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A história da minha viagem para a Patagônia, na verdade, começa um pouco antes. Em Junho de 2018 decidi que faria uma viagem para o Chile e, de cara, já fechamos que seria em Santiago. Talvez por um pouco de inocência ou falta de experiência, não havia pesquisado nada sobre Santiago até então. Sabia das estações de esqui, mas nada que fosse muito além disso. Logo depois de fecharmos os aéreos e o apartamento que alugamos em Santiago, fui pesquisar sobre os possíveis pontos de passeio e aventura que me interessavam no Chile, e foi aí que comecei a conhecer a Patagônia. Todos os pontos legais que via na internet ficavam na Patagônia Chilena. Mas como minha viagem era só de 8 dias, sem chance de fazer esses dois roteiros nesse prazo. Enfim... Fomos pra Santiago e prorrogamos o roteiro PATAGÔNIA.

Já com aqueles cenários na cabeça, resolvi marcar uma outra viagem, dessa vez de moto, onde faríamos a patagônia até a famosa Ushuaia. Juntamos os amigos interessados na viagem de moto e combinamos a primeira reunião. Já nessa primeira conversa vi que a maioria tinha maior interesse em fazer o norte do Chile, o atacama para ser mais específico. E vi também, que mais uma vez, a viagem para a Patagônia estava sendo prorrogada.

Poucos dias depois dessa reunião, estava em um bar com um grande amigo e comentei com ele que a viagem de moto, ao invés de ir para o Sul, foi alterada para o Atacama. Foi quando ele me fez o derradeiro convite:

- Eu estou programando uma viagem de carro para o Ushuaia no final desse ano com saída após o natal. Está indo só eu e a namorada. Bora?

Nisso a cabeça já pirou... Seria a tão esperada Patagônia em um prazo próximo a 6 meses. Depois desse primeiro convite, todas as minhas pesquisas na internet eram sobre roteiros na Patagônia. Fechado! #PartiuPatagônia

Conversamos mais algumas vezes, e montamos um roteiro base que serviria para a nossa viagem. A idéia era descer pela Ruta 3 até Ushuaia e retornar pela Ruta 40, fazendo trechos da cordilheira até Bariloche.

Então é isso... Chegou o natal e partimos para a nossa expedição Patagônia. Na festa de confraternização da família, bebi mais que deveria, e fui passando mal de Divinópolis/MG (cidade onde moro) até próximo à divisa de São Paulo, quando paramos numa farmácia e tomei dois comprimidos de um “qualquer coisa” que o farmacêutico receitou.

Dica 1: Não faça uma viagem de carro de ressaca. A ressaca no carro é potencializada exponencialmente!

1º e 2º Dia

Nosso primeiro dia de viagem foi de Divinópolis/MG até Foz do Iguaçu/PR. 1365km. Chegamos já era bem tarde, por volta das 22h, e fomos direto para um apartamento do AirBnB que eu tinha reservado. Já no primeiro dia, o primeiro “desencontro”: O carro não cabia na garagem do condomínio. No anúncio do AirBnB, marcava estacionamento incluído. Só esqueceram de mencionar, que tem estacionamento para carros pequenos. Como estávamos em uma caminhonete e ainda tinha barraca de teto, não permitiam nem que tentássemos colocar ela na mini vaga. Conversamos com a anfitriã do apartamento e ela conseguiu uma outra vaga que coubesse a caminhonete. O AP era até razoável. Quente como um forno e sem ar condicionado, mas para quem já tinha viajado 1365km direto, estava excelente.

No outro dia cedo em Foz do Iguaçu, Romulo (meu amigo e parceiro de viagem) tinha uma revisão agendada para o carro e, aproveitando esse tempo extra, fomos as compras no Paraguai (O lugar mais caótico em que já estive), e deixamos a parte da tarde para conhecer as Cataratas. Ele já conhecia, mas eu e minha namorada não. Sensacional! O volume de água que desce naquelas cachoeiras é impressionante, além do parque ser muito bem estruturado. Vale a visita!

Saímos do Parque Iguaçu e voltamos para o apartamento para arrumarmos as coisas, já que no outro dia, entraríamos na Argentina.

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3º Dia

Saímos de Foz do Iguaçu e a nossa ideia era chegar à Lujan (aquela cidade do zoológico famoso). Mas essa era só nossa intenção mesmo rsrs, porque na verdade, o dia foi muito cansativo, muito quente, e na parte da tarde vimos que viajar até Lujan era forçar demais a barra. Enquanto descíamos rumo à Buenos Aires, fui pesquisando áreas de camping e foi aí que tive a brilhante ideia de ficarmos numa cidade que se chama Gualeguaychú.

Quando pesquisei, vi uma área de camping próximo a um rio e tudo parecia tudo muito lindo, tudo muito certo. Fomos até a área de camping e ela, apesar de não ser nem próximo ao que mostrava no Google, era razoável. Tinha uma praia que dava acesso ao rio, os banheiros eram aceitáveis, enfim... Ficamos. Acho que foi a pior decisão de toda a viagem.

Logo de cara, como o dia estava muito quente, já fui pra praia dar um mergulho e... Espinho no pé. A areia ficava só na margem. Quando íamos entrando no rio, virava uma lama suja e, para sair dessa lama, seguindo mais pra frente, espinhos. Uma enorme moita de espinhos escondida dentro da água. E não era só uma. Pra todo lugar que eu fugia, mais espinhos! Desisti de nadar no rio com 3 minutos. Acabaram os perrengues? Nada disso.

Voltei pra perto da barraca e começamos a fazer a janta. A temperatura devia estar próxima de uns 85 graus Célsius. Um calor sem igual. Nem o nordeste brasileiro tem aquela temperatura. E como o ambiente já estava agradável, chegou nada mais, nada menos, que uma enorme núvem de pernilongos que decidiu ficar por ali até irmos embora. Mas por favor, não entendam que eram só alguns pernilongos. Era pernilongo que não acabava mais!!! Eu tenho costume de acampar bastante em Minas Gerais. Sempre tem alguns insetos. Mas os pernilongos de Gualeguaychú eram fora do comum. Resultado: Fiquei nesse calor infernal, com blusa de frio por causa dos pernilongos até a hora de dormir. Fomos deitar por volta de meia noite e acordamos as 3 da manhã. O calor era demais, não tinha condição de continuar ali. Desmontamos o acampamento e seguimos viagem.

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                                                                                     Nessa foto, os pernilongos ainda não haviam chegado.

4º Dia

                Saímos de Gualeguaychú e continuamos rumo ao sul. Nesse trecho a paisagem muda bastante. Até próximo a Buenos Aires, descendo pela província de Entre Rios, a estrada passa por muitos rios e áreas alagadas. Depois disso, começa a ficar muito seco. Raramente se vê rios ou lagos.

                Já no fim da tarde, ainda traumatizado com Gualeguaychú, fui pesquisar mais uma área de camping. Dessa vez, decidimos fazer um Wild Camping. Sem estrutura, sem nada. Seria só nós e a natureza. Vi pelo aplicativo IOverlander, um local para camping próximo ao mar. No app, informava que era uma bela praia e com sorte, veríamos uns flamingos no entardecer. Essa área de Camping ficava em Las Grutas, mais especificamente na Playa De Las Conchillas. Decidimos que seria lá mesmo. O ponto marcado no aplicativo ficava próximo a algumas dunas, e logo ali, depois das dunas, uma paisagem incrível. Um entardecer maravilhoso, e agora, já não sei se por sorte ou oquê, lá estavam os flamingos. Uma cena que vai ficar guardada na minha memória. Pôr do sol, flamingos, praia deserta... Maravilhoso!

Da estrada, onde estava o carro, não se via a praia. Então resolvemos montar nossas barracas em cima das dunas para que pudéssemos ver o nascer do sol no dia seguinte. E assim foi... Começamos a montar nossas barracas enquanto as namoradas iam adiantando nossa janta próximo ao carro. Depois da barraca já SEMI-pronta, voltamos para o carro para buscar o resto dos equipamento (sacos de dormir, isolantes, travesseiros, etc...). Quando chegamos onde estavam as meninas, encontramos um casal da Colômbia que já estavam viajando por 11 meses e que pretendiam atravessar todo o Brasil antes de retornar à Colômbia. Ficamos ali conversando com o casal e simplesmente esquecemos das barracas. Eles viajam num carro da Chevrolet, meio que um jeep... Difícil até tentar explicar como era o carro. Nunca vi nada parecido na vida. Todo quadrado, antigo... Acho que é uma mistura de Jeep Willis com Fiat Uno. Mais ou menos por aí. Depois de muita conversa, cerveja e da nossa janta, peguei meus equipamentos para terminar de montar a barraca.  Subi as dunas, olhei para um lado... olhei para o outro... Cadê as barracas?

