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Wesley Felix

Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)

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Mochilão

 

Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)

 

“Não tenha medo de morrer feliz, tenha medo de viver triste”. – (Jeison Morais)

 

Porque mochilão? Quando disse para minha família e amigos que iria fazer uma viagem com uma mochila cargueira nas costas ao invés de malas, sozinho, pelo Peru, Bolívia e Chile, e sem data pra voltar, a grande maioria duvidou que eu realmente a faria, essa maioria também questionou os destinos escolhidos e o restante embarcou na ideia dizendo o quanto isso era incrível e como gostariam de fazê-lo, quando retornei alguns quilos mais magro e moreno de sol, mas com aquele brilho nos olhos que só quem viveu um mochilão conhece, o que ouvi de todos foi o quanto era corajoso, louco e como devia ter sido incrível toda a experiência.

Acho que pra embarcar em um mochilão nós temos que estar em um modo diferente de ver o mundo e creio que todos os mochileiros, independente do nível de experiência, irão fazer uma mesma constatação, essa forma de viajar única vai te colocar em situações frequentemente mais desafiadoras que outras, em contato com pessoas reais em seus ambientes reais, e se você não estiver minimamente conectado e inclinado psicologicamente para isso, toda a experiência será muito frustrante. Penso que qualquer pessoa pode ser colocada em uma viagem de luxo em um cruzeiro internacional e com um mínimo de disposição será maravilhosa essa experiência, mas nem todo mundo pode fazer um mochilão se não estiver realmente disposto a experimentar o que isso significa. Definitivamente mochilão não é pra gente fresca.

O meu primeiro mochilão, mesmo que ainda não tivesse noção que o era, aconteceu por um acaso no começo de 2017 em um relato que já postei aqui no site e vocês podem conferir no clicando no link Conhecendo Manaus, através dele creio que também terão uma noção melhor de quem sou e como essa viagem foi importante pra adquirir uma nova visão de mundo que desembocou nessa aventura pela América do Sul.

Antes de prosseguirem devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, e seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, depois faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, em território boliviano tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro durante um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente, a viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, quanto ao dinheiro, esse não teve salvação, foi todo e a viagem não poderia ter sido melhor, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de três meses findados o mochilão, não alteraria em nada do que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento, obvio que as coisas podem sair do rumo esperado, faz parte, mas se seguir as dicas de todos os mochileiros decentes que conheço e conheci, as chances de dar errado são mínimas, quanto a mim só posso agradecer ao universo, Deus, aos deuses, a sorte e o que mais acredite por ter colocado pessoas tão incríveis no meu caminho e por tudo ter dado tão certo, desde antes da viagem, quanto durante ela.

Durante o relato vou tentar descrever os passeios, locais de visitação, meios de transporte, custos e sempre que necessário, em separado, as dicas e macetes que achei úteis.

Também pretendo publicar um livro, a parte, com detalhes do mochilão mais voltados para as experiências e pessoas que conheci durante essa viagem, quando tiver concluído, pra quem tiver interesse, aviso com mais detalhes, nele deverão estar presentes todas as informações que vou passar neste relato pro Mochileiros, mas como o que nos interessa aqui são informações mais voltadas para custos e dicas do que sensações em si, lá vamos nós.

 

GRATIDÃO E PLANEJAMENTO

 

Com o acesso a internet e a vários sites e grupos online de mochileiros que compartilham seus relatos e experiências de viagens, ficou muito mais fácil planejar um mochilão para qualquer destino já percorrido por alguém neste planeta. Quando estava na fase de me maravilhar com os relatos, a ideia inicial era ir de ônibus percorrendo toda a costa oeste do Brasil até o sul, e prosseguir pelo Uruguai, cruzar a Argentina e por fim subir o Chile até o Atacama, neste primeiro momento o Chile seria o único destino de parada, tendo apenas as paisagens dos outros dois países sul americanos como complemento da viagem – aqui início os meus agradecimentos, primeiramente ao @Gedielson quem fez esse percurso e depois um relato repleto de detalhes além da disponibilidade de outras informações nos comentários, gratidão a ti mano, a diferença é que ele saiu do sul do Brasil – depois de adiar o mochilão já no começo do ano acabei por encontrar outro mochileiro aqui no site, o @Diego Moier, um parceiro muito solicito que iniciou suas postagens sobre um famigerado roteiro pela Bolívia, Chile e Peru, no começo de junho, nesse momento já havia adiado duas das três vezes minha viagem remarcando tudo para agosto, de maneira que pude acompanhar ansioso cada postagem que o Diego fazia sobre sua jornada, a partir de então meus planos se alteraram completamente, e um novo roteiro começava se desenhar na minha mente, meu mochilão estava apenas começando. Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui, espero poder contribuir e inspirar alguém também em fazer algo incrível como mochilar haha, e antes de prosseguir peço desculpas pelo atraso em começar a postagem, mas depois que a gente larga tudo pra viajar, ainda tem uma vida repleta de boletos nos esperando, mas prometo fazer as postagens o mais rápido possível a partir de agora.

Durante semanas parte do meu tempo livre se resumia em ler e buscar informações dos destinos que pretendia percorrer pela viagem, as informações que não tinha no relato dos meninos eu ia buscando em outros relatos, e acredite, relatos super detalhados e repletos de dicas é o que não faltam na rede, agradeço mais uma vez todos que desbravaram não só novos territórios físicos e geográficos como também compartilharam suas experiências na internet, sem vocês tudo teria sido muito mais difícil e talvez nem ocorrido teria, então muito obrigado. Voltando do momento gratidão, a síntese pra quem se dispõe a cair na estrada é ter uma boa operadora de internet para poder navegar e encontrar muita informação e conselhos detalhados de gente que já fez esses percursos, eles são uma base segura para montar sua viagem e planejar os roteiros, passeios, gastos com alimentação, costumes, dicas de lugares para comer, dormir, se divertir, o que levar, o que não levar, cuidados que se deve ter e muito mais, e mesmo que tenha preguiça de ler tudo, lhe garanto que a fase de se maravilhar vai te impedir de fazer outra coisa que não ler e ler e reler todos os relatos e dicas que possa achar.

Viajar por países andinos, em qualquer época do ano, vai lhe exigir o mínimo de roupas de frio, como moro na Amazônia brasileira, roupas de frio é item em falta em meu guarda roupas, então, se esse também for seu caso, comece por uma lista de roupas que irão te livrar de virar um picolé brasileiro em terras estrangeiras, o segredo para isso é se vestir em camadas, no mínimo um conjunto segunda pele térmica, depois uma blusa de frio fleece e por ultimo uma jaqueta corta vento, três camadas devem ser suficientes para enfrentar até menos dez graus que foi a temperatura mais baixa que enfrentei durante a viagem e estou aqui com todos os dedos para contar a história, no entanto é possível que enfrente temperaturas ainda mais baixas dependendo da estação do ano, no mais a sensação de frio varia de pessoa pra pessoa, então nesse caso menos não é mais. Por outro lado um mochilão, apesar do nome no aumentativo, não é uma mala nem um mini guarda roupas, poucas coisas cabem dentro dele, ainda mais se tratando de roupas de frio que tendem ser mais volumosas, assim sendo, é importante que tenha bom senso na hora de montar sua lista e mais bom senso ainda na hora de montar seu mochilão e não se preocupe, ao final da viagem você vai ver que não precisava ter levado tudo que colocou nele, não porque irá adotar o habito de algumas nações de não tomar banho todos os dias – e não estou falando dos sul americanos –, e sim porque há serviços de lavanderia em boa parte dos hostéis ou cidades por onde vai passar, então não compensa carregar metade de seu guarda roupas nas costas. Leve roupa pra passar de uma a uma semana e meia, isso deverá ser o suficiente para se virar, até porque repetir roupas é algo mais que comum nestas viagens o importante será passar pelo teste do olfato, se aprovado, é o que tem até o próximo banho.

Por isso é importante ter noção de para onde se está indo, em qual época, os passeios que pretende fazer, é nesta base que poderá montar sua mochila, de forma eclética, talvez não tenha pretensão de ir para um lugar frio, mas vai que durante a sua passagem o tempo mude e a temperatura caia para menos vinte célsius, é bom ter aquele agasalho que sua mãe tanto fala, tudo bem que você vai morrer de qualquer jeito, mas vai morrer mais quentinho pelo menos.

Como tinha pretensão de fazer alguns trekkings, e pelo menos um ao certo, investi em um coturno impermeável, não façam isso, pelo menos não de última hora, hoje ele está muito confortável, mas durante a viagem eu amaldiçoei cada segundo do momento que tive a ideia de compra-lo, além do que, mesmo que não impermeáveis, existem calçados mais apropriados para trilhas que um coturno – a menos que você seja um militar e assim como eles muito mal pagos pra sofrer – aconselho que invista até mesmo em um bom tênis de corrida e caminhada que será mais confortável e inteligente, uma vez que o outro calçado que levei foi um tênis já bem gasto com o qual fazia minhas caminhadas pela cidade e foi ele quem me salvou de ter um ataque do coração, acabou que só usava o coturno quando estava me deslocando em algum transporte entre as cidades porque se coloca-se no mochilão teria que me livrar de três quartos das minhas roupas, risos de raiva.

Mas antes das roupas e calçados, antes de pensar em viajar, tenha sempre em dias seus documentos atualizados e prontos, já havia tirado meu passaporte um ano antes e foi este documento que usei para sair do Brasil – mesmo que atualmente a maioria dos países sul americanos exijam apenas a carteira de identidade com menos de dez anos de expedição, o passaporte é o melhor documento para viagens – também é importante ter conhecimento das condições necessárias para entrada e/ou permanência nos destinos escolhidos, para tanto o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, disponibiliza na web uma pagina onde constam os documentos e procedimentos necessários, como documentos exigidos, necessidade de visto e moeda, vacinação, alertas para turistas, entre outros, esse tipo de planejamento é muito importante porque a retirada de documentos geralmente ocorre de forma lenta em determinadas regiões do país, como a minha por exemplo e pode atrasar sua viagem em meses. No mais é importante ter em mente que as atualizações referentes a procedimentos de entrada em outros países se alteram com frequência, por isso é importante estar sempre de olho em possíveis mudanças como a necessidade de vacinação para entrar em outras nações, quando exigido, a comprovação só é feita através do Certificado Nacional de Vacinação, documento expedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em seus escritórios regionais e locais, mas é possível que nem todo município disponha do serviço, o mesmo vale para a confecção de passaportes e vistos.

Tendo os documentos prontos é importante também pensar em ter uma cobertura mínima em caso de possíveis problemas, ter seguros de toda espécie é uma boa opção, mas um fundamental é o seguro saúde uma vez que em terras estrangeiras qualquer procedimento que exija atendimento hospitalar vai lhe custar muito dinheiro fora a medicação e outros possíveis gastos, então invista em uma cobertura deste tipo tendo em vista os lugares em que vai se aventurar e passeios que pretenda fazer. Hoje existem diversas opções de bons planos que fornecem uma ótima cobertura com valores bem acessíveis a todos os bolsos e gostos, e lembre-se, ninguém pensa em morrer – bate na madeira – mas se ficar doente no exterior já é ruim, partir pra outra é ainda pior, o custo e burocracia são infernais, claro que não estará aqui para ver isso, mas em muitos planos um auxilio translado também está incluso no preço final, por isso olhe bem tudo que está incluso e compare, tem planos com mais opções e preços mais baixos, basta pesquisar.

Pra terminar seu planejamento, você irá necessitar de uma mochila de ataque, certamente você a carregará na frente enquanto estiver com seu mochilão e é nela que estarão seus itens de higiene pessoal, acessórios e eletrônicos, remédios, tipo uma farmácia mesmo e umas roupas básicas pra sobreviver, e comida, e água, e lenços umedecidos, e acho que é só, então segue uma lista do que eu levei pro meu mochilão, aqui não vou passar os valores porque nesse quesito o que conta é a pesquisa e disponibilidade de produtos e serviços que terão, já falei que moro no norte, então só de frete pra cá se vai metade dos custos dos produtos, quando não mais.

Haaaa, acaba que minha lista ficou mais enxuta que a lista em que me baseei, @Diego Moier pra variar, então vale muito ler o relato dele e de quem inspirou ele também, porque se fores alguém mais detalhista, a lista deles é bem mais completa, no mais eles tem boas dicas referentes a moeda, dindin, dinheiro mesmo, uma vez que eles levaram dólar para aumentar o poder de negociação, já eu levei apenas nossa desvalorizadíssima moeda nacional na época (no auge da campanha eleitoral), e apenas reais, nada de cartão de credito internacional, cartão pré-pago ou qualquer outra forma de dinheiro, unicamente porque as taxas pra sacar ou usar essas formas de pagamento no exterior são muito ruins para nós, então preferi tentar a sorte e trocar moeda nas casas de cambio de lá mesmo, pra quem puder trocar reais por dólares antes da viagem, a depender da cotação, é sempre bom, pois é a moeda forte em qualquer lugar, assim como o euro, quanto as outras formas de pagamento/dinheiro, é recomendável ter uma outra opção em caso de furto ou roubo, mas nesse quesito ao menos os países que visitei são muito mais tranquilos e seguros que o Brasil, no mais se tu não for assaltado aqui não é lá que será, apesar da infinidade de golpes que aplicam contra turistas, tem que ficar de olhos bem abertos todo o tempo.

 

DOCUMENTOS:

Passaporte, Carteira de Identidade, Certificado Internacional de Vacinação e vou incluir aqui o Seguro Viagem.

 

Dica: Caso tenha feito reservas de hospedagem e outros serviços como seguro saúde, leve os comprovantes impresso e também tenha registros dos documentos e comprovantes em formato digital no celular e e-mail.

 

OBJETOS:

01 Mochila Náutica 60 l (recomendo, é muito boa e saiu por uns R$ 350,00 no Mercado Livre).

01 Mochila (para notebook, com três compartimentos, ela serviu como mochila de ataque);

01 Celular, cartão de memória, carregador e fone de ouvido (que também serviu como câmera, mas se puder invista em uma câmera profissional, a menos que o seu telefone seja o top das galáxias fotográficas);

01 Money Belt (também conhecida como doleira, para guardar seus trocados e documentos junto ao corpo e não largar nunca);

01 Cadeado (pelo menos um);

01 Lanterna (não usei, mas é útil a depender do roteiro, como subir as escadarias para Machu Picchu ainda de madrugada ou trekkings noturnos);

01 Pasta (para guardar todos os papéis possíveis e impossíveis que estou encontrando agora);

01 Caderno e caneta (gosto de escrever e desenhar).

 

CALÇADOS:

01 Coturno Impermeável (já falei sobre isso);

01 Tênis (também já falei);

01 Chinelo de dedo Rider (depois quero receber pelo merchandising).

 

ROUPAS:

01 Toalha de banho (se puder invista em uma de secagem rápida, microfibras);

01 Toalha de rosto;

07 Pares de meias;

01 Sunga;

12 Cuecas;

02 Calças jeans;

01 Bermuda jeans;

01 Bermuda moletom;

06 Camisetas (03 foram suficientes);

02 Camisetas de manga longa;

01 Conjunto segunda pele térmica;

02 Blusas fleece;

01 Jaqueta corta vento;

02 Calças moletom (se puder invista em uma corta vento);

01 Capa de chuva;

01 Óculos de sol (invista em um bom);

01 Par de luvas de frio, 01 gorro e 01 boné;

01 Cachecol e 01 Meia de lã grande (comprei durante a viagem para travessia do salar);

 

ITENS DE HIGIENE PESSOAL OBRIGATÓRIOS E ESSENCIAIS:

Escova, pasta de dentes e fio dental;

Lenços umedecidos (não sei como vivi sem saber da existência deles até esse mochilão, e sim eles irão salvar sua vida, ou a vida dos seus companheiros pelo menos);

Sabonete e shampoo;

Hidrante corporal e hidratante labial;

Protetor solar;

Desodorante e perfume;

Pente e creme para pentear (a menos que seja careca);

Papel higiênico.

 

Dica: não é necessário entupir sua mochila de ataque com muitos e grandes itens, você poderá compra-los nas cidades que passar, mas em geral esses itens são muito mais caros principalmente no Chile e Argentina, se comparados aqui com o Brasil, leve apenas o básico e se for necessário compre algo por lá.

 

REMÉDIOS:

Algo para diarreia (tendo em vista a quantidade de reclamações, principalmente na Bolívia);

Algo para o fígado (caso houvesse uma infecção intestinal e necessitasse dar uma ajuda ao nosso órgão responsável por eliminar toxinas);

Algo para azia e má digestão (já percebeu que o medo com as comidas internacionais foi grande);

Algo para febre, dor de cabeça e gripe (três em um mesmo);

Algo para dor muscular (além de comprimidos, também comprei na forma de emplasto);

Curativos (curativo adesivo, esparadrapo e gaze);

E algo para amenizar o mal da altitude, o famoso soroche.

 

Dica: De todos os itens da minha farmácia particular, não usei nenhum dos relacionados para o estomago, no entanto eles serviram para uma companheira de viagem no Atacama, ela passou muito mal e os remédios ajudaram a aliviar os sintomas, os restantes foram todos usados, adicionados uma aspirina (ácido acetilsalicílico - ASS) que comprei no Chile em virtude de uma inflamação nas amidalas, e deu pra quebrar o galho até chegar ao Brasil.

Quanto ao usado para o mal de altitude, o escolhido foi o Diamox, seguindo algumas dicas de outros mochileiros, no meu caso tive que parar de usa-lo no terceiro dia, pois estava me fazendo muito mal, talvez seja mais aconselhável o uso de pastilhas que são vendidas no Peru chamadas Sorojchi Pills e que prometem resolver o problema, como são indicadas especificamente para essa finalidade, é melhor que o Diamox que pode ajudar a combater o soroche, mas não foi feito para essa finalidade.

Por fim, automedicação não é algo a ser recomendado ou encorajado, fármacos podem gerar efeitos colaterais adversos, por isso passe em um médico ou no mínimo converse com um farmacêutico sobre alguns remédios para melhorar a imunidade e ajudar em possíveis casos de adversidade na viagem.

 

APLICATIVOS:

Com poderosos smartphones temos a mão uma infinidade de aplicativos que podem potencializar as experiências de viagem, no meu caso, o Windows Phone não mantem uma boa e atualizada base dos mesmos, mas se você possui sistemas mais comprometidos com seus usuários vai encontrar bons apps para facilitar sua vida no mochilão.

