Ir para conteúdo

Posts Recomendados

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emojis são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.

  • Conteúdo Similar

    • Por claudio_aomundoealem
      Olá mochileiros
       
      bem, finalizei o texto da minha viagem para Itália, feito a tempo antes da pandemia virar o mundo de cabeça para baixo. Espero que possa auxiliar a quem quiser viajar - espero que já nesse segundo semestre de 2021, se o vírus - e o euro - ajudar.
       
      P.S.: também coloquei um pequeno resumo para cada tópico.
       
      Itália – Parte 2 – A Viagem
       
      Dia 14/12 (1)
       
      Começava novamente a saga da viagem ao exterior, mas com sensação muito distinta. A preocupação agora não era de como será?, afinal já tinha adquirido experiência nos anos anteriores. A questão era o problema eterno em toda e qualquer viagem: está tudo certo? Faltou alguma coisa? Deixou alguma coisa aberta? São as perguntas que sempre acompanham o viajante e mostra que turismo exige algumas horas de preparação antes de iniciar mais um sonho.
       
      As malas de mão já tinham sido preparadas na semana anterior, mas sempre tem a possibilidade de colocar algo a mais ou ainda o que só pode ser posto no dia, como carregador de celular. Nisso vão mais algumas dezenas de minutos. Soma-se a isso o período para conferência de dinheiro, seguro viagem, bilhetes do trem, a pochete, o passaporte, chaves, máquina fotográfica, celular...
       
      Viajar ao exterior tem um efeito colateral de usar roupa completamente distinta do clima. Pedimos um motorista por aplicativo para nos levarmos ao aeroporto no início da tarde e sol do final da primavera queimava meu braço que estava coberto por uma camiseta de manga comprida escura.
       
      Mas esse trajeto (para sorte do meu braço) era curto e chegamos ao aeroporto com a antecedência recomendada. Diferente do ano anterior, o aeroporto estava muito mais tranquilo. Apesar de ter o limite de peso e tamanho imposto para a mala, passamos diretamente para o portão de embarque sem nenhuma restrição promovida pelos funcionários da companhia aérea.
       
      RESUMO
       
      NÃO SUBESTIME a necessidade de planejamento. Por mais que já saiba como organizar a mala, isso demanda tempo – deixe tudo o que puder pronto dias antes.
       
      CHEGUE no aeroporto com antecedência – melhor ficar olhando para o relógio e ver que ele demora para passar do que olhar para o mesmo relógio e achar que ele corre demais, por estar atrasado.
       
      Dia 15/12 (2)
       
      Após ultrapassar o Oceano Atlântico, o avião chegava em Lisboa, para nossa conexão. O tempo de conexão de 2 horas era confortável para seguir os trâmites da alfândega (aliado à praticidade da comunicação ser em português), desde que não cometa algum deslize. O que podia representar uma ameaça era o fato do horário ser 5 da manhã em Portugal (ou 2 da manhã em São Paulo). Consequentemente, nosso corpo e mente não estão na capacidade plena de concentração, o que exige ainda mais atenção para não cometer erros. Para isso, fixei que só estaria tranquilo quando chegasse à área do portão de embarque.
       
      No setor da imigração, o agente viu minha pochete e determinou que passasse pelo raio-X – com todo o dinheiro dentro! Não tirei os olhos da máquina e fiquei mais calmo depois que consegui recuperar a pochete e eles não perguntarem do dinheiro (são aqueles perrengues que viram história para contar).
       
      Determinado o portão de embarque, uma fila se formou para acessar o ônibus do aeroporto – e para minha surpresa várias malas, algumas até maiores que a minha, estavam acompanhando os passageiros; era o indício que não teria problema no voo regional. Dito e feito! Mostramos o passaporte e a passagem e embarcamos, sem ninguém para medir ou ao menos pesar as malas.
       
      Entramos no avião e, apesar de ser menos confortável que um avião transoceânico, me ajeitei para dormir... e quem conseguia dormir? Os outros passageiros não paravam de falar (imagino que a maioria fosse italianos), apesar de ser 6 da manhã (“não é possível!!!!”). Felizmente, acabou o assunto e consegui tirar uma justa soneca.
       
      O voo chegou às 10 da manhã em Napóles – facilmente reconhecível do avião pelo Monte Vesúvio que “protege” a cidade. Depois de trocar de roupa para se adequar ao clima do lugar, pegamos o ônibus que dá acesso ao porto e à estação Napoli Centrale, perto do qual fica o hotel que reservara. Apesar de ter todos os indícios que estava na Europa, podia supor que ainda estava no centro de São Paulo – em pleno domingo, trânsito pesado, barulho, sujeira completavam a cena. Mesmo país rico pode ter cenários de subdesenvolvimento (e lembrar da perfeição da limpeza do lago em Genebra...).
       
      Deixando as malas de mão no hotel, saímos pela cidade – e à semelhança com o trânsito caótico de São Paulo era inevitável, além das inúmeras motocicletas. Os carros pareciam meio gasto e machucados – e entendi o porquê: é a cidade que para-choque realmente serve para... parar choques! Os carros batem sem nenhuma cerimônia. Ou seja, JAMAIS alugue um carro e dirija por dentro de Nápoles.
       
      Como o período desse dia era curto (só sobrou a tarde e noite), aproveitamos para ir ao mercado e passear pela cidade à pé. Fomos em direção ao Duomo de Nápoles, mas estava fechado no dia – no entanto, nas proximidades existia uma exposição de presépios (a cidade italiana é famosa pela produção). No pouco tempo de preparação da viagem, tinha lido sobre os presépios napolitanos; mas me surpreendi – os presépios são grandes e extremamente detalhados, com precisão cirúrgica para produzir cada objeto da arte.
       
      O Duomo e algumas outras áreas antigas de Nápoles ficam em ruas apertadas – bem apertadas, onde só passa moto e pedestre; alguns dizem que é o equivalente às favelas brasileiras. No nosso caso, roubados não fomos, mas não andaria nesses lugares à noite de jeito nenhum (de dia o movimento é intenso, então não há muitos problemas). Mas preferimos evitar a área (fora o movimento que dificultava o fluxo de pessoas) e voltamos para as avenidas mais largas da cidade (no caso, a Corso Umberto I). Assim, deu para conhecer o Castel Nuovo e parte do porto, com o Vesúvio ao fundo.
       
      RESUMO
       
      O HORÁRIO da conexão pode ser de madrugada, o que diminui nossa capacidade de raciocínio.
       
      Em Napóles, encontre o vulcão: o MONTE VESÚVIO.
       
      OBSERVE o Castel Nuovo.
       
      Se visitar a cidade no final de ano, aprecie os cirúrgicos PRESÉPIOS NAPOLITANOS.
       
      À NOITE, as vielas de Nápoles não parecem “amigáveis” a quem não conhece.
       
      Dia 16/12 (3)
       
      Reservamos esse dia para a atração mais visitada para quem vai a Nápoles: as ruínas de Pompeia.
       
      Fora do hotel, fomos à estação de trem Napoli Piazza Garibaldi comprar o bilhete para irmos até Pompeia (na estação Pompei Scavi – Villa Dei Misteri) pela rede da Circumvesuviana. Diferentemente de todas as linhas de trem que já usara, a sinalização é péssima. Estava com o bilhete até Pompeia, mas qual linha deveria usar? Em qual plataforma? Precisava validar o bilhete? Na entrada da estação, tem uma placa indicada para Pompeia – e só. Depois de sair de um corredor, chega nas plataformas – e qual delas é para Pompeia? Do nada, um homem diz para usar a plataforma do meio e, em troca, pede dinheiro para um cafezinho (informação cara...). Me fiz de desentendido e ignoramos o apelo da “ajuda” (depois verifiquei que isso é um truque para pegar dinheiros de turistas que ficam constrangidos com a abordagem). Na plataforma, nenhum mapa indicando as linhas da rede, nem monitor indicando qual é o próximo trem, nada! POR SORTE, havia na plataforma um grupo com uma guia que disse para pegar o trem seguinte.
       
      Depois percebi que a sinalização para pegar o trem até existe, mas a sinalização é tão ruim e suja que é difícil de perceber.
       
      Sabendo que estávamos no trem correto (e ter percebido que a validação do bilhete foi feita após passá-lo na catraca), apreciamos a vista do trajeto. Como o próprio nome diz, é uma rede de linhas de trem que ficam ao redor do Monte Vesúvio. Ali caiu a ficha – estava próximo a um vulcão, que inexiste no Brasil. É uma montanha, com a diferença de não ter um cume, mas um baita buracão no topo.
       
      A estação deixa quase que na frente do Parque Arqueológico de Pompeii – e é enorme. Devido ao seu tamanho, a maior parte das estátuas e esculturas (e os mortos cobertos pelas cinzas do vulcão) ficam mais próximos da entrada, para facilitar a vida dos turistas. Mas isso não é motivo para não conhecer as casas e ruas que pertenciam ao Império Romano, a mais de 2 mil anos. A preservação de alguns lugares chega a ser espantosa. O parque cede um mapa para os ingressantes, mas uma consulta ao Google Maps foi de maior auxílio, pois este indicava as principais atrações do local, como o Fórum de Pompeia, Casa do Fauno, Tempo de Apolo, Lupanar (ou “casa das primas” – tanto lugar para ser preservado e conseguiram recuperar a “diversão noturna”). Para conhecer o complexo, é necessário um bom calçado, pois não é fácil de caminhar por cimas das pedras que perfazem as antigas ruas romanas.
       
      Caso queira conhecer todo o parque (e tenha fôlego para isso), um dia será obrigatório – para a maioria das pessoas, porém, meio dia será o suficiente. Depois de conhecer a maior parte do parque, saímos e quase caímos numa pegadinha – para sair dele, é preciso passar novamente o ingresso na catraca; NÃO o jogue fora! De lá, fomos ao mercado que ficava no meio do caminho até a estação Pompei. Essa estação não pertence à Circumvesuviana, mas à rede de trem regionais italianos – a estação e o trem que pegamos era muito melhor do que fora a da ida; e essa linha era adjacente à praia, o que possibilitou que apreciássemos o Mar Tirreno no nosso retorno à Nápoles.
       
      Apesar de termos chegado em Nápoles ainda de dia, as pedras de Pompéia acabaram com os pés e as pernas. Só restou descansar para poder aproveitar melhor os demais dias da viagem (mas sempre dá para dar uma esticadinha pelas ruas da cidade à noite).
       
      O dia seguinte estava reservado para a Ilha de Capri, mas como encontramos o “espertinho” dando golpe na ida à Pompeia, ficamos receosos de ir por conta à ilha (imagina se não conseguimos voltar?) e não sabia se haveria no dia pacote de agência para ir à ilha. Para evitar maiores encrencas, tive de mudar a logística e procurei no guia as atrações que poderia fazer no dia seguinte, com o cuidado de verificar em qual dia da semana estariam fechados (para evitar o ocorrido em Belém 2 anos antes). Um dos locais que me interessou, o Palácio Real de Caserta, o equivalente Versailles italiano, estaria fechado.
       
      RESUMO
       
      Visite umas das principais atrações da Itália: as RUÍNAS DE POMPÉIA.
       
      Para chegar às ruínas, utilize a rede da Circumvesuviana e DESEMBARQUE na estação Pompei Scavi – Villa Dei Misteri.
       
      NÃO FALE com ninguém que se aproxime de você – se precisa de ajuda, peça aos funcionários das estações ou das atrações.
       
      Vá de TÊNIS: as ruas e calçadas pavimentadas por pedras era bom para os antigos romanos, e não para os homens do século XXI.
       
      Dia 17/12 (4)
       
      Na procura de atrações, encontrei para o período da manhã o Museu de Capodimonte, que ficava a 1,5 quilômetro de distância da estação Cavour. Ora, 1,5 quilômetro para passear pelas ruas antigas da Europa é pouco (e até obrigatório – se não andar pelas ruas, não é possível conhecer de verdade o velho continente). O problema é que descobri somente durante o percurso que o museu ficava a 1,5 quilômetro na horizontal MAIS 107 metros na vertical – tinha umas ladeiras que cansavam as pernas (errei feio); compensava mais ter descoberto uma linha de ônibus que saísse do centro de Napóles até lá. Porém o “estrago” estava feito, que descobrimos ao andarmos pelas ladeiras que jamais acabavam.
       
      Mas as ladeiras acabaram e lá estávamos [cansados] em frente do Museu de Capodimonte, com seu belo jardim. O museu, que foi um antigo palácio, fica um pouco fora das rotas turísticas (que, percebi, graças às ladeiras), mas possui belas pinturas de artistas, inclusive do Renascimento – no entanto, não tem uma quantidade enorme de obras, como o British Museum ou Musée du Louvre.
       
      Passado 2 horas (e descansado as pernas), voltamos às ladeiras – agora em sentido descendente (afinal, para baixo todo santo ajuda) até os subterrâneos de Nápoles, que ficava próximo à estação Cavour (550 metros no PLANO!). Entretanto, o caminho passava ao lado do Doumo que, desta vez, estava aberto – e de entrada gratuita para a igreja. Aproveitamos para tirar fotos e descansar, mas após 7 minutos fomos convidados a nos retirar – a igreja ia fechar.
       
      Fora do Doumo, fomos à Piazetta San Gaetano para acessarmos o subterrâneo de Nápoles (Napoli Sotterranea). Depois percebi que, na praça, existem acesso a 2 “subterrâneos”. Um, o mais famoso, que fica na altura no número 68 da praça; outro, vinculado à igreja San Lorenzo Maggiore, fica na altura no número 316 da praça – quis o destino que nossa escolha fosse a segunda opção. Por quê?
       
      Fomos à bilheteria, usando aquele inglês para comprar os bilhetes – pelo que entendi, era necessário a ida com guia; no caso, em inglês – e começaria o passeio em menos de 10 minutos. Quando me virei para falar com meu pai – em português – a vendedora exclamou: estava também aprendendo a falar em inglês – ela era portuguesa; ambos estávamos “sofrendo” para falar (e entender) o inglês um do outro desnecessariamente. E, para nossa surpresa, a guia – para variar – era brasileira. Como erámos somente nós no grupo para o passeio ao subterrâneo naquele horário, conseguimos, na prática, uma guia particular falando em português em Nápoles – o destino realmente escolhera muito bem.
       
      No subterrâneo de Nápoles, a semelhança com o que fora visto no dia anterior em Pompéia era evidente – e conveniente; a guia dirimiu algumas curiosidades que tínhamos visto nesses sítios arqueológicos de ocupação greco-romana. Aliás, como ela contou, Nápoles deriva de Neápolis, ou nova polis – nova cidade; a arquitetura em arco, bastante forte (meio lógico até – tem uma CIDADE em cima de todo o subterrâneo); as grandes pedras brancas no meio da rua, para ampliar a iluminação noturna; as áreas que correspondiam ao mercado, escola, casas. Curiosamente, o subterrâneo não era segredo para [quase] ninguém – os clérigos da igreja usavam essa parte do subterrâneo como depósito; somente no século XX que foi reconhecido o valor histórico de tais áreas.
       
      Finalizado o passeio ao subterrâneo e à igreja San Lorenzo Maggiore, fizemos o óbvio: comer pizza napolitana... em Nápoles. Comer pizza – ou calzone – é extremamente fácil de ver nas ruas de Nápoles (e no resto da Itália também). E é barato: € 5 pelos pratos mais simples de pizza. Apesar de conseguir comer tudo, o prato atende bem como almoço E jantar.
       
      Abastecidos, voltamos à área portuária da cidade até a Piazza del Plebiscito e (mais um) Palácio Real, em frente à praça. Infelizmente, o dia estava acabando e não dava mais tempo de conhecer mais lugares.
       
      A cidade, em si, não é um lugar que voltaria – de bagunça e sujeira, já basta o Brasil. No entanto, há de se reconhecer que a região contém tesouros históricos únicos. Ou seja, não deve ser considerada como destino de viagem principal – mas caso tenha a oportunidade de “passar lá”, como foi o meu caso (e gostar de história e seus tesouros), pode valer a pena.
       
      RESUMO
       
      Nápoles tem algumas LADEIRAS terríveis.
       
      VISITE o Museu de Capodimente e o Duomo de Nápoles.
       
      CONHEÇA as histórias e os artefatos nos subterrâneos de Nápoles.
       
      COMA a pizza napolitana... em Nápoles.
       
      PASSEIE pela Piazza del Plebiscito e o Palácio Real em frente à praça.
       
      Dia 18/12 (5)
       
      Apesar de ainda estar em Nápoles, o dia era reservado para Roma – o horário do trem que reservamos era às 9 da manhã, com tempo de trajeto em impressionantes 1 hora e 10 minutos. Apesar de até parecer meio tarde para pegar o trem, o tempo que se perde em tomar o café e fechar (não arrumar – isso já fora feito na noite anterior) a mala de mão é relevante. Mesmo assim, chegamos com antecedência na estação Napoli Centrale para embarcar no trem – a questão é que seria a primeira viagem de trem de alta velocidade na Europa. Apesar de ter visto inúmeros vídeos na internet de como funciona o sistema de trens de alta velocidades na Europa (e Itália), o nervosismo é inevitável, pois o tempo de embarque pode ser curto e a estação, muito grande. No entanto, o sistema é pensado para que o tempo seja justo – nem rápido, nem demorado.
       
      Nas primeiras viagens de trem, é vital ter os bilhetes impressos em mãos – primeiro, para ver as informações do bilhete e comparar com o painel na estação; segundo, é preciso mostrar o bilhete ao funcionário da companhia ferroviária durante o trajeto.
       
      Finalmente, apareceu a informação no painel de qual plataforma seria o embarque – justamente a plataforma mais distante dos bancos onde estávamos. Porém, como dito que o tempo é justo, apesar de ter de cruzar a estação, o tempo foi mais que suficiente. Porém esse tempo é para entrar no trem – ele parte mesmo que não tenha encontrado seu lugar ou guardado sua mala.
       
      O bilhete do trem já vem indicado o número da poltrona em que deve se sentar. Mas nessa viagem um grupo de garotas estavam sentadas em algum de nossos lugares – e percebi que, apesar do bilhete indicar a cadeira, nada impede que possa trocar de lugar com outro por meio de uma boa conversa.
       
      O trem, moderno, cortava as paisagens italiana de forma fulminante – e o monitor no início do vagão indicava o porquê: 300 km/h! (é um bocado difícil tirar foto). Apesar da velocidade, o trem é confortável e silencioso, fácil para dormir – menos para esse blogueiro, que faz questão de curtir cada segundo de qualquer viagem.
       
      Dito e feito! Depois de 70 minutos, o trem parou na estação Roma Termini. E ficou muito claro de o porquê de quem conheceu os trens de alta velocidade europeu, se apaixona (ainda mais quando fica “travado” por dezenas de minutos nas marginais em São Paulo).
       
      Compramos os bilhetes avulsos de metrô até a hospedagem próxima ao Vaticano, para guardar as malas. Do hotel, fomos à pé em direção ao Museo e Galleria Borghese. Nas ruas romanas, os edifícios próximos do Vaticano muito me lembravam de Paris – nas suas proporções, é claro. Diferente do que víramos em Nápoles, Roma é uma cidade muito mais organizada.
       
      No caminho para a Galleria Borghese paramos na Piazza del Popolo – praça obrigatória para quem já assistiu Robert Langdon na procura dos cardeais em Anjos e Demônios.
       
      Nos jardins da Villa Borghese fica o Terrazza del Pincio, onde é possível ver a cúpula do Vaticano, a Piazza del Popolo e outros marcos de Roma e, claro, tirar muitas fotos. Todavia, o local é frequentado por vendedores e eventuais golpistas: um homem queria empurrar a todo custo uma rosa para minha mãe (turista tem o problema de ser menos “sensível” a perceber trambiques). Tive que insistir em falar não, até exclamar um “get out!” – só assim para o homem ir embora.
       
      Pelos belos jardins chegamos à galeria. Apesar de ter lido que é necessário fazer reserva, eu consegui comprar na hora – mas atenção: o ingresso é caro e o horário é limitado. Os períodos são pré-definidos, como das 15:00 às 17:00. Se entrar às 16:00, só pode ficar até às 17:00. Pode se perguntar: Que frescura. E por que então foi lá? Quando nos referimos a artistas renascentistas italianos como mestres, não é à toa. Apesar de ter pinturas no museu, as grandes atrações são as esculturas do mestre Lorenzo Bernini – ele não fez 1 escultura obra-prima, ele fez VÁRIAS. E não dá para falar que uma é melhor do que a outra porque não existe nota melhor do que perfeita (são esculturas de tirar o chapéu). “É caro” “É”. “Voltaria?” “Voltaria”.
       
      Mas o passeio na galeria tem o horário limitado e voltamos para Piazza del Popolo conhecer o centro de Roma. Próximo fica a Piazza di Spagna, onde ficam a fonte e a famosa escadaria – de tão famosa, o governo italiano proibiu de sentar nos degraus, sob pena de multa. Depois, sob a luz do luar, nos “perdermos” pelas ruas históricas da cidade, nos unindo ao fluxo intenso de turistas.
       
      RESUMO
       
      EMBARQUE nos trens de alta velocidade italianos.
       
      Leve o BILHETE IMPRESSO nas mãos – utilizar os trens de alta velocidade é bem simples para quem está acostumado. Mas na 1º vez é melhor tem impresso para poder conferir as informações de viagem rapidamente.
       
      VISITE a Galleria Borghese e se encante com as esculturas perfeitas de Lorenzo Bernini.
       
      NÃO PERMITA que qualquer estranho te ofereça ao algum produto.
       
      PERCORRA por algumas praças romanas, como a Piazza del Popolo e Piazza di Spagna.
       
      Dia 19/12 (6)
       
      Esse foi um dia que, na prática, demonstrou que comprar ingresso antecipadamente ou fazer reserva pode não ser boa ideia (pelo menos em baixa temporada). Na noite anterior tinha visto que esse dia seria chuvoso – longe das chuvas que ocorrem em São Paulo, mas ainda assim inconveniente. Os passeios “obrigatórios” em Roma são o Coliseu e Fórum Romano, e o Vaticano. Tendo em vista a expectativa de chuva, fomos ao Musei Vaticani (para algumas [poucas] atrações, a Europa está até obrigando fazer reserva. Mas ela não precisa ser feita 2 meses antes – basta fazer no dia anterior).
       
      E o dia foi mesmo chuvoso – por uns momentos da manhã, caía uma chuva torrencial. Todavia, como a hospedagem era muito próxima ao Vaticano, não havia necessidade de sair cedo para se aventurar no transporte até os domínios da Santa Sé.
       
      A fila de acesso estava pequena. Contudo, ao notar o fluxo de turistas no Vaticano, percebi que era decorrente do horário que chegáramos, às 9 da manhã, quando abre o museu – o melhor é chegar próximo desse horário.
       
      O Musei Vaticani é, na verdade, vários museus. Ao entrar, fica-se com a impressão de entrar numa cidade – uma cidade sagrada. Onde começar? Muitos indicam a Capela Sistina – inclusive o próprio Vaticano indica um atalho para chegar ao lugar. Vale a pena fazê-lo pois o número de turistas aumenta muito no decorrer do dia; mas não deve considerar que o Musei Vaticani é tão somente para apreciar a obra de Michelangelo – tem muito mais.
       
      Em parte do corredor até a Capela Sistina, tapeçarias imensas ornamentavam o local (Galeria das Tapeçarias). No último trecho fica a Sala dos Mapas – somos ladeados por diversos mapas pintados na parede. Uma curiosidade: alguns mapas eram difíceis de reconhecer, pois o Norte é apontado para baixo (questão de perspectiva).
       
      É inquestionável a arte impecável pintada nas paredes e teto da Capela Sistina (sim, se já é ruim pintar de branco o teto de casa, imagina fazer uma obra-prima para posteridade?). A entrada para a Capela se dá de costas para o Juízo Final e se perde algumas dezenas de minutos para poder contemplar as obras – e muito mais para ver os detalhes. Um ponto interessante que foi feito nesse passeio foi ter um guia com informações mais completas sobre o local – assim, podia entender o que cada pintura representava, o que Michelangelo e outros mestres queriam indicar em suas obras. Consequentemente, os detalhes das pinturas eram mais perceptíveis – acho que passamos mais de 2 horas lá; até doeu a cabeça de tanto olhar para o teto – que Michelangelo pintou por anos!
       
      Como são vários museus dentro do complexo, é difícil lembrar a ordem em que passa por cada um dos museus. Por isso segue alguns museus, não necessariamente na ordem realizada.
       
      O Museo Gregoriano Egizio, com múmias e outras peças encontradas do Antigo Egito – não deixa de ser curioso que na sede da Igreja Católica Apostólica Romana existam objetos e outros símbolos pagãos; um sinal de respeito com outras culturas e apreço à arte e à história (mas depois de ver múmias no British Museum e Museé du Louvre, me perguntava se sobrou alguma múmia no Egito para contar história...).
       
      A Pinacoteca do Vaticano, com quadros e esculturas do século XII ao XIX. Para cada uma das 16 salas, fica representada uma época e, claro, a principal obra – entre Leonardo, Caravaggio, Rafael...
       
      As Salas (Stanze) de Rafael, que são quatro aposentos decorados pelo mestre renascentista – infelizmente, estas salas estão em processo de restauração e, somado ao espetáculo que foi ter apreciado a Capela Sistina, fica um pouco difícil de dar a atenção devida ao lugar. Mas não se iluda – as pinturas são incrivelmente bárbaras.
       
