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Diego Minatel

O nosso norte é o sul: Atravessando Brasil e Argentina até Ushuaia ou O caminho para o fim do mundo

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16 horas atrás, appriim disse:

@Diego Minatel Que delicia de relato, Diego! Tô viajando com você e relembrando da minha viagem :)

Valeu, @appriim! Que massa que esteja curtindo o relato. Eita, quando esteve por aqueles cantos? Curtiu demais? Se apaixonou por El Chaltén? 

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1 hora atrás, Diego Minatel disse:

Valeu, @appriim! Que massa que esteja curtindo o relato. Eita, quando esteve por aqueles cantos? Curtiu demais? Se apaixonou por El Chaltén? 

Fui final de ano, sai dia 20/12 e fiquei até 05/01! Deixei um pedaço do meu coração El Chaltén, cidade encantadora, com uma energia boa demais. Adorava ver todo mundo na rua com roupa de trilha, cheios de casaco, segurando um bastão de trekking. A melhor parte era sair da trilha, suja, cheio de pó ,ir pro bar e todo mundo estar assim também 😂

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1 hora atrás, appriim disse:

Fui final de ano, sai dia 20/12 e fiquei até 05/01! Deixei um pedaço do meu coração El Chaltén, cidade encantadora, com uma energia boa demais. Adorava ver todo mundo na rua com roupa de trilha, cheios de casaco, segurando um bastão de trekking. A melhor parte era sair da trilha, suja, cheio de pó ,ir pro bar e todo mundo estar assim também 😂

Eita, é recente também, que massa, pode ser que dividimos as mesmas trilhas. Aquele lugar é fascinante, todo mundo está lá pra caminhar até dizer chega. To escrevendo sobre El Chaltén agora e tá batendo uma saudade monstra daqueles dias.  

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21 horas atrás, Diego Minatel disse:

Eita, é recente também, que massa, pode ser que dividimos as mesmas trilhas. Aquele lugar é fascinante, todo mundo está lá pra caminhar até dizer chega. To escrevendo sobre El Chaltén agora e tá batendo uma saudade monstra daqueles dias.  

Não duvido 😂 Cheguei dia 30/12 em El Chaltén. Deixei ela por último porque sabia que seria trilha e mais trilha. Logocomeço a escrever meu relato de El Chaltén. Coração vai apertar.

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23 horas atrás, Diego Minatel disse:

Assim, quando terminamos uma curva e demos de frente com uma vaca selvagem, o Matheus entrou em choque e saiu correndo (risos). A vaca era deboas, não esboçou nenhuma reação quando nos viu, eu passei por ela caminhando. Eu caguei de dar risada, o Matheus voltou para a trilha todo encabulado se justificando que a cena foi respeito a natureza (risos). 

HAHAHAHAAHAH eu tive uma cena parecida, na mesma trilha.
Estava descendo conversando com um amigo que fiz durante a viagem, a gente tava no maior papo sério sobre pumas, quando de repente ele pega na minha mão assustado (quase me puxando para o chão), achando que tinha visto um urso (?), eu achei que era um puma e que ia ser devorada ali mesmo. Depois olhamos e era só uma vaca selvagem.

Resumindo: quase caímos no chão e ninguém mais conseguia parar de rir 😂😂

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Em 08/03/2019 em 15:43, appriim disse:

HAHAHAHAAHAH eu tive uma cena parecida, na mesma trilha.
Estava descendo conversando com um amigo que fiz durante a viagem, a gente tava no maior papo sério sobre pumas, quando de repente ele pega na minha mão assustado (quase me puxando para o chão), achando que tinha visto um urso (?), eu achei que era um puma e que ia ser devorada ali mesmo. Depois olhamos e era só uma vaca selvagem.

Resumindo: quase caímos no chão e ninguém mais conseguia parar de rir 😂😂

Hahahahaha cê eh loko, imagina só dar de cara com um puma? Aquelas vacas selvagens pareceram deboas, mas a placa falando delas dá uma assustada até 😂😂😂😂

  • kkkkkkk 1

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Parte 14 - A janela do ônibus

"Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa

Agora dentro do ônibus, seriam dois dias de viagem até Buenos Aires. A viagem começou cedo naquela dia. Saindo de El Chaltén um misto de sentimentos tomava conta de mim. Cada minuto que se passava, eu ficava mais distante daquele lugar que para mim passou a ser o meu preferido no mundo. Já estava com saudades de ter sempre a companhia do Fitz Roy, mas tava feliz por começar a empreitada de volta para casa.

Tentei dormir, mas eu só conseguia olhar pela janela do ônibus. Com os olhos eu ia me despedindo de todos aqueles lugares. O ônibus acelerava na pista vazia, primeiro pela Ruta 23 e depois pela Ruta 40. A chuva começou a cair, a janela não mostrava mais nada. Assim, o sono me venceu. Acordei em El Calafate, ficamos pouco tempo na cidade. Só deu tempo de comprar algumas empanadas, comer e subir no ônibus para Rio Gallegos. Agora pela janela do ônibus via o caminho que percorremos pela noite dias antes. Ao passar pelo posto policial, veio a recordação dos momentos de tensão. Chegamos em Rio Gallegos no meio da tarde. Era Natal, a cidade estava vazia, aguardamos algumas horas e entramos no ônibus que nos levaria até Buenos Aires.

Rio Gallegos ficou para trás. O ônibus ia avançando pela Ruta 3 no sentido norte. Um filme de trás para frente ia passando pela janela do ônibus. Parecia que estávamos rebobinando a viagem. A conquista dos quilômetros sem suor e espera não tinha a mesma graça. Porém, o exercício de recordar todos momentos vividos e lembrar aquela obsessão por chegar, era bom demais. Pela janela do ônibus eu voltava no tempo, sentia aquele arrepio do desconhecido e de não saber onde estaria nos próximos cinco minutos. Agora, as incertezas da viagem faziam falta e as perguntas que sempre fazíamos um para o outro retornavam na memória: "Será que vamos nos dar bem com a pessoa que vai nos hospedar?", "Será que alguém vai nos dar carona hoje?", "Como vai ser a próxima pessoa que vai abrir a porta do carro?", "Onde vamos dormir hoje?", "Será que vamos conseguir?", "Vamos continuar aqui ou mais pra frente os motoristas nos veem melhor?", "Qual o plano B?", "Qual a próxima cidade que vamos parar?", "Conseguiu contato no couchsurfing?", "E se tentássemos outra abordagem de carona?", "Insistir ou desistir?". 

O ônibus saiu da Ruta 3 e seguiu pela Ruta 288 para pegar os passageiros em Puerto Santa Cruz. Na volta para a Ruta 3, ainda na Ruta 288, a noite batia na porta. Era umas dez da noite, o sol estava tocando o horizonte. A luz na planície patagônica alternava de cores, ora alaranjada, ora rosada. Lentamente, a luz ia desaparecendo e a vegetação brilhava num dourado chamuscante. Coisa linda de ver. Esse foi o último presente que a Patagônia nos ofereceu, nosso presente de Natal. Quando a luz desapareceu de vez, a chuva veio para ficar. 

