Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

milamguerra

Mendoza, Argentina: 8 dias na terra do malbec e do Aconcágua

Posts Recomendados

Eu e meu marido passamos 1 semana em Mendoza entre 14 e 21 de maio de 2017. Meu primeiro conselho para quem vai é: leia o fórum aqui do Mochileiros. Tem muita informação que ajuda a ter uma ótima ideia sobre como funciona a região. Vamos ao relato:

 

14/05 (domingo) – Rio x GRU x MDZ

Fomos de Gol, saindo do Galeão às 8h da manhã e chegamos em Mendoza às 15h sem nenhum atropelo. A intenção era ir para Santiago e partir de ônibus para Mendoza. Acontece que a época que escolhi (outono) costuma receber nevascas na montanha e fechar o Paso. Como não tínhamos dias sobrando caso isso acontecesse, resolvemos não correr esse risco. Fomos direto de avião mesmo.

 

Fomos com uma merrequinha de pesos argentinos no bolso que havia sobrado de uma viagem anterior. Não dava para pagar o táxi (que custou AR$ 160) e nós já sabíamos disso, então fomos buscar um local para câmbio e o cara do escritório de informações turísticas disse que não há como fazer câmbio ali. A saída era pagar o táxi com dólar mesmo.

 

Bem, fomos em busca de táxi e não havia nenhum ali. No ponto já havia um casal de brasileiros esperando e nos juntamos a eles. Sugeri que pegássemos um táxi juntos para reduzir o tempo de espera e eles toparam. Em seguida chegou um táxi da cidade, aqueles pintados de amarelo e azul marinho, para deixar passageiros e fui logo perguntando se podia nos levar. Ele enrolou, disse que não cabia todo mundo, desconversou e logo em seguida chegou o táxi do aeroporto mesmo. Já veio abrindo a porta, colocou todas as malas no carro e partiu feliz da vida com todos nós para cidade.

 

Uma curiosidade aqui é que as pessoas de Mendoza normalmente são simpáticas e solícitas quando você as aborda, mas os motoristas desses táxis pintados, meudeus, que mau humor! :?

 

Fizemos check-in no hotel Villaggio Boutique que eu havia reservado pelo Booking. Aliás excelente hotel e excelente localização, recomendo o Villagio. Deixamos nossas coisas no quarto e partimos para a Praça Independência. O tempo estava ótimo, um pouco frio e a barriga começou a roncar de fome. Não conhecíamos nada ainda e caímos na Peatonal Sarmiento. Furada. Às 16h só tinha uma casa de doces e um café aberto por ali, mas nada que nos inspirasse. Foi quando vimos um Subway e resolvemos não inventar mais. Mas gente, como aquele teriaki deles arde. Credo! E olha que eu gosto de uma pimentinha heim... ::essa::

 

Depois do lanche fomos ao Carrefour comprar água, pasta de dentes e biscoitinhos (que acabaram ficando de brinde pro hotel porque come-se MUITO bem nessa cidade). Eis que me deparo com algo que quase me fez voltar ao mercado todo dia... Como não amar? ::love::

 

livros-carrefour-mendoza.jpg.63a6b449c8f3cf7a6985abfc97fcec81.jpg

 

Mais tarde saímos para jantar, afinal, era meu aniversário. O cansaço nos levou para a pizzaria mais próxima que a gente achou e entramos na Pizzaiolo, na Calle Sarmiento. Ótima pizza e ótimo atendimento. Não tomamos vinho porque no dia seguinte começaríamos uma maratona pelas bodegas, mas os preços dos vinhos nos restaurantes não é ruim. Por AR$ 400 tivemos um ótimo jantar: antepasto de berinjela com pãezinhos quentinhos, uma pizza grande deliciosa, dois refris e com a gorjeta inclusa. Ah é, não se esqueçam que a gorjeta lá não vem na conta e você dá o valor que acha justo. Fechamos a noite de barriga cheia e felizes da vida por estarmos em Mendoza.

 

Normalmente a gente aluga carro pra ter mais liberdade, mas como não queríamos nos preocupar com a quantidade de vinho que bebíamos, resolvemos contratar um motorista e foi a melhor decisão que tomamos para essa viagem. Dei uma procurada em fóruns e blogs e cheguei no recomendo Leonardo Harth (tão recomendado que fiquei até desconfiada no início, mas a dica é quente mesmo). Fiz contato por e-mail, ele respondeu rapidinho, mandou infos sobre a cidade, sugeriu roteiro, fez o preço, chorei um descontinho e fechamos um pacote com 4 dias de passeio (3 dias de bodegas + Alta Montanha).

 

15/05 (segunda-feira) – Vinícolas de Maipú

Às 9h o Christian (motorista enviado pelo Leonardo) nos buscou no hotel e pedimos que ele nos levasse a uma casa de câmbio onde trocamos alguns dólares (a AR$ 15,50) e, depois, partimos para Maipú. É bom lembrar que você vai sair da casa de câmbio com uma quantidade de notas de dinheiro 15 vezes maior do que quando entrou. Então, planeje-se pra ter onde enfiar essa papelada toda.

As folhas amarelas e vermelhas do outono estavam tão lindas que eu queria parar toda hora pra tirar foto. Quase precisei de uma camisa de força pra conseguir resistir.

 

folhas-arvores-maipu-outono-mendoza-argentina.jpg.2a6af682fcd29007f5f13030e892d145.jpg

 

Primeira bodega que visitamos foi a El Enemigo (do enólogo da Catena Zapata). Quando chegamos lá estavam colhendo azeitonas, que também é um forte da região. Pegamos dois tipos de degustação diferentes e trocamos as taças enquanto experimentávamos os vinhos. Foram 7 vinhos diferentes no total. A bodega é pequena e até um pouco exótica. De tempos em tempos eles escolhem um artista da região e adornam o local com as peças dele. Foi a primeira vez que vi desses tanques de concreto em formato oval que, de acordo com eles, dispensa a interferência externa durante a fermentação e o processo de remontagem (mistura), deixando os taninos mais polidos. Os vinhos dessa bodega são excelentes e nos apaixonamos pelo Malbec deles. Fazem ótimos Cabernet Franc também. Na El Enemigo provamos também a melhor empanada de toda a viagem, servida na degustação dos vinhos, junto com nozes, castanhas, passas e queijinhos. Lugar super agradável e pessoal simpático.

 

el-enemigo.jpg.36047174e5d25f29d2d70c03cc71a190.jpg

 

Perdemos a hora e o nosso guia veio correndo nos buscar. Dali seguimos para a Trapiche, uma vinícola grande, bem industrial. Quando chegamos o tour já tinha começado, mas conseguimos acompanhar, fizemos a degustação (que eu achei fraquíssima), tiramos algumas fotos e fomos embora. O lugar é bonito, mas a Trapiche não nos conquistou, apesar de gostarmos dos vinhos dessa bodega. Pagamos aqui AR$ 150 por pessoa para degustar 3 vinhos e sem nenhum acompanhamento.

 

trapiche-mendoza-argentina.jpg.a6847910ca3ea6d52dce619ca671051c.jpg

 

Fomos almoçar na Casa de Campo. Ótimo restaurante com comida caseira muito bem elaborada. O dono é super simpático e muito atencioso. Nesse restaurante, se você quiser vinho, escolhe uma garrafa da adega com a ajuda do dono para acompanhar o almoço. A comida é muito boa, recomendo. Acontece que para acompanhar a sobremesa serviram um vinho doce e eu tomei. Primeira bola fora da viagem. De uma hora pra outra fiquei “borracha”. Cuidado, gente! Vinho doce é um perigo e se misturar lascou-se! A sorte é que dali fomos para o hotel e não deu tempo de fazer vergonha. Coloquei uma roupa mais confortável e fui com o marido caminhar (andar é bom pra curar pileque, viu?) na Praça Independência. Lá pelas tantas lembrei que glicose é bom pra essas coisas e fui comprar um algodão doce ali na praça mesmo. Nem quero saber o estado do meu espanhol naquela hora, mas no fim das contas saímos da barraquinha de algodão doce com dois algodões, um deles de graça, que o vendedor fez questão que levássemos. Insistiu muito repetindo sem parar que era presente pro meu marido “yo te regalo, estranjero”. Acho que no fim das contas a cara de bêbada não era só a minha... ::lol4::

 

16/05 (terça-feira) – Vinícolas de Luján de Cuyo

O dia amanheceu nublado, muito frio. Dessa vez o Leonardo nos enviou o Alfredo, outro motorista que presta serviço pra ele. Adoramos o Alfredo também. Saímos do hotel às 8h30 e chegamos na Achaval Ferrer com o céu todo encoberto. Não deu pra curtir a vista da Cordilheira. O lugar é lindo, aconchegante, pessoal simpático e os vinhos são excelentes e experimentamos um dos vinhos direto da barrica. Peguei leve porque o estômago estava de mal comigo e não queria conversa. Mesmo assim foi uma ótima degustação. Na Achaval tomei o melhor vinho licorado da minha vida. Chama-se Dulce e é bem caro, assim como os outros vinhos da Achaval. O Finca Mirador deles também é um escândalo de bom. O atendente dessa bodega falava um ótimo português. Aliás, é muito comum o pessoal de Mendoza falar bem o nosso idioma, afinal, 80% do turismo da cidade é de brasileiros.

