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Elder Walker

Roadtrip dos contrastes: 8.000km por Argentina e Chile

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Em 08/07/2018 em 13:21, Fernanda Macieira disse:

Oi Elder, tudo bem? Adorei o seu relato, parabéns.

Estou indo para o Atacama no início de agosto e vou ficar 5 dias. Vou sozinha, por isso terei que fazer todos os passeios com agência. Escolhi a Araya também. Meu orçamento ( e o tempo) só me permitem fazer 5 passeios. Queria uma dica sua, desses que eu escolhi, qual você eliminaria, independente do preço, levando em consideração a beleza. 1- Vale da Lua e Vale da Morte; 2- Lagoas Escondidas; 3- Vale do Arco Iris; 4- Geyser el Tatio; 5- Salar de Tara; 6- Lagunas Altiplânicas.

Obrigada!

Oi, Fernanda. Tudo bem sim. E que bom que gostou do relato até aqui...

Eu não fiz o passeio ao vale do arco iris, então não posso falar com muita convicção, mas ele não me pareceu um passeio tão bonito assim (olhando por fotos) e até por isso que acabei não o fazendo. Um pouco também foi por ter visto montanhas coloridas na estrada toda e especialmente em Purmamarca. Também não fiz as Lagoas Escondidas, mas este sim creio ser um dos mais bonitos neste estilo, e só não fiz por erro de planejamento. Enfim, na miiiinha opinião, eu cortaria o vale do arco iris dentre os que você citou.

Ainda no quesito beleza, os Geysers del Tatio não são exatamente bonitos, mas considero uma experiência bem interessante. Além disso, o passeio engloba outros atrativos interessantes, como o Vado del Rio Putana e povoado Machuca. Eu gostei e recomendo bastante.

Como uma dica de última hora, consulte a disponibilidade do passeio para o Salar de Tara para o seu período de viagem. Falo isso pois sigo várias agências no IG e vi alguns posts de que o passeio foi fechado devido a temporada de neve forte neste ano, e continuará fechado por mais alguns dias/semanas.

Boa sorte na escolha, boa viagem, e conte comigo para o que precisar! :)

 

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Sensacional!

Ano que vem quero ir pra lá, fazer um roteiro semelhante, mas com o fiote (que vai estar pra fazer 2 anos). Talvez quebre em trechos menores para fazer em mais dias, já que pelo que vi a sua viagem foi em 11 dias né.

Fotos sensacionais! Qual tua câmera? Não "passou aperto" com ela em nenhum momento (tive uma superzoom que eu sempre ficava receoso pois chamava muita atenção)?

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1 hora atrás, top_dog disse:

Sensacional!

Ano que vem quero ir pra lá, fazer um roteiro semelhante, mas com o fiote (que vai estar pra fazer 2 anos). Talvez quebre em trechos menores para fazer em mais dias, já que pelo que vi a sua viagem foi em 11 dias né.

Fotos sensacionais! Qual tua câmera? Não "passou aperto" com ela em nenhum momento (tive uma superzoom que eu sempre ficava receoso pois chamava muita atenção)?

Muito obrigado por ver e comentar, Rafael!

O relato ainda não está completo. Escrevi até o dia 11, chegando em Santiago, mas ainda dedicamos dois dias pela capital chilena, atravessamos novamente a cordilheira e ficamos mais 3 dias em Mendoza, e depois ainda tivemos mais 2 dias de estrada para retornar ao Brasil. Dê uma olhadinha no roteiro completo no primeiro post e acompanhe os próximos posts onde vou relatar esse restante da viagem! :)

Com relação as fotos, fico feliz pelo elogio! Tenho fotografia como um hobby e na realidade não pude investir todo o tempo que seria merecido nestes locais para fotos melhores, na melhor hora do sol, buscando os melhores ângulos e tudo o mais... afinal, a viagem era mais para curtir e contemplar do que para registrar, mas tentei conciliar as duas coisas. A grande maioria das fotos foram feitas com uma Sony RX100 III, que é uma "compacta premium" com sensor de 1" (maior que o das compactas basiquinhas e superzooms) e lente de grande abertura. Ou seja, é uma câmera pequena o bastante para carregar no bolso, mas com uma qualidade quase no nível das DSLR maiores. Eu até levei minha Canon 5D (que é uma DSLR full-frame), mas praticamente não usei: não por chamar atenção, mas por não ser tão prática nos passeios etc.

Falando mais sobre a RX100, o legal dessa câmera é justamente que ela parece uma compacta comum, então não chama atenção, e é fácil de usar, então não deixava as pessoas receosas quando pedia para desconhecidos tirarem fotos novas. Além disso, ela tem recursos bem interessantes para o viajante, como visor eletrônico embutido tipo pop-up (para usar no sol, quando não consegue ver nada na tela principal), flash articulável (para rebater em paredes, por exemplo, sem jogar direto para as pessoas) e a própria tela principal articulável para selfies ou para usar em ângulos baixos (sem precisar deitar no chão). Outro destaque é que é possível comandá-la pelo smartphone, como se fosse um espelhamento. Eu montava ela em um "gorillapod" (um tripé flexível que pode ser preso praticamente em qualquer lugar) e usava o smartphone para visualizar a cena e disparar à distância. Por fim, ela fotografa em RAW, o que permite um maior "poder" de edição depois. Enfim, parece até que sou patrocinado pela Sony para falar tudo isso, mas foi uma câmera que pesquisei muito antes de comprar e o fiz pensando exclusivamente em viagens, então dou essa dica para os demais interessados. 

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É to procurando uma assim mesmo, show de bola, mas fora do meu orçamento. Tenho um gorillapod também.

Mas parece ser pratica demais.

 

Aguardando o resto dos posts então :)

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Dia 12

Dia inteiro dedicado a conhecer Santiago.

Na realidade não é muito a nossa praia esse negócio de cidade "cosmopolita", mas como já estávamos aqui, fomos bater cartão nos principais pontos turísticos.

De posse de um mapinha fornecido pelo hostel, saímos não muito cedo, após o café da manhã e pegamos o metrô na estação baquedano que ficava a poucos metros do hostel e descemos duas ou três estações depois, na parte do centro histórico. Passamos pela plaza de armas, la moneda, museu pré-colombiano (embora não tenhamos entrado) e mercado municipal. Passamos também pela catedral que, apesar de não ser uma atração muito falada, achei muito bonita, especialmente por dentro.

