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Tadeu Pereira

(Relato) Trilha bate e volta - Cachoeira da Pedra Furada e Light, Biritiba Mirim - Parque Estadual da Serra do Mar - São Paulo - 01 dia - metro, trem e ônibus - 22/10/18 - (Biritiba Mirim, São Paulo)

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Salve salve mochileiros!

Segue o relato com algumas dicas para fazer uma bela trilha onde irão encontrar duas maravilhosas cachoeiras, uma bela floresta e uma natureza fantástica bem perto da cidade de São Paulo e de baixíssimo custo. 

 

 Ida - 22/10/18 - 8h00min - São Paulo x Mogi das Cruzes x Biritiba Mirim (Serra do Mar) - Metrô e Trem R$4,00 - Ônibus R$4,10

  Partindo de São Paulo do bairro Perdizes Zona Oeste, peguei o Metrô na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Azul) para baldear para a linha vermelha seguindo até a estação Sé (linha Vermelha) sentido Itaquera e descendo na estação Brás (linha Vermelha) onde encontrei mais dois amigos para pegarmos o trem da CPTM sentido Guaianases (Linha Coral) e finalmente após a troca de trens pegar para o sentido final e para nossa primeira parada, a Estação Estudantes (Linha Coral).  

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  Na Estação Estudantes existem 3 formas de você chegar nesta trilha: A 1ª é de lotação de carros ou vans. Logo que você cruza as catracas da estação de trem você já irá ser abordado por alguém te perguntando se precisa descer para o litoral pela estrada Mogi x Bertioga. Essas pessoas lotam um carro ou uma van e descem até as cidades de Bertioga e do Guarujá cobrando o valor de R$25,00 a R$30,00 por pessoa. O único problema desta opção é ter que ficar esperando lotar o carro ou van e isso levaria mais tempo para iniciar a trilha. Já a 2ª forma de chegar ao início desta trilha seria de ônibus. Saindo da estação de trem pelo lado esquerdo você encontrará um terminal de ônibus onde realizam também a descida pela rodovia Mogi x Bertioga feita pela empresa de ônibus Breda. O valor é aproximadamente R$29,00 e é só pedir para o motorista parar no KM81 para iniciar a trilha. A ª3 forma de chegar no início da trilha e foi a que nós escolhemos e é também de ônibus, porém de ônibus circulares. Saindo da estação você encontra uma passarela que te leva para o lado direito da estação Estudantes. Chegamos em uma rua e caminhamos para a esquerda por alguns metros e já de frente vimos um terminal de ônibus onde pegamos um ônibus circular de transporte público intermunicipal até o ponto final que fica no KM77. O ônibus é o NºE392 (Manoel Ferreira) que nos levou em 30 minutos até o KM77 seu ponto final, onde tem uma balança, um bar e uma feirinha com várias frutas, uma ótima opção pra levar pra trilha como bananas, mangas, uvas etc. Compramos água e algumas frutas e caminhamos pela rodovia até o KM81 para iniciar a trilha. Neste trecho de aproximadamente 4 quilômetros ocorreu uma tensão pelo fato de não haver acostamento na rodovia e os carros passarem bem próximos de nós, então é bom ter um pouco mais de cuidado nesta parte do trajeto.

 

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  Caminhando por alguns bons 25 minutos pela rodovia chegamos ao KM81, foi quando avistamos uma placa vermelha e amarela dizendo "Atenção - Descida da Serra - Verifique os freis - Desça engrenado". Atravessamos a rodovia para o lado esquerdo e bem no começo do guard rail se encontra o começo da trilha da cachoeira da Pedra Furada e da Light.  

 

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  A trilha começa bem tranquila e tem uma extensão de uns 3 Km e pode ser feita em menos de 1 hora desde a Rodovia até a cachoeira. A caminhada é sempre em meio à mata atlântica com muitas bromélias pelo caminho, algumas áreas de brejo e cruzando alguns pequenos riachos. Ao longo da caminhada surgem algumas bifurcações na trilha principal, uma delas existe um tronco de árvore caído quase que atravessado na trilha. Para o lado direito onde a trilha é mais ingrime leva a parte de baixo da Cachoeira da Pedra Furada e já pelo lado esquerdo onde a trilha é um pouco mais fechada leva para a cachoeira da Light e para a parte de cima da cachoeira da Pedra Furada. 

 

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  A cachoeira vista do lado de cima não mostra a real beleza e peculiaridade que tem as suas águas ao passarem por uma pequena fenda na rocha e sair pelo meio dela do outro lado. Como chegamos pelo lado de cima da cachoeira não tínhamos noção de como seria vê - la de frente e pela parte de baixo.

 

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  Encontramos 2 formas de ir para a parte de baixo da cachoeira. A primeira é uma trilha que desce bem rente a cachoeira com auxilio de uma corda. Já a segunda forma é também uma trilha pelo lado direito do topo da cachoeira porém um pouco mais para dentro da mata. Subimos por uma trilha onde uma enorme árvore esta caída e descemos até a base da cachoeira.

 

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  De frente com a cachu se vê o quanto ela é bonita. Este dia ela estava dividida em duas cachoeiras, pois a água estava passando por cima e também saia pelo meio das suas fendas, onde se deu o nome de Pedra Furada. Ficamos por alguns minutos contemplando aquele paraíso, fizemos nosso lanche, recolhemos nosso lixo, descansamos um pouco e partimos para conhecer a outra cachoeira, a da Light. 

  Voltamos para a trilha principal e seguimos ela a diante. Caminhamos pouco mais de uns 25 minutos e já começamos a ouvir o som de queda d'água novamente. Chegamos em uma barragem onde o rio Sertãozinho passa por cima formando uma mini cachoeira. Neste local encontramos muito lixo, muitas lonas velhas, roupas, barracas improvisadas que acreditamos que sejam de caçadores e pescadores, restos de acampamentos deixados pelas pessoas. Este cenário foi um pouco ruim de se ver, pois há muito descaso das pessoas com a natureza. Leve sempre todo seu lixo com você e descarte em um local adequado, não deixando na natureza ou na rodovia.

 

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 Volta - 22/10/18 - 18h:00min - Biritiba Mirim (Serra do Mar) - São Paulo - Mogi das Cruzes x- Ônibus R$4,10 Trem e Metrô R$4,00

  Na volta da trilha em um cruzamento, resolvemos entrar em uma trilha que não tínhamos ido ainda. Andamos por mais ou menos uma hora e não achamos nada além de mato. Não encontramos e nem ouvimos mais nenhuma queda de água. Foi quando demos de encontro com o Rio Sertãozinho novamente e foi ai que demos conta que estávamos perdidos pois toda demarcação, pegadas, as fitinhas que estavam amarradas nas árvores desapareceram. Fudeu! Parecia até mesmo um filme ahahahaha. Nós estávamos perdidos! Ficamos por alguns minutos procurando as demarcações que estávamos seguindo e nada. Não achamos nada. Então resolvemos descer o Rio Sertãozinho até a cachoeira que vimos por último, a da Light. Andamos por mais ou menos 1 hora mata a dentro mas sempre seguindo o rio. E depois de alguns arranhões,, depois de um pouco de tensão andando na mata fechada, depois de quase bater o desespero, chegamos na cachoeira da Light novamente. Um alívio pois estava ficando escuro muito rápido e ainda tinha a nossa volta. Só tivemos tempo para descansar por alguns minutos. Iniciamos a trilha de volta e logo tivemos que ligar nossas lanternas pois dentro da mata por volta  das 18:00 já estava muito escuro. Andamos por uma hora e meia até chegarmos na rodovia novamente. Caminhamos pela rodovia novamente até o bar e a balança no KM77 por mais uns 30 minutos para poder pegar o ônibus circular para retornarmos ao Terminal Estudantes e fazer nosso retorno pra São Paulo. Chegamos exaustos na Estação. Comemos alguma coisa e pegamos o trem sentido Guaianases para retornamos para nossas casas e finalizarmos essa fantástica trilha bate e volta bem pertinho da cidade de São Paulo. Gratidão... 

