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Mari D'Angelo

Sevilha, a apaixonante capital da Andaluzia

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ūüď∑¬†Post original com fotos aqui:¬†http://www.queroirla.com.br/roteiro-sevilha/

 

A Espanha fica tão pertinho de Portugal que já estávamos há um tempo ansiosos por cruzar essa fronteira ibérica! O destino escolhido para a primeira viagem aos vizinhos foi Sevilha, capital da Andaluzia, no sul da Espanha! Sem maiores expectativas, achei que seria só mais uma cidade fofinha, mas surpreendentemente, foi amor a primeira vista!

O trajeto entre Lisboa e Sevilha demora (descontando as paradas) por volta de 4h30, com estradas boas e pedágios só em Portugal. E foi só chegar no centro histórico da cidade que já comecei a me empolgar com as ruelas estreitas e a arquitetura dos prédios.

√Č bem complicado encontrar vagas nas ruas do centro, muitas s√£o s√≥ para residentes e as que n√£o s√£o, raramente est√£o dispon√≠veis. O jeito √© mesmo estacionar um pouco mais afastado. Apesar de ser uma cidade bem segura, fomos orientados a tirar tudo do carro (tudo mesmo, at√© uma caneta ou uma moeda de 0,2‚ā¨!) e deixar o porta-luvas aberto. Seria um sinal de ‚Äúaqui n√£o tem nada pra roubar‚ÄĚ.

Nós ficamos 4 dias (2 inteiros + os da ida e da volta). A ideia era em um deles fazer um bate-volta em Córdoba, mas gostamos tanto de Sevilha que decidimos curtir a cidade com calma! E com o calorão de agosto, foi a melhor opção, já que paradinhas para cervezas e helados se tornaram um tanto frequentes.

Sevilha é uma cidade espanhola, mas sua essência é claramente árabe! Depois de ter passado pelo domínio de vários povos, especialmente os romanos, os mouros ocuparam a região e detiveram o poder por oito séculos, até serem expulsos pelo rei Fernando III, que cristianizou o território.

Mas foi s√≥ sair do¬†Airbnb¬†onde est√°vamos hospedados e dar alguns passos em dire√ß√£o ao centro hist√≥rico que j√° come√ßaram a aparecer os primeiros sinais do passado mouro de¬†Sevilha. √Č especialmente no bairro de Santa Cruz, a antiga¬†juderia, que se notam azulejos em coloridos padr√Ķes geom√©tricos, casas e hot√©is com p√°tios √°rabes e arom√°ticas lojas de temperos e ervas. √Č uma atmosfera diferente, e a maior vontade √© de simplesmente andar sem rumo por suas tortuosas ruas.

Inevitavelmente a gigantesca¬†Catedral de Sevilha¬†vai surgir por entre as¬†callese¬†plazas. √Č uma das maiores constru√ß√Ķes religiosas do mundo e sua vers√£o, hoje cat√≥lica, foi constru√≠da sobre uma antiga mesquita. Essa mistura do isl√£ com o cristianismo ocidental fica evidente na torre anexa √† igreja, a¬†La Giralda,¬†um dos cart√Ķes postais da cidade.

E pra imergir de vez na heran√ßa mu√ßulmana de¬†Sevilha¬†√© s√≥ adentrar o complexo de jardim e pal√°cios reais batizado de¬†Real Alcazar. Na verdade h√° uma mistura de estilos arquitet√īnicos nos diversos ambientes que comp√Ķe o conjunto, mas as salas √°rabes, com todos aqueles detalhes do ch√£o ao teto, arrancam os mais maravilhados suspiros!

Os jardins também encantam, mas é preciso ter tempo para percorrê-los com a calma que merecem.

√Č tamb√©m dessa mistura de povos, entre eles √°rabes, judeus e ciganos, que surgiu, na regi√£o da Andaluzia, o mais tradicional estilo musical espanhol: o¬†flamenco! Tanto a dan√ßa quanto o canto, acompanhado das batidas fortes das guitarras, s√£o intensos, daquele tipo de experi√™ncia que arrepia os pelinhos do bra√ßo e faz o cora√ß√£o pulsar mais forte!