 

Booking / HostelWorld (para descobrir hostéis e hotéis com preços bons e avaliações de usuários);

Maps Me / Mapas da Microsoft (com eles você baixa mapas que poderão ser usados off-line, possuem boa precisão e riqueza de detalhes e informações como pontos turísticos, acomodações, restaurantes, avaliações de usuários, etc.);

Google Tradutor (dispensa apresentações, o app possui uma série de funcionalidades muito uteis pra quem ainda não domina completamente outros idiomas);

TripAdvisor (pra quem procura detalhes de pontos turísticos a partir da interação dos usuários, considero o app mais confiável);

Dropbox / Google Drive / One Drive (apps para backups, e sim, você pode acidentalmente entrar com celular em um lago salgado no meio do Atacama e perder tudo, mas se tiver salvado na nuvem, pelo menos suas fotos estarão preservadas);

Skyscanner / Google Flights / Rome2Rio (esses apps são para quem busca passagens aéreas principalmente, o Rome2Rio também indica passagens de ônibus, trem e barcas e vem cheio de informações como horários, itinerários e preços);

Oanda / XE Currency (apps gratuitos para conversão de moedas);

Movit / Citymapper (te mostra às linhas e itinerários de trens, metrô e ônibus e qual é o caminho mais rápido pra chegar ao seu destino, tendo aplicação em mais de 1.000 cidades deste mundão velho de meu Deus);

Mochileiros (app aqui do Mochileiros.com que disponibiliza os relatos e o fórum pra conversa com outros viajantes).

Ainda existem outras infinidades de apps, como os de hospedagem nas mais variadas formas, Airbnb, Gamping, Couchsurfing; para encontrar companhias de viagem, no caso o Tourlina é apenas para as meninas que estão na estrada, já o Tongr é para uma maior interação com os locais, enfim apps não faltam, pena nem sempre estarem disponíveis em todos os sistemas operacionais.

 

Com tudo pronto, partiu mochilão.

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Em 25/01/2019 em 13:24, Pinnng disse:

Estou acompanhando, vê se não demora rsrs

 

Abs

Obrigado por acompanhar @Pinnng, vou fazer o possível pra postar a cada três dias, assim consigo concluir em mais duas ou três semanas semanas tudo, forte abraço.

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PLAY

 

Antes de prosseguirem, devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, depois seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, então faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, atravessando o Titicaca e já em terras bolivianas tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro pelo período de um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente.

A viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de meses findados o mochilão, não alteraria em nada o que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento que tudo ficará muito mais seguro e fácil.

Foi na manhã de 13 de setembro, uma quente quinta-feira, que acordei decidido, comprei minha mochila de ataque, já que a quê escolhida na internet ainda não havia chegado – acabei comprando uma mochila porta notebook com três repartições, uma para os remédios, a outra para os produtos de higiene e a maior para roupas, minha pasta de papéis e documentos além do caderno –, como a previsão de entrega dela e de outras duas blusas de frio estavam marcadas apenas para a próxima semana, resolvi que aquele seria o dia de iniciar o mochilão, pois cada vez mais as chances de pegar Machu Picchu sem chuvas diminuíam e tinha data marcada para estar em Santiago, ao chegar em casa foi o tempo de montar o mochilão e a mochila seguindo uma lista já determinada em outros relatos, tomar um bom banho, recontar o dinheiro e colocar na doleira presa ao corpo, calçar o coturno ainda bem desengonçado e pedir pro meu irmão me levar até a rodoviária logo após o almoço. Enquanto ele dirigia, e só nesse momento, bateu aquela incerteza e eu exclamei em voz alta:

- Mano o que eu estou fazendo!

O coração deu aquela acelerada básica, mas meu sorriso não conseguia desaparecer dos lábios, acho que no fundo, sabemos que é algo pleno, realmente mochilar é único e incrível.

Cheguei à rodoviária por volta das 13h30min, o objetivo era pegar o primeiro ônibus rumo a capital Porto Velho, tinha que parar por lá para pegar um embrulho com uma amiga, nele estavam minha jaqueta corta vento, o gorro e as luvas – como só na capital tem uma loja física de uma grande rede de produtos esportivos no qual fiz o pedido pela internet, e a retirada na loja incluía frete grátis e rápido, já entenderam a escolha, – achei que conseguiria arranjar tudo até as 21h00min no máximo, quando pretendia sair de Porto Velho rumo a Rio Branco e de lá em outro ônibus rumo a Assis Brasil, divisa com o Peru, de Assis iria para Iñapari de moto-táxi e de lá para Porto Maldonado, aonde em outro ônibus chegaria a Cusco ao amanhecer, (esse roteiro de Rio Branco para Cusco vou explicar com detalhes só ao fim do mochilão, porque meus planos se alteraram completamente).

Extremamente ao contrário do que ocorre com frequência, não havia ônibus saindo com horários quase imediatos para a capital, o próximo ônibus só sairia às 15h30min e era o que fazia o percurso mais longo por conta das paradas, muito bem, as coisas ainda não estavam completamente perdidas, pois de Rio Branco para Assis poderia pegar um táxi e conseguiria compensar o tempo perdido. Quando cheguei à capital eram 22h30min, mandei mensagem pra minha amiga e nada, ela estava em um tratamento onde os remédios muito fortes a faziam apagar por completo, tinha a opção de seguir sem os produtos e sem minha identidade, que tinha deixado com ela para poder fazer a retira na loja, ou esperar e esperar e esperar mais um pouco, e foi o que eu fiz. Não posso dizer que dormi na rodoviária, mas quase, quando amanheceu só consegui falar com minha amiga as 07h00min, as 07h20min estava na casa dela pegando tudo e já retornei pra rodoviária, antes passei no banco pra fazer um depósito de R$ 400,00, já prevendo que precisaria ter alguns centavos na conta pra quando voltasse ao Brasil, olha um quase planejamento ai de novo, mas acho que era mais instinto mesmo.

Pois bem, ainda durante a noite tinha avaliado a situação, eram duas opções coerentes e uma nem tanto, na primeira poderia seguir para a fronteira e pousar por lá mesmo, uma vez que só chegaria a Assis Brasil a noite, então seguiria para o Peru e depois Cusco onde deveria chegar apenas no sábado pelo anoitecer, algo do qual não me atraia nem um pouco, não só por ser de noite, mas também, pelo fato de ter que excluir parte das cidades que queria conhecer no Peru e Bolívia, uma vez que tinha data certa para estar em Santiago e a perda de alguns dias com o atraso em começar a viagem já me tinham feito cortar Ayacucho, Puno e Potosí do roteiro original, agora teria que novamente readaptar o roteiro e cortar alguns dias em La Paz ou no Atacama, detalhe, se quer havia comprado as entradas para Machu Picchu, pois esperava deixar para ir à cidade perdida dos incas nos dois últimos dias, dos nove, que pretendia ficar em Cusco. Mas isso era muito arriscado, porque em determinadas épocas do ano há uma grande procura pelos bilhetes que também são vendidos pela internet, e há um limite diário de pessoas que podem adentrar a cidadela junto com uma das montanhas – que era meu objetivo – se quer uma noção, os bilhetes para subir conjuntamente a montanha de Machu Picchu já estavam reservados até o mês de outubro, só restando à possibilidade de encontrar ingressos conjunto para Huayna Picchu.


Dica: Desde o começo deste ano, 1 de janeiro de 2019, novas regras entraram em vigor para a entrada em Machu Picchu e arredores, por isso informe-se antes da viagem em sites e relatos atualizados, pois essas mudanças ocorrem frequentemente, logo um relato de dois ou três anos atrás talvez não sirva mais como base para conseguir os ingressos e  acessar a cidadela e arredores, neste link do site Viaje na Janela há informações das mudanças recentes, vale muito a pena conferir.

 

A segunda opção, ainda dentro dessa lógica, era chegar a Cusco pela manhã de domingo, mas ao invés de ir trocando de ônibus e parando em Rio Branco, Assis, Iñapari e Porto Maldonado até chegar a Cusco, poderia esperar até as 22h00min e pegar o Expresso Ormeño, um ônibus que sai do Rio de Janeiro e corta o Brasil de leste a oeste passando por Rondônia e Cusco até parar em Lima, é a mais longa viagem de ônibus do mundo, no entanto ainda há poucas informações por parte da própria empresa que é peruana, e que possui poucos guichês em rodoviárias pontuais apenas, Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco, sendo que em Porto Velho não consegui localizar o espaço físico deles, apenas o número para contato, também a uma Pagina no Facebook e o home page com domínio peruano, ainda assim os relatos que li sobre a empresa e as condições da viagem não eram os mais favoráveis, acabou que nem segui adiante com a ideia de pegar o ônibus, por isso não posso detalhar sobre valores, condições e nem sobre a estrutura da viagem.

A terceira e última opção era a mais absurda e coincidentemente atrativa para mim, antes de detalhá-la vou me justificar, nessa altura estávamos acabando de iniciar a campanha eleitoral e o dólar subia a galope desvalorizando ainda mais o real, meu único compromisso fixo era em Santiago, não havia comprado os ingressos pra Machu Picchu, e já estava batendo de ombros para a época de chuvas, e por fim, ao invés de começar minha viagem pelo Peru agora teria a opção de terminar ela por esse país, assim não precisaria cortar as cidades que tinha listado e conseguiria fazer um percurso de volta para o Brasil, mais ou menos de forma triangular, ao invés de uma linha não reta, mas que findaria em Santiago e de lá teria que me virar para voltar e certamente não teria dinheiro para isso, a solução era óbvia, se ao invés de iniciar minha viagem pelo Peru eu o fizesse pela Bolívia, eu resolveria todos os problemas de uma única vez, e por acaso, uma semana antes essa possibilidade se tornou viável, mesmo que se quer eu a cogitasse então. Em uma das pesquisas sobre La Paz, descobri o @Ronaldo Buh – obrigado por postar seu relato mano – um mochileiro aqui do meu estado que havia feito a rota a partir da fronteira de Rondônia até a capital boliviana – até então eu nem imaginava que isso era possível – claro que não há almoço grátis, e o relato do Ronaldo era bem realista e intimidador a princípio, uma estrada de terra, ônibus nada confortáveis, aliados a curvas e abismos interessantes no mínimo, mas isso me parecia muito tentador, então não é nem preciso dizer que não pensei muito e fui até o guichê de uma das duas empresas que faziam a rota para a cidade fronteiriça com a Bolívia a leste do estado, assim como também baixei rapidinho o relato para refrescar a memória e servir de base, o ônibus só partiria as 10h00min com previsão de chegada em Guajará Mirim as 16h00min, enquanto não dava o horário de partida, partiu tomar um café da manhã e esperar.

Ao chegar à rodoviária de Guajará-mirim estava ainda bem atrapalhado com o mochilão, a mochila de ataque e a sacola com os produtos que peguei com minha amiga e não consegui arrumar nas mochilas, de cara um taxista se ofereceu pra me levar até o porto, e o gênio aceitou na hora, sem pelo menos sair dos arredores e pegar um táxi fora da rodoviária, já sabem a facada que foi, mas de boa. Chegando ao terminal portuário a uma sala reservada para a Polícia Federal, assim como para a Receita, mas a Polícia ainda não havia se transferido para lá, muito bem, voltei para o ponto e peguei um moto-táxi até o a delegacia da PF, por sorte ainda estava em funcionamento, já eram quase seis horas da tarde – na delegacia entreguei meu passaporte e a identidade, o procedimento é rápido e gratuito, acredito que para fins de controle apenas, é informado no sistema e carimbado a data no passaporte –, com o mesmo moto-táxi retornei para o porto comprei o bilhete e fiz a travessia em um dos barcos até o lado boliviano, onde agora não estava como comprador de fim de semana ou paciente de consulta médica, pela primeira vez desde que comecei a viagem, me sentia um mochileiro de verdade, passaporte carimbado, e prestes a entrar em terras não brasileiras, a aventura estava apenas começando.

 

GASTOS: Dias 13.09 e 14.09

Passagem de Ji-Paraná para Porto Velho – R$ 102,00

Lanche (rodoviária de Ariquemes) – R$ 7,50

Óculos de sol e cadeado (na pressa esqueci meu óculos de sol em casa e precisava de um cadeado pro mochilão, o jeito foi comprar ambos em uma lojinha na rodoviária aos quarenta e cinco do segundo tempo) – R$ 50,00

Guarda volumes (além da espera na rodoviária, não ia até a casa da minha amiga – até então sem saber onde era – com o mochilão nas costas) – R$ 5,00

Água – R$ 3,00

Caridade (leia-se uma travesti muito pimpona que queria fugir comigo) = 7,00

Café da manhã – R$ 15,00

Passagem de Porto Velho para Guajará-Mirim – R$ 70,00

Táxi da rodoviária de Guajará até o terminal portuário – R$ 20,00

Moto-táxi do terminal portuário até o posto da PF e da PF ao terminal – R$ 10,00

Bilhete de travessia pluvial para Guayaramerín – R$ 8,00

 

Total dos gastos – R$ 297,50 até a chegada na Bolívia.

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Em 25/01/2019 em 04:07, Wesley Felix disse:

Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui

Que bacana, Wesley! Eu que agradeço. Já vi que vai ser um relato DAQUELES!!! Manda ver aí. Sucesso! 

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A SURPREENDENTE BOLÍVIA

 

Antes de iniciar devo avisar que essa parte do relato deverá ser a mais extensa, quase como no livro, isso porque esse trajeto é pouco conhecido e citado, então tentei detalhar o máximo possível, também quis apresentar uma pessoa que conheci na viagem, nos outros relatos não farei isso, pois foi muita gente, mas ela é escritora como verão adiante, e pensei que seria bacana se vocês leitores pudessem e quisessem conferir os trabalhos dela, são muito bons e valem a pena.

Deixando o Brasil e já do lado boliviano existe uma grande escadaria que leva até o terminal portuário de Guayara, adentrando a direita está à sala onde funciona a imigração do país, quase não consigo passar pela porta com o mochilão e tudo, é bem apertado o espeço lá dentro, mas os agentes foram muito bacanas, pediram o passaporte, deram entrada no sistema, perguntaram qual o motivo da viagem, quantos dias pretendia ficar e quais cidades visitaria, depois me entregaram um documento – documento –, documento este que deveria apresentar quando da saída da Bolívia junto com o passaporte agora carimbado por eles, e ainda desejaram boa viagem – apesar de novamente, quase levar a porta junto ao passar por ela e sentir balançar toda a parede do escritório deles – conhecendo a Bolívia esperava algo menos, mas me surpreendi positivamente com nosso vizinhos.

Mal coloquei o pé pra fora da sala e fui avançado por três ou quatro motoristas de tuk-tuk, um triciclo adaptado para levar pessoas e bagagens como em um carro, mas com a eficiência de uma moto, acabei por dispensá-los, mas logo após descer as escadarias já chamei outro que aguardava mais afastado, precisava trocar moeda, ir até a rodoviária e encontrar um hotel, acabou que ele foi a salvação da lavoura, apesar de estar sempre com um pé atrás, ele me levou em um bar/casa de câmbio com a melhor cotação que encontrei em toda a viagem, inclusive melhor que na capital, e não era dinheiro falso, é pra glorificar de pé igreja. Na rodoviária ele também passou as dicas de qual o melhor ônibus pegar para La Paz e por fim me deixou em um hotel barato e perto do centro, mas confiável como havia pedido.

 

DICA: Essa é bem básica, e serve inclusive pro Brasil, sempre evite pegar transportes como táxis nas imediações, se for possível e seguro, se afaste um pouco e sempre conseguirá preços mais baixos, nunca deixe de perguntar o preço das corridas que pretende fazer, se deixar para só fazê-lo quando chegar ao seu destino não terá como não pagar o valor pedido e creia, em países como o Chile, não é incomum uma chuva de reclamações por parte dos turistas, de abusos cometidos por taxistas e outros motoristas de aplicativos, ao perceberem que se trata de turista, mesmo combinando os valores na partida, ao final da corrida acabam desconversando e cobrando sempre a mais, por último, mantenha sempre o olho aberto quando for entregar e receber o dinheiro, muitas vezes eles simplesmente dizem que o valor recebido foi abaixo do valor real entregue e quando devolvem o troco misturam notas falsas junto a verdadeiras ou faltando valores, por isso sempre que possível ande com outra pessoa que possa ser testemunha, quando não, repita claramente os valores a ser cobrado, entregues e devolvidos, também é bom entrar nos sites dos bancos centrais dos países de destino e conferir as marcas de segurança do dinheiro referido, e por fim evite notas muito velhas e rasgadas seja de quem e onde for, as casas de câmbio eviram receber papel moeda em condições ruins. Pra isso sempre procure grupos nas redes sociais, sempre terá alguém indo ao mesmo destino que você, disposto a rachar um táxi e fazer passeios em comum, apesar de sair sozinho pra mochilar, foi difícil o tempo que fiquei realmente só, e se tivesse procurado nos grupos com antecedência, teria encontrado muita gente nos destinos escolhidos, como em Cusco, mas mudei tudo de última hora.

 

            O hotel ficava bem perto da avenida principal, que há está hora já começava a fechar as portas de seus comércios, ainda era cedo para mim, creio que entre oito e nove horas da noite, e apesar de confirmar com o recepcionista do hotel que era seguro andar pela cidade, não me sentia em nada seguro, os bolivianos são bem desconfiados em relação a nós em um primeiro momento e pouco receptivos, ajuda também o fato de ver as motos brasileiras, que não vou dizer aqui a origem, rodando livremente pelas ruas da cidade, isso trás uma impressão de impunidade ou conivência com o mal feito, além de que, tirando a avenida principal, as ruas paralelas estavam pouco iluminadas e movimentadas – cidades como Guayaramerín são de forma geral segura para nós brasileiros, pois dependem muito dos compradores do outro lado da fronteira, mas nunca é de mais lembrar que não estamos no Brasil, então nossos direitos ficam no outro lado do rio junto com nosso país, por isso é bom não dar chance ao azar, andar na linha e ficar de olho aberto sempre.