Por toda a madrugada a chuva não parou. Amanhecemos em Comodoro Rivadavia. Quanto mais subíamos no mapa, mais intensa a chuva ficava. Era assustador estar naquela tempestade dentro do ônibus. Passamos por Trelew, avistei o ponto em que ficamos o dia todo na espera. Das coisas que eu mais tinha medo nessa viagem, acho que a maior era pegar uma tempestade patagônica no meio da pista pedindo carona, longe de tudo. Se era assustadora a tempestade dentro do ônibus, imagine na beira da pista. Muita coisa veio na cabeça nessa hora, fiquei pensando em como demos sorte em pegar tempo bom na maior parte do tempo, pensei também que era mesmo pra estarmos voltando de ônibus. A chuva não deu trégua em nenhum momento mais. Passamos por Puerto Madryn, Las Grutas, Viedma, Bahia Blanca e Tres Arroyos debaixo de muita água e ventos fortes. Pela janela do ônibus nada mais se via, apenas pingos de água escorrendo pelo vidro. Na madrugada, seguimos pela último trecho da Ruta 3 até Buenos Aires.  

Depois de dois dias de viagem, enfim, chegamos em Buenos Aires. Mais uma vez a Ruta 3 estava completa. Dessa vez sem esforço, de forma rápida e sem paradas. Nos fodemos pra caralho na ida, mas jamais trocaria as experiências vividas na ida pela comodidade da volta.

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Parte 15 - O caminho de volta: Buenos Aires, São Miguel das Missões, Curitiba e Prainha Branca

""Isto eu já sei de cor e salteado”, gritava Úrsula. “É como se o tempo desse voltas sobre si mesmo e tivéssemos voltado ao princípio."" Cem Anos de Solidão, Gabriel Garcia Marquez

Da rodoviária do Retiro pegamos o metrô e depois o trem até Merlo, uma cidade da região metropolitana de Buenos Aires. Dessa vez, iriamos ficar na casa do Federico, o mesmo que arrumou nossa estadia em El Calafate. Chegamos no meio da tarde, fomos recebido pela Valeria, cunhada do Fede. Federico chegou no final da tarde trazendo faturas pra nós comermos. O dia estava ensolarado, aproveitamos pra ficar na piscina até o pôr do sol.

Federico é um cara muito gente boa e alto astral, ele é formado em educação física e trabalha, atualmente, com atividades físicas na educação especial. Ele é nascido em Rio Gallegos e fez a graduação em Cuba. Depois de morar em Cuba, ele nunca mais se acostumou com a gélida Rio Gallegos, e sempre que tinha tempo e dinheiro viajava para o nordeste brasileiro para encontrar calor e praia. Numa dessas viagens ele foi para Jericoacoara e ficou no hostel que o Matheus trabalhava. Ainda nessa viagem, ele conheceu a também argentina e gente boa Yanine, que estava hospedada no mesmo hostel, com quem ele começou a se relacionar. De volta na Argentina, eles ficaram fazendo a ponte área Rio Gallegos/Buenos Aires por muito tempo até o Fede decidir ir mora de vez com a Yanine em Buenos Aires, ou mais precisamente em Merlo.

Passamos dois dias na casa do Federico e da Yanine. Dessa vez tivemos a oportunidade de conhecer uma Buenos Aires longe dos pontos turísticos e de toda a muvuca, da qual gostei igualmente. Ficamos boa parte do nosso tempo apenas conversando com o casal e alguns de seus amigos, sempre em volta da piscina. Tomamos cerveja e pela primeira vez comi um asado argentino feito em casa. Federico manda muito bem no asado, me arrisco dizer que foi o melhor churrasco que já comi na vida. 

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Foto 15.1 - Federico, Yanine, Eu e o Matheus

"Hacen lo que tiene que hacer!" essa era a resposta do Fede para quase tudo, a resposta sempre era acompanhada de uma ironia. Se fosse sobre política ele dizia "Los gobernantes hacen lo que tiene que hacer" e complementava "Que es golpear la cara de los trabajadores". Quando o assunto era educação ele emendava "Los gobernantes hacen lo que tiene que hacer, que es jugar mierda en los professores". Numa de nossas andanças pelas redondezas, eu entendi o porquê da ironia, li num outdoor a propaganda do governo Macri que dizia mais ou menos assim:  "Haciendo lo que tiene que hacer". 

Fomos embora numa madrugada, os pais de Yanine passaram buscar ela e o Federico e aproveitaram para nos dar uma carona. Federico e Yanine tinham voo para a Colômbia naquele dia, eles iam passar o próximo mês nas aguas calientes do caribe colombiano. Primeiro fomos para o aeroporto, nos despedimos do Fede e da Yani, em seguida, fomos até a rodoviária do Retiro, onde nos despedimos dos pais da Yanine. Ficamos metade da madrugada aguardando o ônibus que nos levaria até Paso de Los Libres, fronteira com o Brasil.

Pouco lembro da viagem de Buenos Aires até Paso de Los Libres, dormi quase que a viagem inteira. Cruzar a fronteira foi interessante, sentia saudades de ouvir a todo momento nossa língua materna. Tentamos carona para atravessar a ponte que separa Argentina e Brasil para chegar em solo tupiniquim, mas sem sucesso. É proibido atravessar a ponte caminhando, mas estávamos tão perto, por que não caminhar mais dois quilômetros e chegar no Brasil? Já era fim de tarde, seguimos caminhando sobre o rio Uruguai, por um momento parei no parapeito da ponte e observei o pôr do sol no rio, lindo demais. Já em Uruguaiana continuamos a caminhada até a rodoviária. Dormimos na rodoviária, no nascer do sol pegamos um ônibus com destino a Santo Ângelo. Descemos do busão no trevo que conecta São Miguel das Missões, fomos caminhando, parte dos 15 km que separa o trevo e a cidade, até o Mário e a Karine virem ao nosso encontro. Que saudades que eu estava dos dois.

Ficamos três dias em São Miguel das Missões dessa vez, um tempo maior que da primeira vez. Passamos o dia 31 de dezembro com a família do Mário, conhecemos sua mãe, irmãos, sobrinhos e agregados, a casa estava lotada. Pela primeira vez, eu passava o último dia do ano com outra família sem ser a minha, isso foi muito legal e diferente pra mim. Nos enturmamos rapidamente com todos, passamos o dia bebendo, e observando a engenhosidade da família para assar um porco gigante. Eles usaram uma carcaça de uma geladeira como churrasqueira, a família toda junta para ver como era a melhor forma de prender o porco na churrasqueira improvisada. No fim da noite fomos até as Ruínas de São Miguel para ver a queima de fogos do ano novo que se anunciava. Nunca tinha presenciado uma queima de fogos como aquela, foi bem bonita de ser ver, ainda mais com a ruína de fundo e as estrelas brilhando no céu, cena linda.

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Foto 15.2 - Na casa da mãe do Mário

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Foto 15.3 - Queima de fogos nas ruínas

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Foto 15.4 - Queima de fogos nas ruínas

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Foto 15.5 - Queima de fogos nas ruínas

Mudamos alguns de nossos planos para poder passar o ano novo com o Mário, Karine e o João. A memória do mês anterior em que fomos acolhidos de coração aberto por eles, ainda era muito viva em nossas mentes e também em nossas conversas. Assim, receber deles os primeiros abraços do ano foi muito especial para mim, tinha que ser assim. Além, de podermos ficar mais um pouco em suas companhias e conhecê-los ainda mais e mais.  

No início da manhã, do dia 2 de janeiro, pegamos o ônibus até Santo Ângelo e depois para Chapecó. Em uma das paradas do ônibus, paramos para almoçar num posto a beira pista. Fui cortar um sachê de mostarda com a boca, sei lá o que aconteceu, mas deu um tranco no meu maxilar e quando me dei conta vi que uma lasca do meu dente tinha se partido. Porra, fiquei triste demais, quebrar o dente com um sachê, burrice além da conta. Agora de dente quebrado continuamos viagem até Chapecó. 

