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Pessoal, eu estou pensando em fazer o cume do Aconcágua lá pra fevereiro do ano que vem, se der tempo de me preparar. Interessante é que sou 100% mochileiro de primeira viagem, e pra mim a graça está justamente nesse detalhe. A empreitada não me parece um grande desafio pra quem já tem muita experiência em escalada, mas pra mim com certeza é, e desafios me agradam.

 

Li e reli este tópico e muitos outros textos espalhados pela net mas algumas dúvidas ainda permanecem:

 

1. Tenho 41 anos de idade, 1,84m de altura, 81Kg e aproximadamente 17% de gordura corporal (IMC = 24). Pratico academia regularmente há mais de 15 anos mas com ênfase em musculação, tenho uma capacidade pulmonar bem acima da média mas preciso melhorar minha capacidade cardiovascular. Alguém saberia me dizer o quanto eu preciso investir em treino aeróbico pra atingir o condicionamento necessário? Corro por 30 minutos a 9Km/h sem grandes dificuldades.

 

2. Alguém que já fez essa escalada pode dar uma referência do condicionamento físico que tinha na época, do tipo "eu fiz o cume com relativa facilidade e meu limite na esteira era de 1 hora a 10Km/h" ?

 

3. Pretendo conseguir mais uma pessoa pra ir comigo. Barraca e saco de dormir é melhor levar daqui ou alugar? Alguém tem ideia dos valores? Se for pra comprar prefiro investir em coisa boa, provavelmente uma TNF VE25 e um saco de dormir Deuter + um bom liner, alguma recomendação?

 

4. Fogareiro é imprescindível? De novo se tiver que comprar prefiro comprar algo de boa qualidade, estou considerando o Primus Gravity || MF, dá conta do recado ou é melhor considerar outras opções?

 

5. Comprei uma mochila Deuter Aircontact Pro 70 + 15, essa de ataque de 15 é suficiente ou tenho que levar outra maior?

 

6. O sistema de hidratação da Deuter presta? Vale a pena comprar os isolantes térmicos pra bolsa e pro cano, é suficiente pra evitar o congelamento durante o ataque ao cume? Ou é melhor manter garrafinhas junto ao corpo em bolsos internos ou penduradas no pescoço?

 

7. Em termos de vestimenta tenho o seguinte:

- Base layer (camisa) Solo X-Thermo

- Base layer (calça) Solo X-Power (Polartec Power Stretch)

- Jaqueta Solo Nordic (Polartec Thermal Pro)

- TNF Bionic Jacket (corta-vento com fleece por dentro, talvez seja exagero levar)

- TNF Resolve Jacket (anorak impermeavel e respiravel)

- Sobre calça impermeavel Quechua Forclaz 100M

- Bota ASolo Fugitive

- Meias: Quechua Diosaz 100 (liner) + Quechua Forclaz 400

- Gorro microfleece Solo

- Balaclava Solo X-Power (Polartec Power Stretch)

- Luvas Solo X-Power (Polartec Power Stretch)

- Luvas Quechua Forclaz 600 membrana (corta-vento)

 

É suficiente, estou esquecendo alguma coisa? Preciso mesmo de mittens? E goggles, precisa?

 

Ainda não comprei os bastões de caminhada, alguma recomendação? Estou pensando em um par de black diamonds de fibra de carbono com amortecimento, é uma boa?

 

8. Depois de ler que um guia morreu porque pegou nevasca na descida e errou a rota normal indo parar na face sul, fiquei meio preocupado com navegação em baixa visibilidade. Alguém saberia me dizer se os GPS eTrex da Garmin (estou pensando em um Vista hCx) funcionam bem em altitude e baixas temperaturas? Considerando baterias de litio pra funcionamento até -40 graus, que eu terei que arrumar em algum lugar.

 

Valeu!

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Pessoal, eu estou pensando em fazer o cume do Aconcágua lá pra fevereiro do ano que vem, se der tempo de me preparar. Interessante é que sou 100% mochileiro de primeira viagem, e pra mim a graça está justamente nesse detalhe. A empreitada não me parece um grande desafio pra quem já tem muita experiência em escalada, mas pra mim com certeza é, e desafios me agradam.

 

Li e reli este tópico e muitos outros textos espalhados pela net mas algumas dúvidas ainda permanecem:

 

1. Tenho 41 anos de idade, 1,84m de altura, 81Kg e aproximadamente 17% de gordura corporal (IMC = 24). Pratico academia regularmente há mais de 15 anos mas com ênfase em musculação, tenho uma capacidade pulmonar bem acima da média mas preciso melhorar minha capacidade cardiovascular. Alguém saberia me dizer o quanto eu preciso investir em treino aeróbico pra atingir o condicionamento necessário? Corro por 30 minutos a 9Km/h sem grandes dificuldades.

 

2. Alguém que já fez essa escalada pode dar uma referência do condicionamento físico que tinha na época, do tipo "eu fiz o cume com relativa facilidade e meu limite na esteira era de 1 hora a 10Km/h" ?

 

3. Pretendo conseguir mais uma pessoa pra ir comigo. Barraca e saco de dormir é melhor levar daqui ou alugar? Alguém tem ideia dos valores? Se for pra comprar prefiro investir em coisa boa, provavelmente uma TNF VE25 e um saco de dormir Deuter + um bom liner, alguma recomendação?

 

4. Fogareiro é imprescindível? De novo se tiver que comprar prefiro comprar algo de boa qualidade, estou considerando o Primus Gravity || MF, dá conta do recado ou é melhor considerar outras opções?

 

5. Comprei uma mochila Deuter Aircontact Pro 70 + 15, essa de ataque de 15 é suficiente ou tenho que levar outra maior?

 

6. O sistema de hidratação da Deuter presta? Vale a pena comprar os isolantes térmicos pra bolsa e pro cano, é suficiente pra evitar o congelamento durante o ataque ao cume? Ou é melhor manter garrafinhas junto ao corpo em bolsos internos ou penduradas no pescoço?

