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Olá pessoal, resolvi criar esse post desde já com intuito de obter muitas informações que possa agregar e me ajudar a começar a me preparar para a primeira travessia de 32 km da Petro - Terê, eu já fiz Pedra do Sino 3 vezes, mas nunca a travessia, estou ansioso, querendo levar o mínimo de peso, mas sabemos sempre que isso é quase impossível, então irei montar a lista dos equipos que provavelmente irei levar já com algumas imagens. Quem quiser deixar dicas eu agradeço. A data da minha travessia será nos dias 06, 07 e 08 de Julho de 2019, alguns amigos que iram comigo farão a travessia em 2 dias (Sábado e Domingo) eu e uma amiga ficaremos até na segunda feira. Ficaremos no Bivaque do Abrigo Açu e no Bivaque do Abrigo 4 (Pedra do Sino) onde já dormi duas vezes no Bivaque e uma no Camping. Ainda preciso comprar uma bota de trilha porque a minha da The North Face esta com o solado gasto, mas acredito que ainda vá dar tempo porque temos alguns meses pela frente, e preciso também de uma calça resistente pra trilha. 

Vamos a lista de Equipos que já tenho e pretendo levar na mochila e no corpo

Mochila Trilhas e Rumos 68 litros. 

Camisetas de Mangas e sem mangas The North Face, Nike, Adidas, Puma todas respiráveis 

Jaqueta de Plumas de Ganso MacPac Modelo Equinox Alpine Series

Casaco de Fleece The North Face 

Saco de dormir Western Mountaineering modelo Versalite -12ºC

Isolante Térmico EVA Quechua 

Tripe para máquina fotográfica ou celular e Bastão de Selfie 

Bastão de Trilha Quechua 

Lanterna Led de Cabeça 

Calça Forclaz da Decathlon que vira bermuda

Bota Quechua da Decatlhon

 

Ao longo das semanas eu irei postando o que for lembrando e o que a turma recomendar, grato por algum comentário nesse tópico, abraços em todos. 

No vídeo a seguir esta alguns dos equipamentos pela qual estarei levando para minha travessia.. Jaqueta MACPAC e o saco de dormir WM.

 

 

 

 

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  • 3 semanas depois...

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Subi esse sábado passado por Terê e pernoitei no abrigo 4, vi o sol nascer no domingo no Sino e depois desci (precisava testar uns equipamentos pra viagem de férias daqui a 40 dias).  Umas 15 pessoas estavam fazendo a travessia. 

Quanto à calça, levei uma Forclaz Trek900 da Decathlon.  Gostei muito.  Recomendo também um casaco impermeável ou poncho.

Precisa ver se vc vai levar comida pra preparar nos abrigos.  A questão do peso da mochila pode atrapalhar um pouco.

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8 horas atrás, Sergio Maggessi disse:

Subi esse sábado passado por Terê e pernoitei no abrigo 4, vi o sol nascer no domingo no Sino e depois desci (precisava testar uns equipamentos pra viagem de férias daqui a 40 dias).  Umas 15 pessoas estavam fazendo a travessia. 

Quanto à calça, levei uma Forclaz Trek900 da Decathlon.  Gostei muito.  Recomendo também um casaco impermeável ou poncho.

Precisa ver se vc vai levar comida pra preparar nos abrigos.  A questão do peso da mochila pode atrapalhar um pouco.

 

Opa, beleza Sérgio, obrigado pela dica da calça, achei ela bem interessante e bonita, vou dar uma testada nela quando for na loja da Decathlon na Barra, acho que realmente fica mais fácil de a gente experimentar, mas quero ver se acho alguma com preço legal na loja da TNF no Outlet Premium. Quanto ao peso da mochila realmente isso é dificil prever, por mais que tentemos colocar o minimo de peso, sempre acabamos excedendo os nossos limites, mas vou tentar!! Não gosto de passar frio, por isso estou pensando em levar meu saco de dormir de Plumas da Deuter modelo EXPD -22 mesmo ele pesando 2.090 gramas. Preciso realmente de algo impermeável, pois não tenho nada ainda! Atualmente estou com uma jaqueta nova de plumas super leve da The North Face modelo L3 Down Hoodie, tem capuz com regulagem e é bem quente e compacta, acho que não vou levar a MACPAC vermelha da foto acima que é bem mais volumosa, vamos ter que jantar e almoçar no Abrigo mesmo, estou com um down quilt da marca Enlightened que achei bem bacana e além de servir como um edredom, ele também pode ser usado com um saco de dormir junto com o isolante térmico, acho que vai dar tudo certo, estou super ansioso, mas não estou com pressa, pois preciso de tempo e grana para comprar ainda alguns equipos que estão faltando!! Abraços. 

 

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O bivaque é relativamente quente.  Se tiver cheio então... no sábado à noite não tava muito frio, bateu uns 8 ou 9 graus do lado de fora do abrigo.  Outra coisa que testei foi o saco de dormir da Decathlon.  Comprei o mais simples pelo fato de ser mais leve e menor (temperatura de conforto de 15 graus).  Caso tenha que dormir num lugar bem frio, me agasalho bem e entro nele.  Lá no bivaque dormi com uma blusa simples, short e meia.  Não fechei o saco todo e mesmo assim fiquei com um pouco de calor.

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  • 3 semanas depois...
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Em 10/04/2019 em 09:23, Sergio Maggessi disse:

O bivaque é relativamente quente.  Se tiver cheio então... no sábado à noite não tava muito frio, bateu uns 8 ou 9 graus do lado de fora do abrigo.  Outra coisa que testei foi o saco de dormir da Decathlon.  Comprei o mais simples pelo fato de ser mais leve e menor (temperatura de conforto de 15 graus).  Caso tenha que dormir num lugar bem frio, me agasalho bem e entro nele.  Lá no bivaque dormi com uma blusa simples, short e meia.  Não fechei o saco todo e mesmo assim fiquei com um pouco de calor.

Sim, Sergio já passei pela experiência do Bivaque e não foi nada agradável, realmente é exatamente como você descreveu, eu levei o saco de dormir para temperatura negativa e dormi com ele aberto apenas me cobrindo, tinha 18 pessoas lá dentro e ainda fecharam as portas e as janelas que dar pro varandão no Abrigo 4.. sem contar os que roncam, peidam, etc... foi foda, mas consegui sobreviver! 

Cara mesmo assim ainda estou avaliando, um amigo me enviou um novo saco de dormir da marca Western Mountaineering modelo Antelope que parece ser bem confortável e mais leve que o da Deuter que pesa uns 2kg mesmo sendo de plumas, ele é muito acolchoado, abaixo estou postando algumas fotos do modelo que esta chegando pra mim, tomara que ele seja realmente maravilhoso como dizem por ai e segundo informações ele é bem compacto e pesa menos de 2 kg. A jaqueta acho que vai ser a MACPAC mesmo de cor vermelha e já comprei a bota e a calça... agora falta o isolante térmico de qualidade, quero um daqueles que inflam da SeatoSummit. A Calça comprei na Decatlhon modelo TREK 700 H CB, amei esse modelo, super confortável e ainda pode usar como bermuda, a bota muito macia e leve da marca Quechua modelo Forclaz modelo 100 MID WP .. gostei bastante, nessa brincadeira Bota + Calça se lá se foi R$ 589,00

 

 

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Então, finalmente recebi os novos equipamentos pela qual eu tanto esperava, são a jaqueta de plumas da marca Australiana MACPAC modelo Equinox Alpine Series que pesa 700 gramas e o saco de dormir da marca americana Western Mountaineering modelo Versalite que suporta facilmente até -12ºC e pesa apenas 800 gramas. Esses 2 equipamentos são os mais tops que tenho no momento! Já testei a jaqueta no Pico da Bandeira, na verdade não subi o Pico porque estava muito cansado por conta de alguns trabalhos nas noites anteriores e fiquei acampado no Acampamento Terreirão a 2.370 Metros de Altitude onde a temperatura estava em uma média de 7ºC, não tive como medir pois estava sem termômetro, mas ela me aqueceu muito bem e não deixou passar um vento, ela é volumosa, mas compacta e leve mesmo parecendo ser pesada por conta do volume do enchimento de plumas dela!! Os 2 equipamentos usam plumas de 850 Fill Down. 

