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Porto de Galinhas/PE - PROTEÇÃO AMBIENTAL OU GARANTIA DE EMPREGO DOS JANGADEIROS


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@Reynaldo Vannucci Neto , olá!

Obrigada por externizar e compartilhar tão rica vivência e, sobretudo, pela oportunidade de discutirmos o assunto.

Gostaria de compartilhar algumas reflexões acerca do proposto no título. Não compreendi se o que diz é uma afirmação ou um questionamento, no entanto, para ambos os casos, gostaria de lembrar que esta crença é um dos pilares dos impasses que dizem respeito às unidades de conservação. Digo crença pois o fato é que as condições não são mutuamente excludentes. Perpetuar este pensamento é um desserviço à educação ambiental. Com isso quero dizer que para "proteger o meio ambiente" não se faz necessário o desemprego dos jangadeiros, e vice e versa, como proposto no título. Em verdade lhe digo que as unidades de conservação com maior êxito quanto ao discutido tratam justamente do oposto: a inclusão. Elas protegem o meio ambiente E garantem o emprego dos que nela habitam (vide o Museu do Homem Americano na Serra da Capivara-PI com a maestria de Niéde, por exemplo). Dessa forma, te convido a olhar para a questão dos jangadeiros que citou de um ângulo minimamente empático no qual ambas questões intrinsecamente se complementam ao invés de mutuamente se excluírem. 

Por gentileza me corrija se tiver compreendido errado, mas pelo o que entendi de sua fala o único problema no caso dos jangadeiros é a falta de fiscalização pois o número de visitação diária por água não é respeitado e não possui controle, ao contrário da visita por terra com fiscalização e limite diário respeitados, é isso? Se for, qual a possível solução (a baixo custo ou nulo) que sugere para que o limite de acesso dos jangadeiros também seja respeitado?

Não conheço o turismo que descreveu, no entanto posso afirmar que o impacto ambiental em áreas de recife à pé é MUITO maior do que quando realizado por água, e esse é um dos motivos pelo qual em Bonito-MS só é permitido boiar, por exemplo.

Também é importante lembrar que não só o turismo afeta a proteção direta dos recifes pois ao consumirmos elementos marinhos, seja gastronômica ou ornamentalmente, já contribuímos -e muito- para os danos e desequilíbrios desse sensível bioma.

Lembro ainda que o SNUC (sistema nacional de unidades de conservação) e o PNGC (plano nacional de gerenciamento costeiro) remontam a menos de três décadas, o que significa que muitas unidades de conservação ainda permanecem em fase embrionária. Para o desenvolvimento da gerência das Unidades de Conservação o feedback de seus visitantes tem um peso considerável. É assim que programas como o "Conduta Consciente em ambientes recifais" do MMA em parceria com o IBAMA tem encontrado maneiras de permear em meio ao patológico descaso político ambiental.

Te convido a reportar a observada falha na conduta administrativa pelo limite de visitações marinhas não respeitado junto ao IBAMA pois sinto que sua vivência pode sim contribuir. Você encontra informações nesse link http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2014/08/saiba-como-denunciar-crimes-e-agressoes-ao-meio-ambiente

Escolho restringir a discussão somente à questão ambiental levantada no título pois os demais problemas não se relacionam com ele ou tão pouco são exclusivos da região citada. Acredito que devemos ser a manifestação em pensamentos, palavras e ações do que gostaríamos de receber no mundo, sempre fazendo a parte que nos cabe ainda que o outro não faça a dele, afinal ninguém pode dar o que não tem. 

Agradeço novamente por ter externizado seus sentimentos e pela oportunidade de discutirmos o assunto.

