Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Peça ajuda, compartilhe informações, ajude outros viajantes e encontre companheiros de viagem!
    Faça parte da nossa comunidade! 

Augusto

A clássica travessia da Serra dos Órgãos - de Petrópolis a Teresópolis

Posts Recomendados

Oi pessoal.

 

 

Ao longo do 1º semestre de 2000 tivemos uma greve na Faculdade em que eu estudava que se prolongou por alguns meses e com tempo disponível no trabalho, decidi fazer uma caminhada. Chamei o Marcos e o Sérgio e resolvemos marcar a travessia da Serra dos Órgãos para o início de Agosto.

Tínhamos a pretensão de fazer em 3 ou 4 dias, mas não conhecíamos nada sobre a travessia e com o retorno das aulas ainda incerto, o Ronaldo se mostrou disposto a embarcar junto com sua namorada na trip.

 

Fotos, mapas e croquis:

 

O Marcos e o Sérgio eram velhos conhecidos de faculdade (até tínhamos feito algumas trilhas juntos) e o Ronaldo eu tinha conhecido naquele semestre, mas parecia que estava disposto a caminhar por vários dias, assim como a sua namorada (no final não aconteceu isso).

Peguei algumas anotações do livro Caminhos da Aventura do Sérgio Beck e também da extinta Revista Família Aventura e sem necessidade de reserva para a travessia junto do PN, lá fomos nós.

 

598dd21b63872_02k-RodoviariadeSP.jpg.11f8fde7b1fa2d77afbf4c5ebc359308.jpg

Na noite do dia 12 de Agosto todos nós 5 (eu, o Marcos, o Sérgio, o Ronaldo e a namorada dele - não consigo lembrar o nome dela) nos encontramos na Rodoviária do Tietê para embarcar em direção a Petrópolis no horário das 23:00 hrs.

O tempo até que estava relativamente bom e a viagem foi tranquila.

Na madrugada o ônibus fez uma parada no Shopping Graal em Resende e pouco antes das 06:00 hrs estávamos chegando na Rodoviária de Petrópolis.

Só foi descer do ônibus e já fomos atrás do circular que seguia para o Terminal Correas e ele até que não demorou muito para sair.

O ônibus seguiu quase que vazio, mas foi lotando ao longo do caminho e como era Domingo encontramos muita gente que estava voltando da balada e conversando com alguns passageiros, ficamos sabendo que no dia anterior tinha chovido muito durante a noite e dava para ver que em vários pontos da serra a neblina encobria tudo.

 

O percurso até o Terminal Correas foi rápido e uns 30 minutos depois já estávamos tomando um outro circular, agora para o Bairro do Bonfim que nos deixaria no vale que dá acesso a portaria do Parque Nacional.

Logo que descemos no ponto final, já arrumamos nossas mochilas e preparamos para começar a subida do vale até a portaria.

Esse trecho é todo feito subindo por uma estrada de terra e conforme íamos subindo, a neblina ao redor dos picos ia se dispersando prometendo um dia de muito Sol.

 

598dd21b6b6ea_02x-SubindooBonfim.jpg.271fec1f860913cccef2f6ff57aa901b.jpg

Ao longo da subida, enquanto ganhávamos altitude, de vez em quando o Rio do Bonfim aparecia à esquerda ou à direita e em algumas das bifurcações tivemos de perguntar qual caminho seguir até a portaria e por volta das 07:30 hrs chegamos.

Aqui tivemos de assinar o Termo de Responsabilidade, colocando os nomes de todas as pessoas que iriam fazer a travessia e fomos avisados de algumas normas do parque.

Enchemos também nossos cantis em uma torneira ao lado, mas que se revelou desnecessário, pois até o Ajax, água de qualidade não é tão difícil encontrar.

Nesse primeiro dia tínhamos a pretensão de chegar até pelo menos o Ajax ou até um pouco mais.

Depois que passamos a portaria, a trilha vai seguindo paralelamente ao Rio Bonfim à esquerda e com isso não ganhávamos muita altitude nesse trecho.

Depois de quase 1 hora de caminhada chegamos a uma bifurcação que leva até a Gruta Presidente.

Se seguíssemos em frente a trilha seguiria até o Morro do Açú, mas resolvemos virar na bifurcação para conhecer a Gruta, que estava toda pichada.

Seguindo a mesma trilha que passa pela Gruta Presidente em cerca de 10 minutos se chega na Cachoeira Véu da Noiva.

 

598dd21b78638_04-CachoeiraVudeNoiva.jpg.8386840ec94205e5704de365f2efcced.jpg

Clics da cachoeira e logo em seguida voltamos para a trilha principal para seguirmos serra acima e daqui para frente a trilha toma um rumo ascendente muito forte e fomos parando em vários momentos, mas apreciando o belo visual do Vale do Rio Bonfim que vai ficando para trás.

 

598dd21b7131d_03-ValedoBonfim.jpg.206d5085dedb4713bec07a845c524ea8.jpg

Depois de mais de 1 hora chegamos na Pedra do Queijo, onde paramos por um certo tempo para descansar.

 

598dd21b7eee8_06-EueoMarcosprximoaPedradoQueijo.jpg.584b16b7385fd01b6bd207362e0b3a94.jpg

Daqui a trilha se torna menos íngreme, mas o Sol nos castigava a todo momento, porque a caminhada é sempre em campo aberto.

Desse ponto em diante, já conseguíamos ver a crista da serra onde chegaríamos no final da tarde e depois de passar por um trecho de vegetação alta, tínhamos novamente um outro vale, do lado esquerdo e o Ajax logo à frente à direita.

 

Ao lado do Ajax existe um ponto de água potável, do lado esquerdo, sendo um bom lugar para reabastecer.

Mais 1 hora desde a Pedra do Queijo e junto do Ajax, vimos uma longa subida íngreme até a crista e só de olhar a inclinação dá para desistir, mas ainda era cedo demais, então resolvemos seguir em frente.

Normalmente da portaria até o Ajax o pessoal chega a fazer em 4 horas de caminhada.

 

Passado esse trecho de subida íngreme, já planejávamos chegar no Açú, mas não contávamos com a neblina (mais conhecida como ruço - se escreve com ç mesmo) que chegou assim que terminamos a subida.

Eu e o Marcos resolvemos deixar nossas mochilas e fomos seguindo pelo chapadão na direção do Morro do Açú para ver quanto tempo ainda tínhamos de caminhada, mas tava arriscado, já que a visão estava prejudicada pela neblina.

