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ORGANIZAÇÃO/PLANEJAMENTO

Moro em Salvador e, de férias regulares, não poderia ter melhor oportunidade para realizar essa trip. Não lembro exatamente quando pensei nesse trecho, mas já estava planejando havia um bom tempo e queria fazer pelo menos o trecho de Itacaré a Barra Grande, que não finalizei da primeira vez (https://www.mochileiros.com/topic/58177-itacaré-algodões-a-pé/). Quando defini qual seria o trecho, revisava o planejamento com frequência pra ter certeza de que nenhum ponto estava passando em branco.
Inicialmente, o planejamento era de sair de Itacaré e ir até Morro de São Paulo, passando o réveillon em Moreré, que acabou sendo o destino final por causa de imprevisto (no dia 1 em Moreré, senti uma dor muito forte no tendão que se estendeu por alguns dias e mal conseguia andar. Não seria prudente continuar a travessia nessa condição).
Voltei do natal no Rio e chegando em Salvador só troquei de mochila e segui para o ferry boat para iniciar a viagem. Digo iniciar a viagem, porque ainda na travessia do ferry boat encontrei um amigo e comentei sobre estar ansioso para a travessia, quando ele me falou "nem precisa, já está acontecendo", e me dei conta de que realmente eu já estava a caminho, a viagem já tinha começado.
Estava usando uma mochila cargueira de 40 L com aproximadamente 15 Kg. Como pretendia passar o réveillon em Moreré e sairia de Itacaré no dia 27, teria que andar pelo menos 19Km por dia até o dia 31, pernoitando na praia.
 

Como já disse em outros relatos, é importante lembrar que para caminhada em praia, tem que saber a tábua de marés para os dias planejados, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar, por exemplo, e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso.

 

1º DIA
Como o ônibus de Bom Despacho (ferry boat) para Itacaré demora, cheguei em Itacaré já umas 15h, e acabei saindo tarde de lá. Não tinha mais nada pra fazer e saí da rodoviária já em direção à orla pra fazer a travessia de barco. Chegando lá, tem alguns barqueiros que fazem a travessia do Rio de Contas para a praia do Pontal por 5 reais. Cheguei do outro lado e só precisei me arrumar e iniciar a caminhada, que foi aproximadamente às 15h30. A praia do Pontal é pouco frequentada, e só tinha um grupo de umas 6 pessoas. Daí pra frente, como já esperava, só vi pessoas em frente a Piracanga.
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(travessia do Rio de Contas, Itacaré)

Chegando em Piracanga, o rio me surpreendeu pelo nível. Tive que tirar a mochila e atravessar antes pra conferir o nível e caminho onde poderia atravessar "tranquilo". Depois de conferir, atravessei com água 5 dedos acima do umbigo, carregando a mochila na cabeça e 3 pessoas me assistindo do outro lado. Como eu queria essa cena registrada! 🤣
Segui caminhando e parei pra descansar já com tudo escuro e aproximadamente 13 Km caminhados, onde abri a canga, deitei e fiquei deslumbrado com aquele céu inteiro numa praia deserta, tudo só pra mim, contando inúmeros satélites e estrelas cadentes e acabei dando uma cochilada. Acordei recarregado e continuei caminhando, até fechar os 19 Km desse primeiro dia.

No meio do caminho, dei de cara com um cachorro, que só vi quando estava a uns 3 m de mim, já latindo e vindo em minha direção, era um risco que eu não tinha previsto, mas me saí bem, só acendi a lanterna na cara dele, fui pra beira do mar e virei de costas pra água garantindo que não viria nenhum outro cão surpresa junto com ele, enquanto o afastava com um pedaço de pau (um "cajado") que tinha em mãos. Ele entendeu que eu não era uma ameaça, continuou latindo, mas ficou parado, e fui andando com a lanterna ainda acesa, vendo aqueles olhos caninos brilhantes se distanciando na escuridão

Parei em um ponto mais pra frente, armei meu acampamento e deitei pra dormir. Fui acordado em algum momento no meio da noite por dois cachorros latindo, que acredito que era o de mais cedo com um outro. Só precisei espantar eles batendo em um pedaço de pau e continuar dormindo.

Total percorrido: 19,5 Km

 

2º DIA
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Acordei bem cedo com um nascer do Sol que não assistia havia muito tempo. Contemplei aquele momento por um instante, tirei algumas fotos e voltei a dormir, acordando de novo já perto das 8h. Comi, tomei um banho (de mar, obviamente), arrumei as coisas e segui caminhando. Com cerca de 2 Km, cheguei a Algodões, local onde a quantidade de habitações, pessoas e barracas já chama a atenção, e foi onde passando por um caminhante na praia, ouvi um comentário sobre uma das minhas tatuagens: três diafragmas de lentes fotográficas, o bastante para reunir e dar assunto entre eu, um fotógrafo das horas vagas e amante dessa arte e ele, um estudante de cinema, que me acompanhou por uns 4 Km enquanto conversávamos sobre a minha caminhada, sobre fotografia, cinema, filmes e temas afins. Foi meu primeiro contato e interação em 24 Km, e durante a conversa eu nem vi o tempo e caminho passarem.
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(meu xará, estudante de cinema, com quem troquei algumas ideias)

