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MARCELO.RV

Extraordinária Patagônia, Bariloche, Pucón, Puerto Varas, El Calafate, El Chaltén, Ruta 40, Caleta Olívia, Puerto Madryn, 14470km rodados

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2 minutos atrás, Elder Walker disse:

Show de bola! Baita trecho de estrada, heim?

Cara, muito bom mesmo, fora os trechos ruins o visual é fantástico.

2 minutos atrás, Elder Walker disse:

Legal suas fotos das estradas que dá pra ter uma boa noção do que esperar. A vegetação amareleda e rasteira, com os guanacos por perto me lembrou um pouco a região do Atacama.

É mais ou menos isto mesmo. Cuidado com os guanacos. Percebi que são mais inteligentes que os nandús, quando nos veem tem tendência a correr para fora do asfalto, os nandús ficam no meio da estrada, bicho burro. rsrsrsrs

2 minutos atrás, Elder Walker disse:

Deu uma lavada no possante neste trecho? Parece mais limpinho que nos dias anteriores! haha!

rsrsrsrs Dei nada, a foto foi perfil então só pareceu mais limpo. rsrsrsrs Dei uma lavada em El Calafate pois já estava inabitável.rsrsrsrs

3 minutos atrás, Elder Walker disse:

AH, e escolheu essa cidade Gob. Gregores por algum motivo ou é o que encaixava na distância do dia?

Estratégia para enfrentar o rípio o mais cedo possível e chegar em El Chaltén o mais cedo possível também, um lugar razoável para dormir antes seria Perito Moreno, mas aí pegaria o rípio à tarde se resolvesse passar direto, e entre Perito Moreno e Gob. Gregores não tem muita coisa. Por sinal foi uma boa decisão.

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18º dia 08/01 – Gob. Gregores X El Chaltén– 300km – Aqui começa o segundo trecho que mais me preocupava, pois depois de Gob. Gregores tem 72km de rípio que não sabia ao certo as condições, conversando com muitos viajantes todos me falaram que passa tranquilo deste que não esteja chovendo, como puderam ver meu carro é Cruze Hatch, bem baixo, daí minha preocupação, alguns chegaram a me falar, passa mas é bem ruim. Bom, não tínhamos opção a não ser encarar, saímos por volta das 8 da manhã, 60km depois aproximadamente começa o rípio. Minha preocupação era, rasgar um pneu, afetar alguma parte embaixo do carro, mangueira de freio, combustível, cabos elétricos, meu carro a bateria é no porta malas juntamente com toda central eletrônica, então existe cabo que passa por baixo do carro que vai até compartimento do motor, era para preocupar ou não??????? Pois bem, seguindo pelo rípio começamos a perceber o seguinte, alguns trechos bons, anda-se com segurança a 50/60km/h, outros muitos ruins que praticamente paramos, muitas pedras grandes e facões que dependendo de onde entrar esbarra o fundo do carro. Na maioria cascalho solto que bate o tempo todo no fundo do carro, coloquei o computador de bordo na pressão dos pneus que era minha maior preocupação, deixei de lado a quilometragem pra não ficar contando quantos kms ainda estavam faltando. Às vezes passavam algumas caminhonetes ou SUVs 4X4 em velocidades mais elevadas, neste caso tentei manter a maior distância possível para evitar alguma pedrada no para brisa ou qualquer outra parte do carro. Acompanhando os pneus, devagar e alguns trechos, quase parando em outros, um pouco mais rápido em outro, e finalmente fim do rípio, alegria total, passamos ilesos(#SQN). No final do trecho encontramos com 2 motociclistas brasileiros parados receosos em enfrentar o rípio, quando viram nossa placa nos pararam, estavam pensando em dar uma volta enorme só para evitarem o rípio, parece que planejaram pouco e não tinham a mínima ideia de quanto tempo gastariam e estavam com medo de atravessar, também tenho moto e falei pra eles, se estão com medo ótimo, vão com medo mesmo, assim você não ganha confiança, acelera demais e vai pro chão. Gastamos aproximadamente 1:40min, eles nos informaram que tiraram o dia para fazer a travessia, informei a eles para irem tranquilos, com medo e que dando tudo certo atravessariam com no máximo 2:30min, trocamos algumas informações, desejamos boa sorte e eles seguiram. Achamos um absurdo pois assim que sai do rípio pega-se uma pista extremamente lisa e top demais de asfalto, uma vergonha não terem continuado a obra, existem várias placas de obras mas parece que não trabalham lá a muito tempo, só tem as placas, nada de máquinas ou alguma coisa que indique algum trabalho. Bom, seguimos por mais 165km até El Chaltén, a cada km que passava o visual ficava cada vez mais bonito, foi aí que parei o carro para tirar algumas fotos, quando parei e abri os vidros veio um cheiro forte de gasolina, minha esposa e filha também comentaram mas não dei muita importância, o carro estava normal, então seguimos. Mais uma parada para fotos e novamente cheiro de gasolina, pensei, será que furou o tanque?????😨 Olhei por trás debaixo do carro e nada de vazamento, bom menos mal, mas o carro estava desligado, então fui ligar pra ver, aí ferrou, tinha um vazamento na conexão da mangueira de combustível que passa embaixo do carro, só vi que estava vazando, neste momento faltava 20km para El Chaltén, então seguimos praticamente direto com mil coisas passando pela cabeça. Cheguei, parei o carro e olhei por debaixo, uma pedra quebrou a conexão do cabo de combustível, e para minha sorte foi que só quebrou a ponta da conexão e não ela toda, tanto é que rodamos pelo 165km deste jeito sem notar nenhuma diferença no carro. Bom, enfim, agora buscar uma solução, mas como???? Procurei saber com a dona do apart que alugamos e em El Chaltén só existe um borracheiro que também é mecânico, pensei, ferrou mais ainda,😩 entrei debaixo do carro e observando de perto o problema vi que o vazamento vinha de uma trinca que deu na conexão quando quebrou a trava, com isto o tubo de gasolina que encaixa estava frouxo, aí a mente começou a funcionar, talvez uma abraçadeira resolva levando em consideração que as peças não se separaram. Sai então em busca da abraçadeira, chegamos em El Chaltén por volta das 13:hs, então estava na bendita hora da sesta até as 16:hs, tudo fechado, tem uma ferreteria chamada El Volcan onde eu conseguiria a abraçadeira(ferramentas eu tinha), mas foi um suplício esperar até as 16 para comprar, tentar resolver e saber se realmente o que eu pensei em fazer iria dar certo, até que enfim deu as 16:hs, fui lá e comprei e eu mesmo fiz a solução caseira, entrei debaixo do carro meio sem posição mas consegui abrir e encaixar a abraçadeira do jeito que imaginei e fui apertando bem de leve até um determinado limite, não podia apertar demais pois poderia quebrar a conexão, aí sim iria ferrar de vez. Resultado da solução estilo Magyver, antes quando ligava o carro estava jogando gasolina a vontade para fora, depois da abraçadeira problema resolvido, mas a tensão foi grande, perdi a tarde nesta brincadeira. Detalhe, o vazamento era grande com o carro parado e o motor ligado, andando em rotação mais elevada acredito que não vazava tanto, tanto é que não percebi o marcador de combustível descer de forma considerável. Agora respondendo aqui algumas perguntas que fiz para vários viajantes e vivi a experiência por conta própria:

