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Lucas Vysk

"Yeah, I'm brazilian" - 11 meses, 25 países, sozinho, de mochila e chinelo / sexo, drogas e hitchhiking

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Acordamos com alguém batendo na janela. O trem estava completamente vazio e a gente se perguntava se era Belgrado. Saímos do trem e nada dizia que era Belgrado, a internet não funcionava, a gente estava preocupado do trem ter seguido viagem com a gente dentro e a gente estivesse numa cidade aleatória. Perguntei alguém e ela confirmou, estávamos em Belgrado.

 

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A cidade era uma bagunça, difícil de achar wifi na rua, eu tive que andar até a estação de ônibus para conseguir um wifi e pegar um hostel. Eles conseguiram um Couchsurfing. Chegando no hostel, a menina me ofereceu Rakia de cara, 8h da manhã e percebo que só tinha eu lá. Só e somente. Eu estava cansado, então foi até bom. De noite, os funcionários me convidaram para jantar e ficamos horas conversando.

 

É perceptível os reflexos da Guerra da Iugoslávia, você ainda consegue ver até prédios totalmente destruídos. Belgrado também é famosa pela “nightlife”, mas eu não tive muito por dentro de bares ou boates, apesar de muita gente ter insistido para eu ir. As famosas festas no barco são festas normais, só que em um barco (parado aliás).

No primeiro dia, eu dei a minha volta na cidade e assisti ao pôr do sol de uma ladeira. Tinha uma galera lá também. A lua, por sinal, também é maneiríssima lá todos os dias.

 

Segundo dia, eu troquei de hostel. De tarde, andando, eu passei por um flash mob de estudantes dos bombeiros. Esses mesmos estudantes mais tarde eu viria a encontrar num parque, todos bebendo álcool. Lá, eu comecei a conversar com um grupo. Tudo aconteceu porque um menina estava cantando Lambada em português (?!). Aconteceu também de um cara cantar “ai se eu te pego” na Romênia num karaokê. A galera foi embora e ficou só eu a menina, a gente bebeu muito. Chegando 19h, a garota ia embora e me convidou para ir com ela.

 

Nós estávamos no ônibus e ela explicava o que ia acontecer.

 

“Lucas, eu sei, nós vamos para mim casa, você vai ficar lá, a gente vai transar. Mas eu não quero que você fique bolado, por que a gente tem que entrar de ‘fininho’, meus pais não podem te ver. E olha, eu divido o quarto com a minha irmã, ela vai estar lá o tempo todo, mas é tudo bem”

 

Eu ria!! Mas no meio do caminho a irmã dela ligou de volta e falou que não ia dar por causa de alguns problemas. Enfim, desci do ônibus e voltei para o hostel.

 

No novo hostel eu conheci 2 coreanos, um alemão e um britânico. A gente foi para um parque, o coreano tinha uma guitarra e o mlk britânico tocava MUITO. Não muito depois a gente se juntou com um pessoal local e ficamos conversando. A gente conversou por horas, eles explicaram o estilo de vida lá, que eles são muito mais “relaxados” e muita gente diz que é o Brasil sem praia da Europa.

 

Eu comecei a ver lucro com os caras e falei com o alemão para gente puxar eles para a principal e fazer um dinheiro para comprar cerveja, enquanto eles tocavam. Foi bem engraçado, eu falava “vamos para principal conhecer gente, ganhar dinheiro para comprar cerveja”. Quase deu certo, mas faríamos isso em outro dia.

 

No dia seguinte eu conheci duas alemãs e nós conversamos bastante. Chegamos a dar uma volta na cidade e à noite um britânico que também viaja sozinho se juntou com a gente. Eu me dei muito bem com uma das meninas, a Anna, e estava até para reencontrá-la na Alemanha, mas não consegui.

 

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(detalhe de quão bronzeado eu estava)

 

Eu continuava conversando com Zack e Kim e a gente marcou de se encontrar. Eles estavam num couch muito longe, fora de Belgrado. Disseram que tinha um rio perto e me disseram como chegar lá.

 

Na rodoviária não faz sentido nenhum, eu fui na bilheteria e comprei um ticket. Quando eu cheguei no ônibus, eles me diziam alguma coisa que eu não entendia. Procurei alguém que falava inglês e ninguém falava. Até então uma menina passageira apareceu e falou que meu ônibus era outro e eu tinha que esperar. O ônibus estava cheio depois e eu mostrei para o piloto onde eu queria saltar e ele, como outras pessoa do lado, me ajudaram. Eles falavam um inglês muito fraco, mas funcionou. Várias perguntas sobre eu ser brasileiro e porque estava andando por lá.

