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A clássica travessia da Serra dos Órgãos - de Petrópolis a Teresópolis


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Oi pessoal.

 

 

Ao longo do 1º semestre de 2000 tivemos uma greve na Faculdade em que eu estudava que se prolongou por alguns meses e com tempo disponível no trabalho, decidi fazer uma caminhada. Chamei o Marcos e o Sérgio e resolvemos marcar a travessia da Serra dos Órgãos para o início de Agosto.

Tínhamos a pretensão de fazer em 3 ou 4 dias, mas não conhecíamos nada sobre a travessia e com o retorno das aulas ainda incerto, o Ronaldo se mostrou disposto a embarcar junto com sua namorada na trip.

 

Fotos, mapas e croquis:

 

O Marcos e o Sérgio eram velhos conhecidos de faculdade (até tínhamos feito algumas trilhas juntos) e o Ronaldo eu tinha conhecido naquele semestre, mas parecia que estava disposto a caminhar por vários dias, assim como a sua namorada (no final não aconteceu isso).

Peguei algumas anotações do livro Caminhos da Aventura do Sérgio Beck e também da extinta Revista Família Aventura e sem necessidade de reserva para a travessia junto do PN, lá fomos nós.

 

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Na noite do dia 12 de Agosto todos nós 5 (eu, o Marcos, o Sérgio, o Ronaldo e a namorada dele - não consigo lembrar o nome dela) nos encontramos na Rodoviária do Tietê para embarcar em direção a Petrópolis no horário das 23:00 hrs.

O tempo até que estava relativamente bom e a viagem foi tranquila.

Na madrugada o ônibus fez uma parada no Shopping Graal em Resende e pouco antes das 06:00 hrs estávamos chegando na Rodoviária de Petrópolis.

Só foi descer do ônibus e já fomos atrás do circular que seguia para o Terminal Correas e ele até que não demorou muito para sair.

O ônibus seguiu quase que vazio, mas foi lotando ao longo do caminho e como era Domingo encontramos muita gente que estava voltando da balada e conversando com alguns passageiros, ficamos sabendo que no dia anterior tinha chovido muito durante a noite e dava para ver que em vários pontos da serra a neblina encobria tudo.

 

O percurso até o Terminal Correas foi rápido e uns 30 minutos depois já estávamos tomando um outro circular, agora para o Bairro do Bonfim que nos deixaria no vale que dá acesso a portaria do Parque Nacional.

Logo que descemos no ponto final, já arrumamos nossas mochilas e preparamos para começar a subida do vale até a portaria.

Esse trecho é todo feito subindo por uma estrada de terra e conforme íamos subindo, a neblina ao redor dos picos ia se dispersando prometendo um dia de muito Sol.

 

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Ao longo da subida, enquanto ganhávamos altitude, de vez em quando o Rio do Bonfim aparecia à esquerda ou à direita e em algumas das bifurcações tivemos de perguntar qual caminho seguir até a portaria e por volta das 07:30 hrs chegamos.

Aqui tivemos de assinar o Termo de Responsabilidade, colocando os nomes de todas as pessoas que iriam fazer a travessia e fomos avisados de algumas normas do parque.

Enchemos também nossos cantis em uma torneira ao lado, mas que se revelou desnecessário, pois até o Ajax, água de qualidade não é tão difícil encontrar.

Nesse primeiro dia tínhamos a pretensão de chegar até pelo menos o Ajax ou até um pouco mais.

Depois que passamos a portaria, a trilha vai seguindo paralelamente ao Rio Bonfim à esquerda e com isso não ganhávamos muita altitude nesse trecho.

Depois de quase 1 hora de caminhada chegamos a uma bifurcação que leva até a Gruta Presidente.

Se seguíssemos em frente a trilha seguiria até o Morro do Açú, mas resolvemos virar na bifurcação para conhecer a Gruta, que estava toda pichada.

Seguindo a mesma trilha que passa pela Gruta Presidente em cerca de 10 minutos se chega na Cachoeira Véu da Noiva.

 

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Clics da cachoeira e logo em seguida voltamos para a trilha principal para seguirmos serra acima e daqui para frente a trilha toma um rumo ascendente muito forte e fomos parando em vários momentos, mas apreciando o belo visual do Vale do Rio Bonfim que vai ficando para trás.

 

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Depois de mais de 1 hora chegamos na Pedra do Queijo, onde paramos por um certo tempo para descansar.

 

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Daqui a trilha se torna menos íngreme, mas o Sol nos castigava a todo momento, porque a caminhada é sempre em campo aberto.

Desse ponto em diante, já conseguíamos ver a crista da serra onde chegaríamos no final da tarde e depois de passar por um trecho de vegetação alta, tínhamos novamente um outro vale, do lado esquerdo e o Ajax logo à frente à direita.

 

Ao lado do Ajax existe um ponto de água potável, do lado esquerdo, sendo um bom lugar para reabastecer.

Mais 1 hora desde a Pedra do Queijo e junto do Ajax, vimos uma longa subida íngreme até a crista e só de olhar a inclinação dá para desistir, mas ainda era cedo demais, então resolvemos seguir em frente.

Normalmente da portaria até o Ajax o pessoal chega a fazer em 4 horas de caminhada.

 

Passado esse trecho de subida íngreme, já planejávamos chegar no Açú, mas não contávamos com a neblina (mais conhecida como ruço - se escreve com ç mesmo) que chegou assim que terminamos a subida.

Eu e o Marcos resolvemos deixar nossas mochilas e fomos seguindo pelo chapadão na direção do Morro do Açú para ver quanto tempo ainda tínhamos de caminhada, mas tava arriscado, já que a visão estava prejudicada pela neblina.

 

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Era por volta de 16:00 hrs e resolvemos voltar para o lugar onde o pessoal estava e acampar por lá mesmo.

Segundo anotações do Sérgio Beck, o local é conhecido como Isabeloca e nesse primeiro dia tínhamos vencido um desnível de mais de 1000 mts.

Se não fosse o ruço até poderíamos ter avançado um pouco além, mas já era o suficiente para o dia.

Achamos uma clareira com antigos vestígios de uma fogueira e resolvemos montar as barracas.

 

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Só havia um pequeno problema: tínhamos pouca água e seguir até o Açú, onde havia água, estava fora de questão; o jeito seria descer até um pouco abaixo e procurar águas nos pequenos vales, voltando em direção ao Ajax.

Achamos um pequeno filete de água na subida da crista e ali todos nós se abastecemos para o jantar.

Voltamos para as barracas e de vez em quando o tempo abria e conseguíamos ter vistas a oeste e ao norte, mas a leste e ao sul, o ruço ainda continuava impedindo a visão.

 

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Nessa noite até que não ventou tanto assim, mas o frio foi muito forte, chegando até a criar uma crosta de gelo nas barracas e nos fogareiros que deixamos fora das barracas, mas o frio foi muito forte chegando a temperatura de -3 ºC.

 

Continua

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2º dia

 

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Barracas desmontadas e um breve café da manhã, seguimos rumo ao Morro do Açú.

A trilha é bem demarcada e com vários totens, sempre seguindo pela crista no sentido leste.

Depois de pouco mais de 1 hora de trilha, já conseguíamos ver um cruzeiro no alto de uma pedra à esquerda e à direita o Morro do Açú (alguns chamam de Castelos do Açú), que lembrava uma tartaruga.

A visão é impressionante, pois o tempo estava totalmente aberto e o Açú é de uma beleza sem comparação.

 

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Lá encontramos somente 2 jovens que tinham bivacado embaixo das pedras e diziam que logo estavam retornando para Petrópolis.

Um deles se ofereceu como guia quando dissemos que estávamos fazendo pela primeira vez a travessia e é claro que recusamos.

 

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Eles nos apontaram a Pedra do Sino visível bem a leste e disse que a trilha até lá era só seguir naquela direção, se orientando por alguns totens.

 

Nos despedimos e logo em seguida voltamos à caminhada, mas a trilha não estava tão visível, já que a vegetação estava um pouco alta, mas fomos nos orientando por alguns totens e com isso não tivemos problemas.

Muitos deles estavam em cima das pedras, então era fácil localizá-los.

Na descida do 1º vale depois do Açú, o ruço voltou novamente e tomou conta de tudo, mas íamos sempre seguindo rumo leste os totens bem visíveis ao longo da trilha.

 

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As vezes consultávamos as anotações para ver quantos vales ainda tínhamos de atravessar e se estávamos no caminho certo.

 

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De vez em quando apareciam algumas aberturas de tempo e já conseguíamos ver o Dedo de Deus e o Pico do Escalavrado bem visíveis à direita.

A subida do primeiro vale não foi fácil, pois existem alguns lances de escalaminhada e + - 1 hora desde o Açú, chegamos no topo do Morro do Marco (conhecido também como Morro da Sela) e aqui uma trilha segue para a direita onde encontramos um enorme totem de pedras (se puder, deixe a sua contribuição).

 

Logo depois a trilha vai descendo a encosta por entre algumas lajes de pedras e tufos de capim até chegar a um trecho de mata fechada onde encontramos um pequeno riacho com água de qualidade.

Desde o topo do Morro do Marco foram cerca de 30 minutos até aqui.

Por entre as árvores vamos subindo a trilha morro acima, mas devido à chuvas dos últimos dias, a trilha estava toda enlameada e escorregadia, fazendo com que a gente parasse várias vezes.