      O Museo Gregoriano Etrusco, com peças arquitetônicas encontradas na Itália do povo que ocupava a região do Lácio antes da formação do Reino de Roma – evidentemente, para quem tem pouco tempo e/ou prefere as pinturas renascentistas, não é interessante.
       
      O Museu Pio-Clementino, com obras e objetos da Antiguidade Greco-Romana e do Renascimento. Junto com a Capela Sistina e as Salas do Rafael, é um dos principais museus do complexo. A quantidade de estátuas e busto de romanos é gigantesca, sendo que a maioria está extremamente bem preservada, a despeito de ter aproximadamente 2 mil anos (ficou a impressão de que, para os romanos, a criação de bustos/estátuas é o equivalente moderno ao consumo de alto luxo; além de que parte dos bustos eram de homens forte do Estado Romano, num processo bem semelhante ao de homenagem a políticos no século XXI – ou seja, passam-se os anos, mas a história se repete).
       
      Existem outros museus no complexo, como o Museo Chiaramonti, Museo Gregoriano Profano, Museo Sacro, Biblioteca Apostólica, entre outros. Porém é possível que alguns deles estejam fechados (como foi o meu caso para a Biblioteca) e alguns desses museus não tem separação física – você vai para o outro museu sem “perceber”; por isso fica um pouco difícil discriminar em qual museu estava aquela obra específica.
       
      Para acessar um dos ambientes que ainda não tinha conhecido, foi necessário passarmos novamente na Capela Sistina (chato né? tão ruim ver novamente as sensacionais pinturas de Michelangelo...). Nessa segunda visita, a capela estava muito mais cheia – e percebi que chegar cedo nos pontos mais demandados faz toda a diferença.
       
      Apesar de enorme, tínhamos conseguido conhecer [quase] todo o complexo representado pelo Musei Vaticani. Era o momento de ir embora – e mesmo assim é possível se impressionar: a escadaria em espiral de Guiseppe Mormo, que marca o fim do Musei Vaticani.
       
      Fora dos museus, o passeio pelo Vaticano ainda não havia acabado. Afinal, ainda faltavam a Piazza San Pietro e a Basilica de San Pietro, a maior igreja cristã do mundo e a casa do sucessor de São Pedro. A praça, uma enorme elipse rodeada por 140 santos, foi criada por Bernini (pelo jeito não foi o suficiente ter criado as espetaculares esculturas na agora Galleria Borghese – tem de impressionar o mundo com mais obras...).
       
      Após passar pela segurança (uns 20 minutos de fila), entramos no Basílica de São Pedro. Apesar de ter já vistos [muitas] igrejas e palácios em Portugal, Espanha, Inglaterra e França, essa me deixou de “boca aberta”. Se os chefes da Igreja Católica quiseram criar uma estrutura que mostrasse o poder de Deus perante seu fiel, conseguiram. Não há palavras para descrever o lugar (ah, isso vale para fotos e vídeos também). Talvez uma palavra para caracterizar o lugar seja... Suprema. E, claro, não é necessário que seja um fiel católico para se encantar com a basílica. De longe, é um lugar que voltaria (e voltei mesmo).
       
      RESUMO
       
      Comprar BILHETE ANTECIPADAMENTE pode não ser muito bom, especialmente se estiver em baixa temporada.
       
      Fique o DIA INTEIRO no complexo representado pelos Musei Vaticani.
       
      A CAPELA SISTINA pode exigir mais de uma hora para conhecer seus detalhes.
       
      Vá para a Piazza San Pietro, ENTRE na Basilica de San Pietro e fica estupefato com tal criação.
       
      Dia 20/12 (7)
       
      Como previsto, o dia seria mais ensolarado, bem distante da chuva que caiu no dia anterior. Ou seja, era o dia reservado para o Coliseu e Foro Romano.
       
      Para chegar, basta pegar o metrô e descer na estação Colosseo (mais fácil que isso não tem). A estrutura do Coliseu, um tanto “machucada” pelos séculos de pilhagem, é maior do que parece nas fotos. Como é de se esperar, já estavam à vista os eventuais “espertinhos”. Com isso, uma proteção maior dos bolsos e celulares se faz necessário – mas sem precisar ficar paranoico.
       
      Como umas das principais atrações da capital italiana (se não a principal), esperava filas enormes para acessar o Coliseu (ou ao menos maior do que a encontrada no Vaticano). Surpreendentemente, praticamente não havia fila. Bastava entrar numas das laterais do Coliseu, comprar o ingresso (que dá acesso também ao Foro Romano) e entrar no antigo estádio romano.
       
      O gigantesco anfiteatro, cenário de lutas de gladiador, era muito mais do que isso. Conseguiam até alagar a arena. É composto por 4 níveis: o primeiro, para a corte imperial e senadores; o segundo, para famílias nobres, mas não pertencentes ao Estado Romano; o terceiro, para os homens em geral, conforme grau de riqueza; o quarto, para as mulheres comuns. Na prática, era o equivalente “cinema” do imperador e seus asseclas, ao qual o povo tinha acesso – mas afastado da aristocracia. E era todo revestido de mármore que, ao longo do tempo, foi arrancado e usado em outros lugares – mas é possível ter noção do tal mármore que fora retirado. Parte dele reveste a Basílica de São Pedro, no Vaticano – não é à toa que tenha tal beleza.
       
      Apesar do tamanho do Coliseu, sua concepção e construção é espantosa – sua construção foi realizada ao longo de 8 anos (compare com algumas obras menores tupiniquins...), com o planejamento para evacuação total do estádio em 10 minutos. Além disso tinha cobertura para proteger do sol, com um público de 70 mil pessoas.
       
      Apesar de enorme, o acesso do ingresso não abarca todo o anfiteatro – umas 2 horas é suficiente para admirar as enormes pedras que sustentam o local (a não ser que queira conhecer os subterrâneos, pagando o bilhete competente). Fora do Coliseu, com o ingresso ainda em mãos, é o momento de ir ao Fórum Romano, a antiga sede do Império Romano – mas não antes de tirar fotos ao lado do Arco de Constantino.
       
      Assim como o Coliseu, a antiga Roma representada pelo Fórum Romano tem vários pedaços em ruínas. Entretanto, as construções (mesmo que parcialmente) inteiras provam que a opulência do Império Romano não ficou reservada somente ao Coliseu. Numa das construções, era possível perceber a conversão do antigo templo pagão em uma casa católica – fizeram uma nova pintura por cima. Junto ao Fórum Romano fica o Monte Palatino, a mais famosa colina de Roma. A maior parte das construções (infelizmente) estão em ruínas, mas é possível perceber que ali era, sem dúvida, o centro do poder do Império.
       
      Findo o passeio pela parte antiga de Roma, era o momento de voar por alguns séculos até o século XIX para a Piazza Venezia, onde fica o Monumento Nacional ao primeiro rei da Itália, Vittorio Emanuelle II.
       
      Passando pelo centro de Roma, obrigatório passar pela Fontana di Trevi (sempre lotada), o Phanteon, o antigo tempo romano, onde está enterrado Vittorio Emanuelle II – mas é bom ir de dia; à noite, o ambiente fica muito escuro. Próximo ao tempo, fica a Piazza Navona, onde Robert Langdon salvou o cardeal e o Castel Sant´Angelo. Esse castelo, construído pelo imperador Adriano como mausoléu, serviu como fortificação para os papas em caso de grave perigo. Para isso, existe um corredor que liga o castelo diretamente à Basílica, o qual foi usado por Langdon (repare que esse blogueiro é fã inventerado do personagem de Dan Brown – um dos pontos mais divertidos em viagem é reconhecer pessoalmente imagens que vira em fotos ou vídeos).
       
      RESUMO
       
      CONHEÇA o Coliseu e o Foro Romano por meio do ingresso único.
       
      PRÓXIMO às ruínas romanas fica uma edificação mais moderna: o Monumento Nacional para Vittorio Emanuelle II, na Piazza Venezia.
       
      CONTEMPLE a Fontana di Trevi, o Phanteon, a Piazza Navona e o Castel Sant´Angelo.
       
      Dia 21/12 (8)
       
      Tendo em vista que as principais atrações de Roma já tinham sido conhecidas nos dias anteriores, era o dia de se perder pela cidade e rever algumas atrações (e aproveitar o dia, já que algumas foram vistas à noite, o que pode atrapalhar um pouco).
       
      Como escrevera, voltamos ao Vaticano. Entramos no início da manhã, após arrumar as malas (o que sempre toma um tempo). Novamente com pouca fila, logo na entrada da Basílica de São Pedro fica a Pietà, de Michelângelo – o problema é que ela está envolta do vidro, difícil de apreciá-la como merece; pode ser mais simples admirar as réplicas, como uma que estava na Pinacoteca do Musei Vaticani ou de ver de outros mestres, como as de Bernini na Galleria Borghese. Não há um centímetro quadrado em toda a basílica que não tenha sido plenamente trabalhada, incluindo o baldaquino de Bernini.
       
      A basílica, apesar de ser uma impressionante construção histórica, não deixa de ser uma... igreja! Para quem for católico (ou simplesmente quer conhecer), é possível participar da missa na basílica. Mesmo sendo italiano, dá para entender algumas expressões – afinal, tanto o italiano quanto o português têm a mesma origem, o latim; inclusive, é somente no Vaticano que o latim ainda é uma língua oficial.
       
      Fora da basílica, ficava a impressão de que tinha algo que representa o Vaticano e não havia visto... O que seria? Olho para a esquerda e dez homens da Guarda Suíça (é claro!) passam ao meu lado. Em Genebra, tinha perguntado ao guia do museu de o porquê eram homens suíços que faziam a proteção papal. Ele explicou que, na Europa, os homens da guarda suíça eram tidos como os mais confiáveis – o que permanece até hoje.
       
      Evidentemente, há diversas atrações que podem ser feitas na basílica além da visita da própria e assistir a uma missa, como subir até a cúpula, visitar os tesouros do Vaticano ou ir ao túmulo de São Pedro. Mas o fato de existir não quer dizer que tenha de ir...
       
      Na Piazza San Pietro, fomos encontrar a escultura mostrada por Langdon na busca pelo segundo cardeal – a rosa dos ventos representada no chão da praça (claro, isso é mais uma diversão para turista detetive que adora procurar marcos que foram vistos em livros e filmes).
       
      Seguindo pela Via della Conciliazione, cruzamos o centro de Roma para curtir um pouco mais da cidade, agora com a iluminação solar. Dessa vez, seriam o destino as Igreja de Santa Maria della Vittoria e Basílica de Santa Maria Maggiore. Talvez fosse o caso de pegar o metrô para visitar essas igrejas, no entanto isso tem de ser contrabalanceado com o fato de que existem outras atrações ou lugares no meio do caminho que merecem ser vistos (reitero: o melhor do Europa é andar por suas áreas milenares). Caso fique na dúvida, use os dois meios: faça um dos caminhos a pé e use o outro (ida ou volta) de transporte público.
       
      A Basílica de Santa Maria Maggiore é uma das igrejas que, apesar de não estar no território representado pelo Vaticano, pertence ao Estado Papal (com privilégios semelhantes a uma embaixada). É a única igreja romana que celebra missa todos os dias sem interrupção desde o fim do Império Romano do Ocidente e uma das mais belas igrejas de toda a Roma, com mosaicos do século V. Já ficara encantado com a Basílica de São Pedro e aparece outra, enorme e tão bela quanto. Apesar de ser bem perto da principal estação de trem de Roma (Termini), ela estava vazia (ideal para quem gosta de evitar aglomerações). É nela que está enterrado Bernini (mas, convenhamos, por tudo o que ele criou – inclusive para a Igreja Católica, seria desaforo ele ser sepultado em local diverso).
       
      A Igreja de Santa Maria dela Vittoria é mais um local para onde Langdon se desloca na busca dos cardeais. E assim como ocorre com o personagem, tivemos nossa surpresa: a igreja estava fechada, reservada para um CASAMENTO! – um claro exemplo de que, por mais que planeje, sempre pode ocorrer contratempos; o mais importante é sempre ter uma carta na manga para substituir o passeio. Com isso, não poderia apreciar a 100ª obra de Bernini, o Êxtase de Santa Tereza (mas tudo bem – fico satisfeito com as outras 99...).
       
      Na prática, o passeio pela cidade eterna estava chegando ao fim. Mas não é possível despedir dela sem tomar um tiramisù (por € 2,50). De volta ao hotel para pegar às malas, pegamos o metrô até à estação Termini embarcar no trem de alta velocidade rumo a Florença. Apesar de termos chegado a tempo, creio que o ideal seja chegar pelo menos meia hora antes – afinal, e se o metrô quebra ou tenha algum atraso?
       
      Diferente da primeira viagem de trem a partir de Nápoles, essa foi mais tranquila – já tinha entendido [quase] tudo com o primeiro embarque e, como era de noite, não tinha como ver nada pela janela. Mas aprendi um novo detalhe: a mesma plataforma pode atender vários trens de alta velocidade – então sempre confira o número do bilhete com o indicado nas portas do trem, senão vai embarcar no trem errado...
       
      RESUMO
       
      VOLTE a Basílica de São Pedro – vale a pena – e, se quiser, participe de uma missa.
       
      PASSEIE pelo Centro de Roma.
       
      CONHEÇA as outras basílicas papais em Roma, como a Basílica de Santa Maria Maggiore.
       
      Se tiver um pouco mais de sorte, ENTRE na Igreja de Santa Maria dela Vittoria.
       
      EXPERIMENTE o doce tiramisù.
       
      Dia 22/12 (9)
       
      Era o dia de conhecer a capital da Toscana: a cidade de Florença, que por um breve período foi capital do Reino da Itália e centro da arte renascentista, em virtude do patrocínio decorrente da poderosa família Médici.
       
      Infelizmente nesse dia a chuva voltara e, diferente da possibilidade em Roma de ir a um ambiente fechado – o Musei Vaticani, não tinha como não enfrentar um pouco da chuva. Mas não é por isso que a viagem seria arruinada: lembre-se de trazer capas de chuva (aquelas descartáveis, de 1 real) e será possível realizar ótimos passeios (lógico, não dá para olhar para cima para ver o alto de uma torre senão vai se molhar todo).
       
      Como o tempo de planejamento da viagem foi meio curto, não tive tempo de discriminar as atrações em Florença e fomos na secretaria de recepção de turistas pedir algumas informações e obter um mapa da cidade – mas isso só para quem não pesquisou antes de ir para a cidade; o ideal é sempre estudar as atrações do destino antes de viajar (se bem que, para nós, também serviu para escapar um pouco da chuva que aumentara). No local vendem o Firenze Card, mas como já discutido na seção dos Citycards, não me interessou (fora que o tempo na cidade foi curto).
       
      Perguntei qual era a atração recomendada para quem tem só um dia de visita à cidade. A atendente foi pragmática: a Galleria Degli Uffizi. A principal atração da cidade também serviria para escapar da chuva – perfeito.
       
      A Galleria Degli Uffizi é um dos principais centros de coleção de arte do mundo (e uma fila para entrar em alta temporada que pode ser insana) – e entendi o porquê. A quantidade de quadros, esculturas e outras obras é absurda. E contém, evidentemente, obras superfamosas, como O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Entretanto, umas das pinturas que mais me impressionou foi a perfeição do desenho do pé de um homem na água com as consequentes ondas causada pelo movimento corporal – tratava-se da pintura do então jovem Leonardo da Vinci, O Batismo de Cristo. Reza a lenda que o mestre de Leonardo, ao ver a pintura de seu discípulo, desistiu de pintar ao perceber que seu aprendiz superou (e muito) seu mestre (se, para uma pessoa leiga para as artes como eu se impressiona com a pintura, imagina para um especialista – é de ficar doido). Mas a galeria é tão ampla que até Keanu Reeves está representado (pelo jeito, a Matrix também servia para viajar no tempo, à Itália renascentista) e a Medusa.
       
      Além dos citados Botticelli e Leonardo da Vinci, ainda marcam presença Caravaggio, Ticiano, Rafael, Michelangelo entre outros, além de inúmeros bustos romanos e outras estátuas. Com isso, é evidente que longas horas se passam no museu.
       
      Finda a visita pela galeria, a chuva já tinha passado e era o momento para passear pela cidade. Para variar, Florença é mais uma cidade onde o professor Robert Langdon visitou em uma de suas aventuras: cheia de marcos interessantes para conhecer.
       
      Infelizmente, o passeio pela Galleria Degli Uffizi nos tomou várias horas e não seria possível visitar muitos outros lugares internamente. Próxima à galeria fica o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria. Nessa praça, para quem não pode ir à Galeria da Academia de Belas Artes, o turista tem a possibilidade de ver uma cópia do Davi, de Michelangelo. Ainda na praça existem muitas outras esculturas e, para quem tiver curiosidade, é possível ver que um dos leões nas escadas da Loggia del Lanzi “come” a cabeça do grande Davi.
       
      Claro, é impossível falar de Florença sem citar a Ponte Vecchio, a mais famosa ponte italiana sobre o Rio Arno (não, não é por causa dos ventiladores da fábrica brasileira), na qual existem inúmeras joalherias. Por cima ponte fica o Corredor Vasari – um caminho exclusivo entre a Palazzo Vecchio e Palazzo Pitti, encomendado pela família Médici e pelo qual Langdon usou em Inferno.
       
      Um dos maiores ícones da cidade são a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni. A catedral, conhecida como “Doumo” de Florença, começou a ser construída no fim do século XIII e os trabalhos avançaram até o século XIX. Um de seus destaques externos é a composição da fachada por mármores branco, verde e vermelho. A entrada da catedral é gratuita, diferente do batistério, que é pago.
       
      Durante a noite, a cidade ainda reservara uma surpresa: próximo da Piazza della República, uma soprano italiana mostrava seus dons para a multidão de turistas que a admiravam (pelo jeito, a Itália é uma fábrica de tenores).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Galleria Degli Uffizi e se impressione com as obras dos mestres renascentistas.
       
      ADMIRE o Palazzo Vecchio na Piazza dela Signoria e veja um dos leões comendo a cabeça de Davi.
       
      CAMINHE pela Ponte Vecchio, onde, por cima, fica o Corredor Vasari.
       
      CONTEMPLE a Cattedrale di Santa Maria del Fiore e o Battistero di San Giovanni.
       
      Dia 23/12 (10)
       
      Esse dia foi dividido em dois: a primeira metade seria em Florença; a segunda, em Bolonha. Tendo em vista que seria inviável voltar à hospedagem somente para buscar as malas, levamo-las conosco no check-out do hotel de manhã. Seria o caso de encontrar um local para deixar as malas ou, como estávamos em quatro pessoas e tínhamos conhecido os principais pontos internos, andar com as malas conosco – no fim, ficamos com a segunda opção (repare que ter malas de mão com rodinhas faz TODA a diferença).
       
      Um dos primeiros pontos foi a Basilica di Santa Maria Novella, em frente à estação de trem de Florença. No entanto, diferente do Duomo, seu acesso era pago e desistimos. Todavia, encontramos a Chiesa di Santa Maria Maggiore. Muito menor do que a versão que conhecemos em Roma, é ainda um prédio histórico – e gratuito. Também existe a Basilica di San Lorenzo, igreja relacionada aos Médici.
       
      Durante a estadia noturna no hotel, pesquisei sobre outros pontos curiosos da cidade, como o leão que “come” a cabeça de Davi. E existem vários perto da Cattedrale di Santa Maria del Fiore. Nas paredes externas da catedral existem esculturas de anjos, santos, figuras humanas... e da cabeça de um touro (vai saber porquê...). Ainda na praça do Duomo, fica a estátua do arquiteto renascentista Filippo Brunelleschi, que projetou a cúpula da catedral. Mas, ao olhar a estátua, perceba que esta olha para sua obra-prima, a cúpula.
       
      Na própria Chiesa di Santa Maria Maggiore existe outra curiosidade: a escultura de uma cabeça de uma mulher no alto de sua parede, que os nativos florentinos carinhosamente chamam de “Berta”.
       
      Próximo ao Duomo (na verdade, tudo é meio “próximo” um do outro – a cidade é pequena; “densamente ocupada” por arte, mas pequena) fica a casa de Dante Alighieri, poeta e autor de A Divina Comédia. Esse poema é dividido em 3 partes, sendo a seção denominada Inferno que dá o nome à aventura de Robert Langdon na cidade.
       
      Depois de encontrar mais algumas curiosidades florentinas (como a torre de onde se jogou o antagonista de Inferno) e revisitado alguns marcos da cidade, era o momento de despedida da capital da Toscana (repare que, mesmo com malas, é possível realizar bons passeios). Fomos à estação Firenze Santa Maria Novella pegar o trem de alta velocidade até Bologna Centrale. Dessa vez, quem diria, o trem atrasou 15 minutos (sim, atrasos podem acontecer – mas são meio raros, já que estes têm total prioridade da malha ferroviária). Além da saída de Nápoles, seria o único trecho ferroviário diurno, última oportunidade para poder ver a paisagem – ledo engano! O trecho em alta velocidade foi praticamente por dentro de túneis (fico imaginando o tempo que demoraria para fazer aqui tais túneis, pela média de obras no Brasil...). Aproveite também para ir ao banheiro (sua passagem inclui o uso, ao passo que na estação ferroviária chega a custar € 1,50).
       
      Agora em Bolonha (e novamente tendo de levar as malas, já que as hospedagens no centro eram bem mais caras), fomos em direção ao centro histórico. A estação de Bologna Centrale é mais afastada do centro em comparação Firenze Santa Maria Novella (nesta você praticamente tropeça e já está no centro), mas ainda assim acessível com as malas.
       
      No caminho até o centro, percebe-se que as calçadas são todas cobertas pelos pórticos (ou arcos), símbolos da cidade (é uma ideia genial: as calçadas são todas protegidas, assim é possível andar pelas ruas se protegendo do sol forte ou da chuva – faria sucesso essa concepção em São Paulo).
       
      Na Piazza Maggiore fica a Basilica di San Petronio, uma enorme basílica gótica de mármores e tijolos. Sua construção foi parada por ordem do papa após este descobrir que ela seria maior que a Basílica de São Pedro, à época (isso explica sua estranha fachada de mármore e tijolos, sem muita harmonia). Porém, mesmo “incompleta”, é muito bonita e seu acesso, gratuito. Dentro da igreja, um pequeno buraco permite a entrada da luz solar, na mesma direção que a linha do meridiano, além do famoso pêndulo de Foucault. Ainda na piazza está a Fontana di Nettuno, uma obra em bronze do século XVI.
       
      Assim como Florença, Bolonha é pequena e tudo é meio “próximo”. Então, próximo da basílica ficam as Torri Pendenti, as duas torres medievais mais famosas da cidade.
       
      No nosso caso, como já tínhamos recebido uma enxurrada de cultura nas 3 cidades anteriores, escolhemos almoçar em um dos restaurantes (vendo o preço antes, evidentemente). Fica a ressalva de tomar cuidado com a taxa italiana de cobrar por sentar, denominada coperto (seria um equivalente nosso ao 10% da fatura). Só que, como é um valor fixo, existem muitos lugares que podem cobrar um absurdo por um consumo baixo (por exemplo, de um café que triplica de preço por causa dessa taxa).
       
      RESUMO
       
      O que fazer com as MALAS? Se não estiver sozinho e não quiser pagar depósito de bagagem, pode levá-las consigo.
       
      CONHEÇA as igrejas de Florença, como a Basilica di Santa Maria Novella, a Chiesa di Santa Maria Maggiore entre outras.
       
      DESCUBRA alguns pontos curiosos da cidade, como a cabeça de um touro no Duomo.
       
      Em BOLONHA, os pórticos auxiliam os pedestres a se proteger do sol e da chuva.
       
      VISITE a Basilica di San Petronio, a basílica que o papa mandou parar a expansão.
       
      ADMIRE as Torri Pendenti, símbolo da cidade.
       
      SAIBA da existência do coperto, taxa para quem sentar nas mesas quando for consumir algum alimento ou bebida. Para se esquivar dela, basta consumir no balcão.
       
      Dia 24/12 (11)
       
      Esse dia tinha um imbróglio: o trem rumo à Veneza-Mestre partiria à noite, mas a hospedagem não era perto da estação de trem. Como fazer?
       
      As alternativas na mesa eram: deixar as malas num depósito de bagagem. Como discutido na seção competente, é a opção mais cara; ou deixar as malas na hospedagem (se possível) e buscá-las, com a antecedência adequada, para então embarcar no trem, sendo a opção mais trabalhosa; ou levá-las conosco no passeio pela cidade.
       
      Escolhemos a opção do dia anterior: passear pelas ruas planas de Bolonha com as malas. Mas não atrapalha? É claro que andar com as malas é pior do que se estivesse livre. Todavia, tendo em vista que não iríamos em museu como foi em Florença (Galleria Degli Uffizi) e as outras atrações da cidade não demandavam muito tempo, essa opção foi factível. Inclusive, vale a pena verificar se os lugares que deseje visitar possuem armários – como o Velho Continente é extremamente turístico, vários lugares disponibilizam armários, alguns gratuitamente, com a ressalva do tamanho.
       
      De volta ao centro da cidade, além da basílica “rival” da de São Pedro, existem as Cattedrale Metropolitana di San Pietro e Chiesa dei Santi Bartolomeo e Gaetano. Mas a igreja mais interessante que conhecemos foi a Basilica Santo Stefano, na Piazza de mesmo nome (e que merece uma parada para admirá-la). Mesmo tendo que esperar para a conhecer, já que o horário de acesso é um pouco restrito, vale a visita. A nave da igreja em si não é especial – a melhor parte é do restante da basílica, com obras e estruturas medievais que (imagino) deviam ser usados pelos monges que lá residiam.
       