 

7. Em termos de vestimenta tenho o seguinte:

- Base layer (camisa) Solo X-Thermo

- Base layer (calça) Solo X-Power (Polartec Power Stretch)

- Jaqueta Solo Nordic (Polartec Thermal Pro)

- TNF Bionic Jacket (corta-vento com fleece por dentro, talvez seja exagero levar)

- TNF Resolve Jacket (anorak impermeavel e respiravel)

- Sobre calça impermeavel Quechua Forclaz 100M

- Bota ASolo Fugitive

- Meias: Quechua Diosaz 100 (liner) + Quechua Forclaz 400

- Gorro microfleece Solo

- Balaclava Solo X-Power (Polartec Power Stretch)

- Luvas Solo X-Power (Polartec Power Stretch)

- Luvas Quechua Forclaz 600 membrana (corta-vento)

 

É suficiente, estou esquecendo alguma coisa? Preciso mesmo de mittens? E goggles, precisa?

 

Ainda não comprei os bastões de caminhada, alguma recomendação? Estou pensando em um par de black diamonds de fibra de carbono com amortecimento, é uma boa?

 

8. Depois de ler que um guia morreu porque pegou nevasca na descida e errou a rota normal indo parar na face sul, fiquei meio preocupado com navegação em baixa visibilidade. Alguém saberia me dizer se os GPS eTrex da Garmin (estou pensando em um Vista hCx) funcionam bem em altitude e baixas temperaturas? Considerando baterias de litio pra funcionamento até -40 graus, que eu terei que arrumar em algum lugar.

 

Valeu!

 

Fala Deny, beleza???

Sobre o Aconcágua sei que encontramos textos praticamente heroicos e que transpassa tal facilidade que parece que o povo esta indo passear no Ibirapuera, porem o que leva a pessoa culminar uma montanha montanha como essa não é só ter os equipos e estar em dia com a academia, oque vai contar muito é o conhecimento que a pessoa tem em montanhismo e estar com o psicológico para saber lhe dar com qualquer que seja o problema que venha a aparecer, seja ele uma nevasca, tomar a rota errada e conseguir superar o problema com calma e sem que se machuque, e isso uma pessoa só vai ter com a prática do montanhismo. Um exemplo que temos aqui no mochileiros é esse relato:

aconcagua-sozinho-e-sem-mulas-confluencia-face-sul-e-plaza-de-mulas-t41897.html

Por mais mais que tenha sido elogiado pelos amigos aqui do site, e por mim tbm, com todo o respeito no meu ponto de vista a falta de conhecimento em montanhismo falou mais alto, ocorrendo que o nosso amigo chegou apenas em plaza de mulas e não conseguiu subir nem o Cerro Bonet que é utilizado para aclimatação... alem de que os equipos tbm não foram muito apropriados pois quem vai para o Aconcágua sem Mulas pode se preparar para carregar nas costas no mínimo 40kg de carga, sei que agiu corretamente em abortar a subida reconhecendo suas limitações e problemas q o cercava.

Temos outro exemplo aqui de uma pessoa que ja tinha uma pequena vivencia em trilhas aqui no brasil:

http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=943

E não precisamos nem ir ao aconcágua para vermos pessoas passar um perrengue na montanha, um exemplo que eu pude vivenciar de um amigo que estava se preparando (a base de academia) para fazer o trekking ao Acampamento Base do Everest, abriu o bico no Marins, (uma bela montanha aqui na Mantiqueira), passaram um puta de um perrengue por falta de aquipos e roupas adequadas.

Gostaria que vc não levasse pelo lado pessoal e nem que eu queira jogar água na sua fogueira, apenas acho que seria arriscado uma pessoa sem conhecimentos (como vc mesmo falou que é mochileiro de primeira viagem, e o Aconcágua não se trata de uma mochilada por mais que se suba pela rota normal) ja partir para uma empreitada como essa e poder passar sufoco ou fazer parte das estatisticas dos que ficaram no Aconcágua. alem de que seria no mínimo muito frustrante vc se preparar, gastar um puta de um dinheiro pois o Aconcágua é a montanha mais cara dos Andes e chegar lá e falar não consigo processeguir, ou Ferrou não sei oque fazer. Más mesmo que vc queira tentar o Aconcágua vc tem esse total direito, porem não te apoio!!! a minha Dica seria de vc começar a fazer lgumas montanhas aqui no Brasil e posteriormente ir para o Cordon Plata como eu disse anterirmente e ver como vc se sai em alta montanha, para posteriormente tentar a Sentinela de Pedra.

E repito não me entenda mal por favor, só não quero que entre em perigo ou que gaste dinheiro de besteira...

ABÇ ::cool:::'>

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Fala Deny, beleza???

Sobre o Aconcágua sei que encontramos textos praticamente heroicos e que transpassa tal facilidade que parece que o povo esta indo passear no Ibirapuera, porem o que leva a pessoa culminar uma montanha montanha como essa não é só ter os equipos e estar em dia com a academia, oque vai contar muito é o conhecimento que a pessoa tem em montanhismo e estar com o psicológico para saber lhe dar com qualquer que seja o problema que venha a aparecer, seja ele uma nevasca, tomar a rota errada e conseguir superar o problema com calma e sem que se machuque, e isso uma pessoa só vai ter com a prática do montanhismo. Um exemplo que temos aqui no mochileiros é esse relato:

aconcagua-sozinho-e-sem-mulas-confluencia-face-sul-e-plaza-de-mulas-t41897.html

Por mais mais que tenha sido elogiado pelos amigos aqui do site, e por mim tbm, com todo o respeito no meu ponto de vista a falta de conhecimento em montanhismo falou mais alto, ocorrendo que o nosso amigo chegou apenas em plaza de mulas e não conseguiu subir nem o Cerro Bonet que é utilizado para aclimatação... alem de que os equipos tbm não foram muito apropriados pois quem vai para o Aconcágua sem Mulas pode se preparar para carregar nas costas no mínimo 40kg de carga, sei que agiu corretamente em abortar a subida reconhecendo suas limitações e problemas q o cercava.

Temos outro exemplo aqui de uma pessoa que ja tinha uma pequena vivencia em trilhas aqui no brasil:

http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=943

E não precisamos nem ir ao aconcágua para vermos pessoas passar um perrengue na montanha, um exemplo que eu pude vivenciar de um amigo que estava se preparando (a base de academia) para fazer o trekking ao Acampamento Base do Everest, abriu o bico no Marins, (uma bela montanha aqui na Mantiqueira), passaram um puta de um perrengue por falta de aquipos e roupas adequadas.