N√£o d√° pra descrever¬†Sevilha¬†sem falar do seu cart√£o postal, a¬†Plaza de Espa√Īa! Criada pelo arquiteto An√≠bal Gonz√°lez para a Exposi√ß√£o Ibero-americana de 1929, ela pode at√© ser um ponto tur√≠stico fabricado, com seu canal artificial e charretes carregando turistas levemente desinteressados, mas √© absolutamente deslumbrante!

Ao longo do edifício semi-circular, diversos painéis de azulejos detalhadíssimos representam todas as províncias espanholas. Em seu interior tudo é ricamente ornamentado, das paredes à escadaria. Do piso superior tem-se uma dimensão mais ampla da praça, que inundada pelo dourado do fim do dia fica ainda mais mágica!

A praça fica na verdade dentro do Parque de María Luisa, cheio de fontes e cantinhos aconchegantes para uma paradinha relax. Os Jardines de Murillotambém são uma opção agradável para estar em meio à natureza e à vida cotidiana dos Sevilhanos.

Já às margens do Guadalquivir, a Torre del Oro é o ponto turístico, mas o mais gostoso mesmo é o caminho até lá, uma caminhada pelo Paseo de las Delicias,que pode incluir uma paradinha em um dos bares beira-rio.

E se at√© agora tudo parece muito harmonioso, uma estranha e gigante estrutura de madeira bem no centro hist√≥rico quebra bruscamente os padr√Ķes. √Č o¬†Metropol Parasol¬†ou¬†Las Setas¬†(os cogumelos), de onde se tem uma vista 360¬ļ de Sevilha! O valor da entrada inclui um pequeno desconto na consuma√ß√£o do bar no topo. N√£o √© uma m√° ideia terminar o dia brindando o p√īr-do-sol com uma cerveja artesanal espanhola.

A¬†Espanha¬†√© o para√≠so das tapas! Em¬†Sevilha¬†elas s√£o geralmente baratas e bem servidas. N√£o h√° programa mais local do que escolher uma mesa pelas pra√ßas e cal√ßadas para¬†tapear, acompanhado de uma cerveja ou uma jarra de sangria. √Č particularmente bom para vegetarianos, j√° que h√° muitas boas op√ß√Ķes sem carne (embora o¬†jam√≥n¬†seja uma paix√£o nacional). Tive duas paix√Ķes gastron√īmicas que salivantemente recomendo: as tortillas de patata e o gaspacho. Sim, a ideia de uma sopa fria de tomate e outros vegetais parece no m√≠nimo question√°vel, mas acredite, √© maravilhoso!

Sevilha √© tamb√©m muito conhecida pelas touradas, mas como essa √© uma pr√°tica que eu abomino, n√£o assisti √† nenhuma e nem visitei a¬†Plaza de Toros. N√£o sou do tipo que imp√Ķe meus princ√≠pios por a√≠, mas sugiro pesquisar um pouquinho sobre essa pr√°tica, que traz tanto sofrimento aos animais, antes de decidir financi√°-la.

Sevilha¬†me conquistou! Por sua cultura, sua hist√≥ria, pela simpatia de seu povo e claro, pelo est√īmago!

 

