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30/10 - Neuquen - Bariloche
Acordamos e já seguimos viagem. Na estrada, paramos algumas vezes para tirar fotos. Passamos novamente por um posto de vigilância Zoofitosanitária, mas ninguém nos parou.

Chegando em Bariloche, paramos mais vezes para tirar fotos na estrada, era o primeiro contato com a paisagem de montanhas e neve dessa viagem, o que já começou a dar uma empolgada a mais.

Já na cidade, resolvi procurar por um caixa eletrônico para poder sacar dinheiro. Saquei mais alguns trocados e fomos até o Camping El Cohiues, onde fomos muito bem recebidos pelo proprietário Sebastian.

A área de camping é um pouco pequena em comparação aos que ficamos anteriormente, mas eles possuem quartos num hostel e quartos individuais também. Além de uma cozinha coletiva totalmente equipada e com calefação.

KM rodados: 426
Duração da viagem: 06:00
Combustível: $900 ($32.50/L)
Hospedagem: $500 (Camping El Coihues - 2 diárias)

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31/10 - Bariloche
Íamos para o Cerro Serrano, porém, estava um tempo feio e resolvemos não ir, já que não ia aproveitarmos a vista panorâmica. Ficamos andando pelo centro e aproveitamos para fazer algumas compras de acessórios de frio (luva, cachecol, gorro). Almoçamos em um restaurante e em seguida fomos até Villa Angostura, uma cidadezinha bem simpática. Era Halloween e tinha muitas crianças fantasiadas pedindo doces nas lojas do centrinho. Passamos no Centro de Informações Turísticas, pegamos um mapa e fomos para a Ruta dos 7 lagos. Fomos até o primeiro lago e voltamos para o camping.

Nesse dia comecei a ouvir um barulho da roda, comecei a desconfiar que algum rolamento tinha começado a aparecer sinais de desgaste.

A fez tanto frio que a grama do camping ficou toda branca congelada. Mas ainda assim, conseguimos dormir bem dentro da barraca.

Combustível: $750 ($31.54/L)

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01/11 - Bariloche - Perito Moreno
Saímos às 11:20 de Bariloche.

Ruta 40, na maior parte da rota em boas condições, economizamos 30 minutos de trajeto. Passamos pela Germanderia que apenas perguntou onde íamos e perguntaram se éramos palmeirenses, pois o Palmeiras tinha perdido pro Boca Juniors no dia anterior.

Muitos animais pela estrada, mas quase não paramos para fotografar porque precisávamos adiantar o trajeto.

Atenção aos postos de combustível, há poucos no trajeto. Paramos em um YPF que estava sem combustível, mas nosso carro tava com uma boa autonomia, então conseguimos chegar no próximo posto ainda com meio tanque.

Ficamos na estância turística La Serena, que reservamos na noite anterior. Estávamos na dúvida pois aqui não havia wifi e como estamos decidindo nosso roteiro sempre 1 dia antes, isso iria dificultar. Procuramos por alternativas, mas era a única viável em questão de valores. Para nossa surpresa, o lugar é excelente e também servem jantar (entrada + prato + sobremesa + garrafa de vinho = 450 pesos por pessoa), o café da manhã está incluso no valor de 1200 pesos.

Os proprietários são ótimos anfitriões. Na falta do wi-fi para nos programarmos, nada que uma boa conversa não resolva. Decidimos então ir para El Chaltén e no dia seguinte para El Calafate, a caminho de Torres del Paine no Chile.

A noite, saí do quarto para fumar um cigarro (eu sei, péssimo hábito) e vi o céu extremamente estrelado! Da última vez que vi isso foi no Deserto do Atacama. Saquei a câmera e tentei fazer algumas fotos.

KM rodados: 821
Duração da viagem: 09:07
Combustível: $1000 ($32/L)
Hospedagem: $1200 (Estancia La Serena)

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02/11 - Perito Moreno - El Chalten
Saímos de Perito Moreno por volta das 10:30, depois de um café da manhã bem gostoso, feito pelos próprios proprietários do hotel.

