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Vivi Mar

Patagonia: Chile e Argentina

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Pessoal, como sempre recebo preciosas dicas dos amigos nos grupos, listas e fóruns, compartilho com vocês as fotos da nossa cicloviagem de final de ano pelo Chile/Argentina (Patagonia).

 

FOTOS:

https://www.facebook.com/vivi.mar.1044/media_set?set=a.1346901068714283.1073741875.100001832092050&type=3&notif_t=like&notif_id=1484782793917031

 

RELATO abaixo:

Pedalar, pedalar e pedalar ...

Definitivamente este não foi o lema da nossa cicloviagem de final de ano. Kkk A meta era 1.000 km... mas pedalamos pouco mais de 630 km com aproximadamente 11.000 mts de subida acumulada, e mesmo com a noite caindo as 22 horas os dias foram curtos para apreciar toda a beleza patagônica e vivenciar tudo o que uma cicloviagem pelos andes nos proporciona. Já sinto saudades.....

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Ahhhh os vulcões; as geleiras; os incríveis arco-íris e as trilhas single track carregando a bike em busca do perrengue supremo. Ahhhh os ventos patagônicos...ora contra e ora a favor... As cabanas com fogão a lenha depois de um dia de pedalada na chuva. A receptividade dos moradores. A curiosidade das adoráveis crianças filhas dos mapuches. E os asados patagônicos para repor a caloria perdida. Os deliciosos acampamentos. Os passeios nos mercados em busca do alimento com o melhor custo-benefício. Os banhos de rio gelado e também a falta de banho. E também as discórdias de um grupo grande em movimento constante...poutz...esse merece um capítulo a parte kkkk. Enfim, tudo isso já deixa saudade e pela segunda vez volto da patagônia com gostinho de quero mais e com a sensação de que as férias foram curtas !!!

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Como tem muita informação detalhada a respeito desta região na internet, vou me limitar a escrever apenas sobre o dia-a-dia da cicloviagem que devido a idade dos integrantes demos o nome de: ciclo dos trinta e uns + o meio século... cicloviagem que foi bem completa no sentido de diversidade de terreno, pois pedalamos pela terra, pela lama, pelo rípio, pelas montanhas, pelas subidas, pelas descidas, por single tracks, pelo asfalto, com ventos soprando em todas as direções... com as bikes pesadas com alforjes levando barraca, fogareiro, comida, saco de dormir, roupas, etc. Alguns poucos trechos foram bem exigentes fisicamente pois precisamos empurrar morro acima as bicicletas carregadas por estreitas trilhas single track, mas na grande maioria o roteiro é agradável, com subidas não muito técnicas, trajeto totalmente pedalável do início ao final para quem já tem o costume de pedalar e cicloviajar.

 

RELATO COMPLETO:

Voamos para Santiago (Vivi, Fabio, Bruna, Anderson, Getúlio, Meire e Bruno) e de lá embarcamos de bus da empresa Turbus para a cidade de Pucón, onde encontramos com a Viviane Benjamim, amiga de longa data que já se encontra em cicloviagem solo pela América do Sul a aproximadamente 1 ano. A partir dali, seguimos pedalando juntos, num grande grupo de 8 pessoas.

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Dia 1: Pucon x Acamps Eucaliptos

Iniciamos a pedalada tarde pois após o desembarque e reunião de todos em Pucon ainda precisamos ir montar as bikes e comprar mantimentos no mercado para os próximos dias. Saímos as 14hs já cansados de uma viagem de bus por 10 horas seguidas sem paradas e sem comer. Seguimos pela estrada sentido Conharipe e após 30 km percorridos paramos para acampar em uma clareira pouco adentro da mata, na beira da estrada. Meire achou o local de acampamento Perfect, rsrs

Saldo do dia: 30 kms - 510 de subida acumulada - Gastos: Mercado

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Dia 2: Acamps x Parque Nacional Villarrica (Quetrupillan) x Conharipe

Mais dispostos e descansados, mas ainda com a bagagem pesada, não conseguimos sair tão cedo quanto gostaríamos, ainda mais com um grupo tão grande ... saímos as 11hs com a disposição pra encarar 15 km de subida... A estrada começa boa, somente de subida de chão de rípio mas com a estrada bem batida, e a subida segue agradável e não tão íngreme como imaginávamos. Logo depois inicia um trecho com erosões e terra escavada, como caminho de jeep ou motocross. Empurramos bikes morro acima nestes trechos não pedaláveis. E logo veio a merecida descida. Pelo aplicativo IOverlander (indicado pelo amigo Plácido do Livre Partida que esta em expedição de volta ao mundo) identificamos uma área para acampamento por perto, no lago da cidade. Acampamos ali e alguns tomaram banho na prainha. Não indico o local para acampar pois fica bem perto da cidade, e consequentemente tem lixo ao redor... se puder seguir mais um pouco pode achar outras áreas melhores para pernoitar... mas em caso de emergência, como era o nosso caso que já estava anoitecendo, dá pra montar a barraca e dormir tranquilo.

