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Volta Ilha Grande

 

O relato é da trilha de Volta a Ilha Grande, feito por mim e pelo meu namorado em junho. A trilha pode ser feita em mais ou menos dias, as trilhas são bem marcadas e há bastantes pontos de apoio, além de pontos de escape, caso precise desistir ou mudar de idéia. Espero que ajude quem esteja afim de realizar essa fantástica viagem ::love::

 

Dia 1 – Sábado – 03/junho

Chegamos a Angra às 6h da manhã, tomamos café na rodoviária e nos dirigimos a pé até o escritório da Turisangra, que fica na praia do Anil, no caminho para o cais. A Turisangra abre às 8h e nesse horário preenchemos uma autorização para pernoitar em Aventureiro. Na época em que fomos junho, não havia fiscalização alguma em qualquer lugar. Mas mesmo assim pegamos a autorização e a pulseirinha

Fomos ao cais e a barca maior só saia às 13h, resolvemos então pegar uma lancha rápida que saia às 9h. Pagamos 80 reais ida e volta, com o ticket de volta aberto para qualquer dia com saída em Abraão. Às 10h já estávamos em Abraão e assim que chegamos já começamos nossa caminhada.

A trilha começa no lado esquerdo da praia e há algumas placas de sinalização. Resolvemos ir primeiro à cachoeira da Feiticeira. Passamos antes pelas ruínas do Aqueduto e por um poço. Cerca de 1 hora e meia depois estávamos na cachoeira. A trilha até a cachoeira tem algumas placas no caminho e pra quem quiser ir direto ao Saco do Céu é só não entrar na última placa que diz que faltam 10 minutos e seguir direto. Depois da cachoeira fomos à praia da Feiticeira, são uns 15 minutos de caminhada, e também há placas. A praia da Feiticeira é pequena e bem bonita e de lá saem táxi boats de volta para Abraão. Nessa praia fomos adotados por uma cachorrinha que fez toda a volta conosco e demos a ela o nome de Lola.

Saindo da Feiticeira é só voltar pelo caminho que fez para chegar a praia e na segunda bifurcação a direita entrar. À partir daí estará seguindo os fios de eletricidade e será assim até o dia de Araçatiba. Depois da praia da Feiticeira se chegará a praia de Fora, que é uma praia bem extensa e na qual tem que ser andar pela areia e com a maré cheia às vezes é preciso correr um pouco para não molhar as botas.

No final da praia de Fora haverá uma trilha à direita que começará a passar pelo meio das casas, com alguns minutos de caminhada já se estará no Saco do Céu. O único camping que tenho notícia por lá é a Gata Russa, que cobra 60 por pessoa com café da manhã e 45 sem o café. Demos uma chorada e ela deixou por 35. No geral, achei o valor do camping caro na Ilha Grande.

Depois de montada a barraca e banho tomados fomos comer em um restaurante. Há uns restaurantes bons (e caros) no Saco do Céu, fomos em um com melhor preço, mas bem gostoso, se chamava Gruta das Estrelas.

 

Dia 2 – Domingo – 04/junho

Saímos às 10h do Saco do Céu, a trilha começa na rua ao lado da pousada da Gata Russa, seguindo o fio de eletricidade e contorna todo o Saco. Perto de um campo de futebol há o começo de uma outra trilha, mais íngreme e que já é um corta caminho para quem quer ir direto ao Bananal. O que não era nosso caso. Depois de 50 minutos de caminhada estávamos na praia de Japariz, que é uma praia em que há restaurantes e na qual muitos barcos de passeio param para o almoço. Descansamos um pouco e logo partimos para a próxima praia: Freguesia de Santana. Chegamos na Freguesia em mais 1 hora de caminhada e por lá ficamos bastante tempo, esticamos um pouco a caminhada e fomos numa praia chamada Baleia, para essa caminhada, de 10 minutos, deixamos nossas mochilas com uma vendedora. Essa praia também é parada de vários passeios de barco. Depois de descansados seguimos caminhada, no caminho passamos pela igreja da Freguesia de Santana e por uma praia menor, praia de Araça. Seguindo caminhada por mais de uma hora chegamos a praia de Bananal Pequeno, que fica já ao lado da praia do Bananal e é melhor para mergulhar. Ficamos lá um bom tempo e depois fomos ao Bananal procurar nosso camping. Perguntamos aos moradores pelo camping da Cristina e nos indicaram onde ficava. A Cristina cobra 20 reais para acampar no quintal dela e também serve janta por 12 reais.

 

Dia 3 – Segunda-feira – 05/junho

Nesse dia conseguimos sair um pouco mais cedo e antes das 9h já saímos para nosso próximo destino: praia Grande de Araçatiba. Novamente começamos seguindo os fios de eletricidade e em 50 minutos de caminhada chegamos a praia de Matariz, que é uma praia não grande e não parece ter atividade turística, tem uma construção abandonada na beira da praia e um mangue atrás dessa construção e é por aí que continua a trilha, passando pelas casas e depois começando uma subida. Depois mais uns 40 min de caminhada chegamos a praia de Maguariquessaba, nessa praia havia restaurantes mas ainda estava cedo e não tínhamos fome então continuamos a caminhada. Depois de alguns minutos de caminhada chegamos em Sítio Forte que é uma praia em que há uma gramado bem próximo a praia, seguimos caminhando e em poucos minutos chegamos a praia de Tapera, nesse momento já tínhamos fome e questionamos umas pessoas que estavam na praia se havia restaurantes e a resposta foi negativa, mas que na praia da Longa (a próxima segundo eles) haveria restaurantes. Seguimos nossa caminhada e logo que saímos da praia e começamos nossa caminhada encontramos uma cobra! Ficamos ali olhando ela ir embora e seguimos nossa caminhada até chegar na praia de Ubatubinha, decidimos comer uns snacks e entrar no mar. Depois do merecido descanso seguimos rumo a praia da Longa. Não havia restaurantes abertos mas nos falaram que havia uma senhora que faria comida se fossemos lá conversar com ela. Como a próxima praia já era a de Araçatiba, nosso destino final, decidimos continuar nossa caminhada. Saindo da Longa pegamos uma subida grande e depois de uma longa caminhada, grande parte já atrás das casas de Araçatiba, finalmente chegamos à praia. E só víamos restaurantes fechados! Já no lado esquerdo da praia encontramos o restaurante do Carlinhos estava aberto e ainda servindo almoço (já passava das 15h). Depois disso nos dirigimos ao camping Bem Natural e montamos nossa barraca. Burrice nossa esquecemos de perguntar o preço do camping!

 

Dia 4 – Terça-feira – 06/junho

Esse dia estava reservado para o descanso e foi isso que fizemos: dormimos até tarde! E tomamos café no próprio restaurante do camping: acho que 35 a vontade, ou pode-se comprar os itens separados (tipo 10 reais a jarra de suco, 6,50 o misto quente, 1 real a fruta). Em Araçatiba há um senhor que vende vieiras frescas e ao perguntar a Nice, dona da Bem Natural, sobre ele, Louro, encomendamos uma dúzia (60 reais a dúzia) e combinamos que ela faria pra gente no jantar. Saímos para fazer a trilha para a Lagoa Verde. Para fazer a trilha volta-se sentido praia da Longa e depois que passasse das casas da praia de Araçatiba no lado esquerdo haverá um portão trancado, continue andando e logo depois desse portão haverá uma trilha que desce a esquerda. Há algumas sinalizações, mas sutis. A trilha é curta em 20 minutos se estará na Lagoa Verde. O dia estava meio nublado, mas ainda assim vi bastantes peixes. Na volta tínhamos a idéia de fazer a trilha para a Gruta do Acaiá, pois nos falaram que demoraríamos 1 hora para chegar lá (demoramos 2 horas quando fomos, o dia seguinte). Mas como demoramos fazendo o almoço, decidimos que no dia seguinte iríamos até lá. Fora de temporada tudo é mais vazio, mas há o complicador que alguns lugares estão fechados como restaurantes e mercados. E quando estão abertos faltam alguns itens. Fomos ao mercado do Gabriel que estava fechado, batemos na porta da casa, para comprar mistura, mas só havia ovos. Ok, nós nos viramos bem com isso 

À noite comemos as vieiras, deliciosas! E nos deparamos com o preço do camping: 45 por pessoa! Mas como ficamos 2 noites ela deixou por 40...

