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Flavius Neves Jr.

Viagem de carro para San Pedro de Atacama, passando por Salta, Tilcara e Antofagasta - março/2017

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Dia 6 – quinta-feira, 16 de março de 2017.

De Salta a Tilcara.

 

Hoje iríamos embora de Salta e faríamos uma viagem curta até Tilcara. O tempo estava fechado, um pouco nublado e chuvoso. Uma pena, pois a idéia era entrar em Purmamarca e visitar o Cerro 7 Colores.

Fomos pelo caminho da “cornisa”, um trecho de faixas simples e demasiadamente sinuoso – rodávamos entre 40 a 60 quilômetros por hora. Quanto ao caminho em si, não achei nada de mais – não encontramos nenhum atrativo. Outro caminho possível é ir pela cidade de General Guemes que, segundo o Google Maps, acaba ficando mais rápido – mesmo sendo poucos quilômetros mais distante.

Em San Salvador de Jujuy, paramos para abastecer: paguei R$ 4,29 o litro da gasolina. Seguimos viagem e, como ainda chovia e fazia frio, além de estar um pouco nublado, decidimos não entrar para o acesso a Purmamarca. Uns 20 quilômetros depois chegamos a Tilcara.

 

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Chegando em Tilcara.

 

Almoçamos no ótimo restaurante Los Puestos, situada na calle (ou avenida) Belgrano, esquina com a calle Padilla. O prato Napolitana, que consiste numa porção de carne a parmegiana, serve bem três pessoas. Como não sabíamos, pedimos duas Napolitanas, uma de carne e outra de frango, e acabou sobrando muito. A Dionísia pediu um salmão e a Carol uma lasanha vegetariana. Para beber, foi pedido água e eu mais o Alcivar pedimos a cerveza artesanal Tilcara, do qual eu não gostei, por ser muito forte. A conta fechou em 1.105,00 pesos, ou R$ 77,35 por casal. Ainda pedimos para levar “para viagem” as muitas sobras da Napolitana.

Depois, tivemos uma certa dificuldade para chegar ao hotel – principalmente o Alcivar com o seu motorhome, visto que as ruas de Tilcara são bem estreitas. Como havia chovido muito, algumas áreas estavam intransitáveis. Por fim, conseguimos chegar ao nosso hotel: o Las Marías, um hotel muito bom (e também muito caro) escolhido pela Carol. Aproveitei o luxo do hotel para relaxar em um banho de banheira.

 

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Nossa recepção no Hotel Las Marías.

 

Ficamos sabendo mais tarde que as fortes chuvas que caíram sobre Tilcara ocasionaram a destruição total e parcial de algumas casas locais. O poder público não se omitiu e convocou diversos policiais – tanto da Província de Jujuy como os Camineros federais – que estavam espalhados pelas ruas tilcarenses. O Alcivar tinha estacionado o motorhome na rua em frente ao hotel, mas as recepcionistas ficaram com medo de um novo deslizamento e pediram para ele estacionar o seu veículo em uma rua paralela a aquela, perto de um estacionamento alternativo do hotel.

À noite acabamos jantando no motorhome do Alcivar o que restou do almoço, acompanhado de vinho e uma boa e gelada Coca-Cola. Fomos dormir torcendo para que a previsão do tempo estivesse certa para o dia de amanhã: sol, sem nuvens e sem chuvas.

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Dia 7 – sexta-feira, 17 de março de 2017.

Passeios em Tilcara e Purmamarca.

 

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O dia amanheceu ensolarado. Sendo assim, por volta das 9h00, partimos de Tilcara e seguimos para Purmamarca para conhecer o Cerro 7 Colores. Chegamos à pequena cidade e, ainda na rodovia, já é possível vislumbrar o belo cenário do cerro. Procurei algum bom mirante para tirar algumas fotografias, mas não achei por ali. Então entramos na cidade e fomos em direção ao cerro.

Chegamos em determinado ponto da pequena cidade, estacionamos o carro e continuamos o nosso passeio a pé. Chegando perto do cerro, tem um pequeno morro em frente a ele. Ali é um bom mirante, mas havia placas avisando que é proibido subir o mesmo. Decidimos obedecer ao aviso e continuamos seguindo o nosso caminho.

Enfim, chegamos ao Cerro 7 Colores e batemos diversas fotos – só havia nós e mais três argentinos. Bem em frente ao cerro havia um amontoado de pedras, em forma de pirâmide: não sei o que era aquilo, mas certamente deve ter algum cunho religioso local. Esses amontoados de pedras – em tamanhos menores – se tornaria algo facilmente encontrado daqui para frente em nossa viagem.

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Cerro 7 Colores, Purmamarca.

 

Saindo dali, encontramos um nativo vendendo artesanato em uma pequena mesa. Foi aí que descobrimos que ali era a entrada do “morro mirante” que tinha as placas de “proibido subir” – estávamos agora do outro lado do morro. O nativo cobrava parcos 5,00 pesos (R$ 1,05) por pessoa para subir o morro. Lá em cima tiramos mais fotos.

 

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Retornamos ao carro e seguimos em direção ao Paseo Colorado. Chegamos perto do local e fomos informados por um policial que não era possível entrar de carro em conseqüência das fortes chuvas já citadas. Para ir a pé, levaria cerca de uma hora, ida e volta: o pessoal não quis encarar a “empreitada”.

Saindo da cidade, paramos no acostamento, onde havia alguns cidadãos locais vendendo artesanato. Uma mulher estava com um “bebê” lhama enfeitado, muito bonitinho. Aproveitamos para alimentar e tirar muitas fotos desse animalzinho tão dócil. A mulher não quis cobrar nada, mas mesmo assim eu dei a ela 60,00 pesos (R$ 12,60). Foi então que percebi que ali era, da rodovia, o melhor local para tirar fotos do Cerro 7 Colores.

 

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Voltamos para Tilcara e demos uma parada no El Molle, uma pequena loja situada na calle Belgrano que vende alfajores artesanais. Comprei alguns alfajores e um pote de doce de leite.

Em seguida, fomos para o Pucará de Tilcara, um dos sítios arqueológicos pré-hispânicos que se distribuem ao longo da Quebrada de Humahuaca. “Pucará” é uma palavra quéchua que significa “fortaleza”. Chegando perto desse sítio já é possível avistar alguns mochileiros. A entrada custou 100,00 pesos (R$ 21,00) por pessoa; argentinos pagam meia entrada. Fomos conhecer o local sozinhos, sem guia (também não foi nos dada essa opção, mas acredito que tenha); recebemos apenas um guia impresso em espanhol.

 

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Eu, ao lado das bandeira da Argentina e da bandeira Whipalla, um dos símbolos dos povos andinos.

 

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Tiramos algumas fotos dos cactus de tamanho considerável e, obviamente, das construções antigas dos índios. Subimos até ao polêmico monumento do Pucará: uma pirâmide construída em 1935 em homenagem aos primeiros arqueólogos que trabalharam no sítio. “Lamentavelmente, para sua edificação, destruíram-se numerosas habitações, oficinas e uma praça principal, esta última ocupada durante o momento incaico.” – informa o guia impresso. Por fim, ficamos lá em cima do Pucará vislumbrando o belo cenário do local, além de tirar mais fotos.

 

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Da esquerda para a direita: Carol, Dionízia e Lidiane; ao fundo, a polêmica pirâmida do Pucará de Tilcara.

 

Decidimos almoçar novamente no restaurante Los Puestos. Dessa vez pedimos uma napolitana, uma costela, uma salada, duas empanadas de queijo e, para beber, água. Destaque para a costela, que estava ótima, muito boa mesmo! O total da conta ficou em 775,00 pesos, ou R$ 54,25 por casal. Fiquei impressionado do tanto que esse restaurante é bom e barato! Recomendadíssimo!

Dali, seguimos para uma praça da cidade, central, onde fica uma feira artesanal. Em comparação com Salta e San Pedro de Atacama, achei o artesanato de Tilcara muito fraco, sem muitas opções.

 

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Rua típica de Tilcara.

 

Deixei o pessoal na feira e segui – com a ajuda de um mapa que recebemos no hotel – para a igreja central da cidade, a Iglesia Virgen del Rosario y San Francisco de Asis. Já que gosto muito de futebol, queria conhecer a tal “santa maldita”. A história é engraçada. A seleção de futebol da Argentina fez a preparação para a Copa do Mundo de 1986 em Tilcara, pois ali eles encontrariam uma região parecida com a qual encontrariam no México, o então país sede. Como não poderia ser diferente, a seleção argentina foi muito bem tratada pelo povo de Tilcara. Diz que foi uma festa só! Mas, antes de deixarem a cidade, o falastrão técnico argentino ficou sabendo de uma “santa milagreira” e, por isso, levou junto todos os seus comandados – incluindo o craque Maradona – até a tal santa para pedir a "bença" e prometeu que, se eles ganhassem a Copa, voltariam para Tilcara com o objetivo de agradecê-la. O resultado? A Argentina ganhou a Copa, mas a pacata Tilcara nunca mais viu nem a sombra da seleção argentina. E, desde então, a Argentina nunca mais ganhou uma Copa do Mundo! ::lol4::::lol4::::lol4:: Essa curiosa história é conhecida como “A Maldição de Tilcara”, e foi relembrada pelo jornalista Ariel Palacios às vésperas da final da Copa do Mundo de 2014, entre Alemanha e Argentina. http://sportv.globo.com/site/SporTV-na-Copa/noticia/2014/07/maldicao-por-promessa-nao-cumprida-assombra-argentina-lembra-escritor.html

Não acredito em santos, mas gostei desse “causo” e queria tirar uma foto com essa santa para mostrar para alguns amigos que também gostam de futebol. O problema é que provavelmente a santa da igreja em que eu fui não era a santa maldita de Tilcara ::putz::::putz::::putz:: . Ao sair da igreja, perguntei para um rapaz nativo que estava trajado com um uniforme do Real Madrid sobre essa maldição, e ele não soube me responder. Eu acho que o povo local de cidades que possuem esses tipos de causos ficam com vergonha dessas histórias. Em 2012, em Bariloche, eu perguntei em um centro de informação ao turista, que fica no centro da cidade, onde era a suposta casa de Adolf Hitler, pois eu tinha visto um documentário no canal National Geographic sobre uma teoria maluca de que o líder nazista não havia suicidado no final da Segunda Guerra Mundial, e sim havia fugido de submarino para a Patagônia argentina e teria morado, até a sua velhice e respectiva morte, em San Carlos de Bariloche (rsrsrs). A mulher fechou a cara pra mim e disse não saber de nada. Ah, e pra constar, eu também não acredito que Hitler morou em Bariloche; mas que o causo é engraçado, isso é (rsrsrsrs).

Do meu “turismo religioso”, segui para o hotel. O pessoal chegou logo em seguida. Eram umas 15h00. As outras opções de turismo que tínhamos era a Garganta del Diablo, porém, só poderia ser feito a pé, pois, mais uma vez, a chuva deteriorou o caminho em que os carros passavam. Como era uma caminhada muito longa, ninguém animou de ir. E, a outra opção, era ir até Humahuaca, a uns 40 quilômetros de Tilcara. O pessoal não mostrou muito ânimo e, como eu sabia que no Atacama a “pegada” seria mais forte, não quis forçar muito. Tem também o pequeno vilarejo de Iruya, mas esse passeio é muito mais longo e acredito que teria que separar um dia só para ele.

Então, descansamos e, a noite, acabamos apenas lanchando um prato de frios no hotel. O dia seguinte prometia ser intenso: cruzar a Cordilheira dos Andes, Salinas Grandes, fronteira Argentina-Chile pelo Paso Jama e Deserto do Atacama. A Carol ficou assustadíssima com uma informação de um suposto fechamento do Paso Jama em vista das condições climáticas. Ela me perguntou se haveria outro caminho e eu respondi que só haveria o Paso Sico, caminho que exigiria voltar para Salta e pegar muita estrada de chão (ou rípio), o que certamente atrasaria em um dia a nossa viagem. Ela pediu para a recepcionista do hotel ligar para a Polícia Caminera, que não souberam responder sobre essa possível interdição. Mais tarde, os ânimos se acalmaram quando a Carol viu no Facebook relatos de pessoas que chegaram no final da tarde daquele mesmo dia em San Pedro do Atacama, passando pelo Paso Jama. Enfim, não sei se o Paso Jama é fechado ou não em condições climática adversas.

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Aguardando o restante do relato.

Pretendo ir em Julho até San Pedro de Atacama de carro.

E se até o Atacama as condições climáticas forem favoráveis vamos (eu e meu namorado) subir até Cusco-Peru.

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Dia 8 – sábado, 18 de março de 2017.

De Tilcara a San Pedro de Atacama, passando por Salinas Grandes.

 

Acordamos cedo, por volta de umas 7h00, tomamos café e partimos rumo a San Pedro de Atacama, uma viagem curta de 436 quilômetros. Segundo o Google Maps, a viagem, sem paradas, duraria cerca de cinco horas. Mas, como pararíamos nas Salinas Grandes e no Paso Jama, esse tempo aumentaria. A intenção era chegar em San Pedro não muito tarde, pois a nossa agenda de turismo ficou cheia – tínhamos que chegar na cidade e, no mesmo dia, fazer o câmbio e quitar os passeios que havíamos agendado. Nossa programação ficou assim: 1º dia – visitar o Observatório Alma (passeio gratuito) na parte da manhã e, a tarde, conhecer o Valle de La Luna; 2° dia – conhecer Piedras Rojas, laguna Tuiajito e Lagunas Miscanti e Miñiques (todos por nossa conta) e, a noite, tour astronômico (com a agência Space); 3° dia – de manhã conhecer o Geyser del Tatio e, a tarde, Lagunas Escondidas (ambos com agências).

O tempo estava ótimo, ensolarado. Adentramos na Ruta 52, passamos por Purmamarca e, alguns quilômetros depois, começamos a subir os Andes em zigue-zague. O motor-home do Alcivar sentiu mais a subida, não conseguindo passar dos 40 km/h; o Corolla não sentiu nada. Após muitas curvas e depois de subir muito, avistamos uma pedra que marcava a altitude em que estávamos: 4.000 e poucos.

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Quando passamos a descer, a Lidiane disse que havia avistado um lago lá embaixo. Eu não vi, pois estava com um olho nas curvas e outro no retrovisor, acompanhando o motor-home. Mais adiante, avistei uma grande área branca na nossa frente. “Eu acho que ali é o salar.” – mencionei. E a Lidiane retrucou: “Ah, foi esse o ‘lago’ que eu vi!”

A rodovia passa por entre as Salinas Grandes. Logo no começo tem um ponto de parada a esquerda, com duas esculturas grandes feitas de sal e uma bandeira da Argentina e outra da Wiphalla hasteadas. Decidimos parar ali. Quando descemos e chegamos bem perto do salar, tivemos uma grata surpresa: o sal tinha derretido o suficiente para formar um lindo espelho da água, que refletia toda a paisagem! Como não poderia ser diferente, ficamos fascinados com aquela paisagem espetacular; um privilégio estar ali.

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Salinas Grandes, Argentina.

 

Depois de ficarmos um bom tempo no salar e de tirarmos muitas fotos, voltamos à estrada rumo ao desconhecido. O cenário agora passa a ficar desértico. Rodamos alguns quilômetros, cruzamos Susques e, uns 120 quilômetros depois chegamos ao Paso Jama.

Antes de passar pela aduana, paramos num posto YPF que tem por ali – conforme explicou um dos nossos amigos aqui do Mochileiros.com. Aqui foi, realmente, o litro da gasolina mais cara que eu já paguei na vida: R$ 4,89! Pedimos para encher o tanque de ambos os veículos. Enquanto esperávamos pelo serviço – o que demorou um certo tempo, visto que havia somente um frentista de pouca prática – eu fui consultar com alguns motoqueiros brasileiros, que também esperavam pelo abastecimento, sobre o seguro Soapex: eles nem sabiam o que era isso. Deu tempo ainda de consultar uns caminhoneiros, também brasileiros, sobre o tal seguro: eles também de nada sabiam. Lembro a vocês que tentei fazer ainda no Brasil esse suposto seguro obrigatório para transitar no Chile, mas o site dava erro na hora de pagar. Como ninguém tinha conhecimento do Soapex – nem mesmo o frentista solitário de pouca prática – decidimos seguir rumo a aduana. Antes, porém, tive que emprestar alguns pesos para o Alcivar, já que o sistema do posto não passava cartão de crédito/débito com chip.