Nesse momento não sabia se ria, se chorava ou se sentava e simplesmente contemplava o “nada”. Rsrsrs. Agora, já olhando em retrospecto, chega a ser engraçado. Mas na hora, rolou um semi-desespero. Voltei para o carro para avisar que as barracas tinham “saído para passear”. Era difícil até acreditar no que estava acontecendo, todos nós tínhamos experiência com camping e havíamos deixado as barracas soltas na areia. Burrice né?!?!

 Pegamos as lanternas e fomos tentar procurar as barracas.

Como é uma praia deserta e não havia nada por perto, a chance de ter sido roubada era pequena. Então, ela só podia ter sido levada pelo vento. Essa era a primeira vez que sentimos um pouco do vento Patagônico. Voltamos para a praia, agora com as lanternas, e láááááá na frente, dentro do mar, estavam as barracas. O mar nesse local é bem raso. Durante uns 500 metros ou até mais, a água se mantém no joelho. Deve ser por isso que os Flamingos gostam dessa praia. Enfim: Saí eu, pulando caranguejos, até chegar na barraca e resgatá-la. Como o vento da Patagônia já é famoso, e eu já tinha lido vários relatos de barracas que quebravam com a força do vento, havia levado uma barraca extra. Salvou!!! Dica nº 2: Nunca deixe sua barraca, nem por um segundo, sem ancoragem. O vento lá é inexplicável!

Obs.: Nem sei se precisava dessa dica né?! É muita inocência.

Tirando toda essa aventura da barraca, o local escolhido para o camping foi ótimo. A noite foi tranquila, já estava muuuuito mais fresco que Gualeguaychú e o nascer do sol do dia seguinte foi realmente incrível.

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                                                                                                     Estrada de acesso a Playa de Las Conchillas

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                                                                                                                Nas lentes de Romulo Nery.  

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5º Dia

Logo depois de apreciar o nascer do sol, tomamos um rápido café da manhã e já voltamos para a estrada. Algumas horas depois, já estávamos chegando a Puerto Pirámides, a cidade base pra quem vai fazer o passeio da Península Valdez.

Essa península é famosa pela vida selvagem. É um reduto de baleias francas austrais, Orcas, Elefantes Marinhos, Pinguins, e mais um monte de espécies. Infelizmente não fomos na época ideal para observar as baleias (parece que elas ficam até início de dezembro e depois vão rumo a Antártida). Mas em compensação, era a primeira vez que víamos de perto pinguins e elefantes marinhos e foi uma experiência incrível. Eu imaginava que veria os pinguins um pouco mais de longe, mas lá eles ficam, literalmente, do lado das passarelas. Rolou ótimas fotos.

Saímos da Península Valdez e continuamos nossa viagem até a cidade de Trelew, a cidade onde foram encontrados os fósseis do maior dinossauro do planeta. Logo na entrada da cidade tem uma réplica em tamanho real do dinossauro. Bem interessante. Mas só paramos para uma foto com o Dino e já fomos procurar algum lugar para dormir. Nesse dia dormimos em um posto de combustível que não me lembro se era Axion ou YPF.

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6º Dia

Esse dia foi só estrada. Saímos de Trelew e reta... reta... reta... reta... Guanaco... reta... reta ... reta. A paisagem não ajuda em nada nessa região. É tudo muito igual. Dirigimos o dia todo até começar o pôr do sol, que nessa latitude já era por volta das 22:30horas, talvez até mais. Não me lembro bem.

No final do dia havíamos chegado em Rio Gallegos. Uma cidade bem estruturada, com Carrefour, lojas grandes, etc. Como no dia seguinte iríamos começar a série de Aduanas e imigrações, e também sabíamos que não é permitido entrar com frutas ou carne no Chile, fizemos tudo que havia de comida na geladeira da caminhonete e fomos dormir. Novamente em um posto de combustível.

Em Rio Galllegos também encontramos com alguns brasileiros que rumavam a Ushuaia e estavam super empolgados, pois se tudo ocorresse bem nas fronteiras, passariam o réveillon em Ushuaia. Esse também era nosso objetivo.

7º Dia – 31/12/2018

Acordamos bem cedo nesse dia e já começamos nossa pernada final ao Fim do Mundo. De Rio Gallegos até a primeira fronteira (Argentina/Chile) é pertinho. 65 km.

Fizemos nossa primeira fronteira com o Chile, cruzamos o famoso Estreito de Magalhães, e depois de algumas horas, estávamos na Argentina novamente.

Cruzar os Estreito de Magalhães é super simples nesse ponto. Tem várias balsas (se não me engano são três) que ficam o dia todo fazendo esse translado. Da balsa ainda conseguimos ver um Golfinho de Commerson. Ele é tipo uma mini orca, branco com preto. Bem bonitinho.

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                                                                                                                Chegada ao Estreito de Magalhães

 

Atrevessar o estreito de Magalhães é bem interessante, não pela travessia em si, mas por estar em um lugar que foi tão importante para a história das navegações.

Depois de cruzar o estreito, fomos direto para o parque Pinguino Rey, porém como era uma segunda feira, estavam fechados.

Spoiler Alert: Não desistimos de conhecer esse Parque por causa desse imprevisto, inclusive conhecemos ele depois, porém na volta de Ushuaia, pois passaríamos por ali novamente.

Mais alguns quilômetros e chegamos a mais uma fronteira (Chile/Argentina). As fronteiras de saída do Chile e entrada na Argentina são sempre mais fáceis. O Chile é muito rigoroso com na entrada. Já os Hermanos argentinos não costumam olhar muita coisa. Você simplesmente faz os procedimentos na imigração e Aduana e está pronto. Segue a viagem.

Depois que fizemos essa última fronteira, já nos alegramos, pois daria tempo de chegar em Ushuaia para o Réveillon.

A paisagem continuava a mesma. Retas, guanacos e mais nada. Passamos por Rio Grande e só depois, já chegando em Ushuaia a paisagem realmente começou a mudar. Já começavam algumas curvas, começávamos a ver as montanhas ao longe, alguns bosques com árvores retorcidas e agora voltávamos a ver os lagos... Muitos lagos.

Quanto mais se aproximava do Fim do Mundo, mais a paisagem se transformava. Só quando estávamos a uns 50 kms de Ushuaia que começamos a ver realmente as famosas paisagens que antes havíamos visto pela internet. Picos nevados, grandes bosques, um imenso lago na entrada da cidade e lá estávamos. Finalmente no Fim do Mundo! O clima não estava colaborando com a cidade. Estava uma insistente chuva fina e, nessa chegada, nem reparamos muito na cidade. Já chegamos procurando algum lugar para repousar a noite. Como era réveillon, todos os hotéis da cidade estavam lotados! Os que ainda tinham vagas, cobravam preços absurdos. Já era de se esperar né?!

Réveillon, 20h, e ainda não tínhamos nem ideia de onde iríamos. Romulo, meu parça de viagem, olhando no AirBnB, encontrou uma pousada próxima do centro. Pousada Los Coihues. Essa pousada é de uma brasileira do Rio Grande do Norte, muito engraçada. Ela já mora em Ushuaia há mais de 20 anos e até hoje ela mistura português com espanhol. Não dava pra entender direito. Não que o espanhol dela seja ruim, mas é que na mesma frase ela usa as duas línguas... Aí complica! Hahahahahaha

Só jogamos as coisas no quarto e fomos para a recepção procurar alguma recomendação de restaurante. Estávamos a procura da famosa Centolla. Essa Centolla é aquele caranguejo da Discovery (Pesca Mortal). Só existe no extremo norte ou extremo sul do pacífico.

Dica nº 3: Nunca vá com fome comer uma Centolla!

Fomos para o que parecia ser o único restaurante da cidade que não precisava de reserva. Resultado: Fila enorme na porta, um vento gelado lá fora e para piorar a situação, estávamos morrendo de fome. E é aí que entra minha dica número 3. A Centolla é uma delícia, porém éramos quatro pessoas. Todas famintas. A coitada da Centolla só tem 8 patas. Logo, cada um ficou com duas patinhas. Além disso, pedimos um lombo para caso o famoso caranguejo não fosse gostoso. O problema é que demorava muito para sair o jantar. Comemos o caranguejo, comemos o lombo, comemos a batata que acompanhava, enfim... comemos tudo o que tinha pra comer, comemoramos o ano novo com cerveja artesanal, mas a verdade é que voltamos pra pousada com um pouco de fome. Valeu a experiência? Demais!

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                                                  Centolla

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8º Dia

No primeiro dia do ano de 2019, estávamos começando a nossa empreitada pela famosa Ushuaia. Saímos da Pousada e fomos para o centro da cidade fazer a famosa foto na placa do Fim do Mundo. Essa placa fica próximo ao porto de onde saem os barcos que fazem os passeios de navegação pelo Canal Beagle. Depois de registrar a chegada na placa do fim do mundo, deixamos a cidade e fomos ainda mais ao sul, para o Parque Nacional Tierra Del Fuego.

