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No dia 12 de dezembro, aproveitamos a manhã pra nos alimentar bem e hidratar bastante, e tomar o último banho. Jose nos buscou às 11 hs pra nos levar ao parque, como combinado, e às 11:30 já havíamos passado pelos procedimentos na portaria e estávamos começando a trilha. O trajeto até Confluência foi tranquilo, nenhum perrengue. Chegando lá estava ventando muito e tivemos que montar as barracas com dois segurando pra não voar enquanto o outro fazia o trabalho. O sol se pôs depois de 20:30, e ainda continuou claro por bastante tempo. Linda noite de lua cheia com o céu muito estrelado. Dormimos bem, e acordamos cedo pra desmontar acampamento e ficar torcendo pro Zaney chegar e estar bem. Quando ele chegou, por volta das 11:15, descansou alguns minutos e já íamos seguindo, mas fomos chamados pelos guarda-parques. Eles nos informaram que não deveríamos sair tão tarde, já que o trekking até Plaza de Mulas poderia levar até 10 hs, e que, se anoitecesse, eles teriam que mandar uma equipe de resgate porque o risco de hipotermia naquele trajeto era alto com o clima que estava fazendo. Decididos a seguir, tivemos que assinar um termo de responsabilidade. Se a gente não chegasse antes de anoitecer, além de sermos expulsos do parque e de entrarmos na lista negra, teríamos que arcar com os altos custos de um resgate desnecessário :| .

 

Corrida contra o sol

Saindo de Confluência tem uma descida pra atravessar a ponte pro outro lado do rio Horcones, e logo em seguida começa uma subida chata onde dá pra sentir bem o baque da altitude. Depois, a maior parte do caminho é mais ou menos plana, porém não fácil, pois é uma área totalmente exposta, sem proteção contra vento e sol, o terreno cheio de pedras e algumas partes com lama. No longo trecho chamado de “Playa Ancha”, tivemos que cruzar o rio Horcones várias vezes, perdendo tempo para achar o melhor lugar pra saltar sem se molhar. E a mochila vai pesando mais... e as horas vão passando... Em certo momento, o cansaço começou a falar mais alto e eu estava ficando bastante lenta, mas não podia parar... fiquei preocupada. Não queria atrasar o time e tínhamos que chegar, não havia opção. Combinamos um plano B: se a gente percebesse que não ia dar tempo de chegar antes de anoitecer, os dois que estivessem mais rápidos avançariam pra avisar aos guarda-parques que estávamos chegando, ou, em último caso, avisar que tivemos que acampar no caminho, mas que estávamos bem, tínhamos tudo que precisávamos pra passar a noite e que não era necessário resgate. Comendo uns sachês de açúcar e umas barrinhas, comecei a recuperar a força e seguir mais rápido. Quando chegamos ao marco conhecido como Ibanez, tinha uma placa com uma seta indicando para seguir à direita, mas estava caída no chão de forma que parecia indicar a esquerda, e seguimos à esquerda sem pensar. Depois de avançar talvez uma hora nesse caminho, percebemos que estava estranho e olhei nossa localização no tracklog que salvei no celular. A trilha correta estava paralela a nós, à direita, mas do outro lado de uma parede. Por sorte, um pouco à frente tinha uma parte menos inclinada, coberta de gelo/neve, por onde conseguimos subir e atravessar. E do outro lado estava a trilha :D . Nesse momento encontramos Philipp, um alemão que vinha sozinho. Ele havia saído de Confluência bem antes de nós, mas estava carregando muito peso (uns 40 kg), pois não havia contratado mula. Vendo que com aquele peso não conseguiria chegar a tempo, deixou parte dos equipamentos escondidos em Ibanez pra seguir mais leve. Não sei se teríamos nos encontrado se a gente não tivesse errado o caminho... Então esse foi nosso melhor erro, porque acabamos nos tornando amigos de montanha :wink: .

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Philipp estava muito cansado e já pensando em acampar quando chegasse no lugar onde ficava um antigo refúgio destruído, antes da “costa brava”, trecho de subida íngreme quase chegando a Plaza de Mulas. Seguimos juntos e insistimos que ele conseguiria chegar, chegaríamos juntos. Quando chegamos próximo ao local onde Philipp pretendia acampar, não era como pensamos. O local era completamente exposto. Nessa hora o sol já estava entrando atrás das montanhas, e a temperatura começou a cair muito rápido. Carlo estava cansado e sentindo muito a altitude, começou a ficar muito lento. Zaney e Greison seguiram na frente (plano B), enquanto eu fiquei atrás com Carlo e Philipp. Não tínhamos certeza de quanto faltava, mas à frente havia uma subida íngreme que parecia ser a “costa brava”, trecho final. Seguimos em passo muito lento. Philipp ainda deixou suas botas duplas escondidas por ali pra seguir mais leve. Estava ficando muito frio. Eu estava com medo de ainda faltar muito pra chegar. O GPS mostrava que estava perto... mas em altitude e com muita inclinação as distâncias enganam. Não tinha como parar e acampar ali. O jeito era seguir. Algum tempo depois (talvez uma hora? ou duas?) avistei o acampamento, mas ainda faltava um trecho pra chegar. Fiquei mais tranquila. Chegamos às 21:15, ainda com um finalzinho de luz. Os guarda-parques estavam nos aguardando. Pensei que levaríamos uma bronca, mas ficaram aliviados por termos chegado, nos deram boas vindas, ofereceram uns biscoitos e disseram que podíamos ir montar nossas barracas e deixar pra fazer o check-in na manhã seguinte :)

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Plaza de Mulas, a 4.370 metros de altitude, é o segundo maior acampamento base do mundo. Aqui ainda temos “banheiros” e água “encanada” (na verdade a água fica em galões onde podemos pegar com canecas, e geralmente está parcialmente congelada durante a baixa/média temporada, período em que fui). Os banheiros são latrinas, uma estrutura de metal de 1 m² com um buraco largo no meio por onde os dejetos caem em um grande recipiente tubular, que quando cheio é carregado de helicóptero pra fora do parque. Não é agradável de utilizar, principalmente quando o chão está coberto de gelo e há o risco de escorregar e cair no buraco ::lol4:: . Mas não dá pra reclamar..

O primeiro dia aqui foi de descanso. O corpo precisa recuperar a energia gasta no longo dia anterior e aclimatar à falta de oxigênio que já é bem notável nessa altitude. Qualquer atividade simples como sair da barraca e estender seu saco de dormir ao sol já pode te deixar ofegante. Buscar água e ir ao banheiro então... Aqui já precisamos beber no mínimo quatro a cinco litros de água por dia, e isso significa fazer xixi toda hora, inclusive no meio da noite, com aquela temperatura super “agradável” por volta de -5° C nos dias normais. Apesar de chato, fazer muito xixi é um dos sinais de que a aclimatação está funcionando, e não fazer é um sinal de que algo vai mal.

Sendo ainda a média temporada, o acampamento estava relativamente vazio. As grandes expedições começam a chegar no fim de dezembro e ao longo de janeiro, quando há maior chance de "sucesso". À tarde fomos fazer o check-in e passamos na tenda médica pra avaliação obrigatória. O grupo estava bem. Minha saturação de oxigênio no sangue estava 91%. Meus olhos estavam vermelhos, e a médica reprovou meus óculos pela falta de proteção lateral, e ressaltou o risco de danos à retina por causa do reflexo do sol na neve e o risco de “cegueira de altitude”. Resolvi isso vedando as laterais com silver tape, o que funcionou bem.

Na noite seguinte, dormi surpreendentemente bem, apesar de já estar com o nariz entupido e sangrando, machucado por dentro por causa do ar tão seco. Carlo dormiu mal e amanheceu se sentindo doente, e dizendo que não poderia continuar. O plano para aquele dia era fazermos o primeiro “porteio”: levar parte do equipamento para o acampamento Canadá, e voltar para dormir na base. Carlo decidiu que iria desistir da expedição :cry: , mas tentaria subir até Canadá. Preparamos tudo e começamos o primeiro trecho, mas logo no começo Carlo decidiu voltar. Esse trajeto tem cerca de 3,5 km, e tempo médio (com peso) de 4 h. O terreno é um tanto íngreme e a falta de oxigênio faz com que tenhamos que subir a passos lentos pra conseguir respirar normalmente. Gastamos pouco mais de três horas pra chegar lá. Quando estava faltando cerca de meia hora, Greison estava um pouco mais lento atrás, e fez sinal para o Zaney dizendo que não ia continuar. De onde estava ele desceu, e nós seguimos para deixar as coisas que carregamos lá em cima. O tempo havia fechado, tudo encoberto de nuvens escuras. Descansamos por uns quinze minutos enquanto deixamos os equipamentos, comemos uns biscoitos, hidratamos e iniciamos a descida. Começou a trovejar. Parecia que ia chover forte em breve. Chover? Acho que não chove com aquela temperatura. Começaria a nevar. Descemos correndo e acho que gastamos pouco mais de uma hora pra chegar. A neve começou a cair, mas veio bem fraquinha, e passou rápido. Na verdade pedrinhas de gotas de chuva congeladas.

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De volta a Plaza de Mulas, fomos conversar com nossos parceiros, que nessa hora já estavam decididos a encerrar ali o projeto Aconcágua :( . No dia seguinte, dia 16, eu e Zaney subiríamos definitivamente para o acampamento Canadá, e os dois ficariam em Plaza de Mulas e se preparariam para fazer o caminho de volta no dia 17. Deixamos então a minha barraca no acampamento base para os dois, e eles a deixariam lá montada para quando nós fôssemos descer de volta. Levamos pra cima a barraca do Zaney, que dividiríamos até o dia do cume.

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Camp 1: Plaza Canadá

No dia 16, então, o grupo se dividiu, e eu subi com o Zaney para o primeiro acampamento superior: Canadá. Acabou sobrando muito mais peso pra carregar nesse dia. Apesar de mais aclimatados, cada passo foi um sofrimento. Fiquei contente em ver que ainda assim gastamos três horas e meia, abaixo do tempo médio. Estávamos agora a 5.050 m de altitude. O tempo estava bom, bastante frio, mas céu limpo. Montamos a barraca antes que começasse a ficar mais frio. Os espeques da barraca realmente não servem de nada lá (seguimos a dica do Fred e nem levamos). O jeito é pegar pedras grandes e amarrar nelas os cordeletes da barraca. Nesse dia, quando levantei uma das pedras para passar o cordelete, deixei cair em cima da minha outra mão, amassando a unha do polegar que sangrou por dentro e ficou metade preta (que dor!) ::putz::

