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Carretera Austral estilo Thelma & Louise num Ford Ka 1.0

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Buscando o sonho da Carretera Austral estilo Thelma & Louise num Ford Ka 1.0

Em 24 dias de andança, 03 países, 13 cidades distintas com pernoite, 9603 km percorridos, 576 litros de gasolina, 01 objeto perdido, 100 dólares "roubados", 01 pneu furado, 02 consertos no carro, inúmeras cidades, comidas/pessoas das mais distintas possíveis e paisagens com clima, vegetação e relevo diversificados e fascinantes.

Hoje escrevo esse relato para guardar, além das lembranças, as histórias para contar.

 

O início

A proposta de fazer uma viagem de tal magnitude nem me lembro como surgiu, só sei que aconteceu e o destino sempre foi percorrer a Carretera Austral. Planejei a viagem por dois anos para a Carretera, uma das estradas mais belas do mundo, o caminho para chegar até lá foi só uma consequência. Com o destino traçado, só restava juntar dinheiro e arrumar uma companhia, no caso, minha mãe.

A princípio o planejamento foi feito com intuito de se chegar ao ponto inicial de avião, mas conforme as idéias surgem, os loucos abraçam e o tempo passa oficializou-se que o trajeto seria feito de carro e o pior, com o meu carro, hahahaha. Só para atualizar um Ford Ka, 1.0, ano/modelo 2010.

A ideia de se fazer um relato da história sempre existiu, aliás, diariamente escrevia sobre os acontecidos, mas virou uma certeza no dia (25/12/16) quando atravessamos a fronteira entre Argentina e Chile onde recebemos a noticia de um forte terremoto no nosso destino, a ilha de Chiloé, que registrou um tremor de 7,6˚ na escala Richter. Com a preocupação de familiares comecei a dar cara para esse relato e compartilho aqui as informações que podem ser úteis para mais alguém.

 

21/12/2016

Saída de Jaboticabal com destino a Foz do Iguaçu.

Saímos da monocultura canavieira, perpassando brevemente sobre a pecuária extensiva e atingimos uma monótona produção de soja no Paraná. Tais culturas são praticadas nos planaltos Ocidental Paulista e de Guarapuava (bacia do Paraná), que são quebrados com os braços dos grandes rios, como o Tietê, Paranapanema, Ivaí e Iguaçu e marcados pelo solo de origem vulcânica (basáltica), a famosa “Terra Roxa”.

O inicio do caminho estava chuvoso e escuro mas ao longo do dia o tempo se abriu e nos contemplou no final do dia com um belo pôr-do-sol no solstício de verão.

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A paisagem do interior de SP é sempre a mesma, cana, laranja, boi, e só muda chegando em Assis onde já chamava a atenção as plantações de soja que foram proeminentes até Foz do Iguaçu.

Chegamos em Foz por volta das 17:00, erramos um acesso e seguimos via ponte da Amizade (fila enorme de caminhões), acabamos entrando na avenida JK, onde se encontrava o hostel (Che Lagarto Hostel - hostel com cara de hotel).

Chegamos, abastecemos, estacionamos o carro e trocamos dinheiro (0,21 reais - 1 peso argentino). No momento que estava escrevendo já era 20:47 e ainda não havia escurecido, mas vale ressaltar que era solstício de verão.

Piores trechos: próximo a Marília, divisas dos estados SP e PR e anel viário Maringá.

Gasto diário: R$ 452,94

Distância: 921 Km

 

22/12/2016

Saída de Foz do Iguaçu com destino a Concordia (Entre Ríos)

Hoje era dia de embrenharmos na Argentina e foi super tranquilo a passagem na Aduana, mas já percebemos que o espanhol seria uma dificuldadizinha que iríamos enfrentar adelante.

