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De Kombi de Belo Horizonte para Machu Picchu # SQN! - 6ºparte - A FUGA!!! 

Boa Noite, Galera!!

Inicialmente gostaria de pedir desculpas por não ter terminado ainda de contar sobre a viagem. (e ainda mais desculpas por não me justificar).

De toda forma...

Bem! após já ter toda a documentação para legalizar nossa situação, fomos direto a imigração para realizar os procedimentos necessários. Tivemos que pagar uma multa, que salvo engano, ficou em torno de R$ 150,00, por ter entrado ilegal. (JUSTO)!!:D

Assim, que nossa situação pessoal foi resolvida, foi a vez de solucionar nosso maior problema, que era a KOMBROZA!!!

Como já foi dito em um post's anterior, para resolver a situação da kombi, seria necessário ir até o aeroporto de Viro-Viro, que ficava a uns 30 kms de Santa Cruz. 

E como só o proprietário do veículo poderia resolver a situação, o matchola e o bigode foram selecionados para essa missão. 

No aeroporto de Viro-viro...

Matchola e bigode, foram seguir as orientações passadas pela advogada do consulado.  Porém não estavam conseguindo informação com nenhum funcionário do aeroporto, sobre o documento que deveria ser feito para regularizar a situação da kombi. Após um tempo já andando pelo aeroporto, naquele esquema "não é aqui, mas tenta em tal setor, ou com tal pessoa" eles conseguiram conversar com um funcionário que sabia, ou pelo menos, tinha noção sobre o documento necessário. MAAASSSS!!!! como nossa sorte havia tirado férias!! No exato momento em que o o funcionário se lembrou de que documento se tratava, nossos guerreiros (Matchola e Bigode) foram surpreendidos por um policial boliviano, que os abordou questionando se haviam ingressado na "bosta da Bolívia" sem fazer o registro de entrada do veículo, e não deu tempo para respostas, foi logo intimidando, perguntado sobre onde estava o veículo, de quem era, e dizendo que não poderiam fazer aquilo. 

Acometidos pelo medo de serem presos, ou de serem coagidos a levar o policial até o veículo, nossa dupla, deu qualquer desculpa esfarrapada para sair de la, e assim nos contactou (Eu, Pavão, Ruru e Lombroso) que estávamos em  Santa Cruz, para ir até o consulado e conversar com a advogada, pois no aeroporto não deu para resolver nada. 

Já no consulado em Santa Cruz...

Eu tentei conversar com o Vice-cônsul, solicitando ao mesmo que fizesse contato com a advogada para saber que providência poderíamos tomar. Mas no momento em que abordei o sujeito, ele estava sendo acompanhado por um outro cidadão, que por obra do destino, seria o chefe da nossa advogada, este tomou a frente e informou que a advogada teria se equivocado, afirmando que não existe qualquer forma de regularizar a situação de um veículo ilegal no país!! Que bosta né!!!

Depois de receber esta bela notícia, o advogado que salvo engano se chamava Dr. Oto, me informou que iria conversar com o Vice-cônsul sobre oque poderia ser feito e depois iria nos informar. Então tanto o vice, quanto o advogado foram até um sala e ficaram um tempo conversando. 

Neste intervalo, nossa dupla (Bigode e Matchola) chegaram ao consulado, e nos relataram que havia sido tenso, que o policial tinha sido muito ríspido, e tudo mais. 

Após alguns minutos esperando, nós estavam pensando em tudo quanto é merda que poderia acontecer, tanto com a gente e com a kombi, até que começamos a pensar em oque iriamos fazer, entre as hipóteses tínhamos;

a) seguir a viagem pagando propina

b) seguir sem a kombi

c) fugir da Bolívia pelo mesmo caminho em que entramos.

Bem !!!! antes mesmo que isso fosse deliberado, o advogado saiu da sala e conversou com minha humilde pessoa, afirmou que não havia meios legais de solucionar o problema da kombi, mas que ele poderia nos ajudar. vejam vocês, que pessoa incrível e de bom coração. 

Este individuo que prestava, talvez ainda preste, serviço para o consulado, informou que poderia conversar com um amigo policial, e este ultimo poderia nos arrumar uma placa da Bolívia, e iria conosco até a fronteira com o Brasil, e após nos deixar do lado brasileiro,  seria para nós voltarmos a fronteira como se nunca tivéssemos estado la, e desta vez fazendo o procedimento necessário e correto. Ah!! claro que isso não seria só um favor, pois teríamos que pagar em torno de uns 600,00 dólares pelo serviço, talvez até mais.!!!  :-x>:(

SERIO MESMO!!! PLACA FALSA, KOMBI ILEGAL, POLICIAL CORRUPTO!!! Neeeeeemm!!!

Então disse ao "Dr. Oto" que iria conversar com meus camaradas, e depois de decidir iriamos entrar em contato, com o número que ele nos deu. 

Após o nosso "grande amigo advogado boliviano" virar as costas e sair do consulado,  informei aos meus coleguinhas sobre a bela oferta, e de forma quase que automática, ou programada, todos nós olhamos uns para os outros, e dissemos; VAMOS FUGIR DESSA MERDA!!!:D

É aquele velho ditado " ta no inferno, abraça o capeta"!

Mas como estávamos com fome e tínhamos que comer bem, porque, como poderia ocorrer um prisão ou coisa pior, seria mais do que justo ter uma "ultima" refeição decente em liberdade. :D:D

Assim, fomos até um shopping a uns 300 a 400 metros do consulado, na verdade era para ir até la, e decidir qual burguer king comer,  mas ao adentrar ao shopping, percebemos que não havia o maravilhoso BK, porém tinha um puta restaurante brasileiro com o nome de FAZENDA. Sério mesmo, quando entrei no danado e vi a bandeira do Brasil, quase que saiu um suor pelos olhos, kkkkkk parece coisa de filme, mas quando esta nessas situações, qualquer coisa já é motivo para se sentir em casa. Depois que entramos ainda tivemos o conhecimento de que havia alguns brasileiros trabalhando por la, e estes foram incrivelmente gentis, ao melhor estilo Brasil. 