A gente precisava beber água, e também precisava de água pra cozinhar. Era hora de derreter neve/gelo pela primeira vez! (a única fonte de água dali pra cima é neve). Precisava buscar a neve um pouco longe de onde ficam as barracas, pra evitar contaminação. Por sorte, um grupo que havia deixado o acampamento naquele dia deixou um saco cheio de neve que sobrou. Pensei que estaria livre do serviço de coletar neve naquele acampamento, mas nãaao. Porque um montão de neve vira só um pouquinho de água, e na manhã seguinte aquela neve acabou... A outra surpresa foi o quanto demora pra derreter. Fazer água gasta tempo e paciência. Depois de derretida, beber também é difícil. E se não tomar cuidado ela vai congelar de novo na garrafa antes de você beber. E em seguida você já está jogando essa água fora pelo xixi. E esse ciclo de “busca neve/derrete/bebe/faz xixi” foi pra mim a parte mais difícil da jornada. E não teve um dia em que eu não desejei ser homem pra simplificar a última parte do processo. Eu não sei se era pior fazer xixi fora ou dentro da barraca (sim! tinha que fazer xixi dentro da barraca! Tinha horas que simplesmente não dava pra sair, por causa de vento/frio/neve). Pra fazer fora tinha que calçar as botas, ir até algum local semiprotegido pra ter um pouco de privacidade, aguentar o frio, e brigar com o vento que ia tentar fazer seu xixi voar pra todos os lados :lol: Pra fazer dentro da barraca tinha que ignorar a presença do coleguinha e usar a “garrafa do xixi” e, no meu caso, um adaptador, tipo um funil :roll: A garrafa geralmente enchia com dois xixis, e aí vinha a última tarefa, que era sair pra esvaziar a garrafa. Essa tarefa não era tão fácil quando amanhecia congelado de manhã. Aí tinha que deixar no sol pra derreter e depois esvaziar ::lol4::::lol4::::lol4:: Sentiu o drama do processo? E a pergunta que todo mundo faz é: “e o n° 2?? Como faz??” Pois é... No acampamento base tem as latrinas. A partir de lá não tem mais. E não pode fazer no chão e enterrar, porque naquela altitude não ocorre decomposição, por causa do frio e da falta de bactérias. A sua sujeira ficaria eternamente lá, congelando e descongelado. Então os guarda-parques te entregam no início um saco vermelho, e é nele que você deve fazer o nº 2 nos acampamentos superiores. E tem que devolver na saída, se não, é multa de cerca de 200 dólares. Pra não ter que ficar carregando o cocô com a gente o tempo todo, levamos sacos extra, fazíamos neles e deixávamos “guardados” do lado de fora da barraca, protegidos por pedras. Quando subimos pra outros acampamentos, deixamos esses saquinhos lá, e na volta recolhemos todos e colocamos no saco vermelho pra entregar aos guarda-parques no check out. Sorte que seu corpo está desesperado por comida, então absorve quase tudo que entra e quase nada sai ::otemo::

Maaas, nem tudo é sofrimento, e a beleza estonteante daquele lugar compensava tudo. A paisagem ainda ficaria mais mágica a cada ganho de altitude, mas ali já era espetacular. À nossa frente um monte de picos a perder de vista. Atrás estava a rochosa face oeste do Aconcágua, o sol nascia atrás dela e se punha à nossa frente, fazendo um show de cores no horizonte entre nove e dez horas da noite. Sim, os dias são longos lá.

Nessa primeira noite no camp 1 ventou muito e fez muito frio. Zaney sentiu dores de cabeça, e eu quase não dormi. Eu estava com muita dor no nariz e garganta, ambos machucados e inflamados. Só conseguia respirar pela boca, o que, além de dificultar a oxigenação, aumenta a desidratação, porque perdemos mais água expirando pela boca do que pelo nariz, e o ressecamento e inflamação da garganta e nariz aumentavam também. Tentando reduzir a dor de inspirar o ar gelado, eu tentava respirar dentro do saco de dormir ou da balaclava, mas aí aumentava a falta de oxigênio, me fazendo arfar por ar toda hora. Isso virou rotina, fazendo de várias noites um inferno. E quando começava a pegar no sono..., tinha que fazer xixi ::lol4::

Decidimos que o dia seguinte seria de descanso.

Além de nós, tinha apenas um grupo de quatro russos no acampamento, e à tarde chegaria o Philipp. Os que estavam ali antes de nós haviam seguido pro camp 2 pra tentar o cume na próxima “janela”, que seria dia 19. Depois disso a previsão era de tempo muito ruim por pelo menos cinco dias. Esse era o dia 17. De acordo com o nosso cronograma, tudo correndo perfeitamente bem, (e se não fosse o mau tempo previsto) só poderíamos tentar o cume no dia 21, e isso saindo do camp 2 e não do camp 3! Dia 19 era cedo demais pra gente. Mas as horas foram passando e a vontade de poder usar essa janela foi crescendo, até que resolvemos arriscar!! ::hahaha:: Já passavam das 14 hs. Teríamos que subir nesse mesmo dia, carregando tudo de uma vez pro camp 2, mas levando menos comida e gás porque seriam só dois dias. Dormiríamos uma noite lá, e na outra madrugada tentaríamos o cume. Se desse errado, voltaríamos pra Canadá. O plano era audacioso e arriscado, porque a gente já tinha acelerado o cronograma nos dias anteriores, não estávamos aclimatados a essa altitude e nem tínhamos dormido bem. Mas seria uma tentativa. Juntamos o equipamento, a comida necessária pra dois dias, guardamos saco de dormir, calçamos as botas duplas e só faltava desmontar a barraca....quando um montanhista que estava descendo questionou nosso plano: “vocês estão subindo pra Nido AGORA?”. Achei que ele estava se referindo a estar um pouco tarde, e expliquei o motivo, e disse que estávamos seguros de conseguir chegar antes de anoitecer. E então ele me interrompeu: “Não... Me refiro ao clima, os ventos estão aumentando e vai ser arriscado subir, já está muito frio no trajeto e vai piorar”. Agradecemos o conselho e, sem trocar palavras, concordamos em ficar. Cabisbaixos, voltamos as mochilas pra dentro da barraca, resignados a esperar pela próxima janela de tempo bom...

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Agora a gente estava à mercê do clima... O jeito era aproveitar os próximos dois dias de bom tempo pra aclimatar ali em Canadá e fazer porteio até o camp 2, e seguir acompanhando a previsão do tempo pra ver se algo mudaria. Não tínhamos internet nem rádio, mas sempre passava alguém com notícias, algum guia, guarda-parque, ou algum montanhista subindo do acampamento base ou descendo do camp 2 (lá também tem uma tenda de guarda-parques). Os Andes (especialmente o Aconcágua) têm a fama de clima instável e imprevisível, o que veio a se confirmar na semana seguinte, dificultando nosso planejamento.

Amanheceu um dia lindo e gelado (18 de dezembro). Esperamos até o sol sair de trás da montanha e bater nas barracas, pra esquentar um pouco antes de nos prepararmos pro porteio. Philipp subiu com a gente. Nesse dia ele estava carregando mais peso e por isso foi mais lento. Fui parando às vezes pra esperar e não ficar muito distante. De repente vimos que o Zaney, que estava à frente, parou e estava abaixado sem sair do lugar. Acelerei pra ver o que tinha acontecido. À frente dele tinha uns três metros de gelo duro, liso, completamente escorregadio. Aquele trecho tinha menos de 30 graus de inclinação, mas suficiente pra que um escorregão mandasse a gente umas dezenas de metros pra baixo. A gente tinha subido sem os crampons, mas mesmo com eles estaria arriscado atravessar aquele trechinho. Zaney estava fincando o gelo com o bastão pra tentar deixar firme pra pisar. Philipp nos alcançou e ele estava com sua piqueta, o que facilitou o trabalho. Mesmo assim o Zaney tava com dificuldade pra atravessar, não se sentia seguro nesse terreno... então evitaríamos esse caminho na volta e no dia de subir novamente. Philipp atravessou na frente e o ajudou. Eu fui em seguida. Mais à frente tinha outro trecho assim. Atravessei rápido sem pensar. Philipp e Zaney desviaram por outro caminho mais acima. Em seguida vi que eu deveria ter feito o mesmo, pois ainda tinha um último trecho daquele jeito e esse era mais íngreme, e eu não conseguiria voltar pelo caminho que tinha acabado de passar. Consegui passar uma parte e parei sem saber como continuar. Mas Philipp já estava do outro lado e me estendeu seus bastões pra que eu tivesse algum apoio, e assim consegui. Continuamos tranquilamente, fazendo o caminho mais direto. Ao chegar em Nido de Condores estava frio DEMAIS. Corremos (correr é só modo de dizer, não dá pra correr naquela altitude) para a tenda dos guarda-parques pra perguntar onde era mais seguro deixar nossas coisas. Na verdade foi mais uma desculpa pra entrar na tenda quentinha deles por uns minutos. Enquanto isso vesti mais um casaco e as luvas mittens.

Despejamos nossas coisas em um saco impermeável e colocamos ao lado de uma pedra grande. A vista a partir daquele acampamento é incrível, mas tava frio demais pra ficar parados admirando. Até tentamos... sentamos atrás de uma outra pedra que parecia proteger dos ventos...mas não adiantou ::Cold::::Cold::::Cold:: Muito vento. Muito frio. Partimos de volta ao acampamento Canadá, tentando fazer o caminho mais direto e rápido pra escapar do frio. Nesse trajeto a neve estava fofa e algumas vezes afundei a perna até quase no joelho. Como eu não estava usando os gaiters, entrou neve dentro das botas duplas.. Ainda bem que tinha sol, e coloquei os liners pra secar quando chegamos ao acampamento. E depois da rotina de derreter neve, cozinhar, comer, hidratar... fomos dormir.

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Dia 19 de dezembro. Dia de cume. Não para nós. Mas mais de 50 sortudos estavam na noite anterior no último acampamento superior, Cólera, prontos para tentar o cume nesse dia, que foi o melhor da média temporada, quase sem vento, temperaturas muito favoráveis, nenhuma nuvem no céu. No nosso caso, como não adiantava correr com o cronograma, pois de qualquer forma não dava pra subir pro cume tão cedo, decidimos descansar mais esse dia. Fomos orientados a dormir uma ou duas noites em Nido de Condores para aclimatação, e depois descer de volta pra Plaza de Mulas, e esperar lá até a próxima janela de tempo bom. Não havia muita opção. Então, no dia seguinte subiríamos pra Nido com esse novo plano.

Outro alemão que também estava subindo solo, o Andre, chegou a Canadá naquela tarde, montou acampamento e continuou subindo para aclimatação. Foi até o acampamento Cólera e voltou, com uma velocidade impressionante.

Nesse dia o clima estava agradável. Recebemos até visita de uma raposinha andina e do gigantesco condor andino, que depois de muito sobrevoar a área resolveu pousar e tentou roubar um salame que o paulista Victor tinha deixado escondido debaixo de umas pedras no acampamento enquanto subia rumo ao cume. Dizem que avistar um condor andino é um grande sinal de sorte... :D

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Camp 2 – Nido de Cóndores

No dia 20 levantamos acampamento e subimos para Nido de Condores, eu, Zaney, Philipp e Andre. Andre era o mais rápido e logo estava bem distante à frente, seguido por Zaney e Philipp, e eu fiquei mais atrás. O trajeto foi tranquilo, bastante frio e ventando um pouco, mas não foi muito sofrido. No trecho final Zaney começou a sentir muita fraqueza e eu o alcancei. Entreguei um chocolate pra ele recobrar as forças e seguimos devagar. Quando enfim chegamos, Andre e Philipp já tinham encontrado um local para suas barracas, que eram menores e menos resistentes aos ventos, então precisavam de um local mais protegido. Nido de Condores é um acampamento muito exposto, então eles tiveram que descer até um lugar um pouco afastado. Como a gente ia deixar a barraca lá montada quando fôssemos descer de volta a Plaza de Mulas, também precisávamos de um local seguro. A previsão para os próximos dias de tempo ruim era de ventos de até 100 km/h em Nido de Condores, e 150 km/h no cume ::ahhhh:: .

Armamos a barraca um pouco abaixo da tenda dos guarda-parques, ao lado de duas grandes rochas, em um espaço estreito cercado dos outros lados por uma descida íngreme e por uma pequena parede de neve. Tivemos que escavar um pouco essa parede de neve pra caber a barraca. Saí à procura de pedras grandes pra fixar a barraca. Não foi fácil descer com as pedras. Maldita falta de oxigênio. Assim que terminamos, Zaney entrou na barraca e disse que não queria mais se mexer :lol: . Eu precisava beber água, então fui iniciar o trabalho de pegar neve pra derreter, antes que o frio aumentasse demais. Já estava aumentando. O frio e o vento ::Cold::

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Ao fim do processo já estava escurecendo. Mais um espetáculo no céu. Esses pores do sol não vão sair fácil das minhas lembranças.