 

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  • 1 mês depois...
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16 horas atrás, MarisaBrugnara disse:

@Sergio Maggessi vc que já fez o Sino várias vezes , pode me ajudar hahah

Qual ingresso tenho que comprar no site pra fazer só o Sino e acampar no abrigo 4? (Vou levar barraca)

Não quero fazer a travessia toda dessa vez, e só acho o ingresso pra 3 dias e 2 noites.

Oi, Marisa.

Fiz várias vezes treinando, correndo, fazendo bate e volta... kkkkk.  Sem treinar e pernoitando foi só uma vez.

Antes de comprar, liguei pra lá e uma menina me orientou.  Ficou assim (2 pessoas):

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Você teria que trocar de bivaque para camping.  É um pouco mais barato, mas vc não tem acesso à estrutura do abrigo (banho quente, cozinha etc).  Precisa pensar nisso. 

Indo de barraca vc precisa de fogareiro pra cozinhar teu rango, e se quiser tomar banho é frio (banheiro do lado de fora do abrigo).

Depois fala se conseguiu, blz?

Boa trilha!

 

 

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Então pessoal minha experiência foi incrível, no primeiro dia chegamos na entrada do Parque por volta das 08hs, entregamos nossos voucher e nos identificamos, assinamos todos os papéis e começamos a nossa saga, logo de começo você já ver várias águas de nascentes e cachoeiras correndo pela trilha, após o primeiro km começou a nossa subida que achei que ia ser bem mais pesado, até a Pedra do Queijo nossa primeira parada pra lanchar foi bem tranquilo, paramos, lanchamos e tiramos algumas fotos, infelizmente não tínhamos muita visão pois estava com bastante neblina o tempo! Chegando na próxima parada o Ajax, paramos mais uma vez para descansar, comer alguma coisa e repor águas em nossas garrafas de uma nascente bem ao lado da trilha, ficamos ali por uns 10 minutos e prosseguimos até a bem ou mal falada Isabeloca que dizem ser o trecho mais pesado, mas na minha opinião achei tudo tranquilo, e olha que sou meio frouxo.. hahahahaha, em fim.. continuamos nossa subida até o Açu... me enganei quando avistamos uma placa dizendo "Graças a Deus, que graças a Deus que nada.. essa placa foi colocada ali mas na verdade ainda falta bastante para chegar na outra placa com o mesmo dizer.. essa sim a segunda você poder dizer " GRAÇAS A DEUS!"  kkkkkkkk  Chegamos na base do Açu, onde alguns chamam de laje de pedras com umas 5 horas e meia de subida, achei que ia ser pior, nem estava tão cansado assim, fui de boa! No total levamos umas 6 horas e meia até o Abrigo Açu, as paisagens te dão energia e te faz querer chegar logo no cume da montanha, eu me senti muito bem quando me disseram que estávamos perto do Abrigo, estava muito frio, e para minha sorte que amo frio, uma massa de ar Polar estava passando pelo nosso Rio de Janeiro, arrumamos nossas coisas, alguns ficaram no Bivaque do Abrigo Açu e outros do grupo ficaram acampados em barracas e as montaram em baixo das Pedras do Castelo do Açu, se deram bem.. porque no dia seguinte da geada as barracas não congelaram com exceção das que ficaram ao ar livre ao lado do Abrigo do Açu.  

No dia seguinte continuamos nossa travessia, acordamos com muito frio, a noite foi complicado dormir, esquentar os pés era algo muito difícil, mas com o tempo dentro do saco de dormir meus pés foram se aquecendo, bateria nem em sonho deixar fora do saco de dormir, o frio acaba com a bateria e também pode danificar seu celular ou a câmera como aconteceu com o celular de uma amiga que estava na travessia conosco. Na noite de sábado estava um céu lindo com uma lua perfeita, disse para todos que provavelmente iriamos ter uma geada naquela madrugada e não deu outra... de manhã estava tudo congelado, foi lindo ver aquilo pela primeira vez, realização de 2 sonhos, uma de fazer a travessia e a outra de ver gelo pela primeira vez em cima de uma montanha! Ficamos tirando algumas fotos e fazendo alguns vídeos e as 09hs estávamos partindo em direção ao Sino, em alguns trechos do Açú encontramos placas de gelo enormes no qual fizemos alguns registros com fotos e vídeos.. foi irado!! As partes mais preocupantes foram o Elevador, Mergulho e Cavalinho.. não me contaram que depois do cavalinho tinha o jumento e a égua, pois é... após passar pelo cavalinho você ainda tem uma outra pedra enorme para passar por cima dela e depois mais outra e outra.. kkkkk sem contar que tudo isso na beira de um penhasco e do paredão da Pedra do Sino. Mas em fim.. resumindo, chegamos por volta das 17hs no Abrigo Quatro de onde eu e minha amiga Marilene e meu amigo Oziel ficamos mais uma noite pernoitados, o restante da turma tinha de trabalhar na segunda feira e continuaram a descida até a Barragem dentro do Parque Sede Parnaso. Foi dolorido pra eles, fazer travessia em 2 dias é horrível, o legal é aproveitar ao máximo que conseguir de tempo, pena que na manhã de segunda feira o tempo estava fechado e chovendo bem fraco, não dava pra ver nada! As 08:40 eu e minha amiga fomos na Pedra da Baleia fazer algumas postagens já que ali se chega sinal das operadores de celular. Descemos as 10:40 e chegamos na Barragem por volta das 15:30, levamos algo em torno de 5hs descendo da Pedra do Sino até a Barragem dentro do Parque. Foi uma experiência que ficou marcado pro resto de minha vida, e espero no ano que vem quem sabe fazer novamente essa travessia se Deus me permitir e minha esposa também.. rsrsrsrsrsr, esqueci de dizer que a temperatura na manhã de sábado era de -5ºC (Negativo) eu amei cada km, cada paisagem, cada pico, cada subida, cada descida, cada parte daquela montanha é inesquecível, se você ainda não foi, não desista, força, foco e fé! Você vai chegar lá!!! Espero que curtam alguns dos meus registros feito pelo meu celular e de alguns amigos.  Abraços em todos. 

 

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    • Por divanei
      VALE DO GUAXINDUBA
       
                Naquela madruga choveu. Choveu como há tempos não chovia e eu estava feliz por estar numa cama quentinha, abrigado em baixo das cobertas e ficava pensando quem seria trouxa de sair para fazer trilha com um tempo daqueles, mas não demorou muito para a realidade ser jogada na minha cara.
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                Vasculhei o quanto deu e tudo que encontrei foram uma meia dúzia de traclogs( caminhos marcados com GPS) que atingia no máximo 250 a 270 metros de altitude e não passava disso . Minha conclusão seria mais do que obvia: aquele ponto deveria ser o lugar onde os turistas poderiam chegar, era muito provável que ali se fecharia numa garganta alta onde só aqueles mais tarimbados conseguiriam ir adiante, mas eram pura suposições, era preciso pagar para ver, botar os pés no rio e ir conferir pessoalmente.
                A chuva não dava trégua, mas mesmos assim jogamos nossas mochilinhas com o necessário no porta malas do carro e partimos para o bairro Canta Galo, um amontoado de casas junto às margens do Rio Guaxinduba.  Quase 2 km depois de sairmos da Rio-Santos passamos em baixo  do viaduto gigante que fará parte da duplicação da Tamoios e em mais 1 km de estrada desembocamos enfrente à uma estação de tratamento de água da Sabesp, mas logo notamos que nosso caminho ficava uns 300 m antes, uma estradinha entrando na mata. Paramos o carro em uma clareira porque nossa jornada motorizados acabara de chegar ao fim.
                Jogamos as mochilas nas costas e partimos. Ainda chovia um pouco, mas nossa euforia fazia com que desprezássemos esse sofrimento e então nos adiantamos a passos largos, firmes e decididos. O Thiago à frente, esbanjando toda vitalidade dos seus trinta e poucos anos e eu, é claro, tive que me manter firme, consumindo litros de oxigênio para me manter colado nele e não tentar demonstrar as fraquezas dos meus 50 anos nas costas. Minutos depois a estradinha acaba junto a algumas casas e entra numa trilha onde um riacho faz barulho de água boa, mas já estávamos abastecidos e só fizemos seguir atropelando metros e metros. Passamos por um bonito descampado, que rapidamente também é deixado para trás, até nos embrenharmos definitivamente na floresta sombreada.
                Quando entramos nessas trilhas não encontramos nenhuma placa de que o acesso fosse proibido, tão somente havia algo dizendo ser uma área em recuperação e como era uma trilha bem larga, supomos ser bem usada pelos nativos ali da região. E é realmente uma trilha encantadora, com árvores gigantes que nos surpreendem a cada metro percorrido, por ainda estarem de pé tão perto da civilização. A trilha apesar de bem larga, vez ou outra se bifurca e confundi a nossa cabeça e alguns perdidos nos leva às margens do rio, muito provavelmente serviria para acessar algum poço ou cachoeirinha mais turística, mas como o rio está bufando, não nos pareceu valer a pena descer para conferir, então retornávamos e seguíamos por onde nos parecia ser a direção correta, mas bem menos de 1 km depois de começarmos a caminhar, fomos obrigados a nos determos por um instante para prestarmos continência a um espetáculo que a natureza nos reservou : Um exemplar de uma árvore gigante faz com que nossos queixos despenquem das nossas caras. Eu não saberia dizer que árvore seria aquela, não sou botânico e sinceramente não tenho lá grande conhecimento a respeito desse assunto, mas me pareceu ser uma Figueira Brava ou uma Samaúma, mas é puro chute, então se alguém souber o nome que me corrija, mas o certo é que não é possível passar diante de um monstro desse e não sair de lá encantado.
       
