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Circuito W Torres del Paine (com El Calafate, El Chaltén e Ushuaia)

Posts Recomendados

Em junho de 2018 resolvemos comprar nossas passagens e nos aventurarmos pelas terras geladas da patagônia em Janeiro.

ANTES DE IR:

Planeje! Pesquise e prepare os bolsos: a patagônia é realmente cara!

Fomos em Janeiro de 2019 e pagamos mais ou menos o seguinte câmbio

1 REAL = 10 PESOS ARGENTINOS

1REAL = 168 PESOS CHILENOS

Farei dois posts de relato: um da patagônia argentina (El Calafate, El Chaltén e Ushuaia) e um da patagônia chilena (circuito W do Parque Nacional Torres del Paine)

Vou escrever nosso relato dia a dia do seguinte roteiro que fizemos:

31/12- sp-el calafate + reveillon

01/01- Passeio calafate

02/01- Glaciar perito Moreno + ir pra el chalten

03/01- Trilha maior el chalten

04/01- Passeio por el chalten

05/01- el chalten>puerto natales

06/01- w torres del paine

07/01- w torres del paine

08/01- w torres del paine

09/01- w torres del paine

10/01- puerto natales>ushuaia (busão)

11/01- Ushuaia

12/01- Ushuaia

13/01- retorno + buenos aires

Para o relato sobre a Patagônia argentina: AQUI

Aqui dou início a parte mais desafiadora da nossa viagem: realizar o circuito W do parque Torres del Paine. Pra início de conversa, pra iniciantes nessa arte, esse é um trekking que exige muito preparo e planejamento. Li muitos relatos e blogs de pessoas que realizaram o circuito e eu só consegui realmente compreender o parque e as trilhas fazendo. E a dica que sempre li e preciso dar é: apenas vá! O parque me surpreendeu de todas as maneiras possíveis! Nas belezas naturais, na conservação do local, no clima, na estrutura dos campings e eu mesma me surpreendi por ter conseguido fazer tanto, que é a melhor sensação! Neste relato sobre o Torres del Paine, vou colocar um pouco do nosso planejamento, dicas, considerações e depois o relato dia a dia.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TORRES DEL PAINE

 

  • Circuito W

Fizemos o Circuito W no sentido Torres > Paine Grande em 4 dias e 3 noites

Dessa maneira fica um pouco apertado no quesito tempo. O terceiro dia ficou MUITO pesado de forma que não conseguimos aproveitar tanto o 4º dia e nem finalizar o circuito propriamente dito. Se você for experiente em trekking e tiver em ótima forma física, dá pra fazer. Mas se você tiver um preparo mediano, quiser fazer com mais tranquilidade, curtindo bem o caminho (e as dores kkk) recomendo em 5 dias. Vi muitos relatos também sobre fazer o W invertido (começar em Paine grande e terminar nas Torres). A vista do W invertido realmente deve ser mais bonita, andando de frente pros Los Cuernos e para o lago Nordenskjold. Porém, novamente, se seu preparo físico não for excelente, você vai chegar inevitavelmente muito cansado no último dia e aí corre o risco de não chegar até as torres del paine ou chegar a base de muito sofrimento e remédios. Não me arrependo de termos feito da maneira que fizemos, mesmo sendo em 4 dias, devido ao nosso tempo e roteiro de viagem. A única coisa que poderia ter sido melhor é ter dormido no Acampamento Francês, pois reduziria uns 3km do terceiro dia, mas não achamos vaga neles quando fizemos nossas reservas. Ainda assim, amamos a hospedagem no Camping Los Cuernos!

Resumo do nosso roteiro:

Dia 1: Chegada, subida Torres del Paine. Dormimos: Campamento central

Dia 2: Ir do Central para Campamento Los Cuernos

Dia 3: Trilhas mirador francês e britânico e chegar ao Campamento Paine Grande

Dia 4: Trilha glaciar Grey e ir embora do parque

  • Acomodações

No nosso caso, alugamos as barracas, colchãozinho e sacos de dormir, então não tivemos que levar nada disso. Esse “pacote” de hospedagem nos acampamentos custou cerca de 100 dólares por noite pra duas pessoas em uma barraca. Existem as opções em que você leva essas coisas, com a desvantagem de ter que carregar tudo por boa parte do percurso. Outra coisa: um bom saco de dormir -15 graus é grande e pesa! E com um saco menos ‘potente’ que isso você vai acabar passando frio! Existem também as opções mais ‘fancy’, nos hotéis, dormitórios e cabanas ou com refeições inclusas. Grande parte das refeições você tem que reservar antes. Esse pacote é BEM mais caro e não chegamos nem a cogitar. Se estiver com um dinheirinho sobrando, recomendo fazer uma reserva de jantar/almoço pro seu último dia.

  • O que levar

Vou postar a lista que fiz antes de ir com o que levei e comentar o que achei:

- Mochila grande

- Mochila de ataque (nós levamos um mochilão 50L e uma mochila 20L pro casal. Então nos dias que tinha que carregar o mochilão pela trilha o homi deu conta dele - uns 10kg- e eu com a outra - uns 3kg. Para as trilhas levávamos só a de 20L e fomos revezando. Funcionou bem pra nós!)

- Capa impermeável para mochila (nem usamos, mas demos MUITA sorte com o clima. Pegamos umas gotinha de chuva no segundo dia e SÓ!)

- Vestuário

01 bota de trilha (usada e amaciada antes!)

01 chinelo

01 casaco corta-vento impermeável (ou aqueles fofinhos boneco-michellin. Foi o que usei e funcionou. O ruim é que as vezes ficava suada, mas tirava e sentia frio! Eterno poe casaco-tira casaco)

01 fleece (quando não tava tão frio usava ele sem o casaco, quando muito frio ele por baixo do casaco)

01 ou 02 blusas térmicas (Levei só uma e usei só pra dormir)

02 blusas de manga/camiseta - tipo academia. (aqui errei! Levaria uma pra cada dia, dessas de tecido molinho que absorve suor e de manga ou manga comprida com proteção UV)

02 calças (corta-vento, legging, fleece) (errei feio também! Levaria uma calça de trekking boa e uma legging, fim!)

01 luva (não levei- achei que fez falta só em alguns trechos bem frios pra segurar o bastão de trekking)

01 gorro (bem essencial!)

01 cachecol/pescoceira/lenço (recomendo muito a pescoceira! Ela serve de faixa pro cabelo ou pra proteger o pescoço.)

03 meias de trekking (se tiver problemas em reaproveitar meias, leve 4)

01 pijama (dormi com a blusa e a calça térmica que levei)

Higiene

01 toalha microfibra

01 sabonete

01 protetor solar (rosto e corpo)

01 hidratante (rosto e corpo – eu tenho a pele bem sensível e com o frio e sol que tava fazendo meu rosto ficou acabado! Antes de dormir estava passando um óleo de cabelo no rosto pq estava MUITO ressecado!)

01 shampoo/condicionador pequeno

01 protetor labial/bepantol (ESSENCIAL!!!)

01 pacote lenço umedecido

01 rolo de papel higiênico

Remédios que achar necessário (os antiinflamatórios foram essenciais pros joelhos!)

Utilitários

Lanterna (o dia dura muito! Acabamos nem usando)

Cantil/garrafa (bem essencial! Uma de 1L por pessoa)

Boné/Chapéu (esqueci e me ferrei!)

