Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Peça ajuda, compartilhe informações, ajude outros viajantes e encontre companheiros de viagem!
    Faça parte da nossa comunidade! 

Posts Recomendados

O dia da Marmota.

Segundo dia da Viagem.

Acordamos cedo. O dia anterior havia sido bem cansativo, e hoje teríamos muita estrada pela frente. Não tínhamos nada programado de lugares a visitar, apenas estrada o dia todo. O trecho de hoje será longo e monótono conforme vários relatos que eu já havia pesquisado. Cruzaríamos o Chaco Argentino, uma reta infinita, bastante quente no verão onde passaríamos por pequenas cidades, com alto índice de policiais sedentos por propinas além de vários animais que costumam cruzar a pista, entre vacas, porcos, animais silvestres etc.

Vai com calma Leandro.

Pra piorar, o dia prometia Chuva. Tempo fechado, nuvens carregadas. Isso atrasaria nossa meta de KM do dia.

Arrumamos o restante das malas que ficaram no quarto, aquela ducha rápida e fomos tomar café.

Na mesa ao lado conhecemos uma família de Brasileiros que estavam indo para Buenos Aires, e ficaram super empolgados com nosso roteiro, de cruzar as cordilheiras de carro com motorzinho de dentista e eles com um SUV, pneu de Trator, e com medinhos. Seus planos era só chegar a Capital, Buenos Aires.

Tomamos café da manhã, que estava muito bom, e fui passar a régua na nossa conta.

Novamente aquele pequeno estresse básico entre o Espanhol Raiz e Portunhol Maringaense. Demorou cair a ficha que o ‘efectivo’ significava dinheiro vivo e ‘tarjeta’ era Cartão de Crédito.

Eu sabia que tarjeta era Cartão, mas cada lugar falam de um jeito diferente.

A Mulher falava tarreta com um sotaque que eu não estava entendendo.

Se eu Pagasse com tarjeta, teria uns 20% de desconto no valor da Estadia.

A mulher se esforçava a explicar e eu me esforçava a entender. No final deu tudo mais ou menos certo.

O governo Argentino dá desconto do IVA, que é tipo o ICMS, se você pagar com seu cartão do Brasil. É uma forma de incentivar o turismo além de que faz todo o sentido você ser isento de pagar um Imposto Estadual já que você não mora ali. Isso vale também no Uruguai. Com dinheiro vivo, não há como comprovar que o cliente mora fora da Argentina e por isso o Imposto é incluso.

Como eu tinha trocado pouco dinheiro, já iria pagar com tarjeta mesmo, abri aquele sorriso maroto.

Só que a maquininha de cartão não aceitou minha ‘Tarjeta’.

-Hãããã? Again Please...

Novamente não passou.

-Mas Leandro, será que você esqueceu de desbloquear o Cartão no Banco para uso internacional? -Veio a minha mente o grilo falante novamente.

Sabe aquele momento que seu cérebro entra em looping e um botão de reset seria muito bem vindo ??

Lembrei que eu tinha o cartão do NuBank também. Fiz ele antes de ir pro Uruguai, e só usei ele naquela viagem, para poder saber e controlar os gastos de lá e depois que voltamos, não usei mais. Mas ele tava ali na carteira, esquecido e já até meio desbotado. Tentei usá-lo e também não foi autorizado o débito. Lembrei que não tinha o Aplicativo no Celular, talvez fosse necessário desbloquear novamente pelo Aplicativo.

Instalei o app, fiz o Login, e já procurei algum menu para desbloqueio de Cartão.

Masssss o sistema que era tão fácil e prático de usar, se tornaria mais difícil no dia da Marmota. Pois ele informava que eu havia trocado de Celular desde o último acesso, o que era verdade, e por esse motivo, seria necessário solicitar uma nova autorização e que este processo poderia levar algumas horas.

Só que no apavoro do momento eu não li direito a mensagem. Sabe quando você lê somente a primeira linha e já conclui que sabe o resto ? Então... lá dizia que eu deveria tirar uma Selfie com um documento com foto ao lado do rosto para que seja liberado o acesso novamente. E eu só li até ‘uma foto do rosto’

Fiz uma Selfie com cara de Bunda e sem um documento ao lado do rosto e enviei.

Como eu tinha dinheiro em ‘efectivo’, não tive outra alternativa senão pagar a estadia COM IVA incluso, portanto, mas caro que a 2 minutos atrás, e partir... Pois já estava perdendo quase meia hora ali. E sabe-se lá quanto tempo o NuBank levaria pra desbloquear o Cartão.

Eu tinha que chegar em Joaquim Victor Gonzales ainda hoje e pelo GPS estava dando 976 KM de distância. É chão Mermão. É chão.

Saímos do Hotel e na primeira esquina, me lembrei que este trecho é famoso por ter alguns policiais que adoram propinas, e criam qualquer tipo de situação para te multar. E eu não tinha providenciado antes um Kit de Primeiro Socorros.

Vi uma farmácia próxima que mais parecia uma loja de armarinhos e brinquedos baratos, tipo Lojas de R$ 1,99. Mas tava lá escrito Pharmácia na fachada.

Parei e entrei para comprar o tal kit, que vem em uma bolsinha Branca com alguns Band Aids, Fita, Gases, Água Oxigenada e custa barato, tipo CINQUENTA REAIS. What ??????????

Não, na verdade eu não percebi na hora o preço, já que dizem o valor em Pesos Argentinos, e minha cabeça tava preocupada mesmo era no Cartão que eu Esqueci de Liberar o uso antes da saída, então na minha cabeça aquilo me parecia coisa de Cinco Reais. Paguei com efectivo novamente, e voltei pro carro.

Enquanto saia da cidade, fiz o calculo do quanto fui roubado na Pharmacia e comecei a suar frio e tremer. Filhadaputaa. Sério, com Cinco Reais acho que dá pra montar um Kit em casa melhor do que aquela porcaria.

Com certeza eles fazem isso com todos os turistas desatentos que não desbloqueiam seu cartão para uso internacional. Tava escrito na minha testa com certeza.

Mas OK, acelera Leandro.

Finalmente ganhamos a estrada e ficou para trás aquela cidade que até o momento não tinha me deixado tantos bons momentos quanto eu esperava.

A chuva começou forte novamente, e isso é ruim. Pela distância que iríamos percorrer, atrasaria muito nosso dia. Mas fazer o quê né. Há males que vem para o Bem, outros não. Mas vamos ser positivos, afinal eu ainda não sabia o que estava por vir.

Pensamentos soltos, pra lá e pra cá, Cartões Bloqueados, os nervos aflorando, os Efectivos que me escorriam pelos dedos. Já estava me arrependendo de não ter trocado mais dinheiro ainda no Brasil.

-O Nubank com Certeza já estará desbloqueado até a próxima parada, vocês vão ver !!!

Como vou precisar abastecer o Bartolo daqui a alguns quilômetros, tenho certeza, com fé em Deus que o cartão vai funcionar certinho.

Rodamos mais ou menos 1 hora e parei em um Posto. YPF, acho que é a maior rede de combustíveis da Argentina.

Pedi para completar o Tanque, Gasolina com a conversão para Reais estava por R$ 4,29 o Litro. Pegamos uma garrafa de 2 litros de água e fui pagar a conta.

Cartão Recusado. AI MEU DEUS, meu coração já dispara, eu conseguia sentir um início de pânico crescente.

Novamente paguei com ‘Efectivo’ e seguimos viagem.

A Pista é excelente, mas as chuvas que em alguns trechos davam uma trégua, outras exigiam cautela.

Chegamos em Corrientes por volta das 13hs.

Entre Corrientes e Posadas tem uma Ponte muito bonita.

2028135217_WhatsAppImage2019-06-08at09_03_32.thumb.jpeg.d6ee60e12847cbb56031b71edc9c11f3.jpeg

Chegamos sem chuva, O céu estava lindo.

Procuramos um Shopping para almoçar pois não queria correr o risco de ser enganado novamente. E também precisava comprar um chip de alguma Operadora Argentina, e assim conseguir usar internet na estrada.

Para agilizar, resolvemos comer no MC Donalds, e provar algum tipo de lanche diferente se houver. Mas não tinha, era a mesma coisa.

Fizemos os pedidos e uma nova tentativa de uso do Cartão frustrada novamente. Paguei em Efectivo novamente. E aquele pacote gigante de notas que eu havia trocado naquele mercadinho da Fronteira começava a diminuir de tamanho rapidamente.

Comemos rapidinho e saímos em busca de um Quiosque para comprar um SimCard. É bem Baratinho, cada SimCard custa cerca de Cinco Reais. Mas como era o dia da Marmota, o enrosco foi na Ativação dele. Demorou UMA HORA E MEIAAAA.

Eu já tava pirando, imagina. A mulher fazia várias tentativas, e nada. Ficamos naquela espera angustiante até que finalmente veio a confirmação de que o Chip estava liberado.