Pra começar minha mãe perdeu a carteira de motorista ainda dentro do parque Iguazu, hahahaha. Depois de um pequeno momento de desespero descobrimos que estava embaixo do porta treco, por sorte tínhamos uma chave de fenda no carro. ::otemo::

Passamos pelas províncias de Missiones, área com indígenas, pinheiros, a grande empresa arauco e plantações de mate; a de Corrientes marcada por planície, boi, muita erva mate e com altitude em torno de 80 metros.

O solo de terra roxa também existe na Argentina, onde é conhecida como tierra colorada(terra vermelha). Está bastante presente nas províncias de Misiones e Corrientes.

Na província de Entre Rios até a de Buenos Aires, a paisagem se torna única com vastas planícies, ora com gramíneas e ora com arbustos, ora inundada e ora seca.IMG_20161222_143001119.jpg.dc92d84b70db7f94147e1a020f0cf7f7.jpg

A polícia nos parou depois de 700 Km em solo hermano e foi super tranquila conosco, álias em toda a viagem não tivemos nenhum problema com propina.

Chegamos no fim da tarde ao posto YPF Km 248 de qualidade excelente.

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Gasto diário: R$ 424,14

Distância: 890 Km

 

23/12/2016

Saída de Concordia (Entre Ríos) com destino a Trenque Lauquen (Buenos Aires)

Acordamos cedo e no próprio posto comemos medialunas e café oferecidos pelo hotel. Calibramos o pneu e acredite, essa não é uma informação desnecessária. Durante o caminho que percorremos pela Argentina e Chile era difícil encontrarmos calibradores nos postos, a maioria dos que encontrávamos não funcionavam ou tínhamos que pagar pelo uso.

Quanto a produção agrícola começam a surgir cilos, arroz, milho, grãos, presença de gás nas propriedades rurais, granjas e muito gado.

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Próximo a foz do rio Paraná a área é conhecida como Mesopotâmia, com altitude em torno dos 20 metros.

No fim do dia chegamos ao nosso destino Trenque Lauquen, cidade linda. Indescritível. Todas as ruas são avenidas arborizadas. E a gastronomia? Simplesmente maravilhosa, o melhor chorizo da viagem. Outro fato que nos chamou a atenção é que a cidade, com metade da população da nossa, possuía muitas livrarias de qualidade.

Hospedagem no hotel Pailla Hue, modesto mas bom.

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Gasto diário: R$ 564,95

Distância: 786 Km

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24/12/2016

Saída de Trenque Lauquen com destino a Neuquén

Do céu ao inferno, da melhor para a pior refeição, da cidade mais amada para a mais odiada.

Quando saímos de TL e dirigimos em direção a oeste o relevo foi se modificando, pouco, mas foi.

Entramos na província de La pampa, onde localiza-se a reserva natural Parque Luro.

Além do relevo ir se ondulando o solo se encontrava claro e pedregoso, sinal de que estávamos entrando em uma região semiárida.

Percorremos a Ruta 152 e a Conquista del Desierto - Ruta 20 com paisagens secas, muitas vezes queimadas e chovia sem molhar o chão. Foi o trecho que senti mais medo na viagem pois ao entrar na ruta havia um controle policial explicando o que deveríamos fazer em caso de incêndios na estrada e ao longo do percurso vimos dois carros carbonizados, sem contar o calor e monotonia da paisagem. ::sos::

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Após o fim dessa ruta passamos pela única inspeção sanitária e na ruta 151 descemos um platô e acompanhamos o curso do rio colorado, área de deposição sedimentar, inclusive rica na extração de gás e petróleo. Caso das cidades de Catriel e Neuquén.

Próximo a cidade de Neuquén, no vale do rio, há pomares com produção de maça e cereja.

A cidade de Neuquén não é uma cidade ruim, mas a data que passamos por lá não nos deu uma boa impressão da cidade. Ficamos num hostel onde não tínhamos liberdade (Hostel Huellas) e ceiamos em uma conveniência. :(

Gastos diários: R$ 415,80

Distância: 735 Km

 

25/12/2016

Saída de Neuquén com destino a Puerto Montt (Chile)

O hostel que pernoitamos era de filho de uma brasileira, que nos serviu um simples e não incluso café da manhã e nos contou um pouco sobre a região o que fez com que a nossa experiência não fosse um desastre.