 

598dd21b84795_07v-ChegandonoIsabeloca.jpg.a8e53f67be6b0c62102ba4c47c581d98.jpg

Era por volta de 16:00 hrs e resolvemos voltar para o lugar onde o pessoal estava e acampar por lá mesmo.

Segundo anotações do Sérgio Beck, o local é conhecido como Isabeloca e nesse primeiro dia tínhamos vencido um desnível de mais de 1000 mts.

Se não fosse o ruço até poderíamos ter avançado um pouco além, mas já era o suficiente para o dia.

Achamos uma clareira com antigos vestígios de uma fogueira e resolvemos montar as barracas.

 

598dd21b91d48_08f-Nvoachegando.jpg.74cca56b6548fbf24e09ba84c379e342.jpg

598dd21b9966a_08v-Fimdetarde.jpg.647396751f2d28b195a995fc7e1805c2.jpg

Só havia um pequeno problema: tínhamos pouca água e seguir até o Açú, onde havia água, estava fora de questão; o jeito seria descer até um pouco abaixo e procurar águas nos pequenos vales, voltando em direção ao Ajax.

Achamos um pequeno filete de água na subida da crista e ali todos nós se abastecemos para o jantar.

Voltamos para as barracas e de vez em quando o tempo abria e conseguíamos ter vistas a oeste e ao norte, mas a leste e ao sul, o ruço ainda continuava impedindo a visão.

 

598dd21b8ad62_08-CampingnoIsabeloca.jpg.25bb33c30fce3a36bbc7a2609d1d264d.jpg

Nessa noite até que não ventou tanto assim, mas o frio foi muito forte, chegando até a criar uma crosta de gelo nas barracas e nos fogareiros que deixamos fora das barracas, mas o frio foi muito forte chegando a temperatura de -3 ºC.

 

Continua

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

2º dia

 

598dd22cf1aa6_15v-Saindodasbarracas.jpg.0356666542a1a4a5684bdb1ee6c121b4.jpg

598dd22d03f16_13-Tudoencoberto.jpg.37da7fef5cb6942ce3e5bb7acffa1d2f.jpg

Barracas desmontadas e um breve café da manhã, seguimos rumo ao Morro do Açú.

A trilha é bem demarcada e com vários totens, sempre seguindo pela crista no sentido leste.

Depois de pouco mais de 1 hora de trilha, já conseguíamos ver um cruzeiro no alto de uma pedra à esquerda e à direita o Morro do Açú (alguns chamam de Castelos do Açú), que lembrava uma tartaruga.

A visão é impressionante, pois o tempo estava totalmente aberto e o Açú é de uma beleza sem comparação.

 

598dd22d09817_20d-ChegandonoA.jpg.98ba8a837d27aac7741bce36eee4a321.jpg

598dd22d0fc84_20e-Todaagalera.jpg.e212c32741bc5d68b97f86d5b58be31f.jpg

Lá encontramos somente 2 jovens que tinham bivacado embaixo das pedras e diziam que logo estavam retornando para Petrópolis.

Um deles se ofereceu como guia quando dissemos que estávamos fazendo pela primeira vez a travessia e é claro que recusamos.

 

598dd22d15431_23g-PedradoSinoaofundo.jpg.ac74d750a1ebbf75051392e0c9ad7c5c.jpg

Eles nos apontaram a Pedra do Sino visível bem a leste e disse que a trilha até lá era só seguir naquela direção, se orientando por alguns totens.

 

Nos despedimos e logo em seguida voltamos à caminhada, mas a trilha não estava tão visível, já que a vegetação estava um pouco alta, mas fomos nos orientando por alguns totens e com isso não tivemos problemas.

Muitos deles estavam em cima das pedras, então era fácil localizá-los.

Na descida do 1º vale depois do Açú, o ruço voltou novamente e tomou conta de tudo, mas íamos sempre seguindo rumo leste os totens bem visíveis ao longo da trilha.

 

598dd22d1ad05_21-Pnatrilha.jpg.784bdb5264eb31923ec85be8b8879205.jpg

As vezes consultávamos as anotações para ver quantos vales ainda tínhamos de atravessar e se estávamos no caminho certo.

 

598dd22d20aec_24-Ruochegando.jpg.b4087dad5512ec2240af7d6cd7a2f04d.jpg

De vez em quando apareciam algumas aberturas de tempo e já conseguíamos ver o Dedo de Deus e o Pico do Escalavrado bem visíveis à direita.

A subida do primeiro vale não foi fácil, pois existem alguns lances de escalaminhada e + - 1 hora desde o Açú, chegamos no topo do Morro do Marco (conhecido também como Morro da Sela) e aqui uma trilha segue para a direita onde encontramos um enorme totem de pedras (se puder, deixe a sua contribuição).

 

Logo depois a trilha vai descendo a encosta por entre algumas lajes de pedras e tufos de capim até chegar a um trecho de mata fechada onde encontramos um pequeno riacho com água de qualidade.

Desde o topo do Morro do Marco foram cerca de 30 minutos até aqui.

Por entre as árvores vamos subindo a trilha morro acima, mas devido à chuvas dos últimos dias, a trilha estava toda enlameada e escorregadia, fazendo com que a gente parasse várias vezes.

 

598dd22d27d71_29-Fundodevale.jpg.4e6a41e8e61f4fb7e302870c32d39217.jpg

E depois de mais de 1 hora de subida, chegamos na crista do Morro da Luva (na verdade o topo desse morro está bem à esquerda) e nossa direção agora é descer até o vale do outro lado. A continuação da trilha aqui é um pouco confusa, mas é só seguir para direita e depois em linha reta como se estivesse indo na direção do Dedo de Deus e evite seguir nas bifurcações que levam para a esquerda.

Seguimos descendo até quase o fundo do vale, mas sempre mantendo um riacho a esquerda, visto lá do alto.

 

Descendo entre lajes de pedras e tufos de capim e tendo o riacho à esquerda, é possível ver inúmeros totens lá embaixo e alguns que apareciam do outro lado do riacho, por isso atravessamos ele quase lá no fundo do vale.

Aqui a trilha segue para esquerda e vai passando por alguns trechos onde fomos desviando de várias lajes de pedras.

Mais alguns minutos e chegamos a um trecho onde tivemos que pular algumas pedras, pois não havia outra opção. É um local perigoso, pois um escorregão pode ser fatal (hoje em dia colocaram uma pequena ponte de madeira no local - está bem melhor).