Gostaria que vc não levasse pelo lado pessoal e nem que eu queira jogar água na sua fogueira, apenas acho que seria arriscado uma pessoa sem conhecimentos (como vc mesmo falou que é mochileiro de primeira viagem, e o Aconcágua não se trata de uma mochilada por mais que se suba pela rota normal) ja partir para uma empreitada como essa e poder passar sufoco ou fazer parte das estatisticas dos que ficaram no Aconcágua. alem de que seria no mínimo muito frustrante vc se preparar, gastar um puta de um dinheiro pois o Aconcágua é a montanha mais cara dos Andes e chegar lá e falar não consigo processeguir, ou Ferrou não sei oque fazer. Más mesmo que vc queira tentar o Aconcágua vc tem esse total direito, porem não te apoio!!! a minha Dica seria de vc começar a fazer lgumas montanhas aqui no Brasil e posteriormente ir para o Cordon Plata como eu disse anterirmente e ver como vc se sai em alta montanha, para posteriormente tentar a Sentinela de Pedra.

E repito não me entenda mal por favor, só não quero que entre em perigo ou que gaste dinheiro de besteira...

ABÇ ::cool:::'>

 

Grande Wéll!

 

Eu já tinha lido o relato do Renato e considerei como um excelente aprendizado. De fato minha maior preocupação é e aclimatação, que pretendo seguir à risca, mas mesmo assim tenho consciência que a adaptação varia de organismo para organismo e existe uma possibilidade real de que eu seja obrigado a voltar como ele, porém pretendo ter condições pra maximizar meu aproveitamento, o que significa contratar as mulas sempre que possível. Não tiro o mérito do Renato mas como meu objetivo é o cume, pra mim faz sentido conservar o máximo de energias pra atingí-lo. E não descarto a possibilidade de fazer uma outra escalada mais barata, curta e em menor altitude antes a título de teste de adaptação. Eu não estou nem um pouco afim de ir ao Aconcágua na alta temporada, não só pelo preço mas também porque vou achar insuportável se estiver muito lotado de gente pra lá e pra cá. Nunca fui muito montanhista mas pra mim quando tiver que ser, tem que ter paz, não zona. Por isso comentei que quero fazer a viagem em fevereiro, mas estou considerando postergar pra outubro e fazer uma ambientação em outro lugar antes.

 

Quanto aos riscos, tenho plena ciência deles e honestamente não tenho medo de não voltar. Se tiver que acontecer, vai acontecer. Posso até escorregar no banheiro, bater a cabeça e já era, acho que se acontecer no Aconcágua pelo menos vai ser uma desculpa melhorzinha hahahaha. Não que eu vá ser idiota e irresponsável (bom talvez um pouco), vou planejar meticulosamente a viagem e a escalada, tentar arrumar um(a) parceiro(a) preparado(a) e se possível experiente, respeitar meus limites e as condições da montanha e ir muito bem equipado, incluindo mesmo intens de segurança como rádio UHF/VHF dual band e GPS. Aliás uma prova desses cuidados todos é o fato de que estou procurando métricas e referências de performance para medir os resultados da minha preparação, já tenho um instrutor na academia que se prontificou a montar um treino específico pra escalada (por sinal ele é instrutor dessa modalidade) e vou fazer medições periódicas do meu índice VO2. Engraçado mesmo vai ser se eu tomar coragem de levar a mochila recheada pra academia pra fazer aquele aparelho de escada no meio das patricinhas hahahahaha

 

Pra finalizar, eu não levo a mal, entendo sua preocupação com eu me por em uma situação de perigo mas, feitas as devidas ressalvas, no fundo o que nós - malucos de espírito aventureiro - procuramos não é justamente ir de encontro ao perigo e superá-lo? ;)

 

Abraço!

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Grande Wéll!

 

Eu já tinha lido o relato do Renato e considerei como um excelente aprendizado. De fato minha maior preocupação é e aclimatação, que pretendo seguir à risca, mas mesmo assim tenho consciência que a adaptação varia de organismo para organismo e existe uma possibilidade real de que eu seja obrigado a voltar como ele, porém pretendo ter condições pra maximizar meu aproveitamento, o que significa contratar as mulas sempre que possível. Não tiro o mérito do Renato mas como meu objetivo é o cume, pra mim faz sentido conservar o máximo de energias pra atingí-lo. E não descarto a possibilidade de fazer uma outra escalada mais barata, curta e em menor altitude antes a título de teste de adaptação. Eu não estou nem um pouco afim de ir ao Aconcágua na alta temporada, não só pelo preço mas também porque vou achar insuportável se estiver muito lotado de gente pra lá e pra cá. Nunca fui muito montanhista mas pra mim quando tiver que ser, tem que ter paz, não zona. Por isso comentei que quero fazer a viagem em fevereiro, mas estou considerando postergar pra outubro e fazer uma ambientação em outro lugar antes.

 

Quanto aos riscos, tenho plena ciência deles e honestamente não tenho medo de não voltar. Se tiver que acontecer, vai acontecer. Posso até escorregar no banheiro, bater a cabeça e já era, acho que se acontecer no Aconcágua pelo menos vai ser uma desculpa melhorzinha hahahaha. Não que eu vá ser idiota e irresponsável (bom talvez um pouco), vou planejar meticulosamente a viagem e a escalada, tentar arrumar um(a) parceiro(a) preparado(a) e se possível experiente, respeitar meus limites e as condições da montanha e ir muito bem equipado, incluindo mesmo intens de segurança como rádio UHF/VHF dual band e GPS. Aliás uma prova desses cuidados todos é o fato de que estou procurando métricas e referências de performance para medir os resultados da minha preparação, já tenho um instrutor na academia que se prontificou a montar um treino específico pra escalada (por sinal ele é instrutor dessa modalidade) e vou fazer medições periódicas do meu índice VO2. Engraçado mesmo vai ser se eu tomar coragem de levar a mochila recheada pra academia pra fazer aquele aparelho de escada no meio das patricinhas hahahahaha

 

Pra finalizar, eu não levo a mal, entendo sua preocupação com eu me por em uma situação de perigo mas, feitas as devidas ressalvas, no fundo o que nós - malucos de espírito aventureiro - procuramos não é justamente ir de encontro ao perigo e superá-lo? ;)

 

Abraço!

 

Então vá na Fé, e depois nos relata aqui no forum como foi...

