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Wesley Felix

Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)

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Mochilão

 

Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)

 

“Não tenha medo de morrer feliz, tenha medo de viver triste”. – (Jeison Morais)

 

Porque mochilão? Quando disse para minha família e amigos que iria fazer uma viagem com uma mochila cargueira nas costas ao invés de malas, sozinho, pelo Peru, Bolívia e Chile, e sem data pra voltar, a grande maioria duvidou que eu realmente a faria, essa maioria também questionou os destinos escolhidos e o restante embarcou na ideia dizendo o quanto isso era incrível e como gostariam de fazê-lo, quando retornei alguns quilos mais magro e moreno de sol, mas com aquele brilho nos olhos que só quem viveu um mochilão conhece, o que ouvi de todos foi o quanto era corajoso, louco e como devia ter sido incrível toda a experiência.

Acho que pra embarcar em um mochilão nós temos que estar em um modo diferente de ver o mundo e creio que todos os mochileiros, independente do nível de experiência, irão fazer uma mesma constatação, essa forma de viajar única vai te colocar em situações frequentemente mais desafiadoras que outras, em contato com pessoas reais em seus ambientes reais, e se você não estiver minimamente conectado e inclinado psicologicamente para isso, toda a experiência será muito frustrante. Penso que qualquer pessoa pode ser colocada em uma viagem de luxo em um cruzeiro internacional e com um mínimo de disposição será maravilhosa essa experiência, mas nem todo mundo pode fazer um mochilão se não estiver realmente disposto a experimentar o que isso significa. Definitivamente mochilão não é pra gente fresca.

O meu primeiro mochilão, mesmo que ainda não tivesse noção que o era, aconteceu por um acaso no começo de 2017 em um relato que já postei aqui no site e vocês podem conferir no clicando no link Conhecendo Manaus, através dele creio que também terão uma noção melhor de quem sou e como essa viagem foi importante pra adquirir uma nova visão de mundo que desembocou nessa aventura pela América do Sul.

Antes de prosseguirem devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, e seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, depois faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, em território boliviano tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro durante um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente, a viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, quanto ao dinheiro, esse não teve salvação, foi todo e a viagem não poderia ter sido melhor, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de três meses findados o mochilão, não alteraria em nada do que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento, obvio que as coisas podem sair do rumo esperado, faz parte, mas se seguir as dicas de todos os mochileiros decentes que conheço e conheci, as chances de dar errado são mínimas, quanto a mim só posso agradecer ao universo, Deus, aos deuses, a sorte e o que mais acredite por ter colocado pessoas tão incríveis no meu caminho e por tudo ter dado tão certo, desde antes da viagem, quanto durante ela.

Durante o relato vou tentar descrever os passeios, locais de visitação, meios de transporte, custos e sempre que necessário, em separado, as dicas e macetes que achei úteis.

Também pretendo publicar um livro, a parte, com detalhes do mochilão mais voltados para as experiências e pessoas que conheci durante essa viagem, quando tiver concluído, pra quem tiver interesse, aviso com mais detalhes, nele deverão estar presentes todas as informações que vou passar neste relato pro Mochileiros, mas como o que nos interessa aqui são informações mais voltadas para custos e dicas do que sensações em si, lá vamos nós.

 

GRATIDÃO E PLANEJAMENTO

 

Com o acesso a internet e a vários sites e grupos online de mochileiros que compartilham seus relatos e experiências de viagens, ficou muito mais fácil planejar um mochilão para qualquer destino já percorrido por alguém neste planeta. Quando estava na fase de me maravilhar com os relatos, a ideia inicial era ir de ônibus percorrendo toda a costa oeste do Brasil até o sul, e prosseguir pelo Uruguai, cruzar a Argentina e por fim subir o Chile até o Atacama, neste primeiro momento o Chile seria o único destino de parada, tendo apenas as paisagens dos outros dois países sul americanos como complemento da viagem – aqui início os meus agradecimentos, primeiramente ao @Gedielson quem fez esse percurso e depois um relato repleto de detalhes além da disponibilidade de outras informações nos comentários, gratidão a ti mano, a diferença é que ele saiu do sul do Brasil – depois de adiar o mochilão já no começo do ano acabei por encontrar outro mochileiro aqui no site, o @Diego Moier, um parceiro muito solicito que iniciou suas postagens sobre um famigerado roteiro pela Bolívia, Chile e Peru, no começo de junho, nesse momento já havia adiado duas das três vezes minha viagem remarcando tudo para agosto, de maneira que pude acompanhar ansioso cada postagem que o Diego fazia sobre sua jornada, a partir de então meus planos se alteraram completamente, e um novo roteiro começava se desenhar na minha mente, meu mochilão estava apenas começando. Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui, espero poder contribuir e inspirar alguém também em fazer algo incrível como mochilar haha, e antes de prosseguir peço desculpas pelo atraso em começar a postagem, mas depois que a gente larga tudo pra viajar, ainda tem uma vida repleta de boletos nos esperando, mas prometo fazer as postagens o mais rápido possível a partir de agora.

Durante semanas parte do meu tempo livre se resumia em ler e buscar informações dos destinos que pretendia percorrer pela viagem, as informações que não tinha no relato dos meninos eu ia buscando em outros relatos, e acredite, relatos super detalhados e repletos de dicas é o que não faltam na rede, agradeço mais uma vez todos que desbravaram não só novos territórios físicos e geográficos como também compartilharam suas experiências na internet, sem vocês tudo teria sido muito mais difícil e talvez nem ocorrido teria, então muito obrigado. Voltando do momento gratidão, a síntese pra quem se dispõe a cair na estrada é ter uma boa operadora de internet para poder navegar e encontrar muita informação e conselhos detalhados de gente que já fez esses percursos, eles são uma base segura para montar sua viagem e planejar os roteiros, passeios, gastos com alimentação, costumes, dicas de lugares para comer, dormir, se divertir, o que levar, o que não levar, cuidados que se deve ter e muito mais, e mesmo que tenha preguiça de ler tudo, lhe garanto que a fase de se maravilhar vai te impedir de fazer outra coisa que não ler e ler e reler todos os relatos e dicas que possa achar.

Viajar por países andinos, em qualquer época do ano, vai lhe exigir o mínimo de roupas de frio, como moro na Amazônia brasileira, roupas de frio é item em falta em meu guarda roupas, então, se esse também for seu caso, comece por uma lista de roupas que irão te livrar de virar um picolé brasileiro em terras estrangeiras, o segredo para isso é se vestir em camadas, no mínimo um conjunto segunda pele térmica, depois uma blusa de frio fleece e por ultimo uma jaqueta corta vento, três camadas devem ser suficientes para enfrentar até menos dez graus que foi a temperatura mais baixa que enfrentei durante a viagem e estou aqui com todos os dedos para contar a história, no entanto é possível que enfrente temperaturas ainda mais baixas dependendo da estação do ano, no mais a sensação de frio varia de pessoa pra pessoa, então nesse caso menos não é mais. Por outro lado um mochilão, apesar do nome no aumentativo, não é uma mala nem um mini guarda roupas, poucas coisas cabem dentro dele, ainda mais se tratando de roupas de frio que tendem ser mais volumosas, assim sendo, é importante que tenha bom senso na hora de montar sua lista e mais bom senso ainda na hora de montar seu mochilão e não se preocupe, ao final da viagem você vai ver que não precisava ter levado tudo que colocou nele, não porque irá adotar o habito de algumas nações de não tomar banho todos os dias – e não estou falando dos sul americanos –, e sim porque há serviços de lavanderia em boa parte dos hostéis ou cidades por onde vai passar, então não compensa carregar metade de seu guarda roupas nas costas. Leve roupa pra passar de uma a uma semana e meia, isso deverá ser o suficiente para se virar, até porque repetir roupas é algo mais que comum nestas viagens o importante será passar pelo teste do olfato, se aprovado, é o que tem até o próximo banho.

Por isso é importante ter noção de para onde se está indo, em qual época, os passeios que pretende fazer, é nesta base que poderá montar sua mochila, de forma eclética, talvez não tenha pretensão de ir para um lugar frio, mas vai que durante a sua passagem o tempo mude e a temperatura caia para menos vinte célsius, é bom ter aquele agasalho que sua mãe tanto fala, tudo bem que você vai morrer de qualquer jeito, mas vai morrer mais quentinho pelo menos.

Como tinha pretensão de fazer alguns trekkings, e pelo menos um ao certo, investi em um coturno impermeável, não façam isso, pelo menos não de última hora, hoje ele está muito confortável, mas durante a viagem eu amaldiçoei cada segundo do momento que tive a ideia de compra-lo, além do que, mesmo que não impermeáveis, existem calçados mais apropriados para trilhas que um coturno – a menos que você seja um militar e assim como eles muito mal pagos pra sofrer – aconselho que invista até mesmo em um bom tênis de corrida e caminhada que será mais confortável e inteligente, uma vez que o outro calçado que levei foi um tênis já bem gasto com o qual fazia minhas caminhadas pela cidade e foi ele quem me salvou de ter um ataque do coração, acabou que só usava o coturno quando estava me deslocando em algum transporte entre as cidades porque se coloca-se no mochilão teria que me livrar de três quartos das minhas roupas, risos de raiva.

Mas antes das roupas e calçados, antes de pensar em viajar, tenha sempre em dias seus documentos atualizados e prontos, já havia tirado meu passaporte um ano antes e foi este documento que usei para sair do Brasil – mesmo que atualmente a maioria dos países sul americanos exijam apenas a carteira de identidade com menos de dez anos de expedição, o passaporte é o melhor documento para viagens – também é importante ter conhecimento das condições necessárias para entrada e/ou permanência nos destinos escolhidos, para tanto o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, disponibiliza na web uma pagina onde constam os documentos e procedimentos necessários, como documentos exigidos, necessidade de visto e moeda, vacinação, alertas para turistas, entre outros, esse tipo de planejamento é muito importante porque a retirada de documentos geralmente ocorre de forma lenta em determinadas regiões do país, como a minha por exemplo e pode atrasar sua viagem em meses. No mais é importante ter em mente que as atualizações referentes a procedimentos de entrada em outros países se alteram com frequência, por isso é importante estar sempre de olho em possíveis mudanças como a necessidade de vacinação para entrar em outras nações, quando exigido, a comprovação só é feita através do Certificado Nacional de Vacinação, documento expedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em seus escritórios regionais e locais, mas é possível que nem todo município disponha do serviço, o mesmo vale para a confecção de passaportes e vistos.

Tendo os documentos prontos é importante também pensar em ter uma cobertura mínima em caso de possíveis problemas, ter seguros de toda espécie é uma boa opção, mas um fundamental é o seguro saúde uma vez que em terras estrangeiras qualquer procedimento que exija atendimento hospitalar vai lhe custar muito dinheiro fora a medicação e outros possíveis gastos, então invista em uma cobertura deste tipo tendo em vista os lugares em que vai se aventurar e passeios que pretenda fazer. Hoje existem diversas opções de bons planos que fornecem uma ótima cobertura com valores bem acessíveis a todos os bolsos e gostos, e lembre-se, ninguém pensa em morrer – bate na madeira – mas se ficar doente no exterior já é ruim, partir pra outra é ainda pior, o custo e burocracia são infernais, claro que não estará aqui para ver isso, mas em muitos planos um auxilio translado também está incluso no preço final, por isso olhe bem tudo que está incluso e compare, tem planos com mais opções e preços mais baixos, basta pesquisar.

Pra terminar seu planejamento, você irá necessitar de uma mochila de ataque, certamente você a carregará na frente enquanto estiver com seu mochilão e é nela que estarão seus itens de higiene pessoal, acessórios e eletrônicos, remédios, tipo uma farmácia mesmo e umas roupas básicas pra sobreviver, e comida, e água, e lenços umedecidos, e acho que é só, então segue uma lista do que eu levei pro meu mochilão, aqui não vou passar os valores porque nesse quesito o que conta é a pesquisa e disponibilidade de produtos e serviços que terão, já falei que moro no norte, então só de frete pra cá se vai metade dos custos dos produtos, quando não mais.

Haaaa, acaba que minha lista ficou mais enxuta que a lista em que me baseei, @Diego Moier pra variar, então vale muito ler o relato dele e de quem inspirou ele também, porque se fores alguém mais detalhista, a lista deles é bem mais completa, no mais eles tem boas dicas referentes a moeda, dindin, dinheiro mesmo, uma vez que eles levaram dólar para aumentar o poder de negociação, já eu levei apenas nossa desvalorizadíssima moeda nacional na época (no auge da campanha eleitoral), e apenas reais, nada de cartão de credito internacional, cartão pré-pago ou qualquer outra forma de dinheiro, unicamente porque as taxas pra sacar ou usar essas formas de pagamento no exterior são muito ruins para nós, então preferi tentar a sorte e trocar moeda nas casas de cambio de lá mesmo, pra quem puder trocar reais por dólares antes da viagem, a depender da cotação, é sempre bom, pois é a moeda forte em qualquer lugar, assim como o euro, quanto as outras formas de pagamento/dinheiro, é recomendável ter uma outra opção em caso de furto ou roubo, mas nesse quesito ao menos os países que visitei são muito mais tranquilos e seguros que o Brasil, no mais se tu não for assaltado aqui não é lá que será, apesar da infinidade de golpes que aplicam contra turistas, tem que ficar de olhos bem abertos todo o tempo.

 

DOCUMENTOS:

Passaporte, Carteira de Identidade, Certificado Internacional de Vacinação e vou incluir aqui o Seguro Viagem.

 

Dica: Caso tenha feito reservas de hospedagem e outros serviços como seguro saúde, leve os comprovantes impresso e também tenha registros dos documentos e comprovantes em formato digital no celular e e-mail.