Coloquei 100 Pesos em Crédito e voltamos para e estrada. Nessa hora eu já tava aceitando a merda toda, que o cartão do Banco tava me ferrando com a vida, que nós não chegaríamos em Joaquim Victor Gonzales até o final do dia. Que faltaria dinheiro e etc... Tudo dando errado.

Só faltava dar alguma merda no carro. Né ? Alguma merda no nosso vovozinho Bartolo. Só faltava.

Mas ele seguia firme, forte e todo faceiro.

Posso dizer que as estradas realmente são de dar inveja ao Brasil. Os pedágios são poucos e quando tem, são bem baratos, pagamos entre 2 e 5 reais se não me engano.

Novamente começou a chover forte, muito forte, a ponto do limpador do para-brisa não dar conta de ver quase nada.

Paramos por uns 15 minutos até acalmar um pouco. Com isso perdíamos tempo.

Mas a segurança vale muito mais.

159272011_WhatsAppImage2019-06-08at09_19_53.thumb.jpeg.df7850cdb2e360af10e096befec88588.jpeg

A cada 20 ou 30 KM, encontrávamos policiais parando carros e pedindo documentos.

Eu sempre pensando na possibilidade de ser extorquido por algum safado.

Mas não fomos parados nenhuma vez.

Pelo menos isso pra alegrar nosso dia. Podia ter economizado Cinquentão naquele kit de Primeiros Socorros.

Rodamos até a gasolina chegar novamente na Reserva, e paramos novamente para abastecer. E só efectivos que vai, a tarjeta do NuBank nada de desbloquear, o outro que era do Santander também.

Entre uma paradinha aqui pro xixi, outra ali para esticar as pernas, rodamos bastante. A chuva já não nos atrapalhava a horas.

Já era perto das 20 horas quando chegamos na cidade de Monte Quemado. Uma cidade pequena que fica à margem da rodovia, do lado direito. Paramos na rodovia mesmo, e fui checar no celular se havia chego algum aviso do NuBank sobre o desbloqueio do Cartão, mas nada.

Então pensamos em dormir ali mesmo, pois todos nós já estávamos cansados desse dia cansativo, monótono e preocupante.

Mas como ainda estava claro, apesar da hora, resolvemos continuar até chegar no destino estabelecido.

Só que exatamente daquele ponto da estrada em diante, a pista que era um tapete vira um Caos. Não eram buracos, eram Crateras, enormes. E também em questão de minutos escureceu totalmente.

Alguns pontos da pista, tínhamos que parar e analisar a melhor forma de ultrapassar os buracos, que eram realmente grandes.

Não havia acostamento, e o pouco espaço lateral da estrada estava tomada de terra que provavelmente eram terra dos buracos.

Cruzavam algumas carretas e subia um poeirão enorme. Na escuridão ficava pior ainda a visibilidade.

Seguíamos devagar, até que uns 10 km depois a pista começou a melhorar. Andamos cerca de 20 minutos assim, a 10 ou 15 km/h; Tudo pra atrasar ainda mais nossos planos.

Os buracos deram uma trégua e foi ai que eu acabei cometendo o maior erro da viagem, maior até do erro de não ter feito o desbloqueio da ‘tarjeta’.

Achei que não teríamos mais os buracos e eu fui ganhando confiança e velocidade com o carro.

De repente um buraco enorme apareceu na frente e não consegui frear ou desviar a tempo. O Lado direito do carro até deu pra livrar, mas meu lado não teve como e passei forte pelo buraco.

Foi aquela pancada seca. TUM.

Já pensando no pior, parei como pude na beirada da pista, desci para ver se havia algum estrago no pneu, ou amassado a roda e tal.

Usei a lanterna do Celular, pois a escuridão era total. Naquele momento já não passava quase nenhum carro. Iluminação só tinha a do farol do Bartolomeu e do Celular.

Mato fechado dos dois lados. Insetos gigantes trombando em você de todos os lados, parecia um ataque de mosquitos, pernilongos, libélulas, etc... Todos eles alvoraçados com a Luz naquela escuridão total. E pra piorar, havia um barulho ENSURDECEDOR de cigarras. Era realmente muito alto, eu nunca tínhamos ouvido tantas cigarras juntas fazendo um barulho daqueles. Estava se tornando a noite do terror.

Com o celular aceso, verifiquei o pneu da frente e sim, ele já estava no chão, todo murcho. Havia estourado.

Já fui em direção ao pneu de trás pensando no pior, mas este estava cheio. UFA. Menos mau. Sorte que tenho dois Estepes né? Lembra? Garoto Prevenido.

Comecei a tirar as malas para pegar o estepe do porta-malas quando ouço um barulhinho. Shhhhhhh.

Cheguei com o ouvido perto do Pneu traseiro, e sim, estava vazando.

O problema é que os pneus não tinham furado, mas com o impacto, cortou a lateral dos pneus. E isso não dá concerto.

Como eu tinha Dois Estepes, eu estava relativamente tranquilo.

Pode piorar ainda mais Leandro? Pode.

O estepe extra que eu comprei, N-Ã-O S-E-R-V-I-A.

É Sério, a roda não encaixava direito na campana do carro.

O Furo da Roda era milímetros menor que o pino central da Campana.

roda-aco-corsa-4-furos-aro-13-original-gm-19942001-D_NQ_NP_775624-MLB25695113049_062017-F.jpg.a9def8a74e00873f9bcabf0d51fc05a5.jpg

O besta aqui que vos fala, comprou as rodas e SEQUER,,, SEQUER teve a iniciativa de testar antes.

Meu cérebro estava em parafuso. Meu suor já escorria em bicas.

A Josi que me acompanhava, por algum milagre de Deus, não falava nada. Ficou Calma e isso me deixava mais nervoso... quem é casado sabe.

Na esperança de parar algum carro e nos ajudar, ficamos ali parados por muito tempo, mas dos poucos carros que passavam, nenhum parava.

Apenas uma pickup que parou rapidamente, uma mulher no banco do passageiro abriu o vidro e perguntou o que havia acontecido. Comentei dos dois pneus furados, na esperança de que eles nos ajudariam de alguma forma.

Vai que milagrosamente o cara fosse dono de uma borracharia ou tivesse uma roda que encaixava no carro.

Mas ao explicar o ocorrido, fecharam o vidro e partiram embora.

Lá estava nós, já perto das Dez da noite, sem janta, sem banho, sem hotel, sem pneu, sem Targeta, no meio do nada, rodeado de mato, bichos e cigarras se esguelhando de cantar.

Foi quando eu, com meus anos de inexperiência com pneus. Resolvi colocar a roda assim mesmo.

Não sei como detalhar o que fiz, mas resumindo, a roda que não chegava a encostar na campana, ficou para fora do veículo. Peguei essa imagem na internet para vocês terem uma ideia de como ficou a roda, ou seja, os parafusos pegaram somente a pontinha da rosca na campana e poderiam quebrar ou soltar a qualquer momento.

Mas era a única alternativa que vi no momento.

Esta imagem também peguei da internet, e ilustra mais ou menos como ficou o carro. Claro que neste caso, é o modelo da roda, e não a falta de encaixe kkk.

704969338_download(1).jpg.e22d9d3f1bcf17a362e8cf5025d5df0d.jpg

Saímos em marcha lenta. Talvez a 5 ou 10 KM/H, desviando dos buracos e parando a cada 50 metros para verificar se a roda estava firme e reapertava os parafusos.

Foi um dos momentos mais tensos da viagem. Meu medo era que a Campana quebrasse ou espanasse a rosca. Ai sim nós estávamos perdidos.

Rodamos assim por uns 30 KM. Sempre parando para verificar a roda e desviando dos buracos.

Chegamos por volta das 11 horas da noite em uma cidade chamada Taco Pozo. Ela Ficava paralela a rodovia e entramos na cidade a procura de alguma borracharia 24h ou talvez algum hotel ou pousada.

A cidade é bem pequena e sem muita estrutura. As ruas eram todas de Terra.

Passamos por um campo de Futebol e mesmo naquele horário, estava tendo uma partida de bola com alguns gatos pingados assistindo.

Quando fui dobrar a esquina ao lado desse campo, ao fazer a curva, sentimos o carro baixar a frente do lado do motorista. Parei imediatamente e desci.

Surpresa... A roda caiu.

A roda da Frente caiu no meio da Rua.

Imediatamente entrei em pânico. Meu Deus, tomara que não tenha quebrado a Campana. Meu Deus...

Vistoriei a roda e vi que já havia perdido um dos quatro parafusos. Procurei por ali mas não encontrei.

Nisso já vieram dois senhores de uma casa próxima que estavam conversando e viram o ocorrido. Tentei me comunicar, explicar o que havia acontecido desde o momento dos buracos.

Pelo visto eles já estavam acostumados com problemas causados pelos buracos deste trecho da estrada.

Nisso passou um outro carro com mais dois homens, que estavam saindo do jogo de futebol do campo ao lado e pararam curiosos com a situação.