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Momentos de descontração depois de comer um belo churras e bolar nossa saída clandestina da Bolívia!!! 20170720_152504.mp4

(sobre o vídeo -  foi só uma brincadeira, pois em qualquer lado que fomos, tivemos que pagar propina, que apelidamos de "binte, binte, binte")

Depois de encher o bucho, estava na hora de colocar nossa plano em prática, inicialmente seria necessário pegar a kombi que estava em um estacionamento próximo ao consulado e pegar nossas bagagens que estavam em um hostel/hotel próximo a algum lugar, que não tenho ideia de um ponto de referência.  

Para que tudo desse certo, nos dividimos dois para pegar a kombi e o resto pegava as malas, os cara que ficaram com a kombi teriam que abastecer com os galões de gasosa que tínhamos guardado, por isso kombinamos de encontra no estacionamento mesmo. 

Após pegar tudo, abastecer a kombroza e arrumar para sair, ficamos um tempo tentando obter um pouco do sinal do WI-FI do consulado para deixar no esquema os mapas no google e no Waze, grandes amigos de nossa saga. 

Quando estávamos para sair do estacionamento, avistamos uma galera que parecia ser da prefeitura ou algum órgão do governo, mano que medo no botão. eles foram andando em direção ao estacionamento olhando para nós, e estavam conversando com o dono do lugar, poderia não ser nada, mas para nós qualquer coisa era muita coisa. Ainda tive que pegar um pedaço de um pau para levantar uma lona que estava no portão, porque o bagageiro da kombi não estava passando, após isso feito, entrei na kombroza e seguimos em direção a fulga.kkkkk

Que tensão da porra, todos nervosos com a situação, cada carro da policia que era visto, já servia de motivo para o coração disparar. Fizemos uma pequena parada em um posto de gasolina para abastecer, só que foi na malandragem, já que para estrangeiros o valor era diferente deixamos a kombroza um pouca afastada do posto e levamos os galões para abastecer, assim pagamos o valor que os bolivianos pagam (barato) não era nem R$ 2,00. Depois entramos na kombi, pé na estrada e aflição no coração. 

 

Você que esta lendo, te indico a fechar seus olhos e usar sua criatividade e pensar se como se fosse com você;

Estava ilegal no país, e a poucas horas do pais de regularizar sua situação, já  estava saindo de forma ilegal, com um veículo que para todos os efeitos estava pertencendo ao governo boliviano, pois conforme  as leis da Bolívia após entrar com um veículo de forma ilegal, o mesmo seria automaticamente do governo, ou seja, você esta roubando e fugindo. 

O clima estava muito pesado, então decidimos colocar umas música,  como meu celular estava plugado na caixa de som (que era chamado de lindenberg) tive que escolher alguma musica, então coloquei "liberdade para dentro da cabeça" do Natiruts, bem poderíamos ser presos kkkkkkkkkk:D.

E serio parece que a kombi foi tomada de emoção e energias positivas, no até o "ar" que estava nos sufocando mudou. 

Mas isso mudou depois de uns 200 a 250 km, pois vimos uma barreira aquela primeira, de quando entramos entramos no país e pagamos 20 bols cada. Porém quando entramos era umas 2 horas da manhã e estava praticamente fazia e não sabíamos do risco que estávamos correndo. 

Agora, seguíamos uma fila de carros em nossa frente, com uma porrada de policial de cada lado e estava com sol ainda, pois era em torno de umas 17:30, fora o fato de ter ciência que havia um risco enorme no que estávamos fazendo e o medo que dominava o corpo de cada um. 

Havia ainda algumas pessoas na estrada, que estavam vendendo um monte de coisa (tipo os vendedores de aguá na BR), então ficamos fingindo que estávamos comprando assim, enquanto "negociávamos" eles encobriam um pouca da kombi, que era muita chamativa. Mas tenho que admitir que demos muita sorte, porque uma caminhonete prata, com placa brasileira, estava na frente, foi parada e depois levada para o canto da estrada. Meu Deus!!! que sorte!! na hora que estava chegando um policial próximo da kombroza. Com a parada da caminhonete no canto da estrada, todos os policiais foram para perto dela, oque liberou o caminho assim, saímos de la sem ser abordados e seguimos nossa viagem rumo a fronteira. Não aguentávamos de emoção, porque em nossa análise, só  tinha aquela barreira antes da fronteira então não teria mais problema (em tese), o mais loco de tudo foi que após passar desta barreira, a primeira música a tocar na playlist foi " liberdade para dentro da cabeça" isso sem ninguém programar ou selecionar, foi incrível.  9_9

Mas ainda faltava muita estrada, tipo uns 350 km, então seguimos aliviados, até que...

Amanhã eu termino a contar sobre a fuga. 

Sério!! amanhã dia 09/01/2018.

 

 

 

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Obrigada por ter voltado a postar aqui, @willian porto !

Você sempre interrompe a narração no momento de maior suspense! ::mmm: Ou é porque todos os momentos dessa viagem foram de puro suspense?

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De Kombi de Belo Horizonte para Machu Picchu # SQN! - 7ºparte - SUFOCO !!! 

Boa Noite, Galera!!!

Continuando nosso relato...

Bem, ainda faltava muito para sair daquele pesadelo, muita estrada a ser percorrida até a fronteira. 

Adentramos a noite com nosso Cap. Matchola no volante, mas após um bom tempo ele cedeu o lugar ao Pavão (era um dos mais assustados durante o período de nossa permanência ilegal, vindo até mesmo a ficar sem falar durante um dia, nos comunicávamos através de sinais. kkkkkkkk ISSO É SÉRIO). 

A troca dos pilotos foi durante uma para que fizemos para abastecer, e acredite se quiser, foi um dos momentos mais incríveis da minha vida! Não porque colocamos uma gasolina boa e barata, ou porque o Pavão só dirigia se estivesse escutando MOLEJÂO, RAÇA NEGRA e outros pagodes dos anos 90!

