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icaro_assis

Mochila para trekking/camping e dia a dia

Posts Recomendados

13 horas atrás, StanlleySantos disse:

veja no fórum de classificados, tem um anúncio dessa.

 

 

Olá novamente Stanlley, meu amigo. Como vai?

Entendo. Olha, pelo que entendi, o que você me recomenda então, é optar por uma Escape, correto? 
Neste caso, você recomenda a Escape 50 litros?
Bom, penso eu que entre uma Escape 50 litros e esta mochila dos Classificados que voce enviou, a diferença de preço é bem pequena, então optar por ela seria uma boa, correto?

Estou ansioso por comprar logo a mochila, o que você me recomenda fazer no fim das contas?

Grande abraço.

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Se vc comprar uma deuter vc estará no lucro: e uma que vale por duas. Pq vc não conversa com esse rapaz pra ver as condições da mochila e envio/pagamento?

 

Vc terá uma mochila para uso diário (OK 15 litros não permite um notebook grandão dentro mas já serve pra uso urbano, e te permite deixar a grandona no hotel, em viagens), e uma pra mochilada pro material bruto, podendo juntar ambas. 

 

Se vc não conseguir essa deuter, eu te aconselharia a procurar uma loja da decathlon (se tiver na sua cidade ou estado) e experimentar a forclaz, escape, e o que mais tiver à disposição. 

 

Prioriza essa oportunidade da deuter e veja a escape/forclaz como alternativa

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    • Por Da Silva Junior
      Ferrotrecking de Viana Passando Por Domingos Martins e Chegando em marechal Floriano.
       
      Amigos dia 12/11/2018 resolvi fazer os 31 km  até a Estação Ferroviária de Marechal para isso comecei meu projeto estudei a trilha inclusive com relatos aqui mesmo do Site Mochileiros então peguei um ônibus bem as cinco da manhã e fui para Viana Sede chegando lá comecei marcar do Pontilhão do Bairro Santo Agostinho até o Segundo Pontilhão de onde eu já tinha ido já no lado de Domingos Martins passei por Dois Túneis e sete Pontilhões e falar a verdade com belas paisagens e belos lugares não tive problema nenhum com questão de segurança falar a verdade é só você ter atenção com as pedras para evitar torção ou quebrar o pé mesmo questão foi tranquila nos túnel se você tem vontade de fazer essa trilha eu recomendo sim você faze-lá mais lembrando sempre leve suprimentos, quatro garrafas de dois litros, lanche mais frutas e sempre com atenção na via, fui de manga longa contra o sol apesar de alguns trechos o sol sumiu e lanterna de cabeça ,não coloque muita coisa na mochila para não ficar muito pesado ok .
      abaixo um pouco da minha aventura que vou narrando.

      Terceiro Pontilhão nesse km estava chegando perto do Túnel já nessa parte andei por uns 12 km sozinho até avistar pessoas na entrada do Túnel partiu boraa 

      Momento que Avistei pessoas pena que não deu para tirar foto do Inicio do Túnel muita gente 

      entrando no Quarto Pontilhão sobre o Rio Jucu essa parte é show por causa da galera preferi seguir 

      Partiuuuuuuu encarar o primeiro Túnel bora 

      Saindo do Primeiro Túnel 

      tranquilão 100mts só só se ligar nas pedras mais nada liga a lanterna e cai para dentro 

      passei por um Sr que queria saber onde estava a equipe dele falei para ele entrar no Túnel ele morrendo de medo kkkkkkkk
      Chegada agora em Pedra dos Ventos

      Depois dessa Curva eu cheguei na Localidade Pedra dos Ventos ali era uma parada ferroviária para embarque e desembarque hoje só restou as ruínas da antiga plataforma da Estação abaixo as fotos  
      Aí Antiga Plataforma de Pedra Dos Ventos hoje o local abriga uma escola onde devido ao ferido se encontrava fechada. 
      muito legal essa parte do Trecho com belas paisagens e Cachoeiras ao longo do Curso da via Férrea 
      Abaixo mais um Pontilhão o Quinto na Verdade Sobre o Rio Jucu Braço Sul 

      Se liga na Altura dele 

       demais matado 

      partiu ficou para trás 
      depois disso mais 400 mts eu chegava na ex Parada Ferroviária do Jucu hoje apenas só a plataforma 

      Ex parada Ferroviária do Jucu hoje só restou apenas a estrutura aqui era para desembarque e embarque pena que o tempo passou 
       
      cheguei aí 10:30 da manhã de onde tomei meu café da manhã sentado aí com uma garrafa de agua e quatro pães de forma o famoso pão e água mais é verdade depois seguir viagem e mais 200 mts eu encontraria meu segundo Túnel 
       

      depois dessa Curva eu Topie com ele meu Segundo Tunel partiu encarar bora
      Olha ele aí 

      Abaixo fotos na Saídas dele mais curto que o primeiro deve ter 90 mts muito curto o que facilita o passeio 

      Abaixo Trechos da Linha  show demais 
      partiu agora 
      Cachoeiras s do Rio Jucu Braço Sul 

       
      Precipício sobre o Rio Jucu olha o Elevado 

      Olha que Paisagem legal embaixo 

      mais 400 mts chegava no Sétimo Pontilhão sobre o Rio Jucu  

      olha ele aí mais um para a gente passar bora 

       
      aí depois uns 600 mts eu taria chegando me Germânia mais conhecido como Vale da Estação em Domingos Martins
      Passando pelo Mini Pontilhão de uma queda fantástica e começando a chegar no Perímetro Urbano 

      agora só 300 mts da Estação de Germânia

       
      olha o Riacho 
      abaixo do Mini Pontilhão 

      partiu ficou para trás 

      Pausa para Tomar uma Água e Engolir um pão apenas dois minutos de pausa deu fome pois a hora era 12:55

       
      depois disso aí comecei a vêr de longe a Estação
       
      Vale da Estação antiga Estação Ferroviária de Germânia dentro do Municipio de Domingos Martins 
      abaixo mais fotos dela 

      Olha o Perfil dela estava fechada parece que não é aberta 

      Belas casas no Entorno e ainda bem cuidada isso é legal manter o patrimônio é sempre um direito.

      Bay Bay Estação ficando para trás ao chegar nesse trecho eu Percorri 24 km em Cinco horas partiu Marechal mais 7km em uma hora 

      Saindo do Vale da Estação  Estação partiu Marechal mais 7km  com dois pontilhões nessa foto a direita você a estrada para Santa Izabel 
       
      Pontilhão Limitando os Municipios de Domingos Martins com Marechal Floriano 
      a partir desse trecho dentro de Marechal já mais mesmo assim ainda faltava mais 6 km 
      Alegria estou quase chegando 

      mais dois km encontrei o nono Pontilhão mais uma para a conta bora

      aí ele aí Nono Pontilhão encarado na marra 

       
      Show chegando na Estação Ferroviária de Marechal assim que passa desse ponto vc anda mais uns quilômetros e começa  a margear a vila urbana não se assuste a chegada não é muito bonita você encontra casas bares e pessoas e a linha com lixo só continue que vale a pena, 
       A Partir dessa Curva se via a Estação de Marechal Floriano muito showw 

       

      Depois daí avistei a Estação pintada de Amarela show demais

      Mais fotos e ela estava aberta funcionando um museu por dentro.
      Missão Batida em seis horas e 31 km rodado na linha férrea show agora quero ir daí para Engano passando por Rio Fundo, Araguaia, Iritimirim, Matilde e Chegando em Engano.  

      Fotos Agora por Dentro da Estação 
      Belo Museu 
       
      Então deixo meu e-mail aqui para vocês [email protected] e também meu zap 27 996973825 estou programando fazer uma caminhada lá pro dia 04 de Novembro de Marechal a Engano passando por Rio Fundo, Araguaia, Iritimirim e Matilde e chegando em Engano bora só me contactar. 
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       






















    • Por SchullerRenan
      --> Leia o post original em nosso blog: http://casalnamontanha.com.br/2018/11/10/trekking-santa-cruz/
       
       
      Após o Trekking de Huayhuash e a tentativa frustada de escalar o Nevado Pisco, tiramos um dia de descanso e  já estávamos planejando a nossa próxima aventura nos andes peruanos. Desta vez iriamos totalmente auto-suficientes, somente Renan e eu (Vanessa) com os mochilões em meio as montanhas nevadas sem nenhum apoio no trajeto em um dos circuitos mais clássicos e conhecidos da Cordilheira Branca:
      O Trekking de Santa Cruz

      Trata-se de um trekking que leva em média 4  a 6 dias e tem uma distância em torno dos 60km, com um ascenso acumulado de quase 5 mil metros totalmente dentro de um Parque Nacional, chamado HUASCARÁN. As altitudes variam de 3.000m a até 4.700m no passo Punta Union, altitude máxima atingida nessa travessia.
      O inicio da caminhada se dá pelos povoados de Cashapampa ou Vaqueria. Geralmente a rota mais usada pelas expedições de agencias é Vaqueria –> Cashapampa, mas resolvemos fazer “do contra” , iniciando no “Pueblo” de Cashapampa caminhando pelos vales das montanhas até Vaqueria.
      Seguindo esta rota teríamos os 3 primeiros dias de subida leve e um passo de montanha mais difícil no último dia.
      ITENS  QUE LEVAMOS NA MOCHILA
      Mochilas prontas para partir de Huaraz, rumo a Cashapampa e iniciar o trekking! Já com ideia do que nos esperava, montamos as mochilas com os nossos equipamentos de trekking e partimos ao mercado central de Huaraz em busca de adquirir os mantimentos para esta expedição.

      Gostamos bastante das comidas para acampamentos encontradas em alguns mercados em Huaraz, itens com embalagens pequena e delicias como o queijo fundido, leite em pó em embalagem de 200g, o pão clássico deles, redondo e achatado ( que dura mais de 1 semana e não amassa na mochila) doce de leite, doce de morango… hmmmm e o melhor é que se encontra facilmente e com ótimo preço!
      Nossa alimentação para 5 dias de trekking
      Mas você deve estar pensando que carregamos muito peso e na verdade  NÃO! Quem é montanhista sabe que é muito importante estar leve na montanha carregando apenas o essencial para poder ir mais longe. Equipamentos bons e leves fazem a diferença, tornando a caminhada mais fácil e prazerosa. Além da barraca, saco de dormir, isolante e comidas, levamos um bom peso  com câmeras, baterias extras, drone e alguns outros eletrônicos, o que resultou em 2 mochilas bem cheias! 😮
      O lado bom de fazer este trekking de forma autônoma é que estávamos livres naquele ambiente, acampávamos onde queríamos e fazíamos o ritmo da nossa caminhada sem horários ou  itinerário a seguir. Liberdade!
      Camping: Barraca aztec nepal 2p, 2 sacos de dormir deuter orbit -5c conforto,  isolante inflável forclaz air quechua e 2 travesseiros infláveis. ( este kit nos proporcionou ótimas noites de sono com conforto, porém os sacos de dormir sintéticos pesam um pouco )
      Além disso o kit básico de vestimentas contendo: 2 camisetas dryfit, 1 segunda pele térmica, 1 casaco de pluma, 1 corta vento impermeável, 4 meias, botas da snake andina extreme, bandana,  óculos de sol, bastão de caminhada, lanternas de cabeça, gorro, luva, chapéu, bloqueador solar e repelente.
      Kit higiene compacto
      Kit primeiro socorros
      GPS, baterias, drone, câmera fotográfica, celular, pilhas extras.
      Kit cozinha, com 2 copos, panelas e frigideiras compacta sea to summit, esponja, garrafa térmica pequena, fogareiro e gás.
      Não é necessário nenhum equipamento especifico para neve nesta travessia, as temperaturas são agradáveis, até quente durante o dia ( sol a pino, sem muitos pontos de sombra ) e frio durante a noite, a temperatura miníma que pegamos durante a madrugada foi de -7c°.
      O LUGAR
      Cordilheira Branca, Huaraz, Peru
      Apachetas com vista para o imponente nevado Artesonranju
      O Parque Nacional Huascarán é um paraíso de montanhas nevadas, com 60 cumes acima dos 5 mil metros de altitude, 27  com mais de 6 mil metros de altitude, 663 glaciares, 269 lagos de cor esmeralda e 41 rios. Ainda conta com 33 sítios arqueológicos. Um desafio com muitas opções. O tempo todo os nevados estão ao nosso lado!
      O Nevado Huascarán ( montanha simbolo do parque e da cidade de Huaraz ) é uma montanha da Cordilheira Branca, parte dos Andes peruanos. Com 6.768 m, o mais meridional de seus picos (Huascarán Sur) é o mais alto do Peru  e um dos mais altos da América do Sul após o Aconcágua, e o Ojos del Salado.
      É a montanha mais alta de toda a zona tropical da Terra, além de seu cume ser o segundo ponto da superfície terrestre mais afastado do centro do Planeta (depois do Chimborazo, no Equador) e o ponto terrestre com a menor atração gravitacional. O pico é formado pelos remanescentes erodidos de um estratovulcão ainda mais elevado que a montanha que hoje existe.
      A montanha recebeu o seu nome de Huáscar, um chefe inca do século XVI que era um líder do Império na época.
      O Huascarán está tombado dentro de um parque nacional com o mesmo nome.
      No caminho encontramos diversos picos Nevados e entre eles, o famoso Alpamayo – 5.947m – que foi eleita em um concurso na Alemanha em 1966, a montanha mais bonita do mundo e o Artesonraju – 6.025m que é ícone dos filmes  da Paramount Pictures.
      O nevado Artesonranju é a montanha ícone que vimos nos filmes da Paramount. apesar de não ser a mais alta, é uma das montanhas mais técnicas da Cordilheira Branca.
      Durante o trajeto fizemos um caminho extra de 8km ( ida e volta) para ir acampar a 4,300m na base do nevado Alpamayo, na sua face NW. Sem dúvidas um dos pontos altos da viajem.
      Apacheta e o Nevado Artesonranju, se destaca a direita, montanha ícone dos cinemas
      Junto do Artesonranju,o Alpamayo também é uma montanha muito técnica. Conversamos com uns escaladores que encontramos no campo base, que nos contaram que a parte final antes do cume é uma parede vertical de gelo com 400m para ser escalada.

