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De São Paulo - SP a Itamonte - MG: 280 km, Oito Dias de Ciclismo e Aventura no Parque Nacional do Itatiaia

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Olá a todos! Conforme diz o título do tópico, eu resolvi ir de bicicleta até a Parte Alta do Parque Nacional de Itatiaia, cuja entrada fica em Itamonte - MG. Escrevi um relato durante a viagem para compartilhar a experiência com vocês e quem sabe incentivar ou esclarecer dúvidas de outros que tenham interesse em fazer a mesma viagem. Infelizmente, sou muito prolixo, o que resultou em um relato de proporções bíblicas (tão grande que comecei a escrevê-lo em 30 de dezembro e só fui terminá-lo hoje; talvez eu tenha exagerado na procrastinação). Quem conseguir ler isso está de parabéns, mas se não conseguir, pelo menos há algumas fotos bonitas perdidas no meio de todo o texto.

 

Planejamento (ou falta dele)

 

Na empresa onde trabalho, temos férias coletivas no final do ano. Normalmente, eu passo as férias descansando em casa, talvez indo acampar em Paranapiacaba (na região cujo nome oficial é Serra do Mogi) em um fim de semana só para variar. Mas desta vez resolvi colocar em prática uma ideia que eu tinha na cabeça há algum tempo: viajar de bicicleta.

 

Até então, eu não tinha um lugar em mente, mas há alguns meses eu havia descoberto por meio de uma amiga a existência do Parque Nacional de Itatiaia. Após passar algum tempo lendo o site oficial do parque e alguns blogs sobre aventuras, decidi que queria conhecer a Parte Alta dele, conhecida como Planalto do Itatiaia.

Dia 18 de dezembro foi meu último dia de trabalho: eu só retornaria no dia 4 de janeiro. Tempo mais que suficiente para a viagem, segundo o roteiro de 17 h 49 min proposto pelo Google Maps. Só o que me faltava era a bicicleta.

 

Após pesquisar na internet e em bicicletarias, descobri que uma bicicleta ideal para este tipo de viagem não me sairia por menos de R$ 2.000,00. Eu não tinha todo esse dinheiro e não estava disposto a passar os próximos 10-12 meses parcelando a bicicleta (até porque 10 vezes de 200 reais ainda é dinheiro demais para mim), então acabei comprando uma bicicleta mais básica: a Caloi Andes. Ainda no dia 19, no Carrefour perto de casa, eu a encontrei por R$ 619,90, parcelados em três vezes.

 

Naturalmente, a bicicleta não inclui chaves para manutenção, cadeados, bagageiro, caramanhola ou alforjes, então eu tive que procurar pelas bicicletarias da região. Minha intenção era ter tudo pronto para partir segunda-feira, dia 21, mas algumas partes (especificamente, a bolsa de bagageiro) foram mais difíceis de encontrar. O lado bom é que eu aproveitei a busca para estrear minha bicicleta, já que eu não pedalava há cerca de onze anos. No fim das contas, consegui sair de casa na terça-feira, dia 22. Levei uma mochila cargueiro com roupas (apenas três mudas de roupa: para a ida, para a trilha e para a volta), lanterna, papel higiênico, escova de dentes, creme dental, sacolas e faca, um saco de dormir e uma barraca. Eu decidi comprar provisões em alguma cidade no caminho, para não sair com muito peso. Água, só da caramanhola, que eu reabasteceria em postos de gasolina. Com base no Google Maps, eu esperava chegar lá em dois dias, parando apenas uma vez para dormir na estrada.

 

Custo da Bicicleta:

 

Bicicleta _________________ R$ 619,90

Acessórios e ferramentas____ R$ 409,79

Capacete__________________ R$ 69,00

TOTAL__________________ R$ 1.098,69

 

Primeiro Dia: 22/12/2015

 

Ao invés de sair durante a madrugada, concluí que o melhor era sair descansado de casa e, portanto, não usei o despertador. O roteiro sugerido pelo Onisciente Google manter-me-ia circulando pelas ruas de várias cidades, exigindo que eu seguisse pela rodovia Presidente Dutra somente a partir do município de São José dos Campos.Eu gostei da ideia, já que seguir pelas ruas da cidade é muito mais seguro do que por uma rodovia cheia de caminhões a 90 km/h. Saí por volta das 9 h da manhã com a expectativa de chegar a Guaratinguetá ou Lorena ao anoitecer.

 

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Ygritte e Compadre Washington precisam ter uma palavrinha comigo.

 

O início da viagem foi tranquilo. Eu moro na Penha, na zona leste de São Paulo, e meu primeiro passo era percorrer a ciclovia do Parque Ecológico do Tietê, que segue paralela à rodovia Ayrton Senna. Embora o Parque Ecológico esteja localizado a menos de uma hora de caminhada de minha casa, eu não o visitava há uns quinze anos ou mais. É um lugar bastante agradável, um pedaço de Mata Atlântica tão bem conservado que até faz você esquecer que o imundo rio Tietê corre ao longo do lado norte da ciclovia. A ciclovia, apesar de rachada e com um ou dois pontos parcialmente alagados (além de um carro sem rodas abandonado num ponto isolado, o que havia chamado a atenção de um grupo de ciclistas que eu suponho que estavam esperando pela polícia para remover o veículo), é surpreendentemente fácil de se percorrer.

 

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A ciclovia do Parque Ecológico do Tietê. As árvores ao redor abafam o barulho da rodovia Ayrton Senna, tornando o lugar agradavelmente pacífico. Só se ouvia o som dos pássaros.

 

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O rio Tietê e a rodovia Ayrton Senna estão além desta muralha de vegetação.

 

Saindo da ciclovia, cheguei aos bairros mais orientais da cidade, como São Miguel Paulista e Itaim Paulista. São regiões as quais eu não conheço muito bem, então eu fui obrigado a consultar o roteiro do Google Maps frequentemente. Felizmente, havia uma ciclovia percorrendo um bom pedaço das ruas e calçadas (algumas sem guias rebaixadas, o que me levou a um solavanco que até inclinou meu selim para trás) do bairro de São Miguel Paulista e meu trajeto levava através dela durante algum tempo. Saindo da ciclovia, eu pedalei até chegar no município de Itaquaquecetuba onde as coisas desandaram.

 

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Cavalos em uma área rural em Itaquaquecetuba.

 

O problema em Itaquaquecetuba é que muitas ruas não possuem identificação, ou possuem identificação em locais ilógicos (por exemplo, qualquer lugar que não seja a esquina). A princípio, o caminho foi fácil, já que passava por vias principais da cidade. Mas depois eu tive que entrar nas vias arteriais dos bairros suburbanos, onde eu era forçado a sair perguntando aos habitantes o nome da rua em que eu estava. E nem todo mundo dá informações certas. Eu aproveitei que estava na cidade para comprar provisões: biscoitos doces e salgados e amendoins. Quando já passava das 13 horas, alguns moradores garantiram que o caminho pelo qual eu estava seguindo era uma rua sem saída e eu decidi seguir pela rodovia Presidente Dutra a partir daí.

 

Morrendo de sede e cansaço e com a pele ardendo por causa do sol (eu usei protetor solar, mas minha pele não aguenta muito sol), eu segui pela rodovia Mogi-Dutra (onde tive a sorte de encontrar um posto Ipiranga com bebedouro) até chegar à Presidente Dutra. Eu estava em Arujá, mas a partir daí a viagem transcorreu sem grandes dificuldades (eu ainda vou usar muito esta expressão em meu relato. Aproveitem para começar seu prórpio jogo de beber). Uma chuva apanhou-me em Guararema no fim da tarde, mas eu encontrei um pedágio desativado e aproveitei o abrigo para comer algo e pegar o agasalho que estava dentro de minha mochila cargueira.

 

Quando já passava das 19 horas, eu estava em Jacareí, no km 165 da Dutra. Ali encontrei um posto de serviços grande, com restaurante e segurança 24 horas. A primeira coisa que fiz foi procurar um lugar para deixar a bicicleta. Eu a prendi a uma estaca de metal usando um cadeado de 1,5 m (com o qual travei a roda traseira e o bagageiro) e ainda travei a roda dianteira com outro cadeado. Depois, removi todos os alforges e partes não parafusadas e os prendi à minha mochila enquanto eu comia algo no restaurante.

 

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"Ninguém vai roubar essa coisa," pensei eu.

 

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"Ninguém." Felizmente, eu estava certo.

 

Depois de comer um pouco (um sanduíche de frango e um litro de suco de laranja), comprar duas garrafas de 1,5 l de água (a R$ 5,80 cada, um verdadeiro assalto) e tentar sem sucesso encontrar um local para recarregar os créditos de meu celular (eu realmente sou o tipo que prefere remediar a prevenir), eu pedi permissão ao segurança para armar minha tenda no terreno do posto. Muito gentil, ele me disse que não haveria problemas e sugeriu um gramado atrás de uma sebe que costumava ser utilizado por viajantes em minha situação que passavam pelo local. E foi assim que terminou meu dia: com menos progresso do que eu esperava, mas ainda assim muito bem.

 

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A grama mais macia sobre a qual eu já dormi. Não estou exagerando quando digo que dormi melhor neste gramado do que durmo em minha cama. E a câmera que usei é uma porcaria para fotos noturnas, caso não tenha ficado claro.

 

Custo do Primeiro Dia:

 

Provisões para a trilha ________ R$ 30,30

Jantar e água________________ R$ 44,00

Bebidas durante o dia__________ R$ 8,00

TOTAL___________________ R$ 82,30

 

Distância percorrida: aprox. 90 km (cerca de 10 km desperdiçados procurando por ruas perdidas)

Tempo de viagem: aprox. 10 horas

Velocidade média: aprox. 9 km/h

 

Segundo Dia: 23/12/2015

 

Após um café da manhã muito simples retirado de minhas próprias provisões, eu retomei a viagem às 8 h 30 min. Minha intenção no segundo dia era chegar à cidade de Cruzeiro, alguns quilômetros além de meu objetivo não concluído no dia anterior, Guaratinguetá. Eu estava me sentindo descansado e não cairia novamente na armadilha de seguir por dentro de cidades desconhecidas, então meu objetivo parecia fácil de cumprir.

 

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O sol foi tão impiedoso quanto no dia anterior, mas a paisagem compensava o sacrifício.

 

Não aconteceu nada de realmente interessante na viagem, exceto pelas paisagens da estrada e um arco-íris que avistei em Guaratinguetá. A Serra da Mantiqueira, onde o Parque Nacional do Itatiaia está localizado, podia ser vista ao norte durante a maior parte de minha viagem. E meu maior erro foi não ter fotografado a linha do horizonte de Aparecida, com suas belas igrejas e torres.

 

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O arco-íris em Guaratinguetá. Já era possível vê-lo do município de Aparecida, mas não com tanta nitidez.

 

Por volta das 18 horas, avistei o que seria a última parada pelas próximas três horas. E eu nem tive o bom senso de parar lá, já que não tinha ideia do que me aguardava: um longo trecho da Dutra (de Cachoeira Paulista a Lavrinhas, se não me engano) onde o acostamento dá lugar a uma faixa adicional exclusiva para caminhões. Para piorar, já estava escurecendo e eu estava cansado demais para pedalar nos trechos de subida. Eu passei boa parte daquele trecho andando o mais próximo da grama que podia enquanto caminhões passavam ao meu lado e ocasionalmente buzinavam em minhas orelhas. Confesso que considerei parar ali mesmo e armar minha barraca na grama, mas decidi que era mais sensato encontrar um lugar mais seguro para passar a noite. Acabei encontrando um posto de serviços em Lavrinhas, quando já era cerca de 21 horas. Eu estava tão cansado que quase não tive energia para jantar, mas acabei empurrando para dentro um prato de comida antes de dormir.

 

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Meu dormitório no segundo dia.

 

Custo do Segundo Dia:

 

Jantar___________________ R$ 40,88

Bebidas durante o dia______ R$ 55,00

TOTAL________________ R$ 95,88

 

Distância percorrida: aprox. 140 km

Tempo de viagem: aprox. 13 horas

Velocidade média: aprox. 10,8 km/h

 

Terceiro Dia: 24/12/2015

 

Restando cerca de 50 km até a Garganta do Registro, que eu pensava ser a entrada da Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia, eu esperava concluir minha viagem de ida antes do fim da tarde, mesmo sabendo que metade do caminho seria subindo uns 1.600 metros de serra. Como o parque não permite a entrada de visitantes após certo horário (14 horas, se não me engano), eu sabia que não entraria no mesmo dia, mas eu esperava acampar do lado de fora enquanto esperava pelo dia seguinte. Lamentavelmente, a realidade mostrou-se mais complicada do que meu "planejamento" levou-me a crer.

 

Eu estava pronto para continuar minha jornada às 8 h 10 min. Antes de partir, eu descobri que o posto onde eu estava possuía chuveiros que poderiam ser usados pelo preço de R$ 8,00. Sem banho há dois dias e pedalando debaixo de um sol escaldante, eu precisava desesperadamente de um banho, já que minha aparência estava nojenta e meu fedor, pior ainda (nem mesmo eu estava me aguentando). Mas eu não tinha shampoo, toalha ou sabonete e tinha esperanças de tomar um banho de cachoeira no dia seguinte, o que me levou a reconsiderar o uso dos chuveiros. Além disso, o custo daquela viagem, com as práticas criminosas de comércio dos postos de rodovia, estava me preocupando. Eu parti sem banho, decidido a tolerar minha imundície por mais um dia. E não, eu não costumo ser nojento assim em meu dia-a-dia. É incrível o que se pode descobrir a respeito de si próprio em um mochilão.

 

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O trecho da rodovia Presidente Dutra entre Lavrinhas e Queluz possui algumas das paisagens mais belas de toda a estrada.

 

Ao sul da Dutra, eu podia ver o rio Paraíba do Sul, que cruza a região do Vale do Paraíba e é considerado o mais importante do estado de Rio de Janeiro. Assim como a maioria dos rios que passa por regiões habitadas por pessoas, o Paraíba do Sul é altamente poluído, mas é difícil acreditar quando você vê a vegetação e as aves ao redor dele.

 

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A placa o identifica como rio Claro, mas isto aí é o rio Paraíba do Sul, mesmo. Os mapas não mentem.

 

Agora que eu estava chegando perto de meu destino, eu precisava sacar dinheiro para pagar pela entrada e pela área de camping. O Parque Nacional do Itatiaia aceita apenas dinheiro, o que significava que eu teria que achar algum banco 24 horas num dos poucos postos de serviços pelos quais eu ainda passaria ou perder tempo procurando por uma agência da Caixa na cidade de Queluz (em inglês: Whattalight City). Felizmente, acabei encontrando um terminal de auto-atendimento da Caixa no Graal Estrela, localizado num trecho da Dutra no município de Queluz.

 

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Um automóvel em exposição no posto onde saquei o dinheiro.

 

Com isso fora do caminho, eu logo havia cruzado a fronteira para o estado de Rio de Janeiro e deixei a Dutra assim que surgiu a oportunidade, seguindo para o norte através da rodovia Sebastião Alves do Nascimento (BR-354). A BR-354 possui a distinção de ser a rodovia federal mais alta do Brasil, chegando a 1.670 m na Garganta do Registro, meu destino. Eu só fui descobrir este fato depois que cheguei em casa, mas o considero uma ótima notícia: significa que, não importa para onde eu vá em minha próxima viagem de bicicleta, nunca será tão cansativo quanto este trecho do trajeto foi.

 

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O cenário em toda a rodovia Sebastião Alves do Nascimento é incrível, além de o clima ser muito mais ameno do que na Dutra, graças à altitude e às árvores.

 

Logo no início da BR-354, antes de a subida começar, encontrei uma área residencial com diversos estabelecimentos comerciais. Era cerca de 11 horas da manhã, então eu resolvi parar em um restaurante (Tempero da Roça, em Resende - RJ) para almoçar. Com apenas R$ 24,00, almocei mais do que meu estômago poderia suportar (mas ainda assim empurrei tudo para dentro: eu havia aprendido minha lição depois do que acontecera no dia anterior), bebi meio litro de suco de limão e ainda levei uma garrafa de meio litro de água. Foi o melhor negócio que fiz em toda a minha viagem.

 

No decorrer da subida pela serra, eu quase não pedalei: embora não fosse uma rodovia íngreme, a BR-354 parecia não ter fim e minha bicicleta com a bagagem não é o que se pode chamar de leve. Havia longos trechos desertos, com apenas árvores à vista, mas sempre surgiam trechos com alguns sítios agrupados onde eu podia encontrar bares e mercearias. Eu sempre pedia água ou comprava sucos nestes trechos, pois meu organismo estava sendo desidratado em tempo recorde com aquela subida.

 

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Não era íngreme, mas parecia interminável.

 

Lá pela metade superior da rodovia, comecei a encontrar canos de água de nascente pelo caminho, que foram minha salvação quando não havia mais estabelecimentos comerciais por perto. Os canos eram velhos e sujos, mas a água era fria e limpa, apesar de um ou outro grão de terra que vinha junto. Enchi minhas garrafas e minha caramanhola e bebi tanta água quanto pude. Ainda assim, eu estava cansado e minhas pernas estavam cobertas de arranhões causados pelos pedais da bicicleta. Andar ao lado da bicicleta quando se está cansado demais para seguir em linha reta não é recomendado quando se está usando bermuda.

 

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Parece nojento, mas quem garante que o encanamento da sua casa não está assim, também?

 

Por volta das 17 horas, eu finalmente cheguei à Garganta do Registro, em Itamonte - MG. Fica a poucos metros da fronteira entre MG e RJ, com um pequeno povoado cheio de lojas e bares naquele ponto. Minha pressa em encontrar um lugar para armar minha barraca era tanta que eu nem parei para reabastecer suprimentos, até porque eu já tinha água o suficiente comigo. Mas eu não esperava pela péssima notícia que me aguardava: em uma placa na entrada do território do Parque Nacional do Itatiaia, havia um mapa indicando que o acesso à Parte Alta dava-se através do Posto Marcão, a verdadeira entrada para visitantes do parque. O problema é que o Posto Marcão fica no km 13 da BR-485, a Rodovia das Flores, cuja altitude é ainda maior do que a da BR-345 que eu havia acabado de subir. E isso não era o pior: assim que comecei a subir a Rodovia das Flores, percebi que a maior parte dela era de terra coberta de pedras soltas irregulares. Os poucos trechos asfaltados tinham rachaduras e pedaços faltando em toda a parte. Eu nunca tive a chance de viajar muito, mas posso dizer com certeza que nunca vi uma estrada pior em toda a minha vida, seja nas regiões mais carentes de São Paulo, seja nas mais afastadas do interior.

 

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A estrada parece ter saído de um filme de Sergio Leone. Como sempre nesta minha viagem, o cenário compensou quaisquer dificuldades que tive.

 

Quando já passava das 21 horas, eu atingi o meu verdadeiro (e até poucas horas desconhecido) destino. No Posto Marcão, fui saudado por um guarda, que me indicou o banheiro e uma fonte de água potável. Ele também me deu algumas notícias piores do que todas as que eu havia recebido até então: em primeiro lugar, a área de camping do parque estava interditada. A notícia podia ser vista no site oficial do parque, mas eu não a havia percebido por alguma razão. Em segundo lugar, eu não poderia acampar nas proximidades do Posto Marcão ou no território do parque, o significava que eu teria que descer até o km 0 da Rodovia das Flores para dormir. E não, eu não poderia deixar minha bicicleta estacionada no posto, tampouco, embora o guarda tenha sugerido que eu tentasse falar com o pessoal do Instituto Chico Mendes (ICMBio - responsável por manter o parque) no dia seguinte, quando eu tivesse feito meu registro de visitante.

 

Como já estava escuro e percorrer a Rodovia das Flores é um pesadelo, o guarda sugeriu que eu acampasse em uma pousada desativada uns três quilômetros abaixo. Apesar de proibido, eu estaria fora do caminho dos carros que viessem pela manhã. Eu parti, determinado a seguir a sugestão, mas meu cansaço era muito e o trecho final da estrada era o pior de todos, de tal maneira que eu perdi um pedaço do pedal de minha bicicleta ao tentar descê-lo. Derrotado, eu armei minha barraca em um gramado à beira da estrada, a menos de um quilômetro do Posto Marcão. Na pior das hipóteses, eu seria forçado a desmontar a barraca às 6 h 30 min, quando o pessoal do ICMBio subisse a estrada para abrir o parque.

 

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Meu acampamento à beira da Rodovia das Flores. Observe as maravilhosas condições da estrada na parte inferior da imagem. Até mesmo os motoristas que passavam precisavam ter cuidado com as pedras e buracos.

 

Custo do Terceiro Dia:

 

Almoço___________________ R$ 24,00

Bebidas durante o dia________ R$ 9,00

TOTAL_________________ R$ 33,00

 

Distância percorrida: aprox. 57 km

Tempo de viagem: aprox. 13 horas

Velocidade média: aprox. 4,4 km/h

 

Quarto Dia: 25/12/2015

 

O dia pelo qual eu esperara o mês inteiro: eu estava prestes a entrar no Parque Nacional do Itatiaia. Por volta das 7 h 45 min, eu estava de volta ao Posto Marcão. Um dos funcionários do posto lembrou-me de que eu havia acampado em local proibido, mas foi apenas um aviso: no fim das contas, o pessoal do ICMBio foi bastante compreensivo e ninguém tentou me acordar para eu desmontar minha barraca. Eu registrei meu nome para visitar o parque por 3 dias consecutivos e paguei a taxa de R$ 30,00 (R$ 15,00 pelo primeiro dia e R$ 7,50 para cada dia adicional). Sem saber exatamente qual trilha seguir no meu primeiro dia, acabei aceitando a sugestão de um dos guardas para seguir pelo Circuito dos Cinco Lagos até a Cachoeira das Flores. Além de ser uma trilha longa, eu encontraria alguns rios pelo caminho, os quais eu aproveitaria para tomar um banho.

 

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O Posto Marcão ainda podia ser visto durante os primeiros minutos de caminhada pelo Circuito dos Cinco Lagos.

 

Logo no início da trilha, é necessário subir por um caminho bastante sinuoso. Apesar de não ser íngreme, a altitude da região é superior a 2 km, ou seja, o ar é rarefeito demais para alguém acostumado a viver 25 anos na cidade de São Paulo. Embora eu estivesse me sentindo descansado, tive de fazer várias pausas até me acostumar ao ar (e mesmo assim não cheguei a me acostumar completamente no decorrer de meus três dias). Mas o cenário era tão diferente de tudo o que eu conhecia (11% da flora local é endêmica, ou seja, não pode ser encontrada naturalmente em nenhum outro lugar do mundo), o aroma era tão agradável e os sons dos pássaros e insetos eram tão relaxantes que eu tinha a impressão de que estava sendo recompensado por minha falta de aptidão física.

 

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A foto não faz justiça à beleza da vegetação. E eu nem mostrei as flores mais interessantes do local.

 

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Minha favorita é a eryngium glaziovianum, embora não seja endêmica, até onde sei.

 

Um detalhe curioso é que o som propaga-se por uma boa distância no Planalto do Itatiaia. Mesmo após vários minutos de caminhada (talvez até mais de uma hora), eu ainda podia ouvir vozes vindo do Posto Marcão e da Rodovia das Flores (a qual eu podia ver à distância. É uma rodovia inacreditavelmente sinuosa, a propósito). Foi assim que descobri que outros visitantes visitaram o local depois de mim. Aparentemente, passar o natal escondido no meio do mato não faz de mim o Diferentão dos Mochilões.

 

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Sabe o que é diferentão? Este rochedo. Eu não tentei subir nele por causa da grama alta no caminho, mas eu compensaria minha falha no dia seguinte, numa trilha mais rochosa (alerta de spoiler, desculpem-me).

 

Não demorou muito para que tanto o Posto Marcão quanto a Rodovia das Flores saíssem de meu campo de visão. Um detalhe que não mencionei: na portaria do parque, há um guia de bolso disponível (cujo conteúdo pode ser visto aqui) contendo informações sobre a fauna, a flora, a história e o clima do parque, bem como mapas da região e de suas trilhas. Por razões desconhecidas (as quais eu não me preocupei em esclarecer: não seria uma aventura de verdade sem um elemento desconhecido, afinal de contas), o Circuito dos Cinco Lagos não aparece no mapa. De fato, nem mesmo a Cachoeira dos Cinco Lagos foi marcada. Até então, eu estava triangulando minha posição com base no Posto Marcão e na Rodovia das Flores, mas quando eu não pude mais avistá-los, só o que restava era usar as muitas formações rochosas como pontos de referência. Foi um fracasso, infelizmente: para um leigo como eu, era muito difícil saber qual delas era a Asa de Hermes, quais eram as Prateleiras, qual era o Morro do Couto, qual era o Pico das Agulhas Negras... Tudo o que eu sabia (com base na posição do sol, que esteve visível durante a maior parte do tempo) é que eu estava seguindo a nordeste, embora não fosse exatamente um caminho em linha reta.

 

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Uma espécie de brejo pelo qual a trilha passou. À distância, pensei que era um lago onde eu poderia tomar banho, mas a ideia acabou se mostrando equivocada.

 

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Uma foto que eu tirei com o auxílio de uma pedra e do temporizador da câmera. Acho que conta como selfie.

 

Depois de umas duas ou três horas de caminhada, por volta das 11 h, eu comecei a ouvir o som de água corrente. Logo avistei uma nascente que se tornaria a Cachoeira dos Cinco Lagos. Eu comecei a me animar: finalmente, depois de três dias pedalando, eu teria a chance de tomar um banho (sim, é nojento, mas se eu quisesse conforto, estaria em casa ou viajaria pela CVC). Mas o ânimo não durou muito: a água era gelada. Alguém aqui já foi ao Lago de Cristal em Paranapiacaba/Serra do Mogi? A temperatura da Cachoeira dos Cinco Lagos estava mais ou menos no mesmo nível. Eu sou uma porcaria para lidar com temperaturas extremas, então só consegui me sentar dentro da água e molhar os braços durante alguns segundos. Não foi um banho de verdade, mas foi o bastante para que eu me sentisse melhor do que me sentira desde o início da jornada.

 

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Eu não sei que lugar é este. Se ao menos houvesse algum tipo de sinalização bastante óbvia...

 

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A propósito, este filete de água no canto inferior direito da foto é a "Cachoeira" dos Cinco Lagos. Engraçado, não é? Tentem entrar na água e vejam se é possível rir com os pulmões congelados, então.