                Nossa caminhada segue a passos cada vez mais firmes, alternando pequenas descidas e subidas, mas nada em excesso e uns vinte minutos depois, um clarão surge no meio da floresta verde e junto a um afluente do rio, tropeçamos numa cachoeira enorme que nem esperávamos encontrar. E era realmente grande, uns 20 metros de queda, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, mas o simples fato dela cruzar o nosso caminho, já foi motivo de uma comemoração pelo prazer de tê-la encontrado , tão alta e em tão pouca altitude  e sem saber o nome ainda, mas muito provavelmente ela deve ter um, como referencia vou chamá-la de CACHOEIRA DO PAREDÃO até que eu descubra o verdadeiro nome. E esse nome fictício só me veio à cabeça porque logo à frente, pouco antes de desembocarmos definitivamente no rio, somos apresentados a numa parede gigante, uma muralha de pedra deslumbrante.

                Abandonamos, portanto a cachoeira e passamos raspando na parede e em um minuto caímos no Rio Guaxinduba, mas agora em definitivo. O rio está cheio, mas a chuva quase cessou por completo. Estamos agora bem de frente de outra CACHOEIRA, não tão grande como a anterior, mas com um volume grande, confinado num tubo que forma um salto para dentro de um poço profundo, com a água um pouco escura, mas ainda assim muito limpa. Aqui é mais ou menos a cota 260 de altimetria e é o lugar onde a trilha acaba em definitivo, mesmo porque, agora estamos diante de uma garganta que fecha o rio num amontoado de rochas gigantes, fim da linha para os turistas, daqui para frente é só quem se atreve a botar a faca nos dentes , num caminho incerto, perigoso, é o lugar que separa os homens dos meninos, é hora de aceitar o convite para a aventura.

                Nossa aposta de que esse seria o lugar onde o rio estaria bloqueado foi um acerto um tanto óbvio pela nossa experiência nesses longos anos de exploração selvagem. Num primeiro momento, eu e o Thiago trocamos ideia sobre a possibilidade de escalarmos as grandes rochas, mas era uma subida um tanto exposta com a pedra molhada pelas chuvas recente. Até daria para dar um bote de cima de uma grande rocha e se agarrar à outra, mas um erro de calculo e o escalador seria jogado para dentro da fenda e ali seria moído pela rocha áspera. Então a decisão sensata era, depois de atravessar o rio, ganhar uma canaleta do lado direito e abrir uma passagem para o alto e estando mais acima, varar mato de volta para o rio. E foi isso que fizemos e em poucos minutos retornamos à parte alta dessa primeira cachoeira, justamente de frente para uma cachoeira bem peculiar, onde a água despencava no meio de grandes pedras suspensas e ao nos aproximarmos  dela , um colônia de andorinhas barulhentas nos deu as boas vindas e por também não sabermos o nome, resolvemos marcá-la no mapa como CACHOEIRA DAS ANDORINHAS, mesmo não sendo um nome muito original, foi o que pensamos na hora.

                Paramos por um tempo para apreciar a cachoeira e tomar um gole de água. Uma analise fria já nos diz que escalar a cachoeira não é possível e muito menos viável cruzar para a margem esquerda do rio, então só nos restava a velha tática de varar mato. Também do lado direito foi que descobrimos uma abertura que nos levou rapidamente até o pé de uma parede íngreme, mas que surpreendentemente formou uma escada de raízes no barranco, onde apoiávamos primeiro as mãos e depois os pés até nos elevarmos a parte superior da Cachoeira das Andorinhas, varando um mato cheio de espinhos e descendo desescalando pedras lisas até o rio. Estávamos bem de frente a uma ilha no meio do rio e do outro lado nos pareceu haver mais uma grande cachoeira e para la chegarmos , tivemos que desenrolar uma travessia de meio rio, antes mesmo de pularmos para o meio da ilha, onde bem perto , mais uma cachoeirinha despencava.
                Cruzamos o rio nos valendo de algumas partes mais rasas, mas mesmo assim com a água quase pela cintura até ficarmos bem de frente com a cachoeira maior que buscávamos. Não era tão alta, mas despencava de forma bem peculiar, com um pequeno tobogã encima que fazia com que ela se transformasse num chuveiro e ao seu lado o rio saltava em mais um cachoeirinha, formando um cenário agradável  e mais uma vez, sem saber se existia um nome, vou marcá-la como CACHOEIRA DO CHUVEIRÃO, nome não muito bonito, mas deve servir de referência.

                Pensei em continuar nossa jornada atravessando para o lado esquerdo do rio, porque me pareceu que seria fácil passar, mas logo o Thiago me avisa que mais à frente o rio se enfia num pequeno cânion, onde poderíamos ter problemas e insiste em nos mantermos no lado direito. Pulamos para a ilha e começamos a escalar algumas pedras íngremes até voltarmos para o rio, onde ariscamos passar numa parte profunda nos valendo de um apoio ao lado de uma parede do rio, cairmos novamente numa língua de mato e voltarmos para o rio na tentativa derradeira de chegarmos ao nosso objetivo principal.
                Não eram nem nove da manhã quando à nossa frente um clarão branco despencando de um paredão nos ofuscou os olhos. Ainda em meio às árvores e rochas, que nos fechava o caminho, essa visão ia se alternando entre ficar visível e sumir. Eu e o Thiaguinho nem conversamos sobre o assunto, apenas nos mantemos focados em escalar matacões gigantes, numa tentativa desesperada de ganharmos terreno o mais rápido possível. A chuva se foi, milagrosamente a água deixou de cair do céu e adentramos numa toca que era mais apertada quem o útero das nossas mães, mas passamos, encolhendo a barriga, mas passamos e emergimos do outro lado, aos pés de uma grande rocha. O Thiago foi à frente, abrindo caminho na quiçaça até se ver numa fenda entre duas pedras. Ele se equilibrou sobre um tronco de árvore podre, enquanto eu o avisava para que tomasse cuidado. Assim que ele passou, dei um salto e ganhei também o outro lado, e juntos, de cima daquela pedra escorregadia, saltamos para a gloria final, sobre um platô, de frente para o Objeto da nossa conquista pessoal.
                Diante nos nossos olhos, em toda sua magnitude e esplendor, muito mais bela do que poderíamos imaginar, um turbilhão de água saltava de cima da  parede, primeiro vindo de um tobogã de uns 200 metros , depois caindo no vazio de uma altura mais ou menos de uns 30 ou  35 metros no total. Uma cachoeira se espalhando sobre a parede, onde parte do seu véu se ocultava atrás de uma grande rocha. Recebendo suas águas, um laguinho se esparramava até onde estávamos e mesmo com o rio cheio pelas chuvas recentes, ainda assim a água continuava bonita e bem apresentável. A força da água se jogando da montanha formava uma névoa sobre nós e o vento balançava a vegetação ao nosso redor, nos fazendo sentir um pouco de frio, mas pouco nos importava, a cachoeira GRANDE DO GUAXINDUBA  era nossa, apenas dois aventureiros abobados, inebriados, testemunhas oculares de um espetáculo e se mesmo sabendo ser provável que não sejamos os primeiros a pisar ali, felizes estávamos por termos certezas que era uma visão presenciada por não mais de meia dúzia, então não nos restou outra coisa, senão  nos abraçarmos e comemorarmos o sucesso daquela empreitada.

