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Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)


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Mochilão

 

Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)

 

“Não tenha medo de morrer feliz, tenha medo de viver triste”. – (Jeison Morais)

 

Porque mochilão? Quando disse para minha família e amigos que iria fazer uma viagem com uma mochila cargueira nas costas ao invés de malas, sozinho, pelo Peru, Bolívia e Chile, e sem data pra voltar, a grande maioria duvidou que eu realmente a faria, essa maioria também questionou os destinos escolhidos e o restante embarcou na ideia dizendo o quanto isso era incrível e como gostariam de fazê-lo, quando retornei alguns quilos mais magro e moreno de sol, mas com aquele brilho nos olhos que só quem viveu um mochilão conhece, o que ouvi de todos foi o quanto era corajoso, louco e como devia ter sido incrível toda a experiência.

Acho que pra embarcar em um mochilão nós temos que estar em um modo diferente de ver o mundo e creio que todos os mochileiros, independente do nível de experiência, irão fazer uma mesma constatação, essa forma de viajar única vai te colocar em situações frequentemente mais desafiadoras que outras, em contato com pessoas reais em seus ambientes reais, e se você não estiver minimamente conectado e inclinado psicologicamente para isso, toda a experiência será muito frustrante. Penso que qualquer pessoa pode ser colocada em uma viagem de luxo em um cruzeiro internacional e com um mínimo de disposição será maravilhosa essa experiência, mas nem todo mundo pode fazer um mochilão se não estiver realmente disposto a experimentar o que isso significa. Definitivamente mochilão não é pra gente fresca.

O meu primeiro mochilão, mesmo que ainda não tivesse noção que o era, aconteceu por um acaso no começo de 2017 em um relato que já postei aqui no site e vocês podem conferir no clicando no link Conhecendo Manaus, através dele creio que também terão uma noção melhor de quem sou e como essa viagem foi importante pra adquirir uma nova visão de mundo que desembocou nessa aventura pela América do Sul.

Antes de prosseguirem devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, e seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, depois faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, em território boliviano tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro durante um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente, a viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, quanto ao dinheiro, esse não teve salvação, foi todo e a viagem não poderia ter sido melhor, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de três meses findados o mochilão, não alteraria em nada do que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento, obvio que as coisas podem sair do rumo esperado, faz parte, mas se seguir as dicas de todos os mochileiros decentes que conheço e conheci, as chances de dar errado são mínimas, quanto a mim só posso agradecer ao universo, Deus, aos deuses, a sorte e o que mais acredite por ter colocado pessoas tão incríveis no meu caminho e por tudo ter dado tão certo, desde antes da viagem, quanto durante ela.

Durante o relato vou tentar descrever os passeios, locais de visitação, meios de transporte, custos e sempre que necessário, em separado, as dicas e macetes que achei úteis.

Também pretendo publicar um livro, a parte, com detalhes do mochilão mais voltados para as experiências e pessoas que conheci durante essa viagem, quando tiver concluído, pra quem tiver interesse, aviso com mais detalhes, nele deverão estar presentes todas as informações que vou passar neste relato pro Mochileiros, mas como o que nos interessa aqui são informações mais voltadas para custos e dicas do que sensações em si, lá vamos nós.

 

GRATIDÃO E PLANEJAMENTO

 

Com o acesso a internet e a vários sites e grupos online de mochileiros que compartilham seus relatos e experiências de viagens, ficou muito mais fácil planejar um mochilão para qualquer destino já percorrido por alguém neste planeta. Quando estava na fase de me maravilhar com os relatos, a ideia inicial era ir de ônibus percorrendo toda a costa oeste do Brasil até o sul, e prosseguir pelo Uruguai, cruzar a Argentina e por fim subir o Chile até o Atacama, neste primeiro momento o Chile seria o único destino de parada, tendo apenas as paisagens dos outros dois países sul americanos como complemento da viagem – aqui início os meus agradecimentos, primeiramente ao @Gedielson quem fez esse percurso e depois um relato repleto de detalhes além da disponibilidade de outras informações nos comentários, gratidão a ti mano, a diferença é que ele saiu do sul do Brasil – depois de adiar o mochilão já no começo do ano acabei por encontrar outro mochileiro aqui no site, o @Diego Moier, um parceiro muito solicito que iniciou suas postagens sobre um famigerado roteiro pela Bolívia, Chile e Peru, no começo de junho, nesse momento já havia adiado duas das três vezes minha viagem remarcando tudo para agosto, de maneira que pude acompanhar ansioso cada postagem que o Diego fazia sobre sua jornada, a partir de então meus planos se alteraram completamente, e um novo roteiro começava se desenhar na minha mente, meu mochilão estava apenas começando. Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui, espero poder contribuir e inspirar alguém também em fazer algo incrível como mochilar haha, e antes de prosseguir peço desculpas pelo atraso em começar a postagem, mas depois que a gente larga tudo pra viajar, ainda tem uma vida repleta de boletos nos esperando, mas prometo fazer as postagens o mais rápido possível a partir de agora.

Durante semanas parte do meu tempo livre se resumia em ler e buscar informações dos destinos que pretendia percorrer pela viagem, as informações que não tinha no relato dos meninos eu ia buscando em outros relatos, e acredite, relatos super detalhados e repletos de dicas é o que não faltam na rede, agradeço mais uma vez todos que desbravaram não só novos territórios físicos e geográficos como também compartilharam suas experiências na internet, sem vocês tudo teria sido muito mais difícil e talvez nem ocorrido teria, então muito obrigado. Voltando do momento gratidão, a síntese pra quem se dispõe a cair na estrada é ter uma boa operadora de internet para poder navegar e encontrar muita informação e conselhos detalhados de gente que já fez esses percursos, eles são uma base segura para montar sua viagem e planejar os roteiros, passeios, gastos com alimentação, costumes, dicas de lugares para comer, dormir, se divertir, o que levar, o que não levar, cuidados que se deve ter e muito mais, e mesmo que tenha preguiça de ler tudo, lhe garanto que a fase de se maravilhar vai te impedir de fazer outra coisa que não ler e ler e reler todos os relatos e dicas que possa achar.

Viajar por países andinos, em qualquer época do ano, vai lhe exigir o mínimo de roupas de frio, como moro na Amazônia brasileira, roupas de frio é item em falta em meu guarda roupas, então, se esse também for seu caso, comece por uma lista de roupas que irão te livrar de virar um picolé brasileiro em terras estrangeiras, o segredo para isso é se vestir em camadas, no mínimo um conjunto segunda pele térmica, depois uma blusa de frio fleece e por ultimo uma jaqueta corta vento, três camadas devem ser suficientes para enfrentar até menos dez graus que foi a temperatura mais baixa que enfrentei durante a viagem e estou aqui com todos os dedos para contar a história, no entanto é possível que enfrente temperaturas ainda mais baixas dependendo da estação do ano, no mais a sensação de frio varia de pessoa pra pessoa, então nesse caso menos não é mais. Por outro lado um mochilão, apesar do nome no aumentativo, não é uma mala nem um mini guarda roupas, poucas coisas cabem dentro dele, ainda mais se tratando de roupas de frio que tendem ser mais volumosas, assim sendo, é importante que tenha bom senso na hora de montar sua lista e mais bom senso ainda na hora de montar seu mochilão e não se preocupe, ao final da viagem você vai ver que não precisava ter levado tudo que colocou nele, não porque irá adotar o habito de algumas nações de não tomar banho todos os dias – e não estou falando dos sul americanos –, e sim porque há serviços de lavanderia em boa parte dos hostéis ou cidades por onde vai passar, então não compensa carregar metade de seu guarda roupas nas costas. Leve roupa pra passar de uma a uma semana e meia, isso deverá ser o suficiente para se virar, até porque repetir roupas é algo mais que comum nestas viagens o importante será passar pelo teste do olfato, se aprovado, é o que tem até o próximo banho.

Por isso é importante ter noção de para onde se está indo, em qual época, os passeios que pretende fazer, é nesta base que poderá montar sua mochila, de forma eclética, talvez não tenha pretensão de ir para um lugar frio, mas vai que durante a sua passagem o tempo mude e a temperatura caia para menos vinte célsius, é bom ter aquele agasalho que sua mãe tanto fala, tudo bem que você vai morrer de qualquer jeito, mas vai morrer mais quentinho pelo menos.

Como tinha pretensão de fazer alguns trekkings, e pelo menos um ao certo, investi em um coturno impermeável, não façam isso, pelo menos não de última hora, hoje ele está muito confortável, mas durante a viagem eu amaldiçoei cada segundo do momento que tive a ideia de compra-lo, além do que, mesmo que não impermeáveis, existem calçados mais apropriados para trilhas que um coturno – a menos que você seja um militar e assim como eles muito mal pagos pra sofrer – aconselho que invista até mesmo em um bom tênis de corrida e caminhada que será mais confortável e inteligente, uma vez que o outro calçado que levei foi um tênis já bem gasto com o qual fazia minhas caminhadas pela cidade e foi ele quem me salvou de ter um ataque do coração, acabou que só usava o coturno quando estava me deslocando em algum transporte entre as cidades porque se coloca-se no mochilão teria que me livrar de três quartos das minhas roupas, risos de raiva.

Mas antes das roupas e calçados, antes de pensar em viajar, tenha sempre em dias seus documentos atualizados e prontos, já havia tirado meu passaporte um ano antes e foi este documento que usei para sair do Brasil – mesmo que atualmente a maioria dos países sul americanos exijam apenas a carteira de identidade com menos de dez anos de expedição, o passaporte é o melhor documento para viagens – também é importante ter conhecimento das condições necessárias para entrada e/ou permanência nos destinos escolhidos, para tanto o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, disponibiliza na web uma pagina onde constam os documentos e procedimentos necessários, como documentos exigidos, necessidade de visto e moeda, vacinação, alertas para turistas, entre outros, esse tipo de planejamento é muito importante porque a retirada de documentos geralmente ocorre de forma lenta em determinadas regiões do país, como a minha por exemplo e pode atrasar sua viagem em meses. No mais é importante ter em mente que as atualizações referentes a procedimentos de entrada em outros países se alteram com frequência, por isso é importante estar sempre de olho em possíveis mudanças como a necessidade de vacinação para entrar em outras nações, quando exigido, a comprovação só é feita através do Certificado Nacional de Vacinação, documento expedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em seus escritórios regionais e locais, mas é possível que nem todo município disponha do serviço, o mesmo vale para a confecção de passaportes e vistos.

Tendo os documentos prontos é importante também pensar em ter uma cobertura mínima em caso de possíveis problemas, ter seguros de toda espécie é uma boa opção, mas um fundamental é o seguro saúde uma vez que em terras estrangeiras qualquer procedimento que exija atendimento hospitalar vai lhe custar muito dinheiro fora a medicação e outros possíveis gastos, então invista em uma cobertura deste tipo tendo em vista os lugares em que vai se aventurar e passeios que pretenda fazer. Hoje existem diversas opções de bons planos que fornecem uma ótima cobertura com valores bem acessíveis a todos os bolsos e gostos, e lembre-se, ninguém pensa em morrer – bate na madeira – mas se ficar doente no exterior já é ruim, partir pra outra é ainda pior, o custo e burocracia são infernais, claro que não estará aqui para ver isso, mas em muitos planos um auxilio translado também está incluso no preço final, por isso olhe bem tudo que está incluso e compare, tem planos com mais opções e preços mais baixos, basta pesquisar.

Pra terminar seu planejamento, você irá necessitar de uma mochila de ataque, certamente você a carregará na frente enquanto estiver com seu mochilão e é nela que estarão seus itens de higiene pessoal, acessórios e eletrônicos, remédios, tipo uma farmácia mesmo e umas roupas básicas pra sobreviver, e comida, e água, e lenços umedecidos, e acho que é só, então segue uma lista do que eu levei pro meu mochilão, aqui não vou passar os valores porque nesse quesito o que conta é a pesquisa e disponibilidade de produtos e serviços que terão, já falei que moro no norte, então só de frete pra cá se vai metade dos custos dos produtos, quando não mais.

Haaaa, acaba que minha lista ficou mais enxuta que a lista em que me baseei, @Diego Moier pra variar, então vale muito ler o relato dele e de quem inspirou ele também, porque se fores alguém mais detalhista, a lista deles é bem mais completa, no mais eles tem boas dicas referentes a moeda, dindin, dinheiro mesmo, uma vez que eles levaram dólar para aumentar o poder de negociação, já eu levei apenas nossa desvalorizadíssima moeda nacional na época (no auge da campanha eleitoral), e apenas reais, nada de cartão de credito internacional, cartão pré-pago ou qualquer outra forma de dinheiro, unicamente porque as taxas pra sacar ou usar essas formas de pagamento no exterior são muito ruins para nós, então preferi tentar a sorte e trocar moeda nas casas de cambio de lá mesmo, pra quem puder trocar reais por dólares antes da viagem, a depender da cotação, é sempre bom, pois é a moeda forte em qualquer lugar, assim como o euro, quanto as outras formas de pagamento/dinheiro, é recomendável ter uma outra opção em caso de furto ou roubo, mas nesse quesito ao menos os países que visitei são muito mais tranquilos e seguros que o Brasil, no mais se tu não for assaltado aqui não é lá que será, apesar da infinidade de golpes que aplicam contra turistas, tem que ficar de olhos bem abertos todo o tempo.

 

DOCUMENTOS:

Passaporte, Carteira de Identidade, Certificado Internacional de Vacinação e vou incluir aqui o Seguro Viagem.

 

Dica: Caso tenha feito reservas de hospedagem e outros serviços como seguro saúde, leve os comprovantes impresso e também tenha registros dos documentos e comprovantes em formato digital no celular e e-mail.

 

OBJETOS:

01 Mochila Náutica 60 l (recomendo, é muito boa e saiu por uns R$ 350,00 no Mercado Livre).

01 Mochila (para notebook, com três compartimentos, ela serviu como mochila de ataque);

01 Celular, cartão de memória, carregador e fone de ouvido (que também serviu como câmera, mas se puder invista em uma câmera profissional, a menos que o seu telefone seja o top das galáxias fotográficas);

01 Money Belt (também conhecida como doleira, para guardar seus trocados e documentos junto ao corpo e não largar nunca);

01 Cadeado (pelo menos um);

01 Lanterna (não usei, mas é útil a depender do roteiro, como subir as escadarias para Machu Picchu ainda de madrugada ou trekkings noturnos);

01 Pasta (para guardar todos os papéis possíveis e impossíveis que estou encontrando agora);

01 Caderno e caneta (gosto de escrever e desenhar).

 

CALÇADOS:

01 Coturno Impermeável (já falei sobre isso);

01 Tênis (também já falei);

01 Chinelo de dedo Rider (depois quero receber pelo merchandising).

 

ROUPAS:

01 Toalha de banho (se puder invista em uma de secagem rápida, microfibras);

01 Toalha de rosto;

07 Pares de meias;

01 Sunga;

12 Cuecas;

02 Calças jeans;

01 Bermuda jeans;

01 Bermuda moletom;

06 Camisetas (03 foram suficientes);

02 Camisetas de manga longa;

01 Conjunto segunda pele térmica;

02 Blusas fleece;

01 Jaqueta corta vento;

02 Calças moletom (se puder invista em uma corta vento);

01 Capa de chuva;

01 Óculos de sol (invista em um bom);

01 Par de luvas de frio, 01 gorro e 01 boné;

01 Cachecol e 01 Meia de lã grande (comprei durante a viagem para travessia do salar);

 

ITENS DE HIGIENE PESSOAL OBRIGATÓRIOS E ESSENCIAIS:

Escova, pasta de dentes e fio dental;

Lenços umedecidos (não sei como vivi sem saber da existência deles até esse mochilão, e sim eles irão salvar sua vida, ou a vida dos seus companheiros pelo menos);

Sabonete e shampoo;

Hidrante corporal e hidratante labial;

Protetor solar;

Desodorante e perfume;

Pente e creme para pentear (a menos que seja careca);

Papel higiênico.

 

Dica: não é necessário entupir sua mochila de ataque com muitos e grandes itens, você poderá compra-los nas cidades que passar, mas em geral esses itens são muito mais caros principalmente no Chile e Argentina, se comparados aqui com o Brasil, leve apenas o básico e se for necessário compre algo por lá.

 

REMÉDIOS:

Algo para diarreia (tendo em vista a quantidade de reclamações, principalmente na Bolívia);

Algo para o fígado (caso houvesse uma infecção intestinal e necessitasse dar uma ajuda ao nosso órgão responsável por eliminar toxinas);

Algo para azia e má digestão (já percebeu que o medo com as comidas internacionais foi grande);

Algo para febre, dor de cabeça e gripe (três em um mesmo);

Algo para dor muscular (além de comprimidos, também comprei na forma de emplasto);

Curativos (curativo adesivo, esparadrapo e gaze);

E algo para amenizar o mal da altitude, o famoso soroche.

 

Dica: De todos os itens da minha farmácia particular, não usei nenhum dos relacionados para o estomago, no entanto eles serviram para uma companheira de viagem no Atacama, ela passou muito mal e os remédios ajudaram a aliviar os sintomas, os restantes foram todos usados, adicionados uma aspirina (ácido acetilsalicílico - ASS) que comprei no Chile em virtude de uma inflamação nas amidalas, e deu pra quebrar o galho até chegar ao Brasil.