Tínhamos visto um folheto da Cueva de Las Manos e como era a caminho, resolvemos dar uma passada por lá.

Andamos por volta de 90km e chegou a entrada, indicava 27km de ripio. Algumas partes da estrada estavam bem ruins, com aquelas costeletas que tive que andar a 20km/h pra não desmontar o carro. Chegamos as 13:00 em ponto e pagamos 200 pesos por pessoa para uma visita guiada.

Considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, a Cueva de Las Manos abriga pinturas de 9 mil anos atrás feitas por ancestrais do povo Tehuelche. Bem bonito de se ver e indica alguns costumes que esse povo tinha antigamente.

No final da visita perguntei pra guia: quanto tempo estamos de El Chaltén? Ela disse: umas 8 horas. Eu fiquei assustado, pois eu não esperava tanto tempo assim e já eram 14:30, chegaríamos muito tarde na cidade.

Seguimos adiante e começa os 70 km de ripio da Ruta 40. Na maior parte do percurso estava tranquilo, mas num determinado ponto eu tava um pouco rápido, apareceu um coelho na frente e um carro na mão contrária, o único lugar que eu pude desviar foi uma pedra, que pegou no meio do carro e amassou o escapamento. O ronco do carro ficou diferente, mas eu já sabia o que tinha acontecido porque já não era a primeira vez.

Asfalto novamente, que alívio! As placas já indicavam "poucos" km para El Chaltén.

Chegamos na cidade por volta das 22h. Logo na entrada, um caixa eletrônico e sacamos dinheiro. Só faltava o sinal de internet para procurar algum hotel.

Achamos mais fácil ir jantar em algum lugar que tivesse wi-fi. Fomos na hamburgueria Monte Rojo. Comemos bem e conseguimos achar um hotel de ultima hora, achei bem caro por ser um quarto com banheiro compartilhado, mas foi a única opção que nos restou.

Fizemos o check-in quase meia noite.

Nessa volta que fizemos na cidade, achamos que valeria gastar mais uma diária lá.
Aproveitando o Wi-Fi do hotel, consegui fazer o seguro SOAPEX para o Chile. Fiz o pagamento online com cartão de crédito e deixei salvo no computador para uma oportunidade de imprimir.

KM rodados: 753
Duração da viagem: 11:00
Combustível: $900 ($33.85/L) + $850.65 ($32.24/L)
Hospedagem: USD 54.45 (Nothofagus Bed & Breakfast)

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03/11 - El Chalten
Acordamos, reservei o outro hotel, tomamos café e saímos para dar uma volta na cidade enquanto não dava o horário do check-in.

Passamos por um mecânico, parei só por desencargo de consciência para ver se tinha acontecido alguma coisa a mais no carro. Ele olhou e diagnosticou o que eu já havia previsto. Aproveitei pra encher o tanque do carro no único posto que tem em El Chaltén.

Nesse meio tempo já tinha dado o tempo para entrar no outro hotel. Fizemos o check-in e já saímos. Passamos no centro de informações turísticas e pegamos um mapa das trilhas da cidade.

Resolvemos ir até a Laguna Capri, que fica há 4 km pela trilha do Fitz Roy. No primeiro km eu já pensei em desistir. Uma subida íngreme com muito vento e frio.

Continuamos andando, andando, chegamos a laguna muito rápido, então pensamos: vamos mais um pouco. Continuamos... Quando chegou a placa 8 de 10km, estávamos avistando uma geleira muito perto, mas nessa hora eu já estava muito cansado. Ainda assim, resolvemos seguir adiante para alcançar o objetivo do final. No último km, a placa dizia: 1h de subida e trilha deteriorada. Olhei adiante seguindo a trilha, olhei pro relógio, já marcavam 17:30. Meu bom senso disse pra eu voltar.

Fiquei bem frustrado, mesmo que não fosse o objetivo inicial. Mas tinha chegado até ali, faltava só mais 1h. Se eu tivesse chegado mais cedo, daria.