                   O Thiaginho estava eufórico, um menino hipnotizado pela descoberta bem no quintal de casa. Eu fiquei ali, parado , estático, sentindo aquele momento e feliz por ter me levantado daquela cama quentinha hoje pela manhã. Mas é preciso contar o resto desta história e não deixar passar nada do que presenciávamos ali naquele momento. Se já não bastasse aquela cachoeira, que fechava o vale com uma beleza inenarrável , ao lado dela, despencando de um afluente do lado esquerdo, outra queda d'água formava o cenário perfeito, uma união de dois acidentes geográficos numa obra de arte da natureza que não precisava de retoques. Nossas cabeças rodopiava entre um cenário e outro , mas antes de perdermos o foco diante de tão deslumbrante cenário, nos sentamos para não cair e aproveitamos para comermos algo , ali mesmo ao lado dessa outra queda, que aqui temporariamente chamo de PEQUENA DO GUAXINDUBA e assim marcamos no mapa, mais uma na nossa lista de lugares perdidos no Lado Escuro da Serra do Mar Paulista.

                Chegamos no lugar onde havíamos deslumbrado chegar, mas sendo ainda muito cedo, resolvemos esticar ainda mais a aventura. Decidimos por escalar o grande paredão para tentarmos chegar ao alto da Cachoeira Grande. Analisamos o terreno e era fácil supor que pela direita seria impossível passar, diante de uma parede de quase  noventa graus de inclinação, então só nos restava fazer um ataque pela esquerda, não da cachoeira grande, mas ao lado da pequena , a cachoeira do afluente. Usando nossa técnica inovadora de nos segurarmos em tudo e qualquer coisa que aguentasse nosso peso, nos pomos a nos elevar parede acima até ganharmos o alto do afluente e transpor suas águas, ganhando terreno lentamente, varando mato, escalando outros tantos de pedras escorregadias até firmarmos uma diagonal e voltarmos novamente para o leito do rio principal, bem acima de onde as águas se jogavam no vazio.

                Estamos agora encima do olho do furacão, uma rampa inclinada de impressionantes cerca de 200 metros, um tobogã descendo numa pedra lisa com não mais de dois palmos de água, mas numa velocidade "maior que a da luz". Eu e o Thiago até deslumbramos a possibilidade de poder descer em uma parte da rampa, onde o rio se projeta em um poço, mas a velocidade era tamanha que poderia nos jogar não para fora do poço, mas para fora da via láctea, então deixamos quieto. Lá do alto, era possível avistar paisagens a beira mar, montanhas e formações rochosas, mas por causa do tempo instável, não conseguimos ver o oceano dessa vez . 

                Chegamos aos 500 metros de altimetria, poderíamos ter seguido subido o rio, mas nos demos por satisfeito, ainda mais porque não estávamos preparados para passar a noite com conforto, então antes das 10 da manhã, resolvemos optar pela volta, havíamos cumprido o objetivo que havíamos traçado quando nos levantamos da cama quente pela manhã e enfrentamos tempo ruim atrás de mais uma aventura autentica. Por sorte a chuva parou, o tempo abriu e quando retornamos para o pé da CACHOEIRA GRANDE DO GUAXINDUBA, ela estava ainda mais deslumbrante e o Thiago resolveu fazer as honras da casa, se jogando para debaixo dela, lavando a alma, enquanto eu o observava lá de fora, contente pela felicidade do amigo.

      Quando o Thiago se cansou de tomar banho de cachoeira, apanhamos nossas mochilas e partimos de volta, mas dessa vez, num ritmo muito maior, ainda porque, o rio estava um pouco mais baixo e já conhecíamos as passagens chaves. Fizemos uma pequena parada na Cachoeira das Andorinhas para um breve lanche, ganhamos novamente o vara-mato que nos levou de volta a trilha, assim que atravessamos novamente o rio para sua margem direita, agora de quem desce e aceleramos o passo, num perde e acha até que subitamente desembocamos na estrada, junto a clareira onde havíamos deixado nosso veículo, missão cumprida.

               
                Antes das 14 horas, estacionamos nossos corpos na Praia do Capricórnio em Caraguatatuba, foi uma caminhada linda, deslumbrante. Eu e o Thiago imprimimos um ritmo de gente grande, voamos rio acima, fomos comendo mato e destruindo altimetria como nunca e levamos 7 horas de caminhada entre ir e voltar. Na manga, mais uma descoberta, numa serra que não para de nos surpreender, lugares onde poucos pés humanos ousaram tocar, um paraíso reservado a um seleto grupo de exploradores , onde a natureza cercou e pela dificuldade de acesso, continuará lá , preservado por muito tempo, sendo mais uma entre tantas outras nessa SERRA DO MAR PAULISTA, a serra que tem cheiro de aventura.
               
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      2020 ano imprevisível. Ficamos a deriva desde fevereiro. Toda a temporada de montanha foi se embora, as viagens minguaram. Precisamos recorrer a destinos não antes planejados.
      Foi assim que topamos com a Ferrovia do Trigo, como descrevi em relato anterior, conseguimos fazer um circuito pelo Campo dos Padres em setembro e cinco dias antes de sairmos para a Serra Geral catarinense, recebemos um convite para fazer o trekking Guaporé Muçum. É claro que já havíamos ouvido falar e lido algum relato, mas não estávamos muito iterados sobre. Não gosto de perder oportunidades, então, após uma lida rápida em um relato e olhadela no wikiloc aceitei a proposta. O trekking não tem muito segredo é autoguiado, e a logística também é tranquila.
      Chegando ao Início
      De Urubici descemos por Lages, Vacaria até Muçum. A viagem já foi um charme, depois de Vacaria, entrei em uma área  de vinhedos e colonização italiana (Ipê, Antônio Prado, Nova Prata etc.) com muitas capelas, colinas e construções majestosas. Acredito que faça parte de alguma rota turística, mas como não conheço muito do RS né. Resumindo, estou pensando em voltar para lá fazer um tour bem longo.

      Saímos em Guaporé e fomos dormir em Muçum, no Hotel Marchetti, talvez seja o único da cidade. Fizemos um acordo com o proprietário que permitiu deixarmos o carro por ali, sob supervisão dele. E diga se de passagem o rapaz foi nota mil, além de zelar pelos carros, o hotel é fantástico, dá show em muito Ibis por aí. Excelente atendimento, limpeza impecável e o café da manhã top.
      No dia seguinte pegamos o ônibus suicida para Guaporé. A viagem foi uma história. Começou quando perdi a passagem, e tive de entrar no ônibus sem ela, ainda bem que o motorista não encrencou. Durante o trajeto nos contou muitas de suas peripécias, quando dirigia carretas, vários golpes em danceterias e restaurantes (talvez ele estivesse achando que eu estava dando o balão na passagem). De repente, a 90 km/h ele vira para a esquerda num portal dentro do vale, o coração quase sai pela boca. A conversa acabou até Guaporé (acabou o fôlego ou rezávamos para que não houvesse outro drift). Descemos na entrada de Guaporé, e a poucos metros já podíamos ver os trilhos.
      A Trilha
      Começamos a trilha, meio desconfiados com alguns carros de fiscalização parados ali na estação. Mas logo estávamos todos no ritmo dos dormentes. Os primeiros 6 km são monótonos, os passos ainda teimam em ser descompassados (é cada bicuda no trilho/dormente). Então começam os viadutos, e a direita o vale começa se exibir.

      Lá pelo terceiro/quarto viaduto já é possível ver o majestoso Rio Guaporé a bailar no vale. Surgem os primeiros túneis. Uns curtos, outros alongados, mas nada muito incrível. Topamos com a equipe de manutenção logo cedo, foi o teste que precisamos para ter certeza que não seríamos proibidos de passar por ali, afinal andar nos trilhos não é tão "legal" assim. Batemos um papo, tudo ok, seguimos.
      Já eram 14:00 quando chegamos no primeiro grande viaduto, vazado, muito alto e comprido. Cautelosamente passamos. Só fomos saber no dia seguinte que era o Mula-preta.

