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Siririca II - Pascoa é na Montanha


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[align=center]http://www.youtube.com/watch?v=t3EwnPCb2-c

 

Esse é o relato de minha segunda investida ao Pico Ciririca (Ou Siririca). Partimos de Londrina no dia 18 de Março de alguma coisa, passamos a noite em Curitiba e no dia 19 pela manha tocamos em direção a Fazenda Pico Paraná.

Os integrantes do bando foram: Alexandre (Malinha), Bruno (Nariz), Vitor (Saldanha), Roberto (Boer), José (Galinha), Thiago (Negão), e Eu (Ziero). E se me lembro bem o Chiquinho (Pituco) também tinha combinado de ir, mas como sempre afinou na ultima hora.

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Tiramos a clássica foto de partida e não perdemos tempo. Nosso objetivo era chegar ao Ciririca em dois dias, precisávamos no primeiro dia subir o Itapiroca e o Cerro Verde [Onde passaríamos a noite], e no outro dia seguiríamos pelo Taquaripoca, Luar, Sirizinho e finalmente o Ciririca.

Mas antes precisávamos sofrer um pouco no Getulio, ô morrim safado! Um outeiro de proporções ínfimas se comparado ao resto da Serra do Ibitiraquire, não poderia nem chamar aquilo de trilha, é uma highway de vários degraus de madeira, mas realmente é ali que o bicho pega. Logo que chegamos a Pedra do Grito um dos bandoleiros já começou a “passar mal”, não vou citar o nome do individuo, mas vale salientar que mais pra frente o colega “passou mal” novamente e somente graças a isso que conseguimos escapar de uma furada. (Foi o Saldanha)

Chegamos a Bica sem maiores incidentes, e constatamos que estávamos andando meio devagar. Após um breve lanche saímos voando rumo ao Itapiroca, a trilha é bem tranqüila e não tem como errar, é só tomar cuidado para não pegar a bifurcação que leva ao Abrigo 1 do Pico Paraná. A trilha é tão de boa que certa vez encontrei um pessoal de havaianas lá em cima [sem contar o Sergio com a Guita – ver tópico anterior].

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Mas como nem tudo é um mar de caratuvas... Ao sairmos da mata e chegarmos ao alto do Itapiroca constatamos que o tempo estava péssimo! Não dava tempo nem de respirar, fomos logo procurar a trilha que desce em direção ao Cerro Verde. E não preciso nem mencionar que a gente fez questão de se perder ali de novo [É, essa já foi à terceira vez]. Depois de descermos pelo lado errado e subirmos novamente, encontramos a bendita trilha e fomos “caindo” pelas encostas do Itapiroca, entrando no vale que iria dar acesso ao Cerro Verde. Apesar de estarmos mais abrigados da chuva, ali o terreno se mostra bem mais traiçoeiro. Raízes para todos os lados, e um terreno fofo, uma mistura de terra com matéria orgânica, parece que ta sempre prestes a desabar. A isso se soma as inúmeras fendas que passeiam por ali, e a historia de um montanhista que teve a vida ceifada em uma das “gretas”.

Chegamos ao Cerro Verde debaixo de uma tempestade, montamos as barracas, mastigamos uma ração e caiu todo mundo no sono. Não tenho mais tanta certeza, mas acredito que por volta da meia noite a gente acordou e o céu tava estrelado. Só não emito absoluta certeza sobre o ocorrido, pois é um fenômeno que já venho notado há algum tempo e acabo por confundir quando foi ou não. Mas vocês não acham estranho? Sempre que chove na montanha, meia noite o céu abre! Não é incrível???

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Acordamos as 05:59 para ver o sol nascer, e pelo menos no quesito alegoria a historia resolveu não mentir. Um nascer do sol espetacular! É impressionante a visão que se tem do alto do Cerro Verde, ô montainha abençoada viu. Arrumamos as coisas e fizemos um alongamento encarando nosso vilão de frente. Era o Ciririca, que aparecia quase ao alcance da mão. O tempo não estava dos melhores, uma boa quantidade de nuvens despontava no céu, para ser sincero estava com uma cara de mais pra triste. Partimos.

Essa parte do caminho era o nosso maior medo quanto a nos perdermos, e para não desapontar, nos perdemos... E muito.

Tem um trecho que tem que pegar a trilha em direção ao Tucum, e no meio dessa trilha tem uma entrada que cai pra baixo [Esq. de quem vai em dir. ao Tucum]. E então se entra no Vale. Antes desse local, tem varias outras trilhas que dão TODA a impressão de serem as certas, muitas inclusive marcadas com fitas, então é bom tomar cuidado por ali.