Voltamos. Quanto mais andávamos, mais ansioso eu ficava com as placas marcando as distâncias. Lembro quando faltava 4 km, eu já estava muito cansado, quase não conseguindo andar. Mas não tinha outro jeito a não ser continuar andando.

Chegamos na cidade já era 21:30, bem no finalzinho da luz do dia.

Fomos para o hotel, mal conseguia chegar no quarto. Tomei um banho para relaxar e logo em seguida saímos para comer uma Parilla no Come Vaca, muito bem servido e num valor ok.

Combustível: $700 ($32.24/L)
Hospedagem: USD 32 (Hotel Lago del Desierto)

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Posto de combustível na entrada da cidade.

Sendero Al Fitz Roy

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Primeira vista panorâmica da trilha

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Banheiro no meio da trilha

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Primeiro camping da trilha

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Fitz Roy coberto de névoa :(

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Parrilha pra reabastecer as energias

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04/11 - El Chalten - El Calafate
No início, El Calafate tava como uma cidade somente de passagem, mas devido ao cansaço resolvemos pernoitar por lá. Chegamos cedo, o percurso era curto. Ficamos no camping El Ovejero, melhor camping até então. Com água aquecida em todas as torneiras, inclusive as de lavar roupas/louças e banheiro com calefação. Além de ser bem localizado, o camping também tinha um bar e vendiam carvão, lenha e gelo. Em todos os demais campings estávamos sozinhos, mas nesse estava cheio de viajantes, principalmente da Europa.

Terminamos de montar a barraca por volta das 14:00 e logo saímos para visitar o Glaciar Perito Moreno. Quando fui buscar a rota no Google, apareceu que o parque estava fechado (era domingo). Fiquei pensando: como que fecham um parque desses aos domingos? Parei no acostamento para tentar achar alguma informação sobre horários e não conseguia achar, resolvi seguir adiante. Uns 100 metros pra frente já havia uma placa com os horários de funcionamento do parque, isso porque ainda estávamos há pelo menos 70 km distantes. Chegamos na portaria, compramos os ingressos e seguimos. Ainda tinha um bom pedaço de estrada até chegar lá. Chegando, estacionamos o carro e pegamos um ônibus que faz o translado de 10 minutos ou menos até a entrada das passarelas. Há uns 3 ou 4 opções de caminhada para a observação do glaciar.

Quando estávamos indo embora, à frente do estacionamento era possível ver uma espécie de praia e resolvemos dar uma caminhada até lá. Acho que ali eu consegui tirar as melhores fotos. Tinha uns pedaços grandes de gelo boiando bem perto da costa e ainda dava pra ver o paredão do glaciar. Pra quem for visitar, vale a pena dar uma passada lá. Fica em direção ao restaurante do parque.

Voltando pra cidade, aproveitamos passamos no supermercado e fomos para o camping descansar.

Nesse dia observei uma coisa que em também ocorreu em outros lugares: quando você chega na portaria do parque, não tem nada que te barre para seguir adiante. Você desce do carro e compra o ingresso por livre e espontânea vontade. Em nenhum momento nos pediram os ingressos depois de comprar.

KM rodados: 208
Duração da viagem: 03:00
Combustível: não abasteci nesse dia
Hospedagem: $ 300 (Camping El Ovejero)
Entrada do parque: $ 700 por pessoa

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05/11 - El Calafate - Torres del Paine
Fiz o checkout do camping por volta da meio-dia, fomos até o centrinho (na mesma rua do camping) para fazer o câmbio de pesos chilenos. Na frente tinha um lugar que tinha uma espécie de lan house, parei ali e imprimi meu seguro SOAPEX para a entrada no Chile. Acabamos almoçando numa hamburgueria e fui trocar o óleo do carro. Paguei muito caro, quase o dobro do preço que eu pago normalmente no Brasil. Mas para não perder tanto tempo de viagem depois, resolvi fazer logo.

Pegamos a estrada e muito mais kms de rípio, até praticamente a fronteira com o Chile. Paramos na aduana do lado Argentino, por azar nosso, tinha acabado de encostar um ônibus, então tivemos que ficar um pouco na fila. Fizemos o processo de saída do país e alguns kms a frente paramos na aduana Chilena. Lá o processo foi mais "chato" e teve a famosa inspeção zoofitosanitária que nos levaram apenas uma cebola.

