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Namorar grandes Morros, Pedras, Picos e seus cumes é algo normal para quem se identifica com esportes ao ar livre. Cada qual em sua modalidade acredita saber o quanto lhe faz bem a prática frequente da atividade que gosta. Onde a paz de espírito é alcançada quando lhes vem aos olhos novidades que os fazem se sentir bem consigo mesmo. E, particularmente, é em cima desses pensamentos que venho mantendo minhas raízes fixas e fortes no mundo do trekking (creio que com meus companheiros não é diferente). Não para me adequar aos padrões de federações, grupos e blogs de renome, ou coisas do tipo. Buscar pela novidade é algo que venho executando há algum tempo com o único e exclusivo intuito: SUPERAR EU MESMO.

 

Já fazia algum tempo que eu vinha almejando o cume do Pico São Sebastião - ponto mais alto de Ilhabela, com seus 1.375 metros de altitude. Junto a vontade de alcançar tal objetivo estava a intenção de ascender o Pico Baepi (1.048 mts), o famosinho que guarda as portas de entrada da cadeia montanhosa do arquipélago. Quem chega na ilha, mesmo sem saber quem é ele, logo o identifica quando sai do continente. Mas, nesta ocasião, o anfitrião ficou em segundo plano. A gana era Um pouquinho maior rumo ao "teto."

Chegamos em Ilhabela (Adilson Silva, Rafael S. Lima, Silvester Natan e Eu) às 8h30 da manhã do sábado, 11 de Junho de 2017, e fomos caçar algo para acalmar as lombrigas que já estavam alvoroçadas. Paramos no supermercado mais próximo da balsa, escolhemos alguns comes e bebes para acrescentar nosso menu, tomamos o café da manhã e partimos rumo ao início de nosso martírio. Tocamos para o sul da Ilha, e um pouco perto da praia da feiticeira saímos da via principal para adentrar um condomínio residencial onde tive que "jogar um verde" no porteiro que abre a cancela, dizendo que estaríamos indo visitar as cachoeiras.

Não sei como não houve suspeitas. Pois eramos quatro marmanjos vestindo as mais espessas roupas de frio, usando toucas, e querendo visitar quedas d'água àquela hora da manhã. rs.

Estacionei o carro no final da estrada/início da trilha, arrumamos nossas cargueiras e começamos a pernada.

Com menos de 250 metros de caminhada já estávamos fotografando a primeira e única cachoeira que oferece uma piscina natural para banho, sendo a mais bela dentre as três pequenas quedas do conjunto que iríamos encontrar pelo caminho. No quesito beleza, a segunda cachoeira não agrada em hipótese alguma, não chega a medir 2 metros de altura, não possui poço nem para enfiar as mãos e coletar um gole d'água. Sendo assim, acaba deixando tal consideração para a próxima pancada d'água, que não oferece piscina para banho mas permite o desfrute de uma ducha de aproximadamente 6 metros direto na cachola.

Até alí não foram nem 400 metros percorridos e tudo era passeio no parque - pique Turistão mesmo. Já estive ali outras vezes, e estava ciente de que até uma pessoa da terceira idade chega ali sem dificuldades, bastava meus amigos conhecerem.

Quando viramos para esquerda após o terceiro tombo para ver o que nos aguardava..., nooossa... dava medo só de olhar a inclinação da trilha. Um forte aclive em meio a vegetação, característica de Mata Atlântica, repleta de raízes, troncos e árvores que iam servindo de agarras e/ou degraus conforme íamos subindo. Era como se estivéssemos rastejando em pé sob um esforço demasiado que fez um amiguinho do grupo colocar seu dejejum goela a fora. ::hahaha::

O que facilitou o nosso avanço nesse trecho foi ver que a trilha passou por uma recente manutenção e estava completamente roçada pelos moradores locais que captam água para abastecer o condomínio. Claro que não teríamos aquela "avenida" aberta por muito tempo! Uma hora iria se estreitar feito um corredor, e a mamata iria acabar. Os moradores não sairiam abrindo caminho até o topo para deixar tudo bonitinho para os caminhantes que por ali se aventuram. "Cada qual que lasque para melhorar aquilo que escolheu para ter como lazer." rs

Após passarmos por um lindo mirante na cabeceira de uma cachoeira, ainda seguindo os canos de captação, um pouco desatentos, olhamos sem dar atenção para uma picada bem aberta que segue subindo para a esquerda e acabamos saindo fora do caminho que deveríamos seguir, mas acabamos encontrando um quinto e último ponto de água com fácil acesso para abastecer nossas garrafas. Voltamos ao caminho correto para enfrentarmos mais um lance de forte aclive, a partir dalí fomos obrigados a ligar o radar, limpar as narébas e farejar a trilha que sumia com frequência diante nossos pés. Mesmo com essa e outras adversidades pelo caminho fomos tocando em um ritmo de poucas pausas, na verdade quase nenhuma. A lentidão só começou dar as caras quando apareceu o primeiro obstáculo de respeito: um emaranhado de bambus que barrava nossa passagem e impossibilita qualquer tipo de contorno por ambos os lados. A única solução foi arrancar as mochilas das costas, tacar o peito no chão e rastejar feito lagarto sob o baixo túnel que os bambus ofereciam. Nessa hora a tensão despertou nossa atenção, pois seria fácil encontrar alguma cobra camuflada entre as folhagens no solo já que a região é cheia delas, e se isso acontecesse nosso final não seria dos melhores. O céu estava aberto com o sol à pino, ideal para esquentar o sangue dos répteis.

