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Torres del Paine - Março de 2016.


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O caminho até o Parque.

 

Torres del Paine estava nos planos há alguns anos. Abriu-se uma possibilidade para esse início de ano e pensei "é agora".

Primeiramente pensei em ir em fevereiro, mas não deu certo. Ficou então para março. Acompanhei a previsão do tempo pelo accuweather e vi uma janela de tempo bom entre 10 e 25 de março. Com pouca previsão de chuva. Comprei as passagens, ajeitei o material de trekking e fiquei esperando o dia.

 

A princípio a idéia era fazer o circuito completo, começando pela Laguna Amarga, Serón, Dickson, etc. Deixando as Torres para o último dia. Mas como tinha lido que se chegasse lá e o tempo estivesse aberto era melhor já subir até as Torres no primeiro dia, porque talvez no último dia não encontrasse o tempo aberto, decidi deixar essa opção em aberto.

 

Sairia de Maringá, no dia 10-03 às 06:25h para São Paulo. às 19:00h de São Paulo para Santiago e às 02:00h de Santiago para Punta Arenas.

Já começou errado. Acordei às 04 horas da manhã e ainda consegui perder o avião. Não por culpa minha e sim de quem iria me dar carona até o aeroporto que perdeu a hora. Tentei de tudo para embarcar e não consegui. Voltei para casa, entrei em contato com a turma do Smiles e consegui remarcar para o meio dia. Só que iria para Congonhas e não para Guarulhos. Tive que encaixar um transfer até Guarulhos, mas no final foi tudo bem. Nessa viagem aprendi uma coisa, não adianta muito ficar se preocupando porque no final tudo vai dar certo.

 

Cheguei em Punta Arenas às 05:30h do dia 11-03 e peguei um táxi do aeroporto até a sede da Bus Sur e de lá saí às 07:00h, com destino a Puerto Natales. Cheguei em Natales por volta de 10:00 e saí para comprar algumas coisas que faltavam. Comida para os dias no Parque e gás de cozinha. Tive a oportunidade de conhecer um casal de irmãos chilenos que fariam o "W" e começariam pelas Torres. Decidimos que subiríamos até o campamento Base Torres juntos e na sexta feira, 12-03, madrugaríamos para subir até as Torres para o nascer do sol. Comprei o que precisava e fiquei moscando pela cidade até a hora de pegar o busão para o parque, que sairia de Natales às 14:30h (buses Gomes). Deu tempo de dar uma boa pernada pela cidade.

 

Chegamos no Parque próximo das 17:00h, ainda com sol alto. O planejado corria bem até que na sede da Laguna Amarga nos disseram que o campamento base Torres estava lotado e não seria possível dormir lá nessa noite. Ainda pensei em dar um migué e subir, mas uma guarda parque me disse que me fariam voltar. O grupo que eu tinha com os chilenos acabou aí. Eles rumaram para iniciar o W pelo outro extremo e eu decidi ir para o campamento Las Torres, pernoitar lá e no dia seguinte subir até às Torres. O nascer do sol nas Torres já era.

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A primeira noite no parque, acampamento Las Torres, foi muito fria. Tomei um bom banho quente, fiz um miojão e fui dormir. Duas blusas, calça comprida, meias e ainda assim passei um pouco de frio. Parecia que o frio brotava do chão.

 

 

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Primeiro dia em Torres del paine.

12-03-2016.Sábado.

 

O dia começou cedo, acordei, tomei um café mais ou menos, preparei a mochila de ataque e às 08:00h saí rumo as Torres del Paine. Estava desde agosto passado meio que de molho. A última aventura tinha sido o Pico Paraná, Itapiroca e Caratuva, em dois dias. Mas depois disso nem as corridas (meu esporte atual) eu estava fazendo, tentado sarar uma tendinite brava no calcanhar. Então estava com um pouco de receio. DSC02696.JPG.d8807a453eb40a6905f870d54612153f.JPG

A paisagem muito bonita, mais até do que eu imaginava, tornou o caminho tranquilo. Passei pelo campamento Chileno, que estava "fechado" (mais ou menos, só estava aberto para quem tinha reserva prévia e para o Refúgio) parei um pouco para conhecê-lo, depois passei direto pelo campamento Base Torres. Nessa subida passei por muita gente que descia, indicando que o base Torres estava realmente lotado. Também encontrei o primeiro brasileiro, um cara de Londrina, mas que morava em São Paulo e só ficaria no Parque esse dia, fazendo a subida às Torres e retornando porque no dia seguinte iria para El Calafate. Infelizmente ele abriu o bico e não terminou a subida.