Passa qualquer tipo de carro pelo rípio depois de Gob. Gregores? Passa, desde que não chova vai tranquilo, alguns trechos bem devagar outros andando um pouco mais. Se chover esquece, até 4X4 pode ter dificuldade.

As condições são muito ruins? Alguns trechos são péssimos, com pedras grandes, e com outros cascalhos que formam um facão que esbarra no assoalho do carro, outros são melhores.

Corro o risco de ter algum problema? Sempre vai correr, eu preocupei muito com um furo ou rasgo de pneu, mas também preocupei com as conexões que passam por debaixo do carro, e justamente ali foi meu problema, posso ter dado azar mas é fato que quanto mais baixo o carro ou pesado esteja, maior o risco principalmente quando se tem cabos/tubos vitais embaixo do carro. Em alguns momentos mesmo estando devagar o carro tem vontade própria, você não consegue fazer ele sair da direção que está, por isto a possibilidade de algum facão de cascalho com pedras maiores esbarrar no assoalho é grande.

Faria novamente a travessia? Com certeza, até porque não tem outro caminho se for descer pela 40, e valeu a pena, El Chaltén é fantástico, minha situação pode ter sido isolada mas o risco sempre vai existir, então vai dica, ir sem pressa, com cuidado e se tiver algum problema lembre-se de manter a calma e tentar resolver com tranquilidade e paciência, o desespero não ajudar.

Abaixo as fotos do problema e da solução e 2 vídeos curtos do trecho.

 

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Excelente ter essa informação atualizada da condição do rípio. Olhando de longe (nas fotos) parece bem compactado, mas no vídeo parece já mais "fofo" e com mais pedras soltas. É preciso uma certa coragem e desapego do carro para encarar trechos assim, mas esse visual após o rípio compensa qualquer perrengue! 

E que bom que conseguiu resolver o problema da mangueira de combustível. Ao mesmo tempo que pode julgar ser um azar ter tido esse perrengue, pode considerar uma sorte não ter sido algo pior e que atrase muito a viagem...

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29 minutos atrás, Elder Walker disse:

Excelente ter essa informação atualizada da condição do rípio. Olhando de longe (nas fotos) parece bem compactado, mas no vídeo parece já mais "fofo" e com mais pedras soltas. É preciso uma certa coragem e desapego do carro para encarar trechos assim, mas esse visual após o rípio compensa qualquer perrengue! 

Rapaz, o pior vc não sabe, sou extremamente enjoado, tenho mais produtos para o carro do que minha esposa produtos de beleza.😂 Lava jato nem pensar, só pra lavar a parte de baixo, o resto é comigo mesmo. Mas neste caso a vontade de conhecer falou mais alto aí não tem jeito, neste momento tem que desapegar.😭 Claro que todo cuidado e dor no coração. E alguns trechos é isto mesmo que vc citou, é bem fofo mesmo, carro baixo como o meu se parar dependendo do lugar pode atolar no cascalho.