Chapecó é uma cidade muito especial para mim. Anos atrás, participei do Projeto Rondon pelo interior do Maranhão e metade da equipe era da UnoChapecó, Universidade Comunitária de Chapecó. Fiquei muito amigo do pessoal e, vira e mexe, vou pra Chapecó rever a galera que ainda mora por lá. Para o Matheus seria a primeira vez na cidade. 

Chegamos em Chapecó e o Mauricy foi ao nosso encontro. Iríamos ficar na casa dele, onde ele mora com sua namorada Ângela. Sou meio suspeito para falar do Mauri, pois é meu amigo e uma pessoa de quem eu gosto muito, mas, resumidamente, ele é um cara firmeza demais, assim como a Ângela. Chegamos na casa deles, encontramos a Ângela e fomos para um bar. No bar fomos ao encontro da Samara, minha amiga e que também foi integrante do Projeto Rondon. Ficamos boa parte da noite relembrando os causos do projeto, isso foi muito bom, ao menos pra mim que tenho muitas saudades daqueles dias. Em alguma parte da noite, o assunto descambou para pratos típicos de cada região, e assim, conheci o porco pizza. Porco pizza é um porco que é assado todo aberto e por cima recheia-se como se fosse massa de pizza, enfim, deve ficar uma "patchotcheira", mas eles disseram que é muito bom.  O resto da noite o assunto foi o porco pizza, que por sinal é um bom nome.

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Foto 15.6 - Eu, Samara, Matheus, Ângela e Mauricy

No outro dia, eu, Mauricy e o Matheus partimos para fazer a trilha do Pitoco logo de manhã. A trilha tem esse nome porque o cachorro Pitoco acompanhava as pessoas que percorriam essa trilha. A trilha é bem bacana, cheia de verde e tem cinco cachoeiras ao todo. Até a segunda cachoeira o caminho é bem tranquilo, depois fica um pouco mais complicado, mas nada muito difícil. Pegamos chuva em boa parte da caminhada, o que dificultou um pouco, cheguei até tomar um capote. Embora estivesse chovendo, o calor era intenso, então mergulhar naquelas águas era uma obrigação.  

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Foto 15.7 - Trilha do Pitoco

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Foto 15.8 - Mauri na cachoeira

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Foto 15.9 - Trilha do Pitoco

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Foto 15.10 - Matheus, Mauri e Eu em uma das cachoeiras da trilha do Pitoco

Voltamos para o centro da cidade já era fim de tarde, mas aproveitamos para visitar o estádio da Chapecoense. Eu não voltei para Chapecó depois da tragédia que ocorreu com a equipe de futebol, mas sabia que uma das vítimas deste acidente era o Giba, primo do Mauricy e ex-assessor de imprensa da Chapecoense. Na hora, eu não sabia se eu devia entrar nesse assunto com o Mauri ou não, pois ele era muito próximo desse primo, mas o assunto surgiu naturalmente. Foi muito legal ouvir a versão do Mauricy sobre o pós acidente, e sobre a marca deixada na cidade e, principalmente, em sua família.  

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Foto 15.11 - Muro com as vítimas do voo da Chapecoense (o primo do Mauri, o Giba, é o segundo da esquerda para a direita)

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Foto 15.11 - Estádio da Chapecoense

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Foto 15.12 - Estádio da Chapecoense

Pela noite, juntou-se a nós a Samara e a Ângela. Mais uma vez, ficamos conversando, mas dessa vez já em tom de despedida. Comemos umas pizzas, e no fim da noite o Mauricy nos levou até a rodoviária, iríamos pegar um ônibus noturno para Curitiba. Foi bem rápida a passagem por Chapecó, mas muito boa, afinal foi bem bom rever o Mauri e a Samara, e conhecer um pouco mais da Ângela.   

Eu fiquei dois dias em Curitiba, ficamos hospedados na casa do casal rondoniense André e Priscila. Eles trabalharam junto com o Matheus na época que o mesmo vivia em Curitiba. Os dois são simpatia pura, gostei demais de conhecê-los. No primeiro dia, fomos até a Ópera de Arame e no Parque Tanguá, dois dos lugares que eu não conhecia na cidade. O mais legal ficou para o outro dia, fomos sentido Morretes e fizemos churrasco numa área perto de uma cachoeira, isso debaixo de chuva. O churrasco contou com a presença de mais uma rondoniense, a Samara. Foi bem bom o churrasco, André, Priscila e Samara são divertidos demais.

No fim da noite, André e Priscila nos levaram para rodoviária. A Samara seguiria para uma viagem de dois dias até Vilhena em Rondônia, e eu iria até São Paulo rever alguns amigos. O Matheus ficou por Curitiba, iria aproveitar mais a cidade e rever outros amigos, além de passar mais tempo na companhia do André e Priscila. Eu estava sonolento, mal consegui me despedir do Matheus, André, Priscila e da Samara. Entrei no ônibus e desmaiei.

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Foto 15.13 - Ópera de Arame

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Foto 15.14 - Ópera de Arame

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Foto 15.15 - Palco barco na Ópera de Arame

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Foto 15.16 - Parque Tanguá

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Foto 15.17 - Parque Tanguá

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Foto 15.18 - André, Matheus e a Priscila

Voltando ao primeiro dia em Curitiba. Na Ópera de Arame, fiquei por muito tempo observando e ouvindo o cara que tava se apresentando no palco barco. Ele tocava MPB em geral, era somente violão, nada mais. Quando ele começou a tocar a música Carinhoso do Pixinguinha, ai as lembranças me assolaram. Conforme, a viagem foi se desenrolando em seu ritmo frenético, pouco tempo eu tinha para pensar nas coisas que ocorreram antes da viagem, e me esforçava para não pensar nisso nos momentos de introspecção. Mas com aquela música de fundo, era impossível se auto sabotar e não pensar em nada, não tinha como, as lembranças vieram com força. Minha vó adorava cantar, sempre que eu ia na casa dela ficávamos a tarde toda cantando. A música que ela mais gostava de cantar era Carinhoso. Lembro que no aniversário de 80 anos dela, ela cantou essa música na frente de todos e toda a família acompanhou-a como um coral, foi bem bacana esse momento. E agora ali, na Ópera de Arame, ouvindo esse som depois de muito tempo, as recordações vieram a tona junto com um sentimento de tristeza. Enfim, neste momento percebi que a viagem estava acabando e que apesar de toda essa viagem foda, o passado ainda estava mal resolvido na minha cabeça.   

Em Sampa, como em todos os meus finais de viagens, sai tomar umas cervejas com a Fernanda, amiga de todas as horas. Passamos o dia caminhando pela Avenida Paulista até estacionarmos num bar para tomarmos umas brejas e colocar a conversa em dia. Depois segui para a casa de outra amiga, a Isa, quando morei em São Paulo moramos na mesma república, na qual eu teria um canto pra dormir nesse dia. No dia seguinte, eu e a Isa pegamos um trem até Mogi das Cruzes, depois entramos numa van com destino a Bertioga. Chegamos em Bertioga e atravessamos de balsa para o Guarujá, entramos na trilha para a Prainha Branca. Creio que caminhamos por um pouco mais de meia hora até, enfim, chegar na praia.

Prainha Branca foi um lugar que me surpreendeu positivamente. A praia é bem limpa, bonita, rodeada por uma natureza ímpar, preço justo e sem muita muvuca, ao menos pela manhã e de noite. Ficamos pouco tempo, dois dias e uma noite, mas foi o suficiente para matar a vontade que eu estava de estar numa praia em que eu pudesse mergulhar em suas águas sem morrer de hipotermia. Demos sorte, pois pegamos muito sol. A noite por lá é bem legal, só fica a galera que está acampando na praia, então é bem tranquilo. 

