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BrunaKC

17 dias pela Patagônia de ônibus

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Em 23/07/2018 em 18:10, BrunaKC disse:

@Carol Maya 

Oi Carol! 

Desculpe a demora para responder, eu não havia visto sua mensagem!

Então, você precisa obrigatoriamente fazer as reservas antes de ir. Qual circuito você vai fazer?

Se você fizer o circuito W (ou W inverso) você pode alugar tudo lá. Se você for fazer o Circuito O, você vai ter que levar suas coisas, por parte do circuito é em camping selvagem e a travessia é mais puxada.

Eu fiz o W inverso e levei meu saco de dormir, aluguei a barraca com plataforma lá. Mas sinceramente? Quanto menos peso você puder carregar, melhor! Acho que vale a pena alugar a barraca e o saco de dormir por lá mesmo. No momento em que você faz a reserva, você já faz essa opção.

Por outro lado, o saco de dormir é algo bem particular né, as pessoas dormem dentro dele, nem todos tem os mesmos hábitos de higiene e não sei se eles são lavados, ou como funciona isso... hahaha. O meu era bem leve. Comprei um da Nautika, com temperatura de conforte de -7 graus. Eu dormi duas noites sem isolante térmico, e passei muito frio. Frio a ponto de colocar todas as minhas roupas dentro do saco de dormir pra aquecer. E eu fui no auge do verão. Então, se for levar um saco de dormir daqui, leve um para temperaturas ainda mais baixas.

Quanto à barraca, alugue lá. O vento lá é fenomenal, então tem que ser "a" barraca pra não sair voando. E chegando no camping, já está tudo no jeito, é só você entrar e descansar. 😊

Espero que tenha ajudado.

Estou aqui para o que precisar!

Abração!

Bruna

Oi bruna! Sem problema =)

Eu vou fazer o circuito W também... Já estou verificando os campings para fazer as reservas.

Acho que vou levar o saco de dormir daqui e alugar somente a barraca, mesmo sendo um precinho salgado haha. Acho que no final vale a pena mesmo.

Obrigada pelas dicas!

Abraços 

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@Kellycwb Kelly, vocês vão amar mais ainda!! Fazer com uma amiga deve ser ainda mais divertido!! 😄

Precisando de dicas, estou por aqui!

Um abração e obrigada por ler!

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Pessoal que está acompanhando o relato: ainda não acabou! Minhas férias é que acabaram e o meu tempo está curto! hahaha ☹️

Semana que vem eu volto!

Abraços!

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Em 12/07/2018 em 09:48, isaribeiro disse:

Bruna, você acha que dá pra fazer um bate-volta de El Calafate para El Chaltén de carro para fazer a trilha da Laguna de los Três? 

ou então quais trilhas daria para fazer nesse bate-volta?  

Estou acompanhando seu tópico, está sendo muito útil para minha viagem!

