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JULIANA ROCHA

Ushuaia e Buenos Aires - Dez/2018 - Com beb√™ ūüĎ™

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Depois de ter feito relatos das duas √ļltimas viagens nossas, essa me senti na obriga√ß√£o de fazer, simplesmente porque √© muito bom voltar pra relembrar esses momentos t√£o especiais que √© conhecer esses¬†lugares incr√≠veis.¬†

 

O sonho de conhecer a Parag√īnia come√ßou logo ap√≥s a viagem para San Andres, em 2015, quando um amigo sugeriu esse destino para uma pr√≥xima viagem juntos. Eu n√£o conhecia nada sobre a Patag√īnia, mas a partir daquele momento comecei a pesquisar e ver as possibilidades.¬†

 

Em 2016, agendamos a viagem, reservamos os hotéis, onde incluía a visita a Ushuaia, El Calafate e El Chalten, no inverno. Mas antes de comprar as passagens recebemos a maravilhosa notícia da nossa gravidez. Cancelamos tudo. Mesmo assim, continuei sonhando e esperando o momento em meu filho pudesse crescer e chegar em uma idade em que fosse possível ir para lá. 

 

Nao aguentamos muito... ao¬†1 ano e 8 meses¬†nos¬†encorajamos e fomos para¬†Ushuaia com nossa malinha ūüėā

As passagens a√©reas compramos pelo Ao Mundo em uma promo√ß√£o dos Melhores Destinos, ficou R$ 1.800,00 com as taxas - Todos os trechos Aerolineas, n√£o tivemos nenhum problema com a Aerolineas, confesso que estava um pouco preocupada. O √ļnico alimento que oferecem a bordo √© um alfajor e pacotinho de castanhas ou frutas secas, e¬†algo para beber. Escolhemos a Aerolineas tamb√©m por causa dos hor√°rios dos voos, que tinha que ser o mais confort√°vel poss√≠vel por causa do nosso filho.¬†

02/12 - Ctba à BA

03/12 à 08/12 - Ushuaia (Pior horário de voo, saímos de BA as 4:35Am)

08/12 à 12/12 - BA 

 

O primeiro dia em BA foi uma conexão de 12 horas, onde pegamos um hotel, saímos do hotel as 3:00 Am. Chamamos táxi pelo Aysi. Um detalhe sobre os táxis de BA, sempre optem pelos que cobram pelo taxímetro, a diferença é gritante!

 

Tentamos¬†tirar dinheiro em v√°rios caixas eletr√īnicos, tanto no aeroporto quanto na cidade, e nenhum tinha dinheiro! Tivemos que trocar um pouco no aeroporto mesmo numa cota√ß√£o¬†de 1 real a¬†$ 8,70, p√©ssimo.¬†

 

Ficamos em um apartamento na Recoleta, mas não vou indicar aqui pois não recomendo. 

 

Todas as hospedagens ficamos em apartamentos, pois com bebê temos que evitar ao máximo sair para comer, ter espaço para ele brincar, e poder fazer as comidinhas dele... isso salvou muito nossa viagem, pois ele não ficou stressado nem cansado, e assim conseguimos fazer todos os passeios que tínhamos planejado. Por isso essa viagem foi planejada com o máximo de conforto, alugamos carro para todos os dias que estaríamos em Ushuaia, pegamos pelo Rent a Car e recomendo, pagamos um pouco mais de R$ 100,00 por dia para um xxx novinho. Quando chegamos no aeroporto eles estavam nos esperando já. 

 

Em Ushuaia ficamos em uma Cabana que sinceramente, tornou nossa estada na cidade mais especial, com uma vista incrível do canal de beagle, foi muito bom ficar as noites ali assistindo o anoitecer, que só acontecida depois das 23:00. Pegamos pelo Airbnb. Link: 

https://www.airbnb.com.br/rooms/19675985?location=Ushuaia%2C Terra do Fogo%2C Argentina&adults=1&guests=1&s=zF7bGwaU

 

No primeiro dia, chegamos, fomos na cabana deixar nossas bagagens e já fomos ao mercado fazer compras, procuramos algum restaurante pra almoçar e não achamos quase nada... comemos em casa mesmo. 

 

A tarde descansanos um pouco, pois tínhamos acordado as 2:00 am. E de tardinha saímos para comprar chip e conhecer um pouco a cidade. Depois fomos no Hard Rock Café, bem legal, mas a comida deixou a desejar.

 

Fomos pra casa e esperamos ver o canal de beagle de noite, mas n√£o aguentamos ūüėā Percebenos o quanto n√≥s e nossas prioridades mudaram¬†‚̧ԳŹ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vou esperar ansiosamente pelo resto. √Č uma viagem que estamos pensando para 2019. Continuem assim e sejam muito felizes, falo porque somos um casal com 26 anos de casados. Fa√ßam tudo sempre juntos.