            Descendo duas quadras consegui encontrar um mercado ainda aberto, estava com fome, já havia trocado dinheiro, comprado à passagem para o outro dia de manhã com destino a La Paz e só queria uma noite de sono naquela caminha quente, de calor mesmo, do hotel. A passagem estava marcada para as 08h45min da manhã de sábado, na noite anterior arrumei meu mochilão e mochila de ataque colocando os produtos que peguei em Porto Velho, comecei a amaldiçoar a ideia de ter comprado aquele desconfortável coturno, enchi a barriguinha haha, fiz uma reserva em um hostel em La Paz, printei o seu endereço e outros detalhes e na sacola os produtos deram lugar as bolachas e comida para a viagem do dia seguinte. Acordei as 06h30min para tomar um banho e me preparar, as sete já estava fazendo o check-out – chique não? – e fui andando até a praça central, aquela que as pessoas ficam dando voltas de carro e moto, e acredite já tinha gente fazendo isso sendo que o comércio nem havia aberto ainda, isso é Bolívia.

Entre as pessoas dando voltas na praça estava um motorista de tuk-tuk, dei sinal e lá fomos nós, com exceção da rua e entrada do terminal, a fachada e saguão de espera é bem moderno e limpo, existem dois guichês principais, um de cada lado da entrada principal de acesso para a área de embarque, é neles que são vendidas as passagens para La Paz e outros destinos, a imagem gráfica dos ônibus que estampam os guichês são de cair o queixo, muito modernos e lindos, melhores que os do meu estado, a dois horários de saída diários para a capital boliviana, o preço das passagens era muito barato se comparado ao Brasil, na hora de comprar a passagem eles pediram o documento de entrada no país assim como o papel entregue pela imigração, o mesmo foi feito no hotel – e você ai pensando que é tudo bagunçado o sistema –, o bilhete de passagem foi preenchido a mão e a única exigência explicita repetida três vezes pela atendente foi que estivesse no terminal para fazer o embarque trinta minutos antes do horário de saída do ônibus.

Como havia chegado bem antes fui comprar uma água e um chip de telefone celular, esse simples fato consumiu todo o horário até a hora do embarque, primeiro eles não tinham chip, depois arrumaram um vendedor, mas não tinham crédito, depois tentaram fazer meu cadastro e não conseguiram, como já estava em cima da hora, falei que eu mesmo resolveria o problema e fui para a área de embarque.

 

DICA: Não sejam bestas – óbvio mais uma vez – mas sério, não é só aqui que algumas pessoas querem tirar vantagem em tudo, o motorista de tuk-tuk me cobrou muito mais caro do que se eu tivesse feito às viagens de forma fatiada e olha que pretendia lhe dar um agradecimento em dinheiro por ter sido tão disponível. Depois no mercadinho onde fiz as compras de alguns produtos, no momento de passar o troco, à senhora que me atendia acabou por cobrar dez bolivianos a mais, seu filho pequeno (11 anos) que estava ao lado lhe chamou a atenção e ela desconversou com o garoto, no momento eu apenas sorri e deixei passar fingindo que não havia entendido nada e fui embora, não desejei mal a ela, apenas um dedo quebrado ou algo do tipo, aparentemente ela precisava muito daqueles dez bolivianos então que ficasse com eles. Já na rodoviária a moça da lanchonete depois de idas e voltas me vendeu o chip de celular por dez bolivianos e pediu mais dez para carregá-lo e me ajudar com o cadastro, ao final como não conseguia cadastrar e já estava na hora da partida ela simplesmente disse que o crédito cairia depois que fizesse o cadastro, nesse momento a dona do lugar chegou e tentou ajudar no cadastro também, ao ver que não conseguiria lhe indaguei sobre o crédito, já percebendo o golpe da atendente, está por sua vez deu um sorriso amarelo e me devolveu os dez bolivianos de crédito uma vez que a dona dissera que sequer eles tinham recarga naquele momento.

Sei que pode parecer pouco, mas qualquer dinheiro faz falta ao fim da viagem, e não é só pelos valores monetários, mas sim pelo desaforo, parece que por ser estrangeiro tu tem uma tarja de idiota escrita na testa e por vezes em solidariedade ou temor deixamos passar, não tenha medo de perguntar e repetir o que estão dizendo até entender e se necessário chamar alguém, de forma geral isso intimida quem está fazendo algo errado, apesar de frequentemente ocorrer isso, inclusive nas outras vezes que estive na Bolívia, as pessoas em volta tem de forma geral uma desaprovação com estes tipos de comportamento que visam enganar os turistas, algo muito semelhante com o Brasil.

 

 Hora do embarque, agora entendi o porquê de termos que chegar com tanta antecedência, os fundos do guichê onde se compra a passagem ficam na área de embarque, a mesma moça que atende coloca uma marcação feita a mão nos pertences dos viajantes, e ali vai de tudo, tudo mesmo, então isso leva um bom tempo. Outro fato importante é que você precisará pagar em separado a taxa de embarque e uso do terminal, e não é só na Bolívia, para isso existe um guichê em separado, apenas para esse fim, se não apresentar o comprovante de pagamento o ônibus não sai, quem faz a conferencia arma o maior barraco e tu passa a maior vergonha, pelo menos é o que dizem.

Quando o ônibus chegou não me surpreendi nem um pouco, até porque o ônibus da outra empresa também estava embarcando seus passageiros, e ambos eram iguais apesar de pertencerem a empresas diferentes, não possuíam ar condicionado, as janelas obviamente iam abertas independente da estrada de terra empoeirada ou se chovesse, não havia banheiro, água, e nem inclinação nos bancos, cinto de segurança então esquece.

A verdade é que aquilo não era surpresa pra mim, o Ronaldo já havia deixado bem claro como era a viagem, o melhor é que eu estava indo e voltando tentando falar com alguém para entender o próximo passo, uma vez marcado sua bagagem você pode depositá-la no interior do ônibus, não há divisões nem aberturas externas, simplesmente o espaço abaixo do assoalho onde estão as poltronas de passageiros, só fui perceber isso quando uma mulher me abordou, de cara eu era o único brasileiro e mochileiro ali, ela chegou e perguntou em um bom portunhol se eu era brasileiro – não sei por quê, mas acho que o sotaque me denunciou – ela logo emendou que era venezuelana e que gostaria de viajar comigo, ao meu lado mais precisamente, pois não confiava nos bolivianos e não tiro a razão dela, eles nos olhavam como estranhos, não que não fossemos, afinal estávamos claramente fora de nossa realidade e eu muito mais que ela.

Depois que entramos ela escolheu os lugares mais a frente, disse que não precisávamos obedecer às marcações de passagem – eu ainda desconfiado dela, logo pensei que deveria ser algum tipo de golpe desses que a gente acorda sem os rins em uma banheira de gelo no outro dia, mas tirando o fato de não falar o idioma dos demais presentes, estava com minha mochila de ataque e comidas no colo e minha doleira junto ao corpo, de resto era só gritar. Logo os donos da poltrona chegaram e começaram a falar em um idioma que eu nem fazia ideia qual era, saímos e fui para minha poltrona, por incrível que pareça a passagem dela marcava a poltrona ao meu lado, rimos da coincidência e troquei de lugar com ela, para que fosse à janela e afastada do corredor, apesar da impressão inicial de achar que poderia ser um golpe, logo relaxei e começamos a conversar, acabou que até a chegada em La Paz ela foi minha companheira de viagem e a primeira amiga que fiz no mochilão.

 

JOSLEMAR N.: Passada a primeira impressão, logo iniciamos uma conversa sobre tudo, Joslemar não foi à única venezuelana que conheci na viagem fugindo da terrível crise que se instalara em seu país, seu destino era o Chile onde parte da família já estava trabalhando, na Venezuela ela deixou o pai e sua pequena filha, assim que entrasse no Chile tentaria trazer a pequena para junto de si, o pai já idoso e doente não tinha intensão de deixar o país para se aventurar em uma nova vida. Seu bom portunhol se devia ao fato de ter cruzado o Brasil por um tempo até chegar à Bolívia e por lá tentaria adentrar a fronteira chilena, um refugio para vários imigrantes devido à oportunidade de melhorar de vida e ganhar dinheiro, muito melhor que o Brasil, diga-se de passagem.

Ao longo das trinta e duas horas de viagem ainda falamos de uma das paixões da vida dela, a escrita, no Amazon.com ela mantem o perfil de escritora com o nome de Miranda Wess e até então tinha publicado três obras: Yo soy tu candidato, Amor em contiende e Silla presidencial. A paixão como ela descreveu suas histórias e personagens era muito bom, apesar de tudo por que passou, ela emanava uma energia muito boa, apaixonada por arte e cultura, com inúmeros sonhos que a motivavam a permanecer forte e vibrante, o amor por seu país era outro fato perceptível, como qualquer nacional que se preze, ao descrever as inúmeras belezas e lembranças dos lugares que conheceu e viveu nos tempos de prosperidade, um brilho enchia seus olhos assim como o sonho de poder retornar e retomar a vida que lhe foi tirada de forma tão autoritária e cruel.

Quando chegamos a nosso destino final, a acompanhei até a rodoviária de La Paz apenas para poder lhe dar um forte abraço de despedida e anotar seu nome e algum contato, mais uma vez ela me implorou pra que tivesse cuidado e atenção, disse que nem todo mundo era bom como eu, não sei o porquê mais ouvi o mesmo conselho de outras pessoas várias vezes e nessas horas sempre lembrava do que o Diego escreveu em seu relato de mochilão “O universo nos devolve sempre que tentamos ser pessoas melhores e fazer o bem.”, apesar disso, também entendia o porquê dos conselhos, ela durante toda a jornada saindo de seu país, atravessando o Brasil, Bolívia e futuramente metade do Chile, viu e viveu muita coisa, tendo a pensar que muito mais coisas ruins ou difíceis do que boas e alegres, o mundo não é um lugar acolhedor e afetuoso a menos que tenha dinheiro, mas cabe a nós tentar deixá-lo melhor para todos. Ainda no ônibus ela conheceu outra venezuelana que também voltava para o Chile, mas outra cidade, e já conhecia a rota, agora ela seria sua parceira de viagem, apesar de desconfiado em um primeiro instante, fiquei feliz por ela, era notório seu medo de ficar só e ter outra mulher lhe fazendo companhia era o cenário ideal, ainda mais uma que podia conversar e ser completamente entendida, porque por vezes me vi balançando a cabeça positivamente e sorrindo, mas sem entender nada do que ela falava, e tenho a impressão que o mesmo ocorreu com ela, na empolgação falamos rápido e com termos e gírias próprias que só nós nativos entendemos, então se lembre, despacio, despacito, e não me refiro à música do Luis Fonsi.

 

Seguindo com o mochilão, a nossa primeira parada foi em Riberalta, duas horas após iniciar a viagem, nesse trecho só alegria, a estrada era asfaltada e o calor amenizado pelo vento que entrava pelas janelas, a parada era para o almoço já, o interior da Bolívia é muito pobre, mesmo para os padrões brasileiros, a rodoviária repleta de gente muito simples, tudo era muito diferente do que estava acostumado a ver, mesmo não sendo completamente inédito. Tentei comprar crédito pro telefone, mas não havia, então me sentei junto com a Jos em uma mesa acompanhados por uma chola que estava no mesmo ônibus e por um simpático senhor que se achegou depois. A conversa foi inevitável, enquanto os três almoçavam uma tigela de caldo de quinoa com carne e junto tomavam um suco de limão gelado, também observava o processo de preparo da comida que era visível a todos, coragem e estomago não eram para mim ainda – apesar de ter experimentado um espécie de massa de tapioca que Jos nos ofereceu –, a senhora queria saber dos preços de móveis e panelas no Brasil e se surpreenderam como era barato, na opinião deles, esses produtos aqui, já com o preço da comida também se surpreenderam, só que espantosamente agora, o tempo passou rápido e logo estávamos de volta no ônibus para o trecho mais longo e difícil da viagem.

A partir de então a estrada passou a ser de terra, creio que por pouco tempo, pois uma empresa chinesa está operando a pavimentação de todo o percurso, uma obra realmente grandiosa, pois compreende um bom pedaço da Amazônia boliviana e adentra a região dos andes, na verdade a Bolívia inteira por onde passei é um canteiro de obras, uma imagem muito diferente da que tinha em mente.

A outra parada só ocorreu à noite, na cidade de Santa Rosa de Yacuma, a cada vila que passava eu rezava a todos os santos para que ali fosse à parada, acho que sabia de onde vinha o cheiro forte daqueles bancos, um verdadeiro exercício para segurar a bexiga, no meu caso só ela mesmo. No mais a paisagem compensava a viagem desconfortável, e como havia caído uma chuva leve não havia tanta poeira e nem muito calor. Quando chegamos ao terminal rodoviário da cidade todos foram procurar o banheiro, pagamos um valor simbólico que pelo amor de Deus, aquilo parecia mais a ante sala do inferno, não só os banheiros, mas todo o local, depois de usarmos aquilo que chamavam banheiro, atravessamos a rua de chão e fomos olhar as barraquinhas de comida do outro lado, o cheiro era até bom devido a fome já presente, mas tanto eu quanto a Jos optamos por apenas tomar algo.

Acredito que estávamos em Yucumo já pelas três da madrugada quando o ônibus parou, achei que deveria ser por conta da chuva e neblina, e porque já estávamos começando a subir rumo a La Paz, e porque aquele motorista era o mesmo desde o inicio da viajem, então olhei pela janela e vi que parecia um ferro velho, ai o coração acelerou, devíamos estar sendo assaltados ou sequestrados ou o motorista ia nos levar para ser assaltados, mas o ônibus foi desligado completamente e nada de movimentação estranha, então fiquei com a primeira hipótese formulada com relação ao clima mesmo, abri a janela com cuidado para não acordar as cholas a nossa frente e comentei com a Jos o que tinha pensado, e voltei a dormir. Passou-se mais uma meia hora e uma das passageiras, também chola saiu porta afora e voltou tempo depois reclamando de algo que não entendi nada, mas ela estava bem brava, então a Jos também foi ver o que ocorria, e depois eu porque já estava apertado de novo. Ao fim ficamos parados até o dia amanhecer quando o posto de gasolina da cidade é aberto e o motorista conseguiu encher um galão para depois levar o ônibus até o posto e dar prosseguimento a viagem, no total perdemos umas quatro horas e o motivo foi simplesmente falta de combustível, com exceção da chola, ninguém reclamou, chamou a polícia, ameaçou de processo, virou o ônibus e ateou fogo, nada.

No fim acredito que fora melhor assim, viajar pelos desfiladeiros que vimos já a luz do dia não devia ser uma boa ideia a noite. E desfiladeiros com abismos são o que não faltam a partir desse ponto da viagem, a estrada mescla partes asfaltadas, esburacadas e sem asfalto, vamos margeando um rio enquanto iniciamos a subida para a capital em maior altitude do mundo e é uma paisagem estupenda, montanhas cobertas por vegetação ainda amazônica e de transição, essa vista por si só já valia todo o sofrimento até então. Isso tudo embaixo de muita chuva e neblina, tenho que tirar o boné para o motorista, porque em alguns pontos da estrada de terra nas montanhas não creio ter mais que três metros de largura a pista, mesmo apreensivo, não posso dizer que tive medo, mais por uma filosofia de vida que qualquer outra coisa.

Paramos em uma pequena vila por volta da dez horas, é uma subida e aos pés das montanhas com o rio próximo, além do banheiro nessa parada aproveitei para comprar umas folhas de coca e finalmente achei o crédito pro meu celular.

Quando chegamos a La Paz já era quase as 17h00min, o ônibus não para na estação rodoviária de La Paz e sim em um ponto comum para os veículos naquelas condições em uma rua um tanto distante. Descemos, pegamos nossas coisas e mochilas e eu tentei me localizar com os mapas no telefone, mas esse primeiro momento me fez ver que ser mochileiro tem seus desafios, não conseguia me localizar e logo iria começar escurecer, acho que se estivesse sozinho teria entrado em desespero – a essa altura a Jos já havia conhecido a outra venezuelana, elas se encontraram na parada por falta de gasolina do ônibus – resolvi seguir as meninas junto com outras pessoas que iriam para a rodoviária, durante o percurso de pouco mais que umas sete quadras a altitude bateu forte, mais nas meninas do que em mim, mas a falta de ar vem com força, ainda mais empilhados de coisas como estávamos. Depois que me despedi delas sentei e consegui abrir o mapa e me localizar com calma, o simples fato de estar em um lugar público, cercado de gente e protegido ajuda muito, o trajeto parecia muito longo então resolvi pegar um taxi ali nas imediações, mas fora da rodoviária, chorei no preço e fomos até o local do meu hostel, sempre acompanhando o percurso pelo telefone, quando finalmente chegamos, paguei com gosto a corrida, não só pela distância, mas o tanto de subidas por que passamos teria me custado quatro ou cinco pulmões novos.

 

GASTOS: Dia 14.09 (sexta-feira).

 

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,65) – R$ 500,00 = Bs 828,00

Passagem de Guayaramerín para La Paz (Flota Vaca Díez) – Bs 180,00

Tuk-Tuk – Bs 50,00

Hotel Novo Horizonte – Bs 70,00

Mercado (Tem o mesmo preço que no Brasil, garrafa de suco de uva, água mineral, bolachas recheadas, pacote grande de salgadinhos, sabonete, papel higiênico e alguma outra coisa que não lembro, e a mulher me levou 10 Bols a mais) – Bs 73,00

 

GASTOS: Dia 15.09 (sábado).

 

Tuk-tuk (da praça até a rodoviária, não tinha bolivianos trocados então paguei o mesmo valor só que em reais, ele ficou super contente) – R$ 4,00

Chip Tigo – Bs 10,00

Água mineral – Bs 4,00

Taxa de uso do terminal – R$ 2,00

Banheiro em Santa Rosa de Yacuma – Bs 1,00

Bebidas (1 Coca-Cola 600 ml e 1 água mineral 500 ml) – Bs 11,00

 

GASTOS: Dia 16.09 (domingo).

 

Crédito celular – Bs 10,00

Água mineral Grande – Bs 8,00

Banheiro – Bs 1,00

Pacote de folhas de coca – Bs 1,00

 

TOTAL DOS GASTOS – R$ 259,00 até a chegada em La Paz.

 

Plaza de armas Germán Busch Becerra - Guayaramerín.

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Flota Vaca Díez, no Terminal Rodoviário de Guayaramerín.

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Barracas de comida em frente ao Terminal Rodoviário de Santa Rosa de Yacuma.

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Folhas de coca.

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Trecho da Carratera de Yungas, também chamada de Estrada da Morte, liga a amazônia boliviana ao altiplano onde está La Paz.