Ao atravessar esse trecho, deixei cair todas as anotações que estavam comigo.

Problemão. E agora José?

 

Como nenhum de nós tinha feito a travessia, achamos arriscado seguir sem elas, por isso nem pensei 2x e retirei da mochila uma pequena corda e fiz uma espécie de rapel descendo até o fundo das pedras, onde passava um riacho, a cerca de uns 7 mts de altura. De posse das anotações novamente, voltei rapidamente para a superfície com a ajuda da galera e novamente começamos uma outra subida de morro, mas bem no início da subida, tivemos uma certa dificuldade, pois existe uma parede de pedras bastante inclinada.

Alguns degraus de metal fixados na rocha facilitam um pouco a subida. O local é conhecido como elevador e a subida pelos degraus fixados na rocha é um pouco cansativo.

Seguindo por entre os sulcos e sempre se segurando nos tufos de capim, logo chegamos no topo do Morro do Dinossauro.

O tempo de caminhada desde o Açú até aqui foi de umas 4 horas e meia e aqui outra visão indescritível.

 

598dd22d2f3dd_30-Garrafochegando.jpg.a59c777df96d58ce7eab12f91e38bfa6.jpg

Estávamos diante dos paredões da Pedra do Sino e do Garrafão e aqui paramos para alguns clics.

A galera já estava bastante cansada, então eu e o Marcos resolvemos deixar as mochilas e seguir na trilha para ver se o Vale das Antas ainda estava muito longe (local onde tinha água e bons locais para acampar).

A trilha seguia para a esquerda e vai bordejando o morro, mas depois de caminhar uns 20 minutos chegamos a conclusão que não valeria a pena, já que estava um pouco tarde e o resto do pessoal não aguentaria, por isso resolvemos voltar e montarmos nossas barracas em um local plano bem de frente para os paredões.

 

598dd22d390db_31-CampingdefrenteparaoGarrafo.jpg.a43e84e88fa8009daecaa821d36466e2.jpg

Acampar no Morro do Dinossauro até que se revelou uma ótima escolha, pois o pôr do Sol foi maravilhoso.

598dd22d4872f_34-Fimdetarde.jpg.6db64f7d705d1fb133a1b30d3cbcf6b1.jpg

 

Água tínhamos em pouca quantidade, mas que serviria para o jantar e a única desvantagem do local era que estávamos exposto demais, então procuramos fixar bem as barracas, mas a noite foi tranquila, sem ventos.

598dd22d41d30_33-GarrafoePedradoSino.jpg.5dadbde6e82119fd9d0e53db665a7ae5.jpg

 

Continua

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

3º dia

 

598dd22d4fe6f_35-AoladodoGarrafo.jpg.d8b2aef36152cc197c2e853129ae9979.jpg

Na manhã do terceiro dia, a galera já estava bem mais descansada e disposta a chegar no topo da Pedra do Sino.

Seguindo para esquerda, a trilha vai ao mesmo tempo subindo e bordejando o pequeno morro e depois de uns 20 minutos chegamos no topo do Morro da Tartaruga. Agora é só seguir pelas lajes de pedra contornando pela direita até avistar um local plano: o Vale das Antas, onde chegamos depois de quase 1 hora.

O Vale das Antas é um ótimo local para acampar, com um pequeno riacho que passa ao lado. O problema é que muitos não respeitam o local e não é difícil encontrar fezes em alguns lugares e por isso a qualidade da água não é confiável (hidrosteril é obrigatório se for pegar água).

 

Aqui a continuação da trilha é só atravessar o riacho um pouco mais abaixo, do lado direito.

Daqui para frente ela vai subindo por entre o bambuzal e as árvores, mas que é bem fácil de encontrar.

O problema é que ela estava enlameada e quando cruzamos com um pequeno riacho, em uma área de brejo, tivemos que enfiar o pé na lama, literalmente.

Daqui para frente surgem algumas bifurcações para a direita e logo emergimos no capim elefante. Outras bifurcações aparecem, mas procure sempre seguir nas da esquerda (as da direita provavelmente levam para a beirada do precipício). O lugar é conhecido como Vale dos Ecos; faça um teste para saber.

Subindo pela trilha, logo passamos em cima de uma pedra que lembra o dorso de uma baleia e aqui paramos para descansar um certo tempo e apreciar o lindo visual por onde tínhamos passado. Mais uns 15 minutos de subida pela crista e alcançamos o topo, onde existem alguns lugares planos.

 

Seguindo para a direita, descemos por uma pedra onde tivemos que tirar as mochilas e um ajudando o outro, passamos fácil por aqui.

A trilha agora segue por um dos piores trechos, o da canaleta da Pedra do Sino.

 

598dd22d56694_38-LateraldaPedradoSino.jpg.96b5fafa92accce5347f46cc3b53451e.jpg

O perigo aqui é cair no abismo do lado esquerdo. Existe um trecho chamado de Cavalinho onde tivemos de tirar as mochilas e subi-las com a ajuda da corda uma a uma e aí seguimos em frente.

 

598dd22d5c8f6_40-Galeranacanaleta.jpg.174380bf8ed460dd2710f2c7d3fb1996.jpg

Mais uns 15 minutos chegamos em um ponto onde existe uma escada de metal e seguimos subindo pela estreita canaleta para emergir de frente para um cata-vento que fornece energia para o Abrigo 4.

Aqui resolvemos seguir na trilha para a direita até o topo da Pedra do Sino subindo pelas lajes de pedra em zig-zag e depois de umas 4 horas desde o Morro do Dinossauro alcançamos o nosso objetivo.

 

598dd22d627c5_41-NotopodaPedradoSino.jpg.a81a04202037cc6f6ced41c5e64128c0.jpg

Depois de vários clics com vistas desimpedidas em todas as direções, onde conseguíamos visualizar até o Cristo Redentor, comemoramos.

 

598dd22d6991d_45v-Soueu.jpg.31a35e76b0dc4a03e3bace7b4f62be7f.jpg

O topo da Pedra do Sino é lindo e se tem um visual de toda a Baia da Guanabara e de toda a crista da Serra dos Órgãos.

 

598dd22d70f07_50-Galeradenovo.jpg.8314a89f3215e07cfa0529b6d4b31730.jpg

Descansamos por um certo tempo e seguimos em direção ao Abrigo 4, onde nos abastecemos de água e resolvemos descer para Teresópolis.