 

Depois de me secar ao sol (que estava agradavelmente quente naquele dia), continuei seguindo a trilha até chegar à uma região rochosa (em cujo início havia uma placa alertando sobre as pedras inclinadas e escorregadias) onde, ao invés da trilha, havia moledros e estacas vermelhas indicando o caminho. Se não fosse um dia sem neblina, eu poderia facilmente me perder ali, já que algumas estacas e moledros estavam muito distantes uns dos outros. Mas eu tive sorte com o clima, o que acabou me ajudando muito dois dias depois, quando eu voltaria a atravessar o Circuito dos Cinco Lagos sob uma neblina espessa (novamente, alerta de spoiler. Sou um péssimo contador de histórias). O que mais me chamou a atenção neste trecho, além do Pico das Agulhas Negras que estava cada vez mais próximo, foram os vários rochedos altamente escaláveis ao longo do caminho. Eu passei algum tempo andando em zigue-zagues para escalar todos eles, mas então percebi que já era quase meio-dia (pelas regras do parque, eu tinha que estar na portaria às 17 h) e comecei a me preocupar. Apertei o passo e parei de fazer desvios do caminho.

 

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Isto é um moledro.

 

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Se olharem atentamente, é possível ver uma estaca vermelha no horizonte, no canto direito da foto. logo ao lado da grama alta.

 

Algum tempo depois, cheguei a outra placa indicando o piso inclinado e escorregadio, o que significava que eu estava saindo do rochedo. A propósito, a propaganda era enganosa: o caminho era inclinado, mas não havia nada de escorregadio, nem mesmo nos raros trechos onde a rocha estava molhada.

 

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Embora minhas botas certamente tenham ajudado no quesito "não escorregar." Talvez o caminho seja mais difícil quando as solas de seus sapatos não se ajustam tão perfeitamente às rochas ásperas do Planalto do Itatiaia.

 

Poucos metros adiante, já na trilha e com vegetação por todos os lados, eu encontrei uma placa apontando o caminho para o Abrigo Rebouças, onde os visitantes podem passar a noite quando decidem pernoitar no parque e a fossa não está quebrada. Foi uma ótima notícia, na verdade: enfim eu tive a chance de confirmar minha posição no mapa e fiquei mais tranquilo com relação ao tempo restante para voltar ao Posto Marcão. A viagem transcorreu sem nada digno de nota (bebam um copo) durante algum tempo.

 

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Exceto pela paisagem (sim, este é o Pico das Agulhas Negras — e também é possível ver a Asa de Hermes no canto esquerdo da foto)...

 

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A todo o momento ela se mostrava digna de nota...

 

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Por vezes, digna até demais.

 

Depois de cruzar a ponte de madeira da imagem acima, eu logo cheguei a um ponto no qual a estrada dividia-se em três. Não havia placa alguma indicando por onde ir, o que me obrigou a confiar nas minhas tentativas de triangulação e na orientação com base na posição do sol. Eu escolhi o caminho da direita, que acabou se mostrando o caminho certo. Pode parecer idiota, mas é uma sensação muito boa saber que você é capaz de se virar no meio do mato usando apenas seus conhecimentos, mesmo que para algo tão insignificante.

 

Não levou muito tempo para eu chegar ao Abrigo Rebouças. Trata-se de uma casa de pedra muito bonita num local coberto de grama e ao lado de uma pequena represa. A área de camping também fica a apenas alguns metros de distância, com uma mesa de madeira e um banheiro externo. Em pleno natal e com a fossa quebrada, o lugar estava completamente deserto, então eu decidi fazer uma pausa para o almoço. Foi então que percebi que eu estava prestes a consumir os últimos doces em minha mochila. Nunca me senti tão desesperado: para que eu me sinta satisfeito, meu sangue deve conter açúcar o suficiente para que uma gota seja capaz de matar uma família de diabéticos. Mas não havia nada a fazer.

 

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A represa.

 

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O abrigo.

 

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A área de camping (normalmente, há espaços reservados para quinze barracas).

 

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Uma amizade que fiz na trilha. Era a ave mais corajosa da jornada: nem mesmo os carcarás que eu encontraria dias depois na rodovia Dutra aproximaram-se tanto de mim.

 

Com as nuvens já começando a cobrir o sol, eu prossegui rumo à Cachoeira das Flores. O dia ainda estava claro e o sol ainda estava quente, então eu esperava tomar um banho de verdade desta vez. Do Abrigo Rebouças, eu só precisava retornar à Rodovia das Flores, no trecho que leva do Posto Marcão à Travessia Ruy Braga, e seguir em direção à Travessia Ruy Braga durante uns 20 minutos. Não levou muito tempo para que eu pudesse ver o rio Campo Belo ao norte, acompanhando a estrada. A Cachoeira das Flores podia ser alcançada através de uma trilha semi-oculta, sinuosa e íngreme no lado norte da rodovia.

 

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O rio Campo Belo e a Cachoeira das Flores vistos da Rodovia das Flores.

 

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Já na Cachoeira das Flores, descobri que a água era tão gelada quanto a da Cachoeira dos Cinco Lagos. Felizmente, as rochas no meio do rio estavam quentes e secas e as nuvens saíram da frente do sol durante alguns minutos. Eu consegui lavar a cabeça e entrar na água até a cintura e ainda tive tempo de me secar ao sol.

 

Sem mais nada a fazer, eu retornei ao Posto Marcão. Ainda encontrei algumas paisagens interessantes no caminho, como dois rochedos que formavam duas pontes paralelas uma à outra sobre o rio Campo Belo (eu fiz questão subir em um deles) e a nascente do rio em questão. Também passei por uma área alagada da Rodovia das Flores, cujas poças são utilizadas pelos sapos-flamenguinho para reprodução. Por esta razão, o trecho final da rodovia é bloqueado aos veículos durante os meses de chuva no fim do ano. Quando eu cheguei ao Posto Marcão para registrar minha saída, o relógio marcava 16 h, o que significa que minha trilha durou 7 h 59 min.

 

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A nascente. Sim, o lugar inteiro está acima de 2.000 m de altitude. Seria a Machu Picchu brasileira se os incas tivessem passado pela região.

 

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As pontes naturais. Assim como a Ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo, estas pontes são grandes demais para o rio que cruzam. A natureza deve ter desviado verbas públicas durante sua construção.

 

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Um sapo-flamenguinho. Os maiores chegam a impressionantes (SQN) 3 cm.

 

Eu tentei conseguir permissão para deixar minha bicicleta no Posto Marcão durante os três dias, para facilitar a jornada pela Rodovia das Flores, mas não consegui. Consequentemente, segui para o plano B (nunca houve plano A, a propósito): encontrar um lugar escondido ao lado da rodovia para passar a noite. Proibido, mas eu não acendo fogueiras em meus acampamentos e tenho o cuidado de guardar meu lixo numa sacola, então não foi tão ruim. Melhor do que subir e descer diariamente 13 km de estrada destroçada. Acabei encontrando uma trilha estreita cercada de grama muito alta onde eu poderia ficar longe do campo de visão tanto do posto quanto da estrada, embora ainda houvesse um trecho dela de onde eu poderia ser avistado por quem estivesse subindo para o Posto Marcão. A chance de detecção era muito baixa, então decidi arriscar: às 17 h 30 min eu já estava com a barraca armada, mais cedo do que eu jamais havia acampado durante toda a viagem até agora. Apesar de algumas pedras sob a barraca, eu consegui dormir bem.

 

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O "estacionamento." Dias depois, a ferrugem no selim e nas ferramentas dentro do alforje me fez perceber que talvez não tenha sido uma boa ideia.

 

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Meu dormitório.

 

Por volta das 2 h, eu acordei com o som de alguma coisa se movendo do lado de fora da barraca. Soava como se fosse quadrúpede e pequeno, então eu imagino que tenha sido um gato-do-mato. Ou até um lagarto, embora seja improvável: eu não ouvi a barriga do réptil hipotético se arrastando pela grama.

 

Custo do Quarto Dia:

 

Entrada do parque_______________ R$ 15,00

Dois dias consecutivos adicionais___ R$ 15,00

TOTAL_______________________ R$ 30,00

 

Quinto Dia: 26/12/2015

 

Embora o chão não fosse dos mais confortáveis e o saco de dormir não fosse suficiente para manter meus pés aquecidos à noite (que aliás é muito fria no Planalto do Itatiaia), eu dormi bem e acordei com minha energia habitual (ou seja, hiperativo). Houve uma chuva forte à noite, então eu esperei um pouco para deixar o sol secar a minha barraca. Quando voltei ao parque, já passava das 9 horas.

 

Conforme eu esperava, ninguém havia percebido que eu armei uma barraca no território do parque. Após usar o banheiro e reabastecer minhas garrafas de água, eu segui o conselho de um dos funcionários do parque e resolvi fazer a trilha até a base das Prateleiras, passando pelo Morro do Couto. Não só era um caminho que seguia por um lado do planalto que eu ainda não conhecia, como também já havia outros visitantes seguindo naquela direção, o que facilitaria a vida do pessoal do ICMBio caso houvesse necessidade de resgatar alguém.

 

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O lado ruim é que não havia rios naquele lado do planalto, mas isto não reduziu em nada a beleza da paisagem.

 

No caminho eu devo ter passado por uns três grupos diferentes de visitantes, o maior deles com umas cinco pessoas. Havia também pelo menos um guia entre os visitantes, o que me fez pensar em como seria fantástico trabalhar assim. Já tentei pesquisar a respeito, mas só o que encontrei foi uma empresa em Paranapiacaba que afirma contratar apenas moradores da região. Mais um motivo para eu perceber que estou vivendo na cidade errada.

 

Como eu havia mencionado anteriormente, o caminho pelo qual segui em meu segundo dia no parque era rochoso e oferecia várias oportunidades para escaladas. Muitos rochedos bons para se ter uma vista tanto do Planalto do Itatiaia quanto do Vale do Paraíba. O melhor destes rochedos foi uma formação de várias rochas empilhadas na beira de um penhasco. Era bem fácil de subir, mas o topo era uma rocha isolada das demais e "pendurada" acima de um abismo. Não havia como não sentir um frio na barriga na primeira escalada.

 

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Como sempre, não consegui tirar uma foto cuja perspectiva mostrasse o local como deveria ser mostrado. A ponta do penhasco, à esquerda, é a rocha isolada da qual estou falando. Entre ela e o restante da formação havia várias rochas menores.

 

Depois de subir uma vez (um pouco mais devagar do que eu gostaria, devido ao supracitado frio na barriga), eu descansei um pouco (em outras palavras, comi alguma coisa, bebi água e atualizei meu relato de viagem, que aliás é muito mais completo em sua versão manuscrita), criei coragem e decidi tirar uma foto. Apoiei a câmera numa pedra, liguei o temporizador e subi feito um macaco para conseguir superar os dez segundos da câmera. Para minha alegria, o medo havia me abandonado. O resultado foi esta foto:

 

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A intenção era que o Vale do Paraíba aparecesse no fundo, mas a câmera estava num lugar muito baixo (só uns 2200 metros de altitude, eu acho).

 

Esta era a vista que eu teria se olhasse para trás:

 

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Novamente, a perspectiva da foto não ajuda. Parecia muito mais alto ao vivo. E também parece uma imagem de Cyrodiil, a terra fictícia onde é ambientado o jogo de computador The Elder Scrolls IV: Oblivion.

 

Depois de seguir em frente durante alguns minutos, eu ouvi vozes distantes e avistei um grupo de viajantes nos arredores do rochedo que eu acabara de escalar. Pelo que vi, eu fui o único a me empoleirar no penhasco, então estou esperando receber uma medalha do ICMBio pelo correio.

 

Mas chega de falar da pedra na beira do abismo. A melhor parte da viagem (e a melhor foto, embora minha cara de neandertal a tenha arruinado um pouco) estava poucos metros adiante: o cume do Morro do Couto! Segundo a Wikipédia, "a nona maior elevação rochosa brasileira, com 2.680 metros de altitude." E também é ridiculamente fácil de escalar, o que não reduz em nada a diversão.

 

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Na base do morro há uma antena numa pequena área cercada. A cerca está cortada em alguns pontos, o que indica que alguns visitantes tenham tentado escalar a estrutura, mas para ser sincero a ideia nem me ocorreu na hora. Eu não viajei 300 km para ver uma estrutura feita por pessoas. Não quando posso ver várias do tipo em minha cidade.

 

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As pedras menores na área central do morro formam uma trilha para "escalaminhar" até o topo. Não parece grande coisa na foto, mas ao vivo as menores rochas tinham mais ou menos o meu tamanho. Há vídeos no YouTube de pessoas escalando o Morro do Couto. Recomendo que os assistam.

 

O interessante é que a escalaminhada do Morro do Couto é parte da trilha: se vocês pretendem ir às Prateleiras por este caminho, precisam chegar quase ao topo do morro para depois descer por uma trilha de verdade:

 

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À direita da placa, havia algumas rochas que permitiam escalaminhar para o cume propriamente dito (e é coisa leve: não deve ser mais do que cinco metros acima da trilha). Naturalmente, eu não fotografei as tais rochas: estou começando a perceber que eu tenho uma péssima noção de prioridades na hora de fotografar.

 

No cume do Morro do Couto, eu fui recompensado com uma vista espetacular não só do Vale do Paraíba, como também de boa parte do Planalto do Itatiaia. Eu poderia jurar que o céu ali é mais azul do que o céu daqui de São Paulo. De fato, todas as cores pareciam mais vivas no parque, coisa que minha câmera não foi capaz de mostrar com clareza. Ou talvez o fotógrafo seja o culpado.

 

Ainda assim, eu acho que consegui acertar em pelo menos uma foto. Havia uma pequena rocha próxima à beira do abismo que era perfeita para apoiar a câmera. Eu usei novamente o método Peter Parker de fotografia para conseguir o que julgo ser a melhor foto de toda a viagem:

 

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Dá para ver o Vale do Paraíba nesta foto. E a vegetação do Planalto do Itatiaia. E eu. Mas acima de tudo (trocadilho digno de uma participação em A Praça É Nossa, eu sei), olhem para as nuvens. O contraste delas com o céu. Existe coisa mais bela do que o céu?

 

Entretanto, por mais belo, atlético e viril que eu (não) seja, acho que vocês preferem ver fotos do cenário no cume do Morro do Couto. Aqui estão algumas:

 

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Eu pretendia mostrar o Planalto do Itatiaia, mas as nuvens não saíam do caminho. E, pensando bem, eu gosto de nuvens, então acho que a foto saiu perfeita.

 

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A base do Morro do Couto. Dá para ver a antena quase no meio da imagem.

 

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O trecho final da Rodovia das Flores, que percorre o parque durante uns 3 km até terminar no início da Travessia Ruy Braga.

 

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O Vale do Paraíba. É possível ver pelo menos uma cidade e algumas estradas espalhadas pela foto.

 

Depois da sessão de fotos improvisada, resolvi descer pelo caminho que me levaria às Prateleiras. Novamente, havia muitos rochedos ao redor da trilha e eu estava me divertindo escalando todos aqueles que eram acessíveis o bastante, sem grama alta no caminho. Eu procurei evitar a grama alta durante toda a viagem porque o site do parque afirma que existem cascavéis e jararacas na Serra da Mantiqueira. Minha técnica favorita era saltar de rocha em rocha como um bode para chegar aos rochedos maiores, o que significa que eu treinei mais parkour nesta viagem do que em todo o ano de 2015 (eu meio que abandonei o parkour há tempos, mas estou tentando voltar a praticar).

 

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Um dos rochedos que encontrei estava ocupado por um abutre muito grande. Quando eu o vi, ele estava de frente para mim e de cabeça erguida, mas longe demais para eu tirar uma boa foto. Então eu comecei a andar devagar na direção dele, com a intenção de escalar o rochedo alto que aparece em primeiro plano na foto, à direita. Infelizmente, a ave virou as costas para mim e ameaçou levantar voo antes que eu pudesse dar cinco passos, o que me obrigou a usar o zoom da câmera para tirar a foto insatisfatória que vocês estão vendo agora. Olhando pelo lado bom, é possível ver ao fundo o Pico das Agulhas semioculto pela neblina e a Asa de Hermes alguns centímetros (na verdade, centenas de metros) à esquerda do Pico.

 

 

Foi então que eu percebi que já passava das 14 horas. Menos de três horas para eu voltar até o Posto Marcão, pouquíssimo tempo, pelas minhas estimativas. Eu acelerei e parei de tentar subir em todos os rochedos que eu via, até porque eu havia chegado a uma área aberta e quase desprovida de rochedos e uma garoa começou repentinamente. Foi uma das poucas vezes em que precisei vestir a jaqueta que eu levava na mochila.

 

Uma curiosidade que eu havia esquecido de mencionar: no dia anterior, meu primeiro dia no parque, um dos funcionários do ICMBio havia me alertado sobre a incidência de raios na região. Agora que eu estava andando por uma área descampada enquanto chovia, eu me lembrei do conselho e, admito, não fiquei muito contente com a possibilidade de ser atingido por um raio. Para piorar, embora a garoa não tivesse durado mais do que alguns minutos (o clima da Serra da Mantiqueira é bem variável, segundo dizem), os raios persistiram durante o resto do dia.

 

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Depois de um bom tempo descendo as encostas rochosas ao redor do Morro do Couto, eu cheguei a esta planície coberta de grama. No lado esquerdo, é possível ver uma trilha de grama em direção às Prateleiras (que também podem ser vistas no fundo, à esquerda). Mas não faço ideia do nome do rochedo no centro da imagem.

 

Ao sair das planícies verdejantes, eu estava novamente caminhando entre formações rochosas. Foi então que tive a maior surpresa da viagem: uma espécie de túnel chamado Toca do Índio. É apenas um trecho curto da trilha que passa por baixo de algumas rochas imensas sustentadas por outras rochas tão gigantes quanto, mas é diferente de tudo o que eu havia visto até então no Planalto do Itatiaia. Mas imagens valem mais do que palavras, então vejam vocês mesmos:

 

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A Toca do Índio vista do lado de fora.

 

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O interior da Toca. Após horas ouvindo os ventos fortes do planalto, o silêncio da toca foi uma das melhores experiências de toda a viagem.

 

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Saindo da Toca do Índio. Eu deveria ter feito como a Liga da Justiça e acionado o Flash (eis aí outra sugestão de jogo de beber: um copo para cada piada infame que eu contar. Não há no mundo um fígado capaz de suportar algo tão extremo).

 

A partir daí, eu tive que me apressar, pois já passava das 15 horas. Logo na saída da Toca do Índio, eu fui recompensado com uma vista incrível das Prateleiras, mas não havia tempo para eu me aproximar delas.

 

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Na verdade, eu acho que a Toca do Índio é a formação rochosa à esquerda. Não tenho certeza: estou escrevendo este trecho do relato em julho de 2016 (mais de seis meses depois da viagem) e já me esqueci dos detalhes da aventura. Preciso parar de procrastinar e terminar logo esta coisa.

 

Apesar do horário, eu ainda não resisti à oportunidade de fazer uma última parada. Fora da trilha, havia um grande penhasco rochoso de onde eu podia ver boa parte do Planalto do Itatiaia. Eu tive que sair do trajeto e ver se não havia um caminho alternativo por ali.

 

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Não havia caminho algum, mas valeu a pena.

 

OK, sem mais delongas, eu segui meu caminho de volta à Rodovia das Flores. O relógio já marcava mais de 16 horas quando eu cheguei ao final da estrada, o que significava que eu não conseguiria chegar ao Posto Marcão dentro do limite de tempo estabelecido. Eu acelerei meu passo (embora eu já caminhe bem rápido por natureza), mas já fui me preparando psicologicamente para ouvir umas reclamações merecidas dos guardas. Eu passei por vários pontos de referência no caminho, como a entrada da Travessia Ruy Braga, a Cachoeira das Flores, a trilha para o Abrigo Rebouças, as poças onde os sapos-flamenguinho procriavam e a nascente do rio Campo Belo.

 

Aliás, eu já mencionei várias vezes a Travessia Ruy Braga, mas não expliquei até agora do que se trata. Trata-se de uma trilha com mais de 20 km que leva da Parte Alta à Parte Baixa do parque (e vice-versa). Do planalto para a mata. Deve ser uma aventura e tanto, mas eu não tinha tempo e nem provisões para isto, então decidi deixar para a próxima. Dependendo do seu ritmo, a travessia pode levar dois dias, motivo pelo qual há dois abrigos (Massena e Água Branca) em pontos diferentes do trajeto para que os viajantes passem a noite.

 

Às 17 h 10 min, eu cheguei ao Posto Marcão. Felizmente, ao invés de uma bronca, acabei recebendo um elogio: aparentemente, eu estava indo muito bem em minha exploração do planalto, especialmente considerando que eu estava sozinho e nunca havia visitado o Parque Nacional do Itatiaia antes . Meus 10 minutos de atraso foram aceitáveis. Pronto para encerrar o dia, eu voltei ao meu "covil secreto do mal" da noite anterior e comecei a montar minha barraca.

 

Uma charada para vocês: qual é a pior coisa que poderia acontecer quando se é um viajante dormindo em uma barraca? Se vocês responderam "chuva durante a armação da tenda," parabéns! Eu precisei montar a barraca às pressas, usando o sobreteto para protegê-la enquanto eu me atrapalhava com as estacas, as varetas e o frio. Quando eu terminei, eu estava encharcado e havia umas duas poças de água dentro da barraca. A solução? Peguei minhas roupas sujas de três dias pedalando pela Dutra e usei-as para puxar toda a água para um canto da barraca (sorte minha que o chão era desnivelado). Depois cobri a poça com as mesmas roupas para que a água fosse absorvida durante a noite. Também tive que tirar as roupas que usei durante o dia para que secassem. Pois é, para não passar frio, tive de dormir sem roupas.

 

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Esta é sua reação após ler as quatro últimas frases do parágrafo acima.

 

...

 

— Tem uma barraca ali! — gritou alguém de algum ponto acima na rodovia.

 

Vocês acharam que a chuva era a pior coisa que poderia ter acontecido? Eu vesti minha calça imediatamente e passei os próximos dez minutos paralisado, esperando para ver se eu seria obrigado a desmontar minha barraca e descer pela estrada até Itamonte. Felizmente, ninguém veio. Tenho quatro explicações prováveis:

 

1 - Eu me escondi tão bem que ninguém conseguiu achar a entrada de meu esconderijo. Improvável, mas talvez a escuridão tivesse atrapalhado a busca.

 

2 - Quem me viu à distância era um visitante que estava saindo mais tarde. Ou tentando entrar na hora errada. Ou tentando fazer o mesmo que eu estava fazendo (camping ilegal — caramba, a que ponto a humanidade chegou para que haja a necessidade de proibir acampamentos em áreas naturais? É tão difícil assim não emporcalhar todos os lugares por onde passamos?). Seja como for, foi alguém que não me denunciou e por isso eu sou grato.

 

3 - Eu fui avistado durante a troca de turnos. A pessoa que me viu estava voltando para casa e não estava interessada em fazer hora extra, portanto, decidiu não tentar me encontrar.

 

4 - Assim como dois dias antes, quando eu estava cansado demais e dormi às margens da rodovia, a pessoa que localizou minha barraca foi simplesmente piedosa. Eu não estava prejudicando o meio ambiente e nem fazendo barulho, então alguém decidiu me deixar pernoitar em paz.

 

Custo do Quinto Dia:

 

ZERO! HAHAHAHA! Suelo, Heidemarie Schwermer, Mark Boyle, Peace Pilgrim, eu ainda me juntarei a vocês na busca pela vida sem dinheiro!

 

Sexto Dia: 27/12/2015

 

"E no sexto dia eu conversei com um viajante. E vi que era bom."

 

Há dias eu não dormia tanto. Acordei às 6 h 30 min, mas eu havia dormido por volta das 19 horas do dia anterior. Verdade seja dita, eu acordei algumas vezes durante a noite graças às pedras embaixo de minha barraca (e também porque eu costumo acordar durante a noite quando acampo. Deve ser a empolgação). Mas eu estava me sentindo perfeitamente descansado.

 

Antes de tudo, eu precisava secar minha barraca. O lado de dentro estava em bom estado: meu macgyverismo da noite anterior com as roupas sujas havia funcionado melhor do que eu esperava e o saco de dormir havia secado o que restou de água no chão enquanto eu me remexia durante o sono (já disse que sou hiperativo, fazer o quê?). Mas o lado de fora estava ensopado (aliás, percebi nesta aventura que minha barraca é muito boa contra a chuva: nenhuma gota de água entrou depois que ela estava armada e fechada), o que me obrigou a esperar algum tempo para que o sol a secasse. Felizmente, a manhã do dia 27/12/2016 foi ensolarada no Planalto do Itatiaia, embora o vento estivesse mais forte do que nos dias anteriores. Desmontar a barraca foi bem mais complicado com a ventania, até porque eu sou desajeitado a ponto de parecer um personagem de desenho animado, às vezes. Quando terminei (pouco depois das 8 horas), o volume era grande demais para a bolsa da barraca, o que me forçou a guardar as estacas no alforje da bicicleta.

 

Chegando ao Posto Marcão, eu fui tão bem recebido quanto nos dias anteriores e ninguém comentou nada a respeito da barraca avistada na noite anterior. O que me leva a uma quinta possível explicação:

 

5 - Havia outra pessoa ou grupo de pessoas acampando na região! É tão óbvio que nem consigo entender por que não foi a primeira ideia que veio à minha mente. Infelizmente, a pessoa/grupo ou não pensou em se esconder, ou não se escondeu bem o bastante.

 

De volta ao relato, desta vez eu iria até a Cachoeira Aiuruoca (é, eu precisei dos meus três dias no parque para decorar este nome. É fácil de falar e escrever, assim como o nome Jarlyelson, mas é tão bizarro que você acaba se esquecendo, assim como o nome Jarlyelson). Registrei minha saída às 9 h 10 min. Por ser a trilha mais longa da Parte Alta (sem contar as travessias), eu esperava novamente voltar no horário limite.

 

O início da trilha é também o caminho para o Pico das Agulhas Negras, ou seja, é o mesmo percurso que fiz enquanto voltava da Cachoeira dos Cinco Lagos para o Posto Marcão dois dias antes. Ainda assim, sempre há alguma coisa nova para se ver: um beija-flor azul-esverdeado espetacular que eu não consegui fotografar, borboletas de cores diversas que eu também não consegui fotografar, rochas anteriormente ocultadas pela neblina, as quais eu consegui fotografar, pois permaneceram imóveis o tempo inteiro (também aproveitei para subir em algumas que eu havia ignorado em minha corrida contra o tempo da última vez)...

 

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Esta árvore gentilmente segurou esta rocha para que eu pudesse fotografá-la sem dificuldades.

 

Eu continuei andando por mais alguns quilômetros (passei novamente pela ponte de madeira de dois dias atrás, aliás. Eu gostei daquela ponte) até chegar à bifurcação Asa de Hermes/Pedra do Altar. Segundo o mapa que eu tinha em meu bolso, o caminho para a Cachoeira Aiuruoca saía de uma bifurcação pouco antes da Pedra do Altar. Portanto, foi para a Pedra que eu segui.