 

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E depois de mais de 1 hora de subida, chegamos na crista do Morro da Luva (na verdade o topo desse morro está bem à esquerda) e nossa direção agora é descer até o vale do outro lado. A continuação da trilha aqui é um pouco confusa, mas é só seguir para direita e depois em linha reta como se estivesse indo na direção do Dedo de Deus e evite seguir nas bifurcações que levam para a esquerda.

Seguimos descendo até quase o fundo do vale, mas sempre mantendo um riacho a esquerda, visto lá do alto.

 

Descendo entre lajes de pedras e tufos de capim e tendo o riacho à esquerda, é possível ver inúmeros totens lá embaixo e alguns que apareciam do outro lado do riacho, por isso atravessamos ele quase lá no fundo do vale.

Aqui a trilha segue para esquerda e vai passando por alguns trechos onde fomos desviando de várias lajes de pedras.

Mais alguns minutos e chegamos a um trecho onde tivemos que pular algumas pedras, pois não havia outra opção. É um local perigoso, pois um escorregão pode ser fatal (hoje em dia colocaram uma pequena ponte de madeira no local - está bem melhor).

Ao atravessar esse trecho, deixei cair todas as anotações que estavam comigo.

Problemão. E agora José?

 

Como nenhum de nós tinha feito a travessia, achamos arriscado seguir sem elas, por isso nem pensei 2x e retirei da mochila uma pequena corda e fiz uma espécie de rapel descendo até o fundo das pedras, onde passava um riacho, a cerca de uns 7 mts de altura. De posse das anotações novamente, voltei rapidamente para a superfície com a ajuda da galera e novamente começamos uma outra subida de morro, mas bem no início da subida, tivemos uma certa dificuldade, pois existe uma parede de pedras bastante inclinada.

Alguns degraus de metal fixados na rocha facilitam um pouco a subida. O local é conhecido como elevador e a subida pelos degraus fixados na rocha é um pouco cansativo.

Seguindo por entre os sulcos e sempre se segurando nos tufos de capim, logo chegamos no topo do Morro do Dinossauro.

O tempo de caminhada desde o Açú até aqui foi de umas 4 horas e meia e aqui outra visão indescritível.

 

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Estávamos diante dos paredões da Pedra do Sino e do Garrafão e aqui paramos para alguns clics.

A galera já estava bastante cansada, então eu e o Marcos resolvemos deixar as mochilas e seguir na trilha para ver se o Vale das Antas ainda estava muito longe (local onde tinha água e bons locais para acampar).

A trilha seguia para a esquerda e vai bordejando o morro, mas depois de caminhar uns 20 minutos chegamos a conclusão que não valeria a pena, já que estava um pouco tarde e o resto do pessoal não aguentaria, por isso resolvemos voltar e montarmos nossas barracas em um local plano bem de frente para os paredões.

 

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Acampar no Morro do Dinossauro até que se revelou uma ótima escolha, pois o pôr do Sol foi maravilhoso.

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Água tínhamos em pouca quantidade, mas que serviria para o jantar e a única desvantagem do local era que estávamos exposto demais, então procuramos fixar bem as barracas, mas a noite foi tranquila, sem ventos.

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Continua

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  • Membros de Honra

3º dia

 

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Na manhã do terceiro dia, a galera já estava bem mais descansada e disposta a chegar no topo da Pedra do Sino.

Seguindo para esquerda, a trilha vai ao mesmo tempo subindo e bordejando o pequeno morro e depois de uns 20 minutos chegamos no topo do Morro da Tartaruga. Agora é só seguir pelas lajes de pedra contornando pela direita até avistar um local plano: o Vale das Antas, onde chegamos depois de quase 1 hora.

O Vale das Antas é um ótimo local para acampar, com um pequeno riacho que passa ao lado. O problema é que muitos não respeitam o local e não é difícil encontrar fezes em alguns lugares e por isso a qualidade da água não é confiável (hidrosteril é obrigatório se for pegar água).

 

Aqui a continuação da trilha é só atravessar o riacho um pouco mais abaixo, do lado direito.

Daqui para frente ela vai subindo por entre o bambuzal e as árvores, mas que é bem fácil de encontrar.

O problema é que ela estava enlameada e quando cruzamos com um pequeno riacho, em uma área de brejo, tivemos que enfiar o pé na lama, literalmente.

Daqui para frente surgem algumas bifurcações para a direita e logo emergimos no capim elefante. Outras bifurcações aparecem, mas procure sempre seguir nas da esquerda (as da direita provavelmente levam para a beirada do precipício). O lugar é conhecido como Vale dos Ecos; faça um teste para saber.

Subindo pela trilha, logo passamos em cima de uma pedra que lembra o dorso de uma baleia e aqui paramos para descansar um certo tempo e apreciar o lindo visual por onde tínhamos passado. Mais uns 15 minutos de subida pela crista e alcançamos o topo, onde existem alguns lugares planos.

 

Seguindo para a direita, descemos por uma pedra onde tivemos que tirar as mochilas e um ajudando o outro, passamos fácil por aqui.

A trilha agora segue por um dos piores trechos, o da canaleta da Pedra do Sino.

 

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O perigo aqui é cair no abismo do lado esquerdo. Existe um trecho chamado de Cavalinho onde tivemos de tirar as mochilas e subi-las com a ajuda da corda uma a uma e aí seguimos em frente.

 

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Mais uns 15 minutos chegamos em um ponto onde existe uma escada de metal e seguimos subindo pela estreita canaleta para emergir de frente para um cata-vento que fornece energia para o Abrigo 4.

Aqui resolvemos seguir na trilha para a direita até o topo da Pedra do Sino subindo pelas lajes de pedra em zig-zag e depois de umas 4 horas desde o Morro do Dinossauro alcançamos o nosso objetivo.

 

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Depois de vários clics com vistas desimpedidas em todas as direções, onde conseguíamos visualizar até o Cristo Redentor, comemoramos.

 

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O topo da Pedra do Sino é lindo e se tem um visual de toda a Baia da Guanabara e de toda a crista da Serra dos Órgãos.

 

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Descansamos por um certo tempo e seguimos em direção ao Abrigo 4, onde nos abastecemos de água e resolvemos descer para Teresópolis.

Tínhamos a informação que saia um ônibus da cidade no horário das 22:00 hrs para Sampa, mas nenhuma garantia se encontraríamos passagens para nós 5, mas mesmo assim resolvemos arriscar.

 

A trilha de descida é bem demarcada e bem longa e depois de 4 horas desde o Abrigo 4, chegamos ao final da trilha e ao trecho asfaltado, que na verdade é uma estrada de paralelepípedos que leva até a portaria.

O problema é que já tinha escurecido e o stress tinha tomado conta de alguns.

Em uma trilha como essa, sempre tem alguém que fica para trás e não deu outra: o Ronaldo discutiu com sua namorada e resolveu seguir na frente, só porque estávamos acompanhando sua namorada que estava lenta demais e cerca de 1 hora desde o fim da trilha chegamos na portaria do parque.

 

Já era por volta de 20:00 hrs e não encontramos ninguém para efetuar o pagamento da travessia e ao passarmos pelo portão principal, o guarda só pediu os nossos nomes para dar baixa na nossa saída.

Já fora do parque tivemos que caminhar rapidamente até o ponto final de um circular onde pegamos um ônibus em direção a Rodoviária, chegando um pouco antes das 21:00 horas.

 

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Aqui demos sorte porque encontramos as 5 passagens para Sampa onde chegamos no dia seguinte pela manhã cansados, mas felizes por termos feito a travessia. Agora era voltar para as aulas.

Cerca de 1 ano depois, em Julho/2001 retornei sozinho para fazer a travessia novamente.

Fotos:

 

 

Abcs

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  • 3 semanas depois...
  • Membros de Honra

Em 1998, dando proseguimento a minha febre de exploração, parti com mais 2 amigos pra fazer a travessia. O tempo estava extremamente ruim. Choveu o tempo todo e nossa barraca inundou e ficou com um palmo de água dentro. Pra piorar não dava pra enxergar uma palmo na frente do nariz. Naquele feriado todos desistiram da travessia, apenas nós , juntamente com 2 Petropólitanos seguimos em frente. Fomos apanhados pelo mau tempo junto ao vale das Antas. Quase morremos todos de hipotermia e acreditem se quiser, tivemos que atravessar o corrego das Antas a nado. Pra piorar, seguindo o conselho dos meninos de Petrópolis, tentamos sair sem pagar as taxas do Parque e fomos presos pelo Ibama.

Voltei lá o ano passado e fiz a travessia também com o tempo ruim e mais uma vez, passei um frio desgraçado. Mas tive o prazer de contemplar uma paisagens, que se ve em poucos lugares do mundo.

PARABÉNS AUGUSTO, por fazer me lembrar destas histórias inesquecíveis.

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  • Membros de Honra

Blz Divanei.

 

Presos pelo IBAMA?????

Que roubada foi essa?

Nessa travessia que a gente fez até queriamos pagar no final, mas não tinha ninguém lá. Até já tinhamos separado o valor. Hoje em dia tá caro p/ caramba fazer essa travessia. Querem segregar cada vez quem faz essa caminhada.

 

Pegar tempo ruim nessa travessia é risco de se perder. Principalmente hoje em dia.

Nas 2x eu que passei por lá, só tivemos problemas com o ruço (a famosa neblina da região), mas ela é passageira.