Essa noite não foi das melhores. Muito difícil de respirar, extremamente frio (uns -20°C), e o vento sacudindo a barraca a noite inteira.

Pela manhã (dia 21) o vento ainda ficou mais forte. Por volta das onze horas criei coragem de subir até os guarda-parques para checar o prognóstico do tempo para os próximos dias. Havia piorado. “Vocês podem dormir mais uma noite aqui, mas amanhã todos descem pra Plaza de Mulas. Muito perigoso. Reforcem mais a barraca, coloquem pedras grandes do lado de dentro. Os ventos serão muito fortes”. Passamos o dia praticamente sem sair da barraca, a não ser pra pegar neve pra fazer água. Ventania o dia todo.

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E na manhã seguinte nos preparamos pra descer os quase 1.200 m verticais que havíamos subido desde o acampamento base.

Saímos por volta das 11:00, com frio e vento piores que no dia anterior. Optamos por deixar as pesadas botas duplas lá em cima, e desci com minhas botas de trekking normais e os gaiters. Tínhamos que descer rápido, nos manter em movimento pra circulação do sangue manter os pés e mãos quentes. Logo no começo da descida veio uma rajada mais forte de vento e me jogou de bunda no chão. Poderia ter sido engraçado de ver. Mas a sensação foi de muita impotência e fragilidade.. fiquei lá no chão uns segundos indignada por ter sido derrubada por um “ventinho” ::lol4:: . Levantei e acelerei pra alcançar o Zaney. Tínhamos que passar pelo acampamento Canadá pra pegar umas coisas que a gente tinha deixado lá, inclusive os saquinhos de cocô. Aproximando de lá, veio um vento branco jogando um monte de neve e gelo com muita força em cima de nós. Era um trecho meio íngreme e tivemos que deitar no chão pra firmar. Frio, frio, frio. Continuamos. Chegando no acampamento Canadá os pés do Zaney estavam começando a congelar. Ele teve que tirar as botas e esfregar os dedos pra fazer a circulação voltar. Enquanto isso as minhas mãos estavam doendo muito de frio e eu tentava pegar algo pra comer e não conseguia. “Pára vento, pára um pouco! pára vento...” era o meu único pensamento. Acho que eu repetia isso em voz alta também, como se o vento fosse me ouvir. E ouviu. Mas só por uns dois minutos, suficientes pra gente conseguir colocar as coisas nas mochilas. Tentei beber água. Estava quase completamente congelada, só saiu um gole. Forcei pra dentro uma barrinha de cereal congelada e voltamos à descida.

O vento começou a amenizar nesse segundo trecho. Zaney quis pegar um atalho que na verdade não dava em nenhuma trilha. Pra não ter que voltar atrás, optamos por atravessar uma parte de gelo liso pra alcançar um outro caminho mais à frente. Escorregamos sentados por uns seis metros. Também poderia ter sido divertido, se eu não tivesse cortado a mão tentando frear no gelo. Mas voltamos ao caminho e seguimos. Ali os ventos já estavam mais calmos :)

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De volta a Plaza de Mulas – Lar Doce Lar

Chegamos exaustos. Eu estava completamente sem energia ::hein: . Precisava comer. Mas antes tínhamos um trabalho a fazer. A barraca, que estava lá sozinha há 6 dias, havia sido empurrada com os ventos da noite anterior, e um monte de pedras grandes rolaram pra debaixo dela, que ficou toda entortada inclinada pra frente. Quando Carlo e Greison saíram pra ir embora, deixaram a bolsa com o nosso estoque de comida e gás dentro da barraca, e o vento foi forte o suficiente pra levantar a barraca mesmo assim, empurrando a bolsa pra uma das pontas. Pensei que a estrutura da barraca tivesse quebrado, mas não. Depois de cerca de uma hora removendo pedras, recolhendo as coisas esparramadas dentro e fora da barraca e reforçando a segurança da barraca pros ventos que viriam, fui fazer meu almoço, feliz de não precisar derreter neve! Poder pegar água no galão, poder lavar as mãos e jogar água no rosto, mesmo em temperatura congelante, era muito bom! Era bom voltar a ter "banheiro" também, e um pouco mais de oxigênio! Era como voltar pra casa.

Philipp e Andre chegaram em seguida. Philipp deixou a barraca dele lá em cima, e iria dormir com a gente nesses dias em Plaza de Mulas. A previsão era de que poderíamos subir novamente no dia 26. Mas estava mudando toda hora... Em um momento o prognóstico mostrava que o único dia possível pra fazer o cume era dia 28, depois era dia 27, depois era dia 29, depois era 27 ou 29. E foi dando medo de mudar pra dia 30, ou de simplesmente não ter essa janela. Dia 29 era nossa última chance, ainda assim muito apertada, porque teríamos que descer no mesmo dia do cume todo o caminho até o acampamento base (a maioria das pessoas descansa uma noite no último acampamento superior ou em Nido antes de descer). O voo do Philipp de volta pra Alemanha saía de Mendoza no dia 31 de manhã. Eu ainda poderia ficar mais 1 ou 2 dias, mas nesse ponto combinamos que iríamos sair juntos, com cume ou sem cume, e assim podíamos dividir nossa mula com os dois. O certo era que não dava pra subir antes do dia 26. Nevasca, vento branco e frio perigoso.

Em três na barraca, começamos a ter mais problema com condensação. O vento batia a noite sacudindo a barraca e o gelo formado no tecido caía por cima dos sacos de dormir. Às vezes no rosto, às vezes dentro da garganta, com a boca aberta pra respirar. Com o frio e a ventania, a gente ficava o dia todo dentro da barraca conversando. Apesar do tédio, lembro de muita risada :D A nossa única obrigação diária era caminhar até a tenda dos guarda-parques pra checar as mudanças na previsão do tempo e nos programar. Nesses dias não dava pra cozinhar dentro da barraca, por causa da condensação, e de fora era impossível também com aquele vento. Começamos a usar a barraca domo (aquelas tendas grandes em formato hexagonal pra uso comunitário), apesar de que a regra era não cozinhar lá dentro, apenas comer. Mas não tínhamos muita escolha. Nós quatro (Andre também) começamos a levar o almoço e o jantar e passar o dia lá dentro. Um dos problemas de cozinhar lá era que também tinha condensação, e de repente começava a chover gelo derretido nas nossas cabeças.

Em uma dessas tardes conhecemos Ravi, um experiente guia de montanha malasiano que havia perdido 8 dedos das mãos por frostbite no Everest, no mesmo dia em que morreu o montanhista e escalador brasileiro, Vitor Negrete. Ouvir suas histórias faz crescer nosso respeito pelas montanhas. Um grupo de russos (na verdade eram da Letônia), três homens e uma mulher, estavam sempre na tenda comunitária também. Até dormiram lá dentro uma noite que o vento tinha rasgado a barraca deles. Eram muito fortes e não muito sociáveis, com exceção de um deles, Alex, que conversou mais vezes conosco, em um sotaque muito engraçado. Coincidentemente, nossa barraca em Nido estava montada ao lado da deles, que era um modelo fraco (e remendada depois de ter rasgado com o vento), e por isso precisaram colocá-la no único local do acampamento onde ela teria proteção por quase todos os lados. Era quase uma muralha de pedras com a barraca deles no meio. A nossa estava de fora da “muralha”, mas usando sua proteção lateral.

No dia 23 nós só descansamos. No dia 24, Andre subiu até o cume do Cerro Bonete, sozinho, pois optamos por continuar poupando forças. Eu queria muito ter ido também, mas eu já tinha perdido toda a minha (pouca) camada de gordura e massa muscular, e estava difícil comer mais calorias do que a gente estava gastando, mesmo parados. Então realmente pensei que a melhor opção era me poupar para nossa longa subida final, que iniciaria nos próximos dias. Depois me arrependi de não ter ido, claro... :|

Natal

Na manhã do dia 24 os porteadores nos convidaram pra uma festinha que teria à noite na tenda verde, organizada pela galera que trabalha na montanha. Disseram que não seria nada grande, porque eles trabalhariam no dia seguinte. E que no réveillon a festa seria maior... Passamos o dia falando de comidas de natal, famintos por algo suculento, por comida de verdade, depois de duas semanas com alimentação precária. Chegando na festinha à noite, tinha uma mesa cheia de delícias pra todos comerem à vontade :o pra nossa surpresa. Pena que a gente tinha enchido a barriga antes de ir pra lá, pensando que não teria nada ::putz:: . De repente entraram carregando a árvore de natal: um bloco enorme de gelo em formato de árvore. Em seguida encheram a “árvore” de luzes fluorescentes piscantes. Tava frio demais, mesmo dentro da tenda, e resolveram colocar a árvore do lado de fora...mas minutos depois o vento a derrubou e quebrou no meio ::lol4:: E foi chegando mais e mais gente na “festinha” até que não tinha mais espaço. Retiraram as mesas de comida e puxaram a caixa de som para o meio e a festa durou até umas quatro horas da manhã, regada a fernet com coca-cola e muito calor humano. Estavam lá os porters e demais pessoas que trabalham lá, alguns guias, alguns poucos montanhistas independentes, e nós. Quem estava em expedições pagas, teve algum tipo de celebração com suas respectivas empresas, e foram dormir cedo (ou tentar dormir, porque no dia seguinte tinha gente reclamando do barulho da nossa festa rs). Alguns guias da Mountain Madness estavam lá, e perguntamos se no acampamento base do Everest também havia festas assim. Disseram que “assim só aqui no Aconcágua”. As rajadas de vento pareciam que iam derrubar a tenda, e a cada rajada mais forte todos ajudavam a segurar o teto, com muita risada... Fiquei pensando se a gente ainda ia rir na hora de voltar pra barraca pra dormir com aquela ventania :shock: . Acho que foi a noite mais fria em Plaza de Mulas. E a noite com o céu mais estrelado...coisa linda! Lembro do Zaney me chamar na porta da tenda pra ver o céu e eu entender que tava chamando pra gente já voltar pra nossa barraca e eu ainda não queria ir. E aí vi o céu e fiquei embasbacada ::love:: . Mais uma das cenas que não vai sair da minha cabeça.

Em algum momento depois que voltamos pras nossas barracas pra dormir, começou a nevar, o vento forte varrendo a neve do chão ao mesmo tempo. Com todo o frio que estava fazendo de fora, a condensação com três pessoas dentro da barraca aumentou, e acordei com um monte de gelo sendo jogado por cima de mim. De manhã tinha gelo por cima de todas as minhas coisas e do saco de dormir. E continuava caindo mais. Não tinha muito que fazer... não dava pra tirar o saco de dormir pra secar e não molhar mais, porque estava nevando. Parou de ventar, a neve começou a acumular rapidamente lá fora. De repente, tudo ao redor era branco naquela manhã de natal. Meu primeiro natal com neve ::hahaha:: A paisagem no acampamento base havia mudado completamente.

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Fomos checar o prognóstico do tempo. Estando ainda em Mulas, já não existia opção de fazer cume dia 27. Ou era dia 28 ou dia 29. E tínhamos que subir pra Nido no dia seguinte (26). A previsão continuava mostrando o dia 29 como única pequena janela. Dia 30 as condições pioravam de novo. De qualquer forma, dia 30 já estaríamos deixando o parque.