      O TREKKING
      DIA 1  – Subindo o vale montanhoso
      Segunda feira – 27 de agosto de 2018.
      Acordamos mais tarde nesse dia e saímos do hostel as 10h, caminhamos até o centro para tomar um colectivo que nos levasse do centro de Huaraz até Caraz, uma pequena cidade ao norte, para lá pegar outra van até Cashapampa, um “pueblo” muito pequeno, onde termina ou inicia a trilha.
      Lá, o ponto de inicio da caminhada é a quitanda do Seu Aquiles, local onde eles criam Trutas e Cuís (porquinho da índia)  e  quando chegamos, não havia ninguém em casa. Pensamos em esperar,  já era 13hrs e a intenção de inicio era pernoitar por ali mesmo para começar a trilha no outro dia cedo, o sol estava escaldante e não tinha como tirar a camisa de manga longa e a calça devido a grande quantidade de insetos naquele lugar quente e empoeirado.
      A jornada de transporte saindo de Huaraz até o ponto de inicio da trilha levou em torno de 5 horas e pegamos 2 vans, não foi difícil de se achar, há várias vans saindo durante o dia, é só saber para onde quer ir e perguntar aos motoristas das vans.
      Marco de inicio do Trekking de Santa Cruz
      Havia uma placa de um jovem americano que havia desaparecido por aquela região. Isso nos deixou um pouco apreensivos. Segundo o povo  local, o rapaz se perdeu durante a tentativa de escalada a um cume nevado.
      Esse aviso estava espalhado por vários pontos de Huaraz
      Logo chegou um taxista trazendo a esposa de seu Aquiles, que nos recebeu e confirmou que poderíamos acampar ali. Por volta das 16hrs o clima ficou mais ameno e acabamos por mudar de ideia, ficamos ansiosos para começar a trilha naquela hora mesmo e decidimos nos adiantar para ganhar tempo. Seguir caminhando e acampar no primeiro lugar bom que achássemos antes de escurecer.
      Bar do sr Aquiles, ( estava fechado) ponto de inicio da nossa caminhada. ao fundo o pequeno povoado de Cashapampa
      Sua esposa muito atenciosa nos ofereceu lugar para ficar e nos informou que também preparava comida, poderíamos pescar trutas do seu tanque e limpar na hora! Deu vontade, mas recusamos e as 16h colocamos o pé na trilha!
      As águas geladas que vem das montanhas são ideais para a criação de trutas, peixe que é abundante nesta região.
      De inicio, subidas mais fortes, sempre seguindo ao lado do leito do rio Santa.  Com o final de tarde chegando a temperatura diminuiu e ficou  mais agradável de caminhar. Seguimos por 3 horas até onde terminava o primeiro trecho de subida e começava um descampado mais plano. O vale das montanhas nevadas mais altas já estava visível, de longe no horizonte dali em diante. Logo que começou a escurecer encontramos um local perfeito para acampar, um belo gramado plano e bem reservado ao lado do riacho!
      Era tudo que queríamos naquele final de tarde!

      O Local é perfeito com um visual de montanhas rochosas, pedras que pareciam ser moldadas para sentar e um rio de águas gélidas e cristalinas. Mesmo com toda transparência da água, lembramos das dicas nos relatos lidos e assim não dispensamos o uso de nosso filtro de água, também sempre ferver a água da comida antes, já que por ali havia muito gado e a água poderia estar contaminada.  Caminhamos nesse dia cerca de 7km com as mochilas carregadas e chegamos às 18:30h no ponto onde acampamos. Saímos de 2.980m e chegamos à 3.300m de altitude neste primeiro dia.
      Noite linda, descobrindo um lugar incrível!
      Nessa noite comemoramos a véspera do meu aniversário, conectados apenas com a natureza.
      Um pedaço do paraíso nas inóspitas montanhas do Peru. Para fechar com chave de ouro, a lua cheia se revelou por de trás das montanhas. A janta essa noite foi por conta do Renan, que preparou um delicioso espaguete com creme de cogumelos, acompanhado de um bom vinho.
      DIA 2 – Aniversário da Vanessa, descobrindo montanhas
      28 de agosto de 2018
      Acordei e me dei conta que estava completando os meus 24 anos. Confesso que foi um aniversário bem diferente, mas com certeza  um dos dias mais incríveis e que jamais esquecerei na minha vida!
      Renan cantou Parabéns, assim que acordou às 7h.  Levantou-se fez um delicioso café reforçado enquanto eu descansava um pouco mais. Depois do café, levantamos acampamento para iniciar o nosso segundo dia de caminhada na travessia de Santa Cruz.
      Amanheceu friozinho e um dia lindo e seco. aproveitamos o friozinho da manhã para caminhar, pois no meio do dia o sol era muito forte e preferíamos parar para descansar.
      Aquele café da manha do aniversário na montanha! (Não reparem minha cara, de quem acabou de acordar! rs)
      Esperamos os primeiros raios de sol tocarem a nossa barraca, e colocamos os equipamentos rapidamente para secar e assim guarda-los na mochila e seguir a pernada.
      Acordando com 24 anos e desmontando acampamento de manhãzinha! Assim que eu gosto!
      Pé na trilha, costeando montanhas e o riacho, sempre com uma quase imperceptível subida continua, passamos pelo Acampamento LLamacorral à 3760m por volta das 9:30h.
      Área de Camping Llamacorral
      Este lugar geralmente é o primeiro ( ou ultimo) camping. Este seria nosso local de pernoite caso tivéssemos saído mais cedo no dia anterior, mas confesso que o lugar que achamos na sorte foi muito melhor, acampar ao lado de um riacho tranquilo que nos proporcionou uma ótima noite de sono!
      Conforme íamos subindo a vegetação mudava. Logo abaixo dos 3.000m era muito seco e só havia vegetação onde tinha irrigação, conforme subíamos até os 3.500m a vegetação aumentava, e acima dos 3.700m começava a diminuir novamente. A paisagem não tinha muito verde e sim muita rocha, areia e gelo nos picos mais altos. A altitude e a falta de chuvas na região tornavam a paisagem completamente diferente de tudo que conhecemos no Brasil.
      O sol começava a ficar forte e a temperatura aumentava, já estávamos apressando o passo em busca de um bom local com sombra ( raro por ali ) para descanso e almoçar. Começou a ventar forte após as 11h, o que amenizou a sensação de calor. Conforme subíamos a temperatura ficava mais agradável.
      Parada para lanche abrigados do vento e do sol!
      Encontramos um pinheiro imenso, que nos serviu de sombra e nos protegeu do vento. Ficamos cerca de 1h descansando, fizemos um lanche e seguimos o caminho. A principal dificuldade era o sol forte, muito protetor solar e chapéu grande, após o lanche seguimos a caminhada, pois precisávamos fazer pelo menos 15km neste dia.
      Depois de cerca de 4 km passamos ao lado da impressionante Laguna Jatuncocha de água azul turqueza, estas lagunas são literalmente uma reserva de água importante para os moradores locais.
      Em alguns trechos havia uma espécie de barragem pequena, feita para as lagunas não “estourarem” no período de chuvas evitando estragos montanha abaixo.
      Seguimos caminhando pela sua borda subindo o belo vale de montanhas.
      Laguna Jatuncocha! Surreal!
      Durante quase toda travessia havia trilha demarcada, o rio corria ao lado esquerdo e com duas cordilheiras de montanha uma de um lado e outra de outro que formavam um caminho mágico.
      Conforme subíamos o rio ia ficando mais fraco, até quase sumir, restando apenas os veios de água que em alguns pontos era possível ver eles escorrendo da neve das montanhas. No local não há nascentes de água, toda a água vem direto do degelo das montanhas nevadas escorrendo montanha abaixo.
      Veios de água que correm da montanha
      Seguimos subindo o vale e aos poucos as montanhas nevadas iam ficando mais perto de nós e a vista cada vez mais impressionante!
      Se aproximando das montanhas nevadas
      Em um trecho já acima da laguna, passamos por um terreno com grandes rachaduras, uma antiga lagoa que secou. Parecia que naquela região não chovia a tempo.

      Mais um trecho vale acima e chegamos no acampamento Jatunquisuar, com uma bifurcação, de onde se subia para a base do Alpamayo ou para o Passo Punta Union.
      A travessia de 4 dias não faz esta parte extra que fizemos. Ao ver a topografia das montanhas que estávamos, ficamos fascinados, subir por este vale rodeado quase 360° por montanhas parecia surreal e incrível, não poderíamos deixar de conhecer.
      Já era quase 6 horas e estávamos cansados, tínhamos que decidir se no próximo dia iriamos somente fazer um ataque, bate-volta no mesmo dia até o campo base do Alpamayo, deixando a barraca e pertences escondidos na mata, ou se iriamos subir com tudo e acampar lá em cima. Resolvemos  subir de mochilão e acampar na base do Alpamayo.
      Mapa topográfico com nosso trajeto, estávamos literalmente rodeados de montanhas para todos os lados!
      Decidimos ficar 1 dia a mais na travessia e precisávamos racionar a comida para se manter nesse dia extra. ( sorte que levamos 1kg de tapioca do Brasil )

      2° acampamento, à 4.175m – Jatunquisuar – bifurcação entre o Alpamayo e Passo punto Union.
      Cansada, após um dia inteiro de caminhada, gravei este vídeo no final da tarde:

      Estávamos bem cansados, pois fizemos mais de 17km neste dia, jantamos e logo capotamos na barraca, ansiosos pelo próximo dia que prometia visuais incríveis, cerca de 10 minutos depois da gente entrar na barraca começou a chover, hora água, hora um granizo fino e passou tão rápido quanto chegou.
      Segundo acampamento
      A orientação neste local é cuidar com as vacas, que são curiosas e podem vasculhar sua barraca em busca de comida num momento de distração.
      DIA 3 – Subindo até base do Nevado Alpamayo, 360° de montanhas
      29 de agosto de 2018
      Acordamos as 7:30h para preparar o café da manhã e começar a organizar as tralhas, enquanto isso notamos que estávamos sendo observados…

      Alguns pássaros se aproximavam da gente enquanto comíamos bolachas, ai descobrimos o seu interesse, quando saímos ele atacou as migalhas!