Saldo do dia: 46 kms - 810 de subida acumulada - Gastos: 1 cerveja

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Dia 3: Conharipe x Rio Liquine

Dia de estrada boa, praticamente sem subidas tão íngremes e caminho nada técnico, apenas estrada de terra batida e com muuuito banho de rio. O dia foi prazeroso, com paradas para tentativa de pesca e lavação de roupa suja de terra e suor. Passamos batido pela cidade que é turística, e conforme dica de um Carabineiro (polícia local) paramos para ver as aguas calientes vulcânicas (não achamos o poço que ele indicou) e subimos 4 kms serra acima para acampar na ponte de madeira, em um rio largo, ao lado da ponte pênsil. Ótimo lugar para acampamento. Bom espaço, bem localizado, grátis, e ao lado de um lindo rio.

Saldo do dia: 40 kms - 735 de subida acumulada - Gastos: Zero

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Dia 4: Rio Liquine x Paso Carirriñe x Lago Lanin (Prox Laguna Verde)

Foram 14 km de subida pedalável, não muito íngreme mas ininterruptas e chegamos na aduana Chilena onde demos saída do Chile através do Paso Carirriñe. Os últimos 3 kms depois disso tinha muito pedregulho solto e era bem mais íngreme com o sol fritando a moleira. Empurramos 2 subidas e logo demos entrada na Argentina pelo Pq Nacional Lanin com a burocracia de sempre, preenche ficha, assina, apresenta documentos de entrada, saída, etc. Almoço na beira do rio. Viviane trocou o cabo do cambio que quebrou e fizemos uma longa parada. Seguimos por mais 14 km ate as lagoas e a noite deu sinal de vida. O camping oficial Laguna Verde custava aprox 50 reais/pessoa. Então aqui dividimos o grupo. Uma parte se hospedou no camping e por volta de 22hs eu, Fabio, Anderson, Bruna e Viviane adentramos na mata para um acamps selvagem clandestino perto de uma prainha.

Saldo do dia: 45 kms - 1445 de subida acumulada - Gastos: Zero

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Dia 5: Acamps x San Martin de Los Andes

Dia cheio de descidas e muuuito vento. No lago já lá em baixo pode acampar, mas passamos batido pois ainda era cedo. Em San Martin fizemos compras de mantimentos, cidade cara, turística. Gastamos 500 pesos para 3 pessoas (aprox 40 reais por pessoa) para nos reabastecer de comida para os próximos dias. Mercado estava cheio e logo anoiteceu. As hospedagens na região eram bem caras, a cara da riqueza, rs, e totalmente fora do nosso perfil... Alguns mochileiros bivacam na praia discretamente, mas estávamos em 8 pessoas com 8 bicicletas carregadas. Impossível não chamar a atenção. Já conformados em pernoitar ali sentados todos se encolheram na rodoviária para se proteger do vento e do frio. Muito frio.... Eu e Viviane sem querer desistir subimos na bike e fomos girar na cidade em busca de algum local pra acampar. Tentamos em casa, estacionamento, etc. Achamos o Bombeiro da cidade que tinha pouco espaço na sua base mas nos indicou a base do guarda parque. E lá fomos nós. Fomos recebidas com um largo sorriso e apos um breve bate papo que a Viviane me mandou parar de ablar errado (kkk) ele permitiu nosso acampamento na base, além de permitir também usar suas dependências. Corremos para avisar os amigos que passavam frio na rodoviária e montamos nossas barracas. O trajeto hoje foi curioso pois saímos de uma região bem arborizada ao redor de lagos, e com o passar dos kms a vegetação foi ficando cada vez mais seca, árida, com ventos fortes aumentando a cada km. Pedalamos a tarde toda com o vento forte e contra, o que desgastou mais.

Saldo do dia: 70 kms - 950 de subida acumulada - Gastos: Mercado para os próximos dias - aprox 40 reais.