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Dia 26 de dezembro acordamos ainda com neve e vento. Mas a previsão dizia que melhoraria no período da tarde. Então fomos nos preparando pra subir. Aguardamos, e o tempo não melhorava. Por volta de 13 hs decidimos iniciar a subida mesmo assim. Comecei na frente e lentamente fomos seguindo com a neve na cara. Assim que saímos da área do acampamento e começamos a subir, já não dava pra enxergar nada poucos metros à frente, tudo branco. O vento estava constante e a neve fina não parecia que iria parar. Avançamos no máximo 300 metros e parei, virei pra trás e falei que não parecia uma boa ideia continuar subindo naquelas condições. Esperei parada pelas reações. Atrás de mim estava o Philipp, depois o Zaney, e o Andre ainda estava no acampamento, mas nos alcançaria em minutos. Philipp e Zaney concordaram e na mesma hora começamos os três a descer de volta. Andre ficou indignado: “c’mon guys! we can get there, tomorrow is gonna be the same!” Eu também não queria abortar a subida depois de tudo preparado, passar mais uma noite ali e correr o risco do clima estar igual ou pior no dia seguinte. Mas a falta de visibilidade me preocupava. No começo estaríamos juntos, mas depois seria cada um no seu ritmo e eu não queria ficar sozinha montanha acima naquela nevasca sem enxergar nada à frente e sem enxergar o caminho (todo coberto de neve fresca). Mas falei então que toparia o que eles decidissem. Zaney e Philipp disseram que preferiam ficar. E voltamos cabisbaixos pra tenda comunitária. No misto de sentimentos, fiquei também um pouco aliviada de não enfrentar a subida naquela nevasca, confesso... E Andre fechou a discussão com “vocês sabem que amanhã não vai estar melhor, certo? Vai estar assim ou pior, e não teremos escolha senão subir, ok?”. Ele estava um pouco bravo. Todos estavam, claro, mas Andre era o mais preparado de nós e acho que teria chegado em Nido com certa tranquilidade. É compreensível que tenha ficado mais chateado...

Foi uma boa decisão no fim das contas. Quase todos que haviam começado a subida antes de nós desceram em seguida. Um grupo que estava no camp 1 passou maus bocados e uma pessoa sofreu hipotermia no começo da tarde. Nossos colegas russos subiram, com exceção da menina, que desistiu do cume e ficou aguardando eles em Mulas.

Chegando à tenda comunitária, quebrei nossos cinco minutos de silêncio sugerindo um jogo, já que nosso humor não estava dos melhores pra conversar. E jogamos por umas 3 horas, revezando pra buscar água e pra fechar a porta que teimava em abrir com o vento e jogar quilos de neve pra dentro. No fim da tarde, com atraso em relação à previsão, o tempo melhorou. Parou de nevar e começaram a surgir pequenos pedaços de azul em meio ao branco-cinza que cobria o céu. Saímos pra montar de volta a barraca do Andre e fiquei mesmerizada com a paisagem ao redor. Sem o vento, um grande silêncio e paz. E uma beleza única até onde a vista podia alcançar.

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Na madrugada, novamente muito frio e muita condensação. Amanheceu com vento e outra vez a rotina de gelo caindo sobre todas as coisas e deixando meu saco de dormir mais molhado. Já estava úmido por dentro também, porque tive que comprimi-lo pra guardar no dia anterior sem tempo pra secar antes, na nossa tentativa falha de subida. Iniciamos novamente a preparação para a subida: guardar as coisas na mochila, comer, usar o banheiro pela última vez, esquentar água parcialmente congelada e encher as garrafas, colocar os gaiters, separar snacks de fácil acesso para o percurso... Pendurei o saco de dormir ao vento pra ver se secava um pouco, mas em vez disso congelou :lol::roll: . Enquanto isso, tentei em vão derreter meu protetor solar que estava duro igual pedra. O vento começou a acalmar. Céu azul. Sem neve. Perfeito. Agradeci mentalmente ao universo, à Pachamama e ao Apu do Aconcágua por poder dizer: “ainda bem que esperamos pra subir hoje :D ”. E é claro que o Andre respondeu: “você sabe que teríamos conseguido ontem sem problemas”. Na verdade eu não confiava nisso não rs.

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Reta final

Deixamos então o acampamento base, rumo ao camp 2 (Nido de Cóndores). Era dia 27 de dezembro. Dormiríamos uma noite lá, e no dia 28 subiríamos para o camp 3 (Cólera) para iniciar o ataque ao cume na madrugada de 28 para 29.

Começamos por volta de 12:30 hs. Pode parecer estranho começar os trajetos tarde assim... mas apesar do dia clarear cedo (umas 06:30), o sol só surgia por cima da crista do Gigante depois das 09:00... e batia na nossa barraca umas 10:00. Era difícil sair da barraca antes disso, ou até sair de dentro do saco de dormir. Depois, demorava bastante até hidratar, comer, preparar todas as coisas e partir.

Como sempre, seguimos cada um no seu ritmo, respeitando os efeitos da altitude em cada um. Zaney foi apressado à frente, dizendo que queria chegar logo (parece ter 3 pulmões!! rs) e Andre e Philipp seguiam mais ou menos próximos. Já no meio do caminho entre Mulas e Plaza Canadá, eu havia ficado pra trás. Estava achando mais difícil de respirar nesse dia, e sentindo muito o peso da mochila fazendo forçar mais os pulmões. Cheguei a Canadá com bastante dificuldade. Já era mais da metade do caminho, mas sabia que a segunda parte era mais puxada pela altitude e cansaço. Philipp estava lá esperando por mim há quase meia hora. Andre tinha seguido pouco antes. Descansei por uns 5 minutos e Philipp trocou de mochila comigo por um tempo sem me deixar discutir :oops: . A dele estava mais leve porque não estava levando comida, fogareiro e outros itens, que já estavam em Nido. Nesse momento eu já estava completamente ofegante. Respirando muito pela boca por causa do nariz imprestável, estava sentindo como se estivesse com um soluço preso que não me deixava encher os pulmões. Acho que engoli ar ou algo assim. Isso somado à altitude me causou um belo de um sofrimento. O restante do caminho (mais umas 3 hs) foi agonizante. Parar pra descansar não fazia diferença, continuava sem conseguir encher os pulmões. Percebi o Philipp ficando preocupado, e eu repetia que não era nada sério, eu só tinha respirado errado. Mas aos poucos comecei a ficar preocupada também. Aquilo podia ser um início de edema pulmonar? As três coisas que eu me lembrava de ler sobre HAPE eram: 1) tosse seca; 2) falta de ar mesmo em repouso, com sensação de estar se afogando; 3) a sensação piora ao se deitar. Mas independente de qualquer coisa, não adiantava parar. Faltava pouca altitude pra vencer até o camp 2 e a escolha óbvia era seguir. Philipp começou a sentir dor no estômago e ficou mais lento também. Destrocamos as mochilas e seguimos, bem devagar. Não estávamos num bom momento. Pra mim foi o pior dia, porque foi o dia em que senti medo. Medo de estar com um problema sério, medo de não melhorar e ter que abortar a subida no dia seguinte, medo de sentir isso de novo nos próximos dias...

Passamos por um grupo grande, a expedição dos iranianos, todos exaustos, o guia se esforçando para fazê-los continuar se movendo. Finalmente nos aproximando do acampamento, pegamos um atalho pra onde estavam as barracas e escorreguei na neve caindo de costas no chão, mas a dorzinha foi pequena perto do alívio de chegar. E agora, descansar? Não. Pegar neve, derreter neve, hidratar, pegar mais neve, derreter mais neve pra cozinhar. E nisso escureceu. Mais um pôr do sol fantástico às quase 22:00, mas esse eu não saí pra olhar. Estava na barraca tentando voltar a respirar normalmente, enquanto o Andre repetia que pela manhã eu iria até os guarda-parques pra tentar contato com os médicos do acampamento base e ter certeza se eu podia continuar subindo. E eu dizia que tinha certeza que de manhã estaria bem. Prometi que estaria. Nessa noite dormimos eu, Andre e Zaney na nossa barraca, e o Philipp na dele que já estava em Nido. Andre deixou a sua em Plaza de Mulas. Zaney, desde que chegou ao acampamento, estava deitado na barraca quieto. Só falou que estava cansado demais. Não bebeu nada nem queria comer :| . Enquanto eu segurava o fogareiro, Andre ia colocando mais neve dentro. Era o último litro e em seguida íamos fazer uma sopa. De repente eu precisava fazer xixi, e não era um bom momento... lá fora nevando muito, ali dentro sem espaço com as nossas coisas desorganizadas, o Zaney deitado e eu e Andre expremidos pra dar espaço ao fogareiro aceso cheio de neve. Uma novidade pra mim nessa expedição foi como eu não conseguia segurar xixi. Era desesperador ::lol4:: (agooora é engraçado). E com a dificuldade que eu estava pra respirar, qualquer movimento era exaustivo, a ponto de precisar descansar pelo esforço de mudar de posição na barraca. Entreguei o fogareiro para o Andre e pedi um pouco de espaço, peguei rapidamente a garrafa do xixi e o funil e fiz. Mas na agitação desse processo, senti um calor forte na nuca e na cabeça e uma dor repentina em toda a cabeça e lembro de dizer: “Agora eu estou mal”. Andre já foi afastando as coisas ao meu redor e me dizendo pra deitar. Fiquei bem assustada, passando pela cabeça várias coisas. Definitivamente não era meu melhor dia. Deu vontade de chorar. Uma sensação de frustração e desespero por causa do medo da possibilidade de não poder continuar a subida. Era mais isso do que qualquer pensamento sobre as consequências de algum problema sério de Mal da Altitude. Deitada, tentando me acalmar e respirar tranquilamente, repeti que estaria bem na manhã seguinte, mas já não falei com tanta certeza, e completei que se não estivesse bem desceria sozinha pra Plaza de Mulas de manhã. Enquanto isso Andre estava terminando de fazer a sopa e já avisando que eu tinha que comer. Eu não queria me mexer, mas me sentei e segurei a panelinha enquanto ele despejava a janta pra mim. Comi. E aos poucos, apesar de ainda com dor de cabeça, voltei a ter certeza que depois de dormir estaria bem...

E em seguida descobrimos que tínhamos outro problema, que no fim das contas veio a ser mais sério. Zaney disse que seus olhos estavam doendo e que não estava enxergando direito. Quando se virou e abriu os olhos, vimos que estavam muito vermelhos. Ele explicou que ficou um tempo sem os óculos durante a subida ::putz:: . Isso é muito perigoso, porque o trajeto estava completamente coberto de neve, e o sol o dia todo refletindo pra todos os lados. O risco de “cegueira de neve” ou “cegueira de altitude” é altíssimo. Como ele tinha subido sozinho à nossa frente, nenhum de nós estava por perto pra lembrá-lo de recolocar os óculos e, pelo mesmo motivo, não sabemos quanto tempo ele ficou sem, e ele também não se lembra bem. Naquela altitude, em um dia limpo e chão coberto de neve, a claridade e brilho da luz ao redor chega a ser quinze vezes maior que o considerado seguro para nossos olhos. Como não tinha nada que pudéssemos fazer àquela hora, decidimos dormir, e pela manhã analisaríamos a situação.

Definitivamente não estava sendo uma noite fácil pro Andre também, dividindo a barraca com duas pessoas em situações no mínimo preocupantes pra quem pretendia seguir subindo rumo ao cume do Aconcágua na manhã seguinte. Fiquei em dúvida se tomava um remédio pra dor de cabeça ou se era melhor não mascarar os sintomas... Acabei tomando pois não conseguiria dormir.