Às 11:45 eu estava em frente às Torres del Paine. Que maravilha, que sensação boa. Quando você tem a oportunidade de estar em um lugar que você sonhava, com um dia lindo como estava, é demais. Tudo que eu fazia era admirar toda aquela beleza e agradecer à vida por ter me dado essa oportunidade.DSC02751.JPG.4ca842673edb920c0ceb2b88306a1503.JPG

Depois de uns 45 minutos lá em cima, resolvi descer. Parei um pouco no campamento Base Torres para conhecer e ali encontrei o primeiro membro da fauna do parque, uma raposa curiosa, que parecia não ter medo dos turistas. Ah não, essa não foi a primeira, na noite anterior tinha visto uma outra raposa no campamento Las Torres, só que aquela era mais medrosa. Depois de muitos Holas, Buen dias, etc, cheguei de volta ao campamento Las Torres. Eram quase 3 da tarde e vi que dava tempo de seguir até o Serón. Desmontei acampamento, arrumei a mochila e parti rumo ao Serón às 15:30. Nesse meio de caminho, que segue margeando o Rio paine, eu resolvi pegar um "cajadinho" que nada mais era que um galho de "lenga" caído na beira do caminho ele foi de muita utilidade nesse final de dia, já que eu não costumo usar bastões de trekking. De manhã eu estava só com a mochila de ataque e agora levava a a mochila pesada. A diferença é grande.

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Às 19:45 eu estava chegando ao campamento Serón, lugar do segundo pernoite. Ventava bastante. Ainda havia um bom período de luz e tive tempo de armar a barraca, trocar uma idéia com o responsável pelo campamento para depois tomar um banho quente e preparar o rango.

Eu tinha percorrido 37 Km nesse dia e achei que merecia um presente. Comprei uma coca lata para acompanhar o rango que teve miojo e atum. Nessa noite conheci o Sebastian e mais duas moças também chilenas.

 

 

 

Segundo dia em Torres del Paine.

13-03-2016. Domingo.

 

Tinha ventado prá caramba durante a noite. Apesar disso não tinha feito tanto frio e eu que tinha começado a noite com duas blusas terminei dormindo só de cueca e camisa e não passei frio. Acordei meio tarde, fui preparar o café da manhá e lá encontrei de novo o Sebastian e conheci um americano, Johnatan, cara bem maluco. Legal, mas maluco.

Depois de desmontar acampamento, saí às 11:40 rumo ao campamento Dickson, que seria local do segundo pernoite. Eu tinha levado uma garrafinha plástica de 500 ml para água e mais um Gatorade de 750ml. Não é que esqueci a garrafinha no Serón. Só eu mesmo. Dali prá frente ia ser só a garrafinha de Gatorade, mas ela seria suficiente.DSC02824.JPG.c9bc9a0c0832d738e4affbea5ea20259.JPG

A trilha foi bem tranquila, bem mais leve que a do dia anterior. Exceção feita ao trecho conhecido por "Paso de los Vientos", que faz juz ao nome. Chegamos nesse trecho eu e mais 4 pessoas que tinha conhecido na trilha, todos texanos. O John e mais 3 amigas dele. Tinham se formado e estavam de férias comemorativas em TDP. Eles iam na frente e quando vi caíram os 4 de uma vez. Não deu nem tempo de rir porque eu fui o próximo. Nunca vi um vento tão forte. A gente ficou um tempo sentado esperando parar e não parava. Vieram dois chilenos e caíram, mas levantaram e foram em frente. Também fiz o mesmo. Penei prá superar esse trecho de vento, mas a visão que me esperava depois da curva era linda, o lago Paine. Fiquei um bom tempo sentado adimirando aquele lago de uma cor tão diferente e linda.DSC02841.JPG.ab551dafc9bf39a78ee2f7d3e40c2ea3.JPG

Depois disso levantei para seguir em frente e percebi que tinha perdido meu óculos de sol. O vento tinha levado ele e eu nem percebera. Voltei para procurá-lo e não encontrei. Também não iria me fazer falta. Nunca fui de usar óculos de sol e não seria agora que me fariam falta. Só fiquei sentido porque os mesmos seriam um corpo estranho, sujando um lugar lindo daqueles. Fazer o quê?