Eles não estavam totalmente bêbados mas também não estavam sóbrios. Cada um com uma lata de cerveja na mão, ficavam fazendo perguntas ininterruptas sobre nós, sobre o carro, sobre tudo.

Eu tentando perguntar se havia por perto alguma ‘Gomeria’ (borracharia como é chamado por lá), e eles falavam mil coisas ao mesmo tempo que nós não conseguíamos assimilar e entender tudo. Não sei se é porque não valeu nada meu curso intensivo pré-viagem de Espanhol no Duolingo ou porque a tensão era tanta que me cérebro estava em Tilt.

Eles falaram algo como que estavam indo atrás de algum borracheiro enquanto ficamos ali conversando com os dois senhores que pareciam morar ali mesmo. Eles queriam saber sobre o Rio de Janeiro, sobre a Bahia, sobre Futebol, etc... Falavam de tudo mesmo.

Passado quase uma hora os dois semi-bêbados ainda não haviam voltado. Concluímos que eles devem ter parado em algum boteco e esquecido de nós.

Nisso eu já estava colocando a roda novamente com apenas 3 parafusos que sobraram. De nada ia adiantar ficar ali com a roda caída no chão.

Esqueci de mencionar, mas as crianças ficaram acordadas até acabar as baterias dos celulares, depois apagaram juntos.

Elas pouco acompanharam todo esse problema e de certa forma eu e a Josi achávamos melhor assim.

Tirei um dos parafusos de outra roda e recoloquei a roda problemática novamente com os 4 parafusos de novo, estacionei melhor o carro na beira da rua, embaixo de uma árvore e nos ajeitamos para dormir ali mesmo. Já não contávamos mais com borracheiro àquela hora da noite e não arriscaria mais ficar andando pela cidade dobrando esquinas e forçando a roda que já tinha espanado uma pequena parte da rosca dos parafusos.

Já era quase meia noite.

Deixamos os vidros apenas um ou dois dedos abertos para ventilar e nos ajeitamos. A Josi estava estranhamente muito calma diante de tudo aquilo. Sem saber se iríamos conseguir consertar o carro no dia seguinte, com pouco dinheiro, sem cartão etc...

Eu estava exausto. Já me doíam as costas, a cabeça. Acho que era por tantos problemas no dia, muita tensão e também medo de nada estar se resolvendo.

Já estava cochilando quando escutei um carro parar ao nosso lado. Era um furgãozinho Kangoo e ao lado já todo apagado pelo tempo deu pra ler no adesivo "Gomeria 24h"

Simmm apareceu um borracheiro para nos salvar.

Era um senhor com cara de ter já seus 70 anos. Comecei a conversar com ele, ele viu o estado da roda que não passava pelo pino até encostar na campana.

Até aquele momento, por mais que eu não entendia muito bem o Espanhol Argentino, naquele momento então o bicho pegou.

Afinal hoje é o dia da marmota né, e ele tava longe de acabar parece.

Não entendia naaaaaada do que ele falava... Como pode ? Quando via algum vídeo falado em espanhol, ou lia algum texto, por mais que sempre ficava algo no ar, mas de uma forma geral dava pra ter uma noção de entendimento. Mas aquele borracheiro tava passando dos limites.

Dai outro carro parou atrás e eram os semi-bêbados. Felizes que conseguiram nos ajudar. Eles eram muito prestativos realmente, apesar do estado de sobriedade em que estavam.

Eles perceberam a dificuldade de comunicação entre nós e o borracheiro e começaram a ser nossos intérpretes.

Vocês Acreditam? Dois bêbados que não falavam português eram os nossos intérpretes para se comunicar com alguém totalmente sóbrio que também não falava português.

Esse borracheiro que não imagino o nome era também uma figura.

Cabeça branca com cabelos todo desarrumado, as unhas da mão eram enormes. E com a sujeira que é peculiar da profissão, dava a impressão que ele parecia um Bruxo.

Estava usando chinelos havaianas, e suas unhas eram Brancas do tipo que estavam tomadas por micose, além de enormes e encravadas. Realmente era uma aparência um pouco assustadora. Ele era uma mistura de Mestre Ravengar, com o Zé do Caixão.

Pra piorar, ele falava de forma muito seca e rude. Não parecia estar bravo ou algo assim, apenas deveria ser o jeito da madeira.

Pediu que o seguisse até sua borracharia. Fomos devagar e sorte que não era longe.

Lá ele pegou os pneus e viu que realmente não teriam concerto. Precisaria de um pneu novo. E Custava 3.500 pesos. E eu tinha no bolso algo em torno de 2.300 que em Reais na conversão do dia dava em torno de R$ 220,00.

Tentamos negociar de todas as formas com ele usando a ajuda dos nossos intérpretes até que o coração dele amoleceu e ele fechou conosco o pneu novo e a montagem pelo valor que tínhamos. Se ele aceitasse reais, eu pagaria o valor sem problemas. Mas o que ele faria com dinheiro brasileiro naquela isolada e minuscula cidade ? Se ao menos fosse próximo da Fronteira com o Brasil...

Uma coisa que eu e a Josi ficamos bastante encanados era o quanto os dois (que continuavam bebendo e já estavam bêbados) continuavam ali, acompanhando o serviço. Até foram buscar uma Coca Pet 2 Litros para o borracheiro enquanto ele fazia o serviço.

Não vou mentir. Um deles não passava nenhuma confiança, tinha uma cara de malandro, olhava sempre pra nós pelos cantos. No começo achei que talvez fosse timidez, mas depois comecei a ficar um pouco preocupado quando tiramos as malas do carro para mexer no estepe e ele não parava de olhar e rodear as malas no chão.

Enfim, carro arrumado, pagamos com os pesos que tínhamos, não sobrou nem um níquel no bolso. Olhei no relógio, já eram quase 2h da madrugada.

A Josi já segurava sua vontade de fazer xixi a horas, eu também. A fome também era grande.

Nessa hora as crianças estavam acordadas devido as sacolejadas com o carro durante o concerto.

Tínhamos 4 pacotinhos de Club-Social, e foi um complemento da nossa janta que não teve. E sem direito a água.

E agora? O que fazer ?

Não sentíamos seguros parar em algum lugar da cidade e continuar a dormir depois do tanto que um dos hermanos bêbado cuidava de nossa bagagem.

Resolvemos tocar mais um pouco até a próxima cidade que pelo mapa estava a mais de 80km. Mas pra quem já está todo cagado o que é mais um peido, né?

Segundo o borracheiro, a estrada estava ótima dali em diante, e isso me dava um alívio e tanto.

Tocamos adiante, e assim que a cidade ficou para trás, paramos na primeira estradinha de terra que vimos para fazer xixi. A Josi foi primeiro pois já estava quase explodindo.

Quando ela voltava pro carro, na escuridão, acabou pisando no barro e para não sujar o carro, deixou os chinelos fora, enquanto entrava no carro e limpava os pés com o lenço umedecido.

Quando ela entrou resmungando do ocorrido, eu sai pelo meu lado e fui também, tomando cuidado pra não pisar no barro também.

O silêncio da madrugada e a escuridão era total. Eu já nem queria mais pensar se teria mais alguma merda pra acontecer. Porque dai eu juro que nem continuaria a viagem. Voltaria pra casa dali mesmo.

Mas aconteceu sim amigo, só que foi só um peidinho mesmo.
Quando entrei no carro, a Josi tava debruçada no banco, virada para trás, cobrindo as crianças com uma manta.

Eu fui saindo devagar de volta na rodovia. Ela se ajeito de volta, colocou o cinto e tocamos adiante.

Passado uns 30 km a frente talvez, ela lembrou que não pegou os chinelos que ficaram fora do carro. Novinhos. Ficaram juntinhos largados na grama.

Chegamos em El Quebrachal, uma cidade também pequena que também ficava a margem da Rodovia.

Bem na entrada da cidade, a direita, encontramos um Posto de combustível. Mas era bem pequeno, e estava fechado.

No pátio haviam 2 caminhões e um carro parados. Provavelmente cada um tinha alguém dormindo dentro.

Paramos ali mesmo, eu estava muito, mas muito cansado mesmo.

Nos ajeitamos novamente para a segunda tentativa de dormir.

E fiquei lá, igual um zumbi, não conseguia dormir de fato, apenas alguns cochilos.

E assim fechamos o segundo dia da viagem.

Ficou marcado em nossa memória como O dia da Marmota.

E agora? Será que eles conseguirão se safar? Conseguirão Trocar Dinheiro ? Conseguirão Desbloquear o Cartão de Crédito? Conseguirão ao menos tomar um café da manhã quando amanhecer?

Não percam os próximos capítulos.