A inclinação não dava trégua por um segundo se quer, e aliada com a Mata, que ora vinha fechada, ora se mostrava aberta, deixava a via dispersa complicando a navegação. Por conta de tanta luta entre a caminhada com pouco ganho de altitude, vendo o suor gotejar das barbas do Rafa, com duas horas de pernada em 2,5 km decidimos parar por uns minutos e descansar. Pois acreditávamos que alí seria a metade do caminho, e na parte restante teríamos dificuldades semelhantes com as que passamos até alí e gostaríamos o mesmo gasto de tempo para concluir a subida. Coitadinhos de nós, puro engano. rs

Depois de mordiscar algumas frutas e tomar breves goles de água, sem deixar o sangue esfriar, já retomamos a peleja em um terreno que ficava cada vez mais íngreme, mais acidentado e com a Mata mais confusa. Só nos restava impor um ritmo favorável à situação para que não houvesse desgaste em demasia, tampouco paradas sucessivas.

Com 1h20 após o descanso já chegamos na primeira área de acampamento sob uma grande rocha de corte diagonal onde é possível, com jeitinho, armar de 3 a 4 barracas para um pernoite. E olhando no GPS, sabendo o quanto faltava até o cume, nos precipitamos com duas observações:

1 - alí seria um ótimo lugar para passar a noite. Mas não compensaria por saber que existe outra área de acampamento mais a frente (mesmo sem saber sobre o espaço).

2 - com um curto trecho restante (+ou- 1,7 km), levaríamos pouco tempo para concluir a trilha. Estimamos 1 hora, mas não foi bem assim.

O que aparentava ser breve de concluir, na verdade, foi nosso maior calvário. Tudo aquilo que deixamos para trás achando que era forte aclive se tornou quase um planalto se comparado ao que vinha surgindo aos nossos olhos, e para intensificar a brincadeira o obstáculo/bambuzal que tinha dado as caras apenas uma vez, decidiu marcar presença e mostrar que aquele era seu território. Era hora de comer bambu.

Novos emaranhados de bambus entrelaçados escondiam o caminho e pelas laterais, onde fica mais espesso, não foi possível contornar. O que restou? - cair de cabeça mais uma vez nas grandes gaiolas para ver o quão complicado seria vencer tudo aquilo. Arrancamos as mochilas das costas mais uma vez e partimos para mais uma batalha com sessões de agachamento e rala peito. O mais alto que conseguimos avançar foi engatinhando feito vira-latas, e rolar para os lados se fez necessário para esquivar de bambus que tinham espinhos ferozes feito unhas de gato. O desgaste muscular era ferrenho, e uma nova pausa se fez necessária quando a cãibra começou a contorcer as pernas do Rafa enquanto estávamos engaiolados. E assim fomos conquistando nosso objetivo: ganhando arranhões pelo rosto, testa e pescoço, e sentindo o sangue e o suor escorrer pela pele.

 

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Quanto mais próximo do fim pensávamos estar, maior parecia o caminho, e quando pensávamos não existir mais inclinação, mais escalaminhadas eram expostas às nossas caras. Estava sendo UM VERDADEIRO TESTE DE RESISTÊNCIA física e psicológica que transformava o sofrimento em uma súplica que almejava o término de tudo aquilo. O único pensamento que ainda nos confortava um pouco era o de estarmos fazendo a subida sob a "baixa temperatura" de inverno, por que fazer uma subida dessa com as altas temperaturas que faz no verão seria como perambular pelo inferno. Graças à Deus por nenhum castigo dura para sempre, e entre magros e feridos conseguimos vencer aquela maldita vegetação. Ou melhor, achávamos que sim.

Chegando no segundo acampamento, lugar que nos disseram restar 15 minutinhos de subida até o topo para aqueles que passam a noite alí, vimos que na realidade a subida perdura por mais 40 minutinhos (pelo menos para nós) numa vegetação mais dura e trabalhosa que as anteriores.

Estávamos prestes a tirar a dúvida: o ponto mais alto de Ilhabela possui ou não possui amplo visual? A única referência que tínhamos quanto a isso era uma foto, tirada dois anos antes, na qual Vivi Mar (que muito nos ajudou com infos e tracklog) está sentada à beira de uma pedra de frente para o canal de São Sebastião.

Ao chegarmos na parte alta do Pico, às 15h30, deixamos nossas mochilas na área de acampamento e fomos às pressas subir a rocha que detém o ponto culminante de todas as ilhas do Brasil, onde foi revelado aos nossos olhos um mirante ESPETACULAR com 360 graus de puro visual sobre a Ilha e toda a extensão da Serra do Mar Paulista, desde a Jureia - extremo sul do litoral, até os limites de Ubatuba com Parati, e se prolongando até a Ilha Grande/RJ. A euforia foi instantânea, pois, graças ao tempo de céu aberto conseguimos visualizar grande parte da Serra da Mantiqueira e, também, a Serra da Cantareira. Ao leste fazíamos reverências às ilhas em alto mar que nossos olhos alcançavam: Montão de Trigo, Búzios, Alcatrazes... Faltou ver a África rs.

 

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Aquele cenário estava fazendo valer todo e qualquer sofrimento que tivemos com o desnível acumulado e o bambuzal que cruzamos pelo caminho. Cada corte na pele, cada dor pelo corpo, o sangue e o suor derramado já não eram mais lembrados, apenas satisfação e alegria estavam estampados no rosto de cada um do grupo. E a sessão de privilégios estava apenas começando.

Encantados com o lugar, ficamos presos ao cume até o pôr do sol chegar. E observa-lo fazendo seu espetáculo diário, se deitando por trás da Pedra da Boraceia e colorindo o céu de um tom alaranjado que puxa o crepúsculo e a escuridão da noite, foi gratificante demais.