29 minutos atrás, Elder Walker disse:

E que bom que conseguiu resolver o problema da mangueira de combustível. Ao mesmo tempo que pode julgar ser um azar ter tido esse perrengue, pode considerar uma sorte não ter sido algo pior e que atrase muito a viagem...

Exatamente, conforme comentei tivemos sorte de não quebrar a conexão toda, eu e minha esposa sempre comentávamos que tivemos foi muita sorte. Talvez um pequeno azar pelo perrengue.

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3 minutos atrás, MARCELO.RV disse:

Rapaz, o pior vc não sabe, sou extremamente enjoado, tenho mais produtos para o carro do que minha esposa produtos de beleza.😂 Lava jato nem pensar, só pra lavar a parte de baixo, o resto é comigo mesmo. Mas neste caso a vontade de conhecer falou mais alto aí não tem jeito, neste momento tem que desapegar.😭 Claro que todo cuidado e dor no coração. E alguns trechos é isto mesmo que vc citou, é bem fofo mesmo, carro baixo como o meu se parar dependendo do lugar pode atolar no cascalho.

Estamos empatados, então! Tenho coating aplicado no meu carro (vitrificação) e só eu lavo o carro ou o próprio cara do lava-car que aplicou o coating. Tenho um armário só com produtos para a "higiene" do possante! haha! Acho que devo ter mais de 10 micro-fibras. Também sou engenheiro mecânico e meu pai trabalha com carros antigos. Então imagine o gosto e o cuidado que tenho...

Até por isso que comentei antes que, no meu plano ideal, quero pegar um SUV/Crossover para fazer essa viagem. Pneus maiores e mais robustos, maior altura em relação ao solo, maior autonomia com um tanque... aí já desço uma parte da 40 e uma parte da Carretera Austral! Talvez para 2020 eu consiga realizar esse sonho... Até lá, vou acompanhando os relatos!

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8 minutos atrás, Elder Walker disse:

Estamos empatados, então! Tenho coating aplicado no meu carro (vitrificação) e só eu lavo o carro ou o próprio cara do lava-car que aplicou o coating. Tenho um armário só com produtos para a "higiene" do possante! haha! Acho que devo ter mais de 10 micro-fibras

Boa, aqui a mesma coisa.rsrsrsrsrs

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Po, que droga. Só tive prejuízo no escapamento, mas nada que afetasse o andamento do carro. Ainda que achei que foi por um vacilo meu, tava andando rápido demais, achando que era piloto de rally...

Quando acabou a estrada de rípio, tive a mesma sensação que a sua. Pensei que fosse de propósito de ser assim até, por que só aquele trecho?

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2 horas atrás, fore disse:

Po, que droga. Só tive prejuízo no escapamento, mas nada que afetasse o andamento do carro. Ainda que achei que foi por um vacilo meu, tava andando rápido demais, achando que era piloto de rally...

Quando acabou a estrada de rípio, tive a mesma sensação que a sua. Pensei que fosse de propósito de ser assim até, por que só aquele trecho?

Não posso nem reclamar. Consegui resolver sem maiores problemas e segui viagem normalmente. Deveriam asfaltar, tanto asfalto bom e só aquele trecho deste jeito.

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1 hora atrás, MARCELO.RV disse:

Deveriam asfaltar, tanto asfalto bom e só aquele trecho deste jeito.

Parece ser um padrão na Argentina. O trecho entre Resistência e Salta no norte pela RN16 também é ótimo, mas tem aquele pedaço de uns 60km próximo a Monte Quemado que parece abandonado há anos, e é só aquele trechinho! Como se fosse de propósito...

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10 horas atrás, Elder Walker disse:

Parece ser um padrão na Argentina. O trecho entre Resistência e Salta no norte pela RN16 também é ótimo, mas tem aquele pedaço de uns 60km próximo a Monte Quemado que parece abandonado há anos, e é só aquele trechinho! Como se fosse de propósito...

Passei lá em 2016 e parece que só piorou. Não melhorou nada.

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    • Por Diego Minatel
      "No século XII, o geógrafo oficial do reino da Sicília, Al-Idrisi, traçou o mapa do mundo, o mundo que a Europa conhecia, com o sul na parte de cima e o norte na parte de baixo. Isso era habitual na cartografia daquele tempo. E assim, com o sul acima, desenhou o mapa sul-americano, oito séculos depois, o pintor uruguaio Joaquín Torres-García. “Nosso norte é o sul”, disse. “Para ir ao norte, nossos navios não sobem, descem.”
      Se o mundo está, como agora está, de pernas pro ar, não seria bom invertê-lo para que pudesse equilibrar-se em seus pés?"
      De pernas pro ar, Eduardo Galeano
       
       
       O nosso norte é o sul, Joaquín Torres-García
      Cheguei ontem pela madrugada em casa. Agora sentado na frente do computador sinto uma necessidade, quase insuportável, de contar sobre meu caminhar até o fim do mundo. Foram 50 dias de viagem e mais de 14.000km percorridos por terra. Entre ônibus e caronas percorremos o sul do Brasil e a Patagônia Argentina até Ushuaia, parando em muitos lugares nos dois países. O dinheiro era pouco, mas a vontade era muita. A necessidade que tenho de escrever deve-se as pessoas que de alguma forma nos ajudaram a realizar esta viagem ao extremo sul da América do Sul. Tanta gente boa pelo caminho. Tanta solidariedade. Tanta gratidão.