Aproveitamos a ida ao centro para fazer câmbio na rua Augustas. Almoçamos num shoppingzinho localizado entre estas atrações, apenas um fast-food e continuamos a caminhada. Durante a tarde, subimos o cerro sán cristóbal de funicular e fizemos o roteiro completo com o bondinho. É um lugar bonito, bem cuidado, tem uma vista legal da cidade e foi meio que o que salvou o dia, mas acabamos caminhando bastante e cansamos um bocado. O pessoal que atende nas "estações" do bondinho é muito atencioso e deu dicas do que ver etc. Apenas depois é que fui descobrir que parece ser possível subir com o carro próprio, o que poderia nos ter economizado uma boa caminhada (entre algumas atrações em cima do morro) e a subida de funicular. Mas enfim, valeu a experiência.

43155449814_81573aab40_c.jpgDSC04205 by Elder Walker, no Flickr

OBS: Não sei se demos azar ou se normalmente é assim e as fotos publicitárias que enganam, mas era quase impossível visualizar as montanhas ao fundo como em algumas fotos de cartão postal. Essa espécie de névoa de poluição e/ou poeira era bastante persistente e não saiu nem com uma garoa que tivemos num dos dias.

Voltamos ao hostel, saímos para jantar em Lastarria, uma ruazinha repleta de restaurantes descolados. Novamente, não temos um paladar tão sofisticado e até por isso tivemos dificuldade em escolher um restaurante que tivesse pratos do nosso agrado, mas depois de olhar o menu de quase todos, escolhemos um e jantamos.

Santiago me pareceu legal justamente para quem curte esse tipo de coisa, um lugar com prédios históricos, museus, gastronomia, vida noturna etc... talvez por isso a cidade esteja aborrotada de brasileiros de classe média/alta, com gosto para essas coisas. Aliás, o que não faltam são atrações "pega-turista", desde passeios duvidosos fornecidos por agências até restaurantes que nem sempre são bons apenas por serem caros. Mas sabendo escolher bem e sabendo o que quer, realmente, tem bastante atrativos.

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Dia 13

Dia de conhecer a famosa região de Cajon del Maipo, mais especificamente Embalse el Yeso. 

Falando ainda do turismo em Santiago, acho que a maioria acaba colocando vários dias justamente pelos arredores de Santiago, sendo um dia para Viña del Mar e Valparaíso (que passamos no caminho de ida), um dia para estação de sky (que não estávamos na temporada de neve), um dia para vinícola (que iríamos dedicar 2 dias em Mendoza)... então, para nós, sobrava apenas o centro da cidade que fizemos no dia anterior e essa parte de Cajon.

Acordarmos relativamente cedo, tomamos café no hostel e pegamos a avenida já em frente a ele para seguir no sentido da saída da cidade. Fizemos uma parada num supermercado para comprar água e alguns lanches, sabendo que não teríamos muita estrutura neste dia. Aproveitei para comprar alguns vinhos. Aliás, para quem quiser vinhos baratos e médios, o lugar é esse mesmo: supermercados. Consegue-se bastante coisa honesta por 25~30 reais. Ainda com menos de 50 reais já é possível levar vinhos mais elaborados, que custariam aqui entre 100~150 reais. Um exemplo: Marques de Casa Concha, que é o vinho "top" oferecido no tour da vinícola, que custa por aqui uns 130 reais, lá saiu por 45.

Fomos seguindo e achei curioso como mesmo uma cidade daquele tamanho parece mudar tanto em tão pouco espaço percorrido. Digo, os bairros mais afastados já nem lembram aquela cidade enorme do centro. E mais um pouco adiante, já parecíamos estar no meio do mato, longe de tudo, em total contato com a natureza.

E assim fomos, seguindo pela estradinha que indicava pouco mais de 90km desde o nosso hostel no centro. Mas não se enganem: esses 90km pareciam não chegar nunca. Mesmo com pouco movimento, a viagem não rende muito graças as várias curvas e vilarejos que são cortados pela estrada. Mais adiante, o asfalto acaba e começa uma estrada de chão batido. A paisagem por si já é um atrativo, com vários rios, montanhas para ambos os lados, nascentes, casinhas, flores... 

Conforme nos aproximamos da represa, a inclinação da subida vai aumentando. O tráfego de caminhões e máquinas da mineradora que ali opera também fica intenso. Há um bloqueio num determinado ponto que controla o fluxo. Fomos parados ali e encontramos um casal de Curitiba que estava com um carro alugado bem na nossa frente. Como eles viram minha placa do Brasil, vieram conversar por alguns minutos. Achei legal achar mais alum doido indo por conta pra lá...

Quando chegamos no início da represa, o impacto visual foi imediato. É um local bonito mesmo, a cor da água impressiona. O problema é que neste primeiro ponto haviam muitas vans e turistas (na maioria brasileiros), então optamos por apenas tirar algumas fotos e seguir mais adiante pela estradinha, buscando novos pontos de parada. Era complicado, já que a estrada era bem estreita e em alguns pontos só passava um carro por vez. Mas com um pouco de empenho e coragem, fomos margeando a represa e parando para contemplar e fazer algumas fotos. Fomos até o final da represa. Depois voltamos e paramos num ponto estratégico para o nosso "almoço".

A primeira foto abaixo, apesar de não ter ficado tecnicamente boa nem visualmente tão bonita, graças a luz dura do sol do meio dia, me traz um sentimento difícil de explicar, mas que é de certa forma um orgulho, uma sensação de dever cumprido por ter conseguido chegar a lugares que eu jamais imaginava ser possível alcançar com meus próprios recursos. Toda a viagem e todas as fotos na estrada me trazem isso, em maior ou menor grau, mas não sei porque essa me marcou mais. Talvez pela estrada meio precária e perigosa, talvez por essa transição entre metrópole e paisagem real feita em tão poucos kilômetros... mas o fato é que me marcou.

43155449174_22cc5c83ac_c.jpgDSC04253 by Elder Walker, no Flickr

30003260478_39201a6876_c.jpgDSC04222 by Elder Walker, no Flickr

A região ainda teria vários outros atrativos, incluindo San Jose del Maipo, alguns banhos termais, propriedades que oferecem atividades rurais etc. Cheguei a pegar um mapa detalhado com todas elas ainda no Brasil, mas preferimos ir apenas até a represa e voltar.