Quanto ao usado para o mal de altitude, o escolhido foi o Diamox, seguindo algumas dicas de outros mochileiros, no meu caso tive que parar de usa-lo no terceiro dia, pois estava me fazendo muito mal, talvez seja mais aconselhável o uso de pastilhas que são vendidas no Peru chamadas Sorojchi Pills e que prometem resolver o problema, como são indicadas especificamente para essa finalidade, é melhor que o Diamox que pode ajudar a combater o soroche, mas não foi feito para essa finalidade.

Por fim, automedicação não é algo a ser recomendado ou encorajado, fármacos podem gerar efeitos colaterais adversos, por isso passe em um médico ou no mínimo converse com um farmacêutico sobre alguns remédios para melhorar a imunidade e ajudar em possíveis casos de adversidade na viagem.

 

APLICATIVOS:

Com poderosos smartphones temos a mão uma infinidade de aplicativos que podem potencializar as experiências de viagem, no meu caso, o Windows Phone não mantem uma boa e atualizada base dos mesmos, mas se você possui sistemas mais comprometidos com seus usuários vai encontrar bons apps para facilitar sua vida no mochilão.

 

Booking / HostelWorld (para descobrir hostéis e hotéis com preços bons e avaliações de usuários);

Maps Me / Mapas da Microsoft (com eles você baixa mapas que poderão ser usados off-line, possuem boa precisão e riqueza de detalhes e informações como pontos turísticos, acomodações, restaurantes, avaliações de usuários, etc.);

Google Tradutor (dispensa apresentações, o app possui uma série de funcionalidades muito uteis pra quem ainda não domina completamente outros idiomas);

TripAdvisor (pra quem procura detalhes de pontos turísticos a partir da interação dos usuários, considero o app mais confiável);

Dropbox / Google Drive / One Drive (apps para backups, e sim, você pode acidentalmente entrar com celular em um lago salgado no meio do Atacama e perder tudo, mas se tiver salvado na nuvem, pelo menos suas fotos estarão preservadas);

Skyscanner / Google Flights / Rome2Rio (esses apps são para quem busca passagens aéreas principalmente, o Rome2Rio também indica passagens de ônibus, trem e barcas e vem cheio de informações como horários, itinerários e preços);

Oanda / XE Currency (apps gratuitos para conversão de moedas);

Movit / Citymapper (te mostra às linhas e itinerários de trens, metrô e ônibus e qual é o caminho mais rápido pra chegar ao seu destino, tendo aplicação em mais de 1.000 cidades deste mundão velho de meu Deus);

Mochileiros (app aqui do Mochileiros.com que disponibiliza os relatos e o fórum pra conversa com outros viajantes).

Ainda existem outras infinidades de apps, como os de hospedagem nas mais variadas formas, Airbnb, Gamping, Couchsurfing; para encontrar companhias de viagem, no caso o Tourlina é apenas para as meninas que estão na estrada, já o Tongr é para uma maior interação com os locais, enfim apps não faltam, pena nem sempre estarem disponíveis em todos os sistemas operacionais.

 

Com tudo pronto, partiu mochilão.

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PLAY

 

Antes de prosseguirem, devo avisar que na época, agosto de 2018, tinha montado um roteiro saindo de Rondônia ondo moro, depois seguiria até Cusco no Peru pelo Acre, então faria Ayacucho, Ica, Arequipa e Puno – Peru, atravessando o Titicaca e já em terras bolivianas tinha pretensão de fazer Cobacabana, La Paz, Potosi e Uyuni onde atravessaria o salar até chegar ao Chile para fazer o Atacama e terminaria em Santiago onde já havia me aplicado como worldpackers para o começo de outubro pelo período de um mês, até então não tinha ideia de como voltaria para o Brasil, mas para iniciar a viagem marquei a data quase para o fim de agosto, tinha a intensão de ficar dois meses viajando, mas na verdade não tinha data certa pra voltar, ela seria quando o dinheiro, R$ 7.000,00, chegasse ao fim, mas o que ocorreu foi bem diferente do que “planejei” inicialmente.

A viajem durou 45 dias e o roteiro foi bem mais enxuto, pode parecer loucura mas além de acreditar em algo como “o destino” haha, as coisas estaticamente planejadas nunca funcionaram muito bem pra mim, hoje depois de meses findados o mochilão, não alteraria em nada o que fiz, mas não recomendo a ninguém que saia sem um norte bem definido pra países onde não dominam a língua e costumes, tenha em mente um bom e detalhado planejamento que tudo ficará muito mais seguro e fácil.

Foi na manhã de 13 de setembro, uma quente quinta-feira, que acordei decidido, comprei minha mochila de ataque, já que a quê escolhida na internet ainda não havia chegado – acabei comprando uma mochila porta notebook com três repartições, uma para os remédios, a outra para os produtos de higiene e a maior para roupas, minha pasta de papéis e documentos além do caderno –, como a previsão de entrega dela e de outras duas blusas de frio estavam marcadas apenas para a próxima semana, resolvi que aquele seria o dia de iniciar o mochilão, pois cada vez mais as chances de pegar Machu Picchu sem chuvas diminuíam e tinha data marcada para estar em Santiago, ao chegar em casa foi o tempo de montar o mochilão e a mochila seguindo uma lista já determinada em outros relatos, tomar um bom banho, recontar o dinheiro e colocar na doleira presa ao corpo, calçar o coturno ainda bem desengonçado e pedir pro meu irmão me levar até a rodoviária logo após o almoço. Enquanto ele dirigia, e só nesse momento, bateu aquela incerteza e eu exclamei em voz alta:

- Mano o que eu estou fazendo!

O coração deu aquela acelerada básica, mas meu sorriso não conseguia desaparecer dos lábios, acho que no fundo, sabemos que é algo pleno, realmente mochilar é único e incrível.

Cheguei à rodoviária por volta das 13h30min, o objetivo era pegar o primeiro ônibus rumo a capital Porto Velho, tinha que parar por lá para pegar um embrulho com uma amiga, nele estavam minha jaqueta corta vento, o gorro e as luvas – como só na capital tem uma loja física de uma grande rede de produtos esportivos no qual fiz o pedido pela internet, e a retirada na loja incluía frete grátis e rápido, já entenderam a escolha, – achei que conseguiria arranjar tudo até as 21h00min no máximo, quando pretendia sair de Porto Velho rumo a Rio Branco e de lá em outro ônibus rumo a Assis Brasil, divisa com o Peru, de Assis iria para Iñapari de moto-táxi e de lá para Porto Maldonado, aonde em outro ônibus chegaria a Cusco ao amanhecer, (esse roteiro de Rio Branco para Cusco vou explicar com detalhes só ao fim do mochilão, porque meus planos se alteraram completamente).

Extremamente ao contrário do que ocorre com frequência, não havia ônibus saindo com horários quase imediatos para a capital, o próximo ônibus só sairia às 15h30min e era o que fazia o percurso mais longo por conta das paradas, muito bem, as coisas ainda não estavam completamente perdidas, pois de Rio Branco para Assis poderia pegar um táxi e conseguiria compensar o tempo perdido. Quando cheguei à capital eram 22h30min, mandei mensagem pra minha amiga e nada, ela estava em um tratamento onde os remédios muito fortes a faziam apagar por completo, tinha a opção de seguir sem os produtos e sem minha identidade, que tinha deixado com ela para poder fazer a retira na loja, ou esperar e esperar e esperar mais um pouco, e foi o que eu fiz. Não posso dizer que dormi na rodoviária, mas quase, quando amanheceu só consegui falar com minha amiga as 07h00min, as 07h20min estava na casa dela pegando tudo e já retornei pra rodoviária, antes passei no banco pra fazer um depósito de R$ 400,00, já prevendo que precisaria ter alguns centavos na conta pra quando voltasse ao Brasil, olha um quase planejamento ai de novo, mas acho que era mais instinto mesmo.

Pois bem, ainda durante a noite tinha avaliado a situação, eram duas opções coerentes e uma nem tanto, na primeira poderia seguir para a fronteira e pousar por lá mesmo, uma vez que só chegaria a Assis Brasil a noite, então seguiria para o Peru e depois Cusco onde deveria chegar apenas no sábado pelo anoitecer, algo do qual não me atraia nem um pouco, não só por ser de noite, mas também, pelo fato de ter que excluir parte das cidades que queria conhecer no Peru e Bolívia, uma vez que tinha data certa para estar em Santiago e a perda de alguns dias com o atraso em começar a viagem já me tinham feito cortar Ayacucho, Puno e Potosí do roteiro original, agora teria que novamente readaptar o roteiro e cortar alguns dias em La Paz ou no Atacama, detalhe, se quer havia comprado as entradas para Machu Picchu, pois esperava deixar para ir à cidade perdida dos incas nos dois últimos dias, dos nove, que pretendia ficar em Cusco. Mas isso era muito arriscado, porque em determinadas épocas do ano há uma grande procura pelos bilhetes que também são vendidos pela internet, e há um limite diário de pessoas que podem adentrar a cidadela junto com uma das montanhas – que era meu objetivo – se quer uma noção, os bilhetes para subir conjuntamente a montanha de Machu Picchu já estavam reservados até o mês de outubro, só restando à possibilidade de encontrar ingressos conjunto para Huayna Picchu.


Dica: Desde o começo deste ano, 1 de janeiro de 2019, novas regras entraram em vigor para a entrada em Machu Picchu e arredores, por isso informe-se antes da viagem em sites e relatos atualizados, pois essas mudanças ocorrem frequentemente, logo um relato de dois ou três anos atrás talvez não sirva mais como base para conseguir os ingressos e  acessar a cidadela e arredores, neste link do site Viaje na Janela há informações das mudanças recentes, vale muito a pena conferir.

 

A segunda opção, ainda dentro dessa lógica, era chegar a Cusco pela manhã de domingo, mas ao invés de ir trocando de ônibus e parando em Rio Branco, Assis, Iñapari e Porto Maldonado até chegar a Cusco, poderia esperar até as 22h00min e pegar o Expresso Ormeño, um ônibus que sai do Rio de Janeiro e corta o Brasil de leste a oeste passando por Rondônia e Cusco até parar em Lima, é a mais longa viagem de ônibus do mundo, no entanto ainda há poucas informações por parte da própria empresa que é peruana, e que possui poucos guichês em rodoviárias pontuais apenas, Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco, sendo que em Porto Velho não consegui localizar o espaço físico deles, apenas o número para contato, também a uma Pagina no Facebook e o home page com domínio peruano, ainda assim os relatos que li sobre a empresa e as condições da viagem não eram os mais favoráveis, acabou que nem segui adiante com a ideia de pegar o ônibus, por isso não posso detalhar sobre valores, condições e nem sobre a estrutura da viagem.

A terceira e última opção era a mais absurda e coincidentemente atrativa para mim, antes de detalhá-la vou me justificar, nessa altura estávamos acabando de iniciar a campanha eleitoral e o dólar subia a galope desvalorizando ainda mais o real, meu único compromisso fixo era em Santiago, não havia comprado os ingressos pra Machu Picchu, e já estava batendo de ombros para a época de chuvas, e por fim, ao invés de começar minha viagem pelo Peru agora teria a opção de terminar ela por esse país, assim não precisaria cortar as cidades que tinha listado e conseguiria fazer um percurso de volta para o Brasil, mais ou menos de forma triangular, ao invés de uma linha não reta, mas que findaria em Santiago e de lá teria que me virar para voltar e certamente não teria dinheiro para isso, a solução era óbvia, se ao invés de iniciar minha viagem pelo Peru eu o fizesse pela Bolívia, eu resolveria todos os problemas de uma única vez, e por acaso, uma semana antes essa possibilidade se tornou viável, mesmo que se quer eu a cogitasse então. Em uma das pesquisas sobre La Paz, descobri o @Ronaldo Buh – obrigado por postar seu relato mano – um mochileiro aqui do meu estado que havia feito a rota a partir da fronteira de Rondônia até a capital boliviana – até então eu nem imaginava que isso era possível – claro que não há almoço grátis, e o relato do Ronaldo era bem realista e intimidador a princípio, uma estrada de terra, ônibus nada confortáveis, aliados a curvas e abismos interessantes no mínimo, mas isso me parecia muito tentador, então não é nem preciso dizer que não pensei muito e fui até o guichê de uma das duas empresas que faziam a rota para a cidade fronteiriça com a Bolívia a leste do estado, assim como também baixei rapidinho o relato para refrescar a memória e servir de base, o ônibus só partiria as 10h00min com previsão de chegada em Guajará Mirim as 16h00min, enquanto não dava o horário de partida, partiu tomar um café da manhã e esperar.

Ao chegar à rodoviária de Guajará-mirim estava ainda bem atrapalhado com o mochilão, a mochila de ataque e a sacola com os produtos que peguei com minha amiga e não consegui arrumar nas mochilas, de cara um taxista se ofereceu pra me levar até o porto, e o gênio aceitou na hora, sem pelo menos sair dos arredores e pegar um táxi fora da rodoviária, já sabem a facada que foi, mas de boa. Chegando ao terminal portuário a uma sala reservada para a Polícia Federal, assim como para a Receita, mas a Polícia ainda não havia se transferido para lá, muito bem, voltei para o ponto e peguei um moto-táxi até o a delegacia da PF, por sorte ainda estava em funcionamento, já eram quase seis horas da tarde – na delegacia entreguei meu passaporte e a identidade, o procedimento é rápido e gratuito, acredito que para fins de controle apenas, é informado no sistema e carimbado a data no passaporte –, com o mesmo moto-táxi retornei para o porto comprei o bilhete e fiz a travessia em um dos barcos até o lado boliviano, onde agora não estava como comprador de fim de semana ou paciente de consulta médica, pela primeira vez desde que comecei a viagem, me sentia um mochileiro de verdade, passaporte carimbado, e prestes a entrar em terras não brasileiras, a aventura estava apenas começando.

 

GASTOS: Dias 13.09 e 14.09

Passagem de Ji-Paraná para Porto Velho – R$ 102,00

Lanche (rodoviária de Ariquemes) – R$ 7,50

Óculos de sol e cadeado (na pressa esqueci meu óculos de sol em casa e precisava de um cadeado pro mochilão, o jeito foi comprar ambos em uma lojinha na rodoviária aos quarenta e cinco do segundo tempo) – R$ 50,00

Guarda volumes (além da espera na rodoviária, não ia até a casa da minha amiga – até então sem saber onde era – com o mochilão nas costas) – R$ 5,00

Água – R$ 3,00

Caridade (leia-se uma travesti muito pimpona que queria fugir comigo) = 7,00

Café da manhã – R$ 15,00

Passagem de Porto Velho para Guajará-Mirim – R$ 70,00

Táxi da rodoviária de Guajará até o terminal portuário – R$ 20,00

Moto-táxi do terminal portuário até o posto da PF e da PF ao terminal – R$ 10,00

Bilhete de travessia pluvial para Guayaramerín – R$ 8,00

 

Total dos gastos – R$ 297,50 até a chegada na Bolívia.

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Em 25/01/2019 em 04:07, Wesley Felix disse:

Devo dizer que o relato do Diego é muito completo e detalhado, tu é fera mano, e ele teve outras duas inspirações principais por assim dizer, uma delas, o @rodrigovix, também serviu para inspirar a minha viagem com um relato muito top, detalhado e engraçado – Rodrigo não te conheço cara, mas lendo sua história era como se estivesse vendo tudo na minha frente com os olhos brilhando – devo dizer muito, mais muito obrigado mesmo pela disponibilidade de vocês Diego e Rodrigo por postarem seus relatos, isso inspirou, guiou e foi a base do meu mochilão, mesmo que no fim tenha percorrido outros destinos que alteraram em parte o roteiro inicial, mas isso é assunto pra depois, por hora, gratidão a vocês e a todos que compartilham suas aventuras aqui

Que bacana, Wesley! Eu que agradeço. Já vi que vai ser um relato DAQUELES!!! Manda ver aí. Sucesso! 

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A SURPREENDENTE BOLÍVIA

 

Antes de iniciar devo avisar que essa parte do relato deverá ser a mais extensa, quase como no livro, isso porque esse trajeto é pouco conhecido e citado, então tentei detalhar o máximo possível, também quis apresentar uma pessoa que conheci na viagem, nos outros relatos não farei isso, pois foi muita gente, mas ela é escritora como verão adiante, e pensei que seria bacana se vocês leitores pudessem e quisessem conferir os trabalhos dela, são muito bons e valem a pena.

Deixando o Brasil e já do lado boliviano existe uma grande escadaria que leva até o terminal portuário de Guayara, adentrando a direita está à sala onde funciona a imigração do país, quase não consigo passar pela porta com o mochilão e tudo, é bem apertado o espeço lá dentro, mas os agentes foram muito bacanas, pediram o passaporte, deram entrada no sistema, perguntaram qual o motivo da viagem, quantos dias pretendia ficar e quais cidades visitaria, depois me entregaram um documento – documento –, documento este que deveria apresentar quando da saída da Bolívia junto com o passaporte agora carimbado por eles, e ainda desejaram boa viagem – apesar de novamente, quase levar a porta junto ao passar por ela e sentir balançar toda a parede do escritório deles – conhecendo a Bolívia esperava algo menos, mas me surpreendi positivamente com nosso vizinhos.

