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Não é a primeira vez que escrevo para essa comunidade. Veja bem, estou desempregada, não tenho ninguém com quem contar. Meus pais, infelizmente, não possuem condições de me ajudarem financeiramente, estou no fundo do poço, literalmente, pois, além desses fatores, minha saúde mental se encontra cada vez mais fraca, corrosiva, me destruindo aos poucos. Não fui aprovada no vestibular, essa era a minha única chance de conseguir me mudar e adquirir independência. Tentei ser mais sucinta possível, estou cansada de suplicar, ''correr atrás'' e não receber nenhum retorno, de nada e de ninguém.

Apenas peço, caso possa ajudar, me acolhendo, não sei, até que eu consiga algo, pois não tenho meios de mudar minha realidade sem ajuda de alguém, ''uma boa alma''. Não desejo nada mais. Se você puder ajudar, por favor, entre em contato comigo, me dê uma oportunidade, são anos buscando por uma luz e nada. Apenas faço chorar, pois me sinto acorrentada, sozinha, perdida. Não posso jogar mais um ano na lata do lixo, não mais.

Busco por um trabalho, céus, nada mais. Se possível, fora de minha cidade, caso conseguisse daria um jeito de ir até o local, não sei. Não aguento mais continuar com essa dor.

Por favor.

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Quem nunca passou por dificuldades na vida, néh amiga?! 
Tenha fé, pois você é nova e tem uma vida inteira pela frente. Tudo vai mudar. Acredite!!! 
Se precisar de algo aqui em Sampa, pode contar comigo... trips, trilhas, montanhas, cachus, tours...
Tudo roots sem grana é minha especialidade rs...

Terá aqui um amigo aqui para quando precisar!

Bom feriado!!! 

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Entendo. Não sou de SP, moro em outro estado. Meu apelo seria apenas em conseguir qualquer ajuda. Agradeço.

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Depressão é algo muito complicado mesmo... Eu fiquei 4 anos mal saindo de casa, dos 17 ao 21. Faz pouco tempo que to conseguindo me recuperar, infelizmente ngm conseguiu me ajudar nesses 4 anos, a depressão de cada um é algo muito individual, e a triste realidade, que fica mais fácil de se ver na internet, já que qm tem depressão nem sai de casa, é que existem milhões e milhões de pessoas assim ao redor do mundo.

Apesar de ngm ter conseguido me ajudar (alguns familiares até tentaram), eu to tentando me ajudar. De fato essa sociedade manda muitas pessoas pro caixão mais cedo do que deveriam, muitos que entram na depressão não se recuperam e se suicidam, cada país e cada cultura tem seus problemas, mas a modernidade trouxe um certo padrão pro mundo inteiro junto com o capitalismo e o consumismo, e isso acabou resultando na terrível epidemia da depressão. Ouvi um poeta num documentário que assisti hoje dizer o seguinte da atual sociedade: "Uma global, totalmente pública, solidão". As pessoas não conseguem se conectar mais, na minha opinião esse é o problema, as pessoas não conseguem olhar nos olhos uma das outras, captar a essência do outro, apreciá-la e perceber que no fundo sente amor por essa essência, e sente amor pela essência que tem dentro de si. Não olhamos nos olhos uns dos outros e dizemos, do fundo do coração, eu te amo. Na minha opinião se esses conceitos estivessem na base de nossa sociedade, depressão seria algo raro, mas infelizmente é o contrário, o amor que é algo raro. A sociedade instiga pressão, não amor, como Freddie Mercury mesmo disse na música Under Pressure. Se tem uma coisa que tem potencial pra curar qualquer depressão, é o amor.

E é por isso que eu vou fazer um mochilão. Em abril to indo pra Sampa, e de 10 a 21 de abril no Dhamma Sarana, elesoferecem cursos de meditação gratuito lá a meditação é outra coisa que ajuda bastante. De lá vou partir sem rumo.

@Luka Izzo Bora marcar um rolê roots! Se quiser chegar aq em Extrema, tem muita trilha magnífica aqui. Em abril eu chego ae em Sampa!