Ao chegar na aduana, somos abordados por um policial argentino, que nos entrega um pequeno papel retangular e nos informa que devemos estacionar no prédio oficial, a esquerda, para então efetuar os trâmites burocráticos. Dentro do prédio encontramos uma sala com 6 guichês. Devemos passar em todos eles – a cada guichê, um carimbo é dado no papel retangular que recebemos do policial argentino na entrada da aduana. Pelo que eu lembre, um guichê é para carimbar no passaporte a saída da Argentina, o outro carimba a entrada no Chile e tem um que solicita o documento do veículo. Nesse, eu aproveitei para perguntar do Soapex e, surpreendentemente, ele não soube informar nada de concreto. Continuando com os guichês...: um deles entrega um formulário que solicita que você anote o que está levando para o Chile. Para andar mais rápido, eu pedi ajuda para o oficial, que me atendeu prontamente (esse documento fica conosco e deve ser devolvido quando sairmos do país). Lembro também que temos que informar para que local do país que estamos indo. E foi isso.

Passados todos os guichês, é hora da vistoria nas bagagens e no carro. Um oficial muito solícito e educado foi responsável pela nossa vistoria. Primeiro ele pede que abra o porta malas e, então, ele solicita que abramos cada mala para ele poder verificar, superficialmente, o que há dentro delas. É um processo um pouco cansativo (rsrs). Depois, ele dá uma pequena verificada dentro do carro. Nesse processo, algumas frutas foram confiscadas. No motorhome do Alcivar foi confiscada um pote de mel. Aliás, eu pensei que a vistoria no motorhome iria demorar um bocado, visto que ele tem inúmeros compartimentos. Mas o vistoriador não fez muita questão – só verificou o básico e os liberou. Finalizadas as vistorias, hora de continuar com a viagem. Ao sair da aduana, um policial pede aquele papel retangular, que agora está com todos os carimbos dos seis guichês.

Poucos metros após a aduana chega-se a linha da fronteira, com a clássica placa rodoviária. Eu queria bater uma foto ali, mas ela estava quebrada bem na parte onde ficava a bandeira do Chile. Seguimos viagem. Ali já estávamos no Deserto do Atacama. Para mim, era a realização de um sonho. Muito gratificante. Podíamos observar algumas pequenas lagunas que contrastavam com o deserto, formando belos cenários. Também podíamos ver vários vulcões e montes com os seus picos nevados.

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Corolla e o motor-home do Alcivar, já no Deserto do Atacama.

 

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Da esquerda para a direita, no vislumbrante Deserto do Atacama: Maria, Alcivar, eu, Lidiane e Dionísia.

 

A alguns poucos quilômetros de San Pedro, há um mirante (ou mais), na beira da rodovia, que fica em frente ao vulcão Licancabur, vulcão este bem visível da cidade. Deve ser ótimo para tirar fotos daquele mirante, mas acabei passando despercebidamente por ele – só o notei na viagem de volta.

Do Paso Jama até San Pedro, rodamos pouco mais do que 150 quilômetros. E, enfim, chegávamos na movimentada, porém pequena, cidade de San Pedro de Atacama. Eram umas duas ou três horas da tarde – agora não lembro. Logo na entrada da cidade há uma aduana. Perguntei para uma oficial dali se havia necessidade de parar para apresentar algum documento, mas ela respondeu que aquela aduana serve apenas para quem chega do Paso Sico. Fomos então encontrar o nosso hotel. Não demorou muito e já deu para perceber que os chilenos são intensamente irritados quando estão ao volante: uma leve parada já é o suficiente para você tomar um buzinaço. Considerando isso, mais com o fato de que não é fácil manobrar um motor-home em qualquer cidade que seja, resolvemos deixar o motor-home estacionado (juntamente com os seus proprietários) em uma rua larga e fomos atrás do nosso hotel.

Meu mapa impresso do Google Maps pouco ajudou na nossa procura do hotel. Também não era muito fácil pedir informações, visto que a maioria das pessoas que estão ali são turistas. Por sorte, entrei em uma rua que deu em uma praça, aonde havia um ponto de informações ao turista. O atendente gentilmente nos forneceu um mapa da cidade e desenhou o trajeto que devíamos fazer para chegar ao nosso destino.

Em poucos minutos chegávamos ao Hotel e Camping Takha Takha, estabelecimento que havia reservado pelo Booking.com. O hotel fica situado na extremidade sentido Oeste da calle Caracoles. No check-in é informado que devemos pagar as diárias adiantado. Como havíamos levado dólares, pagamos sem o imposto chileno de 19%. Pagamos, cada dupla, o total de 328,00 dólares por 4 diárias em 1 quarto de casal.

Como não havia vaga no camping para o motor-home do Alcivar, as meninas foram procurar outro local para eles ficarem. Enquanto isso, eu fui até a calle Toconao para trocar os nossos dólares por pesos chilenos. Quando nós estávamos em Salta, 1 dólar valia 666,00 pesos chilenos. Cotei as moedas em pelo menos cinco casas, e os preços realmente variam bastante – o que é engraçado, já que uma casa fica literalmente no lado da concorrente. A título de exemplo, na primeira casa em que entrei, o dólar estava 650,00 pesos e o real 185,00, na outra 655,00/165,00, na penúltima em que entrei 652,00/188,00 e, por último, entrei na casa de câmbio Gambarte: 1 dólar = 658,00 pesos chilenos (1 real = 190,00 pesos), sem dúvida a melhor cotação! Dois dias depois, quando fui trocar mais dinheiro nessa mesma casa, um brasileiro na fila me disse que poucos dias antes eles estavam pagando o dólar em uma cotação um pouco melhor.

Voltei ao Takha Takha e encontrei as meninas, que tinham achado um ótimo camping para que o Alcivar e a Maria pernoitassem com o seu motor-home: Camping Casa Campestre, situado a alguns poucos metros do Takha Takha, sentido Oeste, ao fim da calle Caracoles. O Alcivar e a Maria pagariam 22,00 dólares por dia nessa estadia, mais alguns dólares a cada abastecimento de água e energia elétrica (não lembro dos valores exatos). A área do camping, em si, é visualmente melhor do que a área do camping do Takha Takha – mais organizado. Todos estavam felizes por encontrarem um local tão aconchegante para o casal Alcivar e Maria.

Enquanto a turma conversava, eu acabei observando uma placa de um determinado motor-home, que tinha o logo da Euro. Cheguei mais perto e constatei: a placa realmente era da Europa. Não acreditei no que tinha visto! Coincidentemente os donos de tal motor-home, um casal, haviam acabado de chegar ao camping, vindo de um mercadinho, e a Carol começou a conversar com eles em inglês. Ela era turca e o senhor era alemão. Ficamos sabendo que eles viajam pelo mundo com o seu veículo. Obviamente, eles vieram da Europa via navio. Fiquei pasmado, pois não sabia que esse tipo de transporte era possível – rodar com um carro europeu em países sulamericanos. Depois, acabaríamos encontrando vários motor-homes com placas da Europa pelo Atacama. Ainda nesse camping, conhecemos um outro cara que também veio com o seu motor-home: ele era brasileiro, veio de Uberlândia-MG e, segundo o que nos contou, já era a oitava vez que ele vinha para o Atacama.

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Nós, no Camping Campestre, onde o Alcivar e Maria ficaram hospedados em seu motor-home. O casal que está conosco são europeus: ele alemão e ela turca - viajam o mundo também de motor-home.

 

Eu e a Lidiane deixamos o pessoal conversando e voltamos para a Caracolles para procurar as agências 123Andes e Turismo Mitampi, a fim de acertar os passeios do Geyser del Tatio e Lagunas Escondidas, respectivamente. O sol ainda raiava no final da tarde em San Pedro de Atacama. A agência 123Andes fica ali perto do Takha Takha, mas encontrava-se fechada. Seguimos então Caracolles adentro à procura da agência Turismo Mitampi. A calle Caracoles, principal rua de San Pedro, é bem rústica e, naquele horário, já havia bastante turistas andando por ela. O que chamou a atenção também era a presença de inofensivos cachorros de grande porte, que andam soltos pela rua. As pessoas lhe oferecem passeios e também fazem convites para entrarem em seus restaurantes. Concluí comigo mesmo que foi a melhor coisa eu ter agendado esses dois passeios com antecedência, pois não haveria tempo hábil para cotar passeio por passeio naquele curto espaço de tempo.

Já na outra ponta da calle Caracoles, encontramos a agência Turismo Mitampi. O Luis Frias nos atendeu – parece que ele é o dono da agência. Eu havia agendado o passeio das Lagunas Escondidas no mês passado, e havia pago 25% do valor total do passeio como entrada, via Pay Pal, por cartão de crédito. Ao pagar o restante do passeio em seu escritório, o Luis ofereceu se nós não queríamos trocar o passeio das Lagunas Escondidas pelo passeio da Laguna Cejar. Mantive a minha escolha e paguei a quantia de 90.000 pesos chilenos referente a 75% do passeio para 6 pessoas. Trocando em miúdos, o valor total do passeio ficou em um pouco mais do que R$ 100,00 por pessoa.

Voltando para o nosso hotel, encontramos a agência 123Andes aberta. Essa é uma agência de brasileiros feita para atender brasileiros. Quem nos atendeu foi a Bianca, uma simpática jovem que tem, como um dos seus objetivos, ir morar em Hong Kong (ela trabalharia temporariamente em San Pedro para depois ir morar em Cusco, no Peru). Ela nos deu muitas dicas enquanto eu fazia o acerto do passeio Geyser del Tatio. Eu também já havia acertado uma quantia correspondente a 20% do valor total com antecedência, dessa vez, por transferência bancária. Agora eu acertava o restante, pagando a quantia de 120.000 pesos chilenos referente ao passeio para a nossa turma: 6 pessoas. Para cada pessoa, o passeio custou um pouco mais do que R$ 125,00.

Agora farei um breve relato sobre a Laguna Cejar e Lagunas Escondidas. Eu queria muito fechar o passeio da Laguna Cejar com a 123Andes, laguna essa que tem como maior atrativo entrar nela e ficar boiando naturalmente, fenômeno causado pelo alto índice de sal encontrado nela. Entretanto, em meados de novembro de 2016, vi aqui no Mochileiros.com a informação de que essa laguna estava fechada por conta de contaminação de arsênio, informação essa confirmada, via e-mail, pela Camilla Duarte da agência 123Andes. Fiquei triste, mas não desisti, até que descobri que as Lagunas Escondidas, um passeio relativamente novo, oferecia o mesmo atrativo. Perguntei desse passeio para a Camilla, mas ela me respondeu que a 123Andes não oferecia esse passeio visto que as Lagunas Escondidas estariam também contaminadas por arsênio. Daí eu fiquei magoado mesmo! Entretanto, algumas semanas depois, uma moça fez um relato aqui no Mochileiros.com de uma viagem que fez ao Atacama e, surpreendentemente, ela não só conheceu as Lagunas Escondidas, como também entrou em uma delas. Mas não estaria ela contaminada? Perguntei para ela, e a resposta foi de que algumas lagunas estariam contaminadas, já outras não. Pesquisei no Tripadvisor as agências que faziam o passeio das Lagunas Escondidas e, depois de alguns e-mails enviados fazendo as cotações, fechei com a agência Turismo Mitampi. Agora, na agência 123Andes, a Lidiane aproveitou a simpatia da Bianca e perguntou: “As Lagunas Escondidas não estão contaminadas?” (ela estava com medo e não queria deixar eu entrar). E a resposta da Bianca foi de que , nem as Lagunas Escondidas e nem a Laguna Cejar estavam contaminadas. O problema todo foi causado, ela explicou, por uma briga política envolvendo os nativos que administram os parques e a prefeitura (ou as agências de turismo, não recordo exatamente). Os nativos fecharam a Laguna Cejar e, então, inventou-se essa história da contaminação. Mas agora já estava aberta novamente. Quanto ao arsênio, a Bianca concluiu: - “As duas lagunas possuem arsênio na água, mas você só vai morrer contaminado por ela se nadar na laguna todos os dias durante 10 anos.”

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San Pedro de Atacama.

 

A noite, saímos todos para jantar, e escolhemos o tradicional restaurante Adobe. Pedi o típico prato chorillama, que consiste em carnes picadas acompanhado de ovo frito e batatas fritas – muito gostoso. A conta ficou aproximadamente R$ 70,00 por casal. Acabamos indo embora bem na hora que um animado grupo andino começou a tocar umas animadas músicas tradicionais – estávamos bem cansados.

Quanto à conversão, adotei o seguinte método. Ainda no Brasil, comprei o dólar a R$ 3,38. Em San Pedro do Atacama, o dólar estava sendo comprado na casa de câmbio Gambarte por 658 pesos chilenos. A janta no Adobe, por exemplo, ficou em 13.433,33 pesos chilenos por casal. Então eu divido 13.433,33 por 658 = 20,41 dólares. 20,41 dólares x R$ 3,38 = R$ 68,98. Confuso? hehehe... Pra facilitar, cada 1.000 pesos chilenos (cédulas verdes) equivalem a praticamente R$ 5,00; cada 10.000 pesos chilenos (cédulas azuis) equivalem a praticamente R$ 50,00. Importante fixar bem a diferença entre essas duas cédulas para não fazer confusão – a Dionísia, por exemplo, em um dado momento estava pensando que as suas cédulas de 10.000 eram 1.000 pesos. Ainda bem que o pior não ocorreu. Também há as cédulas de 2.000 pesos (roxas), 5.000 pesos (rosa) e 20.000 (laranja).

 

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Dia 9 – domingo, 19 de março de 2017.

Dia "1 do 3" em San Pedro de Atacama - Observatório ALMA e Vale de la Luna.

 

            Após uma gostosa noite de descanso na confortável cama do hotel Takha Takha, acordamos e tomamos um também gostoso café da manhã nas dependências do hotel. Havíamos combinado de nos encontrar na frente do hotel por volta de umas 8h00, para então cruzar de uma ponta a outra a calle Caracoles para, por fim, procurar o ponto de encontro de onde partiria, pontualmente às 9h00, o ônibus do Observatório Alma. E foi isso o que fizemos. Fazia um bonito dia de sol.

            O endereço do ponto de encontro – calle Tumisa, esquina com Av. Pedro de Valdivia, em frente ao “Pueblo de los Artesanatos” – é bem detalhado no documento (tipo um “voucher”) que o Observatório Alma lhe envia por e-mail assim que você finaliza o seu cadastro no site da instituição. Eu havia reservado tranquilamente para as 6 pessoas da nossa turma, isso no final do mês de dezembro de 2016. O passeio é gratuito, e só pode ser feito aos sábados e domingos.

            Chegamos ao tal local, mas não soubemos identificá-lo de imediato. Perambulamos pelas redondezas do local, perguntando para um grupo e outro de pessoas sobre a visita ao Alma, até que achamos uma família de chilenos que também estavam procurando o mesmo ponto que o nosso. Não demorou muito e eu achei um rapaz francês trajado com uma jaqueta do Observatório Alma – ele era um dos guias. Perto do horário combinado começou a chegar vários turistas e, as 9h00, chega o ônibus que nos levaria ao Alma. O guia coordena, de maneira muito gentil e educada, a entrada dos passageiros: entram primeiro aqueles que tinham em mãos a confirmação da visita, depois entram os que estariam numa “fila de espera” e, por ultimo, se sobrar vagas, entram quem não fez nenhuma reserva. Felizmente, todos que estavam ali, algo em torno de 40 pessoas, conseguiram entrar. O ônibus era novo e muito limpo, o que me impressionou por ser uma visita gratuita (eu até estava imaginando que o nosso meio de transporte seria uma van).

            O ônibus pega a ruta 23, a mesma que leva ao Paso Sico, Piedras Rojas e Lagunas Miscanti e Miñiques. Uns 40 quilômetros depois, chega-se ao pórtico de entrada do Observatório Alma. Reforço o lembrete de que não pode-se fazer qualquer tipo de visita a esse local que não seja por esse meio oficial (de ônibus), ou seja, não pode-se pegar um carro ou moto, por exemplo, e aparecer por lá – mesmo que você tenha agendado a visita pela internet. Após passar pelo pórtico, rodamos mais alguns quilômetros e enfim chegamos ao nosso destino.