 

"A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos senão o que somos." - Fernando Pessoa

 

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Outro ponto interessante que o relato traz como possibilidade de discussão é a transferência de responsabilização. Tendemos primeiramente a responsabilizar o outro ao invés de assumirmos a nossa parcela de responsabilidade. No caso, reparamos na falta de consciência do outro mas não enxergamos nossa própria falta de consciência. Dizemos que os jangadeiros deviam ter mais consciência de que estão infringindo a lei e causando com isso danos ambientais mas não reconhecemos que nós, enquanto turistas, somos aqueles que financiam o dano, conscientes ou inconscientes disso. Insistimos em acreditar que o problema está no serviço que o outro oferece e que o outro deveria mudar e nos recusamos a enxergar que ele só oferece porque nós estamos comprando. Ingenuamente insistimos na ideia de que o poder reside nas mãos de quem vende quando em verdade ele reside plenamente nas mãos de quem compra! Dessa forma, questiono quem possui reais condições de exercer a consciência. Capitalismo, sociedade de consumo e lei da oferta e da procura são essencialmente uma coisa só. Reclamamos do "sistema" sem enxergamos que ele só existe em nós e através de nós em nossas escolhas, sejam elas conscientes ou não. Logo, cabe a nós escolhermos ao que daremos passagem. 

A gente não pode mudar o outro, a gente só pode mudar a gente.

Senão é como reclamar do desmatamento da Amazônia comendo churrasco. Ou gritar pedindo silêncio. Ou insistir que os refrigerantes deveriam mudar suas composições para serem mais saudáveis enquanto tomamos uma lata de coca. Enxergam a incoerência-nossa-de-todo-dia? Até quando financiaremos o que desaprovamos? E, vou além: por que financiamos o que conscientemente não concordamos?

Esse é o maior desafio da educação ambiental. Ninguém quer matar a estrela-do-mar mas todos querem uma selfie com ela. E, no exemplo, todos querem preservar os corais, mas ninguém quer ser aquele que ficou de fora pelo limite máximo de visitação.

A verdade é que todos queremos salvar o mundo desde que não tenhamos que mudar absolutamente nada em nossas vidas. 

Será que isso realmente é possível? Fica a reflexão.

 

Autorresponsabilidade. Muda que o mundo muda!

:)

 

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Ola Viviana! forte abraço! adorei seu texto, percebo que você é uma preservacionista e que conhece de meio ambiente, mas no meu caso o texto que descrevi não foi sobre meio ambiente e sim de um fato local que envolve uma fictícia proteção ambiental.

O título que apontei foi em tom de ironia, o fato é que há fiscais ambientais pagos pelo Poder Público local para fiscalizar unicamente os turistas que vão aos arrecifes a pé, por jangada não há nenhuma fiscalização.

Não sei dizer se o local é protegido por lei, o fiscal que disse, pesquisei no site da Prefeitura de Ipojuca/PE e não tem nada especifico para o local, apenas uma lei abrangente do tipo código ambiental municipal.

Concordo com tudo o que disse em termos de inclusão dos jangadeiros para a proteção ambiental mas não com relação aos turistas que vão para lá para visitar os arrecifes e são impedidos de fazer o passeio a pé pelos fiscais restando a eles voltar a praia e lá são abordados pelos jangadeiros para realizar o mesmo passeio inclusive pisando nos arrecifes, a jangada é meramente o deslocamento. O turista não buscou descumprir a lei, ele sequer sabe que existe uma, não vi demagogia de comportamento do turista.

O que verifiquei de fato foi aplicação da lei de Gerson brasileira, tratando o turista como trouxa, em que usam uma aparente seriedade na proteção ambiental, com distribuição de pulseiras e fiscalização no trajeto para os que vão a pé, que na verdade objetivo é meramente limitar as pessoas de irem a pé para irem de jangada. Lá o trajeto é curto e na maré baixa pode ser perfeitamente feito a pé e com isso as pessoas não gastam $$ com o trajeto por jangada. Este é o fato local apontado.