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Dia 6: Réveillon - dia de repouso ativo - San Martin x Rio Hermoso

Dia amanheceu chuvoso e aproveitamos para ir na cidade cambiar R$. Devido ao ano novo optamos por um dia de repouso ativo, trajeto curto, muito visual pelo caminho e pista de asfalto. Iniciamos a pedalada as 15 hs e paramos no Rio Hermoso para acampar e nos demos de presente algumas cervejas Andes no bar da Janete, além de conseguirmos um banho quente de chuveiro pela primeira vez desde o início da viagem (no meu caso). PS: No Chile não rolava cervejinha no bar pois não pode beber na rua, rs. O local de acampamento é roots mas tem outros locais mais bonitos para parar. Se puder, siga em frente mais alguns kms pois este rio não é bonito e fica na beira da estrada asfaltada sem muito movimento. Conhecemos um casal de cicloviajantes (Pedaleando Utopias) que passaram a noite com a gente, e são gente boa demais, super vibe. Passamos a virada juntos. Fizemos jantar coletivo e cada um preparou um prato. Vivi/Fabio: Arroz Branco. Bruna: Risoto. Viviane: Sobremesa arroz doce. Anderson: Feijão Preto. Meire/Bruno/Getúlio: Macarrão. e jantamos com cervejas e vinho tinto... muita fartura e um luxo ate então...rsrsrs

Saldo do dia: 30 kms - 704 de subida acumulada - Gastos: 1 cerveja

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Dia 7: Acamps Rio Hermoso x Lago Espejo (Rota dos 7 Lagos)

Mais um dia sem grandes subidas, pedal prazeroso beirando os 7 lagos através da Rota 40 passando pelo PioPio, Lago Machoónico, Parque Nacional Nahue Huapi. Trajeto com muitos locais adequados para camping, seja estruturado, pagos ou gratuitos. Optamos por seguir ate o Espejo que é grátis e sem estrutura, mas ainda assim a área é muito bem conservada e monitorada por guarda parque que dão todas as instruções do local. No caminho a Viviane representou e ganhou quilos e mais quilos de churrasco de cordeiro, que carregamos durante todo o dia para nos deliciar com a iguaria durante a noite no acampamento. O acamps foi regado a vinho chileno, mais barato que agua lá.

Saldo do dia: 66 kms - 714 de subida acumulada - Gastos: Zero

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Dia 8: Lago Espejo x Vila La Angostura x quase Bariloche

Ainda no asfalto seguimos o pedal em ritmo de tartaruga manca pois o visual é lindo, de tirar o fôlego. No final do dia o pessoal optou por um camping estruturado (190 pesos/pessoa, equivalente a uns 50 reais). Eu, Fabio e Viviane optamos por seguir um pouco mais e acampar no meio do mato em algum local surpresa, rumo ao desconhecido. Ligamos o "radar" para identificar algum bom ponto pra acampar depois que vimos uma tempestade se formando nas montanhas e avançando em nossa direção com rapidez. Achamos uma trilha que não deu em nada. Viviane e Eu resolvemos descer por um caminho para ver se tinha alguma área boa. Estava frio e ventando muito, e a chuva formando... Foi quando um morador veio em nossa direção... e a cicloviagem mais uma vez nos presenteou com um incrível encontro... eu diria que o mais especial de toda a viagem... O morador era o Antônio, descendente da tribo Mapuche, que nos recebeu em seu lar com sua adorável esposa Carolina e seus filhos Valentin, Celina e Santino. Fomos acolhidos em sua sala bem simples com lareira, mate e uma boa prosa. Enquanto isso, lá fora o vento balançava as grandes árvores e a tempestade comia solta. Este encontro foi um presente. Ganhamos não apenas o calor e o abrigo da chuva, mas sim amigos e longas horas de conversa sobre a cultura local...Como retribuição da gentileza, tentamos mostrar a nossa cultura de cicloviajeiro, rsrsrs, e preparamos em nossos fogareiros (um com gas e outro que usa benzina – Msr) um jantar para toda a família com macarrão com molho, salada de atum e algas marinhas chilenas que fizeram o maior sucesso. Também abrimos a nossa cerveja especial Stella de 1 litro que carregávamos o tempo todo. Era o momento ideal... E o Antônio ainda tirou do rio (ele chamava de freezer, rs) uns vinhos e cervejas locais. Acampamos na grama da propriedade e eles dormiram na pequena sala. Na manhã seguinte preparamos e compartilhamos o nosso café da manhã com todos. As crianças foram adoráveis e eram "crianças" de verdade, que interagem, brincam, perguntam, questionam, correm, sobem em árvores em busca da cereja mais doce para te oferecer. Adoramos. Sem dúvida alguma foi a melhor noite de acampamento da viagem. MuiRica como eles diriam, rs. OBRIGADA Antônio e Carolina. Jamais esqueceremos de como vocês nos receberam bem e compartilharam tudo o de melhor que vocês tem ai !!! :) Muchas gracias !!!