Com passaporte carimbado, seguimos adiante para o caminho do Camping Pehóe. Marcava mais de 100km no GPS e o dia já estava acabando. E da-le rípio! Andamos, andamos e andamos.

Chegamos na entrada do Parque Torres del Paine e eu não sabia que esse camping era dentro do parque. Logo na entrada uma placa falando para comprar o ingresso. Mas dei uma olhada ao redor e não tinha mais uma alma viva naquele lugar. Resolvi seguir em frente. Andamos mais alguns kms, com o tempo fechando, começamos a ficar desconfiados que o GPS estava marcando errado, pois passavam várias placas de outros campings e nada do nosso. Avistei um carro passando na direção contrária, abri o vidro e acenei com a mão para parar. Perguntei se elas conheciam o camping Pehoe e responderam em inglês, mesmo eu tendo perguntado em espanhol. Uma das meninas desceu do carro com um mapa e apontou: its not so far from here. Ela falou pra eu tirar uma foto do mapa, caso precisasse consultar, mas não precisou. Andei mais um pouco e achei o camping.

Quando desci do carro, o vento quase cortou minha pele. Tava muito frio e já tinha anoitecido. Pensei: não vou acampar hoje. Perguntamos na recepção se havia algum hotel por perto, ela nos disse que há 5 minutos dali tinha um, que poderia ser um valor acessível. Fomos até lá, logo de cara já vi que não era nada acessível, mas vai saber, as aparências enganam. Perguntei na recepção sobre as diárias, ele só apontou para uma tela onde tinham os valores. 200 dólares a diária. Nessa hora o frio passou e resolvi acampar. Voltamos no camping e a menina simpática nos emprestou gratuitamente um saco de dormir. Chegamos no lugar para montar a barraca, cadê a eletricidade? Eu tinha visto no site e me parecia ser um camping muito bem estruturado. Não tinha! Tivemos que montar a barraca no escuro. O frio era tanto e a vontade de ter um abrigo era tanta, que montamos tudo em tempo recorde. Conseguimos montar a barraca dentro de um quiosque com proteção de vento. Fizemos um macarrão com seleta de verduras que tínhamos. Bebemos meia garrafa dum vinho que tinha sobrado no cooler e deitamos. Apesar de estarmos protegido do vento, o frio ainda bateu forte dentro da barraca. Como disse anteriormente, o espaço dentro da barraca é bem grande, daí consegui acender o fogareiro dentro do quarto - claro, tomando cuidado pra chama não ficar próxima das paredes - deixei por alguns minutos e deu uma boa aquecida. 

Nesse dia eu comecei a ver que a planilha que eu tinha planejado para a viagem poderia estar tudo errado, pois demoramos quase o dia todo para andar apenas 300km. Querendo ou não, esse processo de imigração pode parecer rápido, mas se perdem horas de viagem com a desaceleração, além do que, eu não sabia que essa estrada era de rípio.

OBS: depois desse dia, vi em outros relatos que depois das 20h é "normal" que as pessoas cheguem lá com motorhomes pois não cobram o ingresso. Diz a administração que eles cobram o ticket na saída, mas ninguém me parou e pelos relatos também não.

KM rodados: 311
Duração da viagem: 11:00
Combustível: $ 770.40 ($ 33.85/L) 
Hospedagem: CLP 22.000 (Camping Pehóe)

06/11 - Torres del Paine - Punta Arenas
Quando acordamos, uma surpresa, as Torres del Paine estavam na nossa frente! Andamos uns 50 metros para tirar umas fotos de um ângulo melhor, ficamos lá relaxando um pouco e nos preparamos para a viagem. O que fez tudo ter valido a pena. O objetivo nem era de fazer a trilha, era somente de observar a montanha e aquela vista do camping já cumpriu esse papel.