  • Gostei! 2
  • kkkkkkk 1
  • Vou acompanhar! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por Clayton Silva de Souza
      Estarei indo para o Atacama entre os dias 23 e 27/07/2019, se alguém estiver interessado em dividir o aluguel do carro e gasolina e só chamar para combinar.
      Já temos um roteiro para fazer por conta própria, vamos estar em duas pessoas.
    • Por Clayton Silva de Souza
      Estarei indo para o Atacama entre os dias 23 e 27/07/2019, se alguém estiver interessado em dividir o aluguel do carro e gasolina e só chamar para combinar.
      Já temos um roteiro para fazer por conta própria, vamos estar em duas pessoas.
    • Por Anderson Paz
      * Cidades na Bolívia: Sucre, Potosí, Uyuní, Copacabana/Isla del Sol e La Paz
      ** Cidades no Peru: Arequipa, Nazca, Pisco, Paracas, Ica/Huacachina, Cusco, Puno


      Roteiro em pdf sem fotos:
      Relato mochilão - Bolívia, Peru e San Pedro de Atacama (CH).pdf
      Este é um breve relato de um mochilão de 33 dias, saindo de Corumbá e chegando a Santa Cruz de la Sierra pelo “Trem da Morte”, com algumas informações sobre transporte (horários, custo e duração de viagens) e sugestões de hospedagens econômicas, locais interessantes para conhecer e passeios para realizar. Não possui muitos detalhes das atrações visitadas e nem dicas de restaurantes, pois procuramos comer em locais baratos para reduzir ao máximo as despesas com alimentação. Inclui breves relatos do tour de 2 dias e 1 noite no Cañon del Colca e da trilha Salkantay e também inclui uma planilha de deslocamento no final.
      Antes, algumas dicas básicas, além das que você geralmente encontra em outros lugares:
      - Antes de viajar, tome Citoneurim 5000 ou o seu similar Vitatonus 5000, pelo menos com 5 dias de antecedência. Esses são complexos vitamínicos que aumentam a sua produção de hemácias e ajudam no combate aos sintomas negativos da altitude.
      - Leve algumas comidas para viagem daqui do Brasil, pois você pode precisar delas principalmente no início do mochilão. Dois sacos de castanhas e uma barra de bananada renderam e ajudaram bastante;
      - Leve pastilhas ou equipamentos portáteis de purificação de água. Assim você economiza uma boa grana, principalmente nos passeios longos.
      - Antes da viagem, desbloqueie o seu cartão para uso da função de débito e também para saque no exterior (pode haver as duas opções dependendo do seu cartão) e se possível leve um cartão sem chip. Mesmo assim leve consigo o telefone no exterior da sua operadora de cartão e do seu banco em caso de necessidade de contato. 
      - Leve uma boa quantia de dólar e de reais em espécie.
      - Leve uma identidade antiga e outra nova ou passaporte. Ande com um documento sempre e deixe o outro guardado em local seguro.
      - Leve carteirinha de estudante para ter descontos em passeio em San Pedro de Atacama e em Cusco. Nessa cidade, ter uma carteirinha internacional (Ise card) garante desconto nos tours a Machu Picchu. No entanto, para usufruir desse benefício, o estudante deve possuir até 25 anos de idade.
      - Procure sempre comprar passagens nos locais de saída do transporte para evitaros preços muitas vezes elevadíssimos de agências. Isso pode ser mais fácil em temporadas baixas quando a demanda por passagens é baixa.
      - Não subestime o frio! Compre pelo menos dois pares de meias de lã para uso especialmente no tour de Uyuni.
      1º DIA (QUARTA-FEIRA): BRASÍLIA - CAMPO GRANDE – CORUMBÁ
      De Brasília a Campo Grande, fomos em um voo da Gol com chegada às 21h45. Em Campo Grande, pegamos um táxi no aeroporto à rodoviária interestadual (o trecho tem bandeira 2 durante todo o dia). Na rodoviária pegamos um ônibus semileito da viação Andorinha rumo a Corumbá, às 23h59. Também havia opção de ônibus executivo às 23h30. Dica: se possível compre no site da empresa para não correr risco de não ter passagens disponíveis, pois a demanda é alta.
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Táxi aeroporto – rodoviária – Campo Grande (20 min): R$ 42 
      - Ônibus de Campo Grande a Corumbá (6h): R$86,80 (o Executivo seria R$103,40)
      2º DIA: CORUMBÁ – PUERTO QUIJARRO (BOLÍVIA) – TREM DA MORTE A SANTA CRUZ DE LA SIERRA
      Da rodoviária de Corumbá à fronteira, fomos de táxi, porém há opção de ônibus com necessidade de integração em outro terminal (R$2,40) ou de mototáxi (R$15). Como a migração só abre às 8h, tivemos que esperar um pouco. Em Puerto Quijarro, compramos a passagem do ”Trem da Morte” para o único horário disponível no dia - 14h50 - e para a única classe disponível: Super Pullman. Na 2ª, 4ª e 6ª-feira, nos informaram que a única opção de trem existente era o Ferrobus, mais luxuoso e mais caro que o Super Pullman (235  Bol.). De ônibus, segundo informações passadas por brasileiros que conhecemos, a viagem sai por 150 Bol.
      A viagem foi super tranquila e até bastante confortável. Obs.: aparentemente os horários dos trens mudam todas semanas e não dá pra confiar no site da empresa operadora.
      Cotação do real em Puerto Suarez: R$1 = 2,90 Bol.
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Táxi Corumbá – Puerto Quijarro (15min): R$32 (dividido entre três)
      - Táxi fronteira – estação de trem em Puerto Quijarro (7min): 10 Bol. (dividido entre três)
      - Trem da Morte classe Super Pullman (18h): 100 Bol.

      3º DIA: SANTA CRUZ DE LA SIERRA – SUCRE;
      Em Santa Cruz, pegamos um táxi da estação ferroviária ao aeroporto El Tropillo, onde pegamos um voo da T.A.M., Transporte Aéreo Militar (não confundir com a nossa TAM) com destino a Sucre. O voo saiu 1h30 mais tarde do que o previsto pelas informações do site, senão não teríamos tempo para pegá-lo.
      Sucre é considerada capital da Bolívia, juntamente com La Paz, por ser sede do Judiciário. A cidade predominantemente branca – Cidade Branca é um dos nomes pelo qual é conhecida - possui vários museus e belas igrejas. Agradou-me bastante e ficaria mais um dia lá se tivesse tempo. O único problema na cidade é a poluição visual dos cabos de energia que tira um pouco da beleza de vários locais.
      Cotação de moeda em Sucre: R$1 = 2,80 Bol.; U$$1 = 6,92Bol.
      Hospedagem:
      - Hostel CasArte (Calle JM Serrano n.256 entre Perez e Bustillo) – 75 Bol. Quarto para três com café da manhã, banheiro compartilhado – Hostel bem bacana, aconchegante e com uma decoração legal. O único problema é que o banheiro era muito pequeno e na hora do banho a água do chuveiro molhava tudo.
      Alguns lugares visitados:
      - Mirador Recoleta: ótima vista da cidade, além de ter uma praça/pátio bem bonita.
      - Castillo de la Glorieta: castelo que mescla diversos estilos arquitetônicos. O interior está um pouco estragado em algumas partes e não possui muitos objetos, porém achei bem legal a arquitetura e a história do lugar. Entrada - 20 Bol.; direito de uso de câmera fotográfica – 10 Bol. Visitas guiadas: 10h, 11h10, 12h, 14h, 15h10, 16h
      - Casa de la Libertad: museu bastante rico em informações. Recomendo fortemente como uma das primeiras visitas da viagem para conhecer a história da Bolívia e da independência dos países latinos. Entrada – 15 Bol., direito de câmera – 10 Bol.
      - Parque Bolivar: parque com um mini Torre Eifel. Achei meio sem graça, mas a ida compensa pelo entorno com belos prédios e monumentos.
      - Gruta de Lourdes: é uma igreja com o altar e as imagens em uma gruta, bem simples. Não curti muito.
      - Cemitério: achei bem interessante. Alguns túmulos são bem grandes e bonitos, mas o mais interessante é ver a setorização do cemitério. 
      Faltou conhecer:
      - Interior da Catedral e da Igreja San Felipe Neri (ambas muito bonitas por fora) 
      - Parque Cretáceo com várias pegadas de dinossauros

      Outras dicas:
      - Cerveja Sureña – umas das melhores cervejas de toda viagem
      - Sorveteria Sucré na Plaza 25 de Mayo: deliciosos sorvetes, especialmente o de frutilla. 
      - Experimentei chocolate das lojas Para Ti - que achei gostoso, mas nada de excepcional - e trufas da loja Taboada. Essas trufas eu não curti muito.
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Avião T.A.M. de St. Cruz a Sucre (40 min): 390 Bol. (ou U$$56,50) + 11 Bol. – taxa de embarque
      - Ônibus ao Castillo de la Glorieta (20 min): 1,50 Bol.
      - Táxi aeroporto – hostel (20 min): 30 Bol.

