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Alexandre Furtado

Corumbá-Brasil-Bolívia :Uma Experiência de Viagem

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Corumbá não é apenas uma cidade de passagem, cidade que possui o maior território no ecossistema pantanal. Corumbá possui uma arquitetura interessante, andar pelas ruas admirando as influências portuguesas, espanholas, e árabes é uma atração à parte. Tem um Cristo com um mirante interessante, de onde é possível ver toda a cidade e o Rio Paraguai. Possui alguns museus e centro culturais, como o do Boticário, que conta de forma lúdica a história desse ecossistema tão rico, tem o maior território no pantanal mato-grossense.

 

Conseguimos uma carona com o pai de um grande amigo de minha namorada (sou péssimo para nomes, mas lembro que é um nome bem diferente).

Eu, Ademir JR, e nosso condutor chegamos na fronteira, descemos, pegamos nossa equipagem, e fomos para a fila de imigração para dar saída no Brasil. Esperamos algo em torno de 30 a 40 minutos na fila. Um pouco antes me recordo que JR disse :"sempre responda sim, ou não, quanto menos falar melhor".

 

Quando chegou a minha vez, não me recordo de uma pergunta, foi simples e rápido. Depois de pegar a saída, caminhamos um pouco mais de 5 minutos e chegamos na aduana Boliviana. Essa sim, senti um pouco como uma entrevista, me perguntaram o que eu ia fazer, quanto tempo, para onde iria. Eu de forma inocente, preenchi o documento de entrada no país, dizendo que iria para trabalho e turismo, pois na minha cabeça maluca, tudo que eu faria durante a viagem seria um tipo de pesquisa. Porém não é possível preencher afirmando que fará os dois, ou você irá a trabalho, ou a turismo. Tive este problema, que poderia ter ficado pior, nas Imigrações você também depende do humor do funcionário que está lhe atendendo. Enfim, preenchi um novo papel pedindo 30 dias como turista, e passei, quando alguns minutos depois Ademir vem até mim e diz, não vou poder passar, não permitiram a minha entrada! Eu incrédulo lhe perguntei: "o que aconteceu, qual foi?! Ademir me responde dizendo que pediu 120 dias, que esse período era maior que o permitido e que para essa quantidade de dias teria que ter um visto de trabalho. Bom, entendo as autoridades, e sei que vai parecer um absurdo para alguns o que irei dizer. JR não tem uma das aparências mais "receptivas", estava cheio de equipamento de malabares, e pensei: "bom, se eu estivesse no lugar do funcionário da Aduana, diria que ele iria residir na Bolívia, sem data pra voltar, e eu não quero mais uma pessoa utilizando os semáforos para conseguir prata dos bolivianos. Resumindo a ópera, ele não obteve entrada, e eu fiquei sozinho nessa. JR ainda teria uma esperança, de aguardar após o almoço uma suposta troca de turno, e solicitar novamente acesso à Bolívia, fato que não aconteceu, Ademir só iria cruzar a fronteira uma semana após a minha entrada no país.

Bom, essa foi uma situação interessante, é um pouco assustadora, porque esse meu amigo domina o espanhol, inclusive dá aulas, eu já não tenho a facilidade para o idioma, e pouco estudei espanhol em minha vida. E de certa forma, estava contando com sua presença para conseguir as informações, pedir as coisas no mercado, tendas..

Me considero um cara experto, e na minha cabeça já tinha repetido diversas e diversas vezes uma mesma frase: " señor, señora, una consulta por favor? Como es possible llegar en...? E te digo, funcionou e as pessoas me entendiam, afinal, depois de algumas vezes pedindo informações, comprando comida, você se solta um pouco e começa a falar naturalmente. O que me atrapalhou um pouco era a compreensão do idioma, era difícil entender algumas vezes, mas por experiência, perguntava a mesma coisa para pessoas diferentes, andava um pouco mais e confirmava a informação ao anterior, e tenho que dizer, algumas vezes as informações não batiam, ou seja, obtia informações distintas para a mesma pergunta, e o que eu fazia? Bom acreditava nas informações que se repetiam, simples. Uma observação se faz necessária, muita gente na Bolívia não gosta de dizer que não sabe, te respondem alguma coisa, quase sempre e não necessariamente está correta a resposta, por isso a importância de perguntar o mesmo para outra pessoa.

