Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

Wesley Felix

Mochilão La Paz, Uyuni (BOL) – Salta, Córdoba (ARG) – San Pedro do Atacama, Santiago (CHL) - Arequipa, Cusco (PER)

Posts Recomendados

DOWNHILL

 

Como disse anteriormente, ouvi falar do Downhill lendo um dos relatos para a viagem, como todos dizem ser obrigatório, confirmei com Rodrigo se não era uma furada e ele afirmou que não, não tinha muita noção de como seria, só estava preocupado se não haveria muitas subidas, porque apesar de fazer, algumas vezes, ciclismo urbano na minha cidade, não tinha um dos melhores condicionamentos físicos que conheço.

O bom da No Fear, é que ela é uma agência prestadora de serviço direta, logo o custo é menor por não haver intermediários. Quando fui fechar o passeio, a atendente foi muita simpática e solicita, mesmo se não estivesse na companhia de Rodrigo conseguiria ter fechado o passeio sem maiores problemas, o bom de ter ele por perto foi que pude tirar todas as dúvidas de forma mais simples e rápida, no momento estavam sendo oferecidas quatro tipos de bike (a mais simples tinha um custo de Bs 380,00; as duas intermediárias, uma de menor amortecimento e a outra com amortecimento traseiro estavam custando Bs 400,00 e Bs 420,00 – mas ela faria a melhor no mesmo preço que a de menor qualidade – e por fim a bike mais top tinha um custo de Bs 450,00), escolhi a intermediária de melhor qualidade, no passeio estavam inclusos todos os equipamentos, café da manhã, almoço ao final do passeio, banho de piscina e transporte para o ponto de início do passeio e volta para La Paz com entrega no hostel.

Como disse na dica do hostel, tem que se levar em consideração a localidade, por um lado a localização do meu hostel era muito boa, mas por ser longe do centro a van da agência não passava por ele, assim tive que sair as sete da manhã para estar na sede da agência as oito, quando iniciaria os preparativos para o passeio. Já havia deixado tudo pronto na noite anterior, acordei quinze minutos antes das sete só para trocar de roupa e escovar os dentes, mas ocorreu o que temia desde o início da viagem, acordei com uma senhora diarreia, como só havia comido as saltenhas, uma banana e algumas uvas, não tinha muito mais o que sair do corpinho haha, então tomei um banho e mesmo apreensivo fui para a agência, optei por não tomar nenhum remédio que havia levado e como previ não ocorreu mais nenhuma manifestação do meu intestino pelo resto do dia.

 

DICA: O café da manhã do hostel era das 07h30min até as 09h30min, e se por algum motivo você tiver a necessidade de sair antes do início do café, pode-se deixar avisado na recepção, que na maioria dos hosteis a equipe prepara algo para que possamos levar ou comer na hora, neste primeiro momento não sabia disso, mas neste hostel eles também faziam esse serviço, então fica a dica pra vocês.

 

O caminho até a agência foi relativamente tranquilo, apesar de ir apresado com medo de me atrasar, as dicas do Rodrigo ajudaram bastante, mas precisei do meu telefone pra ter certeza que não me perderia, acabou que cheguei dez minutos antes das oito e o mercado das bruxas nem tinha aberto ainda. Na agência fui o primeiro a chegar, eles deram as roupas para provar e optei por tirar a calça jeans que estava e coloquei meu short, além de não sentir todo o frio que os outros aparentavam sentir, durante o passeio sairíamos do clima frio da altitude e entraríamos no clima tropical da floresta, a descida sai dos 5.000 metros de altitude e termina nos 3.000, por isso essa mudança de clima e temperatura, e para não ter que fazer a troca durante o passeio já fui pronto da agência mesmo, além da bike, compõe os equipamentos, luvas, cotoveleiras, joelheiras, um conjunto calça e jaqueta de couro e capacete. Não preciso nem dizer pra levar óculos de sol e um sapato fechado, esses por sua conta.

O pessoal que foi pego pela van só começou a chegar as 08h30min, depois de todos prontos e vestidos fomos em duas vans até o ponto de partida, aos pés das montanhas que cercam La Paz, uma paisagem mais que bela, tirando o lixo que alguns insistem em jogar no local. Ali são conferidos os itens de cada um, passado as informações mais importantes pelos guias e fazemos um test drive nas bikes para pegarmos o ritmo delas. Nosso grupo ficou dividido entre quem falavam inglês e os que falavam espanhol, ainda bem que não havia um para os que não falavam nem um idioma nem outro, mas deu pra entender tudo e depois das recomendações passadas demos início a descida.

Acho que nenhum dos adjetivos que possa usar vão descrever o que vi e senti nesse passeio, é tudo muito, mas muito, mas muito lindo, rápido e emocionante. Pegamos uma velocidade incrível nesse percurso de asfalto, cheio de curvas, e com o céu relativamente nublado deixando as montanhas com seus picos em neve ainda mais belas, como a rodovia é muito boa, em alguns momentos onde não há transito, podemos simplesmente esquecer a estrada e observar a paisagem, é uma emoção única, de verdade, vale muito tudo aquilo, inclusive o termo de responsabilidade que assinamos onde retiramos qualquer tipo de culpa e ajuda por parte da agência, afinal não leva o nome de estrada da morte por acaso.

Antes de concluir esse percurso por asfalto, há um túnel, e ao seu lado uma passagem das bicicletas, passagem essa de terra e cascalho, como entrei embalado nele, quase atropelo o ciclista a minha frente e ocorre o primeiro acidente, por sorte de centímetros não foi dessa vez, mas serviu para mostra o que estava por vir. Logo em seguida após a passagem do túnel, a van de apoio nos espera para levar até a próxima estrada e continuarmos o percurso. Nesse meio caminho aonde vamos de carro existem algumas subidas, por isso não seguimos de bicicleta e eles aproveitam para servir o café da manhã – pão com ovo, água ou Coca-Cola e uma banana – mesmo estando com medo de ocorrer alguma ação adversa ao ingerir alguma comida, ativei o modo f***-se e comi tudo, além de estar com um pouco de fome, sabia que ia precisar de energia mesmo sendo descida o restante do caminho.

O restante do passeio é em estrada de terra, muito parecida com o percurso de chegada em La Paz quando vim de ônibus, havia chovido e apesar de seca havia trechos ainda molhados. Para iniciar essa parte da descida tirei o conjunto de roupas dado pela agência e guardei junto com minha mochila de ataque dentro da van, esse foi o único momento da viagem que senti falta de um repelente, mas acabou que o protetor solar deu conta de espantar os mosquitos, por isso acabei por não listá-lo nos itens para levar na viagem, mas se tivesse feito à trilha Salkantay em Cusco teria de tê-lo comprado, já que parte dessa trilha envolve floresta também.

A paisagem nesse trecho não tem muitas variações, nem por isso deixa de ser menos magnífica, mas a concentração aumenta muito na estrada, logo de cara presenciei o primeiro acidente, e olha que teve vários, nenhum que justificasse o nome da estrada que fica em uma placa logo no início do trilha. A dica é nunca usar só um freio e deixar o espirito de competitividade em casa, não é uma corrida pra ver quem chega primeiro e sim um passeio pra ver quem chega vivo, no mais, na descida todo santo ajuda, então usar os freios e controlar a velocidade é vital.

 

MOMENTO DESABAFO: Durante o percurso acabou que minha bike perdeu o freio traseiro, mano do céu, quando estava em uma das curvas, no embalo, cadê o freio, ai por instinto acionei o dianteiro com mais força, alta velocidade mais freio dianteiro é igual a capote na certa, por sorte havia as defensas ou guard-rails impedindo que fosse jogado abismo abaixo e consegui bater de lado num primeiro momento só capotando num 360º completo seguindo a proteção metálica, sério pessoal, no momento minha coluna estralou todos os ossos que possui, tipo “Snickers – mata sua fome”, eu só pensei, estou paraplégico, mas a adrenalina é tão grande que a gente só pensa em se levantar rápido pra ninguém ver nossa vergonha, quando vi que estava inteiro, sem um único aranhão e com a bike completa, só agradeci a todos os santos e deuses e universos e simbora de novo, como estava bem pensei, vou controlar melhor a velocidade e moderar no freio dianteiro, ledo engano, a gente pega uma velocidade tão grande que se não tiver os dois freios não damos conta, já na próxima curva quase me esborracho no paredão de pedra e na outra novamente outro capote, dessa vez um 180º, de novo a defensa de proteção me salvou do abismo, mais uma vez sem um aranhão, então resolvi captar o sinal e esperei o apoio pra tentarmos arrumar o freio traseiro, acabou que o guia optou por trocar de bike comigo pra não ter muito atraso até a próxima parada de apoio.

Não preciso nem dizer que a bike deles são as melhores, e acredite, só quando tu anda nelas e senti a diferença, da pra entender como vale a pena investir um pouco mais na melhor, não que não consigamos concluir de boa o percurso mesmo com as bikes mais inferiores, mas a diferença é muito grande. Pra quem puder e quiser, fica a dica.

 

Depois que paramos insisti em voltar pra minha bicicleta, mas ele achou melhor que seguisse na dele – já que insiste – terminamos o percurso por volta das três horas da tarde, à medida que avançamos vamos nos deparando com algumas vilas e povoados, a paisagem sempre linda e de momento em momento paramos para tirar algumas fotos para o álbum que a agência nos envia depois. Já no momento da chegada após passarmos por uma queda d’água no meio da estrada (creio que por causa das chuvas), tem um pequeno trecho plano e com leves subidas, nada que impeça qualquer pessoa de concluir com êxito o passeio.

 

DICA: No nosso grupo haviam pessoas de todos os lugares do mundo, de vários tipos físicos e idades, um australiano com quem consegui trocar algumas palavras em inglês já era um senhor de quase oitenta anos, e deu um banho em mim diga-se de passagem, já que na chegada tem uma subida interessante, eu era o quarto a chegar, mas desci para empurrar a bike enquanto ele tomou minha posição e ainda tirou onda. Então se o seu receio for por conta do condicionamento físico, vá sem medo porque é muito tranquilo.

 

Depois de concluído o trajeto, vem o merecido descanso. O ponto final é uma parada as margens de um rio com piscinas naturais creio – na verdade não fui até elas porque minha coluna deu sinal de vida assim que acabou a descida então preferi ficar deitado em um banco até a partida –, e além das piscinas todos ganhamos uma camisa da agência e podemos almoçar a vontade no restaurante, além de tomar um banho decente nos banheiros. Talvez a essa altura você esteja pensando que não comi nada, erouuu (lembre do meme do Faustão), parti pra cima sem dó, e estava muito bom todo aquele banquete, comida muito gostosa. Barriga cheia e banho tomado, era hora de voltarmos pra La Paz, em um percurso longo e lento, já que agora teríamos que subir de volta aos quase 4.000 de altitude e mesmo a rodovia sendo um tapete, o excesso de curvas não permite imprimir uma grande velocidade.

 

DICA: Muitos passeios podem ser feitos sem o intermédio de agências, com um bom mapa, relatos e condicionamento físico é perfeitamente possível fazer por conta os badalados trajetos. Essa era minha intenção em Cusco diga-se de passagem, fazer a trilha Salkantay até Machu Picchu, seguindo o relato do @victor machado aqui do site, Salkantay Trek Completo, sem guia. Mas no caso do Dawnhill não recomendo, primeiro porque é necessário ter os equipamentos e o mínimo de apoio se algo der errado, além do que a volta para La Paz vai exigir muito condicionamento já que é subir quase 1.500 metros de altitude pedalando, no mais o preço dos alugueis de bike e proteção devem ficar muito próximos do gasto com a agência, então nesse caso vale considerar o custo beneficio.

 

A maioria do pessoal apagou na volta, mas a vista era estupenda e as músicas que tocavam pra todos ouvirem era a mais pura popular boliviana, pense numa sofrência doída, deixa qualquer Pablo no chinelo. Quando chegamos a La Paz já era mais de oito da noite, a van foi deixando parte do pessoal nos seus hosteis e eu fiquei na agência já que o motorista não iria ao meu por ser muito fora de mão. Como precisava mesmo acertar os detalhes de horário e ponto de saída no passeio do dia seguinte, pois quando o comprei ainda não estava certo se fechariam um grupo para a Chacaltaya ou se teria que me encaixar em outra agência, acabou que fui encaixado mesmo, e como a van iria direto, o ponto de encontro mais viável foi a Catedral Maria Auxiliadora, qual já conhecia o caminho.

O retorno para o hostel foi dramático, ao tentar seguir as referencia que o Rodrigo havia passado – indo pelas ruas mais movimentadas, já que o caminho pelo qual vim de manhã era mais seguro só a luz do dia –, terminei por me perder, e feio, quando vi já tinha avançado quase um quilômetro a frente de onde deveria entrar para o meu hostel, e o ar começou a faltar e o frio a chegar. Nesse momento parei perto de um grupo de jovens me sentei e saquei meu telefone, não sei se olhava mais pro mapa ou pros lados com medo de alguém levá-lo, refiz o percurso na minha cabeça, no qual deveria seguir até uma praça de referencia, me perdi mais um pouco, mas consegui chegar, depois foi só alegria quando fui reconhecendo o caminho para o hostel.

Ao chegar encontrei no quarto Juan, um francês que hablava um pouco de espanhol, nos cumprimentamos, mas ele não queria muito papo – francês. O que foi bom, pois além de um bom banho tinha que arrumar meu mochilão ainda, queria muito fazer o Titicaca, mas isso significaria sair de La Paz e depois retornar para ir a Uyuni, e como já tinha decidido que não passaria duas vezes por um mesmo lugar optei a ir direto para o salar, assim já perdi as contas de quantos motivos tenho para regressar a esta cidade.

 

DICA: Todos os hosteis por qual passei, permitem que deixemos nossas coisas mesmo que com a diária encerrada, no geral os check-out’s enceram-se às onze horas ou meio dia, mas se tiver um passeio que só termine pela tarde, podemos fazer o check-out antes de sair para o passeio e deixar o mochilão guardado para pegá-lo na volta. Dessa vez não foi meu caso, uma porque não sabia, e mesmo que soubesse a essa altura, não seria interessante voltar do ponto de parada final do passeio e retornar ao hostel só para pegar o mochilão, já que pretendia ir para a rodoviária de pé dois ao invés de pegar um táxi. Se me arrependo, não perca o próximo capítulo, neste mesmo horário, neste mesmo canal, haha, não contavam com minha astúcia, não é.

 

GASTOS: Dia 18.09 (terça-feira).

 

Nenhum centavo = Bs 0,00

 

No Fear Adventure, eles promovem uma série de passeios, pra conseguir um bom desconto o ideal é fechar um grupo com várias pessoas e um pacote de passeios cada. Corre até uma lágrima dos olhos deles.

WP_20180918_08_05_37_Pro.thumb.jpg.3003ad68377193fa40b5a6bb1847a12e.jpg

 

Paisagem no ponto de partida para o passeio.

WP_20180918_10_02_06_Pro.thumb.jpg.7ff37eea065dcfa0ee285d3ac22e1ac8.jpg

 

Vista durante a primeira parte do trajeto.

WP_20180918_10_39_58_Pro.thumb.jpg.a9c5dd437ec8b35784049a425ee42da2.jpg

 

Tudo pronto, e lá vamos nozes.

WP_20180918_10_41_15_Pro.thumb.jpg.d03685ce1848b761127d7f20fbe3cead.jpg

 

Uma das paradas do grupo já na segunda parte do percurso.

WP_20180918_12_33_58_Pro.thumb.jpg.9c9481268eb8509de1c021affd2cd0a9.jpg

 

Felicidade define, essa americana estava há dois meses mochilando, sem falar nada de espanhol, mas com um alto-astral contagiante.

WP_20180918_12_32_36_Pro.thumb.jpg.0f1e92a8d4f895168b92dcf74b997bb6.jpg

 

Acabou que formamos um trio, o de capacete é um brasileiro, Lucas, há mais de seis meses mochilando.

WP_20180918_13_13_14_Pro.thumb.jpg.97a2bad95a6e21c330b7b3865831d1dd.jpg

WP_20180918_12_50_21_Pro.jpg

  • Obrigad@! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

@Wesley Felix Gratidão por ter acompanhado e feliz de ter colaborado para essa trip massa. Obrigado por ter lembrado... Seu roteiro tá completo, continua ai que estou aguardando os próximos capítulos. Forte abraço!!!

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

@Diego MoierGrato sou eu irmão, de verdade, teu relato foi a base para montar toda a minha trip, espero sinceramente que o universo lhe retribua toda disponibilidade e humildade em que viveu e depois descreveu tudo, se o roteiro tiver se aproximado do seu e do @rodrigovix, já me dou por satisfeito, muita luz pra vocês rapazes, abraço.

  • Gostei! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

CHACALTAYA E VALLE DE LA LUNA

 

            Na manhã de meu último dia em La Paz despertei novamente com uma forte dor de barriga, mas dessa vez como havia comido mais no dia anterior as consequências também foram maiores, como havia despertado mais cedo para terminar de aprontar minha mochila de ataque, foi o tempo de ir e voltar no banheiro algumas vezes. Sai do hostel as 07h50min e optei por nem pegar minhas frutas na geladeira e nem tomar café da manhã, apenas um suco rápido, fiz meu check-out já com o mochilão nas costas, me despedi dos funcionários do hostel e desci a ladeira até a Catedral, na descida tudo é ótimo, comprei um garrafão de água de seis litros e consegui estar no ponto de encontro dez minutos antes do horário previsto, as oito e meia. Dessa vez estava bem agasalhado, durante esses dias em que estive em La Paz as manhas começavam com 5º C e sensação um pouco mais baixa, ainda assim não sentia tanto frio, as roupas foram recomendações por conta da montanha que subiríamos logo cedo, amarrei minha jaqueta na cintura e me sentei aos pés das escadas em frente a igreja.

            A van atrasou um bom tempo, até o momento que chegou um casal de mochileiros em um táxi, apesar do inglês inexistente de minha parte, consegui arrancar a nacionalidade israelense deles e indicar um café a frente, ao contrário de um casal de franceses que também chegaram depois, os israelenses eram simpáticos e pareciam mais perdidos que eu, quando isso ocorre a gente se dá conta que não somos os únicos nessa situação e isso é até encorajador, não olhando pelos desafios dos outros, mas simplesmente por saber que todo mundo tá no mesmo barco e quem têm mais experiência é por que já passou pelo que estamos vivendo agora.