      Como sabido, em Bolonha foi fundada a primeira universidade ainda em funcionamento, em 1088. Seu antigo edifício é denominado como Archiginnasio e, hoje, abriga a Biblioteca Municipal. Apesar de ser preciso pagar pelo acesso (€ 3,00), é possível contemplar as pinturas, arquiteturas e alguns livros [bem] antigos antes da área paga.
       
      Outra atração da cidade é Compianto del Cristo Morto, um conjunto de sete esculturas em terracota que representam a cena de A Lamentação de Cristo, na igreja de Santa Maria dela Vita. Infelizmente, por causa do dia – véspera de Natal – estava fechada.
       
      Por causa da data, tinha um detalhe que não pode passar despercebido: o dia seguinte seria o Natal, quando praticamente tudo fecha. E onde iria comer? Para quem vai passar o Natal no exterior, lembre-se de sempre comprar comida no supermercado até a véspera, para não passar fome durante o dia festivo (claro, a hospedagem pode oferecer, mas quanto custaria?).
       
      Fim do dia, era o momento de voltar à estação Bologna Centrale embarcar no trem rumo à Veneza-Mestre. Depois da experiência dos 3 trens anteriores, já estava “esperto” quanto aos detalhes para embarcar no trem de alta velocidade.
       
      A estação é muito bem estruturada: no nível da rua, ficam os trilhos para os trens regionais; no 4º subsolo, os trilhos dos trens de alta velocidade. Os níveis intermediários correspondem aos acessos aos trilhos, estacionamento e área de espera. Só fica o detalhe que, enquanto estávamos na área de espera, um pedinte nos pediu comida (ou dinheiro) em italiano. Respondemos que não entendemos, só em inglês – não era problema: ele começou a pedir em inglês (imagina se isso vira moda no Brasil...).
       
      RESUMO
       
      VISITE a Basilica Santo Stefano, na piazza homônima.
       
      CONHEÇA o edifício da primeira universidade do mundo, a Archiginnasio.
       
      Se não estiver fechada, ENTRE na Compianto del Cristo Morto e a aprecie a obra da Lamentação de Cristo.
       
      Se viajar no NATAL, lembre-se de que quase tudo pode estar fechado – se previna e compre o que for necessário.
       
      Dia 25/12 (12), 26/12 (13) e 27/12 (14)
       
      Para escrever cada dia das viagens neste blog, um longo processo de relembrar é necessário, como de cada caminho por onde passei, cada segundo que vivi, cada imagem que admirei. E estava com um bocado de dificuldade de escrever sobre Veneza, em mostrar o melhor da Sereníssima. Por quê? A Piazza San Marco, a Ponte di Rialto, o Canal Grande, a Ponte della Libertà, o Palazzo Ducale, a Basilica de San Marco, a Ponte e a Gallerie dell´Accademia, a Basilica di Santa Maria della Salute são somente alguns das inúmeras atrações de Veneza. Mas o melhor da cidade de Veneza é... Veneza! O passeio ideal, creio, é passear por suas inúmeras (e algumas estreitas) ruas, vielas e pontes, o que torna a cidade única em todo o mundo. Sempre haverá algum cantinho novo para admirar. Deste modo, o melhor roteiro por Veneza é estar livre para “se perder”, sem necessariamente focar nos seus pontos mais famosos.
       
      Conseguinte, não é o caso de descrever aqui os caminhos pelos quais percorri, mas elencar alguns detalhes que podem fazer a diferença.
       
      Apesar do destino da viagem ser a Veneza insular, foi muito mais conveniente hospedarmo-nos na Veneza continental, conhecida como Veneza-Mestre. Por óbvio, isso não permite dormir nas antigas construções típicas de Veneza. Mas tudo na vida tem o lado negativo... e positivo. As hospedagens em Mestre são mais baratas (algumas, bem mais), os edifícios são mais novos e confortáveis, a taxa de pernoite italiana é mais baixa (em 2019, € 1,35 por pessoa), existem grandes supermercados próximos da estação de trem com bons preços. Claro, tem de ser somado o custo do transporte até as ilhas (de trem, € 2,70 pela ida e volta) – mesmo assim, o valor final fica menor do que se hospedar nas ilhas; e o deslocamento permite observar a Lagoa de Veneza.
       
      A primeira vez nas ilhas, como indicado, foi em pleno Natal. Todavia, sendo um local extremamente turístico, um número considerável de lojas permanecia aberta, com a vantagem de ter sido o dia do Natal com menor fluxo de turistas dentre os três dias de passeio.
       
      Durante a estadia em Bolonha, li notícia de que Veneza foi atingida novamente pela acqua alta, quando as águas do Mar Adriático sobem e vão ocupando, progressivamente, as áreas mais baixas das ilhas. Contudo, não fomos atingidos pelo fenômeno durante nossa estadia, apesar da existência nas vias das passarelas que são usadas para auxiliar os turistas e moradores a percorrer as áreas mais baixas de Veneza – e com a vantagem de que estas servem para sentar aos visitantes cansados.
       
      Proporcional ao número de turistas que visitam Veneza é o número de filmes gravados tendo como cenário a cidade. Como já pode imaginar, Robert Langdon esteve lá, na Piazza San Marco, discorrendo sobre os Cavalos de São Marcos: as quatro estátuas que ornamentam a fachada da basílica são réplicas dos originais gregos de bronze do século IV a.C. que foram tomadas pelo doge de Veneza durante o saque à Constantinopla durante a Quarta Cruzada. Inclusive, tendo Veneza sido rota para o Oriente, é possível perceber a forte influência bizantina na arquitetura da basílica, bem diferente da concepção das outras igrejas do mundo ocidental, incluindo na própria Itália.
       
      Outro personagem que marcou presença na Sereníssima foi James Bond, em 007 – Casino Royale. Além do agente secreto de ir à agência bancária na Piazza San Marco (que não existe, por sinal), Bond inicia uma perseguição pelas ruas de Veneza (dica: decore BEM as imagens do filme – e de qualquer filme – caso queira repetir o feito; é extremamente difícil reconhecer os pontos em Veneza).
       
      Como dito, não há necessidade de marcar o melhor caminho para conhecer Veneza, já que todos os lugares são válidos. E não existe problema quanto a “se perder”, já que, tal qual o ditado Todos os Caminhos Levam a Roma, em Veneza todos os caminhos levam à Piazza San Marco (e vice-versa, para a Venezia Santa Lucia).
       
      No último dia, escolhemos embarcar no Vaporetto, linhas de barcos que andam pelos canais maiores que podem valer como city tour. Escolhemos a linha 2, que permite ter uma visão mais panorâmica das ilhas, impossível de ser feita em terra – evidentemente, embarcamos na estação de início da linha, próximo da Piazza San Marco. Como esse transporte é caro (€ 7,50), não recomendo comprar os passes de uso infinito (melhor usar o dinheiro para experimentar os trens de alta velocidade italianos ou mesmo comprar algum cristal de Murano, por exemplo).
       
      Veneza criou uma página na web para auxiliar os turistas sobre as atrações da cidade, normas e regras, que devem ser seguidas para evitar multas: https://www.veneziaunica.it/. Algumas regras são meio óbvias (e até inusitadas, como proibição de nadar nos canais), outras nem tanto: não é permitido comer sentado nas passarelas usadas durante a acqua alta, assim como é proibido alimentar os infinitos pombos de Veneza.
       
      Para quem vai visitar (ou já visitou) Veneza, proponho um momento de reflexão: já imaginou a dificuldade de entregar a geladeira da sua casa em uma das vielas estreitas da cidade? Talvez a cidade não seja cara somente por causa dos turistas...
       
      De volta à linha temporal, findo o passeio por Veneza com a ascensão na Lua no horizonte, embarcamos na estação de trem Venezia Santa Lucia rumo à Mestre para buscar as malas que ficaram na hospedagem e ir em direção à nossa última parada, a estação Milano Centrale.
       
      Apesar da estação de Mestre ser muito menor do que as outras estações de trem que foram utilizadas nesta viagem, o preço da comida (mesmo no fast-food) ainda era maior do que em outros lugares da cidade. Ou seja, tal qual o aeroporto, evite sempre de comprar em estações de trem – qualquer uma.
       
      O detalhe do embarque nessa estação (e de outras estações menores) é de que o tempo que o trem fica na plataforma está mais próximo do que conhecemos do metrô. Diferente das outras estações, não havia muitas pessoas na plataforma – e o sistema sabe disso. É o caso de entrar com suas malas de forma eficiente, já que dificilmente conseguirá ter sentado em seu lugar antes do trem partir.
       
      RESUMO
       
      O MELHOR de Veneza é... Veneza.
       
      Se PERCA por suas vielas, pontes e canais.
       
      Fique HOSPEDADO em Veneza Mestre.
       
      NÃO TEMA a acqua alta. Os venezianos são bem preparados para enfrentar a maré e ainda dura pouco, com raras exceções.
       
      ESCOLHA um dos Vaporetto para usar como city tour.
       
      OBEDEÇA às regras impostas pela cidade disponíveis no site https://www.veneziaunica.it/.
       
      ENCONTRE os pontos de referência vistos nos inúmeros filmes gravados em Veneza.
       
      Dia 28/12 (15)
       
      A estadia nesta cidade europeia seria um pouco diferente das realizadas até então. Afinal, por capricho do destino, estava em Milão de novo, um ano depois. Considerando que no ano anterior o passeio foi meio “fulminante”, de apenas um dia, esta nova chance possibilitava realizar um passeio mais completo, de rever alguns pontos famosos e conhecer os que não foram possíveis.
       
      O primeiro local foi o justamente a de “chegada”: a enorme estação de Milano Centrale, de onde parte a maioria dos trens de alta velocidade de Milão, concebida nos anos 30. A área ao redor dessa estação, como a grande avenida que a conecta ao centro histórico, remete a um local muito conhecido por milhões de brasileiros: São Paulo. Muitos consideram Milão como a “São Paulo” da Itália, já que é o centro financeiro, de comércio de bens de luxo, de inúmeras indústrias da república italiana. Pode se perguntar: Mas porque viajaria para conhecer um lugar cuja “cópia” eu já vivo/conheço? Porque é uma São Paulo “organizada”, um exemplo para o futuro da metrópole brasileira. Apesar de não ter a “concentração” de construções antigas como em Nápoles, Roma, Florença ou Bolonha, a cidade possui suas “marcas registradas” históricas, como o Duomo de Milano, a enorme catedral gótica no centro da cidade. E, tal qual a cidade brasileira, possui uma vida agitada – de dia e de noite.
       
      O centro histórico de Milão é pequeno: seu diâmetro tem 2,5 km. Só que a cidade, como São Paulo, é muito maior do que seu centro histórico. Para acessar algumas áreas, o metrô pode ser inevitável.
       
      A primeira parte do centro histórico a ser (re)visitada é a Via Monte Napoleone, rua comercial de alto luxo e considerada a mais cara da Europa (na prática, é mais para falar que conheceu a rua mais cara, como a rua Oscar Freire, já que os preços são surreais mesmo para suíços e escandinavos).
       
      Saindo da via, assim como um ano atrás, chega ao Duomo de Milano, uma das maiores catedrais em estilo gótico da Europa (existe a possibilidade de subir nos seus telhados para uma visão de sua arquitetura e da cidade).
       
      Adjacentes ao Duomo, na Piazza homônima, ficam a Galleria Vittorio Emanuele II, uma espécie de shopping do século XIX e o Palazzo Reale Milano.
       
      De lá, seguimos para o Castello Sforzesco, antiga fortificação que virou a casa do Duque de Milão. Agora é sede de museus e galerias de arte da cidade, mas parte do castelo tem acesso gratuito. Atrás dele fica um grande (e gelado) jardim, o Parco Sempione e o “arco do triunfo” milanês, o Arco della Pace.
       
      RESUMO
       
      MILÃO é uma cópia de São Paulo mais rica e organizada.
       
      O passeio MANDATÓRIO na cidade é conhecer o enorme Duomo de Milano.
       
      CONTEMPLE a estação Milano Centrale, a rua das grifes Via Monte Napoleone e um dos mais antigos shoppings do mundo, a Galleria Vittorio Emanuele II.
       
      PASSEIE pelo Castello Sforzesco e seu gelado jardim, o Parco Sempione.
       
      Dia 29/12 (16)
       
      Esse dia, na prática, foi destinado para conhecer as atrações mais afastadas da área central de Milão.
       
      A primeira parada foi na Basilica San Lorenzo Maggiore, a mais antiga igreja de Milão, com mosaicos bizantinos do século IV. Em frente dela, ficam a estátua de Constantino, o célebre imperador romano que tornou o cristianismo religião oficial do império e as Colonne di San Lorenzo, ruínas de 16 colunas do antigo Império Romano.
       
      Depois de algumas quadras, chegamos à região do Naviagli: são canais artificiais de transporte que perfaziam o equivalente atual a avenidas e metrô. Com o avanço desses modais, vários canais foram fechados e somente três sobreviveram (sem o transporte, evidentemente). A região é famosa pela vida noturna e boêmia, equivalente à Vila Madalena – mas como era inverno (e quase ano novo), a região estava bem vazia. Mas isso não impede de admirar a beleza do local, mas é interessante de ir após ter conhecido a maioria das atrações na área central de Milão (ou eventualmente tenha se hospedado próximo do local).
       
      De volta ao centro, uma visita à Basilica di Sant´Ambrogrio, inicialmente construída no século IV e finalizada no século XII. Em suas paredes resguardam algumas escritas romanas e a cripta da basílica resguarda o corpo de Santo Ambrósio, desde o século V. Depois do Duomo, foi a igreja mais bonita que considerei nas visitas à Milão.
       
      Não podia de deixar de falar da igreja Santa Maria delle Grazie, onde Leonardo da Vinci pintou A Última Ceia, na parede do refeitório – mas não a conheci. Pode se perguntar: Por que não fomos ver uma obra-prima de Leonardo? Aparentemente, ele não quis fazer uma obra para posteridade – fez sem muita preocupação, com tinta inadequada (o homem era bom mesmo, como se fosse um “Midas” – tudo o que ele mexia era excepcional) e, por isso, o local exige um controle para preservação severo. Por tudo isso, é exigido uma pré-reserva superdisputada, um pagamento caro e o tempo de admirar a obra, exíguo – muita dor de cabeça; melhor deixar para quem vive na Europa, especialistas em arte ou quem tem muito tempo E dinheiro mesmo.
       
      Outra igreja que merece a visita é Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore, em que residem afrescos do século XVI (claro, não são como os afrescos da Capela Sistina, no Vaticano – mas são belíssimas) e seu acesso é gratuito. Junto à igreja fica o Civico Museo Archeologico, que mostra a história de Milão, como a fundação da antiga cidade conhecida como Mediolanum, a conquista pelos romanos no século III a.C. e sua ocupação (durante um breve período a cidade foi capital do Império Romano do Ocidente).
       
      RESUMO
       
      VISITE por outras igrejas antigas de Milão: a Basilica San Lorenzo Maggiore, Basilica di Sant´Ambrogrio, Chiesa de Santa Maria delle Grazie e Chiesa di San Maurizio al Monastero Maggiore.
       
      CAMINHE pelo Naviagli, região de canais artificais que serviam para o transporte e, agora, é famosa pela boemia.
       
      Dia 30/12 (17) e 31/12 (18)
       
      Último dia de permanência na Itália, era o momento de preparação para o retorno ao Brasil – a começar pelo transporte até o aeroporto. O trem expresso para o aeroporto (Malpensa Express) é um serviço rápido, mas caro (€ 13), enquanto os ônibus (shuttle) são opções mais baratas. Mas tem uma pegadinha: os ônibus, comprando na hora, são mais caros (€ 10) do que se comprar pela internet (€ 8 mais taxa) e escolher o horário da viagem, mesmo pagando junto o IOF no cartão de crédito.
       
      Ao invés de desbravar (novamente) a área central, decidimos ir a um dos lugares que foram reabilitados em Milão: a área ao redor da estação Milano Porta Garibaldi. Com uma concepção moderna, é um local de convívio e consumo. Inclusive, fica o conhecido Bosco Verticale (Floresta Vertical), par de torres residenciais “verdes” – literalmente – e venceu o prêmio de melhor prédio em 2015.
       
      Tendo em vista que as principais áreas de Milão já tinham sido conhecidas, foi mais conveniente se “perder” pela cidade, desbravando as ruas e descobrindo novos lugares e as sempre constantes igrejas. Na área central da cidade, tal qual em Bolonha, os geniais pórticos protegem os transeuntes que percorrem suas vias.
       
      O relógio era implacável: era o momento de se despedir da Itália (mais uma vez). Depois de pegar as malas na hospedagem, fomos à estação Milano Centrale embarcar no shuttle até o Aeroporto de Milano-Malpensa. Sempre chegue ao aeroporto com antecedência adequada (até mais do que o planejado), para evitar estresse. De modo diverso ao ocorrido em Guarulhos, a atendente pediu para pesar as malas e, diferente do que o informado no bilhete de ida, a franquia é de 8 kg – claro, não foi problema porque já tínhamos pesado e, para essa companhia aérea, não verificaram as dimensões da mala.
       
      Chegamos ao Aeroporto de Porto, e tínhamos um desafio pela frente: uma conexão noturna de quase 12 horas. Já tínhamos ficado no Aeroporto de Madrid-Barajas por período semelhante, mas não como conexão, por conveniência mesmo. Não vou mentir, ficar no aeroporto não é o que poderíamos de definir como estadia “agradável”. Tinha estudado acerca da permanência no Aeroporto de Porto, entretanto todos os outros “bons” lugares já tinham sido escolhidos pelos outros viajantes. Restou-nos os bancos meio duros do aeroporto (o de Madri era mais confortável) e aguardar o horário de abertura para acessar o lounge pelo benefício do cartão de crédito. E que diferença! O lounge é muito mais confortável, mas, como praticamente tudo no aeroporto, é caro seu ingresso avulso (mais caro, inclusive, do que hotel). Para quem não tem a possibilidade de obter o acesso gratuito ao lounge (e não quiser pagar), encare as longas escalas como se fosse mais um dia de trabalho – cansativo, mas pelo qual se ganha o sustento. Ou seja, ao invés de trabalhar no Brasil, você “trabalhou” para não pagar pelo voo direto, mais caro – e, pelo hiato de preços, eu teria de trabalhar vários dias em São Paulo para pagar tal diferença.
       
      O voo para São Paulo chegou no horário programado, a tempo de passar o Ano Novo com a família. Paralelamente, a OMS declarava o primeiro alerta de Emergência Internacional do até então novo e desconhecido vírus, que fulminaria a Itália no mês seguinte – ao que parece, essa viagem à Itália foi realizada no momento certo.
       
      RESUMO
       
      DESCUBRA a região revitalizada ao redor da estação Milano Porta Garibaldi e aprecie o edifício verde Bosco Verticale.
       
      Os PÓRTICOS de Bolonha também chegaram a Milão.
       
      Os ÔNIBUS que ligam Milão ao aeroporto de Malpensa são a opção mais barata de chegar ao aeródromo.
       
      ENCARE o tempo de conexão como um dia de trabalho – muito provavelmente sai mais barato pegar esses voos do que trabalhar para pagar pelo voo direto.
    • Por claudio_aomundoealem
      Olá pessoal,
      Fiz um longo texto acerca da minha viagem para Itália. Mas, desta vez, vou dividir em 2 tópicos: o planejamento e a própria viagem, já que, com a pandemia e o euro nos céus, só podemos fazer essa primeira parte mesmo.
      Itália – Parte 1 – O Planejamento
      Viajar tem um grande problema – vicia, e é pior do que cocaína e ainda legalizada. Para completar, não conheço tratamento para poder atender à necessidade. E o que a gente pode fazer para conseguir satisfazer a necessidade? Viajar de novo. E assim começou a viagem para a Itália.
       
      O planejamento dessa viagem começou assim, de modo meio forçado. Contrariando as “normas” de procurar passagem barata, comprei com 60 dias de antecedência. Ou seja, não foi barato. Mas é um ponto que deve ser enfatizado: o fato de existir passagens mais econômicas não quer dizer que estas estejam disponíveis para o momento durante o qual pode viajar. Deste modo, o importante é saber como procurar as passagens mais baratas para o período no qual pode viajar (e, claro, se puder viajar em baixa temporada, melhor ainda).
       
      Por circunstâncias específicas, teria que viajar no final do ano. E encontrei a seguinte passagem: de 14 a 31 de dezembro, voos com conexão em Portugal, com chegada por Nápoles e retorno por Milão. Esse roteiro de voos, além de ter sido o mais barato, ainda tinha a vantagem de ser multidestinos: na prática, não teria que me preocupar em voltar à cidade de origem para pegar o voo de volta, o que pode representar uma enorme economia em não precisar gastar em deslocamento até lá, além de tornar a viagem mais proveitosa.
       
      Todavia, o voo encontrado tinha uma característica, que se provou conveniente para a viagem feita: a passagem encontrada era só com bagagem de mão, para 8 quilos, tendo que a mala seguir o tamanho máximo estabelecido pelas companhias na Europa. A opção de despachar era inviável: o custo de despachar uma mala pagando antecipadamente era de € 70 por trajeto.
       
      Compramos 4 malas de mão rígidas na região da 25 de Março. E fui medir as malas. Apesar do tamanho total das malas atender perfeitamente exigido pela companhia, sua largura era um pouco maior do que o limite estabelecido pela companhia, sendo compensado pela altura. Bate aquele desespero. Será que eles iam perturbar? Fui pesquisar e descobri que depende. Tem companhias que colocam o suporte da mala em barras de ferro; então, se uma das dimensões da mala for maior do que devia, já era – tem de despachar. Outras, por sua vez, tem o suporte em forma de “papelão”, sendo mais flexíveis. Como a mala, apesar de ser rígida, permitia “apertar” e diminuir sua largura, resolvemos arriscar – e deu tudo certo. Mas caso encontre outro voo internacional só de mala de mão, verifique se as medidas para cada dimensão estão corretas. Saiba também que as dimensões da mala de mão no Brasil são um pouco diferentes do que as estabelecidas na Europa.
       
      O voo de ida faria uma conexão em Lisboa por 2 horas; bastava não ocorrer atraso na partida que não haveria problema. Contudo, o voo de retorno faria conexão noturna em Porto de quase 12 horas. Tendo em vista que seria noturna, não haveria tempo hábil de revisitar Porto – seria o caso de repetir o feito como no Aeroporto de Madrid-Barajas, de dormir no aeródromo. Porém acabara de adquirir um cartão que permitia ao grupo acessar o lounge do aeroporto gratuitamente, o que tornou nossa permanência muito mais confortável. O acesso ao lounge pago é caro (US$ 32), porém pode ser mais vantagem em conexão noturna de voos. Como? A diária de hospedagem próxima ao aeroporto não é das mais baratas (junto ao custo de deslocamento até a hospedagem) e ainda tem a preocupação com o horário do voo. No lounge, por sua vez, a preocupação com o horário do voo é um pouco menor, pois já está dentro da área de imigração, possui poltronas confortáveis para uma boa soneca e comida disponível para café-da-manhã. Ou ainda (o que acho mais provável) é não gastar nem em hospedagem nem em lounge e usar (ou não) o dinheiro para comprar nas lojas do aeroporto para esperar o tempo passar.
       
      Regularizada a questão dos voos, estava com o enorme desafio: como planejar a viagem internacional em menos de 60 dias. Já tinha a expertise das duas viagens feitas nos anos anteriores, mas sabia que o período seria meio apertado. Porém a experiência já tinha ensinado que tinha de analisar a questão de transporte e hospedagem de forma integrada e, para isso, precisava ter um esboço de quais cidades desejaria visitar.
       
      Não sabia quais cidades que deveriam ser conhecidas (além das cidades de chegada e partida, Nápoles e Milão, respectivamente) tampouco o tempo que deveria ficar nelas, além da dificuldade extra representada pelo Natal, já que nesse feriado praticamente tudo fecha (Londres que o diga...). Fui consultar o perito da família que deu uma sequência de cidades, com a ideia de passar o Natal em Veneza (ideia genial, já que o melhor de Veneza é perder por seus canais).
       
      Simulei o aluguel de carros na Itália (já que estávamos em 4 pessoas) e fiquei surpreso: estava consideravelmente mais caro do que tinha pago na Espanha 2 anos antes. Por quê? Será que aumentou tanto de preço assim? Para saber, simulei nas mesmas datas (e mesmo local) da viagem que fizera na Espanha e o preço não aumentava muito. Ou seja, o aluguel na Itália era mais caro – potencializado ainda pelo local de retirada do veículo (Nápoles) seria diferente de devolução (Milão); para piorar a lei italiana exigia o uso de corrente para neve na região norte do país durante o outono e inverno e o uso da Permissão Internacional para Dirigir (PID) para locação do veículo, o que aumentava ainda mais o custo do aluguel do carro. Assim desisti do carro (e conhecer as pequenas cidades da região da Toscana ficou para uma próxima viagem).
       
      A lista de cidades estava ainda meio grande e, tendo em vista que não usaria carro, teria de conhecer praticamente as cidades maiores acessíveis de trem e ônibus. Recebi mais algumas sugestões e o roteiro final ficou em Nápoles (3 dias), Roma (3 dias), Florença (1 dia), Bolonha (1 dia), Veneza (3 dias) e Milão (3 dias) – confesso, não é um roteiro muito original, mas é maravilhoso.
       