 

OBJETOS:

01 Mochila Náutica 60 l (recomendo, é muito boa e saiu por uns R$ 350,00 no Mercado Livre).

01 Mochila (para notebook, com três compartimentos, ela serviu como mochila de ataque);

01 Celular, cartão de memória, carregador e fone de ouvido (que também serviu como câmera, mas se puder invista em uma câmera profissional, a menos que o seu telefone seja o top das galáxias fotográficas);

01 Money Belt (também conhecida como doleira, para guardar seus trocados e documentos junto ao corpo e não largar nunca);

01 Cadeado (pelo menos um);

01 Lanterna (não usei, mas é útil a depender do roteiro, como subir as escadarias para Machu Picchu ainda de madrugada ou trekkings noturnos);

01 Pasta (para guardar todos os papéis possíveis e impossíveis que estou encontrando agora);

01 Caderno e caneta (gosto de escrever e desenhar).

 

CALÇADOS:

01 Coturno Impermeável (já falei sobre isso);

01 Tênis (também já falei);

01 Chinelo de dedo Rider (depois quero receber pelo merchandising).

 

ROUPAS:

01 Toalha de banho (se puder invista em uma de secagem rápida, microfibras);

01 Toalha de rosto;

07 Pares de meias;

01 Sunga;

12 Cuecas;

02 Calças jeans;

01 Bermuda jeans;

01 Bermuda moletom;

06 Camisetas (03 foram suficientes);

02 Camisetas de manga longa;

01 Conjunto segunda pele térmica;

02 Blusas fleece;

01 Jaqueta corta vento;

02 Calças moletom (se puder invista em uma corta vento);

01 Capa de chuva;

01 Óculos de sol (invista em um bom);

01 Par de luvas de frio, 01 gorro e 01 boné;

01 Cachecol e 01 Meia de lã grande (comprei durante a viagem para travessia do salar);

 

ITENS DE HIGIENE PESSOAL OBRIGATÓRIOS E ESSENCIAIS:

Escova, pasta de dentes e fio dental;

Lenços umedecidos (não sei como vivi sem saber da existência deles até esse mochilão, e sim eles irão salvar sua vida, ou a vida dos seus companheiros pelo menos);

Sabonete e shampoo;

Hidrante corporal e hidratante labial;

Protetor solar;

Desodorante e perfume;

Pente e creme para pentear (a menos que seja careca);

Papel higiênico.

 

Dica: não é necessário entupir sua mochila de ataque com muitos e grandes itens, você poderá compra-los nas cidades que passar, mas em geral esses itens são muito mais caros principalmente no Chile e Argentina, se comparados aqui com o Brasil, leve apenas o básico e se for necessário compre algo por lá.

 

REMÉDIOS:

Algo para diarreia (tendo em vista a quantidade de reclamações, principalmente na Bolívia);

Algo para o fígado (caso houvesse uma infecção intestinal e necessitasse dar uma ajuda ao nosso órgão responsável por eliminar toxinas);

Algo para azia e má digestão (já percebeu que o medo com as comidas internacionais foi grande);

Algo para febre, dor de cabeça e gripe (três em um mesmo);

Algo para dor muscular (além de comprimidos, também comprei na forma de emplasto);

Curativos (curativo adesivo, esparadrapo e gaze);

E algo para amenizar o mal da altitude, o famoso soroche.

 

Dica: De todos os itens da minha farmácia particular, não usei nenhum dos relacionados para o estomago, no entanto eles serviram para uma companheira de viagem no Atacama, ela passou muito mal e os remédios ajudaram a aliviar os sintomas, os restantes foram todos usados, adicionados uma aspirina (ácido acetilsalicílico - ASS) que comprei no Chile em virtude de uma inflamação nas amidalas, e deu pra quebrar o galho até chegar ao Brasil.

Quanto ao usado para o mal de altitude, o escolhido foi o Diamox, seguindo algumas dicas de outros mochileiros, no meu caso tive que parar de usa-lo no terceiro dia, pois estava me fazendo muito mal, talvez seja mais aconselhável o uso de pastilhas que são vendidas no Peru chamadas Sorojchi Pills e que prometem resolver o problema, como são indicadas especificamente para essa finalidade, é melhor que o Diamox que pode ajudar a combater o soroche, mas não foi feito para essa finalidade.

Por fim, automedicação não é algo a ser recomendado ou encorajado, fármacos podem gerar efeitos colaterais adversos, por isso passe em um médico ou no mínimo converse com um farmacêutico sobre alguns remédios para melhorar a imunidade e ajudar em possíveis casos de adversidade na viagem.

 

APLICATIVOS:

Com poderosos smartphones temos a mão uma infinidade de aplicativos que podem potencializar as experiências de viagem, no meu caso, o Windows Phone não mantem uma boa e atualizada base dos mesmos, mas se você possui sistemas mais comprometidos com seus usuários vai encontrar bons apps para facilitar sua vida no mochilão.

 

Booking / HostelWorld (para descobrir hostéis e hotéis com preços bons e avaliações de usuários);

Maps Me / Mapas da Microsoft (com eles você baixa mapas que poderão ser usados off-line, possuem boa precisão e riqueza de detalhes e informações como pontos turísticos, acomodações, restaurantes, avaliações de usuários, etc.);

Google Tradutor (dispensa apresentações, o app possui uma série de funcionalidades muito uteis pra quem ainda não domina completamente outros idiomas);

TripAdvisor (pra quem procura detalhes de pontos turísticos a partir da interação dos usuários, considero o app mais confiável);

Dropbox / Google Drive / One Drive (apps para backups, e sim, você pode acidentalmente entrar com celular em um lago salgado no meio do Atacama e perder tudo, mas se tiver salvado na nuvem, pelo menos suas fotos estarão preservadas);

Skyscanner / Google Flights / Rome2Rio (esses apps são para quem busca passagens aéreas principalmente, o Rome2Rio também indica passagens de ônibus, trem e barcas e vem cheio de informações como horários, itinerários e preços);

Oanda / XE Currency (apps gratuitos para conversão de moedas);

Movit / Citymapper (te mostra às linhas e itinerários de trens, metrô e ônibus e qual é o caminho mais rápido pra chegar ao seu destino, tendo aplicação em mais de 1.000 cidades deste mundão velho de meu Deus);

Mochileiros (app aqui do Mochileiros.com que disponibiliza os relatos e o fórum pra conversa com outros viajantes).

Ainda existem outras infinidades de apps, como os de hospedagem nas mais variadas formas, Airbnb, Gamping, Couchsurfing; para encontrar companhias de viagem, no caso o Tourlina é apenas para as meninas que estão na estrada, já o Tongr é para uma maior interação com os locais, enfim apps não faltam, pena nem sempre estarem disponíveis em todos os sistemas operacionais.

 

Com tudo pronto, partiu mochilão.

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Em 25/01/2019 em 13:24, Pinnng disse:

Estou acompanhando, vê se não demora rsrs

 

Abs

Obrigado por acompanhar @Pinnng, vou fazer o possível pra postar a cada três dias, assim consigo concluir em mais duas ou três semanas semanas tudo, forte abraço.

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PLAY

 

Antes de prosseguirem, devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, depois seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, então faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, atravessando o Titicaca e já em terras bolivianas tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro pelo período de um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente.

A viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de meses findados o mochilão, não alteraria em nada o que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento que tudo ficará muito mais seguro e fácil.

Foi na manhã de 13 de setembro, uma quente quinta-feira, que acordei decidido, comprei minha mochila de ataque, já que a quê escolhida na internet ainda não havia chegado – acabei comprando uma mochila porta notebook com três repartições, uma para os remédios, a outra para os produtos de higiene e a maior para roupas, minha pasta de papéis e documentos além do caderno –, como a previsão de entrega dela e de outras duas blusas de frio estavam marcadas apenas para a próxima semana, resolvi que aquele seria o dia de iniciar o mochilão, pois cada vez mais as chances de pegar Machu Picchu sem chuvas diminuíam e tinha data marcada para estar em Santiago, ao chegar em casa foi o tempo de montar o mochilão e a mochila seguindo uma lista já determinada em outros relatos, tomar um bom banho, recontar o dinheiro e colocar na doleira presa ao corpo, calçar o coturno ainda bem desengonçado e pedir pro meu irmão me levar até a rodoviária logo após o almoço. Enquanto ele dirigia, e só nesse momento, bateu aquela incerteza e eu exclamei em voz alta:

- Mano o que eu estou fazendo!

O coração deu aquela acelerada básica, mas meu sorriso não conseguia desaparecer dos lábios, acho que no fundo, sabemos que é algo pleno, realmente mochilar é único e incrível.

Cheguei à rodoviária por volta das 13h30min, o objetivo era pegar o primeiro ônibus rumo a capital Porto Velho, tinha que parar por lá para pegar um embrulho com uma amiga, nele estavam minha jaqueta corta vento, o gorro e as luvas – como só na capital tem uma loja física de uma grande rede de produtos esportivos no qual fiz o pedido pela internet, e a retirada na loja incluía frete grátis e rápido, já entenderam a escolha, – achei que conseguiria arranjar tudo até as 21h00min no máximo, quando pretendia sair de Porto Velho rumo a Rio Branco e de lá em outro ônibus rumo a Assis Brasil, divisa com o Peru, de Assis iria para Iñapari de moto-táxi e de lá para Porto Maldonado, aonde em outro ônibus chegaria a Cusco ao amanhecer, (esse roteiro de Rio Branco para Cusco vou explicar com detalhes só ao fim do mochilão, porque meus planos se alteraram completamente).

Extremamente ao contrário do que ocorre com frequência, não havia ônibus saindo com horários quase imediatos para a capital, o próximo ônibus só sairia às 15h30min e era o que fazia o percurso mais longo por conta das paradas, muito bem, as coisas ainda não estavam completamente perdidas, pois de Rio Branco para Assis poderia pegar um táxi e conseguiria compensar o tempo perdido. Quando cheguei à capital eram 22h30min, mandei mensagem pra minha amiga e nada, ela estava em um tratamento onde os remédios muito fortes a faziam apagar por completo, tinha a opção de seguir sem os produtos e sem minha identidade, que tinha deixado com ela para poder fazer a retira na loja, ou esperar e esperar e esperar mais um pouco, e foi o que eu fiz. Não posso dizer que dormi na rodoviária, mas quase, quando amanheceu só consegui falar com minha amiga as 07h00min, as 07h20min estava na casa dela pegando tudo e já retornei pra rodoviária, antes passei no banco pra fazer um depósito de R$ 400,00, já prevendo que precisaria ter alguns centavos na conta pra quando voltasse ao Brasil, olha um quase planejamento ai de novo, mas acho que era mais instinto mesmo.

Pois bem, ainda durante a noite tinha avaliado a situação, eram duas opções coerentes e uma nem tanto, na primeira poderia seguir para a fronteira e pousar por lá mesmo, uma vez que só chegaria a Assis Brasil a noite, então seguiria para o Peru e depois Cusco onde deveria chegar apenas no sábado pelo anoitecer, algo do qual não me atraia nem um pouco, não só por ser de noite, mas também, pelo fato de ter que excluir parte das cidades que queria conhecer no Peru e Bolívia, uma vez que tinha data certa para estar em Santiago e a perda de alguns dias com o atraso em começar a viagem já me tinham feito cortar Ayacucho, Puno e Potosí do roteiro original, agora teria que novamente readaptar o roteiro e cortar alguns dias em La Paz ou no Atacama, detalhe, se quer havia comprado as entradas para Machu Picchu, pois esperava deixar para ir à cidade perdida dos incas nos dois últimos dias, dos nove, que pretendia ficar em Cusco. Mas isso era muito arriscado, porque em determinadas épocas do ano há uma grande procura pelos bilhetes que também são vendidos pela internet, e há um limite diário de pessoas que podem adentrar a cidadela junto com uma das montanhas – que era meu objetivo – se quer uma noção, os bilhetes para subir conjuntamente a montanha de Machu Picchu já estavam reservados até o mês de outubro, só restando à possibilidade de encontrar ingressos conjunto para Huayna Picchu.


Dica: Desde o começo deste ano, 1 de janeiro de 2019, novas regras entraram em vigor para a entrada em Machu Picchu e arredores, por isso informe-se antes da viagem em sites e relatos atualizados, pois essas mudanças ocorrem frequentemente, logo um relato de dois ou três anos atrás talvez não sirva mais como base para conseguir os ingressos e  acessar a cidadela e arredores, neste link do site Viaje na Janela há informações das mudanças recentes, vale muito a pena conferir.

 

A segunda opção, ainda dentro dessa lógica, era chegar a Cusco pela manhã de domingo, mas ao invés de ir trocando de ônibus e parando em Rio Branco, Assis, Iñapari e Porto Maldonado até chegar a Cusco, poderia esperar até as 22h00min e pegar o Expresso Ormeño, um ônibus que sai do Rio de Janeiro e corta o Brasil de leste a oeste passando por Rondônia e Cusco até parar em Lima, é a mais longa viagem de ônibus do mundo, no entanto ainda há poucas informações por parte da própria empresa que é peruana, e que possui poucos guichês em rodoviárias pontuais apenas, Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco, sendo que em Porto Velho não consegui localizar o espaço físico deles, apenas o número para contato, também a uma Pagina no Facebook e o home page com domínio peruano, ainda assim os relatos que li sobre a empresa e as condições da viagem não eram os mais favoráveis, acabou que nem segui adiante com a ideia de pegar o ônibus, por isso não posso detalhar sobre valores, condições e nem sobre a estrutura da viagem.

A terceira e última opção era a mais absurda e coincidentemente atrativa para mim, antes de detalhá-la vou me justificar, nessa altura estávamos acabando de iniciar a campanha eleitoral e o dólar subia a galope desvalorizando ainda mais o real, meu único compromisso fixo era em Santiago, não havia comprado os ingressos pra Machu Picchu, e já estava batendo de ombros para a época de chuvas, e por fim, ao invés de começar minha viagem pelo Peru agora teria a opção de terminar ela por esse país, assim não precisaria cortar as cidades que tinha listado e conseguiria fazer um percurso de volta para o Brasil, mais ou menos de forma triangular, ao invés de uma linha não reta, mas que findaria em Santiago e de lá teria que me virar para voltar e certamente não teria dinheiro para isso, a solução era óbvia, se ao invés de iniciar minha viagem pelo Peru eu o fizesse pela Bolívia, eu resolveria todos os problemas de uma única vez, e por acaso, uma semana antes essa possibilidade se tornou viável, mesmo que se quer eu a cogitasse então. Em uma das pesquisas sobre La Paz, descobri o @Ronaldo Buh – obrigado por postar seu relato mano – um mochileiro aqui do meu estado que havia feito a rota a partir da fronteira de Rondônia até a capital boliviana – até então eu nem imaginava que isso era possível – claro que não há almoço grátis, e o relato do Ronaldo era bem realista e intimidador a princípio, uma estrada de terra, ônibus nada confortáveis, aliados a curvas e abismos interessantes no mínimo, mas isso me parecia muito tentador, então não é nem preciso dizer que não pensei muito e fui até o guichê de uma das duas empresas que faziam a rota para a cidade fronteiriça com a Bolívia a leste do estado, assim como também baixei rapidinho o relato para refrescar a memória e servir de base, o ônibus só partiria as 10h00min com previsão de chegada em Guajará Mirim as 16h00min, enquanto não dava o horário de partida, partiu tomar um café da manhã e esperar.