Tínhamos a informação que saia um ônibus da cidade no horário das 22:00 hrs para Sampa, mas nenhuma garantia se encontraríamos passagens para nós 5, mas mesmo assim resolvemos arriscar.

 

A trilha de descida é bem demarcada e bem longa e depois de 4 horas desde o Abrigo 4, chegamos ao final da trilha e ao trecho asfaltado, que na verdade é uma estrada de paralelepípedos que leva até a portaria.

O problema é que já tinha escurecido e o stress tinha tomado conta de alguns.

Em uma trilha como essa, sempre tem alguém que fica para trás e não deu outra: o Ronaldo discutiu com sua namorada e resolveu seguir na frente, só porque estávamos acompanhando sua namorada que estava lenta demais e cerca de 1 hora desde o fim da trilha chegamos na portaria do parque.

 

Já era por volta de 20:00 hrs e não encontramos ninguém para efetuar o pagamento da travessia e ao passarmos pelo portão principal, o guarda só pediu os nossos nomes para dar baixa na nossa saída.

Já fora do parque tivemos que caminhar rapidamente até o ponto final de um circular onde pegamos um ônibus em direção a Rodoviária, chegando um pouco antes das 21:00 horas.

 

598dd22d78077_53-NaRodoviriadeTerespolis.jpg.e093fd420220c50b756a7af9ef5dfb4f.jpg

Aqui demos sorte porque encontramos as 5 passagens para Sampa onde chegamos no dia seguinte pela manhã cansados, mas felizes por termos feito a travessia. Agora era voltar para as aulas.

Cerca de 1 ano depois, em Julho/2001 retornei sozinho para fazer a travessia novamente.

Fotos:

 

 

Abcs

Bote.JPG.1b4c63cc8ce82addf01dde80496b3a06.JPG

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Em 1998, dando proseguimento a minha febre de exploração, parti com mais 2 amigos pra fazer a travessia. O tempo estava extremamente ruim. Choveu o tempo todo e nossa barraca inundou e ficou com um palmo de água dentro. Pra piorar não dava pra enxergar uma palmo na frente do nariz. Naquele feriado todos desistiram da travessia, apenas nós , juntamente com 2 Petropólitanos seguimos em frente. Fomos apanhados pelo mau tempo junto ao vale das Antas. Quase morremos todos de hipotermia e acreditem se quiser, tivemos que atravessar o corrego das Antas a nado. Pra piorar, seguindo o conselho dos meninos de Petrópolis, tentamos sair sem pagar as taxas do Parque e fomos presos pelo Ibama.

Voltei lá o ano passado e fiz a travessia também com o tempo ruim e mais uma vez, passei um frio desgraçado. Mas tive o prazer de contemplar uma paisagens, que se ve em poucos lugares do mundo.

PARABÉNS AUGUSTO, por fazer me lembrar destas histórias inesquecíveis.

20101010202628.jpg

20101010202744.jpg

20101010202903.jpg

20101010203018.jpg

20101010203239.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Blz Divanei.

 

Presos pelo IBAMA?????

Que roubada foi essa?

Nessa travessia que a gente fez até queriamos pagar no final, mas não tinha ninguém lá. Até já tinhamos separado o valor. Hoje em dia tá caro p/ caramba fazer essa travessia. Querem segregar cada vez quem faz essa caminhada.

 

Pegar tempo ruim nessa travessia é risco de se perder. Principalmente hoje em dia.

Nas 2x eu que passei por lá, só tivemos problemas com o ruço (a famosa neblina da região), mas ela é passageira.

Em vários relatos que eu já li dessa travessia, o pessoal sempre fala dos totens falsos.

Antigamente isso não tinha. Os totens eram bem visíveis e dava p/ fazer a caminhada só se orientando por eles.

 

Deve ter chovido muito então hein. Esse riacho do Vale das Antas hoje em dia é bem pequeno que dá p/ ser cruzado só com um pulo.

Mas p/ nós que moramos no estado de SP fica complicado ir p/ lá e depois desistir e voltar p/ casa né?

Acho que seu eu fosse vc também não teria desistido viu.

Minha última travessia lá foi em 2001 e ainda volto lá qqer dia desses, mas no inverno.

 

 

 

Valeu

 

 

 

 

Em 1998, dando proseguimento a minha febre de exploração, parti com mais 2 amigos pra fazer a travessia. O tempo estava extremamente ruim. Choveu o tempo todo e nossa barraca inundou e ficou com um palmo de água dentro. Pra piorar não dava pra enxergar uma palmo na frente do nariz. Naquele feriado todos desistiram da travessia, apenas nós , juntamente com 2 Petropólitanos seguimos em frente. Fomos apanhados pelo mau tempo junto ao vale das Antas. Quase morremos todos de hipotermia e acreditem se quiser, tivemos que atravessar o corrego das Antas a nado. Pra piorar, seguindo o conselho dos meninos de Petrópolis, tentamos sair sem pagar as taxas do Parque e fomos presos pelo Ibama.

Voltei lá o ano passado e fiz a travessia também com o tempo ruim e mais uma vez, passei um frio desgraçado. Mas tive o prazer de contemplar uma paisagens, que se ve em poucos lugares do mundo.

PARABÉNS AUGUSTO, por fazer me lembrar destas histórias inesquecíveis.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Augusto,

Na decada de 90, você entrava pela portaria de Petrópolis e só pagava as taxas em Teresópolis. Acontece que os 2 garotos de Petrópolis que estavam conosco não tinham dinheiro pra pagar e então eles sugeriram sair ao lado da portaria, cruzando o rio.Fizemos uma operação de guerra pra empreitada dar certo, só não contávamos que o pessoal do Ibama já tinha "ganhado a fita" . Quando pulamos a cerca já na estrada, caimos quase encima da van do Ibama e aí não teve geito, presos por algumas horas e multados. Foi hilário.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

E aí Divanei.

 

Um p. perrengue como esse e vc ainda não criou um relato desse episódio?

Vai dar um bela estória.

