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2007: Caminho de Santiago de Compostela, com Paradas em Madrid, Porto, Fátima e Lisboa


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Considerações Gerais:

Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, hotéis, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.

Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e albergues, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes.

Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.

Informações Gerais:

Meu objetivo era fazer uma peregrinação. Por isso procurei ficar em albergues associados à peregrinação durante o caminho. Mas aproveitei também para conhecer Madrid e algumas cidades de Portugal. Obtive a credencial de peregrino e muitas informações na Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago (https://www.santiago.org.br). Não me preocupei com conforto nem com luxo.

Minhas paradas foram mais ou menos as seguintes com as respectivas distâncias caminhadas, salvo algum esquecimento (não tenho mais a credencial para confirmar, doei-a para a Associação de Amigos do Caminho):

4.a 28/3: Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles - 30 km

5.a 29/3: Roncesvalles a Villava - 30 km

6.a 30/3: Villava a Pamplona - 4 km

Sáb 31/3: Pamplona a Cirauqui - 30 km

Dom 01/4: Cirauqui a Los Arcos - 32 km

2.a 02/4: Los Arcos a Torres del Rio - 14 km

3.a 03/4: Torres del Rio a Logroño - 18 km

4.a 04/4: Logroño a Nájera - 27 km

5.a 05/4: Nájera a Redecilla del Camino - 30 km

6.a 06/4: Redecilla del Camino a San Juan de Ortega - 35 km

Sáb 07/4: San Juan de Ortega a Burgos - 23 km

Dom 08/4: Burgos a Tardajos - 11 km

2.a 09/4: Tardajos a Castrojeriz - 30 km

3.a 10/4: Castrojeriz a Carrion de los Condes - 45 km

4.a 11/4: Carrion de los Condes a Sahagun - 38 km

5.a 12/4: Sahagun a Mansilla de las Mulas - 36 km

6.a 13/4: Mansilla de las Mulas a Leon - 18 km

Sáb 14/4: Leon a Villadangos del Páramo (?) - 20 km

Dom 15/4: Villadangos del Páramo (?) a El Ganso - 39 km

2.a 16/4: El Ganso a Molinaseca - 32 km

3.a 17/4: Molinaseca a VillaFranca del Bierzo - 27 km

4.a 18/4: VillaFranca del Bierzo a Alto de Polo - 36 km

5.a 19/4: Alto de Polo a Sarria - 31 km

6.a 20/4: Sarria a Ligonde - 36 km

Sáb 21/4: Ligonde a Arzúa - 37 km

Dom 22/4: Arzúa a Monte do Gozo - 33 km

2.a 23/4: Monte do Gozo a Compostela - 5 km

Eu não sou cristão. Meu objetivo não era a instituição Igreja, mas sim a vivência espiritual que transcende as instituições religiosas e remonta à Natureza mais profunda do Universo.

A rota que escolhi foi o Caminho Francês, saindo de Saint-Jean-Pied-de-Port. São cerca de 800 Km.

Foi muito fácil achar informações sobre esta peregrinação. Ela é muito conhecida e há muitos brasileiros que a fazem. Pode-se encontrar informações em https://www.santiago.org.br, https://www.eurodicas.com.br/caminho-de-santiago-de-compostela, http://www.caminhodesantiago.com.br e http://www.melhoresdestinos.com.br/caminho-de-santiago-roteiro-dicas.html. Para hospedagem veja:

http://caminodesantiago.consumer.es/albergues/#camino-frances

Em Madrid e Portugal obtive mapas e roteiros turísticos gratuitos das cidades :).

Durante o Caminho geralmente fui muito bem tratado e muita gente, incluindo agricultores, ofereceu gratuitamente ou a preços reduzidíssimos alimentos, como maças e outros produtos, que em geral recusei, procurando não ofender os ofertantes, para deixá-los para quem estivesse em dificuldades. Foram raras as pessoas rudes durante o Caminho.

A sinalização pareceu-me muito boa. Em raríssimas ocasiões fiquei em dúvida devido à falta de sinalização. Além disso, quase todos conheciam o Caminho e estavam quase sempre dispostos a auxiliar :).

Houve alguns trechos em que a peregrinação seguia por rodovias, o que fez com que fosse necessário ficar bastante atento para evitar acidentes.

Houve muitos atrativos naturais, culturais, históricos e religiosos ao longo do caminho, como rios, parques, bosques, montanhas, igrejas, santuários, construções antigas (da Idade Média e da Idade Moderna principalmente), centros culturais, itens da cultura local, etc. ::otemo::

Achei que as igrejas, apesar de espetaculares, geralmente tinham um astral carregado, com muitas imagens com aspecto de sofrimento. Em conversa com um padre sobre o assunto, ele me disse que isso se devia a serem de uma época em que houve muitas dificuldades, pestes, doenças, guerras, etc, que as pessoas pensavam serem castigos de Deus. Havia muitas igrejas e santuários enormes, com muitos ornamentos, em localidades pequenas. Em muitas havia símbolos do poder do Estado, provavelmente das idades medieval e moderna.

A maioria absoluta das minhas refeições foram feitas com compras de supermercado, padaria ou similares. Pizza, pão, queijo, vegetais, frutas e eventualmente algum doce (eu sou vegetariano). Raras vezes fui a restaurantes ou pedi o menu do peregrino.

Achar água potável ao longo da peregrinação foi razoavelmente fácil em alguns poucos trechos. Havia fontes que as pessoas disseram ser confiáveis e de que bebi.

Minha mochila estava razoavelmente leve. Cerca de 7 kg, mas às vezes ficava mais pesada devido a comida e água que eu carregava.

Em algumas vezes houve chuva e nos primeiros dias houve neve ❄️. Estas estiverem entre as situações mais difíceis durante o trajeto. 😟

Havia muita gente fazendo o Caminho. Encontrar peregrinos era muito fácil e era possível estar em grupo todo o tempo se fosse desejado.

Algo que me surpreendeu foi a quantidade de cruzes e respectivas dedicatórias devido a pessoas que aparentemente morreram fazendo o caminho. E algumas delas ficavam em locais tranquilos, em que era difícil imaginar algum acidente ou cataclisma. Mas nunca se sabe o que pode acontecer, ainda mais considerando as diferentes condições de saúde dos peregrinos e o imponderável.

Achei as espanholas lindas. Várias vezes fiquei admirando sua beleza. Acho que é meu padrão favorito de beleza.

A circulação entre Espanha, França e Portugal foi livre, sem nenhuma checagem de documentos.

Não tive nenhum problema de segurança durante o Caminho nem em Madrid nem em Portugal. Porém a Cidade do Porto e Lisboa pareceram-me não ter a mesma tranquilidade de segurança do que as outras.

A Viagem:

Minha viagem foi de SP (Guarulhos) a Madrid em 18/3/2007. A volta foi de Madrid a SP (Guarulhos) em 4/5/2007. Na ida e na volta fiz conexão em Buenos Aires. Os voos foram pela Aerolíneas Argentinas (https://www.aerolineas.com.ar/pt-br) A passagem de ida e volta custou aproximadamente US$ 995.00, incluindo todas as taxas.

Brasileiros não precisavam de visto para entrar na zona Schengen, que inclui a Espanha, a França e Portugal. Era necessário um seguro de saúde, mas a Associação dos Amigos do Caminho me disse que bastava um documento do Ministério da Saúde dizendo que eu era coberto pelo SUS, pois existia acordo de reciprocidade de atendimento entre Brasil e Espanha. E foi o que eu levei, obtido no escritório do Ministério em SP. Porém o agente da imigração não me pediu nada além do passaporte, perguntou o que eu iria fazer, e quando respondi que pretendia fazer o Caminho de Santiago, disse que não era perigoso, era divertido, prontamente carimbou meu passaporte e autorizou a entrada sem nenhum problema :D.

Cheguei em Madrid na 2.a feira 19/3. Minha bagagem não havia chegado ::putz::. Perguntei aos funcionários do aeroporto e disseram que talvez chegasse mais tarde, pois poderia estar havendo algum tipo de operação contra terrorismo islâmico. Disseram para que eu deixasse o endereço e telefone que levariam lá, caso chegasse. Mas eu não sabia em que hotel iria ficar e não tinha telefone. Então disseram-me para voltar mais tarde para ver se havia chegado, que foi o que eu fiz.

Passei no escritório de turismo do metrô, que era integrado ao aeroporto e peguei mapa e roteiros turísticos a fazer na cidade, além de sugestões de hospedagens baratas. Depois de muito procurar opções, fiquei hospedado no albergue da juventude (provavelmente era o da Calle Mejia Lequerica, 21). Depois de tudo ajeitado, voltei ao aeroporto, já no fim da tarde, e a minha mochila estava lá.

Fiquei num quarto coletivo com um dançarino argentino, um japonês, franceses e outros, que foram mudando ao longo da minha estadia.

Gostei muito de Madrid ::otemo::. Para as atrações veja https://www.esmadrid.com/pt, https://www.tudosobremadrid.com, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/grandes-ciudades/madrid.html e https://www.lonelyplanet.com/spain/madrid. Os pontos de que mais gostei foram os parques, praças, monumentos (eram muitos, mas as Cibeles agradaram-me especialmente), os palácios públicos, os museus (principalmente Reina Sofia e Prado, com destaque para a sequência de Guernica), as igrejas, as vias arborizadas (como Paseo de Recoletos e Paseo del Prado) e a Gran Via. 

Procurei conhecer todos os locais a pé. Segui vários dos roteiros que havia ganho no escritório de turismo. Eles me pareceram muito úteis e bem apropriados, pois tinham muitas atrações próximas, indicando ainda algumas opcionais, além das que eu descobri por mim mesmo. A população em geral foi muito gentil dando informações sobre os locais :).

Em uma ocasião um homem de uns 60 anos me falou para falar para o Ronaldo (jogador, acho que na época no Real) que eu tinha ido visitar o urso e o madronho. Fiquei quase um dia todo conhecendo a Gran Via. Os palácios e as igrejas pareceram-me grandiosos. Achei muito bela a estação de Atocha, onde haviam ocorrido os atentados. Gostei dos parques e praças, especialmente a Praça de Espanha e o Retiro, um dos poucos locais em que fiquei com alguma preocupação referente à segurança. Em cada um dos museus Prado e Reina Sofia também fiquei quase o dia todo. Fui no final de semana, em que eram gratuitos. As alamedas próximas a eles pareceram-me locais muito agradáveis para se caminhar. De um modo geral achei a cidade bonita, muito bem organizada e limpa. Os monumentos eram limpos, sem estarem pichados e bem conservados. No sábado à noite achei que havia esquecido meus chinelos no albergue da juventude e fui a pé até ele. Voltei mais de 11 horas da noite e a cidade parecia tranquila, sem a menor preocupação com segurança.

