Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Peça ajuda, compartilhe informações, ajude outros viajantes e encontre companheiros de viagem!
    Faça parte da nossa comunidade! 

rafael_santiago

Travessia Trans Espinhaço (MG) em 15 dias com Equipe Romoaldo - jul/ago/2018

Posts Recomendados

imageproxy (8).jpg

Travessão

Essa longa travessia, a mais extensa que já realizei até hoje, nasceu do convite do Renato Romano que com seus amigos da Equipe Romoaldo de Trekking e Montanhismo elaboraram todo o planejamento, desde o roteiro até a organização das refeições e a divisão das barracas e outros equipamentos. Tudo muito bem planejado.

A idéia inicial da equipe era fazer pela primeira vez uma travessia na Serra do Espinhaço com início próximo à cidade de Gouveia-MG e final na Lapinha da Serra, com duração de 6 dias, e possível continuação até a vila de Serra do Cipó (mais 2 dias). Eu topei a empreitada. Mas a minha intenção era continuar caminhando e explorando trilhas ainda desconhecidas (para mim) a partir da Lapinha e essa proposta, feita durante o trekking, despertou a curiosidade de alguns do grupo. Discutimos roteiros e o tempo disponível e cheguei à conclusão que estávamos preparados para empreender uma longa caminhada Trans Espinhaço com o roteiro incluindo uma travessia pelo ParNa Serra do Cipó, meu velho conhecido (e relatado aqui algumas vezes), porém um lugar ainda inédito para os membros do grupo. A nossa Trans Espinhaço portanto passava a ter uma previsão de 12 dias de caminhada. E, claro, de maneira autônoma, carregando tudo nas costas. Mas, como contarei em breve, para mim ela acabou sendo ainda mais longa...

imageproxy (19).jpg

Córrego do Barbado

DIA 0 - 23/07/18 - Rumo à Serra do Espinhaço

No Terminal Tietê em São Paulo conheci os membros da Equipe Romoaldo que participariam da caminhada: João, Vitor Honda e Leonardo (Leo), além do Renato Romano que me fez o convite. A representante feminina do grupo era a Bruna.

Embarcamos no Gontijo das 21h30 com destino a Diamantina-MG. Eu tomei um Dramin para dormir logo e não enjoar (viagem de ônibus muito longa assim não me faz bem ao estômago) e só despertei perto do local onde saltaríamos do ônibus, portanto não posso dizer em que cidades o busão parou pelo caminho. 

imageproxy.jpg

Rio Paraúna

DIA 1 - 24/07/18 - da BR-259 à cachoeira do Córrego do Bicho

Duração: 7h10 (com paradas)
Maior altitude: 1240m
Menor altitude: 906m

Pela manhã já atravessávamos a paisagem característica do cerrado mineiro, aliás paisagem que fazia alguns anos que eu não via e da qual já sentia muita falta. Por volta de 9h30, entre as cidades de Curvelo e Gouveia, a pedido do Renato o motorista parou no acostamento de terra da BR-259 e ali saltamos. Jogamos as mochilas às costas e retornamos uns 600m até a placa do km 479, onde tomamos um atalho para baixar à estradinha de terra à esquerda. Ajeitamos a carga, mastigamos alguma coisa e demos início à pernada exatamente às 10h15. Altitude de 1237m. Essa localidade se chama Contagem e é marcada pela presença de torres eólicas de energia (do outro lado da rodovia). Até a hora do almoço iríamos caminhar junto ao curso do Córrego Contagem, à nossa direita. E até a chegada ao Rio Paraúna teríamos a imponente Serra do Indaial à nossa esquerda.

Esse primeiro dia seria em grande parte caminhando por uma estradinha de terra e isso já havia sido discutido pelos integrantes da equipe na fase de elaboração do roteiro. Outras vias de entrada foram consideradas mas a facilidade de chegar a esse ponto de início com apenas um ônibus a partir de São Paulo foi decisiva (outros locais de acesso à travessia demandariam ônibus rurais infrequentes ou frete de carro particular). Portanto lá fomos nós pelas estradinhas, felizmente sem movimento algum de veículo. O papo e a curiosidade pela nova paisagem fizeram com que a caminhada fosse muito mais rápida e interessante do que se podia prever.

Durante todo o percurso da nossa Trans Espinhaço o sentido geral percorrido foi de norte a sul. Nesse primeiro dia pela estradinha os pontos que vale destacar foram: às 10h56 cruzamos uma porteira de ferro e uma placa avisava "propriedade particular - entrada proibida", o que foi sumariamente ignorado. Às 11h04 aparece a primeira fonte de água corrente de fácil acesso (o próprio Córrego Contagem) porém deve ser tratada pela presença de gado por perto. Às 11h22 uma placa indica o Sítio Arqueológico Contagem, o que atiça a curiosidade do grupo por ver as pinturas rupestres. Esse é um local de acesso fácil e um patrimônio que precisa ser preservado, portanto tivemos o cuidado de apenas observar e fotografar, sem tocar em nada. Às 12h24 passamos por uma casa à nossa esquerda, uma das poucas vistas, mas estava vazia e em más condições. Paramos para almoçar logo depois à sombra de algumas árvores, com água corrente perto, junto a uma bifurcação onde seguiríamos à esquerda, subindo. A partir desse ponto nos distanciamos do Córrego Contagem. Mas às 14h16, numa outra bifurcação, tomamos a esquerda e logo depois a direita e chegamos à margem do Rio Paraúna, onde o Contagem deságua. Ali paramos mais tempo para curtir o bonito lugar. Estudando o percurso a seguir percebi que poderíamos cortar cerca de 2,2km do caminho pela estrada se cruzássemos o rio. O Renato experimentou a profundidade e correnteza (sem a mochila) e vimos que era viável. Então às 15h15 atravessamos o rio. É recomendável algum tipo de sandália ou crocs para não ferir os pés nas pedras do fundo e o uso de dois bastões ou cajados para se equilibrar na correnteza. Obviamente essa travessia não deve ser tentada em época de chuva pelo maior volume e correnteza do rio e risco de tromba-d'água. Só na outra margem é que pudemos ver que havia uma casa muito próxima, no lado em que chegamos. 

Assim tomamos a trilha na margem esquerda, inicialmente paralela ao rio, mas logo guinamos para uma subida à esquerda. Em 400m de subida atingimos a trilha principal, larga e toda de cascalho. Tomamos a esquerda, ainda subindo. A caminhada por estrada havia acabado, agora a enorme rede de trilhas da Serra do Espinhaço/Serra do Cipó vai nos levar para dentro dos belíssimos campos rupestres, com suas águas límpidas e flores abundantes. Com mais 100m, às 16h07, tomamos a direita na bifurcação. A visão se amplia para o vale do Rio Paraúna a leste. Na sequência eu aproveito para chamar a atenção do pessoal para a característica geológica própria da Serra do Espinhaço que é a disposição das pedras e lajes, desde as mais pequenas até as enormes que formam morros e montanhas, sempre em ângulo de cerca de 45º apontando invariavelmente para o oeste. Não sei qual é a explicação científica para isso mas essa imagem nos acompanhou durante toda a longa caminhada, sendo mais notada nas travessias de rios e na conformação em "degraus" das cachoeiras ao longo do caminho.

Tivemos curiosidade de conhecer a Cachoeira do Apertado, mas não encontramos a trilha de acesso e o horário já não nos permitia procurá-la ainda nesse dia. Chegamos à área de acampamento junto ao Córrego do Bicho às 17h26 e estabelecemos nosso primeiro hotel-um-milhão-de-estrelas ali mesmo. Altitude de 1055m. Desde o Rio Paraúna passamos por mais dois pontos de água, afluentes do Córrego do Bicho.

imageproxy (1).jpg

Honda, Renato, João, Leo e Bruna

DIA 2 - 25/07/18 - da cachoeira do Córrego do Bicho a suas nascentes

Duração: 7h10 (com paradas)
Maior altitude: 1421m
Menor altitude: 1055m

Nessa manhã ocorreu um fato muito curioso e inédito para mim em tantos anos de trekking. Logo cedo, ao caminhar alguns metros a partir do acampamento encontrei uma tampa de panela. Perguntei se era do grupo e a resposta foi afirmativa. Porém cadê a respectiva panela? Havia sumido. Ela havia ficado de molho fora da barraca e algum bicho a havia surrupiado durante a noite bem embaixo dos nossos narizes! Vasculhamos os arredores e nada, nem pegadas. Desistimos da procura e tratamos de desarmar tudo para continuar a caminhada. Partimos às 9h20. Subimos na direção sudoeste (oposta ao Córrego do Bicho) e em 5 minutos encontramos a tal panela... toda mordida e até furada pelos dentes do animal. Não conseguimos identificar as pegadas que havia, mas a história já entrou para o anedotário dos nossos trekkings. E ainda tivemos que carregar uma panela inutilizada por mais 5 dias até a Lapinha...

Às 9h36 cruzamos uma porteira e fomos à direita na bifurcação seguinte pois o caminho seria mais curto do que pela esquerda. Subimos pela trilha de pedras brancas soltas. Cruzamos uma tronqueira às 10h04, paramos para um pequeno descanso numa exígua sombra e às 11h23 cruzamos uma porteira velha com uma lacônica placa "proibido caçar"... então tá. Cerca de 400m depois outra formação rochosa nos atraiu para investigar se havia mais pinturas rupestres mas dessa vez só encontramos uma lapa, uma grande pedra formando um abrigo, onde quase pisei numa cobra sem ver. Às 12h36 pudemos visualizar no horizonte pela primeira vez a Serra da Lapinha/Serra do Breu com seus famosos picos nos dando a direção exata da vila de Lapinha da Serra. Na descida que se seguiu desviamos para o vale à direita para procurar um lugar com água para almoçar. E encontramos um ótimo local de sombra na mata de galeria do Córrego da Passagem.

Retomamos a caminhada às 14h30 retornando à trilha principal exatamente onde havia uma tronqueira e se avistava uma casa no vale onde almoçamos, do Córrego da Passagem. Continuamos na direção sul. Às 15h16 cruzamos uma porteira junto a um riacho, afluente ainda do Córrego do Bicho, e paramos para descansar. A idéia inicial era acampar junto a essa água, mas continuamos pois ainda era cedo. Uns 450m após a porteira fomos à direita na bifurcação e com mais 300m abandonamos o caminho largo que fazia uma curva para a esquerda indo para leste - em vez disso cruzamos o capim no sentido sudeste até encontrar uma trilha na direção desejada. Cruzamos uma tronqueira às 16h09 e avistamos uma casa à esquerda junto a altos eucaliptos, porém ainda distante. Tanto a bifurcação anterior quanto o caminho que ia para leste levariam diretamente a essa casa. 

Às 16h30 percebemos que nosso caminho continuaria por uma crista onde seria improvável haver água, então decidimos nos abastecer no vale logo abaixo para passar a noite ali mesmo. Altitude de 1325m. Do alto onde acampamos se via ainda a casa, agora mais próxima, mas não fomos até ela na dúvida se havia gente ou não, ou se seríamos bem-vindos ou não. À noite vimos luz na casa, confirmando a presença de morador. 

imageproxy (2).jpg

Vale do Rio Preto

DIA 3 - 26/07/18 - das nascentes do Córrego do Bicho ao Rio Preto

Duração: 4h30 (com paradas)
Maior altitude: 1363m
Menor altitude: 1100m

Nessa noite todas as panelas foram devidamente guardadas nas barracas e não perdemos mais nenhuma para o lobo-guará, jaguatirica, onça ou sei-lá-que-bicho. 

Partimos às 8h46 na direção sul-sudeste para reencontrar a trilha principal abandonada na tarde anterior. Às 9h10 cruzamos uma cerca por baixo e caminhamos por campos abertos com larga vista dos arredores. Para trás à esquerda logo foi possível ver o divisor de águas do Córrego do Bicho, que estávamos deixando, e do Córrego do Barbado, que passamos a percorrer. Às 10h paramos para descanso por 15 minutos. Na continuação o Córrego do Barbado faz uma curva para a direita (sudoeste) e a trilha o cruza, porém nessa travessia às 11h33 um pequeno acidente: o Leo escorregou nas pedras lisas do riacho e caiu, mas nada sério felizmente. A partir daí começamos a avistar na serrinha do outro lado do vale à nossa direita o caminho para a vila de Fechados, mais notadamente a trilha de pedras brancas que sobe essa serra e tem o nome de Subidão do Miltinho. Paramos às 11h55 na beira do penhasco para apreciar a belíssima e ampla paisagem dos vales do Córrego Samambaia e do Rio Preto, o qual cruzaríamos na sequência (já me disseram que Córrego Samambaia é uma denominação errada da carta do IBGE e que o nome correto é Córrego Andrequicé).

Nessa descida ao Rio Preto avistamos uma casa isolada ao pé da serrinha à esquerda. Logo depois de um entroncamento a trilha se torna mais pisada dando clara indicação de que passamos a percorrer um caminho bastante usado em travessias com destino a Fechados. A travessia do Rio Preto às 13h15 não teve nenhuma dificuldade pois foi através das lajes pontudas típicas da região (mais abaixo o rio é largo e fundo). Paramos para o almoço mas o lugar é tão lindo e convidativo que resolvemos passar o restante da tarde e acampar ali mesmo. O encontro com algumas capivaras na chegada deixou o Leo meio preocupado, mas elas logo sumiram. Altitude de 1112m.

imageproxy (3).jpg

Serra da Lapinha/Serra do Breu 

DIA 4 - 27/07/18 - do Rio Preto ao encontro com o seu Jair

Duração: 8h25 (com paradas)
Maior altitude: 1444m
Menor altitude: 1100m

A partir do Rio Preto evitamos o caminho mais fácil e direto ao Poço do Soberbo para não passar na sede de uma fazenda onde o dono já intimidou trilheiros com cachorro bravo e disparos de arma, segundo relato que lemos na internet. Por isso planejamos um caminho por uma região mais alta, longe da sede dessa fazenda.

Partimos às 9h na direção sul subindo a encosta e logo notamos marcas de pneu no caminho (!?). Na descida que se seguiu fomos à direita na bifurcação pois o caminho pareceu mais usado e um pouco mais curto que à esquerda. Às 9h43 cruzamos um afluente do Córrego dos Piões, mas com muito pouca água, e apenas 400m adiante cruzamos uma porteira de arame aberta. Com mais 300m, às 10h, alcançamos o próprio Córrego dos Piões, com água corrente e fresca. Ele corre para o norte e deságua no Rio Preto bem próximo do local onde cruzamos este último na tarde anterior. Notamos uma plantação à esquerda, com pés de cana recém-cortados. Paramos numa sombra mais à frente junto ao Piões e degustamos alguns pedaços de cana antes de subir por um corredor entre cercas na direção da casa, onde cachorros nos denunciaram. Mas eles eram mansos e só queriam brincar. Cruzamos uma tronqueira e continuamos em frente sem ver ninguém da casa. Antes dela passamos pela cerca da direita e tomamos a trilha pelo pasto com vacas, mas de olho num touro quieto e desconfiado que havia ali. Na porteira seguinte vimos a placa de "Fazenda Pinhões da Serra". Essa porteira tinha um sistema curioso de fechamento automático por meio de uma pedra pendurada num fio - a engenhosidade das pessoas do campo sempre nos surpreendendo. Depois notei que havia uma estradinha chegando a essa casa pelo outro lado. E uma trilha bem marcada vai dessa casa para oeste à casa do seu Álvaro, com sua capela de pedra, que menciono no relato da travessia Lapinha-Fechados (www.mochileiros.com/topic/29430-travessia-lapinha-fechados-serra-do-cip%C3%B3-mg-mai2014). 

Apenas 200m separavam a porteira anterior (a da pedra) de outra e pela vegetação alta não pudemos notar que havia uma casa acima à esquerda. Cruzamos dois afluentes do Córrego dos Piões, o primeiro com escassa água. No segundo notei à esquerda a trilha que vem do povoado de Extrema, uma outra travessia bem interessante dessa região. Apenas 50m após a porteira seguinte, às 11h, abandonamos a trilha bem marcada que se dirigia a um casebre e começamos a subir a encosta à esquerda. Porém avistei um pé de fruta no quintal da casa e fui lá olhar. Era um pé carregado de deliciosas laranjas e colhi cerca de 30 delas, com fartura para todos terem sobremesa nesse dia e nos seguintes! Essa casa tem uma bica de água também.