 

MOMENTO DESABAFO: Esse casal de Israel foi bem interessante, quando o taxista retirou as mochilas deles do porta malas, deu pra entender ele dizendo “essa é a igreja que vocês têm que esperar” o homem franzino claramente não entendia espanhol como constatei depois, foi ai que o taxista olhou pra mim e disse: - Olha, eles devem ir no mesmo passeio que você, fica perto deles e ajuda no embarque. Eu só sorri afirmativamente. A princípio eles ficaram bem receosos, na deles mesmo, depois o homem tirou uma moeda do bolso e deu para um dos mendigos que estavam no alto da escadaria junto à porta de entrada da igreja, nesse momento a fila de idosos ao lado ainda era pequena, notei que ele comentou algo com sua mulher e era no sentido de surpresa diante daquela pobreza toda, foi então que puxei assunto com ela, o básico de inglês a gente sabe – apesar de demorar em entender a nacionalidade deles – depois disso tudo, fluiu, indiquei o café do outro lado da rua e vi que iriamos no mesmo passeio. Quando falamos que somos brasileiros eles abrem um sorriso muito bacana de se ver, é bem legal mesmo. Depois fiquei pensando, a gente se acha louco, mas imagina um casal de israelenses, sem falar nada do idioma local, e sem ter noção da realidade local, porque o modo como ele se impressionou com aquele pedinte, foi no mínimo interessante de se observar, no mais, se aquele taxista fosse um mal caráter, ele poderia sacanear ou dar um golpe tranquilamente em ambos, acho que o universo é muito bom para nós mochileiros, porque se fossemos pensar mesmo, não sairíamos do nosso bairro e a vida nem valeria a pena.

 

            Quando nossa van chegou foi uma luta pra entrar com mochilão, mochila e garrafa d’água, parecia uma sardinha dentro, éramos um grupo bem grande de pessoas, em torno de quinze creio, e a maior parte brasileiros, foi uma festa só, ao longo do caminho passamos pela cidade de El Alto, quando subi com Rodrigo pelo teleférico ele passou algumas informações sobre a cidade, mas disse que não havia muitos pontos de interesse para se conhecer, as impressões que tive é que o transito é ainda mais intenso que o de La Paz e as feiras de rua ainda maiores.

            À medida que as duas cidades vão ficando para traz é possível notar a imensidão urbana que ambas formam, e a medida que nos aproximamos da montanha, a vista do caminho, uma estradinha íngreme – onde não passam dois veículos lado a lado, com muitas pedras e neve – e que vai serpenteando a montanha em curvas e mais curvas é sensacional, logo acima podemos avistar os cumes das várias montanhas que rodeiam La Paz, todos ainda com neve, é uma imagem indescritível, mesmo.

 

DICA: Deixe para fazer a subida à montanha no seu último na cidade, para assim auxiliar a aclimatização devido a grande altitude em que está se encontra, a base de onde partimos para o cume está a 5.300 metros de altitude, sendo que a subida para o topo é bem íngreme, de 300 metros, com seu ponto final nos 5.421metros de altitude.

O modo mais fácil e seguro para chegar a Chacautaya é por intermédio das agências, elas oferecem o transporte, guia e incluem o Valle de La Luna no passeio, pelo menos na No Fear não havia diferença de preços com ou sem o Valle, então fechei o pacote dos dois passeios pelos mesmos cem bolivianos, mais as entradas que possuem ingresso pago a parte. Pra quem quer fazer de modo independente também é possível, basta contratar um táxi e pagar a entrada, esse trajeto de descida da base pela estrada de acesso é feito também por ciclistas em busca de muita emoção, pois não há defensas para salvar pessoas tipo eu, que saem capotando por ai, por fim o preço acaba sendo maior, no entanto não haverá limite de tempo para ficar na montanha nem a convivência com outras pessoas, caso prefira. Por fim, agora sim, também há como personalizar o passeio na própria agência, mas isso depende de um grande numero de pessoas no grupo ou desembolsar um valor maior, assim além de ficar mais tempo, ainda existe a opção de caminhar até o outro lado da montanha, onde o carro da agência recolhe os aventureiros.

E independente do modo como vai, leve roupas de frio, venta muito no topo e dependendo de como for sua caminhada e do grupo, você poderá passar mais tempo lá, óculos de sol é indispensável assim como protetor solar, água e algo que de energia rápido como chocolate, alguma fruta ou barras de cereais.

 

            A sede da estação está completamente abandonada, assim sendo não havia muito que ver nesse espaço, logo iniciamos a subida e foi ai que eu senti a altitude de vez, o coração dispara, tropeça quase para, só pode que o Tiago Iorc foi compor lá essa música, porque é assim mesmo, simplesmente a gente puxa e não vem oxigênio, o coração palpita muito forte e falta força pra continuar a subida, o frio também vem forte com o vento, acabou que fui ficando para traz, e precisava parar a cada dez passos no começo. Além de mim outro brasileiro também estava bem cansado, mas nem de longe ofegante como eu, e ainda aproveitava para parar e tirar um monte de fotos, a israelense não conseguiu dar continuidade, em compensação o marido dela acompanhou ela até o terço da montanha, me ultrapassou correndo, foi até a metade, voltou para vê-la e depois voltou a me ultrapassar já na metade do caminho, Nossa Senhora que fôlego e eu que não dava um boliviano por ele, acabou que eu e o outro brasileiro fomos um incentivando o outro, quando cheguei na metade parava a cada vinte passos e quando já dava pra ver o topo a cada trinta, acaba que a gente vai pegando o ritmo com passadas mais curtas e ritmadas, mas o incentivo ajuda muito além de um pouco de chocolate que tinha levado (ainda do downhill), só depois de comê-lo que consegui ter mais um pouco de forças, quando chegamos ao topo, valeu de mais tudo, é uma sensação de superação sem igual, ventava muito, mas a vista era magnífica, ao horizonte, bem longe é possível ter um vislumbre do Titicaca, além das várias outras montanhas que cercam La Paz e que são muito mais desafiadoras como a Huayana Potosí, que o Rodrigo era guia e me convidou para escalar em uma próxima oportunidade.

            Tão logo chegamos, já iniciamos a descida, nosso grupo estava só nos esperando mesmo e torcendo por nós – isso é muito bacana –, estava usando meu coturno e tirando a parte que machucava os dedos, ele deu conta do recado, fui o primeiro a chegar à base, para surpresa de todos, o segredo é saber onde pisar, pois há muitas pedras soltas e tínhamos que manter uma distância de quem ia a nossa frente para evitar acidentes, já disse que na descida todo santo ajuda e graças a Deus não ocorreu nada de errado com ninguém do grupo. Quando voltamos à base é que a maioria do pessoal começou a sentir os efeitos da altitude, algo que agora não ocorria comigo, as principais reclamações eram de dor de cabeça e tontura, momento de dividirmos água, algumas folhas de coca que sobraram e irmos para a van, onde o pessoal mais afetado poderia descansar. A descida da base pela estrada de acesso foi bem mais emocionante que a subida, mas o motorista era fera e deu conta tranquilo, mesmo tendo um momento onde todos congelaram, pois a neve havia derretido um pouco e invadido ainda mais a estreita pista, mas fora isso foi tranquilo, muito mais de que ter que voltar a La Paz e cruzar toda a cidade em horário de pico para irmos ao Valle de la Luna.

            Se ver o caótico trânsito de La Paz era engraçado, estar nele era horrível, acho que demoramos quase quatro horas para atravessar toda a cidade, por mais que o motorista escolhesse ruas alternativas, sempre tinha que voltar para alguma via principal, e ai era espera e mais espera, todos já estavam impacientes dentro da van, até os paulistanos acostumados aos engarrafamentos da metrópole brasileira, aproveitei pra conhecer melhor o pessoal, só não me pergunte o nome deles, mas de resto eram tudo gente boa. Já haviam feito Cusco e então fui pegando umas dicas, principalmente para a Montanha Colorida, acabou que fiquei completamente desanimado, o mesmo parceiro que subiu em ritmo mais lento para fazer a Chacaltaya comigo mais cedo, havia feito a Rainbow Mountain e me relatou da dificuldade que teve, idêntico a mim mais cedo – apesar de ir lentamente, ele não sentiu a falta de ar – a diferença entre as montanhas, segundo ele, é que a Chacaltaya é mais íngreme, no entanto nós já a iniciamos praticamente no topo, já a Rainbow tem um percurso de oito quilômetros para serem vencidos em mais ou menos oito horas, se for por agência, sendo que seu início se da nos 4.000 metros de altitude e termina nos 5.200 de altitude, ou seja, é muito mais desgastante, mas isso era coisa para se preocupar depois, em Cusco.

            Pois bem, vencido o trânsito, chegamos ao famoso Valle de la Luna, o lugar possui uma estrutura massa, pagamos a entrada e logo tivemos acesso aos banheiros, e depois começamos o passeio, a geologia do lugar é realmente muito diferente, possível de ser notada em alguns paredões que circundam a cidade, mas ali podemos ver de perto, tocar e caminhar pelas passarelas entre os diferentes terrenos, segundo o guia, o americano Neil Armstrong foi quem comparou o lugar ao terreno lunar ao conhecer La Paz ainda na década de sessenta do século passado. E realmente é muito diferente de tudo que já havia visto, mas confesso que imaginava a lua diferente, mas enfim, quem sou eu.

 

DICA: Se quiser fazer o passeio ao Valle por conta, é mais que possível, ele fica a menos de trinta minutos do centro e é possível chegar de ônibus ou táxi – pagar a entrada que é em separado mesmo até pelas agências –, a diferença é que a agência disponibiliza um guia que vai explicando algumas curiosidades no caminho, acredito muito que compense fazer o passeio casado por agência, Chacaltaya e Valle, é só ir preparado para enfrentar uma temperatura negativa no topo da montanha e depois alternar para mais de 30º C durante o passeio a tarde em um ambiente desértico, que tudo dará certo. Durante nosso passeio encontrei o Lucas e americana, diga-se de passagem, eles estavam por conta, como a maioria dos passeios que estavam fazendo nos seus mochilões, mesmo trocando contato, acabou que não conseguimos nos falar mais, mas foram grandes amigos durante o período em que estivemos juntos, tipo aquele lance de atrair quem está na mesma sintonia que a gente, gratidão.

 

            Acabado o passeio, a van me deixou em frente à No Fear, me despedi do grupo que seguiria para o Brasil – como pessoas normais que eram, La Paz é geralmente o ponto final dos mochileiros –, já eu estava apenas no início de meu mochilão e agora iria caminhando em direção a rodoviária, as dicas do Rodrigo já tinham se ido da minha cabeça a tempo, estava confiando nos aplicativos do celular, mas como queria um caminho menos movimentado que a avenida principal, tentei seguir pelas ruas paralelas, tentei me organizar sentado em um movimentado ponto de ônibus na praça da Igreja São Francisco, o objetivo era mentalizar os mapas para evitar ficar sacando o telefone a todo momento, um mochilão, uma mochila, um garrafão de água, aqueles coturnos e a rodoviária que parecia tão perto no mapa, só parecia mesmo.

            Atravessei a avenida para ir em direção a rodoviária, mas era uma passagem subterrânea um tanto estranha, pensamos, “se não formos roubados agora, depois que não seremos mais”. Acabou que nem foi tão perigoso assim, é só fazer cara de mal e sair gritando, eu sou Zé Pequeno porra, as pessoas respeitam a gente.

            Mas voltando a falar sério, sai em uma rua muito estranha, então fui subindo para uma mais movimentada logo acima, aquele dia eu não estava nada bem, a cada meia quadra eu tinha que fazer uma parada pra descansar, tipo sentar e descansar mesmo, não tinha fôlego para encarar nem as descidas mais longas, quando pensei em pegar um táxi o preço cobrado era o mesmo que no dia em que fui da rodoviária para o hostel, pensei com meu eu, “deve ser essa cara de doença sua”, porque não era possível, pra variar meu mapa no telefone não estava abrindo agora, os créditos haviam acabado e eu não sabia que tinha que salvar os mapas com antecedência para ter acesso off, Windows Phone, perfeito. Fui tentando me comunicar com as pessoas, pra pegar a direção correta, não tenho certeza quantos pares de vezes ouvi falarem, desce mais quatro quadras que é logo ali, depois mandavam voltar ou ir direção completamente oposta, continuei seguindo por onde achava certo, desci para ruas paralelas sempre que achei que podia estar ficando perigoso, e ia olhando o teleférico, ele era uma referência mais confiável, mas nessa altura sabia que estava bem longe da rodoviária, foi quando estava sentado nas escadarias em frente a saída de uma igreja que uma senhora muito distinta me olhou como se eu não fosse um mendigo e sorriu – certeza que foi um anjo que Deus mandou –, antes de responder por onde deveria ir, ela quis saber se estava bem ou precisava de ajuda, apesar de sentir uma fraqueza e falta de ar, estava bem inteiro, acho que o ódio pelo coturno me manteve vivo, depois que ela indicou certinho o trajeto, tive que andar mais um quilômetro, mas agora já reconhecia os pontos que o Rodrigo me indicou, quando cheguei na esquina que da de frente ao terminal foi um grande alívio, depois dessa estava pronto pra outra como viesse, ah tá.

            Cheguei ao terminal pouco depois das quatro da tarde, fui à procura das agências que vendem a passagem para Uyuni, o pessoal na entrada fica gritando o tempo todo anunciando os destinos e tentando captar os passageiros que chegam, dei uma volta por todo o lado direito e depois fui voltando pelo esquerdo, já perto do meio da estação encontrei duas agências que faziam o trajeto para Uyuni, escolhi a Titicaca (Trans Titicaca Bolívia), não estava esperando muito do ônibus apesar da fotografia estampada na parede – só perguntei se teria banheiro e ela prontamente afirmou que sim –, marquei meu assento, preenchi a burocracia toda a mão, na hora de pagar a moça não tinha troco, então aproveitei para ir comprar umas frutas e trocar o dinheiro pra ela, paguei a passagem, depois o ticket de uso do terminal e fui aguardar o embarque que só ocorreria as 22h00min, mas tinha que estar na plataforma de embarque trinta minutos antes, a outra agência tinha previsão de saída as oito da noite, mas chegaria as cinco da manhã em Uyuni, nos relatos era isso mesmo, mas optei por chegar mais tarde, ainda bem por isso.

            Quando deu o 21h30min fui em direção ao embarque, o ônibus já estava na plataforma, pelo menos no terminal da capital os horários são cumpridos a risca com muita organização, e surpresa, foi o melhor ônibus que andei na vida, três poltronas leito por fileira, jantar, que comi tudo, diga-se de passagem, no entanto no banheiro só se pode urinar, só fui descobrir depois de me encher de banana e do leve jantar oferecido, bom que não precisei usá-lo para outros fins, depois de conferirem que todos haviam pagado a taxa de uso do terminal, fomos liberados para seguir viagem pela noite que passaria mais frio em minha vida, pelo menos até o presente momento dessa escrita.

 

GASTOS: Dia 19.09 (quarta-feira).

 

Água 6 litros = Bs 16,00

Entrada Chacaltaya = Bs 15,00

Gorjeta para o guia (ele foi muito atencioso na subida da montanha) = Bs 20,00

Entrada Valle de la Luna = Bs 15,00

Passagem para Uyuni (Titicaca) = Bs 130,00

Uma caixa de suco de maçã e 05 bananas = Bs 9,00

Taxa de uso do terminal = Bs 1,50

Balas, caneta e moedas para cholas = Bs 5,00

 

TOTAL DOS GASTOS – Bs 211,50 / R$ 133,00 na saída de La Paz.

Observando o movimento da cidade enquanto aguardava a van para irmos a Chacaltaya.

WP_20180919_08_19_59_Pro.thumb.jpg.044e6276cda29429fb28f38c653b4ea6.jpg

 

Caminho para Chacaltaya.

WP_20180919_09_32_56_Pro.thumb.jpg.e69aceb71a3f3852d9ee011979a77ff5.jpg

 

Estação de sky desativada e ponto de partida para o cume.

WP_20180919_10_16_30_Pro.thumb.jpg.5e4146cc07dd8eafb7c268b3e3c57954.jpg

 

Enfim no topo.

WP_20180919_11_03_09_Pro.thumb.jpg.d098c6a681452f49a640d988217fb95c.jpg

 

É neve mesmo.

WP_20180919_11_04_11_Pro.thumb.jpg.a58fedf3fdde033ffa96b1224c6e5676.jpg

 

Entrada de Valle de la Luna.

WP_20180919_13_31_53_Pro.thumb.jpg.030bcff52df2fc856e0c4c089665f6ef.jpg

 

E olha quem encontrei no passeio, minha dupla preferida.

WP_20180919_13_55_41_Pro.thumb.jpg.c74fd9e259da5b3da549088c2af7e8c2.jpg

 

Valle de la Luna, segundo o guia, Armstrong revelou ser essa geologia similar a da lua, com exceção da vegetação e vida.

WP_20180919_14_02_21_Pro.thumb.jpg.d4ffc11037ad23b333a8014a437891ec.jpg

 

Agência Titicaca, já no terminal rodoviário.

WP_20180919_21_35_07_Pro.thumb.jpg.d7cc6d665ae7a4b6730f65c7796381ba.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

UYUNI

 

Ainda no terminal de La Paz estava sentindo um frio absurdo que só foi aumentando dentro do ônibus, então logo após terminar minha pequena refeição e no apagar das luzes dei um jeito de vestir meu conjunto segunda pele, calça moletom, minha camisa, a blusa fleece, gorro e luvas, era tudo o que tinha na mochila de ataque, pois havia deixado minha jaqueta no mochilão acreditando que não faria tanto frio dentro do ônibus, mas pelo amor de todos os santos, eu estava simplesmente tremendo, e fui alternando entre dormir e tremer de frio, quando acordava tremendo conseguia ainda olhar a excelente estrada e sua vista – escolhi a poltrona três com visão panorâmica, mas logo dava um jeito de cair no sono de novo, assim tinha menos percepção do frio, que insistia em me acordar – e foi essa luta o caminho todo até chegarmos à pequena Uyuni antes das sete da manhã, quando o ônibus parou já estávamos sob a luz do sol há um tempo, minha esperança era que ele começasse a aquecer o ar logo, mas a sensação de frio só aumentava e quando desci do ônibus só fazia tremer e soltar fumaça pela boca, nariz e acho que até orelhas. Chegou um momento que estava na fila para pegar o mochilão e não conseguia mais controlar de tanto que tremia, me afastei até a calçada – não há terminal de ônibus na cidade – e soltei o meu inseparável garrafão de água, nesse momento um senhor me abordou para fechar o passeio para o salar – super normal, o pessoal fica há espera dos ônibus que vem lotados de mochileiros e turistas e ficam em cima da gente que nem agentes de turismo mesmo –, acho que meu cérebro congelou por um minuto e só disse que iria pegar meu mochilão e esperar uns amigos brasileiros para irmos juntos – apesar de congelando, lembrei das dicas de não aceitar o primeiro que aparecesse, mas a dica quase correta é, perguntar o preço e depois ver se há alguém mais barato – no momento essa foi a única desculpa que consegui pensar, e não era totalmente mentira, ainda no ônibus havia ouvido um sotaque português muito nítido, minha esperança era encontrá-los enquanto pegava meu mochilão, mas após fazê-lo e não ouvir nada, fui indo em direção ao meu garrafão, que sempre permaneceu no meu campo de visão, e depois de pegá-lo, já me afastando um pouco da multidão, nesse momento um outro senhor aparece diante de mim e pergunta se eu já tinha agência, só falei que não e dessa vez perguntei seu preço, quando ouvi que estava abaixo das minhas referências de relato abri um sorriso, mas ainda havia outra questão a perguntar e antes de abrir a boca ele já emendou, vamos até a agência que lá tem um aquecedor e depois vou te levar em uma cafeteria pra que possa comer algo quente, se ele tivesse dito isso antes de falar o preço eu já teria ido com ele de cara, mas mesmo tremendo igual uma vara verde (nunca vi, mas minha avó sempre usa essa comparação) ainda estava raciocinando bem, e morrer de frio parecia a coisa mais urgente a se evitar no momento, a questão do passeio poderíamos ver depois.