No início estava frio ::Cold::, chegando até a nevar um pouco numa tarde. Como consequência, como eu não protegi adequadamente o rosto, minha face, e especialmente minha boca, ficaram queimadas de frio 🤕.

Precisei trocar de hospedagem na 6.a feira ou sábado porque não renovei minha estadia a tempo e o hostel era muito concorrido. Fui para a Pousada Sudamericana, que uma atendente me informou num guichê. Lá conheci brasileiros e italianas. Paguei US$ 40.61 pelas duas diárias.

Fui muito bem tratado no geral. Os únicos locais em que me lembro de ter sido mal tratado foram a Igreja de San Isidro e um mercado de chineses.

No final de semana tive um pouco de dificuldade de encontrar locais abertos para fazer compras de alimentos. Tive que recorrer a mercados de chineses, que não gostaram de eu pegar os produtos para ler detalhes das embalagens.

Fiz a maioria das refeições com compras de supermercados e comprei um garrafão de água que foi suficiente para uma semana. Procurei usar o supermercado Lidl (https://www.lidl.es), que o argentino me sugeriu como tendo melhores preços. Perto do fim conheci um restaurante vegetariano muito barato chamado Maoz, perto da Praça Maior (http://maoz.com.br), mas que acho que fechou.

Conheci vários brasileiros, alguns lá legalmente e outros não. Um pintor, que estava lá como ilegal, falou-me que estava muito sofrido e não estava compensando. Ganhava 1.300 euros por mês e achava que não valia a pena a distância da família e o que estava conseguindo enviar ao Brasil. Outra ocasião em que andava pela rua encontrei um brasileiro que estava vindo de Portugal para tentar emprego. Nos albergues havia uma jogadora de futebol do Brasil e outra brasileira que riu de eu ter queimado o rosto de frio. 

Fiquei em Madrid uma semana. Na 2.a feira 26/3 de manhã peguei um ônibus para Pamplona da Continental Auto por US$ 33.31 e de lá outro para Roncesvalles por US$ 6.11 da Autobuses Arieda (http://www.autocaresartieda.com), ambos pagos com cartão de crédito. Na viagem conheci a mineira Patrícia que morava em Estella, namorava um espanhol e estava um pouco triste, pois não poderia ter sua profissão reconhecida legalmente lá e o namorado não poderia ter a profissão dele reconhecida no Brasil. Espero que tenham conseguido ficar juntos.

Cheguei a Roncesvalles no fim da tarde. O chão estava coberto de neve e o clima era bem mais frio ::Cold::. Fiz os procedimentos para me hospedar no albergue e fui dar uma pequena volta nas redondezas e também conhecer a igreja. Fiquei um pouco assustado com a quantidade de neve e o clima. À noite jantei junto com outros peregrinos comendo o menu do peregrino, que era um prato de entrada, um principal (macarrão) e pães para acompanhar. Acho que tinha uma garrafa de vinho também. Já no quarto conversei com os peregrinos que estavam iniciando o caminho e um que já vinha de outras etapas. O espanhol que já vinha de outras estava de bicicleta e falou sobre caminhos que não eram pela estrada, mas não era o Caminho de Napoleão (que foi a rota usada pelo exército Francês para invadir a Espanha no início do século 19, contexto que provocou a vinda da família real para o Brasil). Todos comentaram que o Caminho de Napoleão poderia ser perigoso, devido à neve. O espanhol falou também de um albergue 24 h em León e que na França havia albergues privados. Eles me sugeriram não ir a Saint-Jean-Pied-de-Port porque o tempo estava ruim e não valeria à pena. Um outro espanhol, Nazco (ou um nome semelhante), estava indeciso sobre ir ou não. Eu estava convencido e decidi ir assim mesmo. Antes de dormir ainda tomei banho quente.

No dia seguinte, 3.a feira 27/3, resolvi ir a pé para Saint Jean. Após o café da manhã, saí caminhando. Estava muito frio, com neblina, havia uma pequena garoa ou neve fina. Caminhei até o início da estrada e pensei comigo: "Esta empreitada é grande demais para mim. Vou desistir" :(. Eu não tinha experiência nem equipamento nem roupas adequadas para neve. Estava de fleece e anorak leves, mas com tênis de pano. Mas resolvi ir um pouco mais para ver melhor a situação e tentar um pouco mais. Subi um pouco pela estrada e avistei uma pequena casa, que parecia ser uma capela. Fui até lá, abri a porta com dificuldade, pois estava bloqueada pela neve, e vi que era muito simples, com uma imagem de Maria. Gostei muito da capela :) e resolvi ir um pouco mais. Logo a seguir a estrada começou a descer e a neve no caminho a diminuir. Aí definitivamente decidi ir. E fui, sem grandes problemas, apesar de alguns cachorros bravos (ou pelo menos que latiam bastante) no trajeto 🐕. Conforme descia o clima melhorava, a garoa passou e a neve no entorno da rodovia ia ficando cada vez menor. Encontrei Nazco no caminho subindo e ele parecia feliz por ter escolhido ir. Pegou carona até Saint Jean, disse que ficou olhando para ver se me via para oferecer carona, e agora já estava voltando para dormir novamente em Roncesvalles. Achei muito belas as vistas ::otemo::, cruzei a fronteira, procurei um posto de imigração para saber se precisava realizar algum procedimento, mas não encontrei. Cheguei a Saint-Jean-Pied-de-Port no meio da tarde. Fui para o albergue oficial da peregrinação, onde Jeanine, de 72 ou 81 anos, recebeu-me muito bem. Perguntei por Madame Debrill, citada no livro "Diário de Um Mago" de Paulo Coelho, mas ela disse que ela já havia morrido e comentou que muitos perguntavam por ela. Ela me tratou muito bem :) e até fez um bom jantar para mim por 2 euros. Enquanto isso eu fui dar uma volta para conhecer a cidade, que me pareceu interessante, apesar de pequena. O quarto estava cheio de peregrinos durante a noite, vindos de muitas partes diferentes do mundo, a maioria europeus.

Na 4.a feira 28/3 comecei a peregrinação. Inicialmente fui com um francês (acho que se chamava Gregorian ou um nome semelhante). Juntos ficamos em dúvida num certo ponto e no meio da estrada fizemos sinal para uma mulher de carro na estrada, que imediatamente parou para nos dar informações :). Pensei que seria uma cena altamente improvável em São Paulo. Seguimos e ele achou que eu estava muito lento, querendo ver muitas coisas, conversamos e ele decidiu ir na frente. Tentei ir pela rota fora da estrada e um pouco à frente havia a entrada do Caminho de Napoleão. Havia uma placa dizendo que era proibido seguir aquele caminho fora da temporada de verão, com dizeres alertando sobre o risco em caso contrário. Eu pretendia tentar ir por lá, mas após todas as conversas que havia tido no Brasil e lá sobre aquele trecho, resolvi aceitar o que a placa dizia e ir pela estrada. A subida era um pouco longa, mas aceitável, com as mesmas vistas espetaculares da descida. Os cachorros continuavam lá, latindo bravios. Lembrei-me dos cachorros narrados no livro do Paulo Coelho. Já perto de Roncesvalles encontrei Gregorian parado do lado da estrada. Estranhei e fui cumprimentá-lo. Ele me cumprimentou alegremente e disse que estava sentindo dores nas pernas e os outros peregrinos que ele havia encontrado já tinham ido. Falei para ele que esperaria ele se recuperar para irmos juntos. Ele me disse que não precisava, não queria me atrapalhar. Eu disse que não me atrapalharia em nada, ficamos conversando um pouco e depois ele começou a andar vagarosamente. Acompanhei seu ritmo. Ele me perguntou se eu achava que ele tinha ido muito rapidamente. Respondi que cada um tinha seu ritmo. Estávamos chegando perto da capela e lhe disse que iria visitá-la (novamente), o que daria tempo para ele descansar, mas que se quisesse seguir ficasse à vontade, pois já estávamos próximos da cidade. Fui e a porta estava ainda mais difícil de ser aberta devido à neve no chão e a mochila nas costas dificultava a minha entrada. Mas consegui entrar e apreciá-la de novo. Quando voltei ele já tinha ido. Fiquei feliz, pois significava que havia conseguido. Registrei-me no albergue e fui assistir a Missa do Peregrino, que não havia assistido no primeiro dia em que cheguei em Roncesvalles. Gregorian esperou-me para jantar e jantamos o menu do peregrino sozinhos perto de 20:30. Os outros peregrinos haviam jantado perto de 19 horas. Continuava frio em Roncesvalles, mas o albergue possuía aquecimento interno, o que proporcionou uma ótima noite de sono. Conhecemos vários outros peregrinos, muitos alemães, um americano e outros.

Na 5.a feira 29/3 parti rumo a Pamplona. Continuava a chover. A impermeabilização do meu anorak já não estava muito boa, então eu acabava me molhando um pouco. Havia levado um plástico improvisado de casa para proteger a mala, que serviu na maioria das ocasiões. No caminho encontrei um casal de coreanos, que iria fazer o caminho devagar, estimando em 45 dias. A mulher viu que eu estava um pouco molhado e me ofereceu uma capa :), que gentilmente eu recusei, pois achei que dava para ir com o que eu tinha. Como não sabia se os albergues estavam abertos em Pamplona, resolvi ficar em Villava, a poucos quilômetros de lá. Jantei com compras do supermercado Eroski City Villava (https://www.eroski.es/localizador-de-tiendas/supermercado/navarra/villava-atarrabia/eroskicity-villaba) por US$ 5.24 pagos com cartão de crédito. Foram cerca de 40 km entre as localidades.

Na 6.a feira 30/3 parti e logo cedo cheguei à Pamplona. O albergue da igreja estava fechado naquele período. Só encontrei um albergue aberto dentre os que constavam no meu guia, porém ele só aceitava alemães. Mesmo assim fui até lá, toquei a campainha e, quando a dona, uma alemã típica, atendeu, peguntei-lhe se poderia ficar aquela noite lá. Ela disse que eles estavam abrindo justamente naquele dia e que me aceitava, mesmo eu não sendo alemão :). Porém deveria voltar mais tarde, pois ainda iriam arrumar as instalações para os hóspedes. Então eu aproveitei para ir conhecer a cidade.