Obrigada!!!! 😄

Da pra fazer sim

fui de carro e fiz bate volta

Se você deixar o carro na hosteria pilar economiza um tempo absurdo de trilha

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Depois de dois dias em El Calafate, tomei um ônibus rumo à El Chaltén: o paraíso do trekking! 
El Chaltén está dentro da reserva do Parque Nacional Los Glaciares. Em alta temporada é bem fácil ir de El Calafate à El Chaltén, e vice-versa. Há ônibus saindo de ambas rodoviárias todos os dias e em diferentes horários. Ainda assim, durante o planejamento, li em vários lugares que as passagens são bem concorridas, se deixadas para última hora. Comprei antecipadamente pela internet. Toda a minha viagem pela Patagônia, entre Chile e Argentina, foi feita de ônibus, e comprei todas as passagens antecipadamente. Não tive qualquer problema, mas atenção: leve o ticket impresso. (E claro, lembre-se: para entrar no Chile, é preciso passaporte). Ao final desse post, deixo o link para compra. Em algumas rodoviárias foi cobrada uma "taxa de embarque", na hora de embarcar. Eu não me recordo o valor exato, mas era irrisório.
Chegando em El Chaltén, o ônibus pára obrigatoriamente no centro de visitantes. Funciona como um pequeno museu, um local de boas vindas e, o mais importante: um ponto de orientação. Os guias dão uma breve palestra, falam sobre as trilhas, a previsão do tempo, os melhores dias para visitar cada ponto e claro, a importância do turismo sustentável. São duas salas, além da recepção, uma para  para cada idioma: inglês e espanhol.
A cidade tem duas ruas. Sério. Mas isso não faz a menor diferença, afinal você está indo lá para fazer trilhas e ficar no meio da natureza, certo?
Assim como El Calafate, em El Chaltén existe várias opções de hostel. Eu pesquisei bastante e optei por ficar numa Estância. E eu faço questão de falar dela aqui, porque eu fui muitíssimo bem acolhida naquele lugar. 
Fiquei na Estância La Quinta. O sr. Fred, umas das pessoas incríveis que conheci por lá, cuida da Estância e de seus hóspedes com a maior alegria. A hospedagem fica bem na entrada de El Chaltén, e se você tiver pique, você pode sim ir de um lado para o outro andando. A pé, dá uma meia hora caminhando, sem pressa. Mas, para todos os efeitos, eles tem serviço de transfer. 
Dentro da Estância você pode acessar algumas trilhas. A principal delas é uma trilha para o Lago Viedma. Foi nessa trilha que eu vi e comi o calafate - a fruta que dá nome à cidade vizinha - pela primeira vez.
Acho que nunca dormi tão bem na minha vida. O silêncio só era interrompido pelo vento.
O guia lá do centro de visitantes havia dito que seria perfeito para ir até o Fitz Roy no dia seguinte. E segundo ele, não é sempre que isso acontece. Fitz Roy é o ponto mais buscado em El Chaltén. E graças ao tempo firme, ensolarado e com poucas nuvens, no dia seguinte eu iria até lá descobrir o porquê.
A trilha começa no fim da rua principal. Não tem como não encontrar. A partir da rodoviária você caminha uns 15 minutos, em linha reta, e encontra a sinalização do início da trilha. 
Sei que muitas pessoas talvez tenham receio de fazer trilhas sozinho. Aqui isso não é problema. Não tem como se perder, é muito bem sinalizado e na alta temporada você acaba encontrando pessoas pelo caminho na maior parte do tempo. Ainda assim, se você se sentir inseguro em algum trecho, pare por 5 minutos e aguarde alguém passar por você. Siga naquela direção (hahaha). Vai com fé!
Alguns lembretes importantes: leve água. Existem pontos, durante a trilha, em que você pode abastecer sua garrafinha, mas no início da trilha água é escassa. Leve também um lanche. Ou dois (tudo depende da sua fome haha). Mas falando sério: leve alimentos de alto teor energético. Não leve peso desnecessário, se você não vai acampar em um dos campings de lá, não leve nada além do estritamente necessário para passar o dia bem. Filtro solar! Passe filtro solar! E o mais importante, não cometa o mesmo erro que eu cometi: nunca, JAMAIS, deixe para amaciar suas botas lá.
Me dá até vergonha de admitir, mas eu ainda sou um ser humano sedentário. Nos meses anteriores à viagem, eu ia casualmente correr no parque, principalmente porque a cereja do meu bolo nessa viagem seria o Circuito W, em Torres del Paine, que vou relatar mais para frente. Nesse tipo de viagem eu deveria, no mínimo, ser o tipo de pessoa que faz caminhadas diárias. Mas não, eu não me preparei como deveria, nesse sentido. Isso não foi impeditivo, eu fui e fiz tudo o que eu queria, mas foi extenuante e esse sofrimento é completamente dispensável.
Eu iniciei a trilha às 09:30h da manhã. A trilha para chegar à Laguna de Los Três, base do Fitz Roy, tem 10 km - há marcações ao longo da trilha - eu fui pelo caminho do mirante  (Mirador Fitz Roy) e retornei pela Laguna Capri.
O último quilômetro de trilha é uma subida totalmente íngreme, que eu apelidei carinhosamente de "meldelsquequeeutofazendoaqui!" (agora eu dou risada, mas na hora não foi tão engraçado hahaha), com vários pontos onde você escala pedras. Se você tiver aqueles bastões de trekking, leve com você.
Não suba, em hipótese alguma, se o tempo tiver ruim. Primeiro porque você não verá nada, literalmente. E segundo: se você cair e morrer, essa viagem acaba. E nós não queremos isso, não é mesmo? 
Eu não queria te contar, mas depois de você escalar as pedras, você ainda tem um curto trecho a percorrer, para chegar à Laguna de Los Três. É importante para o seu psicológico, enquanto você se pendura nas pedras, pensar que já já você chega e o trecho vai ser reto e lisinho (hahaha). Mas enfim, tem mais um pedacinho e uma "subidinha", é um pouco escorregadio - terra solta, parece areia - e você precisa se apoiar para não cair. Um senhorzinho que viu que eu estava parada, pensando em como eu ia fazer para o tombo doer menos, parou e me estendeu a mão. Depois um outro rapaz fez o mesmo. Como eu amo a gentileza das pessoas!
São 9 km para chegar aos pés dessa subida (eu cheguei aqui às 13h). A subida em si tem 1 km apenas e eu levei 1:40h para concluí-la e chegar à Laguna de Los Três e ver o Fitz Roy de pertinho.
Pra descer todo santo ajuda e eu levei 1:15h. Fiz a trilha de volta, e cheguei à cidade às 19hs. O céu ainda estava azul.
Eu cheguei na hospedagem um farrapo humano. Um farrapo humano feliz e orgulhoso.
Dicas valiosas:

➼ Não deixe de passar pela Laguna Capri, é maravilhosa e vale totalmente a pena.

➼ Mesmo que o dia esteja ensolarado, lindo, quentinho e feliz, vá agasalhado. Eu li muito sobre isso e - graças a Deus - segui à risca. Caminhei um tempinho sem blusa, porque o tempo esquentou, mas logo precisava vestir novamente, porque o vento era super gelado.

➼ Leve luvas, touca e cachecol. Vá com uma camiseta de rápida absorção de suor e uma jaqueta corta vento (de preferência, daquelas forradas com fleece). Lá em cima, nos momentos que precisei tirar as luvas para fotografar, as mãos congelavam. A touca é importante por causa do vento. Se você não cuidar das suas orelhinhas, você vai ter dor de ouvido. Vai por mim.

➼ Passe filtro solar e não vire o camarão na neve.

➼ A idade não te impede de nada aqui. O que te impede de fazer coisas assim é o condicionamento físico. Então se prepare. Não precisa ser o frequentador mais assíduo da academia, mas faça caminhadas regulares, pelo menos (e não evite as subidas ).

➼ Carregue todo o seu lixo com você e obedeça a sinalização. Existem áreas em recuperação e estão sinalizadas. Não caminhe nessas áreas.

➼ Não faça barulho, não grite, se for ouvir música, coloque fones de ouvido. Você está de passagem, mas animais vivem ali. Não seja o sem noção da trilha.

➼ Se você precisar sair da trilha para coletar água, seja cuidadoso com o ambiente.

➼ Existe um banheiro no km 9 da trilha. Eu não sei qual é a condição lá dentro, mas.... Enfim, se não puder aguentar, faça as suas necessidades a pelo menos 200 passos da água. Jamais na água ou próximo a ela.

➼ E essa eu vou escrever por último pra você não esquecer: jamais deixe para amaciar suas botinhas (assassinas) em situações como essa. Seja - bem - mais esperto (a) que eu!

No mais, divirta-se, você merece!

Onde comprei minhas passagens no trecho El Calafate/El Chaltén:

Link para acessar a Chaltén Travel.