 

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Meu filho tá com 1 ano e 2 meses, já vai pra estrada nas férias também kkkk

Guento n√£o rs

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    • Por Diego Minatel
      "No s√©culo XII, o ge√≥grafo oficial do reino da Sic√≠lia, Al-Idrisi, tra√ßou o mapa do mundo, o mundo que a Europa conhecia, com o sul na parte de cima e o norte na parte de baixo. Isso era habitual na cartografia daquele tempo. E assim, com o sul acima, desenhou o mapa sul-americano, oito¬†s√©culos depois, o pintor uruguaio Joaqu√≠n Torres-Garc√≠a. ‚ÄúNosso norte √© o sul‚ÄĚ, disse. ‚ÄúPara ir ao norte, nossos navios n√£o sobem, descem.‚ÄĚ
      Se o mundo está, como agora está, de pernas pro ar, não seria bom invertê-lo para que pudesse equilibrar-se em seus pés?"
      De pernas pro ar, Eduardo Galeano
       
       
       O nosso norte é o sul, Joaquín Torres-García
      Cheguei ontem pela madrugada em casa. Agora sentado na frente do computador sinto uma necessidade, quase insuport√°vel, de contar sobre meu caminhar at√© o fim do mundo. Foram 50 dias de viagem e mais de 14.000km percorridos por terra. Entre √īnibus e caronas percorremos o sul do Brasil e a Patag√īnia Argentina at√© Ushuaia, parando em muitos lugares nos dois pa√≠ses. O dinheiro era pouco, mas a vontade era muita. A necessidade que tenho de escrever deve-se as pessoas que de alguma forma nos ajudaram a realizar esta viagem ao extremo sul da Am√©rica do Sul. Tanta gente boa pelo caminho. Tanta solidariedade. Tanta gratid√£o.

      Pela primeira vez, antes de uma mochilada, eu não estava completamente bem e seguro. Nos meses que antecederam a viagem estava escrevendo a dissertação do meu mestrado (isso, por si só, já era muita tensão) e nesse intervalo de tempo perdi meu pai, a mulher que aprendi a amar resolveu seguir sem minha companhia e quase antes de embarcar perdi minha vó. Como é de se imaginar, meu estado de espírito não era nada bom, na verdade era o pior possível. Com isso tinha muito medo de atrair coisas ruins pelo caminho, como por exemplo ser vítima de violência. Assim, resolvi mudar a ideia de mochilar sozinho e decidi ter uma companhia nessa viagem. Meu amigo/irmão Matheus embarcou comigo nessa jornada. 

      Enfim, tenho como intuito neste relato contar a história dos lugares por onde passei, minha histórias nesses mesmos lugares e, principalmente, falar sobre as muitas pessoas (leia-se anjos) que nos ajudaram nesta viagem. Quero contar de maneira honesta os acontecimentos e os sentimentos que me permearam nesses dias, e de alguma forma quero deixar esse texto como agradecimento a cada pessoa que tornou essa viagem algo possível.
      Agora vamos ao que interessa, bora comigo reconstruir essa viagem por meio de fotos e palavras!
      Parte 1 - De Rio Claro at√© Timb√≥: o mesmo in√≠cio de outra vez Parte 2 - A Serra Catarinense vista por Urubici Parte 3 - O casal das ru√≠nas de S√£o Miguel das Miss√Ķes Parte 4 - Do Brasil para a Argentina Parte 5 - Buenos Aires, la capital Parte 6 - O come√ßo da Ruta 3 e o mar de Claromec√≥ Parte 7 - Frustra√ß√Ķes na estrada e a beleza de Puerto Madryn Parte 8 - O anjo do carro vermelho Parte 9 - Cruzando o Estreito de Magalh√£es com San Martin¬† Parte 10 - Enfim, o fim do mundo Parte 11 - Algumas das belezas de Ushuaia Parte 12 - El Calafate, Glaciar Perito Moreno e Lago Argentino Parte 13 - O para√≠so tem nome, El Chalt√©n Parte 14 - A janela do √īnibus Parte 15 - O caminho de volta e os reencontros Parte 16 - Reflex√Ķes
    • Por appriim
      Ol√°, viajantes¬†ūüėä
      Depois de ler tantos relatos aqui no Mochileiros, nada mais justo que deixar uma contribui√ß√£o sobre a minha experi√™ncia pela Patag√īnia.
      Antes de iniciar o relato sobre a viagem, vou deixar algumas dicas importantes aqui:
      - O meu objetivo com essa viagem era realizar algumas trilhas. Caminhei muito (cerca de 250km) e tive bastante contato com a natureza.
      - Eu fiz a viagem sozinha. Para quem tem d√ļvidas s√≥ tenho uma coisa a dizer: v√° sem medo. As pessoas de l√° s√£o muito simp√°ticas e est√£o sempre dispostas a ajudar. Fiz v√°rias amizades durante as trilhas, nos √īnibus, na rua, etc.¬†ūüėā
      - A fama de rolar caronas por lá é verdadeira. 
      - Mesmo sendo ver√£o, na Patag√īnia ainda √© frio.
      - Os dias s√£o longos, entre 4h00 e 5h00 o sol j√° est√° raiando e ele se p√Ķe depois das 22h. D√° pra fazer MUITA coisa.
      - Não deixe de fazer absolutamente nada por causa do mal tempo. O clima por lá muda bastante, então saia com chuva ou sol e esteja preparado para as mudanças.
      - Leve sempre na sua mochila de ataque uma jaqueta e calça que sejam impermeáveis e corta vento.
      - Em todos os lugares tem calefação, então use e abuse do sistema em camadas e leve pijama curto para dormir.
      - Faça cambio na Argentina. Minha conexão em Buenos Aires era de madrugada, então não consegui fazer cambio fora do aeroporto, e mesmo assim compensou muito mais que trocar no Brasil. Fiz no Banco Nación dentro do EZEIZA, acho que fica aberto 24hrs. No site deles dá pra acompanhar a cotação oficial (http://www.bna.com.ar).
      - Comprei todos os tickets de √īnibus na Rodovi√°ria de El Calafate. Tamb√©m √© poss√≠vel comprar online.
      - Peguei um Chip para usar internet da empresa Movistar. Só precisa ir até a loja deles com um documento e solicitar o chip, depois ir até um kiosco e fazer uma recarga. A internet funcionou bem na Argentina, exceto El chaltén que lá nem o wifi funciona direito.
      - Tanto na argentina quanto no chile eles n√£o d√£o sacolas nos mercados.
      - Achei os preços bem interessantes em Ushuaia, pra quem não sabe, é uma área livre de impostos. Vi perfumes, gopro, roupas de frio com preços bons.
       