      4º DIA: SUCRE – POTOSÍ
      De Sucre a Potosí, fomos de táxi. Havia opção de ônibus pela metade do preço, porém o tempo de deslocamento é o dobro. Os táxis e ônibus saem o tempo todo, pelo menos até 18h.
      Potosí possui alguns prédios muito bonitos, porém a cidade não é muito bonita no geral. 
      Hospedagem:
      - Hostel The Koala Den (Calle Junin, 56) – 50 Bol. Quarto compartilhado para 8 pessoas, com café da manhã e banheiro privativo. Área externa muito boa e bom café da manhã. O quarto até que era bom, porém o sistema de calefação não estava funcionando e os cobertores não foram suficientes para aquecer.
      Passeio:
      - Mina de Cerro Rico: Fizemos o passeio com a empresa Koala Tours. O guia Rolando foi ótimo e o passeio foi interessante, porém fizemos no domingo e não havia muito trabalhadores, mas ainda sim conseguimos ver como é a realidade difícil do trabalho. Gastos: 100 Bol. pelo passeio + 10 Bol. por uma bandana com desenho do mapa da mina, para proteger contra poeira + 20 Bol. com dinamite de presente para os trabalhadores (há outras opções de presente como água ou suco por 6 e 7 Bol.). Saída para o passeio 8h30 e volta 13h.
      Faltou conhecer:
      - Casa de la Moneda: considerado um dos principais museus bolivianos (ou até latino-americanos), porém no domingo só há opção de visita pela manhã.
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Táxi hostel – terminal rodoviário (8 min): 10 Bol.
      - Táxi terminal rodoviário de Sucre – Potosí (2h30min): 30 Bol. 



      5º DIA: POTOSÍ – UYUNI
      De Potosí a Uyuni de ônibus. Uma noite de hospedagem em Uyuni.
      Hospedagem:
      - Residencial La Cabana (Calle Bolivar, 88) – 30 Bol. Quarto para 2, sem café e com banheiro compartilhado. Tempo de banho de no máximo 5 min e cobram 10 Bol. para ter acesso a wi-fi. extra. Muito simples e com péssimo atendimento. Vale apenas por um pernoite pelo baixo preço. 
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Ônibus de Potosí a Uyuni (5h): 20 Bol. + 1 Bol. de direito de embarque

      6º, 7º E 8º DIAS: TOUR UYUNI (3 DIAS/2 NOITE)
      Tour pela empresa Ripley Tours: Tours saem 10h30, 11h. Fizemos por 750 Bol. + 50 Bol. pelo transfer a San Pedro de Atacama + 150 Bol. entrada no Parque da Laguna Colorada. Pretendíamos fazer pela Andreas Tour, da qual tínhamos boas referências, porém enrolamos e não conseguimos vaga. Com a Ripley foi bem satisfatório, porém, assim como quase todas empresas, colocam 6 passageiros no automóvel, sendo dois no “porta-malas”, diferentemente da Andreas que atende apenas 5 pessoas. Nosso motorista/guia, César, foi muito gente boa, atencioso e paciente, não nos apressando em nenhuma parada e parando sempre que pedíamos. O hotel do primeiro dia tinha uma ótima localização, com uma vista maravilhosa, diferentemente dos outros hotéis ocupados pelos grupos das outras agências. O único problema a meu ver foi que não visitamos a Ilha do Pescado porque o guia desmotivou o restante do grupo dizendo que o valor de entrada na ilha era de 30 Bol. e que lá só veríamos cactos, que já íamos ver no caminho ao hotel. Realmente vimos no caminho, mas não como veríamos na Ilha. 


      8º, 9º E 10º DIAS: SAN PEDRO DO ATACAMA
      San Pedro é uma cidade bem aconchegante, com várias opções de bons restaurantes e com vários atrativos em suas proximidades, porém é meio carinha. Caso queira economizar um pouquinho nas refeições, faça-as vc mesmo ou vá ao quiosquinho perto do terminal de ônibus e mercado de artesanato. Desconto em entradas com qualquer carteirinha de estudante brasileira.
      Cotação: R$1 = $190 - 210; U$$1 = $500 – 505.
      Hospedagem:
      - La Casa del Sol Naciente (Tocopilla 310) – $6000 (pesos chilenos). Quarto compartilhado para seis pessoas, sem café e com banheiro compartilhado. Há também opção de camping. Gostei bastante do hostel. Tem uma boa cozinha, uma boa área de convivência, três banheiros (e em breve mais três) e ainda o dono e toda galera do hostel foi super gente boa. 
      Passeios:
      Fizemos um pé, alguns de bicicleta – aluguel $3000 por seis horas flexíveis com a Turismo Teckara (Toconao 455) - e outros em grupo também com a Turismo Teckara, que recomendo fortemente já que os guias foram muito bons, especialmente Sebastian no tour às Lagunas Altiplânicas.  
      - Valle de la Luna (de bici): dá pra ir de bici, mas para quem não tem preparo é um pouco puxado. Paisagens muito bonitas que dizem que ficam mais bonitas ainda no final da tarde. Valor: $2000 ou $1500 (estudante). Funcionamento: 9h30 – 17h. Tours em grupo por agências incluem Valle de la Muerte: $8000 (mais entrada).
      - Valle de la Muerte: fizemos à pé, porém não recomendo. Melhor ir de bici. 
      - Pukara de Quitor + Catarpe (de bici): tranquilo de fazer de bici por ser perto da cidade. Não entramos em Pukara e nem conseguimos ver as ruínas de Catarpe por falta de tempo. Fomos até a igreja de Catarpe que tem uma bela vista, porém nada de mais em relação às outras atrações de San Pedro. Entrada em Pukara: $3000 ou $2000 (estudante).
      - Laguna Laguna Cejar + Ojos del Salar + Tebenquiche:  respectivamente, lagoa com grande concentração de sal que te impede de afundar, poços de água no meio do deserto e bela lagoa com Andes de fundo, onde se aprecia o pôr do sol e a mudança de cor da paisagem. Saída do tour: 15h, retorno: 20h. Valor: $10mil + entrada $2000 ou 1500 (estudante).
      - Salar e Lagunas Altiplânicas: belo tour com passagem pelo salar onde é possível ver três espécies de flamingos e por lagoas muito bonitas e ainda paradas no retorno para ver planícies de plantação e uma igreja bonitinha feita de adobe e material de cactos. Saída: 6h, retorno: 14h. Valor: $23mil + entradas $5000 ou $4000 (estudante).
      Outros passeios que devem ser incríveis:
      - Salar de Tara: $40 - 50mil. 
      - Salar de Talar (Piedras Rojas): $40 – 45 mil (inclui Salar e Lagunas Altiplânicas).
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      Transfer do tour de Uyuni a San Pedro de Atacama (1h): 50 Bol. (com lanche)

      10º E 11º DIAS: SAN PEDRO – CALAMA – ARICA – TACNA – AREQUIPA
      Optamos por fazer San Pedro – Calama pela empresa de ônibus Ciktur agenciada pela Andesmar (Calle Licancabur, rua onde também se situam as empresas Tur-Bus e Pullman) e depois fazer o trecho Calama – Arica por ônibus da Pullman, por ser mais econômico do que ir direto pela Tur-Bus ($4300 mais caro). Ambos ônibus foram muito bons.
      Em Arica pegamos um táxi a Tacna no terminal ao lado do que desembarcamos. Poderíamos ter ido direto de Arica a Arequipa pelo preço exorbitante de $23mil.
      Em Tacna pegamos o ônibus semi-leito mais barato e com melhor horário de saída que nos ofertaram. 
      Cotação de moedas na rodoviária de Tacna U$$1 = 2,75 soles (S/.); 1S/. = 188$ (pesos chilenos); não trocavam reais em nenhuma banca
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Ônibus Ciktur de San Pedro a Calama (1h30min): $2500
      - Ônibus Pullman de Calama a Arica (8h30min): $10mil
      - Táxi Arica – Tacna (40min): $4000
      - Ônibus de Tacna a Arequipa(6h30min): 15S/. + 1S/. (direito de embarque) e 2S/. (propina ao cara que intermediou o ônibus) (pela Oltursa o preço total seria 31S/. e pela Cruz del Sur, 51S/.).
      - Táxi da rodoviária de Arequipa a Plaza de Armas (10 min): 8S/.
      11º E 12º DIAS: AREQUIPA
      Arequipa foi uma das cidades que mais me agradou em toda viagem. Há vários museus, prédios e ruas bonitas na cidade.
      Cotação de moedas: R$1 = 1,14S/. ; U$$1 = 2,81
      Hospedagens (um dia em cada hostel):
      - Hostal Arequipa Inn (Rivero 412) – 35 Bol. por pessoa em quarto para 4, com banheiro privativo e café da manhã. O hostal até que tem boa estrutura e ficou em conta dividindo entre quatro. Porém a dona que se mostrou muito atenciosa no começo, sacaneou no café da manhã, nos restringindo opções porque estávamos pagando mais barato.
      - Flying Dog (Melgar 116) – 25 Bol. em quarto dividido com 12 pessoas com banheiro privativo e café da manhã. Apenas dormimos no hotel e não podemos conhecer o café da manhã que nos falaram que é muito bom. Gostei bastante do ambiente, porém o quarto que falaram que era pra seis na verdade era para 12 pessoas.
      Locais visitados:
      - Museo Santuario Andino: museu com ótima estrutura que conta a história da cultura inca, com opção de guias em diversas línguas, inclusive português, dependendo do horário. Aqui está a famosa múmia, menina Juanita. Valor: 20S/. + propina opcional ao guia.
      - Monastério Santa Catalina: achei muito legal também, só é meio carinho. O monastério é bem grande e conservado e tivemos uma boa visita guiada em português. Valor: 35 S/. + 20 S/. (que pode ser dividido no grupo) pela guia;
      - Catedral: muito bonita. Vale a pena conhecer por dentro.
      - Igreja San Francisco: bem bonita por fora e por dentro.
      - Museu Histórico Municipal (com acervo Chiribaya): acervo bom, porém muito mal organizado. Vale pra conhecer a cultura Chiribaya. Valor: 5S/.
      - Mirador de Yanahuara: é um pouquinho longe e a vista da cidade não é tão boa assim. Vale a pena se tiver tempo sobrando. O visual melhor é do contraste do Vulcão Misti com a cidade de Arequipa.