            Ao desembarcamos no pátio do observatório, somos divididos em dois grupos: um para a língua inglesa e outro para a língua espanhola. Ambos os grupos são guiados por um guia específico. Ali no pátio mesmo, o guia leva uns 30 minutos para se apresentar e explicar um pouco sobre a instituição, da rotina dos funcionários, dos países envolvidos no projeto (Chile, EUA, Japão e alguns países da Europa) e dos critérios (alta altitude e baixa umidade) para a escolha do local onde seriam instaladas as gigantescas 66 antenas. De antemão, ele já avisa – sempre de modo amigável – que o Alma, por motivos de segurança, não libera a visitação dessas antenas, que estão localizadas a alguns quilômetros dali, a mais de 5.000 metros de altitude; o máximo que podemos conhecer é uma antena ou outra que de vez em quando descem para manutenção.

Na parte externa do Alma, com vulcão ao fundo

Pátio externo do Alma, com vulcão ao fundo.

            Em seguida, entramos em um dos prédios e, em um corredor do andar de cima, o guia “Marquinho” (apelido que eu coloquei nele por ser um tanto parecido com um amigo meu) nos dá uma pequena aula de física sobre como as antenas ali instaladas conseguem visualizar ondas de luz a fim de captar imagens do espaço sideral (como não sou bom em física, não sei se usei os termos corretos, mas foi isso que eu entendi). Nesse corredor há duas maquetes de Lego, montadas por universitários, sendo uma maquete da antena padrão usada pelo Alma e a outra maquete de um veículo que foi projetado exclusivamente para transportar essas antenas.

            Descemos então para outro corredor, onde ali conhecemos separados por uma vidraça, alguma parte de todo o maquinário científico ali usado. Em um certo momento, um cientista deixou o que estava fazendo, veio até ao nosso grupo e deu um broche do Observatório Alma para a única criança entre nós – confesso que queria um também (rsrs).

            Na sequência, assistimos a um pequeno vídeo institucional e então fomos para uma sala de computadores, onde trabalhavam três cientistas. Numa lousa branca, estava escrito, em espanhol, a célebre frase do Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.”

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            Por fim, saímos do prédio e seguimos para onde fica estacionado o gigantesco veículo que transporta as antenas e, onde ficam também, as antenas que necessitam de manutenção. Nesse dia, estava ali presente um dos técnicos responsável pela manutenção das antenas que, por meio do seu “modesto” notebook, movimentava a engenhosa antena. Qual não foi a nossa alegria quando ele deixou, para quem quisesse, movimentar a antena. Ele perguntava para qual lado queria direcionar a antena e, então, ele explicava as latitudes e longitudes. Adicionávamos então as tais coordenadas no notebook e, após um simples toque no botão Enter, a gigantesca antena se movimentava para a posição escolhida. Muito legal! Da nossa turma, somente eu e a Carol tivemos a curiosidade de manusear aquele caríssimo aparelho.

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Ao fundo, uma das antenas em manutenção.

 

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Eu e Alcivar com o nosso simpático guia "Marquinho".         

 

   Fim do passeio, voltamos a San Pedro com o mesmo ônibus e, no horário previsto – 13h00 – fomos deixados no mesmo lugar que havíamos embarcado. Passando pela Caracoles, aproveitamos para comprar alguns souvenires: imãs de geladeira (1.500 pesos cada), patches bordados (1.500,00 pesos cada), um colar para a Lidiane (2.000 pesos) e um chapéu para mim (3.000,00 pesos).

            Seguindo as sugestões do nosso amigo Filipe Rocha, aqui do site Mochileiros.com (https://www.mochileiros.com/topic/52300-atacama-7-dias-out-2016-passeios-dicas-e-toda-informa%C3%A7%C3%A3o-que-voce-precisa-saber-fotos/), escolhemos sem demora o restaurante Picada del Índio, situado na calle Tocopilla, para o nosso almoço. Pedi o prato lomo a lo pobre (que é praticamente a mesma coisa que o chorrillama – não recordo se a diferença fica por conta do tipo da carne ou do modo como ela é servida), que acaba servindo duas pessoas. Juntamente com os outros pratos servidos, a conta ficou, por casal, a quantia de R$ 46,40 (9.033,33 pesos). Após o almoço, na calle Caracoles, tomamos um gostoso sorvete na Heladeria Babalu, que contém sorvetes com sabores de frutas típicas atacamenhas. A casca com uma bola custa algo em torno de R$ 10,00.

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Restaurante Picada del Índio.

 

            Descansamos um pouco nas nossas hospedagens e, mais tarde, seguimos, todos juntos no Corolla, para o Valle de La Luna. Logo que sai de San Pedro, pela Ruta 23, pega-se a entrada a esquerda, também pavimentada de asfalto. Só que o mané aqui não viu a placa indicativa e achou que era mais pra frente – embora eu tenha pesquisado exaustivamente o trajeto pelo Google Street View. Fomos parar na entrada para o Vale da Muerte; lá, as nativas nos explicaram o caminho do Valle de La Luna.

            Superando o pequeno percalço, chegamos tranquilamente no Valle de La Luna. Ali já ficou claro para nós que quem manda em todos os parques nas redondezas de San Pedro de Atacama são os índios. São sempre eles que recebem o dinheiro das entradas. Segundo o tíquete que recebemos após o pagamento, o nome oficial do parque é “Asociación Indígena Valle de La Luna”. A propósito, a entrada custou 6.000,00 pesos chilenos por casal (R$ 30,00).

            Seguimos parque adentro e a nossa primeira parada foi na Caverna do Sal. Entramos nela, andamos um pouco, mas quando a coisa começou a ficar escura e necessitou ter que se agachar demais, as meninas acharam perigoso e decidiram voltar – e assim o fizemos. Pelo que entendemos, a saída do caminho fica ali perto da entrada do mesmo.

            Continuamos o nosso passeio pelo parque e paramos um pouco para algumas fotos. Nisso, o chapéu da Carolina voou e eu fiz questão de ir atrás dele. O chapéu foi rolando duna abaixo, e o vento não o deixava parar. Finalmente consegui pegar o chapéu e, para subir de volta, foi aquele sofrimento.

            Nossa penúltima parada foi nas formações rochosas Três Marias, onde batemos algumas fotos. Aqui, como em todo o parque, várias pedras são enfileiradas no chão para delimitarem até aonde nós podemos chegar, sendo proibido ultrapassar aquele limite.

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Formação rochosa Três Marias, no Valle de la Luna.

 

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Valle de la Luna.           

 

Por fim, subimos a pé um dos dois morros que servem como mirantes para apreciar o famoso por do sol do Valle de La Luna. Subimos tranquilamente e, uma vez lá em cima, contemplamos aquele lindo cenário. Alguns turistas europeus tiveram a boa idéia de levarem lá para cima um suposto bom vinho que eles degustavam enquanto apreciaram o famoso por do sol do Valle de La Luna. Fica a dica. Após o acontecido, alguns nativos funcionários do parque já ficavam por perto a fim de mandar o pessoal embora – talvez eles não deixam o pessoal ficar por lá a noite para evitar algazarras.

            Voltamos para San Pedro, já a noite, chegamos no hotel, tomamos um banho e saímos para jantar. Só fomos eu mais a Lidiane, a Dionízia e a Carolina – o Alcivar e a Maria optaram em descansar no motorhome. A Lidiane viu num aplicativo, não sei qual, um food truck chamado Burger Garden, situado na calle Tocopilla, que serve sanduíches. Bem carinho ele, mas foi muito bom. Achamos engraçado que dentro do food truck havia um chileno branco e um chileno índio. O chileno índio era o único que trabalhava, enquanto o chileno branco – um rapaz novo, que já havia morado na Austrália – apenas dançava ao ritmo da música do estabelecimento. Quando o chileno índio, que era o cozinheiro, acabava de preparar o sanduíche, ele passava o mesmo para o chileno branco que, então, para não dizer que não fazia nada, espetava o sanduíche ao meio com um palito grande de madeira. Esse foi o cômico ritual que nós presenciamos no preparo dos quatro sanduíches que pedimos – o meu demorou mais a chegar, pois o chileno dançante esqueceu de anotar o pedido. Quanto ao lanche, ele é muito gostoso e muito bem servido. Como acompanhante, vem uma batata rústica ou uma porção de cebolas fritas, ambas de muito bom gosto. O preço para dois sanduíches (o meu e o da Lidiane) e três refrigerantes ficou em torno de R$ 83,00, ou exatos 16.150,00 pesos chilenos.

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Dia 10 – segunda-feira, 20 de março de 2017.

 Dia "2 do 3" em San Pedro de Atacama - Piedras Rojas, Lagunas Miscanti e Miñiques e tour astronômico.

 

            Quando eu fiz o acerto do passeio do Geyser del Tatio na agência 123 Andes com a Bianca, ela nos disse que, para visitar as Piedras Rojas, era bom chegar mais cedo, a fim de evitar a aglomeração de outros turistas. Seguimos o conselho dela e saímos das nossas respectivas hospedagens às 6h40. Ainda estava escuro.

            Com os meus mapas impressos do Google Maps, contendo todas as respectivas distâncias e alguns pontos de referência (tudo isso por medo de se perder no deserto e ter que aturar as consequentes reclamações), adentramos na Ruta 23 e fomos rumo a Paso Sico. Dessa vez, cada um foi no seu veículo: nós com o Corolla e o Alcivar com o seu motorhome. Após 30 quilômetros rodados, cruzamos o pequeno vilarejo de Toconao. Um pouco mais de 50 quilômetros depois, chegamos ao vilarejo Socaire. Não paramos em nenhum deles. Após mais 21 quilômetros, chegamos na entrada que dá acesso para as Lagunas Miscanti e Miñiques – passamos reto, visto que a intenção era visita-los na volta. Todo o percurso até aqui é pavimentado com asfalto. Roda-se mais alguns quilômetros e, então, o asfalto acaba. Rodamos, então, uns 30 quilômetros em estrada de rípio que, aliás, estava bem ruim, contendo muitas “costelas de vaca” – mas dá pra ir tranquilo (lembre-se que estávamos com um Corolla e um motorhome).

            Se eu não em engano, o relógio marcava umas 9h00 quando avistamos de longe as Piedras Rojas. Eu vi a cena e, acreditem, fiquei um pouco decepcionado (mas foi uma decepção momentânea) – afinal, as águas não estavam azuis claras como nas diversas fotos que eu havia visto. Seguimos reto, pois o objetivo era conhecer primeiro a menos conhecida Laguna Tuyajito, que fica a uns 10 quilômetros das Piedras Rojas.

            Chegamos enfim, à Laguna Tuyajito e, infelizmente, as águas da laguna não estavam azuis claras como nas fotos. As meninas falaram-me que o pessoal adicionavam filtros nas fotos. Recusei-me a acreditar nisso. Imaginei que a coloração das águas poderia alterar de acordo com o horário, considerando a incidência dos raios solares. Ficamos ali um pouco, batemos algumas fotos, desci até perto da laguna, avistei uma van de turistas chegando de longe e, por fim, retornamos para os nossos veículos rumo às Piedras Rojas.

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Alcivar apresentando a Laguna Tuyajito.

            No nosso retorno, quando avistamos novamente as Piedras Rojas, fiquei muito empolgado! A minha teoria da alteração das cores das águas estava certa: dessa vez, ao contrário de uma coloração sem graça, as águas das Piedra Rojas encontravam-se numa cor azul clara, que contrastava com as belas pedras vermelhas do local. O Alcivar, que dessa vez estava na frente, seguiu uma van turística, o que fez com que a gente chegasse no ponto exato para apreciarmos o local – se bem que, na verdade, acredito que qualquer lugar ali é ideal para isso. O relógio marcava umas 9h30 ou 10h00. Se as cores das águas visualmente mudaram de cor por causa do horário, conforme penso eu, o ideal é não chegar muito cedo nas Piedras Rojas. Foi muito gratificante estar ali. Tiramos muitas fotos e, como recordação adicional, levei duas pedras vermelhas.

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Piedras Rojas.           

 

Depois de um tempo naquele lugar espetacular, tomamos o caminho de volta, com destino às Lagunas Miscanti e Miñiques. Quando chegamos ao acesso que dá para o parque, o Alcivar e a Maria decidiram voltar sozinhos para San Pedro. Nós continuamos o nosso passeio. O acesso às Lagunas Miscanti e Miñiques também é de estrada de chão. Na nossa frente tinha um motorhome com placa da Europa que estava “descendo o cacete” naquela estrada ruim, fazendo um forte contraste com todo o cuidado que o Alcivar tem com o seu veículo. Quando chegamos na portaria do parque, descobrimos que dentro daquele motorhome europeu estava uma família de franceses com duas crianças; dentro do veículo encontrava-se uma bagunça enorme – viagem animada o daquela família (rsrs).

A entrada do parque custou 3.000,00 pesos por pessoa (R$ 15,00). Mais uma vez, percebe-se que a administração do mesmo é feita pelos nativos. O cenário daquelas lagunas é espetacular! Vale muito a pena o passeio. Todos os caminhos do parque são “protegidos” por pedras enfileiradas no chão, não sendo permitido passar por aquelas pedras.

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Eu, junto com um dos nativos atacamenhos que realizam a segurança do parque das Lagunas Miscanti e Miñiques.

 

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Lagunas Miscanti e Miñiques.

 

Satisfeitíssimos pelos passeios realizados, tomamos o nosso rumo de volta para San Pedro de Atacama. Decidimos parar em Toconao para comprar damascos, mas não havia, pois não era a época.

Chegamos a San Pedro por volta de umas 15h00. Almoçamos novamente no restaurante Picada del Índio. Destaco a boa comida e o bom preço desse restaurante: eu mais a Lidiane pagamos em torno de R$ 40,00 pelo nosso almoço. Depois eu fui trocar mais alguns dólares por pesos.

Fomos então até ao camping aonde o Alcivar estava hospedado e, para o nosso espanto, não achamos ele lá. Perguntamos sobre ele para a recepcionista, que nos respondeu que não havia visto eles durante o dia. “Será que ele se perdeu?” – indagaram as meninas. “Mas não tinha como ele se perder” – respondi. E não tinha mesmo, visto que o caminho é muito fácil – é só “seguir reto toda a vida.” Depois de um tempo preocupados, enfim encontramos o Alcivar e a Maria em seu motorhome. Ele foi procurar um posto de combustível para abastecer e, como já era sabido por mim, foi muito difícil de achar o estabelecimento, que parece ser o único da cidade.

Eu e a Carol havíamos ido até a agência Space, responsável pelo tour astronômico e recomendadíssima por todos, e fechamos o tal passeio, que sempre tem que ser feito no dia que será realizado o tour. Pagamos a bagatela de 20.000,00 pesos chilenos por pessoa, algo em torno de R$ 100,00.

Quando chegou a noite, fomos até ao ponto de espera da van que nos levaria até ao tour astronômico. Pegamos a van numa esquina da Caracoles, ali perto do nosso hotel, às 21h50. Eu havia comprado umas empadas por ali mesmo, que serviriam como nossa janta, visto que o passeio acabaria tarde. O Alcivar e a Maria optaram em não ir. O veículo da agência, que já estava com um bom número de turistas, pegou outros pela cidade e, depois, saiu da cidade, rodou alguns poucos quilômetros e entrou numa área perto da rodovia, que estava bem escura, não havendo nenhuma luz.

Fomos recepcionados por um alegre cachorrinho que tinha usava uma coleira de led. Daí, fomos guiados até um local aonde estava a nossa guia, que deu então início aos trabalhos do tour, ao explicar sobre as estrelas e as constelações usando uma daquelas lanternas de luz verde que alguns torcedores usam em estádios para atrapalhar a visão dos jogadores de futebol. Ficamos ali, em pé, ouvindo em espanhol a nossa guia. Não demorou muito e nós quatro acabamos ficando cansados, mesmo a visão do céu noturno sendo espetacular. Esperamos para usar os binóculos, mas, quando o usamos, acabamos nos decepcionando. Como o passeio iria demorar mais e, além do mais, teríamos que acordar muito cedo no outro dia para fazer o passeio dos Geyseres del Tatio, decidimos unanimemente em abandonar o tour astronômico. Por sorte, achamos quatro vagas em uma van que levaria um grupo de franceses de volta para San Pedro.

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Dia 11 – terça-feira, 21 de março de 2017.

Dia "3 do 3" em San Pedro do Atacama - Geyseres del Tatio e Lagunas Escondidas.

 

            Acordamos por volta das 4h00 da manhã. Estava bem escuro e frio. Não estava aquele frio insuportável, mas estava frio. No horário combinado, 4h30, a van da agência 123 Andes passa em frente ao nosso hotel. O motorista, um chileno casado com uma brasileira, e muito cheio da graça, nos recepcionou muito bem. Ele já havia pegado previamente o Alcivar e a Maria. Como eu ainda estava com muito sono, voltei a dormir.