Daí pra frente segui caminhando e comecei a ficar atento ao GPS, porque tinha marcado um waypoint na entrada com menor caminho para a lagoa do Cassange, onde já tinha planejado uma parada de descanso com banho doce e talvez almoço. A lagoa é bem bonita, bem rasa (andei mais de 50 m em direção ao meio e a água não chegou nem na cintura), com água quente e cheia de peixinhos que ficaram mordiscando enquanto eu estava de molho. Após o banho, dei uma olhada no cardápio da barraca que fica na beira da lagoa para saber a possibilidade de almoçar ali, e os preços eram bem altos, mas nada surpreendente para Barra Grande em alta estação. Fiz um lanche com o que tinha na mochila, fiquei um bom tempo descansando e segui a caminhada.
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(Lagoa do Cassange)

Essa parada na lagoa durou quase 2h, deu pra descansar bastante e passar o horário de sol a pino, além de dar o tempo de a maré secar toda, melhorando a área de caminhada na areia.
Andei até um pouco antes de Taipus de Fora, e abri a canga pra descansar de novo, onde dei mais uma daquela cochilada revigorante e gastei mais um bom tempo observando o visual e o movimento na praia enquanto pensava sobre seguir para dormir mais a frente ou parar por ali, já que já tinha percorrido um total de 40 Km nesse ponto.
O Sol já estava se pondo, mesmo assim resolvi pegar a mochila e ir andando devagar, mas logo que fiz a curva de Taipus de Fora já parei e fiquei olhando de longe: eram muitas casas, muita gente, festa, barraca...não seria legal dormir por ali, se é que acharia um lugar tranquilo e onde pudesse dormir. Fiquei olhando por uns cinco minutos e vi um casal, aparentemente andarilhos também, me olhando de longe, com mochilas, sentados mais acima da areia e fui falar com eles:
-Estão vindo de lá de Barra?
-Sim, estamos indo pra Itacaré
-Maravilha! Estou vindo de lá, saí ontem à tarde.
-Olha aí, mais um colega de caminhada haha
-Pois é haha sabem me dizer se seguindo a praia a partir daqui é sempre assim com muita casa, cheio de gente? Estou procurando um lugar pra dormir na rede e virei aqui já desanimando com tanto movimento.
-Nãão, se você apertar o passo, depois daquela ponta ali vai ter umas barracas com cobertura de palha que ficam armadas para o pessoal ficar durante o dia, mas à noite é bem tranquilo, não fica ninguém e dá pra armar a rede e dormir bem lá.
-Ótimo, vou seguir!


A ponta que ele indicou ficava a aproximadamente 1 Km, e obviamente eu fui em busca das barracas com cobertura de palha para dormir, afinal, eu estava bem cansado, mas 1 Km não é tanto assim e dormir bem seria importante. Andei, passei da ponta, andei, andei, andei, andei e depois de uns 4 Km sem ver nenhuma estrutura semelhante ao que ele descreveu, decidi que qualquer estrutura que aparecesse, eu pararia, quando logo depois vi, na praia da Bombaça, ao lado da entrada de um terreno com casarões, uma armação de bambu com um tecido branco e algumas palhas de coqueiro por cima, era ali. Montei a rede, deitei e depois de observar a movimentação de algumas pessoas da casa pela praia observando o céu, apaguei, mas acordei algumas vezes durante a noite com carros, quadriciclos e motos passando, além do frio que fez na madrugada. Foi uma noite bem difícil porque eu não tinha mais recursos para me proteger do frio e fiquei lutando com ele por um bom tempo.

Total percorrido: 45 Km


3º DIA
Apesar de algumas nuvens densas se aproximando pelo Norte, mais uma vez acordei com um nascer do Sol maravilhoso, mas dessa vez não dormi de novo. Fiquei observando a praia e algumas pessoas já passavam por ali quando levantei da rede pra arrumar minhas coisas e iniciar minha caminhada logo em seguida, já às 6h40. Com menos de 1 Km de caminhada, vi as estruturas que o cara me falou no dia anterior e percebi que tinha dormido no lugar "errado". 😂
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Passei a Praia dos três coqueiros, farol, Ponta do Mutá e cheguei no “centro” de Barra Grande com uma hora de caminhada.
Logo que cheguei, fui ver como faria para atravessar para a Barra do Serinhaém, e o pessoal das empresas que operam as lanchas não tem esse trecho nos serviços deles, então é um pouco complicado. Não é tão fácil como poderia ser, mas dei sorte depois. Depois de terem me cobrado 250 (duzentos e cinquenta!!!!) reais para atravessar, resolvi tomar logo um café da manhã na padaria e voltaria pra resolver isso e, obviamente, achar outra forma (e outro valor) para atravessar.
Caminhei até o final do píer e fiquei lá “queixando” carona para cada barco que encostava pegando ou deixando passageiros, sem sucesso em todos eles, já que a travessia era meio contramão para o caminho usual que eles costumam fazer. Depois de tentar em alguns, comecei a conversar com alguns caras que estavam no píer comigo, todos trabalhando, ajudando a carregar, coordenando ou ligados de alguma outra forma às movimentações de embarcações que aconteciam ali. Falei brevemente sobre minha viagem e para onde estava indo e um deles colou comigo e ficou conversando, quando me falou -não sei se para confortar ou para desanimar- que SE eu conseguisse a travessia, poderia ser no fim da tarde, quando alguns trabalhadores residentes de Barra do Serinhaém voltavam de Barra Grande pra lá e eu, com essa informação, ao mesmo tempo que pensei no tanto de tempo que perderia esperando até o fim da tarde, me confortei sabendo que pelo menos de uma forma eu conseguiria atravessar. Não se passaram cinco minutos e esse mesmo cara gritou:
-Ó lá quem vai te levar pra Barra! Eeei! - gritava e acenava para um casal numa lanchinha saindo da praia - leva esse amigo nosso aqui pra Barra!
Eu, atrás dele, pulava, balançava os braços, acenava e assobiava alto para chamar atenção do casal e não passarem direto😂. O piloto prontamente mudou a rota, encostou no píer e eu só desci a escada e embarquei, feliz da vida e agradecendo mil para o brother que arranjou a carona pra mim.
Seguimos e eles não me cobraram nada pela travessia (afinal, ele já estava indo pra lá).
Parei, e segui procurando a casa de uma amiga com quem já tinha falado previamente e estava à minha espera. Nessa parada, tomei banho de chuveiro com xampu e sabão, fui servido com um prato de frutas muito farto e ainda almocei uma moqueca deliciosa hahaha, não sei se ela e a família tinham noção disso, mas a recepção, cada gesto e ato de generosidade foram extremamente significantes pra mim, e agradeço demais por aquilo, saí de lá revigorado, muito bem alimentado e com disposição para continuar firme na caminhada. Depois de almoçar, descansei por uma hora e comecei a reorganizar minha mochila, para sair perto das 15h40, quando comecei a caminhada saindo da Barra do Serinhaém em direção à praia de Pratigi.
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(início da praia de Pratigi)