 

achaval-vinhos-mendoza-argentina.jpg.0f56ce0beb40f21343b1f6f4fa7cbf23.jpg

 

Coitado do Alfredo, teve que parar um monte de vezes pra gente tirar fotos de tudo o que via. Ô paciência. Eu já estava com vergonha de pedir, mas ele parava feliz da vida, todo alegre e rindo das nossas manias. Mas, gente, como eu podia deixar de tirar foto disso? Nem morta... ::love::

 

lujan-cuyo-folhas-mendoza-argentina.jpg.5c5ffc5537676048c19c9d31600a0209.jpg

 

Saímos da Achaval e partimos para uma bodega pequena e pouco conhecida, mas que foi das minhas preferidas de toda a viagem no que diz respeito à qualidade do vinho: chama-se RJ (de Raúl Jofré). Fizemos a visita, que é bem rapidinha, partimos para a degustação e nos apaixonamos pelos vinhos dessa bodega. Lá pelas tantas o dono apareceu, conversou um tempão conosco, contou sua história e autografou as garrafas que compramos. Muito simpático.

 

bodega-rj-mendoza-argentina.jpg.599130e4bac68c295874488a7f05ead2.jpg

 

A fome já estava monstra e partimos para almoçar na Belasco de Baquedano. Almoço harmonizado com 5 passos. Gente, que delícia! Recomendo muito o almoço da Belasco. Além de tudo, o tempo estava bem melhor e almoçamos com uma vista lindíssima para a Cordilheira. Nem preciso dizer que depois do almoço rodamos pra lá e pra cá tirando fotos... Maravilhoso o lugar, ótimo atendimento e bons vinhos. A sala de aromas deles também é muito bacaninha.

 

belasco-de-baquedano-mendoza-andes.jpg.8fc02744e59cb24a29b5cf90a364efa8.jpg

 

Foi a vez do marido cair nas garras do vinho e ficar um pouco borracho. Faz parte, né?

 

Mais tarde fomos atrás de umas empanadas e entramos em um café na Peatonal Sarmiento. Bom atendimento, mas que empanada xexelenta! Eca!

 

Chegando no hotel escrevi pro Leonardo pra confirmar o tour do dia seguinte para a Alta Montanha, conforme havíamos combinado. Mas, lamentavelmente, havia acontecido um acidente naquele dia com um caminhão e uma van. Nesse acidente morreram 4 turistas brasileiros e o motorista da van, que era argentino. :cry: Uma imprudência do caminhoneiro que fez uma ultrapassagem de risco em um local proibido. Bem, não insistimos na Alta Montanha e mudamos o passeio. Dia seguinte partiríamos para Uco então.

 

17/05 (quarta-feira) – Vinícolas do Vale do Uco

Às 8h30 partimos com o Luciano, outro motorista do Leonardo, para o Vale do Uco. Essa é a região de bodegas mais distante da cidade e mais próxima da Cordilheira. São cerca de 1h30 de distância por uma paisagem muito bonita. Como nos outros dias, amanheceu nublado e a cordilheira coberta.

 

Nossa primeira parada do dia foi a Bodega Andeluna. Nessa bodega tivemos a melhor explicação de toda a viagem. A visita foi guiada pelo enólogo Maurício e foi super show. Recomendo fortemente uma visita à bodega Andeluna. Maurício explicou detalhadamente o processo do vinho desde o plantio até a venda/exportação e armazenamento. A degustação também foi muito boa e os vinhos deles são ótimos. A Andeluna tem um Torrontés maravilhoso. Eu gosto muito dos brancos, mas não sou fã do chardonnay, acho o gosto amanteigado dele meio enjoativo, mas tive que abrir uma exceção para o chardonnay da Andeluna. Ótimo vinho.

 

andeluna-andes-mendoza-argentina.jpg.5f2afef9063f3d74bc41a2441fb4ade4.jpg

 

Saímos dali com peninha porque a visita foi muito boa, o lugar é lindo demais e queríamos ficar mais, mas era hora de visitarmos a La Azul. Bodega pequena, bem descolada, com uma história curiosa e uma vista linda para a Cordilheira. A degustação foi feita do lado de fora, no solzinho pra espantar o frio. Bons vinhos também, mas achei a visita um pouco corrida. Aliás, de uma maneira geral (tirando a Andeluna) achei as visitas bem corridas e as explicações meio superficiais.

 

bodega-la-azul-mendoza-argentina.jpg.e34a88fe8235b688fd49cce0fcf41b0d.jpg

 

Dali partimos para a Tupungato Divino onde fiz uma amiguinha, tiramos muitas fotos e almoçamos. O esquema é o mesmo da Casa de Campo onde você tem que comprar a garrafa para acompanhar o almoço que, por sinal, estava divino mesmo.

 

almoco-tupungato-divino-mendoza-argentina.jpg.c92d293538e06733f09ec637c5ab9d69.jpg

 

A sorte é que um casal de brasileiros com quem nos encontramos várias vezes nesse dia estava também lá. Almoçamos juntos e “rachamos” uma garrafa de Merlot. Nada de chegar no hotel borracho dessa vez.

 

tupungato-divino-mendoza-argentina.jpg.52816205c3a0a7ef412832f55e339806.jpg

 

No fim da tarde fomos andar pela cidade e conhecer o Mercado Central de Mendoza. O lugar é pequeno, não tem nada de excepcional, mas essa visitinha me custou muito caro. Passamos pela seção de temperos (muito pó) e a minha rinite atacou feroz me azucrinando o juízo pelo resto da viagem. Então, aviso aos alérgicos: cuidado com o mercado central!

 

temperos.jpg.790bf36f6232e99327a1d0bb59ab49d2.jpg

 

À noite a fome era pouca e comemos umas empanadas sem brilho em um bar na Calle Sarmiento, ali perto do hotel mesmo.

 

Dia 18/05 (quinta-feira) – Alta montanha. Só que não. Cuyo de novo.

Acordamos cedo e às 8h estávamos prontinhos para conhecer a Alta Montanha. No entanto, chovia e o tempo estava uma porcaria. Ficamos felizes quando vimos o Alfredo entrar no hotel, pois ele foi motorista do ônibus da CATA que faz o trajeto Mendoza x Santiago x Mendoza pela Cordilheira durante 11 anos seguidos. Experiência é que não falta pra ele e num dia desses, pós acidente e chuvoso, vê-lo foi uma alegria. Mas a verdade é que não estávamos com ânimo de fazer esse tour longo e não poder ver nada. Perguntei se podíamos trocar e ele logo concordou. Ligou para o Leonardo, combinamos preço e locais (mais um dia de vinícolas não estava nos planos) e partimos para Luján de Cuyo. Foi a melhor coisa porque o tempo ficou ruim o dia todinho.

 

Primeira visita do dia foi na Budeguer. Uma bodega recente (6 anos) com estilo bem moderno e, dizem, com uma linda vista para a Cordilheira. Infelizmente, as nuvens não desagarraram das montanhas e a gente perdeu a vista, mas a visita e a degustação foram boas. A Micaela, que nos recebeu para a visita, é uma figuraça. Nessa bodega experimentamos pela primeira vez um petit verdot e diretamente da barrica.

 

Em seguida fomos para a Carmelo Patti e quando chegamos lá a visita já estava em andamento. O pessoal adora o Carmelo, que é um senhorzinho muito simpático e carismático, mas nós não gostamos muito dos vinhos dele. O lugar também não tem nenhum apelo, nada pra ver, é só um galpão industrial e uma salinha onde ele faz a degustação (a única gratuita que eu vi). Mas há quem se apaixone pelo Carmelo e pelos vinhos dele. No assunto vinho, tudo é muito pessoal.

 

Dali fomos para a Clos de Chacras. Ainda chovia. Fizemos uma visita rápida e fomos comer. Escolhemos um almoço harmonizado de 4 passos (ou 5, não lembro direito). Delícia. É muita comida e muito vinho, gente. Acho que esse foi o almoço mais bem servido de todos, inclusive no que diz respeito aos vinhos.

 

clos-de-chacras-vinhos-mendoza-argentina.jpg.e63dbf5bbcac5f204e243a9e007ce87c.jpg

 

Eles quase enchiam as taças e dava o maior dó ver aquele vinho todo lá dando sopa e a gente não aguentar beber. Mas o fígado já estava pedindo “penico” e decidimos não abusar dele. Depois do almoço ainda rodamos por ali tirando algumas fotos. Essa bodega é muito aconchegante e tem um jardim lindinho com um lago muito fotogênico. O lugar é um charme. Uma pena que o tempo estava tão ruim. Mas enfim, valeu assim mesmo.

 

clos-de-chacras-mendoza-argentina.jpg.effb2ecac6d4a916030c24b40c71bafb.jpg

 

Dali fomos pro hotel e não saímos mais. Afinal, a barriga estava cheia e ninguém merece andar na chuva.

 

Dia 19/05 – Alta Montanha (será?)

Acordamos cedo e ainda estava escuro mas, conforme a previsão havia prometido, o tempo parecia melhor. Novamente encontramos o Alfredo no hotel e partimos animados para a montanha. No trajeto vimos o sol iluminar aos poucos a cordilheira, pintando-a com seu amarelo ouro. Lindo demais.

 

andes-alta-montanha1.jpg.b96419ba65d1aecf1366c3aff953af63.jpg

 

Esse passeio não tem uma atração específica, ele é, na verdade, uma atração completa. Todo o caminho é bonito. As formações rochosas, as montanhas, o dique, a estrada, o pequeno Rio Mendoza que nos acompanha durante todo o trajeto...um conjunto lindo!

 

Paramos no dique de Potrerillos para umas fotos e fazia uma friaca danada. Tive que colocar luva e gorro pra aguentar ficar uns minutinhos ali. É um lugar muito bonito e Alfredo nos contou que eles estão fazendo outra estrada de acesso ao dique.

 

estrada-potrerillos-mendoza-argentina.jpg.b04566dc64edf0cff3b3eb3b6bf4f0e0.jpg

 

Não paramos muito durante a viagem porque, de acordo com Alfredo, não é permitido parar em qualquer lugar. A estrada tem acostamento mas parece que já houve acidentes porque os turistas gostavam de parar onde bem entendiam. Enfim, seguimos viagem parando onde podíamos.