 

 

Abcs

 

 

 

Augusto,

Na decada de 90, você entrava pela portaria de Petrópolis e só pagava as taxas em Teresópolis. Acontece que os 2 garotos de Petrópolis que estavam conosco não tinham dinheiro pra pagar e então eles sugeriram sair ao lado da portaria, cruzando o rio.Fizemos uma operação de guerra pra empreitada dar certo, só não contávamos que o pessoal do Ibama já tinha "ganhado a fita" . Quando pulamos a cerca já na estrada, caimos quase encima da van do Ibama e aí não teve geito, presos por algumas horas e multados. Foi hilário.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Então Augusto,

Esta é uma parte das minhas aventuras quando a grana era muio mais curta que agora, os equipamentos improvisados e a experiência era quase nenhuma. Saia na cara e na coragem e tocava sempre o foda-se. Essa história alem de muito cômica quase nos levou realmente a morte por hipotermia. Pura porralouquisse, que agora anos depois ainda nos rende muitas risadas. Não temos nenhuma foto, só apenas uma filmagem em fita vhs. A viagem pra começar foi de carona em um caminhão até o Rio. É uma pena que passado quase 15 anos desta caminhada, os amigos daquela aventura sumiram das trilhas, foram fazer outras coisas, cuidar das proles, tentar inrriquecer e se esqueceram das coisas simples da vida, perderam o gosto pela aventura. Quem sabe eu ainda escreva alguma coisa algum dia. Um abraço.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Augusto,

 

Queria tirar uma dúvida sobre a Travessia, nos locais permitidos para acampar é possível camping com barraca que não seja autoportante?

 

Valeu

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

E aí Marcelo.

 

As barracas autoportantes que não precisam de estacas p/ montá-las podem ser usadas em qqer parte da travessia, principalmente nos pontos de campings oficiais do Parque, que são no Açú e na base da Pedra do Sino.

Esses são lugares protegidos e vc sempre encontra pedras p/ fixar melhor a barraca.

Em caso de emergencia em outros pontos da serra, aí o que vale é o bom senso.

 

 

Abcs

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por Marina_c_p
      Vou fazer a travessia Petropolis --> Teresopolis agora em Agosto, e gostaria de saber se o parque está exigindo a presença de um guia obrigatório. 
    • Por viniciusgasantos
      Ola
      Farei a travessia Petro-tere pela primeira vez no mes de agosto, de preferencia no fds de 16-18, saindo do rio capital
      Gostaria de saber de mais pessoas que estejam planejando estar por la, podemos combinar carona, resgate e logico, atravessarmos juntos
      cntt [email protected]
    • Por Humbertodown
      Olá pessoal, resolvi criar esse post desde já com intuito de obter muitas informações que possa agregar e me ajudar a começar a me preparar para a primeira travessia de 32 km da Petro - Terê, eu já fiz Pedra do Sino 3 vezes, mas nunca a travessia, estou ansioso, querendo levar o mínimo de peso, mas sabemos sempre que isso é quase impossível, então irei montar a lista dos equipos que provavelmente irei levar já com algumas imagens. Quem quiser deixar dicas eu agradeço. A data da minha travessia será nos dias 06, 07 e 08 de Julho de 2019, alguns amigos que iram comigo farão a travessia em 2 dias (Sábado e Domingo) eu e uma amiga ficaremos até na segunda feira. Ficaremos no Bivaque do Abrigo Açu e no Bivaque do Abrigo 4 (Pedra do Sino) onde já dormi duas vezes no Bivaque e uma no Camping. Ainda preciso comprar uma bota de trilha porque a minha da The North Face esta com o solado gasto, mas acredito que ainda vá dar tempo porque temos alguns meses pela frente, e preciso também de uma calça resistente pra trilha. 
      Vamos a lista de Equipos que já tenho e pretendo levar na mochila e no corpo
      Mochila Trilhas e Rumos 68 litros. 
      Camisetas de Mangas e sem mangas The North Face, Nike, Adidas, Puma todas respiráveis 
      Jaqueta de Plumas de Ganso MacPac Modelo Equinox Alpine Series
      Casaco de Fleece The North Face 
      Saco de dormir Western Mountaineering modelo Versalite -12ºC
      Isolante Térmico EVA Quechua 
      Tripe para máquina fotográfica ou celular e Bastão de Selfie 
      Bastão de Trilha Quechua 
      Lanterna Led de Cabeça 
      Calça Forclaz da Decathlon que vira bermuda
      Bota Quechua da Decatlhon
       
      Ao longo das semanas eu irei postando o que for lembrando e o que a turma recomendar, grato por algum comentário nesse tópico, abraços em todos. 
      No vídeo a seguir esta alguns dos equipamentos pela qual estarei levando para minha travessia.. Jaqueta MACPAC e o saco de dormir WM.
       
       
       
       


       

       



    • Por tabatajac
      Conhecida como uma das travessias mais bonitas do país, a travessia Petrópolis x Teresópolis é feita dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e conta com aproximadamente 30 quilômetros de trilha, que podem ser feitos em um, dois ou três dias.
      Antes de mais nada, é preciso comprar os ingressos no site do Parnaso e, se for fazer a trilha em mais de um dia, pagar pela sua estadia, que pode ser em camas beliche ou bivaque dentro do abrigo, ou no camping. Vale lembrar que em feriados, principalmente no inverno, a travessia fica bem cheia e os abrigos esgotam rápido. Nós demos sorte e pegamos uma desistência, conseguindo fazer no feriado de 7 de Setembro.
      Para quem fica no abrigo, é disponibilizado panelas, utensílios de cozinha, fogão e banheiro com (pasmem!) água quentinha. Já para quem fica no camping, você também vai poder usar o banheiro para tomar banho, além de outro banheiro do lado de fora do abrigo e um ponto de água, onde dá para encher as garrafas e lavar as panelinhas e utensílios que você levar.
      No total, pagamos R$ 102,00 cada um, incluindo o valor da travessia (R$ 26 da trilha e R$ 26 de adicional de fim de semana), duas noites de camping (R$ 10 cada uma) e dois banhos (R$ 15 cada um).
      O próprio site do parque oferece informações oficiais sobre a travessia, sempre vale dar uma olhada.
      DIA 1 – Petrópolis x Castelos do Açu
      Distância: 8 km
      Tempo: 7 horas
      Ganho de altitude: 1.145 metros
      Saímos do Centro de Petrópolis um pouco antes das 8:00 e chamamos um Uber para adiantar um pouco as coisas. Para quem quiser ir de ônibus, primeiro você vai ter que pegar um para o Terminal de Correias e depois outro para um pouco antes da portaria do parque. Pagamos R$ 36,00 até lá. Chegamos na portaria, assinamos o termo de responsabilidade, enchemos as garrafas de água e começamos a subir às 9:20.
      O primeiro ponto depois da portaria é o Poço do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Como saímos um pouco tarde da portaria, fomos só até o primeiro ponto, enchemos as garrafas, comemos uma barrinha de cereal e seguimos. A subida até aqui ainda não é tão íngreme, mas depois do poço comecei a sentir as pernas avisarem que a declividade tinha aumentado (e eu achando que estava bem preparada). Chegamos na Pedra do Queijo às 11:30 e paramos para beber água, comer e subir na pedra para ver o visual.