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Foto 15.19 - Prainha Branca

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Foto 15.20 - Prainha Branca

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Foto 15.21 - Prainha Branca

Voltamos para Sampa, peguei minhas coisas, me despedi da Isa e segui rumo a rodoviária. Com a passagem na mão, destino Rio Claro, deitei junto ao portão de embarque para aguardar o ônibus. Nessa hora, a ficha do fim da viagem caiu de vez. Acho que esse momento, foi o de maior frio na barriga de toda a viagem. Agora, as perguntas eram muitas dentro da minha cabeça, e eu não tinha nenhuma resposta. Enfim, era a hora de voltar pra casa.

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    • Por Marlon Escoteiro
      Travessia do Campo dos Padres – SC – julho de 2020 – 80 km em 5 dias – Do Cânion Espraiado, Morro da Boa Vista até o Morro das Pedras Brancas

      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99617 7552 Arno Philippi – 48-99152 1277 Lucas Philippi
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.
       
      Vamos a Travessia
      Essa travessia eu tinha combinado com meu parceiro Bernhard que já havia ido comigo em Itatiaia, porém tive um imprevisto na empresa e acabamos não indo. Sorte nossa, pois foi bem na semana do tal ciclone bomba que destruiu muita coisa em Santa Catarina e no Campo dos Padres não foi diferente, tem áreas de mata lá que parece que passou um trator derrubando tudo. Neste interim entrou em contato comigo o Rafael @dinklerafa perguntando sobre a travessia solo que eu havia feito entre Urubici e Bom Jardim da Serra pelo PNSJ. E que ele estava programando vir para a serra catarinense fazer uma travessia, eu disse que ainda estava em aberto ir para lá e assim combinamos a parceria para a travessia. Marcamos então nos encontrar em Urubici na Pedra da Águia no vale do Rio Canoas no domingo a noite. O meu amigo Bernhard começou a trabalhar naquela semana infelizmente mas por sorte minha foi em Lages, e aproveitei a carona com ele saindo de Itajaí.
      1° Dia – Pedra da Águia
      Este dia já começou de noite. Kkkkkkk cheguei no ponto de encontro quase as 20h, garoava um pouco naquele momento quando o Bernhard me deixou no Vale do Rio Canoas junto a propriedade Pedra da Águia que serve como base para camping e estacionamento para aqueles que vão para o Cânion Espraiado. Chamei na casa e ninguém atendeu apesar de as luzes estarem acesas e ter carro ali estacionado, tão pouco sinal do meu parceiro Rafa que a esse momento já deveria estar por ali, dei uma olhada ao redor para ver se já não estava acampado, mas não encontrei. Aproveitei o ultimo facho de luz do farol do carro e montei próximo ao rio minha barraca. Quando estava ajeitando minhas coisas o Rafa aparece do meio do nada! Ele disse que o taxista deixou ele uns 5 km adiante já em direção ao Cânion Espraiado e ele teve que voltar andando pela estrada na chuva. Ali nos conhecemos e fomos conversando, um cara muito bacana. Enquanto preparávamos nosso rango o papo fluía. Acertamos alguns detalhes referente a travessia como um todo e do próximo dia também, o qual ao invés de seguir o caminho tradicional pela estrada para alcançar o Cânion Espraiado, sugeri então contornar a Pedra da Águia e passar por trás dela e seguir até a borda da Serra Geral próximo ao Corvo Branco e então seguir sentido norte bordeando os peraus até chegar ao Cânion Espraiado. Logo em seguida fomos dormir para descansar.

      2° Dia – Pedra da Águia até o Cânion Espraiado – 12km de trilha

      Acordamos cedo, ainda estava meio nublado mas entre as nuvens já víamos que iriamos ter um dia limpo pela frente. Enquanto a água ia fervendo para o café íamos desmontando o campo e arrumando a mochila. O vale do Rio Canoas nessa região é muito bonito com a vista da Pedra da Águia de fundo as araucárias na extensão do vale e o rio descendo suavemente entre as pedras. Após tudo pronto começamos nossa caminhada as 8h, os cachorros vieram nos seguindo uma parte da estrada e foram dispersando um a um, mas sobrou um pretinho que nos acompanhou toda a trilha. Logo quando contornamos a pedra da Águia passamos pela casa do Candimiro e ficamos ali um tempo de prosa com ele que nos autorizou passar pela propriedade e assim seguimos nosso rumo. Uma subida suave por uma antiga estrada que já não passa mais carro.



      Depois de uma hora e pouco de trilha chegamos a borda da Serra Geral ao sul estava a estrada da Serra do Corvo Branco na direção norte o Cânion Espraiado, paramos para curtir o visual e tirar fotos, naquele momento nos preocupamos um pouco com o cachorro pretinho que vinha nos seguindo. O caminho todo foi bordeando a serra seguindo a estradinha abandonada na margem direita do Espraiado. Em um certo ponto chegamos em uma depressão onde formava um pequeno Cânion afluente do rio Canoas em direção oposta a borda da serra geral ali tinha uma pequena faixa de mata para cruzar e adiante seguimos andando pelos campos, banhados e turfeiras que seriam uma constante em toda a travessia e também curtindo o visual do Cânion. 


      Passado das 13h paramos de frente para a cachoeira do Adão para almoçar. Tinha sobrado um macarrão com linguiça Blumenau da noite anterior e já pus na panela, ainda fervi água para um bom chá de hortelã com gengibre e ali ficamos contemplando aquele visual. Quando retornamos a caminhada vimos logo acima do vértice do Cânion que havia um objeto retangular e ficamos imaginando o que poderia ser, o Rafa falou que poderia ser uma placa informativa eu já pensei que fosse tipo um deposito/armário de madeira para guardar o material do pendulo.  Quando chegamos lá a nossa surpresa foi que era uma geladeira da Cervejaria Patagônia, eles estavam fazendo um comercial publicitário. Ali encontramos também a Carol proprietária da Fazenda Espraiado e ela nos indicou ir na cachoeira e avisou que a outra parte da borda do Cânion estava proibido passar por problemas de vizinhos e uso da área. Descemos até a cachoeira, que na realidade são 2 uma primeira menor que forma um baita poço para banho e a queda principal que desagua por 86m Cânion abaixo. Neste momento flagramos o pretinho abocanhando alguma coisa no mato e quando vimos era um tipo de roedor que em seguida ele soltou no chão.



      Logo fomos em direção a sede da fazenda onde é o camping e hostel do Cânion Espraiado. Ali conversamos com o Jacaré do Cânion que trabalha na fazenda, acertamos com ele o valor de R$ 40 pelo pernoite em camping, comemos um pastel muito bom e montamos nossa barraca, depois ficamos no galpão crioulo ao redor do fogo de chão proseando e tomando uma cerveja Patagônia com o Jacaré. Aproveitei para secar minhas meias, com os furos que minha bota tinha e os banhados no caminho esse seria um problema que eu enfrentaria todos os dias com os pés molhados. Também recarregamos o celular e aproveitamos para mandar as últimas mensagens pois a partir dali não teria mais sinal pelos próximos 4 dias. Preparei minha janta uma bela polenta com bacon e conversando com o pessoal, falaram que a partir dos 2 próximos dias viria uma frente fria muito forte. Pegamos umas dicas da trilha para o próximo dia cedo em direção ao Morro da Antena (agora montanha infinita) para ver o nascer do Sol e em seguida fomos dormir.