Ao chegar à rodoviária de Guajará-mirim estava ainda bem atrapalhado com o mochilão, a mochila de ataque e a sacola com os produtos que peguei com minha amiga e não consegui arrumar nas mochilas, de cara um taxista se ofereceu pra me levar até o porto, e o gênio aceitou na hora, sem pelo menos sair dos arredores e pegar um táxi fora da rodoviária, já sabem a facada que foi, mas de boa. Chegando ao terminal portuário a uma sala reservada para a Polícia Federal, assim como para a Receita, mas a Polícia ainda não havia se transferido para lá, muito bem, voltei para o ponto e peguei um moto-táxi até o a delegacia da PF, por sorte ainda estava em funcionamento, já eram quase seis horas da tarde – na delegacia entreguei meu passaporte e a identidade, o procedimento é rápido e gratuito, acredito que para fins de controle apenas, é informado no sistema e carimbado a data no passaporte –, com o mesmo moto-táxi retornei para o porto comprei o bilhete e fiz a travessia em um dos barcos até o lado boliviano, onde agora não estava como comprador de fim de semana ou paciente de consulta médica, pela primeira vez desde que comecei a viagem, me sentia um mochileiro de verdade, passaporte carimbado, e prestes a entrar em terras não brasileiras, a aventura estava apenas começando.

 

GASTOS: Dias 13.09 e 14.09

Passagem de Ji-Paraná para Porto Velho – R$ 102,00

Lanche (rodoviária de Ariquemes) – R$ 7,50

Óculos de sol e cadeado (na pressa esqueci meu óculos de sol em casa e precisava de um cadeado pro mochilão, o jeito foi comprar ambos em uma lojinha na rodoviária aos quarenta e cinco do segundo tempo) – R$ 50,00

Guarda volumes (além da espera na rodoviária, não ia até a casa da minha amiga – até então sem saber onde era – com o mochilão nas costas) – R$ 5,00

Água – R$ 3,00

Caridade (leia-se uma travesti muito pimpona que queria fugir comigo) = 7,00

Café da manhã – R$ 15,00

Passagem de Porto Velho para Guajará-Mirim – R$ 70,00

Táxi da rodoviária de Guajará até o terminal portuário – R$ 20,00

Moto-táxi do terminal portuário até o posto da PF e da PF ao terminal – R$ 10,00

Bilhete de travessia pluvial para Guayaramerín – R$ 8,00

 

Total dos gastos – R$ 297,50 até a chegada na Bolívia.

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Em 25/01/2019 em 04:07, Wesley Felix disse:

Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui

Que bacana, Wesley! Eu que agradeço. Já vi que vai ser um relato DAQUELES!!! Manda ver aí. Sucesso! 

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A SURPREENDENTE BOLÍVIA

 

Antes de iniciar devo avisar que essa parte do relato deverá ser a mais extensa, quase como no livro, isso porque esse trajeto é pouco conhecido e citado, então tentei detalhar o máximo possível, também quis apresentar uma pessoa que conheci na viagem, nos outros relatos não farei isso, pois foi muita gente, mas ela é escritora como verão adiante, e pensei que seria bacana se vocês leitores pudessem e quisessem conferir os trabalhos dela, são muito bons e valem a pena.

Deixando o Brasil e já do lado boliviano existe uma grande escadaria que leva até o terminal portuário de Guayara, adentrando a direita está à sala onde funciona a imigração do país, quase não consigo passar pela porta com o mochilão e tudo, é bem apertado o espeço lá dentro, mas os agentes foram muito bacanas, pediram o passaporte, deram entrada no sistema, perguntaram qual o motivo da viagem, quantos dias pretendia ficar e quais cidades visitaria, depois me entregaram um documento – documento –, documento este que deveria apresentar quando da saída da Bolívia junto com o passaporte agora carimbado por eles, e ainda desejaram boa viagem – apesar de novamente, quase levar a porta junto ao passar por ela e sentir balançar toda a parede do escritório deles – conhecendo a Bolívia esperava algo menos, mas me surpreendi positivamente com nosso vizinhos.

Mal coloquei o pé pra fora da sala e fui avançado por três ou quatro motoristas de tuk-tuk, um triciclo adaptado para levar pessoas e bagagens como em um carro, mas com a eficiência de uma moto, acabei por dispensá-los, mas logo após descer as escadarias já chamei outro que aguardava mais afastado, precisava trocar moeda, ir até a rodoviária e encontrar um hotel, acabou que ele foi a salvação da lavoura, apesar de estar sempre com um pé atrás, ele me levou em um bar/casa de câmbio com a melhor cotação que encontrei em toda a viagem, inclusive melhor que na capital, e não era dinheiro falso, é pra glorificar de pé igreja. Na rodoviária ele também passou as dicas de qual o melhor ônibus pegar para La Paz e por fim me deixou em um hotel barato e perto do centro, mas confiável como havia pedido.

 

DICA: Essa é bem básica, e serve inclusive pro Brasil, sempre evite pegar transportes como táxis nas imediações, se for possível e seguro, se afaste um pouco e sempre conseguirá preços mais baixos, nunca deixe de perguntar o preço das corridas que pretende fazer, se deixar para só fazê-lo quando chegar ao seu destino não terá como não pagar o valor pedido e creia, em países como o Chile, não é incomum uma chuva de reclamações por parte dos turistas, de abusos cometidos por taxistas e outros motoristas de aplicativos, ao perceberem que se trata de turista, mesmo combinando os valores na partida, ao final da corrida acabam desconversando e cobrando sempre a mais, por último, mantenha sempre o olho aberto quando for entregar e receber o dinheiro, muitas vezes eles simplesmente dizem que o valor recebido foi abaixo do valor real entregue e quando devolvem o troco misturam notas falsas junto a verdadeiras ou faltando valores, por isso sempre que possível ande com outra pessoa que possa ser testemunha, quando não, repita claramente os valores a ser cobrado, entregues e devolvidos, também é bom entrar nos sites dos bancos centrais dos países de destino e conferir as marcas de segurança do dinheiro referido, e por fim evite notas muito velhas e rasgadas seja de quem e onde for, as casas de câmbio eviram receber papel moeda em condições ruins. Pra isso sempre procure grupos nas redes sociais, sempre terá alguém indo ao mesmo destino que você, disposto a rachar um táxi e fazer passeios em comum, apesar de sair sozinho pra mochilar, foi difícil o tempo que fiquei realmente só, e se tivesse procurado nos grupos com antecedência, teria encontrado muita gente nos destinos escolhidos, como em Cusco, mas mudei tudo de última hora.

 

            O hotel ficava bem perto da avenida principal, que há está hora já começava a fechar as portas de seus comércios, ainda era cedo para mim, creio que entre oito e nove horas da noite, e apesar de confirmar com o recepcionista do hotel que era seguro andar pela cidade, não me sentia em nada seguro, os bolivianos são bem desconfiados em relação a nós em um primeiro momento e pouco receptivos, ajuda também o fato de ver as motos brasileiras, que não vou dizer aqui a origem, rodando livremente pelas ruas da cidade, isso trás uma impressão de impunidade ou conivência com o mal feito, além de que, tirando a avenida principal, as ruas paralelas estavam pouco iluminadas e movimentadas – cidades como Guayaramerín são de forma geral segura para nós brasileiros, pois dependem muito dos compradores do outro lado da fronteira, mas nunca é de mais lembrar que não estamos no Brasil, então nossos direitos ficam no outro lado do rio junto com nosso país, por isso é bom não dar chance ao azar, andar na linha e ficar de olho aberto sempre.

            Descendo duas quadras consegui encontrar um mercado ainda aberto, estava com fome, já havia trocado dinheiro, comprado à passagem para o outro dia de manhã com destino a La Paz e só queria uma noite de sono naquela caminha quente, de calor mesmo, do hotel. A passagem estava marcada para as 08h45min da manhã de sábado, na noite anterior arrumei meu mochilão e mochila de ataque colocando os produtos que peguei em Porto Velho, comecei a amaldiçoar a ideia de ter comprado aquele desconfortável coturno, enchi a barriguinha haha, fiz uma reserva em um hostel em La Paz, printei o seu endereço e outros detalhes e na sacola os produtos deram lugar as bolachas e comida para a viagem do dia seguinte. Acordei as 06h30min para tomar um banho e me preparar, as sete já estava fazendo o check-out – chique não? – e fui andando até a praça central, aquela que as pessoas ficam dando voltas de carro e moto, e acredite já tinha gente fazendo isso sendo que o comércio nem havia aberto ainda, isso é Bolívia.

Entre as pessoas dando voltas na praça estava um motorista de tuk-tuk, dei sinal e lá fomos nós, com exceção da rua e entrada do terminal, a fachada e saguão de espera é bem moderno e limpo, existem dois guichês principais, um de cada lado da entrada principal de acesso para a área de embarque, é neles que são vendidas as passagens para La Paz e outros destinos, a imagem gráfica dos ônibus que estampam os guichês são de cair o queixo, muito modernos e lindos, melhores que os do meu estado, a dois horários de saída diários para a capital boliviana, o preço das passagens era muito barato se comparado ao Brasil, na hora de comprar a passagem eles pediram o documento de entrada no país assim como o papel entregue pela imigração, o mesmo foi feito no hotel – e você ai pensando que é tudo bagunçado o sistema –, o bilhete de passagem foi preenchido a mão e a única exigência explicita repetida três vezes pela atendente foi que estivesse no terminal para fazer o embarque trinta minutos antes do horário de saída do ônibus.

Como havia chegado bem antes fui comprar uma água e um chip de telefone celular, esse simples fato consumiu todo o horário até a hora do embarque, primeiro eles não tinham chip, depois arrumaram um vendedor, mas não tinham crédito, depois tentaram fazer meu cadastro e não conseguiram, como já estava em cima da hora, falei que eu mesmo resolveria o problema e fui para a área de embarque.

 

DICA: Não sejam bestas – óbvio mais uma vez – mas sério, não é só aqui que algumas pessoas querem tirar vantagem em tudo, o motorista de tuk-tuk me cobrou muito mais caro do que se eu tivesse feito às viagens de forma fatiada e olha que pretendia lhe dar um agradecimento em dinheiro por ter sido tão disponível. Depois no mercadinho onde fiz as compras de alguns produtos, no momento de passar o troco, à senhora que me atendia acabou por cobrar dez bolivianos a mais, seu filho pequeno (11 anos) que estava ao lado lhe chamou a atenção e ela desconversou com o garoto, no momento eu apenas sorri e deixei passar fingindo que não havia entendido nada e fui embora, não desejei mal a ela, apenas um dedo quebrado ou algo do tipo, aparentemente ela precisava muito daqueles dez bolivianos então que ficasse com eles. Já na rodoviária a moça da lanchonete depois de idas e voltas me vendeu o chip de celular por dez bolivianos e pediu mais dez para carregá-lo e me ajudar com o cadastro, ao final como não conseguia cadastrar e já estava na hora da partida ela simplesmente disse que o crédito cairia depois que fizesse o cadastro, nesse momento a dona do lugar chegou e tentou ajudar no cadastro também, ao ver que não conseguiria lhe indaguei sobre o crédito, já percebendo o golpe da atendente, está por sua vez deu um sorriso amarelo e me devolveu os dez bolivianos de crédito uma vez que a dona dissera que sequer eles tinham recarga naquele momento.

Sei que pode parecer pouco, mas qualquer dinheiro faz falta ao fim da viagem, e não é só pelos valores monetários, mas sim pelo desaforo, parece que por ser estrangeiro tu tem uma tarja de idiota escrita na testa e por vezes em solidariedade ou temor deixamos passar, não tenha medo de perguntar e repetir o que estão dizendo até entender e se necessário chamar alguém, de forma geral isso intimida quem está fazendo algo errado, apesar de frequentemente ocorrer isso, inclusive nas outras vezes que estive na Bolívia, as pessoas em volta tem de forma geral uma desaprovação com estes tipos de comportamento que visam enganar os turistas, algo muito semelhante com o Brasil.

 

 Hora do embarque, agora entendi o porquê de termos que chegar com tanta antecedência, os fundos do guichê onde se compra a passagem ficam na área de embarque, a mesma moça que atende coloca uma marcação feita a mão nos pertences dos viajantes, e ali vai de tudo, tudo mesmo, então isso leva um bom tempo. Outro fato importante é que você precisará pagar em separado a taxa de embarque e uso do terminal, e não é só na Bolívia, para isso existe um guichê em separado, apenas para esse fim, se não apresentar o comprovante de pagamento o ônibus não sai, quem faz a conferencia arma o maior barraco e tu passa a maior vergonha, pelo menos é o que dizem.

Quando o ônibus chegou não me surpreendi nem um pouco, até porque o ônibus da outra empresa também estava embarcando seus passageiros, e ambos eram iguais apesar de pertencerem a empresas diferentes, não possuíam ar condicionado, as janelas obviamente iam abertas independente da estrada de terra empoeirada ou se chovesse, não havia banheiro, água, e nem inclinação nos bancos, cinto de segurança então esquece.