Para solucionar? simples. Há limite de visitas pelas jangadas, algo em torno de 1300 turistas dia divididos pelas 80 jangadas cadastradas, então é só obedecer o limite, e serem fiscalizados com o mesmo rigor que os pedestres também são. Quem não conseguir visitar no dia vai no outro dia mais cedo para pegar vaga seja a pé ou de jangada. O que não pode ocorrer é o que vi estar acontecendo, desrespeito total a pessoa do turista.

Meu texto foi sobre visita e turismo e não sobre meio ambiente, quem inseriu o meio ambiente na história foram os fiscais e prefeitura daquela localidade, apenas notei que era tudo de brincadeira na parte deles e fui irônico na minha escrita.

 

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Olá, @Reynaldo Vannucci Neto , saudações!

 

Muito obrigada por responder. Sinto que o espaço por você aberto ao compartilhar conosco sua rica vivência é uma oportunidade de ouro para outros, assim como nós, que visitam o fórum em busca de informações, ainda mais no que tange ao turismo na região citada. O que descreveu como "fictícia proteção ambiental" é a realidade na maior parte do turismo de belezas naturais de nosso país. Dessa forma, sinto que só em expormos e discutirmos esta realidade já estamos contribuindo para que este turismo não permaneça como a atual velada degradação, permitindo que outros turistas possam conhecer um pouco do que muitos ainda não conseguem enxergar. Muito obrigada pela oportunidade.

Você não encontrou informações no âmbito municipal pois geralmente a exploração do bioma marinho pertence à Marinha e, portanto, aos órgãos federais. É possível encontrar a relação das UCs bem como os planos de manejo no site do ICMbio.

Compreendo que ambos concordamos com a importância dos jangadeiros para a autossuficiência local, assim como ambos concordamos que se faz necessário sim a regulamentação desse serviço turístico. No entanto, discordo quando diz que o objetivo das pulseiras é "meramente limitar as pessoas de irem a pé para irem de jangada". O simples fato de ter uma limitação em funcionamento por terra de acesso aos recifes é vital para a proteção desse ecossistema, onde qualquer ideia contrária a essa determinação é um retrocesso à preservação ambiental bem como às políticas públicas de exploração turística, cuja base essencial é a conservação.

Parafraseando o secretário-executivo da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade da região em discussão "o pisoteamento excessivo sobre os recifes de corais e os mergulhos em áreas que deveriam ter maior proteção são alguns dos problemas recorrentes e essa pressão sobre os ambientes marinhos afeta a regeneração da fauna e da flora". Essa fala pode ser lida na íntegra aqui: http://folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2017/03/31/NWS,22898,70,449,NOTICIAS,2190-PERNAMBUCO-TERA-UNIDADE-CONSERVACAO-EXCLUSIVAMENTE-MARINHA.aspx

Essa notícia é de março desse ano e, pelo o que entendi, a APA Recifes Serrambi contempla a região que relatou em sua viagem. Recomendo a leitura.

O grande desafio da educação ambiental é fazer-se compreender que TODOS somos, sem exceção, potenciais degradadores independente de nossas intenções. Assim como é importante lembrar que no que concerne ao turismo de ambientes naturais e sua exploração, a questão não é vetar mas sim ordenar seu uso.

E se tratando das políticas ambientais de nosso país, vale reforçar que o processo é lento. Da criação de uma UC ao seu pleno funcionamento autossuficiente são necessários anos de adaptações. A elaboração do plano de manejo é o responsável por orientar esse caminho determinando os tipos de uso (como proteção integral ou reserva de exploração, por exemplo, ou os tipos de visitação e até mesmo os impactos do uso de protetor solar sobre a vida marinha, no exemplo) e áreas prioritárias de preservação (onde há acesso e deveria não ter dada fragilidade) em um levantamento que envolve os meios acadêmico-científicos, a sociedade civil, iniciativa privada, ONGs e os poderes públicos municipais, estaduais e federais a partir de Conselhos municipais e estaduais (abertos a todos através de chamadas públicas). Dessa forma, compreendo seu ponto de vista ao se sentir injustiçado, mas discordo que o objetivo das pulseiras é "meramente limitar o acesso a pé" pois o objetivo das pulseiras é JUSTAMENTE limitar o acesso a pé, o que é um enorme avanço a nível das políticas ambientais que possuímos. 