      Ali do lado tinha um sinal de acampamento, mas como era cedo e os destroços indicava fluxo de pessoas considerável, resolvemos seguir. Pouco tempo depois entramos num túnel infinito. Foram 40 min no meio do breu. Apenas os pontos de luz das lanternas indicava a existência de vida naquele buraco. Saímos do túnel de 2000 m já num local ideal para o pernoite. Uma estrada de caça ao lado da ferrovia, com sinal de acampamento, a poucos metros de um córrego de água limpa. Armamos as barracas, e só fomos acordados às 02:45 quando o gigante de aço rasgou a escuridão com seus olhos de fogo e silvo de dragão.
      No dia dois, começamos a caminhada era idos 07:00. Mais alguns túneis e chegamos no Viaduto Pesseguinho (esse possui placa de identificação), de posse dessa informação já suspeitamos que aquele do dia anterior era o Mula-preta.

      Quando estávamos parados para tirar algumas fotos e recuperar o fôlego fomos surpreendidos por um senhor vestidos de militar. A abordagem foi bem categórica:
      - Os senhores sabem que é proibido andar nos trilhos? - Indagou o militar.
      - Sim senhor, está escrito em letras garrafais na placa ali da entrada do viaduto. - Respondo em tom bagual, hshs.
      - Então o que fazem aí em cima? - Retrucou o homem.
      - Estamos a fazer a travessia. - Mudei o tom, para não criar problemas.
      Logo de início tinha percebido que o 'militar' era proprietário do camping ali embaixo. Ele frustrado com o movimento veio desabafar. Tentou aplicar um sermão, falando que a polícia estava prendendo e que haviam câmeras na entrada, saída e no camping dele, que iria passar para a polícia e estaríamos encrencados. Ouvi pacientemente. Ele acalmou e depois esclareceu algumas dúvidas, contou alguns acontecimentos da travessia recentes, passamos quase 1h conversando (no final do dia fomo saber que esse proprietário costuma causar alguns problemas por ali, inclusive já foi preso por abordar trekkers armado).
      Passado essa lorota seguimos. Atravessando viadutos, mergulhando em túneis, eles estão por toda a parte. O Rio Guaporé a cada curva é mais bonito.

      Depois de passar pela Cachoeira da Garganta com muita gente, na altura dos 35 km paramos para almoçar. Como o maps.ME indica um cachoeira ali perto, não tive dúvidas, achei uma trilha e fui procurá-la com um dos parceiro. Andamos 2 km morro adentro até sair nas margens do Guaporé, lindo de águas turquesas. Mas nada da cachoeira, o pequeno resquício de água nem chegava no Guaporé. Desistimos de fazer a incursão pelo leito seco até a base da queda.


      De volta aos trilhos, passamos mais um viaduto e na entrada do seguinte, saindo para à esquerda tem uma cascata. Paramos para reabastecer e curtir um pouco.
      Cruzamos mais um túnel longo, com uma seção vazada, para sair no viaduto V13. Ao longo desse dia tínhamos passado por mais dois tuneis de aproximadamente 1km cada. No V13 dei razão para o milico, algumas centenas de pessoas desfilavam sobre os trilhos e dentro do túnel, tinham crianças, pessoas de mobilidade reduzida, bêbados, drogados, pessoas com caixas de bebidas e caixas de som, uma verdadeira zona. Imagina o perigo se o guarda trilhos ou até mesmo o trem se aproxima (há relatos recentes de situações bastante tensas envolvendo trens e pessoas irresponsáveis nos pontos de acesso fácil ao longo da travessia).
      .
      Nesse dia nós descemos os 1200 m até a base do V13 para dormir em um camping (Paraíso V13). Diga-se de passagem fomos muito bem recebidos, ate travesseiro teve gente que emprestou dos proprietários. No camping, além da área coberta para a barraca (acertamos em cheio) tem uma cachoeira nos fundos muito legal que vale a visita.

      Nosso terceiro dia amanheceu debaixo de água. Desmontamos o equipamento, cobrimos com capa de chuva e seguimos morro acima. A chuva não deu trégua. Era tanta água que não se podia ver de uma ponta a outra do V13.

      Com todo cuidado do mundo, os dormentes agora estavam liso, seguimos caminhando. Mais uma série de túneis, todos curtos. Outra série de viadutos, nenhum vazado. A paisagem estava perfeita, a umidade deixa as cores mais intensas, das encostas despencavam dezenas de cachoeiras sazonais, fruto da chuva impiedosa.
      Não demorou muito para se formarem grandes alagados nas margens do trilhos. Local para descanso e refeição somente dentro dos túneis quando não estavam alagados. Em um deles, paramos e de repente um ronco ensurdecedor entrou na escuridão, luzes seguiam nosso sentido contrário. Paramos no recuo, coração na mão, uma das luzes (tive a impressão) saiu dos trilho e veio pra cima, foram longos segundos, um filme passou na cabeça, pensei em tudo que perderia, quando então, a luz vira novamente para o outro lado e escuto gritos e buzinas. Eram duas motos de trilha. Não sabia eu se chorava, xingava ou agradecia.
      Adiante em outro túnel estávamos almoçando quando o limpa trilhos passou, fui uma correria só para as áreas de escape, não gosto de arriscar a canaleta, vi nesse ano um vagão (na serra do cadeado) arrastando um pedaço de madeira por dentro da canaleta.
      Seguimos adiante, o relevo muda, passamos por alguns cortes de rocha imponentes. E no último grande viaduto ainda avistamos um bando de macacos pretos (não consegui identificar a espécie), estavam todos agitados nas copas das árvores.

      A caminhada voltou a ficar monótona nos últimos 6 km. Apenas grandes poças de água, o Guaporé some no meio da vegetação e a única surpresa foi a reformada estação ferroviária de muçum. Muita gente termina por aí, chamando um táxi ou seguindo pelo asfalto.

      Nós optamos por caminhar pelos trilhos até o centro de Muçum, descendo logo depois do primeiro viaduto sobre a rodovia. No total foram 60 km, 22 túneis e 16 viadutos.
      Depois de um banho merecido, melhor de se secar, o banho já havia sido o dia todo, fomos fazer o desjejum na lanchonete principal da praça de Muçum para no dia seguinte retornar às terras paranaenses.
      No Youtube coloquei um vídeo que mostra um pouco mais do trajeto, https://youtu.be/-Odmah6b8rU
       