Link para acessar o Plataforma 10.

O que eu levei de El Chaltén: a gentileza. Na rodoviária, na hospedaria, na trilha.

O que eu aprendi aqui: leve o tempo que precisar levar. Pare quantas vezes for necessário. Mas não desista!

Até logo, aventureiro!

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Sensacional
Estou lendo seus posts, para montar meu roteiro e tem noção de quantos irei gastar !!
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Bruna, que relato fantástico!!

E que narrativa!! Você consegue nos fazer transportar para dentro de sua estória!!

 Fantástico!!

Parabéns!!

Parabéns pelo desfio vencido!!

Parabéns pela experiência!!

Parabéns por essa narrativa emocionante e linda!!! 

Semana que vem será minha vez de aventurar com minha esposa pela Patagônia Argentina. Em uma próxima oportunidade, quero esse desafio do W ou do O para mim também!!!

Obrigado!!!!

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    • Por Thalles33
      Tô passando pra avisar que mês que vem "outubro" vou fazer uma trip épica rumo a Argentina bem "mão de vaca" pegando caronas, barraca e etc ..
      Já te adianto que vai ser tri 🛣️🌄⛰️
      Fico pilhado? Ta afim de ir? van bora!! 

    • Por Alan Rafael Kinder
      Bom dia,
      Eu sou o Alan, e este é meu primeiro post aqui no mochileiros.com.
      Estou recorrendo a vocês pois tenho uma dúvida a respeito das geleiras na região patagônica de El Calafate e El Chaltén.
      Estarei indo passar 03 dias em El Calafate e 05 em El Chaltén em Fevereiro de 2020 (verão, em um pequeno grupo de 03 pessoas), fiz diversas consultas pela internet sobre esse assunto e aparentemente tudo leva ao Perito Moreno, administrado pela Hielo Y Aventura. Em outros casos, algumas notícias antigas falam do Glaciar Viedma, todavia parece que não é mais possível caminhar sobre esta geleira.
      Nós realmente gostaríamos muito de ter essa experiência, porém o site da Hielo Y Aventura nem tem agenda livre ainda para fevereiro de 2020, e o valor atual por pessoa ultrapassa R$ 1.000,00 no Big Ice (que é a oferta que mais se aproxima de nosso interesse).
      Minha pergunta é, existem outras opções com outros valores nessa região (até mesmo em outras cidades próximas, não mais de 300 km de distância) ou até mesmo a possibilidade de caminhar sobre uma geleira de forma autoguiada e sem custos?
      Quando montei o roteiro dessa viagem, a alguns meses atrás, o valor do Big Ice era menor que R$ 800,00, e esse aumento realmente ficou chato, por isso estou procurando alternativas.
       
      Agradeço muitíssimo qualquer colaboração, e se vocês tiverem qualquer dica sobre esse assunto, eu ficaria muito feliz em recebê-la!
    • Por Anderson Paz
      Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas.
      Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros.
      Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem.

      Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf:
      Viagem realizada - Patagônia.pdf
       
      DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO
       
      - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte.
      - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais.
       
      DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR
       
      - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede >
      - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas)
      - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso >
      - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile >
      - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool.  < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! >
       
      MOEDA/CÂMBIO
       
      - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar.
      - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. 
      - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales.
      - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa.
      - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor
       
      PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES
       
      - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. 
      - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van.
      - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). 
      - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta.
       
      TORRES DEL PAINE
       
      PLANEJAMENTO
      - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. 
      <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. >
       
      INFORMAÇÕES GERAIS
      - Entrada: $ 21 mil pesos
      - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço  de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta).
      - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). 
      - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria.
      - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas).     
      < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! >
      - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta).
       
      QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W?
      - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O.

       
      QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O?
      - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8.
      - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia:
      1.  Para quem vai ficar em camping:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      2. Para quem vai ficar em refúgios:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales

      - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão.
      - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping.
       
      INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também)
      - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade.
      - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem >
      Fotos de trechos da subida:

       
      - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey.
      - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido.
      - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias.
      - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. >
       
      EL CALAFATE / PERITO MORENO
       
      EL CALAFATE
      - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe >
      - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro!
      - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui >
      - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas.
       
      PERITO MORENO
      - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30.
      - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas).
       
      EL CHATÉN
       
      - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR)
      - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque:
      a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio.
      b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo).

      - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva.

      - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h.

      - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade.
       
      RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas)
       
      - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén.
      - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. 
      - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo!

      Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. 😃
    • Por beatrizz
      Queridos mochileiros. 

      É com grande alegria que faço esse relato, pois ele se refere a um dos trekkings que eu mais desejava na vida: Torres del Paine. 
      A minha viagem ao Chile, foi exclusivamente para fazer o Circuito O (deveria ter reservado mais dias para ir a Cafalate e El Chaltén...) e mais dois dias de intervalo em Punta Arenas e Puerto Natales. 
      Em todos os relatos eu falo sobre a facilidade e aprendizado de se viajar sozinho. Mas essa foi minha primeira viagem fora do Brasil sozinha, e estou ainda meio sem palavras para conseguir expressar aqui o que significa. Eu não quero dizer que em alguns momentos realmente não possa se sentir sozinho, isso acontece. Mas eu posso dizer que em 90 % do tempo está cercado de pessoas muito abertas para conversar e trocar ideias. 
      Bom, a primeira coisa que precisa para fazer o Circuito O sem stress é a organização. Pois se pretende vir entre Dezembro e Fevereiro, é alta temporada (bom tempo), e os campings e refúgios ficam cheios. No Circuito O, quase todos os lugares em que você fica tem duas opções para dormir: Camping (com sua própria barraca, ou alugada) ou Refúgio (cama quentinha para quando sentir que merece). 
      Coisas importantes:
      * Imprimir suas reservas,
      * Ter comida suficiente. 
      * Um bom saco de dormir e uma barraca com boa camada para chuva.
      * Uma bota que seja sua amiga.
      * Como eu estava sozinha, e tendo que levar todo o peso (cerca de 14 kg), eu optei por comprar algumas refeições. Nos refugios'campings, eles fazem almoco-cafe-janta (sim, é caro), mas depois de um dia de muitos kms isso vale ouro. 
      Aqui vai o meu roteiro em Torres Del Paine:
      1 dia: peguei um ônibus em Puerto Natales as 07:15 para Torres del Paine (chegamos umas 09:45 na entrada principal). Na primeira portaria você precisa assistir um video sobre as normas do parque, mostrar seu ticket de entrada (ou comprar), é melhor já comprar no site da CONAF e levar o comprovante. Recebe o mapa do parque, e pode pegar um tranfer (3.000 pesos) até o cientro de bien venida (sao 07 km você pode ir caminhando também, eu fui de transfer porque nessa primeira parte não tem nada de mais e você vai precisar de mais energia em outros dias, acredite). No transfer já é possível ver algumas montanhas. 