 

DICA: A travessia do salar é feita por várias agências, procure sempre as diretas ao invés das intermediárias, a mais conhecida é a Esmeralda Tours, mas a operadora em que fechei o pacote foi a Ever Green Travel, acabei dando muita sorte, pois o meu pacote incluía o passeio pelo salar de três dias e duas noites, as refeições, acomodações de pernoite e o transfer da fronteira até San Pedro do Atacama já no Chile, tudo por Bs 750,00 – enquanto que outras pessoas no meu grupo que fecharam diretamente tiveram que pagar cinquenta bolivianos a mais pelo mesmo pacote. Segundo o dono da agência faltava apenas uma pessoa para fechar a “cota” dele, e essa cara era eu.

Existem várias modalidades de passeio, desde apenas um dia, dois e uma noite, e mais que três dias e duas noites, apesar deste ser o mais popular por fazer a ligação entre a Bolívia e Chile, a faixa de preços vai variar conforme o nível de experiência e personalização que estiver disposto a vivênciar, os passeios são fechados em grupos de seis pessoas mais o motorista, que será o responsável pelo grupo durante todo o tempo, desde a questão das refeições, rotas, lugares de parada, ajuda com as fotos em perspectiva, e horários.

Quando disse mais acima que a dica quase correta era ver o preço de várias agências antes de fechar com a mais barata, o “quase” fica por conta da qualidade do serviço que também deve ser levado em consideração, preços muito abaixo dos encontrados em relatos, por exemplo, podem envolver veículos em péssimas condições, problemas com os motoristas, entre outros, por isso procure agências referenciadas, já que ter problemas nesse tipo de passeio pode ser algo bem complicado.

Outra dica é fazer o passeio a partir da Bolívia para o Chile, ele acaba sendo em média, vinte por cento mais barato do que o caminho inverso, tudo no Chile é mais caro – tudo.

 

Quando li os relatos da chegada em Uyuni, não me lembro de ler sobre essa abordagem das agências, acho que justamente por que o pessoal chegava no primeiro horário a cidade, entre quatro e cinco da manhã, nesse caso o pessoal descia dos ônibus e iam direto para as cafeterias em busca de fugir da morte congelante – isso é unanimidade, mas só me apercebi quando estava lá – e uma vez lá dentro são abordados ou conseguem formas grupos e se organizar para ir em busca das agências e fechar os passeios. Já o meu caso foi diferente, após seguir com o senhor para seu veículo e depois para a agência, ele ligou o aquecedor e foi me mostrando como seria o passeio, todos os pontos de passagem, o transfer incluso, o modelo de veículo, os valores que deveria ter disponível para fazer a travessia, entre outras coisas – mas só de estar em um lugar quente eu já estava bem mais feliz, como o preço estava abaixo do que esperava, fiquei um pouco preocupado com a qualidade do serviço, mas só poderia confirmar depois que começasse o passeio – a única coisa que pedi com um pouco de ênfase foi a possibilidade de me encaixar em um grupo que tivesse algum brasileiro ou falante de português, e ele disse que conseguiria fazer esse encaixe, mas precisaria sair pra confirmar antes, e me deixaria aguardando um pouco na agência para depois me levar a cafeteria.

 

MOMENTO DESABAFO: Essa viagem foi muito abençoada, quando me levantei com meu garrafão de água, o agente da Ever Green parecia que estava me observando, só aguardando para me abordar, apesar do frio fiquei receoso de que pudesse ser algum golpe, cara a gente tá sozinho, entrando em um carro com um completo desconhecido, acho que o Brasil cria uma paranoia tão grande na gente que tudo pensamos ser algum tipo de golpe, ou coisa de serial killer, quando não é, ou oremos pra não ser né. No mais se ele não tivesse aparecido, sinceramente não tinha muita noção do que fazer, nos relatos base para o meu, o pessoal ia em direção as cafeterias, mas no momento ficamos muito perdidos, é muito frio mesmo, por isso procure, se possível, alguma companhia, vá muito bem aquecido, e se conseguir falar, pergunte onde ficam os lugares para comer algo, a cidade é bem pequena, uma vez nesses ambientes tem wi-fi e aquecimento, dai pra resolver qualquer problema é um pulo.

 

Assim que paguei o passeio ele me levou até a cafeteria para que pudesse comer alguma coisa enquanto ele agilizaria os preparativos para o passeio, agora já não estava mais tão frio e na sua ausência me livrei do conjunto segunda pele, à medida que o sol vai aquecendo o ar, tudo fica mais suportável, mas aquela madrugada havia feito dois graus negativos, por isso de todo aquele frio que senti. Já na cafeteria tomei um café americano e antes de sair usei a casa de banho do estabelecimento, já que durante o passeio acesso a banheiro só nas paradas ou na hospedagem ao fim do dia. De volta à agência, agora aberta, ainda demoraríamos mais uma hora para partir, então pedi algumas dicas para chegar a uma casa de câmbio, já que tinha o dinheiro contado para finalizar o passeio, mas precisava compra mais algumas coisas, além do que queria conhecer um pouco da pequena cidade, agora muito simpática aos meus olhos, com o sol no céu e sem aquele frio tremulante.

Tirei fotos da praça e outros monumentos, depois aproveitei para comprar uma meia de lã grossa, nem tanto pelo frio, mas por conta do coturno que engolia minhas meias à medida que ia andando e como ele seria meu parceiro de caminhada pelos próximos três dias – tínhamos que nos acertar de um modo ou de outro, triste ilusão –, como já estava lá aproveitei pra comprar um cachecol também, achei muito colorido como tudo na Bolívia, mas era bacaninha. Depois continuei minha jornada em busca das casas de câmbio, só achei uma aberta e o preço era o pior de toda a viagem, troquei o básico apenas para garantir que teria dinheiro boliviano até minha chegada ao Chile.

 

DICA: Apesar de não ter levado dólares e do real estar no pior momento do ano devido às incertezas da eleição, deveria ter me atentado mais para a questão cambial, cidades muito turísticas são péssimas pra troca de moeda, Uyuni e posteriormente San Pedro foram prova disto, enquanto em La Paz paguei R$ 1,00 por cada Bs 1,60 – em Uyuni por cada real só consegui Bs 1,40. A diferença no Chile foi mais ou menos parecida, a cada R$ 1,00 consegui apenas S 140,00 - 145,00 – enquanto a cotação do dia marcava para cada real S 160,00 (pesos chilenos). Se tivesse sido um pouco mais esperto, teria comprado a moeda chilena em La Paz mesmo. Para ter certeza basta interagir nos fóruns e comunidades de viajantes e perguntar como está a cotação nessas cidades mais turísticas e procurar a cotação do dia na internet, nas grandes cidades e capitais fora do país de origem, a variação negativa ocorre, mas é bem menor do que em cidades turísticas dentro do próprio país, uma mochileira que encontrei em San Pedro havia cambiado dinheiro em La Paz com uma cotação em pesos chilenos muito melhor do que eu estava pagando em San Pedro, dentro do próprio Chile. E por ultimo, nem todas as casas de câmbio aceitam a moeda brasileira, logo quanto menos concorrência, menor a oferta e maior o custo.

 

Na volta aproveitei pra comprar mais água e um refrigerante, o motivo da água era para ter uma garrafa menor durante a viagem já que ficar com o garrafão o tempo todo era de mais também, quando retornei na agência estava tudo pronto, terminei de pegar o que usaria no dia e coloquei na mochila de ataque – o mochilão vai em cima do carro muito bem amarado e coberto, então pegue o que vai necessitar porque depois só na parada pela noite – o principal a não se esquecer são os lenços umedecidos, protetor solar, papel higiênico pra ficar tranquilo e uma blusa de frio, estou contando que nesse momento você já estará apenas de camiseta e com óculos de sol no rosto. Como ainda faltavam alguns minutos coloquei o telefone pra carregar e esperamos mais um pouco enquanto a caminhonete havia ido buscar o pessoal do meu grupo em uma das cafeterias, depois de voltar para a agência iriamos seguir direto para o primeiro ponto do passeio – o cemitério de trens.

 

GASTOS: Dia 20.09 (quinta-feira).

 

Passeio Salar de Uyuni (três dias e duas noites + refeições + pernoites + transfer até San Pedro do Atacama) = Bs 750,00

Café Americano (dois pães, geléia, café com leite e um copo de suco) = Bs 23,00

Uma meia de lã e cachecol = Bs 45,00

Bebidas (agua 2l + Sprite 500 ml) = Bs 12,00

Troca de moeda (R$ 1,00 = Bs 1,40) – R$ 50,00 = Bs 70,00

 

TOTAL DOS GASTOS – Bs 830,00 / R$ 518,75 em Uyuni

 

Prédio público em Uyuni.

WP_20180920_09_01_30_Pro.thumb.jpg.d2a7d7305e591ff3d663d2b513781843.jpg

 

Prédio do relógio na praça principal.

WP_20180920_09_01_37_Pro.thumb.jpg.0b360ff99143f4777b2064637216bba4.jpg

 

Monumento Dakar.

WP_20180920_09_20_10_Pro.thumb.jpg.8baab9196267ad07d4622fb912bf3a21.jpg

 

Antes de viver do turismo a cidade era essencialmente mineira, e seu surgimento teve forte ligamento com uma linha ferroviária, na rua onde se encontram boa parte das agência, inclusive a Ever Green, há vários monumentos recontando essa história.

WP_20180920_09_45_56_Pro.thumb.jpg.287325bab87736a40612e4910b3ed1a4.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

O SALAR

 

Quando entrei no carro dei de cara com o grupo que seriam meus companheiros pelos próximos dias de viagem pelo salar, o motorista Carlos, boliviano que ganha à vida trabalhando como guia já a um bom tempo, no princípio um tanto calado e na dele, mas foi fundamental para todo o passeio ter transcorrido perfeitamente, além de mandar bem na cozinha foi o responsável por nossas fotos panorâmicas em perspectiva, além da melhor playlist possível. Ao seu lado o navegador Renato, brazuca, que não era bem um navegador como num rally, ele era turista igual nós, mas um cara com uma energia lá em cima, muito viajado e comunicativo, e com uma força de palavra muito grande. Como fui ao meio atrás, ao meu lado tive a companhia de duas mulheres incríveis, a Sinara – moradora da capital paulista super conectada e pró ativa – e a Neuza, uma portuguesa que estava em um mochilão de oito meses até então, começou pela Ásia e terminaria no Brasil, quando então voltaria para casa, todos falantes da língua portuguesa, quando nos demos conta da mais que feliz coincidência foi uma alegria geral, não só porque éramos todos lusófonos, mas nosso grupo estava em uma energia muito bacana, na mesma sintonia mesmo, tanto que não tivemos nenhum tipo de problema de interação nem convivência, pelo contrário, viramos amigos de infância e viagem, pelo menos enquanto durou, ainda haviam dois integrantes que iriam se juntar a nós nesse dia ao longo do salar, um casal francês de amigos, e que foram uma grata surpresa, mais a frente revelo o por quê do grata.

O primeiro ponto de parada foi o cemitério de trens, um lugar aos arredores da cidade onde ficaram depositados vários vagões e locomotivas já em avançado estado de deterioração devido estarem expostos às intempéries, apesar de não ter nada de especial na atração e não haver por parte dos guias nenhuma explicação voluntária do porque daquilo tudo, é um bom lugar para tirar algumas fotos, mesmo estando repleto de turistas, tipo, muitos mesmo, vale o registro e é uma primeira forma de interação do grupo. Nesse momento me dei conta que havia deixado meu celular carregando na agência, por sorte ainda estávamos perto da cidade e o dono da agência prontamente atendeu ao pedido de Carlos para trazer o celular até ali, mas isso era só um prenuncio do que aguardava meu parceiro de viagem. Acabou que ainda deu tempo de tirar umas fotos do lugar e não deixar passar em branco.

De volta ao carro agora era hora de começarmos a adentrar o salar, num primeiro momento de transição é uma mistura das cores de terra e o branco do sal, mas quanto mais avançamos mais o branco vai dominando a paisagem até que a sensação é como se estivéssemos em meio a mais pura neve até onde a vista alcança. Primeiro fizemos uma rápida parada obrigatória em um vilarejo onde se vendem de tudo para turistas com um pouco mais de grana, coisa obrigatória mesmo e tão logo olhamos por olhar uns suvenires e tiramos algumas fotos, já demos seguimento à viagem. Ainda em meio a essa área de transição paramos rapidamente para observarmos uma espécie de mina d’água em meio ao deserto de sal, com propriedades curativas, mas não recomendáveis, claro que como bons turistas que somos aproveitamos mais do que a explicação de Carlos e provamos para ver se a água que brotava era salgada mesmo, e é era, tipo de parar os rins e cair à língua, mas estamos todos vivos para contar a história.

Depois dessa rápida experiência que pode nem ser vivida a depender do motorista, a próxima parada era um ponto de apoio onde faríamos nossa refeição de almoço, o local é muito bacana, conta com banheiros e mesas onde cada grupo é servido, o preparo da comida fica por conta do guia que nos liberou para conhecer os arredores enquanto ele preparava tudo. Nesse ponto há um monumento do Rally Dakar, além da praça das bandeiras de todos os países que por ali, alguém passou, e claro que a brasileira estava mais que presente, e apesar da concorrência e disputa, deu pra todo mundo fazer seu registro, nem que para isso tenha que ser no grito e correria, ainda bem que estava muito bem acompanhado porque não sou muito disso, ou melhor, não era. A comida era simples e gostosa, acho que pela primeira vez comi carne de lhama, mesmo o guia tendo dito que não, com um riso sínico na cara, mas a menos que os bois da região – que nem existem, diga-se de passagem – mudem de gosto devido a altitude, aquilo era lhama, e como comi lhama sabendo que era lhama depois, aquilo era lhama, ou melhor, alpaca.

A tarde foi para conhecer o salar, agora já éramos um ponto naquele infinito branco, em dado momento começamos a puxar assunto com nosso motorista calado, ai nosso navegador de bordo indagou o que ocorreria se ocorresse algum imprevisto como um pneu furado – já que estávamos em meio a um deserto de verdade, mas ao invés de areia como logo pensaríamos, era sal que tínhamos em nosso arredor – acho que deu tempo para o Carlos responder e bingo, um pneu furou, não foi por acaso que disse que Renato tem um grande poder de palavra, apesar de um constrangimento inicial e muito riso, rapidamente nosso motorista resolveu o problema com a ajuda de outro carro que estava por perto, tática que eles usam para evitar problemas como de se perderem na imensidão do salar.

Problema resolvido, demos seguimento ao passeio pelo deserto branco, até que paramos para fazer a tomada de fotos obrigatória desse momento, por ser muito plano e só ter o azul do céu e o branco do sal como tela de fundo, basta um pouco de imaginação e um bom fotografo para criarmos vários cenários diferentes e brincar com as perspectivas e objetos a mão, no nosso caso, o Carlos desempenhou as funções de fotografo já que estávamos apanhando um bocado para pegar as manhas, e ainda usamos um dinossauro de brinquedo e um rolo de papel higiênico, não sei quanto tempo durou toda aquela brincadeira, mas acredito ter sido para todos do grupo, o ponto alto do passeio naquele dia, claro que vimos muita coisa linda, paisagens de tirar o folego, mas essa interação em grupo foi algo simplesmente sensacional.

 

DICA: Capriche no protetor solar, protetor labial e não esqueça os óculos de sol, apesar de ventar muito e dar uma sensação de frio constante, o sol também não da trégua e queima, muito.

 

Fotos tiradas, agora seguimos para o próximo ponto de parada, a Isla Incahuasi, também conhecida como ilha dos cactos gigantes, é um lugar muito intrigante, onde algumas plantas conseguem se desenvolver há algumas centenas de anos, o local é o topo de um vulcão que ficou submerso no processo de formação do salar. Depois de pagarmos a entrada para a trilha e que também da acesso aos banheiros, podemos percorrer um caminho demarcado que leva no seu ponto mais alto ao mirante da Plaza 1º de Agosto, de lá podemos ver todo o salar e a cordilheira ao fundo, além da Ilha do Pescado, os carros e pessoas na entrada, outros carros ao longe cruzando a imensidão do salar, enfim, o caminho é muito tranquilo e o guia nos dá o tempo necessário para percorrermos o percurso no nosso ritmo até voltar a base, junto a trilha também há estruturas que lembram ou são corais petrificados, muito interessantes e que provam as transformações que nosso planeta sofreu e continua sofrendo no seu processo de formação.

Nesse ponto recebemos a companhia do casal de franceses que completariam nosso grupo, no começo eles estavam meio na deles, mas tem que ser muito chato pra não se contagiar com um bando de brasileiros juntos, e bingo, eles estavam vibrando na mesma sintonia que nós, apesar do idioma ser uma barreira, com exceção de mim, todos arranhavam um inglês então deu pra fazer uma comunicação bacana e interagirmos mutuamente. Quando disse lá atrás sobre eles serem uma grata surpresa, é pela fama que os franceses carregam de serem um tanto metidos para nossos padrões tupiniquins, o que não era o caso, pelo menos não com eles.

Da Ilha dos cactos seguimos para outro ponto no salar para apreciar o pôr do sol, momento de mais fotos, tentar brincar com o sol em perspectiva, mas sem o Carlos para nos guiar, acabou que a tentativa de segurar o sol ou relembrar o Dragon Ball Z não ficou das melhores, mas rendeu muitas risadas. Depois que o sol se pôs, fomos conhecer nossa hospedagem onde passaríamos a noite, um hotel de sal em meio ao salar, agora não me recordo se tudo era de sal, mas o quarto era desde o chão até á cama. Uma vez instalados, além de uma deliciosa refeição que incluiu vinho, salsichas com batata e sopa, pode-se pagar por um banho quente, o que é aconselhável, tendo em vista que na noite seguinte essa opção se quer existe.

