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Schumacher

Etiópia, Quênia, Tanzânia, Zimbábue, Botsuana, Zâmbia e África do Sul - 39 dias em Setembro/Outubro de 2016 - Parte 2/2

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Dia 20

 

Continuando a jornada pela África (http://www.mochileiros.com/etiopia-quenia-tanzania-zimbabue-botsuana-zambia-e-africa-do-sul-39-dias-em-setembro-outubro-de-2016-parte-1-2-t136652.html), de manhã tomei outro voo pela Fastjet (38 dólares), para o principal destino turístico do país, Victoria Falls, uma cidadezinha nomeada em referência a suas grandes cataratas. Apesar do ambiente seco, ruas e lojas ajeitadas e hotéis luxuosos compõem o cenário, bem como babuínos e javalis que circulam livremente, quando não outros animais maiores.

 

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Fiquei hospedado no Shoestrings Backpackers, que inclui quartos compartilhados por 15 dólares. Só faltou os responsáveis terem mais cuidado com a conservação e limpeza do espaço. A internet é paga por hora, como aparentemente qualquer lugar na cidade.

 

Além de fazer um rancho no supermercado (de verdade) próximo, reservei um safári para o dia seguinte em Botsuana. Detalhe: na hospedagem saía por 160 dólares, enquanto que negociando na rua das agências de passeio paguei apenas 120! Fiquei bem desconfiado que fosse golpe, já que tive que adiantar metade.

 

Terminei o dia explorando por conta própria uma área de savana ao redor da Big Tree, um baobá gigante no limite da cidade com o parque. Leões já foram visto por ali. Felizmente, só vi antílopes e animais menores.

 

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Dia 21

 

Eu e um pequeno grupo fomos levados de van até Kasane, na fronteira com Botsuana, a cerca de 1 h de Victoria Falls. Brasileiros não precisam de visto para ingressar no país.

 

Na parte da manhã o safári foi de lancha no Rio Cuando, na fronteira com a Namíbia, às margens de um parque nacional. O passeio começa meio tímido, com avistamento de crocodilos e colônias de aves.

 

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Quando alcança o trecho protegido da ilha semisubmersa Sedudu, já dentro do Parque Nacional Chobe, aí o bicho pega. Como os predadores terrestres não conseguem atravessar o rio, suas presas herbívoras ficam pastando à vontade. É assombrosa a quantidade tanto de indivíduos quanto de espécies diferentes no mesmo lugar, entre hipopótamos, girafas, zebras, búfalos, antílopes, javalis e um monte de aves.

 

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Ainda conseguimos ver de perto uma família de elefantes na dramática travessia à ilha.

 

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Fomos maravilhados para o almoço, que também não deixou nada a desejar. No buffet livre do hotel luxuoso à beira do rio eu tive a primeira refeição na África em que saí realmente satisfeito e cheio. Havia até linguiça de kudu entre os pratos.

 

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À tarde continuamos com um jipe na parte terrestre do mesmo parque nacional, em um trecho de vegetação seca e muita areia, apesar de estar margeando o rio. Foi interessante ver a paisagem e alguns animais diferentes, como girafas e outros antílopes e aves, como o calau-de-bico-vermelho (Tockus rufirostris).

 

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Na volta tive que fazer outro visto. Como iria ainda para a Zâmbia, optei pelo visto de dupla entrada (45 dólares). O múltiplo custava 55.

 

Na chegada já estava noite.

 

Dia 22

 

Dia de visitar o Parque Nacional Victoria Falls. No lado do Zimbábue custa 30 dólares a entrada. Fui caminhando até lá, tentando em vão esquivar-me dos insuportáveis vendedores de rua, que tentam despachar a todo custo artesanatos, passeios, drogas e notas de bilhões de dólares zimbabueanos – resquício dos tempos de hiperinflação.

 

As cataratas, se considerados os critérios de volume, altura e largura, são as maiores do mundo, junto com as do Iguaçu e do Niágara. Há uma série de mirantes para se observar de ângulos diferentes as múltiplas quedas. Mesmo na estação seca, não deixam de ser espetaculares.

 

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Na parte terrestre consegui ver uma gazela-pintada, um javali, alguns mangustos e um bando de simpáticos macaquinhos vervet (Chlorocebus pygerythrus), que chegam a interagir com os humanos.