Com isso me atrasei um pouco em relação ao grupo, que já havia subido a encosta. Inicialmente sem trilha, subi e aos poucos encontrei o caminho marcado na direção sul, o qual adentrou uma mata densa que serve como galeria para o Córrego dos Piões, que cruzei num salto. Na subida que se seguiu reencontrei o pessoal às 11h52 preparando o almoço numa sombra junto a um dos riachos formadores do Piões. Partimos às 13h14 ainda na direção sul e na subida cruzamos uma porteira de arame. Cerca de 600m após essa porteira uma trilha atravessou o nosso caminho no sentido leste-oeste, mas nos mantivemos na direção sul-sudeste (praticamente sem trilha) até o ponto mais alto, às 13h50, com visão muito larga do horizonte em 360º e onde alguns integrantes até tentaram sinal de celular, mas sem sucesso. Esse caminho é povoado de canelas-de-ema-gigantes (planta típica dos campos rupestres) que formam verdadeiras árvores. Continuamos na direção sul pelo campo aberto e cruzamos às 14h52 um afluente alto do Córrego Cachoeira, o qual corre num degrau bem abaixo na Serra do Espinhaço e passa na sede da fazenda que evitamos. Essa travessia de rio aparenta ter de tirar as botas e entrar na água, mas há um ponto exato em que se cruza pelas pedras tranquilamente.

Na subida seguinte havia diversas trilhas que tomamos e abandonamos, mas continuamos mantendo o rumo sul-sudeste para evitar os caminhos que descem à casa da fazenda. Às 16h22 cruzamos uma cerca sem porteira e logo avistamos um homem a cavalo reunindo o gado ainda um pouco distante. Nos escondemos porque não sabíamos a direção que ele iria tomar e não queríamos espantar o gado, deixando o homem furioso conosco. Quando ele se foi voltamos à trilha. Às 16h50 cruzamos um afluente do Córrego do Quartel e no alto tivemos uma espetacular visão da Serra da Lapinha/Serra do Breu.

Às 17h25, faltando 15min para o sol se pôr, o Renato e o Honda, que estavam à frente, abandonaram a trilha e desceram a um vale à esquerda para procurar água e um possível local de acampamento. Por sorte encontraram os dois, um ao lado do outro, para passarmos a noite. Era um afluente do Ribeirão Soberbo. Altitude de 1244m.

Nesse acampamento outro "causo" entrou para o rol de histórias da nossa travessia. Era noite de eclipse da lua cheia. Todos admirando o acontecimento quando surge do escuro um homem, acende uma lanterna ao nosso lado e começa a falar conosco. Todos paralisaram, eu não entendi o que estava acontecendo. Da minha barraca pensei que fosse algum integrante do grupo imitando a fala do povo do lugar. Mas não. Era o dono das terras, o mesmo que vimos reunindo o gado, que viu as luzes e veio ter um dedo de prosa conosco. Felizmente era muito simpático e não se importou nem um pouco com a nossa presença ali. Pelo contrário, foi buscar uma cachaça feita por ele mesmo para nos oferecer e ficar proseando. Seu nome: seu Jair.

imageproxy (4).jpg

Poço do Soberbo e Cânion do Rio das Pedras

DIA 5 - 28/07/18 - do encontro com o seu Jair ao Poço do Soberbo

Duração: 7h15 (com paradas)
Maior altitude: 1248m
Menor altitude: 911m

Desmontamos acampamento às 8h45 e, em lugar de voltar ao ponto onde abandonamos a trilha no dia anterior, seguimos o curso do riacho ao lado e encontramos um primeiro poço do Ribeirão Soberbo. Por votação não fomos a esse poço tomar banho, para frustração do Renato. Mas continuamos o curso desse rio e resolvemos cruzá-lo para a margem esquerda. Ali havia outro poço enorme e nesse paramos para um banho às 9h24. Depois seguimos menos de 200m rio abaixo e o cruzamos de novo às 10h34. Não estávamos encontrando uma trilha definida na direção que queríamos e nessa hora quem ressurge do nada? o seu Jair em seu cavalo. Ele nos levou até a beira de uma ribanceira e nos ensinou o caminho para encontrar a trilha principal que levaria ao Poço do Soberbo. Em seguida sumiu galopando. 

Essa descida foi um pouco demorada e ruim pois não havia trilha (só no alto) e alguns trechos eram muito íngremes em meio ao mato crescido e degraus altos de pedra. Enfim às 12h alcançamos novamente o Ribeirão Soberbo e paramos para o almoço. O sol já estava castigando e aproveitamos para nos refrescar, porém na quedinha d'água o Renato teve o cabelo tomado pelas larvinhas pretas que infestam o lugar.

Retomamos a caminhada às 13h54 e cruzamos o rio mais abaixo, tomando a direção sul. Subimos pelo campo sem trilha e encontramos às 14h13 a trilha principal que vem da Cachoeira do Bicame e desce ao Poço do Soberbo. Ela segue em nível pela encosta da serra e desce pouco antes de cruzar o Rio das Pedras num local de fácil travessia pelas lajes pontudas, às 14h58. Já se avistam lá embaixo as três casinhas antigas de pedra construídas ao lado do Poço do Soberbo. Depois do Rio das Pedras seguimos por mais 80m em nível e começamos a descer, ou melhor despencar, paredes abaixo em direção ao Córrego Fundo. Fizemos a descida lentamente pois alguns "degraus" são bastante altos e é preciso cuidado. Chegamos enfim às margens do Córrego Fundo às 15h40 e procurei o ponto fácil de travessia que conhecia. Porém tivemos que varar um pouco de mato para encontrar a trilha. Na outra margem restos de acampamento. E alguns metros além o caminho largo de vem da Lapinha da Serra (esq) e leva ao Poço do Soberbo (dir). Seguimos para a direita, chegando ao poço às 16h. O resto de maquinário e caçambas usados na mineração antiga do lugar causou um pouco de decepção a quem não conhecia o poço. Altitude de 911m.

imageproxy (5).jpg

Poço do Soberbo

DIA 6 - 29/07/18 - do Poço do Soberbo à Lapinha da Serra

Duração: 6h30 (com paradas)
Maior altitude: 1222m
Menor altitude: 881m

Nesse dia o Leo resolveu partir mais cedo por compromissos que tinha em São Paulo. Depois soubemos que ele conseguiu uma série de caronas e à noite já estava em casa. Feito inédito: dormir uma noite junto ao Poço do Soberbo e na noite seguinte na cama de casa!

Nós, que não tínhamos pressa, começamos o dia explorando o cânion do Soberbo e suas quedas-d'água (na verdade é o Rio das Pedras e não o Ribeirão Soberbo). Encontramos pegada grande de felino. Notamos diversos grampos nas paredes mais abaixo do cânion, indicando a prática de escalada/rapel. De volta, desmontamos acampamento e saímos às 9h57 na direção sul-sudeste ainda. Na areia do caminho para a Lapinha mais pegadas grandes de felino. 

Cruzamos o Córrego Fundo quatro vezes e na última às 11h40 passamos pelo gramado de uma casa vazia. Há também uma bica de água no terreno da casa e esses são os últimos pontos para abastecer os cantis com água boa até a chegada à Lapinha, distante ainda 14km. Menos de 50m depois do gramado da casa há uma bifurcação, na verdade uma trilha sai à direita do caminho largo. O gps indicava que a trilha da direita era mais curta, mas resolvemos nos manter no caminho principal. Subimos bastante e às 12h46 aquele caminho da trilha da direita reencontra o caminho mais largo - fomos para a esquerda então. Pelo calor e pela secura desse trecho apelidamos essa parte da caminhada de Trans Saara. Paramos numa rara sombra para descansar mas sem sinal de água por perto. 

Às 14h chegamos a duas porteiras lado a lado. Cruzamos e do outro lado uma placa adverte "propriedade particular - visitação controlada - entrada proibida". O povo aqui adora proibir tudo. Ali o caminho largo se converte numa estradinha de pedrinhas já em condições de tráfego. Uma outra estradinha desce à esquerda junto às porteiras e leva a uma casa na baixada. Mais à frente essa estradinha entronca à esquerda. Às 14h24 alcançamos uma porteira que dá para a estrada principal que vem da Lapinha. Estava com cadeado e passamos pela cerca de tábuas. Do outro lado da porteira outra placa "propriedade particular - visitação controlada". E na porteira ao lado uma placa muito velha e coberta de ferrugem da Fazenda Cachoeira. Tomamos a estrada de terra para a direita e entramos no vale do Córrego Lapinha, com uma bonita serra do outro lado à nossa esquerda. Às 14h54 cruzamos uma porteira com uma grande mangueira e casas ao lado. Às 15h mais uma porteira e paramos para descanso numa sombra. Às 15h44 chegamos à bifurcação que vai para a Lapinha à esquerda e para Santana do Riacho à direita. A quantidade de carros saindo da Lapinha era enorme e fomos comendo poeira até lá, sob os olhares incrédulos do povo que passava de carro e se espantava com um grupo de 5 mochileiros - ou seriam peregrinos, ou pagadores de promessa, ou extra-terrestres mesmo?

Quilos de poeira depois, às 16h28 chegamos à Lapinha e parecia que não havia ninguém ali que não estivesse bêbado. Estava acontecendo o 19º "arraiá" da Lapinha, por isso a quantidade enorme de carros e a embriaguez geral. Procurei um lugar para comermos e passarmos a noite e encontrei boa comida (e camping totalmente vazio) no restaurante da Dona Lina, na saída para as cachoeiras. Conseguimos wifi também. Altitude de 1102m.

E assim se encerrou a primeira etapa do nosso trekking Trans Espinhaço. Prontos para a segunda etapa?

imageproxy (6).jpg

Alguma espécie de bromélia

DIA 7 - 30/07/18 - da Lapinha da Serra à casa isolada no alto da serra

Duração: 2h20
Maior altitude: 1262m
Menor altitude: 1096m

Nesse dia a Bruna e o João conseguiram um carro para Santana do Riacho (não há ônibus na Lapinha) e por volta de 13h eles zarparam, após almoçarmos. Antes disso, pela manhã, eu, Renato e Honda fomos à mercearia comprar pães, bolachas e lanchinhos para os próximos 6 dias previstos de caminhada. Procuramos um queijo meia cura para levar e encontramos na casa da Dona Maria. Nós 3 deixamos a Lapinha às 13h25 com um sol de rachar. Nosso objetivo era atingir o Alto do Palácio até o dia seguinte para na sequência fazer a travessia Alto do Palácio-Serra dos Alves com a devida autorização do parque nacional obtida naquela manhã mesmo. Mas depois alteramos um pouco esse roteiro para torná-lo mais interessante para os dois que estavam visitando o parque pela primeira vez. 

Tomando o caminho da Cachoeira do Lajeado pelo vale do Córrego Mata-Capim, ainda no nosso rumo sul-sudeste, cruzamos duas porteiras e desprezamos a subida desgastada da travessia Lapinha-Tabuleiro pois não seria a mais conveniente para o nosso roteiro. Atravessamos um riozinho fundo por uma pinguela mais à direita e cruzamos mais duas porteiras. Ao pararmos às 14h32 num riacho para tomar uns goles de água o Renato se lembrou de ter deixado o celular carregando no restaurante. Teve de voltar para buscar e isso retardou nossa pernada. Só retomamos a caminhada às 16h20. Cerca de 10 min depois entramos numa trilha à esquerda do caminho da Cachoeira do Lajeado e começamos a subir a serrinha. No alto atravessamos um lindo e enorme campo e cruzamos uma porteira e um riacho pelas pedras, um afluente do Córrego Mata-Capim. Alcançamos uma casa isolada com diversas portas fechadas a cadeado. Já eram 17h34, o sol estava quase se pondo, e resolvemos acampar no riacho um pouco além da casa, na baixada. Altitude de 1233m.

imageproxy (7).jpg

Poço inferior da Cachoeira da Capivara

DIA 8 - 31/07/18 - da casa isolada no alto da serra ao Alto do Palácio

Duração: 9h47 (com paradas)
Maior altitude: 1423m
Menor altitude: 1110m

Nesse dia nós três fizemos "pensamento positivo" para cruzar a área particular da empresa Cedro sem nenhum problema com os seguranças, porém no final foi muito mais tranquilo do que podíamos imaginar.

Deixamos o acampamento às 8h13, cruzamos o riacho ao lado, uma porteira e continuamos no nosso infalível rumo sul-sudeste. Uma placa azul ao lado dessa porteira avisa  "propriedade particular - proibido boi, cavalo, pesca - Sr Edo Poli". Às 8h48, quando a trilha se aproxima de uma estradinha que vem do norte, saímos dela para a esquerda pois eu estava curioso em saber se ainda existia uma casa abandonada em meio a alguns eucaliptos. Sim, a casa está em condições bem precárias mas ainda está lá em pé. Retomamos a caminhada pela estradinha (e não pela trilha de onde viemos) mas 500m à frente cruzamos uma porteira à direita para pegar uma trilha que logo derivou para a direita. Nessa porteira também uma placa de "propriedade particular - proibido...". Às 9h27 outra porteira e placa cheia de proibições citando o nome da Cedro, mas nenhuma delas diz que é proibido entrar ou passar. Cerca de 120m após essa porteira tomamos a esquerda na bifurcação para nos manter no alto da serra e evitar caminhar pelas estradas internas da Cedro. Na subida pelo campo ainda a linda visão dos picos da Lapinha e do Breu para trás. Às 10h07 cruzamos outra porteira e dispensamos a trilha à esquerda pelo motivo mencionado. Às 10h30 surge a primeira água desde o acampamento, porém estava quase parada e não coletamos. Uns 450m depois chegamos a uma porteira azul e ali sim começaríamos a descer à esquerda para a área central da Cedro, no vale do Rio Parauninha.

Após um descanso e lanche numa rara sombra cruzamos a porteira azul às 11h22 e abandonamos por algum tempo a direção sul-sudeste para tomar o rumo leste a fim de cruzar o Rio Parauninha no local mais adequado, na chamada Ponte Molhada. Cerca de 1,4km após a porteira azul, ao encontrarmos uma tronqueira, não a cruzamos pois a trilha apontava para o norte - em vez disso acompanhamos a cerca para a direita (sudeste). Subimos na direção de uma linha de energia no alto, cruzamos uma cerca por baixo, continuamos para leste e chegamos às 12h09 a uma estradinha de terra, onde fomos para a esquerda, descendo. Apareceu um carro, mas passou por nós e apenas nos cumprimentou. Na curva para a esquerda tomamos um atalho por trilha à direita. Caindo de novo na estradinha fomos para a direita. Logo um caminhão de entrega passou por nós mas não parou. Chegamos às 12h42 à Ponte Molhada do Rio Parauninha, que tem esse nome porque em dia de chuva forte ela pode ficar coberta pela água. Paramos para pegar água e comer um sanduíche como almoço. Às 13h33 continuamos pela estradinha poeirenta num calor bem forte, mas logo aquele primeiro carro estava de volta e nos ofereceu carona na caçamba. E lá fomos nós, passamos pelas casas dos funcionários e cruzamos tudo rapidamente. Essa carona nos poupou 3,4km de pernada, cerca de 1h que aproveitamos depois num banho num poção do Ribeirão Capivara. Descemos na bifurcação para a Cachoeira da Capivara. Eles seguiram para a vila do Cipó à direita e nós rumamos para a cachoeira à esquerda, às 13h52. Mais placas de proibição e dessa vez restringindo mesmo a entrada e passagem, mas são placas muito antigas e o homem no carro disse que visitou a cachoeira recentemente sem problemas. 