Desmontamos a barraca sem pressa, fizemos um café, tomamos banho e partiu estrada, só que dessa vez sem destino definido. Resolvi esticar até Puerto Natales para pegar sinal de internet ou wifi para consultar opções. Todo mundo tinha me falado para retornar para Rio Gallegos e fazer a travessia por lá, mas eu tava achando muito trabalhoso fazer esse processo de imigração, até porque, rumo ao Ushuaia eu ia ter que fazer de novo. Paramos num restaurante para comer e aproveitei o Wifi para procurar opções. Achei mais viável fazer o que eu havia planilhado: fazer uma parada em Punta Arenas, mesmo tendo que andar 50 km a mais (100 km ida e volta).

Apesar de ser caro, recomendo muito esse camping que a gente ficou pra quem tiver indo para Torres del Paine. De Puerto Natales até lá é um bom pedaço de estrada, já dá pra economizar um bom tempo, ainda mais se for pra fazer as trilhas.

No caminho, passamos pela Cueva del Milodon, um monumento que possui uma caverna descoberto em 1895, pelo alemão Hermann Eberhard. Lá ele encontrou fósseis de um animal desconhecido. Mais tarde, identificaram o animal como Milodon, uma espécie de preguiça gigante extinta há mais de 10 mil anos atrás.

Achei um hotel, o mais caro de toda a viagem (mais caro que o do Ushuaia, pelo incrível que pareça), fizemos o checkin e saímos para dar uma volta na cidade. Tinham me falado que era uma cidade totalmente industrial, que não tinha nada por lá. O centrinho a noite é bem movimentado com muitos bares e restaurantes.

KM rodados: 353
Duração da viagem: 07:00
Combustível: CLP 27.002 (CLP 902/L) 
Hospedagem: USD 69 (Dona Calletana)
Entrada Cueva Del Milodon: CLP 5000 por pessoa

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07/11 - Punta Arenas - Ushuaia
Saímos meio dia do hotel, parei pra abastecer ainda em Punta Arenas e o frentista perguntou da onde éramos. Respondi São Paulo e ele ficou muito empolgado dizendo que queria  conhecer a cidade. Quando dei meu cartão pra pagar, ele todo feliz apontou para o crachá: também me chamo Daniel! Falei que íamos ao Ushuaia e com um tom de incentivo disse: VAI! Sei que dá pra fazer a travessia do Estreito de Magalhães para Porvenir, mas pelos relatos, havia chances de não ter mais horários e não valia a pena por causa do valor. Então resolvi ir para a balsa tradicional de Bahia Azul a Punta Delgada.

No caminho, passamos por San Gregório, uma cidade fantasma com suas construções mantidas, mas como eu estava com medo de ter que esperar muito pela balsa, resolvi não perder tempo e segui adiante. Duas horas depois já estávamos na fila para fazer a travessia. Ficamos aguardando por 1h para embarcar, mas a travessia foi bem rápida, algo em torno de 20 minutos. Pelo que eu tinha lido em relatos, antes não precisava descer do carro. Agora, você entra em uma cabine pra fazer o pagamento. São 15.000 CLP ou 880 ARS. Paguei em pesos argentinos porque eu tinha mais disponibilidade. Fizemos a travessia e logo adiante já havia uma placa de Bienvenido a Tierra del Fuego.

Pegamos um bom trecho de rípio (a estrada estava em reforma e fizeram uma pista alternativa paralelamente), começou a chover o que achei melhor, pois não subia a poeira que geralmente tem nessas estradas. Um pouco antes da fronteira, há um kiosco onde paramos para comprar alguma coisa pra comer e usar o banheiro. Seguimos e logo a frente, a aduana Chilena. Passamos no primeiro balcão para carimbar os passaportes e depois no balcão da Aduana. Perguntei se precisávamos passar pelo terceiro trâmite e ele disse que só precisaria se tivéssemos transportando cachorros, gatos, animais estimação. Como não estávamos, só entregamos um comprovante de saída do veículo do Chile já no carro e seguimos. Mais a frente, encontramos a aduana Argentina. No primeiro balcão a atendente me perguntou qual hotel íamos ficar no Ushuaia, nisso abri o app do Booking e mostrei a tela com a reserva. Ela pegou meu celular e ficou impressionada com a beleza do meu aparelho (um Xiaomi MI A1 dourado), perguntou a marca, mas ela nunca tinha ouvido falar, hahahahaha. Passaportes carimbados, fomos ao balcão da aduana. O atendente muito bem humorado e tomando seu mate, fez algumas brincadeiras no estilo "cara-crachá" e nos liberou.