 

A noite foi de sono leve, a sensação era de estar acordada o tempo todo. Zaney com dor, se mexendo o tempo todo, não estava dormindo também. Ele disse que a dor estava só piorando. Como nos explicaram depois, quando se queima os olhos, é como queimadura de pele, na hora não dói, e depois vai piorando gradativamente. Dei a ele um analgésico/anti-inflamatório pra ver se o ajudava a dormir, mas ele preferiu não tomar. Andre acordava de tempos em tempos perguntando se eu estava bem. Acho que ele pensou que eu estava tendo algum tipo de edema. Confesso que também cogitei. Mas a noite foi passando e finalmente peguei no sono por algumas horas.

Acordei com um pingo de condensação derretida caindo na minha cara. Sentei calada fazendo um rápido autodiagnóstico. “How are you feeling?”. Perguntou Andre. “Great!”, respondi, apesar de ainda não ter certeza. “Really?”. “Yes”. “Good. Just as you said you would be... It’s good that you know yourself”. E então voltamos nossas preocupações ao Zaney. Ele disse que a dor estava um pouco melhor, mas estava enxergando mais embaçado. Andre foi checar a previsão do tempo e os guarda-parques perguntaram como estávamos. Ao ouvir sobre o Zaney, um deles desceu preocupado até nossa barraca, já com umas gases molhadas para colocar sobre os olhos dele e disse que a orientação deles era que ele descesse. Se decidisse subir, seria por sua conta e risco. E aí começou outro momento de decisões difíceis. Ele não poderia descer sozinho sem enxergar direito. Eu teria que abandonar a subida e descer com ele. Mas primeiro ele precisava decidir o que queria fazer. A decisão era difícil e era totalmente dele. E nisso se passaram mais duas horas. Fui me preparando pra sair, ainda sem saber qual o destino. Quando Zaney finalmente decidiu que iria descer, avisei ao Andre que eu desceria com ele. Mas ele disse que isso não fazia sentido, que eu não precisava descer. Subiu novamente aos guarda-parques e perguntou se havia porters que podiam acompanhá-lo até Plaza de Mulas. E havia. Dois porters tinham subido levando equipamentos ao camp 3 e desceriam na próxima hora, podendo acompanhar Zaney sem problemas. Com isso, Andre salvou minha chance de tentar o cume :D . Os guarda-parques ainda falaram que o Zaney podia esperar na tenda deles, pra ficarem acompanhando a situação dos olhos dele. Depois desceria com os porters e seria avaliado pela médica em Plaza de Mulas, para saber se nos aguardaria lá ou se seria evacuado de helicóptero. E assim ficou decidido que eu continuaria subindo com Andre e Philipp, agora sem mais ninguém do meu grupo brasileiro... :roll:

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    • Por VoandoAltoFH
      Pessoal,
      Vou fazer um relato detalhado do Mochilão que fiz no comecinho deste ano, mas que lembrei só agora de postar aqui neste site.
      O legal de tudo isso é que registrei em videos, então estará bem fácil entender o passo a passo da viagem.
      Foram no total 32 dias de viagem e gastei R$ 13.560,00 para 2 pessoas, incluindo TUDO (hospedagem, comida, passagem aérea, passagem de ônibus, seguro viagem, passeios, transporte, taxi, mercado, etc)!!! Considerando que a cotação do dólar na época beiravam os R$ 3,85 posso dizer que em moeda americana saiu por US$ 3.522,00.
      Ressalto que se dividir o valor por pessoa, acabou saindo então por R$ 6.780,00 ou US$ 1.761,00 por pessoa aproximadamente. 
      Então, acredito que saiu bem barato e aproveitei muito a viagem.
      Todos os episódios estão registrados no meu canal do Youtube, mas postarei um pouco mais detalhado aqui, já que o conteúdo é escrito.
      Mas quem tiver curiosidades, poderá assistir por lá.
       
      Canal Voando Alto
       
      Abs!
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Mendoza
       
      Vou comentar sobre dicas, curiosidades e os pontos turísticos visitados aqui na cidade de Mendoza, na Argentina.
      Como tinha somente 1 dia pra visitar o local, decidi focar somente no centro da cidade. Mas caso queira conhecer bem a localidade, acredito que sejam necessários pelo menos 3 a 4 dias.
      Mas o que fazer em Mendoza? 
      Além do centro da cidade, o principal é realizar os passeios como, 
      Tour de Vinhos, visita ao Aconcágua, a Cordilheira dos Andes, Termas e o resourt de Ski, se estiver no inverno.
      Existem outros tipos de passeios que não recomendo, pois você conseguiria fazer em qualquer outro lugar, como rafting, tirolesa, passeios à cavalo ou de bicicleta. Não vale a pena gastar dinheiro com isso, fora que estará pagando alto, por ser um ponto turístico.
      E aqui temos as ruas de Mendoza, tome cuidado ao caminhar, pois terá um monte de buracos na calçada, se você estiver descuidado ou utilizando o celular, com certeza vai tomar um belo tombo ou se machucar.
      Esses buracos ou caminhos, foram feito para irrigar as árvores da cidade, com a água que vem do degelo das montanhas. Então verá um monte de árvores ao lado desses buracos e o bom de tudo isso é ver que a cidade é bem arborizada.
      Estamos aqui na Plaza Carlos Pellegrini, que é o ponto de encontro do Walking Tour da Vivimza, que seriam passeios à pé, em troco de gorjetas. 
      Não gostei muito desse grupo, pois achei um pouco tediante, já que passava muito mais informações técnicas da cidade, achei que estava mais numa sala de aula e por pouco não fugi no 
      meio do trajeto.
      Outro ponto que não gostei, foi que ao invés de falar que o valor de contribuição das gorjetas sejam livres, meio que estipulava um teto mínimo que deveria receber, por exemplo: "O mínimo que geralmente as pessoas me dão é de US$ 5,00 ou US$ 10,00". 
      Desculpe, mas eu dou o quanto eu achar necessário, se o serviço for bom.
      Bom! Voltando, posso dizer que tinha uma espectativa da cidade, talvez seja por isso que a minha decepção foi grande. 
      Para quem já visitou a cidade de Gramado e suas vinícolas, lá no Rio Grande do Sul, que foi o meu caso, talvez se decepcione um pouco. Já que esperava algo próximo ou semelhante, mas não 
      foi o caso.
      Já que a cidade era um pouco pacato, as construções eram bem simples, bem de cidades do interior e não estou desmerecendo isso. 
      Não tinha muito policiamento na cidade, haviam alguns problemas sociais como mendigos e moradores de rua. E não era muito recomendado caminhar longe do centro da cidade ou quando 
      anoitecer, isso era a dica da própria guia.
      Essa é um das 5 pracas principais da cidades, no fundo o Edificio Da Vinci, que tem 22 andares.
      E a Plaza Independencia que é a maior e a principal da cidade. Tive o azar porque quase toda a cidade estava em reformas, tudo fechado.
      E o porque eu mostrei um prédio de 22 andares aquela hora? Não é grande coisa, mas lembre-se que em Mendoza temos terremotos, já que fica na região próxima das placas tectônicas ou o círculo de fogo do Pacífico. Não é para espantar, mas fiquem cientes disso.
      Outra curiosidade em Mendoza, temos a famosa "Siesta" que é o famoso cochilo que o pessoal tem no horário da tarde geralmente vai das 13:30 até as 16:30. A grande maioria das lojas fecham todos os dias, menos Mc Donalds, alguns restaurantes, supermercados e vinícolas. Praticamente as ruas ficam desertas.
      Em relação à casa de câmbio, posso recomendar o Cambio Santiago, que fica na esquina entre as Av. San Martin e a Rua Catamarca. 
      Recomendo lá porque era um estabelecimento seguro e confiável. Evite efetuar o câmbio diretamente com pessoas na rua, você pode até ter uma pequena vantagem na cotação, mas pode ter 
      problemas com dinheiro falso, evite este risco. 

      * Links
      - Walking Tour Vivimza ou Tours for Tips (Existem outros melhores)
      https://vivimza.com/
      - Cambio Santiago em Mendoza
      Av. San Martín 1199, M5500 Mendoza, Argentina
      http://www.cambiosantiago.com.ar/
    • Por hmarinioficial
      Beleza??
      Em Fevereiro/Março vou mochilar pela famosa Ruta 40! Vou chegar de sp em bus até Mendoza e de lá descer pela 40 até a Patagonia! Gostaria de saber se alguem já fez essa viagem e se tem algum povoado ou lugar que não posso deixar de conhecer!(Fora os já famosos!)...vou em uma viagem sem data marcada de volta...mas tenho que levar em consideração os 3 meses de visto que vão me dar...já que por essas cidades não vou ter extrenjeria para pedir mais 90 dias....(tenho como saída cruzar até o Chile e voltar)
      Aguardo opniões e dicas! Valeu!!! E espero que todos viagem muito em suas vidas!!
    • Por Danilo Gabriel
      Uma viagem de 5.470 km de carro para conhecer a Cordilheira dos Andes.
      Mendoza, Ruta 52, Cristo Redentor de Los Andes.
      PARTIDA PARA A GRANDE AVENTURA
       https://www.youtube.com/watch?v=uVHc7Qqjovw&t=24s
       