Mal coloquei o pé pra fora da sala e fui avançado por três ou quatro motoristas de tuk-tuk, um triciclo adaptado para levar pessoas e bagagens como em um carro, mas com a eficiência de uma moto, acabei por dispensá-los, mas logo após descer as escadarias já chamei outro que aguardava mais afastado, precisava trocar moeda, ir até a rodoviária e encontrar um hotel, acabou que ele foi a salvação da lavoura, apesar de estar sempre com um pé atrás, ele me levou em um bar/casa de câmbio com a melhor cotação que encontrei em toda a viagem, inclusive melhor que na capital, e não era dinheiro falso, é pra glorificar de pé igreja. Na rodoviária ele também passou as dicas de qual o melhor ônibus pegar para La Paz e por fim me deixou em um hotel barato e perto do centro, mas confiável como havia pedido.

 

DICA: Essa é bem básica, e serve inclusive pro Brasil, sempre evite pegar transportes como táxis nas imediações, se for possível e seguro, se afaste um pouco e sempre conseguirá preços mais baixos, nunca deixe de perguntar o preço das corridas que pretende fazer, se deixar para só fazê-lo quando chegar ao seu destino não terá como não pagar o valor pedido e creia, em países como o Chile, não é incomum uma chuva de reclamações por parte dos turistas, de abusos cometidos por taxistas e outros motoristas de aplicativos, ao perceberem que se trata de turista, mesmo combinando os valores na partida, ao final da corrida acabam desconversando e cobrando sempre a mais, por último, mantenha sempre o olho aberto quando for entregar e receber o dinheiro, muitas vezes eles simplesmente dizem que o valor recebido foi abaixo do valor real entregue e quando devolvem o troco misturam notas falsas junto a verdadeiras ou faltando valores, por isso sempre que possível ande com outra pessoa que possa ser testemunha, quando não, repita claramente os valores a ser cobrado, entregues e devolvidos, também é bom entrar nos sites dos bancos centrais dos países de destino e conferir as marcas de segurança do dinheiro referido, e por fim evite notas muito velhas e rasgadas seja de quem e onde for, as casas de câmbio eviram receber papel moeda em condições ruins. Pra isso sempre procure grupos nas redes sociais, sempre terá alguém indo ao mesmo destino que você, disposto a rachar um táxi e fazer passeios em comum, apesar de sair sozinho pra mochilar, foi difícil o tempo que fiquei realmente só, e se tivesse procurado nos grupos com antecedência, teria encontrado muita gente nos destinos escolhidos, como em Cusco, mas mudei tudo de última hora.

 

            O hotel ficava bem perto da avenida principal, que há está hora já começava a fechar as portas de seus comércios, ainda era cedo para mim, creio que entre oito e nove horas da noite, e apesar de confirmar com o recepcionista do hotel que era seguro andar pela cidade, não me sentia em nada seguro, os bolivianos são bem desconfiados em relação a nós em um primeiro momento e pouco receptivos, ajuda também o fato de ver as motos brasileiras, que não vou dizer aqui a origem, rodando livremente pelas ruas da cidade, isso trás uma impressão de impunidade ou conivência com o mal feito, além de que, tirando a avenida principal, as ruas paralelas estavam pouco iluminadas e movimentadas – cidades como Guayaramerín são de forma geral segura para nós brasileiros, pois dependem muito dos compradores do outro lado da fronteira, mas nunca é de mais lembrar que não estamos no Brasil, então nossos direitos ficam no outro lado do rio junto com nosso país, por isso é bom não dar chance ao azar, andar na linha e ficar de olho aberto sempre.

            Descendo duas quadras consegui encontrar um mercado ainda aberto, estava com fome, já havia trocado dinheiro, comprado à passagem para o outro dia de manhã com destino a La Paz e só queria uma noite de sono naquela caminha quente, de calor mesmo, do hotel. A passagem estava marcada para as 08h45min da manhã de sábado, na noite anterior arrumei meu mochilão e mochila de ataque colocando os produtos que peguei em Porto Velho, comecei a amaldiçoar a ideia de ter comprado aquele desconfortável coturno, enchi a barriguinha haha, fiz uma reserva em um hostel em La Paz, printei o seu endereço e outros detalhes e na sacola os produtos deram lugar as bolachas e comida para a viagem do dia seguinte. Acordei as 06h30min para tomar um banho e me preparar, as sete já estava fazendo o check-out – chique não? – e fui andando até a praça central, aquela que as pessoas ficam dando voltas de carro e moto, e acredite já tinha gente fazendo isso sendo que o comércio nem havia aberto ainda, isso é Bolívia.

Entre as pessoas dando voltas na praça estava um motorista de tuk-tuk, dei sinal e lá fomos nós, com exceção da rua e entrada do terminal, a fachada e saguão de espera é bem moderno e limpo, existem dois guichês principais, um de cada lado da entrada principal de acesso para a área de embarque, é neles que são vendidas as passagens para La Paz e outros destinos, a imagem gráfica dos ônibus que estampam os guichês são de cair o queixo, muito modernos e lindos, melhores que os do meu estado, a dois horários de saída diários para a capital boliviana, o preço das passagens era muito barato se comparado ao Brasil, na hora de comprar a passagem eles pediram o documento de entrada no país assim como o papel entregue pela imigração, o mesmo foi feito no hotel – e você ai pensando que é tudo bagunçado o sistema –, o bilhete de passagem foi preenchido a mão e a única exigência explicita repetida três vezes pela atendente foi que estivesse no terminal para fazer o embarque trinta minutos antes do horário de saída do ônibus.

Como havia chegado bem antes fui comprar uma água e um chip de telefone celular, esse simples fato consumiu todo o horário até a hora do embarque, primeiro eles não tinham chip, depois arrumaram um vendedor, mas não tinham crédito, depois tentaram fazer meu cadastro e não conseguiram, como já estava em cima da hora, falei que eu mesmo resolveria o problema e fui para a área de embarque.

 

DICA: Não sejam bestas – óbvio mais uma vez – mas sério, não é só aqui que algumas pessoas querem tirar vantagem em tudo, o motorista de tuk-tuk me cobrou muito mais caro do que se eu tivesse feito às viagens de forma fatiada e olha que pretendia lhe dar um agradecimento em dinheiro por ter sido tão disponível. Depois no mercadinho onde fiz as compras de alguns produtos, no momento de passar o troco, à senhora que me atendia acabou por cobrar dez bolivianos a mais, seu filho pequeno (11 anos) que estava ao lado lhe chamou a atenção e ela desconversou com o garoto, no momento eu apenas sorri e deixei passar fingindo que não havia entendido nada e fui embora, não desejei mal a ela, apenas um dedo quebrado ou algo do tipo, aparentemente ela precisava muito daqueles dez bolivianos então que ficasse com eles. Já na rodoviária a moça da lanchonete depois de idas e voltas me vendeu o chip de celular por dez bolivianos e pediu mais dez para carregá-lo e me ajudar com o cadastro, ao final como não conseguia cadastrar e já estava na hora da partida ela simplesmente disse que o crédito cairia depois que fizesse o cadastro, nesse momento a dona do lugar chegou e tentou ajudar no cadastro também, ao ver que não conseguiria lhe indaguei sobre o crédito, já percebendo o golpe da atendente, está por sua vez deu um sorriso amarelo e me devolveu os dez bolivianos de crédito uma vez que a dona dissera que sequer eles tinham recarga naquele momento.

Sei que pode parecer pouco, mas qualquer dinheiro faz falta ao fim da viagem, e não é só pelos valores monetários, mas sim pelo desaforo, parece que por ser estrangeiro tu tem uma tarja de idiota escrita na testa e por vezes em solidariedade ou temor deixamos passar, não tenha medo de perguntar e repetir o que estão dizendo até entender e se necessário chamar alguém, de forma geral isso intimida quem está fazendo algo errado, apesar de frequentemente ocorrer isso, inclusive nas outras vezes que estive na Bolívia, as pessoas em volta tem de forma geral uma desaprovação com estes tipos de comportamento que visam enganar os turistas, algo muito semelhante com o Brasil.

 

 Hora do embarque, agora entendi o porquê de termos que chegar com tanta antecedência, os fundos do guichê onde se compra a passagem ficam na área de embarque, a mesma moça que atende coloca uma marcação feita a mão nos pertences dos viajantes, e ali vai de tudo, tudo mesmo, então isso leva um bom tempo. Outro fato importante é que você precisará pagar em separado a taxa de embarque e uso do terminal, e não é só na Bolívia, para isso existe um guichê em separado, apenas para esse fim, se não apresentar o comprovante de pagamento o ônibus não sai, quem faz a conferencia arma o maior barraco e tu passa a maior vergonha, pelo menos é o que dizem.

Quando o ônibus chegou não me surpreendi nem um pouco, até porque o ônibus da outra empresa também estava embarcando seus passageiros, e ambos eram iguais apesar de pertencerem a empresas diferentes, não possuíam ar condicionado, as janelas obviamente iam abertas independente da estrada de terra empoeirada ou se chovesse, não havia banheiro, água, e nem inclinação nos bancos, cinto de segurança então esquece.

A verdade é que aquilo não era surpresa pra mim, o Ronaldo já havia deixado bem claro como era a viagem, o melhor é que eu estava indo e voltando tentando falar com alguém para entender o próximo passo, uma vez marcado sua bagagem você pode depositá-la no interior do ônibus, não há divisões nem aberturas externas, simplesmente o espaço abaixo do assoalho onde estão as poltronas de passageiros, só fui perceber isso quando uma mulher me abordou, de cara eu era o único brasileiro e mochileiro ali, ela chegou e perguntou em um bom portunhol se eu era brasileiro – não sei por quê, mas acho que o sotaque me denunciou – ela logo emendou que era venezuelana e que gostaria de viajar comigo, ao meu lado mais precisamente, pois não confiava nos bolivianos e não tiro a razão dela, eles nos olhavam como estranhos, não que não fossemos, afinal estávamos claramente fora de nossa realidade e eu muito mais que ela.

Depois que entramos ela escolheu os lugares mais a frente, disse que não precisávamos obedecer às marcações de passagem – eu ainda desconfiado dela, logo pensei que deveria ser algum tipo de golpe desses que a gente acorda sem os rins em uma banheira de gelo no outro dia, mas tirando o fato de não falar o idioma dos demais presentes, estava com minha mochila de ataque e comidas no colo e minha doleira junto ao corpo, de resto era só gritar. Logo os donos da poltrona chegaram e começaram a falar em um idioma que eu nem fazia ideia qual era, saímos e fui para minha poltrona, por incrível que pareça a passagem dela marcava a poltrona ao meu lado, rimos da coincidência e troquei de lugar com ela, para que fosse à janela e afastada do corredor, apesar da impressão inicial de achar que poderia ser um golpe, logo relaxei e começamos a conversar, acabou que até a chegada em La Paz ela foi minha companheira de viagem e a primeira amiga que fiz no mochilão.

 

JOSLEMAR N.: Passada a primeira impressão, logo iniciamos uma conversa sobre tudo, Joslemar não foi à única venezuelana que conheci na viagem fugindo da terrível crise que se instalara em seu país, seu destino era o Chile onde parte da família já estava trabalhando, na Venezuela ela deixou o pai e sua pequena filha, assim que entrasse no Chile tentaria trazer a pequena para junto de si, o pai já idoso e doente não tinha intensão de deixar o país para se aventurar em uma nova vida. Seu bom portunhol se devia ao fato de ter cruzado o Brasil por um tempo até chegar à Bolívia e por lá tentaria adentrar a fronteira chilena, um refugio para vários imigrantes devido à oportunidade de melhorar de vida e ganhar dinheiro, muito melhor que o Brasil, diga-se de passagem.

Ao longo das trinta e duas horas de viagem ainda falamos de uma das paixões da vida dela, a escrita, no Amazon.com ela mantem o perfil de escritora com o nome de Miranda Wess e até então tinha publicado três obras: Yo soy tu candidato, Amor em contiende e Silla presidencial. A paixão como ela descreveu suas histórias e personagens era muito bom, apesar de tudo por que passou, ela emanava uma energia muito boa, apaixonada por arte e cultura, com inúmeros sonhos que a motivavam a permanecer forte e vibrante, o amor por seu país era outro fato perceptível, como qualquer nacional que se preze, ao descrever as inúmeras belezas e lembranças dos lugares que conheceu e viveu nos tempos de prosperidade, um brilho enchia seus olhos assim como o sonho de poder retornar e retomar a vida que lhe foi tirada de forma tão autoritária e cruel.

Quando chegamos a nosso destino final, a acompanhei até a rodoviária de La Paz apenas para poder lhe dar um forte abraço de despedida e anotar seu nome e algum contato, mais uma vez ela me implorou pra que tivesse cuidado e atenção, disse que nem todo mundo era bom como eu, não sei o porquê mais ouvi o mesmo conselho de outras pessoas várias vezes e nessas horas sempre lembrava do que o Diego escreveu em seu relato de mochilão “O universo nos devolve sempre que tentamos ser pessoas melhores e fazer o bem.”, apesar disso, também entendia o porquê dos conselhos, ela durante toda a jornada saindo de seu país, atravessando o Brasil, Bolívia e futuramente metade do Chile, viu e viveu muita coisa, tendo a pensar que muito mais coisas ruins ou difíceis do que boas e alegres, o mundo não é um lugar acolhedor e afetuoso a menos que tenha dinheiro, mas cabe a nós tentar deixá-lo melhor para todos. Ainda no ônibus ela conheceu outra venezuelana que também voltava para o Chile, mas outra cidade, e já conhecia a rota, agora ela seria sua parceira de viagem, apesar de desconfiado em um primeiro instante, fiquei feliz por ela, era notório seu medo de ficar só e ter outra mulher lhe fazendo companhia era o cenário ideal, ainda mais uma que podia conversar e ser completamente entendida, porque por vezes me vi balançando a cabeça positivamente e sorrindo, mas sem entender nada do que ela falava, e tenho a impressão que o mesmo ocorreu com ela, na empolgação falamos rápido e com termos e gírias próprias que só nós nativos entendemos, então se lembre, despacio, despacito, e não me refiro à música do Luis Fonsi.

 

Seguindo com o mochilão, a nossa primeira parada foi em Riberalta, duas horas após iniciar a viagem, nesse trecho só alegria, a estrada era asfaltada e o calor amenizado pelo vento que entrava pelas janelas, a parada era para o almoço já, o interior da Bolívia é muito pobre, mesmo para os padrões brasileiros, a rodoviária repleta de gente muito simples, tudo era muito diferente do que estava acostumado a ver, mesmo não sendo completamente inédito. Tentei comprar crédito pro telefone, mas não havia, então me sentei junto com a Jos em uma mesa acompanhados por uma chola que estava no mesmo ônibus e por um simpático senhor que se achegou depois. A conversa foi inevitável, enquanto os três almoçavam uma tigela de caldo de quinoa com carne e junto tomavam um suco de limão gelado, também observava o processo de preparo da comida que era visível a todos, coragem e estomago não eram para mim ainda – apesar de ter experimentado um espécie de massa de tapioca que Jos nos ofereceu –, a senhora queria saber dos preços de móveis e panelas no Brasil e se surpreenderam como era barato, na opinião deles, esses produtos aqui, já com o preço da comida também se surpreenderam, só que espantosamente agora, o tempo passou rápido e logo estávamos de volta no ônibus para o trecho mais longo e difícil da viagem.

A partir de então a estrada passou a ser de terra, creio que por pouco tempo, pois uma empresa chinesa está operando a pavimentação de todo o percurso, uma obra realmente grandiosa, pois compreende um bom pedaço da Amazônia boliviana e adentra a região dos andes, na verdade a Bolívia inteira por onde passei é um canteiro de obras, uma imagem muito diferente da que tinha em mente.

A outra parada só ocorreu à noite, na cidade de Santa Rosa de Yacuma, a cada vila que passava eu rezava a todos os santos para que ali fosse à parada, acho que sabia de onde vinha o cheiro forte daqueles bancos, um verdadeiro exercício para segurar a bexiga, no meu caso só ela mesmo. No mais a paisagem compensava a viagem desconfortável, e como havia caído uma chuva leve não havia tanta poeira e nem muito calor. Quando chegamos ao terminal rodoviário da cidade todos foram procurar o banheiro, pagamos um valor simbólico que pelo amor de Deus, aquilo parecia mais a ante sala do inferno, não só os banheiros, mas todo o local, depois de usarmos aquilo que chamavam banheiro, atravessamos a rua de chão e fomos olhar as barraquinhas de comida do outro lado, o cheiro era até bom devido a fome já presente, mas tanto eu quanto a Jos optamos por apenas tomar algo.