Neuquén é a capital do petróleo de fragmentação. Na região o governo da subsidio, por causa da baixa do petróleo. A área é conhecida como Vaca Muerta, que possui camadas a 2000 m de profundidade. É por essa razão que a gasolina mais barata da viagem foi em Neuquén.

Passamos por várias cidades que valeriam uma pernoite ou uma pequena turistada por lá é o caso de Villa El Chacón de águas azuis esverdeadas e fósseis de dinossauros; Piedra del Águila com suas formações rochosas fascinantes; Villa La Angostura que é um charme de cidade, mas tive a impressão que é de turismo burguês.

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Quando cruzamos a fronteira entre Argentina e Chile vimos uma noticia de terremoto na Ilha de Chiloé com 7,6 graus na escalar Richter e alerta de Tsunami.

Ao chegar em Puerto Montt tivemos noção do terremoto e desmarcamos o passeio no dia seguinte. O Hostal Lagunitas foi a nossa escolha em PM e nós adoramos, só tivemos um único inconveniente, de madrugada tocou uma sirene ensurdecedora e a caipira aqui achou que fosse um alerta de Tsunami, mas depois descobri que era o bombeiro. ::mmm:

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Gastos diários: R$ 188,80

Distância: 740 Km

 

26/12/2016

Puerto Montt

Por conta dos tremores os planos de hj foram cancelados. Mas td bem, ficamos em PM e passeamos pelo centro, fizemos câmbio (1 real - 190 pesos chilenos ), abastecemos e visitamos os Palafitos de Angelmó. Comemos um congrio (prato típico) e frutinhas amarelas, pena que não sei o nome pois era deliciosa.

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Ficamos descansando a tarde, precisávamos.

Na janta fomos a uma lanchonete e é comum o lanche vir com abacate. É diferente mas bom!

Gastos diários: R$ 421,16

Distância: 0 Km

 

27/12/2016

Saída de Puerto Montt com destino a Cochamó

Após 6 dias de exaustão, com paisagens indescritíveis e muitas vezes monótonas, chegamos ao "início" da nossa viagem.

De Puerto Mont partimos ao lago Llanquihue, onde pudemos avistar os vulcões Calbuco e Osorno, o qual subimos (recomendo experimentar a cerveja Plagemann de frutas vermelhas). A partir dele seguimos aos Saltos del Petrohue e ao Lago Todos los Santos.

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Ao entardecer do dia chegamos ao povoado de Cochamó, conhecido pelo seu vale de granitos rosas, o yosemite chileno. Em Cochamó ficamos no hostal Las Bandurrias, hospedagem com cara de lar e com uma vista do estuário Reloncaví e dos vulcões Osorno e Yate.

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Gastos diários: R$ 318,30

Distância: 159 Km

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28/12/2016

Cochamó

O povoado de Cochamó é conhecido pelo seu vale de granitos rosas, o yosemite chileno. Taí o passeio do dia.

Depois que tomamos um excelente café da manhã fomos ao carro e constatamos que o pneu estava furado, ainda bem que no mês de dezembro tínhamos furado o pneu (meu e o da minha mãe) então jã tínhamos feito uma escolinha de borracharia, assim foi moleza trocar esse. ::lol3::

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Já na propriedade de início da trilha estacionamos o carro e começamos a aventura.

Infelizmente para se chegar aos paredões de granito era preciso percorrer uma trilha de mais de 10 km, é óbvio que não fizemos, mas um "pequeno" trecho no sendero já vale a pena. Trilha difícil mas tem-se a opção de percorrer à cavalo, pensaria nessa opção na próxima viagem.

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Gastos diários: R$ 313,76

Distância: 23 Km

 

29/12/2016

Saída de Cochamó com destino a Chaitén

Hoje percorremos dois tramos de barcazas pelos fiordes Comau e chegamos à cidade de Chaitén, atingida pelo vulcão de mesmo nome em 2008.

