carreta, suas atividades atuais como mecânico e outras. Ele tinha 70 anos e estava aposentado há 22, mas achei que aparentava bem menos, com sua enorme vitalidade.
      Na 6.a feira 02/08 Paulo ofereceu-me café da manhã sem estar na diária. Perguntei-lhe se não iria dar prejuízo, mas ele fez questão. Comi ovo frito e cuscuz. Ele me ofereceu também pães e leite, mas eu procurei não abusar e fiquei só nos dois primeiros. Conversamos sobre minha viagem e ele falou das dificuldades com os rios e as travessias que eu iria encontrar à frente. Comprei pães por R$ 2,80 em dinheiro para complementar o café e usar ao longo do dia. Comecei a caminhada e logo de saída era necessário atravessar a barra do rio. Um morador local e pescadores orientaram-me sobre por onde ir. Fiz o teste sem a mochila, mas achei que não conseguiria, pois a água parecia que iria me encobrir, além da correnteza que poderia me desequilibrar. Voltei para margem no momento em que por coincidência chegavam pescadores que iriam atravessar o rio. Eles me deram carona em seu barco e me deixaram do outro lado, onde ficariam. Conversei com o filho de um deles de 13 anos, que parecia meio desmotivado com a escola, mas gostava de pescar. O pai desejava que ele estudasse. As praias do caminho eram longas e desertas e me pareceram belas. Quando cheguei na Barra do Itariri gritei para pessoas do outro lado para perguntar como atravessaria. Elas foram chamar o dono de um estabelecimento que me orientou onde eram os melhores pontos. Fiz teste sem a mochila por onde ele indicou, peguei bancos de areia e consegui, mas machuquei levemente minha perna numa pedra. Depois, com a mochila, consegui pegar um caminho um pouco melhor, sem pedras, e a travessia foi mais fácil. Parecia haver areia movediça no fundo em alguns trechos. Ao longo do dia tomei 2 banhos de mar, que continuava bravo. No segundo banho, com a maré subindo, o mar derrubou-me novamente, com a força das ondas e as correntezas sem direção definida. Peguei um coco na praia, que tinha água e um pouco de massa. Cheguei a Sítio do Conde perto de 16h. Fiquei na Pousada Santa Maria (https://www.cylex.com.br/conde/pousada-santa-maria-11111375.html) por R$ 30,00 em dinheiro, da proprietária Dulce e sua filha Márcia. O filho de Dulce tinha algum problema de deficiência mental e me perguntou repetidamente se eu era da Polícia Federal ou da Receita Federal ou da CIA. Tentei ainda sacar dinheiro num correspondente bancário do Bradesco indicado por Márcia, mas já havia fechado. Dei um passeio pela pracinha para conhecê-la. Jantei acarajé na mão por R$ 4,00 com cartão de crédito e 3 pães doces por R$ 1,00 em dinheiro. Quando fui entrar a porta estava trancada com um trinco por dentro e minha chave de nada adiantava. A atendente do restaurante foi chamar Dulce batendo em sua janela. Ela veio abrir a porta para mim e disse que pensou que eu já estava no quarto e por isso fechou o trinco.
      No sábado 03/08 logo cedo comprei pães para servir de café da manhã e peguei um táxi lotação para Conde para sacar dinheiro. Encontrei Márcia e possivelmente a atendente do restaurante anexo à pousada onde eu havia comido os pães na noite anterior, que estavam no ponto de ida também. Aproveitei que lá estava e fui à feira, comprei cerca de 2 kg de tomates por R$ 2,00 em dinheiro. Passeei pela praça e vi a igreja por fora. Peguei táxi lotação de volta, pagando R$ 8,00 em dinheiro por ida e volta. Comprei mais pães para levar para a viagem, somando R$ 5,00 em dinheiro com os comprados logo pela manhã. Deixei chave e papel higiênico com atendente do restaurante, pois Dulce não estava. Saí perto de 9h, mas parei logo a seguir para esperar uma pancada de chuva parar, abrigado numa barraca de praia que estava sem atendimento. Achei as praias bonitas e longas. Tomei vários banhos de mar e 1 banho de rio. Quando cheguei à Barra do Siribinha, um turista carioca, que havia contratado um barqueiro, estava saindo para uma sessão de fotos e depois ir pegar seu carro. Ele concordou em me atravessar e não quis que eu pagasse. O banho de rio foi depois da travessia e a água estava deliciosa e calma para nadar, mas o fundo parecia movediço. Cheguei na Costa Azul perto de 15h30. Era um local isolado, com casas de veranistas, em que as pessoas locais pareciam não estar acostumadas nem confortáveis com pessoas de fora. Geraldo, dono da única pousada aberta, tinha saído para o Conde e eu precisava falar com ele para negociar o preço, que era de R$ 120,00 a diária com café da manhã. Um cachorro seguiu-me até lá. Falei com Reginaldo da barraca, que se dispôs a me ajudar, mas achou problemático eu dormir no banheiro da barraca, pois os clientes poderiam se assustar. Conheci Gílson na praia, que me deu informações sobre a área e outras possíveis pousadas. Ele cuidou da minha mochila enquanto eu nadava e depois me falou que ficou surpreso em como fui longe naquele mar bravo, que novamente me derrubou na saída . Procurei pelas pousadas de que ele falou, mas nenhuma estava funcionando além da que eu já conhecia. Quando saí da Pousada Costa Azul e Geraldo ainda não havia chegado, Gílson convidou-me para ficar em um quarto de hóspedes na sua casa, sem pagar. Não queria abusar da hospitalidade e lhe disse que iria esperar Geraldo mais um pouco. Como ele não chegou e já estava começando a escurecer, resolvi aceitar o convite de Gílson. Informei Reginaldo e o hóspede soteropolitano da Pousada Costa Azul que tinha tentado me ajudar. Fiquei bem hospedado, num quarto nos fundos no 1.o andar com cama, colchão e banheiro anexo no térreo 🙏. Ele ainda me deu água potável. Ofereceu-me suco de goiaba, que experimentei e me emprestou um prato e uma faca para eu jantar sanduíches. Eu comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e juntei com os tomates. Assistimos televisão juntos e conversamos sobre a vida. Ele estava cuidando de alguns problemas de saúde. Sua mulher e parte da sua família moravam em Rio Real. Mostrou-me várias camisas de eventos de que tinha participado. Falou-me de uma baleia jubarte que havia encalhado e de como procederam. O céu noturno estrelado, com a pouca luminosidade do local, pareceu-me lindo.
      No domingo 04/08 apreciei a paisagem pouco após o nascer do sol, que me pareceu muito bonita vista do 1.o andar. Tomei café da manhã junto com Gílson com sanduíches de pães e tomates. Continuamos conversando sobre vários assuntos. Ao despedir-me ofereci pagar o que estava pagando nas pousadas mais baratas anteriores, mas Gílson não aceitou. Agradeci e parti. Não havia pães para vender, então não pude levá-los para comer ao longo do dia. As praias eram bem longas e retas, e as achei bonitas. Tomei 2 banhos de mar e achei o mar mais calmo em alguns trechos com maré baixa. Uma caminhonete passou correndo do meu lado e me assustou, pois eu só percebi quando ela estava quase a meu lado. Parei no Povoado do Coqueiro, pois sabia que Mangue Seco, logo à frente, provavelmente não teria opções baratas de hospedagem. Pareceu-me que as pessoas dali estavam bem mais acostumadas a viajantes e estranhos. O andarilho Fernando, meu xará, perguntou-me se eu era homem ou mulher. Respondi que era homem, mas tinha virado monge, porém não tinha qualquer tipo de discriminação contra homossexuais. Ele disse que também fazia caminhadas como andarilho e me ofereceu uma blusa de frio, que agradeci mas recusei, pois já tinha uma. Aurora, dona de restaurante e pousada, disse que estava com acomodações ocupadas, mas me ofereceu rede, galpão e banheiro para passar a noite. Ela recordou que seu filho havia ido ao Rio de Janeiro e tinha sido ajudado quando precisou. Eu agradeci, mas fui tentar achar uma pousada. E encontrei. Fiquei na Pousada do Mássimo, o gringo, um italiano de Milão que estava no Brasil há mais de 30 anos. Após ouvir a história da minha caminhada, ele me perguntou quanto eu estava disposto a pagar e eu não respondi, só mencionei quanto tinha pago nas paradas anteriores. Então ele me propôs R$ 30,00 em dinheiro a diária sem café da manhã e eu aceitei. Paguei em dinheiro. Ele me atendeu muito bem. Fui passear na praia e tomei mais um banho de mar. Achei belo o ambiente rural com gado, galinhas, árvores, vegetação, cabras, o caminho etc existente no povoado. Depois fui ao Rio Real, que era divisa entre Bahia e Sergipe. Achei muito bonito o mangue exposto (seco) com maré baixa visto a partir do trapiche sobre o mangue que ia até o rio. A vista a partir do calçadão e do local de embarque também agradou-me, principalmente do rio. Vi o pôr do sol a partir do rio. Começou a chover e eu me abriguei embaixo de uma árvore. Comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei sanduíches de tomate e pães doces, sendo que achei o pão de coco delicioso . Apareceram mais bolhas no pé direito. Ainda assisti o fim do jogo do campeonato brasileiro. Mássimo foi dormir cedo porque no dia seguinte iria pegar o barco às 4h ou 5h para ir à cidade buscar seu tablet. Dormi mal por causa dos pernilongos, sendo que esqueci de pedir um ventilador para espantá-los.
      Na segunda-feira 05/08 tomei café da manhã com 8 pães que comprei por R$ 2,00 em dinheiro. Como Mássimo havia saído cedo, deixei tudo como ele tinha pedido e fui embora. Houve chuva rápida na trilha para a praia e eu me escondi embaixo de um coqueiro. O percurso até Mangue Seco era curto. Achei a praia bonita, principalmente as dunas. Passei por pequenas áreas com água rasa e no final atravessei um canal com água pela cintura. Peguei um pouco de chuva quando dava volta no mangue e me abriguei nos arbustos. Achei bonitas as vistas de Sergipe e da foz do Rio Real a partir da curva de Mangue Seco e de cima das dunas. Também gostei da vista dos canais internos do rio e das praias a partir do alto das dunas. Uma foto destas áreas pode ser vista a seguir.

