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RELATO – ARGENTINA DE LÉVS & TORRES DEL PAINE DE PESÁDS – OUT/NOV 2018

Amigas, vou contar meu relato aqui sabendo que, quando pesquisamos, não encontramos  tanta informação e nem tantos relatos atuais de torres del paine, que foi o foco principal da viagem. Espero contribuir com outros rolês!

Se quiserem perguntar algo, me procurem no instagram (perfil: _thayoba) pois eu não fico olhando o mochileiros. Lá é certeza que eu vou olhar a mensagem.

Eu fui com meu companheiro, parceiro, namorado e melhor amigo Daniel, que compôs grande parte do roteiro porque ele já conhecia e porque eu tava sem condições de olhar isso a fundo na época. Dá pra ir só, mas é recomendável caminhar acompanhada pela trilha, por questões de segurança, caso aconteça acidente, coisa assim.

A BASE DO ROTEIRO:

1 DIA: CHEGAR EM BUENOS AIRES (de Brasília/DF)

2 DIAS EM BUENOS AIRES (Circus Hostel)

(avião)

 2  DIAS EM EL CALAFATE (America Del Sur Calafate Hostel)

(busão)

 1 DIA EM PUERTO NATALES (Mia Loft)

(busão)

 5 DIAS EM TORRES DEL PAINE (grey/paine grande/francês/torre central)

(busão)

 1 DIA EM PUERTO NATALES (Toore Patagonia)

(busão)

 1 DIA EM PUNTA ARENAS (Hostel Sol de Hivierno)

 

O QUE LEVAR:

  • Vick vaporub – pra boca ressecada. No frio tudo resseca, pele, cabelo, etc, mas quando chega na boca ela racha, sangra, dói. Vick resolve quase instantaneamente, aprendi com um boliviano ;)
  • Jaqueta corta vento impermeável +capa de chuva – na patagônia chove quase todo dia e venta muuuito!
  • Botas impermeáveis – você atravessa riacho várias vezes, e em várias delas não tem jeito de ir pulando por ciminha pelas pedras não;
  • Luvas, meias, gorrinhos, cachecóis, fleeces, segundas peles e tudo o que protege do frio extremo que faz lá. Conheço quem só chegou ao primeiro camping e precisou voltar porque teve hipotermia. Fica esperta!
  • Protetor solar – INDISPENSÁVEL. A incidência UV lá é altíssima, se não me engano a região às vezes fica dentro do buraco da camada de ozônio. O tanto de gringa tostada que você vê terminando a trilha não é brincadeira. Elas aparentavam quase fritas na cara, sério mesmo, a coisa é séria.
  • Azeite/óleo, Sal, alho em flocos e pimenta – não levei e senti falta na hora de cozinhar.
  • Comida de astronauta – arroz de saquinho, sopa de saquinho, coisas que não pesam etc. Rola de levar macarrão também! Dizem que é mais complicado você passar pela fronteira com alimentos na mochila. Se não quiser arriscar, vale a pena comprar tudo em Puerto Natales. Tem uma marca chamada “trattoria”, do rótulo preto, que faz um bom arroz de astronauta e um excelente espaguete colorido;
  • Remédios clássicos: dor de barriga, antialérgico, analgésico, anti-inflamatório, etc
  • Bastão de caminhada – eu diria que é indispensável, mas sei que tem gente que não gosta. Eu gosto de usar 1 só ao invés de 2, porque prefiro ter uma mão livre pra me aparar caso eu tropece, sei lá kkkk
  • Clorin não precisa, pq a água lá é muito pura, potável e deliciosa, mas se vc for dessas, não custa nada levar né

 

AO RELATO:

BUENOS AIRES:

Em 2 dias dá pra fazer muita coisa, mesmo!!! Conosco foi assim:

Buenos 01 -  Plaza de Mayo: casa rosada, catedral, livraria el ateneo, bond street, café tortoni, Obelisco, La bomba del tiempo.

20181022_175149.thumb.jpg.08f875068a2dbaa7295eb05108c8d0df.jpg a Bond Street é equivalente à Galeria do Rock, em SP.

GOPR3447.thumb.JPG.897c8079923db5a740917644b5870aea.JPG A El Ateneo é considerada a segunda livraria mais bonita do mundo.GOPR3430.thumb.JPG.c1b2ee17cfd61b0d607bb9d0b913b51b.JPGGOPR3426.thumb.JPG.271434057251613c7c52958dc4d52cdc.JPG

GOPR3405.thumb.JPG.043343e1be6385a1a465c30f8455c16c.JPG

Vou descrever só o la bomba del tiempo, que é o menos roteirão desse roteirão. É um grupo FANTÁSTICO de percussão que, segundo o pessoal do hostel, se apresenta toda segunda feira com alguma convidada diferente. Tivemos o grande privilégio de estar na cidade ao tempo da apresentação deles. Muito legal MESMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

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Claro que um vídeo gravado não tem a menor emoção perto do show ao vivo, mas lá vai:

 

Buenos 02 – La boca, Caminito,  Cemitério la Recoleta, Floralis Generica (aquela frozinha prateada), obelisco,  puerto madero.

 

GOPR3593.thumb.JPG.b4b45cb66d3756d84fa70e72b008fcb0.JPG No Cemitério da REcoleta, a tumba mais visitada é com certeza a da Eva Perón.GOPR3606.thumb.JPG.c34d1507abfc0ea24b0454d0a0b4c5fe.JPG A frozinha abre e fecha,simulando os movimentos de uma flor natural. 

20181023_131653.thumb.jpg.3675104d597e6b5afb1756153b43f550.jpgCaminito

EL CALAFATE: o glaciar Perito Moreno

Contamos um dia pra chegar (fomos de avião) e descansar e o outro dia pra fazer um passeio ao glaciar Perito Moreno.

O passeio ao perito moreno: só tem uma empresa que faz, que se chama Hielo y Aventura.  O Trekking tem o nome de “Big Ice”. Dizem que é bom fazer a reserva com antecedência pela internet, e assim foi feito. Achamos um pouco estranha a forma de pagamento, em que, depois de preenchido um formulário pela internet, te enviam um email com mais formulários pra você imprimir, preencher (incluindo os dados do seu cartão de crédito), escanear e responder. Bom, até agora Daniel não identificou nenhuma compra esquisita no cartão.

O passeio é proibido pra quem está grávida, quem tem problemas ou já fez cirurgia do coração e quem tem menos de 18 ou mais de 50 anos, bem como desaconselhado para quem está com sobrepeso,  mas não achei pior do que torres del paine não. Dá uma cansadinha, mas acho que essas restrições são mais pra empresa se resguardar de eventuais problemas jurídicos.  Afinal eles podem abrir mão desses clientes, são os únicos lá mesmo...

 

Ah, mas esse passeio é maior caro... vale a pena?

 

Amiguinha, esse passeio é caro pra chuchu. Pagamos o equivalente mais ou menos a 750 reais cada. Acho superfaturado sim,  mas só tem uma empresa que faz e aproveita, os guias são alpinistas experientes, tudo é organizadinho e a experiência foi única também. Vou descrever e você julga se pra você vale a pena:

20181025_092903.thumb.jpg.673af89e0d644baf2bb83c29331624ce.jpgNo mirante é proibido dançar funk, mas eu sou transgressora.

A gente acorda cedinho e o busão busca a gente no hostel. Leva pro mirante do el calafate (tem gente que faz o passeio versão simples e vai só pro mirante. É top, mas cara, vc já pagou passagem, já tá pagando estadia, deu trabalho pra chegar lá, faz pelo menos o minitrekking se você puder). Dão mais ou menos 1 hora pra gente caminhar, admirar, fotografar e claro, torcer pra um pedação de gelo cair na água rererererer

Em seguida, a gente pega um barco, que leva a gente pro ponto de descida do trekking no gelo. As pessoas do minitrekking seguem até essa parte eu acho. A gente caminha com umas subidinhas consideráveis até um domo onde está o equipamento da empresa.

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No primeiro, colocamos cadeirinha (caso aconteça acidente, já fica mais fácil resgatar), no segundo, os guias medem os crampões certos pra gente carregar até a beira do glaciar. Na beirinha da neve, um bolão de luvas, que são obrigatórias nesse passeio. Quem não tem, pega com eles emprestadas.

20181025_124141.thumb.jpg.05bdd0b414b88ba0cc8ca116bad69ee0.jpg A melhor parte dos crampões é quando a gente tira ele dos pés e qualquer chão duro e pedregoso fica parecendo nuvens fofinhas.

Começa o trekking!  Alguns passos na neve lamacenta e chega a hora de colocar os crampões nos pés. São pesados e desconfortáveis, mas sem eles fica impossível caminhar. Os guias dividem os grupos e dão um mini tutorial de como subir, descer e caminhar em ladeira lateral na neve compactada.

A paisagem, que já é incrível, vai ficando ainda mais bonita a cada hora de trekking. Lá mais pra dentro, o acúmulo de água forma lagos em vários tons de azul. Nem achei tão frio quanto parecia, porque não ventou muito enquanto estávamos lá em cima. E a trilha é meio pesada, o corpo esquenta também.