Antes de escurecer por completo descemos para armar nossas barracas e fazer o jantar. No decorrer desses afazeres, entre as copas das árvores, conseguimos ver a lua cheia numa coloração avermelhada surreal emergir do horizonte, e quando voltamos ao cume para observar o teto estrelado novamente fomos surpreendidos pela beleza das cidades locais iluminadas por uma infinidade de lâmpadas enquanto a lua dava seu show refletindo sua imagem no oceano. Passamos algumas horas lá em cima vivenciando cada minuto e tremendo de frio. Nosso gran finale ficou por conta de um bom vinho tinto suave e muitas risada entre amigos.

 

No amanhecer fomos presenteados por um nascer do sol incrível, que banhou de luz os picos locais e os que tanto já palmilhamos no continente. Aquela manhã estava favorável para mais uma longa sessão de fotos. O que não deixou aflorar nenhuma vontade de desmontar acampamento e descer montanha abaixo. Nos prolongamos o quanto quisemos mas tínhamos que voltar à realidade, e, por pura coincidência ao dia anterior, às 9h30 batemos em retirada.

Era certo que não iríamos gastar 6 horas para vencer o mesmo caminho (na descida todo santo ajuda). Tiramos o pé do freio e descemos em ritmo forte, e se não fosse pelos VÁRIOS PERDIDOS que a trilha nos dava quando sumia diante nossos narizes, teríamos gasto menos do que as 4 horas para finalizar a descida. E como estava cedo, ainda nos restou tempo para uns tibuns na Praia Grande de Ilhabela.

Particularmente, sai de lá extasiado por ter vivido um episódio ímpar e tão completo num único lugar, onde eu só estava acostumado apenas com praias e cachoeiras.

Sem sombra de dúvidas o Pico São Sebastião ofereceu o mais incrível mirante que meus olhos já viram! E tudo que foi me apresentando fez despertar minhas atenções aos demais picos da ilha. Os quais estão isolados, sabe-se lá quanto tempo, esperando que alguém lhes deem a honra, ou o desprazer de uma visita.

Espero que nosso retorno não demore, pois preciso buscar meus pensamentos que ficaram aprisionados em cada cume da Ilha mais bela de SP.

 

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FIM.

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  • 4 meses depois...
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Vagner, muito bom seu relato. Show! Parabéns pela conquista!

Eu tenho muita vontade de fazer esta trip. Numa época até arrumei uma turma de amigos dispostos, até fiz contato com um guia local (de nome Wagner) e estava tudo cooperando para dar certo, mas na hora H o pessoal foi "dando pra trás" e a viagem miou.....

Diga-me uma coisa? Pretendem voltar algum dia em breve? Outra coisa: vc acha que é possível fazer esta trilha sem o uso do GPS? Por hora estou sem parcerias para subir, mas não desisti e estou pensando aqui como posso fazer pra colocar em prática essa trip.

Valeu brother. Abraços.

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    • Por Carolina Rosaboni
      Chegando na praia do Bonete todas as nossas esperanças de sinal foram por água abaixo lá só chega Wi-Fi para as maquininhas de cartão e a luz vai até as 18h, então estejam preparados para ficarem incomunicáveis já chegando em Ilhabela, na parte Sul quase não tem sinal. Assim que pisamos fui no primeiro restaurante que encontrei e esqueci de pegar o nome pra tomar um Coca, como uma boa viciada, todos os atendentes foram super gente boa e me emprestaram o celular só para avisar que estava viva. reparamos que tinha uma ducha na porta desse restaurante e um camping do lado. 

      Nos afastamos e assistimos ao pôr do sol, em menos de meia hora a praia ficou vazia e um breu que só. Tomamos banho naquela ducha mesmo apenas iluminados pelas estrelas (dava pra ver a constelação das três marias inteirinha, o céu de lá é perfeito) e nos dirigimos para a outra ponta da praia para ver se havia possibilidade de armar a barraca. Já de aviso NEM TENTE, os moradores viram a noite com lanternas procurando se tem alguém com barraca e são bastante mal educados, chegam totalmente na ignorância só de te ver com as coisas se você não está se dirigindo a um dos campings. Mas felizmente uma mulher de São Sebastião veio nos pedir um isqueiro emprestado e disse que era super tranquilo só dormir na praia, ela e o marido estavam nessa a dois dias. 
       
      Estendemos a barraca debaixo de umas árvores perto deles e fomos atrás de comida no outro comércio que tinha na praia e tinha a aparência de estar aberto, a barraca do Cacau, assim que nos viram passando nos trataram muito, mas muito mal mesmo, com respostas vagas e sem olhar na nossa cara, até indicaram um lugar na vila que poderia estar aberto, mas depois de toda essa recepção decidimos não ir e comer o resto do que tínhamos levado para a trilha. Capotamos de cansaço às 20h, um pouco depois fui acordada pela luz da lua cheia que iluminava a praia inteira como uma lanterna em nossas cabeças, o céu de lá realmente não tem explicação e tirando os mosquitos não tivemos muitas preocupações de noite. 
      No outro dia acordamos com o nascer do sol e um grupo de golfinhos bem na nossa frente, se tivesse bateria teria sido uma foto perfeita. Nos lavamos no rio que encontra o mar bem na beira da praia e estendemos as roupas com uma corda entre as árvores. O comércio abria no final da manhã e compramos mais água e apenas salgadinhos, os preços eram bem fora do nosso padrão. Lá na vila descobrimos que havia uma trilha para outra cachoeira, mas no dia anterior um menino tinha morrido de picada de cobra, o que nos desencorajou totalmente de explorar. Acabamos  ficando pela praia mesmo pois o dia estava lindo, ao meio dia a orla se encheu de lanchas e jet skis e fomos almoçar no bar do Cacau mesmo que prometeu um PF que alimentaria 3 pessoas. Nossa sorte foi que pedimos dois, pois a porção dava  para um pouco mais de uma pessoa, mas estávamos felizes de estar comendo comida dessa vez. 