Esse passeio de barco vale muito a pena, recomendo. Além disso nós passamos pelo Parque Pumalín cheio de trekkings.

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Na cidade de Chaitén fomos a uma borracharia para calibrar os pneus e depois jantamos pizza.

E a pernoite foi feita no camping Las Nalcas, bem rústico mas fica dentro da cidade.

Gastos diários: R$ 333,47

Distância: 175 Km

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30/12/2016

Saída de Chaitén com destino a Puerto Cisnes

Hoje saímos com o objetivo de chegar a cidade de Puerto Cisnes e conhecer o Ventisquero Colgante. Chegamos à cidade porém não conhecemos o ventisquero, isso fica pra próxima, ok?!

O fator limitante da nossa viagem foi o carro (inclusive nos próximos dias foi a nossa grande dor de cabeça) na entrada do parque havia uma poça d'água muito profunda e como o carro era baixo não nos arriscamos.

Mesmo não o conhecendo no trajeto já foi possível ver áreas de glaciação com suas cachoeiras em paredões rochosos. Também na área tem o Bosque Encantado e não é de difícil acesso.

Com certeza o trecho mais tenso para a pilota (90% do tempo foi minha mãe) foi uma área de serra aproximadamente 20 Km depois do Ventisquero, nível Rio do Rastro, só que de rípio e chovendo.

Amanhã pretendemos chegar a Coihaique e ano que vem no campo de gelo norte.

Que 2017 termine assim como começaremos, cheio de aventuras.

Gastos diários: R$ 585,66

Distância: 256 Km

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31/12/2016

De Puerto Cisnes a Coyhaique

Na véspera do ano novo (31/12) a previsão era chegar até Coyhaique (capital de Aysén na patagônia chilena).

Nós conseguimos chegar ao nosso destino aos trancos e barrancos pois tivemos um pequeno/grande problema com o vermelhinho. Um pequeno, era o rolamento e grande, pois foi na véspera do ano novo e por aqui mtas coisas ficaram fechadas até 03/01.

Se ficamos entediadas? Sim

Bravas? Sim

Frustradas? Tbm

O que nos restou já que não podíamos continuar viagem e não conseguíamos resolver o problema do carro?

Comemos,bebemos e dormimos bem!

É claro que os planos foram alterados, estendemos nossa estadia e ficamos uma semana em Coyhaique.

Cidade acolhedora, comida e bebida deliciosa de clima e paisagens diferenciadas. Estava tão frio que os picos foram nevando a nossa volta.

E o povo? Como esquecer do Ruan Carlos que guardou o nosso carro e nos acolheu no momento mais difícil da viagem?! Tbm não podemos esquecer de agradecer cada pessoa que nos ajudou durante esse capítulo da nossa aventura.

Infelizmente cortamos uns 400 km de Carretera, mas tudo isso acabou abrindo precedentes pros planos da Carretera 2019, hahahahaha.::lol4:: É sério! ::otemo::

Gastos diários: R$ 462,25

Distância: 194 Km

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Sabia que era Geógrafa rs! ::otemo::

 

Muito legal a viagem, mas achei o custo diário bem alto, teria o valor total do que foi gasto somente com combustível ?

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Sabia que era Geógrafa rs! ::otemo::

 

Muito legal a viagem, mas achei o custo diário bem alto, teria o valor total do que foi gasto somente com combustível ?

Hahahahah, o relato não nega né?!

 

Realmente a viagem não foi barata e por conta da quebra do carro tivemos gastos extras (táxis, oficinas, guinchos e peças).

Havia estimado um gasto de 10.700 reais para 24 dias em 2 pessoas, mas no fim gastamos 14.300 reais. Já estava incluso os seguros saúde, expansão de perímetro do seguro do carro, soapex, carta verde e troca de óleo do carro.