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LA PAZ, A CIDADE LARANJA

 

Quando finalmente entramos no perímetro urbano da cidade sede do poder executivo boliviano, eu fiquei completamente extasiado, as paisagens naturais vistas da janela do ônibus até chegar na cidade eram sublimes, e a paisagem urbana não deixa por menos, a pobreza é impactante, a ocupação desordenada, a marcas de deslizamentos nas encostas verticais dos morros onde as pessoas insistem habitar, os sobrados e casas alaranjados por estarem no tijolo aparente se espalham por toda a borda da geografia local, embaixo no centro está a parte desenvolvida e visivelmente mais abastada, tudo isso ligado por linhas, os famosos teleféricos que estampam a fotografia do presidente Evo Morales em todas as portas de cabines, um trânsito caótico como nunca havia visto e não falo de engarrafamento apenas, a frota mescla carros muito antigos com os mais modernos e caros da atualidade, um raspando o outro com fechadas e buzinas que não paravam, a gente andina de traços e cultura muito forte, La Paz é uma cidade única, como poucas no mundo, e detalhe, mesmo sendo considerada capital do país, constitucionalmente é Sucre quem detêm essa oficialidade.

Assim que descemos do ônibus passei a sentir a realidade social mais de perto, mas só a notaria mesmo no outro dia, naquele momento estava preocupado apenas em chegar ao hostel e ficar em segurança, a viagem tinha sido longa, um tanto cansativa e a aclimatação ainda tinha que ocorrer. Parte das reclamações dos viajantes que torcem o nariz para La Paz, se deve em muito as acomodações de hospedagem, e nessa parte não tiro a razão de alguns, sair de uma casa confortável, e no caso de alguns deles, de apartamentos requintados de São Paulo ou Rio de Janeiro e cair em prédios antigos e ruas estreitas e tumultuadas é muito impactante em um primeiro momento – pra qualquer pessoa que nunca teve contato com uma realidade mais simples de um interior do Brasil, por exemplo, qualquer outra realidade é impactante, e La Paz não é diferente, com exceção de uma pequena parte do centro, o restante da capital com quase um milhão de pessoas é muito desigual – ainda mais quando se viaja para curtir férias como era o caso dessa maioria. Já eu não posso dizer o mesmo, não por que estava em um mochilão e teoricamente pronto para o que aparecesse, mas por que meu hostel ficava na parte mais nobre da capital e era uma edificação nova e muito confortável, logo, para mim, a surpresa foi positiva e a experiência melhor ainda.

 

DICA: A escolha de hosteis é o modo mais econômico de hospedagem, ali também você vai poder encontrar viajantes do mundo todo e interagir com diferentes culturas, a combinação perfeita de hostel é juntar preço baixo com a proximidade do centro e principais pontos turísticos, conforme o caso. Em boa parte das cidades os terminais rodoviários estão no centro evitando a necessidade de longas conduções até os hosteis e assim gastos com transporte, no centro está tudo que é necessário para nós turistas, restaurantes, casas de câmbio, bons hosteis, opções de transporte e segurança. Em minhas pesquisas sempre usei Booking por oferecer as ofertas mais baratas, mas na hora de bater o martelo também é bom ver as comodidades oferecidas assim como avaliações de usuários e verificar a sua localização de acordo com pontos de interesse (metro, rodoviária, restaurantes, etc), a maioria dos hosteis oferecem o café da manhã incluso no preço final, mas transporte e locomoção são itens a serem sempre considerados. Uma rede de hosteis presentes em boa parte das cidades na América do Sul e que são de confiança e ótimo custo beneficio são os definidos como B&B (Bed and Breakfast ou cama e café da manhã em português), durante a viagem tive duas experiências nesse tipo de hostel, La Paz e Arequipa, e foram os melhores do ponto de vista econômico e de custo beneficio.

 

O idioma ainda era um pouco difícil pra mim, quando cheguei ao hostel fui super bem atendido, mas quando a moça me falou o preço custava três vezes mais do que o anunciado no site, perguntei se havia um quarto mais barato e ela disse que não, fechei por uma noite e iria procurar outro hostel no dia seguinte, quando cheguei ao quarto era individual e com banheiro privativo, ai perguntei se não havia um quarto coletivo, só então ela entendeu a confusão que eu havia feito, esse hostel possuía dois prédios diferentes na mesma quadra só que distantes alguns metros, um era mais requintado como um hotel por assim dizer e o outro mais popular no estilo hostel mesmo, só então ela entendeu o por que de não encontrar a minha reserva e me levou para o outro prédio que em nada devia ao anterior, a mudança era relacionada aos quartos que ali eram compartilhados assim como os banheiros, agora sim o preço estava dentro do combinado e paguei as três diárias que pretendia ficar, a equipe era muito solicita, e depois de tudo acertado e arrumado os ditames burocráticos, fui apresentado as acomodações, terminei por escolher o dormitório masculino no piso subterrâneo, que estava sem ninguém alojado até então, naquele momento queria um pouco mais de privacidade e como não haviam brasileiros hospedados, apenas gringos dos quais não entenderia uma vírgula, achei que seria a melhor opção.

Quando me olhei no espelho do banheiro não sei como eles não me expulsaram do hostel assim quando entrei, acho que se fosse no Brasil o teriam feito, estava coberto de poeira da viagem até onde era possível ver.

 

MOMENTO DESABAFO: Depois da constatação feita, olhei pra mim e falei mentalmente sorrindo: - Cara f***-se, tu tá em outro país, com gente que nem conhece, sai pelado pela rua gritando e dando cambalhota, essa é a hora.

Isso é pra vocês saberem o quanto sofro com esse meu inconsciente que também chamo de “meu eu”, ele é um péssimo conselheiro às vezes, mas é o melhor também, não vivo sem ele.

 

Banho tomado, desfiz minha mochila e separei as roupas que usaria pelos próximos dias em cima da cama, apesar do cansaço ainda fui escrever os principais pontos da viagem pra vir postar agora, comi os restos de biscoito que sobraram, água e folha de coca, e um comprimido de dor de cabeça, acredito que por conta da altitude. De maneira geral estava feliz, meu plano era acordar ao meio dia e sair pra conhecer La Paz, o mercado das bruxas estava a dois quilômetros do hostel, depois tentaria ir à igreja principal e aos teleféricos assim como achar uma agência para fazer os passeios, Down Hill e Chacaltaya, mas apesar dos mapas e tudo estava bem perdido, no outro dia tentaria pegar umas dicas e informações na recepção, haja visto que o dono falava português e estaria atendendo pela manhã.

De repente entra pela porta um rapaz da limpeza, sorri e o cumprimentei – apreenda a falar o básico da língua onde pretende se aventurar, isso é o mínimo –, mas não sei por que ele logo sacou que era brasileiro haha, e foi admiração à primeira vista – de maneira geral, durante toda a viagem, não encontrei um estrangeiro que não gostasse de nós brasileiros, principalmente os sul americanos –, ele logo quis saber de onde era e fomos desenvolvendo um papo bom porque ele falava razoavelmente bem português, me passou um monte de dicas e cuidados e acabou por me convidar pra me guiar em um passeio pela cidade na manhã do dia seguinte, seriam só nós dois e ele não iria cobrar nada, no segundo seguinte ao convite “meu eu” tentou falar algo, mas eu nem dei tempo pra nada, só sorri, agradeci e topei, marcamos para o outro dia as nove, pouco antes de acabar o horário do café da manhã, ofereci umas bolachas e um pouco de suco que ainda tinha e depois de comer e terminar de varrer o chão, nos despedimos e ele foi embora.

 

MOMENTO DESABAFO: Óbvio que tive que ouvir de mim mesmo que estava louco, que aquilo deveria ser um golpe aplicado contra pessoas idiotas e bestas, que poderia ser assaltado, assassinado, sequestrado e tudo que ocorre no Brasil de forma geral, mas não havia sido o “meu eu” a me aconselhar a fazer tudo o que tinha vontade? Então toquei o f***-se novamente e nem pensei muito, acho que instinto vale muito nessas horas ou não, mas o fato é que simpatizei muito com aquele boliviano e seguindo minha filosofia de vida agradeci por tê-lo encontrado, pois aparentemente ele seria a solução dos meus problemas já que também, pasmem, contei que precisava trocar dinheiro e marcar os passeios que queria, logo, se ele fosse um mal intencionado poderia ter ainda mais motivos para me fazer mal.

E claro, na conversa tentei observá-lo, fazer algumas perguntas de quem era, o que fazia, enfim. Sai do Brasil com muito medo da violência de modo geral, isso foi inclusive algo que comentei com o Diego enquanto o questionava sobre seu mochilão, mas tanto a impressão dele quanto, agora, a minha, é que é muito tranquilo os nossos países vizinhos, não que não haja violência, mas não são como aqui aonde se vierem duas pessoas em uma moto nós temos que nos jogar no chão e fingir de morto, o mais perigoso são os furtos, onde só nos damos conta depois de levarem nossos pertences, além de outros golpes nesse intuito, no mais, como brasileiros – e no meu caso, que já estive em grandes centros como Manaus e São Paulo também – é mais fácil ficarmos ligados o tempo todo e perceber as intenções e abordagens das pessoas, como disse lá no começo, não tive nenhum problema relacionado a isso durante o mochilão todo e em circunstâncias normais teria recusado de cara o convite feito, mas por algum motivo – que só você poderá dizer quando viver uma experiência assim – eu aceitei e adianto, foi ótimo.

 

No outro dia levantei sem nenhuma dor de cabeça, mas durante a noite acordei algumas vezes apesar do cansaço, fez muito frio, tanto que na manhã ás 08h30min marcava 4º C, ainda bem que as cobertas deram conta perfeitamente porque a impressão é que pelo fato do quarto ser subterrâneo a sensação de frio no ambiente era ainda maior, impressão esta verdadeira diga-se de passagem. Assim que arrumei minha cama, escovei os dentes, mandei mensagem pra família e me vesti com uma calça jeans, uma camisa e minha jaqueta, depois subi para o desayuno, suco, pão com ovo, manteiga e geleia, estava com tanta fome que aquilo foi o melhor café da manhã que comi em dias.

Rodrigo chegou meia hora depois do combinado, às 9h30min quando terminava o horário do café da manhã, começamos andar pelas ruas do bairro em direção a calle de las brujas, Rodrigo é um cara muito dispostos e conectado, logo começou a me passar os pontos de referencia para que pudesse andar por La Paz sozinho sem depender de transporte, como um mochileiro raiz deve ser, no mais ele andava em ritmo acelerado, tirei minha jaqueta e fui acompanhar seus passos como um paceño original e não fiz feio, apesar de ter que respirar fundo o tempo todo, pelo caminho ele indicava mercados e restaurantes bons para comer, logo chegamos a rua das bruxas, sinceramente esperava mais deste mercado a céu aberto, mas não passa de uma meia quadra com menos de uma dezena de barracas onde as cholas vendem toda a arte de crendices populares oriundas ainda da cultura antepassada dos povos indígenas andinos, optei por não tirar fotos do local – algo recorrente se tratando de mim, mas que acaba por fazer falta no relato –, e se quer parei para olhar melhor os fetos de lhama expostos, como teria que voltar ali nos outros dias deixei para fazê-lo depois, o que terminou por não ocorrer.

Junto a rua de encontro do mercado das bruxas está a calle Santa Cruz, em sua extensão principal, da praça Marcelo Quiroga até a praça San Francisco estão as principais agencias de passeios e casas de câmbio, além de hosteis que ficam bem próximos ao centro e principais pontos turísticos, pra quem não se importa tanto com luxo nas acomodações, é um bom lugar pra ficar na cidade, foi nessa rua que o Rodrigo me levou na melhor casa de câmbio da qual ele tinha conhecimento, e também em duas das melhores agências para fechar os passeios, acabei por escolher a No Fear Adventure por ser de sua indicação e ter os preços mais em conta já que a outra agência era mais cara e luxuosa também. Inclusive a No Fear esta localizada dentro de um hostel e possui uma casa de câmbio em seu interior, pra quem tiver interesse é um três em um.

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 Figura: Imagem do Google Maps, o traço em preto é a rua das bruxas, os círculos apontam: a casa de câmbio um pouco acima da rua das bruxas e agência No Fear abaixo, sentido praça San Francisco do lado esquerdo de quem desce, ambas na rua Santa Cruz.

Enquanto trocava dinheiro e pagava os passeios, o Rodrigo se quer ficou por perto, ele só fez o meio de campo e tradução automática e me esperou do lado de fora, definitivamente já tinha ganhado minha confiança. Depois me levou até a Igreja de San Francisco e sua praça, era a primeira vez que adentrava em uma Catedral católica, e era linda, não só a parte exterior, mas também todos os seus ornamentos internos, em pensar que na época de seu auge era adornada em ouro, agora apenas representado em uma pintura dourada, estar ali é reviver algo que só imaginamos em livros. A praça repleta de turistas, vendedores, pessoas comuns passando e pombos, era um complemento a todo aquele caldeirão urbano, e ter o Rodrigo ao meu lado tornou tudo muito melhor, a cada passo ele explicava os detalhes de tudo, recontava a história, as curiosidades e me fazia entender o porquê de cada aspecto das coisas, foi assim no mercado das bruxas, na igreja, depois no mercado popular onde ele me pagou um gelado, ou sorvete típico deles com muitas frutas, biscoito e um creme, depois fomos andando até a Calle Jaén, um ponto muito importante para a história boliviana, repleta de museus e casas de cultura, ainda nesta rua há a galeria de arte Mamani, vale muito conhecer o espaço e se deixar encantar pela pintura e arte incríveis, é um espetáculo de cores e formas.

Essa rua fica próximo à rodoviária e após me mostrar certinho como chegar lá, fomos andar na rede de teleféricos de La Paz, andamos em duas linhas, a laranja e a vermelha (roja), o sistema de teleféricos da cidade é o maior do mundo e ainda está em expansão, gerido pelo governo central, custava na época Bs 3,00 o ingresso e além de muito popular é muito organizado, moderno e se encaixa perfeitamente a geografia da cidade que não pode comportar linhas de metrô – acho que um dos poucos serviços ofertados pelo poder público que deixa qualquer estrangeiro de queixo caído –, as fotos de Evo Morales estampam as portas e indicam a força do presidente do país mais pobre da América do Sul e o que mais cresce também, isso me chamou muito a atenção, a Bolívia inteira está em obras e ver a onipresença de Morales através de sua imagem era uma disparidade em relação ao Brasil, por mais que os nossos governantes estampem suas marcas nas placas de obras públicas, ver a imagem de um político daquele modo nunca passou pela minha cabeça, ao mesmo tempo que é absurdo também é genial.

 A linha roja leva até a ciudad del Alto, uma extensão de La Paz onde se encontra o aeroporto da capital, mesmo Alto sendo outra cidade administrativamente falando, nela se encontra a parcela mais pobre das pessoas que frequentam a metrópole andina e se encontra a incríveis 4.000 metros de altitude, ficamos um tempo olhando a vista da cidade abaixo, infelizmente não observei o por do sol deste mirante – pronto, já tenho um motivo para voltar a La Paz agora.

Depois retornamos, ainda fomos caminhar por várias feiras populares no caminho de volta para o hostel, ali é possível ver a realidade da cidade, sem o glamour – que não existe – dos pontos turísticos mais famosos. Tudo isso em quatro horas de passeio, terminamos e dei um valor simbólico pra ele, mesmo se recusando a receber, não era pelo valor, era pela pessoal incrível e extremamente disponível que ele era, acabou que sequer tirei uma foto com ele, mas anotei o número de telefone e contato, quando voltar espero poder encontrá-lo de novo, onde estiver muito obrigado irmão.

Chegando ao hostel pensei em aproveitar o resto da tarde para dormir, mas dormir eu já fazia no Brasil, então bora colocar os pulmões pra funcionar e fui em direção ao centro da capital, nesse momento tudo era descida e o primeiro ponto de parada foi em uma loja de pães, não era uma padaria como as do Brasil, mas tinha uns pães na porta que me chamaram a atenção, acabou que não resisti e comprei duas saltenhas de pollo, no momento pensei que pollo seria porco e fiquei pensando, se o porco já é porco, imagina um porco boliviano – olha as ideias –, mas depois da primeira mordida, que se lascasse o pollo ou o que fosse aquilo, era sublime e delicioso, só depois fui descobrir que pollo era frango, ainda bem. Descendo mais um pouco cheguei a Avenida 16 de Julio que corta a cidade, nela há várias opções de restaurantes tipo fast food, assim como um dos centros de informações ao turista, no qual peguei um mapa da cidade e só então pude perceber quantos museus La Paz oferece, mas como meu tempo estava meio curto e precisava de outro motivo para retornar futuramente a cidade, fui apenas visitar a Catedral Maria Auxiliadora, de arquitetura moderna e bem perto de onde estava.

Da igreja segui pela avenida fotografando alguns monumentos de personalidades importantes na independência boliviana, fui passando por algumas praças até chegar ao Parque Plaza Bolívia que fica ao lado da Embaixada do Brasil, depois subi até o Parque Laikakota, que estava com seu mirador em reforma, entre outros espaços, acabei tomando uma bronca dos funcionários por tentar fotografar dois monumentos, mas consegui, bronca tomada era hora de voltar, acabei que me perdi, mas depois de descer e subir cheguei na rua de acesso ao hostel, uma subida que não é de Deus, aproveitei para parar em uma barraquinha de frutas e comprei algumas uvas e bananas além de água pra aguentar os próximos dias, e subida, só sei que tive que parar e me sentar nos degraus que as pessoas fazem nas calçadas devido ao grande desnível, de resto me perdi mais um pouco até que me acertei com meu mapa e cheguei no hostel a tempo de ver o por do sol chegando, o bairro é muito bom e seguro, e proporciona um belíssima vista do centro mais abaixo e dos paredões de casas que circundam a cidade.

Encerrei o dia lavando minhas roupas da viagem até La Paz no hostel e tomando um bom banho, o outro dia começaria cedo para iniciar o Down Hill – passeio que havia visto em outros relatos e que só sabia que era descer de bicicleta alguns quilômetros por uma estrada chamada de “estrada da morte”, não tinha a mínima noção do que me esperava apesar do nome e acredite, ninguém têm essa noção até cair nessa estrada, é absurdamente sem palavras.

 

GASTOS: Dia 16.09 (domingo).

 

Táxi – Bs 30,00

Hostel Landscape – (Bs 45,00 por dia) = Bs 135,00.

 

GASTOS: Dia 17.09 (segunda-feira).