Abç ::cool:::'>

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Sincaramente, a UNICA forma que eu vejo de alguem fazer cume no Aconcagua sem uma experiencia prévia em montanhismo (ou no minimo travessias longas) é contratando agência. Caminhar com 40 kg nas costas já nao é muito facil, some-se a isso a altitude já vira tortura. Só que esse é apenas o começo, ainda tem que montar/desmontar barraca, derreter neve, cozinhar, etc, etc ,etc. Pode parecer fácil daqui de baixo, mas quando se pensa em montar barraca com ventos de 100 km/h e a mão praticamente congelando, ficar no minimo 10 dias chegando exausto em acampamento e ainda ter que fazer varias coisas pra no minimo sobreviver, ficar o mesmo periodo comendo uma comida que está mais para ração e sem saber o que é um vaso sanitario.

 

Eu tive uma experiencia no Huayna Potosi e me vi em situações que me caguei de medo. Fiquei alguns dias em Torres del Paine e chegou num ponto que já nao aguentava mais. Eu adoro frio, gosto de cozinhar minha propria comida, gosto de dormir em barraca, mas acredite que chega um ponto em que aquilo deixa de ser diferente e vira rotina, aí haja cabeça para continuar. E olha que essa minha parca experiencia é fichinha perto do Aconcagua...

 

Enquanto estamos planejando aqui de baixo tudo parece fácil e superável, mas quando vem uma greta pela frente pra pular (na rota normal não tem esse risco), uma tempestade ou um belo penhasco pela frente vemos que não é bem assim, e aí já pode ser tarde demais.

 

Contratando uma agência o peso fica muito menor, o pessoal praticamente te leva nas costas até o cume e mesmo assim acredite que vai ser MUITO dificil.

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Só mais uma coisa, montanhistas experientes procuram a alta temporada para aumentar as chances de cume e você com pouca experiência ainda cogita tentar fora de temporada...

 

Sugiro que se informe bastante para poder dimensionar os riscos e as suas chances, porque do jeito que vai...

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Paulo, eu tenho plena consciência das dificuldades, e como já disse antes, estou totalmente preparado pra voltar sem chegar ao cume ou nem voltar se for o caso. Lembrando que eu disse BAIXA temporada, e não FORA de temporada - há uma grande diferença. A baixa temporada no Aconcágua ainda é dentro ou próxima do verão no hemisfério sul. Outra coisa, minha mochila vai subir até Plaza de Mulas de... mula.

 

Não vou dar chance pro azar no que diz respeito a equipamento, preparo físico e aclimatação, portanto no meu caso as variáveis serão nevasca e mal de altitude. Em caso de azar eu dou meia volta, e se isso não for possível... paciência.

 

Agora será que alguém poderia tentar responder às minhas humildes perguntas?

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Cara, a temporada começa em meados de novembro e termina e janeiro, você falou de ir em outurbro ou fevereiro, portanto fora da temporada.

 

Mas vamos a algumas perguntas:

 

Condicionamento fisico: não existem parametros muito menos formula mágica. Cada corpo reage de uma forma à altitude, o unico conselho que pode ser dado é o de evitar extremos. Pessoas magras têm baixa resistencia ao frio e menos "estoque" de energia. Pessoas musculosas são as que sofrem mais, quanto mais musculo maior a demanda de oxigenio, então muito musculo = problema.

 

Equipamentos: é indispensável botas duplas e um casaco de pluma ou fibra, meia de lã, bastão de trekking, saco de dormir de pluma e etc também são muito bem vindos. Piolet é dispensável. Crampon é a grande questão tem gente que prefere carregar o peso pra se prevenir, outros preferem correr o risco de não leva-los. Sugiro olhar um post do LeoRJ que tem uma lista completa do que levar, esta na segunda ou terceira pagina.

 

Fogareiro: Indispensável, melhor combustível para elevadas altitudes é benzina.

 

Mochila: Tudo vai depender do seu planejamento, o Aconcagua pode ser feito desde 7 dias até os 20 do permiso. Obviamente que você tem que ver comida e combustivel compativeis com a quantidade de dias que vai passar. Se fizer nos 7 a sua provavelmente da conta, em 20 com certeza não.

 

Navegação: Por mais que um GPS ajude se você pegar vento branco pela frente ele não vai ajudar muito, não conheço a precisão de um GPS mas ele provavelmente não vai te alertar sobre possiveis penhascos à sua frente.

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Opa, obrigado pelas respostas Paulo!

 

Realmente outubro está fora, desculpem a nossa falha. Mas fevereiro (e até uns dias de março) é dentro da baixa temporada:

 

Baixa Temporada:

De 15 a 30 de novembro e de 21 de fevereiro a 15 de março

Ascensão: 600 Pesos = 162,00 USD

Trekking Longo: 264 Pesos = 71,00 USD

 

Média Temporada:

De 1 a 14 de dezembro e de 1 a 20 de fevereiro

Ascensão: 1200 Pesos = 324,00 USD

Trekking Longo: 264 Pesos = 71,00 USD

 

Alta Temporada:

De 15 de dezembro a 31 de janeiro

Ascensão: 1800 Pesos = 486,00 USD

Trekking Longo: 396 = 107,00 USD

 

Fonte: http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=1839

 

Agora é um pouco preocupante essa história de músculos causarem sofrimento porque sou magro e tenho uma quantidade razoável de massa magra. Entretanto esse livreto de uma fundação médica especializada em alta montanha não menciona nada a respeito, será que não foram uma ou outra coincidências? Eu sempre achei que força física fosse um fator facilitador, não debilitante.

 

http://medex.org.uk/v26%20booklet%20hires.pdf

 

Eu li o post do Leo com a lista de equipamentos e fiquei pensando, será que na Plaza de Mulas não tem carmpons pra alugar? As botas duplas eu já sabia que tinha que alugar, estava mesmo na duvida quanto aos crampons. O casaco de pluma ou fibra, ai ai lá vai mais uma bela porção do meu suado dindin... Imagino que uma calça de fleece sobre o base layer e por baixo da impermeável também seja recomendada, vou providenciar.

 

E aproveitando aqui vai mais uma perguntinha, reservei pra ir buscar sábado agora esse saco de dormir:

 

Marmot Never Summer

Duvet 600+

Conforto -17,8ºC (homem)

Extremo -37,1ºC

 

http://marmot.com/products/never_summer?p=117,173,74

 

O que você acha, é suficiente, exagero, ... ?

 

E quanto ao fogareiro, estou pensando em um Primus Gravity II MF combo, vem com reservatório de benzina de 600ml, é suficiente ou tem que levar mais pra 2 pessoas?