      Depois de chegar no povoado, apreciar a vista das dunas e a partir delas, tentei conseguir transporte para a Praia do Saco, do outro lado do rio em Sergipe, com frete de retorno de algum barco. Um grupo concordou, mas acabei indo com outro que voltaria antes, com o barqueiro Merreco e 2 paulistanas. Paguei R$ 20,00 em dinheiro pela travessia. Quando falava com o barqueiro do primeiro grupo, vimos botos 🐬 nadando perto da praia. O cruzamento foi com a maré subindo e o mar um pouco agitado, com a lancha batendo nas ondas. Foi desconfortável para mim, que estava no primeiro banco, bati várias vezes a costela e a dor, que estava quase desaparecendo, voltou . Depois de chegar na Praia do Saco, tentei achar uma hospedagem barata, mas não consegui. Peguei então a estrada pelo meio da vegetação de restinga, pois havia um trecho sem praia. Achei muito bela a vegetação e espetaculares as dunas. Num dado momento, saí da estrada e subi em algumas dunas altas para ter uma vista global. Gostei bastante da vista da costa e do rio. Mais para frente consegui voltar para a praia e segui em frente. Tomei um banho de mar, que parecia muito calmo, porém com uma coloração escura, que pensei que poderia ser poluição, mas que provavelmente era devido aos sedimentos, aumentados por causa das chuvas. Ocorreu nova chuva e fiquei abrigado atrás de um coqueiro. Cheguei até a Praia do Abaís, mas não consegui hospedagem barata lá. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e comi como lanche. Resolvi então pegar o último ônibus (18h) até Estância por R$ 7,00 em dinheiro e me hospedar lá. O motorista tinha morado em SP e trabalhado como carreteiro em vários estados e países além de ter sido motorista da Viação Cometa em SP, Rio e Curitiba. Deu-me orientações de em que pousada ficar e como chegar lá. Fiquei na Pousada XPTO (https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g2344226-d8171017-Reviews-Restaurante_E_Hotel_Xpto-Estancia_State_of_Sergipe.html) por R$ 40,00 com cartão de crédito. Eles também trabalhavam com mecânica de bugues e pude ver algumas carcaças. Comprei pães e vegetais (limão, pepino, banana) por R$ 3,68 com cartão de crédito, juntei com tomates que ainda tinha e jantei sanduíches. As bolhas no pé direito tinham aumentado.
      Na 3.a feira 06/08 após pagar a diária fui comprar o café da manhã na Padaria Esquina do Pão com pães e queijadas por R$ 4,50 em dinheiro. Adorei a queijada, que era de coco e me lembrou as queijadinhas que comia na infância na Praia Grande em SP. Acrescido de pepino e banana comi os pães como sanduíches na mini rodoviária. Peguei o ônibus para a Praia do Abaís por R$ 7,00 em dinheiro, para continuar do ponto de onde havia parado. Comecei a caminhar cerca de 10h20. Achei as praias extensas e bonitas, em grande parte desertas. A água era escura, cor de terra, e me deixou confuso, pois quando a água é escura em SP eu sempre desconfio de poluição. Mas me explicaram que não era o caso e que eram sedimentos, acentuados pelas chuvas. O mar parecia mais calmo do que no norte na Bahia, mas eu não tomei banho de mar. Alguns bodes começaram a me seguir, mas eu procurei me esquivar, pois se eles se perdessem ou fossem para áreas urbanas achei que poderiam ser mortos ou sofrer algum problema. Cheguei à Praia de Caueira perto de 13h30. Aí era necessário pegar a estrada e passar pela ponte, pois havia o Rio Vaza-Barris, que era enorme e não havia como atravessar pela praia. Achei bonitas as paisagens rurais e a vegetação. Segue uma foto do caminho.

      Houve chuva em algumas ocasiões e eu me abriguei sob arbustos em duas delas. Encontrei homem com uma bicicleta e vários itens de uma casa, parado no acostamento e abrigado da chuva sob uma lona. Logo à frente, após a chuva parar, ele me passou. Vi araras e 2 arco-íris 🌈 no caminho. A bolha do pé em que havia entrado o estrepe, que eu havia desbastado, incomodou-me bastante , tanto que reduzi minha velocidade, principalmente após pegar a estrada. Achei espetacular a vista a partir da ponte, que cruzei já perto de 17 horas. Decidi então tomar um ônibus para a Praia do Atalaia. Um homem e um policial indicaram-me onde deveria pegá-lo. Para minha sorte vinha vindo um ônibus e mais alguns aparentes trabalhadores rurais ou de construção iriam pegar. Eles deram sinal mesmo fora do ponto e o motorista parou. Paguei R$ 4,00 em dinheiro pela passagem. A cobradora ajudou-me a saber onde descer. Após pesquisar alguns hostels, que me deram informações sobre localização de concorrentes, fiquei no Aracaju Hostel (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g303638-d15584411-Reviews-Aracaju_Hostel-Aracaju_State_of_Sergipe.html), por R$ 35,00 a diária paga com cartão de crédito, sem café da manhã. Comprei legumes e frutas por R$ 4,62 e pães por R$ 4,22 com cartão de crédito e jantei sanduíches. Houve bastante chuva à noite quando eu já estava abrigado. Decidi estourar as bolhas do pé à noite, o que acho que deveria ter feito antes.
      Para as atrações de Aracaju veja http://visitearacaju.com.br/leitura/20, http://www.conhecasergipe.com.br/aracaju_pontos_turisticos.asp e https://www.feriasbrasil.com.br/se/aracaju/oqueverefazer.cfm. Os pontos de que mais gostei foram as construções e monumentos históricos e folclóricos, o estádio, os faróis, os parques, as praias, os rios e as histórias do Zé do Peixe e de Marcelo Deda.
      Na 4.a feira 07/08 tomei café da manhã com sanduíches. Choveu bastante de manhã. Fui conhecer a cidade. Peguei mapa gratuito em agência de turismo. Comecei caminhando pela orla e conhecendo suas atrações. Encontrei uma capivara numa pequena vegetação perto da praia. Visitei monumentos, áreas naturais, igrejas, museus, casas de cultura e arte, centros de artesanato, mercados regionais, Estádio Batistão, memoriais, mirante, faróis, Passarela do Caranguejo, Museu da Gente Sergipana (estava fechado e só vi os painéis de fora), Largo da Gente Sergipana e Espaço Zé do Peixe (já estava fechado, mas a atendente deixou-me visitar ao ver meu interesse). Gostei muito de conhecer a história de Zé do Peixe (https://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Peixe) 💙, que me pareceu um exemplo típico de brasileiro simples e generoso, que tinha habilidades destacadas e especiais. Participei de visita monitorada no Palácio Museu Olímpio Campos, antigo palácio do governo. Seguem fotos do Largo da Gente Sergipana.



      Almocei acarajé por R$ 5,00 em dinheiro. Passei pelo Projeto TAMAR mas não fiz a visita, pois era semelhante ao da Praia do Forte e eu já estava satisfeito com ele. Choveu levemente no fim da tarde. Voltei a pé pela avenida lateral ao mangue. Comprei leite e laranja por R$ 3,83 num supermercado no caminho de volta e pão, queijo coalho e tomate no mercado próximo do hostel por R$ 10,00, ambos com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo coalho, tomate e mamão, com laranja de sobremesa. Chegou ao hostel um grupo de pessoas de uma empresa terceirizada da Petrobras para monitoramento ambiental de encalhe de animais nas praias do norte da Bahia ao sul de Alagoas. Eles me deram bastante informações sobre as próximas etapas, a maior parte delas bastante precisas e úteis, que me ajudaram bastante. Carlinhos, que havia sido da equipe de operações especiais das Forças Armadas e era responsável pela área do sul de Alagoas, disse-me que em Alagoas minha caminhada iria ficar mais difícil e perigosa.
      Na 5.a feira 08/08 tomei café da manhã com sanduíches de pão, queijo coalho, tomate, mamão e laranja. Conversei com mulher de 70 anos que saiu do Rio por causa da violência, mudou para Cabo Frio e agora, pela mesma razão, estava mudando para Aracaju. Ela caçoou de mim que estava preocupada, pois todas as vezes que me via eu estava comendo (o café da manhã ou jantar). Fui inicialmente visitar o Farol Cotinguiba e os Parques do Cajueiro e Sementeira. O farol era grande, mas estava pichado. Porém mesmo assim achei-o interessante. O Parque do Cajueiro era pequeno, mas gostei de sua área verde e da vista do rio que o margeava. Um guarda da polícia ambiental veio falar comigo sobre eu estar com calção de banho no parque, que algum pai com criança poderia reclamar e que não era adequado naquele ambiente. Disse-me também para tomar cuidado à noite naquele local. Eu estava de calção de banho porque pretendia ir à praia depois. Gostei do Parque da Sementeira, com sua ampla área, trilhas, lago e seus vários ambientes. Achei interessante o plantio das várias sementes para o futuro por várias pessoas de vários perfis diferentes. Gostei também das homenagens a Marcelo Deda ☝️, cuja história não conhecia bem. Quando saí de lá, dei sinal para 3 ônibus e nenhum parou para mim (tentei mudar a aparência com a camisa dentro e fora do calção, encobrindo-o). Até perguntei para a recepcionista de uma empresa próxima se era por causa da minha aparência com calção de banho, mas ela respondeu que não, que deveria ser alguma coincidência. Decidi ir andando então até o terminal para pegar um ônibus até a praia mais distante, perto do rio, onde 2 dias antes eu havia pego o ônibus para chegar na Praia do Atalaia. No caminho, num ponto mais movimentado havia uma moça esperando o mesmo ônibus que eu pretendia pegar para chegar ao terminal. Aí decidi esperar com ela e o ônibus parou para o sinal dela. Ela ofereceu-se para pagar a minha passagem e antes que eu agradecesse e recusasse, passou o cartão para mim. Fiz baldeação no terminal e pedi para o motorista me deixar no ponto mais distante da praia pelo qual ele iria passar. Deixou-me na Praia do Mosqueiro. De lá fui até a Foz do Rio Vaza-Barris e vi a ponte que eu havia atravessado, numa bela imagem. Havia um farol perto da foz e foi possível ver caranguejos e peixes. Tomei um banho na junção do rio com o mar, num local bem manso, e comecei a caminhar de volta pela praia. Demorei cerca de 3h30 da foz até a Praia do Atalaia. A praia era bem comprida e a água continuava escura, mas mesmo assim tomei banho de mar. Cheguei perto do pôr do sol e um manauara que lá morava, indicou-me o ponto de saída para chegar na rua que levava ao hostel. Comi acarajé num ponto que o vendia lá perto por R$ 5,00 em dinheiro e depois comprei pão, queijo coalho e banana por R$ 8,44 com cartão de crédito. Jantei sanduíches de pão, queijo, tomate, banana e mamão. Havia chegado um pernambucano chamado João, que iria embora de madrugada. Boa parte do pessoal do monitoramento ambiental já havia ido embora, só tendo ficado Carlinhos e outro rapaz da Bahia, que eram dos pontos mais distantes. Com isso alguns detalhes dos trechos futuros eu acabei perdendo. Não houve chuva neste dia.
      Na 6.a feira 09/08 tomei café com sanduíches, leite, mamão e bananas. Levei 3 sanduíches e 1 banana para almoçar no caminho. Saí pouco antes das 8h. Fui beirando a costa. Passei em trechos com barro, que sujou os pés, grudou no chinelo e dificultou a caminhada. Mas logo consegui limpá-lo em poças de água de chuva. Vi trechos da cidade que não havia visto antes, como parte da orla após a área turística. Vi chuva forte à minha frente e moderada atrás, mas não houve chuva em cima de mim ao longo do dia. Levei um susto  quando repentinamente um homem saiu de dentro do mangue no momento em que eu iria tirar uma foto da ponte sobre o Rio Sergipe, mas aparentemente foi indevido, pois não houve nenhuma abordagem. Passei pela mini orla do Bairro Industrial e peguei a ponte. Uma foto da ponte segue.