O dia começou cedo, café da manhã tomado, mochilões em cima da caminhonete e começamos o segundo dia pelo salar, na verdade a partir desse ponto já começamos deixar o branco do salar para avançarmos em direção a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, o primeiro ponto de parada foram os trilhos de trem que um dia já cortaram toda a região, rápido momento para fotos e para apreciarmos os picos que circundam toda a paisagem, depois fomos convidados a explorar algumas formações rochosas esculpidas pela erosão do vento, a visão dos vários picos de montanhas e vulcões com o céu e sol logo acima dão uma perspectiva de dimensões únicas, nesse dia também começou a visita nas lagoas da região, são várias, no entanto estavam já bem secas devido a época do ano, o período de chuvas só teria início na próxima estação e os picos das montanhas quase já não tinham mais neve que após o período de chuvas são responsáveis por manterem os lagos cheios de água e vida devido ao degelo.

Nosso almoço foi junto à Laguna Hedionda, nela havia um bom grupo de flamingos, além do cheiro forte por conta dos elementos minerais que compõe toda sua formação, na verdade são a misturas de diferentes elementos que dão as diferentes colorações as lagoas da região, além da lagoa, o local conta com uma estrutura receptiva aos turistas, o que inclui restaurantes, banheiros e locais para pernoite, tudo muito colorido, nesse dia nada de lhama, o almoço foi frango e acho que tivemos arroz também, comida boa e deliciosa e o melhor, sem dores de barriga. Depois do almoço descansamos um pouco em algum ponto longe do sol que castigava, ou simplesmente fomos apreciar a vista da enorme lagoa. À tarde o ponto alto do passeio foi a Arbol de Piedra no deserto de Siloli, já próximo a entrada da Reserva, ali além do monumento principal, podemos escalar as formações ao redor e tirar algumas fotos, antes, no trajeto ao longo do deserto, nosso motorista nos incentivou a descer e caminhar por um “labirinto de pedras” onde além das enormes rochas de ambos os lados, encontramos gelo, tipo do nada e derretendo ao sol da tarde, e também roedores conhecidos como Vizcachas, que nos rendeu boas fotos e risadas.

Tiveram outras lagoas das quais não vou me lembrar do nome, tanto neste dia quanto na manhã seguinte, mas são várias mesmo, no entanto o destaque fica para as principais, já as fotos não, qualquer poça – e se tinha um flamingo então – já era motivo de uma paradinha pra esticarmos as pernas e dar utilidade aos nossos celulares, já que sinal não existe. Por fim chegamos ao posto de controle de entrada das pessoas para acesso a Reserva, ali todos descem, pagam a entrada e podem carimbam o passaporte, já que é de graça, por que não. Depois seguimos até chegarmos ao ponto onde dormiríamos, junto a esse ponto fica a Laguna Colorada, de um vermelho lindo e nessa altura misturada ao branco de algum elemento mineral que estava aparente devido a seca, ao longe haviam alguns flamingos e o que o grupo foi fazer – descansar como os demais é que não foi – seguindo a liderança dos franceses, fomos um a um atrás do outro, a princípio a ideia era contornar a lagoa, mas chegamos em um terço dela e logo o sol iria se pôr, como ainda tínhamos que voltar, fomos um a um retornando – na verdade subestimamos seu tamanho e tivemos que admitir a derrota, além do que o vento forte e cada vez mais frio era bem convincente – de volta aos alojamentos, podemos enfim descansar um pouco até a hora do jantar, óbvio que como bons brasileiros que somos, pensamos em fazer uma fogueira ou pelo menos uma festa – coisa da Sinara, eu só dei o apoio imoral necessário –, mas essa possibilidade logo foi frustrada por nosso guia, dormir cedo era a única opção possível já que antes das cinco deveríamos estar em pé para iniciarmos o último dia de passeio.

Foi a noite mais fria de toda a viagem, menos dez Celsius, apesar de não ter sentido o frio, passamos uma noite bem agasalhados e saímos preparados para o primeiro ponto do passeio – os Gêiseres Sol de Mañana, o motivo de sairmos tão cedo é que a atividade dos gêiseres é mais intensa pela manhã, antes do sol nascer –, ainda no local de pernoite tomamos um quente café da manhã e nos preparamos para dividir o grupo, como Renato e nosso casal francês não seguiria para o Chile eles iriam em outro carro, neste primeiro momento apenas seus mochilões, nossa separação só ocorreria depois.

Nosso caminho até os gêiseres foi ao som de musica brasileira dos anos 90 e 2000, axé, sertanejo e Gabi Amarantos, acho que aqueles europeus nunca viram um bando de gente mais sem futuro que nós brasileiros, até prometer de fazer a coreografia da Joelma se tocasse Calipso foi prometido – não preciso nem dizer de quem partiu as ideias e animação, meu apoio era apenas imoral mesmo. O caminho até os gêiseres é feito mais ou menos em comboio pelos motoristas, e mesmo assim a chance de errar era grande, mas logo chegamos ao ponto de apreciação desse interessante fenômeno, apesar de estar bem escuro e não podermos avançar muito por entre as rochas esfumaçantes, foi muito valida essa experiência. Depois seguimos em direção aos banhos termais, que é opcional para cada um, dessa vez não entrei, apenas as meninas, e foi nesse ponto onde nosso grupo se dividiu, nos despedimos de nossos amigos de Salar que retornariam para Uyuni enquanto nós continuaríamos em direção ao Chile, eles ainda percorreriam os mesmos pontos que nós antes de encerrar o passeio, mas devido a logística, em outro carro que não iria até a fronteira.

De volta ao carro, seguimos agora na companhia de duas belgas para o Desierto de Dalí, o pintor espanhol – algumas de suas obras lembram muito as magnificas paisagens locais, mesmo ele nunca tendo estado ali. Um dos últimos pontos de parada antes da fronteira foi a Laguna Verde, aos pés do Vulcão Licancabur que divide Bolívia e Chile, a vista é indescritível de verdade, passados o momento de contemplação já era hora de começarmos a preparar os espíritos para a despedida dessa jornada, agora era encarar os tramites fronteiriços entre os dois países e seguir para uma nova etapa da viagem, San Pedro do Atacama.

 

DICA: O processo de saída da Bolívia é relativamente simples, antes de irmos em direção as vans que nos levam da fronteira para a cidade chilena, temos que dar baixa da nossa entrada no país, o escritório boliviano é bem simples, e o processo é apenas de carimbar o documento emitido na entrada, no entanto o agente de imigração boliviano cobra uma taxa para tal baixa, essa pratica é irregular, uma vez que tal cobrança não existe nem para a entrada, nem para a saída, em nenhum país por qual passei, diga-se de passagem. Como havia lido a respeito dessa ação já bem conhecida, combinei com a Sinara que não pagaríamos e que até falaríamos que éramos jornalistas se fosse necessário, algo que não foi preciso, no entanto fica a dica, apesar de ser um valor muito baixo, quinze bolivianos a época, o ato é ilegal e um exemplo claro de corrupção contra estrangeiros.

 

MOMENTO DESABAFO: A Sinara estava na minha frente no momento de passar pela imigração, dentro do escritório forma-se uma fila de quatro ou cinco pessoas, a desculpa dela para não pagar foi exigir um comprovante do pagamento da taxa, algo que se quer se cogita existir, pois é irregular, segundo ela o agente coçou a cabeça e a mandou embora sem pagar a taxa. Como fui logo em seguida, entreguei o passaporte e o papel de entrada emitido pela imigração em Guayaramerín, o agente sequer olha pra conferir se a gente é a gente mesmo, apenas pede o dinheiro enquanto prepara os papéis, como resposta ao seu pedido eu disse que era brasileiro e que minha embaixada não havia instruído em nada sobre pagamentos para saída da Bolívia – em um espanhol relativamente entendível e preparado com muita calma, mano – nesse momento o agente me fuzilou com os olhos e se levantou da cadeira, eu só pensei, tô fu****, vou ficar preso nos confins da Bolívia por conta de míseros quinze bolivianos. O agente foi até a fila e mandou todos esperarem do lado de fora e só entrarem um por vez após a saída de quem estava lá dentro – foram os segundos mais tensos de toda a viagem, naquele momento tinha certeza que seria preso ou no mínimo levaria umas cacetadas –, mas ele apenas se sentou com ódio, carimbou meu passaporte e mandou-me sumir dali, assim que voltei a respirar consegui sacar um sorriso de alívio na minha cara. Na verdade o que ele queria era que ninguém mais ouvisse para evitar novas recusas em pagar a propina. Mas além desse relato, acabei por ler outro onde um brasileiro quase fora preso por policiais bolivianos em meio ao trajeto por uma das estradas do país, mesmo estando com toda a documentação correta, o que os policiais queriam eram dinheiro para não criar problemas, enfim, ter sorte também é necessário para evitar esses tipos de situação na viagem por países com problemas institucionalizados de corrupção, depois desse momento, só torço para que nossos agentes de polícia e fronteira não ajam como alguns de nossos vizinhos, nem contra nós brasileiros – algo que nunca vi – e ainda menos contra estrangeiros, porque é o momento de maior fragilidade e impotência de um turista, estar no meio do nada, sem acesso aos meios de comunicação ou imprensa e ter que lidar com pessoas de baixo valor moral e humano.

 

GASTOS: Dia 20.09 (quinta-feira).

 

Entrada Isla Incahuasi = Bs 30,00

Banho Quente = Bs 10,00

 

GASTOS: Dia 21.09 (sexta-feira).

 

Entrada Reserva Eduardo Avaroa = Bs 150,00

 

GASTOS: Dia 22.09 (sábado pela manhã).

 

Bs 0,00

 

TOTAL DOS GASTOS – Bs 190,00 / R$ 122,85 no Salar.

 

Cemitério de Trens.

WP_20180920_11_32_43_Pro.thumb.jpg.2410b1ab036f9839a8fe56ed244f074d.jpg

 

Nascente d'água em meio ao salar.

WP_20180920_12_33_11_Pro.thumb.jpg.f687b504476be43e3324fce73307ffa2.jpg

 

Praça das bandeiras.

WP_20180920_13_05_01_Pro.thumb.jpg.47a6985aaf195a3a6f25330ff1c8f53c.jpg

 

Interior do ponto de parada para o primeiro dia de almoço.

WP_20180920_13_10_48_Pro.thumb.jpg.aa6d8c94f963070082d729e8e545afd3.jpg

 

Bastidores das fotografias em meio ao salar.

WP_20180920_15_06_04_Pro.thumb.jpg.8468e5f16191511b185cbf76853b4f1b.jpg

 

Ilha dos cactos.

WP_20180920_16_06_23_Pro.thumb.jpg.6630b8f6286fb13bdb5afad980cae6a1.jpg

 

Vista do salar a partir do mirante no topo da Ilha.

WP_20180920_16_12_30_Pro.thumb.jpg.e7f60841faba4f9906a0c6162f68cdaf.jpg

 

Pôr do sol na companhia do melhor grupo possível (a esquerda o casal de amigos franceses, ao fundo a portuguesa Nelza, e os brasileiros Renato e Sinara.

WP_20180920_18_03_00_Pro.thumb.jpg.339fac5f3eb702698e6ca25ddea81c4c.jpg

 

Vista da Laguna Hedionda.

WP_20180921_11_19_27_Pro.thumb.jpg.d8e62a4dd3e20ddc8f4c3487e0115611.jpg

 

Vizcacha do deserto.

WP_20180921_13_16_31_Pro.thumb.jpg.eb43d57db9d0d1f8c566681cfb407ade.jpg

 

Arbol de Piedra.

WP_20180921_14_36_06_Pro.thumb.jpg.096fd29dd29eb7bb2cedac5b3e85aed5.jpg

 

Laguna Colorada.

WP_20180921_16_00_09_Pro.thumb.jpg.2cde151c05937d16c89a7a2ed345eb6a.jpg

 

Gêiseres Sol de Mañana

WP_20180922_05_34_42_Pro.thumb.jpg.b2fc0a12847a54fcc2bd452108607472.jpg

 

Nascer do sol junto as termas.

WP_20180922_06_37_14_Pro.thumb.jpg.2bcb56954926174daa934b9260df5cd5.jpg

 

Laguna Verde e o Vulcão Licancabur ao fundo.

WP_20180922_08_23_29_Pro.thumb.jpg.d524ef8ba3b1bfdaf48dfee1687b534b.jpg

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

 

Em 06/05/2019 em 03:53, joao alexandre disse:

Belo relato e fotos!  Parabens!!

 

Tem mais??

Tem sim @joao alexandre , mas tô meio enrolado, bem na verdade, mas acho que já percebeu né pelo tempo que não posto, tenho que pedir desculpas até, mas essa semana vou dar prosseguimento aos relatos e muito obrigado pelo comentário, incentivou bastante a continuar, forte abraço.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por berdam
      Segue o relato de um viagem de moto que fiz poucos dias atrás, juntamente com meu colega Kiko
      Mais informações no instagram @berdamcavaletti, no vídeo. Informações de gastos, documentos e moeda no final desse post ou no vídeo.
       
      Dia 1 - 18/12/2019
      Medo e Ansiedade
      Na noite anterior, dormimos na casa dos pais do @DiPaludo, saímos de São Domingos-SC por volta das 7:40 e fomos em direção a Dionísio Cerqueira, decidimos ir por Campo Erê,péssima ideia, rodovia toda esburacada. Poderíamos ir pela BR282, porém a mesma entre Chapecó e São Miguel do Oeste está em más condições também. Chegando em Dionísio, fizemos o câmbio para pesos argentinos,nos sentimos ricos, com maços de dinheiro, após o câmbio, preencher a papelada na aduana, perdemos uns 40 minutos, após, comprar chips para celular, porém apenas o meu celular funcionava internet, perdemos por volta de 60 minutos e nada do celular do DiPaludo funcionar, abandonamos e fomos almoçar em um restaurante, alta classe argentina almoçando e a gente fedendo suor, cabelo esparramado, mas segue o baile, o restaurante parecia a vila do Chaves, cheio de barris, aqui se foram mais 40 minutos, saímos  fomos abastecer e seguir viagem até onde viveu por alguns anos Che Guevara. Che viveu parte da sua infância próximo ao rio Paraná na cidade de Caraguatay, aproveitamos a visita para fazer um café (estava uns 32 graus de calor) e dar uma descansada. Após a visita, íamos visitar as ruínas de San Ignacio, mas já estava tarde, fomos para o Camping Municipal em Ituizangó, passando por Posadas a moto entrou na reserva e fiquei por volta de 20 minutos procurando estacion de servico, mas nada de achar, pedimos ajuda a um policial e encontramos. Novamente pegamos a rodovia e visualizamos um lindo pôr do sol, com o pessoal voando de parapente na marginal, chegamos no camping por volta de umas 21 horas, resultado de todo o atraso anterior. Pagamos por volta de 11 reais/cabeça (banho quente, área cercada e camping) compramos um lanche ali nas redondezas, logo após chega um cidadão estranho com um controle na mão acionava e desacionava o alarme da moto, estranhamos, depois de alguns segundos de conversa, fui entender que ele encontrou o controle no banheiro, resultado do banho que fui tomar e acabei esquecendo a chave da moto e controle por lá, fomos dormir ouvindo cumbia por umas duas horas. 559 kms.



       
      Dia 2 - 19/12/2019
      Retas, rio e mais retas
      Levantamos cedo em Ituizangó, desarmamos acampamentos e seguimos em direção a Corrientes, retas, asfalto bom, mais retas e lagoas na beira da rodovia, um certo calor já aparecia e as nádegas já começavam a reclamar. Chegando em Corrientes por volta das 10:30 da manhã, resolvi algumas pendências do trabalho pelo celular na estacion de servico, ficamos até por volta do meio dia, tomamos e compramos muita água. Após estarmos descansados, atravessamos a ponte entre Corrientes e Resistencia, ponte bem grande e bonita, o rio mais ainda, seguimos em direção a Presidencia Roque Sáenz Peña. Chegamos por volta de umas 16 horas, fazia uns 37 graus, dentro da jaqueta  com certeza estava uns 47, encontramos o Francisco(Chico tkman no FC) e sua esposa que eram de Ponta Grossa e iam em direção ao Paso Águas Negras, depois de uma hora de conversa decidimos pegar um hotel, nos informamos com o frentista do posto e encontramos ali perto o Hotel Riposo, 35 reais por cabeça, com internet, banho quente, cama e tv e um desayuno meia boca,, era o suficiente para um dia escaldante e retas intermináveis, aliás retas que quase comprovam que a terra é plana kk. Saímos a noite e fomos comer no restaurante El Decano, ele tinha umas churrasqueiras enormes, parecidas com aquelas que se encontram nas comunidades do oeste catarinense. Pedimos uma parrilla e mais outras coisas que não lembro, veio tanta comida que no final não conseguimos comer tudo, gastamos 35 reais por cabeça.. 414 kms.