Mas porque minha principal meta nesta viajem, era ver o céu do Salar de Uyuni, (abaixo uma imagem da internet)

!Salar de uyuni - bolívia

Oque infelizmente não seria mais possível:roll:. Mas de toda forma, do lugar em que estávamos abastecendo no canto da estrada, eu consegui ver o céu de uma forma inacreditável, pois nunca havia visto tantas estrelas, até mesmo posso arriscar dizendo, que dava para ver um pouco da via láctea. Meu Deus!! aquilo foi incrível, como se fosse uma despedida, até porque sair fugindo é uma sentença, pois estaríamos impedidos de voltar na Bolívia para sempre. Mesmo assim, nunca irei me esquecer daquela beleza incrível do céu, fechando os olhos em um lugar escuro, a lembrança fica quase como uma fotografia:-P!!

Todavia, era necessário seguir!!!

Novamente na estrada, lombroso, bigode e ruru (esse ultimo só sabe que saímos de BH e voltamos, pois quase que dormiu a viagem toda), estavam dormindo. Assim,  EU(como co-piloto), Matchola e Pavão (piloto) ficamos acordados a viagem toda, e graças a Deus fui assim!!!

No meio da noite, pegamos uma reta e o Pavão estava andando bem, quando de longe avistamos uma corda atravessada no meio da pista, com um carro parado do lado contrário com o farol acesso,. Puta merda!! já deu aquele medo do cacete!!! quando chegamos mais próximos, deu para ver as bandeiras vermelhas na corda!! SIIMM MAIS UMA BARREIRA DA POLICIA BOLIVIANA!!!! O BUTICO FECHOU DE VEZ!!! Imagina  passar por toda aquela merda e há uns 100 kms da fronteira, ser parado pela policia e ir tudo por aguá abaixo. 

Eu e Pavão que estávamos na frente, começamos a desesperar, Já fui logo mandando ele meter o pé e FODASSS!!!, mas a voz da consciência ( que naquele momento, era reproduzida pela boca do matchola) nos mandou parar, e isso foi oque fizemos!!!

Com o coração na boca e o butico mais fechado que tudo, paramos a kombroza!!! Não  tinha como não pensar em ser presos, perder a kombi, entre outras coisas que poderiam nos acontecer. QUE MEDO DO KARAiiiii::hein:I!!!!! 

Do outro lado da pista (sentido contrário) havia um policial e um carro, porém este carro estava sendo "revistado" pelo policial, que ao notar que tínhamos parado, jogou a luz de sua lanterna para a nossa direção (novamente aquela tensão da porra, paralisando o corpo todo). Até que a corda com as bandeiras vermelhas foi baixada (oque significava que era para seguir).

Nesse momento, Pavão desesperou foi jogar a primeira, mas ela não entrou e como ele pisou no acelerador, teve aquele ronco alto da aceleração com a kombi parada.(QUASE TIVEMOS UM INFARTO COLETIVO:shock:)::mmm: Então matchola e eu gritamos para ele acelerar e sair, e graças a Deus foi oque ele vez, neste momento lombroso e bigode acordaram assustados perguntando sobre oque tinha acontecido (oque era normal), mas o inacreditável!! foi que o Ruru continuou dormindo, como um bebe recém nascido!! Não tem base nesse cara!!!

Mas como susto pouco é bobagem!!! depois de uns 50 kms daquele barreira, eu e pavão avistamos uma fila de carros parados, no sentido contrário e um sujeito uniformizado parado com uma placa/bandeira no meio da estrada!!! PORÉM!!! não havia " corda com bandeiras vermelhas" oque para nós foi um sinal " quase de Deus" dizendo "mete o pé e some" kkkkkkkk. E fizemos isso, o sujeito de uniforme virou para nossa direção e nos sinalizou com a placa/bandeira, mas passamos direto, como uma fecha que corta o papel no ar.(oque cara deve está lá até hoje, sem saber o que passou por lá). 

Seguimos nossa viagem, até que avistamos a fronteira a uns 100 metros de distância, ali já era em torno de umas 2 horas da manhã e todos estavam acordados. 

Após aquela olhada estratégica para ter certeza que não tinha ninguém (policia, fiscais e outros), demos o OK para que Pavão fosse rumo da saída. 

MALUCO, esse cara tava com vontade de sair daquele lugar mesmo!!! o cidadão acelerou a Kombroza de um jeito, que nem ela sabia que corria tanto, e com toda aquela ansiedade e velocidade, o cara nem viu um quebra-molas (GIGANTESCO) que tinha bem na saída, se eu falar que a kombi pegou voo, acredite não estaria mentindo!!! Quando tocamos o solo novamente kkkkkk,  já era BRASIL!!!!!! JESUS que emoção, nunca ficamos tão feliz de ver um posto da receita federal kkkkkk. 

Após xingar todos os palavrões existentes (como uma forma de exaltação de alegria), fomos parados!!!! :shock: 

Mas desa vez por um fiscal da receita  federal brasileira, que nos mandou descer. Ele fez algumas perguntas básicas, e olhou para a kombi com todas aquelas coisas, comida, roupa, panelas, fogão, bujão de gás e o caralho a quatro, nos mandou tirarmos tudo que estava la dentro. Em qualquer outro momento iramos reclamar muito disso, mas aquela hora era tanta alegria que dava para descarregar um trem !!!

Entretanto,  Brasil é Brasil!!

O cara da receita, era um senhor de idade (uns 50 e poucos anos), então jogou a luz de sua lanterna dentro da kombi e nos disse para deixar pra lá, pois não iria gastar sua noite toda olhando aquela bagunça kkkkkkkkkk. 

Então seguimos rumo ao centro de Corumbá, pois agora a meta era arrumar um lugar para dormir!!!

Mas as 03:00 da madruga????? dormir aonde????

Por muita sorte e Deus!! achamos um hostel para ficar a noite, na verdade era uma casa e quando chegamos fomos atendidos por umas senhoras de camisolas, que visãokkkkk

Senhoras fantásticas, que foram muito receptivas e carinhosas. fomos tratados como filhos por suas mães. E  imagina receber essa tipo de tratamento após aquele sufoco todo. 

Antes de dormir ficamos pensando em nossa situação, oque iriamos fazer para onde iriamos ir!!

Tínhamos algumas opções, ir para o Peru pelo Acre, desistir da viagem e deixar para depois, ou fazer um outro roteiro!!

Mas isso eu continuo amanhã!!

Só posso pedir que vejam este  vídeo que segue. 