Gostei muito de Pamplona ::otemo::. Para suas atrações veja https://www.enforex.com/espanhol/fazer-pamplona.html, http://www.turismo.navarra.es/esp/organice-viaje/recurso/Localidades/2513/Pamplona.htm, https://www.lonelyplanet.com/spain/aragon-basque-country-and-navarra/pamplona e http://www.euskoguide.com/places-basque-country/spain/pamplona-tourism. Os pontos de que mais gostei foram as construções antigas, os monumentos, os parques, a catedral, as igrejas, a muralha medieval e conhecer o jogo de Pelota Vasca. Como era uma cidade relativamente grande no caminho, programei-me para ficar mais tempo e poder conhecê-la com mais detalhes. Passeei bastante, ficando muito na área em que são feitas as corridas de touros, onde ficam as construções antigas e na muralha medieval. No fim do dia fui assistir jogos de pelota vasca de juvenis no ginásio da cidade 👍. Assisti alguns, mas não pude ficar até o fim pois não quis chegar muito tarde no albergue. Vários outros peregrinos não alemães estavam no albergue e eu acabei ficando no quarto com os alemães. Talvez por ser de tão longe mostraram-se interessados em conversar e saber sobre o Brasil. Quando o assunto foi para a questão da violência, tentei explicar-lhes como funcionava o PCC. Ficaram surpresos, quase incrédulos. Comentaram rindo também que eu estava precisando trocar de tênis, pois o calcanhar estava começando a quebrar devido a tanta neve e chuva, mas eu disse que iria com ele até o fim. Ensinaram-me algumas expressões em alemão referentes ao caminho :)

No sábado 31/3 descobri que havia um peregrino (acho que americano) que já estava no albergue e iria ficar mais, pois havia tido algum tipo de problema de saúde, talvez nas pernas. Eu não ouvi, mas os alemães me contaram que durante a noite houve muito barulho, um casal (talvez alcoolizado) chegou pedindo para ficar, mas o dono do albergue não aceitou porque eles não tinham a credencial de peregrinos. Após bom café da manhã, parcialmente ofertado pelo albergue, agradeci por terem me recebido e parti. Ainda fiquei boa parte da manhã visitando a cidade. Depois fui rumo a Cirauqui. No caminho um casal de franceses falou-me do jeito incorreto pelo qual eu estava carregando a mochila nas costas. Achei que falaram e demonstraram de um jeito um pouco grosseiro, mas realmente a sugestão que deram melhorou a carga e diminuiu a dor nas costas que estava começando. No fim da tarde ainda encontrei em Puente de la Reina um americano que havia conhecido em Roncesvalles, que disse que eu era "a brave man" por continuar naquele horário e depois cheguei a Cirauqui. Pela minha aparência, acho que a dona do albergue pensou que eu era um peregrino típico e me deu um prato de macarrão :D. Não deu tempo nem de eu recusar. Como não tinha almoçado, comi o macarrão e depois comi o que havia levado (eu como muito :D). Conheci uma francesa que pediu auxílio com o computador, pois estava com dificuldades de entender configurações em espanhol. Tentei ajudá-la um pouco. Ela me mostrou fotos da subida da serra (acho que era a Serra do Perdão) e comentou do cansaço para a subida. Conheci também um francês que tinha começado o caminho bem antes de Saint Jean (acho que de Le Puy). Ele comentou que na França havia muitos caminhos a percorrer e as igrejas ficavam abertas para visitar, fato que até aquele ponto na Espanha nem sempre era verdade.

No domingo 01/04, meu aniversário, fui para Los Arcos. Foi um dos melhores dias da caminhada :). O tempo estava bom, as dores nas costas haviam sumido, passei por uma fazenda que tinha um dispositivo que oferecia alguns goles vinho aos peregrinos (somente para experimentar). Pela manhã em Estella, reencontrei uma alemã de cerca de 60 anos que tinha conhecido em Roncesvalles. Ela estava sentada numa escada e quando fui cumprimentá-la começou a chorar nos meus ombros. Disse que seus joelhos não estavam aguentando e que não conseguia acompanhar os mais jovens :(. Eles tinham ido comprar algo e na volta iria decidir se continuaria com eles ou não. Procurei ouvi-la e fazer ponderações para acalmá-la, fiquei com ela algum tempo até que se animasse e quando uma de suas amigas estava voltando, prossegui viagem. Cheguei a Los Arcos no fim do dia. Não tinha alimentos para o jantar e tudo estava fechado. Falei sobre isso com os holandeses que estavam à mesa e eles muito aborrecidos ofereceram-me parte de seu jantar, que eu recusei. Depois de perguntar e procurar orientações descobri um local aberto e pude comprar comida. Durante a madrugada esfriou muito ::Cold:: e, como não havia aquecimento interno, precisei levantar algumas vezes e colocar agasalhos.

Na 2.a feira 02/04 pretendia ir a Logroño. Foi o dia mais difícil da peregrinação :(. Teria sido melhor eu ter ficado dormindo :D. Um peregrino que dormiu no mesmo quarto que eu comentou que durante toda a noite havia chovido. Estava chovendo quando fui tomar café. Após o café preparei-me, coloquei a capa na mala e o anorak em mim, peguei o guarda-chuva e fiquei esperando a chuva passar ou diminuir (era de média intensidade). O francês que havia partido de Le Puy falou-me sorrindo que eu iria esperar bastante. Depois de cerca de meia a uma hora, vendo a hospitalera belga limpar a frente do albergue com um rodo ou vassoura, decidi partir. O tempo estava bem hostil, chuva, frio, vento. Conforme foi avançando a hora esquentou um pouco e houve alguns momentos em que a chuva diminuiu e quase parou. Mas depois voltou forte 🌧️. Quando fui cruzar um curso de água numa área rural, que parecia uma enorme enxurrada, não avaliei bem a força da correnteza nem a profundidade. Quando dei um passo no meio, afundei mais do que a cintura, perdi um pouco do equilíbrio e quase caí para trás na correnteza com o peso da mochila ::ahhhh::. Tive que fazer força na perna e no joelho, o que talvez tenha me custado caro para depois. Na hora não senti nada. Depois disso decidi parar em Torres del Rio. Achei que não valia a pena continuar naquelas condições. Estava ensopado, hipotérmico e cansado ::Cold::. Pouco antes de mim chegou um casal de Murcia. À noite, começou uma enorme dor na minha perna direita ::essa::, a mesma que havia forçado no curso de água. Eram fisgadas, principalmente quando apoiava a perna no chão. Fui mancando comprar a comida para o jantar. Conheci uma alemã, que comentou que poderia ser porque eu tinha ficado com os pés molhados por muito tempo. Talvez fosse algum tipo de dor reumática. Ela estava com os pés machucados. Progredi bem menos do que eu pretendia. Cheguei a pensar que não conseguiria continuar ou pelo menos não conseguiria terminar no tempo necessário para ir a Portugal.

Na 3.a feira 03/04 fui para Logroño. Fui devagar, pois havia momentos em que doía muito a perna. Com o tempo eu fui achando uma posição em que doía menos, mas periodicamente voltavam algumas fisgadas. Após chegar, mesmo com um pouco de dor, mas sem a mochila nas costas, fui dar uma volta na cidade. Gostei também :). Embora menor do que Pamplona, pareceu-me bem interessante.

Em alguma destas paradas conheci um espanhol, que iria parar temporariamente o Caminho para encontrar os pais e disse que gostaria de me reencontrar mais para frente, algumas alemãs, que fizeram uma disputa de Liga dos Campeões para ver quem cozinhava mais rápido e muitas francesas, que me ofereceram espaguete que haviam feito, que gentilmente eu recusei. Também havia conhecido um casal de holandeses, cuja mulher era enfermeira. Quando ela me reencontrou, perguntou o que havia ocorrido com minha perna. Eu contei e ela me sugeriu andar menos em cada dia e mais devagar.

Num outro episódio, um homem falou-me "Bom Dia!" e eu respondi com a mesma expressão, achando que pudesse ser português ou que tivesse percebido que eu era brasileiro. Talvez ele fosse da Galícia, em que se usa uma expressão parecida no dialeto local. Ele me chamou para conversar e me ofereceu trabalhar na sua companhia, que era algo como um circo itinerante. Pensei no pintor que havia conhecido em Madrid e me interessei em saber detalhes. Disse que pagava 200 euros, mais hospedagem, alimentação e tabaco. Se soubesse dirigir pagava mais 100 euros. Pensei comigo que isso era trabalho escravo :D. Ri, agradeci, mas nem continuei na conversa, pois era um quarto do que o pintor brasileiro ganhava em Madrid.

Na 4.a feira 04/04 estava melhor, mas ainda havia dor de vez em quando. Decidi ir para Nájera, mas se não desse, pararia antes. Mas consegui. Cheguei a Nájera no meio da tarde. Lá encontrei um homem de uns 70 anos que vendo que eu era peregrino, convidou-me a conhecer a igreja de sua família (acho que era do século 15). Achei-a espetacular e fiquei surpreso com uma igreja particular daquele tamanho. No Brasil só havia visto igrejas particulares (que não fossem da Instituição Igreja) dentro de fazendas e eram bem menores. Dei uma pequena volta pela cidade e fui descansar. Não fui conhecer as tumbas dos reis porque estava um pouco cansado e para não forçar a perna, que estava melhor.

Na 5.a feira 05/04, sentindo a perna bem melhor, resolvi tentar ir um pouco além. Fui até Redecilla del Camino. No caminho passei por Santo Domingo de la Calzada, onde parei para conhecer alguns pontos, principalmente os históricos e religiosos, que havia visto nos guias. No caminho uma espanhola me ultrapassou e depois nos encontramos no albergue à noite, quando falou que o mais importante era não ter mais chuva.

Num dos dias conheci um espanhol chamado Angel, a quem ofereci parte do meu jantar, mas ele disse que iriam comer muito bem, pois estavam cozinhando. Em outra ocasião, a alemã que estava com os pés doendo perguntou-me sorrindo se eu já havia comido algo diferente de pizza. Reencontrei o americano que tinha passado em Puente de la Reina, ele se surpreendeu e me disse que quando eu o passei na estrada, esperava não mais me encontrar. Falei para ele que tinha ocorrido um problema com minha perna. Em um dos locais voltei a comer o menu do peregrino (novamente foi macarrão o prato principal) por 7 euros.