A entrada do Parque fica bem próximo da cidade e o custo para entrar é de 490 pesos (uns 50 reais). A estrutura que tem nesse parque é incrível: várias áreas de camping (se não me engano são 3), um centro de informações ao turista com cafeteria e lanchonete, e o principal: todo tipo de trilhas para quem curte fazer trekkings. Trilhas que contornam lagunas e sobem cerros, trilhas à beira mar, enfim... Um paraíso para quem tem essa intenção no parque.

Em nosso primeiro dia dentro do parque, montamos nosso acampamento numa área próxima ao Rio Ovando, e já pegamos nossos equipamentos de trekking para começar as caminhadas. Fomos à Laguna Negra, à uma Castoreira, à uma trilha que liga o camping no final da Ruta 3 (Ruta essa que pegamos lááááá próximo a Buenos Aires) e o principal do primeiro dia, na minha opinião, que foi o trekking ao final da Bahia Lapataia.

Só de estar ali, numa Bahia do Fim do Mundo, já era indescritível... A sensação de estar em um dos pontos mais austrais do continente já é legal demais. Estávamos só nós 4, o mar, montanhas nevadas, um bosque ao lado.... Quando de repente aparecem duas focas ou lobos marinhos – não consegui identificar – e ficaram ali, nadando à nossa frente, mergulhando e atravessando algumas algas da bahia. Pareciam estar, ao mesmo tempo, procurando alguma comida e se divertindo na superfície.

Esse, pra mim, foi outro momento indescritível da viagem que recebi como um presente de Ushuaia para nós. Gratidão!

Depois de uns 40 minutos por ali, saímos da Bahia e voltamos para o camping para fazer nosso jantar e descansar um pouco. Nesse primeiro dia fizemos aproximadamente 14 km de trekking.

Uma coisa que esqueci de relatar aqui, é que o clima no Parque Nacional Tierra Del Fuego é bem doido. Em questões de horas e, por vezes, até minutos, pegávamos chuva, sol, vento, e até neve. Tudo isso junto! Em todos os dias que estivemos no parque passamos por todas as intempéries. Não houve nem um dia sequer que não tenha nevado. Para nós, isso era um divertimento. Mas acredito que pra quem mora lá deva ser chato demais. Hahahaha

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9º Dia

Depois de termos visto as focas na Bahia Lapataia e ter passado pelas trilhas incríveis do primeiro dia, a empolgação com o parque estava a mil. Estávamos ansiosos por começar mais um dia de trekking por lá.

O casal da Colômbia (aqueles que encontramos no dia que perdemos as barracas) havia comentado conosco que já tinham passado por Ushuaia e que no Parque Tierra Del Fuego, haviam feito uma trilha que chegava ao topo do Cerro Guanaco, e super indicou que fizemos esse sendero também.

Pois bem... Se nos foi indicado, bora pro Cerro Guanaco.

Saímos do acampamento e, nos primeiros 4 kms, a trilha é bem tranquila. Vai beirando a estrada principal do parque, passa pelo centro de informações ao turista e segue até o mirante do Lago Acigami. Depois desse ponto é subida, subida, subida e mais subida.

A primeira parte começa com as subidas por dentro de um bosque, onde não se tem muito visual. As árvores, que são bem grandes, cobrem a paisagem, mas ali dentro, formam também sua paisagem própria. Minha namorada começou a sentir ali, que a trilha ultrapassava os limites dela. Ela insistiu e continuamos subindo, subindo, subindo, até que chega em um Charco - Uma enorme planície alagada que fica depois dessa parte de bosque. Lá ela sucumbiu! Disse pra eu continuar a subida, que ela retornaria para o centro de informações e me aguardaria por lá.

Tomada a decisão, nos sentamos um pouco e fizemos um rápido lanche antes que ela retornasse. Continuei a subida em direção ao cume do Cerro Guanaco e dali pra frente a paisagem é outra. Parece até que são planetas diferentes. Uma enorme subida de pedras sem nenhuma árvore, um vento muito forte e mais próximo do topo, mais neve! Do Charco até lá, foram, mais ou menos, uma hora e meia de caminhada em um ritmo forte. Lá de cima o visual é incrível!

Retornamos ao camping e descansamos. Nesse dia deve ter dado por volta de 15 kms de trekking.

Continua...

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Continuação:

10º Dia

                Já era o nosso último dia em Ushuaia e a programação para aquele dia era conhecer a Laguna Esmeralda, porém a subida do Cerro Guanaco tinha cobrado seu preço. Ninguém queria dar nem mais um passo pelos senderos do Fim do Mundo. Os joelhos doíam demais! Os meus principalmente. Parece que era de comum acordo que aquele seria um dia de descanso.

                Deixamos Ushuaia para trás e de lá, fomos direto para o Parque Pinguino Rey (aquele que estava fechado na nossa vinda para o Ushuaia). O parque é bem pequeno e tem basicamente dois mirantes que ficam voltados para a colônia de Pinguins. A entrada não é tão baratinha. Se não me engano, custa em torno de 90 reais por pessoa. O interessante é que essa colônia de Pinguins Rei, é a única que fica fora da Antártida. E esse sim, é um belíssimo Pinguim. Não que os Pinguins de Magalhães sejam feios, eles são muito bonitinhos, mas o pinguim rei é beeem mais legal. A cor dourada perto da cabeça dá um charme e fazem as fotos ficarem mais bonitas. Além de ser bem maior que o Pinguim de Magalhães (os pinguins Rei chegam a ter 1,20 metros. Gigante!).

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                Saímos do parque, e voltamos para a nossa saga pelas fronteiras. Argentina/Chile, Chile/Argentina... A ideia agora era atravessar o estreito de Magalhães em um outro ponto, de Porvenir para Punta Arenas. Fomos direto para Porvenir e só chegando lá, descobrimos que as balsas que fazem essa travessia, só a fazem duas vezes por dia. Como já era tarde, a única opção era ir para a outra balsa e voltar pelo mesmo caminho que já tínhamos passado.

                Terminamos de fazer a travessia já era mais de meia noite. Seguimos pela Ruta 255 até próximo de um local de Naufrágios. Pelo aplicativo IOverlander, vi que existia uma área de camping selvagem já marcado no app.

                Só montamos as barracas e fomos dormir. Essa deve ter sido uma das noites com o vento mais forte de toda a viagem e a barraca bateu a noite toda.

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11º Dia

Continuamos pela Ruta 255 e depois pela Ruta 9, até chegar em Puerto Natales que é a cidade base para quem faz os passeios no parque Torres Del Paine. Muitas pessoas optam por ficar hospedado em Puerto Natales e fazer um “bate e volta” para o parque. É uma opção até viável, já que os preços dos hotéis dentro de Torres Del Paine são um absurdo. Mas como estávamos com todo equipamento de acampamento, optamos por passar três dias no camping Serrano. Essa dica pegamos pelo canal do YouTube Terra Viagem, para quem não conhece, deve ser um dos melhores canais de viagem que já vi. Segue lá!

Fizemos uma compra rápida no supermercado de Puerto Natales e seguimos viagem pela Ruta 9 sentido parque. No caminho, existe um ponto legal também que é a Cueva Del Milodón, uma caverna enorme onde vivia um animal parecido com uma preguiça, porém em tamanho gigante.

O parque tem o custo de aproximadamente 30 reais por pessoa, e, apesar de ser pequeno, vale a visita. As cavernas e formações rochosas que existem ali, são lindas e únicas.

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Já na saída desse passeio, começa a se ver as formações rochosas de Torres Del Paine, porém ainda distantes.

Seguimos na estrada e as montanhas hora sumiam, enquanto o carro passava entre árvores e rochas, hora dava a cara, porém ainda distantes. Segue assim durante muito tempo até que há alguns quilômetros da portaria Serrano, a estrada chega de frente a um lago de água azul com aqueles monstros de pedras a frente. Durante a nossa estadia de 4 dias em Torres, devo ter feito mais de 200 fotos só dessa montanha, a Cuernos Del Paine. E mesmo assim posso afirmar com toda certeza: Nenhuma foto dá a mínima ideia do que realmente são essas montanhas. É um maciço rochoso com mais de 2 mil metros de altura de uma pedra lisa. É impressionante!

Chegamos à portaria, pegamos um mapa das trilhas e algumas informações com uma guarda parque, e fomos para o camping Serrano.

Os custos do parque foram: 21 mil pesos da entrada no parque e 10 mil pesos por dia para acampar no Serrano (Preço por pessoa – Carro não é cobrado).