Pratigi é uma praia bem extensa, toda dominada por plantações de coco, e depois de andar por uma boa extensão, logo após o pôr do Sol resolvi que iria parar porque meu saldo estava bom (tinha andado 26 Km no segundo dia, então a meta desse dia era menor, não precisava me estender tanto) e meus pés já doíam, entretanto, acabei sendo obrigado a andar mais quando subi a faixa de areia indo pegar materiais para montar um abrigo e fui surpreendido por um enxame de mutucas me rodeando. Como estava ventando, continuei andando na esperança de elas perderem meu rastro e eu poder parar logo, mas eu parava de vez em quando checando e ainda via algumas voando ao meu redor, e nessa história, tive que andar mais 4 Km com os pés doendo e no escuro até finalmente parar e não ver mais nenhuma mutuca. Parei, catei materiais, montei o abrigo e finalmente pude deitar e dormir. Estava a 2 Km da vila de Pratigi e apesar de não ter movimento na praia, as luzes da vila eram bem fortes.

Total percorrido: 75 Km

4º DIA
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(abrigo montado no primeiro e terceiro dia)

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Acordei umas 5h, e se não fosse o abrigo eu certamente sentiria frio, já que tive que me cobrir durante a noite. Levantei e percebi que tinha parado exatamente no local onde acontece o Universo Paralello quando reconheci a estrutura ainda resistente da cozinha comunitária (era uma estrutura de barro, por isso devem ter deixado por lá do jeito que estava). Estive no festival no ano anterior e tudo aqui estava irreconhecível sem movimento, música, luzes, pistas e estruturas montadas.
Iniciei a caminhada planejando a parada na vila de Pratigi para poder trocar dinheiro caso precisasse pagar para a próxima travessia de barco. Parei lá e rodei em algumas barracas até conseguir trocar uma nota de 100: início da manhã de um domingo, não estava fácil trocar uma nota de valor alto, mas consegui e segui. 1 Km depois da vila tem um riozinho raso com travessia tranquila com a água pouco acima do joelho e 4 Km depois cheguei na Barra do Carvalho. Nesse ponto, tirei a mochila e acenei para alguns barcos que passavam para saber se iriam atravessar em direção a Cova da Onça ou Ponta de Castelhanos, e nada.
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(Barra do Carvalho)