No caminho de volta, acabamos pegando uma outra rota que passou por pedágios, alguns deles indicados apenas por cobrança automática (tipo TAG instalado em cada veículo). Fiquei meio apreensivo, mas lembrei de outro relato aqui mesmo do forum que não encontrou o tal TAG para vender e não teve qualquer problema.

Chegamos pouco antes do final da tarde no hostel, descansamos um pouco, saímos jantar e arrumamos nossas coisas para sair no dia seguinte rumo a Argentina, cruzando novamente a cordilheira!

 

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Dia 14

Dia de cruzar novamente a Cordilheira dos Andes e retornar para a Argentina, saindo de Santiago e chegando em Mendoza.

Acordamos relativamente cedo, tomamos café no hostel e carregamos tudo no carro. O trânsito na saída estava bem carregado e fui apenas seguindo as coordenadas do GPS. Fico imaginando como alguém conseguiria sair dali sem esse tipo de auxílio: sou muito bom com mapas impressos, mas aquelas ruas e avenidas de Santiago são caóticas! Mesmo com o GPS eu ficava em dúvida as vezes para pegar uma saída ou não, de tantas bifurcações etc.

Pegamos a Costanera Norte e depois a Autopista Nororiente que é muito bonita e vai cruzando algumas montanhas e túneis, sempre com vista da cidade para um dos lados. Na sequencia, pegamos a rodovia 57 até ela entrar na rodovia 60 que aí já a estrada até o Paso Internacional de Los Libertadores, com bem menos movimento e em pista simples. A vista já começa a ficar muito bonita, com montanhas para todos os lados. Na altura de Rio Blanco, um vilarejo que é cortado pela estrada, temos o último posto COPEC antes da fronteira. Aproveitei para completar o tanque e gastar o restante de pesos que tinha na carteira, deixando uns trocadinhos para o caso de mais algum pedágio ou emergência. Alguins quilômetros adiante, começa a sequência de curvas que virou cartão postal dessa travessia, a famosa "Caracoles". É realmente impressionante como se sobe rapidamente e como são "empilhadas" as curvas, uma em cima da outra. Eu não consegui parar no ponto exato que se tem o melhor ângulo para a parte com a maior sequência de curvas, mas é algo bem legal de se ver pela janela do carro. Passamos mais uns dois túneis e mais uma pequena sequência de curvas no mesmo estilo, como essa visão da foto abaixo.

43155448864_b64bdff61d_c.jpgDSC04257 by Elder Walker, no Flickr

Depois de vencidas todas as curvas, chegamos na parte da aduana chilena. Fiquei meio confuso pois achei que precisaria dar saída do país, mas só são parados aqueles que estão entrando. Há uma bifurcação na estrada com toda a estrutura aduaneira e policial, mas é preciso seguir adiante mesmo, sem parar. Eu acabei parando e perguntando, mas me confirmaram que o processo seria feito apenas na aduana Argentina, uns 20km adiante.

Seguimos então pela rodovia principal, sem pegar a velha estrada para o Cristo Redentor de los Andes, atravessando um enorme túnel que leva o mesmo nome. Ao sair do túnel, já estamos em terras argentinas. Continuamos pela rodovia 7, que vai margeando o Rio Mendoza, passa ao lado do Mirador Aconcagua e enfim chega no controle aduaneiro argentino. Antes da entrada dele, escolhemos um dos restaurantinhos que haviam ali e comemos algumas empanadas. Voltamos para o carro e havia uma certa fila para fazer a imigração, mas o processo foi tranquilo e relativamente rápido. Alguns carros estava com toda a bagagem para fora, sendo fiscalizados mais a fundo. No nosso caso, mal pediram para abrir o porta-malas e já liberaram. Mal havia embalado o carro e já avistamos a famosa Puente del Inca. Paramos para ver mais de perto e tirar algumas fotos, mas não vi nada demais. Na verdade o vento era tão forte que não queria ficar muito tempo ali. Sério, chegava a ficar desequilibrado enquanto caminhava!

Seguimos viagem novamente. Existem alguns hotéis e estações de esqui ali nas redondezas. Continuamos pela RN 7, sempre lindíssima. O visual era mais ou menos como o da foto abaixo, durante boa parte do percurso.

42968656325_48aefddce5_c.jpgDSC04271 by Elder Walker, no Flickr

Fomos assim até Uspallata, uma cidade que aparenta ser muito aconchegante, com belas ruas arborizadas. A RN 7 passa no meio dela e segue em direção a Potrerillos. São várias curvas e belos túneis, alguns esculpidos como se fossem uma espécie de varanda da montanha, com janelas de um dos lados. Dava vontade de fotografar ou filmar a passagem por cada um deles. Mais adiante, é possível avistar a represa Embalse Potrerillos, que lembra um pouco a Embalse el Yeso ao lado de Santiago, graças a formação por água de degelo e sua cor turquesa. 

43155448334_4bc871df07_c.jpgDSC04281 by Elder Walker, no Flickr

Continuamos viagem e logo nos aproximamos da região de Mendoza. Optamos por não nos hospedarmos no centro da cidade. Como estávamos de carro e nosso interesse maior era pelas vinícolas mais afastadas, escolhemos uma pousada na região de Chacras de Coria, ao sul da cidade. Fica bem nos limites de Godoy Cruz, no limite das regiões de Maipu e Lujan de Cuyo. Pareceu ser uma espécie de bairro nobre, com diversos condomínios e casas de luxo, mas com vida própria (escolas, restaurantes, etc). Dá pra percorrer várias vinícolas de bicicleta nessa região, tudo bem próximo. A pousada que escolhemos foi a Lares de Chacras, com poucos quartos, extremamente aconchegante, com um estilo rústico e muito bem decorada, construída quase toda em pedra e madeira e com uma área belíssima de piscina e jardins. Ficamos realmente encantados com o lugar e com o atendimento. Fizemos checkin e logo pedimos sugestões de cafés próximos a pousada. Descarregamos as bagagens e fomos andar no centrinho ao lado da pousada para um café, já no fim da tarde. Voltamos e pedimos ajuda também para tentar reservar algum restaurante em Mendoza para a janta. A atendente foi super solícita e foi ligando em todos de nosso interesse, todos já sem mesas disponíveis, até que conseguimos um para a mesma noite. Tomamos banho e fomos ao Francesco Ristorante, um italiano bem ao lado da praça central, com mesas no interior de um antigo casarão e no jardim, bem bonito, com ótimo atendimento e boa comida. Voltamos para a pousada e fomos dormir, já pensando no dia seguinte que seria pesado para os nossos fígados! hahaha

42272637450_bfa21578f8_c.jpgIMG_20180427_222908_173 by Elder Walker, no Flickr

44081307841_67c7859707_c.jpgIMG_20180427_222822_587 by Elder Walker, no Flickr

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Dia 15

Dia de curtir o que Mendoza tem de melhor: os vinhos! Ou melhor, as vinícolas... porque elas vão além de apenas servir vinhos! 