ūüď∑ Post original com fotos aqui:¬†http://www.queroirla.com.br/roteiro-sevilha/

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      Então chegou ao momento que seria o ponto alto e principal motivo da visita a Florença: conhecer a Galleria dell'Accademia (Galeria da Academia de Belas Artes de Florença), museu que abriga a estátua original do Davi, de Michelangelo!
      Chegamos na entrada pouco depois das 15h e ficamos pouco tempo na fila de ingressos. Embora a recomenda√ß√£o seja reservar com anteced√™ncia, acabamos arriscando, pois tinha ouvido dizer que logo na abertura ou pr√≥ximo do fechamento √© f√°cil de conseguir chegar e entrar. O ingresso custou ‚ā¨ 12 (em 2017), que pode variar a depender de exposi√ß√Ķes tempor√°rias, e o hor√°rio de funcionamento da Galeria √© de ter√ßa a domingo, das 8h15 √†s 18h50.
      Começamos a visita pelo Museo degli Strumenti Musicali (Museu de Instrumentos Musicais) que também faz parte da Galeria e abriga uma preciosa coleção antiga de instrumentos datados a partir de 1568. Os instrumentos são apresentados ao lado de pinturas que descrevem cenas da vida musical dos Médici (a famosa família florentina), além de vários computadores que permitem ao visitante ouvir os sons de todos os instrumentos exibidos.
      Mas os instrumentos mais importantes do museu s√£o violinos, violas e violoncelos do inigual√°vel Antonio Stradivari. Seus instrumentos foram objeto de estudos por v√°rios s√©culos e n√£o houve conclus√£o sobre o motivo de seus violinos soarem t√£o bem, tanto que atualmente, por simbologia, a palavra Estradivario tornou-se associada ao n√≠vel de excel√™ncia de qualidade (apenas para ilustrar a sua import√Ęncia, um aut√™ntico Stradivari foi leiloado em 2010 pelo valor de 3,6 milh√Ķes de d√≥lares!).
      E de acordo coma tradi√ß√£o, voc√™ n√£o pode visitar Floren√ßa sem ver o Davi, de Michelangelo! A Galeria n√£o √© t√£o grande, mas √© engra√ßado andar sem aux√≠lio de mapa, virar em um corredor e do nada dar de cara com nada menos do que esse s√≠mbolo da arte ocidental. √Č muito emocionante voc√™ ver aquela mesma est√°tua que via nos livros escolares bem ali, na sua frente, em puro m√°rmore e genialidade!
      O atual espaço em que a estátua está instalada foi construído no final do século XIX, mas o mais interessante é saber que o Davi foi mantido em segurança em uma caixa dentro do museu por 9 anos até que a construção fosse concluída. Atualmente, a alcova primou pela absoluta centralidade da estátua, além do banho de luz natural que lhe proporciona.
      Na sua inaugura√ß√£o, a escultura foi instalada em uma pra√ßa p√ļblica, em frente ao Palazzo Vecchio. Mas s√≥ em 1873 a obra foi retirada da pra√ßa, por conta do desgaste que estava sofrendo pela a√ß√£o do tempo, e passou a ser exibida no interior da Galeria.
      Interessante observar que no atual local de exibição há considerável espaço no entorno, de tal forma que mesmo havendo bastante visitantes é possível apreciá-la com tranquilidade, e mesmo dar voltas ao seu redor para observar todos os seus detalhes.
      Depois de apreciar a escultura do Davi, há várias outras salas de visitação. A Galeria também abriga obras dos aprendizes dos grandes mestres, sendo muito interessante notar como algumas peças são estranhas, inacabadas e até mesmo de gosto duvidoso.
      A sala de esculturas em gesso é realmente interessante, pois os aprendizes primeiro trabalhavam em gesso para depois evoluir aos poucos para os materiais mais nobres, tal como o mármore.
      Sa√≠mos da Galeria j√° no fim da tarde e precis√°vamos acelerar o passo para ver o famoso p√īr do sol da cidade, a partir de uma vista privilegiada.
      Passamos pela Ponte Vecchio, um dos pontos turísticos da cidade que atravessa o Rio Arno. Atualmente, a ponte é ocupada por joalherias, que substituíram os açougues do local na sua origem. Contudo, o seu melhor ponto de vista não é partir dela mesma, mas sim da outra ponte localizada a oeste, chamada Ponte alle Grazie.
      Depois de atravessar esta ponte, fizemos uma caminhada at√© o alto da cidade, para a Piazzale Michelangelo. Chegando na pra√ßa √© poss√≠vel entender por que √© um dos melhores lugares para se visitar em Floren√ßa! A vista √© de tirar o f√īlego, ent√£o por isso √© visitada por milh√Ķes de pessoas todos os anos, principalmente na hora do p√īr do sol.