            Quando chegamos aos Geyser del Tatio, o dia ainda estava escuro, mas passou a clarear bem logo em seguida. A van parou na entrada no parque e, sem seguida, o motorista foi recebendo 10.000,00 pesos chilenos (cerca de R$ 50,00) de cada passageiro, que era o pagamento para a entrada no parque.

Antes de sairmos da van, o nosso motorista frisou muito bem de que não deveríamos ultrapassar as famosas pedras sinalizadoras do Atacama ali naquele ambiente, para não corrermos o risco de sermos fortemente queimados pelas águas dos geyseres. Daí ele contou uma daquelas histórias de um turista teimoso, que não obedeceu a orientação e que quase morreu pela sua desobediência.

            Saindo da van, deu para sentir que o frio estava bem mais rigoroso. Sempre caminhando pelos perímetros estabelecidos pelas pedras ao chão, fomos conhecendo os geyseres de perto, o que foi muito gratificante.

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Geyser del Tatio.

 

            Castigados pelo frio, voltamos para dentro da van, onde então conversamos um pouco com os nossos pares: um jovem casal do Rio Grande do Sul e uma jovem da Alemanha, muito bonita por sinal. O rapaz, diabético, iria subir no outro dia um dos vulcões das redondezas. A Lidiane, que tem um primo diabético, perguntou preocupadamente ao gaúcho se ele havia avisado ao pessoal da agência que ele contratou para subir o vulcão de que ele tinha diabete. Ele não avisou, preferindo correr o risco. O Alcivar riu da situação, dizendo que os nativos do Atacama gostam demais de um dinheirinho para se preocupar com a diabete do rapaz. Quanto a alemã bonita, conversa vai e conversa vem, descobrimos que ela não viaja para o Brasil por medo da falta de segurança. Mal sabia ela que praticamente um mês após a nossa viagem, já em terras tupiniquins, a Dionísia seria assaltada a mão armada e teria o seu Toyota Corolla roubado.

            Depois, ainda nos geyseres, tomamos um gostoso café da manhã. O nosso motorista estava cheio da graça pra cima da moça da Alemanha. Enquanto isso, alguns turistas corajosos entravam na pequena laguna de águas termais que tem por ali.

Em seguida, seguimos o nosso rumo até o Pueblo de Machuca. Durante o trajeto, quando avistava algum animal nativo por perto, o motorista parava a van e nos dava uma breve explicação do animal e dos seus respectivos costumes.

            Pueblo Machuca é um pequeno vilarejo visivelmente parado no tempo. Ficamos ali por um tempo. Conhecemos uma velha igrejinha do vilarejo, que foi construída em 1930. Lá dentro estava muito feio, nem cheguei a entrar. A propósito, quem abriu a igreja para nós foi uma velha índia trajada com vestes típicas – ela cobrava alguns mil pesos para quem quisesse tirar uma foto com ela. Enquanto isso, o Alcivar e a Carol degustavam, respectivamente, um espetinho de carne de lhama e uma empanada de queijo.

            De volta a San Pedro, almoçamos novamente no famigerado restaurante Picada del Indio (14.300,00 pesos por casal, ou R$ 73,45). Em seguida, cada um foi para o seu canto e eu aproveitei para voltar em uma casa de cambio da calle Toconao a fim de comprar algumas garrafas de 2 litros do – no mínimo curioso – refrigerante Inka Cola. Eu já havia ouvido falar desse singular refrigerante peruano de cor amarela; não pensei duas vezes em levar essa raridade para o Brasil. Paguei 1.450,00 pesos (R$ 7,44) por cada garrafa. E a bebida é gostosinha, hein! É docinho; parece que você está bebendo uma goma de mascar. Lembrei na hora do também peculiar guaraná Jesus, do Maranhão – mas esse é rosa. A propósito, ambos os refrigerantes, de tanto sucesso local que promoveram, foram comprados pela Coca-Cola.

            Enfim... Agora iríamos para o nosso último passeio no Atacama: as Lagunas Escondidas. No horário combinado pela agência Mitampi, 14h55, estávamos todos lá – eu, Lidiane, Carol, Dionízia, Alcivar e Maria. Para a minha surpresa, a agência estava fechada. Mas logo encontramos uns maloqueiros que pareciam trabalhar para a agência, que informaram que a van chegaria as 15h30. Nesse meio tempo o Luis, suposto dono da agência, chegou e eu fiquei mais tranquilo. Enquanto isso, as meninas tomavam um sorvete ali ao lado, na Heladeria Babalu. Encontramos também um jovem casal de brasileiros que fariam o mesmo passeio.

            Um pouco depois das 15h30, a nossa van chega. Era um veículo maior que o usual, e ele estava cheio. O coordenador da “barca” era um suposto jamaicano (pra mim ele era um haitiano que inventou que era da Jamaica) alto, bombado mesmo, que parecia ter saído do filme O Predador, estrelado por Arnold Scwarzenegger. Estava na cara que ele não era chileno. Aliás, dentro daquela van tinha gente de tudo quanto é lugar do mundo.

Os únicos lugares da van que sobraram para nós foram os de trás. E, então, seguimos viagem, via Ruta 23, sentido Oeste. Percorremos por um bom tempo naquela rodovia, até que, enfim, a van entrou numa estrada não pavimentada.

Pensei, então, que já estávamos perto das Lagunas Escondidas, mas me enganei redondamente. A viagem por aquela estrada não pavimentada realmente demorou. E, aí, vieram as complicações: 1° - havia uma outra van na frente da nossa, que consequentemente formava uma forte poeira sobre nós; 2° - como a nossa van não tinha ar-condicionado, o coordenador da van (o jamaicano-haitiano bombado do filme O Predador) solicitou que ninguém abrisse as janelas para que a poeira não entrasse na van; 3° - o clima estava quente, tão quente que o motorista, um nativo do Atacama, pegava garrafas de água e a derramava sobre a sua cabeça (eu pensei que tal atitude era decorrente pelo calor que o motorista sentia, mas a Maria viu a cena e nos confirmou que na verdade o motorista estava era com sono. “Que cilada, Bino!”). Esses três fatores fizeram com que o Alcivar perdesse a paciência e pedisse para que um dos passageiros abrisse a janela. Um senhor – que depois descobriríamos que era de Brusque-SC – abriu a sua janela, mas acabou se arrependendo, visto que os raios solares passaram a refletir mais fortemente em seu seu rosto (os vidros da van eram protegidos por insulfim). O motorista da van também abriu a sua janela, mas o resultado também foi desalentador: a poeira entrava diretamente na van, castigando os passageiros. O Alcivar ficou brabo e queria tirar satisfação com o jamaicano-haitiano, mas ninguém animou em topar aquela empreitada com ele – nem um argentino, também “grandão”, que estava sentado na nossa frente. Nós só ríamos. Mesmo sozinho, o Alcivar chamou o jamaicano-haitiano que, após ouvir o Alcivar, acabou se mostrando pacífico, mas mesmo assim, nada fez para melhorar a situação dos passageiros (até porque não tinha o que fazer mesmo).

Após mais ou menos uma hora, finalmente chegamos nas Lagunas Escondidas. A entrada no ambiente, por pessoa, custou 5.000,00 pesos chilenos (cerca de R$ 25,00).

Perto da primeira laguna, e só naquela, há uma barraca com mesas e bancos, onde o pessoal deixa as suas mochilas para poderem entrar nas águas do atrativo. Enquanto alguns iam em direção às outras lagunas, eu já fui tirando a roupa de cima (já estava vestido com a roupa de banho) e entrando na laguna salgada. Eu estava tão empolgado quanto àquela pessoa que viveu anos sem nunca ter visto e entrado no mar e agora tem a oportunidade de fazê-lo. A laguna tem uma parte que é rasa e, depois, a parte que é funda. A água estava fria, mas não gelada a ponto de desencorajar o vivente. Eu já sabia que tinha que ter cuidado para não molhar os olhos, para que o sal da água não o ardesse fortemente. Mas, mesmo assim, eu pulei tão empolgado na laguna que um pouco de água acabou respingando no meu olho – e posso afirmar que ardeu mesmo. Fiquei rindo e batendo as pernas e braços aleatoriamente, até acostumar e perceber que a única preocupação ali é ficar flutuando e tomar cuidado para a água não entrar no olho. A Lidiane demorou um bocado para entrar pelo fato de água estar fria; se eu não tivesse insistido muito, ela não teria entrado.

Depois nós saímos um pouco para visitar as outras lagunas, mas acabamos encontrando um pessoal que estava voltando e dizendo que não valia a pena ir até lá, visto que as lagunas do início do trajeto estavam mais bonitas. Voltei, então, imediatamente para a primeira laguna em que estava, para boiar novamente e satisfatoriamente. Estava feliz igual pinto no lixo!

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Eu e Lidiane boiando na Laguna Escondida.

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Fazendo graça.

 

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Nós, após sair da laguna; sal grudado no corpo.

 

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O Alcivar, assim como alguns “tiozões”, não havia trago roupa de banho. Por isso, ficaram lá na barraca, sentados, jogando conversa fora. Descobrimos então que aqueles senhores eram de Brusque-SC, e que sempre viajavam juntos em uma van personalizada por um dos integrantes da trupe. 

Infelizmente, a hora de ir embora havia chegado. Tomamos um banho para tirar o sal que fica grudado no nosso corpo. Achei as duchas muito boas. Enquanto isso, o nosso motorista dormia (se lembram da afirmação da Maria ao ver o motorista jogando água sobre a cabeça?) em cima das mochilas daquele casal de brasileiros que pegou a van junto conosco. Todos a bordo, seguimos o trajeto de retorno a San Pedro de Atacama – dessa vez, mais tranquila, já que não havia mais o calor e nem a poeira. O Alcivar teve boas conversas com os “tiozões” de Brusque que, inclusive, insistiram para que nós fôssemos para Iquique, aproveitar a zona franca que tem por lá, ao invés de irmos para Antofagasta.

Após cerca de mais uma hora de viagem, paramos em um local na beira da Ruta 23, antes de San Pedro. Ali, o jamaicano-haitiano armou uma mesinha do lanche: bolachinhas, pisco e um suco artificial de morango, docíssimo. Aliás, deu para perceber que os chilenos gostam de sucos artificiais bem doces. A ideia de parar ali era para admirarmos o por do sol atacamenho – várias outras vans faziam a mesma parada.

Como recordação, o Alcivar decidiu tirar uma foto com os “tiozões” de Brusque. Daí ele teve a ideia de pedir para o nosso motorista fazer a gentileza. O nativo se posicionou, pediu para o grupo ir para um lado, para o outro, deu aquela enrolada e, finalmente, deu o clique fotográfico. Quando o Alcivar viu o resultado, ele riu demais e veio me mostrar a foto.

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A foto que o nosso motorista demorou a bater: Alcivar, de vermelho, juntamente com os "tiozões" de Brusque-SC.

 

E assim havia terminado o nosso último dia de passeios em San Pedro de Atacama. Todos nós nos demos por satisfeitíssimos pelo roteiro escolhido. Eu, da minha parte, pretendo voltar, com a intenção de aproveitar mais a pequena cidade em si – vivenciar mais o dia a dia, assim como a vida noturna (sentar num restaurante e beber uma cerveja chilena, por exemplo – algo que não fiz). A ideia de levar uma barraca e acampar num camping, como o local onde o Alcivar ficou (Camping Casa Campestre), por exemplo, me agrada muito.

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Eu e a Lidiane em San Pedro de Atacama: vai deixar saudades!

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Dia 12 – quarta-feira, 22 de março de 2017.

De San Pedro do Atacama a Antofagasta.

 

Tomamos um gostoso café da manhã no Takha Takha, na companhia do cachorro do hotel. A funcionária do estabelecimento foi super atenciosa com a gente. Fizemos um pouco de contas para ver o quanto de pesos chilenos ainda usaríamos, visto que passaríamos mais três dias no Chile. A Dionízia me passou alguns dólares e eu saí rumo a calle Toconao para efetuar o câmbio. Ao sair da recepção do hotel, me deparei com duas jovens, visivelmente turistas, andando a cavalo. San Pedro, realmente, tem passeios para todos os gostos.

Na calle Toconao, não achei a casa de câmbio Gambarte aberta. Decidi então dar uma pequena volta na Caracoles. Nesse meio tempo, acabei encontrando o Alcivar. E, não muito tempo depois, encontramos a Carolina correndo na calle Caracoles juntamente com outra turista. Perguntei para ela o que tinha acontecido, e ela explicou que aquela turista que estava com ela juntamente com sua amiga, ambas dos Estados Unidos, estavam andando a cavalo, até que uma delas veio a cair e ficou visivelmente ferida e em estado de choque. Nenhuma das duas falava espanhol, e parece que o guia também não falava inglês. Como o acidente foi em frente ao Takha Takha, a Carol presenciou o pós-acidente e, então, acabou por ajudar a outra americana. Nesse instante em que nos encontramos a ambulância já havia chego e levado a americana acidentada para o hospital local. Coitadas, ficamos com muita pena delas.

A casa de câmbio Gambarte não abria e, como tínhamos que ir embora, decidi trocar os dólares da Dionízia em outra casa de câmbio mesmo. Tínhamos combustível suficiente para chegar até Antofagasta, assim como o motor-home do Alcivar. Quando a Carol voltou do hospital, nos despedimos da bela San Pedro de Atacama, rumo a Antofagasta, seguindo Ruta 23 adentro. No percurso fizemos uma breve reflexão de como um turismo em San Pedro pode ser perigoso: altas altitudes, subir um vulcão sem um mínimo de preparo (isso pode incluir o guia), águas ardentes dos geyseres que podem ocasionar queimaduras de terceiro grau, placas de sal nas lagunas que podem cortar profundamente os nossos pés, quedas de cavalos...

No caminho, passamos no meio de uma área extensa onde haviam instaladas aquelas hélices gigantescas geradoras de energia eólica. Chegando em Calama, pegamos a Ruta 25 sentido Antofagasta; não houve necessidade de entrar na cidade. Passamos por um posto policial rodoviário que, assim como é costume no Brasil, não havia policiais. Cruzamos a cidade de Sierra Gorda. Encontramos ainda nesse percurso, na beira da rodovia, algumas ruínas do que parecia ser uma vila; mesmo não sabendo do que se tratava, paramos brevemente ali e a Carol tirou algumas fotos. E, antes de chegar a Antofagasta, passa-se por um pedágio, onde paga-se algo em torno de 2.000,00 pesos chilenos. Durante todo esse trajeto, reparei em uns modelos diferentes – e muito bonitos – de caminhões que cruzavam por nós, modelos esses que não existem no Brasil.

Chegamos enfim no nosso destino do dia. Entramos na cidade de Antofagasta pela Avenida Salvador Allende, onde já podíamos ver o mar do Oceano Pacífico; é algo surreal essa paisagem deserto-mar. Já na avenida, encontramos um posto Copec, e o Alcivar aproveitou para estacionar o seu motor-home por ali e verificar se poderia deixar o veículo para pernoite. Enquanto isso, nós fomos procurar o nosso hotel. Antofagasta, geograficamente falando é – tal como o Chile – estreita e comprida. O município tem o mar de um lado, a cidade no meio e montes desérticos do outro lado.

Sem muitas dificuldades, chegamos na nossa estadia: o Victoria Hotel. Tivemos duas ingratas surpresas: primeiro, que o Corolla não passava pela rampa da garagem do hotel e, segundo, que nós tínhamos que pagar o IVA, imposto esse que turistas estrangeiros não pagam se efetuarem a transação em dólares. E, realmente, quando fiz a reserva pelo Booking, não constava nada que eles isentariam esse valor. Saliento que não foi fácil achar hotéis baratos em Antofagasta, pelo menos procurando pelo Booking, como nós fizemos. Pagamos, por um quarto de casal, a quantia de aproximadamente R$ 466,00, já com o IVA incluso (que foi de aproximadamente R$ 74,00) Fora esses detalhes, a nossa estadia nesse estabelecimento, que aparenta ser novo, foi muito boa, incluindo o atendimento dos funcionários, que sempre foram muito solícitos.