      Pegamos a trilha à esquerda, e subimos mais 500m de altura para acampar aos pés do Alpamayo, Quitaraju e Puscahirca sur,  para no próximo dia retornar ao trajeto da travessia e seguir o caminho rumo ao passo punta Union.
      No caminho:

      No caminho encontramos flores lindas típicas da região: Lupínios azuis que exalam um perfume forte e agradável. No trajeto, nos sentíamos bem com a beleza do lugar. Há mais verde, campos largos com grama, flores e florestas que nos presenteavam com adoráveis sombras!
      Luípios em destaque e ao fundo, Nevado Alpamayo.
      Alguns mochileiros passavam por nós, que estavam bem equipados para alta montanha e tinham intenção de escalar o Alpamayo. ” Buena suerte!”
      Avistamos os nevados Jancarurish, Quitaraju, (6040 m.), Pucahirca, Rinrihirca, e aos poucos foi se revelando uma enooorme barreira de montanhas.
      Conforme nos aproximando dos nevados reparamos que havia pontos pretos na neve, que se moviam de lugar.
      Zoom máximo na câmera e conseguimos observar alpinistas subindo o nevado Alpamayo, na rota Quitaraju Trek.
      Comentamos sobre a dificuldade, a coragem e a determinação de fazer uma aventura dessas. Subir estas montanhas nevadas deve ser incrível, porém não são nada fáceis, exigem muita força e técnica. Descobrimos o quão sofrido é fazer alta montanha, pois na tentativa anterior ao nevado pisco e o Cume do Diablo Mudo em Huayhuash,  que fizemos não foi nada fácil. Sem dúvidas o Alpamayo e as montanhas nevadas desse local é nível hard.
      Alpinistas escalando o nevado Alpamayo! Foi um belo registro.
      Depois da subida havia uma parte plana, onde paramos para contemplar a estonteante paisagem. De um lado se via Artesonraju – e do outro o imponente Alpamayo junto de uma extensa escarpa de montanhas nevadas IMPRESSIONANTES!
      Este local “secreto” sem dúvidas foi o ponto mais emocionante destes dias em Santa Cruz.
      Nevado Artesonranju, a montanha piramide.
      Impressionantes formações rochosas, confesso que ficamos na vontade em tentar subir um destes nevados!
      Porém só de olhar a inclinação das subidas já nos cansava!
      Á direita: Quitaraju e à esquerda Alpamayo.
      Continuamos a caminhada até ponto de acampamento, próximo dali também havia um refúgio, onde geralmente ficam os grupos alpinistas que tentam ascensão a montanha.
      Fomos conhecer e havia um peruano que estava esperando uma equipe de 3 alpinistas contando com 1 guia que tinham subido ao Alpamayo de madrugada, eram os “pontos” que avistamos na neve durante a manhã ( registrado na foto acima) .
      Em baixo de uma árvore, um pequena parada para descanso. Montamos a barraca numa área mais reservada e partimos para outra caminhada, desta vez sem o peso das mochilas até uma laguna que ficava aos 4.420m, próximo dali.
      Nosso acampamento, e o base camp Alpamayo (ao fundo)
      Encontramos uma enorme pedra, onde havia fotos e homenagens dos escaladores que faleceram tentando escalar esse nevado.
      Lembranças dos escaladores que perderam a vista nestas montanhas
      Ficamos imaginando a rica e antiga história de montanhismo deste lugar e a experiência dos tantos aventureiros que  passaram por aqui.
      Nesse dia caminhamos 4 km e tivemos 500m de subida para chegar ao Camping por volta das 12h. Após o lanche, subimos sem mochila a Laguna Arhuaycocha, que levou em torno de 3 horas ida e volta num ritmo bem tranquilo e com bastante tempo para fotos e videos.
      Esta Laguna é de uma beleza extrema com o glaciar vindo do Pucajirca Sur (6040m) e do Ririjirca(5810m) que seguiam a formar a laguna de degelo, onde o gelo realmente tocava a água.
      Valeu a pena chegar aqui!
      Decidimos explorar um pouco mais e antes vimos nos mapas que havia um mirador à direita, seguimos o aclive e contemplamos a melhor vista para as montanhas nevadas e a laguna. Um dos dias mais bonitos da travessia.
      Laguna arhuaycocha e nevado Taulliraju
      Visual impressionante,o vento soprava forte final de tarde.
      No mirador da Laguna Arhuaycocha, locais incríveis!
      Na chegada fizemos um café para espantar o frio que chegava com o pôr do sol! Logo fizemos o jantar e fomos deitar um pouco com o avanço da barraca aberto para desfrutar da bela noite estrelada. A noite foi extremamente fria, chegamos aos -7 graus, mas nossa barraca, isolante e saco de dormir aguentaram bem e nos mantiveram aquecidos e confortáveis.
      Nossa sala de jantar!
      Enquanto jantávamos vimos a lua saindo por trás da montanha, cena mágica que ficou gravada em nossa memória!
      Dia 4 – Rumo ao passo Punta Union
      30 de agosto de 2018
      Saímos da barraca de madrugada para ir ao “baño” e vimos que havia com uma camada de gelo no sobreteto. Ficar fora com pouca roupa era impossível, as mãos e pés doíam de frio sem luvas ou proteção extra ( não queria colocar, luvas, jaquetas e bota para sair rapidinho) , o jeito era ficar na barraca quentinha até o sol sair e “desencarangar” para poder começar a o café da manhã e desmontar acampamento.
      Nossa barraca num amanhecer gelado na cordillera blanca
      Base camp Alpamayo e o brilho do gelo em nossa barraca.Valeu a pena sair cedo só para ver o sol tocando as montanhas!

      Nesse dia por conta do frio, voltamos para barraca e ficamos até pouco mais tarde, tomando um café da manhã, admirando a paisagem, e se preparando para o dia que viria.
      Pucahirca sur, visto de nossa barraca no amanhecer
      Saímos um pouco tarde, por volta das 9h estávamos prontos com a mochila montada para baixar, e depois subir. Nosso objetivo neste dia foi atravessar o passo Punta Union. Descendo de 4.400m aos. 4.000m e depois subir novamente até os 4.700m. Este dia prometia ser o mais difícil da travessia.
      Rota de colisão 😮
      Devido a altitude da montanha o som dos aviões era bastante perceptível.

      Seguimos baixando e pegamos um atalho que nos fez evitar uns 100m de subida, e seguimos pelo ultimo grande platô, descampado, antes do grande passo de montanha.
      Vista para o vale em que viemos subindo nos últimos dias, o passo fica atrás.
      Durante a primeira baixada uma grande butuca nos seguia. Comemos bolachas e doces durante o caminho. Por causa dos restos que ainda colavam levemente entre os dedos da mãos, a espertinha nos incomodou por um longo trajeto com seu zunidos e seus ataques surpresa em volta de nosso chapéu.
      A subida que era quase plana, se tornava mais ingrime. Com quase nenhuma fonte de água ou sombra, já estávamos exaustos por conta do calor e sol forte. Baixamos a cabeça e seguimos devagar e sempre, rumo ao passo Punta Union, o gatorade de 750ml que guardamos para este dia foi realmente muito útil! Nessas condições é importante ter muito liquido a disposição para beber, e só água não saciava a sede, precisávamos de açúcar no sangue.
      No inicio da subida ao Passo Santa Cruz, esta foi a única “sombra” que achamos.
      Seguimos subindo a montanha e aos poucos a paisagem ia mudando, ficando cada vez mais bonita conforme ganhávamos altitude.
      Na metade do caminho era possível avistar a laguna Taullicocha, água azul turquesa do degelo das montanhas nevadas ao redor.
      Parada para descanso admirando a Laguna Taullicocha
      Subindo o Passo Punta Union:

      Depois de uma intensa subida, acima dos 4.500m o soroche começou a aparecer mais forte, a mochila parecia que pesava mais, o único jeito era continuar numa passada bem lenta, um passo de cada vez!
      Subindo…
      Este foi o dia em que encontramos mais pessoas na trilha, os dias anteriores vimos  poucas pessoas, mas no caminho ao punta Union encontramos vários grupos, todos com guias e arrieiros levando suas bagagens.  Encontramos apenas outro casal de mochileiros descendo e também uma senhora de 74 anos, que nos surpreendeu pela sua força e resistência!
      Subindo o passo Punta Union!
      Também encontramos um “guia” estrangeiro, desesperado, que estava procurando 2 pessoas que desapareceram de seu grupo, esperamos que tenham sido encontradas!
      Apesar do caminho ser bem marcado, boa visibilidade e até sinalizado, as pessoas que não estão acostumadas a se orientar na montanha podem se perder facilmente aqui.
      Finalmente! Alcançamos o passo punta Union as 17:04hrs! visual incrível!
      Não pudemos ficar muito tempo no passo, pois já estava tarde e ainda tínhamos que descer, e encontrar um lugar para acampar, e o gps marcava que o prox. acampamento estava a cerca de 7km dali, então começamos a baixar do outro lado do passo, apenas descidas, muito mais fácil agora!
      Baixando, já no outro lado do passo! baixar é só alegria 
      Gostaríamos de ter tido mais tempo para explorar este local, seguindo por esta crista até onde começa o glaciar, quem sabe numa próxima…
      Imagem aérea do caminho que fizemos, viemos da esquerda, subimos e descemos a esquerda
      Na imagem abaixo a passagem para o outro lado do Passo Punta Union.
      Chegada ao Passo Punta Union!
      O caminho ficou cada vez mais longe e já estava ficando noite, descemos o máximo que conseguimos, até o anoitecer.  Descemos 5km, até os 4.000 metros onde finalmente encontramos um gramado plano que serviria de acampamento. Decidimos ficar por ali mesmo próximo à um riacho, dormir com o barulhinho da água e tendo água próxima para nosso uso.