A verdade é que aquilo não era surpresa pra mim, o Ronaldo já havia deixado bem claro como era a viagem, o melhor é que eu estava indo e voltando tentando falar com alguém para entender o próximo passo, uma vez marcado sua bagagem você pode depositá-la no interior do ônibus, não há divisões nem aberturas externas, simplesmente o espaço abaixo do assoalho onde estão as poltronas de passageiros, só fui perceber isso quando uma mulher me abordou, de cara eu era o único brasileiro e mochileiro ali, ela chegou e perguntou em um bom portunhol se eu era brasileiro – não sei por quê, mas acho que o sotaque me denunciou – ela logo emendou que era venezuelana e que gostaria de viajar comigo, ao meu lado mais precisamente, pois não confiava nos bolivianos e não tiro a razão dela, eles nos olhavam como estranhos, não que não fossemos, afinal estávamos claramente fora de nossa realidade e eu muito mais que ela.

Depois que entramos ela escolheu os lugares mais a frente, disse que não precisávamos obedecer às marcações de passagem – eu ainda desconfiado dela, logo pensei que deveria ser algum tipo de golpe desses que a gente acorda sem os rins em uma banheira de gelo no outro dia, mas tirando o fato de não falar o idioma dos demais presentes, estava com minha mochila de ataque e comidas no colo e minha doleira junto ao corpo, de resto era só gritar. Logo os donos da poltrona chegaram e começaram a falar em um idioma que eu nem fazia ideia qual era, saímos e fui para minha poltrona, por incrível que pareça a passagem dela marcava a poltrona ao meu lado, rimos da coincidência e troquei de lugar com ela, para que fosse à janela e afastada do corredor, apesar da impressão inicial de achar que poderia ser um golpe, logo relaxei e começamos a conversar, acabou que até a chegada em La Paz ela foi minha companheira de viagem e a primeira amiga que fiz no mochilão.

 

JOSLEMAR N.: Passada a primeira impressão, logo iniciamos uma conversa sobre tudo, Joslemar não foi à única venezuelana que conheci na viagem fugindo da terrível crise que se instalara em seu país, seu destino era o Chile onde parte da família já estava trabalhando, na Venezuela ela deixou o pai e sua pequena filha, assim que entrasse no Chile tentaria trazer a pequena para junto de si, o pai já idoso e doente não tinha intensão de deixar o país para se aventurar em uma nova vida. Seu bom portunhol se devia ao fato de ter cruzado o Brasil por um tempo até chegar à Bolívia e por lá tentaria adentrar a fronteira chilena, um refugio para vários imigrantes devido à oportunidade de melhorar de vida e ganhar dinheiro, muito melhor que o Brasil, diga-se de passagem.

Ao longo das trinta e duas horas de viagem ainda falamos de uma das paixões da vida dela, a escrita, no Amazon.com ela mantem o perfil de escritora com o nome de Miranda Wess e até então tinha publicado três obras: Yo soy tu candidato, Amor em contiende e Silla presidencial. A paixão como ela descreveu suas histórias e personagens era muito bom, apesar de tudo por que passou, ela emanava uma energia muito boa, apaixonada por arte e cultura, com inúmeros sonhos que a motivavam a permanecer forte e vibrante, o amor por seu país era outro fato perceptível, como qualquer nacional que se preze, ao descrever as inúmeras belezas e lembranças dos lugares que conheceu e viveu nos tempos de prosperidade, um brilho enchia seus olhos assim como o sonho de poder retornar e retomar a vida que lhe foi tirada de forma tão autoritária e cruel.

Quando chegamos a nosso destino final, a acompanhei até a rodoviária de La Paz apenas para poder lhe dar um forte abraço de despedida e anotar seu nome e algum contato, mais uma vez ela me implorou pra que tivesse cuidado e atenção, disse que nem todo mundo era bom como eu, não sei o porquê mais ouvi o mesmo conselho de outras pessoas várias vezes e nessas horas sempre lembrava do que o Diego escreveu em seu relato de mochilão “O universo nos devolve sempre que tentamos ser pessoas melhores e fazer o bem.”, apesar disso, também entendia o porquê dos conselhos, ela durante toda a jornada saindo de seu país, atravessando o Brasil, Bolívia e futuramente metade do Chile, viu e viveu muita coisa, tendo a pensar que muito mais coisas ruins ou difíceis do que boas e alegres, o mundo não é um lugar acolhedor e afetuoso a menos que tenha dinheiro, mas cabe a nós tentar deixá-lo melhor para todos. Ainda no ônibus ela conheceu outra venezuelana que também voltava para o Chile, mas outra cidade, e já conhecia a rota, agora ela seria sua parceira de viagem, apesar de desconfiado em um primeiro instante, fiquei feliz por ela, era notório seu medo de ficar só e ter outra mulher lhe fazendo companhia era o cenário ideal, ainda mais uma que podia conversar e ser completamente entendida, porque por vezes me vi balançando a cabeça positivamente e sorrindo, mas sem entender nada do que ela falava, e tenho a impressão que o mesmo ocorreu com ela, na empolgação falamos rápido e com termos e gírias próprias que só nós nativos entendemos, então se lembre, despacio, despacito, e não me refiro à música do Luis Fonsi.

 

Seguindo com o mochilão, a nossa primeira parada foi em Riberalta, duas horas após iniciar a viagem, nesse trecho só alegria, a estrada era asfaltada e o calor amenizado pelo vento que entrava pelas janelas, a parada era para o almoço já, o interior da Bolívia é muito pobre, mesmo para os padrões brasileiros, a rodoviária repleta de gente muito simples, tudo era muito diferente do que estava acostumado a ver, mesmo não sendo completamente inédito. Tentei comprar crédito pro telefone, mas não havia, então me sentei junto com a Jos em uma mesa acompanhados por uma chola que estava no mesmo ônibus e por um simpático senhor que se achegou depois. A conversa foi inevitável, enquanto os três almoçavam uma tigela de caldo de quinoa com carne e junto tomavam um suco de limão gelado, também observava o processo de preparo da comida que era visível a todos, coragem e estomago não eram para mim ainda – apesar de ter experimentado um espécie de massa de tapioca que Jos nos ofereceu –, a senhora queria saber dos preços de móveis e panelas no Brasil e se surpreenderam como era barato, na opinião deles, esses produtos aqui, já com o preço da comida também se surpreenderam, só que espantosamente agora, o tempo passou rápido e logo estávamos de volta no ônibus para o trecho mais longo e difícil da viagem.

A partir de então a estrada passou a ser de terra, creio que por pouco tempo, pois uma empresa chinesa está operando a pavimentação de todo o percurso, uma obra realmente grandiosa, pois compreende um bom pedaço da Amazônia boliviana e adentra a região dos andes, na verdade a Bolívia inteira por onde passei é um canteiro de obras, uma imagem muito diferente da que tinha em mente.

A outra parada só ocorreu à noite, na cidade de Santa Rosa de Yacuma, a cada vila que passava eu rezava a todos os santos para que ali fosse à parada, acho que sabia de onde vinha o cheiro forte daqueles bancos, um verdadeiro exercício para segurar a bexiga, no meu caso só ela mesmo. No mais a paisagem compensava a viagem desconfortável, e como havia caído uma chuva leve não havia tanta poeira e nem muito calor. Quando chegamos ao terminal rodoviário da cidade todos foram procurar o banheiro, pagamos um valor simbólico que pelo amor de Deus, aquilo parecia mais a ante sala do inferno, não só os banheiros, mas todo o local, depois de usarmos aquilo que chamavam banheiro, atravessamos a rua de chão e fomos olhar as barraquinhas de comida do outro lado, o cheiro era até bom devido a fome já presente, mas tanto eu quanto a Jos optamos por apenas tomar algo.

Acredito que estávamos em Yucumo já pelas três da madrugada quando o ônibus parou, achei que deveria ser por conta da chuva e neblina, e porque já estávamos começando a subir rumo a La Paz, e porque aquele motorista era o mesmo desde o inicio da viajem, então olhei pela janela e vi que parecia um ferro velho, ai o coração acelerou, devíamos estar sendo assaltados ou sequestrados ou o motorista ia nos levar para ser assaltados, mas o ônibus foi desligado completamente e nada de movimentação estranha, então fiquei com a primeira hipótese formulada com relação ao clima mesmo, abri a janela com cuidado para não acordar as cholas a nossa frente e comentei com a Jos o que tinha pensado, e voltei a dormir. Passou-se mais uma meia hora e uma das passageiras, também chola saiu porta afora e voltou tempo depois reclamando de algo que não entendi nada, mas ela estava bem brava, então a Jos também foi ver o que ocorria, e depois eu porque já estava apertado de novo. Ao fim ficamos parados até o dia amanhecer quando o posto de gasolina da cidade é aberto e o motorista conseguiu encher um galão para depois levar o ônibus até o posto e dar prosseguimento a viagem, no total perdemos umas quatro horas e o motivo foi simplesmente falta de combustível, com exceção da chola, ninguém reclamou, chamou a polícia, ameaçou de processo, virou o ônibus e ateou fogo, nada.

No fim acredito que fora melhor assim, viajar pelos desfiladeiros que vimos já a luz do dia não devia ser uma boa ideia a noite. E desfiladeiros com abismos são o que não faltam a partir desse ponto da viagem, a estrada mescla partes asfaltadas, esburacadas e sem asfalto, vamos margeando um rio enquanto iniciamos a subida para a capital em maior altitude do mundo e é uma paisagem estupenda, montanhas cobertas por vegetação ainda amazônica e de transição, essa vista por si só já valia todo o sofrimento até então. Isso tudo embaixo de muita chuva e neblina, tenho que tirar o boné para o motorista, porque em alguns pontos da estrada de terra nas montanhas não creio ter mais que três metros de largura a pista, mesmo apreensivo, não posso dizer que tive medo, mais por uma filosofia de vida que qualquer outra coisa.

Paramos em uma pequena vila por volta da dez horas, é uma subida e aos pés das montanhas com o rio próximo, além do banheiro nessa parada aproveitei para comprar umas folhas de coca e finalmente achei o crédito pro meu celular.

Quando chegamos a La Paz já era quase as 17h00min, o ônibus não para na estação rodoviária de La Paz e sim em um ponto comum para os veículos naquelas condições em uma rua um tanto distante. Descemos, pegamos nossas coisas e mochilas e eu tentei me localizar com os mapas no telefone, mas esse primeiro momento me fez ver que ser mochileiro tem seus desafios, não conseguia me localizar e logo iria começar escurecer, acho que se estivesse sozinho teria entrado em desespero – a essa altura a Jos já havia conhecido a outra venezuelana, elas se encontraram na parada por falta de gasolina do ônibus – resolvi seguir as meninas junto com outras pessoas que iriam para a rodoviária, durante o percurso de pouco mais que umas sete quadras a altitude bateu forte, mais nas meninas do que em mim, mas a falta de ar vem com força, ainda mais empilhados de coisas como estávamos. Depois que me despedi delas sentei e consegui abrir o mapa e me localizar com calma, o simples fato de estar em um lugar público, cercado de gente e protegido ajuda muito, o trajeto parecia muito longo então resolvi pegar um taxi ali nas imediações, mas fora da rodoviária, chorei no preço e fomos até o local do meu hostel, sempre acompanhando o percurso pelo telefone, quando finalmente chegamos, paguei com gosto a corrida, não só pela distância, mas o tanto de subidas por que passamos teria me custado quatro ou cinco pulmões novos.

 

GASTOS: Dia 14.09 (sexta-feira).

 

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,65) – R$ 500,00 = Bs 828,00

Passagem de Guayaramerín para La Paz (Flota Vaca Díez) – Bs 180,00

Tuk-Tuk – Bs 50,00

Hotel Novo Horizonte – Bs 70,00

Mercado (Tem o mesmo preço que no Brasil, garrafa de suco de uva, água mineral, bolachas recheadas, pacote grande de salgadinhos, sabonete, papel higiênico e alguma outra coisa que não lembro, e a mulher me levou 10 Bols a mais) – Bs 73,00

 

GASTOS: Dia 15.09 (sábado).

 

Tuk-tuk (da praça até a rodoviária, não tinha bolivianos trocados então paguei o mesmo valor só que em reais, ele ficou super contente) – R$ 4,00

Chip Tigo – Bs 10,00

Água mineral – Bs 4,00

Taxa de uso do terminal – R$ 2,00

Banheiro em Santa Rosa de Yacuma – Bs 1,00

Bebidas (1 Coca-Cola 600 ml e 1 água mineral 500 ml) – Bs 11,00

 

GASTOS: Dia 16.09 (domingo).

 

Crédito celular – Bs 10,00

Água mineral Grande – Bs 8,00

Banheiro – Bs 1,00

Pacote de folhas de coca – Bs 1,00

 

TOTAL DOS GASTOS – R$ 259,00 até a chegada em La Paz.

 

Plaza de armas Germán Busch Becerra - Guayaramerín.

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Flota Vaca Díez, no Terminal Rodoviário de Guayaramerín.

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Barracas de comida em frente ao Terminal Rodoviário de Santa Rosa de Yacuma.

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Folhas de coca.

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Trecho da Carratera de Yungas, também chamada de Estrada da Morte, liga a amazônia boliviana ao altiplano onde está La Paz.

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LA PAZ, A CIDADE LARANJA

 

Quando finalmente entramos no perímetro urbano da cidade sede do poder executivo boliviano, eu fiquei completamente extasiado, as paisagens naturais vistas da janela do ônibus até chegar na cidade eram sublimes, e a paisagem urbana não deixa por menos, a pobreza é impactante, a ocupação desordenada, a marcas de deslizamentos nas encostas verticais dos morros onde as pessoas insistem habitar, os sobrados e casas alaranjados por estarem no tijolo aparente se espalham por toda a borda da geografia local, embaixo no centro está a parte desenvolvida e visivelmente mais abastada, tudo isso ligado por linhas, os famosos teleféricos que estampam a fotografia do presidente Evo Morales em todas as portas de cabines, um trânsito caótico como nunca havia visto e não falo de engarrafamento apenas, a frota mescla carros muito antigos com os mais modernos e caros da atualidade, um raspando o outro com fechadas e buzinas que não paravam, a gente andina de traços e cultura muito forte, La Paz é uma cidade única, como poucas no mundo, e detalhe, mesmo sendo considerada capital do país, constitucionalmente é Sucre quem detêm essa oficialidade.