 

Dia 5 – Quarta-feira – 07/junho

Às 8h já estávamos partindo para a trilha desse dia: chegar a Aventureiro com desvio pela Gruta. Nos informamos e havia uma trilha para Provetá saindo da praia Vermelha e fomos confiando nessa informação. Começamos a trilha e logo depois da praia de Araçatibinha, há uma bifurcação que está marcada com placa. Fomos direto rumo praia Vermelha e cerca de 50 minutos depois estávamos na praia Vermelha. Lá pedimos para um casal se podíamos deixar nossas mochilas enquanto íamos até a Gruta do Acaiá. A trilha para a Gruta começa no final da praia subindo uma escada, no final da escada, em um pé de jaca, há uma placa escrita Gruta, vire à esquerda e siga. A partir daí não tem erro é só ir reto nessa trilha, haverão outras bifurcações mas não as pegue. A trilha começa num subidão e depois fica subindo e descendo. 50 minutos depois chegamos num portão, o abrimos e fomos chamando. Aí apareceu o moço que cuida da Gruta que nos acompanhou lá dentro. O dia não estava com um super sol, mas ainda assim é espetacular o efeito da cor da água. Ele disse que da pra levar snorkel pra olhar os peixes que ficam ali, infelizmente não estávamos com o nosso. Novamente não perguntamos o preço na entrada e fomos apunhalados com a cobrança de 20 reais por pessoa! Ainda tentamos argumentar, mas foi esse o valor pago :oops:

Voltamos para a praia Vermelha, lanchamos numa lanchonete que havia acabado de abrir e que fica na praia mesmo. Pegamos nossas mochilas e partimos para a praia de Provetá. Fomos alertados que a trilha era puxada e não nos mentiram: 45 minutos de uma subida íngreme! E mais 45 minutos de uma descida com pontos bem íngremes, e chegamos na praia de Provetá. Essa trilha começa depois das casas da praia Vermelha, há uma escada que leva a essas casas e depois já vira uma trilha. Todos lá conhecem a trilha, que está bem aberta.

Em Provetá aproveitamos pra tomar um sorvete, comprar mistura (frango, que era a única coisa que tinha no mercadinho) e pães. Há uma padaria lá que vende vários tipos de pães e frios. Depois fomos para a parte mais aguardada: a subida para Aventureiro. Mas depois da subida da praia Vermelha essa aí foi fichinha: demorou uma hora de subida, mas era bem menos íngreme e às vezes tinha uma descidinha para aliviar. Depois de quase 2 horas de trilha chegamos à praia do Aventureiro com uma lua linda! Em Aventureiro há vários campings e ficamos no camping do Luiz, 25 por pessoa.

 

Dia 6 – Quinta-feira – 08/junho

A idéia inicial era ficar esse dia de boa no Aventureiro e no dia seguinte pegar um barco para Parnaióca, mas como nos falaram que estava tranqüilo atravessar a praia do Sul e do Leste, resolvemos que faríamos isso. Mas só depois de curtir um pouco a praia ::otemo::

Primeiro queríamos já encomendar almoço, mas no camping do Luiz a cozinheira chegaria tarde e só serviriam depois das 14h e seria já tarde para irmos pra Parnaióca. Fomos então aos dois restaurantes que há na outra ponta da praia e nenhum estava aberto, por volta das 11h a dona de um deles chegou e conseguimos encomendar nosso almoço. Aproveitamos a manhã para entrar na água, fazer snorkel, ir ao Mirante do Espia (no canto da praia continuar o caminho e subir as pedras e continuar por cima delas, no final vai ter uma escada de canos de PVC. Fácil de ir e com uma visão muito bonita da praia.

Depois do almoço seguimos rumo à praia de Parnaióca via Costão do Demo e praias do Sul e Leste. A caminhada toda durou 3 horas, sendo que uma hora foi a trilha entre as praias e a Parnaióca. O Costão do Demo foi muito mais tranqüilo do que achei que seria realmente é íngreme, mas apenas deve-se ter cuidado para não pisar nas partes molhadas para não escorregar, em 20 minutos havíamos o cruzado. Depois segue-se por quase uma hora na areia. No final da praia do Sul há uma ilhota que divide as duas praias. Há uma trilha que liga as duas praias, no dia em fomos haviam recolhido lixo da praia e havia um grande número de sacos de lixo a trilha começava bem ao lado desses sacos. Depois de fazer essa pequena trilha, cruza-se a praia do Leste e começasse a trilha que levará a Parnaióca. Depois de mais uma hora de trilha chegamos a Parnaióca.

Na Parnaióca há três campings, ficamos no primeiro, de quem vem do Aventureiro, o do Silvio. Ele cobrou 25 por pessoa, e o achei bem simpático e solicito, inclusive forrou o chão com colchão para armarmos a barraca em cima!

Antes de dormir fomos dar um mergulho na água gelada e vimos a lua mais linda da viagem nascer...

 

Dia 7 – Sexta-feira – 09/junho

Acordamos cedo e partimos rumo a Dois Rios. Para o inicio da trilha atravessasse o camping da Janete, e logo há uma placa indicando o caminho. São 3 horas de trilha com uma subida íngreme no começo e depois uma trilha suave terminando ao lado do Ecomuseu da Ilha Grande, que funciona onde ficava o presídio de Dois Rios. A entrada é franca e os funcionários atenciosos, vale ficar um tempo olhando e tentando conhecer um pouco da história da Ilha Grande. Depois de passar no museu fomos dar uma olhada na praia e passamos num restaurante em que estava servindo almoço.

Depois do almoço, demos inicio a ultima parte do dia: a ida até Abraão. A partir de Dois Rios a trilha vira uma estrada de terra, mas no caminho até Abraão há dois atalhos para diminuir um pouco a caminhada. Depois de uns 30 minutos do inicio haverá uma placa indicando Abraão e uma pequena trilha pode seguir a trilha e sairá mais a frente. Depois que voltar a estrada e já estiver na parte de descida bem em uma curva haverá uma placa preta de metal a sua direita, na qual não se lê mais nada, ao seu lado há uma trilha bem íngreme. Esse caminho leva até Abraão, na parte mais a direita da praia. Esse atalho é antes da entrada para o Pico do Papagaio.

Depois de 2 horas de caminhada chegamos a Abraão e decidimos que merecíamos uma pousada! Aí foi jantar e descansar.

 

Dia 8 – Sábado – 10/junho

A idéia era fazer a última parte da volta T10, T11 e T12, passando por Lopes Mendes e indo até o Farol de Castelhanos. Como resolvemos dormir mais e tomar um belo café da manhã resolvemos cortar uma parte da trilha e ir até Palmas de barco. Pagamos 40 ida/volta e como o preço para ir até Pouso era o mesmo fomos até Pouso  De Pouso até Lopes Mendes são uns 20 minutos de trilha e ainda dá pra conhecer a praia de Santo Antônio. Perguntamos há algumas pessoas na praia de Lopes Mendes sobre a trilha até o Farol e nos informaram que a trilha deveria estar muito fechada e que demoraria umas 2 horas, só a ida, e não tínhamos esse tempo. O tempo estava feio, ventava muito, e infelizmente acabamos voltando cedo. Mas na ida tivemos uma bela surpresa: vários golfinhos passaram por nós!

 

Dia 9 – Domingo – 11/junho

Para o ultimo dia de viagem o plano era ver o sol nascer no Pico do Papagaio. Para tal acordamos às 2h30 e às 3h saímos da pousada rumo a trilha. A trilha começa rumo a Dois Rios pela estrada de terra e uns 15 minutos depois do começo da estrada de terra haverá uma placa à direita indicando o inicio da trilha para o Pico do Papagaio. A trilha foi mais tranqüila do que achei que seria, demoramos cerca de 3 horas para chegar ao cume, sobe-se bastante, mas ela não é super íngreme o tempo todo. No final há uma corda, mas é trecho tranqüilo, talvez a corda seja mais útil em dias que teve chuva, pq deve ficar bem escorregadio. Durante toda a trilha há algumas placas indicando o Pico e na parte final há algumas setas feitas nas árvores e nas pedras. Conseguimos chegar a tempo de ver um lindo nascer do sol. E assim nos despedir dessa ilha maravilhosa!

Em cerca de 2 horas fizemos a trilha de volta e ainda conseguimos pegar o café da manhã na pousada. Na parte da manhã descansamos e a tarde fomos a praia Preta, que fica em Abraão ainda. Pegamos a lancha das 17h e ficamos até às 22h esperando nosso ônibus na rodoviária de Angra.

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Oi Taiza!