Um pouco antes da entrada do Ushuaia, começa um trecho de serra bem chato com curvas sinuosas e caminhões. Desaceleramos e fiquei observando as montanhas ao nosso lado, estavam cobertas de neve. Achei estranho e fiquei me perguntando se havia nevado recentemente por lá.

Enfim, a serra acabou e já avistamos o portal de entrada do Ushuaia. Tiramos algumas fotos e viemos direto pra casa que eu havia reservado.

Pegamos as chaves da casa, passamos rapidamente no mercado da esquina, fizemos um macarrão e dormimos.

KM rodados: 647
Duração da viagem: 10:00
Combustível: CLP 14.000 (CLP 866/L) 
Hospedagem: $ 3.890 (3 diárias - Departamento Anhen)

08/11 - Ushuaia
Acordamos cedo e fomos em busca de um café, pois havia acabado no último camping. Nada aberto e nenhum lugar que vendia um bendito café. Ainda tinha uns pães, um salame e um suco no nosso estoque, então voltamos pra casa e comemos o que tínhamos.

Tomamos "café" e fomos para o Parque Nacional da Tierra del Fuego. Chegando lá o tempo fechou totalmente, compramos os ingressos e quando saímos, pasmem, estava nevando!

Fomos até o final da Ruta 3 pra tirar a famosa foto da placa e voltamos visitando os lugares do mapa. O tempo tava tão fechado que mal dava pra ver a paisagem. :(

09/11 - Ushuaia
O dia amanheceu feio e nevando novamente. As montanhas tavam todas cobertas de névoa, mal dava pra ver alguma coisa. Enfim, resolvi adiantar as questões mecânicas do carro. Enviei uma mensagem para o proprietário da casa onde estava hospedado para ver se ele podia me recomendar um mecânico de confiança. De prontidão, ele indicou um há 2 quadras da casa. Fui até lá e expliquei o problema, ele diagnosticou e era realmente o que eu estava pensando, o rolamento já era. Pedi para trocar se ele conseguisse me entregar no próprio dia. Me cobrou 2500 pesos com a mão de obra. Achei ok, pagaria mais ou menos isso no Brasil. Dei uma negociada e consegui pagar no cartão. Com o carro de volta, fui para o Centro dar uma volta.

Passei na frente do famoso restaurante da Centolla, apesar de terem vários, o mais famoso não cabia mais gente dentro e a fila se formou na calçada, tudo para comer o caranguejo gigante. Passei por umas lojas de regalos (achei tudo feio e caro), entrei na Duty Free que tem na rua principal (já se foi o tempo em que era vantajoso comprar lá) e voltamos pra casa. Cozinhamos e capotei de sono.

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Vista do quarto

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10/11 - Ushuaia - Rio Gallegos
Acordamos, fizemos um café rápido e saímos às 10h da casa, horário limite do checkout. 

Antes mesmo de sair do Ushuaia, parei várias vezes para fotografar a paisagem, já que na ida eu tinha chegado quase a noite, então só acabei vendo a paisagem na volta. E claro, no dia de vir embora, saiu muito sol.

Em Rio Grande, parei para fotografar o santuário do Gauchito Gil ou Antonio Mamerto Gil Núñez, um santo milagroso da cultura popular da Argentina.