      Já eram 14h30 e tínhamos acabado de comer, literalmente do além surgiu uma ventania muito forte, daquelas de tirar as pessoas do chão. Corremos para guardar tudo e nos abrigamos no bar do Cacau enquanto observamos os barcos do tinham virado e estavam sendo arrastados, logo mais começou uma chuva forte de 2h. Nos informaram que iriam fechar e não poderíamos ficar abrigados lá, nem passar a noite na praia como no primeiro dia pois chovia, e barraca nem pensar se não irão destruí-la. Ficamos um tempinho debaixo de uma árvore e fui procurar o gerente do bar que conhecemos no primeiro dia e contei toda a história e que não tínhamos dinheiro para o camping se poderíamos dormir no chão do bar e tentariamos pagar um barco bem cedinho no dia seguinte. Ele até deixaria, mas tinha uma confraternização de Ano Novo com o dono do bar, mas a sogra dele nos deixaria ficar nos bancos na frente do bar dela que tinha um pouquinho de cobertura. Eu já estava super contente, mas fui encontrar o casal de amigos que estava abrigado no bar da praia esperando sermos desalojados novamente e contei tudo o que o gerente havia me falado. 
       
      Resolvemos tentar a sorte até a confraternização começar, umas 20h dois casais chegaram para arrumar as mesas e estávamos nos dirigindo ao bar da D. Rosinha que fica no povoado. O C. (vou chamá-lo assim para preservar a identidade, mas serei eternamente grata)  dono do bar se compadeceu da nossa miséria e salvou nosso ano novo, além de nos abrigar em seu quintal para montar a barraca, oferecer banho quente, ofereceram uma ceia maravilhosa e passamos o Ano Novo com sua família super gente boa, até me fez voltar a ter fé no pessoal de Bonete que tinha sido extremamente rude até o momento conosco. Os sobrinhos dele nos levaram para um bar que tocava música ao vivo no povoado e pulamos as ondinhas na praia. No outro dia acordamos às 8h e conseguimos um barco de volta para ilha por “apenas” R$60 (por causa do ano novo o mínimo seria R$80 ou R$90, mas o cara nos fez preço de temporada, pois era amigo do C. ) Por causa da tempestade  no dia anterior os golfinhos não apareceram, mas o barqueiro nos levou para conhecer o buraco do cação, que mesmo muito profundo dá pra ver o fundo de tão cristalina a água é
      Resumo: o Bonete é um lugar maravilhoso para visitar, uma das praias mais lindas que fui e dá pra dormir na areia tranquilamente, mas vá preparado financeiramente para imprevistos,  pois não é sempre que almas boas aparecem. E se for de trilha se prepare pois o clima lá muda em dois segundos, sempre bom levar o dinheiro do barco e não conte com o cartão sempre, pois lá o wi-fi é bem limitado o barqueiro só aceita dinheiro por exemplo

      Almoço: R$ 30 por prato + 10%
      Cerveja: R$ 6 skol
      Coca cola R$ 6 na mercearia e no bar do Cacau R$ 5 no primeiro restaurante
      Fofura R$ 5
      Shot de pinga da ilha R$7
      Barco para Ilhabela R$ 60 por pessoa
    • Por Carolina Rosaboni
      Decidi super em cima da hora com um casal de amigos a passar a virada em um camping em Ilhabela. Um grupo de amigos desse casal tinha fechado o Camping da Lage e iria conseguir um lugar para nós no dia primeiro depois de passar a virada na praia e subiriamos de trilha, o único problema é que esse grupo de amigos não nos informou em que praia iria virar. Calculando o tempo que levaria para chegar na praia do Bonete, que é a praia que tem uma trilha que sai desse Camping, e pensando no trânsito da virada, resolvemos que era melhor ir no dia seguinte, dia 30 e resolveriamos lá no Bonete onde iríamos ficar. Com fé e coragem pegamos um Blablacar às 5h30 lá do Tietê depois de quase virar a noite tentando lembrar de pegar tudo para o camping, chegamos na balsa para Ilhabela às 10h devido o trânsito de pessoas indo para o litoral. Até aí bem tranquilo, o pedestre não paga e ela sai de 30 em 30 min. Chegando lá fui tentar sacar dinheiro, mas me informaram que não tinha banco na Ilha (o que é mentira, pois depois achei vários na região central, inclusive o meu banco) e esse casal ficou me apressando para ir direto para o ônibus da trilha pois estavam com medo chover, parei só para comprar 2 águas e gelo para mantê-las geladas em minha sacolinha térmica. Já começamos a ser atacados pela fauna local e meu repelente parecia tempero de mosquito, é bom comprar o repelente da ilha que eu fiz mais tarde na viagem e é caro, mas é a unica coisa que salva. Fomos então pegar o ônibus que vai a parte Sul da ilha com meus poucos reais em espécie, comprei a ida e a volta (5 reais cada passagem e em tempos de não pandemia a passagem de domingo sairia por 1 real), foi a pior besteira que poderíamos ter feito. Chegando no ponto final desse ônibus não existe nada, nem sinal de celular (na verdade o sinal e qualquer mercado ou farmácia estão a mais de 5Km de onde o ônibus para) Nos informamos com o motorista que disse que a entrada da trilha estava um pouco a frente pela estrada de terra, andamos cerca de 40 min até a porteira do Parque Estadual, usualmente eles pedem que você marque um horário para a trilha, porém como nossa viagem foi super repentina nem pesquisamos sobre. (Recomendo que façam exatamente o contrário de nós e tente marcar.) Após assinar um termo de responsabilidade pudemos entrar, e o guardinha foi super simpático quando contamos que estávamos indo pra Lage e por isso podíamos entrar e avisou  que por causa do COVID o parque estaria fechado nos dias 1, 2 e 3. Finalmente iríamos começar a trilha de 12 Km de subidas e descidas ao meio dia em ponto. O guardinha comentou que tinha atleta que fazia em 1h mas a maioria em 5h, calculamos que em umas 3h já estaríamos lá (Claro que desconsideramos a falta de sono, fome e o peso das mochilas e a geladeira, até alí estava tudo bem) e também comentou que passando a Lage já era 20% do caminho. Já no começo da trilha tem bastante subidas, uma em principal que é bem íngreme e asfaltada dá em uma vista linda, onde o céu e o mar se confundem em dias de céu limpo, eu comecei a passar bem mal de fome. Depois de vomitar toda água que tinha no meu estômago,  pois não comia desde a noite anterior (o erro gigantesco, sempre coma algo leve, mas que te sustente antes de fazer a trilha) paramos para comer bananas que deram aquela revigorada de leve, mas ainda sentia falta de uma alimentação. Voltamos a trilha e chegamos na bifurcação indicando o camping da Lage e a praia do Bonete. O Camping era o único local da trilha que teria WiFi, mas como a Bonete estava bem longe e eles realmente estavam com medo da chuva fomos direto. Chegando na cachoeira da Lage previsão era de chuva fomos tentar a sorte com sinal na praia do  paramos para comer e relaxar um pouco, tirar umas fotos do lugar , eram já 13h .