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Sentei e fiquei esperando por cerca de uma hora até decidir ir para a parte de dentro da ponta de areia que se formava ali e na mesma hora que levantei e comecei a andar, surgiu um pessoal vindo andando no sentido oposto. Fui andando, dei de frente com o grupo e perguntei como tinham chegado ali, quando me responderam e apontaram os barcos parados, meus olhos quase brilharam de felicidade. Fui direto ao barqueiro perguntar se faria a travessia para Cova da Onça e o mesmo prontamente me negou com a cabeça. Fui atrás do dono do outro barco, que estava com a família já preparando um churrasco naquela prainha enquanto comiam alguns petiscos e tiravam cervejas geladas dos isopores que tinham levado, e me disse que era uma travessia pouco feita, difícil e depois de pensar e enrolar um pouco, me cobrou 50 reais, ao mesmo tempo que me perguntou se queria comer alguma coisa, “que ficasse à vontade”. Ainda era cedo, neguei.
Depois de pagar 5 reais para atravessar o Rio de Contas, 50 reais me soava um preço altíssimo e eu tive que negar, resolvi esperar por mais tempo. Sentei já com pouca esperança e imaginando ter que dar os 50 reais mais tarde mas, passado mais um tempo, chegaram mais dois barcos dos quais tive uma negação e uma oferta de travessia por 20 reais: o preço já tinha melhorado! Ainda assim, resolvi esperar mais um pouco e uma pessoa que estava com o barqueiro que me cobrou 20 reais chegou perto de mim e começou a conversar, perguntando sobre a viagem, o que eu estava fazendo, etc., perguntas que àquela altura eu já estava acostumado, e me ofereceu um prato de almoço, que pelo tempo que já tinha passado, eu não pude negar.
Mais um tempo de espera, já olhando pro horizonte pensando em qualquer coisa, esquecendo por um instante que eu estava à espera de uma travessia, ouço uns gritos. Era o segundo barqueiro, chamando atenção de um barco que passava e me chamando pra ir até lá. O barco, no qual embarquei prontamente, era de um primo dele que estava de passagem indo para Cova da Onça só com o filho pequeno a bordo. As 2 horas e 40 minutos de espera compensaram o custo nulo da travessia e, durante o caminho, que durou uns 20 minutos, conversei bastante com o dono do barco, que me explicou - e mostrou, enquanto “zigzagueava” - o motivo de aquela ser uma travessia tão evitada: a batimetria ali é muito ruim para navegação porque além de ser raso, tem muitas rochas, bancos de areia e recifes e nem todo mundo conhece bem o local mas ele, com muito conhecimento do local e, claro, aproveitando a maré cheia, passava com maestria pelos locais que indicava perigo e eu, enquanto conversava com ele, ia debruçado na lateral vendo nitidamente o fundo passando bem raso.
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Chegando em Cova da Onça, ele me explicou por onde eu pegaria o caminho até Ponta de Castelhanos, meu próximo destino. Pedi água numa casa com duas senhoras na frente, que encheram minha garrafa de 1,5 L sem problema e segui ansioso por esse próximo trecho, afinal, eu já estava bem próximo do fim.
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A caminhada de Cova da Onça até Ponta de Castelhanos foi, sem dúvida alguma, onde mais suei e cansei. Por ser uma estrada de areia fofa que passa por trás do mangue, acaba sendo uma área protegida de vento, pior ainda considerando o Sol escaldante do início da tarde na areia fofa. Depois de pouco mais de uma hora de caminhada, cheguei à praia de Castelhanos, um dos paraísos na Terra. Não queria perder muito tempo e fui logo ver como era a travessia para pegar a trilha do mangue e chegar em Moreré.
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Depois de conversar com dois canoeiros, me disseram que existia a travessia de barco direto para Moreré, por 40 reais, e a travessia para o início da trilha do mangue, por 10 reais, que era a que eu estava procurando. Sentei um pouco enquanto conversávamos e depois subi na canoa para atravessar, enquanto um deles me levava dando orientações sobre a trilha.
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A travessia do rio dura 5 minutos, e a trilha, que é dentro do mangue fechado, iniciou com água acima do tornozelo e, para o meu alívio, o fundo era de areia sem afundar o pé, ao invés de lama que afunda até o joelho, como é comum em manguezais, o que seria bem ruim de lidar com uma mochila pesada nas costas😅A trilha é linda, e segui sozinho por ela, passando por mangue, apicum, coqueiros e até uma pequena plantação de cana, até chegar na praia de Bainema, e depois, finalmente, na vila de Moreré.
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(Praia de Bainema, pouco antes de chegar em Moreré)

Total percorrido: 100 Km

OBSERVAÇÕES:
-Acabei usando a rede só em uma noite, dormindo nos abrigos que montei na areia nas outras duas noites, então acredito que poderia abrir mão da rede (peso e volume) e dormir no abrigo todas as noites.
-Um ponto importante que ainda preciso melhorar é a alimentação. De forma alguma passei fome ou me alimentei muito mal, mas investir em comida liofilizada é uma prioridade urgente para reduzir o peso e volume da mochila.
-O GPS foi uma das melhores aquisições que fiz e realmente faz muita diferença, me possibilitando acompanhar meu rendimento com dados de quilometragem percorrida e velocidade média, além de poder marcar pontos de interesse como entradas de lagoas, possíveis pontos para acampamento, pontos de apoio, etc., e, claro, gravar o tracklog para compartilhar com quem tenha interesse em realizar o mesmo percurso.

 

TRACKLOG NO WIKILOC:
https://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?pic=hiking-trails&slug=travessia-itacare-morere&id=31923513&rd=en

EQUIPAMENTOS USADOS:
-Curtlo Highlander 35+5L
-Camelbak Chute 750ml
-Garmin eTrex 30x