      Pela primeira vez, antes de uma mochilada, eu não estava completamente bem e seguro. Nos meses que antecederam a viagem estava escrevendo a dissertação do meu mestrado (isso, por si só, já era muita tensão) e nesse intervalo de tempo perdi meu pai, a mulher que aprendi a amar resolveu seguir sem minha companhia e quase antes de embarcar perdi minha vó. Como é de se imaginar, meu estado de espírito não era nada bom, na verdade era o pior possível. Com isso tinha muito medo de atrair coisas ruins pelo caminho, como por exemplo ser vítima de violência. Assim, resolvi mudar a ideia de mochilar sozinho e decidi ter uma companhia nessa viagem. Meu amigo/irmão Matheus embarcou comigo nessa jornada. 

      Enfim, tenho como intuito neste relato contar a história dos lugares por onde passei, minha histórias nesses mesmos lugares e, principalmente, falar sobre as muitas pessoas (leia-se anjos) que nos ajudaram nesta viagem. Quero contar de maneira honesta os acontecimentos e os sentimentos que me permearam nesses dias, e de alguma forma quero deixar esse texto como agradecimento a cada pessoa que tornou essa viagem algo possível.
      Agora vamos ao que interessa, bora comigo reconstruir essa viagem por meio de fotos e palavras!
      Parte 1 - De Rio Claro até Timbó: o mesmo início de outra vez Parte 2 - A Serra Catarinense vista por Urubici Parte 3 - O casal das ruínas de São Miguel das Missões Parte 4 - Do Brasil para a Argentina Parte 5 - Buenos Aires, la capital Parte 6 - O começo da Ruta 3 e o mar de Claromecó Parte 7 - Frustrações na estrada e a beleza de Puerto Madryn Parte 8 - O anjo do carro vermelho Parte 9 - Cruzando o Estreito de Magalhães com San Martin  Parte 10 - Enfim, o fim do mundo Parte 11 - Algumas das belezas de Ushuaia Parte 12 - El Calafate, Glaciar Perito Moreno e Lago Argentino Parte 13 - O paraíso tem nome, El Chaltén Parte 14 - A janela do ônibus Parte 15 - O caminho de volta e os reencontros Parte 16 - Reflexões
    • Por Leonardo Palestini Soares
      A história da minha viagem para a Patagônia, na verdade, começa um pouco antes. Em Junho de 2018 decidi que faria uma viagem para o Chile e, de cara, já fechamos que seria em Santiago. Talvez por um pouco de inocência ou falta de experiência, não havia pesquisado nada sobre Santiago até então. Sabia das estações de esqui, mas nada que fosse muito além disso. Logo depois de fecharmos os aéreos e o apartamento que alugamos em Santiago, fui pesquisar sobre os possíveis pontos de passeio e aventura que me interessavam no Chile, e foi aí que comecei a conhecer a Patagônia. Todos os pontos legais que via na internet ficavam na Patagônia Chilena. Mas como minha viagem era só de 8 dias, sem chance de fazer esses dois roteiros nesse prazo. Enfim... Fomos pra Santiago e prorrogamos o roteiro PATAGÔNIA.
      Já com aqueles cenários na cabeça, resolvi marcar uma outra viagem, dessa vez de moto, onde faríamos a patagônia até a famosa Ushuaia. Juntamos os amigos interessados na viagem de moto e combinamos a primeira reunião. Já nessa primeira conversa vi que a maioria tinha maior interesse em fazer o norte do Chile, o atacama para ser mais específico. E vi também, que mais uma vez, a viagem para a Patagônia estava sendo prorrogada.
      Poucos dias depois dessa reunião, estava em um bar com um grande amigo e comentei com ele que a viagem de moto, ao invés de ir para o Sul, foi alterada para o Atacama. Foi quando ele me fez o derradeiro convite:
      - Eu estou programando uma viagem de carro para o Ushuaia no final desse ano com saída após o natal. Está indo só eu e a namorada. Bora?
      Nisso a cabeça já pirou... Seria a tão esperada Patagônia em um prazo próximo a 6 meses. Depois desse primeiro convite, todas as minhas pesquisas na internet eram sobre roteiros na Patagônia. Fechado! #PartiuPatagônia
      Conversamos mais algumas vezes, e montamos um roteiro base que serviria para a nossa viagem. A idéia era descer pela Ruta 3 até Ushuaia e retornar pela Ruta 40, fazendo trechos da cordilheira até Bariloche.
      Então é isso... Chegou o natal e partimos para a nossa expedição Patagônia. Na festa de confraternização da família, bebi mais que deveria, e fui passando mal de Divinópolis/MG (cidade onde moro) até próximo à divisa de São Paulo, quando paramos numa farmácia e tomei dois comprimidos de um “qualquer coisa” que o farmacêutico receitou.
      Dica 1: Não faça uma viagem de carro de ressaca. A ressaca no carro é potencializada exponencialmente!
      1º e 2º Dia
      Nosso primeiro dia de viagem foi de Divinópolis/MG até Foz do Iguaçu/PR. 1365km. Chegamos já era bem tarde, por volta das 22h, e fomos direto para um apartamento do AirBNB que eu tinha reservado. Já no primeiro dia, o primeiro “desencontro”: O carro não cabia na garagem do condomínio. No anúncio do AirBNB, marcava estacionamento incluído. Só esqueceram de mencionar, que tem estacionamento para carros pequenos. Como estávamos em uma caminhonete e ainda tinha barraca de teto, não permitiam nem que tentássemos colocar ela na mini vaga. Conversamos com a anfitriã do apartamento e ela conseguiu uma outra vaga que coubesse a caminhonete. O AP era até razoável. Quente como um forno e sem ar condicionado, mas para quem já tinha viajado 1365km direto, estava excelente.
      No outro dia cedo em Foz do Iguaçu, Romulo (meu amigo e parceiro de viagem) tinha uma revisão agendada para o carro e, aproveitando esse tempo extra, fomos as compras no Paraguai (O lugar mais caótico em que já estive), e deixamos a parte da tarde para conhecer as Cataratas. Ele já conhecia, mas eu e minha namorada não. Sensacional! O volume de água que desce naquelas cachoeiras é impressionante, além do parque ser muito bem estruturado. Vale a visita!
      Saímos do Parque Iguaçu e voltamos para o apartamento para arrumarmos as coisas, já que no outro dia, entraríamos na Argentina.