 

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A vista do outro lado do parque é diferente, mas melhor observada pelo lado da Zâmbia. Fotografei mais uns tantos pássaros enquanto esperava o arco-íris, que surgiu no começo e se tornou duplo no meio da tarde.

 

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Saindo do parque, passei no The Snake Pit, o serpentário inaugurado há menos de um ano, onde por 7 dólares tive a oportunidade de ver algumas das serpentes mais venenosas do mundo, que vivem naquele ecossistema. Reparem na felicidade do funcionário, que mesmo depois de ter sido picado ainda continua pegando um monte de venenosas de uma vez.

 

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Em seguida foi a minha vez, com as inofensivas, é claro.

 

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À noite resolvi ignorar o enxame de mosquitos e curtir a festa que rolava forte no albergue, entre turistas e locais. Fiquei de cara que tocaram até mesmo músicas latinas. Só que deu um rolo no final por causa da irresponsabilidade do funcionário do bar que estava bêbado.

 

Dia 23

 

Caminhei alguns km até a fronteira com a Zâmbia, passando pela centenária ponte ferroviária, onde os destemidos e endinheirados praticavam bungee jumping.

 

Na imigração paguei pelo visto day tripper, que por 20 dólares dá direito a passar o dia no país, mas não é possível pernoitar lá.

 

Logo depois da fronteira fica o Mosi-oa-Tunya, a porção zambiense do parque das cataratas, do outro lado do Rio Zambeze. Esse custa 20 dólares.

 

Ainda que as vistas não sejam tão impressionantes na seca, há algumas trilhas que você pode seguir – uma delas leva até o nível do rio para a prática do rafting, coisa que não acontece em Zimbábue.

 

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As trilhas superiores mostram os paredões vazios da Zâmbia à direita.

 

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Uma das principais atrações fica logo acima desses paredões, uma piscina natural à beira do penhasco conhecida como Devil’s Pool. Na estação seca dá pra ir caminhando por cima do paredão, banhar-se em outras poças e chegar perto sem ter que pagar a fortuna que custa, assim como a maioria das atividades organizadas em torno do rio.

 

Almocei na lanchonete em frente à portaria e usei a tarde para passear pelo centro de Livingstone, mais precisamente no museu nacional. Fui de táxi para tanto, já que o transporte público não chega ali e são 9 km de estrada.

 

É baratinho, e possui um conteúdo razoável que abrange a história dos homens das cavernas, os ecossistemas da Zâmbia, a cultura dos povos tradicionais de lá e, por fim, a história do país até eventos recentes pós-independência. Só não espere um museu de última geração, pois nem cartão é aceito.

 

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Ao sair, embora não estivesse com muita fome, fui à quase refinada cafeteria ao lado do museu e não consegui conter a vontade de comer carne de caça, no caso o antílope impala. Pena que veio pouca e os acompanhamentos, que incluíam a massa branca de milho sem gosto que é a base alimentar de vários países, não eram dos melhores.

 

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Peguei o táxi de volta à fronteira e caminhei o resto do trecho com o sol se pondo.

 

No albergue conheci uma dupla japonesa que estava fazendo um trajeto parecido com o meu. Fiquei assustado quando eles me disseram que tiveram o ônibus apedrejado na Etiópia – devido aos protestos contra o governo, enquanto eu passei ileso por lá.

 

Dia 24

 

Esse dia foi meio ocioso. Deixei ele para resolver os problemas e dar um trato no corpo, além de passar novamente no baobá gigante e por um grupo dos grandões kudus no meio da estrada.

 

Dia 25

 

Pela manhã voei pela Fastjet para Joanesburgo e fiquei esperando uma eternidade no aeroporto pelo meu voo seguinte pra Cidade do Cabo que atrasou. Me impressionei com a quantidade de voos que partiam pra lá. O meu foi pela estatal South African Airways, que saiu por 840 rands, preço similar ao das companhias de baixo custo (Kulula, Safair e Mango), mas incluindo serviço de bordo e milhas na Star Alliance.

 

O problema do atraso foi que perdi o último ônibus à cidade, pois estes inexplicavelmente param de funcionar pelas 9 e meia. Assim, tive que encontrar alguém pra rachar o caro táxi.