 

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Vlwwwww!!!

 

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9 horas atrás, leandroalvez disse:

Muito bom seu relato, parabéns! Vou fazer essa trilha agora em novembro. A trilha está tranquila?

Poxa leandro vlw! Pode ir tranquilo que ta sussa fazer essa trilha... fui em uma segunda feira e não tinha ninguém. Valeu muito a pena! 

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    • Por Leandro Z
      Resolvi escrever este relato pois não vi muitos parecidos. A minha viagem foi sozinho, sem alugar carro (mas alugando bicicleta e pegando caronas) e sem fechar nada com agências antes de ir, em abril de 2019. Essa parte é importante: não precisa fechar nada com agência antes.
      Pois bem, antes de ir, pedi orçamentos para várias agências que achara na internet e o que eles me mandaram me espantou, era tudo extremamente caro!  Coisas como: Circuito das Cachoeiras por R$220 + R$180 do transporte; R$320 o trecho Cuiabá-Chapada (sendo que o ônibus urbano custa R$18), queriam cobrar até por passeio no parque que é de graça! Não tive coragem de reservar nada antes, até viajei desanimado para resolver tudo na cidade. Felizmente, tudo deu certo e saiu bem mais barato do que se tivesse fechado com agência.
      Chegando ao aeroporto, que fica em Várzea Grande,  peguei Uber até a rodoviária de Cuiabá, R$25. Na rodo, peguei um bus urbano da CMT (tem da Rubi tbm) por R$18 até a Chapada dos Guimarães (este é o nome do município, não é só do parque ou da região). Os ônibus saem a cada 1:30h. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães fica antes da cidade com mesmo nome e desci lá, onde conheci três cachoeiras sem precisar de guia e sem pagar: Véu da Noiva (só mirante), dos Namorados e Cachoeirinha. A água estava barrenta, mas o poço era bom para banho e as quedas eram altas. Anda-se bem pouco para cada uma delas. Minha intenção era ir para cachoeira da Salgadeira, dali são 6km, mas achei arriscado andar pela estrada sem acostamento. Fiquei esperando o ônibus, pedi algumas caronas e quem acabou parando foi uma família que parou sem eu pedir, eles também estavam saindo do parque e haviam me visto lá. Pelo que percebi, pedir carona é comum lá, pois o parque fica a 12km da cidade. Fui pro hostel, onde me indicaram a guia Camila (65-996110587), entrei em contato com ela e com outras dos sites:
      http://www.chapadamt.com.br/guiasdeturismo.asp
      http://www.ecobooking.com.br/Relacao_guias_autorizados.php?XXtrE=v3vbnqw03mgj17ydlzef
      Isso foi bom, os preços direto com os guias eram MUITO mais baratos, inclusive se precisasse de transporte. Fiquei no Hostel Chapada, R$50 por noite, bem localizado, perto da praça.
      No dia seguinte, resolvi alugar uma bike na Bike e Cia, por R$30 o dia, para ir a cachoeira do Marimbondo e da Geladeira, que ficam próximas uma da outra e cerca de 15km, ida e volta, do centro. Pra ir foi tranquilo. Na cachoeira do Marimbondo, paga-se R$10 para entrar e anda bem pouco, uns 300 metros. Cachoeira larga, com um poço raso, mas gostosa. Fiquei 1h e fui pra da Geladeira, 1km dali, paga-se mais R$10 e anda uns 600m. É a cachoeira mais bonita que fui na chapada: água verde, queda gostosa, poço bom para banho. Fiquei um tempo. Pensei em ir até a Cachoeira Rica, mas descobri que, apesar do nome, não tem cachoeira! É só um vilarejo! Ainda bem que não fui, são uns 30km de lá. A volta foi um pouco cansativa mesmo nos pontos que não pareciam subida íngreme. Depois, ainda fui ao mirante Morro dos Ventos, tem uma bonita vista de campos e até uma cachoeira na lateral, entrada R$5. Rodei cerca de 20km de bike no total. Comi massa no Pomodori, muito boa (um pouco caro)!

      No 3º dia, peguei carona com um cara do hostel que havia alugado carro, aí baixou quinze reais no preço do passeio Circuito das Cachoeiras, no final, paguei R$85. Tinha agência cobrando R$220 pelo passeio mais R$180 pelo transporte! Transporte que era de apenas 12km! Este passeio, Circuito das Cachoeiras, ocorre no Parque Nacional (cuja entrada não é paga), mas só pode ser feita com guia. Consiste em 8km passando por várias cachoeiras (eles falam 7, mas acho que não...). A melhor é a última: das Andorinhas, super alta e bom poço pra banho. Vale a pena! Depois, ainda deu tempo de ir até a Salgadeira (R$15 por carro) de carona, esse lugar passou por uma demorada reforma e manipularam até a cachoeira concretando a parede dela. Comi pizza na Marguerita, muito boa, mas um pouco cara.
      Dia 4: no dia do Circuito das Cachoeiras, conheci um cara gente boa que também tinha alugado carro em Cuiabá. Aproveitei e fui junto com ele para a cachoeira da Martinha (R$10 o estacionamento). Neste caso, se não tivesse ido de carona, teria ido de ônibus urbano (o mesmo que sai de Cuiabá em direção a Campo Verde). Disseram que essa cachoeira é tipo um "piscinão de Ramos", farofada e tal, no dia que eu fui, sábado de manhã, estava bem vazio, mas parece quem muita gente faz churrasco lá, até porque é de graça. Cachoeira muito boa, grande, larga e super forte! Correnteza boa para boia-cross e para nadar. De lá, fomos para a cachoeira Jamacá (R$20 por pessoa), que no Glooglemaps aparece como Quilombo do Alemão. Esse alemão é o Mário, um naturalista que lutou pela demarcação do parque. A cachoeira é alta e forte com poço muito raso para nadar. Lugar bacana. Almoçamos, por volta das 14h, no restaurante Maná, comida bem simples, parece que o local nem abriu oficialmente. Esse dia terminou cedo. Jantei sozinho no Cavii, comi um ótimo hambúrguer com coalhada seca e pesto, entre outros.