 

Ao lado da Pedra do Altar, a trilha seguia pela encosta de um monte. Naquela encosta, descansando entre as rochas, eu conheci Elias, um morador de Resende que estava mostrando o parque a dois amigos da capital do Rio de Janeiro. Após dias apreciando a solidão, sem falar com ninguém que não fosse do ICMBio, eu fiquei surpreso ao perceber que eu estava gostando de conversar com outro viajante. Talvez Thoreau estivesse certo: a sociedade transforma os homens em monstros. Alguns dias longe dela e eu me tornei uma pessoa sociável (ou tão sociável quanto sou capaz de ser)!

 

Elias estava descansando por causa do ar rarefeito (ao qual eu ainda não havia me acostumado completamente, devo ressaltar), então ficamos conversando sobre a Parte Baixa do Parque Nacional do Itatiaia, que ele conhecia bem. Mata Atlântica, vários lagos, rios e cachoeiras e fauna em abundância (especialmente macacos) são alguns dos diferenciais da região, que eu ainda pretendo visitar no futuro. Ele me recomendou principalmente a Cachoeira do Escorrega, que é exatamente o que diz o nome: um toboágua natural. Quando eu falei sobre minha viagem, Elias disse que esse tipo de coragem só se tem quando se é jovem e recomendou que eu pedalasse até Angra dos Reis quando tivesse a chance, pois também há uma serra a subir no caminho.

 

Eu continuei meu caminho e, alguns metros adiante, encontrei os amigos de Elias retornando da Pedra do Altar. Conforme este havia dito, ambos haviam ido ao parque sem bagagem alguma, apenas com as roupas no corpo. O mais legal é que a intenção deles era subir o Pico das Agulhas Negras: eles só mudaram de ideia ao descobrirem que era necessário levar equipamentos de escalada para ter permissão de visitar a atração. Os dois me cumprimentaram, perguntaram se eu havia visto Elias e me alertaram sobre a neblina à frente, que realmente estava muito mais espessa do que o que eu havia visto até então. Eu gosto de neblina: o fenômeno é muito frequente na Serra do Mogi e dá um ar de mistério a qualquer lugar. Mas senti falta do céu azul e do sol radiante dos dias anteriores.

 

Depois de alguns metros, encontrei a placa apontando para a Cachoeira Aiuruoca. A partir daí, eu estava num trecho ainda desconhecido por mim. Até a vegetação era diferente, com arbustos altos e algumas flores que eu ainda não via visto. Parecia um jardim.

 

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Vários tons diferentes de verde, mas dá para ver flores amarelas e até mesmo algumas avermelhadas perto do solo.

 

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Algumas partes da trilha também estavam alagadas. Na verdade, nem havia água o bastante para entrar nas minhas botas, mas o chão estava mole e eu aproveitei a oportunidade para ficar pulando feito um bode, a fim de não ter de reduzir meu passo.

 

Foi neste novo trecho que encontrei a primeira e, até agora, única cobra silvestre que vi na vida (sou da cidade grande. Não me julguem). Na verdade, ela me encontrou: eu apenas ouvi a vegetação se mexendo à minha esquerda e olhei a tempo de ver a cauda dela. Era um animal não muito grande, talvez uns 50-70 cm, e com escamas de um verde meio acinzentado que lembrava muito a cor de algumas espécies de grama do local. Segundo a foto do guia de bolso do parque, não era uma jararaca (jararacas têm um padrão bem distinto em suas escamas e acho que a única subespécie na cor verde é a arbórea, que tem uma cor muito mais viva do que a cobra que eu vi) e nem tampouco uma cascavel (também têm um padrão distinto e não são verdes, além de eu não ter ouvido o som dos guizos que são marca registrada da espécie). Provavelmente não era venenosa, mas decidi continuar a evitar entrar na grama alta só por precaução.

 

Saindo dos "Jardins Alagados do Itatiaia®," deparei-me com o bioma mais incrível até então. Uma região diferente de tudo o que eu havia visto em toda a minha vida. A trilha continuava alagada pelo mesmo curso de água, mas o solo era alaranjado (não parecia areia, entretanto. Era uma terra vermelha desbotada) e a trilha passava entre pequenos "planaltos" de terra escura com cerca de 1,7 m (minha altura. Sim, sou um mochileiro de bolso, sintam-se à vontade para me levarem em suas mochilas ou porta-malas) e cobertos de vegetação no topo. Eu tive a impressão de que a trilha havia sido um rio outrora, antes de a água baixar e transformar-se naquele filete de água que esteve acompanhando a trilha desde os Jardins Alagados do Itatiaia®. Sei lá, não sou geólogo.

 

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Imagens valem por mil palavras. Parece até uma versão HD de Final Fantasy IX.

 

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Infelizmente, o valor das imagens não me impede de escrever um relato que já passa das 11 mil palavras.

 

Saindo do Rio Seco®, eu cheguei a uma área pantanosa que indicava que eu estava perto da cachoeira. A vegetação era alta (pensando bem, a vegetação é alta em todo o Planalto do Itatiaia. Acho que já passou da hora de eu me habituar a isto) e havia um rio (estava mais para uma nascente) passando entre as muralhas de grama alta e a trilha. Em alguns pontos, o rio cruzava ou até mesmo era a trilha (o que soa como alguma frase de mestre sábio de filmes de kung fu. "Não cluze a tlilha, seja a tlilha!"). Como vocês já devem ter deduzido, eu percorri a maior parte do trajeto pulando de uma margem do rio à outra. Infelizmente, houve um momento em que molhei minhas meias, o que deixou meus pés ensopados e enrugados, o que levou a mais bolhas. Baixa estatura, uma pele delicada demais para o sol e pés que se enchem de bolhas: este relato está fazendo maravilhas por minha imagem de homem viril. Mas poderia ser pior: pelo menos só está faltando eu ser forte e formal.

 

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O trecho pantanoso antes de ser dominado pelo rio.

 

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O momento em que vocês vão molhar seus pés, independentemente do que façam. E não, não há placas indicando o caminho. Sem sol nem pontos de referência visíveis, eu acabei seguindo pelo caminho errado aqui.

 

Enfim, após vagar um pouco pelo pântano, a trilha saiu do curso do riacho e passou a acompanhar a margem de um rio. E era um rio de verdade, como aquele que eu havia visto na Cachoeira das Flores, com uma correnteza razoavelmente forte e muito mais água do que as nascentes que predominam no Planalto do Itatiaia. Eu não precisava de placas ou mapas para saber que a Cachoeira Aiuruoca estava mais à frente no curso daquele rio. Mesmo com a neblina, a vista era magnífica, com um vale bem largo em cujas paredes várias árvores cresciam. Havia também uma trilha ao lado da cachoeira, mas ela parecia não levar a lugar nenhum. Acho que o mato cresceu e escondeu o caminho para o fundo do vale.

 

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Como eu disse antes, a neblina dá um ar misterioso ao lugar. Mas imaginem como deve ser este rio com o céu azul de um dia ensolarado!

 

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A Cachoeira Aiuruoca. O abismo tem cerca de 20 metros de altura, mas as pedras são firmes o bastante para uma pessoa parar no meio do rio e tirar fotos. Eu nem pensei em entrar na água desta vez: estava frio demais e o vento estava muito forte.

 

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Pelo visto, o curso do rio segue até a Parte Baixa do parque. Pena que eu não tinha um barril. Ou a vontade de me molhar no frio.

 

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A trilha ao lado da cachoeira. A vegetação era a mesma do Circuito dos Cinco Lagos, a área mais florida do Planalto do Itatiaia.

 

Sem mais nada a fazer ali, eu decidi fazer o caminho de volta. Como ainda era cedo, eu voltei pelo Circuito dos Cinco Lagos, mas não aconteceu nada interessante no caminho.

 

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Se eu não tivesse seguido por este caminho antes, teria vagado para fora da trilha em alguns lugares. Com toda a neblina daquele dia, alguns moledros e estacas de sinalização não eram nem de longe tão visíveis quanto os da foto acima.

 

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Como podem ver nesta foto, àquela altitude, a neblina era na verdade uma nuvem. Eu estava literalmente andando nas nuvens. Precisei descer para sair de dentro delas. Parece bobagem, mas é uma coisa muito legal quando você começa a pensar a respeito.

 

Quando eu cheguei ao Posto Marcão, ainda era bem cedo. Registrei minha saída às 15 h 40 min e saí do posto às 15 h 57 min. Chegara o momento de enfrentar aquilo que eu temia desde a noite em que adentrei o território do Parque Nacional do Itatiaia: a descida pela Rodovia das Flores.

 

Felizmente para mim, a Rodovia das Flores era muito mais fácil de se percorrer à luz do dia e sem o cansaço causado pela subida de quatro horas que eu havia feito três dias antes. Os primeiros 3 quilômetros realmente são um saco, mas a estrada fica bem melhor a partir do Km 10, desde que se mantenham os freios acionados. E eu pude ver a paisagem daquele trecho superior da estrada, que era muito bonita. Em alguns pontos, a vegetação tinha um cheiro muito bom que me fazia lembrar daquela barraca de ervas que acho que existe em todas as feiras livres de São Paulo. E eu ainda vi uma formação rochosa na qual eu nunca havia reparado antes: a Pedra do Camelo.

 

>Mas esperem! Há um detalhe que diferencia a Pedra do Camelo da Grande Esfinge de Gizé. Um GRANDE detalhe! Ao contrário de nossa amiguinha egípcia desproporcional, a Pedra do Camelo tem uma cabeça do tamanho certo para a robustez de seu corpo, mas só se você olhá-la do modo certo. Não é uma cabeça humana! De fato, não é sequer uma cabeça de camelo! A cabeça da Pedra do Camelo é, na verdade, uma cabeça de polvo, tão grande quanto se pode esperar do mais inteligente dos invertebrados, mas também tão desprovida de firmeza quanto se pode esperar de um molusco. Incapaz de sustentar seu peso fora da água, a Pedra do Camelo mantém a cabeça baixa, caída flacidamente para a frente de modo a parecer pequena demais para seu corpo. Algumas pessoas poderiam até pensar que a cabeça está incompleta ou mesmo completamente erodida, mas isto é um erro! A Pedra do Camelo é perfeita e meu maior arrependimento é não poder compartilhar seu esplendor com vocês, leitores.

 

Meu terapeuta me disse que eu devo manter distância de uma coisa chamada Teste de Rorschach, mas nunca entendi o porquê. Deve ser porque eu sou fã do Dr. Manhattan.

E vejam só, eu acabei de demonstrar que uma imagem pode valer 305 palavras, ao invés das mil que o dito popular nos leva a crer que são necessárias.

 

Saindo da Garganta do Registro e voltando à BR-354, fui recompensado com a melhor parte da cicloviagem: descer os 1670 m de altitude da estrada. Eu não precisei pedalar, mas mesmo assim consegui ultrapassar alguns carros. Acredito que eu tenha chegado a 50 km/h, mas nunca saberei ao certo. Um velocímetro faz falta. Seja como for, eu decidi manter a velocidade dentro dos limites de 40 km/h da rodovia. Para isto, usei como referência um caminhão que descia a estrada lentamente: eu o segui de perto durante um bom tempo, usando os freios para impedir minha aceleração. Mas eu me cansei daquilo depois de uns quinze minutos e continuei a descer como um maníaco normal.

 

Na metade inferior da estrada, num trecho totalmente deserto, encontrei um carcará parado no acostamento. Descansando, talvez? Era um animal magnífico, com o corpo castanho-escuro, a cabeça branca e uma crista preta (ou talvez apenas castanho-escuro). Mas alçou voo antes que eu pudesse sacar meu celular.

 

Na rodovia Presidente Dutra, logo depois de entrar no território do estado de São Paulo, conheci um ciclista chamado Vinícius. Ao saber de minha viagem, ele pediu para tirar uma selfie comigo (na qual eu tive a chance de ver o quão cansado, sujo e, acima de tudo, feliz eu estava) e pedalou comigo em direção ao Graal Estrela, onde eu pretendia passar a noite. Vinícius mora (ou morava; estou demorando tanto para escrever este relato que é possível que o Pico das Agulhas Negras seja nivelado pela ação do tempo antes de eu conseguir publicar esta coisa) em Queluz e tem o hábito de andar de bicicleta pela Dutra, o que explica sua bicicleta speed. Nem preciso dizer que minha mountain bike (ou seria monster bike? Hahaha, adoro piadas infames e trocadilhos prassistas) não atingia a velocidade necessária para acompanhá-lo e eu só consegui ficar perto dele porque ele estava indo devagar para me ajudar.

 

No Graal Estrela, um guarda recomendou que eu jantasse no restaurante Retiro dos Caminhoneiros, que oferecia comida por quilo a preços razoáveis. Segundo ele, os outros restaurantes do posto eram armadilhas para turistas, com preços abusivos pela quantidade oferecida. Eu deveria ter seguido o conselho dele, mas havia um NYC Burger ali e eu estava desesperado por um hambúrguer e um milk-shake. Eu não comia nada doce há dois dias, afinal de contas.

 

Depois do "jantar," eu pedi permissão para acampar no local. Demorou um pouco mais do que nos postos anteriores, mas deu certo no fim. Armei minha barraca num gramado afastado e deixei a bicicleta travada do lado de fora da barraca. Já passava das 20 horas, mas a noite estava muito quente: toda a umidade que eu não consegui tirar da barraca no planalto secou em poucos minutos em Queluz. Depois veio outra chuva e molhou tudo de novo, mas desta vez a barraca estava armada e só precisei estender o sobreteto para impedir que entrasse água. Eu me senti dentro de um forno, mas pelo menos não precisei secar a parte de dentro da barraca no dia seguinte.

 

Custo do Sexto Dia:

 

Jantar___________________ R$ 26,00

TOTAL_________________ R$ 26,00

 

Distância percorrida: aprox. 44,5 km

Tempo de viagem: aprox. 3 horas

Velocidade média: aprox. 14,8 km/h

 

Sétimo Dia: 28/12/2015

 

Fui acordado à 5 h 50 min por um dos guardas, que me perguntou a que horas eu pretendia sair. Embora eu estivesse cansado e apesar do tom amigável do guarda, eu entendi a mensagem e disse que já estava me levantando. [sarcasmo]Espero ansiosamente pela oportunidade de me hospedar novamente no terreno do Graal Estrela.[/sarcasmo] Olhando pelo lado bom, o guarda disse que, se eu precisasse, ele e seus colegas poderiam tentar me ajudar a conseguir o café da manhã. Acho que eles pensaram que eu era um mendigo (com a aparência e o cheiro que eu tinha, não posso culpá-los) e eu pensei seriamente em me aproveitar da situação, mas concluí que não seria nada ético e fui pagar pelo meu café da manhã como um turista normal, mesmo não sendo um (se vocês soubessem a significância desta última frase para mim...).

 

Após um café da manhã reforçado (sanduíche de bauru — embora Bauru estivesse a 550 km de distância (piada nível "é pavê ou pacumê?") — , suco de goiaba e um pedaço razoável de bolo de chocolate), eu saí às 7 h 20 min com a intenção de chegar a São José dos Campos.

 

Não sei se foi pelo clima mais ameno daquela manhã (o sol não estava impiedoso como da última vez em que eu passara pela Dutra), ou se foi pela minha alimentação reforçada nas duas últimas refeições, ou se foi por eu ter me habituado ao ar rarefeito das montanhas, mas eu nunca havia tido tanta energia até então. Eu consegui subir pedalando todas as ladeiras no caminho, atravessei aquele trecho perigoso de meu segundo dia de viagem (sem acostamento, sinuoso e com faixa exclusiva para caminhões à direita) em menos de uma hora e, mesmo com as pausas para pegar água, eu percorri cerca de 160 km no total. Eu até consegui parar num posto por volta da 12 h 30 min para tomar um banho, o que se mostrou um de meus maiores arrependimentos na viagem (R$ 10,00 para usar o chuveiro durante seis minutos e R$ 25,00 pelo shampoo e pelo sabonete? Eu deveria ter aguentado minha imundície um pouco mais).

 

A viagem transcorreu sem dificuldades (bebam outro gole!) até umas 17 h 30 min, quando eu passava por São José dos Campos (sim, eu havia alcançado meu objetivo e agora pretendia ultrapassá-lo). A rodovia passa por dentro da cidade, o que significa que eu teria de entrar nas ruas do município se eu quisesse parar (e eu não queria parar). Ademais, começou a chover justamente enquanto eu passava por um trecho sem acostamento. Havia saídas por toda a parte, com carros entrando a todo o momento. E meus freios já estavam quase completamente gastos, embora na hora eu tivesse pensado que fosse apenas a chuva interferindo na aderência dos v-brakes.

 

A chuva estava forte o bastante para me obrigar a parar debaixo de um viaduto durante uns 20 minutos. Um motociclista morador de São José dos Campos puxou assunto comigo e alertou-me da criminalidade alta na região. Honestamente, se eu desse ouvidos a todo mundo que me alertou sobre o risco de ser assaltado na estrada, eu nunca teria saído de minha casa. Existe perigo em toda a parte, pessoal: não adianta viver a vida com medo. Seja como for, eu me conformei com a chuva e resolvi seguir viagem daquele jeito, mesmo.

 

Infelizmente, a cidade não acabava nunca, o que significava que eu não encontraria um lugar para acampar naquela noite. Eu comecei a ficar de olho nos preços das pousadas, mas dentro da cidade elas eram muito caras (R$ 70,00 ou mais por noite). Depois de algum tempo, cheguei a um posto da Polícia Rodoviária Federal. Eu tinha esperanças de conseguir permissão para montar minha barraca no terreno deles, mas não precisei perguntar para perceber que não daria certo: os Federais eram tão indiferentes quanto funcionários de hospitais públicos. Ao invés disso, perguntei a que distância estava a próxima pousada (eu já estava saindo da área mais urbanizada da cidade). A resposta: três quilômetros, em frente a uma passarela.

 

Apesar da chuva, dos freios e do selim frouxo que se inclinava para trás sempre que eu passava por um buraco ou lombada, eu ainda estava com energia. Os três quilômetros foram percorridos sem dificuldade (outro gole!). Eu atravessei a passarela e cheguei à Pousada da Dutra, no sentido Rio de Janeiro da rodovia.

 

A pousada era agradável. Fui bem atendido e o preço não era ruim (R$ 60,00 por um quarto sem banheiro e com direito a café da manhã, sabonete e toalha). Deixei minha bicicleta num canto não muito longe do quarto e fui tomar banho. Se eu soubesse, nunca teria gasto aquela fortuna pelo banho de seis minutos naquele posto de serviços por onde passei na hora do almoço. Sério, até hoje me arrependo daquilo. Nunca superarei a decepção.

 

O jantar, infelizmente, não estava incluso. Mas valeu a pena: R$ 21,00 por um prato de pedreiro lotado de arroz, feijão, mandioca, cebola e filé de frango, acompanhados de um suco de laranja (um copo de 500 ml, pelo que me lembro). E era uma comida saborosa.

 

Por volta das 22 horas eu fui dormir. Eu tinha o direito de permanecer até o meio-dia, mas pretendia ir embora antes. A Pousada da Dutra fica em Jacareí, o que significava que no dia seguinte eu já estaria em casa.

 

Custo do Sétimo Dia:

 

Café da manhã______________________ R$ 26,59

Banho _____________________________ R$ 10,00

Shampoo e sabonete ________________ R$ 25,00

Doces e sucos no decorrer do dia___ R$ 37,80

Pousada da Dutra + Jantar _________ R$ 81,00

TOTAL_____________________________ R$ 180,39 (e assim, em um único dia, eu desfiz toda a evolução espiritual pela qual eu passara no dia anterior. Mesmo não acreditando em espiritualidade, eu fiquei decepcionado comigo mesmo)

 

Distância percorrida: aprox. 160 km

Tempo de viagem: aprox. 12 horas

Velocidade média: aprox. 13,3 km/h

 

Oitavo Dia: 29/12/2015

 

Desta vez, eu acordei às 6 h 30 min. Aproveitei para atualizar o relato de viagem. Depois, fui tomar o café da manhã, que valeu todo o dinheiro gasto até então. A mesa era tão farta que até parecia núcleo rico de novela das oito. Havia uns quatro sabores de sucos, além de café (que eu detesto) e achocolatado (que eu amo mais do que amo minha própria mãe). Também havia bolos, pães, mortadela, presunto, queijos, requeijão, margarina, frutas... Eu comi tudo o que consegui forçar goela abaixo, embora o foco tenha sido nos sucos, mesmo. A maioria dos camelos desidratados bebem menos água do que eu.

 

Às nove da manhã, eu segui viagem. Infelizmente, minha energia do dia anterior havia sido esgotada: eu estava descansado, mas nem de longe tão elétrico quanto antes. Além disso, uma garoa muito chata cobria toda a região de Jacareí e da Grande São Paulo.

 

Como eu nunca passo por uma desgraça sem um fator multiplicador (eu precisaria de um relato de mais de 20 mil palavras só para descrever o quão cagado eu sou), foi então que eu percebi que meus freios estavam gastos, ao invés de apenas afetados pela chuva, como eu pensara no dia anterior. Imagino que as sapatas dos freios não aguentaram a descida da Rodovia das Flores e da BR-354.

 

Assim que a sinalização da Dutra indicou, eu segui por uma saída que levava à rodovia Ayrton Senna, sentido Mogi das Cruzes. Minha intenção era passar por Mogi, Suzano e Itaquaquecetuba para chegar ao bairro paulistano de Itaim Paulista, de onde eu pegaria a ciclovia do Parque Ecológico do Tietê novamente. Fechar a viagem como ela começou, por assim dizer. Muito poético, mas como eu disse anteriormente, sou um sujeito completamente cagado.

 

Em um trecho isolado (sem carros nem construções. Diabos, nem mesmo animais podiam ser vistos ali) da rodovia Ayrton Senna, minha sorte começou a mudar: os freios começaram a funcionar! Entretanto, eu estava me sentindo estranhamente cansado: mesmo para descer ladeiras, eu precisava pedalar com força. E havia um barulho estranho vindo de algum lugar atrás de mim, mas eu não conseguia ver nenhum veículo que pudesse estar emitindo algum som. Foi então que somei dois mais dois e descobri o motivo das três ocorrências: a câmara do pneu traseiro estava murcha.

 

Em minha defesa, eu aceitei o contra-tempo com estoicidade. Normalmente, eu rio histericamente quando algo muito ruim acontece a mim, mas naquela hora eu só estava interessado em seguir viagem, até porque eu já estava morrendo de sede. Eu desmontei da bicicleta e andei pelo acostamento em busca de um posto de serviços.

 

Eu não tinha ideia de quanto faltava para chegar ao próximo posto, então resolvi pedir informações num telefone de emergência que encontrei à frente. O atendente mencionou duas alternativas para mim: um posto de serviços na rodovia, a 25 quilômetros, ou um na cidade, pegando uma saída a 12 quilômetros. Eu agradeci e comecei a andar, tentando desesperadamente me convencer de que 12 quilômetros não era uma distância muito longa.

 

Após caminhar uns dois quilômetros (o que não deve ter levado mais do que 20 minutos, mas eu me sentia como se tivessem sido duas horas), a salvação surgiu. Em um deus ex machina digno das primeiras histórias do personagem Tintin (leiam Tintin na América se quiserem entender a referência), dois ciclistas voltando de Aparecida passaram por mim e me cumprimentaram. Eu perguntei se alguém poderia me emprestar uma bomba e eles pararam para me ajudar.

 

Para minha tristeza, eles descobriram que minha câmara estava furada. Um corte bem na base do pino de entrada de ar, impossível de remendar. Mas um dos dois ciclistas (eu nunca peguei o nome deles; eu realmente preciso desenvolver minhas habilidades sociais) tinha uma câmara reserva e simplesmente a deu a mim, sem exigir absolutamente nada em troca. Eu até tentei pegar o telefone dele para poder pagá-lo quando eu chegasse em casa, mas ele não queria nem falar em pagamento. Eu mal consegui acreditar em minha sorte. Além disso, os dois ensinaram-me a trocar a câmara (eu tinha as ferramentas, mas nunca havia feito aquilo antes. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, mas é muito melhor aprender com quem já sabe como se faz) e, nesse meio tempo, um terceiro ciclista passou por nós (um que eu havia cumprimentado horas antes, ainda na rodovia Presidente Dutra) e também nos ajudou. Terminada a manutenção, nós nos despedimos e seguimos viagem (na mesma direção, mas minha bicicleta é uma mountain bike, lembram? Parece que o Brasil inteiro prefere os modelos speed, então eu sempre fico para trás), mas não sem antes eu ganhar dois adesivos de reparo de câmara daquele terceiro ciclista que havia nos ajudado.

 

A partir daí, eu continuei meu caminho sem problemas (mais um gole!) até chegar em Itaquaquecetuba. A não ser que as estradas de Suzano e Itaquá possam ser consideradas problemas (podem, sim). Ou a chuva repentina que caiu enquanto eu passava por ambos os municípios, atrapalhando minha visão enquanto eu tentava pedalar sem freios pelas ruas sinuosas e cheias de ladeiras e lombadas. Pensando melhor, acho que não foi totalmente sem problemas. Mas tudo bem: as adversidades foram algumas das melhores partes da aventura.

 

Infelizmente, minha jornada teve um final triste. A meros 33 quilômetros de minha casa, ainda no território de Itaquaquecetuba, eu parei em um posto para pedir informações. Um dos frentistas percebeu que o pneu traseiro de minha bicicleta estava murcho. Eu pensei que seria algo simples de resolver, já que havia um calibrador de pneus naquele mesmo posto. Mas descobri que o pino da câmara que eu ganhara era diferente do padrão usado por automóveis e pelas câmaras que vieram com minha bicicleta: a tampa que era um tipo de parafuso que não saía completamente e não se encaixava no calibrador do posto. Para piorar, quando tentei abrí-la, o ar que restava na câmara escapou, o que me fez pensar que talvez eu não a tivesse tampado direito desde o início e foi isto que fez com que ela murchasse. Mas nunca saberei ao certo.

 

Eu tentei ir a uma borracharia ao lado do posto, mas eles só trabalhavam com pneus de carros. Numa última tentativa, um frentista encontrou uma bomba na garagem de troca de óleo cuja mangueira se encaixava perfeitamente no pino da minha nova câmara. No entanto, descobrimos tarde demais que aquela bomba liberava ar em grandes quantidades: assim que a encostamos no pino da câmara, esta arrebentou-se como um balão. Desta vez eu ri, embora não de maneira histérica.

 

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Minha bicicleta ao final da aventura.

 

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Até hoje me sinto culpado por ter estragado a câmara que ganhei. Isto é que é cuspir no prato em que se come.

 

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Já dizia o alegre Caetano Veloso com seu ritmo contagiante (é claro que estou sendo sarcástico): Terra... Terraaa...

 

Minha primeira ideia para terminar a viagem foi voltar até Suzano (que não estava muito longe) e pegar o trem da Linha 11 da CPTM, mas eu estava sem Bilhete Único e não queria sacar dinheiro. Além disso, era uma terça-feira, o que significava que eu só poderia entrar no trem com a bicicleta após as 20 horas. Os frentistas sugeriram que eu seguisse até a estação mesmo assim, pois havia uma bicicletaria na região. Mas eu já estava cansado de carregar a bicicleta e já havia gasto muito mais dinheiro do que queria, então apelei para um último deus ex machina: meu pai.