Saldo do dia: 56 kms - 952 de subida acumulada - Gastos: Zero

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Dia 9: Casa Antônio Mapuche x Bariloche x El Bolson

Saímos tarde da casa do Antônio pois chovia e estava muuuito frio, e além disso, a manhã estava agradável em tão boas cias. Na estrada coincidentemente já cruzamos com o nosso grupo que ficou hospedado no camping, e a partir dali seguimos juntos pela rota de asfalto com bastante frio e vento, cada um contando as suas novidades da noite anterior. O vento estava a favor e rendeu, mas pedalamos de anorak, rs. O trânsito neste trecho aumentou consideravelmente e muitos caminhões, bus e carros passavam em alta velocidade. Já perto de Dina Huapi, pouco antes de Bariloche, o vento mudou de direção e ficou contra, o que dificultou demais este trecho. Entramos na via principal e além do alto número de veículos de carga, o vento empurrava lateralmente, com fortes rajadas. Complicou nossa vida. Trechos sem acostamento, e em algumas partes com acostamento em rípio. Aqui foram muitos tombos perigosos, bikes derrubadas no chão e um esforço desumano para manter a bicicleta na rota e desclipar a sapatilha a tempo em caso de desequilíbrio. Trecho muito duro somente devido a este forte vento lateral, pois se não fosse o vento seria bem tranquilo. Uma rajada de vento atingiu o Anderson que saiu na pista na frente de um auto que conseguiu frear, mas quase causou um acidente feio. Caminhão também deixava um vácuo quando passava e ficou difícil manter a direção. Todos tiveram problemas aqui. Apos Bariloche ainda teríamos 1 trecho de serra sem acostamento com esses ventos laterais por aproximadamente 120 kms. Pensamos na segurança do grupo e optamos por adiantar o dia de hoje pegando um bus para pular este trecho que estava colocando em risco a segurança do grupo. O bus custou 95 pesos (aprox 25 reais) + a abusiva taxa para embarque da bike que fica de caixinha para o motorista e cada um faz o seu valor, variando de 50 a 150 pesos... Pagamos 50 pesos pela bike (equivalente a 12 reais). Chegamos em El Bolson a noite. A cidade era bem vibe, a primeira que achei realmente atraente com um estilo menos “sofisticado” e bem aconchegante. E começou a luta para achar um lugar para os 8 acamparem. Pesquisamos camping, rios, etc. Uma pessoa nos abordou oferecendo seu Hostel, mas procurávamos por acampamentos free ou com baixo custo. A Merce nos ofereceu para acamparmos em frente ao seu hostel por esta noite porque já estava tarde, e porque ela tem uma simpatia por brasileiros, já que morou no Brasil por 8 meses. Nos recebeu muito bem. Uma simpatia de pessoa. Se alguém puder se hospedar em seu Hostel, segue o contato (Infinito Bolson 294 154284019 Fb Merce Sfeir).

Saldo do dia: 50 kms - 514 de subida acumulada - Gastos: Ônibus

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Dia 10: El Bolson x Mirante x Repouso

Amanheceu e somente então notamos que a cidade é linda, charmosa e encravada em meio as montanhas nevadas. Nossa barraca estava montada em frente para uma linda montanha com o sol nascendo... Geou nos topos. Como retribuição resolvemos oferecer para a Merce o valor de um camping (que é o que poderíamos pagar) e ficar mais uma diária ali para conhecer a sua cidade e para um merecido repouso e organização do grupo. Proposta aceita com um largo sorriso. Demos 12 reais cada um e ficamos mais um dia no local (equivalente a 50 pesos cada um). No dia de repouso pedalamos ...rs... nas somente até o mirante da cidade, a placa indicou uns 7kms, mas não marquei. Tiramos muitas fotos e curtimos o dia, fizemos churrasco coletivo, preparamos espetos de bambu e kaftas com os hambúrgueres e carne moída que tínhamos na bagagem e botamos tudo pra assar.