       Meu cronograma foi o seguinte:
      20/12 ‚Äď Florian√≥polis ‚Äď Buenos Aires
      21/12 ‚Äď Buenos Aires - Ushuaia
      22/12 ‚Äď Ushuaia ‚Äď Laguna Esmeralda
      23/12 ‚Äď Ushuaia ‚Äď Pinguineira, Canal Beagle e Glaciar Martial
      24/12 ‚Äď Ushuaia ‚Äď El Calafate (avi√£o)
      25/12 ‚Äď El Calafate ‚Äď Dia Livre, volta de bike
      26/12 ‚Äď El Calafate ‚Äď Perito Moreno e Minitrekking
      27/12 ‚Äď El Calafate ‚Äď Puerto Natales - Chile¬†(√īnibus)
      28/12 ‚Äď Puerto Natales ‚Äď Full Day Torres Del Paine
      29/12 ‚Äď Puerto Natales ‚Äď Trekking at√©¬† Base deTorres del Paine
      30/12 ‚Äď Puerto Natales ‚Äď El Calafate ‚Äď El Chalten (√īnibus)
      31/12 ‚Äď El Chalten ‚Äď Cerro Torre
      01/01 ‚Äď El Chalten ‚Äď Chorrilo Del Salto
      02/01 ‚Äď El Chalten ‚Äď Fitz Roy
      03/01 ‚Äď El Chalten ‚Äď Laguna Electrica
      04/01 ‚Äď El Chalten ‚Äď Loma Del Pliegue Tumbabo
      05/01 ‚Äď El Chalten ‚Äď El Calafate (√īnibus)
      06/01- Chegada em Florianópolis
       
      Vou come√ßar pelo dia 2, porque o primeiro se resumiu apenas em chegar at√© Buenos Aires¬†ūüėāūüėā
      21/12 BUENOS AIRES ‚Äď USHUAIA
      Cheguei de madrugada no Aeroporto de Ezeiza, fiz o cambio e meu voo até Ushuaia saia do Aeroparque. A Aerolíneas disponibiliza de um transfer gratuito se você emitir um voucher no site deles. A empresa que presta esse serviço é a Manuel Tienda León, só procurar o guichê deles na parte externa do aeroporto.
      O voo de Buenos Aires até Ushuaia dura +/- 4 horas. Acordei quando estava perto de pousar e ao abrir a janela o céu estava azul, as montanhas com os picos nevados e diversos lagos.
      Desembarquei em Ushuaia às 8h10 e como não despachei mala, fui direto ver o transfer até o meu hostel, para não esperar muito optei pelo remis, é um trajeto rápido e custou ARS 300.
      No hostel, tomei caf√© da manh√£ e fui tomar um banho para sair. E para minha surpresa ao sair do banho, chuva e muito vento (coisas da patag√īnia ūüėā). Nesse momento, ainda n√£o entendendo como funcionava o clima por l√°, fiquei esperando a chuva passar. Depois de um certo tempo sai na chuva mesmo.
      Estava com o dia livre e fui bater perna para conhecer a cidade, andei pela Avenida San Martin que √© a rua de com√©rcios em Ushuaia, muito simp√°tica, com algumas constru√ß√Ķes coloridas, pelas cal√ßadas apreciando o Canal Beagle, fui at√© a famosa placa.
      Hospedagem: Antártida Hostel. Localização é ótima, perto da Avenida San Martin, do porto e mercado. Estrutura de quartos, banheiros e cozinhas são boas e sempre estavam limpos. Staffs simpáticos, sempre dando dicas e conversando.

      22/12 ‚Äď USHUAIA ‚Äď LAGUNA ESMERALDA
      Pedi no hostel informa√ß√Ķes sobre o transfer at√© o inicio da trilha para a Laguna Esmeralda, eles me venderam por ARS 450 ida e volta.
      A van passou no hostel as 10h, o dia estava nublado e sem chuva. A trilha de modo geral √© bem tranquila e bonita. Voc√™ caminha por bosques, passa por rios, vales, paisagens bem diferentes. Durante todo o trajeto h√° ‚Äúplaquinhas‚ÄĚ azuis nas √°rvores indicando o caminho. Possui algumas subidas, n√£o s√£o muito longas e nem √≠ngremes.
      Ap√≥s mais ou menos 6km cheguei na Laguna Esmeralda e que lugar incr√≠vel, meu preferido de Ushuaia. A √°gua realmente √© verde esmeralda, mesmo com o dia nublado. Explorei alguns lugares mais altos, contornei a Laguna para v√™-la¬†v√°rios √Ęngulos. Logo mais come√ßou uma ventania, coloquei todos os meus casacos, gorro, procurei um abrigo do vento e sentei pra comer para depois come√ßar meu caminho de volta.
      Na volta o vento não deu trégua e eu podia ver a chuva se aproximando. Choveu um pouco e depois o céu ficou azul. Cheguei ao inicio da trilha perto das 14h para aguardar a van. No caminho de volta para o hostel o tempo virou de novo, choveu e ventou MUITO. Fiquei pensando se tivesse optado por voltar com a van das 17h kkkk
       