Acredito que estávamos em Yucumo já pelas três da madrugada quando o ônibus parou, achei que deveria ser por conta da chuva e neblina, e porque já estávamos começando a subir rumo a La Paz, e porque aquele motorista era o mesmo desde o inicio da viajem, então olhei pela janela e vi que parecia um ferro velho, ai o coração acelerou, devíamos estar sendo assaltados ou sequestrados ou o motorista ia nos levar para ser assaltados, mas o ônibus foi desligado completamente e nada de movimentação estranha, então fiquei com a primeira hipótese formulada com relação ao clima mesmo, abri a janela com cuidado para não acordar as cholas a nossa frente e comentei com a Jos o que tinha pensado, e voltei a dormir. Passou-se mais uma meia hora e uma das passageiras, também chola saiu porta afora e voltou tempo depois reclamando de algo que não entendi nada, mas ela estava bem brava, então a Jos também foi ver o que ocorria, e depois eu porque já estava apertado de novo. Ao fim ficamos parados até o dia amanhecer quando o posto de gasolina da cidade é aberto e o motorista conseguiu encher um galão para depois levar o ônibus até o posto e dar prosseguimento a viagem, no total perdemos umas quatro horas e o motivo foi simplesmente falta de combustível, com exceção da chola, ninguém reclamou, chamou a polícia, ameaçou de processo, virou o ônibus e ateou fogo, nada.

No fim acredito que fora melhor assim, viajar pelos desfiladeiros que vimos já a luz do dia não devia ser uma boa ideia a noite. E desfiladeiros com abismos são o que não faltam a partir desse ponto da viagem, a estrada mescla partes asfaltadas, esburacadas e sem asfalto, vamos margeando um rio enquanto iniciamos a subida para a capital em maior altitude do mundo e é uma paisagem estupenda, montanhas cobertas por vegetação ainda amazônica e de transição, essa vista por si só já valia todo o sofrimento até então. Isso tudo embaixo de muita chuva e neblina, tenho que tirar o boné para o motorista, porque em alguns pontos da estrada de terra nas montanhas não creio ter mais que três metros de largura a pista, mesmo apreensivo, não posso dizer que tive medo, mais por uma filosofia de vida que qualquer outra coisa.

Paramos em uma pequena vila por volta da dez horas, é uma subida e aos pés das montanhas com o rio próximo, além do banheiro nessa parada aproveitei para comprar umas folhas de coca e finalmente achei o crédito pro meu celular.

Quando chegamos a La Paz já era quase as 17h00min, o ônibus não para na estação rodoviária de La Paz e sim em um ponto comum para os veículos naquelas condições em uma rua um tanto distante. Descemos, pegamos nossas coisas e mochilas e eu tentei me localizar com os mapas no telefone, mas esse primeiro momento me fez ver que ser mochileiro tem seus desafios, não conseguia me localizar e logo iria começar escurecer, acho que se estivesse sozinho teria entrado em desespero – a essa altura a Jos já havia conhecido a outra venezuelana, elas se encontraram na parada por falta de gasolina do ônibus – resolvi seguir as meninas junto com outras pessoas que iriam para a rodoviária, durante o percurso de pouco mais que umas sete quadras a altitude bateu forte, mais nas meninas do que em mim, mas a falta de ar vem com força, ainda mais empilhados de coisas como estávamos. Depois que me despedi delas sentei e consegui abrir o mapa e me localizar com calma, o simples fato de estar em um lugar público, cercado de gente e protegido ajuda muito, o trajeto parecia muito longo então resolvi pegar um taxi ali nas imediações, mas fora da rodoviária, chorei no preço e fomos até o local do meu hostel, sempre acompanhando o percurso pelo telefone, quando finalmente chegamos, paguei com gosto a corrida, não só pela distância, mas o tanto de subidas por que passamos teria me custado quatro ou cinco pulmões novos.

 

GASTOS: Dia 14.09 (sexta-feira).

 

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,65) – R$ 500,00 = Bs 828,00

Passagem de Guayaramerín para La Paz (Flota Vaca Díez) – Bs 180,00

Tuk-Tuk – Bs 50,00

Hotel Novo Horizonte – Bs 70,00

Mercado (Tem o mesmo preço que no Brasil, garrafa de suco de uva, água mineral, bolachas recheadas, pacote grande de salgadinhos, sabonete, papel higiênico e alguma outra coisa que não lembro, e a mulher me levou 10 Bols a mais) – Bs 73,00

 

GASTOS: Dia 15.09 (sábado).

 

Tuk-tuk (da praça até a rodoviária, não tinha bolivianos trocados então paguei o mesmo valor só que em reais, ele ficou super contente) – R$ 4,00

Chip Tigo – Bs 10,00

Água mineral – Bs 4,00

Taxa de uso do terminal – R$ 2,00

Banheiro em Santa Rosa de Yacuma – Bs 1,00

Bebidas (1 Coca-Cola 600 ml e 1 água mineral 500 ml) – Bs 11,00

 

GASTOS: Dia 16.09 (domingo).

 

Crédito celular – Bs 10,00

Água mineral Grande – Bs 8,00

Banheiro – Bs 1,00

Pacote de folhas de coca – Bs 1,00

 

TOTAL DOS GASTOS – R$ 259,00 até a chegada em La Paz.

 

Plaza de armas Germán Busch Becerra - Guayaramerín.

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Flota Vaca Díez, no Terminal Rodoviário de Guayaramerín.

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Barracas de comida em frente ao Terminal Rodoviário de Santa Rosa de Yacuma.

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Folhas de coca.

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Trecho da Carratera de Yungas, também chamada de Estrada da Morte, liga a amazônia boliviana ao altiplano onde está La Paz.

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LA PAZ, A CIDADE LARANJA

 

Quando finalmente entramos no perímetro urbano da cidade sede do poder executivo boliviano, eu fiquei completamente extasiado, as paisagens naturais vistas da janela do ônibus até chegar na cidade eram sublimes, e a paisagem urbana não deixa por menos, a pobreza é impactante, a ocupação desordenada, a marcas de deslizamentos nas encostas verticais dos morros onde as pessoas insistem habitar, os sobrados e casas alaranjados por estarem no tijolo aparente se espalham por toda a borda da geografia local, embaixo no centro está a parte desenvolvida e visivelmente mais abastada, tudo isso ligado por linhas, os famosos teleféricos que estampam a fotografia do presidente Evo Morales em todas as portas de cabines, um trânsito caótico como nunca havia visto e não falo de engarrafamento apenas, a frota mescla carros muito antigos com os mais modernos e caros da atualidade, um raspando o outro com fechadas e buzinas que não paravam, a gente andina de traços e cultura muito forte, La Paz é uma cidade única, como poucas no mundo, e detalhe, mesmo sendo considerada capital do país, constitucionalmente é Sucre quem detêm essa oficialidade.

Assim que descemos do ônibus passei a sentir a realidade social mais de perto, mas só a notaria mesmo no outro dia, naquele momento estava preocupado apenas em chegar ao hostel e ficar em segurança, a viagem tinha sido longa, um tanto cansativa e a aclimatação ainda tinha que ocorrer. Parte das reclamações dos viajantes que torcem o nariz para La Paz, se deve em muito as acomodações de hospedagem, e nessa parte não tiro a razão de alguns, sair de uma casa confortável, e no caso de alguns deles, de apartamentos requintados de São Paulo ou Rio de Janeiro e cair em prédios antigos e ruas estreitas e tumultuadas é muito impactante em um primeiro momento – pra qualquer pessoa que nunca teve contato com uma realidade mais simples de um interior do Brasil, por exemplo, qualquer outra realidade é impactante, e La Paz não é diferente, com exceção de uma pequena parte do centro, o restante da capital com quase um milhão de pessoas é muito desigual – ainda mais quando se viaja para curtir férias como era o caso dessa maioria. Já eu não posso dizer o mesmo, não por que estava em um mochilão e teoricamente pronto para o que aparecesse, mas por que meu hostel ficava na parte mais nobre da capital e era uma edificação nova e muito confortável, logo, para mim, a surpresa foi positiva e a experiência melhor ainda.

 

DICA: A escolha de hosteis é o modo mais econômico de hospedagem, ali também você vai poder encontrar viajantes do mundo todo e interagir com diferentes culturas, a combinação perfeita de hostel é juntar preço baixo com a proximidade do centro e principais pontos turísticos, conforme o caso. Em boa parte das cidades os terminais rodoviários estão no centro evitando a necessidade de longas conduções até os hosteis e assim gastos com transporte, no centro está tudo que é necessário para nós turistas, restaurantes, casas de câmbio, bons hosteis, opções de transporte e segurança. Em minhas pesquisas sempre usei Booking por oferecer as ofertas mais baratas, mas na hora de bater o martelo também é bom ver as comodidades oferecidas assim como avaliações de usuários e verificar a sua localização de acordo com pontos de interesse (metro, rodoviária, restaurantes, etc), a maioria dos hosteis oferecem o café da manhã incluso no preço final, mas transporte e locomoção são itens a serem sempre considerados. Uma rede de hosteis presentes em boa parte das cidades na América do Sul e que são de confiança e ótimo custo beneficio são os definidos como B&B (Bed and Breakfast ou cama e café da manhã em português), durante a viagem tive duas experiências nesse tipo de hostel, La Paz e Arequipa, e foram os melhores do ponto de vista econômico e de custo beneficio.

 

O idioma ainda era um pouco difícil pra mim, quando cheguei ao hostel fui super bem atendido, mas quando a moça me falou o preço custava três vezes mais do que o anunciado no site, perguntei se havia um quarto mais barato e ela disse que não, fechei por uma noite e iria procurar outro hostel no dia seguinte, quando cheguei ao quarto era individual e com banheiro privativo, ai perguntei se não havia um quarto coletivo, só então ela entendeu a confusão que eu havia feito, esse hostel possuía dois prédios diferentes na mesma quadra só que distantes alguns metros, um era mais requintado como um hotel por assim dizer e o outro mais popular no estilo hostel mesmo, só então ela entendeu o por que de não encontrar a minha reserva e me levou para o outro prédio que em nada devia ao anterior, a mudança era relacionada aos quartos que ali eram compartilhados assim como os banheiros, agora sim o preço estava dentro do combinado e paguei as três diárias que pretendia ficar, a equipe era muito solicita, e depois de tudo acertado e arrumado os ditames burocráticos, fui apresentado as acomodações, terminei por escolher o dormitório masculino no piso subterrâneo, que estava sem ninguém alojado até então, naquele momento queria um pouco mais de privacidade e como não haviam brasileiros hospedados, apenas gringos dos quais não entenderia uma vírgula, achei que seria a melhor opção.

Quando me olhei no espelho do banheiro não sei como eles não me expulsaram do hostel assim quando entrei, acho que se fosse no Brasil o teriam feito, estava coberto de poeira da viagem até onde era possível ver.

 

MOMENTO DESABAFO: Depois da constatação feita, olhei pra mim e falei mentalmente sorrindo: - Cara f***-se, tu tá em outro país, com gente que nem conhece, sai pelado pela rua gritando e dando cambalhota, essa é a hora.

Isso é pra vocês saberem o quanto sofro com esse meu inconsciente que também chamo de “meu eu”, ele é um péssimo conselheiro às vezes, mas é o melhor também, não vivo sem ele.

 

Banho tomado, desfiz minha mochila e separei as roupas que usaria pelos próximos dias em cima da cama, apesar do cansaço ainda fui escrever os principais pontos da viagem pra vir postar agora, comi os restos de biscoito que sobraram, água e folha de coca, e um comprimido de dor de cabeça, acredito que por conta da altitude. De maneira geral estava feliz, meu plano era acordar ao meio dia e sair pra conhecer La Paz, o mercado das bruxas estava a dois quilômetros do hostel, depois tentaria ir à igreja principal e aos teleféricos assim como achar uma agência para fazer os passeios, Down Hill e Chacaltaya, mas apesar dos mapas e tudo estava bem perdido, no outro dia tentaria pegar umas dicas e informações na recepção, haja visto que o dono falava português e estaria atendendo pela manhã.

De repente entra pela porta um rapaz da limpeza, sorri e o cumprimentei – apreenda a falar o básico da língua onde pretende se aventurar, isso é o mínimo –, mas não sei por que ele logo sacou que era brasileiro haha, e foi admiração à primeira vista – de maneira geral, durante toda a viagem, não encontrei um estrangeiro que não gostasse de nós brasileiros, principalmente os sul americanos –, ele logo quis saber de onde era e fomos desenvolvendo um papo bom porque ele falava razoavelmente bem português, me passou um monte de dicas e cuidados e acabou por me convidar pra me guiar em um passeio pela cidade na manhã do dia seguinte, seriam só nós dois e ele não iria cobrar nada, no segundo seguinte ao convite “meu eu” tentou falar algo, mas eu nem dei tempo pra nada, só sorri, agradeci e topei, marcamos para o outro dia as nove, pouco antes de acabar o horário do café da manhã, ofereci umas bolachas e um pouco de suco que ainda tinha e depois de comer e terminar de varrer o chão, nos despedimos e ele foi embora.

 

MOMENTO DESABAFO: Óbvio que tive que ouvir de mim mesmo que estava louco, que aquilo deveria ser um golpe aplicado contra pessoas idiotas e bestas, que poderia ser assaltado, assassinado, sequestrado e tudo que ocorre no Brasil de forma geral, mas não havia sido o “meu eu” a me aconselhar a fazer tudo o que tinha vontade? Então toquei o f***-se novamente e nem pensei muito, acho que instinto vale muito nessas horas ou não, mas o fato é que simpatizei muito com aquele boliviano e seguindo minha filosofia de vida agradeci por tê-lo encontrado, pois aparentemente ele seria a solução dos meus problemas já que também, pasmem, contei que precisava trocar dinheiro e marcar os passeios que queria, logo, se ele fosse um mal intencionado poderia ter ainda mais motivos para me fazer mal.

E claro, na conversa tentei observá-lo, fazer algumas perguntas de quem era, o que fazia, enfim. Sai do Brasil com muito medo da violência de modo geral, isso foi inclusive algo que comentei com o Diego enquanto o questionava sobre seu mochilão, mas tanto a impressão dele quanto, agora, a minha, é que é muito tranquilo os nossos países vizinhos, não que não haja violência, mas não são como aqui aonde se vierem duas pessoas em uma moto nós temos que nos jogar no chão e fingir de morto, o mais perigoso são os furtos, onde só nos damos conta depois de levarem nossos pertences, além de outros golpes nesse intuito, no mais, como brasileiros – e no meu caso, que já estive em grandes centros como Manaus e São Paulo também – é mais fácil ficarmos ligados o tempo todo e perceber as intenções e abordagens das pessoas, como disse lá no começo, não tive nenhum problema relacionado a isso durante o mochilão todo e em circunstâncias normais teria recusado de cara o convite feito, mas por algum motivo – que só você poderá dizer quando viver uma experiência assim – eu aceitei e adianto, foi ótimo.

 

No outro dia levantei sem nenhuma dor de cabeça, mas durante a noite acordei algumas vezes apesar do cansaço, fez muito frio, tanto que na manhã ás 08h30min marcava 4º C, ainda bem que as cobertas deram conta perfeitamente porque a impressão é que pelo fato do quarto ser subterrâneo a sensação de frio no ambiente era ainda maior, impressão esta verdadeira diga-se de passagem. Assim que arrumei minha cama, escovei os dentes, mandei mensagem pra família e me vesti com uma calça jeans, uma camisa e minha jaqueta, depois subi para o desayuno, suco, pão com ovo, manteiga e geleia, estava com tanta fome que aquilo foi o melhor café da manhã que comi em dias.

Rodrigo chegou meia hora depois do combinado, às 9h30min quando terminava o horário do café da manhã, começamos andar pelas ruas do bairro em direção a calle de las brujas, Rodrigo é um cara muito dispostos e conectado, logo começou a me passar os pontos de referencia para que pudesse andar por La Paz sozinho sem depender de transporte, como um mochileiro raiz deve ser, no mais ele andava em ritmo acelerado, tirei minha jaqueta e fui acompanhar seus passos como um paceño original e não fiz feio, apesar de ter que respirar fundo o tempo todo, pelo caminho ele indicava mercados e restaurantes bons para comer, logo chegamos a rua das bruxas, sinceramente esperava mais deste mercado a céu aberto, mas não passa de uma meia quadra com menos de uma dezena de barracas onde as cholas vendem toda a arte de crendices populares oriundas ainda da cultura antepassada dos povos indígenas andinos, optei por não tirar fotos do local – algo recorrente se tratando de mim, mas que acaba por fazer falta no relato –, e se quer parei para olhar melhor os fetos de lhama expostos, como teria que voltar ali nos outros dias deixei para fazê-lo depois, o que terminou por não ocorrer.

Junto a rua de encontro do mercado das bruxas está a calle Santa Cruz, em sua extensão principal, da praça Marcelo Quiroga até a praça San Francisco estão as principais agencias de passeios e casas de câmbio, além de hosteis que ficam bem próximos ao centro e principais pontos turísticos, pra quem não se importa tanto com luxo nas acomodações, é um bom lugar pra ficar na cidade, foi nessa rua que o Rodrigo me levou na melhor casa de câmbio da qual ele tinha conhecimento, e também em duas das melhores agências para fechar os passeios, acabei por escolher a No Fear Adventure por ser de sua indicação e ter os preços mais em conta já que a outra agência era mais cara e luxuosa também. Inclusive a No Fear esta localizada dentro de um hostel e possui uma casa de câmbio em seu interior, pra quem tiver interesse é um três em um.

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 Figura: Imagem do Google Maps, o traço em preto é a rua das bruxas, os círculos apontam: a casa de câmbio um pouco acima da rua das bruxas e agência No Fear abaixo, sentido praça San Francisco do lado esquerdo de quem desce, ambas na rua Santa Cruz.