Na 6.a feira 06/04 fui para San Juan de Ortega, um lugar bem frio ::Cold::. No caminho, por querer seguir estritamente as setas, acabei entrando num bosque cheio de vegetação e espinhos. Quando cheguei na margem do rio, achei melhor não atravessar e voltar para a estradinha, pois aquela água fria na perna que ainda não estava 100% poderia ser desastrosa. Quando fui voltar, acabei tropeçando em algum cipó ou tronco e caí com a mão, o pulso e um pouco do braço em cima de espinhos (parecia ser do tipo Coroa de Cristo). Eles entraram na minha carne. Doeu ::essa::. E não foi só na hora. O incômodo que eles causaram durou por quase uma semana. Por coincidência era sexta-feira santa. Eu que sempre achei que Jesus espiritualmente estava muito acima da violência que sofreu, pude sentir na carne um infinitésimo do que foi aquela violência. No fim da tarde cheguei a San Juan de Ortega e o padre, já um pouco idoso, estava recebendo os peregrinos e fornecia uma pequena sopa simbólica. Um suposto americano me disse que não havia nenhum local para se comprar comida lá, mas acho que ele tinha entendido errado e os locais estavam fechados somente naquele horário. De qualquer modo, com esta informação, como eu não tinha levado comida, comi a sopa do padre com prazer e pensando que seria meu jantar. Depois descobri que havia um restaurante, em que mais tarde fomos jantar. Reencontrei o casal de Múrcia, que riu quando perguntei ao dono do restaurante como era a salada e ele respondeu que era verde. Conversando com o americano, ele disse que era médico, era irlandês mas vivia há muito nos Estados Unidos. Conversamos sobre a busca espiritual e ele parecia estar descobrindo um novo mundo :). À noite passei muito frio ::Cold::, pois só havia um cobertor muito fino e lá era frio e úmido.

No sábado 07/04 fui para Burgos. Gostei muito de Burgos ::otemo::. Para suas atrações veja

https://www.lonelyplanet.com/spain/castilla-y-leon/burgos, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/otros-destinos/burgos.htmlhttp://www.aytoburgos.es/turismo-en-burgos e https://www.inspirock.com/spain/burgos-trip-planner. Os pontos de que mais gostei de burgos foram a catedral, as áreas naturais, as construções históricas e religiosas, os monumentos e o rio. Fui recebido no albergue com uma azeitona no palito de cortesia. Programei-me para poder ficar razoável tempo e conhecer a cidade.

No domingo 08/04, Páscoa, fiquei visitando Burgos quase o dia inteiro. Pela manhã reencontrei o casal de holandeses e a enfermeira me disse que minha perna parecia bem melhor ao observar meu caminhar, ao que eu respondi dizendo que sim, tinha melhorado muito. No fim da tarde reencontrei a alemã de cerca de 60 anos e ela parecia bem e feliz :). Narrou-me que havia assistido bem de perto a celebração de Páscoa e ficado bem próxima ao bispo ou responsável pela celebração. Fiquei feliz. No fim do dia fui para Tardajos, um local bem próximo, pois saí tarde de Burgos. Eu jantei e após admirar o céu, fui dormir. A mesma alemã estava lá e ficamos no mesmo quarto com outros peregrinos. Não a vi mais depois disso.

Na 2.a feira 09/04 fui para Castrojeriz. Encontrei à noite no albergue o casal de jovens alemães que havia se formado no primeiro dia da viagem em Roncesvalles, com uma garrafa de vinho. Sentei com eles e perguntaram se não me importava que fumassem (acho que era maconha), ao que respondi que não. Ofereci-lhes parte do jantar e aceitaram e no fim pediram uma parte do chocolate preto que eu tinha. Dei-lhes. Ofereceram-me um pouco de vinho e, para não gerar uma situação embaraçosa e também para experimentar, aceitei um pouquinho. O hospitaleiro zangou-se conosco >:( (ou com eles), disse que não era adequado ficar bebendo e fumando maconha numa peregrinação. Este não era bem o tipo de caminhada que eu desejava, eu não pretendia ser um turista, mas sim um peregrino.

Na 3.a feira 10/04 pedi desculpas ao hospitaleiro pelo dia anterior, mas ele disse que o problema não havia sido comigo. Saí com o propósito de andar bastante. Perto da hora do almoço encontrei o casal de alemães da noite anterior e a moça ofereceu-se para pagar algo para eu comer. Mas eu não costumo parar para almoçar durante as caminhadas, então agradeci e delicadamente recusei. Prossegui até Carrion de los Condes. Num pequeno empório da cidade comprei os pães que restavam e depois ouvi os fregueses reclamando que não havia pão. O próprio dono veio comentar comigo para aproveitar bem o pão, pois havia acabado com seu estoque. Pensei até em devolver alguns, mas eram poucas peças grandes e ficou inviável :D. Lá conheci um alemão (Matiah - não sei se é assim que se escreve) e um francês. Ficamos apenas nós 3 num albergue pequeno, jantamos juntos e compartilhamos parte do jantar :). Conversamos sobre o caminho, atualidades europeias e várias outras coisas. O meu sono foi muito bom.

Na 4.a feira 11/04 fui até Sahagun. Na 5.a feira 12/04 fui até Mansilla de las Mulas. Numa das paradas fiquei num albergue com alemãs, sendo uma luterana, que não se conformava com as regras que o padre do albergue tinha feito para os hóspedes. O padre irritou-se com ela e se desentenderam durante à noite, mas nada grave. Foi para ele que perguntei sobre o astral das imagens nas igrejas. No dia seguinte reencontrei a alemã parada descansando. Ela me disse que tinha algum problema na perna e tinha que andar devagar. Fiquei comovido pela expressão dela o.O e lhe desejei boa sorte. Na outra parada reencontrei o francês e ele me disse rindo que havia encontrado Matiah perto de 20 h e este ainda iria para uma localidade à frente. Num dos albergues encontrei italianos de Verona, falei-lhes sobre o titulo italiano do início da década de 1980, com Briegel, algo que muito os surpreendeu que eu lembrasse.

Numa ocasião conheci sulafricanos, comentei da minha passagem por Johanesburgo e concordaram comigo de que não havia um relacionamento amistoso entre negros e brancos. Quando eu disse que era do Brasil, a mãe deles citou Maradona, que seu filho rapidamente corrigiu. Em outra ocasião, um dos hospitaleiros me ofereceu uma bota :), quando falei que minha perna não estava muito boa, mas eu delicadamente recusei. Certa vez, estava cantando e um alemão apareceu, perguntou de onde eu era, falou do Pelé, eu tirei o agasalho e mostrei a camisa do Santos, time do Pelé. Paradas à frente, ele comentou com outra peregrina que enquanto muitos caminhavam reclamando, ele me havia visto cantando :D. Como eu não seguia exatamente os horários dos europeus, começava mais tarde e parava mais tarde, em alguns albergues hospitaleiros pediram-me para acelerar. Em um deles, um nem me deixou tomar café. Acabei de usar o banheiro e ele me falou para partir :(. Em Carrion de los Condes as faxineiras municipais encontraram-me tomando café quando chegaram para limpar o albergue :D. No meio de um trajeto duas peregrinas espanholas pediram para tirar uma foto comigo, que aparentava um peregrino do caminho.

Quando o clima esquentou e o sol começou a ficar mais forte, comecei a ficar queimado, principalmente nas orelhas ☀️. Meu protetor solar estava fora de validade e acho que não estava me protegendo adequadamente. Procurei colocar toalhas nos pescoço e nas orelhas e plásticos nos braços e mãos. A questão do pescoço e das orelhas foi resolvida, mas acho que os plásticos fizeram concentrar suor e me geraram alergia :$. Quando eu entrei numa pequena igreja, muito antiga, em que estava sendo feita limpeza por faxineiras, percebi que elas pararam surpresas com a minha aparência, com tudo aquilo, talvez achando que eu era um peregrino das antigas :D.

Na 6.a feira 13/04 fui até Leon. Levei bastante tempo entre a chegada às bordas de Leon e a chegada ao albergue. Percebi como a cidade era grande, com um ampla zona comercial ou industrial. Fiquei hospedado no albergue das Irmãs Carbajalas. Nem procurei o albergue 24 h, pois imaginei que teria ambiente turístico, com pouco silêncio para dormir. Como cheguei no meio da tarde, saí para conhecer um pouco a cidade. Fiquei bastante tempo comendo, cerca de 1 hora (eu não tinha almoçado), do que uma hospitaleira fez piada :D. À noite fomos a uma pequena celebração na igreja das irmãs.

No sábado 14/04 fui conhecer um pouco mais León. Gostei da cidade :). Para as atrações veja http://www.turismoleon.org, http://www.turisleon.com/es e http://www.leon.es. Numa igreja, quando fui entrar numa sala para conhecer, o padre assustado me perguntou aonde eu ia. Quando lhe disse que iria somente ver o que havia, ele me disse que não havia problema e só tinha me chamado porque as pessoas vão entrando e não se sabe para onde vão. À tarde fui para alguma cidade próxima. Acho que era Villadangos del Páramo.

No domingo 15/04 aproveitei para andar bastante e fui para El Ganso. Achei este lugar tranquilo e meio afastado, exatamente do tipo de que gosto. No caminho passei por Astorga (http://turismoastorga.es), em que fiquei algum tempo para conhecer as obras arquitetônicas e históricas. Achei-a uma localidade muito bela ::otemo::.

Numa ocasião, vi um homem velho parado numa pequena povoação, era a única pessoa visível ali, cumprimentei-o, ele respondeu sério, e continuei. Acabei caindo em pensamentos e perdendo a atenção e iria errar o caminho, quando ouvi gritos ao longe. Era o homem alertando-me para o erro. Voltei um pouco e reencontrei as setas e o caminho correto. Isso foi providencial, pois estava ameaçando chuva e eu não queria correr o mínimo risco de voltar a dor na perna. Fiquei feliz e quando olhei de volta para agradecê-lo, ele havia sumido. Impressionante como ele foi rápido, pois havia uma larga extensão para ele andar até eu não poder mais vê-lo. A aparência frágil dele enganou-me :D. Em outra situação um hospitaleiro comentou que achava que alguns peregrinos eram bon vivant e aproveitadores e parecia aborrecido com isso, apesar de depois completar que havia alguns pelos quais valia a pena se sacrificar.

Na 2.a feira 16/04 fui até Molinaseca. Entre El Ganso e Molinaseca passei por Foncebadón e pela Cruz de Ferro, um ponto bem alto com uma cruz em que os peregrinos deixam pedras das localidades de onde vêm.