      Comecei a simular os trajetos da viagem nos sites de buscadores e me surpreendi: encontrei passagem de trem de alta velocidade de Nápoles a Roma por € 9,90, para um trajeto superior a 200 km. Era uma excelente oportunidade para poder conhecer o país de trem, já que não estava de carro e a diferença para os ônibus era baixo. Continuei simulando para os demais percursos da viagem e, apesar de não ter um preço tão baixo quanto esse primeiro, ainda era bem razoável – o ônibus era mais barato em alguns trechos, no entanto era mais demorado e como alguns trechos nós fizemos de dia, isso implicaria perder parte da viagem dentro do veículo. No fim, os 5 trechos de trem adquiridos custaram € 75,50 por pessoa – repare que a companhia área cobrava € 70 por mala despachada por trecho. Entre pagar para despachar a mala ou conhecer metade da Itália de trem, fico com a segunda opção.
       
      Só que eu não comprei os bilhetes de trem de uma única vez (a despeito do parágrafo anterior parecer “indicar” esse modo). A escolha da hospedagem tinha que ser de acordo com o horário do trem, por exemplo. Então dado que tinha estabelecido que a viagem seria feita de trem, escolheria as hospedagens para cada cidade. Portanto, para cada cidade, escolheria a hospedagem e o bilhete do trem, sucessivamente (e não só os bilhetes de trem e, depois, as hospedagens). Parece um detalhe sem importância, mas um dos meios de hospedagem – aluguel de casa/apartamento – possui restrição de horário de check-in, o que seria inviável para alguns dos horários de trem que reservamos (além daquele eterno problema de onde deixar as malas). Por sua vez, alguns hotéis possuem multa caso faça o check-in depois da meia-noite.
       
      Em Napóles, a ideia inicial era de partir o mais cedo possível para Roma. Fugindo às regras de hospedagem barata, encontrei hotel com preço competitivo ao lado da estação Napoli Centrale, de onde partiria o trem para a capital italiana. Não havia muito de se preocupar com o horário de check-in e check-out, já que o voo só chegaria à tarde e compramos o bilhete para partir para Roma no começo da manhã. A questão de Nápoles foi simples de resolver.
       
      Em Roma, por sua vez, existem uma quantidade intermináveis de hospedagem. Há uns 10 anos, a Itália permitiu que os municípios italianos cobrassem um imposto de turistas que pernoitam nas cidades. O imposto varia conforme a cidade e o nível da hospedagem – quanto mais luxuosa, mais caro fica; e é preciso ter noção desse imposto, pois alguns buscadores de hospedagem apresentam essa taxação de forma meio “discreta”. Como esse imposto é mais caro conforme o “nível turístico” da cidade, esperava ficar um pouco mais afastado do centro de Roma para pagar mais barato no combo hospedagem mais imposto. Só que as linhas de metrô na cidade não são muito extensas e encontrei hospedagem com bons preços (mesmo com o imposto) próximos ao Vaticano, distante 10 minutos a pé do metrô (mas que nem precisa ser muito usado, já que o centro de Roma não é grande). Para o último dia em Roma, encontrei passagem competitiva de trem para Florença no início da noite – a questão romana estava solucionada.
       
      Florença, por sua vez, é pequena – e a oferta de hospedagem também. A maioria fica próximo à estação Firenze Santa Maria Novella, porém os preços não são muito bons. Procurei hotel fora da área turística da cidade, mas com o cuidado de verificar se o check-in era aceito até meia-noite, já que chegaríamos na cidade tarde e ainda teríamos que se deslocar até o hotel. Em Bolonha, a situação piorou, porque as hospedagens estavam ainda mais caras e tive que procurar ainda mais afastadas do centro. Até pesquisei aluguel de apartamento, mas estavam com o mesmo valor (ou até mais caro) que os hotéis. No fim, encontrei um disto a 3 km da área central. Já que não sabíamos qual das 2 cidades seria mais interessante para nós, compramos a passagem de trem para o meio-dia, que permitiria conhecer ambas igualmente. Para Veneza, novamente obtive bilhete de trem para o início da noite.
       
      Não tinha procurado hospedagem em Veneza visto que o preço delas em Mestre é bem mais barato (e melhor). Tinha encontrado algumas hospedagens baratas na cidade acessíveis para Veneza por ônibus ou bonde. Contudo durante essas pesquisas ocorreu a histórica acqua alta em novembro de 2019 que derrubou o preço dos hotéis. Com isso, encontrei um apart-hotel próximo à linha dos trens e com ótimo preço (e horário de check-in tranquilo) – para completar, a cidade possui a taxa do imposto municipal mais barata dentre as 6 cidades visitadas. A despeito de não recomendarem de ir à Veneza durante o período da maré alta, esta nos ajudou muito em conseguir melhores preços – e nem a vi durante minha estadia de 3 dias nas ilhas.
       
      O trem de Veneza para Milão foi o mais difícil: apesar de ter muitos horários, como em outros trechos na Itália, estes estavam meio caros – pouquíssimos estavam com preço bom. O melhor preço que encontrei era um dos últimos que chegava na cidade, às 22:30. Com isso, teria que me atentar bem ao horário limite de check-in e o tempo de deslocamento da estação Milano Centrale à hospedagem.
       
      Por motivo que ainda desconheço, não conseguia encontrar hospedagem barata em Milão, mesmo utilizando toda a estratégia desenvolvi planejando essas viagens. Procurei hospedagem ao longo das linhas de metrô e trem e, mesmo assim, não obtive resposta satisfatória. Nesse caso joguei a toalha e fiz o jogo inverso – já que afastado a hospedagem afastada permanecia cara, procurei as mais próximas (não do centro de Milão, mas da estação Milano Centrale para economizar o transporte de quando chegasse de Veneza e para partir ao Aeroporto de Malpensa).
       
      Como o prazo de preparação da viagem foi meio curto, comprei o bilhete do trem sem ter analisado integralmente o site; comprei a opção mais barata, sem ter visto que só permitia o acesso com mala de mão – por sorte, essa era a opção desejada senão perderia algumas dezenas de euros valiosas. No fim, apesar de parecer impossível, viajar para a Europa somente com mala de mão é muito mais cômodo quando se percorre muitas cidades.
       
      O tempo restante da viagem não permitiria um estudo mais ampliado de atrações e eventuais promoções, como foi o caso da encontrada no Reino Unido. Porém como até hoje nada encontrei (exceto o RomaPass que, no meu caso, não compensaria) creio que não exista algo equivalente. Para poder me auxiliar, comprei um guia resumido da Itália – serviria para encontrar alguma atração caso tivesse que mudar a logística. Mas não é por isso que não ia construir ainda no Brasil uma lista de atrações que desejaria conhecer.
       
      Em virtude do tamanho da mala, por óbvio, não poderia colocar roupas e objetos a meu bel-prazer. Tivemos que fazer um checklist dos objetos a serem levados, com antecedência em relação à data da viagem, para inclusive poder refletir se não havia algo faltando (e faltou) para colocar na bagagem. O que ocupa a maior parte da mala é sempre o casaco. Como primeira viagem só de bagagem de mão, estruturei a seguinte estratégia: apesar do voo ser sempre gelado e ter a necessidade de usar, no mínimo, uma blusa, coloquei o casaco e todas as demais peças na mala. Por essa manobra, podia tirar o casaco e pressionar a largura, caso a companhia encrencasse com o tamanho; dava margem para comprar produtos durante a viagem, pois sabia que tinha o espaço equivalente do casaco que ia no braço na volta. Como a companhia também permitia uma pequena bolsa/mochila, colocamo-la vazia dentro da mala caso necessitasse.
       
      Curiosamente, percebi que o peso permitido (8 kg) não é à toa. Exclusivamente com roupas, dificilmente esse peso é atingido. Mas caso coloque livros, máquina fotográfica e outros objetos, é mais provável de estourar o limite.
       