      Domingo, último dia, fui até a bicicletaria e estava fechada. Resolvi ir a pé até a cachoeira gratuita do Nonhô (acho que é isso, se não, é Nhonhô), 5km, localizada próxima ao supermercado Pelé e a pastelaria Lhufas, entre a placa azul de "Bem-vindo" e um outdoor, a cerca está caída e tem uma trilha. Fui perguntando, perguntando e cheguei a trilha, desci até a cachoeira. É pequena e não muito alta, mas gostosa para se refrescar. Fiquei pouco tempo, pois queria ir até a cachoeira da Tartaruga. Na estrada, pedi carona e o segundo carro que passou parou prontamente. Ele passou pela bicicletaria, estava aberta (no domingo, ele abre quando liga pra ele), então resolvi descer. Mais R$30 pelo aluguel, andei 3,5km até a porteira do sítio (tem no Googlemaps), tive que passar a bike por cima e andar mais uns 3km. Obs: muitos guias me falaram que tem cachoeira em propriedade particular, mas pode pular a porteira, a cerca e ir tranquilamente, esta era uma delas. A cachoeira da Tartaruga fica quase no final da estrada de terra, quando começa o gramado, à direita. A cachoeira é alta, com pouco volume de água, poço bom para banho. Ainda deu tempo de comer no Trapiche Regionalíssimo, por kg, cerca de R$54, comida muito gostosa.  Peguei bus para Cuiabá. De lá, peguei Uber para o aeroporto.
      A região tem muitas cachoeiras e muitas nem podem ser visitadas. Acredito também que algumas sejam pequenas e simples. Algumas que não precisam de guia e fiquei sem conhecer: do Segredo, da Bailarina, do Índio, Águas do Cerrados (trekking). Outros passeios que precisam de guia (mas não feche com agências antes, fale direto com os guias): São Jerônimo, Vale do Rio Claro, Cidade de Pedras,  Águas do Cerrado, caverna Aroe-Jari. Se quiser ir para Nobres (bate e volta), aí tem que fechar com alguma agência, parece que custa R$250, ou se informar com guias.
    • Por Karen M.
      Olá galera mochileira,
      Volto aqui para tentar retribuir de alguma forma toda a informação que aqui consegui. Este foi meu 1º mochilão e graças a esta plataforma me senti segura para montar todo o meu roteiro e ir de forma (quase) completamente independente. Vocês fazem parecer tão fácil!!! E foi! E foi uma delícia também!
      *já faz um tempo que comecei a escrever esse relato e tinha abandonado por causa de correrias da vida, mas quero terminar antes que o facebook pare de me lembrar que eu fiz essa viagem foda há 1 ano!
      PARTE 0 - Planejamento e preparativos
      Viajar ao continente africano sempre foi um de meus maiores sonhos e ele começou a se tornar verdade há 4 anos, quando ouvindo uma discussão sobre quanto se gastaria para assistir a 1ª fase da copa do mundo na Rússia eu pensei “com esse dinheiro vou conhecer a África”. E eu tinha a companhia perfeita: minha grande amiga (e na época roommate) Camila estava disposta a encarar a aventura comigo, se eu provasse a ela que viajaríamos por 1 mês com relativo conforto e não gastaríamos mais de R$10mil... E eu provei!
      *imprevisto: a viagem ficou mais cara (não dá pra comparar dólar de 2014 com de 2018!), durou 39 dias e incluiu aventuras que até agora não acreditamos que vivenciamos!
      (Parênteses: certeza que é possível fazer este roteiro gastando menos, mas tínhamos algumas premissas que não queríamos abrir mão. Estas seriam as primeiras férias em algum tempo para nós 2 e já estávamos em ritmo de corta-tudo-e-tira-leite-de-pedra para economizarmos para A viagem, então queríamos ter algum conforto e, muito importante: queríamos tomar cerveja todo final de tarde! :D)
      Logo no início das pesquisas a África do Sul se mostrou o país que melhor se encaixava nos nossos planos, seja pelo custo benefício ou mesmo pela facilidade de encontrar informações. Nem sempre nossa ideia foi de planejar tudo e ir sozinhas, até mesmo pelo fato de que nenhuma de nós 2 dirige, e lendo (milhares de) blogs, cheguei ao site Pangea Trails, de um cara que tem um roteiro de van por todo o país que dura 21 dias. Esse era o plano inicial. Chegada a época que íamos realmente afinar tudo e colocar o plano em prática, os custo deste pacote já estava tomando quase todo o nosso orçamento e começamos a pesquisar a coisa toda independentemente, mas ainda assim com o roteiro dele como base, pois já sonhávamos com muitos locais por onde a Pangea Trails passava.
      Tínhamos então os locais que queríamos passar e mais ou menos definidos quantos dias ficar em cada um, quando a história começou a tomar outro rumo: um perfil de turismo da África do Sul que eu seguia no instagram, publicou por 5 dias seguidos fotos da Otter Trail, uma travessia de 5 dias e 4 noites que acompanha a costa selvagem do Tsitsikamma National Park através de paisagens cênicas e eu fiquei completamente obcecada. Pronto! A paisagem era tão espetacular que eu tinha que presenciar aquilo!
      E eu devo ser muito mais persuasiva do que imagino, pois eu, que de travessia tinha apenas feito a Salcantay para Macchu Picchu, mas que contava com uma equipe que levava a bagagem mais pesada e provia comida e acampamento (foi um esquema meio princesa mesmo), queria levar comigo nesta trilha totalmente independente a minha amiga Camila, que nunca tinha feito trilha na vida. Bom, nem sei bem como, mas a convenci!
      Foi a primeira reserva que fizemos. E quase choramos de emoção quando recebemos a confirmação!
      A questão é que esta é uma trilha bem exclusiva e as reservas se esgotam com cerca de 1 ano de antecedência, pois apenas 12 pessoas por dia podem percorrê-la. Comecei a monitorar o site do parque e checar todas as condições de tempo e maré (o caminho inclui algumas travessias de rio que podem ser bem perigosas a depender da maré do dia) para conseguir a data ideal para as nossas férias.
      Feito isso, o resto da viagem começou a se desenhar melhor em torno da trilha. Alguns destinos que queríamos tiveram que ser cortados, pois a logística para a Otter Trail precisava de 6 dias da nossa viagem. Numa destas decisões, cortamos Drakensberg, pois esta parada era principalmente para fazermos algumas trilhas e este assunto já estaria muito bem garantido!
      Na sequência compramos as passagens, fechamos o overland tour para o trecho que passaria pelo Kruger Park e a Suazilândia e compramos nosso ticket de ônibus Baz Bus.
      A Baz Bus oferece um serviço de vans que funcionam no estilo hop-on hop-off com foco em mochileiros que atravessam o país, recolhendo os passageiros na porta do hostel e deixando no seu próximo destino. A logística é bem bacana e a rota vai desde Joanesburgo até Cape Town, com paradas obrigatórias em Durban e Port Elizabeth, pois as vans só circulam de dia. Eles têm uma lista de hostels que são atendidos pelo roteiro e diversas opções de tickets, a depender da quantidade de dias que se quer viajar, se viaja apenas em uma direção, etc... O valor dos tickets não é muito barato, mas pela comodidade e segurança achamos que valeu a pena. Quando já estávamos lá ficamos sabendo de outra empresa que presta o mesmo tipo de serviço, tem uma rota semelhante e parece ser um pouco mais barata, a Mzansi.
      O roteiro então ficou mais ou menos assim:
      10.03 a 15.03.18 Chegada por Joanesburgo e estadia em Maboneng; 16.03 a 22.03.18 Overland pela região do Kruger Park, Rota Panorâmica, Suazilândia, Greater St Lucia, chegando a Durban; 23.03 a 01.04.18 Seguimos de Baz Buz pela costa passando por Coffee Bay, Chintsa, Port Elizabeth e Jeffreys Bay até Storms River; 02.04 a 06.04.18 Estabelecemos base em Storms River para percorrer a Otter Trail; 07.04 a 10.04.18 Seguimos novamente de Baz Buz pela Garden Route passando por Wilderness e Mossel Bay; 11.04 a 16.04.18 Exploramos Cape Town, de onde voltamos para São Paulo.
      mapinha das nossas andanças....
      MEDICINA DO VIAJANTE
      Já tinha lido algumas vezes sobre este serviço público (e totalmente gratuito) de avaliação e orientação de acordo com o local de destino e áreas de risco para doenças, mas nunca tinha utilizado. Resolvi testar e não me arrependi!
      O atendimento em São Paulo é no Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o agendamento é feito por e-mail.
      No dia da consulta é necessário levar documento com foto e carteira de vacinação. Então começa uma entrevista na qual você conta qual o destino e as características da viagem, com a maior quantidade de detalhes possível. Daí eles te dão todas as orientações em relação à sua saúde durante a viagem e atualização de vacinas.
      Aproveite para tirar todas as dúvidas! Saindo da consulta já te encaminham para as vacinas e pronto. Quem precisa do Certificado Internacional de Vacinação da Febre Amarela (CIVP) deverá antecipadamente acessar o site da Anvisa para realizar seu pré-cadastro, necessário para a emissão da CIVP.
      A preocupação principal da maioria das pessoas que viaja à África do Sul, em especial à região do Kruger, é em relação à malária. Não existe vacina e a melhor profilaxia é evitar o contato com o mosquito através de barreiras físicas (roupas protegendo a maior parte do corpo, tela mosquiteira sobre a cama, etc..). Existe também um repelente (exposis) que foi recomendado e também os comprimidos, embora não tenham garantia total.
      A orientação que recebi foi: usar o repelente para a pele e para a roupa (existe um spray específico para passar na roupa e dura algumas lavagens) e tomar os comprimidos (aqui vale uma observação que o médico só indicou os comprimidos pois passaríamos pelas regiões de incidência no início da viagem e depois ainda teríamos um período longo antes de retornar ao Brasil, passando por áreas remotas e o receio era termos qualquer sintoma e não conseguirmos atendimento imediato.. se fossemos apenas ao Kruger e voltássemos em seguida, o médico não indicaria o remédio porque em qualquer emergência conseguiríamos atendimento fácil em SP).
      O que de fato aconteceu: levamos o exposis, mas não comprei o spray para roupa e tomamos os comprimidos que compramos em uma farmácia em Joanesburgo (parece que o melhor é comprar no próprio aeroporto, mas esquecemos e enfrentamos uma pequena burocracia para conseguirmos o remédio, que é controlado e não é barato). No início do overland, o guia fez um terrorismo de que nenhum repelente trazido de países que não tem malária é eficaz e sugeriu comprar outro, o peaceful sleep, que acabamos comprando também. Não sei se foi o remédio ou a mistura disso tudo com sol e suor, mas tive uma alergia forte na pele (rosto, pescoço e costas) que só foi sumir mesmo em Cape Town. Camila ficou enjoada nos primeiros dias do overland, o que logo relacionamos com o remédio também.
      Para mais informações sobre a Medicina do Viajante: http://www.emilioribas.sp.gov.br/pacientes-e-acompanhantes/medicina-do-viajante/
      MOCHILA, O DRAMA...
      A principal dificuldade neste tema foi: precisaríamos de uma mochila que aguentasse o tranco e boa o suficiente para utilizar na trilha (tenho problema na cervical e essa era minha maior preocupação) e isso costuma ser bem caro! No final das contas: uma amiga que estava de mudança para a Austrália tinha uma mochila usada Trilhas & Rumos Crampon 72L e deu pra gente. Camila acabou ficando com esta, pois eu não queria uma mochila tão grande. Outra amiga ofereceu a mochila dela emprestada, uma Deuter Futura Vario 45 + 10, que eu me neguei a pegar até quase a véspera da viagem. Mas de tanto ela insistir e de tanto faltar dinheiro, aceitei..
      Resultado: olha, quando estava pesquisando pra comprar uma cargueira pra esta viagem, li muita coisa positiva sobre a T&R, então simplesmente não sei dizer o que aconteceu, mas a mochila praticamente se desfez durante a viagem. Na arrumação ela já rasgou um teco (o que levou Camila ao desespero antes mesmo da gente ir pro aeroporto) e no restante da viagem ela se rasgou inteira! Tentamos remendar com um bocado de fita e nada adiantou... enfim, outro ponto fraco que percebi é que ela ficava visivelmente desestruturada nas costas. Quanto à que eu levei, ela foi perfeita. Nas 1ªs horas da trilha precisei fazer alguns ajustes, mas ela segurou bem!
      O que levei:

      Confesso que não sou nem de longe aquelas pessoas bem compactas para viajar e foi bem difícil ficar nisso aí... mas era tudo que cabia na mochila, então... (na verdade cabia mais mas jurei pra mim mesma que não queria partir com a mochila no limite pra conseguir trazer umas coisinhas depois)
      Ainda, como tínhamos a trilha no meio da viagem e eu já tinha pensado mais ou menos em um cardápio, levei daqui coisas que por algum motivo tinha receio de não encontrar pra comprar ou que precisava de apenas uma quantidade pequena, etc..
      7 calcinhas 2 pares de meia para trilha 3 pares de meia de algodão 2 sutiãs 2 tops 2 biquinis 2 calças legging 1 calça-bermuda 1 calça jeans 2 camisetas dryfit 7 camisetas 1 blusa térmica (fleece) 1 jaqueta impermeável 2 blusinhas manga longa 1 shorts de corrida 2 shorts 1 saia jeans 2 vestidos 1 pijama 1 canga de praia 2 lenços 1 toalha microfibra 1 capa de chuva 1 chinelo 1 sandália kit de higiene / cuidados pessoais maquiagem básica kit primeiros socorros (com umas coisas bem específicas pra trilha, mas que não precisamos usar.. ufa!) saco de dormir lanterna de cabeça + pilhas 2 cantil + tabletes para purificação da água 1 canivete 1 bastão de trilha 1 capa protetora mochilão (comprei uma Arienti www.territorioonline.com.br/bolsa-para-transporte-arienti-m para despachar a cargueira, que até por ser emprestada merecia um cuidado mais especial e também porque precisávamos de uma bolsa pra deixar nossas coisas no hostel durante a trilha) 1 binóculo Confesso que não sou nem de longe aquelas pessoas bem compactas para viajar e foi bem difícil ficar nisso aí... mas era tudo que cabia na mochila, então... (na verdade cabia mais mas jurei pra mim mesma que não queria partir com a mochila no limite pra conseguir trazer umas coisinhas depois)
      Ainda, como tínhamos a trilha no meio da viagem e eu já tinha pensado mais ou menos em um cardápio, levei daqui coisas que por algum motivo tinha receio de não encontrar pra comprar ou que precisava de apenas uma quantidade pequena, etc..
      leite em pó (levei em saquinho zip lock apenas o necessário pra preparar 5 canecas de manhã) *confesso que quando estava separando o leite em pó no saquinho pra levar na mochila me bateu uma sensação mega ruim de que aquilo podia dar muito errado no aeroporto, mas deu em nada não... toddy (2 colheres de sopa / dia - levei em saquinho zip lock) geléia (aquelas individuais de cestas de café da manhã) castanhas semente de girassol cuscuz marroquino (em zip lock) quinoa (em zip lock) arroz + lentilha (em zip lock) temperos: sal (aqueles saquinhos de restaurante), pimenta do reino (não vivo sem!), azeite barras de cereais e proteínas 2 pratos plásticos rígidos, 1 caneca alumínio + kit talher de plástico Esta lista era basicamente para o meu café da manhã (com alguns itens complementares que compraria fresco na véspera da trilha) e jantar para nós 2! A Camila levou com ela o que iria precisar para o café da manhã dela e levaria o kit de panela.
      Além disso levei uma pequena mochila de ataque (aquelas dobráveis da decathlon, que viram uma bolinha compacta) com pasta completa de documentos e comprovantes de reservas impressas, bloco de anotação, travesseiro de viagem (meio dispensável pra mim, mas até que garantiu um conforto quando acampamos), carregador de celular, 2 power banks, câmera (uma véia digital que tenho, levei mais como garantia se a memória do celular faltasse).
      Acho que foi isso. A maioria das coisas que não tiveram utilidade durante a viagem foi levada por alguma indicação específica para a trilha e não acho que deixaríamos de levar (mesmo sabendo agora que não usamos), pois poderiam ter sido necessárias.. mas confesso que daria pra ter cortado umas peças de roupa e a sandália.... No final deu isso aí..