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2 minutos atrás, Jon JT disse:

Depressão é algo muito complicado mesmo... Eu fiquei 4 anos mal saindo de casa, dos 17 ao 21. Faz pouco tempo que to conseguindo me recuperar, infelizmente ngm conseguiu me ajudar nesses 4 anos, a depressão de cada um é algo muito individual, e a triste realidade, que fica mais fácil de se ver na internet, já que qm tem depressão nem sai de casa, é que existem milhões e milhões de pessoas assim ao redor do mundo.

Apesar de ngm ter conseguido me ajudar (alguns familiares até tentaram), eu to tentando me ajudar. De fato essa sociedade manda muitas pessoas pro caixão mais cedo do que deveriam, muitos que entram na depressão não se recuperam e se suicidam, cada país e cada cultura tem seus problemas, mas a modernidade trouxe um certo padrão pro mundo inteiro junto com o capitalismo e o consumismo, e isso acabou resultando na terrível epidemia da depressão. Ouvi um poeta num documentário que assisti hoje dizer o seguinte da atual sociedade: "Uma global, totalmente pública, solidão". As pessoas não conseguem se conectar mais, na minha opinião esse é o problema, as pessoas não conseguem olhar nos olhos uma das outras, captar a essência do outro, apreciá-la e perceber que no fundo sente amor por essa essência, e sente amor pela essência que tem dentro de si. Não olhamos nos olhos uns dos outros e dizemos, do fundo do coração, eu te amo. Na minha opinião se esses conceitos estivessem na base de nossa sociedade, depressão seria algo raro, mas infelizmente é o contrário, o amor que é algo raro. A sociedade instiga pressão, não amor, como Freddie Mercury mesmo disse na música Under Pressure. Se tem uma coisa que tem potencial pra curar qualquer depressão, é o amor.

E é por isso que eu vou fazer um mochilão. Em abril to indo pra Sampa, e de 10 a 21 de abril no Dhamma Sarana, elesoferecem cursos de meditação gratuito lá a meditação é outra coisa que ajuda bastante. De lá vou partir sem rumo.

@Luka Izzo Bora marcar um rolê roots! Se quiser chegar aq em Extrema, tem muita trilha magnífica aqui. Em abril eu chego ae em Sampa!

Show de bola, Jon...  já conheço bem Extrema. Andei acampando bastante no Pico do Lopo kkkkk .. 
Na próxima dou um toque!! Abração brother!!!  

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Agora, Luka Izzo disse:

Show de bola, Jon...  já conheço bem Extrema. Andei acampando bastante no Pico do Lopo kkkkk .. 
Na próxima dou um toque!! Abração brother!!!  

Da hora cara, é um dos melhores locais pra acampar que tem aqui. Eu to morando no pé da serra, direto faço a trilha pra Pedra da Sacerdotisa, lá tem uma vista muito boa do nascer do sol, sempre que tem chuva de meteoros também eu vou lá pra ver. Se quiser fazer um rafting também, meu irmão é instrutor de rafting.

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Show de bola.....

O rafting é no rio Jaguari né? 

Recentemente aproveitei e fiz um rafting em Socorro. 
Mas o que eu quero mesmo é a tirolesa de Pedra Bela, que eu ainda não conheci! 

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Também to afim de fazer esse rolê! Daqui 2 semanas +o- vo ter a grana pra ir, se tu for colar nessa época tb só da um toq!

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Agora, Orbitals disse:

Estou com um cansaço imenso.

Cansaço e falta de ânimo nessas horas é o q mais se tem... Se vc estiver sentindo o mínimo de sono, o melhor a se fazer agora é ir dormir e pôr um despertador pra tocar daq a 8 horas no máximo. O meu horário é todo bagunçado, direto troco o dia pela noite, qnd faço isso, pra poder voltar ao normal, fico 24 hrs sem dormir, ai no dia seguinte eu fico com sono até antes das 22hrs, mas continuo acordado até as 22~23hrs pra poder acordar só de dia, e percebo tb q qnd vou dormir mt cedo eu acordo no meio da madrugada e n durmo mais, mas qnd vou dormir depois das 22 eu durmo 8 horas direto. Obviamente, isso varia muito de pessoa pra pessoa, mas se vc estiver com o sono zuado, o cansaço bate mais fácil e mais forte.