      “Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir. (Amyr Klink)”
      Dia 23 de dezembro de 2018, um domingo, foi o dia escolhido para o inicio da grande aventura, malas prontas, mapas impressos, veículo revisado, bike fixa no transbike e a ansiedade toma conta de nós. Primeiro dia percorremos quase 900 km, a parte mais longa de toda viagem, com estradas sinuosas, subidas e muito calor.
                  Minha esposa Elizete, preparou os lanches e bebidas para passarmos o dia na estrada, e logo ao clarear do dia partimos de Blumenau rumo a São Borja no Rio Grande do Sul.
                  Optamos em fazer pequenas paradas aproximadamente entre 200 e 250 quilômetros percorridos, para ir ao banheiro, abastecer e fazer nossos lanches.
                  Cada quilômetro percorrido é possível ver a mudança de hábitos e costumes nos locais que vamos passando. Primeiro vem a subida para a região serrana com suas Araucárias exuberantes por toda parte. Quando paramos em Lagoa Vermelha já no Rio Grande do Sul, o sotaque gaúcho fica evidente, e apesar do muito calor, é comum ver os gaúchos com o tradicional chimarrão.
      Encontramos uma linda e sombrosa árvore na cidade de Lagoa Vermelha e nesta sombra paramos para fazer um lanche caprichado. Hora de conferir se a bike continua firme no transbike, ela vai ser essencial para eu conhecer lugares míticos na Argentina.
                  Conforme vamos avançando em território gaúcho, muitas fazendas com plantações de um verde marcante vão surgindo, o vento faz um balançar nessas plantações parecendo pequenas ondas no mar. Muitas borboletas voam tranquilamente desafiando o trânsito, e infelizmente muitas acabam se chocando contra os veículos.
                  A viagem segue tranqüila pela RS 285, pois muitos já estão no litoral nesse dia e o transito é abaixo do esperado. Chegamos fim da tarde em São Borja, local escolhido para nossa parada de pernoite. Hospedamos-nos na Pousada Hotel Imigrantes, bem na entrada da cidade, local singelo, mas tranqüilo e aconchegante.
      São Borja é uma das cidades mais importantes da histórica política brasileira. É onde nasceram os ex-presidentes da República, Getúlio Vargas e João Goulart. Fundado em 1682 pelos padres jesuítas, o município faz fronteira com a cidade de Santo Tomé, na província de Corrientes, Argentina. 
                  Ao cair da tarde o som das cigarras é estridente e o pôr do sol mais parece uma pintura, e majestoso o sol vai saindo dando lugar a uma noite estrelada.
                  Para tirar o cansaço da viagem e esticar um pouco as pernas, pego minha mountain bike e dou uma pequena volta pela simpática cidade. A noite vamos de carro a procura de uma lanchonete, e logo em seguida voltamos ao hotel para descansar, pois o próximo dia promete, vamos entrar na Argentina.
                  Partimos antes das oito horas, mas o céu azul e o sol raiando indica que teremos mais um dia de muito calor. Eu e minha esposa já saímos de casa com resfriado, causando um pouco de mal estar, mas não impedindo de desfrutar o lindo trajeto e descobrir nomes não comuns de algumas cidades que vamos passando, como a cidade de Não-Me-Toque no RS.
                  Saindo de São Borja ficamos na dúvida se atravessamos pela ponte internacional e já adentramos em Santo Tomé na Argentina ou se continuamos em terras brasileiras até Uruguaiana, a distância é a mesma, mas com algumas informações colhidas na internet, decidimos ir por Uruguaiana.
      Os motivos que nos fez decidir por este caminho de 180 km foi os seguintes:
      * Por Uruguaiana não tem pedágio (na ponte Internacional em São Borja ouvimos dizer que o pedágio é de R$50,00)
      *Dizem que a policia no lado Argentino nessa região é tendenciosa a cobrar propina.
      Infelizmente a estrada de São Borja até Uruguaiana está em péssimas condições, muitos buracos e mal conservada, e se não bastasse isso, sobre o rio Ibicuí na divisa da cidade de Itaqui com Uruguaiana existe uma ponte que antigamente era ferroviária (imagina a idade dela) e foi transformada em mão única sua travessia, com controle de sinaleira nas cabeceiras para não dar problema de encontros inesperados. A espera para passar por ela foi pouca, o que nos deixou com medo foi verificar a deterioração desta ponte. Inclusive somente após passar por ela e que fomos pesquisar sobre a mesma, pois ficamos indignados com seu mau estado. Olha que encontrei em nota oficial no site da AMFRO.
      Ponte Ferroviária adaptada à rodovia BR 472, existente sobre o Rio Ibicuí, na divisa dos Municípios de ITAQUI e URUGUAIANA”, por unanimidade, decidiram encaminhar a V. Ex.ª o presente ofício, expondo e vindicando o que segue:
      1 – Dado ao entendimento que é elevado o grau de degradação em que se encontram as partes de alvenaria e algumas peças metálicas que compõem a antiga Ponte, em especial, quanto a resistência dos materiais frente à demanda pelo tráfego de cargas pesadas.
      2 – Temerosas com a deterioração, desgastes e ondulações (hoje observados a olho nu, inclusive por leigos), muitas pessoas entendem que é forte a possibilidade d’a Ponte repentinamente ruir, pela falência estrutural e de materiais.
      Olhando por este lado o pedágio de R$50,00 seria mais indicado...mas é um tanto duvidoso este valor, será que não estão explorando sabendo que por segurança a maioria dos veículos acabam passando pela ponte internacional de São Borja???
      Já sobre a policia corrupta não temos mais informações, fomos parados muitas vezes até chegar em Mendoza, mas próximo a fronteira somente uma vez, e sem exceção sempre fomos abordados com educação pela policia. Na maioria das paradas era solicitado somente documento de identidade e documento do veículo. Em uma parada tive que fazer bafômetro, em outras pediam um dos itens de segurança, alguns ficavam curiosos com a bike em cima do teto, queriam saber por onde andaria, quantas marchas tem a bike, etc...Realmente não tivemos nenhum incomodo com a tal policia corrupta, que por sinal também tem no Brasil.
       
      ENTRANDO EM TERRITÓRIO ARGENTINO
       
                  Após percorrer os caóticos quilômetros até Uruguaiana, finalmente chegamos a Aduana, iríamos cruzar a fronteira, para nós era tudo novidade.
                  Uma fiscal da Receita Federal da Argentina que veio conferir os documentos do veículo me mandou encostar ao lado e solicitou uma declaração da bike que estava levando, lá fui eu atrás da sala da Receita Federal do Brasil, que ficava bem próxima solicitar a tal declaração. Chegando lá expliquei o que me pediram, levei a nota fiscal da minha bike, e a chefe do setor brasileiro disse que não faria, pois a nota não ultrapassava dois mil dólares na conversão da moeda, e abaixo deste valor não é necessário a tal declaração. Entendi como uma picuinha entre eles, mas não queria ser alvo desse desafeto. Pedi educadamente que ela explicasse isso para a fiscal argentina, e ela se levantou e foi mesmo lá explicar, e ficou entendido entre elas que poderia passar sem fazer a declaração, se por acaso a policia me questionasse era para mostrar a nota fiscal, mas em nenhuma situação precisei mostrar a nota fiscal.
      Fizemos a migração, guardamos os comprovantes para mostrar na saída do país, e finalmente percorremos os primeiros quilômetros em terras argentinas.
      A qualidade das estradas mudou rapidamente, melhorando consideravelmente na Argentina. Muitas vias de concreto, autopistas bem sinalizadas, com limites de velocidade bem diferente do Brasil, algumas com limite de 140 km. Começava as infinitas retas, muitos quilômetros de retas, planícies intermináveis, nem de binóculo você conseguiria enxergar algum morro mais distante. Trechos de até 100 km sem ter posto de combustível, por isso é muito importante não deixar baixar de meio tanque.
      O que nos deixou impressionado foi o pouquíssimo movimento de veículos, em certa parte da viagem, em uma pista simples que o acostamento era de gramado, paramos e fizemos algumas fotos e uma rápida filmagem bem no meio da pista, e durante estes minutos nenhum carro passou por nós.
      Muito interessante você num instante está falando com pessoas em português, passa uma fronteira, e muda a língua e costumes em questão de metros percorridos.
      Nosso objetivo nesse segundo dia de viagem era chegar até a pequena cidade de Saturnino M Laspiur, município de Córdoba. Mas antes de chegar lá passamos por alguns lugares interessantes. O Túnel Subfluvial Raúl Uranga, anteriormente conhecido como Túnel Subfluvial Hernandarias, é um túnel rodoviário submerso que liga as províncias de Entre Ríos e Santa Fé na Argentina, cruzando o rio Paraná entre a capital de Entre Ríos, Paraná, foi inaugurado em 1969.
      Em Santa Fé o GPS nos orientou pelo caminho mais curto, e nos levou a cruzar o centro da cidade até chegar na Ruta 158. Observamos muitos pedintes nas sinaleiras, inclusive muitos jovens, alguns mal encarados e duvidosos nas suas atitudes. Sem chances de parar, pelo menos na região que passamos.
      Diferente da região gaucha onde tinha muitas borboletas, começamos a encontrar muitas libélulas, a frente do carro e a bike ficaram com muito desses insetos grudados no fim do dia. Mais próximo do fim da tarde, começamos a observar muitos pássaros em revoada, saindo do meio das infinitas plantações ao lado da rodovia. Também é comum ver uma espécie grande de gavião que fica na beira das estradas.
      No fim da tarde chegamos na cidade de Saturnino, um pequena cidade agrícola, muito simpática e com uma bonita praça central. Ficamos na hospedaje Quique, que encontrei por acaso no Google maps. Eles não possuem site, consegui contato através do Facebook e tem uma boa recomendação, e realmente surpreendeu o aconchego desse lugar, com camas confortáveis e um bom ar condicionado, e claro um bom preço. O Sr. Quique é uma pessoa simples, querido e receptivo, e o mascote dele foi um show a parte, um cachorro que foi nos recepciona no carro com uma pinha na boca, é lógico que queria brincar, a Nadine jogou a pinha mais adiante e o cachorro foi buscar de imediato e voltou e largou a pinha nos pés dela pedindo mais....ele não cansava da brincadeira, mas nós estávamos exaustos.
      Para relaxar as pernas fui dar uma pequena volta de bike pelas ruas da cidade, que em poucos minutos foi possível percorrer toda cidade. Claro que não poderia deixar da fazer uma foto bacana na praça da cidade, ao lado de um antigo canhão de guerra com a bandeira da Argentina ao lado, meus primeiros quilômetros de bike pela Argentina. A Elizete e a Nadine também aproveitaram para caminhar na praça e fazer algumas fotos.
      O Natal mais diferente de nossas vidas, dia 25 de dezembro acordamos revigorados e prontos para pegar a estrada por mais 720 km até Mendoza, mas um pequeno imprevisto logo cedo. Ficamos esperando o Sr. Quique abrir a sala de refeição para o desayuno (café da manhã) e ele preocupado veio nos informar que somente durante dois dias do ano não é servido o café da manhã, sendo dia 25 de dezembro e 01 de janeiro, justo os dias que pernoitamos ali....que coisa!!! Mas isso não nos desanimou, apesar de não termos nada para comer seguimos viagem até encontrar um posto com conveniência. Algo que chamou nossa atenção é os lanches nas conveniências, que tem de vários formatos (quadrados, retangulares, duplos, triplos) mas sempre os mesmos sabores, queso y ramon crudo ou cozido (queijo e presunto cru ou cozido) Simplesmente não encontramos outros tipos de lanches. Outra coisa que presenciamos muito é cachorro por toda parte, comum ter dentro dos postos, da conveniência, no banheiro, nas praças.
      Seguindo nosso caminho, neste dia já na ruta 7 passamos pelo Arco del Desaguadero (Entrada San Luis - Mendoza) também conhecida como Tierra del Sol y del Buen Vino, e nos dias que estivemos em Mendoza pudemos presenciar o sol com todo seu esplendor, e claro que fomos conhecer uma Bodega (vinícola) e tomar o bom vinho.
                    Após tantos quilometros de reta, a emoção foi tomando conta quando começamos a avistar uma silhueta de montanha, a Cordilheira dos Andes. Muitas vinículas foram surgindo pelo caminho, Mendoza estava próximo!   Foi emocionante entrar na cidade, passando pela avenida San Martin, toda arborizada num contraste de construções antigas com outras mais novas, belas e bem cuidadas praças. Chegamos com facilidade no hostel e tratamos de descarregar o carro e fomos as compras no mercado bem em frente ao hostel. Optei por um quarto que tinha sua própria cozinha e banheiro, o hostel Departamentos Avenida San Martim nos agradou bastante.                      Ja a noite quando estávamos nos preparando para dormir, próximo das 22:00 horas começamos a ouvir galhos batendo contra o telhado e barulho de vento, e quando saio do quarto para verificar o que esta acontecendo, levo um susto com o tanto de vento e logo em seguida uma forte chuva desaba, e para deixar mais dramático, muito granizo acompanha a chuva. Nosso carro está estacionado na rua, e fico muito preocupado com o tanto de granizo que cai incessante. Saio catando os tapetes da entrada do hostel para por em cima carro, mas claro que não resolve muita coisa. Em uma cidade em que a quantidade de chuvas de um ano é pouco mais do que a de um mês no Rio Grande do Sul, Mendoza vive praticamente da água que vem do degelo da Cordilheira dos Andes. Por toda cidade se veem canais na calçada por onde circula água para hidratar as árvores e jardins, e a chuvarada que presenciamos acaba inundando alguns canais, e tenho que sair debaixo do granizo para muda o carro de lugar. Interessante que apesar do caos causado por tanta chuva, os mendocinos continuam circulando de carro e ônibus normalmente, como se nada estivesse acontecendo.           Ao amanhecer levanto e curioso saio para dar uma volta de bike ao redor, e o  que vejo é as estradas cobertas de folhas, que de certa forma protegeram um pouco o carro. O céu se pronuncia num azul de brigadeiro. Em toda a zona central da cidade existem árvores gigantes fechando as ruas por cima e criando um ambiente muito agradável de sombra, numa terra em que o calor é considerável. Refrescam o verão e, ao perderem suas folhas no inverno, deixam o fraco sol de inverno entrar pelas ruas largas, aquecendo os ânimos. Os mendocinos curtem a vida, um bom lugar para comprovar isso é a rua Sarmiento tomada por um mar de guarda-sóis coloridos e mesinhas nas calçadas, onde eles gostam de se reunir, seja para saborear uma empanada assada em forno a lenha com uma taça de vinho, ou para um almoço completo, ou ainda para tomar algo, como dizem por lá.                       No dia 26 decidimos não andar de carro, ficamos o dia todo caminhando pela cidade, assim conhecendo com mais detalhes esta linda cidade. Deliciamos-nos com muitos sorvetes, que são excelentes!!! Depois de experimentar muitos sabores, elegemos o de limon granizado como o mais interessante. Almoçamos na rua Peatonal Sarmiento, que tem muitas opções de restaurante. No transito de Mendoza encontramos alguns veículos bem antigos, alguns citroen 3CV, o pequeno motor bicilíndrico refrigerado a ar de 602 cm3 e pouco mais de 30 cv, também encontramos alguns Fiat 600 (igual o carro usado nos filmes do Mr.Bean)  inclusive fiz uma foto ao lado de um, me senti um gigante perto do carro. Mendoza tem regras próprias, como a siesta e o horário do jantar, bem tarde, Em Mendoza existe a tradicional "siesta” que é das 13h00 às 17h00 onde todo o comércio da cidade se encontra fechando, retornando às suas atividades após as 17h00. Nesse horário a cidade parece abandonada, pode-se atravessar as ruas de olho fechado, ninguém circula durante a siesta. Achei bem tranqüilo pedalar por Mendoza, mesmo com trânsito, se mostrou mais seguro que na minha cidade de Blumenau.                Também fizemos boa parte do cambio do Real para o Peso Argentino em Mendoza, bem próximo a Peatonal Sarmiento.             O trecho de três quadras que liga a Plaza Independência à Avenida San Martín é um dos mais belos passeios de Mendoza. Ao longo de três quadras, com circulação apenas para pedestres, você poderá caminhar em meio ao verde das grandes árvores, sentar-se em gazebos aconchegantes ou simplesmente ver a vida mendocina passar. A rua é repleta de bares e restaurantes, com mesas ao ar livre, para todos os gostos. Lá o movimento vai do início da manhã ao final da noite. É difícil escolher onde sentar-se. Com sorte, você poderá ver um bom show de rua, sempre com boa música, que acontecem por lá, e nós paramos para apreciar uma linda apresentação de um violinista, que encantou nossa filha Nadine, que estuda música e toca violino.
                  Voltamos ao hostel para fazer nossa janta, tomar a popular cerveja Quilmes e o delicioso refrigerante Pritty limón. Hora de dormir e aguardar o próximo dia, dia de explorar a cordilheira dos Andes.
       