Que bom q o relato aguçou sua vontade, a Iha Grande merece muitas visitas! Então sobre gastos levei 100 para cada dia e foi o suficiente. Cozinhamos nossa janta em 3 dias e levamos lanches e café da manhã de casa. Os campings lá não são baratos. E em uma das jantas pagas ousamos e comemos vieiras :)

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Nossa q top... mas confesso q cansei só de ler, já imaginando todas trilhas....

deixa eu te perguntar, percebi q tem poucos relatos recentes da ilha, eu estou querendo ir em setembro, tirando a hospedagem e os translado, quanto vc acha que se gasta por dia só para almoçar? Vamos ficar em uma casa e pretendemos tomar café lá e jantar na casa. Só almoçar fora mesmo... qual valor vc recomendaria para 10 dias casal ?

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Oi Letícia,

Muito bom o seu relato!!

Vou fazer essa trip com meu namorado agora em agosto....

Li em alguns relatos que algumas pessoas levaram pastilha de cloro... vcs levaram tbm? Realmente tem algum lugar la que não tenha água potável?

Obrigada pela ajuda!

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Letícia, dá para fazer a volta ficando em pousadas, e/ou casa de caiçaras, ao invés de barraca? :?:?:?

 

Acredito que dê sim, em quase todas as praias vi pousadas: no Saco do Céu, no Bananal, em Araçatiba e no próprio Abraão também. Na casa em que fiquei no Bananal a dona também tinha um quarto de casal para hospedagem. Não tenho certeza de Aventureiro, pq não vi, mas acredito que tenha também. E na parnaioca também não vi, mas acredito que no outro camping (fiquei no camping do Luis, há mais dois campings nessa praia) haja quarto para dormir sim.

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Oi Letícia,

Muito bom o seu relato!!

Vou fazer essa trip com meu namorado agora em agosto....

Li em alguns relatos que algumas pessoas levaram pastilha de cloro... vcs levaram tbm? Realmente tem algum lugar la que não tenha água potável?

Obrigada pela ajuda!

 

Mariany levamos clorin (aquele "liquidinho" que usa-se pra levar verduras e tal). Pegamos água sempre nos lugares em que acampamos, na torneira mesmo, e colocávamos clorin na garrafa.

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Nossa q top... mas confesso q cansei só de ler, já imaginando todas trilhas....

deixa eu te perguntar, percebi q tem poucos relatos recentes da ilha, eu estou querendo ir em setembro, tirando a hospedagem e os translado, quanto vc acha que se gasta por dia só para almoçar? Vamos ficar em uma casa e pretendemos tomar café lá e jantar na casa. Só almoçar fora mesmo... qual valor vc recomendaria para 10 dias casal ?

 

Olha, em geral, achei a Ilha Grande meio cara. Mas se vc for ficar em Abraão dá pra encontrar restaurantes com diferentes preços, além do que, lá é possível usar cartão se for necessário. Eu levaria uns 50 reais por dia, pra não ter perigo nenhum de faltar dinheiro.

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Demais esse relato. 

Estou querendo dar a volta na ilha em setembro, mas estou com uma dúvida que acho que vcs podem me ajudar...

Faz muita diferença ir com uma bota tipo Timberland, ou dá para ir na boa com um tenis tipo de corrida?

Abraços e parabéns pela riqueza de detalhes!

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    • Por Henriquecam
      Olá, 
      Gostaria de saber se há algum grupo do wapp em que a galera entre para se conhecer, marcar a viagem e tirar dúvidas sobre ida a Cuba.
      Caso não exista, e alguém esteja procurando companhia, favor responder o tópico com o telefone que eu entro em contato para nos conhecermos e ver se o Santo bate para talvez poder marcar algo
      Um abraço
      Sou do Rio de Janeiro
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      Aí galera, sou nova aqui no mochileiros. Nunca viajei e tô sonhando em ir pro Rio, uma coisa rápida de um ou dois dias. E quero saber sobre hotéis mais em conta, os lugares pra ir, como agir lá,enfim essas coisas . VALEU!
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      A Rodoviária Novo Rio é uma das principais portas de entrada do Rio de Janeiro. Localizada no bairro Santo Cristo, próximo ao Centro da cidade, a Rodoviária é um importante conector entre outros municípios e estados. Com a chegada do VLT, sair da rodoviária ficou muito mais fácil, mas para quem ainda têm dificuldades, nós ensinaremos como sair da rodoviária Novo Rio sem muitos traumas.
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      Como sair da rodoviária Novo Rio
      Saindo de ônibus comum
      Para sair da rodoviária de ônibus comum, você precisa sair pelo desembarque na Rua Equador e atravessar a via Binário do Porto até ao Terminal Henrique Otte. Dali saem ônibus para toda a cidade.
      Em frente ao Terminal há um ponto de ônibus para quem vai para a Zona Norte do Rio. Lá passam diversas linhas para vários destinos. Os ônibus comuns são recomendados para quem conhece o trajeto e apesar de serem a opção mais barata, não é muito confortável andar até o ponto para pegar um ônibus cheio de malas.
      Caso você insista em ir de ônibus, o aplicativo Moovit pode ser um bom companheiro durante o trajeto.
      Saindo de ônibus executivo (frescão)
      Se você está seguindo rumo à Barra da Tijuca, uma ótima opção é pegar o frescão dentro da própria rodoviária. É o melhor custo x benefício que você encontrará. Com uma tafifa de R$ 18 (ref. julho/18), o horário de funcionamento desse ônibus é de 5h30 às 22h.
      Itinerário: Av. Brasil / Linha Amarela / Ayrton Senna / Barra Shopping / Alvorada (ponto final).
      O guichê de atendimento fica no saguão do desembarque, da Rua Equador. O embarque nesse ônibus é em uma das plataformas do próprio saguão. Não é preciso nem sair da rodoviária.
      Saindo de VLT + Metrô
      Caso você ainda prefira economizar, mas não esteja muito seguro de pegar o ônibus. Uma ótima opção é mesclar dois meios de transporte: VLT + METRÔ. Essa combinação não tem erro e pode ser uma das melhores no quesito custo.
      Para pegar o VLT, você precisa sair pela Rua Equador e continuar andando na calçada pela esquerda. A faixa de segurança para atravessar para o VLT fica em frente ao terminal do ônibus executivo.
      Atenção: Não esqueça de validar seu cartão no guichê do VLT assim que entrar, pois há fiscais durante o percurso fazendo a validação do cartão. Caso você esqueça ou não ache necessário “pagar”, poderá ser multado em R$ 170.
      Compre o seu bilhete Riocard nos postos de atendimento para garantir mais comodidade na hora de pegar o transporte. Esse cartão dá direito a todos os transportantes públicos do Rio. Para adquirir basta comprar o cartão em um terminal e fazer uma recarga no valor desejado.
      O valor do cartão é de R$ 3 e a recarga mínima de R$ 3,80 (com direito a pegar dois ônibus em um período de 2h), mas como você pegará metrô também, precisará fazer uma recarga maior, já que o metrô custa R$ 4,30.
      Aproveite para recarregar seu cartão para toda sua estadia na cidade. Já que ele não expira, você pode guardar para as próximas visitas ao Rio de Janeiro. Só fique atento nas tarifas, que mudam de acordo com cada transporte.
      LEIA TAMBÉM: 7 DICAS PARA ECONOMIZAR NO RIO DE JANEIRO
      Se você vai para Zona Sul, pegue a Linha 1 (em direção ao Santos Dummont), e salte na estação Carioca. Ao desembarcar, siga pela esquerda, o metrô da Carioca fica em um vão entre dois prédios. Lá você pegará o metrô Linha 1+4 (sentido Jardim Oceânico), na estação Carioca. O tempo médio do trajeto é de 22 minutos.
      Já na estação, perceba que os metrôs passam seguidamente, você poderá conferir na telinha que fica nas estações se ele está indo sentido Botafogo ou Jardim Oceânico. Se por acaso, você pegar por engano o sentido Botafogo, não tem problema. Desça na estação final (Botafogo) e aguarde a chegada do metrô correto.
      Se você vai para a Zona Norte, pegue a Linha 2 do VLT (sentido Praça XV). Salte na estação Central. A viagem dura em média 9 minutos e você precisará andar até a estação Central do Metrô. Recomendamos que você vá por dentro da Central do Brasil. Onde você poderá avaliar também se faz sentido pegar o trem, dependendo de para onde você vai.
      Desça para a estação Central e pegue o metrô Linha 2 (sentido Pavuna).
      Clique para saber como sair da Rodoviária Novo Rio de Uber ou Táxi e escolha a melhor opção.
       