Enquanto trocava dinheiro e pagava os passeios, o Rodrigo se quer ficou por perto, ele só fez o meio de campo e tradução automática e me esperou do lado de fora, definitivamente já tinha ganhado minha confiança. Depois me levou até a Igreja de San Francisco e sua praça, era a primeira vez que adentrava em uma Catedral católica, e era linda, não só a parte exterior, mas também todos os seus ornamentos internos, em pensar que na época de seu auge era adornada em ouro, agora apenas representado em uma pintura dourada, estar ali é reviver algo que só imaginamos em livros. A praça repleta de turistas, vendedores, pessoas comuns passando e pombos, era um complemento a todo aquele caldeirão urbano, e ter o Rodrigo ao meu lado tornou tudo muito melhor, a cada passo ele explicava os detalhes de tudo, recontava a história, as curiosidades e me fazia entender o porquê de cada aspecto das coisas, foi assim no mercado das bruxas, na igreja, depois no mercado popular onde ele me pagou um gelado, ou sorvete típico deles com muitas frutas, biscoito e um creme, depois fomos andando até a Calle Jaén, um ponto muito importante para a história boliviana, repleta de museus e casas de cultura, ainda nesta rua há a galeria de arte Mamani, vale muito conhecer o espaço e se deixar encantar pela pintura e arte incríveis, é um espetáculo de cores e formas.

Essa rua fica próximo à rodoviária e após me mostrar certinho como chegar lá, fomos andar na rede de teleféricos de La Paz, andamos em duas linhas, a laranja e a vermelha (roja), o sistema de teleféricos da cidade é o maior do mundo e ainda está em expansão, gerido pelo governo central, custava na época Bs 3,00 o ingresso e além de muito popular é muito organizado, moderno e se encaixa perfeitamente a geografia da cidade que não pode comportar linhas de metrô – acho que um dos poucos serviços ofertados pelo poder público que deixa qualquer estrangeiro de queixo caído –, as fotos de Evo Morales estampam as portas e indicam a força do presidente do país mais pobre da América do Sul e o que mais cresce também, isso me chamou muito a atenção, a Bolívia inteira está em obras e ver a onipresença de Morales através de sua imagem era uma disparidade em relação ao Brasil, por mais que os nossos governantes estampem suas marcas nas placas de obras públicas, ver a imagem de um político daquele modo nunca passou pela minha cabeça, ao mesmo tempo que é absurdo também é genial.

 A linha roja leva até a ciudad del Alto, uma extensão de La Paz onde se encontra o aeroporto da capital, mesmo Alto sendo outra cidade administrativamente falando, nela se encontra a parcela mais pobre das pessoas que frequentam a metrópole andina e se encontra a incríveis 4.000 metros de altitude, ficamos um tempo olhando a vista da cidade abaixo, infelizmente não observei o por do sol deste mirante – pronto, já tenho um motivo para voltar a La Paz agora.

Depois retornamos, ainda fomos caminhar por várias feiras populares no caminho de volta para o hostel, ali é possível ver a realidade da cidade, sem o glamour – que não existe – dos pontos turísticos mais famosos. Tudo isso em quatro horas de passeio, terminamos e dei um valor simbólico pra ele, mesmo se recusando a receber, não era pelo valor, era pela pessoal incrível e extremamente disponível que ele era, acabou que sequer tirei uma foto com ele, mas anotei o número de telefone e contato, quando voltar espero poder encontrá-lo de novo, onde estiver muito obrigado irmão.

Chegando ao hostel pensei em aproveitar o resto da tarde para dormir, mas dormir eu já fazia no Brasil, então bora colocar os pulmões pra funcionar e fui em direção ao centro da capital, nesse momento tudo era descida e o primeiro ponto de parada foi em uma loja de pães, não era uma padaria como as do Brasil, mas tinha uns pães na porta que me chamaram a atenção, acabou que não resisti e comprei duas saltenhas de pollo, no momento pensei que pollo seria porco e fiquei pensando, se o porco já é porco, imagina um porco boliviano – olha as ideias –, mas depois da primeira mordida, que se lascasse o pollo ou o que fosse aquilo, era sublime e delicioso, só depois fui descobrir que pollo era frango, ainda bem. Descendo mais um pouco cheguei a Avenida 16 de Julio que corta a cidade, nela há várias opções de restaurantes tipo fast food, assim como um dos centros de informações ao turista, no qual peguei um mapa da cidade e só então pude perceber quantos museus La Paz oferece, mas como meu tempo estava meio curto e precisava de outro motivo para retornar futuramente a cidade, fui apenas visitar a Catedral Maria Auxiliadora, de arquitetura moderna e bem perto de onde estava.

Da igreja segui pela avenida fotografando alguns monumentos de personalidades importantes na independência boliviana, fui passando por algumas praças até chegar ao Parque Plaza Bolívia que fica ao lado da Embaixada do Brasil, depois subi até o Parque Laikakota, que estava com seu mirador em reforma, entre outros espaços, acabei tomando uma bronca dos funcionários por tentar fotografar dois monumentos, mas consegui, bronca tomada era hora de voltar, acabei que me perdi, mas depois de descer e subir cheguei na rua de acesso ao hostel, uma subida que não é de Deus, aproveitei para parar em uma barraquinha de frutas e comprei algumas uvas e bananas além de água pra aguentar os próximos dias, e subida, só sei que tive que parar e me sentar nos degraus que as pessoas fazem nas calçadas devido ao grande desnível, de resto me perdi mais um pouco até que me acertei com meu mapa e cheguei no hostel a tempo de ver o por do sol chegando, o bairro é muito bom e seguro, e proporciona um belíssima vista do centro mais abaixo e dos paredões de casas que circundam a cidade.

Encerrei o dia lavando minhas roupas da viagem até La Paz no hostel e tomando um bom banho, o outro dia começaria cedo para iniciar o Down Hill – passeio que havia visto em outros relatos e que só sabia que era descer de bicicleta alguns quilômetros por uma estrada chamada de “estrada da morte”, não tinha a mínima noção do que me esperava apesar do nome e acredite, ninguém têm essa noção até cair nessa estrada, é absurdamente sem palavras.

 

GASTOS: Dia 16.09 (domingo).

 

Táxi – Bs 30,00

Hostel Landscape – (Bs 45,00 por dia) = Bs 135,00.

 

GASTOS: Dia 17.09 (segunda-feira).

 

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,60) – R$ 1.000,00 = Bs 1.600,00

Passeio Down Hill (No Fear Adventure) – Bs 400,00

Passeio Chacaltaya + Valle de la Luna (No Fear Adventure) – Bs 100,00

Ingressos teleférico – Bs 20,00

Valor simbólico para o Rodrigo – Bs 100,00

Saltenhas de pollo (duas, saltenhas de verdade, não igual as que a gente vê por aqui no Brasil) – Bs 10,00

Frutas (seis bananas e meio quilo de uvas) – Bs 14,00

Água 2l – Bs 6,00

 

TOTAL DOS GASTOS – Bs 650,00 / R$ 401,75 em La Paz. (O total de gastos em Real leva em consideração os diferentes câmbios, de Guayaramerín e La Paz)

 

Fachada do Hostel Landscape, onde fiquei hospedado em La Paz.

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Vista do bairro onde se encontra o hostel.

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Igreja de San Francisco, a partir de seu entorno nasceu La Paz.

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Praça da Igreja de San Francisco, logo a frente fica o Mercado Lanza, "mercadão municipal pra nós brasileiros".

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Placa na Calle Jáen

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Vista da cidade a partir do teleférico laranja.

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A cidade laranja vista do teleférico rojo, que também leva a Ciudad del Alto.

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Aqui fica um mirador a mais de 4.000 metros de altitude, de onde se vê toda a cidade de La Paz, o pôr do sol dessa vista é sensacional.

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Catedral Maria Auxiliadora.

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Monumento no Parque Laikakota, pelo qual levei uma bronca, mesmo sem entender, a gente sabe quando é uma bronca.

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Feira livre nas calles.

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Nessas feiras se encontra todo o tipo de comidas, massas, pães, frutas, verduras, flores, elas se estendem em diversas ruas e é uma maneira informal de sobrevivência dos paceños.

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La Paz, maravilhosa.

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      Sou a Melissa e fiz esse mochilão com meu marido, o João, em setembro de 2017. Durante toda a fase de planejamento utilizamos os relatos daqui como base, isso nos ajudou demais, portanto muitooooo obrigada a todos que dispõe do seu tempo para dividir experiências por aqui, vocês são foda!!!  💓
      Como já passou algum tempinho não vou me lembrar de muitos detalhes, mas prometo me esforçar 🙂

       
      Leiam isso!!!
      Queríamos muito fazer um mochilão e após pesquisarmos aqui no site vimos que essa trip caberia no nosso orçamento, então juntamos esse fator com a imensa vontade de conhecer as terras hermanas e começamos a programação.
      Partimos somente com a passagem de ida e volta e nosso roteiro bem definido, não fizemos nenhuma reserva de hospedagem ou passagem de ônibus. Deixamos para negociar pessoalmente e assim fizemos até a metade da viagem, porém torna-se cansativo “bater perna” atrás do melhor preço e optamos por utilizar o Booking e reservar as hospedagens uma cidade antes.
      As passagens de ônibus e passeios podem ser facilmente compradas com pouca antecedência, não se esqueçam de sempre pechinchar!!!!
      Em relação à segurança não tivemos problemas, tem regiões muito pobres, alguns pedintes, mas nada além disso. Lógico que não marcamos bobeira né, sempre com a grana no moneybelt, não mexíamos no celular ou GoPro em locais ermos, atenção redobrada com nossas bagagens nas viagens de ônibus, etc.
      Só senti um pouco de receio quando desembarcamos na rodoviária de Nasca a meia noite e saímos caçando um hostel barato na cidade vazia, com poucas “almas penadas” nas ruas kkkk e em Ica quando tivemos que abandonar o Hotel na madrugada devido barulhos insuportáveis no quarto ao lado (parecia uma briga). Tudo isso pode ser evitado com reservas de hospedagem, fica a dica 😉
      Alimentação geralmente é muito barata se você opta por uma refeição simples em locais populares. Não frequentei restaurantes requintados ou de comidas típicas para indicar, ia mais nos PF da vida kkkk. Na Bolívia o negócio é mais roots sabe, mas da pra se virar tranquilo, afinal tem sempre um mercadinho e a batata Pringles lá era bem barata kkkk. Já no Peru comemos muito bem com pouca grana, eles tem costume de tomar uma sopinha de entrada nas refeições, a de quinoa é muito boa!! Tem uma marca de cookies nos mercados que é barata e muito boa, chama Chips Ahoy se não me engano, quebra um galho uma dessas na mochila de ataque.
       
      Cotação da moeda na época (Set 2017)
      R$ 1,00:       2,23 bolivianos
      R$ 1,00:      1,03 soles
      R$ 1,00:       200 pesos chilenos
      Mesmo com as oscilações cambiais, esses destinos têm valores bem atrativos.
       
      Passagens aéreas:
      Pesquisamos muito e fechamos ida e volta (era mais barato assim) com a GOL, porém aconselho a pesquisar com maior antecedência pois existem opções mais baratas.
      Santa Cruz de La Sierra é um destino comum em promoções relâmpago de companhias aéreas e programas de pontos, fiquem de olho. Recomendo também o app “melhores destinos” para busca de passagens em promoção.
      01.09.17: São Paulo (Guarulhos) X Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)
      26.09.17: Santa Cruz de La Sierra X São Paulo (Guarulhos)
      Valor: não lembro com precisão, mas era em torno de R$800,00 ida e volta.
      ATENÇÃO: Se você possui aqueles cartões de crédito Platinum se informe sobre seus benefícios, pois se você compra suas passagens aéreas nele tem direito ao Seguro Viagem na faixa, incluso um dependente. Pena que só descobri isso após comprar as passagens em outro cartão e tive que fazer o seguro particular, custou uns R$150,00 por pessoa na AssistCard.
       
      Nosso roteiro:
      Sta Cruz de La Sierra – Sucre
      Sucre – Potosi
      Potosi – Uyuni
      Salar de Uyuni – Deserto do Atacama
      Atacama – Arica
      Arica – Tacna
      Tacna – Arequipa
      Arequipa – Nasca
      Nasca – Ica
      Ica – Cusco
      Cusco – Aguas Calientes
      Cusco – Puno
      Puno – Copacabana
      Copacabana – Isla Del Sol
      Copacabana – La Paz
      La Paz – Sta Cruz de La Sierra
      Sta Cruz de La Sierra – São Paulo
       
      O que levar
      Primeiro passo é saber qual será a estação do ano, quantos dias ficará e o limite de proporções da bagagem pela companhia aérea, tendo isso o resto é bem simples, prometo 🙏
      Lembre-se que quanto menos levar, menor será o peso que carregará, esse é o mantra!!
      Durante a viagem, conseguimos facilmente lavar nossas roupas por baixo custo, utilizamos pausas estratégicas de alguns dias em determinado destino para isso, pois geralmente o serviço entrega em 24h.
      Levem peças em tonalidades mais escuras (roupa branca é furada, pois suja muito rápido), versáteis, confortáveis, de preferência que sequem rápido e que possam ser vestidas em camadas (era normal eu vestir uma calça sobre a outra a noite pois o frio é tenso demais).
      Vou tentar montar uma lista aqui com o que levei e o que achei que faltou, espero que ajude:
      ·         Mochila 77L Trilhas e Rumos. Não tinha, então pesquisei muito e comprei no site da marca que estava com um preço excelente (abaixo de R$400,00) e é de ótima qualidade. Se curte esse estilo de viagem, invista em uma de boa qualidade, pois dura muito.
      ·         Saco de dormir. Usei muito! Sério mesmo! À noite o frio é tenso, os cobertores dos Hostels eram insuficientes. Meu marido é calorento e mesmo assim usava o dele. Alguns locais, como no Salar de Uyuni, o pessoal aluga, não lembro os valores, mas não acho muito higiênico.
      ·         Go Pro, acessórios
      ·         Calças: levei 01 jeans, 01 legging normal e 01 com forro bem quentinho, 01 calça bailarina.
      ·         07 camisetas e 03 manga longa (estilo segunda pele da Decathlon)
      ·         01 par de luvas
      ·         01 gorro (comprei mais um por lá)
      ·         10 calcinhas e 02 sutiãs (cores neutras e confortáveis)
      ·         01 bermuda jeans (usei no último dia, portanto retiraria da lista)
      ·         02 jaquetas (01 com forro de pena que consegue ser guardada em um pequeno saco e 01 com tecido semi-impermeável e forro de soft, ambas da Decathlon)
      ·         07 meias (escuras de preferência). Levei 02 bem grossas, daquelas de vó mesmo kkkkk e foram super úteis
      ·         02 blusas de frio (01 moletom forrado e 01 polar)
      ·         01 toalha de secagem rápida
      ·         01 headlamp + pilhas (não conte somente com a lanterna do celular e sim usamos bastante)
      ·         Mochila de ataque 20L (será sua parceira inseparável!!)
      ·         01 travesseiro, daqueles de pescoço, inflável (comprei na Daiso por R$7,90) item imprescindível para as longas viagens de busão
      ·         01 óculos de sol
      ·         01 moneybelt ou doleira ou como quiser chamar
      ·         Celular e carregador
      ·         01 caderno de anotações (graças a ele que estou fazendo esse relato 2 anos depois kkkk)
      ·         01 pasta para colocar documentos (seguro viagem, comprovantes que foram surgindo no decorrer da viagem, etc)
      ·         01 par de chinelo
      ·         01 bota de trekking ( a minha é da Nord, não é impermeável e deu conta do recado)
      Comprei por lá um gorro e uma blusa de lã que usei muitooooo tb
      Itens de nécessaire indispensáveis:
      ·         Protetor solar (corpo e rosto)
      ·         Itens de higiene pessoal
      ·         Lenço umedecido (salvação nos dias em que tomar banho é impossível)
      ·         Medicamentos (minha lista foi: Buscopan, Profenid, Dipirona, Dramin, Omeprazol, Luftal, Neosaldina, Floratil
      ·         Pinça e cortador de unha
      ·         01 batom (único item de maquiagem que levei e foi suficiente)
       
      O que faltou
      ·         Álcool em gel
      ·         Garrafa de água (improvisei com uma de Gatorade)
      ·         Protetor labial (fez muita falta!!! Nos primeiros dias nossos lábios já estavam totalmente ferrados)
      ·         Hidratante de rosto
      ·         01 boné
      ·         01 legging a mais
       
      Espero que essas informações ajudem bastante 😀
      Agora para atiçar a galera, segue o link de um vídeo que meu marido batalhou para editar, mas ficou show! Pegamos essa ideia de um dos relatos daqui, o @Tanaguchi, muito obrigado pela ideia e relato maravilhoso.
       
       
       
       
      Gastos!!!!!!
      Somando todos os gastos da viagem, desde passagem aérea a lembrancinhas (que por sinal são lindas e baratas), tivemos um gasto de R$5.000,00 por pessoa. Achei um excelente valor para uma viagem de 26 dias. Claro que esse valor depende de muita pechincha e pesquisa, pois quase tudo lá tem um preço acessível, porém da para baixar mais kkkk.
      Os valores detalhados no relato são geralmente por pessoa, porém algumas coisas como refeições, hospedagens e taxi são compartilhados (vou tentar pontuar no relato).
       