      13º E 14º DIAS: TOUR CAÑON DEL COLCA
      Trekking de dois dias: fizemos com a empresa Mundo Andino (Calle Santa Catalina, 203). Não foi possível fazer o trekking completo que passa por dentro do cânion e por diferentes vilas, porque tinham acontecido abalos sísmicos que desmoronaram algumas encostas no caminho, tornando perigoso o trekking. O trekking se resumiu a ida ao Oasis em Cabanaconde, com possibilidade de extensão à vila de Malata. Caso o mesmo aconteça contigo ou caso prefira fazer esse trekking mais curto, recomendo a ida a Malata, pelas belas paisagens no caminho e para não ficar muito tempo de bobeira no oásis. Detalhe: o retorno do tour no segundo dia é uma subida bem pesada. Há opção de alugar burro para fazer o trecho por 60S/.. 
      No dia seguinte há uma parada em um clube de piscinas termais (entrada: 15S/.). Não entramos porque achamos sem graça. Também há almoço buffet em Cabanaconde por 25S/. Comi em um restaurante duas quadras abaixo do restaurante do tour e paguei 10S/. em um pratão. hehehe
      Tempo de descida ao oásis: 2h30; subida: 2h de caminhada. 
      Saída: 4h (da manhã mesmo. Hehehe); retorno a Arequipa: aprox. 15h do dia seguinte.
      Valor: 110 S/. + 40S/. (taxa do parque onde há o mirante dos condores). Inclui dois cafés da manhã e almoço e a janta no oásis, que foram muito bons por sinal. 

      14º DIA: AREQUIPA – NAZCA
      Fizemos o trajeto Arequipa - Nazca à noite pela empresa Cruz del Sur. Compramos na mesma agência que fizemos o passeio ao Cañon del Colca – Mundo Andino; se tivéssemos comprado na rodoviária teríamos economizado apenas 5 S/..
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Táxi hostel – rodoviária de Arequipa: 9S/.
      - Ônibus da Cruz del Sur de Arequipa a Nazca (9h): 82S/. + 2S/. (direito de embarque)
      15º DIA: NAZCA – PISCO
      Em Nazca, tudo é muito caro; os preços dos passeios são surreais comparados aos de outros no Peru.  Se você estiver com as finanças apertadas, não recomendo ir à cidade.
      Passeios:
      Fizemos o passeio às ruínas de Cahuachi com a empresa Air Nasca Travel (evite-a!!!), localizada na mesma rua dos terminais das empresas de ônibus, por 55S/.. Nas agências de turismo, nos falaram que o lugar era muito distante e de difícil, e que por isso o seu preço era alto (mais alto entre todos os passeios). Mentira! O lugar nem é longe e é acessível por qualquer carrinho 1.0.. O lugar em si é bem bacana pela sua história, porém não vale o preço do passeio do meu ponto de vista. Sugestão: vá de táxi e depois leia sobre a história do lugar (essa sugestão talvez sirva para outros passeios), assim vc deve economizar uma boa grana. Duração total do passeio: 1h30min.
      Fizemos também o sobrevoo pelas linhas de Nazca agenciado pela mesma empresa e acabamos pagando U$$90, U$$10 a mais do que pagaríamos se tivéssemos pagado diretamente em operadora no aeroporto. Pior é que na volta tivemos que esperar um tempão e voltar no bagageiro de um furgão porque o motorista da agência de turismo tinha ido embora. 
      Dica para o passeio: não coma nada pesado antes porque você ficará muito enjoado com várias curvas que o avião faz. Duração do passeio: 25-30 min.
      Preços de outros passeios em Nazca (na agência do Juan Carlos, em frente às agências de ônibus):
      - Aquedutos: 25S/.
      - Cemitério Chauchilla: 35S/.
      Depois do almoço, pretendíamos ir direto a Paracas para o pernoite. Acabou que fomos a Pisco por uma questão de economia, porém o trajeto com duas trocas de transporte - em Ica e na estrada Panamericana - foi um pouco cansativo. 
      Pisco é uma boa opção de pernoite para quem pretende fazer passeios às Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas por ter muitos restaurantes e hospedagens econômicas.
      Hospedagem:
      Hospedaje Gino (Márquez de Mancera, 241) – 15 S/. + 5S/. (com um café da manhã razoável). Quarto para 3, com TV a cabo e sem banheiro privativo. Bastante econômica, limpa e bem localizada. 
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Ônibus apertadíssimo da empresa Perú Bus de Nazca a Ica (2h30): 11S/. 
      - Ônibus Perú Bus de Ica a estrada Panamericana (45min): 5S/.
      - Taxí estrada Panamerica – Pisco (10min): 6S/.

      16º DIA: PISCO – PARACAS – ICA/OÁSIS HUACACHINA – CUSCO
      Agenciamos o passeio às Islas Ballestas e à Reserva Nacional de Paracas, bem como o passeio de buggy e sandboard nas dunas de Huacachina,  na agência Aprotur Pisco & Adventures (Plaza de Armas de Pisco). O funcionário Saulo da agência foi super atencioso e gente boa. Tudo foi muito corrido, mas no fim deu certo e conseguimos fazer tudo em um dia só. 
      Passeios:
      - Islas Ballestas: excelente passeio de barco não só pela fauna, mas pelas paisagens tbm. Saída: 8h30; duração de aprox. 2h. Valor: 35S/. + 7S/. (taxas de porto e de preservação)
      - Reserva Nacional de Paracas: fizemos um passeio rápido devido à limitação de tempo. Possui um ótimo museu e belas praias com falésias e encontro do deserto com o mar. Valor: 35S/. (para duas pessoas, se fossemos em grupo seria 20S/.) + 5 S/. (entrada no parque)
      - Buggy e sandboard nas dunas de Huacachina: bem divertido! Se prenda bem no buggy e segure com as duas mãos sempre, para não se machucar (esse risco mesmo assim ainda existe). Fizemos com equipe do hotel Salve Tierra. Valor: 45 S/. + 3,70S/. (de alguma taxa) (pagando no local, sem intermédio de agência, sai por 40S/.). Os últimos passeios saem 16h30, 17h.
      Gastos com transporte e duração de deslocamentos:
      - Táxi intermediado pela agência Aprotur de Pisco a Paracas (25min): 5S/. (ida e volta)
      - Táxi Pisco – Panamericana: 6S/. (há opção de triciclo tuk tuk por 1,50S/.)
      - Ônibus da Perú Bus da est. Panamericana a Ica (45min): 5S/.
      - Táxi Ica – Huacachina (10min): 6S/. (somente ida)
      - Ônibus da empresa Palomino (terminal rodoviário) Ica – Cusco (16h): 110S/. semi-cama e 150S/. cama (não compensa; uma diferença é largura do assento) (pela Cruz del Sur seria 175S/., pela - Cial 90S/. ou 130S/. e pela Tepsa 130 S/.).  Saída prevista para 22h, porém saímos 23h15
      - Táxi rodoviária de Cusco – Plaza de Armas: pagar no máximo 6S/. (podem te oferecer por um absurdo)