      Pedra do Queijo

      Pedra do Queijo 

      Visual de cima da Pedra do Queijo
      De lá, partimos para o Ajax, onde chegamos às 13:15. Essa, para mim, foi a subida mais puxada, até mais que a Isabeloca que vem depois e dizem ser a parte mais difícil do primeiro dia. Acho que o bastão de caminhada fez a diferença, já que subi essa parte sem ele, mas usei na Isabeloca. O Ajax é o próximo ponto de água depois do poço e o último antes do abrigo, além de ser também onde o pessoal costuma parar um pouco mais para almoçar (ou comer alguma coisa com mais sustância). Atenção para os períodos de seca, já que é comum o Ajax secar. Nós pegamos o ponto com pouca água, mas ainda deu para encher as garrafas. Até esse ponto, já havíamos caminhado por volta de 5 quilômetros, com mais 3 pela frente até o abrigo dos Castelos do Açu.

      Parada no Ajax
      De cara para aquele paredão que era a Isabeloca, saímos do Ajax às 13:55 e começamos a última subida do dia. Conseguíamos ver as pessoas lá em cima, com suas mochilas coloridas, já quase chegando ao topo. Depois de muito anda e para, chegamos lá em cima às 15:15 e paramos na próxima plaquinha para tirar um pouco as cargueiras, beber água, comer e tirar umas fotos. De lá, conseguíamos ver uma formação rochosa bem ao longe que parecia ser os Castelos do Açu, e que ainda estava distante para caramba.

      Subindo a Isabeloca

      Topo da Isabeloca
      Colocamos as cargueiras de volta e voltamos a seguir a trilha quando, de repente, os Castelos do Açu (agora de verdade) surgiram à nossa frente, imponentes e tão mais perto do que a gente imaginava. Ali a emoção bate de leve e você começa a fazer o balanço do que foi o primeiro dia. E se a emoção dali não bastasse, andando mais um pouquinho surgem o abrigo e a Serra dos Órgãos, que se faz ver pela primeira vez, com o Dedo de Deus em riste. Chegamos ao abrigo às 16:30, depois de aproximadamente 7 horas de caminhada. Depois de dar nossos nomes, o cara do abrigo informou que o camping poderia estar lotado e, se esse fosse o caso, poderíamos armar a barraca no próprio castelo (o que eu acho que já foi permitido um dia, mas hoje é proibido em dias normais). Subindo de volta para os castelos, encontramos um ponto perfeito, logo abaixo de outro casal que havia armado a barraca um pouco acima.

      Chegando nos Castelos do Açu

      Abrigo do Açu e a pontinha do Dedo de Deus

      Pôr do sol dos Castelos do Açu
      Barraca armada, seguimos de volta para o abrigo para um banho mais que merecido. Os banhos são de 5 minutos contados no relógio pelo responsável do abrigo, que fica do lado de fora do banheiro controlando o pessoal e batendo na porta quando o tempo acaba. Com um pouco de desorganização, conseguimos tomar banho (que no fim deu um tilt na água quente e o pobre do Marcello terminou na água congelante) e voltamos para a barraca para fazer o jantar, que seria um arroz Tio João com calabresa para ele e com tofu para mim. Alimentados, fomos aproveitar um pouco da vista dos castelos, de onde dá para ver toda a cidade do Rio de Janeiro e suas luzes cintilantes, e depois fomos dormir.
      DIA 2 – Castelos do Açu x Sino
      Distância: 7,5 km
      Tempo: 8 horas
      Tendo acordado um pouco de noite, uma das vezes com frio, acordei de vez por volta das 5:30 e comecei a ouvir as vozes murmuradas do pessoal que acordou para ver o sol nascer. Juntei todas as forças que eu tinha para encarar aquela friaca e saí da barraca. Mas caraca, como valeu a pena. O céu laranja começava a iluminar a Serra dos Órgãos à esquerda e a Baía de Guanabara à direita. Subi na pedra com a câmera preparada e os primeiros raios de sol começaram a sair de trás das nuvens. Acho que foi o momento mais mágico de toda a travessia (com direito à musiquinha do Rei Leão, cantada pelo casal da outra barraca).

      Os primeiros raios de sol iluminam a Serra dos Órgãos

      Nascer do sol dos Castelos do Açu

      A Serra dos Órgãos e a nossa barraca

      Abrigo visto de cima dos Castelos
      Com o sol já mais alto, tomamos café, desmontamos a barraca e seguimos para o abrigo, onde terminamos de nos preparar para o segundo dia. Saímos de lá às 9:00 (bem tarde!) e logo de cara vimos a primeira descida e subida do dia, que seria o Morro do Marco. Com pedras que formam uma escadinha, às vezes com degraus altos que vão precisar da ajuda das mãos, chegamos ao primeiro ponto às 9:30 depois de um quilômetro, onde só tiramos algumas fotos e seguimos em frente. De lá, já conseguíamos ver o próximo vale, bem mais profundo que o anterior, onde encontraríamos o primeiro ponto de água do dia.

      Saindo do Abrigo do Açu

      Visão do Morro do Marco com os totens que guiam o caminho
      Chegamos no ponto de água às 10:10, onde encontramos um grupo sentado descansando e comendo alguma coisa. Enchemos nossas garrafas, comemos umas castanhas e seguimos com a subida em mata fechada e bem íngreme, com raízes servindo de degraus. Nossa próxima parada era o Morro da Luva, onde chegamos às 11:25. Lá, avistamos o Garrafão pela primeira vez, que serviria de guia pelo resto do dia, virando sua cara carrancuda aos poucos até se revelar completamente na Pedra da Baleia. Mas calma que ainda faltava muito para isso (e bote muito nisso). No Morro da Luva, tiramos as cargueiras um pouco para aliviar o peso, bebemos água e tiramos fotos. Depois, seguimos atrás de um grupo com guia que disse que aquele ponto era muito fácil de se perder, já que a rocha abre muitos caminhos e não é tão bem sinalizado quanto o primeiro dia.