      Achei muito boa a vista a partir da ponte. Uma parte dela, referente à parte da cidade de Aracaju está a seguir.

      Após cruzar a ponte e caminhar pela estrada, cheguei na Praia da Costa em Barra dos Coqueiros cerca de 12h30. Havia uma estátua de um caranguejo próximo à entrada da praia, parecida com a da Passarela do Caranguejo em Aracaju. Achei a praia longa e bonita. A água do mar continuava escura, parecendo barrenta. Tomei um banho de mar. Havia várias plataformas de petróleo ao longo do caminho. Vi também uma revoada de garças. Passei pelo Porto de Sergipe e por geradores de energia eólica. Pretendia ir até Pirambu, mas como atrasei muito em Aracaju, no barro e observando pontos que não havia visto, decidi parar em Jatobá, pois já estava indo para o fim da tarde. Enquanto procurava local para ficar, o zíper principal da mochila quebrou. Fiquei na Pousada das Mangabeiras (http://www.findglocal.com/BR/Barra-dos-Coqueiros/768962416519459/Recanto-das-Mangabeiras) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro sem café da manhã. Choveu um pouco à noite. Comprei pães por R$ 3,00 com cartão de débito e bananas por R$ 2,50 em dinheiro e fiz sanduíches com eles para o jantar.
      No sábado 10/08 houve chuva pela manhã. A dona da pousada ofereceu-me uma xícara de café com leite e um pão com margarina como cortesia, que aceitei. Saí então para comprar pães e vegetais para reforço do café da manhã e para o almoço. Paguei R$ 2,00 pelos pães com cartão de débito e R$ 1,70 por tomates e limões em dinheiro. Ao invés de fazer todo o caminho de volta pela rodovia para a praia, peguei uma estrada de terra que passava por dentro de um sítio. O dono, que estava trabalhando na beira da rodovia com uma foice, permitiu-me, dizendo que era local de passagem usado pelos moradores locais. Achei a estrada bonita, com lagos, vegetação e pássaros. No caminho encontrei um pai com seus 2 filhos a cavalo 🐎. Após chegar na praia rumei para Pirambu. Foi interessante ver vacas 🐄 pastando com o porto à frente e os geradores eólicos ao fundo. Pareceu-me um retrato da enorme diversidade do Brasil, nos mais variados sentidos. Achei a praia bonita, longa e reta. O mar pareceu-me bravo, mas não tanto quanto no norte da Bahia. Também já não era tão escuro. Comecei a caminhar perto de 9h30, cheguei na ponte do porto, por onde havia passado no dia anterior perto de 10h30 e em Pirambu perto de 13h30. Achei bonita a foz do rio que margeava a cidade e bonita a vista da cidade a partir da ponte. Antes de pegar a ponte passei na Comunidade Quilombola Porto da Barra. Depois de chegar na cidade de Pirambu visitei a Igreja Nossa Senhora de Lourdes, que também achei bela, incluindo uma estátua na praça. A cidade era típica do interior, com bode na rua. Agora, do outro lado do rio, a vista da foz pareceu-me muito bonita, com lagos, conforme fotos a seguir.


      Fiquei na Pousada Praia Bela (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Praia-Bela/183709241981804) pagando R$ 50,00 em dinheiro por quarto com banheiro. Comprei pães por R$ 4,00 com cartão de débito, e tomate e pepino por R$ 4,00 em dinheiro. Na padaria a máquina de cartões disse que a senha do meu cartão de crédito estava bloqueada, o que me deu um susto, mas se revelou falso na compra seguinte. Comprei também limões por R$ 1,02 pagos com cartão de crédito. Depois fui dar um passeio na praia e na foz do rio. Como o tempo estava com ameaça de chuva, que mais tarde veio, apareceram 2 arco-íris 🌈 muito bonitos sobre o mar. Achei o pôr do sol muito bonito com todo este cenário ao redor. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. Dois jogos de futebol de praia pararam para eu passar andando. Quando percebi, fiquei um pouco constrangido, fui em direção ao mar e disse que podiam continuar. A sede do projeto TAMAR para visitantes estava fechada, pois havia sido transferida para Aracaju. Consertei a mochila com corda de pesca pega na praia e linha que o dono da pousada me deu. Jantei sanduíches com o que havia comprado.
      No domingo 11/08 tomei café da manhã com sanduíches e preparei sanduíches para o almoço. Houve muita chuva de manhã. Saí por volta de 8h30 da manhã. Passei pela sede do Projeto TAMAR e confirmei que estava fechada. Vi uma possível plataforma de petróleo no mar. Pouco depois de iniciar a caminhada começou uma chuva de moderada intensidade 🌧️. Usei a capa de chuva pela 1.a vez na viagem para proteger a mochila e a mim. Depois de algum tempo a chuva passou e eu e a mochila estávamos razoavelmente secos. A maior parte do caminho foi pela praia da Reserva Biológica Santa Isabel. Achei muito bonita a paisagem da praia e da vegetação. Passei pela Lagoa Redonda, que achei muito bela. Seguem fotos dela.



      Encontrei uma família logo depois olhando uma possível água-viva ou similar, diferente das a que eu estava acostumado. O filho estava perguntando se dava choque. O pai logo a seguir pegou um siri 🦀 do chão para lhe mostrar e depois jogou no mar. Depois da Lagoa Redonda não encontrei quase mais ninguém. Ao longo do caminho foi possível ver aves, peixes, siris, várias lagoas e uma ampla área preservada com dunas e vegetação. Tomei 3 banhos de mar. O mar era bravo, verde em vários tons. Quando cheguei ao fim da praia, havia uma área elevada que permitia a vista da praia e da barra do rio, de que gostei muito. Uma foto do local segue.

      Havia árvores com garças lá. Não achei local para pernoitar na Boca da Barra. Fui perguntando e ninguém alugava quarto nem conhecia pousadas próximas abertas. Fui andando até Ponta dos Mangues e me indicaram o Tinha, que alugava quartos. Ele não estava e fui tentar outras opções enquanto esperava que ele voltasse. Não consegui nenhuma, voltei até a casa dele onde ele já havia chegado e lá fiquei por R$ 30,00 em dinheiro, num quarto privativo da casa dele com banheiro dentro. Ele me permitiu usar a cozinha e eu comprei espaguete por R$ 2,50 em dinheiro e cozinhei para o jantar com o resto dos legumes que possuía. Conversei com o Tinha sobre o povoado, a vida lá no presente e passado, e informações sobre a próxima etapa da viagem. Ele contou que o asfalto havia chegado em 1996 e logo depois chegou a água encanada e a energia elétrica, o que mudou muito a vida deles. Contou que os partos antes eram feitos por parteiras que iam às casas e quando era à noite usavam lampiões durante o procedimento. Houve muita chuva à noite.
      Na 2.a feira 12/08 comprei pães por R$ 3,00 em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Houve muita chuva ao amanhecer. Tinha falou-me que não dava para ir pela praia porque havia estourado uma barra no mangue (costinha), segundo seu irmão. Pouco depois seu irmão estava passando pela rua a cavalo e ele o indicou para mim. Fui até ele e ele confirmou. Despedi-me do Tinha e fui ao porto para confirmar uma última vez a informação e decidir se iria pela estrada ou arriscaria ir pela praia. No porto os barqueiros confirmaram e então decidi ir pela estrada rural, que passava pelo pantanal de Sergipe, que achei muito belo, onde havia pássaros (acho que até alguns tuiuiús), área de mata, pequenos povoados e propriedades rurais simples. Uma foto pode ser vista a seguir.