      17º -19º DIA: CUSCO
      Cusco com certeza foi a cidade que mais gostei da viagem. Vários prédios históricos e praças arrumadinhas, igrejas bonitas (entre em todas que puder), além de um vasto circuito de museus e de sítios arqueológicos nos arredores.
      Para ter acesso a todos locais listados abaixo é necessário comprar o boleto turístico, que é nominal e custa 130S/. ou 70S/. para estudante com até 26 ou 25 anos dependendo do local de compra (importante levar comprovante de matrícula, que podem cobrá-lo). Há opção ainda de boleto parcial válido somente para um circuito.
      - Circuito 1 (feito no city tour oferecido pelas agência): Saqsayhuamán, Q’enko, Puka Pukara e Tambomachay
      - Circuito 2: Tipón, Pikillacta, Museo de Sítio del Qoricancha, Museo de Antre Contemporaneo, Museo Hisórico Regional, Museo de Arte Popular, Monumento Pachacuteq, Centro Qosqo de Arte Nativo
      - Circuito 3 (feito no tour do Valle Sagrado, com exceção de Moray): Pisac, Ollantaytambo, Chinchero, Moray 
      Hospedagem:
      Ukuku’s Hostal (Calle Hospital 842): 15S/. quarto compartilhado por 6 pessoas, sem banheiro privativo e sem café da manhã incluso (a 5S/. se faz um bom café no Mercado San Pedro). Ótima cama, boa cozinha e boa área de convivência. Contras: é um pouquinho afastado, tivemos problemas com os chuveiros e o teto do quarto é baixo (o que também pode ser positivo pensando no frio). 
      Lugares visitados e passeios:
      - Museo del Sítio Qoricancha: tem bastantes informações históricas, porém poderia ser mais bem organizado e conservado. Entrada: incluso no boleto;
      - Mercado San Pedro: mais famoso e turístico mercado. Há bancas de tudo. Possui os melhores preços de artesanatos e vestuários.
      - Qoricancha: excelente visita. Vale pelo acervo, pela história e pela beleza arquitetônica do local. Entrada: 10S/. ou 5S/. (estudante com qualquer carteirinha e sem limite de idade)
      - Locais do city tour (em ordem de visita)- Tambomachay,Puka Pukara, Q’enko, Templo del Sol (não incluso no city tour) e Saqsayhuamán. Fizemos por conta própria sem intermédio de agência. Para isso pegamos o ônibus urbano da linha Señor del Huerto na Calle Recoleta com destino a Tambomachay e depois fomos descendo até Saqsayhuamán, que é um dos principais sítios incas existentes e o ponto alto do tour. Recomendo fazer o passeio com bom guia de mão ou se puder com agência para obter as informações históricas. Preço: 3 S/. (dois ônibus); em agência é 30S/. Entradas: boleto turístico. 
      - Valle Sagrado (agência Super Tour Cusco) – Pisac, Ollantaytambo e Chinchero. Excelente passeio com o guia Jesus, figuraçaaa. Pisac e Ollantaytambo possuem sítios incas magníficos e Chinchero tem uma bela igreja construída sobre fundações incas. Valor: 28S. + 30 S/., caso queira o almoço buffet. No local de parada há poucas opções de restaurantes, porém é possível encontrar um na mesma rua da parada, alguns metros abaixo, com menu por 8S/.. Entradas: boleto turísitico.

      20º - 24º DIAS: TRILHA SALKANTAY – MACHU PICCHU (5 DIAS/4 NOITES)
      Combinamos e pagamos o tour no hostel pela agência/operadora KB Tours por U$$220 + U$$5 pela subida a Montaña Machu Picchu (não é a Huayna Picchu). Os preços vão de U$$190 a até mais de U$$500 e uma operadora faz o mesmo passeio para grupos que pagaram distintos valores. No nosso grupo havia pessoas que tinham pagado antecipadamente mais de U$$350 pelo passeio. Todos os grupos de distintas operadoras têm paradas nos mesmos locais e as únicas diferenças que há entre eles (não incluindo aqui as agências mais caras, acima de U$$500) são a hospedagem em Águas Calientes e a qualidade da comida, que depende de sorte já que uma mesma operadora pode dividir um grande grupo inicial em dois subgrupos com cozinheiros distintos. Sugiro então que faça uma boa pesquisa e reserve o passeio na agência mais barata que encontrar.
      O primeiro dia é um percurso de 22km com muitas subidas e descidas até a base da montanha Salkantay onde é montado o acampamento. Muitas paisagens bonitas e uma visão incrível até chegar ao acampamento.
      O segundo dia tem trajeto total de 20km e é o mais bonito por atravessar montanhas nevadas, passar por riachos e vegetações campestres e terminar em uma região montanhosa com floresta densa. Para muitos é considerado o dia mais difícil, devido à subida de mais de duas horas no início, porém achei o primeiro dia mais difícil.
      O terceiro dia tem trajeto de 9km e é bem tranquilo. Termina em Santa Teresa, de onde há opção de ir a um clube municipal de águas termais por 15S/. (5S/. de entrada + 10S/. do transporte). Vale muito a pena!
      No quarto dia, há opção de tirolesa por 100S/. (preço negociável). Fizemos com a empresa Cola de Mono e foi bem bacana. Só que antes o guia nos falou que essa empresa não tinha mais vagas e tentou nos empurrar outra empresa de credibilidade duvidosa e menor quantidade de cabos e travessias, que recusamos. Depois da tirolesa, o transporte incluso no valor pago, deixa todos na hidroelétrica para seguir em direção a Águas Calientes, onde dormiríamos em um hotel. A paisagem no caminho que segue a linha de trem é incrível!
      O quinto dia é o de Machu Picchu. Saímos bem cedo do hotel, às 4 e 40, para chegar cedo a Machu Picchu. Subimos a pé, mas há opção de ônibus por U$$9. A subida dura 40 min – 1hora. Em Machu Picchu conhecemos praticamente tudo e subimos a Montaña Machu Picchu que abre às 7h e fecha para subidas às 11h (ou mais tarde dependendo da vontade do funcionário do parque). Essa subida é muito pesada e dura 1h30 mais ou menos. Fizemos a volta a Águas Calientes também à pé, dispensando o ônibus. Esse dia foi o mais cansativo do passeio, talvez em função do acúmulo dos dias anteriores. Sugestão: se puder, pague o ônibus na subida ou na volta.
      Por fim, pegamos o trem de 21h (há opção também às 18h45 ou até mais cedo, quanto mais cedo mais cara a passagem) e seguimos a Ollantaytambo, onde pegamos uma van a Cusco. Esses transportes estão inclusos no valor do trekking.
      Mais dicas:
      - Com carteirinha internacional (Ise card) e talvez com carteira estudantil brasileira que possua data de início e encerramento do curso, consegue-se desconto de U$$20 no valor do trekking.
      - Em Mollepata (saída para trilha), compre um bastão de caminhada de madeira. Vai te ajudar bastante em diversos trechos.
      - Tomar banho no primeiro e segundo dias do trekking é bem complicado. No geral a galera deixa pra tomar banho só no terceiro dia no clube de águas termais de Santa Teresa. Então é bom levar lenços umedecidos para se limpar um pouco nos dois primeiros dias. 
      - No segundo e terceiro dias, confira se sua barraca está bem armada, com o sobreteto esticado, para evitar que entre água em caso de chuva. Tivemos esse problema no segundo dia e muitas das nossas coisas molharam.
      - Leve seu próprio saco de dormir se tiver.
      - Água ao longo do trekking é muito cara, então recomendo levar pastilhas ou aparelhos para purificar água.
      - Outros itens importantes: capa de chuva, lanterna de cabeça, sacolas para guardar e proteger roupas (caso chova), e remédios para mal de altura, diarreia, dor de cabeça, gripe e dor muscular. 
      Relato específico da Trilha Salkantay: http://www.mochileiros.com/relato-breve-da-trilha-salkantay-26-a-30-ago-de-2013-t86904.html

      25º DIA: CUSCO – PUNO
      No caminho entre Cusco e Puno, o ônibus faz uma parada de 15 min na cidade de Pucará para lanche. Nessa hora, vale a pena dar um corridão na bonita igreja da cidade.
      Fomos a Puno basicamente para conhecer as ilhas flutuantes de Uros e não pretendíamos dormir lá, mas acabou que tivemos que dormir por conta do fechamento da fronteira Perú/Bolívia. A igreja da Plaza de Armas possui uma das fachadas mais bonitas que vi em toda viagem.
      Hospedagem:
      - Há algumas opções de hospedagens econômicas na rua Deustua. Valor: 20S/. em quarto triplo com banheiro privado e TV a cabo. 
      Passeio:
      Ilhas flutuantes de Uros: combinamos e pagamos no porto mesmo (uns 700m da rodoviária). Pegamos provavelmente o último barco que saiu umas 17h. O passeio foi interessante e bonito na ida (na volta estava escuro já). Porém na ilha ficam insistindo para que compre artesanatos e faça um passeio à parte em uma embarcação típica do Titicaca. Valor do passeio: 10S/. + 2,50 S/. (de alguma taxa).
      Gastos com transporte e tempos de deslocamentos:
      - Táxi hostel em Cusco – rodoviária: 6S/.
      - Ônibus leito de Cusco a Puno pela empresa Transzela (8h): 25S/. (diretamente na rodoviária; em agências oferecem por no mínimo 60S/.).
      - Táxi hotel em Puno – rodoviária: 4S/.