 

Fiquei hospedado no Atlantic Point Backpackers, no bairro Green Point. Foi o melhor lugar no qual dormi em toda a viagem. Bonito, limpo, equipado, com café decente, atividades diárias e boa localização, o disputado dormitório de 8 camas (270 rands ~66 reais) tem um custo-benefício ótimo.

 

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Dia 26

 

Caminhei tranquilamente pela região que, durante a colonização holandesa era um banhado e depois na guerra contra os ingleses virou um acampamento de tropas, até virar um parque para prática de esportes e lazer, além do belo estádio inaugurado na Copa do Mundo de Futebol da África do Sul em 2006.

 

O bairro é de classe alta. Exceto por alguns mendigos e golpistas nas ruas, é seguro – ao contrário da periferia. Ali comecei a me impressionar pelo desenvolvimento da cidade, diferente de tudo que tinha visto no resto do continente.

 

Parei na zona chique da orla conhecida como Waterfront. Nesse ponto fica um shopping decente, um hipermercado, uma porção de restaurantes (alguns caros demais), passeios de barco, atrações para crianças e museus. Entrei em um deles, o centro marítimo. Um espaço pequeno, mas que conta de forma interessante a história naval da Cidade do Cabo.

 

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De lá fui para o Two Oceans Aquarium. O ingresso adulto comprado na bilheteria custa 150 rands, cerca de 37 reais. Possui diversas seções, incluindo uma com pinguins num ambiente simulado, outra para você tocar nos invertebrados marinhos e outra com águas vivas na penumbra.

 

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Nessa noite tive uma febre que me nocauteou até a manhã e um mal-estar que me enfraqueceu por uns 3 dias. Mesmo assim, não me entreguei e continuei visitando a cidade.

 

Dia 27

 

Peguei uma van na avenida principal até o centro para comprar o cartão eletrônico do novo sistema de ônibus municipal chamado MyCiti. Quem vier pelo aeroporto a tempo de encontrar a estação aberta, pode adquirir lá mesmo.

 

Embarquei em um ônibus que seguiu pela costa oeste, com incríveis vistas de praias de um lado e montanhas no outro, até que parei no cais da praia de Hout Bay. Ali tive uma bela refeição de lula com suco de uva do próprio restaurante Mariner’s Wharf.

 

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Fiz a digestão caminhando até o World of Birds, o maior parque especializado em aves da África, possuidor de uma série de viveiros em que se passa por dentro. Bacana a diversidade e bom o preço de 95 rands, pena que faltou tempo para que eu conseguisse ver tudo, pois fechava às 17h.

 

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Ao retornar, saltei do ônibus no meio do caminho, na refinada praia de Camps Bay, protegida pela cadeia conhecida como 12 apóstolos. Nomeada pelo antigo governador da cidade que se confundiu, pois na verdade são 18 protuberâncias, sem contar a Lion’s Head à esquerda.

 

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Na companhia de caravelas encalhadas curti o pôr do sol.

 

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O jantar foi quase sempre no hostel, interagindo com os outros hóspedes enquanto se cozinhava o rango.

 

Dia 28

 

O objetivo do dia foi conhecer o aclamado jardim botânico. Fica aos pés do maciço central chamado de Table Mountain, mas dessa vez no lado leste. Como não há ônibus de linha ou trens passando perto, tive que pegar em Waterfront o ônibus turístico de 2 andares hop-on hop-off, o mesmo presente em várias cidades no mundo. Ele passa pelas principais atrações e, assim como os outros do tipo, você pode sair e voltar quantas vezes quiser dentro do mesmo dia. Inclui explicação com áudio em português, e a tarifa de 170 rands ainda foi mais em conta do que indo de táxi.

 

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Depois de passar pelo centro, parei então no Kirstenbosch National Botanical Garden. Paga a entrada de simples 60 rands, logo na entrada há um viveiro com todos os biomas próprios do sul da África.

 

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Há um grande endemismo (espécies existentes apenas ali) da vegetação na região do Cabo Ocidental, o que levou a UNESCO a listar o Cape Floral Kingdom como patrimônio da humanidade. As plantas que representam essa região floral, geralmente de baixo porte, estão em abundância nos jardins. Cansa um pouco caminhar por lá, já que o terreno é bem inclinado, mas vale para ver toda a beleza do lugar.