 

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,60) – R$ 1.000,00 = Bs 1.600,00

Passeio Down Hill (No Fear Adventure) – Bs 400,00

Passeio Chacaltaya + Valle de la Luna (No Fear Adventure) – Bs 100,00

Ingressos teleférico – Bs 20,00

Valor simbólico para o Rodrigo – Bs 100,00

Saltenhas de pollo (duas, saltenhas de verdade, não igual as que a gente vê por aqui no Brasil) – Bs 10,00

Frutas (seis bananas e meio quilo de uvas) – Bs 14,00

Água 2l – Bs 6,00

 

TOTAL DOS GASTOS – Bs 650,00 / R$ 401,75 em La Paz. (O total de gastos em Real leva em consideração os diferentes câmbios, de Guayaramerín e La Paz)

 

Fachada do Hostel Landscape, onde fiquei hospedado em La Paz.

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Vista do bairro onde se encontra o hostel.

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Igreja de San Francisco, a partir de seu entorno nasceu La Paz.

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Praça da Igreja de San Francisco, logo a frente fica o Mercado Lanza, "mercadão municipal pra nós brasileiros".

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Placa na Calle Jáen

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Vista da cidade a partir do teleférico laranja.

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A cidade laranja vista do teleférico rojo, que também leva a Ciudad del Alto.

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Aqui fica um mirador a mais de 4.000 metros de altitude, de onde se vê toda a cidade de La Paz, o pôr do sol dessa vista é sensacional.

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Catedral Maria Auxiliadora.

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Monumento no Parque Laikakota, pelo qual levei uma bronca, mesmo sem entender, a gente sabe quando é uma bronca.

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Feira livre nas calles.

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Nessas feiras se encontra todo o tipo de comidas, massas, pães, frutas, verduras, flores, elas se estendem em diversas ruas e é uma maneira informal de sobrevivência dos paceños.

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La Paz, maravilhosa.

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      1º Dia: Partida - 26/12/2018 - 15h00 - São Paulo x Porto Quijarro - Empresa La Preferida R$315,00
           Partimos de São Paulo dia 26 de Dezembro de 2018 as 15:00pm da tarde do Terminal Rodoviário da Barra Funda. O ônibus teve um atraso de 30 minutos para que todos os passageiros guardassem suas bagagens no ônibus. A viagem é tranquila e o ônibus muito bom com banheiro e água da empresa La Preferida. Este primeiro trecho da viagem foi entre São Paulo à Porto Quijarro já na Bolívia. A viagem foi tranquila com duração de quase 23 horas e com paradas de 3 em 3 horas. 

       
      2º Dia: Partida - 27/12/2018 - 13h00 - Porto Quijarro x Santa Cruz de la Sierra - Empresa 2 de Mayo Bs$100,00 - Moto Táxi Bs$6,00 - Taxa terminal Bs$3,00 
           Depois de horas na estrada estávamos próximos ao serviço aduaneiro de fonteira terrestre - ADUANA - na fronteira com a Bolívia. Pensamos que o ônibus iria parar para que fizéssemos a saída do Brasil e depois a entrada na Bolívia, mas o ônibus passou direto na fronteira e só parou no Terminal Rodoviário de Porto Quijarro, já em território Boliviano. No terminal rodoviário trocamos um pouco de real em pesos bolivianos e guardamos nossas mochilas na sala vip da empresa La Preferida que foi gentilmente cedida aos passageiros, logo depois pegamos um moto táxi por Bs$3,00 bolivianos para retornar à fronteira para darmos a saída do Brasil na ADUANA Brasileira e firmar a entrada na ADUANA Boliviana. O trecho do terminal rodoviário até a fronteira leva menos de dez minutos. Chegamos na fronteira e atravessamos para o lado brasileiro novamente para fazer a saída do Brasil. A fila estava grande para quem fosse dar entrada no país mas para quem era brasileiro e estava dando a saída do país, no caso do Brasil, estava sendo atendido mais rápido. Fomos atendidos depois de uns 40 minutos e corremos para a fila da ADUANA Boliviana que esta um pouco menor. Carimbamos nossos passaportes e firmamos a entrada na Bolívia. Agora estávamos em dia com o controle de imigração rsss. Após todo trâmite da fronteira retornamos para o terminal rodoviário para almoçar e comprar nossa passagem para a nossa próxima parada, a cidade de Santa Cruz de la Sierra. Compramos em um dos diversos guichês na rodoviário pela empresa 2 de Mayo por Bs$100,00 bolivianos mais a taxa do terminal de Bs$3,00 bolivianos para as 13:00pm com aproximadamente 16 horas de duração. Poderíamos pegar o famoso Trem da Morte pelo mesmo valor e que também sai de Porto Quijarro mas leva um pouco mais de tempo para chegar em Santa Cruz e como estávamos com pouco tempo preferimos ir de ônibus mesmo. 
                       
           A viagem foi tranquila passando por diversas florestas e rios nos mostrando paisagens lindas do território boliviano. Fizemos algumas paradas durante o caminho para comer e ir ao banheiro pois no banheiro deste ônibus só podia mijar. Logo no começo da viagem o cobrador pediu para que quem precisasse cagar era pra pedir pra ele que eles paravam o ônibus para a pessoa fazer na estrada, pois como a viagem seria longa, se fosse fazer no ônibus mesmo ninguém aguentaria o cheiro. Mas ninguém precisou rsss. 
       
      3º Dia: Partida - 28/12/2018 - 11h30 - Santa Cruz de la Sierra x La Paz - Empresa Concórdia Bs$220,00 - Banheiro Bs$4,00 - Taxa Terminal Bs$5,00
           Chegamos em Santa Cruz por volta das 4:00am da madrugada. Ficamos aguardando o Terminal Bimodal de Santa Cruz abrir as 6:00am para poder fazer o cambio da moeda e comprar nossas passagens para nosso próximo destino, La Paz. Ficamos aguardando em alguns bancos que tem do lado de fora do terminal, quando um policial da INTERPOL abordou um de nós pedindo o documento de entrada na Bolívia. Documentos conferidos e fomos liberados rapidamente. Se não tivéssemos feito a entrada no país seríamos multados por estarmos ilegais no país pagando uma multa por este delito. 
           O terminal começou a abrir e logo vimos uma mulher vendendo as passagens para La Paz pela empresa chamada Concórdia pelo valor de Bs220,00 bolivianos, já adiantamos e compramos.  Depois entramos no terminal para aguardar nossa partida que seria somente às 11:30am, então tínhamos um bom tempo para comer, trocar dinheiro, tomar banho e dar uma volta pelos arredores do Terminal Bimodal de ônibus de Santa Cruz de la Sierra. Pagamos Bs1,00 boliviano para banheiro e Bs3,00 bolivianos para banho no terminal, isso acontece em toda a Bolívia, todo banheiro será cobrado, seja para necessidades ou seja para banho. Então separem suas moedinhas, pois elas serão muito úteis para isso. Outra utilidade para as moedas, são as taxas de embarque que todo terminal de ônibus cobra. Depois que compramos nossa passagem tivemos que ir em outro guichê para pagar a taxa de embarque do terminal que nos custou Bs$5,00 bolivianos. Dentro do ônibus antes de sair do terminal, um fiscal entra conferindo pessoa por pessoa o pagamento da taxa. 
        
        
           Andamos nas ruas ao redor do terminal e encontramos diversas barracas com comidas de rua. Tinha bastante comida típica, muitas sopas e caldos, sucos e escolhemos para começar as famosas salteñas e empanadas boliviana. São maravilhosamente deliciosas e valeu muito a pena experimentar. Comemos também o famoso cuñapé, que seria o pão de queijo boliviano. Outra delicia boliviana mas confesso que os pães de queijo da minha avó são infinitamente melhores que os cuñapé boliviano ahuahuahuahu. Desculpa aew Bolívia rs. 
           Retornamos ao terminal e embarcamos rumo a La Paz em uma viagem aparentemente tranquila mas assim que íamos distanciando de Santa Cruz o trajeto começou a ficar um pouco tenso. O trecho que passamos estava em obras e tivemos que passar por diversos desvios ao lado de desfiladeiros e enormes rios que cruzávamos a todo momento. Mais a noite o tempo mudou e começou a chover forte e o trânsito ficou bastante lento em alguns lugares. Com a noite chegando, a escuridão dominava e não tínhamos noção de onde estávamos passando, mas quando um relâmpago clareava tudo r nos dava a visão  do quão perigoso estava o trecho que estávamos passando. 
           Após o transtorno do trecho em obras fizemos mais uma parada para esticar as pernas, ir ao banheiro, comer alguma coisa, comprar água pois seria a ultima parada até La Paz. Como estava um calor de quase 30º graus desde Porto Quijarro, não nos importamos em colocar roupas de frio e seguimos em frente. Assim que o ônibus começou a chegar próximo da cidade de El Alto por volta das 5:00am da manhã sentimos o verdadeiro frio da Bolívia.

       
      4º Dia: Partida - 29/12/2018 - La Paz - Banheiro Bs$1,00 - Hostel Bs$153,00 - Van Bs$5,00 - Teleférico Bs$3,00 - Empresa Diana Tour Bs$40,00    
           Pela janela do ônibus só se via um descampado sem árvores, sem vegetação, coberto somente por uma grama curta e alguns arbustos e muito frio. Tinham diversas casas feitas de barro no meio do nada. Meu coração começou a bater mais forte e a falta de ar também começou levemente. Estava com os esfeitos da altitude, o soroche. Notei que estávamos próximos de El Alto, a última cidade antes de La Paz. O ônibus fez uma parada e mais da metade dos passageiros ficaram por ali mesmo. Perguntamos se ali seria o ponto final do ônibus. Algumas pessoas e o cobrador responderam que sim. Que teríamos que descer ali e pegar o teleférico até La Paz. Quando pegamos nossas mochilas do bagageiro do ônibus, perguntei para o motorista se ali seria o ponto final. Ele respondeu que não, que ali era ponto final pra quem era de El Alto. Subimos novamente no ônibus e ai sim seguimos rumo ao Terminal de Buses de La Paz.
           Chegamos por volta das 7:00am da manhã no terminal e bem na hora do rush. Havia muito congestionamento e resolvemos saltar do ônibus antes de chegar no terminal e continuarmos a pé o trajeto. No terminal de buses de La Paz usamos o banheiro por Bs$1,00 boliviano, compramos nossas passagens para Copacabana por Bs$40,00 bolivianos pela Diana Tour e usamos o wi-fi gratuitamente para podermos acessar o mapa no telefone para  poder seguir a pé para a Rua Sagarnaga. Esta rua esta concentrado a maioria das agências de câmbio, das agências de turismo, hotéis, pousadas e hostel. Fica bem próximo do Mercado Lanza, do famoso Mercado de las Brujas, da Igreja e Convento São Francisco, da Av. Illampu que contém diversas agências de turismo também. Ficamos hospedados no Hostel York B&B na rua Sagarnaga mesmo por Bs$153,00 bolivianos a diária por um quarto duplo, café da manhã e com banheiro privado. Como chegamos muito cedo no hostel e o check-in seria um pouco mais tarde, guardamos nossas mochilas na recepção do hostel e tomamos algumas xícaras de chá de coca para amenizar os efeitos da altitude que já estavam dando seus sinais. Ficamos por alguns bons minutos na cozinha do hostel tentando acostumar com aqueles sintomas e assim que o chá de coca fez efeito resolvemos sair pra rua para encontrar agências de câmbio para trocar nosso dinheiro e aproveitamos para dar uma volta na rua do Mercado de las Bruxas que estava começando a abrir.   
        


         


           Retornamos para o hostel para fazer o check-in, pois já estava no horário, nos acomodamos no quarto que reservamos, tomamos um belo e merecido banho, arrumamos as mochilas menores e bora pra rua novamente almoçar e aproveitar o dia que por incrível que pareça estava fazendo sol com todo aquele frio. Então não podíamos perder tempo e saímos logo em direção à Praça Murillo, um dos cartões postais de La Paz. 
       
       

           Ficamos um tempo nesta praça até que resolvemos perguntar para um guarda como se chega no Mirador Kili Kili. Ele nos orientou a pegar um tipo de van por ali mesmo em uma esquina da Praça Murillo pagando Bs$5,00 bolivianos que conseguiríamos chegar na entrada do mirador. Achamos a van e aguardamos por alguns minutos até que lotasse a van de passageiros. O percurso até o mirador durou apenas 10 minutos. A van percorre alguns lugares da cidade parando em alguns e seguiu rápido em direção ao mirador. Transporte barato, rápido e eficaz.  










           O Mirador Kili Kili nos da a visão da grandeza de La Paz. Tem uma vista impressionante da cidade. Ficamos por horas neste local, até que o tempo que estava aberto se fechou de uma hora pra outra e começou a chover até granizo. Ficamos por quase uma hora em um abrigo no mirador aguardando a chuva passar. Foi impressionante ver aquela tempestade do mirador com seus raios cortando toda a cidade de La Paz.
           Assim que a chuva deu uma trégua conseguimos ir até o ponto e pegamos a van que nos deixou na Praça Murillo novamente. De lá fomos ao mercado Camacho comer uma típica comida boliviana. Estava frio e chuvoso e nossos estômagos estavam roncando de fome. Andamos por cerca de 10 minutos e já estávamos no Mercado Camacho. Pedimos dois pratos tipicamente bolivianos porem esquecemos de perguntar quantas pessoas eles serviam ahuauhaua. Vieram dois pratos enormes, um chamado Picana Navideña e outro chamado Planchitas que juntos serviam 4 pessoas facilmente ahuahuhauhau. Fiquei pensando depois que o garçom poderia ter nos avisado rsss mas tudo bem, comemos até o cu fazer bico! kkkkkkkkkk 

       
           Barriga cheia, pé na areia! Saímos do Mercado Camacho e fomos nos aventurar nos famosos teleféricos da cidade. Foi sensacional andar por cima da cidade naquelas cabines. Parecia que estávamos flutuando sobre La Paz. O sistema teleférico em La Paz foi inaugurado no ano de 2014 ligando as cidades de El Alto e La Paz. Hoje em dia La Paz contém 9 linhas integradas levando 18.000 pessoas por hora, facilitando o trânsito caótico gerado pela geografia caprichosa do lugar. As linhas são interligadas, porém cada uma delas será cobrado uma tarifa de Bs$3,00 bolivianos caso tenha que trocar de linha. 
         


       
       

            Retornamos ao hostel para descansar um pouco e aclimatar pois o soroche estava acabando com nosso fôlego e o coração disparava a toda hora. Como íamos subir mais ainda resolvemos ficar de booooa no hostel pois logo de manhã iriamos sair em direção ao Terminal de Buses de La Paz para tomar o ônibus para o nosso próximo destino, a cidade de  Copacabana às margens do lago mais alto do mundo, o Lago Titicaca.
       
      5º Dia: Isla Del Sol - 30/12/2018 - La Paz x Copacabana x Isla Del Sol
       
      (((((Continua no próximo post))))
       
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       (...)
    • Por Érica Munhoz
      O clássico Chile-Bolívia-Peru, ou melhor, a Tríade Atacama-Salar-Cusco sempre esteve na minha lista de desejos. Dentre esses países, eu sempre tive uma vontade maior de conhecer a Bolívia. Como uma boa bióloga, eu sou apaixonada por parques nacionais e a Bolívia tem uns maravilhosos.

      Além disso, eu gosto muito de trekking em montanhas e estou planejando fazer em breve algumas montanhas bem altas, acima de 5.000 m, na África e na Ásia.

      Desde 2016 eu desenvolvi uma rara doença auditiva chamada Síndrome de Menière, que basicamente é pressão alta na cóclea. A doença é terrível, mas felizmente a medicação no meu caso ajuda a controlar bastante os sintomas da síndrome, exceto o zumbido e umas tonturas eventuais.

      O máximo de altura que eu já tinha ido até então foi 2.800 m no Monte Roraima em 2015 (que senti enjoo, mas darei mais detalhes depois). Porém como meu problema auditivo começou depois disso, eu queria saber como meus ouvidos iriam se comportar em altitudes maiores do que 2.800 m, antes de encarar por dias as montanhas que eu desejo na África e na Ásia.

      Daí juntou a fome com a vontade de comer. A Bolívia, que eu já queria muito conhecer, era um local ideal para ir, pois além de altitudes acima dos 4.000 m, é um país bem barato para se viajar.

      Então na Black Friday de 2018 eu consegui comprar minhas passagens pela Submarino Viagens por R$1641,00 chegando por Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) dia 16/09/19 e voltando por Cusco (Peru) dia 15/10/19 (mesmo pagando uma taxa para a empresa, ainda assim saiu mais barato do que comprar diretamente pelas cia aéreas. Tiveram dois problemas: o primeiro foi os horários loucos com mil pontes áreas e o segundo foi que eles trocaram os horários dos meus voos sem minha solicitação. Me mandaram só um e-mail pedindo a minha confirmação. Se eu não aceitasse eles iriam devolver o dinheiro, exceto o valor do serviço prestado pela Submarino).

      16/09 (segunda): Depois de uma longa jornada de aeroportos (BH-Guarulhos-Santiago-Santa Cruz de la Sierra) que começou às 4:50h, cheguei no meu destino por volta das 20h. Passei pelo saguão do aeroporto pra trocar um pouco de dinheiro, mas as casas de câmbio estavam fechadas. Fui até o centro de informação ao turista e perguntei quanto dava um táxi em dólares até a Catedral, pois meu hostel ficava em frente (10 dólares).

      Peguei um táxi regular (branco com uma faixa azul. Eles ficam parados em frente ao desembarque). Por causa do trânsito, o trajeto demorou cerca de meia hora. O que não faltam nas cidades da Bolívia são táxis clandestinos. Em geral, todos os carros caem aos pedaços, literalmente. Sobretudo os taxistas clandestinos. Nenhum táxi, regular ou clandestino, tem taxímetro. Então sempre pergunte o preço da corrida antes de entrar.

      O trânsito na Bolívia é muito confuso e caótico (no Peru também, mas talvez um pouco menos do que na Bolívia. É uma loucura!). Não há placas de Pare. Os motoristas simplesmente embicam o carro na tora para passar nos cruzamentos. Eles não respeitam as faixas de pedestres, mesmo que o semáforo esteja aberto para os pedestres. Quase nunca dão seta, metem a mão na buzina a cada respiração, fazem fila dupla ou simplesmente param em qualquer lugar. A vida do pedestre é complicada. Para você atravessar a rua, vai ter que se enfiar na frente dos carros. Sinto de segurança é algo que praticamente não existe, inclusive nos ônibus que fazem as viagens intermunicipais.

      Ao chegar no hostel, deixei minhas coisas e fui dar uma volta de 10 minutos na praça da Catedral. Ela já é muito bonita, mas a iluminação a noite dá um toque especial.