IMG_7627.thumb.JPG.82235c364cd87fb5123589f0aeefab3d.JPG

Uma pausa para comer algo, tirar foto, admirar a paisagem e começamos a volta. Eu fiquei um pouquinho frustrada porque a empresa anuncia em todos os veículos umas cavernas lindíssimas azuis azuis azuis e quando chega lá, não vai ter caverna, já estamos voltando. Mas a formação do gelo é mutante, o glaciar chega a caminhar mais de 2 metros por dia, faz sentido às vezes não ter caverna pra entrar, né?.  Só que eles podiam avisar isso antes, pq dá impressão que a gente foi iludida, tanto que o site da empresa anuncia  “Já na geleira e com os crampons colocados, o mundo toma uma nova perspectiva: lagoas azuis, profundas falhas, enormes sumideiros, mágicas covas, e a sensação única de estar no centro da geleira.”

 

20181025_145411.thumb.jpg.9528e4bc7e182dc703403fc029f5544e.jpg A gente se sente uma formiguinha em uma torta de limão gigante.

IMG_7635.thumb.JPG.a3fe0f6a4ac87cf69d222691237aa372.JPGfotão do Daniel.

 

20181025_170855.thumb.jpg.ae13aeeba0629a105b93308b6760c07f.jpgAntes de ir embora a gente faz uma pausa numa casinha pra tomar um café.

 

[ALERTA SPOILER]

20181025_171918.thumb.jpg.c26a2eef714169969072a11c51725153.jpgVocê volta com todo luxo e glamour no barco, olhando o glaciar, o vento acariciando o seu rosto e soprando suavemente seus cabelos, o sol refletindo no pedaço de gelo patagônico que foi colocado no seu whisky. A vida é bela, você diz.

Enfim, voltamos, cansadinhos e felizes, e compramos a passagem pra Puerto Natales (800 pesos cada) no hostel mesmo, comemos, fomos dormir.

Mais detalhes sobre esse passeio no site da empresa:

http://www.hieloyaventura.com/HIELO2015/bigice-glaciar-perito-moreno-port.html

 

PUERTO NATALES – 01 dia pra chegar (de busão), comprar insumos, se preparar para o trekking

A cidade é pequena e fofinha, então é possível dar umas voltinhas, tomar um café por aí, ir até o píer e assistir o por do sol, soprar milhões de dentes de leão que brotam em toda rua, em toda esquina, admirar as papoulas que as pessoas plantam em seus jardins, as casinhas de madeira, etc etc...  

20181026_202502.thumb.jpg.62410ab39f1e58aefb9080951ffe9e85.jpg

Compramos os ingressos de ida e volta até o parque torres del paine na rodoviária mesmo.  A senhorita que nos alugou o loft havia recomendado FORTEMENTE uma empresa chamada Buses maria José, que apesar de ser um titiquinho mais cara que as outras, trabalhava muito melhor. Ela relatou que vários clientes compravam a passagem pelas outras empresas e, quando ia ver, os ônibus não saíam porque estavam esperando encher mais, deixando todo mundo na mão, só pra sair no dia seguinte.  Que o Maria José sai independente do número de passageiros. Não íamos arriscar não poder sair só pra economizar uns 2 mil pesos né. Buses Maria José, sem nem pensar. Deu tudo perfeitamente certo e também deu pra perceber que trabalham bem! 

aqui eles: http://www.busesmariajose.com/

aproveitamos para comprar os ingressos para acesso ao parque nacional torres del paine ainda na rodoviária. Lá a moça pediu pra gente mostrar todas as reservas de acampamento antes de vender os ingressos. Não sei se direto no parque eles também fazem essa exigência. Também tivemos que assistir um vídeo rapidinho de poucos minutos de “por favor não incendeie o parque”. É que  houve um grande incêndio causado por negligência de humanos que queimou praticamente tudo e vai levar muito tempo para o parque se recuperar.

 

COMEÇA TORRES DEL PAINE

O mapa oficial é esse aqui:

 

http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/mapa-oficial-1

 

 

(eu achei que tem algo meio bagunçado e falho perto do acampamento central, mas no geral tem boas informações e dá pra usar de base sim)

CONSIDERAÇÕES GERAIS:

o trekking você meio que escolhe em quanto tempo faz, até onde vai, quantos dias leva... o mapa oferecido pelo CONAF indica distância entre pontos e tempo médio de caminhada entre eles. Há, porem umas falhazinhas, especialmente ao redor do camping central, onde os pontos não parecem muito bem medidos e tal. Mas deu tudo certo. Calculávamos o tempo do mapa + 30%. Não somos corredores de montanha e gostamos de parar pra tirar foto J

Fizemos o circuito W invertido. Lê que você entende. Muita gente vai pra fazer o circuito O, que leva uns 10 dias, que consiste no W mais uma volta em cima. Até onde descobri por lá, o circuito O só abre em novembro.

Tá, mas por que o W invertido? – porque pareceu ter menos subidas, pra deixar as torres pro último dia e pra ter uma vista melhor no caminho, especialmente do camping francês até o torre central.

Reservas: foram feitas com alguma antecedência (umas 2 semanas, talvez) no site da vértice patagônia e da fantástico sur. O primeiro dia em refúgio, os outros, em camping. Sim, é caro. Tudo é pago separado, saco de dormir, café da manhã, etc etc... entra lá nos sites dessas duas empresas que vc confere.

Levar barraca: pensamos, montamos, balançamos, vimos relatos por aí e optamos por não levar barraca, mas alugá-las em cada camping. Primeiro, porque qualquer 100g a mais no lombo esse tempo todo faz diferença. Segundo, porque sabíamos que os campings teriam barracas melhores e adaptadas para o frio. Foi a melhor decisão de todas, ainda que no último camping ela não era 100% vedada.

Levar saco de dormir: igualmente, optamos por alugar os sacos de dormir (20 dólares em um dos campings), porque nosso saquinho véio de clima brasileiro obviamente não ia aguentar o rojão do frio patagônico. O saco que a gente alugou, se eu fosse botar dentro da minha mochila quéchua de 60 litros, com certeza ocuparia mais da metade do espaço, de tão volumoso que era. Tava lá que aguentava até -24ºC em situação extrema.  Pra gente não pegar as bactérias gringas, compramos liners na decathlon. Você também pode costurar um lençol no formato de um retângulo fino pra usar dentro do saco de dormir que dá certo.

 

Ao todo foi assim:

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Dia 1, parte 1: busão até pudeto. Chega umas 9, 10h

1.2: Catamarã até paine grande. Como fomos na segunda leva, chegamos perto de 13h  Larga a mochila grande em paine grande (cobram 2 mil pesos pra guardar).

1.3: só com mochila de ataque, andamos até o grey. Dorme lá (aqui rolou refúgio porque tava maisem conta do que pagar o camping e alugar barraca + saco)

2.1: Subir até o glaciar Grey: valeu muito a pena!

2.2: Volta tudo até o paine grande. Dormimos no camping. Barracas TOP da north face, excelente vista, excelente estrutura, etc

3.1: Anda até o italiano, deixa as mochilas grandes largadas no chão de terra (todo mundo faz isso) (pareceu seguro porque ficava um guardaparques lá) (mas é sempre um risco)

3.2  sobe até os miradores francês e britânico. Desce, dorme no camping francês.

4 – caminhar até o Paine grande. Não parece, mas é muita coisa, chegamos umas 21h. Frio congelante.

5.1 – Subir até as torres em si. Descer.

5.2 – Busão pegou a gente em pudeto umas 19:40. Voltamos pra cidade.

 

Mais detalhado abaixo:

PUERTO - PARQUE

De Puerto Natales,  o ônibus sai da rodoviária às 7h. Descemos em Pudeto umas 9h, ponto de conexão com o catamaran, que, salvo engano, sairia às 11h (20 mil pesos, paga lá na hora de desembarcar, só aceita em espécie). Como chegamos muito cedo, sentamos, entramos em uma cafeteria que tem por ali, tomamos calmamente nosso cappuccino de maquininha de 2 mil pesos, usamos o banheiro... formou-se uma longa fila no píer, dava pra ver pela cafeteria. Carregamos um pouquinho os telefones, trocamos ideia...

CATAMARÃ

E na hora de embarcar a disgrama do catamarã deu overbooking. Então a recomendação é: pra chegar em paine grande 12h, tem que ir pra fila CEDO e ficar lá até o catamarã chegar, ou então você chega umas 13h e algo. Levou mais 1h pra ele ir, descer as pessoas, subir outras, voltar e levar a gente. Deu problema com uns gringos que marcaram rolê mas perderam a hora por conta do atraso do catamarã.

20181027_104339.thumb.jpg.a806bca33df4bbe624ae1a2e7dbff0d0.jpgO overbooking.

20181027_111829.thumb.jpg.f36906366c5a360c2c9e4f9fcc82ece5.jpgA solução pro overbooking. Vale meditação, reiki, yoga, mindfulness e sair tirando foto dos arredores.

Quando compramos o ingresso para o parque nacional, somos avisadas que o catamarã custa 20 mil pesos, que só aceitam dinheiro e que a cobrança é feita lá dentro, e assim foi.

 

20181027_131118.thumb.jpg.cba21e8c674f49d113b90ce7217d1e53.jpgChegamos em paine grande, largamos as mochilas grandes (2mil pesos) e fomos só com a mochila pequena até o grey. Caminho é de boas.