Achei Foncebadón muito interessante, medieval, com suas antigas construções de pedra. Entrei numa pequena igreja de pedra para conhecê-la. Estava havendo uma missa. Não havia ninguém assistindo. Dois padres estavam rezando, um em latim, que só olhava para baixo, e outro em espanhol, que olhava para a igreja vazia. Eu estava com toalha no pescoço e orelhas e plástico nas mãos. O padre que rezava em espanhol olhou para mim como quem estava vendo um extra-terrestre :D. Delicadamente eu comecei a admirar a igreja e conhecer suas partes, procurando atrapalhar o mínimo a celebração. Quando eu já ia indo, chegou a hora do Pai Nosso. O primeiro padre começou em latim, o segundo repetiu em espanhol e eu repeti em português. Acho que aí o primeiro padre teve certeza de que havia mais alguém na igreja e passou a esperar um tempo a cada frase para que eu pudesse repeti-la em português. A cara do padre que rezava em espanhol ficou ainda mais espantada :D:D. Quando acabou o Pai Nosso eu acenei com a cabeça cumprimentando-o e o agradecendo e me fui.

No meio da tarde, após longa subida, cheguei à Cruz de Ferro. Cumprimentei dois peregrinos que lá estavam, sem perceber que um deles chorava, parecendo estar sob emoção profunda. Logo saí para conhecer os arredores para deixá-lo em paz em sua aparente homenagem a alguém. Após algum tempo olhando os arredores, quando ele se afastou um pouco da cruz, voltei para observá-la. Peguei uma pedra de lá que minha prima Bernadeth havia pedido. Depois me arrependi, pois poderia ter pego de muitos outros lugares, e peguei justamente de um local para onde as pessoas levam suas pedras para depositar por suas crenças.

No fim do dia cheguei a Molinaseca, onde já na entrada vi uma propaganda da Casa do Elias, que dizia ser o amigo dos peregrinos. Fiquei meio desconfiado com a propaganda, mas fui lá e realmente ele atendeu muito bem :). Em seu empório ele tinha muitas coisas, e comprei queijo de ovelha misturado com vaca e mais algumas coisas. À noite no hostel reencontrei Gregorian, que parecia bem e estava viajando com os alemães, um dos quais havia falado de Pelé. Reencontrei as francesas que me haviam oferecido espaguete e me haviam visto com a perna dolorida. Elas ficaram muito contentes, gritaram e me cumprimentaram efusivamente :). Acho que pensaram que eu não conseguiria prosseguir na situação em que me viram. Gregorian convidou-me para uma cerveja, mas eu recusei, fui tomar banho e jantar. Como já era tarde, acabei ficando só na sala de jantar. Quando voltaram das cervejas, vários me cumprimentaram em voz alta e os que estavam dormindo pediram silêncio :D.

Na 3.a feira 17/04 fui para VillaFranca del Bierzo. A alergia melhorou, mas ainda incomodava. Minhas mãos e braços ficavam muito inchados, provavelmente pelo calor dos plásticos. Passei por Ponferrada (https://www.ponferrada.org/turismo/en), em que achei o Castelo Templário espetacular ::otemo::. O albergue de VillaFranca era todo estilizado, preocupado com o meio ambiente e sustentabilidade e com inclinação esotérica.

Numa das paradas, por um hospitaleiro que anteriormente tinha sido guerrilheiro (acho que do ETA ou alguma organização semelhante), fiquei sabendo que no dia em que eu havia tomado aquela chuva, que me custou aquela enorme dor na perna, um inglês (portanto provavelmente alguém acostumado à neve) havia optado por seguir o Caminho de Napoleão no início do caminho em Saint Jean, só que como lá era muito mais alto, ao invés de chuva ele pegou neve, provavelmente se perdeu, caiu num buraco, acabou tendo hipotermia e, mesmo sendo socorrido após algum tempo, não resistiu e morreu. Por alguns dias de diferença eu escapei desta nevasca :o. Em outra ocasião, ao ir comprar alimentos, a dona do estabelecimento ofereceu-me gratuitamente uma maça, mas quis pagar por ela, aí a mulher achou muito o que eu dei e colocou mais itens.

Na 4.a feira 18/04 fui até Alto do Polo. No início da tarde, na base da subida para o Cebreiro, encontrei o alemão que me falou de Pelé, e ele já tinha parado num albergue e me falou que era melhor subir para o Cebreiro pela manhã, quando se está descansado. Seu amigo explicou-me o significado de herzlich willkommen, como vindo do coração. Logo a seguir, perto de 14 hs encontrei um brasileiro, dono de um albergue, que me falou que a subida até o Cebreiro levaria cerca de 5 ou mais horas, e que eu pegaria os albergues lá em cima lotados chegando tarde. Mas eu decidi ir assim mesmo, só que fui preocupado. Fui tão concentrado, que acabei subindo em 2:45 hs. Mesmo assim ainda parei algumas vezes para desfrutar da paisagem :). No caminho encontrei outro peregrino conhecido (acho que era alemão ou do leste europeu) pegando água de uma fonte. Perguntei se era confiável, ele disse que sim, e resolvi experimentar também. Havia um cemitério logo no início daquele povoado de origem celta. Como ainda era cedo, agora sem a pressão do horário, resolvi seguir um pouco mais. A vista lá de cima era espetacular ::otemo::. Fui até Alto de Polo, onde fiquei num albergue que era também bar ou restaurante. Fiquei só. Quando a dona me disse que tratava bem os peregrinos, perguntei-lhe quanto era a contribuição padrão ou sugerida e ela me disse 5 euros. Em frente havia outro hotel ou restaurante, pedi para ver o menu, para ver se achava algo mais barato, mas não achei e resolvi jantar no local em que estava hospedado, até como forma de pagar algo mais a elas. Porém neste hotel em frente reencontrei o francês que havia conhecido junto com Matiah junto com uma amiga. Conversamos até o prato deles chegar e eu voltei para jantar no albergue em que estava. A moça (provavelmente filha da dona) fez o menu do peregrino para mim, incluindo um copo de vinho. Fiquei sozinho no albergue. A noite foi muito boa 👍. Peguei alguns cobertores adicionais de outras camas, pois achei que estava um pouco frio.

Na 5.a feira 19/04 fui até Sarria. O albergue em que eu tinha ficado não tinha pães ou similares, que eu pudesse ir comendo enquanto caminhava. Fui ao hotel restaurante em frente e o dono, aparentemente aborrecido, disse-me que eu o havia feito mostrar todo o menu no dia anterior e não tinha comprado nada. Falou-me para ir procurar em outro lugar, como o albergue em que havia ficado. Segui sem tomar café. No caminho eu o vi dirigindo um trator para trabalhar na terra. Seguindo, encontrei uma mulher aparentemente dando pequenos pães, mas quando perguntei disse-me que era 1 euro. Achei-o muito fino para pagar 1 euro. Ela disse que poderia levar de graça, mas agradeci e segui sem levar. Mais à frente uma mulher de aparentemente mais de 60 anos estava no meio do caminho com um carimbo perguntando aos peregrinos se desejavam que colocasse seu selo na credencial. Eu disse rapidamente que não e a reação dela pareceu-me ser de decepção :(. Talvez ela ficasse feliz em alegrar os peregrinos com seu carimbo. Poderia ter dito não de modo melhor, com um sorriso nos lábios e pondo a mão em seu ombro. Desci, achei um local para comprar o café almoço, mais à frente pedi para sentar numa mesa de uma lanchonete para comer, mas a dona me disse rispidamente que havia muitos locais públicos em que poderia sentar. Então mais à frente achei um e fiz minha refeição. No fim da tarde cheguei a Sarria.

Numa determinada ocasião um velho perguntou-me sobre meus pais e quando lhe disse que meu pai havia morrido com 76 anos, disse-me que meu pai havia morrido cedo. Acho que ele tinha mais do que isso. Numa parte do caminho encontrei um francês com quem caminhei algum tempo. Ele falava de como tinha optado pelos ramos do caminho mais rurais, ao invés dos urbanos, e como tinha gostado da chuva que veio em um dos dias. Nesta chuva eu tinha me atrapalhado um pouco, mas nada grave, bem diferente daquelas no início do Caminho. Estava bem mais quente. Depois de algum tempo, falei-lhe que dali para frente continuaria um pouco sozinho, para poder entrar em contato mais profundo com o Caminho.

Numa das noites, encontrei uma família de espanhóis num albergue, cujo filho adolescente estava em dúvida sobre que direção profissional tomar. Falei-lhe da minha experiência profissional, mas ele pareceu confuso com minhas explicações. Sua mãe estava na mesa conversando com outras mulheres. Os maridos estavam lavando louça, mas participavam da conversa também. No dia seguinte reencontrei-lhes e lhe desejei boa escolha do caminho a seguir. Eles só iriam até aquela cidade e continuariam a peregrinação em outra ocasião, fato comum entre os espanhóis.

Na 6.a feira 20/04 fui até Ligonde. Antes de sair porém, fui procurar pelo local do Estádio de Sarriá, palco da derrota brasileira em 1982. Eu me lembrava que era numa cidade grande, que não era o caso de Sarria, mas estava meio confuso com o nome. Perguntei a um velho, que me disse que era em Barcelona. Aí eu me lembrei que realmente era e tinha sido demolido. No sábado 21/04 fui até Arzúa.

Um dia encontrei um espanhol num albergue que ficou indignado pelo fato do albergue ser cobrado (6 euros). Disse que se conseguisse um carro iria pegá-lo para ir para outro que sabia ser gratuito. Em outra ocasião, quando falei para uma responsável por um albergue que a situação econômica do Brasil não estava muito boa, ela sensibilizou-se e disse que poderia retirar meu nome da lista de hóspedes e eu não precisaria pagar nada. Surpreendi-me, não concordei, disse que não havia problemas em pagar e que não seria justo eu não pagar e usufruir das doações sem estar em necessidade. Ela havia perdido a mãe há pouco e parecia num estado muito sensível.

No domingo 22/4 cheguei a Monte do Gozo, última parada antes de Compostela. Poderia ir até o albergue de Santiago, mas decidi ficar ali e me hospedar em Compostela na manhã seguinte. O hospitaleiro ofereceu-me grão de bico, que experimentei um pouco :), mas preferi deixar para quem não tivesse conseguido comprar comida e comi a minha. Fui dar uma volta nos arredores e vi um monumento aparentemente de peregrinos num gramado próximo. Fui lá apreciá-lo e vi que as estátuas olhavam para algum ponto. Então fiquei na posição delas e focalizei o ponto para que olhavam. Surpresa!!! Era a Catedral de Santiago de Compostela, o ponto final de chegada. Não pude conter uma enxurrada de lágrimas 😭 e me lembrar de tudo o que havia acontecido, desde o pensamento de desistir no início, da morte do inglês, de quase cair na enxurrada, da enorme dor na perna, de novo pensar em desistir, da queda nos espinhos, das queimaduras, da alergia, do frio, de todas as pessoas que havia conhecido, com um pouquinho de suas histórias e de tudo mais. Depois de vivenciar aquele momento, resolvi ir procurar o albergue em que ficaria em Compostela. Andei bastante, mas como era domingo, muito estava fechado. Não encontrei o albergue do Seminário Menor. Mas pude ter uma noção do que era a cidade. Não quis ir até a catedral. Deixei para o dia seguinte.