A área de camping é sensacional! Tudo! O banheiro, o rio que passa no fundo, a área de cozinha, tudo é ótimo.

Esse dia foi só de fotos e descanso para a trilha do dia seguinte.

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11º Dia

                A nossa intenção era conhecer duas pernas do circuito W. A do Glaciar Grey e a da Laguna Torres. Para esse primeiro dia, a escolhida foi a do Glaciar Grey.

                Para conhecer esse lado, você tem 3 opções:

Opção 1: Pegue um barco no Lago Grey (próximo ao hotel que leva o mesmo nome) e ele te leva até lá por navegação. Custo: 510 reais por pessoa.

Opção 2: Acesse a trilha pelo outro lado do parque (Hotel Torres) e vai caminhando. Porém, nesse caso, precisa dispor de uns 3 dias para a caminhada e muito preparo.

Opção 3: Pegue um barco na Estancia Pudeto, o barco atravessa o Lago Pehoe e o resto se faz por caminhada.

                Optamos por essa última, já que não tínhamos o tempo necessário para fazer caminhando e não queríamos pagar os 510 reais por pessoa para fazer de barco.

                O barco de Pudeto, só faz a travessia duas vezes por dia. Uma as 11 horas da manhã e a outra às 18:30h.         

                Havia uma fila enorme para esse barco. Eu já imaginei: “Não vai caber todo mundo”. E não é que o barco seja pequeno, ele é bem grande, mas a fila era enorme. E não deu outra! Faltando umas 20 pessoas para chegar nossa vez, o barco lotou. Felizmente eles disseram que fariam uma outra viagem, já que a fila estava longe de terminar, mas a outra saída só foi acontecer 12:30h. Para nós, que íamos caminhar até o mirante do Glaciar Grey e voltar no mesmo dia, esse tempo era precioso.

                Arriscamos assim mesmo e, por volta de 13 horas, estávamos na outra ponta do Lago Pehoe. Agora o objetivo era chegar no mirante e conseguir voltar até as 18:30h quando saía o último barco do dia. (Trilha de aproximadamente 14 km)

                A trilha começa pelo Refúgio Paine Grande. De lá você começa a subir por dentro de um pequeno vale até chegar a Laguna Los Patos. Essa Laguna já fica na parte alta e, de lá até o Mirador do Glaciar Grey, é relativamente plano.

                O que impressiona nessa parte, é que os resquícios do incêndio que teve no parque em 2011 continuam fortes. Vários bosques e árvores queimadas por todo o caminho. Como uma natureza tão forte, consegue ser tão frágil ao mesmo tempo?

                A trilha segue pelo alto até chegar no Mirador Grey. E agora sim o vento patagônico mostrou sua força! Esse tenho certeza de ter sido o vento mais forte de toda a viagem! Vi gente perder gorro, capa de mochila, óculos... Vi até passarinho voando para trás! Era praticamente impossível caminhar com o vento. Sentamos atrás de uma pedra, protegido pelo vento e fizemos um lanche rápido, pois não poderíamos demorar já que o barco sairia às 18:30h e já era quase 15:30h.

                Lanche feito, voltei a pedra que dava de cara para o vento e fiz mais alguns vídeos e fotos antes de começar o retorno da trilha.

                Na volta, já próximo do Refúgio Paine Grande, a mesma coisa: Aquela fila enorme novamente! E como na vinda, o barco teve que fazer duas viagens. Enquanto isso ficamos congelando na fila e fazendo fotos da maior montanha do parque, o Paine Grande.

                Retornamos para o camping e já fomos descansar, pois no dia seguinte seria a famosa Laguna Torres: 26 km de trilha e mais de mil metros de elevação.

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11º Dia

Tudo em Torres Del Paine gasta mais tempo que o planejado. Não tem como você percorrer essas estradas sem querer parar para tirar fotos umas 20 vezes por dia. Seja foto de montanhas, de lagos, dos Condores e alguns sortudos conseguem até fotos de Pumas. É um lugar superlativo: O azul dos lagos é muito azul, as montanhas são gigantes, o verde é mais verde... Um paraíso para fotografia.

Chegamos no hotel Torres, fizemos nosso cadastro no centro de informações (parece que cadastram todos que vão fazer as trilhas) e já começamos nossa jornada. Essa foi a trilha mais difícil de toda a viagem.

O trekking começa com uma subida, relativamente tranquila, até o vale do Ascencio. De lá continuamos por dentro do vale passando pelo “Paso de Los Vientos” (nem precisa explicar o porquê do nome né?!), descemos até o Refúgio e Camping Chileno, cruzamos as pontes sobre um pequeno rio que corta o vale até chegarmos à derradeira subida que leva as Torres. Essa subida é basicamente uma escadaria gigante com as mais diversas alturas de degraus. Cansativo? Demais. A subida parecia interminável. Quando achávamos que estava chegando, aparecia mais um pedaço de montanha a ser conquistada. Depois de muita luta com as pedras, lá estavam...

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As Torres são lindas! Tivemos muita sorte em conseguir um dia relativamente bom. Não estava aquele dia de céu azul, mas pelo menos conseguíamos ver as Torres. Li vários relatos de pessoas que fizeram a mesma trilha e, como o tempo estava fechado, não conseguiam vê-las.

Ficamos contemplando por aproximadamente uma hora. No início tinha um pedaço de céu limpo, depois o vento fechou tudo e depois começou a nevar. Tudo isso nesse prazo de uma hora. Era a Patagônia mostrando um pouquinho da sua força. Se essa era a época propícia e alta temporada por lá, imagina o que deve ser uma tempestade!

Retornamos para o carro e depois para o camping. Só lembro de ter comido alguma coisa, tomado uma Quimes e apaguei!

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12º Dia

Era nosso último dia no parque. Saímos do camping Serrano, fizemos nossa última entrada na portaria e seguimos cruzando as lindas estradas novamente até sair próximo da Laguna Amarga. Claro que fizemos todo esse trecho parando para tirar fotos e vídeos como de costume.

Logo depois do parque já fica mais uma fronteira Chile/Argentina, e também como de costume, o procedimento foi rápido e seguimos nossa viagem.

O destino do dia era El Calafate. No início, passamos direto pela cidade e fomos para o parque Los Glaciares. Já era período da tarde e não queríamos perder a oportunidade de conhecer o Glaciar Perito Moreno. A entrada do parque custa aproximadamente 70 reais por pessoa. E vale cada centavo!

O primeiro Glaciar que vi na vida foi o de Torres Del Paine, o Glaciar Grey. Mas vimos só de longe, não havíamos chegado perto de um Glaciar. E esse era o principal motivo da ida até o Perito Moreno.

Nesse sim você chega beeemm perto do gelo. Era indescritível a sensação! São 70 metros de altura e 5 kms de comprimento. Um monstro de Glaciar!!! Em baixo, no lago que dá acesso ao Glaciar, víamos os barcos que fazem os passeios por lá e pareciam migalhas perto da imensidão que era o Perito Moreno. Em alguns momentos até me lembrei da muralha de Game Of Thrones. Quem assiste a série vai entender o motivo...

Deixamos o parque e fomos direto para a cidade. Só naquele momento reparei o quanto a cidade é bonita e bem estruturada. Talvez até mais estruturada que Bariloche. Claro que não se compara, pois Bariloche já é uma cidade grande e El Calafate ainda é bem pequena, mas de todas as cidades que passamos, achei El Calafate a mais charmosa.

Ficamos no camping El Viajero, um camping municipal que fica a um quarteirão da rua principal. O camping não é dos melhores, mas é razoável. Fomos para a rua principal, compramos algumas lembrancinhas (para nós mesmos rsrsrs) e voltamos para fazer a janta e dormir.

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13º Dia

Logo cedo saímos da cidade e fomos para El Chaltén. De todas as cidades que havíamos programado de passar, essa era uma das que eu tinha maior expectativa. Já havia lido relatos de que a cidade era a Meca de trekkings e escalada. Como nossa viagem era praticamente baseada em trekkings, e no Brasil também escalamos, a expectativa era a melhor possível.

E a cidade não deixou a desejar. Logo na chegada, a estrada se alinha de frente para as montanhas e o cenário é surreal! De fundo, o famosíssimo Fitz Roy: uma das montanhas mais famosas de escalada técnica do mundo! Quase 3500 metros de altura de uma escalada mesclada de gelo e rocha. Claro que não íamos escalar um monstro desse. Não tínhamos nem capacidade pra isso. Mas só de ver essa montanha de perto, já era a realização de um sonho.