       


       
      3° Dia – Cânion Espraiado – Campo dos Padres – parte alta do Rio Canoas - 18km de trilha

      Acordamos as 4h30 pois queríamos estar as 7h para o nascer do sol. Já fomos desmontando a barraca e o frio já era forte na escuridão da madrugada, havia um pouco de gelo no sobreteto da barraca. Após tudo desmontado tomamos um café passado pelo Jacaré dentro do galpão e comi meu pão sírio com polengui, queijo e salame, além do meu super brownie com malto e dextrose além de algumas castanhas (esse seria meu cardápio de café da manhã de todos os dias). As 6h horas seguimos pela trilha por entre a mata até o topo do morro da Antena e já no chapadão do cume presenciamos várias poças de água congeladas.


       
      As 7h05 foi o alvorada sobre um mar de nuvens aos nossos pés e um céu limpo sobre nossas cabeças, a vista do Cânion espraiado lá de cima é linda e ainda é possível ver toda a extensão da Serra Geral com destaque para as Pirâmides Sagradas e o Morro da Igreja. Estive nesse morro em 2001 subimos eu e o meu amigo BIG Daniel Casagrande de Toyota Bandeirante, na época ainda havia a Antena em pé, hoje ela foi derrubada, lembro que nós curtimos o visual por ali e quando decidimos ir embora atolamos a Toyota e quem disse que conseguimos tirar.... foi uma longa história e uma grande aventura. Voltando a 2020, nossa ideia original era seguir bordeando até chegar no rio canoas, pois pela carta teria somente 2 faixas de mata pra cruzar morro acima. Mas ai o Jacaré nos indicou seguir pela estrada e lá adiante passando a porteira entrar na antiga estradinha, eu sabia que havia essa trilha, mas tinha receio de seguir pois era uma mata grande, e imaginava ter vários caminhos por conta do gado.





      Mas enfim mudamos nosso plano inicial e seguimos então pelo caminho sugerido. Logo que passamos a porteira eu vi uma estradinha seguindo adiante e outra descendo, supus que essa seria a estrada, ledo engano..... descemos o morro e cortamos a estradinha para lá embaixo tentar encontrar ela de novo, havia um morro bem grande de mata a frente que se estendia a leste até a borda da serra e para o lado oposto a oeste entre esse morro havia uma encosta suave de mata e a borda do profundo Cânion do rio canoas, a trilha só podia ser nesta encosta suave e fomos descendo mas não encontrei a estrada. Seguimos adiante pela mata até chegar ao rio que já formava um pequeno desnível, pensei que já fosse o começo do Cânion afluente do Cânion principal do rio canoas. Demos uma volta enorme em círculo e voltamos para o mesmo lugar. Seguimos acompanhando a estrada e tentamos mais uma vez descer na direção daquela encosta, mas a mato tava muito fechado voltamos mais uma vez para a estrada e então decidimos seguir a estrada, logo adiante vimos uma casa e antes de chegar nela uma entrada a direita com cara de estrada abandonada. Só podia ser essa. Bingo! Já era 12h passado e então paramos ali na estradinha e fizemos nosso almoço o meu seguiu o mesmo cardápio do café da manhã sendo pão sírio, polengui, queijo e salame e chá de hortelã com gengibre, e assim foi todos os dias. Depois de 40min de pausa retornamos a trilha. A trilha é em uma antiga estrada abandonada que não é mais possível transitar de carro nem de 4x4, somente a pé ou a cavalo, uma descida suave por entre a mata de araucárias até chegar em um pequeno rio que corria sentido Cânion do rio canoas. Esse era o ponto mais baixo e após o rio a trilha começava a subir. “A algumas horas atrás chegamos bem perto deste rio porem a mata estava muito fechada e o rio afunilava em um brete e não conseguimos achar um caminho para passar e acabamos voltando”.



      Lá adiante na trilha encontramos um barraco destruído e depois cruzamos com um pequeno rio onde fomos seguindo ele rio acima até a trilhar sumir no mato, ali percebemos que em algum lugar lá atrás teríamos que ter contornado o morro. Resolvemos então subir aquela encosta de mata bem fechada com muitos xaxins, bambus e mata nebular. Foi um momento um pouco tenso pois já eram umas 17h sabíamos que estávamos no rumo certo, mas não na trilha e onde estávamos não tinha como acampar. Fomos mirando o topo tendo as copas das araucárias ainda iluminados pelo sol. Quando alcançamos então a parte mais alta abriu um pequeno descampado sujo com vassouras, porem plano e com condições de acampar. Decidimos seguir ainda um pouco mais adiante até as margens do Rio Canoas, mas de qualquer forma não fomos muito longe e acampamos por ali mesmo. Aquela noite prometia muito frio, tratamos de montar nossas barracas e a escuridão já tomou conta e o frio veio junto. Arrumei minhas coisas e tratei de ferver uma água para o chá e picar o bacon, quando comecei a fritar o Rafa já sentiu o cheiro maravilhoso do bacon, e ele com aquela comida liofilizada dele. Prometo que vou tentar de novo, nem que seja levar para uma noite a liofilizada, confesso que ainda venho tentando uma comida boa e leve sem abrir mão de certos luxos que conquistei nesses 30 anos de acampamentos, mas que agora com a idade e falta de tempo para treinar a boa forma já não posso mais carregar tanta coisa, sei que tenho que diminuir peso. Nesta travessia eu pesei item por item antes de sair de casa, desde celular, meia, cueca, itens de primeiros socorros, comida, enfim tudo grama por grama e encontrei que eu carregava no corpo 3kg contanto botas, roupas, bastão...; na mochila mais 24kg contando 4 litros de água que me dispus a levar mesmo com a fartura de água da região somente para testar meu consumo e uso em cozinha. É muito interessante pesar pois sempre imaginamos o quanto levamos, mas só anotando tudo e fazendo um verdadeiro checklist é que sabemos o quanto de peso realmente carregamos e não sabemos.

       
       
      Depois da janta ainda era cedo e não conseguiria dormir, então decidi sair da barraca para ver o céu estrelado, minha saída noturna não demorou mais que o suficiente para ir ao banheiro e voltar correndo para a barraca de tanto frio que fazia. Nessa noite os termômetros bateram negativos os - 8ºC dormi no limite do frio essa noite.
       
      4° Dia – Parte alta do Rio Canoas – Cemitério – Borda da Trilha dos Índios – Morro do Campo dos Padres – Morro da Boa Vista - 15 km de trilha

      Acordamos pelas 6h mas o frio era tanto que não deu vontade de sair do saco de dormir, o sobreteto da barraca do Rafa congelou a condensação, neste quesito estava muito satisfeito com a minha Naturehike Cirrus pois o layout dela permite uma boa ventilação e evita o acumulo de condensação, mas vi que tinha que fazer alguns ajustes no sobreteto para incluir mais 2 pontos de cada lado para fixar mais espeques e poder abaixar mais a lona para o vento não entrar tanto em dias frios. Também tive minhas meias congeladas e a água nas garrafas estavam congeladas. Já pus a água para ferver e fazer meu café na Pressca e ao mesmo tempo já ir guardando minhas coisas. Mas foi difícil desmontar a barraca, os dedos doíam de tanto frio. Eram 7h30 e saímos, vimos que 1h30 era o tempo que precisávamos para começar o dia. Logo adiante avistamos uma cabana bem bonita de madeira que é a sede da Fazenda Búfalo da Neve, passamos ao lado e seguimos adiante descendo a encosta do vale do rio canoas até atingir suas margens, havia muita geada no pasto e as poças d´água no caminho estavam congeladas e também partes do rio onde a água estava parada.