 

Abraço!

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Cara, eu falei de EXTREMOS. Uma pessoa muito bombada vai ter problemas com o oxigenio porque musculo exige muito para funcionar. Assim como falei de extremos para uma pessoa magra, o problema é que em alta montanha o organismo sempre trabalha em deficit de energia, principalmente acima dos 5.500 m onde você gasta mais calorias digerindo do que a propria comida te oferece. Quando o corpo trabalha com deficit de calorias ele procura fontes de energia alternativa, primeiro a gordura e depois os musculos, logo, quanto mais magra for a pessoa menor será o seu "estoque" de energia e menos o corpo vai resistir em trabalhar dia apos dia no com deficit de energia.

 

Essa é uma explcicação grosseira de um leigo em fisiologia. Por isso é interessante você conversar com os médicos daqui do forum e principalmente procurar alguém especialista em medicina esportiva. Só um profissional pra te dizer mais precisamente os niveis ideiais de gordura no corpo e quem sabe até te receitar algo para ajudar o metabolismo e até mesmo a aclimatação.

 

Quando fui pela primeira pra Bolivia com planos de escalar procurei um médico que me ajudou muito em todos os aspectos (inclusive o que estou te falando é o pouco que me lembro da conversa que tive com ele). Por isso mesmo acho que você deveria começar o seu planejamento por ai.

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    • Por Claudemilson
      Olá mochileiros,
       
      Me chamo Claudemilson, moro em Brasília e pretendo tentar o cume do Aconcágua em dezembro de 2019. Em 2018, fiz o Kilimanjaro com mais 3 colegas (infelizmente 1 teve edema pulmonar aos 4.600m e teve que voltar). Enfim, procuro companhia para mais esta tentativa. Gostaria de tentar numa data em que chegasse ao cume no dia 1ª de janeiro. Tenho pesquisado algo acerca da subida e empresas que guiam os montanhistas. Se alguém se animar entre em contato: 61 992021700 (whatsapp)

       
    • Por renatomayer
      Conhecer o Aconcagua sempre fez parte dos meus sonhos, e finalmente a hora de colocá-lo em prática havia chegado.
      Passagem para Mendoza comprada, mochila pronta, mais alguns acertos a fazer, e pronto, os dias passaram tão rápido que quando me dei conta já estava desembarcando em Mendoza na tarde do dia 05 de fevereiro! Nessa mesma tarde tratei de comprar o que me faltava (gás, uma garrafa a mais p/ armazenar a água, cadeado, termõmetro de ambiente...), e claro, conseguir o permisso de ascenso (1200 pesos, uma facada!), e tive uma boa noite de sono no "Lagares" hostel...
       
      06/02 - Mendoza - Puente del Inca - Penitentes
       
      10h da manhã parti (expresso uspallata, apenas 20 pesos!) de Mendoza rumo a Puente del Inca, vilarejo mais próximo a entrada do Parque... o ônibus demorou demais e comecei a ficar apreensivo sobre entrar no parque nesse mesmo dia... Ao chegar em P. del Inca, já eram 14:30, resolvi fazer uma boa refeição e pernoitar por lá mesmo...
      Tomei um susto ao ver o preço da hosteria Puente del Inca... 198 pesos o quarto!!! Resolvi por a mochila nas costas e partir rumo a Penitentes(2750m), cerca de 5 km de distância descendo a estrada... No caminho ainda passei pelo cemitério dos Andinistas (local repleto de homenagens as pessoas que morreram tentando escalar a face Sul do Aconcagua) e tirei algumas fotos. Cheguei cansado em Penitentes e consegui um hostel por 60 pesos com café da manhã... bem melhor!
       

       
      07/02 - Penitentes - Entrada do Parque - Confluência
       
      O dia amanheceu nublado e com muito vento, e as 9 da manhã parti estrada acima rumo a entrada do Parque (transporte por lá é uma coisa complicada, fui a pé mesmo), e após 5km cheguei novamente a P. del Inca. De lá até o Parque tem mais 3km de ladeiras... As 12:00h eu estava entrando no parque, apresentando o permisso, pegando a sacolinha para guardar o lixo (para quem não a devolve há uma multa salgada!), tomei um fôlego e parti parque adentro... Optei por carregar minhas coisas sem contratar as mulas, que são caríssimas.
      Após 40 minutos de caminhada chega-se a ponte pênsil, onde acaba a trilha para os que não possuem os permissos, e começa a trilha de cerca de 3-4 horas para Confluência... Como eu estava com o peso total naquele momento (no total cerca de 28kg) e pelo desgaste de ter vindo desde Penitentes caminhando, sofri bastante nesse trecho , após vários pontos de parada para descanso e admirar o visual, alcancei o acampamento Confluência (3400m) após quase 6 horas a partir da ponte... já era 18h, e logo que fiz o check-in, já armei a barraca, fiz meu macarrão de copo e peguei no sono, mesmo com a algazarra que os foliões argentinos faziam lá fora. Acordei várias vezes durante a noite por causa da ventania, que algumas vezes jogava terra pelas abas de ventilação da barraca...
       

       
      08/02 - Confluência - Plaza Francia - Confluência
       
      Conforme planejado, hoje era dia de trekking de aclimatação sem peso nas costas até Plaza Francia, local com visão privilegiada da enorme parede Sul do Aconcagua, e retornar a Confluência. Subidas íngremes mas com um visual compensador a cada novo vale alcançado. Não havia nuvens, e embora o calor seja pouco, o Sol e o vento castigam bastante o corpo. Após cerca de 3h de caminhada cheguei ao mirador da face Sul do Aconcagua a cerca de 4100 metros de altitude. Segui pela trilha em busca do acampamento mas após 1h30min de caminhada e ainda sem chegar ao acampamento, resolvi retornar a Confluência e recuperar as energias. Voltei bem cansado a Confluência e sabia que o dia seguinte seria bem puxado, na cansativa trilha a Plaza de Mulas. Cogitei de contratar as mulas, mas quando soube do preço (U$180!) desisti da idéia...
       