      Revigorados voltamos a trilha 30 min depois, foi o trecho mais longo da trilha, o bom é que é quase impossível se perder na trilha do Bonete não tem bifurcações ou trilhas paralelas e você sempre vai estar acompanhado de um calango, em um momento avistamos uma cobra e eu não esperei muito para tentar descobrir mais sobre ela ( depois nos informaram que é bem comum mordida de cobra por lá, principalmente de Jararaca, mas a que vimos não matava, só necrosava a pele). Após uma longa subida seguida de uma descida, chega-se a segunda cachoeira apenas nos molhamos para tirar o suor e seguimos para o Bonete, já eram 15h40 e ainda não havia chovido, uns banhistas nos disseram que era mais 1h de atleta (to até agora tentando entender essa medida deles). Daí o trajeto spo sobe e você fica sem entender nada como vai chegar na praia só subindo, até chegar em um descampado que dá pra avistar a praia e deu aquela animada na nossa alma acabada, finalmente começam as descidas, mas fomos tomando bastante cuidado pois essa parte da trilha estava bem castigada pelas chuvas anteriores e sofreu horrores de erosão, tinha que ir prestando bastante atenção. Finalmente chegamos às 17h30, um tempo até que ok pela quantidade de coisas e nosso cansaço. Na escada que dava acesso a praia uma mulher nos recepcionou e comentou que tinha um grupo que tinha acabado de chegar e tinha saído às 8h da entrada do parque. Mas quem vai só com a água deixando as malas virem de barco geralmente demora umas 2h 

      Tempo total gasto de SP até a praia do Bonete: 12h
      Tempo total gasto na trilha: 5h30
       
      Blablacar: R$ 66 pra cada
      Água e comidinhas: R$ 40 pra cada
       
    • Por Dérik Martins
      Olá, pessoal! 
      Passei dois meses em Ilhabela fazendo voluntariado e as piscinas naturais se tornaram meu cantinho preferido na ilha! Eu amo o contraste da água verde na piscina e azul no mar! Sem contar que a energia lá é incrível! 
      Passo 1: Para chegar lá, basta colocar Piscinas Naturais Ilhabela no google! A entrada fica ao lado desse caminho que aparece (marquei com a seta)! Há estacionamento ao lado por R$10,00 e o ônibus que sai do terminal com destino à Borrifos passa por esse caminho! 

       
      Passo 2: Essa é a entrada da trilha, não tem sinalização! Mas é só abrir o portão e entrar. A trilha é bem fácil, dura uns 5 minutos e o caminho é reto. Você vai sair em um condomínio, continue descendo reto e verá o início de mais uma trilha ao final do caminho... Essa trilha também é bem curta e reta! 

       
      Passo 3: A trilha te levará para essas pedras... Fique atento à esse ponto, pois terá que seguir o caminho por cima das pedras e é um pouco alto. De qualquer forma, o caminho é bem curto, menos de 10 min e você chegará! 

       
      Finalmente você vai chegar e aproveitar esse paraíso! Se você conseguir ir durante a semana é ótimo, pois é mais vazio! Às vezes, a maré está alta, assim, o nível da água está maior e não tem pé!OneDrive-2019-07-06.zip


       
      Faço o passo a passo de todas as trilhas no insta: https://www.instagram.com/derikdemochila

       
       
    • Por Dérik Martins
      Olá, pessoal! 
      Passei dois meses em Ilhabela fazendo voluntariado e as piscinas naturais se tornaram meu cantinho preferido na ilha! Eu amo o contraste da água verde na piscina e azul no mar! Sem contar que a energia lá é incrível! 
      Passo 1: Para chegar lá, basta colocar Piscinas Naturais Ilhabela no google! A entrada fica ao lado desse caminho que aparece (marquei com a seta)! Há estacionamento ao lado por R$10,00 e o ônibus que sai do terminal com destino à Borrifos passa por esse caminho! 

       
      Passo 2: Essa é a entrada da trilha, não tem sinalização! Mas é só abrir o portão e entrar. A trilha é bem fácil, dura uns 5 minutos e o caminho é reto. Você vai sair em um condomínio, continue descendo reto e verá o início de mais uma trilha ao final do caminho... Essa trilha também é bem curta e reta! 