      RUTA 52 – CORDILHEIRA DOS ANDES
      A Ruta Provincial 52 é uma continuação da Av. General San Martín, uma longa avenida que atravessa a cidade de Mendoza. Ao sair da área urbana a paisagem se torna desértica, com vegetação típica de climas áridos, e a estrada possui uma reta imensa, com cerca de 15 km de extensão. As únicas construções existentes neste longo trecho sem curvas são uma fábrica de cimento e a unidade engarrafadora da água mineral Villavicencio, uma das águas mais conhecidas na Argentina, cuja fonte se encontra na Reserva Natural que originou o seu nome.
      No meio do caminho há uma espécie de portal com pedras pintadas de branco, que são ruínas do Monumento Histórico de Canota, construído em 1935 em homenagem ao General San Martín, pois foi neste local que ele, em 1817, tomou a decisão de separar em duas partes seu exército de 5 mil homens para cruzar os Andes rumo ao território chileno. Pouco depois deste monumento termina a grande reta e a estrada, que se torna mais estreita e com um pavimento um pouco mais precário, começa seu caminho sinuoso rumo às montanhas da pré-Cordilheira. Este caminho, que antigamente era a única ligação entre Mendoza e Santiago, é popularmente conhecido como estrada das 365 curvas ou Camino de Las 365 Curvas.
       A Cordilheira dos Andes é uma vasta cadeia montanhosa, formada por um sistema contínuo de montanhas ao longo da costa ocidental da América do Sul. A Cordilheira dos Andes protege o continente Sul americano de todas as correntes marítimas, por isso influencia tanto em nosso clima. Seu relevo é abrupto, planalto e, na maior parte coberto de gelo. Há vulcões em atividades, é a maior cadeia de montanhas do mundo (em comprimento), e em seus trechos mais largos chega a 160 km do extremo leste ao oeste. Sua altitude média gira em torno de 4000 m e seu https://www.youtube.com/watch?v=uVHc7Qqjovw&t=24s ponto culminante é o monte Aconcágua, com 6 962 m de altitude. A cordilheira dos Andes se estende desde a Venezuela até a Patagônia, atravessando todo o continente sul-americano.                A expectativa era grande por esse dia, um dos principais pontos turísticos que estava em nosso roteiro. Saímos cedo para percorrer aproximadamente 40 km de carro até reserva natural Villavicencio, ponto onde eu continuei de bike até Uspallata, pedalando mais 57 km com 1.880 metros de elevação, e alcançando a altitude máxima de 3.000 metros, subindo ininterruptamente 25 km, a subida mais longa que já fiz na minha vida. Só para ter uma idéia, a serra do Rio do Rastro tem aproximados 16 km de subida.           A medida que ganhava altitude, a vegetação ia diminuindo, a cada curva um suspiro de admiração, uma paisagem ímpar e maravilhosa, aos poucos a imponente Cordilheira dos Andes se mostrava mais.                Elizete e a Nadine estavam encantadas com a beleza do lugar, e assim fomos avançando montanha acima, elas indo de carro e acompanhado minha saga de subir essa longa montanha de bike. Boa parte do trajeto é seguro e fácil de passar de carro, somente tem que ficar atento a alguma pedra que pode rolar montanha abaixo. Paramos várias vezes para contemplar a paisagem, muitas fotos para ficar registrado. Como diz o popular ditado, uma fotografia pode valer por mil palavras, assim pode-se definir as fotos desse lugar mágico.         Mais ou menos na metade da subida surge um imprevisto, avisto de longe o carro parado e elas olhando para o pneu, uma pedra causa um rasgo no pneu traseiro. Mas isso não é motivo para reclamar ou desanimar, tivemos que tirar toda bagagem do porta molas para poder trocar com o pneu de reserva, mas fizemos a tarefa nos divertindo e rindo da situação, sabendo que seria um causo para contar posteriormente. Feito a troca seguimos viagem, e logo a frente avistamos os primeiro Guanacos. “O guanaco, assim como a lhama, é um mamífero ruminante da América do Sul. Ao contrário das outras espécies de camelídeos, este animal tem pelagem mais curta, podendo passar quatro dias sem água. Vive em grandes alturas, próximas aos 4 000 metros.”                A medida que nos aproximamos dos 3.000 de altitude, á paisagem muda rapidamente, parecendo mais uma região de deserto, praticamente nenhuma espécie de vegetais. Paramos mais uma vez num local com uma vista espetacular da cadeia de montanhas, e ali fizemos um agradecimento a Deus por poder estar nesse lugar, ficamos escutando o som da montanha com o vento batendo, e a impressão que temos é que estamos mais próximos de Deus. A Nadine aproveita o momento para tocar seu ukulele e juntos cantamos a música Ousado Amor.   “ ...Traz luz para as sombras, escala montanhas pra me encontrar, derruba muralhas destrói as mentiras pra me encontrar...”
                 
                  O cume da ruta 52 está a 3.000 de altitude, e nesse ponto apesar de estarmos em pleno verão a temperatura já é bem baixa e com a presença de um vento muito gelado. Ao redor a magnífica imagem de montanhas congeladas. Bem no topo tem um monumento denominado Cruz Del Paramillos, onde fizemos algumas fotos e iniciamos a longa decida até Uspallata. As meninas sentem com a altitude, a Nadine chega a pegar no sono sem perceber, e a Elizete também tem momentos de sonolência e um pouco de dor de cabeça.
      Nesse ponto a bike atinge facilmente 60 km e avança muito mais rápido que os carros, e diferente da subida que tinha 365 curvas a descida tem longas retas e curvas leves, o freio é usado somente para aliviar a velocidade e esperar que as meninas não fiquem muito distante, pois fico preocupado com o sintoma delas.
      Chegando na pitoresca e simpática cidade de Uspallata, vamos almoçar no restaurante El Rancho, comida deliciosa mas bem mais caro do que vínhamos pagando. A preocupação era arrumar o pneu do carro que furou no caminho, e por coincidência tinha uma borracharia bem ao lado do restaurante. Desse ponto em diante a bike volta para o transbike (mas deu uma vontade enorme de continuar de bike, quem sabe numa próxima...) e seguimos rumo a Las Cuevas, última cidade antes da fronteira com Chile.
      O caminho até Las Cuevas segue pela ruta 7 e com 84 km a serem percorridos, saindo de 1800 metros até alcançar 3200 de altitude. A paisagem é de tirar o fôlego, é impossível não nos sentirmos pequenos frente a tamanha magnitude da Cordilheira dos Andes. Impressionante a mudança de cores que se seguem em cada montanha, tons de verde, outros cinza, marrom claro e muitas outras tonalidades. O trajeto em si não é de extremo perigo, o trânsito é tranqüilo nessa época, mas exige muita atenção. Há alguns trechos em que um deslizamento de terra ou pedra perece iminente. No inverno por causa das nevascas é obrigatório ter correntes para passar nessa região. Atravessamos alguns túneis estreitos, e enfrentamos bastante vento, teve momentos que fiquei preocupado se o rack do teto iria suportar, ficava dando uns estalos fortes. Passamos por alguns cicloturistas com seus alforjes carregados, numa velocidade baixíssima, lutando contra o vento e as longas subidas. Para alguns isso pode parecer loucura, mas a sensação de liberdade e de conquista parece como estampado em suas faces, uma odisséia de respeito.
      Chegamos quase fim da tarde em Las Cuevas, o céu com um intenso azul, sombra em quase toda cidade que é encravada entre os Cerros Tolosa (5.432 m) e Navarro (4.547 m), o sol batendo nos picos das montanhas, muito gelo por toda parte, uma paisagem surreal.
       