Outra coisa importante é a respiração, se você não estiver respirando direito, o fluxo de oxigênio até o cérebro fica debilitado e o cansaço mental também bate com força, no próprio google você acha zilhões de dicas pra ajudar com a respiração, o principal é respirar principalmente pelo nariz, pois pelo nariz o oxigênio vai direto pra parte frontal do cérebro e pra visão, ajudando contra esse cansaço.

A alimentação é importantíssima também. A melhor coisa que você pode fazer desde já e cortar tudo que for industrializado do seu cardápio, e aumentar a quantidade de frutas e vegetais. O aroma do limão e frutas cítricas também ajuda a ativar o cérebro, esprema a casca de um limão ou laranja e inspire profundamente com o nariz.

O que ajuda bastante também é banho gelado, logo ao acordar ir tomar um banho gelado. Toda manhã tomo um banho gelado, café da manhã e saio pra trilha com meus dogs. 

Se nada disso adiantar, tem os remédios também, apesar de que nunca tomei nenhum, mas tem uns naturais também, como o ginseng e o guaraná. E tem também os de laboratório, como o Arcalion, que pode ser adquirido sem receita médica e não é tão caro assim, alguns outros remédios vc pode conseguir pelo SUS também, mas você tem que ter em mente que esses remédios de laboratório sempre tem um risco e devem ser sempre a última opção, e antes de tomar é sempre bom consultar um profissional, se você ainda não vai no psicologo, é muito bom ir, ajuda bastante, tem no SUS.

Quando você conseguir lidar com seu cansaço, pode achar o animo pra fazer um mochilão roots. Pode parecer difícil fazer um mochilão sem grana, mas n eh, a galera do fórum pode te ajudar com isso também. O melhor a se fazer é  se desprender do dinheiro.