REFÚGIO GREY

O refúgio grey, como todos os outros, é bem bonitinho, de madeira, tem uma área comum com bar e várias mesas, onde são vendidos lanchinhos caros, café da manhã caro, almoço caro, essas coisas. Não sei se pode servir de índice, mas eu lembro que, convertendo para reais, uma taça de vinho custava em média 30 dinheiros. Uma lata de coca cola, uns 25. Levamos comida para cozinhar no camping, que era uma casa separada, a uns 50m de distância.

Achei meio esquisito que, nos quartos, não havia cobertor, lençol, nada. As camas eram cobertas com uma espécie de lençol de elástico fofinho de microfibra e só. Sorte que levei o liner! Lá eu tomei o pior banho do rolê. Chuveiro só gotejava, e mesmo assim não esquentava de jeito nenhum. Foi um suplício!

GLACIAR

Vale muito a pena subir do refúgio grey até o glaciar. Há bons miradores pelo caminho, mas venta muitíssimo, a ponto de você precisar ter cuidado pra não ser derrubada, tropeçar e cair do penhasco. Há 2 pontes suspensas, mas acho que se a pessoa já está se aventurando a fazer torres del paine, não vai ter medo de altura desse jeito, né?

20181027_144453.thumb.jpg.91b46fbce9e16fc2297cc4cbfc3dc0cb.jpgnão parece, mas venta muito forte. 

20181028_111740.thumb.jpg.30ad2794b329ec873060b361fe271b1b.jpgTem um passeio que anda por cima desse glaciar, mas não faço idéia se vale mais a pena do que o perito moreno. o preço era parecido.

 

PAINE GRANDE

Volta-se tudo até paine grande. A caminhada é longa, mas suave, sem grandes inclinações. O camping é o maior, melhor, mais bonito e com mais estrutura do rolê. As barracas eram iglus da north face, os sacos de dormir eram também da north face, havia uma construção só para as pessoas cozinharem e jantarem, a vista era maravilhosa, os banheiros eram bons, tomei banho decente, enfim, toppsterson. 

20181029_092311.thumb.jpg.766ca0a5a93bec24daf039066ebc85d8.jpgPaine grande.

Pagamos meio caro no aluguel do saco de dormir (20 dólares), mas não me arrependo de jeito nenhum. Dormir bem faz toda a diferença! O aluguel dos colchonetes foi 8mil pesos, salvo engano.

MIRADORES FRANCÊS E BRITÂNICO

A subida é forte, se você não está fitness, vai sofrer bastante. Caminhamos com mochilão até o camping italiano, onde largamos as coisas e subimos com a mochila pequena. A gente até fica com medo de largas as mochilas num canto pra subir, mas vimos que todo mundo faz a mesma coisa e que tem um guardaparques lá. Não aconteceu nada com nossas coisas na volta J

Há um horário de fechamento dos mirantes. Quando chegamos ao italiano, vimos uma lousa branca com a previsão do tempo e o horário de fechamento. Saímos 12h30, algo assim. Já era meio dia e a subida demorou bastante, então, basicamente pulamos o almoço e arriscamos chegar depois do horário. Deu certo, passamos pelo francês, fizemos uma pausa rápida, continuamos, chegamos 15h40 no britânico e estava aberto, mas colega, não arrisque, agora você tem informação, acorde cedo, e se você está fatness e anda devagar, acorde mais cedo ainda.

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IMG_7779.thumb.JPG.c97b0dc39c8579f9c53969a511c35dfa.JPGSobe lá, é top!

Desce, pega mochila, anda até o camping francês. Esse dia foi bastante cansativo, chegamos mortinhos da silva, por volta de 20h. Ainda estava claro, pois em novembro anoitece bem tarde, mas parece que todo mundo chegou em hora parecida. As barracas ficam em umas estruturas de madeira ao longo da costa da montanha. Dá preguicinha subir esses metros tão tão cansada, mas era o que tinha rerere. As barracas eram menos cabulosas e bem menores, apertadinhas eu diria, mas os colchonetes eram melhores.

20181030_095927.thumb.jpg.bec730a325556d2a5a777ee10f402338.jpgCamping francês.

 Os banheiros estavam lotados e a água quente do lugar havia acabado. Não que a água estivesse gelada, mas segundo o staff, ela não passaria de “tíbia” (morninha) enquanto as pessoas não terminassem seus banhos. Cozinhamos macarrão e uns 40 minutos depois eu arrisquei o banho. Deu certo, a água estava maravilhosamente quente, a estrutura era muito boa e deu tudo certo. Ah sim, em todos os campings existe um horário máximo de água quente (geralmente 22h, 21h) e um horário máximo de eletricidade (geralmente meia noite).

do francês ao CAMPING CENTRAL

Amanheceu NEVANDO. Não tivemos coragem de acordar 6h como o planejado. Esperamos o sol esquentar um pouquinho mais. Não me arrependi disso kkkkk. Essa parte do caminho é cheia de subida e descida, mas acredito que, no sentido do W invertido, havia mais descida do que subida. Fora que você vai margeando o lago Nordenskjöld, que é muito muito bonito, olhando também as montanhas ao fundo.

20181030_130051.thumb.jpg.70ead3778c4d74a5332328d68527eae4.jpgEu e minha Quechua de guerra. Cuidado aventureira, Quechua é porta de entrada para coisas mais perigosas. Quando você percebe, já está vendendo a TV da sua casa pra comprar as coisas da Sea2summit, mochila da osprey... enfim.

O dia foi todo dedicado à caminhada, então não tivemos tanta pressa. Cozinhamos almoço no Los Cuernos e andamos, andamos, andamos... chegamos bem tarde no camping central. Na verdade, você ve umas casinhas de madeira ao longe e acha que já está chegando, mas anda infinito pra alcança-las, e quando finalmente consegue, descobre que o camping está longe pra caramba (tipo mais 1h andando). Essa parte é meio frustrante, mas o caminho é bem lindinho, tem uns cavalos, coelhos, montanha ao fundo, ainda é bonito.

Esse último camping foi o menos estruturado. A barraca não era totalmente vedada, então entrava um vento frio de madrugada e isso foi ruim L. Lá pegamos temperatura negativa, tava bem bem frio mesmo, e acho que não foi só da previsão do tempo, porque o terreno é uma espécie de plano cercado pelas montanhas. Não tive coragem de tomar banho kkkkk

AS TORRES EM SI

Dia seguinte, acorda cedo, toma umas sopas pra esquentar (tem camping que pode cozinhar no avanço da barraca, tem camping que proíbe), arruma tudo, deixa as mochilonas no refugio , bora torres.

Mais uma subida pesada, mas achei menos cabulosa do que do mirador britânico, apesar de o altímetro indicar maior inclinação.20181031_131210.thumb.jpg.bb034612c2ed327b6f3e212b06294175.jpg O caminho é bem pedregoso, daquelas pedras secas que tem poeira em cima, então é também perigoso, tanto de escorregar e torcer o pé, bater cabeça, etc, quanto de cair no penhasco. Recomendo subir com bastão de caminhada.

Pit stop no refúgio chileno, almoçamos o sanduíche caro deles (+- 60 reais, convertendo), dos quais os insumos chegam a cavalo, mas estava bem gostosinho. Bora subir!

20181031_104313.thumb.jpg.5cf47c10c968469baed4e4a0311d4888.jpgPor favor um minuto da sua atenção para admirar meu sanduíche caro. Obrigada.

Há muita gente que se hospeda no chileno (dá pra chegar a cavalo) só pra subir até as torres e ir embora no outro dia, sem fazer o trekking. Então esse é o dia mais cheio do circuito. Chegando às torres em si, havia muita, muita gente. Mas como o espaço era amplo, as pessoas se espalham e isso não atrapalha taaaaaaaaaaaanto assim na hora de tirar as fotos.

20181031_134243.thumb.jpg.35f276eab66e183365c480b13230defb.jpgWeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee are the chaaaaaaaaaaaaaaaaaampionnnnnnnnnnnsssssssssss, my frieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeend...

Não daria tempo de conhecer o vale do silêncio, pois o tempo estava apertado, então das torres, descemos tudo, chegamos por volta de 19h, e esperamos o busão Maria José da volta, que nos buscou por volta de 20h. Volta pra cidade, comemora que deu tudo certo, que está todo mundo inteiro.

Tchau, torres del paine, um dia eu volto pra te escalar!

O RESTAURANTE LENGA

Antes de sair, havíamos feito reserva nesse restaurante, pois a agenda deles é meio cheia e tal. A reserva foi feita pro dia da volta, às 22h30. Voltamos pra cidade, pegamos um taxi até o loft da vez (Toore patagônia. MARAVILHOSO), largamos as mochilas, atravessamos a pista e chegamos ao Lenga às 22h34.

20181031_230322.thumb.jpg.6a21aa3ca595bef97490c847e58f1216.jpgO sorriso de quem chega no restaurante chique e vê que tem menu vegetariano e vegano.

ÔNIBUS ATÉ PUNTA ARENAS

Quando compramos o busão Maria José até o parque nacional, demos uma olhada no traslado até punta arenas, e percebemos que havia ônibus praticamente toda hora. Então, nos demos ao luxo de dormir sem despertador. Acorda devagar, arruma as coisas devagar, rodova, compra o próximo bihete, partiu punta arenas. Dura umas 3, 4 horas a viagem.