       
      Passo 3: A trilha te levará para essas pedras... Fique atento à esse ponto, pois terá que seguir o caminho por cima das pedras e é um pouco alto. De qualquer forma, o caminho é bem curto, menos de 10 min e você chegará! 

       
      Finalmente você vai chegar e aproveitar esse paraíso! Se você conseguir ir durante a semana é ótimo, pois é mais vazio! Às vezes, a maré está alta, assim, o nível da água está maior e não tem pé!OneDrive-2019-07-06.zip


       
      Faço o passo a passo de todas as trilhas no insta: https://www.instagram.com/derikdemochila

       
       
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    • Por Vgn Vagner
      Eu cheguei a ser inocente quando pensei que todo o meu roteiro seria cumprido a risca do jeitinho que eu o planejei. Muito pelo contrário, foi desde o início uma surpresa.
      "Eu consegui" recrutar duas pessoas para me acompanhar nessa aventura (uma novata e uma experiente), mas como na hora de por o pé na estrada as coisas mudam de maneira quase prevista. Ninguém foi. Mas uma delas me falou sobre um amigo que desceria pra Ilha e precisaria de uma carona. O destino da minha viagem já começou a mudar por aí. Combinamos por telefone o lugar e horário para encontro, ele levou uma amiga e seguimos tranquilos até o pé da serra de Caraguatatuba.
      Ainda na rodovia, em trecho de serra recebi uma ligação da Gerente da loja na qual trabalho, a pedido do patrão, pra que eu voltasse adiantado das férias para atender as novas mudanças que estavam fazendo na loja. Se eu voltasse, esse relato não teria nem início hehehe.
      A minha intenção era ficar no lado sul da ilha, mais especificamente no Camping do Veloso (o menor preço Q achei) na praia do mesmo nome. Atravessando a balsa o Cadu me disse: Você tem que conhecer a Nadya, ela oferece o quintal como Camping e também tem quartos para hospedagem. De repente ela te faz um bom preço e você fica por lá mesmo.
      Fiquei surpreso quando fomos recepcionados por uma senhora com dread Looks abrindo o portão pra nós receber. Entrando na casa, vi que se tratava de uma residência multicultural (Ateliê 13 luas), onde ela faz mosaicos com cacos de azulejos, lembrancinhas com papel marchê, dá aulas de capoeira e ainda têm, cuida e ensina a montar hortas orgânicas. Há trabalhos artísticos por toda a casa. E foram tantos trabalhos assim e cinco minutinhos de conversa tomando um cafezinho que decidi ficar acampado lá, Ja que puder usar a cozinha dela pra fazer os rangos (isso economiza muito).
      Cheguei na ilha depois de um fim de semana chuvoso, bem chuvoso mesmo. As águas caíram fortes nas montanhas trazendo várias trombas d'água pelas cachoeiras, vários bairros com casas e pousadas alagadas. Eu ainda peguei um resquício dessa chuva na segunda feira, isso fez com que meu primeiro dia fosse um pouco menos proveitoso daquilo que eu imaginava. Mas foi ótimo.
      Depois de montar acampamento e alimentar a alma ao som de Ponto de Equilíbrio, tive um longo tempo de conversa com a Nadya, pra depois que a chuva parasse eu poder ir fazer meus roteiros. Só que antes algo me chamou a atenção sobre a mesa, era um livrinho de orações da SEICHO-NO-IE aberto na pág.17. Curioso como sou, resolvi ler e achei o trecho bem a ver com o que eu estava por viver ali.
       
       
      "Eu não temo, pois sei que Deus é tudo, que nada existe além de Deus. Deus é Bem; portanto, o mal não existe. Deus me protege; Ele me nutre e me acolhe em Seus braços; Ele me ama. Por isso, nenhum mal me sucede, nem praga alguma chega à minha casa. Aonde eu vou, Deus zela por mim, enviando seus anjos para me proteger. Sou livre, pois despertei para a verdade. Sigo pelos caminhos da vida em companhia de Deus. Vejo somente o bem e a Verdade. Deus é tudo. O dia todo, ouço dentro de mim a vigorosa afirmação: Jamais penso em doença ou carência. Penso exclusivamente na verdade, no amor e na Vida. Tudo pertence a Deus. Sou filho de Deus. E tudo que é do pai é do filho também. Somente a força de Deus é força verdadeira. Tudo que Deus possui pertence também a mim. Por que recebo tudo de Deus, sou completo. Agradeço a Deus-pai, com toda sinceridade".
       
       

       
      Fui para o lado sul da ilha ver como estava a situação do Camping e vi que a melhor coisa foi ter ficado no bairro do Perequê. O acesso com o carro estava muito ruim, é uma subidinha de terra entre pedras e cascalhos. Eu judiaria do meu guerreiro toda vez que fosse sair pra algum lugar. Por isso, fui obrigado a deixar o carro numa rua pavimentada e seguir até o início da trilha (que é dentro do Camping). As infos da placa diz nível médio / 2h (ida/volta). Mas eu já fiz essa trilha duas vezes, e não durou mais dos que 1h (ida/volta).
      Pois bem, depois da Cach do Veloso_60 mts de queda d'água, no caminho de volta já entrei no sentido da Cach dos três tombos. Trilha fácil, de uns 250 mts de extensão que pode ser vencido fácil fácil por quem não gosta de longas caminhadas. A primeira queda d'água tem uma piscina natural bem agradável para banho, a segunda queda tem seus 2,5 mts e não tem piscina e a terceira queda tem sua aproximados 6 mts de altura (também sem piscina). Quando eu estava pra entrar no carro, abriu um sol forte do nada, então não tinha como eu sair dali sem um bom banho pra eliminar o cansaço do dia.
       