---------->>>>>>> 20170721_170039.mp4 <<<<<<<<-------------

 

Um pouco da vista da Bolívia, pelo lado de Corumbá/MS.

 

20170721_171442.thumb.jpg.9fcf000db03966a0be48f85c81f8531e.jpg20170721_170015.thumb.jpg.32a0dbe34e293266f2ed665f9413e012.jpg20170721_170010.thumb.jpg.56a2b0c99304e7db4462d3ae9a183a10.jpg20170721_165951.thumb.jpg.abe22d230fc91f4a982095f419b1eeab.jpg

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De Kombi de Belo Horizonte para Machu Picchu # SQN! - 8ºparte - NOVO PLANO !!! 

Boa noite, Galera!!

Continuando...

Após já devidamente acomodados no Hostel/Hotel de umas senhoras muito simpáticas, estávamos todos muito cansados.

Porém,  era outra sensação que tomava nossos corpos, a raiva e revolta.(MUITA, MAS MUITA RAIVA::grr::::grr:::evil:), ficamos por muito tempo pensando no que tinha acontecido até ali, cada momento desde que saímos de Belo Horizonte/MG até aquele momento em Corumbá. E quando se esta com os nervos a flor da pele, os momentos bons infelizmente são suprimidos pelos momentos ruins, e estes foram muitos. 

De modo geral a raiva era incumbida aos policiais bolivianos, que se aproveitaram da situação para tirar vantagem, mas também  ficamos putos com o advogado boliviano do consulado e a advogada que não tinha nos atendido, isso no momento em que mais precisamos (aeroporto de Viro-Viro), sobrou até para o governo brasileiro por deixar a sua parte da fronteira livre de qualquer tipo de ajuda, ou funcionários para avisar sobre os riscos. 

Mas também não somos tão idiotas, a ponto de não ter raiva de nós mesmo por não ter olhado sobre os risco de viajar para Bolívia de carro (Até esse momento da viagem ninguém tinha se lembrado, que a primeira coisa que fizemos em nossa primeira reunião, foi averiguar todos os documentos necessários para fazer a viagem, não só documentos mas também equipamentos exigidos de forma especifica de cada país "Bolívia e Peru". Só depois que chegamos em BH/MG é que lembramos de um e-mail onde continha todas as orientações, inclusive um aviso do próprio itamaraty, em que alertava sobre o risco de passar pela fronteira sem realizar o visto de entrada. Também descobrimos que este documento só pode ser exigido 300 km depois da fronteira, ou seja, alguns momentos de tensão durante a fuga foram totalmente desnecessários. De toda forma, havia culpa da policia boliviana, pois no limite destes 300 kms tem uma barreira, que tem como dever informar sobre a necessidade do documento "registro de entrada" e mandar os viajantes voltarem a fronteira, para que o façam, mas isso não ocorreu no nosso caso). 

Depois de um tempo debatendo sobre oque fazer(sem ter resolvido nada) nós fomos dormir, até porque,  foram dias intensos e era mais do que necessário e merecido dormir sem o medo de ter a interpol batendo na porta de madrugada. (risco que de fato existiu)

De manhã, fomos agraciados por um belo café da manhã feito pelas donas do hostel. Como já disse antes, elas foram muito simpáticas e gentis com todos nós. (creio que isso ficou muito marcado, pois não foi em todos os estabelecimentos da Bolívia que houve um tratamento acolhedor, que é muito tipico de brasileiro) Só para que possam ter uma ideia, uma das senhoras, após ver uma toalha molhada ( que salvo engano era do Pavão) pegou a toalha e disse que iria botar para secar, mas na verdade lavou a toalha e o entregou depois, mas já estava seca e com amaciante (tratamento de mãe::love::). 

Por coincidência, a filha de uma das senhoras, estava lá no hostel também. E ela tinha uma fazenda/pousada em algum lugar do Pantanal, devido a nossa situação de incerteza sobre onde ir e oque fazer, recebemos a proposta de ir para a tal da fazenda, mas claro que havia um preço, não me lembro bem, porém era caro devido a dificuldade de chegar ao lugar, que já foi até visitado por uma equipe de reportagem da TV GLOBO (parece que la tinha um tamanduá bandeira, que tinha alguns hábitos de humanos, entre eles tomar banhoo.O). Ela tinha até um vídeo de apresentação do lugar, que era muito bonito, no entanto a grana que nunca foi muito, ia acabar se fizéssemos esse rolé. 

Novamente reunidos no quarto, pensamos em nossas possibilidades que foram; 

a) Tentar chegar no Peru pelo Acre.(Que seria muito doido, mas havia diversos riscos como; indígenas extremistas, estrada horrível e acabar a grana )

b) Voltar para a fronteira com a Bolívia e fingir que nada tinha acontecido e atravessar até o Peru.(Parte dos caras estava com trauma de voltar, tinham medo até da palavra "Bolívia")

C) Acabar com a viagem ali mesmo, e voltar para casa.(só foi levantada mesmo para ser votada, mas ninguém comprou)

D) Achar outro lugar dentro do Brasil para ir. ( não foi fácil devido a diversidade de opções)

No final, após uma longa discussão e a opção A e D serem as duas mais votadas, fomos pela ultima opção. Como forma de tentar reaver parte do prejuízo, tentamos cancelar nossas entradas a MACHU PICCHU,  graças a Deus conseguimos a devolução de uma parte da grana. Agora nossa meta era descobrir para onde ir, alguns queriam ir Chapada dos Veadeiros, Chapada diamantina, entre outras. Mas no final das contas,  decidimos ir para a Chapada dos Veadeiros e depois ir para Chapada Diamantina. 

Como teríamos um longo caminho a percorrer, entramos em contato com um brother de Brasilia/DF perguntando se poderíamos ficar la por uns dias, era caminho para a Chapada dos Veadeiros, então seria uma ótima parada a ser feita. É até irônico em pensar que saímos de BH/MG para conhecer mais do mundo fora do Brasil e acabamos por ir na capital do nosso país. 