PUNTA ARENAS

Queríamos conhecer uma zona franca que tem no centro da cidade, mas parece que chegamos em um feriado (finados, aparentemente) e não rolou. Ficamos no hostel Sol de Hivierno (por pouco tempo, pois o vôo de volta para o brasil sairia naquela noite), e o rapaz da recepção foi maravilhoso conosco, nos deu todas as dicas do que fazer em poucas horas na cidade e me ajudou muito na operação de resgate do meu celular que  conto a seguir.

Em punta arenas tem um cemitério no estilo da recoleta, em Buenos aires, mas o que é atrativo mesmo são as BARRAQUINHAS de comida que encontramos fora do cemitério. Parecia uma estrutura mais permanentezinha, estilo feira de semana. Não perca a oportunidade de comer um completo (dogão chileno) (dá pra pedir um descontinho do completo de guacamole sem a salsicha) e de experimentar uma sobremesa que já esqueci o nome, que consiste basicamente em grãos de trigo hidratados em calda de pêssego, com o próprio pêssego em cima. Suavemente doce e muito gostosinha.

Na cidade há também um mirante bem bacana, de onde dá pra apreciar o por do sol e a bela vista para o mar e para a terra do fogo.

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De noite, comemos em uma hamburgueria chamada Bulnes, que o maps indicava ser muito perto do hostel, mas era na realidade menos perto.  Tem brejas, tem pizza no metro, tem ambiente descontraído, etc. Nossa pizza estava “ok”.

Na volta, eu me aventurei de deixar o celular no banco do táxi para poder testemunhar sobre a gentileza dos chilenos. Já no aeroporto, precisando fazer o check in, 3 da manhã, tempo correndo, avião se preparando, e lá estava eu, pedindo para um taxista aleatório ligar para o hostel (que havia agendado nosso táxi), para ligar para a empresa de táxi, para ligar para o taxista, pedindo que retornasse ao aeroporto com o aparelho. O taxista respondeu positivamente para a empresa, que respondeu para o hostel, que respondeu para o taxista que eu encontrei no aeroporto, que respondeu para mim que ele viria. Eu tinha 15 minutos até o horário de decolagem do vôo. Deu certo. Paguei outra corrida, lógico, mas muito feliz.

É isso. Eu descrevo esse rolê de forma menos brutona, mais lúdica, talvez, no meu instagram, se quiser, vai lá: _thayoba

Espero que essas informações sejam úteis e boa viagem!

 

 

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    • Por João Pedro Carvalho
      INTRODUÇÃO E PREPARATIVOS
      para quem quiser, tem a versão mais bonitinha em pdf no final

      PROMESSA FEITA, PROMESSA CUMPRIDA...
       
      Fala galera mochileira e não-mochileira,
       
      Depois de ter colocado o pézinho pra fora desse Brasilzão pela primeira vez na vida na minha primeira trip internacional, me sinto na obrigação moral de retribuir a toda ajuda que eu recebi de outros mochileiros que já tinham feito esse rolê antes, e que compartilharam suas experiências de viagem, para que pessoas como eu, que nunca tinham comprado sequer uma passagem aérea antes, pudessem viver uma das experiências mais incríveis da vida: mochilar!!!
      Então, cumprindo a promessa que fiz antes de viajar, cá estou eu, escrevendo este relato, que também espero que inspire muitas outras pessoas a pegarem sua mochila e partirem pro mundo, porque viajar é preciso!!!
       
      RESUMÃO
       
      O clássico mochilão pelos três países, 40 dias, desembarcando em Lima, indo pra Ica, Arequipa, acampando com escoteiros do mundo todo em Cusco, depois indo pra Puno, passando por Copacabana, La Paz, fazendo a travessia do Salar do Uyuni e chegando no Atacama e descendo até a capital chilena para pegar o voo de volta para casa.
      Tudo realizado entre julho e agosto de 2018, rodando mais de 5.000 km, só andando de bus entre cidades (porque pobre tem que fazer o dinheiro render kkkk).
      E por falar de dinheiro, vamos a parte interessante. João, quanto custou essa brincadeira toda? Pois bem, vamos por partes:
       
      Comida, transportes, hospedagens e passeios fora do acampamento (30 dias)
      R$ 4743 (1000 euros)
      Lembrancinhas e bugigangas pra família toda
      R$ 667 (parte em dólar, parte em reais)
      Passagens Áereas
      (Londrina-Lima/Santiago-Londrina)
      R$ 1476 (em reais mesmo)
      Acampamento em Cusco (10 dias, tudo incluso)
      R$ 1409 (exclua isso da sua planilha)
      Chip Internacional EasySIM4U
      R$ 120 (e ganha 6 revistas super tops)
      Seguro Viagem (40 dias)
      R$ 110 (economizei 500 dólares com ele)
       
      Excluindo o monte de blusa, chaveiro, cobertor, poncho que eu comprei lá (tudo é muito barato no Peru e na Bolívia), foram R$ 7850 tudinho mesmo. O que mais me pesou foram as passagens aéreas, por eu ter que sair do meu país Londrina-PR (pequena Londres com preços de Suíça), que só tem um aeroporto regional, as passagens saíram uns 300 reais mais caras do que se saísse de Guarulhos, só que ai gastaria com ônibus até São Paulo e no fim das contas daria na mesma.
      Então, considerando os 30 dias que eu estava na viagem “regular”, ou seja, que eu não estava acampado, minha média foi de R$ 163 por dia (alimentação, passeios, ingressos, hospedagem e transporte). Saiu um pouco caro, mas muito mais barato do que se eu tivesse ido de pacote de agência de viagem que se vende aqui no Brasil.
               
      O ROTEIRO
       
      O roteiro eu mostro detalhado aí embaixo com o mapa do My Maps (usem o My Maps, é muito bom pra quando você está planejando que lugares quer conhecer, ver quais cidades são próximas, quanto tempo de deslocamento e coisas assim).

       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
      O roteiro por cidades ficou desse jeito:
       
      20 jun – Londrina/Lima
      21 jun – Lima - (City Tour)
      22 jun – Lima/Ica - (Miraflores)
      23 jun – Paracas/Huacachina - (Reserva Nacional e Islas Ballestas)
      24 jun – Arequipa - (City Tour)
      25 jun – Arequipa - (Trekking Canion del Colca)
      26 jun – Arequipa/Cusco - (Trekking Canion del Colca)
      27 jun/05 ago - Acampamento Vale Sagrado
      06 ago – Cusco - (Maras e Moray)
      07 ago – Cusco - (Dia no Hospital)
      08 ago – Cusco/Águas Calientes - (Trilha hidrelétrica)
      09 ago – Machu Picchu - (Huayna Picchu)
      10 ago – Águas Calientes/Cusco - (Trilha de volta)
      11 ago – Cusco - (Montanha Colorida)
      12 ago – Cusco - (Laguna Humantay)
      13 ago – Cusco/Puno - (Mercado San Pedro)
      14 ago – Puno/Copacabana - (Islas Flotantes de Uros)
      15 ago – Copacabana/La Paz - (Isla del Sol e Isla de la Luna)
      16 ago – La Paz - (City Tour)
      17 ago – La Paz - (Downhill Estrada da Morte)
      18 ago – La Paz/Uyuni - (Chacaltaya e Vale de la Luna)
      19 ago – Uyuni -(Salar 3 dias)
      20 ago – Uyuni - (Salar 3 dias)
      21 ago – Uyuni/San Pedro de Atacama - (Salar e Vale de la Luna)
      22 ago – San Pedro de Atacama - (Lagunas Escondidas e Tour Astronomico)
      23 ago – San Pedro de Atacama/Santiago - (Geyseres del Tatio)
      24 ago – Santiago - (1700 km rodados pelo Chile)
      25 ago – Santiago - (City Tour)
      26 ago – Viña del Mar/Valparaíso - (Bate e volta)
      27 ago – Santiago - (Cajón del Maipo)
      28 ago – Santiago/Londrina
       
      Quando eu sai do Brasil, planejava ficar mais dias em Huacachina e menos em Arequipa, planejava fazer o tour do Vale Sagrado Sul em Cusco, assim como outros passeios em San Pedro de Atacama, mas como não viajei com o roteiro amarrado, ou seja, não tinha comprado passagem de bus nenhuma, nem reservado passeios ou hostels (exceto por Machu Picchu), pude muda-lo na hora, seja por amizades que fiz no caminho, ou por perrengues como o dia 07/08 que eu passei no hospital (isso eu conto depois). Por isso eu não recomendo comprar nada daqui do Brasil, nem reservar passeios, nem passagens de ônibus, nem hospedagem, tudo você consegue lá na hora, pechinchando e barganhando, assim você consegue preços melhores e não fica com o roteiro amarrado, você tem mais flexibilidade caso mude de ideia ou aconteça alguma coisa.
       

      Não tem segredo, tem que pesquisar, na internet, em blogs de viagens, no Mochileiros.com, em relatos de quem já foi, no meu caso, peguei um roteiro de 20 dias num blog, e fui adaptando, adicionando cidades e passeios, vendo os ônibus e hostels que eu poderia usar. Para os passeios, eu procurava nos relatos do Mochileiros.com e via as agências que a galera recomendava e já ia anotando o nome e o preço que pagaram pelos passeios.
       