      Aproveitamos para repor nossos cantis e tirar fotos com os pedaços de gelo. Essa parte é muito linda, o vale com os morros de mata de araucárias, o rio e suas curvas e os campos formavam uma bela paisagem. Fomos subindo o rio e logo alcançamos uma pequena cachoeira e uma taipa de pedra logo acima formando um caminho de tropeiros e por ali seguimos dando uma grande volta para desviar a várzea do rio que formava um banhado e suas turfeiras. Logo adiante vimos 1 casa azul e 1 galpão passamos por ela e logo a frente no vale havia um morro isolado, pelas minhas contas ali deveria ser o cemitério. Uma subida íngreme e logo no topo já vimos um quadrado de taipa e ali estava o cemitério, haviam 3 túmulos com cruz, uma lapide que não conseguimos ler e ao que parecia algumas covas abertas. Interessante imaginar um lugar inóspito daquele que outrora pessoas moravam ali em um passado não muito distante, mas longe da civilização. E tinham que ali mesmo enterrar seus entes queridos, escolheram um belo lugar para ser os Campos Elíseos destas pessoas.





      Logo descemos a encosta em direção ao rio canoas e dali iremos a leste para alcançar as bordas da Serra Geral. Naquela altura quando atravessamos o rio canoas ele era tão límpido e cheio de plantas aquáticas, uma pintura natural. Subimos uma pequena encosta e por acaso encontramos a trilha dos índios que liga a Anitápolis, dali subimos uma pequena mata e já no topo paramos para almoçar e contemplar a vista. O dia estava lindo e podia ver o horizonte bem longe, sendo possível ver a serra do tabuleiro e o contraste do mar mais a sudeste. Depois do almoço fomos bordeando os peraus tendo o Morro do Campo dos Padres na nossa direção e mais a noroeste o Morro da Boa Vista que é o ponto mais alto de Santa Catarina onde iriamos acampar. Para alcançar o morro do Campo dos Padres tivemos que dar uma volta para contornar a mata e depois seguir por uma subida bem íngreme. Bem ao longe no colo onde ligava esse morro com o morro da Boa Vista avistamos 2 capatazes campeando o gado. Alcançamos o topo do morro e ficamos um tempo ali contemplando uma das vistas mais bonitas da trilha. Depois seguimos em curva de nível até o colo e em seguida partimos para cima do Morro da Boa Vista, neste momento o Rafa começou a ficar sem água e chegou até a coletar um pouco nas turfas, eu ainda tinha água dentro do meu teste de consumo e cozinha, e ofereci para ele um pouco caso precisasse.
       





       
      Já no topo vibramos pois éramos as pessoas mais “altas” em solo catarinense, localizamos o marco geodésico e ali ao lado acampamos com a porta das barracas virada para o nascer do sol, porem naquele momento presenciamos um lindo pôr do sol, tiramos muitas fotos e vídeos e ficamos curtindo aquele momento. Já dentro da barraca tratei de fazer meu ritual de limpar e secar os pés úmidos dos charcos e passar vick vaporub, um santo remédio para o montanhista já que serve para muitas coisas. Pela primeira vez na vida levei lenço umedecido e tomei meu banho de gato, gostei do resultado melhor que toalha úmida. Tratei logo de me vestir pois fazia muito frio aos 1827m de altitude. Nesta noite cozinhei uma invenção que fiz com sopão+arroz+bacon, porem o arroz não cozinhou o suficiente e o sopão já começou a empelotar, não gostei nada. Ainda bem que sempre levo como emergência 2 pacotes de miojo e tive que atacar um com linguiça frita e queijo ralado. Durante a noite sai para ver o céu, estava menos frio que a noite anterior, mas ainda sim muito frio, consegui ficar um bom tempo ali observando as constelações e algumas estrelas cadentes, também vi ao longe a luminosidade das cidades como da grande Floripa que formava um grande clarão a leste e a oeste uma área menor porem mais luminosa a cidade de Lages. Me recolhi ao aconchego da minha barraca e dormi. Acordei com o vento batendo forte na barraca, chegando até a entortar as varetas, mas a barraca segurou bem. Não dormi muito bem pois volte e meia acordava com o vento.




       
      5° Dia – Morro da Boa Vista – Arranha Céu – Morro da Bela Vista do Guizoni – Campos de Caratuva - 17km de trilha

      O vento batia forte na barraca, o céu estava bem nublado predizendo que o tempo estava mudando. Como montei a barraca a sotavento, pude deixar a porta aberta e curtir o nascer do sol no horizonte enquanto preparava meu café foi um alvorada fantástico mesmo com o céu nebuloso. Tomei meu delicioso café com brownie e pão sírio/queijo/salame a combinação perfeita e rápida para o desjejum.



      Logo em seguida desmontamos todo o acampamento. Nesse dia pude testar melhor uma pratica que encontrei para usar o banheiro de forma confortável e privativo (uma dica para as mulheres). A minha barraca Cirrus tem como desmontar o tapete e o mosquiteiro interno sem desmontar a lona do sobreteto e assim deixar o chão somente na grama. Desta forma com toda a mochila arrumada ficando somente o sobreteto e a armação por último, pude dentro da barraca mesmo pôr o meu jornal no chão com cal e dar uma cagada tranquila, depois só por mais cal em cima, embrulhar o jornal, por numa sacola plástica e aí dentro do tubostão. Usei um cano de pvc de 100mm com 2 caps nas extremidades e vedou muito bem, sem cheiro nenhum ou vazamento, tem na internet como fazer. Porem só achei um pouco pesado. Da próxima vez vou testar um pote de tampa larga e de rosca de 1l que tenho em casa, pois é bem mais leve e o volume é o suficiente para uns 4 dias de trilha.
      Saímos as 8h40 para a trilha o vento era muito forte e o sol já raiava, inclusive quando fui desmontar a lona ela quase sai voando. Nos protegemos bem e começamos a descida pelo colo do Boa Vista com o Morro do Campo dos Padres que é o divisor de águas do rio Canoas e do rio Itajaí, paramos numa pequena nascente e enchemos nossos cantis e seguimos bordeando a Serra Geral. Lá pelas 11h passamos pelo rio Campo Novo do Sul que corre aos pés do Morro Bela Vista do Ghizoni e demos uma parada para um banho rápido e gelado além de aproveitar que paramos fomos almoçar. Nesse momento o tempo voltou a nublar e esfriar. Depois deste descanso subimos até a rampa que dá acesso ao Ghizoni e deixamos nossas mochilas ali e demos uma esticada até o pico do Arranha Céu que estava na borda do Cânion que na outra ponta estava os Soldados do Sebold. Voltamos as mochilas e subimos mais uma rampa e deixamos a mochila novamente e caminhamos por 2h ida e volta no chapadão do Ghizoni por um grande charco de turfeira até subir os matacões do topo onde havia o marco geodésico, ali era o terceiro ponto mais alto de SC e o Morro da Igreja é o segundo.