      Depois de tudo isso, iniciei os primeiros kms do circuito. Camping Serón. Nesse primeiro dia a vista das montanhas ainda é bem restrita, porem passa por florestas e rios com água cristalina. A cor é como se fosse um azul royal, lindo. O terreno em si é tranquilo. Como cheguei cedo no parque e logo comecei a travessia, eu não encontrei ninguém no caminho, tipo nem uma pessoa nos primeiros kms. Ai teve um misto de satisfação com preocupação haha. Mas logo aparecem alguns (poucos). 
      Nesse camping nao há refúgios, quando cheguei era umas 14:00 ainda, normalmente os check in s{ao as 14:30. Começou a chover e ventar um pouco quando estava arrumando minha barraca (chamam carpa aqui). Foi uma noite difícil pois choveu muito e fez frio (cerca de 5 graus).
      Nesse primeiro dia, eu passei muito frio, no outro dia as montanhas aparecerem branquinhas, nevou.
      2 dia: essa caminhada você já começa a ficar mais perto das montanhas, chegando no refúgio Dickson a vista é fantástica. Fiquei em refúgio, porque algo me disse que quando fui fazer a reserva, fiquei muito feliz pois chovia e estava uns 2 graus.
      3 dia:ida até los perros, nesse lugar que você começa a sentir os ventos fortes. Nesse camping não tem refúgio , e só tem banho gelado! O camping fica do lado do rio e abaixo da montanha, tem como ser ruim isso?
      4 dia: foi o dia mais cansativo, porque precisamos passar pelo Paso John Garden, que é uma montanha de gelo. É fantaaastico. Nesse dia tem que sair cedo tipo 6 da manhã, porque no Paso o tempo muda muito e depois das 11 da manhã o pessoal fala que tem um tipo de chuva e vento que não se pode passar, muito perigoso. Até o topo do Paso demora umas 4 horas. E depois a descida mais 4. Eu fui direto ao camping Grey, então foi bem cansativo, mas todo o caminho é maravilhoso. Nesse dia tem a visão do glaciar.
      5 dia: indo para o camping paine grande, contato com a civilização. Aqui você pode se dar ao luxo de uma comida diferente, tem várias pessoas, que chegam aqui e ficam apenas para fazer a trilha até o mirador britânico.
      6 dia: aqui você encontra muitas pessoas no caminho também, ida até o Francés, o Mirador Británico fica no caminho. Você pode deixar a mochila no Italiano e subir mais leve.
      7 dia: ida até o Central.
      8 dia: trilha base de las torres. A trilha em si é linda, muitos rios e pontes. Você passa pelo acampamento chileno e depois desse ponto a trilha fica mais pesada, porque ganha elevação muito rápido.
      Resumo :
      1. Cientro de bienvenida p/ Seron: 13 km, 4 horas.
      2. Seron p/ Dickson: 18 km, 6 horas.
      3. Dickson p/ los perros: 12 km, 4.5 horas.
      4. Los perros p/ Grey: 15 km, 11 horas.
      5. Grey p/ Paine grande : 11 km, 3.5 horas.
      6. Paine grande p/ Francés : 9.5km, 3,5 horas.
      7. Francés p/ Central : 15 km, 6,5 horas
      8. Central p/ ida e volta base das torres: 20 km, 7 horas
      Total de 114 km apx, considerando que essa distância distribuída em 8 dias, não é nada de outro mundo. As trilhas são suuper bem demarcadas, então mesmo se estiver sozinho não vai se perder não.
      Com certeza a Patagônia é o lugar mais fantástico que já estive, porque a energia das montanhas e a conexão com a natureza é algo que não se consegue assim tão fácil.
      Em Punta Arenas cidade vizinha de Puerto Natales, você pode fazer um passeio com empresa especializada e chegar até a Ilha Magdalena e Marta, onde tem os pinguins e Lobos marinhos, é obrigatório pra quem passa por aqui.
      Depois de 3 dias de volta, ainda não consegui voltar, é como se eu ainda estivesse lá. Meu corpo e minha alma ficaram conectados as montanhas de Torres del Paine. 