      Dados que podem interessar
      A ferrovia EF491 também conhecida como ferrovia do Trigo percorre entre os municípios de Roca Sales e Passo Fundo. Comercialmente pouco explorada, hoje serve apenas para transporte de combustíveis por escassas locomotivas, e a partir de 2020 passou a receber uma rota turística. Entre os municípios de Muçum e Guaporé, que engloba também Vespasiano Correa e Dois Lageados a estrada acompanha o Rio Guaporé, percorrendo uma série de túneis, vales e encostas. Nesse pequeno trecho de pouco mais de 60 km se concentram 22 túneis dos 34 da ferrovia e 16 viadutos dos 26.
      As principais atrações do trecho, que podem ser acessadas durante a travessia ou em caminhadas curtas ou ainda chegando de carro pelas estradas de manutenção da ferrovia, são:  
      Viaduto Mula-preta em Guaporé, possui 94 metros de altura, 360m de extensão e dormentes vazados, um desafio para quem tem ou não medo de altura; Viaduto Pesseguinho, também vazado, possui mais de 80m de altura e 368 de comprimento; Viaduto V13 com 143m de altura é o mais alto viaduto das Américas; Cascata da Garganta adaptação da engenharia onde um riacho mergulha para dentro da terra em uma cachoeira que flui abaixo dos trilhos. Está situada entre os viadutos Pesseguinho e V13; Túnel de 2km perfuração dentro do morro que percorres 2000 m entre os viadutos Mula-preta e Pesseguinho; Túnel vazado com cerca de 1300 m está na chegada do V13. A 300 m da entrada dele estão algumas aberturas (janelões) de frente para o vale do Rio Guaporé; Cascatinha ao lado da entrada do terceiro túnel segundo túnel depois da Garganta (sentido Guaporé Muçum), de águas límpidas e queda macia ideal para descanso; Cascata Bem Estar situada anexa ao Pesseguinho é acessível a partir do camping na base desse viaduto; Rio Guaporé visível em mais de metade da travessia. Um dos locais de acesso à suas margens fica entre o terceiro e quarto túneis a partir do V13. Existem ainda muitos outros locais interessantes para se visitar pela região, cascatas, rochas, vales e passeios. Só pegar a mochila estudar os roteiros e se jogar.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Num dia qualquer eu navegava na rede quando em uma postagem alguém comentou: "que saudade dessa terra, ... avistar o horizonte do Morro dos Ventos". O nome do morro atiçou na hora minha curiosidade, já fiz um insight com "O Morro dos Ventos Uivantes".  Pesquisei sobre qual terra o comentário se referia: era bem próximo de onde moramos. O morro fica em Nova Tebas no Paraná.
      Revirei, na internet, com conhecidos, a fim de localizar as coordenadas do morro, mas encontrei apenas fotos e alguns relatos escassos sobre o lugar. Peguei uma carta topográfica da região a fim de localizar uma montanha imponente onde possivelmente seria o Morro. Fiz anotações, marquei alguns pontos, e decidi ir com a cara e a coragem, se não encontrar acampo em alguma fazenda e no outro dia voltamos.
      Tudo acertado, sairíamos de Águas de Jurema uns 20 Km do distrito de Poema minha referência para encontrar o Morro. Escolhemos fazer o percurso a pé, já que a carta desenhava inúmeros vales e montanhas, queríamos aproveitar a caminhada.
      Curiosamente, no penúltimo dia antes da partida um dos contatos que havia encontrado na internet e pedido informações à semanas já, me deu retorno, e então começou uma corrente de uma pessoa me indicar  outra que poderia saber me orientar a chegar no morro. Depois de passar por 5 indicações diferentes, cheguei ao nome de um morador. Este indicou outro morador que autorizaria a entrada na propriedade, já que, o objetivo fica dentro de uma área de pastagem, e claro não queríamos que lá pelas tantas da noite alguns cães famintos aparecessem.
      Saímos, eu, Bruna e o Anderson às 12:45 de Águas de Jurema, pegamos uma estrada, continuação da Rua H. Seguimos em frente por essa estrada, os primeiros quilômetros foram em estradas comuns - com exceção das laranjas, a cada km tinha uma laranjeira carregada, sempre seguimos à esquerda nos cruzamentos. Após 2 h de caminhada a paisagem começa a deslumbrar, o primeiro vale que avistamos tirava o fôlego.
      Sabíamos que atravessá-lo não seria moleza, apenas queríamos ir por ele e descobrir onde ia dar. Mais algumas horas e cruzamos em meio a duas colinas, num lado da estrada pitorescas moradias - nos causam uma pequena inveja - como queria morar lá.  Assim que contornamos a colina, mais um vale, dessa vez menor, mas não, menos incrível. Neste paramos em uma das casas pedir água - já que recusamos beber um trago, kkk. Dois senhores embriagados dormiam na estrada e quando foram acordados por nós convidaram para participar da bebedeira, kkkk. Na casa uma senhora simpática ofereceu água da bica, pura água da fonte. Sede controlada, cantis cheios, pegamos mais algumas mexericas na beira da estrada e partimos, já se iam quase 3 h na estrada.

      Quando chegamos em Poema já se passavam das 16:30, mais água e seguimos rumo a uma região conhecida como 400 alqueires, mais vales traçavam linhas tênues no horizonte. O sol já se ia, mais 1 h na estrada e avistamos a igreja uma referência que tínhamos. Levamos mais 40 min para contornar a colina e então chegarmos na casa que nos autorizaria entrar no Morro. O morador nos forneceu autorização e disse que poderíamos dormir ali, e apontou do outro lado da estrada um morro, que parecia modesto, visto tão de perto. Esperávamos um Morro imponente, que necessitasse de escalar e tudo, kkkk. Até ficamos surpresos com a sua modéstia. Após a porteira começamos uma subida de 10 min. Chegamos lá com o breu, vigiados pela lua lá no infinito.
      Fogueira feita, no meio de pedras para não ter perigo, entramos noite adentro contando histórias. Se tem recompensa maior que ouvir as pessoas ao redor de um fogueira, desconheço. Dormimos curiosos pelo visual da manhã seguinte. Confesso que desconfiados do tímido morro onde paramos.

      Foi só bater 5 h, levantei avivar a fogueira, e ... quase esqueço o fogo, fico de queixo caído. Além do vento que cortava a relva, um vale imensurável, com a minha barraca de frente. Fiquei mais tarde sabendo que se chama Vale das Mortes, não sei a origem do nome.

      Não demorou muito até todos acordarem. A foto daquele momento saiu com caras e dentes, e muitos cabelos rebelados.

      Recompensados pelo caminho do dia anterior, mais que recompensados, após apagar a fogueira, 8:00 começamos o caminho de volta. Tiramos uma foto do Morro dos Ventos, visto da estrada, nem parece o que é, só olhando para o Vale das Mortes dá de entender por que tem esse nome místico. Mais 5 h de caminhada, tênis do Anderson rasgado e amarrado com o cordão para não perder a sola, uma parada no Rio Muquilão para relaxar a musculatura e dar descanso para as mochilas. Estávamos nós novamente em Águas de Jurema, com mais uma história, não mais uma, mas a história da jornada ao Morro dos Ventos.



    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Havia tempos que o ponto culminante do meu estado e de toda a região sul estava no meu radar.
      Desde janeiro ajustando datas com meus parceiros, sempre aparecia um imprevisto e o Pico Paraná ia esperando. Em 20 de junho novamente fiquei sozinho, mas dessa vez, parti sozinho mesmo de Campo Mourão.
      Estava ansioso, pois queria chegar ao Pico Caratuva para acampar antes de anoitecer, afinal estava sozinho. Enquanto calçava a bota, o fiscal da Fazenda PP fez meu cadastro e cobrou singelos R$ 10,00. Enquanto ele foi buscar o troco troquei a camiseta, e nada de voltar com meus "nique" quando achei o rapaz: ele estava procurando um ser de camisa vermelha, kkkk, eu antes de trocar.
      Saí ansioso, às 16:10 o ritmo a partir da portaria são os Óreas (deuses da mantonha) quem determinam. Como estavam receptivos, em 25 min alcancei a bifurcação das trilha PP x Caratuva.

      À esquerda a trilha no começo estava bem ruim, com muitas árvores caídas exigindo manobras para passar sobre os troncos com a mochila carregada. Logo à frente, se dividia novamente, agora sem sinalização e sem sinal GPS. O faro indicava à direita. Porém já percebi que à direita também tem uma bifurcação, depois de uma olhadela vi tratar-se de uma trilha para a bica de água; segui pela outra. Com o suor já aparecendo, começa a verdadeira batalha. São aproximadamente 1500 m de subida constante, uma escalaminhada sem fim. Pedras, raízes enormes, barro, barrancos, 40 min praticamente engatinhando pela encosta.
      Eram 17:15 quando pela primeira vez, depois do Morro do Getúlio, conseguia enxergar algo além de chão e árvores. As árvores começaram a ficar menores e o terreno começa a perder inclinação, sinal de que estamos chegando em alguma área plana, seria o cume?
      Poucos minutos mais e pude avistar o resto de Sol que se escondia no horizonte e às 17:40 as primeiras barracas apareceram pra mim. Havia chego a montanha em 2 h. Arrumei um cantinho, meio torto mesmo: o pico estava lotado de gente.
      Logo chegou um pessoal que eu havia passado na trilha, eles vinham se comunicando por meio de berros, kkkk. Da mesma forma chegaram no cume, e fariam ainda muita algazarra no acampamento até que os o russo revoltado acabar com aquilo. Montando a barraca, ofereceu-me ajuda um montanhista que estava por ali, gentil, não recusei é claro. Batemos um longo papo, descobrimos que no outro dia iríamos acampar no PP.
      O entorno do Caratuva estava todo fechado, só aparecia o cume do PP  lá na frente. Logo o breu tomou conta, junto uma neblina congelante. Foram longos minutos enclausurado dentro da Quick Hikker 2, tomando café. Mais tarde o tempo limpou deixando o céu embebido de estrelas, levando nos a uma profunda reflexão. Durante toda a noite seria assim, minutos de imergir na imensidão do firmamento, e minutos de se esconder dentro da barraca; colocar até a cabeça dentro do saco de dormir.
      No dia seguinte, às 06:00 todos já estavam ansiosos pelo espetáculo. Apenas os cumes do Caratuva, PP, Ibitirati e Taipabuçu estavam à mostra, o restante da Serra estava embebido por Morfeu.

      Eram 07:05 quando Apolo empurrou seu Astro no nascente. Uma sinfonia perfeita com o acampamento e as emoções que irradiam no peito do espectadores. Foram aproximadamente 8 min, talvez os mais emblemáticos da história de cada um que estava ali.