 

Em Uspallata pedi ao Alfredo para dar uma paradinha e fomos ao banheiro do hotel colocar nossa calça de segunda pele. Fazia um frio de cortar. Aproveitamos e tomamos um café com alfajor no café do hotel e seguimos viagem.

Para ser sincera, não achei a estrada em si tão perigosa quanto dizem. O perigo mesmo está nos caminhões. Há uma quantidade impressionante deles e quando acontece do Paso ficar fechado, eles se acumulam aos milhares e cruzam todos juntos no mesmo dia. Dizem que em um dia normal cerca de 13.000 caminhões fazem essa travessia. Coisa de louco. Por várias vezes vi Alfredo reduzir a velocidade no intuito de se afastar bem de um caminhão que ia à frente cometendo uma imprudência. Quem for dirigir por lá precisa ficar muito atento a eles.

 

Paramos em Los Penitentes, a estação de esqui mais próxima a Mendoza e parecia uma cidade fantasma. Havia um pouco de neve aqui e ali, mas nada que justificasse o início da temporada. Penitentes normalmente abre no meio de junho e ainda tinha um mês pela frente pra neve chegar.

 

Paramos enfim no Parque Aconcágua e a trilha maior até a laguna estava fechada por conta da neve. Nesse momento dei graçasadeus por ter colocado minha segunda pele e levado meus apetrechos de frio (casaco impermeável, luva, gorro). Não pudemos entrar no parque então ficamos por ali um tempinho e fizemos aquela trilha pequena só mesmo pra não dizer que não fizemos nada. O Aconcágua estava escondido atrás da nuvem e fazia um frio danado, -5 graus. ::Cold:: Descemos porque no fim minha boca já não me obedecia mais e minha câmara estava dando chilique. ::Cold::

 

aconcagua-alta-montanha-mendoza-argentina.jpg.9c71ade3c809b4f682aa902f0c4575df.jpg

 

Não fomos até o Cristo porque nessa época fica fechado por conta da neve.

 

No retorno paramos em Puente del Inca. Pelas fotos o marido achou sem graça mas quando chegou lá adorou. O lugar é muito curioso, com uma formação rochosa diferente e super fotogência. Nada para se fazer ali além de apreciar a ponte, a paisagem, tirar umas fotos, comprar um artesanato e pronto.

 

puente-del-inca-alta-montanha-mendoza-argentina.jpg.4323d3078e80e422040bc90fff320d79.jpg

 

Começamos nosso retorno e paramos para almoçar uma boa truta no restaurante El Rancho em Uspallata. Depois só paramos no hotel.

 

alta-montanha-mendoza-argentina.jpg.bde29c298f51e8069f7352b218731f1f.jpg

 

Adorei, mas há quem não goste desse tipo de passeio. Então é questão de pesquisar e ver se está dentro do seu perfil. O trajeto é lindíssimo e eu acho que vale muito a pena. Sobre ir de carro alugado, com agência ou contratar um carro particular, depende muito do que você quer e do valor que você tem. O carro alugado dá uma liberdade maior que a agência (que você também tem, relativamente, com um motorista), mas não aconselho pra quem tem pouca experiência no volante. Outra coisa a considerar é a neve. Se você for no outono/inverno, prepare-se para usar cadenas que, aliás, é obrigatório ter no porta-malas mesmo sem neve. Os guardas param os carros e perguntam sobre as cadenas. Se não tiver cadenas, mesmo que não haja neve, não passa. Se for dirigindo, não beba de jeito nenhum, você vai precisar de toda a sua atenção na estrada e nos caminhões porque é o tempo todo isso aí da foto:

 

caminhoes-alta-montanha-mendoza-argentina.jpg.fd84e22d00f78d7db6a24f4bdef28eb2.jpg

 

Um mendocino nos disse que quando o Paso fica fechado por alguns dias os caminhoneiros “enfiam o pé” e abusam nas ultrapassagens para tirar o atraso dos dias que perderam parados. Foi justamente o que aconteceu quando estivemos lá. O Paso ficou fechado 4 dias e logo depois houve o acidente. Fica a dica pra quem vai dirigir nessa estrada.

 

Nesse dia ainda tentamos ver o pôr do sol no Terrazza Mirador, o prédio da prefeitura onde há um café e de onde se tem boa vista para a cidade. Acontece que no outono/inverno ele fecha às 18h e nós chegamos lá um pouquinho depois disso. Fica a dica pra não perder a viagem.

 

Saímos para jantar à noite e comemos uma massa deliciosa no restaurante bacana Francesco Barbera. AR$ 700 (entradas com pãezinhos e pastinha, duas massas muito bem servidas, dois refris e + a gorjeta). Recomendo.

 

Dia 20/05 – Offroad pelas cadeias de montanhas de Mendoza

Gente, que tour! Achei a agência pelo Google, entrei em contato e só ganhei UAU do início ao fim. O guia que nos recebeu foi o Juan, um cara educado, super profissional e muito boa gente. O tour é feito em um 4x4 e passa por terrenos onde carros de passeio não passam de jeito nenhum. Avistamos vários grupos de guarnacos, várias aves, chinchilas e até uma raposa.

 

zorro-mendoza-argentina.jpg.aae1ebb68fcad3ec02e008824dac163e.jpg

 

Logo no início do tour o Juan parou o carro, montou uma mesinha e nos serviu um café da manhã caprichado ali, no meio do nada, enquanto observávamos o silêncio das montanhas. Um tempo depois ele abriu uma garrafa de vinho para nós, um Malbec argentino muito bom.

 

canions-offroad-mendoza-argentina.jpg.e3ee6b3a423aba0284ae6c8e9fc5c2c7.jpg

 

Fomos subindo bem devagar, passando por locais incríveis até atingir o topo da 1ª e da 2ª cadeia de montanhas dos Andes. Lá em cima visitamos a Cruz de Paramillos, o Mirador do Aconcágua (que estava limpo nesse dia) e descemos para almoçar um churrasco em um abrigo de montanha perto das Minas de Paramillos. Que lugar bacana: gente simpática e comida deliciosa, com vinho, claro.

 

offroad-mirador-aconcagua-mendoza-argentina.jpg.602cd8833d0e67c70f9bfc821dcc2eae.jpg

 

Depois partimos para o bosque petrificado, identificado por Darwin e, dali, para as Minas propriamente ditas. Não entramos, ficamos só pelas ruínas observando a paisagem. No retorno pegamos o caminho das 365 curvas de Villavicencio. A paisagem salpicada de neve estava uma coisa de louco de tão linda.

 

villavicencio-com-neve-mendoza-argentina.jpg.33fccdd2633c7e06d9d94a217e32ebf5.jpg

 

É uma região muito bonita. Paramos pra fotos e para um café quentinho, servido pelo nosso guia, em plena estrada de Villavicencio. Chegamos no hotel à noite felizes da vida com esse passeio espetacular. O guia é ótimo, as paisagens são lindas, a comida é maravilhosa e o dia estava perfeito. Show!

 

villavicencio-caminho-365-curvas.jpg.eae794cf464cc60922d6772de3117744.jpg

 

Esse é um passeio mais caro porque é exclusivo, mas vale cada centavo. Fechamos a viagem com chave de ouro. Deixo o link para o post desse passeio que já publiquei, com várias fotos: http://www.viagenseandancas.com.br/2017/05/offroad-pelas-montanhas-de-mendoza-argentina-um-dia-de-land-rover-no-sope-dos-andes/'>http://www.viagenseandancas.com.br/2017/05/offroad-pelas-montanhas-de-mendoza-argentina-um-dia-de-land-rover-no-sope-dos-andes/

 

Dia 21/05 – Retorno

Compramos caixas de isopor para transportar os vinhos para o Brasil (AR$ 400 para 8 vinhos da Sol y Vino, calle Sarmiento), embalamos tudo direitinho, almoçamos na mesma pizzaria do primeiro dia, pegamos um táxi com um motorista mal humorado até o aeroporto e pronto. Adeus Mendoza. Voltamos com vontade de ficar por lá, de visitar mais bodegas e de conhecer mais montanhas. Sobre os vinhos, você consegue embarcar com 4 garrafas na cabine. O resto tem que despachar...

 

A cidade é bem organizada, tem muito comércio e restaurantes pra todos os gostos e bolsos, muitas praças e é relativamente segura. Todos os mendocinos que perguntamos disseram que não abusássemos com câmaras penduradas no pescoço e coisas de valor dando mole. A cidade não é violenta, mas há furtos e não é legal dar sopa pro azar.

 

Outra dica importante é: tome um café da manhã beeeeem reforçado para não ficar enrolado nas degustações. Especialmente nas mais simples o acompanhamento é nenhum ou fraquinho (nozes, passas e amêndoas). Algumas acrescentam pedacinhos de queijo e outras servem pedacinhos de pão com azeite. Varia.

 

Uma coisa que achei ruim em toda a área mais afastada do centro de Mendoza foi a sinalização. Fácil se perder por lá. Se for dirigir, leve um GPS porque você vai precisar.

 

Na Praça Independência há sempre uma feirinha no estilo hippie.

 

Sobre câmbio, não há casa de câmbio no aeroporto, mas você pode pagar o taxista com dólar, por exemplo. Na cidade há várias casas de câmbio e é comum ter pessoas na porta oferecendo câmbio “informal” e nem sempre a taxa de conversão compensa.

 

Na Calle Sarmiento há vários restaurantes, um ao lado do outro, com mesinhas ao ar livre e por toda a cidade há vários outros restaurantes dos mais variados tipos.

 

Táxi para andar dentro da cidade é baratinho, tornando-se uma boa opção de locomoção. Não experimentei ônibus e trem, mas me parece que funcionam muito bem.

 

Para compras achei que não compensa. Dei uma olhadinha nos preços de botas de caminhada e estão parecidos com os praticados no Brasil.