      Subindo o Morro da Luva

      Topo do Morro da Luva com os Castelos do Açu ao fundo

      Garrafão e o Dedo de Deus começando a ficar encoberto
      Depois de descer mais um vale, chegamos ao próximo ponto de água logo antes do Elevador, que estava seco. Descansamos um pouquinho e chegamos ao temido Elevador às 12:30. Com 67 degraus, ele é bem mais longo do que eu imaginava, e também mais cansativo. Subi usando a mochila de lastro, que nem o Corcunda de Notre Dame, para ver se ela me jogava para frente e não para trás. Contei três vergalhões faltando, mas a rocha dá um bom apoio nessas horas, e a tração da bota é essencial. Com 3,5 quilômetros caminhados (e escalaminhados) desde o Açu, chegamos ao topo do Elevador, onde tínhamos mais 4 quilômetros pela frente.
       
      Totens e Elevador visto de longe

      Elevador
      Depois do Elevador, a coisa começou a esquentar e nem tirei mais a câmera da mochila, tirando fotos só com o celular. Logo após o topo do Elevador, surge uma rocha com uma subida bastante íngreme, onde é preciso usar as mãos e confiar na bota, acompanhada como sempre de outra descida, também bem íngreme e onde me pareceu melhor descer meio de lado (as bolhas que eu ganhei depois não concordam muito com a minha teoria). Subindo mais um pouco, chegamos ao Morro do Dinossauro, onde paramos para beber água e descansar. O rosto carrancudo do Garrafão já nos observava, assim como a cabeça do elefante (indiano, e não africano, como disse um outro trilheiro também descansando por ali).

      Morro do Dinossauro

      Cara mal humorada do Garrafão
      De lá, tocamos para o Vale das Antas, onde chegamos às 14:30. Último ponto de água do dia, aproveitamos para comer e encher as garrafas. Um dos guias que encontramos lá ressaltou que essa água não é muito legal, já que muitas pessoas usam os arredores da nascente como banheiro, então não se esqueça de levar Clorin e talvez evitar esse ponto de água se sua garrafa ainda estiver cheia. Depois de dois belos pães com atum e castanhas, começamos a subida do Vale das Bromélias até a Pedra da Baleia, chegando lá às 15:10. O topo da Pedra da Baleia fica a 6 quilômetros do Açu, faltando ainda 1,5 quilômetro até o abrigo do Sino.

      Pedra da Baleia
      Quando começamos a descida em direção ao Mergulho, vimos no paredão do outro lado várias mochilas coloridas subindo a escadaria de pedra que daria no Cavalinho. Logo depois, vimos o Cavalinho. Uma rocha triangular um pouco mais clara que as demais que chegava a brilhar com o sol da tarde que começava a se pôr. Naquela hora, bateu um frio na barriga. Mas ali não tem o que fazer se não seguir em frente, e foi o que fizemos.

      Pessoal subindo em direção ao Cavalinho
      No Mergulho, tivemos a sorte de encontrar um grupo com guia que estava usando cordas para descer, que ele caridosamente nos deixou usar. Já vi vários vídeos de pessoas que fazem esse pedaço sem corda, mas com certeza seria mais difícil, sem contar que provavelmente nós teríamos que tirar a cargueira das costas. Logo antes da próxima subida, uma setinha de ferro fincada no chão (como muitas outras antes) indicava o caminho e fiz ali meu check point, no estilo Super Mario. Se caísse do Cavalinho, pelo menos eu não ia precisar voltar tudo! 😂
      Chegamos no Cavalinho às 16:05 com uma pequena fila de pessoas para subir. O espírito de camaradagem que rola lá em cima foi o que nos fez conseguir subir aquele negócio. O grupo da frente nos ajudou a içar as mochilas e um dos caras ajudou a puxar o Marcello depois dele ter montado no Cavalinho, que então me ajudou a subir. Mas o Cavalinho era brincadeira de criança perto da próxima rocha, apelidada carinhosamente de “coice”. Nela, de novo ajudaram o Marcello a subir com a cargueira nas costas, oferecendo a mão de cima dela, mas quando chegou na minha vez, tive que tirar a cargueira e a menina atrás de mim ainda teve que empurrar meu pé para que minhas pernas dessem altura para subir (malditas pernas curtas!).

      Cavalinho
      Passado o desafio, ainda foi preciso subir uma escada de ferro e caminhar mais um pouquinho até a bifurcação do abrigo e da Pedra do Sino. Chegamos lá às 16:40 e no abrigo às 17:10. Alguns grupos seguiram direto para a Pedra do Sino para ver o pôr do sol, mas nós optamos por descer para pegar um bom lugar no camping e deixar para ver o nascer do sol do cume.

      Bifurcação Pedra do Sino, Abrigo 4 e Travessia
      Montamos nossa barraca e fomos logo para a fila do banho, muito mais organizada que no dia anterior. E que banho! A água quente não desligou dessa vez e conseguimos tomar banho em até menos que os 10 minutos totais que nós dois tínhamos. Banhados, fizemos nosso sopão de macarrão e capotamos.
      DIA 3 – Sino x Teresópolis
      Distância: 11 km até a barragem, 14 km até a portaria
      Tempo: 4 horas até a barragem
      Acordei por volta das 4:30 com o burburinho do pessoal se movimentando para ir ver o nascer do sol na Pedra do Sino. Ponderei todas as minhas escolhas de vida até aquele momento e decidi que continuaria deitada ali, no quentinho, e que veria o nascer do sol da Pedra da Baleia que tem atrás do abrigo (que não é a mesma Baleia do dia anterior). Abri a barraca por volta das 5:40 e segui a trilha que sai de trás do abrigo. Consegui pegar os primeiros raios de sol da Pedra da Baleia, de onde se vê o pessoal no topo da Pedra do Sino.

      Nascer do sol da Pedra da Baleia, atrás do Abrigo 4

      Pessoal vendo o nascer do sol da Pedra do Sino
      De lá, voltei para a barraca, sacudi o Marcello, tomamos café e seguimos para a Pedra do Sino enquanto muitos grupos já começavam sua descida. Saímos do abrigo às 8:40 e chegamos no topo da Pedra do Sino às 9:10. A subida não é muito íngreme e a rocha é bem sinalizada, com totens de pedra que indicam o caminho. E o que se pode dizer da diferença que é andar sem a cargueira? Ali eu consegui entender como um ser humano faz essa travessia em um dia só.