Como era uma viagem longa, tipo muito longa  (uns 1.200 kms) de Corumbá/MS até Brasilia/DF resolvemos por pegar a estrada o mais cedo possível, mas acabamos mesmo é saindo de Corumbá umas 17:00 com o bigode no volante. Bem como os outros caras estavam muito felizes por estarem no Brasil, em segurança e LIVRES, eles foram  bebendo quase os 1.200 kms todos, após pegar a BR, a KOMBROZA se tornou umas  boate, nossa caixa de som tinhas umas luzes, e era bem potente, oque deixou a kombi como uma boate ambulante. Acho que os caminhoneiros não deviam entender nada do que estava passando por eles na estrada. 

Abaixo algumas fotos e videos de nosso trajeto de doido;

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VIDEOS -------->>> 20170721_215946.mp4 // 20170721_212154.mp4    //   20170721_202034.mp4  <<<---------

Quando o álcool bateu mesmo na galera, alguns saíram da kombi(após parar no acostamento) e correram no meio da BR pelados e fazendo bunda le le (sem não nenhuma), outros ficaram como bois, dando cabeçadas na kombi sem o menor sentido( se fosse drogas, provavelmente não teríamos voltado vivos) e assim foi nossa viagem a Brasilia, Música, bebida e muita curtição.

Após um bom tempo no volante, bigode me passou aquela incumbência e foi tocando até de manhã quando vi um posto de gasolina já em Goias,  como tava morrendo de fome parei para comer alguma coisa, e logico que os outros caras fizeram o mesmo. Sentei em uma cadeira dentro de uma lanchonete no posto, e aos poucos os caras foram aparecendo, cada um com uma cara pior de ressaca, depois só ficou faltando o Pavão que estava demorando. Quando esse sujeito apareceu na porta do lugar, extremamente revoltado, mancando e com uma mão tampando a boca, com muita indignação em sua fala, ele nós perguntou oque tinha sido feito com ele. Ninguém entendeu nada, pois  não sacaneamos ele, ou qualquer outro do grupo, . Até que ele tirou a mão da boca e disse" MANO!! ALGUÉM QUEBROU O MEU DENTE!!!!" (Vei o cara tava com um dos atacantes pela metade ::lol4::::lol4::)  não tem base nesses caras, e é claro que ficamos rindo igual a uns idiotas por um bom tempo, da para acreditar que o cara bebeu tanto que não sabia como tinha quebrado o próprio dente, como se não fosse o bastante ele ainda arrebentou um dedão do pé. 

Bem após rir muito daquela situação inexplicável que o Pavão se encontrava, pegamos a estrada novamente, eu ainda dirigindo. De modo geral, o trajeto Corumbá até Brasilia foi feito por Eu e o Bigode, os outros estavam muito cansados ou de ressaca, mas foi muito tranquilo, além de cada um pegar uma pedaço do caminho, paramos algumas fezes para descansar e tomar um café, que sempre era oferecido por um caminhoneiro que estava nos postos, comecei a respeitar muito mais essa classe de trabalhadores, pois foram muito amigáveis em todas as vezes que paramos, oferecendo café, informando sobre a estrada e tudo mais. 

 Bem após um longo trajeto e umas boas horas de viajem chegamos na terra de Renato Russo e outros. 

E achávamos que nossa aventura de perrengues tinha acabado!! 

Não sabíamos mesmo do que estava por vir...

Mas isso era para outro dia!!!

Até mais meus caros. 

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por MarisaBrugnara
      Destino: Deserto do Atacama. Vontade: dirigir por várias das estradas mais bonitas e inóspitas da nossa América do Sul.  Além disso, a gente só sabia que ia passar pela fronteira por Dionísio Cerqueira e ir seguindo o caminho mais curto que o GPS nos deu até lá. Não reservamos hostel, muito menos passeios. A pesquisa sobre documentação do carro, itens obrigatórios, clima e alguns destinos foi suficiente. O resto, o destino deu conta: uma rota sem roteiro.

      Antes de atravessar a fronteira, decidimos dormir em Francisco Beltrão que fica a 470 km de Curitiba, só pra descansar. Atravessamos a fronteira entre Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen pra fazer o câmbio de reais para pesos e a Carta Verde já no lado argentino. Só é necessário preencher uma ficha de imigração na aduana informando seus dados pessoais e destino. GUARDE ESSA FICHA! Não cobram nenhuma taxa e não revistam o carro. O câmbio paralelo vale muito mais a pena do que o câmbio das casas de câmbio.
      1 real = 12 pesos – paralelo
      1 real = 8,5 pesos – casas de câmbio
      Carta verde: só existem 2 opções: 15 ou 30 dias. Pagamos (em reais mesmo) 100 reais pra 30 dias. Pedem o documento do carro, do motorista e tiram uma foto do carro.
      Os postos de gasolina ali aceitam reais ou pesos (enchemos o tanque em reais, pois valeu mais a pena).
      As estradas são ótimas na Argentina, e os pedágios quase inexistentes são baratos. Foram 4 ao todo, o mais barato 10 pesos e o mais caro 60 pesos.
      Recomendo parar em Ituzaingó pra dormir e abastecer o porta-malas com macarrão e empanadas, pois os mercados e lanchonetes são bem baratos. Além disso, é uma cidadezinha quente e “praiana” no meio do continente. O Rio Paraná passa por lá dividindo a Argentina e o Paraguai, e é usado como praia, muitos gaúchos preferem ir pra lá no verão ao invés de subir pras praias de Santa Catarina.
      Depois de Ituzaingó a viagem realmente começou. Assim que saímos da RN 12 e entramos na reta infinita da RN 16 a cor da bandeira da Argentina começa a fazer sentido. Um céu de azul imenso onde não se consegue enxergar o fim daquela terra encharcada pelos Chacos, tudo ainda a 200m do nível do mar. Vários povoados, algumas cidades grandes, muitas fazendas e várias opções de postos de combustível, ainda. As estradas são lisas e pouco movimentadas. Tivemos que ultrapassar caminhões pouquíssimas vezes, o cuidado maior é com animais atravessando a pista. Ambulantes vendem morangos gigantes e suculentos na estrada por apenas 80 pesos o kg.