 

Além das bodegas e das montanhas de carro há outras opções em Mendoza: rafting, tirolesas, cavalgada, caminhadas, minas, esqui, parapente etc. Vi alguém no fórum perguntando sobre balão e descobri que a Bodega Zuccardi faz um passeio de balão pela sua vinícola, mas ele fica amarrado e precisa agendar com bastante antecedência porque parece que o balão não é deles.

 

Bem, é isso, pessoal! Resumindo, adorei Mendoza e recomendo muito a cidade.

 

Pra quem quiser mais detalhes sobre cada lugar que mencionei, estou postando aos poucos no meu blog, é só acompanhar lá: http://www.viagenseandancas.com.br

 

Boa viagem!

 

[]’s

Camila

  • Gostei! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Ei Camila, mais um excelente relato seu, parabens!!!

 

 

Estou querendo ir em Agosto, mas o bolso ta apertando..rs

 

Entrei la no seu site (http://www.viagenseandancas.com.br/2017/05/offroad-pelas-montanhas-de-mendoza-argentina-um-dia-de-land-rover-no-sope-dos-andes/#comments) e vi o link do passeio off-road)

 

Voce tem um planilha ou lista de custos do que gastou nesta viagem ?

 

Nas casas de cambio, trocavam reais, sabe se a cotacao estava boa?

 

 

Obrigado

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Ei Camila, mais um excelente relato seu, parabens!!!

Estou querendo ir em Agosto, mas o bolso ta apertando..rs

Entrei la no seu site (http://www.viagenseandancas.com.br/2017/05/offroad-pelas-montanhas-de-mendoza-argentina-um-dia-de-land-rover-no-sope-dos-andes/#comments) e vi o link do passeio off-road)

Voce tem um planilha ou lista de custos do que gastou nesta viagem ?

Nas casas de cambio, trocavam reais, sabe se a cotacao estava boa?

Obrigado

 

Oi João, obrigada!

 

Ainda não tive tempo de colocar os custos numa planilha, mas como foi minha primeira viagem em 3 anos (acredita?) tínhamos juntado uma grana e fomos tranquilos. Certamente não foi uma viagem tão econômica quanto poderia. ::tchann::

 

Sobre câmbio, eu levei dólar e troquei a AR$ 15,50. Meu marido fez as contas na hora e achou mais vantagem (e mais seguro) trocar real por dólar aqui no Brasil. Na correria da segunda-feira de manhã com hora marcada na bodega não lembrei de ver o valor do real na casa de câmbio, mas lembro que meu marido comentou lá que foi bom termos levado dólar. Perguntei, mas ele não lembra mais o câmbio para o real. ::putz::

 

Mendoza não é a cidade mais econômica do mundo, mas não achei absurdamente cara como disseram. O valor das degustações varia muito, vão de AR$ 150 a AR$ 1.500, dependendo da bodega e do pacote que você escolhe.

 

Eu optei por um carro com motorista, mas há outras opções mais econômicas na cidade para chegar nas bodegas. Entre elas estão o ônibus/bike, os tours com agências e o ônibus vitivinícola. Nesse site você vê o valor desse ônibus, os roteiros com dias e horários e os preços das visitações nas vinícolas: http://www.busvitivinicola.com

 

[]'s,

Camila

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Obrigado !

 

Se colocar numa planilha, manda pra nós depois !

 

3 anos sem viajar da depressão rs....... Eu fiquei 2 anos e pouco , voltei este ano também ,tava quase morrendo. rs..

 

::dãã2::ãã2::'>

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Ei Camila, mais um excelente relato seu, parabens!!!

 

 

Estou querendo ir em Agosto, mas o bolso ta apertando..rs

 

Entrei la no seu site (http://www.viagenseandancas.com.br/2017/05/offroad-pelas-montanhas-de-mendoza-argentina-um-dia-de-land-rover-no-sope-dos-andes/#comments) e vi o link do passeio off-road)

 

Voce tem um planilha ou lista de custos do que gastou nesta viagem ?

 

Nas casas de cambio, trocavam reais, sabe se a cotacao estava boa?

 

 

Obrigado

 

 

Olá! Estou com viagem marcada para julho e hoje procurei no site de uma casa de câmbio perto do hotel onde pretendo ficar e a cotação oficial está em 1 dólar = 16,1 pesos e 1 Real= 4,1 pesos.

Vc pode conferir aqui: http://www.maguitur.net/prices.php

Fazendo as contas se fosse comprar dólar hoje no Brasil, a 3,33 a diferença entre trocar lá dólares ou Reais daria cerca 74 pesos a mais no câmbio do dólar, a cada 100 reais, ou seja, cerca de 20 reais a mais levando dólar comprado no Brasil hoje. 20% a mais levando Dolar X Reais.

Espero ter ajudado.

Mari

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Meu primeiro vídeo sobre Mendoza foi o do passeio offroad. Quem quiser dar uma olhada, taí. Se gostarem, deixem um joinha. ::otemo::

 

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Muito legal...belas paisagens e emocoes....... d++ :P

 

 

Falando nisto fechei 1 roteiro, vou chegar em Santiago e partir pra Mendoza de onibus, so terei 3 dias inteiros liquidos , tirando o dia da chegada .

 

Me sugere algo neste curto prazo ?

 

Cambio, andei olhando se eu trocar reais por peso argentino em Santiago sai melhor a cotacao!!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por VoandoAltoFH
      Pessoal,
      Vou fazer um relato detalhado do Mochilão que fiz no comecinho deste ano, mas que lembrei só agora de postar aqui neste site.
      O legal de tudo isso é que registrei em videos, então estará bem fácil entender o passo a passo da viagem.
      Foram no total 32 dias de viagem e gastei R$ 13.560,00 para 2 pessoas, incluindo TUDO (hospedagem, comida, passagem aérea, passagem de ônibus, seguro viagem, passeios, transporte, taxi, mercado, museu, gorjeta, entrada de parques, etc)!!! Considerando que a cotação do dólar na época beiravam os R$ 3,85 posso dizer que em moeda americana saiu por US$ 3.522,00.
      Ressalto que se dividir o valor por pessoa, acabou saindo então por R$ 6.780,00 ou US$ 1.761,00 por pessoa aproximadamente. 
      Então, acredito que saiu bem barato e aproveitei muito a viagem.
      Todos os episódios estão registrados no meu canal do Youtube, mas postarei um pouco mais detalhado aqui, já que o conteúdo é escrito.
      Mas quem tiver curiosidades, poderá assistir por lá.
       
      Canal Voando Alto
       
      Abs!
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Mendoza
       
      Vou comentar sobre dicas, curiosidades e os pontos turísticos visitados aqui na cidade de Mendoza, na Argentina.
      Como tinha somente 1 dia pra visitar o local, decidi focar somente no centro da cidade. Mas caso queira conhecer bem a localidade, acredito que sejam necessários pelo menos 3 a 4 dias.
      Mas o que fazer em Mendoza? 
      Além do centro da cidade, o principal é realizar os passeios como, 
      Tour de Vinhos, visita ao Aconcágua, a Cordilheira dos Andes, Termas e o resourt de Ski, se estiver no inverno.
      Existem outros tipos de passeios que não recomendo, pois você conseguiria fazer em qualquer outro lugar, como rafting, tirolesa, passeios à cavalo ou de bicicleta. Não vale a pena gastar dinheiro com isso, fora que estará pagando alto, por ser um ponto turístico.
      E aqui temos as ruas de Mendoza, tome cuidado ao caminhar, pois terá um monte de buracos na calçada, se você estiver descuidado ou utilizando o celular, com certeza vai tomar um belo tombo ou se machucar.
      Esses buracos ou caminhos, foram feito para irrigar as árvores da cidade, com a água que vem do degelo das montanhas. Então verá um monte de árvores ao lado desses buracos e o bom de tudo isso é ver que a cidade é bem arborizada.
      Estamos aqui na Plaza Carlos Pellegrini, que é o ponto de encontro do Walking Tour da Vivimza, que seriam passeios à pé, em troco de gorjetas. 
      Não gostei muito desse grupo, pois achei um pouco tediante, já que passava muito mais informações técnicas da cidade, achei que estava mais numa sala de aula e por pouco não fugi no 
      meio do trajeto.
      Outro ponto que não gostei, foi que ao invés de falar que o valor de contribuição das gorjetas sejam livres, meio que estipulava um teto mínimo que deveria receber, por exemplo: "O mínimo que geralmente as pessoas me dão é de US$ 5,00 ou US$ 10,00". 
      Desculpe, mas eu dou o quanto eu achar necessário, se o serviço for bom.
      Bom! Voltando, posso dizer que tinha uma espectativa da cidade, talvez seja por isso que a minha decepção foi grande. 
      Para quem já visitou a cidade de Gramado e suas vinícolas, lá no Rio Grande do Sul, que foi o meu caso, talvez se decepcione um pouco. Já que esperava algo próximo ou semelhante, mas não 
      foi o caso.
      Já que a cidade era um pouco pacato, as construções eram bem simples, bem de cidades do interior e não estou desmerecendo isso. 
      Não tinha muito policiamento na cidade, haviam alguns problemas sociais como mendigos e moradores de rua. E não era muito recomendado caminhar longe do centro da cidade ou quando 
      anoitecer, isso era a dica da própria guia.
      Essa é um das 5 pracas principais da cidades, no fundo o Edificio Da Vinci, que tem 22 andares.
      E a Plaza Independencia que é a maior e a principal da cidade. Tive o azar porque quase toda a cidade estava em reformas, tudo fechado.
      E o porque eu mostrei um prédio de 22 andares aquela hora? Não é grande coisa, mas lembre-se que em Mendoza temos terremotos, já que fica na região próxima das placas tectônicas ou o círculo de fogo do Pacífico. Não é para espantar, mas fiquem cientes disso.
      Outra curiosidade em Mendoza, temos a famosa "Siesta" que é o famoso cochilo que o pessoal tem no horário da tarde geralmente vai das 13:30 até as 16:30. A grande maioria das lojas fecham todos os dias, menos Mc Donalds, alguns restaurantes, supermercados e vinícolas. Praticamente as ruas ficam desertas.
      Em relação à casa de câmbio, posso recomendar o Cambio Santiago, que fica na esquina entre as Av. San Martin e a Rua Catamarca. 
      Recomendo lá porque era um estabelecimento seguro e confiável. Evite efetuar o câmbio diretamente com pessoas na rua, você pode até ter uma pequena vantagem na cotação, mas pode ter 
      problemas com dinheiro falso, evite este risco. 