Retornamos para o centro da cidade pela avenida beira-mar da cidade. Percebemos também que a locomoção em Antofagasta é muito simples. Aproveitei para parar em um outro posto para encher o tanque do carro. Pagamos pelo litro da gasolina a quantia de 736 pesos chilenos, o que equivale, segundo as transações cambiais que realizei (compramos o dólar a R$ 3,38 e, a cada 1 dólar adquirimos 658 pesos chilenos), a quantia de R$ 3,78 o litro – praticamente o mesmo valor praticado no Brasil. Enquanto isso, a Dionísia e a Carol haviam visto um condomínio horizontal ali perto, local propício para o Alcivar pernoitar com o seu motor-home, e então elas foram para lá. Passaram-se mais de 15 minutos e elas não voltaram. Eu e a Lidiane ficamos seriamente aflitos, visto que elas estavam sem celular. A cidade parecia ser muito calma, mas queira ou não, não a conhecíamos. Finalmente, depois de quase uns 10 minutos de preocupação, elas voltaram. Combinamos, então, de não nos separarmos novamente em tais circunstâncias: cidade do qual não conhecemos, fora do nosso país, sem celular e duas mulheres sozinhas. O motivo da demora foi que elas procuraram outros locais por ali perto para o Alcivar deixar o motor-home, mas sem sucesso.

O Alcivar não pôde ficar no posto Copec. Fomos então até ao Shopping da cidade, o Mall Plaza, que fica na avenida beira-mar. O Alcivar deixou o motor-home estacionado ali por perto (não cabia no estacionamento do shopping). Almoçamos, por volta das 16h00, na praça de alimentação do shopping: frangos fritos da rede KFC e pizza da rede Pizza Hut (a pizza estava bem gordurosa). Converti rapidamente o preço do Big Mac chileno, e acabei constatando que está o mesmo valor praticado no Brasil. Não raro encontrávamos colombianos trabalhando no comércio chileno (restaurantes, postos de gasolina, hotel).

Já no final da tarde, estacionamos os nossos veículos na avenida beira-mar. Aqui, sentimos o cheiro bem característico do mar. Sentamos na mureta do calçadão e, então, voltados para o mar, contemplamos o  belo pôr do sol da região.

O Alcivar conversou com um flanelinha e conseguiu deixar o seu veículo no estacionamento do Mc´Donalds, que também fica ali na avenida beira-mar, ao lado de um balneário artificial. Cansados, decidimos não sair a noite. Sendo assim, cada um de nós ficou na sua estadia – eu, Lidiane, Carol e Dionísia no hotel e o Alcivar e Maria no motor-home.

 

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    • Por Thiago e Priscila Blumenau
      Olá amigos da comunidade Mochileiros.com.
      Aqui é o Thiago e a Priscila. Nós moramos na cidade de Blumenau-SC.
      Em dezembro de 2018 fizemos nossa viagem de carro até San Pedro de Atacama no Chile. 
      A comunidade mochileiros.com nos ajudou bastante, pois no site conseguimos várias dicas e conhecemos outras pessoas que também nos ajudaram com informações. Por esse motivo queremos compartilhar nossa experiência. E quem sabe poder ajudar ou até mesmo encorajar outras pessoas a saírem do sofá e encarar essa aventura.
      Para realizar esta viagem primeiro nós fizemos algumas pesquisas, como por exemplo: documentos necessários, seguros obrigatórios, melhor roteiro, condição das estradas, hotéis, pontos turísticos, custo com passeios, custo com alimentação, custo com gasolina, custo com pedágios, melhor câmbio, o que levar na bagagem, etc. 
      Juntamos todas essas informações numa planilha e então começamos a trabalhar nela. Então no mês de Setembro/2018 começamos a fazer as contas e preparar tudo o que precisava para viajar.
      Nessa primeira parte vamos tentar abordar o máximo de informações com relação ao roteiro, situação das estradas, GPS, câmbio, aduanas, seguros, itens obrigatórios, pedágios e combustível. 
      Na segunda parte vamos falar um pouco sobre San Pedro de Atacama e sobre os nossos passeios.
      Então vamos ao que interessa:
      Nessa viagem foram 04 pessoas: Eu (Thiago), minha esposa Priscila, meu Pai e a namorada do pai.
      Saída de Blumenau: 22/12/2018.
      Chegada em San Pedro de Atacama: 25/12/2018.
      Saída de San Pedro de Atacama: 31/12/2018.
      Chegada em Blumenau: 03/01/2019.
      Carro utilizado: Peugeot 207, ano 2012. Motor 1.4, c/ 04 portas.
      Roteiro/Condição das estradas/Pedágios:
      Dia 01 - Blumenau - SC x São Borja - RS. Total: 860 Km.
      Esse caminho é o mais curto, porém tem muitos trechos com pista ruim (buracos, desníveis, etc.), além disso tem muitos radares e lombadas eletrônicas. O motorista tem que ficar atento.
      Pedágios:  Nenhum.
      Dia 02 - São Borja-RS x Presidência Roque Sáenz Peña - Argentina. Total: 620 Km.
      As estradas são boas, pelo menos são melhores que do que as do Brasil.
      Pedágio 01: logo que passa a Aduana, já tem um guichê de pedágio. Valor pago em moeda brasileira: R$ 50 para veículos de passeio. (na volta ao Brasil, o valor é R$ 65)
      Pedágio 02: RN-12 aprox. no Km 1262. Valor: 50 Pesos Argentinos.
      Pedágio 03: RN-16 aprox. no Km 05. Valor: 40 Pesos Argentinos.
      Pedágio 04: RN-16 aprox. no Km 60. Valor: 65 Pesos Argentinos.
      Dia 03 - Presidência Roque Sáenz Peña (Argentina) x Salta (Argentina). Total: 630 Km. 
      As estradas também são muito boas.
      Observação: na RN-16, entre os KM 410 e 481 a estrada é "horrível". Tem muitos buracos. Buracos gigantes. Você vai perder tempo desviando deles.
      Pedágios: RN-09 chegando na cidade de Salta. Valor: 25 Pesos Argentinos.
      Dia 04 - Salta (Argentina) x San Pedro de Atacama (Chile). Total: 580 Km.
      As estradas também são muito boas.
      Observação: Nós usamos o caminho Paso de Jama, que é melhor, pois é todo asfaltado até San Pedro de Atacama.
      Pedágios:  Nenhum.
      *Na volta pra casa fizemos o mesmo trajeto. 
      Hospedagem:
      Dia 01 - Dormimos na casa de parentes. Não tivemos gastos com hospedagem nesse dia.
      Dia 02 - Ficamos hospedados no hotel de campo El Rebenque, que fica na cidade de Presidência Roque Sáenz Peña (Argentina).
      Dia 03 - Ficamos hospedados no hotel Pachá, que fica na cidade de Salta (Argentina).
      Dia 04 - Ficamos hospedados no hostal Casa Lascar, que fica em San Pedro de Atacama (Chile).
      Aqui dormimos dia 25, 26, 27, 28, 29 e 30 de dezembro/2018.
      *Na volta pra casa ficamos nos mesmos hotéis.
      Câmbio:
      Peso Argentino: nós trocamos todo o dinheiro brasileiro por Peso Argentino na aduana, que fica logo depois da Ponte internacional, saindo de São Borja-RS.
      Valeu muito a pena trocar o dinheiro na aduana, pois pagamos 0,10 por cada Peso Argentino. Já em Blumenau a melhor taxa que encontramos foi 0,15.
      Comparação de preços Blumenau x Aduana Argentina:
      R$ 1 Mil reais trocados em Blumenau valem: 6.666 Pesos Argentinos (sendo: 1000 / 0,15)
      R$ 1 Mil reais trocados na Aduana valem: 10.000 Pesos Argentinos (sendo: 1000 / 0,10)
      Peso Chileno: nós trocamos R$ 1 Mil (reais) em Pesos Chilenos aqui em Blumenau, para ter um pouco de dinheiro na chegada à San Pedro de Atacama.
      O restante do dinheiro brasileiro nós trocamos em San Pedro de Atacama. Trocar o dinheiro em San Pedro valeu muito a pena, pois recebemos 170 Pesos Chilenos por cada R$ 1,00 (Real). Já em Blumenau a melhor taxa que encontramos foi de 154 pesos Chilenos por cada R$ 1,00 (Real).
      Comparação de preços Blumenau x San Pedro de Atacama:
      R$ 1 Mil reais trocados em Blumenau valem: 154.000 Pesos Chilenos (sendo: 1000 x 154)
      R$ 1 Mil reais trocados em  San Pedro de Atacama valem: 170.000 Pesos Chilenos (sendo: 1000 x 170)
      *Compare antes de trocar seu dinheiro.
      Combustível / Postos de abastecimento:
      Na Argentina tem dois tipos de gasolina: a Super (comum) e a Infinia (aditivada).
      Infinia: variava de 45 a 48 pesos.
      Super: variava de 41 a 44 pesos.
      *Abastecemos com gasolina Infinia nos Postos YPF.
      *No Chile não abastecemos, por isso não informamos os tipos e preços que existem.
      Na Argentina tem muitos postos de abastecimento durante o trajeto. O último posto fica bem próximo da Aduana, no Paso Jama (divisa entre Argentina e Chile).
      Depois da Aduana não tem mais posto durante o caminho. Vai ter um posto somente em San Pedro Atacama (distância entre Aduana e San Pedro Atacama: 160 KM aprox.)
      GPS:
      Nós utilizamos dois aplicativos de geolocalização: o Google Maps e o Maps.me. Levamos dois Smartphones, em um deles usamos o Maps.me e no outro com Google Maps.
      Antes de sair nós fazíamos os trajetos pela rede WiFi e depois saíamos para a estrada. Os dois aplicativos funcionaram muito bem no modo off-line.
      Dica: o aplicativo Maps.me funciona totalmente no modo off-line. Para isso é necessário baixar os mapas off-line da região que você vai passar. Exemplo: nós baixamos todos os mapas da Argentina, do Chile e também dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 
      Seguros obrigatórios para seu carro:
      Na Argentina: seguro Carta Verde. Você pode fazer em qualquer corretora de seguros.
      Ele cobre danos a terceiros em caso de acidentes.
      Nós fizemos o seguro com a Porto Seguro, com a cobertura de até 15 dias. Custo: R$ 125. Débito em conta corrente.
      No Chile: seguro SOAPEX. Você pode fazer este seguro com a HDI do chile. Só digitar no Google "HDI Chile".
      Ele cobre danos a terceiros em caso de acidentes.
      Nós fizemos o seguro direto no site da HDI Chile, com a cobertura de até 10 dias. Custo: R$ 40. Pagamento somente no cartão de crédito. 
      *Veja se o seu cartão está liberado para realizar esta compra.
      Observação: em nenhum momento a polícia ou aduana nos cobrou esses documentos.
      Seguros para você:
      Nós optamos por não fazer nenhum seguro de vida ou de acidente. 
      Mas as empresas de seguro oferecem inúmeras modalidades.
      Avalie a que melhor se enquadra com seu bolso.
      Itens obrigatórios para o carro:
      Na Argentina:
      Vários blogs e pessoas nos disseram que teríamos que levar um monte de coisas no carro.
      Então nós entramos em contato com o departamento de trânsito da Argentina e também com o consulado Argentino no Brasil que fica em Florianópolis.
      Segundo eles, os itens obrigatórios são:
      - 01 Extintor de incêndio (exceto em motos);
      - 02 triângulos de segurança;
      - Além dos demais exigidos no Brasil (pneu estepe, chave de rodas e macaco).
      E tem também os itens recomendados: (notem que são recomendados, não obrigatórios)
      - Kit de primeiros socorros;
      Portanto, não é obrigatório levar o tal do "cambão", que muitos blogs informam ser obrigatórios.
      No Chile:
      Considerar todos os itens obrigatórios citados acima.
      E no Chile todos os motoristas são obrigados a ter no carro um "colete refletivo". Caso o motorista precise sair do carro para alguma manutenção ou emergência ele precisa estar vestindo o colete. Isso é LEI NACIONAL. Na dúvida leve um colete também.

      Observação:
      Na Argentina fomos parados diversas vezes pela polícia. Em quase todas as cidades que passamos ao longo do caminho a polícia nos parava para solicitar algum documento.
      Algumas vezes eles pediam os documentos de identidade e do carro. Em outras eles faziam o teste de bafômetro. Mas em nenhum momento a polícia precisou revistar o nosso carro.
      No Chile não fomos abordados.
      Aduana Brasil x Argentina: Muito tranquilo.
      O atendente solicita os documentos do carro e identidades.
      Preenche um formulário no computador.
      Por último entrega um recibo (parecido com um cupom fiscal de mercado). Este recibo precisa ser bem guardado, pois ele será útil na Aduana Argentina x Chile.
      Não tem custo.
      Aduana Argentina x Chile: chato/demorado (pode ter fila e os atendentes são malas)
      A Aduana que nós passamos foi no Paso Jama.
      Tem 06 guichês.
      É necessário preencher um formulário em espanhol. Nesse formulário tem uma parte que fala se você está levando algum alimento que é "proibido".

      Após passar em todos os guichês eles entregam um recibo (parecido com um cupom fiscal de mercado). Este recibo precisa ser bem guardado, pois ele será útil na Aduana Chile x Argentina.
      Comidas não podem passar. Exemplo: frutas, verduras, carnes, lanches, etc. Tudo que é animal ou vegetal fica na Aduana. Alimentos processados passam. Alegação deles é que pode haver alimentos contaminados ou pragas. Se no formulário estiver a opção NÃO, mas na hora de revistarem o carro eles encontrarem alguma coisa, você leva uma multa.
      Após sair dos guichês vem um fiscal da vigilância sanitária e inspeciona o carro.
      Só depois de inspecionar o carro você está livre para seguir viagem.
      Não tem custo.
      *Na volta pra casa é necessário fazer tudo de novo, porém a vigilância sanitária não revistou o carro dessa vez.
      Espero que tenham gostado dessa primeira parte.
      Se tiverem algum comentário ou dúvidas por favor nos retorne.
      Um abraço.
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Atacama
       
      Vou comentar sobre a minha viagem em San Pedro de Atacama e seus perrengues.
      Pra ser direto ao ponto, tive prejuízo nessa viagem porque não consegui aproveitar quase nada, tampouco realizar os passeios, já que choveu em todos os dias que estive na cidade.
      O mais importante de tudo, evite vir no verão, entre os meses de Dezembro à Março, pois são épocas de chuvas, mais conhecido como "Inverno Altiplânico". Por mais que o local seja deserto, no verão ele chove muito, a ponto de alagar toda a cidade.
      Consequentemente as estradas e as pontes ficam destruídas ou alagadas, os parques e os passeios ficam fechados. No pior dos casos você não consegue nem sair da cidade, porque todos os acessos estão fechados e os ônibus não chegam ao local.
      Isso eu digo também para as pessoas que irão fazer o trajeto do Chile até o Peru, ou vice-versa, entre as cidade de Arica e Tacna, já que as chuvas afetam também essa região, então as estradas ficam fechadas. Isso farei um outro video mais detalhado.
      Ademais algumas agências de turismo acabam cobrando o dobro do preço, pois alguns de seus veículos são movidos com tração nas 4 rodas. Nesse quesito eu recomendo para que não alimente esse tipo de empresa aproveitadora.
      Então a pior coisa é você visitar nesse período que comentei, você pode acabar jogando o tempo e o dinheiro no lixo. Por conta das chuvas, ocorrem vários blecautes, com isso você ficam sem eletricidade e internet.
      Os restaurantes na cidade são caríssimos, então se estiver num hostel com cozinha, aproveite ao máximo para ir ao mercado e preparar a sua própria comida para poder economizar.
      O período mínimo de estadia na cidade seriam de 5 dias, para realizar com aperto os passeios oferecidos. Lembrando que 1 dia você vai gastar para se acostumar com a altitude, também para pesquisar e fechar os passeios com as agências de turismo. 
      Caso queira um prazo um pouco mais folgado e tranquilo, recomendo 7 dias ou 1 semana. Se for incluir o passeio ao Salar de Uyuni (Bolivia), terá que acrescentar de 3 a 4 dias a mais na viagem.
      Se o clima não estiver muito legal, ao invés de fechar o pacote todo, feche de 2 em 2 passeios e assim conseguir algum desconto. Terá menos dor de cabeça na hora de ser reembolsado.
      Tenha em mente que irá gastar só nos passeios em torno de 120.000 a 200.000 pesos chilenos, que dá em torno de R$ 700,00 a R$ 1.200,00 por pessoa. Estou falando de tours (passeios) principais.
      Ao incluir o Salar de Uyuni, os valores superam os R$ 2.000,00.