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    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Uau... sempre gostei de ler e escrever mas 'em todos estes anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece' rsrs olho para a tela em branco mas as palavras não saem. Várias foram as vezes em que esta cena se repetiu nas últimas semanas e noto uma resistência interna em ordenar as palavras e externizá-las, permanecendo em silêncio degustando-as. Conheço bem essa resistência: é apego! Comumente remetemos o apego aos bens materiais mas quase sempre ignoramos que eles não passam de um símbolo. O real apego é sempre a ideia por trás do símbolo. Venho apegada à ideia da vida que vivi nos últimos dois anos e meio e soltar essa ideia é assumir que ela agora faz parte do passado. No entanto, o novo só vem quando soltamos o velho. E para isso se faz necessário ter coragem...
      As palavras que se seguem são um ato de coragem.
      CO.RA.GEM. substantivo feminino: 1.força ou energia moral diante do perigo; 2.sentimento de segurança para enfrentar situação de dificuldade moral; 3.atributo de quem tem determinação para realizar atividades que exigem firmeza. (Dicionário Michaelis)
      Ou, como uma irmã me ensinou um dia: do prefixo cor (coração) e do sufixo agem (do verbo agir): coragem é agir com o coração. E foi totalmente seguindo o meu coração que ao completar 26 anos em janeiro de 2015 escolhi ir viver as coisas nas quais acreditava. Contexto: na época uma angústia muito forte me acompanhava no dia a dia de faculdade, trabalho e nas pequenas efemeridades que caracterizam o cotidiano. No fundo, a angústia podia ser descrita como um sentimento de não pertencimento e até mesmo uma profunda incompreensão generalizada, não entendia o sentido de fazer as coisas que fazia pois enxergava uma sociedade doente e me apoiava em discursos de liberdade contra um "sistema opressor". No meu aniversário de 26 anos cansei de falar (lê-se: pregar) no facebook sobre as coisas nas quais acreditava e resolvi ir viver as coisas nas quais acreditava.
      Foi num ato repentino da mais profunda coragem num misto com a mais profunda inconsequência que parti. Com cinquenta e cinco reais no bolso, uma tampa de caixa de pizza escrito 'Alto Paraíso' e uma mochila extremamente pesada contendo 75% de inutilidades, fui para a BR. A única experiência que tinha era de ter pego carona com uma amiga até a cidade vizinha (interior de São Paulo, coisa de 100km de distância) poucas semanas antes, mas desde então sabia que se havia conseguido uma carona, conseguiria quantas precisasse. Afinal, muitos podem passar mas só preciso que 1 pare! E foi com essa confiança que, acompanhada de outra amiga que nunca havia viajado de carona, fui rumo a Chapada dos Veadeiros. Não olhei no Google, não tinha mapa, referências ou distâncias. Tudo o que sabia era que queria chegar na tal da Chapada e que pediria carona para isso.
      Há pouco tempo ouvi a seguinte frase sobre cair na estrada: "não tem como se preparar para isso". Essa é a mais pura verdade, e esse foi o primeiro grande aprendizado.
      Também é verdade que um único dia de BR te ensina muito mais do que toda a literatura que possa já ter lido, sobre todos os assuntos. Aprendi sobre política vendo a histórica desigualdade social na vida fora dos grandes centros urbanos e fora dos telejornais; aprendi sobre geografia percorrendo as estradas que cortam as paisagens entre serras e planaltos; aprendi sobre língua portuguesa e sobre licença poética nas placas pintadas à mão oferecendo os mais diversos trabalhos Brasil adentro; aprendi sobre matemática com os preços dos postos de combustível e suas lojas de [in]conveniência; aprendi sobre a biologia do corpo que, como um camelo, cobre distâncias incríveis sem uma única gota d'água; aprendi sobre a química da arte de cada estado em misturar água quente, pó de café e açúcar de maneira tão única (e gratuita!); e, sobretudo, aprendi a física envolvida no equilibrar de uma mochila nas costas de forma que ela (como um motor de Kombi que vem atrás) ainda assim te impulsione para frente. Sempre para frente.
      A BR é uma exigente professora muito dinâmica, com metodologia autodidata e tudo conta como matéria dada. E é justamente este nível de exigência da entrega total ao momento que nos permite absorver todo o seu conteúdo tão eficazmente. Afinal, não dá para estar na BR pensando no boleto que vai vencer ou na ração do gato. A BR te exige por inteiro. Mas essa exigência não é a toa, pois a todo aquele que se entregar plenamente, nada faltará. Nem a carona impossível do último raio de sol do dia, nem o alimento ora como cortesia, ora como oferta da natureza, nem o cantinho maroto para montar a barraca ou o banho, seja num rio, cachoeira ou nos oito minutos mais deliciosos de sua vida num chuveiro de posto de gasolina. Nada faltará! Esse foi o segundo grande aprendizado. 
      Portanto, é um fato que a BR supre a todas as necessidades daquele que se entrega à ela, mas isso não quer dizer que nossas necessidades serão atendidas como gostaríamos ou quando gostaríamos, mas certamente sempre que realmente precisarmos. Aceitar essa falta de controle sobre as situações e ainda assim confiar que nada nos faltará é um desafio proporcional à magnitude do milagre de ser atendido. Porque a verdade é que nós não controlamos absolutamente nada. Abrir mão da ilusão de controle foi o terceiro grande aprendizado.
      Depois de aprender que não há como se preparar para isso, que são necessárias confiança e entrega e de ter aberto mão da ilusão de controle, algumas virtudes certamente já se apresentam desenvolvidas das quais destaco duas: a paciência e a gratidão. Estas duas virtudes são os maiores presentes que a BR me deu. A paciência de esperar o dia in-tei-ro por aquela carona naquela estrada de terra que não passa nem vento ou naquele trecho urbano em que milhares passam mas não param por medo. A gratidão de receber o dia chuvoso como se recebe o ensolarado, de ser grata pelo jejum assim como se agradece  o banquete de coração ofertado.
      Tendo desenvolvido a duras penas a paciência e a gratidão, aprendi que a verdade é que tudo está em nossas mãos. Com paciência e gratidão criamos o que quisermos. Esse foi o quarto grande aprendizado. Esse é um dos mais belos paradoxos humanos: não temos o controle de nada  e criamos tudo o que quisermos. As palavras nem ao menos tangenciam os processos dessas compreensões e permanecem assim no campo das inefabilidades. Mas afirmo: é real. No entanto, não acredite em mim. Duvide e tenha sua própria experiência.