      Para a hospedagem, eu procurava no Booking.com o nome da cidade, ordenava pelo menor preço, e ia vendo as avaliações da galera, se tinham curtido o lugar, mas sem reservar nada, só anotava o nome, o preço da diária, e quando chegava na cidade, ia direto nele (muitas vezes reservava o hostel pelo Booking quando chegava na cidade, pra não ter que pagar em caso de cancelamento).
      Para os transportes entre cidades, procurava no Rome2Rio as empresas que faziam o trajeto, o preço médio das passagens e já deixava anotado, mas também comprava só quando chegava na cidade, teve alguns que deixei pra comprar no dia da viagem mesmo.
      Para a alimentação, era na raça mesmo, perguntava para os locais mesmo onde tinha lugar bom e barato para comer, mas para planejamento, calculava R$ 40,00 por dia com comida. Tinha vez que gastava R$ 10,00, tinha dia que gastava R$ 50,00, mas fome não passava kkk.
       
      QUANTO LEVAR?
       
      Depois de definir o roteiro, ia anotando numa planilha no Excel mesmo, o roteiro por dia, os preços médios dos passeios, dos ônibus, das hospedagens, mais uns R$ 40,00 por dia pra comer, somei tudo e levei uns 20% a mais, só pra garantir. Funcionou bem, pelas minhas contas, eu precisava levar 1400 euros, trouxe 400 de volta, que já estão guardados para a próxima trip.
      Mas ainda levei meu cartão de crédito internacional, já desbloqueado para operações no exterior, só para uma possível emergência. Felizmente não precisei usá-lo.
       
      PREPARATIVOS
       
      Passagens Aéreas
       
      As duas piores partes da viagem são: comprar passagens aéreas e comprar moeda estrangeira, porque independentemente do quanto você pesquisa, parece que sempre você tá perdendo dinheiro.
      As passagens eu recomendo comprar uns 4 ou 5 meses antes da viagem. As minhas, comecei a procurar em janeiro, comprei em março, pra uma viagem para julho.
      Como eu tinha definido o roteiro primeiro, sabia que queria chegar por Lima e sair por Santiago, então procurava em todos os sites de busca possível na vida. Usei a opção “Múltiplos Destinos” ou “Várias Cidades”, passagens Londrina-Lima (20/07) e Santiago-Londrina (27/08), o Skyscanner tinha os melhores preços, mas ainda assim estava meio caro (R$1600). No site da Latam, Avianca, tudo acima de R$1800.
      Aí por acaso eu fui andar no centro da cidade um dia e passei em frente a agência da CVC, estava com sede, aí pensei, vou entrar, fingir que quero um orçamento e tomar uma água né? Tinha certeza que na agência de turismo seria o lugar mais caro. A atendente fez a busca no sistema dela, aí me disse: “R$ 1500 e pouco com bagagem despachada”, e eu: “como assim???? Mais barato que no site da Latam”. Acabei comprando lá, e como paguei a vista, teve um descontinho lá e saiu por R$1476 (comprei a passagem em março, minha viagem era em julho).
      Depois, de vez em quando eu olhava nos sites de busca e o preço não abaixava mais, então acredito que peguei a passagem com o preço mais barato possível kkk. A única coisa, é que em junho, a Latam trocou as escalas do meu voo de volta, ai a CVC me ligou para avisar que se eu voltasse no dia 27/08, teria uma escala noturna gigante no Rio de Janeiro, e acabaria chegando no dia 28/08, então ela me propôs voltar dia 28/08 num voo que eu pegaria escalas menores e chegaria no mesmo dia. Aceitei, o que foi a melhor coisa, porque ganhei um dia extra no fim da viagem.
       
      Chip Internacional
       
      Vou ser bem sincero, eu queria muito não ter comprado, mas como estava com tudo sem reservar, não conhecia nada, e queria dar um up no meu Instagram, fazer uns stories legais e postar tudo (pobre quando viaja tem que mostrar pra meio mundo, né?), e ainda por cima apareceu uma promoção da Revista Aprendiz de Viajante, que na compra de 6 revistas por R$ 120,00, de brinde ganhava um chip da EasySIM4U, com 4G ilimitado por 30 dias em todos os países, acabei comprando, não me arrependo, a internet funcionou muito bem mesmo, nas cidades, em alguns passeios, até em Machu Picchu funcionava, só no Salar do Uyuni que não tinha sinal nenhum. Também é possível comprar os chips nos países, não custa caro, mas tem que por crédito, troca o número, e tem franquia limitada, além de trocar o chip sempre que troca de país. Esse chip internacional funcionou nos 3 países, mas não servia pra ligações, apenas dados móveis.
      Além disso, como viagem era de 39 dias, e o chip só funcionaria por 30 dias, coloquei sua data de ativação para a partir do 9° dia, assim teria internet nos últimos 30 dias. Nos primeiros dias teria que me virar pedindo “la contraseña del wifi”. Usar chip brasileiro no exterior é pedir para pagar absurdos no fim do mês.
       
      Moeda Estrangeira
       
      Essa parte é com certeza a mais complicada, como levar dinheiro para a viagem? Reais, dólar, euro, cartão internacional, tele sena? Primeiramente, o cartão, mesmo sendo mais seguro, cobrava muitas taxas, fora os impostos que eram altíssimos para uso no exterior, além disso, muitos lugares não aceitam, então já risquei da minha lista.
      Bem, a moeda do Peru é o Novo Sol (S/)(PEN), da Bolívia é o Boliviano (Bs.)(BOB), e do Chile é o Peso Chileno ($)(CLP), por serem moedas “fracas”, suas cotações para compra no Brasil são as piores, então, ou compre dólar/euro no Brasil para trocar lá, ou leve real e troque lá. No meu caso, depois de muitas contas, cheguei à conclusão de que compensaria levar dólar ou euro, ao invés de reais. Para saber se compensa é só usar a formulinha que eu desenvolvi kkk
       
      (Quanto consigo em Soles levando Dólares) / (Quanto consigo em Soles levando Reais * Preço do Dólar em Reais)
       
       
      Se essa conta for maior do que 1, leve dólar, caso contrário, leve reais. Essa fórmula serve para todas as outras moedas, substituindo Soles por Bolivianos, Pesos, ou qualquer outra moeda fraca. Também pode ser substituído o Dólar por Euro, ou Libra, ou outra moeda forte.
       
      País
      Peru
      Bolívia
      Chile
      Real
      0,77 PEN
      1,65 BOB
      152 CLP
      Euro
      3,80 PEN
      8,00 BOB
      753 CLP
      Dólar
      3,25 PEN
      6,90 BOB
      650 CLP
       
      As cotações estavam assim, então preferi comprar euros. No Banco do Brasil a cotação estava melhor que nas casas de câmbio, e para funcionários, não é cobrada a taxa de operação, então se você tem algum parente ou conhecido que trabalhe lá...#ficaadica.
      Enfim, comprei 1400 euros por R$4,72 para levar, depois comprei mais 250 dólares por R$4,04, e na véspera, minha tia ainda me deu mais R$300 para comprar um poncho de lhama kkk.
      Toda essa grana devidamente guardada num saquinho de plástico com um papelão no meio para não amassar, dentro de uma doleira que eu usava amarrada na coxa (na cintura é muito manjada) por baixo da calça, com medo de alguém roubar aquilo assim que eu saísse do aeroporto. Importante, não dobrar as notas de dólar ou euro, lá eles são bem chatos com isso.
      Voltei para casa com R$200,00, 400 euros e 20 dólares.
       
      Seguro Viagem
       
      Aproveitei a Black Friday de 2017 e comprei o seguro viagem da Allianz Mondial, por R$109, plano América do Sul Standart, para 30 dias, estava com 50% OFF. Aí, em março, quando comprei a passagem para mais de 30 dias, liguei lá, expliquei a situação, aí cancelaram minha apólice, devolveram todo meu dinheiro, e fizeram uma nova apólice de 40 dias por R$110, pasmem. E pelo menos no meu caso, não foi um gasto, foi um investimento muito bem usado.
       
      Certificado Internacional de Vacinação
       
      Essa porc%#** desse certificado, teoricamente é obrigatório para entrar na Bolívia ou Amazônia Peruana, aí todo mundo se mata pra conseguir, tendo que ir em algum posto da ANVISA para tirar (é de graça), aí chega na hora da viagem e ninguém nem pede (ninguém me pediu). Mas é a famosa Lei de Murphy, se você viajar sem, tenha certeza de que te pedirão, então não arrisque, procure onde é o posto da ANVISA mais próximo da sua casa e faça esse certificado.
       
      Ingresso para Machu Picchu
       
      O famoso ingresso, como eu ia na alta temporada (junho a agosto) e queria subir a Huayna Picchu (aquela montanha que aparece no fundo de MP), tive que comprar o ingresso em abril para poder subir em agosto. Caso você não queira subir nenhuma montanha ou vá na baixa temporada, não precisa de tanta antecipação. O acesso ao parque é limitado a 2000 pessoas por dia. Pedi para um guia turístico que mora em Cusco que conheci num grupo de viagens do Whatsapp, para que ele comprasse para mim, para que eu conseguisse o desconto de estudante. Mandei foto da minha carteirinha (ISIC e normal) e ele conseguiu comprar com desconto, de 200 soles, paguei 125. Mas caso você não tenha carteirinha, pode comprar pelo site oficial http://www.machupicchu.gob.pe/, ou pode deixar para comprar lá em Cusco mesmo.
       