      * Dicas
      1. Evite vir para San Pedro de Atacama no verão entre os meses de Dezembro à Março, por conta das chuvas que impossibilitam os passeios. Prefira o Outono ou Primavera.
      2. Já efetue o câmbio de moedas, se possível em Santiago, pois as cotações em San Pedro de Atacama é bem desfavorável.
      3. Quando for negociar os passeios, negocie ou pague em pesos chilenos, pois em dólares acaba meio que perdendo um pouco na conversão dos valores.
      4. Sempre pense em alternativas como por exemplo ir para Bolivia e visitar o Salar de Uyuni. Os veículos que realizam esse passeio são 4x4 (tração nas quatro rodas).
      5. Antes de vir para a cidade, veja a previsão do tempo para os próximos 5 a 10 dias.
      6. Reserve no mínimo 1 a 2 dias de hospedam, não o período todo, para o caso de ter que alterar os planos tipo sair da cidade ou mudar de hostel.
      7. Evite fechar todos os passeios e pagá-los antecipadamente, pois dependendo das condições climáticas, terá dor de cabeça para ser reembolsado. 
      8. Escolha hostel que esteja mais próximo ao centro da cidade, ou seja, da Praza San Pedro de Atacama ou dos Caracoles.
      9. Tenha roupas para o frio e calor. Há uma grande variação de temperaturas, inclusive valores negativos.

      * Média de preço dos passeios (em peso chileno): Nome do Passeio / Horas / Valor do Passeios / Valor da entrada / Total.
      Valle de la Luna (meio período): 15.000 / 3.000 = Total: 18.000 pesos
      Termas Puritama (meio período): 15.000 / 15.000 = Total: 30.000 pesos
      Geysers del Tatio (meio período manhã, incluso café da manhã): 30.000 / 10.000 = Total: 40.000 pesos
      Laguna Cejar (meio período tarde): 18.000 / 17.000 = Total: 35.000 pesos
      Lagunas Altiplânicas (meio período manhã, incluso café da manhã): 28.000 / 5.500 = Total: 33.500 pesos
      Valle del Arcoiris (meio período manhã, incluso lanche): 25.000 / 3.000 = Total: 28.000 pesos
      Salar de Tara (integral, incluso café e almoço): 50.000 pesos
      Stargazing ou Tour astronômico (noite ou madrugada, alguns oferecem lanches): 20.000 pesos
      Mirador de Piedras Rojas (integral, incluso café e almoço): 50.000 / 5.500 = Total: 55.500 pesos
      Pukará de Quitor: 3.000 pesos
      * Bolivia
      Salar de Uyuni (3 dias, com hospedagem e alimentação): 130.000 pesos chilenos / 250 pesos boliviano (entrada)
      Salar de Uyuni (4 dias, com hospedagem e alimentação): 150.000 pesos chilenos / 250 pesos boliviano (entrada)

      Obs: Não tenho agência ou qualquer patrocínio, apenas peguei as cotações de 3 a 4 agências locais e inseri os valores para simples consulta.
    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por MarisaBrugnara
      Destino: Deserto do Atacama. Vontade: dirigir por várias das estradas mais bonitas e inóspitas da nossa América do Sul.  Além disso, a gente só sabia que ia passar pela fronteira por Dionísio Cerqueira e ir seguindo o caminho mais curto que o GPS nos deu até lá. Não reservamos hostel, muito menos passeios. A pesquisa sobre documentação do carro, itens obrigatórios, clima e alguns destinos foi suficiente. O resto, o destino deu conta: uma rota sem roteiro.

      Antes de atravessar a fronteira, decidimos dormir em Francisco Beltrão que fica a 470 km de Curitiba, só pra descansar. Atravessamos a fronteira entre Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen pra fazer o câmbio de reais para pesos e a Carta Verde já no lado argentino. Só é necessário preencher uma ficha de imigração na aduana informando seus dados pessoais e destino. GUARDE ESSA FICHA! Não cobram nenhuma taxa e não revistam o carro. O câmbio paralelo vale muito mais a pena do que o câmbio das casas de câmbio.
      1 real = 12 pesos – paralelo
      1 real = 8,5 pesos – casas de câmbio
      Carta verde: só existem 2 opções: 15 ou 30 dias. Pagamos (em reais mesmo) 100 reais pra 30 dias. Pedem o documento do carro, do motorista e tiram uma foto do carro.
      Os postos de gasolina ali aceitam reais ou pesos (enchemos o tanque em reais, pois valeu mais a pena).
      As estradas são ótimas na Argentina, e os pedágios quase inexistentes são baratos. Foram 4 ao todo, o mais barato 10 pesos e o mais caro 60 pesos.
      Recomendo parar em Ituzaingó pra dormir e abastecer o porta-malas com macarrão e empanadas, pois os mercados e lanchonetes são bem baratos. Além disso, é uma cidadezinha quente e “praiana” no meio do continente. O Rio Paraná passa por lá dividindo a Argentina e o Paraguai, e é usado como praia, muitos gaúchos preferem ir pra lá no verão ao invés de subir pras praias de Santa Catarina.
      Depois de Ituzaingó a viagem realmente começou. Assim que saímos da RN 12 e entramos na reta infinita da RN 16 a cor da bandeira da Argentina começa a fazer sentido. Um céu de azul imenso onde não se consegue enxergar o fim daquela terra encharcada pelos Chacos, tudo ainda a 200m do nível do mar. Vários povoados, algumas cidades grandes, muitas fazendas e várias opções de postos de combustível, ainda. As estradas são lisas e pouco movimentadas. Tivemos que ultrapassar caminhões pouquíssimas vezes, o cuidado maior é com animais atravessando a pista. Ambulantes vendem morangos gigantes e suculentos na estrada por apenas 80 pesos o kg.

      Decidimos parar para dormir em Monte Quemado, ponto de parada quase obrigatória para os motoqueiros. Tem apenas um hotel na beira da estrada que serve almoço e jantar, mas preferimos cozinhar macarrão com nosso fogareiro portátil. Economizamos muitos pesos com isso. A única parte ruim e esburacada da estrada dura uns 20km na saída de Monte Quemado. A partir daqui, já é possível enxergar a silhueta das montanhas que escondem as tão esperadas curvas.
      Depois da ferradura do mapa, começa o trecho mais surreal da viagem. Entramos na RN 9 – sem dúvidas, a rodovia mais bonita do norte da Argentina - e só o que se vê são montanhas. Por todos os lados. Secas, rochosas, com cactos, nevadas, de pedras, coloridas, rachadas, de todos os tipos possíveis. Alpacas, Vicunhas, Lhamas e Guanacos atravessam a rodovia e uma paisagem totalmente diferente aparece a cada km. Foto nenhuma é capaz de registrar essa imensidão.

      San Salvador de Jujuy é uma cidade enorme e barata. Perto dali ficam Purmamarca, Tilcara e Humahuaca: os passeios turísticos oferecidos por eles. Fique esperto com o horário de funcionamento do comércio: tudo fecha antes das 13 e reabre depois das 17.
      Encha o tanque em San Salvador de Jujuy. Depois dali, não há sinal de celular e o próximo posto fica a 200 km, em Susques. Mas não conte com isso! Um posto que fica a 3896 m de altitude nem sempre tem combustível. Não confie em todos os postos que aparecem no gps. Meu gps mostrou um numa cidade a 20 km de Jujuy. Chegamos lá, e era um posto desativado. Decidimos voltar a Jujuy para encher o tanque e garantir a viagem, foi a melhor decisão que tomamos. Dali pra frente, quase não há civilização.
      Então, conte com o trecho Jujuy > Paso de Jama  = 330 km. Não é necessário levar combustível extra.
      No hostel em Jujuy, fizemos o seguro de carro obrigatório para entrar no Chile: o Soapex. É feito pelo site mesmo, custou 12 dólares para 10 dias. Aqui, foi a primeira vez que reservamos um hostel, queríamos garantir pelo menos a primeira noite no Atacama pra decidir o que fazer nos outros dias. Encontramos 3 mineiros que estavam voltando do Atacama de moto. 1 deles, passou por algum objeto na pista e isso quebrou o cárter da moto, ele estava esperando o guincho pra voltar ao Brasil.

      (Não é preciso ir até Humahuaca pra ver montanhas coloridas, elas estão por toda parte. Essa é a estrada entre San Salvador de Jujuy e Purmamarca)
      Perguntamos a eles quanto tempo levaria nesse trecho Jujuy/ Atacama. Eles disseram que não faziam ideia, pois pararam tanto pra tirar foto de estrada, pedrinha verde, pedrinha amarela, plantinhas, nuvem, salares, curvas... que perderam as contas. E é fato, tambem não fazemos ideia de quanto tempo levamos. A cada km, a cada fim de curva, uma surpresa.  Pra esse trecho, saia cedo e aproveite o dia todo. Tínhamos pensado em parar em Susques pra dormir, mas conversando com eles vimos que não valia a pena, é um vilarejo com pouquíssimos hotéis caros e faz muito, muito frio.
      Depois de 2.000m de altitude, pisar no acelerador não é a mesma coisa. O carro vai perder potência, a luz do motor vai acender, o aviso de neve na pista vai aparecer. Mas quem fizer essa viagem vai entender que andar acima de 60km/h não é necessário – e nem é possível com tantas curvas de 180 graus.

      Lagunas e montanhas de cores inexplicáveis por todo caminho. 
       
      Atenção para a fronteira da Argentina com o Chile, o Paso de Jama: como fica a 4800m de altitude, às vezes fecha por condições meteorológicas. Conferir antes de sair nesse site:
      https://pasosfronterizos.com/paso-jama.php
      Ali em Jama, deixamos o carro estacionado e fomos fazer os trâmites aduaneiros. O frio, o vento e a altitude aceleram o coração e nos dão uma falta de ar repentina. Na aduana, pedem apenas nossas identidades, documento do carro, carteira de motorista do condutor e AQUELA FICHA que preenchemos na fronteira do Brasil com a Argentina. Isso acontece várias vezes em vários guichês diferentes. Carros particulares tem preferência na fila J (escapamos das filas enormes dos ônibus de turistas e do raio-x das malas). GUARDE TODOS OS PAPÉIS QUE A ADUANA TE ENTREGAR, eles serão devolvidos na volta. Depois, tivemos que parar o carro debaixo de uma parte coberta no meio da pista na saída da aduana, tirar tudo de dentro e colocar sobre uma mesa para o guarda abrir e apalpar todas as mochilas/sacolas/sacos de dormir e ver se não estávamos levando nada perecível – o controle deles é muito rígido com frutas e legumes, por isso levamos apenas macarrão, molho e enlatados para passar a fronteira. Se precisar, ali tem um posto de combustível, mas tocamos direto até o Atacama ainda com a gasolina de Jujuy.
      Depois de Jama, há uma declive imenso de uns 2500m de altitude durante 150 km até o Atacama, sempre vigiados pelo imponente vulcão Licancabur. Do lado direito, fica a Bolívia, e por todos os lados, cadeias de montanhas e vulcões. O vento forte dificulta a direção e quase tira o carro do chão quando carros passam do outro lado da pista.

      O ATACAMA
      O destino viajante veio a nosso favor mais uma vez. O hostel que havíamos reservado – Valle del Desierto - ficava retirado do centro da cidade (escolhemos assim pra ter um lugar seguro para deixar o carro, pois no centro é tudo muito apertado e não tem estacionamento) e era cuidado por um casal de brasileiros, o Gabriel e a Carol. Foi o melhor lugar que podíamos ter achado, com direito a churrasco brasileiro, fogueira nas noites mais frias e uma vista do Licancabur, que ficava em tons rosados todos os dias na hora do pôr do sol. Haviam várias kombis viajantes estacionadas e gente do mundo todo, pois era véspera do feriado das festas pátrias – do dia 14 ao dia 19 – e vários intercambistas de Santiago sobem para o deserto.
                 
      Ficamos cerca de 10 dias ali, na primeira semana aproveitamos o sossego, nos últimos 2 dias os banhos que eram ótimos já começaram a ficar frios devido ao feriado (o hostel  e a cidade ficaram lotados!).
      A cidade é bem pequena, e só há comércio voltado para o turismo.
      Há várias vendinhas, quitandas e sorveterias espalhadas pela cidade. Usamos várias, pois cozinhamos bastante no hostel. Nas vendinhas não há bebidas alcoólicas, pois elas só podem ser compradas em Botillerías por motivos de legislação. É seguro tomar água da torneira quando a cidade está vazia, quando está cheia, prefira água engarrafada.
      Como nem só de macarrão vive o viajante, comemos muitas empanadas, que são bem grandes, tem quase em todas as vendinhas e custam sempre cerca de 1500 pesos. Também tomamos muito chá de coca, que é um ótimo digestivo. Nem procure restaurantes, vá direto ao Los Carritos. A comida é MUITO boa e é o melhor custo benefício da cidade. Peça os nomes mais esquisitos e se surpreenda com o que vai vir. Pra quem está com fome: 2500 pesos. Pra quem está com muita fome: 3800 pesos. Tem opções vegetarianas também.
      Os sorvetes, a Chicha Cocida (que é uma bebida alcoólica) e o Mote com Huesilhos têm sabores muito diferentes de qualquer coisa que você já tenha comido. As pêras são mais suculentas, os cactos tem frutos e aquelas árvores com florzinhas amarelas deixam cair ao chão castanhas duras e doces. Guarde esses nomes e se surpreenda com os sabores: ayrampo, chañar, rica rica, algarrobo, pomelo rosado, llucuma.
      Como em setembro é o final do inverno, pegamos vários tipos de clima. O sol é a única certeza. Os narizes sangraram nos dias de 4% de umidade e nuvens apareceram no céu quando uma frente fria se aproximou. Nesses dias, já não era possível colocar shorts e camiseta durante o dia sem um corta-vento e as noites eram salvas pelas segundas peles e o saco de dormir usado sob as cobertas. Importante: leve pelo menos um conjunto de segunda pele, 1 par de meias de inverno e um saco de dormir simples, mesmo que seja no verão. Eles salvaram a minha vida. Durante algumas madrugadas, fizeram temperaturas negativas – mesmo não sendo típico da época do ano – e tive que dormir de segunda pele, dentro do saco de dormir, debaixo das cobertas do hostel! Quando esfriava assim durante a madrugada, dava pra perceber quando saíamos de manhã que os vulcões estavam mais brancos de neve que no dia anterior.
      Ir de carro traz liberdade, economia e a certeza de que é o caminho que faz a viagem valer a pena. Os passeios oferecidos pelas agências são bem caros e engessados. Como não tínhamos horário para sair e chegar, íamos pegando dicas com quem conversávamos pra decidir o próximo destino. San Pedro fica no centro do Atacama, e é impressionante como a paisagem muda ao redor, mesmo num raio de poucos quilômetros.

      (Onde está o Uno?)
      Sal encrustado em rochas que parecem lunares e dunas gigantescas brilhando ao pôr do sol no Valle de la Luna, lugares jamais pisados pelo homem no Valle de Marte, uma vista surreal de montanhas intercaladas por outras montanhas na Piedra del Coyote, uma estrada com vento salgado e quente que termina na Laguna Tebinquinche, onde a vida parece não existir, mas existe. De repente, numa estrada que corta uma laguna seca, duas crateras cheias de água não tão salgada assim formam os Ojos del Salar. A surpresa maior fica com Toconao, a cidade vizinha que abriga o Valle de Jere - desconhecido até mesmo por alguns moradores de San Pedro – um oásis em meio ao nada, que foi habitado por alguns dos povos que deram origem a bandeira Wiphala e deixaram suas marcas nas rochas. Esses são os destinos mais bonitos e de estradas mais alucinantes de até 3000 pesos por pessoa para serem visitados ao redor de San Pedro.
        
      Há quem prefira mergulhar literalmente nas atrações naturais desse lugar. Para esses, existe a laguna Cejar por exemplo, onde é possível boiar em suas águas mais salgadas do que as do mar morto, por um preço que é tão salgado quanto ela (apenas a entrada é 15.000 pesos). Dispensamos também o passeio das Lagunas Altiplânicas - que custaria uns 80.000 pesos sem incluir as entradas – pois no caminho passamos por lagunas por toda parte e em todas as altitudes.
      Ah, o céu: não é preciso andar mais do que 2 metros na rua – ou no quintal do hostel mesmo -para conseguir enxergar todas as constelações, planetas, galáxias, estrelas cadentes. Ele faz valer a pena boca e nariz ressecados da baixa umidade, do sal, do sol e do frio. No hostel, um hóspede tinha um telescópio. Conseguimos ver a Lua e vênus em questão de segundos.
      ___________________________________________________
      Voltar pelo mesmo caminho da ida dá uma perspectiva totalmente diferente de todos os lugares que havíamos passado. Leve tudo que quiser, pois na fronteira por Jama do Chile pra Argentina não fazem revista no carro. Pegamos um clima tão diferente que a estrada parecia outra. Mais vento, mais neve. Tivemos o prazer de ver uma raposa chilena e um tatu atravessando a rua. Só ficamos devendo a Vizcacha, que com certeza passamos por várias, mas não conseguimos enxergar nenhuma.
      Na Argentina, há muita polícia rodoviária. Éramos parados em quase todas as saídas das cidades. Em uma das únicas duas vezes que pediram nossos documentos, demos carona a um policial – é bem normal pedirem carona nas estradas argentinas. Procuramos evitar por segurança, mas como era um policial, e íamos tocar direto até perto da fronteira, aceitamos.  Na outra que fomos parados, estava acontecendo um protesto de caminhoneiros: o policial pediu pra verificar os 2 triângulos e o extintor. Não é mito, levem!
      Há muitos relatos de polícia corrupta na Argentina, mas é mais ao sul da RN 14 onde o país se aproxima com o Uruguai. Antes de ir, havia conversado com um amigo Argentino e evitamos a fronteira por Uruguaiana exatamente por causa disso. Como queríamos entrar mais ao sul do Brasil do que na ida, passamos por São Borja. Eles pedem apenas os documentos, não revistam o carro, e cobram uma taxa de 450 pesos ou 57 reais por pessoa.