      Além dos impulsos de buscar viver as coisas nas quais acreditava, também ansiava por ser maior do que meus medos. No angustiante período que antecedeu a partida, já havia compreendido que a crença em nossos medos é o que nos limita. Na época, havia feito uma lista com todos os meus medos dos mais esdrúxulos aos nunca antes pronunciados. Levei algo próximo de três meses para terminá-la, e esta lista finalizada lembrava em muito um pergaminho dado comprimento. Em seguida os analisei. Considerei medos-meus aqueles que havia tido uma experiência direta, real e empírica e considerei medos-não-meus aqueles adquiridos por indução social e inconscientemente reproduzidos. Fiz isso pois compreendia que poderia lidar com os meus medos e os demais devia apenas soltá-los, afinal não eram meus e gastava muita energia com eles...
      E de todo o pergaminho, a lista se reduziu a poucos ítens contados nos dedos das mãos. Esses eram os que me interessavam vencer, os demais , como disse, abandonei. Simples assim. Junte a angústia existencial gerada por uma sociedade de consumo com a vontade de vencer os medos limitantes e algumas sessões de 'into the wild' e você tem uma pessoa disposta a rasgar documentos, dinheiro, diplomas, desapegar-se de bens materiais e referências psicoemocionais, além de cometer um "socialcídio" nas redes sociais. Toda a viagem à Chapada dos Veadeiros durou entorno de duas semanas e, ao retornar, abri mão de todos os ítens acima citados. Quando voltei para a estrada possuía apenas o meu corpo, meus conhecimentos e uma mochila com algumas roupas e alguns poucos apegos que ainda permaneciam.
      Queria ver o mundo como ele era sem referências. Queria ver como eu era sem referências. Compreendia que o dinheiro era uma forma de energia mas não era a única e me propus a viver da troca de conhecimentos e da força braçal, bem como do voluntariado. Mas num bom e honesto português o que me motivou foi querer ver se o mundo era mesmo como o Datena falava que era, rsrsrs É com alegria e gratidão que posso afirmar que ele possui uma visão muito limitada (e triste) do que é o mundo...
      Nesse período de viagens de carona que se sucedeu com trocas e voluntariado, regado à paciência e gratidão, aprendi que quanto mais a gente se doa mais a gente recebe. Esse foi o quinto grande aprendizado. Também foi um período em que muitos valores morais e crenças caíram por terra. Descobri, como diria um professor que tive, que sou o extrato-do-pó-do-peido-da-pulga no universo! Rsrs
      E viajei, e viajei e viajei. Curiosamente, curtos foram os momentos em que viajei sozinha. Já viajei em dupla, em trio, com criança e em quarteto. Viajar bem acompanhada é delicioso! Comunhão, cumplicidade, respeito, reciprocidade, apoio e alguém que olhe sua mochila para ir ao banheiro! Rsrsrs No entanto, só quem já viajou mal acompanhado sabe o valor de se andar só. Uma vez li em algum lugar que a solidão só pode ser realmente sentida em meio a outras pessoas. Hoje compreendo isso. E foi ao escolher  passar a viajar exclusivamente sozinha que compreendi a diferença entre solitude e solidão. A solitude é sobre estar só e não sentir solidão. A solidão é sobre estar acompanhado e se sentir só. Esse foi o sexto grande aprendizado.
      E ao aprender a apreciar a minha companhia e a ouvir tudo o que o silêncio tinha para me falar, a vida de caronas passou a ser incompatível com minhas novas necessidades introspectivas pois bem sabemos que o pegar caronas implica em conversar e interagir (além de responder várias vezes no dia as mesmas perguntas clássicas "de onde você é?", "para onde você está indo?", "você não tem medo?", "o que sua família acha disso?", Etc rsrsrs). As trocas me garantiam apenas o mínimo ao mesmo tempo em que recebia muitas doações, e foi quando passei a me sentir sustentada ao invés de me sustentar. Essa nunca foi a proposta. Concluí que estava na hora de ser autossuficiente, decidi investir em artesanatos e passar a viajar de bicicleta para ter mais independência.
      Viajar de bicicleta é outro universo...!
      Viajando de carona o mundo já é solícito, mas de bicicleta ele é escancarado! Minha bicicleta (Kali- A Negra) é dessas padrão, sem marca, aro 26 e 21 marchas onde os maiores investimentos que fiz foi instalar bar ends de deiz real, um selim mais largo e o bagageiro no qual amarrei dois baldes como alforges, com uma garrafa pet de paralama. Junte a cara de pau de uma bicicleta dessas circulando por aí como se fosse uma Specialized, o fato de eu ser mulher e estar viajando sozinha e você terá a trinca de ouro das portas abertas na sociedade.
       Tenho plena consciência da sociedade patriarcal em que vivemos e de como é nascer mulher em meio a isso, mas nunca havia experienciado isso de forma tão latente pois não se admiravam por ser uma pessoa viajando de bicicleta, mas por ser uma mulher sozinha, o que claramente indica a noção do inconsciente coletivo de que o mundo é sim um lugar hostil para mulheres, já que a mesma admiração não é comum aos homens viajantes solos. Também sinto que a hiperbólica solicitude que a bicicleta proporciona vem do próprio símbolo de liberdade atrelado à ela, afinal todos temos alguma memória afetiva de infância relacionada à sensação de liberdade com alguma bicicleta.
      Uma metáfora não-tão-metáfora-assim que a bicicleta me ensinou nos primeiros 10 minutos de viagem foi que não importa o peso que se carrega, mas sim como o equilibramos...
      E pedalei, e pedalei, e pedalei. Tomei chuva, me queimei no sol, atolei na lama, empurrei serra acima e senti a "mão de Deus no guidão" ladeira abaixo a 56km/h. Fui abordada diversas vezes pela própria curiosidade das pessoas, fui recebida e convidada à hospedagens e banquetes, ganhei dinheiro e presentes, orações, abraços cheios de ternura e querer bem e, por mais delicioso que tudo isso seja, estava looonge da intenção inicial de passar despercebida... Ao mesmo tempo isso ajudou com a venda de artesanatos (mandalas de papel com beija-flores, logo, Ciclobeijaflorismo) e pude experienciar o sucesso na autossuficiência plena  com dinheiro suficiente para me hospedar em campings e realizar os desejos mais supérfluos de meu ego. É nesse ápice entre a plena autossuficiência profissional e a crescente necessidade de introspecção e silêncio não compatíveis com a imprevisível vida na BR que, com a Graça Divina, tive o maior dos aprendizados. Tudo o que fizera até então era em busca da liberdade, de acordo com os conceitos que possuía de liberdade. No entanto, em dado momento pude compreender que sempre fui livre. E pela primeira vez compreendi o que Renato Russo quis dizer quando afirmou que 'disciplina é liberdade'.
      Todos somos livres, sempre fomos e sempre seremos. Inclusive para nos prendermos ao que desejarmos. Esse foi o sétimo e maior aprendizado de todos nesses dois anos e meio de vida nômade.
       