Óculos de sol

Bastão de trekking (não levei e me ferrei MUITO! EXTREMAMENTE ESSENCIAL!)

Fogareiro e gás

Panela (levamos uma panelinha véia de casa mesmo. Tinha uma galera com umas panelas profissionais de camping!)

Pratos, talheres e caneca/copo (também levamos o que tinha de plástico em casa)

Canivete

Cadeado (bom pra fechar a barraca em alguns momentos)

 - Alimentação

Modéstia à parte, arrasamos muito no planejamento da alimentação! Podia ter sido melhor, mas nossas jantas ficaram bem confortantes! O Pedro (namorado) não queria comer miojo ou sopa pronta todos os dias, pq ele acha que não dá sustância. E realmente, depois de um dia inteiro andando, carregando peso, almoçando sanduíche, no fim do dia vc quer comida! Nos preocupamos e planejamos muito bem essa parte pra não estragar o passeio (ambos não são pessoas agradáveis quando com fome!)

Vou descrever o que levamos por refeições:

- Café da manhã:

Levamos café solúvel (compramos em Chaltén, mas podia ter levado do brasil), chás e comíamos pão com manteiga e alguma outra coisa, tipo mortadela ou salaminho. No mercado que fizemos compras em Calafate tinham uns panetones em promoção e levamos também! Haha! Esses comemos logo nos primeiros dias pra diminuir o volume carregado. Nos primeiros dias tínhamos também frutas: maçã e bananas.

- Lanche da Manhã/Tarde

No brasil compramos em lojas a granel castanhas e frutas secas. Separamos essas porções em 4 saquinhos com um pouco de tudo, um para cada dia. Levamos também barrinhas de proteínas e um doce de amendoim (única coisa que não enjoamos de comer!). A vantagem dessa compra a granel também foi não gerar lixo durante a trilha. Isso tudo é muito gostoso e pareceu (e é!) uma boa ideia, mas deu uma enjoada. No terceiro dia já não aguentávamos ver as castanhas mais! (Até hoje, quase três meses depois ainda não consegui voltar a sentir vontade de comer castanhas, sos!)

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- Almoço

Em calafate compramos todos os tipos de pães (baguete, pão de forma e rap), aquelas bisnagas tipo de mortadela, salaminho (alguns levamos do Brasil também). O pessoal comprou também um patê de carne enlatado e atum, mas não foi uma ideia muito boa isso não... No último dia o almoço e café da manhã ficaram meio judiados, pq só tinha Rap, por isso planejaria melhor essa parte.

- Jantar

Como disse antes, essa foi a parte que planejamos bem, pois era nossa maior preocupação! Como os fogareiros eram pequenos, cada casal (éramos 3 casais) fez seu planejamento.

Janta 1: única que não levamos do Brasil. Compramos um pacote de macarrão desidratado sabor 4 queijos em Chalten e cozinhamos com os legumes que levamos (beterraba e cenoura). Pedro esqueceu que já vinha temperado e tascou sal no negócio, mas tirando isso ficou bom!

Janta 2: levamos do Brasil um pacote de frango cozido e desfiado à vácuo (Vazpa) (Pedro tinha essa exigência da proteína animal. Achamos a carne desfiada muito cara!) e levamos também um arroz de saquinho com “legumes” (esse pacote vem com dois saquinho e cada um dá tranquilamente pra duas pessoas). Nesse dia arrasamos no jantar com uma carne e dois acompanhamentos (arroz + legumes cozidos) feitos em uma panela e um fogareiro (e meu prato da barbie em formato de coração, é claro!)!

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Janta 3: também do Brasil levamos esse pacote de risoto de funghi (pacote verde Vailigiana) e em calafate compramos o purê de batata em pó (só misturar água e manteiga e pronto), misturamos o frango a isso e pronto! Esse dia tava bem bom (ou estávamos muito cansados! Hahaha). Levamos um saquinho com sal e um com alho amassado (feito em El Chalten e que deixou um cheiro delicioso nos mochilões!) que ajudaram a dar um gostinho a mais nas comidas!

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RELATO DIA A DIA

 

Chegando em Puerto Natales (05/01/19)

Pegamos um ônibus pela Bus Sur de Calafate para Puerto Natales saindo às 16h30. Na fronteira da argentina-chile passamos um pequeno aperto pq eles falam que não poderia entrar no chile com alimentos. Tem uma lista específica, mas no ônibus não tínhamos acesso a ela e estávamos levando um bom carregamento de comida pra nos sustentar no parque. No papel que temos que preencher pra imigração vc deve marcar se está ou não entrando com alimentos e declarar. Ficamos naquela dúvida se declarávamos ou não e por fim o moço do nosso ônibus estava instruindo que todos marcassem NÃO. Marcamos o não e seguimos pra imigração onde eles colocam todos os mochilões no chão para um cão farejador analisar e nossas bagagens de mão passam num raio x. Deu tudo certo com os mochilões e uma mochila de mão que estava com mais comida foi vistoriada após o raio x, mas a moça falou que aquele tipo de comida não tinha problema! Ufla! Em Puerto Natales ficamos hospedados no Hostel Akrya, que era bem perto da rodoviária. Eram quartos pra dois com banheiro compartilhado. Tinha um café da manhã bem simples, mas que quebrou um galho pela nossa correria. Foi basicamente tudo que conhecemos de Puerto Natales, já que usamos a cidade apenas como base para ir para o Parque Torres del Paine. Dormimos nesse hostel nessa noite e na que voltamos do parque e deixamos boa parte da nossa bagagem nele, já que levamos só o essencial para o Parque.

Dia 01 circuito W (06/01/19)

Pegamos o ônibus em Puerto Natales às 7h da manhã pela empresa JB. Custou 10.000 pesos ida e volta. O preço de cada trecho separado seria 7.500 nessa empresa. Mais a frente digo se isso valeu a pena ou não. A ida foi tranquila, são cerca de 2h até a portaria da Laguna Amarga, onde todos os ônibus param e todos tem que descer até a recepção do parque pra fazer o registro, pagar a entrada (21.000 pesos chilenos), recebemos mapas e orientações. Quem vai fazer o W invertido volta pro ônibus pra seguir pra portaria do Pudeto e quem vai começar pelas torres aguarda o ônibus preto que leva ao hotel las torres e camping central. Pra entrar nesse ônibus é um caos, não tem fila e a galera fica no maior desespero! Nos enfiamos lá e conseguimos entrar no primeiro ônibus. Na entrada do ônibus tem que pagar 3.000 pesos por pessoa. Chegando na região do central tem uma boa estrutura com uma cafeteria (a partir de agora pode preparar o bolso pq é tudo MUITO caro! Espertos e mão de vaca que somos levamos TODA a nossa comida pros 4 dias). Fomos ao banheiro e seguimos numa caminhada de 5min até o camping. Fizemos o check in deixamos os mochilões na barraca, preparamos a mochila pra subir, fizemos um lanche e seguimos pra trilha do mirador das torres, já que já estava bem tarde (11:20 da manhã).