      Quanto à questão de internet, o cartão também cedeu um chip para a viagem. No entanto, o consumo principal da internet na Itália foi quanto ao uso de mapas. Caso deseja evitar o custo de chip no exterior, baixe os mapas e use na versão off-line. E sempre vai existir uma lanchonete na esquina para te salvar quando precisar de internet.
    • Por Érica Munhoz
      Fazer uma Eurotrip é um sonho da maioria dos mochileiros. Confesso que não planejava fazer uma Eurotrip por agora por ser uma viagem muito cara, ainda mais no auge do verão europeu, que é de longe o período mais caro para visitar a Europa. Além disso, todos os lugares estão lotados devido à alta temporada. No entanto, há festivais e eventos públicos quase todos os dias ou nos finais de semana dependendo da cidade que estiver. Mas o que fazer quando junta a fome com a vontade de comer?! A oportunidade de visitar a Europa apareceu com um casamento de uma amiga na Alemanha, e assim aproveitei para fazer uma Eurotrip.
      A Europa tem tanta coisa para fazer que 39 dias de viagem tornam-se curtos. Este relato está absurdamente longo (como se os meus outros também não estivessem! Hahahaha!). O tempo de viagem e o número de cidades visitadas foi o maior até hoje de todas as minhas experiências de mochilão e de longe essa foi a viagem que eu mais tive trabalho para planejar. Bom, então vamos do começo!
       Resumo itinerário (na tabela em anexo estão os preços de hospedagem e transporte, além de outros gastos)
      24/jul voo BH-Lisboa (partida 16:55h, chegada 06:05h)
      25/jul voo Lisboa-Frankfurt (partida 08:25h, chegada 12:35h)
      26/jul Frankfurt > Fulda > Stockheim
      27/jul Bad Neustadt (casamento)
      28/jul Stockheim > Gersfeld > Stockheim
      29/jul Stockheim > Fulda> Colônia
      30/jul Colônia > Brémen
      31/jul Bremen > Hamburgo
      01/ago Hamburgo
      02/ago Hamburgo
      03/ago Hamburgo
      04/ago Hamburgo
      05/ago Hamburgo > Berlim
      06/ago Berlim
      07/ago Berlim
      08/ago Berlin > Dresden
      09/ago Dresden > Malerweg (Bastei Bridge) > Dresden
      10/ago Dresden > Praga
      11/ago Praga > Regensburg
      12/ago Regensburg > Munique
      13/ago Munique
      14/ago Munique > Cortina d'Ampezzo > Caprile
      15/ago Caprile
      16/ago Caprile
      17/ago Caprile > Cortina d'Ampezzo > Veneza
      18/ago Veneza > Liubliana
      19/ago Liubliana > Predjamski Castle > Postojna cave > Piran
      20/ago Piran > Izola > Skocjan cave > Kanal ob Soci
      21/ago Kanal ob Soci > Tolmin > Bled
      22/ago Bled > Triglav National Park (Soteska Vintgar) > Liubliana > Florença
      23/ago Florença
      24/ago Florença > Nápoles
      25/ago Nápoles > Vesúvio > Pompeia > Nápoles
      26/ago Nápoles > Sorrento > Nápoles
      27/ago Nápoles > Roma
      28/ago Vaticano
      29/ago Roma 
      30/ago Voo Roma-Lisboa (partida 17:05h, chegada 19:10) 
      31/ago Voo Lisboa-BH (partida 09:40h, chegada 15:25h)
      No início de 2017 uma das minhas melhores amigas anunciou que iria se casar no final de julho de 2018. Ela já morava em Hamburgo com o namorido havia algum tempo, mas o casamento foi na cidade de Bad Neustadt an der Saale, que é perto da cidade da sogra dela (Stockheim), no miolo do país. Sabendo a data do casamento, comecei a monitorar os preços das passagens e a simular DIVERSOS roteiros durante uns dois meses. Entrando pela Alemanha, saindo pela Alemanha, passando pela Alemanha no meio do período do mochilão... enfim, foi uma mega pesquisa, em que todo o esforço valeu a pena demais financeiramente. Em novembro de 2017 paguei R$1.509,69 no voo de ida (TAP BH-Lisboa-Frankfurt) e R$767,29 no voo de volta (TAP Roma-Lisboa-BH), totalizando incríveis R$2.276,98 com taxas! Dividi tudo ainda em 7x sem juros... foi lindo! Esse preço realmente foi muito bom visto que eu fui em pleno verão europeu.
      Esse valor poderia ser ainda mais barato se eu não despachasse uma bagagem de até 23kg (tive que pagar por ela em cada trecho). Depois da experiência do mochilão para Patagônia, eu queria muito repetir a façanha de viajar novamente sem despachar bagagens (tenham essa experiência!). Mas na patagônia eu fiquei duas semanas e com muitas roupas de frio, que davam para repetir, em sua maioria, praticamente todos os dias sem lavar. Mas na eurotrip foram cerca de 6 semanas. Daria para lavar por lá? Óbvio, mas além de dinheiro, custaria também tempo.
      Para mim uma eurotrip é impensável sem fazer um real planejamento. E olha que ainda planejando muito, gastei e perdi muito dinheiro. O verão europeu é de longe a época mais cara para uma eurotrip. E o câmbio do euro também não ajudou nem um pouco.
      Compre tudo com MUITA antecedência. Isso para mim foi realmente um desafio. Eu não gosto muito de viajar com passagens internas compradas, porque se eu quero ou preciso mudar o roteiro, fico presa. Fora a possibilidade de conseguir caronas (como por exemplo pelo BlaBlaCar ou grupos do Facebook), que podem sair muito mais em conta. Então tive que planejar um roteiro muito cedo. As empresas que vendem as passagens geralmente disponibilizam as vendas 3 meses antes (algumas 6 meses antes, outras 1 mês antes). Para pesquisar e comparar preços de passagens de trens, aviões e ônibus eu usei o site GoEuro, mas finalizei as compras no site da empresa vendedora. Na Alemanha, os trens mais baratos foram da DB Bhan e na Itália foram da Trenitália. Todos os ônibus que peguei foram da FlixBus.
      Para dicas sobre trens na europa, pesquise sobre esse tema o tanto quanto for possível. Foi realmente muito útil para entender como funciona, qual poltrona é livre para você sentar, etc. Sempre que possível, tente pegar passagens com o menor número de trocas de trechos possível. Se a primeira etapa da viagem atrasar e seu tempo para mudança de plataforma for curto, provavelmente você ficará desorientado com as línguas. Por mais que haja placas indicativas em inglês, elas nunca serão suficientes. Em diversos momentos eu fiquei desorientada (tente entender alemão, tcheco, esloveno e italiano para você ver! osso!). Lá não rola de embromar com portunhol...
      Sugiro mesmo que leia na internet informações sobre os tipos de transporte e dicas dos transportes. Se eu eu não tivesse pesquisado antes, teria me enrolado muito e ainda assim passei aperto ou fiz coisas erradas sem querer correndo o risco de tomar multas. São muitas linhas de trens, de diferentes tipos (S, U, T, Tram), não é em qualquer lugar que pode sentar, não é qualquer vagão que pode subir, tem que apertar os botões nas portas para elas abrirem, várias opções de bilhetes e em alguns lugares tem que validar o bilhete. Se você comprar um bilhete errado e a fiscalização te pegar (e vai pegar!), não terá perdão pela multa, pois teoricamente você deveria ter pesquisado na internet antes de viajar e nas máquinas dos bilhetes geralmente há informações sobre os tipos de bilhetes. A maior nota que as máquinas de autoatendimento aceitam são as de 20€ (em Munique aceitava até 50€). Então tenha sempre notas pequenas e moedas trocadas.
       O site da FlixBus cobra uma taxa de 2 euros para comprar as passagens. A dica é: compre todas as passagens de uma vez só (acumule os trechos no carrinho na hora da compra) para pagar essa taxa só uma vez. Se você comprar de uma em uma, você pagará a taxa para cada compra finalizada.
       Com um esboço do meu roteiro na mão, no início de maio fui simulando os horários de preços das passagens terrestres para realmente finalizar o roteiro e pagar mais barato nas passagens. Acontece que fui enrolando, imaginando outros roteiros... quando dei por mim, a primeira semana de julho já tinha chegado e comi mosca em algumas passagens, que aumentaram. A média de preços de aumento foi de 5 a 10 euros. Assim, acabei gastando cerca de 50 euros a mais pela minha procrastinação de apenas uma semana (compre com no mínimo um mês de antecendência). Parece pouco, mas quando convertemos, isso foi cerca de 250 reais, que se somar a outras perdas, pode chegar a um montante surpreendente. NUNCA deixe para comprar as passagens em cima da hora ou você pagará MUITO mais caro. Essa dica é unânime em toda a internet. Algumas passagens que não comprei com antecedência, como o trecho de Mellrischstadt para Fulda, paguei mais do que o dobro (49,90€) no dia anterior da viagem (duas semanas antes estava 23,90€). Isso também serve para as hospedagens. Em Veneza eu tinha olhado um hostel e na minha cabeça eu tinha feito a reserva, só que não. No dia anterior da viagem para Veneza quando fui olhar a confirmação do endereço na confirmação da reserva é que descobri meu erro. E ao invés de pagar 17€ (quando tinha olhado no Brasil), paguei 26€. 
      Outra coisa que eu comi muita mosca, mas eu também não tinha como prever, foi o câmbio. Tinha de arriscar, mas diferente de outras ocasiões, dessa vez eu me lasquei. Logo que eu comprei as passagens aéreas, comecei a acompanhar as cotações do euro e do dólar. A menor taxa eu encontrei foi em fevereiro de 2018 (euro turismo por R$3,91 e estava caindo todos os dias). Achei que ele iria cair um pouco mais, mas de repente o cenário mudou por causa da instabilidade política no Brasil e em menos de duas semanas o euro estava R$4,63. Consegui comprar a R$4,54 após uma intervenção do Banco Central. Além disso, o seguro viagem é calculado em dólar. Com a loucura do dólar atingindo quase R$4,00 (em junho de 2018) o seguro ficou absurdamente caro. Essa situação causou um rombo gigante no meu planejamento financeiro e tive que replanejar o roteiro várias vezes, cortando alguns passeios, algumas cidades e dias de aluguel de carro na Alemanha e Itália.
      Eu sempre salvo no googlemaps as marcações das principais atrações turísticas que eu quero visitar. Isso me dá uma noção de espaço e facilita muito o meu deslocamento. Tento fazer o máximo de coisas a pé, o que me permite explorar melhor os locais e economizar dinheiro. Não esqueça de marcar o local da sua hospedagem e as estações de trens/ônibus no mapa também, porque caso você não tenha acesso à internet, você terá a garantia de ter um mapa offline com você, o que pode te salvar em diversas situações, como já aconteceu comigo em vários mochillões e nesse também não foi diferente. Falando em coisas offline, baixe os dicionários de línguas do google translator que você não conhece para o celular. Te salvará várias vezes também.
      Sobre internet, eu não comprei um chip europeu. Dependi apenas de Wi-Fi na rua ou dos lugares onde dormi. Fez falta um chip europeu? Claro, especialmente em cidades pequenas, na estrada ou parques nacionais. Em cidades grandes, não é difícil achar sinal de Wi-Fi aberto, especialmente no centro e em algumas estações de trem/metrô. Os trens do tipo ICE na Alemanha tem Wi-Fi e os ônibus da flixbus também.
      Na Alemanha, um jeito fácil de conseguir salvar um dinheirinho é guardar as garrafas plásticas pet para trocar no supermercado. Elas são retornáveis e os valores variam de 0,08 a 0,25 centavos a garrafa (preço de um pão!). Não cheguei a trocar, pois fiquei com a mesma garrafa o tempo inteiro da viagem (na Europa você bebe água da torneira da pia, então eu só enchia minha garrafa), mas você dificilmente verá uma a garrafa dando sopa na rua, pois todo mundo junta para trocar e pegar o dinheiro. 
      Uma das coisas que eu estava preocupada era sobre segurança. As informações que recebemos no Brasil sobre a questão dos problemas causados pelos refugiados estava me deixando um pouco apreensiva por estar viajando sozinha em plena crise de refugiados. Mas ocorreu tudo bem. Não vi nenhum problema e a sensação de segurança ainda é imensa. Claro que você não pode dar mole, como em qualquer lugar do mundo, e não por causa dos refugiados em si. Aliás conversei com várias pessoas em diferentes lugares sobre o que eles estavam achando dessa questão e a maioria só falou coisa boa, que eles são muito bem vindos e a maioria dos refugiados são pessoas muito boas e esforçadas. Alguns crimes podem até ter subido um pouco, o que é natural até estatisticamente pelo volume de pessoas que os países receberam (especialmente a Alemanha). Mas definitivamente eles não estavam sendo um problema como as mídias mundiais estão noticiando. Mas na Itália me falaram demais sobre violência e estupros e me recomendaram a nunca ficar sozinha em vagões de trem. Bem, não foi o meu caso porque usei somente ônibus na Itália, mas fica a recomendação.
      Toda cidade turística cobrava uma taxa de visitação, que variou entre 1,50 a 4€ e elas não estão inclusas no valor da hospedagem durante a reserva pelo Booking.
       Dia 1 e 2 (24 e 25 de julho, terça e quarta): BH-Lisboa-Frankfurt
      Na TAP você paga para escolher o assento e se você não quiser pagar (cerca de 156 reais entre BH-Lisboa e 68 reais entre Lisboa-Frankfurt), sentará em algum lugar aleatório. Dei sorte de ir na janela nos dois trechos, mas no trecho Lisboa-Frankfurt tive que sentar na saída de emergência, o que é ruim pois o banco não reclina e para melhorar tinha um abençoado de um menino que não parava de bater na mesinha atrás do meu banco (atenção senhores pais!)
      Como eu entrei na Europa por Lisboa (leia sobre o tratado de Schengen) a entrevista de imigração foi no Aeroporto de Lisboa. Na verdade nem foi uma entrevista. O agente de imigração apenas olhou para a minha cara e para os outros carimbos no passaporte e liberou minha entrada. Não perguntou nem quando eu iria sair. Suas únicas palavras para mim foram "bom dia". 
      Eu troquei todo meu dinheiro no Brasil a um câmbio de R$4,54 e casa de câmbio me deu somente notas de 100€, que são difíceis de trocar. Tentei nas casas de câmbio e no comércio do aeroporto de Lisboa enquanto esperava o meu outro voo, mas não consegui. Acabei comprando uma torta de maçã para comer e consegui o dinheiro trocado.
      O aeroporto de Frankfurt é gigantesco e ir de um lado pro outro pode demorar bastante. Se você for fazer troca de aeronaves lá, dependendo do portão pode demorar até meia hora de caminhada. Então se for pegar voos a partir de Frankfurt, chegue cedo.
      Após descer do avião, busquei as malas e peguei o metrô para ir para a estação central de trens. Dentro do aeroporto praticamente todas as placas estão escritas em alemão e em inglês. Basta seguir as placas de Luggage claim (recolhimento de bagagens) e S Bahn (metrô). Ao chegar na estação de metrô, fui para a plataforma A, onde passa o metrô S8, que leva até a estação central (sigla Hbf). Antes de embarcar, comprei o bilhete simples na máquina de autoatendimento (4,90€). A máquina de autoatendimento só aceitava moedas ou notas de 20 ou 10€.
      Não há guichês para comprar passagens e ninguém para te ajudar nas máquinas de autoatendimento. O povo alemão é muito correto e todos fazem a sua parte. Por exemplo, eles só atravessam a rua na faixa e só quando o sinal de pedestre está aberto (mesmo que isso signifique esperar um tempão no passeio no sol rachando e nenhum carro passando. Se atravessar fora da faixa ou com o sinal vermelho para pedestre eles chamam sua atenção, especialmente se tiver crianças perto), quase ninguém joga lixo nas ruas (que geralmente são limpíssimas) e todos compram suas passagens nas máquinas de autoatendimento ou internet. Se você não comprar e a fiscalização te pedir dentro dos transportes, você terá que pagar uma multa muito alta (60€) na hora, além de passar vergonha e ter seu nome na polícia. Aliás tudo é motivo para multas. A questão de atravessar no sinal somente no sinal verde para pedestres não é apenas uma questão de educação cultural, mas educação imposta também. Atravessar no sinal vermelho e fora da faixa pode te render multas a partir de 20€ (geralmente é de 60€ também).
      Chegando na estação Hbf em Frankfurt fui caminhando até o hostel (cerca de 20 min) em um sol escaldante de 36 graus. Nunca imaginei na vida que na Europa pudesse fazer um calor pior do que o verão do Brasil. Ainda que eu já tivesse escutado sobre o calor do verão na Alemanha, nunca botei fé do quão intenso era. E para piorar, parece que desde 2003 a onda de calor não era tão intensa. Estava insuportável. Segundo minha amiga, o verão de 2017 só deu uma semana de sol e o resto foi chuva e frio, enquanto essa onda de calor de 2018 já estava ocorrendo desde maio. No final de julho amanhecia por volta das 5h e anoitecia às 21:30h. No final de agosto já estava amanhecendo às 06:30h e anoitecendo às 20h.
      Deixei minhas coisas no hostel e saí para caminhar pelo centro da cidade. Visitei todos os lugares que queria, mas não consegui caminhar mais do que 3 horas porque o calor estava realmente muito sufocante e eu fiquei absolutamente exausta e inchada. Fui até a ópera e parques adjacentes, prefeitura, igrejas, casa da Goethe e ponte de ferro. Comprei algumas coisas para comer no supermercado Penny e voltei para o hostel, que não tinha ar condicionado nos quartos. Deixamos as janelas do quarto misto de 8 lugares abertas, mas mesmo assim a noite foi muito quente.
      Dia 3 (26 de julho, quinta): Frankfurt-Fulda-Stockheim
      Saí do hostel na parte da manhã e fui novamente caminhado até à Hbf, onde peguei o trem para Fulda. Foi super tranquilo para pegar o trem e ele é muito pontual. Ele chegou na plataforma cerca de 5 minutos antes da partida.
      Fulda é uma cidade pequena, mas super charmosa. Andei por todo o centro e suas ruelas, que me renderam várias fotos. Não vi lockers na estação de Fulda, então não sei se tinha. Andei carregando meu mochilão em um sol escaldante novamente, mas havia vários bancos pela cidade e daí fui fazendo várias paradas de descanso na sombra. Frequentemente alguém me cumprimentava. O pessoal da cidade é muito simpático! Teve um senhorzinho que me viu comendo em um dos bancos e simplesmente parou para bater um papo. Ele era professor de história e geografia e papeamos uns 10 minutos.
      O banheiro da estação cobra 1€ para usá-lo e é muito bom. Você precisa pagar o bilhete também por uma máquina de autoatendimento, que recebe moedas de até 2€. As lojas da cidade te dão um ticket de desconto quando você compra algo a partir de um determinado valor. Esse ticket tem o valor de 0,50€ e pode ser usado no banheiro ou nas próprias lojas. Por coincidência, tinha um ticket desconto sobre a máquina de autoatendimento do banheiro que alguém não usou e deixou lá. Assim, peguei e usei o ticket e o banheiro saiu pela metade do preço! Rs!
      O casamento da minha amiga foi em uma cidade chamada Bad Neustdat e fui para a casa da sogra dela na cidade de Stockheim. Em Fulda esperei um casal de brasileiros também amigos dos noivos para irmos juntos para Stockheim de carona com um outro amigo do noivo, que foi nos buscar de carro em Fulda.
      A viagem durou pouco menos de uma hora e passamos por diversas cidades pequenininhas, que eram umas mais charmosas do que as outras. Os campos e as árvores também eram exuberantes, compondo uma paisagem digna de filme.
      Dia 4 (27 de julho, sexta): Casamento em Bad Neustadt
      O percurso de carro entre Stockheim e Bad Neustdat foi aproximadamente de 50 minutos. O casamento foi super interessante (além de emocionante, claro!). Minha amiga e o noivo fizeram um casamento com um mix de culturas na cerimônia para agradar os dois lados. Na Alemanha não existem serviços de cerimonial de casamentos. Tudo é você quem tem que fazer e preparar. O casamento foi realizado no jardim de um hotel que mais parecia um castelo de tão lindo e duas cerimônias foram realizadas no mesmo dia, um às 15h (um casamento tipicamente alemão) e outro às 17h (o da minha amiga), mas as festas foram realizadas em locais diferentes do hotel.
      No casamento tipicamente alemão, os noivos ficaram sentados o tempo inteiro e as alianças de casados são colocadas no anelar da mão direita (noivado é no anelar esquerdo e namoro no dedo do meio esquerdo). Nesse casamento alemão, não teve uma festa e sim um jantar. Todo mundo sentado comportadamente, falando em um tom baixo. 
      Enquanto esse isso o pau tava quebrando no quarto com as madrinhas e minha amiga, a noiva! Hahahaha! Depois da cerimônia, foi a festa, e nós PTBR fizemos várias brasileirices durante a festa! Hahahaha! Acho que os alemães nunca viram uma festa tão animada (alguns até nos disseram isso!). Foi demais!!
      O problema de não ter cerimonial é que da mesma forma que você precisa montar todas as coisas para o casamento, você também precisa desmontar tudo logo depois. Isto é, a festa acabou por volta de 5h da manhã e fizemos uma força tarefa para desmontar tudo e levar as coisas embora. Cansativo demais, mas extremamente recompensador. Depois de tudo resolvido, chamamos um táxi para voltar para Stockheim. Pedimos uma van para 8 lugares e ficou em 55€ o trajeto, dando pouco menos de 7€ para cada.
      Dia 5 (28 de julho, sábado): Stockheim e Gersfeld
      Depois que todo mundo acordou, várias pessoas foram para a casa da sogra da minha amiga. Tomamos um café tipicamente alemão juntos e fomos para Gersfeld, cidade que fica no meio do caminho entre Fulda e Stockheim. Lá tem um parque (Wasserkuppe) que funciona como estação de ski no inverno e um tobogã (como se fosse uma calha de metal no chão) no verão. Nesse tobogã você desce com uma espécie de carrinho de rolimã. A descida custava em média 3€, pois havia preços especiais para grupos acima de 5 pessoas. Muito divertido! Voltamos para Sockheim e ficamos papeando até o anoitecer.
      Dia 6 (29 de julho, domingo): Colônia
      O marido da minha amiga me deu uma carona até Mellrichstadt, onde peguei o trem para Colônia. As baldeações foram: Mellrichstadt bf > Schweinfurt Hbf > Würzburg hbf > Fulda > Frankfurt Hbf > Köln Hbf. Viagem cansativa, que totalizou cerca de 6 horas. O trajeto foi bonito, com várias casas e castelos de verdade ao longo dos rios que passei em alguns trechos.
      Saindo de Stockheim, fui para Mellrichstadt às 5 da manhã e estava muito cedo para tomar um café da manhã. Então gentilmente a sogra da minha amiga preparou uma marmitinha com pães, queijo, chocolate e bolo para eu levar durante a viagem e comer como café da manhã. Mesmo depois de ter esvaziado ela, ter andado com essa vasilha depois disso me ajudou demais. Sempre antes de sair dos hostels que incluíam o uso da cozinha, eu preparava algo para comer e colocava dentro dessa vasilha para comer ao longo do dia. Isso me fez economizar bastante dinheiro com comida, já que eu não precisava voltar ao hostel para almoçar (até porque geralmente o checkout já havia sido realizado) ou comprar algo na rua. A partir de agora sempre vou levar uma vasilha nos meus mochilões e aconselho você também a levar. Também guardei garfo e faca plásticos de refeições que comprei na rua. Também foram bem úteis.
      Chegando em Colônia deixei as coisas no hostel e fui caminhar pela cidade. Muito lugar interessante e a catedral gótica é impressionante. Estava tendo um festival de rock gótico e as pessoas fantasiadas estavam dando um ar mais gótico ainda para aquela cidade! Andei explorando a cidade cerca de 5 horas, mas chegou um momento que o corpo até começou a dar brotoejas por causa do calor e voltei para o hostel.
      A Europa definitivamente não está preparada para lidar com o calor. Todos os quartos dos hostels que passei eram infernalmente quentes, assim como os trens não tinham ar condicionado forte e as janelas não abriam. Nos hostels, geralmente, as janelas não abriam muito e não havia ar condicionado. Uma das noites mais quentes que eu já passei na minha vida foi em Colônia. Tive que ir para o chuveiro gelado ao longo da noite duas vezes para não passar mal. E olha que eu sou uma pessoa super friorenta.
       Dia 7 (30 de julho, segunda): Colônia e Bremen
      O checkin do hostel encerrava às 11 da manhã, porém meu trem para Bremen foi só às 18h. Assim, deixei minha bagagem no hostel e fui explorar o restante da cidade que ainda não tinha ido no dia anterior, inclusive a catedral, que tem a entrada gratuita, mas não pode entrar com roupas curtas e com os ombros de fora.
      O trem para Bremen atrasou 15 minutos e trocou de plataforma. Eles anunciaram somente em alemão e vi que tinha alguma coisa errada ao ver aquela multidão saindo ao mesmo tempo da plataforma. Então fique atento ao painel de informações. O marido da minha amiga me disse que atrasos a partir de uma hora podem ser reembolsados em até 20%, mas poucas pessoas sabem disso. Você deve preencher um formulário na estação (que está somente em alemão) e eles te pagam na hora.
      Cheguei em Bremen por volta das 22h, já estava escuro, a internet do trem/estação não estava funcionando e custei a encontrar a rua certa para ir para o hostel. Se Colônia era a cidade dos góticos, Bremen foi a cidade dos manos. Quando estava saindo da estação e andando em direção ao hostel (cerca de 20 min), senti o clima meio tenso para andar na rua. Quase nenhuma pessoa circulando, muito sem teto, muito bêbado, muito imigrante vendendo droga, sujeira e pichação para todo lado e muita gente olhando para mim de cima em baixo. Parece que a cidade tem um problema com assaltos, pois quando cheguei ao hostel tinha alguns avisos para tomar cuidado.
      Dia 8 (31 de julho, terça): Bremen - Hamburgo 
      O clima da cidade durante o dia foi absolutamente diferente do que eu tinha passado na noite anterior, embora eu me sentisse realmente segura somente nas ruas movimentadas. O centro é muito maravilhoso e superou muito as minhas expectativas. A cidade também é cheia de grafites espetaculares. Algumas casas nas ruas me lembraram muito mais a Inglaterra do que a Alemanha. Cuidado para atravessar as ruas. Os alemães usam muito bicicletas e em Bremen praticamente todas as calçadas possuem faixas para pedestres e para bicicletas (geralmente as faixas de bicicletas eram avermelhadas). Frequentemente eu me pegava andando sem querer nessas faixas exclusivas de bicicletas, atrapalhando os ciclistas ou quase tomando guidãozada.
      A noite peguei um ônibus para Hamburgo da flixbus. As paradas dos ônibus eram em uma rua paralela à estação de trem Hbf. Embora minha amiga tenha se casado em Bad Neustadt, ela mora em Hamburgo, assim, fui para a casa dela. Tive um problema com o meu ônibus. Ele estava previsto para passar na parada às 19:10, porém não passou. Por volta das 19:40 outro ônibus para Hamburgo, seguinte ao meu, passou e por sorte o motorista falava um pouco de inglês. Ele disse que aquele não era o meu ônibus e que eu o havia perdido. Falei com ele que não, que cheguei na parada com uma hora de antecedência e que além de verificar o número e destino na frente do ônibus, eu conversei com cada motorista que parou para ter certeza que eu não estava enganada. No final das contas acho que o motorista ficou com dó de mim e são sabia o que me orientar a fazer, e me deixou embarcar.
      Cheguei em Hamburgo e peguei o metrô para ir para a casa da minha amiga. Quando eu cheguei, parte da sua família estava na casa dela. Então saímos para um parque de diversões gigantesco (Hamburg DOM) na cidade. Esse parque funciona durante um mês de cada estação, isto é, durante um ano, ele funciona no total apenas 4 meses em Hamburgo. Depois do mês de funcionamento em uma estação, ele fecha, é totalmente desmontado e vai para outra cidade da Alemanha. Quando chega outra estação, ele volta para Hamburgo durante mais um mês, e assim por diante. O parque fechou às 23h e vale totalmente a visita, ainda que você não brinque em nenhum brinquedo. O parque é digno de filme, super colorido, com várias coisas características da cultura alemã. É um ponto turístico para os próprios moradores da cidade. Depois do parque voltamos para a casa da minha amiga.
      Dia 9 (1 de agosto, quarta): Hamburgo
      Hamburgo é uma cidade espetacular! E tem coisa demais para fazer. Sugiro um tempo mínimo do mínimo de 3 dias. Andamos o dia inteiro, literalmente. Fomos em uma parte do porto, no museu do café, na Reeperbahn e no parque Planten und blumen. A Reepernahn é uma rua do bairro Saint Pauli, que é cheia de bares, sexy shops e puteiros, como em Amsterdã. É um lugar muito engraçado de ir e interessante de se visitar (e descobrir que os alemães possuem fetiches sexuais muito, mas muito bizarros! Hahahahaha!). No parque Planten und blumen todos os dias do verão às 22h ocorre um espetáculo gratuito de luzes e dança da água em um dos lagos ao som de músicas clássicas. MA-RA-VI-LHO-SO!! 
      Dia 10 (2 de agosto, quinta): Hamburgo
      Ficamos muito cansados do dia anterior e saímos para passear por volta das 11h. Fomos até a Mönckebergstrasse (que é uma rua para compras) e jungfernstieg (que é um lago muito bonito próximo ao prédio da prefeitura). Na rua de compras estava rolando a Summer Sales, que é uma época específica de liquidações de até 70% de roupas de verão. Algumas roupas realmente estavam com valores muito atrativos, mas geralmente essas só tinham tamanho extra GG (mas ainda assim você encontra muitas coisas menores e boas). Essa liquidação também ocorre no final da estação do inverno (Winter Sales). Voltamos para casa no início da tarde pois estávamos exaustos pelo calor. A noite fizemos uma noite de vinhos e queijos.
      Dia 11 (3 de agosto, sexta): Hamburgo
      Saímos tarde novamente e fomos até a Prefeitura e a outra parte do Porto. A noite fizemos uma noite das meninas, e fomos para um striptease masculino (uh la la! Hahahahaha!) no Olivia Jones no bairro Saint Pauli. Esse bar só entravam mulheres e foi super engraçado de ir e a entrada custou 12€, o que foi bastante caro para o lugar, pois eu esperava muuuuuito mais. O bar era pequeno, 4 caras revezavam suas apresentações no palco, eles ficavam praticamente de jeans e sem camisa o tempo inteiro. De vez em quando eles subiam ao palco com fantasias e tiravam toda a roupa, mas usavam um pano para tampar seus meninos (Isso é, nada de pirocas! Hahahahaha!). Mas mesmo sendo caro e um pouco decepcionante para as expectativas que eu criei, ainda assim valeu a pena demais! Foi uma experiência super interessante, pois nunca me imaginei ir em um bar de striptease e é interessante ver que existe pelo menos um bar desse tipo voltado para o público feminino. Só na mesma rua do Olivia Jones, tinha pelo menos 10 bares de striptease feminino para o público masculino, fora os das outras ruas e os puteiros. 
      Eu nunca fui a Las Vegas, mas a impressão que eu tive é que a Reeperbahn de Hamburgo é tipo a Las Vegas da Europa. Muitas luzes, prédios muito chamativos, sexo, drogas e rock'n'roll. Despedidas de solteiro e solteiras eram mato. Uma coisa péssima de todos os bares que fomos é que a maioria dos bares e baladas pode fumar dentro do ambiente, em todas as cidades, não apenas em Hamburgo. Total retrocesso. Eu odeio cigarro e saía dos lugares podre de tanto fedor. A vontade não era nem de lavar as roupas, e sim queimar. E é impressionante também quantas pessoas fumam na Alemanha! Eu chutaria uns 50% da população, ou até mais. Outra hábito ruim que percebi em vários lugares da Alemanha é sobre as garrafas de vidro. Muitas pessoas ao invés de colocarem as garrafas nas lixeiras, eles quebram e deixam os vidros espalhadas nas calçadas. Não entendi a razão disso.
      Durante a semana, o metrô de Hamburgo fecha 01 da manhã e nos finais de semana é 24 horas. É impressionante o tanto que as baladas na Alemanha começam tarde. Saímos do Olivia por volta das duas da manhã e no metrô tinha muito mais gente chegando à Reeperbahn do que indo embora.
      Dia 12 (4 de agosto, sábado): Hamburgo
      Fomos para o centro assistir o desfile da Parada Gay durante a tarde e à noite fomos para a Reeperbahn novamente. Os bares não cobram a entrada, apenas o consumo. Nossa ideia era fazer um pub crawl até a dar o horário da minha ida para a rodoviária, onde meu ônibus para Berlim sairia às 3:30 da manhã.  
      Entramos em um bar chamado Mash Up, que estava tocando músicas muito boas e por incrível que pareça não era permitido fumar lá dentro! Acabamos desistindo do pub Crawl e ficamos só lá mesmo. Depois do bar, busquei minhas coisas na casa da minha amiga e fui para a rodoviária (fica ao lado da estação central de trens). Na verdade não é bem uma rodoviária. É somente um lugar onde os ônibus param.
      Minha passagem para Berlim eu comprei no site da DB Bahn, mas ao invés de trem, era um ônibus. O marido da minha amiga, que é alemão, nem sabia que eles ofereciam ônibus também. Cheguei lá por volta de 2:45h. Havia um ônibus da DB Bahn parado no ponto com destino a Copenhague às 3h e teoricamente o meu ônibus seria o vizinho desse, porém ele ainda não tinha chegado. Havia até a indicação no painel eletrônico da vaga do meu ônibus "Berlim DB Bahn 3:30". Pensei "ok, tudo certo, só falta o ônibus chegar". Porém o número do ônibus da minha passagem não coincidia com o número da viagem no painel eletrônico. Assim, perguntei para o motorista do ônibus de Copenhague se a plataforma seria aquela mesma, e para a minha surpresa, o motorista falou que na realidade o meu ônibus para Berlim era aquele dele. Que o destino final era Copenhague, mas antes iria para Berlim. Fiquei sem entender nada, pois tudo era diferente: o horário, a plataforma, o destino... Mas se o motorista falou que aquele era o meu ônibus, tava falado. Entrei no ônibus e segui viagem.
      Dia 13 (5 de agosto, domingo): Berlim
      Cheguei na cidade por volta das 7 da manhã. Deixei minhas coisas no quarto de bagagens do hostel e fui explorar a cidade. Berlim tem coisa demais para fazer e embora vários atrativos sejam próximos uns dos outros no mapa, na prática, esteja preparado para andar MUITO. Tudo tem tamanho monumental. Eu arrependi de não ter pego um free tour pela cidade, ao invés de fazer tudo sozinha, como fiz. Berlim tem muita história e na maioria das vezes eu passei por alguns lugares que não sabia o que era e que o free tour iria me fornecer informações. Praticamente todos os museus pagam e eu não fui em nenhum. Não usei o metro e andei demais nesse dia, cerca de 25 km. Embora esteja acostumada a andar longas distâncias, esse dia foi realmente exagerado até para mim, pois o calor fez parecer que andei muito mais. 
      Voltando para o hostel, encontrei com alguns amigos que estão morando na Europa e que havíamos combinado de nos ver. Descansei no final da tarde e à noite fomos comer em um restaurante tipicamente alemão. Pedi um prato que era uma salsicha branca, mostarda doce e um pão pretzel. Engraçado foi o garçom chegando com um super ar de mistério para mim. Ele veio com a comida tampada dentro de um bule e perguntou se seria a primeira vez que eu iria comer. Respondi que sim e ele disse que aquele era um prato tradicional e que tinha o aspecto muito feio e nojento, mas que o sabor era muito bom. Fiquei até com medo que ele destampasse o bule! Hahahaha! Ele abriu e eram duas salsichas brancas e grossas boiando em uma água branca suja horrível. Realmente a aparência não era nada boa!
      Ele me falou para tirar a "pele" da salsicha, passar mostarda e comer com o pretzel. Não era ruim, mas não é um prato que eu gostaria que tivesse no Brasil para comer de vez em quando. Acho que ele deve avisar a todos os clientes antes que a aparência é feia para que eles não desistam do prato! Hahaha!
      Dia 14 (6 de agosto, segunda): Berlim
      Tirei o dia para explorar a cidade usando o metro. As próprias estações de metrô já são um atrativo turístico. Cada uma é diferente da outra e com designes muito legais! Comprei o day ticket (7€) e fui para o memorial do muro, checkpoint charlie e east side gallery. Se você quiser tirar uma foto no checkpoint segurando a bandeira dos EUA, terá que pagar 3€. Lá você pode carimbar o passaporte com carimbos turísticos, mas não sei se tinha que pagar. Recomendo demais a East side gallery! Os muros pintados com os grafites famosos estão lá. A visita rende fotos muito boas. 
      Descansamos no hostel uma parte da tarde e no por do sol fomos para o memorial aos judeus e para o portão de Brandemburgo que é totalmente diferente à noite. A iluminação noturna deixa o lugar muito mais imponente do que já é (aliás essa recomendação serve para qualquer lugar com construções históricas: visitar os lugares durante o dia e a noite). De lá fomos comer um hambúrguer artesanal e voltamos para o hostel.
      Dia 15 (7 de agosto, terça): Berlim 
      Meu amigos foram embora na parte da manhã e eu fui para o museu de história natural. Eu que já fui MHN de Londres não fiquei tão maravilhada. Comparado ao de Londres, o MHN de Berlim é pequeno e simples, mas valeu demais a ida. O ingresso custava 8€, estudantes 5€ e grupos a partir de 10 pessoas 5€. Apresentei minha carteira da UFMG e entrei com o desconto para estudante. De lá andei em mais algumas partes históricas da cidade perto do museu e fui para o hostel descansar. 
      A noite, na área comum do hostel, conheci um brasileiro de São Paulo e que morou em Berlim durante 7 anos, e que estava visitando alguns amigos. Ele me deu algumas dicas de roteiros não turísticos na cidade e o que eu mais gostei foi sobre um parque de diversões abandonado no antigo lado oriental da cidade (Spreepark Berlim). Pelas imagens do Google, o lugar é uma espécie de Área de Chernobyl, com brinquedos abandonados e a vegetação tomando conta do lugar. Fiquei super curiosa para ir lá dar uma volta de bike, mas infelizmente essa visita teve que ficar para uma próxima oportunidade.