Saldo do dia: 7 km – repouso – Gastos: Vinho, cervejinha e churrasco para repor as calorias

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Dia 11: El Bolson x Lago Puelo x Ponte Rio Azul (Passarela) x Guendarmeria

Iniciamos a pedalada ao meio dia, 16 km de terra + alguns de asfalto e chegamos em Lago Puelo, onde a idéia era pegar um barco/voadeira para atravessar de retorno a fronteira do chile. Mas não foi bem assim. O parque era pago (130 pesos/pessoa), para chegar em todos os atrativos do Parque precisava de barco, e esses barcos que estavam ali não levavam carga nem bike, somente pessoas/pedestres. Nem para os atrativos e muito menos para atravessar para o Chile, rs. O jeito foi voltar ao Chile de trilha mesmo... seria um Bônus: aproximadamente 33 kms de Single Track fechado e cascudo por um caminho antigo que os moradores faziam para chegar na cidade. A pé seria passeio no bosque, com a bike leve também. Mas com as bikes carregadas era complicado porque a trilha era estreita e a bike travava em qualquer obstáculo. Voltamos 5 kms atrás para entrar na trilha sem necessidade de pagar a taxa do parque. A estradinha seguiu suave por 12 km de terra ate a passarela. Pausa de almoço na beira do rio e a partir daqui entramos em terras Mapuches as 17hs... não sabíamos, mas levamos 3 dias para sair dali, rsrsrs. Levamos mantimentos suficientes para estes 3 dias Plus de perrengue supremo. O single track inicia bem aberto, sinalizado e demarcado. Totalmente pedal Avel e por 4 kms seguidos foi bem legal, sem necessidade de descer da bike. Depois veio uma longa subida de pedregulhos que precisamos empurrar as bikes. No topo voltamos a pedalar, mas sempre entalando os alforjes, enroscando o guidão, dando cabeçada em galhos, pedivela em troncos, canaletas no cambio, capacitada em arvores, derrapada em pedras, etc. A descida foi ora pedalando, ora empurrando. Um bom trecho levei a bici no ombro pra agilizar a descida. A bicicleta da Viviane é a que mais sofreu aqui e a que mais exigiu esforço também claro, pois como ela esta na estrada a 1 ano, seus alforjes sao enormes, os dianteiros estavam carregados tanto quanto o traseiro, além de 1 violão em sua bagagem (?!) rsrsrs. Tentamos nos revezar para ajuda-la nesta árdua tarefa de subir. Nos trechos mais críticos precisávamos de 2 ou 3 pra levantar a bicicleta dela... na descida todo santo ajuda, rs, e a criatura tem sangue mapuche, deu conta do recado, da subida/carregar/descer com um sorrisão na cara de quem tá adorando a ralação toda. Confesso: Também me diverti horrores em algumas situações, e algumas discórdias rolaram, rs. O trecho é curto mas levamos horassssss com as bikes entaladas, kkk. Foram 5,5 kms de single e depois mais 4,5 km de single mais fechado e menos sinalizado após a porteira até a Guendarmeria. Chegamos as 21hs. O dia foi exigente, dureza, mas bem agradável pois boa parte da trilha foi “pedalável”, principalmente o topo e as descidas finais. E gosto bastante deste tipo de terreno. O Fabio desceu tudo montado, eu não arrisquei ... não dava pra mim, rs, e na parte mais técnica empurrei. Acampamos na Guendarmeria ao lado da base de fronteira, sem estrutura nenhuma... apenas umas mesinhas que eles deixam para uso de visitantes.

Saldo do dia: 39 kms - 523 de subida acumulada - Gastos: Zero

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Dia 12: Guendarmeria Nacional x Fronteira Chile x Acamps no Mirante Lago Inferior