      23/12 ‚Äď USHUAIA ‚Äď PINGUINEIRA, CANAL BEAGLE E GLACIAR MARTIAL
      √öltimo dia em Ushuaia come√ßou bem cedo, o dia estava lindo, c√©u azul, pouco vento. √Äs 7h30 o √īnibus saia do Porto em dire√ß√£o a Estancia Harberton, para depois pegar um barco at√© a Isla Martillo, onde est√£o os pinguins. Fechei esse passeio com a Piratour por USD 179.
      No caminho até a Estancia paramos num local bonito, com um lago e do outro lado da estrada um vale, onde é possível observar como as árvores crescem tortas devido aos fortes ventos.
      Fomos divididos em 2 grupos para pegar o barco e ir at√© a ilha dos pinguins. Estava bem frio e com bastante vento. Ao descer na ilha a guia passa algumas instru√ß√Ķes e durante todo o passeio explica sobre a ilha, pinguins, predadores, etc. Voc√™ n√£o fica ‚Äúsolto‚ÄĚ na ilha, precisa caminhar com o grupo. A ilha √© realmente cheia de pinguins, est√£o por toda a parte e s√£o uma gracinha, d√° vontade de pegar um e botar embaixo do bra√ßo.
      Obs.: Não é permitido se aproximar dos pinguins, acho que são 3 mestros. E tome muito cuidado para não pisar nos ninhos.
      Minha dica é: fique na frente do grupo, um pouco afastado. No momento que estava conversando com a guia um pinguim se aproximou de mim e pude vê-lo de pertinho, até tirei uma selfie com ele.

      Depois vamos at√© o museu mar√≠timo onde √© realizada uma visita guiada em ingl√™s e espanhol. O museu √© muito interessante possui ossadas de mam√≠feros marinhos. O tour √© realizado por bi√≥logos, as explica√ß√Ķes s√£o riqu√≠ssimas, cheias de informa√ß√Ķes novas.
      Pra finalizar o passeio seguimos at√© um catamar√£ para uma navega√ß√£o de 3 horas pelo Canal Beagle, at√© chegar ao porto de Ushuaia. Confesso que achei essa parte um porre e dormi boa parte do trajeto kkkk acordei para ver o Farol, que √© lindo. Nesse momento estava chovendo e bem cinza, parecia filme de terror. Mais tarde passamos por uma ilha onde ficam v√°rios le√Ķes marinhos, paramos ali por alguns minutos para observa-los. Eles dormem todos juntinhos, fazem barulhos, s√£o folgados e desajeitados.
      Desembarcamos no porto de Ushuaia pelas 15h, almocei com uma família que conheci durante o passeio e as 19h30 combinamos de nos encontrar para subir o Glaciar Martial. Nessas horinhas já tinha parado de chover e o sol brilhava, no entanto um pouco antes de sair e encontrar meus novos amigos, o tempo virou completamente e inclusive choveu granizo (acho que nunca vou ver tempo tão louco como ushuaia).

      Ap√≥s muita indecis√£o, criamos coragem e come√ßamos a subir o Glaciar Martial, debaixo de chuva mesmo. Estava muito √ļmido, ent√£o a sensa√ß√£o t√©rmica castigava. No meio da trilha j√° havia parado de chover e quando olhando para tr√°s o c√©u estava limpo e no mar dava pra ver um lindo arco-√≠ris. A subida √© bem √≠ngreme, senti a minha panturrilha queimar. Subimos at√© encontrar os pontos com gelo, tomamos a agua trincando e come√ßamos a descida com vista para Ushuaia, o c√©u estava com cores lindas.
      Por isso eu vou refor√ßar mais uma vez: N√ÉO DEIXEM DE FAZER ABSOLUTAMENTE NADA NA PATAG√ĒNIA¬†POR CAUSA DO TEMPO.

      Por enquanto é isso gente, conforme for sobrando um tempinho vou escrevendo e postando aqui!
       