      Quando montamos a barraca começou a aparecer vários mosquitos. Mal deixei a porta da barraca aberta já tinha vários dentro também. Tivemos que fazer um fogo para poder espanta-los e  fazer o jantar ali fora. Fomos dormir defumados.
      À noite, já deitados, vimos uma luz vindo em nossa direção,  ficamos um pouco apreensivos, mas ficamos dentro da barraca camuflada com árvores ao lado da trilha. Mais tarde quando estava mais tranquilo, olhamos em volta e havia algumas vaquinhas que pastavam e mais abaixo uma barraca. A luz eram de outros mochileiros que também resolveram acampar próximos dali.
      Combinamos de acordar cedo no próximo dia, para caminhar até Vaqueria, local onde conseguiríamos o transporte para retornar a civilização!
      Dia 5 – Passo Punta Union – Vaqueria
      31 de agosto de 2018
      No outro dia acordamos super cedo e assim que tomamos café e desmontamos rapidamente o acampamento, continuamos na trilha morro abaixo, sempre descendo, apressando o passo.
      As 9:14h chegamos no ponto de acampamento oficial, onde deveríamos ter chego ontem.
      Chegando no posto de controle tivemos que apresentar os tickets de acesso, que havíamos comprado préviamente em Huaraz, caso não tivesse poderia ser adquirido na hora, pelo valor de 60 soles p/ pessoa.
      As 9:30h chegamos ao posto de controle
      Ai fomos informados que faltavam mais 7km para chegar a Vaqueria, e que teria onibus até as 15Hrs.
      Os primeiros indícios de civilização começaram a aparecer quando chegamos ao pequeno pueblo de Huaripampa, um local bem simples de casas feitas com tijolos de barro.
      Chegada ao Pueblo Huaripampa!
      Algumas crianças que estavam por ali vieram correndo em nossa direção, falando  ”galletas, galletas!” Já estavam acostumados a ganhar um lanchinho dos mochileiros que passavam por ali.
      Logo após um senhor de idade avançada, com o rosto marcado por uma vida sofrida nos pede algo para comer ou beber porque estava com muita” hambre e sede”. A unica coisa que tínhamos na mochila era uma ”marmelada de frutijja” (geleia de morango) e  ”ojas de coca”’e pouca água, doamos toda a comida que tinha sobrada da travessia ao senhor. Era um local precário e com muita pobreza.
      Em muitas regiões do peru as casas são feitas com tijolos artesanais
      Seguimos até uma quitanda,  tomamos uma cerveja quente e comemos bananas.  Conversamos com 2 campesinas que nos informou que poderia chamar um taxi para nos levar até Vaqueria por 60 soles. Valor para ”’gringo”.
      Quitanda, em Huaripampa
      A proposta foi tentadora mas seguimos caminhando debaixo do sol forte.
      Eu Vanesssa já estava com dor no pé, pois havia aparecido bolhas que estavam me incomodando, porém isso não podia me afetar pois tinha que continuar, caso contrário, não iriamos conseguir pegar o colectivo a tempo. No caminho  ainda fomos surpreendidos com uma forte subida, talvez porque estávamos cansados, ela parecia muito maior! Nossa sorte é que tinha bastante arvores e sombras no caminho!
      Depois de uma longa subida, finalmente em Vaqueria, esperávamos um pequeno pueblo, mas na verdade era quase como um ponto de ônibus, a beira da estrada com algumas vendas.
      Pueblo de Yanama – Vaqueria
      Chegando em Vaqueria, paramos em uma tenda simples e uma campesina estava lavando roupa em uma bacia. Parou para nos atender e perguntei se não havia sopa e ela prontamente disse que sim e que iria fazer para mim por 5 soles, pedimos uma cerveja para comemorar a chegada!
      Final da caminhada
      Ótimo, chegamos próximo do meio dia, com muita fome e o primeiro colectivo só chegaria às 14h. Durante o almoço a campesina também se sentou com a gente para almoçar e nos contou sobre a sua pousada que ficava a uns 100 m dali. Conversamos com algumas crianças que estavam ali também esperando o colectivo. Passaram 3 vans lotadas de gente, e não teria condições de irmos junto por falta de espaço para nós e as mochilas, e ficamos por ali matando tempo à espera no ônibus.
      Quando já estávamos ficando preocupados, finalmente por volta das 16hrs apareceu um ônibus grande, que nos levaria diretamente até Huaraz ( 140km) por meros 50 soles para nós 2, valeu a pena esperar por este busão!
      E quando achamos que a aventura acabou, o trajeto que fizemos com esse busão foi sensacional e deu até medo!
      Descendo a montanha
      Passamos pelas estradas ao lado de penhascos e curvas fechadas, só passava um veiculo por vez. Relaxamos na cadeira tendo as melhores vistas pela janela de todas as montanhas nevadas imponentes  na Cordilheira Branca. Subimos um passo de ônibus e descemos do outro lado, passamos em frente ao mesmo local onde entramos para o nevado pisco e laguna 69.
      Vista da Janela do onibus. Huascarán a esquerda e Huandoy a direita
      Pense numa estrada insana! Tudo que queríamos naquele momento era uma mountain bike para descer esta serra!
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      Do alto do passo, o ônibus fez uma parada, estávamos cara a cara com o nevado Huascarán, o mais alto do Peru e o impressionante macico do Huandoy.
      Os 2 picos do Nevado Huascarán, Norte e Sul
      Sensação de desafio completado com sucesso! Saímos estasiados de mais uma espetacular travessia na imersão dos Andes Peruanos. Gratidão a Pachamama!
      Chegamos a Huaraz por volta das 20hrs, fizemos um lanche no primeiro lugar que encontramos  e pegamos um taxi até o hostel para o nosso merecido descanso!

      Confira o post Original no blog: http://casalnamontanha.com.br/2018/11/10/trekking-santa-cruz/
    • Por Daniela Alvarez
      Chegamos em San Pedro pelo aeroporto de Calama. Lá pegamos uma van que cruza parte do deserto e nos leva até o povoado. Nos hospedamos por 5 noites no Ckoi Atacama Lodge http://www.ckoiatacama.cl, uma ótima dica de hospedagem. Boa estrutura, atendimento super simpático, perto de tudo, mas longe o suficiente do barulho e com bom preço. 
      O Atacama é uma viagem cara. Todos os passeios são feitos com agências e embora isso interfira na liberdade de quem é bicho solto, é de fato a única forma de preservar aquela natureza absoluta.
      Uma rua de terra principal com duas paralelas e quatro transversais formam o casco histórico de San Pedro de Atacama. E ali naquele pequeno povoado, naquele oásis perdido em meio a uma paisagem que muda de cor com o passar das horas, há uma efervescência, com mercadinhos, restaurantes e lojas que vão de um artesanato simples a joias de pedras preciosas.
      Não se pode dançar em San Pedro de Atacama. Sob os nossos pés, um imenso cemitério indígena, restos de um povo que acreditava que tudo aquilo o que víamos era o bem mais precioso que tínhamos. Um povo que sabia honrar cada pedaço daquela terra e extrair dela tudo o que precisávamos para existir. Um povo que tinha um enorme respeito pela nossa grande e única fonte de tudo, e entendia sobre o que realmente importava. Ouvir música é permitido, contanto que ela não desperte, no corpo e nos pés, a vontade de manifestar euforia e, por consequência, desrespeito sobre aqueles que nos ensinaram tudo o que jamais poderíamos ter esquecido. 
      E mesmo com todas as fotos e vídeos e relatos que havíamos visto e ouvido, não fazíamos ideia da imensidão que nos aguardava e nem do tamanho que isso seria aqui dentro. 
       
      Deserto do Atacama
      O deserto do Atacama não é real. É um outro planeta inventado num filme. É um sonho confuso que se divide ao acordar. É uma mentira contada sobre um paraíso. É uma miragem que nos faz duvidar, o tempo todo, se estamos acordados. Uma memória que temos certeza que está a nos enganar. Um medo constante dos olhos esquecerem a beleza, a imensidão e a intensidade do que veem. Uma emoção que faz chorar todos os dias diante da magnitude do que nos rodeia. O lugar mais especial que já pisamos. 
      No deserto do Atacama há muitas possibilidades de passeios e dificilmente, por tempo e dinheiro, você fará todos. Pesquise bastante e escolha passeios diferentes e que se encaixem no seu gosto e no seu bolso. Optamos por fechar todos os passeios com a mesma empresa, Araya https://www.arayaatacama.com/, e adoramos. Pode não ser a agência mais barata, mas os guias são excelentes e pontuais, as vans são ótimas e nos pegam e nos deixam de volta no hotel e os lanches oferecidos em cada passeio, eram visivelmente melhores que o de outras empresas.
       

       
      Escolhemos os seguintes passeios:
       
      Lagunas Escondidas
      Três litros de água por dia é o que se recomenda beber no deserto. O corpo rapidamente sente a secura na boca, nas mãos, nos poros, na língua, na pele. A desidratação chega sutil, a saliva falta e a dor de cabeça se aponta lá no fundo dos olhos. Um mínimo gole de água resolve instantaneamente. Sentimos cada parte do nosso corpo reagir ao ambiente em que recebemos muito mais do que damos, como deveria ser sempre na natureza. 
      Saímos às 8h da manhã para as Lagunas Escondidas, um conjunto de 7 lagoas formadas no meio da Cordilheira do Sal. Uma viagem de uns 20min de carro e uma caminhada de uns 15min nos levam à primeira delas, uma piscina natural com a água tão salgada que, se secarmos as mãos na roupa, uma capa branca se forma no mesmo instante. Dá pra ver pequenas bolhas brotarem do solo, indicando a nascente de água subterrânea, um fenômeno banal explicado pelos geólogos, mas impressionante para nós. Água verde clara, transparente e salgada. 
      Seguimos a trilha adiante e, entre uma e outra lagoa verde, nos deparamos com a penúltima do conjunto. Falta ar e palavras para descrever o que os olhos não acreditavam ver. No meio de um concentrado de sal na superfície, rodeado de rochas de sal que vão escurecendo pelo horizonte até ficarem marrom, um pedaço do céu se abre no chão, de uma cor tão azul esverdeada, tão verde azulada, tão aturquezada, tão ainda sem nome, que os olhos se enchem de lágrimas e a boca saliva a vontade das mãos de toca-la. E o corpo desaba na pedra mais próxima e se rende, sem qualquer outra chance de alternativa, enquanto o silêncio e a suspensão são a única manifestação comum e possível dos sentidos. E ali, naquele instante mágico, naquele intervalo que a noção de tempo não consegue explicar, entendemos o nada que somos. 

       
      Vale de La Luna e Vale de la Muerte
      É curioso e surpreendente perceber-se no lugar considerado o mais inóspito da Terra, o ambiente que temos de mais próximo à superfície da Lua. Por isso o nome, Vale de la Luna. 
      23 milhões de anos soam como um número perdido e vago, já que é humanamente incalculável para aqueles que vivem, quando muito, um mísero século por aqui. São 23 mil gerações da nossa família vivendo por um período acima da média. Um número impossível para nós. 
      Mas não para a Terra. Não para a natureza. Não para aquele lugar onde tempo e espaço são conceitos que temos que ressignificar para tentar, com muitos esforços, começar a entender o início de nós. 
      Cavernas no meio de cânions de um tamanho muito além do alcance dos olhos; gesso, argila, cristais de sal, granito, quartzo, infinitos minérios cuja explicação para aparecerem ali não existe; cinzas e pedaços de rochas espalhados por todo o vale; e o vento, que faz tudo aparecer e sumir conforme a sua vontade, moldando esculturas que os humanos, tão perdidos diante daquela fonte gigante de tudo, chamam de “Marias”; e a chuva que, raríssima, quando aparece vem imensa, abrindo caminhos em espaços invisíveis. 
      Da mesma forma é o Vale de la Muerte, que era para ser Marte, pelo óbvio, mas a dramaticidade ocidental não permitiu. Do topo do vale vemos o horizonte rosa, as cordilheiras desenhadas, a terra vermelha, as fontes intermináveis de minérios, o sal, os vulcões, o tamanho daquilo tudo. 
      Ali somos nós os estrangeiros, os extras do território, aqueles que não pertencem, achando que sabem alguma coisa, mas que não conseguem explicar quase nada do que se passa nesse outro planeta, que só parece nosso, mas que é ele muito mais o dono da gente. 
       
      Laguna Céjar
      O céu do deserto do Atacama é de um azul firme, fixo, que de tão certo e forte faz os olhos duvidarem. E o horizonte de montanhas e cordilheiras de um colorido que vai do branco da neve nos cumes dos Andes, passa pelo avermelhado rosa da cordilheira do sal, depois pelas formações rochosas amarronzadas de sal seco, pelo bege do solo de pedras menores, até voltar ao branco do sal puro e, por fim, ao azulverde da água das lagoas. É como uma paleta cíclica de cores que só existem ali. 
      A Laguna Céjar é um imenso de água no meio dessa esfera impossível. Começa rasa e transparente, tentadora aos pés, e aos poucos, ao passo lento e natural que a natureza impõe, vai passando pro verde, todos os tons, até chegar ao azul, confundindo o nosso olhar entre céu e água, entre cima e baixo, entre nós e a imensidão. 
      Ali não se pode tocar. É preciso aprender a apalpar com os olhos. 

       

       
      Ojos del Salar
      Acredita-se que há milhões de anos, não se sabe dizer quantos, contra toda e qualquer teoria geológica de probabilidade, dois meteoritos caíram na Terra, um ao lado do outro, bem ali no meio do deserto. E com menos explicação ainda, esses buracos formados se encheram de água, doce, limpa, onde se pode mergulhar. E mesmo com toda a seca que se vive lá, ano após ano, a água não diminui. Se evapora, é novamente alimentada por alguma nascente que não se sabe sequer de onde poderia vir. Os buracos possuem uma profundidade que máquina nenhuma inventada pelo homem consegue calcular. 
      Eles te encaram, imensos, como que rindo da tentativa vã e sem propósito de entender o que não se pode explicar. Nos emocionamos entre os Ojos del Salar.

       
      Laguna Tebinquiche
      A Laguna Tebinquiche é a origem de tudo. No momento em que o mundo acabar e a Terra sucumbir às torturas que praticamos a cada segundo, é ali que tudo recomeça. As bactérias presentes nas pedras que rodeiam toda a lagoa são capazes de dar início ao ciclo da vida. A potência daquele lugar é assustadora. 
      Há um caminho delimitado para caminhar, para que se tente não acabar com o nosso único possível recomeço. E após uma trilha no meio dessa fonte de vida tão invisível aos nossos olhos, tão possivelmente desacreditável a olho nu, chega-se a um ponto onde a luz do pôr do sol a oeste reflete nas montanhas a leste, mudando-as de cor. A beleza é tão arrebatadora que, ao não sabermos para onde olhar, se para o sol que se põe por trás das montanhas e vem até nós pelo reflexo na água ou para o horizonte que vai seguindo o movimento do olhar em amarelo claro, amarelo escuro, laranja claro, laranja escuro, rosa claro, rosa escuro, até atingir a cor púrpura do outro lado, a luz do dia acaba, deixando somente o silêncio daquela visão impossível. E pedimos, com lágrimas que escorrem em meio ao sorriso incessante, que os olhos não esqueçam o milagre que acabaram de ver.
       