      Dia 16 (8 de agosto, quarta): Berlim - Dresden
      Cheguei em Dresden no início da tarde, fui andando para o hostel (longe demais da estação central), deixei minhas coisas no hostel e saí para caminhar. Dresden é uma cidade muito bonita e recomendo muito a visita. A cidade por si só já tem uma história impressionante (ela foi completamente destruída na segunda guerra e reconstruída), mas a arquitetura é demais. Se estiver disposto a fazer as coisas no modo hardcore que nem eu fiz (andando o dia inteiro e sem visitar museus), um dia cheio é suficiente, mas o ideal é pelo menos dois para aproveitar bem a cidade.
      Dia 17 (9 de agosto, quinta): Dresden - Bastei Bridge - Dresden
      Parques nacionais estão entre os meus principais objetivos durante os mochilões e muito próximo à Dresden tem um belíssimo parque com mais 400 km de trilhas sinalizadas e a famosa (pelo menos para mim! Hahahaha!) Bastei Bridge. Essa ponte foi construída na época medieval junto a um castelo (que não existe mais, mas tem alguns vestígios no lugar, como bolas de pedras lançadas de catapultas para proteger o castelo) em cima de umas formações rochosas únicas. 
      O parque chama Elbsandsteingebirge e abrange a Alemanha e a Republuca Tcheca. A ponte Bastei fica na cidade de Rathen, mas várias cidades ao redor (que você pode visitar usando o trem) estão incluídas dentro do parque e tem coisas a oferecer de passeios. A ponte é a atração mais famosa e acredito que a de mais fácil acesso também devido ao volume de turistas. O que é uma coisa importante: chegue cedo à ponte. O lugar é lindo, e quanto mais vazio, obviamente, melhor. Dizem que o horário mais bonito é o pôr do sol, e pelas fotos que eu já vi deve ser mesmo.
      É possível ir para lá de train (S Bahn) e é super fácil o caminho. Saí às 7h do hostel e fui até a estação mais próxima do hostel, onde peguei o S1 na plataforma 2 com destino a Pirna. Em Pirna fiz uma baldeação para a plataforma 3 em direção a Schöna, mas desci em Kurort Rathen. Todo o percurso demorou cerca de 45 minutos.
      Embora eu tivesse lido a respeito de qual bilhete eu deveria comprar (www.dvb.de), eu comprei diretamente no guichê da BD Bahn na estação Dresden-Neustadt (que era a mais próxima do hostel) porque eu tava insegura de comprar errado no guichê de autoatendimento e tomar uma multa no meio do caminho (um amigo do meu amigo em Berlim comprou o bilhete errado para o aeroporto em Berlim e tomou a multa de 60€. Segundo minha amiga de Hamburgo, não basta pagar a multa, mas seu nome também vai para a polícia e isso pode te atrapalhar de diversas maneiras, como por exemplo inviabilizar um visto de permanência caso um dia pretenda morar na Alemanha). O bilhete custou 14€ (Day ticket que abrangia a área D). 
      Em Hamburgo você compra o bilhete no guichê de autoatendimento e não precisa validá-lo, mas em Berlim e em Dresden sim. Você válida na própria plataforma em uma máquina azul. Se você não o fizer, toma multa também, ainda que esteja com o bilhete certo. Descendo do trem em Kurort Rathen, pegue a balsa 2€ (ida e volta) para atravessar o rio.
      Rathen é uma cidadezinha fofíssima! Queria passar o dia inteiro lá apreciando as paisagens. Comecei a caminhada para a ponte Blastei às 8:30 e em menos de 10 minutos de caminhada cheguei à escadaria que leva ao topo (cerca de 20 min a meia hora de subida cansativa dependendo do seu preparo). A paisagem já na escadaria é belíssima entre as árvores, pedras e mirantes do rio e da cidade de Rathen.
       Lá no topo a beleza é estonteante. As formações rochosas e a ponte compõem um cenário muito bonito. O acesso à ponte é gratuito, mas uma parte (que é onde ficava o castelo) é privada e o acesso vale a pena (pois tem visões diferentes, além do valor histórico) e custa 2€.
      Você pode ir de carro ou de ônibus também para a ponte, caso não queira subir a escadaria. Não sei onde pega o ônibus, mas as informações da linha no ponto indicava o número 237. O estacionamento para carros custava entre 3 a 11€, dependendo do tipo de automóvel. 
      Desci a escadaria em pouco mais de 10 minutos e fui para a estação de trem. A volta para Dresden foi uma luta e demorou mais do que eu gastei em Rathen. Os trens passam em média a cada 40 minutos e estavam tendo várias reformas nas linhas. Assim, o trem era cancelado diversas vezes, mudavam de nome, mudavam de palataforma... Fiquei extremamente perdida, fui para outras estações e gastei mais de 3 horas para chegar ao hostel (guichês de informações da Db Bahn tinham somente em Pirna e Schöna. Não consegui Wi-Fi em nenhum lugar). Pelo menos valeu alguns passeios que eu fiz de trem! Hahahaha! (Como adendo, em Schöna (que é a cidade fronteiriça com a República Tcheca) tinha muitos mochileiros. Deve ter algo legal lá, além da cidade me parecer muito linda também). Chegando ao hostel, comi, dei uma descansada e depois fui para outras partes de Dresden que eu ainda não tinha ido.
       Dia 18 (10 de agosto, sexta): Praga
      Praga sempre foi um sonho antigo de mochilão e mesmo que o tempo tenha sido muito curto, eu não poderia deixar de incluir esse espetáculo de cidade no meu roteiro, ainda mais tão próxima a ele (cerca de 150 km de Dresden). Só existe uma expressão para definir Praga: Do caralho! Não posso simplesmente dizer que a cidade é muito boa, magnífica. Ela é do caralho! Fiquei apenas dois dias na cidade e andei DEMAIS para tentar compensar a falta de tempo. Eu sugiro um tempo mínimo do mínimo de 4 dias como roteiro se quiser explorar cada cantinho da cidade. Não existe uma rua, uma viela, uma esquina que não peça para bater uma foto. E em varias áreas eu realmente senti o que seria uma cidade na idade média. Só indo pra entender o tanto que a cidade é sensacional. Me senti de verdade submersa na cultura medieval.
      A República Tcheca não aceita euro e a moeda local (Coroa Checa - CZK) pode ser trocada em várias casas de câmbio pela cidade. Eu troquei 1€ por 24.50 CZK, mas vi taxas entre 22 (no comércio) a 26.69 CZK (em outras casas de câmbio). Comida em Praga e atrações gerais achei muito caras e acredito que tenham relação com a sobrecarga de turistas. É muita gente! Tenho lido recentemente vários artigos que falam sobre esse problema em cidades muito turísticas, como Londres, Veneza, Amsterdã e Berlim. A quantidade de turistas chega a incomodar. A impressão que eu tive é que Praga tinha muito mais turistas (porque as ruas são pequenas) comparado a Berlim (que as ruas são super largas). Essa superpopulação de turistas é sentida também na falta de educação de turistas que não respeitam as regras ou a cultura local (ainda mais com a cultura de filmar tudo e fazer selfies) e enchem o saco dos nativos, que às vezes perdem a paciência. E com razão. Imagina viver em uma cidade "mundial e cosmopolita", em que o que menos você escuta é a sua língua nativa, com uma poluição sonora e sem conseguir andar direito em algumas ruas, além de outros prejuízos. Sim, a cidade vive do turismo, mas o superturismo é muito problemático.
      Eu troquei somente 7€ para supermercado e as outras despesas eu paguei no cartão por achar mais prático, pois o comércio não dava troco em euro (além de câmbios desfavoráveis) e as casas de câmbio só trocavam valores "redondos".
      Existem alguns banheiros públicos espalhados pelas ruas da cidade velha e eles recebem moedas de euro também (média de 1€). O banheiro mais barato que achei foi o da rodoviária Florenc, que custava 0,40€. Na rodoviária também você pode guardar suas bagagens a partir de 60 CZK (eles aceitam euro também) entre às 06 e 22h.
      Comparado com a Alemanha, Praga é meio zuada. Comparada com o Brasil, Praga é pura organização. O trânsito lá é bastante caótico e é mais fácil você entender alemão do que tcheco. Não recomendo de maneira nenhuma que alugue carro em Praga. Na maioria das áreas com grandes atrações você não pode trafegar ou estacionar e os estacionamentos são muito caros. A maior diversidade de transportes para turistas que eu já vi na vida foi em Praga. Você pode alugar diferentes tipos de transportes de uma ou duas rodas, além da tradicional bicicleta. A maioria eu nem sei o nome pois eu nem sabia que existia tais tecnologias no mundo! Rs!
      É muito fácil você encontrar lojas nas ruas que vendem um doce chamado Trdekník. Por favor experimente isso! É uma massa assada em forma de cone (lembrando casquinha de sorvete) e com recheios diversos. O preço varia de acordo com a complexidade de recheios. Recheios simples custam a partir de 50 CZK, os super recheados até 180 CZK. Comprei um de sorvete de creme com chantilly, morango e brownies por 170 CZK (cerca de 33 reais no débito com IOF e câmbio do dia). É caro, mas vale como uma refeição de tão grande e é bom demais!! Além de ser típico.
      Outra coisa típica e que eu não sabia: drogas não são legalizadas, mas são regulamentadas. Achei super estranho ver em alguns mercados ou até mesmo lojas especializadas em vender drogas, especialmente maconha, e de todas as maneiras possíveis. Vi pirulitos, cookies, chás, doces em geral. Quando vi isso no comércio eu fiquei sem entender nada, daí fui ler na internet. Parece que tem alguns bares que até vendem as drogas, você pode portar determinada quantidade para consumo próprio, ter suas próprias plantas, etc. Particularmente eu não uso nenhum tipo de droga e nunca recomendarei por entender os prejuízos biológicos que elas podem fazer (exceto para terapias medicinais cientificamente testadas e comprovadas), mas para quem curte LSD, maconha, entre outros, você não precisa ir somente para o Uruguai ou Amsterdã para usar de uma maneira legalizada/regulamentada.
      Dia 19 (11 de agosto, sábado): Praga - Regensburg
      Tomei um super café da manhã no hostel, fiz o check out e deixei minhas coisas no locker da rodoviária. De lá abri o Google Maps para visitar outras partes da cidade e eis que pra minha surpresa o que estava prestes a começar? A Parada Gay de Praga! Que coincidência! Assim, andei um pouquinho pela cidade e fui para a Parada (para quem nunca viu, o Google marca o trajeto do desfile com uma linha colorida). Comparada com a de Hamburgo, a Parada de Praga foi bem menor e mais comportada (pelo que parece os tchecos não têm tantos fetiches estranhos quanto os alemães! Hahahaha!)
      Às 17h peguei meu ônibus (que era da flixbus, mas era preto e não tinha escrito flixbus - os ônibus da flixbus são verdes e com a logo da empresa) para Regensburg.
      Dia 20 (12 de agosto, domingo): Regensburg - Munique
      Em Regensburg eu fiquei na casa de uma outra amiga, que é natural da Alemanha e fez seu doutorado na UFMG enquanto eu estava no mestrado. Foi ótimo revê-la depois de mais de dois anos que ela já havia ido embora do Brasil! Na parte da manhã ela me levou em um dos lagos naturais (Roither See) próximo da cidade de Regensburg para nadar e passar a manhã. Lugar lindo e super agradável de passar o dia!  Estacionamento custava 2,50€.
      À tarde ela foi comigo até o centro histórico de Regensburg onde passeamos por suas ruas e vielas e subimos na torre em frente à ponte principal, onde fica o centro de informação ao turista (2€ para subir na torre e ter uma visão da cidade). No centro de informação também tem um pequeno museu contando a história da cidade (que é patrimônio mundial da Unesco) e banheiros, todos gratuitos. O centro histórico de Regensburg é muito bonitinho! É como se fosse Praga em miniatura e você encontra coisas da idade romana, medieval e até uma rua reconstruída depois de uma guerra com Napoleão. Interessante também que lá tem o primeiro fast food da Europa. A construção é datada de 1320 e funcionava e funciona até hoje como uma salsicharia. As vielas são lindas e a catedral é maravilhosa (e gratuita!). Aliás achei a catedral muito interessante: ela é iluminada internamente somente por velas ou com a luz natural, o que deixa ela bem escura e te dá uma sensação mais real de como era na idade média. No seu subsolo tem algumas tumbas e os ossos do Regensberg (que deu nome à cidade) envoltos por fitas com ouro. 
      Antes de andarmos pelo centro histórico eu deixei minha mochila no locker na estação de trem (4€ o dia) pois tinha um ônibus para Munique às 18:30h. O ônibus da flixbus novamente deu problema. Ele atrasou 45 minutos (o atraso previsto no app era de 30min) e o anterior a ele para Munique também (às 16:30h) não tinha passado e eles não avisaram os passageiros. Por conta disso acabei conhecendo um senhorzinho da Croácia (que estava esperando o ônibus que não passou) muito simpático e ficamos batendo papo durante todo o tempo de espera e viagem. Cheguei em Munique às 21h (a previsão era de 20:15h). Peguei o metrô (6,70€ o day ticket e tem que validar o ticket) e fui para a casa do cunhado da minha amiga de Hamburgo.
      Dia 21 (13 de agosto, segunda): Munique
      Embora Munique tenha também muita história, achei que um dia bem aproveitado foi suficiente para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. Os principais pontos visitados foram Schloss und Park Nymphenburg e as áreas ao redor da Marienplatz. A visita interna ao Palácio de Nymphenburg custava 6,50€ e os banheiros eram gratuitos.
      Nesse dia eu sai com a minha camisa do Brasil e foi engraçado o tanto de brasileiros que moram na Alemanha que vieram conversar comigo! Alguns me deram várias dicas sobre a vida na Alemanha e de lugares para visitar, especialmente fora da cidade, como o castelo de Neuschwanstein (que inspirou a criação do desenho da Cinderela). Antes de voltar para casa fiz supermercado para levar comida para Cortina D'Ampezzo, pois não sabia como seria meus dias por lá, já que não tinha hospedagem garantida. Além disso, percebi que era melhor comprar comida em cidades grandes do que em cidades pequenas, pois as ofertas de produtos eram maiores e mais baratas. Como o volume de coisas que comprei foi maior, foi ótimo ter uma sacola plástica na mochila. Na Alemanha (acho que em toda Europa) a sacolinha plástica foi abolida e se precisar de uma sacola, você tem que comprar uma de papel no próprio caixa do supermercado. Então carregue sempre uma com você. 
      Dia 22 (14 de agosto, terça): Cortina D'Ampezzo
      Fui para a rodoviária de Munique (ZOB) e deu tudo certo desta vez com o ônibus da flixbus. Lá na rodoviária tem banheiros a 0,50€. Você percebe que está chegando na Áustria por causa das cadeias montanhosas, que são maravilhosas por todo o caminho.  A região das dolomitas, na Itália, então nem se fala! Pegamos bastante chuva na estrada, fazendo um pouquinho de frio no caminho e muito frio a noite nas cidades. Na estrada que pegamos entre Munique e Cortina, passamos por 3 pedágios: um na Áustria (9,50€ o carro) e dois na Itália (não vi os preços, mas quase certeza que eram 10€ o carro em cada um).
      Como já havia falado, eu planejei a minha viagem inteira. Do início ao fim as hospedagens, passagens, horários... Tudo estava resolvido. Exceto um lugar que a hospedagem não estava reservada: Cortina D'Ampezzo. Ir na região das dolomitas sempre foi um sonho muito grande e um dos meus objetivos de vida. Acontece que a região é basicamente para ricos, pois tudo é ABSURDAMENTE caro e não consegui muitas informações na internet pois o lugar é tão caro, que gente de renda normal não frequenta. Mesmo. Comecei a pesquisar hospedagens com pelo menos 5 meses de antecedência e a hospedagem mais barata que eu tinha achado era 380€ para três diárias em uma cidade a 24 km de Cortina (como comparação, em 3 semanas de viagem pela Alemanha e Praga eu gastei cerca de 500€ incluindo tudo: transporte, alimentação, hospedagem, compras pessoais e diversão).
      Resolvi então fazer uma tentativa muito arriscada. Ir para lá sem hospedagem e tentar achar algum lugar mais barato que não estivesse listado em nenhum lugar na internet (como já tinha ocorrido comigo em mochilões para a Patagônia, que também é uma região cara). Na pior das hipóteses eu iria pegar outro ônibus para ir para algum outro lugar ou dormir na rodoviária, já que eu tinha comida garantida para pelo menos a primeira noite. Se isso tivesse acontecido eu estaria MUITO FUDIDA. Mesmo.
      Primeiro pelo frio. A noite estava gelada pra caramba (pelo menos uns 10 graus) e eu não tinha roupa de frio suficiente para a intensidade do frio. Além de ser uma região alta, onde venta demais (o que diminui ainda mais a sensação térmica). Segundo, não há rodoviária. Os ônibus apenas param em um lugar todo aberto, então não teria lugar para me abrigar do frio (e da chuva). Terceiro, estava chovendo. Quarto, Cortina não é pequena e eu morreria de andar para procurar hospedagens. Quinto, toda a região, não apenas a cidade de Cortina, mas outras cidades também, é uma região de ricos e NÃO HÁ hospedagens baratas como hostels. Como disse, 380€ é o menor preço que consegui várias semanas antes da viagem (mas o preço médio das DIÁRIAS era 400€) e à medida que as hospedagens iam esgotando, os preços obviamente iam subindo. No dia da viagem pra Cortina, a hospedagem mais barata que eu encontrei pelo booking.com era quase 900€ para 3 diárias. Couchsurfing lá praticamente não existe (os usuários não acessam suas contas há muito tempo e possuem baixíssimas taxas de resposta). Não há hostels. Os B&B além de longes, são tão caros quanto os hotéis. E esse problema com os preços não é apenas em Cortina, mas em TODAS as cidades da região da dolomitas, que possui centenas e centenas de quilômetros. A região é tão cara que a Audi faz propaganda em toda região. Na entrada e saída de Cortina, por exemplo, tem o símbolo da Audi junto com o letreiro da cidade.
      No meu dia a dia eu costumo ser muito azarada, mas não sei o que acontece de mágico nas minhas viagens que puta que pariu da sorte de ter nascido literalmente com a bunda virada para a lua! Nem acreditei! No ônibus no meio do caminho, ainda na Áustria, subiu um senhorzinho italiano de 77 anos (Mario) e sentou ao meu lado. Não trocamos uma palavra durante umas duas horas. Na terceira parada no ônibus, já na Itália, ele falou algo comigo em italiano e eu respondi em espanhol. Prontamente ele começou a conversar comigo e parecia que nos conhecíamos há anos, de tanta afinidade que tivemos. Eis que para a minha surpresa, ele tinha uma casa em um vilarejo a 37km de Cortina. Contei a ele da minha situação sobre a hospedagem e pedi  alguma dica. Ele sem pestanejar me convidou para me hospedar lá na casa dele e eu fui.
      Cara, que encontro foi esse! O couchsurfing mais inesperado da minha vida! Que surreal foram os nossos papos! O Mario é um professor de línguas aposentado (fala fluentemente italiano, francês, alemão, inglês e espanhol, e arranha algumas coisas de Quéchua), que viaja pelo menos duas vezes ao mês para várias partes do mundo com companhias low cost, mora em Málaga na Espanha e a cada duas ou três semanas vai até Caprile para verificar se está tudo certo com a sua casa, que tem 3 andares e fica em um lugar espetacularmente bonito. 
      Caprile, que é um povoado da cidade de Alleghe, fica cerca de uma hora e 10 minutos de ônibus da cidade de Cortina D'Ampezzo. Para chegar na casa dele, depois do ônibus, ainda tivemos que pegar seu carro (que fica estacionado o tempo inteiro no centro de Caprile quando ele não está no povoado) e dirigir por uns 10 a 15 minutos.
      Fiquei no segundo andar em um quarto privado, ele no terceiro. Não deixou que eu gastasse as comidas que tinha comprado de jeito nenhum, nem que eu pagasse quase nada. Apenas meus próprios bilhetes de ônibus para o Tre Cime depois de eu tanto insistir (o primeiro bilhete ele me deu). Tomamos vinho, champanhe, comemos queijos, salames, presuntos e frutas de diferentes tipos. Eu já não aguentava mais comer de tão cheia que estava! Ainda preparamos comida para o dia seguinte, pois ele decidiu que iria comigo no Tre Cime di Lavaredo (contei a ele meu sonho de ir lá e ele estava disposto a fazer tudo para me ajudar a torná-lo realidade!). Me mostrou orgulhoso suas notas em todos os certificados e boletins escolares de toda a sua vida. Me apresentou a cidade de Cortina, me indicou os nomes das montanhas, me contou histórias das guerras na região e histórias da sua infância e adolescência. Cara, que fofo! Foi um grande amigo, pai e avô! Transformou a minha viagem e a minha vida para sempre e ele ganhou uma amiga também. E faço questão de ser também, pois gente com um coração e uma empatia iguais a dele são raríssimas hoje em dia no mundo. Gratidão eterna!
      Dia 23 (15 de agosto, quinta): Tre Cime di Lavaredo
      O dia amanheceu lindo, para a minha sorte de novo! Incrivelmente eu como costumo dar muita sorte com o tempo também em viagens. Estava chovendo todos os dias nas dolomitas, mas peguei chuva só no dia anterior. E pelo noticiário, estava chovendo na Itália inteira, exceto nas dolomitas no dias 15 e 16 de agosto. Tive sorte em Hamburgo também. Estava chovendo o tempo inteiro e durante a minha estadia não caiu uma gota, mas depois que fui embora começou a chover também. Em Florença a mesma coisa: chuva no dia anterior à minha chegada e solzão durante a minha estadia. Em Liubliana caiu uma tempestade depois que eu fui embora. Acho que eu levo sol por onde eu passo! Hahahaha! 🍀😀
      Embora o dia estivesse aberto e ensolarado nas dolomitas, fez frio demais. Estava no máximo uns 13 graus às 8:30h da manhã, horário que pegamos o ônibus em Caprile para Tre Cime di Lavaredo. E o dia não passou dos 20 graus. Os ônibus levam até os principais pontos turísticos da região, que é o Tre Cime e o Lago Misurina, que fica no caminho para Tre Cime. Há outros ônibus que levam para outros lugares, mas eles são mais raros.
      Eu tive uma dificuldade tremenda de achar informações na internet sobre os tipos de transportes, preços, e outras informações, da região das dolomitas. Basicamente descobri tudo lá. E por isso não tinha noção do que esperar (Santo Mário que cruzou meu caminho para me ajudar!).
      A primeira dica para economizar é levar alguma coisa para comer, pois a oferta de mercados são limitadíssimas. Quase um monopólio. Era tudo muito caro, pelo menos o dobro de preço. Um simples pão de sal, por exemplo, que na Alemanha custava cerca de 0,14€, em Caprile e Cortina custava 0,30€. Ainda bem que eu comprei comida em Munique (embora o Mario não me deixou gastar nada e ainda me entupiu de coisas para levar no resto do mochilão! Hahahaha!). Uma refeição por mais simples que fosse, não era menos do que 20€.
      Eu estive na região praticamente na última semana das férias de agosto da Europa e a região das dolomitas estava abarrotada de gente, em todas as cidades que passei ou visitei (Segundo o Mario, já na semana seguinte tudo estaria como um deserto). Alguns lugares tinha congestionamento, os estacionamentos (pagos também!) e as ruas estavam lotadas. E foi impressionante como estavam! É tanta gente que há incentivos para que os visitantes usem o transporte público para ir a alguns lugares. Que tipo de incentivo? Que envolve dinheiro, claro! Quem nos disse isso foi o motorista do ônibus para Tre Cime (que era um conhecido do Mario): estão aumentando absurdamente os preços de pedágios e estacionamentos para limitar o número de carros. E a tendência dos preços é só aumentar.
      O problema é que a melhor maneira de ir para a região é de carro, que é a minha segunda dica. Se for de transporte público, como eu fiz, conseguirá ir apenas no Tre Cime e no lago Misurina. Só. Todo o resto não poderá ir, pois as distâncias são grandes demais para fazer a pé e os raros ônibus vão somente para as cidades maiores da região.
      O ônibus para Tre Cime saia do centro de Cortina a partir da 8:30h da manhã, a cada 45 minutos ou uma hora, sendo que o último era às 17:55h. Esse era o horário para o período de junho a setembro, que estava fixado nos quadros de funcionamento nas paradas do ônibus. Provavelmente a frequência de ônibus deve ser menor ainda nos outros meses e eles devem atualizar os quadros de acordo com o período. O nome da empresa que fazia os transportes era DolomitiBus. Ainda bem que havíamos pegado o ônibus para Tre Cime em Caprile, pois chegou em Cortina e ele encheu tanto que não cabia mais nenhuma pessoa. O que foi um problema para os passageiros que estavam em pé espremidos durante 1 hora de trajeto extremamente sinuoso, e para os outros passageiros que estavam nos pontos de ônibus ao longo do caminho fazia horas (ninguém entrava).
      Pouco antes de chegar no Tre Cime, havia um pedágio, que aceitava somente dinheiro: 20€ para motos, 30€ para carros, 60€ para vans, 90€ para trailers e 120€ para ônibus particulares. Os preços das passagens dos ônibus do transporte público variam de acordo com a distância a ser percorrida. O bilhete para distâncias de até 30km custavam 4€ (passagem que é comprada para a distância entre Cortina e Tre Cime, que se eu não me engano é 27km, mas o caminho é tão sinuoso - como em toda a região das dolomitas - que o ônibus demora cerca de uma hora para chegar). Como peguei o ônibus em Caprile, tive que comprar um bilhete de até 75km, que custou 5,50€, totalizando 11€ a ida e a volta. 
      Assim, caso você vá de transporte particular, é mais vantajoso você deixá-lo em Cortina e ir para Tre Cime de transporte público, embora vá ter que ter paciência para provavelmente pegar um busão lotado a partir de Cortina (nada que não estejamos acostumados no Brasil!). 
      O ônibus vai até a base do Tre Cime e o tempo de caminhada dependerá no tanto que quer andar nas trilhas para ver os diferentes ângulos das montanhas. Eu não andei muito porque o Mario estava comigo e cansava muito facilmente pela idade. As paisagens de toda a região são maravilhosas, mas lá da base do Tre Cime, é espetacular!
      O clima da região é rotineiramente muito frio por ser regiões muito altas (as cidades mais baixas estão na média de 1000 metros), e a base do Tre Cime está a 2344 metros. Então vá bem agasalhado, pois naturalmente frio e o vento é congelante demais. Além disso, o tempo na montanha muda muito facilmente e rapidamente por causa da proximidade das nuvens. Quando chegamos estava fazendo bastante sol, com menos de 40 minutos o tempo mudou completamente. Estava nublado, com cara de chuva e a temperatura despencou. 
      Lá em cima há um refúgio de montanha, que é o mais famoso e fácil de chegar. Não sei os preços dele, mas os refúgios de montanha mais baratos que eu vi (cerca de 60€ a diária) eram de dificílimo acesso com carro, e impossíveis sem carro. Todos os refúgios possuem acesso remoto, que obrigatoriamente dependem de carro. Alguns, além do carro, depende de horas de caminhada.
      No Tre Cime, além de um refúgio, tem um restaurante (que não sei se oferece hospedagem também, pois ele era bem grande). No início da tarde, quando estávamos indo em direção ao ônibus para retornar a Caprile, paramos em frente ao restaurante para fazer um lanche, enquanto apreciávamos a paisagem. Enquanto lanchávamos, conhecemos duas mochileiros da Espanha que foram com as mochilas e barraca para tentar hospedagem no refúgio. Mas foram em vão. Estava tudo lotado e nem guardar as coisas delas enquanto elas caminhavam, eles não fizeram. 
      Praticamente em frente ao restaurante havia banheiro gratuito. Esse banheiro era daqueles que não tinha privada. Era uma espécie de louça no chão, onde você faz suas necessidades agachado. Ainda que eu não sente em privadas de banheiros públicos, achei bem esquisito! Hahahaha!
      Pegamos o ônibus de volta no Tre Cime às 14h e chegamos em Caprile por volta das 16:30h. Antes de irmos para casa, o Mario me levou em Alleghe para ver o lago, em um lugar para ver o Monte Pelmo (que é maior montanha) e em alguns povoados ao redor, como o local onde sua avó morava. Como esse povoado era mais antigo, as casas eram todas de madeira e com estilos muito diferentes. Parecia que eu tinha voltado no tempo ao ver aquelas genuínas casas italianas de alta montanha! Chegamos em casa por volta das 19h, preparamos a janta, bebemos mais vinho e champanhe e fomos dormir.
      Dia 24 (16 de agosto, quinta): Caprile, Allegho e regiões 
      O Mario passou toda a infância e adolescência na região de Caprile e Allegho e conhece a região melhor do que ninguém. Na parte da manhã fomos até uma oficina de carros pois a roda dianteira direita do carro começou a fazer um barulho quando estávamos andando no dia anterior (e realmente tinha um problema no disco de freio). Depois ele me levou até uma região chamada Belvedere, de onde se tem uma visão de várias cidades, e em alguns povoados (tantos que não sei os nomes). Um desses povoados tinha uma casa do ano de 1606. Em Caprile tem uma igreja de 1763.
      Voltamos para almoçar em casa às 13h, descansamos até às 17h e depois saímos novamente. Fomos até uma das várias estações de ski no inverno (são mais de 80km de pistas, mas todas são fechadas no verão pela ausência de neve, obviamente) e me contou diversas histórias de trabalhos que fazia com sua mãe (e suas duas vacas!!) quando era criança. Às 19h fomos comer uma pizza em um povoado de Caprile. As pizzas eram muito boas e gigantes, e com as bebidas, saiu por 25€ (e ele se sentiu extremamente ofendido ao me oferecer para pagar ou rachar a conta). Depois da pizza fomos para casa.
      Nas minhas andanças de carro com o Mario, vi apenas duas placas de camping, sendo que passei em frente a um deles. Não deu para observar muito, mas não vi barracas, muito menos os preços. Parecia que era um estacionamento para trailers. 
      Dia 25 (17 de agosto, sexta): Veneza
      Meu ônibus para Veneza saiu de Cortina às 07h da manhã e o Mario me levou até lá de carro saindo de Caprile, pois não havia ônibus tão cedo. Quase perdi o ônibus se não fosse o motorista para nos avisar. Eu comprei uma passagem da flixbus, mas por volta de 6:40 da manhã (meu ônibus era às 07h) parou um ônibus da empresa Cortina Express. Nem me mexi pois não era a flixbus. Pouco antes de partir, o motorista veio até a mim e ao Mário falando que aquele era meu ônibus (ele supôs que eu iria pegar um ônibus por causa do mochilão). Argumentei que não, que meu ônibus era da flixbus, mas ele me disse que aquele ônibus era da flixbus, embora tivesse outro nome. Eu não entendi nada! Só sei que depois de todos os problemas com os ônibus que tive até então, me mostraram que a empresa não é muito confiável, e que eu deveria sempre conferir com o motorista, independente do horário, destino e logomarca da empresa.
      Cheguei em Veneza Mestre (que é a parte continental da cidade), deixei minhas coisas no hostel, peguei o trem e fui para a parte turística de Veneza (que são ilhas). A partir da estação Mestre, você pode ir de ônibus (linha 2, mas não sei o preço e dentro do ônibus não há venda de passagens - tem que comprar antes) ou de trem. Eu optei pelo trem, que custou 2,60€ (1,30€ a ida e 1,30€ a volta, sendo que se você voltar depois de meia noite é outro preço). Você precisa validar o bilhete nas máquinas nas colunas das plataformas. A partir da estação Mestre, você tem que ir em direção à estação Santa Lucia (que é a final). Peguei o trem regional na plataforma 1 e o tempo do percurso foi de 10 minutos (não há estações intermediárias entre mestre e Santa Lucia). Para voltar para Mestre, você pode pegar qualquer trem regional (Reg). Até entender isso (ninguém falava inglês ou espanhol para me ajudar), eu fiquei super perdida sem entender nada, pois no painel de aviso de plataformas não aparecia Mestre.
      Diferentemente da região das dolomitas (que é uma região alta e fria naturalmente), Veneza estava muito quente. Pensei que sentiria o famoso "cheiro de esgoto", mas não senti nada. E olha que o dia estava esturricante. Aliás, achei a água dos canais de Veneza super limpos e tinham uma coloração esverdeada. Somente no mercado do peixe é que o cheiro de peixe era muito forte, mas normal para o que se vendia lá, né.
      Veneza é realmente muito legal de visitar. E é impossível não se perder lá nas vielas, o que faz parte também da visita à cidade. Fui ao Museu de História Natural de Veneza (descobri que havia somente lá!). Entrei esperando um museu super simples e saí de lá maravilhada! Que museu magnífico! Sinceramente, me impactou muito mais do que o de Berlim. A entrada custou 8€.
      A maioria das igrejas (especialmente as grandes) ou museus pagavam para entrar e o preço variava entre 3 a 12€. Com exceção ao de história natural, eu não fui em nenhum outro, pois não é o tipo de atração que me atrai muito, além de eu não entender nada de arte para saber apreciá-la. Mas quem gosta e entende, Veneza é um lugar importante de se visitar. Alguns lugares exigem uma vestimenta adequada para entrar, especialmente igrejas. Não pode entrar de short, bermuda, saia e ombros de fora. Então se quiser entrar, terá que ir de calça e blusa de manga. Quase assei por causa do calor e da roupa mais fechada, mas consegui entrar em algumas igrejas gratuitas. 
      Um dia em Veneza foi suficiente para mim, mas para quem gosta de arte e quer explorar muito bem todas as partes das ilhas, um dia será muito pouco. Então depende do estilo da sua viagem. Não andei de gôndola, mas vi que os preços eram tabelados: 80€ para passeios diurnos com duração de 30 minutos e máximo de 6 pessoas, 100€ para passeios noturnos (19h às 8h da manhã) com duração de 35 minutos e, provavelmente (não estava escrito isso nos quadro), máximo de 6 pessoas. 
      As coisas em Veneza também são bem caras (nada comparado com as dolomitas. Acho que dificilmente outra cidade supera aquele lugar!) e existe uma variação grande de preços dependendo do lugar onde comer. As coisas mais baratas costumavam estar nas ruelas menos movimentadas. Uma pizza super simples (Margherita, que só leva queijo e massa de tomate) variava entre 6,90€ a 9,00€. Se quiser comer mais barato, fuja das ruas movimentadas e praças. Além dos preços mais caros, eles ainda cobram cerca de 12% pelo serviço. Observei essa variação de preços também nos artesanatos e lembrancinhas. Há algumas fontes de água pela cidade, que você pode beber sem medo.
      Um dos artesanatos mais comuns em Veneza são os trabalhos e bijuterias feitas com vidro murano (que eu duvido muito que seja murano de verdade. Tudo falsificado!), que é típico da região e extremamente tradicional. Umas peças mais maravilhosas que as outras. Comprei alguns brincos e colares para mim e para dar de presente (ao voltar para o Brasil ostentei com produtos falsificados da China, mas que pelo menos foram comprados em Veneza! Hahahahahaha!).
      Dia 26 (18 de agosto, sábado): Liubliana
      Fiz o meu checkout no hostel e fui para o ponto de ônibus da flixbus em frente à estação de trens Mestre. O ônibus estava previsto para as 10:15h, mas atrasou em meia hora. Dessa vez o ônibus tinha a logomarca da empresa e o destino final estava certo, mas não o número da conexão. Porém perguntei ao motorista e deu tudo certo. O atraso de meia hora acabou virando muito mais. A previsão de chegada era às 14:15, mas cheguei era era quase 16h.
      Caminhei uns 20 minutos até o hostel e mesmo sendo tarde para o checkin, o quarto ainda não estava disponível. Deixei minhas coisas no hostel e saí para caminhar pela cidade. A Eslovênia não é um país famoso entre os mochileiros brasileiros, mas eu sempre li tanta coisa dos parques nacionais e cavernas que eu nunca entendi a razão (é o país mais verde da Europa). E chegando em Liubliana eu fiquei ainda mais sem entender o porquê. O país bonito, bom e barato.
      Eu simplesmente amei Liubliana! As coisas e comidas são baratas comparadas com as outras cidades que eu passei, o povo é super amigável, os pontos turísticos não são tão cheios, a cidade é linda e tem uma atmosfera super descontraída. Fui até o castelo (entrada 7,50€), caminhei pela cidade até o por do sol e depois fui ver um jogo de basquete (era algum campeonato europeu de 3x3) que estava tendo em uma das praças. Depois de um tempo vendo o jogo, fui para o hostel, tomei um banho e saí para um bar, onde encontrei coisa franceses do Couchsurfing. Um deles entrou em contato comigo pelo CS depois de ver uma publicação pública minha. Marcamos de encontrar em Liubliana e ele tinha conhecido um outro francês que estava no mesmo hostel que ele. Assim, saímos os três para comer e beber e a noite foi recheada de bons papos e ótima companhia que só o CS proporciona. Comida em Liubliana foi a mais barata de todas as cidades que eu passei no mochilão inteiro. Com 10 a 15€ você pode fazer uma super refeição. Os sorvetes são maravilhosos e os mais baratos também.
      Lá no castelo estava tendo uma festa de um casamento em um restaurante. Todo mundo sentado, falando baixo e super comportado, como eu presenciei na Alemanha. No quesito animação realmente ninguém ganha de nós latinos! Hahahaha!
      Dia 27 (19 de agosto, domingo): Predjama, Postojama e Piran