      Bom chega de conversa e vamos aos fatos 😜
      Dia 01
      Chegamos em Sta Cruz de La Sierra, aproveitamos um Wi-fii no aeroporto para uma breve comunicação com a família. Saindo do aeroporto e pedindo informações, conseguimos localizar o terminal bimodal (transporte público que nos levaria até a rodoviária), gasto total de 8 bols.
      A rodoviária de Sta Cruz é tumultuada e suja como quase todas que já passei na vida kkkk, lá compramos a passagem para Sucre por 80 bols (empresa Guadalupe), cambiamos uma grana ($1 – 6,85 bols). Como tínhamos umas horas até o embarque fomos procurar algum lugar pra comer, dividimos um combo de frango frito com batatas que estava bem ruim, quase não comi (26 bols) e compramos umas bolachas para enganar a fome na estrada (10 bols).

       
       
      Dia 02
      Chegamos mega cedo na rodoviária de Sucre, o local não estava bem estranho e não sentimos muita segurança para rodar atrás de busão com as mochilas, optamos por um táxi, negociamos muito o preço e fechamos por 10 bols para nos deixar no centro da cidade (o Uber não era tão popular naquela época, talvez hoje em dia seja uma opção).
      O centro da cidade é bem legal, paramos na Plaza de Armas e não tinha praticamente nenhum comércio aberto, entramos em um café que não lembro o nome, que apesar de um caro era bem bacana e tinha Wi-fii rsrs (café 40 bols).

       
      Fomos até um hostel aleatório e pedimos para guardar nossas mochilas (15 bols) pois íamos rodar muito pela cidade. Visitamos o Museu de La Libertad (15 bols) muito legal.
      Saímos desbravando a cidade, subimos até o Mirador onde rolava uma feira de rua com lembrancinhas muito lindas e baratas, paramos para almoçar em um comedouro público (o nome é feio mas vc irá se deparar com vários assim no decorrer da trip) onde pagamos 11 bols em um almoço que conseguimos dividir 😄 , a comida era simples e boa, um arroz com frango e salada, porém a questão sanitária não é o forte por lá, as comidas eram armazenadas em uns baldes e a mulher que montava o prato pegou o frango com a mão e pôs no meu prato (sem luva, talher, nada disso 😅).
       
      Aproveitamos e cambiamos mais grana por lá antes de pegar o bus até o terminal Sucre (1,50 bols). Pagamos 20 bols na passagem até Potosi pela empresa Emperador.
      Chegamos de noite em Potosi e sem sinais de Soroche ( mal de altitude) até o momento, graças a Deus!!!!
      Na rodoviária pegamos um busão até a Plaza 10 de novienbre (1,50 bols) e de lá começamos a caçar hospedagens. A cidade estava bem movimentada, rolando umas barraquinhas de comidas e bebidas, tranquilo para andar. Fechamos a hospedagem no Koala Hostel, indicação dos relatos daqui J (quarto compartilhado 60 bols), local simples porém com ducha quente e café da manhã, indico.
      Saímos a pé para jantar e paramos em uma pizzaria (28 bols), depois voltamos para o Hostel para descansar um pouco, estávamos pregados.
      Dia 03
      Tomamos um café da manhã no Hostel e experimentamos o famoso chá de coca (meu marido odiou, mas eu não achei ruim não).
       

       
      Visitamos a Casa de La Moneda (40 bols), super recomendo!!! Local excelente para descobrir um pouco mais sobre a História, que apesar de pontos muito tristes é muito interessante.
      Passamos um bom tempo passeando pelo centro da “cidade branca”, estava rolando uma apresentação na rua de várias escolas, como um desfile, cada grupo de crianças com roupas e danças típicas, coisa linda de se ver!! 🥰
      Paramos para almoçar, não lembro o nome do local (23,50 bols), pegamos nossas mochilas no Hostel e caminhamos até a rodoviária. Era uma boa caminhada, mas foi bem tranquila.
      Compramos nossa passagem com destino a Uyuni por 30 bols com a empresa 11 de Julio. Lá na rodoviária ficam várias pessoas gritando “Uyuni” oferecendo os serviços das empresas de ônibus, lembre-se de negociar sempre!! Como tínhamos um bom tempo até nossa partida, aproveitamos para comprar uns snacks em um mercadinho em frente (18 bols). Dica: sempre leve snacks na mochila, principalmente nas viagens de busão, pois são longas e muitas vezes as paradas não tem quase nada de opção.
       
      Dia 04
       
      As viagens de ônibus pela Bolívia vão ficar pra memória 🤣, foram todos os tipos de perrengue, desde veículos em condições precárias, sem cinto de segurança e banheiro, foras as estradas ruins com curvas alucinantes que cortam uns lugares completamente isolados.
      Outra coisa que sempre me deixou assustada são aquelas cruzes na beira da estrada com flores e imagens religiosas que sinalizam que alguém morreu por ali, cara isso é o que mais tem por lá!!!!! Chega a ser surreal, ao fim da viagem já tinha costumado kkkkk.
      Fora que alguns ônibus possuem TV e DVD, que na maioria das vezes são deixados em volumes altíssimos. Em uma das viagens passou toda a sequência do Karate Kid (nem sabia que tinham tantos 😂) em um volume estrondoso e não dormi a viagem toda, e sim foram algumas pessoas reclamar para o motorista, mas não resolveu nada.
      Enfim chegamos em Uyuni umas 23h e por incrível que pareça a cidadezinha estava com várias pessoas oferecendo os passeios pelo Salar. Dá pra perceber que é o turismo que movimenta a região. Na própria parada de ônibus ficavam pessoas te abordando.
      Nossa ideia era fechar o passeio, comer algo e procurar um Hostel, já tínhamos umas indicações de empresas que vi aqui nos relatos e assim saímos buscando o melhor preço. Pesquisamos bastante, mas não fechamos para poder negociar descontos (negociem tudo!!!!!) e pq percebemos que podíamos fechar no dia seguinte, cedo, sem problemas.
      Como estava um frio de lascar e a fome estava apertando, saímos caçando um lugar pra comer e já estava quase todos fechados (pelo menos os que cabiam no orçamento né rsrs), paramos então no Café Uyuni e pedimos pão com queijo e chocolate quente. Pessoal é sério, essa dica vale ouro! Não peçam chocolate quente na Bolívia!!! A receita consiste em água quente com Nescau e nada mais, é muito ruim!!!!! Terminei minha refeição mega decepcionada e voltamos para rua principal para caçar um Hostel.
      Tinhamos indicação do Hostel El Viajero e acabamos fechando lá pois os outros estavam cheios e mais caros, pagamos 60 bols no quarto duplo com banheiro privado e ducha caliente.
      Após uma boa noite de sono, acordamos cedo, tomamos banho e saímos, fechamos o passeio com a Thiago Tours por 600 bols por pessoa (2 noites e 3 dias) incluso hospedagem e refeições. Essa empresa é de um brasileiro e super recomendo pois não tivemos problemas e fomos bem atendidos. É claro que se vc dispõe de mais grana e quer algo mais requintado tem outras empresas no mercado, nós vimos a diferença nas paradas para alimentação pois a quantidade, variedade e qualidade dos alimentos era bem maior que a nossa.
      Os carros sairiam ás 10h30, portanto tínhamos um tempo livre, então fomos comer no Nonis Café que tinha sido bastante indicado nos relatos, pedimos um café continental e, como todos os outros, não matou nossa fome de dragão, tivemos que pedir mais alguma coisa L, gastamos 50 bols (achei caro mas vale a visita).
      Na volta fui acometida por uma crise de enxaqueca surreal (acredito que era a altitude mostrando suas garras! 😵) e parei no hostel para tomar remédio e descansar um pouco, o João foi atrás de snacks para a viagem (gastou 27 bols).
      Melhorei e seguimos para o ponto de encontro, dividimos nosso 4x4 com mais 2 casais da República Tcheca, bem simpáticos. Lembre-se que esse carros levam uma média de 6 turistas por veículo.
      O passeio é um caso a parte, vale muito a pena e foi o ponto alto da viagem para mim, empatando com Machu Picchu. Não vou ficar descrevendo em detalhes pois só vendo para saber do que estou falando 😍😍
      Nesse dia gastamos o seguinte:
      60 bols (blusa de lã linda! para mim) + 55 bols (blusa de lã João)
      20 bols lembrancinhas
      10 bols (ducha caliente). Custo para usar por 5 minutos (deu para nós dois tomarmos banho, acredite se quiser kkkkkk o frio faz milagres)
      10 bols snacks
      12 bols cervejas
      15 bols Imigração
       

       
      05 dia
       
      Não tenho anotação de gastos, pelo que me lembro não tivemos nenhum pois tínhamos snacks suficientes.
      Tivemos um dia excelente, paisagens deslumbrantes, porém à noite o “Soroche” bateu forte, foi um misto de náuseas, dor de cabeça, tontura e febre 🤒. Tomei um monte de remédios que tinha levado, me enfiei no saco de dormir e tentei descansar. Nesse dia ficamos sem banho devido frio intenso e um chuveiro precário que pingava água gelada, portanto recorremos ao lencinho umedecido.

       
      06 dia
      Acordamos muito cedo para visitar os Gêiseres, foi a manhã mais fria da viagem, dica: levem touca, luvas e cachecol na mochila de ataque.
      Depois de visitar alguns locais, finalizamos atravessando a fronteira com o Chile e foi tranquilo. Chegamos no Atacama umas 12h.
      Atacama me impressionou pela estrutura turística com seus restaurantes refinados, lojas elegantes e coleção de agências de turismo no meio do deserto, um contraste interessante.
      Saímos à procura de hostels com bom preço e acabamos escolhendo o La Casa Del Sol Nascente, fechamos beliche em quarto compartilhado por 7.000 pesos (2 noites), o local atendeu as expectativas, nada demais.
      Conseguimos almoçar por 3.500 pesos cada, comida bem simples e caseira servida em uma barraca na rua, não tem nome pra indicar, mas elas ficam próximas ao hostel.
      Aproveitamos para comprar os passeios do dia, fechamos Valle de La Luna por 10.000 pesos (incluso os 3.000 da entrada) e Laguna Lican Atay por 13.000 pesos, não tenho o nome da empresa. Fomos no Valle de La Luna e foi demais, lugar lindo, curtimos o fim de tarde nessa vista incrível.

       
      Dica importante: a temperatura do Atacama oscila muito, durante o dia o tempo é quente e seco, quando anoitece a temperatura despenca e muito, portanto não subestime o deserto, leve blusa nos seus passeios. 🥵🥶
      Compramos também a passagem para Arica para o dia seguinte (21.200 pesos). Jantamos uma pizza e cervejas no Barros Restaurante, lugar ótimo com música ao vivo (14.200 pesos).
       Dia 07
      Compramos nossos itens para o café da manhã em um mercadinho (3.250 pesos), saímos para conhecer a região a pé (se vc curte bike dá pra alugar uma) e voltamos para almoçar no Barros, comemos uma massa bem servida e boa (13.250) e partimos para nosso próximo passeio, a Laguna Lican Atay, que já tínhamos fechado no dia anterior com a mesma agência.
      O dono da agência tinha um jeitão de gangstêr 😎, ele explicou que a região em que é realizado o passeio possui algumas lagoas, uma é própria para banho, e que ele era dono delas (pasmem!!).
      Chegamos no local de micro-ônibus, pagamos uma taxa de entrada de 5.000 pesos, as lagunas são lindas, a cor impressionante, eu não quis entrar na água pois estava frio, mas se vc não tem problemas com isso sugiro que entre, pois devido o alto teor de sal na água, as pessoas não afundam!!! Sim, ficam boiando naquela lagoa no meio do deserto! Muito show!
      Super recomendo que vc leve uma toalha na mochila de ataque, pois será necessário uma ducha para tirar o sal que fica impregnado na pele.
      Chegamos no Atacama, tomamos um banho no Hostel (já tinha feito check-out mas eles autorizaram J), forramos o bucho com nossos lanchinhos baratos do mercadinho (2.800 pesos) e partimos para rodoviária. A caminhada é boa, mas dá pra ir tranquilo.

       
      Dia 08
      Esse dia foi bem cansativo, pois consistia em diversas viagens de ônibus seguidas, mas coragem que o destino final, Arequipa, vale o esforço!!
      Chegamos em Arica, compramos pão com ovo e café por 4.000 pesos, pagamos 700 pesos de taxa de embarque. O ônibus de Arica para Tacna custou 7.000 pesos pela TurBus.
      Chegamos em solo peruano!!!! Em Tacna compramos a passagem para Arequipa por 25 soles, 4 soles de taxa de embarque.
      Chegamos no fim de tarde em Arequipa, caçamos um Hostel para ficar e achamos um por 65 soles o quarto com banheiro privado e café da manhã, mas infelizmente não lembro o nome, fica em uma galeria.
      Saímos para conhecer a região, Arequipa é incrível, eu fiquei apaixonada por essa cidade e pretendo voltar um dia para subir o vulcão Misty. A Plaza de Armas é linda, ao redor tem diversas agências de turismo e lojas de “regalos”.
      Aproveitamos e fechamos o passeio do dia seguinte com a Kusi Travel, pagamos 40 soles para Valle Del Colca e 40 soles para o bilhete Del park. Se vc se afastar do centro da cidade vai encontrar diversos restaurantes pequenos com ótimos preços, jantamos por 7 soles e a comida era muito boa, uma sopa de quinoa de entrada, prato principal: arroz, filé de frango, fritas e salada, incluso um suco de cortesia e uma gelatina de sobremesa!!!!
       
       
      Dia 09
      Acordamos mega cedo para o passeio do Valle Del Colca, a van da agência passou no hostel para nos buscar. A viagem é longa, a paisagem maravilhosa e a altitude é foda, vi algumas pessoas passando mal. A van vai realizando paradas em locais estratégicos para fotos, sempre tem ambulantes com artesanatos lindos e volto a lembrar: pechinchem!!!!!!! Aproveitamos e compramos uma réplica de um “tumi de oro” por 10 soles (vi um casal pagando 50 soles em uma peça semelhante).
      Na hora do almoço, o guia levou os turistas para um restaurante que cobrava uns 40 soles com comida “á vontade”, mas desconfiamos do golpe e entramos para ver o Buffet, que realmente deixava a desejar. Saímos para caçar outro lugar mais em conta, foi nítida a insatisfação do guia 😂🤣, mas to nem aí!!!
      Não tinha muita opção, vila bem pequena e quase todos os estabelecimentos fechados. Almoçamos em um restaurante super simples, bem caseiro, por 17 soles (João) e 8 soles o meu prato. Ainda achamos sorvete por 1,50 e empanadas por 2,50 soles 😋
      O Valle é lindo, dá para ver os condores voando bem próximos de nós, simplesmente imperdível.
      Voltamos para Arequipa no fim de tarde, jantamos no Mc’Donalds (ninguém é de ferro né kkk) por 18 soles o combo Big Mac, passeamos bastante no centro e voltamos para descansar.
      Aproveitamos essa parada em Arequipa para lavar nossas roupas, o próprio Hostel indicou um serviço de lavanderia que retirava as peças lá e trazia limpas por 6 soles o kg, gastei 12 soles.

       
      10 dia
       
      Tomamos café no Hostel, o famoso café continental 😒, já adianto que se vc for uma pessoa com uma fome bruta igual a nossa, não vai ser suficiente, pois é bem pouca coisa 😔
      Tiramos o dia para passear por Arequipa, pois partiríamos para Nazca naquela noite. Começamos pelo Mosteiro de Santa Catalina (entrada 40 soles) e garanto: vale cada centavo! Que lugar lindo, cheio de história, chega a ser meio sinistro em alguns momentos, rende fotos incríveis e merece ser visitado sem pressa. Se quiser fazer com um guia, custa 5 soles a mais e vale a pena pagar.
      Saímos de lá na hora do almoço, comemos bem por 9 soles (sim, a comida é muito barata!! 🤩) e partimos para o Museu Andino (20 soles entrada + 2 soles de gorjeta para guia), local super interessante, é onde esta exposta a múmia mais bem conservada dos Andes, a Juanita.
      Tomamos um sorvete no Burger King (8 soles), buscamos nossas mochilas no Hostel e fomos para rodoviária, passagem para Nazca foi 50 soles pela empresa Cetur.
      Chegamos em Nazca bem tarde, quase meia noite e caminhamos pela cidade em busca de hostel. A cidade estava praticamente deserta, bem sinistro mesmo, esse foi um dos poucos momentos da viagem em que senti certa insegurança, mas felizmente arrumamos um quarto (40 soles casal).
       