      Preparei um café prevendo um dia encharcado e intenso. Depois explorei o cume para preencher o livro e identificar os irmãos menores. O Pico Itapiroca estava descoberto da neblina e pude observar os campistas lá no horizonte. Desmontei a tralha, reuni tudo e às 08:25 coloquei a cargueira no ombros a saí, a ideia era descer o Caratuva pelo leste, passando pela bica para reabastecer. Depois de analisar o mapa parti, por uma trilha fechada depois do acampamento no sentido nordeste, a neblina tomava conta da serra, a visibilidade não chegava a 15 m. Pouco adiante a trilha dividiu-se: uma quase inexistente, a outra com sinais de tráfego, segui a mais usada apesar de o senso dizer o contrário. Não demorei a dar de cara com um penhasco, a trilha terminava ali, ao menos o que parece. Humildemente retornei a bifurcação e segui o instinto pela trilha fechada; em menos de 200 m estava encharcado. A trilha exige muito, no meio do nada, sem enxergar nada. Pedras enormes e escorregadias, barrancos lisos, trechos enlameados. No meio da mata a trilha não aparece, é preciso seguir com calma buscando indícios de cada um tempo algumas fitas amarelas sinalizam por onde deveria passar a trilha.

      Naquela penumbra toda não consegui achar a bifurcação que levava a bica, e devido a dificuldade de se locomover por ali, nem fiz questão de pegar o celular para verificar o GPS. Segui por 1,5 h no meio da nuvem, para o lado que virasse dava para sentir os desfiladeiros. Chegando no A1 tive de voltar uns 400 m buscar água na bica, afinal meu suprimento estava terminando e não estava afim de arriscar no A2 e descobrir que não haveria água. Na fonte conheci um grupo de Palmital, São Paulo, que ia em ataque ao PP. Acabamos seguindo juntos até o o elevador. Foi uma caminhada longa, mas agora a trilha é bem demarcada, chega a fazer uma vala. A crista toda envolvida pela neblina não víamos nada além dos 15 m.
      De repente o mergulho e um maciço escuro, ainda coberto pela nuvem, se desenha na nossa frente. A perna treme, mas, não dá para desistir. Lá vamos nós (não todos, alguns abandonam aqui) pelo elevador, se revezando com quem desce, com quem trava no meio. O grupo que eu acompanhava parou para descansar, a mim não era uma opção, afinal molhado com estava, certamente, se parasse, o frio castigaria. Segui em frente, sozinho agora. Rochas e mais rochas, em alguns lugares o caminho some na neblina, em outros é preciso passar por fendas apertadíssimas. Encontrei muita gente descendo, eles me animavam ao contar que lá em cima estaria aberto o tempo.
      Após passar de banda pelo A2, pelo A3, não tinha muito por que parar, o frio era grande, e a neblina não arredava pé.
      Depois de quase 4 h caminhando, dei de frente com um último paredão de pedra, alguns lances da ferrata e saí no meio de uma galera. Tinha chegado ao PP! Olhei de um lado, olhei de outro, e nada, custei acreditar que tinha chegado; cadê o tempo aberto que tinham me falado, mal dava para enxergar o entorno. Logo veio uma onda e levou as nuvens do cume, dando dimensão da minha posição. Fui o primeiro a armar acampamento naquele dia, muitos que chegaram após às 14 h, tiveram de descer e acampar no A3 ou A2, o cume estava lotado. O resto da tarde seria de expectativa, em curtos espaços de tempo as nuvens dispersavam e dava para ver o cume do Ibitirati, montanha irmã. Lá de cima um grupo de montanhista gritava feito doido e acenava durante esses lapsos de tempo. Dava para perceber que não pediam socorro, só queriam algazarrear mesmo. No fim do dia ainda foi possível avistar um pedaço do crepúsculo, gerando ansiedade com a alvorada do dia seguinte. Durante a noite, mais um espetáculo, as nuvens foram embora como uma cortina que se abre mostrando o interior da morada aos passantes. O céu com suas luzinhas incríveis carregando pedidos infinitos fez vigília.
      Às 04:00 do dia seguinte todo mundo já estava em pé. Na mesma situação, tudo coberto por Morfeu. Faltavam minutos para Apolo começar sua dança, quando Morfeu retirou seu batalhão, e o êxtase tomou conta do cume. Em minuto tudo estava à mostra, desde a Baía de Antonina até o Cerro Verde e o Ferraria. Neste momento o espírito da montanha enche-nos da sua perseverança, e como estátua, só percebo estar vivo devido à respiração diante de tão bela alvorada.
      Foram intermináveis 10 min. Lágrimas que bailam na face e o sentimento de que não há melhor lugar para se estar. Após me empanturrar com as comidas em excesso que carregava, tudo regado a café, pude identificar a crista que havia descido no dia anterior do Caratuva ao A1 em meio à neblina, fiquei arrepiado.

      Ficamos conversando com os montanhistas que havia conhecido no Caratuva que, também arrumaram seu cantinho por ali. Pena que não pude esperá-los para a descida, eu precisava estar às 15:00 na base. Comecei a descida às 10:45, logo alcancei um grupo descendo. Conversamos, trocamos contatos, acabamos descendo juntos. Até carona para a Capital dei a um deles. Acabei adiantando um pouco na trilha, principalmente no trecho entre o A1 e o cruzo do Caratuva, parte que eu havia desviado no primeiro dia. Esse foi o trecho mais complicado de toda a conquista, são intermináveis raízes e barrancos lisos, quase pior que encarar o russo e a trilha escondida do dia anterior.
      Parei na Pedra do Grito para esperar minha nova parceria de viagem. Acordei com um grupo de 38 noviças, todas em vestes característica, de um branco engomado, tules e rendas chegaram subindo rumo ao Getúlio. Podem até ter subido mas garanto que vai dar trabalho para limpar todo o estrago nas vestes.
      Eram 15:10 quando chegamos na base. Desfeita a tralha, tomei um banho de gato, e pegamos a rodovia. Já eram 23:15 quando dei por encerrada com sucesso a aventura, comemorando com uma bela pizza no capricho.



       

       
       
       
    • Por divanei
      HUACACHINA - PERU
       
                Pela janela do ônibus vão nos saltando aos olhos uma paisagem desoladora, como se uma guerra nuclear tivesse destruído e acabado com tudo. Minha esposa já havia me interpelado uma dezena de vezes o porquê de estarmos nos dirigindo para o sul do Peru, numa paisagem feia de dar dó , ainda mais depois de termos passado uma dezena de dias espetaculares, com paisagens de sonhos, junto à Cordilheira Branca , na região de Huaraz.

               
                Me mantive firme no meu propósito e ao invés de deixar que o desânimo tomasse conta de mim, me concentrei no outro lado do ônibus , onde o Oceano Pacífico insistia em nos dizer que o deserto não era tão feio quanto parecia. Mas não era a paisagem natural que nos assolava a alma e sim as construções e habitações dos povoados e pequenas cidades, casas cobertas de palha ou sem uma cobertura de telhado, apenas uma laje apinhada de tranqueiras e ferros espostos, coisa feia de se ver, toda empoeirada, numa sujeira desgostosa, praticamente sem nenhuma árvore.

       
                A falta de telhado era mais do que justificável, muito porque estávamos em meio ao deserto, onde praticamente não chove e mesmo na capital do país não há telhados, não como temos no Brasil. O ônibus que pegamos custou uma ninharia, não mais que 25 reais para 6 horas de viagem, mas foi pegando gente a laço pelo caminho, num sobe e desce interminável e mesmo no outono, fazia um calor dos infernos, sem ar condicionado ou qualquer outra mordomia, mas era o preço pela economia. Vendedores entravam a todo momento, vendendo de tudo que se possa imaginar, principalmente comida e petiscos, alguns com uma cara muito boa, outros nem tanto.

                Já era começo de tarde quando desembarcamos em ICA, uma cidade até grande se comparada ao porte dos vilarejos que passamos, mas o trânsito caótico, com carros barulheiros e tuk-tuk espalhados para todos os lados. Com as cargueiras gigantes nas costas, fruto das bugigangas compradas na Cordilheira, saímos à procura de um restaurante para almoçar, mas se tem uma coisa que peruano gosta, é comer, e achar algo vazio que conseguisse nos atender foi quase impossível. Minha mulher já estava emputecida pela situação, pela viagem extremamente cansativa, mas muito mais pela paisagem, do qual ainda não compreendia porque havíamos andado tanto para ver coisa alguma que prestasse.
                Por fim, resolvi logo abandonar Ica e me dirigir para o nosso destino, o objetivo daquela viagem, e embarcamos no primeiro taxi que nos abordou, uma lata velha caindo aos pedaços, que por uns 8 reais, chacoalhou por 5 km até nos desovar no meio do Deserto, num vilarejo cercado de Dunas Gigantes e com uma lagoa no meio e as caras carrancudas, deram lugar a um sorriso de orelha a orelha em meio à uma das mais belas paisagens do mundo, HUACACHINA era nossa.