Dia de pouca quilometragem e muito suor. Dia duro, duro mesmo, de empurra empurra morro acima com as bikes pesadas. Dia todo de single track curto, mas bem exigente com tantos alforjes. Pouquíssimos trechos pedaláveis, muita arvore caída e muitos obstáculos no percurso. Subidas íngremes de pedra para empurrar as bicicletas e também trechos com lama escorregadia. Canaletas estreitas que entalavam a bike, além de cascalho e pedras soltas e lisas que escorregava com sapatilha de ciclismo, rsrsrs. Um verdadeiro parque de diversões em busca do perrengue supremo como dizia o Getúlio a todo momento, rsrs. Aqui neste trecho alguns dos integrantes já estavam bem cansados, desgastados, fora da zona de conforto e com o psicológico abalado de tanto tempo enfiado no mato, rs, mas não tinha jeito, todos precisam engolir choro e tocar pra cima... tínhamos que seguir em frente, e rápido... para sair deste trecho ate o dia seguinte antes que nossos mantimentos se acabem... O dia de hoje foi curtíssimo, mas foi o dia que botou a prova o preparo físico e o bom humor (ou a falta dele, rsrsrs) de cada um de nós, hahaha. Alguns com mais espírito de perrengue como o Getúlio que estava em busca do Perrengue Supremo, rsrs, outros com menos, alguns com bom espírito de equipe, outros com mais disposição pra ajudar, outros sem muita animação pra isso, outros com disposição pra resmungar, alguns com mais interesse em ser prestativo, alguns curtindo mais, outros desejando o fim daquilo e acho que pensando: o que eu tô fazendo aqui?!, kkk, mas pasmem: tinham alguns com espírito competitivo, kkk, Fabio estava correndo para ver se pegava uma boa colocação no Strava, hahahahaha, e eu triste porque minhas baterias reserva tinham acabado e nem conseguia marcar o caminho pelo celular, hahaha.... mas enfim, cada um curtiu (ou não) a sua maneira, e na minha opinião este trecho foi um bônus bem legal para a trip, e entre mortos, felizes e algumas discórdias, no geral, a todo momento existia alguém que derrubava suor pra ajudar o companheiro, a maioria se ajudava nos trechos mais íngremes e escorregadios, e aos poucos o grupo avançava ... mas a passos lentos, rsrs.

No topo optaram por acampar no Mirante do Lago Inferior que era um lugar lindo. Eu segui em frente mais um bom trecho pra ver se podíamos avançar mais alguns kms e acampar mais pra frente em algum lugar mais protegido do vento, menos exposto e pra render mais o dia de hoje... e voltaria para avisar a turma... então me aguardaram retornar sem montar as barracas... Andei andei andei rodei rodei e nada... não haveria nenhuma outra opção para acampar nos próximos kms. Meire e Getúlio também foram vasculhar a descida para o lago, e era muito íngreme, daria muito trabalho subir no dia seguinte. Voltei conformada e avisei a todos que ali era a melhor opção antes da chuva cair e de anoitecer. Meire e Getúlio também acharam. Então montamos as barracas de frente para um lindo visual do lago, num lugar top mas com pedras em baixo, rs, e após o jantar logo anoiteceu e caiu uma chuvarada.

Saldo do dia: 8,29 kms - 342 de subida acumulada - Gastos: Zero

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Dia 13: Mirante x Los Hitos Fronteira Rio Puelo x Fazenda Curral perto dos Carabineiros

Mais um dia inteiro de single track em meio a mata fechada com bambu enroscando na bicicleta, tronco fechando a trilha, agua descendo pela montanha e poucos trechos pedaláveis... mas bem melhores que os de ontem. Nem se compara. Fomos bem devagar, com cautela. Um ajudando o outro, como realmente deve ser um grupo, ora um ajudando mais, ora menos, de acordo com a necessidade e com a reciprocidade... claro... afinal, estávamos todos no mesmo barco. Tínhamos que atravessar um rio com forte correnteza. Então desmontamos as bikes e fomos passando aos poucos, uma a uma, bagagem por bagagem, uma bicicleta de cada vez. A Meire foi a primeira a se jogar na água com boa carga de bagagem, e sem medo de agua fria deixou tudo do outro lado e voltou pra buscar mais... Tem meu total respeito e admiração !!! kkk. Eu não me molhei, rs, sinto muito frrrrio e não escondo de ninguém que não curto agua tão fria, kkkk, rs, então passei por cima de um troco/ponte lisa que atravessava para o outro lado um pouco mais acima, mas em caso de escorregar o machucado e o tombo seriam bem maiores, rsrs. Depois vieram outros 3 rios de aguas claras e cristalinas, mas com menor volume. A partir dali a trilha foi alargando cada vez mais, e ficando mais espaçada para passarmos pedalando. Fizemos uma parada para almoço em uma linda prainha e 1 km antes de chegar aos carabineiros paramos em 1 curral e montamos nosso acampamento. O Bruno foi ate o Carabineiro para saber sobre os tramites de entrada no Chile, e foi informado que para sair dali ainda precisaríamos de um barco... ouuu + 2 ou 3 dias de trilha mais fechada q esta, rs. Os Carabineiros também exigiram que a gente passasse um rádio ao achar o proprietário das terras permitindo nosso acampamento. Meire e Getúlio cumpriram a missão com louvor, acharam os proprietários e o radio foi passado. Tudo ok. A noite mais 2 ciclistas apareceram no caminho, aparentemente muuuuito cansados e sem comida pois não entendi se não estavam preparados para o trecho mais longo ou se deixaram cair no rio a bolsa com comida...