      Fiz a reserva do carro pela internet quando eu estava em Veneza. Desde o início a minha ideia era alugar um carro, mas não havia ainda feito a reserva no Brasil, pois não tinha certeza sobre a viabilidade financeira. Como gastei só 13€ na minha estadia nas dolomitas (vou entrar no Guiness book por essa façanha! Hahahahaha! Santo Mario que cruzou o meu caminho!) e economizei muito em comida em toda a viagem, ficou garantido que alugaria o carro.
       Fiz buscas pelo aplicativo Rental cars, mas não sei porque ele começou a dar um pau e nem reinstalando o aplicativo vou a funcionar. Então fiz as buscas manuais nos sites das empresas indicadas por alguns blogs de viagens e relatos. O aluguel mais barato foi pela Sixt e reservar o carro pela internet foi muito rápido e simples.
      O valor do UP/Renaut Clio estava cerca de 23€ a diária. Contratei seguro de pára-brisas e de pneus como extra (quase 6€ a mais na diária). O aluguel com as taxas totalizou em 111.85€ para 4 diárias, retirando o carro na locadora às 8h do dia 19/08 e entregando no mesmo lugar às 17h do dia 22/08. A quilometragem era livre e tive que entregar com o tanque cheio (da mesma forma que eu recebi). Porém na agência (que fica dentro da estação de trem) resolvi contratar o seguro total da lataria, pois caso acontece algo mínimo, eu teria que pagar 800€. Assim, com o seguro total e os extras, o aluguel saiu por 187.44€. Esse preço não incluía para atravessar fronteiras. Eu olhei para ir para a parte noroeste da Croácia, mas teria uma taxa adicional de fronteira e o aluguel sairia com o seguro total por 243.71€.
      Eu não contratei GPS, pois iria usar meu iPad, mas eles "me deram de graça" um carro com GPS integrado, o que foi uma maravilha! Com o iPad teria sido difícil. Peguei um Renaut Captur. Carro muito confortável, estável e gostoso de dirigir.
       Embora o aluguel tenha saído por 187.44€, eles passaram no meu cartão (eles não aceitavam dinheiro) 290€ como um depósito de garantia e quando eu entregasse o carro eles iriam estornar imediatamente os 103€ adicionais (na verdade demorou 8 dias para que caísse na minha conta. Mandei um e-mail para eles, que falaram que era um problema do meu banco, mas não vi nenhuma pendência pelo app do Banco do Brasil). O fato deles não aceitarem dinheiro me pegou de surpresa e foi péssimo para mim, pois tomei muito prejuízo. Primeiro pelo pagamento do IOF no cartão. Mesmo se eles tivesse estornado certinho, eles não depositam o IOF né... Segundo que paguei no débito (o meu cartão de crédito é da ELO, que é aceito só no Brasil) e o valor do euro no dia estava quase 4,90 reais.
      Na hora da retirada não foi ninguém da locadora comigo vistoriar o carro. Eles me enviaram por e-mail o checkup do carro com os pequenos defeitos, mas eu fui ver só depois, pois não tive acesso ao Wi-Fi. Ou seja, se eu visse algo que não estivesse no checkup, eu não teria como reportar para ninguém da empresa e provavelmente eles me cobrariam.
      Saindo de Liubliana, fui direto para o castelo de Predjama ao invés de ir para Postojna primeiro. Melhor decisão que eu tomei. O castelo é relativamente pequeno e como eu cheguei cedo (máximo 9:30h), haviam poucas pessoas. Quando eu saí do castelo, a fila de entrada estava bem grande e deve ter sido difícil para esse pessoal andar lá dentro.
      Lá eu comprei o combo para 5 atrações, que incluía a entrada no castelo e a visita à caverna do castelo, e mais três atrações em Postojama (viveiro, exposição/museu e a caverna). Esse combo saiu por 48,50€ e achei que valeu super a pena. Cada atração valeu a pena visitar e o combo saía bem mais barato (se fosse comprar separado sairia por mais de 62€). Existem outros combos, mas realmente recomendo que tire o dia para conhecer tudo com o combo das 5 atrações. Esse combo de 5 atrações só é vendido no castelo. Em Postojna eles vendem somente o combo de 4 atrações (não incluem a visita à caverna em Predjama), e saia cerca de 45€. Então se você comprar o combo de 4 em Postojna na parte da manhã, for ao castelo na parte da tarde e quiser fazer o passeio na caverna do castelo, terá que pagar o passeio à parte, o que acabará saindo mais caro do que os 48.50€ que eu paguei no combo de 5.
      O castelo de Predjama é incrível! É muito interessante como eles montaram um castelo dentro de uma caverna e como eles aproveitavam dessa vantagem em conflitos. Show! Você pode visitar todas as áreas e eles te dão um áudio guia (espanhol, inglês, italiano, alemão ou esloveno) para você ir escutando as explicações para cada área do castelo. Depois fui visitar as cavernas do castelo. O passeio começou às 11h e teve a duração de uma hora. O guia falava em inglês com bastante calma e de forma clara, de forma que o sotaque dele não atrapalhou em nada o entendimento da explicações (aliás isso foi unanimidade para todos os guias das cavernas que eu fui). Aconselho a levar blusa de frio (isso serve também para todas as cavernas!) Dentro da caverna deve fazer uns 15 graus no máximo e ainda por cima venta em algumas áreas. A caverna tem cerca de 14km de extensão, mas visita-se somente cerca de 1 a 2 km. Ao longo do percurso podemos ver alguns morceguinhos fofos dependurados no teto. Segundo o guia, a caverna abriga cerca de 14 espécies em uma colônia de cerca de 20 mil indivíduos, mas essa colônia grande fica em áreas de acesso restrito aos turistas.
      A caverna de Postojama é completamente diferente. Enquanto a primeira é seca, menor e mais quente, a de Postojama é super úmida, imensa e bem mais fria, apesar de não ventar naturalmente. Que caverna maravilhosa!!! A beleza impressiona demais! Ela tem 27km de extensão. Não sei quantos quilômetros percorremos dela, mas certamente não mais do que 5km, contando com o trem. Nela você também entra com horário marcado e os turistas são separados por guias de acordo com a língua (inglês, alemão, italiano e esloveno). Meu passeio estava marcado para as 15h e teve a duração de 1:30h. O passeio começa pelo trenzinho, depois fazemos a caminhada e retornamos com o trem.
      A temperatura dentro da caverna é 10 graus. Na caverna de Predjama, além da temperatura ser um pouquinho maior, tivemos que subir muitas escadas. Assim, senti frio (não levei minha blusa de frio), mas na hora que tava começando a ficar difícil de aguentar, o passeio acabou. Em Postojama eu nem lembrei de pegar minha blusa de frio no carro e eu sofri bastante. Lá dentro não venta naturalmente, mas você toma muito vento no trenzinho. Não esqueça de levar blusa de frio!!! No final do passeio, minha mão já tava tão gelada que além de não tá sentindo mais os dedos, o meu celular já não aceitava mais o touch! Hahahaha! Por mais que eu apertasse a tela, não funcionava (no final para eu conseguir tirar fotos, eu tinha que esquentar meu dedo dentro da boca para conseguir usar o touch! Hahahahahaha!). Quando saí da caverna, tava um sol de 35 graus, que me esquentou em 5 minutos! Se você se esquecer de levar blusa, você pode alugar lá por 4€.
      As outras atrações inclusas no ingresso são o viveiro e o museu. No viveiro há alguns aquários com animais vivos cavernícolas (aquáticos e terrestres), incluindo a salamandra Proteus (que a bióloga aqui pirou!).
      Sobre os estacionamentos, em Predjama é gratuito, porém ele não é tão grande e você precisa chegar cedo para garantir vaga. Em Postojama o estacionamento era pago e tinha o valor de 5€ para o dia inteiro. Sobre os banheiros, em ambos os lugares eram gratuitos.
      Saí de Postojama para Piran por volta de das 17h. Chegando em Piran, dei uma volta pelo centro histórico e a noite fui dormir dentro do carro. Noite péssima. Além do desconforto, que já era sabido, a noite estava absurdamente quente (cerca de 28 graus) e com pouquíssimo vento. Assei dentro do carro. E ainda por cima descobri que lá tinha pernilongos (pensei que essa praga era só de país tropical).
      Dia 28 (20 de agosto, segunda): Piran, Izola e Skocjan cave
      Acordei cedo e fui direto para para a praia de Piran, onde fiquei até 9:30h. Depois fui para Izola, onde almocei, dei uma dormida no carro e saí para Koper às 15h. Chegando em Koper, eu me perdi e parei em um McDonalds para tentar Wi-Fi e ver onde era a praia. Mas descobri que havia uma caverna a meia hora de distância, a Skocjan cave. Então desisti de ir para a praia de Koper e fui direto para a caverna, chegando lá às 16:10h.
      E como valeu a pena essa mudança! A caverna é enorme!! Ela tem só 7km de extensão , andamos 2km, e o passeio durou 2h. Ela tem bem menos formações rochosas que as do dia anterior, mas seus salões são gigantescos. Se eu entendi direito, ela é a terceira do mundo em tamanho de salões. Lá infelizmente não pode tirar fotos, mas seu tamanho vai ficar para sempre na memória. Nessa caverna faz cerca de 12 graus (e dessa vez eu não dei orelhice e levei minha blusa de frio! Hahahaha!). Os passeios praticamente saem de uma em uma hora, sendo a última entrada às 17h.
      O estacionamento e os banheiros da caverna de Skocjan também eram gratuitos.
      Saí de Skocjan era 19:20h e fui dirigindo até Tolmin, onde a a previsão de chegada era às 20:30h. Porém parei no meio do caminho, na cidade de Kanal. Parei inicialmente para conhecer a cidade e ver de perto o rio Soca (que é o rio mais famoso pelo azul da cor da água e que eu já estava acompanhando pela estrada havia algum tempo. Aliás, que cenários deslumbrantes na estrada, uma pena que nelas praticamente não há acostamentos para parar e tirar umas fotos). Porém a noite chegou e eu resolvi ficar na cidade para depois seguir viagem pela manhã para Tolmin. Dormi novamente no carro, mas a noite estava bem fresca e foi super tranquilo.
       Pelo que parece a cidade de Kanal é famosa pelos saltos ornamentais da ponte da cidade sobre o rio Soca (é bem alto!) e pelas trilhas para bicicletas.
      Sobre as praias, eu gostei mais da cidade de Piran, mas mais da praia de Izola. Em Piran o vilarejo é antigo e interessante. Algumas ruas me lembraram Veneza (incluindo ficar perdido!). As praias da Eslovênia não têm areia. Toda a praia é de pedra e pedregulhos, o que deixa a água bem transparente (muito bonito!), mas é horrível para andar descalço. Na praia de Piran há chuveiros gratuitos de água doce para tirar o sal do corpo, mas em Izola não. Nem pago. Em Piran também há algumas fontes de água potável pelo centro histórico, o que foi importante para reabastecer minhas garrafas de água para deixar no carro. Em Izola as cadeiras eram alugadas ente 5 a 15€, guarda-sol por 3€ e o SUP por 25€ o dia, 50€ três dias e 100€ a semana.
      Dia 29 (21 de agosto, terça): Tolmin, Lago Bohinj e Bled
      Saí cedo para Tolmin, que é uma cidadezinha bem charmosa e oferece diversas atrações (ela também é conhecida como a cidade portal do Parque Nacional Triglav). Fiz as 3 principais atrações andando (meia hora a 45 minutos de caminhada para cada uma, partindo do centro de informações ao turista). Primeiro fui para as ruínas do castelo (Kozlov rob), depois fui para os cânions (Tolminska Korita) e depois para o encontro dos rios Soca e Tolminka.
      Prepare as pernocas para fazer esses atrativos! A trilha para o castelo é super íngreme  e exige bastante do fôlego, ainda mais em dias quentes como estava (35 graus e sem vento). Nos cânions você subirá e descerá várias escadarias de pedra bem íngremes também. E para o encontro dos rios, eu já estava bem cansada, então a caminhada foi um pouco puxada pelo sol e pelo cansaço.
      Para ir nas ruínas do castelo, o acesso é somente a pé e nos outros lugares você consegue ir de carro e estacionar próximo. Em nenhum dos lugares paga para estacionar, mas nos cânions você pode permanecer estacionado somente por até 3 horas. Se estiver com disposição, sugiro ir andando pois o estacionamento enche rápido. Além disso, ao longo do caminho tem dezenas de macieiras e dá para ir coletando as frutas e ir comendo ao longo do caminho enquanto aprecia as paisagens.
      A entrada nos cânions custou 6€ e todo o percurso percorrido entre uma a duas horas, dependendo do seu ritmo. Lugar MARAVILHOSO!! Se precisar beber água, tem que pegar do rio. Não é permitido nadar, exceto na parte inicial. Mas precisa de muita, mas muita coragem! A temperatura da água do rio Soca é entre 5 a 9 graus. Gelada pra caramba!!! Depois dos cânions, fui direto para o encontro dos rios. Cheguei lá esturricada pelo sol e com muito calor, mas mesmo assim foi impossível entrar na água. Molhei só até a metade da canela e não consegui ficar nem dois minutos na água, pois era insuportável de gelada (a pele até queimou pelo frio). Para tomar um banho tive que usar uma garrafa de água (e quando deixava a água cair na cabeça ou no peito, faltava ar! Hahhaha!). Pelo menos o corpo desinchou todo!
      Saí de Tolmin em direção ao lago Bohinj por volta das 14h, um percurso de 65km, mas tão sinuoso que levei mais de duas horas para chegar. O lago é um espetáculo! Paisagem maravilhosa! O único problema era estacionamento, pois os gratuitos eram muito longe e lotados. Assim, paguei por uma hora (2.50€), o estacionamento faixa azul, que fica bem em frente ao lago. Saí de lá as 17h rumo a Bled, que acho que é a cidade mais visitada depois de Liubliana. A cidade também tem um lago muito bonito, com uma ilhota no meio do lago e um castelo no alto de um morro ao lado do lago. Dificílimo achar estacionamento na cidade. Eu parei muito longe do centro, em um estacionamento de um condomínio (nem poderia ter parado lá), mas foi o único lugar tranquilo para eu conseguir passar minha última noite no carro.
      Andei pela cidade de Bled e boa parte da orla, até anoitecer. O dia foi bem cansativo, mas valeu cada momento e cada paisagem!
      Dia 30 (22 de agosto, quarta): Soteska Vintgar > Liubliana
      A noite foi um pouco mais fria, e mesmo usando roupas de frio leves e com os vidros do carro quase fechados, eu senti um pouco de frio durante a madrugada. Pela manhã, arrumei minha mochila e por volta das 8:30h fui para o Soteska Vintgar (ou Vintgar Gorge). Assim como nas outras atrações, é importante chegar cedo. Eu saí de lá por volta das 10:20h e a fila para entrar era de uns 50 metros e os estacionamentos (que são gratuitos) estavam lotados. A entrada custou 5€ e ao final da trilha tinha um outro lugar (que dava acesso a uma cachoeira e algumas lagoas) que custava mais 5€. Eu só fui na primeira parte e os cânions são bem bonitos. Se tiver um dia mais friozinho, vale a pena levar uma blusinha leve de frio. Praticamente não bate sol dentro dos cânions e mesmo visitando o lugar em um dia com o sol escaldante, eu senti um pouquinho de frio.
      De lá fui para Liubliana. Peguei algumas partes da estrada com congestionamento, pois haviam alguns trechos com obras. Abasteci o carro e depois entreguei na Sixt. Dessa vez tinha dois funcionários para conferir o estado do carro na entrega. Depois de tudo certo, fui para o centro de Liubliana novamente. Sobre a gasolina, o preço  médio era 1.34 o litro da S95, que é o nome da gasolina (não existe álcool, somente gasolina e diesel). O carro foi super econômico, fazendo quase 20km/L sem o uso do ar-condicionado. No total rodei 468,10 km e gastei pouco mais de meio tanque. Sobre o posto de combustível, frentista é coisa do Brasil. Em toda a Europa você mesmo abastece o tanque e depois paga no caixa, que fica dentro de uma lojinha de conveniência. Basta informar o número da bomba e pagar.
      Sobre a condição das estradas, elas são um tapete e em geral bem sinalizadas. O único ruim é que praticamente não há acostamentos nas estradas. Não há pedágios, mas você tem que ter obrigatoriamente um selo no pára-brisas (vignette) e o carro já saiu da locadora com esse selo. Aconselho muito a respeitar os limites de velocidade, pois eventualmente eu via uma placa que indicava a sua velocidade. Eu não sei se era um radar, mas se fosse, eles eram estrategicamente posicionados em lugares que não dava para você vê-los com antecedência. Nos locais que de fato tinham radares, eles eram por câmeras. Ou seja, não adianta a você freiar só em cima do radar, pois ele já estava te filmando há muito tempo. O pedestre tem total prioridade nas faixas em toda a Eslovênia (assim como em toda a Alemanha. Na Itália os carros não respeitam). Então pare. Eles nem esperar esperam, ou sequer olham. Simplesmente atravessam.
      Eu acho que em 4 dias eu consegui fazer o melhor do melhor na Eslovênia, mas a sensação que eu fiquei é que o ideal para mim (já que eu amo parques nacionais e atrativos naturais, ao invés de museus de arte) seria pelo menos 8 dias no total (isso para fazer as coisas de forma corrida e intensa) para visitar mais partes do Triglav e ir em algumas cavernas na parte oriental do país.
      Na estação de trem há lockers, mas os grandes estavam todos ocupados e tive que ficar carregando o mochilão para cima e para baixo. Fiquei bem cansada por causa disso, até que apareceu outra pessoa legal no meu caminho: o David. Ele é um funcionário de informações ao turista de Liubliana. Eu tinha acabado de sentar em um banco em frente ao posto de informação e ele foi descartar alguma coisa na lixeira reciclável ao meu lado. Ele me viu com o mochilão e vermelha de tanto calor (era umas 15h) e perguntou se eu estava bem e se precisava de alguma informação. Falei com ele que eu estava bem, que só estava descansando um pouco e que eu ficaria por ali algumas horas até que chegasse a hora do meu ônibus para Florença (que era as 23h). Ele me perguntou de onde eu era, falei que do Brasil e eis que para minha surpresa ele me respondeu em português! Hahahaha! Ele é de Liubliana, mas fez um mochilão no Brasil de ônibus por 3 meses, do litoral de fortaleza até Porto Alegre em 2015. E aprendeu um pouco de português viajando.
      Então ele me levou para dentro do centro de informação, onde tinha ar condicionado, e me deu uma cadeira para esperar lá dentro, ao invés de esperar no calor do lado de fora. Me deu chocolate, a senha do Wi-Fi (que não é para o público), ofereceu para carregar meus equipamentos eletrônicos... Enfim, foi um fofo! E ainda foi possível ver o quanto um centro de informação é movimentado. Impressionante! Ele e os colegas não paravam nem por um minuto sequer. Peguei o ônibus da flixbus para Florença às 23:30h. Dessa vez tudo deu certo e no horário. 
      Dia 31 (23 de agosto, quinta): Florença
      A noite no ônibus foi horrível pois não consegui dormir nem um minuto por causa da posição desconfortável. Cheguei em Florença às 6h da manhã e nem o hostel estava aberto. Então fiquei andando pela cidade com a mochila e vendo sua movimentação dos trabalhadores ambulantes (como esse pessoal trabalha montando e desmontando os carrinhos todo santo dia!). Por volta das 10h fui para o hostel e consegui adiantar meu checkin para as 11h (era às 14h). Tava tão pregada de dormir mal (no carro e no ônibus) e fazer tanta caminhada, que eu desmaiei na cama até às 16h. Então levantei, tomei um banho e sai para conhecer de fato a cidade. Pelo horário, já não era possível visitar nenhum museu (eles fecham às 17/18h). Voltei para o hostel por volta das 20h e capotei de novo.
      Dia 32 (24 de agosto, sexta): Florença
      Fiz meu checkout do hostel às 10h, deixei minha bagagem no locker do hostel (5€) e fui andar pela cidade. A fila para entrar na catedral estava quilométrica. Nem perdi meu tempo. Não sei também quanto custava para entrar, mas não devia ser nada barato, pois tudo em Florença é caro também (e se eu não me engano, você tem que comprar o ingresso pela internet. Não vi nenhum lugar vendendo ingresso para a catedral, mas vi um cambista que me cheirava a golpe). Fui então para os museus do Leonardo da Vinci (7€) e do Galileu (9€). Eu recomendo demais o do Leonardo da Vinci, mas fiquei bem perdida no do Galileu. No primeiro há as réplicas das invenções (todas interativas) e pinturas do Leonardo. O museu do Galileu na verdade são vários equipamentos usados para astronomia e medicina não apenas só do Galileu, mas de vários cientistas na época. Foi super interessante também, mas senti falta de explicações de como alguns equipamentos funcionavam. Era até possível você escutar algumas coisas no áudio guia (você baixa o aplicativo do museu no celular), mas achei os áudios/vídeos pobres de explicações para a quantidade de material exposto no museu.
      Voltei para o hostel na parte da tarde, onde fiquei esperando na área em comum até por volta das 22h, para ir para o ponto do ônibus da flixbus, onde eu peguei o ônibus para Nápoles às 23:55h.
      Dia 33 (25 de agosto, sábado): Nápoles
      Tudo certo na viagem e consegui dormir um pouco no ônibus. Cheguei em Nápoles às 05:30h e fui para o hostel. Tive que esperar até as 8h para ter alguém na recepção e eu deixar minhas coisas lá. Saí então para ir para o Vesúvio.
      Eu já estava com a impressão que a Itália é o Brasil da Europa. E chegando em Nápoles eu tive certeza disso. A cidade é zuada demais. Pra falar a verdade, muitas partes da cidade são muito piores do que o Brasil. Muito lixo no chão, pichações em tudo que é lugar, o metrô antigo de BH era melhor que o metrô atual de Nápoles, as pessoas não esperam os passageiros saírem para depois entrar no vagão, os motoristas não respeitam o semáforo e a faixa de pedestre, o trânsito é uma bagunça e os motoristas correm demais, muita gente tem jeitão de malandro, não me senti segura nas ruas e a maior parte da cidade parece um cortiço. É engraçado que Nápoles tem muito má fama entre os italianos e todas as recomendações de segurança que eu recebi foram especificamente para Nápoles e Roma, especialmente Nápoles. Cheguei a essa conclusão também (que a Itália é o Brasil da Europa) a partir das minhas conversas com o Mario nas Dolomitas. Há muita corrupção no país (e de característica extremamente semelhantes à do Brasil), o povo é passivo e a Itália tem os piores índices educacionais na Europa. Eu achei a cidade muito ruim. Até que o centro histórico próximo ao castelo é melhorzinho, mas ainda assim é ruim. A região no entorno da estação central de trens dá medo.
      Para chegar no Vesúvio você deve pegar o trem/metrô linha Circumvenusiana e descer na estação Ercolano Scavi (da estação central até a Ercolano demorou cerca de meia hora, preço 2,20€). De lá você pega um ônibus para subir a maior parte do vulcão até a entrada do parque nacional. Logo que você sai da estação tem uma pracinha, onde algumas agências turísticas vendem passagens. Eu acabei indo em uma dessas agências. Eu não tinha certeza se tinha ônibus municipais para ir até a entrada do parque. Além disso, quando eu fui pegar o metrô, já dentro da estação, ao perguntar informações de como chegar ao Vesúvio, um dos nativos que me orientou falou para procurar ônibus nessa pracinha com alguma das agências. Assim, fui até a agência em que todo mundo ia e paguei 20€ (10€ de ônibus ida e volta e 10€ da entrada no parque). Não sei se o valor da entrada do parque estava super faturado pela agência, mas se sim, provavelmente era pouco, o que me fez pensar que não valeria comprar o ingresso lá no parque, pois não valeria a pena encarar uma possível fila lá na entrada e perder tempo com isso, já que o ônibus tinha horário curto para voltar. Parece que tem um ônibus público municipal para ir até a entrada do parque, mas a frequência não é tão grande quanto os transportes particulares e o ponto fica lotado.
      A subida do ônibus demorou cerca de 45 minutos em um zig-zag sinuoso e íngreme que nem as estradas das Dolomitas. Chegando no parque, havia uma fila de carros para entrar (muiiiitos carros estacionandos e não consegui ver se pagava o estacionamento), mas não havia filas para comprar ingressos (não olhei o verdadeiro valor para não passar raiva! Rs!). Assim que o ônibus estacionou, comecei a caminhar até a boca do vulcão. Caminhada puxada de 20/30 minutos. O tempo para curtir o visual foi cerca de 30 minutos e logo eu tive que começar a descer para pegar o ônibus no horário. Evite ir com calçados abertos ou brancos. O chão é de areia vulcânica (areia preta e cheia de pedrinhas) e você patina muito para subir, escorrega bastante para descer e o pé fica imundo de preto mesmo usando tênis e meia.
      Chegando na estação Ercolano Scavi peguei o trem novamente e fui para a estação Pompei Scavi, que é onde ficam as escavações da cidade de Pompeia (cerca de 10/15 minutos de trem, valor da passagem 2,00€). A entrada das escavações fica em frente à saída da estação e custou 12€. Lá dentro tem banheiros incluídos, e fontes de água potável em algumas antigas fontes da cidade. O lugar é gigante! Passei praticamente a tarde inteira andando apenas em uma das ruas das escavações. E é interessante demais! Mas não pense que você vai ver corpos petrificados o tempo inteiro. Poucos são os que estão expostos e em locais específicos.
      O lugar das escavações é tão grande que saí do sítio arqueológico por outra entrada, que é a que fica no centro da cidade atual de Pompeia. Muito bonitinho o centro da cidade, a comida é super barata (comi uma pizza margherita de 4 pedaços grandes + uma coca por 5€!) e a igreja (gratuita) é maravilhosa! Fui até a estação de metrô mais próxima e voltei para Nápoles (a estação se chamava Pompei - não confunda com a estação Pompei Scavi - e pertencia a uma outra linha, com uma diferença de 6 estações da Pompei Scavi, para vocês terem ideia do quanto a área das escavações é gigante. A passagem custou 2,80€).
      Dia 34 (26 de agosto, domingo): Nápoles > Sorrento > Nápoles
      No início do meu planejamento do roteiro, eu queria muito ter ido para a Costa Amalfitana. Daria para ir de transporte público, mas os relatos eram unânimes em sugerir ir de carro para a região. Com a alta do euro, eu tive que desistir da ideia de alugar um carro e replanejei de ir para a Ilha de Capri a partir de Sorrento (que fica cerca de 1h e 20min de Nápoles de metrô). Porém choveu muito durante toda a madrugada e o dia amanheceu bastante nublado.
      Cheguei em Sorrento por volta das 11h da manhã, e embora o tempo já estivesse abrindo, os passeios para Capri de lancha estavam suspensos por causa da agitação do mar por causa do mau tempo durante a madrugada. Apenas o Ferryboat estava operando (preço 38.90€), onde ele ia somente até o porto Marina Grande. Assim, achei que não valia a pena, pois para ir nos lugares mais interessantes da ilha, eu teria que ainda ver se tinha algum passeio disponível lá e pagar o passeio a parte. Além disso, já estaria tarde também para isso, já que o último Ferryboat voltava para Sorrento no final da tarde (os passeios de lancha saem de Sorrento às 08:30h da manhã e custam entre 55€ e 130€, dependendo do que estiver incluído). Vi que tinha ônibus públicos (além de privados) para Amalfi, mas as filas eram de dezenas de metros.
      Assim fiquei em Sorrento mesmo, que embora seja uma cidade litorânea, ela não tem praia. A cidade é praticamente um paredão rochoso de frente para o mar. Você desce uma escadaria danada para chegar até a água e 99% do espaço da "praia" é privado e você tem que pagar se quiser acessar. Coloquei praia entre aspas porque eu nem sei se aquilo podemos chamar de praia. O litoral é basicamente só pedras e nas áreas privadas (que pertencem a restaurantes) foram construídos alguns diques, onde tem algumas cadeiras e sombrinhas alugadas (preço médio 15€). Existe apenas uma estreita e curtíssima faixa de areia preta que é a praia considerada pública. Péssimo. Não tem nem 10 metros de comprimento (por uns 3 de largura), areia IMUNDA de lixo, e lotada de gente, que fica basicamente em pé por não ter espaço. Um amigo que já esteve em Capri me disse que todas as praias da ilha também são privadas.
      Voltei para Nápoles por volta das 14h e resolvi explorar a parte histórica da cidade. Valeu a visita, mas não recomendo perder tempo visita do Nápoles. Como falei, a cidade é muito horrorosa em vários aspectos. O centro histórico é até mais arrumadinho, mas realmente para mim não vale a visita na Itália. As pessoas costumam ficar em Nápoles por ser uma cidade mais barata (comparada com às outras, porque ela também não é nada barata) e de fácil acesso ao Vesúvio, à Pompeia e à Capri/Amalfi.
      No centro eu pelo menos consegui dar um mergulho no mar Tirreno. Também não tinha praia, mas tinha um dique depois do porto em que o pessoal costumava banhar e tomar sol. E a água era super limpa.
      Dia 35 (27 de agosto, segunda): Roma
      Cheguei em Roma no meio da tarde. Deixei minhas coisas no hostel e saí para caminhar pela cidade. Tem muita coisa para fazer na cidade. Andei até o anoitecer, visitando as principais fontes de água e Monumento Nacional a Vítor Emanuel II. Andei até as pernas fazerem bico! O over power turismo em Roma também incomoda demais e tem total reflexo no comportamento/educação do italiano. A grande maioria detesta os turistas.
      A falta de educação dos motoristas em Roma também é grande. Se você não se enfiar na  faixa de pedestre (ainda que o sinal de pedestre esteja verde!), você dificilmente atravessará. O único lugar que o italiano respeita mais a faixa de pedestre é na região das Dolomitas, e olha que ainda vi muitos motoristas sem educação lá. Em Nápoles, estava atravessando na faixa com o sinal aberto para pedestres, um motoqueiro em alta velocidade quase me atropelou. Conseguiu parar a tempo, mas chegou a esbarrar o pneu na minha perna e ainda por cima me xingou. Eu apenas apontei para o sinal verde para pedestres e o cara que já tava puto, ficou mais pistola ainda. Pensei que ele ia descer da moto para me bater.
      É impressionante como níveis educacionais refletem o comportamento dos povos. Enquanto na Itália o trânsito era surreal de confuso e barulhento (para qualquer coisa eles pregam a mão na buzina, além de esgoelarem o acelerador), na Alemanha o trânsito é organizado, pacífico e calmo. Quando estava em Regensburg, eu fiquei impressionada com o senso de coletividade que eles possuem a partir de um comportamento da minha amiga alemã. Saímos de carro pela manhã cedo e a velocidade da via era 40km/h e ela e os outros carros estavam andando a 20km/h. Perguntei a ela se tinha alguma coisa errada para todo mundo estar andando naquela velocidade e ela disse que não. Que eles estavam naquela velocidade para fazer menos poluição sonora para não incomodar as casas no caminho, já que estava cedo (tipo uma 8h da manhã). Eu fiquei impressionada com isso.
      Dia 36 (28 de agosto, terça): Vaticano
      Acordei cedo e fui caminhando do hostel até o Vaticano (cerca de 50 minutos de caminhada). Ao longo do caminho e principalmente à medida que ia aproximando, vi vários ambulantes vendendo ingressos e pacotes. No dia anterior, o pessoal do hostel me disse que a melhor maneira seria comprar os ingressos do Vaticano e do Coliseu nos sites oficiais das atrações. Pois do contrário, eu pegaria muitas horas de filas para entrar nas atrações.
      Ao chegar na praça São Pedro, no Vaticano, fui até uma agência para buscar informações sobre os valores da entrada. Acabei fechando com eles um pacote que incluía a visita a todos os museus, à capela Sistina e um passeio de micro-ônibus com áudio-guia nos jardins do Vaticano por 34.00€. Foi um preço mais caro do que se eu tivesse ido para a fila para comprar diretamente na bilheteria. Mas em compensação pulei a fila de entrada. Se você encarar a fila, pagará 17.00€ (sustentar o clérigo é caro!) para visitar os museus e a capela Sistina e 8€ para visitar os jardins.
      Embora o jardim seja muito bonito e eu tenha escutado várias informações interessantes no áudio-guia, não achei que o passeio valeu a pena. Ficamos dentro micro-ônibus o tempo inteiro, sem poder descer para apreciar melhor ou tirar fotos. Esse passeio durou em torno de 40 minutos e parece que não é tão popular, pois praticamente não havia pessoas nos jardins.
      Uma coisa que você precisa ter para visitar os museus do Vaticano e a capela Sistina (tem outras capelas também, mas a Sistina é a mais famosa) é paciência. Tem muita gente. Você andará dando micropasssos o tempo todo e irá parar o tempo inteiro. Para dar uma ideia, da bilheteria até a capela Sistina, se não tivesse ninguém, com menos de 10 minutos de caminhada você chegaria. No entanto eu gastei cerca de uma hora e quinze minutos para chegar lá porque não tinha como andar de tanta gente.
      A visita aos museus e às capelas vale a pena demais. Tudo é maravilhoso. Todas as paredes, tetos e os chãos são pintados ou têm mosaicos ou outros trabalhos impressionantes. Dá vontade de tirar foto de cada cantinho. Infelizmente eu paguei muito caro nos meus ingressos na agência para pouco serviço oferecido. Por exemplo, eu não tive guia dentro dos museus e das capelas, o que fez falta demais. Na bilheteria do Vaticano você pode contratar um áudio-guia por, se eu não me engano, 8 ou 10€.
      O pacote que contratei na agência estava marcado para entrar no Vaticano às 11h da manhã. Como fui pela agência, eu pulei a fila, que era grande, mas não era de quilômetros como o pessoal do hostel me falou. Daria para ter encarado, mas não sei quanto tempo o pessoal teve que esperar em pé (e no sol) na fila (eu não sei porque a entrada do pessoal da fila não estava liberada nesse horário). Quando eu estava indo embora, por volta das 14:30h, não havia fila nenhuma. Voltei andando para o hostel e descansei o resto do dia.
      Dia 37 (29 de agosto, quarta): Roma
      No meu primeiro dia em Roma, eu andei demais e visitei praticamente a maior parte das áreas históricas gratuitas. Então ficou faltando somente o Coliseu e os Foros. Cheguei no Coliseu por volta das 10 horas e fiquei cerca de 5 minutos na fila para comprar o ingresso (custou 12€), que incluiu a visita ao Coliseu e aos Foros Romano e Palatino.
      Valeu a pena também a visita, mas mais uma vez eu senti falta de um guia. As vezes eu bicava as explicações de algum guia para enriquecer a minha visita. Voltei para o hostel no início da tarde, descansei a tarde, arrumei minha mochila para a viagem de retorno e saí para um jantar de despedida durante a noite.
      Dia 38 (30 de agosto, quinta): aeroporto
      Fui para estação central de trens, onde partem trens para o Aeroporto Fiumicino. A passagem custou 14€. Existe uma passagem mais barata com um trem regional (8€), mas pelo que parece ele não vai até o terminal do aeroporto e depois você tem que pegar um ônibus (ou vice-versa). Pelo menos foi isso que eu entendi. Então não confunda as passagens. Você precisa validar a passagem na plataforma (a multa é de 100€ se não fizer, com um desconto de 50€ se você pagar na hora).
      O avião saiu no horário e cheguei em Lisboa às 19h (horário local, que é uma hora a menos do que a Itália). Ainda pensei em ir até a Torre de Belém, mas era tão complicado para ir lá saindo do aeroporto que acabei desistindo. Ficou para a minha visita completa à cidade daqui alguns anos!
      Dia 39 (31 de agosto, sexta): aeroporto/chegada em BH
      O voo para BH foi super tranquilo, mas bem demorado, totalizando 9 horas de viagem, mas que você ganha tempo pois a diferença de fuso é grande (no fuso de Brasília são quatro horas a menos do que Lisboa).
      O que eu mudaria no meu mochilão? Difícil dizer, pois dessa vez a viagem foi muito planejada e o tempo foi muito corrido. E mesmo em cidades que eu fiquei muito pouco tempo, fiz tanta coisa para compensar a falta de tempo que não senti falta de nada. E as coisas que eu queria ter feito a mais me exigiriam mais tempo de viagem, o que era impossível para mim. Talvez o meu maior arrependimento foi não ter feito um free tour em Berlim. Em algumas cidades, como Veneza, Florença, Roma e Berlim deixei de visitar vários museus e igrejas, mas também não me arrependi. Eu sou muito mais bicho grilo do que apreciadora e entendedora de artes. Assim, visitar um museu de história natural, de ciências ou um parque nacional é muito mais importante e recompensador para mim.
      Quais foram os pontos mais impactantes para mim? As cidades que mais me marcaram na viagem foram Hamburgo (e o casamento da minha amiga, é claro), a Eslovênia inteira e as dolomitas. Mas isso é muito pessoal. Todas as cidades foram incríveis, mas como eu já disse, eu sou muito mais bicho grilo do que fã de arquitetura e artes em geral. Para quem é mais da área de Humanas ou aprecia muito história e artes, Berlim, Veneza, Praga, Florença e Roma são passagens obrigatórias na vida.
       Para finalizar, esse meu mochilão foi super longo, mas também super corrido. Conheci lugares espetaculares, fiz muito mais coisas do que inicialmente eu havia planejado, conheci pessoas magníficas e que mudaram profundamente de uma forma positiva as minhas experiências. Volto para casa e para o trabalho renovada, realizada e principalmente orgulhosa de mim mesma pela coragem de planejar e encarar toda essa empreitada sozinha.
       Quando coloquei as cidades no Google mapa do meu primeiro roteiro, construí literalmente a minha trajetória em forma de um ponto de interrogação, coincidentemente. O que me faz me perguntar: qual será o meu próximo destino?
      Roteiro e gastos.xlsx
       