       
       
       
       
       
      2° dia
       
      Sai do Camping na intensão de ir até Castellanos com o meu carro mesmo já que me informaram que veículos baixos também estão tendo permissão para pegar a estrada, mas devido a chuva da madrugada somente os 4x4 estavam passando. Então pra não perder viagem, decidi fazer a trilha da Água branca que começa ali na entrada do Pq Estadual de Ilhabela. A trilha oferece 5 poços grandes para banho em um percurso de 2 km's e pode ter a volta pela mesma trilha ou pela estrada, que tem 3 km's para retornar. Pena que começou a chover na metade do caminho, dificultando uns bons "clicks".
      Depois de uma caminhada tranquila eu segui de volta com o carro bem devagar procurando entradas na mata, e não é que achei!? rsrsrs uns 200 mts depois da guarita, na esquerda escutei barulho de água caindo. Parei, desci e rapidinho cheguei na Cach da Barragem, administrada pela Sabesp. Para banho estava perigoso, então só admirei e bati umas fotos. Na volta procurei pelo Pq Min das Cachoeiras para visitar a Cachoeira do Bananal, aquela que se vê da Balsa, mas que não verdade se chama Cach da Água Branca, ela é linda, mas não é permitido banhar-se nela, pois não tem piscina natural, só rochas escorregadias. Ali está a antiga usina que captava a água da cachoeira através de cinco motores movidos a diesel para gerar energia elétrica para os moradores da ilha.
       
       

       
       
      Meio sem ter o que fazer, depois do almoço fui até a Praia do Jabaquara, no extremo norte, segui por 10 km de asfalto e 8 km de estrada de terra pra chegar numa visão fantástica que se tem do alto ante de pisar na areia e ser atacado pelos devoradores voadores (único lugar que os vi). Na volta parei na praia de Pacuiba pra uma breve visitação e acabei atolando o carro num tipo de areia movediça, às 17:30h, sozinho num lugar onde não passava quase ninguém e sem sinal de celular. Pensei: TÔ FUDIDO! daqui a pouco escurece e quero ver como vou sair dessa.
       
      Um cara parou mas nem se moveu pra ajudar. Disse que tentaria ajuda mais a frente;
      Um outro filho de Deus surgiu de uma chácara e tentou tirar no braço mesmo. Não conseguimos;
      Um caminhão parou e me rebocaria depois que pegasse uma mercadoria num condomínio mais a frente. Nesse meio tempo apareceu um caminhão da prefeitura que coleta lixo, e na solidariedade tirou meu" parceiro" do buraco.
       
      Depois do SOCORRO fui conhecer a praia, pois eu não poderia sair dessa sem conhecê-la, e ali era só ela e eu. Minutos depois eu já estava voltando e parando em varias orlas pra banhos e fotos (Pacuiba, Pedra do Sino, Itaquanduba, Viana e Perequê). O planos era dormir cedo e descansar bem pra mais uma tentativa de ir ate CASTELLANOS.
       

       
       
       
      3° dia (eu nem imaginaria)
       
      Era o dia de mais uma tentativa de eu ir a Castellanos, mas no início da madrugada caiu um temporal, e às 5h da manhã quando acordei a chuva voltou a cair. Pensei então, vou pelo menos até a Cach da lage (sentido Bonete) .
      Separei algumas coisa pra comer e beber, e fiquei deitado no atelier esperando o tempo melhorar, isso só aconteceu bem depois das 10h.
      Foram 20 km até a Ponta de Sepituba, e quando parei pra conversar com o Sr. Zé (do estacionamento) , caiu mais uma chuva pra me fazer crer que não era pra eu fazer nenhuma dessas duas trilhas nesse dia.
      Na volta, avistei uma mulher aparentando seus 50 anos, caminhando sob a chuva e sozinha na estrada. Parei, ofereci carona e ela aceitou (5 min depois parou de chover rsrsrs). Seguimos papeando, jogando conversa fora, ela é disse que tem uma filha que tem um quiosque em Castellanos, coisa e tal. A deixei num ponto de ônibus bem próximo de onde ela queria ir, e fui a Praia Grande passar um pouco o tempo, tomar banho de mar pra aproveitar o dia. Horas depois eu estava procurando mais uma Cach pra tomar aquele banho gelado hehe. Passei no Poço da pedra e também na Cach da Pedra lisa. Meio chateado por não estar conseguindo fazer as principais caminhadas que planejei, voltei pro ateliê pra almoçar e dar risada com os residentes. Não estava mais fim de sair.
      No comecinho da noite recebi uma ligação de um brother meu que mora em Caraguatatuba e que a anos atrás trabalhamos juntos. Marcamos de tomar alguma coisa (desculpas pra nos vermos), e nos divertimos bastante. Mas retornei cedo, pois no dia seguinte tentaria novamente ir ao encontro do meu objetivo...hehehe (persistente né? )
       

       
       
      4° dia (Deus na ajuda)
       