Em vários relatos que eu já li dessa travessia, o pessoal sempre fala dos totens falsos.

Antigamente isso não tinha. Os totens eram bem visíveis e dava p/ fazer a caminhada só se orientando por eles.

 

Deve ter chovido muito então hein. Esse riacho do Vale das Antas hoje em dia é bem pequeno que dá p/ ser cruzado só com um pulo.

Mas p/ nós que moramos no estado de SP fica complicado ir p/ lá e depois desistir e voltar p/ casa né?

Acho que seu eu fosse vc também não teria desistido viu.

Minha última travessia lá foi em 2001 e ainda volto lá qqer dia desses, mas no inverno.

 

 

 

Valeu

 

 

 

 

Em 1998, dando proseguimento a minha febre de exploração, parti com mais 2 amigos pra fazer a travessia. O tempo estava extremamente ruim. Choveu o tempo todo e nossa barraca inundou e ficou com um palmo de água dentro. Pra piorar não dava pra enxergar uma palmo na frente do nariz. Naquele feriado todos desistiram da travessia, apenas nós , juntamente com 2 Petropólitanos seguimos em frente. Fomos apanhados pelo mau tempo junto ao vale das Antas. Quase morremos todos de hipotermia e acreditem se quiser, tivemos que atravessar o corrego das Antas a nado. Pra piorar, seguindo o conselho dos meninos de Petrópolis, tentamos sair sem pagar as taxas do Parque e fomos presos pelo Ibama.

Voltei lá o ano passado e fiz a travessia também com o tempo ruim e mais uma vez, passei um frio desgraçado. Mas tive o prazer de contemplar uma paisagens, que se ve em poucos lugares do mundo.

PARABÉNS AUGUSTO, por fazer me lembrar destas histórias inesquecíveis.

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  • Membros de Honra

Augusto,

Na decada de 90, você entrava pela portaria de Petrópolis e só pagava as taxas em Teresópolis. Acontece que os 2 garotos de Petrópolis que estavam conosco não tinham dinheiro pra pagar e então eles sugeriram sair ao lado da portaria, cruzando o rio.Fizemos uma operação de guerra pra empreitada dar certo, só não contávamos que o pessoal do Ibama já tinha "ganhado a fita" . Quando pulamos a cerca já na estrada, caimos quase encima da van do Ibama e aí não teve geito, presos por algumas horas e multados. Foi hilário.

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  • Membros de Honra

E aí Divanei.

 

Um p. perrengue como esse e vc ainda não criou um relato desse episódio?

Vai dar um bela estória.

 

 

Abcs

 

 

 

Augusto,

Na decada de 90, você entrava pela portaria de Petrópolis e só pagava as taxas em Teresópolis. Acontece que os 2 garotos de Petrópolis que estavam conosco não tinham dinheiro pra pagar e então eles sugeriram sair ao lado da portaria, cruzando o rio.Fizemos uma operação de guerra pra empreitada dar certo, só não contávamos que o pessoal do Ibama já tinha "ganhado a fita" . Quando pulamos a cerca já na estrada, caimos quase encima da van do Ibama e aí não teve geito, presos por algumas horas e multados. Foi hilário.

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  • 1 mês depois...
  • Membros de Honra

Então Augusto,

Esta é uma parte das minhas aventuras quando a grana era muio mais curta que agora, os equipamentos improvisados e a experiência era quase nenhuma. Saia na cara e na coragem e tocava sempre o foda-se. Essa história alem de muito cômica quase nos levou realmente a morte por hipotermia. Pura porralouquisse, que agora anos depois ainda nos rende muitas risadas. Não temos nenhuma foto, só apenas uma filmagem em fita vhs. A viagem pra começar foi de carona em um caminhão até o Rio. É uma pena que passado quase 15 anos desta caminhada, os amigos daquela aventura sumiram das trilhas, foram fazer outras coisas, cuidar das proles, tentar inrriquecer e se esqueceram das coisas simples da vida, perderam o gosto pela aventura. Quem sabe eu ainda escreva alguma coisa algum dia. Um abraço.

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  • 4 meses depois...
  • Membros de Honra

E aí Marcelo.

 

As barracas autoportantes que não precisam de estacas p/ montá-las podem ser usadas em qqer parte da travessia, principalmente nos pontos de campings oficiais do Parque, que são no Açú e na base da Pedra do Sino.

Esses são lugares protegidos e vc sempre encontra pedras p/ fixar melhor a barraca.

Em caso de emergencia em outros pontos da serra, aí o que vale é o bom senso.

 

 

Abcs

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      AGULHA DO DIABO

                 “Agora não adianta chamar por santo nenhum, quem mandou se meter no Caldeirão do Inferno. Pendurados no meio da Unha da Agulha do Diabo, a gente só pensa em não cair e tenta grudar as costas naquela chaminé diabólica, tentando evoluir centímetro a centímetro, mas a gente sabe que o próprio dono da montanha está lá, sentado logo acima com seu rabo a balançar, como a nos atrair para uma armadilha. Não quero olhar para baixo, mas a curiosidade é maior que o meu bom senso e quando faço isso, o mundo parece dar uma rodopiada e é nessa hora que penso em gritar um “valei-me Nossa Senhora”, mas me contenho a minha insignificância diante daquele colosso de pedra, porque cada um é responsável por exorcizar seus demônios interiores e sigo determinado, sabendo que eu mesmo terei que chutar o traseiro do cão se quiser conquistar aquela montanha. ”
       
                Não por acaso que a AGULHA DO DIABO foi escolhida mundialmente entre as 15 montanhas mais bonitas e mais desejadas para se escalar em todo o planeta. Um gigante rochoso tocando o céu no meio selvagem do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no estado do Rio de Janeiro, a meio caminho entre Teresópolis e Petrópolis, mas por incrível que pareça, mesmo estando no parque por meia dúzia de vezes para a travessia famosa e para escalar o Dedo de Deus, eu jamais consegui por meus olhos nessa formação rochosa e quando os meninos levantaram a possibilidade de escala-la , aceitei o convite sem nem pensar se teria ou não condições de ir ao cume com os meus toscos e rudes conhecimentos do esporte.
                Havíamos combinado então que, quando o inverno desse as caras, a gente partiria para o Rio, mas a ansiedade de alguns do grupo fez com que antecipassem a tentativa da escalada para maio, data em que eu estava às voltas com uma Expedição Selvagem previamente programada na Serra do Mar Paulista, então fui deixado para trás. Nessa ocasião o grupo que tentou escalar a Agulha cometeu alguns erros de logística, extrapolaram o tempo e dos 7 integrantes, 5 ficaram pelo caminho e somente 2 foram ao cume e assim mesmo tiveram que subir quase ao anoitecer. Diante desse meio fracasso, o Alexandre Alves retomou o projeto antigo que havíamos traçado e para aproveitar um feriado Paulista, resolvemos montar uma equipe 100 % caipira, a mesma equipe que havia conquistado o Dedo de Deus (1.692 m), os mesmo que haviam se juntado um dia para aprender a escalar por conta própria. A equipe inicial seria formada por mim, pelo Alexandre e pelo Vinícius e de última hora surgiu o Dema, mas o Alexandre estava meio com um pé atrás com ele porque fazia muito tempo que o professor não aparecia para treinar e poderia pôr em risco nossa segurança por estar desatualizado quanto aos procedimentos, mas no final, a amizade acabou por falar mais alto que a nossa segurança e essa tomada de decisão seria fundamental para o sucesso daquela “expedição” rumo ao cume daquela diabólica agulha.
                Foram acaloradas as discussões sobre qual estratégia usar, alguns achavam que fazer um bate e volta apenas com mochila de ataque seria o ideal, já outros discordavam veementemente e insistiam que deveríamos subir com cargueira para estarmos seguros, se desse alguma merda, já que a pedra ficava num fim de mundo escondida no meio de um vale sinistro e potencialmente perigoso, além do mais , se houvesse um fracasso no primeiro dia, poderíamos acampar e tentar num segundo dia, coisa que seria impossível se estivéssemos apenas com mochilinha de ataque, sem os equipos para acamparmos. No fim, nos convencemos de que subir com as cargueiras seria a melhor estratégia e essa tomada de decisão foi a responsável por um dos integrantes, além de nós quatro, picar a mula da escalada, alegando que a gente era doido de enfrentar aquela subida do satanás com mochilas nas costas. Paciência, perdemos um experiente escalador, mas a equipe puro-sangue se manteve e se era para “se lascar” todo naquela montanha, que fosse então com um grupo acostumado a se meter em encrencas e a fazer isso com alegria.
                Foi então que numa tarde ensolarada de um sábado, que o Vinícius apanhou o Alexandre na rodoviária de Sumaré-SP e passou na minha casa para que eu e o Dema nos juntássemos a eles e partíssemos para Teresópolis-RJ, onde lá chegamos umas sete horas depois, já no início da madrugada de domingo, onde nos refugiámos num posto de gasolina aos pés do Escalavrado(1.410 m) e passamos a noite lá até esperar pela abertura do Parque nacional às seis da manhã. Com o ingresso do parque já comprado antecipadamente e impressos e as devidadas autorizações assinadas, não tivemos dificuldade de acesso e antes das sete da manhã, já havíamos estacionados o veículo o mais próximo possível da barragem e adentramos na trilha histórica que faz parte da Travessia Petrópolis x Teresópolis ou usada para quem quer ir apenas até o cume do parque, na Pedra do Sino (2.275) ou mesmo visitar trocentas outras montanhas de belezas ímpar.