    • Por Henrique Matheus
      Boa noite pessoal.
      Estou a um tempo pensando em fazer essa trilha e decidi fazê-la em 1 ou 2 semanas, eu e mais um amigo. Estamos praticamente no mesmo nível físico, temos certo conhecimento de trilhas e alguma coisa também de escalaminhada, nossas duas últimas foram Pedra da Gávea (carrasqueira) e Pedra do Elefante (Itaipuaçu). Não temos GPS (apenas o Wikloc no celular), vamos tentar levar o máximo de power bank possível para ocnseguir realizar essa trilha com o equipamento; mas apesar disso, vimos vários relatos, alguns dizendo que é necessário ter corda, outros não.
      Alguém que já tenha feito poderia dar algumas dicas? 
      Ah, também aceitamos companhia, pretendemos sair do Rio de Janeiro, mais precisamente Copacabana na sexta feira, por volta de 17h, deixar o carro em Teresópolis (no fim da travessia) pegar um ônibus para Petrópolis e passar a noite lá em algum lugar por lá, acordar sábado cedo e ir direto iniciar a travessia.
      Toda ajuda é bem-vinda.
      Agradeço antecipadamente galera.
    • Por divanei
      DEDO DE DEUS-RJ: A conquista que atravessou o tempo.
       
                1997: Dois amigos de infância tentam alcançar a montanha mais lendária do Brasil, sem experiência nenhuma em escalada, tentando laçar pinos com uma corda de sisal, fracassam e fazem um juramento de um dia botar os pés no topo daquela montanha. Juntos, ganham parte do Brasil subindo outras montanhas, atravessando vales selvagens, desbravando lugares praticamente intocados e um deles também se aventura por outros caminhos do Continente Sul-americano. A vida vai passando, os filhos vão chegando e entre uma montanha e outra, sempre ficam remoendo o fato de ainda não terem cumprido a promessa que haviam feito.
                2017: (junho) Por um golpe do destino, apenas um desses dois amigos consegue se agrupar com outros amigos em comum e numa tentativa de chegar ao cume da montanha, perdem a trilha, cometem alguns erros e são obrigados a enfiar o rabo entre as pernas e voltarem para casa sem chegar ao topo: mais um fracasso!
                Tendo já feito praticamente tudo em matéria de montanhismo clássico, subido todo tipo de montanha no Brasil e algumas fora dele, tendo me dedicado vários anos a exploração selvagem de vales e rios, tendo tido a honra e a oportunidade de, junto com alguns amigos, poder botar meus pés em montanhas onde outros jamais puseram, vi que havia chegado a hora de aprender os rudimentos da escalada. Quase que inconscientemente eu sabia que aquela promessa feito 20 anos atrás, jamais sairia do papel se uma atitude não fosse tomada. Mas há um porem: A escalada é um mundo fechado e diferentemente do montanhismo clássico, poucos são os praticantes que estão dispostos a perderem seu precioso tempo para ajudar novatos, muito porque esse é um esporte caro e por isso mesmo, o tipo de gente que o pratica costuma ser um pouco mais elitizada.
       
                Como, ainda bem, tudo na vida tem suas exceções, um convite de um casal de amigos para conhecer o esporte, fez com que eu tivesse esse primeiro contato com o mundo das paredes. Aprendi meia dúzia de procedimentos, mas foi o suficiente para eu voltar a sonhar com a promessa de 20 anos atrás. Num dia qualquer, sem nada para fazer em casa, tive uma “ideia brilhante”: Peguei minha velha corda de rapel, minha cadeirinha antiga e um freio da década de 90 e uns mosquetões de aço de construção civil e convidei meu grande amigo de infância e mais outros novos amigos de algumas roubadas memoráveis. e foi assim que 4 paspalhões se encaminharam para uma pedreira abandonada em Campinas, que virou palco de escalada com mais de 80 vias, no interior de São Paulo.

                A nossa chegada à Pedreira do Garcia acabou por se tornar um evento de bizarrices, os escaladores locais nos olhavam com cara de reprovação, alguns com cara de nojo, mas a gente estava feliz. Subíamos três ou quatro metros de paredes e nos divertíamos para valer com aquilo e pouco nos importávamos se tinha gente gostando ou não, a gente nunca esteve nem aí pra coisa alguma porque ao contrário do que os outros imaginavam, tínhamos plena consciência do que estávamos fazendo, porque não éramos garotinhos brincando pela primeira vez no balanço da mangueira e naquela mesma pedreira, mais de uma década atrás, a gente já tinha feito muito rapel e ficar pendurado numa corda não era nem de longe nenhuma novidade pra gente.
                Voltamos um outro dia na Pedreira, agora com uma corda de escalada conseguida pelo Alexandre e algumas costuras, estávamos evoluindo, no nosso conceito, porque no conceito de outros, continuávamos os mesmos merdas de sempre, rsrsrsrsrsr. Mas, como ainda é possível continuar acreditando em parte da humanidade, alguns escaladores se sensibilizaram com a gente e vieram oferecer ajuda, gente que hoje somos eternamente gratos, do qual acabamos nos tornando amigos também. Naquele dia, com uma corda de escalada, mesmo com o fiofó na mão, alguns de nós conseguiu guiar algumas vias fáceis, no caso, eu, o Vinícius e o Dema, porque o Alexandre mal conseguia se segurar a três metros, inclusive eu e o Dema comentamos que o Alexandre era um dos que não iria a lugar nenhum, não havia nascido para o esporte.
                Entre idas e vindas à pedreira, somente o “molenga” do Alexandre foi quem efetivamente começou a se dedicar verdadeiramente ao esporte, porque eu e o Dema aparecíamos esporadicamente, às vezes passávamos meses sem nem aparecer por lá. O Vinícius foi outro que procurou correr atrás, fazendo alguns cursos de técnicas verticais com a galera da espeleologia e começou a subir alguns degraus na escalada. Mas foi mesmo o safado do Alexandre que se entregou de cabeça, foi ele quem correu atrás de se especializar, fez cursos rápidos no Rio de Janeiro e adquiriu equipamentos mais modernos.
                Continuamos a nos encontrar para algumas vias de escalada, inclusive em algumas paredes de escalada clássicas, mas nada que exigisse muito da gente e sempre que estávamos juntos, lembrávamos que um dia havíamos combinado que escalaríamos o Dedo de Deus e que quando isso fosse acontecer, iríamos pegar firmes e treinar pelo menos uns três meses antes. Pois é, mas um dia o Alexandre me manda uma mensagem no meio da semana e me diz : -“ Se prepara Divanei, domingo vamos subir “sua montanha”.
                O Alexandre estava de brincadeira, não havia o menor cabimentos de nos metermos naquela enrascada de uma hora para outra sem uma preparação específica, mas ele não queria nem saber, era agora ou nunca e pior, o Dema não poderia ir nessa data, logo ele que havia jurado estar comigo no topo daquela montanha antes de morrer. Não era o que eu queria, mas era o que me restava e se eu não fosse, não aproveitasse aquela oportunidade, talvez jamais teria outra. Eu não estava pronto, mesmo assim aceitei o desafio.
                Chegamos em Teresópolis de madrugada e mesmo praticamente sem dormir, nos lançamos na trilha que nos levaria às paredes do Dedo de Deus, nos agarramos aos cabos e cordas e quando vimos, estávamos perdidos lá no começo da via Teixeira. Havíamos perdido a trilha de acesso à VIA LESTE e quando a reencontramos, tínhamos perdido várias horas, além de já encontrarmos outros escaladores congestionando a parede de escalada. Cometemos alguns erros, demoramos demais e quando a noite nos pegou, estávamos ainda a mais ou menos uma hora do cume e para piorar, perdemos a sequência da via e sem saber para onde ir, demos meia volta e descemos no escuro fazendo rapel e desescalando até depois da meia noite, FRACASSAMOS BONITO !