      Acordei determinado, recolhi minhas coisas e decidi ir até Castellanos em que fosse a pé (4h ida e 4h volta). E foi isso que fiz.
      Chegando novamente na guarita, mesmo depois de dois dias sem chuva forte não permitiram que eu passasse com meu carro, mas me deram uma dica de onde entrar na mata e cortar caminho economizando 3 km's, então peguei minha cargueira com o básico (barraca, isolante térmico, saco de dormr, água e itens de higiene) e iniciei a caminhada de inacabáveis 22 KILOMETROS / ida. Os únicos obstáculos da estrada são os km's a vencer e a subida. Procurei andar sem parar o quanto eu aguentasse e isso me rendeu 9 km's em 1:40h direto. Foi quando, depois de passarem poucas motos e Jeep's que uma caminhonete parou e me ofereceu carona, lógico que aceite rs, eu ainda estava na metade do caminho.
      Entre conversas acabei contando ao Zé que eu havia dado carona a uma senhora em certo certo lugar e que ela tem uma filha em Caste, coisa e tal. E por coincidência ou vibração divina, essa mulher é Sogra do Zé, o mesmo que estava ali me dando carona no dia seguinte.
      Com o pé na areia logo fui procurar o Camping do Léo, me instalei e dormi um soninho gostoso numa sombra de árvore. Levantei perto do meio dia e fui na busca do objetivo e real motivo dessa investida > A Cachoeira do Gato, que se esconde no cantão esquerdo da praia e é acessada por trilha de 40 minutos ida e + 40 min pra voltar. É uma trilha de fácil nível e navegação que não exige muito de quem a encara, mas quando eu estava bem perto de chegar na cachu (uns 7 min), ouvi uns roncos, tipo uns rugidos de onça, vindo de trás de uma rocha arborizada mais alta de onde eu estava "GELEI, NÃO PASSAVA NEM AGULHA". Eu tava quase pra borrar as calças. Nessa hora o suor de calor se misturou com o suor do medo, o coração batendo a mil, parei por um tempo imaginando o quê poderia aparecer e pedi proteção divina. . Segui em frente e logo me surpreendi com tamanha beleza, que, é difícil descrever, mesmo pra quem vê por fotos.
       
      obs.: não descobri o que era o ronco ou rugido. Ainda bem rsrs.
      Me senti realizado por superar o desafio e ter tomado um bom banho gelaaaaaado numa das cachoeiras que mais desejei conhecer., e ainda tendo só ela como companheira na mata. Na volta eu já estava menos apreensivo e sem adrenalina exalando do corpo do que na ida.
       


       
      Estranho entender...
       
      Por volta das 17h os Jeep's começam a deixar esse lado da ilha levando os turistas embora (a maioria gringos), e é pelo fato de ser uma vila caiçara tão pequena 'que nesse horário o cenário ganha um ar místico, parece que você é o único habitante do lugar e que forças ocultas não querem sua presença ali. Tudo muito estranho, por que eu sentia isso? Não queria passar aquela noite lá de jeito nenhum, isso fez com que eu me sentisse um invasor, um intruso. Mas se eu pegasse a estrada de volta, antes mesmo de chegar na metade a escuridão me abraçaria. Não seria nada bom.
      Na manhã seguinte acordei bem cedo, pois minha intenção era sair de lá antes do Sol começar a arder. Às 05:30 a.m. eu já comecei a arrumar minhas coisas, fiz uma pausa pra assistir um nascer do sol, lindo como a tempos eu não via, e às 06:15 a.m. eu estava andando rumo a estrada. Quando eu estava na casa dos 3 km's percorridos, escutei ao longe o barulho de um motor (parecia Jeep), mas eu nem imaginava que ganharia uma carona tão cedo e logo no primeiro veículo que passasse, mas ganhei rsrs, e na conversa amistosa que é sempre bem vinda, o cara que meu deu essa carona (o Alemão), é irmão do Zé que me deu carona um dia antes. Eita como Deus é maravilhoso, colocou tudo entre família.
       
       
       
      Depois de uma hora e vinte de estrada de terra, lá estava eu na guarita respondendo as perguntas sobre a via e de como fora minha aventura.
      Na volta ao camping conheci pessoalmente Alexandra, uma integrante do grupo que inicialmente viajaria comigo para trilhar, mas não tinha dado certo, então veio depois. Tomamos um bom café da manhã juntos, conversamos bastante, e depois das afinidades expostas partimos. No meio do caminho uma senhorinha discretamente fez sinal de carona e eu parei, quando ela desceu fomos para o lado sul da ilha tomar um banho na cachoeira da Lage. Foi lá que minha máquina fotográfica decidiu dar um mergulho também rsrsrs.
      Quando chegamos no Ateliê tinha um novo hóspede (Rincon), que logo se enturmou fácil. Na noite do mesmo dia reunimos todos os envolvidos da semana pra bater papo, foi quando o Cadú fez o convite de irmos ao veleiro dele na manhã seguinte. Foi tudo muito engraçado, uma nova e ótima experiência remar um bote a distância pra chegar onde a embarcação estava ancorada.
      Finalizamos com um bom almoço, e perto das quinze eu já estava atravessando o canal de São Sebá voltando pra casa.
       
      Fim.
       
       
      Dicas:
      Lugares para almoçar é jantar > Pimenta de Cheiro, Bahia e Pomar. Todos com excelentes refeições entre R$13,90 à R$21,90. Onde? na avenida principal no sentido norte da ilha;
      A balsa tem preços diferentes entre os dias de semana (ida R$14,10) e final de semana (ida R$21,20). Na volta é sempre cobrado uma taxa de preservação ambiental > R$6,20;
      Se for até Castellanos vá um pouco preparado, pois só se acha algum lugar pra comer no horário do almoço, e é caro (na casa dos R$30,00). De dia e a noite é tudo fechado;
      No Camping do Léo você tem duas opções: levar sua barraca e pagar $10,00 a diária ou alugar uma barraca dele e pagar $15,00 na diária;
      Contato do Camping do Sítio: (12) 3894-1677. Atualmente a diária está R$25,00 possui cozinha comunitária e banheiros para os dois sexos;
      O Ateliê 13 luas (casa da Nadya) , onde campeia é muito bem localizado. Não vou deixei o fone dela aqui pois ser um contato pessoal mas caso alguém queira é só me pedir em mensagem privada;
       
      Espero ter ajudado. Abraços.
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