      Faz aproximadamente quatro meses que parei de viajar e isso se deu por uma série de fatores, compreensões e necessidades do momento. Tudo o que materialmente ainda possuo é a bicicleta e os baldes alforges (tá, e documentos. Tenho todos novamente, rsrsrs), no entanto a bagagem que estes dois anos e meio me gerou eu ainda mal consigo mensurar (e nem tenho tal pretensão!). A proposta do momento é encerrar pendências diversas que a impulsividade de outrora deixou e, tendo renovado inclusive a CNH, dar início ao projeto da casa própria sobre rodas, afinal sou uma jovem senhora de quase 30 anos que busca alguns confortos que viver de mochila não oferece, rsrs. No entanto, como ou quando isso acontecerá não me pertence mas sei que assim como a estrada me chamou uma vez, quando houver de retornar não será diferente. Coração cigano só bate na poeira da estrada!
      E o que ficou disso tudo?
      O brilho dos primeiros raios de sol pela manhã refletidos na superfície de um rio; 
      O aroma da primeira chuva que cai e toca a terra encerrando a seca. Uma verdadeira oração silenciosa de alívio e gratidão onde não se ouve nada além das gotas;
      A suculência da fruta madura saboreada direto do pé;
      O farfalhar das folhas com o vento no dossel;
      O toque da pele em cada rosto que se toca em um abraço ou das mãos que se apertam. E os sorrisos! Ah, os sorrisos... As donas Marias e os seus Zés... 
       