Na 2.a feira 23/04, logo de manhã, hospedei-me no albergue, que permitia que se ficasse até 2 ou 3 noites. Nos outros albergues do Caminho, só se podia ficar uma. A atendente me disse que ainda estavam limpando e não tinham aberto, mas eu poderia deixar minha mochila e voltar depois. Pedi um cobertor a mais, ela foi pegar e disse "Esses brasileiros, sempre com frio!" :D. Depois fui até a Catedral e após contemplar sua frente um pouco, fui assistir a missa de encerramento da peregrinação. Nela havia um ritual diferente, o Botafumeiro, em que um incensário balançava pelo corredor central espalhando fumaça 👍. Na missa avistei o francês que preferia os caminhos rurais. Terminando a missa fui novamente admirar a frente da catedral e passear um pouco pela cidade para conhecê-la. À tarde voltei para ver o local onde ficam os restos mortais de Tiago, atrás do altar, que muitas pessoas tocam, abraçam e beijam.

Gostei de Compostela 👍, mas a achei muito povoada por comércio turístico, bem diferente do clima da peregrinação que eu tinha feito. De qualquer modo, havia também várias atrações vinculadas à religiosidade e à espiritualidade. Para as atrações de Compostela veja https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/santiago-de-compostela e https://www.lonelyplanet.com/spain/cantabria-asturias-and-galicia/santiago-de-compostela

Na 3.a feira 24/04 continuei passeando pela cidade, descobri que havia um ônibus para o Porto no meio da tarde e o peguei. Perguntei se era necessário algum procedimento para entrar em Portugal, mas me disseram que não. Antes de partir reencontrei o alemão que havia me explicado sobre herzlich willkommen e Gregorian, que parecia bem. Falei-lhes do Museu do Peregrino, que havia visitado, de que havia gostado e que era gratuito. Eles haviam falado de Finisterre, o fim da terra, que é uma continuação tradicional do Caminho, para deixar tudo que usou na peregrinação, e pretendiam ir até lá. Eu não fui com eles, pois se fosse não teria tempo de ir até Portugal. Passei também no local que dava certificado aos peregrinos, para registrar meu nome, mas não quis o certificado. Enquanto caminhava, parei numa casa para perguntar para uma velhinha onde era o Seminário Menor e ela voltou com um punhado de moedas e me deu. Devolvi e lhe disse que estava pedindo informações e não dinheiro.

Cheguei ao Porto no fim da tarde (havia uma hora de fuso). Fiquei no albergue da juventude. Já na chegada percebi que a língua não era tão igual assim e os portugueses procuravam prestar muita atenção para entender o que eu falava e vice-versa. Fiquei lá até 6.a feira 27/4.

Gostei muito do Porto ::otemo::. Para suas atrações veja http://www.visitporto.travel/Visitar/Paginas/default.aspx, https://www.tudosobreporto.com, https://www.feriasemportugal.com/porto e http://portoportugalguide.com/porto-portugal-pt.html. Os pontos de que mais gostei foram as pontes, o rio, o mar, as construções históricas, as igrejas, os equipamentos culturais, os parques, a arquitetura dos estádios e a visita com degustação de vinhos gratuita (naquela época) no alojamento Graham.

Na 4.a feira 25/04, feriado nacional da Revolução dos Cravos, fui conhecer a parte central e histórica. A cidade estava bem deserta, cheguei até a ficar com um pouco de receio, mas conforme a hora foi avançando, as ruas foram ficando mais povoadas. Não tive problemas de segurança. Num beco as pessoas pareciam tensas quando me viram observando as construções. Quando me dirigi a elas falando que o pneu de um carro lá estacionado estava furado, um homem sorriu e seu semblante ficou mais leve. Quando estava conhecendo a parte histórica, inadvertidamente fiquei em cima da linha férrea olhando o mapa. Repentinamente ouvi um barulho de buzina. Olhei para a frente e vi o bonde lentamente vindo em minha direção. O condutor, de cerca de 60 anos buzinava nervoso, enquanto sua assistente bem jovem, ria :D. Saí imediatamente da frente e o bonde passou. No fim do dia comprei uma garrafa de vinho do Porto. Foi uma marca barata, mas me arrependi e deveria ter seguido a sugestão de uma portuguesa no supermercado e comprado uma marca tradicional. À noite encontrei alguns brasileiros que haviam chegado ao albergue, um deles morava em Lisboa e falou sobre a cidade, com sugestões de hospedagens e locais. Outro era ligado a Cinema e viajava pela Europa. Havia também um americano que viajava pela Europa e gostava muito de conversar.

Num dos dias fui à praia e pedi para deixar minhas roupas sob a guarda de um bar lanchonete. Havia placas dizendo para se tomar cuidado com o choque térmico devido à diferença de temperatura entre a água do mar e o corpo. Quando entrei até a canela senti a água muito fria ::Cold::. Acabei desistindo de mergulhar. Não pude entrar em nenhum dos estádios, o Dragão estava fechado e o do Boa Vista estava tendo um treinamento que não se podia assistir. Tive dificuldade em achar banheiros públicos, assim como em Lisboa. Acabei usando o de igrejas, empresas de ônibus e até o rio e áreas verdes na sua margem. Na tarde do último dia, meu último programa foi ir a uma visita com degustação de vinhos no alojamento Graham, de que muito gostei. Quando cheguei, havia um casal de americanos ou ingleses na frente, então as explicações foram em inglês, devido à maioria. Chegaram duas portuguesas, mas aí já era tarde para mudar a língua. Depois de toda a visita e explicações, foi oferecida degustação de diversos tipos de vinho, incluindo um vintage, que achei maravilhoso ::otemo::. Saímos de lá um pouco trôpegos, pois eu (e acho que elas também) não estou acostumado a beber álcool. Mesmo assim fui a pé até o ponto de saída do ônibus para Fátima. Peguei o ônibus no fim da tarde e cheguei em Fátima no início da noite. Fui até o centro de peregrinos Pão da Vida. Havia um peregrino na minha frente que tinha subido a serra a pé (se bem me lembro estava descalço) e falava de dores nos pés. O responsável perguntou-me se eu tinha vindo a pé. Disse-lhe que não, porém que havia feito o Caminho de Santiago. Então ele me aceitou como hóspede. O albergue era gratuito, entretanto aceitava doações.

Fiquei em Fátima até domingo 29/04. Gostei muito ::otemo::. Para as atrações de Fátima veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Fátima, https://www.dicasdelisboa.com.br/2016/03/santuario-de-fatima-em-portugal.html# e https://www.feriasemportugal.com/fatima. Os pontos de que mais gostei foram o Santuário e a rota de peregrinação para conhecer a vida dos pastorinhos e as aparições.

Nos diversos dias fui até o Santuário, que tinha uma cerimônia de velas à noite, que achei bastante interessante 👍. Havia bastante gente, principalmente nas celebrações. Achei o clima bastante inspirador para espiritualidade e autoconhecimento.

No início da tarde do domingo peguei um ônibus para Lisboa. O motorista, que acho que não conhecia bem Lisboa, não soube me indicar onde era o Parque das Nações, onde eu tinha informação de que era o albergue da juventude. Assim sendo, acabei ficando no ponto final, que depois descobri ser bem longe de lá. Voltei tudo andando a pé, mas não havia vagas. Fui então ao albergue que o brasileiro que tinha conhecido no Porto e morava em Lisboa tinha indicado, que era em Almada. Fui muito bem tratado :) e consegui vaga sem problemas. Achei espetacular a vista de Lisboa a partir dele ::otemo::, tanto diurna como noturna. Reencontrei o brasileiro ligado a Cinema que havia conhecido no Porto. Fiquei em Lisboa até 5.a feira 03/05.

Gostei de Lisboa 👍. Para as atrações veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa, https://www.visitlisboa.com/pt-pt, https://www.dicasdelisboa.com.br/# e https://guia.melhoresdestinos.com.br/lisboa-157-c.html. Os pontos de que mais gostei foram a vistas do rio, as construções e monumentos históricos, especialmente o Padrão dos Descobrimentos e o mapa no chão com os locais até onde os portugueses foram, os bairros típicos locais, a arquitetura dos estádios de futebol, as áreas verdes, a ponte e a vista a partir de Almada.

Na 3.a feira 01/05 tive dificuldade em conseguir ônibus para voltar, pois no feriado a quantidade e frequência dos ônibus era menor. Como começou a chover fraco, esfriou e a situação ficou ainda mais inóspita :(.

Quando fui visitar a Praça do Comércio, veio um rapaz me perguntar se eu desejava haxixe :D. O brasileiro que morava em Lisboa havia previsto que isto iria acontecer quando nos encontramos no Porto anteriormente.

Em certa ocasião cruzei com um carro de polícia, que estranhou o fato de eu estar indo em direção a um campo de futebol, que eu não sabia estar abandonado. Quando voltei do campo, o carro novamente cruzou comigo, pediu para que eu parasse e pediu meus documentos. Depois de verificar tudo e ver que estava regular, perguntou o que eu tinha ido fazer naquele campo. Talvez fosse local de consumo de drogas. Eu expliquei que gostava de futebol e não sabia que estava abandonado. Falei que pretendia ir conhecer a Faculdade de Arquitetura e me sugeriram almoçar lá.

Num dos dias, chegou um português (aparentemente um filólogo) à noite no quarto do albergue em que eu estava e começou a querer conversar sobre filosofia, após eu lhe responder que tinha ido fazer o Caminho de Santiago. Mas como eu já estava dormindo, acabei não me envolvendo muito na conversa. Aí chegou o brasileiro ligado a Cinema, espantou-se em me ver acordado ainda, posto que sempre que chegava eu já estava dormindo, e conversou com ele por algum tempo, até a madrugada.

Vi muitos motociclistas brasileiros (provavelmente que exerciam a profissão em São Paulo) trabalhando em Lisboa.