       
      Dia 3 - 20/12/2019
      Retas, calor, chuva e frio.
      Saímos de Presidencia Roque Saenz Penha por volta de umas 7:40 da manhã em direção a Tafi del Valle, ainda no hotel tomamos o desayuno(café da manhã), bolacha seca e café amargo. Neste trecho não existe nada de muito importante para visitar. Decidi desviar da rota mais comum, para pegar a Ruta 40, segundo pesquisas que fiz vale mais a pena que o trajeto reto de Presidencia Roque Saenz Penha até Salta. Quanto mais a oeste íamos, mais umidade, menos calor e mais chance de chuva havia, e foi isso que aconteceu. Faltando uns 200 kms para o destino, pegamos chuva e vento, chuva até que era bom, pelo fato de que estava muito quente, de certa forma deu uma amenizada no calor, e aqui vem uma enganação, lembra quando você vai comprar roupas de moto e dizem para você que é impermeável?, pois é, compre e use junto com a roupa de proteção, aquelas capas plásticas impermeáveis que vendem por 5 reais. Depois de ensopados, o tanque entrou na reserva e logo apareceu um posto na frente, lá entramos, abastecemos e comemos algo, ali encontramos a @MonicaKawasaki, que anda na sua Z-Versys 300, até Ushuaia. Seguimos em direção a Tafi del Valle no pé da cordilheira, mais chuva e menos calor, menos calor, menos calor, até que em certo ponto estávamos todos ensopados e com temperatura ambiente em 10 graus. A cidade é muito bonita, possui  um dique, bons hotéis e restaurantes, lembra a cidade de #Gramado-RS, no inverno a temperatura ali vai para uns 10 graus negativos e centímetros de neve. Ali estava marcado um camping, mas com a chuva e o frio mudamos de ideia e decidimos ficar em um hostel, NuestroDestino, 50 reais por cabeça, internet, banho quente, garagem para as motos e um desayuno espetacular. Estacionamos as motos, banho e fomos comer, comer oq ?? parilla de novo, batata frita e além disso sobremesa, passando mal de tanto comer, fomos acertar a conta, 40 reais cada. 665 kms


      Dia 4 - 21/12/2019
      Frio, altitude, deserto, uma arma e susto na moto - parte 1
      Amanhecemos dia 21 e fomos comprar luvas,capa e botas de borracha para o @DiPaludo, compramos as luvas e as botas, porém a capa não deu, andamos por alguns metros e pedimos informação para dois homens que passavam de carro, nos auxiliaram mas não entendemos nada, os dois nos ofereceram carona, quando entramos notamos uma pistola no chão do carro na parte traseira,  mesmo assim entramos, conversa vai e conversa vem, eles pediram o que nós fazíamos e vice versa, os dois eram policiais, no fim todo mundo riu e eles nos deixaram na frente da ferragem, porém a capa estava muito cara. Voltamos para o hostel e já era umas 9:30, nosso objetivo do dia era ir até San Salvador de #Jujuy, mas a estrada possui partes de chão e também havia chovido na noite anterior, o que ocasionou deslizamentos e pedras na rodovia, atrasando a viagem.Logo que saímos de Tafi del Valle já começamos a subir a Cordilheira dos #Andes, estava  5 graus e 1000 m de altitude, coloca casaco, a paisagem ia mudando, a vegetação já começava a ficar mais rasteira e tendendo a desaparecer. Neblina/nuvens já apareciam de uma forma mais intensa o que indicava que estávamos muito altos. Paramos para tirar umas fotos e conversamos com dois senhores que desciam a montanha de bicicleta, deram várias dicas e também de como evitar o mal da altitude.
      Parte 2
      Dali para frente visualizamos paisagens muito bonitas, mesclando em terrenos secos e úmidos. Já era meio dia e paramos em #AmanchaDelValle para comer algo, estava por volta de uns 25 graus, tira casaco, paramos no único posto da cidade, abastecemos e comemos, na hora de pagar, tentei pagar com meu cartão Nubank, mas a internet no local não funcionava, roteei a internet do meu celular para o aparelho do posto e assim consegui pagar via cartão, isso foi apenas um teste para saber se realmente o cartão funcionava. O @DiPaludo  decidiu apertar a corrente numa gomeria (borracharia) que tinha ali perto, que cagada, o cara apertou a corrente e além disso apertou o freio, depois de uns 5 kms o aro da roda estava quase que em chamas, paramos e arrumamos. Na sequência fomos visitar o Museu Pachamama,  entrada de 10 reais, vale a visita. Indo em direção a Cafayate várias paisagens são espetaculares, vinhedos, montanhas,retas, o #ElAnfiteatro, a #GargantadelDiablo, o #MiradorTresCruces, #QuebradadeLasConchas e uma festa de aniversário no meio do nada. Andamos um longo trecho e paramos na beira da rodovia para fazer um café (de novo). Fui conferir o óleo da moto, estava baixo, adicionei óleo reserva que tinha e seguimos para Salta, parei no primeiro posto para adicionar óleo e abri a tampa para trocar, fiquei conversando e pedindo auxílio de alguns amigos em relação ao óleo e somente no próximo posto tinha o óleo recomendado, nesse trajeto (12 km) deixei a tampa do óleo aberta, quando cheguei no próximo posto tive dois mini infartos, desci da moto e vi uma enorme mancha de óleo do chão (infarto 1), neste momento já comecei a pensar em como voltar para o Brasil, de carona, avião ou junto com a transportadora da moto, fui comprar o óleo recomendado e na hora de pagar cadê a minha carteira (infarto 2), abri todas as malas e joguei no piso do posto e nada de achar, lembrei que quando tomamos café eu coloquei a carteira dentro da luva de borracha, continua ...
      Parte 3
      Ali mesmo no posto drenei o óleo e troquei, um problema a menos. Ainda faltava ainda fazer um câmbio, nossos pesos argentinos estavam acabando, era umas 19:40, corremos para uma casa de câmbio e o trânsito de #Salta é um caos, chegando na câmbio, estava fechada, decidimos ir ao mercado para comprar comida e acampar, paguei no cartão para evitar gastar os poucos pesos que tínhamos, fomos acampar no camping Xamena, 200 pesos para os dois, o camping possui banho quente e amplo espaço. Ali nesse dia conhecemos o Guilherme Settani (@toto_settanni) a mulher dele, Zuzu e os filhos Kaio com K(10) e Daniel(12). O Guilherme quase que se atirou na frente das motos, acampamos perto dele. Ele tem tem empresa de trabalhos em altura, viajou e subiu todos os picos do planeta e foi muito gente fina com nós. Depois de conhecer a família do Guilherme, tinha que resolver o seguro SOAPEX, já que não tínhamos conseguido fazer antes por problemas no site, o Whesley Santos (@owhesley) fez no site www.hdi.cl e depois realizei a transferência do dinheiro via Caixa, detalhe, nunca vi ele pessoalmente, dias depois ele foi para o Atacama de CG. 307 kms.
      #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300

       
      Dia 5 - 22/12/2019
      De Salta a Purmamarca
      Neste dia saímos cedo do camping, demos tchau ao Guilherme(@toto_settanni) e fomos fazer câmbio, era domingo e nada estava aberto, com informações dos policiais nos informaram que na frente da catedral os cambistas faziam. Fomos até lá, trocamos os pilas e seguimos para San Salvador de #Jujuy, no meio do caminho apertamos a corrente das motos e fomos "parados" pelo Renato, sua esposa e filho que eram de #RiodoSul, nos falamos por meia hora e seguimos para Jujuy via estrada cênica, uma estrada entre as montanhas não muito visitada entre #Salta e #Jujuy. Chegando em Jujuy tínhamos que resolver o #Soapex do @DiPaludo, perdemos ali umas duas horas até o seguro ser feito, porém faltava a impressão do documento, onde imprimir em um domingo? Lembrei que tinha um grupos de moto no #Whatsapp e pedi ajuda, apareceu o Furia Noba Furia no FC, nos levou até a casa dele, imprimiu, trocou uns pesos chilenos e nos levou até boa parte da estrada, todo agradecimento para ele. Seguimos para #Purmamarca as motos já perdiam força, chegando lá encontramos o Renato de novo. Fomos procurar um camping e um senhor argentino nós auxiliou, esse senhor já mascava folha de coca, aliás quase todos na região mascam aquilo, e o cheiro lembra uma vaca ruminando. Ainda conversando com o senhorzinho, pedimos onde ficava o pior camping da cidade, isso mesmo, queríamos o pior camping para testar os equipamentos que tínhamos, principalmente em relação ao frio (saco de dormir, segunda pele, colchão e barraca), fazia 8 graus e era 20 horas, achamos o tal camping e realmente superou nossas expectativas, não tinha grama, o banho era na água quente, porém se esquentava a água em um projeto de fogão a lenha e a água era posta em um balde no teto do banheiro, para tomar banho era só "ligar" o balde e a água vinha quentinha. Pagamos por esse luxo todo 10 reais por cabeça. Depois do banho luxuoso e barraca montada fomos comer na cidade, a ideia era fazer um assado, fomos em uma carniceria (açougue), o @Dipaludo entrou lá, mas não achou nada interessante, na saída da carniceria um aviso, "fazemos castrações nos sábados pela manhã" demos uma risada e desistimos porque o camping não tinha churrasqueira. Procuramos algum restaurante e haviam dois, um deles tinha um gaúcho parecido com o Baitaca, mas o restaurante cheirava urina, fomos em outro que aparentava ser melhor, ali ficamos e pedimos um ensopado de lhama e batata, um dupla de cantores e instrumentistas com flautas regionais animava a janta com músicas típicas, jantamos e fomos para o camping dormir. 169 kms
      #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300

      Dia 6 - 23/12/2019
      De Purmamarca a San Pedro de Atacama
      Era 7:30, e saímos do camping, logo na saída eu e o @DiPaludo nos perdemos, ele foi para o sul e eu norte, ficamos 30 minutos perdidos. Passei por algumas pessoas que encontrava na rodovia e perguntei se haviam visto uma moto preta, alguns confirmaram que sim, outros que não, decidi seguir em frente.  Parei um carro que estava indo na mesma direção que a minha e expliquei toda a situação no meu horrível espanhol, o casal francês nada entendeu, tentei explicar no meu horrível inglês, eles entenderam e iriam avisá-lo caso o encontrasse, parei outro veículo que vinha no sentido contrário, e eles confirmaram que viram meu colega, andei mais alguns quilômetros e acabei o encontrando. As motos já apresentavam baixo desempenho, a próxima atração era a #CuestaDeLipan, a serra é muito bonita cheia de curvas, fotos, encontramos três motoqueiros viajando em família, pai, mãe e filho, de Foz do Iguaçu e iam em direção ao #Peru, a mãe tocava uma moto e o pai outra. Na sequência passamos pelo marco de 4170m de altura, fotos, no horizonte já era possível visualizar as #SalinasGrandes, passamos por lá e realmente elas são enormes, mais fotos, aquela lambida básica para confirmar que realmente é sal e fomos até #Susques para o último abastecimento. Chegando em Susques, completamos o combustível, e ali no posto comemos todos os alimentos que tínhamos, até porque a aduana chilena não permite a entrada de produtos in natura, produtos em madeira, alimentos frescos. Na aduana, os trâmites foram muito rápidos, pois não havia ônibus, algumas pessoas já sentiam os efeitos da altitude, dor de cabeça, tontura. Indo em direção a #SanPedrodeAtacama, cada vez mais alto e frio ficava, em determinado momento a moto alcançou apenas 37 km/h, a 4800m, coloquei uma blusa, estava 8 graus, tirei algumas fotos da fronteira do #Chile com a #Bolívia, quando fui ligar a moto, ela funcionava de maneira muito estranha, sinal da falta de oxigênio. De Susques até SanPedro, nada existe, além de pedra, areia e lago salgado, árvores ou construções muito menos. Começamos a descer os 50 km até #SanPedroDeAtacama em apenas uma reta, na nossa direita estava o vulcão #Licancabur e na esquerda o #CerroToco(Guardem esse nome). Em 30 min, saímos de uma altitude/temperatura de 4800m/8 graus para uma altitude de 2200m/30 graus. Um adendo, existem relatos de pessoas que atravessam o #PasoJama em direção ao Chile pelas 17 hs, vão chegar em San Pedro por volta das 22 hs ou mais, com toda certeza a temperatura vai estar zero ou negativa, adicione altitude, vento e um problema na moto e vocë estará em maus lençóis. A descida desta altitude de forma rápida é bem crítica, pois ocasiona muito sono, perigoso. No único posto em San Pedro, encontramos o @RibasVecchiato, ali conversamos comemos algo e fomos em direção ao camping #AndesNomads, nada fizemos nesse dia além de armar a barraca e encontrar novamente o Guilherme @toto_settanni. 411 kms. #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300


       
      Dia 7 - 24/12/2019
      Vale de la Muerte
      Acordamos umas 7 da manhã, fazia uns 10 graus, aliás a variação de temperatura no deserto é gigante, de dia 30, de noite 0 graus. Tomamos o nosso baita café, só café, nossa barraca estava bem na entrada do camping, todo mundo passava por lá, inclusive o Guilherme(toto_settanni) passou por ali e nos convidou para ir no #ValedeLaMuerte junto com a família. Alugamos pranchas de sandboard, compramos os ingressos, cerca de 17 reais (3000 pesos chilenos) e fomos mostrar nossas habilidades nas dunas do deserto kkkk, tombos, pé queimado, mão queimada, risada e cansaço. Fomos em outro ponto do Vale de La Muerte para visualizar o pôr do sol que por sinal é muito bonito. Voltamos para a cidade, comemos algo, fomos para o acampamento tomar banho e dormir. Nosso camping era bem hardcore, iluminação era mantida por geradores até as 21 da noite apenas nos pontos “públicos”, o restante do camping possuía iluminação gerada pelos próprios usuários, celulares, powerbank, lanterna, fita de led. A água do banho era esquentada por tubos a vácuo, a regulagem da temperatura do chuveiro era uma novela, como são vários chuveiros, cada pessoa que abria ou fechava os registros, desregulava a temperatura de todos os outros, a água era salobra, resultado, cabelos duros. A porta do banheiro era mais hardcore ainda, ela fechava praticamente a 10 centímetros do vaso, era impossível sentar reto no sanitário, tinha que se sentar de lado, e isso era tanto no banheiro feminino e masculino. O camping não possuía grama, em alguns pontos existia brita. Em certos momentos da tarde começava uma ventania, todo aquele vento com pó invadia as barracas e carros que lá estavam. Para se refrescar, naquele calor todo havia uma piscina, doce ilusão, a piscina por ser no meio do deserto estava cheia de insetos e além disso a água era gelaaaaaada, mesmo assim todos iam, inclusive eu e o @DiPaludo. Depois da piscina, conversamos com o @RibasVecchiato e ele resumiu aquilo tudo em uma frase “Quer luxo, vai pra Disney”.
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300

      Dia 8 - 25/12/2019
      Vale da Lua e Lagoas Baltinache
      Neste dia fomos visitar o #ValledeLaLuna, ficamos toda a manhã observando aquela imensidão, formações, sal, minas de sal. Na parte da tarde fomos a visitar as Lagoas Escondidas de Baltinache. Chegamos lá, era por volta de 16 horas, e logo colocamos trajes de banho para aproveitar aquela água estupidamente gelada. As 7 lagoas são espetaculares, apresentam colorações variando de azul para celeste. É possível mergulhar na primeira e na última. A pior parte é vencer a água gelada, depois disso só alegria. Não é preciso fazer exatamente nada, você boia devido a alta concentração de sal que existe na água, alguns dizem que é mais que o Mar Morto. Logo que saímos das lagos podemos perceber a grande quantidade de sal, todo o corpo ficava praticamente empanado de tanto sal, e as roupas completamente duras. Depois do banho foi a hora de correr, sim, correr para tirar o sal nas duchas que existiam por lá, elas ficavam abertas até as 17 horas. Na volta para a cidade, passamos pelos campos minados na beira da estrada. Sim, existem campos minados em San Pedro de Atacama, resquícios da ditadura chilena. Já na cidade compramos carne e vinho para a janta.
      #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300 #baltinache

      Dia 9 - 26/12/2019 
      Subindo o vulcão #CerroToco - 5600 metros
      Saímos cedo do acampamento e 1 hora depois estávamos a 5200 metros de altitude, Cerro Toco é o vulcão (estratovulcão) mais rápido para chegar de carro de San Pedro de Atacama. Já neste ponto era possível sentir a altitude fazendo efeito, respiração pesada.. A respiração e batimentos cardíacos são parecidos com uma corrida que você realiza. Demoramos por volta de 1h e 30 minutos para chegar ao cume da montanha, 1200m de caminhada e 400m de elevação. Já no topo, a 5600m, a paisagem é espetacular, via-se a fronteira com a #Bolívia, o projeto #ALMA, toda a planície de San Pedro, o vulcão #Licancabur, #Juriques e o #Láscar. Ficamos ali por  10 minutos e estava uns 0 graus. Logo após chegar ao topo perguntei ao Guilherme (@toto_settanni) se era normal sentir enjoo, ele disse que s..., chamei o HUGO, grande parte disso foi ocasionado por carne, vinho e boa conversa na noite anterior, antes mesmo de subir o vulcão, as 5 da manhã o HUGO tinha me encontrado. A descida do vulcão é rápida, por volta de 30 minutos. Já dentro da camionete, sentei na janela para evitar possíveis encontros com o HUGO, e ele aconteceu novamente. Seguimos de volta para o acampamento e lá chegamos por volta das 12h, até as 19h todos praticamente ficaram de repouso, esperando a chata dor de cabeça passar, alguns com mais(eu) e outros com menos.
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #vulcanlascar #cerrotoco
        
      Dia 10 - 27/12/2019 
      San Pedro de Atacama até Antofagasta
      Saímos cedo do acampamento em direção a Antofagasta, retas e mais retas. Nessa região tudo é gigante, parques eólicos, fazendas de painéis fotovoltaicos(2km) e mineração, muita, muita mineração, montanhas de resíduos. Tínhamos agendado uma visita na mina #Chuquicamata, porém foi cancelada devido aos protestos no Chile, seguimos em direção a #Antofagasta. Já em Antofagasta visitamos La Portada e fomos para um hostel. Era possível visualizar nas ruas de Antofagasta, resquícios de depredações, vidraças cobertas, pneus queimando, asfalto derretido. Hostel encontrado e fomos dar uma passeio na orla, o Oceano Pacífico estava ali, porém a água é o que, gelada !!!, não entramos. Fomos no mercado, compramos comida e na volta, se visualizava nas esquinas uma certa movimentação em relação aos protestos, nada violento, porém a polícia chegou ali e dispersou a multidão. Aqui já começava a bater um certo cansaço por tantos dias de estrada. Detalhe, aqui o sol se põe no mar. 312 kms
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #antofagasta

      Dia 11 - 28/12/2019
      Antofagasta até Playa Cifuncho e o peixe muito salgado.
      Saímos de #Antofagasta e a ideia era ir até a #MãoDoDeserto, decidimos abortar  pelo fato de termos uma visita agendada no #CerroParanal e provavelmente não daria tempo. Chegamos no #ObservatórioParanal as 9:30.. No observatório podemos ver toda a parte técnica, funcionamento dos telescópios, análise de dados e onde os astrônomos vivem, com certeza valeu mais a pena visitar aqui do que a #MãodoDeserto, fica para a próxima. Um agradecimento aqui ao @rmagnops, que tempos atrás foi visitar e achei interessante visitar também, apesar de não entender muita coisa sobre o tema. A direção agora era à #CaletaPaposo, a vista é espetacular, seguindo ao sul pela #Ruta1, praias desertas e estrada de chão batido em excelentes condições, cada curva uma foto. Chegando em #Taltal, uma mulher de um food truck, nos deu dois potes de peixe para comermos, agradecemos, porém era muito salgado, ela ainda nos ofereceu mais sal, não queria jogar no lixo na frente da mulher, guardei aquilo no baú da moto e uma certa parte vazou e ficou aquela catinga, fomos em um restaurante e oferecemos aquilo para o garçom gratuitamente, #ceviche era o nome da iguaria, ali mesmo no restaurante comemos peixe frito e pudemos observar placas de aviso de tsunami, aliás, toda costa do #Chile possui esses avisos. Seguimos em direção a #Cifuncho, uma praia mais ao sul que foi recomendada pelo garçom. A praia era muito bonita, cheia de gaivotas,  pelicanos e leões marinhos, porém não existia luz elétrica, somente fotovoltaica e geradores, muito menos internet. Ali acampamos. 272 kms
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #antofagasta