 

Meu pai mora em Rio Grande da Serra, um município que muitos mochileiros paulistanos devem conhecer (de fato, ele mora numa rua quase no limite da região urbanizada da cidade, ou seja, a cerca de meia hora de caminhada da entrada da famosa — e ilegal — Trilha da Cachoeira da Fumaça de Paranapiacaba). Fica ao lado de Suzano, o que significa que ele estava relativamente perto do Posto Itaquano, onde eu estava esperando. Como ele possui um carro e estava de férias naquele dia, eu resolvi usar o que restava da bateria de meu celular para telefonar para ele.

 

E foi assim que eu terminei minha viagem: um derrotado. Mas um derrotado feliz, mais feliz do que muitos vencedores. Meu maior arrependimento foi ter que voltar para casa e para a velha rotina capitalista à qual estou preso até hoje. Pois é, minha história tem um final triste. O que vocês esperavam de um relato cuja primeira imagem é uma captura de tela da série Game of Thrones?

 

Custo do Oitavo Dia:

 

Bebidas (uma parada em Suzano)_______ R$ 15,50

Sundae (enquanto esperava por meu pai)____ R$ 3,50

TOTAL____________________________ R$ 19,00

 

Distância percorrida: aprox. 75 km

Tempo de viagem: aprox. 5,5 horas

Velocidade média: aprox. 13,6 km/h

 

Custo Total da Viagem:

 

Bicicleta e acessórios_______ R$ 1.107,06

Dia 1______________________ R$ 82,30

Dia 2______________________ R$ 95,88

Dia 3______________________ R$ 33,00

Dia 4______________________ R$ 30,00

Dia 6______________________ R$ 26,00

Dia 7_____________________ R$ 180,39

Dia 8______________________ R$ 19,00

TOTAL_________________ R$ 1.573,63

 

Considerações Finais

 

- Levem shampoo, chinelos e sabonete de casa.

 

- Comprem o máximo de barras de cereais e amendoins (energia é essencial numa viagem dessas) que puderem e evitem gastar dinheiro com comida na estrada. Sugestão: estabeleçam um limite diário de gasto que seja suficiente apenas para uma refeição reforçada por dia. É o que pretendo fazer da próxima vez.

 

- Mesmo que não estejam com sede, SEMPRE parem nos postos de gasolina para beber o máximo de água que conseguirem. Sério, às vezes a próxima parada está a horas de distância e a sede vem no meio do caminho.

 

- Eu não encontrei um lugar para encaixar esta informação no relato, mas antes de eu pegar a rodovia Ayrton Senna, quando eu passava por Guararema, um segundo carcará voou sobre minha cabeça a uma altitude de uns 3 metros.

 

- Apesar de eu ter incentivado um jogo de beber com base em meu relato, eu não bebo. Nunca consegui apreciar o sabor repulsivo do álcool.

 

- Levem câmaras reserva, bomba, adesivos para câmaras, enfim, tudo o que é necessário para consertar/trocar pneus furados.

 

FATO CURIOSO: uns dois meses depois, enquanto eu chegava ao trabalho de bicicleta, a câmara traseira estourou novamente. Eu estava a uns 2,5 quilômetros de distância de meu local de trabalho, mas à noite tive de voltar para casa a pé o caminho inteiro. A distância entre meu trabalho e minha casa? Exatos 20 quilômetros, segundo o Google Maps. Façam as contas: parece que era meu destino percorrer aqueles 25 quilômetros carregando minha bicicleta com a câmara furada.

 

Nem preciso dizer que, desde então, eu comprei uma bomba e uma câmara reserva e eu sempre as carrego em meu alforje.

 

Acima de tudo, se vocês estiverem pensando em fazer uma viagem do tipo, parem de pensar e apenas façam.

 

- É arriscado? Sem dúvidas, mas tudo na vida é arriscado: não faz sentido viver com medo, até porque isso não é viver. Como podem ler no relato acima, eu não tive problemas com criminosos (exceto pelas práticas criminosas de comércio dos restaurantes de estrada), não caí da bicicleta uma única vez, mesmo estando há uns dez ou onze anos sem praticar (eu me distraí e fui parar no gramado além do acostamento umas três ou quatro vezes, mas consegui frear e me recuperar em todas as ocasiões) e não tive problemas para achar um lugar para dormir em nenhum momento (a pousada foi um capricho estúpido do qual eu me também arrependo até hoje. Eu deveria ter pedalado um pouco mais e enfrentado a chuva).

 

- Nenhum de seus amigos quer ir? Problema deles. Admito que sou antissocial e realmente estava precisando de um pouco de paz nas férias, mas sempre havia a oportunidade de trocar histórias com os ciclistas que passavam pela Dutra e os turistas e trabalhadores dos postos de serviços. Há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo: a não ser que vocês se enfiem no mato por três dias, nunca estarão completamente sozinhos.

 

- É cansativo? Honestamente, quem estiver preocupado com isso nem deveria pensar em viajar. Fiquem em casa assistindo séries: eu considero isso uma forma perfeitamente válida de passar as férias. As duas melhores coisas no mundo são descansar e ficar cansado, afinal de contas.

 

Eu ainda estou pensando a respeito de minha próxima viagem. Minha ideia original era conhecer o PETAR, mas descobri que é proibido entrar nas cavernas sem o acompanhamento de um guia, o que acaba totalmente com a aventura para mim (o desconhecido, lembram? É importante para mim). Depois pensei em ir ao Pico dos Marins. Agora estou pensando em ir à Serra do Cipó, que possui trilhas onde se pode andar de bicicleta. O único porém é a distância: é possível que, devido ao tempo curto de férias que eu recebo em meu emprego atual, eu tenha de voltar antes de chegar ao destino. Mas a própria viagem pode valer a pena, mesmo que eu não consiga sair da estrada.

 

Sei lá, até dezembro eu pensarei em uma aventura interessante o bastante. Talvez eu siga o conselho de Elias e vá a Angra dos Reis. Ou não. Aceito sugestões.

 

Para ver todas as fotos que eu consegui tirar antes de a bateria de minha câmera acabar, sigam o link abaixo para visualizar meu álbum no Facebook. As fotos estão com as cores originais, bem menos interessantes do que as versões publicadas neste relato.

 

https://www.facebook.com/lucas.leite.1000/media_set?set=a.1033838183324396.1073741832.100000946730155&type=3

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Excelente relato,

 

como este aro aguentou?

 

certa vez comprei uma bike de mercado e na primeira pedalada na cidade,o aro empenou :cry:

andei uns 8 km até em casa,depois dessa só uso AERO ou similar :D:D

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Excelente relato,

 

como este aro aguentou?

 

certa vez comprei uma bike de mercado e na primeira pedalada na cidade,o aro empenou :cry:

andei uns 8 km até em casa,depois dessa só uso AERO ou similar :D:D

 

Continuo sendo um leigo neste assunto (é, não aprendi tanto assim a lição que a viagem tentou me ensinar), mas sei que os raios da Caloi Andes são de aço. Talvez seja por isso que os aros estão aguentando até hoje?

 

Seja como for, eu a usei recentemente para subir a Serra da Cantareira (uns 45 km, somando ida e volta) e uma semana depois fui ao Parque do Ibirapuera (19 km de minha casa). Os aros continuam aguentando, mas perdi minha quinta câmara traseira enquanto eu ia do Ibirapuera até a represa de Guarapiranga. Era domingo, mas como não tenho saco para transporte público a não que seja absolutamente necessário, percorri os cerca de 35 km até minha casa andando. ::putz::

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Mudei a hospedagem das imagens para o IMGUR. O Photobucket, que eu usava antes, decidiu começar a cobrar para exibir imagens em sites de terceiros. E ainda reduziram a resolução de todas as imagens que eu já tinha. Desgraçados.

 

Levei um ano para fazer isto (procrastinação de novo), mas finalmente baixei os backups que eu tinha no Facebook e fiz o upload para o IMGUR.

 

Eu também fiz uma viagem semelhante quase um ano depois, em outubro de 2016. De São Paulo ao Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas. Foram 13 dias percorrendo uns 1100 km de estradas (inclusive estradas de terra, cercadas de mato e sons de animais desconhecidos, na calada da noite. Exatamente o meu tipo de diversão). Eu tinha a intenção de escrever outro relato, mas eu havia parado de fazer anotações por volta do terceiro dia, quando decidi que a viagem estava boa demais para eu me distrair com textões. O relato da tal viagem nunca será publicado, até porque eu já nem me lembro dos detalhes (nem sei quanto eu gastei na viagem, mas acho que cheguei a mil reais. E estourei pelo menos 10 câmaras da bicicleta. E rasguei um pneu. E empenei o aro da roda traseira. E pedalei dois dias com o tal aro empenado). As fotos da viagem podem ser vistas no link abaixo:

 

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Eu tinha lido antes sem conseguir olhar as fotos e já tinha achado seu relato sensacional... Agora com fotos, ficou mais sensacional ainda, valeu. Que bom que vc conseguiu resolver a questão da hospedagem das imagens.

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    • Por Vinícius Zanata
       
      Informações preliminares
       
      Fiz essa viagem entre 05/12/17 e 30/12/17. E visitei Punta Arenas, Puerto Natales (com Rota W no Torres del Paine), El calafate (com big ice), El Chalten, Ushuaia (+pinguinera) .Não postarei mtas fotos pq a idéia é ser um relato, para aguçar a imaginação. Sempre que leio relatos aqui configuro o navegador para não abrir imagens. Acho que às vezes vemos tantas fotos dos lugares que vamos visitar que quando chegamos lá parece que já estivemos lá. Então a idéia é só postar fotos do que for necessário para ajuda nas andanças. As paisagens vocês podem ver com uma googlada. Escrevi isso quase como diário, durante a viagem, mas pensando nas dificuldades que as pessoas aqui poderiam ter ao fazer esse roteiro. Respostas paras dúvidas que eu não encontrei por aqui de forma tão fácil.
       
      Um dólar nesse momento que viajo vale aproximadamente r$ 3,30. Cem reais equivalem a 500 pesos argentinos (ar$) ou 20.000 pesos chilenos (CHL). Vou colocar os preços em moeda local e dólar quando infornarem.
       
      Sobre mim, tenho 32 anos, 1,75m e 75kg. Sou praticamente sedentário, não faço exercícios nem acadêmia, apenas vou para o trabalho de bicicleta, 2 km da minha casa. Ou seja, sou um pessoa comum em termos atléticos. Nada demais.
       
      Levei para essa viagem um fleece, um corta vento, um casaco 3x1 impermeável, uma calça impermeável, duas calças segunda pele, 3 blusas segunda pele, três calças bermudas, um par de luvas, 4 pares de meias para trekking, um gorro peruano, uma bota cano alto impermeável. É importante ter roupas impermeáveis para essa viagem. Praticamente tudo o que levei usei, então não recomendo improvisar nas vestimentas e acessórios. Senti falta também de um poncho. Por mais que as roupas sejam impermeáveis, a capacidade de reter água não é ilimitada e a umidade passa um pouco. Só um poncho te deixa completamente seco. A região patagônica em geral é muito úmida e pode chover a qualquer momento. Sobre o calçado, importante ser impermeável tb, há lugares como Parque Torres del Paine e Ushuaia que há trilhas onde é preciso cruzar rios a toda hora, passar por lama, brejo, tudo. Ir de calça jeans ou outro tipo de roupa permeável pode te deixar numa pior, molhar meia é melhor caminho para formar bolhas.
       
      05/12 - Chegada em Punta Arenas e pernoite em Puerto Natales
       
      Cheguei na Patagônia por Punta Arenas, com escala em Santiago. Muita gente compra a passagem pela via argentina (aeroporto de El Calafate) mas achei a alternativa pela via chilena interessante por dois motivos. Primeiro pelo tempo de viagem, 12h ao todo o trecho mais longo, que é um duração muito boa. Via El Calafate dificilmente vc consegue vôo sem pernoite em Buenos Aires. Pela via chilena temos a LATAM opera mto vôos para a região sem necessidade de pernoite. Depois porque você pode começar a viagem por Punta Arenas ou Puerto Natales que, se vc planejar direitinho, pode ser o começo do seu roteiro. O preço é igual ou mais barato do que ida e volta por El Calafate. Então pode ser uma boa escolha começar pelo Chile, seja via Punta Arenas, seja via Puerto Natales com escala em Santiago.
       
      Deixei para conhecer Punta Arenas na volta, e cheguei indo direto para Puerto Natales para então chegar em El Calafate onde começa de fato meu roteiro. Um ônibus da BusSur passa pelo Aeroporto, na saída próxima do guichê de despacho de bagagem das cias aéreas. Os horários são programados, se informe pelo site da BusSur. Eu comprei pela Internet por 8 mil pesos chilenos (13 dólares) mas vendem na hora também. Passa por ali também  ônibus que leva até o centro de Punta Arenas, já que fica um pouco distante do Aeroporto. Há um caixa eletrônico lá caso precise tirar moeda local, mas há aquelas muitas taxas a pagar. A viagem até Puerto Natales dura 3 horas, num cenário repleto de estepe e estancias de ovelhas e cordeiros. A estrada é muito boa e o ônibus da Bus Sur é bem confortável.
       
      Puerto Natales é uma cidade bonita, limpa e cheia de pessoas se protegendo do vento gélido que faz nessa época. Ninguém tá na rua de bobeira. Os ventos patagônicos são tudo isso que dizem e mais um pouco. Aqui tudo começa com uma lapada fria e dolorosa na cara de quem chega. É o cartão de boas vindas da região. É bom já chegar preparado pros ventos, vá se vestindo em Santiago se tiver tempo
       
      Assim que desembarquei no terminal fui ver passagens para El Calafate. Tentei comprar pela Internet mas não consegui pela BusSur e não consegui contato com as demais que operam o trecho. Cheguei a ficar preocupado de não conseguir para o dia seguinte, pois dizem que em alta temporada é bom ter tudo reservado. Mas foi bem tranquilo. Assim como há mta gente nessa época, há maior oferta de transporte também. A principal empresa que faz o trecho é a Turismo Zaahj. Cada época do ano há mais ou menos saídas por semana e por dia. A empresa possui um site que parece velho e desatualizado, mas as informações estão corretas. A passagem custou 17 mil pesos chilenos.
       
      Cheguei em Puerto Natales e fiz um pernoite num hostel bem ao lado do Terminal chamado El Fiodor.  (Ao final do relato vou deixar minha avaliação das hospedagens que fiquei pra ficar mais organizado)
       
      Deixei as coisas o hostel e fui comer. Isso era próximo às 21h e ainda havia sol. Fui ao Picada del Carlitos. Um pouco longe do hostel, mas a comida é boa. Fazia um frio do diabo. Comi,  voltei pro hostel e dormi.
       
      Dia 06/12 - De Puerto Natales a El Calafate
       
      Como minha viagem foi programada muito em cima da hora não consegui reservas para a Circuito W no mesmo período em que desembarquei no Chile. Isso aumentou meu número de deslocamentos e custo da viagem. É importante sempre começar o planejamento desta viagem por Torres del Paine!! Tudo com boa antecedência, principalmente se estará por lá em alta temporada (Novembro a Março). Nesse período os passeios tb são mais caro. De tudo li, a conclusão é que Março é uma boa época para fazer esse roteiro. É final de alta temporada e o ventos reduzem bastante. Por outro lado, o frio aumenta um pouco e o dia encurta. O problema maior são chuvas, que aumentam um pouco pelo gráfico que vi. Meu primeiro dia em Torres del Paine estava programado pra 17/12, mas aproveitei minha passagem por Puerto Natales para acertar as estadias e atividades que pretendia fazer no parque TdP. A programação de estadia no parque TdP é complicada pq vc tem que agendar as reservas contínuas de 3 a 4 noites com refúgios ou campings de duas empresas diferentes que operam dentro do parque (no meu caso o circuito W e não fiquei nos campings gratuitos). E se vc não fizer todas essas reservas, vai fazer a rota pela metade, pois não pode permanecer no parque sem reservas. A primeira empresa chamada Fantástico Sur é até mto tranquila pois tem um booking online no site , então na mesma hora vc sabe o que tem disponibilidade e quando. A segunda empresa, Vértice Patagônia estava sem booking online e foi um martírio fazer as reservas. Tirei uma manhã deste dia para ir pessoalmente confirmar essas reservas nas lojas das duas empresas e para fechar passeio de Kayak pelo Lago Grey, dentro do parque, com uma empresa chamada BigFoot. Fiz tudo isso e fui conhecer a Avenida Costanera e o centro da cidade. Nada demais mas vale a pena conhecer. Acabou ficando em cima da hora pra pegar o ônibus e não consegui fazer câmbio. Deixei para fazer na volta, já que só ia precisar de pesos chilenos pra pagar a entrada no TdP. Malas prontas, fui para a Terminal Rodoviário pegar um ônibus que saía às 14h. O ônibus da Turismo Zaahj é muito bom e moderno. Até El calafate são 5h com parada nas aduanas de Chile e Argentina para registro de saída e entrada. A rodoviária de El Calafate não fica mais no Centro da cidade, e é preciso andar de 10-20 minutos se for a pé. Não tem caixas automáticos no terminal lá. Meu hostal é o America del Sur, que fica bem perto da rodoviária então fui a pé mesmo. Após check in e mensagens a família já era tarde mas fui dar uma volta pra conhecer o centro. Voltei ao hostel e dormi.
       
      07/12 - El calafate (1) - Museus e parques
       
      Reservei 4 dias em El Calafate. A cidade tem um ótima estrutura de restaurantes, lojas e hospedagens de todos os gostos, um bom supermercado (La Anonima, vc vai precisar dele). Não há casa de câmbio oficial, mas você pode cambiar em alguns estabelecimentos bancários. A melhor dele sem dúvidas é o Banco de La Nación, que faz a cotação oficial. Todos os outros locais vão fazer com algum desconto mas é bom saber deles pois o banco funciona em horário bem restrito (de 8h a13h) e principalmente porque há filas desalentadoras. O segundo lugar seguro para câmbio é a loja da western, na principal tb. A cotação é menor mas funciona até domingo. Há também um restaurante chamado Parrila e Assado (todo mundo chama de Casemiro) que faz câmbio, mas só qdo interessa a eles fazer. Fui lá duas vezes e não fizeram. Eu tinha dois planos para a manhã deste dia, a primeira era chegar bem cedo no Banco para fazer câmbio e fugir das filas e a segunda era ir na loja da Movistar conseguir um chip pré pago. Só não contava com uma surpresa: era feriado! Aniversário da cidade de El Calafate. Era uma quinta e como bons sul-americanos emedaram a sexta e só voltaria a funcionar na segunda feira, quando eu já não estaria por lá. Isso melou meus planos, pois em El Chalten - meu destino após El Calafate - não tem banco nem loja de celular. Enfim, acontece. Fui começar o roteiro programado pela Intendencia do Parque Nacional Los Glaciares. O espaço fica bem na rua principal e é dividido em dois espaços, o bosque com informações sobre plantas e árvores nativas e exóticas e o centro de exposição, com filme, totens digitais sobre a fauna e flora da região patagônica, sobre Francisco Moreno, os glaciares e uma exposição permanente sobre a história das estacias, do parque, etc. É interessante e de graça! Passei parte da manhã lá lendo sobre tudo. Depois fui na loja da Hielo e Aventura acertar minha reserva para fazer o Big Ice, o passeio que tinha maior expectativa lá.Dps almoçar fui ao Centro de Interpetación Museo. Recomendo muito! É um pequeno grande museu mantido por um professor de História. Além da exposição de réplicas idênticas de fósseis completos de espécies encontradas na região patagônica, é um museu crítico, questionador, que expõe com coragem o processo de genocídio de povos tradicionais da região, cometido pelo governo argentino e estancieiros para expansão da criação de gado e ovelhas (carne, couro e lã). O museu custa muito barato e tem desconto para estudantes. Vi todas as exposição e depois aproveitei a proximidade e passei na laguna Nimez. A laguna é um local de observação da fauna da região, especialmente de aves. Não é o melhor horário pra fazer o passeio, pois as aves estão mais à vontade pela manhã, mas aproveitei pra dar uma olhada já que havia uma promoção pelo aniversário da cidade. A entrada custa Ar$ 150 e o passeio é autoguiado. Vc recebe um guia em papel que explica os pontos numerados da caminhada em torno do lago. Vi bastante aves mesmo à tarde. Há, perto do mirante, uma passagem para o lindo  lago Argentino que vale a pena conhecer! Fiz o circuito mais curto por causa da hora. Voltei para a avenida principal e passei na Ovejitas de la Patagônia, loja de sorvetes e chocolates. É indispensável provar o sorvete de calafate, fruta típica do local e que dá nome à cidade. Finalizei o dia (a noite por lá só cai umas 23h) comendo as recomendadas empanadas da Dona Mecha. Acho que é a mais barata que vi por lá, custava apenas ar$20. A de cordeiro era mto boa. Fui dormir cedo e me preparar pro Big Ice.
       
      08/12 - El Calafate (2) - Big Ice
       
      Tudo preparado para fazer o Big Ice. Pra quem não sabe, esse é um dos passeios de trekking no glaciar Perito Moreno. Há apenas uma empresa autorizada a explorar esse tipo de passeio, chamada Hielo y Aventura, e ela vende bem caro os dois passeios: o Big Ice e o Mini Trekking. Basicamente a diferença entre os dois é o preço, o tempo do passeio e o esforço exigido. O Big Ice é uma experiência de trekking aprofundada no Glaciar, caminhando na parte mais interna do Glaciar. O Mini Trekking por sua vez é mais leve, apenas pra ter a experiência. O local é o mesmo, o glaciar perito moreno. Oque muda são os cenário, como vou descrever. O procedimento da empresa é: te buscar no hostel, levar todos para um ponto de encontro onde sai um ônibus até o parque, que fica a mais ou menos uma hora e meia de distância de El Calafate. Há um guia que explica várias coisas sobre o parque e os glaciares durante a ida. Chegando no parque temos a primeira visão do Glaciar ainda de dentro do ônibus. É incrível, das coisas mais lindas que já vi ! Depois descemos e temos 40 minutos pra observar o Glaciar das passarelas, de frente pro glaciar.. Voltamos e pegamos novamente o ônibus para descer para um porto, onde está nos esperando um catamarã que atravessa até o refúgio da Hielo.. De lá começamos uma trilha. Até aqui todos estão juntos. Só mais à frente há uma divisão de grupos em língua (inglês e espanhol). Aí sim começamos a trilha de 50 minutos beirando o glaciar pelo continente. Quem vai pro mini trekking não faz essa trilha, fica logo no começo. Passamos por paisagens lindas na trilha, no entorno do glaciar. É uma subida, mas achei tranquila. Até que em um momento paramos para medir os grampos (estruturas de ferro dentada que colocamos embaixo do calçado para andar no gelo sem escorregar) e logo mais a frente entramos no glaciar. Em cima do gelo mesmo paramos para colocar definitivamente os grampos e seguimos com eles o tempo todo. É uma experiência estranha. O meu estava amarrado com mta força na bota, mas achei que era assim mesmo. Nesse momento também eles pedem que coloquemos as luvas, pois cair e arrastar a mão no gelo é perigoso. Passadas as instruções começamos o trekking. Logo de início encontramos um túnel de gelo!! É inacreditável! Tiramos fotos cada uma uma vez em fila. Não pode atravessar pois é perigoso, podendo-se ceder a qualquer momento. Bom, todo o cenário a partir daqui é impressionante! Pequenos rios, lagoas azuis, sumidouros, fendas, são coisas que só no Big Ice você consegue ver. O túnel não é sempre, pois são formações temporárias e imprevisíveis. Depois de algumas horas de trekking, paramos para almoçar. Ali mesmo no glaciar. O trekking é cansativo principalmente porque não é fácil andar nos grampos. Preste bastante atenção nas instruções sobre subida, são muito importantes para evitar esforço desnecessário e lesões. Eu consegui uma bolha no calcanhar. No final estava incomodando bastante. Acho que tinha a ver com a amarração exageramente apertada fazendo meu calcanhar friccionar com a bota com mta força. Não sei. Mas dá uma canseira. No final tiramos os grampos (alívio!) retornamos pela trilha. Nessa hora, o dia que estava bem aberto e azul fechou bem e começou a chover pela região do parque. Voltamos ao refúgio já sob chuva. Aguardamos o barco para cruzar novamente o lago e pegar o ônibus. No barco eles dão umas lembranças e uma bebida para esquentar. Voltamos já no final do dia. Todos são unânimes em dizer que é um passeio muito caro. De fato, não é barato não. Além de pagar o tour, você paga a entrada do parque que é ar$ 500!!! Não tem refeição nenhuma. Eles são super profissionais, tem mta gente envolvida no passeio, mas ainda assim é bem caro. Daquele tipo de passeio que você paga pq sabe só vai fazer uma vez na vida. Se você não tem condições de fazer, vale muito a pena ir ao parque, explorar as passarelas e trilhas com calma . É um lugar incrível, mesmo sem fazer o trekking no gelo. Eu gostaria se ter tido mais tempo nas passarelas para poder ficar ali apenas escutando os estrondosos rompimentos do glaciar. Esse passeio sairá mais barato e será muito bom tb. Na volta nos deixam no hostel. Desci para comer um Chorizo Argentino e voltei já cansado.


       
      09/12 - El Calafate (3) - Glaciarium de bicicleta e Yeti Bar
       
      El calafate não tem mtas opções interessante de passeios além do Parque e trekking no glaciar.. Pelo menos não me interessaram tanto. Há opções de full day em Torres del Paine que podem ser interessantes para quem não pretende fazer a rota W no TdP. Há cavalgadas, passeios em 4x4. Apenas dois passeios me chamaram atenção : estancia Cristina e Rios de hielo. Mas o preço pesou na decisão de não fazer. Sem ter muito o que fazer decidi alugar um bike no hostel e ir até o museu glaciarium de bike. Fui margendo o lago Argentino pela Avenida Kichner até quando pude. É lindo! O museu fica num desnível alto da RP 11, então se for de bike se prepara pra ladeira. A visita ao museu valeria apenas pela vista incrível do Lago Argentino. Mas além da vista, é um museu super interessante. Ele trata mais especificamente da glaciologia, a ciência que estuda os glaciares. Pra mim não rolou, mas achei que seria uma boa visitá-lo antes de ir ao parque ou fazer o trekking no glaciar. Muita coisa explicada lá você vai entender na prática durante o passeio. O museu custa 360 pesos (sim, bem caro) mas tem desconto pra estudante brasileiro (ar$ 280). Além do museu, há o Glaciarium bar, que nada mais é do que um bar de gelo. Você paga 240 e fica alguns minutos lá bebendo e tirando fotos num ambiente a -20 graus. Achei caro e fui fazer essa experiência no Yeti Bar qdo voltei pro Centro. No Yeti é ar$190 pesos. Mas voltando ao Glaciarium Museo, não precisa ir de bike como eu fiz. O Museu tem um serviço de transporte gratuito que sai de hora em hora de frente à Secretaria de turismo, na principal. Eu gostei bastante do museu. De bicicleta ainda mais. Na volta parei para comprar alfajores pra família. Tem mtas lojas de doce em El Calafate, mas segui a recomendação de comprar na Koonek. Provei um antes e realmente era mto bom. Por fim comprei uns souveneris pois seria o último dia. Acabei indo, como disse, conecher o tal bar de gelo da Yeti bar.. Eu fui mais pela bebida mesmo rs Queria provar o tal fernet com coca cola, bebida típica de Córdoba mas que foi adotada em toda Argentina. Provei, achei uma porcaria. Dps pedi um outro drink, e tirei umas fotos. Deu pra ficar alegrinho, e é isso. O bar de gelo não tem nada demais, é apenas uma brincadeira mesmo. Penso que as crianças devem se divertir um monte. Custa ar$ 190. Por fim fui pro hostel devolver a bicicleta. Arrumar as coisas e dormir.
       