Assim que descemos do ônibus passei a sentir a realidade social mais de perto, mas só a notaria mesmo no outro dia, naquele momento estava preocupado apenas em chegar ao hostel e ficar em segurança, a viagem tinha sido longa, um tanto cansativa e a aclimatação ainda tinha que ocorrer. Parte das reclamações dos viajantes que torcem o nariz para La Paz, se deve em muito as acomodações de hospedagem, e nessa parte não tiro a razão de alguns, sair de uma casa confortável, e no caso de alguns deles, de apartamentos requintados de São Paulo ou Rio de Janeiro e cair em prédios antigos e ruas estreitas e tumultuadas é muito impactante em um primeiro momento – pra qualquer pessoa que nunca teve contato com uma realidade mais simples de um interior do Brasil, por exemplo, qualquer outra realidade é impactante, e La Paz não é diferente, com exceção de uma pequena parte do centro, o restante da capital com quase um milhão de pessoas é muito desigual – ainda mais quando se viaja para curtir férias como era o caso dessa maioria. Já eu não posso dizer o mesmo, não por que estava em um mochilão e teoricamente pronto para o que aparecesse, mas por que meu hostel ficava na parte mais nobre da capital e era uma edificação nova e muito confortável, logo, para mim, a surpresa foi positiva e a experiência melhor ainda.

 

DICA: A escolha de hosteis é o modo mais econômico de hospedagem, ali também você vai poder encontrar viajantes do mundo todo e interagir com diferentes culturas, a combinação perfeita de hostel é juntar preço baixo com a proximidade do centro e principais pontos turísticos, conforme o caso. Em boa parte das cidades os terminais rodoviários estão no centro evitando a necessidade de longas conduções até os hosteis e assim gastos com transporte, no centro está tudo que é necessário para nós turistas, restaurantes, casas de câmbio, bons hosteis, opções de transporte e segurança. Em minhas pesquisas sempre usei Booking por oferecer as ofertas mais baratas, mas na hora de bater o martelo também é bom ver as comodidades oferecidas assim como avaliações de usuários e verificar a sua localização de acordo com pontos de interesse (metro, rodoviária, restaurantes, etc), a maioria dos hosteis oferecem o café da manhã incluso no preço final, mas transporte e locomoção são itens a serem sempre considerados. Uma rede de hosteis presentes em boa parte das cidades na América do Sul e que são de confiança e ótimo custo beneficio são os definidos como B&B (Bed and Breakfast ou cama e café da manhã em português), durante a viagem tive duas experiências nesse tipo de hostel, La Paz e Arequipa, e foram os melhores do ponto de vista econômico e de custo beneficio.

 

O idioma ainda era um pouco difícil pra mim, quando cheguei ao hostel fui super bem atendido, mas quando a moça me falou o preço custava três vezes mais do que o anunciado no site, perguntei se havia um quarto mais barato e ela disse que não, fechei por uma noite e iria procurar outro hostel no dia seguinte, quando cheguei ao quarto era individual e com banheiro privativo, ai perguntei se não havia um quarto coletivo, só então ela entendeu a confusão que eu havia feito, esse hostel possuía dois prédios diferentes na mesma quadra só que distantes alguns metros, um era mais requintado como um hotel por assim dizer e o outro mais popular no estilo hostel mesmo, só então ela entendeu o por que de não encontrar a minha reserva e me levou para o outro prédio que em nada devia ao anterior, a mudança era relacionada aos quartos que ali eram compartilhados assim como os banheiros, agora sim o preço estava dentro do combinado e paguei as três diárias que pretendia ficar, a equipe era muito solicita, e depois de tudo acertado e arrumado os ditames burocráticos, fui apresentado as acomodações, terminei por escolher o dormitório masculino no piso subterrâneo, que estava sem ninguém alojado até então, naquele momento queria um pouco mais de privacidade e como não haviam brasileiros hospedados, apenas gringos dos quais não entenderia uma vírgula, achei que seria a melhor opção.

Quando me olhei no espelho do banheiro não sei como eles não me expulsaram do hostel assim quando entrei, acho que se fosse no Brasil o teriam feito, estava coberto de poeira da viagem até onde era possível ver.

 

MOMENTO DESABAFO: Depois da constatação feita, olhei pra mim e falei mentalmente sorrindo: - Cara f***-se, tu tá em outro país, com gente que nem conhece, sai pelado pela rua gritando e dando cambalhota, essa é a hora.

Isso é pra vocês saberem o quanto sofro com esse meu inconsciente que também chamo de “meu eu”, ele é um péssimo conselheiro às vezes, mas é o melhor também, não vivo sem ele.

 

Banho tomado, desfiz minha mochila e separei as roupas que usaria pelos próximos dias em cima da cama, apesar do cansaço ainda fui escrever os principais pontos da viagem pra vir postar agora, comi os restos de biscoito que sobraram, água e folha de coca, e um comprimido de dor de cabeça, acredito que por conta da altitude. De maneira geral estava feliz, meu plano era acordar ao meio dia e sair pra conhecer La Paz, o mercado das bruxas estava a dois quilômetros do hostel, depois tentaria ir à igreja principal e aos teleféricos assim como achar uma agência para fazer os passeios, Down Hill e Chacaltaya, mas apesar dos mapas e tudo estava bem perdido, no outro dia tentaria pegar umas dicas e informações na recepção, haja visto que o dono falava português e estaria atendendo pela manhã.

De repente entra pela porta um rapaz da limpeza, sorri e o cumprimentei – apreenda a falar o básico da língua onde pretende se aventurar, isso é o mínimo –, mas não sei por que ele logo sacou que era brasileiro haha, e foi admiração à primeira vista – de maneira geral, durante toda a viagem, não encontrei um estrangeiro que não gostasse de nós brasileiros, principalmente os sul americanos –, ele logo quis saber de onde era e fomos desenvolvendo um papo bom porque ele falava razoavelmente bem português, me passou um monte de dicas e cuidados e acabou por me convidar pra me guiar em um passeio pela cidade na manhã do dia seguinte, seriam só nós dois e ele não iria cobrar nada, no segundo seguinte ao convite “meu eu” tentou falar algo, mas eu nem dei tempo pra nada, só sorri, agradeci e topei, marcamos para o outro dia as nove, pouco antes de acabar o horário do café da manhã, ofereci umas bolachas e um pouco de suco que ainda tinha e depois de comer e terminar de varrer o chão, nos despedimos e ele foi embora.

 

MOMENTO DESABAFO: Óbvio que tive que ouvir de mim mesmo que estava louco, que aquilo deveria ser um golpe aplicado contra pessoas idiotas e bestas, que poderia ser assaltado, assassinado, sequestrado e tudo que ocorre no Brasil de forma geral, mas não havia sido o “meu eu” a me aconselhar a fazer tudo o que tinha vontade? Então toquei o f***-se novamente e nem pensei muito, acho que instinto vale muito nessas horas ou não, mas o fato é que simpatizei muito com aquele boliviano e seguindo minha filosofia de vida agradeci por tê-lo encontrado, pois aparentemente ele seria a solução dos meus problemas já que também, pasmem, contei que precisava trocar dinheiro e marcar os passeios que queria, logo, se ele fosse um mal intencionado poderia ter ainda mais motivos para me fazer mal.

E claro, na conversa tentei observá-lo, fazer algumas perguntas de quem era, o que fazia, enfim. Sai do Brasil com muito medo da violência de modo geral, isso foi inclusive algo que comentei com o Diego enquanto o questionava sobre seu mochilão, mas tanto a impressão dele quanto, agora, a minha, é que é muito tranquilo os nossos países vizinhos, não que não haja violência, mas não são como aqui aonde se vierem duas pessoas em uma moto nós temos que nos jogar no chão e fingir de morto, o mais perigoso são os furtos, onde só nos damos conta depois de levarem nossos pertences, além de outros golpes nesse intuito, no mais, como brasileiros – e no meu caso, que já estive em grandes centros como Manaus e São Paulo também – é mais fácil ficarmos ligados o tempo todo e perceber as intenções e abordagens das pessoas, como disse lá no começo, não tive nenhum problema relacionado a isso durante o mochilão todo e em circunstâncias normais teria recusado de cara o convite feito, mas por algum motivo – que só você poderá dizer quando viver uma experiência assim – eu aceitei e adianto, foi ótimo.

 

No outro dia levantei sem nenhuma dor de cabeça, mas durante a noite acordei algumas vezes apesar do cansaço, fez muito frio, tanto que na manhã ás 08h30min marcava 4º C, ainda bem que as cobertas deram conta perfeitamente porque a impressão é que pelo fato do quarto ser subterrâneo a sensação de frio no ambiente era ainda maior, impressão esta verdadeira diga-se de passagem. Assim que arrumei minha cama, escovei os dentes, mandei mensagem pra família e me vesti com uma calça jeans, uma camisa e minha jaqueta, depois subi para o desayuno, suco, pão com ovo, manteiga e geleia, estava com tanta fome que aquilo foi o melhor café da manhã que comi em dias.

Rodrigo chegou meia hora depois do combinado, às 9h30min quando terminava o horário do café da manhã, começamos andar pelas ruas do bairro em direção a calle de las brujas, Rodrigo é um cara muito dispostos e conectado, logo começou a me passar os pontos de referencia para que pudesse andar por La Paz sozinho sem depender de transporte, como um mochileiro raiz deve ser, no mais ele andava em ritmo acelerado, tirei minha jaqueta e fui acompanhar seus passos como um paceño original e não fiz feio, apesar de ter que respirar fundo o tempo todo, pelo caminho ele indicava mercados e restaurantes bons para comer, logo chegamos a rua das bruxas, sinceramente esperava mais deste mercado a céu aberto, mas não passa de uma meia quadra com menos de uma dezena de barracas onde as cholas vendem toda a arte de crendices populares oriundas ainda da cultura antepassada dos povos indígenas andinos, optei por não tirar fotos do local – algo recorrente se tratando de mim, mas que acaba por fazer falta no relato –, e se quer parei para olhar melhor os fetos de lhama expostos, como teria que voltar ali nos outros dias deixei para fazê-lo depois, o que terminou por não ocorrer.

Junto a rua de encontro do mercado das bruxas está a calle Santa Cruz, em sua extensão principal, da praça Marcelo Quiroga até a praça San Francisco estão as principais agencias de passeios e casas de câmbio, além de hosteis que ficam bem próximos ao centro e principais pontos turísticos, pra quem não se importa tanto com luxo nas acomodações, é um bom lugar pra ficar na cidade, foi nessa rua que o Rodrigo me levou na melhor casa de câmbio da qual ele tinha conhecimento, e também em duas das melhores agências para fechar os passeios, acabei por escolher a No Fear Adventure por ser de sua indicação e ter os preços mais em conta já que a outra agência era mais cara e luxuosa também. Inclusive a No Fear esta localizada dentro de um hostel e possui uma casa de câmbio em seu interior, pra quem tiver interesse é um três em um.

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 Figura: Imagem do Google Maps, o traço em preto é a rua das bruxas, os círculos apontam: a casa de câmbio um pouco acima da rua das bruxas e agência No Fear abaixo, sentido praça San Francisco do lado esquerdo de quem desce, ambas na rua Santa Cruz.

Enquanto trocava dinheiro e pagava os passeios, o Rodrigo se quer ficou por perto, ele só fez o meio de campo e tradução automática e me esperou do lado de fora, definitivamente já tinha ganhado minha confiança. Depois me levou até a Igreja de San Francisco e sua praça, era a primeira vez que adentrava em uma Catedral católica, e era linda, não só a parte exterior, mas também todos os seus ornamentos internos, em pensar que na época de seu auge era adornada em ouro, agora apenas representado em uma pintura dourada, estar ali é reviver algo que só imaginamos em livros. A praça repleta de turistas, vendedores, pessoas comuns passando e pombos, era um complemento a todo aquele caldeirão urbano, e ter o Rodrigo ao meu lado tornou tudo muito melhor, a cada passo ele explicava os detalhes de tudo, recontava a história, as curiosidades e me fazia entender o porquê de cada aspecto das coisas, foi assim no mercado das bruxas, na igreja, depois no mercado popular onde ele me pagou um gelado, ou sorvete típico deles com muitas frutas, biscoito e um creme, depois fomos andando até a Calle Jaén, um ponto muito importante para a história boliviana, repleta de museus e casas de cultura, ainda nesta rua há a galeria de arte Mamani, vale muito conhecer o espaço e se deixar encantar pela pintura e arte incríveis, é um espetáculo de cores e formas.

Essa rua fica próximo à rodoviária e após me mostrar certinho como chegar lá, fomos andar na rede de teleféricos de La Paz, andamos em duas linhas, a laranja e a vermelha (roja), o sistema de teleféricos da cidade é o maior do mundo e ainda está em expansão, gerido pelo governo central, custava na época Bs 3,00 o ingresso e além de muito popular é muito organizado, moderno e se encaixa perfeitamente a geografia da cidade que não pode comportar linhas de metrô – acho que um dos poucos serviços ofertados pelo poder público que deixa qualquer estrangeiro de queixo caído –, as fotos de Evo Morales estampam as portas e indicam a força do presidente do país mais pobre da América do Sul e o que mais cresce também, isso me chamou muito a atenção, a Bolívia inteira está em obras e ver a onipresença de Morales através de sua imagem era uma disparidade em relação ao Brasil, por mais que os nossos governantes estampem suas marcas nas placas de obras públicas, ver a imagem de um político daquele modo nunca passou pela minha cabeça, ao mesmo tempo que é absurdo também é genial.

 A linha roja leva até a ciudad del Alto, uma extensão de La Paz onde se encontra o aeroporto da capital, mesmo Alto sendo outra cidade administrativamente falando, nela se encontra a parcela mais pobre das pessoas que frequentam a metrópole andina e se encontra a incríveis 4.000 metros de altitude, ficamos um tempo olhando a vista da cidade abaixo, infelizmente não observei o por do sol deste mirante – pronto, já tenho um motivo para voltar a La Paz agora.

Depois retornamos, ainda fomos caminhar por várias feiras populares no caminho de volta para o hostel, ali é possível ver a realidade da cidade, sem o glamour – que não existe – dos pontos turísticos mais famosos. Tudo isso em quatro horas de passeio, terminamos e dei um valor simbólico pra ele, mesmo se recusando a receber, não era pelo valor, era pela pessoal incrível e extremamente disponível que ele era, acabou que sequer tirei uma foto com ele, mas anotei o número de telefone e contato, quando voltar espero poder encontrá-lo de novo, onde estiver muito obrigado irmão.