      3º Dia
      Saímos de Foz do Iguaçu e a nossa ideia era chegar à Lujan (aquela cidade do zoológico famoso). Mas essa era só nossa intenção mesmo rsrs, porque na verdade, o dia foi muito cansativo, muito quente, e na parte da tarde vimos que viajar até Lujan era forçar demais a barra. Enquanto descíamos rumo à Buenos Aires, fui pesquisando áreas de camping e foi aí que tive a brilhante ideia de ficarmos numa cidade que se chama Gualeguaychú.
      Quando pesquisei, vi uma área de camping próximo a um rio e tudo parecia tudo muito lindo, tudo muito certo. Fomos até a área de camping e ela, apesar de não ser nem próximo ao que mostrava no Google, era razoável. Tinha uma praia que dava acesso ao rio, os banheiros eram aceitáveis, enfim... Ficamos. Acho que foi a pior decisão de toda a viagem.
      Logo de cara, como o dia estava muito quente, já fui pra praia dar um mergulho e... Espinho no pé. A areia ficava só na margem. Quando íamos entrando no rio, virava uma lama suja e, para sair dessa lama, seguindo mais pra frente, espinhos. Uma enorme moita de espinhos escondida dentro da água. E não era só uma. Pra todo lugar que eu fugia, mais espinhos! Desisti de nadar no rio com 3 minutos. Acabaram os perrengues? Nada disso.
      Voltei pra perto da barraca e começamos a fazer a janta. A temperatura devia estar próxima de uns 85 graus Célsius. Um calor sem igual. Nem o nordeste brasileiro tem aquela temperatura. E como o ambiente já estava agradável, chegou nada mais, nada menos, que uma enorme núvem de pernilongos que decidiu ficar por ali até irmos embora. Mas por favor, não entendam que eram só alguns pernilongos. Era pernilongo que não acabava mais!!! Eu tenho costume de acampar bastante em Minas Gerais. Sempre tem alguns insetos. Mas os pernilongos de Gualeguaychú eram fora do comum. Resultado: Fiquei nesse calor infernal, com blusa de frio por causa dos pernilongos até a hora de dormir. Fomos deitar por volta de meia noite e acordamos as 3 da manhã. O calor era demais, não tinha condição de continuar ali. Desmontamos o acampamento e seguimos viagem.