      Mochilas
       
      De bagagem de mão, eu levei uma mochila de ataque de 30 L daquelas da Decathlon (comprem essas coisas na Decathlon que é top e barato), com uma pastinha com o passaporte, certificado de vacinação, passagens aéreas e minha caderneta de anotações.
      Já pra despachar foram: uma cargueira de 85 L da Conquista que eu já tinha há anos, com praticamente tudo dentro, além de um saco de dormir para -15° (emprestado de um amigo), um isolante térmico inflável (também da Decathlon e também emprestado de um amigo) e minha barraca Azteq Katmandu 2/3. Para não despachar esse monte de coisa amarrado e correr o risco de perder tudo ou alguém enfiar drogas na minha mochila cheia de zíperes (minha mãe assiste aquelas séries de aeroportos no NetGeo e ficou morrendo de medo kkk), eu pedi pra um amigo que trabalha com tapeçaria e ele costurou um saco para colocar tudo dentro e com um zíper só para poder passar um cadeado e deixar a mãe tranquila (ficou parecido com uma bolsa de academia).
       
      O que levar?
       
      Para detalhar melhor, tá aí uma lista completinha de tudo que eu levei:
      ·                 1 bota impermeável (Yellow Boot Timberland), 1 tênis (All Star velho), 1 par de chinelos e 1 par de alpargatas.
      ·                 2 toalhas de banho (1 normal e 1 daquelas da Decathlon que seca rápido) e 1 toalha de rosto, Kit banho (shampoo, condicionador, sabonete e bucha).
      ·                 1 estojo (pasta, escova, fio dental, desodorante, perfume, repelente).
      ·                 Hidratante e protetor labial (levem, senão a boca e o rosto de vocês esfarelam no deserto).
      ·                 4 calças (2 jeans, 1 de sarja com elástico e 1 de moletom) e 2 bermudas (1 jeans e 1 de praia).
      ·                 8 camisetas.
      ·                 12 cuecas e 7 pares de meia.
      ·                 2 camisetas segunda pele.
      ·                 3 blusas (2 de lã e 1 de moletom).
      ·                 1 casaco impermeável corta-vento (R$199 na Decathlon, melhor investimento).
      ·                 Pacote de lenços umedecidos.
      ·                 Remédios usuais (antialérgico, sal de fruta, band-aid, para dor de garganta, Dramin)
      ·                 Pasta com os documentos.
      ·                 Doleira com a grana (dólar e euro).
      ·                 Carteira com a grana trocada, cartão de crédito internacional para emergências, carteirinha de estudante.
      ·                 Celular, carregador, fones de ouvido, bateria extra, adaptador.
      ·                 2 cadeados e algumas sacolinhas plásticas.
      ·                 Caderneta e caneta.
      ·                 1 óculos de sol e relógio de pulso.
      ·                 1 rolo de papel higiênico.
      ·                 1 pacote de paçoca rolha e 1 saco de bala de banana (pra fazer a alegria da gringaiada).
       
      Me arrependi de levar tantas blusas porque lá acabei comprando mais (Mercado São Pedro em Cusco é sucesso), luvas, toucas e cachecóis não compensa levar daqui, porque lá tem mais bonitos e mais baratos.
      Devia ter levado e acabei me esquecendo, protetor solar, lá é caríssimo, aí tinha que ficar pedindo emprestado pros outros, e não esqueçam que nos Andes o Sol é mais forte, fora o vento e a secura do ar, então levem creme, hidratante para o rosto e lábios porque vão usar e muito!
               
      DIÁRIO DE BORDO
       
      Nos capítulos seguintes, vou contar como que foram os passeios, dia por dia, tentei lembrar e ser o mais fiel possível com todos os fatos passados, contando os perrengues, minhas impressões, também tentei contar tudo do modo mais descontraído que eu consigo ser (uiii ele é superdescontraído ele hehe).
      Coloquei algumas fotos para tentar ilustrar o que eu vivi, os lugares por onde passei, a grande maioria delas foi tirada do meu celular mesmo, como não tenho câmeras profissionais, nem GoPro, tive que me virar nos trinta com meu Galaxy S7 Edge, mas felizmente, a câmera dele é bem razoável, algumas poucas fotos, lá na parte do Atacama, foram tiradas com um iPhone X de um desconhecido que eu pedi para tirar do celular dele, porque o meu estava sem bateria e ele me mandou pelo Whatsapp depois.
      O relato em si acabou ficando mais longo do que o planejado, então, caso você não esteja com muita paciência para ler tudo, ou queira só um resumo, no final de cada dia eu coloquei um quadrado cinza com todos meus gastos diários, nome das empresas de bus, de algumas agências, dos hostels onde fiquei hospedado. Além disso, coloquei também algumas caixas coloridas com informações importantes em destaque, deem uma olhada nelas.
      Do mais, é isso, espero que curtam, e qualquer coisa, pergunta, dúvida, me chamem no Instagram @der_wanderlust que eu respondo com o maior prazer.
      Bora lá!!!
       
      [email protected]_wanderlust.pdf
    • Por gmussiluz
      ORGANIZAÇÃO/PLANEJAMENTO
      Moro em Salvador e, de férias regulares, não poderia ter melhor oportunidade para realizar essa trip. Não lembro exatamente quando pensei nesse trecho, mas já estava planejando havia um bom tempo e queria fazer pelo menos o trecho de Itacaré a Barra Grande, que não finalizei da primeira vez (https://www.mochileiros.com/topic/58177-itacaré-algodões-a-pé/). Quando defini qual seria o trecho, revisava o planejamento com frequência pra ter certeza de que nenhum ponto estava passando em branco.
      Inicialmente, o planejamento era de sair de Itacaré e ir até Morro de São Paulo, passando o réveillon em Moreré, que acabou sendo o destino final por causa de imprevisto (no dia 1 em Moreré, senti uma dor muito forte no tendão que se estendeu por alguns dias e mal conseguia andar. Não seria prudente continuar a travessia nessa condição).
      Voltei do natal no Rio e chegando em Salvador só troquei de mochila e segui para o ferry boat para iniciar a viagem. Digo iniciar a viagem, porque ainda na travessia do ferry boat encontrei um amigo e comentei sobre estar ansioso para a travessia, quando ele me falou "nem precisa, já está acontecendo", e me dei conta de que realmente eu já estava a caminho, a viagem já tinha começado.
      Estava usando uma mochila cargueira de 40 L com aproximadamente 15 Kg. Como pretendia passar o réveillon em Moreré e sairia de Itacaré no dia 27, teria que andar pelo menos 19Km por dia até o dia 31, pernoitando na praia. 
      Como já disse em outros relatos, é importante lembrar que para caminhada em praia, tem que saber a tábua de marés para os dias planejados, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar, por exemplo, e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso.
       
      1º DIA
      Como o ônibus de Bom Despacho (ferry boat) para Itacaré demora, cheguei em Itacaré já umas 15h, e acabei saindo tarde de lá. Não tinha mais nada pra fazer e saí da rodoviária já em direção à orla pra fazer a travessia de barco. Chegando lá, tem alguns barqueiros que fazem a travessia do Rio de Contas para a praia do Pontal por 5 reais. Cheguei do outro lado e só precisei me arrumar e iniciar a caminhada, que foi aproximadamente às 15h30. A praia do Pontal é pouco frequentada, e só tinha um grupo de umas 6 pessoas. Daí pra frente, como já esperava, só vi pessoas em frente a Piracanga.

      (travessia do Rio de Contas, Itacaré)
      Chegando em Piracanga, o rio me surpreendeu pelo nível. Tive que tirar a mochila e atravessar antes pra conferir o nível e caminho onde poderia atravessar "tranquilo". Depois de conferir, atravessei com água 5 dedos acima do umbigo, carregando a mochila na cabeça e 3 pessoas me assistindo do outro lado. Como eu queria essa cena registrada! 🤣
      Segui caminhando e parei pra descansar já com tudo escuro e aproximadamente 13 Km caminhados, onde abri a canga, deitei e fiquei deslumbrado com aquele céu inteiro numa praia deserta, tudo só pra mim, contando inúmeros satélites e estrelas cadentes e acabei dando uma cochilada. Acordei recarregado e continuei caminhando, até fechar os 19 Km desse primeiro dia.
      No meio do caminho, dei de cara com um cachorro, que só vi quando estava a uns 3 m de mim, já latindo e vindo em minha direção, era um risco que eu não tinha previsto, mas me saí bem, só acendi a lanterna na cara dele, fui pra beira do mar e virei de costas pra água garantindo que não viria nenhum outro cão surpresa junto com ele, enquanto o afastava com um pedaço de pau (um "cajado") que tinha em mãos. Ele entendeu que eu não era uma ameaça, continuou latindo, mas ficou parado, e fui andando com a lanterna ainda acesa, vendo aqueles olhos caninos brilhantes se distanciando na escuridão
      Parei em um ponto mais pra frente, armei meu acampamento e deitei pra dormir. Fui acordado em algum momento no meio da noite por dois cachorros latindo, que acredito que era o de mais cedo com um outro. Só precisei espantar eles batendo em um pedaço de pau e continuar dormindo.