Cerca de 300m depois surge uma bifurcação: à direita, segundo o gps (nunca fui conferir), se chega à estátua do Juquinha, mas eu preferi mostrar aos amigos a cachoeira, então seguimos para a esquerda, descendo. O caminho vai se estreitando e às 14h03 cruzamos por uma ponte um afluente do Ribeirão Capivara (água boa). Às 14h24 paramos no tal poção do Ribeirão Capivara para um banho. Dispensamos o banho na cachoeira para evitar problemas. Às 15h37 voltamos à trilha e mais uma placa de proibição aparece. Cruzamos dois riachos no fundo de valas através de pinguelas de madeira bem conservadas e às 15h50 alcançamos o poço inferior da Cachoeira da Capivara. Tiramos algumas fotos e partimos para a íngreme subida à parte alta. Ao nos aproximarmos da trilha principal que vem da rodovia MG-010 largamos as mochilas e fomos apenas com as garrafas de água até o poço da queda superior para coletar água para esta noite e metade do dia seguinte. Mais algumas fotos e não nos demoramos pois ainda tínhamos alguma distância até o local do acampamento. Subimos de volta até as mochilas e agora mais pesados continuamos ascendendo até a porteira da fazenda na rodovia MG-010. Nesse caminho vale destacar que a casa-sede se torna visível, ou seja, o pessoal da casa vê quem entra e quem sai da cachoeira. Bom registrar também que há um riacho de água até mais pura que a da cachoeira nesse trecho. Cruzamos uma cerca por baixo, subimos mais e alcançamos a porteira principal, saindo da fazenda exatamente na hora de um espetacular pôr-do-sol, às 17h27. As placas de cachoeira interditada e acesso proibido continuam lá. 

Estávamos no ponto mais alto da rodovia MG-010, local conhecido como Alto do Palácio. Cruzamos a pista e caminhamos para a esquerda por 250m entrando numa porteira de arame (aberta) à direita. Seguimos pelo caminho largo por 200m e entramos à direita na bifurcação. A noite já caía. Apressamos o passo até subirmos um morrote com uma torre de antena e uma estação meteorológica. Ali às 18h encontramos terreno plano e com capim mais baixo para acampar. Altitude de 1423m. Dali se avista a sede do Alto do Palácio do parque nacional a cerca de 900m, às margens da rodovia, e à noite uma luz acesa indicava haver algum funcionário presente. 

imageproxy (8).jpg

Travessão

DIA 9 - 01/08/18 - do Alto do Palácio até (quase) a Casa de Tábuas

Duração: 8h35 (com paradas)
Maior altitude: 1488m
Menor altitude: 1034m

Ao amanhecer pudemos ver melhor quão bonito era o lugar que escolhemos para passar a noite. A visão se estendia até o horizonte muito distante e pude identificar facilmente lugares como Duas Pontes e o Cânion das Éguas, além da Serra da Lapinha/Serra do Breu que deixamos para trás.

Levantamos acampamento às 8h20 na direção sul seguindo a cerca. O mais conveniente aqui é cruzar logo a cerca próximo à estação meteorológica e seguir pelo lado esquerdo dela, com trilha mais bem definida do que do lado direito. Na sequência de sobe-desce da crista encontramos às 9h38 a primeira marcação da trilha, uma estaca fina de madeira com a ponta pintada de amarelo. Lembrando que estávamos iniciando a travessia Alto do Palácio-Serra dos Alves, a única liberada pelo parque e com a devida autorização obtida pela internet. Muitas outras estacas amarelas ainda iriam aparecer mas percebemos que em lugares críticos de bifurcação ou ausência de trilha elas não estão colocadas para orientar. Ou seja, a sinalização é precária e não se pode fiar somente nela para empreender essa travessia. 

Às 9h45 chegamos a outro belíssimo mirante, desta vez com vista para a baixada onde se encontra o Travessão. No horizonte ao sul se avista o pico mais alto do parque nacional, com 1703m de altitude mas sem nome. A trilha bem marcada imediatamente inicia a descida em direção ao Travessão. Às 10h28 mostrei aos amigos as pinturas rupestres de uma lapa ao lado da trilha, felizmente ainda muito bem preservadas e sem sinais de depredação. Na bifurcação ao lado da lapa fomos para a esquerda, continuando para sul-sudeste (a direita sobe para Duas Pontes, na MG-010) e descendo mais. Me espantei com a escassez de água do dois riachos que cruzamos. O fluxo era tão baixo que preferimos não coletar a água, a primeira encontrada nesse dia. Descemos até o Travessão às 11h10, deixamos as mochilas e tomamos a trilha em direção ao poço próximo para ter água com um pouco mais de vazão. Assim mesmo tratamos a água antes de beber. Essas águas são todas formadoras do Córrego Capão da Mata. Além de toda beleza cênica inerente ao Travessão, expliquei a eles a importância geográfica daquele lugar, um grande divisor de bacias hidrográficas do Brasil. As águas que fluem para o leste formam o Rio do Peixe que deságua no Rio Preto do Itambé, depois no Rio Santo Antônio e no Rio Doce, que encontra o mar no estado do Espírito Santo. Já as águas que vertem para o oeste, a poucos metros, formam o Córrego Capão da Mata, que deságua no Rio da Bocaina, que se junta ao Rio Mascate formando o Rio Cipó, o qual deságua no Rio das Velhas e depois no Rio São Francisco, encontrando o mar entre Sergipe e Alagoas. Um lugar fascinante!

Deixamos o Travessão às 12h24 subindo em direção sul por trilha bem marcada, cruzamos o Rio do Peixe uma vez e paramos ao encontrá-lo novamente mais acima, já no final da subida às 13h. Ali a água era abundante e de ótima qualidade. Paramos para o almoço. Retomamos a pernada às 15h ainda por trilha definida na direção leste, cruzamos uma valeta e 600m à frente a trilha se encaminhou para a direita (sul). Nessa hora resolvemos abandoná-la pois a minha idéia era caminhar sempre pelas cristas mais altas da porção leste do parque, com visual mais amplo e bonito. Voltamos a caminhar na direção leste e nordeste, sem trilha mas sem dificuldade e subimos a encosta no fundo do vale onde o Rio do Peixe se forma. Ali no alto às 15h40 o tempo começou a mudar e o sol forte que havia foi substituído por um céu encoberto, vento úmido e respingos. Já tinha visto esse filme antes no mesmo cinema. Essa região alta do parque é bastante sujeita a neblina e mau tempo, e isso se confirmaria no dia seguinte. Mas prosseguimos sem problema pois não passava (por enquanto) de alguns pingos de chuva bem ralos. Navegamos visualmente na direção sul-sudeste novamente escolhendo onde havia caminho mais desimpedido de vegetação e pedras, sempre tentando manter a altitude e não baixar ao vale à esquerda antes da hora. Para trás podíamos ver as montanhas até há pouco ensolaradas agora com um véu branco de chuva. Onde estávamos não nos molhamos e ainda ganhamos de brinde um lindo e completo arco-íris no céu. Passamos por poços de água parada e atingimos às 16h53 o mirante onde se avista o vale do Rio da Bocaina. Procuramos um lugar para acampar. Subindo um pouco mais à esquerda avistamos um foco de mata e logo abaixo um riacho (afluente do Rio da Bocaina), ao qual baixamos e estabelecemos nosso pernoite às 16h56. Altitude de 1420m.

Algum tempo depois de dormirmos ouvi uma agitação na barraca ao lado: o Honda disse ter ouvido algo como um bicho rondando a barraca e ele e Renato saíram para ver o que era. Mas foi alarme falso. Acho que o trauma da panela do primeiro acampamento ainda paira sobre nós.

imageproxy (9).jpg

Renato e Honda contra o pôr-do-sol

DIA 10 - 02/08/18 - da (quase) Casa de Tábuas ao Córrego Mutuca com neblina total pela manhã

Duração: 8h50 (com paradas)
Maior altitude: 1675m
Menor altitude: 1333m

Amanhecemos dentro de uma nuvem... visão de 50m num dia em que navegaríamos totalmente pelo visual pois não havia trilha e não levamos os tracklogs (essa extensão da travessia, como disse, foi imaginada durante os primeiros dias do trekking). Mesmo assim tentamos. Levantamos acampamento às 8h50 e seguimos na direção sul-sudeste. Eu me lembrava que deveríamos tomar a direção oeste logo após cruzar uma faixa de mata (com água corrente) mas sem enxergar nada foi impossível saber o ponto exato. Encontramos uma trilha mas achei que ela ia na direção oposta, isso tudo com visibilidade de poucos metros. Discutimos novamente o que fazer e decidimos que não valia a pena bater cabeça na neblina para ir pelas partes altas que eu conhecia se não iríamos ver nada, então resolvemos descer daquele ponto à Casa de Tábuas, primeiro ponto de acampamento "oficial" da travessia autorizada e onde reencontraríamos a trilha batida e os tracklogs que levávamos. Dessa maneira traçamos uma reta na neblina e torcemos para que nada obstruísse o nosso caminho até a casa. Por sorte foi bem mais fácil do que pensávamos e às 9h55 chegamos à Casa de Tábuas. Ela tem fogão a lenha, panelas, 4 camas/tablados de madeira e bancos para sentar. Havia alguns alimentos deixados por trilheiros e também contribuímos com comida excedente para uso dos futuros excursionistas. Há uma bica do lado de fora, em frente à varanda. O Rio da Bocaina corre a poucos metros da casa.

Deixamos o local às 10h35 ainda sob forte neblina e um pouco de garoa tomando a direção sudeste (depois sul) no canto posterior da casa. Seguimos pela trilha subindo muito e eu não tinha noção exata de onde estávamos pois não se via nada. Pegamos a esquerda nas duas bifurcações que surgiram. Logo após cruzarmos uma tronqueira às 11h24 avistamos muitos bois, o que não é permitido dentro de uma área de preservação pois é danoso à fauna e flora silvestres. Mais à frente paramos para lanchar quando a garoa deu uma trégua. A neblina começou a abrir e percebi que estávamos aos pés do pico mais alto do parque nacional, aquele de 1703m sem nome. Mas não valia a pena atacá-lo pois a neblina no alto dele ainda era forte. Apesar de não subir o pico vale registrar que esse foi o ponto mais alto de toda a travessia, com 1675m. Caminhamos ainda bastante tempo sem enxergar muito longe e seguindo a trilha ou, na ausência dela, o tracklog que tínhamos. Às 13h04 abandonamos o caminho que ia para sudeste e descemos à direita (sudoeste), cruzando uma cerca aberta. Logo a trilha voltou ao rumo sul. 

Somente por volta de 13h30 o tempo abriu de vez e o sol saiu. Tiramos as roupas de chuva e pudemos visualizar enfim tudo ao redor para nos localizar. Caminhamos na direção de uma mata à frente (um pouco à direita), cruzamos uma cerca, saltamos um charco e chegamos às 14h57 a uma porteira com uma plaquinha quebrada onde se lê com dificuldade "currais 1km". Cruzamos a porteira e continuamos (para oeste) pela trilha bem marcada que entrou na mata, onde o chão de barro estava bastante escorregadio. Ao sair da mata caminhamos mais 160m e alcançamos a Casa dos Currais às 15h14. Fomos alardeados pelos cachorros (cães dentro de um parque nacional... que lástima!) e em seguida recebidos pelos dois brigadistas que estavam ali naquele momento. Na temporada da seca, com maior risco de incêndios, eles ficam em sete homens na casa durante uma semana, depois revezam com outros sete. Os outros cinco haviam saído e não os conhecemos. Proseamos um pouco e nos ofereceram café, pão e bolachas. Contamos um pouco da nossa saga de 10 dias e eles nem conheciam os lugares por onde passamos. Essa casa é o segundo acampamento "oficial" da travessia autorizada pelo parque e o espaço para as barracas é nos currais (sem vacas, mas com cachorros) ao redor da casa. O Córrego Mutuca passa bem próximo da casa.

Às 16h nos despedimos dos atenciosos brigadistas, cruzamos a porteira no canto sudoeste da casa e tomamos a trilha bem batida no rumo oeste para um final diferente e bem mais interessante que Serra dos Alves. Nesse caminho paramos por 35min para preparar uma refeição rápida pois estávamos com muita fome. Às 17h03 cruzamos o Córrego Mutuca pelas lajes pontudas e seguimos por sua margem direita por cerca de 800m. Esse lugar é muito bonito e o Mutuca despenca em graciosas e fotogênicas quedinhas. Ao nos afastarmos um pouco do rio a trilha tomou a direção sul e tivemos de abandoná-la, seguindo para oeste ainda. Descemos por um campo com trilhas mal definidas e reencontramos o Mutuca às 17h42. O sol já havia se posto e era hora de procurar um chão plano para as barracas. Cruzamos o rio pelas pedras e subimos pela trilha bem marcada por 200m, até um ponto em que o capim era baixo e pudemos armar acampamento. Altitude de 1343m.

imageproxy (10).jpg

Planta abundante na Serra do Cipó

DIA 11 - 03/08/18 - do Córrego Mutuca ao Ribeirão Bandeirinha

Duração: 1h30 até a cachoeira, depois foram explorações sem sucesso
Maior altitude: 1361m
Menor altitude: 1132m

Deixamos o acampamento às 8h42 e seguimos pela trilha bem marcada na direção noroeste (mas nosso sentido geral ainda seria oeste por quase 1h). Logo cruzamos uma estreita faixa de mata. Cerca de 800m depois dessa mata a trilha nos levou para dentro de outra matinha e desapareceu. Voltamos um pouco e tomamos uma trilha que cruzava o caminho na direção sudoeste. Logo entramos em outra mata que percorremos por 220m, porém os amigos cismaram que abelhas estavam nos perseguindo. Saindo da mata não paramos no primeiro riacho para pegar água (afluente do Córrego da Garça) por esse motivo. Mas depois vimos que eram as malditas mutucas que não paravam de nos rodear para dar suas doídas picadas. Às 9h16 passamos por um local com uma vegetação muito diferente e frondosa, com diversas palmeiras altas, sugerindo que ali tenha existido uma casa no passado. Subimos mais um pouco e às 9h30 alcançamos a trilha principal que vai do Ribeirão Bandeirinha (esquerda/sul) à Cachoeira da Braúna (direita/norte). Estava nos planos visitar a cachoeira e lá fomos nós para a direita. Avistamos a queda bem do alto e tivemos de descer muito para chegar ao seu poço às 10h12. Mas valeu a pena!

Após o almoço decidimos que a continuação da caminhada por dentro do cânion do Córrego da Garça abaixo da cachoeira não seria muito seguro, apesar do tempo firme. Na verdade essa decisão foi minha pois eu nunca havia cruzado esse cânion, não sabia sua extensão e dificuldade, e na exploração rápida que fiz não encontrei trilhas nas encostas acima do rio. Por isso não achei seguro empreender um pula-pedra tão longo até o Ribeirão Bandeirinha com as cargueiras nas costas. Preferi subir de volta pelo mesmo caminho e descer ao Bandeirinha por um caminho mais seguro, procurando por lá uma trilha que nos levasse à Lagoa Dourada, coisa que eu já havia feito em 2012. O único porém é que eu não tinha o tracklog daquela caminhada e a memória não ajudou pois tudo parece igual no vale do Bandeirinha...

Saímos da Braúna às 13h27 e subimos toda a ladeira de pedras brancas soltas embaixo de um sol escaldante. Esperei os amigos lá no alto e fomos analisar a Serra dos Confins do outro lado do Ribeirão Bandeirinha para tentar visualizar uma trilha na direção oeste, para a Lagoa Dourada. Não vimos nada óbvio e começamos a tentar diversos caminhos. Resumindo: terminamos o dia acampando às margens do Bandeirinha sem encontrar trilha ou caminho aberto para a lagoa, apesar das várias tentativas. Altitude de 1234m.

imageproxy (11).jpg

Campos rupestres do vale do Ribeirão Bandeirinha

DIA 12 - 04/08/18 - do Ribeirão Bandeirinha a (quase) Altamira

Duração: 2h30 até o meu acampamento, antes disso foram explorações sem sucesso
Maior altitude: 1461m
Menor altitude: 1234m

Choveu boa parte da noite e amanheceu chovendo. Demoramos um pouco para sair das barracas por conta disso. Numa trégua da chuva desmontamos as barracas e saímos às 8h45 para mais tentativas de encontrar alguma trilha ou caminho aberto para a Lagoa Dourada. Seguimos todos os tracklogs que levei mas todos davam em lugares de mato fechado, morros de pedras e nada de trilha. E a chuva não parava! Esgotadas todas as alternativas imaginadas, desistimos da Lagoa Dourada (em termos...) e traçamos nosso rumo para a vila de Altamira, para ali encerrar a nossa Trans Espinhaço. Das margens do Bandeirinha subimos cerca de 1100m na direção leste e tomamos às 13h a trilha bem marcada para a direita (sul). Nessa hora o tempo mudou e por incrível que pareça em poucos minutos estávamos tirando as roupas de chuva e passando protetor solar. O caminho dali em diante foi sem surpresas. Cruzamos às 14h03 o caudaloso Bandeirinha por um local bem estreito com apenas um salto e continuamos pela trilha óbvia, quase todo o tempo em subida. Passamos por 3 pontos de água (todos afluentes do Ribeirão Bandeirinha), o último deles com gado (necessário tratar a água para beber). Às 15h30 paramos diante da placa do limite do Parque Nacional Serra do Cipó. Ali voltamos a conversar e eu manifestei a vontade de continuar a caminhada. Renato e Honda já haviam ligado o modo "voltar para casa" e estavam firmes nessa intenção. Eu lhes passei os tracklogs de como chegar a Altamira apenas por segurança e às 16h50 eles partiram, após nos despedirmos e comemorarmos com muita felicidade o sucesso da nossa Trans Espinhaço de 12 dias, um recorde de resistência para todos nós. Eu acampei no capim já amassado a poucos metros da placa do parque. Altitude de 1461m.