    • Por Leonardo Palestini Soares
      A hist√≥ria da minha viagem para a Patag√īnia, na verdade, come√ßa um pouco antes. Em Junho de 2018 decidi que faria uma viagem para o Chile e, de cara, j√° fechamos que seria em Santiago. Talvez por um pouco de inoc√™ncia ou falta de experi√™ncia, n√£o havia pesquisado nada sobre Santiago at√© ent√£o. Sabia das esta√ß√Ķes de esqui, mas nada que fosse muito al√©m disso. Logo depois de fecharmos os a√©reos e o apartamento que alugamos em Santiago, fui pesquisar sobre os poss√≠veis pontos de passeio e aventura que me interessavam no Chile, e foi a√≠ que comecei a conhecer a Patag√īnia. Todos os pontos legais que via na internet ficavam na Patag√īnia Chilena. Mas como minha viagem era s√≥ de 8 dias, sem chance de fazer esses dois roteiros nesse prazo. Enfim... Fomos pra Santiago e prorrogamos o roteiro PATAG√ĒNIA.
      J√° com aqueles cen√°rios na cabe√ßa, resolvi marcar uma outra viagem, dessa vez de moto, onde far√≠amos a patag√īnia at√© a famosa Ushuaia. Juntamos os amigos interessados na viagem de moto e combinamos a primeira reuni√£o. J√° nessa primeira conversa vi que a maioria tinha maior interesse em fazer o norte do Chile, o atacama para ser mais espec√≠fico. E vi tamb√©m, que mais uma vez, a viagem para a Patag√īnia estava sendo prorrogada.
      Poucos dias depois dessa reunião, estava em um bar com um grande amigo e comentei com ele que a viagem de moto, ao invés de ir para o Sul, foi alterada para o Atacama. Foi quando ele me fez o derradeiro convite:
      - Eu estou programando uma viagem de carro para o Ushuaia no final desse ano com saída após o natal. Está indo só eu e a namorada. Bora?
      Nisso a cabe√ßa j√° pirou... Seria a t√£o esperada Patag√īnia em um prazo pr√≥ximo a 6 meses. Depois desse primeiro convite, todas as minhas pesquisas na internet eram sobre roteiros na Patag√īnia. Fechado! #PartiuPatag√īnia
      Conversamos mais algumas vezes, e montamos um roteiro base que serviria para a nossa viagem. A idéia era descer pela Ruta 3 até Ushuaia e retornar pela Ruta 40, fazendo trechos da cordilheira até Bariloche.
      Ent√£o √© isso... Chegou o natal e partimos para a nossa expedi√ß√£o Patag√īnia. Na festa de confraterniza√ß√£o da fam√≠lia, bebi mais que deveria, e fui passando mal de Divin√≥polis/MG (cidade onde moro) at√© pr√≥ximo √† divisa de S√£o Paulo, quando paramos numa farm√°cia e tomei dois comprimidos de um ‚Äúqualquer coisa‚ÄĚ que o farmac√™utico receitou.
      Dica 1: Não faça uma viagem de carro de ressaca. A ressaca no carro é potencializada exponencialmente!
      1¬ļ e 2¬ļ Dia
      Nosso primeiro dia de viagem foi de Divin√≥polis/MG at√© Foz do Igua√ßu/PR. 1365km. Chegamos j√° era bem tarde, por volta das 22h, e fomos direto para um apartamento do AirBNB que eu tinha reservado. J√° no primeiro dia, o primeiro ‚Äúdesencontro‚ÄĚ: O carro n√£o cabia na garagem do condom√≠nio. No an√ļncio do AirBNB, marcava estacionamento inclu√≠do. S√≥ esqueceram de mencionar, que tem estacionamento para carros pequenos. Como est√°vamos em uma caminhonete e ainda tinha barraca de teto, n√£o permitiam nem que tent√°ssemos colocar ela na mini vaga. Conversamos com a anfitri√£ do apartamento e ela conseguiu uma outra vaga que coubesse a caminhonete. O AP era at√© razo√°vel. Quente como um forno e sem ar condicionado, mas para quem j√° tinha viajado 1365km direto, estava excelente.
      No outro dia cedo em Foz do Iguaçu, Romulo (meu amigo e parceiro de viagem) tinha uma revisão agendada para o carro e, aproveitando esse tempo extra, fomos as compras no Paraguai (O lugar mais caótico em que já estive), e deixamos a parte da tarde para conhecer as Cataratas. Ele já conhecia, mas eu e minha namorada não. Sensacional! O volume de água que desce naquelas cachoeiras é impressionante, além do parque ser muito bem estruturado. Vale a visita!
      Saímos do Parque Iguaçu e voltamos para o apartamento para arrumarmos as coisas, já que no outro dia, entraríamos na Argentina.




      3¬ļ Dia
      Sa√≠mos de Foz do Igua√ßu e a nossa ideia era chegar √† Lujan (aquela cidade do zool√≥gico famoso). Mas essa era s√≥ nossa inten√ß√£o mesmo rsrs, porque na verdade, o dia foi muito cansativo, muito quente, e na parte da tarde vimos que viajar at√© Lujan era for√ßar demais a barra. Enquanto desc√≠amos rumo √† Buenos Aires, fui pesquisando √°reas de camping e foi a√≠ que tive a brilhante ideia de ficarmos numa cidade que se chama Gualeguaych√ļ.
      Quando pesquisei, vi uma área de camping próximo a um rio e tudo parecia tudo muito lindo, tudo muito certo. Fomos até a área de camping e ela, apesar de não ser nem próximo ao que mostrava no Google, era razoável. Tinha uma praia que dava acesso ao rio, os banheiros eram aceitáveis, enfim... Ficamos. Acho que foi a pior decisão de toda a viagem.
      Logo de cara, como o dia estava muito quente, já fui pra praia dar um mergulho e... Espinho no pé. A areia ficava só na margem. Quando íamos entrando no rio, virava uma lama suja e, para sair dessa lama, seguindo mais pra frente, espinhos. Uma enorme moita de espinhos escondida dentro da água. E não era só uma. Pra todo lugar que eu fugia, mais espinhos! Desisti de nadar no rio com 3 minutos. Acabaram os perrengues? Nada disso.
      Voltei pra perto da barraca e come√ßamos a fazer a janta. A temperatura devia estar pr√≥xima de uns 85 graus C√©lsius. Um calor sem igual. Nem o nordeste brasileiro tem aquela temperatura. E como o ambiente j√° estava agrad√°vel, chegou nada mais, nada menos, que uma enorme n√ļvem de pernilongos que decidiu ficar por ali at√© irmos embora. Mas por favor, n√£o entendam que eram s√≥ alguns pernilongos. Era pernilongo que n√£o acabava mais!!! Eu tenho costume de acampar bastante em Minas Gerais. Sempre tem alguns insetos. Mas os pernilongos de Gualeguaych√ļ eram fora do comum. Resultado: Fiquei nesse calor infernal, com blusa de frio por causa dos pernilongos at√© a hora de dormir. Fomos deitar por volta de meia noite e acordamos as 3 da manh√£. O calor era demais, n√£o tinha condi√ß√£o de continuar ali. Desmontamos o acampamento e seguimos viagem.