      Total percorrido: 19,5 Km
       
      2º DIA

      Acordei bem cedo com um nascer do Sol que não assistia havia muito tempo. Contemplei aquele momento por um instante, tirei algumas fotos e voltei a dormir, acordando de novo já perto das 8h. Comi, tomei um banho (de mar, obviamente), arrumei as coisas e segui caminhando. Com cerca de 2 Km, cheguei a Algodões, local onde a quantidade de habitações, pessoas e barracas já chama a atenção, e foi onde passando por um caminhante na praia, ouvi um comentário sobre uma das minhas tatuagens: três diafragmas de lentes fotográficas, o bastante para reunir e dar assunto entre eu, um fotógrafo das horas vagas e amante dessa arte e ele, um estudante de cinema, que me acompanhou por uns 4 Km enquanto conversávamos sobre a minha caminhada, sobre fotografia, cinema, filmes e temas afins. Foi meu primeiro contato e interação em 24 Km, e durante a conversa eu nem vi o tempo e caminho passarem.

      (meu xará, estudante de cinema, com quem troquei algumas ideias)

      Daí pra frente segui caminhando e comecei a ficar atento ao GPS, porque tinha marcado um waypoint na entrada com menor caminho para a lagoa do Cassange, onde já tinha planejado uma parada de descanso com banho doce e talvez almoço. A lagoa é bem bonita, bem rasa (andei mais de 50 m em direção ao meio e a água não chegou nem na cintura), com água quente e cheia de peixinhos que ficaram mordiscando enquanto eu estava de molho. Após o banho, dei uma olhada no cardápio da barraca que fica na beira da lagoa para saber a possibilidade de almoçar ali, e os preços eram bem altos, mas nada surpreendente para Barra Grande em alta estação. Fiz um lanche com o que tinha na mochila, fiquei um bom tempo descansando e segui a caminhada.

      (Lagoa do Cassange)

      Essa parada na lagoa durou quase 2h, deu pra descansar bastante e passar o horário de sol a pino, além de dar o tempo de a maré secar toda, melhorando a área de caminhada na areia.
      Andei até um pouco antes de Taipus de Fora, e abri a canga pra descansar de novo, onde dei mais uma daquela cochilada revigorante e gastei mais um bom tempo observando o visual e o movimento na praia enquanto pensava sobre seguir para dormir mais a frente ou parar por ali, já que já tinha percorrido um total de 40 Km nesse ponto.
      O Sol já estava se pondo, mesmo assim resolvi pegar a mochila e ir andando devagar, mas logo que fiz a curva de Taipus de Fora já parei e fiquei olhando de longe: eram muitas casas, muita gente, festa, barraca...não seria legal dormir por ali, se é que acharia um lugar tranquilo e onde pudesse dormir. Fiquei olhando por uns cinco minutos e vi um casal, aparentemente andarilhos também, me olhando de longe, com mochilas, sentados mais acima da areia e fui falar com eles:
      -Estão vindo de lá de Barra?
      -Sim, estamos indo pra Itacaré
      -Maravilha! Estou vindo de lá, saí ontem à tarde.
      -Olha aí, mais um colega de caminhada haha
      -Pois é haha sabem me dizer se seguindo a praia a partir daqui é sempre assim com muita casa, cheio de gente? Estou procurando um lugar pra dormir na rede e virei aqui já desanimando com tanto movimento.
      -Nãão, se você apertar o passo, depois daquela ponta ali vai ter umas barracas com cobertura de palha que ficam armadas para o pessoal ficar durante o dia, mas à noite é bem tranquilo, não fica ninguém e dá pra armar a rede e dormir bem lá.
      -Ótimo, vou seguir!


      A ponta que ele indicou ficava a aproximadamente 1 Km, e obviamente eu fui em busca das barracas com cobertura de palha para dormir, afinal, eu estava bem cansado, mas 1 Km não é tanto assim e dormir bem seria importante. Andei, passei da ponta, andei, andei, andei, andei e depois de uns 4 Km sem ver nenhuma estrutura semelhante ao que ele descreveu, decidi que qualquer estrutura que aparecesse, eu pararia, quando logo depois vi, na praia da Bombaça, ao lado da entrada de um terreno com casarões, uma armação de bambu com um tecido branco e algumas palhas de coqueiro por cima, era ali. Montei a rede, deitei e depois de observar a movimentação de algumas pessoas da casa pela praia observando o céu, apaguei, mas acordei algumas vezes durante a noite com carros, quadriciclos e motos passando, além do frio que fez na madrugada. Foi uma noite bem difícil porque eu não tinha mais recursos para me proteger do frio e fiquei lutando com ele por um bom tempo.
      Total percorrido: 45 Km

      3º DIA
      Apesar de algumas nuvens densas se aproximando pelo Norte, mais uma vez acordei com um nascer do Sol maravilhoso, mas dessa vez não dormi de novo. Fiquei observando a praia e algumas pessoas já passavam por ali quando levantei da rede pra arrumar minhas coisas e iniciar minha caminhada logo em seguida, já às 6h40. Com menos de 1 Km de caminhada, vi as estruturas que o cara me falou no dia anterior e percebi que tinha dormido no lugar "errado". 😂

      Passei a Praia dos três coqueiros, farol, Ponta do Mutá e cheguei no “centro” de Barra Grande com uma hora de caminhada.
      Logo que cheguei, fui ver como faria para atravessar para a Barra do Serinhaém, e o pessoal das empresas que operam as lanchas não tem esse trecho nos serviços deles, então é um pouco complicado. Não é tão fácil como poderia ser, mas dei sorte depois. Depois de terem me cobrado 250 (duzentos e cinquenta!!!!) reais para atravessar, resolvi tomar logo um café da manhã na padaria e voltaria pra resolver isso e, obviamente, achar outra forma (e outro valor) para atravessar.
      Caminhei até o final do píer e fiquei lá “queixando” carona para cada barco que encostava pegando ou deixando passageiros, sem sucesso em todos eles, já que a travessia era meio contramão para o caminho usual que eles costumam fazer. Depois de tentar em alguns, comecei a conversar com alguns caras que estavam no píer comigo, todos trabalhando, ajudando a carregar, coordenando ou ligados de alguma outra forma às movimentações de embarcações que aconteciam ali. Falei brevemente sobre minha viagem e para onde estava indo e um deles colou comigo e ficou conversando, quando me falou -não sei se para confortar ou para desanimar- que SE eu conseguisse a travessia, poderia ser no fim da tarde, quando alguns trabalhadores residentes de Barra do Serinhaém voltavam de Barra Grande pra lá e eu, com essa informação, ao mesmo tempo que pensei no tanto de tempo que perderia esperando até o fim da tarde, me confortei sabendo que pelo menos de uma forma eu conseguiria atravessar. Não se passaram cinco minutos e esse mesmo cara gritou:
      -Ó lá quem vai te levar pra Barra! Eeei! - gritava e acenava para um casal numa lanchinha saindo da praia - leva esse amigo nosso aqui pra Barra!
      Eu, atrás dele, pulava, balançava os braços, acenava e assobiava alto para chamar atenção do casal e não passarem direto😂. O piloto prontamente mudou a rota, encostou no píer e eu só desci a escada e embarquei, feliz da vida e agradecendo mil para o brother que arranjou a carona pra mim.
      Seguimos e eles não me cobraram nada pela travessia (afinal, ele já estava indo pra lá).
      Parei, e segui procurando a casa de uma amiga com quem já tinha falado previamente e estava à minha espera. Nessa parada, tomei banho de chuveiro com xampu e sabão, fui servido com um prato de frutas muito farto e ainda almocei uma moqueca deliciosa hahaha, não sei se ela e a família tinham noção disso, mas a recepção, cada gesto e ato de generosidade foram extremamente significantes pra mim, e agradeço demais por aquilo, saí de lá revigorado, muito bem alimentado e com disposição para continuar firme na caminhada. Depois de almoçar, descansei por uma hora e comecei a reorganizar minha mochila, para sair perto das 15h40, quando comecei a caminhada saindo da Barra do Serinhaém em direção à praia de Pratigi.

      (início da praia de Pratigi)

      Pratigi é uma praia bem extensa, toda dominada por plantações de coco, e depois de andar por uma boa extensão, logo após o pôr do Sol resolvi que iria parar porque meu saldo estava bom (tinha andado 26 Km no segundo dia, então a meta desse dia era menor, não precisava me estender tanto) e meus pés já doíam, entretanto, acabei sendo obrigado a andar mais quando subi a faixa de areia indo pegar materiais para montar um abrigo e fui surpreendido por um enxame de mutucas me rodeando. Como estava ventando, continuei andando na esperança de elas perderem meu rastro e eu poder parar logo, mas eu parava de vez em quando checando e ainda via algumas voando ao meu redor, e nessa história, tive que andar mais 4 Km com os pés doendo e no escuro até finalmente parar e não ver mais nenhuma mutuca. Parei, catei materiais, montei o abrigo e finalmente pude deitar e dormir. Estava a 2 Km da vila de Pratigi e apesar de não ter movimento na praia, as luzes da vila eram bem fortes.
      Total percorrido: 75 Km

      4º DIA

      (abrigo montado no primeiro e terceiro dia)


      Acordei umas 5h, e se não fosse o abrigo eu certamente sentiria frio, já que tive que me cobrir durante a noite. Levantei e percebi que tinha parado exatamente no local onde acontece o Universo Paralello quando reconheci a estrutura ainda resistente da cozinha comunitária (era uma estrutura de barro, por isso devem ter deixado por lá do jeito que estava). Estive no festival no ano anterior e tudo aqui estava irreconhecível sem movimento, música, luzes, pistas e estruturas montadas.
      Iniciei a caminhada planejando a parada na vila de Pratigi para poder trocar dinheiro caso precisasse pagar para a próxima travessia de barco. Parei lá e rodei em algumas barracas até conseguir trocar uma nota de 100: início da manhã de um domingo, não estava fácil trocar uma nota de valor alto, mas consegui e segui. 1 Km depois da vila tem um riozinho raso com travessia tranquila com a água pouco acima do joelho e 4 Km depois cheguei na Barra do Carvalho. Nesse ponto, tirei a mochila e acenei para alguns barcos que passavam para saber se iriam atravessar em direção a Cova da Onça ou Ponta de Castelhanos, e nada.