Toquei em frente. Passei pelo Posto de controle Coirón, onde me pediram um papel que eu devia ter pego na Laguna amarga e não tinha, que era tipo uma "autorização" para fazer o circuito completo. O guarda-parques me pediu para assinar o livro e colocar um Xis na frente, indicando que eu não tinha aquele papel que deveria ser deixado nesse posto de controle.

Segui em frente e às 18:00 horas estava chegando no campamento Dickson. O visual que se tem do alto do morrote que precede o campamento Dickson também é qualquer coisa. Aqueles enormes blocos de gelo, de diferentes formas e tamanhos flutuando no lago e no rio que o sucede são simplesmente demais.

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Depois de conversar com um guarda-parques por um bom tempo, fui montar o acampamento e depois passear na beira do lago Dickson por outro bom tempo. O clima começou a ficar mais frio e voltei para o camping para tomar banho e preparar a janta, que nesse camping é feita ao ar livre, em mesas de madeira, na companhia do vento e dos pernilongos, que felizmente não eram muitos.

Nessa tarde-noite conheci dois americanos, o Wess, de 80 anos, que estava fazendo o circuito completo, carregando mochila e tudo mais e dormindo numa barraca Marmot bem mais estreita que a minha. Depois fiquei sabendo que o Sebastian era quem carregava, montava e desmontava sua barraca, além de preparar o rango. Mas isso não tira o mérito de um senhor de 80 anos, sozinho numa aventura dessa. Além dele conheci o Max, que não carregava barraca. Ele utilizava uma Tarp que ele montava utilizando os dois bastões de trekking. Segundo ele, o vento não tinha sido problema. Ele dormia num saco de dormir colocado dentro de um mosquiteiro.

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À noite eu fiquei, como nas duas noites anteriores, obesrvando o céu dessa parte do Globo terrestre. Parece que aqui tem mais estrelas que em qualquer lugar do mundo. Lembro que no Pico Paraná também tive essa experiência. O céu noturno é um espetáculo a parte.

O chuveiro quente, o rango quente e o cansaço dos 20,6 Km percorridos nesse dia, fizeram com que eu dormisse logo e tivesse uma ótima noite de sono.

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Terceiro dia em Torres del Paine.

14-03-016. Segunda-feira.

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Depois do café da manhã, de desmontar a barraca, arrumar a mochila, trocar uma idéia com o Wess, eu parti às 10 da manhã rumo ao campamento Los Perros, onde depois de 13 Km eu chegaria às 14:45 horas.

Esse foi um dia bem legal. Caminhada em grande parte por dentro de bosques de lengas, que não são bosques muito fechados. Alguns trechos com lama. Grande parte do percurso ouvindo o barulho do Rio Los Perros e sua corredeira. Cruzando esse rio de um lado para outro algumas vezes.

A chegada no Glaciar Los Perros é estonteante. Apesar de ser muito pequeno se comparado ao que viria no dia seguinte, a visão do Glaciar e do lago formado por ele me fez ficar ali por um bom tempo apesar do vento forte que deixava o clima bem mais frio do que já realmente era.DSC03031.JPG.a343e9ae052c77770b6b467d7980f8f7.JPG

Depois de deixar o Glaciar segui rumo ao campamento Los Perros.

Para completar o dia, o acampamento Los Perros, do qual muitas reclamações tinha lido na internet,mas que para mim foi a melhor noite de todas. Noite bem dormida, tranquila. E a área de cozinha, a melhor de todas.

A janta com todo mundo se reunindo na área de cozinha que é fechada e aquecida por um fogãozão a lenha. As conversas em uma mistura de idiomas. Os vários temperos e incrementos que cada um usava no seu miojo.

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Essa noite, na área de cozinha, com toda aquela gente de vários cantos do mundo, por si só teria valido a viagem. Oportunidade de conversar bastante com o Wess, que se mostrou um cara muito divertido e "jovem" do alto de seus 80 anos. Longa conversa também com o Hanz, um alemão que trabalha na universidade de Punta Arenas, com pesquisa nos Glaciares, utilizando fotogrametria. Também conheci o Tomaz, um chileno que tinha morado nos EUA e que parecia mais alemão do que chileno. Também deu para conversar mais com o Sebastian e as duas chilenas. Essa seria a última noite que iria vê-los só que eu não sabia até então. O Wess me disse algo que me emocionou bastante. Ele disse que queria aproveitar ao máximo esse trekking, porque talvez fosse o último grande trekking que faria, já que estava com 80 anos. Ele que tinha começado nessa vida de trekkeiro depois que se aposentara, aos 75 anos, já tinha feito trekkings no Himalaia e no Apalachian Trail, além do Pacific Trail Crest. Cara, que figura sensacional.