Como já falei no final do post anterior, quando se pensa em Mendoza, temos que pensar na região como um todo. A cidade é muito bonita, realmente, com suas praças, ruas repletas de árvores e infinitos cafés e bares que se espalham nas calçadas. O ambiente é muito mais de cidade pequena cosmopolita do que de grande cidade, mesmo que ela conte com seus mais de 100mil habitantes e surpreendentes mais de 1milhão contando toda a região metropolitana (só Godoy Cruz tem mais 200mil, por exemplo). E é este o ponto que quero chegar: tirando essa parte dos hotéis, praças, cafés e restaurantes, todo o resto acontece na região um pouco afastada da cidade. Existem vários guias explicando a divisão por áreas, sendo as mais famosas Lujan de Cuyo, Maipu e Vale do Uco, mas dentro delas ainda temos sub-divisões. Não quero aqui ser um guia de turismo sobre estas regiões, nem tentar ajudar a escolher algumas vinícolas dentre as tantas que temos lá, mas é interessante saber que realmente tem muito mais do que se imagina. Foi percorrendo as rodovias rurais e passando 2 dias por lá que consegui ter essa visão mais ampla, especialmente por ter cravado hospedagem fora da cidade de Mendoza, em Chacras de Coria. É impressionante como nem bem saímos da zona residencial e já encontramos vinícolas na beira das ruas e estradinhas. É algo bonito de se ver e muito interessante de presenciar.

Eu já havia escolhido e reservado os passeios que queria nas vinícolas que selecionei, o que é altamente recomendável, especialmente nas mais concorridas e/ou em feriadões ou épocas de férias. Então acordamos neste dia, tomamos um excelente café na pousada e partimos rumo a primeira delas. Aqui mais um parênteses: muita gente diz que é difícil localizar as vinícolas, que não possui sinalização, etc... pode até ser que fosse assim há algum tempo, mas fomos apenas com os mapas offline do Google Maps e achamos de forma surpreendentemente fácil, mesmo andando nas estradinhas rurais em meios as vinícolas, longe das rodovias principais. Aí podem dizer que é perigoso beber e dirigir e concordo, vai depender de quanto pretende beber e, se for o caso, melhor pegar um remis ou alguma agência ou tour guiado. Mas, particularmente, fazendo 2 vinícolas no mesmo dia e dando um tempo depois da última degustação, me senti bem tranquilo em assumir o volante.

A primeira vinícola foi a Belasco de Baquedano. Escolhi essa porque ela possui o maior museu de aromas das Américas, com mais de 50 aromas catalogados, e achei que essa poderia ser uma experiência bacana e que ainda poderia me ajudar a identificar estes mesmos aromas nas provas de vinho. Posso dizer que, realmente, foi uma boa escolha. O caminho da pousada até ela foi bem tranquilo, como disse no parágrafo anterior. Essa bodega fica na região de Agrelo, sul de Lujan de Cuyo. É muito interessante como parecem existir "blocos" com ruas/estradas rurais que vão delimitando cada propriedade, todas com seus vinhedos ocupando o terreno até os extremos do terreno.

44041238451_d98d8ce379_c.jpgDSC04302 by Elder Walker, no Flickr

29104440987_f63ed46783_c.jpgDSC04298 by Elder Walker, no Flickr

Chegando lá, demos sorte: as duas outras reservas para a visita não apareceram e acabamos fazendo um tour "VIP". O funcionário nos recebeu e nos guiou pelas instalações e foi explicando os processos. Gostei bastante da parte onde são armazenadas as barricas de carvalho dos vinhos de primeira linha deles. Na sequência, fomos para a sala de aromas, onde cada "totem" possuía uma espécie de câmara de ar com um cartucho com o aroma e uma válvula manual que você abre e sente o aroma. Na frente de cada totem, há o nome, a descrição do aroma e como este aroma pode aparecer em cada tipo de vinho. Na mesma sala, há também um acervo com amostras de solo e suas diferenças e relações com o plantio das uvas e o mais interessante ainda, um acervo sobre a confecção de rolhas de cortiça, desde o plantio da árvore até os tipos e qualidades de rolhas. Gostei bastante. Saindo da sala de aromas, voltamos ao saguão da vinícola e degustamos dois vinhos, sendo um rosé (mais leve) e o top de linha da bodega, chamado de Swinto. Adorei os dois e comprei uma garrafa de cada para trazer pra casa. 

44041238831_aaf9392968_c.jpgDSC04287 by Elder Walker, no Flickr

Terminada a visita, partimos para a região do Vale do Uco, mais precisamente em Tupungato, onde tínhamos reservas para o almoço na bodega Andeluna. Essa é mais uma vinícola de porte médio, mas que, do que pesquisei, oferecia uma das melhores experiências para se almoçar. Novamente, minhas expectativas foram atendidas e até superadas. A vinícola é incrivelmente linda, com uma bela construção onde é instalada a recepção e o restaurante, rodeada pelos seus vinhedos. Optamos pelo menu mais simples, com "apenas" 3 passos: entrada, principal e sobremesa, cada um com um vinho harmonizando. Havia a opção do menu com 6 passos também. Tudo estava delicioso. O ambiente era rústico, com as mesas ao lado da cozinha estilo aberto, vendo o pessoal preparar tudo bem ao nosso lado, e do outro lado a vista para os vinhedos. Depois de comer até não querer mais, ainda ficamos na varanda curtindo o visual e tirando algumas fotos, esperando o álcool sair da cabeça para voltar para a pousada... haha! 

44041237971_6d54bbbf6c_c.jpgDSC04314 by Elder Walker, no Flickr

Na volta, optei pela estrada principal mesmo, já que o caminho de ida tinha sido feito pelo interiorzinho. Chegamos na pousada e curtimos um pouco suas áreas comuns. Saímos tomar um café num lugarzinho bem bacana, quase ao lado da pousada, chamado "Tea & Company". Reservamos o restaurante da própria pousada para a janta e ficamos por lá. Tentamos não dormir muito tarde para aproveitar o dia seguinte, com mais atividades nas vinícolas...