      Termas de Puritama
      Há 3 mil metros de altitude cresce uma espécie de cacto que só existe em bando. Chegando aos 6 metros de altura e vivendo por cerca de 200 anos, esse tipo que sequer vinga diante da solidão, possui uma madeira porosa diante de sua casca de espinhos perfeita para o artesanato. De tão esbelto e firme, é difícil crer que, assim como as rolinhas, não sabe e não suporta ser só. Mas gosta de topos, talvez para ter a certeza de avistar os seus a todo instante, como uma galinha que não perde seus pequenos de vista, mas todos sendo mãe e filho ao mesmo tempo. 
      Num dos cânions em que vive essa espécie há um rasgo feito por um raio, há milhões de anos, que foi se abrindo com o movimento da Terra e formando um caminho. Por ali corre um rio, que não se sabe como, nasce dentro de um vulcão e vem correndo toda uma montanha até desaguar entre cactos carentes e rabos de raposa, planta que só cresce perto d’água e mais parece um capim dourado brilhando no meio da rocha seca e do céu azul.
      Pequenas cachoeiras de uma água inacreditavelmente morna, que quanto mais se sobe o caminho no cânion, mais quente fica.
      Ora na sombra, ora sob o sol fervente do deserto, quando as mãos encostam nessa água, o corpo inteiro arrepia a sensação inesperada daquela temperatura improvável. 
      Caminhamos por 2 horas na abertura do cânion, às vezes ao lado das águas, às vezes na rocha laranja, avistando somente a vegetação que garantia que o rio estava ali. Com a boca seca e os olhos em choque, atingimos o cume e as famosas Termas de Puritama. 7 piscinas naturais desenhadas como que em andares, cada uma delas com formatos e temperaturas diferentes, que vão dos 23 aos 30 graus.
      A água é quente feito abraço, potável e de uma transparência que se confunde com as lágrimas, dando a impressão de que choramos cada gota daquele elixir que, se não cura doença, acalenta a alma.
      Quando o corpo emerge aquelas águas, o coração palpita; a boca não consegue não beber; as mãos correm os braços na tentativa de sentir ainda mais o abraço que envolve por inteiro; os olhos não conseguem se fechar para não perderem um segundo daquela sensação indescritível e choram ao mesmo tempo em que querem ver; e o sorriso vem, completamente involuntário, mais do que convidado e sem nenhum necessidade de ser chamado, aguçando cada poro e cada mínimo sentido e despertando a absoluta certeza de que a plenitude do amor está dentro e só pode ser isso.
      Esse passeio é o Termas da Puritama + trekking. Não deixe de ir caminhando. A sensação de chegar ao topo vivendo o caminho é incomparável do que alcançar as termas numa van.
       
      Tour Astronômico
      A altitude alta e as nuvens raríssimas fazem do céu do Atacama o ponto de observação mais limpo da Terra. É ali que estão os maiores e mais modernos telescópios da Nasa e os mais competentes astrônomos. 
      A realidade é que, para além das pesquisas, olha-se para cima após as 23h e tudo parece um filme. As estrelas são holofotes, dispensando qualquer luz artificial, e o céu parece tão baixo e tão perto que é possível ver o movimento da Terra em tempo real, com os planetas visíveis a olho nu mudando de lugar a cada segundo. A Via Láctea é um borrão branco nítido, grande, que prende os olhos ao tentarmos entender o inexplicável. Mas o que o telescópio mostra ao parar em Saturno beira o indescritível. O coração palpita quando os olhos se deparam com os anéis perfeitos e a nitidez do imaginário de toda uma vida. É preciso coragem para descer as escadas do imenso observador do céu e aceitar registrar aquele instante somente na memória, rezando pra que ele permaneça, forte, vivo e intenso, exatamente como o segundo em que os olhos perceberam o que viam. E num misto de felicidade e medo do que o tempo muitas vezes prega em nossa lembrança volátil, três estrelas cadentes rasgam o céu, roubando a respiração e deixando ainda mais claro que a gente é um pingo de absolutamente nada.
      Fizemos o tour astronômico com a Space Obs, porque lemos muitos relatos de que eles teriam os melhores telescópios. Não gostamos. Extremamente técnico. Grupos grandes, muita espera e filas para cada telescópio. Um casal de simpáticos astrônomos estrangeiros nos recebe e nos guia pelo tour. Observamos o céu a olho nu, com ela apontando estrelas, planetas e constelações. Seguimos para a observação nos telescópios e finalizamos com uma roda de chocolate quente e uma palestra bem entediante sobre física quântica, cálculos astronômicos e informações numéricas pouco interessantes e nada relevantes para quem, como nós, busca um pouco mais de magia. Nos arrependemos de não termos feito também esse passeio com a Araya. Algumas pessoas que fizeram com eles, amaram a experiência. O guia era um senhor nascido no Atacama e entendedor do céu, que em meio aos telescópios, contava sobre as crenças ancestrais do surgimento das constelações. Tudo acompanhado de chocolate quente ou de whisky.
      Preparem-se para o frio da noite do Atacama. Especialmente nesse passeio, que é feito na madrugada por razões óbvias, o frio é congelante. Gorros, cachecol, luvas e meias. Tudo é necessário. 
       
      Passeios que não fizemos
      Salar de Tara - queríamos muito, mas estava fechado, com muita no acesso.
      Geyser el Tatio - era muito cedo, muito frio e estávamos mais interessadas nas belezas das lagoas.
      Vale do Arco-Íris - faltou tempo.
      Lagunas Antiplânicas - na seleção de cada passeio, optamos pelas outras lagunas.
       
      Onde comer?
      Não achamos tão tranquilo comer em San Pedro. Tentamos tudo. De restaurantes típicos locais a pizzarias. Destacamos somente a Pizzería El Charrúa, com pizzas crocantes e saborosas, e o Empório Andino, com empanadas de diferentes sabores.
      Também lemos muito sobre Las Delicias de Carmen. Comemos lá 2 vezes e não gostamos nenhuma. 
       
      Dicas
      Na rodoviária há o precioso e pouco divulgado Mercado dos Produtores. Não deixe de caminhar até lá. É onde os artesão locais tem suas oficinas e lojas. Nos apaixonamos pela Dona Carmem, uma das mais antigas artesãs do Atacama e dona de mãos que tecem belíssimas peças, de uma lã natural que ela mesma prepara, monta em novelos e encaixa em seu tear. E também o Manolo, exímio ourives e conhecedor de cobre, mineral abundante na região. Suas joias são obras de arte.
       