Além deles, um acontecimento à parte foi o Jonathan, que chegou para fazer o rango depois que todo mundo tinha terminado e estava conversando. O cara usou tipo uns 20 temperos no miojo dele. Primeiro o cheiro da cebola impregnou o ar, depois ele foi colocando outros temperos e não parava mais. Por fim pegou uma caixa de uma bebida tipo Ades e ofereceu para todo mundo. Só que não tinha Ades na caixa, tinha Uísque. Aí virou festa.

Só não deu coragem de tomar banho na ducha gelada. Aliás, acho que ninguém teve coragem.

 

 

 

 

Quarto dia em Torres del Paine.

15-03-016. Terça-feira.

 

Esse quarto dia foi um dia bem longo. 33 Km percorridos e muita diferença de altitude. Resumindo, muita subida e muita descida. Muitos dividem esse trecho em dois dias. Quase todos os que tínham saído do acampamento Los Perros ficaram no acampamento Paso, que fica cerca de uma hora depois do Paso John Gardner. Eu decidi alongar o dia até o acampamento Grey.

Comecei esse trecho por volta de 9:20 e depois de muita subida e paisagens lindas cheguei ao Paso Jhon Gardner por volta do meio dia. A chegada ao Paso é muito marcante. O visual deslumbrante do Glaciar Grey. O contato com a neve perene nas montanhas. A paisagem, o vento, simplesmente demais.

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Depois de mais ou menos uma hora, fazendo um lanchinho, descansando e admirando aquilo tudo, desci em direção ao campamento Grey, sempre tendo como companhia o Glaciar Grey. DSC03238.JPG.d8af6829d36887ec97fc97bb6f266ce4.JPG

Muitos visuais de tirar o fôlego. O Glaciar, o lago, gargantas enormes por onde desce a água de degelo até encontrar o lago. Pontes suspensas que são uma emoção a parte.DSC03248.JPG.858a9af50eb08e5fffc30e8a4221ce4d.JPG

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Já próximo ao acampamento uma ida ao Mirante do Glaciar Grey, onde a gente fica de frente para ele. Muito legal.

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Nesse trecho eu consegui perder a minha sacola de comida. Só eu mesmo. Só dei conta quando cheguei no acampamento e fui montar a barraca.Já voltava procurar a bendita, quase escurecendo, quando encontrei um polonês, santo Jan, que havia encontrado a preciosa. O universo de vez em quando dá uma mãozinha prá gente.

O campamento Grey estava lotado de barracas. Essa parte do circuito é bem mais movimentada e aparecem muitos "turistas" com suas roupas de aventura de grife, quase que engomadas. É um tanto quanto diferente do que vira até então

A noite desse dia também foi bem legal. Área de cozinha fechada. Só que eu estava bem mais cansado. Voltei a encontrar o Hanz e o Max, que também tinham seguido até aqui, só que não nos falamos muito. Porém deu para trocar uma ideia com um grupo de chilenos até umas horas. Eles me convenceram a desistir de uma idéia que eu estava matutando, que era fazer um bate-volta rápido até El Calafate.

Saímos de lá as luzes da cozinha já estavam apagadas. Já eram mais de 23:00 horas e ainda tinha gente cozinhando e conversando. Só que aí só na base das lanternas. Rolou até uma cervejinha para terminar o dia.

Dormi que nem uma pedra.

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Quinto dia em Torres del Paine.

16-03-2016. Quarta-feira.

 

A intenção inicial era seguir até o campamento Italiano, pernoitar lá e no dia seguinte subir o Vale Francês. Só que ao chegar ao Italiano veio a surpresa. Estavam com problemas nos "banheiros" e não seria possível acampar por lá. Teríamos que seguir até o campamento Francês.