                                                                                           Nessa foto, os pernilongos ainda não haviam chegado.
      4º Dia
                      Saímos de Gualeguaychú e continuamos rumo ao sul. Nesse trecho a paisagem muda bastante. Até próximo a Buenos Aires, descendo pela província de Entre Rios, a estrada passa por muitos rios e áreas alagadas. Depois disso, começa a ficar muito seco. Raramente se vê rios ou lagos.
                      Já no fim da tarde, ainda traumatizado com Gualeguaychú, fui pesquisar mais uma área de camping. Dessa vez, decidimos fazer um Wild Camping. Sem estrutura, sem nada. Seria só nós e a natureza. Vi pelo aplicativo IOverlander, um local para camping próximo ao mar. No app, informava que era uma bela praia e com sorte, veríamos uns flamingos no entardecer. Essa área de Camping ficava em Las Grutas, mais especificamente na Playa De Las Conchillas. Decidimos que seria lá mesmo. O ponto marcado no aplicativo ficava próximo a algumas dunas, e logo ali, depois das dunas, uma paisagem incrível. Um entardecer maravilhoso, e agora, já não sei se por sorte ou oquê, lá estavam os flamingos. Uma cena que vai ficar guardada na minha memória. Pôr do sol, flamingos, praia deserta... Maravilhoso!
      Da estrada, onde estava o carro, não se via a praia. Então resolvemos montar nossas barracas em cima das dunas para que pudéssemos ver o nascer do sol no dia seguinte. E assim foi... Começamos a montar nossas barracas enquanto as namoradas iam adiantando nossa janta próximo ao carro. Depois da barraca já SEMI-pronta, voltamos para o carro para buscar o resto dos equipamento (sacos de dormir, isolantes, travesseiros, etc...). Quando chegamos onde estavam as meninas, encontramos um casal da Colômbia que já estavam viajando por 11 meses e que pretendiam atravessar todo o Brasil antes de retornar à Colômbia. Ficamos ali conversando com o casal e simplesmente esquecemos das barracas. Eles viajam num carro da Chevrolet, meio que um jeep... Difícil até tentar explicar como era o carro. Nunca vi nada parecido na vida. Todo quadrado, antigo... Acho que é uma mistura de Jeep Willis com Fiat Uno. Mais ou menos por aí. Depois de muita conversa, cerveja e da nossa janta, peguei meus equipamentos para terminar de montar a barraca.  Subi as dunas, olhei para um lado... olhei para o outro... Cadê as barracas?
      Nesse momento não sabia se ria, se chorava ou se sentava e simplesmente contemplava o “nada”. Rsrsrs. Agora, já olhando em retrospecto, chega a ser engraçado. Mas na hora, rolou um semi-desespero. Voltei para o carro para avisar que as barracas tinham “saído para passear”. Era difícil até acreditar no que estava acontecendo, todos nós tínhamos experiência com camping e havíamos deixado as barracas soltas na areia. Burrice né?!?!
       Pegamos as lanternas e fomos tentar procurar as barracas.
      Como é uma praia deserta e não havia nada por perto, a chance de ter sido roubada era pequena. Então, ela só podia ter sido levada pelo vento. Essa era a primeira vez que sentimos um pouco do vento Patagônico. Voltamos para a praia, agora com as lanternas, e láááááá na frente, dentro do mar, estavam as barracas. O mar nesse local é bem raso. Durante uns 500 metros ou até mais, a água se mantém no joelho. Deve ser por isso que os Flamingos gostam dessa praia. Enfim: Saí eu, pulando caranguejos, até chegar na barraca e resgatá-la. Como o vento da Patagônia já é famoso, e eu já tinha lido vários relatos de barracas que quebravam com a força do vento, havia levado uma barraca extra. Salvou!!! Dica nº 2: Nunca deixe sua barraca, nem por um segundo, sem ancoragem. O vento lá é inexplicável!
      Obs.: Nem sei se precisava dessa dica né?! É muita inocência.
      Tirando toda essa aventura da barraca, o local escolhido para o camping foi ótimo. A noite foi tranquila, já estava muuuuito mais fresco que Gualeguaychú e o nascer do sol do dia seguinte foi realmente incrível.
       
                                                                                                           Estrada de acesso a Playa de Las Conchillas

                                                                                                                      Nas lentes de Romulo Nery.  

      5º Dia
      Logo depois de apreciar o nascer do sol, tomamos um rápido café da manhã e já voltamos para a estrada. Algumas horas depois, já estávamos chegando a Puerto Pirámides, a cidade base pra quem vai fazer o passeio da Península Valdez.
      Essa península é famosa pela vida selvagem. É um reduto de baleias francas austrais, Orcas, Elefantes Marinhos, Pinguins, e mais um monte de espécies. Infelizmente não fomos na época ideal para observar as baleias (parece que elas ficam até início de dezembro e depois vão rumo a Antártida). Mas em compensação, era a primeira vez que víamos de perto pinguins e elefantes marinhos e foi uma experiência incrível. Eu imaginava que veria os pinguins um pouco mais de longe, mas lá eles ficam, literalmente, do lado das passarelas. Rolou ótimas fotos.
      Saímos da Península Valdez e continuamos nossa viagem até a cidade de Trelew, a cidade onde foram encontrados os fósseis do maior dinossauro do planeta. Logo na entrada da cidade tem uma réplica em tamanho real do dinossauro. Bem interessante. Mas só paramos para uma foto com o Dino e já fomos procurar algum lugar para dormir. Nesse dia dormimos em um posto de combustível que não me lembro se era Axion ou YPF.