      Dia 12- 29/12/2019 - 
      Cifuncho até Aduana Chile - Paso San Francisco - O dia mais louco
      Saímos da praia Cifuncho e fomos em direção à Bahia Inglesa, novamente pela #ruta1 e costeando o Pacífico. Passamos pelo parque #PandeAzucar, cada curva uma foto, praticamente deserto de pessoas, em um lado montanha e 500 metros depois o mar. Chegando na #BahiaInglesa, fomos comer e nada de encontrar um restaurante barato, rodamos e rodamos, cada prato era uns 70 reais, encontramos um food truck, peixe arroz e coca-cola por 30 reais. Almoçamos e fomos em direção à #MinaSanJose. Lá na mina assistimos a história resumida do acontecimento, visualizamos as ferramentas, a cápsula Fênix e também conversamos com o mineiro #Jorge Galleguillos, o décimo primeiro mineiro a ser resgatado. Também pudemos visualizar as pedras de ouro e cobre que são extraídas de lá. Saímos da mina e fomos em direção a #Copiapó, abastecemos as motos, compramos comida e gasolina sobressalente e colocamos no baú, pois sabíamos que iríamos enfrentar 470 kms postos. Através do aplicativo #ioverlander, definimos o nosso ponto de acampamento que era no meio da cordilheira, tínhamos 200 kms para fazer e já eram 17 horas. Começamos a subir a cordilheira 3000, 3500, 4000, 4500m e pegamos 3,5 graus no topo, eram 20 horas. Paramos para ajustar as correntes pois estavam frouxas. Cerca de 40 minutos depois visualizamos algumas construções, era a aduana chilena. Chegando na aduana fomos informados que houve deslizamentos no lado argentino e dali ninguém passava, resultado, dormimos no ambulatório da aduana, tínhamos água para beber, comida e combustível, porém a estrutura da aduana era precária, não tinha água corrente para banheiros, não tinha internet, energia elétrica estava funcionando mas poderia cair em caso de tempestade.  Depois de conformados em dormir na aduana, fomos desfazer as malas e dentro do baú havia cheiro de gasolina, somente o cheiro foi suficiente para deixar o pão que tínhamos com um gosto especial. 607 kms
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #copiapó #fiambalá #pasosanfrancisco
       
        
       
      Dia 13- 30/12/2019 
      Aduana Chile Paso San Francisco até Fiambala
      Pela manhã podemos observar melhor onde estávamos, areia de um lado, montanha e sal no outro, nada passava por ali, estávamos literalmente no meio do nada. Nossa espera era pela abertura da aduana, mas a comunicação era precária, estávamos em 8 pessoas, brasileiros e argentinos aguardando a liberação, de tanta espera, todos ficamos amigos. O oficial chileno nos orientou a voltar por outras aduanas, porém elas estavam a 400 e 1000 kms, decidimos esperar. Por volta das 17 horas houve a liberação, fizemos a papelada, embarcamos nas motos, mas elas andavam no máximo a 60 km/h, ocasionado pela baixa oxigenação do ar e vento contra, tínhamos 300 kms até a próxima cidade. Chegamos na aduana argentina era umas 19h, fizemos a papelada e estrada. As motos não andavam, e no horizonte se formava uma tempestade, o medo era acontecer um deslizamento e bloquear a estrada novamente. 20h e escurecendo, vento, frio (8 graus) e chuva, decidimos nos abrigar em um refúgio na beira da rodovia, pois nesses 300kms nada existia. Ficamos ali por 20 minutos esperando o vento e a chuva passar, caso não passasse, ali ia ser o acampamento #CazaderoGrande era o nome do refúgio. Decidimos seguir estrada e para evitar o frio colocamos todas as roupas que tínhamos e mais a capa de chuva. Estávamos com pressa e cuidado ao mesmo tempo, porque na nossa frente havia um deslizamento que não sabíamos onde e nem como era. Faltando 40 kms para a cidade começamos a visualizar uma estrada mais sinuosa, sinal de que ali poderia estar o bloqueio, e foi o que encontramos, areia e pedras de 1 metro de altura estavam no meio da rodovia, alguns avisos luminosos indicavam a posicão da polícia argentina, que estava ali fazendo a sinalização do local e a contagem de veículos, conversamos com eles, foram muito gentis e nos falaram que dali até a cidade a rodovia estava limpa. Chegamos na cidade de Fiambalá, era 22h da noite, estávamos suando de tanta roupa e fazia 28 graus, comer pizza e dormir.
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #copiapó #fiambalá #pasosanfrancisco #roadtrip #instagood #picoftheday #happy #instadaily #beautiful

      Dia 14- 31/12/2019 - Fiambalá até San Fernando del Valle de Catamarca
      Termas, retas e mais retas.
      Amanhecemos no hotel em Fiambalá e as notícias já não eram das melhores, a recepcionista do hotel disse que ele estaria fechado pela noite, pois era dia 31, e que a nossa diária fecharia às 10 horas da manhã, a boa notícia era que poderíamos deixar as bagagens na recepção e retirar ao meio dia. Fizemos isso e fomos até as #TermasdeFiambalá, piscinas naturais entre as montanhas, entre 33 a 45 graus. Ficamos lá até meio dia e pagamos cerca de 300 pesos/22 reais para usufruir, com certeza um preço bem melhor que as #TermasDePuritana. Foi muito bom, as águas relaxam, porém te deixam com uma sensação de sono o dia inteiro. Ao meio dia saímos de lá fomos ao hotel pegar as malas e decidimos procurar uma cidade maior para passar o fim de ano, fomos até #Tinogasta, mas a cidade era menor, seguimos à  #SanFernandoDelValleDeCatamarca. Chegando lá, abastecimento e procurar um hostel, achamos um que nem garagem tinha. Já era uma 21 horas da noite, decidimos ir comer e conhecer a praça principal, resultado, tuuuuuudo fechado. Voltando ao hotel encontramos um lugar que vendia sanduíche caseiro e cerveja, essa foi nossa ceia e depois cama. Não ouvi fogos de artifício, talvez seja por causa das termas e do cansaço. 358 kms
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #fiambalá #roadtrip #instagood #picoftheday #happy #instadaily #beautiful

      Dia 15- 01/01/2020 - San Fernando del Valle de Catamarca a Presidencia Roque Sáenz Peña
      Cuesta de Portuzuelo, retas, ferroada da abelha e racha na estrada
      Saímos de #SanFernandoDelValleDeCatamarca às 7 hs e fomos em direção a #CuestaDePortuzuelo, encontramos uma grande movimentação de pessoas e polícia de choque na rodovia, um pouco de apreensão, no fim era apenas uma festa da virada argentina nas margens do trajeto. Logo a frente subimos a Cuesta de Portuzuelo, uma serrinha asfaltada apenas para trânsito leve, foi ali as últimas fotos que fizemos da #CordilheiradosAndes. Logo na sequência pegamos 30 kms de chão, acabei deixando uma cerveja da noite anterior dentro do baú da moto, com o balanço, ela furou e fez aquela meleca toda. Recapitulando cerveja, óleo de motor, bafo de gasolina e aquele cheiro de ceviche. Passamos por uma localidade chamada #Guayamba, passamos por dentro de um riozinho e logo paramos em um bar para comer algo, ali pedimos um sanduíche e café e conversamos com alguns idosos argentinos. Seguimos viagem e as retas começaram a surgir de novo, sinal de que estávamos próximos a província de #Chaco. Próximo a Presidencia, uma abelha kamikaze fez seu papel, estava a 100km/h e ela veio depositar seu ferrão bem no pescoço, quanta dor. Usar equipamentos de proteção é importante, não queira ser o super homem e muito menos nos ultrapassar com uma biz preparada e além disso sem capacete, foi o que fez um motoqueiro argentino, rimos, demos uma buzinada, aceitamos a derrota e seguimos. Já em Presidencia ficamos no Hotel Presidente, 1000 pesos/70reais um quarto duplo, com ar condicionado, tv, garagem, banho e cama. 679 kms
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #PresidenciaRoqueSáenzPeña #roadtrip #instagood #picoftheday #happy #instadaily #beautiful


      Dia 16- 02/01/2020 - Presidencia Roque Sáenz Peña até Ituizangó
      Problemas na corrente e o taxista imprudente
      Neste trajeto, nada existe além de muitas retas, retas e pedágios. Os pedágios não precisam ser pagos por motos e foi num desses que tive um susto, logo na entrada de um pedágio, um taxista corta a minha frente, por centímetros não fui ao chão. Logo na nossa frente havia a ponte que liga #Resistência a #Corrientes, no início dela a corrente da minha moto cai da coroa. Estacionamos ali do lado e não havia mais o que fazer, todo o aperto da corrente já tinha sido dado, o jeito era achar uma oficina para trocar ou encurtar. Depois da ponte, pedimos informação para várias pessoas, e um motociclista nos disse que logo a frente havia uma oficina para arrumar la cadena. Chegamos lá a oficina era #Yamaha e o mecânico Facunto arrumou, perguntei o preço e ele disse “pague o quanto quiser”. Paguei 300 pesos, cerca de 20 reais e seguimos para #Ituizangó. Chegando lá fomos procurar lugar para dormir, entrei por uma estrada de areia e ali fui mostrar meus dotes. A moto foi para um lado, foi para outro, corrige aqui, corrige ali e não teve jeito, tombo. Nada estragado e seguimos achar um lugar para dormir. Encontramos um muquifo de um lugar, 70 reais e acredite, estava barato, pelo menos era bem próximo a praia do Rio Iguaçu.
       #atacama #xre190 #chile #argentina #sanpedrodeatacama #atacamadesert #cb300
      #PresidenciaRoqueSáenzPeña #ituizangó #roadtrip #instagood #picoftheday #happy #instadaily #beautiful



      Dia 17- 03/01/2020 - Chegando em casa
      Fronteira, susto e casa.
      Já saindo de Ituizangó, um susto, olhei para a minha bagagem na moto e cadê minha mochila, parei a moto imediatamente e não vi, fui para o outro lado da moto e lá estava minha mochila pendurada, nela havia alguns dos documentos da aduana, isso se repetiu por mais duas vezes. No dia anterior conversando via #whatsapp com o amigo Darci de São Miguel do Oeste, ofereci os meus 75000 pesos chilenos, na conversão dava uns 400 reais, combinamos de  no dia(3) nos encontramos no posto da cidade de Ituizangó. Acontece que toda a cidade estava sem energia elétriica e internet, o que fazer ?. Decidi seguir viagem e ir cuidando quando um Corola Cinza e uma moto passasem juntos. Exatamente às 9 horas da manhã visualizei eles vindo na direção oposta, abri a buzina e lá na beira da rodovia trocamos os pesos e dicas. Segui viagem para #SanPedro na Argentina, lá gastamos os pesos argentinos que tínhamos, vinho, mais vinho e alfajor. Daqui em diante o @DiPaludo foi para #DionísioCerqueira e eu decidi ir para  a fronteira em #Paraíso-SC. Chegando na fronteira argentina outro susto, o funcionário exigiu um documento, e entreguei o acreditava ser, segundos de tensão, passei, os trâmites no lado brasileiro foram bem rápidos, fui abordado por uma funcionário da #Cidasc e falei para o mesmo “Como é bom ouvir alguém falando português”, rimos da situação, e segui para #SãoMigueldoOeste, queria chegar em casa rápido e nessa pressa acabei levando uma multa nas “poucas” lombadas eletrônicas que existem na cidade. O trecho entre São Miguel do Oeste e #Xanxerê, foi o mais tenso da viagem, buracos, calombos na rodovia, motoristas ruins, curvas, caminhões e tráfego intenso. Na intenção de descansar as pernas, dei uma leve esticada no meu pé que acabou por chutar um olho de gato. Nunca tive tanta felicidade em ver uma placa escrita #Xanxerê, #Chapecó, #Xaxim e #LajeadoGrande #roadtrip #instagood #picoftheday #happy #instadaily #beautiful




      Informações
      Dias de viagem - 17
      Quilômetros percorridos - 5900 kms
      Quantia gasta  - 2500 reais por cabeça
      Dias de camping - 8 dias
       
      Cotação de moedas
      Valor do peso argentino - 1 real = 14,5 pesos argentinos (dez/2019)
      Valor do peso chileno - 1 real = 175 pesos chileno(dez/2019)
       
      Campings e hospedagens
      Campings
      Argentina - Entre 10/15 reais por cabeça
      Chile 
          SPA - 15 kms do centro - 27 reais ou 4800 pesos chilenos/dia
          No centro um hotel por volta de 100 reais/dia
      Hotels/hostels
      Argentina - Entre 35/ 70 reais, 500/1000 pesos argentinos
      Chile apenas um hostel em Antofagasta, R$ 50,00 reais ou 9000 p. chilenos

       
      Combustível
      Argentina - 3,35 reais/48 pesos/litro
      Chile - 5 reais/875 pesos chilenos/litro
       
      Alimentação
      Argentina - Uma boa janta, com parrilla, por volta de 35 por cabeça.
      Chile - San Pedro de Atacama é caro, qualquer comida/lanche é 40 reais. Fora de lá os preços diminuem.
       
      Passeios em San Pedro de Atacama
      (preço aproximado)
      Você estando a pé em SPA, vai ter que pagar por agências para levar aos passeios, o que sai caro. Indo com carro próprio ou alugado pode sair mais barato.
      Valores de entradas
          Valle de la Muerte - 17 reais/3000 pesos chilenos
          Valle de la Luna - 20 reais/4000 pesos chilenos
          Baltinache -  30 reais/3000 pesos chilenos
      Vulcões, pode se subir sem guias, desde que você chegue até lá com carro.
       
      Documentos 
          Carta verde(Não foi pedido em nenhum momento)
          Soapex(Não foi pedido em nenhum momento)
          Seguro Saúde(opcional)
          Em nenhum momento foi exigido documentação de seguros.
          Em nenhum momento da estrada exigiram propina.
          Em nenhum momento, exceto as aduanas fomos parados para conferir documentação pessoal e das motos.
       
      Aduanas
          Informe-se sobre as situações das aduanas que se localizam na Cordilheira dos Andes, independente de localidade ou estação do ano, elas têm horário de funcionamento e muitas vezes podem fechar sem aviso, muito diferente das fronteiras brasileiras que funcionam 24 horas. O fechamento pode ocorrer por chuva, neve ou deslizamentos. Se acaso você estiver em uma dessas aduanas, o fechamento da mesma exigirá realizar um contorno gigante, 200, 400 ou 1000 kms. 
      Tome cuidado em relação ao combustível na Cordilheira dos Andes, existem lugares onde se faz 500 kms sem posto.
      Divirta-se



    • Por Albatti
      Nossa viagem teve início em julho de 2019 e terminou 41 dias depois, em agosto de 2019.
      Viajamos, eu e minha esposa, de forma relativamente barata, ficando em hostels, airbnb e pequenos hotéis. A maior parte dos trajetos fizemos de ônibus, mas alguns trechos optamos por voos baratos, o que ajudou a cumprir o extenso roteiro que fizemos. Inclusive a ida de São Paulo a Jujuy compramos as passagens de ida e volta com milhas aéreas numa promoção da Gol com a aerolineas argentinas. O lado ruim do passeio foi que acabou "rápido". Apesar de ser nossas mais longas férias, por incrível que pareça ficou a sensação de que "passou rápido".
      Vou sintetizar o que fizemos de forma a dar uma ideia de cada local. Se alguém quiser alguma informação que possa ajudar no planejamento de viagem, é só entrar em contato.
      . São Paulo - Jujuy - o voo foi tranquilo e, inclusive, pudemos ver o eclipse parcial do sol. Fizemos escala em Buenos Aires, assistimos ao jogo entre Brasil e Argentina no porto Madero e, no dia seguinte logo cedo, partimos para Jujuy;
      . Jujuy - Quebrada de Humahuaca - chegamos no aeroporto e dividimos um taxi até o terminal de ônibus. De lá tomamos um ônibus pra Purmamarca, onde ficamos hospedados por duas noites no excelente La Valentina Hostal (R$ 125 o casal). Conhecemos o Cerro de los Siete Colores, caminhamos pelo paseo de los colorados, ficamos à toa no pequeno, belo e tranquilo vilarejo. Também fomos a cidade de Tilcara e as ruínas de Pucará de Tilcara (recomendo muito fazer o passeio com o guia local incluído no valor da entrada). Por fim, conhecemos Humahuaca e as Serranias del Hornocal. O NOA (Noroeste Argentino) tem paisagens maravilhosas e grandiosas. Aliás, o que não faltou nessa viagem foram grandes paisagens, daquelas onde o horizonte parece bem distante. Nossa intenção era conhecer Salta e Cafayate na volta, pois, em 38 dias nosso voo sairia da mesma Jujuy. No fim das contas, Salta e Cafayate ficaram para outra viagem, pois ficamos mais tempo em alguns lugares e voltamos a Jujuy no mesmo dia em que nosso voo retornaria ao Brasil.

      . Purmamarca - San Pedro de Atacama - tomamos o ônibus da empresa Andesmar as 03:40 hs da madrugada, na entrada de Purmamarca (atrasou meia hora, o que fez a gente pensar que seríamos deixados pra trás,,, mas não hehe, ainda bem). A viagem foi tranquila e cruzamos a fronteira com o Chile no Paso de Jama. O ônibus chegou antes e ficamos cerca de 1 hora esperando para fazer os trâmites de entrada. Mas foi bem tranquilo e logo estávamos descendo em direção a San Pedro. Esse trecho da viagem é fantástico. Chegamos as 11hs da manhã. Ficamos 4 noites nessa pequena cidade de adobe, num airbnb que não recomendo (La Estancia - R$ 150 o casal), pois era um pouco afastado do centro e faltou água quente. Na verdade, nos receberam na chegada e depois nunca mais apareceram (no último dia deixamos as chaves com um bilhete e fomos embora).

      . San Pedro de Atacama - já havia estado na cidade algumas vezes. Local bem legal, com aquele clima gostoso de aventura. Fizemos vários passeios maravilhosos: Laguna Cejar, Lagunas Altiplânicas, Salar de Atacama, Geisers del Tatio, Valle de la Luna, Tour astronômico, mas o que mais gostamos foi o passeio de bike pela Garganta del Diablo. Fizemos uma breve pesquisa e contratamos tudo lá mesmo,,, Alugamos duas bikes, compramos águas e empanadas e partimos em direção a Pukará de Quitor. Pagamos a entrada na estradinha que leva a garganta del diablo, ouvimos as explicações do que havia no local e fizemos a volta completa pela garganta até a igreja de San Isidro. Passeio gostoso e bem divertido. Depois voltamos pela estradinha até Pukara de Quitor. Subimos até o ponto mais alto com uma vista incrível do pôr do sol. O tour astronômico também foi sensacional. Valeu a pena. Uma dica é comprar empanadas, pois são gigantes e muito gostosas (e baratas). O melhor de San Pedro foi ter conhecido uma bonita família da Alemanha na gélida laguna Cejar,,, as amizades improváveis que surgem nessas viagens são um verdadeiro tesouro. 