                Voltei para casa arrasado, decepcionado, havia decidido que não queria nem escalar mais. Mas a raiva passou uma semana depois e caí na besteira de contar em relato como havia sido aquela aventura fracassada. Resolvi contar como se sentia um novato no mundo da escalada, os sofrimentos, as dificuldades, as agruras, os erros cometidos e os medos passados. Foi a deixa para parte da comunidade escaladora me bombardear sem dó nem piedade, destilaram ódio, não aguentaram ver novatos como a gente se meter sem um guia no solo sagrado do montanhismo nacional. Disseram que a gente havia subido nos cabos de forma totalmente errada e que agora havíamos comprometido a estrutura dos mesmos, colocando em risco a vida de todo mundo. Apontaram erros que eu nem havia mencionado nem em relato e nem em fotos, ou seja, aproveitaram a oportunidade para deixar bem claro que aquilo ali era feudo de meia dúzia de grupinhos constituídos. Não posso negar, fiquei puto com parte daqueles caras, mas também me serviu para correr atrás de aprender os tais procedimentos alardeados por eles, mesmo que outros escaladores tivessem me dito que isso não passava de um monte de mimimi, mas se havia algum procedimento específico, não custava nada aprender.
                Algumas semanas se passaram depois disso, ninguém mais tocava no assunto Dedo de Deus. O Alexandre até falava que poderia ir escalar a Agulha do Diabo com um escalador experiente qualquer dia desses, mas esse menino não se tornou amigo nosso de graça, só sendo um grande porra louca mesmo e num ataque de porra-louquisse desvairada, jogou logo no ar que voltaria na Serra dos Órgãos porque não aguentava mais ficar com aquela montanha entalada na goela. Aquilo assombrou todo mundo, porque ninguém nem sonhava em voltar lá tão sedo, inclusive o Natan e o Gersinho que estiveram lá na primeira investida, já sinalizaram que não poderiam ir na data estipulada. Para ser sincero, nem eu mesmo estava em condições de novamente fazer uma loucura daquela, de viajar em um bate e volta de 1200 km para o Rio de Janeiro, mas foi aí que o Dema me encostou contra a parede: “- Divanei, meu amigo, você esqueceu do nosso juramento? É chegado a hora, vamos lá amigão, a gente merece aquela montanha por tudo que já fizemos juntos em mais de duas décadas de montanhismo. ”
      2017- (Agosto) Ali estávamos nós, depois de viajarmos por mais de sete horas, estacionamos novamente atrás do Restaurante Paraíso das Plantas, a pouco mais de 1 km da trilha de acesso ao Dedo de Deus. Alias, de onde estávamos era possível avistar o grande gigante de pedra tocando o céu, numa imagem assustadora. Já passava das duas da madrugada e combinamos em dormir até pouco depois das quatro da manhã ali mesmo, deitados no duro concreto de uma calcada fria e úmida, que faria qualquer mendigo ter náuseas. Quando o celular despertou-nos, eu que já havia dormido de bota e tudo, dei um salto, estava muito ansioso, mas não menos  que o Dema , o Alexandre e o Vinícius. Arrumamos tudo nas pequenas mochilas e partimos.

                Uns 15 minutos de caminhada descendo o asfalto nos leva para a curva da Santinha, junto a uma pequena cachoeira e aí é só continuar descendo e ir se atentando para quando passar os dois próximos bueiros e depois do segundo, uns 30 metros à frente, entramos numa trilha, subindo o barranco à direita, que em mais alguns metros vai tropeçar numa cerca onde está a placa do Parque Nacional. Para não termos que ficar ouvindo bobagens de outrem e para não correr o risco de uma possível encheção de saco na volta, desta vez enviamos as autorizações com os nossos nomes para a sede do Parque, coisa que nem os próprios escaladores locais costumam fazer, como ficamos sabendo dos grupos que encontraríamos na montanha. Na cerca, adentramos para a esquerda e acessamos a trilha que sem nenhuma bifurcação vai nos levar em uma hora, direto para a grande parede rochosa da Toca da Cuíca, onde começam os cabos de aço.

                Diante da grande parede dos cabos de aço, que ainda não é a via de escalada obviamente, é preciso parar para uma breve reflexão: São quase 100 metros de cabos de aço, mas no início não existe cabo algum. São uns 10 metros de parede lisa, com uma sequência de chapeletas a cada uns dois metros. Tudo isso foi planejado para que nenhum montanhista desprovido de equipamentos de escalada pudesse acessar a montanha e segundo a comunidade escaladora, ir fazer alguma merda lá encima. Claro, isso é uma posição que eu como montanhista, apesar de entender os porquês, não concordo, mas é uma opinião exclusivamente minha, não sendo compactuada com o resto do grupo. Mas a questão nem é essa, segundo as “normas”, os cabos de aço devem ser subidos com uma corda paralela, como se a pessoa estivesse escalando de fato e usando os cabos apenas para ganhar terreno.  Essa são as normas e foi por causa de contar que nós subimos apenas nos apoiando aos cabos com as mãos é que fomos “ameaçados” de morte e de linchamento pelos escaladores, mas não me contentando com essa cagação de regra toda, fui ler relatos e ver vídeos na internet e foi aí que me caiu a ficha. Praticamente todos os vídeos que eu vi e relatos que eu li, todo mundo subia o cabo de aço feito chimpanzé de circo e para minha surpresa, eram escaladores renomados, gente experiente, dono de agencia de escalada, que fazia esse procedimento inclusive guiando seus clientes.
                Diante do exposto acima, conclui que havíamos sido apenas vítimas de preconceito por nos colocarmos como iniciantes no esporte e querermos fazer algo que apenas os mais graduados se achavam no direito de fazer. Claro, não posso deixar de citar as dezenas de pessoas que entraram em contato comigo depois do primeiro relato, oferecendo nos guiar de graça e também agradecendo por eu ter tido a coragem de contar algo que parece ser um tabu na escalada, porque esse não seria um esporte para pessoas fracas e todo mundo que escala estaria acima desses “sentimentos mesquinhos “, o que obviamente não passa de uma grande bobagem.

                Bom, o certo é que a gente tinha combinado que da próxima vez que voltássemos lá, procuraríamos seguir todas as regras da ABCR (associação brasileira dos cagadores de regras), mas diante de tudo que havíamos visto, resolvemos somente subir pensando mesmo só na nossa segurança e para subirmos os primeiros 10 metros sem cabos, usamos 2 solteiras cada um. Escalávamos um misero metro, colocávamos uma solteira longa e quando alcançávamos a próxima chapeleta, instalávamos mais uma solteira e retirávamos a anterior e assim sucessivamente até ganharmos os cabos de aço. Nos cabos de aço apenas nos preocupamos em clipar as duas solteiras e ir subindo nos apoiando levemente. Claro, há a possibilidade de por qualquer descuido escorregar e despencar por uns 4 metros e a gente sabe que solteira não foi feita para receber impacto, mas como não se trata de uma queda livre, é quase impossível haver um rompimento. Mas também, se o sujeito não tem competência para se segurar num cabo tão grosso que é capaz de aguentar o peso de ônibus, então não há nenhum motivo para que esteja ali, que vá procurar outra coisa para fazer e além do mais, nós estamos acostumados a nos pendurarmos em paredões escorregadios de 200 metros na Serra do Mar apenas nos segurando em cipós, bromélias e cordinhas de varal e aqueles cabos são brincadeirinha de criança no jardim da infância. Não levamos nem quinze minutos e já nos livramos daquela parede, depois os cabos se alternam com algumas cordas e como dessa vez já conhecíamos a trilha, mais uns 15 minutos nos deparamos com a bifurcação à direita que vai nos levar direto para a via de escalada propriamente dita ( via Leste), seguindo a esquerda ou reto é a continuação da trilha para a via Teixeira, a via da conquista de 1912.
                Essa trilha para a direita vai beirar um grande paredão e também vamos ganhando altura e terreno nos valendo de alguns pedaços de cabos de aço e cordas velhas e não leva nem 15 minutos, já estamos no selado de conexão entre o Dedo de Deus e o Polegar. O caminho para a via de escalada segue para a esquerda, mas antes fomos até o Polegar para admirar o gigante de pedra. De cima do Polegar é possível vislumbrar toda a parede que iremos escalar a partir de agora e é a hora de sentir a grandiosidade daquela montanha lendária. Eu e o Dema estamos ansiosos porque é chegado a hora de nos lançarmos para aquilo que esperamos por vinte anos e agora é caminho sem volta, estamos prontos e resolutos a não cometermos nenhum erro dessa vez.

                Descemos ao selado entre o Polegar e o Dedo de Deus e adentramos logo na última escalaminhada até o início da escalada e ao chegarmos na primeira enfiada (lance) decidimos que não escalaríamos encordados, muito porque essa primeira enfiada tem somente um lance de escalada e o resto não passa de uma escalaminhada. Da outra vez, essa foi a única parte que cai porque entrei com o pé errado. Aqui muitos se enfiam dentro de uma pequena fenda a esquerda e vão ganhando altura até conseguir uma mão na pedra abaulada. O Vinícius subiu com a ajuda do Alexandre e amarrou a corda em um arbusto apenas para que a gente tivesse uma segurança psicológica. Logo em seguida o próprio Alexandre se pendurou e ganho o patamar mais acima. Eu e o Dema analisamos melhor a subida e concluímos que o melhor mesmo era subir pela direita, que é muito mais exposto, mas muito mais fácil e para não corrermos risco de despencar no vazio, providenciei um prussik de segurança e o amarrei à corda e subimos de Batmam mesmo e já nos encaminhamos para a segunda enfiada, onde os outros dois já nos esperavam, fim da brincadeira, hora de checar todos os procedimentos e começar a escalar de verdade.