      Na estrada senti cheiro de flores, havia muitas poças de água por causa da chuva e gado em áreas alagadas das propriedades rurais. Saí perto de 8h e cheguei perto de 13h em Saramém. Edileusa, professora ou diretora da escola, permitiu-me ficar numa casa que ela alugava, mas que estava sem móveis dentro, nem cama tinha, e não quis cobrar nada 🙏. Ela me emprestou uma esteira para eu poder dormir em cima. Comprei legumes (chuchu, pepino, tomate, cebola, cenoura e limão) por R$ 4,25 e encomendei pães para a noite por R$ 5,00 na Mercearia da Jane, ambos pagos em dinheiro. Fui conhecer o porto e parte da orla do Rio São Francisco. Achei linda a vista da foz. Os habitantes locais orientaram-me sobre o caminho a seguir. Encontrei homem que criava camarões perto do fim da estrada pública e conversamos sobre a vida ali e o trabalho deles. Tomei banho no rio e achei a correnteza forte. À noite dormi na esteira no chão, em que tive dificuldade de achar uma posição confortável. Houve muitos mosquitos, posto que não havia ventilador. Provavelmente um cachorro arranhou fortemente a porta da casa durante a noite. O barulho e as músicas cessaram às 22h.
      Na 3.a feira 13/08 comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e tomei café da manhã com sanduíches. Arrumei a casa e devolvi a esteira e tudo mais para Edileusa que não quis aceitar pagamento nenhum. Ela me ofereceu lanche com batatas-doces cozidas, mas eu educadamente recusei. Fui então procurar uma forma de atravessar o Rio São Francisco. No dia anterior tinham-me dito que as vendedoras de cocada atravessavam o rio todas as manhãs e que eu poderia ir com elas. Mas antes apareceram algumas mulheres que iriam vender artesanato do outro lado e eu fui com uma delas e seu marido. Achei linda a foz do Rio São Francisco, vista do meio do rio. Dava também para ver o farol e o Povoado Cabeço, que o mar e o rio engoliram. O farol já estava bem rio adentro. O povoado tinha sido abandonado. Ainda bem que eu não fiz a caminhada pela praia no dia anterior, porque além da barra de mangue que havia estourado, eu não teria conseguido passar por ali. Paguei R$ 8,00 em dinheiro pela travessia, que era pouco mais da metade do que as vendedoras pagavam por ida e volta (R$ 15,00). Do outro lado da margem, já em Alagoas, achei a área linda, com coqueiros e lagoas. Seguem fotos de lá.



      Algumas pessoas esperavam turistas que viriam de barco para uma feira de artesanato. Houve uma chuva rápida e eu me abriguei num coqueiro. Depois caminhei em direção a Pontal do Peba. Achei lindo o trajeto pela praia, com dunas enormes em sequência, algumas somente de areia e outras com um pouco de vegetação. Encontrei uma tartaruga morta 🐢. Tomei banhos de mar. A água estava com aspecto verde-claro. Fiquei na Pousada O Samburá, de Dona Francisca, pagando R$ 60,00 em dinheiro por um quarto com banheiro interno e sem café da manhã. Assim que cheguei avisei Carlinhos, do monitoramento de animais, sobre a tartaruga morta, enviando-lhe a foto. Ele me falou para ir até a 1.a barraca da praia (Barraca Pôr do Sol) e encontrar Wellington quando estivesse chegando, mas eu respondi que já havia passado por lá e já estava instalado. De qualquer modo, perto do fim do dia passei por lá, não encontrei Wellington, mas deixei o recado com a barraca vizinha. Aproveitando que ainda era cedo, fui dar um passeio pelas dunas. Achei-o magnífico. Atravessei uma área na praia onde havia animais de criação e subi em uma delas. Depois andei por várias outras apreciando a paisagem do mar, da praia, de lagoas, das outras dunas, dos rebanhos bovino e caprino e do outro lado, em que havia uma plantação de coqueiros 🌴, além da vista que ia longe, mostrando bastante daquela região de Alagoas. A areia das dunas pareceu-me dura em vários pontos. Encontrei mais uma tartaruga morta e uma cobra do mar (ou peixe com formato de cobra) morta. Carlinhos disse-me que ali era uma área recordista em mortes de tartarugas marinhas. Comprei pães, queijada e legumes (tomate, cebola e banana) por R$ 9,66 com cartão de crédito para o jantar. Aproveitei e visitei a igreja. Interessante como a faixa de areia na maré baixa transformava-se em uma pista para motos, carros e até ônibus. Ao voltar para a pousada, conversei com o marido da Francisca, que estava insatisfeito com o Ibama e responsabilizava o povo pelas mudanças naturais que vinham ocorrendo. Jantei sanduíches.
      Na 4.a feira 14/08 tomei um banho de mar loga após acordar, pois a entrada da pousada era pela areia da praia. Tomei café da manhã com sanduíches. Comprei pães por R$ 2,00 com cartão de crédito. Parti rumo a Coruripe. Achei as praias muito bonitas, com muitos coqueiros. Tomei banho de mar. Havia várias pessoas pegando massunins (mariscos, moluscos) na beira do mar para comer. Houve chuva breve em alguns períodos pela manhã. A partir das 13h30 houve chuva contínua 🌧️, que engrossou em alguns momentos, o que se acentuou pelo vento. Num primeiro momento abriguei-me numa cabana de palha por algum tempo. Depois fui pela estrada a partir de Miai de Cima, porque várias pessoas locais, pescadores e moradores, disseram-me para não passar no mangue em Barreiras, pois havia um núcleo de tráfico de drogas e iriam incomodar-se com um estranho ou me assaltar. Ali havia um rio e eu precisaria cruzar o mangue para chegar à estrada. Achei bela a paisagem rural, tanto no pequeno caminho de terra como na rodovia principal. Havia canaviais e coqueirais intercalados. O mar tinha uma cor verde que achei linda. Achei bonitas as áreas verdes na periferia de Coruripe. A chuva persistiu no começo da noite. Fiquei na Pousada e Motel São João por R$ 30,00 com cartão de crédito, num quarto com banheiro privativo e TV. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro, laranja, tomate e batata-doce por R$ 1,21 com cartão de crédito e chuchu por R$ 1,00 em dinheiro para o jantar e café da manhã. Não pude cozinhar espaguete nem batata-doce porque a cozinha estava com roupas estendidas para secar e a responsável me disse que iria passar o cheiro para elas se eu cozinhasse. O atendente da tarde havia mostrado a cozinha para mim, que estava sem as roupas, e dito que eu poderia usá-la sem problemas. Nesta situação acabei jantando sanduíches.
      Na 5.a feira 15/08 comprei pães regulares e 2 pães de queijo por R$ 3,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã acrescidos dos pães de queijo, que achei deliciosos . Saí para ir até o outro lado da barra do rio por onde não havia passado devido ao problema da criminalidade. No caminho visitei Mirante da Imaculada Conceição e sua igreja. Fui até a praia do pontal e caminhei até a barra do rio. Achei a vista muito bela. Pena que não pude andar o trecho completo do outro lado por causa da criminalidade. Havia várias pessoas coletando massunins (mariscos, moluscos) na praia e, quando perguntei, disseram que poderia ir sem problemas até a margem do rio, mas que não era para atravessar devido à criminalidade. Comecei minha caminhada rumo às Dunas de Marapé perto de 10h. Achei as praias muito bonitas, curvas, com mar verde e coqueiros. Segue a foto da Praia de Minha Deusa em Coruripe.

      Disseram-me que havia possibilidade de cachorros 🐺 bravos soltos em uma casa na praia, mas aparentemente o dono os havia prendido naquele dia. Havia muitas rochas em vários trechos do mar, algumas cobertas com algas. Tomei banho de mar na barra de um rio (acho que era o Rio Poxinzinho). Verifiquei a possibilidade de travessia com a mochila e achei que não dava. Aí vi um casal pegando siris e gritei para eles. Achei que eles não me haviam ouvido e atravessei o rio a nado para conversar com eles. Mas eles me haviam ouvido e o homem já estava vindo em direção à canoa para me atravessar. Atravessei de volta a nado e o homem veio com a canoa atrás. Então atravessei com ele de canoa. Ofereci-lhe pagamento, mas ele não quis. Prossegui a caminhada e cheguei na margem do Rio Jequiá. Continuei achando as paisagens lindas, especialmente a do encontro do rio com o mar. Nadei novamente na foz do rio, que estava muito calmo e delicioso. Um barraqueiro e uma operadora de travessia do rio deram-me informações sobre a área. Pretendia hospedar-me ali, mas os valores eram altos, então resolvi ir até a cidade de Jequiá da Praia, a cerca de 4 km. Fui pela estrada, em que achei belas as paisagens rurais também. Lá fiquei na Pousada Thieta (https://www.facebook.com/pousada.thietadoagreste/timeline?lst=100005659626174%3A100004063516724%3A1570293269), da Rosângela, por R$ 40,00 em dinheiro, num quarto com banheiro e TV. Comprei pães por R$ 3,00, vegetais (tomate, laranja e pepino) por R$ 2,50, mais pães e uma brasileirinha por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Jantei sanduíches.
      Na 6.a feira 16/08 comprei pão por R$ 2,00 em dinheiro e comi sanduíches no café da manhã. Saí perto de 8h e comecei minha caminhada. Fui por uma estrada de terra enlameada, devido às chuvas recentes, até a praia. Achei bonitas as paisagens rurais, com pequenas propriedades nas laterais. Lembrou-me o livro e o filme São Bernardo, de Graciliano Ramos. Chegando na praia resolvi voltar até a barra do Rio Jequiá e as Dunas de Marapé, pois não havia passado por este trecho. O responsável pelo receptivo turístico existente no local deixou-me subir no mirante para apreciar a vista. Segue uma foto de lá.

      Saí rumo à Barra de São Miguel perto de 9h30. Ao longo do dia houve chuva intermitente, com períodos de média intensidade, que parecia mais forte devido ao vento vindo do mar. Achei as paisagens bonitas até a Lagoa Azeda, com vegetação e mar verde. Daí em diante começaram falésias que achei espetaculares. Talvez tenham sido as paisagens de que mais gostei na viagem. Seguem algumas fotos de falésias deste trecho.

       



       

       

      Fiquei encantando com a diversidade de formas, muitas que a mente podia livremente associar ao que desejasse, com as cores múltiplas nas várias camadas, o tamanho e a extensão das falésias, que se estendiam por quilômetros. Com a chuva, a paisagem ficava ainda mais bela, pois em alguns pontos escorriam sedimentos, tornando a coloração dinâmica e misturada. É como se em alguns trechos fosse um bolo seco e em outros um bolo com calda multicolorida escorrendo. Em alguns pontos havia corredores de entrada e se podia ir ver mais de perto as estruturas das falésias, como se fossem clareiras. Em alguns pontos havia lagoas combinadas com as falésias, o que tornava a paisagem mais bela. Num determinado ponto, a chuva apertou 🌧️ e eu me abriguei num barracão de uma fazenda, na beira da praia, uma aparente construção sendo feita, que ficava num trecho entre duas cadeias de falésias. Abriguei-me por mais de meia hora, admirando a lagoa que ficava a seu lado. Após a chuva amainar, continuei e passei por um trecho em que havia um local elevado nas falésias, em que era possível subir para admirar a vista. Segue a foto de lá.