 

Uma coisa interessante que fizeram é uma passarela que te deixa no nível da copa das árvores, a ponto de ver por cima delas.

 

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Pra quem quiser explorar ainda mais há trilhas ao redor e para cima do morro. Ainda fraco, pulei essa parte e prossegui viagem, parando novamente em Hout Bay para comer uma lula antes de voltar a Green Point.

 

De volta ao “lar”, lá fiz bom uso dos computadores que eles tinham disponíveis, já que estava há um bom tempo sem celular.

 

Dia 29

 

Nesse dia peguei um trem na estação central em direção ao sul da península. A tarifa super barata até Simon’s Town custa 10 rands o trecho na 2ª classe (Metro) e 16,5 na 1ª (MetroPlus) – a diferença entre classes é que na melhor os assentos são estofados e há menos gente. Não achei perigoso ir com nenhum dos tipos.

 

Uma hora e pouco depois, passando por lugares interessantes quando o trem atravessa pelo litoral a poucos metros das ondas, desci na estação final.

 

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Assim que saí da estação uma van ofereceu transporte até Boulder’s Beach, aonde eu iria, por alguns rands. Logo cheguei à incrível colônia dos pequenos pinguins africanos (Spheniscus demersus) que fica nessa praia. Incrível porque é tão próxima da civilização e também pela quantidade dessa espécie ameaçada. Quando fui havia filhotes, jovens trocando a penugem, além de adultos cuidando dos novos e surfando nas ondas atrás de algum peixe de alimento.

 

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Como forma de proteção, a área é cercada pelo parque e há ninhos artificiais que os pinguins utilizam. Pelas plataformas você chega a ficar a até 1 metro de distância deles, uma atração imperdível.

 

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Almocei no Penguino Café, um dos poucos lugares para se comer nessa praia. Limpo, saboroso e com preços justos.

 

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Assim que terminei, voltei caminhando por dentro da pequena cidade portuária, com seu centrinho até que charmoso.

 

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À noite rolou uma sessão de cinema no sótão do hostel.

 

Dia 30

 

Meu colega de albergue francês Max e eu fomos de ônibus até o Table Mountain National Park, um dos maiores atrativos de Cape Town. A princípio iríamos pegar o caro teleférico até o topo da montanha, mas quando vimos o tamanho da fila gerada pela greve dos funcionários contra a organização 7wonders, decidimos encarar a escalada do tabuleiro. Descobrimos na hora que as trilhas eram demarcadas e algumas saíam bem ao lado da estação dos teleféricos.

 

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Depois da ascensão inicial, tivemos que decidir que trilha pegaríamos. Escolhi a mais difícil de todas, a Kloof Corner, que passa bem sobre a crista da montanha. Quando Max viu que no primeiro passo já tinha que subir um paredão reto com o auxílio de uma corrente, desistiu e foi pelo outro lado na trilha mais fácil.

 

Mal sabia eu da real dificuldade dessa trilha que não está nem entre as oficiais. O começo apresenta bastante inclinação na caminhada com pedrinhas soltas. A orientação se dá por meio de pilhas de pedras deixadas por quem já percorreu o caminho antes.

 

O bicho pegou mesmo quando chegou a hora de escalar de verdade as rochas sem equipamentos, prática conhecida como bouldering. Em algumas etapas se eu caísse poderia dar adeus, já que abaixo só havia o penhasco. Sorte que um trio mais experiente que estava indo pelo mesmo caminho me alcançou e eu segui junto.

 

Um dos passos mais difíceis para mim foi a subida vertical com uma corrente por 12 metros. Enfrentei meu medo de altura e segui firme.

 

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Mais de 2 horas depois do início, chegamos a um ponto de onde não tinha mais erro. Pudemos enfim comemorar e curtir a paisagem.

 

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Lá em cima, no meio de um monte de turistas, comi o sanduíche que eu trouxe e recarreguei o filtro de água.

Há mais trilhas na parte plana do tabuleiro, passando por áreas alagadas e pedregosas com vegetação rasteira típica (fynbos), levando até o ponto mais alto do outro lado (1086 m), demarcado pelo Maclear’s Beacon, uma pilha de pedras que auxiliou na medição da curvatura da Terra em 1865.