                Dessa vez estávamos em quatro e não mais em cinco, mas não sei porque, acho que é pura perseguição, o Alexandre mais uma vez me colocou novamente como cú de tropa, ou seja, o ultimo de novo. A configuração se deu então com o Alexandre guiando e como ele é esperto, colocou logo o Dema para fazer a segurança dele, acho que no intuito de filar uns torresmos e umas mandiocas fritas de vez enquando, já que o Dema sempre carregava esses petiscos a tira colo. O Vinícius desta vez insistiu em ficar em terceiro para poder operar a câmera e a máquina fotográfica. Ancorados numa árvore e em um “P” sobre um platô de pedra, ficamos ali a acompanhar o Alexandre levar nossa corda para cima. Nessa segunda enfiada é preciso se enfiar numa chaminé de meio corpo, ganhar altitude e já sair dela. É um lance fácil para qualquer escalador, mas obviamente para alguns de nós que não tem lá tanta experiência assim, qualquer lance no Dedo de Deus vai ter que ser vencido na raça e nada vai vir de graça. A parada dessa segunda enfiada é lá encima já perto de uma rampa exposta que leva à gruta onde está a árvore e onde as vias se separam em duas. Quando o Alexandre chegou nela, já nos avisou pelo rádio (sim, a gente levou rádio) que poderíamos subir. O Dema foi o próximo e como ele era o único que ainda não havia subida aquele trecho, teve uma certa dificuldade no início e pagou o preço de ser o “debutante “da turma, mas como ele é um cara safo, não demorou muito, já se juntou ao Alexandre. O Vinícius nem perdeu tempo também, trepou na rocha e subiu feito um lagarto assustado e quando percebi, ele já havia sumido da minha vista.

                Quando chegou minha vez, desclipei minha solteira do pino e já me agarrei à rocha e me enfiei na fenda e fui subindo por dentro dela e logo a subi como se estivesse numa chaminé e assim consegui ganhar a parede do lado direito, que é meio arredondada, mas com várias agarras boas. Ao chegar ao fim dessa paredinha é preciso fazer uma espécie de travessia mais para a direita, se segurar numa raiz e ganhar um arbusto. Daí para frente é uma subida gostosa, cheio de grandes agarrar até finalmente dar de cara com a rampa que leva até a gruta. Essa rampa é meio exposta, mas a rocha é muito áspera e subir por ela desencordado é bem seguro e foi o que fizemos. Agora reunidos dentro da gruta, aos pés de uma grande árvore que teimosamente sobrevive ali naquele mundo hostil, havia chegado a hora de enfrentar mais uma vez a temida enfiada conhecida por MARIA CEBOLA.
                Na gruta, junto à arvore, a sequência da escalada se divide em duas: Temos a já citada Maria Cebola, que é uma curva tenebrosa na quina da montanha, bem na beira do abismo de centenas de metros e a outra variante é uma sequência de chaminés escuras conhecida como Blackout . A gente já tinha se fodido na Maria Cebola da outra vez e agora decidimos que iríamos “se foder” novamente (rsrsrsr). Mais uma vez coube ao Alexandre levar nossa corda, mas antes ligamos os rádios porque depois da curva do abismo, a comunicação fica bem prejudicada. Ver o Alexandre guiar ali é um motivo de orgulho para a gente, um cara que até esses dias mesmo tinha dificuldade para subir até pé de goiaba e agora estava escalando naquele nível, com aquela eficiência, é um avanço muito acima da média. E ele fez mesmo bonito, nem chegou a sofrer na curva e quando pisquei o olho, ele já estava no arbusto montando a parada e pedindo para o Dema subir, hora de comer uns torresmos e nos preparáramos para o show, de horrores. ( rsrsrsrsr)

                Eu e o Vinícius também já havíamos passado por isso na primeira vez e agora a gente ia se divertir vendo o inexperiente Dema passar pela Maria Cebola. Como todo mundo, ele já se pendurou na primeira costura e se jogou, pulando de cima da árvore direto para a parede e antes mesmo de se estabilizar, já tremeu as pernas buscando alcançar a nova costura à frente, onde já tratou de passar a outra corda que prendia ele a mim e ao Vinícius. Aos trancos e barrancos chegou à curva, aonde um escalador local contou que havia visto a sua vó e ali naquela curva de gente morta, o coitado pagou todos os seus pecados, desta e das vidas passadas. Esqueceu de retirar a corda que o prendia à costura e ficou preso na curva com o corpo pendendo para o precipício. Ficou gritando para liberar a corda e quando ela afrouxou um pouco, desesperado gritou para retesar. Fazendo a segurança dele, o Alexandre se cagava de tanto rir e compartilhava a sua zoeira com a gente falando pelo rádio. O Vinícius então, era outro que até caiu no chão de tanto rir de ver o Dema se lascando na curva. Eu fui o único que “se manteve firme|”, sério, como a situação exigia, afinal de contas era meu amigo de infância que estava ali se fodendo e eu tinha a obrigação de ir passando os betas, as dicas e não era conveniente ficar fazendo galhofa numa situação daquelas. (Só que não, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk).
                O Dema chegou lá encima, junto ao Alexandre, sem saber nem onde estava, mas sobreviveu a passagem lendária. O próximo foi o Vinícius, que da primeira vez foi quem mais sofreu nessa terceira enfiada, mas vejam só, dessa vez passeou na via e enquanto eu conversava com um grupo de escaladores que acabara de chegar onde estávamos, ele já virou a curva e eu não o vi mais. Falando nisso, nos preocupou muito a chegada desse grupo e ficamos com medo de eles começarem a botar pressão encima da gente, o que poderia colocar todo o nosso planejamento em risco, mas felizmente os caras foram de boa e ficaram na deles, mesmo porque eu já tinha comentado que dessa vez não iria ter choro nem vela, não iríamos dar uma de Rubinho Barrichello e deixar nenhum Schumaker nos passar na curva final.
                Ainda em casa, o Alexandre havia me dito que eu guiaria a Maria Cebola dessa vez e eu mesmo cheguei a pensar nessa possibilidade e psicologicamente já fui preparado para isso, caso ele insistisse muito, mas como na hora ele já tomou à frente e nem disse nada, nem fiz questão em relembrar essa promessa que ele havia feito, as coisas estavam dando tão certo que preferi não ariscar em acabar levando uma queda e correr o risco de me machucar. Mas quando chegou a minha vez de enfrentar novamente a lendária Maria Cebola, decidi que o faria com a maior dignidade possível, provando para mim mesmo que eu seria capaz de guiar aquele lance e quando o Alexandre gritou pelo rádio que eu poderia ir, me posicionei rapidamente encima do tronco de árvore, junto a parede e liguei minha câmera instalada no capacete. Um dos grandes problemas é justamente o de ter que se jogar de cima da árvore direto para essa parede exposta. Ao lado da primeira costura até tem uma boa agarra do lado esquerdo, mas o fato de não haver um pé que lhe de segurança é uma situação difícil, porque se você der o bote e não se sustentar, vai despencar de cima da árvore e vai se ralar bonito. Então fiz igual a todo mundo, inclusive os escaladores graduados, me segurei na costura acima da minha cabeça e me grudei à parede. Uma vez equilibrado, retirei essa primeira costura e rapidamente encontrei uma ótima agarra para as mãos e outra para os pés e sem muitas delongas já consegui retirar a segunda costura. Minha intenção era passar todo esse lance sem “roubar” nenhuma vez, ou seja, sem tocar na corda, nas chapeletas ou nas costuras instaladas pelo Alexandre. Logo em seguida chego bem perto da curva maldita, onde até os escaladores experientes fazem uma prece. Estou diante de um diedro em curva, onde os mais medrosos tendem a se enfiar em baixo de uma grande quina de pedra para fugir do abismo e quando fazem isso, ficam entalados e começam a amaldiçoar o filho da puta que resolveu estabelecer uma via naquele inferno. Já tendo passado por isso na outra vez, não quis nem saber, peguei por baixo da rocha, me equilibrei na beira do abismo, me posicionei na curva, dei um bom dia para minha avó e fui ganhando centímetro por centímetro e vez ou outra, olhava para baixo somente para me sentir um coitado pendurado a uns 500 metros de altura. Claro, minha vontade era a de agarrar logo em tudo que é costura e sair vazado dali rapidinho, mas pela minha honra resisti bravamente e quando passei a curva já me joguei com a mão esquerda dentro do diedro e fui me arrastando pela rampa acima até que sem nem perceber, já me dei conta que estava na grande fenda que nos levaria para a sequência de chaminés, passei limpo, estava feliz, uma satisfação pessoal indescritível, adeus minha vó, adeus Maria Cebola, até nunca mais. ( rsrsrssrrs)