      * Links
      - Walking Tour Vivimza ou Tours for Tips (Existem outros melhores)
      https://vivimza.com/
      - Cambio Santiago em Mendoza
      Av. San Martín 1199, M5500 Mendoza, Argentina
      http://www.cambiosantiago.com.ar/
    • Por hmarinioficial
      Beleza??
      Em Fevereiro/Março vou mochilar pela famosa Ruta 40! Vou chegar de sp em bus até Mendoza e de lá descer pela 40 até a Patagonia! Gostaria de saber se alguem já fez essa viagem e se tem algum povoado ou lugar que não posso deixar de conhecer!(Fora os já famosos!)...vou em uma viagem sem data marcada de volta...mas tenho que levar em consideração os 3 meses de visto que vão me dar...já que por essas cidades não vou ter extrenjeria para pedir mais 90 dias....(tenho como saída cruzar até o Chile e voltar)
      Aguardo opniões e dicas! Valeu!!! E espero que todos viagem muito em suas vidas!!
    • Por Danilo Gabriel
      Uma viagem de 5.470 km de carro para conhecer a Cordilheira dos Andes.
      Mendoza, Ruta 52, Cristo Redentor de Los Andes.
      PARTIDA PARA A GRANDE AVENTURA
       https://www.youtube.com/watch?v=uVHc7Qqjovw&t=24s
       
      “Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir. (Amyr Klink)”
      Dia 23 de dezembro de 2018, um domingo, foi o dia escolhido para o inicio da grande aventura, malas prontas, mapas impressos, veículo revisado, bike fixa no transbike e a ansiedade toma conta de nós. Primeiro dia percorremos quase 900 km, a parte mais longa de toda viagem, com estradas sinuosas, subidas e muito calor.
                  Minha esposa Elizete, preparou os lanches e bebidas para passarmos o dia na estrada, e logo ao clarear do dia partimos de Blumenau rumo a São Borja no Rio Grande do Sul.
                  Optamos em fazer pequenas paradas aproximadamente entre 200 e 250 quilômetros percorridos, para ir ao banheiro, abastecer e fazer nossos lanches.
                  Cada quilômetro percorrido é possível ver a mudança de hábitos e costumes nos locais que vamos passando. Primeiro vem a subida para a região serrana com suas Araucárias exuberantes por toda parte. Quando paramos em Lagoa Vermelha já no Rio Grande do Sul, o sotaque gaúcho fica evidente, e apesar do muito calor, é comum ver os gaúchos com o tradicional chimarrão.
      Encontramos uma linda e sombrosa árvore na cidade de Lagoa Vermelha e nesta sombra paramos para fazer um lanche caprichado. Hora de conferir se a bike continua firme no transbike, ela vai ser essencial para eu conhecer lugares míticos na Argentina.
                  Conforme vamos avançando em território gaúcho, muitas fazendas com plantações de um verde marcante vão surgindo, o vento faz um balançar nessas plantações parecendo pequenas ondas no mar. Muitas borboletas voam tranquilamente desafiando o trânsito, e infelizmente muitas acabam se chocando contra os veículos.
                  A viagem segue tranqüila pela RS 285, pois muitos já estão no litoral nesse dia e o transito é abaixo do esperado. Chegamos fim da tarde em São Borja, local escolhido para nossa parada de pernoite. Hospedamos-nos na Pousada Hotel Imigrantes, bem na entrada da cidade, local singelo, mas tranqüilo e aconchegante.
      São Borja é uma das cidades mais importantes da histórica política brasileira. É onde nasceram os ex-presidentes da República, Getúlio Vargas e João Goulart. Fundado em 1682 pelos padres jesuítas, o município faz fronteira com a cidade de Santo Tomé, na província de Corrientes, Argentina. 
                  Ao cair da tarde o som das cigarras é estridente e o pôr do sol mais parece uma pintura, e majestoso o sol vai saindo dando lugar a uma noite estrelada.
                  Para tirar o cansaço da viagem e esticar um pouco as pernas, pego minha mountain bike e dou uma pequena volta pela simpática cidade. A noite vamos de carro a procura de uma lanchonete, e logo em seguida voltamos ao hotel para descansar, pois o próximo dia promete, vamos entrar na Argentina.
                  Partimos antes das oito horas, mas o céu azul e o sol raiando indica que teremos mais um dia de muito calor. Eu e minha esposa já saímos de casa com resfriado, causando um pouco de mal estar, mas não impedindo de desfrutar o lindo trajeto e descobrir nomes não comuns de algumas cidades que vamos passando, como a cidade de Não-Me-Toque no RS.
                  Saindo de São Borja ficamos na dúvida se atravessamos pela ponte internacional e já adentramos em Santo Tomé na Argentina ou se continuamos em terras brasileiras até Uruguaiana, a distância é a mesma, mas com algumas informações colhidas na internet, decidimos ir por Uruguaiana.
      Os motivos que nos fez decidir por este caminho de 180 km foi os seguintes:
      * Por Uruguaiana não tem pedágio (na ponte Internacional em São Borja ouvimos dizer que o pedágio é de R$50,00)
      *Dizem que a policia no lado Argentino nessa região é tendenciosa a cobrar propina.
      Infelizmente a estrada de São Borja até Uruguaiana está em péssimas condições, muitos buracos e mal conservada, e se não bastasse isso, sobre o rio Ibicuí na divisa da cidade de Itaqui com Uruguaiana existe uma ponte que antigamente era ferroviária (imagina a idade dela) e foi transformada em mão única sua travessia, com controle de sinaleira nas cabeceiras para não dar problema de encontros inesperados. A espera para passar por ela foi pouca, o que nos deixou com medo foi verificar a deterioração desta ponte. Inclusive somente após passar por ela e que fomos pesquisar sobre a mesma, pois ficamos indignados com seu mau estado. Olha que encontrei em nota oficial no site da AMFRO.
      Ponte Ferroviária adaptada à rodovia BR 472, existente sobre o Rio Ibicuí, na divisa dos Municípios de ITAQUI e URUGUAIANA”, por unanimidade, decidiram encaminhar a V. Ex.ª o presente ofício, expondo e vindicando o que segue:
      1 – Dado ao entendimento que é elevado o grau de degradação em que se encontram as partes de alvenaria e algumas peças metálicas que compõem a antiga Ponte, em especial, quanto a resistência dos materiais frente à demanda pelo tráfego de cargas pesadas.
      2 – Temerosas com a deterioração, desgastes e ondulações (hoje observados a olho nu, inclusive por leigos), muitas pessoas entendem que é forte a possibilidade d’a Ponte repentinamente ruir, pela falência estrutural e de materiais.
      Olhando por este lado o pedágio de R$50,00 seria mais indicado...mas é um tanto duvidoso este valor, será que não estão explorando sabendo que por segurança a maioria dos veículos acabam passando pela ponte internacional de São Borja???
      Já sobre a policia corrupta não temos mais informações, fomos parados muitas vezes até chegar em Mendoza, mas próximo a fronteira somente uma vez, e sem exceção sempre fomos abordados com educação pela policia. Na maioria das paradas era solicitado somente documento de identidade e documento do veículo. Em uma parada tive que fazer bafômetro, em outras pediam um dos itens de segurança, alguns ficavam curiosos com a bike em cima do teto, queriam saber por onde andaria, quantas marchas tem a bike, etc...Realmente não tivemos nenhum incomodo com a tal policia corrupta, que por sinal também tem no Brasil.
       