DIAS 13, 14 E 15 - 05 a 07/08/18 - de (quase) Altamira a São José da Serra

Nessa terceira etapa do trekking portanto eu estava solo e aproveitei para fazer as explorações que ficaram pendentes. Devo detalhar essa etapa em outro relato mas já adianto as cenas dos próximos capítulos: de (quase) Altamira peguei a trilha para a Lagoa Dourada, mas na verdade fui explorar a ligação dela com o Ribeirão Bandeirinha, dessa vez ao contrário para ver se tinha sucesso. E consegui, porém o caminho tem trechos de trilha e trechos sem trilha, com algum vara-mato leve e descidas de encostas com pedras e arbustos. Da Lagoa Dourada encerrei os meus 15 dias de caminhada descendo para São José da Serra pela trilha bem óbvia e marcada. Passei uma noite nesse vilarejo no camping Muro de Pedra e no dia seguinte às 6h20 tomei o ônibus para São José do Almeida, em seguida Belo Horizonte e de volta a São Paulo. Mas não sem antes encher a mochila de deliciosos queijos comprados no Mercado Central de BH, afinal... estava em Minas, uai!!!

imageproxy (12).jpg

Campos rupestres

Informações adicionais:

Horário do ônibus São Paulo-Diamantina (www.gontijo.com.br😞
diário às 21h30

Horário do ônibus de São José da Serra ao Hotel Veraneio, São José do Almeida e Jaboticatubas (desses locais há muitos ônibus diários a Belo Horizonte):
seg a sex (exceto feriado): 6h20

Horário do ônibus de São José da Serra direto a Jaboticatubas: 
seg e qui: 7h50

A autorização para a travessia Alto do Palácio-Serra dos Alves atualmente é feita através do link: www.ecobooking.com.br/site3/destinoAtrativo.php?gHtY=ggyv4wahfnqunwgob2p0

O povoado de São José da Serra tem pelo menos 4 campings e algumas pousadas, porém agosto é baixa temporada e só consegui encontrar o Camping Muro de Pedra funcionando. O preço é R$25 por pessoa (negociável), com banho quente a R$2 a ficha que dá direito a apenas 6min. O uso do wifi custa R$5. Não havia onde jantar pois os restaurantes e bares estavam fechados, mas o dono do camping me ajudou nisso também.

Repelente é um item essencial durante a caminhada, principalmente no final da tarde e na beira de rios e cachoeiras. Os borrachudos atacam sem dó. 

Carrapatos também marcam presença nessa época mais seca, por isso é bom se precaver e dar uma olhada pelo corpo se você já não está carregando alguns deles. Eu peguei seis carrapatos durante todo o trajeto. Retiro passando álcool gel e esperando 3 minutos antes de arrancá-los, mas para quem tem alergia é bem mais complicado.

Cartas topográficas de:
. Presidente Kubitschek - https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS - RJ/SE-23-Z-A-VI.jpg
. Baldim - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS - RJ/SE-23-Z-C-III.jpg
. Conceição do Mato Dentro - http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/mapas/GEBIS - RJ/SF-23-Z-D-I.jpg

As denominações de rios e serras usadas aqui foram extraídas das cartas topográficas do IBGE e podem não coincidir com as denominações dadas pelos moradores da região, ou podem mesmo estar erradas.

Rafael Santiago
agosto/2018

Percurso na carta topográfica:

WqZ0dxhpHNDb9gueWIUPlYjtXCYj7Tx0DWw_IxYrcdJIdvsd3S2xO84v3e_skwA0X0K_lFRIKEjYgIdpcos95MLUS6ucGcwp0minCX86iWr6u9Xo9JnVjlCqqMn-yspj2aINVwP3tjXRU_RCepWxj-pkQESt5r5YyWqHg4sazaN9-ifkM_czjxSAzMheYYJjYWE8z7cIJ1OQi-4dqbcVtmxDyQ53PSQfPuVbQRr3Kpb4wVr0IgvNxK_zcFhNmslmPyuNfqQkHmmAkjneB4Ar2UBPWTDll1fpmj-hADjR5WcWye_rOQSzXd_Rand9oRMOM75dnu2pvJaLx6XhhBkKR-O6VSo4wQl3cBggLJow8EtZeHcSyr3W9WSHKu-i7EUSGrZi6ak8Jtd1x0yhtq6WNYFW1pBql9Pi3DV0LeoxII_hLly1JExFFjvZ66HCrDrlrCCaD3NA67svNI6oqyyfg3zxz8i--jO7ccRRzHTcmaVX38ozRNSJ6V1AqA2TsbA76-IMywew0eB0nZhBc8OWoGzTjhETCHo6ZjtgZ0wJACpBznr4Q8fiyRtobDyYUU1BA8wbMglR_sCbLmUWxkDWRVD3GTeuulwByNE9y1jX=w1201-h605-no

 

9Pd_yV2UIeY_n_tEH32NZ1LBNN8WEGaEAKQKLkXqLh_Tgc0aJWOwJmCbylfjPNNagatR40hVPLRzLbtVRB6ieIqGodQFTLCp5QXQEUoRTQhY8DgooAoOxNgLQuJ8KHROnslSKBCmW7-okOQoaeNS7BG7DrkihzHROjoAWD2L0gt_h0R688Xc7ePjcZYlIemNuNKdPgrwX7YyiuUHnqd3nlMn5UTHk29KmYqdO_QKB69ApmbmUnMtVF8EAW6u0q87WpOuSjvrcznp1_oLQX9bMcWMtG4UxqkpPUyLCyy83gpH2q-3FU_oEriwcgkBsr6EwkTv69f5Xk1mGSlQ02dDFmaylJRyBMc65oB-1_4n8k5qHc-P_mjpCasitZxqUjS6OybBPwaXktHguTvcresHgAmpWRtqs_dVQ-MWaAfLFf0feQ3bouNWSYTgOrKl3V52eoxmofzpavx8lJbT8cdIelRARPEasSdF7nnbCLDyRk3u9TCI_BSzxFvUtmKEBYEjPVwbWTx8v3tys0g43W-k7VtvvDSRLDKwtQynWqrLwbQIsmqHcjqU_Bu4SVmjod5g7udqwDTinrYVxjPeuyrV15VI8DS7E3RTLqiimg8j=w1201-h605-no

 

B8-9UIe96pwUwUaQVAEtv-QVE5lMVep1nWXVQ2ZrO4ELRHkRtGyla4o5RjHpOsvqC1jS6zQ-qUSc5KpDzGahAWQyL4lEQWAYyLLZEWYFSeCTLHEw0UkkW8NJCU3tDlJiZILMvf8KEZDZI2Nt3MiV1KC49M-yT5pfm9DNT9MbqqPI1ERlPK4V7N32c1Fm7OkgNtpnf8ACmwBFJbW_r3ekwkJij53PGdh0Cvt15Ev7pAkvKpUeMa9MxBtk041kKzNf2hswJaaopIIUhtFb1bwFQVYFjpCe6zujhXvklgdyufeMA71HQmr7eLnaYUXoLUZ71aYp8P8vqHsvgiIIb6VarQR94vN2f9UnNRKj-60h5AffxGEM0x3LHT_HmaHEwpDR3jbVKjU3pLfyQQOeSjSjdmi-PSQF7FyMBD6DGUSvJz6wa61TNv8VuEG-jCnBxr6bBF26TTkmxT989ncWJHK9SUoA4HFh9_mLvQNRi4BZT-efn_AiGCVt8qCl-SNQYY_6IYAg4e1l4JmIeREyT6D62nsO_sZobJaGnaOu2K1jGeBntBXnl7T_Rqy6rRj9regysRAltH4wuNYetly1jnO9c0M9jfD1yU3HbREi3GWe=w1201-h605-no

 

JICsqVUXqb9hyMBPPizvPDFa-MTWCO1dtyr3ki0wRx_5-IfaB6GIjfOdxqNkYxzQ51Zhw2AJhb4zo9Stp4jB86lffmoqfQotqk-ouHVWvRR4mPD5aK42zLnRRXPCrZaOradP_-11a-Qlusw1pae4T4ECP_Q6IjzMM1_97gw8rDy8qwHV0i9MgxOBd80b469MwhezqhF6SCMk71kQ0I1H5Ze-INlkhUo7Ij3bBM2gR6cDAY1nTri8ZfuN7foRiVHYmwp9IdutsyE6VTE-pNq6ZPT-kJ35MU1AD5RgNhfnZY8ofIqZp-3sRUm-2b2zkQibZrl3HEB6C1e0QiFmYDDflUIiasZNH4isNBQ5MGL-GQBuwwCM51_vN0J6sJxLAnOPuDnrnDA0k7fF3IuaL0NMhulafbv8YQvJG2-_GLzWHKyJt4pN-KnMuEX7O3EvZJVO2y-rbPeM2Xze-Jc35Li7c__pNnzMRMAoZOGNClXSaQFYCTiw6Ep5gcEQqdPQC9I4CpgMA3JVN2y_WAo_oAshTQEbQFs2frwD9C_nvPZQJEO3rW8O29R5iQcuDGa_8N_IOUZTj6SFG57MZhWOb1T00lRjX4R54O4RftHtlPMp=w1201-h605-no

 

zUusLixSpGWmHrY_9AREPWBll2ua3DH_LZyiQBQ--JGrL36nMXhlZhoc8iaWBno1-wEB41vQgcPn2FwCjA4CQ6DjSlIo-6Yn9wb5xCfOCrW1uETGwlWSPHObsw-FaGyWlvI1jAMODfzP6meCiXqTO9ZEJ9UWSNiVdzNUUMM8014M3YRsFawLDfOxB-XqlkXAiDa7Yxd1PG_G3oJs1bk-3poao76ZKowU1PupgO9hi6ALl6FbXj5g-lxDCfriKO3wb64-o0Fpi0rHzGYQV1NRphm7nYGF89nXZhgSGzACx9-2u3rIdgX7axhDPWD9TnxiZqoykWr1hqr6peCaZn5v06LwNRlbxbWFLIbMlvzn8SofMDP6SreDUB6Bd7pGvxRvrqbRp83CyTTK22tUd11z5AOPhXS9fLcl2ygzKzdEmYFqsxlEZyrEnQ0YeVo9QDTl8PDy7_lgB6coCCe1QzpF7wB6aA-wnsM_Bedh9C5OMEtuGZaaWj0ExxNQtli-zdwucuW84IMercVO678J0dvsYxG3rueSc-rZfTzQUAIPxUL3BRAkIXyHdZANBvxkfY6YA843bS4fF7Ku6z6O9BY3iVZYKY4PIEGZJQZnTwvh=w1201-h605-no

 

rtTTQcV0coUfJhaS3UPYaoefnVu_F92VB4LfXCbblrAAo65LYXXpORTik5uVwb4U7M81LqQXILqxoPNg97Ute5fdvlf3Het3PRo5ZX_ZrdSo6W6RcJD1OzVo1wF5yajJhaoN1wCX1c7F43ZLttO258ybkhvY14CV7F6G6PfLgaA4ZwbgkOPFE060JOjxwn8b_jWj7dGetXChSasACOHiplYuCJLlOIfAXGcEjaDV4Rw2O1rjyFk1EFe9VVc2goYiey_E0gpNYMPzvWGJigxKo4NMK_pb9qwd8uV5rsj9hXcgHYLl1GrQbIFZ5atKgi0YaO9OxWZyZRqnJwT8ki7LpsY5rCEB0JwP9LFVIQcjbb70epSdDp0diYtZiBmsaoYXweZy0Himw5lU6qL4vIgFij6Tqx1N93Mk1IZ9zEZyNvcGMO0pvhpjAqN-3LGeSLSBI6rnyEwleFGENFf8CgzcZvUpTbypZSl6ojlDEB9aCfSM4Fm2lc8yryKYrSEOV-cvBxGMhBIp0Q3tFUeONDrBYGc8iIaziP-GhEv1xvVJ-_KbFyUVFQp7EpYtna8tBVBnIjn8NsyhWeiMkKFqfDWDrFMGcdb83uiWTIW4yqOE=w1201-h605-no

 

9JNHtK10aEnRMEILc7lT7gxhGOY0N4tCHsjkG-T2UYRUaR1IzTZCrrgO_fPOtn0ABohCjOi3XcB34lNoGRuD7uR9xhyLxUKTA0GvIfqw8Hq9cckhAJgrciKE5IV6jpC5z3E8s7FxAaeygDo6vJ7it-u1ujI78AeoQkGMy36UshW4uMaCFpf1XZL_nEe7YyTrD0XsQQ6FP4Uyvz9GeWHjrDrNuZ5scW1T2IiFus30X7yer01tQsbC1ToVMwfcQzEfcAzC4s6v35KFR5521ZuxI_c-q1dCZqjnUj6zLTZza9r1e2pGbR5OWRzUYu-6ClSpygvPbA9s9vV1IaFzlWNQRCmDjyCQBU54Q-o8a4Mx4_tTwQOVhwEAnAuBloQV9wxAzcJD9zuhQRu12P4fpE8ZyLdp-UvPR4xSTsHwGzdlJL5hb6HNtqpKKqIw47I2oRMxdGxsAlIXTVYj6pXiOXuRay8fCrS9Eni_VGBiry66E0sCa-Aj-89weoDTlBuiJrJ_bk-TOcYA6A7UmWP3Cf_nl0zsrOs19W_sC-gp6xD0ENc_YFs3tLudPoPnr7eYkqcNuGBOMG9hrB9H0Yao-lt4ip79Xa7dvFqCHrogc1_B=w1201-h605-no

 

2G0WE0q5sYsa7AB7NFFgDTv3JFqmAfg-Wo9UvOAb9Q8lKqgc0-4QFVqCMF7gPv6OyDY8jfLaRFjTLr0fge0iyXhUBu2FrZWSS_3Lc7iL9EGe2LOX2IVbovVCmUo3-hUXa4r4aBsHG57t63STl1PsNLs_HJ8vZ8CI8PCb3YcSkw17UWweLbsRvHdNoElGJYBGHKfN8ZJl-cjuT5v2yjrNKDnshwmBHhAtva4lEaetVOzn9AizLUn8FMpjrVeo8nIcZ7DkjFPWOfExc-67G8NEWVD1oXsMqGMc6kqJDXdChXJ3ASE9xzssWKq49P-PMQBR4azVbf80FDDqRR4K8AcMxkSX-YSdgWxYw341GEa70y0ijU1Dz181c6zl1ecWqPpD0SDUZk6j9A68WAsf2SUT8enrQtzV6DFBnz7nt1dDQz6kTqnYebiHJ2aCtuZ2HVfSpGikm-NiNrAe4keF5OADEf1Mk19somz-gQH0gGi79hg8ZpVOSCBlfBmFG7ZN5eGSFQe7h9z4xPxAFq5vkkAfwpzVTqD1fz2j2mol0O1nYH39uMGHn3iy1Z0doFEO9HTzsUsxFqZws4yTuVSKA2Yh0SvYS8M3GkiWBbAM75BC=w1203-h605-no