                                                                                           Nessa foto, os pernilongos ainda não haviam chegado.
      4¬ļ Dia
      ¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Sa√≠mos de Gualeguaych√ļ e continuamos rumo ao sul. Nesse trecho a paisagem muda bastante. At√© pr√≥ximo a Buenos Aires, descendo pela prov√≠ncia de Entre Rios, a estrada passa por muitos rios e √°reas alagadas. Depois disso, come√ßa a ficar muito seco. Raramente se v√™ rios ou lagos.
      ¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† J√° no fim da tarde, ainda traumatizado com Gualeguaych√ļ, fui pesquisar mais uma √°rea de camping. Dessa vez, decidimos fazer um Wild Camping. Sem estrutura, sem nada. Seria s√≥ n√≥s e a natureza. Vi pelo aplicativo IOverlander, um local para camping pr√≥ximo ao mar. No app, informava que era uma bela praia e com sorte, ver√≠amos uns flamingos no entardecer. Essa √°rea de Camping ficava em Las Grutas, mais especificamente na Playa De Las Conchillas. Decidimos que seria l√° mesmo. O ponto marcado no aplicativo ficava pr√≥ximo a algumas dunas, e logo ali, depois das dunas, uma paisagem incr√≠vel. Um entardecer maravilhoso, e agora, j√° n√£o sei se por sorte ou oqu√™, l√° estavam os flamingos. Uma cena que vai ficar guardada na minha mem√≥ria. P√īr do sol, flamingos, praia deserta... Maravilhoso!
      Da estrada, onde estava o carro, n√£o se via a praia. Ent√£o resolvemos montar nossas barracas em cima das dunas para que pud√©ssemos ver o nascer do sol no dia seguinte. E assim foi... Come√ßamos a montar nossas barracas enquanto as namoradas iam adiantando nossa janta pr√≥ximo ao carro. Depois da barraca j√° SEMI-pronta, voltamos para o carro para buscar o resto dos equipamento (sacos de dormir, isolantes, travesseiros, etc...). Quando chegamos onde estavam as meninas, encontramos um casal da Col√īmbia que j√° estavam viajando por 11 meses e que pretendiam atravessar todo o Brasil antes de retornar √† Col√īmbia. Ficamos ali conversando com o casal e simplesmente esquecemos das barracas. Eles viajam num carro da Chevrolet, meio que um jeep... Dif√≠cil at√© tentar explicar como era o carro. Nunca vi nada parecido na vida. Todo quadrado, antigo... Acho que √© uma mistura de Jeep Willis com Fiat Uno. Mais ou menos por a√≠. Depois de muita conversa, cerveja e da nossa janta, peguei meus equipamentos para terminar de montar a barraca.¬† Subi as dunas, olhei para um lado... olhei para o outro... Cad√™ as barracas?
      Nesse momento n√£o sabia se ria, se chorava ou se sentava e simplesmente contemplava o ‚Äúnada‚ÄĚ. Rsrsrs. Agora, j√° olhando em retrospecto, chega a ser engra√ßado. Mas na hora, rolou um semi-desespero. Voltei para o carro para avisar que as barracas tinham ‚Äúsa√≠do para passear‚ÄĚ. Era dif√≠cil at√© acreditar no que estava acontecendo, todos n√≥s t√≠nhamos experi√™ncia com camping e hav√≠amos deixado as barracas soltas na areia. Burrice n√©?!?!
       Pegamos as lanternas e fomos tentar procurar as barracas.
      Como √© uma praia deserta e n√£o havia nada por perto, a chance de ter sido roubada era pequena. Ent√£o, ela s√≥ podia ter sido levada pelo vento. Essa era a primeira vez que sentimos um pouco do vento Patag√īnico. Voltamos para a praia, agora com as lanternas, e l√°√°√°√°√°√° na frente, dentro do mar, estavam as barracas. O mar nesse local √© bem raso. Durante uns 500 metros ou at√© mais, a √°gua se mant√©m no joelho. Deve ser por isso que os Flamingos gostam dessa praia. Enfim: Sa√≠ eu, pulando caranguejos, at√© chegar na barraca e resgat√°-la. Como o vento da Patag√īnia j√° √© famoso, e eu j√° tinha lido v√°rios relatos de barracas que quebravam com a for√ßa do vento, havia levado uma barraca extra. Salvou!!! Dica n¬ļ 2: Nunca deixe sua barraca, nem por um segundo, sem ancoragem. O vento l√° √© inexplic√°vel!
      Obs.: Nem sei se precisava dessa dica n√©?! √Č muita inoc√™ncia.
      Tirando toda essa aventura da barraca, o local escolhido para o camping foi √≥timo. A noite foi tranquila, j√° estava muuuuito mais fresco que Gualeguaych√ļ e o nascer do sol do dia seguinte foi realmente incr√≠vel.
       
                                                                                                           Estrada de acesso a Playa de Las Conchillas

                                                                                                                      Nas lentes de Romulo Nery.  

      5¬ļ Dia
      Logo depois de apreciar o nascer do sol, tomamos um rápido café da manhã e já voltamos para a estrada. Algumas horas depois, já estávamos chegando a Puerto Pirámides, a cidade base pra quem vai fazer o passeio da Península Valdez.
      Essa pen√≠nsula √© famosa pela vida selvagem. √Č um reduto de baleias francas austrais, Orcas, Elefantes Marinhos, Pinguins, e mais um monte de esp√©cies. Infelizmente n√£o fomos na √©poca ideal para observar as baleias (parece que elas ficam at√© in√≠cio de dezembro e depois v√£o rumo a Ant√°rtida). Mas em compensa√ß√£o, era a primeira vez que v√≠amos de perto pinguins e elefantes marinhos e foi uma experi√™ncia incr√≠vel. Eu imaginava que veria os pinguins um pouco mais de longe, mas l√° eles ficam, literalmente, do lado das passarelas. Rolou √≥timas fotos.
      Saímos da Península Valdez e continuamos nossa viagem até a cidade de Trelew, a cidade onde foram encontrados os fósseis do maior dinossauro do planeta. Logo na entrada da cidade tem uma réplica em tamanho real do dinossauro. Bem interessante. Mas só paramos para uma foto com o Dino e já fomos procurar algum lugar para dormir. Nesse dia dormimos em um posto de combustível que não me lembro se era Axion ou YPF.