      Pedra do Sino com os Castelos do Açu ao fundo

      Visão da Pedra do Sino com Teresópolis ao fundo
      A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metros de altitude e de onde se pode ver os três picos de Friburgo, a ponta do Garrafão, os Castelos do Açu e a Baía de Guanabara. Depois de muitas fotos, descemos para o abrigo, onde desmontamos a barraca e seguimos para Teresópolis.

      Começando a descida para Teresópolis
      O terceiro dia é praticamente só descida, quase toda ela em zigue zague e com a trilha muito bem marcada. Tendo saído do abrigo às 10:45, chegamos às ruínas do Abrigo 3 e ao Mirante de Teresópolis às 11:50 e na Cachoeira Véu da Noiva, já na parte baixa do parque, às 13:45. Lá, era como se a gente já tivesse chegado, mesmo faltando ainda 2 quilômetros até a Barragem e mais 3 até a portaria do Parque.

      Mirante de Teresópolis ao lado do antigo Abrigo 3
      Quando vimos a porteira que dá para a Barragem, bateu a emoção de novo. Concluímos nossa primeira travessia. Quase 30 quilômetros de muita subida, descida, rochas e pirambeiras. O casal que desceu com a gente do Véu da Noiva até ofereceu carona, mas agradecemos e dissemos que queríamos fazer portaria a portaria. Orgulho besta. 😄

      Chegamos!
      DICAS
      Se você pretende fazer a travessia durante um feriado, compre os ingressos com bastante antecedência. Os abrigos lotam rápido e não ter que carregar a barraca com certeza ajuda bastante.
      Uma boa bota (já amaciada!) ou tênis de trekking são essenciais, já que em muitos momentos você vai depender da tração dela para subir ou descer as rochas com segurança. Não aconselho fazer com tênis de academia ou de corrida, já que eles tendem a escorregar.
      Lembre-se que você vai ter que carregar sua mochila durante três dias, e que o peso dela vai se multiplicar com as subidas e o seu cansaço. Leve apenas o essencial.
      Com isso em mente, não subestime o frio. No inverno, as temperaturas podem ser negativas lá em cima e ninguém merece dormir com frio. Leve isolante, um bom saco de dormir, e roupas térmicas (tipo ceroula) se for acampar.
      Há diversos pontos de água no caminho, mas alguns deles podem secar no inverno. Nós levamos duas garrafas de Gatorade (totalizando um litro) e mais uma de 750 ml e foi suficiente, mas pegamos apenas o ponto do Elevador seco. O Ajax também pode secar, então leve isso em consideração.
      Mesmo com previsão do tempo boa, leve capa de chuva. O clima na serra pode ser imprevisível e bem diferente da situação na portaria.
      Leve um GPS ou celular com aplicativo de trilhas já instalado e o mapa e tracklog já baixados. Nós usamos o Wikiloc e seguimos esta trilha.
      Sobre a sinalização, ela é muito boa no primeiro e terceiro dia, e razoável no segundo, com pontos onde é possível se perder, principalmente se o tempo estiver fechado e com serração. Os totens de pedra ajudam bastante, já que são visíveis de longe, e há também setas pregadas na rocha e pegadas pintadas no chão. Mas mesmo assim, não deixe de levar algum tipo de GPS, já que no segundo dia há trechos em que essa sinalização fica devendo.
      Lembre-se que todo o lixo deve voltar com você e não pode ser deixado nos abrigos (e muito menos durante a trilha!), inclusive restos de comida. Então, não esqueça de levar saquinhos para o lixo.
      Já sobre as cordas, nós não levamos nenhuma, mas tivemos a sorte de sempre estar perto de grupos com guia que levaram e usamos as deles. Eu não diria que são totalmente indispensáveis, já o Marcello acha que seria quase impossível fazer sem elas, principalmente na hora de descer o Mergulho e içar as mochilas no Cavalinho.
      EQUIPAMENTO
      Mochilas: Quechua de 40l e Trilhas e Rumos de 48l
      Barraca: Quechua Arpenaz 2XL
      Sacos de dormir: Trilhas e Rumos Super Pluma (conforto +6°C e extremo 0°C)
      Isolante: Conquista 9mm
      Travesseiro: Quechua Air Basic
      Fogareiro: Guepardo Mini Fogareiro Compact
      Panelinha e utensílios: Quechua
      Cartucho de gás: Nautika 230g (de acordo com o que pesquisamos, dura por volta de 120 minutos)
      Lanterna de cabeça: Forclaz ONNIGHT 50 (30 lúmens)
      Bastão de trilha: Quechua Arpenaz 200
      ALIMENTAÇÃO
      Para a principal refeição, que seria o jantar, levamos um arroz Tio João da linha Cozinha Fácil, Sopão Maggi de macarrão com legumes, uma calabresa e uma lata de atum (para o Marcello) e tofu defumado (para mim).
      Para o café da manhã, levamos pão integral, Polenguinho, Toddynho e o tofu.
      Durante o dia, comemos amendoim, castanhas, avelã, Club Social, torradinhas Equilibri, barras de cereal, salaminho, chocolate e pão com Polenguinho e atum. Levei também um pacote de cookies Jasmine que voltou fechado.
      DESVIOS
      Há diversas outras trilhas para se fazer dentro do Parque, mas eu diria que o principal desvio dentro da travessia é para os Portais do Hércules. Nós chegamos a ponderar se faríamos ou não, mas os relatos variavam de 40 minutos a 1h30 de trilha para ir e depois o mesmo para voltar, tempo esse que nós não tínhamos. Sem contar que disseram que é uma trilha de difícil navegação, muito fácil de se perder. Mas se você realmente quiser encarar, o que o pessoal normalmente faz é sair muito, muito cedo do abrigo (às vezes antes do nascer do sol) e esconder as cargueiras na mata perto da bifurcação para fazer a trilha sem elas. Só não vale esquecer onde escondeu a mochila. Ouvimos a história de um cara que não conseguia encontrar sua cargueira de jeito nenhum e, depois de uma hora procurando achando que havia sido roubado, desistiu e seguiu a trilha. Ele só conseguiu reavê-la esse ano, dois anos depois de ter feito a travessia, quando alguém fazendo a trilha a encontrou junto com sua carteira e documentos.


×
×
  • Criar Novo...