Chegamos na cidade e, pela primeira vez, meu Google me jogou em um camping certo. El Relincho: Indico e sempre que voltar quero ficar por lá. A área onde se monta as barracas é simples, mas o charme do local é uma casa que fica disponível para os campers. Na verdade, o espaço é basicamente uma cozinha compartilhada e um ambiente aquecido com várias mesas. Acho que o que realmente encanta nesses lugares, é ver as culturas diferentes compartilhando momentos juntas. Era gente do mundo todo! Nem sei quais são os países, pois não conseguia entender nem uma palavra do que falavam. Mas era engraçado e divertido observar aquilo: Todos tentando se comunicar como podiam, hora com base no espanhol, hora com base no inglês.

Nesse primeiro dia, montamos nosso acampamento, fomos dar uma volta para conhecer a cidade e eu fui até o centro de informações pegar o mapa das trilhas de lá.

Já com o mapa em mãos e o planejamento feito, voltamos à cozinha compartilhada para jantar e ficar observando aquela mexida boa que era o camping...

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13º Dia

No dia anterior, ficamos sabendo que esse seria um dia de tempo limpo e praticamente sem ventos, portanto esse era o dia ideal para fazer a trilha mais difícil que havíamos programado: O trekking até a Laguna de Los Tres. A laguna tem esse nome pois é a base das três maiores montanhas de escalada de lá: O Fitz Roy, Poincenot e Saint Exupery.

Saindo da cidade, a trilha tinha quase mil metros de elevação e se saíssemos do Hostel El Pilar (um pouco mais afastado da cidade) a trilha teria um pouco menos de elevação, além de passar pelo Glaciar Piedras Blancas. Decidimos então começar a trilha a partir do Hostel e acho que foi a decisão correta. 

A trilha começa com pequenos desníveis de subida e descida que passam próximo do Glaciar e segue assim até o acampamento Poincenot. A partir daí, a trilha fica bem parecida com a parte final de Torres Del Paine: Outra escadaria de pedras que leva a Laguna.

                E agora, mais de perto ainda, deitei nas pedras que ficam perto da Laguna e fiquei observando as três montanhas. Lindíssimas!

                No retorno da trilha, não voltei pelo mesmo caminho. Desci até o acampamento Poincenot, e ao invés de retornar pelo Glaciar, peguei a trilha que passa pela Laguna Capri e chega direto na cidade. A laguna é bem bonita e pra quem vai sentido oposto a esse que estava, se tem visual das montanhas praticamente o tempo todo.

                Nesse dia foram 24 km de trilhas e praticamente mil metros de desnível.

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14º Dia

Ainda bem que no dia anterior havíamos feito a trilha principal, pois amanheceu com o tempo bastante fechado e a barraca havia congelado. Foi a noite mais fria que pegamos: -3°C. O vento também havia voltado com força total.

Nesse dia, a programação era a trilha do Cerro Torre. 22 km, e desnível de aproximadamente 500 metros. Logo cedo, tomamos nosso café (não bebo café, no meu caso Coca Cola), e saímos para a trilha.

Como de costume, mais uma subida na saída até chegar a um dos mirantes do Cerro Torre. Chegando lá, nada! Só se via uma nuvem branca fechando todo o vale onde deveria estar a montanha. Como a esperança é a última que morre, seguimos a trilha sentido a laguna que fica na base com intenção de conseguir ver alguma coisa.

Desse ponto em diante, a trilha mescla trechos próximos ao rio Fitz Roy e trechos entre bosques. Nada de elevação, bem plano. Todo o desnível tinha ficado no trajeto até o mirante.

Infelizmente, a esperança morreu mesmo... hahahahaha. Havíamos chegado na Laguna base do Cerro Torre e só se via uma nuvem fechando o vale. Estávamos bem próximos da montanha, mas mesmo assim não era possível observar nada. Sentei ali, ainda com aquele fio de esperança e fiz um lanche. Como a montanha não queria se mostrar, depois de uns 40 minutos, pegamos a trilha de volta para a cidade.

Acho muito massa esse esquema de sair da cidade andando e chegar a lugares tão incríveis como esses que conhecemos. Realmente a cidade é privilegiada em relação a natureza e esportes Outdoor. Talvez a cidade mais promissora da Argentina em relação a esses tipos de atividade. Pra qualquer lado que se olhe tem alguma parede para escalada, ou alguma trilha para ser percorrida ou rios para a prática de rafting, etc...

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15º Dia

Acordamos às 6 da matina e partimos para mais um dia de estradas e fronteira. Dessa vez o destino era a Carretera Austral. Mais precisamente no encontro dos Rios Neff com Baker. Essa fronteira Argentina/Chile foi a mais complicada de todas da viagem. Na última cidade da Argentina (Los Antiguos) estava tendo a festa nacional da Cereja, e devido a isso, várias pessoas haviam saído do Chile para o festival. Resultado: Fronteira lotada e filas para imigração. Depois de aguardar pacientemente na fila e fazer a saída da Argentina, rodamos mais alguns kms até a imigração Chilena. E dessa vez, foi solicitado que retirássemos tudo do carro e passasse no raio x. Tudo! Uma caminhonete cheia de mochilas e caixas até a tampa!

Depois de uns 40 minutos estávamos liberados e seguimos viagem rumo a Carretera Auatral. Passamos por Chile Chico, a primeira cidade do Chile e entramos em uma parte bem bonita. Uma estrada de rípio que vai contornando o lago General Carrera até a cidade de Puerto Guadal. O lago terminou e logo depois entramos na Carretera Austral.  

Mais alguns kms ao sul e chegamos no encontro dos rios. A cor da água é impressionante! Parece até que tem corante. Mesmo nas partes rasas do rio, percebe-se a tonalidade azul. Muito bonito!

Como já era quase noite, fizemos algumas fotos rápidas e fomos procurar alguma área para acampar. Na mesma estrada, voltando sentido a Puerto Guadal, encontramos uma área que parecia já ser utilizada como camping. Tinha algumas fogueiras antigas, alguma lenha separada... Ficamos por lá mesmo. Essa área fica colada no Rio Baker.

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16º Dia

Acordamos a beira do Rio Baker, fizemos nosso café (Lê-se Coca Cola para o meu caso), e seguimos agora rumo as Capillas e Catedral de Mármol. Uma formação rochosa de mármore que são ilhas no lago General Carrera.

Para conhecer as Capillas, você deve fazer o passeio de barco ou caiaque e a maioria dos passeios saem da cidade de Puerto Tranquilo. Como estávamos de carro, fiquei de olho no GPS e chegando próximo das Capillas, encontrei uma estrada que dava acesso ao Lago General Carrera onde havia uma placa com anúncio dos passeios. Acessamos a estrada e logo depois encontramos um porto de onde saíam barcos e alugavam caiaques.

Eu fiz o passeio de Caiaque. Um guia nos acompanhou o tempo todo e ia explicando sobre as formações das rochas e algumas curiosidades da região. Inclusive nos disse que quando ocorrem tempestades sobre o lago, as ondas chegam a medir 5 metros de altura. Eu até já tinha visto algumas ondas no lago antes, mas é incrível pensar a força que esse vento deve ter para gerar ondas dessa magnitude em um lago. Logo atrás das Capillas de Mármol, vivem uma família de Condores também. Não os vimos por lá, mas o guia disse haver mais ou menos 4 ou 5 condores.

As Capelas são maravilhosas e a cor da água é bem parecida com a do rio Baker (e bem gelada também), um azul bem forte. O passeio demorou cerca de 2 horas.

Seguimos subindo pela Carretera Austral até a Villa Cerro Castillo. Camping La Araucaria. Chegando lá, descobrimos que nessa cidade também tem alguns trekkings famosos e alguns circuitos tão puxados quanto El Chálten e Torres Del Paine. Infelizmente não havíamos programado nada por lá, e a estadia foi só para descanso.

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17º Dia

O dia amanheceu e caímos na estrada novamente. Seguimos subindo pela Ruta 7 (Carretera Austral), passando por Coihaique, Reserva Rio Simpson e Reserva Lago Las Torres até chegar ao Parque Queulat, pois já estava programada nossa visita ao Ventisquero Colgante.

Tecnicamente não sei ao certo, mas parece que chamam de Ventisquero quando um Glaciar se forma no alto de uma montanha e, com o derretimento do gelo, formam-se cachoeiras.

O lugar é bem bonito. Todas as trilhas percorrem bosques. Bem úmido e fechado.

No lago onde cai a cachoeira do Glaciar também tem passeios de barco, porém não tínhamos tempo disponível para isso. O Parque fecharia em alguns minutos.

Voltamos para a estrada e decidimos dormir próximo a Futaleufú, famoso por seus rios de águas rápidas, paraíso do rafting. Nesse dia acampamos no Camping Los Coihues.

Continua...

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Sensacional! 