      11 dia
       
      A cidade em si não tem muitos atrativos, a Plaza de Armas é simples, mas nosso interesse eram os passeios pelo deserto. Tomamos um café da manhã em lanchonete por 17,50 soles (bem servido), fechamos passeio com a Peru Desert por 50 soles, incluindo a pirâmide de Cahuachi e o sandboard, achei o preço alto, porém as empresas de turismo foram irredutíveis e você depende delas para chegar lá.
      Como sairíamos somente à tarde, aproveitamos para almoçar um PF por 10,50 soles com direito a Inca Kola ❤️ (sim, a esse ponto já estava viciada nela), não tenho o nome do restaurante, mas era próximo da Plaza.
      O passeio é bacana, feito em um carro doido que parece um buggy “a La MadMax” 😆🤣. Passamos por um antigo aqueduto que ainda possui peixes, bem legal. Vi em alguns relatos daqui que as pessoas entravam neles para tirar foto, no nosso caso não rolou, sinceramente não sei se são locais diferentes ou se as regras mudaram.
      Passamos por um cemitério profanado, que apesar de bastante interessante, me pareceu ser um cenário um pouco montado para turistas, mas vale a visita.
      O passeio pelo deserto é uma aventura, o guia pegava umas descidas bem fudidas, dava um frio na barriga, dá uma animada no passeio. Eu não fiz o sandboard, mas o João fez e gostou.
      Cahuachi é bem bacana, trata-se de um sítio arqueológico, antigamente servia como centro de peregrinação da cultura Nazca, vale bem a visita. Só sei que nesse momento o frio já estava tenso demais e o vento do deserto só piora a situação, tudo isso somado a um buggy todo aberto em movimento, já viu né, é areia no olho e vento gelado cortando a pele. Posso dizer que foi um dos momentos mais gelados da viagem 🥶.
      Não fizemos o voo pelas linhas de Nazca, pois achamos caro e também não teríamos tempo suficiente para tentar avistar das outras formas possíveis. Se você vai pra lá com mais tempo livre, acho que vale muito a pena pesquisar as maneiras de fazer esse rolê de forma econômica.
      Chegamos na cidade era fim de tarde, pegamos nossas mochilas na Peru Desert, jantamos em uma lanchonete uns lanches gostosos por 9,50 soles e fomos para rodoviária. Partiu Ica, passagem custou 12 soles pela empresa Soyuz.

       
      Chegamos a noite em Ica, não lembro bem o horário mas já passava das 22h, a região ao redor da rodoviária não é muito agradável, achei mais perigoso com “ares de cidade grande” sabe... Enfim, fomos atrás de um local para dormir.
      Uma dica: se você estiver em uma cidade dessas em que não conhece a região, não tem hospedagem reservada e já esta tarde, pegue um transporte (táxi, Uber, Tuk Tuk, etc) até a Plaza de Armas, pois geralmente nessas regiões é maior a possibilidade de ter comércio aberto, mais movimento nas ruas e hostel perto.
      Outra dica: se sua intenção é fazer o passeio das Islas Ballestas, programe-se para chegar cedo em Ica para comprar o passeio, pois as agências funcionam em horário comercial. Como só tínhamos um dia disponível para Ica e chegamos tarde, não conseguimos fazer esse passeio, infelizmente 😥
      Encontramos um Hotel com quarto disponível e mesmo achando a região bem suspeita (tinha um estabelecimento em frente ao Hotel, parecia ser um bordel, com meninas adolescentes na porta, muito triste e preocupante 😭), já era tarde e decidimos ficar.
      Nosso pesadelo começava aqui...
      O quarto era bem simples com banheiro privativo e ducha quente. Acomodamos-nos, desesperados por um banho quente e uma noite de sono, tinha sido um dia agitado com passeio no deserto, viagem de ônibus e muito frio. Eis que ligo a maldita ducha e a água estava gelada, tentamos aquecer de toda forma e nada!
      Ligamos na recepção e muito a contra gosto nos trocaram de quarto quando constataram que o chuveiro estava queimado. E lá vamos nós...
      Cara eu já estava puta da vida, cansada e com frio, chego ao outro quarto e a situação segue ainda pior... Uma confusão no quarto ao lado, primeiro uma música bem alta, depois uma briga com gritaria. Aquilo foi à gota d’água!!! Fiquei bem assustada!😱
      Nem ligamos na recepção, já descemos direto, pedindo nosso dinheiro de volta, pois não tinha condições de se hospedar ali. O mesmo recepcionista não questionou muito e liberou nosso dinheiro.
      Já era quase 2h da manhã e lá estávamos nós na rua novamente e justamente na cidade em que mais fiquei cismada com a questão de segurança.😫
      Em uma situação dessas não da pra ficar pensando muito em economia, já que não conseguiríamos fazer o passeio para Islas Ballestas, optamos pegar um táxi para Huacachina e tentar se hospedar por lá.
      O percurso é mais rápido do que se imagina, aquele Oásis no meio do deserto é bem perto de Ica, cerca de 5km, não tenho o valor do táxi, mas foi barato. Chegamos lá e conseguimos um Hostel por 60 soles (quarto casal com banheiro compartilhado) depois de muita procura, a maioria das hospedagens são caras ou estão lotadas. Enfim, banho e cama. Desculpem a falta de informação $$ dessa parte, mas imagina cabeça desse casal como estava 🤯🤬
       
      12 dia
       
       Obviamente acordamos mais tarde que o normal e tiramos o dia para passear por Huacachina. Tomamos um café da manhã saboroso em uma espécie de food truck 🤔 (13,50 soles).
      A história do Oásis impressiona, o local antigamente frequentado pela elite era cenário de festas e luxo, com o passar dos anos foi sofrendo com falências, falta de clientes, poluição da lagoa artificial (sim ela é artificial e isso é decepcionante 😐) e algumas lendas sinistras (pare para ouvir os locais contando, é bem legal 🥰).
      Sinceramente esse misto de estabelecimentos chiques, construções antigas e hotéis abandonados dá um ar decadente muito charmoso.
      Passeamos bastante, almoçamos em um pequeno restaurante bem caseiro por 23,50 soles e foi o melhor rango da viagem toda 😋!!! Um spaghetti com molho pesto e filé de frango empanado, bem servido e saboroso. Para acompanhar, uma cerveza Cusqueña por 6 soles e fechamos com sorvete por 2 soles.
      De bucho cheio, subimos as dunas para curtir o visual, da pra fazer fotos incríveis e não senti a necessidade de pagar passeios por lá pois já tínhamos passeado de bug pelo deserto em Nazca. Dica importante: não faça como meu marido, que devido o calor da tarde decidiu subir as dunas de chinelo e passou um perrengue da peste 😂 kkkkk a areia parece brasa e queima mesmo!! Eu subi de bota e foi sucesso kkkk 😘
      À tardinha voltamos para Ica, pegamos um Tuk Tuk até a rodoviária, são super baratinhos, não lembro o valor, mas sei que usava somente umas moedas para pagar, porém sempre acerte o preço antes de embarcar. Para quem tem muita neura com segurança prepara o coração, pois são motos com uma adaptação para carregar 2 pessoas atrás e a maioria tem uma estrutura bem improvisada, andamos em um que as “paredes” eram feitas de papelão kkkkkkkkk.
      Compramos a passagem para Cusco por 160 soles pela Empresa Cruz Del Sur, guardem esse nome!!!! Cruz Del Sur ❤️!!!!! Que ônibus meus amigos, me senti na primeira classe dos busões kkkkkk. Se a viagem é longa, como a maioria é, vale cada centavo que se paga a mais que algumas outras empresas. Eles têm serviço de bordo (pasmem!!!), refeições inclusas (boas), cobertor e travesseiros, tela em cada assento com fone de ouvido e vários filmes bacanas, revezamento dos motoristas, resumindo foi bom demais.
      Ahhh cambiamos grana antes de partir.

       
      13 dia
       
      Chegamos na maravilhosa Cusco!!! Que emoção, era um sonho se tornando realidade 😍
      Saímos pelas ruas estreitas caçando um hostel, batemos muita perna, os hostels mais populares esgotam rápido, porém demos uma sorte danada e conseguimos uma cama em quarto misto no Milhouse (40 soles) com café da manhã incluso. Super indico o local, especialmente se estiver viajando sozinho, lá é bem animado, tem bar com festas à noite e passeios, fora que o local é gigante.
      Hospedagem ok, mochilas guardadas, lá fomos nós organizar nosso roteiro para os próximos dias. Pedimos informação do local que vendia a entrada para Machu Picchu, encontramos fácil, estava com uma pequena fila, mas foi tranquilo (152 soles). Se tua intenção é subir a Huayna Picchu, compre pela internet com antecedência.
      Para entrar nos pontos turísticos de Cusco, você vai precisar comprar o Boleto Turístico, custa 130 soles (tem desconto pra estudante que tem aquela carteira internacional). Segue foto modelo (internet)

      A Plaza de Armas é linda, tem muitas opções de comércio ao redor, passamos por várias agências tentando fechar o melhor preço para nossos próximos passeios, vale a pena (como sempre) pechinchar, tenha em mente todos os lugares que quer conhecer para fechar um pacotão, sai bem mais barato.
      Infelizmente não tenho o nome da agência que fechamos, mas tenho os valores para servir de base: City Tour Cusco 10 soles, Valle Sagrado com almoço incluso 50 soles (o desconto compensou pegar com refeição) e van para Aguas Calientes + Hospedagem 1 noite (quarto privado) 80 soles.
      Jantamos por 23,75 soles e voltamos para o Hostel.
       
      14 dia
      O café da manhã no Milhouse é ótimo!!! Depois de comer como se não houvesse amanhã 😋, partimos para o tour pelo Valle Sagrado. Sério, que incrível!! A dica de ouro aqui é fazer esse roteiro antes de Machu Picchu, pois da um gostinho de entrada para o prato principal sabe¿! A verdade é que depois de Machu Picchu, qualquer outra ruína Inca parece ser simples.
      Primeira parada foi Pisac, muito interessante esse primeiro contato com as ruínas dessa intrigante civilização.
      Durante o tour, eles param em pontos específicos para fotos e comércio de regallos, já aviso que a tentação é gigante. As clássicas fotos ao lado de lhamas bebê e mulheres com os trajes típicos podem ser facilmente tiradas 😉
      O almoço é no povoado de Urubamba, muito bem servido e as bebidas cobradas separadamente, cerveja 8 soles.
      Ollantaytambo é um caso a parte, simplesmente linda! Demos sorte de pegar um guia sensacional, muito empolgado e com ótimas informações sobre os lugares que passamos, que nos deixou ainda mais encantados pelas histórias do lugar. Se vc tiver tempo disponível no seu roteiro, eu encaixaria uma noite em Ollantaytambo, me arrependi de não ter ficado mais lá.
      Seguimos para Pisac, visitamos uma igreja linda e cheia de imagens marcantes, nos encontramos com as artesãs locais que produzem peças lindas com a lã da Alpaca, elas explicam todo o processo de coloração das peças e nos recebem com chá quente e muita educação. Comprei uma touca por 22 soles.
      Retornamos para Cusco no fim de tarde, jantamos um hambúrguer com fritas e sucos por 17 soles (em alguma lanchonete do centro).
       

       
      15 dia
       
      Acordamos muito cedo para nossa viagem até a Hidrelétrica. A viagem dura em média 7 horas, fizemos em uma van, são realizadas poucas paradas para banheiro e alimentação (bem poucas mesmo), portanto leve snacks e água (lanches na estrada 10 soles).
      Se você é daquelas pessoas que passam mal em ônibus 🤢, já tome e leve remédio, pois sendo sincera é tenso!!
      Não tive problemas com enjoo, nem meu marido, mas vi pessoas passando mal. Agora se eu falar que consegui dormir estarei mentindo, o medo não deixava kkkkk sério que caminho é aquele!!!! São montanhas lindas, muito altas, com estradas estreitíssimas e precipícios, eu ainda fiz a bobeira de ficar na janela e não recomendo 😅😂.
      Se você não tem medo de altura... e da morte kkkkk vai ser sossegado 🙏🤣
      Conhecemos na van uma família de brasileiros, pernambucanos (Nordeste é foda!!!!! ❤️), que faziam exatamente o mesmo roteiro que nós, inclusive usavam o mesmo relato daqui como base para o planejamento, salve @Tanaguchi mais uma vez!!! Hahahaha!!!! Eles se tornaram companhia em outros momentos dessa viagem e da vida, pois nos encontramos em Olinda dois anos depois para uma cerveja gelada. Deixo aqui nosso abraço para Cássia, Márcio e seus filhos Camila e Marcio Jr.
      Finalmente chegamos na Hidrelétrica e tínhamos uma caminhada pela frente, seguimos o fluxo de turistas e acredite, é muita gente optando pelo modo mais econômico, portanto vai sem medo porque o caminho é tranquilo, a maior parte em linha reta beirando os trilhos do trem, com uma das vistas mais sensacionais dessa trip.
      Achamos o trajeto muito agradável, com aquele barulho gostoso de água corrente devido um lindo riacho que beira a estrada, ar puro e paz. Mesmo que você não tenha um bom preparo físico, seja sedentário, permita-se fazer essa trilha, vai no seu ritmo e curta cada passo, vale a pena!
      Avistamos as luzes de Águas Calientes e vem um alívio de missão cumprida. A cidade é um charme, ruas estreitas, restaurantes decorados tipicamente, vários doguinhos andando pelas ruas, aquela vista surreal das montanhas, tudo muito foda!
      Encontramos nossa hospedagem, chama Denis House, deixamos nossas mochilas e saímos para conhecer um pouco mais.
      Em relação a valores, Águas Calientes é uma cidade turística e tem preços altos, porém nada surreal como ouvi falar. O que mais me incomodou foi o tamanho das porções de comida dos restaurantes, simplesmente ridícula de tão pequena. E isso pareceu ser uma estratégia de todos os restaurantes, eles põem preços atrativos nas placas, mas diminuem na quantidade de comida.
      Paramos em um restaurante para comer uma pizza (29 soles a de 8 pedaços), porém a massa era extremamente fina e o recheio bem pouco, conclusão: não matou nossa fome 😒
      Compramos em um mercadinho uns itens para comer na trilha do dia seguinte (12 soles) e voltamos para descansar.
       
      Dia 16
       
      Esqueci de comentar que no momento em que comprar o ticket para Machu Picchu, vc deverá escolher o horário em que irá visitar, sendo as opções: manhã ou tarde. Isso permite limitar a quantidade de turistas circulando e preserva esse patrimônio da Humanidade 😍
      Outra coisa importantíssima que me esqueci de mencionar é que não fomos para Águas Calientes com nossa mochila cargueira por motivos óbvios (peso extra para as caminhadas), portanto colocamos uma troca de roupa e itens de higiene pessoal indispensáveis na mochila de ataque. Conseguimos deixar nossas cargueiras no Milhouse (hostel que ficamos em Cusco) sem dificuldades, eles têm um cômodo para armazená-las. Independente da onde esteja hospedado, acredito que não haverá problemas, pois é uma prática bem comum entre os viajantes.
      Nossa programação tinha sido a seguinte: iniciar nossa subida beeeem cedo, umas 4:00 AM, passar a manhã toda conhecendo as ruínas, retornar na hora do almoço para Águas Calientes, almoçar, pegar nossas mochilas e retornar para a Hidrelétrica, afinal nossa van sairia no final da tarde. Os horários seriam apertados, mas já estávamos acostumados (sabe de nada inocente kkkk).
      E lá estávamos nós ás 3:40AM de pé, mortos de sono mas extremamente ansiosos. Compramos na noite anterior em um mercadinho alguns itens que seriam nosso café da manhã e snacks da trilha, então comemos a caminho da ponte onde parte a subida para Machu Picchu.
      A quantidade de pessoas é gigante, já tinha uma espécie de fila antes da ponte, alguns guardas bloqueavam o acesso, seria liberada a subida somente ás 05h. Não tinha lido nada a respeito desses horários em relatos, então não sei informar se são novas regras ou se sempre foi assim. Só sei que ficar uma hora em pé naquele frio só aumentou minha ansiedade. Ahhhhh leve roupa de frio galera, é sério!!
      Enfim liberaram a subida, a trilha é estreita, portanto esse formato de fila acaba sendo mantido em boa parte do trajeto. A maior parte é subida, quase que 90%; vai estar escuro mas tem muitas lanternas ajudando, mesmo assim leve a sua pq vai precisar; não recordo quantos Km ela tem mas fizemos em 40min; é basicamente uma escada com degraus irregulares; vista roupas em camadas que fiquem fáceis de retirar caso o calor aperte devido o esforço físico e posso dizer que o esforço compensa.
      Não vou mentir e falar que a subida é pra qualquer um, pq não é! Se você está sedentário há anos, tem idade avançada, problemas articulares (joelho, quadril, etc) ou alguma doença que te cause limitações, aconselho ir da forma mais prática, porém menos econômica que é o micro-ônibus.  Não sei informar quanto custa, mas não deve ser difícil de descobrir por aqui.
      GENTE não quero ser radical, não sei se demos azar ou o quê, mas o povo que fez a subida no mesmo horário que nós pareciam ser maratonistas, kkkk sério, eles subiam em um ritmo bem acelerado e não tinha como você parar pois era tipo uma fila, o ritmo tinha que ser constante. Cara, não somos sedentários, faço treino de alta intensidade regularmente e não foi fácil.
      Se tu és jovem e saudável, se arrisque e suba, vale a pena.
      Chegamos ao topo vivos e começamos a explorar a região, surreal!! Tem muito lugar pra conhecer e muitas fotos pra tirar, se preparem para andar bastante. Tinha bastante turista, mas não a ponto de atrapalhar, não contratamos guia e não me arrependi. Foi uma manhã bem chuvosa e nublada, uma capa de chuva cairia bem, recomendo levar.
      Agradeci por não ter comprado o ticket para Huayna Picchu, devido o tempo fechado nem dava pra enxerga-lá, quem subiu comentou que não deu pra avistar quase nada.
      Achei a descida tranquila, fomos em um ritmo bem mais de boas, sem tumulto, só apreciando a vista. Chegamos em Aguas Calientes bem cansados e a última coisa que queríamos era enfrentar a trilha da Hidrelétrica. Como tínhamos planejado um dia off em Cusco, pensamos em usá-lo por aqui mesmo.
      Graças a Deus conseguimos contato com a empresa e trocamos a van para o dia seguinte, ás 13h. Conversamos no Denis House e conseguimos fechar mais uma noite (50 soles casal), almoçamos por 24 soles, compramos papel higiênico por 4 soles, passamos a tarde descansando e jantamos uma pizza por 29,90 soles.
      Obs: Quem optou por subir a tarde pegou o tempo aberto e sem chuva, confirmamos com nossos amigos pernambucanos, que inclusive relataram que a subida foi tranquila, sem tumulto. Fica a dica.
       