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    • Por Rezzende
      Escrever um relato de viagem em 2020 é, sem dúvida, algo desafiador. É polêmico. Os debates entre a turma do fique em casa e a turma do siga a vida foram muito acalorados e ainda rendem demais até hoje. Cada um tem sua consciência, sabe muito bem o que deve fazer depois de tantos meses de pandemia, visões opostas sempre vão ocorrer nesse tema e o respeito em um bom debate deve sempre prevalecer. Não vou entrar nessa discussão, como o tema aqui são os relatos de viagem vou registrar a viagem que fiz na primeira quinzena de novembro de 2020 e ficam as informações a quem interessar em conhecer esses lugares, seja ainda em 2020 ou em 2050.
      Desde julho já pensava no que poderia fazer nessas minhas 2 semanas de férias em novembro. Pra começar, não tinha segurança em pesquisar uma viagem que envolvesse compra de passagem aérea. O cenário instável que prevalecia no meio do ano (e até hoje) faz com que a gente fique com um pé atrás na hora de comprar uma passagem com antecedência que pode vir a ser cancelada com qualquer mudança nesse cenário caótico do mundo.
      Por isso, resolvi que faria uma viagem diferente. Seria minha primeira "road trip". Nunca tinha viajado longe de carro, mas era a melhor opção no momento. Afinal o carro é meu, e eu posso planejar a viagem tranquilamente que quando chegasse o dia da viagem se a situação estivesse favorável eu ia viajar, se não estivesse, eu não iria, e o carro ia continuar sendo meu, sem nenhum prejuízo, sem ter que preocupar com cancelamentos. E no final das contas achei que super valeu a pena. Gastei em torno de 550 reais com combustível e rodei ao todo 2017 km. Uma passagem aérea não sairia apenas isso. Ainda tive a flexibilidade de visitar vários lugares. E sozinho. Se fosse com o carro cheio então, seria baratíssimo pra todos.
      A escolha do destino teve que ser de acordo com o meio de transporte. Como ia de carro, não podia ser muito longe pra não dirigir demais e ser cansativo. Não conhecia o Sul da Bahia e era um destino interessante pois dava pra fazer com 2 dias de viagem, viajando só de dia e parando pelo caminho onde achasse que tinha algo interessante, aproveitando a estrada, curtindo sem pressa o prazer de dirigir.
      Quando se pensa no sul da Bahia, se pensa em Porto Seguro. Mas o forte da cidade são as baladas e não tá tendo. Pesquisando lugares tranquilos e bonitos, me apareceu um nome grande e difícil de falar: descobri Cumuruxatiba, distrito de Prado. Falésias, coqueiros, praias desertas...tudo que eu precisava. Na volta, ir parando pelo Espírito Santo, em Itaúnas e na Pedra Azul.

      Definido o roteiro, tinha que pensar em outro ponto bastante afetado pela crise: a hospedagem. Sempre fico em hostel quando viajo e nessa região quase não tinha hostel. Os poucos que tinham estavam fechando os quartos coletivos só para grupos completos. Então, seguindo as pesquisas, descobri algo que tem bastante naquela região: campings. Porém...eu nunca tinha acampado na vida!!! Bem, pra tudo tem uma primeira vez. Seria minha primeira road trip e seria também a primeira vez que eu ia acampar. Comecei a pesquisar sobre barracas e comprei uma Vênus Guepardo. Ótima! Aguentou muita chuva em Cumuruxatiba, resistiu bravamente.
       
      Carro revisado e barraca comprada, saí de casa em Conselheiro Lafaiete/MG no domingo, 1° de novembro, bem no meio do feriadão. Ótimo viajar no meio do feriadão, estradas vazias e muito tranquilo. Nesse primeiro dia, dirigi 400km até Governador Valadares, onde cheguei por volta de 17h e procurei um hotelzinho pra passar a noite. No dia seguinte, feriado de Finados, fiz o trecho restante, mais uns 400 e poucos km até Prado/BA. Pelo caminho, essa maravilha na estrada pouco depois de Teófilo Otoni. Entre as vantagens de viajar de carro: parar e aproveitar a paisagem quando quiser.

      Parei pra almoçar num beira de estrada em Nanuque e pouco depois das 16h cheguei em Prado debaixo de muita chuva. Como sabia que até Cumuruxatiba eram mais de 30km de estrada de terra, resolvi ficar em Prado pois estava chegando no fim da tarde e com tanta chuva não me animei a seguir. Como nunca tinha acampado, fiquei com medo de procurar um camping debaixo daquele aguaceiro e isso transformar minha primeira experiência num camping em algo meio traumático, então decidi procurar alguma pousadinha em Prado. Como era final de feriadão, a cidade estava esvaziando e todas as pousadas tinham vagas. Os preços mais em conta que achei no centrinho foram entre 100 e 120 reais. Por causa da chuva e do fim do feriado, o tradicional Beco das Garrafas no Prado estava deserto. Apenas procurei algo pra comer e voltei pra pousada.

      Terça, 3 de novembro. O dia começou apenas nublado, tomei o café da manhã da pousada e já saí pra Cumuruxatiba. A estrada de terra (na verdade me pareceu mais arenosa do que de terra) estava bem molhada e em alguns pontos com poças enormes cobrindo toda a estrada. Realmente tinha chovido muito nas últimas horas. Mas deu pra passar sem nenhum perigo de atolar. Porém a estrada não é nada boa. Foram pouco mais de 30km que eu levei mais de uma hora pra fazer 