                No início a subida parece ser bem suave, muito porque estamos todos animados e cheios de energia. O caminho vai se enfiando por dentro da floresta, cruzando algumas pontinhas e menos de uma hora depois chega a uma grande gruta ou toca, onde é possível bivacar com um certo conforto. Não demora muito e damos de cara com a Cachoeira Véu de Noivas, completamente seca, mas já não é grande coisa com água, pelo menos não, se compararmos com as maravilhas que estamos acostumados na Serra do Mar de São Paulo, mas também não viemos aqui atrás de quedas d’água e tocamos para cima, um passo de cada vez, numa subida enfadonha.

                Eu já havia subido e descido aquela trilha nas duas vezes que estive nas travessias de Petrópolis para Teresópolis e ao contrário e as duas vezes havia odiado aquela parte do caminho, mas pensando bem, acho que odiei pouco, não sei se era pela minha tenra idade com muita mais energia que agora ou porque naquela época tudo me parecia novidade em matéria de trilha, o certo é que aquele zig-zag infernal vai dando nos nervos e só faz aumentar  nossa ansiedade de chegar logo na tal Cota 2.000, de onde parte a trilha mais em nível para acessar o tal Caminho das Orquídeas. Quando as curvas acabam, damos de cara com o grande descampado, chegamos ao ABRIGO 3, mas não passa mesmo de um gramado convidando-nos para um descanso, porque abrigo nem existe mais mesmo. Aqui a trilha vai dar uma guinada para a esquerda e vai dar uma nivelada, passar por um mirante também à esquerda.

                É preciso ficar esperto porque quando o altímetro bater uns 2.000 de altitude e mais ou menos 7,2 km desde a barragem, no início da trilha, precisamos nos atentar para uma saída à esquerda, quase imperceptível. É mesmo uma trilha meio sem vergonha e não há nenhuma placa, nenhuma identificação dizendo ser esse o caminho que vai nos levar para o Mirante do Inferno, ou por negligência do Parque Nacional (grande novidade!) ou por sacanagem de guias e agências que retiram as placas para que ninguém chegue sem seus serviços.
                Pegando essa bifurcação mencionada, adentramos na direção do tal Caminho das Orquídeas ou talvez seja um atalha para ele. Vamos descendo, agora numa trilha bem mais fechada, quase uma picada e logo que tropeçamos numa bifurcação, pegamos para direita e seguiremos reto até que o mundo se abre à nossa frente num MIRANTE espetacular, com um vale profundo e mais à frente já podemos deslumbrar uma minúscula parte da ponta da Agulha a nos convidar para uma aventura inesquecível. Desse mirante é possível ver também parte do Dedo de Deus e o que é mais interessante é que não é possível ver a Agulha do topo do Dedo e nem ver o Dedo do topo da Agulha, como se Deus e o Diabo nunca pudesse se confrontar.

       
               (Dedo de Deus visto do mirante)
                De cima do mirante às vistas para outras montanhas do parque são deslumbrantes, mas não é hora de perder tempo, o relógio anda e precisamos nos apressar. Nossa jornada é descendo pela laje de pedra e se enfiando nas canaletas floresta à dentro, desescalando até atingirmos o fundo do vale onde um brejo tem que ser pulado para não empapar os nossos tênis. Logo temos água boa vinda de um pequeno córrego e então chegando a mais uma bifurcação e seguimos para a direita contornando uma pedra e não demora muito, às 10:30 desembocamos no ACAMPAMENTO PAQUEQUER, que não passa de um lugar mais aberto no meio da trilha, às margens da nascente do riachinho de mesmo nome, hora de parar para um breve descanso, mais um gole de água e traçar uma estratégia.

             (Paquequer) 
               Numa breve reunião, decidimos esconder nossas cargueiras ali nos arredores do acampamento e seguir apenas com os equipos de escalada e com uma mochilinha de ataque. Portanto, pulando o riacho, interceptamos o estirão final que vai subir sem dó em direção ao mirante e logo que chegamos mais ao alto, beirando uma grande pedra do lado esquerdo, interceptamos a tal saída que vai nos levar para a Agulha, mas antes de para lá partirmos, seguimos em frente e menos de dez minutos depois chegamos à beira do GRANDE ABISMO DO MIRANTE DO INFERNO. 

               (Mirante do Inferno)

                Aquilo era inacreditável! Eu já havia dito que achava o Dedo de Deus a montanha mais espetacular do Brasil, mas diante daquela visão eu estava confuso, perdi a referência, meio que perdi o chão. O Dema e o Vinícius também pareciam encantados com aquele gigante de pedra. Dali era possível contemplar outras montanhas : São João, São Pedro(2.160), Verruga do Frade(1.920), Pedra da Cruz(1.980), Capuchinho do Frade, Santo Antonio  e tudo beirava à santidade, mas era ela a grande atração do lugar, enfiada no meio do Caldeirão do Inferno, a AGULHA DO DIABO parecia nos convidar para uma grande aventura e a gente estava em êxtase e não havia mais como fugir, a gente poderia ficar por ali mesmo e nos entregarmos as coisas do céu, mas o desafio é que nos move, porque o montanhista de aventura nunca vai se contentar com o calmo e o sereno, ele quer é ver a desgraça de perto, ele quer o caos, quer a tormenta e foi com esse pensamento que a gente largou tudo para trás , voltamos a descer por uns cinco minutos e adentramos de vez à direita na trilha rumo ao nosso desafio.
                Esse caminho em forma de picada vai seguindo quase que em nível, mas logo faz uma curva para direita e se enfia numa garganta montanha à baixo, numa sequência de gretas e fendas potencialmente perigosas. Vez por outra surge à nossa frente assombrando a nossa alma a silhueta da AGULHA e numa dessas aparições acabei ficando para trás para tentar sacar uma foto e perdendo o equilíbrio, escorreguei de um patamar e enfiei meu pé numa laca de pedra e virei o tornozelo que veio a inchar instantaneamente. Nessa hora pensei que minha jornada naquela montanha havia acabado, mas mesmo assim gritei para que o grupo me esperasse e aguardasse uns minutinhos até que a dor diminuísse um pouco. Tentei ser forte e demostrar calma, não queria de jeito nenhum dar chance para que alguém pudesse me mandar voltar para o acampamento para eu não atrapalhar a escalada, muito porque eu mesmo já teria feito isso se sentisse que daria problema.

       (Agulha vista de dentro do Cadeirão do Inferno)
                Continuamos seguindo até nos vermos quase no fundo do vale, onde um pequeno riacho seco descia da direita e é justamente nesse amontoado de pedras que nosso caminho segue e segue subindo para valer, nos fazendo escalar rochas escorregadia e íngremes. Vou me arrastando como posso, mesmo com muita dor, me agarro na minha vontade de não desistir, pelo menos até  chegarmos ao início da via. Logo à frente somos barrados por uma gruta, uns amontoados de matacões gigantes. Estamos na GRUTA DA GELADEIRA e não há outro caminho possível se não o de passar por dentro dela e sair pelo teto, por um buraco tão estreito que mais parece que você está saindo do útero da sua mãe. Escalado esse trecho apertado e úmido logo damos de cara com um pequeno platô que poderia servir até para um bivac numa emergência e mais acima, quase ao meio dia, nos deparamos com a linha de escalada propriamente dita, hora de calçar as sapatilhas, fazer o sinal da cruz e enfrentar de vez essas forças do além.

               (Gruta da Geladeira)
                Acima das nossas cabeças o gigante rochoso se elevava num espigão assombroso, rodeados por paredes escuras e colossais. Havia chegado a hora de desafiar o guardião do Caldeirão do Inferno e todas as discussões acaloradas vividas meses antes de estarmos ali, agora teriam que nos mostrar que serviu para alguma coisa. É bom lembrar que dos 4 integrantes daquela empreitada, apenas o Alexandre e o Vinícius poderiam ser considerados como escaladores de verdade, porque eu e o Dema não passávamos de meros bons montanhistas trepadores de paredes, mesmo assim, aquele grupo heterogêneo não deixava de ser formado por escaladores  ainda com muito à aprender. Em um primeiro momento havia se decidido que formaríamos duas duplas para a escalada, sendo a primeira composta pelo Alexandre e o Dema e a outra pelo Vinícius e por mim, sendo que o Alexandre e o Vinícius subiriam guiando a corda e eu e o Dema faríamos o "segue"(manobras realizadas com a corda para dar segurança ao companheiro), mas num ato de desapego, de última hora, o Vinícius abriu mão de guiar e foi decidido que apenas o Alexandre seria o responsável por levar a nossa corda e essa atitude foi mesmo muito sensata, porque nos faria ganhar tempo precioso e isso também faria toda a diferença na conclusão daquela escalada.