      Decidimos parar para dormir em Monte Quemado, ponto de parada quase obrigatória para os motoqueiros. Tem apenas um hotel na beira da estrada que serve almoço e jantar, mas preferimos cozinhar macarrão com nosso fogareiro portátil. Economizamos muitos pesos com isso. A única parte ruim e esburacada da estrada dura uns 20km na saída de Monte Quemado. A partir daqui, já é possível enxergar a silhueta das montanhas que escondem as tão esperadas curvas.
      Depois da ferradura do mapa, começa o trecho mais surreal da viagem. Entramos na RN 9 – sem dúvidas, a rodovia mais bonita do norte da Argentina - e só o que se vê são montanhas. Por todos os lados. Secas, rochosas, com cactos, nevadas, de pedras, coloridas, rachadas, de todos os tipos possíveis. Alpacas, Vicunhas, Lhamas e Guanacos atravessam a rodovia e uma paisagem totalmente diferente aparece a cada km. Foto nenhuma é capaz de registrar essa imensidão.

      San Salvador de Jujuy é uma cidade enorme e barata. Perto dali ficam Purmamarca, Tilcara e Humahuaca: os passeios turísticos oferecidos por eles. Fique esperto com o horário de funcionamento do comércio: tudo fecha antes das 13 e reabre depois das 17.
      Encha o tanque em San Salvador de Jujuy. Depois dali, não há sinal de celular e o próximo posto fica a 200 km, em Susques. Mas não conte com isso! Um posto que fica a 3896 m de altitude nem sempre tem combustível. Não confie em todos os postos que aparecem no gps. Meu gps mostrou um numa cidade a 20 km de Jujuy. Chegamos lá, e era um posto desativado. Decidimos voltar a Jujuy para encher o tanque e garantir a viagem, foi a melhor decisão que tomamos. Dali pra frente, quase não há civilização.
      Então, conte com o trecho Jujuy > Paso de Jama  = 330 km. Não é necessário levar combustível extra.
      No hostel em Jujuy, fizemos o seguro de carro obrigatório para entrar no Chile: o Soapex. É feito pelo site mesmo, custou 12 dólares para 10 dias. Aqui, foi a primeira vez que reservamos um hostel, queríamos garantir pelo menos a primeira noite no Atacama pra decidir o que fazer nos outros dias. Encontramos 3 mineiros que estavam voltando do Atacama de moto. 1 deles, passou por algum objeto na pista e isso quebrou o cárter da moto, ele estava esperando o guincho pra voltar ao Brasil.

      (Não é preciso ir até Humahuaca pra ver montanhas coloridas, elas estão por toda parte. Essa é a estrada entre San Salvador de Jujuy e Purmamarca)
      Perguntamos a eles quanto tempo levaria nesse trecho Jujuy/ Atacama. Eles disseram que não faziam ideia, pois pararam tanto pra tirar foto de estrada, pedrinha verde, pedrinha amarela, plantinhas, nuvem, salares, curvas... que perderam as contas. E é fato, tambem não fazemos ideia de quanto tempo levamos. A cada km, a cada fim de curva, uma surpresa.  Pra esse trecho, saia cedo e aproveite o dia todo. Tínhamos pensado em parar em Susques pra dormir, mas conversando com eles vimos que não valia a pena, é um vilarejo com pouquíssimos hotéis caros e faz muito, muito frio.
      Depois de 2.000m de altitude, pisar no acelerador não é a mesma coisa. O carro vai perder potência, a luz do motor vai acender, o aviso de neve na pista vai aparecer. Mas quem fizer essa viagem vai entender que andar acima de 60km/h não é necessário – e nem é possível com tantas curvas de 180 graus.

      Lagunas e montanhas de cores inexplicáveis por todo caminho. 
       
      Atenção para a fronteira da Argentina com o Chile, o Paso de Jama: como fica a 4800m de altitude, às vezes fecha por condições meteorológicas. Conferir antes de sair nesse site:
      https://pasosfronterizos.com/paso-jama.php
      Ali em Jama, deixamos o carro estacionado e fomos fazer os trâmites aduaneiros. O frio, o vento e a altitude aceleram o coração e nos dão uma falta de ar repentina. Na aduana, pedem apenas nossas identidades, documento do carro, carteira de motorista do condutor e AQUELA FICHA que preenchemos na fronteira do Brasil com a Argentina. Isso acontece várias vezes em vários guichês diferentes. Carros particulares tem preferência na fila J (escapamos das filas enormes dos ônibus de turistas e do raio-x das malas). GUARDE TODOS OS PAPÉIS QUE A ADUANA TE ENTREGAR, eles serão devolvidos na volta. Depois, tivemos que parar o carro debaixo de uma parte coberta no meio da pista na saída da aduana, tirar tudo de dentro e colocar sobre uma mesa para o guarda abrir e apalpar todas as mochilas/sacolas/sacos de dormir e ver se não estávamos levando nada perecível – o controle deles é muito rígido com frutas e legumes, por isso levamos apenas macarrão, molho e enlatados para passar a fronteira. Se precisar, ali tem um posto de combustível, mas tocamos direto até o Atacama ainda com a gasolina de Jujuy.
      Depois de Jama, há uma declive imenso de uns 2500m de altitude durante 150 km até o Atacama, sempre vigiados pelo imponente vulcão Licancabur. Do lado direito, fica a Bolívia, e por todos os lados, cadeias de montanhas e vulcões. O vento forte dificulta a direção e quase tira o carro do chão quando carros passam do outro lado da pista.

      O ATACAMA
      O destino viajante veio a nosso favor mais uma vez. O hostel que havíamos reservado – Valle del Desierto - ficava retirado do centro da cidade (escolhemos assim pra ter um lugar seguro para deixar o carro, pois no centro é tudo muito apertado e não tem estacionamento) e era cuidado por um casal de brasileiros, o Gabriel e a Carol. Foi o melhor lugar que podíamos ter achado, com direito a churrasco brasileiro, fogueira nas noites mais frias e uma vista do Licancabur, que ficava em tons rosados todos os dias na hora do pôr do sol. Haviam várias kombis viajantes estacionadas e gente do mundo todo, pois era véspera do feriado das festas pátrias – do dia 14 ao dia 19 – e vários intercambistas de Santiago sobem para o deserto.
                 