Chegando ao hostel pensei em aproveitar o resto da tarde para dormir, mas dormir eu já fazia no Brasil, então bora colocar os pulmões pra funcionar e fui em direção ao centro da capital, nesse momento tudo era descida e o primeiro ponto de parada foi em uma loja de pães, não era uma padaria como as do Brasil, mas tinha uns pães na porta que me chamaram a atenção, acabou que não resisti e comprei duas saltenhas de pollo, no momento pensei que pollo seria porco e fiquei pensando, se o porco já é porco, imagina um porco boliviano – olha as ideias –, mas depois da primeira mordida, que se lascasse o pollo ou o que fosse aquilo, era sublime e delicioso, só depois fui descobrir que pollo era frango, ainda bem. Descendo mais um pouco cheguei a Avenida 16 de Julio que corta a cidade, nela há várias opções de restaurantes tipo fast food, assim como um dos centros de informações ao turista, no qual peguei um mapa da cidade e só então pude perceber quantos museus La Paz oferece, mas como meu tempo estava meio curto e precisava de outro motivo para retornar futuramente a cidade, fui apenas visitar a Catedral Maria Auxiliadora, de arquitetura moderna e bem perto de onde estava.

Da igreja segui pela avenida fotografando alguns monumentos de personalidades importantes na independência boliviana, fui passando por algumas praças até chegar ao Parque Plaza Bolívia que fica ao lado da Embaixada do Brasil, depois subi até o Parque Laikakota, que estava com seu mirador em reforma, entre outros espaços, acabei tomando uma bronca dos funcionários por tentar fotografar dois monumentos, mas consegui, bronca tomada era hora de voltar, acabei que me perdi, mas depois de descer e subir cheguei na rua de acesso ao hostel, uma subida que não é de Deus, aproveitei para parar em uma barraquinha de frutas e comprei algumas uvas e bananas além de água pra aguentar os próximos dias, e subida, só sei que tive que parar e me sentar nos degraus que as pessoas fazem nas calçadas devido ao grande desnível, de resto me perdi mais um pouco até que me acertei com meu mapa e cheguei no hostel a tempo de ver o por do sol chegando, o bairro é muito bom e seguro, e proporciona um belíssima vista do centro mais abaixo e dos paredões de casas que circundam a cidade.

Encerrei o dia lavando minhas roupas da viagem até La Paz no hostel e tomando um bom banho, o outro dia começaria cedo para iniciar o Down Hill – passeio que havia visto em outros relatos e que só sabia que era descer de bicicleta alguns quilômetros por uma estrada chamada de “estrada da morte”, não tinha a mínima noção do que me esperava apesar do nome e acredite, ninguém têm essa noção até cair nessa estrada, é absurdamente sem palavras.

 

GASTOS: Dia 16.09 (domingo).

 

Táxi – Bs 30,00

Hostel Landscape – (Bs 45,00 por dia) = Bs 135,00.

 

GASTOS: Dia 17.09 (segunda-feira).

 

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,60) – R$ 1.000,00 = Bs 1.600,00

Passeio Down Hill (No Fear Adventure) – Bs 400,00

Passeio Chacaltaya + Valle de la Luna (No Fear Adventure) – Bs 100,00

Ingressos teleférico – Bs 20,00

Valor simbólico para o Rodrigo – Bs 100,00

Saltenhas de pollo (duas, saltenhas de verdade, não igual as que a gente vê por aqui no Brasil) – Bs 10,00

Frutas (seis bananas e meio quilo de uvas) – Bs 14,00

Água 2l – Bs 6,00

 

TOTAL DOS GASTOS – Bs 650,00 / R$ 401,75 em La Paz. (O total de gastos em Real leva em consideração os diferentes câmbios, de Guayaramerín e La Paz)

 

Fachada do Hostel Landscape, onde fiquei hospedado em La Paz.

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Vista do bairro onde se encontra o hostel.

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Igreja de San Francisco, a partir de seu entorno nasceu La Paz.

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Praça da Igreja de San Francisco, logo a frente fica o Mercado Lanza, "mercadão municipal pra nós brasileiros".

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Placa na Calle Jáen

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Vista da cidade a partir do teleférico laranja.

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A cidade laranja vista do teleférico rojo, que também leva a Ciudad del Alto.

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Aqui fica um mirador a mais de 4.000 metros de altitude, de onde se vê toda a cidade de La Paz, o pôr do sol dessa vista é sensacional.

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Catedral Maria Auxiliadora.

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Monumento no Parque Laikakota, pelo qual levei uma bronca, mesmo sem entender, a gente sabe quando é uma bronca.

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Feira livre nas calles.

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Nessas feiras se encontra todo o tipo de comidas, massas, pães, frutas, verduras, flores, elas se estendem em diversas ruas e é uma maneira informal de sobrevivência dos paceños.

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La Paz, maravilhosa.

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    • Por Albatti
      Nossa viagem teve início em julho de 2019 e terminou 41 dias depois, em agosto de 2019.
      Viajamos, eu e minha esposa, de forma relativamente barata, ficando em hostels, airbnb e pequenos hotéis. A maior parte dos trajetos fizemos de ônibus, mas alguns trechos optamos por voos baratos, o que ajudou a cumprir o extenso roteiro que fizemos. Inclusive a ida de São Paulo a Jujuy compramos as passagens de ida e volta com milhas aéreas numa promoção da Gol com a aerolineas argentinas. O lado ruim do passeio foi que acabou "rápido". Apesar de ser nossas mais longas férias, por incrível que pareça ficou a sensação de que "passou rápido".
      Vou sintetizar o que fizemos de forma a dar uma ideia de cada local. Se alguém quiser alguma informação que possa ajudar no planejamento de viagem, é só entrar em contato.
      . São Paulo - Jujuy - o voo foi tranquilo e, inclusive, pudemos ver o eclipse parcial do sol. Fizemos escala em Buenos Aires, assistimos ao jogo entre Brasil e Argentina no porto Madero e, no dia seguinte logo cedo, partimos para Jujuy;
      . Jujuy - Quebrada de Humahuaca - chegamos no aeroporto e dividimos um taxi até o terminal de ônibus. De lá tomamos um ônibus pra Purmamarca, onde ficamos hospedados por duas noites no excelente La Valentina Hostal (R$ 125 o casal). Conhecemos o Cerro de los Siete Colores, caminhamos pelo paseo de los colorados, ficamos à toa no pequeno, belo e tranquilo vilarejo. Também fomos a cidade de Tilcara e as ruínas de Pucará de Tilcara (recomendo muito fazer o passeio com o guia local incluído no valor da entrada). Por fim, conhecemos Humahuaca e as Serranias del Hornocal. O NOA (Noroeste Argentino) tem paisagens maravilhosas e grandiosas. Aliás, o que não faltou nessa viagem foram grandes paisagens, daquelas onde o horizonte parece bem distante. Nossa intenção era conhecer Salta e Cafayate na volta, pois, em 38 dias nosso voo sairia da mesma Jujuy. No fim das contas, Salta e Cafayate ficaram para outra viagem, pois ficamos mais tempo em alguns lugares e voltamos a Jujuy no mesmo dia em que nosso voo retornaria ao Brasil.

      . Purmamarca - San Pedro de Atacama - tomamos o ônibus da empresa Andesmar as 03:40 hs da madrugada, na entrada de Purmamarca (atrasou meia hora, o que fez a gente pensar que seríamos deixados pra trás,,, mas não hehe, ainda bem). A viagem foi tranquila e cruzamos a fronteira com o Chile no Paso de Jama. O ônibus chegou antes e ficamos cerca de 1 hora esperando para fazer os trâmites de entrada. Mas foi bem tranquilo e logo estávamos descendo em direção a San Pedro. Esse trecho da viagem é fantástico. Chegamos as 11hs da manhã. Ficamos 4 noites nessa pequena cidade de adobe, num airbnb que não recomendo (La Estancia - R$ 150 o casal), pois era um pouco afastado do centro e faltou água quente. Na verdade, nos receberam na chegada e depois nunca mais apareceram (no último dia deixamos as chaves com um bilhete e fomos embora).

      . San Pedro de Atacama - já havia estado na cidade algumas vezes. Local bem legal, com aquele clima gostoso de aventura. Fizemos vários passeios maravilhosos: Laguna Cejar, Lagunas Altiplânicas, Salar de Atacama, Geisers del Tatio, Valle de la Luna, Tour astronômico, mas o que mais gostamos foi o passeio de bike pela Garganta del Diablo. Fizemos uma breve pesquisa e contratamos tudo lá mesmo,,, Alugamos duas bikes, compramos águas e empanadas e partimos em direção a Pukará de Quitor. Pagamos a entrada na estradinha que leva a garganta del diablo, ouvimos as explicações do que havia no local e fizemos a volta completa pela garganta até a igreja de San Isidro. Passeio gostoso e bem divertido. Depois voltamos pela estradinha até Pukara de Quitor. Subimos até o ponto mais alto com uma vista incrível do pôr do sol. O tour astronômico também foi sensacional. Valeu a pena. Uma dica é comprar empanadas, pois são gigantes e muito gostosas (e baratas). O melhor de San Pedro foi ter conhecido uma bonita família da Alemanha na gélida laguna Cejar,,, as amizades improváveis que surgem nessas viagens são um verdadeiro tesouro. 


       



      . San Pedro - Arica - Tacna - Lima - esse foi um dia lonnnngo, mas, ao mesmo tempo, tranquilo. Saímos as 22 horas de San Pedro e chegamos as 06:00 hs da manhã em Arica. Queríamos conhecer as cuevas de Anzota, mas o receio de demorar na imigração e perder o voo fez com que deixássemos pra outra vez. De lá, tomamos um taxi compartilhado de uma espécie de empresa que fica ao lado do terminal de ônibus e cruzamos a fronteira com o Peru (desde que tomamos o taxi em Arica, mais os trâmites de fronteira e a chegada na rodoviária de Tacna levamos cerca de 1 hora no total). Tinha uma baita fila na imigração, mas andou rápido. Era nossa terceira fronteira. Chegamos em Tacna, tomamos um café da manhã próximo ao terminal de ônibus, trocamos algum dinheiro e fomos pro aeroporto. Lá ficamos algumas horas esperando até a partida para Lima. O voo foi pela Viva Air Peru, custou 65 dólares por pessoa (com as bagagens incluídas). Pela distância enorme entre as duas cidades achamos o valor bastante bom. Saímos pontualmente as 14:45 hs e chegamos as 16:30hs no aeroporto de Lima. De lá fomos pro bairro Miraflores, onde havíamos reservado o airbnb da Diana. Vou comentar aqui porque foi o melhor airbnb da viagem: um quarto enorme, com banheiro, tv a cabo, wifi e etc. A localização é excelente (Calle Porta 264 en Miraflores - R$ 98 o casal) e a Diana gente finíssima. Muito amável e prestativa. Acabei deixando pra avaliar ela depois da viagem e descobri que não podia porque o airbnb dá o prazo de 15 dias pra avaliações. Daí resolvemos deixar a dica aqui, pra quem for a Lima.
      . Lima - foram 2 noites em Lima, adoramos o bairro de Miraflores. A cidade está sobre uma espécie de falésia, sendo que se vê a praia lá do alto. É uma região bem bonita com área pra caminhada, recreação e belos jardins, acompanhados da vista do mar, que fica uns 65 metros abaixo. Essa região é conhecida como Malecón. Fizemos diversas vezes a caminhada desde o shopping Larcomar até o farol e também nas imediações da Praça Kennedy. Em um dos dias acordamos cedo e saímos em direção ao centro histórico e catacumbas do convento de São Francisco, as quais recomendo como um passeio "diferente". A noite fomos até o Parque la Reserva (também conhecido como parque das águas - uma curiosidade é que choveu um pouco neste dia, coisa rara em Lima). Um passeio bem legal e que gostamos bastante. O parque é meio afastado e tomamos um taxi. Na volta tivemos que pechinchar porque os valores variavam muito e já era tarde. Queríamos muito conhecer o museu de arqueologia, mas estava em reforma por 2 anos. Desta forma, fomos ao Museu Larco. Pra quem curte arqueologia esse é um museu imperdível, pois além de estar em uma propriedade linda, o acervo é incrível. Vale a pena o passeio guiado, pois é barato e nos deu informações bem legais. O restaurante do museu também vale a pena (não é barato, mas também não é um valor abusivo). Além deste museu conhecemos o Museu de Arte de Lima, o sítio arqueológico de Huaca Pucllana e o bairro Barranco. Lima foi uma grata surpresa, em especial o museu Larco, a comida muito boa (lomo saltado, papa a la huacachina, frutos do mar, etc...), e a beleza do Malecón. Depois de dias muitos bons partimos em direção ao terminal de ônibus da empresa Oltursa, em direção a Huaraz.



      . Huaraz - a cidade mudou bastante desde a última vez (em 2003) que estive lá. Ficou um pouco mais feia e bem maior do que era. Chegamos e fomos pra um airbnb que havíamos reservado (El Alamo Amuk - R$ 55 o casal). O local era razoável, um quarto enorme com banheiro dentro, porém um pouco inferior as fotos que vimos. O problema foi que ficamos 2 (dos 4 dias) sem água, devido a manutenção da prefeitura naquela rua (baita azar,,,, não foi culpa do local, mas mesmo assim não foi nada agradável... ). Havia combinado os possíveis passeios uns meses antes com a agência Scheler (whatsapp +51 943 397 706 - site: http://www.schelerhuayhuashtrek.com/) e nos demos bem. O cara (o Scheler) foi totalmente solícito, gente finíssima (ajudou em tudo), e os passeios ocorreram de forma excelente. Nos arrependemos de não ter ficado na pousada dele. Fizemos os seguintes passeios: Llanganuco (imperdível,, no caminho conhecemos outras cidadezinhas da região, inclusive a histórica cidade de Yungay - soterrada em segundos, por uma avalanche em 1970 - tomamos sorvetes típicos, doces de leite tradicionais da região e queijos), Glaciar Pastoruri (chega-se a cerca de 5050 metros de altitude - cansativo mas gostamos bastante), Sítio Arqueológico Chavín (quem gosta de arqueologia esse é o lugar - na pirâmide principal é possível entrar nas galerias subterrâneas,,, um local incrível). Tínhamos a intenção de ir até a laguna 69 e laguna Parón, mas o tempo não ajudou e ficará para uma próxima viagem. Uma dica é conhecer o excelente museu arqueológico de Ancash e tomar um suco de limão com ervas na creperia do Patrick (na avenida principal). Na noite do último dia fomos ao terminal da empresa Linea Bus, onde viajamos para a cidade de Trujillo.

