Ir para conteúdo
  • Cadastre-se

Arquivado

Este tópico foi arquivado e está fechado para novas respostas.

Luiz Eduardo Miranda

Pico do Itaguaré - Colocando 29 pessoas no cume

Posts Recomendados

Ola mochileiros!! Como meu primeiro relato, vou escrever sobre uma aventura que fizemos na Sexta Feira Santa (30/03/2018), onde fomos em 29 pessoas para fazer um bate/volta ao Pico do Itaguaré.

 

Desde nossa primeira ida ao Pico dos Marins, em Julho de 2016, tivemos sempre a vontade de subir o Pico do Itaguaré, conhecido como O Gigante Adormecido. Era sempre um convite para nós a vista dele. Sempre ficávamos impressionados com a tamanha beleza que ele proporcionava a partir do Marins.

Sempre foram 3 pessoas que encabeçavam nossas viagens ao Marins, sendo eu (Luiz Eduardo, conhecido por alguns como Miranda ou Du) e os gêmeos Gabriel Isaac e Luiz Eduardo (isso mesmo, o outro gêmeo é meu xará em nome composto). E foi na metade de Março que em uma conversa no corredor da faculdade, tivemos a ideia de fazer nossa primeira ida ao Itaguaré. E como gostamos de chamar nossos amigos para essas aventuras, informamos no nosso grupo de Montanha que estávamos querendo ir no feirado da Sexta Feira Santa. Em dois dias praticamente fechamos uma van, de tão animada que a galera ficou e fizemos até uma lista de espera pelo tanto a mais que tinha animado. Acabou que essa lista de espera virou mais uma van e conseguimos 30 malucos para ir conosco nessa aventura. Sempre soubemos da dificuldade de se levar esse tanto de gente para um lugar de não tão fácil acesso, então fizemos o possível para alertar todos das dificuldades, perigos, e da responsabilidade de se preservar o meio ambiente.

Tudo pronto para a viagem. Eis que na véspera nos deparamos com alguns desistentes, e corremos às pressas para conseguir substitutos. E conseguimos, porém um amigo nosso sofreu um acidente à poucas horas e fomos em 29 pessoas mesmo.

Luiz, Miranda e Isaac

 

Passamos por Conceição dos Ouros, Cachoeira de Minas e Santa Rita do Sapucaí para pegar o pessoal que ia fazer a viagem. Saímos de Santa Rita às 3:00 e seguimos rumo até o acampamento base do Itaguaré. O caminho foi tranquilo até chegarmos na estrada de terra após Marmelópolis. Assim que passamos pela encruzilhada que divide o caminho para o Itaguaré e para o Marins, a estrada começou a judiar das vans. Em especial a segunda van, que para fins de preservação, vamos chamar o motorista de "Tio do Leite". O tio do leite começou a ficar pilhado e estressado, ao ponto de jogar na cara do pessoal que todos achavam que a van dele era um trator. Caminho que segue. Até que chegamos em um ponto onde essa van não conseguiu mais subir e tivemos todos que descer e continuar a trilha a pé. Por sorte, o acampamento base ficava a "apenas 3km" de onde as vans ficaram. Todos andaram até la, e ninguém reclamou. Foi quando vimos que a viagem ia sim valer a pena pra todo mundo. A união começou ali mesmo. Depois de quase meia hora de caminhada, por volta das 6:30 chegamos no acampamento base. Todos fizemos uma especie de "café da manhã" para começarmos a trilha.

A trupe inteira reunida na entrada do acampamento

Começamos a subida da trilha em meio a mata, que tem facilmente mais da metade do caminho até o cume. Todos em fila e caminhando em um ritmo não tão rápido, mas nem devagar, um ritmo bom pela quantidade de pessoas que estavam indo. Passamos pelos três pontos que fica o riacho no começo da trilha, e uns poucos ali já tiveram a "sorte" de enfiarem o pé na água gelada logo no começo, e também no brejo que ficava perto da agua. Quase todos com os tênis/botas batizados, seguimos em frente, todos com a mesma animação. A mata, que somente acaba quando chegamos na Pedra da Tartaruga, da a impressão de que não acaba nunca. Você anda fácil uns 3km dentro dela, passando por trechos onde o caminho ja sofreu bastante erosão, e por degraus feitos pelas raízes das árvores que tem o tamanho quase que da sua perna. A subida é feita se agarrando nas plantas próximas da trilha, que servem como um corrimão natural na subida. A gentileza da galera ficou evidenciada já nessa parte, onde muitos dos rapazes se ofereceram para dividir a carga das mulheres do grupo, e assim, uma mão lavando a outra, seguimos a caminhada.