      17/08/19 (terça): fiquei no Nomad Hostel, que fica literalmente em frente à Catedral em uma rua lateral. O hostel é muito bom, mas não pode cozinhar. O que foi um problema pra mim. Fiquei duas noites lá e para a primeira noite tinha comprado vários legumes para fazer. Acabei conversando com o dono alegando que não fui informada sobre isso durante o meu check-in e que pelo aplicativo do Booking, por onde reservei, não havia essa observação lá. Acabou que ele permitiu que eu cozinhasse macarrão, pois era rápido e não faria sujeira. Fora isso, a estadia foi muito boa. 

      A maioria dos comércios abriam a partir de 8:30h da manhã, fechando de 12 às 14h (isso serviu para toda a Bolívia, não apenas para Santa Cruz). Então não adianta sair mais cedo do que isso. Depois que tomei café da manhã no hostel, saí para trocar dinheiro. O câmbio para dólar estava 6,94 bs e reais estava 1,69 bs. Depois comecei a procurar agências de turismo para cotar passeios para o Parque Amboró. Para a minha infelicidade, praticamente não achei agências. E das raras agências que faziam o Parque, elas estavam querendo me cobrar entre 450 ou 550 DÓLARES (!!!) para me levar, uma vez que eu estava sozinha e era baixa temporada. Dá pra ir para o Parque de ônibus (mas você tem que dormir na cidade de Samaipata), mas exatamente por ser baixa temporada, achei que a probabilidade de conseguir guias lá seria menor porque Samaipata parece que não tem muita infraestrutura. Então não quis arriscar. Acabei ficando super frustrada pois queria demais ir ao parque fazer a trilha dos Helechos Gigantes.

      Enfim, me conformei. E acabei ficando um dia a toa em Santa Cruz, que tirando a Catedral, não tem nada de interessante. A cidade é bem grande e não achei ela muito segura, embora não tenha visto ou acontecido nada comigo. Mas em pleno centro durante o dia havia umas ruas vazias com aquele ar de suspeito em que seu sexto sentido diz: "não vai por aí". Curiosamente, depois me falaram que as cidades mais violentas aos turistas eram Santa Cruz e La Paz, que são as duas maiores cidades da Bolívia.

      Fui até a rodoviária para comprar passagens para Sucre. A rodoviária é uma zona. Tem gente gritando para tudo que é lado e você é abordado o tempo inteiro por pessoas querendo te vender passagens. Irritante. E a julgar pela aparência dos guichês das empresas, você acha que todos os ônibus serão uns cacarecos. Havia lido aqui no fórum as melhores empresas e mais confiáveis. Dentre elas, fui diretamente ao guichê da Transcopabana, que apesar de na sua faixada estar escrito que eles faziam o trajeto para Sucre, na prática eles não faziam.

      Fiquei então totalmente sem referência de qual empresa confiar e ir, pois até então tinha lido só coisa ruim sobre o transporte rodoviário, especialmente para o trajeto Santa Cruz-Sucre. Por sugestão de uma outra empresa que não fazia esse trajeto, acabei indo parar em uma empresa super escondida chamada Sin Fronteras. Lá eles me ofereceram um ônibus semi leito, de dois andares, sendo que no andar de cima havia 3 fileiras de poltronas (2 juntas e uma separada), com banheiro (coisa rara) e ar condicionado. De fato o ônibus tinha tudo o que oferecia, exceto Wi-Fi, mas tinha entrada Usb para carregar o celular.

      18/09/19 (quarta): Basicamente enrolei o dia inteiro para pegar o ônibus para Sucre a noite. O ônibus não era novinho em folha, mas também não era ruim. Fui na fileira sozinha e a poltrona foi bem confortável para a viagem, que durou cerca de 12 h (saiu às 19h) e custou 100 bs.

      Antes de embarcar no ônibus a noite, eu estava bastante apreensiva por causa da qualidade do ônibus e por causa do trajeto em si. Havia lido que a estrada era péssima, extremamente perigosa por causa dos penhascos e que a maioria dos motoristas dirigem bêbados. Eu fiquei mais tranquila só depois que conversei com um outro passageiro que morava em Santa Cruz, mas estava indo fazer um trabalho em Sucre. Segundo ele, a estrada era nova e com guardrail, e que a empresa do ônibus era confiável. Para o nosso trajeto, ele também recomendou a empresa El Emperador, mas as passagens já haviam esgotado quando ele foi comprar e por isso acabou comprando da empresa Sin Fronteras. Antes de embarcar você deve pagar uma taxa de uso da rodoviária (não lembro se foi 2.50 ou 3.50 bs).
      O desconforto da viagem para mim foi que o trajeto tem muitas, mas muitas curvas fechadas. E pelo fato de estar no segundo andar do ônibus, a cada curva eu achava que o ônibus ia capotar. Então custei a relaxar. Se o ônibus que você pegar tiver banheiro, recomendo ir na parte de cima, pois o mal cheiro no primeiro andar é bem forte ao final da viagem. Recomendo também levar tampões de ouvido caso tenha dificuldade para dormir com barulho, como eu. Os bolivianos não usam fones de ouvido (uma senhorinha atrás de mim começou a tocar músicas às 5:30h da manhã. E quanto mais ela gostasse da música, maior era o volume. Eu queria matar a véia!). Leve também roupas de frio, pois de madrugada esfria bastante.

      Embora o ônibus que eu peguei tivesse banheiro, recomendo que não beba muita coisa antes de viajar. Um amigo meu viajou em um ônibus sem banheiro e o motorista não parou nenhum minuto. Segundo o relato dele, ele e os amigos tiveram que mijar da janela do ônibus em movimento. Imagina a cena! Também vi relatos de algumas meninas que também pegaram ônibus sem banheiro e tiveram que fazer xixi na estrada atrás do ônibus, depois de obrigar o motorista a parar ameaçando que iriam urinar dentro do ônibus.

      Fique esperto com as poucas paradas que o ônibus fizer na estrada. Tem alguns relatos contando situações inusitadas. No meu caso, depois de uns 10 minutos de ônibus parado em algum lugar, o motorista não conferiu os passageiros. Apenas gritou: "tá todo mundo aí?". Algumas pessoas responderam que sim e ele foi embora.
      19/09/19 (quinta): Cheguei em Sucre por volta das 07:30h e todas as empresas na rodoviária estavam fechadas. Fui caminhando até o Condor hostel (subindo e descendo as inúmeras ladeiras da cidade) (40 minutos de caminhada lenta). Deixei minhas coisas no hostel e fui para a Praça 25 de Maio para pegar o ônibus (também chamado de Dinobus) para o Parque Cretáceo (15 bs ida e volta. De táxi dava cerca de 30 bs cada trajeto). O ônibus é vermelho e tem dois andares, escrito "Parque Cretáceo" na frente dele. Não tem como não ver. Ele para em frente a Catedral na praça 25 de Maio e passa às 09:30h, 11h, 12h, 14h e 15h. Eu peguei ele às 9:40h.

      Não achei casas de câmbio pelas ruas que andei em Sucre (certamente tem, eu que não vi). Os únicos lugares que eu vi que trocavam dinheiro foi em uma tenda logo na saída da rodoviária (dólar 6,92 bs, reais não aceitavam) ou uma farmácia 24 horas em uma esquina da praça 25 de Maio (dólar 6,84 bs).

      Eu achei Sucre bem bonitinha, principalmente o Centro. As praças são bem conservadas, os jardins bem cuidados. Na praça 25 de Maio tem Wi-Fi público, que não funciona muito bem, mas quebra um galho em emergências. O trânsito também era caótico, mas tive a impressão que era menos caótico do que em Santa Cruz.
      O Parque Cretáceo, embora pequeno, é sensacional! Lá pertence a uma fábrica de cimentos, que durante suas perfurações para extrair matéria prima descobriram pegadas de 4 grupos diferentes de dinossauros. São mais de 12 mil pegadas em um paredão (a maior coleção de pegadas do mundo) e por conta disso essa área foi tombada e é conservada como patrimônio (não tão bem conservada assim considerando que passam caminhões da fábrica na área o tempo todo, além das outras atividades). Então a fábrica de cimentos fez um parque dos dinossauros e possui várias réplicas em tamanho real (e muito bem produzidas), além de fóssils. O Parque funciona de terça a domingo, de 9 às 17h. Porém, para ir ao paredão ver as pegadas originais, os únicos horários são 12 e 13h.  A entrada no parque custa 30 bs para estrangeiros e se você quiser tirar fotos, tem que pagar mais 5 bs, totalizando 35 bs (a visita ao paredão já está inclusa no ingresso).

      O clima em Sucre estava muito seco, mas no Parque Cretáceo estava pior ainda por causa do excesso de poeira. Se for visitar o paredão das pegadas originais, sugiro levar um lenço ou uma bataclava para proteger o nariz. Para ir ao paredão só pode entrar de sapato fechado. Saindo do Parque Cretáceo peguei novamente o Dinobus e pedi para descer na rodoviária para ver os horários de passagens para Potosí e Uyuni. Me indicaram a empresa Emperador (não é a El Emperador, que me indicaram como uma empresa confiável em Santa Cruz).

      Não tinha ninguém no guichê, mas na parede da empresa estava escrito os horários de saída para as duas cidades. Fui caminhando novamente até o centro e visitei a maioria dos museus. De longe o que eu mais gostei foi o Museu San Felipe de Neri (entrada 15 bs). Lá vc pode subir até o terraço e ver boa parte do centro. É bem bonito e rende fotos lindas da construção em si. A Catedral estava fechada para reformas.
      Depois de caminhar muito pelo centro, fui para o hostel descansar por volta das 17h. Comecei a sentir uma leve dor de cabeça, que atribui ao excesso de caminhada em um sol escaldante, à pouca ingestão de água e à noite mal dormida no ônibus de Santa Cruz. Porém a dor de cabeça começou a aumentar muito e comecei a ficar muito enjoada. Daí pensei que era algo que eu tinha comido (intoxicações alimentares na Bolívia são muito comuns. Cuidado com o que você come). Mas lá pelas 20h eu tava muito, mas muito mal. A dor de cabeça estava insuportavelmente forte, estava muito, mas muito enjoada, a ponto de vomitar toda a minha janta. 🤢 Já estava desconfiada de Soroche (que é o mal da altitude), mas não queria acreditar, pois não estava com dificuldade para respirar ou cansaço anormal.  
      Comecei então a ler mais sobre o Soroche e uma informação crucial foi importante para que minha ficha caísse: você não começa a passar mal necessariamente assim que chega em uma determinada altitude (geralmente a partir de 2.400 metros algumas pessoas já passam mal). Algumas pessoas podem começar a se sentir mal com 20 minutos, mas outras pessoas podem levar até 10 horas para passar mal. Além disso, ao deitar, a frequência respiratória diminui, o que piora muitos os sintomas.

      E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Comecei a me sentir mal cerca de 10h depois que eu cheguei em Sucre (que está a 2.800 m de altitude) e quando eu deitei para descansar. Quando eu levantava e começava a andar, o enjoo melhorava pois aumentava a circulação sanguínea no cérebro. E foi aí que minha ficha também caiu que eu tinha passado mal no Monte Roraima em 2015 por causa do Soroche, que na época atribuí a outros fatores. Mas a sintomatologia foi praticamente a mesma.

      Fui então até uma farmácia comprar Soroche Pills, que é um medicamento a base de ácido acetilsalicílico, e a vendedora disse para tomar a cada 8 horas por 3 dias, que é o período que geralmente as pessoas necessitam para aclimatar ( eu precisei tomar por 4 dias e no final da viagem tive que tomar de novo por mais 2 dias) . Cerca de 1 hora depois que eu tomei o remédio, comecei a sentir melhoras e consegui dormir. Cada pílula custou 5 bs.
      Importante destacar que não tem como você prever se sofrerá ou não com o Soroche. Os efeitos da altitude independem de sexo, idade, força ou resistência aeróbica. Só estando em altas altitudes para saber como seu corpo reagirá. O meu, mesmo depois de aclimatada, ainda assim não ficou 100%.

      20/09/19 (sexta): acordei por volta das 7h da manhã com a minha cabeça começando a doer de novo e logo tomei outra Soroche pills. Tomei um café, peguei um táxi caindo aos pedaços até a rodoviária (5 bs) para pegar o ônibus para Uyuni às 12:30h, conforme eu tinha visto na parede da Empresa Emperador no dia anterior. Para a minha surpresa, a empresa não fazia o trajeto direto! Assim, tive que ir até Potosí (30 bs), desembarcar no cemitério (que é como eles chamam um terminal de ônibus antigo), pegar um táxi até um outro terminal para pegar outro ônibus da empresa até Uyuni. Isto é: nunca confie em nada que está escrito nas paredes. Sempre converse com o vendedor.

      Haviam outras poucas empresas que faziam o trajeto também, mas os ônibus saiam no final da tarde, chegando a Uyuni de madrugada (que segundo relatos de pessoas que conheci que fizeram essa viagem, não foi uma boa porque não tem nada aberto e você fica ao léu em um super frio - não tem nem uma rodoviária pra te proteger. Os ônibus param em uma rua no centro). Então preferi ir durante o dia, pois já não havia mais nada que eu quisesse fazer em Sucre.

      O ônibus era um ônibus convencional (1 andar com duas filas de cada lado). Não tinha ar, banheiro ou USB para carregar o celular. Ninguém conferiu a minha passagem. A taxa de uso do terminal foi de 2.50 bs.

      Foi muito bom ter pegado o ônibus durante o dia, pois pude apreciar a paisagem, que é deslumbrante. No início, a paisagem era mais bonita do lado esquerdo, mas a partir da metade da viagem o visual foi mais bonito do lado direito (que pega muito sol). O revelo dos Andes é muito maravilhoso. Geólogos ou entusiastas de geologia devem ficar doidos com a diversidade de rochas e paisagens. Você vê diversas formações, em diferentes ângulos e enxerga perfeitamente a influência da tectônica de placas e dos esculpimentos provocados pela água (nos passeios de Uyuni e Atacama são perfeitos para isso!). O clima é bem seco e o ar geladinho, mas nada que justifique as blusas de frio que os bolivianos usavam durante o dia pois o sol estava escaldante (e eu sou a pessoa mais friorenta do planeta!). Não sei se eles usam porque realmente sentem frio ou se é para proteger do sol. Embora eu acho que seja por causa do frio, pois quando mencionava em Santa Cruz ou Sucre que iria para Potosí, todos os bolivianos que conversei falaram: "Uh! Hace mucho frío!". Mas a medida que o sol foi se pondo, de fato começou a fazer frio.

      A estrada para Potosí é boa, mas realmente se der algum acidente e o ônibus sair da pista, já era. Os penhascos são gigantes. Fiquei um pouco apreensiva, mas não por causa dos penhascos em si, mas por causa da direção do motorista. Diversas vezes ele fez ultrapassagens em curvas que não se tinha boa visibilidade. Além disso, frequentemente o motorista metia a mão na buzina para outros automóveis na sua frente ou animais na pista, o que assustava bastante e me deixava as vezes apreensiva.
      Entre Sucre e Potosí passamos por apenas um pedágio, mas não consegui ver os preços. Na primeira metade da viagem há muitas curvas a maior parte do caminho é uma subida leve. Quando se atinge uma altura mais elevada, boa parte do caminho é plano e há mais retas. É interessante observar a vida de comunidades mais isoladas nos altiplanos. Há menos árvores e mais plantações (que não consegui identificar nenhuma).

      Chegamos em Potosí às 16h, porém o ônibus parou em um terminal novo, que não fazia viagens para Uyuni. Assim, tive que pegar um táxi (7 bs) até o terminal antigo (chamado por eles de Ex-terminal) e consegui um ônibus para Uyuni às 16:30h pela empresa Expresso 11 de Julho. O ônibus era ainda mais simples do que o ônibus Emperador que peguei em Sucre (que custava 40 bs). A taxa de uso do terminal foi de 1 bs.

      Foi impressionante como a questão da altitude é algo que realmente influencia o corpo. Assim que desci do ônibus em Potosí e andei uns 100 metros planos até a rua para pegar o táxi senti bastante cansaço. Parecia que tava correndo. Ao chegar ao antigo terminal fui ao banheiro, que fica no segundo andar. Como o ônibus para Uyuni já estava quase saindo, andei rápido e subi uns 40 degraus no máximo de escada. Parecia que eu tinha asma. Meu coração estava tão acelerado que eu tava tremendo e por mais que eu respirasse fundo, ainda era pouco.

      Antes de entrar no ônibus eu comprei um saquinho cheio de folha de coca no terminal (5 bs). E logo comecei a mascar e em pouco tempo senti diferença (que também foi influenciada por sentar no ônibus e ficar quieta. Nos dias seguintes depois que eu já tinha aclimatado, não senti diferença na respiração ao mascar folhas de coca. Só acelerava meus batimentos e me deixava um pouco enjoada. No Chile me indicaram a tomar chá de Chachacoma, que seria mais efetivo, mas não experimentei).
      Logo após sair de Potosí em direção a Uyuni paramos em uma provável barreira de pedágios, seguida logo após por uma barreira policial. Não sei se realmente era um pedágio, pois não vi placas com preços. E tanto no suposto pedágio, quanto na polícia, vi o motorista entregando um documento grande. A estrada para Uyuni também foi tranquila, em sua maior parte plana e mais reta. Em alguns pontos haviam Vicuñas cruzando a estrada (que é um animal que se parece com uma alpaca, mas menor e com menos pelos). Então tome cuidado a noite se for dirigir. Quando já estávamos quase entrando em Uyuni passamos por uma outra barreira de pedágio.

      Em Uyuni os táxis são melhorzinhos, mas a cidade é bem pequena e dependendo da localização da sua hospedagem, é melhor ir a pé. Depois de um longo dia de estrada, cheguei em Uyuni por volta das 21h e estava fazendo 5 graus (frio demais!!)

      Fui direto para o hotel (Le Ciel d'Uyuni) e tentei dormir (um dos sintomas que a altitude provoca é a insônia). De madrugada acordei com um pouco de dificuldade para respirar e com as narinas doendo bastante por causa do tempo seco (todas as cidades que tinha passado então eram muito secas, mas Uyuni e San Pedro de Atacama foram as piores). Só consegui dormir de novo depois de molhar um pedaço da toalha e deixar bem próximo ao nariz para ajudar a umedecer as vias aéreas. No dia seguinte meu nariz estava todo ferido por dentro e minhas melecas cheias de sangue (hemorragia nasal pode ser outro sintoma da altitude).