      Avaliação de El calafate:
       
      El Calafate é uma cidade com bastante passeios a fazer, mas tudo pago (e caro). Certamente o parque nacional Los Glaciares (onde fica o Glaciar Perito Moreno) e o trekking no glaciar são os grandes passeios da cidade. Os museus e restaurantes são bons complementos na sua estadia lá. De 3 a 4  dias é o suficiente para conhecer bem a cidade. O melhor mercado é o La Anonima, logo na entrada da cidade. A alimentação simples como um cordeiro patagônico pra uma pessoa por lá fica por volta de ar$230-300. Não é mto barato e não tem muito pra onde fugir, a não ser fazer sua própria comida no hostel. No geral eu curti a cidade e curti muito o Big Ice, certamente melhor recordação do lugar.
       
      10/12 - El Chaltén (1) - ida pra El Chaltén e trilha de los Miradores
       
      Há diversos formas de transporte e horários para chegar a El Chalten. O hostel fazia a reserva de vagas direto na recepção, como queria dar uma descansada dormi até mais tarde e fui no ônibus das 13h. Dei uma última volta pela cidade pela manhã e aguardei a hora de ir. Na ida, que dura 3h, há uma parada em um restaurante/hotel chamado La Leona. É um restaurante cheio de História pra contar, vale a pena descer e visitar. Na chegada à cidade o imponente Fitz Roy já dava as caras. O tempo estava mto bom aquele dia e fiquei um pouco frustrado de não ter ido cedo para já fazer uma trilha das de longa duração. Na entrada do parque todos somos obrigados a descer para escutar algumas recomendações e explicações sobre o parque. Qdo passar lá não esqueça de pedir um mapa. Cheguei em El Chaltén e fui direto pro hostel. Fiz check in e não sabia se fazia uma trilha curta ou ia almoçar. Um brasileiro que estava o meu quarto me convenceu a fazer as trilhas dos Miradores. São rápidas, mas com uma subida boa. Qdo subi, o Fitz Roy já tinha se encoberto e as nuvens já anunciavam o que ia ser o outro dia. Tirei umas fotos, desci e passei no mercado. As coisas em Chaltén são mais caras que em El calafate, desde o supermercado até restaurantes. Se você estiver economizando o máximo, cogite comprar sua alimentação em El calafate. Da mesma forma, vá de câmbio trocado. Comprei algumas coisas no mercado para não precisa comer na rua e dei uma volta na Av.San Martin para mapear o lugar. No hostel conversei com alguns brasileiros que conheci e fui dormir.
       
      11/12 - El Chaltén (2) - Laguna Torre com tempo nublado
       
      Bom, como estava anunciando o dia anterior, este dia o tempo não estava nem um pouco favorável.  E qdo o tempo não tá favorável em El Chatén é um saco. Passei no centro de informações para perguntar o que fazer tendo em vista o clima, ela sugeriu a Chorrillo del Salto, uma cachoeira bem pequena que fica perto da cidade. Não fiquei muito satisfeito com a sugestão e ao sair encontrei um brasileiro e fechamos de fazer a Laguna Torre mesmo com o tempo ruim. Não tinha idéia de como estaria, mas não queria fazer o mais simples. Pretendia guardar a cacocheira pro último dia pra descansar. Fomo nós então : 18km ida e volta, 6 horas ao total. A trilha começa no meio da Av San Martin. Tem uma grande placa indicando. A trilha é longa, mas tranquila. Sem muito desnível. Mas o tempo ruim desanimou bastante. E as moscas dessa região são um pé no saco tb. No primeiro mirador não dava pra ver nem o Cerro Torre, de onde há o degelo que forma a laguna. Frustração, mas segui mais algumas horas. No final da trilha, onde fica a laguna, dava pra ver só a laguna com sua cor meio acinzentada mesmo e um pouco do Glaciar Grande, que fica próximo. Parei para bater um marmitex na chegada e tirei algumas fotos só da laguna mesmo. Tudo bem a natureza quem manda por aqui. Encontrei alguns brasileiros por lá, conversamos um pouco e dps voltei pq o começou ventar e chover fininho. Na volta comecei a sentir meu calcanhar dolorido, já logo pensei que teria relação com a bolha que fiz no Big Ice. No final já nem tava aguentando mais, fui dando passadas mais curta, meio mancando, até chegar no hostal. No hostal vi que a coisa era tensa no meu calcanhar. A caminhada tinha piorado um tanto a ferida. Fui à farmácia comprar algo para passar e a  farmacêutica me indicou um cicatrizante + bandaid. Comprei. Aproveitei para passar no mercado e complementar as compras. Fiz um jantar, cuidei do pé e fui dormir. O próximo dia prometia ser o melhor possível pela previsão do tempo. Já estava ansioso.
       
      12/12 - El Chalten (3) - Laguna de los três com subida pela hosteria El Pillar
       
      A previsão do tempo se cumpriu, dia lindo e aberto, sem ventos, sem nuvens, Fitz Roy rindo pra gente. Nem tomei café da manhã direito, fui logo pro terminal de ônibus pegar o transfer para a Hosteria El Pilar para fazer a Laguna de los Tres. Explico: tem duas formas principais de chegar a essa laguna. A primeira delas é o pelo Sendero Fitz Roy, ao final da Av. San Martin, dentro da cidade. A segunda é pela famosa Hosteria El Pilar, um estabelecimento que fica no meio da estrada. Essa trilha começa a 6km do povoado de El Chalten. Qual a diferença? Pela Hosteria você tem acesso ao mirador Piedras Blancas, que tem vista pro glaciar de mesmo nome e dps vc volta pelo Sendero Fitz Roy. O contrário não é possível, ou seja, ir pelo Sendero Fitz Roy e voltar pela hosteria é desvantagem pq vc terminará trilha no meio da estrada e precisará andar mais 6km pra voltar a El Chalten. Então pela Hosteria vc consegue fazer o mesmo passeio com mais atrativos. Pra chegar na hosteria todos pegam um transfer com a  empresa Las Lengas, que tem um guichê na rodoviária. Ela sai em 3 horários programados. Peguei o primeiro, que sai 8h. Como meu calcanhar ainda estava ruim arrisquei fazer todo  percurso de havaianas! E coloquei a bota na mochila para urgências. Fui direto na rodoviária pegar a van da Las Lengas, pq era do lado do meu hostel. Mas se vc reservar com antecedência eles te buscam na porta do seu hostel. A trilha é super tranquila e relativamente bem marcada. No começo da trilha dá pra se confundir um pouco pq vai paralelo ao córrego do rio, mas cruzando-o de vez em quando. Dps que começa a subir fica bem fácil e bem traçado. A trilha é muito tranquila em 90% do trecho. O que pega nessa trilha é o último quilômetro. É meia hora de subida sem parar. Um pouco puxado, mas vi de tudo que era gente subindo: idoso, criança, cada um no seu tempo e todo mundo chega. E aí tem a recompensa. Se o dia está claro e aberto é um dos cenários mais lindo que você vai ver na vida. A imponência da cadeia do Fitz Roy é absurda. A água do lago é linda, extremamente convidativa. Pela margem direita do lago vc pode ter contato direto com neve acumulada, mesmo no verão. Dá até pra descer de skibunda!. Quando voltei  não resisti e mergulhei na laguna. O tempo estava bom, sem vento e mto sol, então fui. Não recomendo fazer isso, a água é congelante mas queria ter essa experiência. Sequei um pouco no sol  e fui pra na margem esquerda da laguna, onde há uma subida pro mirador Laguna Sucia, que é um super cenário tb. Enfim fiquei lá umas 3 ou 4 horas. O lugar tem uma paz incrível. Vale a pena se isolar em um canto e ficar ali só curtindo. Na volta passei um pouco de perrengue por causa das havaianas. É bastante escorregadio e só não cai algumas vezes por conta do bastão de trekking. A propósito minha melhor compra nessa viagem foi um par de bastão de trekking. É incrível a diferença em termos de equilíbrio e economia de joelho. Vi mta gente subindo a parte final da laguna quase engatinhando, sem qq postura de apoio. Com os bastões isso não era necessário. Eu subi o trecho final todo de uma vez só, e como disse no início não sou nenhum trilheiro habitual. Acredito que tenha a ver com a ajuda dos bastões pois ele ajuda mto na distribuição da força de subida. Na descida também. O caminho de volta te permite conhecer a Laguna Capri, ela fica no caminho de volta até El Chalten, via Sendero Fitz Roy. Não é tão bela, mas vale a pena conhecer. Também há alguns outros miradores no caminho do Sendero Fitz Roy. Desci feliz da vida, e aliviado de ter conseguido fazer a trilha de havaianas. Dia mais que especial. Passei no mercado mais uma vez, fiz janta e dormi cedo. Já apresentava bons sinais de cansaço no joelho e pernas. Foram quase 40km em dois dias.
       
      13/12 - El Chalten (3) - Pliege Tombado com tempo nublado
       
      A segunda trilha mais interessante por aqui é o Lomo del Pliege Tumbado. Basicamente se consegue uma vista panorâmica das cadeias de montanhas Fitz Roy, Torre e demais por um ângulo bem atípico. Claro, desde que o tempo esteja limpo. Não era o caso. Não tava totalmente coberto, mas havia muita nuvem por detrás do Fitz Roy, onde fica o Cerro Torre. Ali que mora o problema. Essa é a trilha mais puxada para quem não vai acampar. São 10km e 1.000 metros de desnível. Estimam 4h horas de caminhada de ida. Tinha olhado no WindGuru (app que a maioria dos trilheiros usam para prever o tempo de El Chalten) que o tempo ficaria pior mais à tarde. De manhã estaria relativamente ok. Para ter certeza que valia a pena passei no centro de informações e a atendente disse que sim, poderia se ver algo. Sai de lá olhando pro céu e achei que ela estava equivocada, mas paguei pra ver. Diferentemente da laguna de los três, essa tem uma subida constante, alternada por estepes plana e depois mais subida. É uma subida lenta e gradual, mas que exige bastante esforço. Ela tb não é muito procurada, talvez pela dificuldade ou desconhecimento, não sei, mas cruzei com poucas pessoas esse dia. É uma trilha bem traçada. Ela começa atrás da Intendência do Parque Nacional, assim como a trilha dos miradores. As paisagens alternam entre florestas de lengas e campos de estepe. Senti um pouco de cansaço na trilha, acumulado dos dias anteriores, mas segui em frente até o primeiro mirador. De lá já deu pra ter idéia de que a subida foi em vão. Não se podia ver nada no horizonte. E essa trilha é essencialmente de vista, não há lagunas. Depois deste mirador ela segue, porém já cansado e sem possibilidade de melhora do tempo voltei dali mesmo. Foi o suficiente. Na volta parei na Intendência do Parque Nacional pra ver uma pequena exposição que fica lá. Tem uma parte interessante sobre a história das expedições de escalada dos cerros Torre e Fitz Roy. Dali voltei pro hostel. O tempo então piorou bastante. Os ventos começaram a soprar muito forte e uma chuva fininha desceu e não parou mais. Fiz um almoço por lá e esperei até à noite pra ver o jogo da final da copa sul americana. Fui num bar bem legal chamado Caytaneo, na Av San Martin. Pedi uma pinta (copo de cerveja) e me diverti vendo o flamengo perder o título no junto dos hermanos. Voltei pro hostel, jantei e fui dormir.
       
      14/12 - El Chaltén (4) - Encontro com amigos do RJ e Chorillo del Salto
       
      O dia amanheceu tão ruim quanto terminou o anterior. Sem Fitz Roy, mto frio e chuva. Fiquei boa parte do dia no hostel lendo. Algumas pessoas do hostel impacientes com o tempo foram pra trilha assim e mesmo e voltaram com cara de arrependidos. Um coreano do meu quarto disse que foi apenas até a Laguna Capri e voltou. Para minha sorte um casal de amigos que moram no RJ e estão viajando pela América Latina chegaram  em Chatén na noite anterior. Sem clima para trilhas, fomos comer algo no Restaurante Ahonikenk, na Av. Miguel Martin. Todos falaram mto bem desse restaurante. Pedimos uma pizza e estava mto bom. Parece que o carro chefe é o Ravioli de Cordeiro. Bebemos um pouco animamos de fazer a trilha mais tranquila, a Chorrillo del Salto. É uma pequena cachoeira que fica na estrada ao final da Av. San Martin. Fica pouco mais de 3km do centro e é mto bem sinalizado. Apesar de fácil, o vento, a chuva e o frio tornaram essa trilha uma grande aventura. Confesso que esperava pouco da cachoeira, já que no Brasil temos cachoeiras incríveis, mas ela é linda e super valeu a pena enfrentar as intempéries. E salvamos um dia que tinha como perdido. Passamos um tempo lá admirando a bela queda d’água, passamos no mercado e me despedi deles,. Fui para o hostel fazer check out e me preparar para seguir caminhada no outro dia.
       
      Resumo de El Chaltén
       
      Em 5 dias que fiquei lá, apenas um dia perfeito. El Chaltén não é para amadores! Sem céu limpo e bom tempo para ver o Fitz Roy e Cerro Torre a cidade perde completamente o sentido. Vi gente indo embora sem nem conseguir ver por um momento sequer o Fitz Roy, ainda que de longe. Dias perdidos mesmo, mta frustração no hostel. Então vá se preparando para contar com a sorte. Para não precisar contar tanto com a sorte, você pode deixar a programação de ida para El Chaltén em aberto e acompanhar a previsão do tempo. Claro, para isso vc terá que arrumar o que fazer por El Calafate ou Puerto Natales para passar os dias. Acompanhar o windguru seria uma forma de evitar a frustração de ir para Chaltén e não ver nada. Olhou a previsão, viu que tem bom tempo para os próximos dias, faça check out de onde estiver e vá pra El Chaltén! Do contrário, vá fazendo hora nas demais cidades até que o tempo se abra. Se eu soubesse disso antes teria aproveitado um dia a mais de sol em Chaltén que perdi pq resolvi pegar o ônibus mais tarde. Isso é minha primeira conclusão. Depois, se vc tem dúvida sobre que trilha fazer, vou repetir a sugestão que ouvi de todas as pessoas que conheci. Na verdade tudo depende de qts dias vc tem. Se tiver um dia, faça laguna de los três, seja começando pela hosteria el pilar, seja pelo sendero Fitz Roy. Não só pq é incrível, mas pq é o cartão postal do lugar. Se tem dois dias, faça laguna do los três e Pliege tombado. Se tem três dias faça laguna torre. É o top 3 do lugar. O resto são complementares, nada supera a imponência do Fitz Roy. O ideal seria alternar trilhas difíceis com fáceis, mas como o tempo é imprevisível é difícil seguir isso. Para quem não tem tempo contado e dinheiro sobrando, há algumas trilhas fora de El Chalten, como Estancia Huemules e Laguna del Desierto, Piedra de Frade, etc, todas precisam de um transfer ( a Las Lengas faz quase todas). Acho que pode valer a pena se você fez as principais trilhas da cidade e não tem mais atividades.
       
      15/12 - Despedida de El Chaltén, volta para Puerto Natales e preparação para o Circuito W
       
      No meu roteiro original dia esse dia estava aberto para imprevistos climáticos. Como o clima estava ruim por todo canto, decidi voltar antes para Puerto Natales para me programar melhor para os 4 dias no Parque TdP. Confesso que essa é  parte do roteiro que mais me preocupa, seja porque é o momento que estarei mais exposto já que serão dois dias de camping, seja porque é a parte mais exigente fisicamente. Pra piorar a previsão do tempo também não era das melhores por lá. O dia em El Chaltén continuou péssimo com muita chuva, havia pessoas entediadas por todo canto no hostel. No dia anterior tinha ido comprar minha volta na rodoviária.Não há ônibus direto para Puerto Natales de El Chalten. É preciso ir para El Calafate. Fui para El Calafate com a van das La Lengas por Ar$ 450 + 20(taxa rodoviária), pegando no hostel e deixando onde você quiser em El Calafate. É provável que em El Calafate ou no seu hostel digam que não há diferença de preço para El Chaltén, mas não é verdade. Além da Las Lengas, a Taqsa tem um preço melhor. Acho que quando vendem por ar$600 alguém está ganhando uma comissão aí. Se informe qdo estiver na rodoviária. Chegando em El Calafate teria duas horas livres até embarcar no ônibus para Puerto Natales. Reservei esse tempo para ir até o centro comprar pesos argentinos (já pensando em Ushuaia, para onde iria dps de Torres Del Paine) e alguns souvenirs. Procurei algum lugar para deixar meu mochilão na rodoviária e fui informado que no guichê da empresa Taqsa era possível deixar, mediante pagamento de ar$ 30 pesos. Ok, não tinha muita opção. Deixei lá e segui. Acontece que nesse dia decidi botar a bota pela primeira vez desde a trilha para a Laguna Torre, quando a ferida no calcanhar incomodou muito. Durante todos os dias até então fiz tudo de chinelo para deixar cicatrizar mais rápido possível. Parece que não adiantou muito.  Andei alguns metros da Rodoviária em direção ao centro de El Calafate e a dor incômoda parecia que era a mesma. Achei melhor não insistir e fui pegar um táxi. Pegar táxi é sempre um problema em qualquer lugar do mundo, parece que todos eles querem te enganar de algum jeito. Eu precisei e não tinha pra onde fugir. Perguntei qto ficaria, ele disse que é taxímetro. Ok. Indiquei a parada no casemiro para fazer câmbio (aquele que não tinha conseguido duas vezes) pois o trajeto era o mais curto e dessa vez consegui rápido cambiar. Aproveitei e comprei um souvenir na loja em frente e pronto. Final da corrida: ar$180!! Detesto táxi, mas tudo bem esse pareceu honesto apesar de caro. Enfim tudo certo, a passagem para Puerto Natales foi mais uma vez pela Turismo Zaahj e custou ar$600. A volta foi bem chuvosa, Puerto Natales estava bem chuvosa e fria. A previsão do tempo para os próximos dias não era boa, mas não tinha muito o que fazer. Quando cheguei voltei para o El Fiodor hostel, que era muito próximo à rodoviária e barato. Depois vi que havia outras hospedagen boas por ali, mas na chuva foi o primeiro que recorri. Já eram quase 22h, fiz algo para comer e fui dormir  
       
      16/12 - Puerto Natales - Resolvendo pendências
       
      O dia estava livre para resolver tudo relativo ao Parque TdP.. Precisava de cambiar dólares para pagar o parque, de alguns itens de farmácia e informações sobre o parque em geral (como chegar e voltar, que horas ir, etc.). Sobre lugar para câmbio, segui conselhos de outros sites e fóruns e fui à Câmbio Sur. Enquanto a maioria dos lugares estava fazendo a CLP 600 por dólar, lá estava CLP 620. A Câmbio Sur, fica bem no centro, na rua Hermman Eberhard, rua da igreja principal. Os itens de farmácia comprei em um lugar farmácia do centro. As informações do parque e das hospedagens obtive na empresa Fantástico Sur, na Vértice Patagônia e na secretaria de turismo. Na secretaria te dão mapas e informações completas do parque, vale muito a pena pegá-los. Aproveitei e passei no mercado Unimarc, o maior da região e parei pra almoçar na rua. Por acaso vi restaurante dizendo que fazia comida caseira. Não resisti e fui conferir. Não me arrependi. Por 4 mil pesos comi entrada + prato principal, que é um ótimo preço. O Restaurante chama La Picada del Mercadito. Resolvido essas questões fui até à Rodoviária fechar as passagens para o Parque TdP. Observei que a rodoviária de Puerto Natales é muito bem estruturado. Tem local para câmbio (o câmbio tava $1/600CHP). Não é tão ruim numa situação de emergência. Lá também tem um local para guardar mala e mochilas por 1.500 ou 2.000 CHP por dia, dependendo do tamanho. Este serviço era algo que estava precisando pois não queria ir com mochilão inteiro para fazer o Circuito W. Comprei a passagem ida e volta por 13.000 CLP com uma empresa chamada Juan Ojeda. Na verdade errei o box, pois pretendia comprar da Buses Fernandez, uma empresa mais conhecida. Depois que comprei que vi o nome da empresa e o box errado. Em geral o preço de ida e volta é 15.000 CLP. Essa empresa fazia por 13.000 CLP. Desconfiei de princípio, mas desencanei e fui para o hostel. Conversei com o dono do hostel e ele liberou deixar meu mochilão lá até minha volta sem custo. Passei o resto do dia preparando o que ia ficar e o que ia levar, pois levaria uma mochila Deuter GoGo para passar os quatro dias. Tinha que caber tudo nela. No final das contas deu tudo certo, mas apertado. Tudo pronto, só esperar o grande dia.
       
      17/12 - Torres del Paine (1) - mirador de las Torres e camping Chileno
       
      Como já devo ter dito, mas vale repetir. Nada foi mais trabalhoso no pré viagem do que preparar os dias que ficaria em TdP para fazendo o Circuito W . É preciso um estudo dedicado para escolher o que fazer, como fazer, onde pernoitar (se for dormir no parque) ,como chegar, como sair, fazer o Circuito ou não, reservar com quem, qto tempo tem cada trilha, calcular distância,etc. Tudo isso faz parte do planejamento. Eu vou escrever essa parte pensando que quem está lendo tem um mínimo de leitura e estudo do mapa e dos lugares para ficar, pois não tenho como partir do zero aqui. Ficaria muito grande. Para tanto recomendo ler o site oficial do parque, da Fantástico sur e da Vértice patagônia. É preciso dizer desde logo que não existe apenas uma forma de explorar o parque TdP. Por ser imenso, vc pode fazer de várias formas. Muita gente faz o Circuito W, o que fui fazer. Mas é possível fazer apenas o mirador de las Torres, o grande pico do lugar, e voltar no mesmo dia para Puerto Natales.  Há opção também de alugar um carro e percorrer diversos caminhos diferentes e igualmente belos. Tem passeios a cavalo tb. Enfim, uma infinidade de lugares e formas de explorar. Tudo depende do quanto você tá disposto a pagar em dinheiro e gastar fisicamente. A entrada no parque custa CLP 21.000 para estrangeiros na alta temporada e te dá direito de entrar no parque por três dias contínuos além do dia da entrada. O que vc vai fazer com esses três dias é com você. Por isso recomendo passar na secretaria de turismo de Puerto Natales. Se vc está na cidade e não sabe como explorar o parque, e não tem reservas para dormir no parque, vá lá que eles vão fazer um roteiro legal pra você. Para quem quer fazer qualquer dos circuitos, se prepare antes para fazer as reservas, principalmente se for alta temporada. Apenas para ter uma idéia, resolvi que faria esta viagem com apenas dois meses de antecedência. Qdo fui pesquisar as hospedagens na Fantástico Sur, empresa que administra duas das hospedagens que precisaria ficar para fazer o Circuito W, praticamente estava tudo esgotado para Dezembro. Consegui apenas camping e era o último. Quem vai fazer o Circuito W precisa de pelo menos 3-4 noites no parque. Em geral as pessoas ficam uma noite no Chileno ou Las Torres( pertencentes à Fantástico Sur), uma noite no Los Cuernos ou Francês (Fantástico Sur), uma noite em Paine Grande e um noite no Grey (pertencentes à Vértice Patagônia) e no quarto dia pega um catamarã de Paine Grande para Zona Pudeto, onde passa o ônibus de volta pra Puerto Natales. Estou falando aqui de mochileiro gourmet, ok? Mochileiro raiz, aquele que sobe morro durante 4 horas com barraca, isolante, saco de dormir, comida, fogareiro, panela, etc. tem outras opções de camping, inclusive gratuitos da Conaf (órgão que cuida do parque). Se vc se enquadra no raiz, esse relato não vai te ajudar muito. Pois bem, dizia que você precisaria de 3-4 noites pagas. E ]bem caras. Devo dizer. Você pode economizar levando sua barraca e comida, tudo depende do seu planejamento. Eu fui no esquema preciso de tudo, então paga-se pela barraca, pelo saco de dormir, pelo isolante, pela pensão completa (jantar, café da manhã e lunch box pra levar pra trilha no outro dia). Cada dia na barraca com tudo alugado + pensão completa foi 500 reais (+- 150 dólares). Camping mais caro da vida. Esse é o preço que paguei pra Fantástico Sur. Dps falo da Vértice Patagônia, a outra empresa. Comecei o dia bem cedo. Os ônibus para o Parque partem essencialmente em dois horários 7h30 e 14h30. Comi dois pães que tinha preparado no dia anterior e fui pra rodoviária. Há uma quantidade imensa de pessoas indo para o Parque no mesmo horário essa època. Acho que não é impossível conseguir passagem na hora pois há muitos ônibus, mas não precisa arriscar. Logo que vi meu ônibus entendi porque era mais barato : era um cacareco velhinho. Mas foi cheio e deu conta do recado. São aproximadamente duas horas até a entrada Laguna Amarga (uma das entradas do Parque TdP). Como disse o parque tem várias entradas e o ônibus passa em todas, mas essa é a principal. Quem está indo pela primeira vez para o parque desce nesta entrada, preenche um formulário de registro, paga a entrada e entrega o formulário. Se estiver fazendo algum circuito é pedido comprovante de reservas, porque não pode ficar no parque sem reserva. Eu levei as minhas impressas, mas vi que serve o comprovante digital to. Depois todos são reunidos numa sala para ver um vídeo de orientações do parque. Liberados, há duas possibilidades. A primeira é voltar para o seu ônibus e ir para alguma outra entrada (caso de quem está voltando ao parque pela segunda vez ou de quem vai começar o Circuito W por Paine Grande). A segunda, que foi meu caso, é pegar um ônibus ou van para começar o Circuito W pelas base Torres. Há uma empresa que faz esse transfer, chamada Las Torres. Eles ficam logo depois da entrada onde você se registra. Custa CLP 3.000.Não é obrigado pegar esse transfer, você pode ir andando da entrada até a base Torres, onde começa a trilha de fato para o mirador de las Torres e o camping e refúgio Chileno. O caminho porém é longo. São quase 8 km. Eu peguei e em 15 min estava num posto do Hotel Las Torres onde há banheiros, café, centro de informações. Descubro até que é possível ter Internet dentro do parque. Há um rede paga nos refúgios e por 10 dólares vc tem 8 horas de Internet, ou 5 dólares por uma hora. Muito gourmet! A trilha começa atrás deste posto do Hotel. São 400m de subida de dificuldade média até o camping e refúgio Chileno, da Fantástico Sur, passando pelo lindo valle ascencio. No caminho dava pra ver a cadeia de montanhas Torres, um pouco nublado Esse dia foi de muito vento e em alguns lugares ele é tão forte que você não consegue andar pra frente e trava pra não ser levado pro precípuo, pra onde ele sopra! É meio tenso, mas ninguém é levado rs. Depois de algumas horas e uma oa subida, cheguei no camping. Era muito cedo e ainda não dava pra fazer check in. O check in do camping é a partir das 14h, do refúgio é um pouco mais cedo, tipo 12h30. O Chileno é bem pequeno, fica num canto da mata à beira do rio ascencio. Contei no máximo uns 20 espaços para camping. Como não podia fazer o check in, pedi para deixar minha mochila na guardador do refúgio e fui subir para as Torres. Ver as Torres era meu principal plano esse dia. A minha idéia inicial era chegar cedo para subir para as Torres, e se o tempo não estivesse bom teria a manhã do outro dia para fazer de novo. Seriam duas chances. Só não contava com uma coisa : a subida para o mirador das Torres tem mais um desnível de 400m, dessa vez difícil. Muito parecida inclusive com a subida da Laguna de los tres, em El Chaltén. Só que a primeira parte até o Chileno já foi cansativa. Subir mais 400m seria cruel. Fui assim mesmo. O tempo estava piorando e apesar do cansaço segui até o final para ver apenas a laguna. Os Torres estavam encobertas, infelizmente. Mais uma frustração nessa terra. Fiquei por lá pouco tempo porque além do vento, o frio também pegando e já começava a chover. Tirei algumas fotos e voltei. Agora chovia em toda parte. Essa parte foi bem difícil porque fica tudo bem escorregadio na chuva. E o cansaço te ajuda a ficar vulnerável quedas e escorregões. Mais uma vez os bastões foram essenciais. Voltei pro Chileno morto de cansaço. Fiz check in e ocupei minha barraca que estava já montada me esperando. O local para barracas é em uma estrutura de madeira no alto como se fosse um deck e cada espaço tem um número de identificação. Isso me tirou um grande medo que era alagamento por causa de chuva. O frio estava forte e a umidade parecia que molhava tudo. Fui tomar um banho antes de jantar. Antes tomei uns goles de vinho que eu trouxe de Puerto Natales para esquentar, e foi uma excelente idéia. O banheiro do camping Chileno é fora do refúgio, mas é muito bom. A água não era tão quente quanto aquele frio merecia, mas o box tinha sabão e shampoo e suficiente suporte para as roupas. Esse dia esqueci que a primeira refeição do dia seria a janta, então estava faminto. Lembre de levar algo para comer se fizer o mesmo que eu fiz. Algumas pessoas só chegam no Chileno na parte da tarde jantam, dormem e fazem o mirador Torres no outro dia de manhã. Isso será uma escolha que você deverá fazer. O que posso concluir até agora do que vi é que se o dia tá ruim pela manhã dificilmente ele melhora a tarde. Pelo contrário, piora. Então fazer os passeios pela manhã é sempre uma boa idéia. Não é nada científico, apenas constatação que tive. Eu mesmo não segui isso, mas me arrependi um pouco. Enfim, o jantar no Chileno é por ordem de chegada à mesa e ocorre em dois intervalos de uma hora cada. Isso é informado na hora. Se tens muita fome chegue 10 ou 15 antes para garantir o seu. Comem todos juntos no refúgio, mesmo os acampados. A comida é sensacional, entrada prato principal e sobremesa. Muito bem servido e preparado. Há opções vegetarianas também, basta avisar. Aproveitei que cheguei cedo e coloquei algumas roupas para secar na calefação, pois peguei muita chuva e com a umidade que fazia não havia outro jeito de secar. Muita gente fica em pé perto do calor para secar roupa. Comprei um hora de Internet para conversar com minha namorada e abri alguns textos para ler, pois não tinha levado livros para não pesar mais na mochila. A Internet do camping é melhor que tive em toda patagônia rs deve ser via satélite. Foi 5 dólares. Voltei pra barraca já escuro, ainda chovendo e fazendo muito frio. Arrumei as coisas, tomei mais um gole de vinho e fui dormir.
       