 

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Não consegui encontrar Max, mas desci pelo mesmo lugar em que ele veio, a rota Platteklip Gorge.

 

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Sentindo o joelho, desci o ziguezague sem fim com o sol já baixando e quase 2 horas depois retornei ao albergue. Cansado sim, mas feliz.

 

Para completar, com um holandês e 2 ingleses da hospedagem, saímos atrás de alguma atração noturna. De Uber, passamos por alguns lugares até pararmos no Piano Bar. A banda que tocava até que era boa, mas o lugar é pequeno e só havia casais ali. Tomamos umas e voltamos a pé.

 

Dia 31

 

Teoricamente eu iria embora da Cidade do Cabo nesse dia, mas como eu curti demais acabei alterando meu voo para 4 dias depois. Com isso, fiquei sem hospedagem, tendo que me mudar por 1 noite para o Ashanti Backpackers, próximo e mais barato, mas um tanto pior.

 

Na tarde dei uma caminhada pela agradável orla de Sea Point, aonde o povo vai aos finais de semana para pegar um solzinho enquanto fazem piqueniques nos gramados, brincam nos parquinhos, nadam em meio às algas gigantes (kelps), ou correm e pedalam no longo calçadão.

 

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À noite, fiquei lendo e vendo TV no albergue.

 

Dia 32

 

No caminho de volta ao albergue antigo parei para almoçar no Best of Asia, um restaurante de sushi em esteira na avenida principal. Enchi a pança sem gastar muito.

 

Mais tarde fui perder o peso adquirido com uma baita corrida pela orla. Fim de semana que era, havia multidões por lá.

 

Pela noite fiquei apenas planejando os dias seguintes.

 

Dia 33

 

Já no meio da manhã, peguei o mesmo trem para o sul, mas dessa vez saltei na estação Steenberg. Para chegar ao parque que visitaria tive que atravessar um bairro de classe baixa que me deu até medo.

 

O Zandvlei Estuary Nature Reserve era para ser uma área de proteção com o objetivo de preservar um estuário, mas infelizmente o que eu vi ao adentrar suas trilhas foi um monte de lixo, sobretudo na zona aquática, e as poucas estruturas largadas às traças e teias.

 

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É realmente uma pena, pois apesar disso eu ainda consegui ver um número significativo de aves. Mas não foi à toa que não havia mais ninguém lá passeando.

 

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Subi em outro trem para desembarcar 3 estações depois em Muizenberg, a praia dos surfistas. Ali parece ser bem mais controlado, pois há até monitoramento do avistamento de tubarões, que às vezes dão as caras.

 

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Comi deliciosos frutos do mar no restaurante Gaslight Café, logo no começo da longínquia praia, e depois fiquei relaxando na boa.

 

Dia 34

 

Voltei à área de Waterfront. Como não consegui reservar um ingresso para a Robben Island, onde Nelson Mandela passou boa parte de sua vida preso, troquei pela exposição temporária Body Worlds Vital. Por ser férias escolares, tive que pagar o valor inteiro de 160 rands. Apesar de caro, é um trabalho bem feito e diferente.

 

Sensíveis, abstenham-se! A exibição de cadáveres sem pele é um pouco chocante. Através de uma técnica conhecida como plastinação, os fluidos dos corpos dos falecidos são substituídos por polímeros, o que faz com que fiquem preservados. Há uma série de corpos preparados em posições e com partes específicas, com o intuito de ensinar a anatomia e fisiologia humanas, e suas doenças relacionadas.

 

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Almocei em um dos fast foods do shopping V&A Waterfront. Quando saía, começou um show de mágica no palco em frente, que me entreteu por uma meia horinha.

 

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Corri mais um pouco no fim da tarde, me despedindo a cada lugar que passava dessa cidade incrível.

Fui dormir cedo por causa do voo no dia seguinte.

 

Dia 35

 

Tomei meu último café com muffins e frutas para então pegar os ônibus até o aeroporto. Dessa vez voei com a Mango, pelo mesmo preço de antes.