       











       








    • Por renanlouzada
      Boa tarde, mochileiros. Decidi tentar compartilhar com os senhores um pouco da minha experiência nesse segundo "mochilão". 
      Tinha 15 dias de férias para tirar e estava muito em dúvida sobre qual roteiro traçar. Estava quase decidido a ir para a Costa Rica e Panamá, quando no dia da compra, decidi por ir para a Patagônia. Já tinha ido à Argentina, mas não ao sul. Conhecia apenas Buenos Aires. Pois bem, iniciou-se, então, em novembro/2017, o planejamento para essa viagem de fevereiro/2018.
      Fui com, à época, minha namorada, então algumas coisas saíram mais caras do que era esperado - optamos por quartos individuais e com banheiros privativos em todos os casos. Tive dificuldade em colher algumas informações, mas vou tentar repassar tudo da melhor forma aqui pra quem, por ocasião, quiser fazer um roteiro similar e tiver as mesmas dúvidas.
      Nossa viagem começou dia 10/02, saindo de Vitória/ES para São Paulo.
      PS.: MUITAS FOTOS. 

      Nosso roteiro foi: 
      - Vitória x São Paulo (aéreo)
      - São Paulo x Buenos Aires x El Calafate (aéreo)
      - El Calafate x Puerto Natales (ônibus)
      - Puerto Natales x Punta Arenas (ônibus)
      - Punta Arenas x Ushuaia (ônibus)
      - Ushuaia x Buenos Aires x São Paulo (aéreo)
      - São Paulo x Vitória. (aéreo)
      Custos de passagem: R$ 3100,00 para duas pessoas, aproximadamente. Saindo de Vitória, tomei uma decisão que não havia seguido nas viagens anteriores: preocupado com a minha namorada, fiz seguro de viagem para nós dois. R$ 125,00 cada.
      Detalharei a seguir.
      Chegamos em São Paulo, após voar pela AVIANCA, por volta das 21h. Pelo Booking, localizei um motel/hotel relativamente perto do aeroporto. Só não sabia que, apesar de perto, era mal localizado. O nome do estabelecimento era: VISON MOTEL. Para a proposta, pernoitar apenas uma vez até que não tive problema. Lugar relativamente tranquilo PRA DORMIR. Se não me engano, custou R$ 50,00 a pernoite para nós 02. Chegamos tranquilamente com Uber no local. Apesar de "próximo", estávamos cerca de 20 minutos do aeroporto. 


      Acima, umas fotos do quarto em si.
      11/02
      A luta, porém, foi para, na manhã do dia seguinte, conseguir ir para o aeroporto. Tentei por 05x chamar um Uber e todos cancelavam a corrida. O tempo passando e eu, como não conhecia nada ali, ja estava ficando desesperado com medo de perder o voo. Quando, na sexta tentativa, assim que o motorista aceitou eu liguei e expliquei que queria ir para o Aeroporto pegar um voo internacional. Assim, com 5 minutos ele chegou. E então me explicou a razão de ninguém aceitar a corrida: o local era periferia e, geralmente, dali as pessoas iam para o interior de favelas. Perigo de não conhecer a cidade onde vai se hospedar.. mas enfim. Tudo certo, embarcamos em voo pela LATAM para Buenos Aires, chegando por la aproximadamente as 10h. Descemos no Aeroparque. 
      Como eu já havia comprado o chip de internet EasySim4u, procuramos uma loja da Personal para comprar um chip para minha namorada, apenas para se comunicar via whatsapp, já que fotos e videos seriam enviados tudo pelo meu chip. Encontramos um por cerca de R$ 60,00. Funcionou por toda a viagem. Ps.: todos os valores serão informados ao final, com uma planilha detalhada que fiz.
      Por fim, após algumas poucas horas de espera, embarcamos em outra aeronave da LATAM para, agora, com destino a El Calafate, nosso primeiro ponto de parada. 
      Chegamos nessa bela cidadezinha por volta das 16h local e dividimos um transfer com dois chineses (nunca vi tantos!!!!) até o centro da cidade, ficando mais precisamente no hotel TERRAZA COIRONES. Uma bela vista. Mas falo dele a seguir.
      Nao perdemos tempo: deixamos as coisas no quarto e partimos para o centro da cidade, onde conseguimos um transporte (gratuito. A cidade oferece!! Não paguem por isso!) até o Glaciarium.  Apesar de já um pouco tarde, conseguimos chegar a tempo. Não me interessou muito o museu, então fui apenas para o Bar de Gelo. Algo extraordinário e inimaginável, até então - como muitas outras coisas vistas. 