Saldo do dia: 14 kms - 515 de subida acumulada - Gastos: Zero

 

Dia 14: Acamps Fazenda x Carabineiros Chile x Barco x Curral 2 x Primeiro Curral

Dos Carabineiros é possível atravessar o lago de barco para a outra margem, ou seguir por uma trilha por mais 1 ou 2 dias, aprox. 15 kms de single track também, mas que esta bem fechada para passar com bicicleta conforme informação que tivemos. O grupo optou pelo barco pois o valor era pequeno, já estávamos no final dos mantimentos e na trilha iríamos mais empurrar do que pedalar. Todos de acordo. Seguimos de barco. Coube 4 bikes + 4 pessoas em cada viagem, que custou 10.000 pesos cada viagem, o equivalente a 14 reais por pessoa, e nos dividimos em 2 grupos. Do outro lado do lago pegamos uma trilha/sendero por mais 6 kms, mas esta sim bem aberta, espaçosa, com cascalho solto mas pra gente que gosta de terreno um pouquinho mais técnico, é totalmente possível pedalar. Logo chegamos na estrada de terra/rípio e a pedalada finalmente começou a render, e rápido. Mas como nem tudo é perfeito... logo veio a chuva, e veio pra molhar tudo, e acompanhada de muito frio e vento. O grupo foi se afastando uns dos outros e não dava para parar para esperar pois o corpo logo desaquecia e começava a sentir muito frio. Então passamos a ponte com rio de agua azul e procuramos um local abrigado da chuva no Primeiro Curral. Era uma vendinha (Mini Market) e ali reagrupamos. Já era tarde, acho que 20hs, e soubemos que ainda faltava 25kms de subida e chuva ate a próxima cidade onde pretendíamos pernoitar. A dona da vendinha disse que a Dona Koka (Maria Alice) ali ao lado alugava cabanas para pescadores, e ficava ao lado da base militar. Ali mesmo estabelecemos os planos:

a) Checar o preço da cabana e se cabia em nosso bolso para dormir todos lá

b) Acampar na beira do rio azul que tinha uma prainha atraente, mas chovia bastante ...

c) Pedalar os 25 kms restantes de subida (pelo que ela tinha informado) ate a próxima cidade sem parar para não esfriar.

Felizmente o plano A deu certo. Dona Koka nos recebeu como uma mãe, e calorosamente acendeu o fogão a lenha, passou um café, serviu geleia e nos abrigou da chuva. A cabana era linda, limpa, aconchegante e sai por 6.250 pesos por pessoa, aprox. 30 reais/pessoa. Total de 50.000 pesos o aluguel. Compramos unszzzz vinhozzzz na vendinha e o Bruno/Fabio tiveram a ideia de comprar uma paleta inteira de cordeiro fresco com a dona Koka por 6.000 pesos, aproximadamente 5 reais por pessoa. O Bruno preparou o cordeiro no fogão a lenha e fizemos arroz, alface, couve que colhemos na horta na frente da cabana. Comemos. Comemos. Comemos. Comemos. Merecidamente !!! rs

Saldo do dia: 21 kms - 475 de subida acumulada - Gastos: Cabana e Cordeiro.

 

Dia 15: Cabana x Lhanada Grande x Dona Ita (Los Guindos – Santo Domingo)

Bruno teve a feliz ideia de almoçarmos antes de partir, assim aproveitaríamos melhor a hospedagem da cabana. Compramos outra paleta de cordeiro pelo mesmo preço, mas desta vez com a costeletas. Tomamos banho quente (eu de chaleira, kkk, pois não era tão quente assim, rs – Anderson, pode me zuar !!! kkkk Faaa, traz uma chaleira de agua quente pra mim !!! hahahaha) e partimos alimentados. Dona Koka deu a dica de acamparmos na Dona Ita. Em Lhanada Grande fizemos as compras de comida e esperamos a chuva passar admirando arco íris na montanha. De volta ao pedal por mais alguns km de boa chegamos em Los Guindos, uma chácara onde o proprietário nos deixou acampar. Jantar, um vinho e uma brejinha de trigo pra quebrar o gelo, rs. Pelo que os moradores do Curral disseram seriam 20 kms somente de subida, mas achei a estradinha bem suave e a subida bem tranquila, quase sem inclinação. Fomos preparados para o pior, mas nem era tudo isso, rsrs, foi rápidinho, rs.