 

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Dia 16

Último dia da parte boa da viagem, antes de pegar a estrada de volta para casa.

Acordamos relativamente cedo, tomamos o café na pousada, carregamos as malas no carro e fizemos o check-out. Como iríamos passar o dia todo fora, na vinícola, e depois apenas dormir e partir para casa no dia seguinte, optamos por já sair da pousada que custava um pouco caro a diária e pegar um hotel mais simples e mais estratégico, já na rodovia de saída de Mendoza rumo ao leste. 

A escolhida do dia foi a bodega Nieto Senitiner, uma bodega grande, famosa, com uma ampla linha de vinhos, desde alguns mais em conta até outros super elaborados. O caminho até ela foi super rápido e tranquilo, daria para ir pedalando até ela se fôssemos ficar mais dias ali na pousada, já que ela fica a apenas 5km de onde estávamos. Optamos por ela justamente para conhecer uma vinícola mais tradicional, mesclando com as do dia anterior que eram de menor porte ou menor fama no mercado. E também pois ela oferece um leque de opções que vai além da visita + degustação. No caso, reservamos a visita guiada + cavalgada + almoço de 3 passos.

Chegando lá, fomos recebidos de forma bem organizada e gentil e encaminhados para o casarão principal, com um saguão interno e um belo jardim aos pés dos seus vinhedos. No horário marcado, uma guia nos encaminhou num pequeno grupo para uma outra construção e foi explicando sobre os processos de fabricação. Achei interessante que, dado o tamanho da vinícola, existem locais distintos onde são plantadas e processadas as uvas. E no caso do local onde estávamos, eram produzidos apenas os vinhos das linhas superiores da marca, chamados de Don Nicanor e CADUS, feitos com as uvas provenientes das vinhas mais velhas e de menor rendimento, que eram aquelas que nos cercavam ao lado do casarão principal. Após o tour, retornamos ao saguão principal e fizemos a degustação de 3 vinhos, incluindo um da linha Don Nicanor. Logo, pudemos provar de um vinho produzido com as uvas que vieram das vinhas que podíamos enxergar pelas janelas no jardim ao lado. Foi uma experiência bacana.

42272638790_847d659758_c.jpg20180428_124957 by Elder Walker, no Flickr

44081307021_36b85115ca_c.jpgIMG_20180428_140102_196 by Elder Walker, no Flickr

43362692754_b4c183baf3_c.jpgDSC04346-2 by Elder Walker, no Flickr

Terminada essa parte do tour, fomos para a cavalgada. Achei que seria um passeio rápido, mas deu até pra cansar as pernas! Passeamos em meio aos vinhedos da propriedade, sempre na companhia de dois simpáticos cachorros. Depois seguimos por estradas locais em direção a um morro, onde pudemos subir e ter uma bela visão: de um lado, as vinícolas e seus extensos vinhedos, do outro, as montanhas da cordilheira.

30213025918_80143e40c8_c.jpgDSC04339-3 by Elder Walker, no Flickr

Após todo o caminho de volta, e já bem cansados (andar à cavalo cansa mais do que parece! haha), chegamos novamente no casarão principal e logo fomos sentados para o tradicional almoço com o "menu criollo" servido em 3 passos. Da mesma forma que no dia anterior, dá-lhe "Benefig"  para aguentar tanta comida e bebida. Gostei bastante dos vinhos e dos pratos servidos, porém ainda preferi o almoço do dia anterior na Andeluna. Segui minha estratégia de ficar um tempo a mais no local, baixando a comida e processando o álcool para dirigir mais tranquilo, então aproveitamos o jardim para relaxar e fazer mais umas fotos. No final ainda passamos pela loja da vinícola onde comprei algumas garrafas para trazer para casa.

43174806335_10a3e88762_c.jpgDSC04369 by Elder Walker, no Flickr

Como ainda era relativamente cedo, aproveitamos para passar no centro de Mendoza, dar uma volta pelas ruas principais e dar uma parada na praça principal, onde estava tendo uma feirinha de rua e onde pudemos ver o chafariz jorrando vinho (provavelmente água com corante vermelho, mas achei legal! haha).

Já no anoitecer, fomos para a saída da cidade e demos entrada no Ibis Mendoza, que apesar de ser da rede Ibis, era bem mais simples (e barato) que os do Brasil. Jantamos num shopping próximo ao hotel e aproveitei para já abastecer, calibrar os pneus e deixar tudo pronto para partir no dia seguinte.

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por MarisaBrugnara
      Destino: Deserto do Atacama. Vontade: dirigir por várias das estradas mais bonitas e inóspitas da nossa América do Sul.  Além disso, a gente só sabia que ia passar pela fronteira por Dionísio Cerqueira e ir seguindo o caminho mais curto que o GPS nos deu até lá. Não reservamos hostel, muito menos passeios. A pesquisa sobre documentação do carro, itens obrigatórios, clima e alguns destinos foi suficiente. O resto, o destino deu conta: uma rota sem roteiro.

      Antes de atravessar a fronteira, decidimos dormir em Francisco Beltrão que fica a 470 km de Curitiba, só pra descansar. Atravessamos a fronteira entre Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen pra fazer o câmbio de reais para pesos e a Carta Verde já no lado argentino. Só é necessário preencher uma ficha de imigração na aduana informando seus dados pessoais e destino. GUARDE ESSA FICHA! Não cobram nenhuma taxa e não revistam o carro. O câmbio paralelo vale muito mais a pena do que o câmbio das casas de câmbio.
      1 real = 12 pesos – paralelo
      1 real = 8,5 pesos – casas de câmbio
      Carta verde: só existem 2 opções: 15 ou 30 dias. Pagamos (em reais mesmo) 100 reais pra 30 dias. Pedem o documento do carro, do motorista e tiram uma foto do carro.
      Os postos de gasolina ali aceitam reais ou pesos (enchemos o tanque em reais, pois valeu mais a pena).
      As estradas são ótimas na Argentina, e os pedágios quase inexistentes são baratos. Foram 4 ao todo, o mais barato 10 pesos e o mais caro 60 pesos.
      Recomendo parar em Ituzaingó pra dormir e abastecer o porta-malas com macarrão e empanadas, pois os mercados e lanchonetes são bem baratos. Além disso, é uma cidadezinha quente e “praiana” no meio do continente. O Rio Paraná passa por lá dividindo a Argentina e o Paraguai, e é usado como praia, muitos gaúchos preferem ir pra lá no verão ao invés de subir pras praias de Santa Catarina.
      Depois de Ituzaingó a viagem realmente começou. Assim que saímos da RN 12 e entramos na reta infinita da RN 16 a cor da bandeira da Argentina começa a fazer sentido. Um céu de azul imenso onde não se consegue enxergar o fim daquela terra encharcada pelos Chacos, tudo ainda a 200m do nível do mar. Vários povoados, algumas cidades grandes, muitas fazendas e várias opções de postos de combustível, ainda. As estradas são lisas e pouco movimentadas. Tivemos que ultrapassar caminhões pouquíssimas vezes, o cuidado maior é com animais atravessando a pista. Ambulantes vendem morangos gigantes e suculentos na estrada por apenas 80 pesos o kg.