Antonio Gil teria sido um trabalhador gaúcho rural, adorador de São Morte, que teve um romance com uma viúva endinheirada. O relacionamento o fez ganhar a inimizade dos irmãos da viúva e do chefe de polícia local que havia cortejado a mesma mulher. Dado o perigo, Gil deixou a área e se alistou para a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) contra o Paraguai. Em seu regresso, foi recrutado pelo Partido Autonomista para lutar na guerra civil correntina contra o opositor Partido Liberal, porém desertou. Dado que a deserção era um delito, foi capturado, colocado de pé encostado a uma árvore com espinhos e morto com um corte na garganta. Gil disse a seu carrasco que deveria rezar em seu nome pela vida de seu filho, que se encontrava muito doente. O carrasco assim o fez, e seu filho sarou milagrosamente. Ele então deu ao corpo de Gil um enterro apropriado e as pessoas que participaram do féretro construíram um santuário.

Ao longo das estradas por toda a Argentina, podemos ver várias homenagens à ele, com bandeiras e um santuário vermelho.

Logo após, passamos pela fronteira para dar saída da Argentina e em seguida paramos no lado Chileno para dar entrada. Na hora da inspeção zoofitosanitária, o cara mal abriu as coisas do carro, abriu só uma caixa que tinha os utensílios de cozinha. A caixa que continha comida, ele nem viu dentro do carro. Eu tava com um saco de carvão no carro, perguntei se podia, ele disse que sim e seguimos.

Na ida, eu tinha percebido que o Google Maps tinha me jogado numa estrada de rípio por seguir reto, mas dessa vez segui minha intuição e segui o asfalto ao invés do GPS. Eu estava certo, o asfalto dá uma volta um pouco maior, mas pelo menos a estrada é boa e você acaba chegando no mesmo tempo que pelo atalho. Cheguei na fila da balsa, já avistando a balsa encostando. Não esperei nem 5 minutos e já tava dentro. Por sorte, fui o último a entrar! O trajeto me parece que foi mais rápido agora, mal deu tempo de pagar e já estávamos na outra costa.

Saímos da balsa, andamos pouco mais de 30km para ir para San Gregório, a cidade fantasma que eu deixei de ir na ida. Como a oportunidade era meio que única, resolvi andar essa quilometragem a mais para registrar esse ponto. Fiz algumas fotos e segui adiante para passar pela fronteira novamente, dessa vez para entrar na Argentina.

Essa fronteira é integrada, no mesmo lugar você dá a saída e entrada. Ou melhor, somente a entrada. Achei estranho que só carimbaram a entrada na Argentina e fui perguntar se estava certo. Disseram que era assim mesmo, então ta. Na hora de passar pela inspeção do carro, eu só entrei o papel como se fosse o comprovante que eu fiz todos os procedimentos e nem precisei abrir nada, só um "buen viaje".

Tinha pesquisado no iOverlander e achei o camping Chacra Saldia. Tinham alguns comentários bem positivos sobre o lugar e resolvi ir pra lá. Chegando lá, ví crianças brincando em um playground, achei que seria o primeiro camping animado da viagem. Quando fui procurar pela administração, percebi que era uma festa de aniversário infantil. Achei uma senhorinha do lugar e perguntei se podíamos acampar. Ela mal conseguia nos ouvir, mas nos deu toda atenção, pediu para entrar na casa dela, tomar um chá, um café. Disse que tinha um aniversário de criança e deveríamos esperar acabar para montar a barraca, pois a área de camping seria bem onde as crianças estavam brincando. Fomos para o carro esperar, passou quase 1 hora, a noite caiu, o frio bateu forte e nada das crianças irem embora. Comecei a pesquisar hotéis na região e decidimos ir para um hotel. Já eram mais de 10 da noite e estávamos cansados da viagem. Seria ótimo economizar essa grana agora, mas infelizmente não saberíamos a hora que iam vagar o espaço, então avisamos e saímos.

Ficamos num hotel de passagem, muito bom por sinal e barato. Achamos uma pizzaria há 2 quarteirões, pedimos pra viagem e fomos comer no hotel, acompanhados de uma garrafa de vinho que tínhamos comprado em Ushuaia.

OBS: em momento algum dentro do Chile me foi solicitado o SOAPEX. Na hora de passar na fronteira eu não mostrava de propósito pra ver se alguém ia me pedir, mas nada... Mesmo assim, o valor não é alto, então não vale a pena arriscar ir sem.