               (acima croqui da escalada)
                Traçado a estratégia, a primeira enfiada (lance) já começa encrencada. Parece fácil, mas é uma rampa lisa e sem agarras e já no começo o Alexandre dá uma sambada até que resolve colocar um camalot (pequeno equipamento que ao ser enfiado numa fenda, por exemplo, trava e se pode pendurar a corda para dar segurança ao escalador, numa explicação bem tosca, rsrsrsr ) numa fenda para dar uma estabilizada no psico. Depois é preciso se entalar numa fenda e se espremer até ganhar o alto e subir por outra rampa até uma paredinha que dá acesso a parada junto a um platô. O Dema zueiro que é, já inventa de nem colocar as sapatilhas nesse trecho, apanha sua mochilinha e também a do Alexandre e se agarra à corda e depois se lascou todo para conseguir passar pela fenda lateral e não deu outra, ficou entalado, o tonto, rsrsrsrsr. O Vinícius foi outro que deu uma sapateada nessa rampa e eu, sem  molejo para  dança nenhum, não fiz mais bonito que ninguém, também rebolei pra subir ali, mas me agarrei no que deu até me juntar aos amigos do platô.

       (Primeiro lance)
       
                O segundo lance nada mais é que uma passagem seguindo em frente, praticamente caminhando ao lado de uma parede com vegetação. É um lance fácil, mas para mim que era o último, achei um pouco exposto e passei com cuidado, mas ao tentar descer no final do corredor de pedra, fiquei sem saída e com medo de pular até atingir a parte mais abaixo, antes de ganhar uma parede final. O problema é que você não pode seguir o seu instinto e querer perder altura logo, é preciso ir até o final da parede caminhando, onde tem várias agarras de pé e de mão para se descer em segurança e uma vez no chão é só fazer a travessia para direita quase numa escalaminhada tranquila e ir subindo até a parada em nível.

           (segundo Lance)
                A enfiada seguinte, a terceira, é um pouco mais técnica por ser mais inclinada. Começa com uma fenda em forma de diedro, do qual é necessário subir em oposição. A gente enfia as mãos dentro da fenda e começa a puxá-la até ganhar altura, mas alguns não estavam nem aí e subiram com os pés na fenda e as costas na parede abaulada da direita porque na escalada clássica a única regra é não ficar lá embaixo moscando e atrapalhando o andamento da empreitada. Depois dessa fenda, desse diedro, a parede empina de vez e é preciso ir achando as agarraras certas até poder se pendurar numa fenda horizontal, uma verdadeira salvação para quem já está despencando parede à baixo. Uma vez travado nessa fenda, onde você já está rindo à toa, aí você percebe que não há mão para ficar em pé e colocar os pés dentro da fenda para ir caminhando para esquerda e tem que colar o corpo na parede e ir levantando de vagar, raspando seu nariz na pedra até se estabilizar, pelo menos foi isso que aconteceu comigo, e logo em seguida subir  e ganhar a parada.

         (terceiro Lance)
                Quando me estabilizei na parada, clipando minha solteira (pedaço de fita preso ao corpo com um gancho na ponta, afff Maria, que explicação furreca !), o Alexandre e o Dema já haviam partido para a quarta enfiada. Esse lance é muito esquisito porque se faz todo praticamente caminhando ao lado de um abismo, junto à uma parede que se estende por uns 15 metros. Dali de onde estávamos eu e o Vinícius, já era possível avistar a imponência da CHAMINÉ DA UNHA, uma laca de pedra descolada da Agulha do Diabo, uma visão assombrosa e é melhor nem ficar pensando muito e apenas nos concentrar nos problemas presentes, deixemos o futuro para depois. Essa próxima enfiada é fácil, mas com uma grande exposição para quem guia e para quem vem por último na cordada e eu passo por ali com todo cuidado, primeiro me agarrando como posso para descer um pouco mais à baixo, depois seguindo lentamente, caminhando quase numa trilha de pedra até me grudar de vez ao chegar na parada com 2 “P” e é bom marcar bem esse lugar porque será aqui o penúltimo rapel para quando voltar.

          (quarto Lance)
                Até ali, a escalada estava fluindo numa perfeição espantosa, tudo afinado e alinhado. A subida seguia sempre a mesma linha, com o Alexandre guiando a corda, precedido pelo Dema e o Vinícius, tendo eu como o último homem a fechar a corda. Ganhávamos terreno rapidamente e cada vez mais íamos subindo, nos elevando metro a metro e foi nesse quinto lance que a gente começou a tomar ciência de que estávamos chegando perto dos enfrentamentos maiores. Aliás, esse lance não passa de mera caminhada, que vai se enfiando numa trilhazinha e subindo numa escalaminhada fácil, vira totalmente para a direita e sobe até uma espécie de gruta, que também não passa de um amontoado de pedras. Passa ao lado do Pico do Diabinhoque é uma formação rochosa belíssima e já te joga de frente para as “Chaminés em L “, hora de juntar a equipe novamente, tomar  fôlego, beber um gole d’água e se preparar para ganhar altura de vez.

                Essa tal “Chaminé L”, que marca a sexta enfiada, é muito parecida com a chaminé do Dedo de Deus, com paredes largas e com boa aderência, a subida é bem no final dela, onde a parede se fecha, e sobre o teto despenca uma rocha entalada em formato de estalactites, aquelas formações que pendem dos tetos das cavernas. É preciso subir até essa formação, que não fica a mais de uns 4 metros de altura e alcançando-a,  saindo para a direita, mas isso é tão óbvio porque não existe mesmo outro caminho. O Alexandre se pendura nessa parede, se agarra na estalactite, passa pelo buraco apertado e some das nossas vistas. Lá de baixo, eu o Vinícius e o Dema não conseguimos ver nada do que se passa depois disso e mal escutamos a voz do Alexandre que parte sozinho para essa passagem para a direita. O tempo vai passando e o “nosso guia” pouco dá sinal de vida, vez ou outra ouvimos sua voz sussurrando alguma coisa e acaba demorando para descobrirmos que a corda havia enroscado. Diante daquele imbróglio todo, resolvemos mandar o Dema atrás dele e para isso foi preciso que ele escalasse em livre, ou seja, sem nenhuma segurança, foi um risco, mas era o que tinha para o momento, mesmo porque era uma subida muito tranquila e não achamos que seria um risco tão grande. Uma vez que o Dema se juntou ao Alexandre, depois de algum tempo, a corda foi liberada e logo foi o Vinícius que se esgueirou parede acima e ganhou o alto, sumindo das minhas vistas e para o nosso azar, a corda voltou a enroscar novamente. O Vinícius teve que mudar novamente a instalação da corda para liberar a minha subida.

                Encostei as costas na parede esquerda da chaminé e finquei os dois pés na outra parede, mas logo notei que poderia fazer diferente: Meti o pé esquerdo no fundo da chaminé onde ela se eleva até o buraco de saída, junto à pedra entalada, e fui alternando os movimentos, como se subisse num batente de porta, mas agora com o pé esquerdo na parede do fundo e o direto na parede lateral. Não sei se esse estilo foi o melhor, só sei que rapidinho eu me agarrei na estalactite e me elevei para dentro do buraco e ressurgi para um outro mundo. Depois virei para a direita, que é o único caminho onde fica plano e é necessário encostar as mãos do lado direito e dar um pulinho maroto de menos de um metro, um pulo tranquilo, mas a prova de qualquer erro ou então é cair no vazio e virar carne moída de tanto que vai ralar nas paredes da chaminé. O Vinícius foi fazendo meu "segue" até que eu me juntei a ele onde uma paredinha final de uns três metros precisa ser escalada usando uma fita em um grande “P” para poder se elevar, agarrar em um arbusto e se jogar definitivamente para cima de um grande platô, cheio de árvores, onde de tão grande, poderia servir até para se montar um abrigo provisório.

                Nesse GRANDE PLATÕ foi instalada uma placa para homenagear os conquistadores de 1941, mas a importância daquele lugar vai muito mais além, ali naquele marco geográfico da escalada é o lugar onde vai se separar os homens dos meninos, é ali que se define quem vai ao cume ou quem definitivamente  vai abraçar o fracasso , botar o rabo entre as pernas e bater em retirada, seja por incompetência técnica ou por incompetência na hora de montar a logística, fazendo com que ao se chegar aqui, já tenha extrapolado o tempo hábil para se ir ao topo. Essa pode ser considerada a anti-sala do inferno, é aqui que o diabo faz a sua triagem, separando os caras que tem ou não as condições de enfrentar o seu desafio derradeiro, uma vez tomada a decisão de seguir em frente, você acabou de colocar seu nome na roleta russa, ou é tudo ou é nada.
                O Alexandre fracassou aqui da outra vez, portanto agora para ele é tudo novidade e havia chegado a hora de enfrentar o tal CAVALINHO, uma passagem alardeada por muitos como sendo a parte mais complicada da escalada, é o sétimo lance, uma passagem por fora da montanha, uma fenda lateral que vai dar acesso a entrada da Unha do Diabo. A partir de agora todos as mochilas devem ficar ali no platô, todos devem esvaziar as suas mentes, sua bexiga e tudo mais que faça o sujeito entrar leve porque uma vez dentro da chaminé, até respirar será difícil. O Alexandre procura não perder tempo e quando vejo , ele já havia sumido das minhas vistas e quando chego à beira do abismo, só consigo ver parte do Dema já dentro da fenda , gemendo para conseguir se jogar para dentro da chaminé.