 

gZZP7UjmrEDYyVbfASu3qwUsqw-fCqoxAhA8wj6EuGJAouuXrYRGOHie9yJAX5pMkDdxYp8lfA5pkqd92nyarPCAL7ksKddyEnKfJTRugzi_tUXqx88_qxx5nrFfGJzn91tUGvPuFa5JHq3_RjTcKwmR02tUiO8BColsGLlfgJTEH3oInuSFYLNHS5OGuUrrvxHM0diTLZ5BUierZuixGtKsZS-et4Mu_7bqd3Nx_6LTer5Nn_Uq25XiULY5uNN0q0x0I7jv2485HnmOEIVJqF8SBZUiolJ_cPTUHtLmSEgoSt7neq7RomVvu8ARKSGLV2KmbZbGI-L72NrXQ3iSC7LX8eBsikFp7m4cBxrW3JQK7O_nkdYglkds3to7dwwOQ5GQJ2w3u6xHGgKo3GPAcMa8leHExAcAfJ8UZu9Yr91YG9W6GzCoNDXQFx79FdFe7NjhVs-40F5qF2e0YrpnfuruDJWiBhfR_TvmGcG35EsYFEa8hds1MN4vtK3ldiWMUl0gWafqZWz3Nw2E8vhdlYf-P6q6vNIx09AHBNZ4d3yIfjqNwUlZLQAiqGSGCVCtVzweafzBEgzZcEyUmIj7KIzv7Dhf87ApCfn6BfLt=w1201-h605-no

 

3x5BzVkQU11wLIQ0pFvbPFvuk7HDGjEmaczoYkIpcbR7t59WI172shtjbNkC4LR_EbZSO-n0Gb14fDA_U1iqtX8QPVAxwdTcl_eQe5tfjNT-mdlfxh7HR2Lnmg_RzcoDpldN35PAkVJQrPeab9-AywTA0yf-0d_uT5KTpAhV0TudJ8IuhE1-qMmCgQScXZwfy9Xl6HYqD96jTYDt2-6hGy32wDR1VCi7OGHoE0ux_IZ0BetUieEGKSmGj0fbv5D23tpWm8U3cHf0EqMqok6ow_GZDGLorx2m2CTucQhFsKNTx0tzpBBfzSwifSuS4DHvjhfXJPfcMrZORe0C2R600FAY8P1tM-9RKi1VV0SyL5D3Ufp19Hl3lTn1rIjjSArVn8mKwrKR_a_9yqJlX2C9hGeZB9Yh1w4slu1nV2s62voau50fT0b99kuZwrVD-7d11qXtgszYL-Dxsarx1fSHfuAp1cfvAUU9af6tyMelmKMbRYZn3W3dZWkUiECoMHMT9D9ehum6EK6uaAdFdvZRP7QaHmzHUd5HndoJo_1MMuOHZjL9yVv8Iz3FrvYXG_w-E4A2rH7NshL_0i0tgpHJUyxj8wYL8KOuKoXBw03X=w1205-h605-no

 

3s9ZcLuxOZrcoyknxXL1r5qr5JN1VwGcdB-YH35Sb0n92banSVET0KbFdWbMyTO7ORBlqUMeNloGY43hAPXku_o6rnRycs9WLQsGiR33oMJJqVu_SlNabV5OtYi59r0kXTLQ12VDUChU-1e-hIsTwm0FvcTPj2QJuQ1KeXT0gWlKjI5oo2tp64m_Ru33_sLuatDaYo13RwzSvAOMSd_AO-FO-VZ6PajJDui77K-2EiM3GKoO2L6JNJ26qdxrlGDM4cpjB_1n-QUDq_bF1pXe65RZGfqr8Nhcw7a1eQ5U3-w2fg8flolG6Mm-_4PMKPxgZvus64-vc5HWiF_3kM3_A2HwRKDWR8w4Mmr8jSy2_5wJKf2ooiPw_B2Bsc-5K3bD_6TmG58JPfCvMsMWdq0vTCiFIZah0-gyORO-9DEwAgdiHwWKuRP5q2kveDz9WyabxCxHpFeO5TCl7VtFa2etiV3EC0Kk3jZbHczOqAlhUQsCxKZ1wzWg8D6i5rruUKyRdBeu6LTX6Xzyker5lhSWvHUQHRv04QZylJKErb_fbYIu7sdgfWJteDr2VyH2hVancjEC5QYARM2C6RyI8izNljp05Q9R3R5CK0kGfTjy=w1199-h605-no

  • Gostei! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por casal100
      Esse relato é dividido em duas partes:
      A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades;
      A segunda parte,  mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos,  começa  na página n° 7.
       
      Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos  mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores  (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses,  caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos,  comidas deliciosas,  não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo.
       
      O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! 
      E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas  e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras,  e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem,  para nossa sorte desistimos em cima da hora.
      LOCAIS VISITADOS:
      Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo)
      Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos)
      São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro)
      Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho)
      Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras)
      Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada)
      PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas)
      São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros)
      Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas)
      Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi)
      Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale.
      Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão)
      Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro  (base e mirante)
      Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado,  parte travessia Lapinha x Tabuleiro)
      Brumadinho - Mg(Inhotim)
      PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto)
      Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins)
      Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima.
      As surpresas da viagem:
      Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas.
      Algumas fotos
      Subida ao pico dos Marins - SP

      Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg

      Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg

      Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg

      Vista desde o pico da Lapinha

      Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg

      A incrível JANELA DO CÉU 

      flora exuberante



    • Por divanei
      LAGUNA 69

       
                Ir ao Peru pôde ser uma das experiências mais incríveis que um Brasileiro poderá ter na vida e se você desembarcar em Huaraz, capital da província de Ancash, cidade de 140 mil habitantes situada a quase 400 km da capital Lima e imersa no meio da Cordilheira Branca, uma extensão da Cordilheira dos Andes, não espere nada menos que o surpreendente, um mundo tão diferente do nosso que irá fazer com que você perca o chão , sua cabeça vai rodar e talvez sentirá até náuseas , tanto pela diferença cultural, tanto pela altitude acima dos 3.000 metros . Eu já havia passado pelo Peru muito rapidamente em 2007, numa viagem alucinante até as ruínas de Machu Picchu, mas foi uma passagem tão rápida e tão conturbada que mal tive tempo de me deixar entrar na cultura peruana, mas desta vez havia separado muito tempo para me perder no país e agora arrastando minha mulher atrás de mim, o que para ela seria ainda mais devastador, já que era sua primeira vez.

         ( LIMA - PERU  )
                A Cordilheira Branca é algo realmente surpreendente, uma espécie de Patagônia Peruana, com uma centena de picos acima de 6.000 metros, geleiras, lagunas coloridas, glaciares, templos Pré –Inca, ruínas históricas, animais exóticos e uma infinidade de diferenças culturais e comidas diversas, trilhas e travessias de montanhas geladas são em números incontáveis e o melhor de tudo isso é que os preços são tão baixos que um brasileiro em economia de guerra vai se sentir rico lá.
                Na praça central de Huaraz , a Praça de Armas, meu pensamento voa longe enquanto nos deslumbramos com a magnitude de duas lhamas e as suas donas trajadas de chollas, que por algumas moedas, emprestam seus bichinhos para uma foto típica, mas meus pensamentos se elevam às montanhas gigantes cobertas de gelo e me imagino no topo delas, mas logo sou trazido a realidade e me lembro que desta vez a única coisa que poderei fazer é me portar como mero turista e não como aventureiro atrás de encrencas geladas e ser turista em Huaraz já é algo magnífico e me sinto feliz de poder compartilhar esse  momento incrível com minha companheira de 30 anos.

                Mesmo como turista é possível passar meses na cidade sem repetir passeio e todos são grandiosos e espetaculares, alguns sem exigência física nenhuma, outros serão apenas para poucos ou pelo menos para quem não é totalmente sedentário, porque além de ter que pôr o pé na trilha ainda vai ter que superar o fator altitude, alguns passeios vão chegar a 5.100 metros e alguns acabam por ficar pelo caminho, mas outros passeio deixarão o turista já no local sem que ele precise dar um passo se não quiser. Geralmente quem vem à Huaraz acaba por separar uma semana ou pouco mais que isso e já vem com os passeios tradicionais muito bem definidos, não é regra, mas conhecer as atrações principais acaba por se tornar quase uma obrigação, isso claro para quem não vai com o intuito de fazer caminhada de alta montanha ou escalar, aí essa regra não vale nada e nem vou expor isso aqui porque seria necessário escrever uma bíblia para falar de tudo que se pode fazer na Cordilheira Branca e mais ao sul dela.

                Dos passeios mais tradicionais, talvez a LAGUNA 69 seja a principal atração, não só por ter uma paisagem grandiosa, mas porque também é preciso de uma superação tão grandiosa quanto a beleza da paisagem, porque de todos os passeios tradicionais, esse é o que requer um esforço físico para ser alcançado. Não que a trilha seja assim algo quase que para super-homens, mas com certeza é o fator altitude que vai determinar quem pode ou não subir ou quem aguenta ou não se expor nos 15 km de caminhada com o pulmão querendo explodir procurando um pouco de ar para respirar e esse seria o desafio que eu havia programado para tentar arrastar minha mulher atrás de mim, mesmo porque eu já sabia que meu organismo se adapta muito bem a altitude e com um condicionamento físico mais ou menos em dia para minha idade, tiraria de letra, mas minha mulher , quase que uma sedentária contumaz , teria que se preparar muito bem para aquela aventura e o principal a fazer, era não fazer absolutamente quase nada, dar tempo ao tempo e esperar que o organismo se adaptasse a altitude, então programei um roteiro de passeios com esse fim, deixando a LAGUNA 69 com mais de 4.600 metros de altitude para o final da viagem, seria a cartada derradeira, uma tentativa de fazê-la conquistar essa atração, talvez uma das mais belas da AMÉRICA DO SUL.

               Huaraz não é uma cidade grande, mas mesmo assim é bem movimentada, com um trânsito intenso e barulhento, onde quem buzina mais tem prioridade, mas essa característica é do país inteiro. No centro, perto da sua praça principal ou mais precisamente na avenida que passa em frente dela e uma abaixo é onde tudo se concentra, desde bancos, órgãos oficiais, lojas de equipamentos, casa de câmbio e as agências de turismo que fazem todo tipo de passeio, que eles chamam de tours. Infelizmente quando desembarcamos em uma das inúmeras rodoviárias, porque cada empresa de ônibus tem a sua, acabamos por entrar meio numa furada de aceitar uma oferta de hostel ou alojamento e com isso acabamos sendo levados a fechar todos os passeios com eles. Acontece que a oferta era tão barata, mas tão barata que ficamos deslumbrados com a possibilidade de gastar uma merreca comparada a nossa realidade no Brasil. Os caras nos ofereceram no pacote uma diária que acabou saindo 25 reais por dia, claro, numa hospedagem meia boca, mas com um quarto de casal com uma cozinha disponível, mas um pouco longe do centro. Depois descobrimos que poderíamos ter pago o mesmo valor para ficar mais bem localizados e no fim acabamos pagando mais caro pelos passeios, mas era tão barato que a gente pouco se importou, fica então a dica de não fechar nenhum pacote com hotel nenhum e negociar os preços direto nas agências e conseguir aquele desconto maneiro.
                Organizei um roteiro que pudesse então fazer com que a gente fosse se aclimatando para enfrentar as altitudes da Laguna 69 e no primeiro dia que chegamos, embarcamos para CHAVIN DE HUASCARAN, uma viagem de um dia inteiro, ida e volta cruzando por cima da Cordilheira até as ruínas Pré-Inca , com uma paisagem deslumbrante no caminho, subindo a mais de 4.600 metros de altitude, passando pela Laguna Querococha, uma introdução as maravilhas da Cordilheira. A viagem é meio cansativa, principalmente para quem chegou de Lima numa viagem noturna de quase 8 horas, mas vai ajudar muito o organismo a ir se adaptando e na volta ainda tivemos a sorte de pegar uma nevasca que cobriu toda a rodovia de neve, mesmo no início do outono.

               
                No dia seguinte tiramos para descansar e para perambular pela cidade, nos enfiarmos nos guetos e bocadas e tentar compreender aquela cultura deslumbrante com um povo tão diferente do que estamos acostumados. Tudo nos faz cair o queixo, as mulheres com suas roupas coloridas e que vendem de tudo que se possa imaginar. Vemos uma pobreza gritante, mas também um povo trabalhador ao extremo e que gosta de comer muito bem. Aliás, a culinária peruana faz jus aos prêmios internacionais que vem ganhando ao longo dos tempos, uma diversidade gastronômica impressionante e o melhor de tudo, com preços baixíssimos, tanto que se podia comer até não aguentar mais por míseros 6 ou 7 reais nas dezenas de pequenos restaurantes espalhados ao redor do Mercado Central. Um dos pratos mais típicos do Peru é o CUY, uma espécie de porquinho da índia e o Ceviche Peruano, esse último eu comia quase todos os dias, mas o porquinho ficaria somente para outra oportunidade, já que minha mulher se recusava a dividir a mesa comigo para degustar essa iguaria local.

                No terceiro dia marcamos para ir a outra grande atração local, o GLACIAR PASTORURI, uma geleira que fica ao sul de Huaraz. A agência nos pegou no hotel às 8:30 com uma van coletiva com gente de toda parte do mundo. Subimos de novo a Cordilheira em pouco mais de 3 horas de viagem, com uma pequena pausa no caminho para um chá de folha de coca para ajudar na aclimatação. Esse é mais um passeio que leva o dia inteiro e vai custar pouco mais de 30 reais por pessoa e mais uns 30 pelo ingresso no Parque Nacional de Huascarán , pode sair bem mais barato se comprar já 3 ingressos , saindo pouco mais de 60 reais, já que iríamos usar para outros dias, fizemos isso. A van deixou a gente a 2 km da geleira. O tempo estava meio embaçado e ameaçava nevar, mas o grande problema ali é a altitude que beira os 5.100 metros e vai desafiar o organismo sem piedade. A caminhada tem pouco aclive, mesmo assim muita gente opta por alugar umas mulas por míseros 7 reais para subir por uns 15 ou 20 minutos, mesmo sendo algo para turista, quem é sedentário de carteirinha vai botar a língua de fora e minha mulher não fugiu à regra, dava um passo e já apoiava as mãos no joelho tentando procurar ar sabe-se lá de onde. Vendo o estado dela tentando vencer esses míseros 2 km, comecei a desconfiar da sua capacidade de conseguir fazer a trilha até a Laguna 69, mas enfim, era preciso deixar o tempo passar para ver como seu corpo reagiria nos próximos dias, se conseguiria se adaptar a altitude. No caminho para o glaciar o tempo virou de vez e a chuva que ameaçava cair desabou em forma de neve, o que foi muito bonito de se ver, mas também acabou por congelar nossas mãos antes de nos valermos de uma luva e um gorro quentinho. Devagarzinho e sendo quase que empurrada por mim, o Rose chegou, com a língua colando no chão, mas chegou e realmente valeu muito o esforço e a oportunidade de poder se postar de frente daquela montanha de gelo, num cenário sem igual. A volta sempre é mais tranquila, tanto a caminhada, quanto a viagem para a cidade, mas foi mais um dia desgastante, agora era hora de descansar e deixar o organismo trabalhar e ir se adaptando porque a regra é clara: Suba alto e durma baixo.

                
                No outro dia a gente queria descansar, mas como já havíamos comprado o pacote, tivemos que encarar o tour para a LAGUNA PÁRON. É uma viagem longa e interminável por mais de 3 horas, onde a van desafia a cordilheira e ascende a mais de 4.200 metros, numa paisagem espetacular, em meio à montanhas geladas. A Laguna tem uma cor azul escuro que chega a hipnotizar a gente e no fundo dela um pico em forma de pirâmide ( NEVADO PIRÂMIDE-5.885) faz a gente não se arrepender de ter ido, aliás, dizem que esse cenário magnifico com a composição laguna mais pico, serviu de palco para a empresa cinematográfica Paramount Picture gravar sua vinheta de abertura antes dos filmes. A van nos deixa as margens da laguna, mas quem quiser pode subir por mais uns 500 metros até um mirante do lado direito. Eu encarei essa subida, mas a Rose ficou lá embaixo contemplando a laguna, mas a subida não é tão puxada quanto pintavam, mas caminhar na altitude nunca é mole, mesmo assim subi correndo e desci também, tentando testar um pouco dos meus limites para a Laguna 69. Chegando lá embaixo fomos dar uma volta de canoa na laguna, uma água absurdamente limpa, tanto que bebemos dela. Voltamos para Huaraz e por causa de algumas obras acabamos por chegar bem tarde da noite, cansados, mas já tendo que nos organizar para o outro dia, quando iríamos enfrentar a caminhada turística mais temida da Cordilheira Branca.