       



      . San Pedro - Arica - Tacna - Lima - esse foi um dia lonnnngo, mas, ao mesmo tempo, tranquilo. Saímos as 22 horas de San Pedro e chegamos as 06:00 hs da manhã em Arica. Queríamos conhecer as cuevas de Anzota, mas o receio de demorar na imigração e perder o voo fez com que deixássemos pra outra vez. De lá, tomamos um taxi compartilhado de uma espécie de empresa que fica ao lado do terminal de ônibus e cruzamos a fronteira com o Peru (desde que tomamos o taxi em Arica, mais os trâmites de fronteira e a chegada na rodoviária de Tacna levamos cerca de 1 hora no total). Tinha uma baita fila na imigração, mas andou rápido. Era nossa terceira fronteira. Chegamos em Tacna, tomamos um café da manhã próximo ao terminal de ônibus, trocamos algum dinheiro e fomos pro aeroporto. Lá ficamos algumas horas esperando até a partida para Lima. O voo foi pela Viva Air Peru, custou 65 dólares por pessoa (com as bagagens incluídas). Pela distância enorme entre as duas cidades achamos o valor bastante bom. Saímos pontualmente as 14:45 hs e chegamos as 16:30hs no aeroporto de Lima. De lá fomos pro bairro Miraflores, onde havíamos reservado o airbnb da Diana. Vou comentar aqui porque foi o melhor airbnb da viagem: um quarto enorme, com banheiro, tv a cabo, wifi e etc. A localização é excelente (Calle Porta 264 en Miraflores - R$ 98 o casal) e a Diana gente finíssima. Muito amável e prestativa. Acabei deixando pra avaliar ela depois da viagem e descobri que não podia porque o airbnb dá o prazo de 15 dias pra avaliações. Daí resolvemos deixar a dica aqui, pra quem for a Lima.
      . Lima - foram 2 noites em Lima, adoramos o bairro de Miraflores. A cidade está sobre uma espécie de falésia, sendo que se vê a praia lá do alto. É uma região bem bonita com área pra caminhada, recreação e belos jardins, acompanhados da vista do mar, que fica uns 65 metros abaixo. Essa região é conhecida como Malecón. Fizemos diversas vezes a caminhada desde o shopping Larcomar até o farol e também nas imediações da Praça Kennedy. Em um dos dias acordamos cedo e saímos em direção ao centro histórico e catacumbas do convento de São Francisco, as quais recomendo como um passeio "diferente". A noite fomos até o Parque la Reserva (também conhecido como parque das águas - uma curiosidade é que choveu um pouco neste dia, coisa rara em Lima). Um passeio bem legal e que gostamos bastante. O parque é meio afastado e tomamos um taxi. Na volta tivemos que pechinchar porque os valores variavam muito e já era tarde. Queríamos muito conhecer o museu de arqueologia, mas estava em reforma por 2 anos. Desta forma, fomos ao Museu Larco. Pra quem curte arqueologia esse é um museu imperdível, pois além de estar em uma propriedade linda, o acervo é incrível. Vale a pena o passeio guiado, pois é barato e nos deu informações bem legais. O restaurante do museu também vale a pena (não é barato, mas também não é um valor abusivo). Além deste museu conhecemos o Museu de Arte de Lima, o sítio arqueológico de Huaca Pucllana e o bairro Barranco. Lima foi uma grata surpresa, em especial o museu Larco, a comida muito boa (lomo saltado, papa a la huacachina, frutos do mar, etc...), e a beleza do Malecón. Depois de dias muitos bons partimos em direção ao terminal de ônibus da empresa Oltursa, em direção a Huaraz.



      . Huaraz - a cidade mudou bastante desde a última vez (em 2003) que estive lá. Ficou um pouco mais feia e bem maior do que era. Chegamos e fomos pra um airbnb que havíamos reservado (El Alamo Amuk - R$ 55 o casal). O local era razoável, um quarto enorme com banheiro dentro, porém um pouco inferior as fotos que vimos. O problema foi que ficamos 2 (dos 4 dias) sem água, devido a manutenção da prefeitura naquela rua (baita azar,,,, não foi culpa do local, mas mesmo assim não foi nada agradável... ). Havia combinado os possíveis passeios uns meses antes com a agência Scheler (whatsapp +51 943 397 706 - site: http://www.schelerhuayhuashtrek.com/) e nos demos bem. O cara (o Scheler) foi totalmente solícito, gente finíssima (ajudou em tudo), e os passeios ocorreram de forma excelente. Nos arrependemos de não ter ficado na pousada dele. Fizemos os seguintes passeios: Llanganuco (imperdível,, no caminho conhecemos outras cidadezinhas da região, inclusive a histórica cidade de Yungay - soterrada em segundos, por uma avalanche em 1970 - tomamos sorvetes típicos, doces de leite tradicionais da região e queijos), Glaciar Pastoruri (chega-se a cerca de 5050 metros de altitude - cansativo mas gostamos bastante), Sítio Arqueológico Chavín (quem gosta de arqueologia esse é o lugar - na pirâmide principal é possível entrar nas galerias subterrâneas,,, um local incrível). Tínhamos a intenção de ir até a laguna 69 e laguna Parón, mas o tempo não ajudou e ficará para uma próxima viagem. Uma dica é conhecer o excelente museu arqueológico de Ancash e tomar um suco de limão com ervas na creperia do Patrick (na avenida principal). Na noite do último dia fomos ao terminal da empresa Linea Bus, onde viajamos para a cidade de Trujillo.

           



      . Trujillo - chegamos na cidade umas 06:30hs da manhã. Tomamos um taxi até o hotel Strenua Las Quintanas (R$ 81 o casal). Excelente local (banheiro, frigobar, microondas, cafeteira, tv a cabo, café da manhã excelente no quarto e muita simpatia). Não fica tão próximo ao centro mas fizemos a pé o trajeto numa boa. O próprio hotel ofereceu o tour que fizemos. Visitamos as Huacas Esmeralda e Arco Íris, depois fomos a cidade de barro de Chan Chan (centro da cultura Chimú). O tour nos levou para almoçar na praia em Huanchaco. Poderíamos comer em qualquer restaurante. Escolhemos um com vista. Provamos o famoso ceviche da região. Tivemos ainda tempo de dar uma voltinha pela praia e caminhar até o pier. Depois o passeio seguiu em direção a Huaca de la Luna (cultura moche,,,, local imperdível). A noite curtimos a belíssima praça central de Trujillo. Uma cidade com um centro histórico bem preservado e multicolorido. No dia seguinte tomamos um tour para conhecer o complexo El Brujo. Depois de cerca de 1 hora chegamos ao complexo. Visitamos o sítio arqueológico e depois o museu. Pela forma como foram encontrados seus restos mortais, a Dama de Cao foi alguém muito importante,,, provavelmente uma governante. A huaca (como eles chamam os templos) é impressionante. O interessante é observar que se pode ver dezenas dessas huacas pelas redondezas. Há centenas delas na região. Foram culturas muito organizadas e poderosas, que persistiram por séculos. A quantidade de objetos de arte, inclusive feitos de ouro, é muito grande. Uma curiosidade é que em quase todos os sítios arqueológicos da região é possível ver o Viringo (o cachorro sem pelos que era comum na época das antigas culturas da região). Após visitar o museu voltamos pra Trujillo, descansamos e tomamos um ônibus para Chiclayo (3:30 hs de viagem). Nos sentimos os "indianas jones" nessa viagem.






      . Chiclayo e Lambayeque - Chiclayo é uma cidade enorme,,, achamos Trujillo bem mais bonita. Nos alojamos no Hostal Satélite (55 reais o casal). É um alojamento bemmmm simples e fica numa avenida afastada do centro. A dona é muito simpática e o "coronel" (o cachorrinho super amável) deu as boas vindas. Mas o local é muito simples mesmo. Contratamos um tour que nos levou para Huaca Rajada, onde visitamos o sítio arqueológico (onde foi encontrada a tumba do Sr. de Sipán), bem como o pequeno mas interessante museu local. Foi um passeio que valeu a pena. Logo depois o tour seguiu para a vizinha Lambayeque. Primeiro paramos para um almoço e compra de um doce típico local (o alfajor King Kong,,,, não curtimos o doce não hehe). Fomos para o museu arqueológico Bruning e, logo depois, a cereja do bolo, o museu Tumbas Reales de Sipán. Sensacional !!! (pena que não permite fotos internas). Faltou conhecer o "estranho" parque Yortuque, um local com estátuas bem loucas,,, e a cidade praiana vizinha de Pimentel (precisaria ficar cerca de 3 dias para conhecer com calma o local). Uma dica pra comer são os cafés/restaurantes que ficam na praça da catedral de Santa Maria (praça chamada parque principal). Bom preço e comida excelente. A noite tomamos um mega super ultra confortável ônibus da empresa Movil em direção a cidade de Chachapoyas.




      . Chachapoyas - está aí uma região com muito a oferecer. Chegamos logo cedo na pequena e bela cidade,,, um ar de interior com um centro bem preservado e com casas em tom marrom e bege. Nossa hospedagem foi em um airbnb na Jirón Junin, n° 731 (R$ 89 reais o casal) . Gostamos do local, um quarto separado (com banheiro e tv) na casa da Sra. Ritha. Muito simpática e receptiva. Há poucas quadras do centro e de frente para uma pizzaria familiar muito boa. Ficamos 4 dias na região e contratamos alguns passeios na praça principal. Conhecemos os seguintes lugares:
       -> Kuélap - imperdível,,, partimos na van em direção ao povoado de Nuevo Tingo. Pra chegar na cidade murada dos Chachapoyas, a mais de 3.000 metros de altitude, tomamos um teleférico que por si só é uma atração (são 4 km percorridos em cerca de 20 minutos). A cidade é toda murada, possui apenas três entradas e tem construções circulares. Foi um passeio excelente, apenas o guia era meia boca,,, um cara muito ruinzinho (no passeio seguinte trocamos de agência e o outro guia foi muito bom). Neste local também fizemos amizade com um casal de viajantes da Austrália. No caminho para Kuélap estão as ruínas de Macro, as quais é possível acessar passando por uma espécie de gôndola com cabos de aço para cruzar o rio. Não conseguimos ir pela falta de tempo, mas pareceu interessante.




        -> Catarata Gocta - fizemos por conta própria. Tomamos uma van - transporte público - até um ponto na estrada onde há tuc-tucs. Um deles nos levou 5 km acima até Cocachimba, o vilarejo onde tem início a trilha para a parte baixa da catarata. Ficamos fãs dos tuc-tucs,,, são baratos e estão por todos os lados. Compramos as entradas e partimos pela trilha (6 km em cerca de 2:45hs). A trilha é tranquila, bem marcada e não necessita guia. É mais tranquilo (fisicamente) ir do que voltar . Chegamos na frente da catarata (na verdade são duas quedas somando 771 metros). É claro que entrei na água gelada,,,, nadei até o outro lado do laguinho e fiquei curtindo a paisagem por um tempo (não vimos ninguém mais se aventurar a nadar ali). Uma sensação incrível de leveza. É um passeio muito bonito e agradável. Na volta, quase no final da trilha, havia uma casinha onde o morador local vendia café (que ele mesmo cultivava), variedades de cachaça (produzidas por ele) e a bebida chamada "arapa" (ou algo assim,,, derivada do bagaço de cana e muito apreciada localmente por ser barata e ter algo de álcool). Pra adoçar eles usam a "panela", um adoçante que acho que é rapadura moída. Ainda almoçamos em Cocachimba e voltamos a Chachapoyas via tuc-tuc + van na estrada.



       -> Pueblo de los muertos - caminhamos até a rodoviária da cidade e tomamos uma van em direção a cidade de Lamud. Passamos por Luya e poucos quilômetros depois descemos na praça principal de Lamud (creio que 1:30hs de viagem). Perguntando aqui e ali nos indicaram um local próximo (1 quadra e meia descendo a praça). Trata-se um pequeno galpão com algumas múmias e artefatos arqueológicos repleto de botas de plástico (estilo galochas) e roupas para quem vai explorar a Caverna Quiocta. Uma moça nos recebeu e deu informações sobre o "pueblo de los muertos", disse que era domingo e que estava sem as chaves do sítio arqueológico. Pediu para esperarmos um pouco e se foi. Ficamos ali observando os folders colocados nas paredes e vimos que há muitos lugares para explorar a partir de Lamud. Havia opções para a Caverna Quiocta, para os Sarcófagos Karajia e para outros locais com sarcófagos menos conhecidos. Depois de um tempo ela nos cobrou dois tíquetes (um valor simbólico) e deu as chaves pra gente. Perguntamos como podíamos fazer para chegar lá. Ela ficou surpresa e perguntou se não estávamos de carro. Dissemos que não,,,,, daí ela indicou os tuc-tucs da esquina. Combinamos o preço com o motorista e ele nos levou. São cerca de 9 km até o início da trilha. Haja bunda,,,,  Começamos a descer até a encosta onde fica o local onde ficavam depositadas as urnas funerárias. A trilha é uma descidona boa,,, mas em uns 40 minutos estávamos no portão de entrada. Abrimos com as chaves que a moça nos deu e ficamos ali por cerca de 1 hora. No caminho é possível ver, bem ao longe, a catarata Gocta. O local é impressionante, com vistas alucinantes do penhasco e um tanto quanto perigoso quanto à quedas. Tem que ir com muito cuidado e não abusar. Ainda há alguns sarcófagos inacessíveis que se vê na encosta, mas as "casinhas" onde ficavam a maioria deles estavam vazias e semi destruídas. Com certeza caçadores de tesouros retiraram quase tudo dali. O fato de estarmos sós neste lugar foi algo diferente. Fechamos o portão com as chaves e retornamos pela trilha morro acima. O tuc-tuc estava lá esperando e nos levou de volta a Lamud. O local onde pagamos os tickets estava fechado, assim que (conforme combinado), deixamos as chaves na farmácia chamada "Botica Sanchez". Almoçamos e retornamos de van para Chachapoyas, felizes e cansados.
       






        -> Revash e Museu de Leymebamba - saímos num tour em direção a pequena vila de San Bartolo. Depois de umas 2 horas chegamos na pracinha de onde sai a tranquila caminhada (uma meia hora) até os mausoléus de Revash. Impressionante as casinhas pintadas de vermelho e branco. Muito bem conservadas. Na região há diversas delas, mas essas são as mais acessíveis. Dá pra chegar bem pertinho mesmo. Tiramos algumas fotos, curtimos a paisagem e retornamos à van. Logo em seguida seguimos para a cidadezinha de Leymebamba, onde almoçamos e fomos ao interessantíssimo museu (que fica meio afastado do povoado). Um museu muito bem organizado com um acervo único: mais de 200 múmias e objetos encontrados nas encostas da laguna de los condores (3 dias o passeio até o local - não fizemos), além de explicação da cultura Chachapoyas, maquetes, animais mumificados, instrumento feito de concha marinha chamado "pututu" (inclusive se pode soprar para escutar o som), etc. O bom é que se pode tirar fotos sem restrições. Logo após a rica visita guiada regressamos para Chachapoyas. Foi um grande dia !




      O potencial turístico da região é muito grande,,, não conhecemos vários lugares: cânion de Sonche, ruínas de Macro, sarcófagos de Karajía, caverna Quiocta, trekking gran Vilaya, etc). Além disso, cada ano se descobrem novos sítios arqueológicos. Há passeios mais "nervosos" como o trekking até a laguna de los condores (3 dias no total) e o "nervosíssimo" e absolutamente incrível Gran Pajatén. Recomendamos muito o norte do Peru, repleto de belezas naturais, sítios arqueológicos, museus, boa comida, etc. Os preços são mais baratos que a região de Cusco e há poucos turistas e muito o que ver. Como curiosidade, não encontramos brasileiros em Huaraz, Trujillo, Chiclayo e Chachapoyas. Também não deu pra conhecer a região de Cajamarca e as praias do norte do país... quem sabe um dia...
      Na madrugada, seguimos viagem numa van turística em direção ao aeroporto da cidade de Jaén, a 220 km (umas 4 horas), onde saiu nosso voo para Cusco (com escala em Lima).
      Pequeno aeroporto em Jaen:

      De dentro do Tuc-Tuc próximo ao aeroporto de Lima (demos uma voltinha até chegar a hora do voo para Cusco):
      . Cusco - chegamos mais uma vez na espetacular cidade de Cusco. Vendo as pedras que formam a base das construções não há como não tentar imaginar como era a cidade no auge do império Inca. Chegamos no aeroporto e já negociamos um taxi até o lúdico e pitoresco Hostal Royal Frankenstein (R$ 75 o casal), do alemão Ludwig, uma cara gente boa e muito bem humorado que dá todas as dicas que precisar. O hostal é simples, limpo e com excelente localização (em cada canto tem algo inusitado). Recomendamos ! Como em outras viagens já havíamos conhecido Machu Picchu, o Vale Sagrado dos Incas e uma boa parte de lugares da região, nos concentramos onde ainda não havíamos estado. Curtimos a cidade em si,,, caminhamos sem rumo pelas ruas, almoçamos um almoço bem fraquinho no mercado municipal, assistimos a uma apresentação de dança folclórica e deitamos no gramado em frente a Qoricancha (centro religioso Inca). No dia seguinte tomamos um tour para o sítio arqueológico de Moray (enormes círculos em terraços, com vários níveis, que devem ter servido de adaptação para cultivo de milho e batatas). Um local muito bonito! Fizemos paradas em alguns lugares onde há apresentações de como os antigos tingiam os tecidos para fazer roupas e de como era a produção de cerâmica; venda de chocolates com sal de Maras; e etc. Finalizamos o dia nas salinas de Maras,,, outro local bastante peculiar. Valeu a pena conhecer. No dia seguinte fizemos uma caminhada da plaza de armas em direção a Saqsaywaman. Visitamos o sítio arqueológico e fomos ao nosso objetivo principal: brincar no escorregador natural de pedra, chamado "suchuna" (garantimos que a descida é veloz ). Depois caminhamos até o sítio arqueológico de Qenqo e regressamos a pé até Cusco. Fomos dormir cedo porque, conforme havíamos combinado com a guia Suzana, as 3 hs da madrugada sairíamos em direção a Waqrapukara, uma joia da região.
      Hostal Royal Frankenstein - Cusco:

      A tinta na mão da moça vem de um bichinho que fica num cactus da região:









      . Waqrapukara ("waqra": chifres; "pukara": fortaleza) - esse é um daqueles lugares únicos,,, uma rocha gigante na beira do cânion do rio Apurímac, com duas saliências (como se fossem orelhas ou chifres), com um platô plano no alto. Acredita-se que o local foi construído pela cultura Kana e que era usado como local cerimonial, posteriormente foi dominado pelos Incas que agregaram construções ao local e agregaram a função de fortaleza ao local. É como se fosse uma pequena Machu Picchu. As 4 hs da manhã a Suzana apareceu com o motorista (um primo dela) e saímos em direção a rota que passa por Sangarará. Paramos para tomar café da manhã em um vilarejo a beira da estrada. Depois, cruzamos uma lagoa muito grande e teve início uma estradinha de terra bem estreita e cheia de curva pela encosta (uns 9 km), até que a única forma de seguir era a pé. O carro nos deixou ao lado de uma pequena lagoa de águas escuras onde havia uma casinha de um criador de ovelhas e alpacas. De lá subimos pela trilha na lateral direita da lagoa e logo tomamos uma parte mais plana e alta. A trilha é super bem marcada e tranquila, mas a falta de fôlego nos fez lembrar que estávamos a 4.500 metros de altitude. Depois de um tempo começamos a descer suavemente e, umas 2 hs depois, chegamos a Waqrapukara (cerca de 8 km de trilha). O céu estava muito azul,,, um dia maravilhoso. O local é impressionante, repleto de escadarias de pedra e construções. Não pagamos nada para entrar, apenas anotamos os nomes no livro do guarda parque. Ficamos um tempo por lá e a Suzana realizou uma espécie de agradecimento a Pacha Mama. Havia apenas alguns gatos pingados por lá. Pouquíssima gente. Depois de um tempo começamos a regressar. A volta é uma subida suave, mas que cobra seu preço. Levamos um pouco mais de 3 horas para chegar ao carro, com direito a várias paradas para beber água. Regressamos a Cusco cansados e muito felizes. Obs.: há outras rotas para conhecer Waqrapukara: pelo vilarejo de Huayqui (penso que essa deva ser a rota mais bonita, pois segue a encosta do cânion - também acredito que deva ser a mais fácil de se fazer por conta própria, pois há transporte de Cusco até Acomayo, e de lá até Huayqui), e por Santa Lucía.