      ENTRANDO EM TERRITÓRIO ARGENTINO
       
                  Após percorrer os caóticos quilômetros até Uruguaiana, finalmente chegamos a Aduana, iríamos cruzar a fronteira, para nós era tudo novidade.
                  Uma fiscal da Receita Federal da Argentina que veio conferir os documentos do veículo me mandou encostar ao lado e solicitou uma declaração da bike que estava levando, lá fui eu atrás da sala da Receita Federal do Brasil, que ficava bem próxima solicitar a tal declaração. Chegando lá expliquei o que me pediram, levei a nota fiscal da minha bike, e a chefe do setor brasileiro disse que não faria, pois a nota não ultrapassava dois mil dólares na conversão da moeda, e abaixo deste valor não é necessário a tal declaração. Entendi como uma picuinha entre eles, mas não queria ser alvo desse desafeto. Pedi educadamente que ela explicasse isso para a fiscal argentina, e ela se levantou e foi mesmo lá explicar, e ficou entendido entre elas que poderia passar sem fazer a declaração, se por acaso a policia me questionasse era para mostrar a nota fiscal, mas em nenhuma situação precisei mostrar a nota fiscal.
      Fizemos a migração, guardamos os comprovantes para mostrar na saída do país, e finalmente percorremos os primeiros quilômetros em terras argentinas.
      A qualidade das estradas mudou rapidamente, melhorando consideravelmente na Argentina. Muitas vias de concreto, autopistas bem sinalizadas, com limites de velocidade bem diferente do Brasil, algumas com limite de 140 km. Começava as infinitas retas, muitos quilômetros de retas, planícies intermináveis, nem de binóculo você conseguiria enxergar algum morro mais distante. Trechos de até 100 km sem ter posto de combustível, por isso é muito importante não deixar baixar de meio tanque.
      O que nos deixou impressionado foi o pouquíssimo movimento de veículos, em certa parte da viagem, em uma pista simples que o acostamento era de gramado, paramos e fizemos algumas fotos e uma rápida filmagem bem no meio da pista, e durante estes minutos nenhum carro passou por nós.
      Muito interessante você num instante está falando com pessoas em português, passa uma fronteira, e muda a língua e costumes em questão de metros percorridos.
      Nosso objetivo nesse segundo dia de viagem era chegar até a pequena cidade de Saturnino M Laspiur, município de Córdoba. Mas antes de chegar lá passamos por alguns lugares interessantes. O Túnel Subfluvial Raúl Uranga, anteriormente conhecido como Túnel Subfluvial Hernandarias, é um túnel rodoviário submerso que liga as províncias de Entre Ríos e Santa Fé na Argentina, cruzando o rio Paraná entre a capital de Entre Ríos, Paraná, foi inaugurado em 1969.
      Em Santa Fé o GPS nos orientou pelo caminho mais curto, e nos levou a cruzar o centro da cidade até chegar na Ruta 158. Observamos muitos pedintes nas sinaleiras, inclusive muitos jovens, alguns mal encarados e duvidosos nas suas atitudes. Sem chances de parar, pelo menos na região que passamos.
      Diferente da região gaucha onde tinha muitas borboletas, começamos a encontrar muitas libélulas, a frente do carro e a bike ficaram com muito desses insetos grudados no fim do dia. Mais próximo do fim da tarde, começamos a observar muitos pássaros em revoada, saindo do meio das infinitas plantações ao lado da rodovia. Também é comum ver uma espécie grande de gavião que fica na beira das estradas.
      No fim da tarde chegamos na cidade de Saturnino, um pequena cidade agrícola, muito simpática e com uma bonita praça central. Ficamos na hospedaje Quique, que encontrei por acaso no Google maps. Eles não possuem site, consegui contato através do Facebook e tem uma boa recomendação, e realmente surpreendeu o aconchego desse lugar, com camas confortáveis e um bom ar condicionado, e claro um bom preço. O Sr. Quique é uma pessoa simples, querido e receptivo, e o mascote dele foi um show a parte, um cachorro que foi nos recepciona no carro com uma pinha na boca, é lógico que queria brincar, a Nadine jogou a pinha mais adiante e o cachorro foi buscar de imediato e voltou e largou a pinha nos pés dela pedindo mais....ele não cansava da brincadeira, mas nós estávamos exaustos.
      Para relaxar as pernas fui dar uma pequena volta de bike pelas ruas da cidade, que em poucos minutos foi possível percorrer toda cidade. Claro que não poderia deixar da fazer uma foto bacana na praça da cidade, ao lado de um antigo canhão de guerra com a bandeira da Argentina ao lado, meus primeiros quilômetros de bike pela Argentina. A Elizete e a Nadine também aproveitaram para caminhar na praça e fazer algumas fotos.
      O Natal mais diferente de nossas vidas, dia 25 de dezembro acordamos revigorados e prontos para pegar a estrada por mais 720 km até Mendoza, mas um pequeno imprevisto logo cedo. Ficamos esperando o Sr. Quique abrir a sala de refeição para o desayuno (café da manhã) e ele preocupado veio nos informar que somente durante dois dias do ano não é servido o café da manhã, sendo dia 25 de dezembro e 01 de janeiro, justo os dias que pernoitamos ali....que coisa!!! Mas isso não nos desanimou, apesar de não termos nada para comer seguimos viagem até encontrar um posto com conveniência. Algo que chamou nossa atenção é os lanches nas conveniências, que tem de vários formatos (quadrados, retangulares, duplos, triplos) mas sempre os mesmos sabores, queso y ramon crudo ou cozido (queijo e presunto cru ou cozido) Simplesmente não encontramos outros tipos de lanches. Outra coisa que presenciamos muito é cachorro por toda parte, comum ter dentro dos postos, da conveniência, no banheiro, nas praças.
      Seguindo nosso caminho, neste dia já na ruta 7 passamos pelo Arco del Desaguadero (Entrada San Luis - Mendoza) também conhecida como Tierra del Sol y del Buen Vino, e nos dias que estivemos em Mendoza pudemos presenciar o sol com todo seu esplendor, e claro que fomos conhecer uma Bodega (vinícola) e tomar o bom vinho.
                    Após tantos quilometros de reta, a emoção foi tomando conta quando começamos a avistar uma silhueta de montanha, a Cordilheira dos Andes. Muitas vinículas foram surgindo pelo caminho, Mendoza estava próximo!   Foi emocionante entrar na cidade, passando pela avenida San Martin, toda arborizada num contraste de construções antigas com outras mais novas, belas e bem cuidadas praças. Chegamos com facilidade no hostel e tratamos de descarregar o carro e fomos as compras no mercado bem em frente ao hostel. Optei por um quarto que tinha sua própria cozinha e banheiro, o hostel Departamentos Avenida San Martim nos agradou bastante.                      Ja a noite quando estávamos nos preparando para dormir, próximo das 22:00 horas começamos a ouvir galhos batendo contra o telhado e barulho de vento, e quando saio do quarto para verificar o que esta acontecendo, levo um susto com o tanto de vento e logo em seguida uma forte chuva desaba, e para deixar mais dramático, muito granizo acompanha a chuva. Nosso carro está estacionado na rua, e fico muito preocupado com o tanto de granizo que cai incessante. Saio catando os tapetes da entrada do hostel para por em cima carro, mas claro que não resolve muita coisa. Em uma cidade em que a quantidade de chuvas de um ano é pouco mais do que a de um mês no Rio Grande do Sul, Mendoza vive praticamente da água que vem do degelo da Cordilheira dos Andes. Por toda cidade se veem canais na calçada por onde circula água para hidratar as árvores e jardins, e a chuvarada que presenciamos acaba inundando alguns canais, e tenho que sair debaixo do granizo para muda o carro de lugar. Interessante que apesar do caos causado por tanta chuva, os mendocinos continuam circulando de carro e ônibus normalmente, como se nada estivesse acontecendo.           Ao amanhecer levanto e curioso saio para dar uma volta de bike ao redor, e o  que vejo é as estradas cobertas de folhas, que de certa forma protegeram um pouco o carro. O céu se pronuncia num azul de brigadeiro. Em toda a zona central da cidade existem árvores gigantes fechando as ruas por cima e criando um ambiente muito agradável de sombra, numa terra em que o calor é considerável. Refrescam o verão e, ao perderem suas folhas no inverno, deixam o fraco sol de inverno entrar pelas ruas largas, aquecendo os ânimos. Os mendocinos curtem a vida, um bom lugar para comprovar isso é a rua Sarmiento tomada por um mar de guarda-sóis coloridos e mesinhas nas calçadas, onde eles gostam de se reunir, seja para saborear uma empanada assada em forno a lenha com uma taça de vinho, ou para um almoço completo, ou ainda para tomar algo, como dizem por lá.                       No dia 26 decidimos não andar de carro, ficamos o dia todo caminhando pela cidade, assim conhecendo com mais detalhes esta linda cidade. Deliciamos-nos com muitos sorvetes, que são excelentes!!! Depois de experimentar muitos sabores, elegemos o de limon granizado como o mais interessante. Almoçamos na rua Peatonal Sarmiento, que tem muitas opções de restaurante. No transito de Mendoza encontramos alguns veículos bem antigos, alguns citroen 3CV, o pequeno motor bicilíndrico refrigerado a ar de 602 cm3 e pouco mais de 30 cv, também encontramos alguns Fiat 600 (igual o carro usado nos filmes do Mr.Bean)  inclusive fiz uma foto ao lado de um, me senti um gigante perto do carro. Mendoza tem regras próprias, como a siesta e o horário do jantar, bem tarde, Em Mendoza existe a tradicional "siesta” que é das 13h00 às 17h00 onde todo o comércio da cidade se encontra fechando, retornando às suas atividades após as 17h00. Nesse horário a cidade parece abandonada, pode-se atravessar as ruas de olho fechado, ninguém circula durante a siesta. Achei bem tranqüilo pedalar por Mendoza, mesmo com trânsito, se mostrou mais seguro que na minha cidade de Blumenau.                Também fizemos boa parte do cambio do Real para o Peso Argentino em Mendoza, bem próximo a Peatonal Sarmiento.             O trecho de três quadras que liga a Plaza Independência à Avenida San Martín é um dos mais belos passeios de Mendoza. Ao longo de três quadras, com circulação apenas para pedestres, você poderá caminhar em meio ao verde das grandes árvores, sentar-se em gazebos aconchegantes ou simplesmente ver a vida mendocina passar. A rua é repleta de bares e restaurantes, com mesas ao ar livre, para todos os gostos. Lá o movimento vai do início da manhã ao final da noite. É difícil escolher onde sentar-se. Com sorte, você poderá ver um bom show de rua, sempre com boa música, que acontecem por lá, e nós paramos para apreciar uma linda apresentação de um violinista, que encantou nossa filha Nadine, que estuda música e toca violino.
                  Voltamos ao hostel para fazer nossa janta, tomar a popular cerveja Quilmes e o delicioso refrigerante Pritty limón. Hora de dormir e aguardar o próximo dia, dia de explorar a cordilheira dos Andes.
       