      mochila pronta...
      O relato diário irei postando em partes para não ficar tãããão comprido... Até!
    • Por Juliana Champi
      Olás!
      Segue abaixo um breve relato sobre a subida do Pico Agudo, norte do Paraná, no Vale do Rio Tibagi. Já tem algumas informações aqui no site sobre este destino, mas são mais antigas, e este é um ótimo lugar pra quem quer começar a se aventurar em trilhas e montanhas. Fomos pra lá dia 23 de dezembro de 2018.
      DADOS SOBRE O LOCAL
      O Pico Agudo é a segunda elevação mais alta do norte do Paraná, perdendo de Pedra Branca, na Serra do Cadeado. Tem cerca de 1100 metros de altura. Seu acesso é pela cidade de Sapopema, Fazenda Zamarian, e por enquanto o funcionamento é das 7h às 19h aos sábados, domingos e feriados. Contato com a administração: 43 98462-5977
      O Pico Agudo fica em uma propriedade particular (RPPN: reserva particular do patrimônio natural) e como o passar do tempo tem trazido cada vez mais gente ao local, o impacto ambiental já é visível. As trilhas estão alargadas, tem lixo espalhado e babaca escrevendo nome em pedra e árvore.
      Por estas razões ouvi dizer que acampar no local não será mais possível a partir de 2019, terá cobrança de entrada e estão construindo um pequeno centro de visitantes na entrada da Fazenda, pois hoje não há nenhuma estrutura.
      QUEM FOI
      O Antônio, amigo e guia de alta montanha, seu irmão e amigo (de 18 anos cada, sem experiência em trilhas), eu (enferrujada), marido (acostumado a correr), meu filho de 10 anos (iniciado em trilhas na mata) e nosso primo, de tb 10 anos, que nunca tinha feito trilha.
      A ESTRADA
      Quando se deixa a estrada de asfalto tem uns 20km de estrada de chão até chegar na entrada da Fazenda. Fomos de carro sedan (o Antonio de Jipe), mas apesar da estrada estar boa, em época de chuva não se recomenda nem a montanha* nem a estrada. Nessa estrada tem duas pequenas vilas, aproveite pra ir ao banheiro em alguma lanchonete do caminho, pois como já relatado, na Fazenda não tem banheiro (ainda). Tem kilos de dicas sobre o caminho exato na internet!
      *Geologicamente não é montanha, mas vamos chamar assim pra ficar mais fácil!
      Pois bem, como moramos relativamente perto do local (140km), saímos de Londrina às 5h30 e chegamos ao local cerca de 7h30. Paramos pra ir ao banheiro e comer lanches que tínhamos trazido de casa. Tb trouxemos água e suco. É muito importante começar a subir a montanha com pelo menos 1,5L de água por pessoa pq faz MUITO calor, a subida é íngreme e nem sempre uma bica que tem na trilha tem água, e as vezes está barrenta.
      A TRILHA
      A subida começa por mata aberta, depois fecha e no fim abre novamente. A subida de fato é de uns 350m (altura) por uns 2km. Tem um caminho que vai direto ao cume, mas é só pros montanistas mais experientes, pois é difícil. Os demais seguem pela trilha que contorna a subida. Mesmo assim há trechos bastante íngremes e 3 locais que a subida tem auxílio de cordas.
      Eu tinha bastante prática em trilha na mata quando era mais nova, mas faz algum tempo que estou enferrujada e fora de forma. E a inclinação do terreno ajuda a cansar, e muito. Pelo fato de ter conseguido subir mesmo estando fora de forma e com tênis de corrida (nem um pouco indicado), digo que a trilha é fácil, acessível, e dependendo do ritmo de quem sobe o tempo de caminhada pode variar de 30 minutos à 1h30. Mas não é um passeio no shopping! Na volta tinha uma senhora de mais idade e acima do peso esperando uma maca buscá-la no meio do morro pq tinha torcido o pé. Um tênis de trilha e fôlego suficiente são fundamentais!
      As crianças e o Antônio, que trabalha guiando em alta montanha, subiram sem nenhum esforço. O resto cansou bastante, hahaha!
      PRECISA IR COM GUIA?
      Não. A maioria vai por conta, o Antônio tava com a gente na amizade! Mas tem que prestar atenção na descida pq tem algumas “pseudo-entradas” na trilha que não dão em lugar nenhum, e é MUITO comum gente se perder por lá. Inclusive tem um local pra pouso de helicóptero no cume para possíveis resgates. Então mais uma vez: não é difícil mas não é super fácil tb! Estar com o Antônio foi ótimo, pq ele obviamente tem muito conhecimento do local, da melhor forma de subir pelas cordas, da trilha e tudo o mais. Como ele trabalha com isso super indico o site dele pra quem quiser se aventurar pelas montanhas da Argentina, Brasil e Bolívia principalmente:
      http://www.gaiamontanhismo.com.br/
      E A VISTA?
      As fotos falam por si!

      Chegando na Fazenda Zamarian, café da manhã com vista!
       
       
      Começo da trilha, os bastões ajudam bem na descida!
       

      Os bastões ajudam na descida!
       
       
      Começo da trilha aberta...
       

      Depois mata adentro!
       

      Trilha na mata!
       

      O caminho vai subindo e a vista vai ficando linda!
       

      Paradinha pra descanso!
       

      Começa o trecho com cordas...

      São 3 trechos com cordas na parte final...
       

      E subindo...

      Mais e mais cordas...
       

      E a recompensa!
       

      Antonio solitário!
       

       Gui estilo Karate Kid!
       

      Escrevendo o nome do livro da montanha que é pra continuar sempre subindo!
       

      Os meninos e contemplação.
       

      Descanso com vista, ventava bastante.
       

      Tudo meu!
       

      Tibagi ao fundo, vista linda!
       

      A família!
       
      Descemos o Pico cerca de 15hs pq o tempo começou a fechar e é bem perigoso pegar chuva na montanha. Trocamos de roupa pq as nossas estavam molhadas e seguimos viagem de volta, chegando em Londrina 17h30. Na própria estrada que dá acesso à Fazenda do Pico Agudo tem acesso a várias cachoeiras (pelo menos duas) e a região de Sapopema tá recheada delas... Lageado Liso ou Salto das Orquídeas é das mais famosas. Então fica a dica de uma aventurina de fim de semana pra quem estiver por perto. Nós não fomos em cachoeiras pq tínhamos compromissos a noite e precisávamos estar vivos!
       

      Eles sobem correndo mas depois desmontam, hahahaha!
       
      Que o ano novo (2019) daqui uns dias nos traga desertos, cachoeiras, trilhas e montanhas!
      Abraços!
    • Por divanei
      Quinze anos atrás um acontecimento me fez começar a escrever sem eu nunca ter escrito nem uma carta se quer, foi o start para colocar no papel algumas aventuras que achava relevante, deixando alguma coisa escrita para ajudar outros caminhantes como eu, num tempo em que nem internet existia, não como agora. 
       
                "-Divanei, é melhor vocês não irem viajar, pois nosso primo de Rio Preto recebeu uma mensagem espiritual e a mensagem dizia que se vocês fizerem esta trilha, PELO MENOS UM VOLTARÁ EM UM CAIXÃO”. 
                Caminhar em trilhas pelas florestas e montanhas sempre foi minha grande paixão, escrever, minha grande decepção. Mas o que aconteceu conosco nesta caminhada, acho que merece ser colocado no papel. Invertendo o velho ditado, seria trágico se não fosse cômico.
       
                A trilha do Rio Branquinho é uma daquelas caminhadas pouco conhecida pelos paulistanos, apesar de partir do extremo sul da cidade, mais precisamente do distrito de Parelheiros, num lugar conhecido como Represa, ela atravessa toda a Serra do Mar findando em Itanhaém, já no litoral. Eu já havia tomado conhecimento a algum tempo da existência desta trilha e aguardava a oportunidade de fazê-la, para isso convidei um primo que mora na capital, pois seria mais fácil para ele descobrir os horários e itinerários dos ônibus, do que para mim, pobre habitante do interior de São Paulo. Marcamos a viagem para o primeiro final de semana de agosto(2003), pois eu não iria trabalhar e a previsão do tempo era favorável. Começava então uma série de acontecimentos e coincidências que parecia anunciar uma tragédia.
       