      18/12 - Torres del Paine (2) - Das Torres a Los Cuernos
       
      Tenho impressão que no parque a manhã é a hora mais fria. No camping dentro da mata então… Parecia que tudo estava molhado, mas era apenas a umidade. Acordei cedo e já olhando pras Torres. Parecia menos nublado, mas ainda não justificativa uma subida pesada de duas horas. Fui pro refúgio onde é mais quentinho. Nesse dia o vento está bem forte mesmo. Aguardei o café da manhã bem quietinho lá. No Chileno não há qualquer tomada para você carregar celular. Na sala de refeições tem várias tomadas, todas desligada. Parte da energia elétrica vem de placas de energia solar e são acumuladas em baterias, portanto não podem oferecer energia aos clientes, nem do camping nem o refúgio. Vá provido de um bom carregador externo. Assim como o jantar, o café da manhã é muito bom. Você come à vontade dentro do turno, que também é por chegada. Comi e voltei ao camping pra arrumar as coisas. É recomendado começar as trilhas antes das 9 da manhã. Apesar do dia durar até muito tarde, a melhor parte do dia é o começo da manhã e tarde. Como eu dormia cedo todos os dias, antes das 6 da manhã já tava rolando no saco de dormir. Ajeitei as coisas e fui pegar o lunch box. Você pode pegar pra levar ou comer na volta da trilha ( para quem escolheu subir as Torres pela manhã). O lunch box é um pacote que eles entregam. Olhei para ver e tem um super sanduíche, uma maçã e cereais. Achei realmente incrível a qualidade da comida e do atendimento do Chileno. Tudo vem de longe e para chegar lá no meio do vale é preciso usar cavalos para transporte. A maçã que vai no lunch box vem de Santiago, percorre 8 mil quilômetros. É por isso que custa tão caro. Guardei o lanche e fiz o caminho de volta pelo vale Ascencio. A volta é tranquilo, descida firme. Eu fiquei atento para achar um tal atalho que existe entre o setor Chileno, onde estava, e o setor Cuernos, para onde ia. Os mapas mostram esse atalho, mas na descida não vi nenhuma sinalização. Acabei descendo até próximo da ponte sobre o Rio Ascencio quase no início da trilha e fazendo o caminho como quem chega pelo Hotel Las Torres. O dia esse estava bem aberto nessa parte. Após andar um pouco logo se alcança o imenso Lago Nordenskjold.A maior parte da trilha pelos Los Cuernos é beirando o lago, ainda que subindo e descendo o tempo todo. Los Cuernos em espanhol quer dizer “os chifres”. Assim são chamadas as cadeias montanhosas que nos acompanham nessa parte da trilha. Eles são imensos e incríveis no topo do maciço. A trilha até o camping e refúgio Los Cuernos, da Fantástico Sur, é longa e cansativa. São quase 5 horas de caminhada em 11km de trilha. Não é pesada mas cansa pela extensão. A principal barreira é o vento forte e constante que sopra do lago contra a trilha. Chega em certo momento que numa descida você solta o corpo que o vento te equilibra. Em determinado trecho da trilha vi uma placa de informações do tal atalho, mas era para quem vinha do setor Cuernos para o setor Chileno. O camping e refúgio Los Cuernos fica bem perto do lago e é bem maior do que o Chileno. Tem um bar além do salão de refeições e muito espaço para camping. Há outros tipos de hospedagens também, além do refúgio e do camping. Cheguei lá faminto e logo comi o lunch box. O sanduíche era se carne assada com tomate, alface e queijo. Tava bem seco, mas pelo tamanho foi um bom substituto pro almoço. Fiz check in, me levaram para minha barraca e dormi solenemente até que pudesse tomar banho. Segundo foi informado, só haveria água quente de 17h às 21h. Quando deu umas 17h acordei para tomar banho. O banheiro do camping também era fora do refúgio, e diferentemente do Chileno era uma porcaria. Sem ganchos para pendurar a roupa, não tinha dispenser de shampoo, e a água quente nunca senti. Fiquei puto com aquela merda. Queria ir pro banheiro do refúgio só pra ver se era ruim assim, mas já tava lá sem mil peças de roupas então tomei um banho de gato mesmo. Fiz hora para o jantar que começa às sete. O jantar estava ótimo mais uma vez. Terminei e fui dormir cedo. Dessa vez sem chuva.
       
      19/12 - Torres del Paine (3) - De Los Cuernos para Paine Grande com parada no Valle Del Francês
       
      Dormi melhor nessa noite, acordei bem cedo e fui ver o dia amanhecendo do lago. O dia tava começando bem bonito. Fui pro refúgio esperar o café e depois partir pra trilha. O café era bom mas no Chileno era melhor. Terminei o café, ajeitei as coisas pra fazer check out e fui pegar meu lunch box. Antes de partir fiz questão de reclamar do banheiro no formulário de opinião da empresa. A vantagem de sair é ter a trilha mais “só sua”. Detesto trilha cheia, grupos imensos, é um saco. Qdo vc deixa tudo arrumado e toma café na primeira hora tem grande chance de sair sozinho. A trilha por Los Cuernos até o camping italiano é bem fechada, dentro de floresta mesmo. Há uma passagem por uma praia linda formada pelo Lago Nordensjork. Ninguém se atreve a entrar. Logo depois passamos pelo camping francês, da Fantástico Sur. Eu tentei vaga nesse camping, mas tava esgotado. Eles também têm domos. Fica mais próximo do Valle del Francês. Mais pra frente chegamos no camping italiano. Esse é administrado pela Conaf, e é gratuito mas bem disputado. Tem que reservar com muito tempo de antecedência. Lá é a base para visitar o Valle del Francês e o Mirador Britânico. O britânico fica quase tão alto quanto as Torres. Ou seja, subida pesada. Não sei se estava preparado pra isso. São 400 m de desnível até o Valle del Francês e mais 400m de desnível até o mirador britânico. Quase 4h até o topo. O tempo nesse momento já não estava muito bom. Deixei minha mochila na camping italiano (todos fazem isso) e comecei a subir até o Valle del Francês. Lá pensaria se subiria até o Mirador Britânico. Foi bem cansativo até o Valle del Francês. O mirador dá vista para o Glaciar del Francês que fica como que colado nas montanhas.. Não é grande coisa para quem veio do Perito Moreno mas tem seu valor. Dentro do vale, para onde continuava a trilha, estava muito nublado. Ouvi um guia dizer que com este tempo não haveria muito o que ver no mirador britânico e decidi ficar por lá mesmo. Nesse momento também começou uma chuva fina. Vi poucas pessoas seguindo para o Mirador Britânico. Depois de um tempo desci para seguir a trilha até Paine Grande. Peguei minha mochila de volta e segui. Não sei se perdi algo, mas não estava triste pelos joelho poupado sem saber se haveria alguma recompensa da natureza. No caminho que segue há uma paisagem muito linda à beira do lago Skottsberg com o Cuerno Central ao fundo. Deslumbrante! Depois de muitas horas andando eis que aparece no horizonte, lá no final da trilha, à beira do lago Pehoé, o Refugio e camping Paine Grande. É imenso! A partir daqui entramos na área da empresa Vértice Patagônia. Abro um parênteses pra falar deles. Depois que reservei com certa antecedência as hospedagens na Fantástico Sur, ficou faltando as reservas com a Vértice. Não dá pra fazer o Circuito W sem ter reservas em datas consecutivas nas duas empresas. A Vértice foi um problema. Como eles estavam sem reserva online pelo site, era necessário mandar email para algo como [email protected] Mas nunca que respondiam as mensagens. Fui procurando no Google e várias pessoas estavam na mesma situação, quase desesperados sem saber o que fazer, achando que não iam ter reservas para o Circuito W por causa deles. Eu vi no fórum do Trip Advisor que era preciso mandar vários e-mails para [email protected], [email protected], [email protected] e por aí vai. Mandei todas e até que um belo dia resolveram responder. Disse as datas para ficar em refúgio e paguei. Mas depois percebi que ficou faltando incluir a pensão completa. Mandei email pra incluir e nada de resposta de novo. Bom, pelo menos uma cama eu teria. Fiquei um dia em Puerto Natales para resolver isso (vide dia 06/12). Lá inclui as refeições e o atendente me pediu para confirmar se ia ficar com cama simples. Nem tinha visto a diferença, mas ele disse que cama simples é para quem tem saco de dormir. Como não tinha, inclui tb. Só aí fiquei tranquilo em relação às reservas com a Vértice.  Ok, voltando para o dia do check-in então. Fiz check in no refúgio e apesar de cheio o refúgio tinha muitos quartos e camas vagas. Então logo percebi que dá pra chegar aqui e fechar uma cama na hora. Reservar é besteira para eles no Paine Grande, por isso não faziam questão de dar atenção aos e-mails. Bom, eu teria duas noites neste refúgio. Mas devo dizer que não é comum reservar dois dias aqui. Eu particularmente só o fiz pq a minha programação, além de ir até o Glaciar Grey (última perna do W)  era fazer o Kayak no lago Grey com a Bigfoot patagônia. Esse passeio não daria tempo pra pegar o catamarã que leva para Pudeto, onde passa o ônibus para Puerto Natales. Na verdade é aqui que vc decide se vai fazer o circuito W em 3 noites ou 4 noites. A última perna do W para quem iniciou pelas Torres (como eu) é terminar no Mirador Grey , perto do camping e refúgio Grey (administrado pela Vértice). Quem faz em 4 dias vai do refúgio Paine Grande para o Grey, dorme por lá e volta no outro dia para pegar o catamarã para Pudeto e o ônibus para Puerto Natales. No entanto há uma opção econômica, poupando uma noite, mas gastando bastante energia, que é ir de Paine Grande ao Mirador Grey e voltar no mesmo dia a tempo de pegar o catamarã das 18h35. São 22km, quase 9h de caminhada. Fica a critério de cada um. O refúgio é bem agradável. Havia água quente e forneciam toalha. Curti! Descansei um pouco para fazer hora para o jantar. O jantar foi bem diferente da Fantástico Sur. Funciona como se fosse um bandejão mas também tem uma entrada + prato principal + sobremesa e um copo de refresco por pessoa. A comida era razoável. Tomei um vinho para esquentar, conversei um pouco com a namorada (Internet paga) e fui dormir logo depois. Qdo fui dormir percebi que não tinha roupa de cama e logo lembrei dos 30 dólares a mais que tinha pago para ter a tal cama armada. Fui na recepção reclamar e eles voltaram com lençóis e edredon fofinhos e limpos. Aí sim descobri a diferença entre a tal cama armada e a cama simples. Essa é só um colchão e uma manta por cima.
       
      Dia 20/12 - Torres del Paine (4) - fechando o Circuito W no Mirador Grey
       
      Acordei pelas 5 da manhã com uns estrondos fortes, como se alguém arrastasse um armário super pesado. Achei super estranho. Quando vi era o vento batendo no refúgio com mta força e chovia muito também. Foi assustador! Só tinha agradecer por não estar em camping esse dia. O tempo tava bem fechado e o lago Pehoé de águas mansas de ontem, tava numa revolta só. Achei que não ia nem conseguir sair do refúgio. Mas como tudo na patagônia é temporário e imprevisível, o tempo melhorou um pouco até a hora do café. Arrumei as coisas para partir e fazer a última perna do W. Fazia muito vento ainda, mas dava para seguir. O caminho até o mirador Grey é bem tortuoso, num sobe e desce sem fim. É cansativo porque ainda tem a volta, já que não havia vagas no refúgio Grey, eu ia precisar voltar tudo no mesmo dia.. É também o caminho mais enlameado. Difícil sair limpo desta trilha, principalmente se choveu algumas horas ou dias antes. Passam dois lagos, um pequeno e depois o lago Grey, bem maior. O lago Grey tem alguns icebergs nas margens e é muito bonito. Caminha-se uma hora e meia até o mirador lago Grey de onde é possível ver o glaciar ao fundo. Para chegar perto do Glaciar mesmo é preciso mais duas horas e meia. Quando chegamos damos de cara com o Refúgio e Camping Grey, da Vértice patagônia. Ele parece com o Chileno, bem pequeno. Por isso acabam rápido as reservas. Entrei para consultar sobre o passeio de Kayak que tinha reservado e me informaram que a BigFoot tinha uma base logo depois do refúgio. Caminhei até lá mas primeiro fui ver o mirador do Glaciar Grey. O tempo estava péssimo, pouco se podia ver e a chuva apertava. Tirei umas fotos e voltei para ir à base da BigFoot. Um atendente me informou que o Kayak das 11h tinha sido cancelado por causa do vento e que deveríamos esperar até 15 min antes para ver se o das 14h iria rolar. Como eram 12h, fui fazer hora. Parei na praia que fica perto da guarderia Grey e fiz um lanche. O tempo abriu lindamente nessa hora e subi para ver o mirador Grey novamente, agora com o tempo melhor. No que subi para voltar ao mirador vi um pica-pau negro, típico da região de Magalhães, lindo!. Consegui tirar umas fotos e depois vi um filhotinho dentro do tronco da árvore. Muito fofo! Quando voltei ao mirador estava céu aberto. O glaciar tava lindão lá atrás e deu pra tirar umas fotos melhores. Tive esperança de que ia rolar o kayak. Estava sem vento e sem chuva. Voltei para a base do BigFoot e parecia que estava tudo confirmado, assinei os papéis de responsabilidade e já ia pagar. Em poucos minutos, quando olho o tempo pelo janela começa a fechar, está tudo nublado de novo. Mais um minutos mais e faz chuva e vento. Um minuto mais e muitas ondas começam a se formar. Pronto, acabou minha esperança. Logo chegam dois rapazes responsáveis por verificar as condições climáticas e dizem que não será possível realizar o passeio. Oferecem como alternativa um passeio em barco fechado. Não me interessou e fui embora frustrado. Así es la Patagônia. O pior é que à noite que fechei em Paine Grande só fazia sentido por causa do Kayak. Fiz o caminho de volta a tempo de tentar cancelar a noite a mais,ver se rolava o reembolso e ir embora no mesmo dia. Bem difícil mas queria tentar pois seria uma boa economia. A minha conclusão é que as atividades com a BigFoot fazem mais sentido para quem está no refúgio e camping Grey, pq não precisa fazer hora para aguardar sua reserva e pode tentar fazer o passeio em vários horários já que a base é bem póximo do refúgio . Não lembro se comentei, mas eles fazem um passeio de trekking sobre o Glaciar Grey também. É uma alternativa interessante e mais barata do que o Big Ice no Perito Moreno. Quando voltei pro hostel ainda dava pra pegar o catamarã das 18h30. Conversei com alguém da recepção e me disseram que teria que ver isso na loja em Puerto Natales, mas que havia grande chance de não ser reembolsado. Preferi gastar a noite a correr o risco de não ser reembolsado. Fui tomar banho e depois vi que a lareira estava acesa. Aproveitei pra lavar umas meias e coloquei pra secar perto pra secar. Jantei, encontrei uns brasileiros aqui e ficamos de papo até tarde. Os brasileiros começaram o Circuito W um dia depois de mim e conseguiram ver as Torres em tempo aberto. Talvez se tivesse subido no outro dia pela manhã pegaria tempo bom.Foda! =\ Isso só confirma minha tese do melhor tempo é pela manhã sempre. Depois uma guia brasileira que trabalha no parque juntou com a gente e contou várias estórias. Disse que naquele dia duas pessoas do grupo dela que estavam fazendo o circuito W desistiram por dor ou cansaço e quando isso acontece é preciso chamar o táxi, que é um cavalo, para te levar até o ponto de saída do parque mais rápido. E se tens uma mochila pesada precisa de dois cavalos. Não preciso nem dizer que isso custa uma pequena fortuna, né? Terminamos um vinho e fomos dormir.
       
      21/12 - Volta a Puerto Natales e ida a Punta Arenas
       
      Dessa vez dormi até mais tarde já que não tinha trilha a fazer e o horário do café ia até às 9 da manhã. O dia começou bem feio novamente. Parece que o vento que sobra do glaciar para refúgio leva sempre nuvens bem carregadas e o tempo é quase sempre chuvoso por ali. Arrumei as coisas primeiro e desci para tomar café da manhã. Para pegar o ônibus de volta a Puerto Natales há duas formas. Uma é econômica mas cansativa que é fazendo  trilha do Refúgio Paine Grande até a entrada Sede Administrativa. São 14km, entre 4 a 5 horas de caminhada e você precisa chegar lá às 13h para pegar o ônibus. A trilha começa do lado do píer. A segunda opção é fácil porém cara. É pelo catamarã que sai no píer ao lado do refúgio Paine Grande. O catamarã é operado pela empresa Hielos Patagônicos e custa absurdos CLP18.000 por uma travessia de 30 minutos!! A frequência de saída e chegada é diferente em cada época do ano. Na alta temporada são 4 horários de chegada e saída de Paine Grande, porém só há conexão com ônibus para Puerto Natales em dois horários (já explico). O catamarã nos leva até um local chamado Pudeto. Por lá  passa o ônibus de volta a Puerto Natales. Lembra que em Puerto Natales comprei ida e volta? Sim, a volta está paga! Porém, os ônibus só tem dois horários de saída do parque. Esses horários se integram com dois dos horários do catamarã. Meu horário era o primeiro com integração, às 11h30. Fiz hora até dar 11h20 e fui para o píer aguardar o catamarã. Ele é bem rápido e tem uma bela vista externa para os Los Cuernos. Você paga a passagem dentro  catamarã mesmo, não precisa reservar. Em 30 minutos estamos lá do outro lado do Lago Pehoé e alguns ônibus já estão aguardando. O meu cacareco não tava lá ainda rs. Fiz um tempo na cafeteria próxima até ele chegar. Demorou uns dez minutos mais. Embarquei e ele foi em direção à entrada da Laguna Amarga. Lá ficou aguardando mais meia hora por pessoas até sair umas 14h20. Chegamos na rodoviária de Puerto Natales umas 16h00. Havia um ônibus pra Punta Arenas às 17h15. Fui ao hostel El Fiodor buscar o resto da minha bagagem, organizei umas coisas na mala, voltei pra rodoviária e comprei minha passagem de ida para Punta Arenas pela Bus Sur. Enquanto estava esperando por lá reparei algumas coisas. Primeiro que havia ônibus direto para Ushuaia de Puerto Natales. Não lembro de ver isso na Internet quando consultei. Estava indo para Punta Arenas apenas para pegar ônibus pra Ushuaia que, pensava eu, só tinha por de lá. Pensei em conversar com a atendente para ver se tinha como fazer a troca, mas até explicar tudo ia ser cansativo e provavelmente não ia certo por questões de sistema deles. Outra coisa que observei é que a Bus Sur é a única empresa com ônibus pro Parque Torres del Paine às 7h da manhã. Isso é muito bom porque todas as outras saem às 7h30 e gera uma fila imensa na entrada. Além de poder começar a trilha cedo com pouca gente. FIcam as dicas! Peguei o ônibus e segui pra Punta Arenas. Tinha reservado uma noite em um hostel lá. Quando chegamos já era 20h20 por aí. Fui pro hostel chamado Sol de Invierno, mensagens a todos da família e depois fui no mercado. Comprei uma pizza para levar e foi tudo. Arrumei as coisas para acordar semi pronto no outro dia e pegar ônibus pra Ushuaia.
       
      22/12 - Ida para Ushuaia de ônibus (12h)
       
      O ônibus da Bus Sur sai da garagem da própria empresa, bem no centro de Punta Arenas. Acordei cedo já com tudo arrumado, tomei um café da manhã (pedi no hostel para adiantar o café naquele dia por conta do horário do meu ônibus) e parti umas 8h para pegar o ônibus para Ushuaia às 8h30. O ônibus da Bus Sur não era tão bom, parecia que estava desregulado, tremia muito. Bom, daí até chegada não tem muito o que falar. O ônibus vai direto, há uma travessia de balsa do Estreito de Magalhães já que a Tierra del Fuego é um ilha, metade pertencente ao Chile e outra metade à Argentina. Todos precisam descer do ônibus, há um lugar para os passageiros na balsa e o ônibus segue sozinho na mesma balsa junto com vários outros veículos. Paramos nas fronteiras depois e seguimos. Até chegar próximo a cidade de Ushuaia, a paisagem é a mesma, sempre estepe. Quando chegamos em Ushuaia começam a surgir vales, lagos,, florestas de lengas e ñires, etc. Há uma única parada para lanche em Tolhuin e nada mais. Prepare lanche ou algo pra comer porque é muito tempo de estrada. A chegada é pelo alto da cidade de Ushuaia e vamos descendo até o porto, onde é o ponto final, bem próximo ao centro de informações turísticas. Fazia um friozinho mas nada demais. Fui andando até o hostel, que não era muito longe do ponto final. No hostel fui recebido por um mineiro, o Marcelo. Ali comecei a ver  quantidade absurda de brasileiros em Ushuaia. Fiz o check in com ele, paguei e deixei as coisas no quarto. Mandei os salves pra família e fui no mercado comprar algo para fazer. Assim como em El calafate, o La Anonima é o principal mercado da região. Há um Carrefour também, mas é distante. Fiz uma massa, comi e fui dormir cedo.
       