      Decidimos parar para dormir em Monte Quemado, ponto de parada quase obrigatória para os motoqueiros. Tem apenas um hotel na beira da estrada que serve almoço e jantar, mas preferimos cozinhar macarrão com nosso fogareiro portátil. Economizamos muitos pesos com isso. A única parte ruim e esburacada da estrada dura uns 20km na saída de Monte Quemado. A partir daqui, já é possível enxergar a silhueta das montanhas que escondem as tão esperadas curvas.
      Depois da ferradura do mapa, começa o trecho mais surreal da viagem. Entramos na RN 9 – sem dúvidas, a rodovia mais bonita do norte da Argentina - e só o que se vê são montanhas. Por todos os lados. Secas, rochosas, com cactos, nevadas, de pedras, coloridas, rachadas, de todos os tipos possíveis. Alpacas, Vicunhas, Lhamas e Guanacos atravessam a rodovia e uma paisagem totalmente diferente aparece a cada km. Foto nenhuma é capaz de registrar essa imensidão.

      San Salvador de Jujuy é uma cidade enorme e barata. Perto dali ficam Purmamarca, Tilcara e Humahuaca: os passeios turísticos oferecidos por eles. Fique esperto com o horário de funcionamento do comércio: tudo fecha antes das 13 e reabre depois das 17.
      Encha o tanque em San Salvador de Jujuy. Depois dali, não há sinal de celular e o próximo posto fica a 200 km, em Susques. Mas não conte com isso! Um posto que fica a 3896 m de altitude nem sempre tem combustível. Não confie em todos os postos que aparecem no gps. Meu gps mostrou um numa cidade a 20 km de Jujuy. Chegamos lá, e era um posto desativado. Decidimos voltar a Jujuy para encher o tanque e garantir a viagem, foi a melhor decisão que tomamos. Dali pra frente, quase não há civilização.
      Então, conte com o trecho Jujuy > Paso de Jama  = 330 km. Não é necessário levar combustível extra.
      No hostel em Jujuy, fizemos o seguro de carro obrigatório para entrar no Chile: o Soapex. É feito pelo site mesmo, custou 12 dólares para 10 dias. Aqui, foi a primeira vez que reservamos um hostel, queríamos garantir pelo menos a primeira noite no Atacama pra decidir o que fazer nos outros dias. Encontramos 3 mineiros que estavam voltando do Atacama de moto. 1 deles, passou por algum objeto na pista e isso quebrou o cárter da moto, ele estava esperando o guincho pra voltar ao Brasil.

      (Não é preciso ir até Humahuaca pra ver montanhas coloridas, elas estão por toda parte. Essa é a estrada entre San Salvador de Jujuy e Purmamarca)
      Perguntamos a eles quanto tempo levaria nesse trecho Jujuy/ Atacama. Eles disseram que não faziam ideia, pois pararam tanto pra tirar foto de estrada, pedrinha verde, pedrinha amarela, plantinhas, nuvem, salares, curvas... que perderam as contas. E é fato, tambem não fazemos ideia de quanto tempo levamos. A cada km, a cada fim de curva, uma surpresa.  Pra esse trecho, saia cedo e aproveite o dia todo. Tínhamos pensado em parar em Susques pra dormir, mas conversando com eles vimos que não valia a pena, é um vilarejo com pouquíssimos hotéis caros e faz muito, muito frio.
      Depois de 2.000m de altitude, pisar no acelerador não é a mesma coisa. O carro vai perder potência, a luz do motor vai acender, o aviso de neve na pista vai aparecer. Mas quem fizer essa viagem vai entender que andar acima de 60km/h não é necessário – e nem é possível com tantas curvas de 180 graus.

      Lagunas e montanhas de cores inexplicáveis por todo caminho. 
       
      Atenção para a fronteira da Argentina com o Chile, o Paso de Jama: como fica a 4800m de altitude, às vezes fecha por condições meteorológicas. Conferir antes de sair nesse site:
      https://pasosfronterizos.com/paso-jama.php
      Ali em Jama, deixamos o carro estacionado e fomos fazer os trâmites aduaneiros. O frio, o vento e a altitude aceleram o coração e nos dão uma falta de ar repentina. Na aduana, pedem apenas nossas identidades, documento do carro, carteira de motorista do condutor e AQUELA FICHA que preenchemos na fronteira do Brasil com a Argentina. Isso acontece várias vezes em vários guichês diferentes. Carros particulares tem preferência na fila J (escapamos das filas enormes dos ônibus de turistas e do raio-x das malas). GUARDE TODOS OS PAPÉIS QUE A ADUANA TE ENTREGAR, eles serão devolvidos na volta. Depois, tivemos que parar o carro debaixo de uma parte coberta no meio da pista na saída da aduana, tirar tudo de dentro e colocar sobre uma mesa para o guarda abrir e apalpar todas as mochilas/sacolas/sacos de dormir e ver se não estávamos levando nada perecível – o controle deles é muito rígido com frutas e legumes, por isso levamos apenas macarrão, molho e enlatados para passar a fronteira. Se precisar, ali tem um posto de combustível, mas tocamos direto até o Atacama ainda com a gasolina de Jujuy.
      Depois de Jama, há uma declive imenso de uns 2500m de altitude durante 150 km até o Atacama, sempre vigiados pelo imponente vulcão Licancabur. Do lado direito, fica a Bolívia, e por todos os lados, cadeias de montanhas e vulcões. O vento forte dificulta a direção e quase tira o carro do chão quando carros passam do outro lado da pista.