                Ao sair de casa para trabalhar, três dias antes da viagem, pela primeira vez depois de seis anos trabalhando como motociclista, levei a minha primeira queda ao atropelar um cachorro. Braços ralados, mãos esfoladas, joelhos inchados e outras escoriações pelo corpo. Viagem cancelada, que frustração!!!!

                Na semana seguinte não seria possível ir, tinha que trabalhar no sábado e ponto final. Escolhemos então como nova tentativa o terceiro final de semana do mês, mais precisamente o dia vinte e três de agosto, já que o calendário da empresa onde eu trabalhava não previa trabalho para o final de semana. 
                Na quinta-feira, 21 de agosto, minha mochila já estava pronta, a comida e tudo para a viagem já estava pronto. Quando cheguei à tarde na empresa me deram a péssima notícia: Por alguns problemas técnicos, eu iria ter que trabalhar no sábado. Bateu em mim um sentimento de derrota, mais uma vez iria ter que dar o cano no meu companheiro de caminhada? Passei toda a sexta-feira tentando achar uma solução rápida. Trabalheira na hora do almoço, consegui que um colega fizesse parte do meu trabalho no sábado. A outra parte eu faria na sexta-feira mesmo, depois do expediente. E assim foi. Terminado o expediente às 17 horas, peguei a minha moto e fui terminar o serviço que me restava. Foi quando de repente minha moto foi atingida por trás por um carro. Lá estava eu, mais uma vez beijando o asfalto e amaldiçoando a minha sorte. Seria a maldição da trilha? Seria algum aviso para eu esquecer desta caminhada? Levantei-me do chão, tirei a poeira da roupa, minhas mãos sangravam um pouco, as costas e as pernas estavam doloridas, mas eu não havia quebrado nada. Levantei e fui correndo para casa. Tomei um banho, eu ainda não estava derrotado, nunca escondi de ninguém o meu ceticismo por estas coisas, tudo não passava de mera coincidência do acaso, eu iria viajar, mesmo dolorido, eu iria assim mesmo.
                Coloquei a mochila nas costas e peguei o ônibus para São Paulo às 08 da noite, fui para casa do meu primo na Zona Leste, chegando lá descobri que um amigo dele, na verdade um rapaz casado com uma meia prima minha, iria conosco. O Marcão parece ser gente boa, nunca tinha caminhado em nenhuma trilha, seria a primeira dele. Ele é evangélico, só não me perguntem de que igreja, pois não saberei responder, possivelmente de uma destas dezenas que surgem a cada ano no Brasil. Todas as mochilas prontas, mapas, e outros equipamentos, resolvemos dormir na casa do meu primo e combinamos de sair as 04 horas da manhã, pois era primordial começar a trilha o mais cedo possível. Dormíamos na sala, eu, o Marcão e a esposa dele, quando mais ou menos as 03 e meia da manhã tocou o Telefone. Eram os nossos parentes que haviam chegado de Rio Preto e estavam no portão e como a casa era de fundos e nós não estávamos escutando eles baterem, resolverão ligar para que nós fôssemos abrir o portão.
                Como quem atendeu ao telefone foi o Marcão, coube a ele a missão ingrata de levantar da cama quente e fazer entrar os parentes. Estes parentes são gente boa, primos, tios, todos da mesma igreja do Marcão. Eles passam os finas de semana viajando com uma Vam cheia de evangélicos, pregando e tinham vindo à São Paulo justamente para isto. O que o Marcão conversou la fora com eles, eu não sei dizer, só sei que o Marcão foi até a sala aonde estávamos dormindo e disse que não iria mais viajar, pois teria que participar de uma vigíliacom os nossos parentes evangélicos e que se ele não fosse à vigília e fosse viajar, para ele seria a morte. Como eu estava meio sonolento não liguei muito para o assunto, já havia me acostumado durante vários anos de caminhadas a levar bolos de última hora. Com toda esta confusão acabamos perdendo a hora e acordamos depois das 06 da manhã. Tudo bem, mais um infeliz azar. Agora éramos só nós dois, eu e meu companheiro de viagem, o meu primo Lindolfo . Mochila nas costas ,partimos para o ponto de ônibus, meu primo à frente e eu logo atrás. Mas antes que eu cruzasse o portão, fui surpreendido por uma janela que se abriu subitamente na minha cara. Era outra prima minha que morava na casa da frente. Cumprimentei-a, pois não a vi quando cheguei à noite. O cumprimento foi retribuído. Foi quando ela sem me deixar falar mais nada, me deu o seguinte aviso:-“Divanei, é melhor vocês não irem viajar, pois nosso primo de Rio Preto recebeu uma mensagem espiritual . A mensagem dizia que se vocês fizerem esta trilha, pelo menos um voltará em um caixão".
       
                Há, vai se foder, diante de tanta coincidência não havia ceticismo que não se abalasse. Mesmo assim fingindo estar todo seguro de mim, balancei os ombros e sai. Decidi que não contaria nada para o meu primo, se contasse sei que ele não sairia de casa.
                Confesso que fiquei muito preocupado, já pensou se acontecesse alguma coisa com o meu primo, iriam me culpar para o resto da vida, mas eu tinha que pagar para ver. Pegamos as peruas, metrôs e ônibus,  atravessamos da zona leste até o fim da zona sul em mais de três horas de viajem. Chegamos ao vilarejo da Represa, possivelmente pertence ao distrito de Parelheiros, que aliás, é conhecidíssimo por ser uma região muito violenta . Descemos do ônibus que estava muito lotado e fomos tomar um café antes de começarmos a caminhar.
       
              Tínhamos que andar uns 15 km pela linha de trem que desce para o litoral e enquanto caminhávamos, eu ia pensando em tudo que tinha acontecido até o momento, nos dois acidentes de moto, na convocação para trabalhar no sábado, na chegada dos parentes 30 minutos antes da viagem, na desistência de última hora do Marcão, sem falar naquela previsão mórbida que teimava em não abandonar os meus pensamentos. Comecei então a me sentir responsável pela vida do meu companheiro de trilha. Começamos a cruzar com alguns elementos estranhos e eu imaginava que poderíamos ser assaltados a qualquer momento, pelo menos enquanto não nos afastássemos da civilização. Mais ou menos uma hora depois de começarmos a caminhar, passou por nós uma caminhonete, já que paralelo a este pedaço da linha do trem havia uma rústica estrada. A caminhonete passou uns 100 metros e voltou. Foi quando um dos ocupantes disse : “Aí, vocês tem dinheiro aí mano”. Na hora gelei, mas felizmente, era só uma brincadeira. Eles só queriam uma informação, que foi dada por nós sem nenhum problema.
       
                Abandonamos de vez a civilização e chegamos ao nosso primeiro objetivo , a Estação Evangelista de Souza. Melhor dizendo, antiga estação, pois está abandonada desde que os trens pararam de carregar passageiros e passaram a transportar apenas cargas. Nós só não contávamos com um pequeno problema: Haviam instalado ali um pequeno posto da polícia metropolitana e assim fomos informados que não poderíamos passar sem autorização da prefeitura. Caramba!! Nada estava dando certo, agora mais esta ,parecia haver uma conspiração para nos impedir de realizar a trilha. Depois de muita conversa o guarda nos disse que faria vistas grossas e nos deixaria passar, não antes sem dar um aviso: “Vocês vão com cuidado, pois é muito grande o número de pessoas que morrem atropeladas nesta ferrovia”. Mais morte atravessando o nosso caminho, parecia que morrer seria apenas questão de tempo.