       
      Esse foi meu relato de dois anos e meio de viagens conhecendo um pedacinho de cada uma das cinco regiões do Brasil, de carona, a pé e de bike com muito pouco ou nenhum dinheiro vivendo a base de trocas e voluntariado, posteriormente com a venda de artesanatos. Este relato não envolve descrição de lugares, roteiros, valores, dicas ou distâncias. Aliás, quando me perguntam sobre a maior distância que já percorri digo que foi entre querer viajar e colocar a mochila nas costas. Esta certamente foi a maior distância. Este relato apenas compartilha outros aspectos de um mochilão. E embora eu tenha dito que este é o meu relato, estou ciente de que também é ou pode ser o seu, afinal, Eu Sou o Outro Você.
       
      Dedico a todas e todos que abraçaram e abraçam o desconhecido, escolhendo ir além dos próprios medos. Agradeço a todos e todas que compartilham seus relatos de viagem. Agradeço a todas e todos que compartilham. Agradeço.
       
       Trilha sonora da escrita:
      *Quinteto Armorial - do Romance ao galope (1974)
      *Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto
       
      PRABHU AAP JAGO
    • Por Orbitals
      Não preciso dizer que ando com problemáticas sérias, além de me sentir aprisionada dentro de um local em que deveria chamar de lar. Não sei, me sinto perdida, busco por alguma ajuda, companhia e o que mais for possível. Claro, muito provavelmente terei alguns impasses, o que é natural, principalmente por tomar medidas ''não convencionais'' sobre o que pretendo fazer com minha vida. Tenho 18 anos, desempregada, não estou cursando nada academicamente, pois onde moro, conseguir qualquer coisa tem se tornado um grande fardo. Andei maquinando, pensando, refletindo sobre o que ''planejo'' neste ano, não posso deixar que o ano de 2019 seja levado em vão como no ano passado.
      Minha ''empreitada'' consistiria em conseguir ajuda de alguém que estivesse disposto(a) em confiar em mim, ao ponto de permitir que ficasse em alguma casa, enquanto buscasse por um trabalho e me ajudasse a conhecer também determinado local.
      Sei que pode parecer uma ideia fantasiosa, que, de alguma forma, não condiz com a realidade, mas quem disse que temos que seguir os ''ideais'' que os outros estão seguindo?
      (OBS: Não tenho um tostão, literalmente, seria ou na base de uma bicicleta ou não sei bem o quê).
    • Por Orbitals
      Cansei, cansei de esperar por algo incerto. Cansei de minha vida atual. Estou disposta a '''largar tudo'' e tentar encontrar alguma resposta para minhas aspirações.
      Penso em mudar, mas para isso, preciso conhecer alguém, ter um lugar para ficar, e ver no que vai dar.
      Alguém se interessa em partir nessa jornada comigo? Ajude-me.
    • Por Orbitals
      Olá.
      Estou pensando em sair de minha cidade, pois passei anos de minha vida em reclusão, estou disposta a conseguir um trabalho, perder minha timidez, ter novas experiências e fazer amizades, além do inimaginável que me espera, sabe-se lá onde. Entretanto, não tenho dinheiro algum, não desejo sair sozinha, busco por uma companhia e uma ajuda nesse início. Sei que não será fácil conseguir tudo isso de imediato, sequer estipulei o lugar em que desejo ir, apenas sei que se encontra no Sudeste. Caso tenha interesse, entre em contato comigo, inclusive posso ajudar, caso queira ficar por um período no interior do estado em que moro.
      Um abraço.


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