Tenho um roteiro já bem planejado, sem data ainda para executar, mas que é meu atual sonho de consumo. Falei esses dias mesmo que, se ganhasse na loteria, a primeira viagem que faria seria para a Patagônia. E esse roteiro é muito parecido com o seu, incluindo exatamente esse mesmo trecho da Carretera Austral, porém no sentido inverso, descendo por ela e voltando pela RN3.

Vou acompanhar os próximos dias do relato...

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2 horas atrás, Elder Walker disse:

Sensacional! 

Tenho um roteiro já bem planejado, sem data ainda para executar, mas que é meu atual sonho de consumo. Falei esses dias mesmo que, se ganhasse na loteria, a primeira viagem que faria seria para a Patagônia. E esse roteiro é muito parecido com o seu, incluindo exatamente esse mesmo trecho da Carretera Austral, porém no sentido inverso, descendo por ela e voltando pela RN3.

Vou acompanhar os próximos dias do relato...

Fala Elder,

Inicialmente, nosso trajeto também começava pela Ruta 40.

Independente do sentido que você faça, tenho certeza que vai curtir.

Sucesso no seu projeto aí! Qualquer dúvida, estamos a disposição!

Abraço.

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      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99617 7552 Arno Philippi – 48-99152 1277 Lucas Philippi
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.
       
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      2° Dia – Pedra da Águia até o Cânion Espraiado – 12km de trilha

      Acordamos cedo, ainda estava meio nublado mas entre as nuvens já víamos que iriamos ter um dia limpo pela frente. Enquanto a água ia fervendo para o café íamos desmontando o campo e arrumando a mochila. O vale do Rio Canoas nessa região é muito bonito com a vista da Pedra da Águia de fundo as araucárias na extensão do vale e o rio descendo suavemente entre as pedras. Após tudo pronto começamos nossa caminhada as 8h, os cachorros vieram nos seguindo uma parte da estrada e foram dispersando um a um, mas sobrou um pretinho que nos acompanhou toda a trilha. Logo quando contornamos a pedra da Águia passamos pela casa do Candimiro e ficamos ali um tempo de prosa com ele que nos autorizou passar pela propriedade e assim seguimos nosso rumo. Uma subida suave por uma antiga estrada que já não passa mais carro.



      Depois de uma hora e pouco de trilha chegamos a borda da Serra Geral ao sul estava a estrada da Serra do Corvo Branco na direção norte o Cânion Espraiado, paramos para curtir o visual e tirar fotos, naquele momento nos preocupamos um pouco com o cachorro pretinho que vinha nos seguindo. O caminho todo foi bordeando a serra seguindo a estradinha abandonada na margem direita do Espraiado. Em um certo ponto chegamos em uma depressão onde formava um pequeno Cânion afluente do rio Canoas em direção oposta a borda da serra geral ali tinha uma pequena faixa de mata para cruzar e adiante seguimos andando pelos campos, banhados e turfeiras que seriam uma constante em toda a travessia e também curtindo o visual do Cânion. 


      Passado das 13h paramos de frente para a cachoeira do Adão para almoçar. Tinha sobrado um macarrão com linguiça Blumenau da noite anterior e já pus na panela, ainda fervi água para um bom chá de hortelã com gengibre e ali ficamos contemplando aquele visual. Quando retornamos a caminhada vimos logo acima do vértice do Cânion que havia um objeto retangular e ficamos imaginando o que poderia ser, o Rafa falou que poderia ser uma placa informativa eu já pensei que fosse tipo um deposito/armário de madeira para guardar o material do pendulo.  Quando chegamos lá a nossa surpresa foi que era uma geladeira da Cervejaria Patagônia, eles estavam fazendo um comercial publicitário. Ali encontramos também a Carol proprietária da Fazenda Espraiado e ela nos indicou ir na cachoeira e avisou que a outra parte da borda do Cânion estava proibido passar por problemas de vizinhos e uso da área. Descemos até a cachoeira, que na realidade são 2 uma primeira menor que forma um baita poço para banho e a queda principal que desagua por 86m Cânion abaixo. Neste momento flagramos o pretinho abocanhando alguma coisa no mato e quando vimos era um tipo de roedor que em seguida ele soltou no chão.



      Logo fomos em direção a sede da fazenda onde é o camping e hostel do Cânion Espraiado. Ali conversamos com o Jacaré do Cânion que trabalha na fazenda, acertamos com ele o valor de R$ 40 pelo pernoite em camping, comemos um pastel muito bom e montamos nossa barraca, depois ficamos no galpão crioulo ao redor do fogo de chão proseando e tomando uma cerveja Patagônia com o Jacaré. Aproveitei para secar minhas meias, com os furos que minha bota tinha e os banhados no caminho esse seria um problema que eu enfrentaria todos os dias com os pés molhados. Também recarregamos o celular e aproveitamos para mandar as últimas mensagens pois a partir dali não teria mais sinal pelos próximos 4 dias. Preparei minha janta uma bela polenta com bacon e conversando com o pessoal, falaram que a partir dos 2 próximos dias viria uma frente fria muito forte. Pegamos umas dicas da trilha para o próximo dia cedo em direção ao Morro da Antena (agora montanha infinita) para ver o nascer do Sol e em seguida fomos dormir.




       


       
      3° Dia – Cânion Espraiado – Campo dos Padres – parte alta do Rio Canoas - 18km de trilha

      Acordamos as 4h30 pois queríamos estar as 7h para o nascer do sol. Já fomos desmontando a barraca e o frio já era forte na escuridão da madrugada, havia um pouco de gelo no sobreteto da barraca. Após tudo desmontado tomamos um café passado pelo Jacaré dentro do galpão e comi meu pão sírio com polengui, queijo e salame, além do meu super brownie com malto e dextrose além de algumas castanhas (esse seria meu cardápio de café da manhã de todos os dias). As 6h horas seguimos pela trilha por entre a mata até o topo do morro da Antena e já no chapadão do cume presenciamos várias poças de água congeladas.


       
      As 7h05 foi o alvorada sobre um mar de nuvens aos nossos pés e um céu limpo sobre nossas cabeças, a vista do Cânion espraiado lá de cima é linda e ainda é possível ver toda a extensão da Serra Geral com destaque para as Pirâmides Sagradas e o Morro da Igreja. Estive nesse morro em 2001 subimos eu e o meu amigo BIG Daniel Casagrande de Toyota Bandeirante, na época ainda havia a Antena em pé, hoje ela foi derrubada, lembro que nós curtimos o visual por ali e quando decidimos ir embora atolamos a Toyota e quem disse que conseguimos tirar.... foi uma longa história e uma grande aventura. Voltando a 2020, nossa ideia original era seguir bordeando até chegar no rio canoas, pois pela carta teria somente 2 faixas de mata pra cruzar morro acima. Mas ai o Jacaré nos indicou seguir pela estrada e lá adiante passando a porteira entrar na antiga estradinha, eu sabia que havia essa trilha, mas tinha receio de seguir pois era uma mata grande, e imaginava ter vários caminhos por conta do gado.





      Mas enfim mudamos nosso plano inicial e seguimos então pelo caminho sugerido. Logo que passamos a porteira eu vi uma estradinha seguindo adiante e outra descendo, supus que essa seria a estrada, ledo engano..... descemos o morro e cortamos a estradinha para lá embaixo tentar encontrar ela de novo, havia um morro bem grande de mata a frente que se estendia a leste até a borda da serra e para o lado oposto a oeste entre esse morro havia uma encosta suave de mata e a borda do profundo Cânion do rio canoas, a trilha só podia ser nesta encosta suave e fomos descendo mas não encontrei a estrada. Seguimos adiante pela mata até chegar ao rio que já formava um pequeno desnível, pensei que já fosse o começo do Cânion afluente do Cânion principal do rio canoas. Demos uma volta enorme em círculo e voltamos para o mesmo lugar. Seguimos acompanhando a estrada e tentamos mais uma vez descer na direção daquela encosta, mas a mato tava muito fechado voltamos mais uma vez para a estrada e então decidimos seguir a estrada, logo adiante vimos uma casa e antes de chegar nela uma entrada a direita com cara de estrada abandonada. Só podia ser essa. Bingo! Já era 12h passado e então paramos ali na estradinha e fizemos nosso almoço o meu seguiu o mesmo cardápio do café da manhã sendo pão sírio, polengui, queijo e salame e chá de hortelã com gengibre, e assim foi todos os dias. Depois de 40min de pausa retornamos a trilha. A trilha é em uma antiga estrada abandonada que não é mais possível transitar de carro nem de 4x4, somente a pé ou a cavalo, uma descida suave por entre a mata de araucárias até chegar em um pequeno rio que corria sentido Cânion do rio canoas. Esse era o ponto mais baixo e após o rio a trilha começava a subir. “A algumas horas atrás chegamos bem perto deste rio porem a mata estava muito fechada e o rio afunilava em um brete e não conseguimos achar um caminho para passar e acabamos voltando”.