      Chegando em Cumuru, já por indicações aqui do site, escolhi ficar na Hospedaria Cumuruxatiba, mais conhecida como camping do Jef, o suíço que mora há 25 anos em Cumuru, em frente a represa de água do rio onde toma seus banhos.
      Fui recebido por sua esposa, Isabel, que me passou os preços: 25 reais pra acampar ou 60 no quarto privado. Como estava só nublado e eu já louco pra estrear no mundo do camping, resolvi montar a barraca e deixar o quarto só pro caso de eu encher o saco com a barraca.
      Terminando de montar a barraca, já começou a chover. Só estávamos eu, o Jef e a Isabel e 4 jovens que estavam fazendo voluntariado lá. Ficamos a tarde toda na mesa que tem na área coberta da pousada, conversando, depois jogando Uno.
      Por volta de 7 da noite que a chuva parou. Saí pra reconhecer o território. O camping fica bem no começo da vila, o centrinho mais movimentado fica uns 600m a 1km dali. Tava tudo bem deserto, tinham uns 3 ou 4 butecos, 2 padarias, 2 mercadinhos, movimento zero, interior mesmo, nada que lembrasse turismo, completamente isolado num pós feriadão chuvoso.
      Passei minha primeira noite dormindo numa barraca. Choveu demais de madrugada mas a barraca ficou sequinha. Adorei a experiência, não tinha nenhuma diferença assim tão gritante de dormir num quarto. Já tinha a sensação que eu ia gostar de acampar. Agora tenho certeza.
       
      Na quarta-feira, aproveitei a manhã nublada mas com um certo mormacinho pra ir caminhando pela praia. Fui até a Praia do Moreira, uns 3 km ao norte da vila. Não deu pra aproveitar, logo começou a chover. Voltei pra Cumuru, pedi um super e farto PF de 18 reais no restaurante Ema, onde segui almoçando nos próximos dias, e voltei pro camping porque o tempo tava uma merda E assim o tempo ficou na quinta também, chuva fina, temperatura de 20 graus, até o pessoal que mora lá tava estranhando tantos dias de chuva e vento frio em novembro.


      Na sexta ainda amanheceu chovendo, mas finalmente o tempo começou a firmar a partir da tarde. Fui caminhando pelas praias um pouco ao sul, acompanhando as falésias.


      Depois fui pra praia do centro onde um tumulto já acompanhava a cena mais bizarra do dia: um playboy doidão resolveu entrar com a sua Land Rover pela areia pra deixar o jetski mais perto da água. A maré subiu, ele não conseguiu sair e foram umas 2 horas de odisseia pra resgatar o carro do maluco  Foi o assunto da vila.

      Segui pra umas barraquinhas pra comer tapioca. A maioria delas estava fechada mas o tiozinho da tapioca disse que era porque o tempo tinha estado muito ruim e a turma tava desanimada. Ali em frente funcionava o mais gourmet dos restaurantes de Cumuru, o Samburá Duzé, onde a turma vai gastar um pouquinho mais de grana…
      E no sábado, enfim solzão da Bahia. Dia de enfim ir na Barra do Caí. Minha intenção era alugar uma bike. Cheguei na borracharia onde aluga, estava fechada, me disseram que o dono morava ao lado, chamei lá mas uma mulher me disse que ele tinha saído e só ia chegar lá pras 10 horas. Ainda era 8 e pouco e resolvi que ia andando. Dá uma boa caminhada, acho que uns 12 km, mas eu adoro caminhar então fui tranquilo pelas praias que eu já tinha passado na quarta, praia do Rio do Peixe, Peixe Grande e Peixe Pequeno até as falésias da Praia do Moreira que é o meio do caminho e onde precisa subir o barranco e seguir pela estradinha que vai até uma bela fazenda, uns cavalos pastando, aparentemente sem morador, mas com uma bela churrasqueira, cercada de coqueiros no alto da falésia e descer pra praia de Imbassuaba.

      Praia do Moreira

      Uma fazendinha dessas bicho...

      Praia de Imbassuaba

      Depois continuei pela areia seguindo até a Barra do Caí. Foram 2 horas e meia de caminhada. Fui andando rápido e sem parar muito. Se for devagar e parando mais pode botar bem mais tempo nessa conta. Dizem que foi na Barra do Caí que os portugueses chegaram no Brasil pois vindo pelo mar é onde dá pra ver o Monte Pascoal e descrição do local bate com a carta do Pero Vaz. Tem uma cruz e uma placa lá falando que foi ali que o Brasil começou.

      Só tem uma barraca de praia lá, o Restaurante Glória. Pelo isolamento do local, por ser a única opção, não é barato, uma garrafa de cerveja 600ml tava 16 reais mas com o sol do meio-dia chegando e depois de uma bela caminhada decidi que eu merecia esse presente e fiquei tomando umas brejas, curtindo o bom som MPB e pop rock nacional da barraca até umas 14:30.


      Voltei andando pelo mesmo caminho, dessa vez um pouco mais devagar e levei 3 horas até Cumuru. O resto do pessoal que tava lá tinha ido de carro. Encontrei algumas pessoas de bike pela areia mas não sei que caminho eles tomaram pra desviar do penhasco na Praia do Moreira, creio que devem ter seguido pela estrada dos carros.
      No domingo o sol continuou, 5 da manhã já está claro e eu já estava caminhando pela praia. Aproveitei a manhã de sol e por volta das 10h levantei acampamento e segui meu caminho antes que o Jef começasse a pensar que eu ia morar pra sempre no gramado dele 😆
      Só por informação, não tem posto de combustível em Cumuru. Eu estava com meio tanque e o ideal é que você vá abastecido, mas em caso de emergência, na loja de material de construção o cara vende gasolina na garrafa pet, vi várias motos abastecendo lá, então fica a dica num caso de emergência.