Sobre a trilha: é uma trilha de 11km de subida até a base das torres. O dia começou meio nublado e foi abrindo. Diferente do Fitz Roy, não temos muita visão das montanhas das torres no caminho ou mesmo do camping e a trilha em si não tem tantos miradores no caminho. Saindo do camping central percorremos uns 2km de planície até o início da subida que inicia mais inclinada e com pedra e cascalhos e dura por cerca de 3km. Chegamos ao Passo dos Vientos onde estava realmente ventando MUITO e tive até medo de parar pra tirar foto e ser empurrada pelo vento praquele precipício. Essa parte tem uma vista realmente bonita pro vale e o rio lá embaixo. É a única parte um pouco mais plana e sem cascalho. Depois tem uma descida até o Refugio Chileno. Tem um restaurante e café e banheiros pra usar. Fizemos um lanchinho (quando ainda gostávamos de frutas secas e castanhas! Haha) e seguimos!

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Daí pra frente é só subida, não é tão inclinada, mas dá uma canseira. Faltando cerca de 1,0 km pra chegar, um pouco depois da Área de Acampar Torres começa a subida de verdade! A intenção era parar nesse ponto, usar o banheiro, comer nossos sanduíches e refletir se iríamos subir ou não. Porém, passamos direto do campamento sem ver e quando percebemos já estávamos iniciando a subida! Haha! Paramos pro sanduíche mesmo assim e seguimos. Não é uma subida fácil! É realmente inclinado e por pedras, a trilha nem fica um caminho tão claro, mas sempre tem uns indicadores laranja do caminho. E finalmente chegamos ao mirador! Chegamos lá às 16:30 e o mirador “fecha” às 17h. Foi o tempo de apreciar a beleza do lugar, tirar umas fotinhas, passar muito frio, ver uns floquinhos de neve caindo e voltar. A descida foi foda! Os joelhos sentindo e como já estava tarde tentamos dar uma acelerada. Entre mortos e feridos, todos chegamos vivos ao camping (por volta de 21h)!

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Dia 02 circuito W (07/01/19)

Na noite desse dia iriamos dormir no Los cuernos, então a programação era supostamente leve: 12km. Só que com mochilão nas costas. Como estávamos em casais e havíamos fechado o pacote full camping (barraca + colchãozinho + saco de dormir) nossas mochilas eram de comida, roupa contada pros dias e utensílios de cozinha. Os meninos foram levando o mochilão e as meninas a mochila menor (20L). O check out do camping central era as 8:00. Demos uma enrolada e acabamos saindo umas 9:30, não sem antes levar umas chamadas de atenção dos caras do camping, pedindo que nós liberássemos as barracas. Fomos andando tranquilamente, essa trilha tem algumas subidas e descidas, mas nenhuma MUITO pesada (tipo a das torres do dia anterior), e muitas vistas maravilhosas do lago Nordenskjold.

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Parávamos a cada 1,5km e assim chegamos lá às 15:30. Tiramos o resto da tarde pra descansar e fazer uma janta mais cedo. Achamos esse camping o que tinha a melhor infraestrutura. Os banheiros eram limpos e organizados, banho quente (até demais!), tinha shampoo e sabonete dentro dos boxes! O bar também era bem estruturado e a comida tinha uma cara boa. A área de cozinha pra quem estava no camping também era bem agradável. Além da vista do camping para o los cuernos! Não é permitido deixar lixo nesse camping, você deve levar TUDO com você. Esse foi um pequeno erro de planejamento nosso, já que fizemos alguns legumes nesse dia e tivemos que sair carregando todas as cascas, restos e embalagens. O resultado foi uma mochila bem fedida pelo próximo dia todo e por muitos dias subsequentes.

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Dia 03 circuito W (08/01/19)

Sabíamos que esse seria o dia mais pesado, brace yourselves! Para fazer todo o caminho incluindo o mirador britânico seriam 27km, sendo 12km com o mochilão nas costas. Saímos do Los Cuernos às 7:45 e seguimos até o Camping Italiano. O caminho até lá foi tranquilo, com algumas subidinhas, uma vegetação mais fechada e belas vistas pro Lago Nordenskjold.

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Chegamos ao Italiano umas 10:30, seguindo o tempo previsto no planejamento. Daí sentamos pra decidir se iriamos encarar o mirador francês. Uma pessoa do grupo estava sentindo dores no joelho e decidiu seguir direto com a esposa pro Camping Paine Grande. Nós, os outros 4, deixamos o mochilão no italiano e decidimos subir o mirador. Sobre o camping italiano: ele é um camping público sem muita conservação, então nem tente usar o seu banheiro!

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Seguimos então rumo ao mirador francês, com limites de horário e sem almejar muito o britânico. O caminho é bem de subida de pedra (como a primeira parte das torres) por 2km. No meio do caminho fomos presenteados com um avalanche inacreditável do monte francês que fez todos ficarem de queixo caído! Chegamos ao mirador francês com 1h10 (o tempo previsto é de 1h30), ficamos admirando aquela montanha com todo seu gelo, o dia estava muito lindo, bem limpo! Essa foi uma das minhas vistas preferidas de todo o parque!

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E tomamos a ousada decisão de seguir para o mirador britânico. São mais 4,5km, mas achei o caminho bem mais tranquilo que a primeira subida. A trilha é toda por dentro dos bosques, com uma inclinação bem mais amigável. Somente os últimos 300m são bem íngrimes (como o último trecho das torres) mas subimos essa última parte com 10min. Por fim, após 1h30 (tempo previsto era de 2h), chegamos ao britânico onde se tem uma vista 360o de várias montanhas do parque e do lago. É realmente impressionante, ainda mais com o dia limpo e claro que pegamos, mas acho que ainda gostei mais da vista do francês. In the end, it’s all about the journey!

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Começamos a nossa jornada de volta, demos uma última parada no francês que conseguiu ficar mais ensolarado e belo e chegamos ao italiano com quase 2h. Demos aquele pequeno descanso e recuperada do fôlego, afinal, ainda tínhamos mais 7,5km pra andar até o camping de mochilão. Saímos do italiano às 17:30. O caminho até paine grande é bem tranquilo, com pouquíssimas subidas e descidas. Mas a essa altura do campeonato, qualquer subidinha pra nós já era um Everest! Hahaha (o riso era de desespero!)! Nesse trecho passamos pela parte do parque que sofreu uma queimada em 2011/2012. Alguns acharam a paisagem bonita, eu achei de uma beleza meio triste, só conseguia pensar que tudo que o homem toca ele destrói... Reflexões à parte, as costas dessa trilha dá bem pros Los Cuernos e com o dia maravilhoso que estava fazendo a vista estava privilegiada. Mas dado nosso cansaço mal conseguimos aproveitar. Paine grande parecia cada vez mais distante e chegar lá nesse dia não foi fácil... mas chegamos com 2h30! E nada se compara a essa sensação de vitória.