      Lá adiante na trilha encontramos um barraco destruído e depois cruzamos com um pequeno rio onde fomos seguindo ele rio acima até a trilhar sumir no mato, ali percebemos que em algum lugar lá atrás teríamos que ter contornado o morro. Resolvemos então subir aquela encosta de mata bem fechada com muitos xaxins, bambus e mata nebular. Foi um momento um pouco tenso pois já eram umas 17h sabíamos que estávamos no rumo certo, mas não na trilha e onde estávamos não tinha como acampar. Fomos mirando o topo tendo as copas das araucárias ainda iluminados pelo sol. Quando alcançamos então a parte mais alta abriu um pequeno descampado sujo com vassouras, porem plano e com condições de acampar. Decidimos seguir ainda um pouco mais adiante até as margens do Rio Canoas, mas de qualquer forma não fomos muito longe e acampamos por ali mesmo. Aquela noite prometia muito frio, tratamos de montar nossas barracas e a escuridão já tomou conta e o frio veio junto. Arrumei minhas coisas e tratei de ferver uma água para o chá e picar o bacon, quando comecei a fritar o Rafa já sentiu o cheiro maravilhoso do bacon, e ele com aquela comida liofilizada dele. Prometo que vou tentar de novo, nem que seja levar para uma noite a liofilizada, confesso que ainda venho tentando uma comida boa e leve sem abrir mão de certos luxos que conquistei nesses 30 anos de acampamentos, mas que agora com a idade e falta de tempo para treinar a boa forma já não posso mais carregar tanta coisa, sei que tenho que diminuir peso. Nesta travessia eu pesei item por item antes de sair de casa, desde celular, meia, cueca, itens de primeiros socorros, comida, enfim tudo grama por grama e encontrei que eu carregava no corpo 3kg contanto botas, roupas, bastão...; na mochila mais 24kg contando 4 litros de água que me dispus a levar mesmo com a fartura de água da região somente para testar meu consumo e uso em cozinha. É muito interessante pesar pois sempre imaginamos o quanto levamos, mas só anotando tudo e fazendo um verdadeiro checklist é que sabemos o quanto de peso realmente carregamos e não sabemos.

       
       
      Depois da janta ainda era cedo e não conseguiria dormir, então decidi sair da barraca para ver o céu estrelado, minha saída noturna não demorou mais que o suficiente para ir ao banheiro e voltar correndo para a barraca de tanto frio que fazia. Nessa noite os termômetros bateram negativos os - 8ºC dormi no limite do frio essa noite.
       
      4° Dia – Parte alta do Rio Canoas – Cemitério – Borda da Trilha dos Índios – Morro do Campo dos Padres – Morro da Boa Vista - 15 km de trilha

      Acordamos pelas 6h mas o frio era tanto que não deu vontade de sair do saco de dormir, o sobreteto da barraca do Rafa congelou a condensação, neste quesito estava muito satisfeito com a minha Naturehike Cirrus pois o layout dela permite uma boa ventilação e evita o acumulo de condensação, mas vi que tinha que fazer alguns ajustes no sobreteto para incluir mais 2 pontos de cada lado para fixar mais espeques e poder abaixar mais a lona para o vento não entrar tanto em dias frios. Também tive minhas meias congeladas e a água nas garrafas estavam congeladas. Já pus a água para ferver e fazer meu café na Pressca e ao mesmo tempo já ir guardando minhas coisas. Mas foi difícil desmontar a barraca, os dedos doíam de tanto frio. Eram 7h30 e saímos, vimos que 1h30 era o tempo que precisávamos para começar o dia. Logo adiante avistamos uma cabana bem bonita de madeira que é a sede da Fazenda Búfalo da Neve, passamos ao lado e seguimos adiante descendo a encosta do vale do rio canoas até atingir suas margens, havia muita geada no pasto e as poças d´água no caminho estavam congeladas e também partes do rio onde a água estava parada.







      Aproveitamos para repor nossos cantis e tirar fotos com os pedaços de gelo. Essa parte é muito linda, o vale com os morros de mata de araucárias, o rio e suas curvas e os campos formavam uma bela paisagem. Fomos subindo o rio e logo alcançamos uma pequena cachoeira e uma taipa de pedra logo acima formando um caminho de tropeiros e por ali seguimos dando uma grande volta para desviar a várzea do rio que formava um banhado e suas turfeiras. Logo adiante vimos 1 casa azul e 1 galpão passamos por ela e logo a frente no vale havia um morro isolado, pelas minhas contas ali deveria ser o cemitério. Uma subida íngreme e logo no topo já vimos um quadrado de taipa e ali estava o cemitério, haviam 3 túmulos com cruz, uma lapide que não conseguimos ler e ao que parecia algumas covas abertas. Interessante imaginar um lugar inóspito daquele que outrora pessoas moravam ali em um passado não muito distante, mas longe da civilização. E tinham que ali mesmo enterrar seus entes queridos, escolheram um belo lugar para ser os Campos Elíseos destas pessoas.





      Logo descemos a encosta em direção ao rio canoas e dali iremos a leste para alcançar as bordas da Serra Geral. Naquela altura quando atravessamos o rio canoas ele era tão límpido e cheio de plantas aquáticas, uma pintura natural. Subimos uma pequena encosta e por acaso encontramos a trilha dos índios que liga a Anitápolis, dali subimos uma pequena mata e já no topo paramos para almoçar e contemplar a vista. O dia estava lindo e podia ver o horizonte bem longe, sendo possível ver a serra do tabuleiro e o contraste do mar mais a sudeste. Depois do almoço fomos bordeando os peraus tendo o Morro do Campo dos Padres na nossa direção e mais a noroeste o Morro da Boa Vista que é o ponto mais alto de Santa Catarina onde iriamos acampar. Para alcançar o morro do Campo dos Padres tivemos que dar uma volta para contornar a mata e depois seguir por uma subida bem íngreme. Bem ao longe no colo onde ligava esse morro com o morro da Boa Vista avistamos 2 capatazes campeando o gado. Alcançamos o topo do morro e ficamos um tempo ali contemplando uma das vistas mais bonitas da trilha. Depois seguimos em curva de nível até o colo e em seguida partimos para cima do Morro da Boa Vista, neste momento o Rafa começou a ficar sem água e chegou até a coletar um pouco nas turfas, eu ainda tinha água dentro do meu teste de consumo e cozinha, e ofereci para ele um pouco caso precisasse.
       





       
      Já no topo vibramos pois éramos as pessoas mais “altas” em solo catarinense, localizamos o marco geodésico e ali ao lado acampamos com a porta das barracas virada para o nascer do sol, porem naquele momento presenciamos um lindo pôr do sol, tiramos muitas fotos e vídeos e ficamos curtindo aquele momento. Já dentro da barraca tratei de fazer meu ritual de limpar e secar os pés úmidos dos charcos e passar vick vaporub, um santo remédio para o montanhista já que serve para muitas coisas. Pela primeira vez na vida levei lenço umedecido e tomei meu banho de gato, gostei do resultado melhor que toalha úmida. Tratei logo de me vestir pois fazia muito frio aos 1827m de altitude. Nesta noite cozinhei uma invenção que fiz com sopão+arroz+bacon, porem o arroz não cozinhou o suficiente e o sopão já começou a empelotar, não gostei nada. Ainda bem que sempre levo como emergência 2 pacotes de miojo e tive que atacar um com linguiça frita e queijo ralado. Durante a noite sai para ver o céu, estava menos frio que a noite anterior, mas ainda sim muito frio, consegui ficar um bom tempo ali observando as constelações e algumas estrelas cadentes, também vi ao longe a luminosidade das cidades como da grande Floripa que formava um grande clarão a leste e a oeste uma área menor porem mais luminosa a cidade de Lages. Me recolhi ao aconchego da minha barraca e dormi. Acordei com o vento batendo forte na barraca, chegando até a entortar as varetas, mas a barraca segurou bem. Não dormi muito bem pois volte e meia acordava com o vento.




       
      5° Dia – Morro da Boa Vista – Arranha Céu – Morro da Bela Vista do Guizoni – Campos de Caratuva - 17km de trilha

      O vento batia forte na barraca, o céu estava bem nublado predizendo que o tempo estava mudando. Como montei a barraca a sotavento, pude deixar a porta aberta e curtir o nascer do sol no horizonte enquanto preparava meu café foi um alvorada fantástico mesmo com o céu nebuloso. Tomei meu delicioso café com brownie e pão sírio/queijo/salame a combinação perfeita e rápida para o desjejum.