      IR DE AVIÃO NÃO TERIA A MENOR GRAÇA. VÁ DE CARRO!
       
      Resumo de infos mais importantes:
      Dinheiro na Argentina
      - Trocar reais por pesos na fronteira com a Argentina vale bem mais a pena do que no Brasil;
      - Não troque dinheiro em Jujuy, a cotação é péssima;
      Dinheiro no Chile
      - Em San Pedro de Atacama a cotação de reais para chilenos é ótima (para setembro desse ano: 1 real = 150 pesos chilenos, sendo que em Santiago estavam pagando 1 real = 158 pesos chilenos);
      - Não tem como indicar uma casa de câmbio, tem uma rua só pra elas e todo dia os valores mudam. O jeito é sair perguntando de uma em uma e negociar;
      - Deixar para trocar reais para pesos argentinos (para gastar na volta) no Atacama não é uma boa opção, a cotação é bem ruim;
      Carro
      - Evite estacionar o carro perto das esquinas das ruas. Escapamos de um acidente que teria dado PT no carro por pouco. Como o hostel não tinha estacionamento, deixamos o carro parado na rua ao lado na vaga perto da esquina. Um motorista argentino foi fazer a curva e perdeu o controle, passou raspando por nós e bateu no carro estacionado do outro lado da rua, que ficou com o eixo dianteiro totalmente quebrado e teve que ser guinchado.
      - Os itens obrigatórios são: extintor de incêndio e 2 triângulos. Cambão rígido, mortalha e etc é MITO.
      - A gasolina tanto na Argentina quanto no Chile custa praticamente o mesmo que pagamos no Brasil, as vezes até um pouco mais caro. Mas como é bem mais pura que a daqui rende MUITO mais. Na Argentina, usamos sempre a Super e no Chile, sempre a 93. Essas são as mais baratas.
      Documentos
      - Identidade com menos de 10 anos de expedição ou passaporte, ou um ou outro, tanto faz
      - Se o carro estiver no nome do motorista, apenas o documento do carro.
      - Fizemos a PID (permissão internacional para dirigir), mas em nenhum momento foi solicitada
      - Carta Verde: seguro obrigatório para o carro na Argentina. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      - Soapex: seguro obrigatório para o carro no Chile. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      Água
      - É tirada de poços. Tomamos direto da torneira sem problemas, só recomendamos comprar engarrafada se a cidade estiver cheia – muita gente polui a água -. Custa cerca de 1800 pesos o garrafão de 6l.
       

      Carro: Fiat Uno 1.0 2016/2017
      Km rodados: 5.500
      270 litros de gasolina: R$1.300,00
      Autonomia: 20km/l
      Pneus Furados: 0
      Troca de óleo feita antes da viagem
      Gps usado: Sygic
      Pouso mais caro/barato: 600 pesos por pessoa (Argentina) / 250 pesos por pessoa (Argentina)
      Gasolina mais cara/barata: 862 pesos (Chile) / 38 pesos (Argentina)
      Frase mais dita: “Olha essa estrada!”
      Gasto: aproximadamente R$2200,00 por pessoa. Levamos apenas reais em dinheiro vivo. Usamos cartão de crédito Nubank apenas para reservar hostel e fazer o Soapex.
      Duração: 20 dias

    • Por bruno.bortoloto-do-carmo
      Olá pessoal!
       
      Seguindo a tradição de sempre devolver um pouco que esse fórum lindo ajuda a gente nos nossos roteiros, aqui vai a nossa mochila(dinha) de 15 dias desse ano.
      Regina (minha namorada) e eu tivemos de férias, juntos,  os dias 15-07 a 30-07.
      ------------- Caso queiram complementar esse roteiro, vejam o dela nesse link, como ela fala em valores, eu vou focar em outros aspectos, bele? --------------
      Decidindo aproveitar o máximo, fizemos um roteiro que passamos pelas seguintes cidades:
      San Pedro de Atacama (3 dias) Uyuni (apenas passagem) Potosí (2 dias) Uyuni (1 dia) Oruro (apenas passagem) Patacamaya (apenas passagem) Sajama (5 dias) Arica (1 dia)  
      Foi mais ou menos assim:
       
      [aereo] São Paulo  - Santiago (15/07)
      Saímos daqui de São Paulo de noite, pra pegar aquela maratona de aéreos na madrugada. Nosso voô saiu à meia noite com destino a Santiago e a expectativa era ficar 1 ou 2 horinhas no aeroporto no Chile e já pegar o seguinte pra Calama.
      [aereo] Santiago - Calama (15/07)
      Nunca tínhamos pego vôos assim, foi bem cansativo. Além disso, esquecemos de pensar no fuso horário que adicionou uma hora a mais na brincadeira. Mas aguentamos firme, nos ferramos nas comidas de aeroporto que são uns 30% mais caras, mas enfim chegamos em Calama.
      Calama (15/07)
      Chegamos em Calama de manhãzinha, lá pelas 7h. Uma das vantagens de viajar nesses horários malucos é pegar o nascer do sol no avião🤩
       
                                         Vista do avião logo quando chegávamos em Calama
       
      [transfer] Calama - San Pedro de Atacama (15/07)
      Chegamos em Calama exaustos. Não conseguimos pensar me muita coisa além de ir no banheiro e buscar um transfer pra San Pedro. Na saída do aeroporto tem vários e, até onde saiba, todos confiáveis saindo a cada 15-20min.
      [transfer] Calama - San Pedro de Atacama (15/07)
      O transfer dura mais ou menos 1h (100km) numa estrada lindássa que já da pra ter uma ideia do que se vai encontrar pela frente. Obviamente dormimos metade, mas a outra metade apreciamos o rolê rs
      San Pedro de Atacama (15/07 a 18/07, 3 dias)
      Dia 1 (15/07)
      Chegando em San Pedro, pedimos para o motorista nos deixar no Ayllu de Larache. Tínhamos reservado no Airbnb do Jorge, que a indicação era nesse local. Aparentemente era um local facilimo de chegar, seguindo a calle Tocopilla um pouco depois de sair do centro do povoado. Tivemos uma pequena dor de cabeça pra encontrar um lugar que era mais fácil do que parecia. Andamos, andamos, andamos, andamos... Pensamos que Ayllu de Larache era uma espécie de rua ou viela que chegávamos da carretera; TODAVIA, CONTUDO, ENTRETANTO Ayllu é como eles chamam os pueblos que foram a cidade de San Pedro (tem o Ayllu de Larache, tem o Ayllu de Quitor, o Ayllu de Sequitor, etc. etc.).
      Resumindo: era só a gente ter saído da carretera que estávamos na frente da pousada deles. 😑😑😑
      Chegando finalmente lá, fomos recebidos pelo Jorge, é um cara muito simpático. Ele e o pai dele, o Don Antonio, construíram as cabanas e administram o lugar. Quando chegamos nosso quarto ainda não tava liberado. Eles nos receberam na propria casa deles, fizeram café/chá e assistimos a final da copa.
      Quando nosso quarto foi liberado fomos descarregar as coisas, tomar um banho e descansar um pouco. O banheiro é fora do quarto, mas super limpo, grande e confortável; água SUPER quente, o que conta bastante quando se vai tomar banho no fim da tarde (lá faz muito frio tarda pra noite).
       

                                                                  Nosso humilde jardim de frente na pousada do Jorge ❤️
      Mais a noite com as bateria carregadas, fomos pra cidade pra jantar e olhar preços de passeios. O Jorge sempre que está livre, se oferece pra dar caronas pra cidade no carro dele; mas é super perto, da uns 10-15min a pé, e mesmo a noite (apesar de escuro e precisar de uma lanterna) é bem tranquilo o caminho.
      Como boa parte do dia as pessoas estão fazendo os roteiros, a cidade começa a funcionar mesmo no meio da tarde e todas as agencias ficam abertas até umas 20h.
      Depois  de almoçar e fazer cambio na calle Caraoles (ali tem uma loja atrás da outra pra comparar a cotação), começamos a pesquisar preços de passeios. Fechamos com umas brasileiras no Janaj Pacha o roteiro das Lagunas Altiplanicas e o passeio Astronomico para o dia seguinte.  
       
      Dia 2 (16/07)
      No dia seguinte acordamos cedinho e saímos às 6 da matina pra nos arruar pro roteiro que tínhamos programado. Eles saem cedinho pra aproveitar bastante a manhã. O roteiro, além das Lagunas Aliplanicas, ainda passaríamos no Chaxa (aquele dos flamingos!) e nos povoados de Socaire e Toconao. Acho que de todos os rolês, é o que passa por mais lugares.
      Nossa van chegou britanicamente no horário e, como descobrimos ao longo do caminho, o motorista era competentíssimo e nos fez chegar em todas as atrações antes de um grande volume de turistas/vans se acumularem; ponto de ouro nesses rolês! Pegamos quase todas as atrações vazias e com pouquíssimas pessoas. 
      Apenas uma coisa: podemos até postar várias fotos aqui e vocês podem ver tantas outras: mas na real o bagulho é muito mais doido. Foto raramente da pra se ter escala das coisas, e no Atacama tudo é monumental, principalmente as Lagunas!

                                                          Vista das Lagunas (não lembro se essa era a Miscanti ou a Miñiques rs)
      Ah bom lembrar : as Lagunas ficam em local que bate 4.000m+ de altitude, então leve suas ojas de coca. Nesse rolê eu já descobri que meu organismo não se da muito bem quando passa dos 3.500m e comecei a experimentar dores de cabeça bem desagradáveis, principalmente depois da descida. A partir daqui, meu amigo de todos os dias (e noites!) foi uma boa cartela de paracetamol.
       
      Na volta nos deixaram na cidade lá pelas 13h. Almoçamos nos famosos trailers do centro da ciadade, melhor local pra conseguir uma comida simples e relativamente barata por San Pedro (infelizmente se gasta muito com comida). Daí passeamos um pouco pelo centro, mas logo voltamos pras cabanas porque minha dor de cabeça estava insuportável.
      Voltando, o Jorge nos indicou um mercadinho nas cercanias, onde fomos várias vezes fazer compras e economizamos MUITO. No nosso quarto ainda tinha uma mini-cozinha, então pudemos variar entre lanches e umas comidinhas rápidas. Recomendamos!
      Mais a noite, voltamos pro centro da cidade pra jantar e fechamos o roteiro astronômico com o proprio Janaj Pacha; importante ressaltar que, apesar de termos fechado com eles, por ser um roteiro bastante específico, eles repassam pra outra pessoa

      Comemos uma pizza de palta/abacate com palmito e azeitonas + cerveja cusqueña no Pachacutec, recomendamos!
      Dia 3 (17/07)
      No dia seguinte acordamos bem devagar, sem olhar no relógio e sem despertador. Passamos pela manhã novamente no mercado pra estocar água e comprar mais coisinhas pra viagem.
      Info importante pra quem quer ir à Uyuni sem ser pelo Salar: Também aproveitamos esse dia pra irmos até o centro novamente pra comprar a passagem de ônibus até Uyuni na Rodoviária.Existem três empresas que fazem o trajeto, mas apenas uma sai de San Pedro de Atacama: a Cruz del Norte, com saídas diárias às 3AM. As outras duas (Atacama 2000 e outra que não me lembro o nome) vendem em San Pedro mas só saem de Calama com saídas diárias às 5 e 6 da manhã, fazendo com que a pessoa vá pra lá um dia antes e pernoite por lá, já que o primeiro busão pra Calama é muito tarde pra conseguir pegar esse vai até Uyuni.
      Na dúvida, se forem fazer esse trajeto, vão de Cruz del Norte que é bem mais cômodo!
      De noite fomos para o roteiro Astronômico. Combinamos com as meninas do Janaj Pacha de nos encontrar umas 20:30 pra que elas nos apresentasse a galera que nos levaria. Como tínhamos jantado em caso nesse dia, buscamos um lugar pra tomar um café; mas um café CAFÉ. Toda pessoa que toma café diariamente tem um baque em San Pedro, porque lá eles só servem café instantaneo. Nossa busca nessa noite foi por isso! rs Único lugar que encontramos um foi no Barros Cafe e, olha, recomendamos!
      O roteiro em si foi ótimo e também recomendamos! Eles nos levam pra uma casa num local afastado da cidade onde estudantes de astronomia fazem essa atividade. Consiste basicamente em aprender a ler o céu estrelado (que em Atacama é BEM visível) e depois focalizar em estrelas, nebulosas, e planetas. Pra quem gosta, é prato cheio!
      [busão] Uyuni - Potosí (18/07)
      Jorge novamente foi MUITO solícito e nos ajudou a chegar ao centro da cidade às 3 da madrugada. Não pediu nada em troca da carona, mas fizemos questão de pagá-lo.
      Chegando lá tinham várias pessoas esperando (cerca de 10-15); o ônibus foi quase cheio. Seu caminho também passa por Calama, fazendo uma pausa longa pra encher o ônibus. A viagem em si é linda e sugiro que façam nesse horário, pois aproveitam a estrada do amanhecer até a tarde, vendo todas as mudanças de vegetação! É lindão! Você acaba nem percebendo as 10 horas de viagem rs

                                                                                      Vista da parada na migra -- que frio!! 
       
      [busão] Uyuni - Potosí (18/07)
      Chegando a Uyuni, como tínhamos desistido da ideia de ir ao Salar por que$$tões de ordem financeira, usamos a passagem só como pulo pra conhecer Potosí, um sonho antigo de historiador (o/). Chegando por lá, também não tinhamos boletos, mas não foi difícil de conseguir. Tem várias companhias que fazem a cada 15-30 min o caminho pra Potosí. Foram mais 4 horas de viagem, chegando já num limite de corpo/mente hehe
      Potosí (18/07 - 20/07, 2 dias) 
      Dia 1 (18/07)
      Chegamos no fim da tarde em Potosí. Alugamos o apartamento do Luís/Anita inteiro pelo Airbnb bem no centro, local perfeito. Mas melhor que a localização é o próprio apê: é um sobradinho antigo, onde eles moram na parte de cima e o apartamento dos fundos fica independente. Tem sala, cozinha equipada, banheir(ão!) e uma cama confortabilisisma. Depois de uma viagem laaaaaaaaarga como fizemos, foi um porto seguro chegar no apartamento deles!
      No dia saímos só pra jantar e dar uma breve reconhecida no quarteirão. Como estava tarde, não queríamos arriscar, mas pareceu bem tranquilo à noite.
      Além disso, Potosí fica a quase 4.100m acima do nível do mar, uma das cidades mais altas do mundo. Tive já na chegada problemas com a altitude e não tinha como ficar arriscando. O destino depois do jantar foi paracetamol, chá de coca e cobertor!

                       Nossa peatonal charmosa na noite que chegamos, linda demais!
      Dia 2 (19/07)
      Não tínhamos muitos planos pra Potosí. Sabia só que não queria fazer o tour antropologico de conhecer as minas (ainda em funcionamento) nem a praça onde os mineiros vão pra trocar cigarro. Mas Potosí é uma cidade colonial. E o que cidades coloniais tem de melhor? I-gre-jas!
      Primeiro fomos na base de turismo, que já fica numa antiga Torre de la Compañia de Jesus que os jesuítas construíram no séc. XVIII. Ali você pode já ver suas primeiras vistas panorâmicas da cidade, do alto da torre.
      Depois rumamos pro Convento de la Iglesia de San Francisco, onde você pode visitar os quartos dos antigos padres residentes, mas o prato principal é o mirador e as criptas! O mirador foi o melhor que visitamos, pois se pode percorrer por uma boa parte do telhado (e se não se segurar bem, o vento te leva!).