É muito importante essa compreensão.

Também não sinto que a solução seja tão simples quanto citou. Impor uma fiscalização vertical, por mais severa que seja, raramente é eficaz. Pense comigo: um trabalhador realiza determinado trabalho e obtém determinada quantia de dinheiro por ele. Do dia para a noite, de maneira vertical, esse trabalho por ele realizado passa a ser limitado e fiscalizado, deixando de obter o dinheiro que antes obtia: nenhum trabalhador aceita isso, independente de qual seja o trabalho! A solução, portanto, não é "apenas" fiscalizar mas sim limitar, fiscalizar e PRINCIPALMENTE oferecer outras maneiras desse trabalhador continuar obtendo o mesmo -ou mais- que obtia antes da limitação. Esse é um princípio básico que qualquer sindicato ou trabalhador conhece: não pode haver dano ou prejuízo à subsistência e as mudanças devem ser minimamente atrativas à todos e, em último caso, com a controversa compensação.

Além disso, infelizmente, inúmeros são os casos em que fiscais ou guardas de UCs são assassinados, justamente por esse tipo de paleativa solução.

As soluções encontradas até este momento são horizontais e envolvem a educação ambiental e especialização profissional dos que dependem exclusivamente das UCs. Muitos passam a trabalhar como guias e até mesmo como fiscais (muito mais aceitos pela noção de pertencimento local), um custo que a própria receita municipal pode sustentar com a captação oriunda do turismo, ao contrário do custo envolvido para manter apenas 1 fiscal do IBAMA cuja captação é federal. Ou seja, a fiscalização per se não é a solução e muito menos simples como citou, mas compreendo a parcela que foi capaz de observar ao sugerí-la, busco apenas adicionar que ela (a fiscalização) implica obrigatoriamente em outros fatores.

Quanto a demagogia que diz não ter enxergado vou tentar exemplificar a fim de iluminá-la. Vamos dizer que eu ame golfinhos e os ache os seres mais lindos desse planeta. Quando digo isso as pessoas geralmente me perguntam se já fui à Riviera Maia ou ao Sea World onde posso ver apresentações ao público desses animais com seus treinadores, tocá-los e tirar fotos com eles. Quando digo que não e que inclusive sou contra este tipo de financiamento turístico as pessoas acham que eu não amo os golfinhos tanto assim, afinal, não os amo ao ponto de pagar para vê-los. Mas meu ponto é justamente esse: os amo tanto que escolho não ser mais uma que alimenta este tipo de exploração estressante para eles (que as vezes inclui maus tratos diretos); os amo tanto que os quero livres, ainda que isso signifique que eu não terei uma foto com eles para mostrar no Facebook. Será que consigo me fazer clara? Este é o ponto que busquei trazer no comentário adicional enquanto ser humano consciente dos impactos de suas escolhas.

Também amo os corais mas sabendo que o limite máximo diário de visitação não é respeitado, não escolheria ser mais uma turista que contribui ao seu impacto, afinal, não é o meu conhecimento que muda o mundo, são minhas ações. Mesmo se for a única que visitou Pernambuco e não os viu, essa é a escolha que a consciência que possuo me permite fazer, independente da consciência -ou falta de consciência- alheia. Independente da consciência do jangadeiro essa é a minha. Esse é um exemplo da óptica que busquei compartilhar.

A gente só pode mudar a gente.

Espero poder ter minimamente contribuído com o seu intuito inicial de mostrar o que geralmente não se vê, Reynaldo, a partir do que compartilhou conosco. Certamente este tipo de discussão acrescenta a todos apenas por existir e, sendo assim, agradeço mais uma vez pela oportunidade.

In Lak'ech Ala K'In

PRABHU AAP JAGO

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