      RUTA 52 – CORDILHEIRA DOS ANDES
      A Ruta Provincial 52 é uma continuação da Av. General San Martín, uma longa avenida que atravessa a cidade de Mendoza. Ao sair da área urbana a paisagem se torna desértica, com vegetação típica de climas áridos, e a estrada possui uma reta imensa, com cerca de 15 km de extensão. As únicas construções existentes neste longo trecho sem curvas são uma fábrica de cimento e a unidade engarrafadora da água mineral Villavicencio, uma das águas mais conhecidas na Argentina, cuja fonte se encontra na Reserva Natural que originou o seu nome.
      No meio do caminho há uma espécie de portal com pedras pintadas de branco, que são ruínas do Monumento Histórico de Canota, construído em 1935 em homenagem ao General San Martín, pois foi neste local que ele, em 1817, tomou a decisão de separar em duas partes seu exército de 5 mil homens para cruzar os Andes rumo ao território chileno. Pouco depois deste monumento termina a grande reta e a estrada, que se torna mais estreita e com um pavimento um pouco mais precário, começa seu caminho sinuoso rumo às montanhas da pré-Cordilheira. Este caminho, que antigamente era a única ligação entre Mendoza e Santiago, é popularmente conhecido como estrada das 365 curvas ou Camino de Las 365 Curvas.
       A Cordilheira dos Andes é uma vasta cadeia montanhosa, formada por um sistema contínuo de montanhas ao longo da costa ocidental da América do Sul. A Cordilheira dos Andes protege o continente Sul americano de todas as correntes marítimas, por isso influencia tanto em nosso clima. Seu relevo é abrupto, planalto e, na maior parte coberto de gelo. Há vulcões em atividades, é a maior cadeia de montanhas do mundo (em comprimento), e em seus trechos mais largos chega a 160 km do extremo leste ao oeste. Sua altitude média gira em torno de 4000 m e seu https://www.youtube.com/watch?v=uVHc7Qqjovw&t=24s ponto culminante é o monte Aconcágua, com 6 962 m de altitude. A cordilheira dos Andes se estende desde a Venezuela até a Patagônia, atravessando todo o continente sul-americano.                A expectativa era grande por esse dia, um dos principais pontos turísticos que estava em nosso roteiro. Saímos cedo para percorrer aproximadamente 40 km de carro até reserva natural Villavicencio, ponto onde eu continuei de bike até Uspallata, pedalando mais 57 km com 1.880 metros de elevação, e alcançando a altitude máxima de 3.000 metros, subindo ininterruptamente 25 km, a subida mais longa que já fiz na minha vida. Só para ter uma idéia, a serra do Rio do Rastro tem aproximados 16 km de subida.           A medida que ganhava altitude, a vegetação ia diminuindo, a cada curva um suspiro de admiração, uma paisagem ímpar e maravilhosa, aos poucos a imponente Cordilheira dos Andes se mostrava mais.                Elizete e a Nadine estavam encantadas com a beleza do lugar, e assim fomos avançando montanha acima, elas indo de carro e acompanhado minha saga de subir essa longa montanha de bike. Boa parte do trajeto é seguro e fácil de passar de carro, somente tem que ficar atento a alguma pedra que pode rolar montanha abaixo. Paramos várias vezes para contemplar a paisagem, muitas fotos para ficar registrado. Como diz o popular ditado, uma fotografia pode valer por mil palavras, assim pode-se definir as fotos desse lugar mágico.         Mais ou menos na metade da subida surge um imprevisto, avisto de longe o carro parado e elas olhando para o pneu, uma pedra causa um rasgo no pneu traseiro. Mas isso não é motivo para reclamar ou desanimar, tivemos que tirar toda bagagem do porta molas para poder trocar com o pneu de reserva, mas fizemos a tarefa nos divertindo e rindo da situação, sabendo que seria um causo para contar posteriormente. Feito a troca seguimos viagem, e logo a frente avistamos os primeiro Guanacos. “O guanaco, assim como a lhama, é um mamífero ruminante da América do Sul. Ao contrário das outras espécies de camelídeos, este animal tem pelagem mais curta, podendo passar quatro dias sem água. Vive em grandes alturas, próximas aos 4 000 metros.”                A medida que nos aproximamos dos 3.000 de altitude, á paisagem muda rapidamente, parecendo mais uma região de deserto, praticamente nenhuma espécie de vegetais. Paramos mais uma vez num local com uma vista espetacular da cadeia de montanhas, e ali fizemos um agradecimento a Deus por poder estar nesse lugar, ficamos escutando o som da montanha com o vento batendo, e a impressão que temos é que estamos mais próximos de Deus. A Nadine aproveita o momento para tocar seu ukulele e juntos cantamos a música Ousado Amor.   “ ...Traz luz para as sombras, escala montanhas pra me encontrar, derruba muralhas destrói as mentiras pra me encontrar...”
                 
                  O cume da ruta 52 está a 3.000 de altitude, e nesse ponto apesar de estarmos em pleno verão a temperatura já é bem baixa e com a presença de um vento muito gelado. Ao redor a magnífica imagem de montanhas congeladas. Bem no topo tem um monumento denominado Cruz Del Paramillos, onde fizemos algumas fotos e iniciamos a longa decida até Uspallata. As meninas sentem com a altitude, a Nadine chega a pegar no sono sem perceber, e a Elizete também tem momentos de sonolência e um pouco de dor de cabeça.
      Nesse ponto a bike atinge facilmente 60 km e avança muito mais rápido que os carros, e diferente da subida que tinha 365 curvas a descida tem longas retas e curvas leves, o freio é usado somente para aliviar a velocidade e esperar que as meninas não fiquem muito distante, pois fico preocupado com o sintoma delas.
      Chegando na pitoresca e simpática cidade de Uspallata, vamos almoçar no restaurante El Rancho, comida deliciosa mas bem mais caro do que vínhamos pagando. A preocupação era arrumar o pneu do carro que furou no caminho, e por coincidência tinha uma borracharia bem ao lado do restaurante. Desse ponto em diante a bike volta para o transbike (mas deu uma vontade enorme de continuar de bike, quem sabe numa próxima...) e seguimos rumo a Las Cuevas, última cidade antes da fronteira com Chile.
      O caminho até Las Cuevas segue pela ruta 7 e com 84 km a serem percorridos, saindo de 1800 metros até alcançar 3200 de altitude. A paisagem é de tirar o fôlego, é impossível não nos sentirmos pequenos frente a tamanha magnitude da Cordilheira dos Andes. Impressionante a mudança de cores que se seguem em cada montanha, tons de verde, outros cinza, marrom claro e muitas outras tonalidades. O trajeto em si não é de extremo perigo, o trânsito é tranqüilo nessa época, mas exige muita atenção. Há alguns trechos em que um deslizamento de terra ou pedra perece iminente. No inverno por causa das nevascas é obrigatório ter correntes para passar nessa região. Atravessamos alguns túneis estreitos, e enfrentamos bastante vento, teve momentos que fiquei preocupado se o rack do teto iria suportar, ficava dando uns estalos fortes. Passamos por alguns cicloturistas com seus alforjes carregados, numa velocidade baixíssima, lutando contra o vento e as longas subidas. Para alguns isso pode parecer loucura, mas a sensação de liberdade e de conquista parece como estampado em suas faces, uma odisséia de respeito.
      Chegamos quase fim da tarde em Las Cuevas, o céu com um intenso azul, sombra em quase toda cidade que é encravada entre os Cerros Tolosa (5.432 m) e Navarro (4.547 m), o sol batendo nos picos das montanhas, muito gelo por toda parte, uma paisagem surreal.
       