                Dentro daquela fenda monstruosa, fria e úmida, onde da outra vez o Alexandre não quis nem guiar, desta vez não nos pareceu tudo isso e o próprio Alexandre não perdeu tempo, se esgueirou parede acima e já montou a parada. O Dema se assustou no começo, mas bastou subir uns dois metros para ele se adaptar e rapidinho já estava apoiado a uma pedra entalada no meio da chaminé e estando lá, puxou nossas mochilas e já passou para o Alexandre. O Vinícius dessa vez, se disfarçou de calango, juntou as pernas curtas nas duas rochas e subiu cantando. Para falar a verdade, apesar desta ser apenas a segunda vez que a gente encara uma chaminé, vimos que se fosse preciso solaríamos de boa, mas como a corda já estava instalada, me apoiei na parede e fui subindo alternando os pés até alcançar a tal pedra entalada uns quatro ou cinco metros acima, aí é preciso ficar em pé encima dela e ganhar um grande facão diagonal do lado esquerdo e finalizar essa grande chaminé invertendo o corpo, passando a subir com as costas do lado direito até poder montar na rocha e passar novamente para o lado direito, onde está instalado o pino  onde se coloca a parada e aí poder se deslumbrar com uma vista estonteante de todos os abismos dessa montanha, onde você se torna um nada diante da grandiosidade da pedra.

                Depois de subir essa chaminé gigante, a sequência da via vai prosseguir entrando- se em outra fenda horizontal obvia de uns 10 metros, porque não há mesmo para onde ir e adentrando até quase o seu final já é preciso subir mais uma chaminé de não mais de uns 4 ou 5 metros para conseguir sair da própria fenda. Dessa vez não teve conversa, subimos sem corda nenhuma, todo mundo solou. É uma subida fácil, uma chaminé estreita onde é pouco provável que alguém caia de lá, basta subir e ganhar uma rocha com ótima mão e se lançar para cima onde existe um amontoado de grandes rochas.
                Olha, foi justamente nesse ponto que dá outra vez a noite nos apanhou e tivemos que enfiar o rabo entre as pernas e sair correndo para casa, descendo tudo de rapel naquela madrugada fria e agora nem ao meio dia ainda havíamos chegado. Até agora havíamos feito um trabalho excelente, nenhum erro, tudo como havíamos planejado. Quando chegamos ao alto daquele amontoado de pedras gigantes, onde uma fenda monstro separa onde estávamos do estirão final para o cume do Dedo de Deus, não teve como não sentir um frio na barriga, e agora José, acharíamos a sequência da via? Não posso negar, a partir dali eu estava ansioso, com uma descarga de adrenalina que ia transbordando, sim, eu estava extremamente nervoso. Ali era o lugar que nos disseram que teria que fazer um pulo exposto para passar de onde estávamos para a outra sequência da montanha e veja bem, não demorou nada para eu bater o olho num pino “P” na altura do umbigo para me ligar que era ali o tal pulo, coisa que nem me passou pela cabeça na outra vez, não sabia se ficava feliz ou muito puto com aquela descoberta.

                O lance é o seguinte: É preciso passar uma costura no “P”, apoiar levemente a mão encima dele, colocar o pé direito na parede entre a fenda e dar um pulo e agarrar um patamar uns 2 metros e meio acima da cabeça com a mão esquerda. É um lance fácil, principalmente para quem é alto, mas para quem tem tamanho de toco de amarrar jegue, tem que ser um pulo com vontade e certeiro porque se não corre o risco de despencar dentro da fenda e cair no vazio. O Alexandre nem precisou instalar corda alguma, se apoiou na parede e já se jogou lá para cima, agarrou com vontade o bloco de rocha e montou nele como se tivesse subindo em um cavalo e antes mesmo de ir investigar, já puxou o Dema lá para cima, entraram em um arbusto do lado esquerdo e não deram mais sinal de vida por um bom tempo, deixando eu e o Vinícius mais agoniados ainda.

                Logo os caras do “outro lado do mundo” chamaram o Vinícius para fazer parte do clubinho deles e eu fiquei ali, largado para as cobras, criando uma úlcera no estomago de tanta ansiedade.  Por mais de meia hora o tempo parou para mim, sentado naquela rocha exposta, meus pensamentos voavam longe e quanto mais demorava para saber o que se passava do outro lado da fenda, mas ansioso eu ficava, pensei em passar sem depender deles, mas achei melhor não, ali não era lugar para cometer nenhum erro. Quando o Vinícius me chamou, levantei-me rapidamente e me posicionei conforme o procedimento correto e avisei o meu amigo que pularia. Apoiei a mão direita no referido “P”, olhei para cima com vontade e determinação, coloquei meu pé direito em um regletinho (pequena ranhura) na base da parede e saltei feito um campeão olímpico disputando a medalha de ouro: -“Segura essa porra aí caralho, ai meu Deus do céu! Não alcancei o patamar e minha mão esquerda passou no vazio, despenquei no meio da fenda e fiquei pendurado na corda, feito siri no pau. O Vinícius fez um ótimo trabalho, foi tão bom que nem consegui esticar a perna para voltar a minha posição anterior, tendo que implorar para que ele afrouxasse um pouco a corda para eu me recompor. Na segunda tentativa só fiz elevar mais a minha perna direita um palmo mais acima e aí pulei tão forte que mais um pouco eu alcançava a Pedra do Sino, lá na Travessia Petrópolis x Teresópolis. Agarrei a patamar rochoso como se fosse um prato de comida, passeia aperna por cima dele e de me segurei no arbusto, longe do abismo.

                A esquerda desse arbusto existe uma fenda horizontal de uns 4 metros e a diferença dessa fenda para as outras, era que essa não tinha chão. Quando cheguei nela os meninos já não estavam mais, já haviam passado, mas como estavam perto de mim, eu podia ouvi-los muito bem e logo perguntei as dicas para onde seguir. O Alexandre já gritou: -“ Facin, facin, Divanei, é só entrar na fenda e pisar nesse patamar do lado direito e atravessa até o final e aí tu sobe a chaminé de uns 3 metros e pronto” Eu até encontrei o patamar que se referiu, mas como diabos esses caras passaram nessa fenda sendo que não havia chão pra pisar e em baixo dos nossos pés, um abismo monstro ficava rindo pra gente. Eu já estava nos cascos, meu coração já estava tamborilando faz tempo, respiração ofegante e eu mal estava conseguindo raciocinar direito. Olhei uma pedra entalada no meio da fenda sem chão, mas ela estava uns 3 metros de mim e já pensei logo; mas nem fodendo que eu vou conseguir pular lá naquela rocha e fiquei vendido naquele lance. Tentei me acalmar e prestar bastante atenção na dica que vinha do outro lado da fenda: Entendi qual era o lance: Na parede do lado direito existia uma rachadura que corria na horizontal bem embaixo dos pés e por incrível que parece o próprio pé cabia dentro da rachadura e aí o lance é colocar as costas na parede do lado esquerdo e os pés dentro da rachadura e simplesmente caminhar, um procedimento ridículo de fácil, mas extremamente exposto e ao chegar ao final, subir uma chaminé de uns 3 metros e se agarrar numa rocha pontuda que se não tomar cuidado , acaba furando seu olho.
                Subindo essa pequena chaminé, emergi dentro de uma grande gruta e já me dei conta de que o Alexandre já estava bem adiantado nos procedimentos para a última enfiada, porque reconheci a grande estalagmite de rocha que eu havia visto numa foto, onde é preciso amarrar uma grande fita em volta para poder colocar uma costura, estávamos sem sombra de dúvida no PASSO DO GIGANTE. O Alexandre levou a nossa corda , ancorou-se e logo pediu para que o Dema subisse. Nesse lance é preciso retirar as mochilas e coloca-las na solteira e subir com elas no meio das pernas, coisa que vai te jogando para baixo, mas ninguém reclamou e o Dema macaqueou para cima, se agarrou onde deu e sumiu na última rampa de acesso. Ajudei o Vinícius a ganhar a primeira rocha e esse foi outro que que se livrou rapidinho desse lance e foi se juntar ao Dema e ao Alexandre.