      CRISTO REDENTOR DE LOS ANDES
       
                  A poucos quilômetros da fronteira com a República do Chile, Las Cuevas é uma alternativa diferente, em uma paisagem imponente. Lugar ideal para ambientação de quem vai escalar o Aconcagua. Las Cuevas é um pitoresco povoado de alta montanha. Entre seus atrativos se destacam suas casas de estilo nórdico e escandinavo, feitas com troncos e pedras. Uma de suas construções mais características é um edifício com um grande portal que era caminho obrigatório para o Chile.
      Nós escolhemos ficar no hostel Portezuelo Del Viento, onde o Juan Pablo nos atendeu muitíssimo bem. Foi o local que mais gostamos de ter ficado hospedado, o atendimento nota dez, ambiente rústico mas acolhedor, fica de frente para a entrada do caminho ao Cristo Redentor de Los Andes. Assim que chegamos e descarregamos as malas, Pablo nos alertou que a temperatura cairia rapidamente ao anoitecer, e após tudo arrumado no quarto resolvemos ir para fora tirar umas fotos, e realmente já estava muito frio, um vento cortante que gelou o corpo rapidamente. O hostel é muito bem equipado com aquecedores, deixando super agradável o ambiente, sem falar as histórias que Pablo contava com muita empolgação, relatando algumas aventuras de escalada ao Aconcágua, no qual ficamos sabendo que ele é um conhecido e renomado guia de escalada.
      Arrependi-me de não ter ficado mais um dia nesse local e explorar um pouco as trilhas ao redor, mas mesmo assim conseguimos visitar o que tinha planejado. De manhã após o café subimos de carro ao Cristo Redentor de Los Andes. Este trajeto é fechado durante o inverno, pois acumula muito gelo, e tivemos sorte que a estrada estava transitável a veículos pequenos. È uma subida de 9 km bem íngreme, que precisa bastante atenção na direção. Nosso carro 1.0 sofreu um pouco, nessa altura é comum a perca de potência, mas isso não impediu que nosso valente chegasse aos 4.000 de altitude. Chegar ao topo dessa montanha foi surreal, foi o ponto mais alto que atingimos. Inacreditável poder chegar até a placa que limita a Argentina com o Chile. Durante a subida passamos por vários pontos com gelo, e quase chegando ao topo passamos por um corredor de quase 2 metros de gelo.
                  “O Cristo Redentor dos Andes é um monumento na Cordilheira Principal dos Andes, a 3.832 metros acima do nível médio do mar, na fronteira entre a Argentina e o Chile. Foi revelado em 13 de março de 1904 como uma celebração da resolução pacífica da disputa de fronteira entre os dois países.”
                  Junto ao monumento tem um alojamento militar de adestramento operacional brigada de montanha. Mesmo sendo pleno verão o frio é intenso nesse lugar, o vento chega a ser perturbador. Eu vi que era possível subir um pouco mais a pé, uma pequena trilha leva a um ponto mais alto, eu não resisti e encarei essa trilha pedregosa, e nesse momento foi possível sentir um pouco o ar mais rarefeito. O visual é estonteante, é possível visualizar uma parte do antigo caminho que levava ao Chile.
      Voltamos boquiabertos com tanta beleza natural, as montanhas me fascina. Chegando ao hostel a Elizete e a Nadine já sentiam os efeitos da montanha, com enjôo, tonturas e dor de cabeça. Eu então comecei a me arrumar para subir a segunda vez ao Cristo, desta vez de bike. Minha esposa me questionou se tinha certeza que faria isso, e sem hesitar um segundo respondi que não perderia esse momento por nada. Um motociclista que tinha pernoitado no hostel veio verificar minha bike, me questionou sobre minha relação de 36 dentes, duvidando que conseguisse subir a montanha sem parar. Isso de certa forma me instigou a tentar subir os 9 km sem parada, e claro que consegui, pena que ao voltar ele já tinha partido kkkk. Foi difícil no começo, pois não consegui me aquecer, e minha ansiedade era grande, mas assim que subi o primeiro quilometro fui ajustando o ritmo e curtindo o visual, passando a centímetros do peral e superando a difícil subida. Foi uma sensação indescritível chegar ao topo pedalando, uma turista americana veio me parabenizar e quis saber o tempo que levei para subir, mostrei no celular a marca de 1:16 hora. Claro que subindo esquentou bastante o corpo, mas em poucos minutos o corpo esfriou, bateu uma rajada de vento que tive que me segurar para não cair. Resolvi descer logo para não travar a musculatura, e pelo incrível que pareça a descida foi um pouco tensa, em certo momento precisei parar devido a força do vento, mas cheguei em segurança ao hostel, com a felicidade estampada na face. Lembrei de um dizer que li em uma garrafa térmica logo cedo...” Hoy vas a conquistar el cielo sin mirar lo alto que queda del suelo. (De la canción "Ella", de la cantante española Bebe)
                  Terminamos de arrumar a bagagem e começamos a volta para Mendoza, agora eu também me sentia um pouco tonto, parecia que não tinha controle da altura da minha própria voz. Nossa intenção era parar em alguns pontos turísticos entre Las Cuevas e Uspallata, mas as meninas estavam bem enjoadas e sem ânimo para mais paradas. Fizemos somente uma parada, na entrada do parque provincial Aconcágua, a imponente montanha com 6.961 metros de altitude, o ponto mais alto da América. Por ser a montanha mais alta da América desafia todos os anos montanhistas de todo mundo a escalá-la
                  Mais uma vez ficamos admirados com a beleza das cores da montanha, e a medida que vamos descendo o calor vai aumentando e o enjôo vai diminuindo. Fizemos uma parada no dique Potrerillos, que é uma barragem localizada no Rio Mendoza, com um grande lago verde-turquesa. A barragem foi construída entre 1999 e 2003 por um consórcio formado pelas Industrias Metalúrgicas Pescarmona e Cartellone para fornecer controle de inundações, hidroeletricidade e água de irrigação.
       
      ULTIMAS VISITAS E VOLTA PARA CASA
       
                  De volta a Mendoza ficamos hospedados no hostel Restó del Teatro, um antigo casarão muito bem localizado para quem quer ficar próximo ao centro, e ao lado da Plaza Indepencia. O quarto deixou a desejar, já sabíamos que não teria ar condicionado (eu pensava que não faria falta) mas devido ao grande calor que fez nesses dias o ar condicionado fez muita falta, e o ventilador de teto funcionava precariamente, parecia que a qualquer momento cairia. Mas isso não nos desanimou, até porque o café da manhã servido foi o melhor de toda viagem. Aproveitamos para conhecer um pouco mais a cidade, e claro experimentar mais sorvetes. Uma sorveteria muito boa que conhecemos foi a da Famiglia Perin, com grande variedade e sabores deliciosos.
      Como é conhecido Mendoza, a terra do sol e do bom vinho, não poderíamos deixar de conhecer uma Bodega (vinícola), e a escolhida está localizada em Luján de Cuyo, a bodega Renacer. A visitação é possível somente com hora marcada, isso fizemos ainda no Brasil. Optamos por uma visita acompanhado de almoço, algo comum na maioria das bodegas. Uma refeição diferenciada com o chef Sebastián, com pratos deliciosos, montados de uma forma criativa, e claro servido com um bom vinho. Escolhemos no menu o prato de 03 passos com destaque para tiradito de novillo a la piedra e ao ojo de bife, foi de lamber os beiços. Muitos vinhos malbec argentinos são premiados internacionalmente, e realmente fica difícil escolher o melhor.
      Tivemos mais um dia livre em Mendoza, e nesse dia aproveitei para fazer mais um pedal. Pesquisando descobri um local muito freqüentado por esportistas, o Cerro Arco. Para chegar nesse local passei pela charmosa Avenida Del Libertador, adentrando por portões enormes ao parque General San Martin.
      “O Parque General San Martín é o mais antigo parque de Mendoza, fica próximo à Cordilheira dos Andes e é um dos maiores parques da Argentina. Foram plantadas árvores e plantas numa área de aproximadamente 307 hectares e o que era um deserto se tornou um enorme oásis, um verdadeiro jardim botânico. Feitos com ferro fundido, os portões do parque foram comprados em Paris em 1908. Um condor e um escudo de Mendoza tornam a estrutura ainda mais imponente. É um ótimo passeio para caminhadas e para apreciar o jardim que, por sinal, é muito bem cuidado. Os destaques do espaço são as praças, os lugares para piqueniques e churrascos, a bela Fonte dos Continentes, um Monumento ao Exército dos Andes em homenagem ao General San Martin, bem no topo do Cerro da Glória. Pela pista que circunda o grande lago artificial do lugar transitam ciclistas, corredores, patinadores e skatistas. Vários eventos gratuitos são realizados no parque, incluindo concertos públicos de orquestra, apresentações de bandas e grupos de danças folclóricas.Dentro do parque estão localizados, além do zoológico, o Museu de Ciências Naturais e Antropológicas, o anfiteatro do Teatro Grego Frank Romero Day, onde acontece a Festa da Vendímia, o Estádio Provincial Malvinas Argentina, a Universidade Nacional de Cuyo e até um clube de golfe!”
                  Na parte alta da cidade tem vários condomínios luxuosos e logo a frente já era possível avistar o imponente Cerro Arco. Foi uma subida muito sinuosa e com muitas pedras soltas em 4,5 km. Fiquei espantado com a quantidade de pessoas treinando ou simplesmente praticando uma caminhada. Algo que nunca vi no Brasil, e olha que já tive o privilégio de subir várias serras e morros conhecidos em Santa Catarina. Pelo incrível que pareça, esse dia amanheceu gelado, isso que no dia anterior fez 38 graus. Acredito que a mudança de direção do vento trouxe o ar gelado da cordilheira dos Andes, mudando radicalmente a temperatura, mas o céu continuava azul sem nuvens.
                  Voltando ao hostel com aquela sensação de ter conhecido mais um lugar espetacular, fui logo convocando as meninas para irmos ao parque General San Martin de carro. O parque é muito grande, e passamos um bom tempo nele. O Cerro da la Glória é visita indispensável, com um incrível monumento, uma merecida homenagem ao exército. A história de Mendoza vibra e se faz presente neste morro e em seu monumento.
                  Ficamos muito satisfeito com o que conhecemos em Mendoza, procuramos sempre que possível conversar com as pessoas e aprender mais sobre a cultura deles. A conversa se deu desde com atendentes das lojas, dos hostels, outros turistas e até morador de rua. Claro que é visível a insatisfação da população com a política argentina, uma nação em crise econômica e política. Espero um dia voltar a Argentina e conhecer mais lugares, pois a Argentina tem um potencial turístico enorme, principalmente para quem gosta de aventura e paisagens singulares.
                  Dia 31 de dezembro iniciamos a volta para casa, 03 dias de viagem. Optamos em voltar pelo mesmo caminho, inclusive paramos na mesma hospedagem do Sr.Quique em Saturnino Laspiur para passar a virada do ano. Algo muito diferente, uma cidade com aproximadamente 2496 habitantes a festa é bem singela comparando com nossas festas de virada. Ao anoitecer os moradores foram montando suas mesas e cadeiras na frente de suas casas em plena ruta 158 esperando para festejar o novo ano. Tentamos ficar acordados para participar com eles da virada, mas o cansaço nos dominou e cabamos dormindo. Graças a Deus todo nosso retorno foi sem percalços, mesmo pegando uma tempestade no segundo dia de viagem, causando um pouco de tensão.
                  Ao passarmos na alfândega para fazer a migração, encontramos o pátio alagado de tanta chuva que caiu minutos antes. Assim que passamos para o lado brasileiro bateu uma certa nostalgia por tudo que vivemos na Argentina, um sentimento de satisfação por ter decidido realizar essa viagem. Tudo começou com um sonho, parecia distante, difícil de conquistar, mas com perseverança, economia, e muita vontade de experimentar algo novo, conquistamos nosso sonho.
       
       
      Lindolf Bell: Menor que meu sonho não posso ser
      LIVRO PRONTO mochileiros.docx





    • Por GuilhermeMN
      FALA GALERA!
      ESTOU INDO AO EQUADOR NO FINAL DE SETEMBRO 2019 COM RETORNO EM OUTUBRO 2019.
      ESTOU INDO SOZINHO.  TENHO A INTENÇÃO DE SUBIR O MÁXIMO POSSÍVEL DE MONTANHAS E VULCÕES.
      GASTANDO O MÍNIMO !!
       
       


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