      26º DIA: PUNO – COPACABANA – ISLA DEL SOL
      Pegamos o ônibus com o horário mais cedo disponível na rodoviária, às 6h, da empresa Titicaca Bolívia. Os primeiros ônibus das outras empresas saíam às 7h30. Demos azar e tivemos que esperar 2hs na fronteira para poder atravessar ao lado boliviano. Era o primeiro domingo do mês, quando mensalmente acontece uma solenidade entre os povos da Bolívia e do Peru com hasteamento de bandeiras.
      Em Copacabana, fomos a Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, que é muito bonita e vale muito a visita. Depois às 13h30 pegamos o barco rumo a Isla del Sol.
      Passeio a Isla del Sol:
      Barco demorou 1h30min para chegar à parte sul. De lá fomos caminhando até a parte norte pela trilha do centro, pelas montanhas. A caminhada durou 3h e tem bastante subida e descida, mas não é muito pesada. Depois dormimos na parte norte, onde há algumas opções de hospedagens baratas (20S/.). No dia seguinte, pegamos uma embarcação de retorno a Copacabana com saída às 10h30 e duração de 2h. Para essa embarcação sair era necessário ter um grupo de 10 pessoas ou o pagamento de valor proporcional a esse número de pessoas.
      Tinha grandes expectativas em relação à Isla del Sol pelo que tinha ouvido e lido. Porém, para ser sincero, as expectativas foram um pouco frustradas. A ilha até tem uns cantinhos bonitos, mas nada de maravilhoso ou imperdível do meu ponto de vista. O que achei mais bonito em todo o passeio foi o Titicaca com montanhas nevadas de fundo.
      Valor do passeio: 20S/. (barco à parte sul) + 5 S/. (taxa de entrada na parte sul) + 15 S/. (taxa de entrada na parte norte). 
      Horários de saída de barcos de Copacabana e do norte da Isla del Sol: 8h30 e 13h30; do norte também às 10h30 com grupo de 10 pessoas.

      27º DIA: ISLA DEL SOL – COPACABANA- LA PAZ
      Compramos a passagem de ônibus a La Paz da empresa Diana Tours em uma agência na principal rua de acesso ao porto de Copacabana. Venderam-nos a passagem de um ônibus, mas viajamos em uma coisa horrível, de tamanho intermediário entre um ônibus e um micro-ônibus, bastante desconfortável. A única vantagem apresentada foi que o ponto final do ônibus em La Paz era na Calle Sagarnaga, rua com diversas agências de turismo, onde agendamos todos os nossos passeios.
      Gastos com transporte e tempos de deslocamentos:
      Ônibus de Copacabana a La Paz (3h30min): 20S/. + 2S/. (travessia de balsa)
      28º - 31º DIA: LA PAZ
      La Paz é uma cidade meio caótica, com um trânsito louco e várias barracas de feira nas ruas, mas ao mesmo tempo tem lugares muito bonitos e o seu lado fascinante.
      Ficamos na casa de um amigo canadense que conhecemos no trekking de Salkantay.
      Lugares visitados:
      - Igreja e Convento de San Francisco: igreja bonita e vale a pena conhecer o convento. A visita guiada pela Dona Glória foi super divertida e rica em informações. Entrada – Convento: 20 Bol.
      - Museus da Calle Jaen: Costumbrista – com diversas maquetes, legalzinho; del Litoral Boliviano – repetitivo; Casa de Pedro D. Murillo – com mais informações e mais interessante do ponto de vista histórico. Dispensáveis se não tiver tempo. Valor: 10 Bol (que incluiria também o Museo de Metales Preciosos que estava fechado para restauração).
      - Museo de Instrumentos Musicales (também na C. Jaen): super divertido com diversos instrumentos bizarros de povos latinos e de outros países. Entrada: 5 Bol.
      - Museo Nacional de Etnografia y Folklore: excelente museu com vários objetos de culturas pré-hispânicas e de manifestações contemporâneas (cerâmica, tecido, máscaras, ornamentação de grupos de dança, moedas e cédulas). Para percorrer tudo com atenção, leva-se mais de 2h. Valor: 20 Bol.
      - Mirador Killi Killi: excelente vista da cidade. Pena que não conseguimos chegar durante o dia.
      - Plaza Murillo: praça muito bonita. Um dos pontos mais bonitos da cidade.
      - Mercado de las Brujas: o mercado na verdade é uma série de lojinhas de roupas, artesanatos ou de poções bizarras e de produtos de oferenda a Pacha Mama. Não achei as lojas baratas como todos dizem, na verdade quase tudo com o mesmo preço ou até mais caro do que em outros mercados do Peru e da Bolívia.
      Faltou:
      - Museu da Coca (na rua do Mercado de las Brujas) que falam que é bem legal.
      Noite:
      - Malegria (Pasaje Medinacelli, Sopocachi): nas quintas rola Saya afro-boliviana, espécie de samba boliviano. Ambiente descontraído, música boa e entrada gratuita.
      Passeios – entorno de La Paz:
      - Tihuanaco: passeio muito legal para conhecer a história desse povo pré-inca e ver os seus sítios arquitetônicos, estátuas e monumentos. Inclui uma visita a Pumapunku (antiga pirâmide tihuanaco). Valor: 50 Bol. (na Fortaleza Tours - Calle Sagarnaga) + 80 Bol. (taxa de visita).
      - Chacaltaya + Valle de la Luna: Chacaltaya foi por muito tempo a estação de esqui de maior altitude no mundo, a 5 395 m em relação ao nível do mar.Atualmente, esta estação está desativada devido às mudanças climáticas. . O cenário desse passeio é maravilhoso. Depois de conhecer Chacaltaya, os tours geralmente vão ao Valle de la Luna, que tem uma paisagem árida com formações rochosas pontiagudas de arenito. Gostei bastante do lugar, mas alguns amigos não viram muita graça. Valor: 60 Bol. (na Fortaleza Tours) + 15 Bol. (taxa de Chacaltaya) + 15 Bol. (taxa do Valle).
      - Downhill pela Estrada da Morte: toda atenção aqui é pouca já que eventualmente algum ciclista morre no passeio! Se vc não tem muito hábito de andar de bicicleta ou não estiver se sentido segura, não se sinta pressionada e não se apresse; vá em seu próprio ritmo. No mais é curtir as paisagens e a adrenalina. 
      Para o passeio, escolhemos a empresa Xtreme Downhill por nos ter oferecido todos os equipamentos de segurança (algumas empresas oferecem só um colete), pelo ótimo atendimento, pela camisa bacana e pelo bom preço. Não nos arrependemos! As bicicletas eram muito boas, estavam bem reguladas e caso alguma apresentasse problema, trocavam-na por outra. O único problema foi cobertura com fotos e apenas dois vídeos, que não foi muito boa. Valor: 350 Bol (bicicleta só com suspensão dianteira) ou 450 Bol. (com suspensão dupla). Detalhe: fizemos com a suspensão dianteira só e foi tranquilo, mas com conforto um pouco menor. Dica: como o equipamento é completo com macacão igual para todos, coloque uma fitinha na bici ou algo para o diferenciar dos demais nas fotos.

      32º DIA: LA PAZ – PUERTO SUAREZ – CORUMBÁ – CAMPO GRANDE
      No sábado, exclusivamente, há opção de voo de La paz a Puerto Suarez com conexão de 5h em Santa Cruz de la Sierra pela T.A.M. Nos outros dias, a opção que nos ofereceram foi um voo a Santa Cruz por 517 Bol. pela empresa Boa, e depois teríamos que fazer o trajeto Santa Cruz – Puerto Quijarro (fronteira) de ônibus (aprox. 150 Bol. e 10 h de viagem)
      Gastos com transporte e tempos de deslocamentos:
      - Táxi bairro Sopocachi – aeroporto (40 min): 60 Bol.
      - Voo La Paz – Puerto Suarez pela T.A.M.: 825 Bol. + 11 Bol. (taxa de embarque)
      - Táxi Puerto Suarez – fronteira Bolívia/Brasil (25 min): 40 Bol. (chorando, geralmente é 50 Bol.)
      - Ônibus urbano da fronteira a rodoviária de Corumbá (30 min): R$2,40. Necessário fazer integração em um terminal.
      - Ônibus empresa Andorinha de Corumbá ao aeroporto de Campo Grande (7h): R$100,50 (tivemos que pegar o executivo; o regular é R$17 mais barato). O ônibus deixa no aeroporto de Campo Grande mesmo. 
      33º DIA: CAMPO GRANDE – BRASÍLIA
      Fizemos em voo da Gol. Fim da viagem! =(
      Gasto total na viagem (excluindo apenas o seguro de viagem): R$4.400,00 – R$4.500,00, em um panorama de desvalorização do real (pegamos cotação média em saque de R$2,34) e também de soles (1U$$ = 2,82S/.).
       


×
×
  • Criar Novo...