       
       
       
       
       

























































    • Por Guto & Bel
      Prezados,
       
      Eu e minha namorada estaremos na Itália durante o mês de abril do próximo ano e cidade mais ao sul que iremos visitar será Roma.
       
      Como temos muita vontade de conhecer Pompeia e tivemos noticia de algumas pessoas que fizeram a visita a Pompeia saindo de Roma, gostariamos de saber se alguém já fez isso. Fazendo um "bate-e-volta" num único dia.
       
      É melhor ir de trem? De ônibus? Chegando em Pompeia é fácil se localizar com relação ao sítio arqueológico? Tem que sair muito cedo de Roma?
       
      Obrigado a todos!
       
      abs,
    • Por Helen Pusch
      Oi, gente!
       
      Vim contar como foi a viagem que eu e meu marido fizemos em julho de 2017 pela Itália.
      Foi nossa segunda viagem para lá, pois somos apaixonados por esse pedaço do mundo. A história, as paisagens, a gastronomia, tanta coisa nos encanta, e até aprendi a falar italiano razoavelmente (complica quando eles falam entre eles, com velocidade "metralhadora", aí é a mesma coisa que grego hahaha).
      Na primeira vez (em 2014), fomos durante o inverno e conhecemos as cidades mais turísticas: Roma, Florença, Milão e Veneza, passando por algumas menores no caminho. Optamos por não colocar no roteiro dessa viagem nenhum local que tivesse praia, pois sabíamos que muita coisa estaria fechada e não aproveitaríamos direito, mas desde aquela época ficamos com a intenção de fazer um roteiro durante o verão. Contei como foi essa viagem neste relato aqui: 
       
      Então, desta vez conseguimos três semanas para ficar por lá, mesclamos atrações turísticas com muita praia, separamos os primeiros dias para rever Roma e fazer uns programas que da primeira vez não fizemos, e acabou ficando assim:
       
      ROTEIRO:
       

      1º dia - Roma  - chegamos no final da tarde, mas ainda deu tempo de passear e rever algumas coisas;
      2º dia - Roma - Parque Savello, Terme di Caracalla, Via dei Fori Imperiali e visita noturna ao Coliseu;
      3º dia - Roma - bairro de Trastevere, visita guiada pela necrópole do Vaticano, Basílica de São Pedro, janta no Mercato Centrale;
      4º dia - Nápoles - fomos cedinho, de trem. Visitamos Quartieri Spagnoli, Piazza Plebiscito e Castel dell Uovo. E claro, jantamos a pizza do Da Michele;
      5º dia - Pompeia / Sorrento - saímos cedo de Nápoles, passamos o dia visitando o sítio arqueológico de Pompeia, e após, fomos para Sorrento;
      6º dia - Sorrento - Bagni della Regina Giovanna e praia de Sorrento;
      7º dia - Sorrento / Capri - bate-volta à Capri;
      8º dia - Minori / Ravello - fomos de Sorrento para nossa hospedagem em Minori e aproveitamos umas horas de praia lá. Mais tarde, fomos conhecer Ravello;
      9º dia - Minori - dia de muita praia, primeiramente em Castiglione e depois em Atrani, e conhecemos também Amalfi.
      10º dia - Minori - pegamos umas horas de praia em Atrani e depois fomos conhecer Positano;
      11º dia - Trem noturno - fizemos check-out do hotel e passamos o dia na praia de Minori. Final de tarde pegamos um ônibus para Salerno, depois um trem para Nápoles e de lá, um trem noturno rumo a Taormina;
      12º dia - Taormina - chegamos cedo. Passamos boa parte do dia na praia de Isola Bella, e à noite passeamos pela cidade;
      13º dia - Taormina - ficamos à toa na praia em Giardini Naxos. Mais à tardinha, visitamos Castelmola;
      14º dia - Taormina - um dia à toa, com algumas horas na praia de Isola Bella;
      15º dia - Taormina - mais alguns pontos turísticos de Taormina, como o Teatro Grego. Tarde de praia, novamente em Isola Bella;
      16º dia - Agrigento / Trapani - Ônibus cedo até o aeroporto de Catânia, onde retiramos um carro alugado e rumamos até Agrigento, para conhecer o Vale dos Templos. Seguimos para Trapani, onde pernoitamos;
      17º dia - Trapani - praia de San Giuliano, e mais tarde, fomos conhecer Erice;
      18º dia - Trapani / Favignana - bate-volta à ilha de Favignana;
      19º dia - Trapani / San Vito lo Capo - bate-volta a San Vito Lo Capo;
      20º dia - Palermo - novamente fomos a San Vito Lo Capo, mas dessa vez fizemos um passeio de barco por Scopello e pela Riserva dello Zingaro. Entregamos o carro no aeroporto de Palermo e nos hospedamos nessa cidade;
      21º dia - Palermo - Aproveitamos umas horas na praia de Mondello e, após, visitamos alguns pontos turísticos de Palermo, entre eles o Palácio dos Normandos.
      22º dia - Palermo / Cefalù - bate-volta a Cefalù;
      23º dia - Palermo / Roma - manhã na praia de Mondello. Pegamos um voo para Roma e pernoitamos ao lado do aeroporto. Cedinho do dia seguinte pegamos nossos voos e fim de viagem.
       
      Vou procurar fazer o relato de maneira mais sucinta e objetiva, pois nem todo mundo tem paciência de ler textão hahaha, mas quem tiver interesse em saber tim-tim por tim-tim como foi, está tudo relatado no meu blog: https://recordacoesdeviagens.wordpress.com/2017/08/27/roteiro-de-viagem-pela-italia/
       
      E segue aqui o vídeo da viagem, pra dar uma ideia dos lugares lindos que a gente conheceu. 
       
       
      Volto no próximo post para contar mais. Abraços!
×
×
  • Criar Novo...