                
          ( Laguna Parón)
                Os dias amanhecem sempre frios na Cordilheira dos Andes, mas por sorte naquele dia não havia uma nuvem no céu e isso por si só já me alegrou. Antes das 6 da manhã a van que nos levaria para a Laguna 69 nos apanhou na hospedagem. Ainda estávamos atordoados e cansados por causa do dia anterior, mas confesso que estava um pouco apreensivo, havia chegado a hora de saber se realmente o meu planejamento quanto a deixar minha mulher em condições de fazer a trilha iria dar certo. No transporte coletivo, mais uma vez se juntavam gente de diferentes países do mundo, a maioria não falava espanhol e como pouco aranhávamos no inglês, praticamente ficamos isolados e trocávamos algumas palavras com uns peruanos e com um belga que havia morado um tempo em Portugal e falava bem a nossa língua. Ao olhar o grupo já vi que o negócio iria mais complicado do que eu pensava, porque era composto na sua maioria quase que total de pessoas jovens, sendo eu e a minha esposa de longe os mais velhos, beirando quase os 50 anos e também o belga que parecia nos acompanhar na idade e esse foi um fato que fez logo a Rose ficar desconfiada dessa caminhada, mas eu desconversei, dei umas risadas e mudei de assunto antes que ela desistisse mesmo antes de começar.
                A Van segue sempre para nordeste, deslizando entre a Cordilheira Branca e a Cordilheira Negra, sendo do nosso lado direito as paisagens encantadoras das grandes geleiras e seus picos acima de seis mil metros e quando chegamos à Carhuaz, saltamos em frente a sua igreja principal para um café da manhã e experimentar os sabores exóticos de uma sorveteria local e para comprarmos água e algum lanche de trilha. Seguimos , mas agora tendo como companhia o monstruoso HUASCÁRAN , simplesmente a maior montanha do Peru e uma das mais altas do nosso continente com 6.789 metros de altitude e foi justamente a encosta desse pico que veio a baixo no terremoto de 1970 que devastou a região de Huaraz, fazendo que a cidade de YUNGAI  quase fosse varrida do mapa, dizem que ao todo foram mais de 50 mil mortes, uma catástrofe quase sem precedente se levarmos em conta que isso se deu há quase 50 anos atrás quando a população era bem reduzida.
                Chegando em Yungai, viramos para nordeste e começamos a subir a Cordilheira Branca, uma viagem interminável, mas plasticamente encantadora, passando por pequenos amontoados de casas e construções rurais, gente que sobrevive a quase 4.000 metros em meio ao ar rarefeito e as agruras da altitude. Vamos subindo pra valer, mas ainda nos valendo de uma crista com um vale do nosso lado direito e quando chega a hora de deixar a crista e entrar de vez no vale que vai nos levar para o coração da Cordilheira, é hora de dar uma parada na ENTRADA DO PARQUE NACIONAL HUASCARÁN para nos identificarmos e comprarmos nosso ingressos (30 soles). Resolvidos os problemas burocráticos, nos lançamos para dentro dos paredões e fomos singrando de um lado para o outro sem tirar os olhos da janela e por vezes tendo que limpar a baba que escorria de nossas bocas do qual o queixo não conseguia se fechar, querendo cair diante da explosão de belezas sem igual.
                Seis ou sete quilômetros depois da entrada do Parque somos apresentados à LAGUNA LHANGANUCO a mais de 3.800 m de altitude, um azul hipnotizante, num cenário de sonhos. Nos detivemos ali por uma meia hora, o suficiente para prever que hoje nos faltariam adjetivos para narrar as belezas que estavam por vir. Mais à frente a LAGUNA ORCONCOCHA desmonta nossa capacidade de avaliar o que é mais belo e apenas ficamos a admirar àqueles cenários que vão surgindo no nosso caminho até que o nosso transporte motorizado para de vez, é chegado a hora de botar o pé na trilha, o coração já vai disparando e aquela ansiedade toma conta da gente, a aventura vai começar, voltar já não é mais possível e agora sou eu contra a altitude, minha missão : Levar minha mulher a uma das grandes paisagens da América do Sul, fazendo com que ela, mesmo um pessoa sedentária, consiga caminhar por 15 km no ar rarefeito montanha acima, numa altitude superior a 4.600 metros.
                
                O guia dá as explicações finais, mas todos nós sabemos que ali guia não serve para muita coisa, a não ser para encher o saco de quem não se mantiver no tempo estipulados por eles para retornar, inclusive para barrar os que não tiverem condições físicas de seguir, fazendo-os desistir. E o tempo estipulado é cruel para os que não tem experiência em longas caminhadas em altitude e muitos ficarão mesmo pelo caminho se não tiverem condições de fazer o percurso até a LAGUNA em no máximo 3 horas para ir e 2 horas para o retorno, então sempre acaba caindo sobre os ombros de todo mundo a responsabilidade de se manterem no tempo previsto.
                Rapidamente apanho as duas mochilinhas com alimentos, água, agasalho e outros equipamentos de segurança e somos os primeiros a nos lançarmos floresta a dentro, perdendo altitude até um riacho cor de leite. Mas não passa apenas de uma língua de mata que é cruzada em pouco mais de 5 minutos até atingirmos o vale plano, que iremos acompanhar por um bom tempo cercado por uma paisagem estonteante. A minha estratégia é fazer com que a Rose só se preocupe em caminhar e poupar energia, tanto que as 2 mochilas são carregadas por mim, deixando tranquila para que possa andar livre, respirando a maior quantidade de ar possível, mesmo numa altitude superior a 4.000 metros.

                O cenário inicial é algo que impressiona, vamos bordejando um rio que corre à nossa esquerda, aguas do degelo de picos gigantes que já podemos observar no horizonte. Vou pedindo para que a Rosa respire fundo e se concentre em colocar um pé à frente do outro, numa estratégia de ganhar terreno nessa parte plana e tomar bastante distância do pelotão principal que é composto pelo guia, porque enquanto tivermos à frente deles, é a garantia de podermos ter uma tranquilidade para irmos mais devagar quando a parte íngreme se apresentar e bicho pegar de vez.
                Me concentro em falar palavras de incentivo e em abastecer de água minha esposa e em dar-lhe algo para repor as energias, mas já vejo logo que ela começou a ferver o radiador e já me parece que começa a diminuir o ritmo e quando uma placa me indica que não andamos nem 2 km, trato logo de desviar sua atenção para que não veja que até agora não andou absolutamente nada. Um pouco mais à frente, umas construções parecendo umas casinhas de duendes nos chama a atenção, mas quando retornamos nossos olhares para o vale de onde viemos é que nos damos conta de onde estamos e do tamanho da paisagem que nos cerca: sobre nossas cabeças se eleva o monumental HUSCARÁN , na verdade com 2 cumes distintos com 6.786 metros a nos assombrar, mostrando que ali naquela cordilheira ele é quem manda , senhor soberano das altitudes, não só da Cordilheira Branca, mas o teto do próprio Peru e do seu lado esquerdo o Nevado Chopicalqui ( 6.354) fecha a parede e nos deixa boquiabertos , nos impedindo de prosseguir sem que desgrudemos os olhares destes monstros feito de rocha e de gelo, um cenário para guardar na memória por uma vida inteira.

         (Huascarán - o teto do Peru)
                Tudo era lindo, mas ainda na minha cabeça eu tinha a esperança de conseguir levar minha esposa até a laguna e a todo momento, mesmo sem tirar o olho das grandes paisagens, ia atrás dela dando uma de personal trainer, dando aquele incentivo, contando umas lorotas, inventando que faltava pouco e quando cruzamos uma pontinha sobre um afluente do rio principal, vi que começamos a nos aproximar de uma grande cachoeira de onde suas águas saltavam dos degelos das montanhas gigantes do nosso lado esquerdo,  que ao fazermos a curva que iria nos fazer começar a ganhar altitude, seria a hora de botar a prova toda minha capacidade de convencimento, se ela vencesse aquele trecho crucial, pensei que poderíamos ter êxito.

                Havíamos vencidos cerca de um terço do caminho, mas até então foi uma caminhada apenas no plano, o que poderia parecer praticamente nada, mas estamos falando de altitude, onde você puxa o ar e não encontra nada, onde o pulmão parece que vai explodir a qualquer momento. Eu me sentia muito bem, mas já sabia que meu organismo de adapta bem e rápido na altitude, mas entendia muito bem o que minha esposa estava passando. Agora o caminhar é lento, um passo e logo as mãos vão para as pernas, tentando se segurar para não cair. O terreno, a trilha, vai ziguezagueando montanha acima e cada metro vencido é uma conquista. Ela sofre, é um sofrimento que acaba sendo compartilhado por mim, que tento mentalmente empurra-la para cima: “ Vamos só mais um pouco, outro passo, respira, bebe água, não está longe o próximo patamar, vamos “.

                O sofrimento nos olhos dela é visível, começa a diminuir o ritmo consideravelmente e vamos sendo ultrapassados por todo mundo e é nessa hora que tenho medo de que o guia comece a pegar no nosso pé e ela desista de vez. Por sorte o próprio guia se deteve por um instante para auxiliar uma jovem que parece ainda estar pior que a Rose e foi a deixa para eu arrasta-la até que atingíssemos o grande patamar, estava vencido mais uma etapa, pelo menos por enquanto teríamos um refresco e poderíamos caminhar por mais algum tempo no plano. Aliás, a entrada desse novo vale é marcada por uma pequena e bonita lagoa que alguém me sopra ser a LAGUNA 68, mas parece ter outro nome também.

          (Laguna 68)
                Fizemos uma breve parada ali na laguna de não mais de 5 minutos, só o tempo básico para uma respirada mais profunda e para engolir alguma coisa energética. Nosso caminho segue agora em nível, numa paisagem incrível de onde a nossa frente desponta o não menos incrível PICO CHACRARAJU ( 6.108) e é com essa companhia que nossos passos vão deslizando pelo vale florido e 600 metros depois da pequena lagoa, nos deparamos com uma placa que indica uma trilha para outra laguna à direita, mas infelizmente não será dessa vez que nossos pés tocaram a Laguna Brogui, é preciso nos concentrarmos no objetivo principal porque estamos no tempo limite e ao trombarmos com uma placa onde dizia que a Laguna 69 estava a míseros 1000 metros, comemorei pensando que daqui para frente seria moleza e o sucesso estava garantido, ledo engano.
                Nesse 1 km final é onde o nosso organismo vai ser testado de verdade. Para quem já vinha buscando ar para os pulmões, esse pequeno trecho de subidas intensas poderá marcar definitivamente o final da caminhada, porque é aqui que muita gente passa mal e em alguns casos tem de ser ajudada a voltar para baixo, esse é o trecho que separa quem vai vencer e quem vai fracassar, pelo menos para os turistas ou até para montanhistas que não conseguem se adaptar as altitudes e já vinha capengando nas etapas anteriores. A Rose agora se arrasta de vez e só não anda de quatro pé para não passar vergonha e mesmo com o vento gelado acima dos 4.500 metros, sua em bicas. Enquanto ela vive seu calvário pessoal, caminhando feito uma tartaruga paraplégica, me contento em incentivar e também em apreciar a grandiosidade da paisagem que vai se descortinando enquanto vamos ganhando altura naquele ziguezague derradeiro.
                A cada passo, a cada metro ganho, nossa ansiedade vai aumentando. Sobre nossas cabeças agora localizo o que imagino ser a ponta do Nevado Pisco, montanha que já foi eleita a mais bonita do mundo, mas é um ângulo diferente e me concentro em botar meus olhos mesmo é na laguna, na esperança de vê-la ao longe. Nessa hora eu nem sei mais para onde foi parar o tal guia e pouco me importo em saber, já tenho a certeza que vamos chegar, muito porque o terreno se estabiliza e o sofrimento da subida já ficou para trás e é hora de encher os pulmões de ar ou o que conseguir, obviamente, e bater continência para uma das maiores atrações da América do Sul.
                
                O paredão gelado já está no nosso raio de visão, a geleira derretendo e deixando cair uma cachoeira e logo o azul, ainda uma pequena pontinha da laguna, desponta à nossa frente e a magia vai crescendo num dos cenários mais surpreendentes do mundo. O cérebro demora a processar o que olhos vão captando e nessa hora nem mesmo sei para onde foi parar minha mulher, só me lembro de ter sido arrastado pelo deslumbramento, quase hipnotizado pelo azul celeste.

                Gastamos menos do que as 3 horas limites para chegar. A Rose quase desmaia de cansada e senta-se à beira da Laguna 69 (4.604 m) e por lá fica comemorando em silêncio essa vitória pessoal, mas eu ainda estou pilhado e enquanto todo mundo, umas 50 pessoas, ficam aos pés da laguna só na contemplação, tomo o rumo do morro a nossa direita e sozinho vou ganhando altitude, galgando esse ombro rochoso até que atinjo o topo de onde se descortina uma visão inteira e completa de toda a Laguna, a mais de 4.650 metros de altitude.


                A grandiosidade da paisagem ao redor é coisa que me emociona e talvez esse tenha sido o lugar mais longe de casa que já estive na vida. Fico ali entregue a minha própria solidão e me esqueço completamente do tempo e da vida, apenas inerte, parado, estático, captando aquela cena do qual guardarei para o resto da vida, mas logo descubro que não é possível ser feliz para sempre e começo a descer e  no final da descida  surpreendo-me com uma vaca querendo chifrar, vejam só, um grupo de brasileiros, na  verdade a vaquinha queria apenas matar sua curiosidade, mas os brazucas não estavam a fim de pagar para ver , então correram bem para longe dela. Quando cheguei perto, todo mundo do nosso grupo já havia partido, inclusive minha esposa, então só me restou fazer um carinho na vaquinha e desembestar montanha à baixo na tentativa de acompanhar o grupo.

                Às bordas de completar 50 anos, ainda me surpreendo com a facilidade que tenho de adaptação às altitudes e como carrego apenas 2 mochilinhas leves, é correndo que desço esse km inclinado, tomando cuidado para não derrapar nas curvas e despencar morro à baixo e rapidamente alcanço minha esposa e o guia, que é um dos últimos e logo quando voltamos ao plano, vamos ultrapassando boa parte dos integrantes do nosso grupo e antes mesmo de voltar ao laguinho intermediário, nos encontramos novamente com o Belga que fala português e numa conversa informal, descobrimos que o cara tinha apenas 40 anos, muito menos do que os mais de 50 que pensávamos ter e ai nos demos conta de que eu e minha esposa éramos os anciões daquele grupo multe estrangeiro, verdade mesmo que não havia ninguém mais velhos do que nós naquela caminhada e naquela montanha.

                O próximo lance de descida é a rampa inclinada, de frente para a grande cachoeira, mas agora a descida é constante e sem maiores pausas, apenas para uma ou outra foto da paisagem ao nosso redor e não demora muito atingimos o vale final, o ultimo estirão, agora totalmente plano, ás margens do rio do degelo das montanhas e vamos aos poucos nos despedindo do próprio Huascarán e o teto do Peru vai ficando para trás e duas hora e meia depois de abandonarmos a Laguna, emergimos da matinha e finalizamos junto à estrada, onde nossa Van foi estacionada e ali nos atiramos ao chão para um demorado descanso até que todo o grupo se juntasse e partíssemos novamente para Huaraz, onde chegamos já tarde da noite.
                Ainda inebriados pela caminhada do dia anterior, acordamos tarde e fomos perambular por Huaraz, nos perdemos em tudo quanto é beco e já que havíamos decidido ficar por lá mais uns dois ou três dias, resolvemos nos mudar para um hotel no centro, o que não nos custou mais que 30 reais. O choque de cultura é tão grande que ás vezes nos faz até perdermos o rumo e já que era para perder o norte, decidi que aquele seria o dia de experimentar uma das maiores iguarias da cozinha Peruana. Entramos em um restaurante popular e enquanto minha esposa experimentava mais um Ceviche, pedi logo um PORQUINHO DA INDIA, havia chegado a hora de provar o tal do CUY, mas antes mesmo que a iguaria tocasse nossa mesa, fui expulso a pontapés pela minha esposa que aos gritos disse logo: “VAI COMER ESSA MERDA LONGE DE MIM” (rsrsrsrrsrsr).
                Lá estava ele, nosso mascote, bonitinho e peludo, mas agora ali jaz, duro e à pururuca. Num primeiro momento não foi agradável ver aquele cadáver parecendo um rato seco sobre a mesa, mas o ser aventureiro que habita o meu corpo me dizia que aquela era talvez a única chance de experimentar um prato típico inusitado. O estômago deu um embrulhada, principalmente quando os dentes saltaram aos olhos, mas o demônio na minha cabeça insistia: “ Come aí, num dá nada, vai lá, só um pedacinho miseraviiii” Fechei os olhos, peguei um pedacinho, enfiei na boca. Minhas papilas gustativas foram se abrindo e o sabor do coitado do porquinho foi adentrando no meu corpo, tomando conta do meu ser e o animal carnívoro veio à tona e me portei como o diabo das Tasmânia, não deixei sobrar nem os ossos, só os dentes permaneceram no prato, melhor o do porquinho do que os meus.

