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Vale Europeu (SC) no estilo Bike&Barraca


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No ano passado pedalamos pela Europa na ciclorota Berlin-Copenhagen. A experiência foi incrível e a vontade de voltar já batia antes mesmo de retornarmos ao Brasil. Nessas horas o que mais martela na cabeça é o “quando será que vou conseguir voltar”? Tempo, dinheiro, vontade de conhecer outros lugares… são muitos os fatores que adiam a previsão de um retorno, mas, porque não achar cenários semelhantes em algum lugar aqui pertinho mesmo?!

 

E foi assim que nos animamos em passar o carnaval na região mais alemã do Brasil – O Vale Europeu, em Santa Catarina: um circuito para se fazer de bicicleta conhecendo as cidadezinhas de colonização alemã e italiana lá pelas bandas do Vale do Itajaí.

 

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A sugestão do Clube do Cicloturismo do Brasil (que ajudaram a traçar esse roteiro) é de que os ciclistas dediquem sete dias para todo o trajeto. Tínhamos apenas quatro e, por isso, precisaríamos otimizar o nosso tempo e estudar uma rota alternativa. Acabamos contando com a ajuda de um outro guia de um ciclista chamado Guilherme Cavallari. Ele traçou uma rota de cinco dias, um pouco mais pesada, passando por lugares ainda mais escondidos e que, ainda assim, não c0nseguimos fazer inteira nesse carnaval.

 

Paralelo a isso, um outro detalhe a se estudar foi: ficar nas pousadinhas fofas da região ou acampar? Já faz um tempo que pensamos em levar a barraca em nossas cicloviagens para ver as vantagens e desvantagens desse tipo de “hospedagem”, mas seria o Vale Europeu a melhor viagem para iniciarmos estes testes? Foi!

 

A desvantagem tem um nome: peso. A bagagem fica bem mais pesada. Primeiro porque não temos uma barraca pequena (a nossa é para quatro pessoas), segundo porque além da barraca, inclui-se saco de dormir e outros apetrechos. Mas, a liberdade que isso te dá, vale qualquer quilograma a mais. Não teve nenhum dia em que nos preocupamos em achar um lugar vago para dormir. Aliás, a barraca nos trouxe boas histórias.

Na primeira noite, em Pomerode, chegamos na cidade e paramos num hotel para perguntar se havia algum lugar para acampar na cidade – sim, somos cara-de-pau e perguntamos num hotel mesmo! Eles nos disseram que o Parque de Eventos da cidade – onde acontece as festas alemãs deles – costumava liberar o lugar para quem quisesse acampar. Confirmamos com os guardinhas da prefeitura e seguimos para o tal Parque. Chegando lá, o lugar é enorme e, além de ser o centro de eventos da cidade, é um complexo esportivo. No dia seguinte haveria um jogo importante de vôlei feminino e o time local estava treinando lá. Ficamos assistindo o jogo até aparecer um funcionário. Primeiro pedimos autorização para tomar banho no vestiário. Autorização concedida, falamos que estávamos a procura de um lugar para acampar. Pronto! Conseguimos. Ficamos alí mesmo no Parque de Eventos, acampados no galpão onde rola a Festa Pomerana, a mais famosa da cidade (e também muito conhecida na região).

 

Na segunda noite fomos mais aventureiros. Saímos tarde de Pomerode (a Germana amanheceu com o pneu furado), o sol já estava inspirado e judiando muito de nós, o que fez nossa velocidade média ficar baixíssima. Ainda fizemos um desvio para curtir uma tal de Cascata Cristalina – O lugar era um mini-clube, que cobrava R$10 por pessoa para você usar a vontade a cascata cristalina deles e uma mega piscina com toboágua. Parecia um paraíso naquele calorzão. – Ainda paramos um monte para bater papo com os ciclistas que passavam no sentido oposto, seguindo bonitinhos o trajeto do Clube do Cicloturismo. As subidas também castigaram um pouco e o dia passou que nem vimos (e a Germana ainda teve mais um pneu furado no caminho!). E foi nesse ritmo (25 km pedalados no DIA), no meio de uma serra sem fim que vimos um temporal se armando, nossas forças se esgotando, a subida aumentando… e pra que sofrer?! Temos barraca. Foi aí que achamos um cantinho na beira da estradinha-serra-ladeira de terra, armamos a barraca, prendemos as bikes e pronto: eis que veio o toró. Ficamos ali protegidos, batendo papo, ouvindo música até dormir.