      Depois descemos da Piazzale Michelangelo para retornar ao centro histórico. Atravessamos o rio e chegamos ao prédio do museu mais famoso de Florença, que é a Galleria degli Uffizi, que infelizmente não consegui visitar durante essa rápida estadia, o que só reforça o meu desejo de voltar para a cidade com mais tempo.
      Fizemos uma parada para comer um panini no festejado All'Antico Vinaio, que √© bastante r√ļstico e tem lanche suficiente para duas pessoas custando a partir de ‚ā¨ 5. Tamb√©m h√° v√°rias op√ß√Ķes de ta√ßa de vinho, pelos mesmos pre√ßos. Na pr√°tica, √© uma esp√©cie de origem da franquia Subway que observamos em cada esquina: se escolhe um panini e o atendente vai colocando os ingredientes conforme a vontade do cliente.
      Dica: passear durante a noite por Florença é absolutamente incrível! Eu já tenho a paixão de conhecer as cidades durante a noite, então Florença foi um verdadeiro presente nesse aspecto.
      Além de artistas apresentando seus trabalhos em cada espaço disponível, mas sem necessariamente encher a paciência dos turistas, em cada esquina da cidade você se depara com uma obra de arte, seja uma escultura, um prédio ou uma pintura.
      Como estávamos cansados, voltamos ao hotel para tomar um banho e descansar. Mais tarde, saímos para conhecer alguns bares que existem no entorno da catedral e tomamos cerveja em um Pub muito bacana.
      Retornamos ao hotel para dormir, pois o dia seguinte começaria cedo, visto que seriam só mais algumas horas na cidade.
      No dia seguinte, acordamos à 7h30, tomamos café próximo ao hotel e seguimos para a monumental Piazza della Signoria, uma praça localizada em frente ao Palazzo Vecchio, que pode ser considerada um verdadeiro museu a céu aberto!
      Nessa pra√ßa h√° esculturas de diversos per√≠odos, sendo que a parte mais importante fica abrigada em um espa√ßo com arcos abertos para a rua chamado de Loggia dei Lanzi, constru√≠da com o objetivo de sediar assembleias e cerim√īnias p√ļblicas. O melhor dessas atra√ß√Ķes √© que elas est√£o em pra√ßa p√ļblica e n√£o exigem ingresso ou aten√ß√£o a eventuais hor√°rios de funcionamento, pois est√£o l√° dispon√≠veis at√© de madrugada!
      Em seguida, seguimos até a Basílica di Santa Croce, também conhecida como o Templo das Glórias Italianas. A igreja ganhou esse apelido porque é o local de sepultamento de alguns moradores ilustres da cidade, como Michelangelo, Galileu e Maquiavel. Em frente da igreja, há uma estátua do grande poeta Dante Alighieri.
      Dentro da igreja, as paredes e janelas são decoradas com afrescos que representam a história de São Francisco, aja vista que se trata de uma igreja franciscana. O famoso artista Donatello contribuiu com a elaboração do Crucifixo e a Anunciação.
      Mas os itens que mais chamam aten√ß√£o dos turistas s√£o os t√ļmulos de grandes personalidades italianas. O t√ļmulo de Michelangelo √© ladeado por tr√™s figuras aleg√≥ricas que representam a escultura, pintura e arquitetura, al√©m de um busto que retrata fielmente o artista, pois foi retirado da m√°scara f√ļnebre.
      No mesmo ano em que Michelangelo morreu, nascia outro g√™nio italiano, mas de outra √°rea: Galileu Galilei, que por defender a ideia de que a Terra girava em torno do Sol, e n√£o o contr√°rio, foi condenado pela Inquisi√ß√£o. Mas curiosamente, ao fim e ao cabo, o g√™nio acabou sendo sepultado dentro de uma igreja cat√≥lica, e isso porque o √ļltimo gr√£o-duque dos M√©dici resolveu dar a ele um t√ļmulo digno, em frente ao t√ļmulo de Michelangelo. Em 1992, o Papa Jo√£o Paulo II lamentou o tratamento que foi dispensado a Galileu na √©poca.
      E assim encerro o meu roteiro de apenas 1 dias na bela Florença, pois depois que saímos da Basílica de Santa Croce voltamos ao hotel para check-out e embarque de trem para Veneza.
      Então se você gosta de História da Arte, não cometa o mesmo erro que eu de reservar apenas 24 horas nessa cidade, que merece no mínimo 2 dias para ser explorada devidamente.
      Mais fotografias e outros detalhes podem ser conferidos no post que eu fiz no seguinte endereço: http://viajandosozinho.com/2020/07/02/roteiro-1-dia-florenca-toscana/
       
      Espero que seja bastante √ļtil para quem planeja conhecer Floren√ßa (e desculpem eu n√£o saber incluir imagens no meio do texto, parece que vai ficar tudo no final).
       
       
       
       
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