      Ao contrário da vinda, que eu passei pela estrada mais ao interior que é mais plana e estava com muita chuva, a volta foi com tempo seco, sol e fui parando nas praias. A maioria delas parei apenas pra uma foto. Comecei na Praia de Japara Mirim que estava deserta e tem uma estradinha bem estreita pra chegar. Depois fui na de Japara Grande que é mais famosa e tinha uns 4 carros lá. Essas duas precisa sair da estrada principal, já as próximas ficam na beira da estrada pra Prado mesmo, é só parar e aproveitar. Parei na Praia das Ostras, deserta. Depois na Praia do Tororão que é mais famosa e tem até uma cachoeirinha que cai na praia e tinha vários carros lá. Tinha um restaurante (ou barraca grande, sei lá) mas não parecia muito atraente.

      Depois parei na Praia da Paixão onde aí sim tem várias barracas de praia. Pedi uma cerveja lá que era 15 reais a garrafa de 600ml mas não gostei do atendimento e segui rumo. Parei na Praia do Farol que já é quase chegando em Prado. Lá tem a Barraca do Jorge que ali sim eu gostei, som bacana, carros estacionados debaixo dos coqueiros, galinhas passeando 😀, cerveja a 10 reais e PF por 20. Fiquei um bom tempo por lá.
      Antes de chegar em Prado ainda dei uma passadinha pra conferir a Praia da Lagoa Grande e segui pro camping que tinham me indicado, Camping Vista pro Mar. O nome já fala tudo, beira mar, gramado bem cuidado, tem área coberta (não precisava ter ficado em pousada naquele dia que cheguei debaixo de chuva 😏) o dono é um goiano chamado Marcelo super gente fina, tava lá tomando umas brejas com um casal que tava num motorhome e já me chamaram pra juntar com eles. Tinham outros 2 casais viajando em trailer lá também. Tem uma escadinha pra descer do camping direto pra praia, foi o melhor lugar que fiquei na viagem, só faltou mesmo uma cozinha pra quem gosta de cozinhar e um filtro de água. Depois que anoiteceu fui no centro do Prado pra ver o movimento. Tava bem sossegado num final de domingo mas melhor que naquele dia chuvoso que cheguei. Fiz um lanche no Lampião Burguer e voltei pro camping. Nessa hora todos os 3 casais estavam lá e foi o único momento na viagem que eu socializei mais com uma turma viajante, conversei sobre viagens e tal. Como era minha primeira viagem em camping notei essa diferença pra mim que tô acostumado a ficar em hostel. Embora sempre tenham exceções, camping dá mais família, casal, poucos viajantes solitários, pessoal dorme e acorda cedo. Hostel já é o oposto. Mas o espírito viajante e a interação da galera é a mesma.
      Segundou e acordei com o sol das 5 da matina invadindo a barraca. Fiquei lá estirado no gramado do hostel curtindo o sol da manhã. Depois desci pra praia. A praia de Prado é mais brava, muita onda, bem diferente das praias mansas e rasas de Cumuruxatiba. Fiquei até umas 10 da manhã, paguei os 35 reais da diária e aproveitei a hora mais quente do dia pra seguir viagem. Foram 5 horas de viagem, contando com 1 hora de parada pra almoçar, até Itaúnas/ES. Tem uns atalhos por estrada de terra pra quem vem da Bahia, mas não compensa. Uma coisa que eu não sabia é que a rodovia de Conceição da Barra até Itaúnas já está quase toda asfaltada, tem apenas alguns poucos trechos de terra em obras e no geral um asfalto novo de boa qualidade até chegar em Itaúnas.
      Fui pro Tribo de Gaia, que é hostel, pousada e camping. O quarto coletivo era 60 reais e estava vazio. Era segunda-feira e a dona me disse que nos fins de semana tem dado sorte de fechar os quartos coletivos apenas para grupos. Seu quarto tem capacidade pra 5 pessoas e se não fosse fechar pra grupo poderia hospedar apenas 2 pessoas o que seria inviável, por isso prefere não trabalhar com hostel no momento. Se eu quisesse poderia ficar porque estava vazio mas eu preferi montar a barraca na parte de baixo da pousada onde tem um espaço pra camping em que ela cobra 35 reais. A área comum de cozinha e banheiros pode ser usada por todos. Dei uma volta rápida pela vila ao cair da noite, dava pra ver que tinha um pouco mais de movimento turístico que Cumuruxatiba, mas tava bem sossegado, provavelmente por ser segunda-feira, já que a dona da pousada disse que o fds tava bem agitado, tendo até os tradicionais forrós de Itaúnas.
      Na terça, dia 10 de novembro, tirei o dia todo pra curtir as Dunas de Itaúnas. Fui pela trilha do Tamandaré, que passa pela única casa que sobrou da antiga vila de Itaúnas e chega bem no começo da praia. Fui andando pela praia até onde ficam as barracas. São 6 barracas de praia mas no meio da semana apenas 3 funcionam. Fiquei na Barraca Sal da Terra. Todas tem basicamente os mesmos preços e a cerveja é latão. Foi um dia só de praia mesmo, relaxar tomando uma cerveja e olhando as ondas…

      Sobre as Dunas de Itaúnas, passei por elas na hora de ir embora. Pra quem já conhece Genipabu/RN ou Huacachina/Peru, Itaúnas não empolga. As dunas são bonitas mas são bem modestas. Era uma vontade que eu tinha de conhecer mas não achei nada de excepcional. Como tava meio que no caminho da volta e pelo dia bonito de sol na praia, valeu a pena, mas as dunas não me empolgaram.