         (Cavalinho)
                Quando chega a vez do Vinícius, auxilio fazendo uma espécie de segundo "segue". Ele se apoia na costura na entrada da fenda fixada logo acima, enfia a perna esquerda e parte do corpo na grande rachadura e se pendura no vazio até se arrastar para a entrada da chaminé e com muita dificuldade consegue se jogar para dentro.
                Assim que o Vinícius se acomoda entre as paredes da Unha, dá o start para que eu comece a escalar. O problema de fechar a corda é ter que fazer alguns lances tão expostos quanto quem faz a guiada e aqui no Cavalinho é pior ainda, porque se houver uma queda, além do escalador despencar no vazio fazendo um pendulo monstro, ainda vai arrastar o cara que está dando "segui" de dentro da unha, porque mal é possível se mexer lá dentro. Me aproximo do abismo com muito cuidado e já me agarro à costura para manter o equilíbrio. Muitos escaladores dão a dica para se entrar nessa fenda deitado com a barriga para cima, ou seja, enfiando a perna direita e ir se arrastando de costas até chegar na entrada da chaminé e já entrar virado para o lado certo, mas para mim é uma grande bobagem, coisa de gente barriguda mesmo. Portanto, seguro firme na costura e enfio a perna esquerda dentro da fenda que num primeiro momento me deixa com metade do corpo pendendo no vazio e para contraria as dicas dos velhos escaladores, já me ponho a olhar para o abismo de uns 200 metros, mas para quem já esteve pendurado no lance da Maria Cebola no Dedo de Deus, aquilo nem causa vertigem. Colo o corpo à pedra e vou avançando fenda acima porque na realidade não é uma reta e sim uma diagonal e é necessário fazer força para se avançar. Ganho meio metro de terreno e o meu corpo já escorre para dentro da fenda e me entalo dentro do buraco. Que beleza! Aquilo foi mole, uma vez dentro do fundo da fenda só faço avançar lentamente e já caio direto no interior da GRANDE CHAMINÉ DA UNHA DO DIABO, para mim aquele cavalo não passou de um pônei. Claro, caí do lado errado, com as costas viradas para a Unha, quando o certo é estar com as costas na parede da Agulha, mas basta um contorcionismo indiano e já me junto aos meus companheiros, tentando buscar um melhor posicionamento num lugar tão estreito que mal se consegue virar o pescoço e quem sofre de claustrofobia, deve pensar muito antes de encarar esse desafio.
                Continuando com a analogia, uma vez dentro da Unha, você agora está no terreno do tinhoso, agora não tem mais volta. Naquele lugar frio e úmido, espremido feito uma mortadela no pão de forma, é preciso ter sangue frio para seguir em frente, no caso, seguir definitivamente para cima. Aquele colosso de pedra que marca o oitavo lance dessa escalada incrível, vai com certeza marcar a vida de qualquer homem metido a escalador e eu acho que não há ninguém que não saia dali transformado, pelo menos não se o cara for alguém chegado recentemente ao esporte ou até mesmo velhos escaladores, o certo é que ninguém sai indiferente. O Alexandre foi quem veio tocando toda nossa escalada até então, coube a ele a responsabilidade de abrir caminho guiando a nossa corda, fazendo desenrolar as encrencas que iam surgindo pela frente, e sem que ninguém se apresentasse para enfrentar o demônio de frente, coube também a ele arrombar as portas do inferno e dar início aos trabalhos de escalada da temida chaminé da Unha.

                O primeiro grande problema é conseguir sair do chão nessa chaminé, já é difícil até respirar lá dentro de tão apertada, imagina conseguir espaço para se elevar e se grudar às paredes, ainda mais para o Alexandre com estatura alta. A ralação inicial é de dar dó do coitado, mas ninguém disse que seria fácil. Aos poucos ele foi progredindo e quanto mais se sobe, melhor fica, porque a parede vai abrindo aos poucos. Logo ele chegou à primeira proteção da chaminé e estacionou numa grande fenda que serve como um patamar de descanso, o primeiro demônio havia sido vencido, mas uma legião de outros demônios estava à espreita, só esperando para o contragolpe final.  

         (chaminé da Unha )
                Lá embaixo, estacionados no fundo da Chaminé da Unha, Eu, o Dema e o Vinícius, não conseguíamos ver nada do que estava acontecendo com o Alexandre, porque como eu disse, o lugar é estreito e sobe em curva. O Alexandre fez de tudo, mas parecia mesmo que esse era um demônio que ele não estava a fim de encarar guiando. Também pudera, sua condição psicológica já deveria estar em frangalhos somada ao excesso de gasto energético ao qual tinha passado para trazer nossa corda guiando até o momento. Ele resmungava ao longe, como se tentasse levar os capetas guardadores de chaminé na conversa, mas não teve jeito e não houve reza e nem oração que fizesse com que deixassem o nosso amigo passar, seria preciso chamar alguém tão ruim quanto aqueles filhotes de satanás.

                Ainda lá embaixo, passando frio e apreensivos quanto ao rumo daquela “expedição”, três escaladores quase que brigavam para não ir, ou ao menos, não ser o primeiro a tentar salvar aquela escalada, já que o nosso principal guerreiro já estava meio fora de combate grudado na parede mais acima. Nessa luta do bem contra o mal, cada um se defende como pode e eu já usei minha arma principal, que é a de persuasão e logo tentei convencer que o DEMA era o cara perfeito para aquele enfrentamento, olha só que ironia, o mesmo cara que saiu desacreditado porque estava há muito tempo afastado da escalada. Mas o Dema foi o cara que se apresentou primeiro mesmo, parecia ser o cara mais confiante naquele momento e eu e o Vinícius torcíamos muito para que desse certo, senão teríamos que sair da nossa zona de conforto, que nem era tão confortável assim, e nós mesmo tentarmos fazer aquilo que a gente sabia que teríamos que fazer.   
                Assim foi feito, com as nossas bênçãos, o Dema grudou naquela parede e subiu até onde estava o Alexandre e daí para a frente mal ouvíamos a conversa entre os dois, somente quando o Dema gritava para que os demônios que o atormentava fosse saindo do seu caminho é que ouvíamos a sua voz. O Alexandre auxiliava ele, mas ali não é a técnica que prevalece, é a força interior é a vontade de não cair e de permanecer grudado à parede, a vontade de chegar ao final da chaminé, e só o Dema poderia narrar esse sentimento, o certo é que quando ele gritou:" cheguei", o ecoo da sua voz chegou ao nossos ouvidos lá embaixo e houve um misto de felicidade e satisfação, era a certeza de que havíamos dado um grande passo para que aquela escalada terminasse com sucesso.
                Chegando na Ponta da Chaminé da Unha, o Dema puxou o Alexandre, fazendo o "segue" dele e quando esperávamos que seria a nossa vez de nos juntarmos aos dois, o próprio Alexandre pediu que esperássemos porque não havia mais lugar lá encima e que primeiro faria a proteção para que o Dema fosse ao cume e nos esperasse lá, era mais do que justo.
                Quando o Vinícius partiu de vez, foi que me vi só naquele mundo hostil, encravado no meio de um vale selvagem, quase no cume de uma das formações rochosas mais espetaculares do todo o planeta. O Vinícius chegou ao topo da unha, não sei como, não sei de que maneira, não sei que tipo de enfrentamentos teve nesse seu martírio, só sei que quando ele gritou que o "segue" já estava pronto e que eu poderia subir, não deu nem tempo de fazer o sinal da cruz porque a ansiedade era tanta que eu já estava a uns dois metros do chão, totalmente inebriado pelo aquele momento mágico. No começo a subida parece impossível, mas pensando bem, mesmo apertado e quase que usando os dentes para conseguir ganhar altura no início, é muito melhor do que o que estava por vir. Logo chego à primeira proteção, onde consigo encaixar os pés e tomar fôlego, tiro a corda da costura e ao olhar para cima ainda me dou conta que faltam uns 15 ou 20 metros de chaminé, Jesus!
                Naquela Chaminé dos infernos pouco importa se você está guiando ou se está indo de "segue", ali os seus demônios interiores vão te colocar à prova. Quando meus pés deixaram aquele ultimo patamar e virei com as costas agora para pedra da unha, foi como se todos os demônios pulassem para cima dos meus ombros. Milímetro a milímetro fui vendo aquela parede passar diante dos meus olhos e o demônio da dor foi o primeiro a tentar me derrubar pelo tornozelo, já bastante inchado pela torção na trilha de acesso. Me concentrei o máximo que pude, as pernas tremiam e a cada metro ganho, mais infeliz eu ficava porque via o chão cada vez mais distante. “Não quero cair, não vou cair, sai pra lá cão dos infernos, cadê o fim disso meu Deus do céu? ‘ Minha cabeça parece girar, não quero olhar pra baixo, mas é o instinto ou é a tentação do além que me força a fazer isso. A cada metro subido, a chaminé vai ficando mais larga e mais difícil de se sustentar, já perdi a concentração, mas continuo mirando somente a costura que está acima da minha cabeça, não quero nem saber, vou me agarrar nela quando lá chegar, mas quando lá chego, ela já ficou para baixo dos meus olhos e nem serve mais para nada mesmo, só faço seguir adiante confiando que o Vinícius ainda vai estar lá para me receber e não o chifrudo guardião do lugar. Na hora que minhas duas mãos tocam a aresta afiada do topo da CHAMINÉ DA AGULHA DO DIABO e prendo minha solteira nos cabos de aços que vão levar ao estirão final, mentalmente dou uma banana para aquele diabólico abismo em forma de chaminé. “ Não foi dessa vez que vocês nos venceram, seus desgraçados!
                Sentei-me ali na ponta da Agulha na companhia do Vinícius, já que o Alexandre também  havia partido para o cume. Aliás, a visão do estirão final até o cume é algo impressionante, uma ponta de pedra lisa e que se não fosse a instalação de um potente cabo de aço, seria impossível ir ao cume dessa montanha. O tempo está perfeito, mal ventava nesse dia, lá encima muito mais quente que dentro daquela chaminé. Tomei  folego, apreciei a paisagem ao redor e quando a “segui” vindo dos meninos do cume ficou pronta, me grudei aos cabos de aço e clipei minha solteira para o derradeiro lance antes da conquista final.