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Sobre o camping Paine Grande: ele tem uma ótima infraestrutura! O hotel com restaurante e bar fica bem acessível pra quem está no camping (diferente do las torres, que é mais distante), a estrutura de cozinha e banheiro pro camping é boa. Porém temos algumas reclamações: o staff é muito mal educado e desorganizado! Chegamos mortos e demoramos muito pra fazer o check in e o cara que foi nos levar pra nossa barraca saiu abrindo várias barracas pra ver onde iria nos colocar. Tivemos que deixar um documento como garantia pros sacos de dormir. As barracas eram colocadas no chão mesmo, não tinha um tablado como nos outros campings, o que fez MUITA diferença na hora de dormir, pois o chão não era muito nivelado, então foi tipo dormir numa inclinação negativa. Tinha horário pra usar a cozinha e para o banho (18h às 22h). Chegamos 20h, o check in demorou e tivemos que fazer todo o resto correndo. Quando estávamos terminando de fazer a comida deu o horário da cozinha fechar e fomos expulsos do lugar. Parte do  grupo teve que comer no frio, nas mesinhas de fora. Por fim fomos ao bar e pagamos 26 reais (4000 pesos chilenos) numa latinha de cerveja austral!!! E quando deu 23h fomos expulsos do bar! Não gostamos muito do tratamento dos funcionários com as pessoas que estavam no camping. O que nos surpreendeu é que nada disso aconteceu nos campings da Fantastico Sur (o Paine Grande é da Vertice)!

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Dia 04 circuito W (09/01/19)

Enfim, pelo menos a vista da barraca pro Los Cuernos pela manhã estava espetacular! Acordamos bem cedo e ficamos fazendo o café da manhã nas mesinhas de fora (já que a cozinha só abria as 7h!). A pretensão do dia era chegar no refúgio Grey e voltar (22km total) pra pegar o barco e ir embora. Sobre o barco: no fim da tarde tem dois horários na alta temporada, às 17:00 e às 18:35. Existem 90 vagas no barco (teoricamente) e a fila começa a se formar uns 40min a 1h antes. Como havíamos comprado o ônibus das 19h, estávamos planejando pegar o barco das 18:35.

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Poréeeem, quando começamos a caminhar o cansaço do dia anterior bateu forte! Com algum sacrifício e falta de motivação fomos até o mirante do glaciar Grey, comemos aquelas castanhas e uva passas (que já não aguentávamos ver mais! Haha) e decidimos fazer o caminho de volta na tentativa de pegar um barco mais cedo.

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Chegamos no Paine Grande 12:30 e aí descobrimos que só teria o barco de 17:00 mesmo. O que nos restou então foi adentrar as dependências do hotel e nos estirar nos sofás de um lounge e dormir com uma bela vista até a hora do barco! Uns 40min antes fomos pra fila, o vento estava muito forte, apesar do sol. Esse ticket custa 20.000 pesos por pessoa e vc pode pagar no barco.

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Pegamos o barco de 17:00 e demora uns 30min até a portaria. E quando chegamos lá o ônibus da nossa empresa só sairia mesmo as 19:00. Teve um ônibus da Bus Sur que saiu antes, às 18:00. Por isso disse que não sei se vale a pena comprar os tickets do ônibus antes. Pq no estado que estávamos, daríamos tudo pra ter ido embora mais cedo! Mas enfim, ficamos numa cafeteria que tem lá e comemos os ovos mexidos com pão mais caro da vida (5000 pesos = 30 reais) até dar a hora de entrar no ônibus, que saiu atrasado. Esse ônibus demora uns 30min até a portaria das torres e nesse trajeto tivemos uma das melhores surpresas: vimos uma puma!!! Seguimos então até Puerto Natales onde chegamos umas 22:00, famintos por comida de verdade! Seguindo a recomendação de alguém da rodoviária, fomos ao restaurante mais próximo de lá. Fomos muito bem atendidos, tiramos a barriga da miséria e ainda fizemos a maior bagunça no karaokê! Haha! O prato com entrada custou 4.000 pesos (o mesmo valor de uma lata de cerveja no torres 😑). Voltamos pro nosso hostel, refizemos nossos mochilões, dormimos bem pouco, pra pegar nosso ônibus pra Ushuaia na manhã seguinte (continuação do relato dessa viagem).

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Enfim, assim terminou nossa aventura pelo Chile e no parque Torres del Paine! Sinceramente, foi um dos lugares mais incríveis que já vi na vida! Além de toda a experiência de superação e realização! Se tiver a oportunidade, apenas vá!

(Todas as fotos desse relato são minhas - instagram @nathalia.rg - ou do casal que viajou conosco - instagram @a2sobrerodas)

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Também está no topo da minha lista dos desejos. Belíssima viagem, ótimo relato. Bastante atenção aos detalhes inclusive comida (boas ideias).

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    • Por gleydy
      Olá amigos,
      voltei este ano com mais uma viagem e de volta à Patagônia. A primeira foi Ushuaia e agora foi a vez de El Calafate (ARG), El Chaltén (ARG) e Torres Del Paine (CHI).
      Foi uma viagem para a liberdade das trilhas, mesmo sabendo que algumas seriam dolorosas já que tenho problemas no joelho, mas valeu cada dorzinha. Para quem gosta de estar ao ar livre, vendo a natureza na sua forma mais pura e linda, recomendo esta viagem, mais especificamente El Chaltén  👣👣
      Vamos às dicas e narração dos fatos mais importante que vivenciei. Fotos não são tá importantes, já que se pesquisae no Google encontra mais bonitas que as minhas, mas colocarei algumas no final da narração.
      Saímos de Florianópolis para El Cafalte pelas Aerolíneas Argentinas. Cabe uma observação aqui em relação a essa companhia aérea: é uma empresa que trata seus passageiros com muito respeito. Ocorrem imprevistos sim, porém são solucionados da melhor forma possível sem causar stress aos seus clientes. Não ficamos nem um minuto no limbo sem saber o que fazer devido a algum problema de mudança de horário ou cancelamento. Eles realocam de forma a não perder teus próximos vôos e se não houver essa possibilidade, acham uma solução nem que seja bancar estadia em hotel com refeição e táxi de/para aeroporto. 
       
      EL CALAFATE
      Voltando, Chegamos em El Calafate para conhecer a cidade e o tão falado Glaciar Perito Moreno. Ficamos num Hostel (De Las Manos) e a cidade ficou sendo nossa base para as idas e vindas das outras cidades. O Hostel é bom em termos de acomodação, mas o café da manhã foi o pior que já comi em toda minha vida e o wi-fi é bem fraco. São dados que podem ser importantes para uns e não importantes para outros, por isso achei melhor colocar aqui.
      A cidade é limpa, bonita e com muitas opções de restaurante e suas famosas parrilhas. Os preços são similares em todos os restaurantes, mas a opção econômica continua sendo cozinha no hostel. Muitos cachorros nas ruas e dos grandes, o menos era um pastor alemão ... kkkk ... cada um mais lindo que o outro. Achei que só veria isso em São Pedro de Atacama, mas não pelo jeito na região Patagônica também estão na rua e são alimentados pelos restos dos restaurantes e açougues ... passam muito bem e são acariciados pelos turistas constantemente.
      No próprio hostel fechamos o transfer para a ida para Perito Moreno (lá nós ficamos livres, sem necessidade de seguir guias). Também fechamos o ônibus para El Chaltén e Puerto Natales (Chile - base para Torres Del Paine). Também há o transfer para o aeroporto que sai bem mais em conta do que táxi. Lá no aeroporto todos cobram $900,00 (hoje em torno de R$ 90,00) e da cidade para o aeroporto cobram $700,00. Com o transfer do hostel foi $400,00 para os dois ($200,00 cada).
       