      Ficamos cerca de 10 dias ali, na primeira semana aproveitamos o sossego, nos últimos 2 dias os banhos que eram ótimos já começaram a ficar frios devido ao feriado (o hostel  e a cidade ficaram lotados!).
      A cidade é bem pequena, e só há comércio voltado para o turismo.
      Há várias vendinhas, quitandas e sorveterias espalhadas pela cidade. Usamos várias, pois cozinhamos bastante no hostel. Nas vendinhas não há bebidas alcoólicas, pois elas só podem ser compradas em Botillerías por motivos de legislação. É seguro tomar água da torneira quando a cidade está vazia, quando está cheia, prefira água engarrafada.
      Como nem só de macarrão vive o viajante, comemos muitas empanadas, que são bem grandes, tem quase em todas as vendinhas e custam sempre cerca de 1500 pesos. Também tomamos muito chá de coca, que é um ótimo digestivo. Nem procure restaurantes, vá direto ao Los Carritos. A comida é MUITO boa e é o melhor custo benefício da cidade. Peça os nomes mais esquisitos e se surpreenda com o que vai vir. Pra quem está com fome: 2500 pesos. Pra quem está com muita fome: 3800 pesos. Tem opções vegetarianas também.
      Os sorvetes, a Chicha Cocida (que é uma bebida alcoólica) e o Mote com Huesilhos têm sabores muito diferentes de qualquer coisa que você já tenha comido. As pêras são mais suculentas, os cactos tem frutos e aquelas árvores com florzinhas amarelas deixam cair ao chão castanhas duras e doces. Guarde esses nomes e se surpreenda com os sabores: ayrampo, chañar, rica rica, algarrobo, pomelo rosado, llucuma.
      Como em setembro é o final do inverno, pegamos vários tipos de clima. O sol é a única certeza. Os narizes sangraram nos dias de 4% de umidade e nuvens apareceram no céu quando uma frente fria se aproximou. Nesses dias, já não era possível colocar shorts e camiseta durante o dia sem um corta-vento e as noites eram salvas pelas segundas peles e o saco de dormir usado sob as cobertas. Importante: leve pelo menos um conjunto de segunda pele, 1 par de meias de inverno e um saco de dormir simples, mesmo que seja no verão. Eles salvaram a minha vida. Durante algumas madrugadas, fizeram temperaturas negativas – mesmo não sendo típico da época do ano – e tive que dormir de segunda pele, dentro do saco de dormir, debaixo das cobertas do hostel! Quando esfriava assim durante a madrugada, dava pra perceber quando saíamos de manhã que os vulcões estavam mais brancos de neve que no dia anterior.
      Ir de carro traz liberdade, economia e a certeza de que é o caminho que faz a viagem valer a pena. Os passeios oferecidos pelas agências são bem caros e engessados. Como não tínhamos horário para sair e chegar, íamos pegando dicas com quem conversávamos pra decidir o próximo destino. San Pedro fica no centro do Atacama, e é impressionante como a paisagem muda ao redor, mesmo num raio de poucos quilômetros.

      (Onde está o Uno?)
      Sal encrustado em rochas que parecem lunares e dunas gigantescas brilhando ao pôr do sol no Valle de la Luna, lugares jamais pisados pelo homem no Valle de Marte, uma vista surreal de montanhas intercaladas por outras montanhas na Piedra del Coyote, uma estrada com vento salgado e quente que termina na Laguna Tebinquinche, onde a vida parece não existir, mas existe. De repente, numa estrada que corta uma laguna seca, duas crateras cheias de água não tão salgada assim formam os Ojos del Salar. A surpresa maior fica com Toconao, a cidade vizinha que abriga o Valle de Jere - desconhecido até mesmo por alguns moradores de San Pedro – um oásis em meio ao nada, que foi habitado por alguns dos povos que deram origem a bandeira Wiphala e deixaram suas marcas nas rochas. Esses são os destinos mais bonitos e de estradas mais alucinantes de até 3000 pesos por pessoa para serem visitados ao redor de San Pedro.
        
      Há quem prefira mergulhar literalmente nas atrações naturais desse lugar. Para esses, existe a laguna Cejar por exemplo, onde é possível boiar em suas águas mais salgadas do que as do mar morto, por um preço que é tão salgado quanto ela (apenas a entrada é 15.000 pesos). Dispensamos também o passeio das Lagunas Altiplânicas - que custaria uns 80.000 pesos sem incluir as entradas – pois no caminho passamos por lagunas por toda parte e em todas as altitudes.
      Ah, o céu: não é preciso andar mais do que 2 metros na rua – ou no quintal do hostel mesmo -para conseguir enxergar todas as constelações, planetas, galáxias, estrelas cadentes. Ele faz valer a pena boca e nariz ressecados da baixa umidade, do sal, do sol e do frio. No hostel, um hóspede tinha um telescópio. Conseguimos ver a Lua e vênus em questão de segundos.
      ___________________________________________________
      Voltar pelo mesmo caminho da ida dá uma perspectiva totalmente diferente de todos os lugares que havíamos passado. Leve tudo que quiser, pois na fronteira por Jama do Chile pra Argentina não fazem revista no carro. Pegamos um clima tão diferente que a estrada parecia outra. Mais vento, mais neve. Tivemos o prazer de ver uma raposa chilena e um tatu atravessando a rua. Só ficamos devendo a Vizcacha, que com certeza passamos por várias, mas não conseguimos enxergar nenhuma.
      Na Argentina, há muita polícia rodoviária. Éramos parados em quase todas as saídas das cidades. Em uma das únicas duas vezes que pediram nossos documentos, demos carona a um policial – é bem normal pedirem carona nas estradas argentinas. Procuramos evitar por segurança, mas como era um policial, e íamos tocar direto até perto da fronteira, aceitamos.  Na outra que fomos parados, estava acontecendo um protesto de caminhoneiros: o policial pediu pra verificar os 2 triângulos e o extintor. Não é mito, levem!
      Há muitos relatos de polícia corrupta na Argentina, mas é mais ao sul da RN 14 onde o país se aproxima com o Uruguai. Antes de ir, havia conversado com um amigo Argentino e evitamos a fronteira por Uruguaiana exatamente por causa disso. Como queríamos entrar mais ao sul do Brasil do que na ida, passamos por São Borja. Eles pedem apenas os documentos, não revistam o carro, e cobram uma taxa de 450 pesos ou 57 reais por pessoa.