       
      09/02 - Confluência - Plaza de Mulas
       
      Amanheceu, e eu estava apreensivo para este dia com carga total. 8 horas da manhã eu já estava com tudo pronto, partindo a Plaza de Mulas com todo o peso. Apenas para vencer as pirambeiras próximas ao rio no início da trilha eu já havia levado uma hora. Após isso o terreno tornou-se mais plano e simples de fazer a progressão... Percorremos um vale sem fim nesse momento, extremamente aberto, e quanto mais progredimos mais vão aparecando novas montanhas e continuações dos vales... realmente parece não ter fim! Bom momento para colocar um som e se distrair um pouco do ambiente inóspito, sem qualquer tipo de vegetação, mas com beleza única.
      Pelo caminho, apenas algumas mulas passando por mim, mais nada. Após várias horas de caminhadas sem fim, me apoiei em uma das diversas pedras no caminho para descansar as costas e vi uma pedra enorme com uma bandeira em cima... cheguei mais perto e vi que estava em Ibanez, havia até uma placa indicando a continuação da trilha para cima e indicando o tempo de 4 horas. Senti um alivio enorme, pois ainda era 13:30, eu chegaria ainda com luz do dia mesmo que levasse o dobro do tempo!
      Descansei, comi as eternas barras de proteínas e um cholocate, e parti morro acima... esse trecho é bem cansativo, sobe-e-desce sem fim em enormes montes, e alguns penhascos. Visual magnífico. Após vários montes chegamos a um local mais plano, com destroços do antigo refúgio Plaza de Mulas. A partir daí, vemos que a coisa complica um pouco: descortinando-se no horizonte surgia então a "Cuesta Brava", costa muito íngreme e escorregadia. Já havia lido em outros relatos que esse é o trecho mais complicado mas também que o acampamento estava muito próximo. As pirambeiras realmente impressionam, mas com muita calma e a passada controlada, passei por ela em cerca de 1 hora. O que eu não esperava foi o que eu vi logo adiante: Mais uma montanha a subir antes de chegar ao acampamento! Essa sim acabou com a minha energia, pois não contava com esse último e enorme obstáculo... Com passos de tartaruga, cheguei ao acampamento Plaza de Mulas(4300m) com um total de quase 12 horas de caminhada... ufa! Feliz e totalmente destruído, fiz o check-in no Guarda-parques, ancorei a barraca e logo fui dormir... Ah. aqui em Plaza de Mulas você é obrigado a montar sua barraca dentro de uma das prestadoras de serviço, e claro, pagar 5 dólares por dia para usar a estrutura (espaço da barraca, água e banheiro).
      Na pressa de me deitar e relaxar, me esqueci totalmente de deixar a head-lamp no jeito caso eu precisasse ir ao banheiro de madrugada. E foi exatamente do que eu precisei, ir ao banheiro. Esse é um grande mal de ter de tomar água toda hora... 4 da manhã, lá estava eu no escuro procurando o banheiro... Mas correu tudo bem! ) Alguns tropeções mas nada grave! hehehe
       

       

       

       

       
      10/02 - Descansando em Plaza de Mulas
       
      Dia apenas para descanso em Plaza de Mulas e conhecer os arredores (refúgio). A trilha ao refúgio leva cerca de 30 minutos e não é tão próxima quanto parece nas fotos... Chegando lá, fiquei um pouco surpreso ao ver que não havia uma barraca sequer próxima ao refúgio... Minha intenção era de migrar para lá, mas como não havia mais ninguém acampado, apenas conheci o refúgio por dentro e liguei para casa, e resolvi ficar no acampamento em Plaza de Mulas mesmo, no meio do monte de expedições que haviam por lá... Como eu não fazia parte de nenhuma delas, senti o peso de estar sozinho por lá... as enormes barracas-refeitório totalmente tomadas pelas expedições, são eles que têm os melhores lugares para as barracas, aliás as barracas deles já estão até montadas, nem com isso eles precisam se preocupar... enfim, toda a estrutura montada para atender as grandes expedições, e você lá sobrando. Infelizmente não encontrei nenhum brasileiro avulso em Plaza de Mulas... O que me causou surpresa, pois lá é quase uma cidade, de tão grande...
      Paguei 10 dólares para tomar um bando de 15 minutos lá mesmo no acampamento, e valeu a pena, estava precisando muito!
      O Sol não dava tréguas, ou eu cozinhava dentro da baraca, ou ficava lá fora com sol na cabeça até as 20h! O clima castiga bastante, e vai minando suas energias lentamente.
      Momento de descontração; fui até a câmera que tira fotos e exibe ao vivo na web para que eu fosse visto de casa... muito legal!
      Apesar de que durante o dia o frio não assuste, de noite a coisa muda e normalmente forma-se uma leve camada de gelo dentro da barraca...
       

       

       

       
      11/02 - Tentativa de subir o cerro Bonete e dilemas
       
      Fiz o check-up médico eu estava com 89% de oxinenação no sangue... nível esse considerado excelente! Eu não sentia qualquer sintoma de mal de montanha, ainda bem!
      Seguindo o planejamento, hoje é dia de subir o Cerro Bonete (5000m) para aclimatação. Saindo do acampamento, tomamos o caminho do refúgio e, após passar por ele, subimos uma empinada costa e seguimos rumo ao cerro Bonete...
      Pois é, eu parei na empinada costa mesmo... Quando você olha para cima e vê várias trilhas diferentes, é certeza de que nenhuma delas é boa. Comecei a subida vagarosamente para vencer a inclinação, mas essa se turnou cada vez mais, e mais inclinada e escorregadia por causa das pedras soltas e da areia sempre presente... a situação ia se complicando a cada novo passo, até que chegou um momento em que pensei "Agora f..deu tudo!" Qualquer passo p/ frente ou atrás faria eu escorregar morro abaixo... e ficar parado também me fazia escorregar aos poucos... Seria um tombo histórico! Coloquei toda a força em cima dos bastões de caminhada, e consegui me virar para iniciar a descida... e aí as pernas começaram a tremer... me acalmei, e tomei a descida com todo o cuidado... Após cerca de 40 minutos eu já estava em terra firme novamente, sentindo uma mistura de alívio e frustração. Voltei ao acampamento Plaza de Mulas...
      Nesse momento, durante toda a tarde fiquei pensando até onde poderia chegar com meus equipamentos, já havia reparado que todos estavam muito mais bem equipados do que eu! Os dólares contados para a volta para o Brasil, a falta das botas duplas, dos crampons, o frio que eu estava passando a noite mesmo sabendo que o clima estava bom perto do que poderia estar... os caminhos escorregadios demais, a falta de alguém mais experiente nesse tipo de montanha e solo... decidi algo muito difícil: que lá era meu ponto final, não tinha como prosseguir sem as botas e sem a companhia de outras pessoas aos acampamentos avançados... Me dei por satisfeito de ter conhecido toda aquela beleza das montanhas, e decidi voltar na manhã seguinte... Creio que seguir a diante com as botas "Titan" da Nomade, não seria uma boa idéia... Meu corpo estava também me incomodando muito... os ventos e o frio estouraram toda a minha boca, que até latejava de dor a noite...
      No fim da tarde ainda fiquei olhando, a partir do acampamento, todos aqueles caminhos para subir ao plaza Canadá, um homem me perguntou se eu estava pensando na melhor rota para subir, e eu disse "sim, sim!" mas aquilo na verdade era apenas uma última olhada... dia seguinte eu estaria partindo sim, mas em outra direção... pois seguir adiante seria imprudência demais da minha parte!
      A noite eu ainda saí da barraca para contemplar pela última vez as numerosas estrelas que podem seu muito bem vistas de lá... são tantas, que parecem que vão cair em nossa cabeça a qualquer instante! Impossível enxergar tudo isso em São Paulo! rsss