       
      6º Dia
      Esse dia foi só estrada. Saímos de Trelew e reta... reta... reta... reta... Guanaco... reta... reta ... reta. A paisagem não ajuda em nada nessa região. É tudo muito igual. Dirigimos o dia todo até começar o pôr do sol, que nessa latitude já era por volta das 22:30horas, talvez até mais. Não me lembro bem.
      No final do dia havíamos chegado em Rio Gallegos. Uma cidade bem estruturada, com Carrefour, lojas grandes, etc. Como no dia seguinte iríamos começar a série de Aduanas e imigrações, e também sabíamos que não é permitido entrar com frutas ou carne no Chile, fizemos tudo que havia de comida na geladeira da caminhonete e fomos dormir. Novamente em um posto de combustível.
      Em Rio Galllegos também encontramos com alguns brasileiros que rumavam a Ushuaia e estavam super empolgados, pois se tudo ocorresse bem nas fronteiras, passariam o réveillon em Ushuaia. Esse também era nosso objetivo.
      7º Dia – 31/12/2018
      Acordamos bem cedo nesse dia e já começamos nossa pernada final ao Fim do Mundo. De Rio Gallegos até a primeira fronteira (Argentina/Chile) é pertinho. 65 km.
      Fizemos nossa primeira fronteira com o Chile, cruzamos o famoso Estreito de Magalhães, e depois de algumas horas, estávamos na Argentina novamente.
      Cruzar os Estreito de Magalhães é super simples nesse ponto. Tem várias balsas (se não me engano são três) que ficam o dia todo fazendo esse translado. Da balsa ainda conseguimos ver um Golfinho de Commerson. Ele é tipo uma mini orca, branco com preto. Bem bonitinho.

                                                                                                                      Chegada ao Estreito de Magalhães
       
      Atrevessar o estreito de Magalhães é bem interessante, não pela travessia em si, mas por estar em um lugar que foi tão importante para a história das navegações.
      Depois de cruzar o estreito, fomos direto para o parque Pinguino Rey, porém como era uma segunda feira, estavam fechados.
      Spoiler Alert: Não desistimos de conhecer esse Parque por causa desse imprevisto, inclusive conhecemos ele depois, porém na volta de Ushuaia, pois passaríamos por ali novamente.
      Mais alguns quilômetros e chegamos a mais uma fronteira (Chile/Argentina). As fronteiras de saída do Chile e entrada na Argentina são sempre mais fáceis. O Chile é muito rigoroso com na entrada. Já os Hermanos argentinos não costumam olhar muita coisa. Você simplesmente faz os procedimentos na imigração e Aduana e está pronto. Segue a viagem.
      Depois que fizemos essa última fronteira, já nos alegramos, pois daria tempo de chegar em Ushuaia para o Réveillon.
      A paisagem continuava a mesma. Retas, guanacos e mais nada. Passamos por Rio Grande e só depois, já chegando em Ushuaia a paisagem realmente começou a mudar. Já começavam algumas curvas, começávamos a ver as montanhas ao longe, alguns bosques com árvores retorcidas e agora voltávamos a ver os lagos... Muitos lagos.
      Quanto mais se aproximava do Fim do Mundo, mais a paisagem se transformava. Só quando estávamos a uns 50 kms de Ushuaia que começamos a ver realmente as famosas paisagens que antes havíamos visto pela internet. Picos nevados, grandes bosques, um imenso lago na entrada da cidade e lá estávamos. Finalmente no Fim do Mundo! O clima não estava colaborando com a cidade. Estava uma insistente chuva fina e, nessa chegada, nem reparamos muito na cidade. Já chegamos procurando algum lugar para repousar a noite. Como era réveillon, todos os hotéis da cidade estavam lotados! Os que ainda tinham vagas, cobravam preços absurdos. Já era de se esperar né?!
      Réveillon, 20h, e ainda não tínhamos nem ideia de onde iríamos. Romulo, meu parça de viagem, olhando no AirBNB, encontrou uma pousada próxima do centro. Pousada Los Coihues. Essa pousada é de uma brasileira do Rio Grande do Norte, muito engraçada. Ela já mora em Ushuaia há mais de 20 anos e até hoje ela mistura português com espanhol. Não dava pra entender direito. Não que o espanhol dela seja ruim, mas é que na mesma frase ela usa as duas línguas... Aí complica! Hahahahahaha
      Só jogamos as coisas no quarto e fomos para a recepção procurar alguma recomendação de restaurante. Estávamos a procura da famosa Centolla. Essa Centolla é aquele caranguejo da Discovery (Pesca Mortal). Só existe no extremo norte ou extremo sul do pacífico.
      Dica nº 3: Nunca vá com fome comer uma Centolla!
      Fomos para o que parecia ser o único restaurante da cidade que não precisava de reserva. Resultado: Fila enorme na porta, um vento gelado lá fora e para piorar a situação, estávamos morrendo de fome. E é aí que entra minha dica número 3. A Centolla é uma delícia, porém éramos quatro pessoas. Todas famintas. A coitada da Centolla só tem 8 patas. Logo, cada um ficou com duas patinhas. Além disso, pedimos um lombo para caso o famoso caranguejo não fosse gostoso. O problema é que demorava muito para sair o jantar. Comemos o caranguejo, comemos o lombo, comemos a batata que acompanhava, enfim... comemos tudo o que tinha pra comer, comemoramos o ano novo com cerveja artesanal, mas a verdade é que voltamos pra pousada com um pouco de fome. Valeu a experiência? Demais!