      https://www.instagram.com/trip_se_/
    • Por Alfredo Fuchs
      Era quase meio dia numa manhã de novembro. Sob o sol quente, a radiação castigava a pele já queimada dos meus braços, mãos e pescoço. Estava exausto. Os pés doíam, enfiados nos calçados especiais para caminhada que por algum milagre ainda insistiam em não se esfarelar. Mesmo com o lindo dia e com a paisagem deslumbrante do alto do Canion da Rocinha a inspirar a elevação do espírito, meu humor não poderia estar pior. Durante a noite anterior havia acabado a água nos meus dois cantis e a boca seca somada à respiração ofegante faziam a sensação de sede parecer insuportável. Com as últimas forças atravessei a campina e desci à margem do último córrego que tinha que atravessar. Depois disso, a estrada e o fim da jornada. Na margem, soltei a barrigueira e tirei a pesada mochila dos ombros. Com esforço, alcancei um dos cantis de plástico verde, e tentando me equilibrar sobre o terreno molhado, acocorei sobre a vertente e o enchi com um pouco daquela água gelada e cristalina. Levantei para beber e no momento em que tocava os lábios no cantil meu pé escorregou. Caí de lado sobre o barranco irregular e úmido. O cantil bateu no chão e foi parar dentro de uma poça lamacenta, derramando todo o seu líquido. Foi a gota d’água. Senti o calor do sangue subindo à minha cabeça e a fúria tomou conta de mim. Toda a frustração, o cansaço e a tristeza vieram à tona. Levantei e alcancei o cantil apenas para jogá-lo mais longe, com toda a minha força.
      Uma semana antes eu me sentia muito bem, me preparando para o que imaginava seria um trekking “épico”. Já havia alinhavado alguns detalhes da viagem com meu velho amigo de caminhadas. Mauro e eu nos conhecemos durante o serviço militar obrigatório, há mais de trinta anos atrás. De lá pra cá, mesmo sem qualquer regularidade, acumulamos aventuras, quilômetros caminhados e muitas histórias para contar. A nossa última aventura havia sido num final de semana de fevereiro deste ano. Com um amigo, fomos a um cânion muito pouco visitado em Cambará do Sul, que exigiu uma caminhada de 12 quilômetros sob forte chuva. O clima não estava nada bom e a previsão para os próximos dias era pior ainda. Assim, chegamos, acampamos e no dia seguinte retornamos outros 12 quilômetros. Mesmo assim valeu pela boa companhia, pelo exercício físico e por ter matado a saudade de um dos meus cânions preferidos.
      Depois de muitas conversas e combinações, a decisão estava tomada: desta vez, Kátia ficaria em casa com as crianças. Eu havia conseguido uns dias de férias do trabalho e, se por um lado estava precisando me afastar das tarefas rotineiras, por outro eu tinha planos...
      A ideia era aproveitar a exuberância inspiradora e remota do ambiente natural dos cânions de São José dos Ausentes para produzir fotos e vídeos para um novo projeto pessoal. Há algum tempo Kátia e eu vínhamos conversando sobre fazer algo baseado em plataformas virtuais. Ela é da área de informática e, muito criativa, tinha tido experiências de trabalho com mídias sociais. Insistia para que eu montasse algo nesse sentido, com enfoque nas minhas experiências. Agora, por algum motivo, me senti mais confiante e resolvi abraçar a proposta. A oportunidade de começar a produzir material num ambiente natural era perfeita. Um local onde eu me sinto à vontade, que faz parte de mim.
      Abri o armário e comecei a tirar as teias de aranha do nosso equipamento fotográfico, guardado há alguns anos, especialmente depois do advento dos smartphones... apesar de ter que carregar uma pesada “tralha” (máquina DSL, suas lentes e tripé, além de baterias extras e outros acessórios), a qualidade das fotos valeria a pena. Suportar o peso extra do equipamento fotográfico era um dos principais desafios desta empreitada. Deixaria o telefone celular para comunicação, navegação, vídeos e algumas fotos ocasionais. Adquiri um power bank de 10.400mAh para garantir a duração da bateria do telefone até o fim da viagem.
      O segundo desafio da caminhada era justamente a navegação. Com o meu bom e velho Garmin eTrex Venture na maioridade (passou dos 18 aninhos) e já mostrando sérios problemas – mapas desatualizados, display sem mapa e tela falhando, eu queria muito testar o sistema de navegação Google pelo celular. Ainda assim levamos o velhinho eTrex (pelo menos para marcar os waypoints), além de bússolas magnéticas e cartas topográficas da região. Falando em região, chegada a véspera da viagem ainda não tínhamos decidido qual seria o roteiro exato, para desespero dos nossos familiares. Sabíamos que seria algum trecho entre o Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul e o Cânion Montenegro, em São José dos Ausentes, numa jornada entre 4 e 5 dias. Isso seria decidido no carro, subindo a serra.
      Com a mochila cargueira preparada e a maleta com o equipamento fotográfico ao lado, restava aguardar o Mauro, que chegou perto das oito e meia da manhã de sexta-feira, feriado de Finados. Eu estava louco para botar o pé na estrada, mas, a convite da Kátia, o meu parceiro de aventuras, com a sua calma de sempre, entrou e tomou um café e comeu um sanduíche. Finalmente saímos para a maior caminhada que eu faria em anos! Mas conhecendo meu amigo, sabia que não começaríamos assim, tão imediatamente... então, pacientemente usufruí da parada em São Francisco de Paula (80 km rodados) para pesar as mochilas numa balança de farmácia e olhar umas lojinhas (todas fechadas), da parada em Tainhas (distrito de SFP, 115 km rodados) para um lanche e olhar as divertidas camisetas do Radicci, e da parada em São José dos Ausentes (248 km rodados) para um café com bolo na única lancheria (e também loja de bolsas, calçados, roupas, panelas e todo o tipo de utensílios) aberta naquele dia de feriado nacional.
      Tínhamos decidido fazer um roteiro inédito: caminhar do Cânion Monte Negro, onde fica o ponto mais alto do Estado do Rio Grande do Sul, seguindo para o Sul, pela encosta do planalto até o ponto de encontro com a BR 285, no início da descida da bela Serra da Rocinha. Seria uma caminhada entre 30 e 40 quilômetros, dependendo que quantos cânions iríamos visitar no caminho, considerando os imensos recortes dos profundos vales que os compõem. Enfim, decidimos deixar o carro na Fazenda Monte Negro, vencendo mais 45 quilômetros de estrada de terra.
      Para o Mauro, tudo em Ausentes era novidade. Eu, no entanto, havia me hospedado ali há cerca de 17 anos atrás. Apesar do local estar diferente, maior e mais bonito, muitas lembranças vieram à tona. Foi uma saída solitária, de uns três dias, para conhecer o tal ponto mais alto do Estado. Lembro bem que peguei muita chuva e frio nas minhas caminhadas por lá. Tentei várias vezes ver o cânion mas o tempo ruim não permitia e enchia tudo com a sua névoa cinza. Lembro também da comida campeira deliciosa que era (e deve ser ainda hoje) servida lá. Lembro do calor do fogo de chão e do fogão a lenha, sempre acesos. Lembro do peso das cobertas a ajudarem a aquecer a cama fria à noite. Lembro da escuridão e do silêncio absurdo da noite, me levando a refletir sobre as coisas da vida e principalmente sobre a recente perda da minha mãe, vencida pelo câncer. Naquele momento, era apenas eu. Avós, tios, pais e irmão. Todos haviam partido. Essas foram as lembranças que aquela casa de fazenda, com seus dois andares, me trouxe assim que o carro parou à sua frente.
      Conversamos com um rapaz, filho do proprietário. Ele não só permitiu que deixássemos o carro no estacionamento da pousada como nos deu uma carona até a base do Monte Negro. Eram passadas quatro horas da tarde quando, enfim, colocamos as mochilas nas costas e começamos a caminhar. Como é proibido acampar na área do Cânion, tivemos que contornar o Monte, pelo Leste, através de mata fechada. Foi um início conturbado e surpreendente, já que, na minha cabeça, não teríamos que passar por nenhuma mata. Tive grande dificuldade em me deslocar, já que a organização do meu equipamento não ajudava... aquela maleta de material fotográfico na mão... assim, mal tinha começado a caminhar e consegui alguns arranhões, duas quedas e afundar os calçados na lama preta, molhando as meias e as calças. Mas a compensação não demorou a chegar..
      Após uns 200 metros de sofrimento, digo, caminhada, a mata começou a abrir e, ao passar por uma espécie de túnel verde, descortinou-se uma clareira à beira do planalto. Era final da tarde e uma luz amarelada incidia, oblíqua, nas nuvens que dominavam o ar, da beira do planalto para baixo, como um tapete branco-dourado estendido em continuação aos verdes campos de cima da serra. Uma visão espetacular, revigorante. Fiz o primeiro vídeo da viagem com aquele cenário. Decidimos acampar por ali mesmo, posicionando uma das entradas da barraca para o lado do sol nascente. Jantamos e nos organizamos para descansar. Eu me sentia feliz por estar novamente no alto da montanha (por assim dizer), respirando ar puro, curtindo as cores da natureza, longe das luzes elétricas e do burburinho da cidade. Estava pronto para me livrar daquela frequência de 60 hertz que nos cerca cotidianamente e retornar à frequência da natureza, e, esperava, para minha própria frequência. Este sentimento não durou muito...
      Eu tinha adquirido um isolante térmico novo, mais compacto e confortável para colocar debaixo do meu saco de dormir. Eu tinha consciência que estava com 50 anos de idade e um sobrepeso de, no mínimo, 20 quilos. Não era mais um guri que podia dormir de qualquer maneira e acordar inteiro na manhã seguinte. Então, comprei, via internet, um isolante térmico inflável importado, de uma marca conhecida e reconhecida. A encomenda chegou num prazo razoável e cheguei a testá-la alguns dias antes do início da jornada. Fiz um vídeo sobre o assunto para o nosso canal do Youtube. Tudo certo. O fato é que na hora “h” o isolante inflável inflou e desinflou imediatamente, não se importando com a minha necessidade de conforto. De algum modo, ele estava furado. Muito furado. Até agora não sei o que houve. Até gravei um vídeo demonstrando minha frustração. Pior que ter frustrado a experiência com o equipamento novo foi a noção de ter que passar o resto da viagem sem o conforto, carregando um peso morto. Por sorte eu tinha levado outro isolante, de EVA, bastante fino. O suficiente para eu não ter que dormir direto no chão da barraca. Me arrumei como pude e, lembrando do meu pescoço que há meses estava dolorido, peguei o meu travesseiro compacto e comecei a inflá-lo. Por alguma ironia do destino, ele resolveu seguir o mesmo rumo do isolante térmico inflável. Minha “paz interior”, tão buscada pelo Mestre Shifu, estava sendo posta à prova. Tive que fazer o tradicional travesseiro de roupas para apoiar minha cabeça, ao deitar... paz interior, paz interior... afff... afinal, dormi. Mas não muito.
      Era perto das duas da manhã quando fui acordado pelo barulho do vento a bater na mata próxima e a sacudir as paredes da barraca. Nada de mais, afinal, sei que na beira dos cânions o clima muda rapidamente e sempre tem algum vento. Mas tinha alguma coisa diferente... estava quente e o vento parecia estar aumentando. Acordei de sobressalto uma hora depois com o barulho do vento que castigava violentamente a lateral da barraca, a ponto de prensá-la ao chão, sobre o Mauro, que dormia ao meu lado, enfiado no seu... esquema de dormir. O barulho era assustador e o vento parecia ser de um tornado. Bem, eu já tinha pêgo temporais enquanto acampava, mas não assim. Não à beira de um precipício, a 1.300 metros de altitude. Saí da barraca pelo outro lado, para tentar ter uma noção do que estava acontecendo. O céu estava limpo sobre nós, com uma absurda quantidade de estrelas e, olhando ao Sul, divisei uma linha mais escura junto ao horizonte movendo-se, com seus raios, rapidamente a Leste. Os ventos que passavam sobre nós eram puxados para a linha de mau tempo e pareciam alimentá-la. Uma tormenta muito forte se avizinhava. Dei a volta na barraca para conferir as estacas e as cordas. Tudo certo, apesar da pressão do vento, que realmente deitava a barraca sobre ela mesma. Sobre isso, não havia o que fazer a não ser rezar e confiar para que as varetas de estrutura não cedessem. Era uma barraca nova, comprada especialmente para uma saída com a família no feriado de sete de setembro. Aproveitei uma oportunidade no Outlet da The North Face e comprei uma Triarch 3. A barraca é sensacional. Ainda que tenha saído pela metade do preço, o valor pago era relativamente alto em relação a outras marcas, o que me fez levar um olhar preocupado da esposa. Agora a barraca estava mostrando o seu valor. O raiar do dia foi estranho. O sol nasceu esplêndido e laranja e sobre nossas cabeças ainda havia céu claro. Mas ventava muito e sabíamos que o temporal não tardaria a nos alcançar. Tirei umas fotos – tremidas por causa do vento – e fiz um vídeo mostrando a barraca adernada e o barulho do vento. Tomamos café rapidamente, arrumamos as mochilas e com bastante dificuldade, por causa do vento incessante, desmontamos a barraca. Começamos a caminhar na direção da tempestade.
      Saímos em busca do Cânion Boa Vista e do morro do mesmo nome, que é o segundo ponto mais alto do Estado, cerca de 10 quilômetros ao Sul da nossa posição. O tempo fechou de vez e, no meio do caminho veio a chuva. Tivemos tempo para colocar as jaquetas impermeáveis e as capas nas mochilas, mas sem muita serventia pois o vento sacudia tudo e fazia a água entrar em todos os lugares. Tentei proteger a maleta da melhor maneira possível, sem sucesso. Mesmo sendo uma maleta especial e reforçada, todo o equipamento molhou.
      Para piorar a situação, subiu um nevoeiro, dificultando a nossa navegação. Não víamos mais do que 10 metros à nossa frente. Mesmo com o GPS do telefone nos auxiliando, estava difícil encontrar a direção certa no meio do campo. O nosso objetivo era encontrar uma plantação de pinheiros que cortava o nosso caminho e escondia, atrás de si, uma estrada que levava ao Boa Vista. A chuva apertava e dificultava o manuseio do telefone celular. O aparelho não reconhecia a digital do meu dedo molhado. Além disso, cada vez que queria consultar o GPS eu tinha que parar, colocar a maleta no chão, puxar o telefone do bolso e de alguma forma tentar secar a ponta do dedo. Não foram poucas as vezes que eu tive que digitar a senha de segurança. Eu não quis deixar o aparelho desbloqueado porque não queria correr o risco de que algum toque acidental fechasse o mapa do GPS. Eu estava offline. Obrigado, Claro.
      Depois de algum tempo caminhando em zigue-zague, encontramos a plantação de pinheiros. De fato, só não batemos nela, porque quando o Mauro gritou “olha os pinus!!” estávamos andando ao lado dela e não de frente, como deveríamos. Deu tempo de cruzar a cerca e parar debaixo da primeira linha de pinheiros quando um aguaceiro começou a cair sem sinal de trégua. Ficamos parados, de pé, não havia mais nada a fazer. Dali para adiante, por outro lado, a nossa vida ficara mais “fácil”. O vento diminuiu. Bastava seguir a linha de pinheiros até encontrar a estrada. Era uma estrada típica de interior de plantação de pinheiros: rústica, suja e cheia de áreas alagadas. Uma hora e meia depois chegamos à entrada da Pousada Ecológica dos Cannyons, junto ao Cânion da Boa Vista. Nem houve discussão sobre a hipótese se seguir caminho. Era impossível. Entramos na pousada e pedimos acomodação para passar a noite. Eram onze horas da manhã e estávamos caminhando sob vento ou chuva desde as seis e meia. O atendente foi conferir se havia acomodações.
      Por sorte, a pousada não estava cheia. Tinha um pessoal da UFRGS (vimos a van na entrada do estacionamento) e mais dois casais hospedados. O gerente nos acomodou num chalé de madeira. Não era novo mas estava em boas condições. Contava com dois pequenos quartos de casal, um banheiro com chuveiro elétrico, e uma saleta que acomodava um beliche, um móvel com uma tv de tubo e... uma lareira! Imediatamente pedi ao gerente que acionasse a lareira. Ele retornou em seguida com uma caixa de lenha e em dois minutos ouvimos o crepitar da madeira. Era o local ideal para secarmos nossas roupas e calçados. Fiquei tão comovido que tirei uma foto dos meus tênis secando à beira do fogo.
      Ahhhh, um banho quente! Fiquei mais de meia hora no banho, aquecendo meus pés gelados, até que o Mauro, perdendo a paciência, bateu na porta pra saber se estava tudo bem. Coloquei uma roupa seca, pedi desculpas pela demora e fui para junto da lareira. Em seguida, fomos para a área de estar da pousada que contava com uma grande lareira ladeada por sofás confortáveis e com... wifi! Conversei com a Kátia e mandei umas fotos. Pela tv ficamos sabendo que a tormenta tinha sido realmente dura. Causou alagamentos e destelhamentos por todo o Estado. O noticiário informou que os ventos chegaram a 80 km/h na região em que estávamos. Quando contávamos o que tínhamos feito, as pessoas ficavam assustadas e nos olhavam como se fôssemos loucos. Todos na pousada – até a cozinheira – já sabiam dos coroas malucos que chegaram molhados e passaram de barraca por um vendaval.
      O almoço campeiro estava simplesmente delicioso. Simples e saboroso. Quando estávamos nos retirando, vimos o pessoal da universidade fazendo o check-out. Passamos o resto da tarde descansando, evitando que o fogo da lareira se apagasse (ou que as roupas queimassem muito próximas às chamas) e carregando nossos aparelhos eletrônicos. O passar das horas abriu o tempo. Lá pelas cinco da tarde, claridades mais fortes entravam pela janela do chalé. Em seguida, vinha uma nuvem e o tempo fechava novamente.
      Em seguida, fomos para o lobby, esperar a hora do jantar. Eu também queria ver a previsão do tempo no noticiário e aproveitar o sinal de internet disponível apenas naquele ambiente. Estávamos sentados junto à lareira quando ouvimos os dois casais que ficaram na pousada conversando com o proprietário da pousada sobre como ir ao Cânion Amola Faca. Eles queriam ir mesmo com o tempo não estando ainda tão firme. Olhei para o Mauro, que estava sentado junto ao fogo da lareira do lobby. Sabíamos que seria uma caminhada inútil de 6 quilômetros. O cânion estava fechado de nuvens, com certeza. À noitinha os casais estavam de volta. Não resisti e perguntei sobre a ida ao Cânion Amola Faca. Eles responderam, desapontados, que nem conseguiram chegar à beira. Um dos rios que corta a estrada que leva ao cânion estava transbordado, com uma corrente muito forte, devido às chuvas. Não se atreveram a tentar cruzar a torrente de água.
      Os casais, biólogos, viviam da pesquisa em campo e do ambiente acadêmico. Começamos uma conversa animada sobre sustentabilidade, acampar, trekkings e sobre o Cânion Josafaz, em especial. Pela conversa, entendi que os pesquisadores haviam procurado, sem sucesso, um local específico, importante para seus estudos, na região. Por incrível coincidência, a região do Cânion Josafaz nos é conhecida e querida. Estive com o Mauro lá por várias vezes. Descemos o cânion em duas oportunidades, por uma trilha inacreditável. Outras duas vezes estive lá guiando outras pessoas pela descida. Confesso que não conseguia encontrar a trilha sem o Mauro, por mais que tentasse. Por outro lado, eu conhecia muito bem a parte de cima, próxima das localidades de Aratinga e Contendas, pertencentes ao município de São Francisco de Paula. E conhecia o local procurado pelos biólogos. Isso deixou nossa conversa ainda mais interessante. Fomos interrompidos pela chamada à janta, que estava deliciosa. Em seguida, voltamos à beira da lareira, onde retomamos as conversas por mais um par de horas antes de nos recolhermos aos chalés.
      Resolvi me acomodar no beliche, mais próximo da lareira onde podia ficar ouvindo o crepitar da lenha sob a pouca luz avermelhada que emanava do canto da sala. A previsão do tempo era boa para os próximos dias mas eu sabia que teria dificuldades com o terreno molhado pela abundante chuva que caíra. Os campos de turfeiras deviam estar ainda mais encharcados. Organizei as cobertas sobre o pequeno colchão de beliche e adormeci rapidamente.
      No dia seguinte, domingo, o café foi posto às oito e meia, mais tarde do que eu gostaria. No entanto, o tempo ainda não estava firme, variando entre sol e nevoeiro. Percebi que o vento estava mudando para o quadrante Sul, o que me encheu de esperança. Aproveitei o maravilhoso café colonial que foi posto à mesa. Enfim, perto das dez horas da manhã fizemos o check-out, nos despedimos dos nossos novos amigos e retomamos a nossa jornada rumo ao Cânion Amola Faca.
      Quase todo o percurso de 6 quilômetros foi feito por estrada de terra e pedras. O terreno já havia enxugado bastante e os rios estavam quase em seu leito normal. Mas a sorte continuava a me testar e a sola do meu tênis do pé esquerdo começou a desprender. Iniciei a caminhada com os calçados à meia-boca mas confiante que conseguiria chegar ao final. Nada disso. Tentei amarrar cordas em torno do pé, mas ao caminhar as cordas soltavam facilmente. A situação estava começando a ficar periclitante pois, caso soltasse totalmente a sola, eu não poderia continuar. Só tinha levado aquele calçado. Perseverei e continuei a caminhar, com cuidado. Apesar do céu estar muito nebuloso, consegui belas fotos da longa cachoeira que despenca dentro do cânion. Demos a volta no vértice do cânion para nos refrescarmos nas águas daquele arroio. Aproveitei a parada para verificar o estado dos meus calçados. Nada bom. O calçado do pé direito já dava sinais de descolamento da sola. Foi aí que tive a ideia de furar a ponta da biqueira do tênis e passar uma corda, que amarrei nos cadarços. Ficou muito bom e segui confiante.
      O céu havia limpado de vez e agora o sol batia inclemente. Depois de encher nossos cantis, ficamos contemplando a beleza do lugar, acompanhados por uma leve brisa e alguns pássaros. Decidimos acampar por ali, em algum lugar de uma espécie de platô que se estendia para leste, a partir da face sul do cânion. Quando estava em casa estudando a região, pelo computador, percebi aquele platô e tive vontade de explorá-lo até sua extremidade leste e acampar lá, tendo uma visão de uma área litorânea que poderia se estender desde Torres até talvez Imbituba ou Tubarão, ao Norte. Mas a caminhada era longa e sob os argumentos do Mauro, resolvemos fica mais perto. Uma coisa eu não abria mão: queria ver o sol nascer no litoral. Esse é um espetáculo mágico. Não tivemos dificuldade em encontrar um local plano, que poderia servir. Consultamos o Garmin sobre a posição do sol nascente, e, a princípio, seria adequado. Montamos o acampamento sem pressa, aguardando a noite fria e ventosa que viria. Preparei uma sopa de galinha com arroz (aquelas prontas, de pacote, claro) e ainda enfiei um miojo e nacos de salame na panela. Uma refeição quente antes de dormir, simples assim. Dormi bem apesar do incômodo nas mãos, braços e pescoço causados pela radiação solar. Tinha esquecido do protetor solar e agora teria que ter muito cuidado no restante da caminhada.
      Dormi tão bem que quase perdi o espetáculo que buscava. Fazia uns oito graus fora da barraca e o vento forte do amanhecer deixava a sensação próximo de zero. Mesmo com as mãos tremendo, tirei várias fotos e decidi que iria filmar o sol nascendo. Este seria um presente meu para a Kátia. Ela queria muito ter vindo junto. Lembrei do nosso primeiro acampamento, perto do vértice do Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul. Estávamos namorando há apenas dois meses e assim que começou o recesso das festas de final de ano, a convidei para acampar. E ela topou, mal sabendo onde estava se metendo. O seu tênis de marca, branquinho, também. Se não me engano, o coitadinho não resistiu e foi pro lixo assim que retornamos. O importante é que o destino sorriu para nós e a nossa união inclui também o amor pela natureza e pelos acampamentos. Ela adorou conhecer a região dos cânions e me acompanha sempre que pode. Lembro do seu rosto quando a levei pela primeira vez ao mirante do Cânion Fortaleza e lembro a sua expressão maravilhada quando a levei pela primeira vez ao Cânion Malacara, o nosso preferido. Lamentei muito a sua ausência nesta jornada e por isso quis gravar um sol nascente, só para ela. E a natureza ajudou. Foi mágico.
      Tomamos um bom café da manhã, com direito a bebida achocolatada, frutas e pão. Muita energia para o trecho que estaria por vir. Caminhamos por lindas campinas onduladas, cheias de flores coloridas e pontuadas por capões de mata. As araucárias ainda dominavam a paisagem por ali, até que começamos a divisar as plantações de pinheiros comerciais. Quando chegamos no meio de uma campina cercada de morros verdes, aproximou-se de nós um cavaleiro, o chamado peão de estância. Por segurança paramos e aguardamos a sua lenta aproximação. Após as saudações, explicamos que estávamos caminhando e pedimos passagem. Ele falou prontamente que respeita muito os turistas “como nós” e que tem bronca apenas com os caçadores. Aposto que ele soube que éramos mochileiros (e não caçadores) muito antes de nós o termos visto. Trocamos algumas impressões sobre o tempo e perguntamos sobre o caminho a seguir. Para a nossa surpresa, ele disse que teríamos que passar pelas plantações de pinheiros... isso não estava no mapa do Google... a imagem mostrava claramente que era campo aberto até o fim da caminhada. Ao que parece a ação do agronegócio ainda é mais rápida do que a atualização da foto do satélite de navegação. O peão, lógico, estava certo e em dado momento não tivemos mais campo pela frente, apenas pinheiros.
      Passamos por uma taipa de pedra, uma antiga mangueira (ou curral) feita de pedras encaixadas. Essa era uma prática muito antiga da cultura serrana e uma habilidade quase perdida no tempo. Essa taipa tinha mais de dois metros de altura e, na sua base, um metro de espessura. Uma construção singular. Em seguida, fomos na direção do Cânion da Rocinha, num lugar chamado “chiqueirão”. Erramos o caminho ao tentar desviar a primeira entrada do cânion e tivemos que caminhar quase dois quilômetros a mais. No entanto, esse ponto nos deu uma visão privilegiada da estrada da Serra da Rocinha e as construções dos novos viadutos que o governo federal está construindo. Demoramos quase uma hora para contornar esse vale reto e fundo para descobrir, do outro lado, uma estrada que ia exatamente na direção que tomaríamos.
      Era quase meio dia e o sol a pino estava nos castigando. Eu resolvi caminhar com a minha jaqueta leve, apesar do calor, para evitar mais queimaduras nos braços e no pescoço. Passava um calor opressivo, suando bicas, enfiado naquela jaqueta de nylon. Por sorte, um nevoeiro esparso começou a toldar o céu, aliviando o calor. Paramos um pouco para descansar, no meio de uma estrada. Sentamos, nos encostamos nas mochilas, puxamos os chapéus sobre o rosto e... tiramos uma soneca. Bem no meio da estrada. Acordei sobressaltado com o barulho de um motor. Poderia ser um carro a passar pela estrada em que estávamos deitados. O cochilo não durou mais do que quinze minutos, mas foi o suficiente para renovar os ânimos. Partimos para encarar o que imaginávamos seria o último grande obstáculo: um arroio caudaloso, margeado pelas plantações de pinheiros e que acabava por se lançar no fundo do cânion. Ao chegarmos às margens, percebemos que o desafio maior para atravessá-lo seria chegar às suas margens. O arroio corria por uma depressão ou vale com mais de dois metros de profundidade, com paredes verticais tomadas por uma planta espinhosa que conhecemos por orelha do diabo. Tivemos que caminhar um bom pedaço da sua margem até encontrarmos um ponto de descida, que conjugasse também um bom ponto de travessia e uma possibilidade de subida do outro lado.
      O arroio era lindo, com pequenas corredeiras e poços que convidavam para um banho refrescante. Deixamos para uma próxima vez. Estávamos à meia-tarde e o “nada”, o nevoeiro que sobe das encostas sempre nesse horário estava cada vez mais forte. Após caminharmos através de plantações de pinheiros encharcadas e cruzarmos por outro belíssimo arroio, alcançamos a região da nascente do Rio das Antas. Um lugar que ainda quero conhecer melhor. Tentávamos nos afastar um pouco da borda do planalto para termos um pouco mais de visibilidade, mas assim que adentramos a estreita faixa de campo que separa o precipício do vale do Rio das Antas, a visibilidade piorou. Às cinco horas da tarde não conseguíamos ver mais do que dez metros adiante de nós. Mesmo com o GPS era difícil navegar em linha reta ou mesmo antever os obstáculos pela frente. Passamos por uma área de nascentes e turfeiras que acabou com as minhas energias. Percebi que estávamos indo da direção errada e, preocupado, me dirigi à primeira elevação que consegui divisar. Cansado, quase não consegui subir o morro, que não era tão alto mas compensava com a dificuldade de sua inclinação acentuada. No cume, declarei ao Mauro que não conseguiria seguir adiante, tanto pelo meu cansaço como pela visibilidade, que a essas alturas estava reduzida a uns cinco metros. Montamos acampamento num lugar mais ou menos plano. Acabei por montar minha cama no espaço de 40 centímetros entre duas pedras e com os pés num buraco. Repeti a janta da noite anterior, que dividi com meu companheiro, e me acomodei para dormir. Estava exausto e com os calçados, meias e as calças molhados. Sabia que as coisas continuariam assim até a manhã seguinte pois o vento forte trazia apenas aquele nevoeiro úmido e gelado. Dormi como uma pedra.
      O amanhecer do dia seguinte foi esplêndido. Mais um espetáculo da natureza. O morro que decidi subir, quase no escuro, estava na borda do cânion e nos presenteou com um crepúsculo de tirar o fôlego. Estávamos a poucos quilômetros do final da caminhada e o dia estava aberto, iluminado e aquecendo rapidamente. Como previ, minhas roupas ainda estavam molhadas. Decidi trocar as calças e colocar meias limpas e secas. Usar a última muda de roupa limpa não me preocupava porque estávamos concluindo a jornada e meus pés estavam doloridos e machucados por causa do esforço de caminhar com calçados danificados e sempre molhados. Devoramos tudo que pudemos no café da manhã, desmontamos o acampamento e descemos o morro, na direção Sul. Ultrapassamos uma encosta e subimos um morro que, em seu topo, mostrava afloramentos rochosos e um pouco além, uma estação meteorológica. A estação resumia-se numa antena cravejada de equipamentos e um pequeno cubículo na sua base, possivelmente para guardar algum material. Vimos rastros de veículos mas nenhuma estrada ou trilha. Paramos para descansar e tirar algumas fotos. Aproveitei para usar a máquina fotográfica para registrar as encostas azuladas do Cânion da Rocinha. A caminhada estava relativamente fácil, sobre terreno alto e seco. Após contornarmos algumas pedras, paramos para descansar numa rara sombra. Dali enxergávamos, muito perto, as antenas no topo da Serra da Rocinha e, a cerca de um quilômetro, a estrada BR 285!
      Emocionado, pus a mão no bolso da calça para pegar o celular, verificar a nossa posição e tirar umas fotos. O bolso estava rasgado e o telefone não estava ali. Entrei em pânico e falei pro Mauro: “perdi meu telefone!”. Não era possível. Não podia ser verdade! Não, não, não! Todas as fotos, todos os vídeos que tinha feito... Não! Falei pro Mauro: “Vou voltar e procurar”. Deixei a mochila ali mesmo e comecei a retornar. Não lembrava ao certo onde tinha sido a última vez que tinha usado o aparelho mas, mesmo sabendo que as chances de encontrá-lo eram diminutas, não podia aceitar a ideia da perda assim, tão facilmente. Minha cabeça estava um turbilhão e mal vi o Mauro caminhando atrás de mim, me auxiliando na busca. Tentando loucamente lembrar da última vez em que o tinha visto, imaginei que tinha sido naquela encosta rochosa, perto da estação meteorológica. Caminhando lentamente, olhava para o chão e, a essas alturas rezando, para encontrar o telefone. Eram aproximadamente 500 metros de trilha de gado, campina baixa e pedras até o local da estação meteorológica. Fiz e refiz esse caminho duas vezes, tentei traçados diferentes, ziguezagueei por todo o terreno. Quase duas horas de procura, inútil. Apesar do esforço no auxílio da busca, Mauro me alertou do horário. Precisávamos abandonar a busca e concluir a caminhada. Uma vez na estrada, teríamos que pedir um táxi para o nosso resgate. Estávamos a 12 quilômetros de São José dos Ausente e a 57 do nosso carro.
      Arrasado, concordei. Tínhamos que encerrar a jornada. Eu não conseguia falar e também não conseguia chorar, apesar da vontade. Todas as cenas gravadas e fotografadas vinham à minha memória. Um sentimento de culpa também me invadiu. Por que eu troquei de calça? Por que não tive mais cuidado? Agora, todos os vídeos estavam perdidos. Muitas fotos também. Não havia backup e a única nuvem era a negra que pairava sobre a minha cabeça agora. Todo o projeto estava comprometido. As ideias, as imagens, as falas, todos os registros estavam perdidos.
      Me arrastei pelos últimos metros da caminhada até a estrada. O Mauro, tentando me animar, perguntava “Por onde agora?”, mesmo sabendo que o caminho em frente era o melhor. Eu mal balbuciava, sem força, “Por onde tu quiser...”, ou fazia um sinal com a mão, indicando seguir em frente. No final, eu simplesmente continuava caminhando. Estava cansado, com sede, triste e frustrado. Meus pés e ombros doíam. Minhas mãos e pescoço ardiam, queimados do sol. Estava farto de carregar na mão aquela maleta...
      Será que isso era uma mensagem do destino? Ou era puro azar? Há anos eu não tinha a oportunidade de fazer uma caminhada dessas. Trabalho, família, dinheiro, preguiça, sempre havia uma “desculpa” que me direcionava para outras atividades. Agora, tinha conseguido férias, tinha companhia, tinha a liberação da família, e tinha uma motivação a mais, um projeto. Enveredar por uma área de trabalho nova, com novos desafios. Eu sempre gostei de novos desafios. Comecei a jornada animado e a encerrava frustrado. Qual seria a moral da história? Haveria uma? Vamos deixar os clichês de lado, por um momento. As respostas estão aqui mas às vezes não nos vêm facilmente. Precisei de algum tempo para processar toda a jornada. Não sei se obtive alguma resposta, mas certamente tomei algumas decisões. E se essa jornada tivesse sido com você, querido leitor?
      Eram quase onze horas daquela manhã quente quando eu cheguei no córrego, à beira da estrada. Eu estava suado e com sede. Lembrei que estava com os cantis vazios e resolvi pegar um pouco de água e me refrescar antes de subir o barranco pedregoso até a estrada.
      Após a triste cena que se seguiu, ante os olhos arregalados do meu companheiro de caminhada, lentamente peguei meu cantil, lavei e enchi novamente. Subi o barranco de pedra, deixei a mochila cair nas pedras e sentei à beira da estrada, com a cabeça apoiada nas mãos, tentando acalmar a respiração e a mente. O Mauro, com ainda mais vagar, repetiu os meus passos barranco acima. Antes que ele pusesse por os pés na estrada eu levantei e apertei-lhe a mão. Pedi desculpas pela cena e pelo mau humor. Agradeci pela companhia e pela paciência e lhe disse que eu não poderia pisar na estrada sem estar com meu amigo, companheiro de caminhadas. Pisamos juntos no leito da estrada poeirenta.
       