                                Vista do mirador da iglesia de San Francisco -- quem aí conhecia a versão Assassins' Creed Bolívia?
      A parte chata de Potosí, pelo menos pra mim? Dei game over no primeiro rolê. Dor de cabeça constante, não aguentei a altitude de lá. Fomos de lá direto pro apê e recolhemos os hominhos do campo. Sorte que uma baita chuva armou e, de fato, não íamos conseguir aproveitar muito mais. Nisso, valeu muito a pena mais uma vez a escolha do apê do Luís e da Anita!
       
       
      Dia 2 (20/07)
       
      No segundo e último dia em Potosí, tínhamos três missões: conhecer mais alguma igreja, trocar dinheiro e voltar a tempo do almoço para partirmos pra Uyuni novamente. Primeiro fomos na Iglesia Catedral que fica bem no centro do centro da cidade. É lindíssima e também possui um mirador do alto de uma das torres. Como Potosí é uma cidade bem alta e o centro não tem quase predio, os mirantes são sempre passeios bem legais rs

                                                      Mais um mirador pra conta, mais uma vista linda!
      Agora a missão trocar dinheiro: onde? Nos indicaram a Casa Fernandes, tradicional e segura, mas não vimos nenhum dos dias aberta. Daí indicaram o mercado em uma galeria perto do mercado municipal, que fica em uma praça na parte de trás da calle Junin. É uma galeria bem simples com boxes pequenos e, pelo que entendemos, todas fazem cambio!
       
      Missões cumpridas, voltamos pro apê pra almoçar e pegar nossas coisas e ir de volta pra Rodoviaria.
       
      [busão] Potosí - Uyuni (20/07)
       
      No caminho de volta, nenhuma surpresa. Vários ônibus diários de Potosí a Uyuni e super fácil de comprar. Chegando uma hora antes, é suficiente.
      Dica: Todos os terminais da Bolívia cobram taxa de embarque separadamente da passagem (alguém sobre no ônibus antes dele sair e vai cobrando). É coisa pouca, 1bob, mas é bom guardar moedas pra isso! Nós não guardamos e passamos vergonha haha
       
      Uyuni (20/07 a 21/07, 1 dia)
       
      Chegando a Uyuni já no fim da tarde, fomos pro nosso hostel. Alugamos um quarto privativo no Hostal Oro Blanco (https://www.hostaloroblancouyuni.com/). A cidade é bem pequena, e a área turística, então, ocupa uma dúzia de quarteirões no máximo.
       
      A cidade em si só existe como dormitório e suporte para os turistas que vão ao Salar. Como nossa intenção principal era chegar no parque Sajama, apenas dormimos no hostel para pegarmos o trem no dia seguinte a Oruro. E realmente, meio dia foi mais que suficiente pra uma cidade que não tem absolutamente nada haha
       
      Único destaque, caso passem por aqui, é o restaurante Pachamama. Ele fica logo virando a esquina à direita na peatonal em sentido contrário à estação ferrocarril. É um restaurante muito simples, que só uma vozinha boliviana atende; tenha paciência, pois ela anota os pedidos e faz a comida (e quando dizemos faz, ela FAZ, do começo ao fim). Muita gente entrou e saiu nervosa porque não foi atendido; nós não tínhamos pressa e fomos recompensados com a melhor comida de vó ❤️

                        Além de comida de vó, tem chazinho de coca vó! Aquece o coração ❤️ 
       
      [trem] Uyuni - Oruro (21/07)
      Pegamos o trem noturno. Coloco aqui dia 21 pois compramos o da meia noite. São algo como 4 saídas semanais a Oruro, por duas companhias diferentes.
      Dica: O valor é muito barato, portanto, não economizem se forem no inverno e no noturno. A classe econômica é um FRIO da porra! Ainda mais o dia que fomos, que nevou. Aí já viu, viramos pinguim no trem haha
       
      [van] Oruro - Patacamaya (22/07)
       
      Aqui começou a parte incerta do roteiro. De Oruro até Sajama tínhamos apenas indícios de como chegar. Mas no fim é bem simples!
      Primeiro que a estação de trem não é próxima a de ônibus. Não parece ser tão distante, também, mas no horário que chegamos (7h) o ideal era pegar um táxi.
      Já no táxi perguntamos como faríamos para chegar até Patacamaya, o ponto médio até Sajama. Na rodoviária o taxista gentilmente nos deixou perto das vans e nos apontou quais pegar.
      Aparentemente as vans saem com bastante recorrência; chegamos lá e tinha uma pronta pra sair. Esperamos algo como 15-20 min para encher o carro e partimos.
      A viagem durou cerca de 1h30, no máximo, num caminho bastante tranquilo.
       
      [van] Patacamaya - Sajama (22/07)
       
      Chegamos a Patacamaya estourando 9 da manhã. Sabíamos, segundo relatos, que uma van saía daqui às 13h.
      Chegando lá, uma confusão do cacete na rua que servia como terminal de ônibus, vans, mercado e tudo mais (além da lama da neve que tinha caído e tava secando rs), fomos procurar onde saía a tal da van pra Sajama.
      “Ahí!”, “Allá”, “Más adelante!”, “En frente del mercadito”... nossa referencia era que as vans saíam em frente ao “Restaurante Capitol”; não encontramos o tal restaurante, mas encontramos as vans. Haha
       
      Não sei se a quantidade de vans e horários aumentaram, mas quando chegamos já estavam enchendo uma pra partir. Estávamos em dois (Regina e eu) e mais três franceses. Esperamos algo como 30-45 min ali; como não vinha ninguém, o cara da van decidiu partir com 5 mesmo e bem mais cedo que o esperado, às 10h.
       
      Dois parêntesis aqui:
      Tudo na nossa viagem deu certo, tudo. Mas conversando com os franceses, vimos que tivemos foi sorte e estávamos certos em esperar algum contratempo. Eles tiveram. Vieram de Oruro a Patacamaya um dia antes que nós, mas ficaram presos na cidade por conta da nevasca que fez as estradas até a divisa com o Chile fechar. A Regina foi até o banheiro em Patacamaya. Era um dos “baños publicos”, porém dentro da casa de uma pessoa. Ela entrou, a porta trancou e quando foi sair a pessoa estava longe e ela ficou um bom tempo pra conseguir sair; se forem aproveitar a parada pra ir no banheiro, vão em dois rs Chegamos a Sajama depois de umas 3 horas de viagem e, quanto mais avançávamos na estrada mais neve víamos. Parece que a nevasca tinha sido das brabas mesmo; sorte pra nós!

                                                             Essa era nossa visão na estrada. Achávamos que tínhamos nos ferrado...

              ...masss nossa sinhora da boa viage ajuda bastante nois, e deu um céu bonito, neve e muitas lhaminhas num cenário pra lá de bucólico!
       
      Sajama (22/07 a 27/07, 5 dias)

      Chegamos exaustos de 7h de viagem de trem + 5 de van, sem contar as paradas. Então a única coisa que queríamos era chegar no hostel. Ficamos no Hostal Osasis (http://hostal-oasis.com/) que fica bem na entrada da cidade.

                                                                     Vista da praça central e igreja ❤️ 
      Sobre hospedagem, importante abrir pequeno-grande um parêntesis: Sajama é uma vila indígena aymara que vive basicamente do turismo de montanhismo de gringos e galera, igual a gente, que quer conhecer um local diferente e ficar entocado na montanha. Apesar das atrações ser bem parecidas às do Atacama (contando com geisers, lagunas altiplanicas, etc., etc., apesar de proporções modestas) é um local bem menos badalado.
      Quando saímos para a viagem, gostamos de deixar tudo certinho, principalmente as reservas pra não termos surpresa. Os dois únicos hostals  que tem site em Sajama são: Oasis e Sajama.
      Entretanto, cada uma das famílias da cidade tem seu próprio alojamento, muitos inclusive sem nenhuma propaganda, já que o acesso a internet já é bem limitado.
      Então, podem ir sem medo de não ter reserva, pois além de contribuírem com a uma maior rotatividade da economia local, vocês podem ajudar essas famílias que acabam perdendo clientes pros dois maiores hotéis da vila.
      Caso ainda sim queiram ir com a estadia garantida e agendada, vou deixar aqui o contato de whatsapp da Reina: +591 74840766. Nós conhecemos por meio da sua mãe, que tem tienda America em uma das praças da cidade. A hospedagem dela é um pouco mais pra dentro na cidade, cabaninhas muito simpáticas e recém-construídas, além de terem um preço mais em conta.
      Um alerta: se vocês, assim como eu, tiveram problemas de adaptação com a altitude, peguem leve em Sajama! Aqui é ainda mais alto que Potosí, já que a região fica a 4.200+ de altitude. Isso influenciou bastante no nosso ritmo e foi muito bom termos ficado bastante tempo! Quase todos os passeios são longe, não existe um complexo de transporte e roteiros turísticos aqui. A prática é você fechar com moradores que tem carro, e eles em geral apenas levam; dificilmente ficam com você para trazer de volta.
      Levando em conta que boa parte das atrações ficam a, pelo menos, 6-8km de distância, precisa-se estar bem adaptado à altitude e com bastante preparo! 
      Nossos passeios fora basicamente dois nesses dias:
      Mirador de Sajama, que fica bem próximo à vila. Por um sendero que começa por uma das ruas do povoado, você segue em direção ao monte mais próximo. É bem fácil de encontrar, apesar de tudo estar bem nevado e ter sido difícil de encontrar o caminho. Pelo mesmo motivo, foi difícil chegar ao topo (além da falta de ar haha ), mas conseguimos ir até a metade do caminho e valeu super a pena! Com o local mais seco, tenho certeza que vocês vão conseguir ir até o topo, não é muito íngreme e até a Regina que tem problemas de joelho foi traquilamente.
                                                                     Mirador a meia altura!
      Laguna Huañacota, que fica a mais ou menos uns 9km do povoado. Como dissemos, é possível ir de carro e voltar a pé, é o que geralmente as pessoas fazem. No nosso caso, fizemos os mais de 18km de ida-volta à pé, beeem devagar. Foi cansativo mas valeu a pena, tendo inclusive uma companheira por boa parte do caminho, uma perrita chamada Luna que foi nos mordendo o calcanhar até a laguna! rs No mesmo caminho dessa laguna existe algumas termais; a principal fica entrando por uma bifurcação da estrada principal, mais ou menos ha uns 2-3km da cidade. Acabamos não indo, mas vale a pena!
                                       Panorâmica da Laguna Huñacota (Luna pode ser vista pro canto direito da foto haha)
      Os dois passeios são coisa pra metade de um dia; mesmo a laguna e seus muitos km a ser percorridos podem ser feitos em 6 horas tranquilamente. Caso pensem em passar nas termais, saiam mais cedo que conseguem fazer tudo em 8-10h tranquilo.
      Apesar de ainda existirem outras muitas atrações (pelo menos mais uma laguna e geiseres, além de pueblos próximos) acabamos por optar por descansar e viver um pouco o vilarejo. O esquema é muito familiar e não existem restaurantes; para você almoçar ou jantar, precisa falar em alguma das tiendas com as cholas e marcar um horário que passarão para comer. Fazendo isso em um lugar a cada dia, você conhece diversas famílias e conversa com muitas pessoas.
      Com isso aprendemos muito sobre o funcionamento da cidade. É literalmente uma comunidade indígena que se urbanizou e semi-modernizou; aqui, todos tem responsabilidade para com o bem público. Todos os meses, no dia 28, as pessoas da cidade se reúnem pra conversar sobre o que tem acontecido, os problemas e as soluções, construções que precisam ser feitas, etc. Também são os proprios moradores que fazem a limpeza das ruas e, pelo que nos foi dito, fazem uma coleta seletiva e o que podem vendem/reciclam em La Paz.

              Fiz questão de tirar foto da placa de uma das pontes da cidade, por constar essa parada do trabalho popular.
      O parque, como sabem, tem uma entrada que custa 100bobs por pessoa; infelizmente, pelo que nos foi dito, esse dinheiro não é revertido para a comunidade, apesar do governo entrar com uma parte das obras estruturais, mas ao que parece boa parte é feita pelos próprios moradores. Acho que conhecer mais sobre o pueblo e seus moradores, pra mim, foi um dos pontos altos do rolê e valeu mais que qualquer laguna, geiser ou mirador. Se forem até lá, façam isso!

        Vista da Tienda America, lugar onde almoçamos algumas boas vezes com a dueña Benigna e conhecemos bastante da cidade.
       
      [van] Sajama - Tambo Quemado  e [busão] Tambo Quemado - Arica (28/07)
      Essa foi uma das dificuldades que encontramos, principalmente de encontrar relatos precisos sobre como chegar no Chile a partir de Sajama. Como o lugar é um pueblo e não tem rodoviária nem serviço de transporte que não seja até Patacamaya, o caminho mais fácil e lógico é o de Oruro-La Paz. Se o roteiro de vocês for esse, vão sem medo.
      Se tiverem como objetivo chegar em Arica, vocês precisam conseguir uma van até Tambo Quemado, que é uma parada de caminhões próxima à divisa Bolivia-Chile. Logo que chegarem na cidade, conversem com alguém da trans-sajama.  Demos sorte de conhecer o David, um senhor muito gentil que, por coincidência, iria à Tambo no dia que partiríamos (calhou de ser o dia que tem uma feira de artesanato que eles vão rs). De qualquer forma, não é nada difícil de conseguir uma carona até lá. É preciso chegar cedinho, lá pelas 8h, pois o primeiro busão de La Paz pro Chile começa a passar por ali la pelas 9h30-10h. Pelo que nos disseram são um total de 5 ônibus e, com certeza, um deles vai ter lugar.
      No nosso caso, o primeiro que passou já tinha exatamente dois lugares vagos e fomos nele mesmo! Por ser internacional, eles aceitam tanto bolivianos quando pesos chilenos; pagamos 100 bolivianos por passagem, se não me engano.
      Mas é basicamente isso; sem muitos problemas conseguimos chegar no Chile.
      Ah, importante! 🧐 na fronteira nos pediram a carteirinha de vacinação internacional de febre amarela; não esqueçam de levar!
      A viagem dura umas 5h e, logo no começo, passa-se pelo parque Lauca (parque irmão do Sajama do lado Chileno); se tiverem o interesse, vale descer e conhecer e depois pegar outro ônibus, apesar de ser um rolê caro, visto que se paga o preço cheio da viagem duas vezes. Pela janela já é uma ótima visão! ❤️ 

                                                                                             Vista da janela do busão do Parque Lauca ❤️         
      Enfim, a viagem envolve a descida dos Andes de 4.200m até o nível do mar. Pode se preparar pra bastante sono e vertigem; mas é lindo também e foto nenhuma consegue captar o que se vê com os olhos ali, sem dúvida algo que vale a pena ser feito!
       
      Arica (28/07 a 29/07, 1 dia)
      Chegamos em Arica no meio da tarde. A cidade costaneira do lado do Pacífico fica muito, mas MUITO próxima do Peru. Já no terminal é possível ver ônibus que partem para Tacna, que fica algo como 50km de Arica. Infelizmente não tínhamos tempo, mas nossos planos era ter subido até Cusco, passando por Arequipa, como muitas pessoas fazem.
      Saímos da rodoviária e estranhamos o asfalto e o trânsito, depois de tanto tempo em Sajama. 
      Ficamos no aribnb do Sebástian e Ricardo, que fica bem pertinho da praia.

                                                                   Coisas que aderimos à dieta quando voltamos: pão com palta (abacate)
      Arica foi apenas um local pra que a gente voltasse pro Brasil, então nem pensamos muito onde ir ou o que aproveitar. Chegamos de Sajama e só pensamos em cair na cama e dormir.
      No dia seguinte, arrumamos nossa mala e deixamos tudo pronto pra sairmos à noitinha.
      Saímos pra explorar a cidade. Arica é uma cidade bem pequena e, ficando onde ficamos, da pra ir e voltar a pé ao centrinho que tem a maior parte das atrações.

                                                                              Dia nublado e na praia, vendo o Pacífico! 
      No fim da noite, combinamos com Sebastian um Uber que nos levaria ao aeroporto e partimos.
      [aereo] Arica - Santiago (29/07) e Santiago São - Paulo (30/07)
      De novo passamos a noite no aereo, dessa vez mais cansados ainda. Mas, apesar de tudo isso, voltamos pro Brasil revigorados!
       
       



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