           



      . Trujillo - chegamos na cidade umas 06:30hs da manhã. Tomamos um taxi até o hotel Strenua Las Quintanas (R$ 81 o casal). Excelente local (banheiro, frigobar, microondas, cafeteira, tv a cabo, café da manhã excelente no quarto e muita simpatia). Não fica tão próximo ao centro mas fizemos a pé o trajeto numa boa. O próprio hotel ofereceu o tour que fizemos. Visitamos as Huacas Esmeralda e Arco Íris, depois fomos a cidade de barro de Chan Chan (centro da cultura Chimú). O tour nos levou para almoçar na praia em Huanchaco. Poderíamos comer em qualquer restaurante. Escolhemos um com vista. Provamos o famoso ceviche da região. Tivemos ainda tempo de dar uma voltinha pela praia e caminhar até o pier. Depois o passeio seguiu em direção a Huaca de la Luna (cultura moche,,,, local imperdível). A noite curtimos a belíssima praça central de Trujillo. Uma cidade com um centro histórico bem preservado e multicolorido. No dia seguinte tomamos um tour para conhecer o complexo El Brujo. Depois de cerca de 1 hora chegamos ao complexo. Visitamos o sítio arqueológico e depois o museu. Pela forma como foram encontrados seus restos mortais, a Dama de Cao foi alguém muito importante,,, provavelmente uma governante. A huaca (como eles chamam os templos) é impressionante. O interessante é observar que se pode ver dezenas dessas huacas pelas redondezas. Há centenas delas na região. Foram culturas muito organizadas e poderosas, que persistiram por séculos. A quantidade de objetos de arte, inclusive feitos de ouro, é muito grande. Uma curiosidade é que em quase todos os sítios arqueológicos da região é possível ver o Viringo (o cachorro sem pelos que era comum na época das antigas culturas da região). Após visitar o museu voltamos pra Trujillo, descansamos e tomamos um ônibus para Chiclayo (3:30 hs de viagem). Nos sentimos os "indianas jones" nessa viagem.






      . Chiclayo e Lambayeque - Chiclayo é uma cidade enorme,,, achamos Trujillo bem mais bonita. Nos alojamos no Hostal Satélite (55 reais o casal). É um alojamento bemmmm simples e fica numa avenida afastada do centro. A dona é muito simpática e o "coronel" (o cachorrinho super amável) deu as boas vindas. Mas o local é muito simples mesmo. Contratamos um tour que nos levou para Huaca Rajada, onde visitamos o sítio arqueológico (onde foi encontrada a tumba do Sr. de Sipán), bem como o pequeno mas interessante museu local. Foi um passeio que valeu a pena. Logo depois o tour seguiu para a vizinha Lambayeque. Primeiro paramos para um almoço e compra de um doce típico local (o alfajor King Kong,,,, não curtimos o doce não hehe). Fomos para o museu arqueológico Bruning e, logo depois, a cereja do bolo, o museu Tumbas Reales de Sipán. Sensacional !!! (pena que não permite fotos internas). Faltou conhecer o "estranho" parque Yortuque, um local com estátuas bem loucas,,, e a cidade praiana vizinha de Pimentel (precisaria ficar cerca de 3 dias para conhecer com calma o local). Uma dica pra comer são os cafés/restaurantes que ficam na praça da catedral de Santa Maria (praça chamada parque principal). Bom preço e comida excelente. A noite tomamos um mega super ultra confortável ônibus da empresa Movil em direção a cidade de Chachapoyas.




      . Chachapoyas - está aí uma região com muito a oferecer. Chegamos logo cedo na pequena e bela cidade,,, um ar de interior com um centro bem preservado e com casas em tom marrom e bege. Nossa hospedagem foi em um airbnb na Jirón Junin, n° 731 (R$ 89 reais o casal) . Gostamos do local, um quarto separado (com banheiro e tv) na casa da Sra. Ritha. Muito simpática e receptiva. Há poucas quadras do centro e de frente para uma pizzaria familiar muito boa. Ficamos 4 dias na região e contratamos alguns passeios na praça principal. Conhecemos os seguintes lugares:
       -> Kuélap - imperdível,,, partimos na van em direção ao povoado de Nuevo Tingo. Pra chegar na cidade murada dos Chachapoyas, a mais de 3.000 metros de altitude, tomamos um teleférico que por si só é uma atração (são 4 km percorridos em cerca de 20 minutos). A cidade é toda murada, possui apenas três entradas e tem construções circulares. Foi um passeio excelente, apenas o guia era meia boca,,, um cara muito ruinzinho (no passeio seguinte trocamos de agência e o outro guia foi muito bom). Neste local também fizemos amizade com um casal de viajantes da Austrália. No caminho para Kuélap estão as ruínas de Macro, as quais é possível acessar passando por uma espécie de gôndola com cabos de aço para cruzar o rio. Não conseguimos ir pela falta de tempo, mas pareceu interessante.




        -> Catarata Gocta - fizemos por conta própria. Tomamos uma van - transporte público - até um ponto na estrada onde há tuc-tucs. Um deles nos levou 5 km acima até Cocachimba, o vilarejo onde tem início a trilha para a parte baixa da catarata. Ficamos fãs dos tuc-tucs,,, são baratos e estão por todos os lados. Compramos as entradas e partimos pela trilha (6 km em cerca de 2:45hs). A trilha é tranquila, bem marcada e não necessita guia. É mais tranquilo (fisicamente) ir do que voltar . Chegamos na frente da catarata (na verdade são duas quedas somando 771 metros). É claro que entrei na água gelada,,,, nadei até o outro lado do laguinho e fiquei curtindo a paisagem por um tempo (não vimos ninguém mais se aventurar a nadar ali). Uma sensação incrível de leveza. É um passeio muito bonito e agradável. Na volta, quase no final da trilha, havia uma casinha onde o morador local vendia café (que ele mesmo cultivava), variedades de cachaça (produzidas por ele) e a bebida chamada "arapa" (ou algo assim,,, derivada do bagaço de cana e muito apreciada localmente por ser barata e ter algo de álcool). Pra adoçar eles usam a "panela", um adoçante que acho que é rapadura moída. Ainda almoçamos em Cocachimba e voltamos a Chachapoyas via tuc-tuc + van na estrada.



       -> Pueblo de los muertos - caminhamos até a rodoviária da cidade e tomamos uma van em direção a cidade de Lamud. Passamos por Luya e poucos quilômetros depois descemos na praça principal de Lamud (creio que 1:30hs de viagem). Perguntando aqui e ali nos indicaram um local próximo (1 quadra e meia descendo a praça). Trata-se um pequeno galpão com algumas múmias e artefatos arqueológicos repleto de botas de plástico (estilo galochas) e roupas para quem vai explorar a Caverna Quiocta. Uma moça nos recebeu e deu informações sobre o "pueblo de los muertos", disse que era domingo e que estava sem as chaves do sítio arqueológico. Pediu para esperarmos um pouco e se foi. Ficamos ali observando os folders colocados nas paredes e vimos que há muitos lugares para explorar a partir de Lamud. Havia opções para a Caverna Quiocta, para os Sarcófagos Karajia e para outros locais com sarcófagos menos conhecidos. Depois de um tempo ela nos cobrou dois tíquetes (um valor simbólico) e deu as chaves pra gente. Perguntamos como podíamos fazer para chegar lá. Ela ficou surpresa e perguntou se não estávamos de carro. Dissemos que não,,,,, daí ela indicou os tuc-tucs da esquina. Combinamos o preço com o motorista e ele nos levou. São cerca de 9 km até o início da trilha. Haja bunda,,,,  Começamos a descer até a encosta onde fica o local onde ficavam depositadas as urnas funerárias. A trilha é uma descidona boa,,, mas em uns 40 minutos estávamos no portão de entrada. Abrimos com as chaves que a moça nos deu e ficamos ali por cerca de 1 hora. No caminho é possível ver, bem ao longe, a catarata Gocta. O local é impressionante, com vistas alucinantes do penhasco e um tanto quanto perigoso quanto à quedas. Tem que ir com muito cuidado e não abusar. Ainda há alguns sarcófagos inacessíveis que se vê na encosta, mas as "casinhas" onde ficavam a maioria deles estavam vazias e semi destruídas. Com certeza caçadores de tesouros retiraram quase tudo dali. O fato de estarmos sós neste lugar foi algo diferente. Fechamos o portão com as chaves e retornamos pela trilha morro acima. O tuc-tuc estava lá esperando e nos levou de volta a Lamud. O local onde pagamos os tickets estava fechado, assim que (conforme combinado), deixamos as chaves na farmácia chamada "Botica Sanchez". Almoçamos e retornamos de van para Chachapoyas, felizes e cansados.
       






        -> Revash e Museu de Leymebamba - saímos num tour em direção a pequena vila de San Bartolo. Depois de umas 2 horas chegamos na pracinha de onde sai a tranquila caminhada (uma meia hora) até os mausoléus de Revash. Impressionante as casinhas pintadas de vermelho e branco. Muito bem conservadas. Na região há diversas delas, mas essas são as mais acessíveis. Dá pra chegar bem pertinho mesmo. Tiramos algumas fotos, curtimos a paisagem e retornamos à van. Logo em seguida seguimos para a cidadezinha de Leymebamba, onde almoçamos e fomos ao interessantíssimo museu (que fica meio afastado do povoado). Um museu muito bem organizado com um acervo único: mais de 200 múmias e objetos encontrados nas encostas da laguna de los condores (3 dias o passeio até o local - não fizemos), além de explicação da cultura Chachapoyas, maquetes, animais mumificados, instrumento feito de concha marinha chamado "pututu" (inclusive se pode soprar para escutar o som), etc. O bom é que se pode tirar fotos sem restrições. Logo após a rica visita guiada regressamos para Chachapoyas. Foi um grande dia !




      O potencial turístico da região é muito grande,,, não conhecemos vários lugares: cânion de Sonche, ruínas de Macro, sarcófagos de Karajía, caverna Quiocta, trekking gran Vilaya, etc). Além disso, cada ano se descobrem novos sítios arqueológicos. Há passeios mais "nervosos" como o trekking até a laguna de los condores (3 dias no total) e o "nervosíssimo" e absolutamente incrível Gran Pajatén. Recomendamos muito o norte do Peru, repleto de belezas naturais, sítios arqueológicos, museus, boa comida, etc. Os preços são mais baratos que a região de Cusco e há poucos turistas e muito o que ver. Como curiosidade, não encontramos brasileiros em Huaraz, Trujillo, Chiclayo e Chachapoyas. Também não deu pra conhecer a região de Cajamarca e as praias do norte do país... quem sabe um dia...
      Na madrugada, seguimos viagem numa van turística em direção ao aeroporto da cidade de Jaén, a 220 km (umas 4 horas), onde saiu nosso voo para Cusco (com escala em Lima).
      Pequeno aeroporto em Jaen:

      De dentro do Tuc-Tuc próximo ao aeroporto de Lima (demos uma voltinha até chegar a hora do voo para Cusco):
      . Cusco - chegamos mais uma vez na espetacular cidade de Cusco. Vendo as pedras que formam a base das construções não há como não tentar imaginar como era a cidade no auge do império Inca. Chegamos no aeroporto e já negociamos um taxi até o lúdico e pitoresco Hostal Royal Frankenstein (R$ 75 o casal), do alemão Ludwig, uma cara gente boa e muito bem humorado que dá todas as dicas que precisar. O hostal é simples, limpo e com excelente localização (em cada canto tem algo inusitado). Recomendamos ! Como em outras viagens já havíamos conhecido Machu Picchu, o Vale Sagrado dos Incas e uma boa parte de lugares da região, nos concentramos onde ainda não havíamos estado. Curtimos a cidade em si,,, caminhamos sem rumo pelas ruas, almoçamos um almoço bem fraquinho no mercado municipal, assistimos a uma apresentação de dança folclórica e deitamos no gramado em frente a Qoricancha (centro religioso Inca). No dia seguinte tomamos um tour para o sítio arqueológico de Moray (enormes círculos em terraços, com vários níveis, que devem ter servido de adaptação para cultivo de milho e batatas). Um local muito bonito! Fizemos paradas em alguns lugares onde há apresentações de como os antigos tingiam os tecidos para fazer roupas e de como era a produção de cerâmica; venda de chocolates com sal de Maras; e etc. Finalizamos o dia nas salinas de Maras,,, outro local bastante peculiar. Valeu a pena conhecer. No dia seguinte fizemos uma caminhada da plaza de armas em direção a Saqsaywaman. Visitamos o sítio arqueológico e fomos ao nosso objetivo principal: brincar no escorregador natural de pedra, chamado "suchuna" (garantimos que a descida é veloz ). Depois caminhamos até o sítio arqueológico de Qenqo e regressamos a pé até Cusco. Fomos dormir cedo porque, conforme havíamos combinado com a guia Suzana, as 3 hs da madrugada sairíamos em direção a Waqrapukara, uma joia da região.
      Hostal Royal Frankenstein - Cusco:

      A tinta na mão da moça vem de um bichinho que fica num cactus da região:









      . Waqrapukara ("waqra": chifres; "pukara": fortaleza) - esse é um daqueles lugares únicos,,, uma rocha gigante na beira do cânion do rio Apurímac, com duas saliências (como se fossem orelhas ou chifres), com um platô plano no alto. Acredita-se que o local foi construído pela cultura Kana e que era usado como local cerimonial, posteriormente foi dominado pelos Incas que agregaram construções ao local e agregaram a função de fortaleza ao local. É como se fosse uma pequena Machu Picchu. As 4 hs da manhã a Suzana apareceu com o motorista (um primo dela) e saímos em direção a rota que passa por Sangarará. Paramos para tomar café da manhã em um vilarejo a beira da estrada. Depois, cruzamos uma lagoa muito grande e teve início uma estradinha de terra bem estreita e cheia de curva pela encosta (uns 9 km), até que a única forma de seguir era a pé. O carro nos deixou ao lado de uma pequena lagoa de águas escuras onde havia uma casinha de um criador de ovelhas e alpacas. De lá subimos pela trilha na lateral direita da lagoa e logo tomamos uma parte mais plana e alta. A trilha é super bem marcada e tranquila, mas a falta de fôlego nos fez lembrar que estávamos a 4.500 metros de altitude. Depois de um tempo começamos a descer suavemente e, umas 2 hs depois, chegamos a Waqrapukara (cerca de 8 km de trilha). O céu estava muito azul,,, um dia maravilhoso. O local é impressionante, repleto de escadarias de pedra e construções. Não pagamos nada para entrar, apenas anotamos os nomes no livro do guarda parque. Ficamos um tempo por lá e a Suzana realizou uma espécie de agradecimento a Pacha Mama. Havia apenas alguns gatos pingados por lá. Pouquíssima gente. Depois de um tempo começamos a regressar. A volta é uma subida suave, mas que cobra seu preço. Levamos um pouco mais de 3 horas para chegar ao carro, com direito a várias paradas para beber água. Regressamos a Cusco cansados e muito felizes. Obs.: há outras rotas para conhecer Waqrapukara: pelo vilarejo de Huayqui (penso que essa deva ser a rota mais bonita, pois segue a encosta do cânion - também acredito que deva ser a mais fácil de se fazer por conta própria, pois há transporte de Cusco até Acomayo, e de lá até Huayqui), e por Santa Lucía.