         (subida final)
                Esse é o nono lance, o que antecede o cume, e olhando para ele você acha que vai ser uma moleza e que vai passar com os pés nas costas. Eu também achei e me lasquei bonito, porque entrei nele todo displicente, somente pensando no topo e por isso mesmo fui com tanta sede ao pote que levei um escorregão e dei um tranco nos braços. Aquela pedra é extremamente lisa, é preciso procurar as aderências certas e botar uma força descomunal, além de ter que ir passando a sua solteira de um lado para o outro até que finalmente consigo avistar o Dema e o Alexandre junto à caixa do livro de cume. Estava definitivamente vencido os 2050 metros da AGULHA DO DIABO e quando lá cheguei, já não havia mais nenhum diabo para chutar a bunda, os meninos já haviam feito o serviço sujo e quando o Vinícius se juntou a nós, foram calorosos os abraços de comemoração, havíamos conquistado o PENHASCO FANTASMA, como era conhecida essa montanha nos seus primórdios.

                O topo é minúsculo, mas muito maior do que havia sido alardeado por outros escaladores, tanto que depois ouvimos uma história de que alguém havia acampado no cume com uma barraquinha e se o topo não é lá grande coisa, a paisagem ao redor é grandiosa. Para muitos estar no cume daquela montanha lendária poderia ser somente mais uma escalada, mas para nós era mesmo uma grande honra, como eu havia dito, não somos pertencentes as comunidades de escaladores tradicionais, somos mais um grupo de amigos do interior Paulista que um dia ousou se juntar para aprender os rudimentos da escalada e olha só aonde fomos parar. Aquilo era incrível, quanta montanha linda ao nosso redor, quantos abismos colossais, que paisagem fenomenal !

         ( Cume)
               Já passava das cinco da tarde e era preciso parar de sonhar e voltar ao mundo dos homens, muito porque, subir é só a metade do caminho e já é sabido que a maioria dos acidentes acontecem nas descidas. Assinamos o livro de cume e já demos início ao primeiro rapel que num primeiro momento vai nos devolver até o topo da unha. A descida do cume da Agulha do Diabo até topo da chaminé da unha é um dos piores rapeis que eu já enfrente na vida. É necessário descer a pedra lisa, atrelando a solteira ao cabo de aço porque é muito grande a chance de se escorregar e fazer um pendulo que vai rodopiar no vazio. A gente vai descendo e a força da gravidade vai te jogando para fora da pedra, te empurrando, como se quisesse te chutar para fora da montanha.

                Uma vez no topo da unha da chaminé, o segundo rapel não é por dentro dela e sim por fora, uma descida não muito melhor que anterior e só não é pior porque alguém serve como anjo lá embaixo, guiando a corda para fora dos abismos até que se chegue em segurança no platô da unha, juntamente enfrente de onde está a placa homenageando os conquistadores.

       
                Quando desclipo a corda e me achego ao próximo rapel, o terceiro em questão, nem encontro mais o Alexandre e o Dema, que já desceram com a outra corda  e já vão se encaminhado e adiantando o caminho. Nesse terceiro rapel vamos descer direto do platô da unha até a entrada inicial das chaminés em “L”, bem de frente para o pico do Diabinho, o que vai nos fazer cortar todo o caminho. Quando o Vinícius fecha a descida, ajudo ele  enrolar a corda e juntos já pegamos a trilha, passamos novamente por dentro da caverninha e descemos até onde termina a quarta enfiada, aquele lance que você caminha beirando a parede rochosa. Nesse ponto encontramos dois “P” e nele já vemos a corda instalada que vai se enfiar por dentro de um mato e esse será o quarto e penúltimo rapel. Ao chegarmos ao patamar mais abaixo, agora sob a luz das nossas lanternas, finalizamos o último rapel, o quinto e descemos todos em segurança aos pés da Agulha do Diabo, perfazendo assim quase sete horas de escalada entre subir e descer.

              ( Pico do Diabinho)
                Conquistada aquela montanha, agora era preciso sair vivo daquele buraco. Sem muitas delongas já estávamos de volta à Gruta da Geladeira, mas ao invés de nos enfiarmos no buraco no teto e voltarmos para útero da nossa mãe, aproveitamos um “P” instalado encima da gruta e improvisamos um rapel até o chão e sem perder tempo fomos descendo aquele vale de pedra no escuro, escorregando nos patamares rochosos até chegar na curva que vai nos levar de volta para cima. É uma subida de matar mula, coisa que nem nos demos conta quando estávamos descendo, talvez pela ansiedade da escalada, mas agora é um tormento. Aquilo é praticamente outra escalada e a canseira e o sono vão tomando conta da gente e quando saímos desse racho da montanha e nos vimos na parte plana, foi como se tirássemos uma tonelada das nossas costas. O Alexandre ia à frente porque conhecia mais a trilha e sem que nos descemos conta, pegamos uma bifurcação errada. Gritei para o Alexandre que estávamos confusos e ele murmurou algo sem sentido e eu acabei indo parar numa falsa trilha, descendo em um mato alto e me perdendo e aí tive que varar um capim no peito e subir trepando um barranco íngreme e enquanto fazia isso, ia fazendo elogios à mãe do Alexandre por não ter nos esperado naquele trecho. Interceptamos a trilha da descida final e logo caímos morto novamente no Acampamento Paquequer.

       
                Ao chegarmos ao Paquequer, o Alexandre já foi dizendo que não ia acampar ali de jeito nenhum, que ali era muito úmido e que ia passar um frio do cão. Eu por mim teria desmaiado por ali mesmo, mas como o Vinícius e o Dema também não quiseram enfrentar a “tirania” do Alexandre, pouco me importei e quando eles levantaram a bola de fazer uma janta quente antes de partirmos para talvez acamparmos no gramado do Abrigo 3, eu já estava com o fogareiro ligado tostando o bacon.
                Já era bem tarde quando partimos e deixamos aquele vale para trás. Escalamos as rampas de pedra até o mirante, nos embrenhamos na mata morro acima até saírmos de vez na trilha principal que desce da Pedra do Sino e nos pomos a caminhar mais rapidamente, agora com a visão deslumbrante das luzes de Teresópolis no vale. Ao chegarmos no Abrigo 3, um infeliz dos infernos teve a ideia de querer continuar a caminha a fim de bivacarmos na grande toca que fica há mais ou menos uma hora do final da caminhada. Nessa hora eu já não tinha mais vontade de dar opinião nenhuma, eu era só um zumbi tomado pela vontade de ver o fim daquela aventura terminar em algum lugar que pudesse esticar o esqueleto. Caímos de vez novamente naquele zig-zag irritante e uma hora depois, ao pararmos para tomar um folego, já havíamos tocado o foda-se e decidido não dormir em mais nenhuma toca, iríamos sair do parque seja lá que hora fosse.
                A madrugada já ia alta e a gente ainda estava presos naquela trilha e pior, até os caras novinhos não faziam outra coisa senão a de amaldiçoar aquele caminho. Teve uma hora que o grupo se dispersou. Minha lanterna já não clareava mais nada e eu mal enxerguei quando a tal gruta passou ao meu lado. Eu já nem caminhava mais, meu pé já parecendo uma bola, apenas fazia com que eu me arrastasse em transe e não demorou muito para  o Alexandre me ultrapassar e me por na condição de fiofó de tropa. Pensei em parar, sentar, deitar um pouco para aliviar os pés e as dores nas costas por causa da mochila, mas não estava querendo passar atestado de molenga, tinha uma reputação a zelar e quando ouvi o barulho de água me animei um pouco e tirei forças para desembocar de vez no asfalto da barragem, já dentro da sede do Parque Nacional da Serra dos Orgãos e sem perder tempo já descemos pelo asfalto até onde havíamos deixado o carro estacionado. Passamos pela portaria do Parque, demos baixa na nossa saída e ganhamos a estrada e voltamos novamente ao posto de gasolina aos pés do Escalavrado, chegando depois das 2 da manhã, 20 horas depois de termos partido daquele mesmo ponto.
                Ninguém queria saber de nada e eu muito menos, tanto que quando me deitei em um lugar qualquer naquele posto de gasolina, já ameacei de morte o primeiro cara que inventasse de me acordar antes das oito da manhã. Quando o dia amanheceu e o sol ameaçou nos despejar, pegamos nosso caminho e voltamos para a nossa aldeia , perdido num canto esquecido do interior Paulista.
       