Seguimos pelo vale que leva ao Ciririca, ora debaixo de uma fina garoa ora com um manto branco que deixava a paisagem ainda mais bonita e sombria. No meio do vale nos perdemos, chegamos num ponto com uma arvore caída e não conseguimos encontrar a saída da trilha. Ficamos quase uma hora pra sair dali, todos tiraram as cargueiras e foram cada um pra um lado, mas nada da trilha...

Quando já tava começando a bater um desespero geral, todos com aquela cara de “tamo na merda de novo”, um colega resolveu “passar mal”. Então ficamos ali esperando, até que ouvimos um grito do pobre moribundo, e para nossa salvação e infelicidade, ele havia “passado mal” justamente sobre a trilha. Estar na merda às vezes pode ser a solução, não é?

Saímos correndo dali!!! E rezando para não tropeçar em nada. Subimos mais alguns morros, até que finalmente chegamos a um ponto de referencia seguro.

Ultima Chance.

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Para aqueles que ainda não a conhecem, a Ultima Chance é um ponto na base do Ciririca, na beira de um riacho. Lá é o encontro das duas trilhas que levam ao Ciririca [Trilha de Baixo e Trilha de Cima]. Sendo que vínhamos pela Trilha de Cima, só que não “via Tucum” [que é o caminho habitual], e sim, pelo Itapiroca.

Recarregamos todas as garrafas de água, a maioria ficou com 3 ou 4 litros [E faltou] nas costas. E fomos rumo ao temido paredão do Ciririca. Já tinha visto umas fotos e ouvido uns comentários, mas realmente não achei nada demais, é um lance de pedra que nem é tão íngreme assim. É só subir com cuidado que as pedras são bem escorregadias. E daí pra frente começou a tortura, acho que o critico é que você já chega ali bem deteriorado então o motor começa a falhar. Nas palavras do Saldanha “onde separa os meninos dos homens”.

Resumindo, os metros finais foram bem sofríveis. Eu ia subindo na companhia do Saldanha, mirava uma pedra e seguia, parava por 10 segundos e já mirava outra e saia de novo. E não pense que eu descansava somente 10 segundos por pura determinação, era que o céu tava desabando mesmo, 10 segundos já eram o suficiente pra sentir cada ponto do meu corpo gelando em contato com a camiseta molhada que não parava de se mexer naquele vento. Enquanto subia a “passos de astronauta”, via o Nariz [brunão] logo acima, o joelho dele já tava todo zoado, o infeliz ia mancando e praguejando alguns metros acima.

E foi assim que a gente chegou ao topo do Ciririca, tremendo debaixo da chuva. Fim de tarde do dia 20 de Março.

Logo que cheguei o Bruno me fez prometer que nunca mais iria chamar ele pra uma furada dessas[E continuo chamando]

Montamos as barracas, comemos, e provavelmente vimos o céu estrelar de novo a meia noite. Nosso plano era voltar já no outro dia, pegar a Trilha de Cima e voltar pelo mesmo caminho, ou seja, seriam mais 2 dias labuta. Mas sabe como é né ? Foi batendo aquela preguiça e resolvemos não sair do lugar, passar o dia no cume, fazendo “nada”... Ficamos lagarteando pelas pedras, escondendo na sombra das placas. E já que o dia estava ensolarado aproveitamos pra secar tudo.

O dia foi passando e a duvida aumentando, como que a gente vai voltar em apenas um dia?

Haviam 3 possibilidades: voltar pelo mesmo caminho, Trilha de Cima, ou Trilha de Baixo.

A gente não conhecia a trilha de Cima e a Trilha de Baixo mas sabíamos que eram mais curtas, só que iam dar na Fazenda do Bolinha. Parte da trupe já havia tentado vir por esses lados, e diziam que o caminho era bem complicado. Alem de que iria ficar meio longe da Fazenda Pico Paraná [onde estava o carro].

Então não tinha jeito, nossa decisão de passar um dia além do previsto no cume do Ciririca, iria resultar num dia de sofrimento extremo, correndo pelo mesmo caminho da vinda, e rezando pra não se perder muito. Isso fora a água que a gente havia trazido, que tinha sido calculada para apenas uma noite, e não duas noites e um dia.

Fim de tarde, enquanto a gente racionava a água e tentava comer a farofa que a mãe do Zé tinha feito, tudo mudou.