      Pouco mais para a frente, já perto da Praia do Gunga, cruzei com muitos quadriciclos com turistas fazendo passeios. Eles vinham pela estrada lateral e eu pela areia da praia, perto do mar. Cheguei à Praia do Gunga perto de 16h30. Achei-a bonita e também bela a vista do outro lado do enorme rio. Tomei um banho de mar em sua foz, pois ao longo do caminho havia muitas pedras no mar e eu não quis entrar. Não fui ao Mirante do Gunga, pois teria que pagar R$ 3,00 e eu já estava muito mais do que satisfeito com as paisagens espetaculares vistas ao longo do dia. Peguei a estrada para ir à Barra de São Miguel, pois o rio era enorme e era necessário pegar a ponte. Achei bonita a paisagem rural e pude ver o pôr do sol a partir da ponte, que me pareceu lindo. Caminhei um pouco no escuro, talvez perto de duas horas. Havia muito movimento na estrada, provavelmente para Maceió. A chuva voltou e apertou. Já bem adiantado, cruzei com algumas moças e lhes perguntei quanto faltava. Uma delas riu e disse que no meu “andandinho” demoraria 1 hora, mas que se acelerasse chegaria em meia hora. Fiquei no Natu’s Hostel (https://www.natushostel.com) por R$ 49,00 com cartão de débito, sem direito a café da manhã. Comprei legumes (tomate, beterraba, chuchu) para o jantar e o café da manhã e bolacha para o café da manhã por R$ 5,59 com cartão de crédito. Quando estava indo para o supermercado, numa rua escura, bati o pé numa estaca  e caí. Só machuquei o dedo, pois me protegi da queda. Um carro que passava nem se importou com o ocorrido 😒. Jantei espaguete, batata-doce e legumes, sendo que os 2 primeiros já estavam a um bom tempo comigo, esperando a disponibilidade de um fogão. Conversei com Brasil, o dono do hostel, sobre minha viagem e locais de Alagoas e do Nordeste. Ele era vegano e fazia passeios personalizados exclusivos, por locais fora dos roteiros comuns. O hostel era voltado para preservação da natureza. Havia um cachorro 🐕 salsicha muito amoroso. Eu notei que perdi o pente, provavelmente o tinha esquecido na Pousada em Coruripe.
      No sábado 17/08 nadei na piscina do hostel logo após acordar. Depois tomei café da manhã com legumes e bolachas. Dei uma volta pelo hostel para conhecê-lo e saí perto de 9h. Comecei indo até a praia de onde se avistava a Praia do Gunga do outro lado do rio. Depois voltei e fui rumo a Maceió. Em vários pontos da caminhada havia trechos em que na maré baixa recifes ou rochas represavam o mar e quebravam a força das ondas, formando piscinas naturais. Achei as praias bonitas, com muita gente em alguns pontos, como na Praia do Francês. Comprei R$ 2,00 em pães para o almoço com dinheiro. Não consegui atravessar a 1.a lagoa andando. Tentei ir pelo mangue, mas na borda vi que não dava. Fui pela pista e pela ponte, da qual achei a vista muito bela. Tentei circundar a orla entre a 1.a e a 2.a lagoas, mas a maré alta impediu a partir de um certo ponto. Então fui pela avenida da orla e peguei a estrada para Maceió. No início o acostamento era na parte central da estrada. Achei interessante a paisagem com vegetação e áreas rurais, apesar do enorme movimento da estrada. Gostei muito da vista a partir da 2.a ponte, já na chegada a Maceió. Na avenida da orla de Maceió estava havendo uma corrida do exército, com muitos participantes e trânsito parcialmente interditado. Havia uma enorme instalação da Braskem na orla. Achei a orla bastante extensa. Fui em direção à Praia de Pajuçara. Lá perto um rapaz localizou pelo celular o hostel em que eu pretendia ficar. Fiquei no Paju Hostel (https://www.facebook.com/pajuhostel-107380930640086) pagando R$ 25,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. No quarto estava um capixaba que fazia curso de cozinheiro embarcado, um paulistano que escrevia sobre pontos turísticos pouco conhecidos da cidade de São Paulo e mais um outro. Havia também uma família em outro quarto. Comprei vegetais (pepino, abobrinha, beterraba, chuchu, mandioca e banana) e macarrão por R$ 8,22, e pães por R$ 2,00, ambos com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes. banana e pães doces de sobremesa. Achei o efeito do ar-condicionado do quarto bem forte  e a ventilação dele vinha diretamente em cima de mim, que estava na cama alta do beliche. Usei agasalho para dormir.
      Para as atrações de Maceió veja https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303216-Activities-Maceio_State_of_Alagoas.html e https://guia.melhoresdestinos.com.br/o-que-fazer-em-maceio-143-1505-p.html. Os pontos de que mais gostei foram as praias, os itens culturais, folclóricos e históricos, os mirantes e a orla.
      No domingo 18/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel, que achei excelente  pelo preço (macaxeira, cuscuz, tapioca de coco, ovos, pão com margarina e queijo, mamão, melancia, sucos de manga e abacaxi, e iogurte). Saí para passear, peguei mapa turístico gratuitamente no quiosque, visitei Memorial Teotônio Vilela, vi as estátuas (Paulo Gracindo etc) e passei pelas jangadas com suas velas estilizadas com vários temas. Seguem fotos de algumas delas.

       

      Seguindo, li e apreciei a história e os desenhos no muro sobre a personagem folclórica Jaraguá, que era um fantasma com caveira de cavalo, protetor da natureza. Em seguida fui andar pelas praias até o extremo sul, onde era o encontro da lagoa com o mar, de onde eu tinha vindo, mas por onde não tinha passado, pois havia pego a estrada. Achei as praias muito boas. Fui tentar visitar a Estação Ecológica da Braskem que havia visto no dia anterior, mas estava fechada. Depois da ponte as praias estavam quase desertas, com uns poucos banhistas e pescadores. Havia uma enorme área da Marinha abandonada. Achei a lagoa muito bonita, agora vista do outro lado. Pude ver o trecho pelo qual havia passado no dia anterior, o ponto antes da 1.a lagoa em que tinha tentado atravessar pelo mangue e as partes em que não tinha podido andar por causa da maré alta. A distância até o outro lado pelo mar era pequena, bem menor do que a que eu tinha andado pela estrada. Tomei um banho delicioso na lagoa, porém afastando-se da margem a correnteza tornava-se forte. Tomei também um banho de mar. Voltei pela praia e já perto da área mais central saí para visitar o Memorial à República, o Museu Antropológico e Folclórico Théo Brandão, capela e praças. O museu tinha muitas imagens e itens e achei bastante interessante ☝️. Ao longo do dia vi as estátuas (leão, sereia e boi) nos diversos pontos da orla. Visitei também a feira e o pavilhão de artesanato. O mar ficava com uma cor verde linda ao entardecer . À noite voltei para dar um passeio na orla e vê-la com iluminação noturna. Jantei espaguete com legumes e banana.
      Na 2.a feira 19/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel (cuscuz, pão, margarina, queijo, leite, Nescau, mamão, melancia, sucos de goiaba e outro). A cozinheira estava de folga, então não havia tapioca nem ovo. Fui conhecer o bairro histórico do Jaraguá e o centro. Visitei Museu da Imagem e do Som, Museu do Antigo Palácio de Governo, igrejas, mirantes, praças e monumentos. No bairro do Jaraguá havia várias casas e construções antigas. Na Igreja do Rosário dos Pretos pediram para que eu saísse por causa do calção (que não era de banho), após o atendente da loja ter autorizado a entrada depois de eu pedir várias vezes. Nas outras igrejas deixaram-me entrar sem problemas. Achei interessante a Igreja do Bonfim, com parte de seu formato circular. Achei a vista a partir dos mirantes muito boa, da orla, da costa, da lagoa, da cidade, do estádio e da vegetação mais distante. Passei por murais com história de pessoas famosas nascidas em Alagoas, algumas das quais eu não sabia que eram alagoanas. À tarde caminhei na orla runo ao norte, até o fim da quilometragem marcada para ciclistas e pedestres em Jacarecica (8,2 km). No caminho passei por um farol que com maré alta ficava parcialmente dentro do mar, passei pela Praça Coqueiro Gogó da Ema, que tinha a foto do antigo coqueiro, passei por uma linda lagoa, onde crianças nadavam e mais adiante desviei um pouco para conhecer o Corredor de Artes, que tinha estátuas e esculturas relacionadas a alagoanos, com respectivas explicações. Achei o mar verde e lindo. No fim do caminho tomei um banho de mar. Na orla havia muitos prédios modernos, sofisticados e altos. Na volta esperei o pôr do sol para ver a orla à noite. Gostei da vista das várias partes da orla durante o dia, no pôr do sol e depois de escurecer. Jantei espaguete com legumes, banana e bolacha oferecida pelo hostel como sobremesa. Conversei com André, o capixaba que estava fazendo o curso para ser cozinheiro embarcado, sobre as condições e dificuldades de trabalho embarcado e a diferença de ganho em relação aos cozinheiros regulares de restaurantes. Como 2 hóspedes do hostel haviam ido embora, mudei de cama e o vento do ar-condicionado não vinha mais diretamente em mim, o que tornou a noite mais agradável.
      Na 3.a feira 20/08 tomei o café da manhã ofertado pelo hostel igual ao do 1.o dia (domingo), substituindo alguns itens por outros. Saí perto de 8h30 depois de me despedir de todos. Fui caminhando pela areia. Quando fui tirar fotos das jangadas ouvi comentários de alguns que lá estavam, talvez jangadeiros ou trabalhadores relacionados à praia, provavelmente invejando a minha vida, achando que era só fumar maconha. Quando tirei o celular da mochila também comentaram e pareceram achar que os andarilhos haviam entrado na era digital 😀. Achei a vista da praia e da orla muito boas. A cor verde do mar parecia linda. Passei por vários rios, todos com a água abaixo da coxa, a maioria na canela, pois a maré estava baixa. Vi várias estátuas no caminho, como a da sereia com golfinho, a de Netuno e a da sereia no recife. Segue uma foto da Praia do Mirante da Sereia.