      21/09/19 (sábado): Acordei cedo, tomei café da manhã no hotel (muito bom por sinal!) e comecei a procurar agências para o Salar. A maioria das agências ficam na Av. Ferroviária e o preço variou de 730 a 900 bs para um passeio de 3 dias (e duas noites com refeições inclusas) com destino final a San Pedro de Atacama, no Chile.

      Após pesquisar algumas agências acabei fechando com a Cordillera, que frequentemente é indicada aqui no fórum (embora também tenha várias não recomendações). Inicialmente a atendente me cobrou 900 bs, mas quando ela viu que eu não iria fechar, ela abaixou para 800 bs, aceitando o pagamento em dólares (116 dólares) (câmbio 6,90 bs) e ainda chorei um saco de dormir (que geralmente é alugado entre 40 ou 50 bs - e vi várias recomendações aqui no fórum para levar, principalmente para a segunda noite, onde o alojamento é no deserto a mais de 4 mil metros de altitude). Esse preço não inclui os valores que devem ser pagos no parque e na fronteira, que em geral somam cerca de 250 bs (somente bolivianos são aceitos).

      Todas as agências oferecem os mesmos passeios. O que parece que muda são os refúgios. Algumas agências também, principalmente as menores, terceirizam os passeios, encaixando-o em grupos de outras agências (isso aconteceu em praticamente em todos os meus passeios na Bolívia, no Peru e em San Pedro de Atacama no Chile. Isso é, você nuca sabe com qual agência de fato você estará indo e no final das contas o que muda é o preço).
      Os passeios das agências geralmente saem às 10:30h. Meu jipe saiu às 11:15h. Os carros levam até 8 pessoas, mas o mais comum é 7. No meu grupo tinha 6 pessoas (o motorista, mais 5 turistas - eu do Brasil, um casal da Alemanha, uma russa e uma húngara). Boa parte dos guias são bilíngues - inglês e espanhol.

      Inicialmente fomos ao cemitério de trens, que fica a 10 minutos da cidade. A estrada é de terra batida e é super tranquilo para um carro comum, mas vai trepidar bastante. Depois do cemitério, pegamos uma estrada asfaltada por uns 15 minutos e passamos por uma barreira de pedágios, que se eu não me engano é a mesma que relatei quando o ônibus estava chegando em Uyuni. Custou 5 bs, mas segundo o guia, você tem que pagar de acordo com a distância que irá. Não entendi muito bem como isso funciona, se é que eu entendi certo, pois ele explicou em um inglês que não tava entendendo quase nada por causa do sotaque dele.

      Saímos da estrada asfaltada e começou o chão de sal. Chegamos a uma fábrica de sal (entrada 10 bs) onde o processo é bem artesanal. Depois disso almoçamos (a comida estava muito boa e no local há banheiro por 2 bs) e fomos até o símbolo da Dakar, que também é onde tem as bandeiras dos países. De lá, entramos mais ainda para o deserto do salar e paramos para tirar as fotos em perspectiva. Sugiro levar uns brinquedos/bonecos pra brincadeira ficar mais legal e você ter umas fotos diferentes além das óbvias que todo mundo bate. A roupa suja bastante de branco ao sentar ou deitar no sal.

      Quando estávamos no caminho para a ilha dos cactos gigantes nosso jipe simplesmente parou. Teve algum problema elétrico e ficamos parados por quase uma hora, enquanto o guia e o alemão do meu grupo tentavam resolver. Sem solução, o nosso guia parou outros carros e nos colocou dentro de um para nos levar até a ilha enquanto eles rebocavam o carro até a ilha, pois teria outros jipeiros para ajudar a resolver o problema.

      A entrada na ilha dos cactos custou 30 bs e no local há banheiro (o uso já está incluído no preço do ingresso). O problema do nosso jipe foi solucionado e seguimos para o refúgio. Até um pouco antes de chegar ao refúgio o chão era de sal compactado, o que dá pra ir de carro normal sem problema. Porém perto dos refúgios o sal parece que estava molhado e somente carro 4x4 passava. Se alguém for tentar ir de carro próprio, sugiro que pesquise muito bem os mapas e tenha um GPS bom, pois o salar (e o deserto nos Andes nos dias seguintes) é tão grande que você fica totalmente sem referência pra que direção ir.

      O refúgio é bem legal. A construção é toda de sal, assim como o chão. A cama foi bem confortável, mas a noite foi bem fria. Além de todas as cobertas, tive que usar bastante roupa de frio. Os chuveiros tem água quente e o banho já estava incluso. Havia energia elétrica e tomadas nos quartos para carregar os equipamentos eletrônicos. Por volta das 19h eles serviram o jantar (e experimentei carne de Lhama, que é muito saborosa. Não é o meu caso, mas para vegetarianos a empresa prepara todas as refeições adaptadas).

      Uma dica de espanhol. Eu tinha esquecido o nome do guia e o chamei de "chico". O cara ficou extremamente emputecido. Pedi desculpa e falei que não sabia que era uma expressão ofensiva para ele (O que de fato não é! Inclusive o próprio guia nos chamava de chicos e chicas). Independentemente disso eu não curti nem um pouco nosso guia. Comparado com outros que eu vi, ele dava poucas explicações. Além disso, quando deixava a gente em algum lugar, de vez enquanto ele sumia. Quando perguntava alguma coisa pra ele, muitas vezes ele dava uma resposta bem seca e com bastante má vontade. 

      22/09/19 (domingo): o café da manhã foi servido às 7h e a programação era sair às 7:30h, mas saímos só às 7:50h. Andamos pelo chão de sal que necessita de 4x4 por uns 10 minutos e depois pegamos uma estrada de terra batida, que tem um pedágio e custa 10 bs. Andamos por mais ou menos uma hora e chegamos em um povoado chamado San Juan, onde tem uma casa cultural da quinoa, que mostra o trabalho artesanal da produção de diferentes tipos de quinoa. Eu achei bem sem graça pra falar a verdade. Na rota 701 paramos para observar alguns vulcões (em quase todo o caminho há vulcões a alguns deles saem fumaça). Nesse momento estávamos a mais de 4 mil metros, mas apesar disso não estava tão frio. O vento estava geladinho, mas o sol muito quente (deu até pra ficar de camiseta). Entramos no parque nacional (150 bs, e é válido por 4 dias. Guarde esse ingresso pois precisa dele para sair do parque).

      Fomos em duas lagoas com flamingos. A primeira era menor e tinha uma concentração maior de sal. A segunda, que é maior e bem mais bonita, tem um tom esverdeado e mais animais. Paramos para almoçar nessa segunda lagoa onde tem um restaurante e banheiro por 5 bs. Depois do almoço, indo em direção a árvore de pedra, passamos por uns rochedos cheios de vizcachas (que é tipo umas chinchilas). A última visita do dia antes de ir para o refúgio foi a laguna colorada, outro lugar maravilhoso. Chegamos no refúgio às 18h, que não era bom. Ele era muito, mas muito gelado e tinha energia elétrica só entre 19 às 22h. Dormi com 4 blusas de frio, touca, luvas, 3 calças, saco de dormir, mais as cobertas que eles forneceram. Não dava nem pra mexer e ainda assim senti um pouco de frio. De fato, se eu não tivesse o saco de dormir, talvez eu passasse aperto.

      23/09/19 (segunda): Acordamos às 4:30h, com previsão de sair às 5h, mas saímos às 5:40h. Estava muito, mas muito frio (imagino que devia tá próximo a zero). Fomos para os gêiseires (muito doido! Ponto alto da viagem no deserto para mim. E também foi o ponto mais alto da viagem, literalmente, a mais de 5 mil metros de altitude). Depois fomos para as piscinas termais (6 bs para nadar), paramos para tirar umas fotos no deserto de Dalí e depois fomos para a laguna verde. Saímos do parque nacional e fomos para a fronteira Bolívia-Chile, já que eu iria para San Pedro de Atacama.

      Primeiro você passa pela aduana boliviana, entregando uma declaração de saída que eles fornecem na própria aduana. Depois de uns 5km, vc passa pela imigração, onde tem o carimbo de saída no passaporte e você precisa pagar 15 bs (em nenhuma outra aduana que passei no resto da viagem tive que pagar nada. Eu desconfio que esses 15 bs é uma espécie de propina que já está tão arraigada que é considerada como praxe). Dali, havia uma van da Cordillera nos esperando para seguir adiante. Depois de alguns quilômetros de estrada (não deu nem 5 minutos de van), chegamos ao posto de imigração e aduana do Chile. É engraçado como as instituições da Bolívia e do Chile são muito discrepantes! Os postos da Bolívia é caindo aos pedaços, poucos funcionários que não conferem nem seu nome direito no passaporte. Já no Chile eles são super sérios, tudo organizado, vários funcionários.

      Primeiro você passa pelo posto de imigração, onde eles batem o carimbo no seu passaporte. Duas coisas importantes: primeiro, eles te dão um papel que você deve guardar para sair do país. Segundo, você deve ter pelo menos uma hospedagem já garantida, pois você tem que fornecer os dados de onde irá se hospedar. Saindo da imigração você vai para a aduana, onde eles revistarão todas as suas malas. Não pode levar nada de origem animal ou vegetal (ele recolheram minhas batatas e ovos, mas deixaram minhas folhas de coca). Não deixe de declarar o que você está levando. Se eles pegarem, você será multado.

      Em nenhuma aduana ou posto de imigração tem banheiro.
      A van seguiu para San Pedro de Atacama e parou no terminal de ônibus. A cidade é bem  pequena (pelo menos a área onde se concentram a maior parte das hospedagens, restaurantes e comércios) e simples, o que dá um clima muito legal. Fui para o hostel Mamatierra e eu recomendo demais. Hostel super limpo, confortável, café da manhã excelente, se você vai sair antes do horário do café eles separam um lanche pra você, não cobram pra lavar roupa, nem pra guardar suas malas na recepção caso faça o check-out e vá passear.

      Tomei um banho e saí para o Centro onde ficam as agências de câmbio e de passeios. Há diversas opções. É bom pesquisar os preços pois há uma variação, mas não é tão grande assim. Assim como em Uyuni, várias agências terceirizam os passeios e no final você geralmente acaba indo com uma empresa diferente da que você fechou (isso vale para Cusco também). Todos os passeios que eu fiz foi com a Star Travel, que me ofereceu os preços mais baratos, mas cada dia eu estava junto com uma agência diferente.

      Talvez a única coisa mais importante, pelo menos no meu ponto de vista, seja você buscar uma boa agência para fazer o tour astronômico. Esse sim realmente tem muita variação, mas do serviço e nem tanto do preço. Há agências que oferecem mais telescópios e/ou com potências diferentes (inclusive algumas oferecem explicações científicas e outras oferecem explicações esotéricas).

      A van do tour astronômico me pegou às 20:20h no hostel, pegou outros passageiros e fomos para a casa do René, nosso guia. Fomos literalmente para o quintal da casa dele. Lá ele colocou umas cadeiras com cobertas (faz um frio bom) e nos serviu vinho quente enquanto ele nos explicava e ensinava várias coisas sobre as estrelas. Foi muito legal! Ele entende bastante, é super divertido e muito didático. Depois de quase uma hora fazendo observações e explicações, ele tirou duas fotos e cada participante (éramos 5) e entramos para a casa dele, onde ele nos serviu vinho, achocolatado quente (com água!) e uns petiscos. Ele é uma pessoa muito interessante de se conhecer e nos contou sobre um serviço  astronômico diferente que ele faz que chama Gastro, isto é, a junção de astronomia e gastronomia. Fiquei super curiosa!  (O contato dele: [email protected]). A única coisa que eu não gostei muito é que só tinha um telescópio (e a agência me ofereceu 3), mas que foi compensada pela pouca quantidade de pessoas, o que tornou o serviço bem personalizado (há agências que oferecem mais telescópios, mas vão grupos grandes, como 16 ou 20 pessoas). Ao fim do tour, a van me deixou de novo no hostel.