 

Porto Quijarro

Cruzei a fronteira, fui até a estação de trem, mas quando cheguei descobri que só tinha um tipo de trem que me custaria 230 bolivianos aproximadamente. É claro que não comprei, peguei informações para chegar até o "terminal de ônibus". Ao Chegar, me deparei com muitas companhias fazendo a mesma rota, que diferença para o Brasil, enquanto uma companhia (Andorinha) apenas fazia a rota entre Campo Grande - Corumbá umas 6 horas de viagem, serviço mediano 115 reais, na Bolívia um trajeto entre Porto Quijarro a Santa Cruz de la Sierra, 8 horas de viagem, bom serviço, sem-cama me custou 37 reais. Que diferença! Pensava que brasil era uma vergonha. Continuando.. O pior do serviço não tinha relação com a empresa, na verdade era a educação das pessoas, como o fato do jantar livre a bordo.

Em porto Quijarro, também aconteceu dois fatos, importantes de se relatar. Quando entrei no terminal um homem me abordou, não me recordo o nome dele, era um nome curto, ele não tinha das melhores aparências, e aparentava estar levemente bêbado, falava um pouco enrolado, quando descobriu que era brasileiro, arriscou usar o português que tinha. Quis me indicar alguma companhia, e obviamente tive que dar 5 bs para ele, como uma espécie de comissão depois de comprar a passagem. Falha minha, não tinha necessidade, era só perguntar de companhia em companhia os preços e horários. E sempre tentar negociar, creio que paguei 60 Bolivianos na passagem, mas a habitual taxa de embarque, que deve ter me custado em torno de 1 a 1,50 bs. De certa forma fiz uma "amizade" com esse Boliviano, guardei minha equipagem com a companhia de transporte e dei uma pequena caminhada com esse homem, sentamos em um bar, e comprei duas Paceñas, na verdade acho que foi Brahma. Creio que tenha me custado 10 bs, 5 reais duas latas, bom preço. Entre conversas e quase sempre se dirigindo à mim como "ermáõ" pela dificuldade da pronúncia, me disse que ao final da rua tinha uma vista interessante do pantanal Boliviano. Acabei de tomar a cerveja e fui sozinho caminhando até o final da rua, uma vista bacana mas nada demais, a vista de Corumbá é bem melhor. Tirei umas fotos, cheguei a fazer um vídeo, urinei na grama, e comecei a voltar. Estava de boa, tranquilo, caminhando só, quando de repente, dois cães saem lá de dentro de uma casa e começam a latir como loucos, vindo em minha direção, em um primeiro momento não dei muita bola, quase todos os perros latem para estranhos, mas na velocidade com que vinham, e ao se aproximarem pensei:" merda, f****! De fato, f**** brabo! Os dois cães chegaram muito perto, e por experiência sabia que não devia dar muita bola, ou deveria?!Fiquei em dúvida, de fato me senti ameaçado e fiquei com medo, este último sentimento tentei evitar, já que também sempre me disseram que cães farejam o medo. Me agachei e "peguei" uma pedra, mas acho que na verdade, não cheguei a pegar nenhuma, e comecei a andar por alguns momentos de frente para as feras, hora de costas. Pensando, só vão latir, quando em um momento que me viro as costas, um dos cães me golpeia na perna.

Pensei, Puta que Pariu! Acabou a minha viagem. Nesse momento que um dos animais me "golpeia" eu já estava a uma distância considerável da casa de onde saíram, e após a mordida, eles começaram a regressar. Com certo desespero iniciei a avaliar a situação, pensando, acabou a viagem, tenho que retornar ao Brasil e tomar a vacina contra raiva pensei que se voltasse ao Brasil, não voltaria a viajar, afinal, já estava na Bolívia, já tinha passagem para Santa Cruz de La Sierra, e já tinha 3 noites de hospedagem com um CouchSurfista em Santa Cruz. Nervoso, com adrenalina a flor da pele, assustado, reviro a minha calça, e percebo o buraco deixado pelo cão, muito triste, sentindo uma dor na perna, digo mais uma vez, agora em voz alta, Puta que pariu! Que merda! Porque. Não peguei a PORRA do tripé para me defender, é impressionante como algumas vezes nossa inteligência só vem depois do acontecido. Começo a levantar a calça, não encontro nada, não acredito, sento na calçada, e busco com mais atenção, nada de sangue, nada de marcas, nada de perfurar, rasgar, arranhar a pele. Simplesmente inacreditável, uma sorte do caralho pensei, fico com os olhos marejados, porque afinal, minha viagem poderia, ou deveria ter terminado naquele momento, primeiro dia na Bolívia e já deveria voltar, e juro, fiquei uns dias sem acreditar que não tinha acontecido nada, por 3 dias olhava minha panturrilha esquerda pensando que não tinha feito uma boa avaliação, que algum pequeno corte poderia ter passado desapercebido, mas de fato aqui lhes escrevo, e nada aconteceu. Além do rasgo na calça, que fica de história.

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