      O tempo já estava piorando e voltamos até a mochila já passava das 16h e vimos que não alcançaríamos o objetivo do dia, pois quando olhamos ao longe vimos que iriamos cruzar a parte mais estreita do campo dos padres onde havia perau e Cânion para os dois lados, e tínhamos pelo menos 2 morros com mata para subir e cruzar. Conseguimos somente cruzar o primeiro que tinha uma trilha bem fechada com muitos caminhos de gado até chegar num ponto bem estreito com perau e uma antiga taipa utilizada para cercear o caminho do gado e não cair precipício abaixo. Chegamos em um campo que vimos lá do Ghizoni que tinha uma vegetação diferente, a princípio eu imaginava ser de vassourão, mas a tonalidade era outra, quando chegamos lá me surpreendi em constatar que eram o bambuzinho caratuva bem comum na região do Pico Paraná e que eu nunca tinha visto por essas bandas. Ali a cerração começou a fechar então decidimos já achar um lugar plano para acampar. Montamos nossa barraca bem ao lado da trilha que era bem demarcada e única. Não deu nem uma hora e caiu um temporal, era tanta chuva e vento que tínhamos que manter tudo bem fechado. Fizemos nossa janta nessa condição, uma das escolhas que fiz pela barraca cirrus foi o avanço um pouco maior para que me possibilitasse cozinhar em condições de chuva e vento e também espaço para 2 pessoas para que a cargueira ficasse dentro da barraca. Acabamos dormindo cedo nesse dia. Apesar que durante a noite levantei algumas vezes para conferir se estava tudo em ordem e seco na barraca, pois foi a primeira chuva torrencial que ela pegava, choveu a noite toda, e tudo se manteve seco. Passou no teste.
      6° Dia – Campos de Caratuva - Morro das Pedras Brancas – Localidade das Pedras Brancas -  BR 282 - 18km de trilha

      Lá pelas 7h a chuva parou, levantamos e já fomos tomando nosso café e desmontando as coisas. A trilha a nossa frente era um rio de tanta água, fomos secando o que dava na barraca para guardar na mochila e as 8h30 saímos e logo entramos na mata que estava muito molhada e fomos subindo o aclive em diagonal, era uma trilha bem batida na encosta que descia ao Cânion do Rio Campo Novo do Sul, havia muitas árvores caídas e quebradas por conta do ciclone bomba que havia atingido a região a uma semana atrás. Quando saímos no topo o sol já despontava meio tímido, mas a chuva já havia ido embora. Tinha uma bela vista do Morro do Ghizoni e do Cânion logo abaixo.


      E fomos seguindo pelos campos e cruzando algumas faixas de mata, banhados e turfeiras até chegar ao istmo como uma “ponte” de 5m de largura que ligava o campo dos padres até o Morro das Pedras Brancas, ultimo resquício de planalto ligado a Serra Geral. Já era 12h30 atrasamos meia hora pelas nossas contas, mas ainda sim estávamos muito longe do nosso destino final que era a BR 282 onde tínhamos combinado com nosso amigo Bernhard de o encontrar as 17h. Descemos a trilha íngreme aproximadamente 500m de desnível, nesse ponto o estrago do ciclone foi bem maior, a destruição era grande por toda a trilha. Alcançamos a estrada e fomos seguindo tendo o vale do rio Santa Barbara como caminho. Passamos pela comunidade das Pedras Brancas e precisávamos de sinal de celular e internet para avisar a todos que tudo estava bem e comunicar o Bernhard que estávamos ainda 1h atrasados. Aí passamos por uma propriedade que indicava “informações pousada do vô Chico” paramos ali e conhecemos o vô um senhor nascido ali e bem gente boa que nos emprestou a internet e nos deu uma carona até a estrada. Sorte nossa pois ainda havia uns 7 km a frente com subidas e descidas, mas uma estrada rural muito linda tendo sempre as Pedras Brancas ao fundo como destaque e o vale do Rio que vinha esculpindo um bonito Cânion. Chegamos a BR e encontramos nosso amigo e assim termina nossa pernada. Somamos 80 km de trilha no total





       


























    • Por edumcn
      Tudo bem pessoal, 
      Em fevereiro deste ano fomos para o Ushuaia, saindo de Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Foram 26 dias conhecendo as belezas da região. Descemos pela Rota 40 até o Ushuaia, e voltamos pela Rota 3. Tentei resumir nesse material as informações que muita gente está me perguntando. 
       
      Meu gasto total com gasolina foram R$ 2.600
      Gasto total da viagem R$ 7,000. (total 2 pessoas)
      Tem um pdf em anexo com o roteiro, abração
       



      Roteiro Patagônia- Fora de Àrea.pdf
    • Por Vivi Nakano
      Oi, amigos e amigas viajantes!
      Antes da pandemia fizemos um mochilão de carona em alguns países da América do Sul. Uma das primeiras partes da viagem foi conhecer Buenos Aires e descer até o Ushuaia (tudo de forma econômica e de carona!!).
      É possível ir inteiramente de carona? Sim! Nós fomos e foi demais. Na Patagônia argentina é muito comum as pessoas darem carona. A estrada para a cidade do fim do mundo é incrível, repleto de lugares diferentes, misteriosos, vários animais diferentes e muito mate. 
      Estamos postando alguns vídeos no YouTube sobre este trajeto e nosso mochilão, se você tiver interesse, dúvidas e curiosidades, fale com a gente, se inscreva no canal!!! Pegamos muitas dicas aqui no blog antes de cair na estrada, e queremos ajudar outras pessoas com este sonho. 
      O link do canal é este: https://www.youtube.com/channel/UC_s6lPHmcwshOyB8FlFNO0A
      Prazer! Sou a Vivi e meu parceiro de viagem é o Trumai :D 
      Qualquer dúvida nos envie mensagens no insta: @vivinakano e @trumaiii




    • Por Gerhard Jahn
      Fala raça!
      Tô felizasso em poder compartilhar essa experiência com vocês. Fiz o mochilão na companhia do meu irmão Kevin Jahn e minha cunhada Carol Jahn em janeiro/fevereiro de 2020, dormindo em barraca, hostels, AirBnB e até no chão do aeroporto (pra dar aquela emoção a mais).
      Apesar de ter sido uma das melhores experiências que já vivi, foi bem difícil planejar essa viagem, então espero que essas poucas informações iluminem quem está cogitando conhecer essa região. De início vou focar apenas nas questões mais relevantes (roteiro, custos e o que levei na mochila), e aos poucos vou relatando os acontecimentos da viagem, principalmente o trekking em Torres del Paine e El Chaltén.

       
      ROTEIRO
      Dia 1: 23/01/20 - Floripa > Santiago > Punta Arenas
      Dia 2: 24/01/20 - Punta Arenas > Puerto Natales - Conhecemos o Estreito de Magalhães pela manhã e em seguida pegamos o ônibus para Puerto Natales. Final da tarde compramos as comidas para TdP
      Dia 3: 25/01/20 - Puerto Natales > Torres del Paine - Ataque ao Mirador Base de las Torres, acampamento no Camping Central
      Dia 4: 26/01/20 - Torres del Paine - Travessia até o Valle del Francés, acampamento no Camping Italiano
      Dia 5: 27/01/20 - Torres del Paine - Ataque ao Mirador Fracés e travessia até o Camping Paine Grande, onde acampamos
      Dia 6: 28/01/20 - Torres del Paine > Puerto Natales - Acabamos ficando de molho no Camping Paine Grande até a chegada do catamarã
      Dia 7: 29/01/20 - Puerto Natales > El Calafate - Ficamos mais de duas horas na aduana Chile/Argentina, foram mais de 8 horas de viagem ao total
      Dia 8: 30/01/20 - El Calafate - Dia de conhecer o Glaciar Perito Moreno, não fizemos o Mini Trekking mas foi ótimo pra tirar um dia pra descansar
      Dia 9: 31/01/20 - El Calafate > El Chaltén - Chegando em Chaltén já fomos direto para a Laguna Capri montar acampamento, final da tarde fizemos um ataque ao Fitz Roy
      Dia 10: 01/02/20 - El Chaltén - Descanso na cidade
      Dia 11: 02/02/20 - El Chaltén > El Calafate - Chorrillo del Salto pela manhã e viagem de volta a Calafate após o almoço
      Dia 12: 03/02/20 - El Calafate > Puerto Natales > Punta Arenas - Chá de ônibus nesse dia
      Dia 13: 04/02/20 - Punta Arenas > Santiago > Floripa