 

No começo da tarde cheguei ao Aeroporto Internacional King Shaka, na zona metropolitana de Durban. Para chegar aos hotéis, usei uma van que faz o transporte periodicamente por 80 rands.

 

Desci no albergue Happy Hippo, ficando num quarto de 6 camas por 165 rands. Há um monte de quartos, uma área de convivência enorme e um bar, mas não achei tão amigável e organizado quanto o anterior. Aliás, muito menos a cidade. Para se ter uma ideia, o apelido carinhoso do Golden Mile, calçadão à beira-mar que fica próximo ao Happy Hippo, é Mugger’s Mile, sendo que mugger = ladrão.

 

Dei uma caminhada ao redor da única praia que parece ser segura, a uShaka Beach. Do píer de um restaurante sobre o mar dá para ver o parque temático de mesmo nome e os hotéis e apartamentos da orla.

 

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Ao menos tive o prazer de tomar o melhor milk-shake que já provei em todo o mundo, na lanchonete Surf Riders Café. Barato não era, mas o sabor do chocolate me deixa babando até hoje.

 

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Depois disso, comecei a ler um livro que constava na estante do Happy Hippo.

 

Dia 36

 

Um pouco receoso com a criminalidade da cidade, escolhi conhece-la por meio do Ricksha Bus, um ônibus turístico que por 100 rands te leva por 3 horas ao redor das principais atrações, como Beachfront, uShaka, Emmanuuel Cathedral, Victoria Street Market, Juma Musjid Mosque, City Hall, Francis Farewell Square, ICC, Kwa Muhle Museum, The Cube on Innes Road, Green Hub, Mitchell Park, Florida Road, Moses Mabhida Stadium ,Blue Lagoon e Suncoast Casino. Mal dá tempo de ver cada lugar, pois ele para poucas vezes, mas é um bom resumo.

 

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Almocei em um dos fast foods da orla e à tarde caminhei ao redor do porto. Entrei no Port Natal Maritime Museum por míseros 5 rands. Há 3 navios antigos ancorados nos quais você pode acessar seus interiores quase originais. Além disso, há um salão com maquetes e placas explicativas sobre a história do porto.

 

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Assim como nas demais noites, jantei no uShaka Village, um centro aberto de compras e restaurantes junto ao tal parque, que fica a uma quadra do albergue. Não são tão baratos, mas pelo menos ali é seguro. Dessa vez fui especializado em frutos do mar.

 

Dia 37

 

Visitei o parque do uShaka nesse dia. O combo para o Wet ‘n Wild (parque de diversões aquático) + uShaka Sea World (aquário e apresentações animais) custa 199 rands, mas comprando no albergue tive um desconto.

 

Uma dessas apresentações foi um show com os lobos marinhos, com diversos truques. Ao terminar, houve outro dos shows diários em uma segunda arena, dessa vez com golfinhos. Os espetáculos são belos, mas o que é feito nos bastidores com os bichos é que me deixa preocupado.

 

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O aquário fica numa estrutura com uma ambientação legal. Além de muitos tanques pequenos convencionais, apresenta um que inclui até tubarões grandes onde se passa por um corredor abaixo deles. Uma lástima colocar esses bichos oceânicos num espaço tão reduzido.

 

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Durban é a cidade com mais indianos fora da Índia. Como resultado, a gastronomia é fortemente influenciada. Não poderia deixar de provar algum prato - no caso foi curry com queijo tipo Paneer, lá da Índia mesmo. Não era muito apimentado mas tinha um gosto bem estranho, quase não consegui comer.

 

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Depois voltei ao albergue e conheci um colega do quarto, o americano Brock. Quando fomos jantar na vila, como um estadunidense típico, ele escolheu uma hamburgueria.

 

Dia 38

 

Queria ter ido ao parque aquático nesse último dia em Durban, mas como o ingresso que eu havia comprado era de apenas um dia, tive que me contentar com uma corridinha na orla, seguida pelo uso de um PC numa lan house, compra de umas Amarulas numa loja de bebidas, e a leitura das centenas de páginas que restavam para eu terminar o livro.

 

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Dia 39

 

Voltei com a mesma van ao aeroporto de Durban, onde paguei uns 40 reais em 1 litro de Amarula. Voei pela Ethiopian até Adis Abeba. Como a conexão seguinte à São Paulo seria apenas na manhã seguinte, a companhia aérea arcou com o custo de um hotel e o transporte de ida e volta pro aeroporto. O processo pra conseguir os vouchers foi bem demorado, visto que havia muita gente na mesma situação que eu.