      24/09/19 (terça): Às 08:30h uma van de outra agência (Andes Travel) me pegou no hostel e fomos pra ir até os petróglifos e Vale do Arco-íris (até a van pegar todo mundo era umas 9h quando de fato saímos para a estrada. A entrada custou 3 mil pesos chilenos). Eu achei o vale do Arco-íris maravilhoso e achei que o tempo de passeio foi muito curto. Queria ter passado mais tempo caminhando por lá. Chegamos na cidade por volta das 13:30h. Fui para o hostel, descansei um pouco e às 16h saí para o passeio do Vale de la Luna (fui na van da empresa Iutitravel). Outro lugar espetacular e a entrada custou 3 mil pesos chilenos. Ao final da tarde fomos para um mirante (Mirador de Kari) ver o por do sol (que teria sido infinitamente vezes mais bonito se fosse no Vale de la Luna). Cheguei no hostel por volta das 20:30h.
      25/09/19 (quinta): acordei super cedo para ir para os gêiseres (a van da empresa Ilari Expediciones me pegou às 5:35h no hostel). Lá nos gêiseres está há mais de 4 mil metros e por causa das montanhas que bloqueiam o sol faz muito frio (o sol custa a iluminar no lugar onde a gente anda). Na área dos gêiseres há uma piscina termal que pode nadar e já está incluso no preço do ingresso (10.000 pesos chilenos). A tarde fui para as Lagunas Escondidas (entrada 5.000 pesos chilenos). São 7 lagoas pequenas e extremamente cristalinas que ficam em uma área com muito sal. O teor de sal das lagoas é mais de 45% e você não consegue afundar. É muito legal ficar boiando na água sem fazer nenhum esforço! A água é muito gelada, mas se você ficar só boiando, dá pra ficar de boa durante um bom tempo (até porque o gelado da água é compensado pelo sol quente). Só pode nadar na primeira e na última lagoa. Recomendo primeiro ir ver as lagoas e bater fotos, deixando para entrar na primeira lagoa quando estiver voltando pois o corpo vai ser sal puro depois, o que incomoda bastante para andar. Antes de entrar na van para ir embora tem que tomar uma ducha. Então leve toalha e roupas limpas para trocar. Das lagunas fomos ver o por do sol no mirante.
      Bom, o que eu achei do passeio do Uyuni e do Atacama? São passeios diferentes e complementares. Se você fizer só os passeios de San Pedro de Atacama (que são bate e volta), para fazer todos você precisará de uns 7 dias cheios. No meu caso, eu já tinha visto muita coisa no passeio de Uyuni, então não fiz várias coisas no Atacama, como as Lagunas altiplânicas, vulcões e termas. Então dois dias cheios para mim foram suficientes.
      Se você estiver em San Pedro e quiser fazer o passeio do Uyuni não contrate o pacote em San Pedro, pois é muito mais caro (tudo no Chile é caro) e são 4 dias ao invés de 3 (sendo que o quarto dia é basicamente só a volta para San Pedro. E partindo de Uyuni você ganhará tempo, já que pode voltar para San Pedro). 
      Se eu fosse fazer Uyuni de novo eu contrataria a Cordillera de novo? Não. Não que tenha sido ruim com a Cordillera, mas a grama dos vizinhos me pareceu mais verde. Outras agências maiores me pareceram oferecer um serviço melhor. Porém não vou saber indicar os nomes das empresas e nem os preços. 
      Sobre os gêiseres, os do Atacama são bem diferentes dos gêiseres do passeio do Uyuni. Primeiro que tem muito mais gêiser (segundo a agência é o terceiro maior gêiser do mundo). Segundo que nos buracos há água, ao invés de lama. Terceiro que você não pode chegar tão perto das aberturas, pois há muretas e limites de segurança. Eu fui mais impactada pelo gêiseres do Uyuni. Achei disparadamente mais legal, apesar de menor. Mas isso vai de cada um. Conheci gente que fez os mesmos passeios que eu que gostaram mais dos gêiseres do Atacama.
      Sobre as termas, eu não fui nas termas puritamas do Atacama, mas fui na terma dos gêiseres. A água é morninha, mas não é tão quente quanto o banho termal do Uyuni (que dava até pra suar!). Em alguns momentos senti até frio. 
      Dá para ir de carro normal? No Atacama com certeza. As estradas são na sua maioria de terra batida. O carro só vai trepidar muito. Além disso, há placas nas estradas indicando o caminho é distâncias para as atrações. Mas é bom estudar bem os mapas e ter um bom GPS também. E é interessante você ter um guia para explicações sobre a região e culturas, o que enriquece muito os passeios e você vê algumas atrações com outros olhos, como por exemplo os petróglifos.
      O passeio do Uyuni dá pra fazer de carro normal? Na estação seca você pode até arriscar se seu carro for mais alto, mas eu definitivamente não recomendo (e olha que eu viajo muito de carro e enfio ele sem dó em estradas que ninguém acredita). As estradas tem muita areia e pedras. A possibilidade de você atolar ou furar vários pneus é enorme. Só de manutenção remediativa com certeza você gastaria mais do que contratar o passeio. Além disso, como eu já disse, lá você fica totalmente sem referência de que direção seguir.
      Se você for viajar para algum desses lugares de carro não vá sozinho. Apesar de pouco tráfego, as estradas são perigosas pelas condições ambientais extremas. Lembre-se: você estará em desertos e há quilômetros de ajuda de qualquer espécie, médica, tecnológica ou mecânica. Além disso, em altas altitudes dá muito sono por causa da baixa oxigenação e é comum muitos motoristas dormirem no volante sem perceber que está com sono. Eu mesma me peguei dormindo sem perceber em vários trajetos.
      En San Pedro de Atacama você pode alugar bicicletas e fazer vários passeios de bike. Eu não fiz e deve ser muito cansativo pelas distâncias e pelo sol.
      (A partir desse momento o relato será mais superficial, pois eu parei de escrever durante a viagem).
      Dia 26/09/19 (quinta): Para ir para La Paz tive que ir para Uyuni de novo, para então pegar um outro ônibus para La Paz. Cheguei no hostel em La Paz por volta das 4h da manhã. Quando deu umas 8h fui para o centro para começar a olhar agências. Fechei todos os passeios com a agência Bolivia in Your Hands. Passei o dia andando por La Paz, o que foi bem cansativo, pois a cidade é gigante e a altitude não colabora.
      Dia 27/09/19 (sexta): Fiz o downhill de bike na estrada da morte. E foi uma experiência surreal! As paisagens são espetaculares e a adrenalina vai a mil, mas o caminho é muito, MAS MUITO PERIGOSO. Sério. Eu não sei como aquela estrada é usada até hoje. O caminho é todo de terra com pedras e é a conta de um carro de passeio normal trafegar. Se vier outro em direção contrária, fudeu. Poucos são os trechos em que é possível passar dois carros pequenos.
      São pelo menos 3h de descida (Eu gastei 3:30h). Os primeiros 20 km você desce na nova estrada, que é asfaltada e um caminho bem fácil de se fazer. Só tem que tomar cuidado com o tráfego de carros e ônibus. Depois chega de fato a estrada antiga, que é o caminho da morte. Essa estrada tem esse nome não é atoa. Todos os anos ocorrem acidentes com os turistas que resolvem fazer essa aventura e você está muito exposto ao risco. Se você cair na estrada (como eu caí), você irá se machucar bastante. Se você cair fora da estrada, já era. A borda da estrada não é um barranco. É um penhasco, literalmente. É uma parede reta. O chão está literalmente há mais de 2 mil km. É TENSO DEMAIS!!
      Embora eu goste, eu não sou uma pessoa que pratica esportes de aventura com regularidade. Para mim o caminho foi muito extenuante. Não por esforço físico de pedalar (raramente eu pedalei, afinal 99,9% do caminho é descida) e sim pelo excesso de trepidação do guidão. No final da descida eu já não tinha mais força na mão para segurar o guidão e nem apertar o freio. Meu punho estava doendo absurdamente. Teve uma mulher do meu grupo que desistiu na primeira hora da descida pelo mesmo motivo. Porém no meu grupo havia uma outra mulher que para ela foi de boa (mas ela é muito acostumada com esportes radicais e academia). Então, isso vai depender da resistência física e psicológica de cada um.
      Pelas preferências do trânsito, você deve descer pela esquerda, que é o lado do precipício. Eu não fazia isso, pois é muito perigoso. Sempre ia pelo meio ou pela direita e se vinha um carro, aí sim eu ia pela esquerda. E exatamente por ir pelo meio eu me safei de um acidente que poderia ter sido fatal. Eu estava descendo pela esquerda muito rápido, passei por um trecho com pedras mais salientes e comecei a perder o controle da bike por causa do excesso de trepidação. Então resolvi ir pelo meio porque comecei ver a merda que aquilo poderia dar. Justamente quando eu tava começando a jogar a bike pro meio, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas eu fui ejetada da bike. Eu literalmente fiz um super man no ar. Como eu estava indo em direção ao meio da pista, eu fui ejetada nessa direção. Mas se eu tivesse do lado esquerdo, tinha caído penhasco abaixo. Foi tenso demais e por causa das pedras, eu machuquei muito, mesmo usando os EPIs. Por sorte não quebrei nada, mas na hora da queda eu achei que eu tinha rompido algum orgão interno, de tanta dor abdominal que eu senti. Não conseguia nem respirar. 
      E isso é uma dica que eu dou para qualquer um. Vá no seu ritmo, procure uma agência que te permita ir no seu ritmo e vá pelo meio ou pela direta da pista. Existe uma certa pressão dos guias para que você desça muito rápido. E foi justamente por tentar acompanhar o guia que eu me fodi. 
      Dia 28/09/19 (sábado): Fiz um bate e volta para a montanha Chacaltaya e a tarde o passeio do Valle de La Luna. Os dois são muito bonitos. Chacaltaya é surpreendente e você tem uma visão muito bonita da montanha Huayna Potosí, que é bem famosa entre os amantes do trekking, como eu. O Valle de La Luna também é bem bonito, mas não me surpreendeu tanto pois eu tinha visto paisagens bem semelhantes no Atacama. A maior dificuldade de Chacaltaya é a altitude (são 5,395 m). A van chega muito próximo ao topo e a caminhada é relativamente curta, mas muito cansativa. Na alta altitude cada passo dado é como se você tivesse subindo uma escada de 50 degraus. Você respira, respira, respira, mas o ar não é suficiente. Além disso, tava muito, muito frio. Aquele frio que a mão dói de tão gelada. Essa somatória de condições (alta altitude + frio intenso + esforço físico intenso) te deixa muito cansado.
      O caminho que a van percorre para chegar até o estacionamento próximo ao topo desafia as leis da física e da gravidade. Ao longo de toda a minha viagem passei por estradas que eu duvidava que o carro ia passar e que não iríamos cair penhasco abaixo. Mas mesmo já um pouco acostumada, o caminho até Chacaltaya foi o que me deu mais medo. Tinha hora que eu só fechava o olho pra não ter um ataque do coração! Dá um nervoso sem igual.
      Durante todo o dia eu estava sentindo um pouco a musculatura dos meus antebraços por causa do esforço muscular da bike no dia anterior. Mas bem de boa. Chegou a noite meu braço direito inteiro começou a formigar e a medida que a noite foi avançando comecei a sentir uma dor insuportável no meu antebraço direito. A dor tava tão grande que analgésico não tava segurando a onda e nem consegui dormir. 
      Dia 29/09/19 (domingo): Assim que amanheceu, a dor tava tão grande que eu tive que desistir de um outro passeio que já tinha contratado e que exigiria um esforço físico maior do que em Chacaltaya. Acionei meu seguro de viagem e fui para a emergência de um hospital. Chegando lá fizeram alguns exames e chegaram a conclusão que eu estava com Epicondilite lateral, uma inflamação decorrente de microrrompimentos das fibras dos tendões extensores do antebraço devido ao excesso de trepidação do guidão na estrada da morte. Resultado: 5 dias de anti-inflamatório e analgésico, braço imobilizado e tive que evitar de fazer esforço físico. Voltei para o hostel e acabei ficando por lá a toa o resto do dia.
      Dia 30/09/19 (segunda): Por causa do braço, resolvi ficar quieta no hostel o dia todo.  
      Dia 01/10/19 (terça): Peguei um ônibus para Copacabana, chegando lá por volta de meio dia. Deixei minhas coisas no hotel e fui fazer um bate e volta em uma ilha no lago Titicaca. O lago é sensacional e o passeio foi bom, mas não me surpreendeu tanto. Muitos relatos do fórum recomendam ficar na hospedado na ilha, mas tudo é caríssimo. Cheguei em Copacabana novamente por volta das 18h. O clima a noite em Copacabana é legalzinho e há vários restaurantes legais. As ruas ficam cheias de turistas andando a noite.
      Se você for comprar alguma lembrancinha de viagem recomendo comprar tudo na Bolívia, antes de atravessar para o Peru. Você encontra praticamente as mesmas lembrancinhas em ambos os países, mas no Peru é muito mais caro. 
      Dia 02/10/19 (quarta): Peguei um ônibus cedo em direção à Puno, para então seguir viagem para Arequipa. Embora a distância seja relativamente curta, a viagem durou longas 14h. Foi muito cansativo. O caminho é muito sinuoso, boa parte é de terra, causando grande trepidação do ônibus em boa parte da viagem. Com frequência sobem vendedores ambulantes no ônibus. Um desses vendedores que entrou no meu ônibus foi um vendedor desses chás de ervas que prometem curar tudo o que você puder imaginar. O abençoado ficou 1 HORA E MEIA falando na nossa cabeça com o microfone dele. Irritante, mas engraçado também ao mesmo tempo.
      Cheguei em Arequipa a noite e a cidade renovou todo o meu cansaço da viagem de ônibus. A cidade é incrível! Muito bonita e com um clima muito agradável. Fiquei andando pelas ruas do centro e depois fui para o hostel. Há vários passeios ao redor de Arequipa. O mais famoso é o passeio pelo Vale do Colca, porém como eu cheguei muito tarde, não consegui reservar passeios para o dia seguinte.
      Dia 03/10/19 (quinta): Passei o dia caminhando pela cidade de Arequipa. A cidade é muito rica culturalmente e historicamente. Há vários museus interessantes e casarões antigos por toda a cidade. Ao mesmo tempo, a cidade também tem algumas construções mais modernas e uma melhor infraestrutura. O que foi ótimo para dar um alívio dos perrengues que se passa na Bolívia, que é muito desorganizada e sem infra. 
      Dia 04/10/19 (sexta): Peguei um voo cedo da VivaAir para Lima (de ônibus seria mais de 30h de viagem). Essa companhia aérea é uma lowcost que faz vários voos dentro do Peru (outra cia lowcost é a SKY). No meu caso a passagem não saiu tão barata pois comprei no dia anterior e tive que comprar o despacho de bagagem. Existem duas malandragens da VivaAir para arrecadar dinheiro. Primeiro é sobre as dimensões das malas de mão: as dimensões e o peso que eles exigem eram menores do que geralmente as outras cias aéreas exigem (e no Peru eles são bem rigorosos com as medidas e medem mesmo). Se chegar no avião e sua mala estiver fora do padrão deles, você pagará uma FORTUNA (não lembro e posso estar enganada, mas era algo tipo 400 doletas). Então muita gente acaba tendo que comprar o despacho de bagagens, como eu, que tinha a minha mala de mão dentro das exigências da Latam. A segunda malandragem é sobre o check-in. Durante a compra da passagem eles oferecem um valor de 4,50 dólares para imprimir o check-in com eles. Eu não comprei porque achei um absurdo. Depois que eu fechei a compra eu fiquei com aquilo na cabeça do porquê eles iriam cobrar para emitir uma um documento que poderia ser apresentado no celular. Então fui ler os termos de condições que aceitei sem ler (como todos fazem!). E lá eles deixam muito claro que o check-in deve ser apresentado IMPRESSO.  Eles NÃO ACEITAM O CHECK-IN NO CELULAR. Se você não levar o check-in impresso, eles cobram 60 DÓLARES na hora!!! Surreal. Muito gentilmente a recepcionista do meu hotel imprimiu o check-in para mim. Mas se ela não tivesse imprimido, eu tava ferrada pois só vi essa condição do termo muito tarde na noite anterior.
      Tirei a sexta para fazer um Networking em uma universidade que tenho o contato de alguns pesquisadores que trabalham também na minha área.
      Dia 05/10/19 (sábado): Encontrei com um amigo limenho que me levou nos principais pontos da cidade. Foi um dia muito legal! Lima é uma cidade gigantesca e com um trânsito caótico (mas pra falar a verdade eu achei menos pior do que o trânsito na Bolívia). Passamos o dia inteiro rodando a cidade de carro e fomos em muitos, mas muitos lugares, além de Miraflores, que é o bairro mais turístico da cidade. De todos os lugares, disparadamente, o lugar mais imperdível na minha opinião é o Parque das Águas. Chegamos lá no entardecer e ficamos até a noite. No parque há várias fontes de água dançantes, com shows de iluminação e músicas. É fantástico! Outro lugar muito interessante que fomos é nas ruínas Huaca Pucllana, que pertenceu a uma outra civilização peruana, com uma arquitetura diferente e datada de mais de 1.500 anos. 
      Dia 06/10/19 (domingo): Meu amigo e eu saímos de novo e fomos fazer um trekking em uma montanha chamada Lomas de Lúcumo, que fica em Pachacámac (cerca de 1 hora de Lima de carro). O lugar é muito bonito pois é composto por um bioma que ocorre somente no litoral do Peru. Demoramos umas 4 horas para fazer o caminho completo e saímos de lá absolutamente sujos de lama. Não vá com tênis normal, pois você escorregará muito além do normal. Vá de bota para trekking e impermeável. Leve uma roupa extra para trocar, pois é inevitável se sujar muito de lama. 
      Dia 07/10/19 (segunda): Meu voo para Cusco saiu a tarde e foi uma peleja para conseguir imprimir meu check-in da VivaAir. O Uber que eu peguei foi muito gentil comigo procurando um lugar para eu imprimir o documento. Ele não sabia onde poderíamos conseguir e começou a descer no comércio e perguntar por indicações. Demoramos uns 20 minutos para conseguir encontrar uma copiadora. O voo foi super rápido e tranquilo (de ônibus demoraria cerca de 24h de viagem). 
      Cusco é sensacional! A cidade é muito bonita e eu era capaz de andar nela por horas. A altitude (3,400 m) pesa um pouco nas caminhadas. Ainda que eu estivesse aclimatada, parece que os 3 dias em Lima (que é litoral) fizeram o corpo desacostumar um pouco com a altitude. A cidade faz bastante frio, especialmente a noite.
      Dia 08/10/19 (terça): Passei boa parte do dia fazendo cotações de passeios. Existem várias opções de passeios. Os preços das agências não variam muito e é aquele mesmo esquema de todas as cidades por onde passei: você paga uma agência, mas no final das contas você nunca sabe com qual agência de fato irá.
      Dia 09/10/19 (quarta): Fiz o Vale Sagrado (Pisaq, Ollantaytambo e Chinchero) + Ruínas de Moray + Salineras de Maras. A excursão durou um dia inteiro e valeu a pena demais. Muitos lugares diferentes e MUITO bonitos. É IMPERDÍVEL esse passeio!
      Dia 10/10/19 (quinta): Fui para Machu Picchu. E quase não fui ao mesmo tempo. Eu estava com uma mala de mão de rodinhas e por conta disso eu resolvi que não iria dormir em Águas Calientes pois não teria como transportar minha mala nas caminhadas. Resultado: mesmo sendo muito mais caro, optei por comprar minha ida e volta de trem, ao invés de fazer todo aquele esquema de ir andando pela hidrelétrica (existem dezenas de relatos aqui no fórum e no YT ensinando a ir para Machu Picchu de uma forma mais econômica).
      O preço do trem varia de acordo com os horários de partida e com o tempo de antecedência que você compra as passagens. O valor mais barato que eu consegui, dentre as possibilidades de horários, foi saindo de Ollantaytambo às 05:30h e voltando às 00h (total 212 dólares, incluindo o ingresso de Machu Picchu e todos os transferes).
      De Cusco à Ollantaytambo são cerca de 2h de van. Isto é, para pegar o trem às 05:30h, a van teria que me buscar no hostel às 3h. Acontece que a agência simplesmente NÃO ME BUSCOU! Eu fiquei extremamente brava e frustrada. O tempo inteiro tentei falar com o número de telefone da moça da agência e nada. A raiva era tanta que nem conseguir dormir depois disso eu consegui. Por volta das 6h da manhã, assim que a moça da agência acordou e viu todas as minhas mensagens e ligações, ela me ligou imediatamente, assustada, sem graça e sem saber o que aconteceu. Em menos de 15 minutos ela chegou no meu hostel com uma cara que deu até dó de tão apavorada e sem graça que ela ficou (ficou muito claro que realmente foi um erro que nunca aconteceu). Ela me prometeu que iria me encaixar em um outro trem e que me iria pessoalmente me buscar. 
      E assim o fez. Às 8h ela me buscou para pegar a van e segui para Ollantaytambo para pegar o trem às 10h (obviamente a agência pagou toda a diferença, que foi uns 80 dólares). Chegando em Águas Calientes, uma van estava me esperando e seguimos diretamente para Machu Picchu.
      Em frente à entrada do Parque estava uma confusão sem igual. Há centenas e centenas de turistas esperando seus guias para entrar no Parque, filas e mais filas para pegar as vans de volta a Águas Calientes... e no meio disso tudo tive que procurar meu guia. Era impossível encontrar. Acabei conversando com uns dois guias aleatórios e eles fizeram um rádio peão entre eles e encontraram o meu guia, que foi ao meu encontro.
      Entramos no Parque por volta das 13h e não tive nenhum problema com relação ao horário do meu ingresso, que estava programado para as 11h. Eles nem conferiram isso. Realmente Machu Pichu é muito legal, mas é muito lotado. Ao término do passeio, retornei para Águas Calientes. A cidade é bem charmosa e o clima a noite é muito legal. Dá realmente vontade de passar uma noite por lá, mas como meu trem de retorno ia sair bem tarde, deu para conhecer relativamente bem a cidade. Eu achei as comidas e serviços oferecidos em Águas Calientes bem mais caros do que em Cusco, que já é uma cidade cara.
      Cheguei no hostel por volta das 2h da manhã. Foi tudo bem cansativo, mas no final acabou dando certo.
      Dia 11/10/19 (sexta): Para completar o estresse do dia anterior, peguei uma infecção alimentar, o que é algo considerado normal em viagens pela Bolívia e Peru. Resultado: fiquei no trono o dia todo, vomitando e com febre. No final da tarde meu amigo de Lima chegou em Cusco para curtir o fds comigo.
      Dia 12/10/19 (sábado): Meu amigo e eu fomos para o passeio das Montanhas Coloridas. Por causa da altitude e da inclinação na parte final da trilha, a caminhada exige muito, mas muito da respiração. Parávamos com frequência, mas chegamos lá! O lugar também é lotado e é bonito. Particularmente eu achei que me surpreenderia mais, mas ainda assim foi bem legal. 
      Dia 13/10/19 (domingo): Meu amigo e eu iríamos para a Laguna Humantay (que é mais alta do que a montanha colorida), mas ele estava MUITO, mas muito mal devido ao Soroche. Achei que ia ter que levar ele pro hospital. E eu também ainda estava meio fraca por causa da infecção alimentar. Assim, acabamos achando melhor abrir mão do passeio e ficamos de bobeira em Cusco mesmo.
      Dias 14, 15 e 16/10/19 (segunda a quarta): Meu amigo foi embora na segunda bem cedo e eu fiquei o resto do dia a toa ou organizando minha bagagem para o meu voo de retorno ao Brasil na terça de manhã. A viagem de volta foi super longa (24h) e fiquei muito cansada. Cheguei na quarta de manhã em BH.
      Total de gastos: R$1.641,00 (passagens BH-Santa Cruz, Cusco-BH)
      U$ 1.400,00 (comprei o dólar a R$4,34) = R$6.076,00
      Aproximadamente R$1.000,00 (passagens áreas para Lima e Cusco, Uber e comidas em aeroporto).
      Para quem tem Síndrome de Menière, eu não tive nenhum problema com a altitude. Muito pelo contrário, a minha frequência de tonturas até diminuiu. Não sei se por coincidência ou por algum efeito que a altitude proporcionou (apesar de não ver muita lógica nisso). Mas a questão é: já que eu não tive nenhum problema, agora o céu é o limite! hahaha!
      Eu sempre digo que cada mochilão me transforma de alguma maneira. Nessa viagem aprendi muito mais sobre mim, especialmente sobre aprender a respeitar os limites físicos do meu corpo. De longe a Bolívia e o Peru são os países mais culturalmente diversos que eu visitei até hoje e a minha maior recomendação é: vá sem medo. Essa viagem encheu a minha vida de novas cores, novos sabores e novos amores 🥰. 
       
       

















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