O combustível ficou no total em 2.320,82. E os maiores gastos foram com hospedagem, pois optamos em não acampar e o segundo maior gasto foi com alimentação já que a comida no Chile é caro.

 

Tenho uma planilha de gastos, se quiser me envia o seu email e te encaminho.

;)

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por Netuno
      Esta foi nossa 2ª viagem para a patagônia. Não repetimos nada. Visitamos apenas lugares diferentes. O relato da 1ª viagem pode ser acessado no link na assinatura.
      Desta vez viajamos de carro. Saímos de Floripa em direção a Mendoza. De lá atravessamos a cordilheira para o Chile, descendo até os lagos chilenos. Cruzamos novamente a fronteira para conhecer o lado argentino da região dos lagos e continuamos para o sul pela Carretera Austral. Retornamos para a Argentina e descemos até El Chalten. De lá iniciamos o retorno pela patagônia atlântica.
      Partimos no final de dezembro de 2013 e retornamos a Floripa 30 dias depois. Eu, minha esposa e meus 2 filhos adolescentes (na época com 15 anos) fizemos a viagem completa. Minha filha viajou conosco até Bariloche de onde seguiu para seu mochilão com amigas pelo Uruguay. A viagem foi feita em uma Grand Vitara 2011. Foi uma grande vantagem fazer a viagem em um carro bem preparado para estrada de chão, mas em nenhum momento precisamos usar o 4x4.
      Fizemos reservas prévias apenas para o Reveillon em Uspallata (aconcagua) e El Chalten. Este último, pois ficaríamos mais dias e li sobre a dificuldade de hospedagem por lá na alta temporada. Ao chegar em cada cidade / vila procurávamos hospedagem. Isto nos rendeu ótimas escolhas. Tivemos dificuldade de hospedagem apenas na região dos lagos argentinos (Bariloche e San Martin). Em Bajo Caracoles, na ruta 40, existe apenas uma hospedagem funcionando e pegamos o último quarto. Ufa! E não existe sinal de civilização por dezenas de kms.
      Levamos um galão de 20 litros para gasolina extra, mas não precisamos enchê-lo em nenhum momento. Não faltou gasolina em nenhum local. Nos lagos argentinos as filas eram muito grandes. No dia em que estávamos saindo de El Chalten tinha combustível, mas as bombas estavam com problema, mas abastecemos em 3 Lagos sem dificuldade.
      A viagem foi fantástica! A patagônia realmente merece várias visitas. Não dá para conhecer tudo em uma única viagem. Nem mesmo em duas.
      Para facilitar a leitura de quem fará apenas parte do roteiro parecida, estou dividindo o relato por regiões, da seguinte forma:
      - viagem de ida
      - Aconcagua (Uspallata / Mendoza)
      - Lagos Chilenos (região de Puerto Varas)
      - Lagos Argentinos (San Martin de los Andes e Bariloche)
      - Carretera Austral
      - Ruta 40 e El Chalten
      - Patagônia Atlântica e viagem de volta
       
      Espero que seja útil.
    • Por xexelo
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por wandredeselva
      Estas são algumas páginas do Guia da Provincia de Aysén sobre a Carretera Austral. Excelente para se planejar e especialmente para encontrar hospedagem. Ao contrário do que li aqui no site, há pouquíssimos pontos de Informação nas cidades da Carretera, em especial nas menores (pode ser pq fui fora de alta temporada também, sei lá). O site oficial da Carretera Austral (site da Província de Aysén) é http://www.recorreaysen.cl/carretera-austral/. Se alguém desejar, tenho o guia escaneado e reduzido e posso enviar por email ([email protected]).
       





       
       
      Postos de Combustível na Carretera (tranquilamente não faltará):

       
      O preço varia conforme a cidade, raciocine que quanto mais ao Sul, mais caro vai ser. Paguei entre Ch$ 799 e Ch$ 917 (gasolina 93, a mais barata, a qual é infinitamente superior à nossa).
       