      GLACIAR PERITO MORENO
      Dia de ir à Perito Moreno. Paga-se para entrar no Parque dos Glaciares não me recordo do valor, mas é um valor justo. O Glaciar Perito Moreno é uma maravilha que a natureza nos deu e ainda consegui tirar uma sequência de fotos de um pedaço de uns 50 m de altura se desprendendo do glaciar. Vibrei! 😱😱 o som de pedaços se desprendendo é contínuo e faz um estrondo ao cair.
      O caminho que se faz vendo o Glaciar de frente é perfeito. Não vi necessidade de fazer o passeio de barco ... do barco você vê de longe (o barco não pode chegar perto do glaciar) e de frente. Não tem a visão da parte de cima do glaciar que é fantástico. Dá tempo de fazer os dois se quiser. Há outras opções de passeios mais caras  e que não me interessou em fazer, mas se procurar na internet ou lá mesmo nas agências vai ver todas as possibilidades.
      Passamos um dia percorrendo El Calafate, suas ruas, seu lago, enfim, muito tranquilo e agradável. Ficamos 3 dias em El Calafate.
       
      EL CHALTÉN
      Depois fomos para El Chaltén, onde ficamos 6 dias e ficaria mais se fosse possível. A vontade de volta se deu logo que saímos de lá.
      Peguem um mapa da cidadezinha e vejam as trilhas que possui, são inúmeras, mas em 5 dias consegue fazer a maior parte delas que estão mais próximas e parte da cidade mesmo. É tudo muito próximo. A cidade é uma graça, respira natureza e trilhas. Muitos bares e restaurantes charmosos e em todos um som de rock´n roll rolando. Ambiente pra lá de agradável e cercada de montanhas a o famoso Fitz Roy coroando a cidade, objetivo de todo caminhante. 
      Não vou discursar de todas as trilhas que fizemos, porque seria só elogios, prefiro dar algumas dicas que acho ser importante.
      FITZ ROY: trilha de nível DIFÍCIL e é verdade. Bastante difícil, principalmente para quem tem problemas nos joelhos, devido aos últimos 1 km serem de subida intensa, forte. Não há quem chegue com cara de que foi mole. Eu tenho problemas e a descida pra mim foi um castigo, mas fiz e faria de novo (mas, não façam o que eu faço por favor). Valeu a pena? cada segundo, cada dorzinha que senti depois, cada suor ... suor SIM! na Patagônia você consegue ficar suado! 😓😓
      A trilha normal é ida e volta pela mesma trilha. São 10 km só de ida. Eu recomendo reservar um transfer (no hostel mesmo) e ir bem cedo para a a trilha do Glaciar Piedras Blancas que fica na Ruta 41 a uns 30 km de El Chaltén. De lá vai para Laguna de Los Três (base do Fitz Roy). Além de conhecer outra trilha, ela já está um pouco mais acima, economizando um pouco de energia. A volta faz pelo trajeto normal que dá na cidade de El Chaltén.
      Ao chega na base da montanha, na laguna de Los três, à direita sobe mais um pouquinho que terá uma linda surpresa: outra laguna. Através das fotografias ou vídeos não se consegue mostrar o que nossos olhos captam ... é simplesmente lindo!
      Uma coisa importante é ter um dia limpo e sem vento de preferencia (muitas vezes difícil na Patagônia). Pode dar o azar de chegar lá na base e não ver as torres do Fitz Roy ... nós pegamos um dia inigualável.
      LAGUNAS MADRE Y HIJA: trilha deliciosa de ser feita, vistas incríveis, trechos de trilha diferentes um do outro, variação de vegetação (lá é tudo praticamente uma única árvore que é a Lenga. Você pode começar indo para a Laguna Torre e no meio do caminho desvia para esta. São ao todo em torno de 15 km só de ida, mas vc nem sente ... 😛😛 Em outro dia você faz a Laguna Torre.
      LAGUNA TORRE: são 12 km só de ida, mas também é um visual deslumbrante, vale a distância percorrida.
      Há diversas trilhas curtas para se fazer no entorno como de Las Águilas, Del Condor, Rio de Las Vueltas (belíssimo), Chorrillo Del Salto e andar à esmo pela cidade, seu rio e pontes. Ver os alpinistas subindo os paredões que cercam a cidade.
      Ficamos num Hotel pelo Booking com um café da manhã que foi pra gente esquecer do café de El Calafate, digno de caminhante que terá um longo dia de gastos de energia pela frente. O nome do Hotel é Lago Del Desierto. Próximo da rodoviária (qualquer lugar fica perto da rodoviária ... rsrsr).
      Local para comer barato: EL MURO DELICATESSEN ... há El Muro restaurante que tem preços normais de restaurante. A Delicatessen tem a comida do dia e vc compra ou por kg ou pelo pedaço, que é bem grande. Economizará pelo menos a metade do que gastaria num restaurante. Mas, cozinhar no hostel ainda é o mais barato. Como ficamos em hotel, não tivemos essa opção então foi delicatessen El Muro, que nos atendeu super bem.
      Não esqueçam do super lanche, chocolates, barrinhas de cereais, etc para as trilhas, vão precisar e muita água. Se der, podem levar algumas coisas daqui do Brasil para lá, mas se forem só de mochila, como nós, não vale ocupar espaço com isso. Comprem lá mesmo.
      Não se paga nada para fazer as trilhas, não precisa de guias porque é tudo muito bem cuidado e sinalizado e as saídas para as trilha partem de dentro da cidade mesmo.
       
      PUERTO NATALES _ TORRES DEL PAINE
      Para entrar no Chile não devem levar nada de frutas ou queijos ou presuntos. Só produtos industrializados podem entrar. Se pegarem terão que pagar multas. Não esqueçam disso.
      De El Chaltén voltamos para El Calafate por uma noite e partimos no dia seguinte para Puerto Natales, Chile, cidade mais próxima de Torres Del Paine. Fica a 2 horas de ônibus, isso parece ser uma dificuldade, mas não foi. Aqui ficamos no Hostel Alkázar. Um bom hostel, mas muito barulhento as descargas, chuveiros e torneiras ... o primeiro a acordar, acordava o hostel todo.
      Porque optei por não fazer o Circuito "W" ou "O" e acampar em Torres del Paine? por causa do joelho. Ficar nos Refúgios existentes dentro do parque é caríssimo e acampar significa carregar peso e caminhar muito com eles. Se seu tivesse qualquer problema, não teria opção a não ser continuar andando por dias. Para fazer o circuito W necessita-se de 3 a 4 dias dentro do parque.Daí vai a minha opção de ter Puerto Natales como base.
      Para ir à Torres del Paine saem diariamente de Puerto Natales inúmeros ônibus em diversos horários. Eu comprei um que saía mais cedo (7:00hr) e voltava mais tarde (19:45hr). Há duas entradas  no parque: Pudeto e Laguna Amarga (esta é a entrada para subir até a base das Torres del Paine).
      Para entrar no parque paga-se em torno de R$ 170,00 e vale para 3 dias. Tem que avisar na entrada que você virá no dia seguinte.
       