       
                 O Oásis é um lugar turístico e como tal, também pratica preços muito acima de outros lugares no Peru, ainda mais por ser fim de semana, mas foi só dar uma volta no minúsculo lugar para conseguir algo que coubesse no nosso bolso. O problema é que as coisas são tão baratas no Peru, que já havíamos nos acostumados com um padrão de preço e os 80 reais pagos na hospedagem nos pareceu uma fortuna, mas quando entramos no hotel e nos deparamos com uma acomodação chic , com banheira e até uma cozinha, minha esposa se alegrou de uma tal maneira que acabei achando que foi barato e comparado as hospedagem no Brasil, foi mesmo uma pechincha.

       
       
       
       
                Tomamos banho e fomos conhecer o vilarejo. As dunas são as mais altas do nosso continente e é quase impossível tirar os olhos delas, numa paisagem surpreendentemente diferente de tudo que vimos na vida. O lago e suas palmeiras dão um charme especial, ainda que hoje digam que ele é abastecido artificialmente. Como é um lugar turístico, é todo cercado de lojas, bares, hotéis, agências de turismo e todo tipo de comércio. Como é final de tarde, todo mundo se dirige para o alto de alguma duna para apreciar o pôr do sol, mas nós estávamos bem cansados e deixamos isso para o dia seguinte. Outra coisa que é um sucesso por ali é o passeio de bug, mas não são esses bugs mequetrefes que temos no litoral do Brasil não, são monstros construídos para destruir as dunas, mas nós mesmo não estávamos a fim de chacoalhar pelo deserto, já estávamos acostumados com nosso modesto 4 x 4 e em se tratando de emoção, nosso NIVA não ficava devendo nada para aqueles transformes peruanos.
                Depois que jantamos eu já deslumbrei dar a volta nas dunas no dia seguinte, coisa que minha mulher caiu fora, não passava pela cabeça dela levantar às 6 da manhã para escalar dunas de areia. Então no outro dia bem cedinho, apanhei minha mochilinha, coloquei uma garrafa d’água, uma máquina fotográfica, um lanche e assim que ganhei a rua, já enfiei os pés na areia e fui ganhando altitude. Mas era um passo para cima e dois passos para trás e mesmo ainda sendo nas primeiras horas da manhã, a areia fervia de tão quente e me senti um beduíno no meio do deserto.
                Aquela era a primeira experiência minha escalando uma duna e não demorou nadica para perceber que acabei subestimando aquele monumento natural. A areia quente começou a fritar meus pés e como estava apenas de sandálias, comecei a ficar desesperado. Parava às vezes e cavava um buraco na areia, tentando buscar um terreno menos quente, mas isso pouco resolvia, então a única coisa que consegui pensar foi a de colocar nos pés numa capa de saco de dormir que acabou ficando dentro da mochilinha e um saco de batatas fritas aluminado, aí eu já estava no desespero, meus miolos já haviam fritado também ou eu chegava logo no topo da duna ou tava morto.
       
       
                Do alto da grande muralha de areia o mundo se modificou. Lá embaixo o Oásis de Huacachina parecia uma pintura de um quadro e ao meu redor, o deserto parecia ter me introduzido dentro de um romance passado no Saara. O vento levantava uma areia fina e mesmo o sol queimando meus pés, ainda assim o encanto era maior que aquele sofrimento momentâneo. Cavei um buraco ainda maior e nele me enfiei, dando alívio aos meus pés e assim tive um maior conforto para apreciar aquela paisagem que talvez eu jamais veja novamente, talvez não com aquela proporção. Mas a minha intenção era a de dar a volta no oásis, então peguei minha mochilinha, tomei um gole d’água e parti, agora caminhando em nível, galgando as lombadas do terreno até que ser obrigado a abandonar a duna e quebrar à direita em direção aos bugs estacionados perto de um outro pequeno oásis.

                Perco altura lentamente, mas logo sou obrigado a despencar barranco à baixo porque a areia quente volta a fritar meus pés. O sofrimento recomeça e me vejo em desespero novamente, mas dessa vez o negócio ficou sério, então corro feito um calango do deserto até que chego à sobra de um dos bugs gigantes. Poderia muito bem abandonar aquela caminhada e a partir dali, voltar novamente para o hotel seguindo a trilha de areia que desce ao vilarejo, mas não vou arregar tão cedo.
                Continuo subindo até que passo pela caixa d’água instalada nesse selado de dunas, tomo um fôlego, ajeito a proteção tosca que havia colocado nos pés e sigo subindo até que alcanço de vez o cume mais alto daquele mostro de areia. São impressionantes o tamanho e a altura dessas dunas, de onde posso avistar povoados distantes, perdido num mundo árido e seco, sem árvores e totalmente desolados. Mas é justamente isso que torna esse oásis tão espetacularmente belo, é um sopro de vida no meio do caus. 

                Minha água acabou, o sol já destrói minha pele, mas mesmo assim continuo caminhando, agora em nível sobre o cume da duna, quase completando os 360 graus ao redor de Huacachina, mas antes que esse ciclo se feche, resolvo fazer algo inusitado: despencar da duna mais alta do nosso continente, ao invés de ir perdendo altura lentamente em direção ao vilarejo. Aos saltos e aos pulos, vou escorregando rapidamente, quase sem controle e quando a força da gravidade resolve fazer troça da minha pessoa, perco o controle totalmente e saio rolando desgovernadamente. Uma hora vejo o céu, outra hora vejo areia, outra hora o topo da duna, outra hora já não vejo mais nada. Meus olhos, meu nariz, minha boca foi tomada pela areia fina. Minha mochila e minhas sandálias se perderam nas dunas e eu virei passageiro do além e do acaso. Miséria dos infernos!!!! Sou um homem humilhado. Me levanto da surra e procuro saber onde estou e quem sou eu e logo  um monte de turistas, que estão passando nos pés das dunas me fazem recobrar a memória. Os japoneses ficam rindo e apontando para mim e eu apenas faço cara de paisagem, viro as costas e volto a subir a duna atrás dos meus pertences, só não encontrei minha dignidade. Recolho tudo e volto a descer até chegar a um chafariz no vilarejo, onde aproveito para lavar meus olhos, enquanto eu próprio não me contenho e caio na gargalhada com o ocorrido.
                Quando chego de volta ao hotel, sou obrigado a me jogar dentro de uma banheira de águas frias e por lá ficar até que meus pés se acalmem das queimaduras e eu consiga me livrar de toda areia que foi entrando em cada orifício. Resolvido o problema, saímos para um passeio mais demorado. É possível nadar no lago ou mesmo andar com umas canoas ou pedalinhos, mas eu queria mesmo era experimentar uma descida de sandboard, uma espécie de surf na areia, onde você pode alugar uma prancha pagando míseros 5 reais por 1 hora. Eu já havia feito isso uns 20 anos atrás nas praias da Joaquina em Florianópolis, mas havia me esquecido que não era tão fácil parar em pé como eu pensava e só fiz cair naquela desgraça, rolar sem rumo e encher meus olhos e meu nariz novamente de areia. Mas já que havia fracassado no surf de areia, ficamos por lá para assistir ao pôr do sol, isso sim era sucesso garantido.
                Huacachina é mesmo especial, um lugarzinho legal para descansar , experimentar umas comidinhas diferente ou simplesmente não fazer nada e como não fazer nada já começa a me irritar, tratamos logo de pegar nossas tralhar e picar a mula para outras paragens, fomos rumo ao Oceanos Pacífico, lá para as bandas de Paracás, outro lugarzinho lindo, com caminhadas e pedaladas para belas praias de águas geladas, onde pelicanos fazem sua morada, mas essa é outra história, o certo é que uma viagem ao Peru tem a capacidade de mudar sua visão de mundo para sempre, ninguém vai ao Peru e volta a mesma pessoa.

       
       



               
               
       
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