Na 5.a feira 03/05 peguei um ônibus da ALSA (https://www.alsa.es) de manhã para Madrid e cheguei no fim da tarde. Durante o trajeto conheci um viajante do leste europeu, que falava fluentemente Português e comentou sobre as riquezas da Rússia. Em Madrid fiquei no albergue Los Amigos (Sol ou Ópera, não me lembro) na região central. Como era um dia só achei mais prático, posto que o preço não era tão maior do que a Pousada Sudamericana.

No dia seguinte, 6.a feira 04/05, tive uma ligeira indisposição estomacal e deitei no chão da área de entrada do banheiro por um instante. Nisso entrou uma japonesa que levou um susto :D. Reencontrei no café da manhã novamente o brasileiro ligado a Cinema, que me disse sorrindo que eu o estava seguindo. Como ele só tinha um dia, sugeri-lhe os Paseo de Recoletos e Paseo del Prado. Ainda dei um passeio por Madrid e fui conhecer o Estádio Santiago Bernabéu por fora, que eu não tinha tido tempo. Interessante como sua localização era central. Perguntei numa empresa de recrutamento qual era o salário anual de um desenvolvedor ou engenheiro de software sênior, que era minha profissão, só por curiosidade, pois não pretendia me mudar. Achei que seria um pouco melhor. Descobri que poderia ser inferior ao do Brasil :o e confirmei que é muito inferior ao dos EUA. Passeei ainda por outras áreas de que havia gostado e algumas que não tinha podido conhecer. No fim do dia peguei o metrô para o aeroporto. No voo conheci um brasileiro de Goiás que trabalhava em obras gerais na Espanha como ilegal também e estava voltando ao Brasil para visitar a família. Passei novamente por Buenos Aires e cheguei em São Paulo no sábado 05/05 de manhã, após belo sobrevoo pelo litoral brasileiro ::otemo::, sendo que consegui reconhecer o fim do litoral paranaense e todo o trecho do litoral paulista.

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@D FABIANO a data é esta mesmo :D. Estou escrevendo as viagens de trás para frente. Pretendo chegar até 1998, se minha memória permitir. Acho que vale pelo roteiro, pois boa parte não muda e pode ajudar pessoas a ter uma ideia. Mas preços, horários, linhas de avião, ônibus, restaurantes, hotéis, etc. podem ter mudado ou desaparecido. Dá também para ter uma ideia da inflação e da evolução dos negócios :D.

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  • Colaboradores

Não mudou muito,o mais importante é que Compostela está muito cara,cobram tudo que possa imaginar,de graça lá só mesmo a entrada da Catedral. Pena não ter ido a Finistere,eu fui e adorei,porém não a pé,pois nem condições físicas tenho.

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    • Por TardoAventura
      Aventura na Serra da Arrábida, Setúbal, Portugal.
      1,5 Kms de adrenalina e superação até ao cume da Espantosa Serra da Arrábida!
      Seguindo a PR2 STB que é 5 estrelas a nível de sinalização!
      Sigam-nos em :
      Wikiloc: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/user.do?id=4716837
      Boas Caminhadas!
    • Por philip_rodrigo
      Fala, pessoal, 
      tudo bem?
      Tenho uma passagem pro reveillon em Portugal pela TAP. Estou em dúvidas sobre a abertura da fronteira, sera que vai rolar? 
      Ja estou vacinado e a França ja anunciou abertura. Caso Portugal nao abra, e eu comprar um trecho de Portugal pra França, será que consigo utiliza-lo?
    • Por camilandarilha
      Em 2019, realizei a maior viagem da minha vida e agora, finalmente decidi compartilhar um pouco dela aqui  espero que gostem!
      Capítulo 1: Preparação e França
      Em setembro de 2018, decidi largar a faculdade e juntar dinheiro para me jogar em uma aventura na Europa. Estava trabalhando em uma ONG de intercâmbio voluntário e fechei um pacote para passar 45 dias na Croácia por R$400 reais. Muito barato! Pelo menos tinha a hospedagem garantida. (Só vim saber exatamente onde ia dormir quando cheguei na Croácia, mas essa parte fica para outro momento)
       Tinha pouquíssimo tempo e pouquíssimo dinheiro (somente R$1000 guardados) pois planejava passar o ano novo em Paris (já que as passagens no inverno são mais baratas). Vendi praticamente TUDO o que eu tinha, roupas, livros, e vendia comida na rua (principalmente bolo vegano)! Contava a história de que estava indo realizar meu sonho de mochilar, e muitas pessoas me davam dinheiro sem nem pegar a fatia, para que eu vendesse para outra pessoa. Lembro-me de um dia em que ofereci o bolo para dois senhores em um restaurante chique: Um me deu uma nota de R$50 e outro, de R$20. Quase engasguei de surpresa hahaha 😅 depois de vender muito bolo, pastel e etc, consegui juntar R$2500, que somando com o que eu tinha guardado, foi o preço da passagem de ida e volta! Poderia ter pago bem mais barato se tivesse comprado com mais antecedência, então essa é a primeira dica: Se você for fazer na loucura que nem eu, presta atenção nas promoções e procure as datas mais baratas (usei o Skyscanner para isso) mas se você tem mais tempo, compre com antecedência, pois isso pode te fazer economizar uma boa grana! 
      Outra dica: se você vai vender na rua para juntar grana e viajar, não seja seletivo. Eu era um pouco mais tímida, e só oferecia para pessoas que não estavam em grandes grupos e ainda era seletiva, escolhia na rua para quem ia oferecer. OFEREÇA PRA GERAL! HAHA Sério!
      Fiz vaquinha, continuei vendendo e tive também uma ajuda dos meus pais. Acabei indo com cerca de 800/900 euros (ou seja, eu iria me virar com uma média de 100 euros por mês). Na época, isso seria mais ou menos R$4000. 
      Cheguei em Paris e nem podia acreditar que estava ali. Eu nunca nem havia saído do nordeste! Estava fazendo 7 graus, e eu estava com um agasalho de inverno. Porém quando eu digo inverno, é inverno nordestino, ou seja, não servia para quase nada  me lasquei de frio, então outra dica: Não seja mão-de-vaca como eu fui na hora de investir em roupa de inverno. Porquê meu pensamento foi "São menos de três meses de frio, eu vou sobreviver". NÃO PENSEM ASSIM, PELO AMOR DA BICICLETINHA! 
      Fiquei uma semana em Paris e dei um bate e volta em Versailles com uma amiga peruana que fiz através do Couchsurfing. Fui no museu do Louvre de graça (o Louvre é gratuito nos sábados à noite, na baixa temporada! Outro motivo de querer ir pra Paris no ano novo). Fui na Sacred Coeur, Notre Dame (não entrei porquê era pago) e bati bastante perna! Os franceses a quem pedi informação foram gentis e prestativos. O segredo é começar com "Bonjour/Bonsoir! Excusez-moi parlez-vous anglais?" (Bom dia/boa noite! Com licença, você fala inglês?)
      A ideia era pagar pelo transporte (e ainda paguei algumas vezes) mas os próprios parisienses me ensinaram como burlar o metrô 🤷‍♀️ quase não paguei transporte público nesse mochilão. Não estou dizendo que é certo, mas era a forma que eu tinha de economizar. Se você puder pagar, pague, pois se você for pego, paga uma multa de em média 100 euros! 
      Duas vezes pedi informação sobre como comprar um ticket de metrô pois estava toda enrolada, nas duas vezes, as pessoas tentaram me explicar, mas resolveram pagar pra mim. Gentileza que você não espera!
      Fiquei na casa de duas pessoas do Couchsurfing. Me senti muito desconfortável na casa do meu primeiro host, era um francês que morava sozinho e era uma pessoa inconveniente, mas no da segunda, foi ótimo ❤️ uma paquistanesa super gente fina, que morava com o namorado francês e tinha um gatinho, o Pablito. Eles foram ótimos! A paquistanesa falava seis idiomas, incluindo português (se eu não soubesse que ela era do Paquistão, diria que era paulista pelo sotaque!)
      Maas, na noite de ano novo, acabei dormindo no hostel onde a minha amiga do Peru estava se hospedando. O metrô estava fechado (eram 3h da manhã) e eu teria que esperar até às 7h. Tinha uma cama vazia no quarto que ela estava: Ela parou um pouco, pensou e disse baixinho: "Fica aí até às 7h, antes de checarem os quartos para limpeza"! Dei um cochilo, às 7h acordei e meti o pé. Passei pela recepção sem olhar para trás, mas a pessoa que estava na recepção nem disse nada. Provavelmente é difícil saber quem é hóspede ou não em uma época tão festiva. 
      Voltei para a casa do meu host com o c* na mão, pois quando cheguei na estação da zona que ele mora, eram 8h da manhã e ainda estava escuro - e não tinha ninguém na rua. Porém em um determinado momento passei por uma menina que estava andando e mexendo no celular tranquilamente e fiquei um pouco mais tranquila. A pessoa só faria isso em um lugar minimamente seguro, não é?  Mas ainda fiquei em alerta até chegar na casa do meu host. 
       
      Depois da França, peguei um voo para a Croácia (que estava incluso naqueles R$3500). Cheguei em Zagreb e peguei uma van até Rijeka, a cidade onde ficaria por 45 dias (acabei ficando 50 dias). 
       