      CAIAQUE: 
      Nós já tínhamos fechado um pacote para fazer Caiaque na Laguna Grey e chegar perto de icebergs. Foram 5 horas de caiaque fora deslocamento, treino, enfim. Eles fornecem toda a roupa e equipamento necessário (claro que está embutido no preço que não é barato, mas era uma vontade que tínhamos e acabamos arcando com esse gasto a mais). Foi um dia fantástico, perfeito para caiaque, sem ventos e visual a cada curva do rio e do lago. Rodeamos icebergs azuis de doer os olhos. Nesse dia pagamos nossa entrada no parque onde retornaríamos pelo dois dias seguintes.
      Os lanches e almoço preparado pelos guias dos caiaques num local sensacional de vista magnífica.
      Este dia entramos no parque com a Van do pessoal do caiaque.
      FULL DAY: fizemos o Full Day para conhecer mais um pouco do parque, já que não iríamos fazer o circuito W, mas tá valendo fazer uma perna do circuito W, tipo entrar por Pudeto e subir Laguna Grey (vejam o mapa do W para entender melhor). Para quem pode caminhar, talvez seja uma opção mais interessante do que Tour.
      Foi muito legal, vimos lugares fantásticos e a caverna del Milodón que é um animal pré-histórico, herbívoro que habitava a caverna. Você verá muitas réplicas destes animais na cidade.
      Neste dia entramos no parque com a Van do Tour.
       
      TORRES DEL PAINE: finalmente o grande dia de subir até a base das Torres 🤩😍 ... preparadíssimos, acordamos bem cedo e rumo à rodoviária (nosso hostel ficava próximo à rodoviária propositalmente, já que tínhamos que estar cedo lá), Já estávamos com tudo pronto, lanches e roupas para frio e chuva.
      Começamos efetivamente a subir por volta das 9:30 hr. E dá-lhe subir. Praticamente você sobe o tempo todo. Passa pelos refúgios, rios, montanhas. Trechos que a trilha dá até medo, embora larga, você vê o rio de uma altura que pode dar tonturas.E sobe, e sobe, e sobe e quando vc acha que até que tá indo bem ... 😱🤬 ... você o que realmente tem que subir de verdade. São ao todo 9 km só de ida, sendo que o último km é somente pedras e muito vertical. Bem, não preciso dizer que todos chegam exaustos lá em cima, mas a visão que se abre para nós é tão linda que não há como lembrar de cansaço (só na volta ...😖)
      Depois de andar por aí,  se deliciar com a visão que é única, voltamos e aí começou meu real martírio ... já com o joelho magoado por causa do Fitz Roy, agora era encarar a descida das Torres. Resumindo: cheguei ... hoje fui ao ortopedista 🤨🤨 ... kkkkkk
      Levem ou aluguem um par de bastões, ajuda muito. Eu não levei daqui senão teria que despachar minha mochila. Acabei alugando um par bem baratinho.
      Voltamos da trilha para espera do ônibus às 18:30, portanto o tempo foi mais do que suficiente, já que peguei o último. E isso que desci muuuuito devagar devido às dores  .... portanto não se preocupem que dá tempo tranquilo, mesmo que o cara do hotel diga para vocês pegarem um grupo fechado. É muito mais caro, não precisa de guia e o tempo dá para fazer na boa.
      E assim voltamos para El Calafate mais uma noite e dia seguinte rumo à Florianópolis.
       
      Caso queiram mais alguma informação estou à disposição de vcs, tem meu e-mail e vamos cair no mundo galera ... ah! eu tenho 62 anos e fiz isso tudo, vc que tem idade para no mínimo meu filho, consegue fácil fazer qualquer coisa que deseje!
       
       























       













    • Por novo_viajante
      Bom, nunca fui mochileiro, mas me despertou a atenção essa vida , tenho uma mochila comum que talvez de para levar minhas roupas e uma bussola, não tenho barraca ou passaporte apenas a vontade de sair no meio da noite e ir embora da cidade de onde vivo; um lugar  que me atrai é a Patagônia, bem como a Terra do Fogo e a Antartica. Alguém mais já fez isso? De mesmo sem ter recursos fazer uma viagem longa assim, gostarei de saber como foi a experiência e receber dicas pra isso. Enfim, talvez o texto ficou meio "atropelado", mas é o meu primeiro tópico aqui.
    • Por Diego Minatel
      "No século XII, o geógrafo oficial do reino da Sicília, Al-Idrisi, traçou o mapa do mundo, o mundo que a Europa conhecia, com o sul na parte de cima e o norte na parte de baixo. Isso era habitual na cartografia daquele tempo. E assim, com o sul acima, desenhou o mapa sul-americano, oito séculos depois, o pintor uruguaio Joaquín Torres-García. “Nosso norte é o sul”, disse. “Para ir ao norte, nossos navios não sobem, descem.”
      Se o mundo está, como agora está, de pernas pro ar, não seria bom invertê-lo para que pudesse equilibrar-se em seus pés?"
      De pernas pro ar, Eduardo Galeano
       
       
       O nosso norte é o sul, Joaquín Torres-García
      Cheguei ontem pela madrugada em casa. Agora sentado na frente do computador sinto uma necessidade, quase insuportável, de contar sobre meu caminhar até o fim do mundo. Foram 50 dias de viagem e mais de 14.000km percorridos por terra. Entre ônibus e caronas percorremos o sul do Brasil e a Patagônia Argentina até Ushuaia, parando em muitos lugares nos dois países. O dinheiro era pouco, mas a vontade era muita. A necessidade que tenho de escrever deve-se as pessoas que de alguma forma nos ajudaram a realizar esta viagem ao extremo sul da América do Sul. Tanta gente boa pelo caminho. Tanta solidariedade. Tanta gratidão.

      Pela primeira vez, antes de uma mochilada, eu não estava completamente bem e seguro. Nos meses que antecederam a viagem estava escrevendo a dissertação do meu mestrado (isso, por si só, já era muita tensão) e nesse intervalo de tempo perdi meu pai, a mulher que aprendi a amar resolveu seguir sem minha companhia e quase antes de embarcar perdi minha vó. Como é de se imaginar, meu estado de espírito não era nada bom, na verdade era o pior possível. Com isso tinha muito medo de atrair coisas ruins pelo caminho, como por exemplo ser vítima de violência. Assim, resolvi mudar a ideia de mochilar sozinho e decidi ter uma companhia nessa viagem. Meu amigo/irmão Matheus embarcou comigo nessa jornada. 