      . Yauri/Espinar - saímos cedo do hostal Frankenstein e um taxi nos deixou num terminal de ônibus na rua Huayruru Pata (terminal Sicuani - empresa Coliseo), de onde saem coletivos para Sicuani. Depois de uns 140 km e 2 horas e pouco de viagem, fomos deixados na garagem da empresa (Av. Cesar Alvarez). Perguntamos e, próximo dali, saíam os ônibus para Yauri. Mais 70 km e quase 2 horinhas e chegamos na cidade (que é bem grandinha). Tomamos nosso tradicional tuc-tuc e descemos na praça principal, onde lemos que haviam vários pequenos hotéis. Ficamos no excelente e frio Real Apart Hotel (R$ 60 reais o casal). Foi uma positiva surpresa, por isso recomendamos. Na manhã seguinte um tuc-tuc nos deixou onde saíam os ônibus para os Três Cañones de Suykutambo. É preciso chegar antes das 8 hs, pois só há um único ônibus no dia, saindo cedo e regressando de tardezinha. Quase não conseguimos um lugar. Em pouco tempo havia muita gente do campo (com muitas crianças pequenas) e ônibus saiu mega lotado, com gente em cima uns dos outros (literalmente). Depois de uns 30 km descemos numa parada que fica bem no encontro dos três cânions. O motorista advertiu para não perdermos o horário da volta, que seria as 15:30hs. Descrevo o local como surpreendente, com sítios arqueológicos da cultura Cana e paisagens absurdamente belas. Cruzamos o rio Apurímac (um rio maravilhoso) e pegamos uma trilha até o alto de um dos paredões. A subida é boa (vale lembrar toda a região está acima dos 4.000 metros,,, ufaaa!). Tiramos umas fotos e apreciamos a vista. Depois retornamos por um caminho que tem inicio próximo da parada do ônibus e que nos levou até um sítio arqueológico chamado T'aqrachullo (ou Maria Fortaleza). O local é turístico e tem indicações. Subimos até o alto de outro paredão onde a vista dos três canions é fantástica (essas subidas são de cerca de 100 metros de desnível). Lá no alto tem muitas ruínas do sítio arqueológico, com construções circulares (típicas da cultura Cana). Descemos pelo mesmo caminho e seguimos as indicações até outras ruínas fantásticas (de onde já se pode observar a presença da arquitetura Inca). Depois retornamos a estrada e fomos caminhando (7 km) até as ruínas de Mauk'allaqta. Cruzamos novamente o rio por uma ponte de metal antiga e pegamos a trilha até o sítio arqueológico. Este era ainda mais incrível que os demais, com dezenas e dezenas de construções circulares, inclusive uma "chulpa" (urna funerária) com a cúpula de pedra. Ficamos um tempo aí e voltamos a estrada para esperar o ônibus que nos levaria de volta a Yauri. Por sorte, um casal muito gente boa (de Arequipa) estava passando de caminhonete e ofereceu carona. Era um casal que havíamos visto no início do dia próximo aos três cânions. Voltamos e nos deixaram na praça onde ficava nosso hotel. Quando descemos do carro vimos que eles também estavam hospedados no mesmo local. Coincidência boa. Depois jantamos juntos num restaurante típico local e acabamos por fazer amizade com eles. No dia seguinte pegamos o ônibus de volta a Sicuani e, de lá, uma van até Puno, onde dormimos uma noite e depois seguimos viagem até La Paz, via desaguadero. Não deu tempo de conhecer K'anamarka e outras atrações da região (termas, vilarejos e etc). São necessários pelo menos 2 dias livres (sem contar a chegada e a saída) para conhecer bem o local.










      . La Paz - chegamos em La Paz pela manhã, a viagem e a passagem pela fronteira foram tranquilas pra gente, porém não podemos deixar de registrar que algumas pessoas levavam chocolates (comprados em Cusco) e (absurdamente a nosso ver) ficaram retidos. Bem,,, da rodoviária seguimos a pé em direção ao Loki Boutique La Paz (R$ 112 o quarto de casal - um pouco acima do que vínhamos pagando em hospedagem até então). O quarto e o banheiro são excelentes. O único probleminha é que, durante a noite, ouvíamos ratos dentro das paredes do antigo casarão (mais especificamente numa das tomadas do quarto). Gravei e mostrei para a administração do hostal, mas não tinham outro quarto,,, assim que ficamos ali mesmo. Muito estranho dormir com os ratos fazendo ruídos a noite toda. Já estivemos muitas vezes em La Paz, uma cidade única,,, ainda mais agora, com o sistema de teleféricos cruzando a cidade de cima a baixo. É uma mescla de caos urbano com um ar de aventura. Muitos mochileiros de todo o mundo cruzando as ruas agitadas e, ao fundo, a paisagem maravilhosa do nevado Illimani. Nosso objetivo inicial era descansar na cidade e fazer alguma trekking/montanhismo. Desistimos do Sajama pelo alto custo que implicaria e acabamos não indo desta vez ao Parque Condoriri, onde pretendíamos conseguir algum transporte até a trilha que leva ao Pico Áustria (um mirante maravilhoso). Acabou que aproveitamos pra curtir a cidade em si e descansar uns dias. Andamos muito a pé e de teleférico. Visitamos: Calle Jaén (artesanatos), Mirador Killi Killi, Parque Urbano Central, Mirador Laikakota (o escorregador de cimento liso vale muito a pena), Zona Sul da cidade, inclusive fomos ao Valle de la Luna. Na volta paramos em outro escorregador (altíssimo) de cimento. Ficamos ali brincando por um tempo até retornar ao centro da cidade de teleférico. Um lugar bem legal é o café chamado Kuchen Stube (rua Rosendo Gutierrez - próximo a praça Eduardo Avaroa). Nos dias em que ficamos em La Paz houve desfiles por toda a cidade. Foi muito legal ver o pessoal ensaiando nas praças à noite e desfilando nos dias seguintes. Teve até uma espécie de desfile de carnaval (um megaevento da cidade). Fomos convidados pelo Juan, pela Miroslávia e por seu filho Nils (amigos de longa data e donos da agência de turismo http://hikingbolivia.com/ - aproveito para indicar a agência pela competência e honestidade deles) para um jantar e depois para participar de uma cerimônia tradicional local para pedir um ano bom a Pacha Mama. A cerimônia foi bastante diferente de tudo que havia participado. Um momento interessantíssimo da viagem e expressão da cultura local. Na noite seguinte viajaríamos de ônibus até Cochabamba, entretanto, conseguimos um voo pela BOA (https://www.boa.bo/) por incríveis 99 reais. Partimos logo cedo para Cochabamba.









      . Torotoro - chegando no aeroporto de Cochabamba tomamos um taxi até a Av. República, onde saem as vans para Torotoro. Esperamos uns 40 minutos até lotar e saímos. Foram 137 km em cerca de 3:40hs (35 bolivianos por pessoa - uns 19 reais). Estão construindo uma rodovia nova entre Sucre e Cochabamba, mas quando fomos a estrada estava bem judiada. Antes de chegar, há vários zigue zags na estrada. Torotoro é mais uma pequena vila que uma cidade,,, tem muitos hostals, duas pizzarias e poucos restaurantes. Está a 2.700 metros de altitude. Ficamos no Hostal Torotoro (R$ 75 o casal), onde há uma entrada imitando caverna e quartos razoáveis, entretanto é bem mal administrado por duas adolescentes. Para ter água quente era necessário pedir e esperar. A pequena vila é base para passeios incríveis. Tem uma pracinha e vários edifícios com réplicas de dinossauros. Para fazer os passeios é necessário contratar um guia da cooperativa de moradores da região. Pessoas super bem treinadas e educadas. Gostamos muito da organização. O primeiro a fazer é passar no escritório de registro do Parque Nacional Tororo. A entrada custa 100 bolivianos (uns 60 reais) e vale por 4 dias. Cada tour tem um custo adicional e pode ser dividido em até 6 pessoas. Chegamos no local onde saem os guias e já montamos um grupo com 6 pessoas para conhecer o El Verguel + Cânion de Torotoro. O valor foi cerca de 160 bolivianos, que dividimos em 6. Fizemos o trajeto a pé mesmo, pois achamos mais interessante (cerca de 10 km ida e volta, contando a entrada no cânion). O guia era muito gente boa. Logo na saída da cidade há uma encosta com incríveis pegadas de dinossauros de vários tipos. Depois seguimos por uma estradinha de pedras até chegar a uma trilha que segue por uma espécie de leito seco de um rio. Neste caminho há formações rochosas bem legais e pegadas de vários períodos (Triássico, Jurássico e Cretácio) de 4 famílias de dinossauros (Anquilossáurios - quadrúpedes herbívoros; Terópodos - carnívoros; Ornitópodos - herbívoros de quatro patas que também caminham em duas; Saurópodos - os de pescoços longos). Algumas são do tamanho de uma pessoa. Chegamos num mirante de metal, de onde se vê o cânion de cima. Um lugar único! Depois de um tempo ali iniciamos a descida até o rio Verguel,,, cerca de 850 degraus de pedra. Seguimos por dentro do cânion até chegar num laguinho de água bem fria. Do outro lado uma cachoeira que o guia jurava que era de água morna. Fomos os únicos que arriscamos ir. E não é que o guia não mentiu. Uma água cristalina e morninha. O duro foi voltar pela água gelada do laguinho hehe. Regressamos lentamente, subindo os degraus e fazendo a trilha de volta até a cidade. Um dia espetacular!  Na manhã seguinte formamos um grupo com dois casais de espanhóis e o mesmo guia do dia anterior. Pagamos cerca de 600 bolivianos (100 para cada pessoa) e saímos num carro em direção a Ciudad de Itas + Caverna Umajalanta. O primeiro destino foi a Ciudad de Itas (uns 20 km de Torotoro e 1.000 metros mais alto). É uma trilha bem tranquila, passando por formações rochosas que lembram vários animais. Há inúmeras grutas e passagens entre as rochas, formadas pela erosão das chuvas. Algumas formam galerias enormes. Uma curiosidade é que foram encontrados artefatos da cultura Guarani na região ("Ita" = pedra em Guarani). Disseram que é o local mais alto (cerca de 3.700 metros) com registro dos Guaranis. Também passamos por pinturas rupestres. Foram cerca de 4 km (ida e volta). A próxima parada foi o almoço num local com uma vista sensacional. O almoço (pago a parte do passeio) foi excelente. Seguimos para o local onde fica a caverna de Umajalanta. O carro nos deixou a 1 km da boca da caverna e seguimos por uma trilha bem gostosa de se fazer e com pegadas de dinossauros pelo caminho. Antes de entrar há uma parada para colocar os capacetes com lanternas e deixar as mochilas. A caverna é magnífica e um tanto quanto "aventureira". Descemos diversas vezes em cordas com nós,,, cruzamos passagens muito estreitas e nos arrastamos entre o teto e o chão. No final há um laguinho com peixinhos sem olhos (típicos de cavernas). Outro dia incrível para não esquecer...      Regressamos a Torotoro e saímos pra comer uma pizza. Uma dica: Torotoro está entre Cochabamba e Sucre e há possibilidade de "transfer" de Torotoro para Sucre. São 6 horas de viagem de carro e só não usamos porque já havíamos comprado as passagens aéreas. Os espanhóis conseguiram fechar um carro e partiram até Sucre. No dia seguinte nós tivemos que regressar, numa épica e muito empoeirada viagem de van, a Cochabamba, pois de lá tomamos um desses voos econômicos para Sucre. Por conta de um tiozinho (muito sem noção) que atrasou a van em quase 1 hora, chegamos no aeroporto cerca de 20 minutos antes da saída do voo. Foi um desespero, pois despachamos as bagagens e embarcamos de forma imediata, mas deu tudo certo.




















      Torotoro vista no voo Cochabamba a Sucre:

      . Sucre - chegamos ao aeroporto e achamos tudo muito organizado. Pegamos uma van até o centro de Sucre por um valor muito bom (se fôssemos de táxi sairia umas 8 vezes mais). Caminhamos até o hostal La Casa Verde (R$ 150 reais o casal - foi a hospedagem mais cara de toda a viagem), bem localizado (poucas quadras da praça central) e com um excelente café da manhã. A cidade foi uma grata surpresa. O centro histórico é muito bonito, todo em estilo colonial e muito bem preservado, com muitas opções de restaurantes, cafés e lojas de chocolate e artesanato. Na praça, em frente a Catedral Metropolitana de Sucre, pegamos o ônibus do "Parque Cretácico" (horários: 9:30, 11:00, 12:00, 14:00 y 15:00 hs - de terça a domingo), uns 5 km de distância (15 minutinhos). A área pertence a fábrica de cimento "Fancesa" e, além do parque (que é interessantíssimo, muito educativo, com réplicas de dinossauros, museu e muita informação), também tem o sítio paleontológico chamado "Cal Orcko", um dos mais importantes já descobertos. Trata-se de um paredão (cerca de 110 metros de altura x 1500 metros de comprimento, inclinado em 73º), em camadas, onde estão expostas 5055 pegadas individuais de dinossauros de, pelo menos, 8 espécies. Há 462 trilhas de caminhada contínuas. Dá pra ver o paredão desde o parque (uns 300 metros de distância), mas fizemos o tour guiado (ocorre apenas das 12 as 13hs - horário de almoço da empresa de cimento), caminhando ao longo da parede. Foi sensacional ficar ali ao lado das pegadas,,, vale muito a pena!
      Planejamos conhecer Maragua, um local creca de 25 km de Sucre, com trekkings, pegadas de dinos (uma das maiores pegadas de carnívoros do mundo pode ser vista aí) e pinturas rupestres, mas pela falta de tempo deixamos para uma outra oportunidade.
      De noite, tomamos um ônibus da empresa "6 de octubre" na rodoviária de Sucre em direção à Villazón (cidade na fronteira Bolívia/Argentina), uns 420 Km de distância. Estávamos um pouquinho preocupados porque, na noite do dia seguinte, tínhamos um voo de Jujuy para Buenos Aires, e depois para o Brasil. Tinha muito chão ainda até chegar em Jujuy.









      . Villazón/La Quiaca - Jujuy - Brasil - depois de uma longa, porém tranquila viagem (cerca de 9 horas), chegamos na gélida rodoviária de Villazón (3.450 metros de altitude e -8ºC de temperatura). De lá tomamos um taxi até a fronteira (2,6 km dali) onde havia uma pequena fila,,, mas andou rápido. Ninguém revistou nada! Pegamos as mochilas e fomos caminhando 1km até a rodoviária de La Quiaca (já na Argentina). Esperamos um pouco até que achamos um ônibus para Jujuy (260 km em cerca de 5 horas). Acabou que deu tudo certo, pois tínhamos toda a tarde em Jujuy até a hora de nosso voo as 21:40hs. Deixamos as malas no novo terminal de ônibus de Jujuy e fomos até o centro pro tempo passar. Aproveitamos para almoçar, tomar um café num shopping, caminhar um pouco pelas ruas próximas e o principal: comprar algumas garrafas de vinho no supermercado! Voltamos para o terminal e esperamos passar um ônibus que nos deixaria no aeroporto.
      O mais engraçado é que, depois de fazer o check-in do voo, ouvi nossos nomes sendo anunciados no aeroporto. Fomos até o balcão da empresa e, para nossa grata surpresa, o voo estava lotado e nos mudaram para a 1ª classe. Hahaha,,, tá certo que era um avião pequeno e a 1ª classe não era algo assim fantástico, mas minhas pernas agradeceram o espaço cômodo até Buenos Aires. De lá pegamos o ônibus da empresa Tienda León (que faz o transfer gratuito de quem compra passagens da aerolineas argentinas) e fomos do aeroparque até o aeroporto de Ezeiza. Tomamos mais um chá de cadeira (umas 4 horas) e embarcamos as 06:40hs da manhã pro Brasil.


      Foi uma viagem épica , que na verdade foram muitas viagens em uma. Focamos em lugares menos conhecidos como Waqrapukara, Suykutambo, Parque Torotoro, Chachapoyas e o norte do Peru. Mas também vivenciamos grandes cidades como Cusco, Lima, La Paz, Huaraz, Trujillo, Chiclayo, Puno, Sucre e Jujuy. E ainda as pequenas e únicas Purmamarca, Tilcara, San Pedro de Atacama, Huanchaco, Lamud, Leymebamba, Yauri e Torotoro. Visitamos museus, sítios arqueológicos dos mais variados, desertos, cidades de antigas civilizações, montanhas, geleiras, mar e neve, águas termais, geisers, lagos de cor turquesa e cachoeiras,,, andamos de avião, ônibus, bicicleta, teleférico, carro, tuc-tuc,,, caminhamos trocentos quilômetros (ainda vamos fazer esta conta) entre cidades e trekkings em lugares maravilhosos e repletos de história e aventura,,, fomos do mar até 5.050 metros,,, comemos comidas típicas e deliciosas (viva o Peru),,, dormimos cinco noites dentro de ônibus, uma num aeroporto, muitas em pequenos e simples hotéis e até mesmo uma num hospital. Conhecemos muitas pessoas legais de muitas nacionalidades (chilenos, bolivianos, peruanos, argentinos, brasileiros, espanhóis, ingleses, alemães, australianos, e muitos outros),,, sendo que algumas boas amizades tiveram início. Celebramos a amizade com Juan, Miroslávia e Nils, participamos da cerimônia da Pacha Mama em La Paz e em Waqrapukara e desfrutamos da hospitalidade do maluco do Ludwig em Cusco. Por fim, brincamos muito, como deve ser, deslizamos em escorregadores de Saqsaywaman e em La Paz, nos perdemos de bicicleta na Garganta del Diablo, nadamos em lagoas geladas e, principalmente, compartilhamos um com o outro, juntos, pequenos e grandes momentos que ficarão eternizados em nossos corações. Infindáveis pequenos fragmentos de coisas boas,,, de cumplicidade,,, de entender um ao outro. O maior tesouro da viagem foi estar na melhor companhia.


×
×
  • Criar Novo...