      Todo o bar é feito de gelo, como puderam ver nas fotos. Temperatura varia entre -5 a -7ºc e, para permanecer pelos 30 minutos que permitem, é necessária a utilização dessa roupa estranha que parece de astronauta.  É possível desfrutar de alguns drinks feitos na hora, já inclusos no valor da entrada do bar.
      Finalizada a experiência, esperei por alguns minutos o transfer chegar para retornarmos à cidade. O Glaciarium fica uns 20 minutos do centrinho. E a vista, pelo lado de fora, já estava me empolgando. Muito bonito o visual.



      Finalizada a ida ao Glaciarium, voltamos ao centro e conseguimos dar uma caminhada pela cidade, visitando alguns rápidos pontos. Demos uma volta (sem comprar nada) no “Paseo de Artesanos” e “La Aldea de los Gnomos”. Há algumas coisas legais, até vale a pena comprar. Mas como tinha acabado de chegar, não estava disposto a comprar nada até então.


      Por fim, fui para uma cervejaria artesanal que pesquisei antes, a fim de comer e, claro, tomar um gelo. O nome do local é LA ZORRA TAPROOM. Recomendo. O preço não é dos mais baratos, mas não espanta. Um lanche foi suficiente para cada um, além de uns dois chopps. Na foto, inclusive, o relógio já marcava 21h40. E o sol tava ali, firme e forte

       
      Dia 12/02
      No segundo dia, acordamos cedo e tomamos café no próprio hotel, partindo em seguida junto ao transfer para o passeio no Perito Moreno. Antes de andar na geleira, contudo, foi feita a visita ao Parque Nacional Los Glaciares, onde, a partir das passarelas existentes, se vê e observa a geleira, que em alguns momentos se rompe e te permite ter uma das vistas mais belas possíveis. O barulho, quando acontece, parece um trovão. Difícil explicar. Hehe.




      Dali, partimos para um porto onde entramos numa embarcação rumo à base do Perito Moreno, onde começaríamos a caminhada pelas geleiras. Aqui vai uma observação: existem dois tipos de passeios que se podem fazer: o Mini Trekking, que tem duração aproximada de 1h30min, e o Big Ice, que dura pouco mais e “entra” nas cavernas de gelo. Porém, isso também depende do dia, pois a geleira se modifica sempre e, às vezes, pagarão mais pra fazer o Big Ice e não terá tanta coisa diferente. Eu fiz o Mini Trekking e, pessoalmente, saí bem satisfeito. As empresas de turismo, pelo que me constou, revendem o pacote da empresa “Hielo y Aventura”. Eu comprei direto dela, o preço é tabelado então é tudo a mesma coisa.






      Por fim, após o passeio de dia todo (necessário um dia somente pra isso), retornamos à cidade. Fomos ao hotel, tomamos um banho e, depois, fomos jantar. Ainda tinha sol: escurecia em quase todos os pontos da patagônia próximo das 22h. 
      Lembra que falei lá no começo do seguro de viagem pra minha namorada? Então.. saindo do hotel, consegui a proeza de torcer o pé na escada. O pior não foi nem a torção, foi o barulho como se tivesse quebrando algo. Com sangue quente, fui mesmo assim pra rua e fomos jantar num restaurante chamado El Ovejero. Comi, bebi, andei mais e, por volta das 22h30m, retornamos pro hotel. Aí, sim: DOR. Tomei banho, deitei na cama e começou uma dor intensa no pé. Inchou demais, quase dobrou de tamanho.
      Tentei aguentar por uma hora a base de uns remédios que levamos e gelo, mas estava impossível. Fomos até o hospital local e, graças ao seguro de viagem (!!), fomos atendidos e liberados (cerca de 1h20m entre atendimento, medicação e liberação). Compensou um pouco, pois a consulta e os medicamentos ficariam em cerca de R$ 180 reais. Economizei R$ 55,00, no caso.. enfim. Fui pro hotel já com a dor tranquilizada e o inchaço diminuindo. O desespero seria pelo que viria mais à frente.


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