       

       
       
      Dia 17
       
      Íamos partir na van das 13h, portanto aproveitamos para dar uma volta pela manhã e almoçar (20 soles) antes de iniciar a nossa caminhada em direção a Hidrelétrica.
      Como disse antes, a caminhada é tranquila e belíssima, leve água e papel higiênico...eu mesma tive um imprevisto e aproveite um dos poucos estabelecimentos que tem nesse trajeto para usar o banheiro, senão ia no mato mesmo kkkkkk.
      Bom, a volta na van foi menos tensa pois coloquei meu marido na janela kkkk avistar por várias horas aquela distância mínima entre o pneu e os precipícios não ia me deixar dormir novamente.
      Chegamos a noite em Cusco, jantamos empanadas e sorvete (11 soles), pegamos nossas mochilas no hostel, como não tinha mais vagas por lá, arrumamos por uma noite no The point (42 soles). Sinceramente não lembro da minha passagem por esse hostel para opinar, já faz um tempão né.
       
      Dia 18
       
      Acordamos e para aproveitar o tempo ao máximo já pegamos um táxi até a rodoviária (9 soles ida e volta), compramos nossas passagens para Puno (61 soles pela Cruz Del Sur, a MELHOR!!!!!) pois partiríamos a noite. Sei que existem empresas de busão mais em conta, mas sinceramente eu preferi pagar um pouco a mais e saber que iria dormir bem e ter refeição boa inclusa, então realmente compensa.
      Lavamos nossas roupas por 4 soles/kg (deu 5 soles) e almoçamos por 15 soles, mais 2,50 soles de um chocolate, não pode faltar rsrs
      Vou ser bem sincera, me deu um certo apagão dos detalhes desse dia, mas vou tentar relatar o mais detalhado possível...
      Lembro que aproveitamos à tarde para fazer o tal City Tour, tínhamos comprado ele por 10 soles naquele pacotão que fechamos no primeiro dia em Cusco. Nos reunimos na Plaza de Armas conforme combinado e seguimos em uma turma a pé por vários pontos, com um guia explicando. Achei o passeio interessante, esse custo inclui o guia e o ônibus para os pontos mais afastados, não esta incluso o valor de entrada em Qoricancha (15 soles), que foi o templo mais importante durante o império Inca.
      Como sempre, não deixe-se levar pelo solzinho gostoso da tarde, pois é só questão de tempo para o frio aparecer, portanto leve agasalho para esse passeio. E o frio veio com força no final do passeio, que foi todo em área aberta.
       
       

      “Momento fofo em Qoricancha”
       
      Voltamos, jantamos por 10 soles e fomos para a Rodoviária (acho que fomos a pé dessa vez, mas não tenho certeza).
       
       
      Dia 19
       
      Desembarcamos na rodoviária em Puno beeem cedo, por coincidência pura encontramos nossos amigos pernambucanos e tivemos companhia, pois eles tinham a mesma programação.
      Compramos as passagens para Copacabana (20 soles), fechamos o passeio para o Lago Titicaca por 25 soles + 10 soles do barco em Uros. Nosso desayuno foi na rodoviária mesmo, no andar de cima tem uma lanchonete, paguei 9 soles por um misto-quente com suco de laranja.
      Outras gastos foram: 1,50 de taxa rodoviária, 1,00 banheiro.
      O lago Titicaca é lindo, enorme e o povo que vive nas Islas Flotantes de Uros são muito simpáticos, te explicam como fizeram aquela “vila” no meio do lago, mostram suas casas, seus artesanatos e suas dificuldades também, pois a realidade lá não é fácil, vida simples com pouco recurso, muita idosos e crianças.
       
       

       
       
      Ahhh, pra quem adora botar mais um carimbo no passaporte (quem não gosta né gente 🤣), eles tem um específico da ilha e carimbam seu passaporte por um valor simbólico.
      Não sei vocês, mas se tem um lance que eu e meu marido não curtimos são atividades muito comerciais sabe, como excursões ou conhecer locais voltados para turistas, deixando CLARO que não tenho nada contra quem curte esse tipo de viagem ok!!!! Mas teve uns momentos desse passeio que me senti assim sabe, pois eles contam muito com a grana de quem vai lá visitar, ai se você não compra nada de artesanato, fica um climão. Ao final do passeio, um casal cantou uma canção para nós, contribuímos com uma grana e agradecemos. Sei lá, pode ser nóia minha, mas fico me sentindo um pouco mal sabe.
      Almoçamos por 16,50 soles ( não lembro onde e o que kkkkk), 3,50 de snacks e partimos Copacabana.
      Viagem foi de boas, passagem pela fronteira também, uma fila rápida e sem enrolação. E lá estávamos nós de volta a Bolívia, sua linda!!!!
      Ahhhh teve uma situação sim, quando estávamos chegando o motorista do ônibus começou a fazer propaganda do Hotel El Mirador, falando que quem não tinha hospedagem reservada eles tinham vagas, com vista para o lago, o preço estava bem melhor do que o local que tínhamos reservado pelo Booking (40 bols) e inclusive ele ia deixar a galera na porta!!!! Ai gente, assim fica difícil ser justa, até consultamos no mapa a distância da nossa reserva e... era uma puta de uma subida!!!!! Tentei fazer cancelamento sem sucesso, internet tava uma bosta.
      Acabamos arriscando e ficamos por lá mesmo e foi uma ótima escolha, o Hotel era simples, mas a vista era simplesmente incrível, aquele anoitecer com o Titicaca de fundo, pqp!!!! Acabou que o Booking não descontou valor nenhum nosso, ainda bem!!
      Nossa passagem por Copacabana seria super breve, afinal o foco era a Isla Del Sol, portanto, depois de um banho, saímos para conhecer melhor o local. Compramos nossa passagem para La Paz (empresa Titicaca 35 bols), compramos alguns snacks para levar no dia seguinte (15 bols) e pizza e vinho por 37,5 (bols). O local da hospedagem era bem estratégico, muito próximo do porto, a região tem vários pequenos comércios, tipo uns mercadinhos, restaurantes e locais para cambiar grana. Andamos a noite e não tive sensação de insegurança por lá.
       
       
      Dia 20
      Acordamos bem cedo, tomamos café e partimos para o porto, o barco até a Isla Del Sol custa 15 bols, o trajeto é tranquilo, não lembro quanto tempo de duração. Ao chegar à ilha você paga uma taxa de 10 bols para entrar.
      Não tínhamos hospedagem reservada, então saímos pechinchando e subindo aquela ladeira, pois a área com mais estabelecimentos fica em uma subida.
      A ilha é linda, vista incrível, trilhas para fazer e tudo muito simples. Não espere luxo por lá, as hospedagens são simples e os restaurantes também, obvio que tem alguns locais que se destacam, mas não estávamos dispostos a pagar o preço (orçamento seguido à risca kkkk).
      Não encontrei Hostel por lá, optamos por um quarto privado com banheiro externo compartilhado em um local chamado Las Cabanas (40 bols), veja que a média de preço da Ilha é acima da média, pois esse local era realmente beeeeeeeem rústico.
      Aproveitamos nossas andanças para comprar água (2 litros, 07 bols), almoçamos um PF (não tenho o valor desse, foi mal) e andamos muito.
      Como teríamos apenas um dia para conhecer a ilha, caprichamos na disposição, andamos bastante, tem vários pontos para descansar e apreciar a paisagem, tirar muitas fotos e simplesmente contemplar.
      Na época que fomos, estava rolando uma treta entre o povo que mora do lado norte com o lado sul da ilha, não me lembro em que parte ficamos, mas sei que a outra face estava fechada para visitantes, triste né! Mas nem julgo, pois só ouvimos a versão de um dos lados, mas de fato essa briga atrapalha o turismo e comércio da região.
      A noite a temperatura caiu bastante e juro que se tivéssemos mais snacks eu não teria saído do quarto pra jantar, estava simplesmente exausta das trilhas feitas o dia todo, mas a fome venceu...
      A iluminação na Ilha é escassa, somente nas casas e comércios, que na maioria estão fechados a noite, sendo assim a escuridão predomina. Nessas horas a lanterna salva o role viu, pq era tanta bosta de cavalo e cabra na estrada que se eu não desviasse ia ficar atolada no caminho kkkkk
      Achamos uma pizzaria bem simples, era quase dentro da casa do rapaz, não lembro o valor da pizza, mas resolveu nosso problema. Finalmente o merecido descanso.
       
       

       
      Dia 21
       
      Descemos a ladeira em direção aos barcos, compramos um suco e bolacha (6 bols), passei alguns bons momentos interagindo com uma adorável moradora da ilha
       
       
       

       
      Lembrando que a passagem de volta é mais cara se você comprar separado, pagamos 25 bols.
      Retornando a Copacabana, foi o tempo de almoçar (não tenho valores) e pegar o busão rumo a La Paz.
      La Paz é cidade grande mesmo, trânsito, gente pra todo canto, comércios e isso aumenta também o risco de furto e roubo, por isso todo cuidado é pouco, mas ainda assim achei bem de boas viu, a única situação que nos ocorreu foi uma noite um cara nos abordou pedindo dinheiro, mas estava visivelmente bêbado e não insistiu muito. Para quem vive em SP então kkkk La Paz é seguro até demais kkkk.
      Não tínhamos reservado nada pelo Booking, mas queríamos ficar próximos das ruas mais movimentadas (Calle Sagarnaga, mercado de las brujas, etc), então saímos da rodoviária e partimos a pé para o centro.
      A caminhada é tranquila, deve-se ficar esperto por conta das mochilas cargueiras, porém você verá muitos mochileiros nessa região, vai na fé!! Se estiver sozinho ou estiver à noite, acho que um Uber é uma boa opção.
      Chegamos até a praça que tem a bela igreja de São Francisco, as ruas estavam lotadas, parecia a região do Brás, com muitos ambulantes e muvuca rsrsr deu até saudades de casa rsrsrs. Começamos a subir essa rua principal, se não me engano é a Sagarnaga, mas sei que é uma cheia de restaurantes, agências de turismo e hospedagens. Aconselho fechar a hospedagem com antecedência nessa região, pois fica cheio de mochileros buscando as mesmas coisas: preço baixo e boa localização.
      Paramos em um hostel, tinha preço atrativo, mas não sei pq pedimos para olhar o banheiro compartilhado antes de fechar os 3 dias de hospedagem, eis a surpresa...as portas dos chuveiros não davam privacidade nenhuma,eram curtas e com detalhes em um tipo de vidro temperado que daria para ver a silueta completamente, sendo uma área em que outras pessoas estariam usando as pias. Cara, juro, não é frescura, mas porra custava colocar um porta simples de madeira ou sei lá o que!!! Se tiver algum dono ou aspirante a dono de hostel lendo esse relato, fica a dica, não é pq nós optamos por dividir o quarto e outras áreas com desconhecidos que não me importo que me vejam pelada tomando banho né!!!
      Enfim, já estava tarde e acabamos ficando em um “hotel” chamado Salas, por 210 bols os 3 dias de hospedagem, não achei barato pela qualidade que era bem baixa e a localização, pois era no final dessa rua movimentada.
      Passamos por várias agências no intuito de fechar Chacaltaya e quem sabe a Carretera de La Muerte para meu marido, porém acabamos desistindo da segunda opção pelo curto tempo que teríamos. Fechamos então com a Barro Biking , Chacaltaya por 100 bols e Tiwanaku por 200 bols.
      Jantei uma lasanha com suco e levei uma omelete recheada para viagem (ia comer no passeio) no Italian Pizza! por 65 bols, compramos snacks para o dia seguinte por 7 bols.
       
      Dia 22
       
      Acordamos super cedo para fazer o passeio até Chacaltaya e garanto, vale muito a pena!!! Trata-se de um pico da cordilheira dos Andes, a 5421m de altitude, no qual subimos com uma van por uma estrada bem estreita e íngreme e depois seguimos a pé por aproximadamente 200m.
      Foi uma experiência foda!!! Só aumentou a vontade de voltar mais vezes para fazer outras montanhas da região, obviamente com preparo para isso né
       
       

       
       
      De lá, fizemos o passeio pelo Valle de La Luna, que rende belas fotos, com uma paisagem bem diferente, vale a pena.
      Como tínhamos encontrado nossos amigos pernambucanos na montanha, combinamos uma cervejada em um pub próximo da onde estávamos hospedados, bem legal o lugar, pena que não lembro o nome (40 bols muito bem bebidos diga-se de passagem kkk), mais tarde jantamos pizza por 25,50 bols, não lembro onde kkkk
       
      Dia 23
      Acordamos super cedo para fazer o passeio para Tiwanaku, já tínhamos fechado com a agência Barro Biking no primeiro dia e o único azar que demos foi o tempo chuvoso, mas de resto foi ótimo.
      Se você curte história, culturas antigas e mistérios, esse lugar merece ser visitado. Lá eles possuem um enorme monólito, vários artefatos antigos e uns rostos lapidados na pedra que se assemelham a extra-terrestres, muito foda!!
      No passeio estava incluso o almoço, meu marido experimentou carne de lhama nesse dia, aff...eu fui de peixe frito mesmo.
      Gastamos somente 21 bols com snacks e bebida.
       
      Dia 24
       
      Tiramos o dia para circular por La Paz. Andamos de teleférico (6 bols) e optamos por não ir naquela feira que tem no final dele pois não era nosso foco ir as compras, afinal assemelha-se muito a comércios populares como Brás e 25 de Março e tem uns oportunistas nesses locais, deu para sentir por uns sujeitos bem estranhos no próprio teleférico.
      Andei muito pelo Mercado de Las Brujas e realmente é o melhor lugar pra comprar os regallos, que por sinal são muito baratos!!! É realmente difícil lembrar que esta somente com uma mochila e não sair levando de tudo um pouco, menos os filhotes de lhama empalhados obviamente...
      Almoçamos uma massa no restaurante Mozarela (38 bols), comprei snacks para a viagem de busão da madrugada (31 bols).
      Como a viagem estava chegando ao fim e estávamos dentro do nosso orçamento, acabamos afrouxando um pouco nos gastos com comida e nos deixamos levar pelo pecado da gula kkkk.
      Nesse dia jantamos no “Café Del Mundo” e super recomendo, lugar lindo com uma decoração fofíssima e deliciosos pratos, gastei 50 bols em uma refeição deliciosa e de quebra comi um brownie sensacional por 12 bols. Só vão!!!
      De bucho cheio e cansados de bater perna o dia todo, fomos para rodoviária de táxi (7,50 bols), pagamos uma taxa no terminal de 2,50 bols e a passagem para Santa Cruz de La Sierra foi 130 bols pela empresa El Dorado.
       
       
      Dia 25
      Chegamos em Santa Cruz de La Sierra e nos hospedamos no Hostel Coco Jamboo (141,50 bols), não tinham muitos locais mais em conta na localização que queríamos. Achei bom ficar longe da rodoviária, pois me fez conhecer uma Sta Cruz totalmente diferente, com uma Plaza de armas simples e bela, com restaurantes e sorveterias ao redor. Por ser um feriado por lá, estava aquele clima de cidade do interior sabe, famílias passeando na praça, cachorro correndo e um calorzinho gostoso...
      Justamente por ser feriado, os pequenos restaurantes estavam fechados e as opções abertas eram mais caras, ai já viu né, juntou o fato de ser o penúltimo dia de viagem, com a fome e as poucas opções...chutamos o pau da barraca kkkkk, foi almoço no Burger King (53 bols), jantar em uma hamburgueria (57,50 bols), sorvete artesanal (20 bols) e mais gastos com água e cerveja (32 bols).
      Tiramos o dia para comer e descansar literalmente, mas foi ótimo.
       
      Dia 26
       
      Tomamos café no hostel, cambiamos o restante do dinheiro por real, fechamos um taxi até o aeroporto por 60 bols.
       
      E chegou ao fim essa viagem sensacional e inesquecível que fiz com meu esposo (na época namorado) em setembro de 2017. Espero ter ajudado de alguma forma ou pelo menos facilitado vocês a montarem seu roteiro para essa aventura. O relato demorou mas saiu!!!!
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