    • Por Leandro Z
      Apesar de haver bons relatos no site, espero contribuir com o meu.
      Há 4 ônibus diários entre São Luís e Barreirinhas pela viação CISNE BRANCO, R$51, demora 5h (não procurei vans saindo do aeroporto direto pra Barreirinhas, mas existem). Dizem que é melhor fazer a travessia no sentido Barreirinhas - Santo Amaro, por causa da posição do sol e do vento. A estrada São Luís-Santo Amaro é relativamente nova, está boa e é mais perto que SLZ - Barreirinhas. Além disso, as lagoas de Santo Amaro são mais bonitas. ATENÇÃO com a volta de Santo Amaro para São Luís, acho que não tem ônibus (se tiver, são raros) e dependemos do guia em achar uma van que ia pra lá. Geralmente, este último dia termina 12:30h e o transporte até São Luís demora 4h30min. Grande parte da travessia é em areia firme e fria, então é melhor andar descalço ou com meia. Também tem inevitáveis passagens por lagoas menores, onde se molha, pelo menos, as pernas. Elas são boas para se refrescar (o tempo inteiro eu andei molhado ou úmido de propósito). Melhor época: junho e julho, alguns dizem agosto e até setembro, mas nestes muitas lagoas já estão secas. Preços: como junho e julho são os melhores meses, só diária do guia custa até R$250; hospedagem (café da manhã incluído), em redário, sai por R$35; jantar: R$30 a R$35; água de 2l: R$8. Converse com o guia para ver o que está incluído no preço dele (passeio pelo rio Preguiça, hospedagens e refeições, etc). Cansar vai, mas com certeza vale a pena. Acredito que uns treinos de caminhada de 8km sejam suficientes para preparação. Esta é a travessia mais tradicional do parque, mas tem outras de 6 até 10 dias! Levar: poucas roupas (inclusive com proteção UV), meias, chapéu (nessa época, não precisa levar nada para frio, nem tênis), chinelo, protetor solar, água (pode ser comprada em cada parada),  snacks (frutas desidratadas, amendoim e castanhas), dinheiro em espécie, lanterna (não é essencial, não precisa na caminhada, mas ajuda nas hospedagens), coisas de higiene pessoal (sabonete, escova, pasta, repelente). É recomendável levar aquelas baterias portáteis, power bank, mas dá pra usar a eletricidade em algumas hospedagens. Dia 28/jun - 1º dia: Pegamos um barco em Barreirinhas para fazer o passeio pelo rio Preguiça (R$80) por volta das 10h, o guia já nos acompanhava. O passeio é tranquilo, para em Mandacaru, onde tem um farol, também para em Caburé onde tem dunas e uma lagoa. Termina em Atins, banhamos em uma praia. Depois, final de tarde, caminhamos até Canto de Atins, cerca de 3,5h em ritmo tranquilo, sem paradas para banhos, o GPS marcou 12km de caminhada durante o dia todo (pareceu bem menos). Em Canto de Atins, tem dois restaurantes/pousada: do seu Antônio e da dona Luzia. A dona Luzia foi pioneira e é mais famosa, mas o guia disse que a fama subiu-lhe a cabeça, ficamos no seu Antônio. O camarão na chapa é o prato chefe de ambos, não é barato (com refri e água, saiu R$50 cada um o jantar), mas realmente estava muito gostoso. Dormimos em rede (R$35), local coberto com palha, com luz, mas sem paredes, até às 2:30h da manhã.
       