Quando você já andou por mais de 7 ou 8 horas, com uma mochila nada leve nas costas e se vê forçado a caminhar por mais 30 minutos, você fica meio desapontado, mesmo que essa caminhada tenha sido por paisagens lindas.DSC03360.JPG.75ab530f0991bf6a682b6e4071f34170.JPG

Muita coisa boa tinha acontecido. Tinha rompido a marca de 100 Km de trekking. Tinha passado pelo campamento Paine Grande, com aquele lago azul lindo em frente. O visual lindo e imponente de montanhas como o maciço Paine Grande e os Cuernos del Paine. Os lagos Grey, Laguna Los Patos, Lago Pehoe, Lago Skottsberg e Lago Nordenskjold.

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Um dia tão bom assim não podia terminar de maneira ruim e não terminou. O campamneto Francês apresentou-me uma novidade. Teria que montar minha barraca, que não é auto-portante, sobre um tablado. Achei que seria difícil, mas não foi. Com a ajuda de um punhado de cordinhas a bichinha ficou bem esticadinha e a noite foi uma beleza.

A grande surpresa desse fim de dia foi o banheiro desse camping. Parecia coisa de hotel. Várias pias, vários sanitários e várias duchas. Tudo novo e muito limpo. E a água quente foi perfeita para tirar o cansaço do percurso.

Nessa noite tive a oportunidade de conversar um pouco com dois chineses. Muito educados e com um pouco de medo dos outros estrangeiros.

Mais um miojão com atum e sopa Vono para esquentar o corpo antes de pegar no sono.

 

 

 

 

Sexto dia em Torres del paine.

17-03-2016. Qunita-feira.

 

 

Esse foi um dia inesquecível, também. Mais uma vez resolvi fazer dois dias em um. Mais 33 Km de caminhada.

Tinha chovido a noite e o dia tinha amanhecido com garoa, frio e encoberto. Comecei o dia com um caldinho de feijão para esquentar e parti de volta, só de mochila de ataque, rumo ao Vale Francês.

Pouco tempo depois de começar a caminhada, o tempo começou a abrir, fez sol, calor, frio de novo e para completar nevou por uns 15 minutos, já próximo ao mirante britânico. Uma neve fina, com flocos pequenos, mas era minha primeira neve e estava valendo. Prá mim era tipo uma 'nevasca", fiquei feliz prá caramba.

A chegada ao mirante foi qualquer coisa. O caminho até aqui já tinha sido muito bacana, mas a sensação de estar naquele lugar, cercado por aquela cadeia de montanhas majestosas, é única.

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Durante a pausa para lanche e fotos no mirante, mais uma oportunidade de conhecer gente do mundo todo. Austrália, Inglaterra, Holanda, Suiça. Daí a pouco chega o Hanz. Nos todos tremendo de frio e ele lá, de camisa de manga curta e bermuda de ciclista. Tinha subido carregando sua mochila enorme, de sei lá quantos litros. Todos os seus equipamentos fotográficos estavam ali e ele tinha um certo receio de deixar aquilo tudo longe dele. Conversamos mais um pouco, ele tirou umas fotos para mim e desceu de novo. Eu ainda fiquei mais um tempo lá e tive a oportunidade de conhecer um britânico, que falava português muito bem e que morava na Alemanha. Ele tinha morado dois anos em São Paulo.

Essa foi uma manhã onde tudo que podia dar certo deu certo.

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Depois de retornar ao campamento francês, desmontei a barraca e parti rumo ao campamento Las Torres, que tinha sido onde eu começara minha jornada e isso significava que a aventura estava acabando. Um misto de satisfação, de alegria por ter dado tudo certo e de tristeza por saber que tudo estava para terminar.

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Cheguei no campamento las Torres por volta de 19 horas. Barraca montada, banho quente, comida, cervejinha. Mas pegar no sono não foi fácil. Pensar que no dia seguinte aquilo tudo seria passado trouxe um sentimento esquisito. Uma nostalgia antecipada, que deixava o sono longe. Sem falar que o frio do primiro dia também se fez presente. Aqui ele parece brotar do chão.

 

 

 

 

Sétimo dia em Torres del paine.

18-03-2016. Sexta-feira.

 

Acordei mais tarde, meio que não querendo que aquilo tudo terminasse.

Café da manhã reforçado por uma caixa de leite com banana que alguém tinha deixado sobre a mesa.

Tudo desmontado e arrumado dentro da mochila. Era só juntar coragem para ir embora.