                Não sei porque, mas aos meus olhos, levou uma eternidade até que o Vinicius autorizasse a minha subida. Segurei em oposição na rocha que dava acesso ao início da subida e ganhei terreno em direção a estalagmite. Pouco consigo descrever como foi essa última enfiada, só sei que uma hora você tem que encostar as costas no teto e ir se elevando e aí passar para o outro lado para ganhar a rampa. Juro que não me lembro de nenhum passo de gigante, minha cabeça e meus pensamentos voavam no tempo, voltei para 1997. Eu já não enxergava mais nada, só me lembrava que não podia mais cair e aquela luz que vinha lá de fora era minha única direção. Minhas pernas já foram bambeando e quando meus olhos se acostumaram com a claridade e alguém lá de cima gritou: “ Olha Divanei, que maravilha, a escadinha do cume “. Lentamente levantei meus olhos e quando o metal brilhou, minha cabeça rodou e deixei aflorar toda minha fraqueza humana. Os caras estavam irradiantes, o Dema transbordava de alegria, mas eu desgraçadamente desabei a chorar. No meu caso e do Dema não se tratava somente da conquista de uma montanha, era muito mais do que é isso, era a promessa cumprida de nos mantermos vivos e ativos na vida desde a nossa juventude, era a consolidação de uma amizade que atravessou uma geração e que começou no nosso tempo de escola, 35 anos atrás. A gente sobreviveu ao tempo, ultrapassamos as agruras da vida para estarmos juntos ali naquele momento magico na vida de cada um.

                Nem estávamos no cume ainda e já nos abraçamos ali mesmo e chorando, fiz um discurso de agradecimento e muito provavelmente não disse coisa com coisa. Ainda faltava subir uns 4 metros de escadinha para chegarmos ao topo e fizemos questão que o Alexandre tivesse a honra de ser o primeiro do grupo, mas ele se recusou e pediu para que eu e o Dema subíssemos. A escadinha é um tanto exposta e eventualmente perigosa, tanto que a maioria sobe nela encordado, mas eu e o Dema estávamos pilhados demais para qualquer outro procedimento se não o de subir correndo e nos jogarmos no estirão final. Quando ganhamos o cume, tocamos juntos a pedra que marca o seu ponto mais alto, onde fica a caixa com o livro e mais uma vez deixamos as emoções aflorar. Éramos duas crianças a se esbaldar de felicidade no cume do DEDO DE DEUS (1692 m) e quando o Vinícius e o Alexandre chegaram, a felicidade se completou. De cima daquele Dedo Divino, que quase tocava o céu, era possível se maravilhar com as montanhas ao redor, além de uma vista linda da Baia da Guanabara, é um mundo de beleza e encantamento, que faz do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, um dos mais bonitos do mundo.



                Logo o outro grupo chegou e como não é possível ser feliz para sempre, vimos que era hora de descermos, porque o cume é apenas metade da conquista. Decidimos que faríamos o descenso pelo rapel vertiginoso e para achar os dois pinos é necessário caminhar como quem vai em direção ao Pico do Garrafão, já que o topo do dedo de Deus é surpreendentemente do tramando de uma quadra de futebol de salão, o que mostra a grandiosidade dessa montanha. Estávamos com duas cordas de 60 metros e amarramos uma a outra para descermos com ela dupla. O Alexandre desceu, montou a parada e deu o gritou para que o Dema fosse, já que o nosso rádio havia acabado a bateria. Depois do Dema, eu fui o próximo a me clipar à corda. Rapel é uma coisa que nunca me assustou, mesmo sabendo que é nesse procedimento que a maioria dos acidentes acontecem. A saída à beira do abismo é complicada, mas rapidamente montei o meu prussik e me lancei no vazio, mas infelizmente com o peso da corda é preciso fazer uma força tremenda para que se possa pegar alguma velocidade. Esse rapel de fato não tem mais que uns 50 metros, mas não leva o nome de vertiginoso atoa, porque mesmo que a parada seja em um patamar mais abaixo, a gente fica uns 500 metros pendurado no vazio, só vendo as árvores no fundo do vale e quem sofre de medo de altura vai cagar nas calças. Para desgraçar tudo, o Vinicius preocupado demais com a segurança, me fez dar umas 3 voltar no nó blocante e o resultado foi que ele acabou travando no meio da descida e como eu não estava com mais nenhuma cordinha, fiquei pendurado sem ter o que fazer. Só depois de várias lutas é que consegui derrotar o prussik e consegui chegar em segurança ao patamar, mas já é necessário ficar esperto para tocar o rapel sempre para esquerda, para não correr o risco de passar direto e ficar pendurado sem ter como subir, principalmente para o primeiro que vai descer.  

                O patamar à beira do abismo até que comporta bem uma meia dúzia de pessoas. Nele temos um arbusto que serve muito bem para uma ancoragem, além de mais um pino instalado junto a ele e mais três pinos para a segurança do próximo rapel. Logo que o Vinícius desceu e juntou-se a gente, o Alexandre já se posicionou e despencou no próximo rapel. São mais uns 20 metros de descida, mas é necessário descer bem para a esquerda, junto à parede e instalar uma costura para evitar que a corda acabe pendendo para o lado do abismo. Esse procedimento é necessário apenas para o primeiro e uma vez no chão, é só ficar atento para direcionar a corda para os outros, tratando de não deixar que eles pendam para o vazio e cheguem ao chão em segurança, já que o segundo ao descer, já fez o procedimento de retirar e recolher a costura. O último e derradeiro rapel não tem mais que uns 10 metros e nenhum segredo aparente, finalizando esse, mais uns 20 metros de caminhada nos leva até a gruta onde há uma pequena placa que homenageia os escaladores brasileiros mortos no Aconcágua. E assim se finaliza a descida que vai beirando a lendária rota da via Teixeira, usada pelos pioneiros de 1912 para a grande conquista.

                Agora com os pés firmes no chão, mas nem tanto assim, vamos desescalaminhando um pequeno trecho de rocha, onde um cabo de aço todo enferrujado e nenhum um pouco confiável, ainda sobrevive. O tempo está incrível e a vista do Escalavrado e dos Dedinhos é arrebatadora. Descemos por mais um pedaço de cabo de aço até não ter mais jeito e termos que instalar a corda para descer de rapel. Todo mundo se encordou e deslizou rapidamente, menos eu que, só me agarrei a corda e desci esse pequeno trecho no braço mesmo. Daí para frente ganhamos a trilha e fomos descendo lentamente, hora usando alguns cabos, hora nos valendo de algumas cordas, até que antes do sol se pôr, tropeçamos no grande e derradeiro paredão dos cabos de aço. Eu e o Dema pensamos logo em nos agarrarmos nos cabos e deslizarmos até lá embaixo, no braço mesmo, mas como havia alguns guias descendo com uns clientes, o Alexandre montou logo um rapel com as duas cordas e assim evitamos de alguém nos torrar a paciência e agente ser obrigado a mandar a merda e rapidinho já nos vimos de volta à Toca da Cuíca, já na boca da trilha.

                Menos de uma hora, esse foi o tempo que levamos para novamente nos vermos de volta à civilização, agora totalmente em segurança. Desta vez não houve espaços para comemorações e cada um seguiu caminhando no seu ritmo naquela noite escura e agradável de primavera. Eu mesmo me pus a caminhar por último, minha cabeça ainda rodopiava e eu quase que levitava naquele último trecho de asfalto. Vez por outra eu me virava para trás e me punha a contemplar a silhueta do grande DEDO DE DEUS e eu poderia passar os restos dos meus dias olhando para aquela montanha e mesmo assim não me cansaria de contempla-la, parecia mesmo que o grande DEDO havia se curvado, como a me dar um joinha e a dizer: ” Valeu meninos, obrigado pela visita, nos vemos novamente daqui uns 20 anos”.    Chegamos de volta ao carro antes das sete da noite e sem pensar muito, já pegamos a estrada para casa e oito horas de viagem depois, estávamos novamente de volta ao nosso mundo no interior de São Paulo.
                E esse não foi nem de longe um relato de grandes conquistas, de feitos memoráveis, realizados por grandes escaladores. Esse é um relato que fala de amizade, de perseverança, de aprender a não desistir, de saber esperar o momento certo. No meu caso e do Dema a espera foi de 20 anos e foi uma grande honra poder dividir esse sonho com esses outros dois grandes amigos, que calhamos de encontrar na curva do tempo. Estar no topo do Dedo de Deus foi ter a oportunidade de relembrar dos velhos tempos de juventude, tempos de espirito livre, onde o mundo parecia menos complicado e subir montanhas era apenas um ato de se libertar das mediocridades da vida, um tempo de montanhas sem donos, onde todo mundo tinha acesso livre e precisa apenas se preocupar em cumprir com as promessas feitas e no nosso caso: PROMESSA MAIS DO QUE CUMPRIDA!
                                                                Divanei Goes de Paula – Agosto/2017
       
       
           
       
               
               
                



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