      Se alguém se interessar por uma planilha de gastos, para ter uma idéia de gastos com hospedagem, alimentação, etc... tbm tenho e posso enviar.
       
      Pontos relevantes:
      1) Dirija com MUITO cuidado, pois em muitos trechos é a largura de um carro mais 1,5m para cada lado, passando dois carros apertado.
      2) Tenha MUITA paciência, pois há MUITA obra no caminho, muitos desvios, etc... Há trechos que se desenvolve tranquilamente 70 Km/h e outros que não dá p passar de 40Km/h. Planeje-se com a velocidade de 40 Km/h como média (já descontadas aí as paradas p foto, etc...). Acho inviável andar mais de 250 Km em um dia, pois é cansativo dirigir naquele rípio, pois requer atenção a todo tempo.
      3) Se vier um caminhão encoste o máximo no canto que puder e PARE! Se vier outros carros, diminua bem e chegue para o canto. Quase sofri um acidente pq ao ver um caminhão eu apenas reduzi, como se faz para os carros. Um senhor me falou que é uma "regra" informal que o caminhão tem TOTAL PREFERÊNCIA ao ponto deles considerarem o maior abuso do mundo vc não parar qdo eles vêm, até mesmo te jogando para fora da estrada ou batendo na sua lateral sem a menor cerimônia. Vai reclamar pra quem?
      4) Cuidado nas curvas muito fechadas... vá beeeem devagar e coladinho na sua mão de direção. Alguns habitantes locais creem fielmente que não vem ninguém e dirigem à toda.
      5) As cidades da Carretera não têm PN para fazer e não são bonitas. A estrada é show! O passeio das Capillas de Mármol e o Ventisquero Colgante são imperdíveis realmente. Os rios são inacreditavelmente azuis!
      6)Tudo na Carretera é em cash, nada de cartões de crédito.
      7) Nas cidades o preço da hospedagem varia absurdamente, pergunte em umas 3 ou 4 antes de fechar.
      Não há muitas opções para comer ao longo da Carretera. Sugestão: leve um sanduíche e um suco e se encontrar algo para comer, coma e deixe o sanduíche para o jantar.
      9) Dá para fazer com carro de passeio sim, o meu é um Corolla. Mas.... judia do carro um pouco. Com todo o respeito, mas um carrinho do tipo Celtinha, Uno Mile, Golzinho, Corsa 1.0, Pegeout 207, etc... vai voltar batendo tudo. Além disto o pneu 13 absorve muito pouco a trepidação (antes que digam: putz, nada a ver, o pneu é responsável pela maioria da absorção de impactos do veículo, depois vem as molas e o amortecedor é apenas um "estabilizador", qdo o carro trepida, trazendo-o de volta à estabilidade; a grosso modo). (OBS: Já tive Celta e Gol rsrsrs).
      10) Acho que o mais relevante é isto. Caso tenham alguma dúvida, sintam-se à vontade para perguntar. Eu não sou muito de ficar fazendo poesia, em meus relatos eu procuro escrever o que alguém pode ter dúvida ou o que eu fui sem saber e que gostaria de ter tido a informação antes.
       
      Um abraço à todos e se decidirem ir, meus parabéns por não serem convencionais!
      OBS: Passei pela Carretera Austral na 1a quinzena de novembro e não cuzei com 1 carro brasileiro sequer, acredite ou não. Seguem algumas fotos:
       

      Paso Internacional Futaleufu
       

       

      Casas destruídas em Chaitén, após a erupção do vulcão Puyehue há 5 anos.
       

       

      La Junta
       

      A emblemática placa da Carretera Austral em La Junta
       

      Obras e mais obras...
       

      Ventisquero Colgante
       

       

       

       

       

      Chegada em Puerto Tranquilo (de onde saem os tours para as Capillas de Marmol). OBS: A foto não tem qualquer edição....
       