Antes um breve papo com uma americano, que acabara de chegar de bike. Estava fazendo um "tour" pela América latina, com sua bike. Já havia mais uma família, casal e um filho, de americanos, que também estavam ali fazendo sua viagem de cicloturismo pela patagônia.

O ônibus só sairia à tarde e eu tinha tempo para voltar a pé até a Laguna Amarga. Fiz isso e foi muito legal. Os últimos olhares para toda aquela beleza. A companhia de uma raposinha que ficou por perto por uns minutos. Os guanacos que pastavam por perto. A estrada longa e solitária. Os pensamentos...

 

Tudo acaba. Seja bom ou ruim, tudo acaba. E esses dias maravilhosos tinham chegado ao fim. Subi no ônibus que me levaria de volta a Natales.

A vida continua e quem sabe um dia a gente volta.

 

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Depois disso fiquei uns dias em Natales e Punta Arenas, incluindo uma ida à Ilha dos Pinguins.

 

As lembranças de Torres del Paine ainda estão muito presentes. Mesmo depois de 6 meses.

 

Fica uma lição de que não é preciso se preocupar demais, planejar demais. É claro que é necessário um planejamento, mas se alguma coisa sair do planejado não precisa esquentar demais. No fim das contas as forças boas do universo conspiram para que tudo dê certo. É só não querer demais da vida, olhar o lado bom das coisas e acreditar. No final tudo dá certo.

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    • Por Gerhard Jahn
      Fala raça!
      Tô felizasso em poder compartilhar essa experiência com vocês. Fiz o mochilão na companhia do meu irmão Kevin Jahn e minha cunhada Carol Jahn em janeiro/fevereiro de 2020, dormindo em barraca, hostels, Airbnb e até no chão do aeroporto (pra dar aquela emoção a mais).
      Apesar de ter sido uma das melhores experiências que já vivi, foi bem difícil planejar essa viagem, então espero que essas poucas informações iluminem quem está cogitando conhecer essa região. De início vou focar apenas nas questões mais relevantes (roteiro, custos e o que levei na mochila), e aos poucos vou relatando os acontecimentos da viagem, principalmente o trekking em Torres del Paine e El Chaltén.

       
      ROTEIRO
      Dia 1: 23/01/20 - Floripa > Santiago > Punta Arenas
      Dia 2: 24/01/20 - Punta Arenas > Puerto Natales - Conhecemos o Estreito de Magalhães pela manhã e em seguida pegamos o ônibus para Puerto Natales. Final da tarde compramos as comidas para TdP
      Dia 3: 25/01/20 - Puerto Natales > Torres del Paine - Ataque ao Mirador Base de las Torres, acampamento no Camping Central
      Dia 4: 26/01/20 - Torres del Paine - Travessia até o Valle del Francés, acampamento no Camping Italiano
      Dia 5: 27/01/20 - Torres del Paine - Ataque ao Mirador Fracés e travessia até o Camping Paine Grande, onde acampamos
      Dia 6: 28/01/20 - Torres del Paine > Puerto Natales - Acabamos ficando de molho no Camping Paine Grande até a chegada do catamarã
      Dia 7: 29/01/20 - Puerto Natales > El Calafate - Ficamos mais de duas horas na aduana Chile/Argentina, foram mais de 8 horas de viagem ao total
      Dia 8: 30/01/20 - El Calafate - Dia de conhecer o Glaciar Perito Moreno, não fizemos o Mini Trekking mas foi ótimo pra tirar um dia pra descansar
      Dia 9: 31/01/20 - El Calafate > El Chaltén - Chegando em Chaltén já fomos direto para a Laguna Capri montar acampamento, final da tarde fizemos um ataque ao Fitz Roy
      Dia 10: 01/02/20 - El Chaltén - Descanso na cidade
      Dia 11: 02/02/20 - El Chaltén > El Calafate - Chorrillo del Salto pela manhã e viagem de volta a Calafate após o almoço
      Dia 12: 03/02/20 - El Calafate > Puerto Natales > Punta Arenas - Chá de ônibus nesse dia
      Dia 13: 04/02/20 - Punta Arenas > Santiago > Floripa