      Uma cobra do mar que estava no caminho me deu um bote quando passei perto dela, mas não me atingiu. Perguntei mais tarde a um habitante local e ele me disse que não era venenosa. Havia várias armadilhas para peixes no mar. Quando cheguei a Paripueira, uma catarinense de Bombinhas, que estava acompanhando familiares em um grupo de mais idade, tomou conta da minha mochila enquanto eu tomava um banho de mar. Agnaldo, que estava recolhendo as cadeiras de praia, indicou-me a Pousada Pantanal como a mais barata do local. Aí pesquisei uma outra, mas realmente fiquei lá (https://www.facebook.com/pages/Pousada-Pantanal/712112815506454), por R$ 30,00 em dinheiro num quarto com banheiro e TV, sem café da manhã. Comprei pães, brasileirinha e bolo de milho por R$ 6,50, legumes (tomate, chuchu, berinjela e cenoura) por R$ 2,80, ambos com cartão de crédito, e mamão por R$ 1,00 em dinheiro. Fui até a praia após o entardecer para ver as estrelas e o mar noturno, que achei lindos. Visitei a igreja, que estava em restauração. Perguntei a um homem sobre ida a Barra de Camaragibe e ele me deu instruções. Pouco depois, quando andava numa rua escura lateral à praia, ele parou de moto a meu lado e me deu um susto . Perguntou se lembrava dele e aí eu o reconheci. Ofereceu-me R$ 20,00 para comprar comida durante o trajeto, eu agradeci e recusei. Andei um pouco pela orla e pela areia, mas o lugar estava deserto, sem movimento. Voltei para a pousada e jantei sanduíches, mamão, pães doces e a brasileirinha.
      Na 4.a feira 21/08 tomei café da manhã com sanduíches e pães doces. Saquei dinheiro do Bradesco e comecei a caminhada perto de 9h15. O dia inteiro foi de sol. Achei as praias belas. A cor da água do mar foi mudando de verde para azul e depois para escura. Encontrei um capoeirista e seu amigo caminhando pela praia. Um cachorro preto latiu para mim e ameaçou atacar-me, mas uma mulher que estava no mar pescando ou coletando seres marinhos, chamou-o aos gritos e ele obedeceu e foi até ela dentro do mar. Cruzei rio raso e depois peguei ponte em Barra de Santo Antônio. Achei a vista a partir da ponte muito bonita. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, o primeiro num local quase sem ondas de mar verde. Havia vários trechos com pedras. Havia também vários pontos com armadilhas para peixes no mar. Várias pessoas estavam na areia separando os peixes pegos. Vi várias vezes barcos sendo movidos com toras cilíndricas de madeira embaixo, o que já tinha visto em dias anteriores também. Na Praia do Carro Quebrado vi 2 fuscas e uma Kombi em decomposição. Cruzei a Barra do Camaragibe de barco com 2 paulistas, 1 catarinense e 2 alagoanos, pagando R$ 2,00 em dinheiro. Achei a vista durante a travessia muito bonita. Achei também a Barra do Camaragibe muito bonita. Mara ofereceu casa do seu filho para eu ficar por R$ 30,00, mas a casa não tinha luz nem descarga. Preferi então ficar na Tiriri Guest House (http://www.tiririguesthouse.com), pertencente ao João pagando R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo e TV a cabo e com direito a café da manhã. Comprei pães na padaria por R$ 4,00 em dinheiro e depois a dona ofereceu-me rocambole e torta de doce de leite, que não consegui recusar, pois quando levantei a cabeça após pegar o dinheiro da carteira ela já os tinha colocado num saco e me estava oferecendo. Até falei “não” agradecendo, mas ela fez uma cara de decepção e perguntou porque eu não aceitava, que resolvi aceitar. Comprei também tomate, chuchu e limão por R$ 2,75 com cartão de crédito. Jantei sanduíches. Apreciei a vista noturna a partir da sacada da pousada. Esqueci de apagar a luz do restaurante que João havia pedido antes de dormir.
      Na 5.a feira 22/08 tomei o café da manhã oferecido pela pousada com frutas (manga, abacaxi, banana, melão e mamão), pães, manteiga, geleia, requeijão e suco. Saí por volta de 8h45. Achei as praias bonitas. A cor do mar voltou a ser verde. Atravessei o Rio Tatuamunha andando. Fiz um teste sem a mochila que foi bem-sucedido e voltei nadando. Achei a água deliciosa. Atravessei pela 2.a vez com a mochila e desta vez estava bem mais raso, o que mostra como pouco tempo de maré baixando pode fazer grande diferença. No encontro do rio com o mar, a cor da água de um lado era verde e de outro era azul. Uma foto desta área pode ser vista a seguir.

      O tempo virou e ocorreu uma pancada de chuva quando eu passava por Porto de Pedras. Devido a isso, como eu queria aproveitar bem o trecho até Maragogi, resolvi ficar ali aquele dia. Fiquei na Pousada Águas Belas, do Eliel. Paguei R$ 50,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo sem direito a café da manhã. Aproveitei a tarde então para conhecer o Mirante do Farol, a igreja matriz, a fonte masculina, a orla e a capela histórica. No farol, Dinho deu-me informações históricas e culturais sobre a área. Tomei um banho de mar no caminho e outro no povoado, achei o mar calmo e boiei. No entardecer a chuva voltou, com picos de maior intensidade, mas na média ficou leve e prosseguiu assim à noite. Vi 2 arco-íris no céu. Comprei pães nas padarias por R$ 4,00 em dinheiro. Jantei sanduíches e pães doces. À noite vi um jogo de futebol no campo local ⚽.
      Na 6.a feira 23/08 comprei pães por R$ 3,00, tomate e banana por R$ 1,75, todos pagos em dinheiro e tomei o café da manhã com sanduíches. Depois peguei a balsa gratuita para Japaratinga. Comecei a caminhada perto de 9h e cheguei em Maragogi perto de 13h. Antes de começar o caminho voltei até a margem do rio pela praia e andei um pouco nela, quase dando a volta e chegando onde havia desembarcado da balsa. Achei as praias muito bonitas, com mar verde. Atravessei 2 rios com maré baixa e água abaixo do joelho. Uma moça falou-me que um homem havia sido encontrado morto no mangue e eu decidi atravessar um dos rios para não cruzar o mangue em direção à ponte nem voltar um trecho para sair na rua que continuava para a ponte. Em Maragogi fiquei no Mandala Hostel (https://www.facebook.com/Mandalahostelmaragogi) pagando R$ 22,00 a diária em dinheiro por uma cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci a argentina Jamilia, que estava indo para Porto de Galinhas, o baiano Rômulo, que viajava de moto, tinha sido da Marinha e morava em Campina Grande, a mineira Késsia, que viajava 2 semanas de férias pelo nordeste, a mineira aposentada Sílvia e um casal de chilenos, de férias no Brasil. Aproveitei que era cedo e fui visitar o Mirante do Cruzeiro. A melhor vista era a partir de uma pousada e era necessário pagar uma pequena taxa. Eu não tinha levado dinheiro e o atendente me disse que havia uma área atrás do muro de onde se podia ter uma boa vista. Fui lá e concordei com ele, achando a vista muito bela, das várias partes da costa ☝️. No caminho de subida, que fiz dando enorme volta pela estrada, pude ver paisagens de coqueiros, de que muito gostei também. Na volta descobri que havia um caminho alternativo descendo por uma rua de terra que era muito mais curto. Quando descia conversei com um homem que trabalhava na construção de sua casa e que havia mudado para lá. Ele tinha gostado de lá e me falou da região. Depois de descer ainda tomei um banho de mar, deixando as roupas com um casal de argentinos, e depois fui conhecer uma área de artesanato e andar pela orla. Apreciei o entardecer à beira-mar. Comprei espaguete, tomate, chuchu, pepino, abóbora, cenoura e mamão por R$ 7,98 com cartão de crédito e 1 brasileirinha por R$ 1,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e a brasileirinha. À noite eu, Rômulo e Késsia fomos passear na orla. Neste dia comecei a sentir dor em uma das pernas , na região da canela.
      Para as atrações de Maragogi veja http://www.maragogi.tur.br/ e https://maragogionline.com.br. Os pontos de que mais gostei foram as praias, o mar verde e a vista a partir do mirante.
      No sábado 24/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, pão, queijo, manteiga, banana assada, melão, mamão, abacaxi e 2 tipos de bolos)  e fui caminhando até as praias do Antunes e do Xaréu. Atravessei o rio logo na saída do centro de Maragogi com água no peito, pois a maré estava alta. Em determinado trecho tive que ir pela rua, pois com maré alta não era possível passar. Mas após andar cerca de 15 minutos a meia hora voltei à praia. Acabei ficando sentado o maior tempo na Praia do Xaréu admirando o panorama. Segue uma foto dela.