 

Pelo menos o hotel, apesar de velho, era melhor do que o que eu havia me hospedado antes. Na cama cabia uns 3.

 

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O jantar era legalzinho, mas o café nem tanto. De qualquer forma, não tive muito tempo pra aproveitar, já que o translado saiu cedão para continuar a viagem até Guarulhos e depois Floripa.

 

Enfim, quarenta dias depois voltei ao lar, doce lar, e cheio de histórias pra contar!

 

Curtiram? Então não deixem de conferir outros relatos mais detalhados no meu blog: http://rediscoveringtheworld.com ::otemo::

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Parabéns pelas fotos! Acho a África o continente mais interessante para se visitar, pelo motivo de que não é muito divulgado como os outros continentes. Aprendi a gostar da África depois que fiz uma disciplina na faculdade chamada Cultura da África. Antes eu via a África com o esteriótipo de pobreza e falta de estrutura, mas depois de estudar sobre ela, vi que está surgindo até uma classe média com muito poder de consumo e riquezas. Lá tem cidades muito ricas e interessantes. Acho a cidade de Yaounde no Camarões linda, a arquitetura dessa cidade é muito diferente. Também acho Joanesburgo linda.

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Valeu! Verdade, são experiências mais autênticas. Só viajando mesmo para perder o preconceito. Ainda não conheci essas cidades, mas a Cidade do Cabo é de longe minha favorita. ::otemo::

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Valeu! Verdade, são experiências mais autênticas. Só viajando mesmo para perder o preconceito. Ainda não conheci essas cidades, mas a Cidade do Cabo é de longe minha favorita. ::otemo::

 

Então, eu nunca viajei para país nenhum, estou no começo da vida ainda, tenho 21 anos. Conheço essas cidade por fotos mesmo, e alguns textos e informações que vi através da internet. Mas você já está super "pra frente", conheceu todos esses países da África, deve ter sido uma experiência única e engrandecedora. Cidade do Cabo é uma cidade bonita também, vi algumas fotos já.

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Tem tempo ainda, LêBrasil, com 21 eu só tinha ido com os pais pro Uruguai, Argentina e Chile. Comecei a pegar gosto só depois que me formei e agora não paro mais :D

 

Valeu, Juhmendes88! Gosto de repassar minhas experiências da melhor forma possível pra ajudar os outros, fico feliz quando recebo algum feedback ;)

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Tem tempo ainda, LêBrasil, com 21 eu só tinha ido com os pais pro Uruguai, Argentina e Chile. Comecei a pegar gosto só depois que me formei e agora não paro mais :D

 

Só pra esses países? Super modesto você, hein amigo hahahahahaha ::otemo::::otemo::::otemo::

Então, quando eu puder viajar, quero conhecer Nova York (que é meu grande sonho) e a Disney. As capitais culturais que gostaria de conhecer são Cidade do México, Pequim e Bangkok.

Por enquanto eu ainda estou correndo atrás de um emprego, e também correndo atrás do meu sonho. Mas depois, vou investir em alguma viagem. Cansei de ver as cidades pelo Google, quero ver elas de perto hahahahaha ::otemo::::otemo::

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Ah, é que foram só as capitais e arredores, longe de conhecer os países inteiros. Nova York e Bangkok recomendo, Cidade do México não curti muito e Disney e Pequim ainda não fui. Hahah, tá certo, espero que consiga seguir seus sonhos! ::hãã::

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Show seu relato, Schumacher!!! ::otemo::

 

Vou agora em maio pra África do Sul, e pretendo visitar outros países tbm.

Vc lembra o nome da agência que vc contratou o CHOBE DAY TRIP por USD 120?

Outra dúvida, estando pela Zâmbia e Zimbábue, eles ofereciam tour pelo Delta do Okavango em Botsuana?

 

Abraço!

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Cara, fechei com um jovem que me abordou na rua das agências de turismo. Se não me engano havia tour pro Okavango sim, mas tomava mais tempo e dinheiro então não pesquisei a fundo.

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