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Centro Leste Europeu: 4 semanas, 6 países e 7 cidades

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Quero deixar meu relato de como conheci 7 cidades europeias em 6 diferentes países em 4 semanas, gastando apenas R$ 7.000,00, incluindo seguro viagem e passagens aéreas. (OBS: quando a cotação do Euro estava em mais de R$ 4,40).

 

Decidi conhecer o centro-leste europeu em parte para conhecer um pouco das minhas origens eslavas nos países da Ucrânia e Polônia, e também porque queria estar em contato com lugares repletos de história (Turquia e Alemanha, mais especificamente Berlim).

 

A princípio comprei um bilhete de ida e volta de Guarulhos a Istambul, pagando R$ 2500,00 numa promoção que achei, voando pela Swiss Airlines, com escala de um dia em Zurique na ida.

 

Sabendo que Zurique é uma cidade cara, logo procurei um host na comunidade Couchsurfing, e encontrei um suíço super gente fina que me deu hospedagem por uma noite na sua casa. A experiência não poderia ter sido melhor, pois além de me hospedar, ele me buscou e levou de volta ao aeroporto de Zurique. Durante o dia andei pela cidade com um espanhol que havia se hospedado em sua casa até a noite anterior, pois o meu host estava trabalhando e não pode sair conosco.

 

Nem preciso falar que Zurique é uma cidade como aquelas dos contos de fadas, totalmente segura e organizada. O único problema é o alto custo de vida. Para se ter ideia eu paguei em uma refeição de rua cerca de USD 20,00. Felizmente a noite meu host se propôs a cozinhar. Fomos ao supermercado e compramos legumes, pães, queijo, vinho. Ele fez um delicioso fondue suíço para nós. Experiências que só quem tem o espírito couchsurfing conhece.

 

No dia seguinte peguei minha conexão para Istambul. Cheguei na cidade em 1 de maio, feriado. Tudo estava fechado e havia forte policiamento isolando uma grande área da cidade. Istambul sofreu 2 ataques terroristas antes da minha chegada, e um mês depois do meu retorno houve um ataque no aeroporto de Ataturk. O terrorismo espantou muitos turistas da cidade.

 

Meu primeiro dia em Istambul não foi dos melhores, pois como cheguei num feriado, não pude aproveitar quase nada. Também o hostel onde fiquei estava em uma boa localização, porém em uma parte muito feia e aparentemente perigosa. De qualquer forma não tive nenhum problema nos 5 dias que fiquei hospedado ali.

 

Istambul é uma cidade que me dá arrepios só de falar sobre ela. É uma cidade com uma história milenar, antiga capital do império romano do leste, também conhecida como Constantinopla. Ali fica Haya Sofia, um templo de mais de 1500 anos, que já foi sede das igrejas Católica e Ortodoxa, já foi mesquita Islâmica e hoje é um museu. Além do mais, a cidade está entre a Europa e a Asia, encontro de dois mundos. É também um lugar onde o tradicional e o moderno se encontram, e onde o a religião e o secularismo convivem pacificamente, já que a Turquia é a maior república democrática laica do mundo muçulmano.

 

De Istambul fui direto para Berlim, pagando EUR 37.00 numa promoção pela cia aerea Onurair. Fiquei 3 dias hospedado na casa de um amigo polonês. Berlim é uma cidade que possui muitos atrativos, e me arrependi de ter programado apenas 3 dias para ficar nela após perceber tudo o que a cidade tinha para oferecer, mas eu já tinha bilhetes de ônibus compras para Varsóvia, na Polônia. Além do mais, eu pensava que iria gastar muito permanecendo na zona do euro, mas Berlim é uma cidade incrivelmente barata, mesmo pagando em euros.

 

Em Berlim peguei um ônibus noturno para Varsóvia pela companhia Polskibus, uma empresa com passagens rodoviárias a preços populares. Confesso que a viagem foi bastante desconfortável, pois os assentos são bastante apertados, e eu mal consegui cochilar no caminho. Cheguei a Varsóvia antes das 5 da manhã, porém já estava claro. O metrô ainda não estava funcionando e tive que esperar até a cidade acordar para chegar ao meu hostel.

 

Varsóvia na verdade foi uma cidade que usei de ponte para chegar à Lviv, na Ucrânia, da qual falarei mais adiante. Fiquei igualmente impressionado com Varsóvia, pela história que possui e como ela se reconstruiu após ser bombardeada na Segunda Guerra Mundial. Além do mais, a cidade possui áreas verdes muito bem cuidadas. Varsóvia abrigava a maior população judia da Europa antes da guerra. Fiz um tour guiado que contava a história sobre o Gueto de Varsóvia, e percorria os lugares onde ele ficava. Infelizmente essa parte da viagem é muito triste, mas necessária para conhecer o passado, e para reflexão sobre como o homem pode ser cruel contra sua própria espécie.