      Alguns destes barcos na foto ficavam tocando músicas com som alto e provavelmente forneciam algum tipo de serviço, pois várias pessoas iam caminhando até eles. Ficavam um pouco distantes da praia, mas isso não intimidava os interessados. Tomei 2 banhos de mar e achei a água deliciosa. O mar continuava com a cor verde que eu achava linda. Voltei no entardecer e com a maré baixa foi possível fazer quase todo o caminho pela areia à beira-mar. O rio perto do centro atravessei com água perto da canela. Apreciei o entardecer a partir da praia. Jantei espaguete com legumes acrescido de arroz, que Jamilia havia deixado antes de ir embora, cravo e queijo ralado, que me deram no hostel. Para sobremesa comi mamão. Durante o jantar o chileno sofreu muito para abrir um coco com uma faca comum e concluiu que era melhor pagar R$ 5,00 do que fazer aquele esforço. Conversamos sobre a viagem deles, o Chile, o Brasil e várias coisas. À noite dei novamente um passeio na orla. Chegou Evelin de SP e um baiano. Rômulo e Késsia foram embora. Despedi-me da gerente Gerline, que não trabalharia no domingo, quando ela foi embora à noite.
      No domingo 25/08 tomei o café oferecido pelo hostel igual ao do dia anterior, sem a banana e sem um dos bolos, conversei com casal de Jundiaí (Mairon e mulher) sobre dicas de viagem e com Marcelo sobre Caminho de Santiago. Eles também haviam chegado para ficarem no hostel. Saí perto de 9h15. Atravessei o rio perto do centro com água na cintura. Reencontrei Mairon, mulher e Evelin na Praia do Antunes, onde ele disse que talvez fossem. Achei lindo o mar verde até o fim de Alagoas . Atravessei rio com água abaixo da cintura na divisa entre Alagoas e Pernambuco. Atravessei outro rio com água na cintura depois de São José da Coroa Grande. O mar continuava verde e eu continuava achando o mar e as praias lindos. Na barra do Rio Una fui até o Povoado do Abreu. No caminho havia uma ponte de tábuas de madeira com um buraco no meio, o que fazia que algumas meninas que provavelmente queriam ir para a praia estivessem com medo. Passei, disse-lhes que dava para passar com cuidado e elas foram. No povoado encontrei barqueiros que me poderiam levar para o outro lado do rio. Alecsandro levou-me até a 2.a barra do rio, pois disse que havia estourado uma barra, com a ajuda da própria população, devido às enchentes, e que se apenas atravessasse a 1.a barra eu ficaria preso entre as duas. A viagem de barco foi bela, com bonitas paisagens do mangue, da vegetação, do rio e das praias. Seguem fotos do trajeto.



      O barco encalhou 2 vezes em bancos de areia. Choveu um pouco durante o trajeto. Ele trabalhava com construção durante a semana e fazia passeios nos fins de semana. Quando chegamos vimos que a 2.a barra não estava tão grande e teria dado para eu atravessar. Mesmo assim foi prudente a decisão dele de me levar até lá. Paguei R$ 10,00 em dinheiro pela travessia. Prosseguindo caminhei pelas praias até Tamandaré, sendo que algumas tinham trechos com pedras, mas só uma vez tive que sair da areia para dar a volta por trás delas. Segue uma foto da Praia do Porto no caminho.

      Na ponta desta praia havia pedras enormes, onde alguns pescavam. Achei o mar bravo neste trecho. Já chegando em Tamandaré atravessei o Rio Mamucabinhas com água abaixo dos joelhos. Cheguei no entardecer (no litoral de Pernambuco escurece cedo) e fiquei na Pousada São João, do proprietário João, pagando R$ 40,00 em dinheiro por um quarto com banheiro privativo. Comprei pães, tomate, pepino e laranja por R$ 5,02 com cartão de crédito e os jantei. Encontrei um condicionador de cabelos provavelmente deixado por algum hóspede no banheiro e o utilizei, pois meu cabelo estava totalmente desalinhado devido à falta de pente. Entrou água da chuva no quarto à noite e molhou o travesseiro.
      Na 2.a feira 26/08 comprei pão por R$ 3,00 e tomate e banana por R$ 2,00, tudo pago em dinheiro. Tomei o café da manhã com isso. Saí perto de 8h. Houve algumas pancadas de chuva ao longo de todo o dia. Achei as praias muito bonitas ao longo de todo o caminho. Na Praia de Carneiros havia peixes coloridos e escuros 🐟. Uma foto desta praia segue.

      Visitei a igreja histórica e depois Édson atravessou-me de lancha, cobrando R$ 15,00 em dinheiro. Contou-me que antigos donos da fazenda onde atualmente é Carneiros estão enterrados na igreja histórica, que é do século 18. Achei muito bela a vista durante a travessia. Após a travessia encontrei trechos com pedras em que não consegui passar com maré alta. Subi pela encosta e peguei a estrada. Achei bonita a paisagem rural. Mais à frente voltei à praia e fui pela areia até a Barra do Sirinhaém. Continuei achando as praias lindas. Quando cheguei na barra peguei um barco de linha por R$ 2,00 em dinheiro para fazer a travessia. Na saída houve uma revoada de garças 🕊️ e gostei bastante da paisagem vista durante a travessia. Do outro lado o segurança disse-me para ir pela praia até onde conseguisse e depois pegar a rua dentro do condomínio à beira-mar. Quando saí da praia o segurança André acompanhou-me gentilmente pela rua do condomínio até a portaria e me disse que eu conseguiria voltar para a praia mais à frente, pedindo autorização para algum proprietário de sítio. A estrada pareceu-me ter uma bela paisagem rural. Pedi autorização a um caseiro, ele concedeu e passei por dentro de seu sítio para voltar à praia. Continuei achando as praias lindas. Passei por extensa área com água rasa. Cheguei à Barra do Maracaípe pouco antes do entardecer e ainda havia barcos fazendo a travessia. Mas perguntando a pescadores antes, disseram que poderia atravessar andando. Vi uma mulher num banco de areia no meio do mar e resolvi ir até onde ela estava. Ela não sabia se era possível atravessar para o outro lado, pois não era dali. Havia 2 pescadores por ali e perguntei para eles, que também não sabiam, pois também não eram dali. Mas eles disseram que iriam verificar, entraram no trecho e me disseram que dava para ir. Eu fui por onde eles indicaram e a água não passou do peito. Segue uma foto desta área.