      Logo em seguida desmontamos todo o acampamento. Nesse dia pude testar melhor uma pratica que encontrei para usar o banheiro de forma confortável e privativo (uma dica para as mulheres). A minha barraca Cirrus tem como desmontar o tapete e o mosquiteiro interno sem desmontar a lona do sobreteto e assim deixar o chão somente na grama. Desta forma com toda a mochila arrumada ficando somente o sobreteto e a armação por último, pude dentro da barraca mesmo pôr o meu jornal no chão com cal e dar uma cagada tranquila, depois só por mais cal em cima, embrulhar o jornal, por numa sacola plástica e aí dentro do tubostão. Usei um cano de pvc de 100mm com 2 caps nas extremidades e vedou muito bem, sem cheiro nenhum ou vazamento, tem na internet como fazer. Porem só achei um pouco pesado. Da próxima vez vou testar um pote de tampa larga e de rosca de 1l que tenho em casa, pois é bem mais leve e o volume é o suficiente para uns 4 dias de trilha.
      Saímos as 8h40 para a trilha o vento era muito forte e o sol já raiava, inclusive quando fui desmontar a lona ela quase sai voando. Nos protegemos bem e começamos a descida pelo colo do Boa Vista com o Morro do Campo dos Padres que é o divisor de águas do rio Canoas e do rio Itajaí, paramos numa pequena nascente e enchemos nossos cantis e seguimos bordeando a Serra Geral. Lá pelas 11h passamos pelo rio Campo Novo do Sul que corre aos pés do Morro Bela Vista do Ghizoni e demos uma parada para um banho rápido e gelado além de aproveitar que paramos fomos almoçar. Nesse momento o tempo voltou a nublar e esfriar. Depois deste descanso subimos até a rampa que dá acesso ao Ghizoni e deixamos nossas mochilas ali e demos uma esticada até o pico do Arranha Céu que estava na borda do Cânion que na outra ponta estava os Soldados do Sebold. Voltamos as mochilas e subimos mais uma rampa e deixamos a mochila novamente e caminhamos por 2h ida e volta no chapadão do Ghizoni por um grande charco de turfeira até subir os matacões do topo onde havia o marco geodésico, ali era o terceiro ponto mais alto de SC e o Morro da Igreja é o segundo.




      O tempo já estava piorando e voltamos até a mochila já passava das 16h e vimos que não alcançaríamos o objetivo do dia, pois quando olhamos ao longe vimos que iriamos cruzar a parte mais estreita do campo dos padres onde havia perau e Cânion para os dois lados, e tínhamos pelo menos 2 morros com mata para subir e cruzar. Conseguimos somente cruzar o primeiro que tinha uma trilha bem fechada com muitos caminhos de gado até chegar num ponto bem estreito com perau e uma antiga taipa utilizada para cercear o caminho do gado e não cair precipício abaixo. Chegamos em um campo que vimos lá do Ghizoni que tinha uma vegetação diferente, a princípio eu imaginava ser de vassourão, mas a tonalidade era outra, quando chegamos lá me surpreendi em constatar que eram o bambuzinho caratuva bem comum na região do Pico Paraná e que eu nunca tinha visto por essas bandas. Ali a cerração começou a fechar então decidimos já achar um lugar plano para acampar. Montamos nossa barraca bem ao lado da trilha que era bem demarcada e única. Não deu nem uma hora e caiu um temporal, era tanta chuva e vento que tínhamos que manter tudo bem fechado. Fizemos nossa janta nessa condição, uma das escolhas que fiz pela barraca cirrus foi o avanço um pouco maior para que me possibilitasse cozinhar em condições de chuva e vento e também espaço para 2 pessoas para que a cargueira ficasse dentro da barraca. Acabamos dormindo cedo nesse dia. Apesar que durante a noite levantei algumas vezes para conferir se estava tudo em ordem e seco na barraca, pois foi a primeira chuva torrencial que ela pegava, choveu a noite toda, e tudo se manteve seco. Passou no teste.
      6° Dia – Campos de Caratuva - Morro das Pedras Brancas – Localidade das Pedras Brancas -  BR 282 - 18km de trilha

      Lá pelas 7h a chuva parou, levantamos e já fomos tomando nosso café e desmontando as coisas. A trilha a nossa frente era um rio de tanta água, fomos secando o que dava na barraca para guardar na mochila e as 8h30 saímos e logo entramos na mata que estava muito molhada e fomos subindo o aclive em diagonal, era uma trilha bem batida na encosta que descia ao Cânion do Rio Campo Novo do Sul, havia muitas árvores caídas e quebradas por conta do ciclone bomba que havia atingido a região a uma semana atrás. Quando saímos no topo o sol já despontava meio tímido, mas a chuva já havia ido embora. Tinha uma bela vista do Morro do Ghizoni e do Cânion logo abaixo.


      E fomos seguindo pelos campos e cruzando algumas faixas de mata, banhados e turfeiras até chegar ao istmo como uma “ponte” de 5m de largura que ligava o campo dos padres até o Morro das Pedras Brancas, ultimo resquício de planalto ligado a Serra Geral. Já era 12h30 atrasamos meia hora pelas nossas contas, mas ainda sim estávamos muito longe do nosso destino final que era a BR 282 onde tínhamos combinado com nosso amigo Bernhard de o encontrar as 17h. Descemos a trilha íngreme aproximadamente 500m de desnível, nesse ponto o estrago do ciclone foi bem maior, a destruição era grande por toda a trilha. Alcançamos a estrada e fomos seguindo tendo o vale do rio Santa Barbara como caminho. Passamos pela comunidade das Pedras Brancas e precisávamos de sinal de celular e internet para avisar a todos que tudo estava bem e comunicar o Bernhard que estávamos ainda 1h atrasados. Aí passamos por uma propriedade que indicava “informações pousada do vô Chico” paramos ali e conhecemos o vô um senhor nascido ali e bem gente boa que nos emprestou a internet e nos deu uma carona até a estrada. Sorte nossa pois ainda havia uns 7 km a frente com subidas e descidas, mas uma estrada rural muito linda tendo sempre as Pedras Brancas ao fundo como destaque e o vale do Rio que vinha esculpindo um bonito Cânion. Chegamos a BR e encontramos nosso amigo e assim termina nossa pernada. Somamos 80 km de trilha no total





       


























    • Por edumcn
      Tudo bem pessoal, 
      Em fevereiro deste ano fomos para o Ushuaia, saindo de Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Foram 26 dias conhecendo as belezas da região. Descemos pela Rota 40 até o Ushuaia, e voltamos pela Rota 3. Tentei resumir nesse material as informações que muita gente está me perguntando. 
       
      Meu gasto total com gasolina foram R$ 2.600
      Gasto total da viagem R$ 7,000. (total 2 pessoas)
      Tem um pdf em anexo com o roteiro, abração
       



      Roteiro Patagônia- Fora de Àrea.pdf
    • Por Birovisky
      E aí Rezenhadores de plantão beleza? Há tempos queria falar desta barraca que já tive a chance de acampar mas o tempo não permitia. Hoje venho tecer uma opinião sincera sobre esta barraca da marca Guepardo, marca esta que sou suspeito para falar e tenho uma queda, mas isso não impede de ser o mais imparcial e sincero possível. Confiram esta análise review com as vantagens e desvantagens para você leitor comprovar se vale a pena ou não comprar uma Barraca Camuflada Jungle  Savage Guepardo.
      Motivação
      Testar uma barraca diferente das que eu tenho e comprovar a confiança que sempre deposito nos produtos da marca Guepardo.
      Preço
      R$700,00 (Aproximadamente).
      Pontos Negativos
      No único fim de semana que utilizamos com uma chuva média, em suas pontas entrou um pouco de água pelas costuras do chão. Coisa mínima, mas entrou.
      Pontos Positivos
      Camuflagem perfeita, quando escurece, sem iluminação é  impossível notar a barraca; Sobreteto (Poliester 190T) bacana, vai até o chão (Piso de polietileno reforçado); Coluna d’água de 1500 mm. O mínimo para se ter alguma confiança é 1000mm; Respirador frontal e traseiro com duas portas com janelas enormes para ao acordar admirar a natureza sem sair da barraca, além de ser bastante espaçosa e com suporte para pendurar lanterna ou lâmpada; Costuras selada; Fácil e rápida de montar. Apesar do tamanho é leve (6,4Kg) comparada com  outros concorrentes de mesmo tamanho (Dimensões Aproximadas Do Produto (Cm) – AxLxP: 180x300x300cm); Resumo da Obra
      Por ter saído de linha você consegue encontrá-la em alguns sites com um preço bem abaixo do praticado quando estava em seu ápice de vendas. Mesmo a Guepardo tendo sido comprada pela Nautika ainda prefiro os produtos Guepardo. Entre uma Cherokee (Nautika)(Barraca Nautika NTK Cherokee GT é boa?) e uma Jungle (Guepardo), sou muito mais a Jungle!


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