Saldo do dia: 33 kms - 788 de subida acumulada - Gastos: Cordeiro e Mercado.

 

Dia 16: Dona Ita x Balsa lago Tagua Tagua x Cochamó

Saímos no horário para pegar a balsa e pedalamos 22 kms ate lá... mas o horário que nos indicaram estava errado, rs, e no final precisamos correr um pouco para não perder a balsa. As saídas são as 07, as 12 e as 16:30. Custou 1.050 pesos por pessoa, aprox. 5 reais. Chegamos com mais de meia hora de antecedência... mas soubemos que o Anderson teve problemas mecânicos 5 kms antes... ficamos bem preocupados com isso, mas as meninas Viviane e Bruna conseguiram que um morador fosse lá resgata-lo e ele chegou com a balsa já partindo, mas deu tempo. Ehhh, Anderson de volta !!! Festa festa festa até a balsa sacudir, rsrs. Atravessamos o lago Tagua Tagua e do outro lado uma pedalada tranquila e suave que vai margeando o lago sem cansar em nada, somente curtição. Ritmo passeio. A pedalada lembra a volta da represa de Nazaré Paulista, mas com um visual da volta da Ilha Grande no RJ e agua azul na lagoa o tempo todo. Para botar a prova a paciência do Anderson o seu furou umas 5 vezes seguidas. Rsrs. Em Cochamó ficamos no camping Cochamó por 3.ooo pesos (apro 15 reais). A vila é muito vibe, irada, e é base de partida para os vales e para as escaladas da região. Foi bom terminar a cicloviagem aqui ao invés de seguir para cidade grande como Puerto Mont (Mas depois soubemos pela Viviane que o trajeto para Chaiten era lindo, e que talvez desse tempo de irmos)... Mas enfim, acampamos com visual do vulcão e praia, e fizemos uma comemoraçãozinha com jantar coletivo.

Saldo do dia: 70 kms - 744 de subida acumulada - Gastos: Camping e Mercado.

 

Dia 17: Final

Acordei triste. Hoje não tem pedalada. Final de cicloviagem e dia de repouso. Para quem tem mais dias livres vale a pena ir para a base dos picos e das escaladas, subir para o La Junta que são 8 kms de estradinha + 13 kms de trilha ate lá, e a partir dali tem diversos trekkings para os vales. Mas precisa reservar para acampar la, pois os espaços sao limitados, e estava cheio. Segue email para reserva antecipada: [email protected] e [email protected] . Não tivemos esta oportunidade. Alguns por falta de tempo hábil, outros por falta de tênis de trekking. Eu pq estou recuperando os joelhos de uma lesão do ano passado e não queria forçar os joelhos nas descidas...

Nos despedimos da Viviane com o coração apertado e uma vontade de seguir adiante junto com ela... parceira firme e forte, guerreira, de bom coração... mas infelizmente precisamos retornar... e a partir dali ela seguiu sozinha rumo a Carretera Austral... Nos despedimos também da Bruna e do Anderson que ficariam ali em Cochamó por mais um dia. Valeu pessoal !!! E seguimos nosso rumo...

A logística de retorno com a bicicleta foi um parto, rs. Daqui pegamos um bus de linha por 2 horas para Puerto Montt (3.000 pesos – aprox. 15 reais) e depois 14 horas de bus para Santiago com a Turbus (passagens de 14 a 23 mil pesos + de 5 a 10 mil para embarcar a bike naquele esquema maldito do motorista que fica de caixinha) + uma pausa em Santiago com Bruno, Meire e Getulio + vôo para Cordoba + 10 horas de espera de conexão + horas de voo pra SP + bike extraviada pela Tam o que demorou demais, e atrasos, atrasos ... Aff

 

Dica de Cambio:

Em SP cada 1 real valia 3,32 Pesos Argentinos. Nas cidades (San Martin, Angostura, etc) valia 4 pesos argentinos, e no aeroporto 5,60. Vale a pena pesquisar o melhor cambio pois a diferença é grande. Para o Peso Chileno idem... em SP cada 1 real valia 174 pesos, em alguns locais achamos por 180, 184. Mas no aeroporto era 1x 125. Entao vale a pena pesquisar isso...

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