      TOTAL GASTO: R$ 4700,00 (joguei o valor um pouco pra cima porque posso ter esquecido de algo)
      Os valores estão por pessoa e na moeda utilizada no momento da compra.
      DESLOCAMENTOS: R$ 3.526,00.
      Passagem aérea ida/volta + seguro viagem + bagagem de mão + cargueira despachada + assento reservado + taxa de embarque: R$ 2760,00 pela LATAM, de Floripa à Punta Arenas com conexão em Santiago.* Ônibus Punta Arenas-Puerto Natales ida/volta: CLP $ 15.000,00 Ônibus Puerto Natales-Torres del Paine ida/volta: CLP $ 16.000,00. Transfer Guarita-Camping Central: CLP $ 3.000,00. Catamarã Camping Paine Grande-Guarita: CLP $ 23.000,00. Ônibus Puerto Natales-El Calafate ida/volta: CLP $ 34.000,00. Ônibus El Calafate-El Chaltén ida/volta: ARS $ 2400,00.  Van El Calafate-Perito Moreno ida/volta: ARS $ 1200,00. *Pelo meu monitoramento só o valor da passagem variou na época entre R$ 1900,00 a R$ 2400,00. Comprei com três meses de antecedência e confesso que há uma semana antes da viagem o preço ainda estava na mesma faixa.
      HOSPEDAGENS: R$ 506,00.
      Puerto Natales 
      Hostel Bella Vista: R$ 55,00 c/ café da manhã e aluguel de equipamentos de trekking, inclusive ganhamos de presente um gás da host Ni Torres del Paine (vou detalhar melhor no tópico exclusivo de TdP) Camping Central: USD $ 21,00. Camping Italiano: Free, grátis, na faixa. ~não recomendo Camping Paine Grande: USD $ 11,00. El Calafate
      Airbnb Groovy Dooby Doo: R$ 59,00. ~não recomendo El Chaltén
      Camping Laguna Capri: Free, grátis, na faixa. Hostel Rancho Apart: ARS $ 1250,00, quarto compartilhado. *valores por noite
      **foram 10 noites, na primeira passamos no avião e na última no chão do aeropoto.
      ENTRADAS: R$ 200,00.
      Entrada do parque Torres del Paine: CLP $ 25.000,00. Entrada do parque Los Glaciares - Perito Moreno: ARS $ 800,00. ALIMENTAÇÃO: R$ 350,00.
      Restaurante no Chile: em torno de CLP $ 3.500,00. Restaurante na Argentina: em torno de ARS $ 600,00. Mercado para Torres del Paine: CLP $ 6.600,00. Mercado para Fitz Roy: ARS $: 660,00. Compras nos aeroportos, rodoviárias, snacks, frutas e etc. COTAÇÕES
      R$ 1,00 = CLP $ 190,00 (Aeroporto de Santiago) R$ 1,00 = CLP $ 170,00 (Punta Arenas) R$ 1,00 = CLP $ 165,00 (Puerto Natales) R$ 1,00 = ARS $ 16,50 (Restaurante Casimiro em El Calafate, apesar de ter a melhor cotação de Dólar, Euro e Real, aqui é clandestino devido aos problemas políticos-econômico da Argentina)  
      VESTUÁRIO E EQUIPAMENTOS
      O segredo é focar em roupas e equipamentos apropriados para a região. A fama da Patagônia ter uma instabilidade climática não é um exagero, tu literalmente vai viver as quatro estações e todos os tipos de condições em um único dia.
      O que eu levei na minha mochila Forclaz Trek 900 50L + 10L:
      1x Calça modular - Tecido de secagem rápida e que não propagada corte 1x Fleece (0 a 7 ºC) - Uso um com zíper pra ser prático e ajudar a regular a temperatura corporal 1x Jaqueta impermeável (2000 mm) corta vento - Conhecida também como anorak, acabou passando a água em uma das tempestades em TdP 1x Calça segunda pele técnica - Usei a viagem toda, até por baixo dá bermuda 2x Blusas segunda pele - Uma técnica pra caminhada e uma mais quente pra dormir 1x Calça impermeável (2000 mm) - Precisei usar em vários momentos 3x Camisetas curtas Dry Fit - Acabei usando só duas 4x Cuecas de Microfibra  - Secagem muito rápida, foi excelente 2x Meias técnicas de trekking - Nunca tinha usado e fez muita diferença, deveria ter levado pelo menos 4 1x Meia térmica - Usei apenas pra dormir e foi muito bom para deixar as outras respirando 1x Bota de trekking impermeável - Confesso que a minha segurou a água mas a palmilha e solado eram fracos, sugiro comprar uma palmilha boa 1x Havaianas - Usei pra tomar banho, no avião e nas cidades (BRASIIIIIL) 1x Bermuda de banho - Usei bastante nos hostel, todos lugares tem calefação então sugiro levar algo curto pra dormir 1x Luva de fleece para trekking - Usei poucas vezes, somente quando chovia nos lugares mais frios de TdP 1x Protetor de orelha de fleece - Baita acessório, ajuda até pra dormir quando ainda tem luz 1x Cachecol - Acabei usando só pra dormir em virtude do meu saco de dormir ser patético 1x Touca de lã - Usei uma vez, protetor de orelha já resolve 1x Toalha de Microfibra - É item obrigatório, já uso há anos 1x Mochila de ataque 30L - Usei muito pra fazer compras, lá não tem sacola plástica 1x Bastão de trekking - Recomendo dois, a grande maioria das pessoas utilizava um par 1x Shoulder Bag - Ideal pra levar documentos e dinheiro, já tinha costume de usar nos acampamentos em Floripa, pra não deixar nada na barraca dando sopa 1x Barraca de trekking - Uso a Quechua Quick Hiker 2, tenho um vídeo falando sobre ela 1x Saco de dormir para 15 ºC - Não morri mas não passei bem haha sugiro um para 0 ºC 1x Isolante térmico - Uso um egg crate Nature Hike, é importante que o isolante seja bom, foi o que me salvou 1x Kit cozinha - Não pode levar o gás no avião 1x Lanterna de cabeça - Quase não usei porque escurece tarde (22:00) e amanhece cedo (05:00) 1x Kit Primeiro Socorros - Aconselho a levar medicamentos específicos, como antibióticos dose única, antitérmico, anti-histamínico, relaxante muscular 1x Silver Tape - Não usei, mas aconselho levar porque dá pra usar até pra tapar rasgos em roupas. 1x GoPro Hero 7 Black + Bateria extra + Carregador Duplo externo + Micro SD Card extra - Sou fã de GoPro, acho muito útil num lugar como esse que chove toda hora 1x Power Bank 20.000 mAh - Usei muito, apesar de ter entrada USB nos ônibus e tomada em alguns campings
      RESERVAS EM TORRES DEL PAINE
      http://www.conaf.cl/parques/parque-nacional-torres-del-paine/ (camping gratuito)
      https://www.verticepatagonia.cl/home (lado esquerdo do W)
      https://www.fantasticosur.com/en (lado direito do W)
      PASSAGENS DE ÔNIBUS
      https://www.bussur.com/
      https://www.recorrido.cl/ 
      http://www.busesfernandez.com/ 
       
      Espero que a leitura tenha sido útil, logo menos continuo o relato.
      Abraço a todos,
      Gerhard Jahn.
       


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