       
      6¬ļ Dia
      Esse dia foi s√≥ estrada. Sa√≠mos de Trelew e reta... reta... reta... reta... Guanaco... reta... reta ... reta. A paisagem n√£o ajuda em nada nessa regi√£o. √Č tudo muito igual. Dirigimos o dia todo at√© come√ßar o p√īr do sol, que nessa latitude j√° era por volta das 22:30horas, talvez at√© mais. N√£o me lembro bem.
      No final do dia hav√≠amos chegado em Rio Gallegos. Uma cidade bem estruturada, com Carrefour, lojas grandes, etc. Como no dia seguinte ir√≠amos come√ßar a s√©rie de Aduanas e imigra√ß√Ķes, e tamb√©m sab√≠amos que n√£o √© permitido entrar com frutas ou carne no Chile, fizemos tudo que havia de comida na geladeira da caminhonete e fomos dormir. Novamente em um posto de combust√≠vel.
      Em Rio Galllegos também encontramos com alguns brasileiros que rumavam a Ushuaia e estavam super empolgados, pois se tudo ocorresse bem nas fronteiras, passariam o réveillon em Ushuaia. Esse também era nosso objetivo.
      7¬ļ Dia ‚Äď 31/12/2018
      Acordamos bem cedo nesse dia e já começamos nossa pernada final ao Fim do Mundo. De Rio Gallegos até a primeira fronteira (Argentina/Chile) é pertinho. 65 km.
      Fizemos nossa primeira fronteira com o Chile, cruzamos o famoso Estreito de Magalh√£es, e depois de algumas horas, est√°vamos na Argentina novamente.
      Cruzar os Estreito de Magalhães é super simples nesse ponto. Tem várias balsas (se não me engano são três) que ficam o dia todo fazendo esse translado. Da balsa ainda conseguimos ver um Golfinho de Commerson. Ele é tipo uma mini orca, branco com preto. Bem bonitinho.

                                                                                                                      Chegada ao Estreito de Magalhães
       
      Atrevessar o estreito de Magalh√£es √© bem interessante, n√£o pela travessia em si, mas por estar em um lugar que foi t√£o importante para a hist√≥ria das navega√ß√Ķes.
      Depois de cruzar o estreito, fomos direto para o parque Pinguino Rey, porém como era uma segunda feira, estavam fechados.
      Spoiler Alert: Não desistimos de conhecer esse Parque por causa desse imprevisto, inclusive conhecemos ele depois, porém na volta de Ushuaia, pois passaríamos por ali novamente.
      Mais alguns quil√īmetros e chegamos a mais uma fronteira (Chile/Argentina). As fronteiras de sa√≠da do Chile e entrada na Argentina s√£o sempre mais f√°ceis. O Chile √© muito rigoroso com na entrada. J√° os Hermanos argentinos n√£o costumam olhar muita coisa. Voc√™ simplesmente faz os procedimentos na imigra√ß√£o e Aduana e est√° pronto. Segue a viagem.
      Depois que fizemos essa √ļltima fronteira, j√° nos alegramos, pois daria tempo de chegar em Ushuaia para o R√©veillon.
      A paisagem continuava a mesma. Retas, guanacos e mais nada. Passamos por Rio Grande e só depois, já chegando em Ushuaia a paisagem realmente começou a mudar. Já começavam algumas curvas, começávamos a ver as montanhas ao longe, alguns bosques com árvores retorcidas e agora voltávamos a ver os lagos... Muitos lagos.
      Quanto mais se aproximava do Fim do Mundo, mais a paisagem se transformava. Só quando estávamos a uns 50 kms de Ushuaia que começamos a ver realmente as famosas paisagens que antes havíamos visto pela internet. Picos nevados, grandes bosques, um imenso lago na entrada da cidade e lá estávamos. Finalmente no Fim do Mundo! O clima não estava colaborando com a cidade. Estava uma insistente chuva fina e, nessa chegada, nem reparamos muito na cidade. Já chegamos procurando algum lugar para repousar a noite. Como era réveillon, todos os hotéis da cidade estavam lotados! Os que ainda tinham vagas, cobravam preços absurdos. Já era de se esperar né?!
      Réveillon, 20h, e ainda não tínhamos nem ideia de onde iríamos. Romulo, meu parça de viagem, olhando no AirBNB, encontrou uma pousada próxima do centro. Pousada Los Coihues. Essa pousada é de uma brasileira do Rio Grande do Norte, muito engraçada. Ela já mora em Ushuaia há mais de 20 anos e até hoje ela mistura português com espanhol. Não dava pra entender direito. Não que o espanhol dela seja ruim, mas é que na mesma frase ela usa as duas línguas... Aí complica! Hahahahahaha
      Só jogamos as coisas no quarto e fomos para a recepção procurar alguma recomendação de restaurante. Estávamos a procura da famosa Centolla. Essa Centolla é aquele caranguejo da Discovery (Pesca Mortal). Só existe no extremo norte ou extremo sul do pacífico.
      Dica n¬ļ 3: Nunca v√° com fome comer uma Centolla!
      Fomos para o que parecia ser o √ļnico restaurante da cidade que n√£o precisava de reserva. Resultado: Fila enorme na porta, um vento gelado l√° fora e para piorar a situa√ß√£o, est√°vamos morrendo de fome. E √© a√≠ que entra minha dica n√ļmero 3. A Centolla √© uma del√≠cia, por√©m √©ramos quatro pessoas. Todas famintas. A coitada da Centolla s√≥ tem 8 patas. Logo, cada um ficou com duas patinhas. Al√©m disso, pedimos um lombo para caso o famoso caranguejo n√£o fosse gostoso. O problema √© que demorava muito para sair o jantar. Comemos o caranguejo, comemos o lombo, comemos a batata que acompanhava, enfim... comemos tudo o que tinha pra comer, comemoramos o ano novo com cerveja artesanal, mas a verdade √© que voltamos pra pousada com um pouco de fome. Valeu a experi√™ncia? Demais!