      23/12 - Ushuaia (1) - Reconhecimento de território e museus
       
      O plano esse dia era fazer um reconhecimento do local que sempre faço, dar uma volta pelo entorno e ruas principais, passar nas agências de viagens para conferir os passeios reservados e ver outras opções. Acordei cedo, tomei café da manhã no hostel e fui bater perna. Tinha reservado um único passeio em Ushuaia até esse momento. Foi a navegação no Canal Beagle e caminhada com pinguins da Isla Martillo(tb conhecido como pinguinera) para o dia 24/12. Depois vou falar mais desse passeio. Comecei dando uma volta pela Av. Maipu, que é a rua do orla. Apesar de estar na orla, a Maipu não é a rua principal da cidade, mas ali ficam algumas coisas importantes como o centro de informações turísticas, os principais quiosques de venda de passeios de barco, o controle de passageiros, onde todos pagam uma taxa pra embarcar e as vans para diversos pontos como o parque nacional Tierra Del Fuego. Há alguns restaurantes e dois museus tb. Passei primeiro no centro de informações turísticas para pegar mapas e outras informações. Se estiver no seu roteiro ir ao parque, aproveite para pegar mapas e outras informações. Lá também carimbam seu passaporte com símbolos de Ushuaia. Peguei os mapas e informações e parti para a Av. San Martin. Essa é a principal rua do comércio da cidade. Praticamente em toda sua extensão você vai encontrar lojas e restaurantes. Fui até ao longe, na volta passei na agência Brasileiros em Ushuaia onde tinha reservado a pinguinera. Lá me apresentaram mil outros passeios, mas só olhei e deixei para decidir depois. Deixei as visitas dos museus para à tarde. Fui pro hostel, almocei a sobra da janta que tinha guardado e fiquei um tempo conversando com uma brasileira que tinha acabado de chegar no hostel. Em Usuhuia tem muito  brasileiro. Não sei explicar porque, mas foi o destino que mais vi brasileiros. Inclusive o turismo local entende isso e quase tudo lá com tradução para português. Comecei os museus pelo Museu do Fim do Mundo, que é grátis e fica na Av Maipu. É um museu bem pequeno mas interessante, principalmente os vídeos. O museu tem duas seções principais, uma que trata da história dos povos originários das Tierra del Fuego e outra da fauna com diversos animais empalhados. O item mais interessante do museu, no entanto, é a imensa imagem de uma rainha da Inglaterra talhada madeira e que foi retirada de uma embarcação que naufragou no século XIX na Península Mitre, lugar de difícil acesso na Terra do Fogo. O Museu do Fim do Mundo tem um anexo duas quadras depois da sede principal, mas que não é tão interessante. De lá parti pro Museu do Presídio. A cidade de Ushuaia surgiu a partir da necessidade de viabilizar o presídio para reincidentes criado no início do século XX. O antigo presídio foi fechado em meados do século passado e alguns anos mais tarde virou o museu. Na verdade, por ser imenso, baseado no modelo panóptico, com cinco pavilhões unidos por um pátio central de onde se pode ver todos os cinco pavilhões, existem lá diversos museus. Cada um em um pavilhão. Há alas temáticas de naufrágios, sobre embarcações da marinha, Argentina, missões na Antártida, além de uma galeria de arte, uma réplica do farol de San Juan do Salvamento (o verdadeiro farol do fim do mundo) e uma ala de exposição temporária. Além, claro, do museu do presídio que é o maior e tem uma visita guiada de hora em hora. Um dos pavilhão está completamente preservado tal era na época do presídio. É bem sombrio! O museu tem um custo de AR$ 300 por aí, dá pra conseguir desconto pra estudante. Não é tão barato, mas pra quem gosta de história é bem legal. Depois passei no mercado e comprei algumas coisas pra fazer lanche do passeio aos pinguins do outro dia. Preparei tudo e fui dormir.
       
      24/12 - Ushuaia (2) - Pinguinera e natal no Hard Rock Café
       
      A hora marcada no cais para pegar o catamarã era 9h. O passeio apesar de ser vendido na agência Brasileiros em Ushuaia, é operacionalizado pela Piratour. A agência apenas facilita a venda. Eles têm tem um bom site, parcela a compra e cobra em reais. Não cheguei a comparar a diferença de valores da compra direto pela Piratour e na Brasileiros, acho que eles colocam um lucro deles em cima mas não é muito. Como tem IOF na compra com a Piratour acaba ficando muito próximo. Esse passeio com a Brasileiros custou R$ 759,00. É importante dizer também que existem várias empresas fazendo diversos passeios pelo canal do Beagle. A maioria vai até as ilhas com comodores e leões marinhos, o farol de Ushuaia, fazem uma parada na estância Harberston (a primeira da região, de propriedade de um missionário inglês que veio converter nativos no final do século XIX) e isla martillo. É nesta ilha que ficam os pinguins. Apenas a Piratour tem autorização pra descer na ilha, que pertence aos herdeiros do missionário inglês. Fique atento a isso! O passeio deles é muito disputado e é preciso reservar com antecedência na alta temporada. Nos quiosques do porto há venda de passeios à ilha H, passagem a Puerto Williams (último povoado do continente, antes de Antártida, e que pertence ao Chile), passeios noturnos, e até ida pra Antártida! Vale a pena se informar. Bom, voltando então. Com o voucher em mãos, é preciso passar no quiosque da Piratour pra apresentá-lo e pegar um crachá de identificação da empresa. As crachás tem duas cores diferentes e cada cor forma grupos distintos por cor que fará sentido depois, já que há uma divisão do grupo. Antes de embarcar é necessário pagar a taxa portuária de AR$20. O passeio começa e deixamos para trás a Baía de Ushuaia. A saída rende fotos da cidade a partir do barco. A primeira parada é numa ilha cheia de comorones (espécie de ave que se parece muito com pinguins), depois vamos a uma ilha de leões marinhos próxima ao farol de Ushuaia. Nesses momentos há orientações e informações do guia que nos acompanha. Após isso há uma navegação de mais ou menos uma hora pelo canal do Beagle. Passamos pela Isla Navarino e Puerto Williams à nossa direita. Depois mais ao final passamos próximos à isla martillo, onde há a colônia de pinguins de magallanes, mas ainda não paramos nela. Antes aportarmos na estância Harberston. O guia estabelece um horário para ida à ilha de cada grupo.  Na estância há uma casa de chá, um restaurante e um museu de aves e mamíferos. Temos uma hora para percorrer a estância e almoçar ou lanchar, quem quiser. Como levei lanche, não almocei no restaurante da estância mas comi um doce de Ruibarbo com sorvete de creme que tava muito bom! Com os grupos divididos pela cor do crachá, é hora de visitar a Isla Martillo. Não podem ir mais do que 20 pessoas por vez na ilha, por isso a divisão. Um grupo vai à ilha e o outro aguarda na estância fazendo uma visita guiada ao museu de aves e mamíferos. Depois os grupos se revezam. O tempo na ilha é de no máximo uma hora. Embarcamos em um bote mais rápido que o catamarã e em dez minutos estamos na ilha e já somos recebidos por vários pinguins. Essa época de dezembro é o mês de procriação, então vários pinguins bebês estavam lá sendo protegidos e alimentados pelas mães. O guia vai nos conduzindo pelos lugares, e em vários momentos eles estão muito perto pois seus ninhos são bem próximos ao caminho traçado. É bem legal! Na ilha vivem dois tipos de pinguins: o pinguim de magalhães (a grande maioria) e o pinguins papua (há uma pequena colônia desses). Havia também um  belo pinguim-rei perdido entre os de magalhães. Finalizado o tempo, voltamos à estância para terminar o passeio. Agora de ônibus da Piratour que está aguardando na estancia. No caminho há uma breve parada para ver árvores bandeiras, que são esculpidas pelos fortes ventos da região. O dia foi muito bonito, demos muita sorte. É importante dizer que esse é um passeio de verão. Os pinguins não estão na ilha o ano todo. Eles são animais aquáticos, e apenas vêm ao continente para se reproduzir e se proteger de predadores. Então se quiser fazer, veja se é ainda é época. Quando cheguei no hostel não sabia se ia rolar algum tipo de ceia de natal coletiva. Era dia 24 de dezembro. O brasileiros que trabalham lá não falaram nada, então presumi que não teria. Resolvi me dar de presente uma centolla de ceia natalina.A centolla é o prato do mar mais típico da região da patagônia e Terra do Fogo. É uma espécie de caranguejo gigante. Ouvi dizer que num lugar chamado Cantina do Freddy, na Av. San Martin, tinha uma muito boa. Fui até lá e peguei uma mesa. Ao meu lado tinha duas mesas de brasileiros. Pedi a centolla a la cantina, que é a centolla com camarão e mariscos, especialidade da casa. É muito bom, mas um pouco caro AR$ 500. A centolla lembra muito a lagosta. Interagi um pouco com brasileiros do restaurante antes de ir pro hostel. Na volta encontrei a brasileira que tinha conhecido e ela junto com outros muitos brasileiros estavam planejando passar a virada do Natal no Hard Rock Café Ushuaia. O plano acabou vingando e fomos todos juntos para lá e foi bem legal.
       
      25/12 - Ushuaia (3) - Laguna Esmeralda
       
      No dia anterior o grupo que passou a virada de Natal no Hard Rock havia combinado de fazer o trekking para a laguna esmeralda. Há diversas opções de trekking em Ushuaia, a maioria deles sai de algum ponto da estrada (RN 3). Por isso é quase sempre necessário fechar um transfer ida e volta. O nosso hostel tinha um contato de uma van que nos cobrou 250 pesos por pessoa. Acho que é o preço que cobram. Acordamos todos pelas 9 e saímos umas 11h20 por aí. Na van juntaram outros brasileiros e fomos. A laguna esmeralda é o trekking mais tranquilo de Ushuaia. Estimam a ida e volta em 3h. Trilha majoritariamente plana. O grande inconveniente dessa trilha são os lamaçais, que ficam piores quando chove no dia anterior. Essencial ter uma bota fechada e preferencialmente impermeável. Quando chegamos no início da trilha estava nevando um pouco. No verão é bastante comum nevar na parte dos vales e montanhas, onde ficam as trilhas, e chover de leve na cidade. Pagamos, combinamos a volta com o motorista e fomos pra trilha. A trilha é muito bem sinalizada durante a maior parte do tempo, com sinalização de cor azul colada nas árvores. Fizemos a trilha em uma hora e vinte por aí. O lago é deslumbrante com sua cor esmeralda incrível. Fizemos um lanche na chegada e descansamos . Um dos brasileiros que foi conosco havia lido que haveria um glaciar no alto das montanhas atrás da lagoa. Ninguém tinha a trilha certa para lá, mas como tínhamos mto tempo até o transfer voltar  fomos ver o outro lado do lago. Chegamos em uma parte de floresta morta e seguimos um pequeno rio até uma uma parte meio alagadiça que molha bastante para quem tá de tênis simples. Passamos a uma floresta fechada e depois seguimos uns 30 minutos até começar a parte de subida, sempre seguindo o rio. Lá encontramos uma pessoa que estava descendo e ela nos confirmou que havia um pequeno lago e um pequeno glaciar, mas era subida forte. Alguns de nós desistimos ali, pq era mto íngreme a subida. Fui até um pouco mais acima e a vista da laguna com todo o vale estava incrível. Parei pra comer algo e resolvi ficar por ali mesmo. Um dos meninos seguiu em frente e disse que havia um lago congelado lá no topo. Enfim, depois descobri que esse lugar chama Glaciar Ojo del Albino. Voltamos para a lagoa pelo mesmo caminho e já estava ficando bem frio. Essa ida além da laguna tornou a caminhada um pouco cansativa. Voltamos e esperamos pelo carro até 19h, horário que marcamos. Fomos para o hostel e combinamos de jantar juntos naquele dia. Após um banho e descanso, fomos pra Cantina del Freddy novamente, algumas pessoas do grupo queriam provar a Centolla a la cantina. Aproveitei pra provar o outro prato típico, a merluza negra. Esse não me surpreendeu tanto. O peixe é bom, mas nada que justifique o preço. Depois fomos pro hostel, ficamos conversando lá e fomos dormir.
       
      26/12 - Ushuaia (4) - Parque Nacional Tierra Del Fuego e check in no airbnb
       
      O parque nacional Tierra Del Fuego era o passeio que menos me interessou em Ushuaiai. Era bonito, mas nada demais. Como o tempo amanheceu muito feio e tinha um brasileiro no hostel interessado em fazer também, acabei indo pra lá. Preparei toda minha mala antes de ir pois ia fazer check out do hostel. Quando planejei a viagem fiz uma reserva de dois dias numa casa de uma moradora de Ushuaia. Tava um preço quase igual ao cobrado pelo hostel e teria um quarto só para mim. Para chegar ao parque fui informado de que teríamos que tomar uma van próximo às informações turísticas, na Av Maipu. Elas saem de hora em hora e cobram um valor absurdo de AR$ 500 ida e volta. Muito caro por um trajeto de 12km, mas não tinha opção. Talvez táxi com muitas pessoas compense. Não tive mto tempo para pesquisar melhor então foi isso mesmo. Além do transporte, o parque cobra algo entorno de AR$ 340 para entrada. No centro de informações turísticas você pode pegar um mapa e planejar seu tour. Do mesmo lugar tb sai uma van que te leva até o trem do fim do mundo, parte do antigo trem usado pelos presos para levar a lenha que abastecia a calefação do presídio. O trem faz um pequeno percurso da entrada do parque até um ponto dentro do parque. Não achei nada demais não, parece mais interessante para crianças. Pegamos van das 12h e em 20 min chegamos no portão principal do parque e pagamos a entrada. Um pouco depois o motorista nos deixou no início da trilha que escolhemos. Há diversas trilhas dentro do parque, a maioria bem simples. Há apenas trilha puxada que vai ao Cerro Guanaco, estimam em 4 horas apenas ida, por isso pedem que não comecem a trilha depois das 12h. Como chegamos tarde, fizemos a Trilha Costeira, que se inicia no famoso correio do fim mundo. Sim, há há um correio postal lá, mas não consegui mandar um postal pra minha namorada pq não tinha o endereço de cabeça rs. Mas é possível, inclusive dá pra carimbar seu passaporte lá tb, pagando alguns pesos. A trilha tem 8km e uma duração de 3 horas em média. A maior parte do tempo ela vai beirando a orla e é bem bonita. Passa por várias praias. Ao final da trilha nos afastamos da orla e após alguns quilômetros chegamos na estrada principal do parque, onde placas nos indicam que a poucos metros há um centro de conveniência. Nessa hora começou a chover bastante e fomos ao centro para comer algo e nos abrigar. Lá há um restaurante e pequeno museu interpretativo. Aguardamos um pouco e seguimos a caminhada para o lago Roca, um dos lugares mais bonitos do parque . Não estava tão bonito por causa do tempo nublado, mas foi legal. Por último, voltamos e fizemos o caminho até baía Lapataia. Nesse caminho há diversas trilhas numeradas no mapa. Acabou que estávamos sem tempo e fizemos apenas a última, que passa pelo mirador Lapataia e termina próximo à baía. De lá sairia a última van (às 19h). Achei o mirador da baia Lapataia o lugar mais bonito do parque. A van parte pontualmente às 19h e passa em outros dois pontos para pegar mais pessoas. Voltei pro hostel pra pegar meu mochilão, e segui pra casa de meus anfitriões no airbnb. Ficava uns 15 minutos do hostel, um pouco mais afastado do centro. A casa deles (era um jovem casal) era bem aconchegante e o quarto também. Deixei as coisas lá e fui jantar. Escolhi um restaurante chamado bodegon fueguino. Recomendo! Pedi um cordeiro e uma cerveja, tava mto bom e foi barato. Voltei pra casa e fui dormir.
       
      27/12 - Ushuaia (5) - Dia de compras
       
      Nesse dia tinha deixado para fazer umas das trilha mais pesada de Ushuaia, que é a Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra. Mas acordei com aquela preguiça de fazer qualquer coisa e já um pouco cansado de fazer trilhas. Afinal, estava há 22 dias só fazendo isso praticamente. Resolvi me dar um day off. O dia tava bem quente pra Ushuaia. Dormi até um pouco mais tarde e fiz tudo bem tranquilo. Andei um pouco pela orla, almocei e depois fui no Museu Temático, que havia esquecido de ir. É um museu bem legal, moderno. A história da região é contada por meio de cenários modelados com bonecos e objetos. Ao entrar recebemos um mp3player em que cada faixa explica a cena que estamos vendo. Custa algo como AR$ 280 com desconto de estudante sai a AR$ 220. Depois passei no Freddo, a famosa sorveteria de Buenos Aires. Comprei lembranças para família. Tem muitas lojas na Av. San Martin. Comprei doce de leite artesanal, cerveja regional, um pinguin de pelúcia e alfajor no mercado. Por fim comi numa pizzaria próxima à casa dos meus anfitriões. Deixei tudo pronto mais uma vez para voltar a Punta Arenas no outro dia.
       
      Resumo de Ushuaia :
      A  cidade não é lá algo que se chame de bonita, é um grande porto com uma cidade que se vai ladeira acima. A primeira impressão não é boa. Mas há muita coisa legal para se fazer lá, no verão e no inverno (pelo que li). É uma cidade grande, muito turística principalmente para brasileiros, então você não terá problemas com câmbio, transporte, mercado, língua, etc. O tempo por lá é muito parecido com o resto da patagônia: muda rapidamente e está sempre instável. Nessa época a temperatura média é de 10 graus, mas com chuva e vento pode ficar abaixo disso. O preço das coisas em geral é próximo ao dos outros países da região. É possível um almoço completo com entrada + prato principal + sobremesa por uns AR$ 190. Como há mto o que fazer, é importante fazer um roteiro. As agências oferecem muitos passeios, vários deles podem ser feitos sem agências. Os principais são Glaciar Martial, Laguna Esmeralda, laguna de Los tempanos e glaciar vinciguerra, os passeios no canal do Beagle e os museus. A Brasileiros em Ushuaia tem um caderninho de passeios interessante. Nem tudo que tem lá você precisa da agência pra fazer, por isso vale a pena pegar esse caderninho. Pelo site tb é possível ver alguns deles. Acho que 4-5 dias é suficiente para Ushuaia.
       
      28/12 - Volta a Punta Arenas
       
      A volta para Punta Arenas, assim como a ida, foi cansativa. O ônibus sai igualmente do porto, próximo ao controle de passageiros do cais. A volta foi bem mais cheia do que a ida. Acho que por isso colocaram um ônibus extra, com saída alguns minutos depois. Depois de mais 12 horas , estou de volta a Punta Arenas para fazer meus dois últimos dias antes de voltar ao Brasil. Antes de ir para minha estadia, procurei saber sobre ônibus para o aeroporto e descobri que não existe. Há uma linha da BusSur que vai do aeroporto para o centro de Punta Arenas, mas não há o contrário.Para passar esses dois dias, reservei um Airbnb bem barato e me lasquei. Barato demais pra ser verdade. O problema já começou pra achar o lugar. O endereço no Google Maps era um e na prática era outro. Como reservei no dia anterior, não deu tempo de ver a mensagem que o anfitrião me mandou indicando o endereço correto. Por sorte, no mesmo ônibus que o meu havia um casal que tinha locado um outro quarto com o mesmo anfitrião que eu. Reparei que eles estavam indo pro mesmo lugar que eu e questionei se era um quarto no Airbnb. Acabou que encontrei o local graças a eles, pois não tinha internet para ver a localização exata. Bom, de todo modo, o local era muito ruim, muito mesmo. O anfitrião se chamava Peter (guarde esse nome se for fechar algum airbnb em Punta Arenas) e era um bom guia da região. Mas o local era ruim, cama ruim, cozinha péssima, tudo muito improvisado. Realmente não vale a pena, apesar de ser muito barato. Fui o roteiro do próximo dia e fui dormir.
       
      29/12 - Cemitério Municipal, Museus e city tour
       
      Como só teria esse dia para conhecer a cidade, fui fazer o passeio geral pelo centro da cidade. Comecei pelo Museu Salesiano Marggiorino Borgatello e devo dizer: de longe o melhor museu que conheci em toda região. Muito recomendável! É um museu muito rico, com muitas peças e exposições. Realmente incrível. Custa um valor simbólico. Sai de lá e fui até o maior atrativo da cidade: o cemitério municipal ! Pode parecer curioso, mas o cemitério de lá é um charme. Centenas de ciprestes podados dão um tão bem diferente ao cemitério e fez com que o local virasse atração turística. Fui até o mausoléu da família Braun (importante na cidade) e depois fui almoçar. Escolhi almoçar no restaurante famosinho chamado La Marmita. O local é mto bonito, decoração de ótimo bom gosto. Queria comer o guanaco, mas não tinha então fui de cordeiro novamente. A comida não é farta, mas é boa. Custo benefício é mediano. De lá fui até a Av Costanera ver os monumentos e sentir a brisa que vem do Estreito de Magalhães. Na verdade não fiquei muito pq o vento frio não permite ficar de bobeira. Na volta passei na praça Municipal e no palacio Sara Braun. Antes de voltar de vez, verifiquei a possibilidade de um transfer para o aeroporto. Encontrei a agência Fin del Mundo, no centro, e fechei com eles. Algo como CLP 5.000. Voltei para a estadia e arrumei as coisas. Tentei fazer o check in antecipado e tive problemas. Depois de muito tempo, resolvi que teria que cancelar o transfer e pegar um táxi para o aeroporto, pois achei que sem o check in pronto seria arriscado ir no transfer, já que o horário deles estava mto em cima do limite do voo. O anfitrião me indicou um taxista que cobrava CPL 7.000 para me levar até o aeroporto. Fechei com ele. Logo depois consegui fazer o check in pelo aplicativo, mas já havia cancelado o transfer então manti o combinado com o taxista. Dormi cedo já ansioso para voltar ao Brasil.
       
      30/12 - Volta pra casa
       
      Vinte e cinco dias depois de pisar na patagônia, voltei para o aeroporto que havia chegado à Patagônia. O voo de volta foi tudo bem, sem maiores problemas, e assim me despedi da Patagônia, lugar incrível.
       
      Resumo de Punta Arenas:
      parece um pouco de cidade grande, muito táxi, pessoas estranhas, pichações. Punta Arenas é uma cidade passagem a meu ver. Há passeios por lá, como a ida à ilha Monumento Natural dos Pinguins, ir ao antigo Puerto del hambre ou cruzar o canal e ir até à histórica cidade Porvernir. Além disso, não vi nada muito interessante. Se meu voo não fosse por Punta Arenas, talvez não tivesse passado por lá. Mas se vc passar, vale o que fiz no roteiro.

       
      FIM!
    • Por Carol Ninow
      Fiz essa viagem no feriadão do dia 01 de maio de 2017, com duas amigas, uma de São Paulo e a outra Americana. Como moro em Goiânia, peguei as meninas no aeroporto em Brasília, e seguimos rumo a São Jorge, isso na quinta-feira.
      Chegamos lá por volta das 18h, e fomos direto para nossa linda Pousada Raízes, que fica na rua principal. A noite fomos na Santo Cerrado Risoteria, comemos muito bem e tomamos alguns drinks.
       
      Para a sexta-feira tínhamos programado ir até a cidade de Cavalcante, para visitar a Cachoeira Santa Bárbara. Então saímos por voltas das 6:30 e a viagem levou 1h, a estrada está muito boa. Fomos direto ao CAT ( Centro de Atendimento ao Turista ) e pedimos por uma guia mulher. Já com a guia, paramos numa padaria e também num posto de gasolina, e seguimos rumo a Comunidade Kalunga, que é onde se paga entrar na cachoeira, R$20,00. A estrada de chão está muito ruim com muitos buracos e erosões, meu carro é baixo e batia toda hora. Como chegamos na Santa Barbara por volta de 11h, já tinham muitas pessoas, mas nada que atrapalhasse a contemplar aquela água maravilhosa. Detalhe: há uns 5km antes da entrada da cachoeira, tem um estacionamento para quem não quer arriscar a ir de carro, devido a estrada estar muito ruim, então tinha uma camionete fazendo o transfer por R$5,00 o trecho.
       
      De lá seguimos para o Restaurante Rancho Kalunga, onde comemos uma deliciosa comida caseira, e tomamos suco de mangaba. Por R$35,00 o almoço + R$12,00 do suco.
      Descemos para a Cachoeira da Capivara, que não paga para entrar. Como o sol já estava baixando, ficamos somente no primeiro poço, e amamos! A melhor parte do dia foi tomar banho na jacuzzi natural e tirar muitas fotos da borda infinita. Voltamos para a cidade, deixamos a guia e fomos para São Jorge, chegamos lá às 20h. Tomamos banho e fomos comer no Papalua, onde tinha um casal bem simpático tocando ao vivo.
       
      No sábado tomamos café da manhã cedo e já seguimos para o Parque Nacional, para fazer a Trilha dos Cânions. Cheguem cedo, pois tem um número de visitantes por dia. Não paga para entrar no parque, porém o estacionamento custa R$15,00, por ser área particular. Saímos do parque e fomos para o Vale da Lua, não entramos na água, apenas tiramos fotos, R$20,00. De lá fomos “almoçar” no Rancho do Waldomiro, comida sertaneja deliciosa! O PF gigante por R$35,00. Vale muito a pena. A noite comemos tapioca no Tapioca do Cerrado, R$10,00. Tomamos umas cervejas no Bar do Pelé e seguimos para o forró, R$20,00.
       
      Domingo tomamos café da manhã e fomos conhecer o Mirante da Janela, no caminho vimos muitos carros voltando do parque, pois já estava cheio e não estavam permitindo mais a entrada. Pagamos R$15,00 para entrar na propriedade onde fica a Cachoeira do Abismo, que estava vazia e sem queda d’água e o Mirante da Janela. A trilha é meio puxada, estava muito quente e não tem rio ou água para se refrescar, então levem muita água de beber, e lanches de trilha. Muita descida no começo e muita subida no final, para ver o que em minha opinião, é a paisagem mais espetacular da Chapada. Que lugar lindo!!!! Fiquei tão encantada com a beleza, que nem me importei de ficar na “fila” para tirar foto na janela.
      Passamos em São Jorge para um almoço rápido e seguimos para a Fazenda São Bento, já era umas 15:30. Fomos direto para a Cachoeira Almécegas 2, onde a trilha é menor e o poço é maravilhoso! Pagamos R$30,00. A noite fomos comer pizza na Pizzaria Lua Nova, onde aquele mesmo casal de sexta, estava tocando ao vivo. Bebemos um vinho e fomos dormir.
       
      Na segunda cedo tomamos café da manhã e nos despedimos desse lugar incrível e inesquecível.
    • Por Diego.Fernandes
      Cordisburgo é um município mineiro localizado a 86 km de Belo Horizonte (aproximadamente), com uma população com cerca de 8.981habitantes (2014), a pequena cidade é palco de importantes fatos científicos e literários do país. A importância científica da cidade é devido ao fato de Cordisburgo fazer da “Rota das Grutas Peter Lund”, a qual começa em Belo Horizonte no Museu da PUC e se estende por várias cidades de Minas. A rota recebe esse nome em homenagem ao importante naturalista dinamarquês, Peter Lund, que fez grandes descobertas em Minas no século XIX.
       
      “Desde ali, o ocre da estrada, como de costume, é um S, que começa grande frase. E iam, serra-acima, cinco homens, pelo espigão divisor. Dia a muito menos de meio dia, solene sol, as sombras deles davam para o lado esquerdo.” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
       

       

       

       

       

       
      Em Cordisburgo a maioria das descobertas foi feita na Gruta do Maquiné, onde Lund encontrou muitos fósseis de animais do período Quaternário.
       
      “E nas grutas se achavam ossadas, passadas de velhice, de bichos sem estatura de regra, assombração deles – o megatério, o tigre-dente-de-sabre, a protopantera, a monstra hiena espélea, o páleo-cão, o lobo espéleo, o urso-das-cavernas-, e homenzarros, duns que não há mais. Era só cavacar o duro chão, de laje branca e terra vermelha e sal. Monte de ossos, de bichos [...]” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
       
      A Gruta do Maquiné muito me impressionou pelo tamanho e pela beleza, mas antes de entrar vale muito a pena ir ao museu que tem onde se compra o ingresso para a gruta, é um museu interativo e tem exemplares de animais que vivem e viveram naquela região.
       