                                                        Centolla


       
      8º Dia
      No primeiro dia do ano de 2019, estávamos começando a nossa empreitada pela famosa Ushuaia. Saímos da Pousada e fomos para o centro da cidade fazer a famosa foto na placa do Fim do Mundo. Essa placa fica próximo ao porto de onde saem os barcos que fazem os passeios de navegação pelo Canal Beagle. Depois de registrar a chegada na placa do fim do mundo, deixamos a cidade e fomos ainda mais ao sul, para o Parque Nacional Tierra Del Fuego.
      A entrada do Parque fica bem próximo da cidade e o custo para entrar é de 490 pesos (uns 50 reais). A estrutura que tem nesse parque é incrível: várias áreas de camping (se não me engano são 3), um centro de informações ao turista com cafeteria e lanchonete, e o principal: todo tipo de trilhas para quem curte fazer trekkings. Trilhas que contornam lagunas e sobem cerros, trilhas à beira mar, enfim... Um paraíso para quem tem essa intenção no parque.
      Em nosso primeiro dia dentro do parque, montamos nosso acampamento numa área próxima ao Rio Ovando, e já pegamos nossos equipamentos de trekking para começar as caminhadas. Fomos à Laguna Negra, à uma Castoreira, à uma trilha que liga o camping no final da Ruta 3 (Ruta essa que pegamos lááááá próximo a Buenos Aires) e o principal do primeiro dia, na minha opinião, que foi o trekking ao final da Bahia Lapataia.
      Só de estar ali, numa Bahia do Fim do Mundo, já era indescritível... A sensação de estar em um dos pontos mais austrais do continente já é legal demais. Estávamos só nós 4, o mar, montanhas nevadas, um bosque ao lado.... Quando de repente aparecem duas focas ou lobos marinhos – não consegui identificar – e ficaram ali, nadando à nossa frente, mergulhando e atravessando algumas algas da bahia. Pareciam estar, ao mesmo tempo, procurando alguma comida e se divertindo na superfície.
      Esse, pra mim, foi outro momento indescritível da viagem que recebi como um presente de Ushuaia para nós. Gratidão!
      Depois de uns 40 minutos por ali, saímos da Bahia e voltamos para o camping para fazer nosso jantar e descansar um pouco. Nesse primeiro dia fizemos aproximadamente 14 km de trekking.
      Uma coisa que esqueci de relatar aqui, é que o clima no Parque Nacional Tierra Del Fuego é bem doido. Em questões de horas e, por vezes, até minutos, pegávamos chuva, sol, vento, e até neve. Tudo isso junto! Em todos os dias que estivemos no parque passamos por todas as intempéries. Não houve nem um dia sequer que não tenha nevado. Para nós, isso era um divertimento. Mas acredito que pra quem mora lá deva ser chato demais. Hahahaha

       
                                                                                                                                        Rio Ovando


      9º Dia
      Depois de termos visto as focas na Bahia Lapataia e ter passado pelas trilhas incríveis do primeiro dia, a empolgação com o parque estava a mil. Estávamos ansiosos por começar mais um dia de trekking por lá.
      O casal da Colômbia (aqueles que encontramos no dia que perdemos as barracas) havia comentado conosco que já tinham passado por Ushuaia e que no Parque Tierra Del Fuego, haviam feito uma trilha que chegava ao topo do Cerro Guanaco, e super indicou que fizemos esse sendero também.
      Pois bem... Se nos foi indicado, bora pro Cerro Guanaco.
      Saímos do acampamento e, nos primeiros 4 kms, a trilha é bem tranquila. Vai beirando a estrada principal do parque, passa pelo centro de informações ao turista e segue até o mirante do Lago Acigami. Depois desse ponto é subida, subida, subida e mais subida.
      A primeira parte começa com as subidas por dentro de um bosque, onde não se tem muito visual. As árvores, que são bem grandes, cobrem a paisagem, mas ali dentro, formam também sua paisagem própria. Minha namorada começou a sentir ali, que a trilha ultrapassava os limites dela. Ela insistiu e continuamos subindo, subindo, subindo, até que chega em um Charco - Uma enorme planície alagada que fica depois dessa parte de bosque. Lá ela sucumbiu! Disse pra eu continuar a subida, que ela retornaria para o centro de informações e me aguardaria por lá.
      Tomada a decisão, nos sentamos um pouco e fizemos um rápido lanche antes que ela retornasse. Continuei a subida em direção ao cume do Cerro Guanaco e dali pra frente a paisagem é outra. Parece até que são planetas diferentes. Uma enorme subida de pedras sem nenhuma árvore, um vento muito forte e mais próximo do topo, mais neve! Do Charco até lá, foram, mais ou menos, uma hora e meia de caminhada em um ritmo forte. Lá de cima o visual é incrível!
      Retornamos ao camping e descansamos. Nesse dia deve ter dado por volta de 15 kms de trekking.
      Continua...


       



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