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Aparecem duas gurias, vindo justamente da Trilha de Baixo. A gente só não brindou com água porque não tinha mesmo. Mas a alegria foi geral, alem de não ter que fazer uma trilha de dois dias em apenas um, íamos conhecer a Trilha de Baixo.

No outro dia, pouco antes de partir, ainda vimos uma das meninas despejando uma garrafa daquele liquido tão precioso no chão... Nãããããããããoooo.

Ainda ganhamos 2 litros d’água!

Ta... Não preciso dizer que duas minas salvaram sete marmanjos.

A gente ate tentou acompanhar o ritmo das gurias voltando pela Trilha de Baixo, mas elas corriam bem. E a gente foi parando em cada uma das Cachoeiras, Poços, Riachos... A trilha é realmente muito bonita! Não da pra fazer uma comparação com a trilha que a gente veio, pois a trilha pelo Itapiroca é mais por campos de altitude, visual panorâmico de toda a serra. Já a trilha de Baixo é uma matinha encantada, tem até um Poço das Fadas.

E assim chegamos a Fazenda do Bolinha, onde se faz o acesso costumeiro ao Ciririca, tomamos uma cerveja por ali pra comemorar e arrumamos uma carona para a Fazenda Pico Paraná para resgatar os carros.

Felizmente dessa vez nada deu errado na volta para casa. Nenhum radiador furado, motor fundido, briga em bar...

 

 

1- Ciririca/Siririca:

Aurélio: Siririca1 [Do tupi = 'a ondulação leve da superfície das águas'.]

Siririca2 Masturbação no órgão sexual feminino

Google: "Grande Mãe dos Caranguejos do Mato"

2- Voce sabia que o Ciririca tem apenas 1.781 metros ?

3- Dizem que as placas foram construídas no Ciririca para fazer a comunicação via Microondas entre Curitiba e a Usina Parigot de Souza.

4- Existem diversos debates sobre o Ciririca, alguns defendem que deveriam tirar as placas pois elam agridem o eco-sistema, outros que tirar elas de la iria provocar um impacto ainda maior sobre a trilha. Alguns falam de por escadas, correntes, grampos, ... para reduzir o desgaste da trilha nos trechos mais expostos onde costumam “pegar atalhos”, outros que colocar tais facilitadores iria resultar em mais pessoas, e mais impacto. E por ai vai, não faltam opiniões...

5- A minha opinião é que sempre vão existir pessoas burras, mal intencionadas e egoístas, então o melhor é conscientizar ao invés de mexer em qualquer coisa, ai pelo menos se salvam as burras.

6- Você sabia que nas ferragens das placas do cume esta escrito “Bethlehem, USA”?

7- Costumam se referir ao Ciririca como a montanha mais isolada da Serra do Ibitiraquire, mas existem ainda o Cuíca, o Cotia e o Lontra.

8- Dizem que a descida do Ciririca para o Agudo da Cotia é cabulosa, e esse trecho faz parte da Travessia da Graciosa.

9- Você sabia que o joelho do Bruno ainda da problemas?

 

fig1 - Desenho encontrado em uma das caixas de livro de cume

fig2 - Cume do Cerro Verde

fig3 - Cume do Ciririca

fig4 e 5- Cachoeira do Professor (trilha de baixo)

fig6 - Placa do Ciririca

 

20100421192840.jpg

 

“Logo” posto mais um relato de outra furada. ::quilpish::

Abraços galera,

Bons Ventos.[/align]

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  • Membros de Honra
Dizem que o Ciririca é o K2 do Ibiratiraquire.. muito bom o relato.

Jorge Soto, te cuida que este menino tá produzindo!

 

pois e, cacius..fui eu mesmo q cunhei essa celebre frase..

http://www.brasilvertical.com.br/antigo/m_trek12.html

 

O Ciri e uma montanha q os parananenses ja descobrioram faz tempo e somente agora o pessoal de fora ta passando a frequentar.. Agora quero ver mais gente fazer a travessia Ciri-Graciosa..essa realmente e pra poucos, e deixa qq Serra Fina, PetroTere ou qq outra parecendo passeio no bosque..

http://altamontanha.com/colunas.asp?NewsID=1696

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  • 1 ano depois...
  • Membros de Honra

Ziero Saudações,

Você que fez recentemente esta travessia poderia me dar mais informações, quero fazer subir o Ciririca pela trilha de baixo e depois ir até o Agudo da Cotia, voltar ao Ciririca e fazer a travessia para o Itapiroca, descendo para o Dilson. A trilha do Ciririca até o Itapiroca como está ?

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