      Enfim, tenho como intuito neste relato contar a história dos lugares por onde passei, minhas histórias nesses mesmos lugares e, principalmente, falar sobre as muitas pessoas (leia-se anjos) que nos ajudaram nesta viagem. Quero contar de maneira honesta os acontecimentos e os sentimentos que me permearam nesses dias, e de alguma forma quero deixar esse texto como agradecimento a cada pessoa que tornou essa viagem algo possível.
      Agora vamos ao que interessa, bora comigo reconstruir essa viagem por meio de fotos e palavras!
      Parte 1 - De Rio Claro até Timbó: o mesmo início de outra vez Parte 2 - A Serra Catarinense vista por Urubici Parte 3 - O casal das ruínas de São Miguel das Missões Parte 4 - Do Brasil para a Argentina Parte 5 - Buenos Aires, la capital Parte 6 - O começo da Ruta 3 e o mar de Claromecó Parte 7 - Frustrações na estrada e a beleza de Puerto Madryn Parte 8 - O anjo do carro vermelho Parte 9 - Cruzando o Estreito de Magalhães com San Martin  Parte 10 - Enfim, o fim do mundo Parte 11 - Algumas das belezas de Ushuaia Parte 12 - El Calafate, Glaciar Perito Moreno e Lago Argentino Parte 13 - O paraíso tem nome, El Chaltén Parte 14 - A janela do ônibus Parte 15 - O caminho de volta: Buenos Aires, São Miguel das Missões, Curitiba e Prainha Branca Parte 16 - Reflexões
    • Por Ayza Camargos
      Hola! Mochileiros do meu BR, hoje estou aqui para compartilhar com vocês como foi minha experiência na Patagônia Chilena fazendo a trilha do circuito W Invertido ficando em refúgios e com o pacote full board, no período de 01-03 a 06-03 CARNAVALLLL.
            FUI SOZINHA e com um puta friozinho na barriga, apesar de não ser a primeira viagem sola, esta possuía características especiais como: SE AUTO DESAFIAR caminhando por 72 K’S realizando uma reflexão da minha vida. Para resumir a SAGA especialmente para as MOCHILEIRAS que ainda possuem alguma dúvida sobre fazer este trajeto ou não:
            - AMIGAAAA pega essa dúvida coloca dentro da mochila e vá assim mesmo. É super possível, fazer o Circuito W com um bom planejamento, pouco tempo e mochila nas costas.
      P.S Aqui não vou colocar planilha de gastos, tipos de roupas, como funciona o parque, pois dentro deste fórum existem vários relatos compartilhando tais informações. Irei me atentar a fatos que foram determinantes para a realização deste sonho.
      PREPARACIÓN
      - Comecei a planejar a viagem em outubro de 2018, iniciei treinos mais intensos e de resistência na academia, li e reli vários relatos, blogs, para montar meu roteiro. Como eu sabia que teria pouco tempo dentro do Parque (4 dias) eu não poderia ERRAR de forma alguma em meu planejamento, entretanto, escorreguei em alguns pontos e vou discuti-los abaixo com vocês.
      1.       Cuidado ao reservar os refúgios, pois achei os sites das operadoras (Vértice Patagônia e Fantástico Sur) um pouco confusos e acabei reservando para o primeiro dia a área de acampar e não o refúgio propriamente dito. Só chegando lá, fui descobrir o que tinha acontecido, a sorte é que na recepção pedi se havia cama disponível e consegui fazer um Upgrade para o refúgio pagando no Cartão de Crédito a diferença.
      2.       Eu fiz o Circuito W invertido começando por Pudeto, porém, se teu lance principal for admirar as Torres del Paine, sugiro iniciar por elas. Digo isto pq como eu subi no último dia até o mirador das torres, meu horário estava bem apertado e não pude ficar lá por muito tempo, outro fator é que se o tempo estiver nublado você não terá a chance de optar por ficar mais um dia caso queira admirar as torres.
      3.       Prepare-se muito bem para fazer todo o trajeto, invista em calçados e roupas apropriadas para a ocasião. Digo isto, porque de roupa eu estava muito bem preparada, porém, de calçado levei apenas uma butina que uso para trabalhar e me ferrei pois acabou machucando meu pé. Então teste antes teu calçado em alguma trilha ou caminhada que seja mais que 4 horas.
      EMPEZAMOS EL VIAJE!!!
      Saí de Foz do Iguaçu de Ônibus até Assunção empresa (SOL DE PARAGUAY) e lá peguei um voo até Santiago e de Santiago a Punta Arenas. O Ônibus foi tranquilo com duração +- 6 hrs de viagem e tinha até serviço de bordo. Muita gente quando eu estava montando o roteiro disse que era loucura sair de Assunção, porém, uma amiga minha (THANKS JENNI) me disse que era tranquilo e que dava para fazer de boa o trajeto entre Brasil e Paraguai de Ônibus, fui com a opinião dela e deu certo.
      Só aí economizei 1.650,00 reais, pois quando comprei a passagem de Assunção a Punta Arenas estava 1500 reais e saindo de SP ou RJ estava em torno de 3600,00 devido ser feriado de carnaval e alta temporada em Torres del Paine.
      Segue então todo o roteiro do circuito W invertido. Incluindo horários, as estadias em refúgio com o pacote Full Board (alimentação completa: café- da -manhã, lanche para a trilha e jantar) os KM’s percorridos diariamente e algumas fotos da jornada.

      Aqui alguns links que foram essenciais para este roteiro:
      http://www.parquetorresdelpaine.cl/upload/images/MaptrekkingPNTP2017.jpg https://www.mochileiros.com/topic/63115-torres-del-paine-novas-regras-em-2017-circuito-w-5-dias-1-relato/ https://borala.blog.br/torres-del-paine-circuito-w-patagonia-chile/ http://escolhoviajar.com/trekkingcircuito-do-w-em-torres-del-paine-da-para-uma-mulher-fazer-sozinha/ http://escolhoviajar.com/torres-del-paine-perguntas-e-respostas/ https://www.fantasticosur.com/blog/useful-information/6135/the-ultimate-torres-del-paine-travel-guide-part-5-lodging/ http://www.verticepatagonia.cl/destino/1/mapa#nav A realização desta viagem só foi possível com uma organização de roteiro com os horários bem cronometrados srsrrssr foi muita pesquisa e perguntei a várias pessoas a medida que a viagem foi ocorrendo para que os horários se encaixassem e deu tudo certinhoooo 😃
      Fiquem atentos porque o último ônibus que sai de Puerto Natales para Punta Arenas é as 21 hrs. Se você decidir pegar o último ônibus que sai as 19:45 da Laguna Amarga não dá tempo de pegar o último ônibus até Punta Arenas, então programe-se para sair do parque por volta das 14:45.
       A experiência é transcendental então por favor, farei um pedido: Vá!!!!! Se permita sentir a garra, coragem e resiliência que existe em você. A Patagônia realmente me ofertou a oportunidade de reconexão comigo mesma e acredito fortemente que ela fará o mesmo por você.
      Grande Abraço e se ficar alguma dúvida quanto ao que fazer e como fazer no circuito W invertido me inscrevam aqui ou no Instagram: @ayza_camargos.
      Gratidão!!!
       







    • Por ekundera
      Patagônia - El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas, Ushuaia - Fevereiro/2019 - 20 dias
       
      Planejamento para viagem
       
      Meu planejamento para a Patagônia aconteceu com uma antecedência de uns 6 meses, quando achei promoção de passagem pela Aerolíneas Argentinas. Comprei a chegada por El Calafate e a saída por Ushuaia, mas eu penso que o melhor itinerário para conhecer a região seja fazer o inverso, terminando por El Calafate. Acho interessante a viagem ir surpreendendo a gente cada vez mais de forma crescente, para a gente se encantar por cada lugar, sem achar que é mais do mesmo ou que o anterior tenha sido melhor.
       
      As hospedagens eu reservei pelo Booking, mas antes eu comparei com o Airbnb, mas não estavam assim tão vantajosos para compensar ficar em casa dos outros, tendo o trabalho de ter que combinar a chegada. De qualquer forma, achei essa parte de gastos um pouco alta, com diárias um pouco acima da média. E além disso, os lugares com melhor localização ou avaliação já não tinham mais vagas. Penso que a reserva para a região tenha que ser feita com maior antecedência.
       