       
      12/02 - Retorno a Confluência
       
      Acordei e, como se fosse um sinal para eu retornar, o tempo estava fechado lá para cima. Perto das 11h, informei aos guarda-parques que estava retornando a Confluência. Dessa vez a volta foi em 7h30min, mesmo com várias paradas p/ fotos e descanso. A volta é um pouco monótona, e a surpresa foi o rio que, formado pelo degelo, estava muito mais volumoso na tarde e me obrigou a seguir quase pendurado nas encostas para não encharcar as botas!
      Cheguei em Confluência e dormi muito mal graças ao barulho de uma verdadeira festa de argentinos que estavam apenas passando a noite por lá numa das barracas-gigantes montadas pelas empresas! Tinha até música, tudo!
       

       

       

       

       

       

       
      13/02 - Confluência a Puente del Inca
      Se para subir a Confluência levei mais de 5h, para descer foi apenas 1h30min! Em 2h eu estava ao lado do lago Horcones, descansando junto ao verde e a calma do lago... Após mais alguns minutos já estava saindo do Parque rumo a Puente del Inca, onde passaria a noite... Lá, ainda estava pensativo sobre a decisão de ter voltado... mas agora já foi! )
       

       

       

       

       
      Considerações finais:
       
      Talvez por sempre ter sido um sonho para mim, a subida ao Aconcagua estava cercada de expectativas, que aos poucos foram desmoronando... Realmente, como algumas pessoas já haviam dito, a montanha virou uma máquina de dinheiro, lugar tomado de expedições caríssimas que tinham todos os tipos de conforto e descaracterizam totalmente o sentido da palavra “montanhismo”. Quase não haviam pessoas “solo”…
      Mesmo assim considero que, mesmo não conseguindo seguir rumo ao cume, a viagem ao Aconcagua foi inesquecível e com paisagens sem igual... até agora ainda não sei dizer se o sonho foi realizado ou se o sonho acabou... Creio que um pouco dos dois! Quem sabe nos próximos anos eu resolva voltar novamente com mais equipamentos (e mais dinheiro, claro!) e com mais alguém para tentar o cume?
       
      O link com todas as fotos está aqui:
      http://www.orkut.com.br/ExternalAlbum?uid=10822675067325729896&aid=1266659792&t=17995791440291575502&vid=13563832727213180328&ik=ACGyDXsB0otZpo7aBz4pMbTEeHQWE3jmcA
       
      O que levei:
       
      Alimentação (lembrando que cada um tem uma necessidade diferente, eu me adaptei muito bem com esses ítens):
      3 "copos" de macarrão instantâneo
      24 barras de proteína "slim" da VO2 (sobraram
      10 barras de cererais (sobraram 3)
      10 chocolates (sobraram 3)
      Repositor energético em pastilhas efervescentes marca "Suum" (muito bom! excelente para ajudar na hidratação depois de longas caminhadas)
      Leite em pó (200g) (sobrou 100g)
      Proteína em pó (100g) (sobrou 20g)
       
      Equipamentos:
      Barraca 4 estações "Artiach" modelo "Solo" p/ uma pessoa (não existe mais para venda, e logo terei de comprar outra! ventilada demais!)
      Saco de dormir "Trilhas e Rumos" - modelo Super Pluma gelo (meio grande e desajeitado mas deu conta do recado)
      Mochila Curtlo 45L (faltou espaço)
      Mochila "Artiach" 15L
      1 par de bastões de caminhada Kailash (distribuir o peso do corpo é fundamental)
      Fogareiro a gás "doite" modelo "mini rocket"
      Gás marca "doite" 450g
      Conjunto básico de 2 panelas e talheres
      Headlamp
      Capa impermeabilizante as duas mochilas
      Cobertor de emergência em alumínio (não ocupa espaço nenhum)
      Canivete
      Garrafa em policarbonato p/ água - 1,5L
      Garrafa d'água comum - 1,5L
      Garrafa térmica - 1L
       
      Vestuário:
      Calça "2a. pele" marca Kailash
      Camiseta "2a. pele" manga longa marca Solo
      Calça e camiseta (parecido com uma 2a. pele)
      Jaqueta "2a. camada" marca "Solo"
      Calça corta-vento marca "Conquista"
      Jaqueta impermeável resistente contra vento, marca "Trilhas & Rumos"
      1 par de luvar "2a. pele"
      1 par de luvas "comum"
      1 par de luvas reforçadas
      1 balaclava
      1 touca
      1 boné
      2 bermudas
      4 camisetas comuns
      5 pares de meias
      1 par de meia mais resistente ao frio (me desculpem, não me lembro do modelo!)
      7 cuecas
      Papete marca Timberland
      Bota de trekking "Titan" da marca "Nomade" (muito confortável, voltei sem bolha nos pés!)
       
      Higiene e cuidados:
      Escova de dente
      Pasta de dente
      Shampoo
      Toalha
      Lenços umedecidos
      Protetor solar FPS 30 (indispensável)
      Protetor labial FPS 30 (indispensável)
       
      Geral:
      Filmadora com bateria sobressalente
      Câmera digital com bateria
      Câmera digital sobressalente
      Pilhas
      MP3 player
       
      Não levei e senti falta:
      - Mochila cargueira com maior capacidade (não tinha espaço para mais nada!)
      - Botas para avançar aos acampamentos superiores / cume (aluguel caríssimo a partir de Plaza de Mulas)
       
      Abraços,
      Renato
    • Por willgittens
      Olá amigos e amigas!
      Queria divulgar uma aventura que estou partindo agora na semana que vem e me apresentar.