      O ATACAMA
      O destino viajante veio a nosso favor mais uma vez. O hostel que havíamos reservado – Valle del Desierto - ficava retirado do centro da cidade (escolhemos assim pra ter um lugar seguro para deixar o carro, pois no centro é tudo muito apertado e não tem estacionamento) e era cuidado por um casal de brasileiros, o Gabriel e a Carol. Foi o melhor lugar que podíamos ter achado, com direito a churrasco brasileiro, fogueira nas noites mais frias e uma vista do Licancabur, que ficava em tons rosados todos os dias na hora do pôr do sol. Haviam várias kombis viajantes estacionadas e gente do mundo todo, pois era véspera do feriado das festas pátrias – do dia 14 ao dia 19 – e vários intercambistas de Santiago sobem para o deserto.
                 
      Ficamos cerca de 10 dias ali, na primeira semana aproveitamos o sossego, nos últimos 2 dias os banhos que eram ótimos já começaram a ficar frios devido ao feriado (o hostel  e a cidade ficaram lotados!).
      A cidade é bem pequena, e só há comércio voltado para o turismo.
      Há várias vendinhas, quitandas e sorveterias espalhadas pela cidade. Usamos várias, pois cozinhamos bastante no hostel. Nas vendinhas não há bebidas alcoólicas, pois elas só podem ser compradas em Botillerías por motivos de legislação. É seguro tomar água da torneira quando a cidade está vazia, quando está cheia, prefira água engarrafada.
      Como nem só de macarrão vive o viajante, comemos muitas empanadas, que são bem grandes, tem quase em todas as vendinhas e custam sempre cerca de 1500 pesos. Também tomamos muito chá de coca, que é um ótimo digestivo. Nem procure restaurantes, vá direto ao Los Carritos. A comida é MUITO boa e é o melhor custo benefício da cidade. Peça os nomes mais esquisitos e se surpreenda com o que vai vir. Pra quem está com fome: 2500 pesos. Pra quem está com muita fome: 3800 pesos. Tem opções vegetarianas também.
      Os sorvetes, a Chicha Cocida (que é uma bebida alcoólica) e o Mote com Huesilhos têm sabores muito diferentes de qualquer coisa que você já tenha comido. As pêras são mais suculentas, os cactos tem frutos e aquelas árvores com florzinhas amarelas deixam cair ao chão castanhas duras e doces. Guarde esses nomes e se surpreenda com os sabores: ayrampo, chañar, rica rica, algarrobo, pomelo rosado, llucuma.
      Como em setembro é o final do inverno, pegamos vários tipos de clima. O sol é a única certeza. Os narizes sangraram nos dias de 4% de umidade e nuvens apareceram no céu quando uma frente fria se aproximou. Nesses dias, já não era possível colocar shorts e camiseta durante o dia sem um corta-vento e as noites eram salvas pelas segundas peles e o saco de dormir usado sob as cobertas. Importante: leve pelo menos um conjunto de segunda pele, 1 par de meias de inverno e um saco de dormir simples, mesmo que seja no verão. Eles salvaram a minha vida. Durante algumas madrugadas, fizeram temperaturas negativas – mesmo não sendo típico da época do ano – e tive que dormir de segunda pele, dentro do saco de dormir, debaixo das cobertas do hostel! Quando esfriava assim durante a madrugada, dava pra perceber quando saíamos de manhã que os vulcões estavam mais brancos de neve que no dia anterior.
      Ir de carro traz liberdade, economia e a certeza de que é o caminho que faz a viagem valer a pena. Os passeios oferecidos pelas agências são bem caros e engessados. Como não tínhamos horário para sair e chegar, íamos pegando dicas com quem conversávamos pra decidir o próximo destino. San Pedro fica no centro do Atacama, e é impressionante como a paisagem muda ao redor, mesmo num raio de poucos quilômetros.

      (Onde está o Uno?)
      Sal encrustado em rochas que parecem lunares e dunas gigantescas brilhando ao pôr do sol no Valle de la Luna, lugares jamais pisados pelo homem no Valle de Marte, uma vista surreal de montanhas intercaladas por outras montanhas na Piedra del Coyote, uma estrada com vento salgado e quente que termina na Laguna Tebinquinche, onde a vida parece não existir, mas existe. De repente, numa estrada que corta uma laguna seca, duas crateras cheias de água não tão salgada assim formam os Ojos del Salar. A surpresa maior fica com Toconao, a cidade vizinha que abriga o Valle de Jere - desconhecido até mesmo por alguns moradores de San Pedro – um oásis em meio ao nada, que foi habitado por alguns dos povos que deram origem a bandeira Wiphala e deixaram suas marcas nas rochas. Esses são os destinos mais bonitos e de estradas mais alucinantes de até 3000 pesos por pessoa para serem visitados ao redor de San Pedro.
        
      Há quem prefira mergulhar literalmente nas atrações naturais desse lugar. Para esses, existe a laguna Cejar por exemplo, onde é possível boiar em suas águas mais salgadas do que as do mar morto, por um preço que é tão salgado quanto ela (apenas a entrada é 15.000 pesos). Dispensamos também o passeio das Lagunas Altiplânicas - que custaria uns 80.000 pesos sem incluir as entradas – pois no caminho passamos por lagunas por toda parte e em todas as altitudes.
      Ah, o céu: não é preciso andar mais do que 2 metros na rua – ou no quintal do hostel mesmo -para conseguir enxergar todas as constelações, planetas, galáxias, estrelas cadentes. Ele faz valer a pena boca e nariz ressecados da baixa umidade, do sal, do sol e do frio. No hostel, um hóspede tinha um telescópio. Conseguimos ver a Lua e vênus em questão de segundos.
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      Voltar pelo mesmo caminho da ida dá uma perspectiva totalmente diferente de todos os lugares que havíamos passado. Leve tudo que quiser, pois na fronteira por Jama do Chile pra Argentina não fazem revista no carro. Pegamos um clima tão diferente que a estrada parecia outra. Mais vento, mais neve. Tivemos o prazer de ver uma raposa chilena e um tatu atravessando a rua. Só ficamos devendo a Vizcacha, que com certeza passamos por várias, mas não conseguimos enxergar nenhuma.
      Na Argentina, há muita polícia rodoviária. Éramos parados em quase todas as saídas das cidades. Em uma das únicas duas vezes que pediram nossos documentos, demos carona a um policial – é bem normal pedirem carona nas estradas argentinas. Procuramos evitar por segurança, mas como era um policial, e íamos tocar direto até perto da fronteira, aceitamos.  Na outra que fomos parados, estava acontecendo um protesto de caminhoneiros: o policial pediu pra verificar os 2 triângulos e o extintor. Não é mito, levem!
      Há muitos relatos de polícia corrupta na Argentina, mas é mais ao sul da RN 14 onde o país se aproxima com o Uruguai. Antes de ir, havia conversado com um amigo Argentino e evitamos a fronteira por Uruguaiana exatamente por causa disso. Como queríamos entrar mais ao sul do Brasil do que na ida, passamos por São Borja. Eles pedem apenas os documentos, não revistam o carro, e cobram uma taxa de 450 pesos ou 57 reais por pessoa.