      “Pelas abas das serras, quantidade de cavernas – do teto de umas poreja, solta do tempo, a aguinha estilando salobra, minando sem-fim num gotejo, que vira pedra no ar, se endurece e dependura, por toda a vida, que nem renda de torrõezinhos de amêndoa [...]; enquanto do chão sobem outras, como crescidos dentes, como que aquelas sejam goelas da terra, com boca para morder. Criptas onde o ar tem corpo de idade e a água forma pele muito fria, e a escuridão se pega como uma coisa.” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
       

       

       

       
      A cidade é berço de João Guimarães Rosa, escritor consagrado da literatura nacional, e esse feito faz da cidade um verdadeiro atrativo literário regional e nacional. Por quase toda a cidade é possível encontrar algo fazendo referência ao escritor. Aqui irei colocar os lugares que estive:
       
      Capela Patriarca São José
      Como chegar: Seguir até o final da Rua São José, saída para a rodovia LMG 754, o destino fica na Praça Miguilim.
       

       
      Portal Grande Sertão
      Como chegar: Seguir até o final da Rua São José, saída para a rodovia LMG 754. Fica na Praça Miguilim.
       

       
      Zoológico de Pedra “Peter Lund”
      Como chegar: Siga na Rua São José, vire a direita na rua Governador Valadares, o destino se encontra na Praça Octacílio Negrão de Lima.
       
      Associação dos Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa e Grupo Estrelas do Sertão
      Como chegar: Siga em frente na Rua São José, vire a direita na Rua Governador Valadares, vire a esquerda na Avenida Padre João.
       
      Museu Guimarães Rosa
      Como Chegar: Avenida Padre João, 744 (Centro)
       
      Casa Elefante
      Como Chegar: Avenida São José, 1552
       

       
      Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus
      Como chegar: Rua Frei Estevam
       

       
      Ps.: Vale a pena visitar a estação ferroviária e também na rua do Museu Casa Guimarães Rosa tem uma "lojinha" que na verdade não é uma loja, mas uma coleção de diversos tipos de objetos e cada tem uma história é outro lugar com uma delicadeza incrível.
       

       

       
      Lugares para comer (super recomendo):
       
      Restaurante Sarapalha: comida maravilhosa, ambiente limpo e agradável. (cheio de ações poéticas)
       
      Restaurante um conto e cem: Pizza muito boa, bom atendimento e local agradável.
       
      Enfim, Cordisburgo me encantou, espero que desperte um pouco do interesse em vocês também, pois a cidade merece ser visitada.
       
      “Ele sabia – para isso qualquer um tinha alcance – que Cordisburgo era o lugar mais formoso, devido ao ar e ao céu, e pelo arranjo que Deus caprichara em seus morros e suas vargens; por isso mesmo, lá, de primeiro, se chamara Vista-Alegre. E, mais do que tudo, a Gruta do Maquiné – tão inesperada de grande, com seus sete salões encobertos, diversos, seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos na luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais gloria resplandecente do que uma festa, do que uma igreja.
      Não, bronco ele não era, como o Ivo, que nem tinha querido entrar, esperara cá fora: disse que já estava cansado de conhecer a Lapa. Mas, aquilo, daquela, ninguém não podia se cansar. Ah, e as estrelas de Cordisburgo, também – o seo Olquiste falou – eram as que brilhavam, talvez no mundo todo, com mais agarre de alegria.” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
    • Por Fernanda Marcelino
      - 1º dia:
      Cheguei no aeroporto de Curitiba numa 3ªf, por volta das 9:30h. De lá, eu e meu marido pegamos um ônibus próprio do aeroporto, para seguir até o Centro Cívico de Curitiba, a passagem foi 3,80 por pessoa. Levamos em torno de 50 min para chegar até lá;
      Ao chegar no Centro, paramos para tomar um café e logo seguimos para o hotel Rochelle. Fizemos o check-in, deixamos as malas lá e partimos para os passeios do dia.
      De primeira, fomos ao Jardim Botânico, pensamos que ele fosse perto e por isso fomos a pé, levamos quase 1 hora para chegar até lá, mas até que valeu, pois conhecemos os bairros e percebemos o quando a cidade é bem cuidada, limpa, com belíssimas residências e muitas lindas flores por todos os lados.
      Bem, após o passeio no jardim, fomos almoçar ali por perto mesmo, no restaurante Mãos Mineira, com comida caseira e preço acessível. Depois do almoço, solicitamos um transporte do uber e voltamos para o hotel.
      Como a caminhada até o jardim foi um pouco cansativa, ficamos bem exaustos na parte da tarde, e acabamos dormindo à tarde para recarregar as energias. Para aproveitar a noite, fomos até o Shopping Estação, onde tem o Museu Ferroviário, porém estava fechado. Vimos somente algumas coisas pelo lado de fora e paramos para jantar no “Das Arábias”, super recomendo as esfirras e o Beirute. Para fechar a noite, passamos na Lojas Americanas, dentro do shopping mesmo, para comprar algumas garrafas de água e deixar no frigobar do quarto, no hotel. Voltamos mais uma vez de uber, pois apesar do shopping estar próximo do hotel, estava um pouco tarde para andar a noite em uma cidade desconhecida.
       
      - 2º dia:
      Seguimos para a Praça Tiradentes e de lá fechamos o passeio do dia seguinte para Morretes, com um guia de uma agência que estava na praça, e compramos no transporte de turismo da cidade, uma passagem de ônibus que passa por 25 pontos turísticos, o valor foi de 40,00 por pessoa, e dava direito a um embarque e mais 4 reembarques. Olhamos o roteiro e escolhemos as descidas que faríamos neste passeio.
      Subimos no primeiro ponto, Pça Tiradentes e as descidas foram as seguintes: Museu Oscar Niemeyer (não sabíamos, mas neste dia da semana a entrada é gratuita – toda 4ªf); Bosque do Alemão (onde tem a trilha do conto de João e Maria); Parque Tanguá (sendo que antes de entrar, paramos para almoçar no bar Viva Curitiba, em frente ao parque, (comida caseira e preço acessível); depois do parque voltamos o caminho a pé até a Ópera do Arame (fizemos o caminho inverso, porque da ópera até o parque é uma subida, fazendo desta forma, apenas descemos invés de subir); e por último, Santa Felicidade, lá tomamos um sorvete, passamos numa loja para comprar lembrancinhas e fomos na vinícola Vinhos Durigan (lá, experimentamos vinhos, queijos, suco de uva e salames).
      Após o último reembarque, descemos na Pça Tiradentes e voltamos para o hotel. Por volta das 19hs fomos até Shopping Itália, próximo ao hotel, parece uma galeria, e neste horário muitas das lojas estavam fechadas já. Compramos um lanche e voltamos para o hotel para se preparar para o próximo dia.
       
      - 3º dia:
      No dia anterior, tínhamos fechado com o Henrique da Gálatas Tour (que estava na Pça Tiradentes), o passeio para a cidade de Morretes, ida e volta + translado 160,00 por pessoa (ida de trem e volta de van). A ida dura 4hs, a partir da saída da ferrovia (30km/h). Neste valor, já estão inclusos: a passagem do trem, a busca e o retorno do hotel, o lanche dentro do trem e o guia com ótimas histórias ao longo do roteiro feito pelo trem. Este passeio é incrível, e com o tempo bom, é possível admirar toda a paisagem, não da para perceber a hora passando.
      Morretes é uma cidade pequena e bonita, lá vende lembrancinhas da cidade, tem feira e muitos restaurantes que oferecem o prato típico da região para o almoço, o famoso Barreado (carne picada feita na panela de barro, com pirão de farinha e banana flamada). Nós escolhemos almoçar no Estação Barreado (em frente a estação ferroviária de Morretes), mesmo conceito de todos os dias, comida caseira e preço acessível. Experimentamos o barreado e também tinha a opção de peixe. Após, fomos na sorveteria Bola de Neve, compramos umas lembrancinhas, andamos um pouco pela cidade e fizemos o regresso de van. Ao longo do caminho de volta, o motorista passa em mais alguns pontos turísticos e por isso o retorno pode levar de duas à três horas.
      Como eu gostei muito do Jardim Botânico, aproveitamos a volta de van, e pedimos ao motorista para nos deixar lá, já que passaríamos ali por perto, invés de ir para o hotel. Assim, mais uma vez passeamos no jardim, aquele lugar é belíssimo. E depois de aproveitar mais um pouquinho, voltamos de uber para o hotel.
      A noite, solicitamos um serviço turístico e gratuito da cidade de Curitiba, que busca a pessoa no hotel, leva para jantar e regressa com a pessoa (descobrimos isso no último dia). Site http://www.levaetrazgratis.com.br/, basta verificar os restaurantes e hotéis conveniados para este serviço. Fomos para o restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, lá você entra e come a vontade, em torno de 50,00 por pessoa.
       
      - 4º dia:
      Saímos bem cedo do hotel, pois o vôo era logo pela manhã. Combinamos com o rapaz do uber que conhecemos no primeiro dia, e ele nos buscou no hotel e levou para o aeroporto, cobrou apenas 30,00 pelo serviço e favor, já que ele morava próximo ao hotel.
      O custo total desta viagem foi em torno de R$ 2.100,00, incluindo passagem e hotel.
    • Por lukasmauro
      10 Porquês de Pernambuco Ser Tão Foda – Recife, Olinda, Nazaré da Mata, Itamaracá
       

       
      Introdução
       
      Olá, Meu nome é Lucas, meu parça é Marcelo.
      A última vez que escrevi um relato nesse site foi do mochilão em Cuba:
      http://www.mochileiros.com/cuba-mochilao-mulambo-ponta-ponta-havana-cienfuegos-trinidad-baracoa-santiago-cayo-guilhermo-vinales-t117960.html
      Naquele contexto éramos dois mulambos.
      As condições financeiras, tanto minha, quanto de Marcelo, melhoram muito desde então.
      Daí que essa trip pra Pernambuco não foi tãao rootzera quanto aquela pra Cuba.
      Pudemos viajar com mais conforto, se alimentar melhor e etc.
      Ainda assim, esse relato traz algumas dicas daquele que foi, disparado, O MELHOR CARNAVAL DE NOSSAS VIDAS.
       

       
      10 Constatações:
       
      1- É O MELHOR CARNAVAL DO MUNDO
      Simplesmente.
      Frevo, maracatu, afoxé, samba, marchas líricas, caboclinhos....
      A lista de tradições carnavalescas de pernambuco parece não ter fim.
      Não tem nenhuma região no mundo que viva tão intensamente o carnaval.
      É uma energia incrível!
      É de arrepiar e faz a terra tremer.
       

       
      2- ELES “BRINCAM” O CARNAVAL
      Brincar é comumente uma coisa associada a crianças, mas não para os pernambucanos.
      Crianças, adolescentes, adultos e senhores brincam o carnaval.
      Essa palavra maravilhosa: BRINCAR!
      Quem dera brincássemos mais, lamentaríamos menos.
      Vestiríamos mais cores e menos cinza.
      Mais urucum e menos gravata.
       
      3- MEO DEOS DO CÉU OQ É O CARNAVAL DE NAZARÉ DA MATA?
      Essa talvez tenha sido o momento mais incrível da viagem.
       

       
      Pegamos um Uber e fomos pra essa cidade que fica a 1h30 de recife.
      Lá tem o maior encontro de maracatu de baque solto (maracatu rural) de Pernambuco.
      É muito difícil tentar usar palavras para descrever momentos que nos enchem os olhos só de lembrar.
      Meu amigo, minha amiga: NÃO DEIXE DE IR PARA NAZARÉ DA MATA!
      Os brincantes de todas cidades próximas vem para Nazaré pra esse grande encontro de maracatu.
      São senhores e senhoras que em grande parte trabalham no corte de cana-de-açúcar e que ralam o ano inteiro para que “um dia, afinal, tenham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chama carnaval”.
      Enquanto os mestres fazem seus repentes, a cidade inteira escuta, compenetrada.
       

       
      Quando o mestre pausa, a banda retoma o baque e os caboclos de lança dão seu show.
      Incrivel. Fabuloso. Inesquecivel. Indescritivel.
       
      4- DESFILAR POR UMA NAÇÃO DE MARACATU É MUITO MASSA
      Somos dois aficionados pelo maracatu de baque virado.
      Em São Paulo participamos das oficinas do Bloco de Pedra aos sábados (todas/os convidadas/os).
      Por aqui cantamos e tocamos as loas das nações do maracatu de Recife.
      Pois que se não admirá-las ao vivo foi muito emocionante.
      Como se não bastasse fomos convidados para desfilar pelas nações do maracatu Encanto do Pina e Porto Rico.
       

       
      Para coroar, Porto Rico se sagrou campeã do carnaval 2017.
      Demais!
       
      5- FOI ÓTIMO FICAR NO BAIRRO DO PINA
      As duas nações de maracatu pelas quais desfilamos ficam no bairro do Pina.
      Mais precisamente na favela do Bode.
      Ficar nesse bairro nos facilitou para estarmos próximos das nações.
      Foi muito bacana conhecer a história e a reverência que os batuqueiros de recife têm pelos orixás, pelos ancestrais, pela história do maracatu, pelos reis, rainhas e mestres de suas nações.
      O Pina também é um bairro que tem acesso fácil para o recife antigo, em que tem os festejos tudo.
      Além disso é perto do shopping Riomar que dá bastante opção pra comer.
      E, por não ser uma região muito valorizada, o aluguel da casa ficou relativamente barato.
      É uma boa pedida.
       
      6- HÁ GRANDE RIVALIDADE ENTRE AS NAÇÕES DE MARACATU
      Esteja atento para não cantarolar, inadvertidamente, uma toada do Estrela Brilhante quando você estiver em um ônibus do Porto Rico.
      Sim, eu fiz isso.
      Bem, me perdoaram, mas não curtiram não.
      O baguio é Corinthians x Palmeiras.
      Não brinque com isso.
       
      7- O IDIOMA SERÁ NORDESTINENSE
      To até agora procurando no google:
      “como me livrar do sotaque recifense”
      É um jeito muito gostoso de falar
      Um diálogo convencional faz parecer um eterno recital de poesia.
       

       
      Caso um dia o nordeste se torne independente, realizando o sonho de Bráulio Tavares, o idioma será nordestinense, a bandeira de renda cearense e “Asa Branca" será o hino nacional.

       
      8- BEBA AXÉ
      É uma cachacinha com canela, mel e mais umas ervas misteriosas que os rastafári vendem no carnaval.
      Não tenha medo de beber.
      É gostoso e dá um barato
       
      9- NOITE DOS TAMBORES SILECIOSOS É MUITO EMOCIONANTE
      pqp chorei demais vei
      Não vou estragar a surpresa do que rola, mas pelamor não deixe de ir.
       

       
      É na segunda feira de carnaval
      #descubra
       
      10- NÃO PERCA O GRUPO BONGAR NA COMUNIDADE XAMBÁ
      O grupo Bongar é o mais famoso grupo de coco do Brasil
      Se vc nunca sentiu a energia dos cara dá uma chegada nesse vídeo:

      Eles são provenientes da favela Xambá em Olinda e todo carnaval se apresentam num palco instalado lá.
      O trabalho que eles desenvolvem lá vai muito além da música e da dança.
      É todo um trabalho de desenvolvimento social, aliado a preservação do patrimônio cultural.
      Trabalho com crianças e tudo mais.
      Bem bacana.
      Vale demais conferir.
      Ocorre na quarta feira de cinzas.

       
      Day by Day
       
      *Os gastos mencionados são relativos a uma pessoa.
      *Os uber dividíamos em dois, salvo nas viagens para Nazaré da Mata e pras praias, que dividimos em quatro. Então qd vc ler “uber.. R$ 12” é pq o preço total da viagem é R$24.
      *Ida e volta de avião: R$ 900, de Avianca.
      *Alugamos uma casa com amigos, deu R$ 270 por dez dias.
      *R$ 250 com alimentação e outros R$ 300 entre cervejas, uber e passeios.
      *custo total: R$ 1820/pessoa – 11 dias
       
      Dia 1: CHEGADA – 22.02
      “volteeeei recifee”
      Mentira.
      Não voltei pq nunca tinha ido.
      Mas já vai se acostumando com essa música pq ela vai tocar móinto em seu carnaval

      Ao chegar no aeroporto já fomos recebidos com caipirinha de Pitú e frevo. (emoji)
      Deixamos as malas na casa e saímos para um rolê no Recife Antigo chamado “Tambores de Ogum”
      Já deu pra sentir o gostinho
      Teve Afoxé, teve maracatu de baque virado e muita cerveja.
       
      uber do aeroporto até o bairro do pina: R$13
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$20
       
      Dia 2: TURISTAS + CABOCLINHOS + BAQUE MULHER – 23.02
      Dia de caminhada para conhecer a cidade.
      O Paço do Frevo - Durante muitas décadas, o carnaval de recife e Olinda eram o frevo e o frevo era o carnaval.
      O “fervo”...
      A sombrinha que hoje usamos para dançar o frevo é apenas uma metáfora dos verdadeiros guarda-chuvas com os quais se dançava em outros tempos.
      O frevo nasceu da capoeira, até então proibida, e o guarda-chuva era uma verdadeira ferramenta de luta disfarçada.
      No Paço do Frevo você vê as fotografias, estandartes e relatos que trazem toda essa história.
      Além disso dê um bizoi na programação de lá porque sempre tem umas apresentações de frevo e musica erudita.
      Casa de Cultura – é um presídio abandonado que se tornou pólo de artesanato. É interessante brisar na arquitetura do local, as lojinhas são mais ou meno.
      Casa dos bonecos gigantes – a gente se divertiu pacas com os bonecos.
      Mas é um pico estilo “madame trousseau”, saca? Um role meio pra gringo ver. Se vc tiver com pouca grana dexa no gelo.
      É um espaço pequeno, com cerca de 100 bonecos gigantes das mais diferentes áreas – política, artes, folclore e etc..
       

       
      Teatro Mamulengos – esse é mais interessante, mas é o mesmo estilo do anterior. É legal, mas só se vc tiver tranquilo de tempo e grana.
      É pequeno, mas tem representações de figuras clássicas do carnaval de Pernambuco – como a dama de passo, o caboclo de lança e etc.
      De noite fomos pra recife antigo porque tava tendo encontro de caboclinhos
      Caboclinhos é uma dança folclórica em que índios e grupos fantasiados de índios, com cocares, adornos de pena, colares, representam cenas de caça e combate.
      Foi muito massa.
      Durante o carnaval vêm grupos do estado inteiro para recife apresentar suas danças.
       

       
      Depois disso acompanhamos o “Baque Mulher”, um grupo de maracatu formado apenas por mulheres e que mandam benzão.
      Começou a chover forte e enquanto todos se abrigavam, eu e Marcelo jogávamos capoeira na chuva.
       
      uber do pina ao recife antigo: R$6
      Paço do Frevo – R$ 4 (a meia)
      Casa de Cultura – regata R$ 10
      Casa dos bonecos gigantes - R$ 10
      Teatro Mamulengos - R$ 10
      “três latão é dez”: R$20
       
      Dia 3: COMEÇOU – 24.02
       
      Nesse dia conhecemos as duas nações de maracatu do bairro do Pina e providenciamos todos os preparativos para o desfile de domingo.
      De noite no marco zero teve a abertura oficial do carnaval 2017, com mais de 600 batuqueiros de 13 nações de maracatu de baque virado.
      O homenageado foi Naná Vasconcelos que faleceu em 2016.
      Eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy (brasileiro com mais prêmio Grammy).
      Só.
      Olha o que esse homem e vê se ele não merece 600 batuqueiros:

      Lenine e Virgínia Rodrigues, acompanhados do Coral Voz Nagô, deram um show e a abertura do carnaval ficou tão grandiosa que mais parecia a noite da virada de ano.
       
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$30
      Axé: R$ 10
       
      Dia 4: OLINDA– 25.02
      Enfim, o carnaval de Olinda.
      Muito frevo, muita ladeira, muita cerveja.
      Chegamos as 15h e saímos de madrugada.
      Muitos nos deram a dica de fugir pra Olinda durante o Galo da Madrugada em Recife.
      Isso porque Olinda fica intimista enquanto recife fica tumultuado demais.
      Seguimos a recomendação e não nos arrependemos.
      Vimos o Homem da Meia Noite, que é bastante tradicional e dançamos um forrózim de uma banda familiar.
      uber do pina e a Olinda e volta: R$24
      “três latão é dez”: R$30
      Caipirinha de pitu: R$ 8
       
      Dia 5: DESFILE– 26.02
      Passamos o dia ajudando às nações de maracatu do Pina a se preparar para o desfile da noite.
      Pela noite vestimos as fantasia e saímos pela passarela.
      Foi mágico.
       

       
      Nesse dia também foi muito emocionante assistir, dançar e cantar enquanto desfilavam outras nações como Estrela Brilhante de Recife, Leão da Cambinda e Aurora Africana.
      Ainda deu tempo pra dançar um forrózinho com a dupla Caju e Castanha.
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$30
       
      Dia 6: NAZARÉ DA MATA + TAMBORES SILENCIOSOS – 27.02
      Esse dia foi louco.
      Já contei como foi nos itens 3 e 10 das constatações.
      uber do pina a Nazaré da Mata: R$40 (total R$ 160)
      ônibus de Nazaré da Mata a recife antigo: R$ 11
      “três latão é dez”: R$30
       

       
      Dia 7: SHOWS – 28.02
      Dormimos a tarde toda pq a viagem até aqui foi realmente muito intensa
      No fim da tarde fomos pro marco zero.
      Desfile das campeãs do carnaval de 2016: Sóbrios
      Show do Geraldo Azevedo: Altos
      Show do Lenine: Beubos
      Show da Elba Ramalho: Dormindo de boca aberta na cabine de uma pick-up estacionada na rua.
       
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$30
      Axé: R$ 20
      Ganjah: R$ 10
       
      Dia 8: XAMBÁ – 01.03
      Esse dia eu também já contei no item 10.
      uber do pina ao xambá: R$24
      “três latão é dez”: R$30
      Axé: R$ 15
       
      Dia 9: COROA DO AVIÃO + PRAIA DO SOSSEGO + FESTA NA NAÇÃO – 02.03
       
      Visitamos pouquíssimas praias nessa viagem.
      Mas, também, com o carnaval batendo forte em Recife, quem quer saber de praia?
      Quero voltar pra Pernambuco pra conhecer Porto de Galinhas, Carneiros e Cabo de Santo Agostinho.
      Conversamos com um motorista de Uber que fechou o dia pra nos levar a conhecer dois tesourosna ilha de Itamaracá.
      A praia do forte Orange é uma praia belíssima com uma relativa estrutura pra receber turistas.
      O destaque dessa praia é mesmo as ruínas de um forte construído pelos holandeses na época da colonização.
      Depois disso nosso motorista nos levou a Praia do Sossego que é uma praia quase deserta.
      Lindissima.
       

       
      Conhecemos o “mozão” e a “mozona” que mantém um barzinho lá e choramos de rir com as histórias deles.
      Voltando de lá recebemos a notícia de que Porto Rico tinha sido campeã.
      Fomos pra sede da nação, tava tendo open de cerveja.
      Bebemos, dançamos e bebemos mais ainda. Selok
      Pina às praias e volta – R$ 40 (R$ 160 no total)
       
      Dia 10: CINEMA SÃO LUIZ + BARES DA AURORA – 03.03
      O cinema de Recife é muito foda.
      Pra quem ainda não manja, aí vai algumas recomendações:
      - Boi Neon, Amarelo Manga, A Febre do Rato, o Som ao Redor e Tatuagem.
      O cinema São Luiz é tradicionalzão em Recife, tombado como monumento histórico e tudo mais.
      Assistir um filme pernambucano (Redemoinho) naquele lugar foi muito massa.
      Depois fomos beber nos famosos bares da Aurora onde os “alternativos” da cidade se reúnem (Rua Mamede Simões).
       

       
      uber do bairro do pina até o são luiz: R$8
      Heinekens: R$ 40
       
      Dia 11: ATÉ BREVE – 04.03
      uber do bairro do pina até o aeroporto: R$13
       
      CONCLUSÃO
      Marcelo: Às vezes nós que moramos em outros Estados e regiões temos um contato muito distante com a cultura popular e o que esta representa.
      Quando a nós chega algo que faça referencia a ela logo caricaturamos e pensamos aquilo como algo pitoresco e folclórico, algo que ficou no passado e nada tem a ver com nossa vida.
      Porém quando pisar em Pernambuco propomos que você esteja disposto a romper com essa visão e mergulhar em toda a beleza e cor, infância e calor, todo sabor e grandiosidade desta cultura.
      Lá você irá se compreender e enxergar suas raízes e perceber que toda essa herança permanece até os dias de hoje!
      Vai se apaixonar pelo movimento sincero da dança dos caboclinhos, pelo baque forte dos batuqueiros de Maracatu, pela leveza e frenesi dos passos do frevo, pela expressão sincera e majestosamente colorida e bela dos Maracatu Rural, do sorriso negro estampado nas faces de cada pessoa do afoxé, pela alma sertaneja em cada nota tocada em uma rabeca, sanfona, triangulo e zabumba, pela alegria sincera dos blocos líricos.
       

       
      Com certeza depois desta experiência temos o desejo sincero de gritar para o mundo inteiro ouvir o quanto nos orgulhamos do nosso povo e o quanto hoje fazemos de nossas vidas também uma busca por conservar e espalhar as belezas que tanto são marginalizadas!
       
      O nome dos poetas populares.
      (Antônio Vieira)
       
      A nossa poesia é uma só
      Eu não vejo razão pra separar
      Todo o conhecimento que está cá
      Foi trazido dentro de um só mocó
      E ao chegar aqui abriram o nó
      E foi como se ela saísse do ovo
      A poesia recebeu sangue novo
      Elementos deveras salutares
      Os nomes dos poetas populares
      Deveriam estar na boca do povo
       
      Os livros que vieram para cá
      O Lunário e a Missão Abreviada
      A donzela Teodora e a fábula
      Obrigaram o sertão a estudar
      De repente começaram a rimar
      A criar um sistema todo novo
      O diabo deixou de ser um estorvo
      E o boi ocupou outros lugares
      Os nomes dos poetas populares
      Deveriam estar na boca do povo
       
      No contexto de uma sala de aula
      Não estarem esses nomes me dá pena
      A escola devia ensinar
      Pro aluno não me achar um bobo
      Sem saber que os nomes que eu louvo
      São vates de muitas qualidades
      O aluno devia bater palma
      Saber de cada um o nome todo
      Se sentir satisfeito e orgulhoso
      E falar deles para os de menor idade
      O nomes dos poetas populares.
       

       
      Lucas e Marcelo
       
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