      Dia 29/jun - 2º dia: Prometia ser o mais pesado, cerca de 17km até Baixa Grande (o quarto dia que foi o mais cansativo). Começamos a travessia por volta das 3:15h, depois de um bom café da manhã, caminhamos sob a lua cheia iluminando tudo e temperatura amena. Andamos pela praia um bom tempo, cerca de 4h (com direito a cochilada no caminho) até chegar às dunas. Valeu a pena? Sempre, no entanto, tem gente que faz este trajeto de carro e isto economiza umas boas horas. Nas dunas, subida, descida, banho em algumas lagoas. Terminamos em Baixa Grande às 12:10h. Cansei muito! O GPS marcou, durante todo o dia, uns 27km. Eu digo "durante todo o dia", porque ainda caminhávamos pelos arredores do local da hospedagem para conhecer lagoas, rios, ver o pôr-do-sol. Baixa grande é um vilarejo no meio do deserto, mas com construção de alvenaria e vegetação por perto. Almoçamos galinha caipira por R$35 (preço padrão e não é você que escolhe o que comer). Descansamos e, à tarde, fomos para uma lagoa e ver o pôr-do-sol. Dormimos, como sempre, em rede (R$35 preço padrão), sem iluminação, mas coberto com palha e "paredes". O dia seguinte seria mais tranquilo.
       
      Dia 30/jun - 3º: Este terceiro dia foi tranquilo, acordamos por volta das 4:30h para sairmos às 5h, após café da manhã simples (tapioca e ovo). Caminhamos devagar, parando bastante em lagoas e terminamos antes do meio-dia em Queimada dos Britos, o GPS indicou 15km. Eu comecei a usar meia, pois vi que estava começando a formar bolha no meu pé. Almoço (R$35) era peixe (estava salgado), teve salada (artigo raro) e até sobremesa. Lagoas, pôr-do-sol, jantar e dormir cedo, porque não tem muito que fazer a noite.
       
      Dia 1º/jul - 4º: De novo, acordamos umas 2:15h, tomamos café e saímos para caminhar às 3h e alguma coisa. Só terminamos à 12:30h, exaustos, em Santo Amaro. Foi o dia mais longo e mais cansativo, cerca de 28km. Neste dia, mais uma vez, é possível pegar um transporte em Vassouras, economizando assim, uns 10km. Pergunta se pegamos? Não. Faltando uns 8km (talvez 6km), o guia novamente perguntou se queríamos pedir um carro e pagar R$50 cada um. Pegamos o carro? Claro que não, só faltavam 8km! kkk. As lagoas perto de Santo Amaro são bem mais bonitas que as de Barreirinhas e, acredito eu, o turismo em Santo Amaro irá aumentar com a boa estrada até são Luís (só falta transporte).
       



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