                Na semana que antecedeu a escalada, a maioria teve insônia e a ansiedade tomou conta de praticamente todo mundo. Naquele momento cada qual travava uma batalha ferrenha, era uma guerra silenciosa contra os seus próprios demônios interiores. Parece ter ficado claro que todos os tais demônios narrados nesse relato, nada tem a ver com personagens malignos, tirados de qualquer religião, é tão somente a materialização dos nossos medos, das nossas angustias, das nossas frustrações. Temos medo do fracasso, medo de não dar conta da empreitada que nos propusemos a realizar, medo de falhar e por consequência, nos quebrar, mas quando esses medos são domados, esses demônios exorcizados, aí a gente cerra os punhos e comemora a vitória, aí a gente volta para casa feliz, porque a luta valeu a pena, descobre que não vencemos só uma montanha, mas vencemos a nós mesmos. E aquela AGULHA nem era tão do Diabo assim, haja vista que nos fez voltar para casa com um belo sorriso no rosto, nos fez voltar para casa muito mais satisfeitos, porque juntamos um grupo de velhos amigos num só objetivo: Escalar uma das mais incríveis montanhas do mundo e celebrar a vida.
       
                                                                                                    
                                                                                                     Divanei Goes de Paula - julho/2018
       
      NOTA IMPORTANTE: Esse relato foi escrito de uma forma simples para que as pessoas que não são ligadas a escalada possam enterder, muito porque, eu mesmo  sou apenas um montanhista que aprendeu os rudimentos da escalada  para poder ir ao cume de montanhas como a Agulha do Diabo e o Dedo de Deus, portanto, se você é escalador profissional ou graduado, leve isso em consideração antes de tecer elogios a minha mãezinha (rsrsrrsr) . Abraços a todos.
       
               
               
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Preparação
      Mais uma vez começamos um planejamento para uma trip em grupo, e acabamos terminando em dois só, kkkk.
      Levantamos muita informação, dados, e dicas. Não é segredo algum que minhas viagens geralmente não contam com guia contratado, eu mesmo navego e planejo tudo. De posse das informações, havíamos levado dois meses aprendendo sobre a Serra dos Órgãos, talvez por isso as pessoas desistiram. Tiveram tempo de pensar no que fariam. Encarar uma grande aventura exige mesmo espírito livre.
      A Grande Jornada
      Em 19/07/19 saímos de Campo Mourão às 00:00, foram 1.100 km de estrada, cerca de 17h de viagem. Ainda bem que um dos passageiros que me acompanhou (BlaBlaBla Car) se dispôs a dirigir entre São Paulo e o Nova Iguaçú. Foi um dia todo na estrada. Chegamos em Terezópolis já se passavam das 17:50; o primeiro furo da viagem. Eu havia estimado chegar em Tere dia 20/07 antes das 17h e conseguir viajar até Petrópolis no mesmo dia ainda, dormindo próximo da portaria lá. Doce ilusão, já era noite e tive de procurar um camping ainda, mas tudo certo os Óreas (deuses da montanha) sempre fazem certo.
      Paciência ... tenha paciência.
      Levantamos acampamento ás 06:00, que é a hora que abre (deveria abrir) o Parque em Tere. Chegamos na portaria para guardar o carro e lá estava um aglomero de gente, logo fiquei sabendo que a recepcionista não tinha chegado. Foram 45min de espera, enquanto isso ia aumentando a fila. Quando a mulher chegou já armou-se um fuzuê danado, o povo queria brigar ao invés de me deixar fazer checkin. Com muito trabalho consegui fazer o meu checkin e deixei o povo lá batendo boca.
      Com o carro estacionado voltei para a portaria na esperança de um Uber me levar a Petro. Outra trabalheira danada, uns cinco motoristas recusaram a viagem, chegaram a pedir dinheiro por fora pra fazer o carreto, mó sacanagem. Mas o sexto Uber não hesitou e nos levou ao destino.
      Dia 1, subida, subida, s u  b   i    d     a      .        .          .
      Às 10:15 começamos a trilha, foram 7h de subidas sem fim, mas com um visual de tirar o fôlego, até o desgaste físico passa desapercebido diante da exuberância da mão verde.
      Quase todo o dia foi por dentro do Vale do Bomfin subindo suas encostas. Quase no fim do dia chegamos a Isabeloca de onde já podemos avistar a Baía de Guanabara e os Castelos do Açú, nossa parada para dormir. No final da tarde, o pôr do Sol visto do Morro do Açú foi apaixonante. Leia mais aqui.




       
      Dia 2, sobe e desce, sobe e desce...
      O segundo dia é o mais intenso de toda a travessia, e provavelmente um dos mais belos dias que você pode passar na vida. Toda a cadeia da montanhas da Pedra do Sino ficam de frente para nós. A navegação também é mais complicada, presenciamos alguns grupos perdidos (geralmente pessoas sem experiencia ou fanfarrões).
      A cada descida uma subida maior esperava do outro lado, mas tinha-mos a certeza que o visual depois da ascensão e durante a próxima descida seriam ainda mais incríveis. Foram cerca de 8 km, caminhamos por 6 morros (Morro do Açú, Morro do Marco, Morro da Luva, Morro do Dinossauro, Pedra da Baleia e Pedra do Sino), é nesse trecho também que ficam os obstáculos mais difíceis (Elevador, Lajão, Grotão e Cavalinho). Eu particularmente me apaixonei pela pedra conhecida como Garrafão, talvez seja a lembrança que ela me traz que tenha me conquistado. Foi um dia realmente incrível e às 17h novamente chegamos no Abrigo. Ainda tive tempo de tomar um banho frio numa tarde de 4º C. Leia mais aqui



       
      Dia 3, uma corridinha para encerrar a travessia.🏃‍♂️
      Levantei com o escuro e subi novamente na Pedra do Sino contemplar a sinfonia de Apolo ao empurrar seu Astro sobre as montanhas.
      Saímos do abrigo às 07:15, a partir daí só descida praticamente uma trilha bem relax, com a oportunidade de avistar Teresópolis de cima, o Morro da Caledônia e os Três Picos no horizonte. De brinde uma vista por entre as montanhas da Granja Comari, onde um dia já treinou uma seleção de dar medo. Chegamos na barragem às 11:00 fizemos a trilha suspensa e conhecemos o encanto (Cachoeira Peri e Ceci) onde nasceu uma obra prima nacional: "O Guarani". Deixei a tralha no carro e tomei a trilha para o mirante do cartão postal, logo na entrada li que tinha 1.200 m, e eu com pressa; ainda tinha 1.110 km de rodovia até a casa. Não deixei me abalar, liguei a Go Pro e saí em disparada, em 15 min estava de frente para a formação que encantou os portugueses. Mais 15 min estava novamente no carro, exausto agora.




      Reuni tudo, dei uma parada para repor as calorias e às 14:00 rumava novamente para o Paraná, dessa vez tive de dirigir sozinho por 16h. 06:30 do dia 24 de julho eu deligava o carro com aquela sensação de euforia, sinônimo de missão cumprida, só no aguardo da próxima. Leia o relato completo aqui.
       
    • Por Marina_c_p
      Vou fazer a travessia Petropolis --> Teresopolis agora em Agosto, e gostaria de saber se o parque está exigindo a presença de um guia obrigatório. 
    • Por viniciusgasantos
      Ola
      Farei a travessia Petro-tere pela primeira vez no mes de agosto, de preferencia no fds de 16-18, saindo do rio capital
      Gostaria de saber de mais pessoas que estejam planejando estar por la, podemos combinar carona, resgate e logico, atravessarmos juntos
      cntt [email protected]
    • Por Humbertodown
      Olá pessoal, resolvi criar esse post desde já com intuito de obter muitas informações que possa agregar e me ajudar a começar a me preparar para a primeira travessia de 32 km da Petro - Terê, eu já fiz Pedra do Sino 3 vezes, mas nunca a travessia, estou ansioso, querendo levar o mínimo de peso, mas sabemos sempre que isso é quase impossível, então irei montar a lista dos equipos que provavelmente irei levar já com algumas imagens. Quem quiser deixar dicas eu agradeço. A data da minha travessia será nos dias 06, 07 e 08 de Julho de 2019, alguns amigos que iram comigo farão a travessia em 2 dias (Sábado e Domingo) eu e uma amiga ficaremos até na segunda feira. Ficaremos no Bivaque do Abrigo Açu e no Bivaque do Abrigo 4 (Pedra do Sino) onde já dormi duas vezes no Bivaque e uma no Camping. Ainda preciso comprar uma bota de trilha porque a minha da The North Face esta com o solado gasto, mas acredito que ainda vá dar tempo porque temos alguns meses pela frente, e preciso também de uma calça resistente pra trilha. 
      Vamos a lista de Equipos que já tenho e pretendo levar na mochila e no corpo
      Mochila Trilhas e Rumos 68 litros. 
      Camisetas de Mangas e sem mangas The North Face, Nike, Adidas, Puma todas respiráveis 
      Jaqueta de Plumas de Ganso MacPac Modelo Equinox Alpine Series
      Casaco de Fleece The North Face 
      Saco de dormir Western Mountaineering modelo Versalite -12ºC
      Isolante Térmico EVA Quechua 
      Tripe para máquina fotográfica ou celular e Bastão de Selfie 
      Bastão de Trilha Quechua 
      Lanterna Led de Cabeça 
      Calça Forclaz da Decathlon que vira bermuda
      Bota Quechua da Decatlhon
       
      Ao longo das semanas eu irei postando o que for lembrando e o que a turma recomendar, grato por algum comentário nesse tópico, abraços em todos. 
      No vídeo a seguir esta alguns dos equipamentos pela qual estarei levando para minha travessia.. Jaqueta MACPAC e o saco de dormir WM.
       
       
       
       


       

       




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