      CRISTO REDENTOR DE LOS ANDES
       
                  A poucos quilômetros da fronteira com a República do Chile, Las Cuevas é uma alternativa diferente, em uma paisagem imponente. Lugar ideal para ambientação de quem vai escalar o Aconcagua. Las Cuevas é um pitoresco povoado de alta montanha. Entre seus atrativos se destacam suas casas de estilo nórdico e escandinavo, feitas com troncos e pedras. Uma de suas construções mais características é um edifício com um grande portal que era caminho obrigatório para o Chile.
      Nós escolhemos ficar no hostel Portezuelo Del Viento, onde o Juan Pablo nos atendeu muitíssimo bem. Foi o local que mais gostamos de ter ficado hospedado, o atendimento nota dez, ambiente rústico mas acolhedor, fica de frente para a entrada do caminho ao Cristo Redentor de Los Andes. Assim que chegamos e descarregamos as malas, Pablo nos alertou que a temperatura cairia rapidamente ao anoitecer, e após tudo arrumado no quarto resolvemos ir para fora tirar umas fotos, e realmente já estava muito frio, um vento cortante que gelou o corpo rapidamente. O hostel é muito bem equipado com aquecedores, deixando super agradável o ambiente, sem falar as histórias que Pablo contava com muita empolgação, relatando algumas aventuras de escalada ao Aconcágua, no qual ficamos sabendo que ele é um conhecido e renomado guia de escalada.
      Arrependi-me de não ter ficado mais um dia nesse local e explorar um pouco as trilhas ao redor, mas mesmo assim conseguimos visitar o que tinha planejado. De manhã após o café subimos de carro ao Cristo Redentor de Los Andes. Este trajeto é fechado durante o inverno, pois acumula muito gelo, e tivemos sorte que a estrada estava transitável a veículos pequenos. È uma subida de 9 km bem íngreme, que precisa bastante atenção na direção. Nosso carro 1.0 sofreu um pouco, nessa altura é comum a perca de potência, mas isso não impediu que nosso valente chegasse aos 4.000 de altitude. Chegar ao topo dessa montanha foi surreal, foi o ponto mais alto que atingimos. Inacreditável poder chegar até a placa que limita a Argentina com o Chile. Durante a subida passamos por vários pontos com gelo, e quase chegando ao topo passamos por um corredor de quase 2 metros de gelo.
                  “O Cristo Redentor dos Andes é um monumento na Cordilheira Principal dos Andes, a 3.832 metros acima do nível médio do mar, na fronteira entre a Argentina e o Chile. Foi revelado em 13 de março de 1904 como uma celebração da resolução pacífica da disputa de fronteira entre os dois países.”
                  Junto ao monumento tem um alojamento militar de adestramento operacional brigada de montanha. Mesmo sendo pleno verão o frio é intenso nesse lugar, o vento chega a ser perturbador. Eu vi que era possível subir um pouco mais a pé, uma pequena trilha leva a um ponto mais alto, eu não resisti e encarei essa trilha pedregosa, e nesse momento foi possível sentir um pouco o ar mais rarefeito. O visual é estonteante, é possível visualizar uma parte do antigo caminho que levava ao Chile.
      Voltamos boquiabertos com tanta beleza natural, as montanhas me fascina. Chegando ao hostel a Elizete e a Nadine já sentiam os efeitos da montanha, com enjôo, tonturas e dor de cabeça. Eu então comecei a me arrumar para subir a segunda vez ao Cristo, desta vez de bike. Minha esposa me questionou se tinha certeza que faria isso, e sem hesitar um segundo respondi que não perderia esse momento por nada. Um motociclista que tinha pernoitado no hostel veio verificar minha bike, me questionou sobre minha relação de 36 dentes, duvidando que conseguisse subir a montanha sem parar. Isso de certa forma me instigou a tentar subir os 9 km sem parada, e claro que consegui, pena que ao voltar ele já tinha partido kkkk. Foi difícil no começo, pois não consegui me aquecer, e minha ansiedade era grande, mas assim que subi o primeiro quilometro fui ajustando o ritmo e curtindo o visual, passando a centímetros do peral e superando a difícil subida. Foi uma sensação indescritível chegar ao topo pedalando, uma turista americana veio me parabenizar e quis saber o tempo que levei para subir, mostrei no celular a marca de 1:16 hora. Claro que subindo esquentou bastante o corpo, mas em poucos minutos o corpo esfriou, bateu uma rajada de vento que tive que me segurar para não cair. Resolvi descer logo para não travar a musculatura, e pelo incrível que pareça a descida foi um pouco tensa, em certo momento precisei parar devido a força do vento, mas cheguei em segurança ao hostel, com a felicidade estampada na face. Lembrei de um dizer que li em uma garrafa térmica logo cedo...” Hoy vas a conquistar el cielo sin mirar lo alto que queda del suelo. (De la canción "Ella", de la cantante española Bebe)
                  Terminamos de arrumar a bagagem e começamos a volta para Mendoza, agora eu também me sentia um pouco tonto, parecia que não tinha controle da altura da minha própria voz. Nossa intenção era parar em alguns pontos turísticos entre Las Cuevas e Uspallata, mas as meninas estavam bem enjoadas e sem ânimo para mais paradas. Fizemos somente uma parada, na entrada do parque provincial Aconcágua, a imponente montanha com 6.961 metros de altitude, o ponto mais alto da América. Por ser a montanha mais alta da América desafia todos os anos montanhistas de todo mundo a escalá-la
                  Mais uma vez ficamos admirados com a beleza das cores da montanha, e a medida que vamos descendo o calor vai aumentando e o enjôo vai diminuindo. Fizemos uma parada no dique Potrerillos, que é uma barragem localizada no Rio Mendoza, com um grande lago verde-turquesa. A barragem foi construída entre 1999 e 2003 por um consórcio formado pelas Industrias Metalúrgicas Pescarmona e Cartellone para fornecer controle de inundações, hidroeletricidade e água de irrigação.
       
      ULTIMAS VISITAS E VOLTA PARA CASA
       
                  De volta a Mendoza ficamos hospedados no hostel Restó del Teatro, um antigo casarão muito bem localizado para quem quer ficar próximo ao centro, e ao lado da Plaza Indepencia. O quarto deixou a desejar, já sabíamos que não teria ar condicionado (eu pensava que não faria falta) mas devido ao grande calor que fez nesses dias o ar condicionado fez muita falta, e o ventilador de teto funcionava precariamente, parecia que a qualquer momento cairia. Mas isso não nos desanimou, até porque o café da manhã servido foi o melhor de toda viagem. Aproveitamos para conhecer um pouco mais a cidade, e claro experimentar mais sorvetes. Uma sorveteria muito boa que conhecemos foi a da Famiglia Perin, com grande variedade e sabores deliciosos.
      Como é conhecido Mendoza, a terra do sol e do bom vinho, não poderíamos deixar de conhecer uma Bodega (vinícola), e a escolhida está localizada em Luján de Cuyo, a bodega Renacer. A visitação é possível somente com hora marcada, isso fizemos ainda no Brasil. Optamos por uma visita acompanhado de almoço, algo comum na maioria das bodegas. Uma refeição diferenciada com o chef Sebastián, com pratos deliciosos, montados de uma forma criativa, e claro servido com um bom vinho. Escolhemos no menu o prato de 03 passos com destaque para tiradito de novillo a la piedra e ao ojo de bife, foi de lamber os beiços. Muitos vinhos malbec argentinos são premiados internacionalmente, e realmente fica difícil escolher o melhor.
      Tivemos mais um dia livre em Mendoza, e nesse dia aproveitei para fazer mais um pedal. Pesquisando descobri um local muito freqüentado por esportistas, o Cerro Arco. Para chegar nesse local passei pela charmosa Avenida Del Libertador, adentrando por portões enormes ao parque General San Martin.
      “O Parque General San Martín é o mais antigo parque de Mendoza, fica próximo à Cordilheira dos Andes e é um dos maiores parques da Argentina. Foram plantadas árvores e plantas numa área de aproximadamente 307 hectares e o que era um deserto se tornou um enorme oásis, um verdadeiro jardim botânico. Feitos com ferro fundido, os portões do parque foram comprados em Paris em 1908. Um condor e um escudo de Mendoza tornam a estrutura ainda mais imponente. É um ótimo passeio para caminhadas e para apreciar o jardim que, por sinal, é muito bem cuidado. Os destaques do espaço são as praças, os lugares para piqueniques e churrascos, a bela Fonte dos Continentes, um Monumento ao Exército dos Andes em homenagem ao General San Martin, bem no topo do Cerro da Glória. Pela pista que circunda o grande lago artificial do lugar transitam ciclistas, corredores, patinadores e skatistas. Vários eventos gratuitos são realizados no parque, incluindo concertos públicos de orquestra, apresentações de bandas e grupos de danças folclóricas.Dentro do parque estão localizados, além do zoológico, o Museu de Ciências Naturais e Antropológicas, o anfiteatro do Teatro Grego Frank Romero Day, onde acontece a Festa da Vendímia, o Estádio Provincial Malvinas Argentina, a Universidade Nacional de Cuyo e até um clube de golfe!”
                  Na parte alta da cidade tem vários condomínios luxuosos e logo a frente já era possível avistar o imponente Cerro Arco. Foi uma subida muito sinuosa e com muitas pedras soltas em 4,5 km. Fiquei espantado com a quantidade de pessoas treinando ou simplesmente praticando uma caminhada. Algo que nunca vi no Brasil, e olha que já tive o privilégio de subir várias serras e morros conhecidos em Santa Catarina. Pelo incrível que pareça, esse dia amanheceu gelado, isso que no dia anterior fez 38 graus. Acredito que a mudança de direção do vento trouxe o ar gelado da cordilheira dos Andes, mudando radicalmente a temperatura, mas o céu continuava azul sem nuvens.
                  Voltando ao hostel com aquela sensação de ter conhecido mais um lugar espetacular, fui logo convocando as meninas para irmos ao parque General San Martin de carro. O parque é muito grande, e passamos um bom tempo nele. O Cerro da la Glória é visita indispensável, com um incrível monumento, uma merecida homenagem ao exército. A história de Mendoza vibra e se faz presente neste morro e em seu monumento.
                  Ficamos muito satisfeito com o que conhecemos em Mendoza, procuramos sempre que possível conversar com as pessoas e aprender mais sobre a cultura deles. A conversa se deu desde com atendentes das lojas, dos hostels, outros turistas e até morador de rua. Claro que é visível a insatisfação da população com a política argentina, uma nação em crise econômica e política. Espero um dia voltar a Argentina e conhecer mais lugares, pois a Argentina tem um potencial turístico enorme, principalmente para quem gosta de aventura e paisagens singulares.
                  Dia 31 de dezembro iniciamos a volta para casa, 03 dias de viagem. Optamos em voltar pelo mesmo caminho, inclusive paramos na mesma hospedagem do Sr.Quique em Saturnino Laspiur para passar a virada do ano. Algo muito diferente, uma cidade com aproximadamente 2496 habitantes a festa é bem singela comparando com nossas festas de virada. Ao anoitecer os moradores foram montando suas mesas e cadeiras na frente de suas casas em plena ruta 158 esperando para festejar o novo ano. Tentamos ficar acordados para participar com eles da virada, mas o cansaço nos dominou e cabamos dormindo. Graças a Deus todo nosso retorno foi sem percalços, mesmo pegando uma tempestade no segundo dia de viagem, causando um pouco de tensão.
                  Ao passarmos na alfândega para fazer a migração, encontramos o pátio alagado de tanta chuva que caiu minutos antes. Assim que passamos para o lado brasileiro bateu uma certa nostalgia por tudo que vivemos na Argentina, um sentimento de satisfação por ter decidido realizar essa viagem. Tudo começou com um sonho, parecia distante, difícil de conquistar, mas com perseverança, economia, e muita vontade de experimentar algo novo, conquistamos nosso sonho.
       
       
      Lindolf Bell: Menor que meu sonho não posso ser
      LIVRO PRONTO mochileiros.docx





    • Por Wes Bonfante
      Olá, pessoal, saio neste sábado, 13 de julho de Niterói, Rio de Janeiro, em direção a Santiago no Chile de mochilão. Quero descer até Montevideo, visitar Buenos Aires novamente, Mendoza, e seguir até Santiago. Queria chegar em Santiago até dia 22 de julho. Gostaria de dicas diversas, sobre o caminho a percorrer, segurança, banhos, tempo, também aceito ofertas para couchsurfing... Ah, preciso de seguro viagem pra cada lugar? 


×
×
  • Criar Novo...