      Me chamo Will Gittens,  tenho 34 anos, apaixonado por veleiros, camping selvagem, mochilões e aventuras. Já atravessei 5 países da América do Sul com menos de 800 reais, atravessei o Atlântico e o Mar do Norte em navio de carga, fiz uma volta ao mundo atravessando a América do Sul, Europa, Rússia e Ásia por terra, conseguindo ir daqui de SP até o Vietnam sem pegar avião nenhum e gastando muito pouco.

      Estou partindo para finalizar um plano antigo meu, conhecer todos os extremos da América do Sul e nesse 3° mochilão longo pelo nosso continente pretendo atingir essa meta.

      Ponto mais alto, mais ao sul, mais ao norte, mais ao leste, mais ao Oeste, Amazônia e Cataratas do Iguaçu. Juntando com outras expedições que eu fiz pelo Atacama, Uyuni, Titicaca, Pantanal e Machu Picchu ( vou novamente dessa vez por Salkantay ), terei conhecido por terra todos os cantos desse continente incrível que moramos.


      Convido vocês à acompanharem a expedição, farei uma cobertura no youtube e no blog mostrando como é viver e trabalhar enquanto se viaja, como sempre, gastando o mínimo possível.

      Grande abraço e um 2018 de grandes aventuras para todos nós.
    • Por vanessa.miranda
      (Alerta de relato gigante! rss Se não estiver com saco pra ler esse textão, fique à vontade pra me fazer perguntas específicas sobre a expedição )

      Ainda em 2015 decidi que tentaria chegar ao cume do Aconcágua, e que seria em dezembro de 2016. Queria fazê-lo da forma mais independente possível, sem contratar porteadores, guias e expedições pagas. O primeiro desafio foi encontrar companhia, porque a maioria dos meus amigos nem considera a possibilidade de entrar num projeto desses. Mas quando um amigo me surpreendeu dizendo que animava, o plano começou a tomar rumo. Ainda queríamos encontrar mais uma ou duas pessoas pra formar um grupo, e encontramos aqui no mochileiros! Estava formada a equipe: eu, meu amigo Carlo, o Zaney e o Greison.
      O Aconcágua, com 6.962 m de altitude, é a montanha mais alta do mundo fora da Ásia. É também a segunda montanha mais proeminente do mundo, atrás apenas do Everest. Mesmo assim, por não exigir escalada técnica, alguns se referem à sua ascensão como um "trekking de altitude". Desde que seu cume foi alcançado pela primeira vez em 1897, mais de 130 pessoas morreram tentando chegar lá em cima. A temperatura no cume é geralmente por volta de -25° a -30° C, mas a sensação térmica cai facilmente abaixo de -50° C em dias de clima ruim, principalmente entre abril e novembro  . Por isso, a ascensão é permitida nos meses próximos ao verão argentino, de meados de novembro até o começo de março, sendo a alta temporada centrada em janeiro. Nas últimas temporadas a taxa de cume tem sido entre 20% e 40% das tentativas. Mas com ou sem cume, é um lugar incrível. Em média, são necessários de 12 a 15 dias para alcançar o cume e descer (se vc tiver mais sorte que eu rs). As principais dificuldades desta montanha são o clima muito instável, com frio e vento extremos (principalmente no começo e fim de temporada) e, é claro, a altitude. Com a redução da pressão parcial de oxigênio no ar, podemos sentir não só fadiga e dificuldade pra respirar, mas também dores de cabeça, dor no estômago, tonturas, dificuldade pra comer e dormir, hemorragia nasal, inchaço nas extremidades e no rosto e diarreia. O metabolismo acelera muito, assim como os batimentos cardíacos. A desidratação é facilitada pela maior taxa de vapor de água perdida dos pulmões. Dependendo da pessoa, do ganho de altitude e da aclimatação, os sintomas podem evoluir para um edema pulmonar ou cerebral de alta altitude (HAPE ou HACE), situações mais graves que devem percebidas e tratadas logo.
      Planejei começar o treinamento no primeiro dia de 2016. Porém, um dia antes, lesionei meu joelho esquerdo em uma trilha. Precisava recuperar o joelho e também os tendões de aquiles dos dois pés, outro problema que já vinha de um tempo antes. O treinamento pro Aconcágua teve que esperar... e quando começou foi em ritmo lento. Comecei a fazer academia, mas pegando leve, quase uma fisioterapia... Os pés melhoraram com alguns meses, o joelho não. Fiz um raio-x e o médico pediu uma ressonância pra ver se precisava fazer cirurgia ou apenas repouso. Ignorei (digo, posterguei a ressonância e o repouso pra depois do Aconcágua). Tentei fortalecer os músculos das pernas pra poder começar o treinamento aeróbico sem piorar muito a lesão. Só faltando quatro meses pra viagem que deu pra começar a correr, 5 km, uma ou duas vezes na semana, quando conseguia. Sabia que deveria ter treinado com peso nas costas e com inclinação... mas tinha que poupar o joelho. E a inclinação forçava os tendões dos pés, que ainda não estavam 100%. Então continuei fazendo o que dava.
      Não pensei em desistir, mas tinha consciência de que com esses probleminhas a mais estaria assumindo riscos e dificuldades maiores. Somaram-se a isso os inúmeros desincentivos do tipo: “você deveria fazer várias montanhas acima de 6 mil antes de querer tentar o Aconcágua”; “sem guia?; “você devia pensar melhor antes de ir, gastar dinheiro e ter que desistir”; “Sem querer te desanimar, mas isso de ir sem guia me parece uma utopia”; “uma pessoa deveria tentar o Aconcágua depois de fazer, pelo menos, o Kilimanjaro e o Denali, necessariamente nesta ordem, pra ter chance de sucesso”; etc. Claro que esses "conselhos" nem sempre são pra desanimar, às vezes são pra te alertar, mas... às vezes o melhor é fingir que não ouviu/leu.
      E continuei adquirindo equipamento, planejando a alimentação, estudando a montanha e montando o cronograma.



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