      TOTAL GASTO: R$ 4700,00 (joguei o valor um pouco pra cima porque posso ter esquecido de algo)
      Os valores estão por pessoa e na moeda utilizada no momento da compra.
      DESLOCAMENTOS: R$ 3.526,00.
      Passagem aérea ida/volta + seguro viagem + bagagem de mão + cargueira despachada + assento reservado + taxa de embarque: R$ 2760,00 pela LATAM, de Floripa à Punta Arenas com conexão em Santiago.* Ônibus Punta Arenas-Puerto Natales ida/volta: CLP $ 15.000,00 Ônibus Puerto Natales-Torres del Paine ida/volta: CLP $ 16.000,00. Transfer Guarita-Camping Central: CLP $ 3.000,00. Catamarã Camping Paine Grande-Guarita: CLP $ 23.000,00. Ônibus Puerto Natales-El Calafate ida/volta: CLP $ 34.000,00. Ônibus El Calafate-El Chaltén ida/volta: ARS $ 2400,00.  Van El Calafate-Perito Moreno ida/volta: ARS $ 1200,00. *Pelo meu monitoramento só o valor da passagem variou na época entre R$ 1900,00 a R$ 2400,00. Comprei com três meses de antecedência e confesso que há uma semana antes da viagem o preço ainda estava na mesma faixa.
      HOSPEDAGENS: R$ 506,00.
      Puerto Natales 
      Hostel Bella Vista: R$ 55,00 c/ café da manhã e aluguel de equipamentos de trekking, inclusive ganhamos de presente um gás da host Ni Torres del Paine (vou detalhar melhor no tópico exclusivo de TdP) Camping Central: USD $ 21,00. Camping Italiano: Free, grátis, na faixa. ~não recomendo Camping Paine Grande: USD $ 11,00. El Calafate
      Airbnb Groovy Dooby Doo: R$ 59,00. ~não recomendo El Chaltén
      Camping Laguna Capri: Free, grátis, na faixa. Hostel Rancho Apart: ARS $ 1250,00, quarto compartilhado. *valores por noite
      **foram 10 noites, na primeira passamos no avião e na última no chão do aeropoto.
      ENTRADAS: R$ 200,00.
      Entrada do parque Torres del Paine: CLP $ 25.000,00. Entrada do parque Los Glaciares - Perito Moreno: ARS $ 800,00. ALIMENTAÇÃO: R$ 350,00.
      Restaurante no Chile: em torno de CLP $ 3.500,00. Restaurante na Argentina: em torno de ARS $ 600,00. Mercado para Torres del Paine: CLP $ 6.600,00. Mercado para Fitz Roy: ARS $: 660,00. Compras nos aeroportos, rodoviárias, snacks, frutas e etc. COTAÇÕES
      R$ 1,00 = CLP $ 190,00 (Aeroporto de Santiago) R$ 1,00 = CLP $ 170,00 (Punta Arenas) R$ 1,00 = CLP $ 165,00 (Puerto Natales) R$ 1,00 = ARS $ 16,50 (Restaurante Casimiro em El Calafate, apesar de ter a melhor cotação de Dólar, Euro e Real, aqui é clandestino devido aos problemas políticos-econômico da Argentina)  
      VESTUÁRIO E EQUIPAMENTOS
      O segredo é focar em roupas e equipamentos apropriados para a região. A fama da Patagônia ter uma instabilidade climática não é um exagero, tu literalmente vai viver as quatro estações e todos os tipos de condições em um único dia.
      O que eu levei na minha mochila Forclaz Trek 900 50L + 10L:
      1x Calça modular - Tecido de secagem rápida e que não propagada corte 1x Fleece (0 a 7 ºC) - Uso um com zíper pra ser prático e ajudar a regular a temperatura corporal 1x Jaqueta impermeável (2000 mm) corta vento - Conhecida também como anorak, acabou passando a água em uma das tempestades em TdP 1x Calça segunda pele técnica - Usei a viagem toda, até por baixo dá bermuda 2x Blusas segunda pele - Uma técnica pra caminhada e uma mais quente pra dormir 1x Calça impermeável (2000 mm) - Precisei usar em vários momentos 3x Camisetas curtas Dry Fit - Acabei usando só duas 4x Cuecas de Microfibra  - Secagem muito rápida, foi excelente 2x Meias técnicas de trekking - Nunca tinha usado e fez muita diferença, deveria ter levado pelo menos 4 1x Meia térmica - Usei apenas pra dormir e foi muito bom para deixar as outras respirando 1x Bota de trekking impermeável - Confesso que a minha segurou a água mas a palmilha e solado eram fracos, sugiro comprar uma palmilha boa 1x Havaianas - Usei pra tomar banho, no avião e nas cidades (BRASIIIIIL) 1x Bermuda de banho - Usei bastante nos hostel, todos lugares tem calefação então sugiro levar algo curto pra dormir 1x Luva de fleece para trekking - Usei poucas vezes, somente quando chovia nos lugares mais frios de TdP 1x Protetor de orelha de fleece - Baita acessório, ajuda até pra dormir quando ainda tem luz 1x Cachecol - Acabei usando só pra dormir em virtude do meu saco de dormir ser patético 1x Touca de lã - Usei uma vez, protetor de orelha já resolve 1x Toalha de Microfibra - É item obrigatório, já uso há anos 1x Mochila de ataque 30L - Usei muito pra fazer compras, lá não tem sacola plástica 1x Bastão de trekking - Recomendo dois, a grande maioria das pessoas utilizava um par 1x Shoulder Bag - Ideal pra levar documentos e dinheiro, já tinha costume de usar nos acampamentos em Floripa, pra não deixar nada na barraca dando sopa 1x Barraca de trekking - Uso a Quechua Quick Hiker 2, tenho um vídeo falando sobre ela 1x Saco de dormir para 15 ºC - Não morri mas não passei bem haha sugiro um para 0 ºC 1x Isolante térmico - Uso um egg crate Nature Hike, é importante que o isolante seja bom, foi o que me salvou 1x Kit cozinha - Não pode levar o gás no avião 1x Lanterna de cabeça - Quase não usei porque escurece tarde (22:00) e amanhece cedo (05:00) 1x Kit Primeiro Socorros - Aconselho a levar medicamentos específicos, como antibióticos dose única, antitérmico, anti-histamínico, relaxante muscular 1x Silver Tape - Não usei, mas aconselho levar porque dá pra usar até pra tapar rasgos em roupas. 1x GoPro Hero 7 Black + Bateria extra + Carregador Duplo externo + Micro SD Card extra - Sou fã de GoPro, acho muito útil num lugar como esse que chove toda hora 1x Power Bank 20.000 mAh - Usei muito, apesar de ter entrada USB nos ônibus e tomada em alguns campings
      RESERVAS EM TORRES DEL PAINE
      http://www.conaf.cl/parques/parque-nacional-torres-del-paine/ (camping gratuito)
      https://www.verticepatagonia.cl/home (lado esquerdo do W)
      https://www.fantasticosur.com/en (lado direito do W)
      PASSAGENS DE ÔNIBUS
      https://www.bussur.com/
      https://www.recorrido.cl/ 
      http://www.busesfernandez.com/ 
       