 

Acordamos hiper cedo para sermos presenteados com um nascer do sol maravilhoso. As nuvens lá embaixo de nós já mostravam que estávamos alto. Mas ainda havia muito a se subir. Decidimos pedalar, nesse dia, somentes os 16 km restantes para se chegar em Palmeiras e curtir o vilarejo, à beira da represa de Rio Bonito. Empurramos as bikes até o topo da serra – que, realmente, estava impossível de pedalar naquela parede – e seguimos o pedal gostoso até a entreda do vilarejo, quando um doido passou de carro e perguntou de onde éramos. Falamos que éramos de São Paulo e ele ficou emocionado, feliz da vida. Faltou parar o carro e pedir um autógrafo! Logo mais a frente paramos num boteco para tomar o nosso merecido café da manhã.

 

Enquanto esperávamos, reaparece o doido da entrada da cidade. Sentou conosco, pegou no papo, se apresentou como Marcão “o maior bicha da região” (ele chama todo mundo de bicha), acompanhado de seu amigo João Gilberto. Ambos de Blumenau, costumam passar finais de semana e feriados na casa de veraneio do Marcão às margens da represa, em Rio Bonito (5 km antes de Palmeiras). Perguntaram o que faríamos naquele dia e respondemos que queríamos curtir a região. E a resposta veio de pronto: “então vocês vão ficar na minha casa”! Assim, sem saber quem éramos, o Marcão nos recebeu como grandes amigos, nos ofereceu casa, comida e cama quentinha, além de um dia divertidíssimo com direito a passeio de jet-ski e bebedeira com os moradores locais no boteco da vila. Foi mágico!

 

E assim, nossa última noite foi sem a barraca mas com o mesmo espírito de viajar em liberdade sem saber direito aonde estaremos no final do dia. Sem contar as pessoas especiais que conhecemos pelo caminho e que sabemos que seria impossível encontrá-las se não estivéssemos de bicicleta.

 

No último dia acordamos cedo, deixamos um bilhete de despedida para o Marcão e nos despedimos do João Giberto, que acordou para fazer café para nós e falar tchau! Pedalamos 42 km em terra, lama, água, barro (teve momentos que as rodas das bikes até travaram de tanto barro que ficou grudado nelas) até chegarmos em Dr. Pedrinho, último destino da cicloviagem. Lá pegamos um ônibus até Timbó onde já havia um outro para Blumenau. Chegamos em Blumenau três horas antes do nosso ônibus para São Paulo. Tivemos tempo de tomar banho na rodoviária, guardar as bagagens no armário da rodoviária e pedalar até o centro para tomarmos um chopp e jantar.

 

Como toda boa cicloviagem, o Vale Europeu deixou aquela vontade imensa de voltarmos – de Bike&Barraca, claro!

 

Alguns números da viagem:

 

1º Dia: Blumenau – Timbó – Pomerode

 

* 82 km de pedal

* Gastos: R$125,55 (café da manhã, almoço, janta, passaportes Vale Europeu, suco de uva caseiro na beira da estrada e água)

 

2º Dia: Pomerode – Serra do Rio Ada

 

* 25 km de pedal

* Gastos: R$31,80 (café da manhã e entradas na Cascata Cristalina)

 

3º Dia: Serra do Rio Ada – Palmeiras – Rio Bonito

 

* 32 km de pedal

* Gastos: R$55,00 (café da manhã, chás, queijos e cervejas no boteco da Bia)

 

4º Dia: Rio Bonito – Palmeiras – Dr. Pedrinho + rolê em Blumenau

 

* 50 km de pedal

* Gastos: R$129,75 (café da manhã, casinha de pássaro de madeira, passagens de Dr. Pedrinho para Blumenau, água, sorvete em Dr. Pedrinho, banho e malex na rodoviária e jantar em Blumenau)

 

Total: 184 km de pedal e R$342,10 de gastos durante a viagem + R$448,00 da passagens de ida e volta ~São Paulo-Blumenau-São Paulo

 

 

Mais informações:

 

Blog: http://felizcidadefeliz.wordpress.com

Álbum Picasa: http://picasaweb.google.com/jp.mello.amaral/ValeEuropeuCarnaval2010#

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  • Membros de Honra

Bem vindo, fio!

Belo relato, bela aventura (baixar na casa de um desconhecido é pra doido!). Andei um pouco pela região e é bem bacana, visuais incríveis. E as intermináveis subidas certamente colaboram pro baixo rendimento, se bem que no último dia vcs se puxaram, hein?

Olha só, no site que vc colocou pede uma senha, pelo menos para mim. Poste as fotos (como link) aqui, certo? ::otemo::

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  • 2 semanas depois...
  • 5 semanas depois...
  • 3 anos depois...
  • Membros

Olá,

 

Estou querendo fazer o circuito no mesmo esquema, bike + barraca. Tenho 5 dias, seria possível fazer o circuito completo?

 

Outra pergunta, vi que existem 2 roteiros, um da parte alta e outro da parte baixa. Seria possível fazer o da parte alta em cinco dias?

 

Abraços,

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  • 3 meses depois...
  • 1 ano depois...

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