      IR DE AVIÃO NÃO TERIA A MENOR GRAÇA. VÁ DE CARRO!
       
      Resumo de infos mais importantes:
      Dinheiro na Argentina
      - Trocar reais por pesos na fronteira com a Argentina vale bem mais a pena do que no Brasil;
      - Não troque dinheiro em Jujuy, a cotação é péssima;
      Dinheiro no Chile
      - Em San Pedro de Atacama a cotação de reais para chilenos é ótima (para setembro desse ano: 1 real = 150 pesos chilenos, sendo que em Santiago estavam pagando 1 real = 158 pesos chilenos);
      - Não tem como indicar uma casa de câmbio, tem uma rua só pra elas e todo dia os valores mudam. O jeito é sair perguntando de uma em uma e negociar;
      - Deixar para trocar reais para pesos argentinos (para gastar na volta) no Atacama não é uma boa opção, a cotação é bem ruim;
      Carro
      - Evite estacionar o carro perto das esquinas das ruas. Escapamos de um acidente que teria dado PT no carro por pouco. Como o hostel não tinha estacionamento, deixamos o carro parado na rua ao lado na vaga perto da esquina. Um motorista argentino foi fazer a curva e perdeu o controle, passou raspando por nós e bateu no carro estacionado do outro lado da rua, que ficou com o eixo dianteiro totalmente quebrado e teve que ser guinchado.
      - Os itens obrigatórios são: extintor de incêndio e 2 triângulos. Cambão rígido, mortalha e etc é MITO.
      - A gasolina tanto na Argentina quanto no Chile custa praticamente o mesmo que pagamos no Brasil, as vezes até um pouco mais caro. Mas como é bem mais pura que a daqui rende MUITO mais. Na Argentina, usamos sempre a Super e no Chile, sempre a 93. Essas são as mais baratas.
      Documentos
      - Identidade com menos de 10 anos de expedição ou passaporte, ou um ou outro, tanto faz
      - Se o carro estiver no nome do motorista, apenas o documento do carro.
      - Fizemos a PID (permissão internacional para dirigir), mas em nenhum momento foi solicitada
      - Carta Verde: seguro obrigatório para o carro na Argentina. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      - Soapex: seguro obrigatório para o carro no Chile. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      Água
      - É tirada de poços. Tomamos direto da torneira sem problemas, só recomendamos comprar engarrafada se a cidade estiver cheia – muita gente polui a água -. Custa cerca de 1800 pesos o garrafão de 6l.
       

      Carro: Fiat Uno 1.0 2016/2017
      Km rodados: 5.500
      270 litros de gasolina: R$1.300,00
      Autonomia: 20km/l
      Pneus Furados: 0
      Troca de óleo feita antes da viagem
      Gps usado: Sygic
      Pouso mais caro/barato: 600 pesos por pessoa (Argentina) / 250 pesos por pessoa (Argentina)
      Gasolina mais cara/barata: 862 pesos (Chile) / 38 pesos (Argentina)
      Frase mais dita: “Olha essa estrada!”
      Gasto: aproximadamente R$2200,00 por pessoa. Levamos apenas reais em dinheiro vivo. Usamos cartão de crédito Nubank apenas para reservar hostel e fazer o Soapex.
      Duração: 20 dias

    • Por xexelo
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por Flavius Neves Jr.
      Boa tarde, pessoal!
      Segue adiante o meu relato de uma viagem de carro para o Deserto do Atacama, que durou 17 dias. Na minha programação, contei com muita ajuda aqui do pessoal do Mochileiros.com. Sendo assim, agora é hora de retribuir! Se você está planejando uma viagem parecida, ou se a mesma já está marcada, e quer contar com algum tipo de ajuda, pergunte por aqui.
      Um abração!!!
    • Por xexelo
      Após a minha última aventura quando fui sozinho para a Carretera Austral no Chile eu fiquei sem viajar nas minhas férias seguinte. Sou professor e sempre tenho férias em dezembro/janeiro. Fiquei os 45 dias de férias triste e desanimado.
       
      Eu vendi a minha Ranger pois ela estava com um problema que poderia estragar o motor. Em seguida eu comprei a minha Toyota Hilux SW4 4Runner 2.7 a gasolina em outubro. Fiz a revisão inicial, troquei os pneus e isso tudo deu uns 5 mil.
      Não poderia viajar sozinho naquelas férias. Tentei de todo modo buscar companheiros para a viagem, porém não consegui.
       
      Ainda bem que não consegui... Um mês depois das férias o motor da Toy queimou a junta do cabeçote como que por mágica. Em nenhum momento ele ferveu ou esquentou a ponto de acontecer isso. Arrumei o problema e lá se foram mais $$$$$.
       
      Em julho coloquei um anúncio no grupo de professores do Parana do facebook procurando companheiros para a viagem. Inicialmente várias pessoas se interessaram, mas uma apenas fechou que iria. Depois essa professora, a Beatriz Goes, conseguiu mais um amigo professor para ir junto, o Edmar Lucas, ambos de Ponta Grossa - PR.
       
      A coisa complicou pq em outubro a Toy deu problema de novo. Queimou a junta do cabeçote outra vez. Dai eu ga$$$tei muito mais que da primeira vez para ver se não acontecia novamente. Aproveitei e fiz a embreagem, mandei revisar e limpar o radiador etc. Até o final do ano eu praticamente zerei tudo o que pudesse dar problemas na Toyota.
       
      Em outubro coloquei um anuncio aqui no Mochileiros para achar mais um companheiro de viagem. Em novembro apareceu o santista Adriano Lizieiro e fechamos o grupo. E para melhorar mais ainda, O Glauber e a Érica com sua Chevrolet S-10 a gasolina se juntaram a nós para formarmos um grupo de duas viaturas na viagem. Muito mais seguro. Isso me ajudou muito quando tive um problema na Toy.
       
      Saímos no dia 28/12/2015. Segue o relato.


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