Subindo os degraus da trilha

Após andarmos por volta de uma hora e meia, o primeiro grupo de pessoas chegou ao fim da mata, onde paramos e esperamos pelo restante do pessoal chegar para que todos pudessem se reunir para a parte final do ataque ao cume do Itaguaré. Dali era já era possível ver a Pedra da Mina e parte da Serra Fina, com uma vista realmente incrível. Foi necessário uns 45 minutos para que todos chegassem, mas como ninguém estava com pressa, e todos tinham que recuperar um pouco do fôlego, foi feita uma pausa para a galera fazer mais um lanche e recarregar as energias.

Descansando na Pedra da Tartaruga

Vista da Pedra da Mina e da Serra Fina

Após o descanso, começamos a caminhada para a parte final da trilha, que é em meio às rochas e já com a típica vegetação de altitude. Foi quando começamos a andar com o Sol em nossas costas, já que na mata estávamos protegidos pelas árvores. Mais uma vez, um grupo pequeno despontou na frente, mas isso foi bom para que o caminho pudesse ser seguido pelas outras pessoas que vinham atrás. Passamos pelo falso cume, onde andamos de fato no meio das rochas e pudemos avistar o cume verdadeiro do Itaguaré e o que nos esperava à nossa frente. Nesse ponto, também era possível ver o Marinzinho e a Pedra Redonda, que ficam no caminho dos que fazem a Travessia Marins x Itaguaré. Detalhe que o Marinzinho parece até ser destacado entre o Itaguaré e uma montanha que me falta o nome, ficando exatamente ao meio deles, uma visão simplesmente de encher os olhos.

Cume verdadeiro do Itaguaré

Marinzinho entre as duas montanhas

Saímos do falso cume, descemos por uma valeta e passamos por uma nascente. A partir daí, começamos a subida para o cume e chegarmos onde todos queriam. Essa foi a parte mais complicada da subida. Em alguns pontos, só era possível passar usando as mãos e os pés. Foram trechos que a galera demorou um pouco mais para passar, já que alguns tinham costume, e vários estavam tendo essa experiência pela primeira vez. Passamos por uma fenda no meio das rochas e depois dela, a ultima parte para se chegar ao cume do Itaguaré. Como a união estava forte, todos tiraram de letra essa parte. 

Chegamos ao cume e também a parte que estava colocando mais medo no povão: o tal do Pulo do Gato.

Não foram todos que tiveram a coragem de passar por ele. Afinal, seu único ponto de apoio é uma pedra num abismo, em que qualquer descuido pode se tornar um acidente. Não diria que somente os corajosos passaram pelo Pulo do Gato. Somente aqueles que estavam confiantes demais em si mesmos e que queriam chegar ao ponto onde fica a caixa com o Livro do Cume. 

Ainda assim, foi um baita orgulho. Mesmo que nem todos tenham chegado onde ficava a Caixa, eles chegaram sim ao Cume do Itaguaré. Muitos superaram suas barreiras, sejam elas físicas ou psicológicas, e merecem o devido mérito por isso. Por essa razão, achei justo levar o Caderno para que eles pudessem assinar seus nomes e deixarem registrado aonde chegaram.

A pedra que da nome ao Pulo do Gato

Galera reunida no cume

Super Gemeos junto a Caixa do Cume

 

Não vou me prolongar detalhando como foi a descida. Só posso dizer que ela foi igual a subida: a galera unida ajudando uns aos outros. E que no final, quando chegamos ao acampamento base, cada um estava satisfeito consigo mesmo. Sabendo que hoje, depois do que fizeram, são mais fortes e confiantes do que eram ontem.

Deixo aqui registrado o nome dessa galera toda, vocês merecem no mínimo esse mérito: os gêmeos (Luiz e Isaac), Jhesley (tirou várias fotos da galera), Fredinho (dessa vez, sem surpresas), Juninho, Heverton, Jessica, Gabi, Mayara, Vitinho, Nádia, Victor, Guiriba, Dani, Jaine, Cibele, Pedro Pancho, Guilherme, Andressa, Clarita, André, Tenório, Rafael Henrique, Rafael Thalles, Rafaela, Amanda, Pedro Lucas e Nathan. Sem esquecer do Jach que só não foi devido ao acidente. Melhoras aí, parceiro!

Registro também, minha imensa gratidão aos gêmeos. Vocês foram os que mais ajudaram a galera pelo trajeto inteiro. Tenho certeza que sem a força de vontade de vocês dois, essa e outras aventuras anteriores não seriam possível. Como diz aquele bordão: Só fortalece!

"Acho que a vida é um processo... É como subir uma montanha. Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente, a paisagem visualizada é melhor.", Luft, Lya.

Compartilhar este post


Link para o post

  • Seja [email protected] ao Mochileiros.com

    Faça parte da maior comunidade de mochileiros e viajantes independentes do Brasil! O cadastro é fácil e rápido! 😉 

×