             
                Os dias passaram e foi preciso deixar aquele lugar de sonhos para trás e a nossa volta para Lima foi como a ida, tranquila e sem nenhum percalço porque a maioria das viagens são à noite. De volta à capital do Peru embarcamos imediatamente para o sul do país, era chegada a hora de respirar o ar em abundancia do litoral e como minha proposta era a de conhecer paisagens diferentes, fomos nos perder no grande Deserto de Ica, lá onde o vento faz a curva, lá para as bandas do oásis de HUACACHINA, onde as maiores dunas do continente reinam absolutas, mas isso é uma outra história, de um outro capítulo de um livro chamado : AS HISTÓRIAS QUE AINDA NÃO CONTEI SOBRE O PERU , mas que um dia vou contar, num momento oportuno.


         (Huacachima)
      (Paracas)         
                Essa não foi só uma história de uma caminhada por uma das maiores paisagens do continente, essa foi a narrativa de uma superação, onde o principal objetivo foi mostrar que uma pessoa sedentáriapode vencer aquilo que num primeiro momento pode parecer impossível. Me lembro que anos atrás, na subida do Vulcão Vilarica no Chile, minha esposa me fez prometer que nunca mais a faria enfrentar tais desafios. Daquela vez ela fracassou, desistiu antes do cume, mas desta vez consegui trabalhar bem a parte psicológica dela, provando que as vezes um desafio é vencido com a cabeça e não só com as pernas. Voltamos do Peru simplesmente maravilhados, um tanto chocado com a cultura totalmente diferente da nossa, mas assim mesmo, trazendo na bagagem a certeza de ter vivido o bastante para conhecer um dos países mais espetaculares do mundo, um aprendizado para uma vida inteira.

                                                                                           Divanei-Abril/2019
                
               
               
    • Por Afonso Moretti Santiago
      Olá pessoal, gostaria de compartilhar a experiência que tive durante a Travessia da Cordilheira Huayhuash no Peru. O ponto de partida pra nossa aventura foi a cidade de Lima, lá reunimos alguns integrantes do grupo e seguimos para a cidade base da Cordilheira, chamada Huaraz. Em Huaraz ficamos hospedados em um hostel próximo ao centro e lá tratamos dos detalhes para o trekking.
       
      A

      1º dia de aclimatação - Glaciar Pastoruri e Hatun Machay - ( 5.100 mts de altitude ). 
      Antes de partimos pro trekking, seria necessário fazer algumas atividades de aclimatação. No 1º dia seguimos pro Glaciar Pastoruri, já chegando aos 5.100 mts de altitude, é importante ir com passos curtos e sem esforçar muito. Depois de lá seguimos pra Hatun Machay, uma FLORESTA PETRIFICADA!!! Um lugar SURREAL, dava impressão daqueles lugares de filmes fantasmas....kkkk e o clima ajudou pra deixar com um jeitão bem TENEBROSO. 
       

      2º dia de aclimatação!!! Mais um dia EXTREMAMENTE surreal!!! - Laguna 69 - ( 4.600 mts de altitude )
      Não foi fácil chegar até a Laguna 69, trekking curto, porém a altitude e subida forte cansou bastante a galera, mas a recompensa foi essa..., no final começou chover bem leve e esfriou pra caramba.

       
      3° e último dia de aclimatação. Laguna Churup - ( 4.800 mts de altitude )
      É simplesmente incrível!!! Inacreditável!!!
      "COICE DE MULA"!!! Expressão usada por praticantes de trekking para expressar trekkings curtos mas com extrema dificuldade e inclinação. Mas o prêmio é um mais lindo que o outro.
       

       
      Após os exercícios de aclimatação seguimos para o Grande Circuito Huayhuash, já no primeiro dia enfrentamos chuva, granizo, neve, muito frio e 5 mil mts de altitude.
      Mas todo esforço foi válido e recompensador, ver os Condores voando sobre o topo das montanhas foi de brilhar os olhos.
       

       
      Um dos milhares de cartões postais existente dentro do Circuito Huayhuash, a Laguna Carhuacocha. Eu sonhei e rezei por muitas noites pra que nós tivéssemos um dia lindo assim.
      Foi de encher meus olhos de lágrimas. Parecia um sonho sem fim, a cada amanhecer era algo EXTRAORDINÁRIAMENTE surpreendente.
       

      Outro "cartão postal" dentro do Circuito Huayhuash são as 3 Lagunas ( Paso Siula ).
      Saindo cedinho pela manhã, contornamos a grande Laguna de Carhuacocha, no início a trilha estava bem fácil e agradável, mas talvez meu pior momento na Travessia estava prestes a vir. De muito longe já avistava o Paso Siula, e a medida que eu ia me aproximando a montanha ia cada vez mais crescendo diante de mim. Após avistar a primeira Laguna iniciou-se uma subida muito tensa, a altitude já começava me deixar bastante fadigado, dores cabeça surgiram, quando cheguei ao ponto onde puder avistar as 3 Lagunas, achei que era o final da subida. ENGANO MEU!!! Tinha muito mais subida pela frente, minhas pernas "queimavam" de dor e isso afetou também meu psicológico, entre uma oração e outra, passos curtos, exercícios respiratórios, fui subindo e consegui chegar ao topo!!! E TAVA BEEEEMMMM FRIO LÁ EM CIMA...., tiramos algumas fotos, fizemos um lanche e seguimos em direção á Huayhuash.
       

      A subida até o Mirador da Cordilheira também não foi muito fácil, mas o clima estava nos favorecendo bastante após os dois primeiros dias de chuva.
      O Rafa disse que Condores são indícios de bom presságio, foi dito e feito, depois que avistamos uns 4 ou 5 os dias ficaram mais perfeitos ainda.
       

      Como esquecer Viconga? Tinha sido um dia de longa caminhada, um sobe e desce montanha que deixou o pessoal um pouco cansado. Já quase no final, passamos pela grande Laguna Viconga ( que na verdade é uma represa ), ao passo que íamos descendo, cachoeiras e lindas corredeiras começaram á surgir. Quando chegamos no acampamento avistamos os tanques de água termal ( água quente ). Não demorou muito pra gente cair na água pra relaxar e o clima de descontração tomou conta da galera.

       
      Um dos dias que mais me marcaram durante a Travessia. Estávamos animados e contentes em chegar em Huayllapa, pois seria a única noite que teríamos banho quente, cama pra dormir e também poderíamos comprar cerveja e vinho. Huayllapa é um vilarejo bem humilde e com mil habitantes no máximo ou nem isso. Assim que chegamos nos instalamos no albergue e compramos cerveja pro almoço, teve pastel de queijo.
      Depois do almoço sai com dois amigos pra dar uma volta pelo vilarejo. Descendo uma das ruas vi quatro crianças sentadas, parei e perguntei se queriam tirar uma foto, eles disseram que sim e que queriam chocolate. Tirei uma foto e corri na bodega pra comprar os chocolates, mas o dono disse que não tinha, porém ele tinha "chupitos coloridos" ( doce que as crianças de lá adoram ). O pacote com 50 chupitos custava 6,50 Soles...coisa de R$ 10,00. Quando cheguei no local onde estava as quatro crianças dei 2 chupitos pra cada uma, nisso começou aparecer crianças por todos os lados e em segundos eu me vi cercado por dezenas delas, algumas "espertinhas", ganhavam chupitos e escondiam no gorro ou no boné e depois pediam mais alegando não terem ganhado...rsrsrs. Eu fiquei em estado de ecstasy com tantas crianças em minha volta. Sai andando pelo vilarejo e um monte de crianças iam me seguindo por onde eu ia, todas já sabendo que eu levava um pacote de doces e todas com os rostinhos queimados pelo Sol. Muitas sentiam-se envergonhadas com a nossa presença, o mesmo acontecia com os adultos, fato que achei estranho. Assim distribui todos os doces que tinha.
      Chegando no quarto do albergue eu pensava como tão pouco poderia ter feito tantas crianças felizes.
       

      Assim que iniciamos o último dia da Travessia os meus sentimentos se misturaram, eu me sentia realizado, agradecido, forte, em paz, com saudade de casa e do meu cachorro "maluko"....rsrsrs.
      Chegamos em Llamac, cumprimentei os amigos e comemoramos a conquista. Eu e alguns deles seguimos pra uma igreja, lá agradeci pela força, proteção, pelos grandes amigos que fiz e pela oportunidade de estar realizando algo que talvez tenha mudado minha vida.
       
      Espero poder de alguma forma ter contribuindo com minha experiência para que outras pessoas possam se "encorajar" e ingressar nessa mesma aventura. O relato não está muito detalhado, mas quem quiser mais informações é só me chamar. Valeu!!! 
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       

    • Por Victor Prates
      A cidade de Quito, capital do Equador, está situada no planalto andino, em um vale rodeado por montanhas e vulcões. A 2.850 metros sobre o nível do mar, é a segunda capital mais alta do mundo (na verdade, é a primeira considerando que La Paz não é a capital da Bolívia, apenas a sede do governo).
      Quando fiquei sabendo que havia um vulcão na capital que apresentava um lindo panorama da cidade e de muitos vulcões do Equador, eu quis subi-lo imediatamente.
      Este vulcão é o Pichincha, o qual é dividido em dois cumes principais: o Guagua e o Rucu. O Guagua Pichincha é a cratera principal, porém coloquei o Rucu Pichincha como meu objetivo. Isto porque, o Rucu pode ser alcançado em apenas 1 dia e eu não tinha os dois que são necessários para fazer o Guagua. Segue abaixo mapa mostrando ambos os cumes e as trilhas para chegar neles, bem como o Teleférico e a cidade de Quito.
       
      Este relato apresentará os detalhes para você atingir o cume do Rucu Pichincha (trilha amarela do mapa acima), mas se você quiser se aventurar ao Guagua, há duas opções:
      ·         Realizar a Integral Pichinha, uma trilha bem extensa para alcançar ambos os cumes e aí o recomendado é acampar no refúgio que está na beira da cratera do Guagua. Total: 11 km e 1500 metros de ascensão por trilha (trilhas verde e amarela do mapa).
      ·         Subir de carro a estrada que sai do povoado de Lloa, bem próximo de Quito. Total: 16 km e 1900 metros de ascensão por estrada de terra (trilha azul do mapa acima).
      O meu tracklog do Rucu Pichincha foi postado na página do Wikiloc e pode ser encontrado neste link aqui. Se você quiser realizar a Integral Pichincha, recomendo que siga a descrição do Santiago González, a qual se encontra neste link.
       
      PROGRAMAÇÃO
      Como Chegar
      Antes de iniciar a trilha para o topo do Rucu, é preciso ir ao Teleférico de Quito, que fica no Bairro La Mariscal.
      Fui de taxi e paguei 4 dólares até o teleférico. Os táxis no Equador, no geral, são baratos e compensam muito se você estiver viajando em grupo. Além disso, a Uber também funciona muito bem nas ruas de Quito.
      O horário de funcionamento do teleférico é de segunda a quinta das 09:00 às 20:00 e de sexta a domingo das 8:00 às 20:00. O trajeto até o Mirador Los Volcanes dura 20 minutos. Este mirante, além de apresentar uma maravilhosa vista de Quito e seus arredores, também coincide com o ponto de início do trekking.
      Neste link você poderá ver informações detalhadas sobre o Telefériqo de Quito.
      Para retornar ao meu hostel após descer do pico, paguei 1 dólar de van até a Calle Mariscal Sucre, que é a avenida que atravessa a cidade de norte a sul. Daqui procurei táxis que me cobrassem os mesmos 4 dólares da ida, porém estavam me pedindo 10 dólares ☹. Me disseram que era por causa do trânsito, mas provavelmente foi por minha cara de gringão mesmo. Lembrando que a distância até minha hospedagem era de apenas 3 km.
      Pra minha sorte havia um ônibus que passava a 100 metros dali e que ia até a Avenida Cristóbal Cólon, a qual estava próxima da minha hospedagem. Tomei o bus de número 67 e paguei somente 25 centavos de dólar. Bem melhor que os 10 dólares do amigo taxista.
       
      Quando Ir
      A época de seca nos Andes equatorianos vai de junho a novembro. Fiz a trilha para o Rucu Pichincha em setembro e o tempo estava excelente.
      É recomendável fazer a trilha bem cedo, já que pela tarde é comum que as montanhas ao redor de Quito sejam encobertas por nuvens.
       
      O Que Levar
      ·         Calça de trekking
      ·         Camiseta
      ·         Bota ou tênis de trilha
      ·         Jaqueta corta vento
      ·         Leve segunda pele e blusa de fleece para o caso de fazer frio
      ·         Mochila pequena (< 30L)
      ·         Boné/chapéu
      ·         3 L de água
      ·         Snacks para trilha
      ·         Protetor solar
      ·         Câmera fotográfica
       
      RESUMO DE GASTOS (2017)
      ·         Água e comidas para a trilha = US$ 7,00
      ·         Táxi ao teleférico = US$ 4,00
      ·         Valor de subida e descida do teleférico = US$ 8,50
      ·         Van do teleférico até a Avenida Calle Mariscal Sucre = US$ 1,00
      ·         Ônibus até Cristóbal Cólon com Amazonas = US$ 0,25
       