       
       








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    • Por Felipao86
      Primeira Eurotrip: 21 dias na Itália (Roma-Florença-Veneza-Milao) com esposa gestante
      Olá pessoal,
      Meu grande sonho de viagem sempre foi a Europa. Ano após ano algo acontecia que me impedia de conhecer um pedacinho do Velho Continente, mas finalmente no final de 2017 pude colocar os pés lá em grande estilo. Começamos pela Itália, onde ficamos 21 dias andando e comendo por lugares maravilhosos.
      Roteiro:
      Roma – 8 dias;
      Florença – 6 dias;
      Veneza – 3  dias;
      Milão – 3 dias; 
      Preparação:
      Passagens: Tap saindo de BH com conexão em Lisboa. Saiu caro, em torno de 4000 reais ida e volta por pessoa. Procurei por muito tempo promoção mas não achei. Na ida conseguimos umas 12 horas de conexão, o que nos permitiu um tempo para explorar alguns pontos de Lisboa.
      Passagens de trem: todas compradas no site da trenitalia com cerca de 3 meses de antecedência. Os trechos saíram entre 20-30 euros aproximadamente. 
      Hospedagens: todas pelo Airbnb, pelo preço mais em conta e pela comodidade de pagar e parcelar no cartão de crédito. O critério de escolha, além do preço, era localidade próxima às estações de metrô/trem.
      Roma: https://www.airbnb.com.br/rooms/11174608 Ficamos nesse simpático apartamento pertíssimo de Roma Termini. O Sr Franco. dono do apartamento é fantástico, nos comunicamos entre português e italiano (ele não fala inglês) mas foi bem tranquilo. E nos dava um bom café da manhã todos os dias.  A região não é das mais bem encaradas, mas foi bem tranquilo de andar todos os dias. Florença: https://www.airbnb.com.br/rooms/7604862 A melhor hospedagem da viagem. Um verdadeiro Bed and Breakfast com bom café da manhã e não somente torradas e um suco de caixinha. Vale muito a pena. Fica a 5 minutinhos da estação Santa Maria Novella. Veneza: https://www.airbnb.com.br/rooms/891441 Veneza é tudo absurdamente caro. Essa é a única hospedagem que não recomendo. Apesar de ficar relativamente perto da estação Venezia Santa Lucia, o quarto tem um cheiro de mofo grande e o banheiro é compartilhado. A vista da janela da sala, no entanto, é espetacular. Milão: https://www.airbnb.com.br/rooms/2944362  Ótima hospedagem em Mião, muito bem localizada, na porta de uma estação de metrô. Nada a reclamar Dinheiro: dessa vez levamos apenas dinheiro, para não cometer o mesmo erro de quando rodamos a América do Sul (levamos pouco dinheiro e toda hora precisávamos sacar num caixa eletrônico pagando absurdo de taxas). Levamos 2300 euros em espécie, sendo que gastamos 1600 euros (esse dinheiro foi gasto com os gastos do dia a dia, que incluem ingressos a atrações, passagens de ônibus, trens ou metros que pagamos na hora e alimentação).

      Ingressos comprados antecipadamente: em alguns locais na Itália é extremamente importante comprar os ingressos antecipadamente, para furar fila e evitar perda de tempo desnecessárias. Foi o caso nos seguintes locais:
      1-Última Ceia em Milão: o mais difícil de  comprar, pois depende da abertura da venda no site oficial e acaba com poucas horas. Normalmente eles abrem, se não em engano, 2 a 3 meses de antecedência. Não existe venda no local na hora. 2-Galleria Uffizi e Galerria Dell´Academia em Florença:  nesses até que a fila para comprar na hora não estava tao grande, mas de qualquer modo não perdemos tempo nenhum. 3-Museu Vaticano em Roma: essencial, a fila para comprar na hora estava gigantesca, e o Museu é enorme, fica-se 6 horas tranquilamente lá dentro. Seguros de Viagem: fiz no Seguros-Promo o seguro da Assist em torno de R$250,00 para duas pessoas. Nao utilizamos então não sei avaliar.
      Questões relacionadas à gravidez: em geral foi bem tranquilo. Quando viajamos minha esposa estava com 25 semanas, então nem precisava de atestado médico, mas levamos por precaução. Levamos também uma farmacinha básica (remédio para cólica, enjoo, dor) e procuramos seguir um ritmo mais lento nas andanças do dia a dia (nem tão lento assim). Duas situações mais importantes aconteceram: ela não se adaptou à agua de lá. Parece que a água da Italia tem uma composição diferente da nossa, é mais “pesada” e isso lhe dava muito enjoo. Custamos achar uma marca de água mineral que não lhe causasse mal estar (a marca é “levíssima”). E ela, por incrível que pareça, não se adaptou muito à comida de lá. Várias vezes tinha refluxo quando comia pizza ou massa. Então procurávamos mais pratos com peixes, carnes e legumes. Fora isso, o restante foi bem tranquilo.
      Dito tudo isso, vamos ao roteiro do dia a dia.
       
      29/10/17 – Dia 1 – Lisboa.
      Chegamos em Lisboa em torno de 5 horas da manhã e pegamos a fila prioritária da imigração (viva a gravidez, rs). O fiscal só perguntou o que iriamos fazer na Itália e já carimbou. Não pediu nenhum documento. Compramos um chip de 10 euros da Vodafone que nos foi suficiente para a viagem inteira e ficamos esperando a cidade amanhecer.
      Pegamos um uber e fomos ao primeiro destino do dia: Castelo de São Jorge. Muito bonito, bem conservado e com uma pela vista de Lisboa. Ótimo lugar para visitar primeiro e dar uma boa situada na cidade.
      (Obs: em Lisboa rodamos apenas de uber, bem tranquilo de usar, nenhuma corrida passou dos 10 euros).
      De lá descemos a pé até a praça do Comércio, parando em alguns miradouros da cidade. A praça é linda, estava bem cheia, e deu para colocar os pés no Rio Tejo, de onde há alguns  séculos saiam embarcações para todo o mundo. Incrível!
      Após algum tempo admirando o lugar fomos de uber até o Mosteiro dos Jerônimos, que é estupendo. Sua beleza, arquitetura, inigualáveis. Ficamos um bom tempo na fila esperando para entrar. Aproveitamos para passar na igreja ao lado onde estão os restos mortais de Vasco da Gama e Luis de Camões.
      Após o Mosteiro paramos para almoçar num restaurante “pega turista”: bacalhau ruim e caro. Mas não tínhamos pesquisado restaurantes em Lisboa.
      Em frente ao Mosteiro tem uma bela praça com um belo jardim e caminhando por ele você chega até o Marco do Descobrimento, um monumento erguido em homenagem às grandes navegações. 
      Você sobe um elevador e vai até o topo. Dá uma vertigem danada, mas é outra visão estupenda da cidade que você tem. Muito bacana!
      Iria ainda na Torre de Belém mas pelo horário já não era mais permitido a entrada.
      Caminhamos então em direção ao Mosteiro dos Jerônimos e fomos comer os famosos pasteis de Belém! Muito gostosos, saborosos. Compramos bastante para comermos em Roma também.
      Ficamos na praça em frente curtindo o movimento  e esperando o horário de voltar ao aeroporto para terminarmos de chegar a Roma.
      Impressão geral de Lisboa: foram poucas horas para ter alguma impressão, mas gostei muito do que vi: cidade limpa, organizada e bem arborizada. Portugal como um todo tem sido redescoberto pelo turismo mundial e isso se reflete na quantidade enorme de turistas em todo o lugar. Com certeza voltaremos com mais tempo para conhecer com calma.
      No fim o vôo atrasou e só chegamos em Roma mais de 01:00hs, precisamos rachar um taxi (já que não tinha mais opção de trem ou ônibus até Roma Termini). Se não me engano o taxi saiu 20 euros por pessoa.

       
      30/01/17 – Dia 2 – Roma

      1ªDia na Itália, começamos leve, para irmos nos habituando aos poucos.
      Fomos andando até a Piazza De lla Republica, que é muito bonita e enorme. Local bacana para tirar umas primeiras fotos e já sentir um pouco do que é a Roma de prédios enormes e antigos.
      Na própria praça tem a Basilica Santa Maria Degli Angeli.  Por fora você não dá muita coisa mas por dentro, nossa, é impressionante. Foi a primeira igreja que visitamos mas já ficamos muito impressionados. O tamanho, beleza das pinturas, das decorações, é incrível.
      Em Roma é muito comum o reaproveitamento de construções da época do império romano. É o caso dessa basílica, que na época do império era um termas e foi transformada em igreja na idade média. Muito interessante.
      De lá ainda fomos até a Basílica Santa Maria Maggiore, passando em frente ao teatro Della Opera.  Tinha uma fila básica para entrar pois deve-se passar bolsas e mochilas nos detectores de metais.
      Aliás, vale uma observação: em diversos locais na Itália vimos o exército nas ruas, principalmente em pontos muito turísticos. Parece que o alerta contra o terrorismo está no máximo lá.
      Outra basílica espetacular, pelo tamanho, imponência, riqueza de detalhes. É tudo muito grandioso, como não estamos acostumados a ver aqui no Brasil. 
      Mas a igreja mais bonita do dia, na nossa opinião, foi a Basilica Santa Prassede. É uma igreja bem menor, com uma entrada bem discreta numa rua lateral, bem menos conhecida, mas com ricos mosaicos na parede. No momento que estávamos lá tinha alguém tocando o órgão o que tornou a visita ainda mais especial. É simplesmente fantástico.
      Voltamos até o Roma Termini para almoçar no Mercado Centrale, que é um mercado novo bem bacana dentro da estação. 
      Aproveitamos também para comprar o Roma Pass de 72 horas (38,50 euros).
      Voltamos ao apê para descansar um pouco e no final da tarde seguimos para a Fontana di Trevi.
      Sempre falam que deve-se vê-la de manhã e à noite e realmente é muito diferente, mas igualmente linda. Pena que fica sempre tao cheio, mas devagarinho conseguimos chegar na beirada dela. Ainda andamos um pouco pelos arredores da Fontana e arrumamos um lugar para comer nossa primeira pizza italiana (essa era ok).


       





    • Por Heliiii
      Oi pessoal.
      Tenho uma grande dúvida em relação ao tratado schengen, li aqui muitas respostas, mas ainda estou insegura sobre o assunto.
      Bem, fiquei na Irlanda por exatos 90 dias (que não faz parte do tratado), então vim para Portugal ficar 60 dias (com tudo certinho, passagem de volta, dinheiro, lugar para ficar.. enfim tudinho). Então, quando cheguei à imigração, ele me disse que eu já tinha estrapolado meus dias na Irlanda (o que não era verdade porque eu fiz a conta certa). Então eu disse a ele que não acreditava que era possível, porque eu tinha feito a conta certa. Dai ele olhou nivamente e acho que se deu conta que estava tudo certo, Então ele me disse com essas palavras:
      "Ok, mas ainda assim você vai ficar ilegal aqui, porque o espaço schegen e a Irlanda são a mesma coisa, você  ainda vai estar na Europa. O tratado schengen apenas serve para viajar sem passar por imigracoes. Eu vou deixá-la entrar, mas vai ser da sua consciencia ficar aqui ilegal ou não.
      Pessoal, eu honestamente estava muito nervosa com tudo isso, eu não tenho experiência com viagens, nunca tinha viajado sozinho para a Europa, meu coração estava na mão. De qualquer forma entrei em contato com a Embaixada do Brasil aqui e eles não me responderam nada sobre a minha pergunta. Mas eu pesquisei antes e tinha certeza do que estava fazendo (antes dele quebrar minhas pernas assim). 
      Ele me deu o carimbo normal, e não la diz nada sobre prazos para sair daqui. 
      Vocês acham que estou ilegal aqui? Porque já passou uma semana. 
      Tem algum jeito de saber online se estou ilegal no país?
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