               (Estação Evangelista de Souza-2003)
                Mesmo assim seguimos nosso caminho, olhando as belas e surpreendentes paisagens ao nosso redor. Florestas e montanhas a perder de vista, rios de águas cristalinas, pássaros, muito ar puro e também, é claro, o patrimônio histórico da ferrovia, com suas estações, túneis e pontes. Por falar em túneis e pontes, estes dois me fizeram tomar cuidados especiais. A todo o momento eu pedia para o meu primo não andar na beira das pontes, que estavam muito deterioradas e escondiam debaixo de si, dezenas de metros de altura. E os túneis sempre escuros e em curvas, podiam nos fazer bater de frente com um trem.
       
               (2003)
                Estávamos na metade da caminhada que teríamos que fazer na linha férrea, quando passou por nós um trem com umas vinte pessoas em cima. Eram alguns mochileiros que estavam descendo para o litoral de carona, clandestina é claro. Meu primo sugeriu pegar uma carona até o nosso destino, já que a velocidade ali na serra era muito baixa. Pensei bem: Andar de pingente de trem depois de tudo o que estava acontecendo, não seria uma boa. Meu primo não entendia o que estava acontecendo comigo, onde estava o meu espírito de aventura. O coitado ainda não sabia o que realmente estava acontecendo.
       
               (2003)
                Cruzamos com um índio, que morava numa tribo próxima dali e pedimos informação sobre a tal trilha que iria até o mar. Ele nos disse que nós poderíamos pegar um atalho, e assim não precisaríamos andar muito sobre o trilho, entrando logo na mata. Agradecemos a dica e seguimos. Alguns minutos depois encontramos um rapaz que já tinha feito a trilha e nos confirmou a dica do índio. Mas disse que seria quase impossível terminarmos a trilha, pois não tínhamos cordas para atravessar alguns abismos no final da trilha( eu nuncsa soube que abismos eram esses). Fiquei preocupado, mas decidi seguir caminhando assim mesmo, deveria haver algum desvio que pudéssemos pegar para terminar a trilha. Ele ainda avisou para tomar cuidado no início da trilha com uma grande cachoeira, que deveria ser transposta sem trilha.
       
                Enfim abandonamos a ferrovia e caímos na mata. No início a trilha  um pouco íngreme e escorregadia logo nos levou a uma pequena cachoeira, com um poço de águas verdes e profundas. Imediatamente tirei a minha roupa, me apoiei sobre uma grande rocha e .........voltei a vestir a roupa de novo , pois a água estava muito fria e eu não queria virar picolé. Minha atitude foi seguida pelo meu primo. Comemos alguma coisa e retomamos a viagem. Nosso próximo objetivo era chegar até o Rio Branquinho e percorrê-lo até o seu encontro com o Rio Capivarí. Andamos uns dez minutos pelo rio até que encontramos a tal cachoeira. Na verdade uma gigantesca queda d' água descendo por fendas na rocha. Começamos a descer os abismos pela mata, na esperança de encontrar a tal trilha no pé da cachoeira. Levamos quase uma hora para vencer o desnível de mais de cem metros. A dificuldade do terreno voltou a me preocupar. Cada vez que meu primo por algum motivo escorregava a beira do precipício, aquele pensamento macabro voltava à minha cabeça.
       
                Minha preocupação começou a se transformar em pânico quando percebi que no pé da tal cachoeira não havia sinal algum de trilha. Procurei dos dois lados do rio, mas nada encontrei. E para piorar a situação, surgiu no pé da cachoeira outro abismo igual ou maior que aquele que acabávamos de atravessar. Foi aí que tomei conta da gravidade e da enrascada em que tínhamos nos metido. Não contei nada para o meu primo, não queria deixá-lo em desespero. Era como se naquela hora o passeio tivesse acabado para mim, e agora o meu principal objetivo era me manter vivo, e principalmente manter vivo o meu primo. Claro que se fosse em outra circunstância eu estaria vibrando com a possibilidade de uma aventura a mais na viagem, mas como não pensar na tal profecia depois de tudo que vinha acontecendo de errado, era como se a tragédia anunciada fosse acontecer a qualquer momento. Tinha chegado a hora de eu por em prática toda a minha experiência adquirida em vários anos de caminhadas por todo tipo de terreno. Tinha que redobrar atenção, usar meu faro de trilheiro, mas será que tudo isso resolveria, já que a minha maior luta seria contra supostas forças do alem? Literalmente não dava para voltar atrás, nem na trilha e nem no destino. Aliás, o nosso destino teria que ser sempre em frente, ou melhor, sempre para baixo. Abismos, despenhadeiros, gargantas profundas, cipós que agarravam na mochila, espinhos que castigavam as mãos, as dificuldades iam se seguindo. Quando a tensão diminuía um pouco, podíamos prestar atenção nos maravilhosos poços que se formavam no pé das cachoeiras. Houve um momento em que eu e meu primo estávamos tentando vencer mais uma queda, quando nos vimos presos à um paredão. Pendurados, não conseguíamos ir para lugar algum. Abaixo de nossos pés uns quinze ou vinte metros de altura e, para piorar, um poço profundo, não que para mim isso fosse algum problema pois sei nadar razoavelmente bem, mas meu primo só sabe nadar o famoso estilo machado sem cabo. E para piorar ainda, ele acabará de perder seu colete salva vidas. Seria apenas mais uma coincidência, o certo é que conseguimos nos livrar de mais aquele sufoco.
       
                Já era quase seis horas da tarde, o sol já começava a desaparecer no horizonte, ainda estávamos presos ali naquela garganta, sem nenhum lugar para dormir. Se ficássemos sentados ali no leito do rio esperando a noite passar, corríamos o risco de sermos arrastados por alguma cabeça d' água, que poderia possivelmente inundar todo o rio. Foi quando quase praticamente já sem luz, depois de descer mais um paredão, para minha surpresa dei de cara com um antigo acampamento de palmiteiros ou caçadores. Tratava-se de uma pequena barraca quase todo destruída pelo tempo, parecia ter sido abandonada há anos , mas para mim parecia o mais lindo e confortável hotel. Comemoramos muito aquele achado. Depois de um dia de decepção, poderíamos descansar confortavelmente. Se realmente íamos morrer no dia seguinte, pelo menos morreríamos de barriga cheia e com o sono em dia.

       
               (Encontro Branquinho com o Capivarí-2003)
                Acordamos poucos minutos depois das cinco da manhã, nenhuma cobra, onça ou qualquer outro animal selvagem tinha aparecido, tínhamos um longo dia pela frente. Teríamos que caminhar bravamente para tentar alcançar o litoral até o anoitecer. Fiquei pensando como ficariam preocupados as nossas famílias se não chegássemos em casa na hora marcada. Ainda mais sabendo da previsão macabra. Parecia que nossa sorte tinha começado a mudar. Depois de uma vasculhada pela área, encontrei uma trilha. Só podia ser a tal trilha, era batida, um pouco confusa, mas larga. Corria paralela ao Rio Branquinho, e olhando o mapa que tínhamos em mãos, não tínhamos mais dúvida, era a trilha que procurávamos. Estávamos no plano, o rio era cristalino, gelado e maravilhoso. O prazer voltara a fazer parte da nossa caminhada. Pássaros, árvores enormes, todos os cheiros e cores que só a mata Atlântica pode proporcionar. Depois de três horas de caminhada finalmente encontramos o famoso Rio Capivarí. Paramos, fizemos um lanche, estávamos estasiados com tanta beleza. A preservação do local é incrível. São florestas e montanhas a perder de vista. Pequenos rios que deságuam no Rio Branco, que passa a ganhar esse nome depois do encontro com o Capivarí, são dezenas.  Por enquanto toda tensão havia passado, caminhávamos eufóricos, a trilha era fácil , plana e larga. Batíamos papo e observávamos tudo ao nosso redor. Resolvi então apertar o passo, deixando meu primo um pouquinho para trás. Foi quando de repente ouvi um grande barulho de alguém caindo no chão. Olhei para trás e o que eu vi me deixou paralisado, mal consegui mover as pernas, senti arrepios em todo o corpo. Vi meu primo caído no chão com as mãos na garganta sem poder respirar.