      . Yauri/Espinar - saímos cedo do hostal Frankenstein e um taxi nos deixou num terminal de ônibus na rua Huayruru Pata (terminal Sicuani - empresa Coliseo), de onde saem coletivos para Sicuani. Depois de uns 140 km e 2 horas e pouco de viagem, fomos deixados na garagem da empresa (Av. Cesar Alvarez). Perguntamos e, próximo dali, saíam os ônibus para Yauri. Mais 70 km e quase 2 horinhas e chegamos na cidade (que é bem grandinha). Tomamos nosso tradicional tuc-tuc e descemos na praça principal, onde lemos que haviam vários pequenos hotéis. Ficamos no excelente e frio Real Apart Hotel (R$ 60 reais o casal). Foi uma positiva surpresa, por isso recomendamos. Na manhã seguinte um tuc-tuc nos deixou onde saíam os ônibus para os Três Cañones de Suykutambo. É preciso chegar antes das 8 hs, pois só há um único ônibus no dia, saindo cedo e regressando de tardezinha. Quase não conseguimos um lugar. Em pouco tempo havia muita gente do campo (com muitas crianças pequenas) e ônibus saiu mega lotado, com gente em cima uns dos outros (literalmente). Depois de uns 30 km descemos numa parada que fica bem no encontro dos três cânions. O motorista advertiu para não perdermos o horário da volta, que seria as 15:30hs. Descrevo o local como surpreendente, com sítios arqueológicos da cultura Cana e paisagens absurdamente belas. Cruzamos o rio Apurímac (um rio maravilhoso) e pegamos uma trilha até o alto de um dos paredões. A subida é boa (vale lembrar toda a região está acima dos 4.000 metros,,, ufaaa!). Tiramos umas fotos e apreciamos a vista. Depois retornamos por um caminho que tem inicio próximo da parada do ônibus e que nos levou até um sítio arqueológico chamado T'aqrachullo (ou Maria Fortaleza). O local é turístico e tem indicações. Subimos até o alto de outro paredão onde a vista dos três canions é fantástica (essas subidas são de cerca de 100 metros de desnível). Lá no alto tem muitas ruínas do sítio arqueológico, com construções circulares (típicas da cultura Cana). Descemos pelo mesmo caminho e seguimos as indicações até outras ruínas fantásticas (de onde já se pode observar a presença da arquitetura Inca). Depois retornamos a estrada e fomos caminhando (7 km) até as ruínas de Mauk'allaqta. Cruzamos novamente o rio por uma ponte de metal antiga e pegamos a trilha até o sítio arqueológico. Este era ainda mais incrível que os demais, com dezenas e dezenas de construções circulares, inclusive uma "chulpa" (urna funerária) com a cúpula de pedra. Ficamos um tempo aí e voltamos a estrada para esperar o ônibus que nos levaria de volta a Yauri. Por sorte, um casal muito gente boa (de Arequipa) estava passando de caminhonete e ofereceu carona. Era um casal que havíamos visto no início do dia próximo aos três cânions. Voltamos e nos deixaram na praça onde ficava nosso hotel. Quando descemos do carro vimos que eles também estavam hospedados no mesmo local. Coincidência boa. Depois jantamos juntos num restaurante típico local e acabamos por fazer amizade com eles. No dia seguinte pegamos o ônibus de volta a Sicuani e, de lá, uma van até Puno, onde dormimos uma noite e depois seguimos viagem até La Paz, via desaguadero. Não deu tempo de conhecer K'anamarka e outras atrações da região (termas, vilarejos e etc). São necessários pelo menos 2 dias livres (sem contar a chegada e a saída) para conhecer bem o local.










      . La Paz - chegamos em La Paz pela manhã, a viagem e a passagem pela fronteira foram tranquilas pra gente, porém não podemos deixar de registrar que algumas pessoas levavam chocolates (comprados em Cusco) e (absurdamente a nosso ver) ficaram retidos. Bem,,, da rodoviária seguimos a pé em direção ao Loki Boutique La Paz (R$ 112 o quarto de casal - um pouco acima do que vínhamos pagando em hospedagem até então). O quarto e o banheiro são excelentes. O único probleminha é que, durante a noite, ouvíamos ratos dentro das paredes do antigo casarão (mais especificamente numa das tomadas do quarto). Gravei e mostrei para a administração do hostal, mas não tinham outro quarto,,, assim que ficamos ali mesmo. Muito estranho dormir com os ratos fazendo ruídos a noite toda. Já estivemos muitas vezes em La Paz, uma cidade única,,, ainda mais agora, com o sistema de teleféricos cruzando a cidade de cima a baixo. É uma mescla de caos urbano com um ar de aventura. Muitos mochileiros de todo o mundo cruzando as ruas agitadas e, ao fundo, a paisagem maravilhosa do nevado Illimani. Nosso objetivo inicial era descansar na cidade e fazer alguma trekking/montanhismo. Desistimos do Sajama pelo alto custo que implicaria e acabamos não indo desta vez ao Parque Condoriri, onde pretendíamos conseguir algum transporte até a trilha que leva ao Pico Áustria (um mirante maravilhoso). Acabou que aproveitamos pra curtir a cidade em si e descansar uns dias. Andamos muito a pé e de teleférico. Visitamos: Calle Jaén (artesanatos), Mirador Killi Killi, Parque Urbano Central, Mirador Laikakota (o escorregador de cimento liso vale muito a pena), Zona Sul da cidade, inclusive fomos ao Valle de la Luna. Na volta paramos em outro escorregador (altíssimo) de cimento. Ficamos ali brincando por um tempo até retornar ao centro da cidade de teleférico. Um lugar bem legal é o café chamado Kuchen Stube (rua Rosendo Gutierrez - próximo a praça Eduardo Avaroa). Nos dias em que ficamos em La Paz houve desfiles por toda a cidade. Foi muito legal ver o pessoal ensaiando nas praças à noite e desfilando nos dias seguintes. Teve até uma espécie de desfile de carnaval (um megaevento da cidade). Fomos convidados pelo Juan, pela Miroslávia e por seu filho Nils (amigos de longa data e donos da agência de turismo http://hikingbolivia.com/ - aproveito para indicar a agência pela competência e honestidade deles) para um jantar e depois para participar de uma cerimônia tradicional local para pedir um ano bom a Pacha Mama. A cerimônia foi bastante diferente de tudo que havia participado. Um momento interessantíssimo da viagem e expressão da cultura local. Na noite seguinte viajaríamos de ônibus até Cochabamba, entretanto, conseguimos um voo pela BOA (https://www.boa.bo/) por incríveis 99 reais. Partimos logo cedo para Cochabamba.









      . Torotoro - chegando no aeroporto de Cochabamba tomamos um taxi até a Av. República, onde saem as vans para Torotoro. Esperamos uns 40 minutos até lotar e saímos. Foram 137 km em cerca de 3:40hs (35 bolivianos por pessoa - uns 19 reais). Estão construindo uma rodovia nova entre Sucre e Cochabamba, mas quando fomos a estrada estava bem judiada. Antes de chegar, há vários zigue zags na estrada. Torotoro é mais uma pequena vila que uma cidade,,, tem muitos hostals, duas pizzarias e poucos restaurantes. Está a 2.700 metros de altitude. Ficamos no Hostal Torotoro (R$ 75 o casal), onde há uma entrada imitando caverna e quartos razoáveis, entretanto é bem mal administrado por duas adolescentes. Para ter água quente era necessário pedir e esperar. A pequena vila é base para passeios incríveis. Tem uma pracinha e vários edifícios com réplicas de dinossauros. Para fazer os passeios é necessário contratar um guia da cooperativa de moradores da região. Pessoas super bem treinadas e educadas. Gostamos muito da organização. O primeiro a fazer é passar no escritório de registro do Parque Nacional Tororo. A entrada custa 100 bolivianos (uns 60 reais) e vale por 4 dias. Cada tour tem um custo adicional e pode ser dividido em até 6 pessoas. Chegamos no local onde saem os guias e já montamos um grupo com 6 pessoas para conhecer o El Verguel + Cânion de Torotoro. O valor foi cerca de 160 bolivianos, que dividimos em 6. Fizemos o trajeto a pé mesmo, pois achamos mais interessante (cerca de 10 km ida e volta, contando a entrada no cânion). O guia era muito gente boa. Logo na saída da cidade há uma encosta com incríveis pegadas de dinossauros de vários tipos. Depois seguimos por uma estradinha de pedras até chegar a uma trilha que segue por uma espécie de leito seco de um rio. Neste caminho há formações rochosas bem legais e pegadas de vários períodos (Triássico, Jurássico e Cretácio) de 4 famílias de dinossauros (Anquilossáurios - quadrúpedes herbívoros; Terópodos - carnívoros; Ornitópodos - herbívoros de quatro patas que também caminham em duas; Saurópodos - os de pescoços longos). Algumas são do tamanho de uma pessoa. Chegamos num mirante de metal, de onde se vê o cânion de cima. Um lugar único! Depois de um tempo ali iniciamos a descida até o rio Verguel,,, cerca de 850 degraus de pedra. Seguimos por dentro do cânion até chegar num laguinho de água bem fria. Do outro lado uma cachoeira que o guia jurava que era de água morna. Fomos os únicos que arriscamos ir. E não é que o guia não mentiu. Uma água cristalina e morninha. O duro foi voltar pela água gelada do laguinho hehe. Regressamos lentamente, subindo os degraus e fazendo a trilha de volta até a cidade. Um dia espetacular!  Na manhã seguinte formamos um grupo com dois casais de espanhóis e o mesmo guia do dia anterior. Pagamos cerca de 600 bolivianos (100 para cada pessoa) e saímos num carro em direção a Ciudad de Itas + Caverna Umajalanta. O primeiro destino foi a Ciudad de Itas (uns 20 km de Torotoro e 1.000 metros mais alto). É uma trilha bem tranquila, passando por formações rochosas que lembram vários animais. Há inúmeras grutas e passagens entre as rochas, formadas pela erosão das chuvas. Algumas formam galerias enormes. Uma curiosidade é que foram encontrados artefatos da cultura Guarani na região ("Ita" = pedra em Guarani). Disseram que é o local mais alto (cerca de 3.700 metros) com registro dos Guaranis. Também passamos por pinturas rupestres. Foram cerca de 4 km (ida e volta). A próxima parada foi o almoço num local com uma vista sensacional. O almoço (pago a parte do passeio) foi excelente. Seguimos para o local onde fica a caverna de Umajalanta. O carro nos deixou a 1 km da boca da caverna e seguimos por uma trilha bem gostosa de se fazer e com pegadas de dinossauros pelo caminho. Antes de entrar há uma parada para colocar os capacetes com lanternas e deixar as mochilas. A caverna é magnífica e um tanto quanto "aventureira". Descemos diversas vezes em cordas com nós,,, cruzamos passagens muito estreitas e nos arrastamos entre o teto e o chão. No final há um laguinho com peixinhos sem olhos (típicos de cavernas). Outro dia incrível para não esquecer...      Regressamos a Torotoro e saímos pra comer uma pizza. Uma dica: Torotoro está entre Cochabamba e Sucre e há possibilidade de "transfer" de Torotoro para Sucre. São 6 horas de viagem de carro e só não usamos porque já havíamos comprado as passagens aéreas. Os espanhóis conseguiram fechar um carro e partiram até Sucre. No dia seguinte nós tivemos que regressar, numa épica e muito empoeirada viagem de van, a Cochabamba, pois de lá tomamos um desses voos econômicos para Sucre. Por conta de um tiozinho (muito sem noção) que atrasou a van em quase 1 hora, chegamos no aeroporto cerca de 20 minutos antes da saída do voo. Foi um desespero, pois despachamos as bagagens e embarcamos de forma imediata, mas deu tudo certo.




















      Torotoro vista no voo Cochabamba a Sucre:

      . Sucre - chegamos ao aeroporto e achamos tudo muito organizado. Pegamos uma van até o centro de Sucre por um valor muito bom (se fôssemos de táxi sairia umas 8 vezes mais). Caminhamos até o hostal La Casa Verde (R$ 150 reais o casal - foi a hospedagem mais cara de toda a viagem), bem localizado (poucas quadras da praça central) e com um excelente café da manhã. A cidade foi uma grata surpresa. O centro histórico é muito bonito, todo em estilo colonial e muito bem preservado, com muitas opções de restaurantes, cafés e lojas de chocolate e artesanato. Na praça, em frente a Catedral Metropolitana de Sucre, pegamos o ônibus do "Parque Cretácico". Trata-se de ...
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       

    • Por Banes Gonçalves
      insta @banesgoncalves


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