      No dia seguinte segui cedo pra Linhares, fiquei na casa de uma amiga que me levou pra conhecer uma praia a 50km de Linhares, Pontal do Ipiranga, praia larga, comprida e deserta (meio de semana né)

      Na quinta-feira segui caminho, subi a serra, parei na cidade de Santa Teresa apenas pra almoçar mas pude ver que é uma cidade bacana, arquitetura bonita, colonização italiana, vale a pena uma visita com mais tempo. Seguindo pela estrada, passei pela cidade de Santa Maria de Jetibá cuja placa dizia ser a cidade mais pomerana do Brasil. Fato que a serra capixaba tem muita tradição de imigrantes. Cheguei de tarde na Pedra Azul, com uma chuvinha ameaçando. Parei na lanchonete da Pousada Peterle que fica no trevo da BR-262 com a Rota do Lagarto onde tem o letreiro da Pedra Azul e uma vista bacana.


      Depois segui pela Rota do Lagarto até depois da entrada do parque onde fica, no km3, o Ecoparque Pedra Azul, onde tem o camping. Tem uma área coberta também, água de nascente, um pessegueiro carregado e uma vista magnífica da pedra.

      Na sexta-feira 13 fui logo de manhã pro Parque Estadual da Pedra Azul, a pé mesmo, fica a uns 2 km do camping. Por causa da pandemia, tinha mandado um e-mail 2 dias antes pra agendar minha visita já que estão entrando apenas 50 pessoas por turno com agendamento. Mas tava bem vazio, na hora que eu fui estava sozinho e deu pra ver na lista do guardinha que não tinham nem 15 pessoas agendadas pra aquela manhã nublada.
      A trilha no parque é normal na mata, bem suave, a mais difícil é a que vai pras Piscinas Naturais mas como tinha chovido bastante à noite, estava bem molhado e escorregadio, além de friozinho e nublado, me desaconselharam a fazer.

      O diferencial de fazer a trilha no parque é que dá pra você por a mão na pedra. Pra fotos não é interessante, o ideal pra fotos é lá embaixo na estrada onde tem a portaria do parque.

      Meu plano era ficar o dia todo por ali, mas as opções eram restaurantes aparentemente caros, passeios com cavalos escandinavos, coisas que não eram bem o meu estilo. A parte de trilha e a linda vista da pedra eu já tinha curtido, então resolvi levantar acampamento, aproveitar a flexibilidade que o carro proporciona e caçar caminho de casa, pois na segunda-feira já estaria de volta ao batente. Depois de 7 horas de estrada e algumas paradas pra lanche, cheguei em casa à noite.
      Esse foi o resumo do rolê, Cumuruxatiba é linda, tem praias maravilhosas e pra esse povo que pensa que ES é só praia, se passar na rodovia perto da Pedra Azul não perca a oportunidade de explorar aquela região espetacular.
      Até a próxima mochileiros!!
    • Por Fora da Zona de Conforto
      Recentemente eu fui para Long Island (New York) passear e acabei testando um novo modelo de tênis que tinha acabado de receber. Queria testar se ele era tão confortável como muitos dos tênis hoje em dia, mas principalmente….se ele era à prova d’água! E sim, passou no teste. Além dele ser bem bacana e combinar com tudo, é super leve, confortável, e agarra super bem para trekkings de nível médio!
      Mas que tênis seria esse? Eu estou falando do Loom!
       

       
      A empresa tem sede em Hong Kong e é composta por designers, engenheiros, especialistas em ergonomia, cientistas e aventureiros (como nós ). Todos se juntaram para construir um sapato que tivesse todas as melhores características dos sapatos favoritos da equipe em um pacote todo-o-terreno para todo o ano, e pronto, assim o Loom “nasceu”. E segundo eles, o Loom é um calçado/tênis ecológico mais versátil do planeta. Isso porque o Loom é vegano! 
       
      Continue lendo: Conheça o Tênis Impermeável Loom: Ótimo p/ Dias Chuvosos e Trekking
    • Por Andrey E Breguedo
      Queria saber se alguem fez a rota de São José de Rio Preto até Porto seguro para dar algumas dicas sobre pontos turisticos que podia conhecer, como: chachoeiras, algumas praias, e tals...
    • Por Lara_____
      Pessoal, boa tarde. 
      Estou de férias 😎 
      e querendo ACAMPAR 🏕️🏕️🏕️ 
      em algum lugar bonito que tenha previsão de 
      ☀️☀️☀️SOL de 
      📆 amanhã até domingo. 
      Estou em Ubatuba, aqui tem previsão de chuva 🌧️
      Conhecem algum lugar que não seja tão longe daqui e valha a pena por 2 ou 3 dias? 
      Pensei em algum camping mais isolado e seguro na pandemia 😷no vale do paraíba ou região próxima ao Itatiaia...🤔
      Dicas?
    • Por TardoAventura
      Este video é uma amostra das nossas caminhadas. Esperamos que gostem.
      https://youtu.be/KX75XilaOgw
      Sigam a Tardo Aventura em https://pt.wikiloc.com/wikiloc/user.do?id=4716837

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