                                                        Centolla


       
      8¬ļ Dia
      No primeiro dia do ano de 2019, estávamos começando a nossa empreitada pela famosa Ushuaia. Saímos da Pousada e fomos para o centro da cidade fazer a famosa foto na placa do Fim do Mundo. Essa placa fica próximo ao porto de onde saem os barcos que fazem os passeios de navegação pelo Canal Beagle. Depois de registrar a chegada na placa do fim do mundo, deixamos a cidade e fomos ainda mais ao sul, para o Parque Nacional Tierra Del Fuego.
      A entrada do Parque fica bem pr√≥ximo da cidade e o custo para entrar √© de 490 pesos (uns 50 reais). A estrutura que tem nesse parque √© incr√≠vel: v√°rias √°reas de camping (se n√£o me engano s√£o 3), um centro de informa√ß√Ķes ao turista com cafeteria e lanchonete, e o principal: todo tipo de trilhas para quem curte fazer trekkings. Trilhas que contornam lagunas e sobem cerros, trilhas √† beira mar, enfim... Um para√≠so para quem tem essa inten√ß√£o no parque.
      Em nosso primeiro dia dentro do parque, montamos nosso acampamento numa área próxima ao Rio Ovando, e já pegamos nossos equipamentos de trekking para começar as caminhadas. Fomos à Laguna Negra, à uma Castoreira, à uma trilha que liga o camping no final da Ruta 3 (Ruta essa que pegamos lááááá próximo a Buenos Aires) e o principal do primeiro dia, na minha opinião, que foi o trekking ao final da Bahia Lapataia.
      S√≥ de estar ali, numa Bahia do Fim do Mundo, j√° era indescrit√≠vel... A sensa√ß√£o de estar em um dos pontos mais austrais do continente j√° √© legal demais. Est√°vamos s√≥ n√≥s 4, o mar, montanhas nevadas, um bosque ao lado.... Quando de repente aparecem duas focas ou lobos marinhos ‚Äď n√£o consegui identificar ‚Äď e ficaram ali, nadando √† nossa frente, mergulhando e atravessando algumas algas da bahia. Pareciam estar, ao mesmo tempo, procurando alguma comida e se divertindo na superf√≠cie.
      Esse, pra mim, foi outro momento indescritível da viagem que recebi como um presente de Ushuaia para nós. Gratidão!
      Depois de uns 40 minutos por ali, saímos da Bahia e voltamos para o camping para fazer nosso jantar e descansar um pouco. Nesse primeiro dia fizemos aproximadamente 14 km de trekking.
      Uma coisa que esqueci de relatar aqui, √© que o clima no Parque Nacional Tierra Del Fuego √© bem doido. Em quest√Ķes de horas e, por vezes, at√© minutos, peg√°vamos chuva, sol, vento, e at√© neve. Tudo isso junto! Em todos os dias que estivemos no parque passamos por todas as intemp√©ries. N√£o houve nem um dia sequer que n√£o tenha nevado. Para n√≥s, isso era um divertimento. Mas acredito que pra quem mora l√° deva ser chato demais. Hahahaha

       
                                                                                                                                        Rio Ovando


      9¬ļ Dia
      Depois de termos visto as focas na Bahia Lapataia e ter passado pelas trilhas incríveis do primeiro dia, a empolgação com o parque estava a mil. Estávamos ansiosos por começar mais um dia de trekking por lá.
      O casal da Col√īmbia (aqueles que encontramos no dia que perdemos as barracas) havia comentado conosco que j√° tinham passado por Ushuaia e que no Parque Tierra Del Fuego, haviam feito uma trilha que chegava ao topo do Cerro Guanaco, e super indicou que fizemos esse sendero tamb√©m.
      Pois bem... Se nos foi indicado, bora pro Cerro Guanaco.
      Sa√≠mos do acampamento e, nos primeiros 4 kms, a trilha √© bem tranquila. Vai beirando a estrada principal do parque, passa pelo centro de informa√ß√Ķes ao turista e segue at√© o mirante do Lago Acigami. Depois desse ponto √© subida, subida, subida e mais subida.
      A primeira parte come√ßa com as subidas por dentro de um bosque, onde n√£o se tem muito visual. As √°rvores, que s√£o bem grandes, cobrem a paisagem, mas ali dentro, formam tamb√©m sua paisagem pr√≥pria. Minha namorada come√ßou a sentir ali, que a trilha ultrapassava os limites dela. Ela insistiu e continuamos subindo, subindo, subindo, at√© que chega em um Charco - Uma enorme plan√≠cie alagada que fica depois dessa parte de bosque. L√° ela sucumbiu! Disse pra eu continuar a subida, que ela retornaria para o centro de informa√ß√Ķes e me aguardaria por l√°.
      Tomada a decisão, nos sentamos um pouco e fizemos um rápido lanche antes que ela retornasse. Continuei a subida em direção ao cume do Cerro Guanaco e dali pra frente a paisagem é outra. Parece até que são planetas diferentes. Uma enorme subida de pedras sem nenhuma árvore, um vento muito forte e mais próximo do topo, mais neve! Do Charco até lá, foram, mais ou menos, uma hora e meia de caminhada em um ritmo forte. Lá de cima o visual é incrível!
      Retornamos ao camping e descansamos. Nesse dia deve ter dado por volta de 15 kms de trekking.
      Continua...


       



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