      GASTOS TOTAIS = US$ 20,75
       
      O RELATO
      Numa quarta-feira de setembro, acordei às 7:00, tomei café e peguei um táxi do Bairro La Mariscal até o Telefériqo de Quito. Ele é o meio de acesso para o Mirador Los Volcanes, ponto inicial do trekking para o cume do Rucu Pichincha.
      Cheguei no Teleférico às 8:40 e, pra minha surpresa, ainda não estava funcionando. Como já disse, de segunda a quinta funciona das 09:00 às 20:00 e de sexta a domingo das 8:00 às 20:00 e só descobri isso ao chegar lá.
      Mas foi bom porque nessa espera conheci o Gal, um israelense extremamente simpático que queria fazer a mesma trilha. Pensei em perguntar da Mulher Maravilha, mas não tive coragem. Ele só me disse que é um nome comum no país (a atriz que interpreta a personagem no universo da DC é uma israelense chamada Gal Gadot. Nunca pensei que fosse falar da Mulher Maravilha num relato de viagens).
      Voltando pro que interessa... Ele me disse que não estava seguro em como seria seu desempenho em altitude, já que como o Brasil, Israel não possui altas montanhas. Então ele resolveu aproveitar o meu embalo e disposição para me acompanhar nesta empreitada.
      Compramos os bilhetes do teleférico por 8,50 dólares, que servem para subida e descida da montanha. Não perca o bilhete que você receberá, pois o mesmo também serve como comprovante de descida. Caso perca, terá que pagar mais 8,50 para descer.
      O trecho dura cerca de 20 minutos até o Mirador Los Volcanes, um mirante na cota 3.950 m que apresenta lindas vistas de Quito e dos principais vulcões do Equador. O céu estava completamente azul e a visibilidade era tremenda. De lá se podia ver lindamente os vulcões Cotopaxi, Cayambe, Antisana, Rumiñahui e Illinizas. Inclusive, é possível enxergar o topo do Chimborazo, a montanha mais alta do país, com 6.268 m de altura, e que está a 140 km de Quito!!
      Para que você possa contemplar este visual, recomendo que comece a trilha o mais cedo que puder. Explicarei o porquê mais adiante.
      Gal e eu tiramos algumas fotos do cenário e partimos para iniciar a trilha.
      Em poucos minutos de caminhada, pode-se contemplar o belo cume proeminente do Rucu Pichincha.
      Os primeiros 3,7 km são de aproximação à montanha e possuem um grau menor de dificuldade, já que a inclinação da subida não é tão acentuada.
      Porém, enquanto caminhávamos nos questionávamos por onde subiríamos até o topo, já que não era possível visualizar uma possível rota de subida. Isto porque a face que se vê do começo da trilha é de pura rocha.
      Assim que nos aproximamos da montanha, notamos que a trilha a contorna pela sua direita, por trás daquela face rochosa que vimos de longe.
      A partir deste ponto, a trilha está menos marcada, mas não há como se perder. Seguimos caminhando por detrás do pico por um terreno com uma inclinação um pouco mais elevada.
      Após cerca de 500 metros de distância, há um ponto que parece que a trilha acaba, mas é um lance em que é preciso subir uns 2 metros pela rocha mesmo. É um trecho um pouco delicado, mas não se preocupe, pois não é escalada.
      Mas a parte tensa do trekking só ia começar 500 metros mais pra frente. Neste ponto, a altitude já é um fator determinante (4.500 msnm) e é bem quando o terreno fica bem inclinado e bem arenoso, dificultando o rendimento da caminhada.
      Aqui, Gal e eu fizemos várias paradas para controlar os batimentos cardíacos e o ritmo respiratório.
      O visual era ainda mais espetacular, com a cidade de Quito lá embaixo e aquele cenário vulcânico bem característico por todos os lados.
      Deste ponto em diante, tem que tomar mais cuidado com a orientação, já que por vezes ela não é tão óbvia.
      E iniciamos a investida final para o cume. Caminhamos por meia hora por trilha bem inclinada até chegar numa placa. Daqui é preciso tornar para a esquerda para a investida final.
      Agora, percorre-se a última meia hora para o cume num terreno rochoso um pouco exposto e não muito marcado. É preciso tomar cuidado.
      Finalmente, após mais de 800 metros de desnível acumulado e 5,7 km percorridos em 3 horas, atingimos o cume do famigerado Rucu Pichincha.
      O cume do Rucu está na cota 4.784 msnm e é bem pequeno, o que proporciona um lindo visual 360º do panorama da região.
      A vista era deslumbrante. Pode-se ver todo o visual da cidade de Quito e do vale em que a cidade está situada. Também se vê todos aqueles famosos vulcões equatorianos acima citados, só que daquela perspectiva que só topos de morros podem proporcionar.
      Do cume, também se pode ver o imenso vulcão Guagua Pichincha, que fica a 4 km do Rucu. Como explicado na INTRO, o Guagua é a cratera principal e o Rucu é a cratera velha do mesmo vulcão, o Pichincha.
      Aqui no topo podem aparecer carcarás sociáveis. Acredito que os turistas devem alimentá-los. Eles são selvagens, porém é impressionante ver o quão perto eles podem chegar.
      Ficamos por uma hora contemplando o incrível cenário e iniciamos a descida.
      Se para subir foram 3 horas, a descida se deu em apenas 1h30min.
      Chegamos de volta ao teleférico próximo das 14h. Neste momento o dia já tinha mudado completamente. Se de manhã o céu estava completamente limpo, agora havia muitas nuvens no Rucu Pichincha e nem era possível ver a montanha. Ao longe também havia uma névoa que impossibilitava contemplar os vulcões dos arredores de Quito.
      E, claro, bem nesta hora tinham mais turistas, porque não são todos que preferem acordar de manhãzinha. Mas garanto que recompensa muito mais levantar cedo, mesmo se você não for subir o vulcão. Este é um padrão que se repete frequentemente em Quito: manhã de céu azul e tarde com muitas nuvens.
      Aqui, Gal se despediu de mim e desceu de teleférico primeiro, enquanto fui tirar mais algumas fotos.
      Peguei uma filinha de uns 20 minutos para tomar o teleférico da volta. Imagino que aos finais de semana deva ser bem caótico.
      E foi isso. Foi um dia delicioso, muito recompensador e bem barato.
      Espero que tenham desfrutado.
      Seguem abaixo algumas fotos deste dia.

      Rucu Pichincha visto da trilha

      Lindo vale a a cidade de Quito lá embaixo

      Vista do Vulcão Cotopaxi do Mirados Los Volcanes

      Próximo ao cume do Rucu

      Vulcão Guagua Pichincha visto do cume do Rucu

      Vista de Quito do topo do Rucu
      Postei este relato no meu blog. Você pode acompanhá-lo no link http://trekmundi.com/rucu-pichincha/
      Beijos e abraços!             
       
       
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Trilha das Sete Praias - Ubatuba - SP 
      Praias: Lagoinha, Oeste, Peres, Bonete, Grande do Bonete, Deserta, Cedro, Fortaleza.
      Dificuldade: Fácil
      Distância: 8,9 km
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato desta trilha fantástica situada na região de Ubatuba, litoral Norte de São Paulo onde iniciamos na Praia da Lagoinha que fica a aproximadamente 29 Km do centro da cidade e finalizamos na praia da Fortaleza 27 Km do centro de Ubatuba. A trilha é de nível fácil com poucos lugares de subida e com belas paisagens. Todas as praias contém água potável em nascentes que ficam no início das praias e existem alguns bares nas praias porém como fomos em baixa temporadas a maioria estava fechada.
       
      Partida - 06/06/19 - Ida 12:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$38,00 - Caraguatatuba x  Praia da Lagoinha-> Ônibus R$3,80
           Partimos do terminal rodoviário do Tietê em São Paulo Capital de onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sairmos ao 12:30pm. Saímos no horário marcado e fomos em 5 pessoas no carro, pois já havia uma pessoa fazendo o trajeto também. Viagem tranquila e segura de duas horas e meia de duração até chegarmos a Caraguatatuba já no litoral onde descemos na rodoviária e lá mesmo pegamos um ônibus do transporte público com sentido a Ubatuba e depois de aproximadamente 35 minutos descemos no ponto próximo ao supermercado Garotão. O ponto de ônibus fica na praia da Lagoinha e é onde se inicia a trilha das sete praias. Após descer no ponto é só caminhar poucos metros até a entrada do condomínio mais a frente e se informar com algum dos seguranças da entrada do condomínio onde fica a entrada da trilha que eles já estão acostumados a informar as pessoas que querem fazer a trilha.    

           A trilha fica do lado esquerdo da praia da Lagoinha logo após um rio que corta a praia desaguando no mar, mas como chegamos com a maré já alta não conseguimos caminhar pela praia e atravessar o rio para começar a trilha. Com ajuda de um haitiano que encontramos na praia, o simpático Jean Pierre, nos informou onde seria o começo da trilha dando a volta para iniciar na entrada de um condomínio. Nos informou também onde teria um mercado mais próximo, o Mercado Garotão. Como entramos na praia não sabíamos da situação da maré cheia impossibilitando a travessia, então com a ajuda do haitiano conseguimos voltar e passar no mercado  para comprarmos algumas coisas para passar a primeira noite e começar a trilha.
        
            Iniciamos a trilha já quase anoitecendo por volta de umas 17:00pm. Saímos do mercado e bem de frente atravessando a rodovia já se vê a entrada do condomínio Recanto da Lagoinha onde caminhamos poucos metros e logo após a guarita da entrada viramos na primeira rua a direita, a Rua Sabiá e caminhamos até uma outra guarita onde se inicia a trilha em uma entrada a esquerda que contém uma placa de área de preservação ambiental ao lado de uma cerca do próprio condomínio. 



           Como a claridade estava ficando cada vez menor, passamos pela Praia do Oeste no escuro e caminhamos até a segunda praia, a Praia do Peres onde foi o nosso primeiro camping. Armamos acampamento já no escuro em um pier de pescadores que contém um gramado e um grande barracão de frente para o mar. Conversando com alguns pescadores que ali estavam fomos informados que logo de manhã um senhor que cuidava do local iria nos expulsar dali. Pensamos em caminhar mais adiante na terceira praia mas decidimos ficar e acampar por ali mesmo e apostar que o senhor não nos dê uma bronca muito grande de manhã por termos acampado ali rs. 




        
          

            Acordamos por volta das 8:00am e quando estava saindo da barraca para lavar o rosto em uma queda de água doce próximo dali lá estava o senhorzinho que nos informaram que iria ficar zangado por causa das nossas barracas. Resolvi dar bom dia pra quebrar o gelo mas não obtive sucesso. Então acordamos fizemos um café rápido no fogareiro a gás desmontamos nossas barracas e seguimos para a próxima praia da trilha, a Praia do Bonete ou Bonetinho como é chamada pelos locais.






       


       
         
           Ficamos um dia na Praia do Bonete, havia uma bica com água potável geladinha localizada no começo da praia. A praia do Bonete tem areias claras e águas cristalinas muito convidativa a um belo banho de mar. Armamos nossas barracas bem no meio da praia em um banco de areia mais alta debaixo de algumas árvores. Nesta praia havia algumas placas proibindo a entrada e camping pois a área seria propriedade particular. Decidimos acampar na praia mesmo e não entramos mais a dentro da mata.


            Acordamos por volta das 8:00am e desmontamos rápido as barracas, tomamos um belo café da manhã a beira mar e ficamos um tempo contemplando a praia até partirmos para a próxima praia, a Praia Grande do Bonete. Caminhamos até a ponta da praia onde existe uma placa amarela com informações aos turistas. Iniciamos a trilha e alguns minutos depois já tínhamos um lindo visual da Praia Grande do Bonete. A trilha levou uns 15 a 20 minutos e logo estávamos na Praia Grande do Bonete. 
        




           Chegamos e logo vimos que bem no começo da praia havia uma bica de água potável geladinha. Caminhamos um pouco e decidimos acampar quase que no começo da praia mesmo, do lado que não tem casas na beira da praia. Armamos nossas barracas na praia debaixo de algumas árvores e de frente para o mar. Fizemos uma fogueira para o almoço e janta e ficamos neste local por três dias.
       


            No primeiro dia conseguimos finalmente entrar no mar, conseguimos também tomar banho em um bolsão de água doce que tem atrás das pedras no começo da trilha e fizemos um belo jantar vegano pra fechar o dia com chave de ouro.  

           No segunda dia acordamos um pouco mais tarde, colocamos as barracas pra tomar um pouco de sol, tomamos um belo café e fomos caminhar até a outra ponta da praia que olhando de longe parecia que tinha um movimento de pessoas por la. Caminhamos até lá e descobrimos que havia alguns bares abertos onde tomamos uma bela de uma gelada e carregamos nossos telefones. Retornamos ao camping e pegamos duas mochilas vazias e dois de nós retornamos a trilha até o Mercado Garotão para comprar umas geladas e alguns petiscos. Fomos e voltamos em menos de duas horas e passamos o dia neste paraíso. 

       


           No terceiro dia na Praia Grande do Bonete acordamos por volta das 9:00am, tomamos café, entramos nas águas geladas daquele mar lindo de águas cristalinas iluminado por um lindo sol que contrastava com o céu inteiramente azul. Logo depois, dois de nós como combinado anteriormente, retornaram a trilha até o ponto de ônibus para aguardar mais um integrante da nossa trupe. E como iríamos passar perto do mercado já aproveitamos e compramos algumas bebidinhas, petiscos, um bom repelente, que foi para não faltar mais nada até o final da trilha. Recomendo o repelente de creme, pois o de spray não faz efeito nenhum para os mosquitos de lá hahahaha. Compramos um óleo ou essência de citronela que seria de colocar em lampiões para espantar o mosquito, mas ao invés de colocarmos em lampiões nós colocamos no nosso próprio corpo e deu muito certo ahuahauha!  
       

           Este dia foi um dos mais divertidos, com mais um integrante fizemos um grande rango, bebemos algumas cervejas, bebemos algumas biritas e tomamos também o único, o verdadeiro, o legítimo, o melhor de todos, the best, o Drink do Gato. Um drink elaborado por um dos integrantes da trupe e que se tornou o sucesso durante toda trilha ahahuahuauah inclusive para alguns caiçaras. Mais informações só chamar que posso passar os ingredientes e a forma secreta de se fazer. Poucos conseguem tomar! Drink do gato! Pra vocÊ aprender! kkkkkkkkkkkkkkkkkk Não conseguimos imagens do drink pois as condições não eram favoráveis no momento após a ingestão do mesmo kkkkkkk. Ha alguns rumores de que alguns dos integrantes corriam loucamente na noite em direção do mar tentando loucamente se banhar nas águas "quentes" da praia hahauahuahua iluminado por uma lua fantástica. O integrante ainda tentava persuadir os outros a entrarem no mar com dizeres: "Gente vemmmm, ta quentinha, a água ta quentinha! Vemmmm gente! Uhuuuullll!" Hauhauhuhuah Foi sensacional!     --> Drink do gato! Pra você aprender! kkkk 


           Acordamos e mantemos o protocolo. Barracas ao sol, acender a fogueira, café forte pra acordar, ficamos algumas horas por ali aproveitando o lindo sol que fazia no dia, tomamos um belo banho de mar e logo partimos para próxima praia. A trilha fica no final da praia em um muro de pedras com algumas placas indicando o lado correto. Foi umas das partes um pouco pesadas desta trilha, talvez por causa do peso que estávamos levando, em alguns lugares a trilha se tornava um pouco ingrime dificultando um pouco nosso ritmo. Em alguns trechos também se abriam clareiras mostrando um lindo visual.  
       

        
       
       
       
          A próxima praia que nos aguardava na verdade seriam duas em uma.  A Praia Deserta fica junto com a Praia do Cedro e são divididas por algumas pedras, mas muito fácil de se atravessar por elas. Ou pra quem não gosta de se aventurar em pedras, existe uma trilha que passa por de trás delas muito rápida e segura também. 











       



            Armamos nossas barracas na primeira praia, a Praia Deserta. Ficamos bem de frente para o mar do lado da placa da trilha das sete praias. O lugar é cheio de árvores e tem ótimas áreas para camping selvagem e proibido, como diz nas placas que encontramos novamente na praia. Acredito que não tivemos problemas com isso por causa da baixa temporada, pois a trilha é muito movimentada na alta temporada e a fiscalização talvez seja mais rigorosa. 
          










           Ficamos por dois dias nestas praias, a segunda praia, a Praia do Cedro contém uma área de camping e um bar que ambos estavam fechados por causa da baixa temporada. Existe também uma bica d'água encanada bastante gelada que tanto usamos para tomar banho quanto para beber. A praia é pequena mas encantadora pela beleza.  



           Após dois dias fantásticos nessas praias infelizmente com muita tristeza que caminhamos para a última praia da trilha. Desmontamos nossas barracas, retiramos todo o lixo, fizemos um café forte, arrumamos as mochilas e partimos para Praia da Fortaleza. Mas antes ainda tinha mais um lugar muito lindo pra conhecer, o Pontão da Fortaleza. Um lugar surreal e único que fica um pouco antes de chegar na praia da Fortaleza virando a esquerda na própria trilha.


          












           Chegamos por volta das 16:00am no Pontão da Fortaleza com um tempo de trilha de aproximadamente uma hora por causa do peso das mochilas, pois em alguns trechos da trilha o caminho se torna um pouco mais ingrime dificultando um pouco a trilha. Ficamos no Pontão por quase duas horas contemplando a beleza do lugar. Até cogitamos acampar por la mesmo, mas acabamos decidindo retornar a trilha e finalizar a Trilha das Sete Praias na Praia da Fortaleza.
       
           Andamos por alguns minutos nas areias da praia até entrarmos em umas das ruas onde se vê uma igreja. Caminhamos nesta rua e na bifurcação viramos a esquerda e caminhamos até o bar do Zé Mineiro onde fechamos nossa trilha e nosso dia com uma bela cerveja gelada.
      Retorno - 12/06/19 - Retorno 13:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$40,00 - Praia da Fortaleza x Praia da Sununga-> Ônibus R$3,80
           Na própria praia da Fortaleza existe um ponto de ônibus indo tanto para Ubatuba quanto para Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos e pegamos um ônibus sentido Ubatuba pelo valor de R$3,80 e descemos no ponto dos postos de gasolina. Este é o ponto mais próximo da praia da Sununga e da Praia do Lázaro. Ficamos por lá mais quatro dias no Camping Sununga e depois encontramos um BlablaCar por R$40,00 pra cada que nos levou até São Paulo e finalizamos assim mais um Mochilão pelo litoral norte de São Paulo. 
      Vlw Mochileiros! Gratidão.  ❤️ 
       
       
      Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp
      Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/
        


×
×
  • Criar Novo...