 

Após 3 dias em Varsóvia, peguei um ônibus noturno para Lviv, Ucrânia. Este foi o primeiro trajeto de ônibus realmente ruim que fiz, uma vez que para cruzar a fronteira entre Polônia e Ucrânia o ônibus levou cerca de 3 horas (sim, 3 horas apenas para cruzar a fronteira). Todos os passageiros tiveram que descer do ônibus no meio da madrugada para fazer a imigração. Como a Ucrânia não faz parte da União Europeia, os ucranianos precisam de visto, assim como os poloneses.

 

Após cerca de 9 horas que tinha saído de Varsóvia, finalmente cheguei a Lviv. Um contato do Couchsurfing havia me passado um número de taxi para ligar assim que chegasse à rodoviária para poder ir até o hostel. Como eu não falo nada de ucraniano, escrevi um texto no Google Translator pedindo ajuda. Logo que desci do ônibus avistei um jovem casal e perguntei se falavam inglês. Por sorte eles falavam e foram muito prestativos, ligando para o número que forneci e pedindo um taxi para mim.

 

Fiquei 5 dias em Lviv. Foi a cidade mais barata que visitei. Eu mesmo nunca havia ouvido falar desta cidade na Ucrânia, porém me interessei por visita-la quando descobri que ela é a cidade cultural do país. Trata-se de uma típica cidade ao estilo polonês (no passado Lviv pertenceu à Polônia), com uma praça central, o prédio da prefeitura no meio e vários comércios ao redor. Lviv possui inúmeros cafés temáticos, cada um mais interessante que o outro. Alguns exemplos são Mineradora, Sado Masoquista e Idade Média.

 

Saindo de Lviv retornei para a Polônia, dessa vez para visitar a Cracóvia, cidade do Papa João Paulo II e próxima a Auschwitz e Birkenau, locais onde houve dois dos maiores campos de concentração nazista.

 

Novamente passei perrengue no ônibus noturno. O ônibus estava extremamente lotado e me sentei na última fileira, onde o acento não reclinava nem um centímetro. Outra vez tive que passar cerca de 3 horas na imigração, e dessa vez o guarda me fez diversas perguntas, pois ele não estava entendendo o meu itinerário nem compreendendo minhas curtas estadias entre cidades. Tive que explicar que estava em tour pela Europa, e mesmo assim ele não se conformou, ligando para algum número que pudesse confirmar (provavelmente) minha passagem legal dentro e fora da União Europeia. Após vários minutos de suspense, finalmente ele carimbou o meu passaporte e me deu passagem. Nem preciso falar que todos os passageiros estavam olhando para mim com raiva, pois “eu” estaria atrasando a viagem de todos.

 

Chegando à Cracóvia me hospedei próximo à praça central. A cidade, que já foi capital da Polônia, não foi destruída na Segunda Guerra, diferentemente do que ocorreu na atual capital do país, Varsóvia.

 

Cracóvia é a principal cidade turística do país, pois além de uma vibe medieval, ela é caminho para quem quer visitar os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau. Um fato interessante sobre esta cidade é que o que se vê não é o mesmo dos tempos medievais, pois na antiguidade ao invés de limparem as ruas da sujeira que se acumulava, os governantes simplesmente mandavam aterrar. Sob a praça principal há um museu incrível que mostra as diversas camadas que a cidade possui, além de uma coleção inimaginável de detritos.

 

Ainda durante minha estadia na Cracóvia fiz um tour de um dia em Auschwitz e Birkenau, onde mais de 1 milhão de judeus foram assassinados durante a Segunda Guerra Mundial. Nem todos os judeus foram levados à força para lá. Na verdade, a maioria ia acreditando na propaganda de Hitler, de que encontrariam moradia e emprego, mas o que os esperavam na verdade era trabalho forçado e a morte. Apesar de ser uma experiência de vida, visitar locais como este não é para qualquer um, pois as histórias que ouvimos, fotos e objetos que vemos das pessoas que por ali passaram causam um impacto muito forte. Não é raro ver e ouvir pessoas chorando. Eu mesmo fiquei muito comovido com o que presenciei ali, e não sei se voltaria a visitar um local assim. De qualquer forma, não se pode fechar os olhos para o passado, e isto nos serve para reflexão quando ouvimos atualmente alguns governos atacando outras minorias.

 

Deixando a Cracóvia fui de ônibus para Budapeste, na Hungria. Este foi o melhor trajeto de ônibus que fiz durante toda a viagem, primeiro porque não houve imigração, já que ambos os países fazem parte da União Europeia, e segundo porque viajei durante o dia, o ônibus estava vazio e a paisagem é simplesmente sensacional. Passei pela Eslováquia e vi uns dois castelos pelo caminho.

 

Budapeste é uma cidade dividida pelo Rio Danúbio, onde de um lado fica Buda, e do outro, Peste. Como a cidade já foi invadida pelo Império Otomano, ficaram algumas heranças da época, como diversos banhos turcos espalhados pela cidade. Uma das comidas típicas deste país é o LANGUS, uma espécie de biscoitão frito, que as pessoas comem com muito queijo e outros recheios.

 

Após 5 dias em Budapeste, subindo e descendo ruas e montanhas, tomei um voo para Istambul, de onde partiria meu voo internacional de volta ao Brasil.

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