      Espero que a leitura tenha sido útil, logo menos continuo o relato.
      Abraço a todos,
      Gerhard Jahn.
       
    • Por Marcelo Manente
      Em breve iniciarei o relato da aventura que está acontecendo neste momento.
      Estou hoje em Chile Chico, Chile. Seguindo para a Carretera Austral.
      Muitos perrengues, problemas da viatura, mas lugares maravilhosos para compensar tudo isso.
      Vou tentar fazer um relato com os custos de quase tudo que eu lembrar.

    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
       
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas)
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

       
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho.   CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Bons ventos!
    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! )
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos ao Mirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!     CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

       
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por Ana Caroline Cunha
      Olá gente!
      Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. 
      Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha)
      Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia.
      17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia
      18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo
      19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 
      20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda
      21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo
      22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia
      23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h
      24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada
      25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso
      26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 
      27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 
      28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade
      29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno
      30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h
      31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 
      01/01/2020 - El Chalten - Descanso 
      02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 
      03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 
      04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre
      05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija
      06/01/2020 - El Chalten - Descanso
      07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade
      08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis
      09/01/2020 - Chegada em Florianópolis 
      Gastos aproximados: 
      DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00
      R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00
      Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld
      PASSEIOS: R$ 1.650,00
      Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha)
      BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool)
      SEGURO VIAGEM: R$ 215,00
      TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc)
      Conversões realizadas: 
      1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires)
      1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas)
      1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate)
      Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. 
      TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔)
       
      Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também.
      Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! 
       




       
      Espero que gostem! 
      Continuarei aos poucos,
      Ana Caroline
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