      A melhor forma de se vestir na Patagônia, pelo menos para o período que fui, é usando umas 3 camadas. A primeira camada, com uma camiseta dry fit, porque ela absorve o suor e não fica encharcada, não deixando esfriar ainda mais em contato com a pele. A segunda camada, com uma blusa térmica (a minha preferida é um modelo que não seja tão aderente ao corpo, como a marca Wed’ze que encontrei na Decathlon). A terceira camada, um casaco que proteja por dentro e com material impermeável por fora, de preferência com capuz e que não seja tão volumoso, porque a gente tira em vários momentos e incomoda carregar na mão.
       
      Na parte de baixo, eu usava só a calça térmica primeiro e uma outra calça por cima. Não usei calça jeans nos passeios, levei essas com bolsos dos lados (achei uma que gostei demais numa loja de produtos para pesca). Levei também um par de luvas de couro fino, sem ser volumosas, gorro, cachecol, bota tipo tênis para trilha. Em alguns momentos eu pensei em comprar uma proteção para o rosto, estilo balaclava, mas eu fui adiando e depois já não compensava mais no final, mas eu tive muitas oportunidades para usar nos diversos passeios com vento gelado.
       
      Como eu faria conexão em Buenos Aires, a maior parte do dinheiro que levei foi o nosso real, para comprar pesos argentinos no banco do aeroporto. Algumas cédulas de reais que estavam com algum risco de caneta ou um leve rasgadinho eles não aceitaram e me devolveram. Eu também levei alguns dólares por precaução, para outros gastos que fossem necessários, que eu só usei para pagar algumas hospedagens (muitas cobravam 5% a mais se fosse pagar no cartão) e também para trocar por alguns pesos chilenos quando mudei de país.
       
      Para os passeios, é bom ter uma mochila para carregar lanche e água, além de ter as mãos livres quando a gente precisa se apoiar sempre durante as trilhas cotidianas. Óculos escuros também são essenciais para proteção do reflexo da neve. Quanto aos bastões para trilha, eu particularmente não tinha e não achei assim tão essenciais, mas muita gente que usa gosta, já que eles apoiam em caminhadas mais difíceis, além de diminuir um pouco o esforço dos joelhos.
       
      Na primeira cidade que cheguei, uma providência que tomei no primeiro dia foi comprar um chip para celular. Fiz um plano pré-pago para 20 dias na Claro, com 3gb por cerca de 30 reais. No entanto, não usei na viagem toda porque em El Chaltén não havia sinal (disseram que a Movistar poderia funcionar lá) e no Chile teria que pagar roaming.
       
      Para diminuir a quantidade de dinheiro que eu levaria, preferi reservar e pagar antecipadamente a maioria dos passeios que faria. Para um ou outro passeio, eu vi recomendação que era bom deixar reservado, podendo haver maior procura durante a alta temporada, correndo o risco de não ter vaga se comprado na véspera. Mas eu vi gente comprando lá mesmo, daí não sei se essa recomendação faz muito sentido.
       
      El Calafate
       
      Minitrekking Perito Moreno
       
      No primeiro dia, eu já havia deixado comprado o passeio do minitrekking ao Perito Moreno diretamente no site da Hielo & Aventura. Pelo que fiquei sabendo, somente esta empresa está autorizada a fazer o trekking no gelo. Quando outras empresas comercializam esse passeio, na verdade elas estão intermediando a venda, que terá a Hielo & Aventura como prestadora de serviços. Portanto, é bom comparar os preços para ver o melhor.
       
      No dia do passeio, a van da empresa passou no hotel no horário combinado e passou em alguns outros hotéis para pegar mais alguns turistas. Um tempinho depois, a van foi substituída por um ônibus com maior capacidade de pessoas e assim partimos para o Parque Nacional de Los Glaciares. Um funcionário do Parque entra no ônibus e faz a cobrança da taxa de visitação de todos os visitantes. Caso vá fazer outro passeio dentro do Parque outro dia, é concedido desconto, ficando mais barato comprar, por exemplo, para dois dias na mesma compra do que comprar separadamente a cada dia que for visitar.
       
      No dia em que fui no passeio, o grupo fez primeiramente o trekking na geleira e só depois que explorou as passarelas. No entanto, vi outras pessoas que fizeram o inverso, começando pelas passarelas e finalizando pelo trekking. Não sei dizer se é devido às condições climáticas, coisa que pode favorecer uma mudança na ordem das coisas, mas se trata do mesmo passeio e se vê a mesma coisa.
       
      Dentro do Parque, o ônibus estacionou e os turistas puderam usar o banheiro antes de pegar o barco para ir ao encontro do Perito Moreno. Enquanto o barco avança, a geleira vai se descortinando à frente e todo mundo quer ir para fora para fotografar de todos os ângulos porque realmente é lindo e não é todo dia que a gente vê esse cenário. Mas o vento gelado do lado de fora realmente é bem intenso. Chegando na outra margem, há uma edificação de madeira, com banheiro e área para se sentar, onde também podemos deixar nossos pertences enquanto dura a caminhada sobre o gelo.
       
       
       
      Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento.
       
       
       
      Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos.
       
      No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados.
       
       
       
      No final, todos se reúnem no local e horário estipulados previamente e são levados aos respectivos hotéis ou ficam no centro, como preferirem.
       
      Navegação Rios de Gelo
       
      Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono.
       
      Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar.
       
       
       
      Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória.
       
       
       
      A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível.
       
       
       
      O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso.
       
      Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez
       
      Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda.
       
       
       
      O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade.
       
      O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer.
       
       
       
      Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso.
       
       
       
      El Chaltén
       
      Chegada na cidade
       
      Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas.
       
      Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente.
       
      Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor.
       
       
       
      Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda.
       
       
       
      Laguna Torre/Cerro Torre
       
      Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre.
       

       
      Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo.
       

       
      Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água.
       

       
      Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy
       
      Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores.
       
      A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot.
       
       
       
      Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado.
       
      Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele.
       

       
      Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro.
       

       
      Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho.
       
      Puerto Natales
       
      Chegada na cidade
       
      Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome.
       
      Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato.
       
      Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento.
       
      Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome.
       
       
       
      Full day Torres del Paine
       
      Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón.
       

       
      Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche.
       

       
      Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas.
       
      As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia.
       

       
      Trekking mirador base das Torres del Paine
       
      No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade.
       
      A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes.
       
      A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos).
       

       
      A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy.
       
      O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar.
       

       
      Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto.
       
      Punta Arenas
       
      Atrações na cidade
       
      Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região.
       
      Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte.
       

       
      Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia.
       
      Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro.
       
      Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães.
       

       
      Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado.
       

       
      Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento.
       
      Islas Marta e Magdalena
       
      O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia.
       
      Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento.
       
      Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente.
       

       
      Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades.
       
      Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento.
       

       
      O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço.
       
      Ushuaia
       
      Chegada na cidade
       
      A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada.
       
      Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar.
       
      Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista.
       

       
      A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis.
       

       
      Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle
       
      Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour.
       
      O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos.
       

       
      O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha.
       
      É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais.
       
      Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos.
       

       
      O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava.
       
      Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul.
       

       
      O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil.
       

       
      Parque Nacional Tierra del Fuego
       
      Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava.
       

       
      No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco.
       
      É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade.
       

       
      Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo.
       
      Trekking Laguna Esmeralda
       
      Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado.
       
      Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros.
       
      O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C.
       
      A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante.
       
      Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa.
       

       
      A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico.
       

       
      Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá.
       

       
      Atrações para um dia tranquilo na cidade
       
      No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante.
       
      Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei.
       

       
      Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
       
       


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