       

      Capillas de Marmol
       

       

       

      Paisagens, por vezes, intrigantes
       

      Caleta Tortel. Sendo beeeeeem sincero, interessante são as passarelas e tal, mas a infraestrutura da cidade é abaixo de zero... todos os lugares (4) que faziam alguma refeição fechados, ou atenderam de má vontade dizendo que ia demorar, etc... O esgoto das casas vai direto para o lago e coisas assim...
       

       

       

      Indo em direção ao paso Chile Chico, ao fundo o lago General Carrera
       

      Laguna Azul, poucos quilômetros antes de Chile Chico
       
      Outra coisa... li que na Carretera Austral chove 364 dias por ano... só se for em oura época, pois peguei 8 dias de puro tempo bom e céu azul...É isso aí !!!


    • Por Guilherme Adolf
      Olá amigos!
       
      Inicio agora mais um relato no fórum. Dessa vez a viagem foi para o extremo sul do mundo. Os destinos eram a Ruta dos Siete Lagos na Argentina, a Carretera Austral no Chile, a tentativa de travessia do Paso Rio Mayer, trekkings em El Chaltén, El Calafate e Torres del Paine, e a chegada até o fim da estrada mais austral do mundo, a Ruta 3.
       
      A viagem foi planejada em 15650km, para ser realizada em 28 dias, com 2 reservas. Devido alguns imprevistos e alterações no trajeto, foi realizado 17445km em 33 dias.
       
      O custo total foi de R$ 9.082,63, contando com combustível, alimentação, balsas, pedágios, hospedagem, campings, passeios, dinheiro levado em espécie, saques, compras no crédito, IOF.. Ao longo do relato vou detalhar os principais gastos.
       
      O trajeto, simplificado, foi:
       
      Sair de Vitória-ES e ir até Junin de Los Andes;
      Percorrer a Ruta dos Siete Lagos;
      Atravessar pro Chile e subir o Vulcão Osorno;
      Percorrer toda a Carretera Austral, parando em diversos pontos para realizar trekking;
      Atravessar a fronteira pelo Paso Rio Mayer;
      Fazer trilhas em El Chaltén;
      Realizar o Ice Trekking em El Calafate;
      Fazer trilhas em Torres del Paine;
      Seguir até Ushuaia, no fim da ruta 3;
      Retornar ao Brasil pela ruta 3.
       
      O 'carro', mais uma vez, foi minha Band curta 94. Minha band é original de motor, 14B aspirado, e completa de fábrica, com 5 marchas, ar quente e frio, direção e contagiros. As únicas mudanças são os jumelos dianteiros, que são invertidos, e o eixo traseiro, que é flutuante. Não possui bloqueios e tem relação 9x37. Utilizo pneus 31" BFGoodrich AT.
      Para essa viagem, comprei uma barraca de teto da Camping's World, o modelo de entrada, mais barato.
      Levei fogareiro, gás e comidas fáceis de serem preparadas.
      Algumas peças de reposição pro carro, como correias, fusíveis, tampa do radiador, mangueiras, fitas, abraçadeiras, parafusos e porcas diversas, cabo de chupeta, fluido de radiador, fluido de direção, fluido de freio, militec, filtros de óleo, diesel e ar, lâmpadas de seta e faróis. Além de chaves e ferramentas diversas para manutenção.
      Itens offroad como cinta de reboque, manilhas, pá, picareta, além do guincho instalado na Band.
       
      Durante toda a viagem eu usei o rastreador SPOT Gen3, que marca a sua localização a cada 10min e mostra em um mapa do google maps, em um link público ou privado. Além disso tem funções de mensagens pré programadas para serem enviadas para emails e celulares, e um botão com pedido de SOS que chega em uma central mundial de resgates.
       
      Questão de dinheiro. Levei certa quantia em espécie, real. O resto fiz saques internacionais e alguma coisa no crédito. Dei sorte que o dólar caiu absurdamente durante esse último mês e me ajudou nesses quesitos.
       
      Então é isso. Vou começar nos próximos posts a relatar e mostrar as fotos e experiências de cada lugar.
       
      Abraços


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