      Quando já estava na estava Praia de Maracaípe, um cachorro invocou com um homem, mas acabou ficando só na ameaça e ele não atacou. Fiquei no Palawan Hostel (https://www.facebook.com/palawanhostel), de Hugo e Ayanna, com sua filhinha recém nascida e seu cachorro Chico. Paguei R$ 30,00 em dinheiro por cama em quarto compartilhado, com direito a café da manhã. Lá conheci o belga Joseph, que viajava pelo Brasil e iria para SP. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro e espaguete, batata-doce, chuchu, pepino e banana por R$ 5,36 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Esta praia era extensão de Porto de Galinhas.
      Na 3.a feira 27/08 tomei o café da manhã oferecido pelo hostel (cuscuz, ovo, melão, mamão, pão, margarina, leite com Nescau e bolachas). Saí às 8h30 para tentar ainda pegar maré baixa e ver peixes nas piscinas perto do centro de Porto de Galinhas. Havia muitos peixes (coloridos e escuros, pequenos e maiores) perto da praia, nas rochas ou recifes. Fui nadando até as piscinas 🏊‍♂️, pois a maré já havia subido um pouco, mas voltei porque estava sem chinelo, depois de perguntar a um barqueiro se era permitido e ele me responder que sim, mas me alertar quanto a usar chinelo naquela área devido aos ouriços. Resolvi então caminhar pelas praias no sentido norte. Andei por todas até o fim, incluindo um bom trecho da margem do rio que fazia a divisa com o Porto de Suape. Achei-as muito bonitas, cada qual a seu modo. A Praia de Muro Alto, a última antes do rio, represava a água do mar. Já a Praia de Cupe tinha mar bravo. Atravessei um trecho com água um pouco abaixo da cintura e me surpreendi com um sorveteiro que atravessava o mesmo trecho com seu carrinho. E ele teve sucesso. Achei bem interessante a vista do Porto de Suape e do rio que o separava das praias de Porto de Galinhas. Tomei banho de mar. Na volta havia uma água-viva na areia e algumas argentinas tentaram jogá-la no mar, para ver se sobrevivia. Elas não conheciam águas-vivas. Aproveitei para dar um passeio pelo centro de Porto de Galinhas e conhecer as praças, artesanato, obras de arte a céu aberto, capela e Projeto Eco das Tartarugas Marinhas por fora. Ocorreram pancadas de chuva no fim da tarde. Abriguei-me numa barraca numa das praças à beira-mar. Com isso acabei voltando no escuro pela praia para o hostel, um trajeto que durava cerca de meia hora. Comprei pães por R$ 2,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, banana e pão doce. Josepth foi embora de manhã. Casal de donos do hostel tinha passado a noite anterior em claro (até as 3h da manhã) porque filha de 2 meses precisou ir à Emergência por estar com cólicas. Pedi-lhes para que o café da manhã do dia seguinte fosse perto de 11h, pois pretendia acordar cedo para ir ver os peixes nas piscinas naturais do centro e queria estar de estômago quase vazio para nadar se fosse necessário. Eles agradeceram, pois poderiam dormir mais 😀.
      Na 4.a feira 28/08 comi 2 pães comprados no dia anterior e saí perto de 6h50 para ver as piscinas naturais na maré baixa. Chegando lá no centro, peguei uma pulseira com a equipe municipal de meio ambiente. Com a maré baixa era possível ir andando, com a água chegando ao peito. Na borda das piscinas subia-se numa elevação rochosa ou de recifes e aí havia uma área com rochas ao lado de piscinas de água do mar. Vi muitos peixes 🐠, dos mais diversos tipos e tamanhos, coloridos, azuis, listrados, vermelhos, escuros, minúsculos, pequenos e maiores, vi também ouriços e uma espécie de centopeia laranja. Havia uma piscina que tinha formato semelhante ao mapa do Brasil e uma outra em que era possível nadar junto com os peixes. A água estava um pouco fria, pois o dia estava nublado. Houve uma pancada de chuva após voltar das piscinas para a praia. Depois de ficar lá e nas imediações por mais de 2 horas voltei para o hostel para tomar café da manhã. O casal já estava acordado e parecia bem disposto. Sua filhinha estava melhor. O café oferecido foi ovo frito com tomate, mandioca, pães, margarina, manteiga, bolacha e leite com Nescau. Passei pelo Projeto Hipocampus, mas não entrei, só apreciei de fora. Fui visitar o Atelier do Carcará 👨‍🎨 e conversei com Gilberto Carcará sobre sua filosofia de trabalho, história e obras. Achei bonitas suas esculturas e interessante sua ideia de arte com sustentabilidade. Ele me falou que havia uma exposição de suas obras “galinhas” na Alameda das Sombrinhas, no centro, e mais tarde fui ver. Falou-me também de um farol sendo construído por um dono de restaurante que seria um ponto turístico servindo como mirante e também fui ver a construção. Achei bonito o caminho ao lado do lago para chegar no seu atelier. Após voltar ao centro, visitei e gostei também da capela, em que esperei para poder entrar devido ao horário. Pareceu-me linda, recente e simples ⛪. Havia uma pequena plataforma na areia da praia, talvez de uso de salva-vidas, e aproveitei para subir e apreciar a vista a partir dela, que me pareceu muito boa. Então fui até o Pontal do Maracaípe para ver o pôr do sol. Antes caminhei um pouco na margem do rio até onde o mangue me permitiu para apreciar sua paisagem. Achei bela a vista do rio, principalmente no entardecer, e bonito o pôr do sol, apesar da nebulosidade. Comprei batata-doce e pepino por R$ 1,40 e pães por R$ 1,00, tudo em dinheiro. Jantei batata-doce, pepino, chuchu e pães doces.
      Na 5.a feira 29/08 tomei o café oferecido pelo hostel com pão, queijo branco, batata-doce, melão, mamão, bolacha e leite com Nescau. Saí perto de 8h30, saquei dinheiro e fui rumo a Cabo de Santo Agostinho. Fui pela praia até o Atelier do Carcará. Antes de sair da praia tomei um banho de mar. Depois peguei a estrada, com o lago e o mangue de um lado e propriedades rurais e vegetação do outro, cuja vista continuei achando bela. Passei por um acidente em que havia uma mulher deitada no chão e uma moto caída e a mulher falava que estava doendo muito. Esta cena me fez chorar 😢. A polícia já estava lá isolando a área. Só fui cruzar com a viatura do SAMU, que imagino iria socorrê-la, mais de meia hora depois 😒. Passei por Ipojuca e aproveitei para visitar a Praça do Baobá, onde havia uma enorme árvore deste tipo, e também a Igreja Nossa Senhora do Ó. Depois de cruzar a cidade peguei a estrada normal e depois a pedagiada. Achei uma banana verde no chão da estrada e comi. Errei o caminho. O mapa que eu havia visto me indicava para virar à direita num trevo, mas provavelmente eu não poderia caminhar muito naquela direção se tivesse virado, pois vários me disseram que era a entrada do porto e não poderia prosseguir. Segui em frente então e mais à frente perguntei a um rapaz que vendia lanches. Ele viu no GPS o novo trajeto, deu-me 2 opções e eu segui a que achei em que não iria me perder. Virei à direita onde haviam indicado e numa bifurcação logo após perguntei a um homem que vinha caminhando. Ele me indicou o caminho contrário ao que eu acreditava ser correto e vendo minha dúvida perguntamos a Fia e seu amigo que vinham voltando do trabalho. Eles me disseram que iriam para muito perto de onde eu estava indo e se dispuseram a ir comigo. Eu os atrasei, pois estavam de bicicleta e eu não conseguia ir muito rápido devido à dor na perna, que ainda continuava. Em alguns trechos Fia levou minha mochila e seu amigo me levou sentado na bicicleta 🚲. Ele sofreu em algumas subidas. A paisagem me pareceu bonita. Pegamos uma trilha muito bela no meio da mata e Fia me deixou no povoado de Suape. Dali para Nazaré, onde eu pretendia ficar, era bem próximo. Fui até lá e fiquei no Hostel Mujeres com Alas (https://www.facebook.com/mujeresconalasnazare) da Mary (ou Mere), pagando R$ 45,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado, sem café da manhã. Mas só havia eu no hostel como hóspede. Ela disse que aceitava homens após eu perguntar. Depois de me instalar ainda fui até o mirante atrás do farol apreciar a vista noturna. Apesar de um pouco escuro, ainda me pareceu bela, com destaque para as luzes dos povoados e navios 🚢. Então fui comprar mantimentos. Achei muito boa também a vista da descida de Nazaré para Suape, que acho que era do porto e de empresas vinculadas. Comprei espaguete, pães e leite por R$ 7,70 com cartão de crédito, tomate, cenoura, chuchu, pepino e mamão por R$ 9,50 em dinheiro e pães por R$ 3,00 em dinheiro. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces. Conversei com Mary sobre sua origem boliviana, sua família, sua vida no Chile, Niterói e agora ali e suas experiências com hóspedes passados.
      Na 6.a feira 30/08 tomei café da manhã com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Antes de eu sair pela manhã houve uma pancada de chuva e depois abriu o tempo. Aproveitei para passear por dentro do hostel e apreciar sua decoração interior, com fotos e itens de arte. Mary explicou-me sobre as trilhas e esboçou um mapa. Ela me levou pessoalmente para ver a entrada de 3 trilhas. Comecei conhecendo a igreja histórica, o convento e cemitério, vendo-os da porta. Fui ao farol atual e respectivo mirante. Achei a vista muito boa também durante o dia. Depois desci até o farol antigo e a Casa do Faroleiro. Gostei da vista também. Lá raspei a perna de leve. Depois vi ruínas da capela, Forte, Bica da Ferrugem e ruínas do quartel. Dois rapazes que estavam caminhando pelo forte explicaram-me o caminho para a Bica da Ferrugem e as ruínas do quartel. Dali fui à Praia do Paraíso, em que havia muitas pedras, quase sem faixa de areia. Subi a escada, passei pela ponte e fui à Praia do Suape, que achei boa, com mar bravo. Segui por ela até o rio ou canal que a separava do porto. Achei bonito o encontro do mar com o rio ou canal. Andei um pouco pela margem do rio ou canal e depois voltei, passei de novo pela praia e peguei a trilha para Nazaré de que a Mary tinha falado. No caminho havia outro mirante, com vista de que gostei, abrangendo a praia, o mar, o povoado e o porto. Chegando lá em cima peguei a trilha para a Praia de Calhetas que a Mary tinha mostrado. Achei bonita a trilha, com começo no meio da mata. No caminho encontrei Magda, que alugava kitnets no Vale da Lua. Ela deu-me explicações sobre a trilha e disse que era amiga da Mary. Achei linda a vista a partir da trilha, da orla, das praias, do mar e do povoado de Gaibu. Achei delicioso o mar em Calhetas . O mar era de tombo, mas sem correnteza, o que permitia um nado tranquilo em águas mais profundas, conforme o salva-vidas do local explicou-me. Depois de andar pela pequena orla e do banho de mar, fui para a Praia de Gaibu. A vista das paisagens durante o caminho continuaram belas. Lá, com a maré subindo, achei o mar bravo. Andei cerca de meia hora na areia da praia e depois acabei voltando pela pista. Passei pelo hostel, conheci a parte inicial do sítio que ficava nos fundos do hostel e suas árvores altas e largas, como a fruta-pão. Ainda deu tempo de ir ver o pôr do sol a partir do mirante que ia para a Praia do Paraíso. Seguem as fotos deste momento.




      De volta ao hostel, conheci a seu lado o Centro Cultural Esperantino, explicado pelo filho do homem que deu nome ao centro. Gostei e achei bonitas as várias trilhas feitas na mata ao longo do dia, a vegetação e relevo existentes ☝️. Comprei pães para café da manhã e sobremesa por R$ 3,00 em dinheiro e R$ 1,50 com cartão de crédito. Jantei espaguete com legumes, mamão e pães doces.
      No sábado 31/08 tomei café com sanduíches, mamão, pães doces e leite. Conversei com Mary sobre suas próximas hóspedes, que chegariam naquele dia, suas experiências de viagem, sua vida passada e minha viagem. Antes de sair ela pediu para tirar uma foto minha, que coloco a seguir.

      Saí perto de 9h30. Fui pela estrada até Gaibu e depois peguei a areia da praia. Achei as praias muito bonitas, porém a maioria bem mais urbanizada do que a média da viagem, posto que estava chegando a Recife. Havia muitas pedras em vários trechos. Após perguntar para várias pessoas sobre risco de ataque de tubarões 🦈 e todos dizerem que não havia, tomei um banho de mar. Depois de cerca de 500 m do local do banho vi a primeira placa de risco de ataque de tubarões. Se tivesse visto a placa antes não teria nadado. Desviei um pouco no caminho para conhecer a Ilha do Amor, fui até a curva e depois voltei para pegar a ponte, de onde a vista me pareceu muito bonita. Após a ponte houve um grande trecho com mato nas laterais da rua, que até me preocupou um pouco, apesar do movimento de carros, mas nada aconteceu. Voltei para a praia. Havia bastante gente, pois era sábado. No fim do dia começou a ameaçar chuva e já bem perto da chegada houve pancadas de chuva. Em Boa Viagem o mar estava bravo, chegando a espirrar água na calçada, após bater nos muros de contenção da praia. Fiquei no Hostel Estação do Mangue (https://www.estacaodomangue.com.br) por R$ 30,00 com cartão de crédito por uma cama em quarto compartilhado sem direito a café da manhã. Lá conheci mãe e filho que estavam a passeio e 2 transsexuais que tinham vindo trabalhar. Comprei pães por R$ 9,80 e bananas, abóbora, limão e chuchu por R$ 6,60, tudo com cartão de crédito. Jantei sanduíches, bananas e pães doces.
      No domingo 01/09 fui à praia antes de tomar café da manhã. Estava uma pequena garoa, mas nada que incomodasse. No caminho passei pela igreja ao lado do hostel e uma mulher disse que provavelmente não era permitido entrar naqueles trajes (camiseta regata e calção). Parecia tensa quando eu fui até a porta olhar. Já perto da praia, passei pela Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, na Pracinha de Boa Viagem, e um homem disse que eu poderia entrar para visitar (“Claro que pode, é a casa de Deus”). A igreja já estava cheia para a missa e eu preferi ir só até a porta. Segui e fui dar um passeio pela orla. Um homem entrou no mar bravo, onde havia placas de risco de ataque de tubarão e eu até pensei que estivesse se suicidando. Mas depois perguntei e me disseram que era seu costume e ele já fazia parte do mar. Em seguida eu o vi nadando alguns metros depois da arrebentação. Entrei no mar uns 10 metros 🌊, somente para me despedir. Tomei café com sanduíches e fui andando até o aeroporto. Demorei 16 minutos do hostel até lá. Troquei de lugar no avião com um homem que preferia corredor para poder ficar na janela. Quando cheguei em Congonhas com o ônibus vindo de Guarulhos estava chovendo 🌧️ e tomei bastante chuva no caminho a pé para casa. Ainda bem que estava com a capa.
    • Por JonathanLuKas
      Gente penso em viajar por esse Brasilsão de meu deus todo!!
      Queria saber se mochileiros experientes poderiam me dizer alguns riscos e precauções á tomar
      Agradeço á todos que me responderem 


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