 

Quando a menina veio checar os tickets, eu mostrei para ela. Mas ela disse que o ticket que eu tinha era só para entrar na rodoviária (?????????). Não tinha fiscal, não tinha porta, tinha nada. Eu paguei e entrei pela entrada de carro na rodoviária e só. Ai eu fui no motorista para pagar, expliquei à ele, ele deixou eu seguir viagem sem pagar.

 

Chegando no meu ponto, eu desci e lá estavam Zack e Kim. Não tinha nada em volta, eu desci praticamente na estrada, não era ponto. De lá a gente foi andando até o rio. Tinha várias pessoas que morava em casa flutuantes e até restaurantes. Inclusive almoçamos lá e foi consideravelmente barato. Numa espécie de cais nós ficamos conversando e acabou que nós 3 caímos no sono. Tentamos roubar um barco também, mas não funcionou.

 

Acordamos com uma dupla de velhinhos vindo, um com 79 anos e outro com 80. O de 79 estava bem inteiro e eles estavam indo nadar. Nenhum falava inglês e eu tentei falar com o mais novo em espanhol. Ele me contou que já esteve no Rio e que tem alguns amigos aqui, e até falou o nome de alguns bairros. Ele contou também que ele e o outro eram amigos há 70 anos e haviam se conhecido exatamente ali.

 

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Na volta, eu voltei sozinho para a cidade e nem paguei. Tive andar muito até a cidade mais próxima e espera o ônibus. Como fiz antes, eu ia ficar perto do motorista fugindo do fiscal. Deu certo, voltava à Belgrado. Depois viria à encontrar eles novamente e ir até o Fortress, etc.

 

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Os brasileiros de Budapest me ligaram e falaram que estavam indo para Oktoberfest em uma semana. Então eu tinha uns 7-9 dias para sair da Sérvia até Munique, acho que era o suficiente. Resolvi sair e fui tentar hitchhiking. Peguei um ônibus sem pagar e tive que trocar 2x para fugir do fiscal. Estava muito longe e no papelão eu podia ir para Croácia ou Sarajevo. Eu queria muito ir para Bósnia, mas acabou que não deu.

 

Eu consegui umas 3 caronas e estava quase na fronteira da Croácia. Um cara me deixou na auto-estrada e me avisou de um pedágio. Eu andei até depois e fiquei esperando alguém parar. Pessoas passavam andando aleatoriamente (na auto-estrada?!) e sempre perguntavam se eu era refugiado! Ninguém parava, eu com um pouco de fome, começou a chuviscar. A polícia veio, tentou me expulsar, a gente discutiu. Eles só falavam sérvio e eu só inglês. Fiquei puto e comecei a falar português mesmo, virei as costas e fui andando para o outro lado. Eles seguraram meu braço e queriam me carregar até uma delegacia. Eu ri na cara deles, falei (em português) “amigão, sou brasileiro de cria, eu não entro nessa delegacia nem à caralho”. A gente discutiu de novo e eu tive que ir embora por um buraco na cerca, andei no meio do mato, saí numa estrada e mudei meu papelão para "Belgrado". Em 5 min estava em um carro indo de volta.

 

Fiquei em outro hostel e conversei muito com o pessoal. No dia seguinte a gente fez um monte de chá para mendigo/refugiado e fomos ajudar! Foi muito legal e até pude ajudar algumas crianças com idioma, tipo inglês, alemão... A noite eu consegui uma carona do hostel até Zagreb, na Croácia.

 

 

 

**Continua...

  • Vou acompanhar! 3

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Estou acompanhando e esperando o desenrolar da história.

Muito boa.

 

Obs. Porque você não coloca no início do relato as cidades e os dias que você ficou em cada uma delas?

Fica mais fácil de se localizar.

 

Abraços

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Me inspirou a fazer isso. Porra um ano não é nada nas nossas vidas. Temos que fazer isso ao menos uma vez na vida. 

 

Queremos a continuação. POR FAVORRR

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Bem legal que hoje mesmo eu recebi uma mensagem sobre esse relato, para terminar ele, haha.

Primeiramente obrigado pelas mensagens. Mas eu devo demorar para terminar, porque no momento eu estou entrando na segunda/terceira semana de outra trip que vai ser mais ou menos um ano também. Rumo aos 60 países!

Abs,

 

  • Gostei! 2

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Voa, maluco! Muito foda seu relato. Quando passar pela Espanha e precisar de algo, da um toque. Te enviei por privado meu número.

Perguntas:

  1. Como fazias para usar internet, se comunicar, se localizar e afins? Comprou um chip universal? 
  2. E a bateria do cel? Powerbank? 

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