      (Barra do Carvalho)


      Sentei e fiquei esperando por cerca de uma hora até decidir ir para a parte de dentro da ponta de areia que se formava ali e na mesma hora que levantei e comecei a andar, surgiu um pessoal vindo andando no sentido oposto. Fui andando, dei de frente com o grupo e perguntei como tinham chegado ali, quando me responderam e apontaram os barcos parados, meus olhos quase brilharam de felicidade. Fui direto ao barqueiro perguntar se faria a travessia para Cova da Onça e o mesmo prontamente me negou com a cabeça. Fui atrás do dono do outro barco, que estava com a família já preparando um churrasco naquela prainha enquanto comiam alguns petiscos e tiravam cervejas geladas dos isopores que tinham levado, e me disse que era uma travessia pouco feita, difícil e depois de pensar e enrolar um pouco, me cobrou 50 reais, ao mesmo tempo que me perguntou se queria comer alguma coisa, “que ficasse à vontade”. Ainda era cedo, neguei.
      Depois de pagar 5 reais para atravessar o Rio de Contas, 50 reais me soava um preço altíssimo e eu tive que negar, resolvi esperar por mais tempo. Sentei já com pouca esperança e imaginando ter que dar os 50 reais mais tarde mas, passado mais um tempo, chegaram mais dois barcos dos quais tive uma negação e uma oferta de travessia por 20 reais: o preço já tinha melhorado! Ainda assim, resolvi esperar mais um pouco e uma pessoa que estava com o barqueiro que me cobrou 20 reais chegou perto de mim e começou a conversar, perguntando sobre a viagem, o que eu estava fazendo, etc., perguntas que àquela altura eu já estava acostumado, e me ofereceu um prato de almoço, que pelo tempo que já tinha passado, eu não pude negar.
      Mais um tempo de espera, já olhando pro horizonte pensando em qualquer coisa, esquecendo por um instante que eu estava à espera de uma travessia, ouço uns gritos. Era o segundo barqueiro, chamando atenção de um barco que passava e me chamando pra ir até lá. O barco, no qual embarquei prontamente, era de um primo dele que estava de passagem indo para Cova da Onça só com o filho pequeno a bordo. As 2 horas e 40 minutos de espera compensaram o custo nulo da travessia e, durante o caminho, que durou uns 20 minutos, conversei bastante com o dono do barco, que me explicou - e mostrou, enquanto “zigzagueava” - o motivo de aquela ser uma travessia tão evitada: a batimetria ali é muito ruim para navegação porque além de ser raso, tem muitas rochas, bancos de areia e recifes e nem todo mundo conhece bem o local mas ele, com muito conhecimento do local e, claro, aproveitando a maré cheia, passava com maestria pelos locais que indicava perigo e eu, enquanto conversava com ele, ia debruçado na lateral vendo nitidamente o fundo passando bem raso.

      Chegando em Cova da Onça, ele me explicou por onde eu pegaria o caminho até Ponta de Castelhanos, meu próximo destino. Pedi água numa casa com duas senhoras na frente, que encheram minha garrafa de 1,5 L sem problema e segui ansioso por esse próximo trecho, afinal, eu já estava bem próximo do fim.

      A caminhada de Cova da Onça até Ponta de Castelhanos foi, sem dúvida alguma, onde mais suei e cansei. Por ser uma estrada de areia fofa que passa por trás do mangue, acaba sendo uma área protegida de vento, pior ainda considerando o Sol escaldante do início da tarde na areia fofa. Depois de pouco mais de uma hora de caminhada, cheguei à praia de Castelhanos, um dos paraísos na Terra. Não queria perder muito tempo e fui logo ver como era a travessia para pegar a trilha do mangue e chegar em Moreré.

      Depois de conversar com dois canoeiros, me disseram que existia a travessia de barco direto para Moreré, por 40 reais, e a travessia para o início da trilha do mangue, por 10 reais, que era a que eu estava procurando. Sentei um pouco enquanto conversávamos e depois subi na canoa para atravessar, enquanto um deles me levava dando orientações sobre a trilha.


      A travessia do rio dura 5 minutos, e a trilha, que é dentro do mangue fechado, iniciou com água acima do tornozelo e, para o meu alívio, o fundo era de areia sem afundar o pé, ao invés de lama que afunda até o joelho, como é comum em manguezais, o que seria bem ruim de lidar com uma mochila pesada nas costas😅. A trilha é linda, e segui sozinho por ela, passando por mangue, apicum, coqueiros e até uma pequena plantação de cana, até chegar na praia de Bainema, e depois, finalmente, na vila de Moreré.

      (Praia de Bainema, pouco antes de chegar em Moreré)

      Total percorrido: 100 Km
      OBSERVAÇÕES:
      -Acabei usando a rede só em uma noite, dormindo nos abrigos que montei na areia nas outras duas noites, então acredito que poderia abrir mão da rede (peso e volume) e dormir no abrigo todas as noites.
      -Um ponto importante que ainda preciso melhorar é a alimentação. De forma alguma passei fome ou me alimentei muito mal, mas investir em comida liofilizada é uma prioridade urgente para reduzir o peso e volume da mochila.
      -O GPS foi uma das melhores aquisições que fiz e realmente faz muita diferença, me possibilitando acompanhar meu rendimento com dados de quilometragem percorrida e velocidade média, além de poder marcar pontos de interesse como entradas de lagoas, possíveis pontos para acampamento, pontos de apoio, etc., e, claro, gravar o tracklog para compartilhar com quem tenha interesse em realizar o mesmo percurso.
       
      TRACKLOG NO WIKILOC:
      https://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?pic=hiking-trails&slug=travessia-itacare-morere&id=31923513&rd=en

      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Camelbak Chute 750ml
      -Garmin eTrex 30x
    • Por Aullyanna02
      Planejo fazer uma viagem com destino ao Chile em julho/2019, e desejo visitar os dois destinos que estão no título do post. Gostaria de saber se há possibilidade de comprar as passagens para a Ilha de Páscoa no aeroporto de Santiago, pois aqui no Brasil elas são absurdamente caras - leia-se R$5.000 em alguns sites - e não cabem no meu orçamento inicial. Por favor, me ajudem! Desde já, agradeço!!!
    • Por nunes.rpa
      Fala Mochileirxs, beleza? Podem me ajudar com meu roteiro?
      Estou planejando uma viagem na América do Sul, entre os dias 04 e 21 de abril (inclusive). Será a minha primeira vez no país. A princípio eu faria Peru-Bolívia (Cusco, Copacabana, Isla del Sol, La Paz e Uyuni), mas pelo tempo disponível eu não poderia nem tentar o Huayna Potosí, então achei melhor conhecer a Bolívia junto com o Atacama num segundo momento.
      Sou montanhista e sempre busco aventuras nos lugares que viajo, mas também não dispenso o conhecimento histórico e cultural local. Considerando tudo isso, elaborei o roteiro por Cusco, Arequipa, Lima e estou pensando em apertar para conhecer Ica (OBS: não estou pensando em ir a Huaráz dessa vez, pois pretendo fazer circuitos/escaladas demorados em outra ocasião).
      04/04 - Chego Cusco 12h/Caminhar pela cidade para aclimatar e fechar tours.
      05/04 - Rainbow Mountains
      06/04 - Valle Sagrado
      07-11/04 - Salkantay Trek
      12/04 - City tour/Museus/Feira de Artesanato e Qoricancha
      13/04 - Indefinido/Rodoviária 20h (ida a Arequipa)
      14/04 - Chegada Arequipa 07h/Citytour
      15-16/04 - Valle del Colca Trek/Ida a Ica (tempo suficiente?)
      17/04 - Indefinido - Ica ou continuar Arequipa?
      18/04 - Indefinido/Ida a Lima
      19/04 - Chegada Lima 06h/Centro histórico/Museu Larco
      20/04 - San Isidro/Miraflores
      21/04 -  Museu de Arte de Lima/Barranco (feira após 12h)/Aeroporto 19:00h (vôo de volta 21:40h)
       
      Por ora o meu roteiro é esse. Poderiam me ajudar com alguns?
      - Quantos dias são realmente necessários para conhecer Arequipa/Valle del Colca?
      - Acham que consigo embargar para Ica no mesmo dia de retorno do Valle del Colca Trek? Se sim, vale passar dois dias por lá?
      - Sugerem algum local que não foi mencionado acima? Estou aberto a substituições e preciso preencher os lugares "indefinidos".
       
      Gratidão a toda ajuda/sugestão. Depois da viagem compartilharei minha planilha de gastos detalhada por aqui.
      Grande abraço.
       


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