KM rodados: 649
Duração da viagem: 11:00
Combustível: $ 1240 ($ 30,62/L) 
Hospedagem: $ 1042 (Hotel Sehuen)

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@foreAventuraça essa sua também!!!!! Na descida fizemos praticamente o mesmo caminho até El Calafate. No meu caso Torres Del Paine e Ushuaia ficaram só na vontade. Bom pra programar uma volta.😁

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    • Por Diego Minatel
      "No século XII, o geógrafo oficial do reino da Sicília, Al-Idrisi, traçou o mapa do mundo, o mundo que a Europa conhecia, com o sul na parte de cima e o norte na parte de baixo. Isso era habitual na cartografia daquele tempo. E assim, com o sul acima, desenhou o mapa sul-americano, oito séculos depois, o pintor uruguaio Joaquín Torres-García. “Nosso norte é o sul”, disse. “Para ir ao norte, nossos navios não sobem, descem.”
      Se o mundo está, como agora está, de pernas pro ar, não seria bom invertê-lo para que pudesse equilibrar-se em seus pés?"
      De pernas pro ar, Eduardo Galeano
       
       
       O nosso norte é o sul, Joaquín Torres-García
      Cheguei ontem pela madrugada em casa. Agora sentado na frente do computador sinto uma necessidade, quase insuportável, de contar sobre meu caminhar até o fim do mundo. Foram 50 dias de viagem e mais de 14.000km percorridos por terra. Entre ônibus e caronas percorremos o sul do Brasil e a Patagônia Argentina até Ushuaia, parando em muitos lugares nos dois países. O dinheiro era pouco, mas a vontade era muita. A necessidade que tenho de escrever deve-se as pessoas que de alguma forma nos ajudaram a realizar esta viagem ao extremo sul da América do Sul. Tanta gente boa pelo caminho. Tanta solidariedade. Tanta gratidão.

      Pela primeira vez, antes de uma mochilada, eu não estava completamente bem e seguro. Nos meses que antecederam a viagem estava escrevendo a dissertação do meu mestrado (isso, por si só, já era muita tensão) e nesse intervalo de tempo perdi meu pai, a mulher que aprendi a amar resolveu seguir sem minha companhia e quase antes de embarcar perdi minha vó. Como é de se imaginar, meu estado de espírito não era nada bom, na verdade era o pior possível. Com isso tinha muito medo de atrair coisas ruins pelo caminho, como por exemplo ser vítima de violência. Assim, resolvi mudar a ideia de mochilar sozinho e decidi ter uma companhia nessa viagem. Meu amigo/irmão Matheus embarcou comigo nessa jornada. 

      Enfim, tenho como intuito neste relato contar a história dos lugares por onde passei, minha histórias nesses mesmos lugares e, principalmente, falar sobre as muitas pessoas (leia-se anjos) que nos ajudaram nesta viagem. Quero contar de maneira honesta os acontecimentos e os sentimentos que me permearam nesses dias, e de alguma forma quero deixar esse texto como agradecimento a cada pessoa que tornou essa viagem algo possível.
      Agora vamos ao que interessa, bora comigo reconstruir essa viagem por meio de fotos e palavras!
      Parte 1 - De Rio Claro até Timbó: o mesmo início de outra vez Parte 2 - A Serra Catarinense vista por Urubici Parte 3 - O casal das ruínas de São Miguel das Missões Parte 4 - Do Brasil para a Argentina Parte 5 - Buenos Aires, la capital Parte 6 - O começo da Ruta 3 e o mar de Claromecó Parte 7 - Frustrações na estrada e a beleza de Puerto Madryn Parte 8 - O anjo do carro vermelho Parte 9 - Cruzando o Estreito de Magalhães com San Martin  Parte 10 - Enfim, o fim do mundo Parte 11 - Algumas das belezas de Ushuaia Parte 12 - El Calafate, Glaciar Perito Moreno e Lago Argentino Parte 13 - O paraíso tem nome, El Chaltén Parte 14 - A janela do ônibus Parte 15 - O caminho de volta e os reencontros Parte 16 - Reflexões


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