      IR DE AVIÃO NÃO TERIA A MENOR GRAÇA. VÁ DE CARRO!
       
      Resumo de infos mais importantes:
      Dinheiro na Argentina
      - Trocar reais por pesos na fronteira com a Argentina vale bem mais a pena do que no Brasil;
      - Não troque dinheiro em Jujuy, a cotação é péssima;
      Dinheiro no Chile
      - Em San Pedro de Atacama a cotação de reais para chilenos é ótima (para setembro desse ano: 1 real = 150 pesos chilenos, sendo que em Santiago estavam pagando 1 real = 158 pesos chilenos);
      - Não tem como indicar uma casa de câmbio, tem uma rua só pra elas e todo dia os valores mudam. O jeito é sair perguntando de uma em uma e negociar;
      - Deixar para trocar reais para pesos argentinos (para gastar na volta) no Atacama não é uma boa opção, a cotação é bem ruim;
      Carro
      - Evite estacionar o carro perto das esquinas das ruas. Escapamos de um acidente que teria dado PT no carro por pouco. Como o hostel não tinha estacionamento, deixamos o carro parado na rua ao lado na vaga perto da esquina. Um motorista argentino foi fazer a curva e perdeu o controle, passou raspando por nós e bateu no carro estacionado do outro lado da rua, que ficou com o eixo dianteiro totalmente quebrado e teve que ser guinchado.
      - Os itens obrigatórios são: extintor de incêndio e 2 triângulos. Cambão rígido, mortalha e etc é MITO.
      - A gasolina tanto na Argentina quanto no Chile custa praticamente o mesmo que pagamos no Brasil, as vezes até um pouco mais caro. Mas como é bem mais pura que a daqui rende MUITO mais. Na Argentina, usamos sempre a Super e no Chile, sempre a 93. Essas são as mais baratas.
      Documentos
      - Identidade com menos de 10 anos de expedição ou passaporte, ou um ou outro, tanto faz
      - Se o carro estiver no nome do motorista, apenas o documento do carro.
      - Fizemos a PID (permissão internacional para dirigir), mas em nenhum momento foi solicitada
      - Carta Verde: seguro obrigatório para o carro na Argentina. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      - Soapex: seguro obrigatório para o carro no Chile. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      Água
      - É tirada de poços. Tomamos direto da torneira sem problemas, só recomendamos comprar engarrafada se a cidade estiver cheia – muita gente polui a água -. Custa cerca de 1800 pesos o garrafão de 6l.
       

      Carro: Fiat Uno 1.0 2016/2017
      Km rodados: 5.500
      270 litros de gasolina: R$1.300,00
      Autonomia: 20km/l
      Pneus Furados: 0
      Troca de óleo feita antes da viagem
      Gps usado: Sygic
      Pouso mais caro/barato: 600 pesos por pessoa (Argentina) / 250 pesos por pessoa (Argentina)
      Gasolina mais cara/barata: 862 pesos (Chile) / 38 pesos (Argentina)
      Frase mais dita: “Olha essa estrada!”
      Gasto: aproximadamente R$2200,00 por pessoa. Levamos apenas reais em dinheiro vivo. Usamos cartão de crédito Nubank apenas para reservar hostel e fazer o Soapex.
      Duração: 20 dias

    • Por xexelo
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por Flavius Neves Jr.
      Boa tarde, pessoal!
      Segue adiante o meu relato de uma viagem de carro para o Deserto do Atacama, que durou 17 dias. Na minha programação, contei com muita ajuda aqui do pessoal do Mochileiros.com. Sendo assim, agora é hora de retribuir! Se você está planejando uma viagem parecida, ou se a mesma já está marcada, e quer contar com algum tipo de ajuda, pergunte por aqui.
      Um abração!!!
    • Por xexelo
      Após a minha última aventura quando fui sozinho para a Carretera Austral no Chile eu fiquei sem viajar nas minhas férias seguinte. Sou professor e sempre tenho férias em dezembro/janeiro. Fiquei os 45 dias de férias triste e desanimado.
       
      Eu vendi a minha Ranger pois ela estava com um problema que poderia estragar o motor. Em seguida eu comprei a minha Toyota Hilux SW4 4Runner 2.7 a gasolina em outubro. Fiz a revisão inicial, troquei os pneus e isso tudo deu uns 5 mil.
      Não poderia viajar sozinho naquelas férias. Tentei de todo modo buscar companheiros para a viagem, porém não consegui.
       
      Ainda bem que não consegui... Um mês depois das férias o motor da Toy queimou a junta do cabeçote como que por mágica. Em nenhum momento ele ferveu ou esquentou a ponto de acontecer isso. Arrumei o problema e lá se foram mais $$$$$.
       
      Em julho coloquei um anúncio no grupo de professores do Parana do facebook procurando companheiros para a viagem. Inicialmente várias pessoas se interessaram, mas uma apenas fechou que iria. Depois essa professora, a Beatriz Goes, conseguiu mais um amigo professor para ir junto, o Edmar Lucas, ambos de Ponta Grossa - PR.
       
      A coisa complicou pq em outubro a Toy deu problema de novo. Queimou a junta do cabeçote outra vez. Dai eu ga$$$tei muito mais que da primeira vez para ver se não acontecia novamente. Aproveitei e fiz a embreagem, mandei revisar e limpar o radiador etc. Até o final do ano eu praticamente zerei tudo o que pudesse dar problemas na Toyota.
       
      Em outubro coloquei um anuncio aqui no Mochileiros para achar mais um companheiro de viagem. Em novembro apareceu o santista Adriano Lizieiro e fechamos o grupo. E para melhorar mais ainda, O Glauber e a Érica com sua Chevrolet S-10 a gasolina se juntaram a nós para formarmos um grupo de duas viaturas na viagem. Muito mais seguro. Isso me ajudou muito quando tive um problema na Toy.
       
      Saímos no dia 28/12/2015. Segue o relato.


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