                Ele levantava e caia de novo. Apontava a mão para a cabeça e para a coluna, balançava os braços pedindo socorro. Sim, meu amigo estava morrendo na minha frente e, aparentemente sem que eu pudesse fazer nada. Mesmo conhecendo técnicas básicas de primeiros socorros, na minha cabeça só um pensamento: A maldita profecia havia se cumprido. Eu estava pasmo, perplexo. Havíamos passado por tantos perigos, e a morte nos apanhara em um lugar onde nem uma criança seria capaz de se acidentar.
       
                Meu primo Lindolfo é grandão, um pouco acima do peso. Quem o vê pela primeira vez, com seu chapéu com uma pena de urubu, pensa estar frente a frente com um Rambo das florestas Brasileiras, mas não é bem assim, como ele mesmo diz, ele é meio estabanado, costuma cair com certa freqüência ,mas é impressionante o progresso que teve em pouco tempo em matéria de caminhadas. Hoje ele já consegue terminar trilhas que antes ele nem sonhava em realizar. Falastrão, é uma excelente companhia para caminhar, me agrada e da prazer caminhar a seu lado.
                De  repente vi o meu pesadelo ruir em alguns segundos, meu primo voltara pouco a pouco a respirar. Foi se acalmando, sua cor voltara ao normal. Ele sobrevivera a mais esta. Até hoje não sei o que aconteceu. Possivelmente ao cair no chão depois de tropeçar em um cipó, bateu com o peito e a garganta em um toco, fechando-lhe as vias respiratórias, que aos poucos foi voltando ao normal.
       
                Depois de um breve descanso, seguimos firmes e a passos largos, vário riachos foram cruzados e começaram a surgir de repente alguns pés de bananas, um claro sinal de civilização. Mas como? Civilização no meio da floresta? . Mais meia hora de caminhada e nossa pergunta foram logo respondidas. Uma tribo indígena! Sim indígena, uma tribo Guarani, uma visão de encher a alma. Depois de tanto tempo quase nos arrastando pela mata, fomos dar de cara logo com um povo que sonhara em conhecer. Mesmo estando a menos de 100 km da maior cidade do país, esta tribo conhecida como tribo do Rio Branco, mal fala português, as crianças só tupi-guarani. Nosso primeiro contato foi com as crianças, claro que não entendemos uma palavra do que elas falaram. Logo avistei uma índia semi-nua, que tratou logo de vestir uma camiseta. Pedimos para nos aproximar e fomos autorizados. Cumprimentamos o índio e a índia, que nos responderão com um português de difícil compreensão. Perguntamos o tempo que gastaríamos para chegar ao litoral e ele disse que em quatro ou cinco horas de trilha chegaríamos a um local onde seria possível pegar um ônibus. Ficamos felizes, conseguiríamos com certeza terminar a nossa viagem na data prevista. A pedido do índio distribuímos alguns doces para as crianças, nos despedimos e seguimos em frente .
       
              ( 2003)
                A trilha continuava plana e de fácil navegação. O Rio Branco continuava a nos acompanhar e fazia jus a seu nome, limpo , translúcido e calmo. Encontramos pela frente um índio que vivia isolado da tribo. Parecia ter uns 50 anos de idade( seria o seu Vera Tupâ, que eu só conheceria 12 anos mais tarde ?). Segundo ele, estava morando ali a uns vinte anos. Disse ter vindo de uma tribo guarani do Estado de Santa Catarina. Foi por ele também que descobrimos e ficamos sabendo que aquela tribo, conhecida como Rio Branco, está ali a menos de trinta anos. Provavelmente habitavam o litoral e com a explosão urbana, foram obrigados a se mudar para as montanhas. Atravessamos o Rio Branco e continuamos a caminhada, agora pela sua margem esquerda. Depois de algum tempo de caminhada, agora por uma estradinha de terra, paralela ao rio, chegamos ao que parecia ser a área principal da tribo. La havia uma pequena escola e um posto de saúde e a iluminação elétrica também havia chegado, o que não diminuía em nada a fantástica sensação de estarmos diante de um povo de hábitos tão primitivos, surpresas que só um país como o Brasil pode nos proporcionar, um Brasil pouco conhecido pela maioria dos brasileiros. Tiramos algumas fotos e continuamos pela estradinha.


       
       

       
                Eu estava eufórico, fui acometido der repente por uma felicidade que não sentira há muito tempo. Sentia-me leve, parecia estar flutuando, era como se eu tivesse atingido o nirvana. Começara a perceber que toda aquela profecia não passava de pura cretinice. Ao invés de morrermos, havíamos ganhado mais vida. Tínhamos passado algumas dificuldades,admito, mas estávamos ali de pé, firmes para contar a história. Sobrevivemos a tal maldição, íamos ver o sol nascer mais veze, desta vez fortalecidos e confiantes em nós mesmos. Contei toda a história paro o meu primo enquanto caminhávamos pela estradinha de terra e depois fizemos muitas piadas com o que tinha acontecido, rimos muito. Foi ai que ele começou a entender porque eu havia durante toda a caminhada, o tratado como se ele fosse uma criança.
       
                Conseguimos uma carona com um baiano que morou na Chapada Diamantina e hoje vivia em São Bernardo. Descemos em um bairro do litoral, aonde pegamos um ônibus que nos deixou na rodoviária de Itanhaém. Pedi que meu primo ligasse para casa dele, pois provavelmente sua esposa poderia estar preocupada por causa da tal profecia. Ficamos sabendo que a profecia teria sido recebida, na verdade, por uma tia nossa, e que a profecia dizia que se fôssemos, seríamos picados por uma serpente negra e que a visão se limitava apenas ao Marcão e sua esposa e no caso, serpente negra na crença deles não tinha nada a ver com cobra e significaria somente a morte. Juro que a minha vontade era de mandar enfiar profecia e serpente negra na bunda, mas por respeito deixei pra la. Pegamos uma Vam até o terminal do metrô Jabaquara. Despedimo-nos na Estação da Sé com uma sensação de vitória, de alma lavada, com alegria e satisfação, que só pode ser sentida apenas por quem se dispuser a abandonar a civilização e se lançar rumo ao desconhecido. 


          Como se chama esse gato, é seu animal de estimação? -"Chama gato mesmo, nois cria pra comer no Natal" ( Vera Tupâ, lider da tribo)
                                                                           Divanei Goes de Paula / agosto de 2003
       
               NOTA IMPORTANTE:
                Pois é caros amigos, se você teve paciencia para ler esse tosco relato até o fim e não está entendendo nada, preciso lhe dizer que estamos falando de um tempo sem internet, sem celular, sem redes sociais , sem mapas de satélites, sem GPS, sem comunicação quase nenhuma, tanto que nem sabíamos da existencia da tal tribo do Rio Branco. Hoje a tal travessia do Rio Branquinho é uma travessia clássica, quase uma carne de vaca, mas ainda continua linda como sempre foi. Para ilustrar melhor esse relato, eu intercalei fotos originais da época com fotos recentes e essa narrativa por incrível que pareça, acaba por se tornar um documento histórico de um passado não muito distante.
                                                     Divanei Goes de Paula- março/2018
       
    • Por Nathan Messias
      Boa noite galera, tudo bem? 
      Dia 18 de Maio estarei indo para Pedra da Mina, pela fazenda serra fina!
      Li alguns relatos por aqui mas alguém te mais alguma dica algo pra agregar? 
      Alguém estará indo pra lá também nessa mesma data?
       
      Abraços!! 


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